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Virginia

Virginia

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Publicado porDagomir Marquezi
Fotonovela produzida por Dagomir Marquezi, Flavio Del Carlo e Lu Gomes para a Editora Três em meados da década de 1980.
Fotonovela produzida por Dagomir Marquezi, Flavio Del Carlo e Lu Gomes para a Editora Três em meados da década de 1980.

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Published by: Dagomir Marquezi on May 07, 2011
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Prefácio à edição digital

Virgínia foi um dos muitos trabalhos realizados por um grupo de amigos criativos no início dos anos 1980. Ninguém ali tinha muita responsabilidade, nem família para sustentar, muito pelo contrário: a gente ainda era parcialmente sustentado pelos nossos pais. Eu, pessoalmente tinha uns 27 anos e graças ao apoio e parceria desses amigos artistas estava vivendo uma fase de grande produção cultural. E a gente ainda organizava, modéstia à parte, as melhores festas da cidade Na editora Três essa gangue de escritores, cineastas, desenhistas e músicos encontrou o apoio total de uma dupla de editores: Leonel Prata e Ana Torregros. Graças aos dois, eu escrevi matérias jornalísticas, folhetins policiais, quadrinhos para revistas editadas por Leonel e Ana. Faltava uma boa fotonovela. O roteiro foi escrito por mim e pelo meu parceiro Lu Gomes. A história tinha que ser erótica sem ser pornográfica. Seguimos o caminho da menina-inocente-vítima-demalfeitores-tarado. Haviam duas influências diretas nesse argumento. Uma era a série em quadrinhos Paulette, de Georges Pichard e Wolinski. A outra era o filme Candy escrito por Buck Henry e dirigido por Christian Marquand em 1968. (Filme por sua vez inspirado no clássico Candide, de Voltaire). À revista seria destinada, é claro, a leitores de pouca sofisticação cultural. Pronta a revistinha, o dono da editora criticou sua “falta de erotismo”. Pois nós, que realizamos Virgínia, sempre tivemos o maior orgulho de nosso trabalho. Pode não ter sido tão “erótico”, mas poucas fotonovelas brasileiras tiveram tanto cuidado na sua criação e na produção.

A maior parte da responsabilidade pelo bom trabalho caiu em duas pessoas. Uma delas foi o diretor Flávio Del Carlo, o cineasta premiado em Gramado e conhecido especialmente pelos seus curtas em animação. Del Carlo garantiu a cada página de Virgínia um grande capricho visual. Sempre me impressionou a cena da página 45 (os casais fugindo na lua cheia) pelo trabalho que deu. Naquele tempo não havia computador nem Photoshop. Era tudo analógico e precário, feito na mão. O outro responsável pela foi Lu Gomes, não só co-autor do roteiro como diagramador, diretor de arte da fotonovela e letrista dos balõezinhos. O produtor Pedro Vieira garantiu tudo o que era necessário incluindo a convocação de atrizes para personagens secundários, como Maristela Moreno. Outro destaque vai para o elenco. Não me lembro exatamente como a protagonista Danielle Ferrite foi escolhida, e nunca mais tivemos notícias dela - a não ser alguns registros de participação em filmes eróticos brasileiros. Danielle tinha o jeito certo para o papel – o ar de inocência, o corpo discreto de ninfeta. Foi muito profissional durante todo o trabalho. Ainda no elenco: Inácio Zatz é ao mesmo tempo artista plástico, cineasta e musico e faz tudo isso muito bem. Em Virgínia fez seu papel favorito, o de um cafajeste chamado Rodolfo Real, um picareta “descobridor de talentos”. Adilson Nunes, o “doutor Epaminondas Gegê”, alguns anos depois mudou-se para Paris onde virou locutor da Radio France International. Flávio de Souza é outro casting perfeito, como o chofer e herói Jaime Francisco. Flávio se tornou dramatugo e roteirista das TVs Cultura e Globo. Eu também realizei um velho sonho ao assumir o papel do corcunda Boris, o repugnante auxiliar do doutor Epaminondas. Sempre gostei de filmes baratos de terror. Boris tem muito a ver com Igor do filme Jovem Frankenstein. Uma nota importante: esta é uma edição digital “facsímile”. Ela reflete a precariedade da edição impressa pela editora Três. Não passou por nenhum grande processo de correção gráfica. Um dia, quem sabe, teremos uma versão “remasterizada” de Virgínia. Aqui vão algumas notas específicas sobre cada página. Encare como os “extras” de um DVD: 4 Virginia lê escrito por endereço da “república” hoje guardo uma revista Homem. O anúncio à esquerda foi mim e pelo Lu Gomes e desenhado por ele. O suposta “Academia Real” é na verdade o de nossa na época, no bairro do Sumaré, São Paulo. Até o original. À direita está meu folhetim

policial O Caso do Lobisomem Libidinoso, estrelado pelo detetive Castro. 7 O ônibus foi cedido pela Samar Turismo e o motorista é real. O passageiro ao lado de Virginia em participação especial é Lu Gomes, o co-roteirista e diretor de arte. 8 Este sobrado decadente que passa por pensão fica (ou ficava!) no bairro do Bexiga. 13 No quadrinho do meio, dando uma olhada para Virgínia e vestindo uma camiseta do Zappa Clube está Flávio Del Carlo, o diretor da fotonovela em momento Hitchcock. 14 Inácio Zatz mostra seus belos óculos Elvis-fim-de-carreira. Ao fundo é possível ver um diploma da Fundação Armando Álvares Penteado, onde a maioria de nós de formou. Acima do ombro esquerdo de Inácio está uma foto de outra fotonovela produzida por nós que nunca foi terminada, “Jô Jonas”. 21 e 22 A cena foi fotografada num dos corredores da editora Três. Tirando Adilson Nunes (como o professor Epaminondas) todos os outros “fãs” de Virgínia são funcionários da editora. 30 a 33 e 42/43 O quarto de Virginia foi fotografado no apartamento dos pais do diretor Flávio Del Carlo, Thiers e Neide, na avenida Nove de Julho. 35 O “excitador cósmico” entre as pernas de Virginia foi criado por Flávio Del Carlo com papelão, papel celofane e outros materiais muito básicos. 47 Essa externa demorou horas para ser realizada. A equipe de produção “tomou conta” de uma vila em Higienópolis, perto da FAAP. Demorou muito para que a lua cheia estivesse livre de nuvens. 53 Apesar do “fim”, a idéia era realizar o segundo capítulo no Rio de Janeiro. A gente não tinha nenhuma idéia do que aconteceria, mas basicamente Virgínia tentaria (com ajuda de Jaime Francisco) uma chance na rede Globo. E o professor Epaminondas continuaria na sua caça com ajuda de

Boris. Mas o fracasso do lançamento da revista acabou com a chance de continuação.
Dagomir Marquezi São Paulo 28/4/2011 18:00:12

A fotinho da equipe inclui da esquerda para a direita: Dagomir Marquezi, Mara Abreu (namorada do diretor e colaboradora), Betinha (produtora, não creditada), Flávio Del Carlo (diretor), Neneco (maquiador), um elemento não identificado, Adilson Nunes, Françoise (mulher de Adilson e colaboradora), Inácio Zatz e Lu Gomes.

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Edição Digital: Dagomir Marquezi

© 2009

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