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crimes+de+trânsito

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2. Código de Trânsito Brasileiro 2.1. Normas gerais relativas aos crimes de trânsito 2.1.1. Os crimes de trânsito e a lei 9.099/95 A lei n. 9.

503, de 23/9/97, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, contém, em seu capítulo XIX, normas de caráter penal. O art. 291, primeiro deste capítulo, manda aplicar aos crimes cometidos na direção de veículos automotores nela definidos as normas gerais do Código Penal, bem como a lei 9.099/951, no que couber. A ressalva da parte final – “no que couber” – teve a finalidade de deixar claro que as disposições daquela lei (9099/95) somente se aplicam aos crimes que se enquadrarem no conceito de infração penal de menor potencial ofensivo. A lei n. 9099/95, ao criar os Juizados Especiais Criminais, em cumprimento ao mandamento constitucional do art. 98, I, em sua redação original, definiu, como infrações de menor potencial ofensivo as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a um ano.

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A lei 9.099, de 26/9/95, considera infrações penais de menor potencial ofensivo as contravenções e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois (2) anos, cumulada ou não com multa. Para essas infrações aplicam-se todas as regras da lei 9.099, correndo os respectivos processos perante os Juizados Especiais Criminais. Essa lei 9.099/95 consagra, ainda, quatro medidas despenalizadoras: a) extinção da punibilidade em caso de composição civil quando se tratar de crime de ação penal de iniciativa privada ou pública condicionada à representação (art. 74, parágrafo único); b) transação penal (art. 76); c) alteração da ação penal, de pública incondicionada para pública condicionada à representação, nos casos de lesões corporais culposas ou leves (art. 88); d) suspensão condicional do processo nos crimes cuja pena mínima não seja superior a um ano (art. 89). As duas primeiras são próprias dos delitos de menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois (2) anos). A quarta – suspensão condicional do processo – exige que a pena mínima cominada não seja superior a um ano.

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Portanto, além das contravenções penais (independentemente da pena cominada), eram consideradas infrações penais de menor potencial ofensivo aquelas cuja pena máxima cominada não superasse a um ano. Assim, quando entrou em vigor o Código Brasileiro de Trânsito definia alguns crimes cuja pena máxima não excedia a um ano. E que portanto se enquadravam integralmente na lei 9099. Eram eles: a) omissão de socorro (art. 304), b) fuga do local de acidente (art. 305), c) violação de suspensão ou omissão na entrega de habilitação (art. 307 e parágrafo único), d) direção sem habilitação (art. 309), e) entrega de veículo a pessoa não habilitada (art. 310), f) excesso de velocidade (art. 311) e g) fraude no procedimento apuratório (art. 312). A lei n. 10259/2001, que instituiu os Juizados Especiais Criminais na Justiça Federal, no parágrafo único do art. 2º, ampliou o alcance desse conceito, passando a alcançar as infrações penais cuja pena máxima cominada não superasse dois anos2. Esse parágrafo único do art. 2º da lei 10.259/01, por sua vez teve sua redação alterada pela lei n. 11.313, que também alterou a redação do art. 61 da lei 9099/95, mantendo como infração de menor potencial ofensivo aquela cuja pena máxima cominada não ultrasse dois anos. Assim, atualmente, por força da nova redação do art. 61 da lei 9099/953, redação essa dada pela lei n. 11.313, são infrações penais de menor potencial
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“Com o advento da Lei n. 10.259/2001, que instituiu os Juizados Especiais Criminais na Justiça Federal, por meio de seu art. 2º, parágrafo único, ampliou-se o rol dos delitos de menor potencial ofensivo, por via da elevação da pena máxima abstratamente cominada ao delito, nada se falando a respeito das exceções previstas no art. 61 da Lei n. 9009/95. Desse modo, devem ser considerados delitos de menor potencial ofensivo, para efeito do art. 61 da lei n. 9099/95, aqueles a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, ou multa, sem exceção” (REsp n.620.305?RJ, 5ª Turma, rel. min. Félix Fischer, j. 25.05.04, vu, DJU 02.08.05, p. 553)” 3 Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.”

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ofensivo: a) as contravenções penais: b) os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos. Consequentemente, também passaram a sujeitar-se às regras da lei 9099/95 os crimes dos arts. 303 e 308 do CTB. Já o crime de embriaguez ao volante (art. 306), porque a pena máxima cominada supera aquele limite de dois anos, não se enquadrando no conceito de infração de menor potencial ofensivo, aplicavam-se apenas as regras dos arts. 74, 76 e 88 da lei 9.099/95, por força do que dispunha o parágrafo único do art. 291 do Código de Trânsito Brasileiro. No entanto, o art. 291 passou a ter nova redação com a vigência da lei n. 11.705. Foi abolido o parágrafo único, acrescentando-se os §§ 1º e 2º. Com a revogação do parágrafo único, que fazia referência expressa aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa, de embriaguez ao volante, e de participação em competição não autorizada, e só fazendo menção o § 1º, aos crimes de trânsito de lesão corporal, não mais se há falar na aplicação dos arts. 74, 76 e 88 ao crime de embriaguez ao volante (art. 306), cuja pena máxima cominada é de três anos. O § 1º, com a nova redação, passou a estabelecer: “Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente; III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta quilômetros por hora). “
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O § 2º, por sua vez, reza: “Nas hipóteses previstas no § 1o deste artigo, deverá ser instaurado inquérito policial para a investigação da infração penal”. Desta forma, como regra geral, por disposição expressa da lei, aplicase ao delito de lesão corporal culposa no trânsito os arts. 74, 76 e 88 da lei n. 9.099. Porém, e aqui a exceção, aqueles dispositivos legais não devem ser aplicados quando ocorrer quaisquer daquelas hipóteses enumeradas nos incisos I, II e III. Nesse caso, deve ser instaurado inquérito policial. Na primeira hipótese, basta o estado de embriaguez,

independentemente da quantidade de álcool no sangue. O texto legal refere-se apenas e tão somente à influência do álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. A segunda hipótese relaciona-se com a atividade conhecida como “racha”, de extrema periculosidade. A última, a um excesso de velocidade, que também acarreta maior periculosidade à conduta.

2.1.2. Veículo automotor A lei n. 9.503, em diversos momentos, refere-se a veículo automotor. O seu conceito nos é dado no Anexo I do Código, a saber, “todo veículo a motor de propulsão que circule por seus próprios meios, e que serve normalmente para o transporte viário de pessoas e coisas, ou para a tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas. O termo

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para dirigir veículo automotor. 5 . A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação. 306. a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação. 309. as charretes. Para outros. caminhões. ônibus. 2. Como veremos a seguir. tem a duração de dois meses a cinco anos. além das penas de detenção e multa. § 2º A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o sentenciado.3. as penas de suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor (Arts. comina somente as penas de detenção e multa. Desta forma. Num primeiro momento é preciso distinguir entre Permissão e Habilitação para dirigir veículo. isolada ou cumulativamente com outras penalidades. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo como pena nos crimes de trânsito Art. as carroças. o réu será intimado a entregar à autoridade judiciária. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade principal. 310. 308). 312). de forma cumulativa.1. cumulativa ou alternativamente (arts. em quarenta e oito horas. 292. as bicicletas. 303.compreende os veículos conectados a uma linha elétrica e que não circulam sobre trilhos (ônibus elétrico)”. 293. 305. para algumas infrações penais o Código de Trânsito Brasileiro comina. utilitários. no entanto. Art. tratores e ônibus elétricos. 311. 307. são veículos automotores os automóveis. por efeito de condenação penal. estiver recolhido a estabelecimento prisional. § 1º Transitada em julgado a sentença condenatória. Não são veículos automotores os bondes. 302.

"não se suspende alguém do exercício de um direito que não tenha.O sistema do Código de Trânsito Brasileiro prevê que o motorista. em realidade. impede-se que venha a tê-lo para poder exercitá-lo. 292 previu a possibilidade de ser imposta a suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor como pena principal. recebe um certificado de Permissão para dirigir. A suspensão pressupõe permissão ou habilitação já concedida. 292. isolada ou cumulativamente com outras penalidades. consagra dois tipos de penas: a) a proibição de se obter a permissão ou a habilitação. hipótese de aplicação dessa pena mesmo não cominada para o crime. receberá a Carteira de Habilitação. De fato. no período. e não sendo reincidente em infração média. recebe a Habilitação. Esse art. como assinala Maurício Antonio Ribeiro Lopes. aí. Portanto. inicialmente o motorista recebe uma Permissão. b) a suspensão da permissão ou da habilitação. 292 com a regra do art. Vencido esse prazo. e a proibição é aplicável àqueles que ainda não obtiveram uma ou outra. Confrontou-se esse art. Estaria. O art. dai restar apenas em relação ao direito 6 . depois de aprovado nos exames de habilitação. preenchidos aqueles requisitos legais. válido por um ano. válida por um ano. Em seguida. 296 que possibilita ao juiz a aplicação da pena de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor independentemente das demais aplicáveis em caso de reincidência. Esse dispositivo suscitou muitas dúvidas sobre a natureza dessa "penalidade" e sobre as hipóteses de cabimento de sua aplicação. se não tiver cometido nenhuma infração grave ou gravíssima.

Como já se falou. não se confundindo com penalidades administrativas previstas na lei. 30. sem prejuízo das demais sanções cabíveis. não se iniciam enquanto o sentenciado estiver recolhido a estabelecimento penitenciário. em quarenta e oito horas. Com o trânsito em julgado da sentença condenatória que impuser ao condenado essa pena de suspensão ou proibição.B. como medida cautelar. constituem. em qualquer fase da investigação ou da ação penal.de obter a permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor a proibição"4. a Permissão ou a Carteira de Habilitação. pelo juiz. Essas penalidades têm a duração mínima de dois meses e máxima de cinco anos. 100. parágrafo único. nem com os efeitos da condenação. quando houver necessidade para a garantia da ordem pública. sendo o réu reincidente na prática de crime previsto neste Código. o juiz. Dessa decisão cabe recurso em sentido estrito. 296 do Código de Trânsito Brasileiro. por outro lado. do C. poderá aplicar a penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor. em decisão motivada. 7 . sem dúvida. Quanto à sua natureza jurídica. sem efeito suspensivo.T. nos termos do art. Podem elas ser impostas. p. penas restritivas de direitos. 4 Crimes de Trânsito. mesmo não havendo cominação expressa. será ele intimado a entregar à autoridade judiciária. Essas penas. de ofício ou a requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial. sob pena de cometer o crime do art.

variando dentro daqueles limites mínimo e máximo: dois meses a cinco anos. Não se trata de pena. exigindo menção expressa na sentença. 297 do Código. Multa reparatória Sempre que houver prejuízo material resultante do crime de trânsito. Sua dosagem. porque líquido. 293. I. 91. fixar o valor indenizatório a ser pago pelo condenado após o trânsito em julgado. É o instituto da multa reparatória. caput. Na hipótese de ser superior o valor do prejuízo suportado pela vítima. Também não há qualquer impedimento a que seja imposta cumulativamente com pena privativa de liberdade. prevista no art. Não poderá a multa reparatória nunca ser superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo. pois na multa reparatória não há simples constituição de título executivo. demonstrado em ação específica. bastando à parte executá-lo. deve observar o disposto no art. Trata-se.Essa penalidade não tem caráter substitutivo. tendo o instituto finalidade reparatória. Este é outro efeito secundário da condenação. do Código Penal.1. de uma prefixação das perdas e danos. condicionado a futura liquidação. até porque o juiz precisa fixar o seu valor certo. o início da interdição do direito não ocorre enquanto o condenado estiver recolhido à prisão (art. o juiz criminal poderá. na sentença condenatória. O efeito dessa disposição é superior àquele do art. 2. como ocorre com as penas restritivas de direitos previstas no Código Penal. Nesta hipótese. do Código Penal. § 3º). a ser feita pelo magistrado quando da condenação. 68. a multa reparatória será considerada uma 8 . aqui.4.

1. com placas falsas ou adulteradas (inciso II). ou pelo Ministério Público (salvo se o interessado for pobre). nos crimes de perigo definidos no Código. cada uma delas. que são crimes de dano. também nos crimes de perigo. 50 a 52 do C. Mas a cobrança deverá ser promovida pelo interessado. 2. ficar evidenciado que a conduta foi tão intensa que causou um grande risco de grave dano patrimonial a terceiros. Vejamos. se o perigo atingir duas ou mais pessoas incidirá esta agravante genérica. A agravante não incide. 298 do Código de Trânsito Brasileiro enumera sete circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos crimes de trânsito. Não se aplica. Agravantes genéricas nos crimes de trânsito O art. Desta forma. Penal. então. equivale a perigo. O procedimento da execução da multa reparatória é o dos arts. porém. Isso significa que a agravante é específica para os crimes de perigo. Também agrava a pena se o delito for cometido com utilização de veículo sem placas.5.antecipação de parte do valor devido. Da mesma forma quando. Em conseqüência. A expressão “dano potencial”. se a falsificação da placa ou a adulteração tiverem sido 9 . e não pela Procuradoria Fiscal do Estado. do valor fixado na ação indenizatória deve ser descontado o valor da multa reparatória. aos delitos de homicídio culposo e lesão corporal culposa. pois. utilizada pelo legislador. O inciso I se refere a “ter o condutor do veículo cometido a infração com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de grave dano patrimonial a terceiros”.

303. E a mesma causa não pode atuar duas vezes. de forma imprudente atropela e fere um transeunte. de vez que a circunstância em questão constitui elementar do crime. Relativamente ao crime do art. de seu componente ou equipamento” 10 . como na hipótese do agente. É o que ocorre com o 5 “adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor. Mas a agravante não incide nos crimes de homicídio culposo e de lesão corporal culposa. conforme parágrafo único. Lembre-se que em relação aos crimes de homicídio e lesão corporal culposa a circunstância constitui causa especial de aumento de pena. pois em relação a eles a circunstância implica em causa de aumento de pena. estaremos diante de um concurso material com o crime do art. inciso I do art. incide. quando é habilitada para dirigir motocicleta. Quando isso ocorrer. 309 não incide a agravante. pelo que não incide como agravante genérica. Cometer crime na direção de veículo automotor sem possuir permissão para dirigir ou Carteira de Habilitação igualmente implica em agravante genérica. 302 e parágrafo único do art. Em relação aos demais. 311 do Código Penal5. Também constitui agravante genérica cometer o crime “utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou características que afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade prescritos nas especificações do fabricante”. Também não se aplica ao crime do art. O inciso IV se refere a prática do crime “com permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria diferente da do veículo”. O inciso V se refere à agravante de ter o condutor cometido o delito “quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o transporte de passageiros ou de carga”. direção sem permissão ou habilitação. 309.obra do próprio autor da infração de trânsito. nos termos do inciso III. dirigindo caminhão.

se prestar pronto e integral socorro àquela. Por último. A regra tem o claro objetivo de estimular o socorro às vítimas. veículos com frente rebaixadas.1. nos casos de acidente de trânsito de que resulte vítima. o inciso VII refere-se a crime cometido “sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a pedestre”. ao condutor de veículo. 2. Nos crimes de lesão corporal e homicídio culposos a agravante somente incide se a circunstância não tiver sido a própria causa do acidente.motores “envenenados”. nem se exigirá fiança. não se imporá a prisão em flagrante.2. Crimes 2. Homicídio culposo na direção de veículo automotor 11 . Objetiva a regra aumentar a segurança dos pedestres nos locais especificamente a eles destinados. O flagrante nos crimes de trânsito Nos termos do disposto no art.1. 2. com os pneus tala-larga. hipótese em que sua aplicação autônoma implicaria em dupla incidência.6. 301. A circunstância constitui causa especial de aumento de pena nos crimes de lesão corporal e homicídio culposos. em relação aos quais não pode atuar como agravante genérica.2.

Assim. e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor”. mas o agente. § 3º. com número elevado de mortes. o delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Indispensável que o fato seja imputado a quem esteja no comando dos mecanismos de controle e velocidade de veículo automotor. Não basta que o fato tenha ocorrido no trânsito6. Embora a regra objetive também aumentar a segurança do trânsito.Preocupado com as estatísticas de trânsito. 302 do Código de Trânsito Brasileiro. A objetividade jurídica é a vida humana. O fato ocorreu no trânsito. só que cometido na direção de veículo automotor. Portanto. § 6º do Código Penal. de forma mais grave.T. Como se sabe. além daqueles elementos que compõem o tipo comum. nada mais é que o homicídio culposo comum (art. desrespeitando a sinalização. e não o do art. o tipo especial contém um outro elemento: que o fato ocorra na direção de veículo automotor. 129. 6 Imagine-se um transeunte que. 12 . A pena cominada é superior àquela do homicídio culposo comum. que vem ao solo e sofre lesões corporais. Penal. § 3º. previsto no art. acaba por se chocar com um ciclista.B. do CP). 121. 121. a saber. nos seguintes termos: “Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor”. a pena para o homicídio culposo comum é de detenção de um a três anos. Assim. “detenção de dois a quatro anos. que atuou culposamente – o pedestre – não estava na direção de veículo automotor. tipificou o delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor no art. do C. O fato configura o crime do art. o tipo penal do art. 303 do Código de Trânsito Brasileiro. resolveu o legislador incriminar. 302 do C.

resultado esse não previsto. Esse dever de cuidado é intuitivo. como estacionamentos privados. Saraiva. pois ele 7 Gonçalves. assim. ou seja. De fato. Pouco importa. Legislação Penal Especial. S. Paulo: Ed. mas sim em vias particulares.Sujeito ativo da infração pode ser qualquer pessoa. desde que na direção de veículo automotor. p. Objeto material da infração se confunde com o sujeito passivo. O elemento subjetivo é a culpa. 2006. que gera um resultado definido como crime. é indispensável que esse resultado fosse previsível para o agente. a vida em sociedade exige de todos determinados cuidados para que não se cause danos a terceiros. A censura. praticada sem a cautela necessária. negligência ou imperícia” (art. Sujeito passivo é a vítima. A ação típica é matar alguém (ou “praticar homicídio culposo”.206) 13 . que o fato não ocorra em via pública. em sentido estrito. na culpa. quem é morto no acidente. do C. Penal). 18. II. vias internas de fazendas particulares7. como diz a letra do art. se refere à ausência de cuidado na prática da ação. 302) culposamente (por imprudência. pátio de postos de gasolina. Victor Eduardo Rios. negligência ou imperícia). Todos sabemos que não se pode deixar um vaso no parapeito de uma janela. O crime é culposo “quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. O texto fala em praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor. Igualmente. O primeiro aspecto do crime culposo é que o resultado antijurídico não é querido pelo agente (ao contrário do que ocorre no dolo). pode ser definida como uma conduta voluntária. A sua ocorrência é resultado de uma conduta descuidada do agente. A culpa. embora pudesse e devesse sê-lo.

dirigir com cuidado. ou falta de habilitação para o exercício de determinada arte. A culpa pode se manifestar de três formas diferentes: imprudência. isso é. a culpa representa exatamente a quebra desse dever de cuidado. de acordo com a previsibilidade normal. a previsibilidade. imperito. ou 14 . É o que ocorre com o motorista que dirige veículo com o pneu “careca”. negligência e imperícia. por desleixo. no caso concreto. não age assim.pode cair e lesionar alguém passa na calçada. um resultado antijurídico não desejado pelo agente. Pois bem. dando causa ao resultado típico. Exige-se. recomendado pela prudência. O agente. ao inobservar cautela específica da atividade de dirigir. É a forma ativa de culpa. de forma a não ferir ninguém. por despreparo. matando-o. exemplificativamente. A negligência se caracteriza pela omissão de uma conduta recomendada pela prudência. por desconhecimento. Já a imperícia é a falta de capacidade. O crime culposo apresenta os seguintes elementos: uma conduta. por preguiça. atropela e mata alguém. É a inobservância. profissão ou ofício. ou insuficiência de conhecimento. podendo e devendo agir de determinado modo. que o resultado seja objetivamente previsível. com o motorista que imprime velocidade excessiva ao veículo e atropela alguém. com velocidade moderada. de cautelas específicas no exercício da atividade de dirigir veículo automotor. a inobservância do dever de cuidado. também. Embora regularmente habilitado. e por causa disso perde o seu controle. falta de conhecimento. mostra-se o motorista. na conduta culposa. É o que ocorre. A imprudência consiste em agir sem as cautelas necessárias nas circunstâncias. Ao dirigir veículos automotores sabemos que devemos respeitar as regras de trânsito.

permitindo que derrape. 302 prevê aumento de pena de um terço até metade. É indispensável. à vítima do acidente”. com dolo. A tentativa não é possível por se tratar de crime culposo. 304. será absorvido o crime do art. e a consumação não ocorre por circunstâncias alheias à sua vontade. A culpa exclusiva da vítima afasta a responsabilidade do condutor. Nessa hipótese. Se não houve culpa do motorista. A primeira. quando o agente “não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação”. Somente aplicável ao condutor que tenha atuado culposamente. 309. Por isso. quando possível faze-lo sem risco pessoal. não se há falar em tentativa. O parágrafo único desse art. em quatro hipóteses. para que se 15 . persiste a responsabilidade penal do condutor. Porque o direito penal não admite a compensação de culpas. A segunda. Mas em havendo culpa recíproca. É o que ocorre com o motorista que perde o controle de seu veículo. A consumação se dá no momento da morte da vítima. Em outras palavras. No crime culposo não há essa conduta dirigida à causação de um resultado típico. quando o crime for praticado “em faixa de pedestres ou na calçada”. o agente dá início à execução do tipo.insuficiência de conhecimento. vindo a atropelar e matar transeunte. a ausência de socorro tipificará o delito do art. A maior gravidade do fato resulta de ter sido cometido em local de especial proteção a pedestres. A terceira quando o agente “deixar de prestar socorro. Um dos característicos da tentativa é o início da execução de um tipo penal com vontade.

Aqui a preocupação é com aqueles que fazem do transporte de passageiros a sua profissão. No entanto. Também não se aplica o aumento se a vítima foi socorrida. Deles se exige maiores cuidados. 303 define como crime de trânsito “praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor”. 8 Art. com pena maior. o legislador houve por bem destacar o crime de lesão corporal culposa. de imediato. no Código de Trânsito Brasileiro. ônibus. 9 Cf. 121. Cit. Assim é que o art. Não há. quando cometido na direção de veículo automotor. apenado com “detenção. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. até porque é maior o número de pessoas envolvidas no transporte. estando o agente conduzindo veículo de transporte de passageiros.2.aplique o aumento de pena.2. A ação penal é pública incondicionada. lotações. tem-se entendido que a regra aplica-se também ao homicídio culposo praticado na direção de veículo automotor9. de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor”. 16 . Victor Eduardo Rios Gonçalves. e desde que tenha meios para tal. regra específica para o perdão judicial. § 5º: Na hipótese de homicídio culposo. A regra tem aplicação a motoristas de táxi. p. E quarta quando o crime for cometido no exercício de sua profissão ou atividade. que o socorro seja possível sem risco pessoal para o agente. 2. a despeito da omissão. Lesão corporal culposa na direção de veículo automotor Da mesma forma que fez com o homicídio culposo. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. como ocorre no Código Penal8. op. 208. por terceira pessoa..

099/95. já estudadas. 302. nada mais é que o tipo penal do art. o tipo penal. O parágrafo único do art. acrescido da elementar “na direção de veículo automotor”. do Código de Trânsito Brasileiro. Sujeito passivo é a vítima. § 1º. aqui. imprudência. Tratando-se de crime comum. pode ser praticado por qualquer pessoa. a segurança no trânsito. nos termos do art. § 6º. será levada em conta pelo juiz no momento de fixar a pena. Em outras palavras. negligência e imperícia. independentemente da gravidade. Objeto jurídico da incriminação é a integridade corporal. A consumação ocorre com a efetivação das lesões corporais.Como se percebe. A tentativa é inviável. 17 . aplicado à espécie por força do disposto no art. em suas três formas de manifestação. ou de quem o represente. A ação típica centra-se na prática de lesão corporal de forma culposa. 129. desde que na direção de veículo automotor. sem dúvida. é a lesão corporal culposa pratica na direção de veículo automotor. 303 prevê aumento de pena de um terço à metade nas mesmas hipóteses previstas no parágrafo único do art. Também se tutela. Objeto material é o próprio sujeito passivo. 291. no entanto. como regra geral. O elemento subjetivo é a culpa. 88 da lei 9. A maior ou menor gravidade das lesões. a pessoa que sofre as lesões corporais. por se tratar de crime culposo. já estudadas anteriormente. da mesma forma que ocorre no homicídio culposo na direção de veículo automotor. A ação penal é pública condicionada à representação do ofendido.

2. ou multa. disputa ou competição automobilística. na ocasião do acidente.sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. por justa causa. III . independentemente da quantidade de álcool no sangue. o excesso de velocidade. de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor. Neste caso. em que a ação penal é pública incondicionada. A maior periculosidade da conduta também aparece no inciso III.participando. ou. conhecidas como “racha”.2.3. de corrida. O inciso II se relaciona com as corridas de rua. deixar de solicitar auxílio da autoridade pública”. Como se percebe da redação do tipo penal. que acarretam grande risco. 304 do CTB. nas hipóteses elencadas nos três incisos10 deste parágrafo 1º.No entanto. de prestar imediato socorro à vítima. de seis meses a um ano. “exceto se o agente estiver:I . II . sendo a ação penal pública incondicionada. não autorizada pela autoridade competente. Omissão de socorro O crime. em via pública. A pena cominada é de “detenção. consiste em “deixar o condutor do veículo. 88.transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta quilômetros por hora).” 10 18 . Tudo a justificar o excepcionamento à regra geral. não mais se aplica a regra do art. tal como definido no art. refere-se ele apenas às hipóteses em que o motorista causador do acidente não agiu culposamente. pois há alusão apenas à influência do álcool ou outra substância que determine dependência. se o fato não constituir elemento de crime mais grave”. deve ser instaurado inquérito policial. não podendo fazê-lo diretamente. Para o inciso I basta o estado de embriaguez. das três exceções.

302). (Voto nº 8. com pena agravada11. manda aplicar o princípio da subsidiariedade.2003 V. deve solicitar auxílio da autoridade pública.16. que culmina com o capotamento e morte do ocupante de outro veículo. constitui requisito deste crime que o motorista não tenha agido culposamente. em havendo culpa. Apelação nº 1.Porque. Tratase. Veja-se que o legislador. ainda que não tenha sido demonstrada sua culpa.353.Incorre somente nas penas do art. o agente deixa de solicitar auxílio da autoridade pública. ao se envolver em acidente automobilístico.377/1 . em havendo culpa. independe de prova da culpa do motorista pelo acidente. 304 da Lei nº 9. de crime omissivo próprio. tal como definido no art. por força do que dispõe o seu parágrafo único). que culmina com o capotamento e morte de ocupante de outro veículo. A configuração do crime de omissão de socorro. ou homicídio culposo. A pena só será aplicada se o fato não constituir fato mais grave (homicídio culposo ou lesão corporal culposa com pena agravada). U.479) (TACrim . na parte final da sanção cominada.11ª Câmara . NOVEMBRO/2003. 304 do Código de Trânsito Brasileiro.503/97 o agente que. 302. pág. assim. 23) 19 . 11 OMISSÃO DE SOCORRO .Configuração: . o crime será de lesão corporal culposa. Ao contrário.Ementário nº 47. aplicável também ao delito do art.Campinas . se exime de prestar socorro à vítima. O crime consiste exatamente no descumprimento desta obrigação. Porque.Relator: Luís Soares de Mello . na segunda. 303). Duas as condutas omissivas previstas no tipo: na primeira. se exime de prestar socorro à vítima. se não puder fazê-lo por justa causa.Agente que. o agente deixa de prestar socorro imediato à vítima. O sistema impõe ao motorista envolvido em acidente de trânsito a obrigação de prestar imediato socorro à vítima. ao se envolver em acidente automobilístico. podendo fazê-lo. o delito será de homicídio culposo (art. 303. ainda que não tenha sido demonstrada sua culpa .6. com a pena agravada (inciso III do parágrafo único do art. ou lesão corporal culposa (art.

72. Não depende de qualquer resultado naturalístico. O elemento subjetivo é o dolo genérico. Sujeito passivo é a pessoa que não é socorrida. com vítima. podendo fazê-lo. por se tratar de crime omissivo próprio. Objeto material confunde-se com o sujeito passivo. Também se objetiva o dever de solidariedade às vítimas de acidentes de trânsito. Trata-se de infração penal de menor potencial ofensivo. ou porque há risco à sua integridade física. 135 do Código Penal (omissão de socorro). Porém. sem que tenha agido com culpa no evento. pelo que aplicável a lei 9. na direção de veículo automotor. a hipótese será do art. prevista no art. A ação penal é pública incondicionada. porque a ação penal é pública incondicionada. A consumação ocorre no instante em que o agente. 20 . Não admite tentativa. bastando o perigo à vítima do acidente.Quando sejam inviáveis aquelas condutas exigidas. não se há falar no crime em questão. não é cabível a conciliação. ou porque o agente está muito lesionado. Se a omissão de socorro partir de terceira pessoa não envolvida no acidente de trânsito.099. ou de solicitar o auxílio da autoridade pública. inclusive a transação penal. desde que envolvida em acidente de trânsito. deixa de prestar socorro à vítima. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Objeto jurídico da incriminação são a vida e a integridade corporal das pessoas.

304 estabelece que “incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo. não só porque tutela obrigação expressivamente moral. ou multa.O parágrafo único do art.4. nesta hipótese. o crime somente ocorrerá quando a vítima esteja. 21 . 2. não haveria como o agente socorrê-la. Victor Eduardo Rios Gonçalves. por terceira pessoa. Maurício Antonio Ribeiro Lopes taxa esse crime de duvidosa constitucionalidade. por terceira pessoa. a despeito da regra acima transcrita. 212. como no caso de fraturas. em omissão de socorro. é que tem incidência a regra. 12 Cf. que se a vitima é socorrida. necessitando de socorro. porém. para fugir á responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída” (art. Tendo sofrido apenas leves escoriações. e ser a vítima. Assim. A pena cominada é de detenção. Cit. obviamente. etc. ainda que a sua omissão seja suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves”. Observe-se. em se tratando de ferimento leves. efetivamente. que pressupõe. posteriormente. não há necessidade de socorro12.. em conseqüência. Também na hipótese de morte instantânea da vítima não há como se falar. Somente no caso de afastar-se o motorista do local. instantaneamente. Por último. Fuga do local do acidente O crime consiste em “afastar-se o condutor do veículo do local do acidente. a existência de pessoa com vida. socorrida. cortes profundos.2.. p. não incide o disposto neste parágrafo único. de seis meses a um ano. 305). op.

Revista dos Tribunais. como também por impor. De fato. ou princípio da inexigibilidade de produção de prova contra si mesmo13. portanto. consistente na finalidade especial de fugir à responsabilidade penal ou civil. Trata-se de infração penal de menor potencial ofensivo. como a necessidade de cuidados médicos. A ação penal é pública incondicionada. Sujeito ativo será o condutor do veículo automotor causador do acidente que se afastar do local do acidente. o que afronta o princípio do “nemo tenetur se detegere”. o dever de auto-incriminação. tanto no campo cível. 1998. na prática. configurando-se mesmo na hipótese de ser o autor posteriormente identificado. ou seja. não haverá o crime por falta do elemento subjetivo do tipo. A consumação se dá no momento em que se ausenta do local. prejudicada pela conduta. o crime exige o específico. Se o afastamento se dá por outra razão. deixar o lugar do acidente. São Paulo: Ed. 219. Sujeito passivo é o Estado. Objeto jurídico da incriminação é a administração da justiça. p. Secundariamente. por exemplo. Trata-se de crime formal. como no campo criminal. a vítima. Além do dolo genérico. ou da não auto-incriminação. 13 Crimes de Trânsito. 22 .estranha. A ação típica está centrada no verbo afastar-se. Esta conduta implica em dificultar a ação da Justiça. afastando-se o condutor do veículo do local do acidente impedirá a sua identificação e a conseqüente apuração do delito. aos domínios do Direito Penal. A tentativa é possível.

Embriaguez ao volante O art. como um dos efeitos da nova lei.5. Outra corrente sustenta posição diversa. para alcançar situações não previstas na lei nova. de 15 dias a 3 meses. porque resta clara a intenção do legislador de endurecer a repressão. Uma corrente sustenta que não. em lugar movimentado. 34 da Lei das Contravenções Penais: “Dirigir veículos na via pública. A contravenção continuaria em vigor. ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência”14. na via pública. na via pública. transformou em crime conduta que anteriormente configurava a contravenção penal de direção perigosa de veículo na via pública15. Pena – prisão simples.2. como virar o veículo em alta velocidade para ouvir o barulho dos pneus. multa e suspensão ou proibição de obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. 306 do Código de Trânsito Brasileiro. Pena – detenção. ou embarcações em águas públicas. de 18/6/08. 23 .2. Há divergência quanto à derrogação ou não do art. 34 da Lei das Contravenções Penais. pondo em perigo a segurança alheia”. situação mais benéfica. O legislador penal. portanto. assim define este crime: “Conduzir veículo automotor. razão pela qual não é possível se falar em "abolitio criminis".705. sob a influência de alcool ou substância de efeitos análogos. para efeito de caracterização do crime. após a alteração introduzida pela lei 11. colocando em risco as pessoas que estão nas proximidades. 14 Assim era a redação anterior: “Conduzir veículo automotor. ou multa. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem” 15 Art. de seis meses a três anos. estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. com esse tipo penal. Parágrafo único – O Poder Executivo Federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia.

Araraquara . sobre o estado subjetivo do agente.Agente ébrio. “se se punisse penalmente esse agente apenas porque está sob a influência do alcool. 34 da LCP. vinha prevalecendo a tese de que se trata de crime de perigo abstrato. in Boletim IBCCRim.ao argumento que o Código de Trânsito Brasileiro regulou toda a matéria. Agora. Não se pode punir o agente por crime de trânsito apenas porque estava bêbado.336. com concentração alcoólica de dois gramas por litro de sangue (2. U. (Voto nº 8. na via pública. Na redação anterior. em sua parte final. sob a influência de álcool. JULHO/2003.Caracterização . 48) 17 “CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO .V. então: trata-se de crime de perigo abstrato ou de perigo concreto? Prevalecia. na via pública. 16 Como assinala Luiz Flávio Gomes. teríamos uma sanção que recairia sobre o modo de estar. No Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo. E o Direito Penal não pode ter incidência sobre o que o age é (ou está). 03)” “CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO . estando sob a influência do álcool ou outra substância.2.Relator: Massami Uyeda .1ª Câmara . senão sobre o que ele faz. A embriaguez ao volante atinge a incolumidade pública e tem a coletividade como sujeito passivo. na via publica.Comprovação do dano ou risco do dano concretamente .6. sendo desnecessária a comprovação do dano ou risco do dano concretamente. 306 da Lei nº 9.121) (TACrim . ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. surpreendido na condução de veículo automotor em velocidade excessiva e realizando manobras perigosas em via de grande movimento . sob a influência do álcool ou substância de efeitos análogos. se refere a conduzir veículo. o tipo penal se referia a conduzir veículo. no entanto. p. Apelação nº 1. dezembro/97. do que decorre a revogação tácita daquele art. ao tempo da redação originária. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. “exponha a dano potencial a incolumidade de outrem”” (CTB: Primeiras notas interpretativas”.Ementário nº 43.Configuração: - 24 . É preciso algo mais: é preciso que o sujeito.Motorista que dirige veículo automotor. na via pública. sob influência de álcool . estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. a opinião que se tratava de crime de perigo concreto16. na doutrina.Desnecessidade: .503/97. Pergunta-se.2003 . 306 da Lei nº 9.503/97 . a conduta do motorista que dirige veículo automotor. desnecessária a comprovação do dano ou risco do dano concretamente17.0 g/l). 61. pág. fazia referência expressa à exposição a dano potencial a incolumidade de outrem.827/8 .Caracteriza o crime previsto no art.Embriaguez ao volante . Tanto que o tipo penal.Art.

CRIME DE PERIGO CONCRETO. Recurso desprovido. RECURSO ESPECIAL.356.0 g/l).Incorre nas penas do art. (RESP 515526/SP (200300453124).503/97 o agente embriagado. a dano potencial a incolumidade de outrem. A situação se altera com a nova redação. I . 214). para a sua configuração. sob a influência do álcool. ainda que sem expor a risco uma pessoa determinada” (Op. QUINTA TURMA. dessarte. seria necessário que se provasse que pessoa certa e determinada fora exposta a situação de risco. se fosse crime de perigo concreto. INOCORRÊNCIA. (ACÓRDÃO: RESP 608078/RS (200301810070). em face da vedação contida na Súmula 7 – STJ (Precedente). 306 da Lei nº 9. 25 . II .O delito de embriaguez ao volante previsto no art. Julgado em 10/06/2. razão pela qual impõe-se a absolvição do réu-recorrente. ou sob a influência de qualquer substância psicoativa que determine dependência. na via pública. 4ª Câmara. no entanto. necessita. Acontece que. para a sua configuração. O delito de embriaguez ao volante previsto no art. da demonstração da potencialidade lesiva. hipótese em que a situação de risco seria presumida. expondo. estando com aquela concentração de álcool por litro de sangue. 306 do Código de Trânsito Brasileiro. NÃO DEMONSTRAÇÃO. razão pela qual impõe-se a absolvição do réu-recorrente (Precedente). FONTE: DJ DATA: 16/08/2004 PG: 00278) EMENTA PENAL. por ser de perigo concreto. se fosse crime de perigo abstrato. QUINTA TURMA. dirigiu de forma anormal. SÚMULA 07/STJ. DEMONSTRAÇÃO DA POTENCIALIDADE LESIVA.249/6. necessita.Diversa. RELATOR: MINISTRO FELIX FISCHER. RJTACRIM nº 65/47) “ 18 PENAL. Victor Eduardo Rios Gonçalves sustentava que sendo um crime de efetiva lesão a um bem jurídico (segurança do trânsito) cabia à acusação comprovar que o agente.. Não mais se exige uma situação de perigo efetivo à incolumidade alheia. Recurso provido. sendo crime de efetiva lesão ao bem jurídico (segurança do trânsito). RELATOR: MINISTRO FELIX FISCHER. CRIME DE PERIGO CONCRETO. mesmo sem expor a risco pessoa determinada19. por estar sob a influência do álcool. dirigiu de forma anormal. surpreendido na condução de veículo automotor em velocidade excessiva e realizando manobras perigosas em via de grande movimento. bastaria à acusação a prova da conduta (dirigir sob a influência do álcool). In casu. fazer Inteligência: art. absolvendo-se o réu-recorrente.503/97. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. por ser de perigo concreto. In casu. da demonstração da potencialidade lesiva. p. pode-se concluir que cabe à acusação demonstrar que o agente. com concentração alcoólica de dois gramas por litro de sangue (2. Relator: Marco Nahum. 306 da Lei nº 9.A análise de matéria que importa em reexame de prova não pode ser objeto de apelo extremo. 15 .503/97. (Apelação nº 1. em momento algum restou claro em que consistiu o perigo. 306 da Lei nº 9. em momento algum restou claro em que consistiu o perigo. como dar mostras de descontrole do veículo. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. Cit. DJ DATA: 19/12/2003 PG: 00598) 19 Diz ele: ““Em suma. Agora basta conduzir o veículo. POTENCIALIDADE LESIVA.003. era a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça18.

pelo que se pressupõe que o veículo esteja em movimento. 306 (assim também em relação aos crimes dos arts. 26) 26 . contempla duas condutas: a) conduzir veículo automotor. Basta. que o veículo esteja sendo conduzido em via pública. Saraiva. da ausência de dolo." (Crimes de Trânsito. da isonomia entre acusados. b) conduzir veículo automotor. p. estaremos reconhecendo grave ofensa aos princípios constitucionais do estado de inocência. Não haverá o crime. admitindo sério prejuízo aos dogmas da tipicidade e da culpabilidade. etc. do contraditório. 304. ligar o veículo. proibindo a invocação do erro de tipo e de proibição. Somente assim se pode falar que o agente o está conduzindo. Indispensável que ele seja posto em movimento. fulminados pela reforma penal de 1984 e pela CF de 1988. de um Shopping 20 Segundo ele. diz que são crimes de mera conduta e de lesão20. no campo penal. pois. ou pela influência de substância psicoativa. A ação típica está centrada no verbo “conduzir”. da amplitude de defesa etc e. Se entendermos que são delitos de perigo presumido (abstrato). da irresponsabilidade criminal por resultado não provocado. no pátio de um posto de gasolina.manobras arriscadas. de Jesus. 307. 309. na via pública. a condução nas condições descritas no tipo penal. O tipo penal. 310. da igualdade de armas entre acusação e defesa. da inadequação entre o fato material e os elemento objetivos do tipo. se o fato ocorrer no interior da garagem particular do agente. para configuração da infração.. No entanto. na via pública. é preciso ressalvar posição moderna da doutrina que não mais admite a existência de crime de perigo abstrato. Não basta. Damásio E. sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. portanto. O perigo agora é presumido pela simples concentração de álcool no sangue. com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. 308. em sua redação atual. tendo em vista que já não existem em nosso ordenamento jurídico. também. "não são crimes de perigo abstrato (presumido). O tipo penal exige. 311). relativamente a esse crime do art. da lesividade. 8ª ed.

27 . Imprescindível a prova pericial. Não basta prova de notórios sinais de embriaguez.766/79. alterando seu reflexo. outras provas em direito admitidas. Ou então. imprescindível para a caracterização da infração. 277. pois tais ruas pertencem ao poder público. no tipo penal. presença de no mínimo seis (6) decigramas de álcool por litro de sangue. prova esta que exige aparelhagem especial. se ocorrer em ruas internas de Condomínio fechado haverá o crime. que possam afetar o psiquismo do condutor. que permitam certificar o estado de embriaguez do condutor. ou a documentação formal do teste do etilômetro. caput. Exige-se. que exige prova da concentração de no mínimo 6 (seis) decigramas de álcool por litro de sangue. acerca dos notórios sinais de embriaguez. Mas. ou outro exame que por meios técnicos ou científicos. ou da embriaguez do condutor pelo exame médico. bastam testes de alcoolemia. Essa comprovação depende de exames periciais. Através de tais procedimentos não se pode aferir o grau de concentração de álcool no sangue. Para a caracterização da infração administrativa.Center. O mesmo não ocorre com a infração penal. excitação ou torpor apresentados pelo condutor. em aparelhos homologados pelo CONTRAN. como está no § 2º. o texto alude a conduzir veículo em via pública sob a influência de substância psicoativa que determine dependência. nos termos do art. sua reação. Não basta mais a simples constatação da influência do álcool. sua percepção. exames clínicos. lícitas ou ilícitas. relativamente ao álcool. perícia. Na segunda modalidade. Essa expressão legal abrange todas as substâncias. nos termos da lei 6.

RELATOR: MINISTRO JOSÉ ARNALDO DA FONSECA. 28 . é absorvido pelo crime de lesão corporal culposa (art. NÃO APLICABILIDADE. o critério anterior. 306 DO CTB) SUBSISTENTE. bem como a inexistência de vítima determinada.259/01. AÇÃO PENAL PÚBLICA. CRIMES DE TRÂNSITO. o rol dos crimes de menor potencial ofensivo foi ampliado. No princípio da consunção o crime mais leve é absorvido pelo mais grave e não o contrário. Além disso.º 9. pois inexiste vítima determinada. QUINTA TURMA. FONTE: DJ DATA: 01/09/2003 PG: 00301 ) 22 RECURSO ESPECIAL.Manteve-se. no sentido de garantir a incolumidade das pessoas. definido no art. 291. O crime de embriaguez ao volante. Sujeito ativo é o condutor do veículo. Sujeito passivo é a coletividade. para configurar essa modalidade. (RHC 13729/MG (200201613584). A transação penal não é aplicável a este crime22. face ao princípio da consunção21. 306 do CTB.º 10. ALTERAÇÃO DO LIMITE DA PENA MÁXIMA PARA DOIS ANOS. A ação penal é pública incondicionada. 303 E 306 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO. CONCURSO DE CRIMES. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (ART. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. é de ação penal pública incondicionada. nesta modalidade. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. DA LEI N. porquanto o limite da pena máxima foi alterado para 02 anos. que poderá ser completado por outros exames toxicológicos. Objeto jurídico é a segurança viária. 1.259/01. PARÁGRAFO ÚNICO. O elemento subjetivo é o dolo genérico. A consumação ocorre no momento em que o agente passa a dirigir o veículo. Indiretamente também se tutela a vida e a integridade corporal das pessoas.503/97. ART. LEI 10. sem o estabelecimento de níveis de concentração sanguínea. o exame clinico. MENOR POTENCIAL OFENSIVO. ARTS. Com o advento da Lei n. 21 RHC. Recurso desprovido. Basta. A tentativa é admissível. IMPOSSIBILIDADE DE TRANSAÇÃO PENAL. JUSTIÇA COMUM. em obediência ao princípio da isonomia. dado o caráter coletivo do bem jurídico tutelado (segurança viária). COMPETÊNCIA. 303). mais elástico da mera “influência”.

estipulou-se a medida administrativa de retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação. Além disso. Recurso não conhecido. Completando.705/08.2. da Lei n. 165 do Código Brasileiro de Trânsito. em nível superior a seis decigramas por litro de sangue. Aspecto administrativo da embriaguez ao volante Conforme estabelecia o art. 291. punida com multa e suspensão do direito de dirigir. FONTE: DJ DATA: 05/04/2004 PG: 00304 ) 23 Em sua redação originária o texto estabelecia que “a concentração de seis decigramas de álcool por litro de sangue comprova que o condutor se acha impedido de dirigir veículo automotor”.1. 27623. ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica”. esse dispositivo recebeu nova redação: “Dirigir sob a influência do álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência”. punida com multa e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses. constituía infração gravíssima “Dirigir sob a influência de álcool. pois o crime de embriaguez ao volante não é considerado crime de menor potencial ofensivo. 29 . In casu. parágrafo único. (RESP 356301/GO (200101387965).503/97 quando for cabível o instituto ao caso concreto. Instituiu-se a política de tolerância zero. 3. como na redação originária.º 9. prevendo-se agora que qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades previstas no art. não mais se exigindo determinada concentração de álcool por litro de sangue. pois a sua pena máxima é três anos. Aplica-se o art.5. 165. A infração continuou sendo gravíssima. 2. não é aplicável a transação penal. Para configurar a infração administrativa basta dirigir sob influência do álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. RELATOR: MINISTRO LAURITA VAZ.2. QUINTA TURMA. em sua redação originária.. Com a lei 11. alterou-se também a redação do art.

os §§ 2º e 3º deste art. acerca dos notórios sinais de embriaguez. 6488/08 cuidando da questão. em aparelhos homologados pelo CONTRAN. a implantação da “tolerância zero” para a infração administrativa. o art. 1º.O parágrafo único deste artigo prevê que “Órgão do Poder Executivo federal disciplinará as margens de tolerância para casos específicos”. sob suspeita de haver excedido os limites previstos no artigo anterior. O decreto n. 30 . 277. O § 3º. reafirma. excitação ou torpor apresentados pelo condutor”. será submetido a testes de alcoolemia. No entanto. determinando que aquelas margens de tolerância para casos específicos sejam definidas em Resolução do Contran a ser expedida de acordo com proposta formulada pelo Ministério da Saúde. Por sua vez. por seu turno. ou outro exame que por meios técnicos ou científicos. exames clínicos. em caso de aferição por etilômetro. 1º. estabelece provisoriamente. ou de “um décimo de miligrama por litro de ar expelido dos pulmões”. 277 estabelece que “todo condutor de veículo automotor. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo”. em seu art. envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito. permitam certificar seu estado”. estabelece: “Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. O § 2º está assim redigido: “A infração prevista no art. que a margem de tolerância será de “duas decigramas por litro de sangue para todos os casos”. Foram acrescentados dois parágrafos a esse art. até a normatização pelo Contran. perícia. 165 deste Código poderá ser caracterizada pelo agente de trânsito mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas.

ou seja. Com isso. ou outro exame que por meios técnicos ou científicos. perícia. Se houver recusa a submeter-se a qualquer desses exames o condutor se sujeita às penalidades previstas no art. Está equiparando a negativa de submissão àqueles testes e exames à infração administrativa do art. Além disso. e apreensão do veículo. presume-se sua culpa em decorrência do fato de se negar a submeter-se àqueles exames.988. A pena cominada é de multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir por doze meses. será submetido a testes de alcoolemia. ou abordado em fiscalização de trânsito. permitam certificar seu estado. 24 “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” 31 . constitui infração administrativa o simples dirigir sob a influência de álcool (qualquer que seja sua concentração no sangue) ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. 5º. Ao invés de se presumir a inocência do motorista. 165. A equiparação da negativa à submissão dos exames à infração administrativa do art. multa (cinco vezes). consagrado na Constituição Federal de 1. ofende o princípio da presunção de inocência. Invertem-se os valores. LVII24. 165 do CTB (embriaguez ao volante) acarreta presunção que o condutor estava sob o efeito de álcool. exames clínicos.Assim. 165 do Código de Trânsito Brasileiro. ainda. suspensão do direito de dirigir por doze meses. sob a influência do álcool ou de substância psicoativa que determine dependência. à medida administrativa de retenção do veículo. quando envolvido em acidente de trânsito. em seu art. O condutor se sujeita. em aparelhos homologados pelo CONTRAN. sempre que houver suspeita de estar o condutor. Em realidade. o legislador está criando uma nova infração administrativa “sui generis”. Essa regra é de manifesta inconstitucionalidade.

citado por Alexandre de Moraes. comprometendo o caráter ético-político do processo e a própria correção no exercício da função jurisdicional” (Constituição do Brasil Interpretada. ou princípio da inexigibilidade de produção de prova contra si mesmo. com limitador do poder normativo do Estado) são os princípios de adequação. p. Antonio Magalhães Gomes Filho. Ed. sua denegação. do princípio “nemo tenetur se detegere”. 32 . seja de caráter administrativo. apenas possa ser aquela apta para a tutela do bem jurídico e que a medida adotada seja também adequada à finalidade perseguida. com os dispositivos citados. necessidade e proporcionalidade em sentido estrito. seja ela de caráter penal. neste passo. Se a Constituição Federal assegura o direito de não fazer prova contra si mesmo. também. O princípio de adequação exige que toda e qualquer punição. Porque o próprio princípio de proibição de excesso pode ser tido como de proporcionalidade em sentido amplo. de forma unânime. ou da não auto-incriminação.Há violação. sob qualquer disfarce. expressões do princípio da proibição de excesso (tomado. representará um indesejável retorno às formas mais abomináveis da repressão. afirma que “o direito à não-incriminação constitui uma barreira intransponível ao direito à prova de acusação. Atlas. O princípio da necessidade. que a doutrina. também o princípio da proporcionalidade ou da proibição de excesso. considera consagrado na Constituição Federal. 400). estabelece que as punições somente sejam aplicadas quando necessárias. por sua vez. como punir a pessoa por exercer tal direito? Viola-se. Outrossim.

Estarão sujeitos à mesma pena. e para a infração penal bastava dirigir sob a influência do álcool. Ora. o objeto da tutela. 307 do CTB. para a tipificação do delito. Violação da suspensão ou proibição imposta Nos termos do art. sem representar qualquer perigo ao trânsito. não se podem dizer adequadas. e a conseqüência jurídica. com o perfeito domínio de seus reflexos. impondo a “tolerância zero”. Já na seara penal diminuiu o rigor. Agora. constitui crime “violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo 33 . Exigia-se a concentração de seis decigramas de álcool por litro de sangue para a infração administrativa. caput). Como se observa. o princípio da proporcionalidade em sentido estrito obriga a ponderar a gravidade da conduta. nos termos da legislação em causa. 276. no momento de impor a sanção. como ao juiz. 2. a concentração de seis decigramas ou mais de álcool por litro de sangue. com as alterações introduzidas pela lei n. quando da elaboração da norma. abolindo-se a “tolerância zero”. tanto os motoristas que forem surpreendidos dirigindo completamente embriagados.Por último. Na redação originária a situação era inversa. bastando dirigir com qualquer quantidade de álcool por litro de sangue. na seara administrativa o legislador é mais rigoroso. passando-se a exigir. O princípio dirige-se tanto ao legislador. 11705/08 no Código de Trânsito Brasileiro inverteram-se os papeis.2. necessárias e proporcionais aquelas penalidades em relação ao motorista que seja surpreendido “com qualquer concentração de álcool por litro de sangue” (art.6. como aqueles que tiverem ingerido pequena dose.

centrada no verbo “violar”. Sujeito ativo é o motorista suspenso ou proibido de dirigir. em procedimento específico. somente é aplicável judicialmente. A pena é de “detenção. Trata-se de crime formal. com nova imposição adicional de idêntico prazo de suspensão ou de proibição”. que pressupõe que o agente não esteja ainda autorizado ou habilitado. Não se exige. quando este atingir vinte pontos em seu prontuário. A objetividade jurídica. A penalidade de suspensão da permissão ou da habilitação pode ser imposta judicial ou administrativamente. de crime próprio. assim. o tipo penal se refere exatamente ao descumprimento de tais penalidades. judicial ou administrativamente. que a conduta implique em qualquer risco a quem quer que seja. A imposição judicial se dá na sentença condenatória por crime de trânsito. Sujeito passivo é o Estado. Já a penalidade de proibição. com base no Código de Trânsito Brasileiro. com garantia de ampla defesa ao infrator. consiste em dirigir veículo automotor durante o período de proibição ou suspensão. Basta a desobediência à penalidade imposta. Trata-se.automotor imposta com fundamento neste Código”. pois. Pois bem. que se caracteriza pelo simples fato de dirigir veículo automotor durante o período de suspensão ou proibição. de seis meses a um ano e multa. A ação típica. é a necessidade de respeito às penalidades impostas. portanto. 34 . A administrativa por decisão fundamentada da autoridade de trânsito.

a Permissão para Dirigir. em 48 horas. 293. “o condenado que deixa de entregar. 293. parece claro que o crime somente ocorre quando a entrega não se dá em obediência a ordem judicial. do Código de Trânsito Nacional. que por sua vez alude a trânsito em julgado da sentença condenatória. com as mesmas penas do caput.7.2. Como o texto legal fala em “condenado”. O elemento subjetivo é o dolo genérico. Quando é imposta a penalidade de suspensão. O descumprimento dessa ordem judicial implica na configuração deste crime do parágrafo único do art. ou a Carteira de Habilitação. A tentativa é possível. a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação”. se a penalidade de suspensão tiver sido aplicada administrativamente.O crime se consuma no momento em que o veículo automotor é posto em movimento pela pessoa sujeita à suspensão ou proibição do direito de dirigir. 307 também incrimina. como a chegada de alguém que o impede de prosseguir. 2. 307. § 1º. Assim. no prazo estabelecido no § 1º do art. mesmo sendo intimado o condutor a entregar a 35 . A ação penal é pública incondicionada. e se refere expressamente ao art. como na hipótese da pessoa dar a partida no veículo sendo impedida de movimentá-lo por circunstância alheia à sua vontade. o motorista é intimado a entregar à autoridade judiciária. Omissão na entrega da permissão ou habilitação O parágrafo único do art.

em via pública. de alguma forma. O que se tutela. 308. Participação em competição não autorizada O crime. que se incluía na contravenção de direção perigosa. 2. mais conhecido como racha.8.2. o descumprimento desta ordem não configura o crime em questão. Os espectadores. haverá concurso necessário. como descrito no art. na direção de veículo automotor. serão partícipes (art. esta conduta. da corrida em via pública. 29 do CP). é a segurança viária. A ação típica está centrada no verbo participar. disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade competente. em nome da qual se faz a incriminação. na direção de veículo automotor. de seis meses a dois anos. com a incriminação. respondendo todos pela figura penal. desde que resulte dano potencial à incolumidade pública ou privada”. Sendo vários os participantes. estando na direção de veículo automotor. houve por bem incriminar. Aqui também o legislador. consiste em “participar. multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.permissão ou a habilitação. de corrida. Sujeito passivo a coletividade. é preciso que o agente se envolva na disputa. de forma específica. 36 . para a prática. Assim. A pena cominada é de detenção. desde que contribuam. preocupado com o elevado número de vítimas de acidentes de trânsito nos conhecidos “rachas”. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa que participe.

ainda. em via pública. de seis meses a um ano. gerando perigo de dano”. etc. com alterações de seus requisitos. Se durante a disputa ocorre acidente com a morte de alguém o crime em estudo será absorvido pelo homicídio culposo. A pena cominada é de detenção. sem a devida habilitação. 32 da lei respectiva25. 25 Art. se cassado o direito de dirigir. Agora. e que ocorra dano potencial à incolumidade pública ou privada. que não haja autorização das autoridades competentes. O que se tutela com a incriminação é segurança do trânsito.2. A consumação ocorre no momento em que se dá a participação do agente na corrida. disputa ou competição automobilística. 37 . sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação ou. 309. Direção de veículo sem permissão ou habilitação Nos termos do art. corrida ou competição. tomada de tempo entre vários veículos. 2. disputa de acrobacias. a saber. foi elevada à categoria de crime. Para que o fato configure crime é preciso que ocorra em via pública. A direção de veículo automotor sem habilitação era prevista como contravenção penal no art. o crime consiste em “dirigir veículo automotor. 32 – Dirigir. O elemento subjetivo é o dolo genérico. A tentativa não é possível. pretendendo abranger as variadas formas de conduta.9. a incolumidade pública no trânsito. ou embarcação a motor em águas públicas.O tipo penal se refere a disputa. veículo na via pública. ou multa.

Por último. ou então não tenha sido cassado o seu direito de dirigir. De todo irrelevante que em momento posterior venha ele a obter a Permissão ou mesmo a Carteira de Habilitação. E se o condutor estiver com sua habilitação vencida? Como o art. que o condutor não tenha nem Permissão para Dirigir.O tipo penal está centrado no verbo “dirigir”. 162. de vez que sua conduta não coloca em risco a 38 . Importa é o momento em que o agente é flagrado dirigindo. exige-se que do fato resulte perigo de dano. para a infração administrativa. Ora. que o vencimento tenha ocorrido há mais de trinta dias. punível também administrativamente. Se o próprio Código exige. V. é porque admite a possibilidade de se continuar dirigindo enquanto não decorrido esse prazo do vencimento da habilitação. parece-nos que enquanto neste prazo não se há falar na configuração do crime. somente define como infração administrativa a direção “com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias”. O fato deve ocorrer em via pública. 309 é a incolumidade pública no trânsito. o fato de estar com a CNH vencida constitui mera infração administrativa. dirigindo com a CNH vencida? Entendemos que o fato será atípico. se o motorista já deu mostras de sua habilitação para dirigir. E se o motorista for surpreendido. nem Habilitação para Dirigir. também. após esse prazo de trinta dias. É que o objeto jurídico tutelado com a incriminação do art. que significa conduzir o veículo automotor. Exige-se.

E a direção de veículo ciclomotor sem habilitação. 39 . 141 do CTB não exige habilitação para dirigir ciclomotores27. Trata-se de crime de perigo abstrato ou perigo concreto? Ou crime de dano? Há quem sustente que se trata de crime de perigo concreto.05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinqüenta quilômetros por hora”. Até porque o tipo do art. por sua 5ª Turma. mas sim infração administrativa. por força da aprovação no exame respectivo. Gilson Dipp. Estando o motorista com a Permissão ou Habilitação suspensa. 309 somente se refere á hipótese de cassação do direito de dirigir. embora ainda não expedida a Habilitação? Cremos que o fato será atípico.333. o Min. A simples ausência do porte do documento não caracteriza o crime. 307. E se. configura esse crime? O art. O condutor. mas apenas autorização. pois o tipo penal alude à ausência de Permissão ou Habilitação. a conduta tipificará o crime do art. Apenas está com sua carteira de habilitação vencida26.incolumidade pública. 27 O Anexo I do CTB define ciclomotor como “veículo de duas ou três rodas. pois o agente tem habilitação reconhecida pelo Estado. repita-se. 1. provido de um motor de combustão interna. é habilitado. ao ser surpreendido na direção do veículo automotor o agente já havia sido aprovado no exame. se assim é. Ora. Não se refere à ausência de autorização.183. faltando apenas a formalização dessa habilitação. pelo que se exige que pessoa determinada seja exposta a risco em face da conduta do 26 Nesse sentido decisão do Superior Tribunal de Justiça. Mas a questão não é pacífica. não haverá o crime. cuja cilidrada não exceda a cinqüenta centímetros cúbicos (3. rel. O que configura o crime é dirigir sem estar habilitado. no REsp.

” (Legislação Penal Especial. o Supremo Tribunal Federal editou a súmula n. como exige a parte final do tipo.. 32 da Lei das Contravenções Penais? Depois de alguma divergência doutrinária. derrogou o artigo 32 da Lei das Contravenções Penais no tocante à direção sem habilitação em vias terrestres”. “o sujeito conduz o veículo de forma anormal quando emprega excesso de velocidade ao ultrapassar obstáculos. Dirigir com o exame médico vencido configura simples infração administrativa. 32 quando à direção não habilitada de embarcações a motor em águas públicas. ainda em “zigue-zague”. e de forma anormal. Há. em perigo concreto. porque o bem jurídico tutelado com a incriminação é coletivo. no entanto. que reclama decorra do fato perigo de dano. não configurando o crime em estudo. e não individual. o agente conduza o veículo de forma anormal28. ou estar com o direito de dirigir cassado. bastando a direção sem habilitação. A posição majoritária. 40 . Mas é indispensável que.. Porque somente assim estará “gerando perigo de dano”. o sujeito ativo viola a expectativa mínima de segurança no trânsito.agente. 28 Como salientam Gustavo Octaviano Diniz Junqueira e Paulo Henrique Aranda Fuller. sustenta que se trata de crime de dano ao bem jurídico “segurança no trânsito”. via preferencial. O sujeito passivo é o Estado. pois. p. Houve ou não derrogação do art. portanto. ultrapassa sinal vermelho. 106. Subsiste. no entanto. 309 do Código de Trânsito Brasileiro. Siciliano Jurídico. a incriminação do art. 720 no sentido de que “o art. presumindo-se o perigo. Outros sustentam que a hipótese é de crime de perigo abstrato. um dano efetivo ao bem jurídico tutelado. Não se há falar. 2004. além de não estar habilitado. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Conduzindo sem habilitação.

2. o Min. confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada.O elemento subjetivo é o dolo genérico. Em vista 29 O Supremo Tribunal Federal. a quem. Desta forma. rel. 310). O tipo penal. decidiu em sentido contrário. o crime de direção sem habilitação? Embora a questão não seja pacífica29. com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso. como fica a questão na hipótese de não oferecer a vítima. A ação penal é pública incondicionada. Além disso. Não admite tentativa. entendo que sim. porque desapareceu a causa da absorção (consunção). A consumação ocorre com o ato de dirigir. física ou mental. ainda. no HC 80303.10. tornando-se inviável a punição pelo todo por questão processual.2. ou pela lesão corporal culposa. Celso de Melo. por seu estado de saúde. 310. na lesão corporal culposa. quando há morte ou lesão corporal. 41 . é claramente de perigo abstrato. ou. Entrega de veículo a pessoa não habilitada Constitui crime. deve subsistir a norma meio. punido com detenção. ou multa. Porém. O crime em estudo é absorvido pelo homicídio culposo. o simples fato de dirigir sem habilitação (art. 32 da LCP) não tem mais qualquer relevo. ou por embriaguez. “permitir. a necessária representação para a ação penal? Subsiste ou não. não esteja em condições de conduzi-lo com segurança” (art. tal como descrito no art. O simples entregar a direção do veículo a pessoa não habilitada não expõe a perigo qualquer bem jurídico. de seis meses a um ano. eis que é causa de especial aumento de pena nesses dois crimes de trânsito. de forma autônoma. porque a absorção decorre da necessidade de se evitar o “bis in idem”.

No entanto. Indispensável. A consumação. confiar (=entregar em confiança) ou entregar (=passar às mãos de alguém) a direção de veículo automotor (conceito já estudado) a: a) pessoa não habilitada. Sujeito passivo é a coletividade. e) pessoa que por embriaguez não esteja em condições de dirigi-lo em segurança. física ou mental. c) pessoa com o direito de dirigir suspenso. Permitir (=consentir). como a simples consideração para essa conduta pode ser considerada criminosa.disso. pela descrição típica. pois há vários julgados aplicando o tipo. tem prevalecido que a consumação somente ocorre com a efetiva utilização do veículo por aquele a quem foi entregue. b) pessoa com habilitação cassada. que a disposição é de manifesta inconstitucionalidade. Essa a conduta típica. Porém. não é o que tem prevalecido. 42 . não esteja em condições de dirigi-lo em segurança. parece-nos. A tentativa é possível. em conseqüência. d) pessoa que pelo seu estado de saúde. O crime é eminentemente doloso. pois. que o sujeito ativo tenha consciência que está entregando o veículo a pessoa nas condições previstas no tipo. Objeto material é o veículo automotor. ocorreria no momento em que o veículo é entregue a uma daquelas pessoas. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. O que se tutela com ela é a segurança do trânsito. Não há modalidade culposa.

consiste em “trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório.2. ou multa. 311. o procedimento preparatório. na formulação do art. logradouros estreitos. O parágrafo único manda aplicar o disposto no caput. 43 . inquérito policial ou processo penal. 312 incrimina a conduta consistente em “inovar artificiosamente. quando da inovação. ou multa. hospitais. Fraude no procedimento apuratório O art. em caso de acidente automobilístico com vítima. Excesso de velocidade em determinados locais O crime. de seis meses a um ano. de seis meses a um ano. de coisa ou de pessoa. o perito ou juiz”. a fim de induzir a erro o agente policial.12. 2. o estado do lugar. ou onde haja grande movimentação ou concentração de pessoas.2. A pena prevista é de detenção.11.2. A pena é de detenção. gerando perigo de dano”. ainda que não iniciados. o inquérito ou o processo aos quais se refere. estações de embarque e desembarque de passageiros.

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