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PRÉ PROJETO UNISINOS

PRÉ PROJETO UNISINOS

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AFONSO MARIA DAS CHAGAS

O CONSÓRCIO ENTRE ESTADO, GRILAGEM E LATIFÚNDIO AGROEXPORTADOR: O CASO DE RONDÔNIA

Projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos como requisito ao ingresso no Mestrado em Direito, área de concentração Direito Público, linha de pesquisa Hermenêutica, Constituição e Concretização de Direitos. Orientador:

CURITIBA 2010 Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Programa de Pós-Graduação em Direito Processo Seletivo . acompanhado também da apropriação privada de terras públicas. Palco de programas de colonização dirigida. ribeirinhos e outras comunidades tradicionais. que dá lugar ao assalariado rural. Constituição e Concretização de Direitos. coordenados principalmente pela iniciativa estatal. a expressão “latifúndio agroexportador” foi cunhada por Caio Prado Júnior. emancipado em 1981. enfim. Esta proposta volta-se para o caso específico de Rondônia. atraiu milhares de migrantes que deixavam suas regiões 1 O “latifúndio agroexportador” é elemento característico da atual fase do capitalismo no campo. quilombolas. INTRODUÇÃO A partir dos anos 1960. o trabalhador rural. em favor do latifúndio. que. muitas vezes com a conivência dos órgãos estatais. obstaculiza a reforma agrária e causa graves prejuízos à natureza. seringueiros. por sua vez. Este modelo agrícola.1979). o papel do Estado brasileiro e a sua recusa em se servir das possibilidades constitucionais e assim implementar uma efetiva política de organização fundiária e reforma agrária na região. também chamado de agronegócio. Neste contexto. coordenados principalmente pela iniciativa estatal. desencadeado a partir dos anos 1960. Em Rondônia. ainda que originada na grilagem de terras públicas. colocar em prática os planos de ocupação mais efetiva da Amazônia brasileira. a demanda por terra continua.Mestrado em Direito Candidato: Afonso Maria das Chagas Área de Concentração: Direito Público Linha de Pesquisa: Hermenêutica. não apenas tem se mostrado incapaz de solucionar os conflitos no campo. este projeto de pesquisa busca analisar as políticas oficiais. quando observamos atos como a lei nº 11. Em tempos de acirramento de conflitos agrários na região Centro-Sul do país. como parece atuar contra a Reforma Agrária. a ditadura militar instalada no Brasil conseguiu. pelo monocultivo e pela priorização do mercado externo (exportação de matérias-primas).. a Amazônia foi apresentada como fronteira livre para os que se encorajassem a ocupá-la. O Estado. originalmente. a história não foi diferente. Ressignificada para o contexto atual. no processo de ocupação recente da Amazônia Brasileira. em que os modelos de produção são caracterizados pela concentração de terra.” Resumo: Este pré-projeto de pesquisa tem como foco de investigação as íntimas e complexas relações entre o Estado. os marcos jurídicos estabelecidos. o então “Território Federal de Rondônia”. a Grilagem e o Latifúndio Agroexportador 1 na Amazônia: O caso de Rondônia. na prática. a prática da grilagem de terras e o latifúndio agroexportador. na relação de trabalho. Atualmente. em sua obra “História Econômica do Brasil”. 1945) . até então dotada de raros centros urbanos e habitada por povos indígenas. de 1945 (PRADO Jr. muitas vezes verbalizada em atos e palavras de movimentos sociais do campo.952/2009. 1. tem regularizado a grande posse. as experiências concretas apontam para um fracasso das tentativas de executar a reforma agrária. Diante da precária assistência aos assentados. chamada de “Lei de regularização fundiária da Amazônia”. pautados pela inserção na economia de mercado. Pré-Projeto de Pesquisa Título: “O consórcio entre o Estado. Assim. houve um intenso processo de abandono dos lotes e reconcentração fundiária. naquilo que Octavio Ianni caracterizou como “contrareforma agrária” ou “reforma agrária conservadora” (IANNI. e que tem se consolidado desde então. Passadas algumas décadas. desaparece. palco de programas de colonização dirigida. em plena ditadura.

A lógica destes “acertos” fomentava o “cartel imobiliário”. 1999. Claramente amparado pelo marco jurídico do Estatuto da Terra (Lei nº 4.050/64) e por Decretos regulamentares e atos internos4”. quatorze anos depois do assentamento inicial. se desfizeram de seus lotes.” (PINTO. a concentração de grandes áreas públicas sob propriedade privada. As famílias. legítimo detentor das terras da Amazônia tinha nas mãos a possibilidade de desenvolver ou implementar uma verdadeira e razoável política de ocupação fundiária na região. 1983) 3 Para muitos dos que foram assentados nos projetos do INCRA. endividadas. . No PA Machadinho. Marcos jurídicos advieram à luz possibilitando a implantação de projetos agropecuários (os contratos previam empresas rurais). conforme atesta o decreto nº 1. as características do bioma. Instalados em terras com potencial agrícola inferior (as terras mais férteis foram destinadas a grandes propriedades). que fizeram vista grossa ou mesmo estimularam a invasão e grilagem de terras públicas – desencadeou um processo de reconcentração fundiária em Rondônia. Fato é que. comercialização). Em pouco tempo. 40% dos lotes mudaram de dono. 2.3 O resultado: abandono dos lotes. a sorte não foi melhor.615/1972. desde o princípio. Muitos não conseguiram acessar os lotes que o INCRA distribuía. 115). No PIC Ouro Preto. a estrada é caracterizada como “O caminho do amanhã. A valorização das terras na região tornava os ganhos potenciais com a venda da terra superiores ao retorno econômico da produção.164/1971 regulamentado pelo Decreto nº 71. do meio ambiente. em um ano. 4 Em seu artigo 11º o Estatuto da Terra autorizava a União à dispor à sua maneira das terras federais. assistência técnica. Estrada leva ao Polonoroeste: o novo eldorado. respeitando as populações ali existentes. quando não encararam o abandono do Estado. a prática agrícola só era viável por meio de técnicas de produção que empregavam capital intensivo (MILIKAN.de origem em busca do “sonho do Eldorado rondoniense”2. Os “acertos cartoriais” precediam o estudo das políticas a serem implantadas. 63% dos colonos originais se desfizeram de suas terras. até 70% da população originalmente assentada vendeu seus lotes. A rotatividade de colonos era alta: em alguns projetos. foi a lógica do sistema. a frustração se espalhou. incapaz de garantir condições para a permanência na terra (infra-estrutura. O PROBLEMA 2 Em uma reportagem de capa sobre a finalização das obras de asfaltamento da BR 364. O marco jurídico efetivou-se com o possível desta lógica: processos de transferência de bens públicos (terras públicas) através de Contratos de licitações. se depararam com condições ambientais desfavoráveis. como a malária e um clima muito diferente daquele no qual estavam acostumados a produzir. Esta situação – aliada à conivência dos órgãos estatais responsáveis por fiscalizar e executar a reforma agrária. estabelecendo todas as condições para um processo de transferência das terras públicas a particulares através de precários contratos de alienação de terras públicas (CATPs). o Estado brasileiro. Os que foram assentados. assim não o fez por escolha e por estratégia. assim orientando: “Tanto quanto possível o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária imprimirá ao instituto das terras devolutas orientação tendente a harmonizar as pecularidades regionais com os altos interesses do desbravamento através da colonização racional visando erradicar os males do minifúndio e do latifúndio”.

uma íntima relação entre Estado e Latifúndio e mais. INCRA. antigos seringais. Rondônia. terras públicas). in. NEAD. sujeitos de direito à priori. Prevaleceu o “direito de conquista”. Ano 19. ABDA. . objetivando a especulação imobiliária. Revista de Direito Agrário. vencendo o modelo desenvolvimentista escamoteado sutilmente pela propaganda da integração nacional5. que dão garantia aos bens públicos. como exemplos). bem como os mecanismos pelos quais tanto os dispositivos constitucionais. Neste campo de disputa via-se de um lado o Estado detentor da maioria das terras (terras devolutas. são encarados como obstáculo. No mesmo cenário. Imobiliárias (SINOP. Beneficiaram-se de tais projetos Seringalistas (que freqüentemente expulsavam os Seringueiros). Hélio Roberto Novoa. alvo de toda uma política de eliminação física e de direitos. seringueiros e ribeirinhos). 2. que não tinham outro objetivo senão locupletarem-se da inoperância da fiscalização oficial e perpetrarem um grande processo de reconcentração de terras”. de outro lado. Estado e processos de grilagem. é compreender o desdobramento da questão fundiária e o processo de transferência do patrimônio público a particulares. A abertura política e a Constituição de 1988 5 Em 1966. grupos de interesses que iam desde grandes seringalistas até grupos imobiliários. MDA. Efetiva-se assim. os ocupantes originários e tradicionais (povos indígenas. deste projeto de pesquisa. remanescentes de quilombolas. 6 COSTA. principalmente nas novas frentes de colonização (Rondônia.2006.O projeto e o processo de colonização do Estado de Rondônia foram elaborados e postos em prática pelo Estado brasileiro com alguns marcos jurídicos e propostas de desenvolvimento específicas.1. Mato Grosso. nº 18. explica Hélio Roberto Novoa6: “Muitos. O problema central então. o Presidente Castelo Branco anunciava: “é preciso integrar para não entregar”. de colonização. através de prepostos. Conglomerados financeiros e Especuladores de terras Assim. e por isso. adquiriram lotes que se quer tiveram a intenção de um dia saber se efetivamente existiam ou não. voltando-se para a Amazônia como um todo e objetivando um Programa de Integração Nacional (PIN). quanto os objetivos fundamentais da República (Estado) foram preteridos nestes programas oficiais de colonização. CALAMA. ou seja: emprestaram nomes para os peritos em grilagem. Mato Grosso e Pará). no contexto da Colonização de Rondônia.

Quando vislumbraram-se as possibilidades preteriu-se a Constituição pela recolonização pelo golpe de Estado Institucional. esculpiu lá princípios e garantias. 8 BONAVIDES. Desde a abertura democrática a questão agrária. falou-se da “função social da propriedade”. exploração predatória da madeira e concentração fundiária. 2004. Políticas estas dirigidas pela idéia de imperialismo norte-americano.8 O constitucionalismo do Estado Social. que: “deve ser objetivo da República Federativa do Brasil. . É o próprio Estado 7 Programas como o POLONOROESTE – década de 80 . incorreu em várias falhas. dos bens públicos que devem antes. um importante meio de controle e manutenção do Poder. Do País Constitucional ao País Neocolonial”. para ser implantado no eixo da BR 364. ignorou as demandas sócio-econômicas e terminou às pressas por implementar um zoneamento falho e grotesco.A partir da segunda metade da década de 80 do século XX. Todas as transformações ocorridas em decorrência das políticas ocupacionais. e mais. invasão das áreas indígenas e unidades de conservação. Inciso III. 3ª ed. como política de Estado. trouxe como conseqüência o desmatamento acelerado. com o passar dos anos. Veio a Assembléia e veio a Constituição em 1988. Ainda que o País se livrasse da Ditadura Militar em 1985. que veio a ser reparado várias vezes posteriormente. de executar uma política racional de organização fundiária e de uma conseqüente reforma agrária na região. serviram como obstáculo planejado para a concretização de direitos. Já o PLANAFLORO – década de 90 – pensado para corrigir os efeitos de execução do programa anterior. Clamava-se por eleições diretas para Presidente da República e por uma Nova Assembléia Nacional Constituinte. atender aos interesses e necessidades da coletividade. Paulo. potencialmente capaz de corrigir as desigualdades sociais e regionais sofre um duro golpe com o apoderamento do estado por setores extremamente conservadores e que fazem da concentração da terra. ocupam praças e ruas. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. incapaz de cumprir seus propósitos primeiros. “ ondas e ventos” de cidadania atravessam o País. afirmando em seu Artigo 3º. Tal projeto desenvolvimentista. as garantias e princípios sócio-econômicos.. aprovasse uma Constituição inovadora em 1988 e os cidadãos voltassem a escolher um Presidente civil para a República em 1989.. vislumbrados no texto constitucional. tanto com este caráter desenvolvimentista como tantas vezes dirigidas e implementadas pelo capital monopolista transnacional7. São Paulo: Malheiros. Nunca se efetivaram.financiado pelo Banco Mundial (1bilhão e 100 milhões de dólares). do latifúndio e da grilagem. não conseguimos alterar a arcaica e patrimonial estrutura do Estado brasileiro. na lição do professor Paulo Bonavides. ditadas pelo Estado brasileiro. estimulado pelo Estado se tornou. não passaram de escrita.

sob pressão do Congresso Nacional. comunicando relatórios mínimos sobre o número de cadastrados e sobre as áreas cadastradas. foram 31 conflitos no campo. então. ainda que grilada. em Rondônia no ano de 2009. com a chancela do Estado. tem sido um marco cotidiano na questão agrária em Rondônai11 9 “De País Constitucional se converte gradativamente em País Neocolonial. Agora. ou os primeiros sem-terra.6% dos imóveis cadastrados tem área até 4 módulos fiscais. Por outro lado. um meio eficaz. lhe empobrecem o povo e criam a mais injusta dívida externa e interna já contraída. 04 ocorrências de Trabalho . no máximo até 400 hectares. na mesma lição do professor Bonavides9. quando da famosa Lei Vergueiro (Lei nº 601/1850). judicial ou administrativamente. ocupando 37% de toda área requerida até então. 2. 81. transformou-se em uma possibilidade interrompida. ainda que pública. o programa “Terra Legal” pode ser amplamente divulgado como um grande balcão de especulação imobiliária. já é possível “legalizar” a grande posse. objetos de contratos resolúveis ou ilegalmente tomadas pela grilagem de terras. outra face da moeda do latifúndio. praça de ‘negócios da China’ e mercado de especuladores internacionais.Assim. fosse tal iniciativa. fez a nítida opção de regularizar.952/2009. envolvendo perto de 6 mil famílias de trabalhadores/as rurais.aviltando as conquistas e as garantias constitucionais. para que. a chamada Lei de regularização Fundiária da Amazônia10. este século. começaram a levantar e estudar a possibilidade de retomar as terras públicas. que lhe sugam as riquezas. seja institucionalizada ou não. vai criar o Programa Terra legal. por um Estado. vive nela mas não a possui. algo só visto na história do Brasil. terras ilegalmente havidas. as ocupações de 400 a 1. A violência. pela lei.8% dos imóveis requeridos) correspondiam a 60% do total da área requerida. autorizava o governo a vender as terras públicas e devolutas.500 hectares (17. na Amazônia legal. oriundas de contratos viciados ou inadimplentes. de controle da grilagem das terras públicas e ao mesmo tempo forma de arrecadar terras para um audacioso programa de reforma agrária na Amazônia.2. (Obra citada). no entanto cria-se o posseiro. E. o Estado brasileiro. através da célere aprovação da MP/458 convertida em Lei nº 11. um grupo de novos Procuradores da Advocacia Geral da União ligados à Procuradoria Especializada do INCRA. legitimar tal processo. criando os primeiros sem-terras. a possibilidade de uma política fundiária que pudesse corrigir um problema histórico. Duas coisas estavam garantidas: os pobres não poderiam ocupar as terras. 10 A citada Lei. Tal Programa publicou relatório em setembro de 2009. 11 De acordo com os dados da Comissão Pastoral da Terra (Goiânia). E assim. em ‘colônia de banqueiros’. para não ser pouco. o “Brasil de papel” poderia enfim libertar os seu escravos. E não tem sido diferente nos dias atuais. A MP 458 e a legitimação da grilagem No início dos anos 2000. Quando se abriu a possibilidade constitucional de retomar ou reverter extensas áreas.

beneficiando interesses particulares. é possível antever diversos parâmetros adotados ou assumidos. é palco. Em sua rota de efetivação. E em muitos aspectos o personagem principal e ao mesmo tempo diretor. o Estado não é platéia.00 hectares de terras devolutas. principalmente quando demandado pelos segmentos sociais organizados. fartamente exposta na lição de Alberto Passos GUIMARÃES (1989). a dirigir toda uma prática governamental de benefício e legitimação de grandes interesses na questão da ocupação das terras. desmatamento e degradação do meio ambiente.3. por aquilo que programou e por aquilo que se omitiu.Tal decreto. conflitos pela posse da terra.1. este Projeto busca analisar as políticas oficiais. A violência contra a ocupação e a posse teve 26 ocorrências atingindo 5. institui um novo direito de propriedade. entre outros sinais. o papel do Estado brasileiro e a recusa em se servir das possibilidades constitucionais e assim implementar uma efetiva política de organização fundiária e reforma agrária na região. .843. assim como a nova lei de regularização fundiária. Portanto. há em Rondônia 508. oriunda desde o período colonial. no caso específico de Rondônia. Os valores democráticos. preconizados na Constituição Federal não alcançam o campo brasileiro. 3.866. Numa visão prévia. OBJETIVOS 3. 2. Uma vez mais desperdiça-se a oportunidade de superar o maior e mais remitente dos anacronismos da estrutura social brasileira. firmou-se também como uma substituição programada e financiada de um modelo ou política de reforma agrária que tinha como objetivo a agricultura familiar para uma proposta de reforma imobiliária. responsável pelo atraso econômico e pela exclusão da cidadania de milhões de brasileiros. Qual é. Ariovaldo Umbelino Oliveira (1988). Objetivo geral da pesquisa escravo denunciadas com 74 trabalhadores libertos. republicanos. Destas. Neste cenário. enfim. tal prática dirigida de colonização.123 famílias. A efetivação de tais programas. o papel do Estado? O cenário deste Projeto de pesquisa é a realidade da ocupação da Amazônia. sob a luz da questão fundiária/agrária. 87 foram despejadas e 98 ameaçadas de despejo. pensado de modo a garantir o poder a quem sempre o teve. os marcos jurídicos estabelecidos. originariamente estabelecidos. Mantémse imutável a estrutura fundiária no País. indicam por sua vez o reverso desta realidade: o genocídio indígena. Conforme o mesmo relatório.

é importante destacar que esta proposta de pesquisa consiste também em uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre a Amazônia Brasileira sob o ponto de vista da ciência jurídica. que dispõe sobre a regularização fundiária das ocupações incidentes em terras da União. e mais especificamente. na Amazônia legal chegando à Lei nº 11. 4 . seja pelo potencial dos movimentos sociais organizados em torno da luta por direitos.2. que passou ao largo do debate público. 1º ao 4º da Constituição Federal.952/2009. Objetivos específicos • Conhecer e analisar.Através da análise dos dispositivos constitucionais relativos aos bens públicos. 3. seja pela especulação em torno de suas riquezas. muitas vezes titulando e tutelando acordo de gabinetes. • Investigar se há uma linha de continuidade jurídica entre as várias Instruções Normativas da Autarquia federal encarregada de gerir e regular procedimentos fundiários (INCRA). pela cobiça internacional e por tantos outros motivos. especialmente a política fundiária/agrária no caso específico do projeto de colonização de Rondônia.666/93). a Amazônia. Rondônia. de maneira transversal e multidisciplinar. altera sorrateiramente a Lei de Licitações (Lei nº 8. traduzindo-se enfim numa verdadeira efetivação de programa de especulação imobiliária e grilagem.JUSTIFICATIVAS Antes que as justificativas deste projeto de pesquisa sejam apresentadas. por natureza. as políticas públicas constitucionais possíveis de concretizar uma legítima e democrática política agrária e fundiária e que foram negadas ou revogadas por programas e políticas anti-cidadãs excludentes.12 • Examinar e buscar formalizar uma hipótese sobre o papel do Estado (intervenção/controle) na aplicação da política agrária no caso específico de Rondônia. . passando pela MP 458/2009. seja pela intensidade do processo de acumulação capitalista em curso. direito e função social da propriedade. Considerada uma região estratégica. Princípios fundamentais (Art. pretendendo compreender a correlação entre o mesmo Estado e a concepção do latifúndio agroexportador na Amazônia e no caso concreto de Rondônia. 12 Tal lei consiste numa verdadeira proposta de apropriação ilegal de terras públicas. objetiva-se verificar os critérios de efetividade dos direitos sociais e econômicos frente à precariedade das políticas implementadas pelo Estado brasileiro. Este processo.

estudar e analisar a participação e intervenção do Estado. vai inexoravelmente. muitas vezes “encomendada” com o fim somente de proteção à interesses de grandes grupos. recomenda valor não ao título. Estado este que não pode sucumbir mediante uma legislação patrimonialista. Tal Estado. produzido de modo a respeitar as especificidades regionais de seus processos sociais. uma releitura dos estatutos civis e uma abordagem mais funcionalista do Estado e da Administração. A compreensão de tais processos sob o crivo do debate jurídico se faz urgente. à escritura. este projeto justifica-se pelo contexto atual. justifica-se o fio condutor de tal Projeto. Tais filtros principiológicos entre outros. Embora limitado. tem potencial não só de qualificar um possível processo de consciência individual ou coletiva. proporciona e assume um verdadeiro espetáculo de regularização de ilegalidades. suas responsabilidades sociais e sua legitimação. nos direcionariam para uma releitura da função do Estado sob os parâmetros constitucionais. têm sido secularmente um instrumental para assegurar alguma forma de poder e torná-lo legítimo. os subterfúgios transformados em normativos procedimentos. antes de tudo. como fonte principal do Direito.ainda carece de atenção sistemática no campo do conhecimento científico. quando. nesta leitura preambular. Este Direito novo. A questão central é então. este olhar acadêmico sobre uma realidade até agora descuidada do rigor científico. poderá subsidiar a opinião pública com outros tipos de informação e colaborar no avanço do processo democrático e de construção da cidadania. como também de oferecer contribuições para uma atuação tanto técnica quanto de apoio aos diferentes segmentos sociais envolvidos. afinal. mas ao fato social. A busca por parâmetros que ajudem a entender esta realidade. Do ponto de vista da ciência jurídica. de seus instrumentais de controle/permissão de políticas que não só motivam como também legitimam a adoção de práticas políticas sobre a questão das terras no Brasil. a fim de que se efetive concretamente um Estado democrático de Direito e de concretização de direitos. em que há uma reflexão diferenciada. resgatar. o registro. Assim. principalmente neste cenário fundiário/agrário. com a possibilidade de uma releitura contextualizada. vinculado aos interesses da cidadania e de uma autêntica democracia. refletir a força do mais forte. o próprio Direito e não a lei abstrata. em investigar. . incluindo aqueles problematizados neste projeto de pesquisa. “age por omissão”. que em uma sociedade de classes. buscando a constitucionalização da norma.

Justifica-se ainda. afetados pelo processo. relacionada ao processo de Colonização no Estado de Rondônia. para que. Consultas às Unidades do INCRA e outros acervos históricos.1 – Pesquisa documental Levantamento de toda documentação possível de ser encontrada em Órgãos governamentais. Há também a necessidade de visitar áreas em disputa hoje. Levantamento também junto à Advocacia Geral da União e Procuradoria Especializada do INCRA. seja no âmbito da discussão jurídica.Procedimentos de Pesquisa 5. num debate teórico mais aprofundado. possa servir de instrumental propositivo à contestação e insurgência contra tais posturas. relatórios e outros documentos. além de levantamento Cartorial. principalmente aqueles que tratam de assuntos ligados aos processos de colonização na Amazônia. 5. entrevistas com estudiosos do assunto e antigos funcionários do INCRA. CIMI. seja na assessoria aos segmentos sociais. Consulta a arquivos. e recolhimento de noticias. 5 – LINHA DE PESQUISA . nos Cartórios de registros de imóveis das antigas Comarcas do Estado. lideranças. buscando e ouvindo os envolvidos no outro lado da questão: moradores antigos. Muitos destes documentos já foram localizados e copiados. CPT. debate doutrinário-jurídico e correlação com os grandes projetos em curso para a região amazônica. entre outros. 5.2 – Pesquisa bibliográfica Leitura de material relevante para a pesquisa.3 – Pesquisa de Campo A reunião dos assuntos relacionados aos processos e projetos de colonização será feita a partir de conversas. Interlocutores desta fase serão também os segmentos e movimentos sociais que hoje possuem uma leitura ou releitura desta abordagem fundiária/agrária no Estado: MST. sobre o rumo da atual demanda de reversão e retomada de terras públicas e interação aplicativa com os novos dispositivos legais. O mesmo método será utilizado. tentando assim construir uma memória desse processo. dos impactos e resultados de tais projetos. técnicos e Superintendentes. populações indígenas atingidas. relacionado ao tema da pesquisa. pelo fato de investigar as possibilidades. as lacunas de tais procedimentos. materiais antigos sobre o assunto. que foram objeto de processos de licitação e que hoje encontram-se ocupadas por pequenos posseiros que muitas .

BUAINAIM. Também. em 27. 3 ed. BASSEGIO. Rondônia: A trajetória da ilusão”.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALFONSIN. “O Direito de Propriedade e o “Novo” Código Civil”.11. “Do País Constitucional ao País Neocolonial”. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. Luiz & Francinete Perdigão.2004. BONAVIDES.comciencia. São Paulo: LTr. Jacques Távora. São Paulo: Edições Loyola. Antônio Márcio e SULVEIRA..br/reportagens/agr13. 2003. e ainda outros contatos e assuntos que possam surgir. “Reforma Agrária: mercado versus desapropriação ou mercado e desapropriação”. “O Acesso à terra como conteúdo de Direitos Humanos fundamentais à alimentação e à moradia”. BARBOSA. Adilson e GONÇALO. http://www. 2001. São Paulo: Malheiros. CRONOGRAMA DE TRABALHO (PROVISÓRIO) 2011 2012 1º semestre 2º semestre 3º semestre 4º semestre Etapas Disciplinas Revisão bibliográfica Pesquisa documental Pesquisa de Campo Exame de Qualificação Redação da Dissertação Defesa 7 .vezes enfrentam processos judiciais. 1980. A Propriedade Imobiliária Rural”. 6. José Maria. recolhimento de dados e informações da atual demanda junto às Comarcas onde tramitam tais questões. ALMEIDA. Paulo Guilherme de. 2004. José. Apostila. Paulo. Assessoria Técnica da Liderança da Bancada na Câmara dos Deputados. “Direito Agrário. 1992. . Brasília. “Migrantes Amazônicos. Partido dos Trabalhadores.

Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. São Paulo: Interpretação e Crítica. B. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Em busca do eldorado: um ambicioso programa agrícola dá novo impulso à BR 364”. D’ARAÚJO. 1968. “POLONOROESTE. Luis Edson. Erouths Cortiano. MESQUITA. Rondônia/Brasil/1995. GRAU. nº. A. 1979. Novembro/Dezembro de 1983. “Direito Constitucional”.raco. 1988. Octavio.cat/index. OLIVEIRA. Scripta Nova: revista electrónica de geografía y ciencias sociales.Curitiba. “Ditadura e agricultura. IN: DIEGUES. “A Ordem econômica na Constituição de 1988”. in Revista Interior. “A cidade nuclear e o Direito periférico (reflexões sobre a propriedade urbana)”. Corumbiara: o massacre dos camponeses. Campinas: Papirus. ano X. Desmatamento e modos de vida na Amazônia. Helena A. José Joaquim Gomes. São Paulo: RT. JUNIOR. O Discurso proprietário e suas rupturas. Fernando. Alberto Passos. . 1999.(org). 53. Ano: 2002 Vol.C. 2001. “Quatro Séculos de Latifúndio”. O desenvolvimento do capitalismo na Amazônia: 19641978”.C. Coimbra: Livraria Almedina. IANNI. M. Rio de Janeiro: 1992.: 6. FACHIN.php/scriptanova/article/viewArticle/59082/0 MILIKAN. 5 ed. A experiência contemporânea da fronteira agrícola e o desmatamento em Rondônia. São Paulo/SP: NEPAUB. Revista Brasileira de Ciências Sociais. http://www. 2001).CANOTILHO. Eros Roberto. 1992. “Integrar para não Entregar: Políticas Públicas na Amazônia”. PINTO. 1990. (Tese apresentada na UFPR. nº 19. 1996. GUIMARÃES. Amazônia e desenvolvimento à luz das políticas governamentais: a experiência dos anos 50. Ariovaldo Umbelino.

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