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BARROCO MINEIRO

Deu-se o nome de Barroco mineiro à versão peculiar que o estilo Barroco


desenvolveu no estado de Minas Gerais, entre o início do século XVIII e o final do
século XIX. O termo usualmente se refere à arquitetura desse período, mas teve
expressões importantes também na escultura e na pintura.

A característica do Barroco na região das Minas ocorreu em grande parte por dois
fatores: o seu relativo isolamento do resto do país e o súbito enriquecimento da
região com a descoberta de grandes jazidas de ouro e diamantes. O estilo teve seu
centro principal na antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto, fundada em 1711, mas também
floresceu com vigor em Diamantina, Mariana, Tiradentes, Sabará, Cachoeira do
Campo, São João del Rey, Congonhas do Campo e uma série de outras cidades e
vilas mineiras. Quando o ouro começa a escassear, por volta de 1760, o ciclo
cultural mineiro também entra em declínio, mas é quando o seu estilo típico chega à
culminação com as obras de Aleijadinho e Mestre Ataide. Nos primeiros anos do
século XIX a fase de esplendor de Minas já havia passado, embora o ciclo artístico
do Barroco mineiro só possa ser considerado findo com a morte desses dois
mestres, ocorrida respectivamente em 1814 e 1830.

A riqueza da região no século XVIII favoreceu um rápido desenvolvimento urbano e


o surgimento de uma elite interessada em arte. As irmandades religiosas também
acumularam fortunas e competiam na construção de templos decorados com luxo e
requinte, ostentando pinturas, entalhes e estatuária. Essas associações de leigos,
fortalecidas pela proibição das ordens religiosas na região, foram as financiadoras
do trabalho dos artífices, artistas e artesãos do período.

Por influência francesa, o estilo se suavizou no Rococó, que trás como como
principais características: as cores claras, tons pastéis e douramento, representação
da vida profana da aristocracia, estilo decorativo, unificação do espaço interno, com
maior graça e intimidade e texturas suaves.

A música sacra encontrou nesses locais de culto espaços para seu cultivo
sistemático, e o teatro da mesma forma teve um impulso significativo, tanto no
gênero recitado como no musical, com frequente apresentação de óperas.

ARQUITETURA

A arquitetura barroca mineira é interessante por se realizar geralmente em um


terreno acidentado, cheio de morros e vales, dando uma forma atraente à
urbanização das cidades. Mas não é isso o que torna o Barroco mineiro especial, já
que a construção civil segue modelos formais comuns a toda arquitetura colonial
brasileira. Entretanto, o caso mineiro tem o atrativo de constituir o primeiro núcleo no
Brasil de uma sociedade eminentemente urbana, e essa mesma topografia obrigou
os construtores a preferir técnicas adaptadas ao sítio, gradualmente abandonando a
taipa de pilão e adotando a taipa de mão, que faz uso de madeiramento mais sólido
para sustentação das paredes. Mais adiante a pedra também assume um lugar
importante na edificação, em especial para obras mais avantajadas.

De qualquer forma, suas características estilísticas distintivas são mais claramente


expressas na arquitetura religiosa, nas igrejas que proliferam em grande número em
todas essas cidades. A expressão desses elementos se realizou em plantas que
fugiam ao esquema básico do retângulo, aparecendo polígonos e ovais, embora
com nave única; os campanários ganham mais independência em relação ao corpo
da igreja e aparecem torres cilíndricas com coruchéu em capacete; as aberturas são
mais amplas e de desenho variado: ovais, redondas, periformes, losangulares e
formas mistas, e o óculo sobre o frontispício pode ser ocluso com relevos
decorativos.
Contudo, tais elementos só vieram a uma consumação perto do final do ciclo. No
início do século as igrejas ainda derivavam suas plantas da matriz maneirista, com
planta retangular, fachada austera e frontão triangular, modelo exemplificado na
Catedral de Mariana. Pedro Gomes Chaves introduz em 1733 inovações importantes
na Matriz do Pilar em Ouro Preto, com uma planta retangular, mas cuja talha interna
redefine o espaço na forma de um decágono. Originais de fato, sem precedentes
tanto na arquitetura brasileira como na portuguesa, são as igrejas do Rosário dos
Pretos em Ouro Preto, com planta composta de três elipses sucessivas, fachada
circular com uma galilé de três arcos, e com torres circulares e a de São Pedro ds
Clérigos. Da mesma época é a fachada do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos,
cujo frontispício lavrado em pedra-sabão é tido como o primeiro exemplo dessa
solução decorativa.

Na segunda metade do século se constrói a Igreja do Carmo de Ouro Preto, com


uma composição de fachada ainda mais ousada: o plano frontal cede lugar para
uma parede ondulada, com torres bombée em recuo e óculo trilobado, típico do
Rococó. Traçada por Manuel Francisco Lisboa, seu plano foi alterado em 1770 por
Francisco de Lima Cerqueira e o Aleijadinho, que esculpiu a portada.

Aleijadinho, junto com Cerqueira, levam essas soluções adiante e se tornam os


arquitetos mais importante da região e de todo o barroco brasileiro. Suas obras são
a súmula das novidades que distinguem o barroco em Minas Gerais. A Igreja de São
Francisco de Assis em Ouro Preto, uma das construções mais belas das Minas, é
atribuída ao Aleijadinho, embora não haja documentação a respeito. Sabe-se porém
que o plano original sofreu alterações pelo mestre-construtor Cerqueira, e de certeza
é do Aleijadinho apenas a escultura da portada. De qualquer forma o templo é uma
jóia de harmonia entre exterior e interior, e suas soluções são de grande
originalidade, incorporando até mesmo traços de estilos antigos como o Gótico e o
Renascentista. De qualidade semelhante é a Igreja de São Francisco de Assis em
São João del Rey, da qual sobrevive um traçado pelo Aleijadinho, que não
corresponde exatamente ao que se vê hoje, tendo havido intervenção novamente de
Francisco Cerqueira, que acrescentou ainda paredes sinuosas na nave, uma
solução inédita e de grande efeito plástico. Aliás, o papel de Cerqueira na arquitetura
barroca de Minas tem sido recentemente reavaliado, concedendo-lhe a ele uma
participação muito importante, talvez maior mesmo que a de Aleijadinho, tanto na
composição final das igrejas supracitadas como no traço principal de outros templos
como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo em São João del Rey e o frontispício
para a Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

O estilo ocorrido em Minas tem cinco aspectos principais: exuberância de decoração


interna das igrejas; uso intenso da talha de diferentes cores, sobretudo o
revestimento de ouro; crescente tendência à movimentação e encurvamento,
primeiro da arquitetura interna das igrejas, depois da externa; realismo das
esculturas e imagens; e presença simultânea de ornamentos religiosos e profanos.

ESCULTURA

Minas, em seu relativo isolamento, com maior dificuldade para importação de peças
portuguesas como se fazia de hábito no litoral, não era menos religiosa e enfrentava
uma demanda por estatuária sacra em nada menor do que a dos outros grandes
centros urbanos do Brasil, e foi por isso obrigada a produzir a grande maioria de
seus próprios artífices. Forçados pelas circunstâncias a apresentarem soluções
formais sem uma grande disponibilidade de modelos eruditos, e em sua maioria
autodidatas, os escultores da escola mineira não se aglutinaram em torno de um
único princípio estético, e sua produção se caracteriza pela diversidade e pelo
ecletismo, ao contrário de outras escolas importantes como a da Bahia ou de
Pernambuco, que eram bem mais informadas sobre a arte européia e produziam em
série para um vasto mercado nacional.

Mesmo assim alguns traços têm sido apontados como típicos de Minas Gerais: a
ausência de padrões repetitivos ou acadêmicos, uma policromia menos carregada,
mais uniforme e mais econômica que similares litorâneos, feições mais ingênuas e
joviais e um tratamento dos trajes que nem sempre prima pela lógica, embora o
dinamismo seja uma constante .
Um dos mais requintados ambientes de decoração religiosa do barroco da arte
colonial brasileira é a Capela da Ordem Terceira de São Francisco de Assis de
Ouro Preto. É um raro exemplar de unidade ornamental, em que todos os
elementos - sejam esculturas, pinturas ou talha, se completam, transmitindo uma
sensação de harmoniosa integração.

ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA (ALEIJADINHO)

Há muitas incertezas sobre sua vida. A primeira biografia do artista foi escrita em
1858, 44 anos após sua morte, por Rodrigo José Ferreira Bretas, baseada em
documentos de arquivo e depoimentos.

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto, em
Mina Gerais, por volta de 1730. Era filho natural de um mestre-de-obras português,
Manuel Francisco Lisboa, um dos primeiros a atuar como arquiteto em Minas Gerais,
e de uma escrava que se chamava Isabel.

A formação profissional e artística do Aleijadinho é atribuída a seus contatos com a


atividade do pai e a oficina de um tio, Antônio Francisco Pombal, afamado
entalhador de Vila Rica. Sua aprendizagem, além disso, teria sido facilitada por
eventuais relações com o abridor de cunhos João Gomes Batista e o escultor e
entalhador José Coelho de Noronha, autor de muitas obras em igrejas da região. Na
educação formal, nunca cursou senão a escola primária.

O apelido que o celebrizou veio de enfermidade que contraiu por volta de 1777, que
o foi aos poucos deformando e cuja exata natureza é objeto de controvérsias. Uns a
apontam como sífilis, outros como lepra, outros ainda ulceração gangrenosa das
mãos e dos pés. De concreto se sabe que ao perder os dedos dos pés ele passou a
andar de joelhos, protegendo-os com dispositivos de couro, ou a se fazer carregar.
Ao perder os dedos das mãos, passou a esculpir com o cinzel e o martelo
amarrados aos punhos pelos ajudantes.

Muitos trabalhos de escultura reconhecidos como criações do artista mineiro não


possuem registro de época confirmando a autoria. Por isso, alguns traços distintivos
de suas obras, como a face oval próxima a modelos góticos, o desenho amendoado
dos olhos, os bigodes que nascem diretamente das narinas, os cabelos
encaracolados e bem delineados, o queixo dividido em duas partes, o drapeamento
geometrizado das vestes, a estrutura corporal robusta com músculos e veias
salientes e, por fim, as expressões de poderoso efeito emocional, mas contidas e
espiritualizadas, são utilizados como parâmetros por estudiosos na forma de
identificação de seu legado artístico.

PRODUÇÃO ARTÍSTICA

Suas obras mais famosas são o conjunto do Santuário de Bom Jesus de


Matosinhos, em Congonhas do Campo, um patrimônio histórico e artístico com 66
imagens esculpidas em madeira de cedro e os 12 majestosos profetas em pedra-
sabão.

O Santuário do Bom Jesus do Matosinhos é constituído por uma igreja em cujo adro
estão as esculturas em pedra sabão de 12 profetas: Isaias, Jeremias, Baruque,
Ezequiel, Daniel, Oséias, Jonas, Joel, Abdias, Adacuque, Amós e Naum. Cada um
desses personagens está numa posição diferente e executa gestos que se
coordenam. Com isso, Aleijadinho conseguiu um resultado muito interessante, pois
torna muito forte para o observador a sugestão de que as figuras de pedra estão se
movimentando.

Na ladeira que dá de frente para a igreja, compondo o conjunto arquitetônico do


Santurário, foram construídas 6 capelas - 3 de cada lado - chamadas de Os Passos
da Paixão de Cristo. Em cada uma delas um conjunto de esculturas - estátuas em
tamanho natural - narram o momento da paixão de Cristo.

Toda sua extensa obra foi realizada em Minas Gerais e, além desses dois grandes
conjuntos, cumpre citar outros trabalhos.

Certamente admirada em seus dias, já que as encomendas, vindas de vários pontos


da província, nunca lhe faltaram, a obra do Aleijadinho caiu porém no esquecimento
com o tempo, só voltando a despertar certo interesse após a biografia precursora de
Rodrigo Bretas (1858). O estudo atento dessa obra, como ponto culminante do
barroco brasileiro, esperou mais tempo ainda para começar a ser feito, na esteira do
movimento de valorização das coisas nacionais desencadeado pela Semana de Arte
Moderna de 1922.

Antônio Francisco Lisboa, segundo consta, foi progressivamente afetado pela


doença e se afastou da sociedade, relacionando-se apenas com dois escravos e
ajudantes. Nos dois últimos anos de vida se viu inteiramente cego e impossibilitado
de trabalhar. Morreu em algum dia de 1814 sobre um estrado em casa de sua nora,
na mesma Vila Rica onde nascera.

PRINCIPAIS OBRAS DO ALEIJADINHO

Em Ouro Preto:

Igreja de São Francisco de Assis (risco geral, risco e esculturas da portada, risco da
tribuna do altar-mor e dos altares laterais, esculturas dos púlpitos, do barrete, do
retábulo e da capela-mor);
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (modificações no frontispício e projeto original,
esculturas da sobreporta e do lavatório da sacristia, da tarja do arco-cruzeiro, altares
laterais de São João Batista e de Nossa Senhora da Piedade);
Igreja das Mercês e Perdões ou Mercês de Baixo (risco da capela-mor, imagens de
roca de São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato);
Igreja São Francisco de Paula (imagem do padroeiro);
Igreja de São José (risco da capela-mor, da torre e do retábulo);
Igreja de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos ou de São Miguel e Almas
(estátua de São Miguel Arcanjo e demais esculturas no frontispício);
Igreja de Nossa Senhora do Rosário (imagem de santa Helena); e as imagens de
São Jorge, de Nossa Senhora, de Cristo na coluna e quatro figuras de presépio hoje
no Museu da Inconfidência.
Em Congonhas:
Igreja matriz (risco e escultura da sobreporta, risco do coro, imagem de são
Joaquim).

Em Mariana:
Cristo com a Samaritana, chafariz de Mariana .

Em Sabará:
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (risco do frontispício, ornatos da porta e da
empena, dois púlpitos, dois atlantes do coro, imagens de São Simão Stock e de São
João da Cruz).

Em São João del-Rei:


Igreja de São Francisco de Assis (risco geral, esculturas da portada, risco do
retábulo da capela-mor, altares colaterais, imagens de São João Evangelista);
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (risco original frontispício e execução da maioria
das esculturas da portada).

Em Tiradentes:
Matriz de Santo Antônio (risco do frontispício).

PINTURA

Os templos mineiros setecentistas, em sua maioria, se distinguem pelo uso de um


tabuado corrido nos forros, especialmente prevendo a decoração com pinturas de
grandes dimensões, ao contrário da tendência litorânea, mais antiga, de se
empregar caixotões emoldurados com relevos onde as pinturas se apresentavam
em seções separadas. Dentre estas pinturas destacou-se o estilo de perspectiva
arquitetônica ilusionística, que buscava uma continuidade visual da arquitetura real
do templo para cima, nos forros, onde colunas, arcadas, medalhões e outros
elementos se abrem e emolduram uma grande composição sacra situada no "céu",
muitas vezes povoada de figuras acessórias, como anjos e santos, rodeando um
personagem ou cena principal entre nuvens e halos de glória.
Muitos dos artistas daquele período eram autodidatas e era uma praxe basearem
suas criações em gravuras de procedência européia, algumas, surpreendentemente,
reproduzindo obras de artistas da Alta Renascença, como Rafael, o que traz dados
de grande interesse para o estudo das origens da pintura mineira. Até mesmo o
célebre Ataíde, o mais insigne mestre dessa escola, se valeu de exemplos
importados, embora sua interpretação dos mesmos seja muito original, com um
delicioso sabor popular que chega ao ponto de representar anjos e santos com
feições mulatas. Os pintores da época nem sempre podiam importar suas tintas,
então faziam suas próprias cores com pigmentos e solventes naturais aqui da terra,
usavam, por exemplo, terra queimada, leite e óleo de baleia, clara de ovo, além de
extratos de plantas e flores.

MANUEL DA COSTA ATAÍDE (MESTRE ATAÍDE).

Manuel da Costa Ataíde nasceu em 1762 na cidade de Mariana, em Minas Gerais,


filho do Capitão Luiz da Costa Ataíde e Maria Barbosa de Abreu e faleceu em 1830
na cidade onde nasceu. Mestre Ataíde, como ficou conhecido, iniciou sua vida
profissional nas milícias da Capitania das Minas Gerais, ocupando o posto de cabo
de esquadra e alcançou, em 1799, o posto de alferes.

Não se sabe quando o mestre começou a se dedicar à pintura e nem quem teria
sido seu mestre. O primeiro documento que tem o registro do nome do pintor foi uma
obra não identificada para a capela de Nossa Senhora do Carmo, em Mariana. A
fama de bom pintor deve ter se espalhado com rapidez pela capitania, já que se
avolumaram as obras em diversas vilas. Usava como referência ilustrações de
Bíblias e catálogos importados da Europa. Fazia a transposição das imagens,
simplificava os originais, adequava ao espaço e aos recursos disponíveis.
Suas composições e seu colorido inconfundível deram ao seu trabalho uma
qualidade excepcional e o transformaram no grande expoente da pintura colonial
brasileira.
Em 1818, Ataíde escreveu a D. João VI pedindo permissão para estabelecer uma
escola para o ensino das artes em Mariana, pedido que não foi aprovado.

No inventário de suas posses relacionam-se manuais técnicos e tratados teóricos


como o de Andrea Pozzo - "Perspectivae Pictorum Architectorum" -, nos quais deve
ter estudado a sua arte. Uma das características da sua expressão artística era o
emprego de cores vivas, principalmente o azul, a sua preferida. Em seus desenhos,
os anjos, as madonas e os santos apresentam feições mulatas.

Trabalhou junto com o Aleijadinho em algumas obras. No período de 1781 a 1818,


encarnou e dourou as imagens de Aleijadinho para o Santuário do Bom Jesus de
Matosinhos, em Congonhas do Campo, além dos trabalhos na Igreja de São
Francisco de Assis em Ouro Preto.

Entre as obras mais importantes do pintor barroco, destacam-se:

* Pintura da Capela de Nossa Senhora da Glória por volta de 1742, localizada na


comunidade da Ressaca, pertencente à Carandaí, Minas Gerais.

* Pinturas do forro da capela-mor da Igreja Matriz de Santo Antônio, na cidade de


Santa Bárbara, realizadas em 1806;

* Pintura do forro da capela-mor da Igreja Matriz de Santo Antônio, na cidade de


Itaverava, realizada em 1811;

* Pintura do forro da capela-mor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em


Mariana, realizada em 1823;

* Painel A Última Ceia, no Colégio do Caraça, executado em 1828;

* Pinturas na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em Ouro Preto,


realizadas entre 1801 e 1812, sendo a “Glorificação da Virgem”, pintada sobre
madeira no teto da nave principal, o seu trabalho mais conhecido.
MÚSICA BARROCA MINEIRA

Trata-se de uma das épocas musicais de maior extensão, revolucionária e


importante da música ocidental, e provavelmente também a mais influente. As
características mais importantes são o uso do baixo contínuo, do contraponto e da
harmonia tonal, em oposição aos modos gregorianos até então vigente.

Aqui no Brasil, foi em Minas Gerais que a música sacra barroca alcançou , sem
exagero, uma culminância. Irmandades de músicos, cantores e compositores,
mestiços em sua quase totalidade, produziram obras que hoje surpreendem tanto os
estudiosos quanto o público. Eram Missas, Novenas e Ofícios, concebidos com
originalidade, dentro dos padrões clássicos, em consonância com o que se produzia
ao norte da Itália, na Baviera e na Áustria. O seminário de Mariana foi o núcleo
formador de músicos, seminaristas e leigos, instruídos por padres da região.

Dentre os que preservam um pouco mais nitidamente soluções formais, técnicas e


sonoridades do Barroco está José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita,
possivelmente o maior de todos os mineiros e a quem se atribui a autoria de cerca
de trezentas obras, das quais sobrevivem quarenta. São bem conhecidas ,
Dominica in Palmis (1782), um dos raros originais do compositor e o motete Tercio
(1783), considerada a mais antiga partitura de um com compositor brasileiro, a
Antífona de Nossa Senhora (1787), o Tractus para o Sábado Santo (1783), a Missa
em mi bemol (1783) e outras.

Lobo de Mesquita é considerado o mais expressivo compositor setecentista de


Minas Gerais. Além de compor, trabalhou como regente e organista da Ordem
Terceira do Carmo em Vila Rica, de 1787 a 1795.

Nasceu no Serro em 1746 e faleceu no Rio de Janeiro em 1805. Estudou música em


sua cidade natal com o padre Manuel da Costa Dantas. Durante vinte anos atuou
como músico em Diamantina, tendo sido regente e organista da Matriz de Santo
Antônio e da Ordem Terceira do Carmo. Em 1798 transferiu-se para Vila Rica, atual
Ouro Preto e mais tarde para o Rio de Janeiro. Nas duas cidades, foi também
regente e organista da Ordem Terceira do Carmo.

Também importantes neste grupo são: Francisco Gomes da Rocha, autor de


duzentas peças entre elas a estimada Novena de Nossa Senhora do Pilar, Inácio
Parreira Neves e Manoel Dias de Oliveira.

Esquecidas pouco a pouco pelas gerações seguintes, quase sepultadas em velhos


armários por mais de um século, tais partituras foram descobertas e devidamente
avaliadas.

Pouco a pouco, felizmente, estas obras vêm sendo cada vez mais colocadas ao
alcance do público.

É o caso, por exemplo, de excelentes gravações em compact disk, lançadas


recentemente graças ao meritório trabalho do Centro Cultural Pró-Música, de Juiz de
Fora, e do Coral Ars Nova, associado à Universidade Federal de Minas Gerais, de
Belo Horizonte, com o apoio de diversas empresas .

Coube ao musicólogo alemão Francisco Curt Lange, o mérito de haver descoberto


velhas partituras desses autores barrocos. Pesquisando em cidades do interior de
Minas Gerais, viajando de jipe, Lange batia de porta em porta para perguntar às
viúvas dos netos dos compositores se havia sobrado alguma partitura antiga entre
os guardados do marido.