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01_Livro_de_Resumo_VI_CBHE-2011

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Invenção, Tradição e Escritas da História da Educação no Brasil

Universidade Federal do Espírito Santo

ISSN: 2236-314

ANAIS
LIVRO DE RESUMOS

Capa: Eduardo Gaudio Diagramação: Omar Schneider e Wagner dos Santos

Local do evento: Universidade Federal do Espírito Santo Secretaria do VI Congresso Brasileiro de História da Educação Av. Fernando Ferrari, 514 - Vitória - ES, CEP 29075-910

Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)

C749a

Congresso Brasileiro de História da Educação (6. : 2011 : Vitória, ES). Anais : livro de resumos [do] VI Congresso Brasileiro de História da Educação, 16 a 19 de maio de 2011. – Vitória : UFES, 2011. 650 p. Tema: Invenções, tradições e escritas da história da educação no Brasil. Promoção da Sociedade Brasileira de História da Educação. ISSN: 2236-3114 1. Educação - História - Congressos. I. Sociedade Brasileira de História da Educação. II. Título. III. Título: Invenções, tradições e escritas da história da educação no Brasil. CDU: 37(091)

O conteúdo e a revisão dos resumos é de responsabilidade dos autores.

COMISSÃO ORGANIZADORA DO VI CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Promoção Sociedade Brasileira de História da Educação Organização Universidade Federal do Espírito Santo

Instituição Sede Universidade Federal do Espírito Santo

Coordenação Nacional Prof. Dr. Wenceslau Gonçalves Neto, UFU Coordenação Local Profª. Drª. Regina Helena Simões, UFES Comitê Organizador Nacional Prof. Dr. Wenceslau Gonçalves Neto, UFU Prof. Dr. José Gonçalves Gondra, UERJ Profª. Drª. Rosa Lydia Teixeira Corrêa, PUC-PR Prof. Dr. Antonio Carlos Ferreira Pinheiro, UFPB Profª. Drª. Regina Helena Simões, UFES Comitê Organizador Local Prof. Dr. Amarílio Ferreira Neto, UFES Prof. Dr. Carlos Eduardo Ferraço, UFES Profª. Drª. Cleonara Maria Schwartz, UFES Profª. Drª. Cláudia Maria Mendes Gontijo, UFES Profª. Drª. Denise Meyrelles de Jesus, UFES Prof. Dr. Edson Pantaleão Alves, UFES Profª. Drª. Gilda Cardoso de Araujo, UFES Profª. Ms. Gleice Pereira, UFES Profª. Drª. Izabel Cristina Novaes, UFES Profª. Drª. Janete Magalhães Carvalho, UFES Profª. Drª. Juçara Luzia Leite, UFES Profª. Drª. Mariangela Lima de Almeida, UFES Prof. Dr. Omar Schneider, UFES Prof. Dr. Reginaldo Célio Sobrinho, UFES Profª. Ms. Rosianny Campos Berto, UFES Prof. Dr. Sebastião Pimentel Franco, UFES Profª. Drª. Vânia Carvalho de Araújo, UFES Profª. Drª. Valdete Côco, UFES Prof. Dr. Wagner dos Santos, UFES

Comitê Científico Profª. Drª. Ana Waleska Campos Mendonça, PUC-RJ Prof. Dr. Bruno Bontempi Junior, USP Prof. Dr. Carlos Henrique de Carvalho, UFU Profª. Drª. Claudia Maria Mendes Gontijo, UFES Prof. Dr. Elomar Tambara, UFPEL Profª. Drª. Diane Valdez, UFG Profª. Drª. Elisabeth Figueiredo de Sá, UFMT Profª. Drª. Ester Buffa, UNINOVE Profª. Drª. Irma Rizzini, UFRJ Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento, UFS Profª. Drª. Lúcia Maria da Franca Rocha, UFBA Prof. Dr. Lúcio Kreutz, UFC Prof. Dr. Marcus Levy Albino Bencostta, UFPR Profª. Drª. Maria das Graças Loiola Madeira, UFAL Profª. Drª. Maria do Amparo Borges Ferro, UFPI Profª. Drª. Mauricéia Ananias, UFPB Prof. Dr. Norberto Dallabrida, UDESC Profª. Drª. Silvia Helena Andrade Brito, UFMS Profª. Drª. Sonia de Oliveira Camara Rangel, UERJ Prof. Dr. Tarcisio Mauro Vago, UFMG Profª. Drª. Vera Teresa Valdemarin, UNESP

Secretaria do VI Congresso Brasileiro de História da Educação

Karen Calegari dos Santos Lívia Camporez Giuberti Maria Anna Xavier Serra Carneiro de Novaes Miriã Lúcia Luiz Sandro Nandolpho Tatiana Borel

PROGRAMAÇÃO
Dia 16/05 - Segunda-Feira 0900h às 17h00 Credenciamento e entrega de material 13h00 às 16h00 Reuniões de grupos de pesquisa e sociedades científicas 17h00 Abertura oficial do evento – Sessão Solene 18h30 Conferência de abertura 20h00 Coquetel Dia 17/05 - Terça-Feira 08h00 às 09h15 Mini cursos 09h30 às 12h00 Mesas-redondas 13h30 às 16h00 Sessões de comunicação 16h15 às 18h00 Comunicações coordenadas 18h00 às 19h00 Reunião do Coordenador do Comitê de Educação do CNPq com os pesquisadores de História da Educação 19h15 às 21h00 Lançamento de livros Dia 18/05 - Quarta-Feira 08h00 às 09h15 Mini cursos 09h30 às 12h00 Mesas-redondas 13h30 às 16h00 Sessões de comunicação 16h15 às 18h00 Assembléia da SBHE 21h00 Jantar por adesão Dia 19/05 - Quinta-Feira 08h00 às 09h15 Mini cursos 09h30 às 12h00 Comunicações coordenadas 13h30 às 16h30 Sessões de comunicação 16h45 às 19h15 Conferência de encerramento

SUMÁRIO
9 ................................................................................................................... APRESENTAÇÃO

MINICURSOS
15 16 16 17 18 19 22 ........................................................................... EIXO 1 - ETNIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS ......................................... EIXO 2 - HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS ............................................ EIXO 3 - HISTÓRIA DAS CULTURAS E DISCIPLINAS ESCOLARES ....................................................................... EIXO 4 - HISTÓRIA DA PROFISSÃO DOCENTE ......................................... EIXO 5 - IMPRESSOS, INTELECTUAIS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ............................................... EIXO 8 - FONTES E MÉTODOS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO .................................. EIXO 9 - PATRIMÔNIO EDUCATIVO E CULTURA MATERIAL ESCOLAR

COMUNICAÇÕES COORDENADAS
27 43 55 59 89 113 117 ......................................... EIXO 2 - HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS ............................................ EIXO 3 - HISTÓRIA DAS CULTURAS E DISCIPLINAS ESCOLARES ....................................................................... EIXO 4 - HISTÓRIA DA PROFISSÃO DOCENTE ......................................... EIXO 5 - IMPRESSOS, INTELECTUAIS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO .. EIXO 6 - ESTADO E POLÍTICAS EDUCACIONAIS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA ............................................... EIXO 8 - FONTES E MÉTODOS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO .................................. EIXO 9 - PATRIMÔNIO EDUCATIVO E CULTURA MATERIAL ESCOLAR

COMUNICAÇÕES INDIVIDUAIS
123 153 305 343 395 499 567 575 613 ........................................................................... EIXO 1 - ETNIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS ......................................... EIXO 2 - HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS ............................................ EIXO 3 - HISTÓRIA DAS CULTURAS E DISCIPLINAS ESCOLARES ....................................................................... EIXO 4 - HISTÓRIA DA PROFISSÃO DOCENTE ......................................... EIXO 5 - IMPRESSOS, INTELECTUAIS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ... EIXO 6 - ESTADO E POLÍTICAS EDUCACIONAIS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA ................................................................. EIXO 7 - O ENSINO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ............................................... EIXO 8 - FONTES E MÉTODOS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO .................................. EIXO 9 - PATRIMÔNIO EDUCATIVO E CULTURA MATERIAL ESCOLAR

ÍNDICE REMISSIVO
633 ...................................................................................... AUTORES EM ORDEM ALFABÉTICA

APRESENTAÇÃO
Desde a sua criação, ocorrida em 1999, a Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE) tem cumprido o importante papel de congregar professores/as e pesquisadores/as brasileiros/as que desenvolvem atividades de ensino e pesquisa na área, de forma a estimular a realização de estudos pautados pela crítica e pela pluralidade teórica, bem como promover o intercâmbio com outras entidades de representação nacional e internacional no campo da história da educação e áreas afins. Na perspectiva anteriormente descrita, um dos espaços desenhados para a divulgação e a troca de conhecimentos produzidos tem sido o Congresso Brasileiro de História da Educação (CBHE) que, desde o ano 2000, reúne, a cada dois anos, professores e pesquisadores nacionais e internacionais com produção relevante sobre o tema. Os CBHEs têm como objetivos: congregar profissionais brasileiros que realizam atividades de pesquisa e ensino da história da educação; promover o debate acerca de investigações realizadas na área da história da educação; incentivar a produção de novas investigações na área da história da educação nas várias regiões do País; e contribuir para a divulgação de conhecimentos produzidos na área de história da educação, especialmente aqueles relacionados com o ensino e a pesquisa nesse campo. O I CBHE realizou-se no Rio de Janeiro, de 6 a 9 de novembro de 2000, e teve como tema central “Educação no Brasil: História e Historiografia”. O II CBHE aconteceu em Natal, Rio Grande do Norte, de 3 a 6 de novembro de 2002, e focalizou a temática “História e Memória da Educação Brasileira”. O III CBHE foi sediado em Curitiba, Paraná, de 7 a 10 de novembro de 2004, e teve como foco a “A Educação Escolar em Perspectiva Histórica”. No IV CBHE, realizado em Goiânia, Goiás, de 5 a 8 de novembro de 2006, discutiu-se a “A Educação e seus Sujeitos na História”. O V CBHE, efetivou-se em Aracaju, Sergipe, de 9 a 12 de novembro de 2008, focalizou o tema “O Ensino e a Pesquisa em História da Educação”. Como pode ser observado nos quadros apresentados a seguir, as cinco primeiras edições do Congresso Brasileiro de História da Educação indicam o desenvolvimento e a consolidação de um conjunto temático, em torno do qual gravita a produção atual dos pesquisadores de história da educação.

Eixos temáticos

Trabalhos aprovados

Estado e políticas educacionais 30 Fontes, categorias e métodos de pesquisa em história da educação 30 Gênero e etnia 22 Imprensa pedagógica 09 Instituições educacionais e/ou científicas 41 Pensamento educacional 40 Práticas escolares e processos educativos 37 Profissão docente 22 TOTAL 231 Quadro 1 - Eixos temáticos e trabalhos aprovados no I CBHE Fonte: I Congresso Brasileiro de História da Educação – Programa e Resumos. Educação no Brasil: História e Historiografia. Rio de Janeiro: SBHE, UFRJ, 2000.

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Eixos temáticos

Trabalhos aprovados

História comparada da educação 12 História dos movimentos sociais na educação brasileira 18 História de culturas escolares e profissão docente no Brasil 111 Intelectuais e memória da educação no Brasil 93 Relações de gênero e educação brasileira 51 Estado, nação, etnia e história da educação 49 Processos educativos e instâncias de sociabilidade 94 TOTAL 428 Quadro 2 - Eixos temáticos e trabalhos aprovados no II CBHE Fonte: Anais do II Congresso Brasileiro de História da Educação. História e Memória da Educação Brasileira. Natal: SBHE, UFRN, 2002.

Eixos temáticos

Trabalhos aprovados

Arquivos, fontes e historiografia 80 Estudos comparados 13 Políticas educacionais e modelos pedagógicos 107 Cultura escolar e práticas educacionais 112 Profissão docente 51 Gênero, etnia e educação escolar 38 Movimentos sociais e democratização do conhecimento 11 Ensino de história da educação 06 TOTAL 418 Quadro 3 - Eixos temáticos e trabalhos aprovados no III CBHE Fonte: Anais do III Congresso Brasileiro de História da Educação. A Educação Escolar em Perspectiva Histórica. Curitiba: SBHE, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2004.

Eixos temáticos

Trabalhos aprovados

Políticas educacionais e movimentos sociais 66 História da profissão docente e das instituições escolares 118 Cultura e práticas escolares 114 Gênero, etnia na história da educação brasileira 36 Historiografia da educação brasileira e história comparada 29 Intelectuais, pensamento social e educação 62 Arquivos, centros de documentação, museus e educação 28 Ensino de história da educação 04 TOTAL 457 Quadro 4 - Eixos temáticos e trabalhos aprovados no IV CBHE Fonte: Anais do IV Congresso Brasileiro de História da Educação. A Educação e seus Sujeitos na História. Goiânia: SBHE, Universidade Católica de Goiás, 2006.

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Eixos temáticos

Trabalhos aprovados

História da profissão docente e das instituições escolares formadoras 127 O ensino de história da educação 20 Fontes e métodos em história da educação 95 Cultura e práticas escolares e educativas 184 Currículo, disciplinas e instituições escolares 88 Historiografia da educação brasileira e história comparada 35 Movimentos sociais, geração, gênero e etnia na história da educação 64 Políticas educacionais, intelectuais da educação e pensamento pedagógico 170 TOTAL 783 Quadro 5 - Eixos temáticos e trabalhos aprovados no V CBHE Fonte: Anais do V Congresso Brasileiro de História da Educação. A Educação o ensino e a pesquisa em História da Educação. Aracaju-Sergipe: SBHE, Universidade Federal do Sergipe, 2008.

Especialmente relevante tem sido a evolução, em menos de uma década, do número de trabalhos aprovados, de 231 em 2000, para 783 em 2008. Esse crescimento sinaliza, de forma inequívoca, o crescente vigor experimentado pela pesquisa histórica em educação no Brasil, amplamente sustentado na congregação e na conjugação de esforços de toda uma comunidade científica representada pela SBHE. Em sua sexta edição, realizada na Universidade Federal do Espírito Santo, de 16 a 19 de maio de 2011, o CBHE elegeu como tema central Invenções, tradições e escritas da história da educação no Brasil, e quatro mesas-redondas foram organizadas sobre as seguintes temáticas: Mesa-redonda 1 - Produção e Usos de Fontes na Pesquisa Histórica em Educação Mesa-redonda 2 - História da Educação e Ciências Sociais: Desafios Atuais Mesa-redonda 3 - Memórias, Instituições e História das Práticas Educativas Mesa-redonda 4 - Invenções e Tradições na História da Educação Nas categorias comunicações coordenadas e comunicações individuais, os trabalhos inscritos agruparam-se em torno de nove eixos: 1. História das instituições e práticas educativas 2. Impressos, intelectuais e história da educação 3. Estado e políticas educacionais na história da educação brasileira 4. História da profissão docente 5. História das culturas e disciplinas escolares 6. Fontes e métodos em história da educação 7. Etnias e movimentos sociais 8. Patrimônio educativo e cultura material escolar 9. Ensino de história da educação Seguindo a tendência ascendente observada na trajetória dos Congressos Brasileiros de História da Educação, registrou-se uma evolução de 783 trabalhos aprovados, em 2008, para 876 trabalhos aceitos em 2011, além do acréscimo de mais um eixo temático (Quadro 6).

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Eixos temáticos

Minicursos

Trabalhos Aprovados Comunicações Comunicações Coordenadas Individuais
225 154 98 75

Total
248 189 131 81

1. História das instituições e práticas educativas 1 22 2. Impressos, intelectuais e história da educação 1 34 3. Estado e políticas educacionais na história da 33 educação brasileira 4. História da profissão 1 05 docente 5. História das culturas e disciplinas escolares 1 15 6. Fontes e métodos em história da educação 5 10 7. Etnias e movimentos sociais 1 8. Patrimônio educativo e cultura material escolar 1 4 9. Ensino de história da educação TOTAL 11 123 Quadro 6 - Eixos temáticos e trabalhos aprovados no V CBHE

54 55 43 27 11 742

70 70 44 32 11 876

Muitos apoios e redes de solidariedade tornaram possível a realização do VI CBHE, iniciativa acolhida de forma generosa pela Universidade Federal do Espírito Santo, pelos seus dirigentes, corpo docente, corpo discente e funcionários/as. Expressamos também o nosso reconhecimento ao competente trabalho desenvolvido pelos colegas, membros dos Comitês Organizador e Científico, que não mediram esforços para atender às exigentes demandas de um evento desse porte. A todas essas pessoas o nosso agradecimento pelo compromisso e pelo companheirismo nas longas horas de trabalho. Finalmente, agradecemos à diretoria da SBHE e aos seus sócios e sócias pela confiança e pelo apoio demonstrados durante todo o período de organização do evento. A escolha da UFES para sediar o VI CBHE muito nos honrou e esperamos que o resultado do trabalho realizado corresponda às expectativas de qualidade acadêmica, de trocas, de aprendizagens e de congraçamento entre pares, características já associadas às tradições e invenções do CBHE.

Vitória, maio de 2011.

Regina Helena Silva Simões Coordenadora Local do VI CBHE

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MINICURSOS

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EIXO 1 - ETNIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS

1349 OS MOVIMENTOS SOCIAIS E AS DIRETRIZES NACIONAIS POR UMA EDUCAÇÃO DO CAMPO RAMOFLY BICALHO SANTOS. UFRRJ, SEROPÉDICA - RJ - BRASIL. EMENTA: Bases históricas da educação do campo no Brasil. I Encontro Nacional de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (I ENERA); Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA); I Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo; Os movimentos sociais e a educação do campo; A educação do campo como direito da população camponesa; Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. OBJETIVOS: Conhecer as bases históricas da educação do campo no Brasil, compreendendo os limites e as possibilidades da construção problematizadora do conhecimento. Conhecer experiências e práticas de educação do campo desenvolvida pelos movimentos sociais no Brasil, dentre eles, o MST. Compreender as transformações e a atualidade da educação do campo no Brasil: a Constituição Federal de 1988; a LDB 9394/96; I ENERA; PRONERA e as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. CONTEÚDOS: I) A educação do campo: contexto histórico: a Constituição Brasileira; LDB 9394/96; I ENERA; PRONERA e a I Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo. II) Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. (Parecer CNE/CEB nº 36/2001 e Resolução CNE/CEB nº o 01/2002). III) O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as escolas do campo. METODOLOGIA DE TRABALHO Buscaremos dar destaque à participação que os diversos sujeitos coletivos (escolas, secretarias, partidos políticos, agentes pastorais, movimentos sociais, etc.) desenvolveram na luta pela educação do campo, assim como, suas bandeiras, os limites e as possibilidades de ação política. Como estratégias de ensino, enfatizaremos a criação de pequenos grupos de estudos, onde os participantes desse mini-curso consigam, a partir da problematização da realidade, discutir, amadurecer e organizar as inúmeras possibilidades do pensar autônomo e crítico. Assim, teremos como preocupação essencial: a constante troca e produção crítica do saber, incentivando a participação de educadores e educandos em atividades, individuais e em grupos, que envolva e respeite a realidade da educação do campo nas suas diferentes trajetórias. BIBLIOGRAFIA BÁSICA ARROYO, Miguel G.; Fernandes Bernardo M.. A educação básica e o movimento social do campo – Brasília, 1999. Coleção Por uma Educação Básica do Campo, n°2. BICALHO, Ramofly dos Santos. Alfabetização no MST: experiências com jovens e adultos na Baixada Fluminense. Campinas: Editora Komedi, 2007. 2ª edição. O projeto político pedagógico do movimento dos trabalhadores rurais sem terra. Campinas: Editora Komedi, 2008. CALDART, R. S.; ARROYO, Miguel G.; MOLINA, Mônica C. Por uma Educação do Campo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. CALDART, R. S. Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais do que escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. RJ: Paz e Terra, 1975. MST – Caderno de Educação n.8 – Princípios da Educação no MST. São Paulo, 1999.

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EIXO 2 - HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS 347 O LIBERALISMO E O DUALISMO EDUCACIONAL NO PENSAMENTO DE CARNEIRO LEÃO ALUÍSIO JOSÉ ALVES FACED/UFU, UBERLANDIA - MG - BRASIL. A proposta deste minicurso é identificar na obra Panorama sociológico do Brasil, de Antônio Carneiro Leão, publicada em 1958, alguns princípios gerais do liberalismo e o pensamento do autor acerca da origem do dualismo educacional. Visa também a construção de um índice para os que se interessam pelo estudo das influências da ideologia liberal na educação brasileira no Século XX. O caminho proposto para se atingir esses três objetivos é o da exposição compartilhada e do contato com excertos da obra em estudo. A descoberta do livro ocorreu em virtude da necessidade se desenvolver leituras para o embasamento de apresentação de atividade proposta pela disciplina Liberalismo e Educação no Brasil, constante do quadro oferecido pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia, no segundo semestre de 2009. Dessa atividade pedagógica que nasceu o interesse em conhecer com mais profundidade os escritos de Carneiro Leão. Panorama sociológico do Brasil, originalmente escrito em francês para a ministração de um curso na Sorbonne, no ano letivo de 1950-1951, foi reescrito em português para atender à finalidade de publicação na forma de livro. Fica aberta, só por isso, uma questão que é a de se buscar os originais e realizar um cotejamento com o texto publicado em 1958. Publicada pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, do Ministério da Educação e Cultura do Brasil, a obra agrega um extenso currículo de Antônio Carneiro Leão descrevendo suas filiações a várias agremiações científicas de muitas partes do mundo, funções desempenhadas no serviço público do Brasil nas esferas municipal, estadual e federal. Caudaloso também é o elenco de publicações da sua autoria em português, francês, espanhol e inglês, o que sugere ao leitor estar, de fato, diante de um intelectual de grande envergadura. Mas o que atesta isso sobejamente é a densidade argumentativa presente no Panorama sociológico do Brasil. Apresentado em seis capítulos, a obra reserva o IV e o V para descrever cenários políticos, filosóficos e sociais mais amplos, internacionais, sem relacionar diretamente as exposições com a vida da sociedade brasileira, permitindo, inferir que essas duas seções constituem o pano de fundo para contextualizar a organização vista no país no início da metade do século XX. As quatro divisões restantes acentuam como relação direta os fatos internacionais e regionais com a organização interna do Brasil, o que permite a percepção do pensamento liberal de Carneiro Leão, seus posicionamentos e críticas altamente reveladores das divergências existentes entre os intelectuais no que dizia respeito à aplicação dos princípios daquela ideologia. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA CARNEIRO LEÃO, A. Panorama sociológico do Brasil. Rio de Janeiro: INEP, 1958. CUNHA, Luiz Antonio. Educação e desenvolvimento social no Brasil. Rio de Janeiro: F. Alves, 1980.

EIXO 3 - HISTÓRIA DAS CULTURAS E DISCIPLINAS ESCOLARES

723 CAMINHOS PERCORRIDOS NA PRODUÇÃO DA HISTÓRIA DA LEITURA E DO ENSINO DE LITERATURA NO BRASIL (1990-2010) KARINA KLINKE ; MARCIO ARAUJO MELO . 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, ITUIUTABA - MG - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS, ARAGUAINA - TO - BRASIL. O mini-curso tem como objetivo analisar os aspectos teórico-metodológicos e as categorias de análise utilizadas nas pesquisas que abordam a história da leitura e do ensino de literatura apresentadas em
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congressos qualificados no Brasil, verificando a constituição do campo historiográfico dessas pesquisas, bem como sua contribuição para a História da Educação. Justifica-se a ocupação com esta temática a verificação por parte de historiadores do Brasil  e da França, sobre a intensificação das pesquisas em história da leitura e do ensino de literatura fundamentadas na História Cultural e na linguística, a partir da década de 1990. Questiona-se, ao mesmo tempo, a pertinência da constituição de campos de pesquisa distintos – história da leitura e história do ensino de literatura – e sua intersecção, respectivamente, com a história da educação e com a história das disciplinas escolares. A metodologia utilizada será a apresentação de pesquisas bibliométricas desenvolvidas pelos proponentes deste minicurso, através das quais será mostrado o histórico das pesquisas desenvolvidas sobre a temática da leitura e do ensino de literatura no Brasil, produzidas entre 1990 e 2010; análise das abordagens teórico-metodológicas e das categorias utilizadas nessas pesquisas; apresentação de perspectivas para o avanço da pesquisa no campo historiográfico, em especial sua contribuição para a História da Educação no Brasil. Bibliografia: BATISTA, A.G.; GALVÃO, A.M.. Leitura: práticas, impressos, letramentos. Belo Horizonte: Autêntica, 1999, p.99-118. BATISTA, A.G.; GALVÃO, A.M.; KLINKE, K. Livros escolares de leitura: uma morfologia (1866-1956). Revista Brasileira de Educação. Associação Nacional de Pósgraduação e Pesquisa em Educação. Campinas, SP. Mai.-Ago. 2002, n.20, p.27-47. CAVALLO, G.; CHARTIER, R. História da leitura no mundo ocidental. Vol. 2. Trd. Guacira Marcondes Machado. São Paulo: Ed. Ática, 2002. CHARTIER, A-M.; HÉBRARD, J. Discursos sobre a leitura ― 1880-1980. Trad. Osvaldo Biato e Sérgio Bath. São Paulo: Ática, 1995. CHARTIER, R. A história cultural: entre práticas e representações. Trad. Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Ed.Bertrand Brasil, 1990. CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria e Educação. Porto Alegre, nº 2, p. 177-229, 1990. DARNTON, R. O beijo de Lamourette: mídia, cultura e revolução. Trad. Denise Buttmann. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. JULIA, D. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação. Campinas, n. 1, p. 9-43, jan./jun., 2001. POULAIN, A. (org) Pour une sociologie de la lecture: lectures et lecteurs dans la France contemporaine. Paris: éditions Du Cercle de La Librairie, 1988. VIDAL, D. G. Culturas escolares: estudo sobre práticas de leitura e escrita na escola pública primária (Brasil e França, final do século XIX). 1. ed. Campinas: Autores Associados, 2005.

EIXO 4 - HISTÓRIA DA PROFISSÃO DOCENTE 1075 MULHERES NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: FUGA OU TOMADA DE CONSCIÊNCIA? ANA PAULA RODRIGUES FIGUEIROA ; SANDRA CRISTINA DA SILVA . 1.UFPE, RECIFE - PE - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DE NORTE, NATAL - RN BRASIL. O mini-curso em questão tem como principal objetivo discutir o ingresso da mulher na docência no Brasil. Parte da seguinte indagação: o magistério feminino consistiu em uma “fuga” do lar ou da “tomada de consciência” do elemento feminino da sua influencia na sociedade? Nesse contexto buscamos refletir quais os motivos que levaram essas mulheres a adquirir uma formação intelectual, em um espaço diverso do ambiente familiar, quando o comumente aceito e reafirmado era o ambiente doméstico como aquele adequado para a mulher, uma vez que os papéis por ela desempenhados deveriam ser: esposa, mãe e dona de casa. Busca-se conhecer a importância da participação da mulher neste contexto, uma vez que reflete e interfere na formação dos indivíduos de um modo geral. O minicurso abordará questões referentes ao ensino normal tanto oficial quanto confessional, de cunho protestante. A retrospectiva histórica levará em consideração desde a sanção da Lei do Ensino de Primeiras Letras, de 15 de outubro de 1827 - onde se estabelece as regras para o admissão dos mestres e das mestras no corpo docente oficial (Art. 7º e 12) - até as décadas finais século XIX - nas quais se verificou o crescimento do ingresso de mulheres nas escolas normais laicas e confessionais (estas últimas beneficiadas pela separação Igreja-Estado após a Proclamação da República em 1889).
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Buscaremos ampliar a discussão a partir das questões acima, apoiando-nos em vários estudiosos da temática, em especial Guacira Louro, Jane Soares de Almeida e Leonor Tanuri. Esta pesquisa tem como referencial teórico autores como Norbert Elias (com sua concepção de Processo Civilizador) e Michel Foucault (e sua concepção de Disciplina). Metodologicamente, utilizaremos textos que tenham relação com a proposta do mini-curso, imagens das fontes utilizadas na pesquisa – regulamentos, fotos, decretos, entre outros - que possam ser objeto de discussão nos momentos interação. Referências ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia Geral e Brasil. 3. ed. rev. e amp. São Paulo: Contexto, 2006. ALMEIDA, Jane Soares de. Ler as letras: por que educar meninas e mulheres? São Paulo: Autores Associados, 2007. Mulher e educação: a paixão pelo possível. São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1998. ELIAS, Nobert. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1994. FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: Nascimento da prisão. 37. ed. Petropolis,Rj: Vozes, 2009. NETO, Mariana Moreira. O poder em Foucault e o poder nas mulheres. Paraiwa - Revista dos Pós-Graduandos de Sociologia da UFPb - Número 1 - João Pessoa - dezembro de 2001 . TANURI, L. M. Contribuição para o estudo da Escola Normal no Brasil. Pesquisa e planejamento. São Paulo, v.13, dezembro, 1970. VILLELA, H. O. S. A primeira Escola Normal do Brasil. In: Clarice Nunes. (Org.). O passado sempre presente. São Paulo: Cortez, 1992.

EIXO 5 - IMPRESSOS, INTELECTUAIS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

467 HELENA ANTIPOFF, A SOCIEDADE PESTALOZZI E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS EXCEPCIONAIS NO BRASIL (1930-1973) HEULALIA CHARALO RAFANTE; ROSELI ESQUERDO LOPES. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SAO CARLOS, SÃO CARLOS - SP - BRASIL. Helena Antipoff nasceu na Rússia, em 1892. Graduou-se em psicologia e foi assistente de Claparède, de 1925 a 1929. Convidada pelo governo de Minas Gerais para auxiliar na Reforma de Ensino, em 1929, organizou o Laboratório de Psicologia da Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte, realizando pesquisas junto a alunos do ensino primário, e auxiliou no processo de homogeneização das classes, destacando nelas a presença dos “excepcionais”. Observou que a escola não atendia às necessidades destes e, para tanto, investiu na criação de instituições: Sociedade Pestalozzi (1932), Instituto Pestalozzi (1934), Fazenda do Rosário (1940), Sociedade Pestalozzi do Brasil (1945). Foi conselheira da Campanha Nacional de Educação dos Deficientes Mentais (1960), tendo participado da fundação do Centro Nacional de Educação Especial (1973). Nosso objetivo é apresentar as idéias e a atuação dessa educadora, visando apreender sua participação na constituição do campo da Educação Especial no Brasil. Por meio de exposição oral, com apoio de projeção de material escrito e documental, e do diálogo com os participantes, pretendemos: 1) analisar os pressupostos teórico-metodológicos do trabalho da educadora com as crianças “excepcionais”; 2) apresentar o contexto histórico da Primeira República, para compreender os fatores que levaram ao convite à Antipoff; 3) analisar suas pesquisas na Escola de Aperfeiçoamento; 4) discutir o conceito de “excepcional” e destacar as ações públicas e privadas em Minas Gerais, relacionadas a essa questão, com intuito de problematizar como se deu a inserção das proposições de Antipoff; 5) apontar os caminhos percorridos por essa educadora nas décadas de 1940 a 1970, verificando a influência de seus princípios e ações na constituição dos programas de Educação Especial no Brasil. Bibliografia BUENO, J. G. S. Educação Especial Brasileira: integração/segregação do aluno diferente. 2. ed. São Paulo: Educ, 2004. CAMPOS, R. H. F. Helena Antipoff. In: FÁVERO, M. L. A.; BRITTO, J. M. Dicionário dos Educadores no Brasil: da Colônia aos dias atuais. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora UERJ / MEC-Inep - Comped, 2002a. CAMPOS, R. H. F. (Org.) Helena Antipoff: textos escolhidos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002b. CDPHA. Coletânea de obras escritas de Helena Antipoff. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas, 1992. v. 1, 2, 3, 4. JANUZZI, G. M. A educação do deficiente no Brasil: dos Primórdios ao Início do Século XXI. Campinas: Autores Associados, 2004. MAZZOTTA, M. J. S. Educação Especial no Brasil: História e Políticas Públicas. 5. ed. São Paulo:

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Cortez, 2005. RAFANTE, H. C. Helena Antipoff e o ensino na capital mineira: a Fazenda do Rosário e a educação pelo trabalho dos meninos “excepcionais” de 1940 a 1948. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de São Carlos, 2006.

EIXO 8 - FONTES E MÉTODOS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

501 A IMPRENSA PEDAGÓGICA COMO TEMA, FONTE E OBJETO PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PARANAENSE: JORNAL ESCOLA ABERTA (1980 – 1990) ELAINE RODRIGUES ; EDILENE CUNHA MARTINEZ . UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, MARINGA - PR - BRASIL; 2.ESCOLA MUNICIPAL PAULO FREIRE, MARINGÁ - PR - BRASIL. Esta pesquisa, concluída, problematizou o que Jornal Escola Aberta pode revelar sobre a produção e circulação de idéias acerca do fazer educacional. Esse periódico é tomado como um exemplo de Imprensa Pedagógica, oficialmente produzida pela Secretaria de Educação do Município de Curitiba, durante a década de 1980 no Estado do Paraná. A Imprensa pedagógica é aqui entendida como tema, fonte e objeto para o estudo da História da Educação. A descrição das fontes, um passo metodológico, amparou-se na compreensão de que este procedimento historiográfico amplia as possibilidades de problematização, desenvolvimento, e posterior apresentação da pesquisa. A análise buscou suporte nos escritos de Roger Chartier (1990; 1996; 1999; 2002; 2007) e Michel de Certeau (1982 e 1994). Pretendeu-se evidenciar os elementos que compuseram a materialidade e organicidade da fonte, o questionamento do conteúdo dos editoriais, das manchetes e dos artigos que compõem o Jornal Escola aberta e que bem representam o pensar oficialmente instituído e, pretensamente, direcionador do fazer educacional no período de circulação do tablóide, 1986 a 1988, e ainda, investigar e significar a História da Educação no Paraná, por meio da descrição e análise de um periódico pedagógico, publicado como estratégia de divulgação do discurso oficialmente produzido e culturalmente selecionado para a capacitação dos professores da educação pública municipal de Curitiba. A metodologia para exposição dos resultados da pesquisa, na forma de minicurso, foi organizada em 4 itens. 1) apresenta-se o entendimento acerca do tema Imprensa Pedagógica, tomando por base as categorias, representação, identidade social e apropriação. 2) Organiza-se uma descrição detalhada das seções que estruturam o Jornal Escola Aberta. 3) Discute-se os conteúdos das manchetes, editoriais e artigos que dão organicidade ao periódico. 4) Exemplifica-se a organização do trabalho pedagógico realizado nas escolas. O cumprimento, por parte da escola, da exigência de uma prática pedagógica baseada nos pressupostos veiculados pelo jornal seria a base para a efetivação da proposta educacional almejada pela Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, assim entendiam os dirigentes educacionais. Duas outras categorias, tática e estratégia, ampararam as afirmativas proposta pela pesquisa, nesta fase. Entende-se que a descrição, problematização e análise do Jornal Escola Aberta contribui com as muitas Histórias Educativas a serem escritas no Paraná. As categorias elencadas para a análise auxiliaram e permitiram o entendimento de como foram estabelecidas as relações entre os “personagens” criados pela Imprensa Pedagógica e a própria identidade dos sujeitos da educação escolar da década de 1980. 643 USO DE FONTES NA PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PAULO FERNANDES OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, JABOATAO DOS GUARARAPES - PE - BRASIL. A pesquisa em História de Educação nos ajuda a reflexão sobre aspectos relevantes do desenvolvimento de nosso país. Nossa experiência na pesquisa em História da Educação Física vem desde a graduação
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como bolsista de iniciação científica do Centro de Memória da Educação Física e do Esporte no Nordeste (CMEFE)/ UFPE, tendo como objeto de análise as práticas corporais educativas na cidade de Recife no final do século XIX e início do século XX. O CMEFE/ UFPE é um grupo de pesquisa que se preocupa com o resgate da memória da Educação Física e o Esporte na cidade de Recife e no qual desenvolvemos trabalhos desde o ano 2003 ao lado do Professor Dr. Ricardo de Figuerêdo Lucena e do Professor Dr. Edilson Fernandes de Souza. O grupo busca fontes em acervos como o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico do Estado de Pernambuco, Arquivo Público do Estado de Pernambuco, Fundação Joaquim Nabuco, Seminário Batista, Escolas, Secretarias de Educação, etc. Dentro as fontes coletadas estão folders, livros, atas de reuniões, relatórios, fotografias, jornais, cartas, etc. Como fundamentação teórica usaremos autores como Elias (1994, 1995, 1998, 2008), Heller (1992), Lucena (2002, 2005), Simões (2010), Souza (2009), Le Goff (1994), Marinho (1952), que tem uma preocupação intensa sobre o uso das fontes como subsídios para as suas pesquisas. Podemos citar como Elias (1994, 1995, 1998) inova na utilização de fontes como cartas, obra de artes e até de um manual de boas maneiras como referência para o desenvolvimento de sua teoria. Esses autores têm uma preocupação metodológica com o uso das fontes e mais especificamente Souza (2009) e Simões (2010) trazem essa preocupação para a Educação Física em seus trabalhos. O mini-curso se organizará inicialmente com a exposição dos aspectos pertinentes à metodologia da pesquisa e coleta de fontes, posteriormente será organizado um espaço para o debate e a reflexão sobre a pesquisa aplicada à História da Educação com ênfase na História da Educação Física, bem como sobre o uso das fontes como referência de estudo e finalmente será organizado em conjunto com os cursistas uma sistematização dessas reflexões com a elaboração de uma síntese da produção coletiva e a avaliação do curso. Temos por objetivo neste curso proporcionar uma reflexão acerca da metodologia da coleta de fontes para subsidiar a pesquisa em História da Educação, mas especificamente em História da Educação Física, bem como de que forma podemos utilizá-las na construção e produção do conhecimento científico. Desse modo caminhamos no sentido de buscar respostas para as inquietações que surgem ao longo do trabalho de pesquisa e assim corroboramos para a descoberta da “verdade”, ainda que momentâneo e que este seja apenas a aproximação da realidade à luz de um referencial teórico. 802 BAKHTIN E A PESQUISA DOCUMENTAL EM EDUCAÇÃO MARIA DA PENHA DOS SANTOS DE ASSUNÇÃO. UFES, VILA VELHA - ES - BRASIL. Tomando como referencia a perspectiva sócio-histórica compactuamos com Bakhtin a idéia de que o texto é matéria prima das ciências humanas. Acreditamos no texto como categoria de análise das pesquisas em educação. Nosso referencial nos deixa a vontade para abordar especificamente a noção de texto, que segundo Bakhtin (2003) “e um dado primário de análise de todas as disciplinas”. Nesse contexto, é importante ressaltar, de acordo com Bakhtin (2000), que o texto é uma realidade imediata do pensamento e da emoção. "[...] Onde não há texto, também não há objeto de estudo e de pensamento [...]" (BAKHTIN, 2000, p. 329). Segundo Barros, os textos são “como elos na cadeia histórica na cadeia discursiva”. [...] supõem tanto relações dialéticas entre textos e seus sentidos quanto relações dialógicas entre textos e seus sujeitos, já que os sentidos se distribuem por diferentes vozes [...] (BARROS, 1999, p. 42). Barros (2003) observa que o dialogismo discursivo se desdobra nos aspectos da interação verbal entre o enunciatário e o enunciador do texto nos entremeios da intertextualidade, no interior do discurso. Nesse sentido, o sujeito é deslocado e é substituído por vozes sociais que fazem dele um sujeito histórico e ideológico. As vozes nos interessaram diretamente, porque ao deslocar o sujeito autor/escritor das fontes a serem pesquisadas do eixo central do discurso, estas vozes nos permitem perceber os sentidos da educação, pois os sujeitos deixam suas marcas impressas nos documentos “oficiais” e “extra-oficiais”, discursos já instituídos/ou constituídos, e esses discursos não foram reproduzidos, mas reconstituídos. Procedemos dessa maneira porque entendemos que precisamos considerar os aspectos ideológico/históricos e histórico/ideológicos no momento da análise discursiva. Assim, nosso objetivo é discutir possibilidades de pesquisas documentais pertinentes a historiografia da educação considerando os princípios bakhtinianos relacionados ao texto. Ao

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oportunizar as reflexões relacionadas ao referencial teórico bakhtiniano estamos optando por observar a multiplicidade de vozes que se enunciam nas tessituras orais e escritas. Nesse sentido abordaremos a pesquisa documental em educação considerando que a partir do referencial teórico bakhtiniano os documentos são textos que precisam ser interrogados para além da autoria do escrevente. Isso implica em ressaltar o princípio dialógico da linguagem explicitado por Bakhtin (2003). Estamos propondo a reflexão de uma pesquisa documental que interrogue aos sujeitos que se enunciam nos textos sobre o porquê e para quem foram/e ou são escritos determinados textos e quais as vozes que subzagem nos documentos coletados. Esperamos com isso ampliar as possibilidades de análise dos dados no momento de análise dos discursos impressos, manuscritos e orais pertinentes a historiografia da alfabetização.

1323 HISTÓRIA DA CULTURA ESCRITA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: OLHARES SOBRE OS PAPÉIS DA ESCOLA MARIA TERESA SANTOS CUNHA ; ANA CHRYSTINA VENANCIO MIGNOT . 1.UDESC, FLORIANÓPOLIS - SC - BRASIL; 2.UERJ, RIO DE JANEIRO - SC - BRASIL. Problematizar a importância de estudos sobre História da Cultura Escrita, entendida como estudo da produção, difusão, uso e conservação dos objetos escritos (Castillo, 2002, p.19) em interface com aportes da História da Educação, que tem entre seus objetos o estudo da escrita em suas várias modalidades. Refletir sobre as relações entre história e cultura escrita a partir de papéis produzidos pela escola (considerados como documentos ordinários ou cotidianos) é o objetivo deste curso. Para tanto, toma-se como ponto de partida as práticas de escritas produzidas no ambiente escolar, especialmente aqueles de textos produzidos cotidianamente – bilhetes, boletins, cartas, cadernos, diários de professor, listas de matrícula e de material escolar, relatórios, etc. – que, geralmente, estão destinados ao fogo e/ ou ao lixo. O intuito é de visibilizar, historicizar e salvaguardar estes materiais produzidos em diferentes temporalidades e em diversos espaços de sociabilidade que carregam permanências e singularidades e ajudam a construir uma memória da educação escolarizada. OBJETIVOS: - Discutir aspectos da História da Cultura Escrita em interface com a História da Educação, mediados pelas escritas escolares cotidianas e ordinárias. - Apresentar possibilidades de pesquisa com tais documentações, ressaltando sua metodologia e marcos teóricos. - Discutir propostas para que os estudos históricos sobre cultura escrita e escritas cotidianas e ordinárias como políticas públicas de salvaguarda e conservação dos papéis da escola. METODOLOGIA: - Aulas Expositivas e dialogadas - Apresentações de vídeos e power point Oficina de conservação de documentos antigos. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CASTILLO GÓMES, A. (Coord.) Historia de la cultura escrita.Del Próximo Oriente Antiguo a la sociedad informatizada. Madrid:Edicciones Trea, 2002. CHARTIER, R. Cultura escrita, literatura e história. P. Alegre: Artmed, 2001. CUNHA, M. T. S. No tom e no tema. Escritas ordinárias na perspectiva da cultura escolar (segunda metade do século XX). IN: BENCOSTTA, M. L. (0rg). Culturas Escolares, saberes e práticas educativas. Itinerários históricos. SP: Cortez Editora. 2007. p.79-99. GOMES, A. C. (org). Escrita de si, escrita do outro. RJ: FGV, 2004. HISTÓRIA DA CULTURA ESCRITA: Séculos XIX e XX./Ana M.O. Galvão (org). BH:Autêntica, 2007. MIGNOT, A. C. V. (org).Cadernos à vista. Escola, memória e cultura escrita. RJ: EdUERJ, 2008. __________ e CUNHA, M.T.S. Razões para guardar. Revista Educação em Questão.UFRN, n.25. 2006. p.40 -61. VIÑAO FRAGO, A. Por uma história da cultura escrita: observações e reflexões.Cadernos do Projeto Museológico nº 77. (Portugal). 2001.
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1344 “OPERAÇÃO HISTORIOGRÁFICA EDUCACIONAL”: UM DIÁLOGO A PARTIR DE FONTES NOS SÉCULOS XIX E XX ADLENE SILVA ARANTES ; MARGARETE MARIA DA SILVA . 1.UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO- UPE, RECIFE - PE - BRASIL; 2.NEPHEPE-UFPE, RECIFE - PE – BRASIL. Sabemos que a pesquisa em História da Educação tem vivenciado nas ultimas décadas uma renovação em relação aos objetos e as fontes utilizadas pelos pesquisadores em diversos estados brasileiros. Essa 21
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renovação se deve, sobretudo, a inserção dos estudos da história cultural no campo da história da educação. Diante dessa constatação, pretendemos discutir, neste minicurso, alguns caminhos para realização da “operação historiográfica educacional” (CERTEAU, 1982), sobretudo, a partir do uso de livros escolares, jornais, cartas de professores e revistas de ensino como fontes para compreender a história da educação nos séculos XIX e XX. A operação historiográfica é considerada como uma relação entre um lugar, percebido de maneira abrangente como recrutamento, meio ou ofício, e procedimentos de análise e construção de um texto (FARIA FILHO e VIDAL, 2003). Pretendemos também, problematizar a produção e o uso de tais fontes para diversos estudos na História da Educação; analisar a constituição de acervos “públicos” e “privados” como locais de memória. O arquivo Público de Pernambuco (APEJE), a Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), a Biblioteca Pública do Estado, a Cúria Metropolitana de Olinda e Recife e o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre História da Educação e ensino de História em Pernambuco – NEPHEPE – são os acervos que guardam as fontes que serão apresentadas neste minicurso. Que políticas de conservação e pesquisa dispõem tais acervos? Quais fontes fazem parte destes acervos? A metodologia utilizada será através de exposição dialogada e do contato com fontes escritas e iconográficas para análise em pequenos grupos. Assim, esperamos contribuir com o debate sobre o uso de diferentes fontes dos séculos XIX e XX, buscando estabelecer uma relação entre as fontes localizadas para se compreender como a educação e a instrução foram se configurando ao longo dos anos. Bibliografia sugerida: BATISTA, A. A. G.; GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Livros escolares de leitura no Brasil: elementos pra uma história. Campinas: Mercado de Letras, 2009. CERTEAU, M. de. A operação historiográfica. In: ______. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982. FARIA FILHO, Luciano Mendes; VIDAL, Diana Gonçalves. História da Educação no Brasil: a constituição histórica do campo (1880-1970). In. Revista Brasileira de História, vol. 23, n. 45, 2003, disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbh/v23n45/16520.pdf. GALVÃO, A. M. O. Problematizando fontes em História da Educação. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 21, n. 2, p. 99-118, 1996. LOPES, E. M. T. e GALVÃO, A. M. de O. História da Educação (O que você precisa saber sobre). Rio de Janeiro: DP&, 2001. VALDEMARIN, Vera T. (Orgs.) A cultura escolar em debate: questões conceituais, metodológicas e desafios para a pesquisa. Campinas, SP: autores Associados, 2005.

EIXO 9 - PATRIMÔNIO EDUCATIVO E CULTURA MATERIAL ESCOLAR

524 HISTÓRIA, EDUCAÇÃO E ARQUITETURA: UM DIÁLOGO POSSÍVEL MARCUS LEVY BENCOSTTA ; ANA PAULA PUPO CORREIA . 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL; 2.PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO DA UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. A arquitetura escolar e o espaço por ela determinado são entendidos como portadores e transmissores de mensagens de sentidos múltiplos, não deixando de lado os sujeitos a quem se destinam, quais sejam, alunos e professores, os primeiros receptores de seus significados e que fazem uso do espaço enquanto indivíduo-destinatário. Contudo, ao experienciar o espaço escolar - estar no local onde convergem todas as mensagens e significados espaciais – eles também reagem a estas mensagens, segundo as características próprias do universo escolar e suas intercessões com as realidades sócio-culturais do espaço-tempo dado. Portanto, para entender a escola e suas transfigurações é significativo também compreender como as linguagens arquiteturais penetram esse espaço permeado por discursos ramificados na sociedade e na história. E desse modo, temos na importância dos estudos acerca da arquitetura e do espaço escolar, elementos analíticos que demonstram que a gramática espacial inserese no tempo, e o edifício escolar em um espaço que dialogam com as transformações do tecido urbano, e mais proximamente com as políticas educacionais que determinavam a construção deste tipo de prédio. Portanto, para este mini-curso propomos discutir como os debates arquiteturais repercutiam diante das concepções de escola, utilizando tipologias adotadas por certas correntes artísticas e 22
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culturais, com o objetivo de identificar os modos construtivos, elementos decorativos e programas iconográficos, e sua relação com os modos pedagógicos sobre o espaço escolar. Nesse sentido, os principais objetivos deste minicurso são: 1) debater como a investigação e a análise da arquitetura escolar apresenta aspectos que contribuem para o estudo da cultura material escolar; 2) identificar, por meio das fotografias, desenhos e plantas arquitetônicas, as peculiaridades da escola, em especial, a pública republicana; 3) examinar os modelos arquitetônicos colocados em circulação frente à formação do cidadão republicano brasileiro. A metodologia a ser utilizada se dará pela discussão dos textos sugeridos associada ao uso de múltiplas de fontes imagéticas. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BENCOSTTA, M. A. L. História da Educação, Arquitetura e Espaço Escolar. São Paulo: Cortez Editora, 2005. BENEVOLO, L. História da arquitetura moderna; São Paulo: Editora Perspectiva, 1995. WOLFF, S. F. S. Escolas para a República. Os primeiros passos da arquitetura das escolas públicas paulistas. São Paulo: Edusp, 2010. ZEVI, B. Saber ver a Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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COMUNICAÇÕES COORDENADAS

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EIXO 2 - HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS

HISTÓRIA DA ESCOLA PRIMÁRIA NO BRASIL (1870 – 1950): UMA PERSPECTIVA COMPARADA Coordenador: ANTONIO DE PÁDUA CARVALHO LOPES 882 CULTURA MATERIAL ESCOLAR: A ESCOLA E SEUS ARTEFATOS DIANA GONÇALVES VIDAL ; VERA LUCIA GASPAR DA SILVA . 1.FEUSP, SAO PAULO - SP - BRASIL; 2.UDESC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. A presente Comunicação visa apresentar parte dos resultados das pesquisas realizadas no âmbito do Grupo Temático G2 - Cultura Material Escolar: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 – 1925), vinculado ao Projeto nacional: “Por uma teoria e uma história da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 – 1950)”, coordenado por Rosa Fátima de Souza e financiado pelo CNPq. O grupo agrega pesquisadores dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Maranhão e seus orientandos. Toma como fontes cartas de professores ou da escola; expedientes administrativos como listas de materiais, lista de almoxarifado, inventários, etc.; relatórios; jornais e a legislação. A meta é efetuar um amplo levantamento da cultura material escolar primária, tendo como baliza inicial a aprovação das leis de obrigatoriedade escolar e final às primeiras reformas da escola nova. Tem por objetivo identificar os modos de produção e disseminação um modelo de escolarização da infância no Brasil, a partir do olhar que se fixa nos objetos e na materialidade da escola. Em termos de perspectiva de análise busca-se privilegiar o sentido de comparação entre as regiões e estados a partir de um conjunto de fontes próximas e de uma base teórica “comum”. Trata-se de um esforço conjunto de pesquisadores debruçados em investigações locais, mas com um fórum nacional para compor e aprofundar análises e tecer quadros comparativos que favoreçam a compreensão de movimentos ocorridos no território brasileiro. Para desenvolver o trabalho colaborativo da equipe, organizamos os dados coletados em tonos de quadros para 13 categorias (A - Mobília; B – Utensílios da escrita; C - Livros, Cartilhas e Revistas; D - Materiais Visuais, Sonoros e Táteis para o ensino; E- Organização/Escrituração da Escola; F – Prédios Escolares; G – Material de Higiene; H – Material de Limpeza; I – Trabalhos de Alunos; J- Idumentária; K- Ornamentos; L - Honrarias; M – Jogos e Brinquedos). Temos atentado para a especificação de fornecedores e representantes. O Banco de Dados elaborado está disponível na página do projeto nacional (http://200.145.77.172/grupos/). Nesta Comunicação, discorremos acerca dos vários aspectos sobre os quais o G2 tem se debruçado na constituição desse repertório material, focalizando a arquitetura escolar, tanto no que diz respeito às fachadas quanto às plantas; aos objetos da escrita; o mobiliário escolar e as representações de infância e de escola elaboradas no período.
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1111 OS GRUPOS ESCOLARES NAS MEMÓRIAS E HISTÓRIAS LOCAIS: UM ESTUDO COMPARATIVO DAS MARCAS DA ESCOLARIZAÇÃO PRIMÁRIA LUCIANO MENDES FARIA FILHO ; ANTÔNIO CARLOS FERREIRA PINHEIRO . 1.UFMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL; 2.UFPB, JOÃO PESSOA - PB - BRASIL. Esta comunicação resulta do trabalho em andamento realizado pelo GT do projeto de pesquisa nacional Por uma teoria e uma história da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 – 1950) , coordenado por Rosa Fátima de Souza. O Trabalho de pesquisa do GT tem como objetivo analisar a construção de representações sociais sobre a escola graduada a partir do estudo comparativo de livros de história das cidades e de memórias, buscando compreender o impacto social da criação e disseminação dos grupos escolares no Brasil. Tal empreendimento foi pensado a partir das experiências sociais e culturais permeadas por peculiaridades histórico-educacionais que 27
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envolvem o surgimento dos grupos escolares no Brasil, mais especialmente em Minas Gerais, no Piauí e na Paraíba e a sua permanência no imaginário social, ainda hoje, como uma escola de verdade. Propomos articular as proposições teóricas advindas da nova história cultural francesa (CHARTIER, 1988; LE GOFF, 2003), especialmente as noções de representação e de cultura histórica, bem como a de cultura educacional para analisar os livros de memórias e histórias de cidades brasileiras que, não raras vezes, são elaborados por intelectuais locais – jornalistas, médicos, advogados, geógrafos, historiadores – ou, simplesmente, por autodidatas. A partir desse referencial, da leitura das obras analisadas, da elaboração de quadros comparativos foram analisados as marcas de escolarização presentes nessas obras. Esses livros nos trazem importantes aspectos da cultura educacional brasileira. Eles abordam diferentes aspectos dos municípios e da escolarização. Entretanto, na presente pesquisa agrupamos os seguintes tópicos: Sobre a fundação de grupos escolares; Sobre a descrição física dos grupos escolares; Sobre os seus primeiros professores/as; Sobre os alunos e a memória de ter sido aluno em um grupo escolar; Sobre as novas práticas pedagógicas nos grupos escolares; Sobre cultura material e cultura escolar; Fiscalização do trabalho docente e da eficácia do ensino e, finalmente, sobre a competição que os grupos escolares terminaram por estimular com os outros tipos de escolas. Essas obras mesclam elementos da memória, das reminiscências e de procedimentos de pesquisa e compreensão do “fato histórico” ora assentado no mero “empiricismo”, ora no positivismo descritivo. Através delas é possível compreender a maneira como as pessoas percebiam os movimentos educacionais do Estado e de seus municípios, especialmente o modo como o grupo escolar se constituiu nas representações sociais.

880 CIRCULAÇÃO E APROPRIAÇÕES DA ESCOLA GRADUADA NO BRASIL (1889-1930): NOTAS DE UMA INVESTIGAÇÃO EM PERSPECTIVA COMPARADA ANTONIO DE PÁDUA CARVALHO LOPES ; ROSA FATIMA DE SOUZA . 1.UFPI, TERESINA - PI - BRASIL; 2.UNESP, ARARQUARA - SP - BRASIL. Nas décadas finais do século XIX, em países da Europa e nos Estados Unidos da América, a escola graduada foi considerada o modelo mais adequado para a universalização da educação primária erigida como símbolo da racionalização do ensino e da modernização educacional difundindo-se por todo o Ocidente. Os pressupostos principais dessa nova modalidade de organização pedagógica da escola elementar compreendiam a classificação dos alunos pelo nível de conhecimento em agrupamentos supostamente homogêneos implicando a constituição das classes; a adoção do ensino simultâneo, a racionalização curricular – controle e distribuição ordenada dos conteúdos e do tempo (graduação dos programas e estabelecimento de horários); a introdução de um sistema de avaliação, a divisão do trabalho docente supervisionado por um diretor e um edifício escolar compreendendo várias salas de aula e vários professores. No Brasil, esse novo estabelecimento de ensino primário foi implantado como escola modelar durante a Primeira República. Mas esse processo de institucionalização ocorreu em ritmos variados e em condições específicas em cada estado da federação. Nesta comunicação apresentamos resultados finais de uma investigação comparada sobre a escola graduada no Brasil incidindo sobre 14 estados: Acre, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O estudo objetivou contribuir para o aprofundamento do conhecimento histórico em educação utilizando a comparação como estratégia de análise e concepção interpretativa de modo a perceber as diferentes apropriações da escola graduada nas regiões do país e os “contra movimentos” implicados em sua difusão e, ainda, revisitar as análises sobre a temática já produzida em âmbito regional e local. O texto tece considerações sobre os desafios de estudos comparados dessa natureza envolvendo uma multiplicidade de fontes de pesquisa e aspectos como a relação da escola graduada com as outras modalidades de escolas primárias, o significado social dessa escola moderna na sociedade brasileira no início do século XX, a inovação representada pelo método de ensino intuitivo e a materialidade das escolas. Tal reflexão ao mesmo tempo em que busca interpretar o processo de circulação e apropriação do modelo de escola graduada no Brasil interroga a produção da pesquisa existente sobre o tema apresentando um balanço acerca do avanço do conhecimento possibilitado pelo estudo comparado em âmbito nacional e os desafios a serem empreendidos por outros esforços investigativos. 28
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897 ÍDÉIAS EM MOVIMENTO: APROPRIAÇÕES DO MÉTODO DE ENSINO INTUITIVO NAS REFORMAS DA INSTRUÇÃO PÚBLICA DE MINAS GERAIS, SANTA CATARINA E SÃO PAULO (1906-1920) GLADYS MARY GHIZONI TEIVE ; VERA TERESA VALDEMARIN ; JULIANA CESARIO HAMDAN . 1.UDESC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL; 2.UNESP, ARARAQUARA - SP BRASIL; 3.UFOP, OURO PRETO - MG - BRASIL. As reflexões aqui apresentadas fazem parte das discussões do GT1: “Método de ensino intuitivo”, do projeto temático de âmbito nacional “Por uma teoria e uma história da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 -1950)”,coordenado pela Professora Dra. Rosa Fátima de Souza e financiado pelo CNPq. Composto por pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (FCLAR/UNESP), Universidade Federal de Ouro Preto e de Minas Gerais (UFOP/UFMG) e Universidade do Estado de Santa Catarina (FAED/UDESC), este eixo privilegia o estudo comparativo entre os estados de São Paulo – pioneiro na utilização do método intuitivo na organização da escola graduada – Minas Gerais e Santa Catarina, com o intuito de compreender as múltiplas facetas da articulação entre os postulados do novo método e as reformas da instrução pública empreendidas entre 1906 a 1920. Interessou-nos, pois, comparar as estratégias e táticas utilizadas pelos reformadores da instrução pública desses Estados: Sampaio Doria, Firmino Costa e Orestes Guimarães, consubstanciadas na legislação, nos regulamentos e dispositivos por eles acionados para implementar o uso do método intuitivo nas escolas primárias. Particularmente, nesta comunicação, são discutidas as suas apropriações acerca do método e, sobretudo, as suas estratégias para transformá-lo no “espírito” das reformas por eles empreendidas, no processo geral a que deveriam se subordinar todas as normas, saberes e práticas da escola primária. Para tal, são utilizados como fontes os documentos que nortearam as reformas, especialmente a legislação, os regulamentos e programas de ensino, bem como as mensagens e sinopses dos governadores, relatórios e artigos produzidos pelos três reformadores, dentre outros, os quais têm permitido refletir sobre os processos de apropriação e difusão de tendências educacionais emergentes, sobre as demandas para a formação de professores e sobre educadores que assumiram funções protagonistas nos três estados no período da Primeira República. Considerando o método de ensino intuitivo como eixo catalisador desses propósitos, pôde-se evidenciar a permanência de estratégias educacionais, discutir as mudanças nos conteúdos escolares, caracterizar elementos constitutivos da representação da profissão docente e assim, atribuir novos significados para questões educacionais contemporâneas. O estudo comparativo entre os três estados possibilitou o mapeamento de especificidades e de traços gerais componentes da mesma conjuntura educacional.
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ASSOCIAÇÕES DE ALUNOS E IMPRENSA ESTUDANTIL Coordenador: ANA CLARA BORTOLETO NERY 1057 IMPRESSOS ESTUDANTIS COMO PROCESSO FORMATIVO E DE INTEGRAÇÃO DE ALUNOS E EX-ALUNOS DAS ESCOLAS NORMAIS RURAIS FLÁVIA OBINO CORREA WERLE. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS, PORTO ALEGRE - RS - BRASIL. Apresenta as Escolas Normais Rurais criadas nos anos quarenta e inicio da década de cinquenta como iniciativa vinculada ao contexto sociopolítico do Rio Grande do Sul. As primeiras normais rurais estavam diretamente ligadas a iniciativas da Igreja Católica e à necessidade de expandir o ensino público a todas as regiões do estado, necessidade esta não associada a políticas públicas articuladas a partir do núcleo do Estado e nem exclusivamente voltadas para a formação do magistério. A segunda fase de criação das normais rurais dá-se na vigência da Lei Orgânica do Ensino Normal, quando outras mantenedoras, já não mais necessariamente vinculadas à Igreja Católica oferecem o curso normal rural. As escolas desta 29

segunda fase apresentam características diferenciadas em relação às mantidas por congregações de confessionalidade católica, dentre elas estão a Escola Normal Rural Presidente Getúlio Vargas e Escola Normal Rural Assis Brasil, de Três de Maio e de Ijuí, respectivamente. Esta apresentação discute um tipo de formação e prática pedagógica, qual seja os impressos estudantis como espaço educativo, de expressão e organização dos alunos. O foco da discussão são os impressos produzidos por estudantes de duas escolas normais rurais do Rio Grande do Sul. O primeiro periódico analisado é A Voz da Serra, dos alunos da Escola Normal Rural La Salle, de Cerro Largo, que foi publicado no período de 1946 a 1950. Verifica-se que, embora os variados títulos que o jornal recebeu, ao longo do tempo, acenassem para a especificidade rural da formação ministrada no curso, os temas nele tratados não davam prioridade ao mundo rural: poucas eram as matérias que tematizavam essa realidade e formas de nela intervir. Levanta-se a hipótese de que, embora o objetivo da escola fosse a formação do professor para a zona rural, o veículo mantido pelo grêmio de alunos mais exprimia a socialização e a formação religiosa impressa na escola do que a formação para o campo e para a vida rural declarada no curso. O outro periódico analisado é O Eco do Estudante, órgão dos alunos da Escola Normal Rural Getúlio Vargas de Três de Maio, impresso produzido na década de 1960, considerando a estrutura, condições de produção, imagens e conteúdo do impresso. As fontes deste estudo são exemplares dos impressos localizados nos arquivos de estabelecimentos de ensino, embora as escolas normais rurais nas quais eles foram produzidos tenham sido extintas no inicio da década de 1970. Cada exemplar disponível foi analisado em suas características registradas em ficha especifica. A analise dos impressos é contextualizada frente às finalidades das escolas discutindo também as formas de agremiação de alunos das escolas normais rurais.

1038 PRÁTICAS ENQUANTO ESTRATÉGIAS DE FORMAÇÃO: O ASSOCIATIVISMO DISCENTE ANA CLARA BORTOLETO NERY. UNESP, GUARULHOS - SP - BRASIL. As associações de alunos das escolas de formação de professores são representantes de uma significativa parcela das práticas desenvolvidas nestas instituições. Além de serem responsáveis por boa parte das atividades extraclasse, tais associações também se ocupavam da publicação dos periódicos dessas escolas. Estratégia de organização do campo e de conformação da profissão docente em São Paulo, essas associações de alunos eram intituladas Grêmios Normalistas. O associativismo discente, nas Escolas Normais, está atrelado à ação de João Lourenço Rodrigues, Oscar Thompson e João Chrysostomo Bueno dos Reis Junior, na Escola Normal da Capital. A partir de 1911 passa a ser atividade presente em todas as Escolas Normais do estado, tornando-se oficial a partir da Reforma de 1920. No entanto, seus propósitos se diferenciam, tomando feições próprias em cada período. Esta comunicação é resultado das pesquisas que venho desenvolvi no âmbito do projeto de pesquisa “Divulgando Práticas e Saberes: a produção de impressos nas Escolas Normais”, sob minha coordenação, na Unesp, campus de Marília. Neste projeto evidenciou-se a presença de uma parcela considerável de periódicos publicados por alunos normalistas no estado de São Paulo, como resultado de uma prática associativa estimulada pelos agentes. Desta forma, compreender a constituição de um espaço específico – o grêmio normalista – a partir de um foco específico – os periódicos destas associações, revelou-se atividade investigativa profícua. As fontes desta investigação são os periódicos Excelsior! (1911-1916), Raio Verde (1917-1918), ambos da escola Normal Secundária de São Carlos, e O Estímulo (1906-1927), da Escola Normal da Capital. Além dos periódicos, foram utilizadas fontes documentais como Annuario do Ensino (1909; 1921), atas dos grêmios e periódicos publicados pelos professores das Escolas Normais paulistas. Como resultados, observa-se alterações nos objetivos destas agremiações, a partir da Reforma Sampaio Dória. Porém, permanece no cerne a idéia de formação pedagógica, uma vez que os alunos agremiados são responsáveis por organizar atividades culturais e pedagógicas da própria Escola Normal. Ou seja, o grêmio parece ter funcionado como um dispositivo de formação por homologia, tal qual a função exercida pelas festas escolares e pela prática do escotismo. Não há elementos na documentação analisada para estabelecer vínculos entre o associtismo discente e a Pedagogia da Escola Nova, ainda

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que a idéia de escola ativa já estivesse presente na instrução pública paulista, pelas ações realizadas por Oscar Thompson.

1048 O GRÊMIO NORMALISTA “2 DE AGOSTO” E SEU IMPRESSO: O ESTIMULO IMPRESSOS, INTELECTUAIS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO COMUNICAÇÕES COORDENADAS AUREA ESTEVES SERRA. FATEB, BIRIGUI - SP - BRASIL. O presente texto é parte da pesquisa de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação da UNESP de Marilia e tem por objetivo apresentar a associação estudantil “Grêmio Normalista “2 de agosto” e seu impresso a revista O Estimulo publicada pelos normalistas da associação dos alunos da Escola Normal Secundária da Capital/SP, no período de 1906 a 1927, edições estas localizadas no “Acervo Caetano de Campos”. O primeiro ensaio do associativismo normalista na Escola Normal da Capital foi o Club Republicano Normalista, uma associação de teor político. Já a segunda associação foi a Arcadia Normalista, uma associação que possuía uma característica expressamente literária, permanecendo sob a tutela do Estado. E a terceira experiência ora em foco foi o Grêmio Normalista 2 de agosto, uma associação que pode ser constatada na própria revista publicada pelo Grêmio Normalista “2 de agosto”, O Estimulo, datada de 1906. Também localizei três livros de atas na qual está registrado o desenvolvimento das atividades do grêmio, como posse de seus associados, pagamento das assinaturas da revista e muitas outras atividades do qual os alunos organizavam. Para a análise das fontes há a compreensão de que todo impresso carrega consigo uma dupla característica: a sua materialidade e o texto em si. Segundo Carvalho (1998), “[...] trabalhando com as representações que agentes determinados fazem de si mesmos, de suas práticas, dos outros agentes, de instituições – como a escola – e dos processos que as constituem”. (p. 33), é possível historicizar a linguagem das fontes, originando novos temas de pesquisa que privilegiam os sujeitos envolvidos e as práticas culturais. Para tanto se procede à análise da materialidade presentes nos exemplares levando em consideração os dispositivos tipográficos. O Estimulo, Órgão dos Normalistas da Escola Normal Secundária da Capital-SP é uma publicação de iniciativa estudantil que trata das questões educativas e particularmente as que envolvem a escola Normal, questões estas que contam com o apoio de alguns professores. Muitos são os temas abordados nessa revista, os que mais se destacam são: problemas administrativos do ensino; edifícios escolares; missão educativa dos professores, questões pedagógicas e profissionais, métodos de ensino, educadores entre outros. O associativismo discente, nas Escolas Normais, está atrelado à ação de João Lourenço Rodrigues, Oscar Thompson e João Chrysostomo Bueno dos Reis Junior, na Escola Normal da Capital. A partir de 1911 passa a ser atividade presente em todas as Escolas Normais do estado, tornado-se oficial a partir da Reforma de 1920. Os resultados da pesquisa confirmam que com a análise desses impressos e o cruzamento com outras fontes documentais foi possível verificar como acontecia o associativismo estudantil por meio das práticas escolares quanto à formação de professores disseminadas através do referido impresso.

1052 O MOVIMENTO ESTUDANTIL ORGANIZADO: 25 ANOS DE MEMÓRIAS LUCILIA AUGUSTA LINO DE PAULA. UFRRJ, SEROPEDICA - RJ - BRASIL. Este trabalho, fruto da pesquisa de Tese de Doutorado já concluída, sobre o movimento estudantil organizado e dirigido pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro no período de 1975 a 2000. Levantamos a memória do movimento estudantil da UFRRJ, a partir do depoimento dos seus líderes, protagonistas dessa história. Entendemos que o passado existente é reconstruído continuamente no presente, assim os sujeitos analisam e interpretam os acontecimentos 31

vividos de forma diversa do olhar da época. Dentro da metodologia proposta realizamos entrevistas, individuais e coletivas, com vários ex-militantes que, durante as décadas de 70, 80 e 90, participaram de gestões do DCE. O pano de fundo da investigação foi a história do país, do movimento estudantil e da Rural, no período analisado. A história oral completou e permitiu dar significado aos documentos e impressos estudantis, incompletos, dispersos e em estado precário. A forma como os ex-militantes rememoraram e reinterpretaram o seu engajamento naquele movimento constituiu o material empírico a partir do qual foi possível construir as categorias centrais da análise e interpretação das representações sobre a participação política estudantil na Universidade Rural. Os depoimentos permitiram identificar o significado atribuído pelos militantes à sua atuação política, a influência da militância estudantil na formação acadêmica e profissional e, principalmente, a importância dessa atuação no conjunto de sua experiência de vida, na sua concepção de sociedade e na consolidação dos valores e visões de mundo que norteiam sua atuação social. O movimento estudantil exerceu uma influência significativa, enquanto instância de formação, no processo de construção das representações e modos de vida dos estudantes universitários que dele participaram. Na investigação sobre a participação política dos jovens universitários, partimos da premissa de que seria possível perceber a influência do movimento estudantil no acúmulo de capital social e/ou cultural e na sua conversão em outros tipos de capital, político, profissional, econômico. A investigação ampliou a compreensão sobre o universo cultural dos jovens universitários, inseridos em uma instituição peculiar que favorece e estimula a vida comunitária. Essa característica minimizou a enorme heterogeneidade da origem social e das experiências dos estudantes e, desta forma, produziu uma ‘experiência comum’ reconhecida e vivenciada. A convivência forneceu a percepção de que existem mais semelhanças do que diferenças entre os estudantes, favorecendo a construção de vínculos, tanto temporários quanto permanentes.

1137 O IMPRESSO NORMALISTA EXCELSIOR! E A EDUCAÇÃO REPUBLICANA NO INTERIOR DE SÃO PAULO (1911-1916) EMERSON CORREIA DA SILVA. UNESP/PPGE, MARILIA - SP - BRASIL. Na presente comunicação buscamos enfocar a trajetória editorial da revista Excelsior! (1911-1916), revista de propriedade do Grêmio Normalista “Vinte e Dois de Março”, considerando o objetivo de compreender a participação do alunado na produção de Impressos Educacionais nas Escolas Normais do interior de São Paulo/SP. A pesquisa concluída no ano de 2009, em nível de mestrado, com bolsa FAPESP e CNPq, se pautou pelo estudo das primeiras publicações veiculadas pela Escola Normal de São Carlos, em São Carlos/SP, mediadas pelas contribuições metodológicas de Roger Chartier no que concerne à compreensão historiográfica e editorial, e Pierre Bourdieu no que diz respeito à compreensão do campo educacional e habitus. Entrecruzamos dados referentes às informações editoriais, fontes documentais como livro de empréstimos da biblioteca e dados funcionais, e fontes bibliográficas. É bom ressaltar que esta pesquisa se desenvolveu em torno do GEPEFE (Grupo de Estudos e Pesquisa em Administração da Educação e Formação de Educadores): linha memórias e perspectivas. Analisamos Excelsior! dividindo-a, inicialmente, em duas fases: A primeira fase sob o apoio do diretor da Escola Normal Secundária de São Carlos João Chrysostomo e de seu professor João Lourenço Rodrigues, que compreende o momento da criação da revista até o terceiro número publicado, quando diretor e professor haviam sido removidos para a Inspetoria Geral da Instrução Pública e Escola Normal da Capital, respectivamente. O terceiro número é tomado como um número de transição, mas componente da primeira fase. A segunda fase, do quarto ao sétimo número, período em que ocorrem grandes mudanças na feição editorial da revista, que vão desde o projeto gráfico à escrita propriamente dita, que se distingue pelos trabalhos desenvolvidos em sala de aula, tendo a frente o professor João de Toledo. A revista Excelsior! surge cumprindo o papel de dar visibilidade às práticas ocorridas na escola, firmando-a junto à sociedade. Ponto central para uma escola que se instalava sob o signo do futuro e grandes investimentos na construção do imponente prédio e compra de materiais importados da Europa e Estados Unidos da América. Entre os autores, além de alunas, alunos e professores (responsáveis pela seleção e revisão dos artigos), encontra-se a presença de diretores e do secretário da escola, homens de influência da 32

sociedade local e outros convidados. São artigos resultantes de conferências promovidas pela Escola Normal Secundária de São Carlos e entidades da sociedade são-carlense, além de encomendas feitas por professores e alunos.

INSTITUIÇÕES DE ENSINO AGRÍCOLA E MODERNIZAÇÃO DO CAMPO Coordenador: MILTON RAMON PIRES DE OLIVIEIRA 1388 ASPECTOS DOS INTERNATOS NO ENSINO AGRÍCOLA FEDERAL JOAQUIM TAVARES DA CONCEIÇÃO TAVARES CONCEIÇÃO. UFBA, SALVADOR - SE – BRASIL Esta comunicação aborda a “pedagogia de internar” no contexto do ensino agrícola federal, sob a competência do Ministério da Agricultura, tomando como objeto específico o internato da Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão-SE (EAFSC-SE), no período de 1934 a 1967. Três aspectos são destacados: os sujeitos e as condições de sustentabilidade do internato, a organização espacial do internato e o exercício do poder disciplinar. Com relação aos sujeitos a pesquisa traça e analisa o perfil sócio-econômico e a procedência dos internos, ressaltando a condição predominante de pobreza e a procedência rural da maioria dos internos. Sobre as condições de manutenção ou de sustentabilidade do internato, são evidenciados e discutidos os bens e serviços ofertados aos internos: um espaço no dormitório coletivo, o enxoval (“substituições padronizadas”), a alimentação e a assistência medico odontológica e os custos com a manutenção do internato. Sobre a organização espacial são destacados os dormitórios coletivos que caracterizaram os estabelecimentos até meados da década de 1950. A maior parte resultou de prédios herdados dos antigos patronatos agrícolas ou dos primeiros aprendizados agrícolas, posteriormente reformados. A partir da segunda metade da década de 1950 teve início uma nova política de internamento que passava a combater a aglomeração de internos em grandes dormitórios e apresentava como solução a implantação de “dormitórios-apartamentos”. Nesse contexto os investimentos na reestruturação e ampliação dos internatos receberam um impulso considerável com a construção de novos “pavilhões de alojamentos” em diversas escolas da rede federal. Os espaços específicos dos internatos dos estabelecimentos de ensino agrícola, com relação à disposição espacial, seguiram o tradicional padrão dos internatos. Eram providos basicamente de dormitórios, coletivos de regra, refeitório, cozinha, instalações sanitárias, prédios para atividades sociais (centro social e auditório). Finalmente, é discutida a conformação do indivíduo no microcosmo do internato, estabelecendo uma compreensão do exercício do “poder disciplinar” no internato, evidenciando as técnicas disciplinares de controle do espaço, do tempo e das atividades diárias dos internos. Na análise do controle dos espaços específicos do internato, foi destacada a vigilância da movimentação dos internos no edifício-internato. No controle do tempo, as diversas formas de sinalização deste com os diversos “toques de corneta” e outros dispositivos de controle. São analisadas as práticas de transgressões (os desvios) entendidas como “micropenalidades” em suas diversas modalidades (tempo, atividade, maneira de ser, discursos, corpo e sexualidade) e as sanções, que tiveram como objetivo normalizar os indivíduos aos propósitos da instituição.

“O FERRADURA”: A SOCIALIZAÇÃO INSTITUCIONAL VISTA PELOS ALUNOS DA ESCOLA MÉDIA DE AGRICULTURA DE FLORESTAL (MG) - 1953 MILTON RAMON PIRES DE OLIVEIRA ; BRUNO GERALDO ALVES ; ANGELA MARIA GARCIA . 1,2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, VICOSA - MG - BRASIL; 3.COLÉGIO DE APLICAÇÃO COLUNI/UFV, VIÇOSA - MG - BRASIL. O foco do trabalho é o exame de modos de intercomunicação de sistemas simbólicos que enfatizam formas de representação social sobre a vida numa escola em sistema de internato. Tomamos para
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estudo documentos produzidos, em meados do século XX, por alunos da Escola Média de Agricultura de Florestal - EMAF (Minas Gerais), tomando como ponto de partida um jornal iniciado no ano de 1953. No levantamento documental para análise no projeto, deparamo-nos com o jornal, denominado “O Ferradura”, o qual mantinha uma tiragem semanal, em seu primeiro ano. A perspectiva da história cultural subsidiou o delineamento da metodologia, em atenção às demandas do objeto de pesquisa, viabilizando a problematização das narrativas históricas a partir da percepção multifacetada da vida social, em especial de esferas do cotidiano. O jornal “O Ferradura” foi valorizado porque se destaca como eixo fundamental da orientação prática dos estudantes no reconhecimento da escola como espaço não só de formação técnico profissional, mas também de convivência social. Sobressai nos pequenos artigos e colunas sociais modelos de comportamento, de higiene e de conduta masculina como dimensões necessárias ao disciplinamento institucional e portadoras de significados que dão sentido à permanência na escola. A incorporação desses modelos e do sentimento de pertença à “família emafiana” amenizam as dificuldades da vida longe dos familiares. Documentos como o referido jornal permitem colocar em relevo um universo portador de representações culturais, gerador de condutas sociais e produtor de identidades. A vida dos indivíduos que integram a instituição se reorganiza em torno não somente da formação, mas também de um projeto de sociedade no qual ela está inserida. Nos exemplares foi possível perceber como os participantes das edições conferem significados à Escola como se fosse uma família e apresentam indícios de suas origens sociais. As seções permanentes configuram-se como dimensão importante para entender os modos como eles interpretam sua experiência no sistema de internato, a função social do periódico e as relações estabelecidas com outras instituições sociais instaladas nas proximidades, tanto territoriais como de parcerias. Por extensão, reinterpretam sua trajetória de vida e constroem uma visão idealizada da escola e da profissão de técnico agrícola. Ressaltamos a escassez de estudos que acompanhem o processo de socialização de alunos, em instituições como a destacada, do ponto de vista dos mesmos ou de como os jovens aprendem a tornarem-se membros efetivos de uma instituição. Examinamos o processo de interiorização de categorias sociais que determinam identificações coletivas, no âmbito institucional de imaginários coletivamente construídos. Assim, consideramos que a importância deste trabalho deriva não somente da raridade de estudos sobre a questão, mas também pela contribuição que pode conferir à história de educação no Estado de Minas Gerais, quiçá no Brasil.

884 A FAZENDA-ESCOLA DE FLORESTAL-MG: O ENSINO AGRÍCOLA E O PROJETO DE MODERNIZAÇÃO DO CAMPO BRUNO GERALDO ALVES; MILTON RAMON PIRES DE OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, VICOSA - MG - BRASIL. A pesquisa enfoca a trajetória da Fazenda-Escola de Florestal, em Minas Gerais, no período de 1939 a 1948. Objetivamos, na primeira fase da investigação, analisar as propostas e concepções sobre ensino agrícola enquanto produto de políticas públicas imersas em um ideário específico de modernização, a partir dos discursos presentes na inauguração da Fazenda-Escola de Florestal em 1939 e do projeto fundador da instituição. Compreendendo a problemática que envolve a educação rural em Minas Gerais, o foco da análise destacou os discursos presentes no evento de inauguração da instituição, apontando para uma tentativa de alinhamento das expressões em torno do ensino agrícola a um projeto maior de modernização, dimensionando agências e agentes presentes neste campo de forças, para entender a própria concepção de educação rural que estava sendo redefinida. Buscamos compreeender como os projetos e as disputas institucionais se relacionavam e delineavam as práticas pedagógicas a serem desenvolvidas na instituição. Baseada na perspectiva da história cultural e de seus desdobramentos, como a micro-história, delineamos a construção de uma metodologia que atendesse às demandas apresentadas pelo objeto da pesquisa. No desenvolvimento do projeto analisamos fontes escritas localizadas nos acervos da referida instituição e do Museu Histórico de Pará de Minas/MG, problematizando a construção de narrativas históricas a partir da percepção multifacetada da vida social e da incorporação de novos sujeitos, seus modos de viver, sentir e pensar em ambientes diversos na 34

esfera cotidiana. Na primeira fase a principal fonte utilizada foi um periódico da Secretaria da Agricultura, Indústria, Comércio e Trabalho de Minas Gerais - a “Revista da Produção” - edição número 16, correspondente aos meses de maio e junho de 1939. Obra estruturada em 12 partes, sendo mais da metade dedicada à inauguração da Fazenda-Escola, registrando a cerimônia e discursos proferidos. Também é constituída de artigos direcionados à análise das ações do governo mineiro frente à economia, enfatizando a agropecuária do Estado. Como resultado, destacamos que o projeto de criação e atuação da Fazenda-Escola de Florestal foi concebido em padrões modelares, com o intuito de incorporar a diversidade agropecuária existente em Minas Gerais, atendendo trabalhadores, capatazes e administradores das fazendas com “cursos rápidos e práticos”. Buscava ainda aproximar os fazendeiros, de diversas regiões do estado, das novas técnicas de produção desenvolvidas na Fazenda-Escola. Ao concluirmos a primeira etapa da pesquisa, consideramos que o projeto da Fazenda-Escola de Florestal, como delineado nos discursos de inauguração, articulava-se com o ideário de modernização do campo esboçado para Minas Gerais no período de 1939 a 1948. 1001

ENTRE TRILHAS E VEREDAS: CONSTRUINDO HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO COLÉGIO AGRÍCOLA DE TERESINA JULINETE VIEIRA CASTELO BRANCO. UFPI, TERESINA - PI – BRASIL Esse estudo é resultado de uma pesquisa de mestrado e procura construir as histórias e memórias do Colégio Agrícola de Teresina (CAT), a partir do momento de criação da Escola Agrotécnica em 1954, até sua incorporação à UFPI em 1976. A análise concentra-se em três etapas distintas e importantes nesse período. A primeira trata da construção dos discursos de modernização do campo e da expectativa acerca da criação da Escola Agrotécnica; a segunda refere-se ao início de funcionamento da instituição e às dificuldades encontradas no grande projeto agrícola dos anos 60; a terceira, quando essa instituição educativa é transferida para o Ministério da Educação, sendo incorporada à UFPI. Nesse sentido, o recorte temporal apresenta duas décadas de efetivas mudanças na instituição escolar e na cidade de Teresina. O estudo busca analisar o discurso agrário presente na imprensa, acerca da instalação do colégio nos anos 50. Posteriormente, busca entrecruzar as falas que se constituíram memórias dos exprofessores, alunos e funcionários sobre o CAT. A metodologia priorizou o uso da técnica de análise de conteúdo para a interpretação das fontes documentais. Nesta etapa, foram realizadas pesquisas em jornais, diários oficiais, mensagens, revistas; num segundo momento, a análise de documentos escolares como fichas de matrículas, atas, diários, boletins, carteiras estudantis, históricos, além do uso da história oral para a coleta de entrevistas com os 18 sujeitos da pesquisa. Como fundamento teórico empregouse a História Cultural a partir das concepções de Chartier (1990), Pesavento (2004), Le Goff (1996) e Halbwacks (1990), com os novos objetos de análise histórica, onde encontramos as categorias de representações, práticas, apropriações e memória. Os trabalhos de Nascimento (2004), Oliveira (2002), Mendonça (1999) e Magalhães (2004) foram norteadores para a compreensão da história do ensino agrícola no Brasil e das instituições escolares. Sendo assim, o estudo das práticas e representações culturais muito contribuiu para um maior conhecimento das instituições educativas agrícolas. Portanto, na tentativa de seguir construindo as histórias e memórias do Colégio Agrícola de Teresina, sob a ótica dos discursos agrários piauienses, tornou-se possível compreender a importância desse símbolo escolar para a revitalização dos discursos sobre a agricultura e a delimitação dos novos espaços campo e cidade. Observou-se, ainda, que o projeto escolar agrícola estabeleceu teias de conexões com a modernização industrial, com a cidade de Teresina e com o desenvolvimento econômico do Piauí. Por fim, por meio das representações dos ex-alunos, professores e funcionários sobre o CAT, foi possível desvendar as memórias construídas sobre o cotidiano escolar, o internato, o semi-internato, a transferência para a UFPI, os conflitos, os valores, os tempos, os espaços e as vivências da instituição educativa agrícola.

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E INSTITUIÇÕES ESCOLARES: ALGUNS OLHARES Coordenador: SAULOÉBER TARSIO DE SOUZA 895 INSTITUIÇÕES ESCOLARES E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL SAULOÉBER TARSIO DE SOUZA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, ITUIUTABA - MG - CORÉIA. A partir dos anos 90 do século passado, os estudos sobre instituições escolares se multiplicaram na historiografia da educação brasileira, apresentando-se ainda hoje como tema de pesquisa relevante entre os pesquisadores da área. A instituição escolar é espaço privilegiado de investigação das normas e práticas que variam no espaço e no tempo ou coexistindo de formas diferentes, podendo ser estudada a partir de variadas categorias como o contexto histórico de criação e fases de desenvolvimento da escola; seu cotidiano (festas e rituais); o edifício escolar; os atores (alunos, professores e administradores); os saberes e práticas (currículo, disciplinas, livros didáticos, métodos de ensino); as normas disciplinares (regimentos e burocracia) e outros (NOSELLA, BUFFA, 2005). A partir de análise dos resumos constantes dos anais dos eventos Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação e o Congresso Brasileiro de História da Educação (ambos realizados em 2008), buscamos demonstrar a vitalidade dessa subárea do conhecimento, apontando algumas estatísticas importantes sobre a pesquisa das instituições escolares, salientando, por exemplo, que os trabalhos apresentados têm certa base temática comum, a partir da história de determinadas instituições escolares, focando arquitetura, atores, métodos pedagógicos, práticas escolares e regulamentos, memórias etc. É preciso ressaltar que no Congresso Luso-Brasileiro (Porto, Portugal) o eixo temático Instituições Educacionais e Cultura Material Escolar contou com 114 comunicações coordenadas e individuais, representando 18,3% do total dos 623 trabalhos inscritos. Já no Congresso Brasileiro de História da Educação nos eixos temáticos 1 (História da Profissão Docente e Instituições Escolares Formadoras) e 5 (Currículo, Disciplinas e Instituições Escolares) foram inscritos 127 e 88 trabalhos respectivamente, de forma que representam 27,4% dos 783 trabalhos propostos; contudo, de acordo com a leitura dos resumos, entendemos que apenas 118 deles enfocam determinado aspecto de uma instituição escolar ou grupo delas, assim, o percentual seria de 15% do total dos trabalhos, um pouco abaixo das comunicações inscritas no Luso. Esses números mostram uma grande diversificação dos temas, mas também a vitalidade da pesquisa nesse campo que parece ainda estar longe de seu esgotamento. Contudo, é preciso ressaltar que é ponto comum entre os pesquisadores da área, como em Saviani (2005), a necessidade de se articular o geral e o específico nas pesquisas que têm como objeto a instituição escolar, afastando-se do engano de se recortarem objetos de forma bastante particular e num plano de análise exclusivamente micro, desconsiderando-se o contexto geral. Entendemos que investigar uma escola em seus diferentes aspectos é uma das maneiras de se estudar a filosofia e a história da educação brasileira já que as instituições escolares estão impregnadas de valores e idéias educacionais, além das marcas das políticas educacionais.

907 A INSERÇÃO DOS GRUPOS ESCOLARES NO PROJETO DE MODERNIDADE: O CASO DO BRASIL NO TRIÂNGULO DAS GERAES ELIZABETH FARIAS DA SILVA. UFSC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. A proposta de enunciação na mesa redonda é corolária do Projeto de Pesquisa nominado “Modernização e Educação Pública no Interior do Brasil. Estudo de caso no Triângulo Mineiro (19301950)”, sob a coordenação da professora Dra. Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro e aprovado pela FAPEMIG em 2008. Na atualidade, a esfera da Educação é perpassada por temáticas como: interculturalidade, relação de gênero, questão ambiental, a língua de sinais trabalhada como apenas mais uma língua e não uma indicação de um estado de excepcionalidade. Tais temáticas indicam uma 36

crítica ao paradigma científico estabelecido e duas situações, aqui, propostas para análises. Primeiro a concepção monocromática do projeto de Modernidade e em concomitância a avaliação crítica de projetos globais -âmbito cultural- impondo-se e negando situações locais, transformando-as em estranhas/tradicionais. O projeto de Modernidade aqui entendido está vinculado a um processo produtivo determinado: o capitalista, mas está circunscrito (para fins analíticos) ao âmbito cultural, junto aí, a Educação. O projeto de Modernidade emerge em áreas limitadas da Europa e impõe-se por todo o planeta, de maneira fisicamente coercitiva, mas também de maneira imaginária e principalmente simbólica. Uma teia simbólica entretecida alastrou-se. O locus é determinado mas a enunciação se quis universal seja na variante socialista, liberal ou conservadora. Estas variantes desde o século XIX estão em constante tensão e conflito seja latente, seja manifesta. Entretanto as três variantes possuem pontos comuns no âmbito das aplicações de suas idéias e possibilidades. Os Grupos Escolares no Brasil na sua origem inserem-se nesta tensão e conflito. Acolhem, agrupam pessoas em processo de socialização secundária para com elas entretecer uma nova teia simbólica e imaginária sob o controle, domínio e ordem do Estado. Na formalidade da Res pública. Os Grupos Escolares com suas inserções não fazem retroalimentação. Impõem e ordenam o novo. Novos materiais escolares, novas ementas de disciplinas baseadas no único saber reconhecido pela Modernidade, o científico. O Grupo Escolar de forma mais expandida aumenta a clivagem entre cultura letrada e cultura popular, entre o moderno e o agora considerado tradicional. Expulsa a “magia das coisas” e discute no “desencantamento do mundo”. As coisas do local, diferentes tornam-se estranhas, exóticas. Ocorrem embates, emergem contradições. E esta é a proposta especificamente: apontar e possibilitar compreensão de Grupos Escolares em situações locais lidando com um projeto que se quis global.

1056 “ENSINAR A BEM VIVER”: LEITURAS INDICIÁRIAS ENVOLVENDO O GRUPO ESCOLAR E A VIVÊNCIA DE UMA CERTA MODERNIDADE EM BARRETOS (1910/1930) HUMBERTO PERINELLI NETO. UNESP/CEUBM, SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP - BRASIL. Na aurora do século XX, Barretos era uma cidade em crescimento, tendo em vista a expansão do comércio de gado no Centro-Sul brasileiro e, por conta desta economia, o fato da cidade ser elevada à condição de capital do gado. Todavia, marcas de sua formação e características de sua economia não foram apagadas pela modernização corrente, muito pelo contrário, elas foram aprofundadas nesse processo. As diferenças existentes entre “Centro” e “Outro Mundo” – áreas que formavam a cidade foram ampliadas, à medida que a primeira cada vez mais recebia atenção do poder público (graças a reforça da praça central, calçamento das ruas, instalação de luz elétrica, entre outras melhorias) e investimentos privados (como a construção das casas e estabelecimentos comerciais), enquanto na segunda ocorria um aumento da área do meretrício (tendo em vista o fluxo maior de boiadeiros, peões e outros que se dirigiam para Barretos) e uma espécie de “guetização”. Neste contexto, vários colégios privados foram instalados nesta cidade, mas o fluxo de inaugurações e fechamentos destes estabelecimentos faz pensar na ausência de um público capaz de arcar com os custos do ensino ou que nele atribuíssem importância. É notória em várias matérias publicadas nos jornais barretenses da década de 1900 a organização de uma verdadeira campanha pela valorização da educação. No entanto, a primeira escola de funcionamento mais efetivo em Barretos foi inaugurada em 1910: trata-se do Grupo Escolar. Estava situado ao lado da praça central desta cidade e era dotado de uma arquitetura moderna. O edifício era caracterizado pela predominância do estilo eclético com predominância do neoclássico (ênfase no corpo principal). A acentuada presença de janelas expressava a influência do ideário higienista, pois tal recurso facilitava a circulação de ar. Os muros e gradis revelavam a preocupação por parte do construtor em definir claramente o que era espaço público e o que era espaço privado. A bandeira nacional posicionada na parte central visava garantir lições de civismo aos futuros cidadãos e cidadãs. Concluiu-se, portanto, se tratar de um claro emblema de civilidade, tanto aos pequenos que abrigava quanto aos que avistavam tal prédio do lado de fora. Diante disso é possível afirmar que era muito diferente o contexto que marcava a instalação do Grupo Escolar, em 1910. Ate então, a maior parte das famílias era chefiada por lavradores, conforme é possível reconhecer na lista 37

de eleitores de 1890. O crescimento e a diversificação social registrados em Barretos desde então haviam modificado brutalmente essa situação. Com base na leitura indiciária dos livros de matrículas dos alunos compreendendo o período entre 1910 e 1930, buscou-se nesta pesquisa compreender a relação existente entre educação, modernidade e cultura política numa cidade marcada pela ambivalência arcaico/moderno. Trata-se de trabalho em andamento.

901 GRUPO ESCOLAR JOÃO PINHEIRO NA CENA URBANA: DO ARRANJO MAJESTOSO AO MOVIMENTO DA LEGIÃO NEGRA NA IMPLEMENTAÇÃO DA ESCOLA 13 DE MAIO BETANIA OLIVEIRA LATERZA RIBEIRO. UFU, ITUIUTABA - MG - BRASIL. A instrução pública primária no interior das Geraes teve origem nos primórdios da República, com a inauguração dos três primeiros grupos escolares do Triângulo Mineiro, por volta de 1908. Entre eles, o de Villa Platina, então nome do atual município de Ituiutaba. O objetivo dessa comunicação é apresentar questões relativas ao Grupo Escolar João Pinheiro, circunscrevendo uma análise históricocrítica dos primórdios dessa instituição escolar. A concretização do primeiro grupo escolar em Villa Platina deu-se no início do século XX, no contexto da organização da República, quando ocorreram as tomadas de providência no sentido de promover a racionalização administrativa do Estado brasileiro. Nesse momento, havia duas preocupações em Minas Gerais: a consolidação do regime republicano e a necessidade de transformação da realidade educacional, envolvendo desde a precariedade do espaço físico escolar até o elevado índice de analfabetismo. Além da formação de força de trabalho, havia a preocupação de controlar o eleitorado, pois ao contrário do período imperial, foi estabelecido na primeira Constituição Republicana o voto somente para alfabetizados. Segundo a “Gazeta de Uberaba”, Villa Platina é descrita como uma “próspera localidade do Triângulo Mineiro”. A construção de edifícios específicos para grupos escolares foi uma preocupação das administrações dos Estados, que tinham no urbano o espaço privilegiado para sua edificação, em especial, nas capitais e cidades economicamente prósperas, como o município de Villa Platina. O majestoso edifício desse grupo escolar tinha como proposta tornar visível o ideal republicano, sendo imponente na urbe, numa materialização dos valores e modo de vida da elite local. O arranjo elitista, desta escola, bifurca-se na década de 1930, com a iniciativa de “homens de cor”, na criação da escola “13 de maio”, nome alterado em 1940 para “Escola Municipal Machado de Assis”. Os descendentes de escravos africanos utilizavam o prédio do antigo Grupo Escolar de Villa Platina na calada da noite. Trabalhadores da construção civil, empregadas domésticas desenhavam o perfil dos discentes, de acordo com os depoimentos de ex-alunos. Assim, corpos e mentes moldados no lugar/espaço da escola recebiam esperanças de adentrar em “um novo mundo”, no entanto, alguns desistiam dos estudos, em decorrência do cansaço resultante de longas jornadas de trabalho. A análise crítica da pesquisa e os resultados permitem concluir que devido ao desinteresse do poder público no que tange ao investimento em educação, até a década de 1950 nesse município, deteriorou o ensino público em contraste com o privado. Nessa perspectiva, o majestoso palácio republicano paradoxalmente tem sua derrocada promovida pela mesma fonte de sua criação, o Estado Brasileiro.

1114 O PROCESSO DE EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR NO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO NAS DÉCADAS DE 50 E 60: O CASO DA FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO SILVANA FERNANDES LOPES. UNESP, SAO JOSE DO RIO PRETO - SP - BRASIL. A cidade de São José do Rio Preto (SP) exerce um papel de polo socioeconômico regional que vem se constituindo desde sua fundação, em meados do século XIX. O desenvolvimento desse papel foi 38

impulsionado pela expansão da malha ferroviária em direção ao interior paulista, criando as condições para que a cidade fosse se tornando um centro comercial no âmbito da região noroeste e esta região, em meados da década de 1930, já respondia por uma média de 14% da produção agrícola e 20% da criação bovina do estado. O crescente desenvolvimento econômico de São José do Rio Preto impulsionou a ampliação tanto das atividades terciárias quanto das atividades rurais subordinadas à indústria e na década de 50, período no qual a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras foi criada, a cidade já contava com uma população predominantemente urbana. Diante desse quadro de desenvolvimento, as condições eram favoráveis para a criação de uma instituição de ensino superior em São José do Rio Preto. Proposta em 1955 e oficializada como faculdade municipal em 1957, vale destacar que a criação desta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) não foi uma iniciativa isolada. O ensino superior vinha crescendo desde o período imperial, porém nas décadas de 50 e 60 essa expansão sofreu um processo de maior aceleração em função das condições socioeconômicas já mencionadas e da forte pressão exercida pelas camadas médias. Dentro desse quadro, a fundação dos Institutos Isolados de Ensino foi uma das estratégias da política educacional para atender de alguma maneira tanto as necessidades de desenvolvimento econômico quanto os anseios dessas camadas médias em busca de ascensão social via título superior. Nesse sentido, é só a partir dessa perspectiva geral que se torna possível compreender essa faculdade em particular. Esta pesquisa, então, busca delinear alguns traços particulares dessa FFCL no conjunto dos Institutos Isolados de Ensino do período estudado. Para tal, estão sendo utilizados como fontes principais os documentos de criação da faculdade, as atas dos departamentos e alguns artigos de jornais locais por meio dos quais é possível vislumbrar indícios de um diálogo entre diversas vozes sociais, muitas vezes conflitantes, em relação à FFCL. Por último, cabe ressaltar que se trata de um estudo em andamento, inserido numa temática mais ampla, visando uma reconstrução da história dessa instituição. Essa temática está sendo desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa “História e Política Educacional Brasileira”.

DESENHOS A MÃO LIVRE: UMA ANÁLISE DA HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES Coordenador: DAYSE MARTINS HORA 900 A ESCOLA-LABORATÓRIO DO PROJETO ESCOLANOVISTA E A MEDICALIZAÇÃO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DAYSE MARTINS HORA. UNIRIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. A medicalização das instituições sociais tem grande lastro de pesquisa nas ciências sociais, sendo objeto de análises fecundas. Mas, ainda, identificamos como uma necessidade sua maior utilização na educação. A pedagogia se recorre pouco do papel histórico do saber-poder médico na constituição política brasileira, como estratégia de hegemonia e seus desdobramentos na construção do conhecimento escolar e na formação de professores. Neste trabalho, estamos considerando a medicalização como o processo pelo qual o modo de vida dos homens é normalizado pela medicina, interferindo na construção de conceitos, regras de higiene, normas de moral, costumes e comportamentos sociais. Tomamos por referência as práticas do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, pelo papel histórico que essa instituição representou como locus de uma prática pedagógica renovada. Objetivamos discutir como a racionalidade médica se impôs a partir da colaboração médicopedagógica justificando a medicalização do currículo da formação de professores primários. Utilizamos por recurso metodológico, a análise dos currículos no período que abrange as reformas de Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira (1927-1937) e as fontes secundárias que discutem sobre a prática assumida à partir do currículo escrito que se apresenta a cada nova legislação. Desde o final do século XIX os conteúdos biomédicos já se encontravam presentes de forma vasta e complexa. A Higiene englobava conteúdos de Puericultura, Higiene escolar e cuidados médicos; a Anatomia e Fisiologia Humanas exigiam o rigor dos cursos de medicina. Mas a seleção e organização desses conteúdos em função de 39

construir um conhecimento científico do indivíduo só começaram a se configurar com a reforma de 1927, se ampliando a idéia com a transformação da antiga Escola Normal em Instituto de Educação. A formação do professor primário no Rio de Janeiro teve profundas marcas nas práticas desenvolvidas no Instituto de Educação; escola-laboratório – do projeto escolanovista, instrumento na construção de uma “ciência da educação”. Discutimos a racionalidade médica como suporte na construção de atitudes e práticas necessárias ao professor para esse contexto, ou seja, como o saber-poder médico esteve presente na constituição dos currículos de professores, apresentando-se como fundamentação do pensamento curricular na época. Argumentamos, ao final, que a expansão e organização curricular quanto aos aspectos medicalizantes coincide com o processo histórico de constituir a escola como instituição intrinsecamente disciplinar e o processo em que se define a modernidade como sociedade da escolarização.

902 O INSTITUTO DE EDUCAÇÃO E OS EMBATES NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR: UM MOMENTO NA HISTÓRIA DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR LIÉTE OLIVEIRA ACCACIO. UENF, NITEROI - RJ - BRASIL. O texto apresenta alguns aspectos da consolidação da Escola Normal situada na cidade do Rio de Janeiro, sua transformação em Instituto de Educação, em 1932 e incorporação, em 1935, como uma das unidades constitutivas da Universidade do Distrito Federal (UDF). Refere-se à subtema já estudado, de pesquisa em andamento, coordenada pela autora, da formação de professores no Estado do Rio de Janeiro. A organização dessa instituição educacional, em seus aspectos físicos, administrativos e curriculares representa, em sua época, um avanço no panorama da educação brasileira, trazendo novos sentimentos frente à escola, que assume espaços próprios. Observa-se que essas transformações desencadearam embates nas esferas política e pedagógica, envolvendo governantes e educadores, que, por sua vez, levaram a mudanças no panorama da educação local com reflexos nacionais. Assim, objetiva-se, neste texto, analisar um dos momentos históricos da formação de professores no Rio de Janeiro, quando, estando Getúlio Vargas à frente do governo federal, há interferências na educação por meio de diretrizes normativas. Indicam-se aspectos da colaboração e desentendimento de Anísio Teixeira e Lourenço Filho em relação à política desenvolvida nessa instituição com a criação, em 1935 e extinção, em 1939, da Universidade do Distrito Federal (UDF). Como uma das unidades da UDF o Instituto de Educação forma professores em nível superior e se incorpora integralmente a essa universidade por sua Escola de Professores que passa a denominar-se Escola de Educação. O educador Anísio Teixeira ampara-se na legislação federal para viabilizar a UDF, mas Gustavo Capanema, Ministro de Vargas, considera que a universidade não se coaduna aos padrões e regulamentos federais. O Rio de Janeiro sofre, no período, reflexos da crise político-social que se avoluma e setores conservadores desfecham contra a UDF campanha difamatória com acusações perpassando dimensões administrativas e ideológicas, sendo a universidade considerada desnecessária. Nota-se, ainda, que a instituição formadora desempenha papel relevante no sentido da profissionalização do educador, assim como na constituição da escola de formação docente como instrumento de mudança do ensino e de transformação das ações na formação de professores. A metodologia baseia-se na reflexão histórica, utilizando pesquisa bibliográfica e análise documental de fontes primárias, como legislação, programas, atos oficiais, regimentos, históricos e diplomas do acervo da própria instituição pesquisada, além de depoimentos de antigos alunos.

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903 A ESCOLA NORMAL DA CAPITAL EM MINAS GERAIS NO INÍCIO DO SÉCULO XX RITA DE CÁSSIA OLIVEIRA FERREIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG), BELO HORIZONTE - MG BRASIL. O objetivo desta comunicação é analisar o processo de criação e de institucionalização da Escola Normal da Capital. Assim, procuramos apresentar a organização administrativa e pedagógica, o corpo docente, os programas de ensino, os espaços e tempos escolares, e as principais atribuições postas à Congregação dessa escola normal. A Escola Normal da Capital foi instalada no início de 1907, na recéminaugurada cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, acompanhando o conjunto da reforma do ensino de 1906. O momento de instalação desta escola normal foi de intensas mudanças e acontecimentos no campo educacional, destaca-se entre outras a formulação de uma proposta de formação de professores fundamentada por uma concepção de educação escolar integrada aos debates republicanos e civilizadores. Na capital Belo Horizonte esperava-se, através da escola e da atuação do professor primário, a difusão do ideário de urbanização e civilização da população. Junto a isso, a proposta para a criação da Escola Normal da Capital se desenvolveu em consonância com o debate sobre a formação dos professores da época, que circulavam em outros estados brasileiros. Este trabalho teve como principal suporte teórico-metodológico as reflexões e estudos dos autores que versam sobre a história das instituições escolares, tais como Décio Gatti Júnior e Justino Magalhães. Em nossa análise foram discutidas as seguintes categorias: espaços e tempos escolares, currículo e os sujeitos presentes na trama que organiza a instituição. Para discutir a organização administrativa e pedagógica desta escola, utilizamos o conceito de figuração, de Norbert Elias que permite problematizar as redes de interdependências dos sujeitos, como também as tensões presentes e específicas sobre o ensino normal encontradas nesta instituição. Tal discussão se faz a partir da interrogação de fontes documentais diferenciadas tais como legislações educacionais, relatórios e mensagens de governo e documentação específica da Escola Normal da Capital encontrada nos arquivos do Instituto de Educação (edifício onde funcionou a escola normal), e no Arquivo Público Mineiro. Concluiu-se que a criação da Escola Normal da Capital buscou superar o modelo de formação dos professores encontrados no período imperial, e que seu órgão deliberativo, a Congregação foi um avanço em relação aos modos de decisões políticopedagógicas anteriores por incorporar os professores da escola nas discussões e deliberações relativas ao funcionamento da instituição. Observa-se, contudo, que o processo de instalação da Escola Normal da Capital não se fez sem tensões. Embates e contradições permearam tanto o ideário e as expectativas postas à própria formação docente, quanto ao funcionamento da Escola Normal da Capital. 904 TENHA PIEDADE DE NÓS: UMA ANÁLISE DA EDUCAÇÃO FEMININA DO EDUCANDÁRIO NOSSA SENHORA DA PIEDADE EM PARAÍBA DO SUL, 1925-1930. ALEXANDRE RIBEIRO NETO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE PARAÍBA DO SUL, PARAIBA DO SUL - RJ - BRASIL. Pretendemos em nossa comunicação analisar a história das instituições escolares católicas, destinadas a educar e abrigar meninas desvalidas na Primeira República. Adotamos como marco cronológico inicial o ano de 1925, para acompanhar a criação da Escola Municipal Condessa do Rio Novo, criada no interior do Educandário Nossa Senhora da Piedade. E final o ano de 1930. Pensamos também em estabelecer um período de cinco anos, para dar conta de uma pesquisa, com variadas ramificações, tais como: questões de gênero, pensamento educacional católico, as relações entre o público e privado, materializadas na construção de uma escola pública em um prédio privado católico. Quando começamos a seguir os indícios encontrados nos documentos, encontramos uma ligação entre os políticos que faziam parte da Câmara de Municipal de Paraíba do Sul e os membros da Mesa Administrativa da Irmandade Nossa Senhora da Piedade, que administra a instituição pesquisada, demonstrando uma velha prática, o vínculo entre a Igreja e o Estado. Para entendermos essa interlocução, dialogamos com Arendt (2007) tencionando compreender os frágeis fios que une o publico ao privado, sem perder de vista as especificidades da História da Educação. Hunt (2009) e Perrot (2005) analisam a esfera publica e privada sob outra perspectiva, questionando a presença das mulheres nos 41

espaços privados, e dos homens nos espaços públicos. Nos são caras as reflexões de Chornobai (2005), na qual a autora analise as praticas educativas e a arquitetura do espaço escolar católico, destinado a educar meninas no Paraná. Não poderíamos esquecer-nos de convidar para o debate historiográfico Fernandes (2007), que enriquece nosso estudo ano se debruçar sobre instituições portuguesas, cujo objetivo também e educar a infância desvalida. O corpus documental é composto pelo Testamento da Condessa do Rio Novo, os Relatórios de Compromisso, redigidos pelo provedor Randolpho Penna Júnior, as Atas da Câmara Municipal de Paraíba do Sul, e o jornal O Arealense. O Educandário Nossa Senhora da Piedade foi fundado em 1884, como cumprimento das vontades póstumas de Mariana Claudina Pereira de Carvalho, a Condessa do Rio Novo. Ele ainda é administrado pela Irmandade Nossa Senhora da Piedade e contava com o auxílio das Irmãs de São Vicente de Paula. Nosso trabalho se constitui num estudo de caso, no qual adotamos como aporte teórico-metodológico o Paradigma Indiciário proposto por Guinzburg (1989), pois através dos indícios deixados pelos homens e mulheres do passado, tencionamos unir os fios do tecido social, que se encontra fragmentado, por diversos fatores, entre eles o incêndio, que ocorreu no ano de 1955, que destruiu grande parte dos documentos da instituição, como também seu belo prédio. Entendemos que esse estudo contribui para o preenchimento de uma lacuna sobre a história das instituições escolares no estado do Rio de Janeiro. 929 HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES: UM BALANÇO A PARTIR DOS CONGRESSOS LUSOBRASILEIROS DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MAURO CASTILHO GONÇALVES. PUC-SP/UNITAU-SP, TAUBATE - SP – BRASIL
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A presente comunicação analisa a grande incidência, no Brasil, desde as últimas décadas, de pesquisas que trataram do tema História das Instituições Escolares. A partir do exame dos trabalhos apresentados nos Congressos Luso-Brasileiros de História da Educação (CLBHE) que versaram sobre essa temática, foram mapeados e discutidos os aportes teóricos e metodológicos usados e as perspectivas adotadas pelas pesquisas. Os CLBHE foram examinados, pois se consolidaram como eventos que iniciaram e ampliaram o debate entre pesquisadores brasileiros e portugueses no campo da História da Educação e, mais especificamente, na investigação de histórias de instituições escolares. Oito congressos já foram realizados no Brasil e em Portugal. Neles foram divulgadas e debatidas pesquisas, dentre as quais, muitas delas, se debruçaram sobre o itinerário e características de instituições escolares ou educativas. Nesse sentido, um balanço histórico e historiográfico faz-se necessário, na tentativa de apontar quais modelos interpretativos se tornaram hegemônicos e de que forma as relações teóricas entre os dois países foram estabelecidas a partir da organização dos referidos eventos, ou ainda discutir se, as pesquisas divulgadas nos eventos, produziram um conhecimento específico sobre a temática em tela. Do ponto de vista da organização metodológica da presente comunicação, partiu-se dos seguintes pressupostos: incidência de temas e títulos cadastrados nos eixos relacionados ao assunto, abordagem teórica dos estudos e filiação institucional dos pesquisadores. A partir dessas categorias analíticas, utilizou-se das máximas e instrumentais da análise de conteúdo como aporte metodológico de verificação empírica e analítica. Quanto à escolha dos CLBHE, vale ressaltar que, a partir deles, os estudos relacionados à história das instituições cresceram significativamente no Brasil, especialmente considerando o alto número de trabalhos defendidos no âmbito dos programas de pós-graduação em Educação. No que se refere a presente comunicação, cabe afirmar que, os estudos referentes à história das instituições escolares, divulgados nos e pelos CLBHE, concentraram-se em analisar a escola como objeto de estudo, privilegiando temas relacionados à arquitetura, ao currículo, à formação de professores, ao material didático, às regras disciplinares, à organização do tempo, dentre outras questões conexas, demonstrando uma ênfase nos aspectos internos das instituições educativas. Posto isso, cabem, portanto, algumas problematizações: os CLBHE evidenciaram um modelo interpretativo próprio acerca da história das instituições escolares? Os trabalhos divulgados constituíram, na área, elementos nevrálgicos de divulgação e debate de escolas historiográficas diversas e conflitantes? Quais razões explicam a ênfase em temas e objetos de estudo relacionados às questões internas das instituições? São perguntas que a presente comunicação pretende debater.

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EIXO 3 - HISTÓRIA DAS CULTURAS E DISCIPLINAS ESCOLARES CULTURA MATEMÁTICA NO BRASIL OITOCENTISTA Coordenador: CIRCE MARY SILVA DA SILVA 891 LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA NA ACADEMIA REAL MILITAR DO BRASIL OITOCENTISTA CIRCE MARY SILVA DA SILVA. UFES, VITÓRIA - ES - BRASIL. Analisa-se numa perspectiva da história cultural o papel desempenhado pelos livros didáticos de matemática no ensino da Academia Militar do Rio de Janeiro, desde sua criação em 1810 até 1822. A partir da análise documental de fontes, como jornais da época, Carta Régia de criação da Academia Militar, ofícios, programas, atas e livros, procura-se indícios sobre o ensino de matemática ministrado na Academia, bem como as polêmicas em torno dos livros recomendados. Na investigação em andamento, é possível constatar-se que, nesse período, existiu um forte controle do governo do Brasil na indicação e adoção de livros didáticos para uso nessa Academia. Destaca-se a importância da Impressão Régia, primeira editora do Brasil colonial, bem como o papel dos primeiros tradutores que atuaram como uma ponte entre a cultura matemática européia e o saber escolar necessário a formação de militares e engenheiros. Uma análise do papel exercido pelos livros didáticos no curso acadêmico da Academia Real Militar do Rio de Janeiro, já permite apontar alguns traços sobre a educação matemática desenvolvida nessa instituição de ensino: o tipo de formação básica recebida pelos futuros militares e profissionais da engenharia assemelhava-se mais ao modelo francês do que ao português, os livros traduzidos era tarefa dos próprios docentes, havia uma falta de autonomia dos docentes na escolha de livros, indicados na Carta de Leite, a incipiente editoração no país e o alto custo dos “compêndios” geravam dificuldades financeiras ao corpo docente e discente para a aquisição dos mesmos. A semelhança do ocorrido na França, também no Brasil, pouco a pouco o monopólio dos livros de Sylvestre Lacroix se estabeleceu e ocupou, por décadas, o status oficial, tanto suas obras originais em francês, como as traduções em português. Isso se deve em grande parte à centralização governamental que tinha o controle sobre a indicação dos livros na Academia Militar conforme revelaram os documentos. Aliado a isso sabemos que livros são instrumentos de poder. No caso analisado, o poder estava não apenas na mão do imperador, mas também dos docentes da junta da Academia. A história da disciplina matemática no contexto da Academia Militar revela que a qualidade do ensino desta estava condicionada ao acerto na escolha dos livros didáticos. O foco especial de nosso estudo reside na análise daqueles livros, tanto as traduções de autores estrangeiros quanto as produções nacionais, destinados ao ensino aprendizagem da matemática que serviram de matriz para a formação das primeiras gerações de professores de matemática no País. 1163 A MATEMÁTICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR PRIMÁRIO NO SÉCULO XIX: PERMANÊNCIAS E MUDANÇAS WAGNER RODRIGUES VALENTE. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO, SANTOS - SP - BRASIL. A comunicação tem por objetivo analisar a presença da Matemática na formação de professorandos da Escola Normal de São Paulo, a partir de sua segunda fundação (1875) até a chegada das propostas republicanas ancoradas no ensino intuitivo (1890). A análise da formação matemática dos normalistas – foco deste estudo - presente na Escola Normal de São Paulo, nos anos 1870, revela que não se estabelece, de pronto, um novo modo de ensinar matemática aos professorandos. Não há uma formação, uma prática pedagógica diferenciada para os futuros mestres dos alunos do curso primário. Trata-se de garantir uma paridade com aquilo que está presente nos liceus, no curso secundário. As mudanças e diferenças do que se vai ensinar aos normalistas, no caso de matemática, estão ligadas aos

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conteúdos de ensino. A restrição da formação matemática para o futuro professor primário é dada pela presença, somente, de aulas de Aritmética e elementos do Sistema Métrico Decimal, sem que haja nenhuma iniciação em Geometria e Álgebra, os demais ramos matemáticos dos cursos secundários. No caso da Aritmética os conteúdos de ensino limitam-se à programação do primeiro ano do curso que é dado nos liceus. De outra parte, com a chegada da República, os reformadores do ensino paulista colocam na pauta de suas propostas a formação de professores da escola pública. Elas têm como alicerce a adoção do método intuitivo no trabalho pedagógico da escola graduada. Até então, por exemplo, a Aritmética constitui um saber, cujas referências para ensino estão postas em alguns livros (compêndios e manuais). A escola graduada precisa que o ensino de matemática seja dosado para os diferentes anos escolares. A graduação do ensino coloca no centro dos debates a preocupação metodológica. A fórmula para resolver a questão de como orientar o ensino graduado vem de experiências em desenvolvimento nas escolas particulares. De caráter inovador, tais escolas orientam os reformadores paulistas da instrução pública em suas propostas para o ensino primário e para a formação de professores para esse nível escolar. Assim, passam a constituir referência para os intelectuais que projetam mudanças para o ensino paulista, a partir da Escola-Modelo. A análise desse trajeto da Matemática na formação do professor de primeiras letras constitui resultado parcial de projeto de pesquisa financiado pela FAPESP intitulado “A educação matemática na escola de primeiras letras, 1850-1950”. Utiliza-se como fontes de pesquisa provas e exames localizados no Arquivo do Estado de SP, a legislação paulista para o ensino normal e livros didáticos de matemática. Consideram-se os aportes teóricos e metodológicos da História Cultural. 899 O CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL NA FORMAÇÃO DE ESTUDANTES DA ACADEMIA REAL MILITAR LIGIA ARANTES SAD. UFES, VITÓRIA - ES - BRASIL. Esta comunicação tem como contexto mais abrangente as primeiras décadas da educação oferecida pela Academia Real Militar, porém com objetivo específico de analisar alguns aspectos do ensino de Cálculo Diferencial e Integral na formação de estudantes desta instituição. Metodologicamente, com as investigações bibliográficas e documentais empreendidas, houve exame dos registros relativos aos livros didáticos de matemática utilizados pelos lentes (professores) e estudantes, bem como dos rastros fragmentados em documentos do Arquivo Nacional, da Biblioteca Nacional e de trabalhos de pesquisa já realizados. Observa-se neste texto que desde a criação da Academia Real Militar, inclusive pela Carta Régia de 4 de dezembro de 1810, os livros didáticos e de consulta científica eram estrangeiros e predominantemente franceses, sendo que no campo de conhecimentos matemáticos, necessários ao cálculo diferencial e integral, tem-se a presença mais citada de obras dos autores: Sylvestre F. Lacroix, Leonhard Euler e Adrien-Marie Legendre. Na análise destas obras utiliza-se uma matriz epistemológica, exemplificando a partir de algumas noções centrais ao desenvolvimento do Cálculo. Discute-se, assim, a forte presença nestas obras das vicissitudes advindas de transições epistemológicas transcorridas no desenvolvimento dessas noções. Especial destaque é atribuído às críticas relativas aos métodos utilizados e a outros aspectos idiossincráticos relacionados ao Cálculo, os quais foram “garimpados” em meio aos achados especiais de algumas notas de aula feitas por estudantes da Academia Real Militar. Nestas notas pode-se observar, por exemplo, referências ao tratamento didático no ensino dos objetos do Cálculo, com poucas indicações das obras teóricas adotadas, embora com marcada presença de aplicações a problemas matemáticos e de outras ciências. A intenção maior com esse olhar micro ou localizado é trazer para as discussões o importante lado do receptor (aluno ou professor) a respeito da utilização das obras didáticas, pinçadas das representações desses poucos mas significativos registros; uma vez que tem-se a existência de muito mais informações quanto ao outro lado – dos produtores (autores renomados). Assim, com o aflorar dessas reflexões e críticas relacionadas ao cálculo diferencial e integral, presentes na educação desses participantes ativos da Academia Real Militar, pode-se tecer considerações analíticas e abrir outras possibilidades de entendimento não somente da história do Cálculo Diferencial e Integral, mas também da educação de profissionais da área de exatas que ainda hoje integram essa relevante parte da matemática em seus currículos. 1089 44

DIFUSÃO DE MATERIAIS PARA O ENSINO PRIMÁRIO DA ARITMÉTICA LUIZ CARLOS PAIS. UFMS, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL. Este artigo aborda a temática da cultura material escolar no campo da história da educação matemática e pretende, mais especificamente, destacar o movimento de difusão de objetos materiais de natureza não impressa, também chamada aparelhos de ensino, indicados para o ensino primário da aritmética no contexto da Primeira Exposição Pedagógica do Rio de Janeiro, realizada nos idos de 1883. Os materiais divulgados nessa exposição visavam proporcionar meios concretos para implantar procedimentos didáticos compatíveis com as orientações do método de ensino intuitivo. As fontes utilizadas para a realização do estudo descrito neste artigo foram constituídas por relatórios elaborados por diretores da instrução pública e por ministros encarregados da instrução pública; regimentos prescritos para as escolas primárias; manuais pedagógicos escritos para orientar as práticas dos professores, bem como livros escolares que trazem informações sobre o tema. O referencial teórico adotado foi conduzido com base nos conceitos articulados de cultura e disciplina escolares, na linha proposta por André Chervel e compartilhada por outros autores que seguem a mesma corrente de pensamento histórico. Foram também usados os conceitos de estratégias e táticas propostos por Michel de Certeau e de apropriação, no sentido definido por Roger Chartier. Foi possível constatar que os desafios da educação matemática, nos últimos anos do período imperial brasileiro, estão associados à tentativa de modernização das práticas de ensino, através do método intuitivo, articulando conteúdos tradicionais com a valorização de aspectos experimentais. Foram difundidos objetos de ensino produzidos e divulgados por empresas européias e muitos deles circularam por escolas primárias brasileiras bem pela Escola Normal de Niterói. A realização do estudo permitiu ainda compreender que os primeiros sinais da expansão de oferta de educação escolar coincidem com o momento de difusão do método intuitivo, dando origem a um discurso inovador em relação às práticas tradicionais. No que se refere ao domínio da educação matemática as novas propostas foram acompanhadas pela indicação do uso pedagógico de objetos concebidos especificamente para o ensino da aritmética, bem como das outras matérias constituintes das chamadas matemáticas elementares. A compreensão desse momento histórico do ensino da matemática revela a importância da temática da cultura material da escola, abrangendo as fases da concepção, difusão e apropriação desses recursos didáticos do passado.

975 UMA ANÁLISE PRELIMINAR DO INVENTÁRIO DOS DOCUMENTOS DA COLEÇÃO BRUNELLI DA BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO IRAN ABREU MENDES. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, NATAL - RN – BRASIL Neste artigo faço uma análise preliminar do inventário documental da Coleção Brunelli da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Trata-se do acervo anteriormente pertencente a João Angelo Brunelli, padre, astrônomo e matemático nascido em Bolonha (Itália), em 22 de janeiro de 1722. O referido padre exerceu o cargo de professor de Aritmética e Geometria na Academia Real da Marinha de Portugal e foi nomeado por D. José I professor de Filosofia e Matemática na Escola Superior Governativa de Lisboa. Fez parte da comissão demarcadora de limites territoriais das terras portuguesas na parte setentrional da América do Sul (Amazônia Brasileira) na segunda metade do século XVIII e após deixar a comissão demarcadora de limites, voltou para Lisboa, onde assumiu o cargo de professor do Colégio dos Nobres. Faleceu em 25 de fevereiro de 1804. Alguns anos após seu falecimento, seus livros, documentos, correspondências e apontamentos pessoais foram comprados pelo governo brasileiro passando a constituir a Coleção Brunelli, material este em fase de levantamento e seleção para um estudo mais detalhado, posto que desenvolvo, desde 2007, uma pesquisa que trata sobre “Arte, ciência e arquitetura na Amazônia brasileira na era pombalina”. Os documentos que compõem o inventário foram identificados e descritos por Giorgio Robustelli e digitados por Valéria Pinto Lemos de modo a compor as informações para o Guia de coleções da referida biblioteca, elaborada por Débora Santos 45

Lima Dellivenneri. O conteúdo do inventário compreende a correspondência ativa e passiva do titular com Angelo Michele Bianconi, Sebastiano Caterzani, Antonio José Landi, Domingos Vandeli, Francisco de Almada Mendonça, e Joaquim Inácio da Cruz Sobral, com o arquiteto José da Costa e Silva, entre outros, tratando de assuntos de caráter particular e acadêmicos. O acervo totaliza 197 documentos entre cartas, recibos e manuscritos diversos sobre astronomia, matemática, mecânica dentre outros assuntos. O material documental e os textos estão escritos em português, italiano e latim, contendo parte das obras que foram adquiridas pelo governo brasileiro, para a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 1818, por meio de uma negociação com o arquiteto português José da Costa e Silva, que mantinha esse material em seu poder, após a morte de Brunelli. Neste trabalho apresento a primeira parte do estudo sobre o referido acervo. Posteriormente, pretendo fazer um cotejamento com o material que já organizei no decorrer da pesquisa realizada desde 2007, com vistas a compor uma parcela mais ampla do itinerário intelectual de João Angelo Brunelli na Itália, em Portugal e no Brasil, visando descrever como esse intelectual desenvolveu seus estudos nesses três países durante sua vida.

EDUCAÇÃO, PEDAGOGIA E INSTITUIÇÕES ESCOLARES NO BRASIL COLÔNIA, IMPÉRIO E REPÚBLICA Coordenador: FABIA LILIÃ LUCIANO 928 A ESCOLA PÚBLICA REPUBLICANA NO RIO GRANDE DO NORTE NO GOVERNO JUVENAL LAMARTINE MARLÚCIA MENEZES DE PAIVA. UFRN, NATAL - RN - BRASIL. Esta pesquisa estuda a institucionalização da escola pública no RN, na Primeira República, particularmente no Governo Juvenal Lamartine. Utiliza como fontes as Mensagens de governo e a legislação específica para a educação. Com o advento da República, notadamente no discurso, a educação alcançou importância primordial. Os governos estaduais apressaram-se a realizar reformas, criar leis, decretos, regulamentos, objetivando modernizar a escola pública. No entanto, o governo de Juvenal Lamartine de Faria (1928-1930), não apresentou mudanças significativas. Esse governante teria seu mandato concluído em janeiro/1931, mas a emergência da Revolução de 30 precipitou o seu término e o de todos os governadores opositores. Na educação, a ênfase de sua administração ocorreu na criação de escolas rudimentares. Nos documentados pesquisados não foi encontrado criação de grupo escolar, a escola republicana por excelência, embora na sua Mensagem de 1º de outubro de 1930, no item Conclusão, anuncie que no segundo ano de seu governo, com chuvas abundantes, as finanças melhoraram e pode executar “[...] a conclusão de diversos grupos escolares e o auxilio à construção de outros”. Araújo (1882), que estuda as origens e organização da rede escolar no RN, da Colônia à Primeira República, publica a relação dos grupos escolares criados no Estado, no período de 1908 a 1930, com seus respectivos decretos de criação, não constando nenhuma construção depois de 1927. Lamartine iniciou seu mandato em 1928. Apesar dessa evidência, observamos na mesma Mensagem, no item Discriminação da Receita e Despesa do exercício de 1929, que os recursos para o Departamento de Educação foi de 1.235:546$630 réis, o quinto maior do orçamento do Estado, expressando valorização do setor educacional. Nestor Lima, então Diretor Geral do Departamento de Educação, em Relatório (janeiro/agosto/1928), diz, no item SITUAÇÃO GERAL DO ENSINO: “Continúa, a meu vêr, lisonjeira e cada vez mais profícua a situação do ensino no Estado”. A Mensagem de 1929 demonstra um crescimento no ensino primário e secundário, inclusive na freqüência, passando de 23.715 alunos em 1929, para 31.987, em 1930. Havia certo cuidado com a inspecção escolar. Na Mensagem de 1928, Lamartine diz, “Nestas inspecções, o inspector de ensino não tem apenas visado os methodos e processos empregados, a matricula e freqüência, mas, igualmente, as condições dos edifícios, o mobiliário, o material de ensino e as necessidades que devem ser mais urgentemente remediadas”. Parece que a inspeção escolar garantiu um mínimo de qualidade ao ensino. Portanto, podemos identificar, no RN, um início de institucionalização da escola pública, embora ainda distante da modernização propalada pelo movimento republicano. 46

1044 FORMAR PROFESSORAS PARA A PRINCESA DO SERTÃO: OS PRIMEIROS ANOS DE FUNCIONAMENTO DA ESCOLA NORMAL DE FEIRA DE SANTANA (1930-1949) ANTONIO ROBERTO SEIXAS DA CRUZ. UEFS, FEIRA DE SANTANA - BA - BRASIL. A Educação da Bahia dos anos 20 do século XX sofreu uma grande reforma, a partir da Lei 1.846, de 14 de agosto de 1925, sob a inspiração do pensamento escolanovista de Anísio Teixeira. No seio das transformações propostas pela referida lei, são criadas duas escolas normais para o interior do Estado, sendo, posteriormente, determinado que uma delas funcionasse em Feira de Santana, cidade denominada, por Rui Barbosa, de Princesa do Sertão. Assim, nasce a Escola Normal de Feira de Santana, inaugurada em 1º de junho de 1927, que passou a funcionar no dia 10 do mesmo mês. Nesse contexto, o presente artigo tem por objetivo (re) constituir a história daquela Escola Normal, expondo os motivos de sua criação e instalação, seus objetivos nos primeiros anos de existência, os métodos de ensino utilizados, o seu currículo e a relação pedagógica entre alunas (os) e professores (as) no cotidiano escolar. Para a elaboração do texto levou-se em consideração fatores históricos vividos pela Bahia e pelo Brasil dos anos vinte e trinta do século passado. Também são apresentados aspectos da história de Feira de Santana da década de 1930, período em que floresceu a Escola Normal da referida cidade. Trata-se dos resultados de uma investigação baseada na abordagem qualitativa da pesquisa e em princípios da História Cultural. As fontes utilizadas foram: Jornal Folha do Norte, semanário da Cidade de Feira de Santana - Bahia, que circula desde 1909 até os tempos atuais; documentos da Escola pesquisada (atas, cadernetas, memorandos, programas de disciplinas, fotografias, entre outros); documentos de arquivos pessoais de professoras formadas pela Escola; e entrevistas com suas exalunas, formadas entre 1930 e 1949. Como resultado da pesquisa, evidenciou-se que a Escola Normal formou, sobretudo, mestras que se dedicaram à educação de crianças sertanejas, tanto na cidade onde funcionou a Escola, quanto em outros municípios. Segundo as depoentes, cabia-lhes uma grande missão: levar saber às crianças de todos os recantos sertanejos da Bahia, o que representava atender ao principal objetivo daquela Escola. No exercício de suas funções docentes foram valorizados os seguintes atributos: bondade, alegria, sacrifício e amor, indispensáveis, segundo as entrevistadas na vida de uma professora da infância. Tais atributos eram destacados não só no período de formação na Escola Normal, mas, também, estiveram presentes nos discursos dos professores homenageados pelas alunas na ocasião das formaturas, conforme encontrado em diversas matérias do Jornal Folha do Norte.

1024 IMPLICAÇÕES DA PRODUÇÃO DIDÁTICA DE ABÍLIO CÉSAR BORGES PARA A ESCOLA PRIMÁRIA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX FABIA LILIÃ LUCIANO. UNISANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. A presente pesquisa se encontra em andamento, porém, com previsão de conclusão para fevereiro de 2011 e conta com auxílio financeiro institucional da própria Universidade. A produção didática de Abílio César Borges para as Escolas Brasileiras do século XIX se constituiu temática desta investigação, com o propósito de levantar, discutir e analisar as implicações dos títulos das principais obras desse autor para a Instrução Pública, no período imperial. Sabe-se que historicamente, o livro foi um recurso utilizado tanto na tarefa de ensinar quanto no ato de aprender, especialmente nos primeiros anos da escolarização. Sendo assim, de acordo com a historiografia nacional da Educação, Abílio César Borges foi o precursor do livro didático. Neste sentido, os seus impressos foram ao mesmo tempo fonte e objeto de estudo, cujo instrumento foi o inventário documental e a técnica foi à descrição. Do ponto de vista metodológico, a investigação se caracterizou como básica, de natureza documental, exploratória, descritiva e analítica. Os dados foram coletados em Arquivos e Bibliotecas do país, acompanhadas de 47

consultas em acervos particulares. Para o seu tratamento e análise foi necessário nos remeter as publicações de Bastos (2001); Burke (2004); Bittencourt (2006); Farias Filho (2005); Lajolo (1991); Luciano (2004, 2006, 2007 E 2010); Vidal (2003); Oliveira (2000) E Zilbermman (1989 E 2008). Cabe evidenciar que, o livro utilizado nas Instituições Escolares Imperiais teve dupla função. A primeira foi de orientar o trabalho escolar e a segunda, a de formação dos docentes, ação que se intensificou a partir de 1830. Com o intuito de imprimir os princípios de civilização e progresso, em plena expansão na Europa, os livros se constituíam indicações do Império para todas as Províncias. Os primeiros impressos adotados foram os silabários e seu objetivo era iniciar os aprendizes na escrita e leitura, por meio das sílabas e das suas diferentes combinações. O método de soletração era a estratégia de alfabetização que se desenvolvia com o uso do silabário e a seqüência modelar, a partir da memorização. É conveniente ressaltar naqueles tempos, por falta de conhecimento e domínio das teorias de alfabetização, os professores recorreriam aos silabários como recurso metodológico. Por fim, problematizar o livro didático no contexto educacional oitocentista demanda a retomada, descrição, análise e discussão dos títulos produzidos e publicados naquela época, como foi o caso do Barão de Macaúbas e do “Livro de Leitura para o uso das Escolas Brazileiras”, organizado em quatro (4) volumes e distribuído gratuitamente pelo autor. Contudo, estudar os impressos desse intelectual e as suas implicações é indiscutivelmente, uma tarefa necessária e relevante para o campo da História da Educação.

A EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS E A ESCOLA COMO LUGAR DE CONSTRUÇÃO DA MODERNA SENSIBILIDADE Coordenador: VERA LÚCIA GOMES JARDIM 1058 A EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS NO ENSINO PRIMÁRIO NOS ANOS INICIAIS DA REPÚBLICA BRASILEIRA NO CONTEÚDO DA REVISTA ESCHOLA PUBLICA (1893-1897) ELLEN LUCAS ROZANTE. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, CAMPO LIMPO PAULISTA - SP - BRASIL. O objetivo desta comunicação é apresentar como a Revista Eschola Pública (1893-1897) formulou propostas sobre a Educação dos Sentidos no ensino primário. A presente comunicação faz parte de uma pesquisa de doutorado em andamento que tem como título “A Educação dos Sentidos no Método de Ensino Intuitivo do ensino primário nos anos iniciais da República Brasileira”, que se realiza na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade, sob a orientação do Prof. Dr. Kazumi Munakata. Esta comunicação tem como objeto a Educação dos Sentidos, mais especificamente, as formulações, no final do século XIX, sobre como educar os sentidos na escola, levando em conta que a escola tem contribuído na ordenação e organização da sociedade, por meio da educação disciplinar do corpo. O marco dessa proposta no estado de São Paulo foi a constituição, em 1893, de uma nova organização escolar que marcou a evolução do ensino brasileiro pela influência que exerceu. Essa organização consistia em uma nova modalidade de escola primária denominada “grupo escolar”. A Revista Eschola Publica foi uma publicação restrita a São Paulo, e estabelecia um diálogo entre as formas de ver e conhecer o mundo e a adoção do método intuitivo naquele estado. Para tanto, tinha interesses neste novo modelo educacional identificado com um novo método inovador, o método de ensino intuitivo. O ensino por este método tem como base o aprendizado por meio da observação do real e da experiência. Neste método, a intuição pelos sentidos é a ação mais espontânea da inteligência humana em direção à verdade. O referencial teórico utilizado para análise tem como base o conceito de experiência de Peter Gay, para o qual a experiência é o encontro da mente com o mundo. Por fim, por meio da análise do discurso proferido na Revista foi montado um banco de dados que levou em consideração o nome do autor, sua qualificação, título dos textos, ano e número, além dos campos tema e observações. Estes últimos foram preenchidos com informações obtidas por meio da compreensão de cada artigo em que preponderou sua relação com o método intuitivo e a educação dos sentidos. Sobre a apreensão de 48

como eram entendidos os sentidos na educação das crianças, vale ressaltar, houve a subdivisão da investigação entre os cincos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) com o intuito de identificar como se propôs o adestramento de cada sentido no método intuitivo e ainda verificar se houve sentidos mais privilegiados que outros.

1208 A EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS NA CONCEPÇÃO DAS ESCOLAS MARISTA EM SÃO PAULO NO INÍCIO DO SÉCULO XX (1908 – 1931): O USO DO GUIDE DES ÉCOLES PAULA MARIA ASSIS. PUC-SP, SAO PAULO - SP - BRASIL. Esta comunicação é parte de uma pesquisa para tese de doutoramento cujo título é A Educação dos Sentidos na concepção das escolas católicas entre os anos de 1889 - 1931 sob orientação do Prof. Dr Kazumi Munakata. Para esta comunicação, o objetivo é investigar como era a Educação dos Sentidos nas escolas Maristas no período compreendido entre os anos de 1908, ano em que os Irmãos Maristas assumem o Colégio Arquidiocesano e, 1931, ano em que a reforma Francisco Campos provoca alterações significativas no currículo da escola. Para este trabalho serão investigadas as fontes documentais do Centro de Memória do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo em especial o Guide des Écoles. Este guia especifica o método marista, propõe currículo e orienta os educadores. Sua principal característica é que em suas páginas abandona a pedagogia livresca baseada na retórica e passa a adotar técnicas fundamentadas na observação e na experiência desenvolvendo alguns sentidos que antes não eram privilegiados. Sob esse aspecto se pretende identificar quais são as vertentes teóricas e os dispositivos pedagógicos presentes no Guide des Écoles, além de observar quais foram os sentidos privilegiados (audição, visão, olfato, paladar ou tato) e como foram treinados a fim de redefinir o sentir e produzir nos alunos um mesmo ângulo de apreciação de mundo. A partir de meados do século XIX, a Igreja Católica começa a reorganizar sua atuação com relação à educação escolar, adotando políticas que propunham uma nova estruturação de caráter reacionário pra a manutenção do seu status quo. A intenção era frear o avanço das Igrejas protestantes que espalhavam suas escolas pelo mundo e, dessa forma dar continuidades à idéia de que a Igreja Católica era a única intermediadora entre os homens e Deus. Dentre as políticas de restauração adotadas está a formação de várias congregações missionárias que partiram da Europa com propostas pedagógicas definidas. Das várias congregações católicas missionárias ligadas à educação que chegaram ao Brasil, este trabalho privilegiará a proposta dos Irmãos Maristas, uma vez que estes tinham um método muito bem estruturado e definido. A hipótese é que as transformações ocorridas no mundo secular foram incorporadas pela Igreja e repassadas para as ordens missionárias o que provocou mudanças no âmbito educacional. Será considerado para a análise as práticas e a cultura escolar na perspectiva de Vinão Frago. O referencial teórico que norteia a análise é o conceito de experiência de Peter Gay.

1042 A EDUCAÇÃO DO OUVIDO NA VIGÊNCIA DO CANTO ORFEÔNICO – 1931-1961 VERA LÚCIA GOMES JARDIM. UNIP ALPHAVILLE - SP, BARUERI - SP – BRASIL Desde meados do século XIX a educação do ouvido já constava das preocupações educacionais, como pressuposto para o acesso a cultura e ao conhecimento. Englobava conceitos de formação de senso estético, formulados desde o início da República, que expressavam a necessidade da formação do bom gosto. A definição de “bom gosto”, sob responsabilidade do ensino musical nas escolas, presente desde a sua inclusão como disciplina no currículo das escolas públicas, em 1838, adquiriu feições e significados diferentes, conforme as concepções de seus formuladores. O objetivo deste trabalho é evidenciar os elementos curriculares e estéticos privilegiados para compor o ideal de formação do homem presente nos projetos educacionais, tomando como objeto as práticas para o ensino do canto orfeônico, mais 49

especificamente, a sua concepção de educação do ouvido. O período delimitado parte da Reforma Francisco Campos (1931), momento em que a música, como disciplina escolar, foi organizada na forma do Canto Orfeônico, mantendo-se nesta estrutura até a sua exclusão pela determinação da LDB de 1961, que instituiu a Educação Musical. Pela análise das fontes compulsadas – legislação, programas de ensino, prescrições e orientações, métodos oficialmente instituídos – propõe-se verificar os princípios que guiaram as mudanças e consolidaram práticas escolares para apreender a construção das novas concepções educacionais voltadas para a educação dos sentidos e os requisitos ordenados para atendêla. Ao assumir a condução do Canto orfeônico, em nível federal, nos anos 30, Villa-Lobos define o seu conceito de bom gosto relacionado às músicas da estética modernista, da qual era signatário; preferência contrária à época, de evidentes características conservadoras. Nesta proposta, a educação do ouvido e a educação estética eram organizadas em conteúdos de ensino como Apreciação Musical, que previa audição de discos de conjuntos orfeônicos, de hinos, canções nacionais, além de testes de discernimento de gêneros musicais. O controle sobre o ouvir se ampliava para avaliações e medições, reeditando alguns procedimentos inspirados nos testes aplicados nos anos 10-30. Fichas de avaliação, em circulação a partir de 1946, deveriam ser preenchidas com dados referentes ao aluno e seu desenvolvimento nas aulas de Canto Orfeônico. Entre os tópicos constavam Provas funcionais dos ouvidos, referindo-se, entre outros, aos Sentidos e a Acuidade auditiva. As Anotações para anormalidades somáticas alertavam para que os alunos deficientes – de audição falsa – não deveriam ser apartados do grupo para eventual correção, pois ninguém deveria ser excluído da participação, cujas práticas possibilitavam uniformizar e regular modos de pensar e atuar socialmente. Como suporte teórico, a fim de compreender as relações entre currículo, práticas e conteúdo, foi adotado autores como Chervel e Viñao Frago, bem como Elias e Gay para articular aspectos que envolvem condutas sociais e a educação dos sentidos.

1049 OLHAR E ESCUTAR: O DESLUMBRAMENTO DOS ESTUDANTES MOBILIZADOS DURANTE A DITADURA MILITAR, POR ÍCONES JOVENS E REVOLUCIONÁRIOS ESTAMPADOS NAS MANCHETES DE JORNAIS E REVISTAS DE CIRCULAÇÃO EM MASSA KATYA MITSUKO ZUQUIM BRAGHINI. DIRETORIA EXECUTIVA DA REDE DE COLÉGIOS MARISTA, CURITIBA - PR - BRASIL. Posicionar-se contra a implantação e o funcionamento da Ditadura Militar no Brasil é a prática mais evidenciada nos estudos que se ocupam com os movimentos estudantis nos anos 1960. Dá-se ênfase para a prática política estudantil como o principal mote para a atuação daqueles estudantes que se posicionaram contrários aos desmandos de grupos autoritários e conservadores que atuavam no período. Ao contemplar as fontes produzidas por grupos conservadores foi percebido que os movimentos estudantis eram apresentados como “subversivos”, termo que pela repetição, foi tornado “banal”. Explicar o movimento estudantil, tanto pela atividade política como a sua única experiência, quanto pelo aspecto da subversão aos padrões sociais estabelecidos, foram tornados “lugares-comuns” da História e são atributos que excluem outras peculiaridades dos atos estudantis daquele período. O estudo de artigos de jornais e revistas, bem como, dos testemunhos dos sujeitos que se mobilizaram politicamente naquela época, apontou que aqueles jovens foram estimulados ao movimento estudantil também por motivos rotineiros: a) a visão de fotos dos ícones revolucionários, também jovens, estampados nas reportagens de revistas; b) o relato, o “ouvir dizer” de grandes investidas juvenis registradas nas reportagens de circulação em massa sobre os manifestos de ruas, mobilizações gigantes, comícios relâmpagos, assaltos a bancos etc.. Este trabalho, portanto, tem duplo objetivo: primeiro, o de apresentar como a visão e a audição foram sentidos mobilizados para o desencadeamento do movimento estudantil, visto aqui como um contágio emocional em que experiências vividas por sujeitos da mesma faixa etária, a partir de reações às situações chocantes, instituem práticas diversas, que neste caso também foram elementos constituintes dos movimentos políticos. O movimento estudantil é entendido aqui como o resultado da interação entre sujeitos de faixa etária semelhante, mobilizados a partir da sua identificação com as imagens e pelos relatos compartilhados em diversos ambientes dentro e fora da escola. Da forma como aponta Peter Gay, as práticas cotidianas dos sujeitos podem 50

assinalar o significado da experiência de um grupo social. Segundo, o de demonstrar as percepções daquilo que era considerado “inapropriado” e observar os métodos de produção de significados do senso-comum. Trata-se de apontar que o senso comum, mais do que uma banalização do fato, é uma superestimação dos estereótipos que apaga outras histórias sobre os sujeitos históricos. Este trabalho é uma parcela de um estudo histórico de doutorado que apresentou uma imagem da juventude nos anos 1960 e 1970 a partir do que foi produzido, publicado e republicado na Revista da Editora do Brasil S/A, clipping educacional que circulou entre os profissionais de ensino, tido como uma “contra-face” da juventude que, à época, se manifestava de formas variadas, notadamente favoráveis ao regime militar.

ARQUIVOS ESCOLARES: POSSIBILIDADES DE PESQUISAS EM HISTÓRIA DAS DISCIPLINAS Coordenador: EVA MARIA SIQUEIRA ALVES

1081 CENTRO DE MEMÓRIA DO COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ: CONSIDERAÇÕES SOBRE SEU ACERVO DOCUMENTAL NADIA GAIOFATTO GONÇALVES. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. Este trabalho tem como objetivo apresentar e discutir o processo de constituição do Centro de Memória do Colégio Estadual do Paraná, e o acervo documental nele disponibilizado. O CEP sintetiza uma trajetória que, de certa forma, implicou em formatos e propósitos diversos, em consonância com projetos e políticas educacionais mais amplos, no país. Esta instituição foi oficialmente criada em 1846, sob a denominação Licêo de Coritiba, e posteriormente, passou a Instituto Paranaense (1876), Gymnasio Paranaense (1892), Colégio Paranaense (1942) e Colégio Estadual do Paraná (1943). Em 2006 foi iniciado um projeto de organização deste acervo, que no mesmo ano foi ampliado, no sentido de criar e implantar um Centro de Memória do CEP, que abrangeria, além dos documentos escritos do arquivo histórico escolar, o Museu Professor Guido Straube, e uma Seção responsável pelo acompanhamento e orientação sobre cuidados com o patrimônio histórico da instituição, de forma geral, como espaços, ambientes, e mobiliário, espalhados pelo prédio. Em junho de 2010, o Centro de Memória foi oficialmente implementado, mediante aprovação de seu Regulamento pelo Conselho Escolar do CEP, porém, ainda não foi inaugurado, uma vez que o espaço que será sua sede está em reforma. Apesar disso, deve ser registrado todo o trabalho de organização dos acervos que já foi desenvolvido. Por exemplo, a organização e higienização do acervo documental; a criação de uma tipologia e classificação documental próprias; e um banco de dados, no qual estão catalogados todos os documentos já higienizados. Atualmente cerca de mil documentos constam do banco de dados, e abrangem desde ofícios e atas, a alguns tipos de fontes que podem contribuir mais diretamente para pesquisas relativas a disciplinas escolares, como: livros de ocorrência, planos de ensino, conteúdos programáticos; material didático; horários de aula; projetos para disciplinas, quadro de professores, diários de classe; atas de reuniões de professores e pais; planos e projetos pedagógicos; currículos; regimento interno; e quadros demonstrativos do número de professores, aulas, alunos e turmas. Para a discussão sobre a organização do acervo do CEP são utilizados como referências principais os trabalhos de Bellotto (1994), Zaia (2004), Vidal e Zaia (2001), no que tange a arquivos e arquivos escolares; Le Goff (2003) e Ragazzini (2001), quanto a documentos e fontes para História da Educação; e de Magalhães (1998 e 1999) sobre história das instituições educativas. Destaca-se a potencial contribuição do acervo documental do CEP para pesquisas em História da Educação, como aquelas desenvolvidas no campo da História das disciplinas escolares. Várias pesquisas já foram realizadas a partir de fontes deste acervo, por exemplo, sobre a Educação Física, Canto Orfeônico, História, Arte e Atividades Complementares, além de outras relativas a práticas e à cultura escolar, não relacionada diretamente a alguma disciplina. 969 A HISTÓRIA DAS DISCIPLINAS ESCOLARES ARMAZENADA NOS ARQUIVOS DAS ESCOLAS 51

EURIZE CALDAS PESSANHA. UFMS, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL. Grande parte das pesquisas sobre História das Disciplinas Escolares no Brasil originaram-se das matrizes teóricas elaboradas por Chervel e por Goodson. Ressalvadas as diferenças teórico-metodológicas entre esses dois referenciais, constituem objetivos comuns dessas pesquisas a reconstituição da história de determinada disciplina nas mais diversas fontes e procedimentos metodológicos: desde estudos etnográficos até histórias de vida passando por depoimentos, entrevistas e análise de documentos encontrados nos arquivos escolares, além da análise do currículo prescrito na legislação e nos dispositivos específicos de cada escola. A questão primordial explicitada por Goodson sobre se o que foi prescrito foi realizado se junta à proposta de Chervel de buscar a gênese e o funcionamento de cada disciplina conduzindo o pesquisador a buscar documentos que possam oferecer indícios dessa história para além dos relatos de seus atores. As pesquisas sobre HDE desenvolvidas neste grupo partem do pressuposto de que a história de uma determinada disciplina escolar só pode ser compreendida no âmbito do lócus (escola) que a produziu, uma vez que as especificidades da cultura escolar de cada escola trazem elementos indispensáveis para essa análise. Os arquivos escolares embora contenham grande parte dessa história transformam-se em obstáculo para o pesquisador da HDE, pois as instituições escolares produzem e armazenam documentos para atender a exigências legais e burocráticas e sua permanência, organização e acesso dependem dessas exigências; cessada a sua função, cessa também a preocupação com a sua preservação e, em vez de arquivos, o pesquisador se depara com depósitos de “papéis” que não fazem mais parte do “arquivo vivo” da escola mas que, por alguma razão, ainda não foram descartados. O objetivo deste texto é apresentar e discutir as estratégias desenvolvidas por este grupo para superar esses obstáculos e transformar esses “papéis” em fontes para a história das disciplinas escolares. Foram realizadas treze pesquisas sobre HDE, a maioria delas em uma mesma escola, cujas fontes documentais foram livros didáticos, atas, portarias, livros de ocorrência, diários de classe, provas, cadastros de professores e alunos, cadernos escolares e recortes de jornais armazenados nos arquivos da escola ou em arquivos particulares. A tarefa de localização, seleção e análise desses documentos, principalmente nas primeiras pesquisas, exigiu grande esforço de cada pesquisador. Atualmente, o arquivo encontra-se organizado, com grande parte dos documentos digitalizados e acessíveis. Concluiu-se que a parceria com a escola é estratégia fundamental ao lado da tarefa de organização do arquivo e facilitação do acesso às informações armazenadas com utilização das tecnologias digitais, possibilitando a escrita da história de outras disciplinas escolares.

981 O ARQUIVO ESCOLAR E A EDUCAÇÃO FEMININA: UM OLHAR SOBRE O ACERVO DO COLÉGIO PROGRESSO CAMPINEIRO (CAMPINAS - SP) PRISCILA KAUFMANN CORRÊA. FACULDADE DE EDUCAÇÃO UNICAMP / REDE MUNICIPAL DE VINHEDO, CAMPINAS - SP - BRASIL. O acervo histórico do Colégio Progresso Campineiro se mostra rico e diversificado em suas fontes a sua organização caminhou paralelamente à realização de diferentes pesquisas acadêmicas. O Colégio Progresso foi fundado em 1900 na cidade de Campinas por um grupo de cidadãos de influência política e econômica, dos quais se destacou Orosimbo Maia, que foi prefeito da cidade. O internato destinava-se à educação feminina, procurando diferenciar-se de outras instituições mantidas por congregações religiosas. A escola de nome inspirado pelo positivismo se apresentava como um estabelecimento inovador, ao oferecer uma formação ampla voltada tanto para as humanidades, como para as ciências exatas, consideradas pouco comuns no que se referia à escolarização feminina. Apesar da manutenção da escola caber a um grupo de leigos, o ensino religioso possuía seu espaço desde a fundação, fortalecendo-se nas décadas seguintes. Ao longo da trajetória da escola destaca-se sua segunda diretora, Dona Emília de Paiva Meira, assumiu seu cargo em 1902 e nele permaneceu até 1937, ano de seu falecimento. Dona Emília atuou intensamente no campo educacional dando forma ao projeto pedagógico do colégio, que incluía uma formação religiosa calcada no catolicismo. Durante minha 52

pesquisa de mestrado identifiquei que o ensino religioso se configurava não apenas como uma matéria de ensino presente no currículo, mas também como um conjunto de práticas realizadas na capela do Colégio Progresso. O cotidiano do internato, permeado pelas matérias de religião, pelas missas, retiros espirituais e comunhões, garantiria uma formação católica ampla. Um conjunto variado de documentos, tais como livros de notas e faltas, regulamentos internos e matérias de jornais, permitiu identificar as diferentes formas como este ensino era organizado na escola. O levantamento e a organização do acervo do Colégio Progresso trouxeram à luz uma documentação bastante diversificada, que reúne recortes de jornal, correspondências pessoais e oficiais, fotografias, prospectos de divulgação da escola, além de seus livros de matrícula e registros de notas e faltas. Tais documentos permitem investigar o universo escolar e sua cultura em múltiplas perspectivas, evidenciando a complexidade desta instituição. A conservação deste acervo levou à realização de diferentes atividades, não se limitando à pesquisa acadêmica. O envolvimento de professores e alunos do colégio possibilitou experiências de valorização da história da instituição e de sensibilização para a preservação dos documentos históricos. Nesta perspectiva, além de guardar ricas informações sobre o passado de uma instituição escolar, o seu arquivo histórico se apresenta como um espaço de circulação de pessoas e idéias, lançando novos olhares sobre a escola no presente.

916 O CENTRO DE EDUCAÇÃO E MEMÓRIA DO ATHENEU SERGIPENSE: CRIAÇÃO E PESQUISAS EM HISTÓRIA DAS DISCIPLINAS EVA MARIA SIQUEIRA ALVES. UFS, ARACAJU - SE - BRASIL. Ao investigar o Atheneu Sergipense, instituição de estudos secundários criada em 1870, como objeto de pesquisa do doutorado, constatei que os documentos mais antigos apresentavam-se em deterioração progressivos, bastante descuidados e relegados a condições insalubres de conservação. O patrimônio arquivístico daquela “Casa de Educação Literária” secular clamava por cuidados, por preservação e organização. Urgia a criação de um Centro de Educação e Memória da agência produtora e irradiadora de práticas e padrões pedagógicos, que projetou vultos de destaque no panorama político e social e que prestaram benefícios incalculáveis em todas as profissões e atividades que desempenharam. Diante da riqueza de fontes localizadas, documentos do tipo: livro de atas, livros de matrículas, livro de ponto, cadernetas de notas e de aulas, correspondências expedidas e recebidas pela escola, ficha de alunos, provas de concurso, registro de visitantes, que refletem a vida da própria instituição e contribuem sobremaneira para sua existência histórica, entendeu-se que esta documentação deveria ser preservada e organizada. A fim de oportunizar aos pesquisadores e a toda sociedade o manuseio do rico acervo de modo a desencadear estudos dentro da História da Educação, foi elaborado o projeto “Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense”, aprovado por Edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Sergipe/FAPITEC-SE. O mesmo apresentava como objetivo realizar o levantamento e a catalogação das fontes documentais produzidas pelo Atheneu Sergipense, no período de 1870 a 1950. Concluída essa etapa, foi elaborado novo projeto, com aprovação do Ministério da Cultura, no ano de 2008. A conservação da massa documental produzida pelo Atheneu Sergipense tem suscitado pesquisas de Mestrado, Doutorado, Iniciação Científica e Monografias, desenvolvidas pelo grupo de pesquisas Disciplinas Escolares: História, Ensino, Aprendizagem (DEHEA), que tomam como fontes as informações salvaguardadas do patrimônio cultural, educacional e social do Atheneu Sergipense que constitui parte significativa da História da Educação do Estado de Sergipe. Cabe ressaltar que a conservação dos documentos históricos produzidos pelas instituições escolares torna-se fundamental não só para a memória da escola, mas também para memória daqueles que por ela passaram. A memória, como lembra Nora (1993), é a vida em permanente evolução, carregada por grupos vivos, permeada pela lembrança e pelo esquecimento. Na história, a reconstrução, que se imagina proceder é sempre problemática e incompleta, daquilo que não existe mais. Assim, almeja-se com a prática de pesquisa desenvolvida no CEMAS, incentivar que outras instituições, públicas ou privadas, preservem suas fontes documentais, pois dessa forma estarão assegurando também a memória da educação brasileira e em especial a de Sergipe. 53

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EIXO 4 - HISTÓRIA DA PROFISSÃO DOCENTE

A PROFISSÃO DOCENTE NO BRASIL E EM PORTUGAL: UMA HISTÓRIA CONECTADA Coordenador: ANA WALESKA POLLO CAMPOS MENDONÇA 646 REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DE PROFISSIONALIZAÇÃO DO PROFESSOR PÚBLICO NO MUNDO LUSOBRASILEIRO TEREZA FACHADA LEVY CARDOSO. CEFET-RJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Este trabalho apresenta algumas conclusões sobre uma pesquisa já concluída, que integrou um projeto financiado pela CAPES/FCT, na qual se procurou, utilizando a metodologia da educação comparada, acompanhar as trajetórias da profissão docente no Brasil e em Portugal, recompondo o processo por meio do qual os professores se constituíram como agentes históricos. A intenção foi investigar as Reformas Pombalinas da Instrução Pública, particularmente a reforma dos Estudos Menores, no século XVIII, que marcaram a intervenção pioneira do Estado português na constituição de um sistema estatal de ensino, em todos os domínios do Reino, quando se criou o quadro de professores régios, funcionários do Estado. O trabalho aqui apresentado é um recorte dentro desse amplo tema e teve como objetivo inicial se debruçar sobre o processo de profissionalização do professor público no Rio de Janeiro, entre o final do século XVIII e meados do século XIX. Partiu-se de algumas premissas: - a Reforma dos Estudos se desenvolveu em dois momentos distintos de um mesmo processo; - a política pombalina exerceu influência no movimento dos ilustrados, cooptando intelectuais; - a formação e atuação de intelectuais na virada do século XVIII para o XIX, sob os princípios ilustrados, não criou o intelectual “brasileiro” numa relação hierárquica e servil; - as aulas régias formaram um sistema de ensino; - o cargo de professor público foi criado pelo Estado, mas os professores se percebiam como uma categoria. As questões norteadoras da pesquisa foram basicamente duas: - Identificar se os professores públicos tiveram ou não uma participação ativa na vida política e cultural brasileira e fazer um levantamento das políticas dirigidas aos professores públicos por diferentes instâncias políticas e administrativas. Alguns achados da pesquisa dizem respeito a participação dos literatos e poetas, no que se poderia chamar o entre-lugar do intelectual "brasileiro”. Há também exemplos de professores “portugueses” com uma participação intelectual, administrativa e política profícua. O levantamento privilegiou, sobretudo, o século XVIII e desde 1759, ficando especialmente a década de 30 do século XIX apenas parcialmente estudada. As fontes utilizadas no Rio de Janeiro encontram-se na Biblioteca Nacional, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e Real Gabinete Português de Leitura. E em Portugal, no Arquivo da Torre do Tombo, Arquivo Geral da Alfândega de Lisboa, Arquivo Histórico Ultramarino, Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora. O contato com as fontes primárias que não estão disponíveis no Brasil, suscitou novos questionamentos e ampliou o interesse pelo tema, alterando, inclusive, a intenção inicial de estudar prioritariamente os docentes do RJ.

1175 A REFORMA POMBALINA DOS ESTUDOS MENORES NA GÊNESE DO MAGISTÉRIO PÚBLICO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL E NO BRASIL ANA WALESKA POLLO CAMPOS MENDONÇA. PUC-RIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O trabalho se propõe a socializar os achados da pesquisa recém concluída “A Reforma Pombalina dos Estudos Secundários e seu impacto no processo de profissionalização do Professor”. Confirmou-se a hipótese inicial de que as reformas pombalinas se constituíram em um momento decisivo na história da profissão docente tanto em Portugal quanto no Brasil, a despeito da interpretação ainda dominante na 55

historiografia da educação brasileira de que seu impacto teria sido quase nulo na colônia. O primeiro achado decorreu da aproximação aos trabalhos do historiador alemão Koselleck (1992, 2006) e ao seu projeto de construir uma história dos conceitos, o que me levou a suspeitar da maneira frequentemente a-histórica com que nos apropriamos do conceito de público, quando aplicado à educação ou ao ensino. Se as Reformas Pombalinas constituíram, de fato, o que se poderia entender por um sistema público de ensino, importa destacar o caráter da intervenção do Estado, a educação pública não se identificando com a educação popular, já que se destinava apenas àquela parcela da população que poderia efetivamente contribuir com as perspectivas de implantação do seu projeto centralizador. O segundo e, talvez, o mais importante achado da pesquisa se articula com o primeiro e foi a constatação de que a fragmentação dos estudos introduzida com as Reformas gerou um efeito de fragmentação da própria profissão docente, com repercussões na forma como esta foi se constituindo historicamente, fortalecida, no caso dos professores dos estudos secundários, pela sua estrita vinculação a uma matéria específica. O terceiro achado resultou particularmente da interlocução com alguns autores portugueses, que estudaram as origens do ensino secundário em Portugal. Foi possível constatar que o impacto da fragmentação dos estudos se fez sentir também sobre a forma como este nível de ensino se organizou, ao longo do século XIX, inclusive no Brasil, expressando-se na forte resistência que se manifestou lá e cá à sua institucionalização como uma forma de ensino regular. Outras contribuições da pesquisa têm a ver com os trabalhos que venho desenvolvendo mais recentemente no sentido de traçar uma caracterização geral dos professores régios dos estudos secundários, no período em estudo (17591794), tanto a partir de dados quantitativos, como qualitativos. A análise desenvolvida sobre esses dados tem permitido avançar na caracterização da identidade profissional desse segmento dos professores. A esse respeito, cumpre assinalar que, se no primeiro momento da pesquisa, a ênfase foi posta sobre a ação do Estado no processo de construção dessa identidade, a partir da categoria de funcionarização (Nóvoa, 1989), no momento atual, o foco deslocou-se para o processo de constituição de uma cultura docente específica desse segmento da categoria, objetivada nas suas práticas e transmitida de geração a geração, através da memória da corporação, e configurando uma tradição inventada (ESCOLANO, 1999).

1246 ASSOCIAÇÕES PROFISSIONAIS DE PROFESSORES LIBANIA NACIF XAVIER. PPGE-UFRJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O estudo é parte de uma pesquisa mais ampla por meio da qual se buscou elaborar uma síntese das diferentes estratégias de associativismo docente no Brasil e em Portugal; classificar e caracterizar os diferentes modelos de organização associativa verificados ao longo da pesquisa, bem como analisar os seus efeitos sobre a configuração da carreira. Esta comunicação apresenta os resultados parciais de uma pesquisa realizada na cidade de Lisboa, em 2008, em função da qual nós visitamos algumas associações de professores estruturadas em torno ao ensino de uma disciplina específica ou de uma proposta pedagógica definida. Pretendemos detalhar a caracterização desse tipo particular de estratégia associativa, chamada pelos portugueses de associações profissionais. Estas se estruturaram tendo em vista a auto-afirmação da categoria nos assuntos que dizem respeito ao seu campo de atuação profissional. Nesse intento, apresentam objetivos variados, tais como: 1) exercer o controle, ainda que limitado, sobre certas políticas – como as políticas curriculares, por exemplo; 2) participar propostivamente no mercado de bens culturais – pela oferta de cursos de aperfeiçoamento profissional ou pela publicação de livros e materiais didáticos, dentre outras ações; 3) promover o intercâmbio entre pares, ampliando os espaços de exercício da colegialidade e promovendo meios de proporcionar a autoformação participativa como alternativa ao modelo dominante de organização do trabalho escolar. Tais organizações foram identificadas em paralelo com outros modelos de associações, tais como as assistenciais e as sindicais, além das profissionais e das científicas. O objetivo mais geral a que se liga este estudo foi o de analisar os processos históricos de constituição da profissão docente sob a ótica dos movimentos coletivos de intervenção na conformação da carreira, de negociação com as esferas de poder e de interação entre lideranças coletivas e o grupo profissional. Esperamos, dessa forma, avançar 56

na compreensão das alternativas profissionais criadas por meio da ação coletiva e da institucionalização de associações docentes. Por meio destas, diferentes grupos de professores operam a proposição e a divulgação de modelos e práticas pedagógicas consideradas eficazes em contextos nos quais se verificam mudanças na estrutura das oportunidades políticas (EOP) (Cf:Tilly:1978). Consideramos que a noção de EOP é fértil para o estudo da história dos movimentos coletivos docentes, permitindo-nos estabelecer nexos entre as motivações, as condições e as estratégias adotadas pelos grupos profissionais em contextos de mudança política e social, analisando-os de modo articulado e interdependente.

1254 PÁGINAS PARA EDUCADORES: UM ESTUDO SOBRE IMPRESSOS CATÓLICOS NO BRASIL E PORTUGAL NA DÉCADA DE 1930 ANA MARIA BANDEIRA DE MELLO MAGALDI. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O objetivo dessa comunicação, resultado de pesquisa em fase de conclusão, é o de produzir uma reflexão sobre o viés doutrinário/educativo assumido por periódicos católicos em circulação no Brasil e em Portugal, na década de 1930, considerando-se, especialmente, a produção de enunciados dirigidos a educadores, nos veículos focalizados. Em particular, a análise estará dirigida a seções específicas, publicadas em dois jornais diários católicos, um brasileiro e um português, e destinadas a educadores, sendo as mesmas de dois tipos: seções destinadas a professores (Página do professorado e Página escolar) e seções destinadas a mulheres (Para a mulher e o lar e Página feminina do Novidades: A bem da mulher), apresentadas, em grande medida, a partir do lugar de mães e educadoras. Editados respectivamente em Belo Horizonte e Lisboa, ao longo de um período mais alargado, os jornais O Diário e Novidades, se inscrevem, nos anos 1930, no horizonte do movimento da Ação Católica que, estimulado pelas instâncias hierárquicas da Igreja, adquiria relevo, à época, em diversos países, entre os quais Brasil e Portugal. Os jornais em questão correspondiam à função destacada, atribuída à imprensa católica nesse movimento, de mobilização de leigos sob a orientação da hierarquia católica, no sentido do combate aos “males” provocados pela disseminação do laicismo e de outros valores identificados com a modernidade, pela via da palavra impressa. Nessa direção, pode ser observado, ao folhearmos as páginas de ambos os jornais, dedicadas a temas os mais diversos, um viés doutrinário indiscutível, traduzido na intencionalidade dos editores em moldar consciências em sintonia com o projeto católico. Se essa marca impregna as mensagens transmitidas aos leitores de modo geral, os educadores, profissionais ou domésticos – nesse caso, confundidos com a figura das mães – eram constituídos em alvo especial, com direito a seções de destaque, especificamente destinadas a si. Na estratégia conduzida através das seções, observa-se a intenção de seus editores de contribuir para a preparação consistente desses educadores, tratados em suas especificidades, de modo que os mesmos pudessem atuar, de modo competente, como formadores de “almas católicas”. O relevo conferido a esses sujeitos e às instituições a que correspondiam – escola e família – nessas publicações representa um indicativo da percepção, compartilhada pelo movimento católico, da centralidade de sua ação educativa para o sucesso do projeto católico, articulado, nos dois países, a projetos de construção da nação.

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EIXO 5 - IMPRESSOS, INTELECTUAIS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

HISTORIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO: AS NARRATIVAS E O ENSINO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO Coordenador: BRUNO BONTEMPI JUNIOR 1073 FORA DE CENTRO: A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA CONTADA PELOS EDUCADORES REPUBLICANOS PAULISTAS BRUNO BONTEMPI JUNIOR; MARIA LUCIA HILSDORF. USP, SAO PAULO - SP - BRASIL. A historiografia da educação brasileira por muito tempo consagrou as obras de José Ricardo Pires de Almeida (1889), Primitivo Moacyr (1936-1942) e Fernando de Azevedo (1940) como peças primordiais e modelares da história da educação no país. Seja como herdeira ou como crítica, a historiografia que dialoga com esse conjunto resguarda, em geral, a interlocução com o ponto de vista que ele assume, que poderíamos denominar de “voz do Centro”, em que tanto a seleção documental quanto a seleção e interpretação dos eventos se reportam às iniciativas, reformas e políticas educacionais do Império, ou da União, enquanto obscurecem, criticam ou mesmo ironizam as iniciativas tomadas em nível provincial e estadual. Esta comunicação trata de um conjunto de narrativas que, nas primeiras décadas do século XX, fez-se publicar por educadores de São Paulo, e que foi apagada por não estar no espaço do Centro e, por certo, por discordar das obras de Moacyr, Pires de Almeida e Azevedo, apresentando um contraponto às marcas de unidade, a homogeneidade, a continuidade e valorização do controle central, do progresso e da evolução que as caracterizam. Trata-se da obra relativamente fragmentada e descontínua, por escapar aos moldes editoriais em que mais tarde a produção dos pioneiros veio a circular, mas que vinha sendo escrita ao menos desde 1904 por representantes das novas elites intelectuais que orbitavam na esfera do poder estadual, ligados a grupos políticos direta (inspetores, professores) ou indiretamente (juristas, burocratas) relacionados com a educação em São Paulo. Essa produção emerge como propaganda (Reis, Thompson & Lane, 1904; Rodrigues, 1907-1908; Silveira, 1929; Escobar, 1933), balanço oficial (Rodrigues, 1907-1908), balanço comemorativo (Penteado, 1923) ou ainda como munição a serviço do debate interno ao campo, em disputas políticas e educacionais (Penteado, 1923; Silveira, 1929; Oliveira, 1931). Ainda que dispersa em diferentes veículos e instâncias, não resta dúvida que entre si esses textos estabelecem um diálogo, puxando um fio temático em suas narrativas. Tendo recolhido e organizado pela primeira vez esta produção em um mesmo corpus, esta comunicação tem como objetivos identificar esse fio narrativo, destacar e compreender as escolhas de fontes e acontecimentos, o valor que atribuem às ações narradas, assim como interpretar o sentido das diferentes intervenções dialógicas à luz das posições ocupadas por esses sujeitos no ambiente da educação paulista nos tempos de sua produção. Palavras-chave: historiografia, narrativa, educadores paulistas.

1085 TEXTBOOKS IN THE HISTORY OF EDUCATION: NOTAS PARA PENSAR AS NARRATIVAS DE PAUL MONROE, STEPHEN DUGGAN E AFRANIO PEIXOTO JOSÉ GONÇALVES GONDRA ; JOSÉ CLAUDIO SOOMA SILVA . 1.UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL; 2.UFRJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Em 1935, o periódico oficial do Instituto de Educação do Rio de Janeiro publicou o relatório do professor de História da Educação, Afranio Peixoto, no qual o titular da cadeira descreve os conteúdos trabalhados nos cursos que ditara nos três anos anteriores (1932-34), destacando atividades propostas às alunas, indicando, igualmente, onde buscara inspiração para as aulas. Para ele, havia livros que mereciam ser copiados, por exemplo os norte-americanos: A brief course in the history of education (1907) de Paul Monroe (Doutor em filosofia e professor de história da educação no Teachers College da Universidade 59
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de Columbia, New York) e A student´s text-book in the history of education (1916), de Stephen Pierce Duggan (Professor of education in the College of the city of New York). Nesse estudo, investimos no exame desses dois manuais como estratégia para analisar as apropriações operadas pelo professor brasileiro no livro Noções de história da educação (1933), resultante do curso por ele ministrado em 1932. Tratamos de observar os traços da narrativa dos três autores, de modo a detectar homologias e diferenças para, com isso, pensar a constituição de certo padrão narrativo e modelo de ensino para a história da educação. Nessa primeira aproximação, foi possível observar a existência de uma concepção de história da educação como história da civilização, o que ajuda a compreender a perspectiva de grande síntese contida nos três manuais, o amarramento cronológico, com a definição dos pontos de mutação, a seleção de acontecimentos que funcionam como exemplos e contra-exemplos e a ênfase em aspectos que se aproximam do programa ao qual os autores encontram-se associados: o compromisso com o desenvolvimento das mais altas qualidades pessoais dos indivíduos, com o pragmatismo e com o progresso. Ao lado disso, no tocante ao textbook brasileiro, chama atenção a visada relativa à história da América Latina, à do Brasil e ao denominado movimento da Escola Nova. Nesse caso específico, ao introduzir essa diferença, Afranio Peixoto explicita seu duplo compromisso: com o pan-americanismo e com o escolanovismo. No entanto, no primeiro esforço, há indícios de conversão da experiência norteamericana em grande exemplo a ser seguido pelo conjunto dos outros 21 países latinoamericanos e, no segundo, uma plêiade de referências distribuídas entre Europa e Américas, com destaque para autores dos EUA e do Brasil, alguns deles muito ligados ao próprio Peixoto, como aquele que o convidara para ministrar a disciplina, seu conterrâneo Anísio Teixeira. Portanto, se é possível reconhecer elementos comuns contidos nas três narrativas, também identificamos a introdução de conteúdos específicos como marca das contingências que modularam os cursos ministrados e os livros que resultaram das intervenções desses homens em diferentes ambientes de formação de professores: na “cidade-capital” do século XX e na capital do Brasil.

1231 MANUAIS DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: DA MATERIALIDADE ÀS ESTRATÉGIAS NARRATIVAS CARLOS EDUARDO VIEIRA; ROBERLAYNE DE OLIVEIRA BORGES ROBALLO. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. A análise historiográfica é regida pela compreensão, a um só tempo, textual e contextual das narrativas históricas, considerando não somente o contexto da disciplina e da área de pesquisa da HE, mas, também, os contextos intelectuais, políticos, religiosos correlatos ao campo. Logo, a partir dessa premissa que demarca o método dessa investigação, manifestamos nosso interesse específico de problematizar o gênero narrativo presente nos manuais de HE, particularmente aqueles produzidos na primeira metade do século vinte, voltados para os cursos de formação de professores e escritos por autores brasileiros. Essa necessária delimitação no amplo rol da cultura dos manuais de HE nos conduz aos livros homônimos intitulados Noções de História da Educação, escritos por Afrânio Peixoto e Theobaldo Miranda Santos. No conjunto de práticas utilizadas pela escola, os manuais escolares possuem grande importância no movimento de comunicar, de ensinar, de incutir valores, hábitos, atitudes e conhecimentos. Nesta perspectiva, o objetivo desse trabalho é analisar dois manuais de História da Educação que serviram de suporte para os cursos de formação de professores no Brasil, a partir da década de 1930. Essas obras pertencem à Coleção Atualidades Pedagógicas, sendo elas: “Noções de História da Educação” (1933) de Afrânio Peixoto e “Noções de História da Educação” (1945) de Theobaldo Miranda Santos. Esses livros foram editados pela Companhia Editora Nacional, no âmbito do projeto editorial denominado Biblioteca Pedagógica Brasileira, dirigido por Fernando de Azevedo (1931-1949). O impacto desses textos no campo educacional e, particularmente, no delineamento da disciplina História da Educação é difícil de ser aferido, contudo a presença longeva desses manuais nos programas da disciplina História da Educação, as suas tiragens e as suas sucessivas reedições são indícios da fortuna das Noções na produção de sentidos e de representações sobre o passado educacional. Para além dos sentidos do passado, as Noções intervieram de forma intensa na modulação de valores e de condutas pedagógicas, uma vez que suas manifestas intenções eram intervir sobre as práticas presentes nas escolas. Os textos, escritos a partir de visões de mundo contrastantes, revelam também o embate 60

entre pioneiros e católicos na perspectiva de conferir sentido ao mundo moderno e aos seus desafios, tendo como pomo da discórdia o sentido e o papel da escola nova. A perspectiva metodológica utilizada para este trabalho visa compreender as relações entre as obras e seus contextos de produção, considerando a materialidade destes objetos culturais e pedagógicos, bem como as estratégias narrativas mobilizadas no processo de produção do convencimento do público leitor.

1391 O ENSINO PÚBLICO COMO PROJETO DE NAÇÃO: A NARRATIVA HISTORIOGRÁFICA DA ‘MEMÓRIA’ DE MARTIN FRANCISCO (1816-1823) CARLOTA BOTO. FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP, SÃO PAULO - SP - BRASIL. O presente trabalho integra um projeto mais amplo, com o objetivo de proceder à análise historiográfica do documento de Martin Francisco à luz do diálogo ali estabelecido com o debate iluminista, especialmente com o pensamento de Condorcet. No âmbito deste congresso, a comunicação ora proposta tem por finalidade refletir sobre a Memória sobre a Reforma dos Estudos da Capitania de São Paulo elaborada por Martin Francisco Ribeiro d’Andrada Machado, um dos três irmãos Andrada que marcaram o Brasil em seu processo de Independência. Filho de pai português e mãe brasileira, Martin Francisco – como ficou conhecido – nasce em Santos, de família endinheirada. Assim como seus irmãos – José Bonifácio e Antônio Carlos -, teve oportunidade de estudar na Universidade de Coimbra, onde teria tido amplo contato com a literatura iluminista. Entre os anos de 1815 e 1816, Martin Francisco redigiu e debateu um plano de estudos sobre educação que ele próprio elaborara, prevendo estabelecimento de escolas e organização dos estudos na Capitania de São Paulo. Esse plano recebeu, na ocasião, parecer negativo de Luiz José Carvalho e Melo. O argumento de Carvalho e Melo era o de que o referido projeto requereria, para ser implementado, a alteração de leis vigentes para todo o país; e que, portanto, não faria sentido restringir sua aplicação a uma única capitania. Atento a tal justificativa, Martin Francisco – por ocasião da Assembléia Constituinte de 1823 – oferece a arquitetura de seu plano pedagógico para a Comissão de Instrução constituída por aquele plenário. A Memória sobre a Reforma dos Estudos da Capitania de São Paulo é, naquela nova oportunidade, aplaudida na sobredita comissão, que recomenda que o texto fosse publicado a expensas do tesouro público. Tal proposta de publicação não se efetivou. Há, de maneira intermitente, alguma remissão ao referido documento entre memorialistas e historiadores da educação. A presente comunicação tem o intuito de apresentar esta fonte do que poderíamos compreender como história política da educação brasileira - à luz dos comentários acerca dela exarados por seus analistas e críticos. É possível verificar, pela leitura do texto, o diálogo que ali se estabelece com as principais referências pedagógicas do período, notadamente o "Rapport et projet de décret sur l’organisation générale de l’Instruction publique", elaborado pela Comissão de Instrução Pública da Assembleia Legislativa da França revolucionária e apresentado no plenário entre os dias 20 e 21 de abril de 1792. Nota-se que a trajetória parlamentar dos dois documentos possuem alguma identidade, bem como o conteúdo dos dois textos. Buscar-se-á, portanto, compreender a narrativa do documento de Martin Francisco, investigando a interlocução que ele estabelece com as matrizes teóricas das quais se vale. As lentes do olhar historiográfico serão, nesse aspecto, a ferramenta de aproximação dos dois cenários.

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BRASIL, PORTUGAL E ESPANHA: CONCEITOS E EXPERIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO ANARQUISTA Coordenador: JOSÉ DAMIRO MORAES 912 "LEITURA QUE RECOMENDAMOS - O QUE TODOS DEVEM LER": LIVROS DIDÁTICOS UTILIZADOS NAS ESCOLAS ANARQUISTAS JOSÉ DAMIRO MORAES. UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI, DIAMANTINA - MG - BRASIL. Essa comunicação tem como objetivo contribuir para o aprofundamento do conhecimento histórico em educação, ao realizar estudo sobre a circulação e análise dos materiais didáticos produzidos pelos anarquistas. Esse estudo faz parte de um projeto de pesquisa que trata do conceito de educação integral no pensamento anarquista. A Educação foi tema presente nas discussões e práticas no campo socialista libertário do século XIX e XX, inspirando práticas e publicações. Apesar de existir algumas dúvidas referentes à possibilidade dessa proposta, os ideais educacionais anarquistas se propagaram. Paul Robin (1837-1912) e Francisco Ferrer i Guardia (1850 - 1909) foram dois importantes educadores que desenvolveram experiências e influenciaram a criação de escolas em diversos países. Assim, Paul Robin dirigiu de 1880 a 1894 o Orfanato de Prévost em Cempuis, na França e publicou suas reflexões sobre educação integral sendo considerado referência na área pela Associação Internacional dos Trabalhadores na década de 1860. Francisco Ferrer, além de fundar a Escola Moderna em Barcelona, criou uma editora para produzir e publicar os livros, a "Biblioteca da Escola Moderna". Foram dezenas de publicações inclusive um boletim que recebia contribuições do alunos e divulgava ações e questões teóricas do racionalismo - proposta pedagógica criada por Ferrer. Nesse sentido, os anarquistas brasileiros investiram na publicação e divulgação de material para dar suporte teórico às suas ações educacionais. Podemos encontrar no jornal A Voz do Trabalhador (1908-1915) e na revista A Vida (19141915) a orientação: “Leitura que recomendamos – O que todos devem ler”. Entre vários livros e autores, destacamos para o campo educacional obras teóricas e outras para serem utilizados na aprendizagem como: Adolfo Lima, O Ensino da História e Educação e Ensino: educação integral; Flamarion, Iniciação Astronômica; Darzens, Iniciação Química; Laisant, Iniciação Matemática; Brucker, Iniciação Zoológica e Iniciação Botânica; Guillaume, Iniciação Mecânica; Clemencia Jacquinet, História Universal, entre outros. Importante destacar que muitos desses livros se destinavam às escolas e eram publicações da Biblioteca da Escola Moderna. Como exemplo, o compêndio de História Universal de Jacquinet que discutia os acontecimentos históricos e explicava o funcionamento da sociedade a partir da ótica do proletariado. Outra obra emblemática é "Las aventuras de Nono" de Jean Grave, considerado como segundo livro de leitura por Ferrer. Ao observarmos os autores e obras percebemos a riqueza e a profundidade teórica dos títulos sugeridos e aventamos que deveriam fazer parte das mesas de leituras das associações operárias, dos centros de estudos sociais e dos bolsos de militantes e simpatizantes. A partir das análises e interpretações procuramos perceber as diferenças, similitudes e compromissos na formação individual e coletiva desejada pelo projeto libertário da construção de uma nova sociedade.

927 EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA E IMPRENSA PERIÓDICA ESPECIALIZADA EM PORTUGAL NO INÍCIO DA REPÚBLICA LUIZ CARLOS BARREIRA. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS - UNISANTOS, SAO PAULO - SP - BRASIL. Circulação de modelos sócio-pedagógicos que orientam práticas sociais concretas (ou que delas emanam) é o eixo temático em torno do qual se movem os estudos e investigações que o autor vem desenvolvendo nos últimos cinco anos. Nesse contexto de pesquisa, seus principais objetivos têm sido: 1) investigar processos de formação de trabalhadores urbanos no terreno da história social; 2) privilegiar, nessa investigação, projetos pedagógicos não-institucionalizados, concebidos, desenvolvidos e implantados consoante os interesses das classes trabalhadoras, sem perder de vista, entretanto, as 62

relações historicamente construídas entre esses e outros tantos projetos (institucionalizados ou não) voltados para a formação do trabalhador urbano. Neste trabalho, resultados (parciais) dos estudos realizados sobre a revista Educação Social são apresentados. Educação Social é uma revista de Pedagogia e Sociologia, publicada em Lisboa entre janeiro de 1924 e outubro de 1927, cujo único diretor foi Adolfo Lima e que teve Emílio Costa como um dos seus redatores delegados. Com ele, o autor dá continuidade aos estudos e investigações anteriormente referidos, especialmente ao seu último projeto de pesquisa, intitulado Imprensa periódica e circulação de modelos sócio-pedagógicos: experiências de educação libertária em Portugal no limiar do regime republicano (1911-1919), no qual analisou os seguintes periódicos: revista Lúmen (1911-1913), revista Educação (1913), boletim Cultura Popular (1919) e Boletim da Escola Oficina Nº 1 de Lisboa (1918). Adolfo Lima e Emílio Costa e suas ligações com as pedagogias modernas, particularmente com a pedagogia libertária, constituem o principal elo da revista Educação Social com esse conjunto de periódicos. Apresentar alguns dos principais traços do modelo sócio-pedagógico que Educação Social fez circular é o objetivo deste trabalho. Por fim, convém esclarecer que o termo “formação” (do trabalhador urbano) é aqui tomado em seu sentido mais amplo, que abarca um vasto universo de práticas e saberes que vão desde os primeiros aprendizados informais, obtidos pelo sujeito por meio de sua experiência imediata, seja no convívio com a família, seja com os grupos sociais dos quais participa, até os mais formais, proporcionados pela educação escolar. E, ainda, que é no terreno da história social que a imprensa é abordada, ou seja, como prática social concreta e momento de constituição e instituição de diferentes modos de viver e pensar. De acordo com esses pressupostos, a identificação dos projetos, das lutas e disputas dos sujeitos dessa prática é de fundamental importância para a apreensão dos sentidos que esses sujeitos atribuíam à própria prática.

977 EXPERIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA NA ESPANHA ENTRE 1909 E 1939 ANGELA MARIA SOUZA MARTINS. UNIRIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Pesquisamos há cinco anos as propostas de educação libertária, com o intuito de compreender os princípios educacionais contidos nessa experiência, como também a sua relação com os movimentos sociais, no início do século XX. Buscamos recuperar fontes como: jornais, livros didáticos e outros registros, produzidos por pensadores que se baseavam na perspectiva denominada libertária. Ao longo da trajetória de nossa pesquisa, apareceram vários registros da educação produzida na Espanha, nas primeiras décadas do século XX. Verificamos que as organizações sindicais, especialmente na região da Catalunha, entre 1909 e 1939, propuseram várias experiências educacionais com o intuito de criar projetos educativos diferentes das propostas educacionais vigentes na Espanha. Eram experiências educacionais oriundas de um sindicalismo libertário, que, em sua maioria, se baseava na proposta pedagógica da Escola Moderna, criada por Ferrer y Guardia, na primeira década do século XX. Os sindicalistas libertários criticavam a Lei Geral de Educação da Espanha e mostravam que os problemas quantitativos da educação eram apresentados distanciados dos problemas qualitativos, por isso a Espanha precisava de um modelo educacional diferente do estabelecido para enfrentar o analfabetismo e criar uma escola que possibilitasse o fortalecimento do pensamento crítico. Essas experiências educacionais baseavam-se nos seguintes princípios: laicidade, racionalidade e anti-estatal. A educação deveria: a) ser tratada como problema político; b) enfrentar os preconceitos patrióticos-chauvinistas e os dogmas religiosos; c) possibilitar o ensino científico e racional; d) ser emancipadora. Destacamos que, na primeira década do século XX, havia na Catalunha uma crise partidária e nesse período surgem os partidos nacionalistas e republicanos. É um momento em que está no auge o partido da direita civilizada e a Liga Regionalista dos Prat de la Riba. Há uma crise da metalurgia e do ramo têxtil, com baixos salários e super exploração do trabalho. É um período que apresenta ações de terrorismo, provocações e repressão. Havia uma forte perseguição aos sindicalistas, principalmente da tendência anarquista. Nesse momento crescem, entre os sindicalistas espanhóis, as táticas do sindicalismo revolucionário e também o anticlericalismo. Registramos também que desde o final do século XIX, em várias comarcas da Catalunha, havia uma luta por escolas laicas e de livre pensadores. Inseridos nessa conjuntura política e social, a Federação de Trabalhadores da Região Espanhola passou a recomendar em seus Congressos, 63

nas primeiras décadas do século XX, que as sociedades trabalhadoras criassem escolas laicas, pois acreditavam que a emancipação e a instrução deveriam ser obras do próprio trabalhador.

931 ASPECTOS DA TRAJETÓRIA POLÍTICO-PEDAGÓGICA DE JOSÉ OITICICA, PROFESSOR DO COLÉGIO PEDRO II E MILITANTE DA EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA (1905 – 1950) CRISTINA APARECIDA REIS FIGUEIRA. PUC-SP - PMSP, SAO PAULO - SP – BRASIL . A presente pesquisa de cunho historiográfico constitui-se em um desdobramento da tese de Doutorado intitulada A trajetória de José Oiticica: o professor, o autor, o jornalista e o militante anarquista na educação brasileira que operou a reconstituição da trajetória e do itinerário de formação do catedrático do Colégio Pedro II e militante anarquista José Rodrigues de Leite e Oiticica (1882-1957), educador envolvido tanto nas ações da propaganda social libertária em jornais, em conferências do livre pensamento, no teatro social, quanto nos projetos educacionais que circularam em padrões diferenciados na História da Educação Brasileira. Autor de uma profícua produção intelectual relacionada aos estudos da lingüística, da literatura, da música, da poesia, do teatro e do ideário anarquista, cuja expressividade pode ser encontrada em numerosos artigos para a imprensa anarquista e grande imprensa carioca, em seus manuais didáticos, em suas peças teatrais, em seus sonetos e em seus ensaios sociológicos. Esta comunicação tem como objetivos destacar aspectos da trajetória político-pedagógica de José Oiticica, professor do Colégio Pedro II, de sua participação na imprensa periódica e nas conferências sociais nos Centros de Cultura no Brasil. Para a consecução da pesquisa priorizou-se editorias e artigos de seu diretor, em especial, aqueles que trataram dos temas da educação libertária e das estratégias e táticas para formação da “sociedade nova” por meio do debate jornalístico. Por meio do exame de seus artigos jornalísticos, livros, opúsculos e manuscritos de aulas, correspondência ativa e passiva e incursões nas historiografias da classe operária e da educação brasileira, nos projetos educacionais que circularam em seus diferentes modelos, sobretudo entre os anos de 1905 e 1950. A partir da evidência interrogada tratada por E. P Thompson, procurou-se construir a pesquisa, em observação à lógica adequada aos materiais reunidos em observação à seqüência de conteúdos detectada pelo exame das fontes primárias, por meio da reconstituição de documentos e do diálogo com as fontes, seguindo os seus indícios, pistas e sinais sob inspiração de Carlo Ginzburg. A discussão sobre as práticas educativas libertárias de José Oiticica justifica-se pelo fato de trazer para o debate alguns princípios que orientaram a experiência do vivido nos projetos da educação libertária, que, na contramão do pessimismo reacionário e do otimismo ingênuo, tinha o princípio da reflexão, das ações direcionadas a projetos educacionais individuais, de pequenos grupos e quiçá coletivos, e, principalmente, pelo fato de a pesquisa ser uma contribuição para o debate educacional sobre os padrões de educação considerados vencidos, particularmente os relacionados aos projetos da educação anarquista.

941 ESCOLA PAIDÉIA: QUEM SÃO E O QUE FAZEM HOJE OS EX-PAIDEIANOS? CLOVIS NICANOR KASSICK. UNISUL, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. Há vários anos vimos nos dedicando a pesquisar ações desenvolvidas por processos educativos organizados sob bases libertárias. Inicialmente analisamos a organização didática de uma “Escola Alternativa”. Na seqüência dos estudos, pesquisamos, em 1999, a organização didática da Escola Paidéia, da cidade de Mérida-Espanha. O objetivo daquela pesquisa era o de identificar as ações pedagógicas e os papéis desempenhados por professores e alunos, considerando os princípios de liberdade e autoridade. Para entender a “arquitetura organizacional” capaz de formar “subjetividades autônomas”, vivemos, naquela ocasião, por dois meses, a Paidéia. A imersão no cotidiano da escola nos 64

permitiu acompanhar esta construção, cuja base é o processo autogestionário. Transcorrido dez anos daquela vivência, retornamos à Paidéia para, em conversa com os ex-alunos, agora na faixa de idade dos 30-35 anos, sabermos sobre como vivem, como ocorre sua inserção na sociedade e, especialmente, no mercado de trabalho e como avaliam sua formação. Para esta nova pesquisa, consideramos imprescindível, duas condições básicas: a primeira delas, a “vivência” do ambiente em que tais experiências educativas estavam ocorrendo, e a segunda, o olhar arguto e atento – de historiador - para apreender a nuance em que tal “arquitetura organizacional” se desenvolvia. Estes requisitos, Le Goff (2006) entende como indispensáveis para que se possa produzir história, pois a vivência e a inserção plena no ambiente em que os fatos, fenômenos e/ou acontecimentos ocorrem é fundamental para que o pesquisador tenha uma visão da totalidade que os produzem e assim, possa, num novo olhar, estabelecer uma nova leitura sobre os mesmos, buscando entender a quais códigos, regramentos, convenções, costumes que estas experiências estão expressando e/ou buscam burlar, estabelecendo, simultaneamente, novos códigos, regras, convenções e costumes. Para tanto, foi necessário um “escavar” do ambiente para que, no papel de historiador, pudesse (re)constituir a história constituída, agora, sob novo olhar. Foi preciso, decifrar, aprender, interpretar os códigos implícitos nos diferentes fazeres para, conforme afirma ele, “restituir a vida” aos fatos, fenômenos, personagens. Para isso, a entrevista configurou-se como ferramenta indispensável a este re-construir histórico, pois não basta estar atento ao dito, é necessário “ler” os jeitos e trejeitos, o tom de voz, os movimentos, os parênteses estabelecidos nas falas, enfim... o não dito, ou seja, tudo aquilo que o diálogo direto permite ler nas entrelinhas através das pausas, reticências, que revelam a comunicação efetiva dos sentimentos e a eloqüência que o registro das palavras não permitem. Assim, o presente trabalho analisa a inserção dos egressos desta escola, quanto a: profissão escolhida; local de trabalho e adequação da conduta individual à conduta profissional.

INTELECTUAIS E PROCESSOS DE PRODUÇÃO ESCRITA NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL Coordenador: ARLETTE MEDEIROS GASPARELLO 1140 A PEDAGOGIA MODERNA PELO MANUAL DE EVERARDO BACKHEUSER HELOISA DE OLIVEIRA SANTOS VILLELA. UFF, NITEROI - RJ - BRASIL. As trocas recentes entre a história cultural e a história da educação elegeram novas fontes de pesquisa, como o impresso pedagógico, pela possibilidade que oferecem de resgatar a historicidade dos processos educacionais. No século XIX e primeiras décadas do XX, a maioria dos livros didáticos brasileiros foi escrita por intelectuais que de alguma maneira encontravam-se ligados ao ensino, seja como professores, funcionários da administração pública, tradutores de obras didáticas. Para analisar esse tipo de produção torna-se necessário contextualizar seus autores, suas redes de sociabilidades e suas trajetórias no campo educacional. Esta pesquisa tomou como objeto o Manual de Pedagogia Moderna de Everardo Backheuser, obra largamente difundida nos cursos normais católicos e leigos, com pelo menos cinco edições identificadas: 1934, 1936,1942,1948 e 1958. O estudo dialogou com o referencial da história intelectual (Sirinelli, Bessone, Martins) procurando entender as condições de produção desse impresso. Para tal situou o autor em sua geração, articulando dados de sua formação acadêmica, política, inserção no mundo das letras, prática profissional, docência e militância nos movimentos do magistério. Em seguida, deu destaque a sua conversão ao catoliciscimo, à rede de sociabilidades católica que constituiu e o conseqüente posicionamento na política de classe do magistério, quando rompe com a ABE (1931), da qual foi membro fundador e cria a Confederação Católica de Educação (1933). A análise do Manual contribuiu para superar clichês que pré-definem o escolanovismo católico e questionar uma visão historiográfica que percebe a produção do período como “adaptação” de teorias e modelos estrangeiros a nossa realidade. Busca no conceito de Sobe de “histórias entrelaçadas” a chave interpretativa para os diálogos e apropriações originais que o autor faz de suas referências, bem como 65

das viagens ao exterior que realiza. Utilizando um referencial muito variado que vai dos autores alemães e belgas aos americanos e brasileiros, constrói suas próprias propostas em relação a temas como escola e democracia, escola neutra, escola laica, relações entre pedagogia e ciência, e uma biotipologia que certamente deixaram suas marcas na formação de gerações do magistério brasileiro. O trabalho tentou se aproximar da recepção desse manual para identificar indícios de que foi utilizado tanto nas escolas normais católicas quanto nas oficiais. Confirma a proposição sugerida por Magaldi de que, não obstante algumas diferenças, havia muitos pontos de convergência entre a produção de católicos e liberais, sobretudo no tocante à cientifização dos saberes pedagógicos e das práticas educativas. Conclui que mais do que cópias ou adaptações, esses intelectuais-autores realizavam suas formulações a partir das idéias que circulavam, apropriações essas que só adquirem sentido se relacionadas a experiência de vida de cada um deles.

1076 PROFESSORES/AUTORES, PRODUÇÃO DIDÁTICA E ENSINO DE HISTÓRIA ARLETTE MEDEIROS GASPARELLO UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, NITEROI - RJ - BRASIL. O estudo apresenta resultados parciais de pesquisa sobre a produção escrita de professores e historiadores do final do século XIX e início do século XX sobre ensino de história, tendo em vista sua contribuição para a constituição deste saber escolar. A pesquisa insere-se no campo teórico metodológico da história cultural e da nova história intelectual, que estimulam abordagens relacionais sobre autores, suas obras e seu contexto. Uma produção intelectual é percebida no espaço cultural que a define e na especificidade da história da sua disciplina, na sua relação com as outras produções culturais do seu tempo bem como nas suas relações com outros aspectos da realidade socioeconômica e política. Os principais textos analisados foram: L’enseignement secondaire de l’histoire en France, publicado em 1898, dos professores e historiadores franceses Charles-Victor Langlois (1863-1929) e Charles Seignobos (1854-1942); a coleção didática Histoire de La Civilization, de Charles Seignobos; os livros didáticos dos professores do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro João Ribeiro (História Universal) e Jonathas Serrano (História da Civilização). Os trabalhos históricos de Langlois e principalmente de Seignobos tiveram grande circulação no Brasil, lidos e referenciados pelos autores didáticos e demais estudiosos. A metodologia da pesquisa compreende a obra intelectual em seu contexto de produção e leva em conta a participação dos autores como sujeitos ativos, instituintes de uma nova configuração educacional. Este trabalho dialoga com a história das disciplinas escolares, que congrega pesquisas que têm em comum a preocupação em identificar a dinâmica do seu processo de constituição em suas relações internas e externas à escola. Os professores/autores são percebidos a partir de sua inserção no grupo dos intelectuais e suas práticas sociais ligadas aos processos de escolarização e de saberes pedagógicos. A metodologia aproxima-se dos estudos sobre a relação entre linguagem e história, na medida em que todas as experiências históricas que temos só se tornam experiências pela mediação da linguagem. Neste aspecto, a direção contextualista da história conceitual alemã (Reinhart Koselleck) contribui para a análise dos textos em sua historicidade, ao procurar entender, em um dado texto, o modo como estes faziam sentido para o seu autor ou para um leitor seu contemporâneo. A análise focalizou as interlocuções, as similaridades e inovações conceituais nas fontes selecionadas, com atenção ao uso de conceitos gerados na reflexão sobre a prática educacional, da qual participaram ativamente os autores dos textos que serviram de fontes para o estudo. As conclusões destacam tais relações com a participação instituinte de historiadores e professores de História, que recriaram conceitos do campo semântico da pedagogia escolar a partir da experiência docente e da reflexão sobre a História e o ensino.

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1096 HIGIENE ESCOLAR E EDUCAÇÃO DA INFÂNCIA NA OBRA DO MÉDICO ARTHUR MONCORVO FILHO DE 1909 A 1922 SÔNIA OLIVEIRA CAMARA RANGEL. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Uma década após a Proclamação da República foi criado, no Rio de Janeiro, pelo médico Arthur Moncorvo Filho, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância (1899). Destinado a amparar, proteger e assistir à infância, o Instituto pretendia coligar iniciativas médicas e educativas direcionadas a preservar a vida e desenvolver econômica e socialmente o país. Nesta linha de ação, o Instituto pretendia instituir a higiene pública social realizando estudos dos problemas e das formas de tratar a infância. Firmando-se a partir da vertente assistencial científica, o Instituto colocou em prática um conjunto de procedimentos tendentes a organizar e difundir saberes acerca da higiene, da prevenção e dos cuidados necessários à criança. Temáticas como o alcoolismo, a degeneração humana, a procriação, a eugenia, a higiene pública e privada, a higiene escolar, a mortalidade infantil e a tuberculose constituíam-se como questões-problema recorrentes nos escritos do médico Moncorvo Filho, bem como nas campanhas pedagógicas encetadas por ele. Sob sua batuta foi criado, em 1909, na gestão do Prefeito Serzedelo Corrêa, no Distrito Federal, o Serviço de Inspecção Sanitária Escolar. Dentre suas intenções, o Serviço objetivava promover a inspeção sanitária das escolas, a profilaxia das moléstias transmissíveis, a inspeção médica individual e a vigilância sanitária das escolas, entre outros. Com base nas intenções que mobilizaram a criação do Serviço interessa-nos refletir acerca da concepção de higiene escolar elaborada por Moncorvo Filho para o Serviço, bem como na produção de impressos relativos ao tema. Com esse intuito, centralidade será direcionada aos livros, aos cartazes, às alocuções e aos guias do médico escolar escritos no período de 1909 a 1922. A periodização justifica-se considerando que, nesse interregno de tempo, concentrou-se grande parte dos escritos de Moncorvo sobre higiene escolar. Exemplo disto, foram os livros Inspecção Médica Escolar (1909), Guia de Hygiene Escolar (1911), Guia Médico Escolar (1914), Hygiene Escolar e Hygiene Infantil (1917) e Inspecção Medico Escolar (1922). Do conjunto dessa produção, destacaremos três livros: o de 1909, o de 1917 e o de 1922, como foco de nossa análise. Assim como parte das preocupações de pesquisa, pretendemos analisar os livros problematizando as concepções de higiene escolar e educação que nortearam a sua escrita, localizandoos no conjunto dos debates e das iniciativas destinadas a atuar sobre a infância no período em destaque. Pensar sobre as formas como o saber médico perspectiva à escola e os seus sujeitos sociais pode contribuir para entendermos como os diferentes saberes (médico e pedagógico) instituíram interfaces e perfis que condicionaram o lugar da criança normal e anormal na escola.

1277 VOZES DE PROFESSORES: A REVISTA O ENSINO PRIMÁRIO (1884-1885) NAILDA MARINHO DA COSTA BONATO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UNIRIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. A apresentação se insere na proposta de comunicação coordenada intitulada “Intelectuais e processos de produção escrita na história da educação no Brasil” que “explora a possibilidade de reconfiguração da base documental no processo de pesquisa”. Neste sentido, na perspectiva da história cultural do impresso (CHARTIER) visa proceder uma análise de dois números microfilmados da revista mensal intitulada “O ensino primário” datados de 31 de maio de 1884 (anno I, n. 1) e de 15 de agosto de 1885 (anno II, n.4). Portanto, trata-se do primeiro número da revista mensal consagrada aos interesses do ensino e redigida por professores primários que teve 3.000 assinaturas por ano e do quarto número que teve 5.000 assinaturas por ano. A tipologia documental – revista - do impresso objeto de análise está explícita em sua folha de rosto. Classificada como imprensa pedagógica, os dois números da revista contém artigos que possibilitam estudos sobre a feminização do magistério; o ensino público do Rio de Janeiro; a Escola Normal da Corte; o Colégio Pedro II; os pareceres sobre o ensino primário de Rui Barbosa; concurso para provimentos de cadeiras públicas e as polêmicas instituídas; a formação de 67

professores e professoras; salários de professores; escolas públicas primárias do sexo masculino; manifestação de professores contra o poder público; entre outras temáticas; contribuindo, por exemplo, para novas leituras sobre o processo de formação e conformação da categoria profissional docente e de feminização do magistério neste nível de ensino. A análise de seus elementos extrínsecos não possibilita a indicação do editor, mas as pesquisas na área indicam o jornalista e professor Luiz Antonio Reis como seu redator-chefe. Tem como palavra de ordem: “Abrir escola é fechar prisões”. Os dois exemplares foram encontrados no acervo de Obras Raras da Biblioteca Nacional. Questões como: a que ideário político-ideológico essa revista se filiava? Que fundamentos político-filosóficos estariam no cerne de sua produção e circulação? Quem eram os sujeitos/professores e professoras que nela se expressavam e faziam circular suas idéias? Quais eram seus interlocutores? Qual a forma e os objetivos de sua distribuição? Como era financiada? A busca de respostas a estas questões respalda-se em reflexão histórica que leva em consideração, como metodologia (a) leituras sobre uso desse tipo de fonte para pesquisa em história da educação; (b) leitura aprofundada dos impressos selecionados em forma e conteúdo aliada a análise de outras fontes documentais; (c) pesquisa bibliográfica tendo em vista o movimento educacional existente no período estudado de circulação da revista.

1108 EDUCAÇÃO DE MENINAS E MOÇAS POR MEIO DA TRADUÇÃO E DA EDIÇÃO DE ROMANCES MÁRCIA CABRAL DA SILVA. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ – BRASIL No campo da História Cultural e, de modo específico, no campo da História da Educação nas últimas décadas, observa-se uma diversidade de fontes utilizadas como instrumental metodológico de investigação. Ao se problematizar os usos de fontes tradicionais na pesquisa histórica em diálogo com outras áreas das Ciências Sociais e Humanas, como a Sociologia, a Antropologia, a Teoria da Literatura, como refletiu Lynn Hunt (2001), apontou-se para a possibilidade de reconfiguração da base documental da pesquisa histórica, utilizando-se, inclusive, o impresso de modo mais amplo como objeto de análise ou mesmo como fonte para a compreensão das práticas educativas. Além de uma breve revisão no campo conceitual dos estudos literários, na perspectiva dos exames realizados por Terry Eagleton (2002) e Antonio Candido (1998), neste trabalho pretende-se refletir, de modo específico, sobre os modos de intervenção dos intelectuais Raquel de Queiroz e José Olympio na educação de meninas e moças por meio da tradução e edição de romances. Com esta finalidade, examina-se um exemplar da Coleção Menina e Moça, tradução dos romances da Bibliothèque de Suzette, lançada no Brasil pela Livraria José Olympio Editora em 1934. Selecionou-se o romance A Conquista da Torre Misteriosa (1951), por ter sido traduzido pela escritora Raquel de Queiroz, com inserções importantes no âmbito da editora. A escritora, além da produção literária divulgada, passou a ser editada com exclusividade pela Livraria José Olympio Editora nos anos de 1930, e atuou como uma das tradutoras dos romances que compunham a Coleção Menina e Moça. Ao longo da análise, conjugam-se reflexões metodológicas e o exame do romance em tela, adotando-se a problematização da relação entre literatura, educação e intelectuais como horizonte privilegiado de investigação. Os resultados preliminares alcançados, no âmbito de uma pesquisa mais ampla em andamento, permitem algumas considerações. De um lado, verifica-se a educação de meninas e moças sob um sutil controle no período examinado, por intermédio de obras ficcionais afiançadas a um só tempo por uma editora, que passa a gozar de prestígio no campo editorial, a par da intervenção da escritora-tradutora exclusiva da Livraria Editora. De outro, sublinha-se a sociabilidade entre a escritora e o editor, que construíam formas de distinção nas malhas literárias e editoriais. Por último, indicam-se algumas possíveis contribuições para o debate sobre modos de se educar pela produção e circulação de obras ficcionais nas fronteiras dos estudos ancorados na História Cultural, na Teoria da Literatura e na História da Educação.

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HISTÓRIAS DE VIDA E NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS: PESQUISAS E MEMÓRIA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO Coordenador: WOLNEY HONÓRIO FILHO 917 BRAZ JOSÉ COELHO: RASTROS E TRILHAS WOLNEY HONÓRIO FILHO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - CAMPUS CATALÃO, CATALAO - GO - BRASIL. O professor Braz José Coelho, doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", é um destacado educador e professor da Universidade Federal de Goiás desde 1972, além de escritor consagrado no sudeste de Goiás. Sua história de vida foi gravada em 2009 e publicada em HONORIO FILHO, W. A memória desenhada: identidades de um intelectual no interior de Goiás - Brasil. In: Revista Actualidades Pedagógicas, n. 54. Ediciones Universidad De La Salle, Bogotà, Facultad de Educación, jul./dez. 2009. O presente texto busca fazer uma leitura intercultural da narrativa autobiográfica do professor Braz. Este exercício de investigação faz parte de um projeto de pesquisa em andamento, intitulado “Experiências de vida e formação docente em Goiás”. A leitura intercultural, em pesquisa (auto)biográfica, segundo Delory-Momberger, busca identificar na biografia educacional do narrador a multiplicidade de vozes perfilando heranças e partilhas, a cultura do Outro presente nas vivências e narrativas sobre experiências do sujeito. A fala do professor Braz é pausada. Fala fundamentalmente usando palavras e mãos. Fala com as mãos, escrevendo. A memória trançada na entrevista, por meio da fala acompanhada dos rabiscos que ele ia fazendo, estabelece um canal de comunicação entre ele e seu passado. Isto é tão vivo na sua maneira de falar, de lembrar, que é possível dizer que sem esta prática de desenhar a memória, seria impossível lembrar. Ou seja, a lembrança estaria presa, subjugada a um detonador: o desenho, o rascunho, a escrita. Num primeiro momento, quando estamos fazendo a primeira pergunta e começando a ouvir as primeiras palavras do entrevistado, a impressão é que a narrativa histórica que se inicia irá ser estática, anunciando fatos, algo que se tem, que se adquiriu ao longo de uma linha do tempo da história de vida. Porém, o entrevistado não é apenas um objeto da formação, mas também o sujeito. Um sujeito composto e múltiplo. Isto dá uma dimensão dinâmica ao relato, pois é possível perceber que as histórias contadas estão cheias de transformações na vida de uma pessoa. Transformações em que os(as) entrevistados(as) são sujeitos e sujeitados. Estes são momentos charneira, de que nos fala Josso. Assim, neste trabalho de leitura e interpretação da história do indivíduo, do ser e seu tempo, a abordagem biográfica anuncia que reconhece a autonomia do sujeito, frente ao mundo no qual ele está mergulhado e que ao falar de si, ele vai se transformando, permitindo e capacitando, através da sua narrativa, a mudanças face a novas exigências sócio-culturais. Em 2009, o professor Braz José Coelho publica livro de contos escritos no final dos anos 1950 e engavetados, conforme ele mesmo diz. O título do livro é o nosso subtítulo: “Rastros e trilhas”. O propósito é simples: identificar nos rastros e trilhas da narrativa que o professor Braz nos deixou, a presença dele no mundo e do mundo em que viveu nele mesmo.

918 NARRATIVAS AUTORREFERENTES COMO FONTES RELEVANTES NA CONSTRUÇÃO DE HISTÓRIAS DE VIDA MARIA HELENA MENNA BARRETO ABRAHÃO. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL - PUCRS, PORTO ALEGRE - RS - BRASIL. É rico trabalhar com fontes que permitam diversificadas possibilidades de construção de dados e informações em pesquisa (auto)biográfica, tais como fotos, filmes, narrativas de si, documentos pessoais e oficiais que permitam triangulações de informações. Nessa Comunicação Coordenada evidenciaremos, no entanto, as narrativas autobiográficas. Estas, quando prestadas oralmente, nos proporcionam melhor entendimento do significado que tem o fato narrado para o sujeito da narração, já que vemos a expressão facial, o olhar de quem narra, assim como ouvimos as diferentes entonações 69

de voz e os gestos do narrador. Demais fontes são peças importantes, para triangular informações, mas complementares para esse entendimento. Outrossim, as triangulações de informações não têm o sentido de garantir a veracidade dos fatos narrados, mas de procurar uma verticalizada compreensão desses fatos que permita o estabelecimento de relações significativas entre eles e os contextos vivenciais do sujeito da narração. A “verdade” é o que é “verdadeiro” para o narrador. Isto porque as narrativas são ressignificadas no momento da narração, dada a natureza reconstrutiva e seletiva da memória. Trabalhar com memória não implica buscar fatos como verdade absoluta, uma vez que a memória não é um repositório passivo de fatos, mas, sim, um processo ativo de criação de significados. As trajetórias narradas proporcionam a construção de sentido de uma vida – a narração dessa trajetória não é resultante do que realmente ocorreu em termos de experiências e aprendizagens, mas é resultante da organização desses elementos como um argumento com dimensão temporal, espacial e de múltiplas relações sociais . A narrativa tem uma natureza temporal tridimensional, tendo em vista que rememora o passado com olhos do presente, permitindo prospectar o futuro, razão pela qual o próprio discurso narrativo não procura necessariamente obedecer a uma lógica linear e seqüencial. De forma articulada com a perspectiva tridimensional do tempo narrado, entendemos a narrativa em uma tríplice dimensão: como fenômeno (o ato de narrar-se operacionalizado em imbricação com o investigador); como metodologia de investigação (a narrativa como fonte de investigação) e como processo (de ressignificação do vivido) . Em síntese: a investigação que trabalha com narrativas autobiográficas permite vivenciar o uso de metodologia de pesquisa que, mais do que ser mera técnica de coleta de dados e de análise de informações, propicia, aos participantes, um outro significado, mais substantivo, qual seja o de ressignificar a própria história pessoal/profissional, razão pela qual o trabalho que relataremos no segundo e no terceiro momentos traz à reflexão o real sentido de se trabalhar com narrativas autobiográficas, quando todos aprendem mais sobre si no processo, pois igualmente refletem sobre a própria história, em contexto e em contraponto com a história do outro.

919 ZILAH MATTOS TOTTA: SÍNTESE DA EDUCAÇÃO E DO EDUCADOR LOURDES MARIA BRAGAGNOLO FRISON. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS, PORTO ALEGRE - RS - BRASIL. Zilah Mattos Totta foi um expoente na História da Educação no Rio Grande do Sul. Iniciou a carreira como professora no meio rural. Oriunda da capital, muda-se para Harmonia, comunidade de imigrantes que só falavam a Língua Alemã, idioma que Zilah aprendeu no convívio com alunos e pessoas da comunidade. Pela manhã, lecionava turmas de níveis diferentes em uma escola pluriseriada e à tarde, ia para a lavoura com os alunos, que costumavam auxiliar os familiares nas lides do campo, com a finalidade de conhecer a realidade vivencial desses alunos. Ao retornar a Porto Alegre, trabalha em escolas da rede estadual, exerce a direção de uma delas e cria uma escola estadual de ensino de ensino médio, da mesma rede. Cria, igualmente, uma escola comunitária, de grande expressão, na capital, da qual foi diretora. É a primeira mulher a exercer o cargo de Secretária de Educação do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, foi presidente do órgão de classe do magistério gaúcho – CEPERGS e conselheira do Conselho Estadual de Educação. Foi, igualmente, professora universitária. Acreditava no valor da profissão professor, na necessidade de ao aluno ser proporcionada a possibilidade de uma aprendizagem com sentido e uma avaliação adequada a esse desiderato, e a necessidade vital de liberdade para o ser humano, desde que ser livre é viver em função de uma autonomia espiritual capaz de equilibrar os anseios da natureza humana, tendo em vista que a existência humana poderia ser entendida como um contínuo peregrinar em busca da felicidade, em busca da libertação, perpassando o homem desde a civilização grega até o homem da pós-modernidade. A História de Vida de Zilah integra uma série de Histórias de Vida de destacados educadores rio-grandenses que construímos no seio da pesquisa intitulada “Identidade e Profissionalização Docente – narrativas na primeira pessoa”, apoiada pelo CNPq e desenvolvida com base em narrativas de pessoas-fonte, trianguladas entre elas e entre documentos, fotos, filmes. A leitura transversal dessas Histórias de Vida nos permite visualizar elementos constitutivos não só das trajetórias individuais desses educadores, mas também aqueles que constituíram/constituem a história da educação no Estado do Rio Grande do Sul. Nessa perspectiva são 70

utilizadas na universidade como elementos de formação de professores, não no sentido de serem modelares para cópia, mas no auxílio para a compreensão de aportes do pensamento educacional que sustentou/sustenta a formação de professores, bem como práticas e culturas escolares que ainda hoje, de modo geral, se perpetuam. A História de Vida de Zilah Mattos Totta está publicada, na íntegra, em ABRAHÃO, M.H.M.B. (Org.) Identidade e Profissionalização Docente – narrativas na primeira pessoa, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004 (2. ed.). p. 207-251 e de forma mais compacta em: FÁVERO, M.L.A. & BRITTO, J. M. (Orgs.) Dicionário de Educadores no Brasil: da colônia aos dias atuais. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002. p. 984-990.

920 ISOLDA HOLMER PAES: A CONSTANTE APRENDIZ, A ETERNA PROFESSORA BERENICE GONÇALVES HACKMANN. FACULDADES INTEGRADAS DE TAQUARA - FACCAT, TAQUARA - RS - BRASIL. Isolda Hommer Paes tinha uma personalidade marcante e era entusiasmada, criativa, ousada, carismática. Numa época em que a maioria das meninas cursava o “primário” e eram encaminhadas “às lides domésticas”, Isolda casa-se, sai de sua pequena cidade situada no Vale do Rio Paranhana, de onde era oriunda, passa a residir em Porto Alegre, capital do Estado, começa a circular em um meio de maiores exigências intelectuais e vence etapas: em apenas alguns anos, cursa “ginásio”, “colégio”, forma-se na universidade e conquista espaços importantes no cenário educacional. Ao final do curso, é convidada para ser Assistente na cadeira de Didática e para lecionar Didática Especial da Língua Francesa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.. Apaixonou-se pela profissão e descobriu-se internamente. Naquele período, Isolda e Graciema Pacheco planejaram uma escola para a realização do estágio dos “alunos-mestres” nas diferentes disciplinas da “escola secundária”. Nascia o Colégio de Aplicação, fonte inesgotável de criatividade, inaugurado em 14 de abril de 1954, numa época em que novas idéias surgiam para revigorar o ensino. Isolda introduziu no Colégio de Aplicação o ensino de Línguas Estrangeiras e o ensino de Filosofia por níveis de conhecimento dos alunos. Criou também a utilização da linguagem cinematográfica para o ensino de leitura e de narrações de contos, oportunizando aos alunos desempenharem-se como narradores criativos. Através dos anos, exerceu funções de Chefe de Departamento da Faculdade de Educação da UFRGS, onde criou o Laboratório de Metodologia, Ensino e Currículo, onde se realizaram dezenas de investigações científicas. Isolda sempre acreditou que o professor devia levar para a sala de aula uma nova inspiração, um estímulo, um desafio à inteligência e sensibilidade do aluno. Essa ideia é que embasou, junto ao jornal Zero Hora, o projeto “ZH na Sala de Aula”: trazer o mundo, a cidade, a localidade para a escola. A criança tinha de integrar-se na realidade que lhe era oferecida como um convite à busca, à indagação... A História de Vida de Isolda Holmer Paes é integrante de uma série de Histórias de Vida de destacados educadores rio-grandenses que construímos no seio da pesquisa intitulada “Identidade e Profissionalização Docente – narrativas na primeira pessoa”, apoiada pelo CNPq, na PUCRS, a partir de narrativas de pessoas-fonte, trianguladas entre elas e entre documentos, fotos, filmes. A leitura transversal dessas Histórias de Vida nos permite visualizar elementos constitutivos não só das trajetórias individuais desses educadores, mas também aqueles que constituíram/constituem a história da educação no Estado do Rio Grande do Sul. Essa História está publicada, na íntegra, em ABRAHÃO, M.H. M.B. (Org.) Identidade e Profissionalização Docente – narrativas na primeira pessoa, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004 (2. ed.). p. 139-168.

921 PROFESSORES NA PÓS-MODERNIDADE: NARRATIVAS DA SUBJETIVIDADE DOCENTE JUAN JOSÉ MOURINO MOSQUERA. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL - PUCRS, PORTO ALEGRE - RS - BRASIL. A preocupação pelo desenvolvimento da personalidade, especialmente na etapa da vida adulta, e a educação de professores nos tem levado, desde os anos 70, a procurarmos, intensamente, aprofundar 71

em estudos das histórias de vida de educadores, através de manifestações de seus sentimentos, cognições e níveis de interação social. Nosso ideário se configura claramente emanado de uma Psicologia Humanista, perspectivado pela dimensão sociocultural. Como docentes e investigadores, nos temos sempre voltado para o desenvolvimento da personalidade, cognição humana e problemática do conhecimento na Educação. Também se tem acrescido as dimensões de uma Educação Social, que tornam possível o processo mais amplo, crítico e voltado para os grandes grupos humanos. Cabe esclarecer que, ao pensarmos sobre o tema dos professores na pós-modernidade, estamos tocando naquilo que nos parece de grande relevância, já que nestes momentos, as incertezas, fragmentações e o panorama que se oferece aos seres humanos, parecem incidir fortemente em suas vidas, em especial nas cognições e sentimentos e, consequentemente, pode vir a repercutir decisivamente como um efeito multiplicador no fazer pedagógico dos docentes. A pesquisa, de cunho qualitativo, teve o objetivo de analisar narrativas de professores universitários, que atuam na Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - FACED-PUCRS. A área temática, que se preocupa principalmente com o estudo da realidade cultural e a influência na vida pessoal e profissional de professores, através de suas narrativas, é a pós-modernidade e sua influência na vida pessoal e profissional dos docentes. As questões de pesquisa foram assim formuladas: Que vivências pessoais narram os professores?; Que vivências profissionais narram os professores?; Que narram os professores sobre seu desenvolvimento cultural? Os sujeitos da pesquisa foram escolhidos intencionalmente; são seis docentes universitários em atividade há pelo menos cinco anos, que possuem diferentes vivências profissionais e pessoais, isto é, desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e publicações, com carga horária maior do que 20 horas semanais, e têm reconhecimento e representatividade universitária. Foi utilizada a entrevista de cunho biográfico, analisada através do estudo textual da narrativa, realizada por meio de Análise de Discurso. Como produto da análise encontramos as dimensões: Opção pela profissão e permanência nela; Influências Pessoais; Influências Profissionais; Percurso Existencial; e Influências Culturais. Essas dimensões são semelhantes às dimensões encontradas nas narrativas dos professores entrevistados em nosso estudo de Pós-doutorado, na Universidad Autônoma de Madrid-Espanha e em estudos anteriores na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

MODERNO, MODERNIDADE, MODERNIZAÇÃO: A EDUCAÇÃO NOS PROJETOS DE BRASIL(SÉCULOS XIX E XX) Coordenador: LUCIANO MENDES FARIA FILHO 950 MODERNO, MODERNIDADE, MODERNIZAÇÃO: TAVARES BASTOS, A INSTRUÇÃO E A CONSOLIDAÇÃO DA NAÇÃO BRASILEIRA JULIANA CESARIO HAMDAN. UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Objetivos: O presente trabalho pretende apresentar resultados parciais da análise realizada sobre as formas de inserção política do jurista alagoano Aureliano Cândido de Tavares Bastos (1839-1875), no Brasil Império, sobretudo no que se refere à defesa da educação e da abolição da escravidão. Tal análise pretende colocar em evidência de que forma o debate realizado por meio de cartas, artigos em jornais e publicações de livros expressava elementos relativos às suas idéias e concepções sobre o poderia ser apreendido como moderno. Metodologia: A pesquisa em andamento arrola e analisa diversas referências teóricas que possibilitam extrair do corpus documental relativo à vasta produção de Tavares Bastos, os significados atribuídos por ele à idéia de moderno e de modernidade, focando, sobretudo, os discursos em defesa da educação e da abolição da escravidão. Nesse sentido, recorre a procedimentos que visam a articular criticamente a sistematização desse corpus de fontes variadas como, entre outras, artigos de jornais, livros, cartas, aos conceitos que têm potencial explicativo dessas mesmas fontes, tais como o de “repertório” e os da história social dos intelectuais, das idéias e da cultura, como ainda aqueles referidos às interpretações sobre a nação brasileira e os brasileiros. O presente estudo pretende 72

compreender as formas por meio das quais um conjunto de concepções, formuladas pelo intelectual e jurista alagoano (1839-1875), Aureliano Cândido de Tavares Bastos, articuladas em torno de questões candentes à época, tais como a modernização da economia, a abolição da escravidão e a educação, contribuiu para a construção e disseminação de um ideário de vida no Brasil, que fosse capaz de congregar todos os que aqui viviam com vistas a formar uma nação e consolidar a ideia de povo brasileiro. Pretende-se analisar as interlocuções do intelectual com as ideias em circulação no período, com foco em autores e personalidades políticas brasileiras e européias, mas, sobretudo norteamericanas, elegidas por ele, como sendo a expressão mais bem acabada da modernidade exigida aos projetos de Brasil, presentes nos debates da época. Assim, o estudo pretende identificar e analisar o lugar ocupado pela educação nos projetos de Brasil elaborados entre os debates presentes no período de atuação política do intelectual e, ao mesmo tempo, compreender, por meio do corpus documental analisado, o significado da educação nas nos projetos de Estado e de Nação propostos por Tavares Bastos.

951 MODERNO, MODERNIDADE, MODERNIZAÇÃO: POLISSEMIAS E PREGNÂNCIAS MARCUS VINICIUS CORREA CARVALHO. UEMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Objetivos: O interesse desta comunicação é ponderar sobre a variegada apropriação e aplicação dos conceitos de moderno, modernidade e modernização, propiciando uma interpretação crítica de sua operacionalização por diferentes intelectuais brasileiros investigados no projeto de pesquisa “Moderno, Modernidade, Modernização: a educação nos projetos de Brasil (séculos XIX e XX)” ora em andamento sob a coordenação do Prof. Dr. Luciano Mendes de Faria Filho e da Profa. Dra. Maria do Carmo Xavier. Metodologia: A pesquisa em andamento recorre a procedimentos que visam a articular criticamente a sistematização de corpus de fontes variadas como, entre outras, artigos de jornais, epistolografia, ensaios e textos de crítica cultural e literária, com leituras especializadas tanto no que tange aos conceitos principais em questão como a temas relativos, como sejam os da história social dos intelectuais, das idéias e da cultura, como ainda aqueles referidos às interpretações sobre a nação brasileira e os brasileiros. Na presente comunicação, apresentar-se-ão algumas considerações iniciais sobre a investigação ainda em curso através de texto sintético de caráter ensaístico.  Em texto seminal sobre o tema em questão, Jacques Le Goff ensina que a palavra “moderno” emergiu com a queda do Império Romano no século V, dando assim, já por sua longevidade, a dimensão da complexidade de seus usos no curso desses dezesseis séculos. Assim, referir à etimologia do neologismo modernus formado por modo, “recentemente”, surgido no século VI, contribui pouco para a compreensão do largo campo semântico definido pela variedade de apropriações e aplicações que o termo vem tendo desde então. A complexidade de usos multiplica-se, sobretudo, quando consideramos as referências após a polêmica entre antigos e modernos iniciada em fins do século XVII e acirrada até pelo menos a emergência da vaga romântica em fins do século XVIII. Exatamente este período, que marca a emergência do pensamento histórico secularizado no ocidente, deflagra uma inflexão determinante na sensibilidade, na reflexão e na atuação dos ocidentais sobre a natureza e a sociedade, a qual Baudelaire nomeou em seu texto Le peintre de la vie moderne, publicado em 1863, de “modernidade”. Nesse sentido, a modernidade, caracterizada como “época da história”, em que dominam as categorias da “novidade”, da “superação” e do “progresso” sob a égide do marco da Revolução Francesa, traduziu-se no Brasil, desde o último quartel do século XIX, como questão nacional tratada como “modernização”. A polissemia implicada nesses termos convida a investigar criticamente as suas permanências e pregnâncias em diferentes intelectuais que promoveram diferentes projetos de Brasil através da educação nos séculos XIX e XX.

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954 O MODERNO NA PEDAGOGIA: AS APROPRIAÇÕES DOS TEXTOS DE RUI BARBOSA PELO PENSAMENTO EDUCACIONAL BRASILEIRO LUCIANO MENDES FARIA FILHO ; MARIANA TAVARES VIEIRA ; MARCILAINE SOARES INÁCIO 1,2.UFMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL; 3.UNINCOR, BETIM - MG - BRASIL.
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PROPOSTA/OBJETIVO: É notória a presença marcante de Rui Barbosa nas pesquisas sobre o pensamento educacional brasileiro. São inúmeros os trabalhos que, ao longo do século XX, tiveram como objetivo aquilatar a contribuição desse intelectual e político na proposição/divulgação de parâmetros modernos para a pedagogia no Brasil. Nesta comunicação, mobilizando as noções de apropriação, tomada de empréstimo a R. Chartier, e de circulação/cicularidade cultural, tomada de empréstimo Carlo Ginzburg, pretende-se analisar a forma como os professores e intelectuais brasileiros que escreveram sobre educação se apropriaram da obra de Rui Barbosa, produzindo-a como documento-monumento que demonstra, ao mesmo tempo, a genialidade do autor e seu protagonismo na introdução da pedagogia moderna no Brasil. METODOLOGIA: Na pesquisa, consideramos como texto “inaugural” para análise das formas de apropriação do pensamento de Rui Barbosa o texto de José Veríssimo - A educação nacional – cuja primeira edição foi é de 1890, mas que foi mais amplamente divulgada a partir de sua segunda edição, pela Francisco Alves, em 1906. O marco final desta nossa incursão pelas apropriações de Rui Barbosa é o ano de 1954, quando Lourenço Filho publica o seu A pedagogia de Rui Barbosa, pela editora Melhoramentos, livro que de uma vez por todas estabelece Rui Barbosa como um “grande pedagogo brasileiro”. Estão sendo analisadas, consideradas, na pesquisa, as principais obras dos intelectuais da educação brasileira que, entre 1906 e 1954, de formas diferenciadas, lidaram com o legado de Rui para a educação brasileira. RESULTADOS: Temos percebido uma apropriação diferenciada dos textos “pedagógicos” de Rui Barbosa longo da primeira metade do século XX. Sejam os Pareceres sobre a Reforma da Instrução Pública, seja o livro “Lições de Coisas” que, apesar de “apenas” traduzido/adaptado por Rui, é, em vários ocasiões, considerado como sendo se sua autoria, estes textos comparecem em boa parte das obras até agora analisadas. Observamos que não há uma unanimidade na apreciação e, muito menos, nas formas de mobilização dos referidos textos pelos diferentes autores, ou mesmo, por um mesmo autor, em momentos distintos de sua carreira, como é o caso de Lourenço Filho, conforme demonstraremos. A análise que empreendemos articula, assim, as principais expressões do pensamento de Rui Barbosa com relação às expressões do moderno na pedagogia, procurando compreendê-las aos discursos com as ideias em circulação na ambiência cultural do período.

943 MUDANÇA SOCIAL NO BRASIL: AS MULTIPLAS FACES DO MODERNO NA SOCIOLOGIA DE JUAREZ RUBENS BRANDÃO LOPES MARIA DO CARMO XAVIER. PUCMINAS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. PROPOSTA/OBJETIVO: a comunicação focaliza a problemática da modernização e do desenvolvimento brasileiro e pretende identificar e interrogar, idéias, conceitos e argumentos que demarcaram as análises do sociólogo Juarez Rubens Brandão Lopes sobre os processos de mudança econômica e social verificadas no Brasil entre as décadas de 1950/1960. O objetivo é apresentar as idéias mobilizadas no debate público sobre o desenvolvimento brasileiro e analisar o modo pelo qual tais idéias plasmaram formas de pensar a realidade nacional conformando um estreito vínculo entre a industrialização (pensada como evento modernizador, capaz de substituir formas tradicionais de contato social por outras mais modernas) e a mudança social. A análise dos dados se estabelece na interlocução com o campo conceitual da história política privilegiando-se as noções de “repertório” (Charles Tilly) e “estrutura da conjuntura” (Marshall Sahlins) com vista a apresentar uma interpretação sobre o papel da intelectualidade na produção de entendimentos sobre o moderno e a modernização brasileira. METODOLOGIA: o texto se organiza em duplo movimento. Examina-se o debate público sobre as transformações econômicas e sociais em curso no Brasil nas décadas de 1950/1960 e identifica-se o 74

repertório de idéias e formas de agir por ele mobilizado. Analisa-se os sentidos atribuídos às mudanças sociais em três estudos do sociólogo Juarez Brandão Lopes sobre a dinâmica do atraso e da modernização brasileira: Sociedade Industrial no Brasil, publicado pela Difusão Européia do Livro em 1964, Crise do Brasil Arcaico publicado pela mesma editora em 1967 e Desenvolvimento e Mudança Social, publicado pela Editora da USP em 1964. RESULTADOS: o entrecruzamento dos dados aponta o quanto formas de pensar e formas de agir estão em íntima conexão e quanto expressam dilemas e paradoxos vividos pela sociedade brasileira. O debate político e os estudos sociológicos sobre as mudanças sociais no Brasil no recorte temporal da pesquisa sugerem a percepção da “indústria como cultura”. Uma instituição capaz de desempenhar como função exemplar e subjacente, o papel de agência de transformação da herança cultural tradicional. Nesse esquema interpretativo, a indústria atua de forma semelhante à escola primária difundindo hábitos e comportamentos da cultura moderna e citadina.

APRENDER A LER COM HILÁRIO RIBEIRO, ANTONIO FIRMINO PROENÇA E ARNALDO BARRETO Coordenador: FRANCISCA IZABEL PEREIRA MACIEL 1316 ANTONIO FIRMINO DE PROENÇA E A PRODUÇÃO DE CARTILHAS E LIVROS DE LEITURA EM SÃO PAULO NO INÍCIO DO SÉCULO XX MARCIA DE PAULA GREGORIO RAZZINI. CEFIEL-IEL-UNICAMP, SAO PAULO - SP - BRASIL. Apoiada em pressupostos teórico-metodológicos da história cultural, da história do livro e da leitura (Chartier, 1990; Darnton, 1990), da cultura escolar (Chervel, 1998; Julia, 2001) e da história das disciplinas escolares (Chervel, 1990; Bittencourt, 2003; Viñao, 2007), a comunicação que integra proposta de mesa coordenada focaliza a produção de livros destinados ao ensino-aprendizagem (inicial e de desenvolvimento) da leitura e da escrita nas escolas elementares do estado de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, tomando como exemplo a produção da série de livros de Antonio Firmino de Proença, composta de uma cartilha e de três livros de leitura graduada. O texto parte de investigações anteriores (2005 e 2007), que relacionaram e analisaram a expansão da escola pública elementar no estado de São Paulo e o considerável aumento da produção de livros didáticos de três editoras instaladas na capital: Livraria Francisco Alves, Tipografia Siqueira e Companhia Melhoramentos de São Paulo. No que diz respeito aos quatro livros didáticos de Antonio Firmino de Proença – Cartilha Proença, 1º, 2º e 3º Livro de Leitura, publicados entre 1926 e 1928 pela Companhia Melhoramentos de São Paulo, editora que comemorou 120 anos em 2010 (na Bienal do Livro de São Paulo) – trata-se da primeira coleção completa produzida por essa casa editorial, visando os segmentos graduados que compunham o então curso primário, de três ou quatro anos, dependendo da localização e do tipo de escola: se era escola urbana, como os Grupos Escolares, o curso era de quatro anos; se era rural, como as Escolas Isoladas, o curso primário era de três anos. O momento da publicação das obras de Proença marca também a retomada da seriação do curso primário em três e quatro anos, duração que tinha sido fixada pela Reforma Sampaio Dória, de 1920, para dois anos obrigatórios, como medida para reduzir os altos índices de analfabetismo no estado. Antonio Firmino de Proença fez parte de uma geração de intelectuais formados pela Escola Normal da Praça da República que participou ativamente do projeto de modernização do ensino público elementar, atuando não só como professores e administradores de escolas primárias e de escolas normais, como também produzindo artigos de revistas pedagógicas e livros didáticos dirigidos a ambos os níveis. Tanto a produção como algumas indicações dos usos dos livros didáticos de Antonio Firmino de Proença são compreendidas no contexto da cultura escolar vigente, em que o ensino de língua materna e a leitura como prática escolar eram proeminentes no currículo da escola primária, aspectos reforçados pela determinação oficial de que só cartilhas e livros de leitura podiam ser destinados ao uso dos alunos, fatores que dimensionam a importância e o papel

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relevante que tais produtos culturais representavam no processo de expansão da escola e do mercado de livros didáticos.

1311 HILÁRIO RIBEIRO E SUA PRODUÇÃO DIDÁTICA DE LIVROS DE LEITURA FRANCISCA IZABEL PEREIRA MACIEL; KATIA GARDENIA HENRIQUE CAMPELO DA ROCHA. FAE/UFMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. As cartilhas e os livros de leitura oferecem muitas possibilidades de investigação dentre elas sua materialidade - formato, volume, ilustrações, disposição das lições e exercícios, tipo de letra; sua proposta político-didática - concepção de método de leitura e escrita. As investigações tem levado os pesquisadores a buscar novas fontes e novos métodos de análise e enfoques diferenciados. (Nóvoa & Berrio, 1993). É nesta tendência que se insere essa comunicação: pretende-se analisar a produção e a circulação da produção didática de Hilario Ribeiro – “Cartilha Nacional e a série de leitura graduada”. O período analisado corresponde às últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX. A problematização em torno da alfabetização e expansão do ensino primário pode ser agrupada em dois eixos temáticos: os livros de leitura, seus autores e os movimentos reformistas. Com relação aos manuais escolares, em especial os livros de iniciação à leitura, pode-se afirmar que são umas publicações especializadas, com identidade própria, trazem um ideário e um modelo pedagógico para configurar o currículo e organizar a prática escolar. (Escolano, 1997). Segundo Choppin (1992), a expansão e a diversificação dos manuais escolares devem-se, em grande parte, à vulgarização do Ensino Simultâneo, como metodologia que tinha como princípio racionalizar e uniformizar o sistema de instrução pública. No século XIX, é significativo o número de Relatórios dos Presidentes de Província que argumentam a favor da organização de compêndios e do uso desse artefato por parte dos alunos e professores visando ao bom desempenho do ensino. Buscar a uniformidade do ensino por meio de uma metodologia se tornaria mais viável e racional se os princípios metodológicos pudessem ser materializados em um compêndio destinado aos alunos e professores. A falta de compêndios para o ensino da leitura é discurso recorrente nos relatórios do oitocentos, assim como não são raras as explanações sobre os gastos feitos pelo governo com os meninos pobres com a compra de compêndios.Pode-se dizer que dois fatores contribuíram decisivamente para a escassez dos livros, em geral, nas escolas primárias: o alto custo dos livros e a escassez de livros de autoria nacional. Assim, na tentativa de sanar a falta de autores de manuais escolares, o governo provincial institui concursos e distribuição de prêmios para autores de livros escolares. É nesse contexto que Hilário Ribeiro publicou e teve seus livros premiados na Exposição Pedagógica do Rio de Janeiro em 1883. Em 1885, Hilário Ribeiro, já professor do Imperial Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, publicou pela Livraria Francisco Alves a Cartilha Nacional ou Novo primeiro livro de leitura para “o ensino simultâneo de leitura e escrita”. Nessa comunicação pretendemos apresentar os resultados de pesquisa realizada sobre o autor, professor Hilário Ribeiro e sua longeva produção didática nas escolas primárias do Brasil.

1319 ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO: UM AUTOR ENTRE LIVROS PARA ALFABETIZAR E PARA DESENVOLVIMENTO DA LEITURA ISABEL CRISTINA ALVES DA SILVA FRADE. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Arnaldo de Oliveira Barreto, autor paulista, inspetor, diretor, professor de escola normal e editor da Revista de Ensino foi também autor da Cartilha das Mães, publicada a partir de 1896 (Mortatti, 2000, p.92) e da Cartilha Analytica, produzida em 1907. Arnaldo Barreto também produziu em co-autoria a coleção graduada Puigari-Barreto. Autores que o antecederam nesta empreitada foram Abílio Cesar Borges, Felisberto de Carvalho e Hilário Ribeiro. Neste trabalho, visamos indicar aspectos que caracterizam algumas de suas obras destinadas à alfabetização: a Cartilha das Mães, A Cartilha Analytica 76

e a coleção Puigari Barreto que visa o desenvolvimento da leitura. Como pressupostos teóricos utilizamos a distinção entre texto e impresso feita por Roger Chartier, buscando ver os livros como textos e como impressos. Isso supõe investigar tanto seus conteúdos (textos e exercícios) como sua configuração gráfica e o modo como o livro se apresenta como objeto material e gráfico. Uma primeira vertente de análise busca evidenciar o que identifica cada uma de suas obras para alfabetizar, do ponto de vista do modo de composição, das pistas paratextuais e dos conteúdos pedagógicos. A segunda vertente busca encontrar quais são as linhas de continuidade ou de ruptura entre duas de suas obras para alfabetizar e os livros de leitura. Pesquisa de Batista et al (2002) apresenta uma análise de um corpo extenso de livros de leitura, do final do século XIX até meados da década de 70 do século XX, analisando seus usos escolares, seus tipos, gêneros, existência de exercícios, classificando-os em modelos de livros de leitura ligados aos seguintes princípios de didatização: modelo da leitura manuscrita; modelo instrutivo; modelo formativo, modelo retórico-literário e modelo autônomo. Qual modelo seria adotado pela série Puigari/Barreto? Estudo de Oliveira & Souza (2000) analisa comparativamente duas séries graduadas: a de Felisberto de Carvalho e a de Puigari/Barreto, chamando atenção para o papel destes livros na escola brasileira. Para a série Puigari/Barreto os conteúdos indicam o intuito de apresentar assuntos de cunho moral e cívico, poesias e histórias do dia-a-dia. Ambos eram possivelmente destinados às aulas de leitura e, em suas progressões por ano e por lições evidenciam a construção de uma metodologia para o ensino da leitura, assim designada pela pesquisa citada: leitura elementar (aquisição do código), leitura corrente (fluência e compreensão) e leitura expressiva. Tendo em vista que estes estudos se concentram nos livros de leitura e não na sua relação com os livros dos mesmos autores para alfabetizar, este estudo busca responder às seguintes perguntas: o que distingue, afinal, os dois livros para ensinar a arte de decodificar, feitos pelo mesmo autor? Há linhas de continuidade entre esses livros para iniciantes e suas propostas para os livros de leitura? Há indícios de concorrência ou convivência, no mesmo local, entre suas obras e a de outros autores?

IMPRENSA E INTELECTUAIS NO SÉCULO XIX: FONTES PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL Coordenador: MARCILIA ROSA PERIOTTO 1128 CONCHAVOS, POLÊMICAS E RIVALIDADES: A IMPRENSA MINEIRA PELA ATUAÇÃO DE MENDES PIMENTEL NA PRIMEIRA DÉCADA REPUBLICANA CAROLINA MOSTARO NEVES DA SILVA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Por meio da trajetória pública de Francisco Mendes Pimentel (1869-1957) em Minas Gerais, na primeira década republicana, esta comunicação investiga a imprensa como um mecanismo de ação política e de pressão dos grupos que compunham as elites em defesa dos seus interesses. Para tanto, foram analisados os periódicos: A Folha, publicado em Barbacena (1893/94) e o Diário de Minas, de Belo Horizonte (1899), ambos criados e dirigidos por Mendes Pimentel na década de 1890, além do Jornal do Povo, também da capital mineira, para o qual colaborou assiduamente no ano de 1900. Além desses períodicos, foram consultados diversos números do jornal oficial do estado, o Minas Gerais, com intuito de observar os debates produzidos na imprensa mineira. Na conjuntura clivada pelas disputas políticas que marcam a instauração e a organização do regime republicano em Minas Gerais, a atuação de Mendes Pimentel – advogado, político e professor – em jornais mineiros evidencia o papel da imprensa como um instrumento de persuasão, de formação de consensos e dissensos, inclusive em torno de temas educacionais. Tratando a imprensa ora como meio de formar opinião, ora como reflexo da visão do público leitor, esse publicista encarou os jornais como a arena pública na qual se debatiam as questões de relevância para a sociedade e, por isso, lhe atribuía uma missão social, política e educativa. Por entender que havia uma relação direta entre a educação e a consolidação do regime republicano, conferia à impressa, assim como à escola, a função de formar o caráter nacional. Assim, no exercício da análise e da crítica pelos periódicos, manifestou constantemente a intenção de elucidar e orientar os 77

leitores, como o mestre que atua em sua cátedra. Para ele, o recurso à imprensa representava ainda a possibilidade de intervenção e acesso à esfera do poder, a participação em contendas políticas, por meio da expressão pública de seus elogios ou críticas aos acontecimentos que envolviam o governo, principalmente no âmbito estadual. Da criação d’A Folha ao desaparecimento do Jornal do Povo, Mendes Pimentel alterou significativamente os rumos de sua trajetória pública. Transitou do partido político à oposição, experimentou intensamente a atividade jornalística, deu publicidade a projetos e ideias, nem sempre com absoluta coerência, mas que, sobretudo, registravam suas posições na cena pública mineira. Se, de início, manifestou-se em favor da República que via nascer e que lhe instigava expectativas, poucos anos depois, tornou-se crítico veemente do regime consolidado.

1306 EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA PARA O ADVENTO DO TRABALHO LIVRE EM MEADOS DO SÉCULO XIX: O COMPROMISSO POLÍTICO-ECONÔMICO-SOCIAL DO JORNAL O AUXILIADOR DA INDÚSTRIA NACIONAL CELINA MIDORI MURASSE MIZUTA. FACULDADE DE ARTES DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. Esta pesquisa documental e bibliográfica de caráter histórico visa demonstrar a forma pela qual o jornal O Auxiliador da Indústria Nacional conduziu a sua missão de educar e formar a opinião pública para o advento do trabalho livre em meados do século XIX. No Brasil o trabalho escravo constituía a sua base produtiva há mais de três séculos, entretanto, em 1850, duas leis abalaram a economia escravista: a Lei Eusébio de Queirós, de 4 de setembro de 1850, que reprimiu o tráfico de escravos e a Lei de Terras, de 18 de setembro de 1850, que dispunha sobre as terras devolutas e as adquiridas por posse ou sesmaria. Ambas as medidas colocaram na ordem do dia a questão da busca de alternativas para manter e até aumentar a produção agrícola mesmo prescindindo do trabalho escravo cujo fim se prenunciava. Muitos eram os aspectos a serem debatidos e era preciso educar e convencer, antes de tudo, os agricultores, mas também a sociedade brasileira em geral a respeito da necessidade de introduzir mudanças na organização da produção agrícola e preparar-se para a transição do trabalho escravo para o livre. Nesse contexto o jornal O Auxiliador da Indústria Nacional, editado pela Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, desempenhou uma função educativa fundamental ao divulgar amplamente as propostas com o intuito de viabilizar a modernização da agricultura praticada no país e a sua inserção no mundo civilizado. Era imprescindível educar para o porvir e O Auxiliador contribuiu para fomentar o debate quanto ao futuro do Brasil. Os artigos publicados no periódico abordavam questões tais como: a repressão do tráfico pelos ingleses; a utilização de maquinaria a vapor na produção; a importância das exposições de máquinas para incentivar tanto a compra como a invenção de novos equipamentos; as vantagens na contratação de imigrantes europeus; a instalação de colônias de parceria; a utilização de novas técnicas para o melhoramento e a conservação dos produtos agrícolas; a necessidade de criar escolas agrícolas que atendessem tanto os filhos dos proprietários agrícolas quanto os trabalhadores; as noções básicas de economia, entre outros assuntos. As edições do jornal O Auxiliador da Indústria Nacional, publicadas no período de 1849 a 1851, e os relatórios do Ministério do Império referentes ao mesmo período constituem as fontes primárias do estudo. Utiliza como fontes secundárias, as publicações de autores dos séculos XIX, XX e XXI que se debruçaram em torno da temática específica ou de temáticas afins ou do período delimitado para essa investigação. Espera-se assim contribuir para ampliar e aprofundar o conhecimento acerca da História da Educação no Brasil nos oitocentos. A pesquisa é desenvolvida com os recursos do CNPq.

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1050 MIGUEL DO SACRAMENTO LOPES GAMA, O JORNAL O CARAPUCEIRO E A EDUCAÇÃO MARCILIA ROSA PERIOTTO. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, MARINGA - PR - BRASIL. É um estudo sobre as ideias morais, de cunho religioso, elaboradas por Miguel do Sacramento Lopes Gama (1793-1852) no jornal O Carapuceiro na cidade de Recife. Entende-se que os conteúdos escolares e as práticas educativas na atualidade, destarte as mudanças sociais havidas até então, cultivam ainda os elementos traçados ao longo do século XIX por pensadores de roupagem católica que transitavam entre as medidas modernizadoras e, ao mesmo tempo, a manutenção das práticas arcaicas na educação das crianças e jovens. O debate realizado por Lopes Gama- padre, jornalista e deputado provincial-, na imprensa e durante os anos 30 e 40 dos Oitocentos revela uma abrangência que excede os limites da crítica social e dos costumes. O jornalista realizou análises da conjuntura econômica e política, principalmente das forças que mantinham o Brasil em situação de atraso e que negavam sistematicamente a criação de medidas que pudessem conduzi-lo ao efetivo desenvolvimento social, tal como a manutenção do trabalho escravo. Foi um opositor tenaz da escravidão, pois, concorde a muitos pensadores do século XIX, também via o trabalho escravo como um dos maiores óbices à modernização da sociedade. Curiosamente, a sua visão educacional resvalava numa forma de educar correspondente aos conteúdos dos anos de colonização. Os conteúdos fundamentais à formação do jovem deveriam amparar-se nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, primeiramente. Tinha-se aí o propósito de promover uma educação fundamentalmente moral, visando obter governantes avessos ao uso dos cargos públicos em prol dos interesses pessoais. O objetivo do estudo é refletir o significado da educação moral, de cunho religioso, que emerge na totalidade dos escritos de Lopes Gama frente a um projeto de nação delineado pela elite político-econômica. Entende-se que sua visão de educação está intrincada ao ideário liberal que alimentou suas opiniões sobre o estado social brasileiro daquele período, problema da qual emerge a questão de se delinear, também, a matriz do pensamento que conduziu suas reflexões e o colocou no campo da crítica social. Lopes Gama vivenciou as contradições de um tempo que se modificava rapidamente, o que o levou a coexistir ao mesmo tempo com o arcaico e o moderno, induzindo-o ao amalgama dessas duas épocas, fato que tornou seu pensamento depositário de questões aptas a elucidar não somente os conteúdos educacionais que até hoje perduram, mas o longo e conturbado processo de construção de um modelo de nação que atravessou o Brasil durante o século XIX. 1409 ANÁLISE DAS PRÁTICAS DE LEITURA NO SÉCULO XIX POR MEIO DE JORNAIS MÔNICA YUMI JINZENJI. UFMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL Esta pesquisa tem por objetivo compreender as práticas de leitura desenvolvidas por José Alcibíades Carneiro, redator do periódico O Mentor das Brasileiras. Impresso em São João del-Rei, Minas Gerais, entre 1829 e 1832, pretendia-se, com sua produção, a instrução das senhoras brasileiras. Por ter sido um dos poucos periódicos voltados para o público feminino no período e, tendo em vista que se tratava de um contexto em que o processo de escolarização ainda era incipiente, esta pesquisa pretende contribuir para os estudos acerca das práticas educativas não escolares no século XIX. A produção de periódicos no período envolvia um complexo repertório de leituras de outros textos, tais como jornais, livros e cartas, e a compilação dessas leituras para compor cada número de jornal, que dividiam o espaço com textos de autoria dos redatores. Nesta pesquisa, foi realizada uma análise desse processo de leitura e apropriação dos textos para compor os números do jornal, buscando-se analisar a censura, acréscimos e demais tipos de adaptação dos textos originais relacionando-os ao contexto político e cultural do período. Algumas das obras utilizadas para a produção do jornal foram: Conversations on political economy, de Jane Marcet, O castigo da prostituição, atribuído a Edward Young, Fábulas de Phedro, do fabulista grego Phedro e Cartas sobre a educação das meninas por uma senhora americana, de autoria desconhecida, todos editados entre o final do século XVIII e início do

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século XIX. Entre os jornais mais utilizados, podem ser citados: O Popular, de Pernambuco, O Simplício, O Tribuno do Povo e Aurora Fluminense, do Rio de Janeiro, e Manual das Brasileiras, de São Paulo, todos contemporâneos de O Mentor. Cartas de leitores e leitoras dirigidas à redação e correspondências particulares foi também outro tipo de texto a ser incorporado pelo jornal. A análise mostrou que o texto final impresso era o resultado da leitura e do crivo operados pelo redator, então professor de gramática latina, colaborador de outros periódicos, e entusiasta do grupo dos liberais moderados. No processo de produção do jornal, realizava um cuidadoso trabalho de adaptação, tendo em vista tanto as competências de leitura supostas para seu público como os valores políticos e morais que se pretendia difundir. Para as senhoras eram selecionados livros de fácil entendimento e que também possuíam formato reduzido. Os conteúdos compilados eram adaptados de forma a respeitar os valores familiares cristãos, enfatizando-se os papéis de esposa fiel e mãe zelosa. Em se tratando da discussão política, esta era a mais evidenciada, promovendo os princípios defendidos pelos liberais moderados, como a liberdade e a monarquia constitucional. Trata-se de uma pesquisa concluída.

PROJETOS E MISSÃO: MOVIMENTO INTELECTUAL E EDUCAÇÃO NO P ARANÁ E SANTA CATARINA (1930-1980) Coordenador: NEVIO DE CAMPOS 879 INTELECTUAIS CATÓLICOS: CONFIDENTES DO CRIADOR, MINISTROS DO PROGRESSO E SACERDOTES DA VERDADE NEVIO DE CAMPOS. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, PONTA GROSSA - PR - BRASIL. Este artigo objetiva discutir as estratégias da elite intelectual católica para organizar e divulgar seu ideário filosófico-teológico no Estado do Paraná nas décadas de 1940 e 1950, cujo recorte privilegia a intervenção do laicato católico no Ensino Superior curitibano, pois em tal período se constituíram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná - FFCL (1938) e a Faculdade Católica de Filosofia de Curitiba - FCFC (1950). O problema central consiste em discutir o papel dos intelectuais e o lugar das Faculdades de Filosofia no processo de expansão do ideário católico entre os paranaenses. A hipótese deste texto é de que tais instituições de Ensino Superior se constituíram nos principais espaços de ação dos intelectuais católicos, assim como consolidaram a presença institucional da Igreja Católica na alta cultura paranaense. A narrativa deste artigo apoia-se nos discursos pronunciados na FFCL e na FCFC no decorrer dessas décadas, por meio dos quais o grupo católico reafirmava que os estudiosos da ciência consistiam em ser “confidentes do Criador, ministros do progresso e sacerdotes da verdade”. Esse percurso analítico inscreve-se na história intelectual ao estabelecer interlocução com o conceito de intelectual como organizador da cultura e mobilizador dos grupos sociais, sistematizado por Antonio Gramsci. Tal conceito nos permite discutir as iniciativas dos intelectuais católicos no processo de criação, coordenação e direção das atividades formativas organizadas nas Faculdades de Filosofia, bem como problematizar suas ações como estratégias para consolidar a presença da Igreja Católica na alta cultura curitibana e contrapor-se aos seus adversários. A ação do grupo católico inscrevia na luta pelo controle do Ensino Superior paranaense, por conseqüência da formação de uma camada social específica, a qual representava uma parte da elite econômica, política, social e cultural do Estado do Paraná. A presença do laicato católico no Paraná consolida-se no final da década de 1920 com a criação do Círculo de Estudos Bandeirantes, no qual em meados dos anos de 1930 foi organizado o primeiro curso de filosofia tomista destinado aos integrantes desse centro cultural. Esse evento constituiu-se no principal símbolo do movimento em defesa da criação da FFCL. Em 1939, a FFCL passou a ser controlada diretamente pelos Irmãos Maristas, embora não se denominasse formalmente faculdade católica. Em dezembro de 1950, a FFCL foi repassada ao controle da União devido à federalização da Universidade do Paraná. No entanto, em agosto de 1950 já havia sido criada a FCFC sob a coordenação dos Maristas e do laicato católico, o que indica que o Ensino Superior materializou a presença do ideário filosóficoteológico da Igreja Católica no Paraná. 80

940 ERASMO PILOTTO: IDENTIDADE, ENGAJAMENTO POLÍTICO E CRENÇAS DOS INTELECTUAIS VINCULADOS AO CAMPO EDUCACIONAL NO BRASIL CARLOS EDUARDO VIEIRA. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. O objetivo desse texto é refletir sobre o conceito de intelectual que vem sendo desenvolvido e utilizado ao longo de dez anos de pesquisa no intuito de explicar o comportamento social dos intelectuais associados, direta ou indiretamente, ao campo educacional no Brasil do último quartel do século dezenove aos anos sessenta do século vinte. Essa formulação tem sido desenvolvida no diálogo com a literatura que trata do tema dos intelectuais e, sobretudo, no cotejo com as fontes que formam o corpus documental da pesquisa. Para evitarmos o tratamento abstrato e, portanto, meramente teórico do tema, exploraremos o potencial heurístico desse conceito a partir da análise das ideias e da trajetória do intelectual paranaense Erasmo Pilotto (1910-1992). A análise do processo de formação de Pilotto revela, tanto a certificação escolar formal, como os investimentos em autoformação. Estudando sempre em boas escolas de Curitiba, Pilotto formou-se como normalista pela Escola Normal Secundária de Curitiba, em 1928. O autodidatismo é perceptível pela amplitude da sua produção intelectual, pois, embora nos seus escritos o foco tenha se concentrado nas questões da educação, encontramos textos seus que incidem sobre temas de filosofia, artes plásticas, literatura e história. O marco institucional da trajetória de Pilotto foi a sua atuação na Escola Normal de Curitiba de 1933 a 1947, enquanto que como marco intelectual destaca-se a sua vinculação, em meados da década de 1920, ao Movimento pela Escola Nova. A produção de Pilotto em torno do tema da educação revela a sua refinada erudição, à medida que os problemas educacionais foram analisados em diálogo com idéias oriundas de diferentes áreas, com ênfase, na interlocução com as ideias filosóficas. A obra pedagógica de Pilotto foi desenvolvida em um permanente processo de reflexão e de ação pedagógica. E, nesse sentido, a Escola Normal de Curitiba e o Movimento pela Escola Nova representaram os espaços privilegiados por este intelectual para a elaboração e a aplicação da sua teoria pedagógica. O foco nesse personagem histórico tem motivado a formulação conceitual que discutiremos nesse texto que, em síntese, incide sobre quatro aspectos: a identidade e o sentimento de missão dos intelectuais, bem como as crenças na modernidade e no protagonismo político do Estado. Sendo assim, exploraremos as ideias e as ações de Pilotto, a partir do conceito de intelectual que pretendemos expor e problematizar nesse espaço de reflexão. Entendemos que essa opção permitirá, a um só tempo, revelar a singularidade de Pilotto e a tipicidade do comportamento do sujeito coletivo denominado nesse texto de intelectuais. A aplicação do conceito que explicitaremos em outros cenários dependerá de investigações circunstanciadas pela pesquisa histórica. Logo, não é objetivo dessa reflexão generalizações imprudentes, mas sim provocar questões que favoreçam o debate na História da Educação e na História dos Intelectuais. 947 JOÃO ROBERTO MOREIRA E O CURSO NORMAL DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DE FLORIANÓPOLIS (1937-1943): EFERVESCÊNCIA INTELECTUAL E PROJEÇÃO NACIONAL LEZIANY SILVEIRA DANIEL. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. O intelectual catarinense João Roberto Moreira (1912-1967) tornou-se figura conhecida no âmbito nacional, quando de sua atuação junto aos principais órgãos da pesquisa educacional no Brasil, como o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais e o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, nas décadas de 1940 e 1950. O presente trabalho, decorrente de tese de doutorado defendida em 2009, privilegia sua gênese intelectual que ocorreu ainda em Santa Catarina, quando atuou como professor e Diretor do Curso Normal do Instituto de Educação de Florianópolis (1937-1943). Principalmente, durante o governo do Interventor Federal em Santa Catarina Nereu Ramos (1937-1945), os propósitos de nacionalização foram mais acirradamente perseguidos, passando a formação de professores a ocupar função estratégica na implementação das políticas governamentais. É no interior dessa realidade que

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passam a ocorrer em Santa Catarina reformas no seu sistema de ensino, criando-se todo um ambiente de discussão sobre a importância de adequá-lo às novas proposições do Estado Nacional. Moreira, nesse sentido, foi um dos principais articuladores e pensadores educacionais catarinenses nesse processo. À frente do Curso Normal do Instituto de Educação de Florianópolis, instituição modelo de formação de professores em Santa Catarina, ele contribuiu para a criação de um ambiente de efervescência intelectual, abordando temáticas que buscavam a constituição científica do campo pedagógico catarinense, bem como proporcionavam maior embasamento científico das políticas educacionais do governo catarinense. As evidências dessa forte ligação de Moreira com o governo podem ser explicitadas mediante inúmeras iniciativas viabilizadas durante sua gestão como Diretor do Instituto. Contando com o apoio do governo, Moreira criou, em 1941, a revista “Estudos Educacionais”, periódico em que publicavam alunos e professores do Instituto, bem como intelectuais de projeção nacional; e viabilizou a vinda ao estado catarinense de intelectuais como Fernando de Azevedo, Roger Bastide e Donald Pierson. Além disso, em vários momentos, durante esse período, Moreira participou de importantes eventos promovidos pelo governo que tratavam, diretamente, de questões centrais abordadas no campo da política, como a educação e a cultura. Nessas oportunidades, Moreira exaltou os direcionamentos dados pelo governo catarinense no campo educacional, produzindo análises que demonstravam sua participação e apoio na implementação de tais diretrizes, especialmente, as relacionadas à política de nacionalização do ensino. Em 1942, por exemplo, Moreira foi convocado pelo governo de Nereu Ramos para representar o Estado de Santa Catarina no 8º Congresso Brasileiro de Educação, que ocorreria em junho daquele ano, na cidade de Goiânia. 1145 LIDERANÇAS POLÍTICAS E RELIGIOSAS NA FUNDAÇÃO DA FACULDADE CATARINENSE DE FILOSOFIA CELSO JOÃO CARMINATI. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA, FLORIANOPOLIS - SC – BRASIL No contexto das políticas educacionais dos anos de 1950, discutimos os principais aspectos da fundação, do reconhecimento e da constituição da Faculdade Catarinense de Filosofia. Diante do processo de afirmação da educação no país, o ensino superior foi aos poucos se constituindo num importante pilar de formação de profissionais para as redes de ensino que se institucionalizavam, sobretudo para o ensino secundário, uma vez que para os níveis iniciais, esta formação se dava ainda na antiga estrutura de formação da escola normal. A formação, a partir da titulação escolar em nível superior, dava perspectivas de futuros, destinos ocupacionais nas estruturas das nascentes carreiras do serviço público, tanto estadual quanto federal, que naquele momento recebiam grande força em decorrência das políticas de indução para o país, adotadas nos anos de desenvolvimentismo nacional, que por necessidade de organização passariam a ocupar importantes lugares no cenário nacional. Naturalmente, aos olhares de suas demandas, isto representaria um lugar ao sol, ou melhor, ao acesso e estabilidade com importantes rendimentos econômicos às classes desejosas de formação, mesmo diante de certas restrições que os títulos recebidos impunham no mercado, mas que não deixavam de se demarcar e constituir enquanto um indicador de destaque econômico no âmbito da sociedade catarinense. Os desafios postos nesse processo colocavam em evidência os espaços que foram ocupados no âmbito da organização das condições de funcionamento dos cursos pretendidos, cujo envolvimento de lideranças políticas e religiosas, constituíam-se de esforços e certamente colocavam em evidência os muitos interesses pessoais no sentido de projeção dos formandos e também institucionais, à medida que o reconhecimento e funcionamento do ensino superior despertasse nas autoridades nacionais o interesse de valorização da educação superior, apoiando com financiamentos públicos para sustentar os cursos, além de responderem aos anseios sociais de classe e aos desafios educacionais que se voltavam para a institucionalização da formação acadêmica e cultural no estado de Santa Catarina. Nesse sentido, a fundação de uma Faculdade de Filosofia em Santa Catarina, consolidaria os anseios e colocava em evidência o projeto e a trajetória de formação de uma elite cultural, desejosa de formação superior, inicialmente, no âmbito da filosofia e letras. Mesmo com pequenas, mas certamente significativas concessões de títulos acadêmicos aos seus filhos, os bacharéis seriam beneficiários de certa distinção social, decorrente de coroamento no âmbito das letras e das humanidades.

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LUGARES DE PODER, PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE SABERES PEDAGÓGICOS Coordenador: MARIA RITA DE ALMEIDA TOLEDO 1197 TRADUÇÕES CULTURAIS DE COMO PENSAMOS EDITADAS NA COLEÇÃO ATUALIDADES PEDAGÓGICAS (1933-1981) MARIA RITA DE ALMEIDA TOLEDO. UNIFESP, SAO PAULO - SP - BRASIL. Com esse trabalho objetiva-se analisar os deslocamentos de sentido que são atribuídos à tradução do título de John Dewey - Como Pensamos –, em cada uma das três versões, publicada na Coleção Atualidades Pedagógicas, pela Companhia Editora Nacional, ao longo do século XX. Para tanto, toma-se por objeto os dispositivos editoriais e tipográficos de apoio a leitura – orelhas, prefácios, notas de rodapé do tradutor – acrescidos a cada uma das versões. Esta coleção foi utilizada nos cursos de formação docente, compondo as bibliotecas de faculdades de Pedagogia, Educação, Psicologia, de Escolas Normais e de Magistério. Ela é componente das práticas que se instauram no processo de constituição da cultura pedagógica e das práticas de formação dos professores no Brasil, nas décadas em que circulou. O estudo de uma coleção de livros na perspectiva da história cultural admite, com Chartier, que não existe texto fora do suporte que dá a ler, que não há compreensão de um escrito, qualquer que ele seja, que não dependa das formas através das quais ele chega ao leitor, daí a importância de atentar para as formas produtoras de sentido ou da materialidade do impresso. A coleção estudada é tomada como objeto cultural que, constitutivamente, guarda as marcas de sua produção e de seus usos, entendida como estratégia editorial de difusão de saberes pedagógicos e de normatização das práticas escolares. As três versões do título de Dewey acompanham as transformações operadas no programa de leitura da própria coleção ao longo de seus 51 anos de existência. No primeiro período da Atualidades (1931-1949), sob direção de Fernando de Azevedo, Como pensamos tinha papel central porque poderia operar a “revolução” na escola - revolução que significaria, nas palavras do prefácio assinado por Anísio Teixeira, a renovação das práticas escolares tradicionais. Na década de 1950, quando de sua terceira edição (e segunda versão), ao título é atribuída, pelo novo editor JB Damasco Penna, o sentido de clássico que demonstraria a maneira melhor e mais acertada de por o pensamento do aluno, interessado, ativo e disciplinado, a serviço da educação (1959). Já no início dos anos 1980, na última edição (e terceira versão) do título, o prefácio é assinado por um dos maiores opositores da leitura de Dewey no Brasil: Van Acker. Nessa última versão, Dewey, e seu título, são apresentados pelo educador católico como ultrapassados, como resquícios de um período educacional já findo, porque não teriam mais seu valor reconhecido nem pelos educadores de esquerda, marxistas militantes, que avaliariam o seu socialismo como pragmatismo burguês, cientificista, individualista e utilitário -, nem pelos educadores católicos, que entendiam que a sociedade democrática por ele concebida não é integralmente humana. Depois dessa versão o título nunca mais foi reeditado. 1239 ESTRATÉGIAS DE MODELIZAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE NOS RELATÓRIOS DA INSPETORIA TÉCNICA EM MINAS GERAIS ROGERIA MOREIRA RESENDE ISOBE. UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIANGULO MINEIRO, UBERABA - MG - BRASIL. Este trabalho se inscreve na perspectiva da história cultural, que busca evidenciar a dinâmica da historicidade da escola, concebendo-a como produto histórico da interação entre dispositivos de normativização de uma cultura escolar e das práticas que os agentes que deles se apropriam. Focaliza questões referentes ao movimento de difusão de modelos pedagógicos que vão produzindo, gradativamente, desde as últimas décadas do século XIX, no Brasil, o desenho institucional dos Grupos Escolares como expressão de moderna e renovada organização da escola primária. Convertendo em

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hipótese de trabalho algumas asserções de Marta de Carvalho a respeito do estatuto central da “pedagogia moderna” na constituição do “modelo escolar paulista”, este trabalho analisa experiências ocorridas no âmbito da Reforma João Pinheiro em Minas Gerais. O conjunto de procedimentos e estratégias mobilizado pelos reformadores mineiros revela a constituição de um sistema de ensino pautado no referencial da pedagogia moderna que se alicerçava na lógica da reprodução desse modelo por meio de dispositivos que promovessem a visibilidade e imitabilidade das práticas escolares. Uma das peças centrais da reforma foi a criação da Inspeção Técnica do Ensino, que visava consolidação da reforma. Na lógica de um sistema de ensino, baseado na prática, no ver fazer, os inspetores técnicos se configuram como modeladores do ensino dando a ver aulas exemplares aos professores nas escolas primárias do estado, fazendo a mediação entre as estratégias de modelagem das práticas culturais segundo seus princípios instituintes, e as práticas alvo dessas estratégias de modelagem: a prática docente. Tomado o conceito de estratégia, de Certeau, flagra a inspetoria e a própria Secretaria do Interior como o lugares de poder que, no âmbito de uma política educacional caracterizada pela ação reguladora e centralizadora do governo, institui uma hierarquia de autoridade entre os agentes educativos. Essa hierarquia está em relação direta com um saber legitimado pelos preceitos da moderna pedagogia que delimitava a competência dos sujeitos e atravessava as práticas escolares, produzindo determinadas formas de relação entre os mesmos: os inspetores técnicos subordinavam-se à autoridade central – Secretaria do Interior – os professores e diretores de grupos escolares subordinavam-se à competência técnica dos inspetores regionais dos quais as praticas sociais emanam. Neste sentido, a análise dos relatórios de inspeção evidencia que o inspetor técnico, respaldado e autorizado por uma suposta competência técnica, atuava sobre o processo educacional e, sobretudo, sobre a prática docente, a partir de um lugar de poder determinado, o lugar de um intérprete autorizado cuja ação visava aproximar as práticas dos professores das regras estabelecidas na conformação de um determinado modelo escolar de educação em Minas Gerais.

1241 ESTRATÉGIAS EDITORIAIS E TERRITORIALIZAÇÃO DO CAMPO DA PEDAGOGIA: UM LIVRO DE SAMPAIO DÓRIA SOB A PENA DO EDITOR DA BIBLIOTECA DE EDUCAÇÃO MARTA MARIA CHAGAS DE CARVALHO UNIVERSIDADE DE SAO PAULO, SÃO PAULO - SP - BRASIL. Esta comunicação analisa a inserção do livro Educação Moral e Educação Econômica, de autoria de Sampaio Dória, na coleção Biblioteca de Educação, organizada por Lourenço Filho para a Companhia Melhoramentos de São Paulo. Toma como referenciais de análise as proposições metodológicas de Roger Chartier, que ressaltam a importância de considerar a materialidade do impresso analisando os seus dispositivos textuais e editoriais de modelização da leitura. E explora analiticamente proposições de Olivero acerca do aparelho crítico que produz a identidade editorial de uma coleção e as contribuições de Genette e Cayuela para a análise de paratextos, como os prefácios. Educação Moral e Educação Econômica, publicado em 1928, é livro produzido sob encomenda. A sua simples publicação na coleção, como o seu III volume, quando tinham apenas sido publicados nela os livros de Henri Pieron, Psicologia Experimental, e de Claparède, A Escola e a Psicologia Experimental, indicia o prestígio de que gozava Dória junto ao organizador da coleção, seu ex-aluno na Escola Normal de São Paulo e antigo amigo, discípulo e colaborador. Figurar na Biblioteca de Educação, ao lado de dois pedagogos então internacionalmente ilustres, era sem dúvida uma honra para Sampaio Dória. Mas a leitura do Prefácio indicia a ambigüidade da situação. Nele, um leitor atento e bem informado poderá perceber que o notável esforço do prefaciador, Lourenço Filho, de enquadrar o volume na coleção, é também estratégia de abrir espaço às novas tendências pedagógicas que o editor acreditava terem suplantado convicções e teorias como aquelas que Dória professava. Para esse leitor, ficam evidentes, nesse prefácio, as estratégias textuais que compõem o perfil de Dória e de suas idéias educativas de modo a reverenciá-las e a concomitantemente situá-las na periferia do movimento de renovação pedagógica que Lourenço postulava capitanear no país. A operação punha em evidência e valorava concepções julgadas compatíveis com as novas doutrinas pedagógicas e silenciava as demais. O tema atribuído ao volume de autoria de Sampaio Dória era relevante no campo da nova pedagogia e não deixava de ser de interesse e 84

domínio deste. Mas não era, certamente, o único tema de predileção do autor. Mais do que isso, na territorialização que a coleção promove, fragmentando os assuntos por volume e destinando cada um deles a um autor escolhido, era o próprio território em que Dória costumava se mover que lhe era subtraído. A pedagogia científica e a psicologia experimental, peças inamovíveis desse território e temas recorrentes em Princípios de Pedagogia, livro que Dória publicara havia pouco mais de dez anos, era assunto destinado a outros autores, mais identificáveis com a propaganda das idéias e dos conceitos que Lourenço acreditava nucleares no movimento internacional pela escola nova.

1261 ESCOLA E NOVA ESCOLA: DISPOSITIVOS MATERIAIS E POLÍTICA EDITORIAL DOS PERIÓDICOS EDUCACIONAIS DA ABRIL DANIEL REVAH. UNIFESP, SÃO PAULO - SP - BRASIL. Este trabalho compara dois periódicos educacionais da editora Abril: ESCOLA e NOVA Escola. O primeiro é editado entre outubro de 1971 e abril de 1974, sendo publicados ao todo 27 números; o segundo é lançado em março de 1986 e continua a ser editado até hoje, numa média de dez números anuais. Cerca de 15 anos separam o início dessas duas publicações, ambas dirigidas aos professores do 1º Grau. Este estudo compara os dispositivos materiais e a política editorial desses periódicos, bem como a sua diferente repercussão entre os profissionais da educação em cada período, de modo a levantar algumas hipóteses sobre essa diferença. A revista ESCOLA foi um fracasso do ponto de vista comercial e da sua repercussão no campo educacional, ao contrário de NOVA Escola, que teve forte penetração entre os professores. Essa diferença é discutida e relacionada com as diretrizes que definem as suas fórmulas editoriais. No caso de ESCOLA, há três diretrizes fundamentais, explicitadas no seu editorial inaugural: a adesão explícita às políticas educacionais do regime militar, pois coloca-se “entusiasticamente” a serviço da Reforma de Ensino instaurada pela lei 5.692/71; a revista pensada como um “instrumento de diálogo e cooperação com o professor de 1o grau”; o uso dos “recursos do jornalismo” numa revista pedagógica. Esse último elemento da sua fórmula editorial é apresentado como um grande diferencial em face do “mais insistente arcaísmo” que seria próprio dos outros periódicos educacionais. Nesse período, ESCOLA diferencia-se nitidamente de outros periódicos dirigidos ao professor, assemelhandose em sua forma material a revistas comerciais da época, como Claudia, Veja e Quatro Rodas, da mesma editora Abril. Nesse tipo de impresso, nota-se uma importante mudança no discurso pedagógico, na mesma medida em que a pedagogia é transformada em notícia. Essa transformação, porém, não torna a revista mais “atraente”, como pretendiam seus editores. É o que atesta o seu fracasso comercial, que podemos supor está ligado à sua adesão às políticas educacionais da ditadura, mas também a um professor-leitor que ainda não existe, tendo em vista tudo o que envolve essa Pedagogia do acontecimento. NOVA Escola é lançada na década seguinte e no seu primeiro editorial a forma jornalística é assumida de forma ainda mais incisiva, pois afirma-se que a revista “não é nem deseja ser uma publicação pedagógica”, sendo produzida por “uma equipe de experimentados jornalistas”, embora conte também com “profissionais da Educação”. O seu sucesso então é certo. E não parece decorrência apenas da sua inserção no “processo de mudança que ora se verifica no país”, com a volta da democracia, conforme indica o seu primeiro editorial. A discussão das diferenças entre os dois periódicos será feita sob a perspectiva da História Cultural, que considera a forma material do impresso inseparável das representações que ele cria, envolvendo também práticas de leitura inscritas nos próprios suportes.

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1283 OS LIVROS SAUDADE (1919), VIDA NA ROÇA (1933), ESPELHO (1928) E CAMPO E CIDADE (1964): UMA APOLOGIA AO MEIO RURAL CLEILA DE FÁTIMA SIQUEIRA STANISLAVSKI. UNESP/FFC, MARÍLIA - SP - BRASIL. Este texto tem como objetivo apresentar aspectos referentes ao meio rural presentes nas histórias dos livros Saudade (1919), Vida na Roça (1933), Espelho (1928) e Campo e Cidade (1964), onde o autor revela sua defesa ao meio rural. Os livros focados neste texto estão agrupados porque ressalta-se nas histórias os personagens principais com características agrícolas num ambiente rural. Dessa forma, estão voltados a convencer os leitores sobre as qualidades da vida no campo, fazendo apologia ao meio rural. Estes livros compõem a Coleção de Leitura Escolar: Série Thales de Andrade juntamente com os livros Ler Brincando (1932), Alegria (1937) e Trabalho (1958), que destacavam a educação rural e o cotidiano das pessoas que moravam no campo. Para o desenvolvimento deste estudo, com resultados preliminares de pesquisa de Doutorado, optei por procedimentos metodológicos de pesquisa documental e bibliográfica situando-o no campo da história do livro escolar no Brasil estruturando-se a partir das idéias de Roger Chartier numa abordagem identificada como história cultural. Centralizo nas idéias de Chartier (2001) que define como relevante num texto as senhas explícitas e implícitas inscritas pelo autor a fim de produzir uma leitura correta de acordo com sua intenção consciente ou inconsciente, visando inscrever no texto convenções sociais ou literárias que permitirão sua sinalização, classificação e compreensão, e estes aspectos são textuais, desejados pelo autor do texto investigado, impondo assim protocolos de leitura. Os livros que compõe a Coleção de Leitura Escolar: Série Thales de Andrade alcançaram muitas edições durante o século XX. Foram publicados pela Companhia Editora Nacional em larga escala, e conquistaram o público leitor. Surgiram no momento de efervescência editorial, no surgimento da Companhia Editora Nacional, contribuindo para o fortalecimento da editora como maior editora do país naquele momento. Foram escritos pelo professor e escritor piracicabano Thales Castanho de Andrade e foram destinados para leitura das crianças do curso primário das escolas brasileiras no início do século XX. A presença de histórias que buscavam na realidade da vida do campo, no cotidiano escolar e nas brincadeiras das crianças davam aos livros uma face real, ultrapassando o campo imaginário, a fantasia e motivando a leitura. Entre os assuntos dos livros da Série estrategicamente o autor abordava temas como a educação como forma de sucesso na vida e a ida à escola, a escola rural e sua comunidade, a infância e suas vivências. O autor dos livros desta Coleção é o Professor Thales Castanho de Andrade, piracicabano, autor e como professor de escola rural teve sua vida dedicada à educação e aos livros, estava envolvido com a escola, as crianças e a comunidade rural.

1252 CULTURA PEDAGÓGICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: A BIBLIOTECA DA ESCOLA NORMAL DE PIRACICABA (1911-1920) ANA CLARA BORTOLETO NERY. UNESP, GUARULHOS - SP - BRASIL. Analisar os livros que fizeram parte do acervo da biblioteca da Escola Normal Primária de Piracicaba, interior de São Paulo, entre 1911 e 1920, é a preocupação central desta comunicação. Organizada a partir do fundo da biblioteca da antiga Escola Complementar de Piracicaba e da política de criação de bibliotecas escolares nas escolas normais do Estado, ela concorre para a constituição de um saber especializado na área de formação de professores. A biblioteca escolar é compreendida como um conjunto de materiais, em especial, de livros que, destinados ao uso do professores e à leitura escolar, “organizam e constituem a cultura pedagógica representada como necessária ao desempenho escolar de seu destinatário, o professor”(CARVALHO, 2007, p. 18). Entende-se, portanto, o conceito de cultura pedagógica como a constituição de um saber específico a partir do conjunto de livros, adquiridos num determinado período, com finalidade de formação docente. Para além do estudo dos conteúdos veiculados por tais livros, o estudo da sua materialidade (Chartier) é evidenciado. Para a análise 86

proposta parte-se dos aspectos materiais que dizem respeito aos usos prescritos e à organização de um repertório que estabelece uma cultura pedagógica determinada. Para caracterizar a cultura pedagógica que se configura neste acervo serão objetos de análise os livros dedicados à Pedagogia. Para esta análise utiliza-se a classificação feita por Carvalho (2007) em que distingue os tipos de impressos pedagógicos em Caixa de Utensílios, Guia de Aconselhamento Tratado de Pedagogia. Como esta biblioteca foi organizada a partir do fundo documental da antiga Escola Complementar de Piracicaba, os livros que fizeram parte deste espólio serão também analisados. Como resultados é possível afirmar que, o momento em foco, é marcadamente de profusão de princípios pedagógicos de diferentes matizes. Neste sentido há a presença de livros nos moldes da Caixa de Utensílios e Guia de Aconselhamento. No entanto, a entrada do livro de Calkins, na escola Normal Primária de Piracicaba, parece destoar um pouco dos caminhos pelos quais a pedagogia parece se direcionar, sobretudo, com a indicação de instalação do Gabinete de Psicologia e Pedagogia, após 1910. Por outro lado, se perfila com o conjunto de livros trazidos por Thompson dos Estados Unidos em suas viagens, em especial, o livro de Emerson White, A Arte de Ensinar, que Thompson manda traduzir em 1911, enquanto impresso que se enquadra como Caixa de Utensílios.

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EIXO 6 - ESTADO E POLÍTICAS EDUCACIONAIS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

A ESCOLA, O ESTADO E A NAÇÃO: PARA UMA HISTÓRIA DO ENSINO DAS LÍNGUAS NO BRASIL (1757-1827) Coordenador: LUIZ EDUARDO OLIVEIRA 412 A CONSTITUIÇÃO DA NACIONALIDADE BRASILEIRA ATRAVÉS DO ENSINO SUPERIOR CRISTIANE TAVARES FONSECA DE MORAES NUNES. UFS E FSLF, ARACAJU - SE - BRASIL. No reinado de D. José I, a sociedade eclesiástica foi substituída por uma sociedade civil. Os interesses da fé e da alma dão lugar aos interesses do Estado, como detentor do poder absoluto. Pelo discurso pombalino de modernidade podemos entender um explícito projeto de nação nas reformas educacionais sugeridas por Pombal, tendo em vista uma desconstrução do modelo vigente proposto pelos jesuítas para uma nova proposta de ideologia ilustrada. O novo projeto social iluminado era baseado na ideia oposta da decadência e estagnação das sociedades alienadas pela superstição e pelo obscurantismo religioso existentes na época. A educação passava a ser tutelada pelo Estado, encarada como um dever público baseado no progresso das ciências e do homem. Na concepção de uma soberania nacional, a Universidade de Coimbra é posta no centro de uma produção cultural ou sociocultural que dará formação a essa nova mentalidade que os intelectuais deveriam dispor. Dessa forma, o papel da universidade se constituiu no progresso desse Estado, que passou a estabelecer-se como força motriz do progresso. A contribuição de Coimbra para a formação da nacionalidade brasileira deve ser analisada através da ação dos egressos da Universidade nos movimentos em favor da Independência do Brasil, em todas as funções políticas, culturais e científicas em que estiveram envolvidos e filosoficamente comprometidos, quer como deputados, senadores, ministros e conselheiros quer como presidentes de Províncias. O legado desse grupo de cientistas possibilitou a formação da identidade nacional brasileira. O presente artigo, fruto de um projeto de pesquisa, busca identificar a relação entre identidade nacional com os cursos superiores, na formação destes intelectuais. Vale ressaltar que apenas os bacharéis brasileiros mais abastados podiam diplomar-se em Portugal, notadamente na citada universidade. Podemos ter uma idéia das implicações das reformas pombalinas no Brasil pelo Alvará de 1759, com o qual foram estabelecidos os primeiros concursos públicos realizados na Bahia para as cadeiras de latim e retórica e a nomeação dos primeiros professores régios de Pernambuco. Enfim, podemos entender as condições de subjulgação do povo brasileiro posto que o nacionalismo passa a ser condição de libertação fabricando a própria nação e a Universidade é posta no lócus da criação desse Estado-nação do Brasil.Os cursos que preparavam os burocratas para o Estado eram as academias militares e os cursos cirúrgicos. Com a chegada dos cursos de direito foi legitimado o cumprimento das atividades cotidianas de elaborar, discutir e interpretar as leis, como tarefa principal do aparato jurídico, fundamental para a concepção da identidade nacional através de um Estado forte e soberano e as instituições educacionais se tornaram o lócus da criação do Estado-nação pela imposição da ideologia nacionalista.

1083 FICCIONALIDADE E DISCURSO IDEOLÓGICO: O EXEMPLO DE LUÍS ANTONIO VERNEY CLÁUDIO DE SÁ CAPUANO. UFRRJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Publicado em 1746, o Verdadeiro método de estudar, escrito pelo oratoriano Luis Antonio Verney, apresenta, como bem observa Ivan Teixeira (1999), traços de “ficcionalidade”. O jogo ficcional empreendido por Verney, ao dispor as ideias contidas no texto em cartas enviadas da Itália a Portugal, apresenta funções e efeitos diversos. Em uma cultura que tem por tradição a oralidade (Lima, 1991), o 89

tom de conversa do texto epistolar garante um primeiro nível de comunicabilidade do conteúdo a ser apresentado. Por outro lado, a omissão das identidades tanto do emissor quanto do receptor das missivas, bem como a sua construção “mascarada”, são recursos importantes, pois provocaram uma discussão, prolongaram-na por longo tempo e sustentaram as principais ideias contidas no texto. Ao reconhecer a autoridade dos jesuítas e demonstrar familiaridade com suas práticas educacionais, o anônimo emissor das cartas praticamente impôs o fato de serem suas ideias dignas de reflexão. Isso ocorre também porque, dentro do jogo ficcional, as cartas são na verdade um parecer encomendado por um douto da Universidade de Coimbra a um religioso italiano, conhecedor da cultura portuguesa. Tais aspectos conferem ao texto uma legitimidade certamente motivadora da imensa repercussão que teve o livro, quando do seu surgimento em um contexto cultural no qual os jesuítas ainda dominavam a educação em todo o vasto reino lusitano. Entender a ficcionalidade como recurso discursivo a serviço da propagação de uma ideologia é um aspecto fundamental da presente reflexão. Apesar de circularem com intensidade considerável no Portugal da primeira metade do século XVIII, pela atuação dos chamados “estrangeirados”, será somente a partir da publicação do Verdadeiro Método de Estudar que o Iluminismo entrará de vez na pauta de todas as reflexões sobre educação no reino português e nas suas então colônias. Base das reformas pombalinas da educação, o Verdadeiro Método, mais de dois séculos e meio de sua primeira edição, contém ideias a respeito de educação e de metodologias de ensino surpreendentemente atuais. A obra colocou de vez o pensamento iluminista no centro das discussões político-educacionais que possibilitaram, dentro dos domínios portugueses, a construção de uma identidade cultural, de que a unidade linguística talvez seja o seu melhor reflexo. O presente trabalho pretende analisar o elemento ficcional na construção do texto verneiano, para salientar a importância desse recurso no desencadeamento irreversível de um processo de mudanças das estruturas conservadoras que haviam se instalado e se consolidado em Portugal desde o século XVI.

995 A INFLUÊNCIA DAS REFORMAS POMBALINAS PARA A COMPOSIÇÃO DE GRAMÁTICAS INGLESAS DOS SÉCULOS XVIII E XIX ELAINE MARIA SANTOS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. Com as reformas pombalinas da instrução pública, a história do ensino das línguas em Portugal e no Brasil alcança estatuto de política linguística e educacional de um Estado-Nação, pois, pela primeira vez, Portugal institucionalizou o ensino nos seus reinos, e colocou todo o controle da educação nas mãos do Estado, retirando o monopólio da Companhia de Jesus. O impulso para a profissionalização do ensino está relacionado ao Alvará de 28 de junho de 1759, conhecido como Lei Geral dos Estudos Menores, através do qual Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, acusava os jesuítas de serem os grandes causadores do estado calamitoso em que se encontravam as Letras Humanas, propondo, como solução, a estatização do ensino e a necessidade de uma habilitação legal para a ocupação do cargo de Professor Régio. O ineditismo das ações propostas pelo Marquês de Pombal durante o século XVIII pode ser confirmado ao se constar que, na França, somente em 1763, o ensino dependente do Estado passou a ser defendido, enquanto que a instituição de escolas públicas na Prússia só ocorreu em 1763, na Saxônia em 1773 e na Áustria somente em 1774. O Projeto Pedagógico de Pombal teve grande impacto durante o reinado de D. José I, no século XVIII, podendo-se rastrear as implicações de seus pressupostos no século XIX, não só em Portugal como também em suas colônias. Esta pesquisa relacionou o contexto sócio-político de tais reformas na colônia Brasileira, a legislação vigente e a continuidade das políticas linguísticas e educacionais do período, como pode ser constatado ao se analisar a Decisão n. 29, de 14 de julho de 1809, considerada a primeira referência ao ensino de idiomas em solo brasileiro, através da qual duas cadeiras de ensino de línguas foram instituídas: uma de Língua Inglesa e uma de Língua Francesa, juntamente com a divulgação das diretrizes para que compêndios fossem produzidos por todos os professores de línguas nomeados no Brasil. Dois compêndios foram analisados neste trabalho: a gramática anglo-lusitancia e lusitano-anglica de J. Castro, publicada em 1759, e a Arte Ingleza, publicada em 1827, pelo Padre Tilbury. A análise de compêndios para o ensino da Língua Inglesa produzidos durante o período estudado neste trabalho nos faz perceber que existia uma 90

continuidade de ideias e de padrões de ensino, comprovando não ter havido uma ruptura no modo pelo qual o ensino de Inglês foi tratado em Portugal e suas colônias. A legislação sobre o ensino de línguas no Brasil no início do século XIX e as gramáticas da época encontradas na Biblioteca Nacional comprova a repercussão das reformas pombalinas e reforçam a necessidade de maiores aprofundamentos sobre esse objeto de pesquisa. 887 A LEGISLAÇÃO POMBALINA E A IDÉIA DE NAÇÃO LUIZ EDUARDO OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. Alguns dos mais importantes historiadores e teóricos que se interessaram pelo tema da nação e do nacionalismo, bem como da identidade nacional, como Hall (2005); Renan (2006); Bhabha (2006); Anderson (2008) e Hobsbawm (2008), são unânimes em situar a emergência da idéia de nação entre fins do século XVIII e meados do século XIX. Anderson (2008) ressalta o papel dos “pioneiros crioulos”. Hobsbawm (2008) atenta para o fato de que os nacionalismos que surgiram depois do Tratado de Versalhes e do pós-guerra, especialmente nos Estados africanos, foram de outra ordem. Em conjunto, no entanto, tais autores raramente fazem referência ao caso ibérico, especialmente o português, fechando os olhos também para as especificidades dos casos americanos, divididos grosseiramente entre os Estados Unidos e a “América Latina”, o que deixa pouco espaço para a reflexão e compreensão dos desdobramentos das políticas educacionais e linguísticas de Portugal, especialmente em seu mais importante domínio, o Brasil. Este trabalho parte do pressuposto de que as reformas pombalinas da instrução pública foram pioneiras não somente no processo de estatização do ensino e de institucionalização da profissão docente (CARDOSO, 2010), mas também no de conformação da idéia de nação, uma vez que a legislação que lhe deu suporte e legitimidade, tendo sido expedida entre 1750 e 1777, mesmo não tendo alcançado seus efeitos de imediato, mas algumas décadas depois, mostra-se inovadora ao adaptar a “Querela entre os Antigos e os Modernos” ao contexto lusitano, contrapondo uma Europa polida, vista como modelo de civilização e progresso sempre almejado, aos jesuítas, que representam um passado a ser repudiado, ao ponto de não pertencerem à suposta linha evolutiva da cultura e do pensamento supostamente português. Desse modo, o discurso da legislação pombalina, proferido e articulado pelo Estado com a colaboração de intelectuais do tempo, foi capaz de mobilizar habilmente as palavras-chave do léxico iluminista então corrente para seus próprios fins, apresentando um elevado grau de autoconsciência histórica e desdobrando-se, às vezes, em verdadeiros discursos fundacionais, os quais se concentram na invenção de uma tradição gloriosa do povo lusitano, nas artes, nas armas e nas letras, quando, na época das grandes navegações, que também fora a época cantada pelo poeta de Os Lusíadas, havia conquistado a América, a África e as Índias, deixando boquiabertos os demais povos europeus, inclusive seus rivais ibéricos – os espanhóis. Assim, a legislação pombalina é aqui vista como uma das estratégias representacionais de construção de uma cultura e uma identidade nacional, para falar como Hall (2005, p. 52-56), o que, levando em conta a cronologia adotada pelos historiadores e teóricos acima mencionados, coloca Portugal – e, em alguns casos, o Brasil – em uma posição central e não mais periférica no processo de construção discursiva das identidades nacionais.

946 A EDUCAÇÃO POMBALINA NA FORMAÇÃO DA INTELECTUALIDADE OITOCENTISTA: AS PRIMEIRAS ANTOLOGIAS E A CONSTRUÇÃO DA IDEIA DE LITERATURA NACIONAL MIRELA MAGNANI PACHECO. UFS, ARACAJU - SE - BRASIL. Este trabalho foi elaborado com base na pesquisa de mestrado em andamento e se propõe a tecer considerações relativas ao alcance da educação pombalina na formação da intelectualidade lusobrasileira, entre os séculos XVIII quando começam a se instalar as reformas pombalinas em Portugal e

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seus domínios, e XIX, que corresponde à geração seguinte à implantação das reformas. É desse último século que datam os primeiros esforços no sentido de formar a identidade brasileira através da fundação de uma literatura tipicamente nacional (ROUANET, 1991; WEBER, 1997), empenhada em fortalecer a nação recém-independente também pela palavra (ACHUGAR, 1994). A importância de ajustar o foco sobre o século XIX encontra-se no fato de que essa idéia de literatura nacional, que se fez propagar pelos discursos de diversos intelectuais oitocentistas, tanto em Portugal como no Brasil, parece ter tido suas origens em dois momentos. O primeiro refere-se à corrente historicista européia, que emerge a partir dos julgamentos críticos do alemão Friederich Bouterwek (1765-1828), influenciado, por sua vez, pela dicotomia entre as literaturas do norte e do sul de Madame de Stael (1766-1817) (CÉSAR, 1978). É nesse período que surgem na Europa outras manifestações de cunho crítico e histórico como as obras de Sismonde de Sismondi e de Ferdinand Denis, além do Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa do poeta e crítico português Almeida Garrett, e que parecem ter servido não apenas para a “invenção da literatura portuguesa”, Como quis Abreu (2003), mas também de base para a produção intelectual oitocentista brasileira, empenhada em fundar a nação pela palavra, no período que sucedeu a independência política do Brasil. O segundo momento antecede essa corrente, referindo-se ao processo de reformação da educação no período pombalino, tanto no que se refere ao ensino de primeiras letras e secundário, a partir de 1759, com a emissão do Alvará régio (FALCON, 1993; ANDRADE, 1978; CARVALHO, 1978; NUNES, 2006; ALMEIDA, 2008), como ao ensino superior, sobretudo na Universidade de Coimbra, que parece ter sido um pólo formador da intelectualidade brasileira, em ambos os períodos, de modo que muitos de seus egressos contribuíram para a formação da idéia de nacionalidade brasileira por diversas frentes (GAUER, 2007). A frente da qual trataremos aqui é a da literatura, que parece ter sido construída, tal como a conhecemos hoje, por um ideário comum que circulou ao longo de todo o século XIX, empenhado em promover um divórcio entre as literaturas portuguesa e brasileira e fundar a nação brasileira. Assim, estudar a formação educacional da intelectualidade brasileira nesses dois períodos torna-se relevante no sentido de melhor compreender a importância da educação como força motriz, capaz de movimentar a intelectualidade de uma época e de ser, ao mesmo tempo, influenciada por ela.

913 LEGISLAÇÃO SETECENTISTA ACERCA DO ENSINO DE LINGUAS SARA ROGÉRIA SANTOS BARBOSA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. A história do ensino da língua portuguesa no Brasil não pode ser desassociada do conjunto de reformas pedagógicas ocorridas em meados do século XVIII, durante o reinado de Dom José I e sob a responsabilidade de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, denominada em história da educação como Reformas Pombalinas da Instrução Pública (1757-1827). As reformas pelas quais Portugal passou significaram uma remodelação do cenário luso e, por extensão, de suas colônias, que integrariam o plano português de constituição de um estado-nação sob as mesmas leis e língua. Uma das primeiras medidas legais foi institucionalizar o português como língua nacional e isso significava que todos os povos sob a mesma bandeira deveriam adquiri-la e, para tanto, foram abertas escolas para este fim. A aquisição espontânea através da oralidade poderia levar o ouvinte a pronúncias que não corresponderiam à forma gramatical e a língua acabaria por apresentar aspectos fonológicos vulgares, características que certamente não deveriam fazer parte do plano de unificação vernacular. O modo mais eficaz para que a língua fosse aprendida seria através de escolas de ler e escrever e para isso fazia-se importante a figura dos mestres de gramática, professores encarregados de ensinar a língua aos meninos e meninas. Na história da unificação da língua portuguesa, as leis que fazem parte das Reformas Pombalinas na Instrução Pública são importantes quando se objetiva, como neste artigo, investigar, à luz da legislação, o processo de institucionalização do ensino de língua portuguesa no Brasil e demais colônias sob o domínio luso. Como se trata de uma pesquisa em andamento, somente serão analisadas três peças que deliberaram acerca da institucionalização da língua portuguesa: Lei do Diretório dos Índios do Grão Pará e Maranhão, de 03 de maio de 1757, que tratava da nacionalização do idioma do príncipe em todo o território lusitano, proibia o uso da língua geral e criava duas escolas para 92

ensino de leitura e escrita da língua portuguesa; o Alvará Régio de 30 de setembro de 1770, em que o ElRei ordenou que os Mestres da Língua Latina instruíssem por um período de seis meses, através da Gramática portugueza composta por António José dos Reis Lobato, os alunos que ainda não dominassem a língua do príncipe e, por fim, a lei de 15 de outubro de 1827 em que se ordena a abertura de Escolas de Primeiras Letras em território brasileiro e a introdução da Gramática da Língua Nacional entre as matérias a serem ensinadas pelos professores.

INVESTIGAÇÕES COMPARATIVAS ESTADUAIS SOBRE A ESCOLA PRIMARIA NO BRASIL (1889-1930). Coordenador: JORGE CARVALHO DO NASCIMENTO 968 O FEDERALISMO REPUBLICANO E O FINANCIAMENTO DA ESCOLA PRIMÁRIA PÚBLICA NO BRASIL JORGE CARVALHO DO NASCIMENTO ; LÚCIA MARIA FRANCA ROCHA . UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, SALVADOR - BA - BRASIL. A análise comparativa sobre o financiamento da Educação nos Estados durante a Primeira República coloca em relevo uma dificuldade: a diversidade dos dados apresentados nos relatórios dos governantes, o que complica a comparação entre as distintas realidades educacionais. Assim, esta comunicação apresenta os resultados preliminares da pesquisa que analisou a questão em seis diferentes Estados brasileiros. Os estudos foram desenvolvidos no âmbito do projeto de pesquisa, já concluído, sob o título Por uma teoria e uma História da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870-1950), financiado com recursos do CNPq. O trabalho busca investigar traços comuns que viabilizaram o financiamento da escola primária graduada no Brasil, a exemplo da indicação em distintos discursos do crescimento dos gastos com a instrução pública, constatando a ausência de uniformidade, se considerados os dados aproximados de receita e despesa totais dos Estados. A investigação utilizou como fonte comum as Mensagens Presidenciais dos diferentes Estados. Estas apontam que os maiores gastos com a instrução pública eram com os edifícios escolares: construção, manutenção, mas, sobretudo, pagamento de aluguéis. De todos os custos com a instrução, os gastos com os aluguéis dos edifícios escolares e com a construção de prédios destinados aos grupos escolares eram, efetivamente, os que mais pesavam ao erário. O grupo escolar era um modelo de escola tido como muito dispendioso. A sua construção exigia muitos gastos, principalmente quando se considera o alto custo das obras, imposto pela sua monumentalidade. Os prédios eram grandiosos e ficavam nas proximidades do centro das cidades, onde o valor dos imóveis era elevado. Os custos financeiros foram, portanto, o principal elemento considerado ao analisar, nos diferentes Estados, o discurso daqueles que não viam com entusiasmo o modelo irradiado a partir da experiência do Estado de São Paulo. A alegação evidenciava as dificuldades financeiras enfrentadas pelas diferentes unidades da República Federal brasileira. O alto custo dos prédios era questionado e outras alternativas foram propostas para a organização de novas instituições escolares. Alguns presidentes e governadores estaduais, inclusive, sugeriam que as municipalidades assumissem esses gastos a fim de desafogar o orçamento. As municipalidades ficariam responsáveis pela aquisição dos prédios e ao Estado caberia adaptar os edifícios aos padrões pedagógicos e manter o ensino, o que permitiria continuar implantando grupos monumentais.
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1062 A ESCOLA PRIMÁRIA E O IDEÁRIO REPUBLICANISTA NAS MENSAGENS DOS PRESIDENTES DE ESTADO: INVESTIGAÇÕES COMPARATIVAS DE 1894 A 1922 JOSÉ CARLOS SOUZA ARAUJO ; RUBIA-MAR NUNES PINTO . UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, UBERLANDIA - MG - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GOIÂNIA - GO - BRASIL. O tema dessa comunicação propõe-se a uma análise de relativa amplitude nacional a respeito da escola primária no Brasil em seu movimento instituinte – desde as suas modalidades coexistentes (escola isolada, escola reunida, escola modelo, grupo escolar etc) -, enquanto expressam uma orientação republicanista a enfrentar os problemas escolares de então, quando o analfabetismo vigente cobria 85% da população brasileira. A periodização privilegiará os diferentes momentos de instauração de políticas educacionais estaduais em torno dos grupos escolares, as quais cobrem de 1894 a 1922. Nesse sentido, tal proposta estará adstrita ao seguinte objeto: uma investigação comparativa do ideário republicanista veiculado em dez estados e um território, com as respectivas datas de instauração dos grupos escolares: Acre (1915), Bahia (1913), Goiás (1918), Maranhão (1903), Mato Grosso (1910), Minas Gerais (1906), Piauí (1922), Rio de Janeiro (1897), Rio Grande do Norte (1908), São Paulo (1894) e Sergipe (1911). As fontes que orientam a referida pesquisa assentam-se nas Mensagens dos Presidentes de Estado bem como nas legislações educacionais estaduais pertinentes às diferentes datações mencionadas. Especificamente, essa orientação terá como foco as datações supra indicadas (ou mesmo próximas, quando for o caso), tendo em vista averiguar como o discurso republicanista - expresso pelas mencionadas Mensagens e pelas legislações estaduais - concebe as questões relativas à educação escolar primária de então. Em termos de resultados, evidenciam-se temas comuns de ordem republicana associados à questão educacional, mas basicamente a expressar o tecido republicano brasileiro que então se fiava: a escola primária apresenta-se articulada ao saneamento moral, à salvação publica, à justiça, à construção da nacionalidade, aos direitos de cidadania, aos interesses do povo. Além disso, a ela cabia também construir a assumida orientação federalista, a de que os diferentes Estados e Municípios viessem a ser coordenados pela União em vista do enfrentamento da educação como problema nacional, da necessária instrução popular, da efetivação da democracia bem como da afirmação de vínculos com a civilização e com o progresso. Este processo, entretanto, não ocorreu de maneira uniforme ou linear nas unidades federativas de então, em vista das condições e configurações político-econômicas e culturais específicas de cada um deles como também pelas desigualdades regionais.
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982 A EDUCAÇÃO ESCOLAR DA CRIANÇA QUE SE FEZ INDISPENSÁVEL (NORDESTE DO BRASIL, 1892-1930) MARTA MARIA DE ARAÚJO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, NATAL - RN - BRASIL. Nas três primeiras décadas do século XX, o bem sucedido ordenamento do sistema escolar público paulista, que, no regime republicano, experimentava modelarmente a institucionalização da escola primária, especialmente a graduada, fez-se referência padrão para certos dirigentes estaduais – programa de estudo combinado com a seriação e a simultaneidade, classe homogênea, método de ensino intuitivo, divisão do trabalho docente, inspeção escolar. Por um lado, muitas foram as visitas comissionadas de diretores da instrução pública visando conhecer a vida escolar resultante de uma organização pedagógica exemplarmente moderna. Por outro, expedientes outros seriam preconizados como, por exemplo, comissionar educadores paulistas para empreenderem reformas da educação escolar adaptadas às condições socioeconômicas locais. No Nordeste do Brasil, implantado o arcabouço político jurídico do Estado federativo republicano, por volta de 1892, os dirigentes insistiram em medidas regulamentadoras diversas – umas restritas à letra da legislação, outras transitórias e algumas efetivas – visando a um programa de reforma da educação escolar pública primária principalmente, nos moldes da organização pedagógica de São Paulo, circunstanciada pelos preceitos da pedagogia 94

moderna. O presente trabalho centra-se na leitura de fontes documentais diversas (mensagens governamentais, legislação educacional, relatórios de diretor-geral da instrução pública), bem como na análise dos estudiosos sobre a institucionalização da escola primária republicana, especialmente nos Estados do Nordeste (Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Piauí), com o objetivo de comparar as peculiaridades, similitudes e distinções relativas às modalidades das escolas primárias implantadas, tendo como pressuposto a organização pedagógica do Estado de São Paulo, no período de 1892 a 1930. As modalidades que compunham o núcleo pedagógico da escola primária republicana nesses Estados nordestinos são analisadas como constitutivas de uma dada forma escolar de socialização, segundo as teorizações dos historiadores Guy Vincent, Bernard Lahire e Daniel Thin (2001). A hipótese defendida é a de que as diversas modalidades de escolas implantadas na Bahia (grupos escolares, escolas isoladas e reunidas), Maranhão (escola-modelo, grupos escolares, escolas isoladas, urbanas e rurais), Rio Grande do Norte (grupos escolares, escolas isoladas e rudimentares), Sergipe (grupos escolares, escolas reunidas e isoladas ou singulares) e no Piauí (escola-modelo, grupos escolares, escolas isoladas e reunidas) correspondiam, em parte, à extensão da educação escolar às crianças das camadas populares, segundo os ditames oficiais de regularidade, uniformidade e gradualidade socioeducacionais; por outra parte, a forma de socialização efetivada em cada uma das modalidades de escola, mediante programa de estudo, série, idade, horário, inseria cada educando no limite da classe social a que pertencia.

HISTORIA DA EDUCAÇÂO SOCIAL: UMA OUTRA ABORDAGEM DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS DESAMPARADOS Coordenador: CYNTHIA GREIVE VEIGA 1086 A EDUCAÇÃO PARA CRIANÇAS E JOVENS DESAMPARADOS NA COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DE SERGIPE (1868-1885) SOLYANE SILVEIRA LIMA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Este trabalho, resultado de pesquisa de doutorado em andamento, tem como objetivo principal problematizar a proposta de formação oferecida pela Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe aos órfãos e desvalidos com idade entre 10 e 14 anos no período compreendido entre 1868, quando ocorre a sua fundação, até o seu fechamento em 1885. A principal hipótese é que essa instituição oferecia um tipo de educação diferenciada com o propósito favorecer autonomia para crianças e jovens desamparados através da aprendizagem de um ofício, oportunizando sua inserção social. O trabalho está dividido em três partes. Inicialmente realizou-se um levantamento bibliográfico sobre as produções a respeito das Companhias de Aprendizes Marinheiros, enfatizando os objetivos, as principais referências e os conceitos utilizados na construção destes trabalhos, sem a intenção de fazer um balanço sobre essas instituições, mas para verificar a presença desse tema na historiografia da educação brasileira. No segundo momento, analisou-se a criação dessas Companhias, com ênfase na de Sergipe, partindo de uma sondagem sobre as suas origens e visualizando-as como instituições militares que se constituíram em uma das poucas alternativas de aprendizado profissional no Império e que se diferenciava da filantropia por partir de uma política pública (quiçá a primeira) do Estado. Por fim, apresento a educação oferecida pela Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe. Esta instituição era um estabelecimento para crianças e jovens desamparados, onde recebiam instrução elementar e profissionalizante prevenindo da ociosidade, da mendicância, da permanência nas ruas e do crime. Enfim se apresentava como uma instituição voltada para educação social. Para analisar a origem e o funcionamento dessa instituição farei uso das contribuições de Norbert Elias, em seus estudos sobre a gênese da profissão naval e sobre a condição de aprendiz. Para discutir a concepção de educação social, buscarei subsídios nas publicações de autores espanhóis da História da Educação Social, dentre eles o Julio Ruiz Berrio, que apresenta o conceito desse campo teórico e Irene Palacio Lis, que desenvolve a

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idéia de que a caridade privada e eclesiástica se transformou em beneficência pública a partir do século XIX, momento este em que surgem as Companhias de Aprendizes Marinheiros no Brasil. As fontes utilizadas foram a legislação nacional e estadual e os relatos de governo(mensagens presidenciais e estaduais). Por se tratar de uma pesquisa que se encontra em andamento, as questões apresentadas não são definitivas, porém consiste num esforço para reflexão e aprofundamento do objeto de estudo. 889 A FORMAÇÃO DO SUJEITO TRABALHADOR NA REPÚBLICA: O ENSINO TÉCNICO PROFISSIONAL E A CRIANÇA DESVALIDA DA FORTUNA IRLEN ANTÔNIO GONÇALVES. CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. O objetivo desta comunicação é o de apresentar algumas reflexões sobre a proposição da República para a formação do trabalhador mineiro, que toma a criança desvalida da fortuna como sujeito principal. Essa reflexão foi desenvolvida por meio da leitura dos discursos do legislativo e do executivo, presentes nos Anais do Congresso Mineiro e na legislação, nas duas primeiras décadas republicanas. Tais documentos foram tomados como fontes, por oferecem subsídios para a compreensão da política para a educação e formação profissional. É um trabalho que faz parte de um projeto de pesquisa em andamento, financiado pelo CNPq, cujo título é “A escolarização das atividades manuais e a formação do trabalhador mineiro sob o ponto de vista do léxico republicano (1892-1920)”. Foram utilizados como referenciais teórico-metodológicos as vertentes historiográficas da História da Educação, entrecortada pela História da Cultura Política e da História dos Conceitos, entendendo-as não como uma compartimentação da história, mas dentro do escopo de uma modalidade de imersão de uma prática social, num dado tempo histórico. O que se propõe é uma compreensão de como foram produzidas as representações de trabalhador, nos seus aspectos determinantes da legitimação de um ideário educativo modernizador e, ainda, identificar como, nos diferentes lugares e momentos, essa realidade determinada foi pensada e construída, pois, foi no campo retórico e discursivo de constituição das políticas de formação profissional que os sujeitos, crianças desvalidas, foram nomeados, indicados, construídos e ganharam visibilidade. Para o estudo dessas representações, considerou-se a produção discursiva dos diversos grupos sociais que estiveram à frente da produção e condução das políticas educacionais, tomando como premissas que: falar da produção da legislação educacional na República é falar da produção de um discurso de representação da própria República. Assim, o mesmo movimento de construção da República é, intrinsecamente, o movimento de construção das proposições de formação do trabalhador, pela via da educação e da instrução escolares. A República não nasceu pronta, assim como não se tinha projetos de formação predefinidos; falar em projeto de formação escolar do trabalhador na República é falar no plural, projetos. Assim, numa República plural, também plural serão os projetos de sociedade, de nação, de cidadania e de trabalhador; os projetos de educação dos republicanos, principalmente o escolar, foram produzidos para produzir a República. 926 EDUCAÇÃO, TRABALHO E PROTEÇÃO SOCIAL NO INÍCIO DA REPÚBLICA BRASILEIRA CARLA SIMONE CHAMON. CEFET-MG, BELO HORIZONTE - MG – BRASIL O objetivo dessa comunicação é discutir a criação das Escolas de Aprendizes Artífices, no início da república brasileira, como política destinada à proteção social dos chamados "desfavorecidos da fortuna". As Escolas de Aprendizes Artífices foram criadas no Brasil em 1909, por meio de um decreto do presidente Nilo Peçanha, com o objetivo de ministrar ensino técnico profissional de nível primário, gratuitamente para crianças na idade entre 10 e 13 anos. Primeira iniciativa da República brasileira nessa direção, tais escolas foram endereçadas pela legislação aos “desfavorecidos da fortuna”. Essa orientação não dava às classes pobres a exclusividade de acesso a essas escolas, mas deixava clara a intenção de que era a esses segmentos que elas deveriam preferencialmente se destinar. É preciso levar

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em conta que no final do século XIX e início do XX, em virtude do desenvolvimento do capitalismo industrial, do processo de urbanização e do fim da escravidão, cresce no País o número dos marginalizados e desamparados socialmente. Nesse contexto, o papel dessas escolas seria, de acordo com o decreto que as instituiu, o de educar e instruir as crianças "desfavorecidas da fortuna" para que elas tivessem meios de “vencer as dificuldades sempre crescentes da luta pela existência”. Era importante que elas aprendessem a trabalhar para produzir seu sustento, sem depender da caridade alheia. O aprendizado de um ofício seria a garantia de subsistência, devendo, por isso, ser transformado em política pública. Aqui, a ação e a preocupação do poder público se dirigem ao sujeito desvalido, sendo ele o alvo das políticas do Estado e a educação profissional a ferramenta que, acreditava-se, seria capaz de produzir proteção social, na medida em que reduziria as incertezas do futuro. Nesse sentido, a questão que pretendemos discutir aqui é se possível perceber nessa educação endereçada às crianças mais pobres, denominadas de “desfavorecidos da fortuna”, a transferência da caridade privada, típica das sociedades filantrópicas do século XIX, para a beneficência pública exercida pelo Estado. Tomamos aqui como fonte principal as leis, regulamentos e relatórios sobre as Escolas de Aprendizes Artífices como forma de identificar nessas instituições uma preocupação social por parte do poder público, buscando também alguns indícios que nos permitam perceber o alcance dessa iniciativa. A análise dessa documentação se faz no diálogo com a historiografia brasileira sobre as Escolas de Aprendizes Artífices, com a concepção de educação social trabalhada por autores espanhóis, como Julio Ruiz Berrio e Irene Palacio Lis e com as reflexões de Pierre Rosanvalon sobre a passagem do Estado protetor para o Estado providência.

1080 A ASSISTÊNCIA PELA PROFISSIONALIZAÇÃO: O CASO DO INSTITUTO PROFISSIONAL JOÃO ALFREDO (1910-1933) MARIA ZELIA MAIA SOUZA. UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL, RIO DE JANEIRO - RJ – BRASIL A presente comunicação tem como objetivo analisar a legislação que regulamentou a assistência e a profissionalização de menores desamparados, internos no Instituto Profissional João Alfredo (IJPA), entre os anos de 1894 a 1933; atentando para as mudanças na concepção de assistência e de educação. O propósito da instituição era abrigar, educar e profissionalizar menores nas condições sociais apresentadas, na faixa etária compreendida entre 12 e 15 de idade. Busco verificar a aplicação do previsto para o funcionamento da instituição asilar/escolar, trabalhando com o cruzamento das normas com outras fontes disponíveis: relatórios dos dirigentes do IPJA e dos prefeitos do antigo Distrito Federal. Para a compreensão do modo como se deu a mudança do discurso da assistência para o da profissionalização, na organização do IPJA, a metodologia utilizada nesse estudo, que resulta de pesquisa em andamento, situa-se na interface entre a chamada história social e a nova história política, especialmente no âmbito da história da educação social. A importância política do antigo Distrito Federal associada ao desenvolvimento industrial teriam sido circunstâncias que proporcionariam condições favoráveis para que ocorressem avanços significativos em relação às políticas públicas voltadas para o cuidado, a proteção e a educação dos menores desamparados. Remete, portanto, ao modo como o sistema de regras atua para viabilizar o funcionamento do IPJA. Por outras palavras, interrogar as condições em que tal sistema foi forjado: o que levou a sua formulação? Qual o seu significado? Sob esse aspecto, considerou-se a legislação examinada como parte do processo de ordenação das relações sociais ao constatar-se que os discursos acerca do “novo” olhar da normalização da assistência e do ensino profissional, proposto pela instituição examinada, antecedeu às próprias regulamentações. O cumprimento das normas nem sempre foi tranquilo frente as necessidades e as exigências sociais. Por outras palavras, a funcionalidade e a harmonia previstas nos regulamentos do IPJA, colocaram em debate outras maneiras de pensar a proteção e a profissionalização de menores desamparados. Apenas tal condição social não era garantia de matrícula no IPJA, pois criaram-se impedimentos legais: a matrícula se efetivaria após prova de exame de admissão (leitura e escrita) e demonstração de aptidão para o exercício da futura profissão. Dessa forma problematizo se o Instituto Profissional João Alfredo estaria perdendo sua característica assistencialista.

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923 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO SOCIAL: UM CAMPO DE INVESTIGAÇÃO PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CYNTHIA GREIVE VEIGA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. O objetivo desta comunicação é discutir a concepção de história da educação social desenvolvida pelo historiador Julio Ruiz Berrio da Universidade Complutense de Madri. Embora o termo educação social seja mais conhecido na atualidade referindo-se a atividade educacional que inclusive não diz respeito à educação escolar, não se pretende aqui um anacronismo. O objetivo da discussão desta concepção é dar visibilidade a outras proposições de educação escolar diferenciada da escola regular, mas que possui em comum no passado e no presente o fato de ser destinada às crianças em situação de desamparo moral e físico. Minha hipótese é que a atual abordagem da história da educação escolar não é suficiente para problematizar a história de outros processos escolares que não o da escola regular. No caso de instituições escolares destinadas a crianças abandonadas e crianças infratoras, não seria necessária outra abordagem conceitual? Enquanto a escola pública regular se organiza principalmente a partir do século XIX, com o objetivo claro de inclusão escolar de todas as crianças, independente da origem social, as instituições voltadas para crianças abandonadas e infratoras, são exclusivas comportando também a existência de uma pedagogia diferenciada, com conotação de reabilitação social e moral, além de oferta de ensino profissional. Observa-se ainda que no caso de pessoas portadoras de alguma necessidade especial também foram criadas desde o século XIX escolas e pedagogias exclusivas, por exemplo, para cegos, surdos-mudos e deficientes mentais. Contudo constata-se que a história da educação tem problematizado pouco sobre a coexistência de escolas com funções diferenciadas a partir do século XIX e priorizado os estudos sobre a escola regular. Entretanto a diversificação na escolarização das crianças foi um acontecimento bastante freqüente sendo necessário problematizar melhor o processo de sua organização por meio da discussão de algumas questões, tais como: a elaboração da função assistencialista de instituições públicas que não as escolas regulares; as diferenças e aproximações nas práticas escolares entre os diferentes tipos de escolas; a existência de propostas de ensino profissional; os diferentes sujeitos envolvidos com educação de caráter assistencial. Para as reflexões sobre história da educação social desenvolvidos nesta comunicação, além de Ruiz Berrio, foram realizados estudos de autores que investigam questões como pobreza, assistência (Bronislaw Geremek) e trabalho infantil (Maria Alice Nogueira, Friedrich Engels), além de questões relativas a perspectivas norteadoras de políticas assistencialistas e de beneficência pública (Pierre Rosanvalon).

REFORMAS EDUCACIONAIS: AS MANIFESTACÕES DA ESCOLA NOVA NO BRASIL (1920- 1946) Coordenador: MARIA ELISABETH BLANCK MIGUEL 874 AS MANIFESTAÇÕES DA ESCOLA NOVA NO PARANÁ: POLÍTICA ESTADUAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES MARIA ELISABETH BLANCK MIGUEL. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. O período no qual as idéias oriundas da Pedagogia da Escola Nova influenciaram a educação escolar paranaense situa-se entre 1920 e 1961. Três fatos são marcantes no período citado: o início, caracterizado pela reorganização e sistematização da educação escolar existente, bem como a introdução do ideário da Escola Nova (1920 a 1938); a consolidação, por meio de uma experiência única realizada na Escola de Professores de Curitiba de 1938 a 1946, e após, sua expansão acompanhando as escolas que se multiplicaram pelo território paranaense impulsionadas pelo desenvolvimento do Estado (1946-1961). Na primeira fase salientam-se as figuras de Prieto Martinez e Lysímaco Ferreira da Costa; e daí em diante é marcante a presença e atuação de Erasmo Pilotto. O trabalho é resultado de pesquisa 98

concluída, fundamentada em fontes documentais (leis, decretos, relatórios, mensagens dos interventores e governadores, códigos de ensino), além dos textos escritos pelos próprios propositores, bem como das obras nas quais os mesmos se inspiraram. As fontes possibilitaram a reconstrução de parte da história e das políticas educacionais vigentes no Paraná, no período, mas somente foi possível compreendê-las quando relacionadas às diretrizes internacionais provenientes da UNESCO, após 1946. Objetiva-se tratar do período de 1920 a 1961 como o período no qual se conformaram políticas estaduais de formação de professores e formação do aluno para fazer frente às demandas geradas pela expansão da lavoura do café em solo paranaense, e pela ocupação de seu território. Sobretudo, objetiva-se mostrar como concretamente, a Pedagogia da Escola Nova inspirou uma proposta de Lei Orgânica Estadual na qual estavam expressos conceitos propostos por Anísio Teixeira (administração das escolas por Conselhos de Educação dos municípios. As realocações de escolas conforme a presença de maior clientela escolar, adoção de livros didáticos e uniformes escolares, proibição de transferências de professores em período escolar constituem medidas racionalizadoras de Pietro Martinez, que antecedem a reforma da Escola Normal aplicada em 1922. Nesta salienta-se a figura de Lysímaco Ferreira da Costa, autor das Bases Educativas para a Nova Escola Normal do Paraná. A pedagogia de Herbart caracteriza a reforma que será modificada em 38 por Pilotto. Este aplicará a princípio, as ideias de Montessori e Decroly e, após as ideias pedagógicas de Langevin e Wallon, dentre outras. A influência de Anísio Teixeira e das ideias veiculadas pelo INEP também são indicadores das manifestações da Pedagogia da Escola Nova no Paraná.

908 A REFORMA FERNANDO DE AZEVEDO E AS COLMÉIAS LABORIOSAS E HIGIÊNICAS NO DISTRITO FEDERAL DE 1927 A 1930 SÔNIA OLIVEIRA CAMARA RANGEL. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Durante os anos em que esteve à frente da Diretoria Geral de Instrução Pública do Distrito Federal, de 1927 a 1930, Fernando de Azevedo tencionou reestruturar a instrução pública estabelecendo a renovação interior da escola na sua organização, nos seus métodos e nos princípios que deveriam instituir a idéia de escola renovada. A concepção de uma nova organização para a escola sustentava-se nos conhecimentos científicos e na transmissão de valores morais e culturais compatíveis com o escolanovismo predominante à época. Com este intuito, Fernando de Azevedo arquitetou procedimentos pedagógicos e educativos das práticas e dos fazeres escolares, concebendo a idéia de que as escolas deveriam organizar-se como colméias laboriosas de trabalho educativo e de higiene. A reforma sistematizou procedimentos ampliando o espaço de aprendizagem, onde a sala de aula, as bibliotecas, os laboratórios, o cinema, o rádio educativo, o teatro, o museu, as ruas e a casa foram incorporadas a essa dinâmica educativa. Assim, por educação nova identificaram variados planos e ex¬periências em que eram introduzidas idéias e técnicas novas, a exemplo dos métodos ati¬vos, da adoção de testes e a adaptação do ensino às fases de desenvolvimento de cada aluno. Dessa forma, as experiências realizadas pelas Diretorias Gerais de Instrução Pública dos Estados, nos anos de 1920, passaram a significar a produção de uma for¬ma nova de educar as crianças num movimento que tendia a uniformizar um modelo ideal de educação, de escola e de aluno. Objetivando refletir sobre o projeto elaborado por Fernando de Azevedo para o Distrito Federal, pretendemos perscrutar os sentidos constitutivos da idéia de educação formulada por esse educador, bem como a matriz de intervenção que fundamentou as formas de pensar a escola. Partindo dessa compreensão, esse texto estrutura-se num duplo esforço de reflexão teórica: em primeiro, busca contextualizar a Reforma no quadro das reformas sociais estabelecendo, para isso, articulações entre os campos médico e o pedagógico; em segundo pretende matizar as concepções que orientaram a ação intervencionista de Fernando de Azevedo focalizando as práticas e os fazeres pedagógicos que se instituíram no espaço escolar a partir das interfaces indicadas. Para isso, enfatizaremos como corpus documental de análise os relatórios, os boletins, os jornais e os livros que nos ajudem a (re) compor as redes de sociabilidade que se organizaram em torno dos projetos reformadores do social. Nesse cenário, o lema “escola para todos”

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configurou-se como elemento instituidor de organização das relações sociais e familiares e, portanto, como peça primordial de progresso, de higiene e de modernização do país.

701 A INTRODUÇÃO DA ESCOLA NOVA EM MATO GROSSO ELIZABETH FIGUEIREDO DE SÁ. UFMT, CUIABA - MT - BRASIL. Os princípios pedagógicos da Escola Nova, em ampla expansão no Brasil a partir da década de 1920 principalmente através das reformas educacionais, caracterizaram-se pela centralização da criança no processo educativo estabelecendo uma nova relação professor-aluno, a reformulação dos programas de ensino dos cursos primários e de formação de professores, observando o desenvolvimento biológico e psicológico da criança; e, a proposição de novas metodologias que respeitassem as capacidades individuais considerando o ritmo de aprendizagem de cada criança. Contrapondo-se à “pedagogia tradicional” que se fundamenta na transmissão pelo professor dos saberes acumulados pela sociedade, através da sua palavra ou pela observação sensorial; a educação, na concepção escolanovista, não é uma preparação para a vida, é a própria vida, é a interação entre o indivíduo e o meio através de situações de experiência que visam o desenvolvimento de suas potencialidades. Tal ideário também esteve presente na educação mato-grossense, principalmente no âmbito legal e nos discursos dos governantes e intelectuais da educação. A presente comunicação tem como objetivo desvendar os meios pelos quais as idéias escolanovistas foram introduzidas no cenário educacional do estado de Mato Grosso na década de 1920 através da análise da reorganização curricular da Escola Normal (1923 e 1926), da reorganização curricular dos grupos escolares (1924) e do Regulamento da Instrução Pública Primária (1927), instituído no governo de Mario Corrêa da Costa e elaborado por uma comissão composta pelo Diretor da Instrução Pública, Dr. Cesário Alves Corrêa e pelos professores Jayme Joaquim de Carvalho, Isaac Povoas, Julio S. Muller, Franklin Cassiano da Silva, Rubens de Carvalho, Philogônio de Paula Corrêa, Fernando Leite de Campos, Nilo Póvoas e Alcino Carvalho. Constitui-se como um resultado parcial da pesquisa em andamento intitulada “O ideário escolanovista em Mato Grosso”. Percebe-se, após a análise da documentação apontada, a preocupação das autoridades do governo em acompanhar as idéias pedagógicas que circulavam no País, através da viabilização da participação de representantes em congressos promovidos pela ABE e pela União e do investimento na reorganização da Instrução Pública, tanto no curso de formação de professores, como do ensino público primário. Ressalta-se que se encontra presente nos discursos legais a preocupação, mesmo que de modo incipiente, com os cuidados e a formação integral da criança mato-grossense.

881 O INQUÉRITO SOBRE A INSTRUÇÃO PÚBLICA (1926) E AS DISPUTAS EM TORNO DA EDUCAÇÃO EM SÃO PAULO DIANA GONÇALVES VIDAL. FEUSP, SAO PAULO - SP - BRASIL. Em 1922, o Brasil comemorava o aniversário de 100 anos da Independência. Para os festejos, a capital da República fora preparada em grande estilo, o que incluiu o arrasamento do morro do Castelo e do pobre casario que ali vicejava, recompondo o cartão-postal do centro da cidade do Rio de Janeiro; e a realização de uma Exposição Internacional, idealizada com o propósito de exibir o progresso material e científico alcançado pelo país, à semelhança das Exposições Universais, ocorridas em diversas nações do mundo desde 1851. As duas iniciativas, de grande repercussão, não foram, entretanto, as únicas expressões do ímpeto comemorativo que a data sugeriu. Embalados pela efeméride, diversos intelectuais, políticos e instituições propuseram a elaboração de inquéritos e balanços, nos vários âmbitos sociais, com o intuito de interpelar o passado, ressignificar o presente e, principalmente, traçar os rumos do futuro. Passados apenas cinco anos, outro centenário era comemorado no país: o centenário do ensino primário. Apesar de hoje bastante esquecido pela historiografia educacional, o dia 100

15 de outubro de 1927 foi marcado por uma série de manifestações públicas que incluíram desfiles infantis, promulgação de reformas educativas, como o Código elaborado por Francisco Campos para Minas Gerais, além de um intenso debate sobre a educação nacional. O balanço e a prospecção ou, como diria Michael Conniff (2006), o planejamento social eram importantes chaves de entendimento do período. O Inquérito sobre Instrução Pública, organizado, em 1926, por Azevedo para O Estado de S. Paulo não fugia à regra. Premido entre os dois centenários, da Independência e da Lei do Ensino Primário, e impulsionado pelo desejo de coligir opiniões sobre a educação paulista, inseria-se no movimento que pretendia perquirir o presente e investir no futuro. Nos dois casos, compromissos ideológicos e políticos entreteciam a operação e evidenciavam-se nos resultados obtidos. Para apreciálos, proponho que nos debrucemos apenas sobre a primeira parte do Inquérito, que corresponde à temática do ensino primário e normal e foi publicada entre 10 e 30 de junho de 1926. Com intuito de estruturar a exposição, organizei a comunicação em quatro itens. No primeiro, faço uma breve caracterização do Inquérito: as partes que o compunham e seus objetivos declarados. No segundo, procuro reconstituir o micro-clima das contentas político-educacionais que desenharam os contornos da enquete. As principais propostas são objeto de investimento no terceiro item. Por fim, discorro sobre as releituras feitas por Fernando de Azevedo a propósito de publicação do Inquérito em 1937 e 1957.

932 A ESCOLA NOVA EM SERGIPE NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX ANAMARIA GONÇALVES BUENO DE FREITAS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. Este estudo é produto de uma pesquisa concluída com o objetivo de perceber os processos de apropriação dos discursos e das práticas relacionadas com o ideal escolanovista em Sergipe, e baseia-se nos pressupostos teórico-metodológicos da História Cultural. Durante as primeiras décadas do século XX, em Sergipe, os diferentes grupos de intelectuais com responsabilidades sobre a política educacional, compreenderam o movimento da Escola Nova, como um projeto pedagógico capaz de auxiliar na resolução dos problemas referentes à Educação, principalmente, no que diz respeito à difusão da escola pública, gratuita e laica, bem como a renovação dos métodos de ensinar e aprender. Para a realização da pesquisa foram consultados as dissertações do Núcleo de Pós-Graduação da Universidade Federal de Sergipe, e fontes localizadas nos acervos do Instituto Histórico Geográfico de Sergipe, do Arquivo Público do Estado e em escolas públicas e privadas. Os documentos analisados apontam o diálogo entre os intelectuais da educação sergipanos e as relações que  estes estabeleceram, com aqueles que comandavam as reformas educacionais, no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia. A atuação do professor paulista Carlos da Silveira na Direção da Instrução Pública, no período de 1909 a 1911, a convite do Presidente do Estado, Rodrigues Dórea e o projeto de modernização apresentado por ele que previu a construção de grupos escolares, a organização do serviço; inspeção escolar, e a adoção de novos métodos de ensino, entre outras propostas, tornam-se emblemática para a compreensão da apropriação dos ideais escolanovistas em Sergipe. A incorporação do discurso reformista passou, também, pela forte mediação das viagens que estes intelectuais fizeram a São Paulo e ao Rio de Janeiro e a intensa comunicação com os reformadores baianos. A difusão da inspeção escolar desenvolvida como tecnologia de controle/acompanhamento do Estado juntamente com a prática de reuniões pedagógicas, serviram de estratégias para a divulgação e adoção de novos métodos pedagógicos. É possível afirmar que a apropriação de padrões do movimento da Escola Nova em Sergipe, foi ajustada ao conunto das necessidades e possibilidades existentes no âmbito local, não apenas em fase da compreensão que tiveram os intelectuais sergipanos que se entusiasmaram pelo movimento, mas também considerando os conflitos e resistências enfrentados pela proposta. A modernização dos métodos de ensino, a aquisição de materiais pedagógicos, o controle exercido pela inspeção e a preocupação com a formação dos professores adequados aos novos ideais pedagógicos, apresentam-se como marcas significativas da educação em Sergipe, nas primeiras décadas do século XX.

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922 ENSAIOS DA ESCOLA NOVA NA PARAÍBA (1930-1942) WOJCIECH ANDRZEJ KULESZA. UFPB, JOAO PESSOA - PB - BRASIL. As iniciativas tomadas em alguns Estados nos anos 20 do século passado objetivando a constituição de sistemas de ensino sintonizados com as transformações produtivas dirigidas para a substituição de uma economia primária por outra baseada na industrialização foram novamente colocadas em destaque com a irrupção da Revolução de 30. Dada a heterogeneidade regional desse processo econômico, a promoção da escolarização em novas bases, tanto quantitativa como qualitativamente, teve seu maior impulso nas regiões de maior urbanização, notadamente no então Distrito Federal, não somente por sua saliente visibilidade política, mas também devido ao seu favorecimento na distribuição das verbas federais para a educação. Porém, na grande maioria das unidades da federação, como aconteceu no caso da Paraíba, a questão premente da universalização da educação primária teve uma resposta efetiva pífia, limitando-se a uma mera expansão quantitativa, desordenada e politicamente clientelista, sem que houvesse grandes mudanças nos métodos ou nos objetivos do ensino. Todavia, não faltaram iniciativas, mesmo que isoladas e personalistas, para modernizar o sistema educacional dos Estados, principalmente antes da centralização do poder com o Estado Novo e da transferência da representação dos interesses regionais do Congresso Nacional para os órgãos técnicos da burocracia estatal. Neste trabalho, tomando como fio condutor principal a atuação do escolanovista José Baptista de Mello na reforma do ensino público da Paraíba na década de 1930, procura-se historiar esse processo de modernização do ensino num Estado pouco afetado em sua estrutura produtiva e que manteria praticamente intacta a estrutura de poder oligárquica herdada da República Velha durante todo esse período. Inspirado nas reformas realizadas por Anísio Teixeira no Rio de Janeiro, as quais teve a oportunidade de conhecer pessoalmente graças a uma visita financiada pelo governo paraibano, Mello centrou suas ações na formação de professores projetando inclusive a criação de um Instituto de Educação concebido nos mesmos moldes daquele organizado na Capital Federal pelo educador baiano introdutor do escolanovismo americano no Brasil. A reação oligárquica local, sempre acolitada pelo clero católico, reduziu drasticamente o alcance das reformas encetadas por Mello, voltando-se ao elitismo educacional anterior, situação que seria consolidada pela ação direta do governo federal durante a ditadura Vargas no ensino primário e normal dos Estados.

RELEITURAS SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO SECUNDÁRIO NO BRASIL (1942 – 1971) Coordenador: ROSA FATIMA DE SOUZA 938 AS POLÍTICAS DE EXPANSÃO E DE MODERNIZAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO NO ESTADO DE SÃO PAULO E A QUESTÃO DA QUALIDADE DA ESCOLA PÚBLICA (1945 – 1968) ROSA FATIMA DE SOUZA. UNESP/ ARARAQUARA, ARARAQUARA - SP - BRASIL. Apresentamos nesta comunicação resultados parciais de projeto de pesquisa em andamento intitulado “Educação Secundária e Disseminação da Cultura Literária e Científica no estado de São Paulo (1931 – 1982)”. O texto analisa as políticas de expansão e modernização do ensino secundário implementadas pelos governos do estado de São Paulo no período de 1945 a 1968. A historiografia da educação do estado de São Paulo tem reafirmado o funcionamento de apenas três estabelecimentos públicos de ensino secundário durante a Primeira República: o Ginásio de São Paulo instalado em 1894, o Ginásio de Campinas em 1896 e o de Ribeirão Preto em 1906. A atuação do Poder Público privilegiou a educação primária deixando a cargo da Igreja e da iniciativa particular a oferta da educação secundária. Somente a partir dos anos 30 do século XX, os governos do Estado voltaram-se para a ampliação da oferta de vagas 102

de nível médio promovendo a expansão principalmente do curso ginasial. Inicialmente, a estratégia de expansão recaiu sobre a estadualização dos ginásios municipais. A partir da década de 1950, a expansão foi contínua e rápida. O número de ginásios elevou-se de 41 em 1940 para 465 em 1962. Para a estruturação dessa rede de ginásios e colégios foram criados novos órgãos de administração do ensino e um conjunto de prescrições visando a normatizar a organização administrativa dos estabelecimentos de ensino, a carreira docente e as práticas educativas. Nesta comunicação apresentamos um recorte bem específico da pesquisa, ou seja, o exame das transformações institucionais ocorridas na educação secundária do estado de São Paulo e da atuação dos sujeitos envolvidos com essas práticas normativas e políticas utilizando como corpus documental a legislação sobre educação secundária e normal, as mensagens dos governadores do estado e secretários da educação, os projetos, programas e demais prescrições estabelecidas pela Secretaria de Educação, especialmente pelo Serviço do Ensino Secundário e Normal. Trata-se, portanto, de um primeiro mapeamento sobre o conjunto das políticas de expansão e modernização do secundário levadas a termo no estado com o objetivo de compreender as políticas implantadas pelo governo estadual para este nível de ensino, os dispositivos normativos de ordem político-institucional envolvendo a criação e a organização das escolas (ginásios e colégios), a dinâmica entre demanda e oferta educacional secundária, a composição do corpo discente e docente (formação e condições de trabalho). Partindo da compreensão desses elementos pretendemos problematizar a relação entre mudanças institucionais e suas implicações nas representações sociais sobre o papel da escola secundária na sociedade. (Apoio: FAPESP).

967 AS MUDANÇAS DE SENTIDO E DE OBJETIVOS SOCIAIS DO ENSINO SECUNDÁRIO BRASILEIRO: O CASO DO COLÉGIO ESTADUAL DE UBERLÂNDIA, EM MINAS GERAIS (1942-1971) DÉCIO GATTI JR.; GERALDO INACIO FILHO; GISELI CRISTINA DO VALE GATTI. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, UBERLANDIA - MG - BRASIL. Nesta comunicação, parte-se da assertiva de que o ensino secundário brasileiro encontrou expansão significativa de matrículas entre as décadas de 1940 e 1970, com a passagem de aproximadamente 100 mil para 1,2 milhões de alunos matriculados no período. Por conseqüência, o número de professores saltou de aproximadamente 12 mil para quase 70 mil. Porém, esse período de expansão foi acompanhado de mudanças na legislação educacional, bem como nas instâncias promotoras do ensino, com a emergência de iniciativas da sociedade civil, de corte particular, como contraparte da oferta estatal e confessional já existente e também em expansão. Objetiva-se compreender o processo mais amplo e a forma particular tomada pelas mudanças no ensino secundário brasileiro, o que correspondeu tanto a alterações do sentido social das instituições escolares, o que pode ser percebido pelas mudanças da trajetória social dos egressos das instituições escolares no período, mas, também, de alterações dos objetivos sociais, o que pode ser percebido, sobretudo, por meio do exame das mudanças curriculares, dos saberes disseminados, do elenco de disciplinas, suas cargas horárias e os conteúdos explícitos, mas, também, das práticas e métodos de ensino escolar. No interior desse contexto mais geral, procurou-se examinar o caso particular do Colégio Estadual de Uberlândia, por meio da pesquisa históricoeducacional, servindo de documentação existente, sobretudo, no arquivo da escola, do município e da universidade, bem como dos depoimentos junto a antigos alunos, professores e dirigentes. Instituição escolar que ocupava, no período histórico em tela, centralidade, mas não exclusividade, na formação dos estudantes da cidade e de seu entorno – a região do Triângulo Mineiro – e mesmo sobre estudantes de cidades próximas, oriundos, principalmente, dos estados de Goiás e de São Paulo, no interior de um processo mais amplo de modernização que era efetivado na cidade, com papel importante no processo de desenvolvimento do estado de Minas Gerais e do país, dado que a cidade se estabeleceu como eixo de circulação entre o Sul/Sudeste e o Centro-Oeste/Norte do país, no qual ocorrem ações concretas de urbanização, criação de estradas de ferro e de rodovias, implantação de serviços públicos e de intensificação da atividade comercial, ao lado da criação e manutenção de instituições escolares. Conjunto de iniciativas que demonstram a relação, forte e consistente, entre o que se passa na cidade e na escola, neste caso, na escola secundária, com as finalidades sociais mais amplas (Apoio: CNPq/FAPEMIG). 103

993 CULTURA ESCOLAR E PERFIL DO CORPO DOCENTE NO COLÉGIO ESTADUAL DIAS VELHO (1947-1964) NORBERTO DALLABRIDA. UDESC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. Entre meados da década de 1940 e início dos anos 1960, no Estado de Santa Catarina, o subcampo do ensino secundário era formado por uma grande e vigorosa rede de educandários confessionais e somente quatro colégios públicos e gratuitos, que foram criados nos institutos de educação ou nas escolas normais. O Instituto de Educação Dias Velho, localizado em Florianópolis, capital de Santa Catarina, implantou, a partir de 1947, o curso ginasial – primeiro ciclo do ensino secundário – e, dois anos depois, os cursos clássico e científico, que integravam o segundo ciclo do ensino secundário, engendrando a criação um colégio público homônimo. Desta forma, o Colégio Estadual Dias Velho afirmou-se como o principal estabelecimento de ensino secundário de caráter público, gratuito e coeducativo de Santa Catarina. O objetivo do presente trabalho é compreender como a cultura escolar prescrita nos textos normativos foi apropriada no Colégio Estadual Dias Velho, entre 1947 e 1964, a partir da constituição do seu corpo docente. O conceito de apropriação é compreendido na perspectiva de Roger Chartier, que considera que os bens culturais são usados de forma diferenciada de acordo com as disposições de grupos sociais específicos. Nas instituições escolares os bens culturais também são apropriados de forma inventiva e singular, especialmente pelo trabalho pedagógico dos professores/as. A análise do perfil do corpo docente do Colégio Estadual Dias Velho considera os percursos escolares e as preferências pedagógicas, culturais, políticas e religiosas dos professores/as que o constituía, à luz das reflexões sociológicas de Pierre Bourdieu. Pelo fato de serem selecionados por concurso público, os professores/as do Colégio Estadual Dias Velho, chamados de “lentes catedráticos”, constituíam um quadro sócio-profissional qualificado e diversificado, que tinha prestígio social. Essa configuração docente distinta, que concorria para um ensino público de qualidade, começou a ser alterada no início da década de 1960 devido à implantação da Universidade Federal de Santa Catarina (1961), que atraiu professores secundaristas; à massificação do ensino secundário, viabilizada pela construção de um novo e imponente prédio para o Colégio Estadual Dias Velho, inaugurado em 1963; e ao golpe militar de 1964, que desligou professores considerados subversivos. Este trabalho apóia-se em documentos escolares escritos, em matérias de jornais impressos e, especialmente, em depoimentos de exprofessores/as do Colégio Estadual Dias Velho. Pretende-se, portanto, ler a cultura escolar do Colégio Estadual Dias Velho pela compreensão do perfil do seu corpo docente.

1074 O ENSINO SECUNDÁRIO SEGUNDO O ESTADO DE S.PAULO: ANÁLISE DOS EDITORIAIS DE LAERTE RAMOS DE CARVALHO. BRUNO BONTEMPI JUNIOR. USP, SAO PAULO - SP - BRASIL. Resumo: Esta comunicação trata dos editoriais de O Estado de S.Paulo (OESP) sobre o ensino secundário durante a tramitação da Lei de Diretrizes e Bases (1947-1961). Redigidos por Laerte Ramos de Carvalho, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, esses editoriais expressam, não só a reação da fração da elite liberal paulista, representada na redação daquele diário, diante da expansão desse ramo de ensino por força das pressões populares pelo acesso e pela abertura de vagas, mas as concepções partilhadas pelo jornal e por certos setores da Faculdade de Filosofia sobre o modelo ideal de ensino secundário, tendo em vista sua natureza humanística e sua finalidade preparatória para o ensino superior. Naquele momento histórico, em que se estiolava a organização do sistema de ensino instituído pelas Leis Capanema e em que a oportunidade da LDB estimulava os grupos interessados a fazer valer ideias e proposições para a sua reformulação, o ensino secundário era objeto das maiores inquietações. Em São Paulo, como decorrência direta da crescente demanda por vagas de escolarizados em nível básico e da preferência das famílias pela continuidade dos estudos no ramo de ensino médio que permitia o acesso ao ensino superior, teve início nos anos de 1950 uma vertiginosa 104

expansão dos ginásios, seja pela criação de estabelecimentos legais e regulares, seja pela criação de seções e desdobramento de turnos. O executivo paulista, na vigência da política populista, responde a essas demandas, administrando a criação de vagas como moeda de troca no jogo político local. OESP, cujos proprietários e principais colaboradores eram contrários à “política adhemarista” e defendiam propostas educacionais originalmente fundados na organização do ensino à luz da criação de um edifício cujo topo seria a USP, tomaram posição diante do tema, que, pela freqüência com que foram tratados em Notas e Informações, era de fundamental importância. Os argumentos giram em torno da tensão entre a democratização do acesso e a qualidade do ensino, sobre a privilegiada interlocução e articulação do ensino secundário, particularmente no segundo ciclo, com as expectativas de formação de pesquisadores e professores secundários em nível universitário.

1061 ESCOLAS EFICIENTES NO PASSADO: CRITÉRIOS PARA ANÁLISE. O COLÉGIO ESTADUAL “CANADÁ” DE SANTOS. MARIA APPARECIDA FRANCO PEREIRA. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. Hoje há um sentimento de profunda insatisfação e de desencanto pelo funcionamento da escola. Freqüentemente têm aparecido estudos, no meio acadêmico, que analisam as escolas públicas de nível secundário como escolas de excelência no passado e que, a partir da década de 1960, foram perdendo o seu prestígio, quando a política educacional brasileira teve que democratizar o acesso à escola. As análises habituais centram o êxito na presença e permanência de professores marcantes, liderança de diretores, presença de espaços tempos culturais, entre outros. Por outro lado, acusam a sua decadência com a simples expansão linear dos sistemas de ensino, pelo aumento da sua população escolar e pela popularização do ensino. Professores que continuam ensinando, considerando a escola do passado. E sabemos que a escola hoje não é a mesma da primeira metade do século XX. Percebe-se, apesar dos inúmeros esforços e lutas, uma incapacidade de gerir a transição de uma instituição escolar “de vocação elitista para uma escola de massas, com um público muito vasto e heterogêneo, social e culturalmente”. As escolas não estão preparadas para a mudança nem para os desafios da inclusão. A presente comunicação tem o objetivo de trazer à tona critérios para consideração do fenômeno, fundamentado em bases teóricas, e reunir um conjunto de indagações sobre o tema em discussão. Foram utilizados pensadores que desenvolvem trabalhos de análise das instituições escolares e buscam refletir sobre a identidade da escola, como Rui Canário, Antonio Nóvoa e abordagens sociológicas (Dayrell e Licínio Lima). Dayrell privilegia as diferentes relações ocorridas no âmbito escolar, considerando a escola um espaço sócio-cultural, onde os alunos re-significam os espaços da escola, alterando sua função social. Lima levanta um quadro teórico para o estudo da escola como organização educativa e ação pedagógica organizada. Nóvoa observa que o que pode explicar as condições de sucesso não são as variáveis tomadas uma a uma, mas sim encarada a escola com uma totalidade singular. Canário observa que a escola vive uma mutação desde a década de 1970. A crise da escola é uma crise do modo de pensá-la. Para a discussão do tema tem-se presente a escola secundária estadual “Canadá”, criada em 1934 em Santos e lembrada por todos que passaram por ela, nas décadas de 1930-1970, como escola de excelência. Lamenta-se o estado em que ela se encontra hoje, apesar de muitos esforços para reerguêla. A abordagem da problemática foi feita a partir da consideração da atuação dos professores, na visão dos seus alunos, na atualidade profissionais competentes com liderança no meio em que atuam. A metodologia utilizada é o estudo dos teóricos indicados e a análise de algumas dissertações de mestrado sobre esse colégio e que fizeram uso de documentação da instituição, ao lado de inúmeros depoimentos orais de ex-alunos.

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POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL: GENEALOGIA E PERSPECTIVAS Coordenador: LIA CIOMAR MACEDO DE FARIA 1404 EDUCAÇÃO DOMÉSTICA: DE VOLTA A CASA MARIA CELI CHAVES VASCONCELOS. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Na maior parte dos países ocidentais, o século XIX marca o início da escolaridade obrigatória aliada à estruturação e organização dos sistemas de ensino sob o domínio do estado, que interferindo na educação, vai, progressivamente, tornando-se o condutor das políticas educacionais. Tal processo, tem seu ápice no século XX, quando, em alguns países, é consagrada a escolaridade obrigatória e o estado, direta ou indiretamente, torna-se o mantenedor e o regulador, respectivamente, das redes públicas e privadas de escolarização. Neste caso, encontra-se o Brasil que, a partir da Constituição Federal de 1934 tem decretada a escolaridade obrigatória para todos os cidadãos, ainda que apenas a escolaridade primária. No entanto, ao consolidar a demanda estatal, outras formas de educação, praticadas ao longo da história e identificadas como adequadas à formação de crianças e jovens, foram destituídas deste lugar, anteriormente, ocupado. O presente estudo tem como objetivo analisar, em uma perspectiva histórica, as possibilidades que se apresentam, na atualidade, do retorno aos espaços privados, como à casa, categoria de lugar apropriado e reconhecido de educação e ensino, através das novas tecnologias disponíveis, que rompem com os limites físicos e estruturais presentes na escola. Nesse sentido, metodologicamente desenvolvemos um estudo comparado com Portugal, onde o ensino doméstico é legal e onde já existem algumas famílias que optaram por ensinar os seus filhos na casa, exercendo o direito de escolher o gênero de educação que querem dar às crianças e jovens. Ainda que as Leis em vigor não permitam, no caso do Brasil, a página oficial do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), órgão pertencente ao Ministério da Educação do Brasil (MEC), contém o conceito de desescolarização como sendo “Supressão da instituição escola. Movimento que combate à educação formal, atribuindo-lhe funções repressivas, e que preconiza a educação por meios livres e não-convencionais”. Tomando como referência Ivan Illich, o sistema educacional atual, seria fruto da revolução industrial do século XIX, e, portanto, baseado em seus modelos de fábricas, compulsórias, hierarquizadas, e orientadas para medidas, que além de fragmentar o conhecimento, separava os alunos apenas de acordo com a idade. Embora o conceito apresentado refira-se, especialmente, as características da escola que, supostamente, a fariam atuar como uma instituição repressora e reprodutora da ordem social vigente, trazendo mais problemas do que soluções, o sentido da palavra desescolarização pode estar, hoje, mais afeito à idéia de que a sociedade desescolarizada poderá ser alcançada com redes de aprendizado, por meio das ferramentas da web, além das inúmeras possibilidades tecnológicas já existentes.

1406 EDUCAÇÃO MUNICIPAL: INTERVENÇÕES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS FEDERAIS ROBERTO FARIA. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Ao longo dos anos 90, a partir da Constituição Federal de 1988, da Emenda Constitucional nº 14 e da LDB, ambas de 1996, novo panorama educacional tomou forma no Brasil, causando impactos principalmente no meio rural. Naquele momento se redefiniram as responsabilidades de estados e municípios na oferta da educação escolar, instituíram-se mecanismos de colaboração, financiamento, e manutenção entre as três esferas, reforçando-se o papel da União, como coordenadora das políticas em âmbito nacional. Entre outras incumbências, a LDB (art.87) atribui durante a Década da Educação (1997 a 2007), ao município e supletivamente aos estados e à União, prover cursos presenciais ou a distância para jovens e adultos, insuficientemente escolarizados, matricular todas as crianças a partir dos sete anos no ensino fundamental, realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício 106

e integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental ao Sistema Nacional de Avaliação do Rendimento Escolar. Considerado pelo Governo Federal como a principal reforma educacional promovida pelo Brasil na década de 90, o Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (FUNDEF) assegurava a redistribuição dos recursos públicos, vinculados ao ensino obrigatório de acordo com o número de alunos atendidos pela rede municipal e estadual de ensino e um gasto anual por aluno. Ao mesmo tempo, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FNDE) a União exerce sua função supletiva e redistributiva em relação à escolaridade obrigatória.A investigação tem como objetivo desvelar algumas contradições: a regulamentação do FUNDEF implicou em perda ou aumento da receita, enquanto nas chamadas políticas compensatórias, como Renda Mínima, Bolsa Escola e a atual Bolsa Família, se observa a manutenção de altos gastos com os recursos públicos, que deveriam ser controlados pelos diversos conselhos de fiscalização e acompanhamento (CACS). Por outro lado, em alguns municípios do interior, o critério para a escolha dos secretários de educação era estritamente pessoal, priorizando a execução das formalidades burocráticas. Perante tal cultura política, o cumprimento da nova legislação, principalmente no que diz respeito a receitas, despesas e percentuais de aplicação, gerou em algumas prefeituras, dificuldades de ordem política e administrativa, no sentido de assumir as exigências das novas diretrizes. O estudo, realizado em meu doutoramento sobre os sistemas públicos de ensino da Região Serrana (RJ), se baseou na metodologia do estudo de caso, na revisão de literatura sobre o tema e também, em dados oficiais e entrevistas com os dirigentes das secretarias municipais de educação de São Sebastião do Alto, Santa Maria Madalena e Trajano de Moraes.

1262 A ARQUEOLOGIA DA ESCOLA FLUMINENSE LIA CIOMAR MACEDO DE FARIA UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O foco deste estudo investiga os impactos produzidos pelo 1° Programa Especial de Educação (I PEE) no comportamento político da sociedade fluminense, durante o período de redemocratização, pósditadura, na década de 80. Diante das circunstâncias que caracterizavam o cenário político fluminense, a questão que se destaca é: Como a cultura autoritária e as práticas político-clientelistas historicamente construídas afetaram as relações Estado - Sociedade Civil no embate travado entre o professorado fluminense e as concepções político-pedagógicas do novo governo? Ao mesmo tempo, há que se assinalar a herança e os impasses do processo ainda incluso da Fusão (1975) dos estados da Guanabara (GB) e do antigo Rio de Janeiro. Logo, discutir a importância das políticas educacionais empreendidas pelo PEE, tendo à frente Darcy Ribeiro, exige um esforço de recuperação teórica e memorialística, em busca da gênese das diferentes concepções político-pedagógicas que irão travar um duelo, nos palcos do sistema público estadual de ensino. Neste contexto de um passado ainda recente, lançamos um novo olhar sobre as percepções ideológicas e posições dos principais atores sociais no teatro partidário do Rio de Janeiro, que irão nos possibilitar um redesenho do quadro histórico-cultural daquele momento, de retomada do processo democrático em âmbito nacional. O objetivo da pesquisa foi desvelar o processo histórico de implantação dos CIEPs em meio às contradições políticas que irão caracterizar os últimos anos do Estado de exceção. Torna-se ainda importante identificar os diferentes discursos que permeavam o meio acadêmico, visando analisar o pensamento educacional produzido pelas correntes político-ideológicas, que apoiaram ou rejeitaram o I PEE, buscando assim um entendimento mais amplo da gênese de tal rejeição. Portanto, o que ainda está em jogo são visões ideológicas bastante distintas, a respeito do papel e da função da escola pública / republicana. Tais concepções do pensamento políticopedagógico nos remetem à pertinência e importância de pesquisas acerca da história das idéias e das práticas republicanas, intentando examinar e identificar as referências conceituais, que irão originar o atual modelo de escola pública no Brasil e em particular, a “arqueologia” da escola fluminense pósFusão (1975). Analisa ainda como se estabelecem as relações - sindicato, governo e escolas, naquele momento de abertura democrática, em que, de forma inédita, se reúnem os professores públicos da capital e do interior das redes escolares, municipal e estadual. Na oportunidade, destacamos a

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contribuição das investigações acerca das políticas educacionais no sentido de recuperar a gênese da escola pública fluminense pós-Fusão.

1398 FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA PÚBLICA NO BRASIL: JANAINA SPECHT DA SILVA MENEZES. UNIRIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Esta comunicação tem por objetivo apresentar, de forma panorâmica, os principais avanços e desafios associados à atual configuração da política de financiamento da educação básica pública no País. Nesse sentido, a percepção de que as determinações legais vigentes estão alicerçadas em antigos (des)caminhos conduziu à necessidade de apresentar alguns de seus referenciais históricos, como condição para o entendimento da sua estrutura atual. Partindo dessa concepção, a comunicação dividirá a história daquele financiamento nos três períodos a seguir especificados, sendo que a segmentação, de objetivo didático, busca, ao realçar as grandes linhas que nortearam o financiamento da educação no Brasil, apresentar um continuum relativo à sua evolução histórica com vistas a fornecer as bases para o entendimento da sua atual configuração: • 1º período, decorreu do ano em que os jesuítas chegaram ao País (1549) até sua expulsão (1759); nessa época foi delegada aos membros daquela ordem religiosa a concessão das escolas públicas no País, assinalando o afastamento da Coroa em relação ao financiamento da educação nacional. • 2º período, compreendido da expulsão dos jesuítas até o fim da República Velha (1930), foi caracterizado: (1) pela busca de fontes autônomas de financiamento para a educação e, (2) por deixar a educação por conta das dotações orçamentárias dos governos dos estados e das câmaras municipais. • 3º período, que se estende da homologação da Constituição Federal de 1934 até o contexto atual, tem sido marcado pela busca da vinculação constitucional de um percentual mínimo de recursos tributários para a educação. Tomando por base aspectos pontuais associados ao 1º e ao 2º período, a comunicação para além de tratar de aspectos relacionados à vinculação de recursos, presentes no 3° período, aprofundará questões relativas ao contexto atual e, mais especificamente, ao Fundef ao Fundeb. Em meio a este cenário, buscar-se-á evidenciar alguns avanços e os desafios que permeiam a atual configuração da política de financiamento da educação básica pública, desafios estes apresentados durante a realização da Conferência Nacional de Educação (CONAE), realizada em Brasília/DF, no primeiro semestre de 2010. Evidencia-se, por fim, que o estudo se baseia em pesquisas já finalizadas e que, entre outros aspectos, tomaram por base pesquisas bibliográfica e documental.

AS POLÍTICAS DE ATENDIMENTO AOS INFANTES NA BELLE ÉPOCHE PARAENSE (SÉCULOS XIX E XX) Coordenador: SÔNIA MARIA ARAÚJO 387 “TRADIÇÕES INVENTADAS” DE UMA BELLE ÉPOCHE PARAENSE: EXPANSÃO DA ESCOLA PRIMÁRIA E “MODERNIDADE REPUBLICANA” NO ESTADO DO PARÁ (1897-1910) ALESSANDRA FROTA MARTINEZ SCHUELER ; IRMA RIZZINI . 1.UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, NITEROI - RJ - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O trabalho apresenta reflexões de pesquisa em andamento sobre o processo de expansão da escola pública primária no Estado do Pará, no período da chamada Belle Époche, momento áureo da indústria do látex, a borracha. Privilegiando o recorte temporal de 1897 a 1910, a pesquisa se dedicou à análise de fontes governamentais, como as Mensagens apresentadas pela Presidência do Estado à Assembléia Legislativa, os Relatórios da Diretoria de Instrução Pública e o Álbum do Pará (1901-1909), publicado em 1908, por iniciativa do Governo do Estado. Esta documentação, de caráter oficial, foi problematizada e 108
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interpretada tendo em vista três eixos temáticos centrais, que nortearam a investigação: a) as modalidades e modelos de organização da escola (escolas isoladas, as “escolas de lugares” e os grupos escolares), predominantemente propostos nas reformas educacionais ocorridas no Estado, incluindo a sua capital, Belém; b) as representações sobre a escola e os sentidos políticos de sua difusão, interiorização e expansão pelo território paraense; c) as concepções de República em disputa e as funções atribuídas ao Estado, aos municípios e à sociedade no jogo político de (re) invenção de “tradições” educativas e da escola primária no Pará. Fundamentado nas contribuições teóricometodológicas e no cruzamento entre os campos da História da Educação e da História Política, este trabalho sugere a proposição de hipóteses iniciais sobre o processo de escolarização e difusão da malha escolar no Estado. A abordagem utilizada consiste em considerar, simultaneamente, a autonomia, a articulação e a influência mútua, e sempre desigual, entre uma diversidade de setores – o cultural, o econômico, o social e o político. Este enfoque permite compreender como as disputas intra-elites políticas, no processo de construção do governo republicano, interferiram nas reformas e nas diretrizes educacionais do período, no contexto de “modernização” e de expansão das riquezas econômicas oriundas da exploração da borracha. O encantamento provocado pela suntuosidade dos prédios escolares, as festas e os desfiles cívicos dos alunos nas belas ruas da capital emergiram como “espetáculos de civilidade” em face às práticas mágicas de religiosidade e às manifestações culturais populares, que persistiam na “Cidade dos Encantados”. Neste sentido, a escola primária, especialmente os grupos escolares, foi representada como símbolo e instrumento de progresso e civilização, elemento fundamental no processo de construção de “tradições inventadas” sobre a chamada Belle Époche paraense e a “modernidade republicana”. A investigação visa contribuir com o campo dos estudos sobre a expansão da escola primária nos anos iniciais da Primeira República, período em que há ainda carência de estudos sistematizados, especialmente no que se refere aos grupos escolares e às reformas educacionais implementadas nos estados da federação, como é o caso do Pará.

893 AS CASAS DE ASILOS DA INFÂNCIA DESVALIDA: O CAMINHO DAS CRIANÇAS ABANDONADAS NA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO PARÁ (1850-1910) SÔNIA MARIA ARAÚJO; ELIANNE BARRETO SABINO UFPA, BELEM - PA - BRASIL. O presente trabalho em andamento investiga o processo de acolhimento das crianças enjeitadas na Santa Casa de Misericórdia do Pará, entre 1850 a 1900, como parte da política de assistência à criança abandonada na Província do Grão Pará. Os Asilos eram instituições de caridade, marcadamente cristãs, que seguiam os padrões tradicionais dos asilos de Portugal. Essas casas tinham uma tripla função: proteção, educação e instrução. Na Província do Grão Pará duas casas de asilos foram criadas para receber as crianças abandonadas da Santa Casa de Misericórdia do Pará: o Preventório Santa Terezinha e o Colégio Nossa Senhora do Amparo. Essas casas de asilos de crianças órfãs eram definidas pelo seu caráter caritativo ou assistencial. A investigação pretende identificar sobre as casas de asilos: a) como as crianças eram encaminhadas; b) como as crianças eram abrigadas; c) o perfil das crianças encaminhadas; d) os critérios de acolhimento das crianças. As fontes documentais de pesquisa são relatórios, cartas, ofícios, prontuários, jornais e manuais disponibilizados na biblioteca da Santa Casa de Misericórdia e na biblioteca Pública. Com a exploração da borracha, a sociedade da província não estava dissociada do contexto nacional e vivia grandes transformações nos campos político, econômico e cultural. Essa economia provocou um intenso processo migratório, fazendo com que a população da Província triplicasse consideravelmente. Eram pessoas vindas de muitas partes do Brasil e do exterior e, juntamente com os novos habitantes, vinham crianças que obrigaram o poder público a tomar diferentes medidas para receber esses pequenos moradores. Havia na cidade uma poderosa elite formada pelos barões da borracha que impõe um novo modelo de vida, baseado em idéias trazidas das cidades da Europa. Enquanto a população crescia em um ritmo frenético, eram impostas normas para que nada interferisse no projeto de modernização da Amazônia. No contra-fluxo dessa política, contavam-se alarmantes taxas de mortalidade infantil, pois as crianças eram as maiores vítimas das doenças que apareciam: varíola, febre amarela e tuberculose. A concepção médico-higienista, que 109

embasava o projeto civilizador do final do século XIX, estabelecia muitas diretrizes para a formação de uma nova sociedade. A criança era o foco principal para o estabelecimento dessa nova sociedade e as políticas públicas começam a ser pensadas para ela. As práticas utilizadas no interior das casas de asilos para crianças tinham um objetivo: transformar a criança pobre, desvalida, órfã em um cidadão útil para a sociedade, principalmente em termos econômicos.

934 A FORMAÇÃO DE MENINAS ÓRFÃS NO ESTADO DO PARÁ NO FINAL DO SÉCULO XIX E PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX ANTONIO VALDIR MONTEIRO DUARTE. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, BELEM - PA - BRASIL. A investigação que ora se apresenta encontra-se em andamento e tem como objetivo entender as práticas educativas vivenciadas por meninas internas em uma das mais importantes instituições do Estado do Pará – o Instituto Antonio Lemos, que abrigou, por mais de seis décadas, meninas oriundas das várias partes do Estado do Pará, de outras regiões do Brasil e de alguns países, com destaque para Portugal, Espanha e Itália. Já se fez o levantamento e a reprodução de documentos e constatou-se um precioso acervo localizado nos porões do próprio Instituto, e que está sendo catalogado: atas de reuniões, mapas de notas e disciplinas escolares, livros de controle de entrada e saída de internas, certidões de nascimento, fotos, livros-caixa, entre outros. Metodologicamente, a pesquisa também abrangerá a história oral, pois entendemos que esta nos possibilitará entender melhor o cotidiano vivenciado no interior da instituição a partir do olhar dos vários sujeitos que ali moravam especialmente das meninas que estavam na condição de internas. A partir de uma primeira análise documental, o que chamou atenção foi o elevado número de meninas internas oriundas da Itália, Espanha e, sobretudo, Portugal. No ano de 1913, consta, em um dos livros, a entrada de cento e cinqüenta meninas das mais diferentes faixas etárias, naturalidades e nacionalidades, sendo que noventa por cento delas no mesmo dia e mês. O Instituto Antonio Lemos no Pará tornou-se uma das mais importantes obras de caridade e de ensino entre o final do século dezenove e início do século vinte, graças ao extraordinário desenvolvimento econômico alavancado pelo processo de plantação e comercialização da borracha que, ainda nesse período, representava a maior riqueza da Região Amazônica. Durante os anos vinte do século passado, com a transferência das internas para um novo prédio localizado no distrito de Santa Izabel, a cinqüenta quilômetros de Belém, cumprindo uma determinação da intendência municipal e sob a coordenação da Ordem Religiosa Filhas de Sant’Anna, fundada na Itália, se estabelece o projeto educativo para a formação de meninas órfãs que permanecerá como internato até a década de sessenta do século passado. Nesse sentido, a partir dos anos 1930, com as sucessivas crises políticas e financeiras em decorrência do declínio da produção e exportação do látex, o Instituto passa a admitir meninas em regime de externato.

1133 HISTÓRIA DA ESCOLA MISTA DO PARÁ: DO IMPÉRIO À REPÚBLICA CLARICE NASCIMENTO MELO. UFPA, BELEM - PA - BRASIL. O presente trabalho apresenta resultados de uma pesquisa concluída sobre a história da escola mista no Pará, entre os anos 1870-1901. A problematização que norteou o processo de investigação pode ser sintetizada nas seguintes questões: na condição de projeto dos governos imperial e republicano, como eram as escolas mistas no Pará? Como era a organização escolar no Pará antes das escolas mistas? Como ocorreu a inserção das mulheres nessas escolas? As fontes documentais privilegiadas no estudo foram: a legislação educacional, os jornais diários, os relatórios de governo, as revistas de ensino, as quais foram examinadas cotejando o dito e o praticado. O método indiciário direcionou as leituras documentais buscando as pistas e sinais das montagens da escola mista paraense, resultando na 110

construção de nexos no qual a participação de mulheres se pôs como fio condutor de compreensão da história da escola mista no Pará, em um tempo de pretensa modernização tanto nos estilos de vida quanto na educação pública e particular. Os resultados indicam, de um modo geral, que a escola mista se constituiu e se configurou a partir da inserção das mulheres no universo educacional, seja por meio da escolarização e da profissionalização, seja por meio da docência em escolas de meninas e meninos. As evidências indicam que a escola de ambos os sexos – criada legalmente na Província do Grão-Pará em 1870 – deu os primeiros sinais da junção de meninas e meninos na escola, no momento em que a presença de mulheres na educação se insinuava. As mutações na organização da educação, com a regulamentação da escola mista na década de 1880, decorreram da inserção mais efetiva das mulheres nessa escola. As imprecisões acerca da escola mista já na república, entre 1890-1901, quando esta se espraia por todo o Estado, inclusive nos grupos escolares, são manifestações das contradições entre o discurso modernizador e as práticas conservadoras em relação a esse tipo de escola, que se defronta com a presença incisiva de professoras na regência do ensino e com a eqüidade entre os sexos na discência. A escola mista se expandiu com base em dois acontecimentos: a ampliação da participação das mulheres na profissão docente e a exclusão legal dos professores da docência nessas escolas; esses dois movimentos foram concomitantes e relacionais, não causais. Em todo o processo histórico de institucionalização das escolas mistas, as mulheres – alunas e professoras – foram determinantes na dessacralização dos espaços, tempos e saberes estruturados na escola tradicional dividida por sexos.

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EIXO 8 - FONTES E MÉTODOS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

TRAJETÓRIAS ESCOLARES: PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS E FONTES Coordenador: NORBERTO DALLABRIDA 477 TRAJETÓRIAS DE ESCOLARIZAÇÃO: MEMÓRIAS E REGISTROS ESCOLARES DE ESTUDANTES DE CLASSE POPULAR NOS ANOS 1960. BEATRIZ T. DAUDT FISCHER. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS / UNISINOS, PORTO ALEGRE - RS – BRASIL.. Frente a um cotidiano caracterizado pelo efêmero, pela cultura do contínuo descarte de bens simbólicos e materiais, salvar reminiscências da cultura escolar vivida em tempos pretéritos tornou-se premente necessidade. Entretanto, o campo de investigações envolvendo memória tem sido questionado, demandando aos pesquisadores encarar os desafios metodológicos com maior rigor e densidade teórica. Embora para alguns seja controverso considerar a realidade como construída pelo discurso, é aceitável que todo pesquisador vá além da mera transcrição literal de um/a depoente. Em outras palavras, não estará em busca de uma verdade, nem tampouco partirá da concepção de que tal seja possível. De fato, o que deve fazer diferença são aportes metodológicos solidamente fundamentados e, principalmente, o compromisso em lidar com fontes diversificadas, aproximando-se o mais possível de versões sobre a temática investigada. Estas e outras reflexões são trazidas à tona neste estudo, que analisa trajetórias discentes, problematizando questões teórico-metodológicas inerentes aos processos investigativos que lidam com memória. Para tal, vale-se de narrativas de sujeitos que recordam tempos idos, em especial suas trajetórias enquanto estudantes frequentando bancos escolares no final dos anos 60 do século passado. O material empírico constitui-se, pois, das reminiscências destes sujeitos, cuja infância foi vivida na periferia da área metropolitana de Porto Alegre/RS, tendo pertencido a famílias de baixa renda. A investigação também utiliza procedimentos de pesquisa documental, a partir de registros escolares, buscando por possíveis continuidades e/ou rupturas ao longo dos respectivos processos de escolarização. Historicamente em nosso país alunos de classes populares tendem a interromper sua trajetória escolar, sendo excluídos nas primeiras séries do ensino fundamental. Este problema tem sido relacionado às condições econômicas das famílias, ao contexto cultural e/ou à falta de políticas públicas adequadas para garantir a permanência na escola. Igualmente alguns estudos atribuem causas da evasão às limitadas condições materiais das escolas públicas ou à carência de capacitação docente para lidar com situações difíceis. A presente investigação, entre outros objetivos, buscou saber em que medida estes e/ou demais fatores, podem ser considerados nas trajetórias de escolarização dos sujeitos investigados. Em que medida, a partir da memória, práticas pedagógicas, decisões institucionais, relações de saber/poder enredam-se nestas trajetórias escolares? Muito já foi dito acerca desta problemática educacional, pouco, entretanto, tem sido perspectivado a partir de histórias narradas pelos próprios sujeitos como propõe esta pesquisa.

552 TRAJETORIAS ESCOLARES: DILEMAS E DESAFIOS DE PESQUISA LETICIA CORTELLAZZI GARCIA UNIVERSITE PARIS DESCARTES, PARIS - FRANÇA. Procurando alargar os limites disciplinares que normalmente dominam as teorias e as práticas de pesquisa nas ciências humanas, os estudos sobre trajetórias – sejam elas sociais, escolares, familiares ou individuais - abrem inúmeras possibilidades de análises que podem contribuir para a melhor compreensão das relações recíprocas entre as influências sociais e condutas humanas ao longo do tempo. Com a ampliação das perspectivas de pesquisa no campo historiográfico, este objeto antes reservado as ciências sociais, ganhou gradativamente um lugar no âmbito da história, particularmente na história de educação. Apoiado, sobretudo em suportes metodológicos como enquetes, entrevistas, 113

os quais também criaram novas fontes históricas - questionários, relatos de vida, fotografias, etc. - antes ilegítimas e desprestigiadas aos olhos de Clio, permitiram expandir os caminhos de investigação. Novas contribuições teóricas foram introduzidas neste campo, entre as quais as que postulam a abordagem de um estruturalismo genético, isto é, a análise das estruturas sociais enquanto produto histórico e a sua respectiva influência nas condutas individuais. Esta perspectiva teórica tem sido cada vez mais utilizada no domínio da história da educação com o objetivo de analisar como os percursos sociais e escolares justificam e/ou determinam em larga medida as escolhas profissionais e pessoais em etapas posteriores ao período de escolarização. Se, de um lado, as estruturas sociais (classe social, instituição escolar, etc.) são fatores importantes na constituição das trajetórias de vida dos indivíduos; por outro, pode-se pressupor que as condutas individuais são também fruto de constantes negociações que os indivíduos travam com os contextos meso e macro-social. Desta forma, uma questão teórica que desafia este campo de pesquisa diz respeito à compreensão empírica do peso da formação escolar na trajetória dos indivíduos e suas constantes reelaborações ao longo de suas trajetórias. A presente comunicação procura apresentar os resultados de uma pesquisa ainda em andamento sobre trajetórias de vida e transmissões familiares em três gerações de mulheres em Santa Catarina entre 1930 e 2010. Concomitantemente, visa refletir sobre o estatuto teórico dos estudos de trajetória, indagando se a análise das trajetórias escolares se constitui um fim analítico em si próprio, ou ao contrário, se esta investigação permite a compreensão da importância da escola na relação dialética entre estrutura social e indivíduo.

883 TRAJETÓRIAS SOCIAIS DE ALUNOS EGRESSOS DO COLÉGIO CATARINENSE (1951-1960) NORBERTO DALLABRIDA; JULIANA TOPANOTTI DOS SANTOS DE MELLO. UDESC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. O intuito deste trabalho é investigar as trajetórias sociais de alunos egressos do ensino secundário do Colégio Catarinense entre 1951 e 1960. O Colégio Catarinense foi fundado em Florianópolis – capital do Estado de Santa Catarina – , em 1905, pelos padres jesuítas e consolidou-se como um educandário de caráter privado e dirigido para adolescentes do sexo masculino e oriundos de classes privilegiadas. Adaptando-se à Reforma Capanema, a partir de 1943, o Colégio Catarinense passou a oferecer o ensino secundário completo, formado pelo curso ginasial (1º ciclo) e pelo curso científico ou clássico (2º ciclo ou colegial). Contudo, no recorte temporal deste trabalho, o curso científico foi oferecido de forma regular e com turmas grandes, enquanto o curso clássico formou somente duas turmas, ambas com dois alunos. Recortamos o período entre 1951 e 1960 porque consideramos que ele permite analisar, de forma efetiva, as trajetórias sociais dos alunos egressos, que atualmente estão aposentados ou em fim de carreira. Pretendemos analisar as trajetórias sociais dos egressos do ensino secundário do Colégio Catarinense, considerando as suas origens sociais, os seus percursos escolares no ensino secundário e superior e as suas inserções sócio-profissionais. Para analisar essas trajetórias sociais usamos os conceitos de capital cultural, capital social e capital simbólico, elaborados por Pierre Bourdieu para compreender as desigualdades sociais e escolares no mundo contemporâneo. Essa visão polimorfa do capital nos permite perceber as estratégias de reconversão de capital econômico em capital cultural e a importância do capital social no processo de inserção sócio-profissional. O estudo das trajetórias sociais dos alunos egressos do colégio dos jesuítas apóia-se, sob o ponto de vista empírico, nos relatórios anuais do Colégio Catarinense, em notícias de jornais de circulação local e estadual e, especialmente, nos dados de um questionário respondido pelos ex-alunos. Esse questionário foi enviado para 80 exalunos que se formaram no ensino secundário do Colégio Catarinense no recorte temporal desta pesquisa, que constitui a amostragem deste trabalho. Assim, estudamos as trajetórias sociais de alunos egressos, procurando verificar o poder da origem social privilegiada no acesso ao ensino secundário numa escola de elite e na vida sócio-profissional. Por outro lado, constatamos a presença de alguns alunos provenientes de classes populares no Colégio Catarinense, na condição de bolsistas, que, com muito esforço e renúncia, conseguiram ingressar no ensino superior e exercer profissões exitosas.

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894 OS RELATOS DE TRAJETÓRIAS ESCOLARES COMO FONTE PARA A COMPREENSÃO DA HISTÓRIA E MEMÓRIA DE ESCOLAS GIANA LANGE DO AMARAL. FACULDADE DE EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS, PELOTAS - RS - BRASIL. Nos meios acadêmicos o estudo da história das instituições educacionais contribuem na elucidação e compreensão da História da Educação brasileira, pois ao buscarem estabelecer o perfil de determinadas escolas, enfatizam aspectos da cultura escolar e urbana, exploram questões didático-pedagógicas, político-ideológicas, étnicas e de gênero em diferentes dimensões temporais e espaciais. Nesse sentido, a utilização de relatos sobre as trajetórias escolares é uma possibilidade de dar voz a quem vivenciou o jogo de identidades em determinadas instituições educacionais, servindo como uma importante fonte para os estudos em História da Educação. Neste trabalho pretende-se apontar aspectos metodológicos da organização de coletâneas de textos que abordam histórias e memórias de escolas da cidade de Pelotas. Tendo por base o relato de trajetórias escolares de alunos, professores e funcionários de determinadas escolas já foram organizados três livros. Nas coletâneas, a pluralidade de textos que se abre ao leitor e/ou pesquisador mostra diferentes olhares em diferentes tempos sobre o cotidiano de uma mesma instituição. É uma travessia fascinante em que a memória pessoal e social se entrecruza com os processos cognitivo-afetivos vivenciados na escola, sendo uma preciosa fonte a ser explorada, permitindo um olhar sobre tempos e espaços hoje distantes. Os relatos servem para aprofundarmos dimensões, sinalizando para as contradições inerentes a todo o processo que envolve a busca de identidade institucional a partir do olhar dos sujeitos que delas participaram. A pesquisa e publicação de livros que abordem aspectos da história e da memória de instituições de ensino específicas que constituem em si modelos culturais em circulação resultam de uma necessidade presente de compreender a produção dessas escolas, sua atuação junto à comunidade, suas práticas, e suas culturas escolares ao longo do tempo. Dessa forma, espera-se poder contribuir, também, como referencial histórico para a compreensão e construção de propostas pedagógicas que levem em conta suas identidades de escola que, sem dúvida, resultam de trajetórias peculiares. É inegável que todo grupo social que esquece o seu passado, que apaga sua memória, acaba por perder sua identidade. Certamente, a compreensão do presente é incompleta sem a inserção do passado, da experiência vivida e consolidada. A organização e publicação desses textos constituem-se numa forma de recuperação de uma identidade ameaçada pelo tempo e que precisa ser historicizada.

1021 TRAJETÓRIAS ESCOLARES E PROFISSIONAIS POUCO PROVÁVEIS: O CASO DE TRÊS EGRESSAS DO COLÉGIO CORAÇÃO DE JESUS NOS ANOS DE 1950 ESTELA MARIS SARTORI MARTINI. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. O objetivo da presente comunicação é compreender o que tornou possível o sucesso escolar e profissional de três mulheres, alunas egressas do Curso Científico do Colégio Coração de Jesus nos anos de 1950. Localizada na capital do Estado de Santa Catarina e especializada na educação feminina, esta instituição de ensino católica e privada era dirigida para atender as classes sociais mais abastadas. Fundado no final do século XIX, o Colégio Coração de Jesus oferecia serviços de internato, externato e semi-internato. Foi o primeiro colégio feminino no Estado de Santa Catarina a oferecer o Ensino Secundário completo, conforme exigia a Reforma Capanema de 1942 – Ensino Ginasial de quatro anos e Ensino Científico e/ou Clássico de três anos. O Colégio Coração de Jesus iniciou o segundo ciclo do ensino secundário com Ensino Científico e, somente em 1956, implantou o Ensino Clássico. As três alunas egressas da presente investigação eram provenientes de famílias pobres e detentoras de baixo capital cultural, cujo sucesso escolar pode ser, sociologicamente, considerado pouco provável. Os dados desta pesquisa foram coletados em questionários e entrevistas semi-estruturadas. A orientação teórica assumida na conduta da pesquisa toma os trabalhos de Pierre Bourdieu, sendo este autor responsável 115

pelos conceitos de capital econômico, capital cultural e capital simbólico, motes fundamentais para compreender as desigualdades sociais e escolares naquele momento histórico, assim como o esforço e as renúncias que estas ex-alunas fizeram para conseguir delinear uma carreira exitosa. Para compreender a complexa rede de relações sociais e individuais das três egressas, os trabalhos de Bernard Lahire serão igualmente essenciais. Ao assentar o foco sobre a construção de “perfis sociológicos”, este autor possibilita levar em conta, nas análises das trajetórias individuais, quais foram os processos sociais e familiares mediadores na constituição dos percursos escolares e profissionais pouco prováveis e de excelência das três egressas, ou seja, cada uma será investigada nas múltiplas facetas das suas experiências sociais e familiares. Sendo assim, será possível destacar alguns elementos que indicam a possibilidade de ruptura da lógica da reprodução nas trajetórias escolares e profissionais de alunos/as, cujas famílias pertencem a extratos baixos da sociedade. Este trabalho, ainda em curso, perpassa o campo da micro-análise sócio-histórica, buscando assim, contribuir para novas possibilidades historiográficas na história da educação brasileira.

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EIXO 9 - PATRIMÔNIO EDUCATIVO E CULTURA MATERIAL ESCOLAR

PRESERVAÇÃO E MAPEAMENTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO EDUCATIVO: A BIBLIOTECA DA ESCOLA NORMAL DE (1903 A 1976) Coordenador: MARIA CRISTINA MENEZES 1381 MANUAIS DIDÁTICOS DOS GRUPOS ESCOLARES DE SERGIPE NO INÍCIO DO SÉCULO XX CRISLANE BARBOSA AZEVEDO. UFRN, NATAL - RN - BRASIL. Os grupos escolares foram inaugurados em Sergipe no ano de 1911 com o intuito de pôr fim a problemas no ensino primário. Por seu intermédio procurava-se promover melhorias nos métodos de ensino, na qualificação dos professores e nos recursos didáticos. Em relação a estes podemos citar os manuais escolares, alvo da presente pesquisa, atenta à preservação do patrimônio histórico educativo. Objetivamos analisar a materialidade dos documentos (formato, dimensões, configuração dos textos, entre outros aspectos) e identificar aspectos característicos de uma cultura escolar de uma determinada época por meio da análise dos conteúdos dos textos. Para tanto, foi desenvolvida pesquisa bibliográfica acerca da educação brasileira e de manuais didáticos e investigação documental, com atenção a documentos dos antigos grupos escolares nos quais encontramos referências a manuais escolares bem como os próprios manuais. A análise adota a abordagem da História Cultural por compreender que essa perspectiva potencializa os manuais como fonte. A partir da pesquisa documental, até o momento realizada, localizamos manuais voltados para áreas de História, Língua Portuguesa, Valores e Gramática, os quais se tornaram alvo da presente análise. Os manuais aqui problematizados e analisados circularam nos grupos escolares sergipanos nas primeiras décadas do funcionamento de tais instituições (19111930). Compreendemos como manuais escolares publicações impressas voltadas para a educação escolar. A investigação integra um plano mais amplo de pesquisa voltado para a organização, catalogação e análise de manuais escolares gerenciado pelo Civilis - Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação, Cultura Escolar e Cidadania, em conexão ao trabalho que vem se realizando junto à biblioteca histórica da antiga Escola Normal de Campinas, que em 1911 também vai a ela anexar o Grupo Escolar Modelo, que após a inauguração do novo prédio da Escola Normal, em 1924, passa a funcionar em suas dependências. Partindo da materialidade dos manuais, dedicamo-nos também à análise do conteúdo das obras por compreender que tais documentos representam o conteúdo específico de uma área de conhecimento relacionado a uma determinada perspectiva pedagógica, carregando em si a configuração didática de um período. Além disso, retratam um tipo de aluno e um sujeito que se deseja formar. Por meios dos manuais podemos estudar os aspectos políticos e ideológicos de uma época bem como a história de práticas escolares. A investigação mostra-se complexa. Este trabalho em andamento busca contribuir com a temática possibilitando meios de compreensão das especificidades da cultura escolar dos grupos escolares. Podemos afirmar, ao menos teoricamente, que os manuais escolares contribuíram para a disseminação de valores cívicos e morais voltados para a formação das gerações republicanas.

1247 OS MODELOS DE LIÇÃO: AS OBRAS DO EDUCADOR JOÃO TOLEDO NA BIBLIOTECA DA ESCOLA NORMAL DE CAMPINAS (1925-1934) MARIA DE LOURDES PINHEIRO. UNESP/IBILCE, CAMPINAS - SP - BRASIL. O presente trabalho abrange o período de 1925 a 1934 e resulta de uma discussão acerca das interlocuções do educador paulista João Toledo, ao defender, por meio da publicação de livros 117

destinados às escolas normais, uma educação pautada pela arte de ensinar e pelos modelos de lição. Numa perspectiva histórico-cultural, o trabalho é parte da discussão realizada em tese de doutorado defendida em 2009, que esteve articulada ao projeto financiado pela FAPESP “Preservação do Patrimônio Histórico Institucional: Escola Estadual Carlos Gomes de Campinas”, no âmbito do CIVILIS, Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação, Cultura Escolar e Cidadania, da FE/UNICAMP. Os manuais, do ex-professor e ex-diretor da Escola Normal de Campinas, mostram como João Toledo fez uso das interlocuções que estabeleceu com profissionais contemporâneos ligados ao ensino, bem como das apropriações e representações que fez tanto do modelo de educação com que foi formado quanto das novas concepções que iam penetrando no país, para divulgar suas próprias idéias educacionais. Em julho de 1921, convidado por Guilherme Kuhlmann, então diretor geral da Instrução Pública em São Paulo, para participar de uma reunião com profissionais do ensino, João Toledo foi incumbido pelo desenvolvimento de uma tese sobre a formação de uma biblioteca do professor primário. Para Toledo, a formação de uma biblioteca do professor primário se impunha como complemento indispensável, pois não bastava que o mestre tivesse um conhecimento preciso do educando em seu desenvolvimento psíquico e somático, nem que conhecesse a finalidade da educação, de forma que o preparo pedagógico somente não seria suficiente para torná-lo um mestre de crianças apto a orientar o aprendizado. Segundo João Toledo, o professor chegava ao ensino primário com uma insuficiente preparação técnica e o que se via era o mestre ensinando e os alunos passivamente escutando, procurando decorar as lições recebidas. Sua crítica, nesse sentido, era que, nas escolas primárias ainda não se aplicava os princípios que regulavam o aprendizado ativo, uma vez que estes, na sua concepção, nem mesmo se achavam convenientemente expostos e esclarecidos. Toledo, nesse sentido, sugeria a formação de uma biblioteca do professor primário composta por livros que apresentassem lições, guias, roteiros prontos, para auxílio do trabalho do professorado. O educador paulista publicou “O crescimento mental” e “Escola Brasileira” (1925), “Didática” (1930) e “Planos de lição” (1934). Tais obras compõem o acervo da Escola Normal de Campinas, bem como outras que também trazem como preocupações a Arte de Ensinar e os planos de Lições. A idéia de uma biblioteca do professor era compartilhada por outros profissionais contemporâneos, ainda que com uma configuração e objetivos diferentes da proposta de João Toledo.

1289 ESCOLA NORMAL DE CAMPINAS E OS MANUAIS DE BOAS MANEIRAS RITA CÁSSIA ROCHA. FACULDADE GUAIRACÁ, GUARAPUAVA - PR - BRASIL. O presente trabalho desenvolve-se no âmbito dos projetos de preservação do patrimônio histórico educativo desenvolvidos pelo CIVILIS, Grupo de Estudos e pesquisas em História da Educação, Cultura Escolar e Cidadania, da FE/UNICAMP, no qual a autora deste resumo realiza pesquisa em nível de doutorado. A escola, nas primeiras décadas do século XX, foi percebida como agência formadora, em que privilegiaria as regras de condutas dos futuros professores os quais seriam organizadores da alma nacional. Boas maneiras, bons antecedentes, delicadeza, refinamento, entoavam e comporiam a figura das professoras e dariam sentido à profissão de docente. Neste sentido, a pesquisa em andamento concentra-se no acervo da Escola Normal de Campinas, precisamente nos manuais de civilidade para a formação de professoras. O trabalho dar-se-á na perspectiva de análise processual da micro-história, em que será possível emergir novas reflexões sobre a constituição das práticas pedagógicas desenvolvidas pela Escola Normal de Campinas. Os manuais levantados, até o momento, são exemplos claros de como se dá a aprendizagem das regras de convivência e civilidade dentro e fora da escola. Alguns destes manuais foram elaborados na Argentina, Portugal e França entre eles estão: O livro das Donas e Donzelas de Julia Lopes de Almeida; O pequeno manual de Civilidade para Uso da Mocidade; Tratado de Civilidade e Etiqueta de autoria da Condessa de Gencé. A utilização destes manuais demonstra as intersecções dos códigos de refinamento adotados no Brasil na busca da auto-imagem como país civilizado. Ao buscar relacionar os códigos de boas maneiras aos modelos civilizatórios estudados por Norbert Elias, verifica-se de que forma estes novos hábitos, e condutas foram sendo internalizados por meninas e jovens, a partir dos manuais veiculados pela escola. Sob esse aspecto, infere-se que é no 118

grupo social do qual a individuo participa, que se regula a vida instintiva e naturalizam-se comportamentos, fazendo com que sejam aprendidos, controlados e autocontrolados por meio de mecanismos de internalização combinados a determinadas estratégias ou modelos verificados pelo tempo. Comportamentos que indicariam novos padrões, pautados por preceitos normativos e padrões estéticos a serem seguidos.

1264 O MAPEAMENTO DE UMA BIBLIOTECA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES MARIA CRISTINA MENEZES. FE/UNICAMP, CAMPINAS - SP - BRASIL. O presente estudo se localiza na circunferência das ações desenvolvidas no âmbito dos projetos de Preservação do Patrimônio Educativo do CIVILIS, Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação, Cultura Escolar e Cidadania, da FE/UNICAMP, do qual a proponente é uma das coordenadoras. Outrossim, vimos realizando a interlocução sobre tal tema através da RIDPHE, Rede Iberoamericana para a Investigação e a Difusão do Patrimônio Histórico Educativo, que se vem desenvolvendo como lista de discussões, localizada no rol de listas da UNICAMP, e tem como moderadores Maria Cristina Menezes, do Brasil, e Vicente Peña Saavedra, da Espanha. O estudo que se apresenta teve o seu início no projeto "Preservação do Patrimônio Institucional : Escola Carlos Gomes de Campinas, que pode ser lida como Escola Normal de Campinas. Tal projeto, que se desenvolveu com o apoio da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, possibilitou que se organizasse o acervo documental da antiga Escola Normal de Campinas, cuja documentação permitiu o percurso para as ponderações aqui pretendidas. A recuperação do arquivo histórico documental da antiga escola de Campinas, São Paulo, possibilitou que o inventário das fontes do arquivo histórico fosse publicado em 2009. Esta instituição, em suas várias denominações, adquiridas ao longo de sua existência, obteve em 1911 a denominação de Escola Normal Primária e o 2º Grupo Escolar da cidade passou a Grupo Escolar Modelo. Em 1924, quando a escola passou a funcionar em prédio apropriado às suas funções, o 2º grupo escolar começou a funcionar em seu interior. Tal movimento não foi prerrogativa desta escola, fez parte de uma época, o que se pode hoje constatar em pesquisas que se vêm desenvolvendo em tantas outras instituições. Os acervos trazem documentos escritos, iconográficos, museológicos, e um grande número de itens bibliográficos, que deram forma à biblioteca infantil “Pequenos Bandeirantes” e à biblioteca da escola Normal cujo prédio posteriormente passou a hospedar outras modalidades de instituições o que acarretou o alargamento do acervo em número e títulos de obras. Para os tantos itens encontrados, procedeu-se um mapeamento ainda modesto desta biblioteca, com o aporte das fontes documentais do arquivo histórico da instituição, cujo inventário, organizado no âmbito deste projeto, permitiu acesso aos relatórios, sobretudo, de 1945 a 1976, escritos pela mesma bibliotecária. Os relatórios trazem informações importantes sobre o funcionamento da biblioteca, número de consulentes, número de consultas por área de conhecimento, o movimento das classes quanto a essas consultas, o aumento no número de obras e a proporção das mesmas quanto às áreas. Há ainda a possibilidade de se perceber as práticas de manutenção e catalogação das obras, com a aquisição de fichas matrizes, que já foram recuperadas em sua totalidade pelas ações do projeto de preservação supracitado.

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COMUNICAÇÕES INDIVIDUAIS

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EIXO 1 - ETNIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS 771 A EDUCAÇÃO DO CORPO POR MEIO DOS RITOS E DOS SÍMBOLOS NA AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA RENATA DUARTE SIMÕES. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, VILA VELHA - ES - BRASIL. Investiga a “educação do corpo”, por meio dos ritos e dos símbolos, voltada para homens e mulheres membros das fileiras integralistas que muitos adeptos conquistou no período de 1932 a 1938. Para ordenar a ação do militante, um conjunto de dispositivos foi estruturado ditando regras, normas e rituais a serem seguidos “fielmente” pelos membros da Ação Integralista Brasileira (AIB). Essa ordenação instituía moral e corporalmente o integralista no movimento e na sociedade, e a ela os integralistas estavam submetidos e deviam obediência incontestável. O objeto da pesquisa, concluída em 2009, é a “educação do corpo integralista” elaborada e difundida pela Ação Integralista Brasileira – movimento social de grande repercussão política, que emerge no Brasil Republicano, arquitetado por Plínio Salgado, enquanto Chefe Nacional – com a finalidade de educar, disciplinar e preparar seus membros tornando-os “soldados obstinados a defender a nação”. Delimita o período a ser estudado entre 1932 e 1938, tendo como justificativa, para a data inicial, ser ela o ano de fundação da Ação Integralista Brasileira. Como justificativa para a data final, aponta a extinção da AIB. Ao início do Governo ditatorial de Getúlio Vargas, todos os partidos políticos são suprimidos, juntamente com eles, a Ação Integralista Brasileira que havia obtido o registro de partido político em 1933 junto ao Superior Tribunal de Justiça Eleitoral. Em função da dissolução dos partidos políticos, a AIB, adaptando-se aos novos tempos, transformou-se novamente em sociedade civil com a denominação de Associação Brasileira da Cultura (ABC). O Estudo realiza um diálogo com os “Protocollos” publicados em O Monitor integralista, jornal fundamentalmente doutrinário e prescritivo do movimento que se encontra no Acervo Plínio Salgado do Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro-SP, ou seja, com as diretrizes que orientavam os rituais e usos dos símbolos no integralismo. A proposta é que se observem, nos “Protocollos”, elaborados pelo mais alto grau hierárquico do integralismo, ou seja, por Plínio Salgado, as prescrições aos militantes do movimento. Os protocolos da AIB impunham que os “camisasverdes” obedecessem sem discutir às ordens superiores, cometendo falta gravíssima quem a elas transgredisse. As ordens e ações de Salgado – Chefe em caráter perpétuo da AIB, com plenos poderes deliberativos, a quem todos responderiam – eram inquestionáveis, sofrendo pena de exclusão automática os “camisas-verdes” que as comentassem. Concluiu que, através dos ritos e dos símbolos, o integralismo propagava, a seu modo, o comportamento a ser assumido pelos integralistas e, conseqüentemente, a quem mais se predispusesse a ler seus jornais. Por meio das práticas ritualistas e simbólicas, o integralismo impunha ao corpo um modo de ser, de se comportar, de vestir, de falar, de calar, de andar, de casar, de morrer, de se embelezar, de amar, de odiar..., ou seja, um modo muito próprio e uno de ser integralista. 743 A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO NÚCLEO DE ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS DA UFES: CONSTRUINDO POSSIBILIDADES NO CAMPO DA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ETNICAS-RACIAIS MARIA APARECIDA SANTOS CORREA BARRETO. UFES/PPGE, VITORIA - ES - BRASIL. Objetiva-se analisar aspectos históricos da institucionalização e da articulação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Espírito Santo, com ações no âmbito da formação continuada de professores, no período de 2003-2010. A fundamentação teórico-metodologica é pautada em dois eixos que se entrelaçam formando o núcleo de orientação desta formação: a cosmovisão africana, as especificidades históricas e culturais da população negra nos diversos espaços geográficos do Brasil e a análise dos processos opressivos de dominação sobre os africanos e afrodescendentes e de suas formas de luta e resistência anti-racistas. Baseando-se ainda, na constituição histórica de processos educativos no contexto da nova legislação, das Diretrizes 123

Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e o ensino de História e Cultura AfroBrasileira e Africana conforme a Lei nº 10.639/03 que visa contribuir para a desconstrução de um saberfazer preconceituoso/discriminatório. Os participantes da pesquisa foram professores(as), pedagogos(as) e gestores(as) que atuavam na educação básica no sistema estadual de ensino. Como metodologia propomos movimentos interligados durante o ano de 2003/2010: observação participante, história oral, entrevistas, grupos focais. As novas diretrizes situam-se no campo das políticas de reparações, de reconhecimento e valorização dos negros, possibilitando a essa população o ingresso, a permanência e o sucesso na educação escolar. Dentre entre outros aspectos esta pesquisa vem apontando como fundamentais para a formação docente como uma das principais vias para: o aperfeiçoamento e organização do trabalho escolar e pedagógico nas escolas, de modo a compreender que a cosmovisão africana, reinventada em territórios brasileiros contribui para o enriquecimento do debate acerca das questões ambientais, tecnológicas, históricas, culturais e éticas em nossa comunidade. Concluímos que o ideário desta política pública, com as ações investigativas dos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros constituídos nas IFES é afirmação do caráter pluriétnico da sociedade brasileira, a formação de professores para atuar na promoção da igualdade racial e a eliminação de qualquer fonte de discriminação e desigualdade raciais. Assim, apontamos ainda, que a formação continuada de professores é um dos elementos históricos e sociais fundamentais para a desconstrução das desigualdades que contribuem para exclusão de grande parcela da população afro-descendente dos bens construídos socialmente. 557 A LIBERTAÇÃO DA MULHER ANALFABETA NO BRASIL ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO POPULAR PAULA SIMONE BUSKO. UNISANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. No Brasil de hoje, a condição da mulher excluída, sobretudo na educação, tem sido palco de discussões, desde os meios acadêmicos em seus vários campos do saber até no que diz respeito às políticas públicas, porém, ainda de maneira tímida, caminhando na medida em que as pesquisas voltadas para o gênero trazem à tona novos sujeitos, enfatizando a importância da representação feminina nos meios sociais. Esta comunicação, que faz parte de uma pesquisa em andamento, tem como objetivo dialogar acerca de estudos e reflexões da condição da mulher brasileira, desprovida de condições financeiras, sobretudo do aprendizado escolar, subjugada em seu meio, e de como esta mulher poderá se libertar, através de uma educação popular, conforme Dussel. O trabalho será dividido em duas partes, a primeira objetiva a preocupação de Dussel com o ser oprimido, neste caso a mulher pobre e analfabeta, como ele a vê, através de sua Exterioridade, e não do ponto de vista da Totalidade do meio, porque sucedendo de forma totalitária a libertação desta mulher, na luta pelo aprendizado, poderá ocorrer de maneira limitada, neopragmática, negando toda uma realidade racional existente. Cabe aqui a citação de ações comunitárias que se justificam por si mesmas, espaços de consciência e de respeito por esta mulher, indispensáveis para o crescimento de suas práticas sociais, livres e criativas. Na segunda parte, o trabalho visa evidenciar que determinadas representações da mulher são construções culturais e históricas, muitas vezes vistas por elas como algo natural. Neste intuito, o pesquisador não poderia pautar suas pesquisas sem entender tais modelos impostos e sem a convivência com esta mulher, dentro das ações comunitárias propostas e da educação popular. Dessa forma, o trabalho enfatiza que só haverá entendimento do que seja um determinado estudo sobre esta mulher brasileira desvalida de recursos educacionais, se esta for vista enquanto sujeito em busca de sua libertação, e não como um objeto de estudo de uma simples “reflexão” externa, e isto só é possível através de uma presença prática concreta do pesquisador na relação imediata do face-a-face, o que para Dussel é o ponto de partida da libertação. A metodologia utilizada, inicialmente, será um levantamento bibliográfico identificando historicamente os movimentos em favor da mulher no século XX. Será utilizada também a história oral, com entrevistas em grupos de mulheres analfabetas ou em fase de alfabetização, e de como elas entendem a sua inserção na educação. Para concluir será importante identificar questões que se fazem surgir no próprio campo da pesquisa reconhecendo o avanço de estudos desta relação mulher pobre-educação popular no Brasil, somente assim esta mulher terá chance de expressar a sua voz. 1028 124

A ORIGEM DA EDUCAÇÃO ÁRABE NO PARANÁ WANESSA STORTI. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. Esse trabalho trata dos quatro anos de existência da Escola Islâmica do Paraná, fundada em 1969, em Curitiba. A escola possui relação direta com imigrantes árabes muçulmanos que, ao chegarem ao Brasil, sentiram necessidade de continuar a divulgar sua cultura e religião. Durante os seus anos de existência, houve o crescimento da fé muçulmana no Estado, substituindo-se a escola pelo local de culto desses fiéis, a mesquita. A importância do trabalho reside, também na compreensão do papel desta etnia à sociedade curitibana, além de divulgar e problematizar a maneira como a cultura escolar, entendida por Forquin (1993), Faria Filho (2007), Viñao Frago (2000), acontece em uma instituição particular islâmica que se fundamenta na manutenção dos valores e costumes trazidos pelos antepassados. Existem contribuições sociais e históricas que o estudo pode trazer como um maior conhecimento da cultura árabe e da história da educação no estado. O termo árabe muçulmano remete aos imigrantes praticantes do Islamismo que chegaram ao Estado do Paraná na metade do século XX. A relação entre a chegada dos imigrantes árabes e a fundação e manutenção da escola auxilia na compreensão da instalação da etnia na cidade de Curitiba. A fundação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná teve um grande impacto para a estruturação dessa instituição de ensino. Mesmo sendo essa imigração estatisticamente pequena comparando-se com a chegada de outras etnias, os “turcos” construíram suas raízes na capital do Paraná. A Escola Islâmica do Paraná, segundo os registros, estava apta para oferecer ensino primário. A partir de março de 1971, criou-se o Ginásio Muçulmano Nossa Senhora de Fátima, com atividade no ensino secundário. O nome revela a tentativa de integração da comunidade na capital paranaense, como uma sincronia das duas religiões. A pretensão, então, não é somente relatar os acontecimentos e marcos importantes da escola, mas sim interpretá-los. É como tornar presente o que está ausente, uma presentificação do passado. (WERLE, 2004). Isso ocorre através da análise dos ritos, das histórias, dos símbolos educacionais que servem como indícios para o relato da escola. Para Magalhães (1999, p. 68), “a instituição educativa constitui, no plano histórico, como no plano pedagógico, uma totalidade em construção e organização, investindo-se de uma identidade.”. As fontes utilizadas foram em sua maioria os documentos escolares arquivados na instituição de ensino, além de jornais da época e fotografias de acervos particulares de ex-alunos.

772 A REVISTA “O PEQUENO LUTERANO” NAS ESCOLAS PAROQUIAIS LUTERANAS NO RS- 1930-1960 PATRICIA WEIDUSCHADT. UNISINOS, PELOTAS - RS – BRASIL. O objetivo deste artigo é analisar a influência da revista “O Pequeno Luterano” nas escolas paroquiais orientadas por uma instituição luterana, o Sínodo de Missouri. Esta revista foi editada pelo Sínodo, atual Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em 1931 em alemão gótico, sendo que, em 1939 com a nacionalização do ensino começou a ser editada em português até 1966. A igreja do Sínodo de Missouri foi instalada em 1900 na região meridional do estado do RS entre pomeranos e sua expansão se deve ao grande investimento nas escolas e material impresso às jovens e crianças. Através da análise da revista, percebemos que este material previa orientações doutrinárias, religiosas e de conhecimento geral, além de entretenimento para colaborar na educação das crianças. A ênfase doutrinária estava presente em textos que enfocava explicações bíblicas, do catecismo, e da vida biográfica de Lutero, com grande aprofundamento, pressupondo, assim, que seria necessário o auxílio do professor para as crianças leitoras entender os artigos. Podemos afirmar que os professores das escolas usavam a revista como auxílio didático, e, também, como um manual a seguir durante o ano letivo. Em todos os anos da revista ela seguia um cronograma de temas que coincidiam com as festas religiosas: ano novo, páscoa, pentecostes, dia da reforma protestante e natal. Do mesmo modo as datas cívicas e nacionalistas também obedeciam a uma seqüência de fatos organizados durante o ano: Dia de Tirandentes, Dia da Independência, Dia da Proclamação da República. Os leitores infantis também se comunicavam com a 125

edição da revista, em sua maioria, identificados como alunos das escolas, relatando a sua escola e práticas. A edição, diversas vezes, pede auxílio para os professores expandirem as assinaturas entre os seus alunos, também apelam para os leitores nas dificuldades de poucas assinaturas fazer propaganda entre os colegas de classe. A revista reforça as práticas de uma cultura escolar específica nos seus leitores/ alunos, como decorar passagens bíblicas, maneiras e condutas de comportamento na escola e na igreja. Assim, estaremos apoiando esta análise nos estudos de Chartier ao analisar o impresso, sua circulação e edição como parte de um processo de construção entre leitores, editores e escola .Por isso, evidencia-se uma interrelação entre as orientações da revista e as práticas escolares e religiosas neste contexto. Este artigo faz parte de pesquisa em andamento dos estudos de doutoramento em educação e ainda precisa aprofundar as análises da revista.

690 AGÊNCIA POPULAR NA OPÇÃO PELA NÃO ESCOLARIZAÇÃO NAS PROVÍNCIAS DE SÃO PAULO E DO PARANÁ EM MEADOS DO SÉCULO XIX FABIANA GARCIA MUNHOZ. FEUSP, RIO CLARO - SP - BRASIL. Esta comunicação apresenta interpretações possíveis para casos de resistência à escolarização em meados do século XIX. A presente análise constitui recorte de pesquisa de mestrado em andamento. A intenção é problematizar as recorrentes queixas presentes em relatórios de inspetores gerais da instrução pública e presidentes de província acerca do baixo número de alunos matriculados em algumas aulas públicas de primeiras letras – no caso, das províncias de São Paulo e do Paraná. As hipóteses foram construídas operando-se com as contribuições de Michel de Certeau e Edward Palmer Thompson. A partir de fontes produzidas pelo poder – homens que ocupavam o cargo de inspetor da instrução e de presidente da província – e por professores de primeiras letras buscou-se indícios do conhecimento da população acerca do funcionamento institucional que se constituía e suas táticas para fugir do controle governamental. A opção pela não escolarização é compreendida como agência popular, ou seja, tática dos sujeitos no interior de um cenário mais amplo de relacionamento com as diversas instituições políticas do Brasil Imperial – entre as quais a polícia, o exército, a judicatura de paz, o júri e a magistratura togada. Cargos como o de juiz de paz e de jurado não eram remunerados e exigiam que o ocupante soubesse ler e escrever, a partir de 1841. A matricula e frequência às escolas públicas forneciam letrados para a burocracia que se constituía e, ao mesmo tempo, um instrumento de controle para o governo conhecer quem eram os seus alfabetizados. As listas de alunos que os professores de primeiras letras elaboravam com nomes, idades e filiação representavam instrumentos de controle social do Estado sobre esta população, tal como ocorria no caso das listas de moradores (maços populacionais) que eram utilizadas para as eleições e também para fins de recrutamento. Maria Odila Leite da Silva Dias (1988) destaca a “resistência ao recrutamento” e a “deserção sistemática” tanto no caso das polícias provinciais, quanto no da guarda nacional, e, “pior de tudo, para os contemporâneos, era o exército de primeira linha considerado como castigo pela população mais pobre, que o identificava, com razão, a trabalhos forçados” (DIAS, 1988, p. 69). Nesse sentido, trabalha-se com a hipótese de que a opção pela não escolarização esteja relacionada com a resistência às várias possibilidades de recrutamento no XIX e tenha motivações convergentes com as que suscitaram movimentos de resistência ao registro civil e ao censo como o "Ronco das Abelhas ou guerra dos marimbondos" que foram revoltas contra os decretos de 1851, que instituíam o “Censo Geral do Império” e o “Registro Civil de Nascimentos e Óbitos”.

1067 ARTICULAÇÃO PUXIRÃO: MOVIMENTO SOCIAL DOS POVOS FAXINALENSES 126

EMANUEL MENIM. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. A proposta deste trabalho encaixa-se no eixo temático movimentos sociais e etnia, no sentido de que a partir da História do tempo presente busca-se discutir a atuação de uma instituição não-formal de educação. Estudamos a Articulação Puxirão dos Povos Faxinalenses, movimento social que organiza este grupo étnico. A Articulação Puxirão objetiva articular e mobilizar as comunidades em prol da defesa e da promoção de seus direitos étnicos e coletivos com vistas ao acesso e à manutenção de sua territorialidade. Desde 2005 este projeto organiza oficinas nas comunidades paranaenses e forma lideranças faxinalenses com o intuito de propiciar o conhecimento de instrumentos, bem como de mecanismos jurídicos que possam ser utilizados na reivindicação dos direitos de diversas comunidades faxinalenses existentes no Estado do Paraná. Deste modo, a expectativa é que se formem atores ativos dos processos de construção e de intervenção de políticas públicas em nível federal, estadual e municipal. Este é um projeto de educação não-formal, uma iniciativa do terceiro setor da educação.Sobre a História geral dos faxinalenses, podemos dizer que sua formação social é caracterizada pelo uso comum da terra tanto para a criação de animais quanto para o uso dos recursos hídricos e florestais. Sofrem o agravamento da possibilidade de permanência em seus territórios onde, há décadas, a agricultura convencional vem produzindo consequências como a descaracterização sócioambiental notada pela desagregação do sistema faxinal e pela expulsão das famílias ou de parte delas para os centros urbanos. O presente trabalho é resultado de pesquisa de monografia em conclusão. Pesquisa-se especificamente o Faxinal do Salso, em Quitandinha/PR. A baliza temporal desta pesquisa vai de 2005 até o presente momento, sendo que o marco inicial se refere a entrada da Articulação Puxirão nesta comunidade. Os conflitos ali são com os chacareiros. Na ótica faxinalense o chacareiro é uma pessoa aposentada que não depende da vida na cidade e que procura um pedaço de terra em meio aos faxinais e, por não compreender o modo de vida faxinalense, cerca sua terra diminuindo a área de reprodução dos animais criados a solta. Nesta comunidade a organização trouxe maior coesão ao grupo, e eles estão mais informados sobre seus direitos e lutam por eles. A questão da territorialização sofreu mudanças desde que a comunidade se organizou em movimento social e o conhecimento das leis favoráveis aos povos e comunidades tradicionais mudaram as relações entre os faxinalenses, chacareiros, polícia e autoridades locais. Uma questão importante desta comunidade agora é a reconstrução da identidade étnica e dos costumes do modo de vida faxinalense. E é frente a estas questões que a Articulação Puxirão tem se posicionado.

444 AS ASSOCIAÇÕES DE MÚTUO SOCORRO E SUAS ESCOLAS ÉTNICO-COMUNITÁRIAS ITALIANAS: A CIRCULAÇÃO DE SABERES E AS CONFORMAÇÕES IDENTITÁRIAS TERCIANE ÂNGELA LUCHESE. UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL, BENTO GONCALVES - RS - BRASIL. O presente texto é resultado parcial de pesquisa em andamento intitulada “O processo escolar na Região Colonial Italiana, RS: as escolas étnico-comunitárias, 1875 a 1938.” Nesse artigo, o objetivo é apresentar as iniciativas escolares criadas, mantidas e difundidas pelas Associações de Mútuo Socorro da Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul. Essa Região corresponde às primeiras três colônias ocupadas predominantemente por imigrantes italianos: Colônia Caxias, Conde d’Eu e Dona Isabel. A análise abrange o final do século XIX e início do século XX, momento em que houve maior participação e importância desta forma de escolarização, sistematizada pelas diversas associações – rurais e urbanas. Na análise são privilegiadas as atuações das seguintes Associações: Sociedade Italiana de Mútuo Socorro Regina Margherita (fundada em 1882) no atual município de Bento Gonçalves; Sociedade Italiana Stella d’Itália (1884) criada em Garibaldi; e Sociedade Príncipe de Nápoles (1887) de Caxias do Sul. Os nomes das sociedades lembram algum herói italiano ou membro da Casa Real da Itália. Dentre as diversas funções das sociedades estava a intermediação e preservação dos laços com a pátria de origem através de festividades cívicas – italianitá, assim como assumiram a organização de diversas escolas subsidiadas 127

por materiais e mesmo professores provenientes da Itália. Constituíram-se, também, em espaços de auxílio mútuo em caso de doença, morte ou sinistro de seus sócios. Buscavam difundir o sentimento de italianidade com a comemoração das datas nacionais italianas, o culto à memória da família real e dos heróis da península, bem como campanhas para a arrecadação de donativos enviados para a Itália. Dentre os questionamentos que orientam a pesquisa e são destacados no texto podemos elencar: Quem ensinava? Em que locais? Quais os conhecimentos privilegiados? Quais os suportes materiais utilizados? Que conformações identitárias produziram? As “escolas italianas” foram consideradas importantes na manutenção da língua e do culto da Itália como a pátria dos filhos dos imigrantes. Tiveram atuação efetiva nesse sentido? Orientada pelos referenciais teóricos da História Cultural e utilizando a análise documental de fontes historiográficas diversificadas como fotografias, materiais didáticos, livros, correspondências, estatutos, relatórios de cônsules e agentes consulares, o artigo privilegia a análise desta iniciativa ímpar de organização escolar, procurando contribuir para o conhecimento da história da educação brasileira.

508 AS ESCOLAS ITALIANAS DAS SOCIEDADES DE MÚTUO SOCORRO EM CURITIBA: INSTRUIR A INFÂNCIA E FORTALECER A IDENTIDADE ÉTNICA. ELAINE CÁTIA FALCADE MASCHIO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, COLOMBO - PR - BRASIL. O objetivo deste trabalho é analisar as iniciativas escolares junto as Sociedades Italianas de Mútuo Socorro em Curitiba no final do século XIX e início do século XX. Busca compreender como essas instituições empenharam-se na organização de escolas que contribuíram para a instrução da infância e para o fortalecimento a identidade étnica, através da disseminação do sentimento de italianidade. Procura identificar os sujeitos que fizeram parte daquele processo de escolarização, as práticas, as relações de poder e os primeiros impactos da nacionalização. As sociedades de mútuo socorro eram associações formadas por imigrantes e descendentes e objetivavam prover os seus membros com auxílio financeiro em caso de necessidade. Além disso, essas instituições buscavam fortalecer os vínculos entre os emigrados e a pátria de origem. Portanto, desempenhavam funções previdenciárias e sindicais, oferecendo assistência aos trabalhadores operários, ou agiam como agremiações que executavam ações para a manutenção da identidade do grupo, como celebrações de datas festivas italianas, apresentações culturais e atendimento educacional em língua italiana. Em Curitiba, das 10 sociedades italianas de mutuo socorro criadas no ínterim dos anos de 1883 a 1916, três delas tinham em seu escopo o atendimento educacional da infância conflagrando o fortalecimento da identidade étnica: a Società Italiana di Beneficenza Giuseppe Garibaldi (1883), a Società Italiana Dante Alighieri (1896) e a Società Italiana di Mutuo Soccorso Cristoforo Colombo (1905). Neste sentido, o recorte temporal abrange os anos que assistiram a criação da primeira e da última sociedade italiana em Curitiba. A partir do ano de 1916 iniciaram-se as primeiras ações de nacionalização do país, confluindo para a formação do estado-nação. As sociedades organizadas pelos estrangeiros sofreram forte fiscalização, tendo que realizar mudanças na organização mutual. Na tentativa de compreender as iniciativas escolares dessas instituições e sua atuação na conformação da identidade étnica, foram privilegiados documentos como: Registros Cartoriais, Estatutos das Sociedades, Jornais, Ofícios, Requerimentos e Relatórios das autoridades do Ensino Paranaense. O diálogo historiográfico contemplou autores que tratam desde a imigração italiana, até autores que abordam a historiografia educacional brasileira, os quais contribuíram para entender o processo de imigração e escolarização no Brasil e no Paraná. Esta pesquisa, ainda em andamento, está inserida em uma dimensão teórica e empírica mais ampla junto ao processo de doutoramento em realização e procura incluir-se nas discussões do eixo temático Etnias e Movimentos Sociais.

658 CHICO REI CLUBE: CONTRIBUIÇÕES PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS NEGROS EM POÇOS DE CALDAS, MG (1963-1995) 128

FERNANDA MENDES RESENDE ; GABRIELA CAMARGO SCASSIOTTI . 1.FEUSP, POCOS DE CALDAS - MG - BRASIL; 2.PUC MINAS CAMPUS POÇOS DE CALDAS, POÇOS DE CALDAS - MG - BRASIL. Este trabalho apresenta os resultados parciais de pesquisa sobre a história da educação dos negros e formação da cultura negra em Poços de Caldas, cidade situada no sul de Minas Gerais. O trabalho enfatiza a história do Chico Rei Clube – hoje Centro Cultural Afrobrasileiro Chico Rei – um clube para negros, e suas contribuições para a comunidade negra local, buscando compreender as ações deste para o reconhecimento da cultura afrobrasileira entre 1963 – fundação do Chico Rei Clube por dezoito casais negros e alguns casais da elite branca poçoscaldense, com o intuito de organizar atividades de lazer para a população negra de Poços – e 1995 – ano de uma importante comemoração planejada pelo Clube, que marcou uma época de cisões e mudanças na diretoria. A motivação inicial para a pesquisa surgiu a partir da percepção de que havia, na sede do Centro Cultural, uma significativa quantidade de material guardado de forma bastante desorganizada, que pode ser utilizado como valiosas fontes para a história e recuperação da memória do Chico Rei Clube. Realizamos um levantamento inicial de todo o material encontrado no porão da sede do Centro Cultural, e em seguida demos início à catalogação deste “arquivo”. Jornais, discos de vinil e fantasias utilizadas nas ocasiões festivas foram catalogados. Em seguida, realizamos entrevistas com as pessoas que participaram de forma direta das atividades do Chico Rei Clube entre 1963 e 1995, como, por exemplo, diretores, associados e usuários das atividades oferecidas pelo Clube. Paralelamente, analisamos documentos oficiais, incluindo atas de reuniões, e fotografias que se encontram com as pessoas que participaram das diretorias do Clube. Para analisar todos os movimentos históricos do Chico Rei Clube, foi necessário estudar e compreender a chegada dos negros no Brasil, a diáspora, a escravidão, o extravio da cultura e costumes, a apropriação da cultura branca como meio de participação na sociedade, o mito da democracia racial, a educação dos negros nos séculos XIX e XX, e outras questões relacionadas à história do negro no Brasil. As análises levam em conta a formação, bastante específica, da sociedade sulmineira, especialmente a poçoscaldense, de maioria de imigrantes italianos e poucos descendentes africanos, como já foi debatido por Marcus Vinicius Fonseca (2009). Como referencial teórico básico utilizamos Kabengele Munanga (2009), Marcus Vinicius Fonseca (2002 e 2009), Nilma Lino Gomes (2006), Ana Canen (2001), Luiz Alberto Gonçalves (2002), entre outros.

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1047 DAS ALAGOAS ÀS GERAIS: NORDESTINAS MIGRANTES E ESCOLARIZAÇÃO NO PONTAL MINEIRO (ANOS 1950-1960) DAIANE DE LIMA SOARES SILVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, ITUIUTABA - MG - BRASIL. O presente trabalho é resultado parcial da pesquisa em desenvolvimento “Das Alagoas às Gerais: Migrantes Nordestinos e Escolarização no Pontal do Triângulo Mineiro (anos 1950 a 2000)”, apoiada pelo CNPq, que tem como objetivo central estudar os fluxos migratórios nordestinos para o município de Ituiutaba e seus reflexos no sistema de ensino. Apresentamos problematização inicial, enfocando as décadas de 1950 e 1960, quando analisamos a “chegada das massas” à rede escolar local, com a progressiva elevação do acesso à escolarização, desencadeada, sobretudo, com os fenômenos da industrialização e urbanização, tentando vislumbrar como se deu a inserção e permanência das mulheres migrantes nesses espaços institucionais. Eleger esse grupo como objeto tem relação com a pouca visibilidade da presença das nordestinas no município, já que os estudos existentes sobre migração, priorizaram o trabalhador rural, por representar a maior parte dos migrantes. Estudar a escolarização das migrantes nordestinas em Ituiutaba-MG permite-nos refletir sobre o papel social desse grupo, colaborando para o entendimento da história sobre o feminino na região. Uma especificidade encontrada na pesquisa foi a observação de que, enquanto os meninos – filhos dos migrantes – deveriam colaborar com o sustento das famílias o que dificultava sua permanência na escola e muitas vezes o próprio acesso a cultura letrada, as filhas eram, na medida do possível, 129

incentivadas a iniciar e concluírem os seus estudos. Do grupo de entrevistadas, três chegaram ao nível superior, uma concluiu o ensino fundamental, e outras duas apenas o primeiro ciclo desse ensino (4a. série). Entretanto, havia obstáculos para as migrantes se manterem nas escolas em função das dificuldades cotidianas decorrentes de sua condição social, acentuadas pelas diferenças culturais. É possível apontar, a partir desses dados e também nos apoiando em Motta (2010), que há uma ressignificação do “dote intelectual” no novo espaço (Pontal Mineiro), o qual justifica o estímulo à entrada da filha mulher no âmbito escolar, invertendo as estatísticas quando comparadas as do local de origem - o Nordeste do país, que nos anos de 1950 e 60 tinha número elevado de mulheres fora da escola, superior ao da população masculina. A expansão das escolas públicas na cidade nesse período, também contribuiu para a escolarização dessas mulheres, mas acreditamos ser possível afirmar a existência do dote como instrução (ABRANTES, 2010), ou seja, um mecanismo encontrado pelas famílias migrantes, para ampliar as possibilidades de estabilidade econômica no novo destino, porém, o acesso à escola pode ser visto também como uma forma de “dotar” intelectualmente essas mulheres, contribuindo para sua emancipação.

730 DE SELVAGEM A EDUCADO: TRAJETÓRIA ECUCACIONAL DE CRIANÇA INDÍGENA NO FINAL DO SÉCULO XIX ANA PAULA DA SILVA XAVIER. UFMG, CUIABA - MT - BRASIL. Esta comunicação tem por objetivo discutir a experiência educacional de “Piududo” – Guido –, menino indígena da etnia Bororo que viveu no final do século XIX. Essa investigação inseri-se em uma pesquisa maior, desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mina Gerais (UFMG), a qual busca estudar a história da escolarização da infância em Mato Grosso, no século XIX. Nesta comunicação, inicialmente, busca-se discutir o Projeto de educação para população indígena de Mato Grosso, tendo por base o Regulamento das Missões e Catequese de 1845 que esteve em vigor em todo o império brasileiro, bem como os relatórios de presidentes de província e inspetores da instrução pública mato-grossense. Num segundo momento, a escala de observação é verticalizada, passando a focalizar a trajetória educacional de “Piududo”, um menino indígena da etnia Bororo que foi retirado do convívio natural do seu grupo étnico e levado à Cuiabá para ser criado pelo Presidente da Província de Mato Grosso, Coronel Rafael de Mello Rego e sua esposa, Maria do Carmo de Melo Rego. Essa trajetória individual é traçada por meio de relatos do tipo memorialista, escritos por viajantes e pessoas que estiveram ou habitaram em Mato Grosso, em especial, os redigidos pela própria Maria do Carmo de Mello Rego, mãe de criação do menino – batizado como “Guido” – que após a morte do mesmo, escreveu diversos relatos que apresentam descrições relativas aos costumes da etnia bororo e dos moradores da cidade de Cuiabá, bem como visões de mundo em relação ao modo de vida do menino indígena em seu grupo de origem e da educação vivencia junto às regras dos “civilizados” da cidade. Nesse estudo, a analise das relações estabelecidas entre trajetória individual e relações com os grupos sociais e étnicos possibilita compreender as múltiplas dimensões de deslocamento dos sujeitos na sociedade da época. No caso de Guido, sua trajetória educacional não pode ser tomada como representação de uma experiência coletiva dos diferentes grupos indígenas de Mato Grosso ou até mesmo da própria etnia Bororo. Entretanto, a singularidade da trajetória desse menino indígena contribui para dar visibilidade aos índios enquanto sujeitos históricos integrantes do processo de escolarização do século XIX, em Mato Grosso, ao trazer a tona, a entrada de crianças indígenas em escolas de primeiras letras, assim como possibilita pensar na configuração de diferentes espaços e estratégias educacionais paralelas ao Projeto de educação para os índios desse período histórico.

1135 DIVERSIDADE ÉTNICO-CULTURAL NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO RECENTE 1996 – 2008: UM ESTUDO DESDE O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO 130

ROSA LYDIA TEIXEIRA CORREA ; SIMONE TOLONI OLIVEIRA . 1.PUCPR, CURITIBA - PR - BRASIL; 2.PUC, CURITIBA - PR - BRASIL. Este trabalho traz resultado parcial de uma pesquisa que se encontra em andamento, em nível de mestrado. O principal objetivo é estudar a diversidade étnico-cultural existente entre alunos do ensino fundamental e médio de uma escola localizada na cidade de Amambaí, estado do Mato Grosso do Sul, na história recente. Trata-se, analisar as representações (Chartier 1996), sobre diversidade étnico cultural, considerando dois tipos de fontes: legais e listas de alunos. Do ponto de vista legal, a etnicidade está sendo analisada no âmbito da diversidade cultural no sentido de entender como ela é representada, nos parâmetros curriculares nacionais, na Lei 9394/93, e nas legislações subseqüentes como, tais como: a lei 10.639/2003 que inclui nos currículos do ensino regular a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira. Em listas de alunos, por meio de registro nomes, onde a cor dos mesmos está registrada ao lado de nomes e sobrenomes. Metodologicamente este estudo é orientado pela abordagem da história cultural (Chartier, 1996), que entende ser a realidade lida, interpretada, para então se construir, elaborar compreensões sobre ela. As representações resultam de percepções que os grupos constroem sobre o social e que não se constituem de modo algum em construções neutras. Elas produzem estratégias e práticas sociais e escolares que tendem a impor formas de poder e dominação. Dados preliminares obtidos das listas nominais apontam para a existência de alunos que, sob o prisma étnico estão situados dentro das seguintes categorias: negros, pardos, indígenas e brancos. Esta é uma particularidade que embora genérica nos permite problematizar sobre o seu significado, considerando o fato de que são categorias socialmente construídas (D’Assunção, 2007). Da perspectiva legal, embora as últimas legislações demonstrem avanços em termos do trato da diversidade e, em particular com as questões de natureza étnica, genericamente falando, elas ainda devem ser tratadas nos currículos escolares do ensino fundamental de modo transversal. Por outro lado, não podemos perder de vista que a diversidade cultural enquanto temática geral curricular e seus desdobramentos e, entre eles a questão étnica decorrem de conquistas de direitos historicamente conquistados no interior dos movimentos sociais no Brasil em particular.

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774 EDUCAÇÃO DA MULHER E MESTIÇAGEM NA PROVÍNCIA DO GRÃO-PARÁ (1831-1889) SÔNIA MARIA ARAÚJO. UFPA, BELEM - PA - BRASIL. Esta pesquisa tem como objeto de investigação a relação entre educação para a mulher e mestiçagem na Província do Grão-Pará, no período do Império no Brasil, mais precisamente no 2º Reinado, portanto, abrangendo o período de 1831 a 1889. As questões que lançamos nesta investigação são: no contexto da educação da mulher na Província do Grão-Pará, na transição do Império para a república no Brasil, já se manifestavam práticas raciais? De que maneira a mestiçagem, e todas as questões raciais que a ela circundavam, aparece na educação da mulher na Província? Objetiva-se com a pesquisa compreender, por meio da análise de documentos governamentais, relações entre a educação da mulher na Província do Grão Pará e a questão da miscigenação, nos anos de 1831 a 1889, de modo a acrescentar ao debate da educação para a mulher no território do Império do Brasil as tentativas de, por meio da educação, eliminar traços degenerescentes herdados da raça indígena. Considerando que a formação étnica do norte do Brasil, predominantemente indígena, era associada à degenerescência e à selvageria, conforme as teorias raciais largamente expandidas nas representações das elites brasileiras, formadas nos colégios da Europa, especialmente de Portugal, país altamente patriarcal e católico, torna-se premente analisar as relações que podem ser estabelecidas entre a educação da mulher na Província do Grão-Pará e a questão da mestiçagem. Prioritariamente, utilizamos fontes governamentais, como documentos publicados pelos presidentes da Província e legislação criada. A princípio, identificamos que no GrãoPará, região considerada terra de índio, a questão racial forneceu elementos diferenciados sobre a educação da mulher no cenário nacional, que vai receber um tratamento mais contundente no início da República. Os resultados preliminares indicam que a educação para a mulher no Grão Pará oferece ao 131

campo da História da Educação dados para reflexão que ampliam o debate nacional sobre a educação no país para além da formação feminina como cópia do modelo de educação processada no Ocidente europeu, especialmente da França. No caso particular da Província do Grão-Pará, a política de educação para a mulher tinha especialmente como objetivo principal subliminar a superação de traços degenerescente provindos da herança racial indígena. Considerada incapaz de educar os filhos para a formação da nação independente, moderna e soberana, a mulher mestiça do norte precisava ser educada para superar a moral degrada que conduzia suas práticas sociais.

1025 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: AS AÇÕES PEDAGÓGICAS DO MOBRAL EM PATOS DE MINAS/MG (1971-1979) LENI RODRIGUES COELHO. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS, TEFE - AM - BRASIL. Diante de tantas campanhas acerca da alfabetização de adultos, criadas e extintas no Brasil criou-se em 1967 o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Esta pesquisa é fruto da dissertação de Mestrado em Educação defendida em 2008 no Programa de Pós-Graduação na Universidade Federal de Uberlândia. Os resultados obtidos são importante uma vez que preenche lacunas no vazio historiográfico, pois não tem-se estudos cientificos referente as ações do MOBRAL em Patos de Minas/MG nesse contexto. Diante disso, surgiu a necessidade de compreender e analisar as especificidades do MOBRAL como também suas influências em Patos de Minas entre 1971 e 1979, período este em que o movimento se estruturou como instância política e pedagógica da qual objetivava erradicar o analfabetismo. O MOBRAL tinha como meta erradicar o analfabetismo em dez anos de atuação já que o índice de analfabetismo da população se encontrava elevado. Dentre as fontes deste estudo, são privilegiados o referencial teórico específico, os documentos oficiais, a história oral, os anuários do IBGE de 1970 e 1980, os manuais pedagógicos e a imprensa local. O MOBRAL foi uma das expressões político-educacionais do período da ditadura militar e a concepção, que o informava, compreendia a educação como qualificação de mão de obra, e visava integrar a massa de analfabetos ao processo capitalista. O MOBRAL foi um projeto de caráter ideológico-político, embora pretendesse ser alfabetizador. Nesse sentido, pouco privilegiou os interesses democráticos em favor de uma parcela significativa, a dos analfabetos. O MOBRAL em Patos de Minas não alcançou o objetivo central o de erradicar o analfabetismo de adultos até 1980, pois os dados do IBGE mostram que neste período ainda havia cerca de 23,7% de homens e 25,8% de mulheres sem escolaridade, índice este, considerado elevado diante do discurso desenvolvido no decorrer da década de 1970 por este movimento. A análise documental monstrau que a atuação do MOBRAL em Patos de Minas não foi eficaz no combate ao analfabetismo e que o seu discurso oficial não condiz com as suas ações em termos práticos. Sua proposta de educação era baseada nos interesses políticos do regime militar, por isso era necessário o jogo ideológico, do qual pregava-se o discurso de que seus alunos saiam capacitados para o mercado de trabalho, o que propiciaria a estes melhor qualidade de vida, além de prepará-los para o exercício da cidadania. No entanto, sabe-se que dificilmente haveria a melhoria na renda da população carente, uma vez que o modelo de desenvolvimento era excludente e concentrador de renda. O MOBRAL, partiu de uma visão de mundo predeterminada, uma vez que seus objetivos eram previamente definidos não dando oportunidade a população para discutir o caminho mais viável para executar o projeto.

1018 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: MEB E MOBRAL NO PERÍODO DO REGIME MILITAR EM TEFÉ/AM (1968-1975).

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LENI RODRIGUES COELHO ; FABRÍCIO VALENTIM DA SILVA . 1.UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS, TEFE - AM - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS, ITACOATIARA - AM - BRASIL. O trabalho refere-se ao Movimento de Educação de Base (MEB)e o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) no município de Tefé/AM, sendo fruto dos resultados obtidos em pesquisa de iniciação científica realizada entre julho de 2009 e julho de 2010. O tema é relevante como estudo cinentífico, uma vez que tem a pretensão de minimizar as lacunas educacionais em âmbito regional e local. Diante disso, surgiu a necessidade de compreender e analisar as ações pedagógicas dos movimentos MEB E MOBRAL no período do regime militar, como também suas influências em Tefé entre os anos de 1968 e 1975, já que neste período se desenvolveram com propósitos políticos, pedagógicos e ideológicos distintos entre si. O MEB em Tefé foi instalado em 1964 com o intuito de prestar serviços à população ribeirinha que se encontrava esquecida, bem como orientar e conscientizar os indivíduos menos favorecidos do seu valor como ser humano. O MOBRAL em Tefé foi criado em 1976, através de comissões municipais com o objetivo de alfabetizar jovens e adultos que não tiveram oportunidade de concluir seus estudos na idade própria. Acreditava que o indivíduo analfabeto necessitava apenas das técnicas da leitura e da escrita para se capacitar para o mercado de trabalho. A pesquisa foi fundamentada através de referencial teórico específico, documentos oficiais e história oral. Diante da análise documental verificou-se que os movimentos enfrentaram dificuldades em comum, como por exemplo: a falta de formação específica dos professores para lecionar, as comunidades mais distantes eram desprovidas de escolas e energia elétrica, sendo o professor obrigado a lecionar em sua residência que se encontrava em situação precária, a distância entre uma comunidade e outra, a gratificação irrisória dos monitores do MEB, e a falta de pagamento aos do MOBRAL. Quanto aos alunos percebeu-se dificuldades tais como: o trabalho pesado na agricultura, a fome, e a idade avançada gerando assim um alto índice de evasão escolar. Apesar dos movimentos pregarem discursos com princípios e métodos diferentes acerca da educação de adultos verificou-se que no período da ditadura o MEB teve que redefinir suas ações pedagógicas para sobreviver ao golpe militar. Portanto neste período os movimentos trabalharam juntos na alfabetização dos adultos, uma vez que estes mantiveram convênios, sendo o MEB responsável pela educação funcional e o MOBRAL pelo pagamento do salário dos monitores e a manutenção de materiais didáticos pedagógicos. 1330 EDUCAÇÃO DO CAMPO E MOVIMENTOS SOCIAIS RAMOFLY BICALHO SANTOS. UFRRJ, SEROPÉDICA - RJ - BRASIL. É fundamental conhecermos os princípios desenvolvidos pelos movimentos sociais no que toca à luta Por Uma Educação do Campo. Suas bandeiras, projetos, perspectivas e utopias. A formação política dos trabalhadores e a valorização da consciência social são alguns dos desafios. Nesse sentido, a produção do conhecimento pode ressignificar memórias, identidades e histórias vividas pelos sujeitos que se articulam para superar a opressão e as diversas cercas do analfabetismo, da fome e a falta de projetos emancipadores para/com o homem e a mulher do campo. Essa formação política, contextualizada historicamente, pode contribuir para a reconstrução do passado, escavando memórias e acontecimentos, recuperando documentos, fontes primárias e produzindo histórias críticas e contrahegemônicas. A produção do saber construído em parceria com os educandos/as, educadores/as, pais e todos aqueles que, direta ou indiretamente, fazem parte dos movimentos sociais que lutam por suas histórias, valores e reconhecimento, pode ser ressignificada, incentivando a implementação das Diretrizes Operacionais Por Uma Educação do Campo. Essas experiências podem contribuir para a gestação de embriões de democratização, socialização de poder, superação dos desafios, afirmação de identidades e seres humanos preocupados com o fortalecimento do coletivo. Existe hoje nos espaços formais e informais da produção do conhecimento, uma urgente necessidade de intervenção, com reflexões que tenham por meta problematizar as dificuldades que possam ser apresentadas quanto às questões teórico-metodológicas da educação do campo, na perspectiva crítica, dialógica e histórica. Essa é uma pesquisa inicial financiada pela FAPERJ – Fundo de Apoio à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro,

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com os seguintes objetivos: Conhecer o histórico da educação do campo no Brasil, compreendendo suas possibilidades e limites de formação dos atores políticos que protagonizam os movimentos sociais; Contribuir para a formação docente no contexto da educação do campo: o papel do educador na seleção e organização dos conteúdos e os recursos didáticos utilizados; Conhecer experiências e práticas de educação do campo desenvolvida pelos movimentos sociais no Brasil, dentre eles, o MST; Verificar como se dão os processos de ressignificação dos novos caminhos do ensino e da pesquisa em Educação do Campo e o desenvolvimento de práticas pedagógicas libertadoras no fazer em sala de aula. A metodologia levará em consideração o percurso de um trabalho que se concretizará através do levantamento de fontes, da análise crítica da documentação existente, de visitas às escolas públicas, universidades, secretarias de educação e bibliotecas. Os diversos atores da sociedade civil – igrejas, partidos, movimentos sociais e sindicatos dialogaram com a metodologia da história oral, num estreito contato com os projetos de Educação do Campo. Assim, o eixo temático que nos propomos para essa comunicação é Etnias e Movimentos Sociais. 1299 EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE AFRODESCENDENTES E DESCENDENTES DE ALEMÃES EM SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA/SC CINTIA TULER SILVA. UFSC, FLORIANÓPOLIS - SC - BRASIL. Este trabalho é parte de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida junto ao Programa de PósGraduação em Educação, nível de Mestrado, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob o título “Negros em São Pedro de Alcântara (SC): os processos educativos e a formação da identidade de afrodescendentes na segunda metade do século XX”. Comesta pesquisa objetiva-se analisar como os processos educacionais, desenvolvidos no município de São Pedro de Alcântara, contribuíram (ou não) para a construção da identidade étnico-cultural da população de origem africana, haja vista São Pedro de Alcântara ser um município fundado por alemães e ter a predominância de seus descendentes até a atualidade. Neste trabalho, tomou-se a memória como principal aporte teórico-metodológico. Ou seja, por meio das falas/memórias, busca-se compreender como se deu a construção dos espaços de sociabilidades, das questões identitárias, de gênero, os conflitos interétnicos, enfim, o conjunto de representações acerca da pluralidade cultural. A educação escolar transmite a cultura, assim, algumas vezes se reserva o direito de dizer o que é cultura e o que deve ser estudado. As definições de cultura e sua aplicação ao conhecimento ficam dificultadas pelas ideologias que cercam o assunto. No trato dado ao universal desaparecem as especificidades, ficam as categorias gerais, que fundamentam o etnocentrismo. A cultura costuma ser percebida pela educação, de um modo geral como aquilo que temos a capacidade de registrar e compreender. Uma maneira de superar esta postura é o relativismo cultural. As relações estabelecidas dentro e fora do ambiente escolar influenciam no processo de construção de identidades e na representação que esses indivíduos tem de si mesmos. Afinal, as trajetórias sociais e educacionais da população afrodescendente e da população imigrante alemã foram afetadas pelas condições materiais de ingresso dos dois grupos e pelas oportunidades efetivamente oferecidas a um e a outro de conservar e vivenciar as suas referências culturais e religiosas. É importante perceber como se estabeleceram as relações e a participação destes diferentes grupos étnicos na construção das propostas curriculares das escolas. Buscando compreender a dinâmica das relações multiétnicas no âmbito do cotidiano escolar, e a implicação destas na formação das identidades, serão consultados os gestores dos processos educativos do município de São Pedro de Alcântara, os educadores e os estudantes. A etnografia também marca a construção de sentidos neste trabalho. Entendendo que a compreensão é também uma interpretação, o reavivamento da memória contribui para a compreensão da realidade historicamente construída.Esta pesquisa pode representar uma ferramenta na proposição de uma educação que promova o respeito mútuo e o reconhecimento e valorização das diferenças. 603 EDUCAÇÃO FAMILIAR: OS VALORES TRANSMITIDOS PARA AS CRIANÇAS REMANESCENTES INDÍGENAS DA COMUNIDADE DE ALDEINHA DE MISSÃO DO SAHY, BAHIA

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MARIA GLORIA DA PAZ ; TATIANE PATRICIA DA S. SANTOS ; VALÉRIA MACEDO GONÇALVES . 1.UNIVERSDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB, SENHOR DO BONFIM - BA - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA, SENHOR DO BONFIM - BA - BRASIL; 3.UNVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA, SENHOR DO BONFIM - BA - BRASIL. O presente estudo tem por objetivo investigar como é que são transmitidos os valores culturais pelos familiares das crianças remanescentes indígenas da comunidade da Aldeinha de Missão do Sahy. Sabese que muitas histórias sobre índios são contadas e vão desde as transmitidas em livros didáticos até as contadas por pessoas comuns e todas elas têm em comum a mesma premissa: a tentativa de retratar a cultura desses povos; o que se torna algo de grande complexidade, em virtude de serem vários grupos e cada um deles ter vivências diferenciadas. Boa parte dessas história, contadas nos livros didáticos e nos romances de Literatura Brasileira, mostram o índio belo, sedutor, com penachos, de tanguinhas, cultuando seus deuses, sempre arredios, ignorantes, fazendo a dança da chuva e emitindo sons de uhuhuh, como no cinema americano. A Missão de Senhora dasNeves do Sahy, situada no Município de Senhor do Bonfim, no Território do Piemonte Norte do Itapicuru; foi instalada por volta de 1697 ao sopé do monte Tabor, pelos Padres Franciscanos da Ordem Menor. Atualmente é uma comunidade remanescente com uma população aproximada de 3.000 habitantes, possui um núcleo comunitário conhecido como Aldeinha ou Tribo; este local concentra em torno de 10 famílias, todos parentes, que tem como principal fonte de renda o artesanato de cipó. O trabalho artesanal desse povo é passado de geração em geração, tanto os adultos como as crianças e jovenstrabalham nesse processo. Os matrimônios geralmente acontecem entre os próprios primos, para que não se percam os laços sanguíneos e caso aconteça de um membro do grupo casar-se comuma pessoa de outra familia,deverá residir em outro espaço, fora da Aldeinha. Com base nessa argumentação, nos surgem alguns questionamentos: quem é o remanescente indígena da Aldeinha? Como é que são transmitidos os valores culturaispara ogrupo?Como é a atuação da família da Aldeinha no processo de transmissão e preservação dos valores? Como é que se dá essa transmissão para as crianças remanescentesda Aldeinha em Missão do Sahy?

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1215 EDUCAÇÃO INDÍGENA PARA O TRABALHO (1860 – 1889) ADRIANE PESOVENTO PESOVENTO; NICANOR PALHARES. UFMT, CUIABÁ - MT - BRASIL. Estuda-se a educação indígena voltada para o trabalho, pratica comum entre os anos de 1860 e 1889. O recorte temporal justifica-se devido à recorrência desse modelo no período, assim como a difusão de argumentos em torno da necessidade de preparar os diversos grupos indígenas para o mundo do trabalho na perspectiva ocidental, diante do que é entendido como nascimento da “modernidade” em Mato Grosso. Para problematização do tema pesquisado foram discutidas as expressões "civilização e barbárie", termos recorrentes nos documentos consultados e que naquele contexto estavam relacionados a possibilidade de incorporação dos indígenas aos anseios da sociedade provincial. Entre os autores que fundamentaram a pesquisa destaca-se Hayden White que desconstrói e reconstrói os conceitos de civilização e barbárie, o autor faz uma discussão profunda sobre a origem histórica das expressões, o que foi muito útil para compreender o seu aparecimento nos discursos que tratam da educação indígena. A perspectiva teórica de Roger Chartier que tem suas reflexões pautadas na perspectiva da história cultural, assim como Francisco Falcon que trabalha na mesma linha da perspectiva cultural permitiram compreender a articulação entre práticas e representações. A pesquisa tomou como base dados empíricos coletados junto ao acervo do Arquivo Público do Estado de Mato Grosso (APMT) e também ao Núcleo Regional de Documentação Histórica (NDHIR). Entre as fontes consultadas destaque para os relatórios dos presidentes de província, dos chefes de polícia, do ministério da agricultura, jornais, correspondências avulsas, correspondências da Diretoria Geral dos Índios, entre outras. No decorrer da investigação foi possível constatar que mais do que instruir nas primeiras letras, era necessário civilizar os índios, para tanto nada mais eficiente do que conformá-los ao mundo do trabalho desde a infância. A educação seria a aliada mais fiel aos propósitos desejados. Na 135

tentativa de disciplinar os índios primeiro vinha a instrução voltada para aprendizagem de ofícios ou para o desempenho de atividades domésticas, junto a isso, a catequese e num segundo momento as tentativas de inserção dos mesmos na lógica produtiva do capital que nascia naquele contexto em Mato Grosso. O trabalho apresentado insere-se nas discussões que vem sendo realizadas pelo Grupo de Pesquisa Educação História e Memória (GEM) do Instituto de Educação (IE) da Universidade Federal de Mato Grosso.

978 ESCOLARIZAÇÃO E MIGRANTES NORDESTINOS NO TRIÂNGULO MINEIRO (ITUIUTABA: 1950-1960) SAULOÉBER TARSIO DE SOUZA; DAIANE DE LIMA SOARES SILVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, ITUIUTABA - MG - BRASIL. A presente comunicação é resultado parcial do projeto “Das Alagoas às Gerais: Migrantes Nordestinos e Escolarização no Pontal do Triângulo Mineiro (anos 1950 a 2000)” que tem como objetivo central estudar os fluxos migratórios nordestinos para o município de Ituiutaba e seus reflexos no sistema de ensino. Entendemos os deslocamentos populacionais como fenômenos que afetam regiões por todo o mundo, sejam na condição de geradoras ou receptoras de migrantes (DEMARTINI, 2008). Desde os anos de 1950, a cidade tem recebido nordestinos que, no princípio, vinham dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Esses fluxos foram motivados pelo ciclo econômico baseado na cultura de grãos (arroz, milho, etc), e os nordestinos que aqui chegavam, buscavam as “oportunidades ilimitadas” no novo “Eldorado Brasileiro” (nos anos de 1950, Ituiutaba foi denominada “Capital do Arroz”, em duas décadas sua população aumentou em mais de 40%). Posteriormente, o fluxo de alagoanos tornou-se predominante, de maneira que ainda hoje, todos aqueles que carregam o sotaque do Nordeste são classificados como “os alagoanos”, população marginalizada a partir de critério cultural, constituindo-se em massa indistinta diante da população. Pertencer ao grupo de migrantes nordestinos significou (e significa) portar elemento de diferenciação social o que implica perceber-se como tal e se reorganizar na vida comunitária. Assim, nossa proposta é apresentar resultados parciais da investigação sobre as práticas sociais advindas do processo de reconfiguração desses sujeitos nos novos espaços, em especial, nas escolas onde alguns deles se inseriram. Como as instituições escolares lidavam com o fenômeno do migrante? Qual a relação estabelecida entre mineiros e nordestinos no interior da sala de aula? Que estratégias os migrantes construíam para lidar com o preconceito e a exclusão nesses espaços institucionais? Essas são algumas das questões que procuramos responder com o objetivo de melhor visualizar a inserção desse grupo na dinâmica social local. Portanto, nosso esforço é no sentido de se desvendar as especificidades e problemas que acompanham esses deslocamentos de nordestinos, especificamente, no que tange ao acesso e permanecia desses indivíduos nas escolas. Compreender o étnico como elemento fundante da dinâmica social implica no reconhecimento da multiplicidade de culturas vivenciadas no mundo contemporâneo, o que é fonte de interações e confrontos refletidos no processo educacional, de forma que também a educação é fenômeno etnicizado (KREUTZ, 1998). Nesse trabalho, utilizamos o recurso a história oral, as fontes impressas (jornais, cadernos escolares, etc.) e iconográficas.

394 ESCRAVIDÃO E EDUCAÇÃO: O PENSAMENTO DA ELITE INTELECTUAL E DIRIGENTE NA PROVÍNCIA DO ESPÍRITO SANTO (1869-1889) ALDAIRES SOUTO FRANÇA. SEDU/PPGE/CE/UFES, VITORIA - ES - BRASIL. 136

Esta comunicação tem como objetivo apresentar algumas questões que foram problematizadas na investigação que realizei no decorrer do Mestrado (PPGE/CE/UFES, 2004 - 2006) – Uma educação imperfeita para uma liberdade imperfeita: escravidão e educação no Espírito Santo (1869-1889). Procuro imergir nessas questões da seguinte forma: no primeiro tópico apresento as grandes tensões – trabalho (escravidão e imigração), modernização e educação que se entrelaçavam no pensamento e nas ações da elite intelectual e dirigente da Província do Espírito com o aos ideais de “civilização” e de “modernização” proclamados pelo Império, principalmente ao que se refere à educação dos trabalhadores negros escravizados, livres e libertos, nas últimas décadas do século XIX (1869-1989). Evidencio as transformações sociais, econômicas, políticas e culturais no Império e na Província do Espírito Santo no decorrer das últimas décadas do século XIX. Trata-se de adentrar não só no contexto socioeconômico e cultural da Província do Espírito Santo nas últimas décadas do século XIX, mas também vislumbrar alguns detalhes do cotidiano sociocultural vivenciado pelos trabalhadores negros escravizados, livres e libertos. Por fim estabeleço um percurso sobre as representações da elite intelectual e dirigente em relação à educação dos trabalhadores negros, ou seja, trata-se de compreender essas representações da elite sob uma ordem de submissão e de controle social. Isso não aconteceu de forma pacífica e nem consensual, mas sob uma tensão, pois a legitimação de uma identidade passou pela desqualificação de outras. Este trabalho fundamenta-se no campo da historiografia da História da Educação com uma proposta de abordagem ancorada na História Cultura. A investigação baseou-se em fontes impressas, especificamente a imprensa espírito-santense, e no cruzamento com outras fontes documentais correspondentes ao período, tais como: leis provinciais, regulamentos, relatórios de presidentes da Província, jornais de outras províncias e da Corte, e Anais das Assembléias Legislativas, disponibilizadas no Arquivo Estadual do Espírito Santo (APEES), no Arquivo da Cúria Diocesana e no Arquivo da Assembléia Legislativa. Além disso, foram consideradas outras fontes bibliográficas específicas sobre a Província do Espírito Santo neste período, como, por exemplo, Basílio Carvalho Daemon (1879), Amâncio Pereira (1914), Maria Stela de Novaes (1963 e 1964), Primitivo Moacyr (1940), Serafim Derenzi (1965) e José Teixeira Oliveira (1975). Também foram de suma importância os relatos e imagens de Jean-Baptiste Debret (1978), as fotografias de George Ermakoff (2004) e os relatos de Saint-Hilaire (1974). Observei que a educação oferecida aos trabalhadores negros escravizados, livres e libertos era imperfeita.

605 ETNIA E SOCIALIZACAO NO CONGADO: MEMORIA E IDENTIDADE AFRO-DESCENDENTES ADEREMI MATHEUS JACOB FREITAS CAETANO ; ANGELA MARIA GARCIA . 1.UFV, VIÇOSA - MG - BRASIL; 2.COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA COLUNI, VICOSA - MG - BRASIL. A análise enfoca o processo de socialização da infância, entendo-o como aprendizagem da cultura de um grupo afro-descendente. A partir das vivências junto a um grupo de congado da Zona da Mata Mineira (Minas Gerais) percebemos que processo de socialização da infância é fundado em práticas implementadas pelos congos nos ensaios, apresentações, nas relações familiares e de vizinhanças, atualizando princípios que remontam à fundação do grupo, datada de 1888. Focamos duas temporalidades: aquela referente à infância dos informantes, quando inseridos em práticas direcionadas para torná-los congos; e a atual, quando assumem a posição de socializadores. O período enfocado nos relatos remonta às décadas de 1940 e 1950. A fonte privilegiada – os relatos orais dos congos mais velhos, que são “a memória da sociedade” – propiciou informações sobre o processo de socialização que vivenciaram. Definidos como agentes socializadores, os velhos congos intervêm no processo de socialização, viabilizando a interiorização ativa dos princípios que delineiam a forma identitária do ser congo a um maior número possível de crianças, possibilitando que estas, ao se tornarem adultos, sejam, por sua vez, socializadores, atualizando o trajeto que realizaram. Utilizamos a história oral de vida, por possibilitar a análise do fato histórico a partir de um novo olhar e de novas fontes. Optamos por realizar as entrevistas nas casas dos congos e nos locais de ensaios, gravando-as com o intuito de apreender a lógica presente nesses relatos. A forma identitária do ser congo funda-se 137
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em práticas recorrentes de transmissão de saberes, as quais estão sob responsabilidade dos congos mais velhos. A recorrência das passagens que remontam à infância deles e a importância que direcionam para a formação dos mais novos definem o lugar social que a infância ocupa no grupo. A valorização da oralidade dos mais velhos, da trajetória de vida e da sabedoria de que são portadores são suportes do processo de socialização da criança no congado e pode ser configurado como um dos recursos locais na formação escolar. Definido o processo de socialização como “construção de um mundo vivido”, situado ao longo da existência e ligado às diversas atividades, as instituições educacionais podem contribuir para potencializar as “formas identitárias” suportadas pela memória e práticas dos grupos. Para tanto o seu projeto político pedagógico deve incorporar aspectos importantes para a formação cultural da criança, reconhecendo a diversidade presente. 572 FAMÍLIAS NEGRAS COM CRIANÇAS NAS ESCOLAS DE MINAS GERAIS, NOS ANOS DE 1830 MARCUS VINÍCIUS FONSECA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Este trabalho é parte de uma pesquisa que se encontra em andamento e tem como objetivo especificar as relações entre a população negra e as escolas de Minas Gerais, no século XIX. Consideramos que o período que compreende os anos de 1820 a 1850, representa a estruturação de uma política de instrução pública com objetivo de educar o povo da província de Minas Gerais. Desta forma, este artigo procura analisar o nível de relação entre esse processo e o segmento mais expressivo dentro da estrutura demográfica de Minas, ou seja, a população negra de condição livre. Para realizar a análise utilizamos como referência uma documentação que se refere a duas tentativas de contabilizar a população dos distritos mineiros em diferentes momentos, 1831 e 1838. Os documentos relativos a estes dois censos estão organizados através de listas nominativas de habitantes que foram elaboradas a partir dos domicílios, através do preenchimento dos seguintes campos: nome de cada um dos moradores, qualidade (raça, grupo étnico ou país de origem), condição (livre ou escravo), idade de cada membro, estado civil e ocupação (atividade ou profissão). No campo que se refere à ocupação algumas listas registraram as crianças que estavam nas escolas, com destaque para o distrito de Cachoeira do Campo onde encontramos indivíduos em processo de escolarização nas listas de 1831 e 1838. Por se tratar de uma das poucas listas em que estes dados se repetem nas duas séries documentais utilizamos os dados deste distrito para analisar algumas características dos domicílios nos quais estavam inseridas as crianças que foram registradas nas escolas, com destaque para uma distinção entre o perfil dos domicílios dos alunos da instrução elementar e dos estudantes do secundário. O contraponto entre estes dois segmentos do ensino revela que havia uma inversão no perfil racial e econômico destas unidades de moradia, ou seja, enquanto aqueles que estavam no nível elementar eram marcados por uma presença majoritária de negros livres oriundos dos extratos menos favorecidos economicamente, os alunos do secundário eram caracterizados por um predomínio de estudantes brancos que pertenciam aos grupos mais abastados. A partir da caracterização dos grupos presentes nas escolas e do perfil diferenciado do ensino elementar e do secundário procuramos apresentar algumas considerações sobre a importância da escolarização para os negros livres de Minas Gerais destacando a forma como os membros deste grupo utilizavam a escola para demarcar seu distanciamento do mundo da escravidão.

1051 FAZER-SE DOCENTE NA UERJ: MOVIMENTO E ASSOCIATIVISMO CARLOS EDUARDO MARTINS DA SILVA. COLEGIO MUNICIPAL CASTELO BRANCO/SME, SÃO GONÇALO - RJ - BRASIL.

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Nesse trabalho, pretendemos problematizar a experiência constitutiva dos docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro enquanto categoria sócio-histórica, colaborando para a compreensão da construção da identidade dessa categoria social nos quadros da universidade no período de redemocratização da sociedade brasileira. Pretende-se, ainda, investigar a relação entre o processo de construção da entidade representativa dos docentes com a própria constituição identitária da categoria docente da UERJ, no período final da década de 70 e início da década de 80, do século XX. Portanto, entre o período das primeiras reuniões clandestinas (1977) até a consolidação da Asduerj como entidade representativa (1985). Entrelaçamos as fundamentais contribuições do historiador inglês E. P. Thompson, as reflexões de Hobsbawm e F. Dosse e o trabalho sobre a origem e gênese da UERJ realizado por Deise Mancebo (1996), bem como com os depoimentos dos entrevistados/pesquisados. Buscamos pontuar em nosso trabalho um movimento permanente entre empiria e teoria na produção do conhecimento histórico. Assim, encontramos na história oral um caminho fértil no campo historiográfico, que a partir da escola dos Annales, com a introdução de novos objetos, abordagens e problemas, ressignificando-os, propôs a emergência de fontes alternativas ao documento escrito com a revalorização do depoimento oral e das imagens. Buscamos um conceito de história que promova uma ruptura com a dimensão linear e cronológica e caminhamos no sentido do tempo do agora, um tempo múltiplo, em que o olhar para o passado constitua uma oportunidade de experiência do historiador com esse passado, possibilitando o conhecimento do presente e construções de projetos futuros. Trazemos algumas conclusões provisórias que nos apontam perspectivas e possibilidades de lançar novas propostas investigativas, visto ser a UERJ um campo pouco pesquisado. Nesse sentido, Fazer-se docente, desejosos por construírem uma universidade, marcada pela autonomia, democracia e associação entre ensino, pesquisa e extensão, e não mais, “simples professores-horistas”, contrapondo-se ao projeto da velha UERJ que valorizava, basicamente, o ensino, com uma estrutura de poder centralizada e nesse processo de se constituirem docentes, na experiência e na ação coletiva, um processo ativo que se deve tanto à ação humana como aos seus condicionamentos sociais, constroem-se e reconstroem-se em movimento e nesse movimento é consolidada a Asduerj, uma entidade que possibilitaria instituir uma universidade de fato.

754 HAVIA UMA ESCOLA NO MEIO DO CAMINHO... FLÁVIO JOSÉ DE OLIVEIRA SILVA. UFRN, PARNAMIRIM - RN - BRASIL. O trabalho proposto é resultado de uma investigação realizada com populações nômades no interior do RN, mais precisamente com um grupo de Ciganos da etnia Calon, com o objetivo de diagnosticar o interesse pragmático dos Ciganos com relação a escola sistemantizada. O trabalho de pesquisa aconteceu na cidade de Florânia, território do Seridó Potiguar, tendo como locus a Escola Municipal Domingas Francelina das Neves, situada na Praça Calon do Bairro Rainha do Prado. O trabalho tem como base conceitual as categorias de História e Memória, destacando no campo metodológico, teorias assinaladas por expoentes da Nova História Cultural e pelos teóricos da categoria Memória, e contou-se com diversos recursos da pesquisa como: Técnicas de pesquisa de Campo e a Técnica de observação participante. O trabalho de garimpagem nos “arquivos” – as memórias do grupo foram realizadas numa abordagem metodológica baseada na História Oral e os novos pressupostos que esta vertente proporciona. A escassez de bibliografias ou até mesmo de pesquisas científicas sobre o povo cigano já pode ser considerada vencida pela internet, informações na área de sociologia e antropologia, que abordam os aspectos étnicos e culturais desse povo, que por não ter uma cultura letrada, não teve sua história escrita e divulgada. A pesquisa aqui apresentada resultou na elaboração de um trabalho monográfico intitulado: Sem lenço e sem documento: em que escola estudar? Este trabalho proporcionou discussões sobre o papel da Escola como instrumento de inclusão social de grupos minoritários ou marginalizados e de etnias sem poder; a formação de grupo de estudo na Escola Municipal Domingas Francelina para buscar a compreensão de convivências com os diferentes sujeitos e a diversidade; currículos e cultura escolar, além de fomentar entendimentos sobre a necessidade de formulação de políticas afirmativas no município, tendo como ponto de partida as práticas sociais e o 139

cotidiano da escola. No trabalho de pesquisa concluimos que os Ciganos do Grupo Calon que aportaram na cidade de Florânia e matricularam seus filhos na Escola Municipal Domingas Francelina das Neves em busca do conhecimento sistematizado historicamente para o acesso aos meios de comunicação, serviços e bens materiais de pleno usufruto dos não ciganos, como a conta bancária, o talonário de cheques, o cartão de Crédito; o manuseio do telefone celular, a carteira de habilitação, os documentos necessários à cidadania, enfim, aos bens materiais produzidos na sociedade.

645 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA NO BRASIL: BALANÇO PRELIMINAR SURYA AARONOVICH POMBO DE BARROS. UFPB, JOAO PESSOA - PB - BRASIL. O fortalecimento da História da Educação Brasileira, ocorrido no Brasil nas últimas décadas, trouxe profundas transformações ao campo. Dentre elas, podemos destacar a emergência de diferentes sujeitos históricos analisados no que se refere ao acesso (ou não) à cultura escolar. Assim, “vários sujeitos da educação vêm sendo valorizados em suas ações cotidianas, o que se explicita no aumento de interesse pelas trajetórias de vida e profissão e no engajamento que observa em análises organizadas em torno de questões de gênero, raça e geração” (FARIA FILHO, GONÇALVES, VIDAL, PAULLILO, 2004, p. 141). Nesse contexto, trabalhos relacionando população negra e educação pelo viés da história da educação começaram a vir a lume, como SILVA (2000), BARROS (2005), FONSECA (2002 E 2009). Ainda que de maneira pouco sistemática no início, essa temática vem se fortalecendo, como é possível constatar na existência de trabalhos de pós-graduação, publicações científicas e eixos temáticos em eventos da área. O incremento dessas pesquisas reflete a força que tais questões vêm ganhando na sociedade brasileira, extrapolando, inclusive, os limites acadêmicos. Tal aumento das pesquisas sobre a participação da população negra no processo de institucionalização da educação no Brasil, no entanto, faz parte da história recente da pesquisa acadêmica brasileira. A relevância do tema para diversas áreas de conhecimento apontou para a necessidade de se realizar um balanço historiográfico acerca do tema, compartilhando as preocupações de FERREIRA (2002, p. 259) de “sustentados e movidos pelo desafio de conhecer o já construído e produzido para depois buscar o que ainda não foi feito, de dedicar cada vez mais atenção a um número considerável de pesquisas realizadas de difícil acesso, de dar conta de determinado saber que se avoluma cada vez mais rapidamente e de divulga-lo para a sociedade (...)”. Neste trabalho, pretendemos apresentar um balanço preliminar sobre a História da Educação da população negra no Brasil, resultado de pesquisa em andamento, assim como problematizar algumas questões referentes a essa área. Após justificar a importância do tema e a metodologia que vem sendo utilizada, apresentaremos alguns resultados parciais da pesquisa. A investigação aqui referenciada vem realizando um levantamento bibliográfico em anais de congressos, revistas da área, bancos de teses e dissertações, em busca de trabalhos identificados como da área da História da Educação Brasileira que têm como sujeitos da educação a população negra, em diversos períodos históricos e regiões brasileiras. Ao realizar tal empresa e divulgá-la, pretendemos evidenciar as pesquisas já realizadas sobre o tema, facilitar o acesso de interessados na área aos trabalhos e apontar eventuais lacunas sobre a história da educação da população negra, contribuindo para o fortalecimento da área.

571 HISTÓRIAS CONTADAS, MEMÓRIAS REVELADAS: O COTIDIANO ESCOLAR EM DUAS COLÔNIAS ITALIANAS NARRADO POR ANTIGOS ALUNOS ELIANE MIMESSE PRADO; ELAINE CÁTIA FALCADE MASCHIO. UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. 140

Este estudo prevê a análise do cotidiano escolar de algumas das escolas primárias criadas nos núcleos coloniais de imigrantes pela iniciativa do governo e pelo esforço dos próprios moradores, em fins do século XIX e início do XX. Tratam-se das escolas situadas nas antigas colônias de italianos, provenientes da região do Vêneto, São Caetano e Alfredo Chaves, respectivamente localizadas no atual Estado de São Paulo e do Paraná. Buscou-se, através da metodologia da História Oral, recompor os detalhes diários e as experiências escolares vivenciadas nestas escolas pelos antigos alunos. Elegeram-se apenas os indivíduos filhos de imigrantes italianos residentes nestas ex-colônias, portanto descendentes dos primeiros imigrantes nelas instalados. Na cidade de São Caetano do Sul foi possível entrevistar quinze pessoas, no ano de 1995 após a criação do Projeto denominado “História de Vida dos antigos moradores”. Esse projeto foi liderado por um grupo de pesquisadores da Fundação Pró-Memória da cidade. Em Colombo, antiga Alfredo Chaves, doze entrevistas foram realizadas entre os anos de 2003 e 2005, pelos membros da Associação Italiana Padre Alberto Casavecchia. Desse modo, a efetivação das entrevistas foi fundamental para tal intento. As mesmas basearam-se em questionamentos referentes as lembranças da infância de um modo geral, mas também enfatizaram as relações na comunidade e nas famílias. Memórias, sentimentos, recordações foram tomados aqui a partir do uso das fontes orais, as quais foram de grande valia para o desvelar das nuances diárias destes antigos alunos das escolas coloniais. Os obstáculos enfrentados por esses sujeitos foram demonstrações de coragem nestas novas searas por eles habitadas. O mesmo pode ser considerado para explicar a participação destes descendentes no âmbito escolar. Embora atribuíssem à escola as expectativas de melhoria da condição social, grande parte destes antigos alunos não conseguiu usufruir dos benefícios advindos da escolarização. Marcados pela dificuldade de acesso ao ensino, pela necessidade inerente do trabalho, pela dificuldade na aprendizagem do idioma nacional, ou ainda, pela complexidade na transmissão dos processos pedagógicos das escolas primárias na época; a experiência escolar revelada demonstra descontentamento desses entrevistados pelo universo escolar. Por outro lado, a freqüência escolar evidenciava o lugar pleno da infância revelada nas boas lembranças que alguns alunos traziam consigo. Esta pesquisa tem caráter comparativo e encontra-se em fase de conclusão, visa a inserção no eixo temático Etnias e Movimentos Sociais.

631 HISTÓRIAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORAS NEGRAS: "NA CASA DE MINHA MÃE", O COMEÇO DE TUDO... DULCINEA BENEDICTO PEDRADA. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITORIA - ES - BRASIL. Tudo começa, neste texto, a partir do meu encontro com o livro de Kwame A. Appiah: “Na casa de meu pai”, de onde me veio inspiração para analisar as narrativas das professoras que compõem o universo da minha pesquisa no curso de doutorado em educação, em fase de conclusão: “Escutando narrativas e quebrando silêncios: a ‘desinvisibilização de existências’ em processos de constituição de subjetividades de professoras negras”. Segundo Appiah (1997, p. 12), a família em que ele, e seus irmãos foram criados, deu-lhes “um imenso espaço social para crescer.” De uma maneira geral, as famílias das professoras, pelas suas próprias narrativas, representam esse espaço de crescimento social de que fala Appiah. E, nesse contexto, as mães exercem um papel fundamental, análogo ao pai africano de Appiah, só que um papel orientado no sentido de mudar o destino aparentemente traçado para suas filhas, mulheres negras. Até mesmo na hora da escolha da profissão, as mães representam um papel decisivo no futuro das suas filhas. A fala da professora, a seguir, exemplifica isso: “Quando eu escolhi o magistério, eu escolhi o magistério, porque a minha mãe sempre disse que profissão de mulher era ser professora, e que seria mais fácil pra arranjar emprego e era um caminho mais fácil para que nós tivéssemos uma formação. Então, minha mãe sempre achou que magistério era o melhor caminho, era mais fácil para que eu pudesse concluir um segundo grau, e foi assim que se deu a escolha por magistério na minha vida, por sorte, gostei da profissão”. Trata-se de um trabalho de narrativa, inspirado no processo de tradução de Boaventura de Sousa Santos e apoiado em Walter Benjamin e Stuart Hall. Ao eleger a narrativa como estratégia metodológica, este estudo pretende dar uma 141

contribuição à discussão das relações de gênero/etnia, numa perspectiva de superação da dicotomia que caracteriza essas relações, procurando desvelar o que impediu, no passado, e continua impedindo, no presente, que os parceiros dessa relação se vejam como tal. Ao mesmo tempo, contribuir para que a escola possa agir no sentido de reduzir os efeitos da desigualdade, organizando-se para tal finalidade e capacitando os seus profissionais para garantir o tratamento educativo das diferenças, dentre elas as diferenças etnicorraciais. Buscamos destacar, neste trabalho, a importância do conhecimento histórico para o processo de reconhecimento das formas de instituição das desigualdades sociais, bem como sua influência na construção de alternativas estratégicas de intervenção na continuidade dessas desigualdades, se acreditamos que elas foram historicamente produzidas e que temos, enquanto sujeitos históricos, um papel a desempenhar nessa história. E a escola, enquanto instituição encarregada da socialização dos conhecimentos necessários à formação da cidadania, também tem uma função decisiva no combate às desigualdades sociais.

419 INVENÇÕES E TRADIÇÕES CULTURAIS NO PANTANAL DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL: A PEDAGOGIA DE PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NA PERSPECTIVA DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO LÉIA TEIXEIRA LACERDA ; MARIA LEDA PINTO ; MARCIA MARIA DE MEDEIROS ; ONILDA SANCHES 4 5 NINCAO ; PAULO GOULART JUNIOR . 1,2,3,4.UEMS, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL; 5.UNIDERSIDADE ANHANGUERA-UNIDERP, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL. A presente comunicação tem por objetivo apresentar dados do projeto de pesquisa interinstitucional: Vozes Pantaneiras: O vivido e o narrado nas Histórias de Vida dos Habitantes do Pantanal Sul-matogrossense- Preservação e Respeito ao Meio Ambiente. Esta pesquisa tem por finalidade estabelecer uma inter-relação entre as histórias de vida dos habitantes do Pantanal: a imagem, por eles, discursivamente construída do espaço onde vivem e atuam, e as campanhas de preservação e respeito ao meio ambiente. Esses habitantes, vivendo do trabalho nesse espaço formado por áreas úmidas, com características geográficas e sócio-históricas singulares, constitui-se, histórica e socialmente, por meio da riqueza lingüística que se concretiza na convivência com outros falantes do português e com os do espanhol e das línguas indígenas, presentes na interação discursiva do dia-a-dia, resultantes do convívio, em regime de fronteira aberta, com o Paraguai e a Bolívia. É por meio do uso da língua, aliado a outros aspectos do contexto histórico e social, que o homem se constitui como sujeito que estabelece vínculos com outros sujeitos e com outras culturas, construindo dessa forma, a sua história e a sua identidade. Diante disso, a questão que se coloca é: em que medida se instauram os efeitos de sentido da pedagogia pantaneira, como metáfora do cotidiano de seus habitantes (indígenas e não-indígenas) na preservação desse importante bioma para o Planeta? O desafio, portanto, é compreender a inter-relação das tradições e invenções dos saberes culturais na pedagogia do homem pantaneiro em relação às questões ambientais, estabelecendo um contraponto com as campanhas de preservação ao meio ambiente pantaneiro presentes na mídia. As narrativas levantadas, além de se constituir no corpus desta pesquisa, posteriormente fará parte do acervo do Arquivo da Memória da Palavra do Homem Pantaneiro, sediado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, na Unidade Universitária de Campo Grande. Para tanto, estão sendo analisadas histórias de vida do homem pantaneiro, numa perspectiva da Análise do Discurso, da Educação, da Antropologia, da Biologia e da História Cultural. O caráter inovador deste trabalho consiste em realizar uma análise interdisciplinar do cenário local e global das tradições orais, dos saberes e dos conhecimentos culturais do homem pantaneiro e das campanhas de preservação ao meio ambiente idealizadas pelo Governo Federal. Isso permitirá estabelecer um diálogo entre a História da Educação, a Educação Ambiental e a Cultura da região. Esse material, dada a sua relevância científica e cultural, deverá ser divulgado nos diferentes cursos de graduação e pós-graduação das Universidades Brasileiras.
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1027 LUTAS POR TERRITORIALIDADE: NA FRONTEIRA DA EDUCAÇÃO INDIGENA

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ARLETE M. PINHEIRO SCHUBERT PINHEIRO SCHUBERT. UFES, VILA VELHA - ES – BRASIL O estudo, ainda em curso, investiga a luta indígena por territorialidade, no Espírito Santo. Considera-se central nesta pesquisa os conceitos de experiência e narrativa, como refletidos pelo filósofo Walter Benjamin. Através dessa interlocução pretende-se compreender e descrever o caráter educativo do acontecimento em pauta, procurando assinalar aspectos distintivos dessa experiência indígena, através de suas narrativas. Com o propósito de mostrar o caráter mobilizador e re-elaborador das biografias e identidades-culturais-contemporâneas dos Tupinikim no estado do Espírito Santo, partimos da premissa que os indígenas pretendem através desses movimentos, intervir na dinâmica permanente de destruição da sua experiência, e o fazem através das lutas por territorialidade. Portanto, perguntamos pelo caráter educativo dessas lutas, compreendendo-as como contextos (lócus) educativo de revitalização identitária-cultural dos indígenas Tupinikim. Propõe-se que os conflitos territoriais indígenas no ES se inscrevem num espaço de não-controle, de não-disciplinamento, e por isso mesmo seriam capazes de tornarem-se experiências potencializadoras da transformação de sentidos para diferentes sujeitos e contextos: desde os sentidos instituindo pelas escolas até os modos de ser-produzir dos sujeitos envolvidos intra e extra aldeias. Consideramos diferentes noções atravessando as lutas territoriais e os vários sujeitos nelas envolvidos, o que nos possibilita pensar em sujeitos com diversas identidades: indígena-do-lugar-tempo, indígena-índio, indígena-não-índio, indígena-com-saberes-locaisglobais,indígena-territorializado-desterritorializado-reterritorializado, indígena rexistente. A luta por territorialidade, na perspectiva posta nesta pesquisa, é concebida como acontecimento que busca manter a alteridade indígena, transmitindo às novas gerações os valores da tradição Tupinikim. Seguindo essa lógica o conflito territorial se constituiria num acontecimento forte e decisivo de intervenção educativa correspondente às formas tradicionais indígenas de educação. Ou seja: Eles pretendem contrastar os processos de aprendizagens existentes nas aldeias através das narrativas contidas nas lutas por territorialidades. A pergunta, então, é pela dimensão educativa do acontecimento, acreditando que ele se dá em função da percepção desses sujeitos que constatam os princípios e valores das comunidades fragilizados, o que coloca em risco a sua existência enquanto indígenas. Consideramos, portanto, a probabilidade de termos sidos confrontados com um modo de intervenção radical no saber e no aprender das novas gerações, com o propósito de acionar-alimentar história-memória e identidade indígena, enquanto elementos da tradição em permanente criação e recriação (elaboração).

384 MEMÓRIA E HISTÓRIA: OS POMERANOS DA SERRA DOS TAPES CARMO THUM. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG, PELOTAS - RS - BRASIL. A presente comunicação analisa silêncios e reinvenções pomeranas na Serra do Tapes, localizado no sul do sul do Rio Grande do Sul, em relação a História e a Memória da cultura local. Deriva de processo de pesquisa de doutorado concluído. As grandes linhas teóricas que se entrecruzam são: Educação, História e Memória. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cuja orientação principal, em termos metodológicos, é a etnografia. Nesse sentido, a coleta de dados foi constituída de forma complexa e plural, passando pelas técnicas: levantamento bibliográfico, análise documental, participação pesquisante, entrevistas, conversas informais, rodas de diálogos, produção e análise de fotografias e inventários. Com os objetivos de analisar as relações constitutivas do modo de ser da cultura local, em especial a cultura pomerana da Serra dos Tapes, investiguei a cultura material e imaterial, presente nos entornos das casas e das escolas, na busca de compreender o significado dos seus ritos e modos de ser. A imigração pomerana no sul do Rio Grande do Sul diferencia-se de modo singular, em relação à dos outros grupos imigrantes (alemães), em função das conjunturas históricas, constitutivas dos pomeranos e do processo de isolamento e silenciamentos. O silêncio da cultura pomerana, no bojo da cultura local, se dá sob as abas do poder: religioso, escolar, do comércio, da linguagem. O mundo patriarcal constrói suas 143

demarcações, no âmbito das relações de gênero e de poder. Ao mesmo tempo em que esse processo de silenciamento se dá nos espaços públicos (escolas, igrejas, comércio), a vida cotidiana mantém práticas e reinventa-se, no encontro com as demais culturas locais. A metodologia da Roda de Diálogo caracteriza-se por ser um momento de interpretação da cultura local, pela sua própria voz, a partir dos materiais coletados e catalogados. O processo de interpretação das imagens realizado com a comunidade pesquisada permitiu percorrer a lógica de criação dos sentidos culturais e compreender o enraizamento dos significados dados aos processos vividos. A cultura do silêncio e os silêncios da cultura são, ao mesmo tempo, conseqüências do processo de opressão vivido e modos de resistência silenciosa. O mundo pomerano reinventou-se, na Serra dos Tapes, constituindo-se em um caso específico. Foi reconfigurado pelas trocas assimétricas, pelas apropriações das lógicas das culturas já presentes nesses espaços. Compreendo que, muito mais do que cultura pomerana, há uma cultura local, que apresenta códigos próprios e rituais específicos, capazes de permitir o trânsito das diversas correntes que a condiciona. Os significados, desse conjunto de daos coletados e analisados apresenta-se, ao pesquisador, como um grande mosaico do que é a cultura na Serra dos Tapes: plural, polifônica e em movimento.

786 MEMÓRIA SOCIAL E CULTURA AFRO-BRASILEIRA-TRAJETÓRIAS DOS MOVIMENTOS NEGROS DO MUNICÍPIO DE SERRA-ES NELMA GOMES MONTEIRO. UFES/PPGE/NEAB, VITORIA - ES - BRASIL. O presente trabalho tem como objetivo analisar e problematizar a trajetória de luta, resistência e conquistas dos movimentos negros no município da Serra, no Espírito Santo. Em 19 de março de 1849, há 161 anos, um acontecimento histórico marcou o município de Serra (ES), foi a Revolta de Queimado, também chamada de Insurreição de Queimado, liderada pelos escravizados Chico Prego, João da Viúva e Elisiário. Esse acontecimento histórico é comemorado com manifestações culturais como forma de preservação (reconstrução) da tradição e da memória do povo negro. Assim sendo, a pesquisa pretende por meio de fontes bibliográficas, orais, história de vida e registros fotográficos levantar dados qualitativos e quantitativos do que foi a resistência dos Negros de Queimados. A noção de cultura aqui adotada compreende a definição de todos os bens materiais e imateriais criados e recriados por homens e mulheres, entre os quais, modos de vida e ações transformadoras da realidade social. Os Movimentos Negros em nível nacional tiveram suas trajetórias marcadas por resistências, lutas e vitórias. Para os Movimentos Negros Capixabas não foram diferentes. Foram muitas trajetórias desse segmento social que marcaram a História da Educação Brasileira. Nos períodos: colonial, imperial e republicano encontramos indícios das lutas dos negros e não negros em defesa da educação e de sua cultura, como também, é notória a presença das organizações negras urbanas: Os quilombos, até no final do século XIX, constituíam formas de agrupamentos rurais autônomos de africanos/as e seus descendentes, muitos deles não negros que viviam na resistência, organizados para enfrentar o poder hegemônico do sistema escravista. Entre as entidades negras da época que se destacaram encontramos a Imprensa Alternativa Negra e a Frente Negra Brasileira (FNB) que juntas assumiram a vanguarda em defesa dos/as alunos/as negros/as nos bancos escolares. Os Fragmentos de jornais o Clarim d’Alvorada (1925) e do periódico A Voz da Raça (1933) informavam à população a violação do direito à educação, para o segmento social negro. Ao fazermos referência à memória estamos ancorados nos estudos voltados para aspectos da cultura popular, dos saberesfazeres desses segmentos étnicos, por meio da família, dos hábitos e costumes da comunidade, das tradições religiosas e das diferentes manifestações e festejos culturais, entre outros. São vivências, que nos remetem à constituição social da memória. Concluímos que ressignificar a Revolta de Queimado, no município da Serra-ES desvela-se o que tem sido à força da tradição cultural/histórica para os movimentos negros contemporâneos, por meio de suas lutas e manifestações culturais, sobretudo o congo constituído no tecido social, como uma das expressões vivas de resistências, lutas e vitórias da população negra capixaba.

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973 MEMÓRIAS DO MOVIMENTO ESTUDANTIL TIJUCANO (ITUIUTABA-MG, 1950-1960) ISAURA MELO FRANCO ; JENNIFER MARIA PEREIRA MATOS . 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLAÂNDIA/FACIP, ITUIUTABA - MG - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA/FACIP, ITUIUTABA - MG - BRASIL. O presente trabalho trata-se de parte dos resultados de pesquisa concluída na Universidade Federal de Uberlândia, Campus do Pontal. Tem como objeto de pesquisa as representações em torno do movimento estudantil presentes nos jornais da cidade de Ituiutaba, ao longo dos anos de 1950 a 1970, com o objetivo de desvendar o ideário de estudante/aluno veiculado pela imprensa local no período analisado, observado a partir de contexto maior em nível de país. Elegemos os jornais como fonte de pesquisa primária, pois as representações sobre as organizações estudantis presentes nesses periódicos permitem abordagens mais amplas em relação ao fenômeno educacional, possibilitando o estudo de concepções pedagógicas e ideologias que circulavam pelo imaginário da população local. Assim realizamos o levantamento de fontes escritas em 06 coleções de jornais pertencentes ao acervo da Fundação Cultural Municipal, a partir da leitura e fichamento de 531 notícias encontradas sobre o universo escolar ao longo dessas duas décadas, das quais 42 se referem ao movimento estudantil. Recorremos também à história oral, por meio de entrevistas a um dos antigos proprietários e editores dos jornais pesquisados e a alguns dos ex-representantes do movimento estudantil local do período analisado para a observação do ponto de vista dos sujeitos históricos daquela época, buscando o cruzamento das fontes e o desvendamento de especificidades das organizações estudantis locais. A análise das entrevistas nos permitiu refletir sobre a representação do ideário de aluno veiculado pela imprensa local, por meio do levantamento de informações distintas daquelas presentes nos jornais, colaborando para a produção da história da educação local. Como resultado da leitura das fontes impressas, destacamos dois períodos diferentes relativos a representação do movimento estudantil nos jornais: o primeiro que vai do início da década de 1950 até o ano de 1963, em que os estudantes são apresentados com participação ativa na luta pela defesa de seus interesses com a realização de algumas reivindicações políticas; e o segundo que se inicia após a implantação da ditadura militar, no ano de 1964, até o final da mesma década, em que a classe estudantil surge nas páginas dos jornais de forma adequada ao sistema autoritário, quando há silenciamento dessa categoria no que se refere à contestação das forças políticas instituídas. Assim, entendemos que a história local e a nacional não podem ser discutidas independentemente, sendo necessário promover o diálogo entre o estudo local e o nacional.
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957 MENNONITENTUM: IDENTIDADE ÉTNICA MENONITA FRANCIELLY GIACHINI BARBOSA. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. O presente trabalho, resultado de pesquisa de mestrado, tem a pretensão de discutir a correlação existente entre os menonitas e os elementos que fazem parte de sua dinâmica identitária. Os menonitas são um grupo de origem étnica alemã de religião protestante. Estes após o confisco de suas propriedades na Rússia pós-revolucionária migraram para lugares distintos, e um grupo acabou por desembarcar no Brasil e estabeleceu comunidades nas novas terras. O foco desta discussão está na parcela que se estabelece no bairro do Boqueirão, na cidade de Curitiba/PR no começo da década de 1930. O recorte temporal é de 1934 a 1948, marcos que sinalizam o estabelecimento do grupo no Boqueirão e a retomada da escola que havia sido fechada em tempos de ferrenho nacionalismo do Estado Novo. O corolário do desenvolvimento desses imigrantes ficou marcado inicialmente pelo trabalho de venda de leite no centro da cidade, tanto que estes eram conhecidos como “os leiteiros do Boqueirão”, mais tarde formaram uma cooperativa para a venda de produtos alimentícios e também para os suprimentos necessários ao gado leiteiro. Dentre os empreendimentos, o que toma destaque 145

nesta análise são as práticas do grupo no que diz respeito à tentativa de preservação de sua identidade, conhecida como mennonitentum. Os elementos desta representação se conjugavam principalmente na religião protestante e na língua e ascendência alemãs. Em decorrência da busca por preservação de tradições, costumes e identidade, eles fundam em 1936 sua própria escola, onde o idioma alemão é ensinado, bem como o saudosismo e ufanismo relativos à Alemanha e seus líderes políticos, principalmente aqueles ligados à ideologia nazista. No entanto, a escola acaba sendo fechada por conta das políticas nacionalistas do período. Dessa forma, outras práticas, que não as escolares, são ativadas e reforçadas para a auto-preservação do grupo. Dentre estas se destacam os batismos, os casamentos, as músicas, os cultos, as leituras, a alimentação e até mesmo os funerais. As fontes utilizadas para este artigo pautam-se em fotografias, relatórios de missionários menonitas, entrevistas, jornais de circulação no período e jornais produzidos pelos próprios menonitas. Dessa forma, atravessando os anos e com eles estabelecendo construções materiais e reconstruções simbólicas, os menonitas vieram, muitos contrariados, para o Brasil, e foi aqui que reconstruíram suas vidas, relembrando e praticando tradições centenárias, mas não sem inventar novas praticas e costumes, educando e reeducando seus filhos. 1161 MICRO-AÇÕES AFIRMATIVAS – POSSIBILIDADES DE SUPERAÇÃO DA DESIGUALDADE ETNICORRACIAL NOS COTIDIANOS ESCOLARES REGINA FATIMA JESUS. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Este trabalho traz ao diálogo práticas pedagógicas de participantes da pesquisa Micro-ações afirmativas no cotidiano de escolas públicas do município de São Gonçalo, realizada no período 2008 – 2010. Buscamos ouvir e trazer as vozes de professores(as) gonçalenses que por suas histórias de vida, pela negação e desvalorização do pertencimento etnicorracial negro em um município marcadamente afrodescendente, reconhecem a necessidade de implementarem ações de caráter antirracista. A estas ações, muitas vezes instituintes, temos chamado micro-ações afirmativas cotidianas. Esta noção revela aproximações com o conceito de ação afirmativa, tendo em vista buscar potencializar crianças e jovens afro-descendentes que, até então não percebiam, nos espaços escolares, a valorização da história e cultura africana e afro-brasileira, e dos referenciais negros sendo apresentados e valorizados ao se trazer a História Oficial. Assim, a história oral é a opção metodológica da pesquisa e, tal opção se deve ao reconhecimento de que é preciso valorizar a palavra viva dos sujeitos cotidianos (Hampâté Bâ, 1982; 2003) cujas experiências são formadoras e possíveis transformadoras da realidade de exclusão que ainda se perpetua nos cotidianos escolares, muitas vezes, impedindo e/ou dificultando o sucesso escolar das crianças e jovens afro-descendentes. As narrativas foram/são consideradas locus privilegiados para a apreensão e compreensão das ações da prática cotidiana, reconhecendo que os saberes que buscamos para compreender a realidade pesquisada se encontram com os sujeitos informantes com os quais dialogamos (Portelli, 1997). Ao trazer as palavrasmundo (Freire, 1988) dos sujeitos cotidianos a fim de compreender as micro-ações afirmativas, discutir o caráter destas e os fatores que as motivaram, dialogamos com Cunha Jr. (1992), Gomes (2006), Guimarães (2002), Gusmão (2002), Munanga (1999), Oliveira (2006), dentre outros(as) que trazem suas leituras nesta encruzilhada cultural (Martins, 1997) e nos oportunizam perceber as africanidades (Silva, 2000) presentes na cultura brasileira.

600 MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO E BASE- MEB: SUA RECONSTITUIÇÃO HISTÓRICA NO MUNICÍPIO DE SENHOR DO BONFIM-BAHIA MARIA GLORIA DA PAZ ; LUCIMAR BATISTA DE ANDRDE . 1.UNIVERSDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB, SENHOR DO BONFIM - BA - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA, SENHOR DO BONFIM - BA - BRASIL.
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O presente estudo é resultante de um Trabalho de Conclusão de Curso- TCC, e teve como objetivo, reconstituir elementarmente a história do Movimento de Educação de Base-MEB, no Município de Senhor do Bonfim, Bahia, implantado pela Igreja Católica no período de 1961 a 1964. A metodologia utilizada neste estudo foi a história oral, por ser esta capaz de dar voz aos indivíduos que são parte da história deste acontecimento, uma vez que através dos relatos suas experiencias podemos iniciar a busca de informações que possam contribuir com essa tentativa de reconstituição. As fontes orais utilizadas na elaboração deste trabalho foram duas professoras, que hoje encontram-se aposentadas, e que atuaram no programa, através da indicação do bispo diocesano da época D. Antonio Monteiro. Segundo relatos as entrevistadas assumiram a coordenação pedagógica do programa, com a incumbência de criar escolas radiofônicas em sete municípios da circunscrição da Diocese, o que se concretizou em quatro destes: Jacobina, Campo Formoso, Antonio Gonçalves e Senhor do Bonfim. A coleta dos relatos se deu através de uma entrevista direcionada por um roteiro previamente estruturado, dividido em cinco partes: identificação dos colaboradores, informações sobre o Movimento de Educação de Base no município, o aluno e os professores do MEB, as aulas e seus desdobramentos, os recursos e materiais didáticos utilizados e a orientação pedagógica. A entrevista foi cuidadosamente ouvida, gravada e transcrita posteriormente. Através dos relatos das professoras participantes deste movimento, procuramos de forma elementar abrir caminhos para novas investigações a busca por documentos, a identificação de outros participantes, com o intuito de reconstituir um dos acontecimentos importantes para e história da educação do Município de Senhor do Bonfim, uma das grandes experiências de educação popular, que tinha como destaque as Escolas Radiofônicas, pioneiras da atual concepções de Educação à distância.

1236 NOME DE BATISMO ALEXANDRE BUENO, ETNIA TERENA: PERSONAGEM DE UM IMAGINÁRIO PARA EDUCAÇÃO INDÍGENA NA PROVÍNCIA DE MATO GROSSO ADRIANE PESOVENTO PESOVENTO. UFMT, CUIABÁ - MT - BRASIL. Este trabalho tem como proposta reconstituir parte da trajetória de Alexandre Bueno, índio da etnia Terena que por diversas vezes aparece no cenário da história de Mato Grosso. Com suas tropas de soldados viajou pela Província, percorreu lugares longínquos, foi influente em relação aos seus pares e a elite político-administrativa da capital. O objetivo da investigação foi compreender como a simbologia dos seus atos contribuiu para construção de um imaginário sobre como deveria operar a educação indígena, especialmente a educação não-formal dos comportamentos e atitudes em sentido amplo, particularmente nas tentativas instruir, atrair e submeter outras nações pelo exemplo, pela persuasão ou ainda pela violência. Por mais de oito anos, período que vai de 1875 à 1884 encontram-se registros das suas práticas. Sob o ideário “para um índio outro índio”, a sociedade provincial adotou Alexandre Bueno, instrumentalizando-o para ser o mensageiro de um novo modelo, seus passos foram acompanhados pelo governo local, registrados em documentos oficiais, suas atitudes noticiadas em jornais, seus pedidos atendidos, isso tudo para que o mesmo servisse aos propósitos da sociedade envolvente, a saber: atrair outros grupos étnicos ao convívio pacífico com os provincianos. No decorrer da pesquisa uma questão se apresentou, a percepção do papel e das ações de Alexandre Bueno como auxiliar na construção de um outro modelo. O referencial teórico metodológico adotado corresponde à perspectiva do imaginário, ou seja, como um índio intitulado capitão, resistiu, serviu e alimentou o imaginário coletivo, os discursos e as práticas sobre o modo de educar e o modo ser dos demais grupos étnicos no período, e ainda, como o mesmo desvirtuou o estabelecido e compôs uma história própria a partir dos limites impostos. Para compreensão do assunto adotou-se a perspectiva de táticas e estratégias desenvolvidas por Michel de Certeau, bem como as concepções de micro-resistências e micro-liberdades. Para realização da pesquisa foram acompanhados os passos deste personagem, através dos relatos presentes em ofícios da época, tanto àqueles escritos pelos Diretores dos Índios, quanto pelo próprio Alexandre Bueno e notícias sobre o mesmo publicadas em jornais da capital. Em especial o relato de uma cena intrigante da chegada de Alexandre Bueno à capital, saudando a “Santa Madre Igreja Católica”, espetáculo assistido por várias pessoas e noticiado nos jornais locais. Todas as 147

fontes pertencentes aos acervos do Arquivo Público do Estado de Mato Grosso (APMT) e do Núcleo de Documentação Histórica Regional (NDHIR). O Grupo de Pesquisa Educação História e Memória do Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso contribuiu significativamente para a compreensão do objeto investigado.

599 OPRIMIDOS E OPRESSORES: UMA ANÁLISE COMPARADA DOS CONTEXTOS DISCURSIVOS ENTRE AS OBRAS DE ALEX HALEY E JOSÉ DE ALENCAR DISLANE ZERBINATTI MORAES; FERNANDA DE JESUS FERREIRA; SILMARA DE FATIMA CARDOSO. FEUSP, SAO PAULO - SP - BRASIL. Levando-se em consideração que os estudos históricos mostram o século XIX como extremamente produtivo em políticas e iniciativas que visavam à escolarização das classes populares e à formação da população negra, apresentamos nesse trabalho os resultados parciais da pesquisa que investiga a produção, circulação e apropriação de processos educativos, a partir do diálogo entre o livro Negras Raízes: a saga de uma família (1970) do escritor negro norte-americano Alex Haley (1921-1992) e a obra literária, política e teatral de José de Alencar (1829-1877). Adotamos a perspectiva dos estudos comparados em História da Educação, na qual buscamos apreender as aproximações, os afastamentos e entrecruzamentos de modelos de formação e inserção dos negros no período abolicionista nos Estados Unidos e no Brasil, que são produzidos e dados a ver nas práticas discursivas dos autores. Assim, trazemos duas visões sobre a escravidão e os processos educativos justificados pela iminência da abolição: a visão romântica do escritor e político José de Alencar, representante do pensamento da elite oitocentista, e a visão dos escravizados apresentada por Haley. A distância temporal e espacial da escrita dos textos potencializa nosso olhar para a percepção de descontinuidades históricas, bem como, das estruturas mentais e relações de poder, que envolvem a questão. Procurar-se-á destacar os modos de construção do “Eu” e do “Outro” comparando-se experiências de escravidão, formas distintas de inserção do ex-escravizado na sociedade e de perfis étnicos específicos, condicionados por modelos culturais e idéias sobre a desigualdade racial que circulavam globalmente. Haley desenvolve um trabalho memorialístico e historiográfico com o objetivo de mostrar ângulos contundentes do sistema escravocrata, ressaltando os processos de sofrimento, resistência e resposta dos próprios escravizados. Em contrapartida, Alencar justifica a manutenção do regime escravocrata pautado pelo discurso da incapacidade dos escravos de atuarem em sociedade e dos inerentes benefícios que traria o contato das “almas rudes” com o homem branco, civilizado. As condições de circulação e práticas de leitura dos textos também foram analisadas. José de Alencar escreve em um contexto de amplo debate sobre o papel da escravidão na constituição da nacionalidade brasileira, consolidando um discurso sobre a inferioridade que se mantém mesmo após a abolição. Inserido no espaço de lutas por direitos civis lideradas pelo movimento negro nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, Haley, por sua vez, obteve grande sucesso editorial, chegando a vender quase dois milhões de exemplares nos primeiros seis meses de lançamento. Considerando a capacidade de refletir sobre o real da obra literária, depreende-se o universo de referências comuns, particularizadas em visões sobre a escravidão e educação elaboradas pela elite e pelos descendentes dos escravizados.

1304 ORDEM MORAL E DOMÉSTICA EM PROL DE UMA LONGEVIDADE ESCOLAR: UM ESTUDO COM FILHOS DE FAMÍLIAS NEGRAS DE MEIOS POPULARES (PERNAMBUCO E PARAÍBA, 1940-1970) FABIANA CRISTINA SILVA. UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO, PETROLINA - PE - BRASIL. Este trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla que tem como objetivo compreender as formas de presença de famílias populares no processo de construção da longevidade escolar dos filhos e em suas 148

práticas de leitura e escrita nos Estados de Pernambuco e Paraíba no período de 1940 a 1970. Neste artigo analisaremos a organização familiar - condutas e normas - exercidas por famílias negras, “nãohedeiras” e de meios populares que possibilitaram a manutenção e longevidade escolar dos filhos, levando-os a atingir o ensino superior na Paraíba e em Pernambuco entre as décadas de 40 e 70. O período analisado refere-se ao processo de escolarização dos filhos das famílias estudadas. É importante destacar que, nesse, momento histórico, os indivíduos negros e pertencentes aos meios populares não se caracterizavam como o principal público de níveis superiores de ensino e muito menos obtinham, ao menos com freqüência, uma longevidade escolar. A pesquisa está baseada teórica e metodologicamente sob os pressupostos da História Cultural e da Micro-História, além de alguns estudos no campo da Sociologia da Educação. A especificidade do objeto a ser analisado, ou seja, as características das famílias e o período histórico estudado apontaram a necessidade da utilização da História Oral, o que tornou, ao longo do desenvolvimento da pesquisa, os depoimentos orais como a principal fonte de trabalho, na qual nos amparamos para redigir este artigo. Foram analisadas três famílias com as características acima citadas. Os resultados apontaram para a existência de uma configuração familiar específica, pois fazer parte de uma família com determinadas características e práticas possibilitou uma relação diferenciada com a escola. É como se essas famílias de meios populares, por não terem um patrimônio financeiro e às vezes intelectual a ser preservado, têm na sua herança moral o bem mais precioso, é como se os pais visassem uma certa respeitabilidade familiar da qual seus filhos deveriam ser os principais representantes A família aparece como um “lugar” relativamente fechado, para evitar influências negativas, os pais proporcionavam para esses filhos, mesmo que de forma intuitiva, rotinas, espaços e momentos específicos para o estudo, assim como práticas de leitura, acompanhamento das atividades escolares, além da manutenção material dos filhos na escola, como, por exemplo, fardamento, livros entre outros. Este estudo tem possibilitado compreender, em períodos anteriores em que não existia uma discussão ampla sobre a necessidade e a importância da contínua escolarização - a formação de uma organização familiar, objetivando a permanência dos filhos na escola.

817 PAULO FREIRE, A UFPE E O MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR ALESSANDRA MARIA DOS SANTOS; ÁNDRE GUSTAVO FERREIRA DA SILVA. UFPE, RECIFE - PE - BRASIL. Este estudo tem por objetivo apresentar a atuação da UFPE no Movimento de Cultura Popular, por meio do Serviço de Extensão Cultural, da até então Universidade do Recife, que tinha Paulo Freire como um dos seus coordenadores. Além de investigar as práticas cotidianas inerentes às atividades extensionistas da UFPE e como tais práticas e seus autores se relacionam com o MCP, pretende-se também possibilitar às presentes políticas de extensão da universidade balizar-se pelos acertos e equívocos do passado e para tais finalidades utiliza-se o caminho metodológico de análise de fontes documentais da UFPE e registro oral de atores envolvidos no objeto proposto. A instigação é compreender a contribuição que a dinamicidade histórica atuou sobre a dimensão extensionista da UFPE, saindo de seu distrito educacional e estendo-se até as classes populares numa atuação de extensão que promovia o diálogo entre o saber científico e o popular e como esta construção histórica é materializada na vida cotidiana. O cotidiano dos primeiros passos de uma prática pedagógica coincidem historicamente com a constituição do MCP, no sentido de uma maior participação junto às reais soluções para os problemas da população menos favorecida. Dessa maneira, nasce em maio de 1960, no Recife, um movimento que aspira a redução do índice de analfabetismo além de proporcionar a elevação do nível de cultura da população. Com este intuito surgiu o Movimento de Cultural Popular tendo como um dos fundadores Paulo Freire, também professor da Universidade do Recife, atualmente UFPE, na qual ele implantou com o SEC (Serviço de Extensão Cultural) o serviço de extensão através do desenvolvimento de ações que visavam conscientização política a partir da alfabetização e valorização da cultura popular, o que também serviu de apoio ao desenvolvimento do MCP. Assim, com objetivos de inserção da população à cidadania, demonstrada no direito ao voto após a alfabetização, e técnicas inovadoras na educação de adultos, como a relação do contexto sociocultural dos alunos no processo de ensino e aprendizagem, a cidade atinge números consideráveis de alfabetização em curto espaço de tempo. Paulo Freire destaca149

se no cenário nacional com o seu método de ensino que passa a ser implantado pelo MEC (Ministério Educação) em todo o país, com o Sistema de Educação Paulo Freire. Assim, como Paulo Freire estava à frente do SEC, o serviço de extensão universitária ganha destaque, com participação de outros professores, funcionários e alunos, ressaltando a relevância da responsabilidade acadêmica no auxílio ao desenvolvimento social. No entanto, este presente estudo não apresenta resultados tendo em vista que está em andamento.

396 SOCIEDADE IMAGINADA: A IDEIA DA NAÇÃO NO INÍCIO DO PERÍODO REPUBLICANO DANIELA CRISTINA ABREU. USP - SÃO PAULO, RIO CLARO - SP - BRASIL. O presente trabalho é fruto de reflexões quanto à proposta do nacionalismo no âmbito das escolas primárias paulistas no início do período republicano. Quando pensamos no nacionalismo nos reportamos às ideias de múltiplos significados. Segundo Anderson (2008) autor de diálogo neste estudo, o naciolismo é um composto cultural específico e para bem entendê-lo é preciso considerar suas origens históricas, de que maneira seus significados se transformaram ao longo do tempo, e por que dispõem, nos dias de hoje, de uma legitimidade emocional tão profunda. A ideia de nacionalismo, diferente de nação transcende, as barreiras territoriais. Anderson define a nação como “(...) uma comunidade política imaginada - e imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo, soberana” (2008, p. 32). O autor aponta o apego que os povos tem às suas imaginações e como são capazes de morrer por suas invenções. A escola primária imaginada pelos republicanos tinha também a função de homogeneizar a língua para a construção de uma nação. Para tanto, acreditavam que era necessário criar estabelecimentos de ensino capazes de abrigar os alunos em idade escolar. A educação popular era vista como primordial, e por isso intelectuais e políticos a priorizavam como objeto de reforma, fundamental para a organização da sociedade. Segundo relato de Thompson no Anuário de Ensino do Estado de São Paulo de 1918, a língua falada pelo povo é a primeira característica da escola “é o primeiro e mais importante, porque é o factor enérgico de nacionalização e de um laço estreito de solidariedade. Os que falam a mesma língua commungam os mesmos sentimentos e teem os mesmos ideais e as mesmas tradições”. Essa temática faz parte da operacionalização do texto de Anderson com as fontes estudadas quanto à escolarização dos negros no início do período republicano e a ideia de sociedade imaginada para o período, a qual a elite tenta por diversos mecanismos ocultar a presença negra. Segundo Silva e Araújo (2005) a (re) leitura das reformas educacionais dos séculos XIX e XX, deduz-se que a população negra teve presença sistematicamente negada na escola: a universalização ao acesso e a gratuidade escolar legitimaram uma “aparente” democratização, porém, na realidade, negaram condições objetivas e materiais que facultassem aos negros recém-egressos do cativeiro e seus descendentes um projeto educacional, seja este universal ou específico.

1037 UMA IMPRENSA, UM GRUPO SOCIAL: DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DO NEGRO ROSANGELA FERREIRA SOUZA. USP/UNIBAN, SAO PAULO - SP - BRASIL. O presente trabalho pretende caracterizar as práticas de escolarização dos negros no início do século XX, veiculada por periódicos não-educacionais direcionados especificamente para essa população, sob a denominação de “imprensa negra” ou “jornais da imprensa negra”. Trata-se em um recorte do projeto em nível de doutorado “Pelas páginas dos jornais: identidade, representações e escolarização do negro 150

em São Paulo (1924-1940), em andamento, e suas ações iniciais de pesquisa. Diferente de outras pesquisas, nas quais é utilizada a imprensa periódica educacional para se buscar compreender práticas de escolarização, a formação de professores, as características do alunado, da educação oferecida por órgão oficiais (Catani e Souza,1994), este trabalho pretende, a partir da organização e caracterização de uma imprensa que não se anunciava especificamente como órgão de propagação de idéias educacionais, reconhecer a constituição da identidade, representações e escolarização dos negros, em São Paulo, de 1927 a 1937. Proceder-se-á a análise do discurso propagado pelos jornais buscando-se retratar as condições sociais, de trabalho e educacionais do negro no Brasil no início do século XX, após a abolição da escravatura, e suas perspectivas quanto a sua escolarização, enquadramento ao “mundo dos brancos”, ascensão social, etc. Para o desenvolvimento da pesquisa serão utilizados como fontes primárias os jornais da chamada “Imprensa Negra” . Pretendemos elencar os redatores dos artigos, diretores, fundadores, co-fundadores, tiragem (lucro advindo da mesma), formas de circulação, buscar artigos que mostrem pressões e posições políticas do jornal, caracterizar historicamente o período de circulação e as figuras típicas da “imprensa negra”, assim como as premissas de caráter educacional propagadas por estes. Muitos foram os jornais que constituíram cabedais de informações sobre os negros no interior do conjunto das publicações da imprensa negra, pretende-se com este ensaio verificar, no entanto, se as representações e aspirações educacionais e sociais entre os negros eram sempre as mesmas nos jornais; se existiam diferenças na abordagem dada ao negro brasileiro no interior dos artigos de dos jornais e por fim, apontar em que medida essas diferenças atraiam um maior número de leitores e garantiam formas próprias de circulação, leitura e apropriação das idéias propagadas. Pretende-se desconstruir o discurso, segundo o qual, a imprensa negra constituiria-se em um bloco homogêneo de informações acerca do negro e que sempre esteve disposta a defender e reivindicar seus direitos diante de uma sociedade pretensamente discriminatória. Tal perspectiva de trabalho insere-se nas discussões realizadas no interior do campo da História Comparada, especificamente ligada aos estudos de Marcel Detienne, que propõem uma série de preocupações em afastar a história comparada de anacronismos (tão comuns à história sobre os negros).

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EIXO 2 - HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS 1193 “GRUPOS ESCOLARES EM FOCO: TECENDO HISTÓRIAS E MEMÓRIAS SOBRE O ENSINO PRIMÁRIO EM MINAS GERAIS" GEOVANNA DE LOURDES ALVES RAMOS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, UBERLANDIA - MG - BRASIL. Esta pesquisa faz parte de minha tese de doutorado em que consiste na reflexão acerca da criação dos grupos escolares na cidade de Uberlândia, em específico o Grupo Escolar Coronel José Teófilo Carneiro, uma das mais antigas instituições de ensino uberlandense, sua relação com a cidade e as diferentes classes sociais que a compunham nos anos de 1940 aos anos de 1972, pois com a Lei 5.692, os grupos escolares foram extintos e o ensino primário passou a ser ministrado em escolas públicas e particulares, como também tiveram seu currículo de ensino modificado passando a atender as instituições de primeiro grau. Busca também compreender a cultura do grupo escolar, e em particular os significados de sua construção na cidade de Uberlândia/MG. Para isso será necessário identificar o quadro social, político e econômico da sociedade brasileira em geral e, de modo mais particular, da sociedade uberlandense no decorrer dessas décadas. Penso ser necessário problematizar a trajetória do grupo escolar no sentido de repensar como os moradores lidavam com as mudanças educacionais e como a impressa local problematizava o ensino educacional, as experiências e dificuldades dos moradores na luta pelo direito à aprendizagem das primeiras letras. Pretende-se que a história a ser resgatada contribua para os estudos no campo educacional, do grupo escolar e para a construção da história da cidade e das instituições escolares no Brasil, bem como seja capaz de fornecer elementos para outras pesquisas de recortes mais estreitos e que possa ampliar a compreensão acerca da história da educação no país. Dentre os documentos pesquisados para a pesquisa utilizo fontes da imprensa local, documentos oficiais da Câmara Municipal de Uberlândia, Atas, Processos, Correspondências Recebidas e Correspondências Expedidas, Protocolos, fotografias, entrevistas de ex funcionários e alunos, mapas da cidade e revistas locais. Como vou trabalhar com a diversidade e provisoriedade do conhecimento histórico não pretendo me cercar a priori, de teorias prontas e manuais que indicam passos pré-fixados para a pesquisa. A teoria é pensada e construída em um diálogo com a experiência humana vivida. O método assim pensando não é o desenvolvimento de uma técnica científica de pesquisa em História. Parto de uma escolha dos sujeitos, do momento histórico e das fontes que já carregam minhas preocupações e minhas posições políticas. Acredito que todas as fontes são carregadas de posições políticas, valores, ideologias e nesse sentido busco estabelecer um cruzamento entre elas para compreender com mais profundidade as teias que envolveram os sujeitos no momento histórico escolhido e suas relações sociais com a instituição escolar. 801 A ALFABETIZAÇÃO NA HISTORIA DA EDUCAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO (DÉCADA DE 1870) MARIA DA PENHA DOS SANTOS DE ASSUNÇÃO. UFES, VILA VELHA - ES - BRASIL. A pesquisa teve como objetivo estudar a alfabetização na província do Espírito Santo na década de 1870 investigando se os discursos oficiais reformistas acerca da alfabetização contribuíram para a constituição de “novos” métodos e práticas de ensino da língua que rompessem com modelos baseados no trabalho com as unidades mínimas da língua. Nosso estudo é documental e partimos da concepção bakhtiniana de linguagem abordando a noção de texto, que segundo Bakhtin (2003) “e um dado primário de análise de todas as disciplinas”. A instrução pública capixaba passou por três regulamentos e um regimento ao longo da década de 1870. É importante salientar que essas quatro propostas buscaram entre outras coisas metodizar oficialmente o ensino e ao mesmo prescrever os programas de ensino destinados ao ensino da leitura e da escrita. Ao longo do período tivemos a oficialização do método mútuo, do método simultâneo, do misto e até mesmo da autorização para a mescla de 153

métodos. O método misto e o simultâneo eram considerados mais modernos, a utilização do primeiro garantia a continuidade de métodos antigos como o mútuo e o individual. Isso nos leva a analisar que apesar do discurso reformista a utilização do método misto tem a demonstrar que as práticas não eram modificadas, pois se esse método congregava elementos de métodos mais antigos constituindo-se em práticas conservadoras já instituídas não haveria mesmo modificação no ensino da leitura e da escrita. Com programas que se destinavam a ensinar a ler, escrever e contar, se pensava em ensinar alguns rudimentos de gramática a partir de impressos de marcha sintética sem considerar aspectos como a relação sons e letras e da relevância do trabalho da produção de textos orais e escritos discutidos por Gontijo (2005).Vale a pena ressaltar que a concepção que orientou os programas de ensino e os materiais impressos utilizados na província do privilegiou o estudo das unidades menores. A decomposição do ensino em sílabas, palavras e frases visava alcançar a leitura de textos que inicialmente também eram decompostos em sílabas e depois em frases, no entanto esse procedimento não trazia bons resultados, os relatos das autoridades provinciais deixaram transparecer que as crianças não aprendiam a ler, e ainda eram constrangidas por torturas físicas e psicológicas por não aprender. As escolas funcionavam em condições de precariedade, os professores não obtiveram formação adequada e os materiais de ensino não foram suportes que facilitaram a aprendizagem da língua. Parece que as falas reformistas, não romperam o plano discursivo. Até mesmo a gratuidade tão defendida pelo presidente Tomé da Silva em 1873 logrou êxitos. Palavras-chave: Alfabetização. Métodos de ensino. Livros de leitura.

641 A ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS NA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XX NA CIDADE DE RECIFE: A EDUCAÇÃO FÍSICA COMO ELEMENTO DE DISTINÇÃO SOCIAL PAULO FERNANDES OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, JABOATAO DOS GUARARAPES - PE - BRASIL. Buscamos através desta pesquisa, dar início à investigação sobre a Associação Cristã de Moços (ACM) – Recife, pois esta unidade de análise nos oferece muitas informações sobre a prática da Educação Física no Estado de Pernambuco. Temos por objetivo neste estudo mostrar em que medida a prática da educação física, mais especificamente através do esporte serviu como elemento de diferenciação social para os componentes da ACM – Recife no período em questão. Inicialmente foi feito um levantamento da produção científica tomando como temática a ACM – Recife, mas nenhuma produção foi encontrada a esse respeito, sendo as informações relacionadas a esta instituição encontradas em poucas linhas e superficialmente, em sites como o da Confederação Brasileira de Voleibol e no Ministério do Esporte, no Atlas do Esporte no Brasil. Foram consultados jornais, mapas, revistas, livros, fotografias, atas de reuniões, regimentos, folders, relatórios visando estruturar um acervo de documentos que serviram de fontes para a pesquisa. A prática da Educação Física na ACM ocupava um papel de destaque nesta instituição religiosa no final da primeira década do século XX, na cidade de Recife – PE. O esporte apresentava-se como o elemento da Educação Física mais apreciado, pois era carregado de significado aos participantes das atividades. Partindo da perspectiva de que a formação do cidadão prescindia o abandono de alguns vícios e demandava um alto grau de auto-regulação por parte dos jovens que viviam no país naquele momento específico. Este alto nível de autocontrole tinha como elementos de seu desenvolvimento a prática da Educação Física, através do esporte, bem como de religião que conduziam os jovens neste sentido. A prática dessas atividades, que contribuíam para o desenvolvimento do autocontrole, mais especificamente o esporte, constituía-se como elemento de diferenciação social, pois esta atividade demandava um maior controle das pulsões para os seus participantes, bem como a sua prática só era permitida aqueles de detinham um maior nível de refinamento de seus comportamentos. A ACM – Recife tinha a particularidade de oferecer uma “educação do corpo” através de um elemento novo e que demandava comportamentos específicos e altamente regulamentados, em que havia altos níveis de controle, tanto interna com externamente. Estes participantes tinham no esporte um elemento de diferenciação social que os possibilitava o exercício do controle de suas condutas, favorecendo a sua caminhada em rumo da civilidade, que era uma das necessidades da sociedade recifense neste momento de modernização. 154

1152 A BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE: ESPAÇO DE FORMAÇÃO DO LEITOR UNIVERSITÁRIO MARTHA SUZANA SUZANA CABRAL NUNES. UFS, SÃO CRISTOVAO - SE - BRASIL. Este artigo tem o objetivo de apresentar a biblioteca como espaço de conformação da cultura universitária, a partir das possibilidades de leitura que imprimem em seus usuários. Especificamente, pretende-se apresentar a Biblioteca da Universidade Federal de Sergipe, como instituição que contribui na formação do leitor universitário e que compõe o aparelhamento necessário ao processo educacional. Para trabalhá-lo, é preciso debruçar-se sobre a investigação das práticas de leitura desenvolvidas no universo educacional superior, entremeada com a perspectiva do leitor universitário. Neste sentido, compreender as práticas de leitura desenvolvidas pelo estudante do curso de Biblioteconomia contribuirá nesta construção, tendo em vista tratar-se de um público que se utiliza da leitura para apreender conhecimentos sobre sua formação profissional e acadêmica, mas também como dispositivo de lazer e de distinção entre seus pares. A Universidade Federal de Sergipe foi criada em 1968 a partir da congregação das faculdades isoladas existentes em Sergipe. Cada uma delas dispunha de seus acervos bibliográficos, os quais davam o suporte na formação dos estudantes dos diferentes cursos. A unificação destas bibliotecas isoladas só aconteceu em 1979, quando da construção do atual Campus Universitário. Desde esta data, a Biblioteca Central da UFS (BICEN) cresceu em volume de obras e no atendimento aos estudantes da Universidade, buscando seu estatuto de legitimidade a partir da condução de suas ações voltadas para o atendimento às necessidades da comunidade acadêmica. A estrutura da BICEN comtempla, além das obras de consulta livre, acervos de documentação sergipana, documentos oficiais e multimídia, além dos periódicos especializados. Sua história, porém, traz embutida a própria história do ensino superior sergipano. Para construção deste artigo, apoiamo-nos no referencial teórico da História da Educação e em seus expoentes tais como Roger Chartier (1994) e o conceito de representação, Anne-Marie Chartier (2007) e Diana Vidal (2005) com o conceito de práticas de leitura, Pierre Bourdieu (2005) e o capital cultural e finalmente cultura escolar tomada de Dominique Juliá (2004). As fontes para a coleta de dados são basicamente documentos institucionais, regulamentos, além das fontes bibliográficas como artigos, livros e dissertações. Nas pesquisas desenvolvidas pelo Núcleo de Pós-Graduação em Educação nenhum trabalho se debruçou sobre este objeto. Neste sentido, demonstra-se sua relevância, pois trará maiores contribuições para os estudos na linha de pesquisa sobre História, Sociedade e Educação, desenvolvida e sedimentada pelos pesquisadores da área, que têm contribuído para o aprofundamento das questões educacionais nas diferentes esferas, tanto elementar quanto superior.

1101 A CIDADE E A ESCOLA: ALIADAS NA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ORDEM PÚBLICA BERNADETTH MARIA PEREIRA. CEFET-MG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Este estudo foi realizado ao longo do desenvolvimento da nossa tese de doutorado em Educação defendida na Universidade Estadual de Campinas-Unicamp. A tese intitulada “Escola de Aprendizes Artífices de Minas Gerais, primeira configuração escolar do CEFET-MG, na voz de seus alunos pioneiros (1910-1942)” foi orientada pela Profa. Dra. Olga Rodrigues de Moraes Von Simson, da Universidade Estadual de Campinas-Unicamp, e co-orientada pelo Prof. Dr. Luciano Mendes de Faria filho, da Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG. Objetivamos com este artigo discorrer acerca da articulação entre a cidade e a educação escolarizada para o trabalho, na construção de uma nova ordem pública. Portanto, elegemos como objeto de estudo Belo Horizonte, a nova capital mineira, modelo da modernidade brasileira no início do século XX, e a Escola de Aprendizes Artífices de Minas Gerais - EAAMG, (1910-1942), no contexto do Brasil republicano. A abordagem metodológica escolhida para o desenvolvimento desse estudo, de caráter qualitativo, foi a História Oral, metodologia de pesquisa que 155

privilegia os testemunhos não escritos, as fontes não hegemônicas e, ao mesmo tempo dialoga com uma multiplicidade de fontes escritas, visuais e inclusive as oficiais. Essa opção teórico-metodológica nos possibilitou conferir um sentido histórico a essa problemática, no contexto da cultura urbana da sociedade belorizontina e da EAA-MG. A partir desses levantamentos, concluímos que a cidade de Belo Horizonte e a EAA-MG interagiam com o intuito de validar simbolicamente a visibilidade das novas idéias liberais, de uma nova ordem política e das forças econômicas progressistas. Os valores republicanos de civilização, progresso e trabalho deveriam ser assimilados pela sociedade por meio da educação. A nova capital mineira demandou, portanto, a inclusão de medidas sócio-educativas, que prepararassem as classes populares para integrar a nova realidade urbana em processo de implantação. Havia uma grande confiança na ação pedagógico-assistencial como saída para resolver o problema da vadiagem e da resistência ao mundo do trabalho. Nessa tarefa, foi intensa a atuação dos filantropos, dos educadores, das instâncias governamentais, dos setores das classes dirigentes e dos demais interessados numa realidade urbana segmentada e estruturada segundo os estamentos sociais. Vale ressaltar, ainda, que a escola apropriou-se da cultura urbana desenvolvendo hábitos e valores que iam ao encontro da ordem republicana. A cidade, por sua vez, buscava sua regeneração por meio da educação escolarizada pelo e para o trabalho. Assim entendemos que a EAA-MG contribuiu para que seus alunos, denominados pela elite como os “desfavorecidos da fortuna”, assumissem o lugar que a nova ordem republicana reservou para eles, na jovem metrópole da modernidade brasileira.

564 A CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO ASSUMIDA PELA IGREJA CATÓLICA A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II E DAS CONFERÊNCIAS GERAIS DO EPISCOPADO LATINO-AMERICANO DE MEDELLÍN E PUEBLA ELISEANNE LIMA DA SILVA. UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS, MANAUS - AM - BRASIL. Este trabalho postula a relação Missão-Educação desde o Concílio Vaticano II, perpassando pelo debate instaurado na Igreja Católica conciliar da latino-américa em décadas posteriores. Trata-se do resultado de pesquisa documental calcada metodologicamente na hermenêutica-dialética ao estabelecer um “caminho do pensamento”, um fio condutor interpretativo dos entrecruzamentos existentes entre Poder, Religião e Educação no contexto das relações institucionalizadas. Objetiva explicitar que a Igreja em tempos conciliares se auto-proclama subsidiária da questão educacional, correlacionando vida cristã terrena e plano trasncendente pelo viés da catequização direta. A concepção de educação assumida tanto nos documentos conciliares quanto nas Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano de Medellín e Puebla aponta para um movimento transversal em sua questão de fundo: a missionariedade. Ao perpassar pela “educação libertadora”, “educação para a justiça” e “educação evangelizadora” a Igreja latino-americana opta pelos pobres de materialidade e, finalmente, transcende, objetivando trabalhar a pobreza espiritual dos povos dos trópicos. A priori, o Concílio assenta a realidade das diferenças culturais existentes entre os povos de uma maneira pontual sem maiores explicitações. Frente às questões próprias do homem latino-americano, os documentos aludem de forma notacional e, portanto, lacunar o trato com a questão indígena e o lidar com a diversidade cultural em tempos onde o embate tradição/modernidade assume ares de renovação institucional. Medellín fala no empreendimento do “diálogo criador com outras culturas” sem amarrar as pistas procedimentais para tal; já Puebla direciona metodologicamente este lidar sob a égide absoluta da “evangelização das culturas”. Outras questões conceptuais conflitivas como incorporação, integração e participação dos povos indígenas no espaço educacional da catequese também são consideradas neste trabalho ao levar em conta o caráter mandatório do Vaticano II no que diz respeito às possibilidades de criação de mecanismos diferenciados de atuação da Igreja pós-conciliar. Dito isto, depreende-se a completude da amarração Missão-Educação na América Latina: a Igreja Católica, ao visualizar (de longe) os contextos das diferenças culturais e as múltiplas pulsações conflituais da sociedade latino-americana (as quais ela mesma ajudou a gestar historicamente), tenta manter-se viva e fiel ao mandado de seu Fundador pela veia da formação educacional das mentes e dos corações.

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1203 A CONCEPÇÃO DE ESCOLA ATIVA NO ENSINO INFANTIL DE GOYAZ (1930) ANA MARIA GONÇALVES; APARECIDA MARIA ALMEIDA BARROS; SELMA MARTINES PERES. UFG, CATALÃO - GO - BRASIL. O estudo que apresentamos é parte integrante do projeto de pesquisa A Institucionalização da Instrução Elementar em Goiás (1835/1930). Propomos como foco de análise os princípios atribuídos ao ensino infantil, ministrados às crianças de 4 a 6 anos nos jardins de infância, pelo Regulamento do Ensino Primário do Estado de Goyaz (1930). A escolha deste documento prende-se ao intuito de compreensão de como as idéias pedagógicas, veiculadas no Brasil, se colocaram no âmbito do trabalho reformista operado em Goyaz em 1930. Entendemos que o referido documento nos permite explicitar as novas práticas prescritas, individuais e coletivas, as quais deveriam ser vivenciadas por professores e alunos no cotidiano das escolas. Na análise problematizamos que a proposta teve lugar no período de efervescência das discussões das idéias pedagógicas renovadoras, período de ascensão da Escola Nova no Brasil. Cumpre salientar que o sistema educacional paulista era tomado como modelo de educação em Goiás. Assim, o governo do estado assinou um convênio com o governo de São Paulo acertando a vinda de uma missão paulista, cuja chefia ficou sob a responsabilidade do professor Humberto de Sousa Leal. No entanto, esse Regulamento seis meses depois sofreu alterações pelo decreto nº 659, de 28 de janeiro de 1931, baixado pelo interventor federal Pedro Ludovico Teixeira, que assumiu o poder em Goiás após a Revolução de 1930. No entanto, essas alterações promovidas pelo novo governo não foram substanciais, visto que seus princípios escolanovistas asseguravam a inexistência de incompatibilidades com o governo “renovador”. No que se refere à educação pública goiana, o governo revolucionário recebeu do regime anterior um total de 18 grupos escolares e 161 escolas isoladas ou comuns, além das escolas mantidas pelos municípios e as que funcionavam nas fazendas. Em relação ao ensino secundário um total de 8 estabelecimentos estavam em funcionamento, sendo que 6 ofereciam o ensino normal. Tinha início, assim, a ascensão de um novo grupo político ao poder e, segundo Chaul (1997), a constituição de duas representações básicas: a utilização do saber médico como discurso que dissecava o velho Goiás e a construção de uma nova capital, Goiânia, que se traduziria no símbolo maior da modernidade e do progresso goiano. No campo teórico, buscamos aporte em autores como Pestalozzi, Froebel, Montessori, Decroly e Claparède para interpretar os pressupostos metodológicos e conceituais sugeridos pelo Regulamento. Apoiamo-nos, também, em fontes bibliográficas e documentais como jornais, revistas, decretos, portarias e fotografias, levantadas no Arquivo Público “Frei Simão Dorvi”, da Cidade de Goiás-Go e no Arquivo Histórico Estadual de Goiás, sediado em Goiânia-GO.

692 A CONSTITUIÇÃO DE INSTITUIÇÕES ESCOLARES NA ILHA DO MARANHÃO MARIA DAS DORES CARDOSO FRAZÃO. UFMA, SAO LUIS - MA - BRASIL. O texto resulta de uma pesquisa em andamento cujo objetivo geral é conhecer a constituição de instituições escolares no município de Paço do Lumiar. Os dados referem-se a seis escolas públicas da Rede Municipal: Unidades de Educação Básica Alfredo Silva, Benjamin Peixoto, Genival Pereira, Governador Luiz Rocha, Leda Tájra, Nicolau Dino. A referida Rede conta com trinta e nove escolas, das quais, apenas uma é da zona urbana. Inicia-se o estudo conhecendo aspectos históricos e socioeconômicos deste território, para, em seguida, aprofundarmos nos espaços escolares, onde pudemos entrevistar as diretoras, bem como outros sujeitos da comunidade escolar e conhecer documentos que constituem fonte para nosso trabalho. Paço do Lumiar faz parte da Ilha do Maranhão, junto com São Luís, capital deste Estado, São José de Ribamar e Raposa. Há poucos trabalhos científicos sobre o município em questão, alguns deles estão nas áreas de Ciências da Saúde e Geociências. Este município foi habitado por indígenas e ainda hoje existem descendentes destes na localidade. Paço do Lumiar tem suas origens históricas fundadas no tempo dos jesuítas no Maranhão, orginando-se de duas propriedades distintas, depois agrupadas para a formação da Vila. Uma delas consistia em uma faixa de 157

terras doadas a um amigo de Alexandre de Moura, na então Província do Maranhão. A outra consistia em uma légua de terra que formava o sítio Anindiba. O nome Paço do Lumiar surgiu em razão de sua semelhança com uma localidade existente em Portugal, denominada Província do Lume. As escolas foram fundadas: Unidade de Educação Básica Genival Pereira em 1º de abril de 1986. Unidade de Educação Básica Benjamim Peixoto em 5 de setembro de 1970. Unidade de Educação Básica Nicolau Dino em 1972. Unidade de Educação Básica Alfredo Silva em 1984. Unidade de Educação Básica Governador Luiz Rocha em 1982. A Escola Jardim de Infância “Reino Infantil” situada a Praça Nossa Senhora da Luz, sede do Município de Paço do Lumiar, foi fundada em 1983. A referida escola era mantida pelo convênio entre Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL e a Prefeitura desta cidade. Em 1984, o MOBRAL foi extinto. A partir desta data, a Escola é nomeada Unidade Escolar “Lêda Tájra”. A pesquisa traz contribuições teóricas de Certeau (2007), Haesbaert (2005), (2006), (2007), Motta (2003) e Trovão (1994). Embora, a fundação destas instituições não seja recente, observa-se que a educação oferecida pelas escolas supracitadas é carente de infra-estrutura, de pessoal, haja vista, que a maioria de funcionários (as) é contratada e está em processo de formação em nível superior, este quadro se agrava quando se trata de escolas da zona rural.

1226 A DISCIPLINA DO CORPO E A VIABILIZAÇÃO DA ORDEM NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX NO MARANHÃO KILZA FERNANDA MOREIRA DE VIVEIROS ; MARLÚCIA MENEZES DE PAIVA . 1.UFMA/UFRN, NATAL - RN - BRASIL; 2.UFRN, NATAL - RN - BRASIL. Ao longo do século XIX, nos países ocidentais, a higiene marcou o advento da preocupação sanitária com o meio urbano fomentando a composição de um dos campos mais importantes da medicina social. Essa preocupação, no Brasil, esteve associada às grandes epidemias ocorridas nas principais cidades do Império antes da segunda metade dos oitocentos. Alicerçada na tese de que o campo da higiene buscava promover as melhorias das condições de vida da população e relacionado ao projeto republicano modernizador da sociedade brasileira, este estudo objetiva dar relevância à compreensão de uma teoria higienista oriunda do campo médico e sua conseqüente influência na configuração (ELIAS, 1970) e edificação de uma nova identidade nacional. Sob este enfoque, tomamos como referência os discursos e as práticas do campo médico-social desenvolvidos na cidade de São Luís do Maranhão, por se configurarem num solo de grande intensidade destes discursos e práticas médicas direcionadas à infância, por meio de um jornal de época e da criação do Instituto de Assistência à Infância. Assim a necessária compreensão do vocábulo infância, nos conduziu à concepção cultural da criança (KULHMAN, 2003), por esta se constituir, neste estudo, num campo de intervenção do discurso e das práticas médicas que orientavam a disciplina do corpo na sociedade maranhense nas duas primeiras décadas do século XX. Desta forma, a construção metodológica deste estudo se descreve em dois momentos. O primeiro por estudos desenvolvidos no campo da higiene, saúde e educação e, no segundo momento, buscou a compreensão do campo médico-social (BOURDIEU, 1989) e “corpo disciplinado” (FOUCAULT, 1987) na sociedade brasileira e maranhense, por se tornarem parte essencial à escrita deste estudo, assim como na intenção de elaborarmos considerações acerca das práticas desenvolvidas no interior de uma instituição de assistência à infância. Desta forma, nossas observações neste estudo se estruturam sobre um olhar educativo, cultural, e social do campo médico, chamando-nos a atenção para sua abrangência e importância, sobretudo educacional, numa dada temporalidade. Com o intuito de contribuir para a historiografia da educação brasileira e maranhense e na intenção de somarmos reflexões acerca da ação do campo médico-social no Brasil e Maranhense, através de instituições de educação não escolares, estas ponderações integram parte das nossas análises em nossos estudos de doutoramento, em vias de conclusão, desenvolvidos na Universidade Federal do Rio Grade do Norte.
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1303 A EDUCAÇÃO DAS MULHERES E A PROPOSTA DA ESCOLA PROFISSIONAL FEMININA DE CURITIBA DANIELLE GROSS DE FREITAS. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. O presente artigo, parte de uma pesquisa de mestrado em andamento, tem como objetivo a análise do sentido de educação profissional feminina veiculada em uma instituição de ensino em inícios do século XX, em Curitiba. A Escola Profissional Feminina foi instituída na capital do estado do Paraná no ano de 1917 pelo Decreto Estadual nº 548 de 8 de agosto do referido ano. Era dirigida por D. Maria Aguiar de Lima, esposa de Antônio Mariano de Lima, famoso pintor e idealizador dessa instituição que inicialmente, sob o nome de Escola de Desenho e Pintura, restringia-se a somente essas duas modalidades de trabalho artístico e estendia seu atendimento também ao público masculino. Ao assumir a direção, D. Mariquinha, como carinhosamente era chamada, modificou seu nome, incrementou seu currículo e a organizou apenas para o atendimento de mulheres. Assim, a Escola Profissional Feminina de Curitiba passa a ser uma instituição destinada a atender o público feminino na aprendizagem de artes aplicadas às indústrias, tendo em vista acompanhar o cenário produtivo nacional e mundial pelo viés do aperfeiçoamento dos ofícios voltado para as artes aplicadas nos trabalhos manuais. Em meio a esse cenário coaduna-se a inserção da mulher de classes operárias e populares no mercado de trabalho, movida pela necessidade financeira de custear ou complementar na sobrevivência da família, o que veio movimentar um novo tipo de educação difundida em finais do século XIX e início do século XX: a educação profissional. Para tanto, através de fotografias escolares e documentos que regulamentaram a criação dessa instituição busca-se vestígios para compreender a que se destinava a Escola Profissional a essas mulheres trabalhadoras, quais ofícios poderiam aprender e de que forma poderiam aplicá-los em seus afazeres. No entanto o cenário referente a função da mulher na sociedade neste período, apesar de estar permeado por divergências, afirma predominantemente o papel de mantenedora do lar e da família, restrita a um universo privado, como o adequado para a sua natureza frágil. Sendo assim, uma proposta de escolarização profissional feminina constituindo-se como coresponsável por oportunizar a conquista de um espaço público, o universo do trabalho, às mulheres permite vislumbrar outras representações do sexo feminino que não somente aquela vinculada a sua função maternal. A pesquisa respalda-se, portanto, numa operação historiográfica de cruzamento dos documentos acima citados, a fim de compreendê-los em suas entrelinhas, bem como estudo amparado por referencial que aprofunda questões de gênero para subsidiar as análises.

750 A EDUCAÇÃO DE MENINAS DESVALIDAS NO MARANHÃO IMPÉRIO SUZANA KARYME GONÇALVES DA CUNHA. UFMA, SAO LUIS - MA - BRASIL. Este trabalho constitui-se o resultado parcial da pesquisa Ordenação e disciplina: Instituições escolares de atendimento à pobreza (meninos e meninas) no Maranhão Oitocentista, apoiada e financiada pelo CNPq. Objetiva-se neste estudo o resgate da memória das instituições maranhenses de recolhimento de crianças pobres e desvalidas (existentes no século XIX) encontrando-se representadas na Província, pela Escola de Aprendizes Marinheiros, a Escola dos Educandos Artífices, a Escola Agrícola do Cutim e o Asilo de Santa Teresa, sendo esta última, o objeto de investigação que se focaliza nesta argüição. Apresentam-se dados significativos que caracterizam as práticas, os costumes e o cotidiano de dito estabelecimento relativos à sua atuação no Maranhão Império, destacando-se e tentando-se compreender as relações estabelecidas entre os atores implícitos neste cenário educativo e de sociabilidade. Pretende-se analisar e compreender as representações construídas sobre essa instituição e seu papel, importância e influência no campo educacional maranhense oitocentista, ao desmistificar as formas de organização e as dinâmicas de seu funcionamento como lugar de ensino; tratando-se assim de apreender o estrato cultural do espaço escolar, do cotidiano, dos rituais e sua significabilidade para os são-luisenses no século XIX. Parte-se do pressuposto que essas instituições foram criadas pelo governo provincial como forma de justificar perante a sociedade a democratização do ensino e como 159

forma de atender suas necessidades sócio-econômicas, visto que nos estamos referindo a espaços escolares destinados ao recolhimento e à instrução de crianças pobres e desvalidas. Prescinde-se neste investigar de três eixos epistêmicos no campo histórico: a história da infância, a história das instituições escolares e a história do ensino profissional, considerando-se que essas instituições ofereciam além do ensino das primeiras letras, os ofícios mecânicos para formação profissional; temáticas que trazem consigo, ao serem tratadas pela história da educação brasileira e a historia da educação local, fatos e acontecimentos que podem vir a tona neste processo do fazer historiográfico. A pesquisa em andamento está sendo feita a partir do estado da arte, procurando-se identificar as temáticas que estão sendo discutidas neste campo de estudo e a natureza das mesmas, estudos representados por (CASTRO, 2007; ABRANTES, 2002; FOUCAULT, 2004; CASTELLANOS, 2010; PETITAT, 1994; MAGALHÃES, 2004; MARQUES, 1970; CRUZ, 2008) entre outros, e pela análise, identificação e questionamentos constantes dos textos manuscritos, artigos publicados na imprensa periódica, relatório e falas dos presidentes de Província, fontes legislativas e regulamentos referentes a essas instituições de ensino. Conclui-se, que as estratégias de imposição utilizadas no intuito de consolidar os modelos educativos não foram totalmente absorvidas pelas educandas nessas instituições.

1046 A EDUCAÇÃO DE MENINAS ÓRFÃS E DESVALIDAS NO COLÉGIO NOSSA SENHORA DO AMPARO (18501870) MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO DE SOUSA AVELINO DE FRANÇA ; SAMARA AVELINO DE SOUZA 2 FRANÇA . 1.UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ E UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA, BELEM - PA - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA, BELÉM - PA - BRASIL. Este trabalho tem por objetivo analisar como eram educadas as meninas órfãs e desvalidas no Colégio Nossa Senhora do Amparo, no período de 1860 a 1870 em Belém-Pará. Trata-se de uma pesquisa documental e bibliográfica que se vale de regulamentos do Colégio, requerimentos de matrículas, jornais da época e da literatura pertinente a questão para compreender o processo formativo a que foram submetidas às educandas naquele estabelecimento de ensino. O primeiro regulamento interno do Recolhimento das Educandas, expedido pelo Presidente da Província do Pará João Antônio Miranda, em 30 de Março de 1840, expõe em detalhes as regras de conduta a serem seguidas pelas alunas no cotidiano escolar. As suas atividades iniciavam às cinco horas da manhã e encerravam as vinte e uma horas. Estabeleceu-se nesse documento que, além das meninas órfãs e desvalidas, o Colégio passaria a atender também meninas de famílias ricas da sociedade paraense, cujos pais, tutores e benfeitores, podiam pagar pelos seus ensinamentos. Ao completarem 17 anos de idade não podiam mais permanecer no Colégio. Para onde iam,então, às órfãs e desvalidas? Nesses casos, o administrador do Amparo as incentivava a casar. Caso não conseguisse o feito, procurava empregá-las em casa de famílias. As mestras do educandário deviam ser pessoas instruídas, de boa conduta moral e costumes. Eram suas obrigações: ensinar as alunas a cozinhar, costurar, bordar, fazer flores e enfeites. Os mestres de primeiras letras deveriam ser pessoas instruídas, de reconhecida moralidade e maiores de trinta e um anos. Cabia a eles ensinar as alunas a ler, escrever e contar até as frações, os princípios elementares de gramática da língua nacional, com explicações práticas, doutrina cristã e noções de moral. O ensino era composto de três graus. No primeiro, as alunas aprendiam doutrina cristã, deveres morais e religiosos, leitura, escrita, aritmética até frações, princípios elementares da gramática nacional. No segundo, exercícios de agulha de todo o gênero e outros misteres próprios do sexo feminino. Por fim, no terceiro grau, estudavam canto, piano, dança desenho e língua francesa. Enquanto os ensinamentos do primeiro e segundo graus eram obrigatórios para todas as alunas, os de terceiro, eram reservados às pensionistas, que podiam pagar pelas lições lá ofertadas, e às alunas órfãs e desvalidas que apresentassem talentos para as artes, reconhecidos por seus mestres. As alunas eram educadas com base na doutrina católica, cabendo a elas, no futuro, tornaram-se mães caridosas e amáveis a serviço do catolicismo.
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1358 A EDUCAÇÃO DO CORPO ANUNCIADA NO ADVENTO DA ESCOLA MISTA CONFESSIONAL EM RECIFE-PE MARIA HELENA CÂMARA LIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE - PE - BRASIL. Considerando o corpo não só como uma realidade em si mesmo, um mero possuir, e sim como o lugar e o tempo onde o mundo torna-se humano, o entendemos como expressão das singularidades de uma história social. O corpo, nesse aspecto, é visto como uma estrutura simbólica, a superfície de projeção de identidades marcadas por mudanças sociais, históricas e culturais. Portanto, estudar o corpo em uma perspectiva histórico social seria estudar as identidades travadas sobre ele e que o revelam como um véu de representações. Nesse ponto de vista evidenciamos o corpo a partir de enunciados como: técnicas corporais, gestualidades, normas de etiqueta, sentimentos e percepções em uma conjuntura educacional sublinhada pelo advento da escola mista e pelas tensões das novas relações de gênero requisitadas. Tendo em vista que a escola apresenta-se, ao longo dos anos, como um ambiente fecundo para propagação de valores, costumes e práticas discursivas, elegemos o contexto da educação formal para analisar as práticas corporais presentes nas relações de gênero travadas no advento das escolas mistas. As discussões em torno da escola mista brasileira estão presentes em documentos datados desde o final do século XIX. Há registros que mostram a abordagem desse assunto - embora não como o tema principal - nas Conferências Populares da Freguesia da Glória no Rio de Janeiro, 1883, e nas Atas e Pareceres do Congresso da Instrução do Rio de Janeiro, 1884. Os pareceres de Rui Barbosa, datados nos últimos anos do século XIX e início do século XX, também abordam questões sobre a escola mista (ALMEIDA, 2007). Destacamos como foco para este artigo, a posição da Igreja Católica sobre o fato de meninos e meninas estudarem no mesmo espaço, o que configuramos no seguinte problema: Como as escolas confessionais anunciaram as práticas corporais de meninas e meninos no advento das escolas mistas? O objetivo em pauta é identificar e analisar o discurso religioso escolarizado acerca dessa temática, presente no Jornal Católico A Tribuna, na década 1970, em circulação na cidade do Recife-PE. Tal período foi escolhido por percebermos, em pesquisas anteriores, que nessa década fica evidente a abertura de escolas mistas no universo confessional do Estado de Pernambuco. Nesse arcabouço buscamos evidenciar o que foi argumentado para a aceitação desse tipo de intervenção educacional, assim como, o que foi posto como resistência, no que confere a um dos principais jornais católicos da época. Reconhecemos que nesse contexto as representações sobre o ser homem e o ser mulher circuladas e estabelecidas em uma moral religiosa, receberam atenções diferenciadas que condicionaram uma história da educação do corpo.

448 A EDUCAÇÃO MILITAR BRASILEIRA E A FORMAÇÃO DOS OFICIAIS DO EXÉRCITO NOS RELATÓRIOS DOS MINISTROS DA GUERRA (1911 - 1925) MARCUS FERNANDES MARCUSSO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, SÃO CARLOS - SP - BRASIL. O objetivo deste trabalho é examinar a educação militar do Brasil e a formação dos oficiais do exército, entre 1911 e 1925, através da análise dos relatórios anuais dos ministros da guerra. A partir dos relatórios podemos traçar um panorama acerca da situação da educação militar brasileira e do tipo de formação recebida pelos aspirantes a oficial nas escolas militares. Nesse sentido, daremos ênfase às escolas de formação dos oficiais, especialmente a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, que no período figurou como a principal instituição de ensino militar do Brasil. O recorte cronológico escolhido na análise deste trabalho abrange de 1911 a 1925. A Escola Militar do Realengo é fundada em 1913, mas desde 1911 as reformas e orientações que indicavam sua fundação já estavam presentes nos relatórios ministeriais. Em 1918, o governo brasileiro acertou a contratação de uma missão militar francesa para a reformulação e modernização do Exército brasileiro. Inicialmente a missão concentrou seus esforços em uma reforma das instâncias de comando da instituição castrense. Somente a partir de 1924 a missão passou a direcionar seus esforços para a reforma da educação militar e das instituições de formação dos 161

oficiais do exército, especificamente para a Escola Militar do Realengo. Portanto, escolhemos como último relatório o que se refere ao ano de 1925 para ilustrarmos as mudanças propostas pela Missão Militar Francesa e corroboradas pelo ministério da guerra. Apesar dos relatórios figurarem como fontes oficiais, e, portanto, passíveis de ocultar/dissimular fatos, são importante reveladores das mudanças ocorridas na educação militar no período. As diferentes concepções de modernização do exército e os consequentes meios de alcançá-la aparecem claramente nos relatórios, o que reforça a ideia de que nesse interregno a educação militar brasileira foi um campo de disputas internas. A própria decisão de contratar uma missão militar estrangeira gerou inúmeras discussões dentro e fora da instituição castrense. Nessa altura recorremos a outras fontes que, ora contrapõem, ora corroboram as informações contidas nos relatórios oficiais. Nesse sentido, são de grande importância as memórias e relatos memorialísticos de alguns dos personagens envolvidos nesse projeto maior de modernização do Exército e da educação militar brasileira. Durante o período estudado a Escola Militar do Realengo serviu como o principal laboratório para as experiências de reforma e modernização da educação militar e formação do oficial do exército realizadas pelo ministério da guerra. Através da correlação entre os relatórios oficiais dos ministros da guerra, das memórias dos personagens e da bibliografia acerca do tema pretendemos realizar um balanço acerca dessas experiências e de como elas influenciaram a reforma geral do Exército e da educação militar coordenada pela Missão Militar Francesa a partir de 1924.

959 A ESCOLA DA SOCIEDADE UNIÃO OPERÁRIA: O MUTUALISMO NA EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO POPULAR EM SANTOS (1889-1930) BRUNA DOS SANTOS AZEVEDO. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS - UNISANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. A passagem do século XIX para o século XX no Brasil foi marcada pela forte preocupação com a Instrução Popular. No nascimento da República, diversos setores da sociedade discutiam a necessidade de educar a população para que essa pudesse corresponder aos ideais de uma nação civilizada. Nessa perspectiva, além da elite e do Estado, os setores populares foram também, responsáveis pela expansão do número de estabelecimentos de ensino no país, por intermédio de associações, conhecidas na época como, de socorro-mútuo. Naqueles tempos, a cidade de Santos assinalava grande contraste social, pois de um lado se encontravam os ricos comerciantes locais e os comissários ligados à exportação do café, e de outro, a grande massa de operários que trabalhavam no porto e no comércio. Foi nesse campo fértil que, a cultura associativa se forjou e fortaleceu na região santista, caracterizada pela criação de associações mutualistas. Dentre essas associações, cabe destacar as operárias, evidenciando que uma das suas metas era a abertura de escolas para os trabalhadores e seus filhos. Foi, porém, neste cenário cultural, social, econômico e político que surgiu a Sociedade União Operária de Santos. Essa foi fundada no ano de 1890, por operários e mestres de obras, sob a máxima “sem trabalho não há progresso”. A referida Associação pode ser caracterizada como uma agremiação de operários, com fins de instrução e beneficência (auxílio na doença, morte e no desemprego). Nos primeiros anos da sua criação, a Escola da Sociedade União Operária implantou as aulas noturnas, essas destinadas aos trabalhadores. Entretanto, a frequência dos alunos era irregular. Foi somente, no ano de 1900 que a escola passou a ter um fluxo regular de alunos que estudavam no período noturno. As aulas diurnas para o sexo masculino tiveram início no ano de 1906 enquanto as turmas femininas foram inauguradas em 1908. Esse é, portanto, parte do contexto onde se inscreve a presente pesquisa e que se encontra em andamento, com o propósito de reconstituir, descrever e analisar a trajetória pedagógica e política da Escola Sociedade União Operária nos seus primeiros anos de existência, em face da História da Educação regional e nacional nos anos de 1889 a 1930. A escolha do tema reside na intenção de conhecer os sujeitos que protagonizaram a discussão e implantação da Educação Popular em Santos por intermédio das associações mutualistas de trabalhadores, com vistas a desvelar as suas implicações, intenções e práticas educacionais. Por último, considerando a Escola da Sociedade União Operária como uma manifestação explícita da organização dos trabalhadores, a reconstituição da sua trajetória se faz relevante para compreender as associações mutualistas e a consolidação da educação popular 162

brasileira. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa se caracteriza como histórica, de natureza documental, exploratória, descritiva e analítica. 1317 A ESCOLA DE COMUNICAÇÃO DE SANTOS E O TRABALHO DE REVITALIZAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA NO BRASIL CLAUDIO SCHERER DA SILVA. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. O objetivo desta pesquisa é o estudo da origem da Escola de Comunicação de Santos, no período de 1954 a 1970. Tem-se presente a seguinte questão: o curso de Comunicação insere-se na perspectiva do movimento renovador da Igreja, encetado por D. Leme, arcebispo do R. de Janeiro (1921–1942). Quando se fala da Universidade no Brasil, é necessário deitar um olhar na presença da Igreja Católica. No início do séc. XX, a sociedade brasileira passou por momentos de questionamentos e profundas transformações. Um deles foi a questão religiosa. O liberalismo havia desenvolvido uma ótica de secularização anticlerical. A hierarquia da Igreja sentia o afastamento e o grande vazio religioso que imperava desde a separação do Estado e da Igreja em 1890. Era necessário fazer algo para retomar o lugar na vida dos brasileiros. Um dos grandes arquitetos deste desafio foi o Cardeal Leme, D. Sebastião Leme da Silveira Cintra (1882–1942). Tinha um projeto de restauração, para tirar os católicos do marasmo em que se encontravam. Dentro desta proposta, surge a Universidade Católica. Assim, os frutos seriam lideranças intelectuais católicas que cristificariam a nação brasileira. Separada do Estado, em décadas anteriores, a Igreja Católica se inscreve agora no contexto de reaproximação com o Estado no governo de Vargas. Numa época que tem presente a crise do liberalismo, com o advento dos totalitarismos e a ascendência do socialismo na Europa. D. Leme, no princípio, está ligado a uma posição mais conservadora, inclusive com o Estado Novo. Seus instrumentos são o Centro D. Vital (1922), com nomes importantes na intelectualidade brasileira como o jesuíta Pe. Leonel Franca (1893–1949); Jackson Figueiredo (1891–1928) e Alceu Amoroso Lima (1893–1983). A Revista Ordem (1921), fundada por esse grupo, é o porta-voz do pensamento eclesial. Assim serão organizadas no diversos meios a Juventude Universitária Católica, a JUC; a Juventude Estudantil Católica, JEC; a Juventude Operária Católica (JOC). Em Santos, o 3º bispo diocesano, D. Idílio José Soares, sensibilizado com interesses da comunidade, vai organizar, em 1951, com um grupo de profissionais liberais, a Sociedade Visconde de São Leopoldo que será a responsável de introduzir dois cursos universitários: onde se encontra o curso de Jornalismo. A imprensa católica foi considerada lugar central no movimento da Igreja. A Faculdade de Comunicação inaugurada em 1970, inicialmente funcionou como curso de Jornalismo “Jackson de Figueiredo”. O estudo ainda está sendo desenvolvido. A questão fundamental é: a Escola conseguiu desenvolver suas metas iniciais? Quais os sinais dessa postura inicial? Estão sendo utilizados os documentos da Escola (atas, relações de professores e de alunos) e principalmente a os jornais das imprensa local.São importantes também os documentos pontifícios e das Comissões da Igreja relacionados à Universidade Católica e a Imprensa.

1285 A ESCOLA DO FUTEBOL: PRÁTICAS EDUCATIVAS DA TOCA DA RAPOSA PAULO HENRIQUE GUILHERMINO BARRETO ; ANTONIO JORGE GONÇALVES SOARES . 1.UFES UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITORIA - ES - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITÓRIA - ES - BRASIL. Busca compreender o papel de uma instituição esportiva no campo da educação. Investiga a natureza da escola de ensino básico mantida pelo Cruzeiro Esporte Clube nas dependências de seu centro de treinamento para compreender as práticas educativas que ela proporciona, e como se constituem como local de formação. Busca ainda levantar quem são e o que pensam os idealizadores dessa prática singular de ensino. A noção de lugar e espaço, em Certeau (1994) será explorada, a revelar que a escola, local instituído para a formação, torna-se espaço educacional através da ação dos sujeitos que a 163
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compõem. O trabalho etnográfico de Wacquant (2002) servirá de referencial para a compreensão dos fenômenos de vivência e convivência desse grupo social composto por jovens aspirantes a uma concorrida carreira esportiva. Também as lições de Moscovici (2003) sobre representações sociais nortearão o estudo na análise dessa perspectiva coletiva, sem perder de vista a individualidade dos atores desse processo. Através de documentos, depoimentos, vestígios e imagens, serão levantados dados sobre a motivação para a criação, o planejamento e o funcionamento desse espaço de prática educativa. Utiliza documentos e depoimentos dos idealizadores dessa escola de clube. Trata-se de pesquisa em andamento que incluirá agendamento de visita à escola para observação direta de seu funcionamento, acesso a documentos internos, bem como entrevistas com seus representantes pedagógicos. Para um aspirante a profissional, o treinamento é uma atividade cotidiana e compulsória, enquanto a frequência escolar passa por preceitos sociais. Os clubes de futebol de grande porte recebem, e hospedam, jovens atletas advindos de todas as partes do país. Veem-se então na obrigação de oferecer escolarização a esses garotos, seja como forma de justificativa social, garantia às famílias dos atletas, ou mesmo como estratégia para captação de talentos. Desde 2001, a Escola Alternativa oferece acesso à escolarização aos atletas em fase de formação esportiva alojados no centro de treinamento da Toca da Raposa I, localizado em bairro nobre da cidade de Belo Horizonte. O oferecimento direto à escolarização proporcionado pela iniciativa (privada) da Escola Alternativa demonstra que a conciliação dos treinamentos com a educação é algo inerente ao trabalho de formação do Cruzeiro. O ambiente escolar constituiu-se historicamente como o local ordinário de desenvolvimento da educação, dita assim educação formal. Algumas instituições, em suas diversas manifestações, também exerceram papel educacional, como associações, sindicatos, e a própria família. Outras, como o exército, o presídio, o seminário, tinham na educação um complemento à sua atividade fim, se representado como instituições totais (FERREIRA NETO, 1999). Estaria o futebol caracterizandose como instituição total, na medida em que forma, alimenta, hospeda, e agora educa seus atores?

682 A ESCOLA MÉXICO: ESCOLA EXPERIMENTAL DO DISTRITO FEDERAL DOS ANOS DE 1930 ROBERTA DE BARROS DO REGO MACEDO. PUC RIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Este trabalho é fruto de uma pesquisa em andamento que vem analisando as práticas pedagógicas de escolas experimentais que funcionaram no Rio de Janeiro, na década de 1930. O texto em exposição apresenta especificamente a Escola México, 5˚ escola experimental subsidiada pelas políticas educacionais conduzidas por Anísio Teixeira, quando este esteve à frente da Instrução Pública no antigo Distrito Federal. Durante a sua gestão, Anísio propunha fundar em bases científicas a reconstrução educacional do Brasil e, para tanto, criou escolas que pudessem fermentar novas praticas e métodos de ensino. A trajetória da Escola México se mostra como expressão do projeto de renovação pedagógica do período, principalmente aquele presente no pensamento de Anísio Teixeira. Deste modo, o presente artigo apresenta, além do aspecto organizacional da escola, as inovações pedagógicas experimentadas durante os anos de funcionamento da instituição enquanto Escola Laboratório. Foram identificados dois fatores primordialmente testados: de um lado, a adoção do regime pedagógico-administrativo do Sistema Platoon e, do outro, o desenvolvimento de uma metodologia baseada no “Método do Projeto”. O experimento do primeiro fator baseava-se no aproveitamento do tempo e espaço das salas de aula, consideradas como “ponto de excursão” dos alunos. Já a adoção do “Método de Projeto” se justificava pelo seu potencial de coordenar as várias influências externas que os alunos recebiam do meio, assim como de valorizar e promover a integração dos seus interesses, das suas experiências concretas e problemáticas. O experimentalismo desta escola se propunha a desenvolver uma disposição pedagógica capaz de comportar ao mesmo tempo o “ensino globalizado”, por intermédio do “Método de Projeto”, e a “departamentalização” do conhecimento com base na organização pedagógico-administrativo do Sistema Platoon. Foi possível compreender, por intermédio da análise dos arquivos pessoal de Anísio Teixeira (CPDOC/FGV), da antiga diretora da Escola, Professora Juracy Silveira (ABE), e de publicações sobre a escola nos impressos do período (acervo da Biblioteca Nacional), o modo como o experimentalismo desta escola se desenvolveu. O objetivo desta comunicação é apresentar as 164

inovações pedagógicas aplicadas na instituição e, conseqüentemente, contribuir com os estudos que vem analisando o pensamento educacional de Anísio Teixeira e de tantos outros que colaboraram com o projeto de renovação educacional na década de 1930.

647 A ESCOLA NO PARQUE: PROCESSOS DE INSTITUCIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA CIDADE DE VITÓRIA (ES) NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX JOHELDER XAVIER TAVARES ; SANDRO NANDOLPHO DE OLIVEIRA . 1.UFES, SERRA - ES - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITÓRIA - ES - BRASIL. No eixo temático, buscamos apresentar dados da pesquisa de doutorado, cujas análises históricas nos forneceram indícios de processo de institucionalização da Educação Infantil na cidade de Vitória (ES) na segunda metade do século XX. Na pesquisa tomamos como marco espaço-temporal a criação da instituição destinada à educação infantil conhecida no centro da capital capixaba como Parque Infantil Ernestina Pessoa, instituição que funcionou de 1952 a 2007. O estudo em questão traz como princípio metodológico análises de cunho histórico pautadas em documentos, bibliografia e narrativas de professoras e alunos. Para o desenvolvimento do trabalho adotamos o olhar da história em Walter Benjamin que propõe o entrecruzamento do novo e do velho. Com base na análise de documentos do início do século XX, relacionados à instrução pública na Província do Espírito Santo, observamos reinvindicações por atendimentos educacionais em instituições para as crianças de pouca idade. Esses documentos sinalizavam pistas de tímidas iniciativas no campo da Educação Infantil no estado do Espírito Santo. No presente, observamos que nas últimas décadas o Sistema Municipal de Ensino de Vitória (ES) incrementou significativamente o atendimento para as crianças na educação infantil se destacando tanto no Espírito Santo quanto no Brasil. A partir de nossas análises, optamos por entender os diferentes sujeitos e os espaços do Parque Infantil Ernestina Pessoa, durante seus 55 anos de existência no Parque Moscoso, como sujeitos e espaços produtores e consumidores de conhecimento, tornando-se local privilegiado onde puderam permanecer crianças capixabas de um momento histórico com suas mais variadas influências. Nessa perspectiva nossas análises indicam que a instituição e seus sujeitos foram pioneiros nas ações direcionadas a educação infantil, tornando-se referência para outras instituições e profissionais da educação infantil. Entre as ações desenvolvidas na instituição destacamos a valorização da arte, do folclore e do conhecimento espontâneo das crianças construído através dos jogos e das trocas entre os sujeitos. No estudo o nosso olhar para as crianças buscou compreender os processos, os desdobramentos dos trabalhos que institucionalizavam as práticas de Educação Infantil na cidade de Vitória (ES). Assim compreendemos as crianças como portadoras da cultura de seu tempo, sendo o Parque Infantil Ernestina Pessoa local privilegiado no que diz respeito à valorização das práticas infantis, entre elas o direito de brincar e aprender brincando.
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1188 A ESCOLA NORMAL NO PARANÁ NA REFORMA DE PRIETO MARTINEZ (1920): A BASE SÓLIDA DA REFORMA RACIONAL DO ENSINO MARLETE DOS ANJOS SCHAFFRATH. FACULDADE DE ARTES DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. A Escola Normal no Paraná inicia suas atividades no ano de 1870. Durante todo o Período Imperial sofreu modestas reformas a fim de se ajustar a crescente demanda de professores formados para o magistério público primário. Nos primeiros anos da República o ensino paranaense passa a receber a influência da reforma do ensino paulista ainda que, no cenário educacional paranaense o que se via era a tomada de medidas isoladas de modificação da organização do ensino sem, contudo configurar em uma reforma geral, planejada e gerenciada para estabelecer novos padrões para o ensino público no estado. Cesar Prieto Martinez, professor paulista, foi convidado pelo governo paranaense a assumir em 1920 a Inspetoria Geral do Ensino a fim de proceder a reforma do ensino público no estado. A reforma 165

da Escola Normal, os grupos escolares, o sistema de seriação, a homogeneidade das classes, os prédios escolares e a ênfase na alfabetização se constituíram nas principais propostas da reforma tendo como modelo o ensino paulista, reformado por Caetano de Campos (1890). A escola paulista reformada estava fundamentada nos preceitos da Ciência da Educação que instaurava o ensino como operação científica, validada pelos laboratórios de experimentação das Escolas Anexas as Escolas Normais. Representava a modernidade pedagógica encarnada nos ideais da Escola Nova e Escola Americana; o progresso da sociedade e, sobretudo, apontava a educação como caminho para a hegemonia política e econômica conquistada por São Paulo. No Paraná, a reforma do ensino e as modificações na Escola Normal executadas por Cesar Prieto Martinez a partir de 1920 são, sem dúvida inspiradas no modelo paulista, contudo, há conforme indicam as fontes para esta pesquisa, as particularidades da sociedade paranaense e sobremaneira a visão particular do reformador. No final do primeiro ano de seus trabalhos no Paraná, Prieto Martinez produziu um relatório ao então Secretário Geral de Estado, Marins Alves de Camargo, onde expõe os primeiros resultados da sua reforma assim como a perspectiva filosófica que subsidia sua proposta de educação. Neste trabalho destaca-se a análise da reforma da Escola Normal consubstanciada pelos fundamentos teóricos que moveu o reformador e o contexto paranaense. O estudo será realizado tomando-se como base o conteúdo do Relatório da Instrução Pública de 1920. Entretanto a análise do documento será realizada em perspectiva histórica, mediatizada por outros documentos oficiais da Instrução Pública, por estudos e literatura produzidos sobre o período na busca compreender a reforma da Escola Normal no Paraná (1920) em suas dimensões contextuais.

1009 A ESCOLA NOVA E A FORMAÇÃO DE MUSEUS ESCOLARES NO BRASIL SÔNIA MARIA FONSECA. HISTEDBR/UNICAMP, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Esta comunicação é resultado parcial de uma pesquisa sobre Tratamento de Acervos Escolares, iniciada em 2005, que visa sistematizar um conjunto de procedimentos técnicos de organização e conservação que poderão ser aplicados aos acervos escolares de natureza arquivística e museológica. Ao investigarmos a origem dos museus em instituições escolares constatamos que a adoção do método intuitivo, e, posteriormente, a pedagogia da Escola Nova foram os marcos históricos para a prática museológica adotada, sobretudo, em grupos escolares e escolas normais. A inovação pedagógica ocorrida na segunda metade do século XIX contou com a introdução do Método Intuitivo ou Lição de Coisas, uma ruptura com práticas de memorização e repetição, expressas em métodos de ensino anteriores como o dos jesuítas, em vigor nos três primeiros séculos de nossa História. Com as novidades pedagógicas postas pelo novo método, que se pretendia tanto método do conhecimento como método de ensino, as instituições escolares tiveram que ser melhor equipadas para atender às exigências dos postulados didáticos em vigor. Nos anos 20 do século XX, as reformas que foram implementadas pelos pioneiros da Escola Nova, em vários estados, tais como Fernando Azevedo (DF), Francisco Campos (MG), Lourenço Filho (Ceará), já traziam uma legislação escolar atinente a práticas pedagógicas que favoreceram o surgimento de materiais didáticos e coleções didáticas, que serão o embrião da formação de museus, particularmente os de História Natural. No “ Inquérito para o ‘ Estado de S. Paulo’”, que Fernando de Azevedo elabora, em 1926, uma das 16 questões sobre o ensino primário e normal traz a indagação sobre se os cursos nas escolas normais estão desamparados de material didático como museus e herbários, laboratórios e bibliotecas. Duas obras pioneiras impressas nos anos 30 sobre o tema museus escolares circularam nos ambientes pedagógicos. São elas a “Técnica da Pedagogia Moderna” (1934), de Everardo Backheuser e “ Organização de Museus Escolares” ( [1937]), da professora Leontina Silva Busch, esta última um registro do curso de prática de ensino, que voltava-se também à organização do museu didático, ministrado em 1936 na Escola Normal “Padre Anchieta” de São Paulo. Há indícios que estas obras tiveram divulgação ampla. No comunicado intitulado “Os museus escolares” da professora substituta Helmy Wendt Pavão do Grupo Escolar “Almirante Barroso” de Canoinhas, em Santa Catarina, datado de 20 de agosto de 1941, há referência à obra de Backheuser no tocante ao museu da Escola Nova. Embora a bibliografia sobre o tema seja modesta, contrasta com a legislação escolar, que através de regulamentos do ensino primário, ensino normal (Bahia, Minas Gerais 166

e Rio de Janeiro), código da educação e decretos (DF e São Paulo), dispôs sobre a criação de museus escolares como “precioso órgão facilitador do ensino intuitivo”.

1151 A ESCOLA PRIMÁRIA NEUTRALIDADE E AS ESTRATÉGIAS DE LEGITIMAÇÂO DE UM CAMPO POLÍTICOPEDAGÓGICO NO FINAL DO IMPÉRIO CLAUDIA PANIZZOLO PANIZZOLO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS, ALFENAS - MG - BRASIL. A ênfase na iniciativa de particulares, no que se refere à causa da instrução popular, considerada caminho para o progresso, era uma constante nas últimas décadas do século XIX. O ensino paulista, durante a transição do Império para a República, abrigou um modelo de Instituição claramente diferenciada e geradora de inovações, que foi resultado do trabalho de um grupo de homens que se formou na Academia de Direito, que se manteve ligado ao longo da vida por laços de amizade, coleguismo e defesa de um ideário comum, quer seja na imprensa, quer seja nas iniciativas educacionais. Este trabalho, trata-se de uma pesquisa já concluída e tem por objetivo recuperar o alcance e os limites desse movimento construído por uma elite progressista que intencionou produzir, através da propagação da instrução e das inovações do ensino, a modernização de São Paulo. Dessa forma pretende-se analisar os motivos da criação, a breve trajetória e as prováveis causas do encerramento da Escola Primária Neutralidade, importante instituição educacional criada em 1885 por João Köpke, pelo co-diretor Antônio da Silva Jardim e pelo professor Artur Gomes – homens unidos pela adesão ao partido republicano e aos princípios positivistas. A Escola apresentava-se “ostensivamente positivista na sua fundamentação, na sua programação e objetivos, e no regime de trabalho” (Hilsdorf, 1986, p.232). Baseada em Comte, a Escola Neutralidade propunha um ensino que as elites progressistas entendiam como necessário para a formação do espírito e do caráter do homem moderno, pautado na elevação física, mental e moral da criança, que desenvolvesse os bons sentimentos da infância, através de processos estéticos e intelectuais, pelos bons exemplos do professor e pela disciplina suavizada. Dentre seus fundadores destaca-se o papel desempenhado por João Köpke, ao longo das décadas de 70 e 80, uma atuação intensa, profunda e, sobretudo, coerente, abrangendo experiências com o ensino elementar e o secundário, com a produção de métodos para ensinar a ler e a escrever, bem como com a produção de leituras voltadas a instruir e moralizar. Como membro da vanguarda liberal e republicana, João Köpke envolveu-se ativamente com as escolas que almejavam a emancipação cultural da mulher, a educação científica das elites e o ensino leigo e anticlerical. Embora a escola não apresentasse problemas financeiros e tivesse estabilizada quanto às matrículas, João Köpke permaneceu à frente da direção até meados de 1886, passando a direção para Geraldino Campista e Moura Lacerda, e mudou-se definitivamente para a cidade do Rio de Janeiro.

956 A ESCOLA RURAL EM MATO GROSSO (1889-1920) MARINEIDE DE OLIVEIRA DA SILVA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO - UFMT, CUIABA - MT - BRASIL. Durante a primeira República, a educação era considerada como uma ferramenta importante para alavancar o desenvolvimento do Brasil e tinha como objetivo principal, diminuir o analfabetismo e fornecer uma formação capaz de despertar o sentimento de nação no povo brasileiro. Esses objetivos deveriam estar presentes em todas as escolas do país, tanto nos currículos das escolas urbanas, quanto das escolas rurais. Não se levava em consideração a diversidade de contextos em que essas escolas se inseriam. Somente a partir de 1920, ganha força no Brasil, com os pioneiros do ruralismo pedagógico, a discussão sobre as especificidades da escola rural brasileira. Deste modo, o presente trabalho, ainda em andamento, pretende-se desenhar um quadro da realidade educacional das escolas rurais em Mato Grosso, identificando o posicionamento do poder público, dos meios de comunicações, da sociedade e 167

dos docentes frente à realidade educacional das escolas rurais mato-grossenses, no período de 18891920. Utilizou-se para execução deste trabalho, o método histórico, em que se analisarão fontes documentais, disponíveis no Arquivo Público de Mato Grosso, tais como: Relatórios de Presidentes de Províncias, de Diretores e Inspetores da Instrução Pública, Mensagens, Legislações e Jornais à época, além de fontes bibliográficas que retratam o cenário em que a temática se insere. O recorte temporal foi escolhido por abranger um período de grandes transformações sociais e educacionais no Brasil, principalmente a partir de 1920, quando emergiram no país a luta por uma educação rural diferenciada e que pudesse proporcionar conhecimentos e habilidades, capazes de tornar o sujeito apto a trabalharem na terra e tirar dela sua subsistência. Os dados mostram que as escolas rurais em Mato Grosso, possuíam a denominação, no período em estudo, de escolas isoladas. As escolas isoladas se localizavam a mais de 3 km das cidades e tinham o objetivo de ministrar a instrução primária para crianças de 07 a 12 anos de idade. A análise documental indicou ainda que a realidade das escolas rurais mato-grossenses foi marcada por abandono, falta de alunos, descaso das autoridades locais, escassez de estabelecimento de ensino, de materiais pedagógicos e de professores diplomados, contrastante com a realidade da educação ministrada nas cidades. Acredita-se que o mapeamento documental sobre a realidade das escolas rural em Mato Grosso possa trazer elementos para se compreender a conjunturas sociais e as correntes de pensamento que permeavam a educação no período de 1889 a 1920.

1082 A ESCOLANORMALOFICIAL DO PIAUI E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A SACRALIZAÇÃO DA MEMORIA CIVICA SALÂNIA MARIA BARBOSA MELO. UEMA, TERESINA - PI - BRASIL. O presente trabalho tem como objetivo primeiro apresentar a Escola Normal Oficial do Piauí, enquanto instituição de ensino, inserida em um contexto histórico de construção da memória cívica, que buscava atender as exigências ora impostas através de um calendário específico de criação de datas e “inventando tradições”. Atentando para o fato de que todo este processo faz parte da expansão do ensino primário, como ação das práticas pedagógicas das normalistas. A conceituação de Cultura Escolar de Antonio Viñao Frago (1995) que a entende como sendo todos os aspectos do cotidiano escolar, desde sua materialidade física, seus fazeres, saberes e modos de pensar, portanto com habilidades para arquitetar hábitos e comportamentos coletivos, possibilitou este olhar interpretativo na tentativa de empreender um estudo desta Escola e suas contribuições, para a história da memória cívica piauiense na chamada Era Vargas, de 1930 a 1945, momento histórico em que a educação passa a ser vista como instrumento de formação e constituição da nacionalidade, o recurso mais lógico é atrelar esse pensamento ao cotidiano escolar, utilizando-se para tanto das festas cívicas e das disciplinas que facilitassem a construção do patriotismo como Educação Moral e Cívica, Educação Física, História e Canto Orfeônico. Para analisarmos a cultura escolar piauiense que pode ter seu início, a partir da implantação dos grupos escolares como espaço de ação de professores (as) formados (as) na Escola Normal é necessário, primeiramente compreender que, o que acontece no interior deste ambiente cultural, que se funda dentro dessa temporalidade por nós buscada, de 1930-1945, na tentativa de homogeneização de atitudes e padronização de práticas. Adotando como guia analítico o lugar ocupado e as dinâmicas entre a História da Educação e a História Cultural, como essa rede de significados sociais que possibilitam vislumbrar sentido neste universo imaginário que é a escola, com todas as suas representações, através das comemorações cívicas. Este caminhar faz-se metodologicamente pela História Oral, desta pesquisa ora em andamento, recorrendo-se às lembranças de ex-alunas e exprofessoras que vivenciaram este momento e ainda, as diversas fontes escritas como os periódicos locais, O Piauhy, Diário Oficial, o Almanaque da Parnaíba e as Mensagens Governamentais.

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1199 A FOTOGRAFIA COMO FONTE NA HISTÓRIA DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR MARILDA CABREIRA LEÃO LUIZ; REINALDO DOS SANTOS. UFGD, DOURADOS - MS - BRASIL. O estudo ora apresentado utiliza-se da fotografia como fonte para recuperação histórica de uma instituição escolar pública na cidade de Dourados – MS, no período de 1968 a 2010. Devido à problemática da ausência de uma cultura de sistematização, organização e tratamento do documento fotográfico nos arquivos escolares para preservação da história da escola, o mesmo tem como objetivo sistematizar a imagens fotográficas das ações da Escola Estadual Rotary Dr. Nelson de Araújo de Dourados – MS em arquivo escolar, para recuperação da sua história e memória. A investigação está sendo realizada com o auxilio da tecnologia para a captura e escaneamento das fotografias das atividades realizadas pela escola. O interesse por essa temática é um desafio que se coloca, uma vez que há poucos estudos preocupados com a história e memória através das imagens. As imagens parecem mudas, mas tem muito a nos dizer, como pontua Burke (2004)sobre fotografias, as quaismostram aspectos do passado que outras fontes não conseguem revelar, principalmente nos casos em que os documentos textuais são raros e poucos. Imagens fotográficas são registros através dos quais os historiadores podem estabelecer diálogos, indagar e realizar estudos. Além da dedicação à luz das teorias que a literatura propicia sobre o tema, a pesquisa conta com o apoio do documento CONARQ (Conselho Nacional de Arquivos), o qual determina as recomendações para digitalização de documentos arquivisticos permanentes. O andamento da pesquisa até o momento, se constitui nas leituras bibliográficas, levantamentos e coleta de dados da escola campo da pesquisa, captação, catalogação, atribuição de ementa, seleção, tratamento e digitalização das imagens fotográficas, as quais serão submetidas à análise, para sistematização do relatório final da pesquisa. A apresentação dos dados coletados através de uma amostragem das imagens fotográficas é de fundamental importância pelo valor informacional fixado em seu conteúdo, onde seu valor de evidência varia segundo as circunstâncias diferenciadas de criação do documento. O estudo proposto é desafiador, mas relevante e fundamental na recuperação da história da instituição escolar e, como intervenção fomentar na escola pesquisada uma cultura de organização nos arquivos escolares do documento fotografia, que se destaca como uma nova fonte de pesquisa a partir do século XIX. Para sistematização do relatório final da pesquisa proposta, será de grande valia para o momento, o olhar de outros pesquisadores da Historia da Educação.

518 A FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS: UMA INSTITUIÇÃO AMBIVALENTE? VÂNIA CLAUDIA FERNANDES. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O objetivo deste estudo é reconstruir o processo de criação da Fundação Getulio Vargas, uma das mais importantes instituições educacionais do país. Criada em 1944, por decreto-lei baixado pelo então presidente da República Getúlio Vargas, a FGV é uma instituição privada que surgiu para desenvolver atividades diversas, inclusive atividades próprias de Estado, como subsidiária do Poder Público. Reconhecida nacional e internacionalmente pelos inúmeros projetos pioneiros desenvolvidos em diversas áreas pelo ensino, pelo cálculo de indicadores econômicos, pela pesquisa, pela consultoria e pelas publicações. No campo do ensino marcou sua atuação nos níveis fundamental, médio e superior. Inicialmente desenvolveu suas atividades no Rio de Janeiro, expandindo-se posteriormente para São Paulo e, mediante convênios, passou a atuar em outras capitais e no interior do país. A instituição passou a oferecer cursos de graduação em Economia, Administração, Direito e Ciências Sociais, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, são oferecidos os mesmos cursos, com exceção de Ciências Sociais. Na pósgraduação, no Rio de Janeiro, a FGV oferece Mestrado e Doutorado em Administração, Economia, História, Política e Bens Culturais. Em São Paulo, há cursos de Mestrado e Doutorado em Administração e Economia; e, somente Mestrado, em Direito. A análise foi realizada pela ótica da tensão entre o 169

público e o privado, procurando explicitar a estreita relação entre a FGV e o Estado, conceituada, neste estudo, como “anéis burocráticos”. A compreensão deste objeto e sua relação com o poder tiveram suporte nos estudos da Sociologia das Organizações, em autores como Max Weber, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Carlos Bresser Pereira, Sonia Fleury, Eli Diniz e Beatriz Wahrlich. Além disso, foram examinados documentos legais, registros institucionais e relatórios financeiros relativos à instituição. Os estudos sobre a Fundação Getulio Vargas, realizados por ela ou por terceiros não abordam a instituição pela ótica da tensão entre o público e o privado. Contrariamente a essa prática, este estudo tem a intenção de trazer contribuições para a compreensão da instituição em foco, por um prisma diferente do usualmente empregado. O estudo permitiu concluir que a construção da marca FGV resultou, principalmente, do forte investimento público, da proteção da concorrência em função de realizar serviços para a área governamental e pelos fortes “anéis burocráticos” mantidos durante décadas com o Estado e não apenas pela capacidade empreendedora de seus gestores. Palavras-chave: História das Instituições Educacionais; público e privado; FGV.

625 A GÊNESE DOS CURSOS DE FILOSOFIA E PEDAGOGIA DA FACULDADE CATÓLICA DE FILOSOFIA DE RIO GRANDE E A PARTICIPAÇÃO FEMININA NA DÉCADA DE 1960 JOSIANE ALVES DA SILVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS, RIO GRANDE - RS - BRASIL. Este artigo destaca uma breve história institucional da Faculdade Católica de Filosofia de Rio Grande, criada em 1960 pela Mitra Diocesana de Pelotas e integrada à Universidade do Rio Grande em 1969, hoje Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Visa apresentar a importância da Faculdade de Filosofia e dos primeiros cursos de Filosofia e Pedagogia na formação de docentes do sexo feminino. Esse objetivo surge do estranhamento propiciado pelos documentos, até então pesquisados, que demonstram a baixa procura feminina nos cursos superiores da cidade até a criação da Faculdade de Filosofia. A partir de então, investiga a possibilidade dos novos cursos dessa instituição terem propiciado o aumento da procura feminina pelo ensino superior. Sendo assim, em Rio Grande, a presença das mulheres no ensino superior teria começado a se acentuar na década de 1960, resultado da própria inserção tardia de uma faculdade voltada para formação de docentes na cidade. Tal enfoque instiga a pesquisa, ainda em fase inicial, que se pretende expandir para qualificação do Mestrado em Educação. Para tanto, busca novos vestígios em diferentes documentos, tanto impressos quanto orais, estes ainda por serem explorados. Os documentos até então manuseados foram encontrados no NUME (Núcleo de Memória Engenheiro Francisco Martins Bastos), localizado no campus cidade da FURG, tais como: decretos, pareceres, relatórios e fotos. Em um segundo momento pesquisou-se no Diário Rio Grande, de 1960 e 1961, único jornal do período em estudo, encontrado no acervo da Biblioteca Rio-Grandense. Por fim, a pesquisa estendeu-se pelo Arquivo Geral da FURG, onde foi encontrado um caderno de atas da Faculdade de Filosofia, do período de 1961 a 1970. A utilização da História Oral e de temáticas que a envolvem, como memórias e representações, apresentam-se como novos desafios a serem explorados. Sabe-se que a diversificação das fontes é fundamental em História da Educação, porém alguns cuidados são indispensáveis no seu tratamento. Para tanto, na análise das diferentes fontes busca-se embasamento teórico-metodológico em Carla B. Pinsky, Dario Ragazzini, Justino P. Magalhães, Sandra J. Pesavento, Verena Alberti, entre outros. Enfim, até o momento a pesquisa constata a marcante presença de mulheres qualificadas na Faculdade de Filosofia, como um diferencial em relação às demais Faculdades criadas na cidade. Assim, pretende manter viva a memória dessa instituição que pode ter representado a gênese da formação, em nível superior, de mulheres-docentes na cidade do Rio Grande.

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1393 A GÊNESE E A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO MÉDICA NA CIDADE DE UBERLÂNDIA, MINAS GERAIS ALUÍSIO JOSÉ ALVES ; GERALDO INACIO FILHO . 1.FACED/UFU, UBERLANDIA - MG - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, UBERLÂNDIA MG - CANADÁ. Esta comunicação tem por objetivo apresentar um projeto de pesquisa em andamento cujo título provisório é A HISTÓRIA DO CURRÍCULO E DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA ESCOLA DE MEDICINA E CIRURGIA DE UBERLÂNDIA NO PERÍODO 1968-1973, bem como seus resultados parciais. A história da medicina e a história da educação médica A riqueza e a densidade da história da medicina tem sido sobejamente demonstradas em publicações e eventos, notadamente os que são promovidos pela Sociedade Brasileira de História da Medicina e pelo Instituto Mineiro de História da Medicina. Por isso, a criação de espaços para a discussão de processos e movimentos que habitam essa categoria da história, como é o caso da educação, da formação de médicos, pode ser muito promissora. Algumas publicações da ABEM, Associação Brasileira da Educação Médica, e discussões nos congressos de educação médica, permitem inferir que o tema currículo, embora abordado com freqüência, mantem distanciamento da pesquisa historiográfica desse artefato pedagógico. Por se tratar de um ramo profissional com forte influência e poder de intervenção na vida tanto no aspecto particular quanto no coletivo, espera-se que novas análises permitam elucidar quais tem sido os caminhos percorridos pelas instituições formadoras de médicos recebam novos impulsos por parte de pesquisadores que se dedicam à história da educação. Qual a justificativa para se abordar a história da educação médica? Não escapa ao olhar interessado de quem pesquisa o tema, em sua totalidade, que os historiadores e memorialistas da medicina ou da educação, em sentido geral, tem deixado intocadas as oportunidades de se construir instrumentos e categorias epistemológicas que permitam abordar a história da educação médica. A pesquisa, objeto desta comunicação, visa a construção de algumas propostas para essa lacuna historiográfica e historiológica. Considerações finais O que está em andamento é a escrita da história da Escola de Medicina e Cirurgia de Uberlândia, identificando a organização do seu currículo escolar e as eventuais reformas que promoveu nesse artefato no período em que foi formada a primeira geração de médicos pela instituição, de 1968 até 1973. Buscar-se-á também identificar e descrever os motivos históricos e políticos que levaram à criação da atual Faculdade de Medicina de Uberlândia. Foram encontradas peças documentais que permitam realizar a historiografia da Escola nos seus primeiros seis anos de funcionamento. O primeiro resultado é a conclusão do inventário de fontes primárias, cuja soma ultrapassa 2.000 páginas de documentos. As referências para esta fase da pesquisa são: currículo e grades curriculares vigentes de 1968 a 1973, Atas de reuniões, Planos de aulas, Curriculi de professores atuantes no período pesquisado, Relatórios diversos, Livros de protocolos, Registros na imprensa, Cadernos escolares, Publicações internas, dentre outros.
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516 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO MEIO RURAL NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA-MG (1950 A 1979) SANDRA CRISTINA FAGUNDES DE LIMA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, UBERLANDIA - MG - BRASIL. A nossa pesquisa tem como tema a história do ensino rural desenvolvido no município de UberlândiaMG durante os anos 1950 a 1979. Embora tenha exercido papel fundamental na alfabetização das crianças até o final da década de 1960, esse ensino ficou relegado a um segundo plano tanto por meio dos investimentos do poder público que, insuficientes para equipar e dotar as instituições rurais de ensino das condições favoráveis ao atendimento da população rural, não garantiam o seu pleno funcionamento, quanto pela relativa ausência de estudos e pesquisas acadêmicas sobre a história da educação rural. No entanto, até princípio dos anos 1960 era no meio rural que mais de 60% dos brasileiros se alfabetizavam, posto que trabalhavam e residiam no campo. A opção pelo recorte cronológico incidiu sobre a necessidade de apreender a história do ensino rural em Uberlândia em sua trajetória de consolidação até a sua transformação no final dos anos 1970, com o processo de 171

nucleação, responsável pela extinção de algumas escolas e pela ampliação de outras com a incorporação de alunos e professores dos estabelecimentos extintos. Como “ensino rural” compreendemos nesta pesquisa, além das iniciativas de ensino formalmente ministradas nas instituições escolares instaladas na zona rural, as atividades informais por meio das quais os campesinos adquiriam os rudimentos das “primeiras letras”. Como se efetivava esse processo? Quem eram os professores? Quais os materiais didáticos empregados? O que se ensinava? São respostas a estas perguntas que buscamos com essa investigação. O Objetivo geral de nossa pesquisa consistiu em apreender a história do ensino rural desenvolvido no município de Uberlândia-MG. Decorrem daí os seguintes objetivos específicos: pesquisar as práticas desenvolvidas nos estabelecimentos rurais de ensino; apreender os processos de ensino não escolar implementados no meio rural e por meio dos quais os sujeitos entravam em contato com as primeiras letras; analisar as representações construídas do ensino rural por aqueles que freqüentaram escolas rurais e/ou se alfabetizaram informalmente fora dos estabelecimentos de ensino. Empregamos como fontes de pesquisa: jornais e revistas; atas do legislativo, atas de reuniões escolares; livros de matrículas; cadernos de alunos; fotografias; entrevistas com ex-alunos, ex-professores, ex-diretores de escolas, fazendeiros e lavradores. Ao elegermos a história do ensino rural no município de Uberlândia como foco dessa investigação, acreditamos ser possível ampliar os conhecimentos acerca da história da educação em Minas Gerais e com isso contribuir para a compreensão de alguns dos atuais problemas que perpassam a educação no Estado e assim indicar possíveis caminhos para solucioná-los

684 A HISTÓRIA DA UFRRJ E AS MARCAS DEIXADAS NA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE SEROPÉDICA MARIA ANGÉLICA COUTINHO. UFRRJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. A HISTÓRIA DA UFRRJ E AS MARCAS DEIXADAS NA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE SEROPÉDICA Maria Angélica da Gama Cabral Coutinho / UFRRJ angelica@ufrrj.br m_angelicacoutinho@yahoo.com.br Palavraschave: história da UFRRJ – escola pública - Seropédica Eixo temático 2: História das Instituições e Práticas Educativas O trabalho ora em questão refere-se a uma pesquisa em andamento que busca investigar a História da escola pública no município de Seropédica e sua relação com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A região de Seropédica desenvolveu-se a partir da instituição da Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária – a ESAVM – em 1910, e atualmente tem sua identidade definitivamente marcada por esse projeto educacional. A instituição educacional nasceu para atender uma clara vocação rural, e em cumprimento às demandas e exigências de conhecimento na área técnica. Mas com o passar do tempo, inexorável e contundente, a universidade dobrou-se à realidade do crescimento populacional e urbano, admitindo paulatinamente a implementação de cursos de licenciaturas em seu Campus original. “Universidade” deve ser entendida como a instituição que busca um conhecimento universal, científico e humanista, que desconhece fronteiras sociais e políticas. Ela reflete uma dada condição real, pois é fruto da construção histórica de um povo. O trabalho busca compreender como a criação dos novos cursos da instituição de ensino superior, sobretudo das novas licenciaturas, refletiu-se sobre as escolas do município universitário. A investigação vai procurar perceber o processo de crescimento da rede escolar, traçando um paralelo com a expansão da universidade e de suas unidades, em especial a multiplicação dos cursos de licenciaturas e se tal realidade refletiu-se na formação dos professores da região municipal. O trabalho deseja contribuir para a construção da História das Instituições Escolares de Seropédica permitindo que se compreenda a educação pública que se apresenta no município, de que maneira a universidade colaborou para o desenvolvimento da educação básica de uma região marcada por sua existência. A pesquisa através do exame da trajetória histórica da UFRRJ, especialmente dos cursos de licenciatura, quer analisar as escolas municipais, quem são seus professores, em que nível de formação esses docentes se encontram, e como essa escola se insere nessa região, e se articula a essa sociedade, especialmente com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A investigação apoiar-se-á em pesquisa dos arquivos municipais, tanto nos da cidade de Seropédica quanto no do município de Itaguaí, do qual se emancipou em 1997. A História Oral também será utilizada a fim de compreender a situação da educação pública 172

municipal e de seu processo de desenvolvimento, através dos relatos de professores e gestores, além dos depoimentos de moradores da região.

810 A HISTÓRIA DAS CRIANÇAS MARGINALIZADAS NA AMAZÔNIA: A EXPERIÊNCIA DO INSTITUTO PARAENSE DE EDUCANDOS ARTÍFICES (1870-1899) ANDRESON CARLOS ELIAS BARBOSA. UFPA, BELÉM - PA - BRASIL. A pesquisa que ora apresentamos, em processo franco de investigação, tem como objeto de estudo o Instituto Paraense de Educandos Artífices, legalmente criado em 1870, inaugurado dois anos depois, localizado em Belém, capital da Província do Pará, destinado ao atendimento de crianças e jovens desfavorecidos. Objetivamos compreender, a partir de registros de jornais que circulavam na cidade de Belém, a percepção que a população local tinha das crianças consideradas desvalidas e/ou menos favorecidas, assim como das políticas estabelecidas pelo governo da Província paraense no período imperial para atendê-las, de modo a compreender a relação da condição dessas crianças, e as representações que sobre elas circulavam, com a construção da nação brasileira. As questões que norteiam o processo de investigação são: 1) Quem eram as crianças que a legislação do Brasil imperial chamava de desvalidas, de menos favorecidas? 2) Qual a relação desses crianças com o Estado e deste para com essas crianças? 3) Que políticas públicas foram pensadas no sentido de garantir o atendimento a essas crianças? 4) Qual a importância do Instituto Paraense de Educandos Artífices no contexto apresentado? e 5) Como a sociedade da capital da província do Pará percebia essas crianças? As fontes utilizadas são os relatórios de província do período de 1870 a 1889, final do Segundo Império, e os documentos relacionados ao Instituto Paraense de Educandos Artífices, disponíveis no Arquivo Público do Pará. Fontes secundárias, sistematizadas e exploradas em um trabalho de construção do Estado da Arte sobre o tema, também servem de ferramentas para a compreensão mais apurada do objeto. O Instituto Paraense de Educandos Artífices era uma instituição “enquadrada” na mentalidade do final do século XIX, ao transformar a assistência social caritativa (ligada principalmente aos ideais religiosos) em filantrópica, com caráter mais cientifico. Ele se punha, para os homens de letras e governantes, como uma instituição capaz de promover práticas civilizadoras na população paraense, antropologicamente “marcada” pela mestiçagem. Sob a regência do ideal civilizador, as atividades pedagógicas do Instituto eram extremamente moralistas e disciplinadoras. Tais práticas não ocorriam sem a participação da sociedade de um modo geral. Nos jornais da cidade cidadão comuns se manifestavam a respeito das regras que regiam o funcionamento daquela instituição, tanto quanto do seu sentido na formação da população já pensada com base nos ideias da modernidade e da constituição da nação.

1384 A HISTÓRIA DAS INSTITUIÇOES ESCOLARES: UMA ANÁLISE NO MUNICÍPIO DE IRATI-PR VERÔNICA BARBOSA FURMANOWICZ; CLAUDIA MARIA PETCHAK ZANLORENZI. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO OESTE - UNICENTRO, IRATI - PR - BRASIL. O estudo da História da Educação nos leva a fazer reflexões sobre os conceitos presentes na educação, acompanhando as transformações, evoluções, revoluções e modificações que ocorreram no decorrer dos processos históricos acontecidos no âmbito educacional. Neste sentido, é possível, mais especificamente, entender aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais que envolvem os mais variados contextos educacionais, como por exemplo, a História das Instituições Escolares. Pesquisar sobre as instituições escolares é um tema que não se esgota, diante disso, tem-se observado um crescente aumento no interesse em investigar esse assunto específico, pois conhecer a história das instituições escolares é de grande valia para a compreensão da educação e seus reflexos nos diversos ambientes. Compreender a origem da escola permite decifrar os motivos pelos quais ela passou a existir, como também, as questões socioeconômicas que envolvem a instituição e o conjunto de valores 173

e cultura dos sujeitos envolvidos, compreendendo como isso se refletem nas práticas da escola. A pesquisa histórica de determinada instituição de ensino permite identificar a identidade da instituição, que a torna única, e singular; e, ainda, as características da educação praticada em uma dada sociedade e de seus interesses, possibilitando perceber como as escolas servem de instrumentos de disseminação de valores. Este artigo apresenta estudos de uma pesquisa que está sendo realizada como Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia – UNICENTRO- PR, tendo como tema a história das Instituições Escolares, e como objetivo central investigar a criação do Primeiro Grupo Escolar em Guamirim, comunidade localizada no interior da cidade de Irati-PR, fundado em 1947. A contribuição que este trará para os interessados neste assunto será de um esclarecimento sobre fatos históricos que delineiam a história do Grupo e da comunidade de Guamirim, valorizando-se a história local e contribuindo assim para que possa se descobrir um pouco mais do surgimento do Grupo que foi uma das primeiras instituições escolares que beneficiaram a comunidade. Para este artigo estamos priorizando três momentos principais. Primeiramente, será abordado sobre a educação na república, os ideais republicanos e a criação dos grupos escolares. Num segundo momento, será relatado sobre a Educação em Irati-PR, a formação do município, a educação no município, fazendo um breve histórico, para no terceiro momento ser discorrido sobre a educação no distrito de Guamirim, contemplando a formação do distrito e a formação do Primeiro Grupo Escolar desta localidade. interesses, possibilitando perceber como as escolas servem de instrumentos de disseminaços sujeirtante a pesquisa voltada pConsidera-se, ao final, que este trabalho venha contribuir com o conhecimento sobre a história das Instituições Escolares, como também com a história da educação do Paraná.

915 A IMPLEMENTAÇÃO DO JARDIM DE INFÂNCIA EM MATO GROSSO (1910 - 1930) ELTON CASTRO RODRIGUES DOS SANTOS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO - UFMT, CUIABA - MT - BRASIL. Com a revolução industrial e inserção da mulher no mercado, muitas creches são instaladas para atender aos filhos dos operários. As creches surgiram, inicialmente, como uma medida paliativa diante da crescente urbanização e possuíam dois objetivos: atender às camadas populares e liberar a mão-deobra feminina para melhorar o rendimento do trabalho. As primeiras creches construídas no Brasil tinham a incumbência de reduzir os altos índices de mortalidade infantil, através de um atendimento prioritário, fornecimento de abrigo, alimentação e cuidados médico para as crianças pobres. Na metade do século XX, exitiam no Brasil 47 instituições entre creches e jardins de infância espalhadas pelo país, principalmente nas capitais. Entretanto, os estudos mostram que o primeiro jardim de infância brasileiro, criado em 1875, não se destinou a atender às famílias operárias. Era uma instituição de origem privada que funcionava em um bairro nobre do Rio de Janeiro, atendendo a crianças entre 3 e 6 anos pertencentes à elite carioca. O primeiro jardim de infância público brasileiro, do período republicano, começou a funcionar em 18 de maio 1896, anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo. Seu modelo educacional refletia os ideais liberais do fim do século XIX, sendo essa instituição destinada, praticamente, às camadas abastadas da população, assim, não tinham qualquer representatividade quantitativa. Diante do explicitado, pretende-se com esse trabalho desvendar quando se iniciou o atendimento educacional para crianças entre 3 a 6 anos em Mato Grosso no período entre 1910-1930, pautado na análise de documentos, tais como relatórios de Presidentes de Províncias, de Diretores e Inspetores da Instrução Pública, mensagens, legislações e jornais à época. O período delimitado justifica-se pelo ato de criação dos Jardins de Infância através do Decreto n°. 533 de 04 de junho de 1910 até o final do período republicano (1930). Pressupõe-se que a implantação desse modelo escolar de atendimento às crianças de 0 a 3 anos esbarrou com a falta de recursos, prédios apropriados e professores qualificados para atender essa demanda. Esse trabalho é resultado parcial de uma pesquisa em andamento que objetiva desvendar a implantação e implementação dos Jardins de Infância em Mato Grosso. As análises preliminares indicaram que a implantação do atendimento às crianças na idade pré-escolar em escolas públicas não se consolidou na prática, havendo somente indícios de sua existência em instituições particulares.

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1092 A IMPORTÂNCIA DOS CLÁSSICOS PARA A FORMAÇÃO DOCENTE: UM ESTUDO DE CANDIDO E AS BODAS DE FÍGARO JOSIANE SCHINAIDER. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, OURIZONA - PR - BRASIL. Este estudo é uma analise de duas obras da literatura francesa Candido de Voltaire e As bodas de Fígaro de Beaumarchais. Seu intuito é refletir sobre a contribuição dos clássicos na formação docente. O aspecto que explicitaremos, neste trabalho, incide no fato de que, a formação ética e moral das crianças estão, cada vez mais, fazendo parte das atividades do docente, em sala de aula. Na organização do planejamento dos conteúdos a serem ensinados pelo professor, temas como regras de convivência, respeito aos diferentes, passaram a ser atos cotidianos da docência. Parte fundamental da educação não formal tornou-se, hoje, também responsabilidade do professor (a). São os docentes que estão ensinando às crianças princípios essenciais de convívio social. Diante desta realidade, o professor necessita ser exemplo de ética e cidadania. Ele (a) precisa conhecer a realidade de seus alunos, estimular o raciocínio, a reflexão e, principalmente a leitura e o gosto pelo conhecimento. Mas como os professores podem realizar esta tarefa, se eles próprios não são educados dessa forma, não aprendem a ensinar assim? Por constatarmos a falta de leitura, de contato com obras completas, a falta de conhecimento dos clássicos desde o ensino fundamental até a graduação é que elaboramos o tema que norteia nosso trabalho de conclusão do curso de pedagogia (TCC) e que ora apresentamos como proposta de comunicação: Qual a importância da leitura dos clássicos para a formação docente? Para responder a essa questão fazemos a leitura dos textos de Voltaire e de Beaumarchais. Analisamos nas duas obras, já mencionadas, a universalidade dos conhecimentos que perpassam a História e são usados ainda hoje na formação da sociedade e, principalmente, na formação do ser humano. Ambas trazem um momento de maturação da sociedade burguesa, na qual os homens explicam os acontecimentos como sendo fruto das relações sociais, portanto, ações das pessoas e não como resultantes da vontade divina. O homem, desta sociedade, representados nas duas obras, começa a se desprender da religião e trazer para si a responsabilidade pela sua condição, homens que, por eles próprios, traçam seus caminhos. Essas obras destacam importantes valores e compromissos sociais que são fundamentais a existência do convívio social, independente do tempo histórico. Todavia, é preciso destacar que estas obras se constituem em fontes de pesquisa e podem ser exemplos da história, para nós, em virtude do nosso caminho teórico que trilhamos. Lemos os autores e consideramos a história da educação, por meio da lente da História social e pensamos o homem no tempo da longa duração. É, pois, sob esta perspectiva que afirmamos que estas obras servem de base para o educador na atualidade.

945 A INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA SOBRE AS PRÁTICAS EDUCATIVAS DA ESCOLA ESTADUAL “JOÃO DOS SANTOS”: UMA ANÁLISE A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL ADÉLIA CAROLINA BASSI. UFSJ, SAO JOAO DEL REI - MG - BRASIL. A escola se relaciona diretamente com a memória, pois é, genuinamente, lugar de construção de conhecimento. Nela são deixadas impressões, experiências e subjetividades. Analisar os fragmentos de memórias, diferentes tipos de relatos e versões pode ser possível com o auxílio da História Oral. O presente estudo apresenta resultados parciais de minha dissertação de mestrado, propondo-se inserir esta comunicação no eixo temático “História das Instituições e Práticas Educativas”. Tem como objetivo compreender a relação entre uma instituição de ensino e a religiosidade em São João Del-Rei, mais especificamente a Escola Estadual “João dos Santos”. O período tomado como recorte cronológico vai de 1934 a 1942, estipulado a partir da disposição de fontes documentais e orais. A centenária escola aqui pesquisada tem suas origens ligas à Reforma João Pinheiro, de 1906, que se constituiu numa ampla tentativa de remodelação do sistema escolar. Fundada em 26 de julho de 1908, recebeu o nome de “João dos Santos” em memória ao pai de João Batista dos Santos, Visconde de Ibituruna, ex-presidente 175

da Província de Minas Gerais. Com o intuito de identificar as práticas educativas que estavam a serviço do ideário Católico e compreender como se propagavam os preceitos religiosos na instituição, a pesquisa toma como fontes as “Atas de Exames e Promoções”, única documentação existente no estabelecimento, os cadernos escolares produzidos pelos estudantes, os jornais em circulação na cidade e na instituição naquele período, e as entrevistas realizadas com ex-alunos da escola. Por isso, recorrese à História Oral, pois esta permite ao historiador construir evidências históricas a partir de visões heterogêneas de diferentes narradores. A análise dos acontecimentos e relações estabelecidas entre professores e alunos em classe permite revelar parte da história das práticas educativas passadas. Sendo assim, como subsídio e fonte de informações, tem-se a memória de dois ex-alunos entrevistados – e que estiveram na referida escola no período pesquisado – constituindo o principal material de pesquisa. Fontes orais revelam, portanto, visões particulares de processos vividos coletivamente. A singularidade é, pois, a principal potencialidade na utilização da História Oral. Deste modo, como resultados preliminares do estudo, encontra-se a recorrência dos discursos morais e religiosos vinculados na imprensa local e no próprio jornal produzido na escola. Tais discursos podem ser observados nas práticas em sala de aula através das entrevistas e, principalmente, dos cadernos produzidos pelos ex-estudantes. Reconstruir as práticas educativas que marcaram uma época é de suma importância para a reflexão dos caminhos trilhados pela educação. O cotidiano, nem sempre encarado como histórico, é nesse sentido, visto como fundamental artefato do fazer histórico.

1296 A INFÂNCIA NA CRIAÇÃO MUSICAL DE CÁTIA DE FRANÇA INSPIRADA EM JOSÉ LINS DO REGO HAROLDO RESENDE. UFU, UBERLÂNDIA - MG - BRASIL. José Lins do Rego (1901–1957), romancista paraibano, desenvolveu conteúdos de cunho regionalista em sua literatura, tendo como cenário histórico-geográfico a várzea do Paraíba e seus engenhos, sendo possível afirmar que, não se detendo à região nordestina, em sua configuração geográfica apenas, tratou também da composição social e da cultura regional, lançando um olhar sobre o homem, habitante daquela região, no contexto das relações histórico-políticas. A cantora-compositora Cátia de França, também paraibana, na esteira de suas leituras de José Lins do Rego transpõe traços deste escritor para a sua própria obra, delineando a cultura popular nordestina em sua música e estabelecendo ligações de elementos regionais, como tipos populares, folclóricos e caracteristicas político-geográficas. Assim, suas composições, ao trazerem espaços, costumes, paisagens, temporalidades e, sobretudo, a sociabilidade infantil do acervo literário de José Lins para sua criação dão visibilidade a formas de se viver a experiência da infância em determinados espaços e tempos. Os próprios arranjos de suas canções, com o uso da sanfona, da zabumba e do triângulo, trazem a sonoridade regional nordestina para seu universo, aliando-o à criação do escritor. Assim, este trabalho tem como objetivo estabelecer referenciais de análise histórica sobre a infância na criação musical da cantora-compositora Cátia de França, de modo especial, a partir de composições que tenham como substrato aspectos da obra do escritor. No recorte operado neste texto, o corpus documental será delineado pelas composições dos dois primeiros LPs da cantora, cuja elaboração musical encontra-se respaldo na obra de José Lins do Rego. A partir deste acervo, busca-se apreender como a literatura apropriada pela música se torna um elemento-chave na representação da infância em sua criação musical, ao mesmo tempo há a possibilidade de perceber significados sociais da experiência de ser criança num universo de simbólico que informa, expressa, comunica, de modo a constituir percepções singulares da dimensão humana. A literatura, assim como a música e o entrecruzamento de ambas são entendidas como modos de descrição da realidade, como formas de enxergar, de conhecer o mundo. Trata-se de expressões de vida, são registros de vida. Trata-se de narrativas do sensível, do simbólico, de testemunhas da sensibilidade e da razão humanas, ancoradas num tempo determinado. Ao mesmo tempo, pode-se dizer que, pelas narrativas literária e musical existe a possibilidade de o sujeito (escritor/compositor/leitor/ouvinte) perceber-se no mundo, relacionar-se com o tempo e com as representações presentes nesse tempo, dando a ver, na singularidade deste trabalho aspectos da infância e da socialbilidade infantil nas terras nordestinas do início do século XX. 176

775 A INSTALAÇÃO DO ABRIGO PROVISÓRIO PARA MENORES ABANDONADOS DE SANTA FELICIDADE E A APOLOGIA À INFÂNCIA POBRE NOS DISCURSOS QUE O ANTECEDERAM (CURITIBA, 1940-1950) JOSEANE DE FÁTIMA MACHADO DA SILVA. UFPR/SME, CURITIBA - PR - BRASIL. O presente texto tem como objetivo analisar e compreender como se concretizou a instalação do Abrigo Provisório para Menores Abandonados de Santa Felicidade e os discursos em apologia à infância pobre que antecederam o seu surgimento. O tema proposto não se configura em uma pesquisa isolada, mas é um dos aspectos abordados na dissertação de mestrado concluída no ano de 2009 e intitulada "Abrigar o corpo, cuidar do espírito e educar para o trabalho: Ações do Estado do Paraná à infância do ‘Abrigo Provisório para Menores Abandonados’ ao ‘Educandário Santa Felicidade’ (Curitiba, 1947-1957)", na linha de História e Historiografia da Educação, do Setor de Educação da UFPR. Nesse sentido, se insere no eixo temático História das Instituições e Práticas Educativas. A metodologia empregada ancora-se teoricamente nas proposições de Bloch (2001), quando afirma que: a História é a ciência dos homens, no tempo; a faculdade de apreensão do que é vivo é a qualidade mestra do historiador; reunir os documentos que estima necessário é uma das tarefas mais difíceis do historiador; de todos os venenos capazes de viciar o testemunho, o mais virulento é a impostura; uma palavra deve dominar e iluminar nossos estudos: compreender; as mudanças das coisas estão longe de acarretar sempre mudança paralela em seus nomes e reciprocamente acontece dos nomes variarem no tempo ou no espaço, independente de qualquer variação nas coisas; tudo, as causas, em história como em outros domínios, não são postuladas, são buscadas. Para tanto, as fontes se centram em quatro acervos: Arquivo Público do Paraná; Arquivo da Biblioteca Pública do Paraná; Arquivo da Secretaria de Estado da Infância e Juventude; Acervo de imagens da Casa da Memória de Curitiba. Diante da análise das fontes na perspectiva da História Sociocultural pode-se considerar que o episódio de um Posto de Higiene e Saúde ter se transformado, antes mesmo de sua inauguração, em um “Abrigo Provisório de Menores Abandonados”, não foi ocasional e aponta para uma indagação: em que contexto e sob que pressupostos se delineariam a criação de tal instituição? Assim a instalação do Abrigo Provisório para Menores abandonados de Santa Felicidade pode ser compreendida a partir da análise dos discursos que antecederam o seu surgimento já que há indícios de que a década de 1940 inaugurou um período de mudanças tanto no plano estrutural da cidade, como no social. Ocorreu um período de alargamento da assistência à infância pobre curitibana, no qual a filantropia esteve ao lado das iniciativas governamentais de amparo e proteção à infância.

1377 A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA CRIANÇA ÓRFÃ: ORFANATOS ESPÍRITAS NO TRIÂNGULO MINEIRO, MINAS GERAIS (1964-1990) MARIA APARECIDA AUGUSTO SATTO VILELA. PONTIFÍCIAUNIVERSIDADE CATÓLICA, SÃO PAULO - SP - BRASIL. Este texto tem como proposta historiar a presença do orfanato espírita Lar da Criança em Ituiutaba-MG, Minas Gerais, no período que vai da proposta de sua criação, em 1953, até o início de seu funcionamento, em 1969. Esta periodização é marcada pela introdução da Política Nacional do BemEstar do Menor, com a lei 4.513 de 01/12/64. A atenção à institucionalização da criança órfã chamounos atenção, pois se associou muitas vezes à institucionalização da criança desvalida, principalmente quanto à organização dessa institucionalização por parte de algumas associações espíritas, com ênfase na segunda metade do século XX. No triângulo mineiro, as iniciativas partiram de associações espíritas que construíram orfanatos, em algumas cidades, quase sempre obedecendo a princípios comuns, como: a quase ausência de incentivo público; as campanhas filantrópicas junto à comunidade; e o acolhimento de crianças órfãs da região, opondo-se ao Estado que visava principalmente à institucionalização do menor infrator. Desse modo, entender a história regional significa posicioná-la num quadro mais amplo, no qual são inseridas as mudanças que ocorrem no âmbito local. É nessa perspectiva, que entendemos o 177

funcionamento dos Orfanatos Espíritas, instalados no Triângulo Mineiro, na segunda metade do século XX. Assim, verificamos que enquanto a movimentação nacional de institucionalização do menor, promovida pelo Estado, preocupava-se sobremaneira com a questão do menor infrator, os Orfanatos Espíritas tinham como foco principal a acolhida à criança órfã, retomando o que ocorria até a década de 1920, quando as instituições religiosas instalavam e mantinham os orfanatos. Para a busca de respostas à questões de pesquisa, utilizamos nosso Corpus Documental (CUNHA, 2000), por meio de uma análise interpretativa processual, numa perspectiva dialética/relacional. No que tange à relevância científica desta pesquisa, julgamos necessário historiar esse o orfanato espírita Lar da Criança, pois constatamos a quase inexistência de trabalhos historiográficos em relação ao nosso objeto. Portanto, é importante, para a comunidade acadêmica local e regional, um trabalho dessa natureza, em função das contribuições que possam trazer às novas interpretações historiográficas, ligadas ao campo da História da Educação mineira e, porque não dizer, nacional. Hoje compreendemos que o Orfanato Lar da Criança foi um projeto dos espíritas de Ituiutaba, para acolhimento de crianças sem família, principalmente sem mãe.

1280 A INSTRUÇÃO PÚBLICA PARA CRIANÇAS POBRES NO COLÉGIO NOSSA SENHORA DO AMPARO NA PROVÍNCIA DO GRÃO-PARÁ: UM ESTUDO DA INFÂNCIA NA AMAZÔNIA (1850-1890) ELIANNE BARRETO SABINO; LAURA MARIA SILVA ARAÚJO ALVES. UFPA, BELEM - PA - BRASIL. A presente pesquisa faz parte da dissertação de mestrado que visa resgatar a história do Colégio Nossa Senhora do Amparo, instituição pública que atendia crianças pobres na Província do Grão Pará, no período de 1850 a 1890. Criada para instruir, abrigar e educar as crianças, a referida instituição foi pensada a partir de uma política de higienizar e de estabelecer ordem na Província do Pará, pois muitas crianças dormiam e viviam nas ruas, nos becos e em cortiços. Estudar a história desta instituição pública é uma tentativa de compreender o discurso higiênico que se concretizava no século XIX, é interpretar a importância política, social e cultural da instituição para este momento histórico na Amazônia. Além disso, é uma tentativa de compreender a hierarquização do poder de uma época, de uma sociedade, e de traços de identidades próprios dessa instituição, assim como sua proposta pedagógica e seus conteúdos de ensino. Para tal pretendemos: (a) compreender a instrução para as crianças na província do Grão-Pará entre os anos 1850 a 1890; (b) identificar o significado de instruir e/ou educar as crianças desvalida, ex-escravas e indígenas para o Colégio Nossa Senhora do Amparo; (c) explicar de que forma eram trabalhadas as instruções para as crianças menos favorecidas. Metodologicamente a pesquisa abrange três momentos. Num primeiro momento tentamos localizar nosso objeto de estudo dentro da área do conhecimento da história, bem como, demonstrar a interseção que há entre história cultural e história da instituição escolar, buscando respaldo teórico em Chartier, Castanho e outros. Além disso, conceituamos brevemente os termos História, Instituição e escolar, de acordo com as idéias de Werle, Ragazzini, Monacorda, Magalhães e Torrinha. Posteriormente, discutimos a importância de se pesquisar a instituição escolar Nossa Senhora do Amparo, sua relevância para instrução pública na província do Grão-Pará, no período de 1850 a 1890, tendo como alvo as crianças pobres e sua contribuição para o estudo sobre a infância na Amazônia, para tanto temos como base teórica em Miguel, Júnior e Pessanha, Martinez e outros. As fontes documentais encontram-se no arquivo público de Belém. Por fim, utilizamos a análise documental no sentido de compreender como esses debates e reformas educacionais refletiram na Província do Grão-Pará e, sobretudo, no Colégio Nossa Senhora do Amparo, uma vez que era uma das instituições do Governo Provincial responsáveis pela educação das crianças pobres, atendendo as meninas desvalidas, as ex-escravas e as indígenas. Desta forma, acreditamos que contribuímos para uma visão ampla do que foi a instrução pública para a infância no Império Brasileiro, especialmente na Amazônia.

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697 A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DIDÁTICO NO COLÉGIO PEDRO II E O ENSINO DE SOCIOLOGIA (19251945) SILVIA HELENA ANDRADE BRITO. UFMS, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL. Desde sua criação, na primeira metade do século XIX, o então Imperial Colégio de Pedro II já havia sido pensado como escola modelar para o ensino secundário no país. Tal projeto consolidou-se nos decênios seguintes, atravessando a Primeira República e se fazendo presente até 1951, quando uma última reforma, emanada da Congregação do Colégio Pedro II e aprovada pelo Ministério da Educação e Saúde, teve validade para o ensino secundário público em todo o país. Foi dentro desse período que houve, na referida escola secundária, a introdução da disciplina Sociologia no currículo, que ali esteve presente entre 1925 e a primeira metade dos anos 1940. Em função disso, este também é o marco temporal da presente pesquisa, parte de um projeto coletivo, ainda em andamento, sobre os manuais didáticos utilizados em quatro disciplinas no Colégio Pedro II, entre elas a Sociologia. Nesse sentido, esta comunicação tem como objeto a organização do trabalho didático no Colégio Pedro II, especialmente a forma como foi pensado e organizado o ensino de Sociologia, entre 1925 e 1945. O objetivo geral do artigo é explicitar a organização do trabalho didático voltado para o ensino de Sociologia no Colégio Pedro II. Entre seus objetivos específicos arrolam-se a discussão da relação educativa; dos recursos didáticos, sobretudo do manual didático; e do espaço físico utilizados no ensino da referida disciplina. Para tal, foram coligidas as fontes documentais pertinentes (sobretudo as atas da Congregação do Colégio Pedro II e manuais didáticos produzidos por autores como Delgado de Carvalho, catedrático da disciplina no período; os programas de ensino para a disciplina Sociologia e a legislação pertinente ao ensino secundário nesse momento histórico); e as obras secundárias sobre a temática em questão. Concluindo, os dados aferidos até o momento permitem problematizar as relações entre a presença da disciplina Sociologia no ensino secundário, por um lado, e o processo de institucionalização desta disciplina no Brasil, por outro. Além disso, permite ainda destacar como sua presença no ensino secundário determinou uma produção intensiva de materiais didáticos voltados para o seu ensino, sobretudo formado por manuais didáticos. O que revela, concomitantemente, um conjunto de autores e estudiosos da Sociologia no Brasil, como é o caso de Delgado de Carvalho, que tiveram influência, sobretudo na difusão do conhecimento sociológico e para estabelecer-se a mediação entre um dado corpus teórico e seu público-alvo, a saber, os professores e alunos do ensino secundário.

504 A PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS NAS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA (CAETITÉ-BA 1908-1930) GIANE ARAÚJO PIMENTEL CARNEIRO. UFMG/UNEB, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Este trabalho tem como objetivo analisar a participação das crianças nas práticas de leitura e escrita, nas primeiras décadas do século XX, em Caetité-BA. Ele é parte de uma pesquisa de mestrado, em fase de conclusão, que visa apreender as práticas educativas das crianças em espaços não-escolares. A cidade de Caetité se originou como entreposto de regiões mineradoras, nos caminhos entre a região da Chapada Diamantina, na Bahia e o estado de Minas Gerais. Relatos de viajantes, memorialistas e estudos recentes indicam que houve intensa circulação de pessoas, de produtos e de material escrito. Documentos do final do século XIX e do século XX corroboram a ideia da circulação dos manuscritos e impressos entre a população da região, de forma mais evidente, entre uma elite letrada. Vários periódicos, como jornais e revistas, documentos oficias, livros, peças teatrais e cartas familiares sobreviveram à ação do tempo. Para compreender como se deu a inserção da criança no mundo da leitura e da escrita, em espaços não-escolares, nesta sociedade, serão utilizadas as correspondências familiares, pois elas permitem adentrar no cotidiano da vida das famílias e chegar até suas crianças. As correspondências encontradas pertencem a famílias tradicionais da cidade, o que limita a pesquisa à condição social dos seus sujeitos. Os pressupostos teórico-metodológicos que orientam este estudo 179

estão referenciados na História Cultural, nos estudos sobre cultura escrita através da análise das correspondências ordinárias. As mensagens trocadas entre os diversos membros da família indicam a participação e o modo como as crianças se inseriram nas práticas da leitura e da escrita, mesmo antes de ingressarem na instituição escolar. Ler e escrever eram atividades freqüentes entre todas as pessoas da família, assim como comprar e presentear as crianças com livros. Antes mesmo das crianças serem alfabetizadas, já se constituíam como leitoras/ouvintes de histórias e como autoras de textos, através do ato de ditar suas mensagens e do adulto conduzir a mão para traçar as letras no papel. Os resultados mostram que as crianças, mesmo com menor poder na sociedade, também tinham participação no jogo de constituição dos sujeitos e na produção das diferenciações geracionais. Esse trabalho insere-se no eixo “História das Instituições e Práticas Educativas”.

367 A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA ANA CAROLINA GALVÃO MARSIGLIA. UNESP, ARARAQUARA - SP - BRASIL. Práticas pedagógicas consistentes devem estar coerentemente vinculadas às teorias pedagógicas e psicológicas que a sustentam. Objetivando interpretar a pedagogia histórico-crítica de forma articulada à filosofia marxista, tendo em vista compreender sua proposta metodológica para a prática pedagógica, propõe-se um estudo teórico do referencial materialista histórico-dialético, que se inicia pela contextualização da pedagogia histórico-crítica na educação brasileira. Em seguida, serão estudados os autores que fundamentam essa teoria pedagógica e suas articulações com a psicologia históricocultural. A pedagogia histórico-crítica começa a ser organizada teoricamente no final da década de 1970, nas discussões da primeira turma de doutorado da PUC-SP e está fundamentada no materialismo histórico dialético e na perspectiva política socialista. Suas ideias avançam em termos de sistematização durante a década de 1980, com a obra “Escola e Democracia”, tomando corpo na década de 1990, com o lançamento do livro “Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações”, ambos de Dermeval Saviani. No contexto da década de 1990 (neoliberalismo e pós-modernismo), diante das frustradas tentativas de implantação de políticas educacionais “de esquerda” na década de 1980, refluíram as adesões dos educadores aos movimentos progressistas. Mesmo nesse quadro adverso, muitos educadores continuaram a trabalhar na perspectiva da pedagogia histórico-crítica, sendo demonstração disso a realização, em 1994, do “Simpósio Dermeval Saviani e a Educação Brasileira”, que contou com mais de seiscentos participantes. Na virada do século já eram perceptíveis os sinais de revigoramento do interesse pela abordagem marxista nos vários campos da prática social, inclusive a educação. Os educadores que não haviam deixado de trabalhar na linha da pedagogia histórico-crítica voltaram a ocupar um espaço importante nos debates sobre os destinos da escola brasileira. As obras de Dermeval Saviani são um exemplo da vitalidade dessa corrente pedagógica. O livro “Escola e Democracia” está em sua 40ª edição, com mais de 200 mil exemplares vendidos. A obra “Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações” encontra-se na 10ª edição, com mais de 35 mil exemplares vendidos. “História das Ideias Pedagógicas no Brasil” recebeu em 2008 o prêmio Jabuti na categoria educação, psicologia e psicanálise, sendo importante contribuição para se compreender a trajetória das ideias pedagógicas no Brasil desde suas origens. Em 2009, a pedagogia histórico-crítica completou 30 anos de esforços em prol da educação da classe trabalhadora. Para tanto, foi promovido um seminário comemorativo, no qual se reuniram professores e alunos de graduação e pós-graduação de 69 instituições, 37 cidades, 11 Estados brasileiros. Isso indica que os educadores continuam discutindo sobre alternativas pedagógicas que respondam a uma educação crítica na formação dos indivíduos.

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683 A POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MATO GROSSO E A EDUCAÇÃO – 1913 A 1937 EMERSON JOSÉ SOUZA. UFMT, CUIABÁ - MT - BRASIL. A POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MATO GROSSO E A EDUCAÇÃO – 1913 A 1937 O presente trabalho tem como propósito apresentar o resultado final de uma pesquisa sobre a alfabetização de praças da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso no período de 1913 a 1937. Com o advento do período republicano se lança novos olhares sobre a educação no Brasil, trazendo a lume o debate sobre a expansão do número de escolas e a diminuição do analfabetismo numa relação direta com a garantia de democracia. Em Mato Grosso a alfabetização da população adulta encontra seus primórdios no final do regime imperial,em 1872, quando são abertas duas escolas noturnas, ambas na capital Cuiabá, uma funcionando na Paróquia da Sé e outra localizada no distrito de São Gonçalo de Pedro II, região do porto. Esses cursos acabaram não prosperando, sendo extintos no ano seguinte, quando a Assembléia Legislativa avalia os motivos que levaram a seu fracasso. Com a tentativa frustrada de implantação das escolas noturnas, as mesmas só retornam em 1937, durante o governo de Getúlio Vargas, quando é inaugurada a Escola Noturna Pedro Gardés. É nesse ínterim que se destaca a experiência de alfabetização no batalhão de Polícia Militar de Mato Grosso, que a exemplo do que ocorre no Exército desde o século XIX, institui em 1913 uma Escola Regimental que tem por finalidade ministrar o ensino das primeiras letras as praças analfabetas que se alistavam no referido batalhão. Compreendendo esta experiência como um modelo de alfabetização de adultos, busco evidenciar suas singularidades. Em um cenário demarcado pelas intensas contendas políticas, onde a atuação do coronelismo constitui verdadeira luta armada pelo poder, a atuação da Polícia Militar se vê diretamente envolvida nos conflitos, refletindo as mazelas de uma sociedade marcada pela violência, ao mesmo tempo em que constitui em espaço de educação para seu efetivo, seja através dos castigos disciplinares constantes, seja através da inserção de seu contingente no universo letrado. Utilizando o método histórico como interpretação e consultando fontes como os relatórios de governo, relatórios de diretores da Instrução Pública, boletins internos da Polícia Militar, relações de matriculas da Escola Regimental, busca-se compreender quem são esses alunos e como se posicionam perante o meio que estão inseridos; bem como, evidenciar o pensamento educacional presente no âmbito da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso no período em questão, com seus métodos e concepções. O trabalho permite evidenciar as configurações estabelecidas pela educação de adultos em Mato Grosso e, principalmente, destacar o papel exercido pelo militarismo no que tange a esta modalidade de ensino.

1131 A PRÁTICA ESCOLAR DO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT NA CIDADE DE MANAUS ERILANE DE SOUZA GUIMARÃES. UNIVERSIDADE DE SOROCABA - UNISO, SOROCABA - SP - BRASIL. Esta pesquisa se realiza dentro de uma perspectiva descritiva e analítica com o objetivo de recuperar os fragmentos da história e memória do Instituto Benjamin Constant, no período entre 1889-1930. O desenrolar do processo de investigação, permite-nos chegar a resultados mais proveitosos e a discussões mais ricas do ponto de vista teórico e metodológico o que possibilita uma reflexão sobre o desenvolvimento da pesquisa em todas as suas etapas, apesar das dificuldades e desafios encontrados, sempre ficar atento ao rigor dos conceitos teóricos assumindo uma postura que implica na discussão sistemática e continua ao longo de toda pesquisa. A proposta pedagógica do Instituto era a instrução primária, moral e doméstica ao mesmo tempo em que preparava para o trabalho. Recebia em suas dependências, meninas órfãs, que para lá eram encaminhadas, permanecendo no estabelecimento até dezoito anos de idade, com exceção das que casavam antes ou, por algum motivo, não fosse mais conveniente sua permanência no instituto. Havia a preocupação em repassar valores morais, amor à pátria e principalmente preparar a mulher para exercer atividades consideradas afeitas ao seu sexo, preparando-as para exercerem o serviço doméstico, e o papel de dona de casa, préstimos estabelecidos 181

como necessários para a formação da boa mãe e esposa virtuosa, e que correspondiam ao papel da mulher como primeira educadora. O grande desafio da pesquisa está em enfrentar a deficiência de sistematização e organização de documentos escritos e materiais iconográficos relacionados a essa instituição. A pesquisa se desenvolve pela leitura da literatura a respeito, pela garimpagem e sistematização dos documentos escritos e materiais iconográficos, caminho pelo qual se extrai, de acordo com Ginzburg (1989), evidências, indícios e pistas referentes às práticas escolares, para que as futuras gerações reconheçam as bases que consolidaram a educação amazonense. Além disso, baseia-se nos pressupostos teóricos da cultura escolar e na forma como eles permitem construir a consciência histórica, com o intuito de preservar parte da memória educacional local. Julia (2001), preconiza a importância da análise dos conteúdos ensinados e das práticas escolares, afirmando que cada instituição de ensino é única, singular nas suas normas estabelecidas e suas práticas desenvolvidas num determinado espaço e época, onde são produzidos novos costumes e hábitos, que devem ser investigados. Preservar a história e a memória da educação regional, seus saberes e fazeres sóciohistórico-culturais e ampliar a produção científica devem ser compromisso perene dos que pesquisam e se interessam pela História da Educação.

857 A REFORMA FRANCISCO CAMPOS NO ATHENEU SERGIPENSE SUELY CRISTINA SILVA SOUZA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. A escrita desse artigo faz parte de uma pesquisa ainda em andamento, financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC/SE) e que estuda a configuração da disciplina Matemática no Atheneu Sergipense frente à Reforma Francisco Campos. Neste sentido, por meio do eixo História das Instituições e Práticas Educativas o presente trabalho trilha a trajetória histórica da reforma do ensino secundário no interior do Atheneu Sergipense entre os anos de 1938 e 1943, anos em que respectivamente ocorreu em Sergipe à definitiva implementação da Reforma Francisco Campos e início da Reforma Capanema segundo equiparação deliberada pelo Governo Federal. Para tanto, investigou-se alguns pontos das determinações prescritas pelo Decreto N. 7 de 14 de março de 1938, que regulou a referida instituição. Esses pontos elucidaram o cenário da instituiçãoatravés da análise de sua organização, admissão, matrícula e regime escolar, muitas vezes, articulados com as peças legislativas e fontes institucionais. Também levou-se em consideração os estudos de Alves (2005), Nunes (1984) e Dantas (2004) que, entre outros aspectos, permitiram apreender como se desenvolvia o ensino e a sociedade sergipana durante a década de 1930 e início dos anos 40. Desse modo, dividiu-se essa pesquisa em três tópicos. O primeiro tópico trata do percurso histórico da Reforma Francisco Campos no Atheneu, desde seus primeiros indícios até sua implementação mediante Regulamento Interno. Ainda aqui, motivados pela curiosidade de distinguir a ação de cada agente administrativo, buscou-se entender suas distintas funções quando, muitas vezes, durante a investigação dos documentos escolares faziam-se presentes. No segundo tópico, descrevemos o ingresso dos alunos nesse estabelecimento de ensino trilhando seus caminhos desde o processo de admissão até a matrícula detalhando as determinações exigidas. E o terceiro tópico relatou-se os instrumentos que regularam aquela instituição nos preceitos da ordem escolar. A Reforma Francisco Campos se fez presente no Atheneu Sergipense desde 1936, pelo menos na lei estadual, visto que na prática isso só aconteceu em 14 de Março de 1938, através do Decreto N. 7, conforme designou o Interventor Federal no Estado de Sergipe ao despachar a criação do seu Regulamento Interno. Com efeito, percebemos que os estudos secundários sergipanos apropriaram-se do ideário da Reforma Francisco Campos, ainda que tardiamente, acompanhou os desígnios autoritários deliberados pela Divisão do Ensino Secundário. Portanto, a instalação dessa reforma em Sergipe aconteceu em substituição autoritária dos Cursos Complementares aos antigos Preparatórios por meio da Portaria Ministerial de 17 de março de 1936, conforme equiparação ao Colégio Pedro II.

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546 A SAÚDE DA MULHER: PRÁTICAS EDUCATIVAS NAS PROPAGANDAS DE CURITIBA NA DÉCADA DE 1920 SARASVATI YAKCHINI ZRIDEVI CONCEIÇÃO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. Com base nos pressupostos da História Social da Cultura, a presente pesquisa em andamento tem como objetivo analisar o discurso médico-higienista sobre a saúde da mulher, veiculado na década de 1920 por propagandas em três jornais curitibanos que se denominavam independentes: Gazeta do Povo, O Dia e O Diário da Tarde. É a partir de meados da década de 1910, com a expedição médico-científica do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), chefiada por Belisário Penna e Arthur Neiva ao interior do Brasil que revelava um país com uma população desconhecida, atrasada, doente, improdutiva e abandonada, e sem nenhuma identificação com a pátria, é que ganha destaque a tese da importância da educação e da saúde, e não só do branqueamento, para o resgate de um Brasil condenado ao atraso. A publicação em 1916 do relato Viagem científica pelo Norte da Bahia, Sudoeste de Pernambuco, sul do Piauí e de norte a sul de Goiás dos médicos, representou um impulso para o movimento sanitarista que mobilizaria grande parte dos intelectuais brasileiros e resultaria na criação da Liga Pró-Saneamento do Brasil em 1918 e do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) em 1920, sendo extremamente rápida a adesão dos Estados à política do DNSP. É neste contexto que a mulher ganha um novo estatuto dentro da sociedade: o de responsável e formadora dos futuros cidadãos fortes, sadios, tendo a responsabilidade de contribuir para o aperfeiçoamento da raça. A medicalização da família e a normatização da sociedade dependiam fundamentalmente dela, que se tornou figura central na investida do saber médico, uma vez que era responsável pela geração e socialização primária das crianças. Destinada pela natureza a gerar a vida, a mulher é revestida de responsabilidades morais e sociais, inclusive no campo das profissões: professoras, visitadoras sanitárias, enfermeiras, educadoras higiênicas, todas compartilhavam do estereótipo de cidadãs republicanas a serviço da educação e da higiene da população. Este processo de educação da mulher para a saúde contava com veículos importantes de divulgação, como jornais curitibanos que continham propagandas e anúncios em cerca de 50% de suas páginas. O conceito de saúde é propagado enquanto uma mercadoria, um produto a ser adquirido nas farmácias e botica. Nas propagandas há uma intensa campanha pela cura das doenças sociais, à medida que novos hábitos e práticas vão sendo transmitidos à população, e os tradicionais reprimidos, mesmo que saberes populares e científicos convivessem nos lares curitibanos. A propaganda funciona assim como um discurso de educação dos sentidos, vendendo não só produtos, mas idéias, imagens corporais e comportamentos, ajudando a veicular os novos ideais científicos dos médicos-sanitaristas, à medida que se apropria destes ideais para vender e anunciar seus produtos e serviços. A crítica das fontes publicitárias se torna procedimento essencial para reconstrução do passado proposto pela estudo em questão. 522 A SEMIOLOGIA DO ESCOLAR CONSTRUÍDA PELO DR. UGO PIZZOLI (ITÁLIA-BRASIL) CARLOS MONARCHA. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, SAO PAULO - SP - BRASIL. Vinculada ao projeto “Clemente Quaglio (1872-1948): cânon da ciência pedológica — estudo históricocrítico”, apoio FAPESP, esta comunicação demarca aspectos da ciência pedológica de Ugo Pizzoli (18631968), saber-fazer que proclama substancialidade e legitimidade, dentro da psicologia e pedagogia. Consultas a acervos institucionais possibilitaram convocar massa documentária e interpretá-la, com referencial teórico apropriado. Os objetivos da pesquisa priorizaram dados gerais sobre os esquemas teóricos, cursos para o magistério e gabinetes de psicologia e antropologia, implantados por Ugo Pizzoli, em Crevalcore (Bolonha) e Milão, Itália, e em São Paulo, Brasil. Além da diplomação em medicina pela Universidade de Bolonha, Pizzoli apresentou tese em pediatria, Lo scleroma dei neo nati, frequentou cursos de filosofia e pedagogia, em Bolonha e Pavia, de antropologia física, no Instituto de Antropologia de Firenze, de psiquiatria, no laboratório de psicologia do Frenocômio de Reggio Emilia. Cognominado “apostolo della pedagogia scientifica”, o pedologista intervém numa problemática em evolução: a

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instrução popular centralizada e obrigatória, promovida pela unificação político-administrativa, a célebre lei Casati (1859). Na moderna ciência do Risorgimento, o positivismo impera como atitude cultural genérica ou método heurístico. Igualmente a Mantegazza, Lombroso, Credaro, Treves, Sergi, De Sanctis, Ugo Pizzoli salienta a formação da inteligência, sentimento e vontade pelo estímulo da educação e instrução, donde legislar o marco escolar como locus de observações empíricas escrupulosas. Partidário do cerebralismo próprio da psicofísica e psicopatologia, o pedologista deriva a semiologia do escolar dos processos psiconeurológicos e traços antropomorfológicos; ao transparecer a dinamicidade do desenvolvimento (ontogênico), formas e variantes mentais e suas significações, quer determinar a acomodação/adaptação do escolar às normas essenciais da cultura e lei moral. Em 1914, quando evoluciona a matrícula geral no ensino primário brasileiro, conquanto incomodada por severos índices de repetência e deserção, Ugo Pizzoli, afamado construtor de aparelhos e instrumentos científicos, vê-se requisitado pelo governo paulista para ministrar cursos de técnicas e atuar no gabinete da Escola Normal da Praça, idealizado por Clemente Quaglio. Meticulosa e vivaz, conclui-se que a perícia semiológica operada pelo cientista italiano, cujos efeitos de superfície deságuam dispersamente nos marcos escolares, singulariza-se pelo crescimento cumulativo de verdades, cuja tese central apregoa a impossibilidade da igualdade natural entre os homens, donde medir-se e avaliar-se o desenvolvimento da pessoa, em função de fins a serem alcançados. 1385 A VIAGEM PEDAGÓGICA NA BUSCA DE UM MODELO DE INSTITUIÇÃO PARA ASSISTÊNCIA À INFÂNCIA DESVALIDA EM SERGIPE ALESSANDRA BARBOSA BISPO. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, CAMPINAS - SP - BRASIL. No cenário nacional, as políticas sociais e legislativas estavam sendo implantadas e Sergipe precisava criar uma instituição destinada para solucionar este problema que afetava todo o Brasil. A criação em Sergipe de um órgão congênere obedecia a um movimento nacional; porém, o objetivo estava na solução dos problemas locais. Aracaju, conhecida pelos seus quarteirões retangulares com suas ruas retas e arborizadas, presenciou, nas décadas de 1940 e 1950 do século XX, um crescimento populacional urbano que fez visualizar ainda mais a presença da infância pobre nas ruas da cidade. O objetivo do trabalho é analisar a partir das viagens do diretor do Serviço de Assistência a Menores Abandonados e Delinqüentes o modelo adotado para educar a infância pobre em Sergipe. A pesquisa procurou compreender o objeto de estudo através de uma bibliografia que versa sobre história da educação, história da assistência e história de Sergipe. Além dos relatórios e jornais do período. O Diretor do Serviço de Assistência, Abelardo Maurício Cardoso, foi designado para conhecer as instituições destinadas a menores abandonados e delinqüentes em outros estados. Nessas viagens, o Diretor do Serviço procurou observar a organização dos estabelecimentos, bem como os erros e o aprofundamento sobre o assunto, na busca de um modelo para a instituição de Sergipe. Foram visitadas, no total, trinta e seis instituições, no período de 23 de janeiro a 7 de março de 1939, permanecendo maior tempo em São Paulo, devido o fato de, neste estado, o diretor encontrar um Serviço organizado oficialmente. O diretor Abelardo Cardoso, ao finalizar suas viagens aos outros estados, afirmou ter sido conquistado pelo pensamento paulista, com especializações na assistência aos menores abandonados e delinqüentes. De acordo com o diretor, a visita a São Paulo também deveria ter sido realizada por um médico, uma professora e um pesquisador a fim de que estes profissionais fizessem um estágio na cidade antes de inaugurar a instituição sergipana de assistência a menores abandonados e delinqüentes. Após essas viagens foi sugerida a construção da Cidade de Menores de Sergipe que seguiu o modelo paulista de instituições para menores abandonados e delinqüentes, principalmente, o “Educandário Dom Duarte” alvo de grande entusiasmo pelo diretor do Serviço de Assistência a Menores Abandonados e Delinqüentes, Abelardo Maurício Cardoso, que a denominava, em seu relatório, Cidade de Menores. Afirmava não ter errado em começar sua viagem por São Paulo, pois este estado apresentava o melhor serviço organizado do país, podendo ser aproveitado como padrão pelos seus “irmãos federados”. A Cidade de Menores destinava assistir e educar menores abandonados e delinqüentes da faixa etária dos sete aos dezoito anos de idade, em regime de internato. Neste estabelecimento, recebiam ensinos primário, profissional e agrícola.

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1118 A “MÁQUINA CHAGUISTA” E O INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SARAH KUBITSCHEK: REFLEXÕES SOBRE AS INTERFACES ENTRE POLÍTICA E EDUCAÇÃO LUCIANA CARDOSO CARDOSO. PUC-RIO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O presente texto busca indicar algumas das questões que norteiam a elaboração de minha tese de doutorado, ora em andamento. Situado no campo da História da Educação e tendo como eixo temático a História das Instituições e Práticas Educativas, este trabalho tem como proposta analisar o processo que levou à criação do Instituto de Educação Sarah Kubitscheck (IESK) na Zona Oeste carioca em 1974. Adotando uma perspectiva de mesoabordagem, esta pesquisa conta com análises de fontes documentais e entrevistas realizadas com alguns dos protagonistas deste processo .Minha dissertação de mestrado teve como foco a Escola Normal Sarah Kubitscheck (ENSK), criada na mesma região em 1959, no bojo das pesquisas então realizadas pude observar indícios que me levaram a acreditar que na inauguração de sua congênere na década de 1970 estes elementos não só se intensificaram como ganharam novos matizes gestados pelas acentuadas transformações sociais, econômicas e políticas do período. Penso ser possível relacioná-la também à figura de Chagas Freitas ou melhor à sua meticulosa política de trocas clientelistas, designada por Diniz (1982) como “máquina chaguista” que praticamente dominou a política carioca e fluminense de 1970 até os primeiros anos da década de 1980. O atual estado do Rio de Janeiro foi criado em 1975 com a fusão de duas unidades federativas, o antigo estado do Rio de Janeiro e o estado da Guanabara, que se confundia com a cidade do Rio de Janeiro. A fusão gerou uma acirrada disputa entre as lideranças do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), um confronto de significativas conseqüências para a dinâmica da política estadual e que se personificou nas figuras de: Chagas Freitas, o chefe do MDB na Guanabara e governador deste estado desde 1971, e Amaral Peixoto, líder do MDB fluminense. Amaral Peixoto contava com um enorme prestígio, mas foi Chagas Freitas quem conseguiu o controle político do novo estado do Rio de Janeiro do qual passou a ser governador em 1979. Meu trabalho organiza-se, portanto a partir das seguintes indagações: Que interlocuções podem ser verificadas entre a criação do Instituto Sarah Kubitscheck e o cenário político nacional naquele período? A inauguração do IESK pode realmente ser percebida como uma das estratégias encetadas por Chagas Freitas para sustentação e legitimação de sua influencia política? Como as questões acima mencionadas matizaram a organização da escola e a formação dos professores daquela instituição? Desta forma, já apontando algumas balizas, mas cônscia de que a realidade da pesquisa outras trará, este trabalho encontra-se como uma semente, ávida por condições que lhe permitam não só germinar, mas também a possibilidade de gerar frutos.

551 ANALISANDO O PROCESSO DE CRIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO GRUPO ESCOLAR SILVEIRA BRUM EM MURIAÉ-MG (1907 – 1930) DENILSON SANTOS DE AZEVEDO; TALITHA ESTEVAM MOREIRA CABRAL. UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, VICOSA - MG - BRASIL. O resumo apresenta os resultados parciais da investigação do processo de criação e dos primeiros anos de funcionamento do Grupo Escolar Silveira Brum, no município de Muriaé (Minas Gerais), no ano de 1912, com o intuito de analisar os condicionantes sociais e políticos que contribuíram para sua instalação e caracterizar a cultura escolar produzida neste estabelecimento de ensino até a década de 1930. Os principais objetivos são: buscar entender o movimento social e político que resultou no processo de fundação e consolidação do primeiro grupo escolar público fundado nesta cidade; identificar as características da cultura escolar instituídas no início de sua criação. Para a consecução destes objetivos, utilizará como metodologia: o levantamento e análise do acervo documental e de periódicos de história local encontrados no Arquivo Municipal de Muriaé, para conhecer o processo de criação da referida instituição; a revisão de literatura sobre a história dos grupos escolares no Brasil e em Minas Gerais, nas décadas de 1900 a 1930; levantamento e análise de documentos, fotografias e 185

outros materiais escolares encontrados nos Arquivos Público Mineiro, Municipal e no acervo da atual escola; busca por depoimento de sujeitos que vivenciaram essa época; e, após reunir essas informações, cotejar a filosofia educacional e as práticas pedagógicas implementadas no educandário pesquisado. O estudo do processo de criação e expansão dos grupos escolares em algumas cidades do Estado de Minas Gerais e no Brasil, permitiu identificar que essa difusão intentou efetivar a escolarização em torno do projeto republicano, liberal e civilizatório, de promoção e difusão do ensino, bem como um meio de modernização da sociedade e, consequentemente, do país. Como conclusão parcial, verifica-se que a inauguração do Grupo Escolar Silveira Brum estabeleceu um marco na educação pública para o município de Muriaé, instituindo uma nova maneira de organização pedagógica, com a figura do diretor como responsável pela sistematização do trabalho; com a presença de um professor como regente do ensino primário, ministrando aulas a um grupo de alunos que estavam divididos por séries no ensino. Também cabe averiguar se, nesse período, aconteceram iniciativas voltadas para a concretização de uma aprendizagem progressiva e a gradativa implantação de uma prática pedagógica embasada nos princípios da escola nova. Por fim, como resultado dessa pesquisa, pretende-se tornar público este patrimônio, por meio do registro digital das imagens, dos materiais escolares e da gravação dos depoimentos dos sujeitos que fizeram parte da história dessa Escola.

778 ANÁLISE COMPARATIVA DE MODELOS DE ENSINO DA LEITURA PARA A ALFABETIZAÇÃO: O PROFA (2001 A 2002) E O LIVRO DE LILI (1950) FERNANDA ZANETTI BECALLI; CLEONARA MARIA SCHWARTZ. UFES, VITORIA - ES - BRASIL. O trabalho apresenta análise comparativa entre dois modelos de ensino da leitura que circularam no Brasil em períodos distintos, a fim de mostrar aspectos que têm contribuído para assegurar permanências de formas e maneiras de trabalhar o texto e a leitura na alfabetização. Analisou-se o modelo de ensino da leitura proposto pelo Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (PROFA), implementado pela Secretaria de Educação Fundamental (SEF) do Ministério da Educação (MEC) em 20 Estados brasileiros e no Distrito Federal, no período de 2001 a 2002, em comparação com o modelo de ensino da leitura proposto pela cartilha intitulada O Livro de Lili, amplamente utilizada na década 1950. Na comparação, analisamos a concepção de linguagem, de texto e de leitura que fundamentam os dois modelos de ensino de leitura. Teoricamente, o estudo se embasa no referencial bakhtiniano de linguagem e na Perspectiva Histórico-Cultural, e, metodologicamente, se configura como análise documental, pautada pela perspectiva dialógica do discurso, tendo em vista o diálogo tecido com o conjunto de documentos que compõem o kit de materiais escritos do PROFA e a materialidade da cartilha O Livro de Lili. A análise mostra que o PROFA, na tentativa de desvincilhar-se do modelo de textos apregoado pela abordagem associacionista de aprendizagem materializado nas cartilhas como um apregoado de frases independentes que não constitui um todo de sentido, propôs o trabalho com a leitura baseado em textos que as crianças sabem de cor. No entanto, ao prescrever "boas" situações de aprendizagem da leitura, o programa retomou o que já estava proposto na cartilha O Livro de Lili, visto que sugeriu aos professores que recortassem o texto em frases, depois em palavras, e, posteriormente, oferecessem o alfabeto móvel para que as crianças reconstruíssem o texto, estabelecendo correspondência entre partes do oral e partes do escrito, ajustando o que sabem de cor à escrita convencional. Nesse sentido, acreditamos que a proposta de trabalho com o texto do PROFA não contribuiu para romper com orientações metodológicas da década de 1950 no que diz respeito ao ensino da leitura nas classes de alfabetização, nem para que o ensino da leitura assumisse a significação de prática social que possibilita a formação da consciência crítica das crianças. Portanto, o estudo aponta que se faz necessário um redimensionamento das concepções de linguagem, de texto e de leitura que subjazem as propostas de ensino aprendizagem da leitura que circulam no País.

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366 ANÁLISE DE PROGRAMAS E DOCUMENTOS DA SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO EM MAIS DE UM QUARTO DE SÉCULO: O CONSTRUTIVISMO COMO DISCURSO PEDAGÓGICO OFICIAL NA REDE DE ENSINO PAULISTA ANA CAROLINA GALVÃO MARSIGLIA. UNESP, ARARAQUARA - SP - BRASIL. Na atualidade, remontando ao movimento da pedagogia nova, as pedagogias do “aprender a aprender” têm se firmado hegemonicamente, sendo diferentes discursos variantes de uma mesma concepção. O lema “aprender a aprender” contém uma atitude negativa em relação à educação escolar. Tal atitude é caracterizada por quatro princípios: 1) a aprendizagem que ocorra sem a transmissão intencional do conhecimento tem maior valor educativo; 2) o processo de aquisição ou construção do conhecimento tem mais valor do que o conhecimento em si mesmo; 3) uma atividade é verdadeiramente educativa somente quando é espontaneamente desencadeada e conduzida pelas necessidades e interesses dos alunos; 4) a escola deve ter por principal objetivo desenvolver uma alta capacidade de adaptação social nos indivíduos. Cada um desses princípios contém um acento de valor negativo em relação ao que caracteriza os aspectos clássicos na educação escolar: o ato educativo deve ser planejado; o conhecimento universal deve ser transmitido; o bom ensino é aquele que provoca o desenvolvimento e não que caminha a reboque dele; a escola deve desenvolver os alunos em suas máximas possibilidades, de forma que possam buscar a transformação da sociedade. A rede estadual de ensino paulista tem se guiado pelo construtivismo (pertencente às pedagogias do “aprender a aprender”) desde 1983 por meio de seus documentos oficiais. Assim, o objetivo geral dessa pesquisa é analisar os programas e documentos da Secretaria de Estado da Educação (SEE) publicados pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas e Fundação para o Desenvolvimento da Educação, relativos ao Ciclo I do ensino fundamental no período de 1983 a 2008, tendo em vista verificar a trajetória do discurso oficial construtivista neste Estado. Os objetivos específicos são: examinar a política educacional dos governos de André Franco Montoro, Orestes Quércia, Luiz Antônio Fleury Filho, Mário Covas Júnior, Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho e José Serra/Aberto Goldman, situando o contexto de produção e implantação dos programas e documentos da SEE; analisar conceitos aludidos nos textos sobre o papel do professor, a concepção de conhecimento e de aluno na visão do construtivismo; averiguar autores/artigos que são citados nos documentos, apurando repetições e mudanças de discurso dos principais representantes. Trata-se de pesquisa de doutorado, em andamento, cujo método é o materialismo histórico-dialético. Como resultados parciais, podemos apontar: que os diferentes programas implantados pelos governantes do período analisado não alteraram a linha pedagógica assumida desde 1983; as concepções sobre aluno, professor e conhecimento referidas nos textos apresentam identificação com o construtivismo, apesar de, especialmente na década de 1980, existirem posicionamentos contrários; Jean Piaget, Emília Ferreiro e Ana Teberosky são os autores mais mencionados como referencial teórico nas publicações analisadas até o momento (década de 1980). 1276 AS AULAS “AVULSAS” DE LATIM E O LYCEU PARAHYBANO: (1834-1877) CRISTIANO FERRONATO. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA, JOAO PESSOA - PB - BRASIL. O presente trabalho é parte de nossa tese de doutoramento, em andamento, que versa sobre a gênese e a formação do Lyceu Parahybano e do ensino secundário na Província da Parahyba do Norte, no século XIX. Temos como eixo central de análise neste texto, o comportamento do modelo antigo, das chamadas Aulas de Latim, na Província da Parahyba do Norte - no arco temporal iniciado em 1834 e que se prolonga até ao ano de 1877 – quando estas as aulas de Latim são oficialmente extintas, perante um novo modelo que estava sendo implantado, o de aglutinação das aulas do ensino secundário em instituições como o Lyceu Parahybano. Com a criação destas instituições (os Lyceus e Atheneus) pelo país pretendia-se dar um sentido próprio ao ensino secundário que era o de formação das elites locais para o aparelhamento do Estado que se estava a construir naquele momento, função que o ensino

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secundário, dado nas aulas avulsas então existentes, não conseguia atingir. As Aulas “avulsas de Latim” tinham um caráter de outro tempo “um tempo antigo” em oposição aos novos tempos que surgiam no país com a Independência e a necessidade da formação de quadros burocráticos para dar continuidade ao processo de construção da nação. Tempos que clamavam por um novo desenho curricular com maior complexidade e mais moderno. Os liceus seriam então as instituições de ensino criadas para este fim substituindo as chamadas aulas avulsas de Latim. Para a construção deste texto utilizamos como fontes os relatórios da administração provincial, que contem os mapas da instrução secundária, nos três modelos praticados na província da Parahyba do Norte: do Lyceu Parahybano; das Aulas de Latim públicas; das Aulas de Latim do ensino particular. Tentaremos na análise da realidade aqui estudada observar o ponto de vista dos professores - na medida em que a documentação nos auxiliar – e também dos responsáveis pela instrução pública quais sejam: presidentes da Província, Diretores da Instrução Pública. As fontes que mencionamos são compostas, sobretudo por documentação que as autoridades públicas redigiam para serem apresentadas na Assembléia Legislativa Provincial, sendo assim apresentada ao conhecimento dos políticos locais. São documentos produzidos para que outros soubessem, e no caso dos professores, de acordo com normas que lhes eram propostas pelo poder. Disso conclui-se que pela sua própria natureza seja uma documentação com a visão de uma parte dos intervenientes, a parte que queria que os outros ficassem a conhecer. Tentaremos na análise da realidade aqui estudada observar o ponto de vista dos professores – na medida em que a documentação nos auxiliar – e também dos responsáveis pela instrução pública como Presidentes de Província e Diretores da Instrução Pública. Para auxiliar em nossa análise utilizamos autores como: Nóvoa (2003), Faria Filho (2000), Ramos (1998) e Pinheiro (2002). 924 AS CASAS DE EDUCAÇÃO E O ENSINO PARTICULAR EM PORTUGAL E NO ULTRAMAR (1759-1821) CHRISTIANNI CARDOSO MORAIS. UFSJ, SAO JOAO DEL REI - MG - BRASIL. No contexto colonial, o papel das aulas régias era o de reproduzir a ordem estamental. Ler, escrever e contar não eram habilidades possuídas pela grande maioria dos súditos do Império Lusitano. Mesmo com todas as restrições, a disseminação da cultura escrita entre alguns que pertenciam aos estratos menos abastados da sociedade poderia ser vista como útil e benéfica ao Estado, partindo do pressuposto de que estes espaços educativos deveriam exercer ações preventivas e assistenciais. O presente trabalho apresenta resultados finais de minha tese de doutoramento e se insere no eixo temático “História das Instituições e Práticas Educativas”. Tem como objetivo inventariar e analisar iniciativas de religiosos e leigos que se dedicavam ao ensino feminino ou ainda à educação de meninos órfãos, além de estratégias familiares para a disseminação da cultura escrita, tanto em Portugal quanto em suas possessões. Foram analisadas a legislação educacional do período, concursos de professores e relatórios dos diversos órgãos responsáveis pela fiscalização das aulas públicas e particulares. O recorte cronológico respeita o fato de haver uma regulamentação por parte do Estado Português, para todas as instituições educativas aqui analisadas, desde o ano de 1759 até 1821. O tratamento da documentação evidencia que as iniciativas estudadas favoreciam, sobretudo, a instrução masculina. O ensino privado ou particular possuía duas modalidades: público e doméstico. O público era quando o professor licenciado (ou examinado) dava as aulas em sua própria casa ou na casa do aluno. No segundo caso, o mestre vivia na casa da família que o contratava, tornando-se um preceptor. Entre as famílias mais abastadas da Metrópole, contratar um preceptor era um costume enraizado. As aulas particulares, de qualquer espécie, eram uma saída para aqueles poucos que podiam arcar com tal despesa. Havia ainda situações em que os professores particulares acolhiam, em suas residências, alguns alunos, criando casas de educação particulares. Mesmo sendo impossível conseguir reunir dados quantitativos que possibilitem uma estatística das aulas particulares no período colonial, as fontes permitem asseverar que o ensino pago pelas famílias existia, tendo sido experimentado tanto em Portugal quanto em suas possessões no ultramar. Dessa forma, percebe-se que o Estado Lusitano racionalizou e homogeneizou uma estrutura educativa existente, aproveitando-se de iniciativas escolares experimentadas e eficientes. Estas conclusões permitem lançar luzes sobre instituições e práticas educativas pouco estudadas pelos pesquisadores da História da Educação que se debruçam sobre o período colonial.

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422 AS ESCOLAS ISOLADAS EM MARIANA-MG NO INÍCIO DA PRIMEIRA REPÚBLICA: O DESAFIO DE ORGANIZAR E OFERECER O ENSINO PÚBLICO PRIMÁRIO LÍVIA CAROLINA VIEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, BOITUVA - SP - BRASIL. Proclamada a República, em 1889, as inúmeras questões sobre como e porque realizar a educação nos diferentes níveis chegavam aos discursos políticos de todo o Brasil. A educação das crianças e jovens era um desafio para os novos dirigentes republicanos, pretensos (re)construtores da nação e de guardiões dos direitos do povo, como observamos na mensagem de Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República, datada de 1890, “Até hontem a nossa missão era fundar a republica; hoje o nosso supremo dever perante a pátria e o mundo é conserval-a e engrandecel- a. Não se mudam instituições para persistir em defeitos inveterados, ou para causar simples deslocações de homens”. Nesse processo de construção da nação, a criação de instituições educacionais, públicas e privadas, precisava crescer rapidamente, o que refletiu nos primeiros trinta anos da República, em políticas nas quais os estados brasileiros, com autonomia constitucional para gerir o ensino primário, implementaram muitas reformas na tentativa de promover mudanças. Minas Gerais e outros estados com destaque nacional, como São Paulo e Rio de Janeiro dão maior atenção a educação. A diferenciação quanto à promoção da educação nos estados fica clara quando se observa que o Brasil além de ainda ter mantido sua base agrária e rural, com uma pequena parcela da população nas áreas urbanas e um grande atraso industrial, contava com grandes diferenças econômicas entre os estados brasileiros. Ao remeter a responsabilidade da educação aos estados, remeteu-a também as condições de atraso ou avanço das diferentes regiões. Este trabalho teve o objetivo de analisar uma dessas reformas, a regulamentação e implantação das escolas isoladas na cidade de Mariana- MG, no período da Primeira República que antecede a criação dos Grupos Escolares (1889-1909). Para tal foram analisados os documentos dos seguintes arquivos: da Câmara Municipal de Mariana (atas das reuniões e orçamentos), da Cúria Metropolitana de Mariana (jornais) e do Arquivo Público Mineiro (documentos escolares, jornais, mensagens presidenciais e legislações). Os resultados obtidos apontaram que no fim do século XIX, as importantes escolas da cidade de Mariana eram particulares e/ou ligadas a igreja católica. Paralelamente funcionavam as escolas isoladas públicas, poucas e restritas a uma pequena parcela da população, o ensino era limitado e os alunos dificilmente prosseguiam os estudos. O ensino primário público não estava entre as prioridades da Câmara de Mariana, e pouco apareceu nas atas das reuniões do período contemplado neste estudo e a Câmara pouca atenção deu as escolas isoladas. O número de professores normalistas era pequeno, apesar de haver a Escola Normal de Ouro Preto e a frequência em todas as escolas isoladas era bastante insatisfatória se considerarmos que correspondia a apenas a metade dos alunos matriculados.

402 AS ESCRITAS OBRIGATÓRIAS NOS CADERNOS ESCOLARES ALICE RIGONI JACQUES. PUCRS, PORTO ALEGRE - RS - BRASIL. O presente artigo apresenta um estudo sobre as escritas obrigatórias nos cadernos escolares da 1ª série do Curso Primário do Colégio Farroupilha de Porto Alegre/ do estado do Rio Grande do Sul, na década de 1950 e que fazem parte do acervo do Memorial da escola. O objetivo deste trabalho é mostrar que as percepções da escola e dos valores educativos se refletem nas práticas educativas dos cadernos escolares e que as escritas que aparecem não surgem de uma exigência íntima, mas de um controle e de uma disciplina instituída pelos professores, pois os textos, exercícios, cópias, atividades de caligrafia e ditados realizados pelos alunos pertencem à categoria de “escritas obrigatórias”, ou seja, aquelas que simplesmente eram um reflexo das palavras e atitudes do professor ou do livro de texto e que se reproduziam nos cadernos escolares. Pouquíssimos tipos de escritas encorajavam a criatividade dos alunos. A maioria deles apontam fragmentos de cerceamento oriundos dos professores e da prática pedagógica da instituição de ensino. Neste trabalho, o estudo irá centrar-se nos cadernos de caligrafia, 189

cópias e ditados da 1ª série do Curso Primário de uma escola alemã do século XX, uma vez que haviam cadernos diferentes para várias atividades desenvolvidas. Os exercícios que versam sobre a escola, hábitos e atitudes saudáveis e conteúdos de civilidade serão analisados. A importância do estudo, a necessidade de aprender, a imagem da sala de aula e do professor, a utilidade dos conhecimentos escolares – especialmente da leitura e da escrita – e suas possíveis aplicações foram aspectos que se trabalharam nas salas de aula e que os alunos modelaram em seus cadernos escolares, de forma mais controlada do que espontânea. O recorte deste estudo consistiu na análise dessas escritas de cinco cadernos escolares da década de 1950 que foi realizada a partir de uma pesquisa documental, leitura, categorização e formação de unidades para interpretação dos documentos. Com este estudo, concluise, que as escritas obrigatórias nos cadernos escolares evidenciam, os valores transmitidos pelos docentes através das cópias e dos ditados a partir da interiorização e expressão que os discentes faziam desses valores em suas redações e composições livres. Sabemos que ao entrar na escola, há uma infinidade de coisas a serem aprendidas. O uso dos cadernos, com toda a complexidade e diversidade de saberes, faz parte dessa inserção. O que não sabemos talvez, é se o caderno escolar refletia exclusivamente a personalidade do professor, ou também a da criança, isso ainda é uma interrogação que permanece flutuando no ar.

1214 AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SECUNDÁRIO EM CAMPO GRANDE: SUL DO ESTADO DE MATO GROSSO (1910-1940) REGINA TEREZA CESTARI DE OLIVEIRA. UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL. Esta pesquisa, em fase de conclusão, vincula-se ao projeto integrado “As Instituições Escolares no Sul do Estado de Mato Grosso: gênese, implantação e consolidação (1910 -1940)”, que busca compreender o processo histórico de implantação e consolidação das instituições escolares, no âmbito das políticas educacionais, na região sul do estado de Mato Grosso. Este estado foi desmembrado em 1977, criandose o estado de Mato Grosso do Sul (MS), o que justifica o recorte espacial. Parte-se do entendimento de que essas instituições são necessariamente sociais, criadas como unidades de ação e expressam visões de mundo diferenciadas. Objetiva-se, aqui, analisar o processo de implantação do ensino secundário na referida região, entre as décadas de 1910 e 1940, tendo como referência as reformas educacionais nacionais do período. Destaca-se as primeiras instituições criadas em Campo Grande (capital do estado de MS), para oferecer esse nível de ensino, ou seja: o Ginásio Osvaldo Cruz - setor particular -, em 1927; e o Ginásio Municipal Dom Bosco - setor confessional-católico -, em 1930 (fundado, originalmente, pelo Instituto Pestalozzi, em 1917). O recorte cronológico leva em consideração o processo de criação e organização de ambos os ginásios, no referido período. A investigação baseia-se em fontes documentais constituídas por leis, regulamentos, mensagens presidenciais encaminhadas à Assembléia Legislativa do estado, relatórios de inspetores, levantados em arquivos públicos e particulares, atas da Câmara Municipal de Campo Grande, assim como jornais da época. Nas primeiras décadas da República, o ensino secundário, considerado como mecanismo de ascensão social, passou por várias reformas em âmbito nacional e tinha como objetivo principal formar a elite dirigente, que ingressaria no ensino superior. Assim, a escassez de estabelecimentos de ensino secundário no país, confirma o seu caráter altamente seletivo, decorrente da política adotada pelo Estado brasileiro. Os resultados mostram que o ensino secundário no sul do estado de Mato Grosso, começou com a ação da iniciativa privada, situação que não se diferenciava da maioria dos estados do país que, de modo geral, mantinha apenas um ginásio – modelo nas capitais - como foi o caso do Liceu Cuiabano, localizado em Cuiabá (capital do estado de Mato Grosso). Diante da ausência de ginásios públicos, a fração social dirigente do sul de Campo Grande investiu na criação do ensino secundário, na tentativa de garantir o poder no espaço sulmato-grossense, no contexto de modernização e aumento populacional dessa cidade. Portanto, até o final da década de 1930, a iniciativa particular assumiu a responsabilidade de ministrar o ensino secundário no sul do estado, na medida em que o poder público estadual criou o primeiro ginásio público, isto é, o Ginásio Estadual Campo-Grandense em Campo Grande, somente em 1939.

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1078 AS MUDANÇAS CURRICULARES DOS GINÁSIOS VOCACIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO: DO DESPERTAR DA VOCAÇÃO AO DESPERTAR DA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DANIEL FERRAZ CHIOZZINI. USP, SAO PAULO - SP - BRASIL. A comunicação é um trecho da minha pesquisa de Doutorado, que consiste em um estudo da história e da memória dos Ginásios Estaduais Vocacionais, projeto experimental educacional desenvolvido entre 1961 e 1969 no Estado de São Paulo, a partir da análise de documentos escritos, gravações de reuniões pedagógicas da época e bibliografia de referência. A análise dos registros da memória individual de dois educadores que participaram desse projeto experimental, realizada durante a pesquisa de Mestrado, foi o ponto de partida para o estudo da memória coletiva dos Ginásios, permitindo identificar as diferenças, conflitos internos e crises existentes na sua cúpula administrativa, o Serviço do Ensino Vocacional (SEV). A mais emblemática dessas crises ocorreu em 1968, quando houve a demissão da maioria dos supervisores de área. A demissão foi motivada pela aproximação da Coordenadora Geral das escolas com um grupo de educadores que, na ocasião, havia entrado recentemente no SEV e que passou a questionar as diretrizes educacionais então existentes. Esse novo grupo defendia um questionamento maior do regime militar e práticas educativas mais “engajadas”. Posteriormente, na pesquisa de Doutorado, busquei identificar na documentação escrita sobre a proposta pedagógica dos Ginásios, em diferentes momentos da sua história, a repercussão dessas divisões internas e dessas mudanças. Nesse sentido, foi utilizado como principal referencial um texto produzido para o I Simpósio de Ensino Vocacional, ocorrido durante a 20ª. Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada de 7 a 13 de junho de 1968, em São Paulo, e publicado na revista científica Ciência e Cultura. As categorias e conceitos apresentados nessa publicação foram analisados e comparados com outros documentos produzidos pelo SEV na mesma conjuntura histórica e em períodos anteriores, alguns deles utilizados para discussão junto ao grupo de professores. Como o Simpósio ocorreu alguns meses antes da demissão dos supervisores, a discussão desse material foi o ponto de partida para compreender como as diferenças entre o novo grupo de educadores, que ingressou a partir de 1967, e os que já atuavam estão refletidas nos documentos associados à proposta político-pedagógica dos Ginásios Vocacionais, assim como para investigar até que ponto essas divergências atingiam o grupo de professores dos Ginásios ou se restringiam a cúpula administrativa do Serviço de Ensino Vocacional (SEV). Sendo assim, a comunicação é uma exposição desse capítulo da tese, que consiste na interpretação da proposta educacional desenvolvida no âmbito do Serviço do Ensino Vocacional como espaço de conflito de grupos internos, representativos de projetos distintos de escola experimental que se constituíram ao longo da existência dos Ginásios Vocacionais. Esses conflitos chegaram a influenciar, para além da proposta educacional das escolas, diferentes memórias da experiência como um todo. 1127 AS PRÁTICAS DE DIVERSÃO DE ESTUDANTES DE DIREITO DA ACADEMIA JURÍDICA DE SÃO PAULO NA OBRA DO MEMORIALISTA ALMEIDA NOGUEIRA, 1827-1890 MARINA SANTOS COSTA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI, SAO JOAO DEL REI - MG - BRASIL. Este trabalho apresenta resultados parciais de minha dissertação de mestrado, cujo principal objetivo é investigar as práticas de diversão levadas a cabo pelos estudantes da Academia Jurídica de São Paulo, entre 1827 a 1890. Entendemos por práticas de diversão todas aquelas atividades extraescolares desenvolvidas pelos estudantes, mas quase sempre ligadas à Academia. Para analisar como se deram essas práticas de diversão dentro e no entorno da Faculdade e os sentidos que elas assumiram para os estudantes, tomamos como fonte principal a obra de Almeida Nogueira, estudante da Academia em um tempo, professor da mesma em outro, intitulada: Tradições e reminiscências: estudantes, estudantões e estudantadas. Organizada em nove volumes, a obra relata crônicas da Academia de São Paulo desde a sua fundação em 1827 até 1890, o que favoreceu o estabelecimento do recorte cronológico do estudo. Foi feita uma leitura minuciosa da produção de Almeida Nogueira à procura das práticas de diversão e 191

das configurações estabelecidas naquele espaço/tempo para o levantamento de categorias de análise, dentre as quais os esportes, as festas, passeios, brincadeiras, os jogos de salão, os discursos amorosos, produções artísticas e literárias etc. Estas categorias foram organizadas em um banco de dados, o que permitiu uma análise quantitativa das recorrências das práticas de diversão dos estudantes. Atualmente, temos nos dedicado ao cruzamento destas informações com outras fontes: os periódicos paulistas que circulavam na época. Estes dados têm sido analisados a partir dos pressupostos de Norbert Elias, especialmente os conceitos de configuração e redes de interdependências. Dessa forma, a pesquisa permite a compreensão da dinâmica das relações sociais estabelecidas entre os sujeitos da Academia, as forças que esses indivíduos exercem uns sobre os outros, os conflitos e tensões presentes nesse espaço, o pertencimento social desses sujeitos e suas interações com o contexto da cidade de São Paulo, o processo de construção da identidade dos próprios estudantes em suas práticas de diversão. Os resultados preliminares indicam que a Academia de Direito era um espaço bastante rico em práticas culturais, dentre elas, as práticas de diversão que funcionavam como uma das estratégias efetuadas pelos estudantes para produzir suas relações sociais e de cotidianidade na Academia e em seu entorno. Essa profusão de práticas de diversão permite um aprofundamento nos estudos que vem se ocupando com as questões atinentes ao eixo temático “História das Instituições e Práticas Educativas”, o que traz contribuições para o campo da História da Educação no que se refere ao ensino superior e às práticas educativas cotidianas, não intencionais. 1350 AS PRÁTICAS ESCOLARES DA ESCOLA PRIMÁRIA PAULISTA NO FINAL DO SÉCULO XIX ANALETE REGINA SCHELBAUER. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, MARINGÁ - PR - BRASIL. Sobre a difusão da escolarização primária no Brasil, é comum focalizarmos as primeiras décadas republicanas, as reformas da Escola Normal e da Escola Primária, a criação dos Grupos Escolares, da Escola Modelo, do Jardim de Infância. O olhar para o momento imediatamente anterior a este se constitui em cenário para análise da temática em foco. O título – “As práticas escolares da escola primária paulista no final do século XIX” – anuncia a finalidade da comunicação, que tem como contexto a difusão da escolarização elementar salientada como um dos elementos de modernização da nação brasileira. Sob esta perspectiva, emergem iniciativas de reorganização da escola primária em diferentes províncias. Neste quadro, São Paulo configura-se como um terreno fértil para compreender as ações decorrentes desse movimento, consubstanciadas pelas leis e regulamentos da instrução pública, discutidos e aprovados no decorrer da década de 1880, e pelos relatórios dos professores primários, que traduzem a forma como essas normas foram apropriadas no âmbito escolar. Tais fontes enunciam os primeiros vestígios das práticas escolares e dos processos educativos que se consubstanciaram como modelares nas reformas educacionais do período republicano entre os anos de 1890 e 1896. Os documentos analisados fazem parte das fontes impressa e manuscrita sobre a Série Instrução Pública, do Arquivo do Estado de São Paulo, que compreendem as leis e regulamentos da instrução pública provincial, as atas do Conselho Superior de Instrução Pública, os relatórios dos professores primários da capital e de algumas localidades da província. A partir da análise de dois espaços discursivos caracterizados pelas fontes oficiais – pelas leis, regulamentos e regimentos da instrução pública paulista e pelos relatórios dos professores públicos primários –, pretendemos iluminar o foco sobre esse momento ao qual se pode atribuir esforços de organização e difusão da escolarização primária. As concretizações relativas a esse ramo de ensino no final do Império permitem destacar as iniciativas que imprimiram em cores e formas, os antecedentes da escola primária republicana. A análise desse período permite precisar o lugar e o momento em que rupturas ocorreram, inovações foram propagadas, processos educativos estabelecidos, determinados conhecimentos passaram a ser transmitidos pela escola, condutas foram prescritas e cumpridas por professores e alunos, modelos pedagógicos aceitos como válidos e mais eficientes no ensino e na aprendizagem das crianças. A temática justifica-se pela centralidade do debate educacional em torno da difusão da escolarização popular, vista como um dos elementos de modernização da nação brasileira, o qual fez emergir inúmeras iniciativas de renovação educacional, muitas das quais foram normalizadas, prescrevendo os processos educativos e regulamentando as práticas escolares dos professores primários.

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1401 AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO IMPERIAL COLLEGIO DE PEDRO II: 1838-1878 KARL MICHAEL LORENZ. SACRED HEART UNIVERSITY, CONNECTICUT - ESTADOS UNIDOS. A produção e o uso de materiais pedagógicos para uso escolar na segunda metade do século XIX resultaram de teorias e princípios pedagógicos inovadores. Estes mesmos utensílios, quando tomados como fontes históricas, podem desvelar facetas das práticas pedagógicas vivenciadas em instituições escolares. Este estudo tem por objetivo analisar aspectos das práticas pedagógicas vivenciadas no Collegio de Pedro II, no período de 1838 a 1878. Justifica-se este recorte temporal, uma vez que, em 1838, foi implementado o primeiro Plano de Estudos do Collegio e a implementação do Plano de Estudos de 1878, marcou a ruptura de um 'padrão' de ensino adotado até então.No aspecto teóricometodologico, a investigação se insere na História da cultura material escolar, que tem como matriz uma das vertentes da História Cultural . Está baseado nas seguintes fontes: Planos de Estudos, Programas de Ensino, as Tabelas das Aulas e os Livros Didáticos adotados na instituição no período. Uma análise dos Planos de Estudos adotados revela que os mesmos traziam as marcas do ensino secundário europeu, especialmente do adotado na França; contemplavam prioritariamente os estudos clássicos humanísticos, sem contudo, deixar de lado os estudos modernos nomeadamente os de Ciências Físicas e Naturais e as Línguas 'vivas'. As Tabelas das Aulas permitem conhecer com que profundidade estes estudos eram tratados, uma vez que a carga-horária atribuída a cada disciplina revela a ênfase dada a cada área de conhecimento. Os resultados demonstram que a prática pedagógica dos professores tinha que se mover dentro destes limites permitidos. Já a análise dos Programas de Ensino e dos Livros Didáticos revelam a visão dos conteúdos ensinados em cada disciplina, bem como a orientação metodológica adotada. Os resultados demonstram que, no período em estudo, os conteúdos ensinados seguiam as tendências do ensino secundário da Europa Central; eram estudos embasados nas mais modernas tendências teórico-metodológicas de cada campo do conhecimento, em voga na Europa. Em relação aos métodos de ensino adotados, como não poderia deixar se ser, refletiam os princípios pedagógicos de sua época, um ensino ainda predominantemente verbalista, centrado nos conteúdos e na figura do professor, porém, as novas tendências pedagógicas já se faziam presentes, notadamente no ensino das línguas modernas, nas Ciências e no campo da História e da Geografia.

1372 AS RELAÇÕES DE PODER NA TRAJETÓRIA DO CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE CAXIAS -1968-2002 ROLDÃO RIBEIRO BARBOSA. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO, CAXIAS - MA - BRASIL. Este é um recorte da pesquisa que está sendo desenvolvida com o título História e memória do CESC Centro de Estudos Superiores de Caxias (1968-2002), com o objetivo de construir a história dessa instituição que teve e ainda tem uma importância estratégica para a interiorização da educação escolar e o desenvolvimento no Estado do Maranhão. Mas em se tratando da questão do poder, intenta-se construir uma história das relações que se estabeleceram em nível local e estadual, seja internamente na instituição, desta com a instância hierárquica superior ou na relação desta com o poder local e com o poder estadual. A questão norteadora é a de como os sujeitos históricos operacionalizaram o poder para que o CESC tirasse o maior proveito possível na relação interna e nas relações com FESM/UEMA, bem como com os poderes constituídos a nível municipal e estadual. Na construção da tessitura histórica utilizaram-se três tipos de fontes: escritas, orais e imagéticas. As fontes escritas consistiram de produção historiográfica, documentos oficiais e não oficiais e reportagens de jornais; as fontes orais compõem-se de entrevistas colhidas de ex-alunos, agentes administrativos, professores, diretores, reitores e secretário de educação, que tiveram passagem nessa trajetória do CESC; das fontes imagéticas constam fotografias que registram os momentos mais solenes e rotinas da vida da instituição. Na discussão dos dados empíricos utilizam-se os conceitos de memória de Jacques Le Goff, de história de Walter Benjamin, de campo de Pierre Bourdieu, relações de poder de Norbert Elias, de 193

cooptação de Norberto Bobbio e de bloco histórico de Antônio Gramsci. O estudo compreende três eixos fundamentais: as relações de poder que engendraram a criação e implantação do CESC; as relações internas de poder em vista do exercício do poder no cotidiano interno do CESC; as relações externas de poder com as instâncias hierárquicas superiores e as esferas municipal e estadual. Dos dados extraíram-se as seguintes observações: o poder enquanto capacidade ou potencialidade para transformar uma idéia ou projeto em ação, embora seja algo engendrado historicamente nas relações sociais, nem sempre seus detentores o compreendem assim; nenhum poder se mantém se não estiver apoiado num bloco histórico ou em um grupo que lhe de respaldo; nas instituições educativas se reproduzem em dimensões micro as mesmas relações que engendram o poder na dimensão macro. Mas apesar dos condicionamentos de um poder central e maior, as instituições educativas se constituem em campos de resistência e de autonomia, embora relativizadas, frente aos setores dominantes da sociedade.

601 ASSISTÊNCIA AOS “MOÇOS POBRES” DA UNIVERSIDADE DE MINAS GERAIS: A CAIXA DO ESTUDANTE POBRE EDELWEISS BARCELLOS (1930–1935) LAERTHE DE MORAES ABREU JUNIOR; ALICE CONCEIÇÃO CHRISTOFARO. UFSJ, SAO JOAO DEL REI - MG - BRASIL. Este trabalho tem como objeto de pesquisa a ação de assistência aos estudantes da Universidade de Minas Gerais (UMG) realizada pela “Caixa do Estudante Pobre Edelweiss Barcelos” (CEPEB) no período de 1930 a 1935. As primeiras ações de assistência estudantil relacionadas aos cursos superiores que passariam a integrar a UMG se deram em 1912, com a Fundação Affonso Penna que, criada pela Faculdade de Direito de Minas Gerais, se destinava à assistência aos alunos “carentes de recursos”. Em 1929, dois anos após a consolidação da UMG, foi criada a Associação Universitária Mineira (AUM), com atividades voltadas à integração da educação universitária sob o ponto de vista moral, intelectual e físico, inclusive assistência estudantil, fornecendo empréstimos de honra aos estudantes necessitados e cujas identidades deveriam ser resguardadas conforme estatuto próprio. A renúncia do reitor da UMG Mendes Pimentel em 1930, apontado como um dos principais mantenedores da AUM, inaugurou um período em que as atividades desta se paralisaram. A nova Reitoria assumiu as atividades de assistência ao estudante pobre e criou o Conselho de Assistência aos Universitários, que deveria ser presidido pelo Reitor. Tal iniciativa supostamente não atendida às demandas daqueles estudantes até então assistidos pela AUM. A Caixa do Estudante Pobre Edelweiss Barcelos passa a atuar nesse contexto, proporcionando aos chamados “moços pobres” a assistência relacionada a taxas de matrícula, mensalidade, empréstimos e assistência em casos de doença. Criada em 1930, a CEPEB conta com a figura das Rainhas dos Estudantes Pobres, personagens de destaque no contexto social e estudantil da época. A primeira Rainha, Edelweiss Barcelos, presidiu a CEPEB entre os anos de 1930 a 1932, sucedida pela Srta Dayse Prates, que até 1935 esteve à frente da CEPEB, quando então a AUM retoma suas atividades. A presente pesquisa encontra-se em andamento, e como metodologia, utilizamos como fontes primárias os detalhados questionários de pedido de auxílio, cartas, pareceres, pedidos políticos, extratos de entrevistas, livro-caixa, livros de benefícios, livros de eventos beneficentes, buscando reconstruir a trajetória da CEPEB e a ação das Rainhas dos Estudantes da UMG no recorte citado, estabelecendo a hipótese de que, para o acesso e permanência no ensino superior, antes frequentado pelas elites econômicas e sociais, os estudantes pobres passam a estabelecer negociações, constituindo assim possíveis relações de poder no interior da UMG que derivam das questões sociais que permearam o contexto histórico das décadas de 1920 e 1930.

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604 AULAS E PROFESSORES RÉGIOS NO RECÔNCAVO DA GUANABARA (1808-1837) JORDANIA GUEDES. UNIRIO, NOVA IGUACU - RJ - BRASIL. O objetivo deste trabalho, fruto da pesquisa em andamento a cerca das instituições escolares e suas práticas educativas no Município de Iguassú no Século XIX é apresentar a trajetória de professores régios de primeiras letras nas Freguesias de Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora do Pilar, ambas na região hoje conhecida como Nova Iguaçu na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Após a expulsão dos jesuítas de todo o Império Português, foi necessária a reorganização do ensino oficial público, que não foi realizada de forma homogênea e extensiva a toda a população. Esta reforma se deu através do sistema de aulas régias, que foram divididas em disciplinas isoladas como desenho, retórica, gramática, dentre outras e como o encontrado em terras iguassuanas: disciplinas elementares de ler, escrever, crer e contar. As fontes utilizadas para a confecção deste artigo estão sob a guarda do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e são compostas por requerimentos de candidatos à função, requerimentos de mestres em exercício, substituições de docentes e atestados de boa conduta elaborados pela igreja local. O sistema de aulas régias permaneceu no Império do Brasil entre os anos de 1759 e 1822, quando foi denominado de aulas públicas. Na documentação analisada para este trabalho, os registros de aulas régias em Iguassú permanecem até o ano de 1828, onde o professor da Freguesia de Piedade pede que sua licença seja mais uma vez renovada. Após este registro pistas sobre a continuidade desta prática são encontradas após o ano de 1833 quando a municipalidade da região é decretada como também sua anexação a Província do Rio de Janeiro, todavia nos relatórios oficiais do governo a primeira escola pública de primeiras letras para meninos é criada no ano de 1837. Através da documentação analisada é possível afirmar que não houve mudança, reorganização e até mesmo ruptura entre os sistemas de ensino após a Independência Brasileira e o ideário de uma nação brasileira ordeira e civilizada através do ensino e instrução, da Lei Geral de Instrução em 1827, que ordenava a construção de escolas em cidades, vilas e lugares populosos, como também do Ato Adicional de 1834 que designou que as Províncias reorganizariam, legislariam o ensino primário e secundário. Recuperar o cotidiano de tais escolas e da profissão docente neste período histórico, perceber as questões sociais e religiosas que permeavam este espaço público por conta de seus vários agentes, são os principais desafios para uma possível elucidação do que foram as aulas régias no recôncavo da Guanabara.

699 AÇÃO DA INSPETORIA DA INSTRUÇÃO PÚBLICA NA PROVINCIA DO MARANHÃO NA DECADA DE 50 DO SECULO XIX JOSECLEIDE SAMPAIO DA ROCHA; JOSIVAN COSTA COELHO; CESAR AUGUSTO CASTRO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO, SAO LUIS - MA - BRASIL. Este trabalho ancora-se no projeto de pesquisa ainda em andamento “A ação da Inspetoria Geral da Instrução Pública na Província do Maranhão no período de 1835 a 1889”, que pertence ao Núcleo de Estudo em História da Educação e das Práticas Leitoras no Maranhão-NEDHEL-UFMA. Pretende-se neste trabalho compreender a constituição da inspeção da instrução, associada ao processo de profissionalização docente no século XIX, como instrumento que almejou o controle e o exercício do ofício, por meio de práticas, livros, materiais, circulação e movimentação de professores. Propõe-se investigar, neste estudo, o modo como os professores públicos primários, sob a vigilância da Inspetoria Geral Pública na Província do Maranhão de Instrução Primária e Secundária, lidavam com a ação de serem fiscalizados, bem como suas relações com a inspetoria, as estratégias que utilizavam para contornar os mecanismos de inspeção, as discussões e questões debatidas no campo pedagógico. Busca-se identificar as estratégias de imposição adotadas pelo governo e pela respectiva Inspetoria por meio dos decretos, regulamentos, portarias e visitas aos estabelecimentos educacionais, como também detectar as táticas de apropriação adotadas por professores e alunos no processo de formação de saberes e nas metodologias adotadas nas práticas pedagógicas no ato educativo. Analisam-se e tenta-se 195

apreender as representações construídas pelos inspetores expressas nos Relatórios dos Presidentes da Província, Relatórios dos Inspetores da Instrução Pública, Ofícios, Regulamentos, Leis e Decretos sobre a Instrução Pública e Relatórios dos Diretores do Liceu. Pretende-se analisar o contexto político e cultural da sociedade maranhense, a fim de identificar como estes elementos estruturadores e estruturantes influenciaram a ação deste mecanismo no processo de escolarização e de sociabilidade. Utiliza-se para proceder à análise dos documentos da Inspetoria da Instrução Pública, como metodologia norteadora, o levantamento desses materiais no Arquivo Público do Estado do Maranhão, e em seguida a sua análise e compreensão por meio do método indiciário ginzburgiano, tentando-se encontrar os vestígios e marcas não ditas no corpo da documentação num constante questionar. Pode-se a priori afirmar que a Inspetoria da Instrução Pública era/foi um mecanismo criado pelo governo provincial que buscava regular o bom andamento das aulas, fiscalizando os professores e alunos e servindo ainda como ponte entre os Delegados da Instrução e o Presidente da Província a fim de por em práticas as estratégias estabelecidas pelo governo. Objetiva-se com esta pesquisa contribuir para os estudos referentes à História da Educação Maranhense e discutir a ação desses mecanismos existentes supostamente para estabelecer a boa ordem da Instrução Pública no Maranhão Oitocentista.

616 AÇÕES EDUCATIVAS DO MUSEU NACIONAL PARA DIVULGAÇÃO DAS CIÊNCIAS E POPULARIZAÇÃO DA CULTURA BRASILEIRA, NAS DÉCADAS DE 1920 E 1930 PAULO ROGÉRIO MARQUES SILY; JOSY DE ALMEIDA SANTOS. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UERJ), RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Este trabalho tem por objetivo investigar as razões pelas quais o Museu Nacional do Rio de Janeiro, nas décadas de 1920 e de 1930, se investiu ou foi investido de funções educativas voltadas para a divulgação da ciência e para a popularização da educação, buscando compreender suas intenções e seus significados, tomando como referência as ações desenvolvidas pelo Museu Nacional associadas às demandas da instrução pública e de estabelecimentos escolares brasileiros nesse período. Para esses estudos, procuramos considerar os debates sobre a educação, as idéias pedagógicas em circulação, os novos métodos de ensino propostos para a instrução pública, as funções sociais dos museus e suas práticas educativas à época, em uma conjuntura marcada, entre outras, pela institucionalização da ciência, pela racionalização da pedagogia e pela nacionalização da educação. Durante a gestão dos diretores Bruno Álvares da Silva Lobo (1915 – 1922), Arthur Hehl Neiva (1923 - 1926 ) e Edgard Roquette Pinto (1926 - 1935) o Museu Nacional criou estratégias para divulgação das ciências e popularização da cultura brasileira, o que resultou em ações promovidas por seus setores e seções de pesquisa, orientadas por professores e cientistas. Para desenvolver tais estratégias e atingir seus objetivos foi necessário produzir diferentes tipos de materiais para servirem como recursos pedagógicos em práticas educativas, a saber: coleções didáticas e quadros murais, para comporem gabinetes de História Natural e museus escolares, em estabelecimentos de ensino; filmes e diapositivos, com temáticas relacionadas às ciências, utilizados em cursos e conferências para professores e alunos de diferentes níveis de ensino, oferecidos pelo próprio Museu; A Revista Nacional de Educação, editada e publicada pelo Museu Nacional, entre 1932 e 1934, com objetivo de levar o conhecimento das Ciências, das Letras e das Artes às famílias brasileiras e aos professores e alunos de diferentes estados. Como fontes para essa pesquisa estão sendo analisados os relatórios anuais dos diretores e dos chefes das seções de pesquisa do Museu Nacional; os relatórios produzidos por Bertha Lutz (bióloga e funcionária do Museu Nacional) em suas viagens no Brasil e no exterior, na década de 1920 e de 1930, para estudos sobre museus e suas ações educativas; as conferências da Associação Brasileira de Educação (ABE); periódicos - jornais de grande circulação, revistas especializadas - localizados nos arquivos do Museu Nacional, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e da ABE.

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1230 BIBLIOGRAFIA BRASILEIRA SOBRE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL (1953 E 2010) SUELI IWASAWA. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, MARÍLIA - SP - BRASIL. Neste texto, apresentam-se resultados parciais de pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia, vinculada à linha “Alfabetização” do Gphellb – Grupo de Pesquisa “História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil, do Projeto Integrado de Pesquisa “História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil” e do Projeto Integrado de Pesquisa “Bibliografia Brasileira sobre História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil (2003-2011)” (auxílio CNPq), todos coordenados pela Profª. Drª. Maria do Rosário Longo Mortatti. Os objetivos dessa pesquisa são de contribuir para a compreensão da história do ensino de língua e literatura no Brasil, em especial para a história da alfabetização de jovens e adultos no Brasil, propiciar compreensão dos principais aspectos da bibliografia sobre o tema e subsidiar pesquisas subseqüentes e correlatas ao tema. Mediante abordagem histórica centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio dos procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de referências bibliográficas, elaborou-se um instrumento de pesquisa contendo relação de referências de textos acadêmico-científicos sob a forma de livros, capítulos de livros, artigos, teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso e documentos oficiais produzidos por autores brasileiros, sobre o tema “Alfabetização de jovens e adultos no Brasil”, entre 1953 e 2010, respectivamente, o ano de publicação do texto mais antigo e o ano de publicação dos textos mais recentes, dentre os localizados até o momento. Essas referências foram elaboradas de acordo com a Norma Brasileira de Referências (NBR 6023), da Associação Brasileira de Normas Técnicas, e ordenadas em seções de acordo com o tipo de texto. Dessa pesquisa resultou o documento Bibliografia Brasileira sobre Alfabetização de jovens e adultos no Brasil: um instrumento de pesquisa, cuja análise preliminar proporcionou identificar quantas e quais são as pesquisas que abordam a Alfabetização de jovens e adultos no Brasil; qual o período histórico em que foram produzidas; em quais instituições foram produzidas e quem são os autores dessas pesquisas que resultaram nas referências de textos localizados. Por meio da análise preliminar desse instrumento de pesquisa, foi possível também constatar a importância do desenvolvimento de pesquisas históricas sobre a alfabetização de jovens e adultos e também a importância da elaboração de instrumentos de pesquisa em etapas iniciais do desenvolvimento de pesquisas acadêmico-científicas.

1298 BILIOGRAFIA SOBRE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO EM CURSOS DE PEDAGOGIA, NO BRASIL (1953-2009) AGNES IARA DOMINGOS MORAES. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, MARILIA - SP - BRASIL. Neste texto, apresentam-se resultados parciais de pesquisa de iniciação científica (Bolsa Pibic/CNPq/Unesp), vinculada à linha “Formação de professores” do Grupo e Projetos Integrados de Pesquisa “História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil” e “Bibliografia Brasileira sobre História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil (2003-2011)” (Auxílio CNPq), todos coordenados pela Profª. Drª. Maria do Rosário Longo Mortatti. O objetivo da pesquisa é compreender um importante momento histórico da formação de professores no Brasil e, para seu desenvolvimento, mediante abordagem histórica, centrada em pesquisa documental e bibliográfica, elaborou-se um instrumento de pesquisa, utilizando os procedimentos de: localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de referências de textos resultantes da produção brasileira institucional e acadêmico-científica referente ao estágio estágio curricular em cursos de Pedagogia no Brasil. As referências de textos localizadas, até o momento, totalizam 122, e foram elaboradas de acordo com a Norma Brasileira de Referência (NBR) – 6023 (2002), da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Com base na análise preliminar das referências resultantes desse instrumento de pesquisa, destaca-se a escassa produção de trabalhos históricos sobre estágio, apesar da relevância do tema neste momento histórico. O estágio é de algo 197

diretamente ligado à formação de professores, no Brasil. Um dos pontos mais polêmicos em relação à formação de professores foi/é a questão do constante conflito entre a priorização, ora da formação teórica em relação à formação prática, ora da formação prática em relação à formação teórica. A questão da teoria e prática, mais especificamente o estágio, há décadas, perpassa os debates em torno da educação. Para alguns o potencial do estágio parece sub-utilizado; para outros, estagiários, escolas e universidades estão insatisfeitos. Os resultados obtidos até o momento indicam que o estágio foi e continua a ser um tema polêmico e objeto de disputas teóricas; e também a realização desse instrumento de pesquisa contribui para formação de iniciante na pesquisa científica, permitindo identificar uma lacuna na produção bibliográfica sobre estágios. Esses resultados indicam, ainda, a importância do instrumento de pesquisa, para o desenvolvimento de pesquisas históricas, já que, uma vez elaborado e divulgado, pode colaborar, tanto para colocar em evidência áreas carentes de pesquisa, quanto para a realização de pesquisas correlatas sobre essa temática.

1325 CADERNOS ESCOLARES E PRATICAS EDUCATIVAS NO PRIMARIO BRASILEIRO DA DECADA DE 30 ARICLÊ VECHIA ; ANTÓNIO GOMES FERREIRA . 1.UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE DE COIMBRA, COIMBRA - PORTUGAL. Para compreendermos o que realmente significa a atuação da escola, temos de encontrar formas de chegarmos às atividades dos alunos. É nelas que se concretiza a intencionalidade educativa e a habilidade pedagógica que deverá capacitar o sujeito escolarizado. Mas não há formas puras e diretas de perscrutar a vivência escolar do passado, captar o poder da rotina escolar, compreender a consistência do ensino ministrado, ver o desenrolar dos exercícios, observar a dialética da relação pedagógica, colocar as questões na exata dimensão que o contexto sociocultural da época permitia. A história das atividades escolares tende a parecer um antigo álbum de recortes, onde as imagens e os apontamentos de diferentes momentos suscitam reações, mas dificilmente produzem a sensação dos acontecimentos que testemunham. Na realidade, estamos quase sempre, diante de uma arqueologia da escola, buscando nos materiais escolares a que temos acesso, a compreensão das vivências escolares e do seu sentido educativo. Se houve tempos em que os manuais foram a principal fonte para se chegar aos conteúdos, nos últimos anos, os cadernos escolares vêm despertando interesse, pois possibilitam maior aproximação ao trabalho realizado na escola, tendo Hébrard (2001) considerado alguns tipos de cadernos como “prova irrefutável" do trabalhado realizado pelos alunos. Os cadernos são suportes de escrita e, como tal, expressam uma capacidade tecnológica tanto nos materiais de que são feitos como no modo como são usados. Este estudo tem por objetivo desvelar as práticas pedagógicas e aspectos do cotidiano vivenciados por professores e alunos, no interior da sala de aula de escolas de ensino primário de três Estados brasileiros na década de 30 do século XX. As fontes que dão suporte às análises são uma coleção de 24 cadernos, que pertenceram a um aluno de uma escola particular do Paraná de 1934 a 1937; a um aluno de uma escola pública de São Paulo de 1936 a 1939 e a uma aluna de uma escola confessional de Minas Gerais no período de 1937 a 1940. No aspecto teórico-metodológico, se insere na História da cultura material escolar, que tem como matriz uma das vertentes da História Cultural. Muito embora as análises permitam perceber as atividades envolvendo as técnicas da escrita, as matérias dadas, os exercícios realizados, as rotinas diárias, o caderno escolar revela-se uma fonte interessante quanto complexa na reconstrução histórica das práticas escolares. Interessante, porque revela aspectos das práticas pedagógicas, da apropriação dos conteúdos, das técnicas de ensino, dos valores veiculados, das dificuldades dos alunos; complexa porque apresenta apenas parte das práticas escolares, deixando muito a dizer sobre a oralidade existente na sala de aula e sobre atividades realizadas para além do interior da classe que não foram passiveis de registro. Mesmo assim, são preciosos materiais para compreendermos o ensino e as aprendizagens da época em causa.
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653 CAMINHOS PARA SE APREENDER A CONSTRUÇÃO DAS IDÉIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: UMA APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE OURO DA ANTIGA ESCOLA NORMAL DA CIDADE DE SÃO CARLOS (1911-1945) ALESSANDRA ARCE HAI. UFSCAR, SAO CARLOS - SP - BRASIL. Este trabalhao é fruto de trabalho que vem sendo realizado a três anos junto a Escola Estadual Dr. Álvaro Guião (catalogação, limpeza, digitalização - fontes pictográficas - e alimentação de banco de dados) com o objetivo de restaurar e preservar seu acervo documental e bibliográfico . O trabalho faz parte do projeto de Extensão intitulado: “Recuperação, conservação e organização do acervo documental e bibliográfico da Escola Estadual Álvaro Guião” e, do projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) intitulado: “A idéias Pedagógicas em movimento na Formação de Professores na Escola Estadual Dr. Álvaro (1930-1969): uma análise de seu acervo bibliográfico e documental”. Este trabalho insere-se no campo das pesquisas da História das Idéias Pedagógicas. A definição que foi tomada neste trabalho e utilizada para a realização de nossas pesquisas fundamenta-se na definição feita por Dermeval Saviani em sua obra “História das Idéias Pedagógicas no Brasil”. Saviani (2007, p. 6-7) diferencia idéias educacionais de idéias pedagógicas. Para o autor o termo idéias pedagógicas contempla a prática educativa e a teoria que a embasa. Portanto quando se pensa o termo “pedagógico” sua referência é também a forma como este se materializa, ou seja, é operacionalizado no ato cotidiano de educar. Assim o “pedagógico” forma-se não só dos discursos e das idéias dos autores, mas também do como fazer, de sua práxis. Não podemos deixar de ressaltar que o trabalho com história das idéias pedagógicas ao procurar apreender o teóricometodológico traduzido na práxis educativa o faz tendo como ponto de partida a práxis social na qual estas idéias são gestadas. Neste trabalho apresentamos ainda em caráter descritivo os conteúdos trabalhados com as normalistas, no período de 1911 a 1945, por meio da leitura das provas que foram registradas no Livro Ouro da antiga escola normal da cidade de São Carlos, situada no interior do Estado de São Paulo. O “Livro de Ouro” da Escola Normal de São Carlos é constituído da transcrição das melhores provas realizadas pelos alunos e escolhidas por seus professores. O primeiro registro de prova é datado de 13/11/1911 com uma prova de Álgebra feita por um homem e a última prova com data de 29/09/1945 de Geometria e feita por uma mulher. O trabalho nos levou a encontrar nas provas transcritas um caminho da divulgação das idéias pedagógicas que passou por autores como : Pestalozzi, Froebel, Rousseau aos psicólogos funcionalistas como Claparede, William James, não deixando de contemplar as ideais de John Dewey. As provas também revelam uma preocupação com a teoria e sua pratica no interior das salas de aula. Ou seja, pelo registro foi possível apreender como as idéias pedagógicas se constituíram no interior da escola normal desde a sua fundação ate o último registro datado de 1945.

1026 CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE: NOTAS SOBRE A SUA CONSTITUIÇÃO ANA PAULA SOARES LIMA; CORA LINHARES SANTOS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, NOSSA SENHORA DO SOCORRO - SE - BRASIL. O ensino superior em Sergipe teve o seu surgimento no final da década de 40, mais precisamente em 1948 com a Escola de Química, originada da lei estadual nº 86, de 25 de novembro do mesmo ano. A Escola de Química de Sergipe formava graduandos na área de Química Industrial, sendo base para outros cursos como Engenharia Química, Licenciatura e Bacharelado em Química e Licenciatura em Física. Assim como a Escola era um pólo independente, de ensino superior, existiam também as Faculdades de Direito e a Faculdade de Filosofia, esta responsável pelo estímulo do estudo da Matemática como ciência. Esses pólos independentes de ensino superior juntamente com os demais cursos passaram a integrar uma única instituição, quando os estabelecimentos de Ensino Superiores 199

foram transferidos através da lei nº 1.194 de 11 de julho de 1963, sendo instituída quatro anos depois sua fundação em 28 de fevereiro de1967, pelo decreto lei nº 269 e instalada em 15 de maio de 1968. A Universidade Federal de Sergipe é composta por cinco grandes centros: CCBS (Centro de Ciências Biológicas e Saúde), CECH (Centro de Ciências Humanas), CCSA (Centro de Ciências Sociais e Aplicadas), CESAD (Centro de Educação Superior a Distância) e CCET (Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas), este último é o que engloba todos os cursos da área de exatas: Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Estatística, Bacharelado e Licenciatura em Física, Física Médica, Geologia, Bacharelado e Licenciatura em Matemática e Química, Química Industrial e Sistema de Informação. O nosso objetivo nessa pesquisa é o de investigar o surgimento desse centro (CCET) e como ele vem evoluindo juntamente com a Universidade Federal de Sergipe. É possível constatar que a UFS está em contínuo processo de expansão e interiorização. Neste sentido, destacam-se os Campi da Saúde, Avançado do Crasto, o Rural e o Avançado do Xingó. Na produção desse estudo tomaremos como base a análise de escritos já produzidos acerca do tema, a exemplo de Lima (1993), Subrinho (1999) Rollemberg & Santos (1999), Araújo (2008) e Conceição (2010), a análise de livros, documentos, jornais, revistas, fotografias e entrevistas. Essa pesquisa está relacionada com o estudo, em andamento, que conta com o apoio da PROEX/UFS (Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Sergipe), intitulado Universidade Federal de Sergipe: de Escola Superior a Universidade Multicampi. Deste modo, os nossos levantamentos evidenciam a importância de conhecermos a história do ensino superior em Sergipe e, por conseguinte contribuir na discussão acerca das instituições superiores no país.

1180 COLÉGIO CENECISTA NOSSA SENHORA DO CARMO: EXAME ADMISSIONAL E CURSO GINASIAL - UNAÍ, MG (1959 - 1971) VIVIANE RIBEIRO; SUELEM CORRÊA SILVA. INESC, UNAÍ - MG - BRASIL. A Região Noroeste do Estado de Minas Gerais desenvolveu-se a partir da construção de Brasília na década de 1950. O crescimento demográfico e a criação de escolas foram tardios em relação a outras regiões do Estado de Minas Gerais e do Brasil. O estudo sobre o Colégio Cenecista Nossa Senhora do Carmo justifica-se por estas características e pelo fato de ainda não haver pesquisas na área da História da Educação na Região do Noroeste Mineiro. Esta é a única escola confessional católica do município de Unaí, MG e sua criação foi uma resposta dos padres holandeses à escola paroquial presbiteriana que oferecia o curso pré-admissional para o ginásio. Tem-se por objetivo investigar o papel do Colégio Cenecista Nossa Senhora do Carmo na região do Noroeste Mineiro, através do estudo do contexto sócio-político-econômico e cultural no qual foi fundado e de suas características pedagógicas e educacionais. Trata-se de uma pesquisa na área da História das Instituições Educacionais. Metodologicamente foram utilizadas a Pesquisa Bibliográfica sobre a História da Educação Brasileira e da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG); Pesquisa Documental (Ata de Fundação e Atas do Conselho, Atas dos Exames de Admissão, Livros de Ponto) e entrevistas realizadas com os idealizadores da escola, ex-alunos, ex-professores e padres carmelitas de origem holandesa. O período de estudo delimitou-se de 1959, data de criação do Ginásio Nossa Senhora do Carmo com o funcionamento de duas turmas do 5º ano pré-admissional; à 1971 último ano de realização dos exames de admissão nesta escola. O Ginásio Nossa Senhora do Carmo foi idealizado pelos padres carmelitas e pelas autoridades locais: o prefeito e o promotor. Em 1959 as turmas do 5º ano admissional funcionaram em salas emprestadas. Em 1960 a sede da escola já estava construída e teve início o primeiro ano do curso ginasial. Os exames de admissão contaram inicialmente com a presença de um inspetor escolar da cidade de Patos de Minas. Os candidatos faziam prova oral e escrita de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e Geografia. Posteriormente, os alunos passaram a depender de padrinhos políticos que garantiam suas vagas no curso ginasial. O número de candidatos reprovados nos exames anuais chegava a sessenta por cento. A escola era administrada por um Conselho, dele participavam os fundadores da escola os padres carmelitas, o prefeito, o promotor e os professores. Os últimos exames admissionais no ano de 1971 coincidem com a promulgação da LDB 5692. A escola de 200

ordem confessional, comunitária e filantrópica desde a sua criação estava subordinada à Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG). Apesar de ser uma escola filantrópica ela destinava-se à elite unaiense.

618 COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR DA BAHIA: UMA TRAJETÓRIA HISTÓRICA (1957-1975) ANDRÉA REIS DE JESUS. UFBA, SALVADOR - BA - BRASIL. Este trabalho objetiva compartilhar os primeiros resultados da pesquisa teórica e empírica que está sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação-mestrado- na Universidade Federal da Bahia, sob a orientação da Professora Doutora Lucia da Franca Rocha e se inclui dentro do eixo temático da História das Instituições Escolares. A pesquisa investiga o ensino no Colégio da Polícia Militar da Bahia entre os anos de sua fundação (1957) e consolidação da Ditadura civil-militar (1975) com o objetivo de compreender como a ideologia do Estado Militar implantado a partir de 1964 se refletiu nas práticas pedagógicas do colégio. O trabalho será apresentado em três partes: na primeira será abordada a origem, objetivos e currículo da instituição, na segunda as mudanças trazidas pelo Decreto Estadual nº 19615 de 9 de setembro de 1965 que determina que o Colégio da Polícia Militar adote o Regulamento dos Colégios Militares do Exército (R-69) e para tanto, a conjuntura do golpe militar e da implantação do Estado autoritário será abordada, de forma que possamos compreender o contexto histórico em que essas mudanças foram implementadas. Outra mudança importante ocorreu com a reforma do ensino de 1º e 2º graus (Lei 5692/71) e foi observado que novamente o currículo e os objetivos do colégio foram afetados pela política educacional do Estado Militar. A terceira parte apresentará os dados da pesquisa empírica já realizada, que consistiu em coletar, avaliar e criticar as fontes disponíveis localizadas no arquivo da escola de modo a estabelecer fatos e conclusões. Para tanto, adotamos os pressupostos teórico-metodológicos desenvolvidos por Paolo Nosella e Esther Buffa, a fim de que possamos relacionar as singularidades produzidas pela cultura escolar da instituição pesquisada com a sociedade na qual ela se origina e se situa. Desta forma, o método dialético propicia o entrelaçamento entre o particular e o contexto social, político, econômico e cultural proporcionando uma maior compreensão do objeto ao revelar suas múltiplas determinações. O aprofundamento de categorias como cultura escolar, ideologia, instituições educativas, militarismo, autoritarismo e Estado será essencial para o estabelecimento de reflexões e conclusões acerca da trajetória histórica da escola que nos propomos a investigar.

550 COLÉGIO VIÇOSA: TRAJETÓRIA E DECADÊNCIA DE UMA INSTUIÇÃO DE ENSINO RITA DE CÁSSIA DE SOUZA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, VICOSA - MG - BRASIL. Esta pesquisa, que está em andamento, busca recuperar a história de uma instituição particular de ensino em uma cidade do interior de Minas Gerais, o Colégio Viçosa, que não existe mais. O edifício no qual funcionava o Colégio fica numa região central da cidade e é bastante imponente, embora atualmente esteja em uma situação dramática, podendo vir a ser interditado, segundo uma manchete do jornal Folha da Mata de 15 de agosto de 2010. Entretanto, o Colégio já foi uma instituição escolar reconhecida que atraia alunos de diversas partes do país que estudavam num modelo de internato ou externato. Uma das primeiras informações interessantes sobre o Colégio é o fato de que era uma instituição privada sem vinculações religiosas, uma situação pouco comum, especialmente para uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Sendo preparatória para o ingresso no ensino superior e cumprindo bem esta função, também chama a atenção o fato do Colégio ter deixado de existir quando a procura pelo ensino superior tem, historicamente, sido cada vez maior. A principal metodologia para o estudo tem sido a história oral, pois ainda não se sabe da existência de documentos sobre o Colégio, 201

onde estariam e se estão acessíveis para a pesquisa. De acordo com uma classificação apresentada por Meihy (1996), a história de vida aqui utilizada consiste numa história temática, ou seja, o tema que direciona a pesquisa é a vinculação dos sujeitos pesquisados com o Colégio Viçosa e suas vivências relacionadas a esta instituição. Estão sendo realizadas entrevistas com ex-alunos, ex-professores e exfuncionários localizados por diversos meios. No site de relacionamentos Orkut existe uma comunidade intitulada Estudei no Colégio de Viçosa criada em 16 de dezembro de 2007. Esta comunidade esta servindo como forma de acesso a alguns ex-alunos, e pretende-se solicitar que, aqueles que residam em regiões mais distantes, redijam um pouco de suas memórias e nos enviem via internet. A cada entrevistado ou participante da pesquisa, estão sendo solicitados registros dos tempos da escola: fotografias, diplomas, cadernos, livros, uniformes ou quaisquer outros materiais que puderem esclarecer um pouco do que foi o Colégio Viçosa e como funcionava. A análise das entrevistas e das memórias escritas pelos participantes está sendo feita buscando localizar as respostas aos questionamentos sobre o Colégio, sua cultura, seus sujeitos, sua história. Lidar com a história oral consiste em trabalhar com memórias, e estas, por sua vez, lida com uma reconstrução, no presente, de fatos vivenciados no passado. Isto implica, portanto, em considerar lacunas, reelaborações, resignificações, enfim, não se trata de recuperar o passado tal como este aconteceu, mas tal como este se apresenta no presente para aqueles que lá estiveram.

592 COMEMORAÇÕES E FESTAS: DIMENSÕES DE UMA CULTURA ESCOLAR NO GRUPO VIDAL RAMOS (LAGES, SANTA CATARINA, 1904-1928) TANIA CORDOVA. SESI, LAGES - SC - BRASIL. Esta comunicação faz referência às considerações construída pela pesquisa de mestrado intitulado O Novo Compõe com o Velho: O lugar do Grupo Escolar no cenário do Ensino Público Primário na cidade de Lages, no estado de Santa Catarina (1904-1928), concluída em 2008. Dentre as possibilidades de reflexão, foram selecionadas algumas interpretações que intentam compreender possíveis significados da cultura expressa na organização e comemoração de festas que tiveram como cenário o universo escolar do ensino público primário, representado aqui pelo grupo escolar Vidal Ramos que funcionou na cidade de Lages até meados do século XX. O objetivo é apresentar como as festas que a escola comemorava podem traduzir uma construção social que revela, em seu espaço, significados e representações que favorecem a configuração de uma cultura inerente aos sujeitos que vivenciaram o universo escolar. Sujeitos, que as organizaram e as celebraram, no intuito de registrar na memória social escolar um sentimento que se propunha ser coletivo pela união dos anseios de seus participantes, como parte do calendário escolar que delimitava um tempo e um espaço próprio. Nessa perspectiva, foi selecionado um conjunto de expressões culturais que possibilitam representar momentos de festividades vivenciados no Grupo Escolar Vidal Ramos, onde as crianças atuam como personagens principais, tais como, a inauguração do Grupo, os exames, as exposições, as comemorações, as festas e a Primeira Comunhão. Nelas estão registradas, além das datas comemorativas, discursos e imagens que denotam uma cultura escolar festiva afirmada nesses eventos. As fontes que subsidiaram as discussões são as fotografias escolares que testemunharam diferentes situações destas manifestações comemorativas; as determinações da legislação educacional que procurava desenhar o formato dos momentos festivos; os jornais de circulação na cidade de Lages, tais como, O Lageano; O Imparcial; O Planalto. No que diz respeito às fontes, as mesmas foram utilizadas na construção de questões que problematizaram o tema das festas e comemorações escolares entendidas como estratégias do conhecimento da realidade histórica, por dar a conhecer as evidências e pistas que conduzam a percepção de lembranças de um passado que se aproxima de uma representação da memória coletiva sobre o universo da escola primária no Brasil. Os resultados que esta incursão no universo da escola primária apontam para o entendimento que as festas do calendário escolar configuram dimensões discursivas tomadas como experiências que retêm significados sociais e simbólicos a serem investigados pela pesquisa histórica. Sob estes aspectos o presente estudo propõe a comunicação ao eixo temático História das Instituições e Práticas Educativas. 202

1224 CONSERVATÓRIO ESTADUAL DE MÚSICA EM ITUIUTABA-MG: DA GÊNESE A CONSOLIDAÇÃO (19651990) NICULA MARIA GIANOGLOU COELHO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLANDIA, UBERLANDIA - MG - BRASIL. O objetivo central desse trabalho é apresentar reflexão inicial sobre a criação e consolidação do Conservatório Estadual de Música Dr José Zóccoli de Andrade, no período de 1965 a 1990, instituição escolar implantada na cidade de Ituiutaba- MG. Em um momento que se discute em ambito nacional a Educação Musical e seus multiplos espaços é de suma importância conhecer e resgatar a história de instituições educacionais que se dedicaram a formação artistica em Minas Gerais (único estado da federação a criar escolas públicas seriadas para esse tipo de ensino). Em 1965, no Pontal do Triangulo Mineiro, havia grande demanda por oportunidades de acesso a educação escolar na região, pois as vagas públicas oferecidas eram bastante restritas, assim, foi pela atuação de lideranças políticas locais, associada a articulação de sua primeira diretora (Guaraciaba Silvia Campos - professora de acordeom), instituiu-se em 25 de novembro, por meio da lei n.3595, o Conservatótio Estadual de Música em Ituiutaba, que iniciaria suas atividades em sede improvisada, a partir de 1966. No dia primeiro de março daquele ano, começaram as aulas com os instrumentos piano e violão, atendendo a quarenta alunos e contando com três professores, uma secretária e um zelador. É importante ressaltar que o Conservatório iniciou suas atividades no ano de 1966, já no contexto da Ditadura Militar, período marcado pela repressão e pela difusão de patriotismo com elevada carga ideológica a serviço do Estado, isso pode ser verificado mesmo em cidades interioranas longe dos grandes centros de poder e indústria do país, como Ituiutaba, por exemplo. Assim, buscamos visualizar nas atividades dessa instituição a adesão de seu projeto pedagógico no sentido de se disciplinar os estudantes para um outro tipo de sociedade baseado no industrialismo, na urbanização, atuando para a consolidação do sistema capitalista (em pleno contexto de Guerra Fria), com propósito de consolidar o verde-amarelismo. A instituição escolar deve ser observada como apenas uma das possíveis práticas educativas que determinada sociedade desenvolve, de forma que o estudo histórico das escolas como objeto singular deve contribuir para a compreensão do processo educacional global, promovendo avanço do conhecimento, dessa forma, a dimensão da identidade de uma instituição somente estará mais bem delineada quando o pesquisador transitar de um profundo mergulho no micro e, com a mesma intensidade, no macro (SANFELICE, 2005). Para elaboração desse trabalho, utilizamos das fontes impressas (atas, registros, jornais, etc), iconográficas (fotos de ex-alunos e do arquivo da escola), além do recurso a história oral.

576 CONTRADIÇÕES E EMBATES REPUBLICANOS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO: A LEGITIMAÇÃO DA CONGREGAÇÃO DA ESCOLA NORMAL DO DISTRITO FEDERAL (1890-1898) HELOISA HELENA MEIRELLES DOS SANTOS. UERJ/CEMI-ISERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Este artigo descreve parte da pesquisa que estou desenvolvendo sobre a questão da educação, os embates políticos na Congregação da Escola Normal do Distrito Federal nos primeiros anos da implantação da República que se insere no eixo temático História das Instituições e Práticas Educativas. A Congregação foi um espaço político-educacional dos professores da formação do magistério público primário da cidade do Rio de Janeiro para implementação das políticas públicas o que possibilitava, na prática, que as grandes questões educacionais seja da formação de professores, seja do ensino público primário, não fossem apenas decididas pelo Diretor da Escola Normal ou pela Instrução Pública. As deliberações da Congregação como o estabelecimento do currículo no novo sistema político da república; os critérios usados para o recrutamento do pessoal docente do curso de formação; a filosofia esboçada nas ações desenvolvidas por este grupo; o trato político de continuação de uma legitimidade existente desde a criação desta Escola Normal; o tratamento curricular de importância, ou não, das 203

diferentes disciplinas oferecidas ao aluno; assim como suas discussões político-pedagógicas, serão objetos deste trabalho que pretende refletir sobre as inúmeras polêmicas, as contradições e os embates entre estes professores, seja com o próprio grupo, seja com o poder público. Revelar este grupo por esta ótica e conhecer seus membros, requereu investigar a documentação do Centro de Memória Institucional do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (CEMI/ISERJ) especialmente as atas da Congregação de 1893 a 1898. A legislação do período, disponível na Biblioteca Nacional e na Câmara dos Deputados, e o Almanak Laemmert, disponível on line, trouxeram ainda oportunidade de confronto e complementação de dados trazendo novas pistas sobre os primeiros anos republicanos na Escola Normal. Os embates do grupo quando da inclusão das Cadeiras de Biologia, Mecânica e Astronomia demonstram a orientação política republicana de civilizar através das ciências e o modo conservador da Congregação que temia perder a legitimidade reconquistada na gestão Benjamin Constant; mostram também que, contraditoriamente, a Escola pretendia continuar conservadora frente à modernidade republicana para não perder o poder político conquistado. As atas pesquisadas, assim como os ofícios do período demonstram igualmente que se lutava pela legitimidade conferida à Congregação e seus membros no âmbito da Instrução Pública, especialmente na gestão Benjamin Constant Botelho de Magalhães. Esta pesquisa, ao eleger a Congregação da Escola Normal, espera contribuir para a historiografia, mostrando a importância dos acervos escolares e apresentando as contradições e embates nesta instituição formadora dos professores primários da cidade do Rio de Janeiro, na defesa de sua legitimidade.

617 COTIDIANO DE GRUPOS ESCOLARES CATARINENSES NO DECORRER DO SÉCULO XX: UMA ANÁLISE DE MEMÓRIAS DOS DOCENTES FERNANDA RAMOS OLIVEIRA PRATES. UDESC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. O presente artigo trata de uma pesquisa preliminar relacionada ao projeto de Mestrado em Educação, intitulado “Culturas e rendimentos escolares: um estudo comparativo de dois Grupos Escolares da cidade de Florianópolis - SC (1947-1970)”, a ser executado na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) - Linha de Pesquisa: História e Historiografia da Educação. O tema em estudo consiste na análise de entrevistas realizadas com professores que estudaram e lecionaram em Grupos Escolares de Santa Catarina no decorrer do século XX, sendo que o principal objetivo deste trabalho foi conhecer o cotidiano dessas instituições, sob a ótica das memórias dos próprios docentes. Foram analisadas seis entrevistas disponíveis no Acervo do Museu da Escola Catarinense. Todas as entrevistas estão acompanhadas dos respectivos Termos de Doação. O citado Museu está localizado no município de Florianópolis – Santa Catarina, e tem sua origem creditada ao Projeto de Pesquisa “Resgate da História e da Cultura Material da Escola Catarinense”, concebido e coordenado por Maria da Graça Machado Vandresen. Neste artigo utilizou-se a análise do conteúdo como principal procedimento metodológico, aliada à revisão bibliográfica, incluindo elementos teóricos que refletem sobre a história oral. A partir da análise e discussão dos dados coletados e das reflexões realizadas, percebeu-se que por intermédio da utilização de testemunhos orais foi possível conhecer alguns detalhes não registrados em outras fontes, principalmente, quando são utilizadas apenas as consideradas “fontes oficiais escritas”. Tendo em vista que os entrevistados selecionados foram “pessoas comuns”, que estudaram e trabalharam em cidades catarinenses, foi possível rastrear alguns modos de viver e pensar dos respectivos locais e épocas, compreendendo-se práticas culturais de diferentes períodos, seja de alunos ou professores. Porém, é necessário ter precauções quando o pesquisador se propõe a analisar entrevistas, tendo em vista a seletividade existente nas memórias pessoais. Inconscientemente ou mesmo conscientemente, alguns entrevistados acabam não relatando ou acabam modificando aspectos que não se recordam ou fazem questão de não recordar. Dessa forma, para uma maior credibilidade e confiabilidade de uma pesquisa em que a história oral é utilizada, faz-se necessário diversificar o número e tipo de fontes que fundamentam o trabalho, como também, impor um maior rigor no confronto entre as mesmas, seja para melhor entender as respostas das entrevistas, quanto para formular as próprias questões que serão perguntadas. 204

1240 CURRÍCULO E PODER NOS PATRONATOS AGRÍCOLAS: A APRENDIZAGEM VOLTADA PARA O TRABALHO NA SOCIEDADE CARIOCA DOS ANOS 1920 DANIELLE DE ALMEIDA GALANTE FERREIRA. UFRJ, RJ - RJ - BRASIL. Este trabalho é um desdobramento da pesquisa sobre as instituições de ensino em regime asilar, em especial os patronatos agrícolas criados pelo Serviço de Povoamento do Governo Federal e destinados a receber os menores recolhidos nas ruas do Rio de Janeiro. Estes andarilhos eram internados pela Polícia em escolas agrícolas sob a alegação de um possível perigo à ordem social estabelecida. Durante a Primeira República do século XX, o ideal civilizatório contava com a formação de jovens trabalhadores à pátria, dando a ela status semelhante à modernização européia, visto que nas mãos deles estava a responsabilidade do tão almejado progresso como nação. A conquista deste ideal foi favorecida mediante o currículo selecionado e organizado pelas escolas agrícolas, onde os internos aprenderiam os ofícios mecânicos, o trabalho agrícola e as primeiras letras. O plano de ensino desenvolveria os conteúdos disciplinares de Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia do Brasil e fatos da história da humanidade. A cultura cívica e moral estava presente no culto à bandeira, cantos patrióticos, comemoração festiva, palestras dominicais e exercícios militares. Já a cultura intelectual e as faculdades físicas se dedicavam aos cuidados com a saúde, sobriedade, higiene, jogos recreativos, excursões a pé, labuta diária na lavoura, preservação e cura dos padecimentos nervosos e dos hábitos perigosos da infância. Os trabalhos manuais eram realizados nas oficinas de artes gráficas, marcenaria, alfaiataria, sapataria, metais, ourivesaria, ferraria, carpintaria, selaria e mecânica. Assim, a pesquisa objetiva entender como o currículo e o ensino cooperaram para o domínio dos corpos e das mentes desses adultos em miniaturas, analisando os planos de estudos, as práticas educacionais engendradas e a aplicação dos preceitos higienistas da educação integral presentes nos relatórios do Ministério da Agricultura e regulamentos das instituições. A análise das fontes também se pauta na contribuição de Apple às discussões acerca da cultura e do poder na Educação, politizando a teorização sobre currículo, o que é de fundamental importância no âmbito acadêmico e relacional, ao explorar como as formas de divisão da sociedade afetam o currículo; a forma como o currículo processa o conhecimento e as pessoas; como contribui para reproduzir essa divisão; o conhecimento nele privilegiado; os grupos beneficiados e os prejudicados pela forma como o currículo está organizado; e como se formam resistências e oposições ao currículo oficial. Portanto, a temática abordada se justifica em virtude da escassez de trabalhos desenvolvidos nesta área do conhecimento sobre a educação profissional nos institutos asilares de formação integral do menor abandonado, especialmente os voltados para a educação agrícola.

657 CURRÍCULO INTEGRADO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: PERSPECTIVAS HISTÓRICAS ANTONIO HENRIQUE PINTO. IFES, VITORIA - ES - BRASIL. Nos anos finais do século XX e iniciais do século XXI sucessivos decretos do governo federal colocaram a educação profissional num movimento pendular, fazendo emegir os tencionamentos gerados pelas diferentes concepções de educação, de trabalho, de formação humana e de sociedade.Esta foi a motivação inicial deste trabalho, resultado parcial de um projeto de pesquisa interinstitucional que tem como foco investigar a perspectiva de integração do currículo da educação profissional ao currículo da educação básica. Apresento uma análise histórica relativa ao desenvolvimento curricular e práticas pedagógicas associadas a esse currículo na Escola Técnica Federal do Espírito Santo, no período de 1950 a 2000, período de transição da formação profissional concebida como assistencialista-correcional para a concepção meritocrática-conteudista. As memórias desse tempo foram obtidas nos arquivos escolares ou narradas pelos depoentes, possibilitando uma análise, uma interpretação e sua ressignificação para o presente (PORTELLI, 1997), por meio de um processo 205

indiciário (GUINZBURG, 1991). Registros em atas de conselhos escolares, formulários de secretaria escolar, registros de professor, etc, constituíram-se em “fermento à história” (Le Goff, 2003), possibilitando compreender os limites e as possibilidades da construção de um currículo integrado, requisito fundamental à efetivação de uma formação profissional emancipatória. Nesse sentido, dialogamos com o campo da historia do currículo, visto que permite penetrar nos processos internos da escola para entender a construção social da escolarização (Goodson, 1997). Nesse sentido, no período aqui considerado analisamos o processo ao qual a Escola Técnica Federal, instituição centenária concebida e criada para atender a formação profissional destinada aos “desvalidos da sorte”, passou a outro modelo baseado num ensino destinado à jovens e adolescentes oriundos de extratos da classe média e que, para além da formação profissional, almejavam o ingresso na universidade. Saliento que esse processo foi efetivado por um “deslocamento epistemológico” em relação à construção do conhecimento profissional e por um “descolamento conceitual” em relação à prática profissional. Discuto esse o processo de institucionalização mostrando um duplo movimento visando à superação do estigma de escola assistencialista-correcional: ora instituindo práticas pautadas na racionalidade técnico-científica, ora instituindo práticas aliada à formação humanista. Concluo que no período considerado foi construída uma identidade híbrida, por um lado pautada na valorização da racionalidade técnico-científica objetivada pelo currículo fragmentado e, por outro lado, um currículo aproximado da concepção crítico-emancipatória, contradição inerente ao papel da escola e, em especial, da educação profissional movida por projetos societários em disputa.

397 CURSOS, DISCIPLINAS E PRIMEIROS PROFESSORES DA FACULDADE CATARINENSE DE FILOSOFIA CELSO JOÃO CARMINATI. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL. Neste texto, apresentamos os resultados finais de pesquisa, em que discutimos a partir de uma reconstrução da estrutura organizacional dos primeiros cursos de graduação que tiveram suas atividades autorizadas no mês de dezembro de 1954 e que após reconhecimento pelo governo Federal da Faculdade Catarinense de Filosofia puderam iniciar suas atividades no ano seguinte, identificando a formação pretendida para os primeiros alunos selecionados para freqüentar os cursos de Filosofia, História e Geografia, Letras Clássicas, Letras Neo-Latinas e Letras Anglo-Germânicas, para uma formação há muito tempo almejada por grupos sociais com destaque econômico e político na nascente organização do ensino superior de Santa Catarina. Embora houvesse uma expectativa para a formação de futuros bacharéis e professores para as redes de ensino pública e privada, muitos destes alunos não concluíam seus cursos e os que concluíam não poderiam dar aulas de imediato, pois deveriam ainda cursar o curso de didática, que foi oferecido somente alguns anos depois. Com as dificuldades regionais por seu distanciamento e a difícil ligação terrestre da capital do estado com importantes cidades de estados vizinhos como o Rio Grande do Sul e Paraná, onde a formação nestas áreas já havia sido percorrida há mais tempos, mesmo sendo uma Faculdade isolada e particular, o governo do Estado de Santa Catarina, aprovou uma lei autorizando o repasse de recursos para auxiliar financeiramente a referida Faculdade a fim de que pudesse contratar professores com sólida e distinta formação fora do meio local. Isto permitiu que alguns professores formados em países como Portugal, França e Espanha iniciassem suas atividades docentes, com inconteste reputação e trajetória acadêmica. Além disto, nossa discussão leva em conta os dispositivos legais que regiam a formação do ensino superior nas reformas educacionais do período que precedeu assim como acompanhou o desenvolvimento dos cursos de graduação. Identificamos entre os primeiros alunos matriculados uma significativa presença de mulheres. A partir de fontes documentais, pudemos inquirir o passado, ouvindo suas próprias vozes, uma vez que este não é meramente passado, e assim trazer à luz elementos importantes da reconstituição da memória histórica dos cursos e de seus personagens. À luz de uma teoria crítica de educação, nos debruçamos na reconstituição dos dados que pudessem dar vida à trajetória pessoal e institucional de alunos e professores da Faculdade Catarinense de Filosofia, uma vez que foram protagonistas de um movimento que resultou, mais tarde, em Santa Catarina, em importantes cursos de graduação na área das Ciências Humanas. 206

707 D. SILVÉRIO GOMES PIMENTA, A JÓIA NEGRA DA IGREJA NA REPÚBLICA: A EDUCAÇÃO DOS MENINOS POBRES E O COLÉGIO DO PATROCÍNIO MARCO AURÉLIO CORRÊA MARTINS. PPGE UFJF, JUIZ DE FORA - MG - BRASIL. Inspirado em sua infância pobre, em suas dificuldades para conseguir estudar, por ter alcançado através da educação o maior posto da hierarquia católica no Brasil até então, D. Silvério Gomes Pimenta, desde suas primeiras visitas pastorais como Bispo Auxiliar de Mariana, procurou arrecadar esmolas para a educação de meninos pobres. Não terminará o século XIX sem ter criado dois externatos e um colégioasilo na diocese. Este último terá uma existência de 28 anos, mantido pela Diocese e as rendas que destinadas a ele eram alcançadas, fruto do trabalho do Bispo e do Diretor Mons. Nogueira. Preocupado com a pobreza da Zona da Mata, pretendia D. Silvério criar na região 4 colégios, embora não fosse prevista naquele local, foi na região de Juiz de Fora, limítrofe ao Estado do Rio de Janeiro que este foi possível. Tese geral desde os últimos anos do Império, a educação devia ser obra da sociedade, apenas apoiada pelo Estado. Dentro da Igreja haverá um movimento pela escolarização católica da sociedade, reação à separação entre a Igreja e Estado ocorrida em 1890. Fiel seguidor da disciplina Tridentina o bispo procura dotar a escolas de renda suficiente para sua mínima manutenção. Idealizado como Escola Agrícola, antes do que ensinar práticas de agricultura via o Prelado uma possibilidade de trabalho para os alunos que geraria renda a ser usada na mantença. Não deu certo e o Colégio do Patrocínio contratou colonos para o trabalho da fazenda enquanto dos internos cuidavam de estudar e do serviço da casa. Ainda sob inspiração tridentina, o Colégio preocupa-se em aceitar meninos que manifestassem a vocação sacerdotal. Nos 28 anos de existência formou 64 futuros padres. A orientação tridentina era de buscar vocações nas zonas rurais entre impúberes a serem formados longe das cidades, isolados. Embora pareça um seminário, a literatura disponível não dá maiores motivos para acreditar nisso quanto ao Colégio do Patrocínio. Duas obras darão lastro à presente pesquisa sendo uma biografia de D. Silvério e uma obra sobre a diocese de Juiz de Fora que dedica o primeiro tomo ao Colégio do Patrocínio. Uma análise estatística de dados sobre os alunos ingressantes, permite pensar indiciariamente algumas questões sobre a origem e idade dos alunos, além de tentar entender se o crescimento acelerado do número de matrículas nos anos iniciais da década de 1920 estariam relacionados ao seu fechamento por aumento do déficit. Embora com desconfianças, D. Helvécio manteve o Colégio funcionando, ainda que não lhe tenha enviado as verbas previstas no testamento de D. Silvério. Em 1925, com a criação da Diocese de Juiz de Fora, seu bispo aceita a disposição do cargo de diretor apresentada por Mons. Nogueira e pouco tempo depois o colégio era fechado. Esta pesquisa poderá ser ampliada buscando-se novas fontes, sobretudo os documentos do Arquivo da Cúria Diocesana de Juiz de Fora, faz parte do esforço de entender as ações católicas em Educação na transição Império-República.

456 DA ESCOLA RURAL À ESCOLA URBANA: A PASSAGEM DA ESCOLA MISTA PARA O GRUPO ESCOLAR NO CONTEXTO DE DEMOCRATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA PAULISTA (1920-60) ELIANA NUNES DA SILVA. UNICAMP, CAMPINAS - SP - BRASIL. Esta pesquisa, em andamento desde 2008, propõe estudar a democratização da educação pública paulista lançada pelos governos republicanos a partir do recorte de uma história local - a da Escola Estadual Prof. Luiz Gonzaga da Costa em Campinas (SP). Percorrendo o campo da história das instituições escolares, elege para sua análise e fonte de conhecimento a categoria “cultura escolar” (Viñao Frago, 2004; De Rossi, 2004; R. F. de Souza, 2000). A metodologia baseou-se em fontes documentais diversas levando em conta a ampliação da noção de documento escolar (Le Goff, 2003; Vidal, 2007), constituindo-se em observações registradas em diário de campo, entrevistas e análise de objetos escolares. Assim como Portelli (1997) e Pollak (1989) desejamos ouvir aqueles que 207

não foram ouvidos e valorizar as memórias subterrâneas. Os objetivos pressupõem problematizar a expansão do ensino paulista entre as décadas de 1920-60, relacionando o contexto macroeconômico e político com o contexto do cotidiano; através das noções de mudança e permanência tecer a identidade da escola mista na transição do rural para o urbano no desenvolvimento da cidade. A escola pesquisada situa-se na periferia de Campinas, num bairro pacato fundado por imigrantes italianos e que até os anos 60 era considerado rural. Fundada em 1920 junto com a capela, funcionou nas instalações da igreja como escola mista por 40 anos, quando se converte em grupo escolar em 1963. Nos anos 70 novos migrantes vieram morar no bairro, de outras regiões do Brasil, trabalhadores atraídos pelas indústrias da região. Pela força da demanda a escola ganhou edifício próprio depois de meio século imbricada com a igreja. Compõem as justificativas deste trabalho: valorizar as memórias das famílias e da comunidade atendida por esta instituição social; dar voz aos sujeitos anônimos e visibilidade às suas histórias de luta pela inserção; contribuir para o conhecimento da história da educação pública nos espaços poucos conhecidos e divulgados da produção e circulação do saber – os da educação popular; compreender práticas culturais escolares que circularam no passado, algumas permanecendo no tempo presente e outras sendo modificadas, abolidas ou recriadas. Um rico acervo material e oral foi localizado através dos depoentes cujas memórias preservam vestígios do passado e, segundo o historiador paulista, memória é o vínculo entre passado e presente que permite manter as identidades. (Guarinello, 2004). Essa é a história de uma escola que é patrimônio de uma comunidade por ela atendida há noventa anos. Os nexos entre família, trabalho, religião, cultura e escola, dinâmicas migratórias, economia, política e Estado perfazem as análises dessa pesquisa sobre a educação paulista na primeira metade do século XX, assim como os contrastes decorrentes das políticas públicas e os mecanismos de poder e as oportunidades de ascensão social e educacional das classes populares empreendedoras no projeto de melhoria de vida.

474 DA UNIVERSIDADE DA SERRA À UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL - A PRESENSA DA E NA COMUNIDADE (1950 – 1990) ELIANA GASPARINI XERRI. UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL, NOVA PRATA - RS - BRASIL. A Universidade de Caxias do Sul é o tema deste trabalho o qual é parte do estudo que comporá a tese de doutoramento sob a orientação da Professora e Dra. Maria Helena C. Bastos, no Programa de PósGraduação em Educação da PUCRS. A história de Instituições de Ensino Superior no Brasil remete às primeiras décadas do século XX, quando foi criada a primeira Universidade no país. A criação em número maior, de Universidades, insere-se no contexto dos anos de 1950 em diante, configuradas por políticas mais democráticas e por ações governamentais autoritárias. A fundação da UCS ocorre neste momento, o qual assiste ao aumento da demanda por vagas no ensino superior. Muito embora sua criação tenha se dado nos primeiros anos do Regime Militar, 1967, portanto entre a LDB de 1961 e as reformas na educação ocorridas em 1968, ela nasce da junção de cursos superiores isolados e que atendiam ao perfil e às necessidades dos estudantes da região. O presente estudo aborda a criação da UCS a partir dos cursos isolados pré existentes: Escola de Enfermagem Madre Justina Inês (1957) cuja mantenedora era a Sociedade Caritativo-Literária São José; Escola de Belas Artes (1959) mantida pela Prefeitura Municipal de Caxias do Sul,; Faculdade de Ciências Econômicas e de Filosofia (1959) mantidas pela Mitra Diocesana; Faculdade de Direito (1960) cuja mantenedora era a Sociedade Hospitalar Nossa Senhora de Fátima. Para a realização do estudo a análise historiográfica percorre os caminhos da Universidade no Brasil com o intuito de estabelecer os marcos históricos necessários para o entendimento sobre a criação da UCS, fazendo análise da história do Brasil recente, sobretudo a partir de 1930 em diante, quando é criada a Universidade da Serra, denominada posteriormente por Universidade de Caxias do Sul, estabelecendo relações entre a cidade de Caxias do Sul, a região e os aspectos econômicos, culturais e religiosos que foram determinantes na criação da UCS e na sua constituição como universidade comunitária e regional. Não é suficiente compreender a Universidade, mas também é necessário estabelecer um novo diálogo entre universidade, sociedade, conhecimento e poder. Por isso, é importante conhecer aspectos sobre a criação, fundação e sobre o contexto onde está 208

inserida a UCS, a qual abrange 69 municípios atuando na área do ensino, da pesquisa e da extensão em uma das regiões mais prósperas economicamente do estado do RS. Fiz uso de documentos institucionais, entrevista, revisão bibliográfica. O método empregado está embasado na análise historiográfica pautada pela abordagem da nova história que permite o cruzamento entre as diversas fontes na composição dos cenários e para a análise da criação da instituição.

363 DE PEQUENA CASA DAS IRMÃS CATARINAS À PATRIMÔNIO PIAUIENSE: HISTÓRIA, CULTURA E ARQUITETURA NOS EDIFÍCIOS DOS COLÉGIOS DAS IRMÃS SAMARA MENDES ARAÚJO SILVA. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ, TERESINA - PI - BRASIL. No processo de formação da maioria das cidades do Piauí cujo “marco zero” é a igreja matriz da cidade denota-se como os edifícios erigidos pela Igreja Católica são elementos marcantes no cenário urbano e rural. E, ao lado das igrejas, na função de delimitadores dos espaços piauienses, estão outras construções católicas: cemitérios, Santas Casas e colégios. Por meio da pesquisa histórica e interpretando informações contidas em jornais, relatos orais de ex-alunas e fotografias dos Colégios das Irmãs, analisamos a influência na sociedade piauiense da educação católica fornecida às mulheres nestes Colégios, e percebemos que os prédios de tais Colégios são construções carregadas de múltiplos significados para os piauienses, e, extrapolam o papel de edificação educacional, neste texto apresentamos conclusões (parciais) sobre a importância histórica, arquitetônica, educacional e cultural destes prédios para o Piauí. Percebemos que no espaço territorial das cidades, as escolhas dos locais para a construção das instalações definitivas das escolas católicas se guiaram, entre outras, pelas “diretrizes tridentinas” para a educação dos jovens católicos, as quais enfatizavam sobremaneira, a convivência com a natureza de forma a assegurar o silêncio e a motivação para que os estudantes pudessem se dedicar a oração e meditação. Por isto, os Colégios católicos femininos piauienses à época da construção de suas sedes eram praticamente as últimas construções urbanas teresinenses e parnaibanas, localizando-se no limiar entre a área rural e o espaço urbano. Os colégios em Teresina e Parnaíba foram erigidos em áreas, inicialmente, distantes dos centros urbano-comercial, mas possuindo acesso facilitado a estes, com objetivo de manter as alunas dedicadas e concentradas integralmente às atividades que transcorriam nos espaços internos das escolas e, conseqüentemente longe das perturbações e atrativos da vida mundana. Estudando o processo de instalação dos Colégios das Irmãs, observarmos que estas edificações no Piauí, ao longo de um século de existência, de “pequena casa das irmãs catarinas” se transformaram e se destacam entre as grandes construções existentes nas cidades erguidas no início do século XX, e, são considerados os tipos ideais de construção para o funcionamento de um estabelecimento dedicado as atividades educacionais, representam a ligação mantida entre o Piauí e a Europa por meio das Irmãs Italianas, além de ser referência no tocante a preservação e manutenção da arquitetura original, mesmo diante das intervenções para modernizar e adaptar as estruturas já construídas às exigências contemporâneas. Assim, nos é possível estabelecer que os prédios dos Colégios das Irmãs têm uma notoriedade singular, pois, além da grandiosidade e beleza arquitetônica que demarcam os espaços urbanos teresinense e parnaibano, estas edificações são reconhecidas pela população e poder público como integrantes do patrimônio histórico e cultural do Estado.

531 DISCIPLINAMENTO NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES: UMA PRÁTICA HISTÓRICA E PERMANENTE VANIA REGINA BOSCHETTI REGINA BOSCHETTI; CLÁUDIA MARTINS RIBEIRO RENNÓ. UNIVERSIDADE DE SOROCABA, SOROCABA - SP - BRASIL. Mostrar como ao longo da história das instituições escolares, as práticas e as medidas disciplinares estiveram e ainda estão presentes, manifestando-se de várias maneiras, é o objetivo do presente 209

trabalho.Metodologicamente desenvolveu dois procedimentos: percurso bibliográfico e entrevistas orais realizadas com diretores, professores, inspetores, pais e alunos de duas escolas (uma pública e outra particular). A composição teórica utilizou dos escritos de Foucault, a teoria de “corpos dóceis” e sociedade disciplinar; em Bauman, buscou os estudos sobre as mudanças de paradigmas sociais da experiência individual humana e sua história; de Deleuze, trouxe os conceitos da sociedade de controle e, de Taborda vieram as experiências sobre a educação corporal na escola. Com esses procedimentos de abordagem, pôde de imediato, constatar que as práticas de disciplinar e controlar corpos e atitudes dos alunos em ambiente escolar, sempre foram objeto das preocupações educativas, estando presentes no cotidiano das escolas de formas mais diversas, como elementos fundantes das sociedades disciplinares. Uma análise mais detalhada permitiu constatar as formas mais convencionais: a arquitetura dos prédios escolares, a estrutura das salas de aula, a distribuição e a interdição dos espaços, a demarcação do tempo, a atuação de inspetores e bedéis, chegando aos recursos de vigilância mais atuais da moderna tecnologia e informatização como câmeras, circuitos integrados, verificação digital da frequência. A inserção de tais mecanismos na escola estabelece, para o aluno, limites de atuação e, para a instituição escolar possibilidades consideráveis não só do de exercício de autoridade, mas também de arbitrariedade. O controle nas escolas permanece articulado às convenções sociais, acontecendo com a constância necessária para produzir um comportamento que da escola, migre para a prática social cotidiana do ser humano, em quaisquer situações e atividades que ele esteja. Essa forma de conceber a educação tem como viés norteador, primeiramente a necessidade de disciplinar, para então, educar, instruir, civilizar. Partindo desse princípio, todas as escolas, consideram indispensáveis praticar atitudes e usar dispositivos de segurança e contenção. Em sua essência, tal princípio significa que se pune para educar, para impedir a reincidência no erro. É assim que são punidos os atrasos, a desatenção, o não cumprimento às regras em geral. A pesquisa conclui que, os diversos mecanismos disciplinares usados pela escola ao longo da história estão evoluindo em técnicas cada vez mais sutis, tomando o corpo social em sua totalidade e generalidade, mas também que nem sempre os recursos disciplinares adotados, têm sido suficientemente eficazes na questão do cumprimento às regras, pois não impedem as ações que burlam o disciplinamento.

862 DISCURSOS SOBRE A ESCOLARIZAÇÃO DA INFÂNCIA POBRE VEICULADOS PELA REVISTA DO ENSINO DE MINAS GERAIS (1925-1930) PAULA DAVID GUIMARÃES. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI, SAO JOAO DEL REI - MG - BRASIL. O presente trabalho parte da minha pesquisa de mestrado, já concluída, e tem por objetivo mapear, descrever e analisar os três principais discursos sobre a educação da infância pobre veiculados pela Revista do Ensino de Minas Gerais entre os anos de 1925 e 1930: o discurso moral, a discurso médico e o discurso da psicologia. Com o crescente direcionamento dos ideais civilizatórios para a formação da infância, considerada, na década de 1920, a mola propulsora para o crescimento e progresso do país, intensificaram-se os discursos que alertavam sobre a situação preocupante da infância menos favorecida nas escolas brasileiras. Entre tais discursos destacava-se o moral, principalmente o de fundo religioso, que buscava moralizar essa infância, considerada a mais carente em todos os aspectos da formação humana. Já o discurso médico alertava para o alarmante quadro das más condições de higiene das crianças pobres nas escolas e sua precária situação de saúde. Por fim, o discurso da psicologia, marcado pelos testes psicológicos, procuravam categorizar e classificar essas crianças, tentando formar uma sociedade mais homogênea. Em Minas Gerais, a Revista do Ensino, impresso pedagógico considerado um “espelho” das ações educacionais do Estado, apresentava em seu conteúdo textos que veiculam tais discursos que, em sua maioria, estabelecem diretrizes sobre como educar a infância pobre mineira. Para apreender os discursos moral, médico e da psicologia sobre a educação da infância pobre no referido periódico, adotou-se o procedimento metodológico de leitura dos 52 números da revista publicados entre os anos de 1925 e 1930. Nessa leitura foram identificados e catalogados 81 textos que tratam da educação da infância pobre sob o olhar individual ou conjunto desses três discursos. Para a análise dos dados foram adotadas algumas ferramentas metodológicas elaborados por Foucault como a 210

genealogia e a arqueologia, mas também seus estudos sobre enunciado, discurso e relações de poder. Entre os resultados da pesquisa pode-se citar a forte influência dos discursos moral, médico e da psicologia na formulação de ações e conceitos sobre a escolarização da infância pobre mineira. Foi possível perceber, também, alianças e rupturas entre tais discursos, mormente no aspecto de quem poderia se manifestar de forma mais “verdadeira” sobre a educação da infância pobre. A pesquisa mostra que o discurso moral, dividia-se em duas vertentes: o discurso moral religioso e o discurso moral leigo, o que denota a disputa entre o poder religioso e o poder científico. Já o discurso médico manteve estreitas alianças com o discurso da psicologia, mas também com o discurso moral, pleiteando para a infância pobre uma formação integral: da mente, do corpo e do espírito.

496 DISPOSIÇÕES OFICIAIS E MANIFESTAÇÕES DA SOCIEDADE: A FORMAÇÃO DA ESCOLA NORMAL DE JUIZ DE FORA (1881-1901) PRISCILA ALVES FERREIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA, JUIZ DE FORA - MG - BRASIL. Este trabalho objetiva reconstruir a formação inicial da Escola Normal de Juiz de Fora, abordando questões referentes à sua lei de criação, efetiva instalação e primeiras tentativas de supressão. O estudo é fruto de uma pesquisa em andamento que aborda as políticas educacionais da citada mencionada, no período compreendido entre o final do Império e as quatro primeiras décadas republicanas. A historiografia nos mostra que, mesmo após a descentralização do ensino com o Ato Adicional de 1834, ficando a formação de professores a cargo de cada província, as escolas normais em todo o Brasil tiveram características semelhantes. Entre elas destacam-se as sucessivas reformas, que implicavam na supressão ou valorização dessas instituições, instalações e mobiliário precários, crítica quanto à eficiência do currículo e, consequentemente, da formação dos professores. Conforme constatado na documentação levantada no Arquivo Público Mineiro, principalmente as referentes a relatórios de inspetores e correspondências de professores, a Escola Normal de Juiz de Fora se assemelha, nesses aspectos, às outras. Mas, ao pesquisar jornais do final do século XIX e início do século XX, presentes no Arquivo Municipal de Juiz de Fora, encontram-se notícias que nos indicam que a instituição possui especificidades que merecem ser mais bem estudadas. Em periódicos, como o Jornal do Commercio e o Correio de Minas, há notícias de projetos de substituição da Escola Normal de Juiz de Fora por um Externato do Ginásio Mineiro, de supressão da metade das escolas normais de Minas Gerais e mesmo de que todas elas serão suprimidas ou poderão ser mantidas pelas câmaras municipais. Tais medidas, de acordo com os órgãos oficiais, são necessárias devido tanto a cortes no orçamento estatal, quanto à instituição não atender aos fins a que se destina. Há também artigos e discursos escritos por articulistas dos jornais e por professores que expressam e, de certa forma, mobilizam a população a tomar atitudes contra a supressão da instituição, através de abaixo-assinados e representações enviadas ao governo do estado. Eles argumentam que a Escola Normal de Juiz de Fora, além de única da Zona da Mata mineira, possui alta frequência e está em crescente desenvolvimento. As solicitações para a permanência da instituição foram aceitas, ficando a mesma em funcionamento durante o período de crise financeira no estado. Dessa forma, se faz importante o resgate da memória dessa instituição, analisando a relação entre as disposições oficiais e as manifestações da sociedade que, naquele contexto, foram fundamentais para transformar a realidade em questão.

472 DOCENTES E PRÁTICAS ESCOLARES NA ESCOLA JAPONESA DE SANTOS (1930 – 1943) RAFAEL DA SILVA E SILVA. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. O presente trabalho faz parte de uma dissertação ainda em andamento sobre a educação escolar japonesa na cidade de Santos, inserindo-se no eixo temático da História das Instituições e Práticas 211

Educativas. Em tal estudo, foi possível perceber, pelo elevado número de escolas japonesas fundadas no Estado de São Paulo até o final da década de trinta, que a imigração japonesa no Brasil foi marcada por uma forte preocupação com a educação escolar e a transmissão da língua da terra natal às novas gerações. Era comum, logo após a fundação de uma colônia, a construção de uma escola, mesmo que de forma rústica, pois era necessário ensinar os mais novos acima de tudo, além de oferecer um espaço cultural e administrativo para os colonos. Assim também ocorreu com a cidade de Santos, onde foi fundada, com os esforços da associação de japoneses local e auxílio do governo japonês, a Escola Japonesa de Santos em 1930, funcionando até o ano de 1943, fechada por determinações de cunho nacionalista pelo governo Vargas. Assim, o presente trabalho tem como foco principal estudar, não somente a história da Escola Japonesa de Santos, mas também as práticas docentes e escolares realizadas no âmbito da instituição e suas respectivas repercussões socioculturais no contexto da colônia, da história da cidade e da instituição em si. Com o apoio das referências bibliográficas, utilizouse para a presente pesquisa documentos localizados em acervos pessoais, como fotografias, recortes de jornais, etc. Utilizaram-se também jornais da época, especialmente o Jornal A Tribuna e também, com maior destaque, depoimentos orais de ex-alunos, filhos ou parentes de ex-funcionários e pessoas que tiveram um contato mais próximo com a Escola Japonesa de Santos. A pesquisa concluiu, por fim, que a escola servia tanto como espaço de preservação e manifestação da cultura japonesa, através do ensino da língua e das práticas extracurriculares, como também de disseminação e integração da cultura brasileira através do ensino brasileiro seguindo o currículo do Estado, funcionando como uma escola primária normal licenciada pela Diretoria de Ensino local. Além disso, a pesquisa revelou também que os anos posteriores a 1937 impuseram uma série de complicações ao funcionamento normal da Escola, representando uma série de dificuldades para os administradores e os professores da língua japonesa, tendo repercussões diretas no cotidiano escolar. Contudo, graças a estrutura montada durante os anos de funcionamento, a escola ainda conseguiu desenvolver suas atividades até a determinação final de fechamento em 1943, quando a maioria dos japoneses e descendentes foram obrigados a deixarem a cidade para o interior do Estado.

545 EDUCANDO A SENSIBILIDADE: A PUERICULTURA COMO ALIECERCE DA MORAL E DO TRABALHO NA ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS (CURITIBA, 1928–1944) KELI FERNANDA RUCCO TURINA ; MARCUS AURELIO TABORDA DE OLIVEIRA . 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL; 2.UNIVESIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. O trabalho é fruto de pesquisa concluída que explora alguns dos pressupostos da Puericultura como prescrição curricular para a Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados-SSN, criada em Curitiba, em 1928. Entre tantas atividades previstas pelos idealizadores daquela instituição de assistência à infância, a Escola Maternal se caracterizou pela preocupação em oferecer a escolarização à infância ali assistida, cobrindo as idades de 0 a 12 anos, em três fases distintas: a creche, o Jardim de Infância o Curso Doméstico. Nela a puericultura, a moral e o trabalho ganhavam relevo, ainda que sob outras denominações estivesse presente também nas ações anteriores da SSN. Estes três preceitos apresentavam-se como eixos de fundamental importância para a concretização do “objetivo máximo da Escola Maternal: higiene, ordem e disciplina”. Entendidas essas três dimensões da formação como intrinsecamente ligadas à educação do corpo e das sensibilidades, consideramos que o espargir da puericultura, da moral e do trabalho foi realizado com base na desqualificação da maior parte da população não só local, mas brasileira, ainda carente de um “choque de civilidade”. Esta deveria internalizar as normas que lhes eram ensinadas, visando a formação de indivíduos higienizados, civilizados e moralizados, sob o epíteto de “cidadãos”, independente das condições materiais que determinavam sua condição de pobreza e abandono. Com base nas fontes analisadas observa-se que a perspectiva de Puericultura adotada nas ações da Escola Maternal embasava-se em preceitos científicos difundidos principalmente em congressos, entre outros espaços de grande circulação de idéias. Estas, por sua vez, compunham as propostas de outras instituições e embasavam os discursos de médicos, juristas, políticos, jornalistas, entre tantos outros profissionais que consideravam estes princípios como 212
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fundamentais na educação da população. Assim, é mobilizada documentação de natureza variada, como aquela emanada do interior da SSN (atas, correspondência, relatórios e programas), além da imprensa diária e da produção de intelectuais ligados às causas da educação e da assistência à infância pobre. Na documentação captamos ecos de um momento fundador do currículo, a sua prescrição, verificando como a Puericultura se articulava à moral na tentativa de desenvolver uma sensibilidade afeita ao mundo do trabalho. Este, por sua vez, era justificado por uma retórica de cunho religioso, assistencial e caritativo para afirmar em corações e mentes infantis o lugar de cada um naquele mundo.

549 EDUCAR PARA A MODERNIDADE: PRÁTICAS EDUCATIVAS NAS PROPAGANDAS DE CURITIBA NO INÍCIO DO SECULO XX SARASVATI YAKCHINI ZRIDEVI CONCEIÇÃO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, CURITIBA - PR - BRASIL. A cidade de Curitiba no início do século XX foi envolvida por uma dinâmica de mudanças, englobando vários níveis da sociedade, na tentativa de tornar-se mais moderna e civilizada, no molde europeu. As idéias de progresso, crescimento e modernização que permeavam este momento histórico foram acompanhadas pela intelectualidade curitibana, que procurava implementar um projeto civilizatório em toda a sua extensão: uma nova arquitetura é proposta, a urbanização começa a ser praticada com o intuito de suceder o velho pelo novo, e aos poucos a população curitibana começa a conviver com símbolos da ciência e da tecnologia no seu cotidiano: luz elétrica, bondes movidos a eletricidade, automóveis e artefatos mecânicos. Na esfera social e cultural, novas práticas e hábitos vão sendo absorvidos pela população, e os tradicionais são reprimidos através de uma intensa campanha pela cura das doenças sociais. Imbuída do mito cientificista, essa intelectualidade curitibana produz discursos e atua em diversos campos, entre eles os da saúde pública, da educação e do planejamento urbano, visando à superação dos problemas sociais. O principal objetivo era “produzir” indivíduos sadios, civilizados, de preferência brancos e dispostos ao trabalho, regenerador dos costumes de uma sociedade marcada pelos “vícios” da escravidão e da miscigenação. As propagandas veiculadas nos periódicos das duas primeiras décadas do século XX constituíram um veículo eficaz de disseminação desses ideais. Elas se apresentam como um painel por onde se exprime a organização social/política da cidade, com seus atores e circunstâncias. Nele se exibem a paisagem, a economia, as letras e artes, os ideais políticos, a educação, a cultura, os hábitos e mudanças, a vida em sociedade, o progresso, as influências externas e internas, constituindo, desta maneira, um lugar privilegiado de manifestação de diversas vozes. Através de suas características próprias, como a linguagem e a imagem, as propagandas curitibanas ditam as novas formas de lazer e de comportamento, afirmam e reafirmam os papéis sociais, vendem uma nova ordem baseada na cultura moral, física e higiênica, indispensável para a formação de homens fortes, saudáveis e produtivos. Os ideais de ciência e progresso associados à tecnologia moderna; a ruptura com o velho, e a decorrente valorização do novo e da novidade; o desejo de identificação com os valores estrangeiros; a fragmentação e especialização do conhecimento contribuíram para a formação do imaginário moderno e conseqüentemente para a implantação do projeto modernizador, do qual os intelectuais viam como uma verdadeira missão. Neste trabalho já concluído, propagandas e anúncios são explorados como documentos e como suporte de sentidos das práticas sociais, possibilitando captar um conhecimento mais amplo das práticas educativas vinculadas à população nas duas primeiras décadas do século XX, a partir de pressupostos da História Social da Cultura.

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976 EDUCAÇAO INFANTIL E COTIDIANO: REPRESENTAÇÕES, PRATICAS EDUCATIVAS E FORMAÇAO DOCENTE. MILENA ARAGAO SOUZA; LÚCIO KREUTZ. UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL, CAXIAS DO SUL - RS - BRASIL. A preocupação que serviu de solo para alicerçar a educação da primeira infância brasileira, estava atrelada à nova posição que a mulher assumia nas sociedades dos séculos XIX e XX. Sua ausência do lar, rumo ao mercado de trabalho, denunciava uma presença: a criança. A necessidade em resolver um problema social emergente – o desamparo infantil - bem como acompanhar a nova ordem que se estabelecia – numa sociedade que se pretendia civilizada e desenvolvida - impulsionou a construção de creches e pré-escolas: espaços, em sua maioria, de cuidado e proteção, tendo ações assistencialistas como ponto central. As características que delinearam tais instituições, revelaram também o perfil de seus educadores: mulheres sem formação para o cargo, representadas enquanto virtuosas e maternais. Essa realidade permaneceu até a constituição de 1988, a qual enfatiza sua preocupação com a formação consistente dos profissionais, sendo reforçada pela LDB 9394/96. Todavia, questionamos como se desenvolveu a construção deste espaço visto pela lente do cotidiano. Qual era o perfil das pessoas que trabalhavam com a educação da primeira infância? Que representações foram construídas sobre estas mulheres? De que forma as mudanças nos documentos oficiais implicaram em mudanças no dia a dia destas instituições, em especial no que concerne a formação docente? Neste contexto de indagações, objetivamos olhar o cotidiano e investigar numa instituição de Educação Infantil, inaugurada em 1960, o perfil das primeiras mulheres lá atuantes, bem como acompanhar as mudanças tanto na formação, quanto na atuação docente, face às recomendações da LDB 9394/96. Neste sentido, a pesquisa estendese até a década de 2000 e busca em atas de reuniões, cadernos e materiais de apoio pedagógico, fichas de contratação profissional entre outros documentos, pistas que nos permitam - como afirma Pesavento (2008) – recuperar “os registros do passado” (p.64), a fim de construir um “quebra-cabeça capaz de produzir sentido” (p.64). Através do diálogo entre o passado e o presente, investigando mudanças e constâncias, vamos também problematizando a formação docente para este espaço, tendo em vista, - como asseveram Campos e Rosenberg (1995) – que a qualidade da Educação Infantil está intimamente relacionada à qualificação dos profissionais nela atuantes, uma vez que a falta de formação específica, conduz as professoras a agirem de acordo com as representações construídas historicamente sobre elas, as quais, escapando à reflexão crítica, convertem-se em verdadeiros obstáculos à atuação profissional.* Pesquisa concluída.

722 EDUCAÇÃO COMO HERANÇA: PRÁTICAS EDUCATIVAS DE NEGROS ESCRAVOS E LIBERTOS NA CAPITANIA DE MINAS GERAIS, SÉCULO XVIII SOLANGE MARIA DA SILVA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. O presente artigo tenciona abordar as práticas educativas e sociabilidades vivenciadas pelos negros (pretos, crioulos e pardos, escravos ou forros) observando a educação legada aos seus descendentes. Educação compreendida de forma mais ampliada do que no seu sentido puramente escolar, focando as relações em que os sujeitos se envolvem ou há a transmissão de conhecimento de qualquer tipo, seja de caráter moral, religioso, técnico ou até mesmo letrado, não exclusivamente no âmbito da educação escolar. Práticas educativas que podem envolver o estabelecimento de estratégias, que por sua vez são apropriadas pelos sujeitos em situações e ações cotidianas que envolvem a convivência com as diversas camadas sociais. Assim, a herança - elementos e atitudes que poderiam ter um sentido educativo - é apreendida e interpretada, por vezes implicitamente, através das regras e padrões de inserção na sociedade em que viviam aqueles indivíduos. Nesse sentido, na Comarca do Rio das Velhas, Capitania de Minas Gerais, no século XVIII, as irmandades, as relações domésticas, os locais de trabalho, as lojas de 214

secos e molhados, as boticas, os estabelecimentos de comércio, os lugares das de práticas religiosas, se apresentavam como espaços de sociabilidades permitindo aos mesmos sujeitos construir, reconstruir, superpor e interpretar fazeres, lugares e identidades. Estes e outros aspectos de uma convivência material, espiritual e intelectual podem ser recuperados por meio de testamentos e inventários, base documental desta pesquisa. Essa documentação tem demonstrado sua riqueza para as pesquisas em História da Educação. O presente estudo, fruto de resultados parciais de uma pesquisa em andamento no Mestrado em Educação, nos possibilita frisar a importância de considerar os negros como atores sociais e sujeitos nas narrativas que tratam do desenvolvimento histórico dos processos educacionais do país, assim como compreender e contribuir com a História da Educação dos negros, em períodos históricos mais remotos.

403 EDUCAÇÃO CÍVICA E NACIONALISMO: A APROPRIAÇÃO DO COMEMORAÇÕES CÍVICO-ESCOLARES EM LAGUNA – SC (1917-1930) LUIZ DE DE SOUZA ROMERO SANSON. UDESC, FLORIANOPOLIS - SC - BRASIL.

ESCOTISMO

DURANTE

AS

Este trabalho objetiva identificar e compreender alguns aspectos do processo de nacionalização no Brasil da Primeira República. Com foco na educação, será privilegiada uma instituição extra-escolar de significativo vulto no país e no estado catarinense, o escotismo, que será compreendido em sua incorporação durante os eventos cívicos e desfiles públicos. Como objetivações específicas elencamos: 1 - Identificar a configuração sociopolítica catarinense na Primeira República. 2 - Identificar o papel do escotismo em nível geral-local durante esse contexto. 3 - Identificar o caráter institucional das festividades e comemorações cívico-escolares do mesmo período. 4 – Compreender os mecanismos de circulação e apropriação de modelos culturais no interior da nacionalização em Laguna e em comparação com as experiências brasileiras já pesquisadas nesse contexto. 5 – Compreender a constituição de uma memória histórica a partir da relação entre escotismo e festas público-escolares em Laguna, Santa Catarina. No âmbito metodológico são empregadas as ferramentas teóricas tocantes à história oral e à análise de material iconográfico. Em um e outro caso, intentamos problematizar aquilo que não foi revelado, porém verifica-se inerente ao fenômeno. São importantes também as fontes bibliográficas de natureza teórica que embasam as argumentações resultantes dessa pesquisa. Destaco a obra de Roger Chartier (A História Cultural – entre práticas e representações) e o texto de Bronislaw Baczko (Imaginação social), que oferecem conceitos que refletem os mecanismos de circulação e apropriação de modelos culturais, buscando compreender, em um viés, a relação entre as representações e as práticas, além do poder simbólico do Estado. Buscar-se-á identificar e analisar a relação entre a instituição escoteira desenvolvida em Laguna, de 1917 a 1930, e o fenômeno nacional de construção de uma identidade republicana, no âmbito educacional extra-escolar. Para dar relevo a essa ligação, os discursos acerca do escoteirismo lagunense serão importantes meios de reflexão e crítica. A experiência da Escola de Escoteiros de Laguna com a política nacionalista da Primeira República se realizou por meio das festividades cívico-escolares, que na época faziam parte do calendário escolar público. Nesses eventos, as práticas escoteiras afirmavam os novos símbolos e as novas datas do regime republicano. Assim, refletiremos sobre a relação entre as representações e as práticas culturais (o projeto e os discursos acerca da educação confrontados à atuação do grupo em questão), a eficácia simbólica do Estado e os mecanismos de circulação e apropriação de modelos culturais (o papel do chamado discurso autorizado e as formas pelas quais foi incorporado pelo Escotismo em Laguna). Pesquisa concluída em dezembro de 2008 e ampliada no Mestrado em Educação, linha de História e Historiografia da Educação, 2010.

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1017 EDUCAÇÃO E TRABALHO NO BRASIL COLONIAL: ARTES E OFÍCIOS NOS COLÉGIOS JESUÍTICOS MARISA BITTAR BITTAR BITTAR ; AMARILIO FERREIRA JR. FERREIRA FERREIRA JR. . 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR), SAO CARLOS - SP - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, SÃO CARLOS - SP - BRASIL. Este trabalho tem como objeto de estudo a ação pedagógica dos jesuítas no tocante ao ensino de artes e ofícios durante o período de sua hegemonia no Brasil Colonial (1549-1759). As pesquisas produzidas até o momento possibilitam afirmar que a educação jesuítica colonial não se restringiu aos preceitos pedagógicos emanados do Ratio Studiorum, ou seja, da educação humanística de cunho livresco e mnemônico (ensino de cor). Fundamental para a existência dessa educação foi o ensino das chamadas artes mecânicas nas unidades produtoras que garantiam a base material dos colégios jesuíticos: as fazendas de cana de açúcar e de gado. Assim sendo, partimos do pressuposto segundo o qual o ensino das artes e ofícios no interior dos colégios jesuíticos se constituiu em atividade pedagógica relevante que permite uma compreensão mais abrangente da história da educação durante o período colonial. Em síntese, a hipótese de pesquisa que nos norteou fundamentou-se no entendimento de que os colégios regidos pelo Ratio Studiorum dependiam da base material proveniente da economia agropecuária desenvolvida nas fazendas e dos ofícios necessários às atividades econômicas na produção das manufaturas. Assim, os colégios jesuíticos, para funcionar, dependiam de ofícios que eram desenvolvidos por trabalhadores que os tinham aprendido nos próprios colégios. Na descrição dessas artes e ofícios, Serafim Leite se reporta ao início da missão jesuítica quando, em 1549, aportaram em terras brasílicas os primeiros jesuítas, referindo-se aos ofícios dos meninos índios, que aprenderam sob o amparo dos padres e, assim, preencheram a primeira página do “trabalho civilizado, que sem ser de português do Reino, se diferencia do primitivo indígena, quer dizer, já é trabalho brasileiro”, e arrola pedreiros, ferreiros, carpinteiros, escultores, torneiros, alfaiates, e tecelões. Além desses ofícios aprendidos “de ordinário” nos colégios, refere-se a outros que as fazendas mantinham para seu serviço, dentre os quais canoeiros e serradores. No século XVII, há o caso de Pedro Pereira, natural de Braga, que ingressou na Companhia em 1677 com 26 anos, e, no Colégio do Rio de Janeiro foi “soto-ministro e superintendeu noutras oficinas (cozinha e refeitório)”. Finalmente, apenas para ilustrar o longo rol, destacamos Vicente Rodrigues, um jesuíta emblemático do século inicial por ter sido, “hortelão, ou agricultor, e ainda, para estar apto a ensinar o ofício aos índios, começou a aprender o de tecelão”, e foi o primeiro mestre-escola do Brasil colonial. Assim, podemos supor que, conforme os colégios prevaleceram em relação à catequese, os ofícios passaram a ser mais diversificados e intelectualizados, tais são os bibliotecários, encadernadores, tipógrafos e impressores, por exemplo. Foi o caso de Manuel Pires, natural do Porto, que ingressou na Companhia em 1720 e atuou como livreiro no Colégio da Baía, além de “administrador de fazendas”.
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1031 EDUCAÇÃO GLOBALIZADA: O MÉTODO DE ENSINO PROPOSTO PELAS FILHAS DE CARIDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO, 1866 ANA CRISTINA PEREIRA LAGE. UNI-BH, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. A comunicação busca analisar o método de ensino proposto pela Congregação das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo através de uma obra publicada em 1866: Manuel a l’usage des filles de la charité employées aux écoles, ouvroirs, etc. Analisando a expansão do catolicismo no século XIX, percebe-se que a luta pela idéia de universalidade cristã vinha respaldada e fortalecida pelo discurso do papa e também pela ampliação do raio territorial a ser catequizado, objetivos conquistados por uma novidade: a circulação e a globalização crescente das congregações femininas. As congregações religiosas femininas do século XIX, caracterizadas como de vida ativa, não estavam confinadas nas clausuras, mas circulavam e pregavam a universalidade cristã para os “quatro cantos do mundo”, em um processo de mestiçagem e de conexão entre os locais por onde passavam. É possível perceber as identidades das 216

congregações femininas e em suas articulações de mestiçagem nos diversos locais por onde se espalharam, em um verdadeiro movimento de globalização por parte das congregadas. Considera-se que a globalização das Filhas de Caridade aconteceu na segunda metade do século XIX. Dentro do principio expansionista e da necessidade de divulgação do catolicismo, em um movimento de globalização das idéias e costumes e de conexão entre os vicentinos, ocorreu a necessidade de sistematizar regras e costumes para as Filhas de Caridade instaladas dentro e fora da França, além seus assistidos. Um dos instrumentos de globalização de suas práticas foi o Manuel a l’usage des filles de la charité employées aux écoles, ouvroirs, etc. . Pretende-se analisar a globalização e a conexão das atividades vicentinas através desta obra que seria utilizado nas escolas administradas pela congregação. A obra seguia impressa em 310 páginas para as casas das vicentinas e dividia-se em duas partes. Na primeira parte da obra descreve - se os exercícios que devem ser feitos nas escolas e a maneira de fazêlos (divisão das classes e admissão dos alunos; entrada dos alunos e mestras na classe; método de ensino; lições de memória; lições de leitura; escrita; gramática e ortografia; aritmética; história; Geografia; desenho; catecismo; orações e cânticos; saída das escolas; assistência aos ofícios da paróquia; polidez; asseio). A segunda parte é uma descrição “das obras externas, dos patronos, dos orfanatos de meninas e meninos, e os meios particulares para obter dos alunos a ordem e o trabalho”. Segue ainda em anexo uma “lista dos livros clássicos indicados neste manual, e que devem ser adotados pelas escolas das Filhas de Caridade”. Pretende-se analisar a obra proposta dialogando com os conceitos da história conectada.

429 EDUCAÇÃO NO EXÉRCITO PORTUGUÊS NA ÉPOCA DA “VIRADEIRA” (AMÉRICA PORTUGUESA: 17771808) MARIA LUIZA CARDOSO. UNIFA, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. EDUCAÇÃO NO EXÉRCITO PORTUGUÊS NA ÉPOCA DA “VIRADEIRA” (AMÉRICA PORTUGUESA: 1777-1808) Maria Luiza Cardoso Universidade da Força Aérea (UNIFA) marialuizacardoso@terra.com.br Eixo Temático: História das Instituições e Práticas Educativas Este trabalho teve como objetivo analisar a educação formal promovida pelo exército na América portuguesa. Ele aborda o período denominado de “viradeira”, que se seguiu ao governo do Marquês de Pombal (ministro de D. José I), quando D. Maria I passou a reinar em Portugal, sendo substituída, posteriormente, por seu filho D. João, por insanidade mental. Tal período exprimiu uma alteração nas relações que passaram a determinar o poder e as dinâmicas econômica e social, desencadeadas no reinado anterior. A pesquisa teve como limite o ano de 1808, época em que a Corte portuguesa instala-se na América, fugindo da invasão do território português determinada pelo imperador francês Napoleão Bonaparte. Este texto foi produzido com informações coletadas aqui no Brasil e em Portugal - quando da realização de um estágio de doutoramento, financiado pela CAPES, na Universidade de Coimbra, nos anos de 2005 e 2006. Todavia, muitas das informações aqui apresentadas não foram abordados na tese, defendida no ano de 2009, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. É importante destacar que a intenção da pesquisa realizada no Curso de Doutorado foi estudar o papel que as instituições educacionais militares (do Exército e da Marinha) desempenharam para o Estado, para a sociedade e, principalmente, para as pessoas pertencentes às classes sociais desfavorecidas, no período em que o Brasil foi colônia de Portugal. Quanto aos locais onde foram encontradas as fontes, cabe mencionar que, em Portugal, foram visitadas as seguintes instituições: Arquivo Militar, Biblioteca do Exército, Biblioteca da Marinha, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo e Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Biblioteca Nacional de Lisboa, Bibliotecas da Universidade de Lisboa. No Brasil, as pesquisas foram realizadas no Serviço de Documentação da Marinha, no Arquivo Histórico do Exército, na Biblioteca Nacional, e na Universidade de São Paulo. Numa época em que as instituições de ensino eram raras, acreditamos que as “aulas” e as “academias” militares que existiam em Portugal e, principalmente, na sua colônia americana, muito contribuíram para a formação geral e profissional daqueles indivíduos pobres que puderam freqüentá-las. O texto traz informações sobre os discentes e docentes; o conteúdo, a distribuição e a duração das “aulas”; e o material didático empregado. Assim, esperamos que a presente 217

pesquisa venha colaborar para a escrita da história da educação brasileira, através do viés da cultura militar, cujos documentos, relativos à área pedagógica, ainda são pouco explorados. Palavras-chave: 1. História da Educação. 2. História da Educação Militar. 3. História da Educação no Exército.

1177 EDUCAÇÃO, HIGIENE E TRABALHO EM MANOEL BOMFIM NA CONSTRUÇÃO DA MORAL BURGUESA, NA VIRADA PARA O SÉCULO XX GISELE DOS SANTOS OLIVEIRA. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. A construção da moral burguesa e as práticas educativas que foram pensadas e introduzidas na sociedade brasileira, no Rio de Janeiro, nos anos finais do século XIX e início do XX contou com a participação de vários pensadores de educação que tinham como proposta a construção da identidade nacional, seu progresso e evolução. Focalizamos Manoel Bomfim, em virtude da pouca atenção que tem recebido; foi professor da Escola Normal do Distrito Federal, assumiu a Instrução Pública em dezembro de 1898, na condição de membro efetivo do Conselho Superior de Instrução Pública do Distrito Federal, em 1902 embarcou para a Europa, onde comissionado pelo governo brasileiro, estudou psicologia experimental com Alfred Binet e Georges Dumas, na Sorbonne, foi médico, participou da imprensa de sua época, escreveu livros, dedicados a História, a Psicologia e a Pedagogia, campo que atuou com mais destaque. Consideramos discutir essa atuação comparando com as demais praticas que co-existiram na época, sem que qualquer delas impusesse silêncio da outra como faz ver algumas pesquisas na área da História, na área da Sociologia e também na de Literatura. O que se entende é que toda produção é histórica e como tal serve ao seu próprio tempo podendo se estender para outros tempos. Pois ainda hoje em nosso entorno encontraremos muitas sobrevivências dos diferentes passados na educação brasileira, em suas teorias, métodos e organização. Busca-se entender como a educação do corpo e as propostas higiênicas podem ter auxiliado a implantação da Educação da Infância para o trabalho. Essa escrita parece ter como tema central a preocupação com a construção de determinada moral que busca introduzir nas crianças a preocupação com o trabalho e os frutos que se pode colher a partir deste. Trata também das diferentes formas com que a medicina fora higienizando o espaço escolar através do controle da leitura. Os médicos a partir de seu lugar científico e higienista definiam a idade e a temática compatível que devia ser corretamente empregada com as crianças. Em Através Brasil (1924), Manoel Bomfim e Olavo Bilac escrevem um livro de aventura indicado para as crianças da escola primária, no livro percebemos claramente o interesse em se contar a verdade tida como objeto de valor científico da época. Assumindo a condição de educadores, mais que indicar um livro eles produzem o livro que irá dar sustentação a formação das crianças para o trabalho na sociedade burguesa. Era preciso construir a cultura do trabalho livre e do recebimento de salário, nas relações de trabalho, sob o novo modelo econômico. Buscamos analisar e discutir como Manoel Bomfim esteve pensando a educação para o trabalho como uma cultura a ser aprendida e apreendida por crianças de modo que elas se tornassem adultos mais justos, sérios, respeitosos e a partir de tais qualificações promovessem o progresso e a evolução do Brasil.

706 EM TRAÇOS DE MODERNIDADE: A HISTÓRIA E A MEMÓRIA DO GRUPO ESCOLAR “HUGO SIMAS” (LONDRINA-PR, 1937- 1972) THAIS BENTO FARIA ; ANALETE REGINA SCHELBAUER . 1.PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA, LONDRINA - PR - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, MARINGÁ - PR - BRASIL. O nosso propósito é socializar os resultados obtidos de um processo investigativo permeado de paixão pela escola primária pública, que se iniciou em 2008 e teve seu término em 2010. Devido essa relação íntima com a escolarização elementar surgem questionamentos acerca da constituição do ensino 218
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primário no município de Londrina que levaram a criar o primeiro grupo escolar, o "Hugo Simas", e, por isso, lançamos o desafio de reconstruir sua história e sua memória, desde sua gênese até sua extinção com a Lei 5.692/71. A principal meta foi perceber se esta escola primária cumpriu o ideário que acompanhou a difusão dosgrupos escolares no período republicano e se formulou novas práticas e incorporou vocábulos inspirados pelo pensamento da Escola Nova. Na análise associamos as condições econômicas, históricas, sociais, políticas e culturais à história tecida por esta escola primária pública de zona urbana. Para tanto, usamos documentos orais, escritos e iconográficos. Da composição do panorama macroscópico acerca da escola pública primária no Paraná, aprofundamos na história de Londrina e na da educação de "seu” povo. Os resultados da pesquisa desmonstram que o grupo escolar investigado se apropriou de alguns princípios escolanovistas embora conviva com práticas procedentes do fim do século XIX. Na busca de se firmar como uma escola de prestígio e qualidade, contava com um considerável acervo material e com um corpo docente composto de maioria normalista. Entretanto, o antagonismo formado entre a estrutura física e a crescente demanda trouxe inúmeros problemas que encontrou no desdobramento de turnos e no uso de outros espaços uma das saídas. Por se tratar de uma cidade formada por uma multiplicidade étnica, o GE "Hugo Simas” foi frequentado por um número significativo de filhos de estrangeiros. Propagou valores de amor ao trabalho, à escola, à nação por intermédio dos exames escolares e as exposições de trabalhos manuais. A arquitetura escolar, os conhecimentos transmitidos, bem como a organização do trabalho pedagógico fez desta instituição referência e em sintonia com os princípios de modernidade, racionalidade, padronização e higienização.

459 ENSINO COMERCIAL EM RIO TINTO – PB:O COLÉGIO TÉCNICO E A PROFISSIONALIZAÇÃO DE JOVENS (1973-1992) JOSE JASSUIPE DA SILVA MORAIS ; DANIELE VASCONCELOS RIBEIRO DA SILVA ; POLYANDRA ZAMPIERE 3 4 PESSOA DA SILVA ; TERESA CRISTINA BRUNO ANDRADE . 1,2,3.UFPB, JOAO PESSOA - PB - BRASIL; 4.UNESP, BAURU - SP - BRASIL. A Lei Federal da Educação nº. 5692/71 determinou criação e implementação do Ensino Profissionalizante que vigorou até a Lei de Diretrizes e Bases nº. 9394/96. Trata-se de momento políticoeconômico e sócio-histórico importante para se investigar o processo de ensino-aprendizagem, pois, durante esse período, ocorreram transformações relevantes, apesar dos índices elevadíssimos de analfabetismo e da falta de escolas de ensino primário e secundário na região nordeste do Brasil. A crescente procura pelo ensino técnico-profissionalizante de contabilidade na cidade de Rio Tinto – PB se deu pelo desenvolvimento do comércio no Vale do Mamanguape, a diminuição na demanda por mãode-obra industrial e, consequentemente, a necessidade de contabilistas para atender à expansão comercial das cidades de Rio Tinto, Mamanguape e ao seu entorno. Fora isso, a população local buscava alternativas de empregabilidade além do trabalho na Companhia de Tecidos Rio Tinto (CTRT). Assim, estabeleceu-se como objetivo analisar criticamente a formação profissionalizante de adolescentes e de jovens adultos nos cursos de Técnico em Contabilidade e Formação de Magistério na cidade de Rio Tinto. Para tanto, realizou-se pesquisa documental, circunscrita ao período de 1973-1992 – marco temporal entre a fundação e o encerramento das atividades do Colégio – mapeando-se regimento, histórico escolar, fichas de alunos, certificados e documentos de controle individual. A coleta de dados ocorreu na Secretaria Estadual de Educação da Paraíba, no arquivo das escolas inativas, localizado em João Pessoa, capital do estado. A bibliografia sobre Ensino Comercial e Educação Profissional serviu como alicerce da fundamentação teórica, e os resultados deste estudo foram interpretados qualitativamente, por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados preliminares indicam que o Colégio Técnico de Rio Tinto preparava mão-de-obra para atuação nos escritórios da fábrica de tecidos, em serviços auxiliares do comércio e em assessoria burocrática, e o curso de Magistério visava atender à demanda de professores para as escolas de ensino regular e profissional da região. Dentre outros aspectos, verifica-se que, tanto no curso de Técnico em Contabilidade como no de Formação de Magistério, a questão de gênero fica evidente, posto que se observe que o curso de Contabilidade tinha demanda eminentemente masculina, em seu início, e o Magistério abrangia turmas formadas, em sua
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maioria, por pessoas do sexo feminino. Constata-se, também, que em 1992, após o fechamento da fábrica, a escola encerrou suas atividades.

1134 ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA NO BRASIL DO SÉCULO XIX: O CURSO ELEMENTAR DE LITERATURA NACIONAL E AS POSTILHAS DE RETÓRICA E POÉTICA UTILIZADOS NO COLÉGIO PEDRO II ANA APARECIDA ARGUELHO DE SOUZA ARGUELHO SOUZA. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL. O presente trabalho apresenta resultados parciais de pesquisa em andamento acerca de instrumentos didáticos na prática educativa escolar e vincula-se ao Programa de Pesquisa O manual didático como instrumento de trabalho nas escolas secundária e normal (1835-1945). A pesquisa é desenvolvida pelo grupo regional HISTEDBR/MS, coordenado pela Profa. Dra. Sílvia Helena Andrade de Brito (UFMS) e tem o financiamento do CNPQ. Nele estão envolvidos pesquisadores da UEMS, UFMS e UNIDERP, todos vinculados ao HISTEDBR nacional e regional de MS. Esse programa se desdobra no projeto A produção material e a organização de instrumentos didáticos utilizados no ensino da língua e literatura – O Colégio Pedro II (1835 a 1945), registrado na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós Graduação da Universidade Estadual de MS, sob minha coordenação. A relevância desta pesquisa se deve à utilização hegemônica de manuais didáticos nas escolas de Ensino Médio para o ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, na contemporaneidade, em todo o território nacional. Neste caso, particularmente, manuais de língua portuguesa e literatura. Tem-se a clareza de que, tal como esses instrumentos se apresentam hoje, tanto em termos da sua distribuição monopólica como da sua organização interna e seus conteúdos prestam-se a uma determinada uma tarefa de manutenção da sociedade. A escolha do Colégio Pedro II como instituição de onde parte a pesquisa deve-se ao fato de ter sido esta a escola de referência para o sistema escolar brasileiro de ensino médio, ao longo do período delimitado, como forma de apreensão do objeto em sua historicidade. Foram selecionados como objetos deste estudo dois manuais didáticos utilizados no Colégio Pedro II: o Curso Elementar de Literatura Nacional e as Postilhas de Retórica e Poética, ambos de autoria do cônego Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro, cujas edições foram publicadas em 1862 e 1885, respectivamente. Esses instrumentos e seus similares utilizados no Colégio Pedro II foram norteadores do ensino de literatura nas instituições de ensino médio no Brasil do século XIX. O objetivo é, dentro de uma temática mais ampla, que abrange a função dos manuais didáticos como transmissores de conhecimento no interior do modo de produção capitalista, compreender o percurso e a tarefa que cumpriram tais instrumentos de leitura na construção e manutenção do capitalismo, como fundamento para questionar o uso massivo e os limites do manual didático para a atualidade. O referencial teórico utilizado é a Ciência da História, instrumental definido por Marx em A Ideologia Alemã para indicar que todas as questões humanas são históricas. Nesse sentido serão utilizadas fontes clássicas e contemporâneas que permitam a análise do objeto.

1181 ENSINO PÚBLICO E PRIVADO NO BRASIL NOS SÉCULOS XIX E XX: A PRESENÇA DE INSTITUÇÕES PRIVADAS PROTESTANTES PERI MESQUIDA ; CESAR ROMERO AMARAL VIEIRA . 1.PUCPR, CURITIBA - PR - BRASIL; 2.UNIMEP, PIRACICABA - SP - BRASIL. A expulsão dos jesuítas, em 1759, pelo Marquês de Pombal, procurando difundir as idéias iluministas em Portugal e fazer o país sair do feudalismo e entrar no sistema capitalista europeu, criou um vazio na educação no Brasil que durante quase três quartos de século ficou praticamente sem o ensino básico. Este somente será lembrado, cinco anos após a proclamação da independência, por meio da Lei Geral, de 1827, que visava a criação de escolas primárias. No entanto, se houve um “vazio” na educação de base, o mesmo não ocorreu com o preparo dos filhos da classe dirigente que se beneficiaram da 220
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presença de preceptores, nas fazendas, preparando-os para a entrada em universidades portuguesas e francesas. Alem disso, a independência política (1822) e o movimento republicano (a partir de 1870), no contexto das idéias liberais oriundas da França e dos Estados Unidos da América, abriram as portas do país para intervenções educativas privadas, seja de leigos, seja de instituições de ensino confessionais, católicas e protestantes, em especial essas últimas. Os protestantes de origem missionária norteamericana, metodistas, presbiterianos e batistas, aproveitaram a onda liberal e a abertura proporcionada pela Lei nº 54, de 1868, que suprimiu o ensino secundário na Província de São Paulo, para se inserirem no espaço educativo brasileiro, a partir do final da segunda metade da década de 1860. Esses protestantes fundaram em especial colégios para os filhos da elite republicana e da oligarquia agrária brasileira na região sudeste, mas não esqueceram os filhos dos proletários, abrindo escolas paroquiais nas periferias das cidades que apresentavam um embrionário processo de industrialização, onde eram ministradas as primeiras letras, mediante o pagamento de uma mensalidade “simbólica”.Os colégios protestantes traziam dos Estados Unidos da América uma educação considerada “moderna” pela elite política brasileira, pois a prátcia pedagógica tinha como base o empirismo de Charles S. Peirce e o pragmatismo, de W. James, fontes do pensamento de John Dewey, desenvolvidos com o auxilio do método indutivo, apropriado, segundo a visão dessa liderança política, à formação de homens livres, democráticos, racionais e empreendedores. Com isso, o Estado brasileiro mantinha a prática de deixar nas mãos da iniciativa privada o ensino da elite, assumindo o papel de Estado educador para os filhos dos trabalhadores. Portanto, enquanto a elite brasileira, em especial na Região Sudeste, era formada em colégios confessionais/privados protestantes e, mesmo católicos, tendo acesso a uma educação apropriada à formação de dirigentes, os filhos dos proletários recebiam do Estado uma educação apropriada para formar trabalhadores dóceis e conformados. Este resumo de comunicação faz parte do resultado parcial de investigação científica em fase de desenvolvimento levada a efeito por um grupo de pesquisa interinstitucional. Trata-se de projeto de pesquisa historiográfica e documental.

824 ENTRE AUXÍLIOS E PREMIAÇÕES: O FUNCIONAMENTO DAS CAIXAS ESCOLARES EM GRUPOS ESCOLARES DA CAPITAL MINEIRA PRISCILLA NOGUEIRA BAHIENSE. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. Este trabalho tem por objetivo apresentar uma análise acerca do funcionamento das caixas escolares presentes nos grupos escolares de Belo Horizonte na primeira década de sua implementação (1911/1921). Instituídas pelo Secretaria do Interior de Minas Gerais a partir do art. 354 do Regulamento da Instrução Pública no ano de 1911, o funcionamento das caixas escolares se caracterizava por fornecer condições de permanência aos “alunos pobres” e premiar os alunos mais frequentes, independente da condição social. Diante de sua organização e fim, entendo que as caixas escolares podem ser consideradas como uma ação filantrópica, apesar de não atender apenas os alunos “pobres”. Suponho também que as caixas escolares representaram um dispositivo de legitimação dos Grupos Escolares, modelo que entrou em vigência a partir da Lei 439, de 28 de setembro de 1906, conhecida como Lei João Pinheiro. Nesse sentido, identifico a relação entre as caixas escolares e o auxílio prestado aos alunos das camadas populares nos Grupos Escolares da Capital na primeira década de sua instituição, além de verificar as premiações concedidas aos alunos mais assíduos. Para tanto, utilizo como fontes: relatórios das diretoras dos Grupos Escolares de Belo Horizonte, balancetes das caixas escolares, legislação educacional do período, mapas de matrícula e correspondências da Secretaria do Interior de Minas Gerais. Esses documentos estão localizados no Arquivo Público Mineiro e apresentam dados relevantes para a compreender a relação entre o funcionamento das caixas escolares e seus beneficiários, como a situação financeira, representada por uma coluna no mapa de matrícula que deve informar se o aluno é pobre. No que se refere aos auxílios aos alunos “pobres”, estes se referiam à compra de medicamentos para os adoentados, compra de tecidos para confecção de uniformes, materiais didáticos e até mesmo alimentação. Aos alunos frequentes, eram oferecidos materiais como dicionários e globos terrestres, por exemplo. Dessa forma, considero ser necessário pensar 221

principalmente nas condições de permanência dos alunos que tinham condição social menos favorável, visto que, para estes, os auxílios aparentam significar um mecanismo de grande importância para a permanência dos mesmos nos Grupos Escolares. Diante de um novo modelo de ensino que se buscava consolidar, as caixas escolares tem um papel importante para pensar acerca da relação da população – principalmente a de baixa renda – com o novo modelo de ensino.

342 ENTRE OS DOIS BRASIS: ESTUDOS E PUBLICAÇÕES DO CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISAS EDUCACIONAIS NOS ANOS 1950 E 1960 FERNANDO CÉSAR FERREIRA GOUVÊA. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO, SEROPÉDICA - RJ - BRASIL. O Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) foi criado em 1955. A experiência do CBPE constituiu-se em uma tentativa de pautar as ações no campo educacional nos instrumentos de cunho científico, pesquisas, como estratégia de interferência no fazer pedagógico numa perspectiva de intervenção. Assim, três tipos de estratégias forma acionadas para a sustentação do papel exercido pelo CBPE: estratégias de articulação (as instâncias organizacionais internas do CBPE); estratégias de irradiação (a utilização dos instrumentos de divulgação das iniciativas do CBPE, através de periódicos. Dentre os quais vale ressaltar a Revista Educação e Ciências Sociais); estratégias de mobilização (o trabalho desenvolvido pelo CBPE numa filosofia que penso estar traduzida no máximo envolvimento de todos os atores, num processo contínuo). Os temas selecionados para a compreensão dessas estratégias, as suas políticas e as suas práticas foram publicados na Revista Educação e Ciências Sociais. De uma forma geral, esses temas expressaram a percepção institucional sobre o momento do país. Um tempo histórico pautado pelo nacional-desenvolvimentismo num processo de tentativa de transformação acelerada das relações econômicas e sociais numa perspectiva de dimensionar o progresso representado pela evolução urbana brasileira em contraste com o propalado imobilismo do universo rural. Desta forma, a Revista Educação e Ciências Sociais divulgou pelas suas páginas os modelos de intervenção exemplar nas práticas curriculares e nas práticas dos professores visando ao alcance da compreensão/modificação do mundo rural (sinônimo de atraso) sob as lentes do mundo urbano (atestado de progresso) num processo de articulação entre Educação e Sociedade via a realização de pesquisas, inquéritos e levantamentos realizados por educadores, sociólogos e antropólogos ligados ao CBPE... sob o ângulo de um determinado grupo de poder com um determinado tipo de olhar urbano sobre o mundo rural. Segundo a orientação do Programa do CBPE para os anos de 1956 e 1957, era fundamental responder a seguinte indagação: até que ponto o sistema educacional brasileiro, considerado do ponto de vista da organização, conteúdo e método, satisfaz as exigências em mudança e as necessidades sentidas do povo brasileiro? Bem, faz-se necessário indagar: quais os responsáveis pela análise de todos estes dados e que – em última instância – definiriam as “reais” necessidades do povo brasileiro numa operação assentada em “lentes” urbanas focadas no exame de desejos/necessidades de um mundo rural? Responsabilidade extremada mesmo respaldada por um trecho do documento que o conceito-chave do programa é o respeito às variações cromáticas regionais e locais. Mais ainda: como tais análises foram compreendidas pelos grupos pesquisados? Quais as respostas – mesmo em forma de silêncio tático – foram dadas pelos atores que constituíam o universo estudado? Questões que justificam a investigação proposta neste trabalho.

463 ESCOLA GUATEMALA: UMA EXPERIÊNCIA EDUCACIONAL PIONEIRA BERNADETE STREISKY STRANG ; ROBERTA DE BARROS DO REGO MACEDO . 1.UNOPAR, LONDRINA - PR - BRASIL; 2.PUC, RIO DE JANEIRO - PR - BRASIL. O presente trabalho é fragmento de uma pesquisa, hoje concluída, intitulada “O INEP no contexto das políticas do MEC, nos anos 1950/1960”, coordenada pela Profª Ana Waleska Pollo Mendonça e 222
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financiada pela CNPQ-FAPERJ. O objetivo do recorte aqui proposto foi compreender a experiência educacional realizada na Escola Guatemala nas décadas mencionadas. Ao analisar-se a documentação encontrada nos arquivos de Anísio Teixeira no CPDOC/FGV e de Lucia Marques Pinheiro na ABE, entre outros, observou-se que a criação dessa instituição de caráter experimental significou a materialização de inovações metodológicas acalentadas desde os anos de 1930. Entre 1950 e 1960 a sociedade brasileira se viu mobilizada diante do desafio de buscar soluções para um efetivo desenvolvimento nacional. Os difíceis anos da grande guerra trouxeram resultados funestos para a economia de muitos países. Isto determinou um reordenamento mundial, cada nação adotando estratégias e medidas para suprir seus déficits. No campo da educação, o momento também era de reestruturação. O contexto brasileiro e a própria dinâmica mundial dos anos 50 e 60, favoreceram a retomada da crença no desenvolvimento educacional calcado em bases científicas, herdada dos anos 30. Fazia-se necessário promover debates para a formulação de projetos que reorientassem as políticas de Estado ancoradas na articulação entre industrialização, desenvolvimento científico e renovação educacional. A soma desses fatores constituiu-se em solo fértil para o retorno do pragmatismo Deweyano entre nossos educadores, o que significava recorrer ao seu grande expoente brasileiro: Anísio Teixeira. Neste cenário Anísio retornou a cena pública e às questões relativas à política educacional do país, desta vez indicado para assumir a CAPES (Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior). Entretanto, foi a partir de sua posse no INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) pouco tempo depois, em 1953, que Anísio pôde colocar em prática alguns dos seus antigos projetos. Com a fundação em 1955 do CBPE (Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao INEP, a possibilidade de realizar pesquisas na área educacional tornou-se realidade. Uma das medidas tomadas foi a implantação de Escolas Laboratório. Essas escolas funcionavam como espaço de experimentação das novas metodologias de ensino, testando programas, currículos, materiais didáticos, cursos de aperfeiçoamento para professores, etc. Assim nasceu a Escola Guatemala, inaugurada em abril de 1954 pelo governo do Distrito Federal. No ano seguinte, tornou-se o primeiro Centro Experimental de Educação Primária do INEP-CBPE.

980 ESCOLA RURAL NO BRASIL: PRIMÓRDIOS DA ESCOLA TIRADENTES NO INTERIOR DAS GERAES (1940– 50) LEILA APARECIDA AZEVEDO SILVA ; VALERIA APARECIDA DE LIMA . 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, ITUIUTABA - MG - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLANDIA, ITUIUTABA - MG - BRASIL. Vinculado à linha de pesquisa História e Historiografia da Educação, este estudo enfoca a gênese das escolas rurais no município de Ituiutaba, Minas Gerais, e sua contribuição para a alfabetização de várias gerações; isso porque, entre as décadas de 1940 e 1950, a maior parte da população do município — em consonância com a realidade nacional — morava no campo. Este trabalho resulta de uma pesquisa de iniciação científica em andamento e faz parte de uma pesquisa acadêmica mais ampla, intitulada “Escolarização pública na região de Ituiutaba, Minas Gerais, na década de 1940–1950”. A investigação aqui referida apresenta uma temática até então não explorada academicamente, visto que não foram encontrados registros de outras pesquisas cujo foco de investigação seja o ensino rural do município de Ituiutaba. O objetivo geral deste estudo foi compreender a gênese do ensino rural; e seus objetivos específicos incluíram verificar e analisar de que forma o ensino rural contribuiu para alfabetizar a população residente no campo, tendo como exemplo representativo desse ensino a escola rural Tiradentes, cuja contribuição para a escolarização dessa população esta pesquisa buscou identificar e analisar. Os procedimentos metodológicos da investigação abrangeram tanto entrevistas semiestruturadas quanto a leitura crítico-analítica dos dados obtidos na pesquisa de campo. As fontes de pesquisa incluíram documentos oficiais tais como atas de reunião da escola rural, atas de reunião do Conselho Consultivo municipal, atas da Câmara Municipal, além de jornais do acervo da Fundação Cultural de Ituiutaba e de registros de acervos particulares, tais como cadernos de professores e fotografias; as fontes orais são provenientes de entrevistas com ex-docentes de escolas rurais do período elegido. Uma das descobertas relevantes deste estudo se refere às estruturas das escolas rurais 223
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implantadas no Brasil: eram isoladas e possuíam, em geral, apenas uma sala de aula; por isso, para suprir a demanda por mais salas, até a casa do professor no campo era usada como espaço para ministrar aulas. Essa condição precária contrastava com a situação de abundância das escolas urbanas, as quais tinham várias salas de aula e atendiam alunos de várias regiões. Nessa lógica, ficam patentes tanto a ideia de que escola rural disseminava uma ideologia burguesa que se assentava e privilegiava os valores da vida na cidade quanto a noção de que a instituição escolar era meramente um subterfúgio para a propagação de propósitos político-ideológicos.

446 ESCOLAS ÉTNICO-COMUNITÁRIAS ITALIANAS E SEUS MATERIAIS DIDÁTICOS EM ÉPOCA DE FASCISMO, REGIÃO COLONIAL ITALIANA DO RS (1922 A 1938) TERCIANE ÂNGELA LUCHESE; LÚCIO KREUTZ. UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL, BENTO GONCALVES - RS - BRASIL. O presente texto é resultado parcial de pesquisa em andamento intitulada “O processo escolar na Região Colonial Italiana, RS: as escolas étnico-comunitárias, 1875 a 1938.” Nesse artigo, o objetivo é analisar, a partir de diversos materiais didáticos, especialmente os livros enviados pelo governo de Mussolini para as escolas italianas no exterior, os discursos fascistas. A delimitação espacial do estudo é a Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul, que corresponde às primeiras três colônias ocupadas predominantemente por imigrantes italianos: Colônia Caxias, Conde d’Eu e Dona Isabel (hoje municípios de municípios de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Santa Tereza, Garibaldi, Carlos Barbosa, Farroupilha, São Marcos, Flores da Cunha, Antônio Prado e Caxias do Sul). A análise abrange 1922, ano em que Mussolini assume o poder político na Itália até 1938, período anterior às políticas de nacionalização repressiva do Governo de Vargas, no Estado Novo. O referencial teórico é o da História Cultural e as fontes documentais privilegiadas são livros, fotografias, relatórios e correspondências de cônsules e agentes consulares, estatutos, quadros-murais, objetos e materiais escolares. É possível encontrar, desde o final do século XIX, em todos os relatórios consulares, registros que retratam a situação das colônias, mencionando a falta de escolas e a necessidade do governo italiano intervir, passando a apoiar a educação, enviando livros e material escolar. Certamente transparece a perspectiva de manutenção dos laços culturais com a Pátria-mãe, a Itália, através do ensino. Considerando as mudanças na política externa italiana e suas relações diplomáticas com o Brasil no período em estudo, a ênfase são os discursos veiculados, a construção de representações sobre um ideal de Pátria, a disseminação de ideias nacionalistas e fascistas, bem como o sentimento de italianitá difundido nas escolas italianas por meio de materiais didáticos, envio de professores e práticas educativas. Compreender os saberes produzidos e difundidos pelos usos de materiais didáticos vinculados à difusão do ideal fascista, as políticas governamentais italianas voltadas para a dotação de materiais específicos para as escolas ‘italianas’ no exterior, assim como a questão dos usos e dos sentidos simbólicos que esses objetos adquiriram no universo escolar da Região é tema de relevância para a História da Educação. O artigo procura contribuir para a compreensão da multiplicidade de processos de escolarização no Brasil, considerando sua diversidade étnica e cultural.

1390 ESCOLINHA DE ARTE DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM: RESPEITO A INDIVIDUALIDADE E A ESPONTANEIDADE DA INFÂNCIA MYRIAM PESTANA OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, VITÓRIA - ES - BRASIL. A pesquisa relata a criação da Escolinha de Arte de Cachoeiro de Itapemirim, cidade situada ao sul do Estado do Espírito Santo que se deu no ano de 1950, pela professora Isabel da Rocha Braga(1914-1987). Ela criou, dirigiu e trabalhou na referida Escolinha no período de abril de 1950 a dezembro de 1955 e deixou um relato escrito sobre sua experiência, onde narra que, mesmo residindo em Cachoeiro no ano 224

de 1948, ficou sabendo da novidade no processo de recreação artística aplicado a crianças através de notícias e reportagens dos jornais cariocas. Na época chegar ao Rio de Janeiro era de mais fácil, para os moradores as cidades localizadas no sul do Estado, que chegar na capital Vitória. O Movimento Escolinha de Arte do Brasil teve início no final da década de 40, século passado, na cidade do Rio de Janeiro,por iniciativa do pernambucano Augusto Rodrigues (1913-1993) que foi professor, desenhista, caricaturista, pintor e jornalista. O objetivo principal da Escolinha de Arte do Brasil: estimular a autoexpressão da criança através de atividades artísticas e recreativas, respeitando a individualidade e preservando a espontaneidade da infância, foi também o primeiro movimento organizado, que se tem notícia, que preocupou-se em oferecer formação para professores de arte."...a Escolinha , além de continuar com suas classes de arte para crianças, adolescentes e adultos, tornou-se um centro para treinamento de professores de arte, estimulando também a criação de outras escolinhas em diversos estados. Vale ressaltar que a segunda foi a de Cachoeiro de Itapemirim. Até 1973, as escolinhas eram a única instituição permanente para treinar o arte-educador. Graças a essa maneira não competitiva e mesmo cooperativa, pela qual sempre se orientaram, elas puderam contar com ajuda e o suporte da comunidade intelectual em que estavam implantadas.” (Ana Mae Barbosa.Os equívocos no Brasil. ARTE HOJE. Rio de Janeiro. N 18.pág A Escolinha de Arte de Cachoeiro de Itapemirim recebeu verba do Ministério da Educação e foi considerada de utilidade pública pela Prefeitura da cidade. Um papel importante do Movimento consiste não só em sair na frente da escola formal, mostrando a necessidade da liberdade de expressão, e tratar todos sem distinção aproveitando suas potencialidades, mas como movimento dinamizador do ensino da arte no Brasil, possibilitando o acesso a todos, não somente aqueles do ensino formal, mas pelo ensino não formal e estabelecendo uma interlocução arte/cultura. 503 ESCRITA OU LEITURA? MARIA CARDOZO DE OLIVEIRA-1765 VERA MARIA DOS SANTOS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. Este artigo é parte da pesquisa que desenvolvo sobre a mulher e a instrução dos órfãos menores da elite setecentista sergipana no Doutorado em Educação da Universidade Federal de Sergipe. As fontes que dão suporte para a realização deste trabalho são 81 inventários judiciais sergipanos do século XVIII. Foi a partir da transcrição e análise desses documentos que encontrei o inventário de Alexandre Gomes Ferrão Castelobranco, em que ficou o registro de que sua esposa, Maria Cardozo de Oliveira, sabia escrever. Tal dado é relevante em face de um conjunto de trinta e sete mulheres inventariantes que eram, em sua maioria, não-assinantes no século XVIII. Essas mulheres assinaram a rogo, ou seja, recorreram a um terceiro, geralmente a um parente próximo, como filho irmão ou cunhado, para assinarem por elas. De um modo geral, a educação da mulher nesse período restringia-se à aprendizagem de boas maneiras e prendas domésticas para o bom governo da casa e, consequentemente, para serem boas mães e boas esposas. Mesmo as mulheres de posse, oriundas de famílias mais abastadas, não tinham assegurado o direito à instrução, que se tornou mais acessível para o sexo feminino somente no século XIX. Mas o fato de as mulheres não terem acesso à instrução escolarizada não constituiu regra, pois na Capitania de Sergipe Del Rey, a partir da segunda metade do século XVIII, algumas delas deixaram as suas assinaturas nos inventários de seus maridos, a exemplo de Maria Cardozo de Oliveira. Para essa senhora de decadentes engenhos, o exercício de tal prática era um fator de distinção entre as demais mulheres daquele tempo. Além do mais ela não foi apenas assinante, ela redigiu algumas peças do inventário de seu marido, e certamente, sabia mais do que assinar o nome. Talvez estivesse além do que estava posto para a educação do seu sexo, a época. Para subsidiar esta análise, recorro a autores como Pierre Bourdieu (1999), a fim de entender o papel da mulher numa sociedade que se impõe pelo poder masculino, e a Magalhães (2001), que, ao analisar a historiografia da alfabetização no mundo ocidental do Antigo Regime, discutiu não só a importância da assinatura, mas também elaborou uma escala de assinaturas para compreender o nível de escolarização do indivíduo. É sob esse aporte teórico imposto no decorrer do texto que me proponho inicialmente a traçar o perfil de Maria Cardozo de Oliveira, considerando a sociedade sergipana setecentista e, no segundo momento, a discutir a educação feminina através dos indícios encontrados no referido documento.

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1287 ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO NO ESPAÇO DO LAR: A RELAÇÃO FAMÍLIA - ESCOLA NO ÂMBITO DO SERVIÇO DE ORTOFRENIA E HIGIENE MENTAL (1934-1939) JULIANA VITAL ABREU DAVID. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO - RJ – BRASIL Este trabalho tem por objetivo apresentar e analisar as concepções do médico Athur Ramos acerca da relação entre família e escola, bem como busca apreender as dinâmicas presentes na relação entre as professoras e os pais de alunos no âmbito do Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental (SOHM), dirigido pelo referido médico, no período da gestão de Anísio Teixeira como Diretor da Instrução Pública no Distrito Federal. A importância conferida à instituição familiar na educação das crianças em idade escolar tem sido um tema bastante recorrente nos debates educacionais brasileiros atuais, sendo foco de pesquisas que procuram compreender de que maneira é possível estabelecer uma relação entre escola e família e quais os principais motivos de conflito que envolvem estas duas instâncias educativas. No campo da História da Educação, alguns trabalhos, como os de Ana Maria Magaldi (2007) e Maria Martha de Luna Freire (2006), nos mostram que, ao longo do século XX, as famílias foram alvo de ações que afirmavam a importância da instituição familiar na educação dos filhos, ao mesmo tempo em que buscavam capacitá-las para a tarefa educativa. Embora as ações dirigidas às famílias já possam ser observadas no século XIX, quando, por exemplo, os médicos buscavam de forma significativa incutir valores e hábitos saudáveis no espaço privado, o anseio por construir uma sociedade moderna, presente no século XX, afirmou de forma significativa a importância da família na formação dos futuros cidadãos, para que pudessem também contribuir para o progresso da Nação. As fontes utilizadas, para a realização deste trabalho, encontram-se no acervo de Arthur Ramos, depositado na Biblioteca nacional, referente ao período de funcionamento do SOHM, que atendeu aos alunos das Escolas Experimentais no Rio de Janeiro, no período de 1934 a 1939. As principais fontes utilizadas foram os livros de vulgarização escritos pelo diretor do Serviço: A Higiene Mental nas escolas e suas bases teóricas, A família e a escola e A mentira infantil, que falam sobre o Serviço e sobre a influência da família na educação das crianças. Além destes, também utilizo as fichas de observação comportamental, através das quais é possível observar certa aproximação entre as professoras e as famílias dos educandos. A documentação foi analisada, utilizando-se de aportes teóricos, como os de Jacques Donzelot (2001) e Christopher Lasch (1991), que tratam da intervenção de agentes externos no espaço privado do lar. Este trabalho, portanto, almeja contribuir para as reflexões sobre as relações entre família e educação e, de maneira especial, sobre as relações entre família e a instituição escolar, propondo o enfrentamento da questão sob uma perspectiva histórica e pretendendo, assim, explorar um território ainda pouco visitado no campo da história da educação brasileira.

1288 ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS DE PROPAGANDA CULTURAL NO BRASIL: ESCOLA NORMAL DE SÃO PAULO CESAR ROMERO AMARAL VIEIRA ; PERI MESQUIDA . 1.UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA, PIRACICABA - SP - BRASIL; 2.PONFICICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA, CURITIBA - PR - BRASIL. Embora a propagação das idéias liberais possa ser atribuída primeiramente à mentalidade francesa, impulsionada pelos princípios revolucionários de 1789, de liberdade e igualdade, e à Grã-Bretanha com seu sistema filosófico racionalista e empirista, coube aos Estados Unidos da América fazerem a síntese máxima para a constituição e circulação de uma nova mentalidade educativa que potencializou a influência dos princípios mais caros ao liberalismo: liberdade e individualismo. Segundo Leonor Tanuri, a influência desses princípios sobre o sistema educacional paulista só começou a ser percebida a partir de 1874 “quando se consolidaram as idéias liberais de democratização e obrigatoriedade da instrução primária, bem como de liberdade de ensino”. É nesse contexto, que os projetos educacionais passaram a ser vistos como prioridades para o desenvolvimento da nação. A partir deste período o ambiente 226
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social brasileiro - reflexo das mudanças históricas que estavam se processando em outras partes do globo -, estava de tal modo carregado pelo pensamento cientificista que marcou um processo de renovação das mentalidades, a que Roque Spencer Maciel de Barros chamou de época da “Ilustração Brasileira”. Inebriados por dessa atmosfera, as mentes mais esclarecidas da sociedade propuseram-se efetivamenteilustrar o país pela via da educação. Após as primeiras tentativas de estabelecimento de uma Escola Normal em São Paulo, criadas pelas leis nº 34 de 16/3/1846 e nº 9 de 22/4/1874, sua reorganização plena só foi possível em agosto de 1880, beneficiada pela Lei nº 130 de 25/4/1880, alavancando novos processos de escolarização e circulação de idéias que marcaram positivamente uma geração de intelectuais brasileiros. Esta pesquisa tem como objeto de estudo as disputas pedagógicas que se deram no interior da Escola Normal de São Paulo, na primeira década do século XX, protagonizadas por Oscar Thompson defensor do método americano de ensino e Rui de Paula Souza empenhado defensor do método francês. O objetivo deste trabalho é descrever e analisar como se deu este embate e quais foram às principais influências nas práticas sociais dos agentes envolvidos e em particular para os processos educativos em gestação, destacando os conflitos, os diálogos e a fluidez da circulação de idéias, bens e pessoal entre as duas nações referenciadas. A investigação aqui proposta insere-se no domínio da história cultural e parte do pressuposto da existência de um processo de entrelaçamento de culturas, potencializado nas duas últimas décadas do séc. XIX, e da noção de “tradução cultural” como referencial de análise. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa interinstitucional, em fase de desenvolvimento, financiado pelo CNPq. Palavras-chave: Cultura escolar, Escola Normal de São Paulo, Tradução cultural.

408 ESTUDO SOBRE A ESCOLA DE APRENDIZES DE FERROVIÁRIOS DA COMPANHIA PAULISTA EM JUNDIAÌSP (1895-1901) SUELI SOARES DOS SANTOS BATISTA. FATEC JUNDIAÍ, ITATIBA - SP - BRASIL. Está em andamento desde 2009, o projeto Memória Ferroviária (1869-1971) que tem como um dos objetivos a implementação de um Centro de Memória do Patrimônio Ferroviário Paulista..A proposta é que este Centro seja virtual, disponibilizando um banco de dados sobre os diferentes tipos de documentação (manuscrito, bibliográfico, iconográfico e cartográfico). Espera-se também incorporar elementos de cultura material na forma de um museu virtual (a partir do levantamento fotográfico dos bens móveis do Museu da Companhia Paulista). Este projeto se divide em três eixos temáticos: Memória e Patrimônio Industrial, Tecnologia e Território, Tecnologia e Cultura. No eixo temático “Tecnologia e Cultura” insere-se a pesquisa Infância e Adolescência nos trilhos: um estudo sobre os Centros Ferroviários de Ensino e Seleção Profissional a partir do Acervo do Complexo Fepasa na Cidade de Jundiaí-SP que tem como pano de fundo a história do ensino profissional e tecnológico em São Paulo. A partir do acervo da Biblioteca do Museu da Companhia Paulista é possível abarcar três importantes fases desta história: o início da Escola de Aprendizes em 1895 e a sua inauguração oficial em 1901; a formação e desenvolvimento do CFESP, entre os anos 30 e 40 e a sua incorporação ao SENAI, a partir de 1945. Segundo Cunha (2005), desde o início do século XX, as empresas ferroviárias mantinham escolas para formação de seus operários e acusa a primeira delas como a Escola Prática de Aprendizes das Oficinas, fundada em 1906, no Rio de Janeiro. O objetivo deste trabalho é, a partir de pesquisa bibliográfica e documental resgatar, através dos relatórios da Companhia Paulista, a história da Escola de Aprendizes de Ferroviários, em Jundiaí, cujas primeiras experiências datam de 1895. Nossos primeiros estudos revelaram o número crescente de aprendizes desta escola entre 1895 e 1901, que funcionava com o objetivo de que, entre estes aprendizes, despontassem os futuros operários. Os documentos revelam que os aprendizes executavam ações na oficina ao longo do dia e à noite, recebiam instrução complementar prática ao trabalho manual. Esta instrução complementar era basicamente as quatro operações aritméticas a princípio, depois desenho geométrico elementar, desenho de projeção, noções elementares de mecânica e de máquinas, projetando-se, assim, uma formação em 3 anos. Neste período, havia a necessidade de um curso preliminar para os interessados, já que estes chegavam, em sua maioria, sem saber ler, nem escrever e nem dominavam as quatro 227

operações fundamentais. O que se percebe pelos relatórios da Companhia Paulista é que este tipo de escola, devido a necessidade crescente de mão-de-obra alfabetizada e disciplinada será o embrião para os Centros Ferroviários de Educação e Seleção Profissional implantados a partir de 1934.

1374 EUFRÁSIA TEIXEIRA LEITE: A DAMA DOS DIAMANTES NEGROS E OS SABERES ESCOLARES INSTITUÍDOS A PARTIR DE SEU LEGADO (1930-1941) MAGDA SAYAO CAPUTE. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. O presente estudo, busca através da perspectiva de gênero na Historia da Educacao Feminina, investigar as praticas e os saberes escolares, implementados no Instituto Doutor Joaquim Teixeira Leite, a partir das iniciativas educacionais propostas no legado da Baronesa Eufrásia Teixeira Leite, conforme consta em seu testamento. Desta forma, esperamos recuperar a memória e a historia da educação feminina deste Instituto,entre o período de 1930-1941, período este ,em que o Instituto foi oficialmente implantado na cidade de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, que em 1857 e elevada de Vila a cidade trazendo em seu contexto histórico geográfico no inicio do século passado, o destaque de pertencer ao Núcleo da Aristocracia Rural Fluminense ( representada pelos Barões do Café),devido a sua lavoura cafeeira. A partir da implantação do Instituto, o que só ocorreu pós morte de Eufrásia Teixeira Leite, que viveu entre o século XIX e faleceu em 13 de setembro de 1930, aos 80 anos,intentamos compreender o ensino deste Instituto Feminino ,que esteve sob a responsabilidade administrativa e pedagógica da ordem religiosa da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus. Esta pesquisa torna-se relevante à medida que investiga e educação feminina e seus saberes escolares, em um período da Historia da Educacao Brasileira, ou seja, o século XIX, momento em que o cenário de afirmação e caracterização da escola se apresenta de maneira significativa. Para isto, nos utilizaremos da analise das Fontes Primarias da Secretaria Municipal de Educacao de Vassouras, que encontra-se no arquivo publico de Vassouras,alocado no Museu da Casa da Era, antiga residência de Eufrásia. Poderemos observar neste acervo, relatórios dos professores sobre seus alunos, suas turmas, diários de classe, folhas de freqüência, provas, correspondências internas e externas das Instituições de Ensino de Vassouras desde 1869 e jornais da época,buscando contribuir desta forma , para os estudos e saberes na/para a educação, especificamente em relação ao gênero feminino desta Instituição,do seu surgimento, suas origens,seu currículo e praticas pedagógicas assumidas ao longo deste período histórico.

385 EXPERIÊNCIAS DE INSERÇÃO E AFIRMAÇÃO DE ESCOLAS CONFESSIONAIS FUNDADAS POR MISSIONÁRIOS ESTRANGEIROS, BELO HORIZONTE – MG (1900-1950) HERCULES PIMENTA SANTOS. FAE - UFMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL. No desenvolvimento desta pesquisa, visando a obtenção do título de mestre em Educação e concluída em junho do ano de 2010; buscou-se investigar sobre duas instituições particulares de ensino que foram constituídas por missionários estrangeiros, alemães e norte-americanos, na cidade de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, durante a primeira metade do século XX (1900-1950). Trata-se de duas instituições de ensino confessionais de caráter jurídico privado, uma católica e a outra protestante, sendo esta última da denominação Batista. Foram observadas algumas das práticas educacionais, organizacionais e disciplinares entre estas escolas, de diferentes orientações religiosas, utilizando uma perspectiva comparativa. Objetivou-se realizar a reconstrução histórica destas instituições escolares escolhidas, seguindo uma abordagem metodológica que confluiu História da Educação, História Política e caminhou por um viés cultural observado na materialidade produzida pelas próprias instituições em foco, além dos conflitos de ordem social e religiosa vividos pelas comunidades de estrangeiros estudadas. Pretendeu-se a respeito destas confissões religiosas verificar as diferentes experiências 228

vividas por estes grupos em relação à inserção dos mesmos em uma cultura tradicionalmente permeada pelos valores pregados pela Igreja católica, que durante muito tempo esteve à frente do ensino privado no Brasil. Mesmo sendo os missionários alemães ligados ao catolicismo, estes encontraram problemas durante os dois períodos de guerra ocorridos na primeira metade do século XX. Os protestantes viveram em Minas Gerais experiências parecidas com as de outras regiões, não apenas brasileiras, mas mundiais, em relação a suas tentativas de expansão educacional e religiosa por terras tradicionalmente dominadas pelo ideário do catolicismo. Buscou-se compreender como se deu o estabelecimento desses grupos estrangeiros por meio de suas escolas na, planejada e recém criada, capital mineira, concentrando o estudo na relação estrangeirismos/educação/urbanização/religião. Em relação à trajetória de levantamento da documentação histórica necessária ao desenvolvimento desta pesquisa, foram vários os locais pesquisados. Entre acervos férteis e escassos, públicos e privados, foram consultados os arquivos das instituições escolares investigadas por esta pesquisa, que foram cruzados com documentos produzidos externamente a estas instituições. Documentação esta, de natureza oficial ou não, focando prioritariamente, nos jornais de ampla circulação no período.

1157 FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO PRESBITERIANA DE ORIGEM NORTE-AMERICANA NO INSTITUTO EVANGÉLICO DE LAVRAS- MG (1893-1936) JOSÉ NORMANDO GONÇALVES MEIRA. UNIMONTES, MONTES CLAROS - MG - BRASIL. Esta pesquisa, de cunho historiográfico, discute a educação presbiteriana em Minas Gerais, privilegiando a experiência de Lavras, no oeste do Estado, onde foi fundado em 1893, o Instituto Evangélico (que posteriormente passou a ser chamado Instituto Presbiteriano Gammon). No estudo dessa iniciativa protestante, de tradição calvinista, reformada, destacam-se na pesquisa a Escola Agrícola de Lavras, fundada em 1908, o Ginásio, com curso preparatório anexo, o colégio feminino Carlota Kemper, a Escola Comercial e outros cursos avulsos, que compunham o Instituto Evangélico. Os objetivos deste estudo são: ampliar a discussão sobre a educação protestante no Brasil, principalmente no que se refere a Minas Gerais; compreender as relações entre convicções religiosas e a "ação social", especificamente no que se refere à prática educacional e as suas implicações na construção da sociedade; avaliar a relação entre o projeto educacional presbiteriano em Minas Gerais e o "americanismo" instalado no imaginário social brasileiro a partir de meados do século XIX; discutir a ideologia protestante trazida pelos missionários norte-americanos e a eficácia dos seus símbolos, especialmente daqueles relacionados à educação escolar, para os seus objetivos de reformar a sociedade brasileira; analisar os princípios educacionais que nortearam o Instituto Evangélico de Lavras; discutir as estratégias adotadas pelos seus implantadores, em busca de eficácia para as suas práticas pedagógicas; levantar as qualidades éticas e morais entendidas como necessárias à formação dos alunos. Esta pesquisa permitiu compreender como o projeto civilizador presbiteriano inseriu-se no contexto das discussões pertinentes às primeiras décadas da República brasileira quanto à modernização do país e o papel da educação para que esses ideais fossem alcançados. A idéia de “progresso” presente no discurso dos missionários norteamericanos manifesta-se nos cursos oferecidos pela escola, que, segundo a propaganda, visava a formação para “o viver completo”. Há consciência, entretanto, de que essa concepção dos objetivos da educação escolar não é exclusiva do protestantismo reformado, mas encontra apoio em diversas das suas doutrinas, favorecendo a sua adoção e o desenvolvimento de particularidades. Para a realização da pesquisa, foram utilizadas fontes encontradas, principalmente, no Arquivo Público Mineiro, no Museu Bi-Moreira da Universidade Federal de Lavras e no Pró-memória Gammon, do Instituto Presbiteriano Gammon, em Lavras-MG.

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1100 FORMANDO ELITES CONDUTORAS: A EXPANSÃO E A INTERIORIZAÇÃO DOS GINÁSIO NO PIAUÍ (1942 1971) ANTONIO DE PÁDUA CARVALHO LOPES. UFPI, TERESINA - PI - BRASIL. Os estudos sobre instituições escolares têm se desenvolvido de modo significativo na historiografia educacional brasileira nos últimos anos. Paolo Nosella e Ester Buffa (2009) datam dos anos 1990 o desenvolvimento dos estudos sobre instituições escolares, embora estudos desse tipo tenham sido feito anteriormente a essa data. Dentre esses estudos, alguns trabalhos têm se voltado para os ginásios estudando diversos aspectos dessa modalidade de escola, tais como o de Graça (2002), Dallabrida (2001), Amaral (1999) e Barroso (1997). Além dessa historiografia sobre os ginásios, no presente trabalho foram utilizadas como referências teórico-metodológica Elias (1999), Petitat (1994) e Tyack e Cuban (2001). Desse modo, tomando como referência os estudos sobre instituições escolares, o presente trabalho é parte de uma pesquisa em andamento que analisa o processo de constituição da rede escolar piauiense no período de 1889 a 1971. Nesse trabalho são apresentados os resultados referentes a expansão e interiorização dos Ginásios, bem como sua consolidação em diversas localidades piauienses. Para tanto foi definido o recorte temporal de 1942 a 1971. O marco inicial do trabalho remete ao decreto-lei nº 4244, de 9 de abril de 1942 (lei orgânica do ensino secundário) e o marco final da pesquisa refere-se a reforma implantada pela lei nº 5692 de 1971. A definição do marco final considerou, também, o fim do exame de admissão. Dentre outros aspectos, podemos perceber que o ritual do exame de admissão foi um dos mais lembrados nos livros de memórias, inclusive pelo uso de escolas preparatórias para o mesmo. Assim, essa era uma experiência marcante no percurso escolar de alunos que realizaram sua escolarização antes da implantação da reforma de 1971. Até a implantação da reforma de 1971, o ensino ginasial era ofertado em 93 estabelecimentos de ensino no Piauí, sendo o exame de admissão uma exigência para o acesso a esse nível de ensino. Com a reforma, o primário e o ginásio se transformaram em ensino de 1º grau. Os alunos do 4º e 5º ano do primário foram promovidos, automaticamente, para o 5º ano do 1º grau, sendo extinto o exame de admissão. Isso alterou um ritual importante que demarcava uma passagem da escolaridade considerada marcante na escolarização.A pesquisa procurou, ainda, compreender os diferentes modos como essa modalidade de ensino foi se interiorizando no Piauí a partir da conjugação dos esforços das elites locais, de organizações não governamentais, das confissões religiosas e do poder público municipal. A pesquisa utilizou como fontes documentos oficiais (mensagens, diários oficiais, leis orçamentárias, dentre outras), livros de história dos municípios, livros de memórias e jornais.

1255 FRAÇÕES DA HISTÓRIA: REPÚBLICA DO BRASIL E OS GRUPOS ESCOLARES (1889 A 1971) BRUNA LUIZA NUNES GARCIA. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS, MONTES CLAROS - MG - BRASIL. Este trabalho consiste em um fragmento da pesquisa – em andamento – apresentada ao Programa de Pós-graduação em Educação, tendo em vista a admissão neste. Portanto, no intuito de pesquisar acerca da alfabetização e dos ideais pedagógicos no período republicano, de 1954 a 1971, no Grupo Escolar Professor Modesto, da cidade de Patos de Minas (Minas Gerais, Brasil); no presente trabalho serão elencados alguns fatos históricos relevantes para a compreensão da pesquisa proposta. Vale ressaltar que ao pensarmos a educação, temos que considerar os interesses que esta aciona e mobiliza; assim, neste trabalho a história foi retomada a partir de 1889, visto que este foi o ano em que foi proclamada a República do Brasil e, também, o período de divulgação e implementação dos Grupos Escolares neste país. Além disso, buscamos elucidar como se deu a criação dos grupos escolares no Brasil e especificamente como se deu a criação do Grupo Escolar Professor Modesto. Salientamos que, para tanto, este trabalho consiste em um levantamento bibliográfico – BURKE (1992; 1997); GATTI JÚNIOR (2002; 2005); GONDRA; SCHUELER (2008); HOSBSWAM (2001); MANACORDA (2006); SANTOS (2001); 230

SAVIANI, (1986; 2005; 2007); SCHAFF (2005); VEIGA (2007); VIDAL (2006); WARDE (1990); CUNHA; BROILO (1996; 2008); FARIA FILHO; VAGO (2000); SÁNCHEZ GAMBOA; SANTOS FILHO (2007); dentre outros – baseado na investigação histórica, num enfoque metodológico qualitativo fundamentado em Sánchez Gamboa e Santos Filho. Sendo assim, implica esclarecer que para a realização deste estudo se faz necessário lançar um olhar subjetivo diante do objeto investigado. Os Grupos Escolares elucidaram uma nova organização administrativa e pedagógica da escola elementar, o que proporcionou a reorganização dos espaços e tempos escolares e ampliação do currículo. Assim, os grupos escolares, como representantes dos ideais republicanos, instauraram ritos, espetáculos, celebrações, divulgaram a ação republicana, corporificaram os símbolos, os valores e a pedagogia moral e cívica que eram próprias da República. Considerando toda a complexidade do tecido social que envolve a educação do ser e, tendo em vista a importância da História da Educação para compreender o processo educacional, ou seja, como o homem é educado e, mesmo, as possibilidades de educar este; salientamos a importância deste trabalho. Neste sentido, destacamos o nosso interesse maior em desvendar e analisar o contexto educacional de Patos de Minas, mais precisamente o que foi feito na educação do município com relação ao processo de alfabetização desenvolvido no Grupo Escolar Professor Modesto.

1107 FRUTO DE MACABEIRA, TRABALHADOR RURAL É? AS RAÍZES DO APRENDIZADO AGRÍCOLA DE CONCEIÇÃO DE MACABU RAQUEL SOUZA DE BARROS. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Em meados dos anos 1920, a Presidência do Estado do Rio de Janeiro elaborou medidas para a restauração e modernização de sua agricultura, visando consolidar uma racionalidade capitalista nesse setor por meio da introdução de novos recursos técnicos no espaço rural fluminense. Seu principal objetivo era elevar o estado do Rio de Janeiro ao status de celeiro do país abastecendo-o de gêneros alimentícios de primeira necessidade. Dentre os projetos para alavancar sua economia agrícola, o governo estadual aprovou a instalação de dois Aprendizados Agrícolas no estado para a execução do ensino agrícola fluminense. O Aprendizado Agrícola “Viçoso Jardim”, em Vassouras, e o Aprendizado Agrícola “Presidente Pedreira” no 5º Distrito de Macaé tinham o objetivo de proporcionar a meninos desvalidos do campo os ensinamentos de agricultura em geral e o ensino primário de letras. Partia-se da concepção de que a instrução elementar era ferramenta necessária para a aquisição dos manejos técnicos e da disciplina precisa para introduzir uma racionalidade no campo identificada com os ideais de progresso da jovem nação republicana, e em termos locais, criar condições para a introdução de um modelo de desenvolvimento agrário alternativo à hegemonia econômica da produção cafeicultora paulista. Durante a tentativa de encontrar seus vestígios, os alicerces do Aprendizado Agrícola da pequena cidade do interior Conceição de Macabu puderam ser localizados. Nessa antiga região, onde as macabeiras foram extintas com a plantação de cana-de-açúcar, funciona hoje o Colégio Estadual Agrícola Rêgo Barros, nas antigas instalações do Aprendizado. Após longos anos, a instituição preserva aspectos dos seus primórdios e nos confronta com diversos relatos e modificações que possibilitaram a sua perpetuação. O objetivo desse trabalho é investigar as práticas educativas, com suas estratégias, negociações e confrontos, nos seus anos iniciais, tentando compreender as políticas educacionais de ensino agrícola no Estado do Rio de Janeiro e suas repercussões no interior da referida instituição e como foi recebida pelas famílias dos internos e grupos locais. Esse trabalho está em andamento e pretende fomentar questões voltadas para o interior do nosso estado onde são ainda escassas as pesquisas em história da educação brasileira. A investigação está sendo realizada no acervo documental da própria instituição, nos rastros dispersos pela cidade, nos relatórios enviados ao Governo do Estado pela Secretária de Agricultura e Obras Públicas, do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, nos jornais da época e nas obras literárias relacionadas à educação rural da Biblioteca Nacional.

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782 GINÁSIO ESTADUAL DE PILAR DO SUL: ANÁLISE DA ARQUITETURA E DO USO DOS ESPAÇOS ESCOLARES (1961-1976) ADRIANA APARECIDA ALVES DA SILVA; JOSÉ ROBERTO GARCIA; WILSON SANDANO. UNIVERSIDADE DE SOROCABA - UNISO, SOROCABA - SP - BRASIL. Os resultados apresentados neste artigo fazem parte da pesquisa em andamento do doutorado que investiga o campo escolar de Pilar do Sul – SP. Em meados da década de 50, o campo escolar de Pilar do Sul era constituído por três escolas e este trabalho busca compreender a história de uma das escolas, o Ginásio Estadual de Pilar do Sul, analisando a arquitetura e os usos dos espaços escolares no período referente 1961, ano de inauguração do prédio do ginásio, a 1976, momento que o ginásio é redefinido como escola de primeiro grau devido a Lei de Diretrizes e Bases 5692/1971. Para analisar a arquitetura e os usos dos espaços do Ginásio Estadual de Pilar do Sul foram utilizadas fontes primarias e secundárias. As fontes primaria não ficaram restritas aos documentos escritos, fontes orais e iconográficas também foram utilizadas, seguindo orientações de Le Goff, que rompe com a idéia de prova isolada e apresenta o documento como produto de uma sociedade que o fabricou. Segundo Mauad, as imagens necessitam de interpretações para compreender as representações sociais, identificar seus atores, sendo necessário o recurso de outras fontes. As fontes orais entrecruzadas com as fotografias permitiram a interpretação das memórias e suas imagens. Analisar a arquitetura e o espaço escolar exige um olhar aguçado, para poder compreender as várias dimensões explícitas. Segundo Frago, a disposição física dos espaços destinados a uma finalidade ou função reflete tanto sua importância como a concepção que se tem sobre a natureza o papel e as tarefas destinadas a tal função. A localização e tamanho da biblioteca ou qualquer outro espaço escolar demonstram os diferentes pensamentos sobre aquelas funções e finalidades. A não priorização de um espaço pode indicar tanto a tentativa de minimizar ou reduzir sua função quanto a não necessidade do mesmo. O prédio do Ginásio Estadual de Pilar do Sul foi construído seguindo orientação da administração estadual que previa a utilização de plantas padronizadas que tinham como critério a quantidade de habitantes da cidade, prédios funcionais e abrigava aproximadamente 320 alunos. A análise evidenciou, entre outros aspectos, que havia uma preocupação com a questão da salubridade, pois o prédio possuía salas arejadas que proporcionavam um ambiente que dificultava a proliferação de doenças e adequado para o ensino. Havia espaços específicos para artes manuais, apresentações artísticas e laboratório de ciências. A existência e boa localização desses espaços nos revelam a importância de certas práticas, porém os usos desses espaços não aconteciam plenamente, pois não havia materiais e mobiliários para o pleno funcionamento. A posição da biblioteca, o tamanho do espaço e a falta de um acervo adequado nos trazem indícios de que há uma tentativa de minimizar a função da mesma. Outros aspectos a serem destacados são a falta de um espaço específico para atividades físicas e muros que isolassem a escola do ambiente e externo.

619 GINÁSIO ESTADUAL PEDRO II: CULTURA E CLIENTELA ESCOLAR NA EXPANSÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO PÚBLICO EM SANTA CATARINA DEGELANE CÓRDOVA DUARTE. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA UDESC, FLORIANÓPOLIS - SC - BRASIL. A instalação do Ginásio Estadual Pedro II, no ano de 1947 em Blumenau, no Vale do Itajaí inaugura o processo de expansão do ensino secundário público em Santa Catarina. Partindo da perspectiva da História Cultural, este estudo objetivou investigar o ensino secundário oferecido no Ginásio Estadual Pedro II, nas décadas de 1940 e 1950, analisando aspectos da cultura escolar tais como: a gestão, o espaço, as homenagens, os desfiles e o grêmio escolar cotejando-os ao perfil socioeconômico do alunado. Além da análise documental foram aplicados cento e dezoito questionários aos egressos do Ginásio Estadual Pedro II, distribuídos em sete turmas de licenciados no 1º ciclo ginasial entre 1950 e 1956 e entrevistas com alguns egressos, considerados pessoas-chave, para a compreensão de alguns aspectos abordados na pesquisa. A população atendida no Ginásio Estadual Pedro II caracterizou-se por 232

frações das classes médias urbanas que o percebiam como instrumento de ascensão social materializado em colocações em postos de trabalho privilegiados e a possibilidade de ingresso no ensino superior.O estabelecimento do curso secundário oferecido por instituição pública e estatal modificou a configuração dos agentes (escolas já existentes e detentoras de um monopólio no que tange à oferta desse nível de ensino e as clientelas que nela investem e passam a investir) no campo educacional específico de Blumenau nas décadas de 1940 e 1950 em diante. A inserção de um novo grupo social ao ensino secundário provocou uma certa concorrência entre as escolas que já ocupavam o espaço social, configurando novas relações entre os agentes/instituições promovendo disputas, tendo como móvel principal o ensino secundário e sua oferta às novas populações. Tal ‘concorrência’, ou disputa, por espaço e prestígio, fez com o Ginásio Estadual Pedro II mobilizassem esforços no sentido de agregar capital simbólico a sua imagem de instituição de ensino. Tais esforços eram percebidos nos ritos: festas escolares, desfiles, homenagens, visitas honrosas e nas propostas de um ensino renovado e moderno. As leituras do espaço escolar forneceram elementos que permitiram apreender os preceitos nacionalistas, morais e higiênicos que permeavam o discurso educacional da época, apontam influências do ideário escolanovista presentes na gestão do Ginásio e revelam indicadores de uma cultura burguesa. As festas, solenidades, competições entre escolas e o grêmio escolar, realizados no período estudado, foram acontecimentos de grande importância no sentido de dar visibilidade à instituição educacional. Esses momentos eram práticas simbólicas que reafirmaram a expressão de uma cultura escolar e fortaleceram a identidade da instituição projetando-a no espaço social.

554 GRUPO ESCOLAR ANTÔNIO MARTINS (1930-1945): CONSIDERAÇÕES ACERCA DAS RESTRIÇÕES NO FLUXO DE PROMOÇÃO DO ENSINO PRIMÁRIO DENILSON SANTOS DE AZEVEDO ; GIOVANNA ABRANTES CARVAS . 1.UVF, VIÇOSA - MG - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, VIÇOSA - MG - BRASIL. O presente trabalho aponta os resultados finais da investigação a respeito da cultura e das práticas escolares instituídas no Grupo Escolar Antônio Martins durante a Era Vargas (1930-1945), analisando algumas considerações acerca do fluxo escolar durante o ensino primário e da influência significativa em parcela da sociedade de Ponte Nova que o referido estabelecimento de ensino apresentou, fato este verificado desde sua criação, em 1913. Diante da necessidade de inserir o objeto de pesquisa num contexto mais amplo, buscou-se conhecer as principais modificações educacionais da educação primária implantada na era Vargas no Brasil e na gestão do seu interventor no Estado de Minas Gerais, Benedito Valadares. Para cumprimento de tal objetivo, realizou-se pesquisa bibliográfica a fim de identificar aspectos da cultura escolar que foram introduzidos no currículo escolar e conhecer as mudanças verificadas nas práticas escolares dessa instituição de ensino primário durante o período em foco. Após a revisão de literatura, fez-se um levantamento e uma análise de alguns documentos referentes à história do Grupo Escolar, no período de 1930 a 1945, localizados onde atualmente funciona a Escola Estadual Senador Antônio Martins. Dentre os documentos encontrados, podemos citar: Atas de Instalação e Atas de Exames; o Termo de Assentamento e Posse; Atas de Auditórios; Termos e Relatórios de visitas oficiais. Também se fez uso de jornais da cidade e região, localizados no Arquivo Público Municipal de Ponte Nova, que abarcam o período de 1930 a 1945. O estudo desses documentos possibilitou conhecer as práticas pedagógicas adotadas nas salas de aula, aspectos das relações tecidas entre professores, alunos, pais, diretores, inspetores e os demais funcionários do Grupo Escolar em seu cotidiano, bem como as possíveis causas da restrição na promoção do 1° ao 2° ano primário e nos anos subsequentes, o que pode ser observado desde a criação do GEAM até meados do ano de 1940. Outro ponto importante diz respeito à disparidade entre os números de matrícula e freqüência percebidos nas Atas de Instalação e de Exames, situação que também perdurou por muitos anos no Grupo Escolar. A fim de se enriquecer as informações encontradas nas fontes escritas oficiais, foram realizadas entrevistas com ex-alunos do GEAM, o que contribuiu para melhor compreensão do significado dos Auditórios, do uso do uniforme, da presença da religião, da moral, do civismo e da educação física no espaço escolar, da recitação de poesia e do canto, sobretudo dos hinos, além dos processos de avaliação e de exames. 233
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1295 GRUPO ESCOLAR DR. THOMAS MINDELLO: NÚCLEO DE IRRADIAÇÃO DA PEDAGOGIA RENOVADA NA PARAHYBA DO NORTE (1930-1935) ROSÂNGELA CHRYSTINA FONTES DE LIMA. UFPB, JOÃO PESSOA - PB - BRASIL. O presente artigo foi construído a partir de um recorte da dissertação de Mestrado Grupo Escolar “Dr. Thomas Mindello” e a Cidade: compassos e descompassos entre a tradição e a modernidade, cuja pesquisa esta vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE da UFPB, e encontra-se ainda em fase de conclusão. Buscamos investigar os nexos processuais da formação da escolarização primária – grupo escolar -, com os processos estruturais de formação da sociedade paraibana, examinando uma instituição escolar em particular, o Grupo Escolar Dr. Thomas Mindello como produto e produtora de práticas educacionais e sociais institucionalizadas. Para tanto, buscamos compreender as práticas cotidianas da e na escola como expressão da historicidade e dos processos de continuidadedescontinuidade de produção e reprodução de relações sociais. Nesse sentido, este trabalho se configura no domínio da História Social, numa perspectiva crítica e problematizadora, tomando como referência algumas reflexões realizadas por Thompson (2001), e Hobsbawm (1997 e 1998), visto que, esta concepção nos permite compreender a produção dos sujeitos históricos num tempo e espaço marcados pelas determinações sociais, culturais, econômicos e políticos. Assim, o método de investigação aqui adotado é o dialético, pois nos permite relacionar o particular (instituição escolar) com a totalidade social (contexto). Para tanto, este estudo pretende analisar diversas fontes (primárias e secundárias), coletadas no Arquivo Histórico da Paraíba da Fundação Espaço Cultural – FUNESC - e no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano - IHGP, correspondente aos anos de 1930 até 1935. Aqui nos deteremos na discussão em torno das iniciativas empreendidas pela Diretoria do Ensino para difundir as novas práticas pedagógicas, baseadas nos pressupostos da Escola Ativa na Parahyba do Norte, considerando, por conseguinte, a história do Grupo Escolar paraibano, Dr. Thomas Mindello, verifica-se que este é marcado por ser uma instituição disseminadora dos novos métodos pedagógicos, visto que, nele se instalaram entre outros: a primeira Caixa Escolar, Jardim de Infância “oficial”, Circulo de Pais e mestres, Biblioteca infantil, Clubes Agrícolas, Cinema escolar, dentre outros. Nesse contexto, o Grupo Escolar Dr. Thomas Mindello se constituiu como um espaço mais amplo, para além do espaço tradicional de um estabelecimento de ensino primário aonde se iria apenas aprender a ler, escrever e contar. Tudo indica que, esse grupo escolar se constituiu num núcleo disseminador das novas práticas educativas numa perspectiva escolanovista, ou seja, se configurou como um modelo a ser seguido para as demais instituições de ensino público primário na Parahyba do Norte.

983 GRUPO ESCOLAR GOVERNADOR CLOVIS SALGADO COMO EXPRESSÃO DA POLÍTICA PÚBLICA EDUCACIONAL (1950–1960) THAIS PARREIRA DE FREITAS OLIVEIRA; ANDRÉA AZEVEDO DE OLIVEIRA. FACIP/UFU, ITUIUTABA - MG - BRASIL. Este texto apresenta resultados parciais de uma pesquisa ainda em andamento e cujo objeto de estudo é a instituição escolar no interior de Minas Gerais. Esta investigação compõe uma pesquisa mais ampla, intitulada “Escolarização pública na região de Ituiutaba/MG (1940–1960)”. Inserido no campo da história e historiografia da educação e suas instituições, este trabalho de pesquisa objetivou compreender as condições de surgimento do Grupo Escolar Governador Clóvis Salgado, nas décadas de 1950 e 1960. Os procedimentos metodológicos da pesquisa incluíram a identificação das categorias selecionadas e a leitura crítico-analítica de documentos da escola, de jornais de época, de fontes orais (entrevista com ex-diretoras e ex-professoras), das atas da Câmera Municipal e de documentos da Superintendência Regional de Ensino de Ituiutaba. Uma das descobertas mais relevantes da investigação se refere às condições materiais da escola, dentre as quais se destaca o problema da falta de um prédio próprio para abrigá-la. Como um ato político e de protesto contra essa situação, as professoras da 234

escola ministraram suas aulas em baixo de uma árvore magnólia situada na frente da Igreja Matriz de São José. Com essa atitude, a intenção das docentes era chamar a atenção da sociedade civil e do poder político da cidade para o problema da falta de um espaço próprio para escola. A essa época, o corpo discente da escola já continha mais de quinhentos alunos; assim, enquanto um grupo de alunos assistia às aulas, outro grupo descansava nos bancos da igreja, pois a magnólia não fazia sombra o bastante para abrigar todos os discentes sob sua copa. Além disso, as professoras foram obrigadas a se instalar e lecionar em uma colchoaria, onde dividiam o alunado em oito salas de aula e onde ficaram por um período longo de tempo. Após muitas lutas, a escola ganhou prédio próprio, em um terreno doado por políticos da época e localizado nas proximidades do cemitério de Ituiutaba; mas a maioria das professoras não ficou satisfeita com a construção do prédio nesse local. Dentre outros pontos, tais fatos sugerem que houve um descompasso no processo de escolarização pública no Brasil, tendo em vista o contexto nacional e o regional. Ora, se a política pública educacional do país priorizava a expansão escolar, tal expansão ocorreu de forma precária em Ituiutaba, município então tido como “celeiro do Triângulo Mineiro”, “capital do arroz” e cuja política pública local jogou a questão educacional para o segundo plano.

580 GRUPO MODELO AUGUSTO SEVERO (1908-1928): PRÁTICA PEDAGÓGICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORAS FRANCINAIDE DE LIMA SILVA; MARIA ARISNETE CÂMARA DE MORAIS. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, SAO GONCALO DO AMARANTE - RN - BRASIL. O presente texto resulta de uma pesquisa concluída sobre a prática pedagógica no Grupo Escolar Augusto Severo, em Natal, primeira instituição do gênero no Estado do Rio Grande do Norte. Analisamos a formação e experimentação dos formandos da Escola Normal de Natal entre 1908 e 1928. No período em recorte ocorreram tentativas de organização educacional por meio da Reforma do Ensino Primário (Lei n. 249, de 22 de novembro de 1907) e da Reforma do Ensino (Lei n. 405 de 29 de novembro de 1916). O Decreto n. 178, de 29 de abril de 1908, reabriu a Escola Normal de Natal para o preparo de professores primários de ambos os sexos, consoante a Moderna Pedagogia, bem como criou uma rede de Grupos Escolares no Estado. O Grupo Escolar Augusto Severo foi instalado a partir do Decreto n. 174, de 5 de março de 1908, o qual estabelecia que pelo menos duas cadeiras de ensino primário fossem instaladas nesse estabelecimento. É inaugurado em 12 de junho do mesmo ano em representativa festa cívica no centro cultural e urbano da cidade de Natal a época, o bairro da Ribeira. O Decreto n. 198, de 10 de maio de 1909, o declarou modelo para os demais estabelecimentos de ensino elementar norte-rio-grandense. Fundamentamo-nos na História Cultural definida através da conjunção da história dos objetos na sua materialidade, das práticas nas suas diferenças e das configurações, dos dispositivos nas suas variações. Para tanto, nos respaldamos em autores como Chartier (1990), Duby (1993) e Morais (2003). Utilizamos os jornais A República e Diário do Natal, a revista Pedagogium, as Leis, Decretos e Mensagens do Governo, Códigos de Ensino e o Regimento Interno dos Grupos Escolares, documentos procedentes do acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) e fontes iconográficas, provenientes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN/RN). No Arquivo Público do Estado (APE/RN) pesquisamos os Livros de Inscrição dos Grupos Escolares e Escolas Isoladas, Ofícios, Matrículas, Relatórios e Atas de reuniões da Diretoria Geral da Instrução Pública e Diários de Classe. Analisamos a ação dos docentes nesta instituição primária, assim como a história das disciplinas escolares, dos programas de ensino, bem como dos livros de leitura. Ao problematizarmos conteúdos e métodos, observamos que o método intuitivo era a tônica da prática pedagógica vigente e que os ritos de premiação e as festividades cívicas compunham o ideário modernizador da época. Ressaltamos a importância dada a leitura e a escrita na escola primária numa sociedade que se pretendia letrada.

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898 GRUPOS ESCOLARES: ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO PARA CRIANÇAS NEGRAS? (PERNAMBUCO 1911-1940) ADLENE SILVA ARANTES. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB, JOÃO PESSOA - PB - BRASIL. Sabemos que as teorias racistas permeavam o pensamento da sociedade brasileira no Império e permaneceram presentes também na república, ou seja, mesmo com o surgimento da república a questão racial permanecia, buscava-se uma “raça virtuosa”. Ao mesmo tempo que a primeira constituição republicana garantia formalmente a igualdade política, a noção de raça não só se constituía mas também legitimava uma prática de manutenção de desigualdades que vivenciamos na atualidade. Diante do exposto, buscamos nesse estudo que está em fase inicial, investigar a educação destinada á população negra nos grupos escolares pernambucanos, no período de 1911 a 1940. Pretendemos mapear os grupos escolares existentes em Pernambuco no período estudado, destacando implementação e funcionamento; identificar a origem étnico-racial e de gênero dos alunos dos grupos pesquisados; analisar a “cultura escolar” presente nos grupos escolares da capital e do interior, e de maneira mais específica, o lugar da leitura e da escrita nessas instituições. A pesquisa será baseada teórica e metodologicamente pelos pressupostos da História Cultural. Utilizaremos como fontes de pesquisa os anuários de ensino, programas de disciplinas dos grupos escolares, relatórios, regimentos e legislação da instrução pública, Revistas de ensino, iconografia e jornais do período estudado. Pretendemos utilizar, no estudo, o recurso da variação da escala de observação: ora a lente de análise estará sobre sujeitos específicos, crianças que freqüentam os grupos escolares, professores, funcionários; ora a lente se voltará para dimensões mais amplas, como a instituição escolar e o Estado, por meio da análise do discurso dos legisladores e administradores da educação. A relevância da temática enfocada se justifica pela ausência de estudos que se debrucem sobre a realidade pernambucana e, sobretudo, sobre a presença de crianças negras nesses espaços considerados de excelência para a educação republicana. Os dados preliminares demonstram que os primeiros grupos escolares de Pernambuco foram o João Barbalho e o Martins Junior, ambos instalados na capital, Recife. É possível perceber que havia uma classificação por gênero e por grupos étnicos (brancos e mulatos) elaborada pelo Serviço Médico Escolar, em relação à Educação Física. Os alunos eram subdivididos em “escolares normais”, “escolares sob-observação” e “escolares afastados da Educação Física”. Os exames realizados apontavam, entre outros elementos, que “as deficiências da capacidade vital eram maiores em mulatos do que em brancos”.

577 GÊNESE E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO PRIVADO NA CIDADE DE PELOTAS-RS (1875-1975) HELENA DE ARAUJO NEVES; ELOMAR ANTONIO TAMBARA. UFPEL, PELOTAS - RS - BRASIL. Esta pesquisa faz parte de uma investigação – desenvolvida em nível de doutoramento – caracterizada como uma pesquisa qualitativa que possui uma abordagem sócio-histórica. Utiliza como procedimento técnico a pesquisa documental – cujas principais fontes consultadas são propagandas impressas de instituições de ensino publicadas em periódicos que circularam na cidade de Pelotas-RS. O objetivo deste artigo é, então, apresentar a gênese e o desenvolvimento do ensino privado em Pelotas-RS de 1875 a 1975. Recorte efetuado porque a propaganda torna-se uma das únicas fontes existentes que contém informações sobre escolas privadas que atuaram em Pelotas – algumas com duração efêmera, outras existentes até a atualidade. Além disso, o acervo acessado, pertencente à Bibliotheca Pública Pelotense, possui jornais com publicações a partir do ano de 1875. Para períodos anteriores a este foram utilizados relatórios oficiais da província. Já o ano de 1975 foi determinado pelo interesse em observar o cenário da educação privada ao longo de cem anos. Assim, foi possível analisar momentos em que o ensino privado conviveu com escolas públicas, municipais e estaduais, que, ao que tudo indica, configuraram um diferente perfil educacional para a cidade desde a criação dos primeiros 236

colégios privados. Tem-se, assim, como intento analisar as características do processo educacional pelotense privado observando o que era destacado como relevante para a educação em diferentes períodos – a partir do olhar das escolas. Como pano de fundo analisa-se, também, os conflitos de interesse das esferas privada e pública no que se refere à educação. Até o momento foram catalogados 6.096 anúncios de instituições de ensino pelotenses. Diante desses arrolou-se o nome de 102 instituições privadas atuantes em Pelotas-RS ao longo do período investigado. Com base na formulação de alguns questionamentos e por meio de modelos teóricos, a partir do contato com as fontes, foi possível perceber que os anúncios impressos eram um meio de divulgação no qual as instituições de ensino apresentavam à comunidade pelotense os serviços que ofereciam. Além disso, ilustravam como essas eram constituídas ao detalhar, por exemplo, seu corpo docente, suas condições de admissão, as disciplinas de que dispunham, além de sua estrutura física e moral. Verifica-se também que ao longo dos anos os seus discursos estavam ligados às suas origens, aos seus princípios, e à suas percepções sobre o mercado e sobre o serviço que ofereciam: a educação. Nesta pesquisa os anúncios fazem emergir, portanto, aspectos sobre as instituições e sobre a própria educação na cidade. Acredita-se, assim, que esta investigação possui uma relevância no que se refere à compreensão da história do ensino privado em Pelotas-RS no decorrer dos séculos XIX, XX. Não tem como pretensão esgotar as múltiplas leituras que possam ser feitas sobre o ensino privado, mas foca o olhar para o mercado da educação, contribuindo, assim, com o campo investigado.

1352 HELENA ANTIPOFF E A PRIMEIRA SOCIEDADE PESTALOZZI DO BRASIL: IBIRITÉ, MG, 1932/1974 ANDERSON CLAYTOM FERREIRA BRETTAS. IFTM - INSTITUTO FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO, UBERLANDIA - MG - BRASIL. Na esteira da modernização da educação mineira pautada no escolanovismo através da Reforma Francisco Campos–Mário Casassanta, foi convidada, em 1929, a lecionar na recém criada Escola de Aperfeiçoamento Pedagógico, a educadora russa Helena Wladimirna Antipoff (1892/1974), à época assistente de Édouard Claparède no Institut Jean-Jacques Rousseau em Genebra. Deparando-se com as anomailia do quadro social brasileiro, Antipoff partiu para outros empreendimentos educacionais – o tratamento da criança especial, a formação de profissionais para o magistério, a preocupação com o homem do campo. A presente comunicação objetiva apresentar os resultados de uma pesquisa que analisou a constituição, o desenvolvimento e o funcionamento da primeira sociedade pestalozziana do país constituída em Ibirité, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, as ações de Helena Antipoff para a implantação de outras instâncias de socialização do menor, vinculadas à Sociedade, bem como a disseminação da educação inclusiva pelo país e as correlações teóricas entre Antipoff e o filósofo Johann Heinrich Pestalozzi. Metodologicamente, este trabalho é embasado pela sociologia compreensiva de Max Weber, intelectual que, superando o positivismo e o idealismo, enfatizou o conhecimento histórico como instrumento consistente para o cientista social. O método weberiano tem como foco de investigação a ação social, isto é, a conduta humana dotada de sentido, de uma justificativa subjetivamente elaborada. Como fontes, foram pesquisados documentos bibliográficos diversos e iconográficos; além da literatura pertinente. Ao longo de sua vida, Antipoff militou na constituição de instituições de assistência ao menor; foi a primeira professora da cadeira de Psicologia Educacional da UFMG; criou uma escola rural em Ibirité, interior mineiro. Efetivamente, podem ser estabelecidas diversas aproximações entre o pensamento de Pestalozzi e as ações de Antipoff no campo da educação em geral, sobretudo a educação especial: (a) a ideia da educação social e popular; (b) a ênfase na educação profissional; (c) a concepção da educação baseada na natureza espiritual e física da criança; (d) a educação fundamentada na conjuntura vivida pelo ser humano; (e) e a ideia da educação como desenvolvimento interno e formação espontânea. Ainda nos anos 50, Helena Antipoff defendia a necessidade da criação de uma federação das Sociedades Pestalozzi que congregasse os esforços das instituições que defendiam os ideais pestalozzianos no país, entidade finalmente fundada em 1970 no Rio de Janeiro, marco na história da educação inclusiva no Brasil.

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1167 HISTORIOGRAFIA DO ENSINO SUPERIOR SERGIPANO: UM BALANÇO JOÃO PAULO GAMA OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, SÃO CRISTÓVÃO - SE - BRASIL. Em Sergipe os estudos da história do ensino superior têm crescido nos últimos anos. Os primeiros cursos superiores que conseguiram lograr êxito em terras sergipanas só sugiram depois de 1940, a saber: Economia (1948), Química (1950), Faculdade de Direito (1950), Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (1951), Faculdade de Serviço Social (1954) e Faculdade de Ciências Médicas (1961), todas essas instituições foram englobadas para a criação da Universidade Federal de Sergipe no final da década de 1960. O presente estudo tem por objetivo fazer o levantamento de monografias, dissertações, teses e livros que versam sobre a História do Ensino Superior em Sergipe. Embora exista uma série de artigos publicados em eventos da área, como também em periódicos, optamos por focar trabalhos de pesquisa concluídos. Assim, o interesse por tal análise surgiu diante da construção da dissertação de mestrado cujo objeto de estudo é o curso de Geografia e História da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, diante da necessidade de conhecermos os escritos acerca dessa modalidade de ensino antes de estudarmos o objeto citado, fizemos uma investigação sobre tal temática. Na leitura buscamos estabelecer uma classificação diante da recorrência de temáticas: A - O processo de criação da UFS: Oliva (1990) e Araújo (2008); B - Instituições educacionais de ensino superior, cursos de graduação e disciplinas acadêmicas: Lima (1993); Barreto (2004); Nunes (2008b); Oliveira (2008); Conceição (2010); Rollemberg e Santos (1999); Oliveira (2009); Santana (2000); C - Biografias de intelectuais que atuaram diretamente na constituição do ensino superior sergipano: Morais (2008); Silveira (2008); Lima (2009); D - Sobre os movimentos e universitários temos: Cruz (1998); Brito (1999); Ramos (2000); Cruz (2003). Temos ainda o trabalho de Nascimento et. all. (2009). Os estudos arrolados demonstram certo interesse dos pesquisadores por investigar essa temática, sobressaem-se os trabalhos vinculados ao Núcleo de Pós-Graduação em Educação da UFS, os recortes temporais relacionados a década de 1960, período de criação da UFS e a constatação que a muito por se pesquisar, principalmente relacionado as instituições de ensino superior que não conseguiram êxito no início do século XX e mesmo das diferentes faculdades que abrigavam o ensino superior antes de 1968. Além da necessidade de análises mais pontuais sobre professores, disciplinas e os diferentes saberes transmitidos no ensino superior em Sergipe no último século.

1016 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM PERSPECTIVA: COTIDIANO E PRÁTICAS ESCOLARES DO GRUPO ESCOLAR DE IBIÁ (1932 A 1946) SIRLENE CRISTINA SOUZA; ADILOUR NERY SOUTO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, IBIA - MG - BRASIL. Este trabalho de pesquisa se insere na área de história da educação, subárea de história das instituições escolares, e tem como objeto de estudo o Grupo Escolar de Ibiá, na cidade da região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba (MG). O recorte temporal abrange de 1932 — ano em que o primeiro grupo escolar foi criado e instalado — a 1946 — ano em que essa instituição de ensino passou a denominar-se Grupo Escolar Dom José Gaspar. Para o desenvolvimento da pesquisa realizamos um levantamento das fontes primárias e secundárias. O processo metodológico fundamentou-se em documentos oficiais, arquivo de particulares e fonte oral, por meio de entrevistas semi-estruturadas com dez ex-alunos do grupo escolar para analisar a dinâmica da escola como um todo e chegar às representações construídas e veiculadas na época. Paralelamente, foi sendo analisada a legislação nacional do ensino primário e os regulamentos e programas estaduais do ensino primário, com base no desenvolvimento de um amplo levantamento bibliográfico pertinente ao estado da arte acerca da história e da historiografia da educação nacional. A documentação usada na pesquisa foi ampla, para que se pudessem reunir elementos norteadores responsáveis pelo surgimento e pela consolidação do Grupo Escolar de Ibiá no processo de desenvolvimento urbano-industrial por que passava o Brasil. Assim, contextualizando a 238

dinâmica interna do grupo escolar com o cenário socioeconômico, político e cultural do país e da região, a pesquisa buscou as relações dialógicas entre o geral e o particular. Trabalhamos com o processo de institucionalização dos grupos escolares e a política educacional do Estado, desvelando as origens históricas e os traços da economia, da política e da sociedade ibiaense, por meio da investigação sobre o papel do Estado na educação, o cotidiano escolar e o lugar/espaço da educação. Resultados quantitativos e qualitativos obtidos na consulta das fontes primárias foram submetidos a análises explicativas ancoradas no método dialético. Mediante a compreensão da complexidade da educação escolarizada no Grupo Escolar de Ibiá e de suas práticas, buscamos compreender essa instituição de ensino que se produziu historicamente implicada num processo de modernização e num estilo de modernidade que se configurava no Brasil nesse período, mas sem, contudo, distinguir as práticas escolares do lugar em que se deram as suas referências. Buscamos identificar a concepção educacional inserida no cotidiano desse estabelecimento de ensino pelos diferentes sujeitos que atuaram nessa escola, no período em apreço. Indagamos acerca das transformações socioeconômicas e insistimos no entendimento das práticas escolares e dos aspectos diferenciados do cotidiano nas múltiplas apropriações do espaço e do tempo escolar.

933 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL EM DOURADOS/MS: A REORIENTAÇÃO CURRICULAR E SUAS CONTRIBUIÇÕES À PRÁTICA EDUCATIVA ELIANA MARIA FERREIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS - UFGD, DOURADOS - MS - BRASIL. O presente trabalho tem como objetivo apresentar um estudo de como se realizou o processo de reorientação curricular no Centro de Educação Infantil “Frutos do Amanhã”, no município de Dourados/MS partindo de uma proposta de educação popular pautada na teoria de Paulo Freire, bem como o modo como foi implantada no cotidiano da instituição de educação infantil. Trata-se, portanto, de uma pesquisa já concluida Desta forma, pretende-se pesquisar o processo de reorientação curricular ocorrido no Centro de Educação Infantil Municipal/CEIM/ sob a administração política do período de 2001 a 2004. Apresentando ainda a formação continuada dos educadores. O ano de 2001 marca um percurso profissional com crianças de 0 a 6 anos no centro de educação infantil, na ocasião vivenciei inúmeras discussões acerca da criança e da infância, e da transição da educação infantil, antes sob a custódia da secretaria municipal de assistência social para a secretaria de educação. Nesse sentido, o foco da discussão pauta-se em um conjunto de fontes documentais como leis, relatórios, planos de aulas, desenhos, filmes e fotografias utilizadas no período citado. No entanto, trata-se de uma pesquisa já concluída. A relevância do estudo parte da idéia que a pesquisa histórica em educação aviva traços de compreender o que se faz na instituição de educação infantil, pois o fazer na educação infantil se constitui coletivamente pelos educadores refletindo a prática pedagógica. Nesta perspectiva, o educador torna-se pesquisador investigando as relações sociais estabelecidas entre a instituição e a família, entre crianças e educadores, entre as próprias crianças e demais profissionais que atuam no espaço educativo. O trabalho com a reorientação curricular favorece a observação das brincadeiras das crianças, das relações estabelecidas com os objetos, dos conhecimentos que possuem e são formulados no cotidiano, tendo a fala e as manifestações das crianças e adultos como instrumentos essenciais de análise que permite desencadear um processo de reflexão e estruturação do currículo. Tal metodologia propicia selecionar falas e manifestações que sejam mais significativas, retirando o tema gerador do que poderá ser trabalhado com as crianças. Tal tema gerador pode ser um reflexo dos problemas apresentados pela comunidade e que podem ser problematizados entre adultos e crianças da instituição. Conclui-se, então, que a criança precisa ser tomada como foco principal na condução das nossas reflexões e estas devem partir de suas vozes e manifestações, respeitando assim as suas especificidades e concepções ao ver, pensar e sentir o mundo a sua volta, contrapondo dessa forma, as práticas educacionais abstraídas da realidade e direcionadas pelos adultos.

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1033 HISTÓRIA DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL E DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA PARA O ENSINO DE CRIANÇAS PEQUENAS JANAINA CASSIANO SILVA ; MERILIN BALDAN . 1.UFSCAR, SÂO CARLOS - SP - BRASIL; 2.FCLAR/UNESP, ARARAQUARA - SP - BRASIL. O presente trabalho apresenta o fruto das discussões das pesquisas concluídas e em andamento investigadas por nós ao longo de nossa formação acadêmica, com financiamento da FAPESP. Desta forma insere-se no campo da história das ideias pedagógicas de caráter teórico-bibliográfico, uma vez que, têm por objetivo investigar as ideias Pedagógicas em Favor do Ensino de Crianças Pequenas, especificamente, as contribuições da Psicologia Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico-Crítica. O referencial teórico metodológico adotado para este ensaio tem como norte os passos desenvolvidos por Saviani (2007): o princípio de caráter concreto (as relações dos aspectos da realidade investigada), a perspectiva de longa duração (captação dos movimentos orgânicos/estruturais), o olhar analíticosintético (levantamento das fontes e análise das informações), a articulação entre o singular e o universal (as relações de reciprocidade, determinação e subordinação entre a esfera local, nacional e internacional) e, por último, a atualidade da pesquisa histórica (a necessidade intencional da investigação histórica). A Psicologia Histórico-Cultural, por meio das teorias dos seus principais teóricos: Vigotski, Leontiev, Elkonin e Davidov; proporcionar-nos a consciência da importância do processo educativo como alavanca para o desenvolvimento do psiquismo humano desde a educação infantil à idade escolar. A Pedagogia Histórico-Crítica, cujo expoente é Demerval Saviani, luta contra a seletividade, a discriminação e o rebaixamento do ensino das camadas populares e, nesse sentido, luta contra a marginalidade por meio da escola a fim de garantir um ensino de melhor qualidade as classes espoliadas, fazendo a defesa da “educação escolar”. Dessa forma, pode-se compreender a defesa do ensino e da educação escolar a partir da confluência das duas bases teóricas do materialismo históricodialético, isto é, a psicologia histórico-cultural e a pedagogia histórico-crítica, como formas do pleno desenvolvimento do gênero humano e, por conseguinte, da prática social. A visão de ensino defendida por estas correntes teóricas perpassa o trabalho educativo como sendo o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens, sem, contudo, excluir o cuidar. Porém, este será trabalhado de forma diferenciada, uma vez que o ensino também está presente no cuidado, sendo este a produção do humano no próprio corpo da criança e sua relação com ele, passando, desta forma, pela alimentação, pelo andar, movimentar-se, etc. Desta forma, fazemos apontamentos necessários para a constituição de uma práxis pedagógica que atenda de forma indissociada o cuidar e o educar, ou seja, que defenda o ato de ensinar às crianças de forma indistinta, a despeito de lutar contra a dualidade pedagógica na sociedade contemporânea.
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661 HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO INFANTIL NATALENSE SARAH LIMA MENDES. PREFEITURA, NATAL - RN - BRASIL. Estudar a História das Instituições de Educação Infantil nos permite estabelecer relações com a história da infância e da criança e compreender as concepções pedagógicas que fundamentam as propostas e práticas educacionais direcionadas para as crianças de zero a seis anos de idade. Ao focar este conjunto de temas temos a possibilidade de compreender parte da história mundial da Educação Infantil o qual nos revela que tanto as creches, jardins de infância ou escolas maternais, constituíram-se como instituições de cuidado e somente, posteriormente, como instituições de ensino. Partindo do pressuposto de que para entender o presente é preciso conhecer o passado, buscamos realizar, neste trabalho, uma reflexão sobre a trajetória das Instituições de Educação Infantil na cidade de Natal/Rio Grande do Norte durante o século XX. O objetivo do trabalho é a reconstituição histórica de alguns aspectos das instituições de Educação Infantil no Município de Natal ao longo do século XX. Para isso 240

pretendo realizar uma reflexão e, em certa medida, reconstituir, embora parcialmente, a História das Instituições de Educação Infantil no Município de Natal/RN, no século XX, procurando compreender o surgimento dos espaços destinados ao cuidado e a educação da criança pequena. Como procedimento teórico-metodológico adoto o uso de pesquisa bibliográfica com ênfase em autores que se ocupam em descrever e problematizar a História da Educação Infantil no Brasil e no Mundo, como Moysés Kuhlmann Junior, que nos revela que a história da infância, da criança e da educação infantil é marcada por diversas concepções e práticas ao longo do tempo. Já Oliveira (2005) define que durante muito tempo a educação e o cuidado destinado às crianças eram de total responsabilidade das famílias, pois era através das relações que estabeleciam no seu grupo que as mesmas iam adquirindo valores e padrões sociais, entre outros. Também opto como procedimento teórico-metodológico a coleta de dados empíricos para a reconstituição de dados históricos e o entendimento de como ocorreu à fundação das primeiras instituições de educação infantil no município de Natal. Nesta perspectiva, buscamos compreender a origem das instituições de educação infantil em tal município, sejam elas educativas ou centradas em práticas de cuidado, e entender as concepções de infância, de criança e as concepções pedagógicas que fundamentam tais instituições evidenciando pontos de articulação com a história mundial das instituições de Educação Infantil.

1205 HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: O CASO DE DOURADOS – MS - BRASIL (1940-1970) ANA PAULA GOMES MANCINI. UFGD, DOURADOS - MS - BRASIL. A pesquisa em história de instituições escolares se constitui num espaço de discussão muito profícuo e tem demonstrado vitalidade cada vez maior, devido à necessidade presente de preservação da história da educação com a qual estamos envolvidos social e cotidianamente. A escolha dessa temática se constitui um estudo que contribua para a recuperação da história das instituições educacionais no município de Dourados, situado no sul do Mato Grosso do Sul, Brasil. A escolha do período (1940-1970) se justifica por este ser marcado por significativa renovação deflagrada pela ação pública na oferta do ensino primário, que ganhou configuração nos anos 1940. A pesquisa é financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia no Estado do Mato Grosso do Sul – FUNDECT e tem como objetivo recuperar a história da educação e das instituições escolares no município de Dourados, desde o período em que ainda pertencia ao antigo estado de Mato Grosso. A esfera municipal criou, no início dessa década, a primeira escola municipal e ampliou sua atuação nos anos subseqüentes. Até então, os dados nos mostram que as iniciativas educacionais na região eram quase que na sua totalidade ligadas a grupos religiosos, escolas privadas de caráter confessional. Atualmente, se por um lado temos a riqueza que pode representar um território ainda “virgem” onde muito ainda está por fazer, por outro lado temos uma grande dificuldade enfrentada com relação à preservação das fontes documentais, por vezes perdidas, incineradas, ou extraviadas. Muitos documentos que poderiam contar a história acabaram desaparecendo das instituições, por desconhecimento de seu valor histórico e de seu valor enquanto objetos de registro de um período que teve significado para a instituição. Nas instituições públicas foi possível observar que a falta de preservação está ligada à rotatividade de funcionários, provocada pelas mudanças de governo, pois a cada mudança empreendida as equipes que assumem têm práticas e formas diferenciadas de tratar o passado, ora com ações de valorização, ora com descaso, e isso provoca a deterioração e a perda de referências que poderiam ser preservadas Esta pesquisa deu origem ao grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação, Memória e Sociedade – GEPHEMES e ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares em História da Educação e Instituições Escolares da Faculdade de Educação e vem subsidiando novas pesquisas nesta área. Nesse sentido esta pesquisa ainda em andamento tem gerado novos frutos e inúmeras pesquisas na área de história das instiuições escolares na região do sul do Mato Grosso do Sul.

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962 HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS: O COTIDIANO DO COLÉGIO CANADÁ ENTRE OS ANOS DE 1964-1979 JOSÉ ESTEVES EVAGELIDIS. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS - UNISANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. A pesquisa está em andamento e tem como tema o cotidiano escolar do Colégio Canadá, de Santos, durante a época da ditadura militar no Brasil. O objetivo do estudo é reconstituir e analisar a memória do referido educandário, localizado na cidade de Santos (SP), entre os anos de 1964 a 1979, buscando identificar as implicações do golpe militar no cotidiano escolar daquela Instituição, através da análise de documentos encontrados nos arquivos da “polícia política” do estado de São Paulo. A pesquisa será de natureza documental, descritiva e analítica, de caráter qualitativo. Os sujeitos envolvidos no estudo são ex-alunos, ex-professores e ex-funcionários que freqüentaram o colégio durante os anos especificados. Para o levantamento dos dados, o pesquisador se valerá de arquivos documentais do antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS) de São Paulo. Diário de campo e roteiro de entrevistas serão os instrumentos de pesquisa, privilegiando a técnica de entrevista, com base na metodologia da História Oral. A opção pelo objeto de investigação, circunscrito ao Colégio Canadá, se justifica pela história do próprio estabelecimento de ensino. Neste sentido, evidencia-se que a citada Instituição Escolar foi criada por decreto em agosto do ano de 1934, passando a funcionar no mês de fevereiro de 1935, em local provisório, sendo o primeiro ginásio estadual de Santos, assim como dos demais municípios do litoral sul de São Paulo. Por iniciativa da Prefeitura Municipal de Santos, foi construída a sua sede própria e inaugurada oficialmente em 28 de agosto de 1937, em terreno doado pela companhia canadense The City Improvement Company LTD of Santos, concessionária de serviços de água, luz e bondes da cidade. O nome “Colégio Canadá” é, portanto, resultado desse processo, uma vez que anteriormente se chamava "Gymnasio do Estado". Durante décadas essa Instituição Escolar se destacou pela qualidade de ensino tanto em Santos quanto na região da Baixada Santista. A periodização que baliza a pesquisa (1964-1979) contempla o contexto histórico em que se insere o golpe militar de 1964 e o início do processo de abertura política, em 1979. Com enfoque da dialética materialista histórica, o presente trabalho de investigação busca fundamentação teórica em: Bosi (1999), Thompson (1992), Romanelli (1978), Fazenda (1988) e Frigotto (1989). A escolha desses autores se justifica pela característica do trabalho, que visa reconstituir determinado período da história de uma instituição escolar durante a ditadura militar, por meio da análise documental e das memórias dos atores envolvidos neste enredo. Palavras-chave: Educação, História, Arquivos Documentais.

669 HISTÓRIA DAS PRÁTICAS CORPORAIS NO CENTRO DO BRASIL: O CORPO ENTRE A CIDADE E O SERTÃO RUBIA-MAR NUNES PINTO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GOIANIA - GO - BRASIL. Trata-se da pesquisa em andamento Educação e cultura na história das práticas corporais em Goiânia (1935-2005): o corpo entre a cidade e o sertão, a qual tem como principais objetivos: 1) investigar os sentidos constituídos para o corpo na história e na cultura de Goiânia em sua relação com o projeto de integração nacional e; 2) compreender as articulações entre a cultura urbana, a cultura escolar e a cultura corporal na cidade-capital goiana. A pesquisa tem sido efetivada pelo Grupo de pesquisa, estudos e trabalhoem história do corpo em Goiânia (HISCORPO) e desenvolve-se sob o enfoque da historia social, a qual possibilita o estabelecimento de interfaces com outros enfoques da história e, assim, oportuniza a compreensão dos vínculos entre o corpo e outras dimensões da história e da cultura goianiense. Tais vinculações são essenciais, principalmente, considerando a complexidade do processo de modernização do corpo na sociedade goiana desencadeado com o surgimento da nova cidade-capital goiana nos anos 1930 e 1940. A metodologia de pesquisa utiliza a perspectiva micro-histórica que é entendida tambémcomo reflexão sobre os procedimentos usados pelos historiadores em suas pesquisas e nãomeramente como a história de objetos reduzidos. Como inspiração para a interpretação das 242

informações, cogitamos a análise de discurso em sua acepção francesa, mas na apropriação de Eni Orlandi. A gama de fontes de pesquisa é bastante abrangente compondo-se de fotografias, desenhos, mapas, filmes, documentos oficiais, cartas, diários, súmulas, receitas alimentares, poemas, romances, relatórios, jornais, revistas e livros didáticos, relatos e narrativas orais além de fontes originárias do universo da cultura material (adornos e vestuário, equipamentos esportivos e de lazer, material esportivo e de arbitragem, etc.). A investigação vem se efetivando por meio de vários estudos monográficos que abordam temas articulados ao objeto de estudo definidos prioritariamente pela existência de fontes disponíveis. Neste sentido, no ano de 2010 estão sendo realizados os seguintes estudos: 1- infância em Goiânia por volta de 1940: práticas lúdicas e educação do corpo na CidadeSertão; 2 – Memórias do corpo: homens e mulheres na cena urbana de Goiânia (1935-1965); 3 – História e memória da pipa: usos e contra-usos da cidade na cultura corporal das crianças de Goiânia; 4 – O esporte e a escola na cena da Cidade-Sertão (1983-1994): Uma década de Olimpíadas/UFG. Os resultados parciais destes estudos têm confirmado a hipótese de que a construção social do corpo na cidade-capital goiana contempla a tensão entre tradição e modernidade.

958 HISTÓRIA E MEMÓRIA DA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DO LICENCIADO EM HISTÓRIA (1970-1980) LIA MACHADO FIUZA FIALHO. UFC, FORTALEZA - CE - BRASIL. HISTÓRIA E MEMÓRIA DA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DO LICENCIADO EM HISTÓRIA (1970-1980). Lia Machado Fiuza Fialho Universidade Federal do Ceará – UFC lia_fialho@yahoo.com.br Eixo temático: 2História das Instituições e Práticas Educativas O Curso de História da UFC foi instituído pela lei 3.866 de 25/01/1961; a Licenciatura em História, entretanto, só teve início em 1972. Durante 21 anos (19721993), o Curso de História integrou, em conjunto com o curso de Ciências Sociais e o de Filosofia, o Departamento de Ciências Sociais e Filosofia. O estudo investiga a primeira década após a criação do curso de licenciatura em história, quando ainda era regido pela Lei 5.540/68. A reforma universitária, implantada pelo governo militar em 1968, e vivenciada por toda década de 1970, é considerada um grande marco nas histórias das universidades brasileiras, pois objetivava modernizar a universidade para um projeto econômico em desenvolvimento, dentro das condições de “segurança” impostas pela ditadura para assegurar os interesses do capital que a representava (CARVALHO, 2005; CRUZ, 200; SHIROMA, 2002). Cumpre ressaltar que esta investigação procura analisar a formação pedagógica do licenciado em história pela Universidade Federal do Ceará na década de 70. Para contemplar esse objetivo geral, realizaram-se os seguintes objetivos específicos: debate acerca do conceito de formação pedagógica, bem como sua “necessidade” na práxis do historiador; investigação do contexto político e econômico que influenciou a profissionalização dos licenciados em história na década de 70; e evocação da memória dos licenciados em história mediante relato de experiência. A pesquisa apresenta abordagem de natureza qualitativa que utiliza o caminho metodológico da história oral temática, gravadas e transcritas, possibilitando a recuperação da narração e a (re)construção de memórias que estimulam análises e discussões sobre situações individuais e coletivas, compreendidas a partir do contexto social (Mesquita & Fonseca, 2006; Thompson, 1992). Os dados foram coletados em setembro de 2010, mediante participação de cinco historiadores que vivenciaram a formação no período em estudo. Os resultados evidenciam que a transmissão de conhecimentos era apresentada aos alunos como verdades absolutas, e a desvalorização do saber discente era uma característica padrão, gerada pela rígida hierarquia, na qual o professor figurava como detentor de todas as informações. Além disso, era promovida uma visão limitada de conhecimento, favorecendo a formação de mentes passivas, meros depósitos de fatos e informações fragmentadas. (CRUZ, 2001). Logo, era inviável para aquela conjuntura uma transvaloração dos aspectos políticos, econômicos e sociais, isto é, a produção de outra potência, que desconstruísse as verdades absolutas impostas pelo poder. Palavras-chave: formação pedagógica; historiador; ditadura militar.

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796 HISTÓRIA E MEMÓRIA DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR - MARINGÁ (1946-1953) EDNÉIA REGINA ROSSI. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, MARINGÁ - PR - BRASIL. Tem crescido o número de pesquisas realizadas pela historiografia da educação que tem investigado o processo de institucionalização da escola primária no Brasil, buscando evidenciar de que maneira a escola tornou-se o espaço por excelência de formação e de transmissão do saber. Ao longo dos últimos anos, minha preocupação tem se voltado para a discussão do universo interno da escola, dos diferentes planos e identidades culturais. Desse interesse surge a proposta de, a partir do cotidiano da escola maringaense, trabalhar no plano de recuperação da memória da educação local e da cultura escolar. Delimitou-se, assim, como objeto de investigação a “Casa Escola”, fundada em 1946, no município de Maringá, no Estado do Paraná. As fontes que amparam esta pesquisa são os documentos institucionais e as entrevistas produzidas no percurso da investigação. Os encaminhamentos metodológicos se amparam em categorias de análises construídas no corpus teórico de intelectuais que tratam de temas que giram em torno da cultura escolar, da identificação de estratégias e de táticas de manipulações sociais e educacionais e de teóricos da História Oral. Dentre os resultados destacamos a sua contribuição para a construção da memória da educação de Maringá. Como primeira escola pública da cidade, narrar a sua história é buscar retirar do esquecimento a trajetória da educação local, redimensionando-a diante do mundo e integrando-a ao todo da memória nacional. A análise da trajetória da “Casa Escola” permite observar as mudanças operadas na organização espacial da instituição escolar de ensino elementar. O estudo dessa instituição possibilitou examinar como ocorreu a institucionalização local da escola, feita, às vezes, de forma controvertida no âmbito da aventura que abria e fechava perspectivas de encontro entre humanidades e mundos diversos. A homogeneização cultural buscada pela escola se deparou com outras identidades culturais locais, outros valores que tencionavam essas intenções. Por outro lado, os profissionais da educação da “Casa Escola” operaram modificações naquilo que lhes era solicitado. Os alunos, por sua vez, levaram para a escola a sua cultura, desafiando e produzindo novas práticas no interior da escola. A investigação sugere uma compreensão de escola como produtora, priorizando a ação dos sujeitos envolvidos nela, suas capacidades inventivas de adaptação e de remodelação. Esta pesquisa se encaminhou na direção oposta àquelas que identificam a escola como mero espaço de recepção das finalidades sociais e se aproximou daquelas que entendem a escola como lugar de produção autônoma de conhecimento.

876 HISTÓRIA E PRÁTICA PEDAGÓGICA NO GRUPO ESCOLAR FREI MIGUELINHO NATAL/RN (1912-1920) AMANDA THAISE EMERENCIANO PINTO PESSOA. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, NATAL - RN - BRASIL. Com o objetivo de contribuir para a historiografia da educação no Brasil, especialmente no Rio Grande do Norte, a Base de Pesquisa Gênero e Práticas Culturais coordenada pela professora Maria Arisnete Câmara de Morais (UFRN) desenvolveu um Projeto destinado ao estudo das instituições escolares, professores e professoras que se destacaram no cenário educacional da época. Como parte desse projeto, este trabalho que se encontra em uma pesquisa em andamento, estuda a história do Grupo Escolar Frei Miguelinho (segunda instituição pública do gênero) no período compreendido entre 1912 à década de 1920. A metodologia utilizada para o desenvolvimento desse estudo foi à pesquisa bibliográfica fundamentada em documentos encontrados no acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, no Arquivo Público do Estado, Biblioteca Central Zila Mamede e Escola Estadual Padre Miguelinho. Após a edificação do primeiro Grupo Escolar em 12 de junho de 1908 na Cidade de Natal/RN, o qual recebeu o nome de Grupo Escolar Augusto Severo, demais instituições do gênero foram se disseminando pelo Estado, principalmente pelo interior. Na capital a segunda instituição só foi criada em 1912 com o decreto 277-B em 28 de novembro, declarando que a referida instituição compreenderia três escolas, duas elementares, uma para cada sexo e uma mista infantil. Recebeu o 244

nome de Frei Miguelinho em homenagem a Miguel Joaquim de Almeida Castro, mártir da Revolução Pernambucana de 1817. Sua fundação aconteceu em 21 de abril de 1913 no bairro do Alecrim. As aulas no Frei Miguelinho iniciavam-se às 10 horas e terminavam às 14 horas. As disciplinas lecionadas eram Língua Materna, Aritmética, Desenho Geométrico, História Pátria, Canto, Estudos Físicos, Geografia, Moral e Civismo. Para Diretor do Grupo foi nomeado o Professor Luís Soares Correia de Araújo, formado pela primeira turma da Escola Normal de Natal em 1910. O referido Professor era reconhecido pelos seus colegas de trabalho por ser um “educador nato”, preocupado não somente com o ensino do a.b.c, mais também com o desenvolvimento do caráter de seus alunos. Sendo assim em 1917 fundou o Grupo de Escoteiros do Alecrim, no qual, pregava o ensino de habilidades físicas, espirituais, intelectuais, sociais e afetivas. Dessa maneira, esse estudo buscou discorrer um pouco da história da instituição, seu cotidiano, professores, o funcionamento além da sala de aula, e os conteúdos ensinados aos seus alunos, favorecendo assim uma melhor compreensão do processo historiográfico da educação no Rio Grande do Norte.

1249 HISTÓRIA, POLÍTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA: LAR DE IDOSOS NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO (SAME), ARACAJU/SE MARCEL ALVES FRANCO; HAMILCAR SILVEIRA DANTAS JÚNIOR. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo genealógico sobre a política de controle da saúde pública utilizada para a criação do SAME (Serviço de Assistência à Mendicância), levantando questões sobre a organização, os fatores sociais e culturais que influenciaram nesse projeto, bem como aprofundando-se em conceitos biológicos e sócio-culturais encontrados no senso comum e na ciência e que foram utilizados na tentativa de definir o que é ser idoso. Para sua construção foram tomados os seguintes eixos: fatores históricos e a influência do Estado na organização da sociedade; o surgimento do SAME; sobre a terceira idade e os conceitos biológicos e sociais que impregnam a definição do que é ser idoso; e um ensaio sobre a Educação Física, práticas e rotinas corporais. Pensando no momento histórico da época analisou-se o surgimento do SAME – Lar de Idosos Nossa Senhora da Conceição em 1949, inaugurado enquanto Serviço de Assistência à Mendicância. Sua importância se dava na organização social e nos hábitos que degeneravam tanto a estética da localidade quanto a saúde. Dessa forma, o trabalho busca estabelecer ligação, de forma indireta, com a questão do poder, suspensão de direitos, organização e interesse, para que, tomando-a como referência, possamos perceber um dos princípios para se organizar a sociedade de maneira que haja estruturação entre as diferentes camadas populares, isolando e mantendo-as sob controle. Nesse sentido, a partir de bases teóricas foucaultianas, confirmar a necessidade de um modelo educacional (higienista) vinculado à preocupação com a questão da salubridade para além da educação. No âmbito da Educação Física foram realizados debates e reflexões acerca da terceira idade: surgimento dos asilos, envelhecimento, estereótipos, direitos e deveres da sociedade quanto ao idoso, discutindo sobre o campo de atuação da Educação Física, suas possibilidades, alternativas e idéias em meio as intervenções, estabelecendo nexos com a estrutura física da instituição (horta, espaço para eventos, etc.). O levantamento histórico trabalhado, conjuntamente com a Educação Física, intentou apresentar as incidências sobre o corpo do idoso, buscando apontar as explicações para determinadas causas e consequências no seu desenvolvimento através das relações, principalmente, entre Poder e sujeito, nos permitindo pensar o Homem enquanto sujeito participante nesse importante processo de construção cultural e social, enquanto um ser individual e coletivo, carregando consigo um arcabouço rico em história e conhecimento.

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1124 HISTÓRIAS DE VIDA DE PROFESSORAS DE CLASSES MULTISSERIADAS: CONCEPÇÕES DE TEMPOS E RITMOS EM TERRITÓRIOS RURAIS ELIZEU CLEMENTINO DE SOUZA ; ANA SUELI TEIXEIRA DE PINHO . 1.UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB), SALVADOR - BA - BRASIL; 2.UNEB, SALVADOR - BA BRASIL. A noção de tempo escolar foi concebida historicamente com base em uma lógica urbana, que nem sempre encontra relação com a realidade dos educandos e professores que vivem, estudam e trabalham em escolas situadas em espaços rurais, como é o caso da Ilha de Maré, Salvador-Ba. A apreensão efetiva da categoria conceitual do tempo poderá contribuir para a definição de um currículo, das escolas que mantém classes multisseriadas, que seja capaz de produzir e operar com uma noção de tempo própria das características da população que atende. Assim, neste estudo, os tempos e ritmos nas classes multisseriadas são considerados na sua subjetividade e não a partir de uma lógica exógena às capacidades de produção da vida das crianças, homens e mulheres que habitam a Ilha de Maré. Tendo em vista apreender, nas histórias de vida das professoras, modos de lidarem com os tempos e ritmos nas classes multisseriadas, o trabalho organiza-se em torno de dois objetivos. O primeiro é discutir a configuração sócio-histórica e pedagógica das classes multisseriadas no contexto educacional brasileiro, assumindo como recorte temporal o período que vai desde sua instalação no império até o seu desenvolvimento atual frente às políticas contemporâneas sobre educação do campo, a partir do confronto com as diversas ruralidades que constituem o território brasileiro e, mais especificamente, o baiano. O segundo busca apreender os modos de construção dos tempos e ritmos nas classes multisseriadas, a partir do entrecruzamento de narrativas de professoras que nelas atuam. O estudo situa-se na vertente da pesquisa qualitativa, adota como método a abordagem biográfica, toma como espaço empírico escolas multisseriadas da Ilha de Maré/Salvador-Ba e como sujeitos da pesquisa professoras que atuam nas classes multisseriadas. Narrativas orais e dados do censo escolar configuramse como fontes da pesquisa, os quais possibilitam por um lado, conhecer como o social se personifica nos sujeitos, como a dinâmica social pode ser retratada nas vidas singulares cotidianas e manifestas no espaço escolar e por outro, relacionar os dados estatísticos com a realidade concreta. A partir desta compreensão, podemos admitir que a narrativa é uma forma de estruturação da vida e que a correlação entre a atividade de contar uma história e o caráter temporal da experiência humana, não é acidental, mas uma necessidade “transcultural”. Nesse sentido, o tempo cronológico se articula com o tempo lingüístico, este entendido não como uma manifestação individual e sim intersubjetiva. O estudo das histórias de vida das professoras pode evidenciar modos próprios construídos, cotidianamente, no espaço escolar de classes multisseriadas em torno dos tempos e ritmos, aqui concebidos, como conceitos plurais, heterogêneos, múltiplos, complexos e subjetivos, uma vez que apreender as concepções de tempo nas classes multisseriadas significa entender como esse conceito foi historicamente construído no âmbito das práticas educativas.
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805 INCREMENTAR A GINÁSTICA RACIONAL EM TODO O ESTADO:A ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS DO PARANÁ (1939-1956) VERA LUIZA MORO. UFPR/UFMG, CURITIBA - PR - BRASIL. O estudo em questão apresenta os resultados parciais do projeto de doutoramento, que tem como objetivo analisar a constituição da Escola de Educação Física e Desportos do Paraná e seu projeto de Educação Física para formação de professores, na dinâmica da cidade de Curitiba, em fins da década de 30. O recorte temporal do estudo fixado entre 1939-1956 compreende o momento da primeira fundação da Escola até sua estadualização, quando ocorreram mudanças significativas na organização da mesma. A Escola de Educação Física e Desportos do Paraná foi criada em regime particular por Francisco Mateus Albizú, pedagogo, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná e 246

inspetor de educação física no Estado, condição bastante peculiar, ao considerarmos a centralidade que ocupavam médicos e militares na constituição das escolas de educação física, na época. Em 1940 a Escola obteve o reconhecimento sem ônus do governo do Estado, mas sem conseguir o reconhecimento do Governo Federal, acabou fechando suas portas no mesmo ano. Em julho de 1942, recebeu autorização para funcionamento já sob os moldes do Decreto-Lei n.1212, que criava, na Universidade do Brasil, a Escola Nacional de Educação Física e Desportos, com a finalidade de imprimir unidade teórica e prática ao ensino da educação física e dos desportos em todo o país. Com o discurso de incrementar a ginástica racional no Estado do Paraná, a Escola dá início, em 1943, ao seu primeiro ano letivo, com a oferta de dois cursos: o Normal e o Superior de Educação Física, tornando-se assim a primeira instituição para formação de professores especializados em Educação Física no Estado do Paraná. Apoiado em pesquisadores da história das instituições escolares, como Magalhães, Gatti Jr e Buffa, o estudo aponta para a superação das abordagens meramente descritivas dos espaços físicos, das funções e dos sujeitos, procurando conferir um sentido histórico à instituição estudada, privilegiando categorias de análise como espaço, tempo, currículo, modelo pedagógico, professores e público. Nesse texto será apresentado o relato do itinerártio da investigação até o momento, desde os primeiros envolvimentos com a temática, buscando dar visibilidade às fontes trabalhadas no cotidiano da pesquisa, aos indícios da maneira como vão se institucionalizando tempos, espaços e práticas, e ao movimento realizado pelos sujeitos envolvidos com o cotidiano da Escola, uma vez que as fontes indiciam uma circulação desses sujeitos, que se deslocavam de seu local de origem para realizar cursos em outras instituições no Brasil ou ainda estágios de formação no exterior.

378 INFÂNCIAS ESCRITAS: O JORNAL "A VOZ DA ESCOLA"(1936-1938) MARIA HELENA CAMARA BASTOS; TATIANE DE FREITAS ERMEL. PUCRS, PORTO ALEGRE - RS - BRASIL. O estudo analisa os escritos dos alunos do ensino primário do Colégio Elementar Souza Lobo (1913) publicados no jornal “A Voz da Escola” (1936-1938), como prática de formação pessoal, cívica e religiosa, de aprendizagem da moral e/ou da civilidade. Busca analisar os discursos veiculados, que expressam práticas curriculares do cotidiano escolar e suas influências nos modos como os autores alunos pensavam, agiam e se expressavam nos espaços de construção de suas identidades. O periódico é tomado como lócus privilegiado para adentrarmos no cotidiano de uma escola primária, da década de 1930, isto é, “o universo escolar e toda uma rede paralela de significações”. Entre as instituições complementares à escola, estimuladas pelos protagonistas da escola nova, destaca-se o jornal escolar. Os impressos de estudantes, em diferentes níveis de ensino, são documentos importantes para analisar a cultura escolar. A pesquisa insere-se nas práticas de escritas escolares e infantis, especialmente na interface da História da Educação e da História da Cultura Escrita, que analisa a produção, difusão, conservação e o uso dos objetos escritos, em suas várias modalidades. O jornal “A Voz da Escola” (jornal mensal e/ou bimensal) era responsabilidade dos alunos do 6º ano. É impresso em tamanho tablóide, com 4 ou 8 páginas, muita propaganda, algumas ilustrações na capa decorrente das aulas de desenho, fotos de turma de alunos. Com tiragem de 500 exemplares, era vendido ao preço de 200 réis. Os textos são histórias produzidas pelos alunos, identificados pelo nome completo e a série a que pertencem. As contribuições decorrem de trabalhos em diferentes disciplinas, mas as mais frequentes são Português e História. Também aparecem poemas, pensamentos, adivinhações, enigmas, anedotas; correspondências, recebidas ou enviadas, por alunos; autobiografias, listas de nomes com as notas dos melhores alunos em avaliações parciais, nos exames, no final de ano; notas sociais e promoção de sorteios. O jornal “A Voz da escola” reflete a importância que a formação moral e cívica se apresentava na escola primária, contemplando o cultivo dos sentimentos e hábitos de conduta individual e social; de respeito e tolerância; de generosidade e ajuda mútua; de disciplina e amor ao trabalho; de amor à Pátria. Essa pedagogia patriótica acredita que a idéia de nação se aprende na família e nos bancos da escola pública A fé na escola como a única tradução humanista da nação se apóia sobre dois pilares, mais ideais que reais - a família e o Estado. É uma moral válida para todos, que exalta o sacrifício e o trabalho, o respeito à hierarquia social e à fraternidade humana. A exaltação do valor patriótico e social, 247

a abundância de bons sentimentos, o espírito humanitário de viés paternalista, faz com que o ensino moral e cívico desperte sentimentos ideais para uma sociedade idealizada. A intenção é de exaltação do progresso e a necessidade de ordem.

1173 INSTITUIÇÕES ESCOLARES E PRÁTICAS EDUCATIVAS: ANÁLISE DO CURRÍCULO NA ESCOLA VILA ZILDA NATEL NOS ANOS DE 1980-1991 CÉLIA MARIA SIQUEIRA GOMES. UNISANTOS, SANTOS - SP - BRASIL. O presente tema privilegia o currículo de uma escola pública estadual, no município de Guarujá, em São Paulo, entre os anos de 1980 a 1991. A sua periodização se justifica em função da fundação da Escola Vila Zilda Natel, no bairro de mesmo nome, no ano de 1980 passando em 1991 a se chamar Escola Estadual Milton Borges Ypiranga. A escolha do tema se deu pelo fato da pesquisadora ser professora efetiva da disciplina de Arte, desde 2005, nesta mesma Escola, com experiência profissional tanto na gestão quanto na docência; Logo, o currículo da referida instituição escolar é objeto deste estudo.Do ponto de vista metodológico pesquisa é de natureza histórica, descritiva e qualitativa, valorizando entretanto, as fontes documentais e iconográficas, além de informações extraídas de entrevistas semiestruturadas com a diretora; a professora de arte; o inspetor de alunos e a merendeira. Para o seu desenvolvimento foi necessário conhecer e compreender a história daquele estabelecimento de ensino, recorrendo à reconstituição da sua memória, por intermédio de acontecimentos que revelaram aspectos da sua construção, bem como, da sua realidade administrativa e pedagógica, envolvendo a relação entre docentes, discentes e os funcionários. Para tanto,Gatti Júnior (2002) explica que reconstituir historicamente as instituições escolares é conhecer o relacionamento do indivíduo com a família, classe social, escola, igreja e demais grupos.Reconstituir um passado, com base nas lembranças de pessoas que, de fato vivenciaram esse tempo, representa resultado de um encontro, no qual as experiências de uma geração anterior são evocadas e repassadas para outra geração, dando continuidade ao fio da história.Nesta direção, Buffa (2002) recomenda a descrição do processo de instalação da escola, caracterização do seu espaço físico, conteúdos curriculares, legislação e normas, pois este percurso metodológico nos permite dar significado ao objeto que está sendo estudado. Contudo, a pesquisa recorreu às produções de Bosi (1999), Buffa (2002), Gatti Júnior (2002), Mazzilli (2009), Saviani (2007), Thompson (1992) e Zotti (2004); Reconstituir e descrever a história da Escola Vila Zilda Natel, compreendendo a sua organização física e administrativa, visando uma análise das práticas educativas que foram instaladas no âmbito escolar são propósitos desta investigação que se encontra em andamento desde agosto de 2009 e integra o texto do Relatório de Pesquisa (dissertação) a ser qualificado em dezembro do corrente ano, para a sua posterior defesa, como exigência do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Santos (UNISANTOS).

639 INVENTAR A VIDA E CRIAR ALTERNATIVAS DE FORMAÇÃO:ALGUÉM SABE QUEM É BELINA FACION? MICHELE LONGATTI FERNANDES. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI, SAO JOAO DEL REI - MG - BRASIL. Este trabalho investigou a trajetória de Belina Facion, uma líder comunitária da periferia da cidade de São João del-Rei – MG. Belina tem se destacado em sua comunidade há vários anos pela atuação em movimentos da Igreja Católica, dentre os quais a Sociedade São Vicente de Paulo. Nascida em 1923, em uma família de origem humilde, a descendente de italianos teve poucas oportunidades de realizar o sonho de se tornar professora, pois estudou apenas até a terceira série do ensino fundamental. Contudo, aprendeu a fazer trabalhos manuais num pequeno Liceu da cidade e passou a ensinar o pouco que sabia dentro da comunidade. A partir de sua própria experiência, Belina adquiriu conhecimentos 248

que lhe permitiram atuar em sua comunidade, auxiliando, por meio de cursos de formação, trabalhos voluntários e outros incentivos, famílias carentes a adquirirem valores materiais, como a casa própria, e, sobretudo, valores sociais como a aquisição da cidadania. Desse modo, Belina estabeleceu o que Gomes (1993) denomina rede de sociabilidade, possibilitando interações sociais de estirpes variadas. Constituindo-se como autodidata de formação (HÈBRARD, 1996), a líder comunitária desempenhou um papel de figura de proa (ELIAS, 1995) em seu meio social. A pesquisa, já concluída, enfocou o modo como uma mulher “comum” adquiriu notoriedade e relevância em seu meio social utilizando-se de estratégias variadas para exercer, ao mesmo tempo, os papéis de mãe, esposa e líder comunitária. Fundamentado na metodologia da História de Vida, o trabalho se pautou na constituição da memória através de entrevistas gravadas com a “personagem” estudada, bem como da análise de documentos pessoais e oficiais que possibilitaram o preenchimento de lacunas da memória e a compreensão de fatos sociais mais amplos. A trajetória singular de Belina suscita a percepção de como os sujeitos atuam na esfera social em processos nos quais influenciam e sofrem influências, em um movimento bilateral em que o sujeito simultaneamente modifica o mundo a sua volta e é socialmente construído no seio das relações interativas que estabelece. A partir da ótica da produção de si, o sujeito particular ganha destaque dentro das pesquisas em história da educação, na medida em que deixa de ser “simples” para tornar-se “singular”. Os resultados obtidos evidenciaram que, no caso estudado, a formação se deu dentro da comunidade e a escolarização teve um papel secundário na construção de uma trajetória pessoal.

751 INVENTÁRIO HISTORIOGRÁFICO FRENTE À CRIAÇÃO DO ENSINO AGRÍCOLA NO BRASIL E O APRENDIZADO AGRÍCOLA DE BARBACENA, MG (1812-1910) MARLI DE SOUZA SARAIVA CIMINO. UERJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL. Constitui objeto desta pesquisa a criação da escola Aprendizado Agrícola de Barbacena, MG, em 1910, considerando suas contingências políticas, sociais e econômicas, tomando como referência a trajetória do ensino agrícola no Brasil, que teve seu início em 1812. O Estado imperial, em seu papel de agente transformador, remontou-se aos projetos de D. João VI que via a agricultura como a mais inexaurível fonte de abundância e de riqueza nacional pela fertilidade e extensão dos campos do Brasil – sob esse olhar, o Imperador sancionou o primeiro ato legislativo sobre ensino agrícola no Brasil, apresentado pela Carta Régia de 23 de junho de 1812, dirigida ao Conde dos Arcos. A partir daí, criam-se as escolas ou cadeiras de agricultura e os Institutos Imperiais de Agricultura. Para que houvesse, em cada província, uma colônia orfanológica de escola primária, agrícola e profissional, o Estado subvencionou, pelos cofres provinciais, verbas para tal objetivo. Indiferente de seu papel na riqueza pública do Brasil, o ensino agrícola não obteve o devido valor tanto pela permanência da grande propriedade, quanto pela execução do trabalho rural por homens privados de sua liberdade. Em relação à indústria, os Liceus de Artes e Ofícios, iniciados em 1874, ofereceram instrução profissional, educando, pelo trabalho, os desvalidos da fortuna. A primeira república viu nascer as Escolas de Aprendizes e Artífices, em 1909, precursoras das Escolas Técnicas Federais, incrementando a formação profissional, de nível médio, no Brasil. Nessa conjuntura, foi criada a Escola de Aprendizado Agrícola de Barbacena, MG, fundada em 1910 e subordinada ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, ambicionando recolher das ruas órfãos, desempregados e filhos de agricultores da região, ensinando-lhes ofícios, em regime de internato. A educação profissional fica, então, marcada por uma dualidade: as escolas profissionais para os miseráveis e desocupados, e para a elite, o ensino primário, propedêutico, complementado com o ensino superior. Interessou-nos investigar as razões pelas quais essa escola agrícola inaugurou a série de escolas federais em Minas Gerais, assim como quais seriam as intenções e os interesses políticos envolvidos em seu projeto de criação; qual a malha social que procurou alcançar e arrebanhar e os fins efetivamente atingidos. Para respaldar a investigação, analisamos as correspondências trocadas entre os presidentes provinciais e os ministros da pasta; relatórios da província de Minas Gerais ligados à educação; debates legislativos mineiros acerca da questão; decretos; leis e a bibliografia pertinente ao inventário historiográfico. 249

1116 JOSÉ ALOÍSIO DE CAMPOS: ASPECTOS DE UMA TRAJETÓRIA (1943-1986) PATRÍCIA FRANCISCA DE MATOS SANTOS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, ARACAJU - SE - BRASIL. O objetivo desse artigo é o de analisar aspectos da trajetória do reitor/administrador e professor José Aloísio de Campos (1914-1986), destacando suas contribuições no campo educacional no âmbito da sociedade sergipana. O referido Reitor tem seu nome ligado à implantação do Campus da UFS Universidade Federal de Sergipe, instituída pelo Governo da União nos termos do Decreto-Lei n. 296, de 28 de fevereiro de 1967 e instalada em 15 de maio de 1968. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Bahia (1943), foi consultor técnico da Secretaria da Fazenda de Sergipe (1943), professor do Colégio Tobias Barreto e da Faculdade de Ciências Econômicas (1955), Prefeito Municipal de Aracaju (1968-1970) e Reitor da UFS (1976-1980). Foi na gestão de José Aloísio de Campus que houve a transferência dos cursos da Universidade Federal de Sergipe, antes, espalhados em vários espaços de Aracaju, para o Campus, no município de São Cristóvão, a antiga capital de Sergipe. Estes aspectos da trajetória de José Aloísio Campos contribuem para estimular o nosso interesse por este intelectual sergipano. Como gestor da UFS dirigiu os trabalhos de construção do Campus de São Cristóvão e foi seu Reitor em pleno regime militar. Preocupou-se com a implantação de uma política de gestão racionalizada para a instituição, particularmente no tocante à capacitação de Recursos Humanos. Para isso, vale destacar que o referencial teórico utilizado na pesquisa tem como apoio a concepção que Pierre Bourdieu (2007) usado para explicitar o seu entendimento de trajetória. Este estudioso esclarece que há diferença entre vida e trajetória. Segundo Bourdieu (2007), o pesquisador pode reconstruir a trajetória de alguém, mas não a vida. Para a construção deste estudo, serão utilizadas as seguintes fontes: escritos já produzidos sobre a UFS e que tem relação direta com Aloísio Campos, a exemplo de Oliva (2003), Santana (2000) Santos & Rollemberg (1998), Passos Subrinho (1999), além de atas, relatórios administrativos, notícias em jornais, fotografias e entrevistas. Esta pesquisa está relacionada com o estudo, em andamento, que conta com o apoio da PROEX/UFS (Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Sergipe), intitulado Universidade Federal de Sergipe: de Escola Superior a Universidade Multicampi. Neste sentido, acreditamos que esta pesquisa poderá elucidar questões relacionadas à trajetória acadêmica de José Aloísio de Campos tanto como professor quanto como reitor/administrador da UFS e ampliar o nosso entendimento sobre a educação pública superior em Sergipe e no Brasil.

488 LAR ESCOLA DR. LEOCÁDIO JOSÉ CORREIA: HISTÓRIA DE UMA PROPOSTA DE FORMAÇÃO NA PERSPECTIVA EDUCACIONAL ESPÍRITA (1963-2003) CLEUSA MARIA FUCKNER. UFPR, CURITIBA - PR - BRASIL. O objetivo norteador deste estudo foi constituir aspectos da trajetória histórica do Lar Escola Dr.Leocádio José Correia, no período entre 1963 e 2003. Esta escola fundada na cidade de Curitiba, pelo professor e médium Maury Rodrigues da Cruz, é vinculada à SBEE (Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas), que é uma Instituição filantrópica e beneficente, que tem por objetivo estudar as manifestações espíritas, divulgar os princípios da doutrina dos espíritos e proporcionar assistência social às famílias carentes. Ao longo de sua trajetória a escola passou por práticas diferenciadas, atendendo diferentes modalidades de ensino.. A partir de 1998 a escola centralizou seu trabalho na Educação Infantil. Atualmente a Instituição é também a mantenedora da Faculdade Dr. Leocádio José Correia, que desenvolve entre outros, os cursos de Administração de Empresas, Pedagogia e Teologia Espírita, objetivando formar profissionais na área educacional e com o referencial da doutrina espírita. A pesquisa foi concluída e defendida no Programa de Pós graduação em Educação na UFPR em dezembro de 2010. Na primeira parte do trabalho intitulado: Espiritismo e Educação: uma construção histórica, a nossa proposta foi analisar antecedentes do pensamento educacional espírita, bem como as obras 250

didáticas de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), intelectual da educação francesa e depois autor das obras de codificação da doutrina espírita; Investigamos também na primeira parte o espiritismo no seu processo histórico de consolidação e a relação com a educação, compreendendo o movimento espírita na cidade de Curitiba. Na segunda parte que chamamos Da Teoria à Vivência na Prática procuramos compreender a figura de Leocádio José Correia, o patrono e mentor intelectual da Instituição a partir da sua ação enquanto Inspetor Paroquial das Escolas de Paranaguá no período de 1885-1886, bem como suas ideias e permanências na Instituição que hoje leva seu nome. Trabalhamos com as fontes escritas e orais da Instituição no sentido de construir uma análise fundamentada nas fontes da trajetória da escola como proposta e prática de uma educação espírita a partir da categoria cultura escolar. Este trabalho se fundamentou na História Cultural enquanto olhar investigativo de uma determinada realidade e concepção de mundo. Refletimos nosso objeto a partir da fundamentação de Pesavento, Chartier e autores da História Cultural que nos ajudaram a compreender as fontes constituídas pelo arquivo da escola, da SBEE, além das fontes da Igreja e da imprensa.

468 LEITURA E ESCOLA: UMA RELAÇÃO DE POSSIBILIDADES E INTERDIÇÕES MARIA ALAYDE ALCANTARA SALIM. SEME, VILA VELHA - ES - BRASIL. O presente trabalho apresentou como objetivo geral compreender, numa perspectiva histórica, o envolvimento de sujeitos escolares no Brasil, mais especificamente no Espírito Santo, com o livro e a leitura. O tempo que foi alvo das minhas investigações estende-se dos últimos anos do século XIX até o decorrer das três primeiras décadas do século XX no Espírito Santo – período denominado de Primeira República. Focalizei, detidamente, a inserção e as condições de circulação do livro na sociedade capixaba, as práticas de leitura e o uso do livro – didático e de literatura – nas diversas disciplinas que integravam o currículo de duas principais instituições de ensino secundário existentes na cidade de Vitória, durante os primeiros anos do século XX: Ginásio do Espírito Santo e Escola Normal. Considerando a leitura uma prática estreitamente vinculada às demais práticas sociais (CHARTIER, 2002), procurei focalizar esse tema específico na confluência das circunstâncias sociais, econômicas, políticas, culturais e educacionais que marcavam a sociedade da época. No trabalho de pesquisa focalizei especificamente os espaços de leitura e de acesso ao livro disponível para os sujeitos escolares; as formas de controle exercido pelas escolas em relação à leitura, a leitura dos alunos fora do espaço escolar, os títulos das obras didáticas e literárias que eram adotados nas duas escolas e as as formas de apropriação e os usos do material escrito, as práticas de leitura desenvolvidas no espaço escolar e os sentidos produzidos por meio dessas práticas. A complexidade que envolve o trato de questões relacionadas com as práticas de leitura foi destacada por Certeau (2000), quando alertou para o grande desafio que a historia da leitura enfrenta ao buscar inventariar e racionalizar essas práticas que raramente deixam marcas e acabam por dispersar-se em uma infinidade de atos singulares e subjetivos, muitas vezes imperceptíveis ao olhar do historiador. Reconhecendo os limites impostos ao trabalho de pesquisa, cabe ao historiador investigar quais circunstâncias governam a realização efetiva das práticas de leitura em determinado tempo e espaço por uma determinada comunidade de leitura. Essa perspectiva norteou todo o encaminhamento do trabalho e as análises das fontes documentais. Assim, para mapear as circunstâncias vivenciadas e compartilhadas pelos sujeitos escolares nas duas instituições pesquisadas, ou seja, a comunidade de leitores investigada, tomei como fonte de pesquisa uma variedade de documentos, como: planos de curso, avaliações escolares, relatórios de inspetores educacionais e de secretários de instrução, legislação educacional, os escritos de diferentes origens produzidos por alunos e professores das duas instituições pesquisadas e, por fim, as entrevistas dos exalunos das duas instituições de ensino.

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1328 LEMBRANÇAS DOS TEMPOS DE ESCOLA GUARDADAS EM UM BAÚ: A CONSTITUIÇÃO DA ESCOLA EM IBIAÍ, MINAS GERAIS (DÉCADAS DE 1910 A 1940) CÁSSIA APARECIDA SALES MAGALHÃES KIRCHNER. UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO, ITATIBA - SP - BRASIL. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa que teve como objetivo compreender o processo de escolarização da cidade de Ibiaí, localizada na região norte de Minas Gerais, investigando experiências de famílias que estiveram diretamente ligadas aos processos de constituição da escola nesta cidade. No decorrer das décadas essas experiências de vida foram materializadas emforma de fotografias, diários, cadernos de alunos, planos de aula e documentos escolares que, intencionalmente ou não, foram transformadas em lembranças ao serem depositadas em um baú. Este baú foi passado de uma geração para outra, montando-se assim um acervo que permite analisar suas diferentes vivências, tempos, crenças e emoções, assim como seus modos de produção. O termo cultura escolar constitui-se em um conceito nuclear para o desenvolvimento da investigação, sendo utilizados segundo os conceitos de cultura escolar propostos por Antonio Viñao Frago (2008), Dominique Julia (2001), André Chervel (1990) e Jean-Claude Forquin (1993). Também foram utilizadas as contribuições trazidas pelos estudos sobre memória desenvolvidos por Ecléa Bosi (2007), Maurice Halbwachs (1900), Michel Pollack (1989) e Paul Thompson (2002). O corpus documental foi composto por documentos selecionados do acervo relacionados à escola (cadernos escolares, livros de matrícula, termos de instalação da escola, livros de atas de inspeção, atas de exame dos alunos e planos de aula). O período temporal está diretamente ligado a primeira e a última data encontrada nos documentos analisados, percorrendo as décadas de 1910 a 1940. O estudo evidenciou aspectos particulares da cultura escolar da Escola Mista de Ibiaí, demonstrando que ao mesmo tempo em que era constituída por normas estabelecidas externamente pela legislação vigente, também eram construídos ensinamentos e condutas peculiares a cultura escolar desta localidade. Nesse sentido, o baú,