P. 1
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

|Views: 935|Likes:
Publicado porandreageneroso

More info:

Published by: andreageneroso on May 05, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/09/2013

pdf

text

original

Sections

  • Introdução
  • Por que a preocupação com o sedentarismo?
  • Quais são os benefícios da atividade física?

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Todos nós sabemos da importância de fazer uma atividade física e de se manter ativo. Mas isto deve ser trabalhado já na infância, aliando a educação física à educação moral e intelectual, formando o indivíduo como um todo

Infelizmente muitos professores ainda desperdiçam o tempo da aula, dando uma bola aos alunos para que eles joguem futebol, vôlei, enfim, ou o que acharem melhor. Há muitos profissionais que não se preocupam em motivar os alunos. Não planejam as aulas e não tem um objetivo ou finalidade pré-determinada da aula. A educação física não se resume a correr, brincar, jogar bola, fazer ginástica... A educação física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa, transmitir conhecimentos sobre a saúde, sobre várias modalidades do mundo dos esportes e do fitness, adaptando o conteúdo das aulas à individualidade de cada aluno e a fase de desenvolvimento em que estes se encontram. É uma oportunidade de desenvolver as potencialidades de cada um, mas nunca de forma seletiva e sim, incluindo todos os alunos no programa.

“A educação física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa”

Os alunos não devem acreditar que a aula de educação física é apenas uma hora de lazer ou recreação, mas que é uma aula como as outras, cheia de conhecimentos que poderão trazer muitos benefícios se inseridos no cotidiano. Mas, para que estes benefícios sejam notados é essencial manter uma regularidade nas atividades e desta forma, a meu ver, a aula de educação física deveria ocorrer pelo menos 3x por semana.

As aulas devem ser dinâmicas, estimulantes e interessantes. Os conteúdos precisam ter uma complexidade crescente a cada série acompanhando o desenvolvimento motor e cognitivo do aluno. Precisa existir uma relação teórica-prática na metodologia de ensino. O professor tem de inovar e diversificar, pois o campo de trabalho envolve muitas atividades que podem ser trabalhadas com os alunos como jogos, competições, dança, música, teatro, expressão corporal, práticas de aptidão física, jogos de mímica, gincanas, leituras de textos, trabalhos escritos e práticos, dinâmica em grupo, uso de tv, dvd, etc. O campo é muito amplo. Basta o professor ser responsável, ter seriedade e muita criatividade. Um trabalho bem feito deve estimular a longevidade com qualidade.

Matéria assinada por: Valéria Alvin Igayara de Souza CREF 7075/ GSP – Especialista em treinamento.

services
Parte superior do formulário

S0101-32621999

http://w w w .sciel
Parte inferior do formulário Parte superior do formulário

S0101-32621999

http://w w w .sciel
Parte inferior do formulário Parte superior do formulário

S0101-32621999

http://w w w .sciel
Parte inferior do formulário

• • • • • • • • • • •

custom services

Article in pdf format

Article in xml format

Article references

Curriculum ScienTI

How to cite this article

Access statistics

Cited by SciELO

Similars in SciELO

Automatic translation

Send this article by e-mail

Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.19 n.48 Campinas Aug. 1999
doi: 10.1590/S0101-32621999000100005

A constituição das teorias pedagógicas da educação física
Valter Bracht*

RESUMO: O presente ensaio analisa o processo de construção das teorias pedagógicas da educação física no Brasil, buscando demonstrar como elas refletem a concepção e o significado humano de corpo engendrados na e pela sociedade moderna. O texto apresenta as teorias pedagógicas que no âmbito da educação física se colocam numa perspectiva crítica em relação aos usos e aos significados atribuídos pela sociedade capitalista às práticas corporais. E, finalmente, problematiza a possibilidade de estarmos diante de uma ruptura da visão moderna de corpo, refletindo sobre os desafios que essa transição coloca para a educação/educação física. Palavras-chave: Educação física, corpo, modernidade, pósmodernidade

Educação "corporal" no âmbito da educação física
Neste primeiro item, desejamos apresentar as categorias e as problematizações básicas que orientaram nossas reflexões sobre o tema. Elas são derivadas de questões como: do ponto de vista educativo, o que tem significado a educação "corporal"? Que tipo de educação "corporal" a escola e a educação física vêm realizando? Por que surge o interesse pela educação "corporal" (também na escola) e quais suas determinações sócio-históricas? A utilização de aspas na expressão educação "corporal" fornece uma pista de uma das questões que pretendemos colocar. A tradição racionalista ocidental tornou possível falar confortavelmente da possibilidade de uma educação intelectual, por um lado, e de uma educação física ou corporal, por outro, quando não de uma terceira educação, a moral - expressão da razão cindida das três críticas de I. Kant, filósofo que, não obstante, segundo Welsch (1988), preocupou-se intensamente com as mediações entre as diferentes dimensões da racionalidade. Essas educações teriam alvos, objetos bem distintos: o espiritual ou mental (o intelecto), por um lado, e o corpóreo ou físico, por outro, resultando da soma a educação integral (educação intelectual, moral e física). É claro, o alvo era ou é o comportamento humano, mas influenciá-lo ou conformá-lo pode ser alcançado pela ação sobre o intelecto e sobre o corpo. Também na melhor tradição ocidental, a educação "corporal" vai pautar-se pela idéia, culturalmente cristalizada, da superioridade da esfera mental ou intelectual - a razão como identificadora da dimensão essencial e definidora do ser humano. O corpo deve servir. O sujeito é sempre razão, ele (o corpo) é sempre objeto; a emancipação é identificada

com a racionalidade da qual o corpo estava, por definição, excluído.1 A esse respeito, assim se expressa Santin (1994, p. 13): A racionalidade foi proclamada como a especificidade exclusiva e única das dimensões humanas. O humano do homem ficou enclausurado nos limites da racionalidade. Ser racional e ter o uso da razão constituíram-se nos únicos pressupostos para assegurar os plenos direitos de pertencer à humanidade. Ou, como afirma Gil (1994) em seu brilhante Monstros, referindose à visão de corpo-máquina: Deu-se uma transferência dos poderes do corpo para o espírito: de nada serve ao corpo estar substancialmente unido ao espírito (e, assim, tornarse vivo e indivisível), é este último que define a sua natureza humana. Doravante, o único defeito do corpo é poder levar a alma a enganar-se. (p. 169) As teorias ou metanarrativas que circunstanciam o projeto da modernidade e que projetavam perspectivas para a humanidade não reservavam ao corpo (a seus desejos, suas fantasias etc.) papel central. Não lhe atribuíam papel importante para a construção de uma prática emancipatória, como também nenhum papel subversivo. A emancipação humana (iluminista) dar-se-ia pela razão, pela consciência desencarnada. As teorias da consciência, mesmo as de orientação positivista, são mentalistas _ vai ser a psicanálise, que não casualmente não goza de grande prestígio acadêmico, que colocará o corpóreo, a dimensão nãoracionalizada, como elemento importante para o entendimento das ações humanas. Nas teorias do conhecimento da modernidade, que têm sua expressão máxima no chamado método científico (a ciência moderna), o corpo ou a dimensão corpórea do homem aparece como um elemento perturbador que precisa ser controlado pelo estabelecimento de um procedimento rigoroso (por exemplo: Francis Bacon e os idola). Para Veiga Neto (1996), se existe alguma culpa na ciência ou na racionalidade moderna, ela se situa na divisão entre res estensa e res cogitans, pois essa separação fundamentou o nosso afastamento em relação ao resto do mundo. Esse afastamento, segundo o autor, deixa-nos sem compromisso com o destino de tudo o que nos cerca, incluindo aí os outros homens e mulheres. Tal separação está na base da idéia do controle racional do mundo. Tanto as teorias da construção do conhecimento como as teorias da aprendizagem, com raras exceções, são desencarnadas - é o intelecto que aprende. Ou então, depois de uma fase de dependência, a inteligência ou a consciência finalmente se liberta do corpo. Inclusive as teorias sobre aprendizagem motora são em parte cognitivistas. O papel da corporeidade na aprendizagem foi historicamente subestimado, negligenciado. Hoje é interessante perceber um movimento no sentido de recuperar a "dignidade" do corpo ou do corpóreo no que diz respeito aos processos de aprendizagem. Isso acontece, curiosamente, por intermédio dos desenvolvimentos nas ciências naturais (ver a respeito Assmann 1996).

ou seja. p.Mas claro que esse entendimento de ser humano tem bases concretas na forma como o homem vem produzindo e reproduzindo a vida. Mas vejamos na trajetória das diferentes construções históricas da educação física (EF) como esse entendimento de corpo e de educação corporal se concretizou. buscou também apropriar-se de diversas formas do corpo e constituir uma corporeidade que lhe fosse mais adequada". das necessidades morais (corpo deserotizado). à educação física é atribuída uma tarefa que envolve as atividades de movimento que só pode ser corporal. Mas esse mesmo corpo. A instituição militar tinha a prática — exercícios sistematizados que foram ressignificados (no plano civil) pelo conhecimento médico. acontece também em outras instâncias e em outras disciplinas escolares. higiênicos). assim. Da origem médica e militar à esportivização A constituição da educação física. sofre várias intervenções com a finalidade de adaptá-lo às exigências das formas sociais de organização da produção e da reprodução da vida. Essa saúde ou virilidade (força) também pode ser (e foi) ressignificada numa perspectiva nacionalista/patriótica. 52): "Assim como a escola `escolarizou' conhecimentos e práticas sociais. não é corporal. na construção das teorias pedagógicas da EF. a educação do comportamento corporal. repunha a necessidade da produção de um discurso que o secundarizava. Mas é importante observar que na instituição escolar o termo disciplina envolve um duplo aspecto: por um lado. Contudo. por exemplo. por sua vez. Há exemplos marcantes na história desse tipo de instrumentalização de formas culturais do movimentar-se. Esse aspecto reveste-se de importância. neste texto vou me concentrar na contribuição da disciplina educação física (EF) para a "educação corporal" que acontece na escola. Ele precisa. foi fortemente influenciada pela instituição militar e pela medicina. da conduta do corpo. porque humano. o corpo sofre a ação. Educar o comportamento corporal é educar o comportamento humano. Isso vai ser feito numa perspectiva terapêutica. Trata-se do entendimento de que a educação corporal ou o movimento corporal é atribuição exclusiva da educação física. uma vez que humano. ser alvo de educação. a dimensão das relações hierárquicas. No entanto. por outro. a instalação dessa prática pedagógica na instituição escolar emergente dos séculos XVIII e XIX. como. mesmo porque educação corporal é educação do comportamento que. os aspectos do conhecimento propriamente dito. . portanto. mas também internas. mas principalmente pedagógica. uma vez que o tratamento do corpo na EF sofre influências externas da cultura de maneira geral. das necessidades sanitárias (corpo "saudável"). a escola promove a "educação corporal". a ginástica: Jahn e Hitler na Alemanha. exatamente porque causava um certo malestar à cultura dominante. Sem dúvida. assim produzido historicamente. das necessidades de adaptação e controle social (corpo dócil). Nos dizeres de Faria Filho (1997. Alvo das necessidades produtivas (corpo produtivo). ou seja. Educar o corpo para a produção significa promover saúde e educação para a saúde (hábitos saudáveis. observância de preceitos. e sim humano. O déficit de dignidade do corpo vinha de seu caráter secundário perante a força emancipatória do espírito ou da razão. Portanto. Antes é imprescindível fazer uma observação quanto a um equívoco que grassa no âmbito da educação física. normas. da própria instituição escolar. Nesse sentido.

2 Melhorar o funcionamento dessa máquina depende do conhecimento que se tem de seu funcionamento e das técnicas corporais que construo com base nesse conhecimento. está desde cedo muito fortemente orientada pelos princípios da concorrência e do rendimento (Rigauer 1969). "lise") pela racionalidade científica. enaltecimento do prazer corporal.. O corpo não pensa. ou seja. o que é igual a analisado (literalmente. com o registro de recordes.a aeróbica do Senhor). da nossa natureza corporal. como aumento da resistência. o nascimento da EF se deu. um saber em alguma medida oficial sobre o corpo. Outro fenômeno muito importante para a política do corpo foi gestado e adquiriu grande significação social nesse período histórico (séculos XIX e XX). Esses movimentos são signatários do entendimento de que a educação da vontade e do caráter pode ser conseguida de forma mais eficiente com base em uma ação sobre o corpóreo do que com base no intelecto. Paulatinamente no século XX saímos de um controle do corpo via racionalização. Assim.Mussolini na Itália e Getúlio Vargas e seu Estado Novo no Brasil. com enfoque psicológico. respeito às regras e normas das competições etc. Aumento do rendimento atlético-esportivo. a esportiva. O corpo é alvo de estudos nos séculos XVIII e XIX. A ciência fornece os elementos que permitirão um controle eficiente sobre o corpo e um aumento de sua eficiência mecânica. portanto. é preciso intervir no e pelo corpóreo (o exemplo mais recente é o movimento carismático da Igreja Católica no Brasil . portanto. fundamentalmente das ciências biológicas. a medicina representa. por outro. Ciência é controle da natureza e. foi também legitimado pelo conhecimento médico-científico do corpo que referendava as possibilidades. da força etc. quanto comportamentais. por um lado. em nossas sociedades. para um controle via estimulação. ou melhor. Treinamento esportivo e ginástica promovem a aptidão física e suas conseqüências: a saúde e a capacidade de trabalho/rendimento individual e social. Este último aspecto ou esta última característica é comum a outra técnica corporal incentivada pelos filantropos e pela medicina na Europa continental que é a ginástica. objetivos . Essa prática corporal. repressão. Como lembra Le Breton (1995). Voltaremos a isso mais adiante. para cumprir a função de colaborar na construção de corpos saudáveis e dóceis. e. O corpo aqui é igualado a uma estrutura mecânica . onde o controle do comportamento pela consciência falha. de mudanças históricas. com enfoque biológico. Mas novamente esse entendimento vai se alterar e mais uma vez em consonância com alterações de ordem mais geral.a visão mecanicista do mundo é aplicada ao corpo e a seu funcionamento. a necessidade e as vantagens de tal intervenção sobre o corpo. é alcançado com uma intervenção científico-racional sobre o corpo que envolve tanto aspectos imediatamente biológicos. Normas e valores são literalmente "incorporados" pela sua vivência corporal concreta. Le Breton 1995) como o momento mais importante dessa inflexão. lá. da forma como se produz e reproduz a vida. como hábitos regrados de vida. Foucault (1985) identifica uma mudança importante da ação do poder ou do envolvimento do corpo pelos/nos micropoderes. A obediência aos superiores precisa ser vivenciada corporalmente para ser conseguida. com uma educação estética (da sensibilidade) que permitisse uma adequada adaptação ao processo produtivo ou a uma perspectiva política nacionalista. é algo mais do plano do sensível do que do intelectual. é pensado. Muitos estudos citam a década de 1960 (Courtine 1996.

ela foi sendo progressivamente substituída por uma concepção um tanto diferente das finalidades da cultura física. por exprimir e mesmo reforçar um medo do prazer.. assim como a ginástica. com as repercussões que todos conhecemos na educação física. o qual é incorporado à política do corpo mais geral. da moradia. afirma que é "um conjunto extremamente complexo (. ao mesmo tempo em que invadiam o sentimento de que se podia legitimamente buscar no exercício muscular uma gratificação pessoal e um prazer do corpo. agregando agora. Interessante observar que Foucault (1985. dessa função confusa saíram personagens.. propiciando inclusive a construção do conceito de "Cristandade Muscular". uma higiene pública. 99) É claro que o esporte. A ética puritana do trabalho tinha se infiltrado profundamente nas práticas esportivas. E hoje assistimos a uma proliferação de categorias de trabalhadores sociais". sem necessidade de mudar seus princípios mais fundamentais. O espírito de competição. A ginástica é parte importante do movimento médico-social do higienismo. apresenta vários sentidos/significados e ligações sociais. quando perguntado sobre quem coordena a ação dos agentes da política do corpo.). p. A emergência do esporte após a Guerra Civil ocorreu sobre o pano de fundo de um individualismo disciplinado. o movimento olímpico permitiu conferir. sido investidos pelo esporte.da política do corpo. instituições. A pedagogia da EF incorporou. (Courtine 1995. esta lógica de organização racional e de ordem moral já estava em declínio.. Entre estes. 151).. Por exemplo. como mostrou Soares (1997). Um cuidado com o bem-estar individual aparece nas críticas da ética puritana formuladas desde então. Mais tarde. o esporte. psicólogos. Reprova-se essa ética por investir a totalidade da energia do indivíduo americano em fins puramente utilitaristas. Entretanto. e para o fato de que o esporte passa a substituir. no final do século XIX. Tomemos o exemplo da filantropia no início do século XIX: pessoas que vêm se ocupar da vida dos outros. saberes. a ginástica como técnica corporal que corporifica/condensa os princípios que precisam ser incorporados (no duplo sentido) pelos indivíduos. ou seja. Durante as primeiras décadas deste século. segundo Grieswelle (1978). pela categoria política da nação. p.. exigindo auto-sacrifício e devotamento a uma causa comum.. seguramente podemos situar os professores de EF. Courtine (1995) mostra de forma brilhante como o puritanismo absorve esse tipo de prática corporal nos Estados Unidos. Interessante observar que a adesão ao esporte na Inglaterra puritana. o desejo de vencer tinham. deveu-se também ao fato de este ter incorporado o princípio do rendimento que o aproximou da ética do trabalho. com vantagens. em virtude das intersecções sociais . conferindo-lhe um significado coerente com a doutrina religiosa e com os valores culturais dominantes. de sua saúde. mais ainda que no passado. assistentes sociais. essa "nova" técnica corporal. inspetores. Chamo aqui a atenção para a combinação de dois fatores. da alimentação. um significado mais imediatamente político aos resultados esportivos. é um fenômeno polissêmico. como se a utilidade social destas práticas devesse ser julgada apenas de acordo com seu critério.

Tal combinação de objetivos fica muito clara no conhecido Diagnóstico da Educação Física/Desportos. auxiliadas pela medicina. Ao contrário. aliás. pela contribuição que traria para afirmar o país no concerto das nações desenvolvidas (Brasil potência) e pela sua contribuição para a primeira. até o advento das ciências do esporte nos anos 70. que teve forte influência na trajetória da EF brasileira. para a aptidão física da população.(principalmente políticas) desse fenômeno. Pelo Diagnóstico da EF/Desportos. preparar as novas gerações para representar o país no campo esportivo (internacional). no entanto. É claro que no percurso da hegemonia desse paradigma ele foi contestado. como conhecimento fundamentador da EF. e que tal importância estava ligada ao desenvolvimento da aptidão física e ao desenvolvimento do desporto: a primeira. nada que pudesse abalar seriamente seus princípios. fica claro que a EF (no sentido lato) possuía um papel importante no projeto de Brasil dos militares. ou seja. Como os princípios eram os mesmos e o núcleo central era a intervenção no corpo (máquina) com vistas ao seu melhor funcionamento orgânico (para o desempenho atlético-esportivo ou desempenho produtivo). significava a ausência da reflexão pedagógica. A entrada mais decisiva das ciências sociais e humanas na área da EF. o conhecimento básico/privilegiado que é incorporado pela EF para a realização de sua tarefa continua sendo o que provém das ciências naturais. principalmente da biologia e seus derivados. alternativas foram propostas. No seio da própria instituição militar. mormente a biologia e suas mais diversas especialidades. permitiu ou fez surgir uma análise crítica do paradigma da aptidão física. como. por exemplo. e o segundo. e foi revitalizado pelo projeto de nação da ditadura militar que aqui se instalou a partir de 1964. como procurei demonstrar em estudo anterior (Bracht 1996). mas como a educação integral não legitima especificamente a EF na escola (ou na sociedade) e sim o seu específico. O de que o predomínio do conhecimento das ciências naturais.ver a esse respeito Gonçalves (1971) -. o teorizar no âmbito da EF era sobretudo de caráter pedagógico. Mas esse viés . Falava-se na educação integral (o famoso caráter biopsicossocial). isto é. sustentado fundamentalmente pela biologia. este era entendido na perspectiva de sua contribuição para o desenvolvimento da aptidão física e esportiva. anteriormente citado. novos sentidos/significados. processo que tem vários determinantes. como uma de suas aplicações práticas. porque era considerada importante para a capacidade produtiva da nação (da classe trabalhadora) . realizado pelo governo brasileiro e publicado em 1971 (Costa 1971). é claro. Os anos 80 e a crítica ao "paradigma da aptidão física e esportiva" O paradigma que orientou a prática pedagógica em EF descrito no item anterior esteve presente desde a origem e durante a implementação no Brasil. e pelos documentos da política de desenvolvimento dos esportes e da educação. voltado para a intervenção educativa sobre o corpo. extremamente abundantes nesse período.3 Neste ponto aproveito para abordar um outro equívoco recorrente na área da EF. muitos de seus intelectuais foram influenciados nas décadas de 1920 a 1950 pelo movimento escolanovista e pensaram a educação e a educação física com base nos princípios dessa teoria pedagógica.

A educação física.encontra-se num movimento mais amplo que tem sido chamado de movimento renovador da EF brasileira na década de 1980. Por esse viés. já em simbiose com a EF. a prática acontece ainda balizada pelo paradigma da aptidão física e esportiva. A década de 1980 foi fortemente marcada por essa influência. depois de mais de 15 anos de debate. 243-252. entendido como aquele produzido pelas ciências naturais ou com base em seu modelo de cientificidade. e crescentemente. muito influenciadas pelas ciências humanas.4 ou seja. o campo da EF passa a incorporar as discussões pedagógicas nas décadas de 1970 e 1980. no mundo e no Brasil. O discurso (neo)cientificista da EF visava também à legitimação desta no âmbito universitário. e da EF em particular. no Brasil. portanto. principalmente a sociologia e a filosofia da educação de orientação marxista. entendia-se que faltava à EF ciência. hoje. inicialmente no exterior. constituindo-se aos poucos uma corrente que inicialmente foi chamada de revolucionária. este. o da denúncia -. O eixo central da crítica que se fez ao paradigma da aptidão física e esportiva foi dado pela análise da função social da educação. em grande medida em virtude da importância da instituição esportiva. o movimento progressista apresentavase bastante homogêneo. é possível identificar um conjunto de propostas nesse espectro que apresentam diferenças importantes. ver Sobral 1996. passa a constituir-se mais claramente um campo acadêmico na/da EF. Um primeiro momento dessa crítica tinha um viés cientificista. mas também. O segundo momento vai permitir. então. A seguir apresentamos de forma resumida algumas delas. uma crítica mais radical à EF. campo este que se estrutura a partir das universidades (entre outros.5 . A partir da década de 1970. como participante do sistema universitário brasileiro. como elementos constituintes de uma sociedade capitalista marcada pela dominação e pelas diferenças (injustas) de classe. por sua vez. que ele não rompia com o próprio paradigma da aptidão física. Principalmente com base nessa influência. como veremos a seguir. num primeiro momento digamos. Embora a prática pedagógica ainda resista a mudanças. pp. Toda a discussão realizada no campo da pedagogia sobre o caráter reprodutor da escola e sobre as possibilidades de sua contribuição para uma transformação radical da sociedade capitalista foi absorvida pela EF. e Bracht 1996). várias propostas pedagógicas foram gestadas nas últimas duas décadas e se colocam hoje como alternativas. O quadro das propostas pedagógicas em EF apresenta-se hoje bastante mais diversificado. Um grupo desses docentes optou por buscar os cursos de pósgraduação em educação no Brasil. Se. acaba por incorporar as práticas científicas típicas desse meio. Uma das conseqüências será a busca de qualificação do corpo docente dos cursos de graduação em programas de pós-graduação. Nesse período vamos assistir à entrada em cena também de outra perspectiva que é aquela que se baseia nos estudos do desenvolvimento humano (desenvolvimento motor e aprendizagem motora). Era preciso orientar a prática pedagógica com base no conhecimento científico. mas que também foi denominada de crítica e progressista. O desconhecimento da história da EF fez com que não se percebesse que esse movimento apenas atualizava o percurso e a origem histórica da EF e.

ou educação psicomotora.da organização da identidade dos dados da realidade. da USP. hoje acompanhado na tarefa por um . que exerceu grande influência na EF brasileira nos anos 70 e 80. em termos mais genéricos. embora preocupada com a cultura especificamente infantil. da UFSC. Outra proposta nesse espectro é a que se denomina críticoemancipatória e que tem como principal formulador o professor Elenor Kunz.do aprofundamento da sistematização do conhecimento). da UFSM. o esporte. Essa proposta baseia-se fundamentalmente na pedagogia históricocrítica desenvolvida por Dermeval Saviani e colaboradores. 4º . propõe que este seja tratado de forma historicizada. publicado em 1992. Considerando os avanços do conhecimento biológico acerca das repercussões da atividade física sobre a saúde dos indivíduos e as novas condições urbanas de vida que levam ao sedentarismo. e autointitulou-se crítico-superadora. conforme podemos perceber pela reportagem recente da revista Nova Escola. Uma delas está consubstanciada no livro Metodologia do ensino da educação física.a proposta limita-se a oferecer fundamentos para a EF das primeiras quatro séries do primeiro grau . Essa proposta vem sendo criticada exatamente porque não confere à EF uma especificidade. Nessa perspectiva o movimento é mero instrumento. Influência esta que está longe de ter-se esgotado. pode igualmente ser colocada como próxima às duas anteriores. Entende essa proposta que o objeto da área de conhecimento EF é a cultura corporal que se concretiza nos seus diferentes temas. Sistematizando o conhecimento da EF em ciclos (1º . as lutas. levado a efeito com base no mote da promoção da saúde.Uma dessas propostas é a chamada abordagem desenvolvimentista. e seus autores principais são os professores Go Tani e Edison de Jesus Manoel. de modo a atender essa criança em suas necessidades de movimento. a promoção da saúde. e Ruy Jornada Krebs. 3º da ampliação da sistematização do conhecimento. essa proposta revitaliza a idéia de que a principal tarefa da EF é a educação para a saúde ou. a dança e a mímica. portanto. ficando seu papel subordinado a outras disciplinas escolares. o jogo. a ginástica. quais sejam. Esse é o caso de duas outras propostas que vão mais explícita e diretamente derivar-se das discussões da pedagogia crítica brasileira. A sua idéia central é oferecer à criança . As propostas abordadas até aqui têm em comum o fato de não se vincularem a uma teoria crítica da educação. não sendo as formas culturais do movimentar-se humano consideradas um saber a ser transmitido pela escola. porque fundamentada também basicamente na psicologia do desenvolvimento. de um coletivo de autores. Sua base teórica é essencialmente a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. no sentido de fazer da crítica do papel da educação na sociedade capitalista uma categoria central. A proposta do professor João Batista Freire (Unicamp). 2º .oportunidades de experiências de movimento de modo a garantir o seu desenvolvimento normal.da iniciação à sistematização do conhecimento. intitulada "A educação física dá uma mãozinha". na qual se demonstra como a EF pode auxiliar no ensino de matemática (Falzetta 1999). Observe-se que próxima a essa abordagem podemos colocar a chamada psicomotricidade. Talvez devêssemos também fazer menção a um movimento de atualização ou renovação do paradigma da aptidão física. de maneira a ser apreendido em seus movimentos contraditórios.

sendo o esporte de rendimento paradigmático nesse caso. e considerando que a concepção fechada inibe a formação de um sujeito autônomo e crítico. as competências para tal: a lógica dialética para a crítico-superadora. perspectiva esta influenciada pelos estudiosos da Escola de Frankfurt. A linguagem corporal dominante é "ventríloqua" dos interesses dominantes. de forma a desenvolver nos alunos a capacidade de analisar e agir criticamente nessa esfera. o da UFPE e o da UFSM (Visão Didática 1991). em parte. A proposta aponta para a tematização dos elementos da cultura do movimento. Para as teorias progressistas da EF citadas (pedagogia críticosuperadora e crítico-emancipatória). transformam . Laging (Hildebrandt e Laging 1986). propiciar um esclarecimento crítico a seu respeito. resultado da divulgação e do trabalho do professor Hildebrandt no Brasil. O movimentar-se humano é entendido aí como uma forma de comunicação com o mundo. desenvolvendo. o qual foi publicado por dois grupos de estudo. gostaria de ressaltar alguns pontos. este seu orientador no doutorado em Hannover (Alemanha). A proposta de Kunz parte de uma concepção de movimento que ele denomina de dialógica. Assim. As primeiras elaborações do professor Kunz foram fortemente influenciadas pela pedagogia de Paulo Freire (Kunz 1991). concomitantemente. tomadas de estudiosos holandeses como Gordjin.conjunto de colegas que compõem o Núcleo de Estudos Pedagógicos do Centro de Desportos daquela universidade. em Merleau-Ponty. por outro. que foi professor visitante da UFSM. Assim. tornada conhecida no Brasil pelo professor alemão Reiner Hildebrandt. Outro princípio importante em sua pedagogia é a noção de sujeito tomado numa perspectiva iluminista de sujeito capaz de crítica e de atuação autônomas. É imperioso fazer menção também à proposta da concepção de aulas abertas à experiência. e o agir comunicativo para a críticoemancipatória. e também Trebels. por um lado.Trabalhando com a perspectiva de que a aula de EF pode ser analisada em termos de um continuum que vai de uma concepção fechada a uma concepção aberta de ensino. Outra forte influência são as análises fenomenológicas do movimento humano com base. Reproduzi-los na escola por meio da educação física significa colaborar com a reprodução social como um todo. são produtoras de falsa consciência e. ambas as propostas sugerem procedimentos didático-pedagógicos que possibilitem. ao se tematizarem as formas culturais do movimentarse humano (os temas da cultura corporal ou de movimento). Essa proposta está consubstanciada principalmente em dois livros: um de autoria do professor Hildebrandt em conjunto com seu colega alemão R. segundo a interpretação dessas abordagens. Vale ressaltar que as propostas buscam ser um "antídoto" para um conjunto de características da cultura corporal ou de movimento atuais que. o outro. Após esta breve (e insuficiente) descrição das diferentes propostas (não todas) que se colocam como alternativas ao paradigma dominante. desvelando suas vinculações com os elementos da ordem vigente. Tamboer. as formas culturais dominantes do movimentar-se humano reproduzem os valores e princípios da sociedade capitalista industrial moderna. conscientes ou dotados de consciência crítica. os sujeitos poderão agir autônoma e criticamente na esfera da cultura corporal ou de movimento e também agir de forma transformadora como cidadãos políticos. essa proposta indica a abertura das aulas no sentido de se conseguir a co-participação dos alunos nas decisões didáticas que configuram as aulas.

Parece que a visão neotecnicista (economicista) de educação. na escola. Os argumentos vão na mesma direção do exposto quando apresentamos as propostas progressistas do âmbito da EF. mecânico ou mesmo apenas na sua dimensão psicológica. Desafios das propostas pedagógicas progressistas da educação física As propostas pedagógicas progressistas em EF deparam com desafios de várias ordens: desde questões relativas à sua implementação. para poder efetivamente exercer sua cidadania. judô. o movimentar-se humano. encontrar argumentos para legitimar a EF (e a educação artística). por exemplo. da saúde promovida pelo Estado mínimo neoliberal. dadas as mudanças tecnológicas do processo produtivo. ao que tudo indica. às suas bases epistemológicas. sem depender da EF escolar. Além disso. ou seja. . mas. de uma perspectiva crítica de educação. às atividades físicas. No entanto. cultura de movimento ou cultura corporal de movimento aparecem em quase todos os discursos. não mais como algo biológico. hoje. Entendo que essa visão do objeto da EF está alcançando uma quase unanimidade na discussão pedagógica desse campo. pode prescindir hoje da EF e não lhe reserva nenhum papel relevante o suficiente para justificar o investimento público . mas a permitir que o indivíduo se aproprie dela criticamente. até questões mais teóricas que dizem respeito. escolinhas de futebol. voleibol etc.como as escolas de natação.permite o acesso à iniciação esportiva. Introduzir os indivíduos no universo da cultura corporal ou de . o crescimento da oferta e do consumo dos serviços ligados às práticas corporais fora do âmbito da escola e do sistema tradicional do esporte . essa leitura ou esse entendimento da educação física só criará corpo quando as ciências sociais e humanas forem tomadas mais intensamente como referência. é preciso ter claro que a própria utilização de um novo referencial para entender o movimento humano está na dependência da mudança do imaginário social sobre o corpo e as atividades corporais. Parece-nos mais fácil. de como fazer com que sejam incorporadas pela prática pedagógica nas escolas. hoje também não na perspectiva conservadora. Para realizar tal tarefa é fundamental entender o objeto da EF. paradoxalmente.a revitalização do discurso da promoção da saúde é uma tentativa de setores conservadores de legitimar a EF na escola. Um desses desafios é conquistar legitimidade no campo pedagógico. embora lhes sejam atribuídas conseqüências pedagógicas distintas. mas tem pouca probabilidade de encontrar eco. que enfatiza a preparação do cidadão para o mercado de trabalho. A dimensão que a cultura corporal ou de movimento assume na vida do cidadão atualmente é tão significativa que a escola é chamada não a reproduzi-la simplesmente. e individualização. Os argumentos que legitimavam a EF na escola sob o prisma conservador (aptidão física e esportiva) não se sustentam numa perspectiva progressista de educação e educação física. Portanto. academias. Os termos cultura corporal. haja vista a crescente privatização. e sim como fenômeno histórico-cultural.os sujeitos em objetos ou consumidores acríticos da indústria cultural.

da psicologia da aprendizagem etc. "todo conhecimento é um texto corporal. Sem adotar uma perspectiva internalista nem externalista da história da ciência. onde o corpo passa a ser objeto privilegiado da história. da filosofia etc. para compreender as mudanças que se operam nesse âmbito é preciso analisar também o percurso da "história do corpo". percebe-se a retomada do tema da dimensão não-racional do comportamento humano ou da sua dimensão estética. um verdadeiro boom do corpo. como profissionais ligados à EF. citado por Alves de Lima (1999). à filosofia. da neurofisiologia. principalmente nas três últimas décadas (a partir dos anos 60). Outro ponto que se coloca como um desafio é fazer uma leitura adequada da "política do corpo" (Foucault) ou então de como o "corpo" aparece na atual dinâmica cultural. múltiplas e complexas. esteja mais voltada para a cultura corporal ou de movimento num sentido restrito. Essa (re)descoberta do corpo se dá em várias instâncias e perspectivas e suas razões só podem ser aqui discutidas de forma muito precária. depois da crise da razão iluminista (paradigma da consciência). da filosofia. uma visão de corpo que efetivamente supere a visão moderna apresentada aqui e que foi (é?) a base da EF moderna. "a retomada da importância do corpo foi uma das mudanças mais importantes no pensamento radical presente". da biologia.) levaram a conferir ao corpo ou à dimensão corpórea do homem um significado ou uma importância maior nas teorias explicativas de algumas ciências e a reconhecê-lo como problema ou objeto. Enfim. seria importante perguntar se está se gestando uma nova visão de corpo (um novo significado humano de corpo). Tal (re)descoberta está presente também no meio acadêmico. com suas intersecções sociais. são. principalmente na sua função de afirmar. o advento da indústria do lazer etc. seguramente. Algumas delas possuem importância central para a educação. Podemos constatar. como assevera Eagleton (1998). da antropologia. é possível dizer que desenvolvimentos internos (conhecimentos do âmbito das ciências cognitivas.movimento de forma crítica é tarefa da escola e especificamente da EF. possibilidades de mercadorização do corpo. bem como situar o papel da instituição educacional nesse processo. o corpo passa a ser reconhecido como sujeito epistêmico. as práticas corporais . Mas centrando nossa atenção novamente sobre a dinâmica cultural e sobre como a corporeidade nela se apresenta. Refiro-me às teorias da sociologia.e. O que é possível afirmar é que estas estão vinculadas ao novo status social que a cultura ocidental vai conferir ao corpo.) e externos à ciência (crítica ao caráter repressivo das instituições. pois. por conseqüência. confirmar e reconstruir (porque constantemente contestada) a hegemonia de um projeto histórico. tem uma textura corporal". como coloca Assmann (1996). Embora nossa atenção. objeto de atenção da teoria política às teorias da aprendizagem. campo em que. a possibilidade da vivência do sexo pelo prazer graças aos avanços da anticoncepção. As razões pelas quais o "corpo" . principalmente a partir da década de 1960. no sentido mais amplo. Em que medida as práticas corporais .passa a ser objeto digno das diversas disciplinas científicas. da história e da antropologia que enfatizam a importância da ação sobre o corpo como elemento da ordem social. nas teorias da aprendizagem.

tenderemos a responder afirmativamente à primeira questão acima. 152). a de Lipovetsky (1989). e a pulverização radical dos sentidos/significados dessa vivência seriam indicadores do rompimento com valores próprios da modernidade. . corpo-ter). precisa manter a oposição entre o "que corresponde ao corpo e o que corresponde ao inapreensível do homem" (Le Breton 1995. isto é. Pois não poderia existir uma liberação do corpo e sim uma liberação do homem mesmo. 160). Essas pedagogias se nutrem de um projeto alternativo de sociedade que precisa se afirmar diante do hoje hegemônico. mas esse paradigma mantém sua influência de forma mais ou menos oculta" (p. outra atenção.da atual dinâmica cultural ainda são tributárias fiéis daquela visão moderna de corpo? (corpo-máquina. se mudou o imaginário do corpo. Neste entusiasmo. p. "a paixão pelo corpo modifica o conteúdo do dualismo sem mudar sua forma. também entende que o momento narcísico do corpo corresponde não a um laisser-aller hedonista. hoje realmente há outra visão no discurso que se faz acerca do corpo. que não admite simplificações . multiplicam-se hoje.e que por isso mesmo se coloca como desafio. 105). 138) Para o autor. cujos signos. por exemplo. Se adotarmos uma postura mais próxima da perspectiva pósmoderna. Outro desafio situa-se no plano mais especificamente epistemológico.) necessita manter a diferenciação homem-corpo. Se estamos num momento de transição na cultura ocidental caminhando para uma cultura pós-moderna -. sem culpa. Já para Le Breton. Viver o corpo com base nos valores do presentismo e do narcisismo. Ele não corresponde a uma dispersão da herança puritana. questiona fortemente a pretensão de verdade da ciência (ou da razão científica). (1995. O desafio se amplia na medida em que essas mudanças ou permanências estão articuladas com as estruturas e os movimentos sócio-históricos mais amplos que são o alvo. p. produtos para o corpo etc. a uma intensificação dos controles. das pedagogias progressistas. O dualismo de que fala Le Breton é o entre homem e corpo (e não mente-corpo). e com isso acaba atingindo o núcleo central da pedagogia crítica que é exatamente sua pretensão de superar. que significasse para o sujeito uma maior plenitude. de modo mais ou menos explícito. normas sociais modificadas. Daí a importância de uma leitura adequada da realidade que possa se articular com um projeto alternativo realizável. Courtine (1995. porém sem que se alterasse o paradigma dualista. mas antes a uma repuritanização dos comportamentos. indefinido. Tende a psicologizar o `corpo-máquina'. É sabido que um movimento. em última instância. analisando o caso dos Estados Unidos. A mercadorização do corpo (técnicas corporais. muito influente no momento. E isto através de um uso diferente das atividades físicas ou de uma nova aparência. mas a um reforço disciplinar. que tem por base o dualismo homem-natureza. estamos num campo bastante complexo. Separar o corpo do sujeito para afirmar a liberação do primeiro é uma figura de estilo de um imaginário dualista. como. há outra visão. p.

Mas talvez valha a pena reproduzir ainda um comentário de Tomaz T. recupera o materialismo radical de L. The text presents the pedagogic theories that. Feuerbach. 137). 2. 5. superar uma visão superficial. are placed in a critical perspective in relation to the uses and meanings attributed by the capitalist society to the corporal practices. que persiste e é reforçado pelos meios de comunicação de massa. a ideologia. passando pelo fato de que as pedagogias progressistas em EF ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento. não radicada na sensibilidade é (. 3. um dos mais importantes teóricos da tradição crítica na educação: "esses questionamentos colocam em questão a própria utilização do termo `crítico' ou pelo menos nos obriga a repensá-lo. Notas 1. porque não mais orientada para a totalidade e sim para uma metade abstraída da sensibilidade. não mais verdadeira. Para uma apresentação mais detalhada. seeking demonstrate how these theories reflect the conception and the meaning body human engendered in modern society. Programa de pós-graduação em Educação/Unimep (mimeo. distorcida ou falsa da realidade. O esporte de alto rendimento é de certa forma uma metáfora dessa máxima. And. remeto o leitor aos estudos de Caparroz (1997) e Ferreira (1995). "Pedagogia no exército e na escola: A educação física brasileira (1880-1950)". 4.. É claro que os pontos citados não esgotam a agenda das teorias pedagógicas críticas da educação física. Não creio [diz ele] que haja presentemente alguma resposta fácil a esse importante desafio". em seu livro Philosophie der Leiblichkeit (Filosofia da corporeidade). Tese de doutorado apresentada para qualificação. in the field of the Physical Education. Para uma análise crítica das propostas pedagógicas da educação física brasileira construídas na década de 1980.). consultar Castellani Filho (1999). Reitemeyer (1987). there's a possibility of breaking the modern vision of . finally. p. Ferreira Neto. As razões são muitas e diversas. classificando as abordagens em propositivas e não-propositivas. mostrando como a dimensão corpórea (a sensibilidade) encontrava na sua visão de mundo uma posição de destaque: "Razão não sensível. Não será possível aqui aprofundar a questão. 43). through this discussion.por meio de uma leitura crítica da realidade (do esclarecimento). até o fato de que a formação dos atuais professores de EF ocorreu em cursos de graduação cujo currículo ainda fora inspirado no referido paradigma. da Silva (1993. Pedagogical theories cosntitution of phisical education ABSTRACT: The present rehearsal analyzes the process of construction of the pedagogic theories of the Physical Education in Brazil. embora já constituam uma pauta bastante volumosa.) irreal.. Indicações precisas desse processo encontram-se no texto de A. Vão desde a pressão do contexto cultural e do imaginário social da EF. assim ela não preenche mais os quesitos da razão" (p.

[ Links ] FARIA FILHO. J. 1996. [ Links ] GRIESWELLE.B.M. de e VAGO. L. de (org.V. Rio de Janeiro: Graal. Dissertação de mestrado. J. 81-114.-J. E. mar. (orgs.E. 1971. 1999. Stuttgart: Kohlhammer. Políticas do corpo. [ Links ] COURTINE. In: SOUSA. 1997. S.) [ Links ] BRACHT. [ Links ] GIL. educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. V. Campinas: Autores Associados. e BRACHT. 1996. "Pós-modernidade e agir pedagógico: Como reencantar a educação". contemplating on the challenges that this transition places for Education and Physical Education. Belo Horizonte: Cultura. Lisboa: Quetzal. 1995.A.M. D. Trilhas e partilhas. Belo Horizonte. [ Links ] COSTA. Trilhas e partilhas: Educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. In: FERREIRA NETO. J. In: SOUSA.). Metodologia do ensino da educação física. In: Anais do IV Encontro Nacional de História do Esporte. 1995. "História da escola primária e da educação física no Brasil: Alguns apontamentos". 1997.S. T. "Teoria da educação física: Bases epistemológicas e propostas pedagógicas". "A educação física no sistema educacional brasileiro: Percurso. de. 1978. Revista Nova Escola. (orgs. 1994. Monstros. [ Links ] _______. "A construção do campo acadêmico `educação física' no período de 1960 até nossos dias: Onde ficou a educação física?". da. Subsídios para implantação de uma política nacional de desportos. [ Links ] FERREIRA. [ Links ] CASTELLANI FILHO. [ Links ] FALZETTA. Centro de Educação/UFPe. Sportosoziologie..S.P. São Paulo: Estação Liberdade.). pp. 13-23. paradoxos e perspectivas".P. Florianópolis. In: SANT'ANNA. L. "Educação física: Conhecimento e especificidade". (orgs. Vitória: CEFD/Ufes. (Mimeo.). [ Links ] . pp. As ciências do esporte no Brasil. 140-148. "Pensamento epistemológico da educação física brasileira: Das controvérsias acerca do estatuto científico".body. Tese de doutorado. pp. Palestra no VIII Endipe. São Paulo: Cortez. T. Campinas: Faculdade de Educação/Unicamp. A. 43-58. 5a ed. "Os stakhanovistas do narcisismo". GOELLNER. [ Links ] GONÇALVES. F. L. 1992. 1999. M. 1971. R. H.) [ Links ] ASSMANN. 1995.G.M. 1999. D. Entre a educação física na escola e a educação física da escola. [ Links ] FOUCAULT. [ Links ] COLETIVO DE AUTORES. [ Links ] CAPARROZ. "A educação física dá uma mãozinha". pp.). Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura: Fundação Nacional de Material Escolar. Lazer e Educação Física. Bibliografia ALVES DE LIMA. M. V. de e VAGO. Belo Horizonte: Cultura. Diagnóstico de educação física/desportos no Brasil.L. 1997. Brasília. (Mimeo. Microfísica do poder. H. E.

1989. disciplina e interdisciplinaridade".GRUPO DE TRABALHO PEDAGÓGICO (UFPE/UFSM).T. Educação física: Da alegria do lúdico à opressão do rendimento. [ Links ] SOARES.T. pp. W.1598 / 7539 . T. All the content of the journal. Philosophie der Leiblichkeit. 1996. In: SILVA. [ Links ] * Professor de Educação Física do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Espírito Santo. Visão didática da educação física. [ Links ] REITEMEYER. 1988. Para uma teoria da educação física. Sport und Arbeit. D. [ Links ] RIGAUER. In: FERREIRA NETO. 1991. [ Links ] SOBRAL. Pesquisa histórica na educação física. 1988. 143-152. pp. 1976. da. "Imagens do corpo `educado': Um olhar sobre a ginástica no século XIX". Rio de Janeiro: Ao livro técnico. Concepções abertas no ensino da educação física. [ Links ] KUNZ. da.J. da (org.L.Unicamp 13084-971 Campinas SP . / Fax: (55 19) 3289 . Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. [ Links ] SANTIN. T. F. "Sociologia da educação e pedagogia crítica em tempos pós-modernos". Buenos Aires: Nueva Visión.). [ Links ] LE BRETON. Frankfurt: Suhrkamp. "Currículo. C. Antropologia del cuerpo y modernidad. is licensed under a Creative Commons License CEDES Caixa Postal 6022 . G. 1991. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 128137. 1995. [ Links ] SILVA. "Cientismo e credulidade ou a patologia do saber em ciências do desporto". Lisboa: Antropos. [ Links ] _______. 5-32. [ Links ] LIPOVETSKY. Unsere postmoderne Moderne. Porto Alegre: Artes Médicas.Brazil Tel. R. pp. 17(2).). S. Educação física: Ensino & mudanças. 17(2). [ Links ] HILDEBRANDT. B. Porto Alegre: Edições EST/Esef. R. [ Links ] VEIGA NETO. 1994. except where otherwise noted. U. [ Links ] WELSCH. Frankfurt: Shuskamp. 1993. (org. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Vitória: CEFD/Ufes. 1997. E. 1986. Teoria educacional crítica em tempos pós-modernos. 1996. Lisboa: Diabril. A era do vazio. A. Ijuí: Unijuí. A. Weinheim: Acta Humaniora. e LAGING. 1969.

br services Parte superior do formulário S0101-32621999 http://w w w .unicamp.cadernos@cedes.sciel Parte inferior do formulário • • • • • • • • • • • custom services Article in pdf format Article in xml format Article references Curriculum ScienTI How to cite this article Access statistics Cited by SciELO Similars in SciELO Automatic translation Send this article by e-mail .sciel Parte inferior do formulário Parte superior do formulário S0101-32621999 http://w w w .sciel Parte inferior do formulário Parte superior do formulário S0101-32621999 http://w w w .

Essa nova cultura escolar substituiu paulatinamente o modelo escolar até então existente. que repercutiu e ampliou um movimento de afirmação social da escola. contribuindo para o projeto social republicano. Ancorado em procedimentos da história cultural da educação. Nelas. a cultura escolar confundia-se com a cultura da população. foi inicialmente representada como recurso de regeneração da raça e de preparação para o trabalho. Para discutir o momento inicial desse processo. não se pretendia mais que instruir as crianças pobres nas primeiras letras e nas quatro operações . dirigidas por um professor remunerado pelo Estado ou por particulares. remonta ao século XIX. sem ambições de mudar hábitos. em 19061. novas maneiras de representar a educação e a sociedade colocam desafios para a permanência da educação física nas práticas escolares. tomarei como referência a reforma do ensino promovida no estado de Minas Gerais. CEDES vol. baseado em escolas isoladas. funcionando na sua própria casa. cotejando-se dois momentos históricos importantes da educação: um em Minas Gerais (a reforma do ensino de 1906) e o outro no Brasil (os novos ordenamentos legais). Ao final do século. 1999 doi: 10. os muitos problemas vividos nas décadas seguintes à Proclamação da República fortaleceram a crença de intelectuais e políticos republicanos mineiros de que a construção de uma nação e um Estado prósperos dependia. comportamentos e valores das crianças. e o conhecimento escolarizado era o conhecimento do próprio mestre.1590/S0101-32621999000100003 Início e fim do século XX: Maneiras de fazer educação física na escola Tarcísio Mauro Vago* RESUMO: Neste texto problematiza-se o enraizamento escolar da educação física. da tríade . levando à conformação e à organização de uma primeira cultura escolar na capital e em todo o estado de Minas Gerais.19 n.48 Campinas Aug. ensino.2 De fato. em grande parte. no princípio do século XX. indica-se que a educação física. educação física Aparecimento de uma cultura escolar e enraizamento da educação física A presença da educação física nas práticas escolares.ler. e neste artigo defende-se sua inserção como área do conhecimento responsável pela escolarização da cultura corporal de movimento. em igrejas ou em sala por ele alugada ou cedida pelos poderes públicos ou mesmo por pessoa física. e desde então ela experimenta um processo permanente de enraizamento escolar. Com elas. Palavras-chave: Educação. escola. de turma única. escrever e contar constituíam suas únicas finalidades.Cadernos CEDES Print version ISSN 0101-3262 Cad. no Brasil. cultura escolar.

em contraposição àquele considerado feio. ativo."educação intellectual. uma tentativa de desqualificar ou. higiênico. com o qual pretendia-se muito mais que apenas instruir as crianças: era preciso educá-las nas boas maneiras e dar-lhes uma profissão. Com efeito. tido e havido por analfabeto. imponentes.5 Na cultura escolar . pois. em sentido alargado. de comportamentos e mesmo de perspectivas pessoais. considerados templos do saber. a escola é considerada um instrumento central para a superação da grave crise que o regime republicano experimentava e da qual Minas Gerais não escapara. Para essa "educação physica" das crianças. p. De fato. tendo "como finalidade última racionalizar o conjunto do social" (Faria Filho 1995. fraco. attingindo os beneficios della a propria vida economica". ao mesmo tempo. provocaria nas crianças uma mudança de sensibilidade. caberia a missão de operar "uma verdadeira revolução nos costumes. Com tais monumentos e a organização de sua cultura. majestosos. higiênicos e assépticos — os grupos escolares. "teremos em vez de um exercito de analphabetos a povoarem as officinas. estava o corpo das crianças: a organização da cultura escolar deveria cultivar um corpo belo. em face dos desafios postos pela complexidade social. O advento desse novo molde escolar tem em vista responder à expectativa de formar aqueles que seriam os cidadãos republicanos . organizado sob a lógica capitalista de produção. o sistema público de educação primária de Minas Gerais experimenta então um processo de racionalização que visava dar conta de suas tarefas cada vez mais amplas e complexas. No cerne. As escolas isoladas foram criticadas como inoperantes. disciplinados. então. Ela mesma seria o locus do saber legitimado e autorizado como necessário à prosperidade da nação. como a casa. nesse momento. de maneiras amaciadas. racional. Com essa reforma. sem controle do Estado. sob o ponto de vista moral. forte. que se tornava complexo e se industrializava. Desejava-se que esse operariado alfabetizado oferecesse "garantias de economia e incremento" à indústria que se tentava organizar em Minas e no país. precárias. de linguagem. sujo e preguiçoso. de subestimar o conhecimento e o saber de que as crianças eram portadoras. aprendidos em práticas culturais realizadas em outros tempos e espaços sociais. À escola. que assim poderiam contribuir para o desejado progresso social. muitos dispositivos foram mobilizados. ordeiro. agora. a relação precoce com pequenos trabalhos.4 A escola. ainda. a escola passava gradativamente "dos pardieiros aos Palácios". um pessoal operario sufficientemente preparado para exercitar os seus misteres com intelligencia e aptidão". Ora. moral e physica" do povo. não estariam em condições de realizar essa tríade. essa é uma nova representação que vai sendo consolidada em torno do lugar da escola nas práticas sociais. doente. doente e despreparado para as novas formas de trabalho industrial. a rua.civilizados. A inserção do Brasil e do estado de Minas em um mundo moderno. regidas por mestres ignorantes. dependeria de instruir e educar o povo. O primeiro deles foi a construção de prédios próprios para as escolas. esse saber não interessava à escola e deveria ser substituído. Elas deveriam ser uma "excepção condenada ao desaparecimento".3 Um novo modelo escolar deveria então ser implantado. sadios e trabalhadores ordeiros -. como alvo para o qual convergiriam os dispositivos dessa nova cultura escolar. saudável. A afirmação dessa nova representação sobre a escola significou. 96).

haveria uma organização minuciosa dos tempos7 como garantia para a realização de vasto programa escolar capaz daquela "revolução de costumes". Historia do Brasil. com a qual pretendia-se educar as suas mãos. cuidados com os dentes. ensinando-lhes cuidar da sua própria pessoa". com os cabelos e as mãos. Com efeito. Arithmetica. formando angulo recto com a borda da carteira. sendo que. Um exemplo é a cadeira de "Hygiene". Para educar as mãos. e nesse exemplo a seguir podem ser observadas significativas diferenças no tratamento dado ao corpo dos meninos e ao corpo das meninas. Elas deveriam ser acostumadas "desde o primeiro dia. Lingua Patria. em Minas Gerais . asseio do corpo. . — O papel será collocado em posição vertical. os alunos deveriam ficar na seguinte posição: tronco erecto com o peito de frente para a carteira. Esses eram os saberes que aquela cultura escolar que se afirmava estava autorizada a praticar. para uma ampla e profunda "educação physica" das crianças. com os utensilios do trabalho domestico. dele faziam parte as cadeiras de "Leitura. mobilia e todo o material de ensino pratico e intuitivo".era o momento inicial de seu enraizamento escolar. na cadeira de "Escripta". nutrição e respiração.que se afirmava. para aprendê-la. descançando metade do comprimento delles sobre a carteira. foi nessa cultura escolar que essa cadeira foi inserida pela primeira vez nos programas de ensino primário. dispositivos constitutivos de uma cultura escolar até então inusitada. — O assento deve ter altura de modo que ambos os ante-braços fiquem em nivel. é outro exemplo. vestuário e higiene da habitação. sem tocal-a. rapido. Historia Natural. Para a execução de seu programa. A imposição do ensino da letra vertical à criança. Dentre os temas previstos constavam tópicos como a necessidade do banho e do asseio do vestuário. e os pés bem assentados no soalho. Geometria e Desenho. efeitos do fumo e do álcool no organismo humano. familiarizando-os ainda com peças e instrumentos de que tenham de fazer uso". Os grupos escolares seriam providos de "livros didacticos.6 Nesses templos. necessidade da boa mastigação e regularidade das refeições. aproveitando tudo que pudesse para "ministrar-lhes noções precisas para a conservação da saúde e seu bem estar physico. Physica e Hygiene. economico e hygienico". saneamento das casas. Trabalhos Manuaes e Exercicios Physicos". existia ainda a cadeira de "Trabalhos Manuaes". A cadeira de "Exercicios Physicos" foi mais um dos dispositivos para o cultivo do corpo na escola. ao passo que os meninos deveriam ser habituados "ao exercicio do trabalho methodico. para atingir o objetivo desejado de transmutar crianças indigentes em cidadãos republicanos. isto é. ensinandolhes sómente o que for util e pratico". Instrucção Moral e Civica. Geographia. A propósito do programa para o ensino primário. Esse tipo de letra foi considerado "facil. De várias maneiras busca-se implantar uma racionalidade no corpo das crianças. pretendia-se que o cultivo do corpo começasse já na arquitetura do prédio: os espaços deveriam ser eles mesmos educativos. o professorado era instruído a dar noções gerais que facilitassem "aos alumnos o conhecimento do corpo humano". Escripta. alimentação.

Para viabilizar sua inserção no programa. sem forro de taboas e ter o chão ladrilhado ou cimentado sem asperezas". executados metodicamente "à sombra". ainda. que circulava no país. Somente a escola poderia lhes proporcionar tal desenvolvimento. A escolarização dos "Exercicios Physicos". Passa a circular a representação de que a inserção dessa cadeira no programa da escola primária era necessária porque de tais exercícios dependia "o desenvolvimento physico dos futuros cidadãos"." Já para as meninas. e daí resulta a defesa de que o Estado deveria regular e manter na escola um programa racional de educação do corpo das crianças No texto da reforma de 1906 há indícios que permitem vincular o enraizamento escolar da cadeira de "Exercicios Physicos" nos programas escolares de Minas Gerais ao debate sobre a formação racial brasileira. Para eles. dentre outros). no entanto.9 A diferenciação de práticas corporais para meninos e meninas expressa as representações sobre o corpo masculino e o feminino: para eles. a prática central eram as variações de marchas militares. principalmente àquelas freqüentadas por crianças economicamente desfavorecidas.8 Ora. epilépticos. em Minas Gerais. e certamente nas ruas. de combate a epidemias tropicais. Considerou-se que em suas casas. naquele período. como os deficientes. várias estratégias são defendidas (muitas postas em prática) para conseguir a desejada regeneração e o aperfeiçoamento da raça. foi prevista nas plantas dos grupos escolares a construção de "galpões que deveriam ser cobertos com telhas. se a desejada raça brasileira estava em estado de permanente formação como se acreditava. Observe-se que uma preocupação com o aperfeiçoamento e o fortalecimento físico racional e sistemático ficava evidente. para ambos. de higiene e do desenvolvimento de projetos eugênicos (inclusive a defesa da esterilização dos considerados não-regeneráveis. que um instrutor militar fosse solicitado pela direção dos grupos para se encarregar da parte do programa relativa às evoluções militares para os meninos. As práticas corporais que elas realizavam nesses lugares não podiam lhes garantir isso. a delicadeza de exercícios de extensão e flexão. marchas militares. não havia "os meios e a occasião" para tanto.10 Ou seja. uma outra consideração de central importância: a de que muitas daquelas crianças não teriam "em suas casas os meios e a occasião dos exercícios que a escola lhes pode proporcionar". Com efeito. As próprias professoras de cada turma é que assumiriam a responsabilidade pela cadeira de "Exercicios Physicos". exercícios viris. Há. como políticas de saneamento. loucos. Ela prescrevia: "Não se descuide desta parte da educação das creanças na escola". para elas. uma educação racional de seus corpos. Os programas eram distintos para meninos e meninas. prescrevia-se brincar em liberdade no pátio e realizar exercícios de "extensão e flexão de musculos". Afirmava-se assim a escola como o lugar por excelência para a realização das práticas corporais que concorreriam para o desenvolvimento físico das crianças. que deveriam ser executadas observando-se "estrictamente as regras militares. delinqüentes. todas as escolas deveriam . as estratégias para a sua regeneração deveriam se estender também às escolas.A reforma de 1906 realmente obrigou a presença dos "Exercicios Physicos" no programa. mas que deveria respeitar as diferenças entre eles. naquele momento deu-se em grande medida sob o primado da regeneração da raça. Era permitido.

os grupos escolares e a cadeira de "Exercicios Physicos" desempenhariam papéis preponderantes na formação dos cidadãos republicanos de corpos limpos e robustos. ao longo de toda a semana. Resta ver se as crianças não faziam usos não-autorizados dos exercícios e do espaço previsto. sem alterações para os quatro anos do ensino primário. si possivel. Eram reservados 25 minutos diários (inclusive aos sábados) aos "Exercicios Physicos". das 10 às 14 horas). Interditar legalmente o uso comum dos espaços e a prática dos mesmos exercícios é. é importante registrar que a legislação que reforma o ensino em Minas autoriza a inclusão dessa cadeira nas práticas dos grupos escolares de maneira central. Nesse projeto. A sua posição cuidadosamente intercalada às demais cadeiras. macadamisada. os espaços para a ginástica também eram. São cuidados como esses que permitem e provocam o seu paulatino enraizamento escolar nas práticas dos grupos escolares em Minas Gerais. Retomar o momento inicial de enraizamento escolar da educação física em Minas Gerais tem em vista identificar aqui a sua fina sintonia com o projeto de sociedade que se queria implantar. e. Deveriam ser realizadas. seis lições semanais. Revelava-se a pretensão de que meninos e meninas não participassem juntos das mesmas aulas. de fato. naquele momento. e seria usada para "exercicios gymnasticos e evoluções militares". não secundária. portanto. De fato. Era o início do século XX. novas práticas de educação física Inúmeras outras reformas do ensino foram promovidas em Minas Gerais nesses mais de 90 anos que nos separam daquela realizada em 1906. é reveladora da pretensão de que a cadeira de "Exercicios Physicos" assumisse um caráter de recurso higiênico para combater a fadiga intelectual das crianças e o tédio das práticas escolares vigentes.11 Como o programa.13 Novos modelos escolares. o objetivo pretendido. sendo menor apenas que o de aritmética."dispor sempre de uma área conveniente para recreio e exercicios physicos dos alumnos". igual ao destinado à leitura e maior que o de todas as demais cadeiras. que totalizariam 150 minutos. outras foram reorganizadas e . essa área foi planejada para ser "nivelada. a obrigatoriedade de seu ensino. sempre das 11h50 às 12h15 (o horário de funcionamento dos grupos escolares era. As seis lições semanais indicam que ela ocupou uma posição de destaque na grade de distribuição de tempo para as cadeiras. Mas o modelo escolar que foi então estruturado e legitimado manteve algumas de suas características básicas: o conhecimento continuou sendo repartido em disciplinas. a destinação do tempo e a previsão do espaço são indicadores da importância atribuída à cadeira de "Exercícios Physicos". o que levaria à "construção escolar das diferenças" (Louro 1997). promoveu também a escolarização. no início do século XX. o mesmo movimento de constituição de uma nova cultura escolar em Minas Gerais. dentre as quais algumas permaneceram. Ora. Do início ao fim do século. a prescrição de um programa. separados por sexo. asphaltada e coberta". um salto no tempo. Mais tarde. nas décadas seguintes à reforma de 1906. nas plantas dos prédios escolares. um dispositivo que visava à constituição diferenciada de corpos masculinos e femininos. se tomadas isoladamente (inclusive língua pátria e escrita).12 Em síntese.

como centro das decisões de . rendimento. seleção. sociais. em Minas Gerais. O primeiro tem como orientação básica defender uma fina sintonia entre as práticas escolares e as necessidades e os interesses do "deus-mercado" e sua ordem econômica de matriz capitalista:16 o currículo. Esses são alguns indicadores da solidez daquele modelo. de 20/12/1996. ao final do século XX? E a segunda é derivada da primeira: a educação física permanecerá enraizada na cultura escolar? Quanto à primeira. para ficar em apenas um exemplo. são permeados por tensões e conflitos entre os diferentes (e muitas vezes opostos) interesses de ordens diversas colocados no campo da educação escolar . habituando e conformando alunos(as) e professores(as) a eles. que projeto(s) estaria(m) orientando novas maneiras de organizar a escola. e houve uma permanente precarização das condições de trabalho docente (que não se reduz aos aviltantes salários). a seriação anual com promoção mediante avaliação quantitativa também atravessou o século. e em 1998 o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental (e também as do ensino médio. Aqui será destacado.interesses econômicos. que opõe dois primados de organização escolar que revelam também o projeto social a que se vinculam. Os princípios que regem o mercado . com uma visível hierarquia dos saberes escolares.mudaram de nome.Lei nº 9.eficácia. das quais foram destacadas apenas duas para exemplificar: a política de construção de suntuosos prédios para as escolas públicas estaduais há muito desapareceu. muitos rituais escolares que instituem as relações de poder foram mantidos. No plano nacional. Legitima-se o "deus-mercado". aquele por mim considerado central e decisivo. Há também diferenças importantes. tem-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) . ao contrário. No entanto. Aqui. A primeira delas: se um novo modelo escolar foi instituído na reforma mineira de 1906 para viabilizar um determinado projeto de sociedade.devem também orientar as práticas escolares. ainda que mais sutis e dissimulados. a "qualidade total" em educação escolar. há. outras foram desaparecendo. A recepção e o uso desses ordenamentos nas práticas escolares certamente não são consensuais. novas estratégias de conformação do campo escolar estão sendo propostas e realizadas. agora mundializado. com projetos político-pedagógicos que se contrapõem. confrontos em torno da intervenção da escola nas práticas sociais. deve estar estruturado para obedecer às exigências do mercado. esse modelo escolar vem sendo questionado e novas maneiras de organizar a escola.14 os tempos escolares permaneceram distribuídos em rígidas grades de horários. incluindo ou retirando disciplinas de acordo com elas.394. culturais. resultado . políticos. Não por acaso.15 o Ministério da Educação promoveu a elaboração e a distribuição dos chamados Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino fundamental. que não serão tratadas aqui). isto é. desde 1996 novos ordenamentos legais pretendem organizar o campo escolar. também em 1996. observa-se que é um discurso muito próximo daquele contido na reforma mineira de 1906). com efeito. É o primado de uma "pedagogia da eficiência". Preparar alunos(as) para sua futura inserção no mundo do trabalho é o propósito (logo. Isso certamente provoca o surgimento de modelos escolares diferentes. duas perguntas são fundamentais. de forma sintética. de sua contribuição para este ou aquele projeto de sociedade.

deve ser ocupado e potencializado. sendo 5.17 Certamente a problematização em torno das questões ligadas ao mundo do trabalho e ao próprio mercado é mais que necessária.. ao qual me filio. como podem contestá-los. 184). Penso que nossas .. 184) que o professorado pode fazer deles. invenção e reinvenção das práticas culturais . campo de construção de uma cidadania emancipada. com suas possibilidades e carências. Como sujeitos sociais praticantes.que problematiza e transforma o conhecimento já construído.e não de submissão permanente.é um desafio estimulante. seus desejos e sonhos. é que devem estar no centro das práticas escolares e. que podem ser "recebidos. é preciso realçar a "pluralidade dos usos e dos entendimentos" (ibid. do seu uso e da sua interpretação" (ibid. assim. O professorado não assiste (ou não deve assistir) passivamente à imposição de modelos escolares. 186). atuando diretamente na conformação de práticas escolares. Novas maneiras de organizar a escola (e. não como obediência da escola a seus ditames. mas como possibilidade de intervenção social para contribuir em sua transformação. Oposto a esse. mas não abre mão da sabedoria. a escola é um lugar social privilegiado de (e para a) formação humana. Ora. Os seres humanos. É o primado de uma "qualidade social" em educação18 filiado a um projeto de sociedade sem relações de dominação de nenhuma natureza (seja de classe. compreendidos e manipulados de diversas maneiras" (Chartier 1995. podem resistir e criar alternativas para eles. nelas. "a vontade de inculcação de modelos culturais nunca anula o espaço próprio da sua recepção. representa e procura constituir e praticar a escola como lugar de transmissão e produção de cultura. p. p. o segundo primado. tempo social para uma formação humana ampla. O censo escolar brasileiro de 1998 apontou que se aproxima de 36 milhões o número de alunos e alunas matriculados em escolas de ensino fundamental. do conjunto das práticas sociais (como na definição das políticas econômicas e socioculturais do país). Fazê-la diariamente tempo e lugar de produção de cultura . Podem aderir aos ordenamentos e modelos que estão circulando. é justamente isso que a coloca como campo de intervenção social. dos quais mais de 32 milhões estão em escolas públicas (há ainda quase 7 milhões de matrículas no ensino médio. que é tempo de crítica. sujeitos produtores de cultura e capazes de intervenção individual e coletiva. adolescentes e professores(as). por exemplo). p. participam também da instituição e da consolidação de novas práticas escolares. Esse dado confirma que. fruição. de etnia ou de raça. que quer a ciência. Aqui é fundamental destacar a intervenção possível dos(as) professores(as) nesse processo. ao contrário de ser subestimado. Há que se considerar as repercussões desse confronto no corpo de crianças. submetendo o Estado e as pessoas a seus interesses e a suas necessidades. produzindo novos conhecimentos. o enraizamento do ensino de educação física) estão sendo instituídas em confrontos como esses.7 milhões em escolas públicas). Esse espaço é um campo aberto de possibilidades de intervenção por parte do professorado.todas as naturezas (incluindo a educação escolar). de fato. A cultura escolar intervém em outras práticas culturais da sociedade da mesma forma em que sofre a sua intervenção: há entre as práticas escolares e as demais práticas sociais uma relação de tensão permanente . Os interesses em conflito na sociedade estão também presentes na escola. embora não seja o único. de gênero. Com efeito. que. eles(as).

isso seria uma . o rendimento.20 Sua entrada em vigor possibilitou o aparecimento de maneiras diferentes de realizar o ensino de educação física. por exemplo. mas desfigurada de seu caráter de área do conhecimento. e por isso merecem atenciosa reflexão. que inviabiliza sua participação na formação dos alunos .21 Também é possível. no mesmo patamar que as demais.posições e práticas em relação à escola. ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar (art. como portadora de um conhecimento a ser oferecido aos alunos . do qual decorre seu alijamento das discussões que envolvem o conjunto das práticas escolares. Mesmo com dados precários. identificar usos irresponsáveis da lei. Essa lei não definiu critérios para a organização do seu ensino. num movimento de terceirização de serviços. e particularmente em relação ao ensino da educação física. É nesse movimento de confrontos e tensões que discutirei a segunda pergunta: a educação física permanecerá enraizada nas novas maneiras de organização escolar que estão sendo praticadas? Depende. A perda de sua identidade como disciplina curricular .torna-se um tempo à parte. Figurar desfigurada nas práticas escolares traz ainda um dano ao potencial educativo que boa parte do professorado da área vem tentando imprimir ao ensino de educação física. A LDB de 1996 estabelece a obrigatoriedade da presença da educação física nas práticas escolares na educação básica (educação infantil. com desdobramentos que considero danosos a seu ensino e aos alunos. sobretudo em escolas particulares. Nesse caso. tem sido reduzida ao mínimo indispensável para configurar obediência à lei. Exemplo disso é a sua transformação em lugar de treinamento esportivo. ou um produto que a escola oferece aos alunos para atraí-los. provocando o seu esvaziamento como disciplina do programa.22 Radicalizando esse mesmo movimento de descaracterização.é o principal deles. A educação física continuaria figurando no currículo da escola. em que prevalecem e são desenvolvidos princípios de respeito à participação de todos. por exemplo) sejam consideradas substitutas do ensino de educação física realizado na escola. a meu juízo. 26). à busca do lúdico. sobressaindo-se a idéia de redução de despesas com professores e materiais. mesmo em escolas (e ainda mais fora delas). Ora. Interesses econômicos têm marcado interpretações da LDB sobre a educação física. facultando sua presença na educação superior e nos cursos noturnos19 (restringir-me-ei ao nível ensino fundamental). à corporeidade singular dos alunos. em que se privilegia sobremaneira a seleção por habilidade (e conseqüente exclusão). já é possível dizer que sua presença nas práticas escolares. devem estar orientadas por essa realidade. ensino fundamental e médio). um apêndice. a competição e o resultado. É preocupante a desqualificação de uma possível intervenção de caráter amplo e educativo do ensino de educação física sobre todos os(as) alunos(as) em favor de uma intervenção especializada e seletiva do treinamento esportivo na escola. há iniciativas no sentido de aceitar que práticas corporais realizadas fora do ambiente escolar (em academias e clubes. as escolas estariam desobrigandose da tarefa de realizar o ensino de educação física. como a descaracterização do ensino curricular de educação física.isto é. estabelecendo que a educação física deve estar "integrada à proposta pedagógica da escola". A falta de critérios permitiu que se configurasse quase um "vale-tudo" em sua organização escolar.

As diretrizes confirmam a obrigatoriedade da educação física na educação básica. passando de duas para três aulas semanais. isto é. a ginástica. Nada disso interessa quando se quer organizar uma escola na qual o conhecimento que importa transmitir aos alunos é aquele que se considera útil ao ingresso no mercado de trabalho. Ora.27 Creio. iniciativas bem distintas dessa também podem ser citadas. oferece aos alunos uma linha de produtos . como os esportes. quando a educação física foi representada como fundamental para a preparação da mão-de-obra para o trabalho (para a sua preparação. repartindo-se seu conhecimento em várias modalidades de subprodutos.25 Problematizar criticamente essas diretrizes pode contribuir para fazer avançar as práticas escolares de educação física. Esses usos economicamente interessados e irresponsáveis da lei podem ser analisados à luz dos primados que orientam a organização da escola. Na segunda. utilidade. Movimento oposto ao que ocorreu nos momentos iniciais de seu enraizamento escolar. a presença da educação física não está garantida. E. manutenção e recuperação física). em 1998. podendo ser uma importante ferramenta . podendo mesmo ser excluída (desenraizada) das práticas escolares. E aqui há ao menos duas possibilidades de análise. Dois anos depois de promulgada a LDB. estabelecida pela LDB em 1996. os jogos.a educação física é organizada para ser um desses produtos. em vez de desenvolver e praticar uma linha de pensamento. sua exclusão do ambiente escolar. antes expostos. não há que se perder tempo com o ensino de práticas corporais da cultura. em uma escola que se orienta pelas idéias de eficiência. Pode-se perceber que eles aderem fortemente ao primado que vincula e submete a escola ao mercado. consolidando seu enraizamento escolar. que as escolas estão obrigadas a contemplar "em sua integridade". Embora somente o aumento do número de aulas não seja garantia. O mais importante é que. praticados sob a LDB. então. mas possível também em escolas públicas.24 Elas contêm um "conjunto de definições doutrinárias sobre princípios. não dão margem para a descaracterização da educação física como disciplina escolar. na Europa e no Brasil. produtividade. o conhecimento oferecido na educação física não teria muito a contribuir. houve aumento da participação do ensino de educação física na distribuição dos tempos escolares. por intermédio de sua Câmara de Educação Básica. fundamentos e procedimentos da educação básica" que são também obrigatórias para "fundamentar as práticas pedagógicas das escolas" de ensino fundamental. ampliou-se a oportunidade de sua intervenção na formação dos alunos.sentença de morte para o caráter educativo da educação física como prática escolar. tornando-se assim descartável. as danças. a meu juízo. pois. a presença (descaracterizada) da educação física está garantida quando a escola. que as Diretrizes constituem um contraponto legal aos usos interessados e irresponsáveis do ensino de educação física. que no limite provocaria o seu desenraizamento escolar. o Conselho Nacional de Educação. outro dispositivo legal. as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. O exemplo da rede pública estadual de Santa Catarina é suficiente: lá. ela é definida como área do conhecimento26 que integra a Base Comum Nacional do Ensino Fundamental. Ao contrário. instituiu.23 Certamente. mais afeita às escolas particulares. eficácia. Na primeira.

O paradigma . o desenvolvimento e a avaliação das Propostas Pedagógicas das Escolas". Isso é fundamental. criaram-se critérios para eleger valores que devem ser aceitos como indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade. inclusive. respeitando-o e praticando-o. cultura e diferentes linguagens. submergindo no utilitarismo que transforma tudo em mercadoria. vida familiar e social. o esvaziamento e o desenraizamento escolar da educação física.28 Minha interpretação é de que para obedecer ao conjunto de definições legais que emergem da LDB e das Diretrizes Curriculares Nacionais. visando à transformação da vida para melhor. é interessante como nas Diretrizes há uma crítica ao primado de organização escolar submetido aos ditames do mercado e. alargando trilhas que muitos já vinham explorando no ensino de educação física. cada área do conhecimento (e também o diálogo entre elas) deve problematizar esses temas. O ponto de encontro tem sido a acumulação e não a reflexão e a interação. Não parece ser outra a exigência da quarta diretriz aprovada: "Em todas as escolas. segue prescrito na quarta Diretriz. a mesma diretriz exige que todas (todas!) as áreas do conhecimento estejam articuladas em torno de um paradigma curricular estabelecido pelo Conselho Nacional de Educação para nortear o ensino fundamental .30 Para retomar o confronto antes citado. ciência e tecnologia. sexualidade. lúdicas e estéticas de entender o mundo tornou-se hegemônico. Na organização e na realização de seu ensino. às quais a educação física deve estar integrada. ao mesmo tempo.é o paradigma da "Vida Cidadã". Assim também para a educação física. Em nome da velocidade e do tipo de mercadoria. pertence ao ambiente escolar . ou terceirizada? Parece-me não haver dúvida quanto à exigência de ela ser tratada como área do conhecimento e. desfigurada. para que "atendam ao direito de alunos e professores terem acesso a conteúdos mínimos de conhecimentos e valores".29 Ora. à concepção abrangente de educação explicitada nos arts. como estabelecido na LDB. poderia essa diretriz ser respeitada e praticada com a educação física sendo realizada de maneira descaracterizada. nessa condição. deverá ser garantida a igualdade de acesso dos alunos a uma Base Nacional Comum. estão obrigadas a incluir o ensino de educação física. As Diretrizes Curriculares Nacionais podem constituir uma possibilidade de ampliar o primado da educação voltado para as necessidades dos seres humanos. as escolas de ensino fundamental públicas e particulares. contrapondose. de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional". oferecendolhe tratamento curricular sob os mesmos critérios respeitados para as demais áreas do conhecimento.contra a desfiguração. de todo o território nacional. meio ambiente. com oito temáticas de referência: saúde. uma compreensão da presença da escola nas práticas sociais mais próxima do primado da qualidade social: O modelo que despreza as possibilidades afetivas. trabalho. Ademais. para "a organização. 205 e 206 da Constituição Federal. O núcleo da aprendizagem terminaria sendo apenas a criação de rituais de passagem e de hierarquia.a escola é o lugar de sua realização.

o seu desenraizamento estão visceralmente vinculados à idéia de ampliar ou reduzir a escola como lugar de (e para a) cidadania emancipada. o Decreto nº 1. Se no início do século XX a educação física enraizou-se nas escolas de Minas Gerais como recurso higiênico. de 30 de setembro de 1906. de 28 de setembro de 1906. o Decreto nº 1. é fundamental debater perguntas como essas. sem exclusão por nenhum motivo. incluem a Lei nº 439. . a cultura corporal não se esgota no já existente. de 3 de janeiro de 1907.. e aqui recoloco perguntas já apresentadas em outro texto:31 O que seria uma "vida cidadã"? Que projeto histórico de organização social propõe condições socioculturais e econômicas para sustentá-la: aquele que se submete às leis do "deus-mercado" ou o que está sensível e aberto às demandas sociais dos seres humanos? Que políticas públicas podem favorecê-la? Quem está de fato interessado em construí-la em nosso país? No espaço próprio de nossa recepção. No entanto. há possibilidades de intervenção. para atribuir àquele paradigma os sentidos que julgamos necessários para tomá-lo como norteador das nossas práticas escolares.969. Creio que em todos esses âmbitos devemos insistir na defesa (e na prática) de um enraizamento escolar da educação física na cultura escolar como uma área do conhecimento responsável pela problematização e pela prática da cultura corporal de movimentos produzida pelos seres humanos . Então. Notas 1. criam e recriam as práticas corporais da cultura. Os ordenamentos legais da reforma do ensino de 1906.e a escola foi e é um dos lugares dessa produção. políticas de educação e de educação física são formuladas. que as Diretrizes indicam. ao final do século e nas circunstâncias colocadas no presente. os brinquedos. Nesse movimento. de realização do princípio de que os alunos e as alunas podem (e devem) se colocar à disposição de si mesmos quando partilham. de regeneração da raça. usufruem. os jogos. E então a educação física pode ser também tempo e lugar de investigação e problematização da história de alunos e alunas encarnados e presentes na escola. de questionamento dos padrões éticos e estéticos construídos culturalmente para a realização dessas e de outras práticas corporais.960. que revela o conhecimento sobre as práticas corporais da cultura de que são portadores(as). de preparação para o trabalho. Cf. sua permanência nas práticas escolares ou. Faria Filho 1996. ao contrário.947.. práticas escolares são construídas e realizadas. de respeito à corporeidade singular a cada um. construída em sua história de vida. opções são feitas. a Lei nº 1. as lutas. fruem. as brincadeiras. Enfim. promovida pelo governo de João Pinheiro (1906-1910). Em todas. mais do que nunca. consultados para redigir este texto. certamente deve ser criticamente problematizado. de invenção de outras maneiras de fazer os esportes. é preciso praticar a educação física como tempo e lugar de afirmar e reafirmar a vida como ato de resistência e de criação. de 16 de dezembro de 1906. as danças. de garantia do direito de todos(as) participarem. 2.curricular da vida cidadã. a ginástica. aceito e praticado.

inspetor escolar em Juiz de Fora (MG). motivo de muitas preocupações na época. Cf. à sombra!" (Cf. art. como aprendizagem motora. A professora Eustáquia Salvadora de Sousa sintetiza esse programa já no título de sua tese: "Meninos. Secretaria do Interior. e múltiplas foram as representações produzidas acerca de sua intervenção na formação humana. Arquivo Público Mineiro. 9. 1909. Esse é o título da tese de doutorado de Luciano Mendes Faria Filho (1996). 12. como celeiro de atletas. Arquivo Público Mineiro. 4. Cf. 1911. 5. suas características e as faculdades requeridas. escrito em parceria com a professora Eustáquia Salvadora de Sousa (cf. no tocante à cadeira de "Exercicios Physicos". como os promovidos pelo Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE). Viñao Frago 1998a). 13. Schwarcz 1995. 1907. Sobre a distribuição dos tempos escolares. Com o desenvolvimento e a difusão de estudos sobre fadiga escolar. Coleção de Leis. Cf. Algumas dessas maneiras de representar a educação física foram indicadas inicialmente em outro texto. Secretaria do Interior. de toda forma não parece possível negligenciar a pretensão da lei na conformação do campo escolar. 179. Se é certamente necessário confrontar essa distribuição prevista em lei com a que era realizada nas práticas escolares. mais a respeito em Vinão Frago 1998b. em diversos países europeus nas últimas décadas do século XIX. seminários e congressos. em Minas Gerais. como terapia psicomotora. 11. educação física como produtora de uma raça forte e enérgica. a realização de encontros. registro que considero necessário ampliar estudos que procurem pela materialidade dessas (e de outras) representações nas práticas escolares em instituições distintas. a publicação de periódicos. em vários estados e municípios. defendeu-se a necessidade de combinar e variar os exercícios de acordo com sua dificuldade. Mas esse processo de enraizamento escolar não foi homogêneo.3. aqui apenas citadas: educação física como domadora de corpos humanos. a qualificação acadêmica em programas de especialização. . 6. Regulamento do Ensino Primário de Minas Gerais. mestrado e doutorado. Ao indicá-las. como promotora da saúde. Relatórios dos Grupos Escolares. Relatório do Secretário do Interior ao Presidente do Estado. Relatório do Secretário ao Presidente do Estado. Arquivo Público Mineiro. 8. 7. 1907. a organização política e científica de estudantes e professores(as). como produtora e veiculadora da cultura corporal de movimentos socialmente criada. Secretaria do Interior. públicas e privadas. em todos os níveis do ensino. Arquivo Público Mineiro. O enraizamento escolar de educação física é resultado do esforço de problematização de seu ensino que os estudantes e o professorado da área vêm realizando. apresentados em congressos sobre higiene escolar. à marcha! Meninas. buscou-se organizálos para não causar fadiga escolar nas crianças. não permitindo que o cansaço e o tédio dominassem as crianças (Cf. A educação física permaneceu enraizada nas diferentes culturas escolares que foram sendo organizadas desde a reforma de 1906. Relatório de José Rangel. Sousa e Vago 1997a e também Vago 1997). Cf. Sousa 1994). 10. Cf. como são indicativas a vasta produção de literatura acerca da educação física na escola.

pelo art. 21. sem obrigatoriedade.exemplos de um intenso movimento para problematizar. ampliar e socializar o conhecimento da área. incorporando a "geometria". consolidandose na década de 1930). tem-se hoje. que as cadeiras de "Leitura" e "Escripta" compõem o chamado Ciclo Básico de Alfabetização. de 11/8/1971. Essa LDB substitui aquela que vigorou por 25 anos. na cidade de Belo Horizonte (MG). Não se trata aqui de ser contra a organização de práticas esportivas no ambiente escolar. Isso já ocorre em escolas particulares de Belo Horizonte (MG). subtraídos em seu direito. Confira o documento contendo as propostas desse II Coned. "Lingua Patria" é o português. e separadas nas séries finais. Nóvoa 1994. 20. não há. "Geographia e Historia do Brasil" permanecem. 15. 19. diferentes dos tempos destinados ao ensino de educação física. os alunos que estudam à noite estarão sendo tratados como cidadãos menores. 1997. aliás. em 1927. química e biologia no ensino médio. em Minas Gerais.394/96 no ensino de educação física. Sobre repercussões da LDB nº 9. 18. O eufemismo "neoliberalismo" é apenas um novo nome para definir o modelo capitalista de produção. Em uma interpretação possível das Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em 1998. se ela prescreve que "em todas as escolas" deve ser garantido aos alunos o acesso a uma Base Nacional Comum. Do já citado programa de ensino prescrito pela reforma de 1906. nas Diretrizes. O tema central deste último foi "Educação. argumentando-se que houve cumprimento da lei. no ensino fundamental. 17. 16. Por exemplo. a LDB nº 5. que se desdobra em física. 214 da Constituição de 1988). E "Exercicios Physicos" é a hoje chamada educação física (em Minas Gerais. Sousa e Vago 1997. uma interpretação economicamente interessada tem sido usada para inserir a educação física em apenas uma das três etapas da educação básica. que obriga sua presença nesse nível. "Historia Natural Physica e Hygiene" transformou-se na disciplina de ciências no ensino fundamental. aberto à participação de todos os interessados.692. "Arithmetica" é a matemática. "Trabalhos Manuaes" e "Desenho" desapareceram como disciplinas obrigatórias. 14. Os princípios de uma pedagogia de "qualidade social" foram debatidos nos dois Congressos Nacionais de Educação (Coned). Chervel 1990. democracia e qualidade social: Consolidando um Plano Nacional de Educação" (previsto. cf. Cf. discriminação de acesso diferenciado a essa base nacional em virtude do turno em que o aluno estuda: o direito é igual para todos. então isso vale também para o ensino noturno. pode-se concluir que a Diretriz nº IV permite a reinclusão da educação física nos cursos noturnos de ensino fundamental: ora. 22. estando unidas nas séries inicias do ensino fundamental como Estudos Sociais. O . produzir. Do contrário. essa transição na denominação da área ocorreu a partir da reforma do ensino promovida pelo governo do estado. realizados em 1996 e 1997. "Instrucção Moral e Civica". sem seleção por nenhum critério e realizado em tempos escolares próprios. Vago 1996. Afinal. mas não afirma que isso deve ser em todas as etapas. que inclui a educação física. Na escola em que atuo há um projeto intitulado "Esporte na escola".

aprovadas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. No entanto. 10. conhecimentos. . Língua Portuguesa. Geografia.Em todas as escolas. 33 da LDB). 3. CBCE 1997. e Resolução nº 2. e problematizá-las para identificar espaços de intervenção é uma tática que considero importante. 4.problema está na confusão entre ensino de educação física e treinamento esportivo. Os PCNs específicos para a educação física estão circulando pelo Brasil em dois volumes publicados pelo MEC. no ensino de educação física. 9. Matemática. a saúde. que instituem as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. o trabalho. processos. 7. porque. Soares 1990. tampouco alimento ilusões de que basta ter uma lei para que a educação física esteja presente nas práticas escolares. a cultura. Cf. 23. Sobre as repercussões das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. Parecer nº 4. Mas isso é apenas o começo. 25. 6. 2. que visa estabelecer a relação entre a Educação Fundamental e: a) a Vida Cidadã. Língua Estrangeira. Língua Materna (para populações indígenas e migrantes). sistemas e operações. 26. 24. Castellani Filho 1988. 5. Ciências. no chão da escola. que contribuem para a constituição de saberes. exatamente por isso. A quarta diretriz prescreve: "IV . as linguagens. Educação Física. História. não posso concordar com a simples substituição do primeiro pelo segundo. o meio ambiente. e b) as Áreas do Conhecimento de: 1. estabelecidas em 1998 pelo Conselho Nacional de Educação." 28. 5. trato as leis como estratégias de conformação do campo escolar. Sua permanência no currículo do ensino fundamental foi tomada como reconhecimento de sua contribuição na formação humana dos alunos. através da articulação entre vários dos seus aspectos como 1. 27. um para as séries iniciais e outro para as séries finais do ensino fundamental. Educação Religiosa (na forma do art. 8. E ainda consta que os conteúdos mínimos de cada área já haviam sido divulgados inicialmente nos Parâmetros Curriculares Nacionais. 6. a ciência e a tecnologia. alicerce de seu ensino na escola. 3. Sousa e Vago 1999. de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. 8. Nosso mais importante discurso é realizado nas e com as práticas escolares de educação física. de 29/1/1998. Não estou aqui fazendo um discurso legalista em defesa da educação física. cujos princípios penso serem diferentes. ao colocá-la na condição de área do conhecimento como as demais. deverá ser garantida a igualdade de acesso dos alunos a uma Base Nacional Comum. 7. cf. Considero essa definição um avanço. a sexualidade. cf. a vida familiar e social. 4. valores e práticas sociais indispensáveis ao exercício de uma vida de cidadania plena". de 7 de abril de 1998. a Base Comum Nacional e sua Parte Diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular. Para uma crítica dos PCNs de educação física. o Conselho Nacional de Educação reconhece que a educação física tem um objeto de estudo e um conhecimento escolar próprio formulado ao redor desse objeto. Nas diretrizes consta que as áreas do conhecimento possuem conteúdos mínimos que se referem "às noções e conceitos essenciais sobre fenômenos. Educação Artística. E assim deve ser com o conhecimento oferecido pela educação física. 2.

Sousa e Vago 1999. 1990. (orgs. At the end of the century. [ Links ] CERTEAU. [ Links ] BRACHT. 1997. Roger. 23. Campinas: Papirus. new views on education and society challenge the continuance of Physical Education in school practices. 27. "Educação física: Conhecimento e especificidade". Coleção de Leis e Decretos. e VAGO. it shows that Physical Education in the beginning of the 20th century was at first represented as a means of regenerating the race and preparing for work. Nas Diretrizes faz-se referência explícita aos arts. cooperating. 1994. Francisco E. [ Links ] _______. Lisboa: Difel. A invenção do cotidiano: Artes de fazer. Valter. 1988. Lino. [ Links ] CHARTIER. 26 que está a exigência de obrigatoriedade da educação física na educação básica. Bibliografia ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. A história cultural. 4ª Seção. Petrópolis: Vozes. School roots of Physical Education ABSTRACT: This paper problematizes school roots of Physical Education contrasting two important historical events in education: educational reform in Minas Gerais in 1906 and the new legal regulations in Brasil. SI 2829. Secretaria do Interior. This paper suggests that it is responsible for developing body movement culture. Trilhas e partilhas: Educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. [ Links ] . 28. 1997. Eustáquia S. Tarcísio M. Vitória: Ufes. Cf. Relatórios do Secretário ao Presidente do Estado. Centro de Educação Física e Desportos. 30. 1911. 25. Michel de. Penso que essa mesma diretriz nº IV pode constituir base legal para a reinclusão da educação física nos cursos noturnos de ensino fundamental: ora. thus.). Secretaria do Interior (19001912). In: SOUSA. Educação física no Brasil: A história que não se conta. 26. Recorde-se que é no art. Deriving its procedures from cultural history of education. 32 e 33 da LDB.29. Entre a educação física da escola e a educação física na escola: A educação física como componente curricular. on the republican social project. [ Links ] CAPARROZ. Relatórios dos Grupos Escolares. [ Links ] CASTELLANI FILHO. 24. então isso vale também para o ensino noturno. 1907. Regulamento do Ensino Primário de Minas Gerais. se ela prescreve que "em todas as escolas" deve ser garantido aos alunos o acesso a uma Base Nacional Comum. que inclui a educação física. 31. entre práticas e representações. Belo Horizonte: Cultura. [ Links ] _______.

"Arquitetura como programa: Espaço-escola e currículo". Rio de Janeiro: FGV/CPDOC. "Educação. 7. 1994. modismos e interesses. no 26. 1998. no 13. "Políticas públicas para o esporte no Brasil: Interesses e necessidades". [ Links ] CHERVEL. propostas". 1999. 1997. [ Links ] CONEd. Tarcísio Mauro. à sombra! A história da educação física em Belo Horizonte 1897/1994". In: DAYRELL. das Letras. Tese de doutorado em educação. São Paulo: FE/USP.). 1994. espaço e subjetividade: A arquitetura como programa. In: SOUSA. [ Links ] SOUSA. Teoria e Educação. Eustáquia Salvadora de. Revista Movimento. In: Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (org. Belo Horizonte: Cultura. Ijuí: Sedigraf. São Paulo: Autores Associados. "A história hoje: Dúvidas. In: ESCOLANO. Meily Assbú. Teoria e Educação. Currículo. sexualidade e educação. 1997. Carmen Lucia. v. Revista Presença Pedagógica. Lilia Moritz. Eustáquia Salvadora e VAGO. Petrópolis: Vozes. Belo Horizonte: Dimensão. António. Porto Alegre: Pannonica. [ Links ] NÓVOA. instituições e questão racial no Brasil . Um diálogo com Valter Bracht". "Meninos. (orgs. Tarcísio M. 1990. 1997. Eustáquia S. [ Links ] SOUSA. Tarcísio Mauro.) [ Links ] SCHWARCZ. 1994. São Paulo: Cia. "Conhecimento e cultura na escola: Uma abordagem histórica". uma perspectiva pós-estruturalista.) [ Links ] FORQUIN. Porto Alegre: Pannonica. [ Links ] _______. (Digit. no 2. "A educação física e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental". O espetáculo das raças: Cientistas. democracia e qualidade social: Consolidando um Plano Nacional de Educação". "O ensino de educação física em face da nova LDB". 1993. "História das disciplinas escolares: Reflexões sobre um campo de pesquisa". Juarez. [ Links ] SOARES. Rio de Janeiro: DP&A. Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Campinas: FE/Unicamp. "Dos pardieiros aos palácios: Forma e cultura escolares em Belo Horizonte -1906/1918". Belo Horizonte: APUBH. 1995. [ Links ] LOURO. 1997. Gênero. [ Links ] ESCOLANO. Augustín. Estudos Históricos. Educação física escolar frente à LDB e aos PCNs: Profissionais analisam renovações. Tese de doutorado em educação. .)._______. à marcha! Meninas.1870-1930. "O 'esporte na escola' e o 'esporte da escola': Da negação radical para uma relação de tensão permanente. [ Links ] _______. [ Links ] FARIA FILHO. no 5. (Mimeo. desafios. Augustín e VINÃO FRAGO. Antonio. Trilhas e partilhas: Educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. Guacira L. 1996. André. [ Links ] VAGO. "História da educação: Perspectivas atuais". Belo Horizonte: Ed. imperativos didáticos e dinâmicas sociais". CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (II). Educação Física: Raízes européias e Brasil. da UFMG. "Saberes escolares. e VAGO. Jean-Claude. 1992. 1994. [ Links ] LINHALES. Luciano Mendes de.

Currículo.Unicamp 13084-971 Campinas SP .br Rev. [ Links ] VIÑAO FRAGO.ano III. 1998b. São Paulo. 61 A educação física na escola A educação física na escola e o processo de formação dos não praticantes de atividade física1 Suraya Cristina DARIDO* Resumo O objetivo do presente estudo foi verificar as origens e as razões pelas quais os alunos se afastam da prática da atividade física regular analisando o universo da Educação Física na escola. c) verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola. o que poderia ser". Esp. o que é. tiempos sociales. [ Links ] * Professor de Educação Física da Escola de Ensino Fundamental do Centro Pedagógico da UFMG. Antonio. Niterói: Depto. vice-presidente do CBCE. La distribución del tiempo y del trabajo en la enseñanza primaria en España (1838-1936). Tiempos escolares. "Do espaço escolar e da escola como lugar: Propostas e questões".1.61-80. Augustín e VINÃO FRAGO. e d) levantar informações do porque ocorre o afastamento dos alunos nas . bras..Brazil Tel./mar. "Rumos da educação física escolar: O que foi. is licensed under a Creative Commons License CEDES Caixa Postal 6022 . p.18. Especificamente procurou-se: a) levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola. UFRGS. n. / Fax: (55 19) 3289 . 2004 . Alfredo Veiga-Neto. In: ESCOLANO. 1996. In: Anais do II Encontro Fluminense de Educação Física Escolar. except where otherwise noted. Porto Alegre: Escola Superior de Educação Física. Rio de Janeiro: DP&A. 1998a. [ Links ] _______. b) investigar as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física e como elas se modificam ao longo dos ciclos escolares. Educ. Antonio. 1997. Barcelona: Anil. All the content of the journal. v. espaço e subjetividade: A arquitetura como programa. Fís. de Educação Física e Desportos.unicamp. Universidade Federal Fluminense. doutorando em Educação na USP.1598 / 7539 cadernos@cedes. Trad. [ Links ] _______. jan. no 5.

fatores relevantes para o afastamento da prática da atividade física regular. A Educação Física na escola deveria propiciar condi ções para que os alunos obtivessem autonomia em relação à prática da atividade física. Universidade Estadual Paulista . Há. conhecendo e reconhecendo os seus benefícios? Qual é o papel das aulas de Educação Física na escola neste contexto? O que pensam os alunos de suas aulas? Entendemos. que uma grande parcela da popula ção não chega a ter acesso. além de um aumento do número de alunos que não freqüentam/participam/apreciam as aulas regularmente UNITERMOS: Educação Física na escola. Nesse sentido. em alguns casos. Os dados foram coletados a partir da aplicação de um questionário contendo 14 questões a 1. formando o cidadão que vai produzila. 613. e 7a. . mesmo. 20. pois. 1992). após o período formal de aulas os alunos deveriam manter uma prática de atividade regular. apreciando determinada . série do Ensino Fundamental e 1o. reproduzi-la e também transformá-la. e também não possuem as condições mínimas satisfeitas. Os resultados indicaram que há um progressivo afastamento dos alunos das aulas de Educação Física e da prática da atividade física fora da escola. Muitos alunos acabam não encontrando prazer e conhecimento nas aulas de Educação Física e se afastam da prática na idade adulta. à educação.172 alunos divididos entre a 5a.707 * Departamento de Educação Física. Evasão das aulas. Aderência. Uma das hipóteses possíveis para o número reduzido de aderentes à prática da atividade física pode residir nas experiências anteriores vivenciadas nas aulas regulares de Educação Física.aulas de Educação Física. o que seriam. A questão que se coloca neste trabalho é a seguinte: por quê tão poucas pessoas estão engajadas em práticas regulares de atividade física. ou seja. (BETTI.Rio Claro. ano do Ensino Médio da rede pública estadual de Rio Claro. um grande número de indivíduos que embora tenham as condições mínimas satisfeitas para a prática da atividade física não a realizam. danças. Atualmente entende-se a Educação Física na escola com uma área que trata da cultura corporal e que tem como finalidade introduzir e integrar o aluno nessa esfera. se assim desejarem. esportes.ed. sem o auxílio de especialistas. lutas e ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. Introdução CDD. contudo. Este objetivo é enormemente facilitado se os alunos encontram prazer nas aulas de Educação Física. o aluno deverá ser instrumentalizado para usufruir dos jogos. por si só.

Os resultados imediatos destes procedimentos são.. Rev. Mais especificamente. e desta. bras. Por isso. em geral os mais habilidosos. Evidentemente. o que acaba afastando os que mais necessitam de est ímulos para a atividade física. a hipótese levantada pelo autor refere-se às experiências dos alunos durante o ciclo escolar. SANCHES.atividade é mais provável desejar continua-la. S. Contudo. 1. FERREIRA. É preciso reconhecer que crianças até determinada fase da adolescência mantêm-se razoavelmente ativas. n. estão efetivamente engajados nas atividades propostas pelos professores. caracterizando uma ligação de prazer. RANGEL-BETTI. o conhecimento e o reconhecimento da importância da atividade física. Esses. procurou-se: a) levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola. Fís. a importância da Educação Física na escola é tamb ém garantir a aprendizagem das atividades corporais produzidas pela cultura. Educ. De acordo com DISHMAN (1994) faz-se necessário compreender quais são os fatores responsáveis pela diminuição da atividade física na passagem da infância para a adolescência.61-80. por seu lado. São Paulo. ainda influenciados pela perspectiva esportivista. continuam a valorizar apenas os alunos que apresentam maior nível de habilidade. SILVA. 62 . RODRIGUES. O prazer e o conhecimento sobre a prática da atividade física teriam um valor bastante limitado se os alunos não vivenciassem ou aprendessem os aspectos vinculados ao corpo/movimento. O objetivo do presente estudo foi verificar as origens e as razões pelas quais os alunos se afastam da prática da atividade física regular. um grande número de alunos dispensados das aulas e muitos que simplesmente não participam dela. principalmente durante os anos referentes ao Ensino Médio. PONTES & CUNHA. 2004 DARIDO. como realizá-la./mar. RAMOS. GALVÃO. Contudo. v. nota-se um grande afastamento da atividade física logo após esse período.C. quais os efeitos. Esp. muitas mudanças nos domínios do comportamento ocorrem nesta transição. para a idade adulta.18. p. . e que provavelmente não irão aderir aos programas sistematizados de atividade física. entender. jan. Objetivo que significa. O que observamos nas aulas de Educação Física é que apenas uma parcela dos alunos. além de outros (DARIDO. 2001). ou seja. compreender o porquê realizar atividade física. Um outro aspecto aponta para o caminho do domínio cognitivo.

interesse. DUMAZEDIER (1994). dos 15 aos 16 anos este número caí para 83%. p./mar. e ainda. os alunos mais reservados e menos ativos.18. Além disso. n. bras. A autora. RANGEL-BETTI (1992) também procurou analisar as expectativas dos alunos em relação à disciplina Rev. dos 14 aos 16 anos é um período em que há grandes variações individuais. com distração e não ao trabalho. d) levantar informações do porque ocorre o afastamento dos alunos nas aulas de Educação Física. 2004 . v. Os escolares questionam os conteúdos e as estratégias empregadas pelos seus professores. Os resultados mostraram que os alunos identificam o professor como o principal responsável pelo gostar ou não da disciplina. na discussão dos resultados destaca que é mais simples incentivar as crianças a praticar atividade física do que aos adultos e por isso o professor deveria estar atento para fazer de suas aulas um momento saudável e prazeroso para os alunos. Esp. alegria. CAVIGLIOLI (1976) procurou investigar qual a imagem da Educação Física na opinião dos escolares de 106 turmas. Educ. O trabalho conduzido por GALVÃO (1993) procurou analisar a opinião apenas dos alunos que haviam solicitado dispensa (trabalho e saúde) das aulas de Educação Física (N = 110).61-80. Revisão bibliográfica Educação Física na escola e a perspectiva discente Alguns estudos procuraram verificar a opinião dos alunos sobre a prática regular da Educação Física na escola abordando diferentes questões que comp õem o contexto pedagógico. uma grande espontaneidade e entusiasmo. 63 A educação física na escola de Educação Física na escola. Entre eles. GALVÃO (1993). dos 11 aos 13 anos os pré-adolescentes manifestam. em relação ao esporte. para citar alguns. CAVIGLIOLI (1976).b) verificar como as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física se modificam ao longo dos ciclos escolares. c) verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola. Fís. jan. Dos 11 aos 14 anos 90% dos alunos participam regularmente das atividades corporais na escola. DE ÁVILA (1995) SANTOS (1996) e FIORIN (1997). Os resultados indicaram que o aluno tem uma imagem fortemente valorizada da disciplina relacionando-a com liberdade. RANGEL-BETTI (1992).. São Paulo. os ritmos tornam-se mais variados. LOVISOLO (1995). GAMBINI (1995).1. Os resultados indicaram . beleza e prazer. os resultados mostraram que as opini ões dos alunos se modificam ao longo das séries em função da faixa etária.

não gostavam da aula e do professor. ser capaz de criar no plano artístico. outros esportes. pela distância da escola e outros.. grau).que a maioria dos alunos (78%) entrevistados acredita que a Educação Física na escola não cumpre o seu papel porque transmite pouco ou nenhum conhecimento. e de representações elaboradas estes pontos de vista devem ser levados em alta consideração se pretendemos alcançar algum grau de consenso em termos de projetos ou de propostas para a ação educacional. Entre estes alunos (dispensados) 37. etc.). LOVISOLO (1995) procurou levantar informações sobre os pontos de vista e opiniões formuladas por alunos e seus responsáveis. e não através do trabalho realizado na escola. Os resultados mostraram que estes alunos requisitavam dispensa por diferentes razões. em seguida. estar em boa condição física. São dados alarmantes que mostram a ineficiência do ensino formal em manter a motivação dos alunos. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não participa das aulas e pede dispensa por motivos de trabalho.saber se virar na vida. Porque o autor acredita que a partir da experiência escolar.5% realizam atividade física em clubes ou academias. DUMAZEDIER (1994) importante sociólogo do lazer. a minoria afirma se afastar das aulas por problemas de saúde. No tocante às questões relacionadas à Educação Física os principais resultados desta pesquisa mostraram que as disciplinas mais valorizadas pelos alunos são português e matemática e a Educação Física representa a disciplina que os alunos mais apreciam. pediram dispensa das aulas de Educação Física durante o Ensino Médio (antigo 2o. O descontentamento pelas aulas ocorre na opinião dos alunos porque elas deveriam ser diferentes e necessitam de variações (música. procurou identificar a opinião dos alunos em relação à aprendizagem de alguns objetivos educativos como: saber utilizar o tempo livre. . SANTOS (1996) procurou conhecer as razões pelas quais alguns alunos do curso de graduação em Educação Física. etc. os alunos apontam para a falta de material e o desinteresse dos professores. . GAMBINI (1995) também procurou verificar a opinião dos alunos dispensados sobre a prática da Educação Física na escola. participavam de equipes de treinamento. paradoxalmente. A amostra desta pesquisa foi formada por 703 informantes alunos e 432 informantes responsáveis por estes alunos de seis escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro. Ele constatou que os alunos consideram a via extra-escolar a mais favorável para a realização dos objetivos relacionados à Educação Física.

62. pois entendemos que um dos objetivos da disciplina dentro da escola é oferecer condições para que o aluno seja crítico em aspectos relacionados à cultura corporal e oferecer condições para que ele possa manter uma prática regular de atividades física após o término formal de ensino. e estes sejam amplamente reforçados pela mídia existem outras atividades corporais que podem ser apresentadas aos alunos. Rev. sentimos a necessidade de recorrermos aos estudos relativos à ader ência. Aderência A pesquisa do Datafolha sobre aderência2 O jornal a Folha de S. e/ou se aproximarem de práticas de atividades físicas extra-curriculares.. 1997). Paulo (60% DOS BRASILEIROS. 1997) identificou que 40% dos brasileiros realizam algum tipo de atividade física./mar. S. ..5% são de homens e 37. A pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. p. De acordo com os resultados da mesma pesquisa. Educ. 64 . Esp. ou não. 1. Para compreender as razões que levam os alunos a se afastarem das aulas de Educação Física na escola.. em ambiente presente e Os números são contundentes e revelam algumas questões importantes sobre a atividade física no país.61-80. inclusive aquelas realizadas uma vez por mês ou aquelas com objetivos de trabalho.C. Nesta linha de pensamento. É importante ressaltar que esta pesquisa ouviu 2. A diferença entre a participação feminina e masculina é bastante alta. v..18.. Fís. Entre esses. DE ÁVILA (1995) procurou introduzir um programa de atividades expressivas no segundo grau. 65% alegam falta de tempo ou excesso de trabalho. jan. entre os 60% que não praticam atividade física.. Os resultados mostraram que houve uma grande aceitação deste conteúdo por parte dos alunos. n.. indicando a necessidade de maiores reflexões sobre as razões destas diferenças. beneficiandose dos efeitos positivos da atividade física. em levantamento do Datafolha procurou identificar o número de aderentes à atividade física. 2004 DARIDO. bras. as razões porque isto ocorre.000 pessoas de todo território nacional e que considerou como prática da atividade física. Os resultados atestaram que apesar dos alunos ainda vincularem a Educação Física com a prática de esportes eles aprovam outras práticas corporais. e quais as variáveis que interferem no processo de aderência.Mesmo que grande parte dos alunos prefira conte údos esportivos. São Paulo. De acordo com OKUMA (1997) fatores que afetam a aderência podem ser classificados em atributos pessoais presentes e passados. Do mesmo modo. FIORIN (1997) analisou a opinião dos alunos ao final de um programa de atividade física para além dos conteúdos exclusivamente esportivos.5% de mulheres.

idade. identificaram o mesmo fenômeno em outros países. sobretudo... em conseq üência. embora não tenha sido objeto espec ífico da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. Estes motivos se modificam ao longo do ciclo de vida do indivíduo. Outros 36% realizam atividade física por julgarem que ela é importante para a saúde. 1997). das classes de baixa renda. em torno de 53%. 20% por hábito. de 1... a ter menos tempo disponível para as práticas esportivas ou de lazer. 13% voltados para o lazer. pratica atividade física para emagrecer/manter a forma... Os resultados das pesquisas realizadas por STEPHENS e CASPERSEN (1994). Embora tenhamos ainda um longo caminho a percorrer no sentido da inclusão das faixas etárias e. 1997) revelam também que a maioria dos brasileiros entrevistados. trabalho profissional e trabalho dentro de casa.5 a três vezes mais ativo do que o grupo com menor escolaridade. parece haver uma tendência dos mais velhos também aderiram à pratica. 65% moram na região nordeste e 64% têm renda mínima de 10 salários. ou seja. De acordo com estes resultados o perfil dos praticantes de atividade física assim se coloca. observando o aumento pelo interesse da atividade física em grupos da 3a. prazer.. 1997) procurou também identificar algumas variáveis que interferem na aderência. citados por IAOCHITE. No Brasil. WANKEL (1988) afirma que embora os mais jovens ainda sejam o grupo mais numeroso de aderentes à prática da atividade física. a escolaridade e a faixa etária. A pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. levando-a. grau. estar com amigos. na idade adulta é atribuído um peso .. enquanto as crianças e jovens são atraídos pelo divertimento. em muitos casos. O primeiro autor relata que o grupo de maior nível de escolaridade é nos EUA. como a renda. possibilidades de vivenciar sucesso e vitória. além dos cuidados com os filhos.. a jornada dupla de trabalho. 10% para combater o estresse e 5% como forma/ meio de transporte. denotando o valor que permeia toda sociedade voltada para questões estéticas. 16% por ordem médica.. pode estar ocorrendo fenômeno similar.Neste sentido. (1999) e DISHMAN (1993). melhoria das habilidades. 62% têm curso superior. 58% têm renda superior a 20 salários mínimos e 47% mora na região sul. No Brasil os dados mostram que 46% dos indiv íduos que praticam algum tipo de atividade física têm entre 18 e 24 anos e no grupo que não pratica 66% estão na faixa etária de 45 e 60 anos. Os dados do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. sabe-se que a mulher enfrenta. enquanto que os não praticantes têm 69% até o 1o..

não dispõem de mais tempo do que os não praticantes de atividade física. São Paulo. o fator divertimento e prazer.4%. entre os mais jovens. 1997) para a não aderência à atividade física foram os seguintes: falta de tempo . desistem antes de completar um ano de exercícios (DISHMAN & SALLIS. a aparência. explicam os autores. na sua maioria.65%.. o vigor e o controle de peso tornaram-se motivos que vêm substituindo os anteriores (BIDDLE. 65 A educação física na escola Até alguns anos atrás. jan. como por exemplo. As atividades físicas mais praticadas pelos brasileiros segundo a mesma pesquisa são as seguintes: futebol .18. 1994). o que não é novidade. reside em prescrever exerc ício demais e/ou demasiadamente cedo. Algumas características que podem contribuir com a manutenção em longo prazo deveriam ser conhecidas por todos os profissionais da área da Educação Física. caminhada .14%.1. torna-se importante à manutenção da atividade como um hábito incorporado à vida.maior à estética e na terceira idade uma preocupação maior pela saúde (BIDDLE. ginástica . Fatores que interferem na aderência Rev. natação . uma vez que grande parte da população brasileira não dispõe de condições mínimas de sobrevivência. Contudo. estar com amigos e busca pelo sucesso eram os motivos principais que levavam à ades ão.18%. Mais recentemente. Educ. bras. falta de dinheiro -10%. p. Nesta fase. v..61-80. o aumento dos indivíduos que praticam a caminhada ou mesmo a exclusão do basquetebol entre os esportes mais praticados pelos brasileiros.. Fís.3%. ciclismo . 1992). WANKEL (1988) considera que os praticantes de atividade física.2%.. aprendizado e melhora de habilidades. Estes resultados mostram a importância do futebol no país. Estas teriam que ser incluídas em . n. Esp. Não é possível a generalização desta consideração para o nosso país. porém. preguiça 10%. 2004 . tanto as características ambientais.5%. não gostar de esporte . Uma das maneiras mais rápidas de destruir o entusiasmo pelo exercício. o que seria um real impedimento para as práticas corporais sistematizadas. mais de 50% das pessoas que começam a prática. ou da própria prática de exercício irão determinar a manutenção a curto ou em longo prazo. como pessoais. Uma vez iniciada a prática de exercícios físicos./mar. musculação . 1992)..14%. corrida .2%. a aquisição de força muscular. o que pesa para o autor é a prioridade e a maneira como organizam o tempo disponível. problemas de saúde 7%. Os motivos mais citados na pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS.2% e voleibol . indicam novas tendências.

Certamente. são motivos que tem contribuído para um aumento . Como determinantes pessoais podem ser incluídas as caracter ísticas dos praticantes. OKUMA (1997) considera que é necessário analisar a questão da aderência. Embora estes determinantes estejam relacionados. o conhecimento dos benefícios proporcionados pela realização do exercício. suas motivações e interesses. rela ção professor-aluno. tais como. g) Procurar adequar as habilidades ao nível do grupo. j) Incentivar a participação do cônjuge ou namorado/a na mesma atividade do praticante. pois programas que exigem alta intensidade ou muita técnica e habilidade colaboram para a desistência. pois há diferenças substanciais entre os determinantes. observa-se um grande aumento de parte da população praticante de algum tipo de exercício físico. na medida do possível. o local em que ocorre. e) Proporcionar desafios adequados às habilidades motoras individuais. Os determinantes da atividade física em si são considerados as características do programa. como: Auto-motiva ção.todo o programa de exercício físico. tornando a atividade o mais agradável possível. d) Variar sempre as atividades. c) Procurar desenvolver atividades recreacionais alterando. f) Manter uma relação positiva entre professor-aluno e os próprios alunos. sexo. bem como suas condições de saúde. nível de escolaridade e renda. o local da prática. i) Evitar atividades que enfatizem demasiadamente a vitória. Somados a esses fatores em que o professor de Educação Física poderá estar intervindo. b) Proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento da amizade. uma vez que as pessoas reclamam da elevada repetição das atividades. através do trabalho em grupo. e em aspectos da atividade física em si. como a sua periodicidade. boa percepção do tempo disponível. faixa etária. e são múltiplos fatores responsáveis pela aderência aos programas de atividade física. da não aderência e da desistência dos programas de atividade física separadamente. as razões que tornam os indivíduos praticantes. São elas: a) Proporcionar momentos de sucesso e prazer aos alunos. enfatizando a criatividade durante o planejamento do programa. experi ências positivas marcadas por sucesso e alegria passados. etc. Nas últimas duas décadas. h) Desenvolver atividades de intensidade leve à moderada. outros também se mostram capazes de definir o tempo de manutenção na atividade. aliado a busca de uma manuten ção ou melhora da saúde e a prática pela diversão em si. distância. Os determinantes ambientais são: a disponibilidade de tempo para a prática da atividade física. Nota-se ainda que este índice de novos aderentes continua crescendo.

pode ser compreendido como o sentimento durante a atividade em que há um desligamento do ambiente. como por exemplo. De acordo com CSIKSZENTMIHALYI (1992). p. com mulheres entre 20 e 45 anos das classes A e B de São Paulo. Em um estudo longitudinal. citada pela revista Veja. tornando-se mais magra. RENSON. 1997).. Embora estes sejam importantes na manutenção. o corpo definido como esteticamente perfeito é bem mais leve do que o preconizado pelos cientistas como ideal de saúde.61-80. a maioria delas não seja obesa. Fís.no número de pessoas que iniciam um programa de exercícios físicos. jan. v. que enfatizaram as caraterísticas da atividade e do próprio praticante. sem considerar brevemente a insatisfação das pessoas com a auto-imagem frente ao modelo de corpo que vigora nas sociedades contemporâneas. na infância e adolescência e estado de fluxo durante a atividade. há também outros que se mostram importantes para a manutenção. BEUNEN. sendo que mais de 50% delas gostariam de . bras. S. mostrou que pessoas que na adolescência praticavam uma atividade de forma recreativa. após os 28 anos de idade. Educ. Paralelo a esses numerosos fatores. CLAESSENS. estas pessoas sentem-se saudáveis e totalmente imersas na atividade que estão fazendo. Nela. com 236 homens e idade entre 12 e 35 anos. Este último. 1. maior nível sócio-econômico. n. freqüentemente são relatados somente como um fator determinante na fase de desistência da prática de exercícios físicos (OKUMA. quase duas vezes mais numerosos do que os indivíduos que praticavam uma atividade de 66 . como./mar. realizado por VANREUSEL. Seria prematuro falar da adesão inicial. São Paulo. comprovou que 90% estão profundamente insatisfeita com o próprio corpo.C. maior grau de escolaridade. uma forma de melhorar a estética corporal. 2004 DARIDO. Evidentemente outros fatores mostram-se importantes para a adesão inicial ao exercício. na idade adulta eram. Este estado tem sido apontado como um dos principais motivos que levam as pessoas à prática permanente do exercício físico por toda a vida. a proximidade do local da prática e o apoio dos familiares. pais ou amigos praticantes e experiências passadas positivas ou vivenciadas com sucesso. Esp.afinar a silhueta.18. LYSENS e VANDEN-EYNDE (1997). Embora. percepção alterada do tempo de atividade. 25% já se submeteram a intervenções cirúrgicas com o objetivo de melhorar a estética e 60% faz dieta para perder peso.. muita concentração. a maioria dos aderentes procura no exercício. Rev. LEFEVRE. Em pesquisa realizada pelo Instituto Jaime Troiano. . Contudo.

b) pouco apoio familiar. (1997). Dentre os determinantes pessoais. d) dificuldades de relacionamento com os colegas de equipe e/ou também com o professor ou o técnico. Um outro fator a ser considerado ao iniciar a prática de exercícios está relacionado aos objetivos pessoais dos praticantes. A cidade conta com 13 escolas que trabalham especificamente com o segundo segmento do Ensino Fundamental e três escolas dentro do próprio município que atendem os alunos do Ensino Médio. e nos 1os. descrever. no caso de atividades coletivas e individuais supervisionadas.forma competitiva. Segundo WANKEL (1993). perfazendo um total de aproximadamente 15 mil alunos. podem ser mais úteis e atingíveis. desenvolvendose numa interação dinâmica com o processo histórico social que vivenciam os sujeitos. ano do Ensino Médio. Segundo OKUMA (1997). c) auto-percep ção de baixa habilidade. anos do Ensino Médio este número é próximo de sete mil alunos. Metodologia A presente pesquisa é de natureza qualitativa e do tipo descritiva. a aderência pode persistir durante muitos anos ou até mesmo durante toda a vida. sendo que eram sempre iguais.. além de enfatizar sempre o papel do vencedor. sem criatividade. 7as. são encontrados com muita freqüência. Em trabalho realizado nos EUA por VANREUSEL et al. não participavam das aulas. foram investigados os motivos que levam os alunos a se afastarem das aulas de Educação Física no ensino médio (antigo segundo grau). os objetivos que não privilegiem a saúde como meta principal. devido à percepção de baixa qualidade dessas. Os resultados mostraram que 73% dos 1.438 alunos. analisar e interpretar as opiniões dos alunos a respeito da disciplina de Educação Física e as suas implicações sobre o afastamento dos alunos da prática da atividade física. O autor explica que quando o objetivo é a diversão. um estilo de vida inativo durante a adolescência tende a ser mantido na idade adulta. a desistência é decorrente da influência de diversos fatores que estão relacionados aos determinantes pessoais e ambientais. Para fins deste estudo foram sorteados aleatoriamente 20% do total dos . facilitando a manuten ção a longo prazo. os seguintes fatores para a desistência: a) falta de tempo. Não bastasse isso. Sujeitos Participaram deste estudo alunos das 5as. Pesquisas deste tipo não admitem visões parceladas ou isoladas. Através desta abordagem procurou-se registrar. e 7as. séries do Ensino Fundamental e do 1o. todos estudantes de escolas públicas localizadas na cidade de Rio Claro. Nas 5as. segundo os autores.

e é nesta série que ocorre os primeiros contatos dos alunos com a disciplina. ano EM Feminino 46. jan. especialmente as meninas já passaram por este período e apresentam como conseq üência deste processo uma diminuição dos níveis de habilidades motoras. a maioria dos alunos. São Paulo.Coloque números de 1 a 3.2% 50. série Esta fase é fundamental porque deve indicar.8% 49.18. 3 para a terceira matéria que você mais gosta TABELA 1 5a. que os adolescentes tem aulas com professores especialistas em Educação Física. ano do Ensino Médio (EM) deveu-se às características de desenvolvimento destas faixas etárias. e que esta motivação vai diminuindo conforme o avanço nos ciclos escolares. Fís.sete mil alunos.61-80. série. séries do segundo segmento do Ensino Fundamental e 1o. Na 5a. série.400 questionários e retornaram para a análise 1.2% de .000. e 7as. que responderam a um question ário contendo 14 questões. É importante lembrar que os dados foram coletados em meados do ano de 2. 417 alunos da 7a.. o no. e 373 alunos do 1o. RANGELBETTI (1992). Esp. 1 . Portanto. série. sendo o número 1 na frente da matéria que você mais gosta. Material De acordo com os dados coletados pode-se observar que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de Educação Física. série 1o. foram distribuídos aproximadamente 1. 67 A educação física na escola Resultados e discussão A seguir serão apresentados os resultados da coleta de dados realizada com 1.9% 5a. e que a distribui ção dos alunos quanto à variável sexo foi a seguinte: Resultados da distribuição dos alunos quanto a variável sexo. 2 para a segunda matéria que você mais gosta e o no. Educ. Rev.3% 51. série é a primeira vez.1% das indicações. É preciso lembrar que a maioria das crianças na faixa etária de 10-11 anos ainda não passaram pelo estirão de crescimento. ao contrário. dentro do ensino formal. DARIDO (1999) que os alunos nesta faixa etária apresentam grande interesse pelas aulas de Educação Física. p. bras./mar. série 7a. a qual obteve 48.1.1% Masculino 53. como foi atestado nos trabalhos realizados anteriormente por CAVIGLIOLI (1976). 2004 . A opção pelas 5as.172 alunos das escolas públicas de Rio Claro. Na 7a. Em segundo lugar apareceu Português com 14.7% 48. ano do Ensino Médio. v.172. sendo 382 alunos da 5a. n.

Educação Artística com 10%. Geografia . e d) a prática da atividade física fora da escola. avalia-se a representação que os alunos têm a respeito dos seus valores e Procedimentos Primeiramente a pesquisadora e os bolsistas entraram em contato com a delegada de ensino para informá-la sobre os objetivos do estudo e solicitar autorização para realizar a coleta dos dados junto às escolas sorteadas. 68 . b) a importância das disciplinas dentro do currículo escolar.4%.61-80.5% de indicação. Geografia com 5.18. Em segundo lugar apareceu Ciências com 13.7% das indicações. Matemática com 7.3%. sem necessidade de levarem para a casa. S.. procurou-se abranger um amplo espectro de questões relacionadas à prática da Educação Física na escola. Após a coleta dos dados referentes à aplicação dos questionários com os alunos as informações foram organizadas e analisadas. As questões contidas no questionário procuraram abordar os seguintes temas: a) preferências pelas disciplinas escolares. nas respostas obtidas através dos questionários. Foi solicitada às direções das escolas incluídas na amostra. São Paulo. seguida pela disciplina da Matemática com 11. É importante frisar que. c) a participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Desta forma. p. A elaboração final do roteiro de entrevistas foi precedida por uma aplicação piloto com um sala de aula. Fís. jan. 7a.indicação. 2004 DARIDO.C. seguida pela disciplina de Ciências com 10. procedimentos e não propriamente o que eles fazem ou pensam de fato. após contatos telefônicos. série De acordo com os dados coletados pode-se observar que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de Educação Física. Os questionários foram aplicados pelos bolsistas durante as aulas que ocorrem nas salas. bras. categorizadas e interpretadas. autorização para aplicar os questionários em datas que foram posteriormente agendadas.6% de indicação. Esp./mar. procurou-se obter um retorno maior no número de respostas.6%.6%. Inglês com 3% e História com 1. Os alunos gastaram em torno de 10 minutos para responderem as questões e o devolveram em seguida. Assim. v. a qual obteve 49. Educação Artística com 7.2%. Rev. as informações obtidas através da observação foram transcritas. Educ. n. O objetivo do piloto foi o de adequar ou buscar maior coerência entre a intenção do estudo e o instrumento utilizado. 1. Em seguida.

2% 11.5% Inglês 3% 3.3% Matemática 7. Inglês com 3.4%. 73. excitante. Outro resultado que chama a atenção é grande diferença entre a primeira opção na 5a. baseadas principalmente na solução de problemas. ano do EM Educação Física 48. EM a favor da Educação Física perante as segundas opções. tal como foi apontado por CAVIGLIOLI (1976). 72.4%.2% 5. a qual obteve 44% das indicações.4%. ano EM De acordo com os dados coletados pode-se observar que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de Educação Física. História com 4.6% 14..4% Educação Artística 10% 7. Em segundo lugar apareceu Matemática com 14.1% 49. seguida pela disciplina de Ciências com 11. interesse. esta disciplina vem conseguindo bons resultados a partir da implementação de novas metodologias de ensino.4% 8. em estudo realizado na França na década de 70.5% de indicação.3% O total de indicações para a Educação Física. Geografia e Inglês ainda têm dificuldades . Português com 5.Resultados referentes à questão a disciplina preferida dos alunos. De acordo com CAVIGLIOLI (1976) os alunos têm tendência a apreciar disciplinas relacionadas à liberdade. embora haja um ligeiro decréscimo no total de indicações na passagem da 7a. 1o.1%.5% 11. série e no 1o. e ainda com distra ção e que não sejam relacionadas com trabalho. e 1o. emocionante. 5a. ano do EM. Português com 7.com 6%.4% e História com 3% de indicação. Inglês como 8. 7a. alegria.1%. respectivamente. ano EM.8% Geografia 5.3% e Geografia com 1..3%. TABELA 2 .3% 13.6%.1% História 1. beleza e prazer.4% 7. somadas as três primeiras opções foi de 81. Estes resultados mostram que a Educação Física é disparadamente a disciplina preferida dos alunos e a partir disso pode cumprir um papel importante na identificação necessária de uma escola prazerosa e atraente para os alunos. Historicamente nem sempre foi assim. Educação Artística com 8. série 1o.7% 44% Português 14. Os resultados indicam também que parte dos alunos aprecia a disciplina de Matemática..6% 6% 1.4% 8. Os dados mostram também que as disciplinas de História. para o 1o. 7a. A partir dos resultados pode-se depreender que a Educação Física é a disciplina que os alunos mais apreciam. série 7a.6% Ciências 10.6% 3% 4. LOVISOLO (1998) é um dos que afirmam que a disciplina de Educação Física não pode se furtar a este objetivo devendo chamar para si a tarefa de transformar a escola num lugar atraente.6% para a 5a.8% de indicação.

2% 10% 8.18. Educação Física com 8.2% 36. necessitando rever suas ações pedagógicas. 2 . bras.Coloque o no.8% 1% História 2% 3.2% das escolhas. série 1o. série Dentre as matérias menos importantes na opinião dos alunos.9% Educação Física 8. 1 na frente de somente uma matéria que você acha mais importante 5a. 1o.6% 2. os resultados indicaram Português em primeiro lugar com 37.7% 3.8%.9% 3 . Fís.4%. p. jan. 7a.1% 10. Geografia com 4. São Paulo. Geografia com 3. Ciências com 11.4% 29.3% Ciências 11. n.Coloque o no. seguida da Educação Física com 19.7%.8% Inglês 10.3% 5.Coloque o no. Matemática com 4. Ciências com 5. Ciências com 3.1.4% 3% Educação Artística 0.7%. História com 3%. Inglês com 10. aparece a Educação Artística em primeiro lugar com 35% das escolhas. História com 2% e Educação Artística com 0.2% 45.7%./mar.8% 31. seguido por Matemática com 31. e Educação Artística com 0.8%.de atrair a atenção e o prazer dos alunos.2%. série 7a.4% Matemática 25. História com 8. 69 A educação física na escola TABELA 3 -Resultados referentes à questão: .9% e Ciências com 1. série Dentre as matérias menos importantes na opinião dos alunos. 1 na frente de somente uma matéria que você acha menos importante 5a. 7a. ano EM De acordo com os resultados sobre as matérias que os alunos consideram mais importantes.4%.9%. 2004 . História com 3. seguido por Matemática com 25. Português 9%.7%.8%. Educ. e Educação Artística com 1.7% 1.6%.9% de indicação.7% Geografia 4.61-80. Inglês com 17.. Educação Física com 10%.. aparece a Educação Artística em primeiro . Geografia com 1%. 1 na frente de somente uma matéria que você acha mais importante. Rev.2% das escolhas.1%. os resultados indicaram Português em primeiro lugar com 36.3%.8% 5.7% de indicação.4% das escolhas. Inglês com 5. seguido por Matemática com 29.3%.9%.8% de indicação. Esp. v. Geografia com 2.8%.7% de indicação. série De acordo com os resultados sobre as matérias que os alunos consideram mais importantes.8% 0. Educação Física com 8. ano do EM Português 37. Inglês com 10. 5a. série De acordo com os resultados sobre as matérias que os alunos consideram mais importantes.1%. os resultados indicaram Português em primeiro lugar com 45.

Não se discute. para quarta na 7a. Matemática com 3.7% Ciências 1. e Ciências com 2. passando de 37. ou seja.lugar com 43.9% 3. seguida da Educação Física com 16.3% História 8. Estes resultados não chegam a surpreender já que a própria escola.2% na 5a.4% 16.3% no 1o.4% na escolha da Matemática para 31.4% no 1o. TABELA 4 .4%.Resultados referentes à questão: . Inglês com 9.4%.8%.2%. e o aumento de 25.9%. Português 5. série 1o. série 7a. seguida por Inglês com 18.9% de indicação.1% 7.4% 9. aparece a Educação Artística em primeiro lugar com 50.4%. ano do EM. advinda.8% Português 9% 5.9% 2. ano do EM. Ou seja. Matemática com 6. É um dado curioso porque os conhecimentos da Educação Física não são cobrados nos vestibulares.8% 3. a disciplina de Educação Física passa a ter maior importância. série e terceira no 1o. Uma interpretação possível destes resultados aponta para um reconhecimento da import . o objetivo principal dos alunos do Ensino Médio. O que pode ser confirmado principalmente no fato da disciplina de Educação Artística ter sido considerada por mais da metade dos alunos a menos importante.1% e Ciênciascom1.8%. que é.9% Inglês 17. Português 4. em muitos casos. na maioria dos casos. série.7%. Outro fato que chama a atenção é o aumento das indicações para as disciplinas de Português no Ensino Médio.7% 13.. Um dado que causa surpresa é a passagem da Educa ção Física de quinta disciplina mais importante na 5a.7% As disciplinas mais importantes na opinião dos alunos de todas as séries são: Português e Matemática.8% 50. Geografia com 3. as disciplinas mais valorizadas na opinião dos alunos e da sociedade são Português e Matemática. a importância destes conhecimentos.1% 3. na opinião dos alunos conforme eles envelhecem.7% 18. Estes resultados corroboram aqueles verificados por LOVISOLO (1995). em parte. História com 8. da concepção racionalista e funcionalista do ensino escolar.9% 6. ano do EM Educação Artística 35% 43. ano do EM. Educação Física com 13. impõe um currículo com maior quantidade de aulas destas duas disciplinas.7% 1. o que se pode questionar seria a sua supremacia diante dos demais conteúdos.4% 8. 1 na frente de somente uma matéria que você acha menos importante.8% Matemática 4.3% Educação Física 19.6%.7% de indicação.8%. História com 7. 5a. porém. série para 45. Geografia com 3.2% Geografia 3.Coloque o no. 1o. ano EM Dentre as matérias menos importantes na opinião dos alunos.2%.3% das escolhas.8% das escolhas. valorizando-as no interior da escola.2% 8.

às vezes. ano EM. e .ância da saúde e da estética no universo dos alunos mais velhos.nunca .as vezes. n.às vezes. das aulas e 0. 1o. TABELA 5 .2% 57.1% 23. Educação Física. São Paulo. série. 2004 DARIDO.. Talvez isso possa justificar a Educação Física na terceira escolha dos alunos. passando para 57. Não há grande variação do número de alunos que consideram a Educação Física a disciplina mais importante.Você participa das aulas de Educação Física em sua escola? 5a. das aulas e 19% dos mesmos .18.que nunca participam . das aulas de Educação Física. com quase 90% de presença às aulas. p. das aulas de Educação Física.9% responderam que participam . série Oitenta e seis vírgula dois por cento dos alunos afirmaram que participam . 5a./mar. que são as seguintes: .C. participam das aulas de Educação Física.1% responderam que participam . ano EM Cinqüenta e sete vírgula um por cento dos alunos afirmaram que participam . 7a. v. da aula da 5a.2% responderam que participam . para 7a. Do mesmo modo pode-se observar uma diminuição do número de alunos que afirmam participar .5% 86. série para 1o. série 7a.61-80.. 43. participam das aulas de Educação Física. jan. série e 50% no EM. e da 7a. que obteve 35% das indicações na 5a. das aulas e 0. 4 .1% Participa às vezes 10.sempre.8% na 7a. provavelmente os que mais participam das aulas.7% dos mesmos .Verificar como as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física se modificam ao longo dos ciclos escolares.2% 13.Verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola.às vezes.9% Nunca participam 0. série Oitenta e nove e meio por cento dos alunos afirmaram que participam . série 1o.sempre. 23. série.Resultados da questão . 10. A disciplina menos importante na opinião dos alunos. 1.7% no 1o. Rev.7% 19% Estes resultados nos auxiliam na resposta a duas questões colocadas inicialmente neste trabalho. série. com larga margem perante as demais. Os resultados mostraram que os alunos são bastante participantes na 5a. Fís. Educ.nunca.Você participa das aulas de Educação Física em sua escola?.3% 0. Um dado contundente é a passagem quase inexpressiva do total de alunos . ano do EM. ano EM Participa sempre 89. em torno dos 8 a 10%.3% dos mesmos . é Educação Artística.nunca . participam das aulas de Educação Física. Esp.sempre. 13. S. bras.. das aulas de 70 .

das aulas., menos de 1% na 5a. e 7a. séries para quase 20% dos alunos do 1o. ano do EM. Pode-se afirmar analisando os dados desta questão que há de fato um afastamento gradativo da participação dos alunos da prática da Educação Física na escola, sobretudo no EM, mas que se inicia antes, tal como foi verificado por CAVIGLIOLI (1976). 5 - O que você aprende em suas aulas de Educação Física? (Pode-se marcar mais de uma resposta) 5a. série De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 79% de indicações, seguidos de brincadeiras com 48,3%, importância e benefícios da Educação Física para a saúde com 37,8%, teoria sobre os esportes com 31,3%, .outros . (xadrez) com 6% e 2,3% dos alunos responderam que não aprendem nada. 7a. série De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 72,7% de indicações, seguidos de brincadeiras com 29%, importância e benefícios da Educação Física para a saúde com 28%, teoria sobre os esportes com 24,7%, a alternativa nada recebeu 9% das indicações e alternativa outros 2,5%. 1o. ano EM De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 57,8% de indicações, seguidos da importância e benefícios da Educação Física para a saúde com 27,2%, teoria sobre os esportes com 16,8%, 13,7% dos alunos responderam que não aprendem nada nas aulas de Educação Física, a alternativa brincadeiras recebeu 7,2% e a alternativa outros 4,7%.
TABELA 6 - Resultados referentes à questão: .O que vocês aprendem nas aulas de Educação Física?. 5a. série 7a. série 1o. ano do EM Esportes 79% 72,7% 57,8% Brincadeiras 48,3% 29% 7,2% Importância e benefícios da AF 37,8% 28% 27,2% Teoria sobre esportes 31,3% 24,7% 16,8% Não aprendem nada 2,3% 9% 13,7%

Os conteúdos esportivos são predominantes nas aulas de Educação Física, segundo as respostas dos alunos em todas as séries, embora haja uma diminuição nas indicações conforme os alunos caminham na escola, passando de 79% de indicações na 5a. série para 57% dos alunos do EM.

Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 . 71 A educação física na escola

Tal fato não chega a ser surpresa uma vez que a disciplina de Educação Física recebeu a partir dos anos 60 forte impulso no sentido de substituir a ginástica pelo esporte enquanto conteúdo hegemônico das aulas de Educação Física (BETTI, 1991; CASTELLANI FILHO, 1989). Além disso, a predominância do conteúdo esportivo pode ser decorrente do amplo reforço oferecido pela mídia ao esporte e que acaba se refletindo nas posições assumidas e muitas vezes cobradas pelos alunos quanto ao papel da Educação Física na escola (DARIDO, 1995). Era esperado, em função das novas proposições para a Educação Física (BRASIL, 1999; GUEDES & GUEDES, 1996; NAHAS, 1997, para citar alguns), que houvesse um investimento nos conteúdos que pudessem esclarecer os benefícios e a importância da prática da atividade física, sobretudo no Ensino Médio. Tais conteúdos foram indicados por apenas 37,8% dos alunos da 5a. série e 27,2% dos alunos do EM, ou seja, é possível que esses conteúdos apare çam eventualmente em apenas algumas escolas. Outro dado que mostra as dificuldades enfrentadas pela disciplina no interior da escola é o número de alunos que indicaram que não aprendem nada na disciplina. Este número aumenta gradativamente da 5a. série para o 1o. ano do EM. Pode-se depreender destes dados, ou que a percepção dos alunos se torna mais crítica ou há mesmo uma deficiência das escolas em lidar com os novos interesses do jovem, ou ambos. 6 - O que você acha das suas aulas de Educação Física? (Pode-se marcar mais de uma resposta) 5a. série Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física .legais. com 86,5% das indicações, animadas com 74%, muito fáceis com 30,6%, sem importância 3%, difíceis com 2,1% e chatas com 1,7% de indicação por parte dos alunos. 7a. série Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física .legais. com 80,7% das indicações, animadas com 46,9%, muito fáceis com 18,8%, chatas com 2,6% e as alternativas sem importância e difíceis receberam 1,4% das indicações cada uma. 1o. ano EM Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física .legais. com 67,4% das indicações, animadas com 37%, muito fáceis com 11%, sem importância 5,7%, chatas com 5,1% e dif íceis com 0,3% de indicação por parte dos alunos.
TABELA 7 - Resultados referentes à questão: .O que você acha das suas aulas de Educação Física?.

5a. série 7a. série 1o. ano do EM Legais 86,5% 80,7% 67,4% Animadas 74% 46,9% 37% Muito fáceis 30,6% 18,8% 11% Sem importância 3% 1,4% 5,7% Chatas 1,7% 2,6% 5,1% Difíceis 2,1% 1,4% 0,3%

Tais resultados mostram que os alunos, em sua grande maioria, apreciam as aulas de Educação Física, pois as consideram .legais. e .animadas., o que pode estar relacionado com a manifestação do estado de fluxo conforme assinalou CSIKSZENTMIHALYI (1992). No entanto, observa-se mais uma vez uma diminui ção destas experiências positivas na opinião dos alunos conforme se caminha para o Ensino Médio, por exemplo, a aula é animada para 74% dos alunos da 5a. série e no Ensino Médio este número é exatamente a metade, ou seja, para 37% dos alunos. Além disso, no Ensino Médio é maior o número de alunos que consideram a disciplina sem import ância e chata e, ao mesmo tempo, diminui o número de alunos que a consideram uma disciplina fácil. É provável que as atividades propostas nas aulas de Educação Física se tornem na opinião dos alunos, mais exigentes quanto ao nível de habilidade, ou a auto-exigência. Estes resultados estão de acordo com aqueles verificados por VANREUSEL et al. (1997) segundo a qual os alunos do Ensino Médio, não participam das aulas devido à percepção de baixa qualidade delas. 7 - Como você se sente ao fazer as aulas de Educação Física? 5a. série Oitenta e oito e meio por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 10,4% indicaram que às vezes se sentem bem e 1,1% dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas de Educação Física.
72 . Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004 DARIDO, S.C.

7a. série Oitenta e seis vírgula sete por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 13,1% indicaram que às vezes se sentem bem e 0,2% dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas de Educação Física. 1o. ano EM Setenta e sete vírgula oito por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 17,7% indicaram que às vezes se sentem bem e 4,5% dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas de Educação Física.
TABELA 8 -Resultados referentes à questão: .Como você se sente ao fazer as aulas de Educação Física?.. 5a. série 7a. série 1o. ano EM

Sentem-se bem 88,5% 86,7% 77,8% Sentem-se bem às vezes 10,4% 13,1% 17,7% Não se sentem bem 1,1% 0,2% 4,5%

Novamente, estes dados apontam para o progressivo aumento de sentimentos nem sempre positivos em relação à disciplina no interior da escola, pois há um decréscimo de alunos que afirmam que se sentem bem nas aulas e um aumento do número dos que não se sentem bem. 8- Atualmente você participa ou é dispensado das aulas de Educação Física? 5a. série Os resultados mostram que atualmente 99,7% dos alunos participam das aulas de Educação Física e 0,3% não participam das aulas. 7a. série Os resultados mostram que atualmente 98,9% dos alunos participam das aulas de Educação Física e 1,1% não participam das aulas. 1o. ano EM Os resultados mostram que atualmente 79,7% dos alunos participam das aulas de Educação Física e 20,3% não participam das aulas.
TABELA 9 - Resultados referentes à questão: .Atualmente você participa ou é dispensado das aulas de Educação Física?.. 5a. série 7a. série 1o. ano do EM Não são dispensados 99,7% 98,9% 79,7% São dispensados 0,3% 1,1% 20,3%

Essa questão nos permite responder a mais uma de nossas indagações a respeito da Educação Física na escola, qual seja .Levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola.. Os resultados mostram que apesar de todos os alunos consultados estudarem no período diurno e a Educação Física ser obrigatória para estes alunos tal como preconiza a LDB/96 artigo 26, em torno de 20% dos alunos do Ensino Médio obtêm dispensa das aulas. Por outro lado, é preciso considerar que muitas escolas oferecem a disciplina de Educação Física em período contrário ao das demais disciplinas, prejudicando os alunos que não têm condições de voltar à escola ou aos alunos trabalhadores (DARIDO, GALVÃO, FERREIRA & FIORIN, 1999). Algo que infelizmente ainda ocorre, embora não haja mais amparo legal que justifique tais procedimentos. Pode-se especular que esses 20% dos alunos perderiam ótimas oportunidades de terem acesso aos conhecimentos da cultura corporal, o que aumentaria as chances de se tornarem não aderentes à atividade física. No Ensino Fundamental o número de pedidos de dispensa é bastante reduzido, 0,3% na 5a. série

para ficar mais habilidoso com 12. para se divertir com 13. recebeu 5. treinamento para competição com 3. .1% de indicações. e . pois quase metade dos alunos a entendem nesta perspectiva.1% 15. Esp.e 1.3%.6% de indicações. ano EM Os resultados apontam que os motivos pelos quais os alunos participam das aulas de Educação Física ou da prática de atividades físicas são: melhorar a saúde com 46.1%.8%. série 1o. série 7a. para emagrecer ou ficar mais forte com 13.porque é obrigado a participar. para se divertir com 20.8%.6% 8. . 9 . para ficar mais habilidoso com 8.outros. diferentemente dos respondentes adultos (maiores de 18 anos) da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS.Por quê você participa das aulas de Educação Física ou pratica alguma atividade física?.5%.4% de indicações. ano do EM Saúde 52.6% 20.3%. para ocupar o tempo livre 3.4% 46. TABELA 10 . para emagrecer ou ficar mais forte com 15. treinamento para competição com 3.porque é obrigado a participar. treinamento para competição com 3.1% Divertimento 16.. 5a.6% 44. não receberam indicações. Fís. para ficar mais habilidoso com 8. jan.1.8% das indicações.outros. 73 A educação física na escola 7a.porque é obrigado a participar. série Os resultados apontam que os motivos pelos quais os alunos participam das aulas de Educação Física ou da prática de atividades físicas são: melhorar a saúde com 52. p.. 0. por ordem médica com 2%.1% 13. n.61-80. v.8% e as alternativas .7% Mais habilidoso 12. série.8% Emagrecer e ficar mais forte 13.Por quê você participa das aulas de Educação Física ou pratica alguma atividade física? 5a.1% na 7a.1%.6%.3%. bras. Educ. que afirmaram buscar a atividade física por razões estéticas.4%.Resultados referentes à questão: .6%. por ordem médica com 0.1% e a alternativa . recebeu 3. para emagrecer ou ficar mais forte com 12. 4.9% 8. por ordem médica com 0.7%. Rev... 1o. São Paulo. para se divertir com 16.18.5% Os resultados mostram claramente a identificação da disciplina com a dimensão da saúde.1%.6%. 2004 .9%. série Os resultados apontam que os motivos pelos quais os alunos participam das aulas de Educação Física ou da prática de atividades físicas são: para melhorar a saúde com 44. as alternativas para ocupar o tempo livre ficaram com 3.5%.9%.9% 12. ./mar. BIDDLE (1992) já alertara para o fato de que os objetivos dos praticantes se modificam .outros. 1997)..

xinga os alunos que erram durante a aula com 1.7% 33. Educ.8% 67. 1999).7% de indicação 1o. n. 1992). Fís. mas que inclui também a discussão destes aspectos. bras. o que seria um objetivo mais abrangente. 1992). Não se trata de negar o papel da saúde no campo da Educação Física.8% das indicações. série Os dados obtidos com relação ao atual professor de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 77.9% Xinga os alunos 6% 3. 10 . v.7% 64.18. para que futuramente eles possam manter uma prática regular sem o auxílio de um especialista. Na verdade.Com relação ao professor atual de Educação Física. TABELA 11 .9% de indicação./mar.ao longo das faixas etárias.2% Não exige nada 14% 27. Rev. Esp. Tal vínculo é reforçado nos meios de comunica ção e também nos cursos de formação de professores de Educação Física (DARIDO. não exige nada com 33.7% de indica ção. se assim desejarem (RANGEL-BETTI.3% e pune os alunos com alguns castigos com 0.3% Pune os alunos 2.2% 0.Com relação ao professor atual de Educação Física. apenas considerar que esta perspectiva exclusiva da saúde não permite vislumbrar uma contribuição importante da Educação Física que é a integração do aluno na esfera da cultura corporal.6% de indicação. ano EM Os dados obtidos com relação ao atual professor de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 64.9% 1. São Paulo. você acha que 5a. o percurso da disciplina ao longo da história esteve atrelado ao higienismo (CASTELLANI FILHO. 1. S..9% e pune os alunos com alguns castigos com 0. para que ele possa usufruir. jan.7% 0. não exige nada com 27.C. não exige nada com 14% de indicação. ano EM Motiva os alunos 77. p.61-80. 1991). série 1o. 2004 DARIDO. série 7a.2% de indicação pelos mesmos. 5a. partilhar e transformar as formas da atividade física (BETTI.2% de indicação 7a.Resultados referentes à questão .. xinga os alunos que erram durante a aula com 6% e pune os alunos com alguns castigos com 2. xinga os alunos que erram durante a aula com 3.7% de indicação pelos mesmos. você acha que.6% A conduta do professor e seu estímulo aos alunos facilita o processo de autonomia dos mesmos em relação à prática de atividade física. Pelas respostas obtidas depreende-se que a . 74 . série Os dados obtidos com relação ao atual professor de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 67.

3% relataram que apenas. série Sessenta vírgula sete por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos esportes. o professor trata com diferença seus alunos. não tenha sido objeto desta pesquisa.maioria dos alunos entende que os professores os motivam. Por outro lado.1% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam e 24..acomodado.8% relataram que apenas. 18% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam e 21. TABELA 12 . conforme assinalou MOREIRA (1991). vem deixando de ter uma posição autoritária. pode-se sugerir que esteja havendo uma inversão. série 1o. ano do EM Tratamentos iguais 74. às vezes. 7a. Poucos alunos fizeram referências às punições e xingamentos que eram práticas bastante freqüentes dos professores de Educação Física. 12. provavelmente porque eles se tornam mais críticos e com outras experiências que permitem uma comparação mais apurada. Embora. às vezes. os dados permitem afirmar que os professores de uma maneira geral e particularmente os de Educação Física.Seu professor de Educação Física trata melhor os alunos que jogam melhor?. 1o. o professor trata com diferença seus alunos.Seu professor de Educação Física trata melhor os alunos que jogam melhor? 5a.7% relataram que apenas. 10. também não apropriado aos desejos de uma Educação de qualidade.1% Tratam melhor os que se destacam 12.1% Tratam às vezes melhor . ano EM Sessenta e cinco vírgula um por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos esportes. qual seja. 11 .4% 60. 5a. o professor trata com diferença seus alunos.Resultados referentes à questão: .7% 65. mas este número também decai conforme os alunos envelhecem. série Setenta e quatro vírgula oito por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos esportes. às vezes. pois mais de 30% dos alunos consultados do Ensino Médio afirmaram que os professores não exigem nada deles.5% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam e 12. série 7a.5% 18% 10.. de professores rígidos para aqueles que se aproximam mais do perfil .

5% de indicações.61-80. assistir televisão com 24. pois obteve 29. Embora o professor seja em parte respons ável pela manutenção destes procedimentos porque não adverte os alunos.6% e a prática de esportes com 26. bras. Na verdade. logo em seguida está conversar com os amigos com 14.8%. jogar videogame com 8. jogar videogame com 9./mar. tímidos etc. ajudar pai e mãe com 4. ajudar pai e mãe Rev. PCNs (BRASIL. p.8%. para citar alguns.6% . pois obteve 31. n. 5a.2% 26.5%.6% 8.8% 26..2%.6% e trabalhar com 0.3%. ler jornais e revistas com 3.1.O que você mais gosta de fazer? Escolha duas opções abaixo. série Os resultados indicam que a prática de esportes é a atividade mais realizada pêlos alunos.2% de escolha. o que pode ser o caso dos 10 a 18% dos alunos que responderam que em todas as ocasiões os seus professores tratam melhor alguns alunos e para as vezes entre 12 a 14%.2% Assistir TV 25% 28% 24. 1990).4% Conversar c/ amigos 14. deve-se buscar superar totalmente esta visão de exclusão proporcionando uma Educação Física para todos.5%.6%. 12 . ano EM Os resultados nos indicam que conversar com os amigos com 26. jan. ler jornais e revistas com 0. 1o.5% de indicações. computador com 5.3% 24. computador com 4. ano do EM Praticar esportes 31. tal como relata BETTI (1991).18. logo em seguida está conversar com os amigos com 21. v. Educ. ler jornais e revistas com 2% e trabalhar com 0. 1998) e CENP (SÃO PAULO. Essa exclusão pode ocorrer porque os alunos são menos habilidosos. e trabalhar com 0.4%. computador com 3. série Os resultados nos indicam que a prática de esportes é a atividade mais realizada pelos alunos. Esp.7% 21.2% são as atividades mais realizadas pelos alunos.4%. 7a..8% O histórico da disciplina de Educação Física no interior da escola aponta para uma prática que tradicionalmente excluiu parte dos alunos das suas atividades. São Paulo.1% 2. série 7a. obesos.3% 21.2% Jogar videogame 9.9% de escolha.5% de indicações.1%.6%.os que se destacam 12. ajudar pai e mãe com 4. jogar videogame com 2.5%. estudar obteve 6.3%.7%. portadores de necessidades especiais. Fís.O que você mais gosta de fazer? Escolha duas opções abaixo 5a. TABELA 13 . 2004 . assistir televisão aparece em segundo lugar com 28%. estudar obteve 6. 75 A educação física na escola com 6. assistir televisão aparece em segundo lugar com 25%.Resultados referentes à questão: . é preciso ressaltar que os próprios alunos também praticam a exclusão.9% 29.7% e estudar 0. série 1o.6%.

A aula de Educação Física. Além disso. e todas com exce ção de conversar com amigos. e 11. além de ser um momento de fruição corporal. Neste contexto cabe às aulas de Educação Física discutir as mudanças no comportamento corporal decorrentes do avanço tecnológico e analisar o impacto delas na vida do cidadão. pois caberá à disciplina manter um permanente diálogo crítico com a mídia. No entanto. Na verdade. a sociedade. a estética e as relações inter e intrapessoais. através de máquinas. Estudos mostram que essas doenças são quase duas vezes mais comuns em pessoas inativas do que naquelas que se exercitam. há uma ligeira diminuição desse interesse.4% dos alunos relataram que .5% 0.4% A partir dos resultados obtidos. bem como analisar as relações que se estabelecem com o presente. observa-se que a prática de esportes é a atividade preferida pelos alunos em todas as faixas etárias. série Os resultados obtidos mostram que 70. estão relacionadas às novas tecnologias e a práticas individuais. equipamentos eletr ônicos e meios de locomoção. pode configurar-se num momento de reflexão sobre o corpo.7% 6. pôr outro lado esse fenômeno é responsável pôr um estilo de vida menos ativo e mais sedentário. ou seja.7% 3.8% 3.6% dos alunos. As práticas da cultura corporal podem constituirse em objetos de estudo e pesquisa sobre o ser humano e sua produção cultural.3% 4. e ficar no computador são atividades predominantemente sedentárias.6% Ler jornais e revistas 2% 0.Você pratica algum esporte ou atividade física fora da escola? 5a. Tais características marcantes da modernidade têm sido apontadas como as principais responsáveis pelo aumento dos riscos de diversas doenças crônicas. 13 .5% Computador 5. a ética.7% 6. a Educação Física na escola não pode ignorar a mídia e as práticas corporais que ela retrata. Os alunos deveriam compreender estas transformações. tais como. se por um lado o avanço tecnológico tem contribuído para disponibilizar um maior número de informações e para oferecer um maior conforto à população. tal como propõe BETTI (1998). 18% informaram que realizam esta prática apenas às vezes.5% 4. bem como o imaginário que ela ajuda a criar. Percebe-se também que as demais atividades escolhidas.Estudar 6. a maioria pratica algum esporte ou atividade física fora da escola. trazendo-a para reflexão no contexto escolar. assistir TV. As aulas de Educação Física na escola devem fornecer informações relevantes e contextualizadas sobre os diferentes temas da cultura corporal.2% Ajudar pai-mãe 4. conversar com amigos. jogar videogame.

p.Resultados referentes à questão: . Esp.2% Pratica às vezes 18% 20. Os resultados indicam também um aumento considerável ao longo das séries do número de alunos que não praticam esportes ou atividade física. por exemplo: turmas de treinamento. 5a. 1. TABELA 14 -Resultados referentes à questão: . seguido pela natação. 1o. n. S. pode indicar que os alunos por gostarem muito da atividade física procuram algo mais do que apenas as aulas de Educação Física.2% dos alunos. Estes resultados representam. que passa de 11. ano do EM Pratica esporte ou atividade física 70.3% informaram que realizam esta prática apenas às vezes. ou seja.Quais os esportes ou atividades que você mais pratica?.. Num deles. jan. bras.6% 48.6% 56.. 20. v. 7a. .Quais os esportes ou atividades que você mais pratica? 5a.C. etc. 14 . TABELA 15 ./mar. a maioria pratica algum esporte ou atividade física fora da escola. Rev. É preciso lembrar que os alunos que participaram desta pesquisa são todos de escola pública e por isso deve haver entre eles alguns alunos com dificuldades financeiras para participarem de atividade física/esportes fora do ambiente escolar. tendências da prática da atividade física do brasileiro. tardes esportivas. série 7a. em grande medida. dar aos alunos outras opções de atividades extra curriculares como. e 27. tal fato pode ocorrer pela falta de capacidade das escolas em absorver os interesses dos alunos.5% dos alunos relataram que não praticam esporte ou atividade física fora da escola.Você pratica algum esporte ou atividade física fora da escola.5% no Ensino Médio.3% informaram que realizam esta prática apenas às vezes. capoeira e tênis de mesa. série Os resultados obtidos mostram que 56.2% 27. São Paulo. A grande participação dos alunos em práticas de atividades físicas fora da escola pode ser analisada através de diferentes pontos de vista. Fís. as mais citadas foram: futebol. Por outro lado. lutas.3% 24. ou seja. 24. danças. voleibol.18. e 23. Educ. ano EM Os resultados obtidos mostram que 48. 2004 DARIDO. série Podemos observar que dentre as atividades mais praticadas pelos alunos.2% dos alunos relataram que não praticam esporte ou atividade física fora da escola.5% 76 .5% dos alunos..3% Não pratica 11. basquetebol.61-80.não praticam esporte ou atividade física fora da escola. a maioria pratica algum esporte ou atividade física fora da escola. série 1o.4% 23. série para 27.4% na 5a. dança. ou seja.

tênis de mesa. série 7a. série Podemos observar que dentre as atividades mais praticadas pelos alunos. natação. . seguido por andar de bicicleta.. 3a. 1a. é que ela é. voleibol. no mínimo discutível. que já teve equipes de alto nível. as mais citadas foram: o futebol. 6a. 5a. 1995). Um outro aspecto das dispensas no interior da escola. um número bastante expressivo. Voleibol 4a. ano EM Considerações finais Procurou-se neste estudo investigar como e porque ocorre o afastamento dos alunos da prática da atividade física e o papel da disciplina de Educação Física neste processo. A natação acabou surpreendendo ficando em segundo lugar na preferência dos alunos. Dança 5a. Além disso. culturalmente. O bom posicionamento da modalidade basquetebol pode ser explicado pela tradição que está modalidade tem na cidade. 5a. Natação 2a. Os resultados em relação a estas questões mostraram que em torno de 20% dos alunos do 1o. por razões de sobrevivência e porque esta atividade é uma das mais indicadas pela classe médica (DARIDO & FARINHA.. 3a. Podemos observar que dentre as atividades mais praticadas pelos alunos. Tênis de mesa 6a. dentro do que está disposto na LDB/ 96. 2a.. Este é um fato que precisa ser mais discutido pela categoria de professores. Isto deve explicar o seu lugar à frente do voleibol na escolha dos alunos. 4a. Andar de bicicleta . ano do Ensino Médio são dispensados das aulas de Educação Física na escola. ocorrendo os maiores investimentos financeiros nessa modalidade. dança.Os resultados da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS. isto pode ser explicado pelo prazer que a água proporciona aos seus praticantes. ano do EM Futebol 1a. as mais citadas foram: futebol. andar de bicicleta. 1997) mostram que metade da população brasileira masculina que é aderente à atividade física prefere a prática do futebol. do ponto de vista legal. voleibol. indicando a importância da cultura local. 1o. levando ao desejo de se aprender e praticar esta atividade. série 1o. no sentido de esclarecer aos membros da comunidade escolar. 4a.2a. seguido pela natação. o Brasil é o país do futebol e é por isso o esporte mais exposto na mídia. 7a. 7a. basquetebol. 1a. Basquetebol 3a. dança. 6a. considerando que todos os indivíduos devem ter acesso à cultura corporal e beneficiar-se de suas práticas. 5a. basquetebol.

. COSTA (1997). a Educação Física fora do período se constitui numa dificuldade extra o que gera. uma opinião favorável quanto a freqüentar as aulas. opinião formada sobre a Educação Física baseados em suas experiências pessoais anteriores.1. organiza ção curricular. Cabe à escola e ao professor de Educação Física. mas ao mesmo tempo 20% solicitam dispensas. n. É como se a Educa ção Física se restringisse a essas práticas (COSTA. Para o aluno retornar a escola. e de alguma forma se excluiu ou foi excluído. É poss ível que as solicitações de dispensa ocorram principalmente nas escolas que oferecem a disciplina fora do período das demais disciplinas. na maioria das vezes. Os resultados deste estudo mostram que quase metade dos alunos do Ensino Médio consideram a Educação Física como sua matéria preferida. ponderar sobre as melhores condições para oferecimento da disciplina. Ao contrário. condições de espaço. sua opção será pelo afastamento das aulas ou a passividade perante as atividades. p. material e outros) optam por oferecer a disciplina em período alternado ao das demais disciplinas. Os alunos possuem. Não se trata. como conseqüência. 1997)./mar. o aluno terá. jan. evidentemente de desprezá-las no contexto escolar. É preciso lembrar que muitas escolas brasileiras. um aumento do número de alunos afastados da cultura corporal. Educ. em função de vários fatores (condições climáticas. bem como das diferentes formas de atuação do professor na condução do ensino (DARIDO. de acordo com a sua realidade. São Paulo.61-80. tendo em vista a formação que se pretende. Se elas foram marcadas por sucesso e prazer.sobre os aspectos que dizem respeito à ilegalidade Rev. Os resultados mostraram que há de fato um progressivo afastamento dos alunos da Educação Física na escola e também da atividade física realizada fora da escola. Esp.18. ou para o aluno trabalhador. há nas novas proposições para a Educação Física no Ensino Médio uma variedade enorme de aprendizagens a serem conquistada. Na verdade. sobretudo sua ilegitimidade. se resumem às práticas dos fundamentos e a execução dos gestos técnicos esportivos. 2004 . As aulas de Educação Física no Ensino Médio são quase sempre uma repetição dos programas de Educação Física do Ensino Fundamental. muitas vezes distante de sua casa. ou seja. mas sim de ressignificá-las. 2002). quando o aluno registrou várias situações de insucesso. Transformar essas opiniões constitui um enorme desafio para os professores de Educação Física. bras. Fís. v. 77 A educação física na escola das solicitações de dispensas e. . provavelmente.

Fís. 78 .C. Na verdade. p.Adotar a concepção de um ensino inclusivo pode amenizar este afastamento. v. Rev. como um conjunto articulado de informações necessárias à formação do cidadão. o conteúdo do ensino provoque aprendizagens significativas que mobilizem o aluno e estabeleçam entre ele e o objeto do conhecimento uma relação de reciprocidade. São preocupações comuns na vida de todo jovem. Diferentes experiências têm mostrado que este trabalho pode ser realizado.61-80. Como este conhecimento poderia ser aprofundado? De acordo com as PCN (BRASIL. ao longo da transposição didática. bras. É preciso superar o histórico da disciplina.18. 2004 DARIDO. as lutas. em função da ênfase esportiva. bem como o conhecimento sobre o próprio corpo. 1. com auxílio de pesquisas. tem deixado de lado importantes conhecimentos produzidos ao longo da história da humanidade. .. A Educação Física na escola deve oferecer oportunidades para que todos os alunos tenham acesso ao conhecimento da cultura corporal. n. que em muitos momentos resultou numa seleção entre indivíduos aptos e inaptos. mesmo quando alertados para a exclusão de grande parte dos alunos. também os alunos portadores de necessidades especiais não podem ser privados das aulas de Educação Física. jan. os esportes ligados à natureza. em virtude do enraizamento de determinadas atividades excludentes. S. A Educação Física. Se bem trabalhado permite que./mar. São Paulo. e que podem se constituir em objeto de ensino e aprendizagem. Esp. em conjunto com os alunos. e é bem sucedido especialmente quando se considera o conhecimento e os interesses que o jovem traz consigo a respeito dos diferentes ritmos e danças. 1999). pessoas da comunidade e a experiência dos próprios alunos da escola. Educ. Nesse contexto. É possível generalizar a contextualização como recurso para tornar a aprendizagem significativa ao associá-la com experiências da vida cotidiana ou com conhecimentos adquiridos espontaneamente. Muitos professores. apresentam dificuldades em refletir e modificar tais procedimentos e atividades. As danças podem comparecer com maior freqüência nas aulas de Educação Física na escola. construir outros conhecimentos que avancem e aprofundem no conhecimento relativo à cultura corporal. de forma democrática e não seletiva. como as danças. o tratamento contextualizado do conhecimento é o recurso que a escola tem para retirar o aluno da condição de espectador passivo. os professores podem. os jogos.

Physical Education classes occurs. papel do esporte. Notas 1. attending public schools in Rio Claro. Physical Education classes and outdoors physical activity. em anos de Olimpíadas e de Copas do Mundo de Futebol os alunos são submetidos a um bombardeio de informações sobre os jogos e os seus resultados. Este trabalho contou com o apoio do CNPq durante o período de 1998-2002. backing off. containing 14 questions. The study considered the following: a) count up the number of dismissed students from School Physical Education classes. padrões de beleza e saúde corporal e outros temas. atividade e lazer. Adherence. pois pode ter ocorrido falta de rigor na coleta . Classing evasion. backing off. Results indicated that there is a progressive . 2. Por exemplo.students. besides an increase in the number of students who do not attend.a aparência. Em outras palavras: a atividade deve adequar-se ao aluno e não o aluno à atividade. and d) search information about how come the . Caberá ao professor de Educação Física reconhecer e estar atento a esses temas e tratá-los pedagogicamente em suas aulas.students. and at junior high school. O professor que se mantiver rígido em atividades que não despertem qualquer interesse dos alunos termina por afastá-los da disciplina e auxiliando a formação dos não praticantes de atividade física. Outra alternativa para tornar o ensino mais significativo é possibilitar aos alunos conhecerem o corpo humano e quais as conseqüências que isso exerce em decisões pessoais da maior importância tais como fazer dieta. Data was collected by a questionnaire. and also outdoors physical activity. Os resultados desta pesquisa devem ser analisados de forma cuidadosa. limites. de tal modo que a aprendizagem se torne mais significativa para os seus alunos. Abstract Physical education in school and the process of formation of nonpractitioners of physical activity The objective of the present research was to verify the origins and reasons by which students usually back themselves off regular physical activity practice. and how they change along school grades. capacidade física. UNITERMS: School physical education. a sexualidade e reprodução. b) investigate students.172 students. utilizar anabolizantes e praticar exercícios físicos. O professor poderia aproveitar estes ricos momentos e aprofundar o conhecimento dos alunos nos temas relacionados ao fenômeno esportivo. c) verify when students begin backing off School Physical Education classes. at 5th to 7th elementary grades. that was distributed to 1. hábitos de alimentação. opinions on Physical Education classes. participate or appreciate classes in a regular basis. analyzing the School Physical Education universe. repouso.

Manchester. 1998. _____.. COSTA. p. v. 1992. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica. C.138-45. p. M. 1999. G. DARIDO.M. New York: McMillan./mar. A. E. Especialização precoce na natação e seus efeitos na idade adulta. G. B.282-7. DARIDO. Ministério da Educação e do Desporto.C. A psicologia da felicidade. C. Parâmetros curriculares + ensino médio: orientações educacionais complementares aos parâmetros curriculares nacionais.H. R.2.V.K. 1994. S.A. Araras: Topázio. Instituto de Biociências.1. v.2. Brasília: MEC/SEMTEC. n. A janela de vidro: esporte.. a formação do cidadão e os parâmetros curriculares nacionais.V. Parâmetros curriculares nacionais: educação física.13.1. Motriz. Rio Claro. p. v. São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte. 1991.. De ÁVILA. BRASIL. _____. 1997.124-8. v.. Educação física. . _____.C. L.). L. Monografia (Especialização) . Campinas. Champaign: Human Kinetics. Rio Claro. 1993. bras. FERREIRA. p.7... In: BOUCHARD.A. v. Uma proposta para além do esporte na educação física escolar: as expectativas e a avaliação dos alunos. Esp.1. Secretaria de Ensino Fundamental. GALVÃO. In: SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR. S. Educação física diversificada. Determinants and interventions for physical activity and exercise. et alii (Eds. p. Motriz. 1995. p. R. Rio Claro. A revolução cultural do tempo livre. 1994.15. M. São Paulo. 1999.C. DUMAZEDIER. Brasília: Secretaria de Ensino Fundamental. Campinas: Papirus. v. p. SALLIS.. J. n. CAVIGLIOLI. Revista Paulista de Educação Física. Universidade Estadual Paulista. C. Z. SILVA. fitness. Universidade Estadual Paulista. p. 2001. Rio Claro.. Teoria. S. RAMOS. (Org. 1989. L. 4. G. 1994. Ensino de primeiro e segundo graus: educação física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte. S. Esporte e adolescentes. Champaign: Human Kinetics. M. Referências BETTI. Anais. 1999.1.K. 1992.1. DISHMAN. F. Para além do esporte: a expressão corporal nas aulas de educação física do segundo grau.M. G. In: FARACO. CASTELLANI FILHO. 79 A educação física na escola BRASIL.Departamento de Educação Física. and health: international proceedings and consensus statement. v. 1976. Campinas: Papirus. 2004 . DARIDO. In: SINGER. L.17-32. _____. uma proposta de participação. v. Vrin.15. São Paulo.N. prática e reflexão na formação profissional em Educação Física.e análise dos dados. Physical Education Review. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Fís. 1992. Rio Claro... FERREIRA.. Physical activity.. Handbook of research on sport psychology.S. Educ. 2002. CSIKSZENTMIHALYI. Advances in exercise adherence. 1997. n. FARINHA. Educação física na escola: questões e reflexões. MURPHEY. Parâmetros curriculares nacionais: educação física. São Paulo. Monografia (Graduação) . S. TENNANT. DISHMAN.).5.Departamento de Educação Física.C.2.K.214-38.2. 1995.). _____.. Rev. 98-110.K. FIORIN. p... Motriz. p. RANGEL-BETTI.. RODRIGUES. São Paulo: SESC/Studio Nobel. FIORIN. L. Ministério da Educação e do Desporto. R.779-98. televisão e educação física. n. Educação física no Brasil: a história que não se conta. Educação física. Z. Paris: J. São Paulo: Movimento. Sport and exercise motivation: a brief review of antecedent factors and psychological outcomes of participation. PONTES. jan. SANCHES. L.. BIDDLE. Educação física no ensino médio: reflexões e ações. DARIDO.C. São Paulo: Saraiva. Instituto de Biociências.. GALVÃO. n. Educação física e sociedade. n.59-70. J. 1998..N. F. I.61-80. 47.18. CUNHA. 1995. n. 1997. Exercise adherence. (Eds..

G.151-69. Campinas. VANREUSEL. 1997.). 1991. Agradecimentos SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação.373-87. Educação física: a arte da mediação.. Dissertação (Mestrado) . 12. H. R. 27 nov.369-96.17-20. Educação física escolar: razões das dispensas e visão dos alunos por ela contemplados. Gustavo Isler.P. 1995. Champaign: Human Kinetics. VANDEN-EYNDE. p. Pós-graduações e educação física: paradoxos..Departamento de Educação Física. L. LYSENS. Monografia (Graduação) . IAOCHITE. Campinas: UNICAMP. 1997.. n.C.10. _____. R. v. 1997. Rio de Janeiro: Sprint. 1996.1. São Paulo. Rio Claro. 2004 DARIDO.P. Instituto de Biociências. p.J... Educação física escolar: uma abordagem fenomenológica. Educ. CLAUSSENS. BEUNEN. Universidade Estadual Paulista. São eles: Marcelo Ortiz.61-80. Associação entre variáveis do aspecto morfológico e desempenho motor em crianças e adolescentes. B.GALVÃO. S. Monografia (Especialização) . WANKEL. p. n. 1997. Instituto de Biociências. v. p. Tese (Doutorado) Instituto de Psicologia. n. São Paulo. Universidade de Campinas. Educação física no ensino médio: educação para um estilo de vida ativo no terceiro milênio. D. W. (Ed.S. Campinas: 1993. S. J.M. Rio Claro.11-21.B.32.20. International Journal of Sport Psychology. A. Universidade Estadual Paulista. Rome. OKUMA. Exercise adherence and leisure activity: patterns of involvement and interventions to facilitate regular activity. Revista Paulista de Educação Física. 60% DOS BRASILEIROS estão parados.4. M. NAHAS. p. Universidade de São Paulo. Anais. I.R./mar. tensões e diálogos. Folha de S. Marcio Pimenta.C. R. Fís. São Paulo: CENP. p.J. Monografia (Graduação) . London.. 1993. LOVISOLO. RANGEL-BETTI. International Review for the Sociology of Sport. A longitudinal study of youth sport participation and adherence to sport in adulthood. 80 . S. Datafolha.L.99-112. Agradeço também ao aluno do Programa de Pós-graduação em Motricidade . Z.18. 4. 1988. 1992. R. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. n. B. Motivos da desistência em aulas de educação física no segundo grau. O prazer em aulas de educação física escolar: a perspectiva discente.V. 1996.. São Paulo. 1995. jan. Paulo. Fernanda Moreto Impolcetto e Flavio Lico. São Paulo. GUEDES. que auxiliaram na coleta dos dados desta pesquisa. GUEDES. 1998. v. v. 1997.R.Faculdade de Educação Física. In: DISHMAN. Universidade Estadual Paulista. O significado da atividade física para o idoso: um estudo fenomenológico. grau. Campinas. São Paulo. 1990. São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte. W.. 1999. p. MOREIRA. _____. Rio Claro. 1..24.Departamento de Educação Física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. A prática de atividade física e o estado de fluxo: implicações para a formação do futuro profissional em educação física. Oraci de Almeida Junior. Universidade de Campinas..2. v. SANTOS. Rev.Faculdade de Educação Física. In: SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR.Departamento de Educação Física. LEFEVRE. Agradeço imensamente aos ex-bolsistas do CNPq e ex-alunos do curso de Educação Física Unesp/Rio Claro. bras. Educação física: o paradoxo da sua negação. The importance of enjoyment to adherence and psychological benefits from physical activity. Dissertação (Mestrado) .W. Campinas. p. Esp.R. Proposta curricular para o ensino de educação física no 1o. J. RENSON. Exercise adherence: its impact on public health.J.E.. GAMBINI. Instituto de Biociências.

objetivando o equilíbrio. A música e a dança. a criatividade. combate ao estresse e a melhora na postura corporal. mas de uma totalidade capaz de conectar pensamentos e movimentos através de ligações de sensibilidade. no aspecto cognitivo. 1239 . Ela é considerada como um meio educativo privilegiado. Não se pode falar de um corpo fragmentado. o espírito socializador e o desenvolvimento criativo. a aptidão física para a ação e o desenvolvimento dos valores morais. porém não terá valor se tiver seu . da ginástica e das danças. criação e comunicação de emoções. pois busca a perfeita formação corporal. 1A.Vila Tablada 13506-748 . também auxilia no desenvolvimento global do indivíduo.Luiz Sanches pelo auxílio na elaboração do abstract e pela leitura cuidadosa do trabalho.BRASIL ENDEREÇO Recebido para publicação: 02/06/2002 Aceito: 26/09/ 2003 Fechar Os Benefícios da Educação Física A Educação Física é uma disciplina que integra o educando na cultura corporal.SP . a livre expressão e a sociabilidade. Nesta relação corpo e emoção o que importa não é o gesto pelo gesto. é uma ótima maneira de moldar o corpo. auxiliares na melhora dos movimentos. isto é. improvisação. Além de proporcionar a expressão corporal. pois abrange o ser na sua totalidade. tornam-se elementos integrados que enriquecem as aulas. proporcionando ao educando um meio de desenvolver sensibilidade. Esta disciplina permite ao educando exercer todas as suas potencialidades. a saúde do corpo. a coordenação motora. formando o cidadão que irá produzi-la. desenvolve as funções mentais.Rio Claro . reproduzi-la e transformá-la através dos jogos. concepções e valores. psicomotor e afetivo. trazendo benefícios. tais como: a auto-estima. mas o significado deste diante do mundo. a dança possibilita a educação integral. na busca do exercício crítico da cidadania e de uma melhor qualidade de vida. dos esportes. Assim como a Educação Física. das lutas. Suraya Cristina Darido Av. imaginação. idéias.

a partir desta auto-afirmação. psíquica. sem o caráter elitista.Professora SHOPPING BOA SAÚDE Publicidade ASSINE 0800 703 3000 Parte superior do formulário BATE-PAPO E-MAIL SAC SHOPPING on parceiro . sentimentos e sensações. para que todos possam participar dentro das suas limitações e capacidades. aprimorando seus valores e atributos como educador e buscar subsídios para uma atuação afetiva e positiva em relação aos educandos. culturais e artísticos. Isso tornará a atividade física acessível para o máximo possível de pessoas. Mércia Sequeira Pinto . dinâmico e capaz de exteriorizar seus pensamentos. num ambiente de muito afeto. proporcionando a ele uma oportunidade de encontrar-se. desenvolver o indivíduo na sua totalidade.objetivo voltado somente para a arte e não priorizar o auxílio à aquisição e à manutenção da saúde e aptidão social. mental. A Educação Física pode e deve. o espírito e o coração na busca de um ser espontâneo. unindo o corpo. física e afetiva. As aulas devem ser uma oportunidade de aprender e ensinar com prazer. Cabe ao professor aprofundar essas habilidades e conhecimentos técnico-científicos. poder amar também os outros de forma plena e intensa. vivo. descobrir-se e amar-se para.

. cadastre-se agora. 15 de Fevereiro de 2010 Parte superior do formulário Busca Informaçao Sobre Saúde Para receber informações de saúde.barrauol Parte inferior do formulário Segunda-Feira.

Os indivíduos mais sujeitos ao sedentarismo são: mulheres. representava um estímulo amb doenças. a hipertensão. jogand Quais são os benefícios da atividade física? Termo de Responsabilidade Especiais A prática regular de exercícios físicos acompanha-se de bene aspectos do organismo.Como é feita a escolha da atividade física adequada? . existiam duas idéias que tentavam explicar a as primeira defendia que alguns indivíduos apresentavam uma p exercício físico.Atividade física em crianças e jovens . por meio de exercícios que envolva uma ou mais aptidões físicas. o sedentarismo é um problema que vem assumindo mostram que a população atual gasta bem menos calorias po explica porque o sedentarismo afetaria aproximadamente 70% obesidade. na verdade. a partir da adolescência. Do ponto de vista músculo-esquelétic muscular e da flexibilidade. É o famoso estilo de vida mod é passado assistindo televisão.Por que a preocupação com o sedentarismo? . o tabagismo. conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pra alterações do organismo. vigor físico e disp a atividade física. Receita para rir Em todo o mundo observa-se um aumento da obesidade.Introdução . id mais baixo e os indivíduos incapacitados.Atividade física durante a gestação . fortalecimento dos ossos e das ar . Hoje em dia sabe e se relacionam. usando computadores.Considerações finais Exames de rotina (novo) Chats Anteriores Comunidades Dicionário Médico "A prática regular de atividade física sempre esteve ligada à im Antigamente." Introdução Serviços e Produtos Medicamentos Genéricos Mas o que é atividade física? De acordo com Marcello Montti. Assim de saúde pública.Quais são os benefícios da atividade física? . além de atividades mental e so benefícios à saúde. já que possuíam boa saúde. grupo do adultos que vivem em áreas urbanas não praticam um nível a problema fica mais claro quando levamos em conta os dados da população brasileira vive nas cidades. saúde mental e boa aptidão física.Atividade física em idosos . Por que a preocupação com o sedentarismo? Newsletters Calculadoras Na grande maioria dos países em desenvolvimento. o diabetes e o coleste responsabilizado por 54% do risco de morte por infarto e por 5 cerebral.BLOG DE BOA SAÚDE <VOLTAR Notícias de Saúde Importância da atividade física Artigos de Saúde Neste artigo: . o q da prática de atividades físicas. as principais causas de morte em nosso país. Anuncie Aqui No Brasil. Observou-se que a nível de atividade física.

ou seja. melhora do diabetes. Dia Nacional de Combate ao Câncer Especial Obesidade Interessante notar que quanto maior o gasto de energia. auxilia também na m recuperação da auto-estima. não é necessária a prática intensa d benefícios para a saúde. há um da massa muscular. Antes do início da prática de exercícios. as maiores diferenças na indivíduos sedentários e os pouco ativos. favorecendo u melhor convívio social. da força e flexibilidade musculares. sua hiperatividad Atividade física em idosos A falta de aptidão física e a capacidade funcional pobre são u qualidade de vida. aumentando a socialização. e valem também p • Uso de roupas e calçados adequados. enquanto aquelas por mais tempo e/ou mais freqüentes. atividades que con por menos tempo e com menor freqüência.Dia Mundial de Luta contra a AIDS ajudar no desenvolvimento das habilidades psicomotoras. Há redução da ansiedade e do e depressão. diminui colesterol (o "colesterol bom"). Além disso. • Risco associado à atividade: alguns tipos de exercícios po em determinados indivíduos que já são predispostos. melhora o fluxo de sangue para o cérebr problemas e com o estresse. O mínimo de atividade física necess mais ou menos 200Kcal/dia. a prática de exercícios ajuda n ao sistema nervoso. em a os benefícios para a saúde. A prática regular de exercícios pode fu energia "extra normal" das crianças. Férias 2006 Com relação à saúde física. Dia dos Namorados 2006 • Aptidão necessária: algumas atividades dependem de hab realizar atividades mais exigentes. Dessa forma. Porém. hidroginástica e m Guia Realce de Orientação e Aconselhamento Algumas recomendações são importantes. . antes do exer • Praticar atividades apenas quando estiver se sentindo bem. Entre os últimos e a não é tão grande. levando-se em conta os seg Tratamento das complicações pós-aborto • Preferência pessoal: o benefício da atividade só é consegu continuidade depende do prazer que a pessoa sente em reali atividade que a pessoa não se sinta bem praticando. Dia Internacional da Mulher A atividade física pode também exercer efeitos no convívio so trabalho quanto no familiar. Isso permitirá ao médico indicar a melh exercício em bicicleta ergométrica. nos idosos. Dia dos Namorados 2004 Atividade física em crianças e jovens Preservativos: Reduzindo as Barreiras Nesses grupos. Violência contra as Mulheres Está mais do que comprovado que os idosos obtém benefício quanto os jovens. observamos perda de peso e da da pressão arterial em repouso. a pessoa deve seguir um p começando de atividades mais leves. Dia Mundial da Saúde 2006 Já no campo da saúde mental. • Ingestão de grandes quantidades de líquidos. send falta de exercício. • Iniciar as atividades lenta e gradualmente. natação. Ela promove mudanças corporais. Todos esses benefícios auxilia sendo importantes para a redução da mortalidade associada sedentária e passa a ser um pouco mais ativa diminui o risco Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é na saúde e na qualidade de vida. Com o avanço da idade. além de ser importante na aquisição de habili importante para o desenvolvimento intelectual. o idoso deve passar realização de exames. Assim. Como é feita a escolha da atividade física adequada? A escolha é feita individualmente. melhora afetividade.

é a adoção de uma alimentação saudáve fibras. • Respeitar seus limites pessoais. co praticar atividades como jardinagem. embora seja necessário reduzir a inte as atividades podem ser retomadas após 40 dias. Afetam de maneira raciocínio. Já aquelas após a décima segunda semana de gestação. Atividade física durante a gestação O que é? É necessário a todas as gestantes um trabalho corporal a cad adequação às alterações que ocorrem nesse período. • Alimentar-se até duas horas antes do exercício. o convívio social. O que is significativa da sua qualidade de vida! O que precisamos ressaltar é o investimento contínuo no futu buscar formas de se tornarem mais ativas no seu dia-a-dia. incluindo médicos. lavagem do carro. Não havendo p continuados até o parto. Ajudam também na oxigenação. a gestante deve passar por co obstetra. Inc. física. A atividade física consiste em exercícios bem planejados e be Eles conferem benefícios aos praticantes e têm seus riscos m controle adequados. • Natação: trabalha bastante a musculatura. a convivência com outras gestantes e os sentime Os exercícios de ginástica garantem fortalecimento muscular. cerca de 30 minutos. auto-estima.Mais Especiais • Evitar o cigarro e medicamentos para dormir. passe MOVIMENTO. Já os exercícios desenvolvidos na água favorecem o relaxam pernas e o inchaço dos pés e mãos. uma melhoria das co na adaptação às mudanças posturais e no trabalho de parto. a velocidade de reação. Caso sinta algo diferente é mandatório informar ao resp deve ser esquecido. Uma m a realização das atividades domésticas. Copyright © 2005 Bibliomed. Esses exercícios regulares aumentam a a disposição e a saúde de um modo geral. 28 de Julho de 2005. • Hidroginástica: são os mais indicados para as gestantes! • Alongamento: ajuda a manter a musculatura relaxada e o c Considerações finais Para finalizar devemos ressaltar que a prática de atividade fís acompanhada por profissional qualificado. . No caso de As atividades físicas mais recomendadas às mulheres grávida • Caminhada: é muito bom para a preparação para o parto. comidas congeladas e os famosos lanch líquido (de preferência água e sucos naturais). reduzindo o risco de lesões. Após a realização dos exames ele poderá liberar ou que já praticavam atividade física e que nunca sofreram abort atividades após adaptação para seu novo estado. Prefira o consumo de carnes grelhadas ou preparadas excessivo de doces. • Informar qualquer sintoma. Atenção: apenas durante a gestação. Antes do início dos exercícios. já cardiorrespiratória e favorece o encaixe do bebê na bacia da semana.

by SEO Master - Busca por conteúdo Digite uma ou poucas palavras para encontrar o tema desejado.us Twitter Email Linkk Yahoo Linkto diHITT Mais ..2010 Bibliomed. De: email de </TD< tr> email para Para: </TD< tr> Texto: </TD< tr> </TD< tr> .SoBoo .INÍCIO | QUEM SOMOS | CONTATO | ABOUT | CONDIÇÕES DE USO | NOSSO OBJETIVO © 2000 . Todos os Direitos Reservados Favoritos Google Live Rec6 Del. .icio. Inc..

incluindo desde as brincadeiras espontâneas. biomecânicos e dodesenvolvimento motor”. até os programas esportivos orientados para o alto rendimento. durante o Congresso Nacional de Pediatria. de uma nova área de estudo. São inúmeros os estudos que têm enfatizado os benefícios de programas que envolvem atividades motoras. doutor em educação física e professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. rotulados como especialização precoce. nas últimas décadas. é necessário haver uma harmonia entre os vários aspectos. No entanto. afirma o professor Krebs. . 3. a gama de atividades físicas na infância é bastante extensa. A investigação de aspectos negativos e positivos do engajamento de crianças em programas de esporte organizado vem sendo realizada pelo professor Ruy Jornada Krebs. realizado em Aracaju. E o conceito de saúde não pode ser só físico. Para ele. tanto para o crescimento e a maturação quanto para o desenvolvimento de capacidades cognitivas e sociais1. que salienta: “Um modelo de esporte para crianças baseado exclusivamente na fisiologia pediátrica do exercício mostraria apenas parte do complexo fenômeno da prática esportiva infantil”. a fisiologia pediátrica do exercício. com intensa carga lúdica. 16 de fevereiro de 2010 Home » Educação Física » Desenvolvimento da Criança ► Desenvolvimento da Criança A atividade física é um fator imprescindível para que a criança tenha um desenvolvimento saudável. livros e resumos Boa tarde. bem como a exclusão de outras atividades mais prazerosas. que apresentou a palestra “Atividade Física na Criança e no Adolescente”. “A excessiva cobrança. “Mas não devem ser analisados isoladamente dos fatores psicológicos. terça. o fato de a criança estar feliz”. 2. Avaliar as conseqüências que essas práticas mais organizadas possam ter para a vida futura de seus praticantes é tarefa difícil e foi motivo do surgimento. deve considerar também o bem estar no contexto social. A fisiologia e as implicações metabólicas do exercício para crianças são os fatores que têm recebido mais atenção dos pesquisadores e os resultados dessas pesquisas têm levado a considerações positivas.Parte superior do formulário Parte inferior do formulário Trabalhos escolares. tendem a causar frustração e baixa auto-estima.

alimentares. (f) que os professores sejam altamente qualificados. ainda pela Declaração de Madrid (1991). (e) garantir três horas semanais de educação Física para o ensino secundário.) ao exercício físico. (b) reconhecer que a formação em Educação Física está no nível de estudos superiores. autoridades e organizações européias. endócrinas. registrou que uma Educação Física de Qualidade tem um impacto positivo no pensamento. ao defender a Educação Física como parte integrante do currículo escolar. Recreação e Dança (CAHPERD) e Aliança Americana para a Saúde. Outro aspecto abordado pelo professor Krebs foi a associação indireta de doenças (pulmonares. Segundo o professor Ruy Krebs. como é o caso das outras disciplinas. Recreação e Dança (AAHPERD). o correto é que essas crianças tenham restrições mas pratiquem o exercício. etc. (g) deve-se promover estudos acadêmicos sobre Educação Física. (c) garantir o suficiente peso curricular para a Educação Física Escolar. Que a mesma Associação Européia de Educação Física (EUPEA). como meio de estabelecer critérios comuns que possam contribuir para a geração de idéias que possam ser assumidas pelos governos. pois o sedentarismo cria condições propícias para que as doenças se instalem de vez”. sob pena de causarem males. cardiovasculares. No aspecto biomecânico ele adverte para a necessidade de adequação dos materiais e equipamentos à estatura e força das crianças. “Muitos pais fazem dessas doenças motivo de exclusão das atividades físicas. conhecimento e ação. Isso é um erro. ainda que moderadamente. Educação Física. Que o Documento "Uma Visão Global para a Educação Física na Escola". como forma de criarem condições de desenvolvimento e de controle das doenças. de acordo com a crescente importância da disciplina. saudável e produtiva. apresentado no Forum Mundial sobre Atividade Física e Esporte (1995).afirma. Que o Encontro denominado World Summit on Physical Education realizado pelo Conselho Internacional de Ciência do Esporte e Educação Física (ICSSPE/ Berlim/ . A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E O SEU COMPROMISSO DE QUALIDADE Considerando Que a Associação Européia de Educação Física (EUPEA). devendo ser diária até os 11 ou 12 anos de idade e pelo menos três horas por semana para as crianças e adolescentes acima desta idade. afetivo e psicomotor na vida de crianças e jovens e que as crianças e jovens fisicamente educados vão para uma vida ativa. através da Declaração de Madrid (1991). nos domínios cognitivo. sob supervisão do professor e do médico. (h) desenvolver um intercâmbio de informações sobre Educação Física na Europa. estabeleceu como necessário que a Educação Física seja compulsória na Escola. preparado conjuntamente pelo Forum do Comitê Regional Norte-Americano (NARFC) Associação Canadense para a Saúde. Educação Física. estabeleceu como parâmetros de qualidade: (a) manter ou incluir a Educação Física como matéria curricular no período de educação obrigatória. (d) a Educação Física devera ter pelo menos uma hora diária na educação primária.

corpo e equilíbrio. seja qualquer capacidade/ incapacidade. sexo. na Declaração de Punta del Este (1999). (f) desenvolve na criança o entendimento do papel da atividade física promovendo saúde. adquirir competências de movimentos. oferecendo oportunidades às crianças e adolescentes para. Compartilhe ou guarde este conteúdo . cooperando e colaborando. permitindo ações interdisciplinares que sempre favorecem o processo educativo. 4o.8 dólares em despesas médicas. (d) ajuda as crianças a desenvolver padrões de interesse em atividade física. que se integra em outras áreas do currículo escolar.1999) ao reforçar a importância da Educação Física como um processo ao longo da vida e particularmente para todas as crianças. (b) ajuda as crianças chegarem a uma integração segura e adequado desenvolvimento da mente. etnia. o entendimento para uma participação em atividades físicas e esportivas ao longo da vida. mostrando que para cada dólar investido em atividades físicas corresponde a uma diminuição de 3. o que pode estar contribuindo para o aumento da delinqüência juvenil e da violência. identidades. (h) realça o desenvolvimento social. atividade física. assim como um incremento nos gastos médicos e sociais. vencendo e perdendo. (c) é a única alternativa escolar cujo foco principal é sobre o corpo. no seu art. (a) é o mais efetivo meio de prover nas crianças. evidenciou uma profunda preocupação com a redução dos programas de Educação Física. com habilidades. movimento. reiterou que uma Educação Física de Qualidade. atitudes. (b) exercer um papel de enriquecimento da vida social e de desenvolvimento das habilidades de interação social. diabetes. obesidade e osteoporose) e mentais (depressões e estresses). desenvolver conhecimentos e percepções necessárias para um engajamento independente e crítico na cultura física. na busca da totalidade dos seus beneficiários. Que a Educação Física é um fim educacional em si mesmo. divulgado pela Associação Internacional das Escolas de Educação Física (AIESEP/ 1999). valores e conhecimentos. Conferência Internacional de Ministros e Altos Funcionários Encarregados da Educação Física III MINEPS. (g) contribui para a confiança a auto-estima das crianças. raça. Que o Documento "A Indispensabilidade da Educação Física". preparando as crianças para enfrentar competições. idade. esclareceu que as pesquisas mostram que a atividade física pode: (a) ser um meio de prevenção contra doenças físicas (cardiovasculares. religião ou nível social. e por isto deve ter o mínimo de 2-3 horas por semana e as aulas devem integrar um currículo longitudinal e ser dirigidas por professores de Educação Física preparados para esta função. (e) ajuda as crianças a desenvolver respeito pelo seu corpo e dos outros. desenvolvimento físico e saúde. Que a Educação Física é a única disciplina na escola que atua diretamente com o físico. cultura. os quais são essenciais para o desenvolvimento desejável e constróem os fundamentos para um estilo de vida saudável na idade adulta. câncer no cólon. Que a 3a. jogos e esporte.

+ Visitados Download de Livros Resumos de Livros Mapa-Múndi Tradutor On-Line Exercícios Resolvidos Como Fazer? Dicionários Comunidades Matérias ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Administração Artes Arquitetura Astronomia Biologia Contabilidade Direito Economia Educação física Engenharia Farmácia Filosofia Física Geografia Geral Geografia do Brasil História Geral História do Brasil Informática Inglês Literatura Marketing Matemática .

ProUni Exercícios Resolvidos Universidades Bibliotecas Como fazer Dicas de estudo Dicionários Tradutor Programas Pesquisas Vestibular Utilidade .○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Livros Medicina e Enfermagem Pedagogia Português Psicologia Química Redação Sociologia Autores Biografias Continentes Corpo Humano Cultura Curiosidades Doenças Drogas Estados Brasileiros Globalização Guerras Países Política Mapas Mitologia Religião Saúde ENEM .

. TCC ou monografia. nós incentivamos o usuário a desenvolver por conta própria o seu trabalho escolar..2009 Todos os direitos reservados à Cola da Web.○ ○ Download de Livros Resumos • • • • Política de Privacidade Anuncie Aqui Fale Conosco Publique Artigos © 2000 .com Interação: O Cola da Web facilita sua vida escolar e acadêmica ajudando você em suas pesquisas.. O Cola da Web NÃO faz a venda de monografia e É TOTALMENTE CONTRA a compra de trabalhos prontos assim como NÃO apóia e NÃO APROVA a quem quer comprar Trabalhos Prontos. trabalhos escolares e de faculdade..

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->