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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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INTRODUÇÃO

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Autoria Durante esta breve missiva, o autor se identifica em três oportunidades como Paulo (vv.1,9 e 19). Não há dúvida, desde a igreja primitiva, de que o apóstolo Paulo é o autor deste texto com tantas afinidades com a carta à Igreja em Colossos, especialmente quando comparamos os versos 2,23 e 24 de Filemom com Colossenses 4.10-17. Propósitos Logo após a tradicional saudação com ações de graça ao Senhor, pela fé e o amor fraternal operante de Filemom, Paulo eleva uma prece a Deus pedindo que Filemom cresça ainda mais na graça de Cristo, e chega ao propósito desta carta. Filemom havia abraçado a fé cristã e demonstrado um testemunho notável na cidade. Como tantos outros cidadãos de Colossos, Filemom era senhor de escravos (Cl 4.1; Ef 6.5). Onésimo, um escravo pertencente a Filemom, havia fugido de seu proprietário, depois de aparentemente ter cometido um furto. Onésimo conseguiu fugir para a grande metrópole de Roma, onde acabou se encontrando com Paulo, que lhe ministrou o Evangelho e o ajudou a receber a graça da salvação em Cristo. Uma vez crente e fortalecido na fé, Onésimo é enviado por Paulo de volta ao seu senhor com essa carta pessoal de recomendação em seu benefício. Paulo apela ao coração transformado e santificado de Filemom para que não apenas recebesse um escravo fugitivo sem as tradicionais punições da época, mas, sim, com generoso perdão, próprio daqueles que receberam a graça da salvação em Cristo. Por outro lado, Onésimo deveria se entregar ao serviço do seu senhor com toda a lealdade e dedicação, igualmente próprias dos que amam ao Senhor e em nome de Cristo testemunham ao mundo com suas vidas regeneradas e santas. Onésimo não era mais um “escravo forçado e humilhado em sua vontade”, mas “um servo voluntário e caríssimo irmão em Cristo”. Paulo se dispõe a ser o fiador idôneo desse novo contrato (aliança), e adianta que sua confiança na conversão genuína de Onésimo era tão grande que arcaria pessoalmente com qualquer prejuízo que eventualmente o “ex-escravo” tivesse causado a Filemom. Essa história verídica do senhor Filemom e seu escravo Onésimo vem proporcionando à Igreja de todas as épocas uma profunda ilustração da doutrina evangélica da redenção. Data da primeira publicação ç Paulo escreveu essa carta a Filemom próximo do final do seu primeiro aprisionamento em Roma, na mesma época em que produziu sua epístola aos Colossenses e a enviou para Colossos pelas mãos de seus discípulos Onésimo e Tíquico, por volta do ano 61 d.C. Esboço geral de Filemom 1. Paulo e Timóteo, “escravos” de Cristo (v.1) 2. Saudação à Igreja reunida na casa de Filemom (v.2) 3. Ações de graças pelo amor leal de Filemom (vv.3-7) 4. Apelo em favor do escravo (irmão) Onésimo (vv.8-12) 5. A regeneração em Cristo produz atos justos (vv.13-16) 6. Paulo se coloca como fiador de Onésimo (vv.17-21) 7. Pedidos finais, saudações e bênção apostólica (vv.22-25)

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Prefácio e saudação 1 Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, a ti, Filemom, nosso amado cooperador,1 p 2 à irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de batalhas, e à Igreja que se reúne em tua casa: 3 Graça e paz a todos vós da parte de Deus, nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.2 Ação de graças e orações 4 Constantemente dou graças a meu Deus, recordando-me de ti em minhas orações, 5 porquanto, ouço testemunhos a respeito da fé que tens no Senhor Jesus e do teu amor por todos os santos.3 6 Oro para que o compartilhar da tua fé seja eficaz, pelo pleno conhecimento de que todo o bem que dispomos está em Cristo. 7 Pois tive grande alegria e consolação por causa do teu amor, pois por intermédio de ti, irmão, o coração dos santos têm sido reanimado.4 Paulo intercede por Onésimo 8 Por isso, mesmo considerando que tenho em Cristo toda a liberdade para ordenar-te que cumpra o teu dever, 9 prefiro apelar-te confiado no amor fraternal que há em ti. Eu, Paulo, já velho, e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, 10 venho interceder a favor do meu filho Onésimo, que gerei enquanto estava na prisão. 11 Ele, no passado, te foi inútil; entretanto, agora, é útil, tanto a ti quanto a mim.5 12 Eu o envio de volta a ti, como se estivesse enviando o meu próprio coração. 13 Bem que eu gostaria de mantê-lo comigo, para que em teu lugar me servisse nas algemas que carrego por causa do Evangelho. 14 Todavia, não quis fazer nada sem o teu consentimento, para que qualquer favor que venhas a fazer seja fruto da tua espontaneidade e não por constrangimento.6 15 É possível que ele tenha sido separado da tua companhia por algum tempo,

1 Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, escreve esta pequena carta (por volta do ano 61 d.C.), seguindo os principais preceitos da diplomacia grega: Em seu apelo a Filemom, cristão da cidade de Colossos e dono de muitos escravos (Cl 4.1; Ef 6.5). Paulo não se apresenta como “apóstolo”, como normalmente fazia, mas simplesmente como “prisioneiro ou algemado no serviço de Cristo”, criando empatia e fazendo com que sua abnegação seja um exemplo a Filemom. Paulo estava perto do fim de seu primeiro aprisionamento em Roma. Um líder cristão somente pode apelar ao sacrifício ou consagração dos seus seguidores, à medida em que ele próprio está disposto a dar sua parcela de contribuição pessoal. 2 Embora Paulo escreva esta carta em companhia de Timóteo, ele prefere usar a primeira pessoa a fim de enfatizar o grau de pessoalidade e intimidade das solicitações. Filemom era dono de Onésimo que havia fugido, mas agora, convertido ao Senhor, desejava cumprir com suas obrigações espirituais, morais e sociais, a fim de proclamar seu bom testemunho cristão. Arquipo era ministro da Igreja em Laodicéia e filho de Filemom com Áfia (Cl 4.9-17). Paulo vivia em oração por seus discípulos e pela Igreja (Fp 1.3,4,13; Ef 3.1; Cl 1.1). 3 A fé tem três expressões aqui: fidelidade a Cristo e aos irmãos; confiança no Senhor e em seu amor providencial; amor na forma de ações práticas, especialmente pelos crentes (Jo 8.31; 7.17; 10.38; Hb 13.15,16; Cl 1.10). 4 A palavra “coração” é o correspondente mais próximo à expressão original grega que se traduziria literalmente por “intestinos”, pois se tratava da parte do corpo que, na cultura helênica daquela época, refletia os sentimentos mais íntimos do ser humano. Isso ocorria por simples comparação entre certos eventos emocionais e uma espécie de “frio na barriga” provocado por eles (vv.12, 20). 5 Paulo faz um interessante jogo de palavras baseado no significado do nome Onésimo (em grego Útil), com o firme desejo de servir “em singeleza de coração” (Cl 3.22,23). Paulo o considerava um filho amado, como Timóteo e Tito (1Tm 1.2; Tt 1.4). Filemom, por causa da sua confiança em Cristo, deveria receber Onésimo como um irmão querido (v.16). 6 Os apóstolos e mestres tinham o direito de ser remunerados pelo tempo dedicado ao ensino de seus discípulos (v.19; Rm 15.27). Assim, Paulo tinha todo o direito de cobrar por seu ministério junto a Filemom e sua casa. O valor seria o suficiente para a compra da escritura de posse de Onésimo (às vezes, homens de negócios, compreendem melhor um argumento bem racional e

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a fim de que pudesses reavê-lo agora e para sempre, 16 não mais na condição de escravo; aliás, muito melhor do que escravo, como irmão amado, particularmente por mim, e ainda mais por ti, tanto amigo pessoal, quanto como cristão!7 17 Assim sendo, se me consideras um irmão no Senhor, recebe-o como recebesses a mim mesmo. 18 Contudo, se ele te causou algum prejuízo ou te deve qualquer coisa, lança todo o custo na minha conta.8 19 Eu, Paulo, escrevo estas palavras de próprio punho: eu o pagarei para não mencionar que tu me deves a tua própria vida. 20 Sim, amado irmão, eu gostaria de

receber de ti algum favor por estarmos no Senhor. Reanima o meu coração em Cristo! Solicitações finais e bênção 21 Escrevo-te na certeza de que me atenderás, confiante de que farás ainda mais do que te peço. 22 Além disso, prepara-me hospedagem, pois espero que por meio das vossas orações serei levado de volta a vós. 23 Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, envia-te saudações, 24 assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores. A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o Espírito de todos vós!

matemático), mas o apóstolo não o obriga. Prefere dar seu exemplo sobre administração cristã (mordomia), em que o cristão tem a obrigação de dar; mas Deus só aceita aquilo que for oferecido de livre e boa vontade (2Co 9.7). 7 Devido às condições políticas e sociais impostas pelo Império Romano, Onésimo não deixaria de ser escravo, porém não seria mais tratado simplesmente como um criado, tampouco serviria somente sob os regulamentos da lei, mas como “irmãos amados em Cristo”. Tanto o patrão quanto o servo teriam prazer em cooperar um com o outro para louvor do nome do Senhor (Cl 3.11). 8 Martinho Lutero (1483-1546), teólogo reformador alemão, ligado à ordem dos agostinianos e professor de teoria bíblica em Wittenberg, em 1510, ao visitar Roma ficou horrorizado com o estado de corrupção e imoralidade do clero e da corte papal. No dia 13 de fevereiro de 1517, afixou na porta principal do palácio ducal de Wittenberg suas 95 teses contra a cobrança de indulgências. Em 1520, mediante a bula Exsurge Domine, ele foi excomungado. Perseguido pelo clero, refugiou-se no castelo de Warburg, pertencente a seu amigo Frederico de Saxônia. Dedicou-se à tradução da Bíblia para o idioma alemão, e ao ler esse texto de Paulo afirmou: “O que Jesus Cristo fez em nosso benefício diante de Deus, o Pai, Paulo fez a favor de Onésimo diante de Filemom”. Em 1524, abandona sua ordem católica e casa-se com a ex-freira Catarina von Bora. Tiveram seis filhos naturais e quatro adotivos. Lutero costumava dizer que “o casamento é uma escola muito melhor para o caráter do que qualquer monastério”.

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