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Gálatas

Gálatas

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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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INTRODUÇÃO

GÁLATAS
Autoria Com exceção de poucos teólogos do século XIX, desde sua introdução ao cânon, a carta ou livro de Gálatas é atribuída à autoria do apóstolo Paulo, como fica claro no versículo que abre a obra (1.1). Na época em q essa epístola foi escrita, a expressão Galácia era usada normalmente em dois p que p , p sentidos: geográfico e político. No primeiro sentido, referia-se à parte centro-norte da Ásia Menor, ao norte das cidades de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe; no segundo, tinha a ver com a organização da província, por volta do ano 25 a.C., e que incluía essas cidades e mais alguns distritos ao sul, sob o comando geral e absoluto do Império Romano. Propósitos O grande propósito de Paulo ao escrever esse tratado foi instruir os cristãos da região da Galácia sobre a justificação exclusiva e absoluta em Jesus Cristo, o Messias e Filho de Deus. Os mestres cristãos judaizantes tinham procurado convencer os gálatas a se revoltarem contra Paulo e seus ensinos e os estavam orientando a praticar todos os principais rituais da lei, pois, como eram gentios, tinham que ser circuncidados (5.2 – 6.12-15) e, segundo esses mestres, deviam também viver um cristianismo baseado nas ordenanças e na tradição judaica, a fim de serem salvos (4.10). Os judaizantes eram cristãos judeus que não conseguiam compreender a nova realidade da salvação pela graça de crer no sacrifício único, suficiente e vicário do Senhor Jesus. Eles criam que Jesus era o Messias prometido, mas também acreditavam no dever de cumprir as ordenanças mosaicas e, especialmente, todos os cerimoniais. Logo após a cruzada missionária de Paulo na Galácia, os judaizantes recrudesceram quanto ao legalismo teológico, por influência e receio de serem perseguidos pelos judeus zelotes. E começaram a obrigar os gentios, novos convertidos ao cristianismo, a passar também pelos ritos de circuncisão, acepção de alimentos, guarda do sábado, demais dias sagrados etc. (6.12). Os judaizantes iam além e procuravam difamar a pessoa e o ministério de Paulo, alegando que o apóstolo não era um genuíno membro do grupo original dos primeiros discípulos de Cristo, e que havia suavizado as ordenanças de Deus, a fim de tornar sua mensagem e doutrina mais atraentes aos gentios. Paulo vindica a sua plena autoridade apostólica e condena os ensinos dos judaizantes como legalismo anticristão. Os crentes em Jesus Cristo, quer judeus ou gentios (povos de todas as etnias e culturas), conforme a doutrina paulina, desfrutam em Cristo da absoluta e eterna salvação, porquanto foram justificados (3.6-9), adotados (4.4-7), renovados (4.6; 6.15) e transformados em plenos herdeiros de Deus, segundo as próprias promessas da aliança abraâmica (3.15-18). Portanto, a fé no sacrifício e no culto do Cristo na Cruz nos liberta para sempre da necessidade de buscar justificação e salvação mediante as obras e, especialmente, por meio do cumprimento de rituais e datas cerimoniais. Essa busca se torna destituída de poder visto que a Lei não produz salvação, mas morte (3.10-12), porquanto não fora criada com propósito salvífico (3.19-24). Confiar apenas nas obras e na Lei, com o fim de ser salvo, nos conduz à mesma escravidão sob a qual vive o povo judeu que ainda não recebeu a Cristo, como Salvador e Senhor de suas vidas (4.21-24). Por essa razão, os crentes não devem procurar voltar às tradições judaicas, ao cumprimento das exigências de leis religiosas como base de segurança para sua salvação, porquanto, agindo erroneamente dessa forma, estarão perigosamente submetendo suas vidas a uma escravidão da qual já fomos libertos por Jesus Cristo (5.1-4). Os cristãos devem, isso sim, depositar plena fé e segurança na liberdade que Cristo nos outorgou, servindo a Deus e aos semelhantes mediante o poder do Espírito de Deus, como novos seres humanos, livres em Cristo (5.13-18) e, assim, cumprindo com júbilo espiritual a vontade do nosso Salvador (6.2).

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Data da primeira publicação ç Certamente, essa carta de Paulo aos Gálatas começou a circular entre os cristãos por volta dos anos 48 e 58 d.C. Contudo, ainda não há evidências mais precisas, pois o estabelecimento exato da data depende do p p primeiro destino da carta. Os p primeiros estudiosos afirmavam q Paulo que havia enviado esta epístola de Éfeso, entre os anos de 53 e 57 d.C., endereçando-a p p , , ç primeiro às igrejas localizadas no centro-norte da Ásia Menor (Pessino, Ancira e Távio). Outros historiadores acreditam que Gálatas foi escrita preferencialmente às igrejas fundadas pelo apóstolo em sua primeira viagem missionária, na região sul da província romana da Galácia (Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe). Alguns, ainda, defendem que essa carta teria sido escrita em Antioquia da Síria ou Corinto, por volta do ano 50 d.C, depois dessa primeira viagem, mas antes da reunião do Concílio de Jerusalém (At 15). Esboço geral de Gálatas 1. Saudação de Paulo, apóstolo de Cristo, aos Gálatas (1.1-5) 2. Paulo procura trazer as ovelhas do Senhor de volta ao bom aprisco (1.6-9) 3. A plena autoridade apostólica de Paulo e sua idoneidade (1.10 – 2.21) A. Paulo só pregava o Evangelho que Cristo lhe revelara (1.10-24) B. A mensagem de Paulo reconhecida pelos demais apóstolos (2.1-10) C. Paulo, sob o poder do Espírito, repreende a Pedro (2.11-21) 4. Como ser salvo após a vinda e obra de Jesus Cristo, o Messias? (3.1-4.31) A. A salvação é só pela fé em Cristo, não por meio de obras (3.1-14) B. A salvação em Cristo é pela Promessa, não fruto da Lei (3.15-22) C. Todos os crentes são promovidos a filhos de Deus (3.23 – 4.7) D. Paulo suplica aos crentes para que tenham bom senso (4.1-7) E. Não há inteligência nem fé em voltar à escravização (4.8-11) F. Por que se revoltar contra o apóstolo do Senhor? (4.12-20) G. Confiar só na Lei é voltar a ser escravo do pecado (4.21-31) 5. O caminho da verdade e da plena liberdade (5.1 – 6.18) A. Não sacrificar a boa liberdade pela algema do legalismo (5.1-12) B. Liberdade não é libertinagem ou falta de disciplina (5.13-26) C. A verdadeira liberdade é o serviço cristão dedicado (6.1-10) D. A vida cristã é feita de sacrifícios voluntários por Jesus (6.11-18)

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Saudação apostólica Paulo apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de qualquer ser humano, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos,1 2 e todos os irmãos que estão em minha companhia, às igrejas da Galácia:2 3 A todos vós, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo, 4 que se entregou voluntariamente pelos nossos pecados, a fim de nos resgatar deste atual e perverso sistema mundial, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, 5 a quem seja toda a glória pelos séculos dos séculos. Amém!3

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anjo dos céus vos anuncie um evangelho diferente do que já vos pregamos, seja considerado maldito! 9 Conforme já vos revelei antes, declaro uma vez mais: qualquer pessoa que vos pregar um evangelho diferente daquele que já recebestes, seja amaldiçoado! 10 Porventura, procuro eu agora o louvor dos homens ou aprovação de Deus? Ou estou tentando ser apenas agradável às pessoas? Se ainda estivesse buscando agradar a homens, não seria servo de Cristo!4 Paulo foi convocado por Cristo 11 Caros irmãos, quero que saibais que o Evangelho por mim ensinado não é de origem humana. 12 Porquanto, não o recebi de pessoa alguma nem me foi doutrinado; ao contrário, eu o recebi diretamente de Jesus Cristo por revelação; 13 pois já ouvistes como fora o meu procedimento no judaísmo, como persegui violentamente a Igreja de Deus, procurando destrui-la.5

Só há um Evangelho 6 Estou chocado de que estejais vos desviando tão depressa daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho, 7 que na verdade, não é o Evangelho. O que acontece é que algumas pessoas vos estão confundindo, com o objetivo de corromper o Evangelho de Cristo. 8 Contudo, ainda que nós ou mesmo um

1 Paulo defendia sua convocação apostólica, especialmente contra os judaizantes (v.7), que questionavam sua chamada ministerial - como missionário e mensageiro de Cristo – devido ao fato de ele não pertencer ao primeiro grupo apostólico que caminhou com Jesus pelas terras da Palestina. Por isso, fazia questão de apresentar suas credenciais: chamado por Cristo para ser seu embaixador em missões evangelísticas (1Co 1.1; At 9.1; Fp 3.4-14). A ressurreição de Jesus é a afirmação mais importante da fé cristã. E, como Paulo havia visto o Cristo ressurreto, e recebido dele a delegação missionária e o poder espiritual para ministrar, tinha as qualificações necessárias para exercer o apostolado (At 1.22; 2.32; 17.18; Rm 1.4; 1Co 15. 8,20; 1Pe 1.3). 2 Essa era uma carta circular dirigida a várias igrejas para instrução e edificação do povo de Deus. Paulo se refere aqui à província romana da Galácia, região ao sul da Ásia Menor, incluindo as igrejas de Antioquia, Listra e Derbe, lugares que percorreu em sua primeira viagem missionária (At 13.14 – 14.23). 3 Paulo reafirma o cerne do Evangelho: a morte expiatória de Cristo em nosso lugar, cujo poder nos tira das garras desse sistema mundial corrupto e corruptor, e nos posiciona no Reino de Deus (Cl 1.13; 1Pe 2.24). O atual período da história mundial é marcado pela iniqüidade, ao contrário da era do porvir (o momento mais importante da era messiânica) que, em breve, chegará de forma repentina (2Co 4.4; Ef 2.2; 6.12). 4 Se simplesmente preferisse agradar a sua família, mestres e amigos, Paulo não teria pago um preço tão alto por abandonar as amarras da tradição judaica e rabínica em função da liberdade em Cristo. Nesta vida, sempre seremos servos de um de dois senhores (Mt 6.24; 1Ts 2.4). Paulo, no passado, carregava o “jugo da escravidão” (5.1), mas, uma vez tendo sido liberto do poder do pecado pela redenção que há em Cristo, passou a ser escravo da justiça, servo (no original grego doulos) de Deus (Rm 6.18,22). 5 O judaísmo é a fé e o modo de vida do povo israelita desenvolvido durante os séculos que separaram AT do NT, chamado também de período interbíblico. Até hoje, nacionalidade, língua, religião e política são partes indissociáveis da vida de um judeu fiel em qualquer parte do mundo. O termo é derivado de Judá, o reino do Sul que se extinguiu por volta do séc. 6 a.C. com o exílio na Babilônia (onde hoje se situa o Iraque). A Igreja de Deus no NT equivale à Assembléia do AT (Nm 16.21), à comunidade do Senhor (Nm 20.4).

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E, no judaísmo, eu superava a maioria dos judeus da minha idade, e agia com extremo zelo em relação às tradições dos meus antepassados. 15 Todavia, Deus me separou desde o ventre de minha mãe e me chamou por sua graça. Quando, então, foi do seu agrado, 16 revelar o seu Filho em mim, para que eu o proclamasse entre os nãojudeus, parti imediatamente e não pedi orientação a pessoa alguma.6 17 Nem mesmo subi a Jerusalém para me aconselhar com os que já eram apóstolos antes de mim, mas sem me deter, segui rapidamente para a Arábia e depois retornei a Damasco.7 18 Passados três anos, subi a Jerusalém a fim de conhecer Pedro pessoalmente, e estive com ele durante quinze dias.8 19 Não vi nenhum dos outros apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor.9 20 Sobre tudo quanto vos escrevo, afirmo diante de Deus que não há qualquer palavra mentirosa de minha parte. 21 Em seguida, fui para as regiões da Síria e da Cilícia.10 22 E, até então, não era conhecido pessoalmente pelas igrejas de Cristo na Judéia. 23 Eles apenas haviam ouvido a notícia: “Aquele que antes nos perseguia, agora
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está proclamando a mesma fé que outrora procurava destruir”. 24 E louvavam a Deus por minha causa. Tiago, Pedro e João confirmam o apostolado de Paulo Passados catorze anos, subi uma vez mais a Jerusalém, e, nessa ocasião, em companhia de Barnabé e levando também Tito comigo.1 2 Rumei para lá por causa de uma revelação, e apresentei diante deles o Evangelho que ensino entre os gentios, fazendo-o, no entanto, em particular aos que pareciam mais influentes, para que de algum modo não corresse ou não houvesse me esforçado inutilmente. 3 Mas nem mesmo Tito, que estava em minha companhia, foi obrigado a circuncidar-se, muito embora fosse grego. 4 Essa questão foi suscitada devido ao fato de alguns falsos irmãos judeus terem se infiltrado em nosso meio, com o propósito de espionar a liberdade que temos em Cristo Jesus e nos reduzir à condição de escravos.2 5 Contudo, nem por um momento cedemos, ou nos submetemos a eles para que a verdade do Evangelho permanecesse convosco.

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6 O vocábulo original “gentios” significa literalmente “povos” ou “nações”, no entanto, comumente seu sentido designava “estrangeiros” e, portanto, “pagãos” (não adeptos da religião judaica) ou “sem fé em Deus”. A expressão “pessoa alguma” pode ser traduzida literalmente por “carne e sangue”, que no NT sempre se refere a “fraqueza e ignorância humanas” (Mt 16.17; 1Co 15.50; Ef 6.12). 7 Jerusalém sempre foi o centro religioso do judaísmo e o berço cultural do cristianismo. Paulo lembra que assim que recebeu a conversão e o chamado missionário, partiu para pregar nas regiões da Arábia, dominada pelo rei Aretas, no reino nabateu da Transjordânia, que se estendia de Damasco ao Suez, a sudoeste. Damasco foi a antiga capital da Síria (chamada de Ará no AT). Paulo foi convertido por Cristo na estrada que ligava Jerusalém a Damasco (At 9.1-9). 8 Esta visita corresponde à mencionada por Lucas em At 9.26-30. O nome grego Petros “Pedro” é baseado na tradução do nome aramaico Kepha “Cefas”, que significa “pedra” ou “rocha”. Tal nome designa uma das qualidades do seu portador (Mt 16.18; Jo 1.42). 9 Tiago foi um dos filhos de Maria e José, e portanto, irmão de Jesus (Tg 1.1). Foi também líder dos presbíteros da Igreja do Senhor em Jerusalém (At 21.18; Lc 8.19). 10 A Cilícia, nessa época, estava anexada à Síria e sob o domínio do império romano. A principal cidade da Cilícia era Tarso, onde Paulo nasceu e foi criado, e agora lhes anunciava o Evangelho de Cristo (At 9.30). Capítulo 2 1 Depois de catorze anos de sua conversão, Paulo tem seu segundo encontro com Pedro e os demais líderes do cristianismo da época. Dois irmãos e amigos acompanham o apóstolo nessa importante reunião: Barnabé, cujo nome significa “encorajador” ou “aquele que incentiva”. Seu primeiro nome era José, e era levita da ilha de Chipre (At 4.36). Foi grande companheiro de Paulo na primeira viagem missionária (At 13.1 – 14.28). Tito, por sua vez, era discípulo de Paulo e missionário em Corinto, mais tarde, enviado para Creta com o objetivo de liderar espiritualmente a Igreja que se reunia ali (Tt 1.5). 2 Paulo considerava “falsos” os judeus que haviam passado pelo batismo cristão, mas defendiam crenças judaizantes (At 15.1), isto é, eram legalistas militantes e queriam a todo custo implantar na Igreja todos os costumes e tradições rabínicas quanto à

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E aqueles que pareciam ser influentes, ainda que o tenham sido no passado, isso não faz diferença para mim, pois Deus não julga segundo as aparências humanas. Esses, que pareciam ser muito importantes, nada me acrescentaram. 7 Ao contrário, reconheceram que a mim havia sido confiada a proclamação do Evangelho aos incircuncisos, assim como a Pedro aos circuncisos.3 8 Porquanto Deus, que operou por meio de Pedro como apóstolo aos judeus; da mesma forma, operou por meu intermédio para o apostolado aos gentios. 9 E quando reconheceram a graça que me havia sido outorgada, Tiago, Pedro e João, respeitados como sustentáculos, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão fraternal. E, concordemente, ficou estabelecido que nós buscaríamos os não judeus, e eles, os circuncisos. 10 E nos recomendaram apenas que não nos esquecêssemos dos pobres, o que também tenho me esforçado por fazer.
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Paulo cobra coerência a Pedro 11 Quando, porém, Pedro chegou a Antioquia, eu o enfrentei face a face, por causa da sua atitude reprovável.4

Porque antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele fazia suas refeições na companhia dos gentios; todavia, quando eles chegaram, Pedro foi se afastando até se apartar dos incircuncisos, apenas por temor aos que defendiam a circuncisão. 13 E os outros judeus de igual modo se uniram a ele nessa atitude hipócrita, de modo que até mesmo Barnabé se deixou influenciar. 14 Contudo, assim que percebi que não estavam se portando de acordo com a verdade do Evangelho, repreendi a Pedro, diante de todos: “Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não conforme a tradição judaica, por que obrigas os gentios a viver como judeus? 15 Nós, judeus de nascimento e não ‘pecadores como os gentios’,5 16 estamos plenamente conscientes, entretanto, que o ser humano não pode ser justificado pela prática da Lei, mas somente por meio da fé em Jesus Cristo. Sendo assim, nós também viemos a crer em Cristo Jesus a fim de sermos justificados pela fé em Cristo, e de forma alguma pela prática da Lei, porquanto é certo que por praticar a Lei ninguém será capaz de ser justificado.6
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Lei de Moisés (At 15.5; 2Co 11.26), especialmente à circuncisão e às restrições alimentares. O termo original, aqui traduzido por “espionar”, consta da Septuaginta (tradução grega do AT), com o mesmo sentido militar de “observar um território para eventual ataque” (2Sm 10.3; 1Cr 19.3). Na carta aos Gálatas, a palavra “liberdade” e suas derivações são expressões fundamentais da teologia paulina sobre a vida diária do cristão (3.28; 4.22,23,26,30,31; 5.1,13). 3 Paulo tinha o hábito de se dirigir à sinagoga local sempre que chegava a uma nova cidade. Como Jesus (Mt 4.23), valia-se da tradição rabínica de, como mestre visitante, poder fazer uso da palavra, e pregava o Evangelho (At 13.5-14). Entretanto, sentia em seu coração um chamado especial para evangelizar os “gentios”; assim chamados pelos judeus, de sua época, todos quantos não haviam nascido ou se convertido ao judaísmo (Rm 11.13). 4 Pedro havia experimentado a plena liberdade que há na fé em Jesus Cristo, depois da visão que o Senhor lhe proporcionou em At 10.10-35. Começou a conviver sem preconceitos com os gentios em Antioquia (principal cidade da Síria e, juntamente com Roma e Alexandria, uma das mais importantes cidades do Império Romano, de onde Paulo partiu para suas viagens missionárias – At 13.1-3; 14.26) e desenvolveu grande e fraterna comunhão cristã com todos, participando alegremente das refeições em grupo e das festas evangélicas. Contudo, quando vieram os judaizantes de Jerusalém, Pedro, hipocritamente, deixou de seguir as orientações de convivência e fraternidade cristãs ministradas a ele pelo próprio Senhor. Pedro temeu a crítica dos líderes do partido dos legalistas circuncisos e procurou esconder-se para evitar constrangimentos. Paulo é usado por Deus para confrontar o pecado de um dos principais líderes da igreja cristã de sua época; seu amigo e irmão em Cristo, mas – como todos nós – um ser humano passível de ambigüidades e erros. Pedro jamais disse que era infalível (como pensam alguns teólogos). Ao contrário, até seus últimos anos defendeu, humildemente, a erudição e a autoridade espiritual de Paulo (2Pe 3.15-16). 5 Paulo apenas evoca o tradicional conceito que os judeus tinham em relação aos gentios. Do ponto de vista de um judeu fiel e consciente, todos os que não guardavam a Lei eram considerados “pecadores” (Mt 11.19; Mc 2.15-17; 14.41; Lc 15.1,2). Esse é o mesmo sentido da expressão no versículo 17. 6 Esse é um dos versículos-chave da epístola, cujo tema geral: “justificação” é revelado aqui pela primeira vez e comentado durante todo o decorrer da carta: ninguém pode ser justificado pela observância da Lei; somente por meio da fé em Cristo é

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Contudo, se buscando ser justificados em Cristo, descobrirmos que nós mesmos somos pecadores, será Cristo então ministro do pecado? De forma alguma! 18 Ora, se procuro reconstruir aquilo que já destruí, provo que sou transgressor. 19 Pois, por intermédio da Lei eu morri para a própria Lei, com o propósito de viver tão somente para Deus. 20 Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E essa nova vida que agora vivo no corpo, vivo-a exclusivamente pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim. 21 Não torno inútil a Graça de Deus; porquanto, se a justiça pudesse ser estabelecida pela Lei, então, Cristo teria morrido em vão!”7
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A fé em Cristo supera a Lei f p Ó gálatas insensatos! Quem vos enfeitiçou? Ora, não foi diante dos vossos olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?1 2 Quero tão-somente que me respondais: Foi por intermédio da prática da Lei que

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recebestes o Espírito Santo, ou pela fé naquilo que ouvistes? 3 Estais tão enlouquecidos assim, a ponto de, tendo começado pelo Espírito de Deus, estar desejando agora vos aperfeiçoar por meio do mero esforço humano?2 4 É possível que vos tenha sido inútil sofrer tudo o que sofrestes? Se é que isso foi por nada! 5 Aquele que vos dá o seu Espírito, e que realiza milagres entre vós, será que assim procede pelas obras da Lei, ou por meio da fé com a qual recebestes a Palavra? 6 Considerai, pois, o exemplo de Abraão: “Ele creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça”. 7 Estejais certos, portanto, de que os que são da fé, precisamente estes, é que são filhos de Abraão!3 8 E a Escritura, prevendo que Deus iria justificar os não-judeus pela fé, anunciou com antecedência as boas novas a Abraão: “Por teu intermédio, todas as nações serão abençoadas”.4 9 Desse modo, os que são da fé são abençoados juntamente com Abraão, homem que realmente creu.

possível receber e viver plenamente o dom da justificação. Paulo não deprecia a Lei do AT, mas argumenta contra usá-la como fundamento para nossa aceitação diante de Deus (Rm 7.12; 3.20-28; Fp 3.9). 7 O legalismo, ainda que amparado pela Lei, não pode ser misturado à teologia da Graça, sob pena de se distorcer o verdadeiro significado da Graça e fazer do maior evento da história da humanidade: a crucificação, morte e ressurreição de Jesus, o Cristo, apenas um ato incoerente e sem qualquer valor metafísico (5.24; 6.14; Rm 6.7-10; 7.4-6; 1Tm2.6; Tt 2.14). Capítulo 3 1 A expressão grega original, aqui traduzida por “insensatos”, não traz o sentido de qualquer limitação mental, mas a falta de juízo e de bom senso (Lc 24.25; Rm 1.14; 1Tm 6.9; Tt 3.3). O termo grego original, aqui traduzido por “enfeitiçou”, tem o sentido de “magia ou sedução maléfica”. Paulo também usa o verbo “exposto” da mesma forma que fora usado para comunicar a maneira como Moisés “expôs em público” a serpente de bronze (Nm 21.9; 1Co 23; 2.2). 2 Os gálatas haviam abraçado a fé em Cristo de uma maneira pura e sincera. No entanto, depois de algum tempo, influenciados pelos judaizantes, estavam criando e pregando regras e doutrinas baseadas na Lei, como forma de se alcançar maiores bênçãos de Deus. Paulo os alerta sobre essa tamanha falta de sabedoria, enfatizando que tanto a salvação quanto a santificação são obras do Espírito Santo (ao qual ele se refere 16 vezes em toda essa carta). Paulo usa literalmente a expressão grega “por meio da carne” para significar “a natural e inconseqüente fraqueza humana”. Buscar conquistar a justificação por meio do cumprimento de leis, rituais e boas obras, incluindo a circuncisão judaica, faz parte do caráter de todos os homens, mas é absolutamente inútil em relação à Salvação eterna e à verdadeira comunhão com Deus. 3 Deus fez de Abraão o pai biológico e espiritual de toda a raça judaica (Gn 15.6; Jo 8.33-53; At 7.2; Rm 4.12). Paulo enfatiza, entretanto, que todos os crentes sinceros (judeus e não-judeus) são chamados de filhos espirituais dele, e também são apresentados no NT como “descendentes” de Abraão (v.16; Hb 2.16). 4 Paulo personifica a Bíblia (...a Escritura, prevendo...) com o propósito de ressaltar a origem divina da Palavra de Deus (1Tm 5.18). Os judaizantes se valiam do texto bíblico de Gn 17 para afirmar que as bênçãos divinas foram prometidas somente a Abraão e aos seus filhos (Gn 12.3; 18.18; 22.18). Para ser incluído na linhagem de Abraão, era indispensável ser circuncidado. Paulo nega veementemente essa interpretação racista e obtusa da Palavra de Deus, declarando que o mais importante não é ser “filho na carne”, mas no Espírito, pela fé em Cristo (Rm 4.9-12; Hb 11.8-19).

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Pois todos os que são das obras da Lei estão debaixo de maldição. Porquanto está escrito: “Maldito todo aquele que não persiste em praticar todos os mandamentos escritos no Livro da Lei”.5 11 É, portanto, evidente que diante de Deus ninguém é capaz de ser justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé”. 12 A Lei não é fundamentada na fé; ao contrário, “quem praticar esses mandamentos, por eles viverá”. 13 Foi Cristo quem nos redimiu da maldição da Lei quando, a si próprio se tornou maldição em nosso lugar, pois como está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”.6 14 Isso aconteceu para que a bênção de Abraão chegasse também aos gentios em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos a promessa do Espírito Santo pela fé.
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A Lei e a graça da Promessa 15 Caros irmãos, eu vos falarei em termos simplesmente humanos. Assim, mesmo considerando que um testamento seja feito por mãos humanas, ninguém o poderá anular depois de haver sido ratificado, nem ao menos lhe acrescentar algo. 16 Desse mesmo modo, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não declara: “E aos seus descendentes”, como se referindo a muitos,

mas exclusivamente: “Ao seu descendente”, transmitindo a informação de que se trata de uma só pessoa, isto é, Cristo.7 17 Em outras palavras: A Lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não anula a aliança previamente estabelecida por Deus, de maneira que venha a invalidar a promessa.8 18 Porquanto, se a herança provém da Lei já não depende mais da promessa. Deus, entretanto, outorgou a herança gratuitamente a Abraão por intermédio da promessa. 19 Qual era, então, o propósito da Lei? Ora, a Lei foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o Descendente a quem se referia a Promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador. 20 Entretanto, o mediador não representa somente um, mas Deus é um só.9 21 Sendo assim, pode a Lei ser contrária às promessas de Deus? De forma alguma! Pois, se tivesse sido outorgada uma lei que pudesse conceder vida, com toda a certeza a justiça resultaria da lei. 22 Contudo, a Escritura colocou tudo debaixo do pecado, para que a promessa fosse concedida aos que crêem por meio da fé em Jesus Cristo. 23 Antes que essa fé chegasse, estávamos sob a custódia da Lei, nela aprisionados,

5 Paulo se refere a todos os legalistas, pois recusam a Graça de Deus e insistem em tentar obter a justiça ou merecer os favores de Deus por meio da prática metódica de leis, rituais e boas obras. Paulo ensina que não é possível ao ser humano (depois da Queda – Gn 3) guardar a Lei com perfeição, e, portanto, todos aqueles que se acham “bons, justos ou cumpridores das leis”, desprezam a Graça e estão sob a maldição da Lei que, certamente os condenará, pois ninguém é capaz de cumprir todos os mandamentos do Senhor. Além disso, não basta observar a Lei, é preciso não ter qualquer contato com alguém em pecado, sob pena de assumir para si a maldição de outrem e suas penalidades (Hb 2.15). A bênção do Senhor não é concedida por merecimento, mas pela misericórdia de Deus ao coração humilde e desejoso de salvação (Dt 27.26; Tg 2.10). Não há nada que possamos fazer para que Deus nos ame mais, porém, não há nada que façamos que possa diminuir o amor de Deus por nós em Cristo Jesus. 6 É Cristo quem nos “redimiu” (no original grego exegorasen – com o sentido de “comprou para pôr em liberdade”) da maldição a que estávamos condenados pela Lei (Rm 8.3). Paulo usa o grego clássico no sentido de comunicar a morte de Cristo na cruz do Calvário, em analogia ao terrível suplício da empalação romana por meio de varas e estacas (At 5.30; 10.39; 1Pe 2.24). Portanto, quem viver pela fé pela fé será julgado, quem viver pela Lei, pela Lei já está condenado (Hb 2.4; Lv 18.5; Dt 21.23). 7 Isaque era em si incapaz de transportar as bênçãos de Deus para todos os povos (v.8). Portanto, Jesus Cristo é a verdadeira “semente” (no singular em Gn 12.7; 22.17,18), em que as promessas têm o seu perfeito cumprimento. 8 O princípio da fé é anterior à própria Lei e mais importante do que as ordenanças mosaicas. O período em que o povo de Israel viveu como escravo no Egito (sem contar a peregrinação no deserto) é designado em números redondos pela Septuaginta (a tradução do AT em grego – Êx 12.40,41; Gn 15.13; At 7.6). 9 O “Descendente” refere-se outra vez a Jesus Cristo. A Lei foi interpolada para que os judeus pudessem perceber claramente e reconhecer suas transgressões e pecados (Rm 3.20). Em contraste com a Promessa, a Lei foi declarada aos homens por meio de anjos (At 7.38,53), mas a pessoa de Deus ficou à parte. Em Cristo, entretanto, o próprio Deus vem diretamente até o crente e lhe abençoa com o Seu Espírito Santo (v.14).

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até que a fé que haveria de vir fosse revelada.10 24 Desse modo, a Lei se tornou nosso tutor a fim de nos conduzir a Cristo, para que por intermédio da fé fôssemos justificados. 25 Agora, no entanto, havendo chegado a fé, já não estamos mais sujeitos a esse tutor.11 Filhos de Deus mediante Cristo 26 Porquanto, todos vós sois filhos de Deus por meio da fé que tendes em Cristo Jesus, 27 pois todos quantos em Cristo fostes batizados, de Cristo vos revestistes. 28 Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. 29 E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e plenos herdeiros de acordo com a Promessa.12 Não mais escravos, mas filhos! Afirmo porém que, durante todo o tempo em que o herdeiro é menor de idade, ele em nada é diferente de um escravo, mesmo sendo o dono de tudo. 2 No entanto, está sujeito a tutores e administradores até o tempo determinado por seu pai.

Da mesma forma nós, quando éramos menores, estávamos debaixo de um sistema que nos escravizava aos princípios básicos deste mundo. 4 Todavia, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei,1 5 para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. 6 E, porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho para habitar em vossos corações, e ele clama: “Abba, Pai!”.2 7 Portanto, tu não és mais escravo, mas filho; e sendo filho, és igualmente pleno herdeiro por decreto de Deus.
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Zelo por uma doutrina sadia 8 No passado, quando não conhecíeis a Deus, éreis escravos daqueles que, por natureza, não são deuses. 9 Agora, entretanto, que já conheceis a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Ele, como é que podeis pensar em retroceder a esses princípios insignificantes, fracos e pobres, aos quais de novo desejais servir? 10 Guardais dias, meses, tempos e anos.3

10 Estar sob custódia (detenção) da Lei, ou prisioneiro do pecado, em termos práticos resulta na mesma falta de liberdade e condenação, porquanto a Lei revela e estimula o pecado (4.3; Rm 7.8; Cl 2.20). Paulo se refere à “Escritura” para mostrar seu embasamento teológico acerca de que a Lei é secundária; outorgada para provar o quanto somos pecadores e merecedores da condenação eterna por nossas afrontas a Deus e aos nossos semelhantes, e a fé é prioritária e vital, pois nos concede a vida. 11 A expressão original grega paidagõgos (da qual se deriva “pedagogo”) refere-se a um tipo especial de escravo, também chamado de “aio”, cuja principal responsabilidade era acompanhar os filhos do seu amo na execução dos seus deveres escolares, bem como na sua formação acadêmica e cultural. Fazia parte de suas funções caminhar e seguir seus pupilos por todos os lugares, sempre zelando por sua educação e segurança (1Co 4.15). A Lei, portanto, pode conduzir o ser humano a Cristo, porém somente Jesus é capaz de tirar o poder do pecado da alma humana e ser seu Advogado (Jo 14.16-21). 12 Todos os cristãos sinceros são adotados por Deus e se tornam seus filhos, plenamente justificados, adultos e dignos da herança eterna com todos os privilégios (e deveres) decorrentes (4.1-7; Rm 8.14-17). A união com Cristo transcende todas as diferenças raciais, culturais, políticas e sociais (Rm 10.12; 1Co 12.13; Ef 2.15,16). Portanto, os crentes verdadeiros são os descendentes espirituais de Abraão. Capítulo 4 1 A “plenitude dos tempos” ou “época determinada” descreve o ponto central da história universal, o momento escolhido por Deus para revelação da Sua pessoa em Cristo Jesus, Seu Filho; para resgate eterno de todos os que nele crêem, transformando seus “filhos menores” em “herdeiros adultos” (Jo 1.14; 3.16; Rm 1.1-6; 1Jo 4.14). Ao salientar que o Cristo nasceu de mulher, Paulo ratifica a plena humanidade do Senhor e, portanto, sujeição à Lei. 2 Deus concedeu o seu próprio Espírito, como selo real de paternidade e novo guardião, para habitar permanentemente na alma dos cristãos sinceros (Rm 8.2-9; Ef 1.13,14). O verbo original grego, aqui traduzido por “clama”, expressa profunda emoção, como no brado final de Jesus na cruz (Mt 27.50). O vocábulo aramaico “Abba” corresponde à forma carinhosa e respeitosa da nossa expressão “papai”, transmitindo a idéia de um relacionamento especialmente íntimo com Deus (Mc 14.36; Rm 8.15). 3 Os judeus tinham que guardar vários dias e épocas cerimoniais como parte do cumprimento da Lei. Por exemplo: o Shabbãth (todos os preparativos e rituais que envolviam a celebração do sábado). O número de detalhes a serem observados é tão grande,

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Temo que eu talvez tenha ministrado inutilmente para convosco. 12 Caros irmãos, rogo-vos que vos torneis parecidos a mim, da mesma maneira que eu me tornei semelhante a vós. Em nada me ofendestes; 13 e sabeis que foi por causa de uma enfermidade física que vos preguei o Evangelho pela primeira vez.4 14 E não desprezastes nem rejeitastes aquilo que no meu corpo era uma tribulação para vós; ao contrário, me recebestes como se eu fosse um anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus. 15 Ora, onde está aquele vosso júbilo? Porquanto, eu mesmo sou testemunha de que, se fosse possível, teríeis arrancado os próprios olhos para oferecê-los a mim. 16 Será possível que me tornei vosso inimigo apenas por vos declarar a verdade?5 17 Aqueles que se mostram fazendo tanto esforço para vos agradar não agem com boas intenções, mas seu real propósito é vos isolar a fim de que sejais constrangidos a demonstrar vosso cuidado para com eles. 18 É muito bom que sejais sempre zelosos do bem, e não apenas quando estou presente. 19 Meus amados filhos, novamente estou
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sofrendo como que com dores de parto por vossa causa, e isso até que Cristo seja formado em vós. 20 Eu bem que gostaria de estar pessoalmente convosco e mudar o tom desse meu discurso, pois estou atônito em relação ao vosso comportamento. A Lei e a Promessa: as alianças 21 Dizei-me vós, os que quereis permanecer subjugados à Lei: Acaso não tendes ouvido com clareza a Lei? 22 Porquanto está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre.6 23 O que era filho da escrava nasceu de modo natural, porém o filho da mulher livre nasceu mediante uma promessa. 24 Pois bem, uso essa história aqui como uma ilustração; pois essas mulheres prefiguram duas alianças. Uma aliança procede do monte Sinai e pode gerar apenas filhos para a escravidão; esta é Hagar.7 25 Hagar representa o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à atual cidade de Jerusalém, que vive como escrava com os seus filhos.8 26 Entretanto, a Jerusalém do alto é livre, e esta é a nossa mãe!9 27 Pois está escrito: “Alegra-te, ó estéril, tu que não davas à luz; irrompe em bra-

mesmo em nossos dias, especialmente em Israel, que geralmente as crianças são encarregadas, na sexta-feira, de preparar pedaços de papel higiênico e disponibilizá-los para uso nos banheiros de suas casas, pois a lei judaica proíbe rasgá-los no sábado. E ainda, o Dia da Expiação (dia dez de Tisrei – conforme Lv 16.29-34), Luas Novas (Nm 28.11-15; Is 1.13,14), a Páscoa (Êx 12.18), as Primícias (Lv 23.10), o Ano Sabático (Lv 25.4). Os fariseus observavam meticulosamente milhares de ordenanças e ritos religiosos com o objetivo de conquistar méritos diante de Deus e, então, se sentirem autorizados a fazer suas reivindicações ao Senhor. 4 Paulo conheceu os gálatas e lhes pregou o Evangelho por ocasião da sua primeira viagem missionária (At 13.14 – 14.23). Nessa época, a região de Perge, no litoral da Ásia Menor foi afligida por um surto de malária. Paulo pode ter contraído essa doença e foi acolhido e tratado pelos gálatas que presenciaram sua luta contra o que chamou de seu “espinho na carne” (2Co 12.7), embora não haja registro claro de que mal era esse. 5 Ao falar a verdade, ainda que com amor e cuidado, corremos o risco de perder alguns amigos. Paulo era muito estimado pelos gálatas, mas por causa da influência desastrosa dos judaizantes e sua doutrina legalista e altamente restritiva, a igreja havia perdido a espontaneidade, a alegria, a hospitalidade e o grande respeito que já havia demonstrado pelo apóstolo de Cristo. 6 Abraão teve dois filhos: Ismael, nascido da escrava Hagar (Gn 16.1-16), e Isaque, nascido de Sara, que não era escrava (Gn 21.2-5). 7 A antiga aliança, com a Lei que regulamentava a vida e a religiosidade do povo de Israel foi estabelecida no monte Sinai e entregue a Moisés para que a ministrasse aos israelitas e a todos os povos (Êx 19.1; 20.1-17). 8 Jerusalém, ainda hoje, pode ser equiparada ao próprio monte Sinai por representar o centro do judaísmo em todo o mundo, cujo povo ainda vive, onde estiver, como escravo da antiga Lei promulgada no alto de um monte, no meio do deserto do Sinai; um lugar ermo e árido, para onde eram banidos os criminosos e indesejados das cidades. 9 Desde a antigüidade, a doutrina rabínica ensinava que a Jerusalém do alto era o arquétipo da cidade celestial que seria baixada e estabelecida na Terra por ocasião do advento messiânico (Ap 21.2). Paulo se refere aqui à cidade espiritual de Deus, na

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dos de júbilo, tu que não passastes pelas dores de parto; pois os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os daquela que tem marido”.10 28 Assim vós, irmãos, sois filhos da Promessa, à semelhança de Isaque. 29 No entanto, assim como naquele tempo o que nasceu de modo natural perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece nos dias de hoje. 30 Contudo, o que nos revela a Escritura? “Mande embora a escrava e o seu filho, porque o filho da escrava jamais será herdeiro com o filho da livre”.11 31 Portanto, amados irmãos, não somos filhos da escrava, mas sim filhos da liberdade! Nossa liberdade em Cristo Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Portanto, permanecei firmes e não vos sujeiteis outra vez a um jugo de escravidão.1

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Eu, Paulo, vos afirmo que Cristo de nada vos servirá, se vos deixardes circuncidar. 3 E outra vez declaro solenemente a todo homem que se permite circuncidar, que ele, desse modo, fica obrigado a cumprir toda a Lei. 4 Vós, que vos justificais por meio da Lei, estais separados de Cristo; caístes da graça!2 5 Entretanto nós, pelo Espírito mediante a fé, aguardamos a justiça que é nossa esperança.3 6 Porquanto em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm qualquer valor; mas sim a fé que opera pelo amor.4 7 Corríeis bem! Quem vos impediu de obedecer à verdade? 8 Quem vos convenceu a agir assim, não procede daquele que vos chama. 9 Sabeis que “um pouco de fermento leveda toda a massa”.5 10 Quanto a vós, estou convencido no
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qual Jesus Cristo reina e da qual todo cristão já é cidadão (filho), em oposição a Jerusalém da época de Paulo e de hoje em dia. 10 Paulo interpreta o regozijo profético de Isaías (Is 54.1) em relação à Jerusalém – na época do profeta confinada a um pequeno e inexpressivo grupo de escravos no exílio, portanto, “estéril e sem filhos”, mas que ainda produziria “muitos filhos”. Profecia cumprida por meio da grande colheita evangélica que o mundo presencia, desde a vinda do Senhor Jesus, e que se encerrará com seu iminente e glorioso retorno. 11 Paulo usa as palavras de Sara como base bíblica para ensinar aos gálatas e a todas as igrejas cristãs que não devem tolerar em seu meio doutrinas meramente legalistas ou qualquer ideologia judaizante (Gn 21.10). A Igreja de Cristo é livre, conduzida pelo Espírito do próprio Deus e por Sua Palavra; adequada à cultura de cada nação e povo salvo, e não mais guiada pela obediência obrigatória e metódica à Lei e às suas ordenanças, rituais, festas e mandamentos rabínicos. O crente em Cristo é filho – com plenos direitos, poderes e deveres – da Promessa, que é viver pela fé (3.7,29). Capítulo 5 1 A palavra “liberdade” é enfatizada por sua localização na frase original grega, e revela nossa total independência do jugo da Lei. No grego clássico, o verbo “sujeitar” significava “viver imobilizado por uma rede”, ou seja, emaranhado pelos poderosos laços das exigências rigorosas das leis judaicas, a fim de conseguir o favor de Deus (At 15.10,11). 2 A expressão “cair da graça”, nesse contexto, significa que alguns cristãos, entre os gálatas, optaram por (seguindo o pensamento judaizante) conquistar o favor divino pelo esforço próprio (mérito), ao tentarem cumprir, de forma legalista, as ordenanças da Lei; em vez de, humildemente, reconhecerem a pecaminosidade e impotência humanas, e aceitar o dom gratuito de Deus por meio de Cristo, que é a Salvação (2Pe 3.17). 3 Os gálatas haviam sido enredados por um pensamento teológico falso, de que o cristão só obteria completa salvação se observasse toda a Lei, as datas e comemorações santas do calendário judaico e praticasse os tradicionais rituais religiosos, como a circuncisão. Paulo faz uma afirmação escatológica, ao asseverar que o veredicto final de Deus sobre o cristão (“absolvido!”) já nos foi outorgado em Cristo (ele pagou nossa cara fiança), e que essa decisão irrevogável e eterna de Deus está confirmada (selada) pela presença do Espírito Santo na vida de cada convertido. Paulo afirma que é o Espírito quem nos apresentará diante de Deus, perfeitos na justiça de Cristo (3.3; Ef 1.13). 4 Paulo não se opunha a que os judeus-cristãos continuassem a guardar a Lei e as tradições judaicas como seus pais. Entretanto, não podia admitir que os gentios fossem obrigados a cumprir os rituais judaicos (At 21.10). Paulo ensina que não é a raça, tradição ou qualquer prática religiosa que conduz à salvação e aos favores de Deus, mas a fé no amor operoso de Cristo, o Filho de Deus (Rm 5.8; 8.32). O rito em si, tanto da circuncisão como de qualquer tipo de batismo, não tem valor justificador diante de Deus (1Co 10.1-12). A fé não é simples assentimento intelectual, mas confiança viva e responsiva na graça do Senhor; a verdadeira fé se manifesta em amor prático (1Co 7.19; 1Ts 1.3). 5 Paulo cita um provérbio muito conhecido, e várias vezes mencionado por Jesus para ilustrar o efeito difusor do judaísmo. Quando a palavra “fermento” é usada de forma simbólica nas Escrituras, representa a iniqüidade ou falsidade (Mc 8.15), com exceção de Mt 13.33.

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Senhor de que não pensareis de outra forma. Mas aquele que vos perturba, seja quem for, sofrerá condenação. 11 Eu, no entanto, irmãos, se continuo pregando a circuncisão, por qual motivo ainda sou perseguido? Nesse caso, o escândalo da cruz estaria anulado. 12 Quem me dera se castrassem àqueles que vos estão confundindo!6 13 Caros irmãos, fostes chamados para a liberdade. Todavia, não useis da liberdade como desculpa para vos franquear à carne; antes, sede servos uns dos outros mediante o amor. 14 Pois toda a Lei se resume num só mandamento, a saber: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.7 15 Porém, se mordeis e devorais uns aos outros, cuidado para não vos destruirdes mutuamente! Viver no Espírito, não na carne 16 Portanto, vos afirmo: Vivei pelo Espírito, e de forma alguma satisfareis as vontades da carne! 17 Porquanto a carne luta contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne. Eles se opõem um ao outro, de modo que não conseguis fazer o que quereis. 18 Contudo, se sois guiados pelo Espírito, já não estais subjugados pela Lei. 19 Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; 20 idolatrias e feitiçarias; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e 21 inveja; embriaguez, orgias e tudo quanto se pareça com essas perversida-

des, contra as quais vos advirto, como já vos preveni antes: os que as praticam não herdarão o Reino de Deus! 22 Entretanto, o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão e domínio próprio. Contra essas virtudes não há Lei. 24 Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. 25 Se vivemos pelo Espírito, andemos de igual modo sob a direção do Espírito. 26 Não nos tornemos arrogantes, provocando-nos uns aos outros e tendo inveja uns dos outros. A mutualidade cristã Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vós que sois espirituais, deveis restaurar essa pessoa com espírito de humildade. Todavia, cuida de ti mesmo, para que não sejas igualmente tentado. 2 Levais as cargas pesadas uns dos outros e, assim, estareis cumprindo a Lei de Cristo.1 3 Pois, se alguém se considera importante, não sendo nada, engana a si mesmo. 4 Mas cada indivíduo avalie suas próprias atitudes, e, então, saberá como orgulharse de si mesmo, sem viver se comparando com outras pessoas. 5 Portanto, cada um deve levar seu próprio fardo.2

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Colhemos aquilo que semeamos 6 O que está sendo orientado na Palavra

6 A expressão grega usada por Paulo, originalmente, é mais forte, e significa literalmente “cortar fora”. Em Fp 3.2, o apóstolo emprega um verbo correspondente em referência a uma pessoa em situação semelhante à “falsa circuncisão”, ou literalmente “mutilação”. Fica assim muito clara a ironia usada por Paulo nesse sentido. 7 Paulo ensina que temos toda a liberdade de fazer o bem, como é próprio do verdadeiro crente que ama a Deus, e demonstra essa adoração ao Senhor por meio de atitudes práticas para com todas as pessoas à sua volta (Lv 19.18). Evidentemente, como cristãos, não nascemos de novo para sermos licenciosos, ou seja, nos entregarmos à prática do mal (Rm 6.1; 1Pe 2.16). Capítulo 6 1 O verbo grego “restaurar”, em seu sentido original, tem a ver com o ato de consertar as redes de pesca, ou de reunir pessoas cujos relacionamentos foram quebrados. Paulo faz referência ao “novo mandamento” de dedicar uns aos outros o amor fraternal movido pelo Espírito de Deus, e o denomina “Lei de Cristo” (Jo 13.34; 1Jo 4.21). Essa “nova lei” abrange todo os gomos do fruto do Espírito (5.22,23) e cumpre todo o dever do cristão para com Deus e a humanidade (vv. 5,14; Mt 22.37-40). 2 Não devemos nos comparar com outras pessoas, quer no aspecto físico, psicológico, moral ou espiritual. Nem devemos nos gloriar nas fraquezas ou erros cometidos pelos outros. Não somos piores ou melhores que ninguém, temos apenas algumas

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deve compartilhar tudo o que possui de bom com aquele que o instrui.3 7 Não vos enganeis: Deus não se permite zombar. Portanto, tudo o que o ser humano semear, isso também colherá! 8 Pois quem semeia para a sua carne, da carne colherá ruína; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. 9 E não nos desfaleçamos de fazer o bem, pois, se não desistirmos, colheremos no tempo certo. 10 Sendo assim, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé.4 A nova criação supera a Lei 11 Vede com que grandes letras vos escrevo de próprio punho. 12 Aqueles que aspiram ostentação exterior vos obrigando a fazer a circuncisão, agem dessa maneira somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.5 13 Ora, nem mesmo os que são circunci-

dados conseguem cumprir a Lei; contudo, desejam que vós sejais circuncidados, para se orgulharem do ritual que impingiram ao vosso corpo. 14 Quanto a mim, no entanto, que eu jamais venha a me orgulhar, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio da qual o mundo já foi crucificado para mim, e eu para o mundo. 15 Não há, de fato, o menor valor em ser ou não ser circuncidado. O que realmente importa é ser uma nova criação.6 16 Paz e misericórdia repousem sobre todos aqueles que andarem conforme essa ordenança, e também sobre o Israel de Deus.7 17 Quanto ao restante, ninguém tem autoridade para questionar-me, pois trago em meu próprio corpo as marcas de que pertenço a Jesus.8 Bênção apostólica final 18 Amados irmãos, que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com vosso espírito! Amém.

diferenças e oportunidades diversas. No dia do julgamento final cada pessoa, individualmente, apresentará seu fardo com os valores espirituais (boas e más escolhas) que foi angariando ao longo do seu tempo de vida na Terra (2Co 5.10; Rm 14.12). O v.2 fala das cargas que podemos e devemos ajudar nossos irmãos e amigos a levar (tragédias, tristezas agudas, quedas repentinas e momentâneas, etc.), o v.5 usa uma outra palavra no grego original, e se refere ao nosso fardo particular, que não podemos compartilhar: a responsabilidade sobre a nossa decisão pessoal de aceitar ou não o Evangelho de Cristo e adorar a Deus. Uma resposta íntima e intransferível que todas as pessoas do mundo têm que dar um dia. 3 Os crentes têm a obrigação espiritual e moral de dividir, com seus pastores e mestres, o resultado de seus progressos materiais, e não apenas problemas e necessidades (Fp 4.14-19). 4 Nossa prioridade em termos de obras de caridade e assistência social é para com os demais cristãos (família da fé). Nossa principal responsabilidade para com o mundo em geral é a evangelização, o que não exclui toda a ajuda material e social possível (Mt 28.19,20; 1Co 9.16; 1Tm 5.8). 5 Ao se constrangerem os gálatas a passar pelo ritual religioso da circuncisão, os judaizantes corriam menos risco de sofrer oposição por parte dos inimigos judaicos do cristianismo. Paulo os critica por estarem mais preocupados com sua própria reputação e interesses do que com a verdadeira edificação espiritual dos crentes (5.11). 6 Ao contrário do dito popular, nem todos são filhos de Deus. Essa é uma posição muito importante e privilegiada, somente possível àqueles que aceitaram com fé a graça salvadora de Jesus Cristo; e, portanto, ao nascerem de novo passaram por um processo milagroso de nova criação. Esse novo ser, criado à imagem de Cristo, precisa alimentar-se da Palavra e crescer em sabedoria divina, amadurecer como cristão e gerar filhos e filhas espirituais (Jo 1.12; 3.3-16; 2Co 5.17). 7 A Igreja do NT, constituída de cristãos de todos os povos e culturas, judeus e gentios (não-judeus), pode ser compreendida como a nova descendência de Abraão, herdeira de todas as bênçãos do Senhor segundo a Promessa (1Co 10.18; Rm 9.6; Fp 3.3). Paulo se refere à perfeita paz e misericórdia profetizadas ao povo israelita, agora à disposição de todos os crentes; neste sentido, o novo Israel de Deus (Sl 125.5; 128.6). 8 Na época de Paulo, a palavra grega original, aqui traduzida por “marcas”, era usada em referência ao estigma produzido pelo ferro em brasa ou pelo ferrete com que se costumava furar as orelhas dos escravos a fim de identificar a que senhor pertenciam. Os muitos sofrimentos de Paulo serviam para distinguí-lo como “escravo de Cristo” (At 14.19; 16.22; 2Co 11.25; 2Co 12.7; Gl 4.13,14). Portanto, os cristãos precisam refletir sobre isso quando se apresentam à sociedade como “servos do Senhor” (1.10; 2Co 4.10).

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