P. 1
Sebenta de Zootecnia

Sebenta de Zootecnia

|Views: 1.673|Likes:
Publicado porfmscooter

More info:

Published by: fmscooter on May 05, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/09/2013

pdf

text

original

INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA

Apontamentos

de

Zootecnia

Curso de Engenharia Alimentar

Orientação Animal
Fernando Manuel Santos Mota
Professor Adjunto do Departamento de Produção e Protecção Animal

2003

2

NOTA DO AUTOR

Esta compilação, pelo carácter geral que norteia a abordagem das matérias nela tratadas, destina-se exclusivamente aos alunos da Disciplina de Zootecnia, do 3º Semestre do Curso de Engenharia Alimentar, Orientação Animal. Não está de modo nenhum aconselhada aos alunos de disciplinas, que pela sua especificidade, exijam um estudo mais aprofundado, ainda que as matérias versadas nessas disciplinas, possam ter alguma correspondência titular com partes da presente compilação.

Beja, Setembro de 2003

(Fernando Manuel Santos Mota)

3

ÍNDICE 1. Conceitos Introdutórios 1.1. Noções Reprodutivas das Espécies Domésticas 1.2. Parâmetros Reprodutivos 1.3. Possibilidades Étnicas da Exploração Animal 1.4. Métodos de Fertilização 1.5. Pastoreio e Forragens 1.6. Estabulação Sistemas Exploração 1.7. Relações Animal / Ambiente 2. Noções de Produção de Ovinos 2.1 Origem e História 2.2 Características Biológicas da Espécie 2.2.1 Comportamento Alimentar 2.2.2. Características Reprodutivas 2.2.3. Produção de Carne Leite e Lã 2.2.3.1. Produção de Carne 2.2.3.2 Produção de Leite 2.2.3.3. Produção de Lã 2.3. O Tronco Merino 2.4 Raças Ovinas Portuguesas 2.5. Raças Ovinas de Maior Expansão Mundial 2.6. Sistemas de Produção de Ovinos 2.6.1. Tipo de Animais Utilizados 2.6.1.1. Linha Pura 2.6.1.1. Cruzamento 2.6.2. Tipo de Instalação 2.6.2.1. Estabulação Permanente 2.6.2.2. Semi-estabulação 2.6.2.3. Pastoreio 3. Noções de Produção de Caprinos 3.1. Origem e História 3.2. Características Biológicas da Espécie 3.2.1. Comportamento Alimentar 3.2.2. Comportamento Reprodutivo 3.2.3. Produção de Carne Leite e Pêlo 3.2.3.1. Produção de Carne 3.2.3.2. Produção de Leite 3.3. Raças Caprinas Portuguesas 3.4. Raças Caprinas Estrangeiras 3.5. Sistemas de Produção de Caprinos 3.5.1. Tipos de Animais Utilizados 3.5.2. Tipos de Instalações 4. Noções de Produção de Bovinos 4.1. Origem e História 4.2. Características Biológicas da Espécie 4.2.1. Comportamento Alimentar 4.2.2. Comportamento Reprodutivo 4.3. Produção de Carne e Leite 4.3.1. Produção de Carne 4.3.2. Produção de Leite 4.4. Raças Bovinas Portuguesas 4.5. Raças Bovinas de Maior Difusão Mundial 4.6. Sistemas de Produção de Bovinos 4.6.1. Sistemas de Produção de Carne Pag. 1 1 8 9 12 16 20 21a 22 22 23 23 24 26 26 28 29 32 34 40 45 46 46 46 47 48 48 48 49 49 50 50 51 53 53 54 57 62 65 65 67 71 71 72 72 73 76 76 79 80 85 91 91

1.4 4.6.4.1. Comportamento Alimentar 5.2 1. Produção de Peles 6. Características Biológicas da Espécie 6.7. Sistemas de Produção de Leite 5.1.2.5.1.2. Tipo de Instalações BIBLIOGRAFIA 92 95 95 97 97 99 101 105 108 108 112 112 114 118 118 118 118 119 121 121 121 122 124 124 127 .2. Raças Suínas Estrangeiras de Maior Difusão 5. Sistema Extensivo 5. Comportamento Reprodutivo 5. Sistemas de Produção de Suínos 5. Noções de Produção de Suínos 5.5.7. Características Reprodutivas 6.2. Noções de Produção de Coelhos 6.5. Características Biológicas da Espécie 5. Sistema Intensivo 5. .1.3 Raças Suínas Portuguesas 5.6 Raças de maior interesse 6. Caracterização da Espécie 6.2. Sistemas de Produção de Coelhos 6.2.2.2.5. Caracterização do animal obtido neste Sistema 5.3.1. Produção de Pêlo 6.2. Produção de Carne 6.2.4. Origem e História 5.5.Comportamento Alimentar 6.6 Produção de Carne 6.

CONCEITOS INTRODUTÓRIOS A Zootecnia é uma ciência que em termos gerais se ocupa de todos os aspectos que concernem à Produção Animal. 1969. 1988). in Simões. Desde a Antiguidade que o conhecimento da reprodução dos animais é preocupação dos povos. XIX (Bishop e Walton. 1984). o número de óvulos produzidos. O sucesso reprodutivo em qualquer espécie. 1960. implica a participação de dois indivíduos diferentes entre si anatómica e fisiologicamente. a idade à puberdade e . estando incluídos nos seus aspectos fundamentais o conhecimento dos comportamentos reprodutivo e alimentar das diversas espécies exploradas pelo Homem. 1984). quer dos Sistemas de Pastoreio e de Estabulação a que os animais domésticos são sujeitos. A reprodução numa espécie dióica. torna-se no entanto necessário introduzir alguns conceitos destas áreas. 1984). in Simões. cit. dizendo-se de sexos diferentes (Simões. a frequência dos cios. como o atestam textos de Hipócrates e Aristóteles (McDonald. conducentes a uma total compreensão das matérias adiante tratadas. está dependente de muitos factores entre os quais se contam a existência ou não de estação sexual e a extensão desta. Não sendo o objectivo desta disciplina. reconheceu a natureza cíclica dos fenómenos sexuais na fêmea e em 1900. Heape definiu e designou as fases do ciclo éstrico (Asdel. No entanto só no séc.1. 1978. cit. cujo efeito foi garantir a continuidade das espécies (Hafez. As descrições mais ou menos exactas da penetração do espermatzóide no oócito começaram a surgir em meados do séc. os períodos de gestação e de amamentação.NOÇÕES REPRODUTIVAS DAS ESPÉCIES DOMÉSTICAS Durante o longo processo de Evolução os Mamíferos sofreram notáveis modificações anatómicas endocrinológicas e fisiológicas. Simões. 1984). o número de crias nascidas. in Simões. cit. 1.5 1. 1969. o estudo pormenorizado quer da Reprodução Animal. 1984). XIX se chegou ao reconhecimento definitivo da existência do espermatzóide através dos trabalhos de Prévost e Dumas em 1924 e do oócito pelo conhecimento dos trabalhos de von Bauer e de Dumas ambos divulgados em 1927 (Asdel. Lataste em 1887.

1984. O aparecimento dessas manifestações é conhecido por Puberdade. A partir de determinada altura da sua vida. 1984). anatómicos. 1978. Simões. neurais. imunológicos ou patológicos (Hafez. hormonais. Nas fêmeas. acompanhados da aparição dos caracteres sexuais secundários e do aumento dos órgãos reprodutivos (McDonald. Entre estas encontram-se a FSH (hormona estimulante dos folículos) e a LH (hormona luteínizante) implicadas directamente nos fenómenos sexuais. 1978). nutricionais. nomeadamente os sexuais. 1988). pode declinar em consequência de factores estacionais. 1988). Por outro lado a eficiência reprodutiva. o alvo da acção das hormonas hipofisárias FSH e LH são os ovários. os quais operando em integração fisiológica fazem a coordenação das estruturas e órgãos neles participantes. aos quais chegam pelo sangue e nos quais vão produzir alterações fisiológicas e anatómicas que constituem o Ciclo Éstrico (McDonald. Hafez. 1978 . a Somatrotropina (hormona do crescimento). estando dependente entre outros factores da raça. 1984 . do crescimento e da lactação (McDonald. Os processos reprodutivos no seu conjunto são condicionados de maneira extraordinariamente complexa. Simões. Simões. a Prolactina e a Oxitocina (hormonas implicadas na produção e libertação do leite) (McDonald. directa ou indirectamente (Simões. O Hipotálamo e a Hipófise são dois órgãos integrados no cérebro que actuam em interdependência e desempenham uma acção primordial na regulação de numerosos fenómenos fisiológicos. Hafez. 1984). Hafez. De modo simplista e generalizado pode assumir-se a seguinte descrição. da idade do animal. 1978 . os animais começam a manifestar comportamentos associados à actividade sexual. como resumo dos complexos fenómenos processados no ovário : a FSH libertada na hipófise vai promover o crescimento de um folículo (ou vários conforme a espécie). 1988). 1978.6 a estabilidade do período reprodutivo na vida do animal. genéticos. do clima. 1988). . por mecanismos que incluem os Sistemas Nervoso e Endócrino. da época do ano e do seu estado de nutrição e do sexo a que pertence (McDonald. O hipotálamo é o órgão responsável pela produção e libertação de hormonas que vão regular a produção e libertação de hormonas pela hipófise.

Se há fecundação o corpo amarelo permanece activo produzindo progesterona durante todo o período até ao parto (McDonald. nas fêmeas. que cresce no local onde existiu o folículo e começa a produção de uma substância hormonal. 1978). com um ritmo e duração característico para cada espécie. o que acontece quando os machos começam a produzir espermatzóides e as fêmeas experimentam o primeiro Ciclo éstrico (McDonald.7 Grosso modo. Este líquido é rico em estrogéneos. este produz uma substância a PGF2 a qual provoca a regressão do corpo amarelo. com a consequente libertação do óvulo (fenómeno designado por Ovulação). fazendo cessar deste modo a produção de progesterona (McDonald. 1978). 1978). em que se processam modificações do aparelho genital e do comportamento sexual . Hafez. actuando sobre o útero. a inibição da produção de FSH e a manutenção da gestação. 1984 . A LH vai promover o rompimento do folículo maduro. cessa o seu efeito inibitório sobre o hipotálamo. levando de novo à possibilidade da produção e libertação das hormonas percursoras da libertação de FSH e LH pela hipófise (Hafez. até que por ausência de estímulo do embrião no útero. e a formação de uma substância designada por Corpo Lúteo ou por vezes por Corpo Amarelo (assim designado na generalidade pela sua cor em algumas espécies). a Progesterona (McDonald. Na situação de não ter havido fecundação a progesterona é produzida durante alguns dias. 1978 . designação que engloba um conjunto de substâncias hormonais responsáveis pelo comportamento sexual exibido pelas fêmeas em cio e pela manutenção dos caracteres sexuais secundários. Ciclo Éstrico é uma sequência combinada de acontecimentos fisiológicos (McDonald. no interior da qual se encontram basicamente um líquido viscoso e um oócito ou óvulo. Depois do exposto introduzem-se alguns conceitos : Puberdade é a altura em que um animal amadurece sexualmente ficando apto a reproduzir-se. 1978). 1988). Ao cessar a produção de progesterona. Simões. A Progesterona tem como funções principais. podemos comparar o folículo a uma bolha na superfície do ovário. 1988).

permitindo deste modo o início de um novo ciclo éstrico (McDonald. 1978 . as fêmea tornam-se receptivas sexualmente. 1984). através da produção de estrogéneos (Simões.8 (Simões. corresponde à formação e entrada em funcionamento do corpo lúteo com o início da produção de progesterona. Simões. estamos em presença de uma situação de . . in Simões. Metaestro e Diestro (McDonald.se após a fase de diestro e na ausência de gestação. a ovulação ocorre no fim do Estro.. Simões.Diestro. não se verifica o início de um novo ciclo éstrico. a qual aumenta rapidamente (Simões. . 1988 . enquanto que noutras ocorre imediatamente a seguir a este (McDonald. desenvolvendo comportamentos que as levam a procurar os machos e a deixar-se montar por eles. . Hafez. 1984). Na ausência de fecundação o corpo amarelo permanece funcional na vaca a té ao 17. 1984). 1984 . corresponde em princípio à plenitude funcional de corpo lúteo e à consequente influência dominante da progesterona sobre os órgãos acessórios (Cupps et al. 1984). que é composto de quatro fases. 1984). É em geral o período mais longo do ciclo éstrico. no caso de sobrevir uma fecundação.Metaestro. seguindo cada espécie os seus padrões de comportamento próprios (McDonald. ocorrendo nesta fase um desenvolvimento das glândulas mamarias e do útero. 1988). Em algumas espécies animais. cujas glândulas segregam um material viscoso e espesso. regredindo após esta data. . cit. também designado por cio. . é a fase que termina com o amadurecimento do folículo e em que. Neste período devido à alta concentração de estrogéneos. 1988).Proestro período que se inicia com a estimulação e o crescimento do folículo por acção da FSH (McDonald. 1988). 1984). podendo dizer-se que é a fase do ciclo éstrico em que se processa a transição entre o declínio da actividade secretora do corpo lúteo e o início da influência dominante dos folículos em crescimento. 1988). em geral tem lugar a ovulação (Simões. Proestro.Anestro . que irá servir de nutrição ao ovo.º dia do ciclo. Estro.Estro.

em que os ciclos éstricos podem suceder-se ao longo de todo o ano. Nesta situação estão os Ovinos e os Caprinos pertencentes a raças originárias do Norte da Europa. . doenças. 1984 . embora estes tenham a sua estação reprodutiva no início da Primavera (McDonald. Fraser e Stamp. para cada uma dessas espécies. desnutrição. 1988). 1978 . Hafez. este fenómeno acontece com as fêmeas dos Suínos e dos Bovinos. O Anestro pode ser provocado por vários factores. Época Reprodutiva Na nossa latitude e em condições naturais. reprodutivos sendo fora virtualmente período. entre os quais a Espécie a que pertence o animal. Simões. Nas espécies domésticas. 1988). existem determinadas espécies animais.9 Anestro. 1989). Outras espécies só exibem comportamento sexual. A duração do ciclo éstrico é variável nas espécies domésticas : Espécie Bovinos de carne Bovinos de leite Equinos Ovinos Caprinos Suínos Duração do ciclo éstrico 17-24 dias 17-24 dias 16-24 dias 14-19 dias 18-22 dias 19-23 dias Duração do cio 12-30 horas 13-17 horas 2-11 dias 26-42 horas 26-42 horas 40-60 horas Adaptado de Hafez. com a periodicidade característica. 1988. Simões. o clima. acontece em algumas espécies um anestro. numa época do ano bem determinada. 1978 . que possuem a estação reprodutiva no início do Outono. 1984 . Hafez. Hafez. em que exibem vários ciclos éstricos (Speedy. designado nesta situação anestro de lactação (McDonald. o mesmo sucedendo com os Equinos. 1978 . Durante a primeira fase da lactação. impossível dizendo-se a ocorrência possuem de fenómenos desse que Sazonalidade reprodutiva. 1988 . 1984 . Hafez. que são por isso designadas quanto ao seu comportamento reprodutivo por Poléstricas sem sazonalidade reprodutiva (McDonald.

dizendo-se que possuem Sazonalidade reprodutiva mal marcada.designa a espécie ou raça que pode experimentar ciclos éstricos em mais de uma época no ano. 1984). que podem experimentar cios em várias épocas do ano (Quittet. Estes factos justifica para ambos a designação de Poliéstricos sazonais (Simões. 1988). No entanto. 1990). São designados como Poliéstricos. algumas das espécies que respeitam este princípio da Sazonalidade reprodutiva. Esses animais são considerados Monoéstricos sazonais no primeiro caso (um ciclo éstrico por estação reprodutiva) e Poliéstricos sazonais no segundo caso (vários ciclos éstricos por estação reprodutiva). em que o ciclo éstrico ou os ciclos éstricos somente costumam ocorrer numa determinada época do ano. Ausência de sazonalidade reprodutiva . sob determinadas condições. Portulano. existem algumas raças que fogem em maior ou menor grau a esta tendência. Sazonalidade reprodutiva mal marcada . Importa nesta fase clarificar e introduzir alguns conceitos : Sazonalidade reprodutiva . 1988 . 1965 . sendo um termo que se usa para uma espécie ou raça. Hafez. Avó. Mason.caracteriza os animais de espécies que podem experimentar ciclos éstricos consecutivos ao longo de todo o ano.10 1988). quer pela possibilidade de exibirem ciclos éstricos em outras épocas do ano. Estão nesta situação os Ovinos e Caprinos pertencentes a raças originárias das margens do Mediterrâneo.é sinónimo de sazonalidade sexual ou de estacionalidade sexual. Em certas espécies. 1967 . apesar da maioria dos seus membros mostrarem uma marcada tendência. 1990 . 1983 . estando neste caso as cadelas (Hafez. só exibem um ciclo éstrico pelo que são designados Monoéstricas sazonais. . Quittet. embora estes maioritariamente se verifiquem numa época determinada. para exibirem comportamento sexual em épocas do ano bem determinadas. quer por possuírem uma época reprodutiva mais dilatada.

Fêmeas monotocas .diz-se das fêmeas pertencentes a espécies que por regra dão à luz uma cria em cada gestação. Hafez. Fêmeas politocas . Podem ser as fêmeas jovens ainda não submetidas à reprodução ou fêmeas velhas que devido a variadas condicionantes ainda não tiveram uma gestação. os Coelhos e os Cães e os Gatos. são espécies monotocas os Bovinos. 1985 . pele.11 Fotoperiodismo .são as fêmeas de qualquer espécie que já pariram mais que uma vez ou que se apresentam numa gestação de número superior a um. sendo designados de fotoperiodismo negativo. A ocorrência de partos gemelares. diz-se que esses animais possuem fotoperiodismo positivo. Fêmeas multíparas . Se o início da estação reprodutiva de determinada espécie ou raça.é um termo usado como sinónimo de sazonalidade reprodutiva. Das espécies domésticas. 1988). Das espécies domésticas. ossos e massa encefálica. são espécies politocas os Suínos.são as fêmeas pertencentes a espécies que por regra dão à luz várias crias em cada gestação. os Caprinos e os Equinos. coincide com a época em que os dias vão tendo sucessivamente mais horas de luz (Primavera). estimulam a acção hipotalâmica. A razão desta sinonímia.são as fêmeas de qualquer espécie que ainda não tiveram uma gestação. sendo na gíria conhecidas por "fêmeas de primeira barriga". os Ovinos. são desencadeados pela acção cumulativa das radiações infravermelhas irradiadas do Sol (Tamarkin et al. . as quais atravessando pêlo. se acontece o contrário (Outono).. Fêmeas nulíparas . Fêmeas primíparas . não invalida esta designação. reside no facto de actualmente ser aceite que os processos fisiológicos que conduzem à produção e libertação das hormonas do hipotálamo.são as fêmeas de qualquer espécie que pariram ou que se apresentam pela primeira vez.

A Taxa de Fertilidade dá-nos a percentagem de partos ocorridos entre as fêmeas do efectivo que entrou à reprodução. Senante. o número de crias nascidas vivas e mortas e o número de crias desmamadas (Borrego.1988).A Taxa de Prolificidade dá-nos a percentagem de crias nascidas (vivas e mortas) em relação ao número partos./ . É calculada do seguinte modo : Taxa de Prolificidade = n. . Para a sua obtenção são utilizados todos os dados relativos ao número de fêmeas do efectivo.º de partos x 100 / n. uma raça. É calculada do seguinte modo : Taxa de Fertilidade = n./ ./ . a Mortalidade e a taxa de Abortos. a Prolificidade.º de crias nascidas vivas x 100 / n.º de fêmeas do efectivo . podem ser encontrados através de determinados índices produtivos. de um efectivo ou de um lote.º de fêmeas do efectivo . representados sob a forma de taxas. Os índices são a Fertilidade.A Taxa de Produtividade dá-nos a percentagem de crias nascidas vivas em relação ao número de fêmeas do efectivo que entrou à reprodução. ---------. 1986 . a Produtividade. 1988).12 Índices Reprodutivos Os resultados reprodutivos de um conjunto de fêmeas. É calculada do seguinte modo : Taxa de Produtividade = n.º total de crias nascidas x 100 / n. quer formem uma espécie./ ---------- . o número de abortos.º de partos do efectivo Fonte : (Urries. o número de partos.

o que aumenta a sua velocidade de crescimento.13 1. Se efectuarmos a representação gráfica da produção leiteira diária de uma fêmea de qualquer . Nestas situações dá-se uma selecção natural em que só os animais mais resistentes sobrevivem e por consequência se reproduzem. Como as necessidades alimentares da cria variam ao longo do tempo.pode ser definida como o tempo que decorre até o animal atingir a puberdade (precocidade reprodutiva). a velocidade de crescimento. Velocidade de crescimento . sendo traduzida pelo ganho médio diário. decrescendo desde esse momento até ao fim da lactação. De facto não é. Impõe-se deste modo a introdução destes conceitos.é uma noção muito próxima da precocidade. como a sua precocidade.é definida como o período após o parto. sendo amiúde usada em seu lugar. É uma qualidade possuída por todas as raças autóctones de regiões com condições climáticas difíceis. Um animal será tanto mais precoce quanto maior for o seu ganho médio diário. pelo número de dias do período. aumentando desde o parto até um valor máximo. transmitindo essas características aos descendentes.2. Precocidade .pode ser definida como a capacidade de determinado animal conseguir subsistir ou produzir em condições climatéricas e alimentares difíceis.PARÂMETROS PRODUTIVOS Em termos zootécnicos cada animal por si e cada raça são caracterizados por determinados parâmetros produtivos. lógico será pensar que a produção de leite não será uniforme. obtido por meio de duas pesagens. situações que condicionam a disponibilidade alimentar. Rusticidade . uma efectuada no dia inicial do período considerado e outra no dia final do mesmo período. em que a fêmea se encontra a produzir leite. verificando-se estarem deste modo os três parâmetros intimamente relacionados. de solos pobres. ou o estado adulto.é o peso diário ganho em média pelo animal em determinado período. a rusticidade ou a capacidade de produção de leite. Este parâmetro obtêm-se dividindo o ganho de peso total no período considerado. designado pico da lactação. Ganho médio diário . Lactação .

lã. leite./ . após o que vai decrescendo mais ou menos bruscamente até um valor perto de zero (altura em que se desmama ou se deixa de ordenhar). em núcleos para obtenção de reprodutores ou comerciais. tem uma fase ascendente a partir daí até um valor máximo (pico da lactação). Os cruzamentos são na prática. num efectivo de fêmeas pertencentes a outra .POSSIBILIDADES ÉTNICAS DA EXPLORAÇÃO ANIMAL Qualquer das espécies domésticas de interesse zootécnico comporta várias raças./ ---------1./ . quer para os produtores de leite. peles ou mista. Cruzamento . O tipo de produção em linha pura é utilizada quer para animais produtores de carne. carne.como o nome indica consiste numa união de um reprodutor masculino de uma raça com outro feminino de outra raça diferente. na persecução dos objectivos de cada tipo de produção. obtidas a partir da produção de cabras ---------.Exemplo de duas curvas de lactação. efectuados com o recurso a machos de uma raça pura./ . Linha Pura . 1994) Fig. teremos uma curva que começa com um valor inicial maior que zero logo após o parto.3.14 espécie.consiste na criação de animais em que todos os machos e todas as fêmeas são da mesma raça. 1 . Fonte : (Mota. podendo essas espécies ser exploradas usando animais de uma só raça ou animais de duas ou mais raças. trabalho. considerada melhoradora.

utilizando as três raças. obter-se-iam fêmeas rústicas e prolíficas que cruzadas com a terceira raça. Suponhamos que temos três raças de ovinos. pretendendo-se obter um produto final de maior valor produtivo. Este tipo de cruzamento terá forçosamente que seguir continuamente este esquema. sendo utilizado para melhorar quer a produção de leite. por outro. que pode ser entendido como a expressão em maior grau. Denominemo-las X e Y por exemplo. na gíria conhecido por "vigor híbrido". quer a produção de carne. duplo.também designado por retrocruzamento. do qual resultam híbridos que vão ser cruzados com reprodutores de uma das raças. Os produtos de um cruzamento tendem a mostrar características mais próximas da linha pai. alternativo e o industrial. Cruzamento duplo . Vai efectuar-se o 1º cruzamento. este tipo de cruzamento tem a interveniência de três raças. à custa dos animais nascidos nos passos intermédios e finais do cruzamento. (melhoradora) chamemos-lhe assim e gozam dos efeitos de um fenómeno designado por "heterose". sendo os produtos deste segundo cruzamento cruzados com a . por exemplo a raça X. uma rústica. de características étnicas idênticas às do reprodutor masculino.15 raça. É de resultados muito mais rápidos que o cruzamento de absorção. sendo os mais usados o cruzamento de absorção. nele intervêm duas raças. das qualidades apresentadas pelos progenitores.pode ser efectuado com a intenção de substituir o rebanho das fêmeas de base. substituição esta que se dá de modo gradual.também designado de dois andares. Existem vários tipos de cruzamento. uma prolífica e uma boa produtora de carne. em que se pretende melhorar qualquer das vocações produtivas conforme a espécie e a raça. origem a um maior número de borregos e com boa conformação. para dar os resultados propostos no início. de ambas se pretendendo aproveitar algumas características. Cruzando as duas primeiras raças numa primeira fase. Cruzamento de absorção . Cruzamento alternativo . que qualquer uma das raças iniciais. Este intento só se consegue à 5ª geração pelo que quase só se utiliza em programas de selecção. em linha pura ou hibridada. dariam como resultado numa segunda fase.

16

raça Y. À 7ª geração todos os indivíduos terão o mesmo genótipo. Este tipo de cruzamento tem sido utilizado na obtenção de novas raças. Cruzamento industrial - é o tipo de cruzamento de resultados mais rápidos, fazendo-se para a obtenção de produtos melhorados, a partir de fêmeas de uma raça local rústica, bem adaptada à região e de reprodutores masculinos de uma raça especializada numa determinada produção. É frequentemente efectuado para a produção de carne, utilizando machos de raças pesadas em rebanhos de fêmeas de raças autóctones. A descendência apresenta em geral as características de conformação da carcaça e de precocidade próximas da raça do pai. A justificação da utilização tão frequente deste tipo de cruzamento, reside na possibilidade de obter mais carne a partir de uma raça rústica, numa região em que devido às condições edafoclimáticas seria difícil ou mesmo impossível criar animais especializados nessa função. É de regra que todos os animais resultantes deste cruzamento, ou seja os F1, devem ser inexoravelmente mandados para o matadouro, devido ao facto de, se forem usados para fins reprodutivos entre si, ou com o progenitor masculino se verifica uma perda de qualidade em termos de rusticidade, tanto nos F1 como nos F2, originando prejuízos futuros à capacidade de sobrevivência no meio para o qual a raça mãe estava bem adaptada, levando deste modo ao abastardamento do seu património genético, muitas vezes com consequências irreparáveis. Por este princípio não ter sido respeitado no passado, levou-se a uma descaracterização parcial das nossas raças autóctones, as quais em parte e na tentativa de reparar parcialmente os danos causados, têm sido alvo de alguma selecção no sentido de as aproximar o mais possível da sua antiga linha. Temos como exemplo nos ovinos, o caso da raça Campaniça, em que o abastardamento com a etnia Merina foi de tal modo, que na actualidade a raça está considerada em vias de extinção, havendo no entanto algumas perspectivas de no futuro ultrapassar esta situação drástica em que ainda se encontra. O cruzamento industrial pode ainda ser implementado por outros motivos, como seja a obtenção de fêmeas mais prolíficas, melhores produções de leite, etc., devendo todos os machos F1 serem enviados para abate e as fêmeas destinadas

17

ao fim que norteou o cruzamento. A descendência das fêmeas F2 terá que ser totalmente abatida devido aos distúrbios morfológicos e produtivos que a sua heterogeneidade genética acarreta. Na prática deste tipo de cruzamento põe-se o problema da obtenção das fêmeas de substituição no efectivo, devido ao inevitável refugo anual de parte das fêmeas em linha pura, problema que se resolve por aquisição dos animais necessários a outro criador, ou por manutenção na exploração de um pequeno núcleo em linha pura, expressamente para esse fim, se o rebanho tiver dimensão suficiente e fôr economicamente rentável.

---------- / - / - / - / ---------1.4- MÉTODOS DE FERTILIZAÇÃO Os métodos de fertilização usados em zootecnia são a cobrição natural ou monta natural e a inseminação artificial Monta natural - consiste na reprodução natural, em que os machos emparelham com as fêmeas segundo os princípios comportamentais próprios de cada espécie. Pode ser efectuada em liberdade ou condicionada pelo homem. Monta em liberdade - constitui o método mais prático e mais simples, sendo praticado na esmagadora maioria dos nossos rebanhos consistindo em deixar os machos junto com as fêmeas durante toda a época de cobrição. Desde que cada rebanho tenha mais do que um macho não é possível estabelecer a paternidade dos filhos. Num rebanho comercial este facto não é importante e embora haja sempre necessidade de fazer uma certa selecção, esta é feita através da mãe, procurando-se deixar para a reprodução filhos de fêmeas boas produtoras. Monta condicionada ou dirigida - este tipo de monta consiste em fazer cobrir as fêmeas por um macho conhecido, podendo praticar-se duas modalidades : Em lotes - juntam-se um certo número de fêmeas com um único macho o que garante a paternidade dos filhos nascidos dessas fêmeas. Este procedimento é

18

obrigatório quando se pretende inscrever a descendência nos Livros Genealógicos ou quando se faz a testagem de um macho. À mão - consiste no despiste dos cios, isto é identificar as fêmeas em cio, usando para isso um macho da mesma espécie, sem que se possibilite ao mesmo a realização da cópula. Nos grandes animais o despiste é feito por um macho conduzido por uma corda, o qual se faz passar perto de todas as fêmeas, as quais se marcam depois de identificadas. Nos suínos, animais em que é visível o inchaço vaginal, leva-se essa fêmea ao macho, podendo utilizar-se um artifício que consiste em o tratador sentar-se sobre o dorso da porca, a qual se estiver em cio imediatamente se imobiliza. Nos pequenos ruminantes o despiste é efectuado por um animal equipado com um arreio marcador com almofada de tinta e impossibilitado de praticar uma cópula fértil, como seja o caso de machos vasectomizados, machos criptorquídios ou animais usando um avental. Este último caso é o mais falível pois o carneiro com avental sabe que não pode cobrir e que se magoa ao tentá-lo e pode defender-se não saltando a ovelha, não se ficando por isso a saber se esta se encontra ou não em cio, correndo-se o risco de este passar e a fêmea não ser marcada. Depois de marcada por meio do arreio marcador a ovelha é retirada e introduzida numa divisão onde se encontra o carneiro seleccionado para realizar a cópula. Inseminação artificial - Consiste na introdução artificial no tracto genital de uma fêmea, de sémen colhido de um macho, igualmente de modo artificial. Em regra tanto o macho do qual foi colhido o sémen, como a fêmea na qual é introduzido, pertencem à mesma espécie. Como excepção temos a possível fertilização de éguas com sémen de burros, ou burras com sémen de cavalos, além das experiências efectuadas com animais selvagens em cativeiro em Jardins Zoológicos. Em muitas situações, quer no âmbito de programas de selecção ou de melhoramento das raças, ou ainda em certos tipos de produção, é imperioso ou vantajoso usar a inseminação artificial como procedimento de rotina. A inseminação artificial é um procedimento que envolve necessariamente diversas fases, que são a recolha do sémen, a sua conservação (por curtos

diluição . e consequentemente a ovulação. envolve outras fases além das já citadas. A situação de utilização da inseminação artificial em esquemas rotina na produção das diversas espécies. conforme a espécie animal considerada. Associando no final da acção dos progestagéneos uma outra hormona de síntese. e a aplicação do mesmo no tracto genital da fêmea ou fêmeas a inseminar. devido ao bloqueio da ovulação e do cio. pode ser simulado artificialmente com o recurso a hormonas de síntese. das fêmeas submetidas ao tratamento. que têm idêntica acção que a hormona progesterona natural designadas progestagéneos. as quais estão embebidas de um soluto contendo as hormonas a aplicar e / ou injecções dessas hormonas. Sincronização de cios . Normalmente as esponjas vaginais são utilizadas nos pequenos ruminantes.19 períodos para o sémen fresco ou longos períodos para o sémen congelado). uma determinada dose de progestagéneos. O que se passa de forma natural. impede o desencadear de novo ciclo sexual. a actividade ovárica manifesta-se rapidamente e dentro de um curto espaço de tempo devido à acção das hormonas hipofisárias FSH e LH. por impedimento da formação das hormonas hipofisárias FSH e LH. provoca-se um estímulo nos ovários que provoca um incremento do número de folículos que crescem e amadurecem e logicamente há um aumento no número de fetos por gestação. envolvem a utilização de esponjas destinadas à aplicação intravaginal. Resumindo a prática da inseminação artificial envolve em termos gerais as seguintes fazes : sincronização de cios . ou a FSH. colheita de sémen .é uma técnica que permite desencadear o cio simultâneamente e em data pré-determinada. acondicionamento do sémen . Ora suspendendo a administração de progestagéneos a todas as fêmeas de modo simultâneo. produzindo-se o crescimento dos folículos. Deste modo administra-se simultâneamente a todas as fêmeas envolvidas no processo. como a sincronização dos cios das fêmeas a inseminar. aplicação do sémen. Baseia-se no conhecimento de que a progesterona (hormona segregada pelo corpo lúteo durante a gravidez). o cio. . a PMSG (assim designada por ter sido identificada em urina de éguas em gestação). Os métodos usados para promover uma sincronização de cios.

antibióticos. utilizando-se uma vagina artificial. 1988) . Doses de sémen para inseminação obtidas por ejaculação Touro 300 Carneiro 15 Bode 15 Varrasco 10 (Adaptado de Hafez. como se verifica no quadro seguinte.é efectuada no sentido de dilatar o número de doses de sémen a utilizar nas fêmeas. partindo da dose fornecida por uma ejaculação. O número de doses de sémen para inseminação artificial. directamente para um reservatório. a qual é provida de um reservatório destinado à recolha do sémen. sendo o número de fêmeas passíveis de serem fecundadas por um só macho.a produção de lotes de borregos mais uniformes. aquecida por água quente à temperatura ideal para a espécie em causa.uma maior produtividade e rentabilidade da exploração pecuária Colheita de sémen . glicerol.20 O recurso à técnica de sincronização de cios permite : 1. e água destilada. gema de ovo. Diluição do sémen .uma mais fácil e fecunda aplicação da inseminação artificial 2. a glucose ou a frutose. manter o pH do sémen congelado idêntico ao do sémen fresco e proteger os espermatzóides contra a acção de microorganismos. devido à sua concentração temporal 6. As funções destas substâncias são fornecer fontes energéticas aos espermatzóides. obtidas com uma só ejaculação. concentrando-os num período muito curto de apenas alguns dias 3. com este método. É feita com o recurso a uma fêmea em cio ou a um manequim (nome dado a um macho castrado ou a uma estrutura inerte em forma de banco alto e comprido).programar cobrições para obter partos na altura desejada. facilitando assim sua venda 5. muito superior ao possível com a monta natural. Para tal são utilizadas várias substâncias como o ácido cítrico. varia com a espécie animal considerada. protegê-los contra o choque térmico causado pelos abaixamentos de temperatura ultra.o planeamento das parições em épocas e grupos pré determinados 4.consiste como o nome indica na recolha do sémen do macho. no qual foi vertida urina de uma fêmea em cio.melhor assistência aos partos.

a Pureza do Ar e a Iluminação. a Velocidade do Ar. reagindo para isso às variações externas de temperatura. a Humidade Relativa. são a Temperatura.RELAÇÕES ANIMAL / AMBIENTE Os principais factores ambientais que afectam os animais. isto é tendem a manter uma temperatura corporal constante. há que introduzir alguns conceitos ligados à Homeotermia e aos seus mecanismos.21 Como exemplo diremos que enquanto um carneiro em sistema de monta natural. podendo teoricamente conservar-se indefinidamente.é feito com o recurso a cápsulas de azoto líquido. com a inseminação artificial esse número pode estender-se até 300-400 ovelhas. o que normalmente se faz com recurso a água a essa temperatura.consiste na introdução do conteúdo da dose de sémen no útero da fêmea receptiva. Para melhor compreensão dos efeitos ambientais. Estes mecanismos têm a função de estabelecer um balanço calórico entre o calor produzido e o calor perdido./ . . devido ao facto de cada ejaculação depois de diluída dá origem a 15 doses de inseminação. As doses de sémen para inseminação artificial são acondicionadas em palhetas de 0. nas quais se atingem temperaturas.25 a 0. fecunda por época de cobrição um número de cerca de 50 fêmeas. sempre que há alterações deste balanço. ---------. necessitando este de breve período de aquecimento a 37 ºC. Homeotermia Os animais domésticos são homeotérmicos. existindo inclusivamente relatos de inseminações realizadas com êxito e efectuadas com sémen congelado durante 20 anos. Inseminação . A inseminação pode ser realizada com sémen fresco ou sémen congelado.5 ml de capacidade e com uma forma aproximada a uma carga de esferográfica. para o que se servem dos chamados "mecanismos homeotérmicos"./ . da ordem dos –196 ºC. Acondicionamento do sémen ./ ---------1./ . efectuada por um técnico com o auxílio de uma seringa transformada para esse fim. conduzindo assim a variações da temperatura corporal.5.

5-37ºC 36 ºC .7 ºC 40 ºC 39 ºC 39 ºC Bovinos Cães e Gatos Equinos Homem Elefante 38. Se o animal está sujeito a temperaturas ambientes muito diferentes da sua temperatura corporal normal (ou seja está em "stress térmico"). dado que todas as zonas corporais mantêm a sua temperatura constante graças à irrigação e temperatura sanguíneas.22 As condições ambientais ao influenciar a quantidade de calor trocado entre ele e os animais. para a termorregulação e para a produção. facto que se vai reflectir no seu crescimento. O esquema seguinte ilustra a partição da energia utilizada pelos animais: Energia dos alimentos (calor de combustão) Energia das fezes Energia da urina e metano Energia digestível Energia metabolizável Incremento de calor (efeito calórico da comida) Energia Limpa (manutenção e produção) Deste modo são as condições ambientais que determinam a extensão com que a Energia Limpa é utilizada para a manutenção. produção e saúde. sendo a resistência de um organismo em relação ao seu ambiente. Temperaturas corporais típicas de alguns animais homeotérmicos Aves pequenas Galinhas Caprinos Ovinos Suínos 43 ºC 41. os esforços para a manter são consideráveis.5 ºC 38 ºC 36. levando a uma utilização de energia para a regulação da seu balanço calórico. determina os ajustamentos fisiológicos que o animal deve realizar para manter o seu balanço de calor corporal. proporcional à sua capacidade de manter constante a sua temperatura corporal.5 ºC 38. O sangue representa um papel fundamental em todo o processo.

através de uma cobertura de pêlo ou penas. constituído por sensores.23 Regulação dos mecanismos homeotérmicos O balanço calórico "calor produzido / calor perdido" possui um mecanismo de "retro-alimentação" ou "feed-back". controlados pelo hipotálamo. As perdas de calor podem ser reduzidas através de uma diminuição da superfície de pele exposta. A produção de calor é regulada por mecanismos tais como o tremer. vai provocar alterações comportamentais por parte do animal. no sentido de voltar a ter a temperatura corporal normal. diminuindo as perdas por evaporação. Se este processo continuar sem nenhuma compensação fisiológica a temperatura corporal descerá inevitavelmente. No entanto o animal pode compensar esta perda de calor. aumentando a sua produção interna ou reduzindo as suas perdas. transmite-a à tiróide (que parece ser a responsável pela regulação da produção de calor). a qual em colaboração com os sistemas nervoso central e somático. que aumentam a produção de calor metabólico. Os animais homeotérmicos realizam estes ajustamentos através do sistema nervoso central podendo-se distinguir dois tipos de respostas. do comportamento e fisiológicas. Respostas do comportamento que envolvem : Movimentos do animal Ajustamentos de postura . Quando o animal está sujeito a um ambiente de temperatura mais baixa que a sua temperatura corporal. alterações do tónus muscular e secreções de glândulas endócrinas. controladores e efectores. promovendo o ajuntamento. Termorregulação A regulação da temperatura corporal envolve respostas fisiológicas e de comportamento. mais calor é removido do seu corpo. ao receber a informação a partir dos sensores de temperatura espalhados por todo o corpo e transmitida pelos neurónios. O hipotálamo. diminuindo a área exposta ao ambiente e se está alojado em grupo. de acordo com as leis físicas de transferência de calor.

etc. aumenta o ritmo respiratório e a evaporação pelos pulmões.aumenta a produção de calor e / ou reduz as suas perdas.24 Agrupamentos Trocas na ingestão de água e comida Respostas fisiológicas que envolvem alterações : No metabolismo e utilização dos alimentos Na circulação sanguínea periférica Na taxa respiratória Na taxa de evaporação pelos pulmões Na taxa de transpiração Conforme o ambiente em que se encontra o animal pode utilizar diferentes mecanismos : Em ambiente frio . quer depositando gordura sob a pele. uns possuem glândulas sudoríparas. executa mais exercício físico. aumenta a ingestão de água. os animais agrupam-se diminuindo as superfícies de perda de calor. mas para além dos limites inferior e superior deste intervalo a temperatura corporal respectivamente baixa e sobe. outros não. etc. diminui o seu metabolismo. aumenta a taxa de circulação sanguínea periférica e diminui a ingestão alimentar Apesar de estes mecanismos serem generalizados. através das seguintes estratégias :Treme. reduzindo os seus movimentos ao. Zona Termoneutral e Zona de Conforto Térmico Existe uma gama de temperaturas dentro da qual os animais conseguem manter a temperatura corporal. diminui a circulação sanguínea periférica. sem que haja algum controlo eficiente da sua temperatura. aumenta o isolamento. outros pêlo. quer através do crescimento do pêlo. aumenta o seu metabolismo. aumenta a ingestão alimentar e procura alimentos muito energéticos Em ambiente quente . nem todos os animais os utilizam do mesmo modo. pois uns têm penas. entrando o animal respectivamente em . outros pele quase nua.diminui a produção de calor e aumenta as suas perdas usando os seguintes estratagemas : não executa exercício físico.

Zona Termoneutral . .Produção mínima de vapor de água proveniente da respiração pulmonar. sobrevindo a morte. utilizando os seus mecanismos homeotérmicos e de comportamento para fazer a sua termorregulação.corresponde à gama de temperaturas em. correspondendo ao intervalo em que a taxa de metabolismo animal é mínima. que resultam das oscilações de temperatura registadas nos tecidos periféricos. . Os seus limites inferior e superior designam-se respectivamente Temperatura Crítica Inferior e Temperatura Crítica Superior. da respiração cutânea ou da transpiração.Nula ou mínima erecção de pêlos.25 hipotermia ou hipertermia. se não houver rápida mudança de ambiente ou das condições deste. Homeotermia e idade . mas que não afectam a temperatura corporal interna. Englobadas dentro da Zona de Homeotermia podemos distinguir duas outras zonas. que o animal consegue manter a homeotermia por meio de mecanismos físicos. a Zona Termoneutral e dentro desta. Zona de Homeotermia.Ausência de fenómenos de vasodilatação ou vasoconstrição . Neste intervalo podem ser verificadas variações da temperatura corporal média. Esta gama de temperaturas tem o nome de Zona de Homeotermia. Pode ser caracterizada do seguinte modo : . a Zona de Conforto Térmico. podendo ser definido como o intervalo de temperaturas dentro do qual o animal consegue manter a sua temperatura normal.Inexistência de comportamento contra o frio ou calor.corresponde a uma zona dentro da Zona Termoneutral onde o animal não necessita de recorrer a quaisquer mecanismos físicos ou de comportamento para modificar o seu balanço de energia. constante e independente da temperatura ambiente. Zona de Conforto Térmico .

ser maior em termos relativos que nos animais mais velhos e mais volumosos. A temperatura ambiental numa exploração pecuária constitui um dos factores físicos ambientais com maior influência no comportamento produtivo dos animais. e o facto da superfície corporal exposta às perdas de calor. não está directamente relacionada com o peso corporal. a Humidade do Ar e a Velocidade do Ar. a raça. Este fenómeno é devido a vários factores. mais precisamente dentro da sua zona de conforto. A taxa metabólica . o peso. Esta parece ser a razão pela qual em muitas espécies domésticas só se tornarem eficientes algum tempo depois. a temperaturas dentro da sua zona termoneutral. As condições de temperatura dentro das instalações. maior é a perda de calor por unidade de peso.26 Após o nascimento. os principais factores ambientais que afectam os animais em qualquer ambiente são a Temperatura. apesar de estarem muito pouco desenvolvidos. só conseguem alcançar os seus índices máximos de produção. pois a razão entre a superfície corporal e o peso é maior nos animais jovens que nos adultos. Os valores de temperatura que se situam da Zona Termoneutral e da Zona de Conforto variam de animal para animal. tempo esse variável com a espécie animal. os mecanismos da homeotermia começam a ser utilizados. Os animais confinados. representam uma solução de compromisso entre o custo de manutenção de temperaturas ambientais . existindo sim uma relação entre o tamanho corporal e a quantidade de calor produzida por m 2 de área superficial. ou de grupo para grupo. Factores ambientais Como anteriormente foi referido. entre os quais o facto de os mecanismos homeotérmicos estarem pouco desenvolvidos ao nascimento.que é a produção de calor por unidade de tempo. Pode assumir-se dentro da mesma espécie que quanto mais jovem fôr o animal. a idade. seja qual fôr a sua espécie. existindo uma série de factores como a espécie. e o nível alimentar que dificultam a definição de valores absolutos.

como a humidade relativa e a velocidade do ar. pois esses custos não são compensados em termos económicos. ao aumentar as perdas de calor. Velocidade do ar Um aumento de velocidade do ar a baixas temperaturas faz baixar a temperatura. que interferem em conjunto. na tentativa de o animal reduzir a produção de calor endógeno. pelo aumento de produção experimentado pelos animais ao serem-lhe fornecidas as melhores condições ambientais. incrementando-se a ingestão hídrica. dificultando deste modo um abaixamento da temperatura. Por outro lado existe uma série de relações entre distintos parâmetros. através da evaporação. ficando maior quantidade da energia ingerida para a produção.27 dentro de uma certa gama e o rendimento obtido as produções (carne. o que leva a um abaixamento da temperatura corporal. implicando um aumento do dispêndio de energia para a conservação da temperatura corporal. para fazer face ao incremento de gasto energético. significando isto que regra geral. leite e ovos) nessas condições. Logicamente. A diminuição da velocidade do ar ajuda ao aumento do desconforto do animal. e em último caso ao "stress" térmico. Em termos produtivos. Humidade relativa Um aumento do teor de humidade relativa do ar faz diminuir a possibilidade de perdas por evaporação por parte dos animais. a diminuição da velocidade do ar leva a menor gasto de energia para o mesmo fim. A ingestão alimentar diminui. "o bom é inimigo do óptimo". o que na prática se traduz num aumento da ingestão alimentar. um aumento da velocidade do ar funciona de maneira benéfica para os animais. não se torna rentável assumir os custos da manutenção de uma temperatura ambiental óptima. . Em situações de altas temperaturas. devido ao aumento das perdas de calor que originam. Em qualquer das situações referidas a "performances" produtivas saem prejudicadas. diminuindo ou aumentando o efeito das altas ou das baixas temperaturas.

possuindo cada componente corporal uma determinada condutividade térmica. A taxa de calor transmitido a partir de um corpo é proporcional à sua superfície corporal. . pele. .Modo de vida . rectal. do sangue. são mais resistentes ao calor. sendo maior nos animais mais pequenos.Revestimento corporal e condutividade térmica. entre outras razões pôr terem muitas pregas na pele. O pêlo dá certo grau de isolamento. Quanto maior fôr a superfície corporal. e da relação entre a inserção . sendo igualmente importantes a sua forma e o seu peso.Superfície corporal A medição tridimensional da superfície corporal permite estimar a produção e a dissipação de calor. isto dentro da mesma raça. Quanto maior fôr a razão entre a superfície corporal e o peso de um animal.Raça . etc. oferecendo desse modo várias resistências à passagem de calor. maior será a dissipação de calor quer sensível. os quais perdem assim mais calor. pois que a nível do pêlo. Os bovinos da espécie Bos indicus. comprimento. aquela varia.Condições climáticas . do aparelho respiratório. sua orientação.Superfície corporal .Revestimento corporal e condutividade térmica No corpo de um animal a temperatura não é homogénea. possuindo uma superfície corporal superior em 12 % em relação aos da espécie Bos taurus e dissipando assim maior quantidade de calor. dependendo este do tipo de pêlo. maiores serão as perdas de calor.Balanço Hídrico . da qual depende em última análise a transferência de calor das zonas internas para a zona superficial. quer latente.28 Factores que influenciam as perdas de calor pelo animal . inserção na pele. espessura.Sexo . A razão entre a superfície corporal externa e o peso vivo aumenta quando o peso vivo diminui. zona subsuperficial.

a perda de calor latente atinge o máximo. . Nesta situação. provocando por sua vez um aumento da produção de calor. Pôr outro lado a radiação solar é absorvida pela pele. acelerando-se o ritmo cardíaco-respiratório e aumentando a perda de calor latente pela transpiração. estando o vapor de água expirado. indo de 20% numa pele branca a 100% numa pele negra. o movimento do ar favorece as perdas pôr convecção. Pelo contrário a baixas temperaturas do ambiente. motivada pelo facto de baixar o consumo alimentar. Temperaturas desta ordem levam a uma diminuição da produção. o animal perde facilmente calor sensível. o comprimento e a densidade. de acordo com a sua côr. A temperaturas elevadas há mais dificuldade em perder calor sensível.Balanço Hídrico A quantidade de água ingerida pelos animais depende também da temperatura ambiente. No entanto isto em termos de perda de calor total. havendo uma tendência da temperatura interna para aumentar. Quando a temperatura ambiente se aproxima da temperatura crítica superior.Condições climáticas Dentro dos limites fisiológicos o aumento da temperatura tende a diminuir as perdas totais de calor. . como resultado do incremento da velocidade das reacções químicas (efeito de Van Hoff). Qualquer animal só conserva o seu estado sanitário e de produção. é compensado pôr uma redução na produção de calor latente. o movimento do ar ao aumentar o transporte de calor do meio para o organismo. A temperaturas ambientais superiores à temperatura corporal. quando a razão entre o calor sensível libertado e a quantidade de vapor libertado se mantém constante. : os pêlos longos diminuem a velocidade do ar e as perdas pôr convecção.29 na pele. tende a reduzir as perdas de calor. favorecendo mais as perdas de calor latente que sensível. Ex. relacionado com o consumo de água e as perdas de calor. . A humidade tem igualmente influência sob as perdas de calor a temperaturas elevadas.

Interacção nutrição temperatura O nível de alimentação influência a temperatura corporal. dependendo o seu grau de eficiência do tipo de produção. de lã. é designado acção dinâmica específica dos alimentos. havendo diferenças interrácicas muito significativas. é superior nos machos em relação às fêmeas e machos castrados. de ovos e de trabalho. sendo de 5% em bovinos e de 10% em coelhos. Entende-se por produção o crescimento e engorda. O nível alimentar tem muita influência nas perdas de calor.30 . a gestação. Abaixo da temperatura crítica inferior o aumento da produção de calor dá-se à custa da . pois a sobrealimentação aumenta a produção de calor e a subalimentação vai diminuí-la. Devido aos processos de mastigação e digestão o aproveitamento dos nutrientes faz-se sempre com uma eficiência inferior aos 100%. em termos da produção de calor metabólico. . sendo o que se verifica nos bovinos de carne em relação aos leiteiros. sendo este facto conhecido como incremento da actividade. Qualquer animal para produzir. Os outros factores que influenciam a produção de calor ao nível da conservação. O incremento de calor resultante da eficiência alimentar.Modo de vida O pastoreio aumenta as necessidades de manutenção em relação à estabulação fixa. da ordem dos 5-10%. . necessita de ter um nível alimentar superior ao nível de manutenção. também influenciam a produção de calor ao nível das despesas da produção. a produção de leite.Raça Tem muita influência no comportamento do animal em termos ambientais.Sexo O metabolismo basal e logo a produção de calor.

/ ./ ---------- 1. numa tentativa por parte do animal de baixar a produção de calor e assim facilitar a perda de calor corporal. podendo comportar igualmente plantas subarbustivas ou arbustivas. a produção de calor aumenta proporcionalmente a uma taxa que é definida pelo tipo de alimento. consiste na alimentação dos animais essencialmente à base de erva de qualidade. A erva pode ser proveniente de pastagens ou de forragens. pôr abaixamento da temperatura crítica inferior. O incremento da produção de calor resultante de um nível de energia alimentar mais elevado. o qual experimenta uma produção de calor dupla da obtida com a energia de manutenção./ . O factor nutricional mais importante na definição da temperatura crítica inferior é o nível energético alimentar.PASTOREIO E FORRAGENS A forma mais rentável e mais correcta de produzir carne ou leite. traduz-se numa ampliação da zona termoneutral.6. A taxa de conversão do alimento em produto nesta situação desce. que ocupam uma certa área e se destinam a ser comidas pelos . levando neste caso a uma diminuição voluntária do consumo de ração.igualmente designada por prados. Como exemplo cita-se o caso de um suíno de 30 kg de peso vivo./ . Este aumento da produção de calor é devida ao aumento das necessidades de manutenção e à consequente diminuição da eficiência de utilização da energia metabolizável para a produção. Este raciocínio é igualmente válido em situações de temperaturas elevadas. É um facto que quando a ingestão de alimentos aumenta. importando desde já fazer a distinção entre as duas : Pastagens . ---------. pois que maior quantidade de alimentos são utilizados na produção de calor. alimentado com uma dieta de energia quatro vezes maior que as necessidades de manutenção. são conjuntos de plantas em geral herbáceas.31 diminuição da energia disponível para a produção.

quer no estado natural. Eventualmente uma área de forragem pode ser pastoreada. mas por princípio uma forragem destina-se a ser cortada. As pastagens possuem além da importância directa na alimentação animal. como a sua capacidade para defender os solos contra a erosão. Existem espécies vegetais mais apropriadas para pastagens. possuindo composição florística e desenvolvimento inteiramente dependentes das condições de solo e clima.igualmente designadas culturas forrageiras são plantas geralmente herbáceas destinadas ao corte. pelo aumento no teor de matéria orgânica provocado quer pelos componentes das plantas que ficam no solo. para serem consumidas pelo gado noutro local. com porte prostrado ou sub-prostrado. outras vantagens. sendo mais resistentes ao pisoteio do gado e outras mais apropriadas para forragens. constituindo fonte alimentar muito importante. melhoradas e semeadas e estas podem ser de sequeiro ou regadio. A diferença entre uma pastagem e uma forragem radica unicamente na forma como as plantas são utilizadas pelos animais. quer no estado natural. Podem no entanto ser cortadas em determinadas épocas do ano. servindo no entanto algumas espécies para ambos os fins. quer pelos dejectos dos animais apesar da sua distribuição não ser uniforme. pela protecção que as plantas oferecem ao embate directo das gotas de chuva e pela melhoria que as raízes provocam na estrutura do solo aumentando a resistência dos agregados terrosos à fragmentação pela chuva . Pastagens espontâneas são consideradas todas as que crescem sem qualquer intervenção do homem. Forragens . o aumento da fertilidade dos solos. de porte erecto e sub-erecto. pelo menos temporáriamente. As pastagens podem ser espontâneas. quer após conservação sob a forma de feno ou de silagem. quer após conservação sob a forma de feno ou de silagem. . Por vezes são formadas por plantas ricas e abundantes.32 animais no local onde crescem. para servir de alimento a animais que se encontram noutro local.

Um facto indesmentível é que numa pastagem em que as leguminosas dominem. Pastagens melhoradas é a designação para as pastagens espontâneas que foram adubadas. Este artifício permite eliminar a necessidade de adubos azotados por parte das plantas. facto que aumenta tanto o volume da massa herbácea. permanecendo estas no terreno geralmente 7 a 10 anos. não passando de 0. como o seu valor nutritivo. a produção de carne é sempre superior.33 São também consideradas pastagens espontâneas as que crescem nos pousios das zonas cerealíferas. ou uma cabra adulta correspondem a 0. o qual ao ser por esse meio incorporado no solo fica disponível também para as gramíneas. As espécies vegetais a semear variam com as condições de solo e clima locais. ou seja cerca de seis vezes menos que uma vaca. * A Cabeça Normal é uma forma de calcular encabeçamentos. no sentido de obter uma alimentação mais rica e equilibrada. É no entanto vantajoso fazer adubações com adubos contendo fósforo. devendo sempre usar-se para a sua composição uma mistura de gramíneas (plantas ricas em hidratos de carbono e pobres em proteínas) e leguminosas (plantas ricas em proteínas e pobres em hidratos de carbono). podendo inclusivamente ter maior duração. pois as leguminosas possuem a capacidade como simbiontes. de fixar o azoto atmosférico. Este tipo de pastagem pode ser melhorado através de adubação.15 C. ou por permanentes se excedem este período.15 Cabeças Normais* por hectare e por vezes menos.. potássio e outros elementos como cálcio e magnésio. Pastagens semeadas como o próprio nome indica são todas as pastagens semeadas pelo homem.N. . sofrendo deste modo um aumento da massa herbácea. sendo designadas por temporárias se ficam no terreno de 3 a 5 anos. A carga animal em pastagens deste género é baixa. Uma ovelha adulta. permitindo o aumento directo da carga animal por hectare. sendo 1 Cabeça Normal correspondente a uma vaca adulta.

Temos assim um período de relativa escassez. até que as primeiras chuvas originem nova rebentação. ou seja o deambular dos animais pelos campos em busca do alimento. Pastoreio . As plantas que constituem esse excesso podem ser consumidas em seco no verão ou ainda cortadas e transformadas em feno ou silagem. Pastoreio contínuo considera-se aquele em que o gado está na pastagem de modo permanente. O maneio das pastagens assume uma enorme importância. atingir as 2 Cabeças Normais / ha. recebendo no entanto suplementos de ração ao fim do dia. No nosso clima o crescimento da erva é reduzido nos meses de Setembro a Novembro. sofrendo as plantas um adormecimento nos meses frios de Dezembro e Janeiro e experimentando um rápido e intenso crescimento na Primavera. pastoreio rotacional e pastoreio em faixas. voltando . Na esmagadora maioria das nossas explorações os animais pastam durante todo o ano. pastoreio diferido. destinados a ser utilizados como suplementação nos períodos de carência de alimentos. Pastoreio deferido é caracterizado por se retirarem os animais da pastagem após a ocorrência das primeiras chuvas. vivendo durante todo o ano do aproveitamento das ervas verdes durante o seu período vegetativo e da erva seca. sendo a carga animal calculada de acordo com as potencialidades da pastagem. além de outros factores.34 As condições em pastagens semeadas com tratamento correcto. Os principais sistemas de pastoreio são : Pastoreio contínuo. tendo em conta as variedades botânicas existentes. a época do ano. devendo praticarse de uma forma racional. melhoram de tal modo que a carga animal pode em certos casos. em períodos nos quais as suas necessidades alimentares não possam ser totalmente satisfeitas durante o pastoreio. quando da rebentação das ervas. devendo o pastoreio ser orientado de modo a que não seja excessivo nem insuficiente.entende-se como pastoreio o acto de pastar. pois que ambas as situações levam à degradação da pastagem. o seu grau de desenvolvimento. seguido de um período de abundância em que os animais têm um excesso de alimentação.

sendo a parcela em que os animais pastam. a do primeiro experimentou um crescimento tal. as ervas infestantes livres da pressão do pastoreio. de tal modo que quando termina a erva do último cercado. geralmente o Outono e o Inverno. . mudando-os diariamente para outra. É um sistema utilizado vulgarmente em rebanhos leiteiros. se poder guardar um cercado destinando-o à produção de feno ou silagem. Não é mais do que as plantas cortadas e enfardadas depois de alguns dias de secagem no campo na altura da Primavera. corporizados no facto de o gado ter de alimentar-se noutro local de forma mais dispendiosa durante o tempo em que não está na pastagem e a possibilidade de durante esse tempo. necessitar da presença de cercados. Assim temos: Feno . conservando-se devido ao seu baixo teor em água. secagem e posterior enfardação de plantas forrageiras ou eventualmente de plantas provenientes de pastagens. Este sistema apresenta como vantagem adicional o facto de em anos de boa produção de erva. A este tipo de pastoreio são apontados dois inconvenientes.35 aqueles à pastagem algumas semanas depois. experimentarem um incremento degradando a pastagem. delimitada por cancelas ou mais modernamente por recurso a cercas eléctricas. à medida que a erva vai sendo consumida. Pastoreio rotacional é a forma mais racional de aproveitamento de uma pastagem. Pastoreio em faixas é um sistema intensivo em que se obrigam os animais a pastar intensivamente numa pequena parcela. Após terem sido anteriormente mencionados termos como feno e silagem.é o resultado do corte. de para ser praticado. seguindo na pastando até virem de novo as primeiras chuvas no fim do Verão. sendo destinado ao consumo em épocas de carência alimentar. importa esclarecer que são alimentos conservados de diferentes propriedades. que está de novo apta para ser consumida. apresentando contudo o inconveniente. para ser consumida nos períodos de fraco crescimento da erva. Consiste em fazer o gado passar sucessivamente de umas cercas a outras.

ESTABULAÇÃO E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO Quanto às instalações usadas para animais. factor que só por si melhora bastante as condições de produção dos animais. desde uma simples cerca em local abrigado dos ventos dominantes e com capacidade de escorrência de águas pluviais. Semi . obtidos com o recurso às mais avançadas técnicas de construção de alojamentos para animais. sobre a forragem finamente fragmentada. o que motiva o tipo utilizado é o sistema de exploração a que os animais estão sujeitos.Estabulação Este sistema é muito utilizado nos países frios do Norte da Europa.é o resultado da acção de microorganismos anaeróbios. por acção de uma máquina específica no campo e imediatamente transportada para silos./ . A massa herbácea sofre uma fermentação anaeróbia. Tal como o feno. tendo . onde é fortemente compactada a fim de eliminar os espaços com ar e posteriormente completamente tapada. passando por telheiros fechados por três lados. quase sempre simples e baratos. podendo recolher durante a noite ao curral./ ---------1./ .7.36 Silagem . aliado ao tipo de animal que estamos considerando. actua como agente conservante impedindo o desenvolvimento de outros tipos de microorganismos. em que os animais andam todo o ano na pastagem. Extensivo É um sistema de exploração que se confunde com o conceito de pastoreio extensivo. com parque anterior os quais abrigam da chuva e dos ventos. Basicamente os sistemas de exploração são três. ---------. Semiextensivo ou Semi-estabulação e Estabulação permanente./ . podendo este ser de variados tipos. até barracões fechados. Extensivo. a silagem destina-se a ser consumida preferencialmente no período de OutonoInverno. durante o Inverno nas condições em que o solo se encontra totalmente coberto de neve. que transforma os glúcidos das plantas em ácido láctico. o qual ao baixar o pH do meio até cerca 4.

e nas explorações intensivas. As explorações intensivas visam a obtenção de altas produções. mas que simultâneamente necessitam de óptimas condições. etc. para que gastem o mínimo de energia possível e assim experimentarem um máximo de aumento de peso. do qual só saem quando a neve desaparecer. Outra situação é a de rebanhos leiteiros de alta produção.37 os animais que ficar confinados. Nas instalações de engorda intensiva. recebendo então a totalidade da sua alimentação no estábulo. que só se conseguem obter na prática com o recurso a mão-de-obra especializada. . Estabulação Permanente É o sistema utilizado nas explorações de engordas intensivas de animais jovens. situação que requer instalações caras e programas de maneio elaborados. procura-se que os animais façam o mínimo de exercício. que se situa geralmente numa posição central preferencialmente em relação aos parques para que os animais não necessitem andar muito. que passam parte do dia dentro do estábulo e parte pastando erva de alta qualidade em parques próximos daquele. A exploração intensiva é certamente o sistema de produção que envolve maiores encargos económicos. por vezes com condicionamento ambiental. alimentação e água distribuídas automaticamente. sendo para o efeito utilizados animais de grandes capacidades produtivas. e que por essa razão envolve mais riscos.

para o subcontinente Indiano e Sudeste da Ásia. Ásia Menor e daqui para a África e Europa (Williamson e Payne. grande rusticidade e facilidade de deslocação. colocando-o até ao lado de S.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE . o muflão europeu (Ovis aries musimon). Género Ovis e Espécie aries. 1980). logo a seguir à domesticação dos cães (Williamson e Payne. traduzidas em peles. 1983). 1980). A importância dos ovinos provém das utilidades que a espécie proporciona ao Homem desde tempos imemoriais. como símbolo da inocência. leite e carne. nomeadamente no Sul de França e na Itália. tendo-se posteriormente dispersado para a zona hoje ocupada pelo Irão. o muflão da Ásia Menor ou urial (Ovis urial) e o argali (Ovis arcal) (Avó. aliando a estas potencialidades um temperamento dócil. Os ovinos domésticos têm a sua origem em três grupos de ovinos. 1991). João Baptista.38 2. 2. Documentos históricos da mais remota antiguidade dão-nos ideia da importância que esta espécie teve na vida dos povos e do lugar que ocupavam. Subfamília Ovidae. Em vastas regiões da Europa encontram-se antigos vestígios de ovinos. O culto Muçulmano tem estes animais em grande conta. parece estar situado nas estepes entre os mares Aral e Cáspio.2. sendo no entanto mais importantes nas áreas que ladeiam o Mediterrâneo. pensando-se que remonta a 9000 a. As estimativas da população mundial de ovinos rondam o bilião de animais (FAO. Contam-se entre os primeiros animais a serem domesticados pelo Homem.1. tanto quanto hoje se sabe.C.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE OVINOS 2. 1983). lã.ORIGEM E HISTÓRIA Os ovinos pertencem à Família Bovidae. inclusivamente nas confissões religiosas. pois foi em escápulas de carneiro que Maomé escreveu o Alcorão (Avó. factos que fizeram desta espécie um aliado até aos nossos dias. O centro original de domesticação desta espécie. A atestar este facto temos os relatos de sacrifícios e oferendas feitas aos deuses da mitologia da Antiguidade Clássica. podendo deste modo acompanhar o Homem nas frequentes mudanças em busca de melhores condições de vida ou fugindo dos seus inimigos. O Cristianismo honra também esta espécie. a sua domesticação.

o que não impede que sempre que necessário se recorra a suplementação com fenos. silagens. Apesar desta preferência pela erva.COMPORTAMENTO ALIMENTAR Os alimentos habituais dos ovinos. sendo portanto o consumo de silagem letal para eles. quer em regiões montanhosas.2. bem como subprodutos de indústrias ou culturas várias. Têm um comportamento alimentar selectivo.39 2. a qual ingerem depois de a cortarem com um movimento brusco da cabeça para cima e para a frente. constituindo a pastagem o factor económico mais importante da sua exploração. estes animais não desdenham rama de árvores. bolota e inclusivamente azeitona em períodos de escassez alimentar. existindo ainda algumas que nunca são ingeridas a não ser em casos extremos de escassez de alimento.1. pelas características negativas que este alimento confere ao leite. a obtenção do maior rendimento possível das pastagens. pois estes animais utilizam toda a vegetação espontânea ou semeada e todos os restos de culturas de cereais ou legumes. Os ovinos são ruminantes cujo comportamento alimentar é caracterizado pela marcada preferência por erva baixa (sendo por este facto designados por "grazers"). bagaço de uva . está desaconselhado. preferindo determinadas espécies herbáceas em detrimento de outras. Está igualmente desaconselhado em ovelhas aleitantes. enquanto os borregos estão na fase de pré-ruminante. sendo subsequentemente o principal objectivo de uma ovinicultura eficiente. O principal papel do gado ovino consiste portanto na utilização de pastagens. O consumo de silagens em ovelhas leiteiras em produção. nas terras de fraca fertilidade que de outro modo não teriam qualquer utilidade para fins agrícolas. A principal vantagem dos ovinos reside assim na sua capacidade de utilização das pastagens para a produção de carne. restolhos de girassol. tal como aproveitam durante o verão os restos das colheitas de cereais que ficam no terreno. Apesar de . como repiso da indústria do tomate. quer nas terras de planície onde aproveitam as ervas que nascem nos pousios das terras aráveis. estes comportam-se como monogástricos. farinhas ou cereais. etc. leite e lã. mais apropriados e económicos são as ervas pastadas directamente. pois em termos digestivos. arbustos.

40

selectivos são-no muito menos do que os caprinos, o que por conseguinte os torna mais aptos para um melhor aproveitamento de pastagens à base de plantas herbáceas. As 24 horas do dia, grosso modo, são passadas 9-11 horas a pastar, 8-10 horas a ruminar e as horas remanescentes a descansar, isto em condições de alimento abundante, alterando-se estas proporções sempre que se alterem as condições de disponibilidade alimentar. 2.2.2- CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS Puberdade Os ovinos atingem a puberdade cerca dos 7-8 meses nos machos e entre os 5 e os 7 meses nas fêmeas, havendo variabilidade quanto a este evento entre raças e dentro da mesma raça, podendo ser condicionado o seu aparecimento pelo clima, estação reprodutiva e efeitos da nutrição, condicionando esta o início da puberdade, sobretudo pelo peso vivo e pela condição corporal, esta designada amiúde por "estado de carnes". Esta situação nas fêmeas, corresponde na prática e para este fim em boas condições de nutrição, a uma percentagem entre 40 a 60% do peso vivo adulto da raça, sendo esta condição considerada imprescindível para que se verifique a passagem ao estado fértil. Na prática corrente encara-se a percentagem de 65% do peso vivo adulto, como o peso considerado correcto, para que se inicie a reprodução de modo efectivo e viável. Estacionalidade reprodutiva As fêmeas dos ovinos domésticos são poliéstricas de ovulação espontânea, apresentando vários ciclos éstricos consecutivos ao longo da estação reprodutiva, com duração média igual a 16,5 dias, tendo os cios a duração de 24 a 36 horas. São considerados animais de "fotoperiodismo negativo", o que significa que entram em cio quando as condições de luminosidade diária começam a diminuir, ou seja no fim do Verão / início do Outono. As raças de ovinos originárias das regiões mais frias do hemisfério Norte apresentam estacionalidade sexual bem marcada, facto que tem uma simples explicação em termos puramente biológicos, já que os borregos vão nascer durante

41

a Primavera, com muito maiores probabilidades de sobrevivência comparadas com as que teriam se o nascimento se desse no fim do Verão / início do Outono. Existe no entanto um grupo de raças ovinas que não apresentam estacionalidade sexual bem marcada, as quais são todas originárias das regiões marginais do Mediterrâneo, onde as condições climáticas são mais amenas, facultando aos recém nascidos condições de sobrevivência durante quase todo o ano. Nas raças deste grupo, uma grande parte das fêmeas pode entrar em cio sob certas condições, no período em que os dias têm maior duração e por consequência se verificam condições de luminosidade crescentes. Um determinante factor para que o efeito referido se verifique, consiste na utilização do fenómeno designado por "Efeito macho" ou "Efeito carneiro", que não é mais do que a reintrodução na Primavera dos machos no rebanho das fêmeas após um período de alguns meses de ausência, nos quais permanecem o mais separados possível das fêmeas. A presença dos machos e seu cheiro provoca em grande parte das ovelhas o aparecimento de cios e a consequente entrada em estação reprodutiva. Este artifício é utilizado em muitas das regiões onde existem raças com estacionalidade sexual mal marcada, para iniciar os cios na Primavera e condicionar os nascimentos dos borregos no período de Setembro a Novembro. Nesta situação, normalmente o primeiro cio é anovulatório e portanto infértil, mas o segundo cio é já um cio com ovulação, logo fértil e portanto passível de dar origem a uma gestação se fôr efectuada cópula viável. A este grupo de raças ovinas possuindo estacionalidade mal marcada os Merinos, Karakul e os Persas de cabeça negra, entre outros. Os machos da espécie ovina, apresentam produção de espermatzóides durante todo o ano, ainda que se verifique em algumas raças uma certa inactividade das gónadas durante o período estival. No entanto o ardor sexual dos machos é mais evidente no fim do Verão / início do Outono, o que não é de estranhar dado que as altas temperaturas influenciam negativamente a produção de sémen, devido à temperatura óptima do interior do testículo ser de 36 ºC enquanto que a temperatura corporal é de 38-39 ºC.

42

Gestação A gestação nos ovinos tem a duração média de 5 meses, sendo a sua duração tanto menor quanto maior o número de fetos. As fêmeas dos ovinos são monotocas, sendo no entanto comuns os partos gemelares, experimentando o número de fetos importantes variações interrácicas e interindividuais dentro da mesma raça. Apesar destas diferenças, os partos são normalmente simples na maioria das raças, mas, mesmo nas raças menos prolíficas é frequente a ocorrência de partos múltiplos. Podemos assim dizer que o número de fetos é mais influenciado pela raça que pela a espécie em si. Sistemas de Reprodução A reprodução dos ovinos pode fazer-se em sistema de monta natural, nas suas diversas variantes, ou por recurso à inseminação artificial. Nos sistemas extensivos de produção de carne é normalmente utilizada a monta natural, em de liberdade. Quando se trabalha com raças puras para a obtenção de reprodutores, é muitas vezes utilizada a monta natural condicionada em lotes ou à mão. Nos sistemas de produção de leite em grandes efectivos utiliza-se preferencialmente a inseminação natural. 2.2.3- PRODUÇÃO DE CARNE, LEITE E LÃ Os ovinos podem ser explorados para a produção de carne, leite e lã.

2.2.3.1- PRODUÇÃO DE CARNE A produção de carne de ovinos em Portugal é mais ou menos equivalente ao consumo ou ligeiramente deficitário. O mercado destes animais é no entanto e actualmente complexo sobretudo no Sul do País, região em que é corrente a exportação de borregos para Espanha, França e menos correntemente Itália destinados à engorda. Dos animais exportados para Espanha, uma parte deles retorna ao nosso País após o período da engorda, in vivo destinados ao abate ou em carcaça. Verifica-se igualmente a importação de carcaças de ovino refrigeradas, provenientes da República da Irlanda e da Nova Zelândia, as quais são vendidas a

43

preços muito competitivos, sendo no entanto preteridas pelos consumidores, devido às suas características sobretudo de gordura. Os ovinos para abate são apresentados ao consumidor no nosso País sob três tipos principais : - Borrego de leite com idade entre 1 e 2 meses e peso de inferior a 12 kg de carcaça - Borrego de pasto com idade entre 4 e 6 meses e peso superior a 12 kg de carcaça - Animais adultos de refugo com idade variável e um peso superior a 18 kg de carcaça O borrego de leite é um produto com tradição nas regiões em que os ovinos são explorados na sua vocação leiteira, sendo precocemente desmamados, para a utilização integral do leite para a confecção de queijo. Tem na Serra da Estrela e regiões limítrofes a designação de "anho". O borrego de pasto é o borrego tradicional de toda a zona Sul de Portugal, em que as raças e as condições climáticas não permitem senão de modo reduzido a exploração do leite, efectuada após o desmame. As épocas de maior consumo de borrego de pasto coincidem com o Natal e a Páscoa. Os animais de refugo são todos os adultos que ou por terem terminado a sua vida útil produtiva por idade, transtornos reprodutivos ou produtivos (caso das ovelhas leiteiras que tiveram mamites irreversíveis), são destinados ao abate. As carcaças de ovinos são apresentadas sem cabeça e inteiras segundo normativa Comunitária. A sua classificação é efectuada de acordo com duas grelhas, uma de utilização geral no âmbito da Comunidade Europeia, utilizada para as raças estrangeiras e seus cruzamentos com as raças autóctones e outra de aparecimento bastante posterior à primeira, de utilização somente nas carcaças dos animais de raças autóctones mediterrânicas. Ambas as grelhas classificativas, baseiam os seus critérios de avaliação na conformação da carcaça, na gordura de cobertura e na gordura cavitária ou interna,

44

sendo no entanto as carcaças dos dois tipos de animais, classificadas de modo diferencial por cada uma das Grelhas de Classificação. Esta dualidade de critérios é justificada pelas diferenças verificadas nas carcaças dos dois tipos de animais, saindo sempre prejudicadas as carcaças de animais das raça autóctones quando comparadas com as carcaças dos animais de raças mais seleccionadas e seus híbridos, devido à melhor conformação e possuindo maior deposição de gordura, quer de cobertura, quer cavitária.

A carne de ovino não é utilizada na confecção de produtos industriais, se exceptuarmos um ou outro prato regional em conserva, como o caso do borrego com ervilhas, tendo contudo uma importância insignificante no cômputo do consumo nacional. Pelo contrário o intestino delgado dos ovinos, tem grande aplicação na indústria salsicheira de carácter não artesanal, para a confecção de diferentes tipos de chouriços e linguiças industriais e igualmente nas salsichas frescas. 2.2.3.2- PRODUÇÃO DE LEITE A produção de leite é uma das mais valiosas dos ovinos atingindo na actualidade este produto, preços da ordem dos 230$00 a 250$00 por litro, constituindo um factor de uma grande importância na economia de determinadas regiões e apesar de actualmente não estar contabilizado, sabe-se que atingiu o número de 42,6 milhões de litros em 1979 (FAO, 1991). O leite de ovelha representa uma grande contribuição para a economia e alimentação dos povos da bacia do Mediterrâneo, tendo no entanto uma importância insignificante em outras regiões do Mundo. O leite de ovelha tem características de sabor e conteúdo em matéria gorda, que o distinguem do leite das outras fêmeas domésticas com destino à alimentação humana, sendo canalizado de modo exclusivo para a produção de queijo, produto em cuja transformação atinge o mais alto rendimento económico. Este facto deve-se às elevadas percentagens de gordura e proteína, o que origina um alto teor de resíduo seco, permitindo fazer um quilograma de queijo com 1,5 a 2 meses de cura com 5 a 6 litros de leite.

45

Em termos médios a composição do leite de ovelha é a seguinte: Água Matéria gorda Lactose Proteína Sais minerais Densidade a 15 ºC 80,8 % 7,7 % 4,4 % 6,0 % 0,9 % 1,038
(Adaptado de Sá e Barbosa, 1990)

A produção de leite é em alguns casos como na Serra da Estrela e em Azeitão o motivo principal da criação de ovinos, pelo que os borregos são considerados nestas regiões como um subproduto e desmamados precocemente, sendo então consumidos como borregos de leite ou sujeitos a aleitamento artificial, seguido de acabamento intensivo. Actualmente assiste-se a um incremento de efectivos leiteiros, em regiões de grande tradição no fabrico artesanal de queijo de ovelha, como a região de Serpa, onde já são frequentes explorações de ovelhas francesas da raça Lacaune, muito produtivas e de tetos bem adaptados morfologicamente à ordenha mecânica. Regista-se deste modo, a uma gradual substituição de efectivos de raças autóctones, tradicionalmente exploradas em produção mista carne / leite, sendo este somente recolhido depois do desmame tardio tradicional do Alentejo. Esta substituição das raças autóctones por raças estrangeiras de vocação leiteira, deve-se a dois factores, a maior produtividade destas e a impossibilidade de continuar a explorar as raças tradicionais nas vertentes carne e leite, por imposição Comunitária, facto que se prende com a atribuição de Ajudas Compensatórias à Perda de Rendimento, muito maiores na produção de carne, sendo quase irrisórias, se é efectuado o aproveitamento do leite, no período pós-desmame. Assim, estamos perante uma substituição de efectivos, por uma causa exógena ao próprio sistema de produção. A ordenha das ovelhas pode fazer-se manual ou mecanicamente, sendo até um passado recente, a modalidade manual a mais utilizada na esmagadora maioria das explorações. Hoje, pelas razões expostas, são muito poucas as explorações que a praticam.

quer pelo preço do leite. conforme comportem 24 ou 72 pesebres. As salas de ordenha para ovelhas. com cada ovelha a dar por vezes menos de um decilitro de leite por ordenha. Este facto representa um acréscimo adicional de problemas de patologia da glândula mamária. logo raro na realidade agro-pecuária alentejana. sendo antes uma produção acessória. aliado ao facto de ser um trabalho especializado. especialmente de raças não leiteiras. por traumatismo causado pela sucção em seco. 2.3. podem compor-se de uma ou duas linhas (ver fig. ou seja lugares de ordenha. Além da perda de qualidade do leite. sendo usual considerar o número mínimo de 150 ovelhas leiteiras. pela frequente ocorrência de mamites. já que os animais a produzem seja qual fôr a sua . está igualmente a levar. tem a desvantagem de ser um trabalho árduo e demorado. e a máquina exercer um sucção contínua.46 A ordenha manual. 13). representa uma forte perda económica.3. Também a conformação do úbere de algumas ovelhas. Por outro lado o custo da mão-de-obra cada vez mais elevado. regista-se ainda a perda parcial ou total do animal como produtor de leite nessa lactação ou para toda a vida. Devido ao facto de nem todas as ovelhas terem igual produção. sendo de 40 a 50 o número de ovelhas ordenhadas por um homem por hora. pela ocorrência neste dos microorganismos provenientes das infecções. quer pelo preço elevado que as ovelhas de raças especializadas na produção de leite atingem.2. não é a mais adequada a este tipo de ordenha. O sistema de ordenha mecânica. como são os rebanhos de raças autóctones. há o perigo real de danos nos tetos. se por um lado tem imensas vantagens quanto à redução do custo de mão-de-obra. por outro lado é bastante caro e só se justifica economicamente para efectivos numerosos. uma instalação deste tipo. a que cada vez mais rebanhos não especializados na produção de leite. isto é de uma ou duas filas de animais. não sejam ordenhados. mau grado o preço elevado do leite. para justificar economicamente. tendo como consequência uma diminuição da higiene microbiológica do leite. o que a todos os níveis.PRODUÇÃO DE LÃ A produção de lã não pode considerar-se uma produção autónoma. sendo assim o leite integralmente aproveitado pelos borregos. dando um rendimento de 180432 ovelhas ordenhadas por hora.

produzidas pelos folículos primários e secundários existentes no interior da pele dos animais. Cada fibra compõe-se de uma raiz e de uma haste. devido ao facto de o produto da sua venda na generalidade dos casos. com os quais se fabricam os tecidos.47 aptidão. pois a sua presença desvaloriza o "velo". mais finas. Se no passado ela representava uma riqueza para o agricultor. a resistência e elasticidade. o frisado. Externamente as fibras lanares estão cobertas de uma substância gordurosa designada "suarda". nem admitem serem tingidos. nomeadamente com recurso a fármacos. o toque e . ficando temporariamente os animais com o aspecto insólito de ovinos com "pele de porco". é revestida de escamas sobrepostas que lhe dão um aspecto rugoso. os quais dão origem respectivamente às fibras lanares primárias de maior diâmetro e meduladas e às fibras lanares secundárias. levando no entanto a que em certas ocasiões. o comprimento. não cobrir os encargos da tosquia. resultante das secreções das glândulas sudoríparas e sebáceas conferindo à lã maior ou menor maciez e impermeabilizando-a ao mesmo tempo. hoje quase não passa de um incómodo. esta fique espalhada pelos terrenos. caracterizados pela ausência de ondulações e crescimento descontínuo. Têm sido estudados métodos que evitem a tosquia. O velo é um conjunto de fibras lanares de dois tipos : as primárias e as secundárias. As lãs caracterizam-se por vários elementos classificativos entre os quais se destacam a finura. origina um lucro insignificante. dado que a sua obtenção se não ocasiona prejuízo. Esta operação no entanto torna-se indispensável pelos prejuízos advindos aos animais pela sua não realização. conferindo à lã as qualidades têxteis que permitem a fabricação de fios. sendo num velo merino de 1520 / 1 e num velo cruzado de 2-8 / 1. Esta haste que constitui a porção têxtil. pelo que têm que ser eliminados antes da fiação. que será tanto pior quanto menor fôr a proporção entre fibras secundárias e fibras primárias. A presença das fibras primárias meduladas constitui um factor de desvalorização do velo. O corpo dos ovinos é recoberto por uma camada de lã que no seu conjunto tem o nome de "velo" e cuja função é proteger o animal das variações de temperatura e de outros elementos climáticos a que o mesmo está sujeito. os quais não possuem qualidades têxteis. No velo existem ainda outros filamentos que são os pêlos. os quais pura e simplesmente ocasionam a queda da lã.

designadas na gíria por "apartes". sendo hoje efectuada com o recurso a máquinas de tosquiar mecânicas ou eléctricas. cruzada fina.era feita no passado à tesoura. fina. média e forte para as lãs merinas . enquanto que a carne de ovino não é bem aceite na generalidade dos consumidores australianos. Apesar de a situação do nosso país em relação à lã ser caótica e esta pouco valorizada. A lã proveniente das cabeças e barrigas. 50 ou mais microns). daí resultando desvalorização das fibras lanares. que entre nós se classificam em merinas (com espessuras compreendidas entre 12 e 27 microns). mas de forma principal é a finura que determina a classificação das lãs. cruzadas (com espessuras compreendidas entre os 25 e 36 microns) e churras (com diâmetros superiores a 30. bem como de todos os corpos estranhos.48 a côr. média e comum. prima. que possui o maior rebanho ovino do Mundo. que preferem a carne bovina e também que este país tem uma muito baixa densidade populacional. pelo que constitui como se disse. não se faça produção de carne. Cada uma destas divisões comporta ainda algumas subdivisões. Tosquia . na Austrália criam-se animais exclusivamente para a produção de lã. levando a fermentações microbianas no velo. estando estas mais difundidas devido ao maior rendimento que possibilitam. devido a estar conspurcada com fezes e urina. Deve dizer-se em abono da verdade que esta regra não é sempre seguida. Como explicação sumária desta afirmação. mas esta tem uma ínfima importância no âmbito da sua produção ovina total. como palhas etc. mais um factor de desvalorização da lã produzida no nosso País. temos vários factos : . não deve ser incluída no velo pois vai desvalorizá-lo. lustrosa. devendo ser armazenada à parte. churra super e churra ordinária para as lãs churras. Os velos após a tosquia devem ser enrolados e libertados de todos as porções que mostrem defeitos. o mesmo acontecendo com a lã da parte traseira do animal designada por "rabejas". . em parte pela deficiente homogeneidade dos lotes devido à sua elaboração e pela baixa qualidade de uma grande parte da produção. para as lãs cruzadas .A Austrália é o maior produtor e exportador mundial de lã. Isto não significa que neste país. como as extra.

A Nova Zelândia país vizinho da Austrália. apesar da maior corpulência e do maior metabolismo basal deste. o qual não é mais que um carneiro com uma pele "grande de mais para o corpo". apesar da Inglaterra fazer parte da Comunidade Europeia. acaba na mesa de muitos consumidores da Comunidade Europeia Estes factos têm como consequência uma falta de procura para a carne do borrego australiano. é em maior quantidade e de melhor qualidade que a produzida pelas fêmeas e pelos machos inteiros.49 . A Austrália tem assim numerosos rebanhos de carneiros castrados. tem também um grande rebanho ovino mas mais virado para a produção de carne. rebanhos esses que só com muito boa vontade. seleccionados cuidadosamente para a produção de lã em solo Australiano. que vivem no limiar da fome (mas sempre produzindo lã). Como resultado dessa selecção. que foi designado por "Booroola". apresentando numerosas pregas cutâneas. Assim e via Inglaterra. se obtém um maior encabeçamento e logicamente maior produção de lã por hectare. pois são constituídos por animais de etnia merina. que exporta preferencialmente para a Inglaterra ao abrigo de acordos da "Commonwealth". que a lã produzida pelos machos castrados. devido às maiores necessidades das fêmeas durante a gestação e amamentação. poderiam não ser considerados especializados na produção de lã.Carneiro Merino Booroola . a carne de muitos milhares de ovinos produzidos na Nova Zelândia. cobertas de folículos produtores de fibras lanares. É do conhecimento geral. Fig 2 . que uma fêmea tem maiores necessidades alimentares anuais que um macho. é fácil deduzir que utilizando machos castrados especializados na produção de lã. Acrescentando a isto. apareceu a determinada altura um animal mutante.

medulado o que deu origem a uma lã isenta de pêlo. origem numa etnia formada em Espanha. quer em termos de qualidade.C. com os cornos em espiral. de que a lã australiana não tenha concorrente à altura a nível mundial. Segundo os peritos nesta matéria. .. mas sim um conjunto de raças. conduzem à situação indesmentível. desde a Antiguidade e que foi posteriormente. A génese do "Merino". encontra-se nas relações ancestrais com a primitiva forma domesticada. aproveitada zootecnicamente. A fase mutacional consistiu na perda do estrato externo piloso e a conservação do estrato interno lanoso. devido à formação de rugas em consequência da falta de folículos primários. com fibras meduladas externas e fibras internas ameduladas. a partir de ovinos originários do Leste e do Sul do contorno do Mediterrâneo.50 Todos estes factos aliados ao cuidado posto. já nos nossos dias exportada para todo o mundo. selectiva e de cruzamento. situando-a nas margens do Mar Morto a tese mais difundida. A selecção de animais efectuada pela conservação de fibras ameduladas. correspondendo à necessidade de manter os efeitos mutantes. tornando-os compatíveis com as exigências da produção ovina. que teve segundo alguns autores. pigmentada. quer em termos de preço. A formação do "Merino" consta de três etapas: mutacional.3. 2. acentuá-los e perpetuá-los. tendo participado na formação de várias raças em inúmeros países. Não se sabe ao certo o local onde se deu a mutação. por profissionais altamente credenciados. trabalhando a tempo inteiro.C. A fase selectiva constitui a etapa principal da génese do "Merino". a Península Ibérica é indiscutivelmente a zona onde se deu esta fase selectiva. englobadas sob a designação de "Tronco Merino". e continuado pelos Turdetanos de 500-200 a. o Ovis aries vigney. parece ter sido iniciado com os Tartesos de 1000-500 a. trazidos pelos Fenícios e pelos Cartagineses. Este processo de selecção. na constituição de lotes e partidas de lã.O TRONCO MERINO O "Tronco Merino" não é uma raça. permitiu um aumento da produção de lã por expansão da superfície cutânea. estando hoje todas as raças ovinas com sangue "Merino" no seu conjunto.

mais tarde no início do séc. na constituição de inúmeras raças que fazem parte do "Tronco Merino". qualidade esta transmitida aos filhos inclusive em cruzamento com outras raças. XII houve introdução de ovinos provenientes do Norte de África. É graças a esta qualidade dos animais de etnia Merina que existe o famoso "Queijo Serpa". os quais viajaram a pé desde Segóvia em Espanha. pertencentes a grandes senhores ou a comunidades. O estado residual do factor pigmentado no genótipo Merino. Durante muito tempo os Merinos permaneceram confinados à Península Ibérica. dado que se as ovelhas do Alentejo "respeitassem" o "fotoperiodismo negativo" somente fariam cios em Outubro/Novembro (o que . pela tribo Muçulmana dos Beri-Merines que passou do Magreb para Espanha no período dos Almohades. que saíram os primeiros exemplares Merinos de Espanha. havendo sanções Reais para quem vendesse animais desta raça para o estrangeiro. que se dedicavam a desenvolver e seleccionar as qualidades naturais destes ovinos rústicos e que se aclimatam facilmente em muitas regiões pobres e secas. Este facto permite nas nossas regiões vender borregos pelo Natal (os quais nascem em Setembro / Outubro sendo altamente valorizados economicamente nesta altura). Segundo alguns autores. No entanto só no séc. determina actualmente ainda nascimentos de borregos pretos. Foi somente no séc. podendo desenvolver cios na Primavera com o recurso ao "efeito macho". dado a lã branca poder ser tingida enquanto que a lã de côr preta não pode. perto de Orléans. sendo aceite que o nome desta etnia derivado do nome daquela tribo. Certo é que na Idade Média já se exportava lã de Espanha para toda a Europa. permitindo deste modo a ordenha posterior no período de maior existência de erva verde de alto valor nutritivo. após séculos de sistemática eliminação destes exemplares.51 A fase de cruzamento perseguiu o objectivo da côr branca. Quanto aos aspectos reprodutivos os animais de etnia Merina possuem "estacionalidade sexual mal marcada". até Rambouillet. que consiste em não possuírem "fotoperiodismo negativo" estrito. Estes animais eram explorados em grandes rebanhos em regime de transumância (possuindo por vezes 80 000 cabeças ou mais). tendo esta origem nos animais de raça Merina. entrado quer por simples selecção. XVII e no seguimento da política mercantilista de Colbert. quer por cruzamento com raças locais. XVIII os Merinos começaram a invadir a Europa tendo.

"Galego Mirandês". ascendendo a perto de meio milhão de cabeças.engloba as raças "Galego Bragançano". "Churra do Campo". Ribatejo e Estremadura. regularmente homogéneo. "Saloia" e "Campaniça". devido a que não poderiam ser ordenhadas mais que um mês. por outros tipos da etnia merina. 2. possuindo um velo extenso e tochado com madeixas cilíndricas ou quadradas.4.engloba as raças "Entre Douro e Minho".os animais desta raça ocupam uma grande parte das províncias do Alentejo. e "Churra Algarvia". "Serra da Estrela".engloba as raças "Merino da Beira Baixa". não havendo desse modo tempo suficiente para produzir leite. recobrindo a cabeça. no sentido de melhorar a qualidade da lã e a precocidade da raça. 2. "Mondegueiro". os membros até quase às unhas e os testículos. "Saloia" e "Campaniça". o ventre.MERINO BRANCO . pois em Maio acaba a erva cessando a produção de leite. classificada de "merino extra" a "merino forte". Devido à sua importância relativa somente nos ocuparemos das raças "Merino Branco". Bordaleiros . todo o pescoço. "Serra da Estrela". sendo os borregos desmamados pela Páscoa.1. "Merino Preto". Churras . seleccionados em Espanha e França e introduzidos por cruzamento. possuem côr branca e caracterizam-se pela grande extensão do velo e pela boa qualidade da lã. O Merino Branco actual é o resultado das acções exercidas sobre as primitivas populações ovinas que povoavam o Sul do país.4. Compreendem aproximadamente metade do efectivo ovino nacional.52 acontece com muitas fêmeas nulíparas). . São animais eumétricos e mediolíneos. "Merino Branco" e "Merino Preto". "Badano".RAÇAS OVINAS PORTUGUESAS São três os grupos étnicos de ovinos portugueses : Merinos .

Podem porém encontrar-se nos nossos rebanhos de Merino Branco. sendo exploradas na grande maioria dos casos. factores que comprometem a sua alimentação durante grande parte do ano.Ovelha da Raça Merino Branco Rebanho da Raça Merino Branco Os animais desta raça possuem grande rusticidade. de quando em vez. com 500 a 1000 cabeças. ovelhas que apresentem estes cornos residuais. Podem contudo em algumas poucas fêmeas de fenótipo merino. Os rebanhos desta raça. mesmo que filhas de pais registados no Livro Genealógico da Raça. característica que lhes permite suportar as difíceis condições de grande amplitude térmica e a fraca e irregular distribuição das chuvas próprias da sua região de origem. registados no Livro Genealógico da Raça Merino Branco. Fig 3 .53 Nos machos podem ocorrer ou não cornos. em regime extensivo com pastoreio permanente. As ovelhas que apresentem estes cornos residuais. sendo por isso designadas de "cornichas". são actualmente de dimensão média a grande. enquanto que nas fêmeas eles estão sempre ausentes. ocorrer cornos residuais. não são admitidas para registo nesse Livro. demonstrativos de antigos cruzamentos. dado tratar-se de manifestações de genes de outras etnias. facto que só por si é desclassificativo. pelo que podem ser utilizadas em regimes reprodutivos diversos. As fêmeas desta raça não têm estacionalidade sexual bem marcada. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento 18-20 meses 80-85 % 110-115 % 3.5-4 kg .

tradicionais em todo o Alentejo. residindo a principal diferença entre ambos. era utilizado no fabrico do famoso "Queijo Serpa". facto a que certamente não é alheia a ausência de influências de tipos mais pesados e ainda por ser mantido em zonas menos favorecidas. A prolificidade é a razão entre o número de crias nascidas e o número de fêmeas paridas. na pigmentação da pele e lã. a qual igualmente classificada de "merino extra" a "merino forte".4. Recorde-se que no passado remoto todos os merinos eram pretos. Igualmente nesta raça os machos podem ou não possuir cornos.5-5 kg 2.8 kg Por fertilidade entende-se a razão entre o número de fêmeas paridas e o número de fêmeas presentes à cobrição. Actualmente poucos são os efectivos desta raça sujeito a ordenha. As fêmeas desta raça eram no passado. actualmente o merino preto possui menor corpulência que o seu congénere branco. foi sendo preferido até chegar a constituir a quase totalidade do efectivo merino. sendo o restante canalizado para a produção de queijos pequenos.MERINO PRETO . 2. constituindo o fenótipo branco uma mutação que devido ao facto de a sua lã poder ser tingida. Contudo. Tem uma maior rusticidade e maior resistência às doenças que o merino branco.esta raça possui características morfológicas e funcionais idênticas às do Merino Branco. Grande parte do leite destes efectivos. enquanto que nas fêmeas eles estão sempre ausentes. sujeitas a ordenha depois de terem amamentado os seus borregos borrego durante 4 a 5 meses. .54 Peso aos 120 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 25-30 kg 80-85 kg 45-60 kg 20-25 l durante 90-100 dias 4.2.5-2.

é caracterizada por vastas áreas de terrenos pobres e de clima muito seco.5 kg 2. também a produção de leite referida. no distrito de Beja. onde mais se concentra. 4 – Rebanho da Raça Merino Preto Carneiro da Raça Merino Preto Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 120 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 20-22 meses 80-85 % 110-120 % 3-4 kg 20-25 kg 70-80 kg 40-50 kg 20-25 l durante 90-100 dias 4. Castro Verde. Analogamente ao que acontecia com o Merino Branco. e hoje em dia o seu preço está uniformizado.CAMPANIÇA – o nome desta raça foi originado no nome da região do Campo Branco. Esta região que compreende os concelhos de Ourique. é após o desmame do borrego e grande parte do seu leite era utilizado no fabrico dos queijos tradicionais e de "Queijo Serpa".3. 2. pouco favorável à agricultura e à abundância de pastagens. e Almodôvar. . sendo por esse motivo o gado Campaniço.5 kg As características da lã são muito similares às da lã do merino branco.55 Fig.4. de pequena estatura e de modestas produções. Mértola.

não é de esperar que alguma vez deixe esta pouco invejável situação. Tavira e Silves. A sua lã é classificada como "cruzado fino". Ourique. acrescendo ainda o facto de muitos dos animais serem aparentados entre si. e que esta população é manifestamente pequena. que a raça esteve a ponto de ser considerada em extinção e apesar dos esforços para aumentar o seu efectivo. têm membros finos e deslanados abaixo dos curvilhões e velo extenso e tochado. sobretudo no Sotavento. são pouco mais do que 4000. com madeixas quadradas. Estes animais pela sua extraordinária e inigualável rusticidade ocuparam um lugar de notável destaque na agricultura das áreas a Sudeste do distrito de Beja e áreas anexas das serras do Algarve. Têm velo de côr branca. as zonas serranas de Odemira e Serpa e os concelhos Algarvios de Alcoutim. Sabendo-se como a variabilidade genética é indispensável à manutenção de uma população saudável. 5 – Ovelha da Raça Campaniça Rebanho da Raça Campaniça Infelizmente hoje em dia. originados em somente três núcleos. brevilíneos mas bem proporcionados e explorados na maioria dos casos na sua tripla função : carne. Fig. Castro Verde. os efectivos desta raça estão tão reduzidos devido ao abastardamento com outras raças mais pesadas. . geralmente não possuem barbela. Nesta raça só os machos possuem cornos. Loulé. A razão deste facto prende-se com o facto de que os animais registados existentes. Almodôvar. não melhore a curto prazo.56 Trata-se de animais elipométricos a eumétricos. Castro Marim. leite e lã. é lógico pensar que a sua situação nestes termos. só não cobrindo a cabeça e as extremidades dos membros. A sua área de dispersão compreendia os concelhos de Mértola.

. Mafra.6 % 110.SALOIA . possuindo um grande instinto gregário o que permite uma fácil condução dos rebanhos quando se pastoreiam em parcelas dispersas.4. Tem esta raça o seu solar numa região de solos férteis de basaltos e calcários em ambiente de humidade relativa apreciável ocupando os concelhos limítrofes de Lisboa. É também conhecido por gado "Brusco" devido ao muito sugo da lã ao qual se prendem facilmente poeiras e outros corpos estranhos que a sujam. produtores de lãs finas classificadas de "merino médio" a "cruzado médio".Esta raça é constituída por um pequeno número de animais rondando os 70. Os animais desta raça são rústicos e bem adaptados às condições de exploração. Com o leite desta raça fabricam-se alguns famosos queijos regionais tal como o de Azeitão e o Saloio. com características do tipo bordaleiro.4% 2. Estes animais são particularmente explorados na sua vocação leiteira. tendo irradiado para os concelhos de Setúbal.000. 2.57 Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 105 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 18-20 meses 90. era igualmente utilizado no fabrico de queijos tradicionais e também de Queijo Serpa. Vila Franca de Xira e Torres Vedras.8 kg 2 kg A reduzida quantidade leite que produziam após o desmame dos borregos. Os machos apresentam cornos fortes e rugosos e as fêmeas podem apresentar cornos ou não.9 kg 23 kg 65 kg 35-40 kg 12-15 l durante 60-90 dias 2.4.

Celorico da Beira.5-3. Nelas. Distribuem-se ainda por todo o campo do . Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 60 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 13-15 meses 90-95 % 105-120% 3-4 kg 17-20 kg 50-70 kg 35-40 kg 60-80 l durante 170-200 dias * 4-5 kg 2. sendo criados desde tempos imemoriais em toda a área da Serra da Estrela facto que se reflecte no seu nome. Gouveia. nomeadamente nos concelhos de Seia.5.4. Oliveira do Hospital.SERRA DA ESTRELA . possuindo um grande instinto gregário o que permite uma fácil condução dos rebanhos quando se pastoreiam em parcelas dispersas. 6 – Rebanho da Raça Saloia Ovelhas e borregos da Raça Saloia Os animais desta raça são rústicos e bem adaptados às condições de exploração. Mangualde. Estes animais são particularmente explorados na sua vocação leiteira.5 kg *Após o desmame do borrego com idade entre 1.os animais desta raça constituem o grupo étnico mais numeroso depois do merino branco com um efectivo de cerca de 280.58 Fig. Tábua. Guarda.5 e 2 meses 2. Viseu e Arganil.000 animais.

Verifica-se a ocorrência de cornos nos dois sexos. Fig.5-2 kg *A produção de leite é reputada ao período depois do desmame do borrego com idade entre 1.5 e 2 meses. variedade preta Estes animais pertencem ao grupo étnico bordaleiro. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 60 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 14-16 meses 90-95 % 120-150% 3-4 kg 15-20 kg 60-80 kg 40-60 kg 140-180 l durante 210-240 * 2-3. Podem ter indistintamente côr branca ou preta. em que o principal objectivo da sua exploração é a produção de leite. . a barriga e as extremidades livres de lã. com velo não muito extenso. são de corpulência média e possuem características morfofuncionais bem definidas. A sua lã é classificada na categoria de "cruzado fino". havendo exemplares desta raça em regiões em que se pretende uma maior produção de leite como Tomar. 7 – Ovelhas Serra da Estrela brancas Carneiro Serra da Estrela. o bordo inferior do pescoço.59 baixo Mondego.5 kg 1. Torres Novas. península de Setúbal arredores de Lisboa e até no Alentejo. deixando a cabeça.

tendo por esse motivo sido exportados para muitos países do Mundo. que constitui por vezes a única fonte de rendimento de algumas famílias serranas. Os animais desta raça. auferem apreciável rendimento com a venda do leite produzido. 2. com a cabeça totalmente deslanada e desprovida de cornos nos dois sexos. que não podem deixar de ser lembradas no âmbito desta disciplina.5. São elas : "Suffolk". possuindo os animais desta raça boa precocidade e uma conformação ideal para a produção de carne.RAÇAS OVINAS DE MAIOR DIFUSÃO MUNDIAL Existem várias raças de ovinos que pela sua difusão no mundo adquiriram uma importância tal. Fig. Uma raça que não pode deixar de ser aqui focada pela sua vocação leiteira e importância regional cada vez maior no Alentejo é a raça francesa "Lacaune".SUFFOLK . "Merino de Rambouillet e "Ile de France".5. os quais embora possuindo efectivos pequenos de 30 a 100 cabeças. são muito utilizados em cruzamentos industriais.1. caracterizada por ter a pele pigmentada de preto e lã branca. na qual constituem a principal actividade dos agricultores regionais. 2. "Southdown". pois transmitem aos seus produtos um marcado bom tipo de carcaça. 8 – Ovelhas e borregos Suffolk Ovelhas Suffolk . O leite das ovelhas desta raça é exclusivamente destinado ao fabrico do famoso queijo "Serra da Estrela".é uma raça de origem inglesa.60 Os animais desta Raça são sobretudo explorados em explorações de tipo familiar. numa região caracterizada pela dimensão reduzida e dispersão das propriedades.

. vindo por esse motivo mais tarde a ser preteridos em favor de outras raças pesadas. possuindo uma carcaça muito bem conformada muito apreciada. Possui igualmente alto poder de transmissão de características corporais à descendência.5. país do qual a Inglaterra importa um grande número de carcaças refrigeradas. Características produtivas Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 110 dias Peso dos machos aos 360 dias Peso das fêmeas aos 360 dias Peso do velo: machos fêmeas 150 % ou mais 4. mais resistentes às condições climáticas. verificou-se que não conseguiam aguentar as duras condições a que os nossos rebanhos de raças autóctones estão sujeitos (sobretudo no Verão. 9 – Carneiros da Raça Southdown Ovelhas e borregos da Raça Southdown Esta raça é muito importante na Nova Zelândia. originando por cruzamento borregos muito bem conformados. Nesta raça estão ausentes os cornos tanto em machos como em fêmeas. Fig. dado serem oriundos de climas mais frescos). fizeram-se importações de exemplares desta raça.6-5 kg 2.9-4 kg 2.2.61 No nosso país.5 kg 35 kg > 60 kg > 45 kg 3. vocacionada para a produção de carne. de boa precocidade e bom rendimento em carne.SOUTHDOWN . sobretudo no Alentejo.é outra raça de origem inglesa. mas apesar das suas óptimas características de produção de carne. ao abrigo de acordos no âmbito do Commonwealth.

local a que chegaram três meses depois.5 kg 2. possuindo um velo branco. cujos animais são o protótipo do animal produtor de lã.3.MERINO DE RAMBOUILLET .Esta raça francesa teve origem num núcleo de 334 ovelhas e 42 carneiros da etnia merino de Espanha. elástica e resistente. É uma raça muito rústica que se . os quais saíram de Segóvia em Espanha a 15 de Julho de 1786. sendo considerados melhoradores em cruzamento com animais de lãs grosseiras. Características produtivas Prolificidade Peso aos 90 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 155 % 25-30 kg 80-100 kg 50-80 kg 3-4 kg 2-2. mas todas as tentativas de produzir cruzados desta raça foram mal sucedidas. 10 – Carneiros Merino de Rambouillet Ovelha Merino de Rambouillet Como Merinos não possuem estacionalidade sexual. pois os animais no Alentejo pura e simplesmente morriam por acção do calor do Verão. Da selecção bastante cuidada deste efectivo. onde se situava a exploração Real de ovinos de França).5. com destino a Rambouillet (perto de Orleans. característica que transmitem à descedência por cruzamento. extenso de lã muito fina. compreendendo várias origens não aparentadas entre si. resultou uma raça muito apreciada quanto à produção de lã e carne.62 Exemplares desta raça foram importados para Portugal. Fig.

esta raça é o resultado de cruzamentos entre carneiros ingleses da raça Leicester (seleccionados pelo major Dishley sendo também conhecidos por este nome).4. enquanto que estes se encontram ausentes nas fêmeas. fixada por um longa e cuidadosa selecção. O mentor desta raça foi um veterinário francês de seu nome Yvart. países onde participaram na arquitectura de novas raças. Uruguai. Na actualidade esta raça está perfeitamente fixada e tornou-se uma das grandes raças francesas mais apreciadas em todo o Mundo. que iniciou os cruzamentos em 1833.5. Depois de várias vicissitudes a raça encontrava-se fixada em 1922. como na Austrália.ILE DE FRANCE . Devido a estas características. XIX centenas de exemplares para a Austrália. desprovidos de cornos muito compactos. ou no simples melhoramento de raças autóctones. tendo sido criados na tentativa de obter um animal Dishley (de óptima conformação e precocidade o que faz deles animais com extraordinária capacidade para produção de carne).6-9 kg 3. Peru. como foi o caso do "melhoramento das lãs" do nosso Merino Branco. com o velo de um Merino de Rambouillet. Argentina.6-6 kg 2. ano em que foi fundado o Livro Genealógico em França. Portugal e inclusivamente Espanha. Os animais desta raça são brancos. EUA. Os machos desta raça possuem cornos.63 adapta a todos os climas especialmente os secos e a todos os regimes de exploração. possuindo um velo extenso com lã de boa qualidade.5-4 kg 70-90 kg 45-60 kg 5. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 14-16 meses 90-95 % 110-115% 3. . com Merino de Rambouillet. exportaram-se no Séc.

boa capacidade leiteira (só em termos de alimentação dos borregos) e estacionalidade sexual mal marcada tal como os Merinos. . que passam por uma óptima conformação. Apesar de adaptados a um regime de semi-estabulação.5 kg Pelas características apontadas estes animais são muito apreciados para cruzamentos industriais dando produtos de alta qualidade. que estiveram na origem desta raça. grande velocidade de crescimento (que pode chegar aos 600 g / dia). China e EUA entre outros. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 90 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 95-99 % 135-160 % 4-5 kg 30-35 kg 120-160 kg 65-85 kg 5-6 kg 4-4.64 Fig. África do Sul. 11 – Carneiros da Raça Ile de France Possuem em termos produtivos um conjunto notável de qualidades. Nesta perspectiva esta raça foi exportada para inúmeros países da Europa incluindo Portugal. Brasil. estes animais suportam bem a vida ao ar livre e em condições de pastoreio em extensivo.

ventre e extremidades.Esta raça originária do Sudoeste da França a Norte dos Pirinéus tirou o seu nome dos montes Lacaune. tendo no entanto sido limitadas no tempo e no espaço. situando-se a produção média por ovelha e lactação em 160 litros. o que acontece durante 4 a 6 meses. Esta raça está a assumir cada vez maior importância no Alentejo. Posteriormente estes animais sofreram a infiltração de sangue Merino. grande parte das quais está permanentemente sujeita a contraste leiteiro. Fig.5. havendo animais que chegam aos 350 litros. . estes animais estão muito bem adaptados às condições da ordenha mecânica. A partir de 1870 iniciou-se uma selecção leiteira metódica. datando de 1294 as primeiras referências aos queijos desta região. sobretudo nos concelhos de Serpa e Mértola.LACAUNE . na zona demarcada do "Queijo Serpa". Southdown e Lauraguais. com velo pouco extenso que não cobre a cabeça. Em virtude da selecção a que têm vindo a ser sujeitos. em 1937 foi introduzido o contraste leiteiro e em 1947 foi iniciado o Livro Genealógico da raça. 12 – Carneiro da Raça Lacaune Ovelhas da Raça Lacaune A Raça Lacaune é de aptidão mista.5. Em 1902 os caracteres rácicos estavam fixados. O efectivo desta raça calcula-se em cerca de 450 000 fêmeas. na tentativa por parte dos produtores de aumentar a produção de leite para o fabrico do referido queijo. o "Roquefort" é fabricado a partir do leite das ovelhas desta raça. A origem destes animais parece estar nos Pirinéus.65 2. O mundialmente famoso e mais conhecido dos queijos franceses. Os animais possuem côr branca. Os borregos são desmamados às 4-5 semanas e a partir desse momento as ovelhas começam a ser ordenhadas. em que a produção leiteira é predominante.

66 São animais de alta produção e como tal requerem condições de produção especiais. esta raça está a ter cada vez maior aceitação entre os produtores que têm a possibilidade de fornecer aos seus animais. Diga-se que é voz corrente que o leite das ovelhas desta raça. dá menor rendimento em queijo.3. que o leite das raças regionais. A problemática desta situação foi atrás descrita. com pastagens de alto valor nutritivo e suplementação energética e proteica e pernoita em apriscos abrigados. com ovelhas da Raça Lacaune Características produtivas Idade ao 1º parto Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 90 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 16-18 meses 130-150 % 3-4 kg 25-30 kg 80-100 kg 50-65 kg 2. nomeadamente o Merino Branco.2. Apesar deste facto.5 kg 1. o Merino Preto e a Campaniça.5 kg . as condições superiores de tratamento. 13 – Aspecto de uma sala de ordenha. o que é correcto. no sub-capítulo 2. que estes requerem para exibirem todas as suas capacidades produtivas. como a quantidade de leite produzida pelas ovelhas Lacaune é em muito maior. Mas por esse facto o leite desta Raça é pago a preços inferiores aos atingidos pelo leite produzido por animais daquelas raças. Fig.2.

grau de conhecimento e importância atribuída aos animais por parte do proprietário.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE OVINOS Os ovinos são como se disse os animais com maior capacidade de aproveitamento das pastagens e como tal são explorados preferencialmente em regimes de pastoreio. ou inclusive a estabulação permanente.1. é utilizada sobretudo em programas de selecção. são fruto do interesse.Linha pura .1. retrocruzamento e cruzamento industrial.1. 2. O sistema de pastoreio é o sistema utilizado quase universalmente na produção de carne. Os tipos de cruzamento utilizados em cada situação.67 2.Cruzamento .. situação muito corrente no nosso país. os ovinos podem ser explorados em linha pura ou em cruzamento. 2.TIPO DE ANIMAIS UTILIZADOS Os ovinos domésticos são explorados em raça pura ou em sistema de cruzamento. No entanto na exploração de ovinos nas suas vocações carne. produção em que é utilizado em maior escala a semi estabulação.6. em que os produtores recebem um prémio adicional às Ajudas Compensatórias à Perda de Rendimento.1. em explorações comerciais de animais de alta produção leiteira e em explorações de raças autóctones.6. nos seus vários tipos.a exploração em raça pura. só por utilizarem raças autóctones. utilizados segundo as condições e pretensões dos produtores. leite ou mista poder ser utilizados quer a semi-estabulação e até mesmo a estabulação.6.6.2 . sendo igualmente muito corrente na produção de leite. cruzamento duplo. 2. esta em casos muito particulares. Exactamente como qualquer outra espécie doméstica. Os tipos de cruzamentos passíveis de serem utilizados na produção de ovinos são logicamente todos os que existem : cruzamento de absorção.

mas sim na utilização totalmente aleatória de machos de raças pesadas e dos seus híbridos. por parte de quem já possui um rebanho de base. tendo no passado recente utilizado na tentativa de obter ovelhas leiteiras de grande produção. não restando actualmente quaisquer animais daquele tipo. Cruzamento alternativo . utilizado indiscriminadamente. Tem sido pouco utilizado em ovinos. Cruzamento industrial . designadas "Friserra".este tipo de cruzamento não é utilizado em ovinos no nosso País. Cruzamento duplo . uma raça de carne e uma raça prolífica.este tipo de cruzamento em que recorde-se intervêm três raças. de não ter de investir uma soma considerável e muitas vezes insuportável do ponto de vista económico. por outro de características étnicas iguais às do reprodutor masculino. devido ao facto de na sua essência envolver quase obrigatoriamente.a filosofia suprajacente a este tipo de cruzamento. com machos de raças de raças seleccionadas para a produção de carne. não no sentido de utilizar deliberadamente duas raças em linha pura. Foram no passado recente. muito prolífica e de muito boas produções leiteiras. No panorama actual da Ovinicultura Portuguesa.tem sido em Portugal. uma muito prolífica. não se justifica. uma raça finlandesa. uma de grande produção leiteira e outra pesada de produção de carne. Poderá ter uma hipotética vantagem em relação à utilização da raça pura.68 Cruzamento de absorção . para obtenção de híbridos de valor em determinada função. Este programa foi abandonado. à base das fêmeas nascidas do cruzamento durante algumas gerações. envolvendo três raças estrangeiras. utilizando as raças Serra da Estrela e raça Frísia. excepto em efectivos leiteiros e em situações pontuais. implementados no centro do País. é a substituição do rebanho das fêmeas de base. na tentativa de obter uma grande prolificidade em que os borregos tinham grande peso. Este facto pôs em perigo as . Esta opção tem sido praticada actuando em ovelhas de raças autóctones. devido à ausência desde sempre em Portugal de uma Política Agrícola. cruzamentos deste tipo em ovinos estabulados explorados intensivamente. é de resultados muito mais rápidos que o cruzamento de absorção.

2. 2.69 populações das raças autóctones de produção de carne. existem sistemas de produção em que os animais estão em regime de confinamento permanente. a semi-estabulação e o pastoreio.F2. sobretudo as do Sul de Portugal.2. onde este assunto se encontra explanado com a profundidade necessária. devido aos híbridos (F1. diminuindo deste modo as qualidades dessas raças.) terem sido utilizados na reprodução. remete-se o leitor para o capítulo Noções Introdutórias.ESTABULAÇÃO PERMANENTE Este sistema é utilizado para ovinos.1. 2.TIPO DE INSTALAÇÃO Os ovinos.6.F3. são como se disse animais com grande capacidade de aproveitamento em regimes de pastoreio e como tal são explorados preferencialmente neste sistema. a exploração intensiva envolve custos fixos muito elevados.SEMI-ESTABULAÇÃO .6. As instalações são caras e o maneio é elaborado. embora não seja comum no nosso País. ao âmbito desta disciplina. quer nas recrias e engordas intensivas.6.2. outros em que passam parte do tempo estabulados e outros ainda em que não usufruem de qualquer tipo de estabulação ou sómente recolhem ao ovil para passar a noite. Apesar desta capacidade inerente aos ovinos. Devido às razões apontadas. por abastardamento com genes das raças estrangeiras utilizadas. em virtude da selecção a que têm vindo a ser sujeitas.2. quer em explorações leiteiras com animais de alto valor produtivo. mas que algumas raças suportam bem.2. só sendo praticável em condições muito especiais. etc. Para qualquer dúvida surgida acerca dos tipos de cruzamentos aqui mencionados. Nestas explorações visa-se a obtenção da maior quantidade de leite possível. sujeitando-se os animais a um tipo de vida em confinamento que é contrário à natureza da espécie. Os sistemas utilizados na exploração de ovinos continuam a ser a estabulação permanente.

Pastoreio contínuo é um sistema em que o gado vive durante todo o ano do aproveitamento dos recursos da pastagem.70 É utilizado nos países frios do Norte da Europa e em rebanhos leiteiros de alta produção.2. que passam parte do dia estabulados. 2.PASTOREIO Pelo que atrás foi dito quando se tratou do comportamento alimentar dos ovinos. devendo a carga animal ser calculada de acordo com as potencialidades da pastagem. As pastagens podem ser espontâneas ou semeadas. erva de alta qualidade em parques próximos ou adjacentes ao ovil.é o sistema actualmente mais utilizado. recebendo no entanto suplementos de ração ao fim do dia. pastoreio rotacional e pastoreio em faixas.3. pastando uma pequena parte do dia. Pastoreio condicionado . sempre que as suas necessidades alimentares não possam ser totalmente satisfeitas durante o pastoreio. pastoreio deferido. tendo o inconveniente de requerer a presença constante de um pastor. . Na esmagadora maioria das nossas explorações os animais pastam durante todo o ano. chega-se facilmente à conclusão que estes animais são utilizadores preferenciais de sistemas extensivos com plantas herbáceas.6. sendo eficiente sempre que o encabeçamento seja bem calculado o que se traduz num bom maneio das pastagens. podendo estas ser de sequeiro ou regadio e consumidas em pastoreio contínuo. já que dispensa a presença permanente do pastor.

No tocante às origens e aptidão existem atributos e limitações. Capra pyrenaica ou ibex espanhol e Capra falconeri. Quanto à cronologia da sua domesticação. Segundo outros autores desde recuadas épocas se diferenciaram três troncos: .o tronco asiático proveniente da Capra falconeri ou da Capra prisca. tamanho corporal. Capra prisca. aptidão.o tronco africano proveniente da Capra nubiana. 1978). e outras que foi domesticada na mesma altura que os ovinos. existem evidências.71 3. especialmente devido ao facto de grande parte das cabras dos Trópicos não possuírem aptidão ou vocação especializada e a sua origem permanecer obscura. estando provavelmente envolvidos na origem desta espécie. Género Capra. logo depois dos cães. existem diversas opiniões.000 anos antes (Williamson e Payne. 1980). 1980). que compreende cinco espécies : Capra hircus. depois dos cães e dos ovinos. ou tur do Cáucaso.1. ou ibex. considerada a verdadeira cabra. Capra ibex.C. ou markor (Williamson e Payne.o tronco europeu proveniente da Capra hircus aegragus. cerca de 4. devido à inexistência de dados que possibilitem esse conhecimento. Os métodos de classificação das cabras domésticas têm sido implementados com base na sua origem. o ibex da Abissínia e o bezoar (Williamson e Payne. Apesar da origem das cabras domésticas necessitar ainda de uma maior clarificação. segundo alguns autores. . e tamanho e forma das orelhas.000 a.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE CAPRINOS 3. . . que inclui o bezoar (Capra hircus aegragus). 1980). referindo umas que a espécie foi domesticada cerca de 5. Subfamília Ovidae.ORIGEM E HISTÓRIA Os caprinos pertencem à Família Bovidae. que indicam o bezoar (Capra hircus aegragus) como seu principal ancestral (Sá..

em que os animais se alimentam dos recursos naturais que aproveitam directamente. 3º grupo . A população mundial de caprinos atinge números da ordem dos 400 milhões de cabeças.COMPORTAMENTO ALIMENTAR O comportamento alimentar dos caprinos é sem dúvida a sua característica mais marcante. Os factores relativos ao animal são expressos por lábios extremamente móveis e língua preênsil. compridas e pendentes.animais de orelhas largas. origina diversas interpretações. que aliados a uma grande agilidade.animais de orelhas chatas. quer aos alimentos disponíveis e ao maneio da carga animal.1. 1978). lhe possibilitam alcançar e consumir uma grande variedade de alimentos localizados até uma altura de 2 metros ou em sítios pouco acessíveis e inclusivamente subir às árvores para obter o que desejam.animais de altura entre 51 e 65 cm e peso de 19 a 37 kg anão . . sendo esta característica tão vincada no seu carácter.2.animais de altura inferior a 50 cm a peso de 18 a 37 kg (Sá.72 Na tentativa de classificar as raças caprinas relativamente ao seu tamanho corporal foram constituídos três grupos : grande . 2º grupo . 3. estando esse aproveitamento condicionado por factores quer relativos ao animal. 1978) Na classificação relativa ao tamanho e forma das orelhas estão constituídos quatro grupos : 1º grupo .CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 3.2.animais de orelhas curtas e erectas.animais de altura superior a 65 cm e peso de 20 a 63 kg pequeno . que a palavra capricho deriva do seu nome latino capra. levando a designar por raça determinadas variedades (Sá. 4º grupo . pois são extremamente selectivos e exigentes na escolha do alimento. semi inclinadas e de pelagem abundante De qualquer modo a caracterização em raças dos vários troncos.animais de orelhas inclinadas e de pelagem frisada. Este comportamento expressa-se plenamente em regime de pastoreio extensivo.

tendo estas características como consequência uma melhor aptidão para o pastoreio e refeições mais frequentes. maiores quantidades de azoto endógeno e ainda a outros factores susceptíveis de influenciar os fenómenos digestivos nos ruminantes. permitindo-lhes encontrar e escolher mais facilmente os melhores alimentos. sendo deste modo capazes de compensar o baixo valor alimentar das pastagens pobres e a menor ingestabilidade. mostrando contudo os caprinos maior digestibilidade em regimes com altos teores em fibra e baixos teores em azoto. melhorando assim a qualidade do alimento ingerido. Normalmente e particularmente em anos secos os caprinos escolhem mais sistematicamente as lenhosas que os ovinos. 3.2. quer em quantidade quer em qualidade. como sejam a mais elevada ingestão de matéria seca. ruminação mais eficaz e secreção salivar mais importante (originando uma maior reciclagem da ureia). estes animais podem apresentar um consumo alimentar superior ao dos ovinos. exigindo longas caminhadas diárias. Quando as disponibilidades do meio são fracas. embora a sua dieta seja constituída por uma gama muito mais variada de espécies vegetais. Quanto às preferências os caprinos são assim muito mais "browsers" (utilizam preferencialmente plantas arbustivas) que "grazers" (utilizam preferencialmente plantas herbáceas). devido à maior selectividade posta na escolha dos alimentos. distingue-se assim do dos outros ruminantes domésticos.73 O comportamento alimentar dos caprinos. ambos consomem e digerem com igual eficiência. sejam quais forem as condições do meio. Comparando os caprinos com os ovinos. incluindo também plantas lenhosas. fraco consumo de água (a necessidade de água dos caprinos parece ser inferior em 10 a 25 % à dos ovinos de igual aptidão). com a selecção das partes mais nutritivas. graças à sua capacidade de marcha e selectividade. Este facto deve-se a que os caprinos reciclam por unidade de tempo.2. submetidos a regimes de baixos teores em fibra e altos teores em azoto. Deste modo preferem as folhas aos caules e plantas com menos teor em glúcidos parietais e mais matéria azotada.COMPORTAMENTO REPRODUTIVO .

As raças de climas frios estão nesta última situação. com média igual a 20.74 Os caprinos são animais poliéstricos. As fêmeas dos caprinos são poliéstricas de ovulação espontânea. O efeito designado por "Efeito macho". que têm a sua estação sexual preferencialmente nesta altura do ano. enquanto que as raças de caprinos das regiões tropicais e subtropicais. o mesmo é dizer. quando o período de luminosidade diurna diminui. no respeitante às épocas de cobrição e períodos de nascimento dos cabritos. enorme importância. excepto na raça "Angora" que tem cios mais curtos. de modo que nas cabras pigmeias a puberdade pode ser atingida aos 3 meses nas fêmeas. ao longo da estação de reprodução. No entanto dentro da mesma raça. sendo verdade para estas raças.6 dias. existindo raças que experimentam cios durante grande parte do ano. o que é verdade para as raças de ovinos que não apresentam estacionalidade sexual. Esta tendência pode estar expressa em maior ou menor grau. atrás referido quando do estudo dos ovinos. existindo importantes variações interrácicas. apresentam produção de espermatzóides durante todo o ano. mostram grande tendência para experimentar actividade sexual tanto no Outono como na Primavera. verificando-se no entanto uma depressão na actividade do . significando isto que mostram marcada tendência para um reinicio ou aumento da actividade sexual. com duração média de 22 horas. apresentando uma média de 35 horas. verifica-se igualmente nas raças caprinas sem estacionalidade sexual ou com estacionalidade sexual mal marcada. experimentando vários ciclos éstricos com a duração de 18 a 22 dias. estação reprodutiva e efeitos da nutrição. Puberdade A puberdade nestes animais é atingida dos 4 aos 6 meses tanto nos machos como nas fêmeas. sendo um bom exemplo a raça "Angora". enquanto outras têm um comportamento de "fotoperiodismo negativo" estrito. Os cios têm a duração de 26 a 42 horas. exercendo o "estado de carnes" e a percentagem de peso em relação ao peso adulto. Os machos caprinos ou bodes. nesta espécie tal como nos ovinos. caracterizados na generalidade por uma estacionalidade sexual dita de "fotoperiodismo negativo". o que acontece no Outono. o aparecimento da puberdade pode ser condicionado pelo clima.

Do mesmo modo que nos carneiros. a fertilidade dos machos é menor nos jovens e nos animais velhos. o ardor sexual também é maior no período do fim do Verão e início do Outono. pelo controlo que introduz na temporização dos processos produtivos. a ocorrência de partos triplos e mais raramente quádruplos. Do mesmo modo que nos ovinos.75 testículo durante a estação quente. A inseminação artificial é sobretudo utilizada em programas de selecção e em explorações de cabras de raças de vocação leiteira. permitindo uma maior rentabilização económica. podendo eventualmente chegar às 70. sendo mais frequente nas raças de vocação leiteira. o sistema mais amplamente utilizado. sendo contudo a monta em liberdade. não devendo o número de cabras por bode. ultrapassar as 50 a 60. Todos os preceitos e princípios que são válidos para o uso da inseminação artificial em ovinos são-no igualmente ao tratar-se dos caprinos. A monta natural pratica-se tal como nos ovinos. Métodos de reprodução Os sistemas de reprodução usados na produção de caprinos são a monta natural e a inseminação artificial. número que sobe usualmente a dois nos partos seguintes. quer em liberdade. . Gestação O período de gestação nos caprinos tem uma duração média de 153 dias. sendo ao primeiro parto normalmente de um. A variação interrácica do número de fetos por parto. quer em sistema de monta condicionada. é menos importante que nos ovinos. podendo ir de 147 a 165 dias. período este que é tanto maior quanto menor fôr o número de fetos.

por um lado a produção de maior importância económica dos caprinos é sem qualquer sombra de dúvida o seu leite.1.5-2 meses são bem valorizados. resumindo-se os animais destinados ao talho.2. sendo altamente valorizados. Em países como a França. aos cabritos desmamados precocemente.3. que na actualidade e nas nossas latitudes.2. não existem raças caprinas de verdadeira vocação para a produção de carne. Este inconveniente do sabor e cheiro desagradável da carne. produto bem valorizado. é usual fazer a castração dos machos e submetêlos a aleitamento artificial e posterior engorda.3.os caprinos são animais com carcaças mal conformadas.PRODUÇÃO DE CARNE.A maioria dos cabritos nascidos nas nossas latitudes estão em idade de ser precocemente desmamados e sacrificados cerca do Natal e da Páscoa.76 3. aos animais fracos produtores de leite e aos animais de reforma. com um peso de carcaça rondando os 4 a 6 kg. alturas em que o cabrito se tornou prato tradicional. a qual é decorrente de vários factos : .PRODUÇÃO DE CARNE Ao contrário do que acontece com os ovinos. resultante das secreções das glândulas anais. . . Juntando estes factos. é vender os cabritos logo que possível. ao mesmo tempo que todo o leite produzido pelas mães fica disponível para fabrico de queijo. cheiro este que se transmite à carne tornando-a muito pouco apetecida por parte dos potenciais consumidores. facilmente se chega à conclusão que a decisão mais rentável económicamente na exploração de caprinos. Esta situação tem a sua explicação. junto com as fêmeas destinadas a . é integralmente destinado à produção de queijo (se exceptuarmos algum pequeno consumo de leite em natureza por parte das populações serranas mais afastadas dos centros populacionais). logo de baixo valor económico. pois na idade de 1. só se põe em animais de idade superior a 6 meses. facto que se alia ao cheiro forte quase repulsivo. LEITE E PÊLO 3.

2. que fazem dele um alimento aconselhável para doentes padecendo de problemas a nível do aparelho digestivo. Vários factores contribuíram para o desaparecimento deste fenómeno. da ordem dos 2000 kg de leite por lactação de 255 dias. Na Europa a cabra foi e ainda é. entre os quais avultam o acesso fácil a leite de vaca embalado e a disseminação da Brucelose. consegue atingir as mais altas produções. constituindo em muitas regiões áridas e semiáridas a única fonte de proteína animal a que têm acesso numerosas populações. sendo enviados para o talho com a idade de 4 a 6 meses e peso vivo de 2530 kg. o que assegurava o fornecimento de leite à família. As qualidades da cabra como animal produtor de leite são incontestáveis.3. facto que reside no tamanho relativo e na composição dos seus glóbulos de gordura. muitas vezes de maneira que nada tem a ver com a lógica. outrora mais que actualmente. ocorrerem produções.PRODUÇÃO DE LEITE A produção de leite. por parte de cabras pertencentes a raças especializadas de vocação leiteira e sujeitas a selecção. não sendo tão raro quanto isso. 3. A classificação das carcaças de caprinos é efectuada com base na mesmas grelhas normativas Comunitárias utilizadas para as carcaças dos ovinos. Há sim que estar atento às preferências do mercado e aproveitar as potencialidades representadas pelas possibilidades de colocação dos produtos. é a contribuição mais valiosa dos caprinos. Tanto na vaca como na cabra os teores de gordura podem considerar-se similares e tanto numa como noutra as dimensões dos glóbulos estão contidos na mesma escala . O leite de cabra possui algumas características.77 venda.2. sendo comum. pois é o animal que relativamente ao seu peso vivo. em muitas regiões considerada a "vaca do pobres". sendo a sua carne muito apreciada. a existência em zonas rurais de uma e às vezes duas cabras mantidas em casa. Não devemos esquecer que o gosto dos consumidores é soberano e direcciona o mercado em determinada direcção. pois possui uma maior digestibilidade que o leite de vaca. não necessariamente por esta ordem.

a diferença registada no leite de cabra para os leites das outras fêmeas de ruminantes domésticos.9 % 0. na gíria conhecida como a "febre de Malta". não permite a fabricação de queijo de cabra utilizando leite crú. no entanto a proporção de glóbulos de gordura de dimensão não superior a 1. .1 % 4. a queijos pequenos para consumo em fresco.78 dimensional (1-10 microns). que a gordura do leite de vaca. pois a côr amarelada apresentada pelos queijos. De salientar ainda. o que origina a transmissão da côr branca ao queijo produzido a partir do seu leite.5 microns é de 10 % na vaca e 28 % na cabra. reduzindo-se os queijos fabricados em Portugal com leite de cabra. 1990) A legislação Portuguesa. o que obviamente facilita a sua digestão.030 (Adaptado de Sá e Barbosa. por ter sido diagnosticada nesta ilha que pela primeira vez). por outro leva a um empobrecimento da potencial diversificação da produção de queijo (por razões que saem fora do âmbito desta disciplina). o que contribui igualmente para facilitar a sua digestão.8 % 1. por razões que se prendem com a Saúde Pública (directamente relacionadas com a ocorrência da brucelose.8 % 4. produzido a partir de uma mistura de leites de ovelha e cabra. queijos do mesmo tipo que não foram vendidos em fresco e sofreram um processo de cura para posterior venda e um tipo de queijo originário da Beira Baixa. A composição do leite de cabra em termos médios pode considerar-se : Água Matéria gorda Lactose Proteína Sais Densidade a 15 º C 86. havendo a obrigatoriedade de tratar pelo calor todo o leite destinado à fabricação deste produto.4 % 3. que reside no facto daquele não possuir beta carotenos. é devida a compostos derivados dos beta carotenos. se por um lado origina um aumento do rendimento industrial na obtenção de queijo. Este facto. Por outro lado a composição da gordura do leite de cabra é mais rica em ácidos gordos de cadeia curta.

por outro lado. uma importante restrição emerge. fortemente direccionada pela PAC (Política Agrícola Comum). no aproveitamento de ecossistemas de fracos recursos. ainda que nesta espécie e devido a razões anatómicas. situação que hoje já rareia. Exactamente como os ovinos. os 90$00 a 120$00. preços que se por um lado. a utilização de uma instalação de ordenha mecânica. uma crescente importância. Ordenha A ordenha dos caprinos pode fazer-se tal como nos ovinos manualmente ou mecanicamente. produzem 1-1. são cerca de metade dos atingidos pelo leite de ovelha. inclusivamente a nível mundial. As cabras constituem por tudo o que foi dito. Produção de pêlo e Peles . Em Portugal.3 litros de leite por ordenha em plena lactação enquanto as ovelhas (igualmente não especializadas) produzem 2-3 decilitros. rondam conforme os anos. pois são cada vez mais os terrenos pobres. No entanto a par deste potencial. Por essa e outras razões a França é o maior produtor mundial de queijo de cabra e o país onde a selecção de raças caprinas atingiu maior expoente. sendo francesas as raças de cabras de maior importância na produção de leite. que por o serem são retirados da produção agrícola. os animais de maior rendimento potencial. sendo mais uma vez o sistema manual o mais difundido. fruto da necessidade de cada efectivo ter um tratador com disponibilidade permanente. só se justifica em efectivos especializados na vocação leiteira. são fabricados com leite de cabra crú e sujeitos a maturação. os preços atingidos por litro de leite de cabra. pendendo deste modo a balança nitidamente para o lado das cabras. assumindo no âmbito da política agrícola actual. sendo previsivelmente pior no futuro.79 Deve salientar-se que em França alguns dos queijos de maior nome. podendo no entanto suportar uma exploração pecuária. a ordenha mecânica seja facilitada. que se prendem com o tamanho e a forma do úbere e dos tetos. mesmo as cabras não especializadas na produção leiteira (que são a maioria das existentes sobretudo no Alentejo).

apresentando os animais desta côr. a Charnequeira. Por ordem decrescente de importância em termos numéricos temos a Serrana. explorados nesta função. a Serpentina. a Algarvia e a Bravia. O pêlo é curto nas fêmeas e mais comprido e áspero nos machos.são animais de conformação muito delicada e graciosa. 3. a Algarvia. o qual pelas suas características de maciez.3. luxo que está ao alcance da bolsa de muito poucos. Temos como exemplo os famosos e caríssimos abafos. a "Serpentina". No nosso país existem algumas explorações em número reduzidíssimo. de localização e extensão variável. ao longo do dorso. Existem ainda animais com malhas. é utilizado na confecção de alguns dos mais caros tecidos do mundo. de animais da raça Angora. As peles dos caprinos são muito valorizadas na indústria de confecção do vestuário designado por "cabedal". a "Algarvia " e a "Serrana". a "Charnequeira". de pelagem preta ou castanha. ventre e extremidades. A sua distribuição geográfrica compreende as penedias do Gerês e Trásos-Montes.1.3.RAÇAS CAPRINAS PORTUGUESAS As raças caprinas Portuguesas são a "Bravia". nomes que derivam directamente dos nomes por que são conhecidas as raças que os produzem. o que só é possível devido à sua enorme rusticidade. Ambos os sexos possuem cornos finos e erectos ou ligeiramente inclinados para trás.80 Existem raças de cabras que são exploradas principalmente para a produção de pêlo. . a Charnequeira e a Serpentina.BRAVIA . Quanto à produção de leite temos por ordem decrescente de importância a raça Serrana. conhecidos no mercado como Angora e Cachemira. têm o tronco pouco desenvolvido e o úbere é pequeno e bem ligado. já que a produção é tão baixa que é totalmente consumida pelos cabritos. A raça Bravia não é considerada em termos da produção de leite. vivendo em zonas muito inóspitas. de grande agilidade. 3. tonalidades mais escuras na cabeça.

sendo os cabritos vendidos respectivamente pelo Natal e pela Páscoa. com linha dorsal quase horizontal. O tronco é bem desenvolvido. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas 80-85 % 100 % 35-40 kg 25-32 kg Os partos múltiplos nesta raça são pouco frequentes. São animais longilíneos de perfil subconcâvo.2. por vezes de tal modo que parece uma "albarda". podendo ocorrer barbas em ambos os sexos. 14 – Cabras da Raça Bravia Esta raça é somente explorada para a produção de carne. . Têm orelhas grandes e semipendentes. podendo alargar-se na parte posterior. geralmente de grande estatura. úbere de tamanho médio. Possuem pelagem branca ou creme com um listão preto disposto longitudinalmente no dorso.3. o mesmo acontecendo com os cornos.81 Fig. em forma de bolsa e tetos diferenciados de tamanho médio.a área de dispersão desta raça estende-se por todos os distritos Alentejanos.SERPENTINA . 3. concentrandose os nascimentos nos meses de Outono e em Fevereiro / Março.

Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 14-15 meses 80-85 % 110 a 130 % 75-85 kg 55-60 kg 120-180 l em 120 a 180 dias A produção de carne resulta sobretudo dos cabritos ou chibos. quando se pretende aumentar a produção de carne. sendo um explorado no Baixo Alentejo e o outro no Alto Alentejo e na Beira Baixa. São explorados em sistema de pastoreio extensivo.3.000 animais.esta raça deve o seu nome à zona da Charneca da região Ribatejana. Hoje em dia e devido às diferenças do meio em que vivem consideram-se dois ecotipos diferentes.82 Fig. verificando-se duas épocas de cobrição. em terrenos bastante pobres e de clima caracterizado por fortes insolações.CHARNEQUEIRA .3. que são vendidos com idades de 1. caracterizando-se . 3. recorrendo-se frequentemente ao cruzamento industrial com bodes desta raça. onde era explorada. pelos seus pesos e tamanho. uma em Maio / Junho e outra em Setembro / Outubro. tendo os rebanhos em geral de 100 a 200 cabeças. sendo considerados a raça portuguesa mais apta para a produção de carne. sendo então as cabras sujeitas a ordenha até ao fim da lactação. sendo dotados de uma extrema rusticidade e resistência. 15 – Cabras da Raça Serpentina Bode da Raça Serpentina As fêmeas não apresentam estacionalidade sexual. São animais de vocação dupla carne / leite.5 a 2 meses e um peso vivo de 9 a 12 kg. O efectivo desta raça ascende a mais de 100.

uma na Primavera e outra no Outono. As fêmeas possuem úberes ensacados e pendentes ou globosos. sendo designados na gíria por "cabra beiroa". O efectivo da raça ascende a cerca de 35. passando então as mães para o regime de ordenha. geralmente familiares. sendo mais pequenos e por vezes estando ausentes no ecotipo "beiroa". Fig. que são explorados no Alentejo em efectivos de 150 a 250 animais e na Beira em efectivos de 10 a 50 animais. Características produtivas .000 animais. Os cabritos são vendidos com cerca de mês e meio de idade e peso vivo de 8-10 kg. largos. de pelagem uniforme de côr vermelha. 16 – Cabras da Raça Charnequeira Esta raça é explorada na dupla aptidão carne / leite em sistema extensivo. animais eumétricos e sub-hipermétricos de perfil rectilíneo ou sub-côncavo. juntos na base e espiralados. Ambos os sexos possuem geralmente cornos. de desenvolvimento regular. não apresentando estacionalidade sexual. apresentando-se mais hirsuto nos machos. pelo que são normalmente efectuadas duas épocas de cobrição. que são grandes. com tons que vão desde o claro até ao retinto e pêlo curto.83 os animais do segundo ecotipo por serem mais encorpados. Esta raça agrupa.

muito curtas e erectas). curtas em corneto e direitas . pendentes.3.5. As orelhas dos animais desta raça podem ser de quatro tipos distintos (compridas.84 Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 14-15 meses 85-90 % 130-135 % 60-70 kg 45-55 kg 220-250 l em 180 a 210 dias A ordenha é efectuada após o desmame do cabrito com 1. com têtos pouco destacados e paralelos ou por mamas globosas com têtos destacados e dirigidos para a frente e para fora. aparecendo alguns poucos núcleos na região de Beja.5 a 2 meses de idade. O efectivo da raça compreende cerca de 15.esta raça deve o seu nome à região onde foi formada.000 animais. só muito raramente aparecendo esta nas fêmeas. abertas e pendentes . apresentando cornos nos dois sexos e barba nos machos. . médias em corneto lançadas para fora . O úbere é formado por mamas cónicas. de marcada aptidão leiteira. sendo constituída por animais de estatura média. que se agrupam em malhas ou podem aparecer disseminados de forma irregular por todo o corpo. a grande maioria dos quais explorados nas serras Algarvias. e perfil côncavo.ALGARVIA . O pêlo curto de côr branca. 3. com pêlos castanhos ou mais raramente negros.

mostrando-se estes animais extremamente rústicos e resistentes. O efectivo desta raça ronda os 243. 17 – Cabras da Raça Algarvia.5 a 2 meses e peso vivo de 7-10 kg. globoso. com têtos pequenos e cónicos. focinho. Tem ainda um número significativo de animais na península de Setúbal.85 Fig.3.000 animais. malhadas de castanho e de preto Esta raça é explorada em regime extensivo em rebanhos de 50 a 100 cabeças. face e arcadas orbitarias. predominando a norte do Tejo. Fig. por vezes pendente. de secção triangular. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 13-14 meses 90-95 % 140-210 % 50-60 kg 35-40 kg 350-650 l em 210 a 270 dias 3. sendo estes em forma de sabre. castanha e ruça.5. 18 – Cabras da Raça Serrana . podendo apresentar coloração amarela nas regiões superiores do abdómen.SERRANA . Esta raça compreende animais de côr preta. uma na Primavera e outra no Outono. registando-se duas épocas de cobrição. exceptuando o distrito de Castelo Branco. membros. Os cabritos são vendidos com 1. Possuem úbere bem desenvolvido. As fêmeas experimentam uma reprodução sem estacionalidade sexual.esta raça é originária da Serra da Estrela e povoa a maior parte do país. Podem possuir ou não cornos. paralelos ou divergentes.

de olhos grandes e claros. situam-se entre as 40 e as 70 cabeças. denso e sedoso. . As fêmeas não têm estacionalidade sexual. podendo ou não possuir barbas. como grande produtora de leite e as raças "Angora" e "Caxemira". distinguem-se quatro ecotipos : Jarmelista. 3. embora sejam raças de muito reduzida expansão. Trata-se de uma raça bastante rústica. tendo-se implantado pelas suas qualidades como produtora de leite. São animais corpulentos.SAANEN . como raças produtoras de pêlo. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 14-16 meses 90-95 % 170-180 % 60-70 kg 30-45 kg 540-600 l num período de 210 dias Os efectivos médios de animais desta raça por exploração.4. de pêlo curto. As produções médias calculadas das fêmeas desta raça. da Serra. havendo normalmente duas épocas de cobrição.esta raça é originária do Vale de Sâane na Suíça. de côr branca. as raças "MurcianaGranadina".1. constituindo ainda objecto de estudo no âmbito desta disciplina.86 Como resultado da diversidade de ecossistemas onde vive. 3. uma na Primavera e outra no Outono. A cabeça possui um perfil quase recto. que expressa as suas potencialidades genéticas mesmo em condições mais ou menos agrestes. com ou sem cornos.4.RAÇAS CAPRINAS ESTRANGEIRAS As raças caprinas de maior difusão mundial são a "Saanen" e a "Alpine". Ribatejano e Transmontano. situam-se entre os 540 e os 600 litros em lactações de 210 dias. Os cabritos são vendidos aos 30-40 dias de idade com peso vivo de 6 a 8 Kg.

87 O peito é profundo. A espádua é larga e bem ligada e o garrote é forte e musculado. tendo sido exportada para muitos países da Europa. EUA. O úbere é globoso. entre outros. Fig. garupa ligeiramente inclinada e abdómen bem desenvolvido. largo e comprido. caracterizando uma grande capacidade torácica. qualidade que aliada a uma grande docilidade faz dela a raça por excelência da produção leiteira intensiva. . bem ligado e muito largo na parte superior. Brasil e África do Sul. a que experimentou uma maior difusão a nível Mundial. possuindo linha dorsal próxima da horizontal. com grande desenvolvimento em largura. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 95 % 140-180 % 80-120 kg 50-90 kg 680-1050 kg em 240 dias Esta raça é de todas as raças caprinas. Os têtos são bem desenvolvidos e paralelos entre si. 19– Cabra da Raça Saanen Esta raça adapta-se muito bem a sistemas de exploração intensivos.

com um listão preto longitudinal no dorso e extremidades negras. Esta raça possui inegáveis qualidades de produção leiteira e embora se adapte bem a sistemas de produção intensivos. linha do dorso recta. possuindo tetos bem diferenciados paralelos e dirigidos para a frente. articulações secas e aprumos correctos. garupa larga e pouco inclinada. indo do castanho claro ao avermelhado e mesmo preto. é volumoso. bem inserido tanto atrás como à frente.ALPINE .4. possuem peito profundo. ou côr de camurça. retraindo-se bem após a ordenha. o que faz dela uma raça muito procurada para sistemas de produção semiintensivos. 20 – Cabras da Raça Alpine Fig. sendo no entanto a côr mais frequente a "chamoisée". Podem possuir cornos ou não.2.88 3. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 95 % 140-180 % 80-100 kg 50-70 kg 580-850 kg em 8 meses . possui grande rusticidade. Os animais desta raça têm pêlo raso e côr variada. 21 – Bode da Raça Alpine O leite das cabras desta Raça. sendo uma raça muito apreciada pelas suas qualidades leiteiras e de cria.é originária do Maciço Alpino. Fig. com extremidades sólidas.

O úbere é amplo e volumoso.4. havendo exemplares de coloração castanho escura designada por "caoba". . Estas práticas permitiram até agora que 20 % das explorações sujeitas a contraste. visando melhorar as suas potencialidades e qualidades leiteiras. EUA. pelo que os de Múrcia a chamam de Murciana e os de Granada. 3. Possuem perfil recto. órbitas salientes e orelhas erectas.esta raça é originária das províncias de Múrcia e Granada. formando duas bolsas muito distintas. sujeitas a selecção. enquanto que 10 % das lactações sujeitas a contraste. foram e são. possuindo espádua forte e inclinada e bem aderente ao corpo. A linha do dorso é ligeiramente ascendente na direcção da garupa. A garupa é curta e inclinada.MURCIANA . São animais de côr geralmente negra. com tetos pequenos e dirigidos ligeiramente para a frente e para fora. Ambas as raças atrás descritas. o garrote é muito destacado e o tronco amplo e de grande perímetro torácico em relação ao seu tamanho. grandes.89 Esta raça encontra-se espalhada por toda a Europa. em França. de Granadina.000 cabras pertencentes às raças Saanen e Alpina estão sujeitas a contraste leiteiro. etc. pontiagudas e muito móveis. Parece que a solução de consenso consiste na designação de MurcianaGranadina ou Granadina-Murciana. tenham alcançado produções médias entre os 850 e os 1050 kg de leite por lactação. em Espanha. Diga-se que estas lactações têm em geral uma duração de 255 dias. Só muito raramente possuem cornos. constituindo grande polémica regional a sua província de origem. o mesmo acontecendo com as barbas.3. são superiores a 1000 kg de leite. Cerca de 140. Brasil. havendo algumas que atingem os 2000 kg de leite por lactação.

É uma raça rústica. Este pêlo obtêm-se não por tosquia. facto que muito contribui para o alto custo dos tecidos com ele confeccionado. A quantidade de pêlo obtida por animal é de 200 a 250 gramas.CACHEMIRA . o qual é a matéria prima dos famosos tecidos que são conhecidos por Caxemira. A sua principal característica reside na existência de uma pelagem exterior formada por pêlos compridos.esta raça é originária das regiões montanhosas do Paquistão.4. com 70-80 centímetros de altura. no entanto adapta-se muito bem a sistemas de produção intensivos. tendo sido dito acerca dela por um inglês. Fig. 22 – Cabra da Raça Murciana-Granadina Esta raça possui grande vocação leiteira. ásperos e desbotados. mais propriamente da província de "Cachemira".4. Características produtivas Fertilidade média Prolificidade média Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 90-95 % 200 % 60-75 kg 50-60 kg 720 kg em 210 dias 3. mas sim penteando as cabras. Os animais desta raça são de tamanho médio. que é tão perfeita que não há necessidade de ser melhorada. contendo debaixo destes uma maior quantidade de pêlo finíssimo de comprimento regular.90 Fig. 23 – Cabras da Raça Cachemira .

em que os animais se mostram sem problemas de aclimatação. sendo constituída por animais pequenos.5. o pêlo é obtido por tosquia. .4. sem qualquer aplicação industrial. nome pelo qual a raça é algumas vezes designada. Fig.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE CAPRINOS Os sistemas de produção caprinos utilizados.é uma raça originária da Turquia.91 A experiências de aclimatação de animais desta raça em outros países falharam rotundamente. 24 – Cabras da Raça Angorá Debaixo desta camada de pêlo fino e comprido possuem outra de pêlo denso. 3. Experiências de aclimatação com animais desta raça em Espanha e Portugal. sendo sensíveis à humidade.ANGORA . Nesta raça e ao contrário do que se passa noutras raças de cabras. de côr branca ou preta e muito brilhante. O pêlo fino tem o aspecto de lã.5. pelo que neste capítulo somente serão referidas características passíveis de constituir diferença. o que não é de estranhar. No Alentejo existem duas explorações de caprinos Angora. 3. podendo alcançar o comprimento de 75 centímetros. de pêlo muito comprido e sedoso o qual possuem em abundância. são exactamente os mesmos que podem ser utilizados na produção de ovinos. forte e curto. visto que estes animais são originários de uma região de grandes amplitudes térmicas e muito seca. Este pêlo é conhecido no mercado por "mohair". foram bem sucedidas.

1.a exploração em raça pura. Os tipos de cruzamento utilizados em cada situação. em explorações comerciais de animais de alta produção leiteira e em explorações de raças autóctones.1.TIPO DE ANIMAIS UTILIZADOS Os caprinos domésticos são explorados em raça pura ou em sistema de cruzamento. só por utilizarem raças autóctones. 3. retrocruzamento e cruzamento industrial. 3. bem como quanto ao tipo de instalações a que estão sujeitos e modo de obtenção de alimentos.1.92 Os sistemas de produção de caprinos são igualmente considerados quanto à natureza genética dos animais utilizados. .5. é utilizada sobretudo em programas de selecção. em que os produtores recebem um prémio adicional às ajudas compensatórias à perda de rendimento. Os tipos de cruzamentos passíveis de serem utilizados na produção de caprinos são logicamente todos os que existem: cruzamento de absorção.LINHA PURA . são fruto do interesse. grau de conhecimento e importância atribuída aos animais por parte do proprietário.5. situação muito corrente no nosso país. cruzamento duplo.

por parte de quem já possui um rebanho de base.tem sido em Portugal.5. mas sim na utilização totalmente aleatória de animais. devido ao facto de na sua essência envolver quase obrigatoriamente. O facto desta espécie ser tradicionalmente utilizada. Poderá ter a vantagem em relação à utilização da raça pura. em zonas de terrenos marginais.2. que se registam em ovinos e não existem raças que possam ser consideradas de produção de carne. não se registando as diferenças interrácicas quanto a esta característica. nos quais mais nenhuma outra espécie doméstica seria economicamente viável. não no sentido de utilizar deliberadamente duas raças em linha pura. por outro de características étnicas iguais às do reprodutor masculino. à exploração da espécie caprina no nosso País. de não ter de investir uma soma considerável e muitas vezes insuportável do ponto de vista económico. em que é considerado o parente pobre da produção animal. uma raça de carne e uma raça prolífica.93 3. com machos de raças de alta produção leiteira. sem qualquer preocupação de raça. Ora os caprinos são já bastante prolíficos. devido às suas capacidades de rusticidade e resistência. Cruzamento industrial . levou a que fosse olhada como animais de pouco interesse e deste modo sem grandes preocupações quanto à raça. razões que contribuem para que este tipo de cruzamento seja pouco utilizado Cruzamento alternativo . para obtenção de híbridos de valor em determinada função.este tipo de cruzamento em que recorde-se intervêm três raças. Esta opção tem sido praticada actuando em cabras de raças autóctones. machos e fêmeas.este tipo de cruzamento interveio no "melhoramento" de algumas raças de caprinos estrangeiras. levados a cabo no Reino Unido. com o tratamento dado na esmagadora maioria dos casos. .a filosofia suprajacente a este tipo de cruzamento. é de resultados muito mais rápidos que o cruzamento de absorção.1. é a substituição do rebanho das fêmeas de base. Cruzamento duplo . Tem sido pouco utilizado em caprinos. Este facto tem a ver sobretudo. utilizado indiscriminadamente.CRUZAMENTO Cruzamento de absorção . à base das fêmeas nascidas do cruzamento durante algumas gerações.

2. Os sistemas utilizados na exploração de caprinos continuam a ser a estabulação permanente. quer nas recrias e engordas intensivas de cabritos.94 A escolha dos animais para produção é/era feita pelas características morfológicas. com os custos inerentes à utilização de animais mestiços. onde este assunto se encontra explanado com a profundidade necessária. tarefa que estes levaram a cabo com mais ou menos sucesso. Nestas explorações visa-se a obtenção da maior quantidade de leite possível. em virtude da selecção a que têm vindo a ser sujeitas. mas que algumas raças suportam muito bem. mas que está muito longe de ser a correcta do ponto de vista zootécnico.ESTABULAÇÃO PERMANENTE Este sistema é utilizado para caprinos.1. mais ainda que os ovinos. Apesar desta capacidade inerente aos caprinos.TIPO DE INSTALAÇÃO Os caprinos. ao âmbito desta disciplina. sujeitando-se os animais a um tipo de vida em confinamento que é contrário à natureza da espécie. existem sistemas de produção em que os animais estão em regime de confinamento permanente. 3. que é frequente observar numa cabrada inúmeros fenótipos diferentes. e a escolha dos machos pelo seu tamanho e muitas vezes por serem filhos de cabras consideradas boas produtoras.5. sobretudo pela conformação e tamanho do úbere. em regimes de pastoreio e como tal são explorados preferencialmente neste sistema. 3. criados sem qualquer critério.2. sendo esta tarefa amiúde entregue ao "cabreiro". remete-se o leitor para o capítulo Noções Introdutórias. A descendência apresenta-se deste modo com um grau de heterogeneidade genética de tal modo. outros em que passam parte do tempo estabulados e outros ainda em que não usufruem de qualquer tipo de estabulação ou somente recolhem ao capril para passar a noite. Para qualquer dúvida surgida acerca dos tipos de cruzamentos aqui mencionados. são como se disse os animais com maior capacidade de aproveitamento dos alimentos escassos. a semi-estabulação e o pastoreio. . quer em explorações leiteiras com animais de alto valor produtivo.5.

5. pastando uma pequena parte do dia. Devido às razões apontadas.2. sobre plantas e partes de plantas. pastoreio deferido. caracteriza-se por um exame prévio dos alimentos que lhes são administrados.PASTOREIO Pelo que atrás foi dito quando se tratou do comportamento alimentar dos caprinos. Pastoreio contínuo é o sistema de eleição para a produção de caprinos. só depois elegendo as partes que irão ser consumidas. 3.3. em que o gado vive durante todo o ano do aproveitamento dos recursos da vegetação. quer . que passam parte do dia estabulados.SEMI-ESTABULAÇÃO É utilizado nos países frios do Norte da Europa e em rebanhos leiteiros de alta produção. As pastagens podem ser espontâneas ou semeadas.5. dado que os caprinos em estabulação aceitam bem as forragens sob a forma de granulados e "pellets". Na esmagadora maioria das nossas explorações os animais pastam durante todo o ano.2. 3.95 As instalações são caras e o maneio é elaborado. em que possam exercer a sua acção selectiva. que escolhem de acordo com a época do ano. podendo estas ser de sequeiro ou regadio e consumidas em pastoreio contínuo. chega-se facilmente à conclusão que estes animais são utilizadores preferenciais de sistemas extensivos com plantas arbustivas. Esta dificuldade pode ser em parte torneada. bem como silagens finamente picadas. sempre que as suas necessidades alimentares não possam ser totalmente satisfeitas durante o pastoreio. erva de alta qualidade em parques próximos ou adjacentes ao capril. Este comportamento selectivo é causador de desperdícios de alimentos. pastoreio rotacional e pastoreio em faixas. recebendo no entanto suplementos de ração ao fim do dia. que podem chegar aos 40 % do total que lhes é posto à disposição. O comportamento alimentar dos caprinos em estabulação. só sendo praticável em condições muito especiais. a exploração intensiva envolve custos fixos muito elevados.2.

que constituem as partes mais nutritivas. se por um lado constitui uma inexcedível vantagem em situações de exploração extensiva com escassez de alimentos. dependendo as preferências alimentares mais da acessibilidade das partes das plantas apetecidas. Na prática muito poucas espécies vegetais são rejeitadas pelos caprinos. subarbustivo e arbustivo. independentemente da disponibilidade dos outros tipos de vegetação. É assim mais que evidente que os sistemas de exploração de caprinos mais eficientes do ponto de aproveitamento da pastagem são sem dúvida os sistemas de pastoreio contínuo em extensivo. Este comportamento depende contudo das variações do valor nutritivo das espécies vegetais com a estação do ano. quer seja arbustiva ou arbórea. As cabras têm tendência para consumir. dentro das plantas herbáceas. que da espécie vegetal propriamente dita. preferência pelos subarbustos e arbustos.96 seja herbácea. permanentes ou temporárias. por outro lado torna-se uma desvantagem em sistemas de intensificação forrageira.o comportamento alimentar desta espécie. não devendo a disponibilidade de determinado tipo de vegetação. prados permanentes ou temporários. seguindo posteriormente a um ritmo de consumo muito mais lento. os caprinos começam a pastar durante os primeiros 60-90 minutos. Em cada caso os caprinos realizam um autêntico consumo selectivo da vegetação. as inflorescências. quando os arbustos novos ultrapassam os 60 centímetros de altura. Dos arbustos as folhas são na Primavera consumidas de preferência aos ramos e frutos. Em pastagens semeadas. de tal modo que não consomem a massa . devendo a carga animal ser calculada de acordo com as potencialidades da pastagem. consumindo rebentos. Nas vegetações do tipo dos matos e floresta. que são próprias das zonas desfavorecidas áridas e semiáridas em que normalmente são explorados. ser encarado como um indicador do seu estado de utilização pelos animais. devido à selecção que fazem do alimento. Pastoreio condicionado . as anuais durante a Primavera e as plantas perenes durante o resto do ano. flores. os caprinos mostram em determinadas alturas. onde se encontrem representados os estratos herbáceo. de uma estação para outra. com existência de abundante vegetação. consumindo das gramíneas preferentemente. gomos ou sementes.

97 forrageira de forma regular. . deixando antes áreas ou manchas de erva com tal frequência. o que leva estas a degradarem-se. com as desvantagens daí inerentes em termos de produção futura. Esta característica dos caprinos conduz a um mau maneio das pastagens. a qual será sempre muito menor do que seria normal. que a parte não aproveitada pode representar até 50 % do total da produção do prado.

com preferência respectivamente pelas águas correntes e águas paradas. ainda algo controversa. pela Ásia com cerca de 510 milhões de cabeças. 1980). O termo Bos taurus designa os bovinos Europeus. Os bovinos englobados na designação Bos indicus.1. outro tipo do bovino o Bos brachyceros. Do que parece não haver dúvida. representados pelos bovinos que desde sempre nos são familiares. como muitos assuntos da área da paleontologia.ORIGEM E HISTÓRIA Os bovinos domésticos pertencem à Família Bovidae. existindo em grande número na Ásia África e América Latina. 1980). Os animais pertencentes à Espécie Bubalus bubalis são os búfalos domésticos Asiáticos. nas suas variedades de rio e de pântano. África com 160 milhões de cabeças. designados de “búfalos de água”.000 a. Europa com 140 milhões de cabeças e Oceânia com 40 milhões de cabeças (FAO.98 4. o Bos primigenius. A origem dos bovinos é. América do Norte. Central e do Sul com cerca de 430 milhões de cabeças.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE BOVINOS 4. distinguindo-se à primeira vista pela característica bossa na cernelha. O Género Bos compreende as Espécies taurus e indicus. Parece que o centro de domesticação dos bovinos. sendo esta designação originada pela marcada tendência em permanecerem imersos grande parte do dia. se situou na região que é actualmente o Nordeste do Turquestão cerca de 8. sendo distribuídos por ordem decrescente. . O efectivo Mundial de bovinos englobava há cerca de uma década. no Subcontinente Indiano (Williamson e Payne. como se julgou em tempos.000 animais. perto de 1.300. Segundo uns autores. os bovinos europeus provêm de um animal primitivo.C. 1991). é que a espécie Bos indicus teve origem na Ásia Ocidental e não. Há evidências de que cerca de 2000 anos mais tarde. enquanto que o Género Bubalus engloba entre outras Espécies a bubalis (Williamson e Payne. foi "originado" na mesma área. Subfamília Bovinae e Géneros Bos e Bubalus.000. são os animais na gíria conhecidos como zebús.

1957). América do Sul. . na Europa. existindo em zonas climaticamente favoráveis. estes animais têm a capacidade de apreender ervas de poucos centímetros. e Ásia (Athanassof. que vão desde simples animais destinados quer à produção de leite. 1980). passando por uma situação em que confere estatuto social (estando nesta situação a esmagadora maioria dos bovinos do continente Africano). Não se pense no entanto. Os bovinos não são de todo eficientes no aproveitamento das pastagens pobres. são animais que fazem a sua alimentação à base de pasto e forragem.99 Os bovinos são encarados nas várias regiões do Mundo. A maneira de pastar dos bovinos é bem peculiar. bem como bolotas e outros frutos. não desdenhando no entanto rama de árvores e arbustos.1.2. pois o estatuto de animal sagrado só se refere a animais da espécie Bos indicus.2. acrescendo ainda a falta de mobilidade dos lábios apresentada por estes animais Este facto faz. América do Norte. No entanto. cortando-as em seguida com um golpe dos incisivos.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 4. quer ao talho. por esse facto originar perda de parte do seu prestigiante património (Williamson e Payne. sendo impensável por parte dos seus possuidores. sendo nas outras regiões. vacas leiteiras da espécie Bos taurus importadas da Europa. sendo menos selectivos na pastagem que os ovinos e muito menos que os caprinos. a produção de carne e de leite. sob diversas perspectivas. até ao estatuto de animal sagrado. como as zonas de altitude. facto sobejamente verificado nos recentes anos de seca no Alentejo. por parte dos muitos milhões de indianos que professam a religião Hindu. assegurada por animais pertencentes à espécie Bubalus bubalis ou sejam os búfalos domésticos (Williamson e Payne. que na Índia não se consome carne de bovino ou que os bovinos não são utilizados na produção leiteira. 4. 1980). com que as pastagens próprias para bovinos devam ser altas. pois enrolam a língua à volta das plantas herbáceas. ao contrário do que está estabelecido e vem escrito na literatura sobre bovinos. a morte para consumo de qualquer dos seus animais.COMPORTAMENTO ALIMENTAR Os bovinos como ruminantes. cerca dos 15-20 centímetros de altura.

assumindo uma média de 20 horas nas raças de carne e de 15 horas nas raças leiteiras. havendo tendência para a puberdade ser atingida um pouco mais cedo nas raças leiteiras.COMPORTAMENTO REPRODUTIVO As fêmeas dos bovinos domésticos são animais poliéstricos de ovulação espontânea. As fêmeas não gestantes. até uma média de 292 dias na raça "Brown Swiss". 4. O seu comportamento em pastagem. atribuindo-se as variações fisiológicas existentes entre os animais de diferentes aptidões produtivas. depois da passagem dos bovinos. fazendo estes últimos o aproveitamento da pastagem residual. com reprodução não estacional.100 A falta de selectividade e a grande quantidade de matéria alimentar necessária para estes animais. visto que as cortam altas. remetem-nos para áreas forrageiras de maior valor que as zonas pobres. possuem características reprodutivas similares. quando nos grandes latifúndios havia bovinos e ovinos na mesma exploração. os bovinos de carne e leiteiros. quer o feno. experimentam ciclos éstricos com a duração de 17 a 24 dias. podendo iniciar-se dos 5 aos 20 meses. Por este facto. relativamente às raças de carne. Esta situação foi aproveitada no passado no Alentejo. passíveis de serem aproveitadas com maior sucesso pelos ovinos e caprinos. Os bovinos como ruminantes.2. sem grandes preocupações quanto à natureza do pasto. A gestação tem uma duração de cerca de 9 meses. quer ainda a palha de cereais. . A puberdade nesta espécie é como nas espécies já estudadas. com uma idade mais comum de 9 a 11 meses nas fêmeas e 9 a 12 meses nos machos. aproveitam com sucesso quer a silagem. com cios de 12 a 30 horas. podendo ir de uma média de 278 dias na raça "Ayrshire". na Europa e Ilhas Britânicas. foram desenvolvidas de raças ancestrais comuns. caracteriza-se por comer quase tudo o que está ao alcance da boca. A maioria das raças bovinas de carne e leiteiras hoje existentes.2. deixando no entanto no terreno uma boa porção da parte inferior das ervas que consomem. quer a diferenças que se vêm verificando nas práticas de maneio. quer à selecção efectuada nos últimos séculos. influenciada pela raça e estado de nutrição.

a descoberta do cio não é difícil para o tratador ou técnico habituados a estes animais. acontece que a fêmea é estéril em 90 % dos casos. no rebanho com as fêmeas. Quando se verificam partos gemelares. Se está solta. sendo sinais inequívocos de cio. temperatura e estação do ano). o que influência de forma negativa o desenvolvimento do aparelho reprodutivo da sua irmã. apresentando no entanto os genitais exteriores com normal desenvolvimento. Por todos estes sinais. são a monta natural e a inseminação artificial. O número de crias por parto é geralmente de uma. sendo corrente o emprego simultâneo de vários touros. vermelha e brilhante.101 sendo a duração da gestação. sempre que se verifica a monta natural. dado que o touro está numa boxe. Em explorações intensivas de raças leiteiras. mostrando ainda especial tendência para saltar sobre as companheiras. sendo no entanto frequentes os partos gemelares. realizando-se as cobrições à medida que as vacas vão entrando em cio. com eliminação de um exsudado pegajoso e brilhante. 4. à qual se leva a vaca logo que é detectado o cio.2. em que as crias são de sexos diferentes. . O macho apresenta todas as condições para ser fértil. orelhas erectas e salivando bastante.2. O cio nas fêmeas bovinas tem sintomatologia bem evidente. nos sistemas de produção de bovinos de raças de carne. a vulva tumefacta.1. Este fenómeno é conhecido por "Free-martinismo". esta é praticada na modalidade que pode ser considerada de monta dirigida. neste caso pelo tratador. A modalidade mais utilizada é a monta em liberdade. corre desordenadamente com a cauda e cabeça levantadas. com base nos sinais evidenciados pelo animal. Os tipos de reprodução praticados em bovinos.este tipo de reprodução é praticada quase de modo universal.Monta natural . sendo causado pelo mais precoce desenvolvimento das gónadas do feto macho. possuindo os órgãos genitais internos atrofiados. factores ligados ao feto (número de fetos e sexo) e factores ambientais (estado de nutrição. urinando a vaca com frequência e apresentando tendência para levantar a cauda arqueando simultâneamente o dorso. influenciada por factores maternais (idade da mãe).

nas quais é induzida superovulação através de tratamento hormonal apropriado. diluído e conservado. sendo no entanto mais comuns taxas de viabilidade de 50 a 60 %. sendo depois vendido para os mais variados pontos do mundo. utilizando embriões congelados atinge em bovinos uma taxa média de 71 %. A outra é a indução de superovulação igualmente em vacas de alta produção. produzem embriões quer frescos quer congelados.2. Hoje em dia. Este sémen é recolhido. transportado em cápsulas arrefecidas por azoto líquido. . foram extrapoladas para as outras espécies. na espécie bovina e só depois de dominadas. Os embriões podem resultar da aplicação de duas técnicas. Após a fecundação.2. entre a dadora de embriões e as receptoras.2. A percentagem de êxito em termos de gravidez. Para realizar uma transferência de embriões frescos. Uma é a fecundação de vacas de alta produção. A esmagadora maioria das vacas leiteiras são sujeitas a inseminação artificial. é imprescindível a realização da sincronização de cios. sendo retirados os óvulos do útero e posteriormente fecundados in vitro com sémen de touros de alto valor genético. os embriões são retirados do útero por lavagem. em centros existentes para esse fim. condição indispensável para o êxito da operação. selecção esta que teve e tem na inseminação artificial o seu principal instrumento. efectuada com sémen proveniente de touros de alto valor genético para a produção leiteira. nomeadamente os bovinos leiteiros e dentre estes os pertencentes à raça "Holstein-Frisian". tendo sido estudadas e implementadas todas as técnicas ligadas à inseminação artificial.este tipo de reprodução atingiu na espécie bovina o seu expoente máximo. existem centros experimentais dotados da mais sofisticada tecnologia. A viabilidade dos embriões congelados pode atingir os 80 %. Espécie alguma foi sujeita a uma tão grande pressão de selecção como os bovinos. podendo ser transferidos em fresco para outras vacas ou congelados para posterior utilização. que além de sémen.Inseminação artificial .102 4. com o recurso igualmente a tratamento hormonal. sendo artificialmente inseminadas com sémen de touros de alto valor genético.

visando a superovulação ou seja. conforme se considerem os países da Europa. mães biológicas dos vitelos que darão à luz. a libertação simultânea do maior número possível de óvulos. pois teoricamente quando os recebem estão na mesma fase que as dadoras.PRODUÇÃO DE CARNE A carne de bovino ocupa sem dúvida a posição mais importante a nível mundial. da América do Norte. . podendo deste modo originar largas dezenas. O recurso a esta técnica possibilita aumentar extraordinariamente o número de filhos de vacas com alto potencial de produção. simultâneamente com várias vacas que podem ser da mesma raça ou não e que vão actuar como receptoras desses embriões. que de outro modo dariam à luz não mais de 5 a 7 filhos. quer de aptidão leiteira. procede-se à recolha e implantação dos embriões nos úteros das vacas receptoras. entre 4 a 8 dias após o cio. desenvolvendo gravidez normal. Estas vacas vão actuar como mães desses embriões. Austrália e África do Sul. Após efectuada a inseminação.3. Este método efectua-se no âmbito de programas de selecção e melhoramento de raças quer de carne. sendo a que tem mais aceitação por parte do consumidor. sendo em seguida inseminadas artificialmente com sémen de alto valor genético para o fim em vista. A produção de carne de bovino tem características diferentes. 4.3.PRODUÇÃO DE CARNE E DE LEITE 4. É possível deste modo obter grande número de animais provenientes de pais com grande aptidão produtiva. embora seja a mais cara e por esse facto nem sempre a escolhida.103 Em termos muito gerais a transferência de embriões pode descrever-se do seguinte modo: uma ou várias vacas de alta produção muito acima da média da raça e que vão actuar como dadoras de embriões.1. não sendo como é óbvio. recebem tratamento hormonal conducente a uma sincronização de cios. Estas são sujeitas a tratamento hormonal com PMSG ou FSH. A sincronização dos cios tem como fim preparar as vacas receptoras para a recepção dos embriões.

África e Ásia. Nos países ditos desenvolvidos. entre outros. para cruzamento industrial em vez de irem para o talho. a maioria com idade compreendida entre os 14 e os 18 meses.o abate de novilhas leiteiras com um parto.a utilização de vacas leiteiras de baixa produção. dependendo das condições de mercado. das condições locais de exploração e do tipo de animais existentes. conhecidos por países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. Exemplos dessas estratégias são : 1. a raça e o nível de produção.o cruzamento industrial de vacas de efectivos leiteiros com touros de raças pesadas de produção de carne. As vacas de reforma. As estratégias para aumentar a produção de carne são muito variadas. bem como as vacas de reforma. engordados e acabados à base de concentrados provenientes de cereais e proteaginosas. sendo destinados ao abate os animais jovens.a engorda e acabamento dos novilhos e novilhas que são abatidos com idades entre os 14 e os 20 meses 5. sujeitando-as a aleitamento de vitelos adicionais.104 ditos desenvolvidos. dependendo estes números de vários factores como a velocidade de renovação dos efectivos.o cruzamento industrial de vacas de raças rústicas com touros de raças pesadas de produção de carne 3. Os animais pertencem indistintamente a raças de produção de carne ou a raças de vocação leiteira.a engorda criteriosa das vacas de reforma . o que implica um aumento de peso dos vitelos em relação aos vitelos de raças leiteiras 2. ou os países da América do Sul. machos e fêmeas não utilizados na renovação dos efectivos. Estas novilhas destinadas ao abate são inseminadas artificialmente com cerca de 12 meses e abatidas cerca de três meses após o parto. a carne de bovino é sobretudo proveniente de animais jovens. atingem taxas anuais da ordem dos 15 a 25 % nas raças especializadas na produção de carne e 10 a 15 % nas raças leiteiras. ganhando-se com esta técnica um vitelo adicional 4. resultantes de compra em efectivos leiteiros 6.

cereais e proteaginosas. teve origem no facto dos animais Bos taurus não se adaptarem às condições climáticas existentes nestas regiões. Por antítese a carne muito magra torna-se muito seca à mastigação. sendo extremamente difícil canalizar para a produção animal. com base na qual são classificadas quanto à conformação e estado de engorda. devido à problemática da Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE). já se abatem vitelos. resistindo muito mal às elevadas temperaturas e baixa humidade relativa. morrendo simplesmente ou sobrevivendo apenas. devido ao baixo preço que atingem para recria. resistem muito bem a estas condições. São valorizadas segundo uma grelha normativa. são produzidos em sistemas de pastoreio extensivo. originários que são de regiões tropicais. quando estes alimentos são manifestamente poucos para consumo humano. designada por EUROPE. tratando-se nas regiões tropicais. da carne de novilho. A . Pelo contrário os animais Bos indicus. Este fenómeno largamente difundido na América Central e do Sul. Os animais apresentam ao abate uma idade de 2-3 anos. desaparecendo nestas condições como é óbvio qualquer capacidade produtiva. sendo inclusivamente penalizado. responsável pala textura macia. umas largas dezenas de quilogramas de carne. A qualidade de carne depende da sua textura ou "tenrura" como é erradamente designada na gíria. As carcaças de bovinos apresentam-se sem cabeça e divididas em duas meias carcaças. que contempla seis classes de carcaças. a qual está intimamente relacionada com a idade do animal. Actualmente devido à depressão do mercado de carne de bovino. ficando a cauda na meia carcaça direita. motivado pelo baixo preço no produtor. No entanto apresentam maior rusticidade.105 Durante bastantes anos o abate de vitelos por regra não era efectuado. Nos países subdesenvolvidos os bovinos destinados ao talho. dadas as condições de carência alimentar generalizada que os caracterizam. principalmente de animais mestiços de Bos taurus e Bos indicus. radicada em diferenças fisiológicas a nível digestivo. visto ser uma forma de não vender uns meses mais tarde. com a quantidade de gordura intermuscular e sobretudo intramuscular. entre os quais diferenças na pigmentação da pele e maior número de glândulas sudoríparas. devido a vários factores. No entanto estes animais apresentam precocidade e velocidade de crescimento inferiores aos animais Bos taurus o que implica o seu abate a idades superiores à daqueles.

2. tem enorme importância no cômputo da produção mundial de leite. substância com composição muito diferente do leite. sobretudo no tocante à gordura. Por leite entende-se a secreção da glândula mamária de fêmeas da espécie bovina. embora existam raças de aptidão mista.030 (Adaptado de Sá e Barbosa.PRODUÇÃO DE LEITE A produção de leite de bovino. até aos 6 dias é o colostro. produzida desde os 7 dias após o parto até ao fim da lactação. 4. como as .0 % 0. até à carcaça classificada como má e destinada à indústria.7 % 1. se subentende o leite de vaca. responsáveis por uma grande parte do leite produzido em certos países como a França (raça Normanda). A constituição do leite experimenta importantes variações interrácicas.5 % 3.6 % 4. estando a venda de colostro proibida. sobretudo ao nível das proteínas e cuja missão é conferir imunidade à cria através de proteínas específicas do grupo das globulinas.  e  globulinas.106 cada letra da designação da grelha corresponde uma situação. pertencem sobretudo a raças específicas de aptidão leiteira. 1991) . A secreção da glândula mamária produzida desde o momento do parto. Alemanha (raça Fleckvieh) e Suíça (Simmental e Brown Swiss). que vai desde a carcaça classificada como excelente. Nos países Ocidentais s vacas exploradas para a produção de leite. sendo tal a sua importância que quando se fala de leite. podendo-se no entanto considerar como composição média do leite a seguinte : Água Matéria gorda Lactose Proteína Sais Densidade a 15 ºC 87. pelo facto de ser uma substância imprópria para consumo humano. em estado hígido (isto é gozando de boa saúde).2 % 3.3.

Na Europa. uma grande variedade de raças bovinas.RAÇAS BOVINAS PORTUGUESAS O nosso País possui mercê da sua variabilidade em termos edafoclimáticos. 25 . de variadíssimos tipos de queijo. leite em pó. eumétricos. mundialmente conhecido por entrar na confecção das "pizzas".Vaca da Raça Alentejana com vitelo Toiro da Raça Alentejana . a "Brava de Lide".4. a "Mertolenga" e a "Mirandesa". 3. a "Maronesa". leite evaporado. a "Mertolenga". ao fabrico de manteiga. cujo leite é a matéria prima do verdadeiro queijo "Mozzarella".4. a "Marinhoa". rústicos. o queijo "Mozzarella" é fabricado com leite de vaca. a "Mirandesa".1.ALENTEJANA . e a "Preta". 4. sendo constituída por animais convexilíneos. leitelho.é uma raça vocacionada para a produção de carne. que foi originada no Tronco Aquitânico. kefir. enérgicos e mansos. mais concretamente em Itália na região de Nápoles. a "Arouquesa". Fig.107 O leite destina-se ao consumo em natureza (quer seja pasteurizado. Figuram como raças bovinas autóctones as seguintes : a "Alentejana". requeijão. em batidos ou leite com aromas). ultrapasteurizado ou esterilizado. que não seria de esperar em tão pequeno espaço geográfico. existe um considerável número destes animais da raça "Murrah" (que é uma raça de búfalos de pântano). a "Barrosã". do tipo longilíneo. a "Barrosã". Dada a sua importância relativa e a natureza desta disciplina somente iremos estudar as raças "Alentejana". de iogurte. No Extremo Oriente o leite de búfala é utilizado em larga escala. a "Galega". desde o claro ao retinto com cabos vermelhos ou brancos. etc. sendo naquelas regiões tão importante quanto o leite de vaca. de pelagem vermelha. Noutros países.

tanto em regime intensivo. o que demonstra grande potencial produtivo. como extensivo. que teve como resultado a criação de um animal vocacionado para a produção de carne. tendo a seu cargo no passado a quase totalidade das lavouras do Alentejo. a "Salers" ou a "Limousin".108 A raça Alentejana foi tradicionalmente explorada na função de trabalho. sendo uma parte substancial das fêmeas utilizadas em cruzamento industrial com touros de raças pesadas especializadas de produção de carne. A sua carne é de boa qualidade. distribuídas sobretudo pelo Alto e Baixo Alentejo. engordados na pastagem em extensivo na Primavera e posteriormente vendidos. apresentando moderada quantidade de gordura intermuscular e intramuscular. como a "Charolesa". Diga-se . Os animais desta raça tinham nessa altura uma conformação diferente da que apresentam hoje em dia. O efectivo de reprodução desta Raça é de cerca de 20. Os bois de trabalho eram no fim da sua vida útil. Actualmente a conformação apresentada pela raça transmite a intenção para que é explorada. Características produtivas : Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Fecundidade Ganho médio diário * 85-90 % 1 30 a 33 kg 900 a 1100 kg 600 kg 80 a 90 % 1252 g Alguns dos animais desta raça estão registados no "Livro Genealógico da Raça Alentejana". possuindo um grande desenvolvimento do terço anterior o que é sinónimo de força de tracção.000 vacas. tendo havido um registo de um macho desta Raça que atingiu 1417 kg de peso. Esta tarefa era desempenhada por machos castrados que eram adestrados para esta função. constituindo as vacadas a fonte de animais para o trabalho. possuindo um maior desenvolvimento do terço posterior (onde se localizam os músculos que mais influenciam no rendimento em carne). Esta conformação é resultante da orientação selectiva dada às vacadas.

São animais de tamanho mediano e de formas harmoniosas e esqueleto fino. constituindo defeitos eliminatórios. Distritos de Évora e Beja.2. havendo três variedades : vermelha. Fig. o que lhe permite aproveitar os recursos forrageiros inaproveitáveis por outras raças e que por essa característica é explorada nos terrenos mais pobres em regime extensivo.esta raça é originária do termo de Mértola e Martinlongo.109 que as vacadas inscritas no Livro Genealógico estão obrigadas à reprodução em linha pura. tendo no passado sido explorada na função trabalho. sendo uma raça extraordinariamente rústica. * Os ganhos médios diários são referidos a animais entre os 11 e os 17 meses 4. exercida por machos castrados. por parte da região de Elvas.Vacas da Raça Mertolenga com vitelos. zona de solos paupérrimos. sobretudo na margem esquerda do rio Guadiana. com pelagem variada. rosilho milflores e malhada de vermelho.MERTOLENGA . É como se disse uma raça muito rústica. 26 .4. possuindo o contorno das aberturas naturais e mucosas de côr clara ou ligeiramente pigmentada. malhas na cabeça e cabos brancos. variedades “Malhada” e “Rosilho” A sua área de dispersão é constituída pela charneca do Ribatejo. .

que às características raça em si. o qual actualmente se encontra fechado. foi recentemente provado por ensaios realizados no Centro de Experimentação e Reprodução Animal do Baixo Alentejo. que a idade tardia do primeiro parto. Bento. o que significa que somente podem ser inscritos no "Livro Genealógico" animais filhos de animais registados. que ronda os três anos. O Registo Zootécnico desta Raça é feito desde 1977. pelo que estes animais mostram hoje capacidades produtivas nos testes de "performances" superiores aos das outras duas variedades.000 vacas. a "Charolesa". 27– Toiro da variedade “Malhada” Novilhos da variedade “Vermelha” Os seus vitelos são muito vigorosos. A carne desta raça é de extraordinária qualidade. difíceis). Vila Nova de São Bento. é a rosilho mil-flores. apresentando notáveis qualidades organolépticas. A sua capacidade maternal é notável. são o temperamento muito nervoso e a idade ao 1º parto tardia. permitindo facilmente criar um vitelo proveniente de cruzamento industrial. No entanto. . está muito mais ligado ao sistema de exploração a que são submetidas as novilhas. mesmo em cruzamento com touros de raças pesadas. Esta raça esteve em perigo de desaparecimento. devido ao cruzamento irracional e indiscriminado com raças mais pesadas nacionais e estrangeiras. A variedade que mais foi afectada pelo programa de selecção. Os principais inconvenientes desta Raça. nomeadamente a "Alentejana".110 Fig. tendo sido posteriormente criado o "Livro Genealógico da Raça Mertolenga". e "Limousin". sendo praticamente inexistentes nesta raça os partos distócicos (partos anormais. Foi fundamental na recuperação da raça o programa de selecção e melhoramento levados a cabo na antiga "Estação de Reprodução e Selecção Animal do Baixo Alentejo. tendo inclusivamente ganho alguns concursos frente às mais variadas raças e cruzamentos." hoje "Centro de Experimentação do Baixo Alentejo". sendo uma boa leiteira mesmo em condições de alimentação difícil. na Herdade da Abóbada na freguesia de Vila Nova de S. sito na Herdade da Abóbada. representando o efectivo da raça actualmente cerca de 20.

Acresce ainda o facto.é originária da região de Miranda do Douro. apresentando os seus animais notáveis qualidades de trabalho. obtendose com eles menor rendimento unitário. têm menor peso ao desmame que os vitelos das raças e cruzas citadas.000$00 aos criadores de vacas aleitantes independente da sua raça. de os compradores de gado depreciarem os vitelos e novilhos das Mertolengos.111 No panorama bovino da Zona Sul do nosso País. 4. muito pobre e de clima agreste.3. têm menor consumo alimentar.4. tão comuns nesta região. 3.é dada uma ajuda compensatória de 42. Deste modo é perfeitamente perceptível que se torna mais rentável explorar esta raça.os criadores desta raça recebem uma adicional ajuda compensatória no valor de 26.como foi provado num estudo realizado no "Centro de Experimentação do Baixo Alentejo" consegue-se obter mais quilogramas de vitelo desmamado por hectare com vacas desta raça. 5. .utilizando um touro de raça pesada especializada na produção de carne. Deve salientar-se no entanto que os vitelos Mertolengos mesmo cruzados. sendo possível ter mais vacas desta raça que de outra raça qualquer.as vacas Mertolengas devido seu pequeno tamanho.000$00 / ano por criarem uma raça autóctone 2. que por exemplo a Alentejana ou as suas cruzas com touros das raças Charolesa ou Salers. ainda mais quilogramas de vitelo desmamado se conseguem por hectare. que com vacas da raça Alentejana. esta raça assume cada vez maior importância devido a vários factores : 1. sendo mais mal pagos que os animais de outras raças e cruzas. puros ou cruzados.MIRANDESA . Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Fecundidade Ganho médio diário 24 a 26 kg 450 a 600 kg 300 a 400 kg 85 a 95 % 800 g 4.

Fig.BARROSÃ . com a parte anterior e a cabeça e extremidades castanho-escuro quase preto. 28 – Toiro da Raça Mirandesa Vaca da Raça Mirandesa com vitelo Os animais desta raça têm pelagem castanha. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 37 a 39 kg 800 a 1000 kg 450 a 550 kg 1200 g O efectivo desta raça ronda as 50. sendo a raça mais numerosa no panorama bovino Nacional 4. A . explorada como raça de aptidão mista trabalho / leite / carne. tendo inclusivamente descido abaixo do rio Tejo.4. apresentando-se ainda hoje e apesar das modificações operadas no sector bovino nacional. no seu solar de origem e nas regiões de minifúndio do Norte de Portugal. As qualidades desta raça como produtora de carne foram também reconhecidas. sendo considerada uma raça pura absolutamente original no Continente Europeu. sendo famosa a "Posta Mirandesa". sendo também. integrada em vacadas mistas.esta é a raça emblemática da Bovinicultura Portuguesa. uma das nossas principais raças de produção de carne. embora em pequena escala utilizada como produtora de carne.112 pelo que se dispersaram para outras terras Transmontanas e Beirãs. Foi no passado e ainda o é.4. exploradas em cruzamento industrial com touros de raças pesadas especializadas na produção de carne.000 vacas.

A principal característica morfológica distintiva desta raça. quer em espessura. particularmente no terço anterior. Fig. tendo sido encontrado no Norte de África o seu ancestral paleontológico denominado Bos pimigenius mauritanicus. de tamanho excessivo quer em comprimento. . no mercado Inglês. 29 – Toiro da Raça Barrosã Vacas da Raça Barrosã A Raça Barrosã é considerada uma raça de montanha. tendo preços diferenciados das outras raças. exacta Raça necessita de uma orientação realista. que produz muito bem nas condições tradicionais de pastoreio da sua região de origem. Estes animais possuem pelagem castanha. chegando a ter 1 metro de comprimento e 35 centímetros de perímetro. Apesar dos seus padrões de produtividade. Explorados na produção de trabalho e leite foi contudo na produção de carne que se notabilizaram estes animais. sendo os touros mais escuros. apresentando a forma de lira quando vistos de frente.5 metros. A armação atinge a sua maior expressão nos animais castrados. desviando-se para os lados. para a frente e para fora. da óptima qualidade da sua carne e da sua grande adaptação ao meio. projectando-se quase verticalmente. é o tamanho e a forma dos cornos.113 sua origem parece remontar à ocupação da Península Ibérica pelos Árabes. valores frequentemente atingidos. para evitar o seu desaparecimento por mestiçagem indiscriminada. com a envergadura de 1. indo as vacas da côr palha ao acerejado. para o qual foi intensivamente exportado até há bem pouco tempo. tendo-se inclusivamente imposto pelas qualidades organolépticas da sua carne.

.000 vacas.114 Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 26 a 28 kg 500 a 700 kg 350 a 400 kg 875 g O efectivo de produção desta raça é constituído por cerca de 35.

visando uma melhoria na conformação da carcaça. tendo alcançado devido às suas características produtivas uma expansão mundial de tal ordem. no Mundo. Esta raça é a raça bovina que foi objecto de mais processos de selecção. no aumento do teor em matéria gorda e proteína do leite. que é hoje a raça leiteira mais importante em termos numéricos e em termos de produção. . 30 –Vacas da Raça Holstein-Frisian A pelagem destes animais é branca malhada de preto ou preta malhada de branco. a "Jersey" pelas características do seu leite. possuindo grande capacidade de adaptação a diferentes zonas climáticas e sistemas de exploração. a "Limousin" e a "Salers" pela importância no Mundo e em Portugal.5. no aumento da capacidade ingestão de alimentos e novamente o aumento da produção leiteira.é originária de uma região que ocupa as zonas costeiras dos Países Baixos (conhecida como Frísia) e uma parte da Alemanha (conhecida como Holstein).5. a "Charolais". sendo animais de esqueleto fino e mediolíneos.115 4. tendo sofrido depois vários processos selectivos. na produção de carne.RAÇAS BOVINAS DE MAIOR DIFUSÃO MUNDIAL As raças que vão ser objecto de estudo no contexto desta disciplina são : a "Holstein-Frisian" por ser a raça leiteira mais importante. Fig. na forma do úbere visando uma conformação própria para a ordenha mecânica. orientada no princípio para a produção leiteira. 4. a "Hereford" por ser a raça bovina de carne mais numerosa e dispersa no Mundo.HOLSTEIN-FRISIAN .1.

desde o tom claro ao escuro. A produção média numa lactação de 305 dias é de cerca de 11. que são grandes e de expressão doce. 31 – Vacas da Raça Jersey Foi seleccionada desde tempos imemoriais para a produção manteigueira. o que lhe permite atingir uma grande produção láctea. de boa conformação e precocidade. é uma raça de grande produção leiteira. situada na costa da Grã-Bretanha.116 O resultado de todos estes processos de selecção. com cornos pequenos. muito compactos. Estes animais são de pequeno tamanho.000 kg de leite. com círculos mais escuros à volta dos olhos. esqueleto fino e cascos duros e resistentes. com elevados teores de proteína e gordura.esta raça é originária da ilha do mesmo nome.9 % de .8 a 6 % de gordura.000 kg. possuindo um leite com 5. com 3.JERSEY .5. Foram registadas lactações de 17. atingindo em média os machos o peso de 600-700 Kg e as fêmeas 350-450 kg.93 % de proteína e 4 % de gordura. de úberes com grande facilidade de ordenha. uniforme ou malhada de branco. partos fáceis e grande capacidade de ingestão alimentar. de temperamento dócil. e 3. A sua côr é a parda. Fig. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 28 a 33 kg 900 a 1200 kg 600 a 700 kg 875 g 4.2.

em muitos países da América Latina (sobretudo na América Central).é originária do Condado de Hereford na Grã-Bretanha. de tal modo que estas vacas pelo elevado teor butiroso do seu leite. A sua capacidade de adaptação aliada à sua resistência. sendo explorada quer em raça pura.117 proteína.HEREFORD . de pelagem característica vermelha com a cabeça branca e muito frequentemente um listão branco longitudinal médio. tendo o melhoramento desta raça sido iniciado nos meados do séc. O leite destes animais. 32 –Toiro da Raça Hereford São animais de perfil convexo. Ásia e Austrália. boa fertilidade. África. tamanho grande. pela sua composição e pelo diâmetro dos seus glóbulos de gordura é muito saboroso e a nata e a manteiga são igualmente apreciados. possuindo os vitelos uma carne muito apreciada.000 kg de leite por lactação de 305 dias. Fig. produzindo em média cerca de 5. torna-o matéria prima para a indústria queijeira. tornando-se muito agressivos entre si e em relação ao homem. 4.5. quer em cruzamento. Os touros possuem caracter violento. ganharam a alcunha de "fábricas de manteiga". contribuíram para a sua expansão geográfica. sendo conhecida desde tempos imemoriais pelo seu tamanho.3. partos fáceis e boa capacidade de adaptação. As vacas possuem excelentes qualidades maternais. O elevado teor proteico do seu leite. . por Benjamin Tompkins. desde a cabeça até à região lombar. resistência e aptidão para a produção de carne. XVIII. boa precocidade.

Estes animais atingem pesos de 700 a 1000 kg. com vista à especialização na produção de carne. Em cruzamento transmitem à descendência. de pelagem branca uniforme.5. mas sobretudo em regime extensivo. com o inconveniente de experimentar uma deposição precoce de grande quantidade de gordura intermuscular e subcutânea. de grande tamanho. pescoço curto e linha do dorso horizontal. podendo igualmente ser creme. desde as montanhas dos EUA e do Canadá sob intensos frios de Inverno. mais apreciadas em todo o mundo. sendo utilizada em cruzamentos com Bos indicus e Bos taurus em mais de 70 países. 4. apresentando grande desenvolvimento do terço posterior. que foi seleccionada no início deste século para a produção de bois de trabalho. percentagens de 30 %. As vacas têm partos fáceis e boas qualidades maternais. até às estepes áridas da Austrália.CHAROLAIS – entre nós designada de Charolesa. quer em cruzamento industrial com Bos indicus em regiões tropicais ou com Bos taurus em regiões temperadas. possuindo uma carcaça bem conformada. Na actualidade é uma das raças especializadas na produção de carne. que pode atingir em relação ao peso da carcaça. os touros e de 450-700 kg as vacas. São animais compactos. com elevados ganhos médios diários. a sua característica cara branca e as extremidades igualmente brancas. dando leite suficiente para um bom crescimento do vitelo. Era originalmente uma raça de trabalho. como a Santa Gertrudes e a Brahman americanas.4. sendo explorados em regimes variados. Posteriormente sofreu novo processo de selecção. pesados e que demonstrassem facilidade de engorda. Esta raça é utilizada quer em linha pura. No entanto esta característica é apreciada pelos povos de influência anglo-saxã. tendo contribuído para a formação de algumas raças modernas. situada no Saône-et-Loire. Estes animais são muito rústicos. em França. devido às suas características melhoradoras. passando pelas pampas Argentinas. apresentando mucosas claras e sem manchas. muito musculados. .118 Esta raça é considerada em termos mundiais a mais importante raça bovina para a produção de carne. esta raça originária da região de Charol.

No Brasil e na África do Sul. dá as mais pesadas carcaças. é largamente utilizado em cruzamentos. Quanto à capacidade de produzir carne. no intuito de aumentar a produção de carne a partir de efectivos leiteiros ou a partir de vacas de raças rústicas.119 Fig. esta raça é largamente utilizada em cruzamento industrial com zebús (Bos indicus). seja com raças leiteiras. qualquer que seja a idade de engorda. com óptima produção leiteira superior a 1700 kg de leite por lactação. Os vitelos desta raça com idades de 14 a 16 meses podem atingir rendimentos de carcaça de 67. Em cruzamento transmite à descendência estas características. 33 –Toiro da Raça Charolais Vaca e vitelo da Raça Charolais Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 47 kg 1000 a 1400 kg 700 a 800 kg 1450 a 1550 g As vacas desta raça têm excelentes qualidades maternais. sendo a percentagem de nascimentos gemelares desta raça de cerca de 4%. O Charolais ou Charolês como é conhecido entre nós. dando frequentemente 10-12 vitelos na sua vida útil. com altas percentagens de músculo e depósitos adiposos muito limitados. possuindo igualmente grande longevidade.5 a 69 %. seja com raças de carne. . o Charolês quando comparado com as outras raças. de gordura predominantemente intermuscular (facto que muito contribui para a falta de sapidez da sua carne).

pela quase certeza de dificuldade de parto que vão experimentar. representadas quer pela perda de alguns vitelos e algumas vacas. 4. . mais pequena que as crias das demais raças especializadas na produção de carne. esta raça é excelente. o que a torna não recomendável para padrear novilhas. sendo o intervalo médio entre dois partos consecutivos de 375 dias. possuindo muito boa conformação. e mucosas claras sem manchas. sendo abatidos um ano mais cedo. Os partos são fáceis. São animais de grande formato. com as inerentes perdas económicas. Como produtora de carne. teve origem em animais de tiro de grande rusticidade. que estes chegam a apresentar aumentos de 100 Kg de carcaça. musculosos.5. um tal aumento de peso e precocidade. em grande parte devido ao tamanho da cria. quer pela conta de serviços veterinários. Fig.esta raça originária do Maciço Central Francês.5. 34 –Toiro da Raça Limousin As vacas desta raça têm fertilidade de cerca de 95 %. de esqueleto fino e bons aprumos. característica que transmite por cruzamento.LIMOUSINE . grande precocidade. em relação aos Bos indicus puros. Uma desvantagem da raça Charolesa em cruzamento industrial.120 transmitindo aos F1. de pelagem castanho clara que é mais escura nos machos. adquirida numa região de chuvas abundantes e solos graníticos muito pobres. bom rendimento de carcaça e óptima qualidade da carne. é o peso dos vitelos ao nascimento.

121 Os animais desta raça têm a particularidade de manter uma composição da carcaça constante. sendo a carne destes animais. encontrando-se difundida em mais de 50 países. teve origem em animais vocacionados para a produção de animais de tiro. Esta última característica torna os touros desta raça particularmente indicados para padrear novilhas de primeira barriga.5. intermuscular e intramuscular.6. com moderado estado de gordura.é outra raça originária de França. esta raça é muito procurada. 35 – Vacas e vitelos da Raça Limousin Em cruzamento industrial transmitem as características de constância da composição da carcaça. Devido a todas as características apontadas. posteriormente seleccionados para a produção de carne. considerada a mais sápida de todas. onde com o seu leite contribui para o fabrico dos queijos do mesmo nome. que tornaram famosa aquela região.SALERS . Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 37 a 39 kg 1000 a 1200 kg 650 a 750 kg 1390 g 4. a grande velocidade de crescimento e o pequeno tamanho do vitelo ao nascer. tendo o seu solar de origem na região de Cantal. Fig. Tal como as outras raças de origem francesa já estudadas. desde vitelos até à idade de 20-22 meses. sendo explorada em cruzamento industrial ou em linha pura. .

grandes. esta raça é explorada na função mista carne / leite. havendo registos de vacas que produziram 4600 kg de leite no mesmo período. Como produtores de carne. os animais desta raça são notáveis. México. entre os 6 e os 12 meses. Canadá. havendo muito poucos . Espanha e Portugal entre outros. No nosso País esta raça assume grande importância.122 São animais dóceis. 36 –Vacas da Raça Salers Fig. e pesos de carcaça de 380 a 400 kg aos 18 meses. a frio de 64 % dos 14 aos 16 meses. robustos e rústicos. sendo comum uma vaca amamentar o seu vitelo e simultaneamente outro como ama de leite. experimentando ganhos médios de 1350 a 1450 g. 37 . Na região de origem. dado o grau de mestiçagem que se verifica nas vacadas alentejanas. sendo a média das lactações em França de 2978 kg de leite em 271 dias.Vaca da Raça Salers sujeita a ordenha manual A capacidade leiteira desta raça é notável. Devido às suas características produtivas os animais desta raça foram exportados para vários países entre os quais EUA. apresentando rendimentos de carcaça. de pelagem vermelho escura uniforme e cabos brancos. Fig.

na tentativa de manter a rusticidade perdida devido a cruzamentos irracionais e desordenados. de bovinos explorados em aptidão mista trabalho / leite / carne e de bovinos provenientes de raças de produção de leite. diferido ou rotacional. sendo desmamados com idades 39 a 43 kg 900 a 1200 kg 650 a 750 kg 1350 a 1450 g compreendidas entre os 7 e os 9 meses.6. provêm das regiões onde impera o minifúndio. Os bovinos de raças de carne são provenientes das vacadas de raças rústicas. Os animais de raças exploradas em aptidão mista trabalho / leite / carne. recebendo . Os bovinos de raças produtoras de leite utilizados para a produção de carne. que pode ser contínuo. nos quais os vitelos machos e fêmeas são olhados como subprodutos da produção leiteira. exploradas em cruzamento industrial com raças pesadas especializadas na produção de carne ou em linha pura.123 exemplares de raça Alentejana que não possuam sangue "Salers". são provenientes de sistemas intensivos de produção de leite. 4. são exploradas em regime de pastoreio.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE CARNE Os bovinos para a produção de carne são provenientes. As vacas de raças produtoras de animais destinados ao talho. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 4. sendo os vitelos vendidos precocemente para recria e engorda.6. para possibilitar a venda do leite. como atrás se disse. das vacadas formadas por vacas cruzadas padreadas com touros de raças pesadas especializadas na produção de carne e das vacadas de raças especializadas.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE BOVINOS Os sistemas de produção de bovinos são diferentes conforme se considere a produção de leite ou a produção de carne. de bovinos de raças vocacionadas para a produção de carne.1. introduzido na tentativa de melhorar a conformação e as "performances" maternais da citada raça.

de idade e ambientais o permitem.124 suplementação de farinha e feno. etc. há normas e preceitos zootécnicos que provavelmente em múltiplas situações. o tipo de reprodução largamente utilizado é a monta natural. especializadas na produção de carne. o que seria desajustado do âmbito desta disciplina. precisamente as que são mais adoptadas na Europa Ocidental e na América do Norte. consequência das condições locais. raça. condições climáticas. não poderão pelas mais variadas razões. ser respeitados. O conceito de regime intensivo de produção de leite. nas épocas de carência de alimentos. Neste sistema de engorda intensiva. os animais recebem uma alimentação rica em energia e proteína à base de concentrados de cereais e proteaginosas com feno e/ou silagem. são submetidas aos mais variados tratamentos. em anos de pluviosidade normal. Como não se pretende fazer um estudo exaustivo de todos os sistemas de produção de leite. entrando numa exploração intensiva. separados por sexos.6. que antecedem o parto. idades e pesos. . que correspondem ao fim do Verão e princípio do Outono. No entanto em traços gerais e qualquer que seja a situação. experimentando assim grande aumento de peso. iremos focar o sistema intensivo nalgumas das suas inúmeras possibilidades. compreende a estabulação permanente e a semi-estabulação. palha ou silagem. em linha pura ou como repetidamente se disse atrás. As vacas exploradas neste regime devem ter partos com uma periodicidade de doze meses. Os partos devem realizar-se com intervalos de cerca de doze meses. altura de maior crescimento do feto e de maiores necessidades energéticas. que lhes permita exibir todas as potencialidades permitidas pelo seu património genético. sendo o seu peso tão variado quanto as condições genéticas. Normalmente os novilhos e novilhas estão preparados para o abate a idades compreendidas entre os 14 e os 20 meses. Os vitelos machos e fêmeas após o desmame são submetidos a confinamento em parques denominados "feed lots". produzindo leite durante dez meses e permanecendo seca nos dois meses seguintes. 4. Nas vacadas exploradas para a produção de animais destinados ao talho.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE LEITE As vacas utilizadas na produção de leite no Mundo. em cruzamento industrial com touros de raças pesadas.

Semi-estabulação . existindo várias opções : . O nível de produção na futura lactação depende muito do nível de alimentação nesta época. não haja possibilidades de efectuar a inseminação em tempo útil.os animais encontram-se soltos dentro de um recinto limitado. à base de concentrados de cereais e proteaginosas. o cio das vacas leiteiras é curto. Se o não fôr. pois como se disse atrás.neste regime as vacas estão. com feno de boa qualidade. recolhendo depois ao estábulo. como o próprio nome indica. e durante o cio. recebendo o empresário menos dinheiro proveniente da produção de leite. na tentativa de fornecer todas as possibilidades de exprimirem na totalidade as suas potencialidades produtivas.os animais permanecem presos a um local no interior do estábulo.estabulação fixa . período correspondente ao atraso na data próximo parto e consequentemente do próximo período de lactação. a exemplo do que acontece aos fins de semana. não saindo do estábulo senão para ir para o talho.é também designada estabulação mista e neste regime os animais dispõem da possibilidade de se deslocarem a pastagens necessariamente muito perto do estábulo. somente fará cio dentro de 21-22 dias. O sistema de pastoreio mais indicado nestas explorações é o pastoreio em faixas A alimentação das vacas submetidas a sistemas intensivos de produção leiteira têm uma alimentação muito rica em energia e proteína. a vaca terá que comer e os empregados terão que ser pagos. deve a vaca ser coberta ou inseminada. devendo no entanto haver em todas as explorações deste tipo um touro. permanente estabuladas. . que pode ser de estabulação convencional ou livre. O tipo de reprodução quase exclusivamente utilizado é a inseminação artificial. Durante o período adicional em que irá nessa circunstância permanece seca.125 proteicas minerais. . nas quais permanecem determinadas horas do dia. que se destina a cobrir todas as vacas que fazendo cio. Estabulação permanente . forragem verde e/ou silagem. sendo uma parte coberta. O facto de haver um touro para este fim na exploração pode representar um enorme benefício em termos económicos.estabulação livre . designada por área de repouso e outra descoberta designada por área de exercício.

etc. todas as decisões técnicas têm em vista a maximização dos lucros. sendo em qualquer dos casos submetidos a aleitamento artificial com leite de substituição (farinha de leite. no sentido de diminuir os custos fixos e variáveis da produção. com sémen de touros de raças especializadas na produção de carne. gorduras. vitaminas de síntese. situação já focada no ponto respeitante à produção de carne. . situação em que se insere a menor utilização possível de mão-de-obra. destinando-se ao talho. contendo proteína vegetal. o tipo de estabulação. em pó. Posteriormente e a seu tempo serão recriados e engordados. Assim ou são vendidos para explorações que se dedicam à cria de vitelos ou são criados na exploração. É situação corrente fazer a inseminação de vacas leiteiras em explorações deste tipo. sendo o tipo da sala de ordenha escolhido de acordo com as características da exploração nomeadamente o número de vacas.126 A ordenha nestas explorações é feita mecanicamente.). etc. para aumentar o peso dos vitelos e consequentemente a produção de carne. Em explorações deste tipo os vitelos são considerados um subproduto e como tal são olhados como concorrentes do empresário. Os vitelos podem mamar o colostro ou este ser-lhes apresentado em aleitador artificial. na obtenção da matéria prima. o leite. Qualquer que seja a opção de produção.

sendo considerado este animal por estes dois povos. 1980). Espécie scrofa e a várias Subespécies. Segundo esta última teoria. a domesticação desta espécie ocorreu na região ocidental da Ásia. A confirmar parcialmente esta teoria.ORIGEM E HISTÓRIA Os suínos pertencem à Ordem Artiodactyla. defendendo uma que os suínos foram domesticados de modo independente em várias regiões. tal como na Bíblia e no Alcorão. proviria de este animal ter sido julgado pela civilização de então. Família Suidae. Sub-ordem Bunontia.. enquanto a outra indica um centro de domesticação mais ou menos bem localizado. os quais foram datados de 7000 a. 1965 . sendo prova disso as ossadas de porcos domésticos encontradas nas mais antigas estações pré-históricas e palustres. entre as quais a Sus scrofa ferus (javali Europeu). Género Sus. 1980). mais precisamente no Sudeste da Anatólia.1. como transmissor da lepra e da triquinose (Andrade. 1965). destes animais em outros lugares (Williamson e Payne. Desde a mais remota Antiguidade que os suínos domésticos são apreciados pelo Homem. 1965). símbolo de abundância (Andrade. Marte e Cíbeles enquanto os Romanos o incluíram nos baixos relevos designados Suovitaurilia e o imolavam aos deuses. O porco é tratado nos antigos livros Chineses. embora as referências a esta espécie nestas duas últimas obras tenha um cunho negativo. Actualmente existem duas teorias contraditórias a este respeito.C. sabendo-se no entanto que formas ancestrais dos suínos existiam há 40 milhões de anos. a Sus scrofa cristatus (porco selvagem Asiático) e a Sus scrofa domesticus (porco doméstico) (Williamson e Payne. Na realidade porco nada tem a ver com a transmissão da lepra.127 5. Supõe-se que esta proscrição na Bíblia e no Alcorão. sendo anteriores a quaisquer outros vestígios conhecidos. Williamson e Payne. doença provocada pelo "bacilo de Hansen". foram encontrados vestígios de porcos domésticos em Cayöny na Turquia. de onde se teria gradualmente dispersado para o Sudeste Asiático. Os Gregos atribuíam ao porco a amamentação de Júpiter e imolavam-no a Ceres. A origem dos porcos domésticos é ainda hoje controversa. sendo no entanto o .NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS 5. para a Europa e para a África. pois proscrevem-no como animal imundo (Andrade. 1980).

A transmissão destas duas parasitoses é motivada pelo consumo de carne insuficientemente. o qual pode ter existido no passado. terem orelhas compridas e caídas. grande rusticidade e boa precocidade. foi introduzido na região do Mediterrâneo na era Romana tendo sido utilizado em cruzamentos com porcos locais. 1986). cozinhada proveniente de animais portadores (Leitão. agente da triquinose e do Cystircercus cellulosae. pretos e sem cerdas foram também introduzidos em Inglaterra e cruzados com os tipos de porcos locais. mas possuindo cerdas pretas e pele acobreada. O que é hoje dado como certo. foram introduzidos na Inglaterra (país na altura com fortes relações com a China) e cruzados com os suínos de tipo antigo Inglês caracterizados por serem pouco precoces. Estes suínos asiáticos tinham na sua maioria côr branca. côr amarelada ou vermelha acastanhada e pêlo áspero. 1979. Mais tarde porcos do tipo Napolitano. sendo geralmente aceite que todas as raças actuais de suínos domésticos. . Mais tarde no fim do séc. forma larvar da Taenia solium. 1981 . Actualmente é muito vasta a dispersão geográfica de suínos selvagens e assilvestrados (termo que classifica os animais domésticos fugidos à tutela humana e que se tornaram autónomos). crê-se que originários da região de Cantão. na Ásia Ocidental (Williamson e Payne. Borchet. Alguns porcos Siameses foram importados pela Inglaterra na mesma altura. tendo a sua introdução razões sediadas na sua grande prolificidade. produzindo um tipo de suíno que mais tarde ficou conhecido por porco Napolitano. sendo estes do mesmo tipo que os porcos Chineses. Soulsby. de orelhas pequenas e erectas. XVIII porcos Chineses. é que o porco Siamês (que é por vezes identificado pelo nome específico de Sus indicus). associadas à capacidade de engordarem facilmente.128 transmissor da Trichinella spiralis. derivaram de uma forma ou de outra de dois tipos selvagens : o Sus vitatus (sinónimo de Sus scrofa cristatus) ou porco selvagem Asiático e o Sus scrofa ferus ou porco selvagem Europeu. 1980). havendo alguns pretos e malhados. Aceita-se hoje que alguns exemplares do tipo do Sus vitatus podem ter sido introduzidos na Europa por criadores do Neolítico oriundos do Leste.

onde existem formas assilvestradas.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 5. foram importados da Europa porcos de tipo antigo Inglês. correspondendo 73 % deste número à Alemanha. raízes. 1991).COMPORTAMENTO ALIMENTAR Os suínos são monogástricos omnívoros. frutos secos. com os porcos Ingleses de tipo antigo. bagaço de azeitona. bagaço de girassol e de outras leguminosas. cereais alterados (e logicamente em bom estado). gorduras. consumindo desde erva verde. . exceptuando-se as zonas áridas e as regiões em que as questões religiosas o impõem. glandes de sobreiro e de carvalho. América Central e América do Sul. Apesar de haver suínos selvagens indígenas na Europa. Na actualidade os porcos estão distribuídos praticamente por todo o Mundo. na Australásia e nas ilhas do Oceano Pacífico e Índico. os suínos foram introduzidos pelo Homem na América do Norte. tendo os descendentes desses porcos sido mais tarde cruzados com porcos Ingleses de raças modernas. França.2. etc. silagens. nas Caraíbas. azeitona. soro de leite. que se originaram os ancestrais das modernas raças de porcos Ingleses.129 Foi do cruzamento de porcos Chineses.2. 5. farinha de peixe. representando o seu número cerca de 30 % do número dos ruminantes. bolotas. O efectivo mundial de suínos está computado em qualquer coisa como 800 milhões de cabeças. frutos deteriorados. cascas. No entanto não existe nenhuma espécie pecuária que utilize tamanha variedade de alimentos. lavagens de cozinha ou leitaria. Siameses e Napolitanos. tubérculos. logo a seguir aos Bovinos e aos Ovinos. na Ásia e possivelmente no Norte e Noroeste de África. No período colonial da América do Norte. castanhas. de culto Muçulmano. farinha de carne. farinha de sangue. Os Suínos são a terceira espécie doméstica mais numerosa a nível Mundial. sendo de certo modo competidores com Homem pelo alimento. Holanda e Dinamarca (FAO. dos quais cerca de 120 milhões estão sediados na Comunidade Europeia. bagaço de uva. estando praticamente ausentes de todas as regiões do Mundo. bem como com porcos importados do Sudeste Asiático e de outras partes do Mundo.1. legumes.

directamente nos tecidos de reserva na forma em que foram ingeridos. "ferramenta" com a qual removem incansavelmente a terra na busca de qualquer possível fonte alimentar vegetal ou animal. experimentando ganhos médios diários que podem ser superiores a 850 g. Igualmente devido ao seu olfacto. Existem actualmente suínos de raças modernas seleccionadas. no que ao metabolismo dos lípidos se refere. pela inclusão dos ácidos gordos ingeridos na dieta. atingindo um quilograma destes fungos várias dezenas de milhares de escudos) e só uma grande com acuidade olfactiva se consegue nestas circunstâncias detectá-las. detectados pelo seu apuradíssimo olfacto. Estes animais têm o sentido do olfacto de tal modo apurado. fungos e toda a espécie de bolbos e raízes que desenterram com o seu focinho terminado em tromba. Este facto condiciona grandemente a qualidade do produto final. sendo a quantidade de alimentos necessária para a obtenção de 1 kg de peso vivo. inferior a 2. batráquios. invertebrados. conceito inverso do índice de conversão definido como a quantidade de alimentos necessários ao aumento de um quilograma de peso corporal).130 Devido a este ecletismo. répteis. tarefa na qual se mostram superiores aos cães. isto vai reflectir-se nas qualidades . onde a comida humana é barata e existe em quantidade. pastam. uma grande eficiência alimentar (ou seja a capacidade de conversão de alimentos em substâncias corporais. dos referidos ácidos gordos. que são utilizados em França na detecção de trufas.62 kg. caracterizada. Como monogástricos os suínos têm uma fisiologia digestiva totalmente diferente dos ruminantes. pois se os lípidos provêm de alimentos alterados. ninhos. e em todos os locais onde existam grandes quantidades de sobras e subprodutos alimentares. têm sido feitas várias tentativas de adestramento destes animais na detecção de drogas. que as trufas são consideradas o alimento mais caro do mundo. o número de suínos é geralmente maior. não se verificando alterações em termos de saturação/instauração. Os suínos em liberdade. caça miúda. As trufas são fungos que por vezes estão enterrados a mais de um metro e meio de profundidade (diga-se a título de informação. trabalho que conseguem desempenhar com bastante êxito. ingerem cadáveres de animais abandonados. que têm como nenhuma outra espécie (exceptuando algumas aves).

diremos. o "Presunto de Montado". acontece algo similar mas pela positiva. Para pôr cobro a esta situação. . Ora bem. devido ao facto de a carne dos porcos criados à beira-mar ter um sabor acentuado e desagradável a peixe. igualmente proveniente de porcos acabados com castanhas. a carne é sápida. Facto análogo se passa com o internacionalmente famoso "Presunto de Parma" de proveniência Italiana. Podemos então dizer que o sabor da carne de suíno é substancialmente condicionado pelo alimento. circunstância que levava os utentes dos restaurantes a fugir do consumo deste tipo de carne. situação que com o tempo converteu este anúncio no nome do citado prato. os quais adquiriram a sua justa fama devido ao facto dos porcos de que provêm. que devido à característica dos suínos ibéricos genética de deposição de gordura intramuscular. devido aos restos de peixe que consumiam. que erradamente se julga oriundo do Alentejo. a "Carne de Porco à Alentejana". Com os presuntos e os enchidos Alentejanos de cariz artesanal. serem acabados à base de uma alimentação formada por castanhas. os "Enchidos Artesanais" e parodiando um pouco. prato muito apreciado. Devem igualmente salientar-se os famosos presuntos de “Chaves" e de "Lamego". A "Carne de Porco à Alentejana" é um prato dito tradicional. fácil é concluir que este prato será Algarvio. sendo o contrário igualmente verdade. A título meramente ilustrativo. que esta característica é responsável por três produtos muito apreciados. O antigo manjar local. o que na realidade acontece.131 organolépticas da carne. de tal modo que se este contém substância favoráveis. importavam-se porcos do Alentejo e anunciava-se em letreiros às portas dos restaurantes «Carne de porco Alentejano». cujos ácidos gordos são os principais responsáveis pelos sabores da sua carne. é-lhes transmitido pelos ácidos gordos contidos nas bolotas. adquirem assim um sabor inigualável e muito apreciado. como no Alentejo profundo não há amêijoas e no Algarve as há. de amêijoas com carne de porco foi apelidado deste modo. pois o sabor tão apreciado nestes produtos.

com reprodução não estacional. nível nutricional. Hafez. Hafez. O período do cio vai de 40 a 60 horas. 1988). doenças. A raça.132 5. altura a partir da qual se fazem sentir os sinais de senilidade que começam a afectar a função ovárica (McDonald. montando outros animais da mesma espécie. a estação do ano e anormalidades endócrinas afectam a duração do cio (McDonald. Simões. parasitismo e práticas de maneio (Hafez. 1984 . Ciclo éstrico Os sinais de que uma porca está em cio. 1975 . número de cios. estação do ano. fenómeno usado de forma muito comum. Puberdade O aparecimento da puberdade é influenciado pela raça. Os ciclos éstricos repetem-se de 19 a 23 dias. acontecendo cerca de 4 horas mais cedo nas multíparas que nas primíparas. processo que é somente interrompido pela gestação ou disfunções endócrinas (McDonald. tendendo nas fêmeas jovens a ser mais curto que nas porcas adultas.2. 1988). idade à cobrição . As fêmeas atingem a puberdade entre os 190 e os 250 dias de vida enquanto que os machos a atingem dos 150 aos 180 dias. sendo mais curtos nas fêmeas jovens. são caracterizados por uma mudança de comportamento em que os animais mostram inquietação. A fertilidade das fêmeas mantém-se por um período de 6 a 10 anos em regra. de ovulação espontânea. 1988). apresentando a vulva congestionada e com descargas de muco (McDonald. 1975 . 1975). O número de óvulos libertados em cada cio está associado com a raça. na prática da monta dirigida e em alguns casos na inseminação artificial (Hafez. 1988). 1975). com média de 22 dias. 1975 . 1988). Um sinal inequívoco de que uma porca está em cio é o facto de se imobilizar perante uma forte pressão exercida no dorso (por exemplo o peso do tratador sentado sobre o dorso).. estando aptas para reproduzir-se ao longo de todo o ano. A ovulação tem lugar de 38 a 42 horas depois do começo do cio.2.COMPORTAMENTO REPRODUTIVO As fêmeas dos suínos domésticos são politocas (têm ovulações e partos múltiplos) e poliéstricas (cios múltiplos ao longo da época reprodutiva). Hafez. aumentando a produção de sémen até aos 18 meses (McDonald. peso corporal.

Inseminação artificial . 5. 1988). Hafez. não tendo sido observados aumentos nos cios subsequentes (McDonald. ocorrendo abortos se a morte embrionária se verifica depois dos 50 dias de gestação (Hafez.BÍSARA . Em explorações intensivas sempre que se verifica a monta natural.1. Normalmente as porcas têm dois partos por ano (McDonald. dependendo esta duração do número de fetos do número do parto e da idade da fêmea.133 e peso à cobrição (Hafez. 1984 . 1988). nos sistemas extensivos. de dorso longo e convexo. dado que o varrasco está numa boxe. tromba comprida. Hafez.3.este tipo de reprodução é praticada quase de modo universal. esta é praticada na modalidade de monta dirigida. orelhas grandes e pendentes sem cobrir os olhos. superior a 90 %. corpulenta. mesmo tardia e de difícil engorda. Simões. verificando-se amiúde mortalidade embrionária. de esqueleto espesso e pernas altas. aos referidos nos capítulos das espécies já estudadas. sendo uma raça pouco precoce. 1988). utilizando-se um varrasco para 10 porcas. testa curta e chata. com base nos sinais evidenciados pelo animal. sendo o seu procedimento nesta espécie similar em termos gerais. três semanas e três dias). Os embriões mortos nos primeiros estágios da gestação são absorvidos. A fertilidade dos suínos é geralmente elevada. Os tipos de reprodução praticados em suínos. Simões. 1975. à qual se leva a porca logo que é detectado o cio pelo tratador. são a monta natural e a inseminação artificial. 1975 . entre outros factores. A modalidade mais utilizada nestes sistemas é a monta em liberdade. . 1988). 1984 .3. Monta natural .RAÇAS DE SUÍNOS PORTUGUESAS 5.este tipo de reprodução é utilizado em sistemas intensivos de produção de porcos. Gestação A gestação nas porcas tem uma duração média de 114 dias (três meses.é uma raça do tipo céltico. O número de óvulos regista um aumento até ao terceiro cio.

Porco de Raça Bísara Porca e Leitões da Raça Bísara Nas regiões em que predomina o castanheiro. estes animais são acabados a castanha. pela sua prolificidade e corpulência. e de fácil e rápida engorda. sendo tradicionalmente explorada para consumo familiar. a erva dos lameiros. de côr branca predominando na raia Minhota e a Beiroa em geral de côr malhada e disseminada por Trás-os-Montes. possuidoras de melhores características produtivas. Fig. bem como abóboras e outros legumes de sobra da alimentação familiar. Esta raça em Portugal esteve praticamente à beira da extinção. onde lhe permitem andar e umas quantas batatas cozidas. É muito apreciada pela textura da sua carne. A raça Bísara Portuguesa tem duas variedades que são a Galega. o que confere uma grande qualidade à carne e aos produtos com ela obtidos. aproveitando os restos da alimentação humana. 38 . em número reduzido de animais. com um rendimento em carne magra de cerca de 50 %. nomeadamente mais precoces. contribuindo esta alimentação pobre para a dificuldade em engordar. grande parte das vezes somente um. O aumento e disseminação do uso dos alimentos concentrados. Beiras e Estremadura. Esta raça que dominou em toda a região a norte do rio Tejo. devido a ter sido submetida a cruzamentos.134 O seu desenvolvimento completa-se somente por volta dos dois anos e meio a três anos. permitindo a obtenção de . e ainda à concorrência das raças selectas estrangeiras. vive bem quer em pocilgas quer em liberdade restrita. atingindo pesos de carcaça da ordem dos 250 kg.

em benefício das raças estrangeiras. de dorso curto. que pensa-se vir no médio prazo a reabilitar definitivamente esta raça tão característica do Norte do País. deficientes em comprimento e altura. que pode ser preta ou avermelhada. com cerdas de comprimento médio. membros de ossos delgados e curtos e patas medianamente desenvolvidas com unhas rijíssimas. concorreu igualmente de maneira decisiva para o abandono progressivo desta raça. não se pode dizer de modo absoluto que esta raça seja Portuguesa. Fig.apesar de como tal ser tratada. 5. pretas. patrocinado pela Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. finas.135 animais mais pesados e com melhores características de carcaça.3. Possuem garupa curta. linha dorso-lombar rectilínea ou ligeiramente enselada.ALENTEJANA . harmoniosos. sobretudo no tocante à côr. Actualmente está a decorrer um programa de recuperação da raça. castanhas ou ruivas. 39 – Porca aleitante da Raça Alentejana Porca com leitões da Raça Alentejana São animais de estatura média. sendo aí estes animais designados de "Cerdo Ibérico". dado que também existe em Espanha. à existência ou não de número considerável de cerdas e à existência de maior ou menor número de pregas de pele. . Os animais desta raça registam uma certa variabilidade fenotípica. pouco larga e descaída em demasia e coxas de deficiente espessura e comprimento.2. insuficientemente descidas.

baia velocidade de crescimento e altos índices de conversão.136 São animais de deficiente precocidade. que lhe são conferidas pela existência de gordura intermuscular e sobretudo intramuscular. com medíocre capacidade de aleitamento. Cerca de 55 % do peso da carcaça pode ser constituído por . baixa prolificidade (5 a 6 leitões por parto em média). característica que lhe transmite sapidez inigualável para consumo em fresco e sobretudo para a confecção de produtos de salsicharia. que podem duplicar o seu peso vivo num curto período de 60 a 80 dias. 40 – Porcos da Raça Alentejana na fase de acabamento A carne dos animais desta raça é contudo possuidora de extraordinárias qualidades organolépticas. 41 – Porcos da Raça Alentejana em “Montanheira” Engordam facilmente. Fig. possuindo uma capacidade de ingestão e transformação tal. Fig.

Marcada tendência da raça para depositar gordura.24 12 a 14 meses O produto final o "porco gordo". mau grado a alta qualidade dos produtos de caracter .º parto 1. Características da raça : Peso nascimento Peso aos 56 dias Peso adulto médio dos machos Peso adulto médio das fêmeas Prolificidade Idade 1.Alimentação desequilibrada.137 gordura (toucinho e banha). tem vindo a desaparecer progressivamente. é consequência de três factores principais : a .Engorda tardia. facto que impossibilita qualquer incremento da sua massa muscular Esta raça é tradicionalmente explorada desde tempos imemoriais. A sua adaptação ao campo é tal. de busca de água e alimento e de uma especial capacidade para seleccionar a bolota. quando o animal já é adulto. são detentores de uma grande capacidade de movimentação em pastoreio. com abate entre os 18 e os 24 meses e apesar da inigualável aptidão para rentabilizar os pobres recursos dos ecossistemas dos montados de sobreiros e de azinheiras. em sistema extensivo. a qual deprecia a formação de músculo c . que inclusivamente utilizam até as zonas mais declivosas. estes animais são possuidores de uma adaptação inigualável às condições de alimentação e maneio a que têm sido sujeitos ao longo de séculos. a qual chega a constituir 55 % da carcaça b . bem como descascá-la.450 kg 150 – 180 kg 110 – 130 kg 6. possuindo uma rusticidade somente superada pelo javali. obtendo-se deste modo um baixíssimo rendimento em carne.250 kg 10. pobre em proteína e fibra e muito rica em hidratos de carbono. Este suínos. No entanto e não obstante as características produtivas pouco favoráveis atrás enunciadas.

A diminuição drástica da raça Alentejana verificada nas décadas de 60. ao mesmo tempo que crescia a procura de novos produtos de salsicharia industrial como fiambres. 70 e 80 do século XX não pode imputar-se a uma única causa. mais propriamente um ixodídeo.138 artesanal elaborados com a sua carne. nomeadamente o presunto hoje denominado de "Pata Negra". devido ao cada vez mais reduzido consumo de gordura. 3-o encurtamento dos ciclos produtivos. nos quais as raças estrangeiras são muito mais eficientes que a raça Alentejana. mais magras. o que levou à consequente depreciação dos porcos de côr escura. cujos terrenos foram hipotecados à cultura cerealífera. que reduziu drasticamente o autoconsumo de porcos. 4-a mecanização dos processos agrícolas. 2-o crescente desflorestamento sofrido pelos montados de azinheiras. que ficou conhecida como “Campanha do Trigo”. que motivou a substituição do sistema extensivo por sistemas de exploração intensiva em confinamento. 5-a perda de rentabilidade dos montados. inserido numa política de auto-suficiência de cereais. com abates a idades entre os 9 e os 12 meses. A Peste Suína Africana é uma doença causada por um vírus cujas características não permitem o uso de vacinas e cujo hospedeiro intermediário é uma carraça. frente às raças estrangeiras mais precoces.. mas sim a várias causas. devido ao ciclo de produção mais longo próprio desta raça. implementada no nosso País. contando-se entre elas: 1-a mudança de hábitos alimentares das populações. e de maior rendimento em carne. provocando forte descida das matanças familiares. o . etc. devido ao aparecimento da Peste Suína Africana. mortadelas. com diminuição do valor alimentar dos restolhos e consequente aumento dos custos de produção de porcos de raça Alentejana. com a utilização de raças estrangeiras em regime extensivo.

. a situação da raça Alentejana é muito diferente. devido a circunstâncias relacionadas com a PAC (Política Agrícola Comum) e à importância dada às raças tradicionais. 5. situação a que se alia o apreço atribuído aos produtos regionais de cariz artesanal e de qualidade comprovada.1. 1963 a. a "Landrace" e a "Duroc Jersey". 5.RAÇAS SUÍNAS ESTRANGEIRAS DE MAIOR DIFUSÃO As raças suínas de maior importância a nível da produção mundial são a "Large White".LARGE WHITE . devido suas características morfológicas e seu uso em cruzamento com raças autóctones nalguns países.4. b. Como meio de limitar os efeitos drásticos e totais desta doença nos suínos. que causa 100 % de mortalidade.4. sendo nestas condições impossível travar a disseminação desta doença. claramente desvantajosa frente a raças de suínos seleccionadas neste ambiente (Botija. nos finais do século XIX. a raça "Piétrain". 1982). o qual tem fácil acesso aos porcos em regime extensivo. Leicestershire .porcos brancos ou malhados de orelhas erectas e grande desenvolvimento.139 Ornithodorus erraticus. sendo no entanto também objecto deste estudo. Botija e Botija 1965.. ao estabelecimento de dois agrupamentos raciais : Yorkshire . Os porcos autóctones sofreram a influência de porcos Chineses e Napolitanos. sendo a raça Alentejana neste sistema. Botija. tendo levado o resultado destes cruzamentos e a consequente e contínua selecção morfológica. Actualmente.é uma raça Inglesa oriunda do Condado de York o qual deu o nome à raça inicial.porcos negros apresentando maior influência das raças estrangeiras citadas. confinaram-se estes em pocilgas fechadas. estando de novo em recuperação.

O tipo Large White hoje tratado como raça. Middle White . orelhas erectas. Possuem perfil côncavo.2 2. No entanto os porcos desta raça possuem muitas características favoráveis. relativamente curtas e sobretudo com "pouco presunto". Características da raça : Peso médio dos machos Peso médio das fêmeas Média de leitões desmamados/ano Índice de conversão Ganho médio diário dos 35 aos 90 kg 400 a 500 kg 280 a 350 kg 20. linha dorsolombar recta.7 880 g As carcaças dos animais desta raça são do tipo "pork". mamas bem implantadas com o mínimo de 6 de cada lado e grande perímetro toráxico. pois são espessas. como as excelentes qualidades maternais. pelo que são muito utilizados em cruzamentos duplos. consolidou-se e expandiu-se em toda a Europa e EUA. para obtenção de fêmeas híbridas para reprodução. boa rusticidade. boa morfologia dos terços anterior e posterior. e não satisfazendo totalmente as exigências do mercado. facilidade de adaptação. as quais por sua vez são cruzadas com varrascos de outras raças. grande volume. Large White. não sendo bem conformadas. . 42 – Varrasco da Raça Large White Porca da Raça Large White Do cruzamento entre animais oriundos destes agrupamentos raciais surgiram três tipos de porcos : Small White . patas curtas.140 Fig. constituindo actualmente 50 % dos reprodutores da Europa Ocidental. altas fecundidade e fertilidade e boa qualidade da carne. bons aprumos.

4. A sua silhueta é afilada no sentido dos anteriores e comprida.é uma raça de animais brancos. havendo animais que possuem 16 e inclusivamente 17 pares de costelas. pouco gorda. resultante de cruzamentos e posterior selecção entre as raças de suínos existentes naquele país. de origem Dinamarquesa. devido a possuir 16 pares de costelas. possuindo excelente desenvolvimento das massas . Atingem um alto nível de produção e são sexualmente muito precoces. Fig. linha dorso-lombar recta.2. caídas. existindo inclusivamente uma estirpe de origem Alemã denominada "Europa 16". Características da raça : Peso médio dos machos Peso médio das fêmeas Média de leitões desmamados/ano Índice de conversão Ganho médio diário dos 35 aos 90 kg 350 a 450 kg 260 a 300 kg 19. excelente morfologia dos terços anterior e posterior e pequeno perímetro torácico. muito bem conformada. Foi exportada para toda a Europa. EUA e Canadá. A característica que mais se destaca nesta raça é o comprimento.141 5.LANDRACE . características apreciadas por muitos criadores. podendo dizer-se que uma grande parte dos animais em produção intensiva no Mundo.8 845 g A carcaça dos animais desta raça é muito comprida. geralmente tapando os olhos. 43 – Varrasco da Raça Landrace Porca gestante da Raça Landrace Possuem perfil sub-côncavo. orelhas grandes.7 2. possuem sangue Landrace.

. Fig. intermuscular e intramuscular.142 musculares dos terços anterior e posterior. Os animais desta raça dão um grande rendimento quer de carcaça quer em carne. como elemento da linha macho. No entanto esta raça é muitas vezes utilizada em cruzamento duplo. requer um maneio difícil e devido à baixa quantidade de gordura que possui. 44 – Varrasco da Raça Piétrain Porca gestante da Raça Piétrain Apesar de todas as características apontadas. representando o expoente máximo das raças "bacon". pois além da baixa prolificidade. com grandes manchas negras e cinzentas.raça de origem Belga. a sua carne é baixa qualidade.4. possuindo os animais côr branca. dura e de textura bastante "seca".PIÉTRAIN . sendo claramente uma carcaça de tipo "bacon". boa qualidade da carne e boa prolificidade. Possuem boa precocidade baixa e prolificidade (16 leitões desmamados/porca/ano). tanto no terço posterior como no anterior. daí o termo). esta raça não está tão difundida como seria de supor. devido à pouca quantidade de gordura subcutânea. sendo cruzada com fêmeas de raças de grande crescimento. quer em cruzamento duplo.3. as quais dão um aspecto azulado a certas partes do corpo. para obtenção respectivamente de produtos para o talho e reprodutoras híbridas. Distinguem-se sobretudo pelo seu comprimento e pelas massas musculares muito redondas. 5. assumindo na porção caudal dos membros posteriores o aspecto designado de "cullote" (grande desenvolvimento das massas musculares dando aspecto de ter umas cuecas vestidas. Pelas suas boas características é muito usada em cruzamentos quer industrial.

sendo assim passível de ter as duas utilizações. de aptidão mista. Os animais oriundos do nosso País. com um bom desenvolvimento muscular. Fig.4. os quais tinham cerdas fartas e avermelhadas. na tentativa de obter carcaças mais magras e melhor conformadas. possuindo hoje esta raça boa rusticidade. são utilizados em cruzamento com animais de raça Alentejana. experiências efectuadas por investigadores espanhóis. pois a carne dos animais cruzados tem nítidas desvantagens organolépticas.143 5. Os produtos desses cruzamentos foram posteriormente sujeitos a uma apurada selecção. No entanto o cruzamento tem um impacto negativo na qualidade do produto final.DUROC JERSEY – raça de origem Norte Americana. Apesar deste facto. provaram que a carne dos animais possuidores de sangue de . nos quais também intervieram porcos ibéricos importados de Portugal e de Espanha. de côr avermelhada a avermelhada escura. eram da antiga linha “Ervideira”. boa resistência ao calor e uma carcaça muito magra. com maior "presunto". não podendo considerar-se uma raça do tipo "pork" nem tampouco do tipo "bacon". Actualmente animais desta raça. 45 – Varrasco da Raça Duroc-Jersey Teve origem em múltiplos cruzamentos de porcos americanos. quando comparada com a dos animais de raça Alentejana. descendentes das raças Inglesas de tipo antigo e moderno.4. facto que como é lógico resulta numa menor qualidade dos produtos com ela elaborados. razão pela qual alguns autores atribuem a cor avermelhada dos animais Duroc Jersey a estes ancestrais.

promiscuo. devido à exiguidade das instalações que os obriga ao convívio estreito. muito diferente das condições naturais e por isso conducente a situações de "stress". em linha pura ou cruzamento . sendo estes fortemente prejudicados pelos "dominantes". mantinha quase intactas as características organolépticas indispensáveis para a confecção de produtos artesanais de alta qualidade.144 Duroc-Jersey numa percentagem não superior a 25 %. destinada à confecção de produtos designados de “Ibérico”. Os animais estabelecem entre si hierarquias sociais. é permitido pela lei daquele país.explorações de recria e engorda que compram animais às explorações de tipo anterior . dependendo das condições existentes nas regiões onde estão implantadas : .explorações produtoras de leitões destinados a engorda . Este fenómeno tem maior expressão em Espanha que em Portugal.explorações de ciclo fechado que executam todas as operações dos três tipos anteriores Para garantir o êxito de uma exploração intensiva. qualquer sistema que vise uma intensificação (maior quantidade de produto por unidade de área) sujeita os animais a um ambiente artificial.Sistema Intensivo Em produção animal.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS Os suínos são sobretudo explorados em sistemas intensivos e extensivos. Por este facto. temos que ter instalações em que o ambiente seja totalmente controlado nomeadamente em relação a: .explorações para produção de reprodutores de alto rendimento. em que uns são "dominantes" e outros são "dominados". Neste sistema existem explorações que se dedicam a vários fins. 5. confinado.1.5. 5. na citada proporção.5. pois a produção e o consumo deste tipo de animais é muito superior no país vizinho. a produção de híbridos.

formada em condições de humidade relativa elevada. variando neste caso as necessidades térmicas na razão inversa da idade. que permitam evitar as situações atrás apontadas. 15 a 18 ºC em engorda e de 24 a 30 ºC em leitões. Por outro lado. com consequências desastrosas ao nível dos desempenhos produtivos. possibilitando o seu controlo. variando o seu valor de 10 a 15 ºC em instalações de reprodutores. proveniente da respiração.145 . devendo manter-se constante. provenientes das fezes e urina e de dióxido de carbono.Temperatura . bem como das emanações de amoníaco. A condensação.é um factor bastante importante. . havendo ainda necessidade de sistemas de aquecimento e de sistemas conducentes a um abaixamento da temperatura sempre que necessário. Por estas razões é imperioso manter a humidade relativa entre valores. devendo evitar-se a ocorrência de correntes de ar. A ventilação é conseguida com recurso a técnicas de construção (ventilação natural) e a forçagem de ar (ventilação artificial). leitões 60 % e animais em fase de engorda 60-80 %) . .é feita naturalmente (janelas.é um factor fundamental nas pocilgas. pavimentos.Ventilação e velocidade de circulação do ar . ambientes muito secos conduzem a um aumento do consumo de água e diminuição do consumo de ração. clarabóias) e artificialmente (lâmpadas). evitar a existência de ambientes muito húmidos ou demasiado secos. portas e janelas.são factores fundamentais no controlo da temperatura e da humidade relativa. Para manter a temperatura é necessário isolar paredes.Iluminação . painéis. deve-se evitar a todo o custo visto criar condições favoráveis ao desenvolvimento de fungos e de outros microorganismos. . que provocam abaixamentos da temperatura e desconforto que se reflectem igualmente nos desempenhos produtivos. passíveis de conduzir nomeadamente ao aparecimento de afecções respiratórias.Humidade relativa . tectos. valores esses que dependem do tipo de animais utilizados (reprodutores 60-70 %.

estão separadas por categorias devido às necessidades específicas de cada grupo. minerais e vitaminas. devendo ser fortemente condicionado o acesso a estranhos. devendo proporcionar todos os nutrientes necessários a um rápido crescimento e grande desenvolvimento muscular. os sistemas intensivos exigem um maneio cuidado e difícil. pois todos os intrusos são passíveis de actuarem como veículos de diversas doenças. rentabilizando ao máximo as instalações. proteína. roedores e outros animais.Disponibilidade de água e alimentos . redes mosqueiras nas janelas e demais aberturas. Estas são diferentes na sua estrutura interna. valores de temperatura e de humidade relativa. com custos elevados. Por todas estas razões.instalações de reprodutores . O arranjo interior de cada um destes tipos de instalações é diferente segundo o conceito geral da instalação. existindo necessariamente uma maternidade. As instalações destes animais. etc. Após este tempo os leitões passam . A alimentação dos animais explorados em sistemas intensivos deve ser rica em energia.neste tipo de instalações tem que haver instalações para machos. fêmeas vazias e fêmeas em gestação.instalações de recria . é necessário "fabricar" o maior número de quilogramas de porco possível por unidade de tempo. respectivamente para automóveis e pessoas (tanques contendo líquido desinfectante pelos quais passam). devendo existir no acesso às instalações rodilúvios e pedilúvios.os leitões ficam com a mãe um período de tempo que está dependente do tipo maneio e que pode ir de 21 a 60 dias. . tão diferentes das condições naturais. inclusivamente o Homem. embora o período mais corrente seja 30 a 35 dias.administrados segundo os esquemas de maneio sendo a água ad libitum por meio de bebedores automáticos. sendo de primordial importância ter instalações apropriadas e usar animais com boa capacidade de adaptação a estas condições.146 .Todas as condições que interditem o acesso a insectos. Para que sejam plenamente utilizadas as potencialidades de um sistema deste tipo. tipo de maneio. . segundo o tipo de produção : .

boa qualidade da carne e carcaça mista "pork" / "bacon". com grande precocidade.147 ao período de recria. pesos altos. peso . grande precocidade de ambos os pais. As porcas utilizadas em cruzamento duplo são híbridos F1. precoces. que limitam o tempo que os animais podem permanecer nestas. para obter fêmeas híbridas com boa prolificidade. na busca das características mais rentáveis. com pesos de 90 a 100 kg. com fertilidade e prolificidade altas e boa capacidade de adaptação a regimes confinados Embora se possam utilizar raças puras na produção de animais para o abate. compridas. 1). Ao cruzarmos estas fêmeas F1 com varrascos "Piétrain" de carcaça magra e má qualidade da carne. na mesma empresa onde nasceram ou noutra que se dedique exclusivamente a compra de leitões para recria e engorda. que são posteriormente cruzadas com varrascos de outra raça. carcaças magras. Os animais usados em Sistemas Intensivos pertencem a raças bem conformadas. Como exemplo usaremos uma situação em que se pretende obter porcos tipo "bacon". condicionam a idade ao abate e consequentemente o seu tempo de permanência na exploração. em função da procura de mercado (tipo de cruzamento está descrito no Cap. embora existam fortes razões económicas radicadas na rentabilização das instalações. de peso alto. Iremos cruzar varrascos da raça "Land Race" com porcas "Large White". havendo certas vantagens em relação às raças puras. pois as porcas têm boa prolificidade que lhe veio da raça mãe. carne de boa qualidade e em grande número. usadas respectivamente em cruzamento industrial e duplo. o mais corrente é a produção de híbridos de duas ou três raças. que ao preferirem carcaças mais leves ou mais pesadas. vamos obter maior número de leitões. A recria estende-se até aos três meses.instalações de engorda . sendo por vezes mais curta. O peso a que os animais são abatidos é fortemente influenciado pelo gosto dos consumidores. atingindo os animais no final desta fase pesos da ordem dos 30-35 kg. atingindo os animais neste caso pesos de 65 a 80 kg.a engorda pode durar em média até aos 6 meses de idade. .

ninhos. de modo que os partos se realizem numa altura que permita o abate dos animais engordados em montanheira. que são um recurso muito importante no Verão e a bolota. Exceptuando quaisquer culturas específicas efectuadas para esse efeito. 5.2. como é igualmente conhecido. etc. a poda dos montados. Baseia-se no aproveitamento dos recursos naturais existentes em grandes superfícies. cadáveres. etc. répteis. . é perfeitamente enquadrado neste conceito. o aproveitamento dos restos das culturas de cereais conhecidas como "restolhos". batráquios.148 alto por parte da linha mãe. carcaças compridas por parte da linha mãe. de forma natural ou melhorada pelo Homem. sendo característica deste sistema o consumo directo ou "a dente". vermes. bolbos e raízes. o sistema extensivo em montado proporciona aos animais erva durante a Primavera. recolhendo por vezes a um curral para passar a noite. Além dos recursos apontados. quer ainda outros alimentos como cogumelos e outros fungos. cuja maturação acontece de Outubro a Fevereiro. que são no Alentejo a azinheira (Quercus rotundifolia). como caça miúda. utilizado no Alentejo e conhecido por "montanheira". O sistema tradicional de produção de porcos para abate. regressando ao campo pela manhã. como todos os frutos. o sobreiro (Quercus suber) e o carrasco (Quercus lusitanica).1. grãos.Caracterização do animal obtido neste sistema A raça indissociável deste Sistema e ao mesmo tempo produto dele. fruto fornecido pelas Quercíneas. gastrópodes. que funciona como ração de manutenção. quer de origem vegetal.2. os porcos em regime de pastoreio consomem uma grande variedade de alimentos quer de origem animal. 5.5. sementes. carcaças magras tipo "bacon" da linha pai e carne de melhor qualidade por parte da linha mãe.Sistema Extensivo É um sistema em que os animais vagueiam pelos campos em busca de alimento. No sistema extensivo a cobrição é efectuada. rentabilizando os seus recursos como nenhuma outra é a "Alentejana".5. como os restos de culturas aproveitados durante o Verão. insectos.

Instalações As instalações para reprodutores. É um período extraordinariamente importante. Assim temos : . dependendo sobretudo dela. motivada pela ingestão de grandes quantidades de hidratos de carbono lípidos. a presença de grande quantidade de gordura nas carcaças de porcos da raça Alentejana. a qualidade atingida pelos produtos elaborados com a sua carne.podem ser de três tipos : engorda são . bem como uma alimentação deficiente em aminoácidos essenciais. durante a engorda em montanheira.2. 5. com pesos entre 13 e 17 kg. um terço dos quais é adquirido nos últimos 2 ou 3 meses de vida.Instalações para reprodutores . Um porco bem recriado. a mais transcendental de todo o processo. A recria é a fase que medeia entre o peso de cerca de 25 kg e a fase de engorda. os quais quando submetidos a uma alimentação final intensa. Obtêm-se deste modo animais com pesos que chegam aos 180 kg. contribuindo em última análise. A engorda é a última fase da vida do animal.5. O desmame faz-se usualmente aos 45 dias. Entre as razões conducentes a uma grande deposição de gordura durante a fase da engorda. além da produção de gordura. Como foi referido quando do estudo desta raça. deve-se além de características genéticas desta raça. pois é nesta fase que se desenvolve o esqueleto do animal. para canalizar grande parte da proteína ingerida para a produção de gordura. deve ser um animal comprido e magro.149 isto é de Dezembro a Fevereiro. com idades que vão dos 10 meses (portanto com uma só montanheira) até aos 18-20 meses (com duas montanheiras). pobre em fibra bruta e rica em lípidos e hidratos de carbono. quer sejam frescos ou curados.2. a características inerentes à espécie suína. avultam o estado de enfraquecimento dos animais em termos nutricionais. entra-se na fase da recria. período durante o qual os leitões têm uma alimentação à base de rações e aumentam o seu peso até aos 23 a 26 kg. Cerca de um mês a mês e meio mais tarde. para a recria e para a diferentes das existentes no sistema intensivo. submetido ao pastoreio e com desenvolvido hábito de procurar o alimento no campo. de ventre recolhido. experimentam reposições diárias muito elevadas. exercitando deste modo a sua musculatura.

em que os leitões acompanham a mãe. monta dirigida ou inseminação artificial.Instalações para animais de recria e engorda. Este facto é tanto mais espectacular se nos lembrarmos que 50 % da carne. ovinos. rabo e patas. constando usualmente de um telheiro fechado de três lados. etc. é produzida por 25 % do efectivo mundial de grandes animais.PRODUÇÃO DE CARNE A produção Mundial de carne de suíno estimada. cifra que representa 50 % do total da carne produzida no Mundo. . O porco proporciona mais pratos comestíveis que qualquer outra espécie animal. em tudo similares às explorações intensivas de raças selectas. caprinos e suínos ) (FAO. sendo assim responsáveis por este número os bovinos. Sistema Moderno . com pequenos currais exteriores para exercício dos leitões. 1991). apresentando-se dividida em duas meias carcaças estando a cauda na meia carcaça direita. é de cerca de 56 milhões de toneladas. Na carcaça estão incluídos a cabeça.150 Sistema de "Camping" . com uma densidade de 10 cabanas por hectare no interior de uma cerca. a gordura cavitária chamada "banha". A carcaça de suíno possui grande quantidade de gordura. aberto na frente e com parque descoberto anexo. velocidade de crescimento e elevado rendimento de carcaça desta espécie. que podem ser de variadíssima natureza.6. o que só é possível pela prolificidade.com celas de alvenaria no interior de um pavilhão de uma nave. num total de cerca de 112 milhões de toneladas (número no qual não figura a produção de carne de aves e coelhos. Sistema Funcional . As carcaças de suíno são classificadas de acordo com uma Grelha Normativa Comunitária em cinco . composta pela gordura de cobertura designada "toucinho". além da gordura intermuscular e da gordura intramuscular. desmames precoces.com estabulação permanente das fêmeas reprodutoras. 5.com pequenas cabanas de secção triangular em chapa galvanizada.

paio de lombo. Estas designações levaram com o tempo. os quais embora possam ser produzidos em instalações industriais. idade. a que as raças de porcos mais preparadas para produzir cada um destes tipos de carne. entre outros. o maneio e a alimentação. A quantidade de gordura é sempre maior nas raças que não foram submetidas a selecção ou que o foram em pequeno grau. São designadas de “nobres”. As peças nobres são neste caso. como para indústria. são preferidos pelos empresários da Indústria de Salsicharia e Charcutaria. tanto para consumo em fresco. reproduzem na sua essência os processos artesanais. o mercado está virado em grande parte para as carcaças de raças tipo "bacon". filete afiambrado. e ainda os músculos que formam o lombo. parte da carcaça considerada.151 classes. tivessem adquirido a mesma designação do tipo de carcaça que produzem. Entre os factores intrínsecos. etc. Na linguagem específica internacional. bacon. salsichas. As raças que produzem carcaças com um alto rendimento em peças nobres e logicamente em carne. temos que distinguir entre carcaças provenientes de raças com aptidão para a elaboração de produtos industriais. Hoje. como fiambres (da perna e da pá). galantina. a raça é o factor de maior influência na composição da carne. a carne de porco fresca é denominada "pork" e uma vez elaborada ou curada é denominada "bacon". sobretudo no que se refere à quantidade de gordura. devido à procura crescente de carcaças magras. presuntos. A composição da carne de suíno pode variar. São estas peças que têm o maior peso no valor da carcaça. as que contêm as massas musculares dos membros anteriores e posteriores. etc. mortadela. textura e sapidez. e . por serem as que possuem maior qualidade em termos de peso. em função da sua conformação. originando assim maior rendimento em termos económicos. comprimento e espessura de toucinho no dorso. e de factores extrínsecos como o habitat. dependendo essa variação de factores intrínsecos como a raça sexo. e as carcaças provenientes de raças com aptidão para a elaboração de produtos de cariz artesanal. chouriços industriais. Dentro das carcaças de suínos. que é o componente com maior peso em termos de sapidez.

Todas as outras peças que se podem retirar de uma carcaça de porco vão entrar na confecção de produtos menos valorizados. etc. representam respectivamente cerca de 14% e 9% do peso das carcaças. Assim o toucinho da barriga (músculos da parede abdominal e a gordura que os reveste) é utilizado na confecção de bacon. na quantidade e composição e localização da gordura e nos processos utilizados na maturação a que são sujeitos estes produtos e que faz parte do processo de cura de cada um deles. Este facto que parece à primeira vista paradoxal. terão estes que ser muito bem valorizados para que a actividade se mostre rentável. galantina. Os produtos de origem artesanal por excelência são os presuntos da perna. nos processos de laboração sem adição de substâncias químicas (além de sal). As qualidades gustativas destes produtos artesanais. residem segundo os peritos. chamados “canhas de lombo”. criados em explorações intensivas são particularmente indicados para a confecção de produtos industriais de origem não artesanal. vão entrar na confecção de mortadela. menos sápida. que são de longe os produtos mais valorizados. devido ao facto de possuírem carcaças mais magras e com maior rendimento em carne mas de pior qualidade da carne. Os porcos de raças selectas. por curroptela da designação espanhola. entrecosto e cabeças são vendidos a preços quase irrisórios para consumo em fresco. Esta é uma das razões dos elevados preços alcançados pelos produtos artesanais. Se soubermos que os presuntos e as paletas destes animais. salsichas. pois que o toucinho. baseia-se no facto de a gordura intramuscular. sendo deste modo muito menos valorizadas. ser a principal responsável pelo sabor da carne. sendo estas características sobretudo de origem rácica. Para o fabrico de produtos de cariz artesanal de qualidade reconhecida. os presuntos da mão (chamados paletas) e os paios elaborados com os lombos inteiros. enquanto todas as partes magras restantes e grande parte da gordura. produtos de menor preço. . que possuem grande infiltração de gordura nas massas musculares e um inevitável excesso de gordura de cobertura.152 das quais se fazem o fiambre da pá e da perna e ainda o paio de lombo. filete afiambrado. chouriços industriais. estão indicadas as carcaças provenientes de porcos de raças autóctones.

pois as qualidades organolépticas são diferentes das apresentadas pelos produtos provenientes de animais da raça Alentejana. têm lugar processos químicos muito importantes. na forma em que são ingeridos. mas também devida à diferente composição do músculo. facto que possibilita no acto da venda dos presuntos e paletas. possuem unhas pretas.153 Enquanto a distribuição intermuscular e intramuscular relativa da gordura na carcaça tem uma origem genética. assumindo os compostos intermédios resultantes da lipólise. constituem marcadores de origem. causados nomeadamente pela acção de fungos com acção lipolítica. para supostamente comprovar a autenticidade de proveniência da raça "Alentejana". paletas e lombos. ainda que com alimentação idêntica. Os presuntos de origem artesanal são constituídos por todo o membro pélvico ou torácico com o pé e unhas. principalmente dos presuntos e paletas. devido à diferença de deposição de gordura sobretudo intramuscular. para os produtos poderem ser considerados de origem em bolota. Na maturação destes produtos. são motivados pelo tipo de alimentação. características de marcada origem genética (Pereda e Hoz. visto que as unhas desta raça são negras. nomeadamente o ácido oleico e linoleico. nos quais recorde-se como característica fundamental. . por outro lado desvirtua a qualidade destes produtos quando provenientes dos animais cruzados. na tentativa de obter maior peso de presuntos. Este facto prende-se com a condição de monogástricos dos suínos. um papel decisivo a nível das qualidades organolépticas finais. por oposição às unhas da maioria das raças seleccionadas que são brancas. O uso da raça Duroc Jersey representa uma vantagem para o vendedor pouco escrupuloso. tendo que ultrapassar determinados valores mínimos. reeditar o eterno "gato por lebre". sendo inclusivamente mais conhecidos pela designação de "pata negra". têm vindo a ser efectuados cruzamentos da raça Alentejana com a raça Duroc Jersey. Como já foi referido. visando diminuir a percentagem de gordura na carcaça. a composição da gordura e a sua riqueza em determinados ácidos gordos poliinsaturados. o que se por um lado se consegue. a passagem ao tecido adiposo dos ácidos gordos. Estes dois ácidos gordos poliinsaturados. 1992). na actual acreditação destes produtos. pois como os animais são pigmentados. e aumentar o tamanho dos membros posteriores e anteriores.

com 75% de Ibérico e 25 % de Duroc. em comparação com o Ibérico puro. produzir produtos de cariz artesanal. é legal em Espanha (Portugal infelizmente não possui legislação nesse campo). os produtos têm necessariamente de mencionar a raça dos animais de que provêm. sendo o seu preço diferenciado. . facto que é motivado pela pequena alteração da composição do músculo e da distribuição relativa da gordura. quando este cruzamento é efectuado. Mas apesar de legal.154 No entanto como atrás foi dito. a partir de porcos híbridos.

situados portanto no Plioceno.1. 1998). A criação de coelhos era outrora uma actividade de tipo familiar. Neste Continente há registos fósseis com cerca 5 milhões de anos. mercê de trabalhos de índole genética. o Oryctolagus cuniculus cuniculus e Oryctolagus cuniculus algirus (Ferrand et al. tendo os primeiros ancestrais dos lagomorfos surgido na Ásia durante o Paleoceno.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE COELHOS 6.ORIGEM E HISTÓRIA Os coelhos domésticos têm a sua origem em exemplares domesticados do coelho bravo europeu. índice de conversão. . a América e a Oceânia (Croman. Ferrand et al. Os fenícios chamaram à Península Ibérica “i-shephan-im” que significa “terra de coelhos”. (Oryctolagus cuniculus) o qual pertence à classe Mammalia. 1998.. no tocante a velocidade de crescimento. Durante o Mioceno surgiram na América do Norte os primeiros leporídeos de que há vestígios conhecidos. 1997. Ferrand et al. apareceram há cerca de 900 mil anos no final do Pleistoceno no Sul de Espanha. 1998). os quais colonizaram a Ásia através do estreito de Behring. que conduziram não só ao melhoramento das raças existentes. que compreende duas subespécies. Actualmente a produção de coelhos adquiriu um grande estatuto produtivo. A origem do coelho está hoje bem determinada. Depois da última glaciação esta espécie ficou confinada ao Sul de França e Sudoeste da Península Ibérica. Devido à acção humana esta espécie colonizou toda a Europa. virada para o autoconsumo e venda dos excedentes vivos. donde se expandiram para a América do Norte. zootécnica e económica. em mercados próximos. 1998). 1998. tendo posteriormente desaparecido do Continente Asiático.. tendo sido nesta época que se deu a diferenciação das duas subespécies conhecidas (Câmara. 1998).155 6. tendo chegado assim à Europa. Os primeiros vestígios atribuídos directamente a Oryctolagus cuniculus. designação que depois de latinizada pelos Romanos deu origem ao vocábulo “Hispania“ (Câmara. proveniente de uma orientação industrial da actividade. Ferrand et al... ordem Lagomorpha e família Leporidae e género Oryctolagus. há cerca de 55 milhões de anos.

moles e revestidas de muco. assumindo tal importância. umas no período diurno (das 8 às 16 horas) grandes e consistentes e outras no período nocturno (das 16 às 8 horas). em Itália. 100. em Espanha.2. o qual chega a ter uma capacidade de 600 centímetros cúbicos. 50.000 toneladas em França.000 ton. que é um hábito instintivo que consiste no consumo das próprias fezes. que como é óbvio. A coprofagia é um comportamento inato. Tem ainda um ceco bastante desenvolvido. perdendo-se nas fezes os nutrientes resultantes dessa digestão. 6. na Suíça (FAO. devido ao facto de grande parte da digestão da fibra bruta ser efectuada no intestino grosso. mas também a uma selecção das raças que possuem uma melhor capacidade de utilização.COMPORTAMENTO ALIMENTAR O coelho é um herbívoro monogástrico. 20.000 ton. O coelho é actualmente um animal de grande interesse do ponto de vista económico. na Alemanha. O alimento do coelho é constituído por matérias vegetais. Este procedimento permite-lhe aproveitar ao máximo as vitaminas do complexo B e o alimento em geral. com um grande desenvolvimento intestinal.156 relação entre as partes posterior e anterior da carcaça.000 ton. 30.1991). mediante o qual na prática. que a produção de carne de coelho era há cerca de uma década da ordem de 300.000 ton. A característica mais marcante do comportamento alimentar desta espécie é um fenómeno designado de coprofagia. na Inglaterra e 3. conseguindo assim aumentar drasticamente a absorção dos nutrientes resultantes da primeira digestão.000 ton. possuindo um intestino delgado com o comprimento entre 2 e 3 metros e um intestino grosso que pode atingir até 3 metros no animal adulto. pequenas. possui uma fraca capacidade de absorção de nutrientes. que o animal recolhe directamente do ânus com a boca.1. O coelho produz dois tipos de fezes. que um monogástrico não pode de modo nenhum aproveitar eficientemente. aumentando a sua digestibilidade.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 6. volume enorme num animal deste tamanho. .2. o coelho tem a possibilidade de digerir duas vezes o mesmo alimento.

com as correctas quantidades e proporções dos diversos nutrientes. expressamente para esta espécie. feno. com duas épocas de reprodução principais. 6. A alimentação neste tipo de explorações deve ser constituída exclusivamente por rações formuladas e produzidas em fábricas.157 As fezes moles contêm 4 a 6 vezes mais vitaminas do complexo B que as fezes duras. sementes de leguminosas e grãos de cereais. A ovulação nesta espécie não é espontânea mas . só em pequena proporção.9 (Adaptado de Ruiz.3 2.2 Fezes Nocturnas 29.7 2.2. Este tipo de alimentação pode servir para coelhos destinados ao autoconsumo.5 7. sementes de oleaginosas. sendo o primeiro ou os dois primeiros e os dois últimos dias do ciclo infecundos. não devendo ser-lhe administrado trigo ou se o fôr.7 51.CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS As fêmeas desta espécie são poliéstricas e politocas. mas nunca para coelhos produzidos em explorações comerciais. podendo a fecundação realizar-se durante 12 ou 13 dias. 1980) Os coelhos consomem de bom grado todas as forragens e produtos hortícolas.3 32.2 28. para as diferentes idades e tipos de produção. Os ciclos éstricos têm a duração de 15 a 16 dias. mostrando as formas selvagens alguma tendência para experimentarem quase que uma reprodução sazonal. mostram actividade reprodutiva ao longo de todo o ano. sendo suposto que o seu conteúdo está de acordo com as necessidades da espécie. devido aos transtornos digestivos que lhe provoca. além de uma maior riqueza em nutrientes que está sintetizada do seguinte modo : Fezes Diurnas Matéria seca (%) Proteína Bruta (%) Lípidos (%) Fibra Bruta (%) Cinzas (%) 58.9 10. As fêmeas pertencentes a raças domésticas exploradas em ambiente controlado.2. uma no fim do Inverno e outra no início da Primavera.1 5.

158

sim induzida, sendo desencadeada pela cópula e ocorrendo 8 a 12 horas após esta, estando os óvulos em condições de serem fecundados durante 12 horas. O tempo de gestação das coelhas tem a duração de 29 a 32 dias. A puberdade nas fêmeas é alcançada nas raças pesadas aos 6-7 meses, nas raças médias aos 5 meses e nas raças leves e nas híbridas aos 4 meses, enquanto que nos machos ela é alcançada cerca de um mês mais tarde. Para que se proceda a um correcto maneio reprodutivo, as fêmeas nunca deverão ser sujeitas à cobrição com menos de 80 % do peso adulto. Os machos devem ter uma alimentação de tal ordem que não lhes permita engordar, pois esse facto faz com que diminuam o ardor sexual A aceitação do macho pela fêmea verifica-se de uma forma cíclica, cada seis ou sete dias e durante 1 a três dias. A cobrição deve fazer-se levando a fêmea à jaula do macho e não o contrário, pois este ao ser retirado da sua jaula, pode estranhar e não realizar a cópula. O macho deve realizar dois saltos, devendo o segundo salto ser realizado 15 a 20 minutos após o primeiro, e se possível por um segundo macho, no sentido de promover uma maior quantidade de óvulos fecundados. Se a fêmea urinar nos 10 minutos seguintes à cópula, esta não deve ser considerada válida por haver a possibilidade de os espermatzóides serem eliminados com a urina. Os melhores momentos para a realização da cópula são ao nascer e ao pôr do Sol. Os maiores níveis de fertilidade obtêm-se na Primavera e no Verão. Os sistemas de cobrição utilizados na produção de coelhos são a monta dirigida e a inseminação artificial. A inseminação artificial tem uma dupla vantagem, ao permitir diminuir a quantidade de machos na exploração e permite fecundar no mesmo dia um grande número de coelhas, tirando maior proveito de coelhos seleccionados, difundindo assim as suas boas qualidades. Uma ejaculação pode ser diluída de modo a fecundar 20 coelhas, pois contém em média 250 a 300 milhões de espermatzóides, sendo dez milhões suficientes para a fecundação.

159

A inseminação tem contudo a desvantagem, de muitas vezes ter que ser totalmente efectuada na exploração, havendo grandes probabilidades de insucesso, pelo grau de conhecimento técnico que exige. 6.3- CLASSIFICAÇÃO DOS COELHOS

O tamanho é o critério mais utilizado na classificação das raças e suas variedades, dependendo do tamanho do esqueleto. O peso reflecte o crescimento do todo ou de parte dos tecidos, devendo sempre tender para um perfeito equilíbrio estrutural do animal, o qual mostra impressas na sua aparência, as suas faculdades produtivas e de adaptação. Em função do seu tamanho, os coelhos classificam-se em 5 categorias: Raças grandes; Raças médias; Raças de pêlo característico; Raças pequenas e Raças anãs. Outras classificações podem ser efectuadas, baseando-se em três outros critérios, a côr, a pelagem e o tipo do animal. Para realizar a classificação segundo a côr dos animais, utiliza-se um modelo de comparação, como elemento de categorização. São reconhecidos sete modelos de coloração, nos quais se posicionam os diferentes padrões de côr: Cutia (pelagem idêntica à de estes animais); Unicolores; Albinos; Himalaias; Prateados; Matizados e Multicolores. A classificação segundo o tipo de pelagem, permite agrupar os animais em quatro grupos : Raças ditas de pelagem normal; Raças de pelo longo; Raças de pelagem com carácter acetinado e Raças de pelagem com carácter rex (é uma pelagem muito mais curta que o normal, tomando um aspecto de veludo). Solução igualmente possível para diferenciar as características dos diferentes grupos de raças, é classificá-las segundo o Tipo. O aspecto geral, o tamanho de um coelho e o seu peso, formam as coordenadas do tipo do animal. Assim, podemos classificar estes animais nos seguintes tipos: Tipo esbelto; Tipo cilíndrico; Tipo cónico; Tipo ultraconvexo; Tipo encurtado ou brevilíneo e Tipo alongado ou longilíneo.

6.3- PRODUÇÃO DE CARNE

160

A carne de coelho é como foi atrás referido, produzida em grande quantidade, não correspondendo contudo as estatísticas à realidade, por nelas não ser incluída a carne de coelho utilizada no autoconsumo familiar, que nas zonas rurais representa uma quantidade importante. Para a produção de carne são preferidas raças de grande precocidade, sendo os coelhos preferencialmente vendidos com um peso médio de 2,2 Kg, atingindo um rendimento de carcaça de 57 a 62 % com cabeça e possuindo um bom desenvolvimento dos posteriores. A carne de coelho possui o mais baixo nível de colesterol de todas as carnes, tendo a mais baixa percentagem de gordura (10 %), a mais elevada percentagem de proteína (21 %) e a mais elevada percentagem de minerais (1,2 %), frente às carnes das outras espécies. 6.4- PRODUÇÃO DE PELES A pele de coelho é muito apreciada para o fabrico de vestuário, sendo as peles brancas preferidas, pela possibilidade de admitir qualquer tipo de preparação. A qualidade deste produto pode ser afectada pela raça, densidade do pêlo, estação do ano (sendo melhor no Inverno), alimentação, estado sanitário (existência de peladelas motivadas por sarnas e feridas desvalorizam-na), sexo (a pele dos machos é mais forte, mais pesada e mais difícil de trabalhar que a da fêmea), idade (as peles dos láparos e dos animais velhos têm menos aceitação), etc. Todas as raças produtoras de carne são acessoriamente potenciais produtoras de peles, embora como é lógico, sejam mais valorizadas as raças especializadas produtoras de peles. 6.5- PRODUÇÃO DE PÊLO Existem raças de coelhos produtoras de pêlo, sendo a mais importante a raça "Angorá". A recolha do pêlo faz-se por tosquia ou por depilação quatro vezes por ano, sendo a depilação um processo preferível à tosquia, por permitir obter um pêlo mais comprido e portanto mais valorizado. A produção Mundial de pêlo deste tipo, anda à volta das 2.000 toneladas, 1.500 das quais provenientes da China.

COELHO COMUM . sendo os coelhos conjuntamente com as galinhas e os porcos e quase ao nível destas últimas espécies. pelagem de côr cinzenta ou parda. 46 – Exemplares de Coelho comuns. ganhou o direito a figurar neste estudo devido à sua disseminação nos meios rurais e ao papel que tem desempenhado na economia familiar.1. são quase exclusivamente utilizados animais híbridos. . dos quais existe grande variedade.RAÇAS MAIS EXPLORADAS Actualmente na produção industrial de carne de coelho. 6. sendo estes tecidos muito apreciados devido à sua textura macia e às suas qualidades térmicas. a "Fulvo de Borgonha".161 O pêlo é utilizado no fabrico de abafos. consumindo de tudo um pouco. geralmente misturado com lã de ovino. cauda de tamanho médio. As raças puras de coelhos de maior disseminação e interesse na produção racional são a "Gigante de Espanha". unhas de côr parda ou negra.6. Todas estas estirpes são provenientes de cruzamentos entre as raças de maior produção.5 Kg.8 e 3. sendo uma raça de tamanho pequeno. dos animais mais sujeitos a selecção e possuindo maior número de híbridos e estirpes. ao nível do autoconsumo e dos mercados locais. de 6 a 8 láparos por parto e é muito rústica. seguidos de selecção mais ou menos intensas. a "Neozelandesa". legumes ou erva. Tem prolificidade baixa. tamanho médio e peso entre 2.6. a "Borboleta". Fig. Possui orelhas compridas. quer sejam cereais. 6. a "Californiana" e a "Angorá".esta raça ou melhor dizendo este tipo de coelho.

possuindo óptimas qualidades maternais. 47 – Coelho da Raça Gigante de Espanha A pelagem pode ser de três cores fulva. Fig.6. apresentando-se as patas. 48 – Coelho da Raça Fulvo da Borgonha As orelhas são fortes e abertas. A pelagem desta raça é de côr vermelho forte.FULVO DA BORGONHA .3.GIGANTE DE ESPANHA .2. Caracteriza-se pelas orelhas grandes e largas.é uma raça de tamanho médio. .6. 6. As fêmeas são muito prolíficas (9 a 12 láparos por parto). as patas são sólidas e unhas pardas ou negras.é como o nome indica. tocado-se na base e os olhos são de coloração cinzento acastanhada com pupila azul escura. e olhos grandes côr rubi com membrana branca.5 e os 8 Kg. que é mais pequena nas fêmeas. branca ou parda. possuindo os machos cabeça volumosa. com bons rendimentos de carcaça e boa conformação. cauda e região abdominal de côr branca. originária de Espanha sendo uma raça de tamanho grande que foi sujeita a selecção. Possui peso variável oscilando entre os 5. cabeça grande e acarneirada.162 6. As patas são fortes e curtas e a cauda é direita encontrando-se encostada à anca. A cauda é grossa. Fig.

6.BORBOLETA .5. com boa conformação. rústica e prolífica. A sua prolificidade é boa. os olhos são castanho escuros rodeados de uma mancha bem delimitada e simétrica de côr preta. sendo indicada para cruzamento com raças puras para produção de animais com boas características de produção de carne.NEOZELANDÊS .163 É uma raça de tamanho médio. fazendo lembrar uma borboleta. . pois é branca possuindo uma faixa escura longitudinal no dorso e uma mancha no nariz muito característica. É uma raça de pêlo denso e de coloração branca.6. A pelagem desta raça é a sua característica mais marcante.4. cuja origem é controversa. orelhas compridas. 6.é uma raça de tamanho médio (5 Kg no macho e 6 Kg na fêmea). direitas e de côr quase preta em toda a sua extensão. 49 – Coelho da Raça Borboleta Francês Tem uma papada desenvolvida. de unhas brancas e a cauda direita e forte. As patas são robustas. Fig. 6. pretendendo os Alemães. sendo produto de intensos programas de selecção. com peso à volta dos 4 Kg.esta raça é possivelmente a mais explorada no Mundo. Ingleses e Franceses para si a origem da raça. orelhas de tamanho médio e extremidades arredondadas. olhos vermelho rosados. cabeça grande. tal como as capacidades maternais.

5-5 Kg as fêmeas). Tem boa prolificidade e boas qualidades maternais. com orelhas. nascendo contudo.CALIFORNIANA . 6.164 Fig. sendo os animais dotados de grande precocidade. sobretudo no dorso e lombos. é muito prolífica. 50 – Coelho da Raça Neozelandês Tem grande aptidão para a produção de carne. sendo muito apreciada pela qualidade da sua carne e conformação da sua carcaça. de tamanho médio (4-4. Fig.6. bem proporcionados.5 Kg os machos e 4. 51 – Coelha e láparos da Raça Californeana . pata e focinho pretos. as crias brancas. de tamanho médio com pesos de 4.6. de dorso amplo e anca arredondada.5 Kg no macho e 5 Kg na fêmea. Possui pelagem branca.raça é procedente dos EUA sendo bem proporcionada.

6.TIPO DE INSTALAÇÕES Temos que considerar na produção de coelhos a criação familiar para autoconsumo e a exploração racional em ambiente controlado. 51 – Coelho da Raça Angorá Gigante Coelho da Raça Angorá Inglês As fêmeas são de prolificidade média. embora nada o prove. devido à fraca produção de leite desta raça.2 a 2. e um pé direito de 2. fazendo-se nesta altura a primeira recolha de pêlo.ANGORÁ .SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE COELHOS 6. Quanto às primeiras.165 6. Esta raça é explorada para a produção de pêlo.7. que são de crucial importância nos processos produtivos : . Cada coelho dá em média 1200 a 1500 gramas de pêlo por ano. devido ao alto preço alcançado por este. Para as explorações racionais de ambiente controlado.Os coelhos são menos sensíveis ao frio do que ao calor . as instalações mais simples e funcionais são pavilhões de uma nave. sendo a produção de 1 Kg de pelo por cada 7 Quilogramas de carne. atribui-se amiúde a sua origem à Turquia. a quatro princípios essenciais. sendo o comprimento variável. Fig.7. Os láparos são desmamados aos 2 meses de idade. para evitar o feltramento do pêlo e também que este se suje. não devendo contudo deixar-se mais de quatro láparos por parto. As instalações deste tipo devem obedecer em termos de controlo ambiental. operação que se repete cada três meses.5 metros.7. com 8 a 12 metros de largura. onde os coelhos convivem com as galinhas. As jaulas destes animais devem ter fundo em rede de arame..6. desprovidas de qualquer pretensiosismo. as instalações vão desde gaiolas em madeira e inclusivamente até galinheiros.1.

Sofrem bastante com a humidade . . Como o fundo da gaiola é de malha metálica. situando-se a temperatura ambiente óptima. entre os 18 e os 20 ºC nas instalações de maternidade e cria e entre 15 e 18 ºC nas instalações de engorda A humidade relativa deve situar-se entre os 60 e os 80 % e a ventilação deve fazer-se com boa velocidade de entrada de ar. não devendo ser ultrapassado o peso de 40 kg / metro quadrado de piso.5 m x 0. devendo ser dispostas em baterias de dois ou três pisos cada um constituído por uma gaiola ou em piso simples. sem correntes de ar que devem ser evitadas pelos efeitos nefastos que exercem na saúde dos animais e logicamente nos níveis produtivos. onde a coelha vai parir.3 m. As dimensões das baterias variam conforme o seu uso.4 m.As jaulas para machos reprodutores devem ser idênticas às das fêmeas para facilitar a sua colocação no local. podendo variar conforme o fabricante e a colocação de ninho.3 m x 0. que são adoptadas universalmente.Ressentem-se bastante com as correntes de ar . As baterias de engorda podem ter até 3 ou 4 pisos. o ninho de dimensões de 0. dependendo da temperatura interior da instalação. A normalização das dimensões das gaiolas é uma das grandes vantagens deste sistema de baterias. .8 mm de diâmetro. o qual é um bem escasso.Gostam de ver sem ser vistos As variações térmicas diárias e anuais deverão ser pouco amplas e nada bruscas. As instalações devem possuir sistemas de aquecimento e de ventilação que permitam a renovação de uma quantidade de ar entre 1 e 4 metros cúbicos por hora e quilograma de peso vivo.4 m x 0. deve conter palha ou aparas de madeira. devido ao alto preço das instalações e dos equipamentos. .8 m x 0. interno ou externo.As jaulas de engorda devem ser de tamanho suficiente para conter 12 a 15 coelhos após o desmame. pois permitem uma boa higiene e fácil recolha das dejecções. sistema este que logicamente ocupa muito mais espaço.166 . Os animais devem estar em jaulas de rede metálica galvanizada de 1. .As jaulas para coelhas de reprodução com ninhada podem ter 0.

sendo preferível usar os de metal. sendo os de plástico mais tarde ou mais cedo alvo dessa propensão e logicamente destruídos. 52 – Planta de um pavilhão para produção intensiva de coelhos em jaulas Fig. pois as necessidades em água dos coelhos são muito grandes. dado que a propensão dos coelhos para roer é incontornável. Estes bebedouros podem ser dos sistemas de gota de gota ou de chupeta. 53 – Corte de um Pavilhão para produção intensiva de coelhos em jaulas É indispensável a existência de água limpa e de boa qualidade sempre em sistema de ad libitum. disponíveis em metal ou plástico.167 Fig. colocados a uma altura que permita o acesso fácil aos láparos recém desmamados. Para este efeito as jaulas devem estar providas de bebedouros automáticos. .

E. la Dehesa. Ed. & ALVES. Zaragoza. Producción y Manejo del Cerdo. (1986).Purina Portugal. D. CÂMARA. E. Características Morfológicas. (1971). Zootech. História. FRAZÃO. Paris. C.C.. Ministério da Agricultura e Pescas. C. Ano XLVIII. BRACKETT. Direcção Geral de Florestas. G. T. A Ovelha Campaniça. E. Ganado Ovino . Y. SEIDEL Jr.. Paris. Caça e Pesca 2: 4-11. Editorial Acribia. H.Nuevas técnicas de reproducción animal. In : D. The Production and Management of Sheep. La producion de viande bovine de leur taurillons. GARBAYO. M. Escola Profissional de Agricultura de Serpa.R. Paris ANON. (1965). GOODWIN. Lisboa. J. C. CHEMINEAU.A. V. (1995). Pesca y Alimentación .. BUXADÉ. Manual do Criador de Bovinos.Origem. . Programa Cunícola .R. Efectivo. ITOVIC. 6 (1) : 13-18.ª Jornadas da Ovelha Campaniça e da Cabra Serpentina. Lisboa. Vol. Zaragoza. (1984). DAVEAU . Ed. (1982). Producion de viande bovine. SOPEXA. M. Hachette. Barcelona. MICOL Éd. Situacion actuelle et évolucion récente des différents types de producion de viande bovine et de leur marché. C. Ann. M. D. Zafra. (1982). GUÉRIN . STAMP (1989).. Manual sobre Cabras. Ganado Porcino. (1978). Zaragoza. Coelho bravo. AVI Publishing Company. Universidade de Évora. 1.Producción y Enfermedades. FERRAND. Madrid. Paris. S. Ovinos Campaniços. Acribia. Curso de Zootecnia Biologia de los animales domésticos y su empleo por hombre. GONÇALVES. (1998). AVÓ. ANDRADE. Diez Temas sobre La Vaca. evolución y situación actual del Cerdo Iberico. A. Manual da Criação de Ovinos. FAUCON. (1997). Folhetos da colecção "A Pecuária Francesa Apresenta". Zaragoza. . L. FRAZER. ANON. (1998). J. A Ovelha Campaniça. (1992). D. Sociedade Portuguesa de Ovinotecnia e Caprinotecnia. J. London GOODWIN. Revista Ovelha . BORREGO. Acribia. Biologia do Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus algirus). In : El Cerdo Iberico. (s/d). V. Ministerio de Agricultura. (1983). M. N.. Editorial Acribia. MAURICE . In : D. ANON. Simpósio de Cerdo Ibérico. P. ANON. Produtivas e Sistemas de Exploração. ATHANASSOF. I e II. Madrid. F. COLE. CROMAN. . O Coelho Bravo. (1978). Acribia S. C. ASCENSIO. Clássica Editora. (1991). (1986). CONDUTO. M. Ed. SEEDEL (1988). C. . (1967). Lisboa. MICOL Éd. F.168 BIBLIOGRAFIA AMIOT. N. (1996). . Ed. Boletim Pecuário. CONDUTO. J. GEAY. D. Inc. J. C. B. Apontamentos da Disciplina de Ovinicultura. O Porco e seus Produtos. Edições Melhoramentos. G. São Paulo. Producion de viande bovine. L' Élevage Ovin. Ciencia e Tecnologia de la Leche. Ediciones Mundi-Prensa. Lumiére e melatonine pour la maitrise de la reproduction des ovins e des caprins. . R.. (1986).A. Calibre 12 (86): 9-12.241. P. III – Identificação da proveniência de coelhos utilizados em repovoamentos. L. PELLETIER (1992). Principles of Animal Environment. R. J. Série «Divulgação».INRA. H.I.INRA. G. A. uma espécie em perigo. 41 : 247 . A.Associação de Criadores de Ovinos do Sul. J. B. (1991).E. D. (1984). Recursos Genéticos Raças Autótocnes espécie Ovina e Caprina. (1957). H. Avances em Zootecnia . (s/d). ANON. Y. MALPAUX . RONNING (1980). Ministerio de Agricultura. F. la Naturaleza. Livro Genealógico. A. ESMAY.B. Madrid. Hutchinson Educational. Westport. H. Publicações Ciência e Vida. H.

Food and Agriculture Organization of the United Nations . . Lisboa.C. In : El Cerdo Iberico. B.E. F. Alimentacción y calidades de carnes de Cerdo Iberico.A. Clássica Editora.I. Pesca y Alimentación . la Dehesa. V. Producion de viande de boeufs et de jeunes taureaux.INRA. . A. HOZ (1992).C. E. Nuevas Técnicas de Producción Ovina. Ediciones Mundi-Prensa. A Cabra. C. J. Sheep Breeds of the Mediterranean. (1988). In : El Cerdo Iberico.R. (1980). Direcção Geral dos Serviços Veterinários.B.E. (1973). Lisboa. T. Ministerio de Agricultura. F. As Vacas Leiteiras. Doenças.Factores que influyen. Simpósio de Cerdo Ibérico. R. la Naturaleza.E. (1967). Ciudad de México. . REGUEIRO. Editorial Acribia. J. Races Ovines Françaises. L. Proposta para Utilização da Raça Ovina Campaniça . la Dehesa. In : D. O Coelho . MARAI. A. La maison rustique.P. LEITÃO. OWEN (1993).P. M. PEREDA. . da S.B.P.I. B.R. D. Barcelona MICOL. Colecção Técnica Agrária. HAFEZ. A. O Leite. São Paulo. S. A. - . Simpósio de Cerdo Ibérico. la Naturaleza. Interamericana. SÁ. (1985).. Europa América. Producion de viande bovine. E. D.I.. (1986). E. E.R. MALTERRE. E. (1986). Simpósio de Cerdo Ibérico. Clássica Editora. N.R. D. Collection "Les Races d'animaux domestiques". (1979). M. Ed. Bovinos em Portugal. J. L.169 GRAÇA. Madrid.F. Cultivar. A. la Dehesa. Ganaderia. I.F. QUITTET. Fundação Calouste Gulbenkian.INRA. Ministerio de Agricultura. (2ª Edição). MICOL Éd. la Dehesa. Madrid. (1992). L. Producion de viande de génisses. Pesca y Alimentación . Pesca y Alimentación A.E. 6 (1) :19-25. S.A. Ministerio de Agricultura. Apontamentos da Disciplina de Apreciação de Carnes e Carcaças..R. J. I. Ediciones Mundi-Prensa. J. In : El Cerdo Iberico. In : El Cerdo Iberico. PEREIRA (1998).Maneio. Simpósio de Cerdo Ibérico. F. S. NUNES. 12 (1) :203-210. Reproducción y Endocrinologia Veterinárias. E. In : D. Lisboa. NUNES. J. Pastagens e Forragens. PORTULANO.I. L. Parasitologia Veterinária.E. MARKS. Lisboa RODRIGUEZ. la Dehesa. (1981). A Raça Suína Alentejana. Paris. (1990).R.A. Zafra. P. VIEIRA (1979). Zafra. A Utilização de Ecossistemas Desfavoráveis pelos Caprinos. A.R. SÁ. Ed. Aedos.B. (1983). Zafra. M. 11 (1) :189-193.E. Zaragoza.C. A. F. II Volume Parasitoses (3ª Edição). (1990). BETTENCOURT (1996). (1990). Colecção Técnica Agrária. Edinburgh. MACARRO. (1992).E.R. El Cerdo alimentación y producción. E.A. (1992). Universidade de Évora.B. Analítica de carne y productos de Cerdo Iberico. Paris. (1978). In : El Cerdo Iberico. Manual da Produção de Gado Leiteiro nos Trópicos. (1978). Explotacion de Ganado Ovino e Caprino.H. Reprodução Animal. MATOS. F. (1965).E.C. Porto. Zafra. la Naturaleza.E.I. la Naturaleza. Ed. E. Editora Manole LTDA. Biblioteca Sistemática Agropecuaria. Paris. A Cabra como Utilizadora do Ecossistema Florestal. G. B. LUQUET. Zafra. C. Pesca y Alimentación . Sociedade Portuguesa de Ovinotecnia e Caprinotecnia. C. F. Lisboa. C. Produción del Cerdo Iberico . MASON.P. McDONALD. Biblioteca Agrícola Litexa. Ministerio de Agricultura. Zaragoza. Lisboa. L. (1978). (1992). Alimentação. RODRIGUES. MEIER. Ed.E. LEITÃO. (1991). LEITÃO.B. QUITTET. RUIZ. Pesca y Alimentación . J. J.R.Commonwealth Agricultural Bureau.C. La Cabra Guía PrátIca para el Ganadero. la Naturaleza.R. H. Producion de viande bovine. Ministerio de Agricultura. La Montanera y el Cerdo Iberico. Acribia. Pastagens e Forragens. Simpósio de Cerdo Ibérico. V. F. MICOL Éd.

Éditions J. PEREIRA. SIMÕES.ª Edição. M. S. A.Cordeiros. E. J. Pastagens e Forragens. Projecto e Construção de Alojamento para Animais. P. Colecção "Rústica". (1974). Lisboa. (1988). Cultura Arvenses Industriais e Forrageiras. J. TAYLER. Lisboa. Clássica Editora. . Paris. VELOSO. B. 6 (1) :47-69. . Lisboa. Lisboa. ALMEIDA (1985). M. Suinicultura. SPEEDY. (1964). R. PAYNE (1980).Ministerio de Agricultura Pesca y Alimentacion. A Produção de Carne e Queijo da Ovelha Campaniça. Editorial Notícias. BARBOSA (1990). J. Lisboa. VILÁ. F. A. (1978). (1984). Lisboa. Racionalizacion del manejo de ovejas en apriscos de estabulacion permanente. Biblioteca Técnica Litexa. Madrid. T. . O Leite e os seus Derivados. SENANTE. 227 : 714-720. Collecion "Diez temas sobre el rebaño". W. Editorial ACRIBIA. HÉNAF (1976). Melatonine : A co-ordinating signal for mamalian reproduction. VILÁ. Manual da Criação de Ovinos. C. (1978). A . Colecção Técnica Agrária. M. SALES. Lisboa. GARRIDO . Editorial Presença. 3. SOBRAL. Lisboa. Science. Lisboa SURDEAU. (3ª Edição). C. W. (1984). F. BETTENCOURT (1985). L. Lisboa. BAIRD . S. Madrid. . G. WILLIAMSON. O. S. VAQUERO. TAMARKIN. Apuntes S. Ministério de Agricultura. J. . Longman. London. J. J. Fisiologia da Reprodução dos Ungulados Domésticos. F. M. Producción de Vacuno de Carne en Praderas. A.. S. C. Técnica Agrária. A.Carneiros . E. Clássica Editora. (1981). G. S. WILKINSON. J. L. Sociedade Portuguesa de Ovinotecnia e Caprinotecnia. Biblioteca Técnica Litexa. TEIXEIRA. J.. . Litexa. (1978). R. F. Animal Husbandry in the Tropics. J. Col. Clássica Editora. . Baillière. A Ovelha Produtiva . L. Manual de Crianza de Vacunos. Biblioteca Agrícola Litexa. X. . Fundação Calouste Gulbenkian. (1982).170 SÁ. La Prodution du Lapin. L. R. A Cabra Produtiva. Manual de Ganado Ovino de Carne. F. SALES. V. (1978).Servicio de Extension Agraria . de U. SALGUEIRO. J. Zaragoza. SOBRAL (1996).

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->