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1º João

1º João

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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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INTRODUÇÃO

1 JOÃO
Autoria Entre a maioria dos eruditos atuais, não há dúvida de que o apóstolo João, conhecido como o discípulo amado (Jo 13.23), e filho de Zebedeu (Mc 1.19,20), é o autor de 1 João, assim como das demais cartas que trazem seu nome, do quarto evangelho e do livro do Apocalipse. Esses mesmos historiadores e biblistas também afirmam que João, filho de Salomé (irmã de Maria), era primo de Jesus (Mt 27.56; Mc 14.40; 16.1; Jo 19.25). Algumas dificuldades quanto à autoria desta epístola foram levantadas durante a história da Igreja. Em primeiro lugar, alguns críticos observaram o fato de a própria carta não apresentar seu autor como a maioria das epístolas do Novo Testamento. Além disso, levantaram a questão das limitações acadêmicas do apóstolo João, um modesto filho de pescador (assim como o apóstolo Pedro) que não teve acesso aos estudos rabínicos formais e clássicos da época (At 4.13). E questionaram o fato de um apóstolo se auto-intitular “presbítero”. Contudo, as respostas a estas questões começam bem cedo, na própria igreja primitiva e por meio dos pais da Igreja, que confirmaram a autoria da obra canônica do apóstolo João. O primeiro a reconhecer e autorizar a autoria e a canonicidade desta carta e da obra de João foi Irineu, por volta do ano 140 d.C., seguido por Clemente de Alexandria (150-215 d.C.), Tertuliano (155-222 d.C.) e Orígenes (185-253 d.C.). O estilo do Evangelho segundo João é absolutamente semelhante ao de 1 João (veja algumas comparações: 1Jo 1.1 com João 1.1,14; 1Jo 2.7 com João 13.34,35; 1Jo 3.14 com João 5.24; 1Jo 5.9 com João 5.32,37, entre outras). As duas obras foram redigidas em grego koiné (popular) de uma forma bem simples. Além disso, “iletrado” não significa “analfabeto”, e a família de João era proprietária de uma empresa de pesca, e não apenas de um ou dois barquinhos (Mt 4.21), o que certamente pode ter propiciado ao apóstolo bons professores durante seu longo tempo de vida e ministério. Quanto ao fato de usar de modéstia ao referir-se a seu título eclesiástico, devemos lembrar que o próprio apóstolo Pedro agiu da mesma maneira (1Pe 5.1), provavelmente numa atitude deliberada de lançar o foco da sua atuação ministerial sobre a “supervisão espiritual de seus filhos e netos na fé cristã” (uma tradução ampliada da expressão grega presbyteros – ancião). Talvez um bom exemplo a ser seguido pelos líderes da Igreja em nossos dias (1Jo 2.1,28; 3.7). Propósitos O conteúdo desta carta demonstra o grande amor e carinho espiritual que o apóstolo João tinha por seus “filhinhos na fé”, bem como sua preocupação com a correta evangelização do mundo. O estilo joanino é inconfundível em sua obra, posto que ele emprega “ilustrações contrastantes” em profusão: luz e trevas (1.6-7; 2.8-11); amor ao mundo e amor a Deus (2.15-17); filhos de Deus e filhos do Diabo (3.4-10); o Espírito de Deus e o espírito do anticristo (4.1-3); amor e ódio (4.7-12, 16-21). O gnosticismo, que na época de Pedro já provocava algumas baixas espirituais expressivas na Igreja, ainda que em sua forma embrionária e primitiva, agora chama também a atenção de João e o leva a escrever combativamente, buscando livrar a Igreja desse diabólico engodo. Os cristãos estavam sendo envolvidos por uma forma ceríntia da filosofia gnóstica (expressão derivada do grego gnosis, que significa “conhecimento”), que questionava o fato de Jesus ser perfeitamente humano. Essa heresia helenista tinha apelos racionais bem ao gosto dos pagãos, como o dualismo e a libertinagem, e repudiava qualquer forma de restrição moral. Por essa razão, João escreve essa sua primeira epístola (considerada sua primeira carta circular , p p ( p às igrejas da p g j província da Ásia) com dois objetivos fundamentais: desmontar todos os argumentos ) j g filosóficos heréticos que estavam aliciando os cristãos em toda a província da Ásia naquele momento (2.26); e, reafirmar aos crentes a convicção da salvação em Jesus Cristo, perfeitamente Deus e perfeitamente Homem (5.13). Para tanto, João foi contundente e atacou a flagrante falta de moral dos falsos mestres que viviam no meio da Igreja (3.8-10), e lembrou à Igreja de sua autoridade como testemunha ocular da deidade e humanidade do Senhor Jesus, confirmando a fé dos seus leitores no Cristo encarnado (1.3). Saber que seus filhos na fé estavam andando na sã doutrina era sua maior alegria como bom pastor (1.4).

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Data da primeira publicação ç A tradição cristã é unânime em afirmar q o apóstolo João p ç que p passou seus últimos anos de vida na província de Éfeso, um dos centros urbanos mais importantes do Império romano. A ausência de referências p pessoais nesta carta indica q ela foi redigida em estilo homilético, a fim de servir como que g , material de estudo e pregação para todos os cristãos da Ásia Menor. Os eruditos atuais concordam que essa carta tenha sido escrita logo depois do Evangelho segundo João, e antes da perseguição implementada por Domiciano no ano 95 d.C. Estudos históricos e arqueológicos recentes apontam para o ano 89 d.C., como a data de sua primeira publicação. Esboço geral de 1 João 1. Fundamento da vida cristã autêntica (1.1-5) 2. O verdadeiro significado de andar na luz (1.6 – 2.2) 3. Atitudes práticas decorrentes da fé em Cristo (2.3-28) A. Obediência irrestrita às ordens do Senhor (2.3-5) B. Uma vida diária semelhante a Cristo (2.6) C. Demonstrações práticas do amor de Deus (2.7-11) D. Santificação: separação da vida mundana (2.12-17) E. Permanecer em Cristo e na fé ortodoxa (2.18-28) 4. O caráter justo testemunha a nossa filiação (2.29 – 3.24) A. Nossa filiação a Deus por Cristo é real (2.29 – 3.3) B. Devemos buscar a pureza em Cristo (3.4-10) C. O amor fraterno é a essência da justiça (3.11-18) D. Os resultados da verdadeira justiça (3.19-24) 5. A importância de exercer o discernimento espiritual (4.1-6) 6. O amor, o maior sinal da nossa filiação divina (4.7-21) A. A origem da nossa filiação divina (4.7,8) B. O sentido dessa filiação divina (4.9,10) C. A motivação que vem da filiação (4.11-16) D. O exercício diário do serviço cristão (4.17-21) 7. As grandes e definitivas certezas do cristão (5.1-20) A. Quanto a todas as filosofias do mundo (5.1-4) B. Quanto ao caráter eterno de Cristo (5.5-12) C. Quando à realidade da Salvação (5.13) D. Quanto à realidade da Oração (5.14-17) E. Quanto à veracidade do Evangelho (5.18-20) 8. Nada pode ocupar o lugar central e absoluto de Cristo (5.21)

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A Palavra de Deus se fez carne O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam a respeito da Palavra da Vida.1 2 A Vida se manifestou, nós a vimos e dela testemunhamos, e vos anunciamos a Vida eterna que estava com o Pai e a nós foi revelada.2 3 Sim, o que vimos e ouvimos, isso vos proclamamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. 4 Estes ensinos vos escrevemos para que a nossa alegria seja absolutamente completa.3

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pregamos é esta: Deus é luz; nele não existe a mínima sombra de treva.4 6 Se afirmarmos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, somos mentirosos e não praticamos a verdade. 7 Se, no entanto, andarmos na luz, como Ele está na luz, temos plena comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.5 A confissão de pecados e o perdão 8 Se declaramos que não temos pecado algum enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. 9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar todos os pecados e nos purificar de qualquer injustiça.6 10 Se afirmarmos que não temos cometido pecado, nós o fazemos mentiroso, e sua Palavra não está em nós.7

Deus é luz e devemos andar na luz 5 E a mensagem que dele ouvimos e vos

1 Todas as evidências demonstram que o autor desta epístola e das outras duas que se seguem é João, filho de Zebedeu (Mc 1.19,20; 15.40; 16.1; Mt 27.56; Jo 13.23; 19.25), primo de Jesus Cristo e um dos seus mais chegados amigos; apóstolo, autor do evangelho que leva seu nome e do livro da Revelação (em grego: apocalipsis). A introdução dessa carta trata do mesmo assunto, inclusive com a utilização de várias das mesmas expressões, no original grego, que estão registradas no início do Evangelho Segundo João (Jo 1.1-4). 2 Jesus Cristo é reconhecido como “a Vida”. Afinal, ele é aquele que tem a vida em si mesmo, sempre existiu e vive para sempre (Jo 1.14; 11.25; 14.6). É igualmente soberano sobre todos os seres viventes e a própria fonte da vida (5.11). João começa e encerra sua epístola discursando sobre a vida eterna (5.20) e focalizando o tema: o Cristo é Jesus, corroborando a mensagem básica do Evangelho: “Jesus é o Messias” (Jo 20.31). 3 A alegria do apóstolo só poderia ser completa se a Igreja compreendesse que o verdadeiro e expressivo amor fraternal, produzido pelo Espírito Santo na vida de cada cristão, deve ser a mais evidente marca do “conhecimento de Cristo” e, portanto, da Salvação na comunidade cristã (2Jo 12). A comunhão (em grego: koinõnia) é a expressão clara de união espiritual de Cristo com o crente, comunicada por meio das metáforas da videira e dos sacramentos (Jo 15.1-5), dos membros do Corpo de Cristo (Rm 12.1-8; 1Co 12.12; Cl 1.18). 4 A luz representa tudo o que é dito e realizado com clareza e verdade, sem obscuridades ou ambigüidades maliciosas. Os pecados e os enganos fraudulentos são gerados sob uma penumbra de maus propósitos e torpezas. Ao contrário, Deus é como a luz do meio dia, ilumina tudo e todos até o mais íntimo da alma. Ele é santidade e integridade absoluta. E essa luz se revela em Cristo que habita no coração dos crentes sinceros e os ilumina cada dia mais (santificação). Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12; Is 42.6; 49.6), pois ele é a perfeita revelação de Deus (Hb 1.3). 5 A expressão “caminharmos” é uma metáfora do nosso comportamento diário. Os cristãos eram conhecidos nessa época como as pessoas que pertenciam ao “Caminho” (Jo 14.6; At 9.27; 18.26; 19.9; 19.23; 22.4). Uma das palavras-chave desta epístola é “pecado”, pois ocorre 27 vezes no texto original grego. 6 No original grego, a expressão “fiel e justo” comunica um conceito único: “fiel-e-justo”. Esse aspecto lingüístico revela um pouco mais sobre o caráter de Deus e sua forma de julgar todos que, mediante a fé pessoal no sacrifício redentor de Jesus Cristo, se arrependem de seus pecados e recebem a graça perdoadora da Promessa que Deus firmou com os seus (Sl 143.1; Zc 8.8; Jr 31.34; Mq 7.18-20; Hb 10.22,23). O perdão é o milagre de se restaurar completamente uma comunhão destruída pela quebra de confiança (Mt 6.12). 7 Como diziam alguns dos pais da Igreja: “Santo não é a pessoa que não se suja, mas é aquele que sempre se lava nas águas do perdão de Deus”. João combate os gnósticos de seu tempo que não conseguiam reconhecer que seus atos de imoralidade e ganância eram, de fato, pecados.

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Caros filhinhos, estas palavras vos escrevo para que não pequeis. Se, entretanto, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;1 2 e Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente por nossas ofensas pessoais, mas pelos pecados de todo o mundo.2 Em Cristo e separados do mundo 3 E temos certeza de que o conhecemos, se guardarmos seus mandamentos. 4 Aquele que afirma: “Eu o conheço”, e não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso e a verdade não está nele;3 5 mas todo o que guarda a sua Palavra, neste o amor de Deus tem verdadeiramente se aperfeiçoado. E desta forma sabemos que estamos nele. 6 Quem declara que permanece nele também deve andar como Ele andou.4 O mandamento: o amor fraternal 7 Amados, não vos escrevo mandamento novo, senão mandamento antigo, o qual tendes desde o princípio. Ora, esse mandamento antigo é a Palavra que ouvistes. 8 Todavia, o que vos escrevo é um man-

damento novo, o qual é verdadeiro nele e em vós, pois as trevas estão se dissipando e já brilha a verdadeira luz.5 9 Aquela pessoa que diz estar na luz, mas odeia a seu irmão, continua a vagar sob as trevas. 10 Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não existe motivo de tropeço. 11 No entanto, quem odeia seu irmão está nas trevas e vaga pela escuridão, não sabe para onde caminha, pois as trevas lhe turvaram a visão. A vitória sobre o Maligno Filhinhos, eu vos escrevo porque os vossos pecados foram todos perdoados, graças ao nome de Jesus. 13 Pais, eu vos escrevo porquanto conheceis Aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo pois vencestes o Maligno. 14 Crianças, eu vos escrevi porque conheceis o vosso Pai. E vós, pais, eu vos escrevi porque conheceis Aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi porquanto sois fortes, e a Palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno.6
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1 De acordo com os relatos de antigos escritores e p da Igreja, como Clemente de Alexandria, o apóstolo João desenvolveu g pais g j p g grandioso ministério pastoral nas várias igrejas espalhadas pela província da Ásia (entre os anos 70 e 100 d.C.), particularmente p g j p p p ( ) p na região onde se localizava Éfeso (hoje Turquia). João já estava bastante idoso quando escreveu esta epístola, isso explica o uso acentuado de expressões de carinho e afetividade, como “filhinhos”, por exemplo. Os textos de João tornaram-se uma espécie de carta circular doutrinária para todas as igrejas cristãs. João apreciava o uso da expressão grega “parakleto” (aquele que se ” coloca ao lado para defender e proteger) ao referir-se ao seu amado mestre e amigo Jesus Cristo (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7). Na antigüidade greco-romana, o advogado (em latim: advocatus) de defesa tinha que ser alguém irrepreensível perante a lei para poder exercer efetivamente seu ofício. 2 João não está defendendo a idéia do universalismo (a teoria de que todas as pessoas serão salvas um dia, de alguma forma). O texto é claro em afirmar a imparcialidade do Senhor. O pecado entrou na terra e na espécie humana a partir de uma clara desobediência às ordens de Deus, cuja punição, previamente estabelecida e do pleno conhecimento de todos, era a morte (Gn 3). Somente o Filho de Deus, o Messias, tem o poder de se fazer expiação vicária pelos pecados daqueles que nele, e em sua obra redentora, crerem de todo coração (4.10; Jo 3.16; Rm 3.25). O perdão de Deus, mediante o sacrifício vicário de Cristo, não é limitado a uma época ou grupo étnico, mas está à disposição de toda a humanidade até o Dia do glorioso retorno do Senhor (Jo 1.29). 3 João emprega, mais de quarenta vezes em 1Jo, dois verbos gregos: eidenai “saber” e gnosis cujo sentido é “conhecer” e i s identificava os “gnósticos” que alegavam possuir conhecimentos e revelações especiais de Deus. O santo e experiente apóstolo está afirmando que o crente sincero não é aquele que nunca peca ou comete erros, mas ensina que uma das marcas do cristão é pautar a vida pela obediência ao Senhor e à sua Palavra (1.8,9). 4 Considerando que Deus é luz e amor, o p q pecado e o ódio são absolutamente incompatíveis com o verdadeiro conhecimento do p Senhor. João usa cerca de 20 vezes a palavra “verdade” em suas cartas. É a Verdade que liga o crente a Deus (Jo 14.6). O nosso sincero amor para com o Senhor é aperfeiçoado à medida que dedicamos mais e mais obediência à sua Palavra. 5 João explica que o mandamento do amor é tão antigo quanto o próprio homem (Lv 19.18; Mt 22.39,40; Jo 13.34,35). Entretanto, o sacrifício expiatório de Cristo foi a demonstração maior desse amor. O exemplo pessoal do Senhor e seu ensino sobre o amor sacrificial de um para com os outros deve ser a nova marca dos crentes sobre a terra (Mt 5). 6 Por meio de redundância lingüística, João assegura a todos os seus “filhinhos” (queridos em Cristo) que, a despeito das duras provas, está seguro da vitória espiritual dos crentes, seja qual for o estágio ou maturidade da fé de cada pessoa (2.1,28; 5.21; Ef 6.10-18).

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O cristão não deve ser mundano 15 Não ameis o mundo nem o que nele existe. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 16 Pois tudo o que há no mundo: as paixões da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provêm do Pai, mas do mundo.7 17 Ora, o mundo passa, assim como sua volúpia; entretanto, aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente. A ação dos anticristos 18 Filhinhos, esta é a hora derradeira e, assim como ouvistes que o anticristo está chegando, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso, sabemos que esta é a última hora.8 19 Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem nos abandonado revela que nenhum deles era realmente dos nossos. 20 Entretanto, vós tendes uma unção que procede da parte do Santo, e todos tendes pleno conhecimento. 21 Portanto, não vos escrevo porque vos falta o conhecimento da verdade, mas justamente porque a conheceis e, porquan-to, nenhuma mentira tem origem na verdade.

nega que Jesus é o Messias? Este é o Inimigo de Cristo: aquele que rejeita tanto o Pai quanto o Filho. 23 Todo o que nega o Filho de igual forma não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai. 24 Quanto a vós outros, zelai para que aquilo que ouvistes desde o princípio permaneça em vossos corações. Porquanto, se o que ouvistes permanecer em vós, de igual modo permanecereis no Filho e no Pai. 25 E esta é a Promessa que Ele nos fez: a vida eterna! 26 Eu vos escrevo estas advertências a respeito daqueles que vos querem seduzir.9 27 Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém mais vos ensine sobre isso. No entanto, a unção que dele procede é verdadeira, não construída sobre a mentira, e vos ensina sobretudo o que precisais saber. Permanecei, pois, nele assim como Ele vos ensinou.10 Os verdadeiros filhos de Deus 28 Sim, queridos filhinhos, permanecei nele, para que tenhamos segurança quando Ele se manifestar e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda. 29 Se sabeis que Ele é justo, tomai conhe-

7 A sociedade incrédula se afasta do Senhor e, manipulada pelas artimanhas de Satanás, despreza a Palavra de Deus e os crentes (Jo 15.18-24). Os cristãos são encorajados a amar a humanidade e lhes pregar o Evangelho, mas não devemos nos apegar às paixões mundanas, pois somos cidadãos do céu (Jo 17.24; Tg 4.4). 8 Para os autores do NT, “a última hora” ou “o Dia do Senhor” são expressões de mesmo sentido, isto é, têm a ver com a era iniciada com a primeira vinda de Jesus Cristo à terra e apontam para o seu retorno iminente e glorioso, a fim de resgatar definitivamente a sua Igreja deste mundo que perece sob a liderança do Diabo, o arquiinimigo do Senhor e dos cristãos (At 2.17; 2Tm 3.1; Hb 1.2; 1Pe 1.20). João estava consciente de que seus leitores tinham pleno conhecimento das profecias que alertavam para o surgimento de um grande e poderoso inimigo de Deus e do seu povo, antes do retorno de Cristo. Esse será o principal “anticristo”, também chamado de “o homem do pecado” ou “a besta” (Mt 25.1-13; 2Ts 2.3; Ap 13.1-10). Entretanto, antes dele aparecerão, ao longo da era cristã que vivemos, muitos tipos de anticristos. Estes têm as seguintes características básicas: negam a encarnação; a perfeita divindade e humanidade do Jesus histórico; não têm amor a Deus como Pai, apenas usam de falsa religiosidade para iludir as pessoas e atingir seus fins escusos; são mentirosos, avarentos, egoístas e ardilosos (2Jo 7). Na época de João, esses anticristos eram representados pelos gnósticos primitivos que haviam abandonado a Igreja, pois nada tinham em comum com os crentes (2Ts 2.4; Ap 13.6,7). 9 Paulo havia profetizado o que chamou de “lobos ferozes” cerca de 40 anos antes da revolta desses pseudocristãos e o início do gnosticismo primitivo (At 20.29,30). 10 João não está menosprezando o ensino sistemático das Escrituras, mas sim alertando a Igreja para que não se deixe envolver por falsas doutrinas e ensinos heréticos. Os gnósticos estavam arrogantemente pregando que haviam recebido uma revelação especial de Deus, que os elevava a um padrão de conhecimento (no original grego gnosis) muito superior aos apóstolos. João nos ensina que o ministério do Espírito Santo consiste em iluminar nossa alma para “percebermos pela experiência” em Cristo (em grego ginõscõ – 2.13,14) a verdade já revelada na Palavra de Deus mediante seus autores sagrados (Mt 28.20; 1Co 2.9-16; 12.28; Ef 4.11; Cl 3.16; 1Tm 4.11; 2Tm 2.2,24).

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cimento também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele!11 A vida santa dos filhos de Deus Vede que imenso amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos tratados como filhos de Deus; e, em realidade, somos filhos de Deus! Por esse motivo, o mundo não nos conhece, porquanto não conheceu a Ele mesmo. 2 Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, todavia, sabemos que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como Ele é. 3 E todo o que tem nele essa plena confiança purifica a si mesmo, assim como Ele é puro.1 4 Toda pessoa que vive costumeiramente pecando também vive em rebeldia contra a Lei, pois o pecado é transgressão da Lei. 5 Sabeis, igualmente, que Ele se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado. 6 Todo aquele que permanece nele não vive pecando; toda pessoa que continua no pecado não o viu, nem tampouco o conheceu.2

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Filhinhos, ninguém vos iluda: quem pratica a justiça é justo, assim como Ele é justo. 8 Aquele que vive habitualmente no pecado é do Diabo, pois o Diabo peca desde o princípio. Para isto, o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo.3 9 Todo aquele que é nascido de Deus não se dedica à prática do pecado, porquanto a semente de Deus permanece nele e ele não pode continuar no pecado, pois é nascido de Deus.4 10 Deste modo, conhecemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus, nem tampouco aquele que não ama seu próprio irmão.
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A marca do cristão: o amor 11 Ora, a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros. 12 E não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e assassinou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas.5

11 Nem toda pessoa que se diz cristã é justa, mas toda justiça verdadeira só é possível ser vivenciada como resultado do novo nascimento em Cristo (Ef 2.10). Capítulo 3 1 João usa uma expressão grega especial para enfatizar que a fé no Senhor é uma “confiança inabalável” no seu amor e poder. E que, mediante essa fé sincera, o crente vai abandonando (santificação) tudo o que o separa (pecado) da plena comunhão com o Espírito de Deus (Jo 1.29; Rm 5.2). 2 O apóstolo não está exigindo uma perfeição impecável dos crentes, pois ele reconhece as limitações humanas a que ele próprio está sujeito. O que ele está ensinando é que, diferentemente dos gnósticos de sua época, os cristãos devem buscar viver de uma maneira santa (não caracterizada pelo pecado renitente e insensível), de acordo com a Palavra de Deus (tudo o que é certo, justo e generoso – Fl 4.8,9), inclusive pela prática da confissão (reconhecimento) e correção dos erros cometidos diante de Deus e dos homens (1.8-10; 2.1; Mt 18.15-20). 3 João faz importantes observações sobre o Diabo. É chamado de Maligno (seu principal atributo), pois em sua pessoa não há bem algum (v.12; 2.13,14; 5.18,19). Ele vem pecando desde sua rebelião contra Deus, antes de provocar a queda da humanidade (Gn 3; Jo 8.44). É instigador do pecado humano e todos quantos lhe dão ouvidos, e se entregam ao mundo de ilusões armado por ele para cativar suas presas, passam a pertencer a ele (v.8,12). Ele está presente em toda a terra e tem sob seu domínio macabro todo o sistema mundial dos incrédulos (5.19). Porém, não lhe foram concedidos permissão ou poder para lesar os crentes sinceros (5.18). Pelo contrário, ao cristão foi dado o poder de vencê-lo mediante o Espírito do Cristo que já o venceu e o destruirá definitivamente (2.13,14; 4.4). 4 João usa aqui um outro vocábulo muito especial spejrma (em grego transliterado: sperma), traduzido para o idioma inglês pela KJ, desde 1611, como “seed” (semente), cujo sentido ampliado é uma metáfora do princípio vital da reprodução humana (esperma) por meio do qual se transmitem às gerações as características do pai. O crente sincero tem o “gene” de Deus e, portanto, não se compatibiliza com nada que proceda do Diabo ou deste mundo tenebroso (2Pe 1.4; 1Pe 1.23,25; Tg 1.18-23; Jo 3.6,8). 5 Aqui estão algumas das características do Diabo que se manifestam no mundo: o pecado (vv.8.10); ódio (v.12); mentira e engano (Jo 8.44). Os falsos mestres e profetas, mais cedo ou mais tarde, revelam essas mesmas atitudes (1Jo 2.21,22; 4.2). Caim foi um exemplo de incrédulo que se rende à ilusão demoníaca (Hb 11.4; Gn 4.8).

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23 Ora, e este é o seu mandamento: que creiamos no Nome de seu Filho Jesus Cristo e amemos uns aos outros, assim como Ele nos ordenou.9 24 Todos aqueles que obedecem aos seus mandamentos nele permanecem, e Ele neles. E assim conhecemos que Deus permanece em nós: pelo Espírito que nos outorgou.

Meus irmãos, não vos admireis se o mundo vos odeia. 14 Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15 Toda pessoa que odeia seu irmão é homicida, e sabeis que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo. 16 Nisto conhecemos todo o significado do amor: Cristo deu a sua vida por nós e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. 17 Se alguém possuir recursos materiais e, observando seu irmão passando necessidade, não se compadecer dele, como é possível permanecer nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavras nem de boca, mas sim de atitudes e em verdade.6 19 Desta forma, saberemos que somos da Verdade e acalmaremos o nosso coração na presença dele; 20 pois, se o coração nos condena, Deus é maior que nosso coração; Ele é conhecedor de tudo. 21 Portanto, amados, se o nosso coração não nos condena, temos coragem diante de Deus;7 22 e recebemos dele tudo o que rogamos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada.8
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Alerta contra os falsos profetas Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, porém, avaliai com cuidado se os espíritos procedem de Deus, porquanto muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.1 2 Deste modo, podeis reconhecer o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;2 3 mas todo espírito que não confessa Jesus não provém de Deus. Ao contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir e, presentemente, já está no mundo. 4 Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.3 5 Eles são mundanos; por isso falam como

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6 Amor não é apenas uma bela palavra, mas um verbo que exige ações práticas e contínuas para que seu sentido seja bem compreendido (Tg 2.14-17; Rm 5.5). 7 A expressão grega parresia “confiança” comunica um tipo de ousadia com que os crentes podem testemunhar às demais pessoas sobre o amor de Cristo Jesus (At 2.29; 4.13,29,31) e uma “feliz segurança” ao nos aproximarmos de Deus em oração, como um filho amado que confia plenamente no amor e na capacidade do seu pai (3.21; 5.14). 8 João nos ensina que obediência é uma condição indispensável de sermos verdadeiros cristãos (discípulos de Cristo), e não causa meritória para obtermos resposta às nossas orações (5.14). 9 Esse mandamento tem duas partes indissociáveis: a fé sincera e absoluta em Jesus Cristo (Jo 6.29) e uma atitude de amor fraternal para com os irmãos de fé e todas as pessoas que ainda carecem da Salvação (Jo 13.34,35; 15.12,17). João desenvolve a primeira parte desse tema em 4.1-6, e, a segunda, em 4.7-12. Capítulo 4 1 João usa a expressão grega pneuvmati “espírito”, para revelar que todo ser humano é dirigido não apenas por sua parte física e material (ossos, carne e sangue), mas pela vida espiritual que reina em cada pessoa. Os nascidos do Espírito de Cristo (Jo 3), são movidos por Deus e por sua Palavra (3.24), como seus filhos; os que permanecem mortos em seus pecados têm sua pessoa (espírito) dominada pelo espírito do Maligno. Algumas vezes, inclusive sofrendo em seus próprios corpos com a invasão de demônios (2.18-22). O homem e a mulher de Deus (profeta ou mestre) ensinam impelidos pelo Espírito Santo (2Pe 1.21). Falsos teólogos e pregadores, como os gnósticos primitivos da época do apóstolo, falam sob a influência de espíritos afastados de Deus (Mt 7.15; 24.11; 1Tm 4.1; 2Pe 2.1). 2 A expressão grega original “confessar” tem o sentido de um compromisso de lealdade absoluta, q implica em “testemunhar p g g g p que p com palavras e atitudes” o amor e a fé que o cristão sincero dedica ao Senhor (Jo 17.4-6). É muito mais do que um simples depoimento formal ou conhecimento intelectual em relação à pessoa e à majestade do Cristo; pois isso, até mesmo o Diabo e os demônios reconhecem e tremem de medo (Tg 2.19; Mc 1.24; 3.11). 3 Os falsos cristãos e mestres são inspirados pelo mesmo espírito que habita nos anticristos (v.3). O Diabo é chamado também de “aquele que está no mundo” (Jo 12.31; 16.11). No v.3, o vocábulo “mundo” significa a Terra habitada por todos nós; nos vv. 4 e 5,

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quem pertence ao mundo, e o mundo os compreende. 6 Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não q nos entende. É assim que reconhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro. O amor de Deus nos move 7 Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido e conhece a Deus. 8 Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é amor. 9 Foi deste modo que se manifestou o amor de Deus para conosco: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por intermédio dele. 10 Assim, nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.4 11 Amados, considerando que Deus amou desta forma, nós também devemos amar uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é aperfeiçoado em nós.5 13 Temos certeza de que permanecemos nele, e Ele em nós, porque Ele nos outorgou do seu Espírito. 14 E vimos e testemunhamos que o Pai

enviou o seu Filho para ser o Salvador do mundo. 15 Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 16 Portanto, dessa forma conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos plenamente nesse amor. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. 17 Dessa forma, o amor é aperfeiçoado em nós, a fim de que tenhamos total segurança no Dia do Juízo, pois, assim como Ele é, nós semelhantemente somos nesse mundo.6 18 No amor não existe receio; antes, o perfeito amor lança fora todo medo. Ora, o medo pressupõe punição, e aquele que teme não está aperfeiçoado no amor. 19 Nós amamos porque Ele nos amou primeiro. 20 Se alguém declarar: “Eu amo a Deus!”, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, porquanto quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga. 21 Ora, Ele nos entregou este mandamento: Quem ama a Deus, ame de igual forma a seu irmão!7 A fé em Cristo vence o mundo Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo

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no entanto, indica precisamente o sistema político, econômico, social e religioso ao qual pertencem todos aqueles que ainda não nasceram de Deus (iluminados pelo Espírito), inclusive os anticristos e todos quantos vivem enganados e enganando (Jo 1.9). 4 O amor supremo de Deus vai além da encarnação para focalizar o sacrifício redentor de Jesus Cristo, o Filho de Deus. É a fé (o amor puro e verdadeiro) na pessoa e na obra de Cristo que nos proporciona plena confiança (segurança e paz) quanto à nossa salvação eterna (Jo 3.16). João usa a expressão “amor” em suas diversas formas, mais de 40 vezes nesta carta; somente entre 4.7 e 5.3, a palavra “amor” aparece 32 vezes no original grego. O amor de Deus é infinito e a própria essência do Pai, por isso, humanamente incompreensível e absolutamente incomparável. Contudo, é nossa inspiração, motivação e ideal (v.11). 5 O próprio Deus aperfeiçoa o seu supremo amor através do exercício cotidiano do amor fraternal dos cristãos, uns pelos outros, e todos pelos que ainda não conhecem ao Senhor como Salvador. As pessoas terão uma visão da pessoa de Deus no momento em que nós as amarmos como Cristo amou sua Igreja (Jo 1.18; Tg 2.22). 6 Somente a pessoa que é nascida de novo, que alcançou um viver maduro em Cristo, manifestando o fruto do Espírito Santo (v.13), sabe canalizar o amor de Deus para todos ao seu redor (2Co 2.15; 5.14; Gl 5.22; Rm 5.8). O amor de Deus em nós é o sinal de paz de que somos salvos, que produzirá plena confiança e alegria, quando o Dia do Juízo chegar como um relâmpago. Como filhos amados do Senhor, não há porque ter qualquer receio de sermos, por algum motivo, condenados por Deus, pois é o amor genuíno quem confirma a salvação (v.18; Jo 21.15-17). 7 Jesus Cristo, numa de suas muitas provas de que é Deus, unificou os dois mandamentos da Lei (Dt 6.4 e Lv 19.18), anunciando a Nova Ordem: a Lei do Amor, que está sobre toda lei e se resume num único mandamento: amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37-40).

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aquele que ama o Pai, de igual modo, ama também o que dele foi gerado.1 2 Desta maneira, sabemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e obedecemos os seus mandamentos. 3 Porquanto, nisto consiste o amor a Deus: em que pratiquemos os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são penosos. 4 Todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo; e este é o triunfo que vence o mundo: a nossa fé!2 5 Quem é que pode vencer o mundo? Somente a pessoa que crê que Jesus é o Filho de Deus. 6 Este é aquele que veio por intermédio de água e sangue, Jesus Cristo; não apenas mediante a água, mas por água e sangue. E o Espírito é quem dá testemunho, porquanto o Espírito é a Verdade.3 7 Assim, há três que proclamam testemunho: 8 o Espírito, a água e o sangue, e há plena concordância entre os três.4

Nós aceitamos o testemunho dos homens, contudo o testemunho de Deus tem maior valor, porquanto é a Palavra de Deus, que Ele próprio afiança acerca do seu Filho. 10 Ora, quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Todavia, todo aquele que não deposita fé em Deus o faz mentiroso, porquanto não crê no testemunho que Deus proclama acerca do seu Filho. 11 E o testemunho é este: que Deus nos concedeu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho!5 12 Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida.
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Conselhos finais do amado pastor 13 Estas orientações vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o Nome do Filho de Deus.6 14 E esta é a segurança que temos para com Ele: que, se lhe fizermos qualquer pedido, de acordo com a vontade de

1 João viveu numa sociedade patriarcal e, neste sentido, a família é a ilustração mais adequada para demonstrar que quem amar a Deus, o Pai, amará naturalmente o Filho primogênito e todos os seus irmãos mais novos (2.22). A fé em Cristo, assim como a expressão sincera, prática e contínua de amor fraternal é sinal de que nascemos de novo (4.7). 2 O apóstolo não está afirmando que a vida cristã é simples de entender e fácil de viver, mas que todo aquele que é nascido de novo recebe, com o Espírito Santo, a capacidade de olhar para os desafios e as provas com a mente de Cristo (4.7; 2.15). Em contraste com as obrigações do legalismo judaico (Mt 23.4), os mandamentos de Jesus Cristo são leves e suaves, pois visam proporcionar refrigério, descanso e segurança para nossas almas (Mt 11.30; Jo 14.5; Rm 12.2). 3 Os gnósticos primitivos, muitos saídos da própria Igreja, estavam pregando que Jesus teria nascido como qualquer ser humano e vivido assim (inclusive cometendo alguns pecados), até seu batismo, quando o Espírito de Deus, chamado “Cristo” desceu sobre a pessoa de Jesus, mas o abandonado antes do martírio na cruz, para que somente o homem Jesus morresse. João, evidentemente, não concorda com esse sofisma (mistura de um pouco de verdade com algumas mentiras, resultando num grande engano), e se esforça, durante toda essa carta, para deixar claro aos seus leitores que Jesus Cristo é perfeitamente homem e perfeitamente Deus (1.1-4; 4.2; 5.5). A água simboliza o batismo de Jesus, e o sangue, a sua morte. Assim, o ministério de Jesus teve início com seu batismo nas águas e terminou com sua morte vicária na cruz. Jesus Cristo é o Filho de Deus não somente no batismo, mas também, na sua morte e ressurreição. O Espírito Santo é a pessoa da Trindade que confirma o testemunho apostólico em nossos corações, que Jesus é o Filho Unigênito de Deus (Jo 1.32-34; 2.27; 1Co 12.3). 4 A Lei exigia duas ou três testemunhas para assuntos de grande importância, geralmente julgamentos de vida ou morte ou que envolvessem a reputação de alguém (Dt 17.6; 19.15; 1Tm 5.19). Na Vulgata e na antiga King James, esses versículos vêm com alguns acréscimos: “...testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um. E há três que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue...”. Como os acréscimos não são encontrados em nenhum manuscrito original ou mesmo tradução antes do séc.XVI, o comitê de tradução da KJA decidiu manter o texto em português de acordo com a compilação dos mais antigos e fiéis manuscritos (Majoritário e Grego Crítico). O batismo do Espírito e na água são ordenanças para todos os crentes (1Co 12.13; At 2.38). 5 O testemunho refere-se à segurança e paz internas providas pelo Espírito Santo no coração de todo cristão sincero (Rm 8.16; Jo 3.36; Fp 4.7). 6 O apóstolo João deixa claro que escreveu seu Evangelho para anunciar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor de nossas vidas, bem como despertar a fé no coração de todas as pessoas (Jo 20.31). Nesta carta, entretanto, João considera que seus leitores já são crentes e que agora precisam solidificar sua fé e teologia bíblicas.

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Deus, temos a certeza de que Ele nos dá atenção.7 15 E, se estamos certos de que ele dá atenção a tudo quanto lhe rogamos, estamos convictos de que receberemos os pedidos que lhe temos feito. 16 Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus dará vida ao que pecou. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Existe pecado que conduz à morte, não estou ensinando que se deva orar por este. 17 Toda injustiça é pecado, contudo há pecado que não induz à morte.8 18 Ora, sabemos que todo aquele que é

nascido de Deus não é escravo do pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o protege, e não permite que o Maligno o possa tocar. 19 Estamos cientes de que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno. 20 Da mesma forma, temos pleno conhecimento de que o Filho de Deus é vindo e nos tem concedido entendimento para reconhecermos o Verdadeiro. E nós estamos vivendo naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. 21 Filhinhos, acautelai-vos com os falsos deuses!

7 É preciso compreender que Deus não é nosso servo, nós é que servimos ao Senhor. Portanto, devemos ter cuidado com nossos pedidos. A oração eficaz e que sempre terá a resposta de Deus deve, antes de tudo, ser feita por alguém que teve seus pecados lavados pelo Senhor (Sl 68.18); deve rogar em o nome de Jesus Cristo (Jo 16.23,24); sua oração e petição devem glorificar a Deus (Tg 4.2,3); deve crer nas promessas (Tg 1.5-7) e guardar os mandamentos de Cristo (3.22; Jo 15.7). 8 Qualquer pecado na comunidade cristã deve, em primeiro lugar, provocar um sentimento de solidariedade, intercessão e restauração (Mt 18.15-22; Gl 6.1). A Igreja, na época de João, estava vivendo sob os ataques dos hereges gnósticos que pregavam uma espécie de “amor livre”, sem qualquer pudor ou princípio moral. Além disso, negavam veementemente a encarnação de Jesus Cristo. A pessoa que afirma ser cristã, mas nega que Jesus Cristo é o Messias (o Cristo), o Filho de Deus, perfeitamente humano e perfeitamente Deus, revela-se como anticristo e incorre no mesmo pecado eterno e sem perdão contra o Espírito Santo, qual seja: o pecado da incredulidade renitente e despudorada (2.18-23; 4.4,5; 2Jo 9; Mc 3.29; Mt 12.22-32).

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