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Fisiopatologia Da Insuficiencia Renal

Fisiopatologia Da Insuficiencia Renal

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Aline Pacolla de Lima Ribeiro

Seminário: Insuficiência Renal

Especialização em Fisioterapia Respiratória em UTI e Ventilação Mecânica com ênfase em Clínica Médica – Caps.

São Paulo 2005

enquanto outras acarretam uma diminuição gradual da função renal (insuficiência renal crônica). é a alteração da função dos rins na qual esses órgãos são incapazes de excretar as substâncias tóxicas do organismo de forma adequada. As doenças que lesam as diferentes estruturas dos rins são. a cortical e a medular. do cálcio e fósforo e da formação de hemácias. sendo assim. outras levam anos para o dano tornar-se aparente. potássio. A insuficiência renal é um diagnóstico que expressa uma perda maior ou menor da função renal. . o rim direito é mais caudado que o esquerdo e ambos situam-se entre a décima segunda vértebra torácica e a terceira lombar e. entre outras.Insuficiência Renal O rim é um órgão com duas origens embriológicas. cálcio. o botão ureteral e o blastema. Para manter estável o meio interno do organismo. a hipertensão arterial. algumas das quais acarretam uma diminuição rápida da função renal (insuficiência renal aguda). ?? Excreta substâncias desnecessárias como o fósforo e o hidrogênio. o rim. o diabete. ?? Reabsorve a albumina e sais desejáveis como o sódio. as nefrites. infecções urinárias. As causas da insuficiência renal são muitas. através de suas funções: ?? Remove as substâncias indesejáveis do nosso corpo filtrando uréia e ácido úrico. se divide anatomicamente em duas camadas. ?? Secreta hormônios para o controle do volume. Há algumas situações que lesam o rim agudamente. obstruções das vias urinárias e as hereditárias. da pressão arterial.

Insuficiência Renal Aguda A insuficiência renal aguda (IRA) é definida como uma síndrome caracterizada pela perda da função renal durante um período de horas ou dias resultando na incapacidade de manter a homeostase de eletrólitos e fluídos corporais e de excretar escórias nitrogenadas. a causa mais comum de dano tubular é de origem isquêmica ou tóxica. ou seja. de sua velocidade de progressão e de sua causa básica. a perda repentina de sangue (hemorragias) ou do plasma (queimaduras) faz com que não haja formação de urina (anúria) ou somente de pequenas quantidades de urina por dia (oligúria).. insuficiência cardíaca e insuficiência hepática. freqüentemente produz sintomas graves não relacionados aos rins. uréia) no sangue. venenos.ex. também pode lesar vasos . Entretanto. Algumas das condições que causam insuficiência renal aguda também afetam outras partes do corpo. A condição que acarreta a lesão renal. podem ocorrer antes da insuficiência renal e podem ser mais graves que qualquer um dos sintomas da insuficiência renal. provocadas por falta de volume do líquido circulante. especialmente se houver comprometimento suficiente para provocar a morre das células tubulares. Por exemplo. sangue ou plasma são as principais causas de insuficiência renal aguda (IRA). Os sintomas dependem da gravidade da insuficiência renal. acarretando um acúmulo de produtos da degradação metabólica (p. a granulomatose de Wegener. cristais precipitados na urina e anticorpos que reagem contra os rins. choque. Sintomas: A IRA caracteriza-se por uma redução abrupta da função renal. febre alta. A falta abrupta e intensa de água (desidratação severa). Pode ocorrer em decorrência de qualquer condição que diminua o suprimento sangüíneo aos rins. As substâncias tóxicas podem lesar os rins. que obstrua o fluxo de urina após ela ter deixado os rins ou que lese os rins. A perda de água. a necrose tubular isquêmica pode ter origem pré-renal como conseqüência da redução do fluxo sanguíneo. sendo elas: medicamentos/drogas. Por exemplo. é a diminuição rápida da capacidade dos rins de eliminar as substâncias tóxicas presentes no sangue. a qual lesa os vasos sangüíneos renais.

causada por hipoperfusão renal sem dano ao parênquima renal. Insuficiência renal aguda pré-renal – é rapidamente corrigida se sua causa for solucionada. proteínas ou outras substâncias nos rins Suprimento sanguíneo insuficiente aos rins Obstrução do fluxo urinário Lesões no interior do rim Etiologia: A IRA é convenientemente dividida em três categorias: IRA pré-renal (55% dos casos).ex. o lúpus eritematoso sistêmico e algumas drogas tóxicas. Características das insuficiências renais aguda: 1. a poliarterite. Aproximadamente 10% dos indivíduos apresentam sangue na urina. O refluxo da urina para o interior do rim faz com que a área coletora de urina (pelve renal) distenda. contrastes utilizados em estudos radiográficos) • Substâncias tóxicas • Distúrbios que afetam as unidades de filtração (néfrons) dos rins • Artérias ou veias obstruídas no interior dos rins • Cristais. acarretando a tosse com expectoração sanguinolenta. A hidronefrose pode causar insuficiência renal aguda em decorrência da obstrução do fluxo urinário. à desidratação ou a uma lesão física que obstrui os vasos sangüíneos • O bombeamento cardíaco é muito fraco (insuficiência cardíaca) • Pressão arterial extremamente baixa (choque) • Insuficiência hepática (síndrome hepatorrenal) • Próstata aumentada de tamanho • Tumor comprimindo o trato urinário • Reações alérgicas (p. por exemplo. IRA pós-renal (5% dos casos) causada por obstrução do trato urinário. causada por uma . causada por isquemias e nefrotoxinas. normalmente localizada no flanco. resulta principalmente de uma redução na perfusão renal. Principais Causas de Insuficiência Renal Aguda Problema Causas Possíveis • Sangue insuficiente devido a uma perda de sangue.. As erupções cutâneas são típicas de algumas causas de insuficiência renal aguda como. causando uma dor tipo cólica de intensidade variável (de leve a excruciante). IRA intrínseca (40% dos casos).sangüíneos pulmonares.

Insuficiência renal aguda renal ou intrínseca – é classificada de acordo com o local afetado: túbulos. -vasodilatação de arteríolas eferente. ?? Redução do volume circulante efetivo: -vasodilatação periférica. trauma. -síndrome hepatorenal. drenagem de enterotomias. disturbios renais perdedores de sal. uso de diuréticos e insuficiência cardíaca. estados hipoalbunêmicos. interstício. -antiinflamatórios não-hormonais. queimadura. -perdas gastrointestinais. -vômitos. diarréia. -diuréticos. . Causas: ?? Necrose Tubular aguda isquêmica: -grande cirurgia. ?? Drogas vasoconstritoras: -agentes a-adrenérgicos. -sudorese intensa ?? Seqüestro de líquido para o terceiro espaço: -cirurgia abdominal.série de eventos que culminam sobretudo com redução do volume circulante efetivo e portanto do fluxo sanguíneo renal. peritonite. -drogas e sepse. vasos ou glomérulo. -hipercalcemia. 2. sendo assim: ?? Depleção do volume intravascular: -hemorragias. -inibidores da enzima conversora de angiotensina I. a causa mais comum de dano tubular é de origem isquêmica ou tóxica. -débito cardíaco reduzido. ?? Alterações primárias da hemodinâmica renal: -inibidores da síntese de prostaglandinas. -perdas renais. sonda nasogástrica. febre). As causas mais freqüentes são desidratação (vômito. diarréias.

câncer doe próstata ou cervical. 3. -microangipatia trombótica. séptico ou hipovolêmico. ?? Neoplasia. ?? Outras vasculares: -embolização por colesterol. colorretal primária). -trauma vascular. -agentes quimioterápicos. -nefrite do Lúpus. -crioglobulinemia. -nefropatia de cristais. -mioglobinúria. -doença da membrana basal antiglomerular. -mieloma múltiplo. ?? Com vasculite: -granulomatose de Wegener. -agentes de radiocontraste. -menbranoproliferativa. -choques cardiogênico.-hipotensão. A irreversibilidade da IRA pós-renal se relaciona ao tempo de duração da obstrução. -nefropatia IgA. A obstrução das vias urinárias pode ser conseqüência de hipertrofia prostática. ?? Doença tubulointersticial: -nefrite intersticial alérgica. -hemoglobinúria (hemólise). Insuficiência renal aguda pós-renal – ocorre na vigência de obstrução do trato urinário. ?? Necrose tubular aguda nefrotóxica: -aminoglicosídios. ou desordens retroperitoneais ou bexiga neurogênica (causa funcional). . ?? Glomerulonefrite: -mediada pro complexo imune. -pós-infecciosa. geralmente extra-renal (próstata. cérvix.

o médico avalia os rins para determinar se ocorreu um aumento no tamanho desses órgãos ou se eles são dolorosos à palpação. o médico pode passar uma sonda para verificar s ela contém um excesso de urina. ?? Necrose papilar. lesando os rins. a bexiga dilata e a urina reflui. Particularmente o entendimento dos mecanismos intracelulares de lesão tem sido assunto de exaustivas pesquisas. Diagnóstico: Suspeita-se de uma insuficiência renal aguda quando o débito urinário diminui. apesar do substancial avanço no entendimento dos fatores mediadores desta síndrome. Sobretudo nos homens idosos. ?? Bexiga disfuncional. ?? Nefrolitíase. Um aumento progressivo da concentração de creatinina indica insuficiência renal aguda. Durante o exame físico. Quando é detectado um aumento da bexiga. ?? Fibrose retoperitoneal. o médico realiza um exame retal e um exame ginecológico para .?? Aumento prostático. o qual pode ser auscultado com o auxílio de um estetoscópio colocado na altura dos rins. e semelhantes aos observados há 30-40 anos atrás. porém apesar de todo o conhecimento resultantes desses estudos a mortalidade por IRA (~50%) ainda permanece em altíssimos patamares. A estenose (estreitamento) da artéria principal que irriga um rim pode produzir um ruído como de uma corrente (sopro). incluindo drogas anticolinérgicas. Conseqüentemente. o fluxo urinário e normalmente é obstruído ao nível da saída da bexiga (a abertura da bexiga para a uretra). Quando existe a suspeita de uma obstrução. A dosagem da concentração de creatinina e de uréia no sangue (produtos da degradação metabólica presentes no sangue que são normalmente eliminados pelos rins) ajudam a ratificar o diagnóstico. Fisiopatologia: A insuficiência renal aguda é uma patologia de causas complexas e multifatoriais e portanto sua fisiopatologia bem como o tratamento ainda são assuntos controversos.

Os exames laboratoriais podem ajudar a indicar com maior precisão a causa e o grau da insuficiência renal. Freqüentemente. os exames de sangue revelam concentrações anormalmente elevadas de uréia e de creatinina e desequilíbrios metabólicos como. Radiografias das artérias ou veias renais (angiografias) podem ser realizadas quando a causa suspeita é a obstrução de vasos sangüíneos. por exemplo. Primeiramente.verificar se uma massa em uma dessas regiões pode estar causando a obstrução. Tratamento: A insuficiência renal aguda e suas complicações imediatas podem freqüentemente ser tratadas com sucesso. Além disso. a urina pode conter grande quantidade de proteínas ou tipos de proteínas que não estão normalmente presentes.. para permitir que os rins se recuperem por si mesmos é apenas um tratamento simples mas meticuloso. a urina geralmente parece normal. quando a causa da insuficiência é um problema intrarenal. A taxa de sobrevida varia de menos de 50% para os indivíduos com falência de múltiplos órgãos a aproximadamente 90% dos indivíduos com diminuição do suprimento aos rins devido a uma perda líquida do organismo decorrente de um sangramento. pode ser necessária a realização de uma biópsia. uma acidez anormal (acidose). uma concentração elevada de potássio (hipercalemia) e uma concentração baixa de sódio (hiponatremia). de vômitos ou de uma diarréia. Comumente. O peso corpóreo é controlado diariamente. a urina é minuciosamente examinada. para monitorizar o consumo de água. certos aminoácidos (componentes constituintes das proteínas) são administrados pela via oral ou intravenosa para manutenção de . Quando a insuficiência renal é causada por um suprimento sangüíneo inadequado ou por uma obstrução urinária.ex. Além dos nutrientes com glicose e com carboidratos altamente concentrados. ultra-sonografia e a tomografia computadorizada) dos rins são úteis. Os exames de diagnóstico por imagem (p. No entanto. a urina pode conter sangue ou aglomerados de eritrócitos ou de leucócitos. A ressonância magnética (RM) pode ser realizada quando o uso de contraste (substância radiopaca) é muito perigoso. Quando esses estudos não revelam a causa da insuficiência renal. Um ganho de peso de um dia para outro significa que o indivíduo está consumindo líquido em excesso. O consumo d água deve ser limitado à reposição do e volume perdido pelo organismo.

a diálise é iniciada assim que possível após o estabelecimento do diagnóstico. A insuficiência renal pode ser tão grave a ponto de exigir a diálise. O consumo de substâncias eliminadas pelos rins deve ser rigorosamente limitado. . a diálise pode ser necessária indefinidamente. para evitar lesões graves de outros órgãos e para controlar os sintomas.. digoxina e certos antibióticos). Algumas vezes. exceto se for realizado um transplante renal. o sulfonato de poliestireno sódico é administrado pela via oral ou retal para tratar a concentração elevada de potássio no sangue. A diálise pode ser necessária apenas temporariamente como ajuda até os rins recuperarem a sua função. o que normalmente pode levar alguns dias ou algumas semanas.concentrações adequadas de proteínas. Por outro lado. Nesses casos.ex. quando os rins encontram-se muito lesados e a sua recuperação é impossível. incluindo muitos medicamentos (p. esses medicamentos podem ser administrados para evitar o aumento excessivo da concentração sérica de fósforo. Como os antiácidos que contêm alumínio ligam o fósforo nos intestinos.

ex. um produto da degradação metabólica. provocando a insuficiência renal crônica pela perda irreversível de suas funções.Insuficiência Renal Crônica Muitas doenças renais são irremediavelmente progressivas. mais danos causam ao rim. lúpus eritematoso sistêmico). os sintomas manifestam-se lentamente. o indivíduo é assintomático. rim policístico).. o indivíduo com insuficiência renal apresenta hipertensão arterial. regulagem ácido básica e hidroeletrolítica além de sua função endócrina. Neste estágio. pode levar a danos irreversíveis. o indivíduo pode apresentar uma urgência miccional noturna. no sangue. é uma diminuição lenta e progressiva da função renal que acarreta o acúmulo de produtos da degradação metabólica no sangue (azotemia).ex. apesar do aumento de uréia. Freqüentemente. ?? Distúrbios auto-imunes (p. ?? Obstrução do trato urinário. necessitando urinar várias vezes durante a noite (noctúria). Inicialmente. ou seja. A lesão aos rins. ?? Diabetes mellitus. À medida que a insuficiência renal progride e ocorre um acúmulo de substâncias . As lesões perturbam a funcionalidade do rim. A hipertensão arterial pode acarretar um acidente vascular cerebral (derrame cerebral) ou uma insuficiência cardíaca. A insuficiência renal crônica (IRC) é definida pela incapacidade definitiva dos rins em manter suas funções básicas como: excreção de escórias nitrogenadas. Sintomas: Na insuficiência renal crônica. A função renal anormal pode ser detectada apenas através de exames laboratoriais. ?? Alterações renais (p. ?? Glomerulonefrite. pois os rins não conseguem absorver água da urina para concentrá-la do modo que eles normalmente fazem durante à noite. Causas de Insuficiência Renal Crônica: ?? Hipertensão arterial. causada por muitas doenças. Conseqüentemente. pois os rins não conseguem eliminar o excesso de sal e água. O indivíduo com uma insuficiência renal leve a moderada pode apresentar apenas sintomas leves. os volumes urinários são maiores. Quanto mais elas progridem ou se agravam..

incluindo células e concentrações de sais anormais. À medida que aumenta o acúmulo de substâncias tóxicas. Estes sintomas podem acarretar desnutrição e perda de peso. proteinúria. náusea.tóxicas no sangue. Fisiopatologia: Doenças glomerulares. ela pode tornar-se perigosamente elevada. o indivíduo também pode apresentar uma sensação de formigamento nas extremidades e perder a sensibilidade em certas áreas. o indivíduo pode apresentar crises convulsivas. acumulam-se no sangue. independentemente da quantidade de líquido ingerida. 1 a 4 litros por dia). O acúmulo de substâncias tóxicas também afeta o trato digestivo. as quais são normalmente filtradas pelos rins. para se adaptar a nova condição. vômito. A pele pode apresentar uma coloração amarelo -acastanhada e. A concentração de potássio no sangue permanece normal ou aumenta discretamente. Os indivíduos com insuficiência renal avançada comumente apresentam úlceras e sangramento intestinais. formando um pó branco sobre a pele (geada de uréia. espasmos musculares. A urinálise (análise da urina) pode detectar muitas alterações. a uréia e a creatinina. causando perda do apetite. a concentração de uréia encontra-se tão elevada a ponto de ocorrer a cristalização dessa substância do suor. glomeruloesclerose focal e segmentar. o sangue torna-se moderadamente ácido (acidose). Diagnóstico: A insuficiência renal crônica é diagnosticada através de exames de sangue. vasculares e túbulo-interticiais levam á perda de néfrons. por exemplo. o indivíduo apresenta uma anemia moderada. recebem um maior fluxo de sangue aumentado assim sua capacidade de filtração. Dois produtos da degradação metabólica. atrofia tubular e intersticial. essa adaptação provoca hipertrofia glomerular. Quando a hipertensão arterial ou as alterações químicas do sangue causam disfunção cerebral. Tipicamente. Os néfrons remanescentes. proliferação mesangial. IRC terminal. . fraqueza muscular e câimbras. A concentração de cálcio diminui e a de fosfato aumenta. Alguns indivíduos com insuficiência renal crônica apresentam um prurido generalizado muito desconfortável. ele pode apresentar sintomas nervosos e musculares como. Contudo. cansaço fácil e comprometimento do estado mental. O volume urinário tende a permanecer igual (geralmente. Normalmente. o indivíduo pode apresentar fadiga. uridrose cristalina). IRC. inflamação do revestimento da boca (estomatite) e um sabor desagradável na boca. Por outro lado. ocasionalmente. Além disso.

é recomendável a administração de uma suplementação vitamínica contendo vitaminas do grupo B e vitamina C. a remoção de substâncias tóxicas dos rins. de água e ácido-básicos. Essas ações incluem a a correção dos desequilíbrios de sódio. Medicamentos. Comum nos indivíduos com insuficiência renal crônica. da hipertensão arterial. quando não tratada. o tratamento da insuficiência cardíaca. como o genfibrozil. embora ainda não tenham sido publicadas pesquisas demonstrando que essas drogas reduzem as complicações .Como a Insuficiência Renal Crônica Afeta o Sangue • Aumento das concentrações de uréia e de creatinina • Anemia • Aumento da acidez do sangue (acidose) • Diminuição da concentração de cálcio • Aumento da concentração de fosfato • Aumento da concentração de paratôrmonio • Diminuição da concentração de vitamina D • Concentração de potássio normal ou discretamente aumentada Prognóstico e tratamento : A insuficiência renal crônica geralmente piora independentemente do tratamento e. das infecções da concentração sangüínea elevada de potássio (hipercalemia) ou de cálcio (hipercalcemia) e de qualquer obstrução do fluxo urinário. para a qual é necessária a instituição da diálise ou a realização de um transplante renal. podem ser utilizados com o objetivo de reduzir a concentração de triglicerídeos. acidentes vasculares cerebrais e infarto do miocárdio).8 g por quilo de peso corpóreo ideal) pode retardar a velocidade da progressão da insuficiência renal crônica à insuficiência renal terminal. As condições que causam insuficiência renal devem ser corrigidas o mais rapidamente possível. A diálise ou o transplante renal podem salvar a vida do indivíduo. a concentração elevada de triglicerídeos no sangue aumenta o risco de complicações (p.ex. Quando a dieta é rigorosamente limitada ou quando a diálise é iniciada. Uma dieta pobre em proteínas (0..4 a 0. Uma especial atenção à dieta ajuda no controle da acidose e das concentrações elevadas de potássio e de fosfato no sangue. Comparados com os não diabéticos os indivíduos diabéticos normalmente necessitam de um desses tratamentos mais precocemente. é fatal.

. A anemia é causada pela incapacidade dos rins de produzir quantidades suficientes de eritropoietina (um hormônio que estimula a produção de eritrócitos). a diálise de emergência pode ser necessária. glóbulos vermelhos) ou de plaquetas ou por medicamentos (p. também podem ser úteis. A tendência ao sangramento na insuficiência renal crônica pode ser temporariamente suprimida por transfusões de eritrócitos (hemácias. fazendo com que ele seja excretado nas fezes. as alterações da sede normalmente determinam o consumo de água. Uma concentração elevada de potássio (hipercalemia) no sangue é perigosa. fígado. A formação dos ossos pode ser comprometida quando determinadas condições persistem durante um longo período. A concentração de fosfato no sangue é controlada através da restrição do consumo de alimentos ricos em fósforo (p. uma droga injetável. No entanto..ex. Os alimentos muito ricos em potássio (p. A anemia responde lentamente à epoetina. Durante a insuficiência renal. O médico também investiga outras causas de anemia. exceto quando existe edema (acúmulo de líquido nos tecidos) ou hipertensão arterial.cardiovasculares. ou o excesso de alumínio no organismo. Essas condições incluem a baixa concentração de calcitriol (um derivado da vitamina D). As transfusões de sangue somente são realizadas quando a anemia é intensa ou sintomática. legumes. para evitar que a concentração de sódio no sangue torne-se muito baixa.. o carbonato de cálcio. por exemplo. Este tratamento pode ser necessário após uma lesão ou antes de um procedimento cirúrgico ou . o consumo escasso e a má absorção de cálcio e as concentrações elevadas de fosfato e do hormônio da paratireóide (paratormônio) no sangue. de ácido fólico (folato) e de vitamina B12. nozes e a maioria dos refrigerantes). A ingestão de sal (sódio) normalmente não é limitada. de ferro. desmopressina ou estrógenos). drogas como o sulfonato de polistireno sódico podem ligar-se ao potássio. substitutos do sal) devem ser evitados e os alimentos ricos em potássio não devem ser consumidos em excesso. produtos laticínios. Quando a concentração de potássio torna -se excessivamente elevada. por exemplo.ex. pois ela aumenta o risco de arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais) de parada cardíaca.ex. o consumo de água deve ser limitado. Ocasionalmente. Os medicamentos orais que ligam o fosfato como. o acetato de cálcio e o hidróxido de alumínio (um antiácido comum). particularmente as deficiências dietéticas de nutrientes como.

mesmo quando a função renal é ruim. melhoram com a redução da ingestão de sódio com os alimentos. . Os diuréticos (p.ex.de uma extração dentária. Os sintomas da insuficiência cardíaca. furosemida. Quando os tratamentos iniciais da insuficiência renal deixam de ser eficazes. bumetanida e torsemida) também podem ser eficazes.. a qual é mais comumente devida à retenção excessiva de sódio e de água. Elevações moderadas ou graves da pressão arterial são tratadas com medicamentos anti-hipertensivos usuais para prevenir o comprometimento das funções cardíaca e renal. o médico deve aventar a instituição da diálise prolongada ou o transplante renal.

são necessárias 24 horas de diálise peritoneal ou 4 ho ras de hemodiálise. por filtração. para filtrar o sangue. Para realizar a diálise peritoneal. Isto pode ser feito usando a membrana filtrante do rim artificial e/ou da membrana peritoneal. todas as substâncias indesejáveis acumuladas pela insuficiência renal crônica. A diálise peritoneal realizada no hospital é planejada segundo as necessidades do paciente. fazer passar uma solução aquosa semelhante ao plasma. fazendo três trocas diárias de quatro horas de duração e. A solução permanece por um período necessário para que se realizem as trocas. . tendo em vista a situação da insuficiência renal terminal. que substituem as funções do rim: a diálise peritoneal. viagens. área de filtração suficiente para cumprir a função de limpeza das substâncias retidas pela insuficiência renal terminal. através dele. pode permanecer filtrando durante a noite. depois de drenada. Diálise Peritoneal: Este tipo de diálise aproveita a membrana peritoneal que reveste toda a cavidade abdominal do nosso corpo. Dependendo do caso. Cada vez que uma solução nova é colocada dentro do abdômen e entra em contato com o peritônio. realizando a função de filtração. Existem. exercícios. portanto. Essa membrana se fosse totalmente estendida. A diálise também pode ser realizada no domicílio do paciente. A DPAC permite todas as atividades comuns do dia-a-dia. Neste caso é conhecida como DPAC (diálise peritoneal ambulatorial crônica). dois tipos de diálise: a peritoneal e a hemodiálise. A diálise é um processo artificial que serve para retirar.Diálise Os pacientes que. a hemodiálise e o transplante renal. equivalente ao rim. por qualquer motivo. hoje. teria uma superfície de dois metros quadrados. trabalho. nova solução é introduzida e assim por diante. três métodos de tratamento. O próprio paciente introduz a solução na cavidade abdominal. em local limpo e bem iluminado. Para realizar a mesma função de um rim normal trabalhando durante quatro horas. perderam a função renal e irreparavelmente atingiram a fase terminal da doença renal têm. ele passa para a solução todos os tóxicos que devem ser retirados do organismo. devemos introduzir um catéter especial dentro da cavidade abdominal e.

hepatite. Tendo essas condições. o equivalente a 12 horas semanais. é usada uma membrana dialisadora. perfazendo um total de 168 horas semanais. é fundamental ter um vaso resistente e suficientemente acessível que permita ser i puncionado três vezes por semana com agulhas especiais. Portanto. A FAV é feita por um cirurgião vascular unindo uma veia e uma artéria superficial do braço de modo a permitir um fluxo de sangue superior a 250 ml/minuto. descalcificação. é necessário fazer passar o sangue pelo filtro capilar. Apesar de realizar somente 12 horas semanais de diálise. Para realizar uma hemodiálise de bom padrão é necessário uma fístula artériovenosa com bom fluxo. Para realizar a hemodiálise.A diálise peritoneal pode ser usada cronicamente por anos. maquinaria adequada e assistência médica permanente. O vaso sangüíneo com essas características é obtido através de uma fístula artéria venosa (FAV). Para sso. exigindo do paciente somente visitas médicas periódicas. já está provado que uma pessoa pode viver bem. um local com condições hospitalares. Hemodiálise: Na hemodiálise. o tratamento com rim artificial deixa o paciente 156 horas semanais sem filtração (168 12=156). com boa qualidade de vida e trabalhar sem problemas. o paciente poderá realizar hemodiálise por muitos anos. sete dias da semana. A hemodiálise tem a capacidade de filtração igual ao rim humano. uma hora de hemodiálise equivale a uma hora de funcionamento do rim normal. formada por um conjunto de tubos finos. desnutrição. dessa forma. aumento do peso por excesso de água ingerida e . anemia severa. Um rim normal trabalha na limpeza do organismo 24 horas por dia. a velocidade e o volume de sangue que passam pelo capilar e o volume e a qualidade do líquido que banha o filtro. O rim a rtificial é uma máquina que controla a pressão do filtro. A diferença entre a diálise e o rim normal é que na diálise realizamos três sessões de quatro horas. Esse fluxo de sangue abundante passa pelo filtro capilar durante 4 horas. A hemodiálise tem seus riscos como qualquer tipo de tratamento e apresenta complicações que devem ser evitadas como: hipertensão arterial. retirando tudo o que é indesejável. chamados de filtros capilares.

pressão alta. anemia) em cada sessão de hemodiálise. No Brasil. . atualmente. tosse.complicações das doenças que o paciente é portador. Por isso. Uma vez por mês solicitam exames de sangue para ver como estão as taxas de uréia. falta de ar. Orientam a dieta controlando as calorias. o sal e as proteínas para o controle da nutrição. por isso a lista de espera é muito grande. os médicos controlam e tratam os problemas clínicos (edema. O número de pacientes que fazem diálise peritoneal é da ordem de 2 a 5 % dos renais crônicos e o restante faz hemodiálise. fósforo e ácido úrico e observam o estado dos ossos para evitar a descalcificação.000 pacientes fazendo hemodiálise e somente 10% são transplantados anualmente. existem 35.

patologia estrutural e funcional. 1. Cap. Schor. vol 6. Curso preparatório para exames de residência médica.Bibliografia Akiskal. N et al. E. SH. Guia Prático de Urologia. Insuficiência Renal Aguda . Condutas no paciente grave. 2004. 65-71. 2004. . Atheneu. 124. Cotran. 2001. Nefrologia. Insuficiência Renal Aguda. Robins. Manual Merck-Saúde para sua família. vol. 2000. Knobel. Galvão PCA e Burdmann EA. 1999. Costa MC e Yu L. 1997. Ars Curandi 30(4): 4453. 1997. Métodos Dialíticos em UTI. RS et al. Guanabara Koogan. Ars Curandi 30(2): 115-121. Yu L.

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