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O Poder das Emoções

O Poder das Emoções

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Publicado porGaleno Alvarenga
O livro busca explicar como as emoções atuam no pensamento e na avaliação do comportamento humano. As diversas emoções (medo, raiva, alegria, felicidade) modificam nossa maneira de pensar e, consequentemente, nossas condutas. Por motivos históricos, nossa cultura endeusou a razão, deixando de lado a emoção; não sei o motivo de tanta antipatia. Muitas vezes, deixamos de lado nossos preconceitos contra as emoções e, por instantes, elogiamos os que apreciam o belo, a arte, os amantes, os que sorriem ou sofrem. Portanto, convivemos, respeitamos e somos sensibilizados pelas emoções, mas, no fundo, as repudiamos, pois ocupam um lugar secundário em nossa vida. Essa ideia é errada. Os indivíduos que estão amando, tristes ou raivosos, não escolheram ou decidiram estar assim. As emoções ocorrem sem nossa vontade ou desejo. Elas são detonadas em virtude da ativação de circuitos e núcleos neurais. Nascemos com certas áreas cerebrais prontas a reagirem de certo modo (medo, raiva, tranquilidade, afetuoso) diante de determinados estímulos. Portanto, do ponto de vista biológico (não de outro), não precisamos aplaudir ou menosprezar aquele que se acha enamorado ou odiando alguém. Os raivosos e os apaixonados foram atingidos por situações diversas e têm organismos diferentes. Eles, por sua vez, reagiram também de forma peculiar; uma resposta natural e espontânea, devido ao seu organismo e meio ambiente. Culturalmente, de um modo implícito, muitas vezes explícito, atacamos (com bastante raiva) a ira dos outros e, também, aplaudimos o amor da pessoa à humanidade ou a um simples indivíduo. Mas essa emoção produtora da ação - amar ao próximo - não foi escolhida, ela nos ocorre naturalmente. O livro procura mostrar que frequentemente somos mais comandados por nossas emoções (irracionalidade: raiva, paixão) que pelas razões. Somos, por mais que acreditemos no oposto, mais idiotas que inteligentes. Quando tomamos nossas decisões do dia-a-dia, usamos mais as intuições (o “conhecimento do estopim quente”) que a lógica fria, e agimos assim muitas vezes quando tomamos as mais importantes escolhas de nossa vida: a profissão, os companheiros e amigos, o cônjuge, o lugar onde morar e os inimigos para combater e tomar nosso tempo. Convido vocês para aprenderem um pouco mais acerca desse fator decisório de suas vidas. As emoções nos acompanham desde as ações simples, como tomar um copo de água, até as mais complicadas, como o que iremos fazer agora: assassinar alguém, entrar numa briga de rua, guerrear, casar, separar e inúmeras outras decisões. Geralmente, após sermos comandados por nossas emoções, explicamos, racionalmente, nossas “razões” para justificar nossa tomada de decisão, isto é, uma tentativa de tornar mais compreensível o incompreensível.
O livro busca explicar como as emoções atuam no pensamento e na avaliação do comportamento humano. As diversas emoções (medo, raiva, alegria, felicidade) modificam nossa maneira de pensar e, consequentemente, nossas condutas. Por motivos históricos, nossa cultura endeusou a razão, deixando de lado a emoção; não sei o motivo de tanta antipatia. Muitas vezes, deixamos de lado nossos preconceitos contra as emoções e, por instantes, elogiamos os que apreciam o belo, a arte, os amantes, os que sorriem ou sofrem. Portanto, convivemos, respeitamos e somos sensibilizados pelas emoções, mas, no fundo, as repudiamos, pois ocupam um lugar secundário em nossa vida. Essa ideia é errada. Os indivíduos que estão amando, tristes ou raivosos, não escolheram ou decidiram estar assim. As emoções ocorrem sem nossa vontade ou desejo. Elas são detonadas em virtude da ativação de circuitos e núcleos neurais. Nascemos com certas áreas cerebrais prontas a reagirem de certo modo (medo, raiva, tranquilidade, afetuoso) diante de determinados estímulos. Portanto, do ponto de vista biológico (não de outro), não precisamos aplaudir ou menosprezar aquele que se acha enamorado ou odiando alguém. Os raivosos e os apaixonados foram atingidos por situações diversas e têm organismos diferentes. Eles, por sua vez, reagiram também de forma peculiar; uma resposta natural e espontânea, devido ao seu organismo e meio ambiente. Culturalmente, de um modo implícito, muitas vezes explícito, atacamos (com bastante raiva) a ira dos outros e, também, aplaudimos o amor da pessoa à humanidade ou a um simples indivíduo. Mas essa emoção produtora da ação - amar ao próximo - não foi escolhida, ela nos ocorre naturalmente. O livro procura mostrar que frequentemente somos mais comandados por nossas emoções (irracionalidade: raiva, paixão) que pelas razões. Somos, por mais que acreditemos no oposto, mais idiotas que inteligentes. Quando tomamos nossas decisões do dia-a-dia, usamos mais as intuições (o “conhecimento do estopim quente”) que a lógica fria, e agimos assim muitas vezes quando tomamos as mais importantes escolhas de nossa vida: a profissão, os companheiros e amigos, o cônjuge, o lugar onde morar e os inimigos para combater e tomar nosso tempo. Convido vocês para aprenderem um pouco mais acerca desse fator decisório de suas vidas. As emoções nos acompanham desde as ações simples, como tomar um copo de água, até as mais complicadas, como o que iremos fazer agora: assassinar alguém, entrar numa briga de rua, guerrear, casar, separar e inúmeras outras decisões. Geralmente, após sermos comandados por nossas emoções, explicamos, racionalmente, nossas “razões” para justificar nossa tomada de decisão, isto é, uma tentativa de tornar mais compreensível o incompreensível.

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Segundo a maneira tradicional de descrever, o sistema límbico
forma um grupo de estruturas do cérebro, incluindo o hipotálamo,

hipocampo, a amígdala e algumas outras regiões. Esse conjunto
encontra-se conectado ao giro cingulado anterior, que é a principal
porta de acesso ao córtex frontal. Este sistema é o ponto de partda
das emoções e o responsável pela conexão emocional com o córtex-
frontal (com o cognitvo). Essas áreas encontram-se interligadas e, em

parte, são controladas por outras regiões do cérebro e do organismo
como um todo. As estruturas do sistema límbico estão associadas às

emoções, impulsos e instntos, entre eles o sexual. Circundando uma
de suas regiões, mais especifcamente, o hipotálamo, estão as demais
estruturas subcortcais do sistema límbico: a área pré-ótca, o septo,
a área para-olfatva, os núcleos anteriores do tálamo e porções dos

gânglios da base.

Por outro lado, circundando as áreas subcortcais do sistema límbico,
encontra-se o córtex límbico, composto de um anel de córtex cerebral
iniciando-se (a) na área orbitofrontal, sobre a superfcie ventral dos
lobos frontais, estendendo-se (b) para o alto, na frente e acima do

corpo caloso, para a face medial do hemisfério cerebral, para o giro

cingulado, e, fnalmente, (c) para baixo, posteriormente ao corpo
caloso, na superfcie médio ventral do lobo temporal, formando o giro

do hipocampo, a área piriforme e o úncus.

Deixando de lado esses nomes complicados, que não precisam ser
memorizados, vamos ao que nos interessa aqui. Os estudos mostram

que a ressecção do sistema límbico provoca uma indiferença afetva do

animal diante dos eventos que antes geravam emoções agradáveis ou
desagradáveis, por isso impossibilitando uma vida adaptada ao meio
ambiente. Assim, para que os mecanismos neurais possam produzir

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adequadamente as emoções sentdas é necessário que os padrões

neurais iniciais ou inatos, relacionados ao sistema límbico, se liguem,
também, aos circuitos neuronais do tronco cerebral, isto é, aos andares
de baixo da fábrica humana. Todo esse desenho neuronal é importante
e essencial para a sobrevivência do indivíduo, pois atua em todas as
partes do organismo, como, por exemplo, na regulação das glândulas

endócrinas, da hipófse, treóide, supra-renal, órgãos reprodutores e

demais órgãos.

Entretanto, todo esse arranjo está montado em torno do sistema
corporal para o movimento. As emoções expressam-se fsicamente no
corpo através da atvidade motora interna, com batmentos cardíacos

mais rápidos, e externamente em movimentos, tais como um sorriso,

um franzir de cenho ou uma mudança de postura do corpo, seja
pulando de alegria ou sentando-se acabrunhando de tristeza.

Portanto, todo comportamento exterior e interior, resultante de
emoções, está impregnado (carrega consigo) de movimentos de várias
partes do organismo. Logo após o nascimento, as expressões corporais,
especialmente do rosto, são os primeiros meios de comunicação
emocional entre o bebê e sua mãe. Movimentos de expressão – um

beijo, um abraço ou um tapa e um soco – também dão signifcado
emocional às palavras. Algumas emoções exprimem-se de um modo

mais corporal que verbal. Os mais experientes sabem, através de uma
rápida observação pela postura corporal, se alguém está pronto para
nos agredir ou para nos dar um abraço fraterno. As relações sociais
dependem consideravelmente de uma apropriada linguagem corporal.

Outras considerações fnais acerca do sistema

límbico

Os cientstas conhecem e, também, não conhecem, apropriadamente,

muito acerca dos circuitos neurais envolvidos na geração da emoção
nos seres humanos. Quando se discute a amígdala e suas conexões,

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parece existr uma função em tudo isso, mas esse conhecimento é

extremamente semelhante a um esboço. Não temos certezas, talvez
nunca as teremos, como ocorre com todas as ciências, entre elas a
Física.

Temos uma idéia ligeiramente mais profunda acerca das vias que
podem estar envolvidas na memorização, mas, novamente, nosso
conhecimento é enormemente limitado. A experiência clínica nos
seres humanos nos permite nomear algumas dessas estruturas e
suas conexões superpostas que são essenciais funções emocionais

relacionadas ao sistema límbico. Entretanto, é extremamente útl

não esquecer que todas as estruturas desse sistema envolvidas nas
emoções, ao que tudo indica, executam outras funções importantes no
cérebro do seu possuidor.

Finalmente, nós devemos dizer um pouco acerca dos importantes

papéis desempenhados por neurotransmissores e peptdeos
específcos nas atvidades dos sistemas límbicos envolvidos na emoção/
motvação da conduta, como, por exemplo, dopamina, noradrenalina
e serotonina, ou dos peptdeos, endorfnas, oxitocina (ocitocina), etc.,

que parecem ser os mais envolvidos, pois existem inúmeros outros
menos importantes. As drogas, de algum modo, afetam as ações desses

neurotransmissores e ou peptdeos, e, portanto, são usadas para

aliviar certos sintomas do humor (emoções) e funções autonômicas/
endócrinas. Tudo isso se encontra a seguir, no próximo capítulo.

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