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Provérbios

Provérbios

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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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original

Autoria

O próprio livro de Provérbios apresenta Salomão (971-931 a.C.), filho do grande rei Davi com
Bate-Seba (2Sm 12.24), como o principal autor e compilador dos ditados e instruções sapienciais
que formam esta obra canônica (1.1). Os escritos que se encontram registrados entre 10.1 e 22.6
são de sua direta e pessoal autoria. Contudo, Salomão selecionou – com sabedoria divina – os mais
apropriados pensamentos e ditados entre as centenas de sábios que vinham anualmente ao reino
unificado de Israel para conhecer, aprender e trocar experiências com o maior líder nacional, pacifi-
cador, administrador, conselheiro e sábio hebreu de todos os tempos. A passagem de 22.17 revela
as conclusões poéticas de alguns “Sábios”, e 24.23 cita ainda a contribuição de “outros sábios”. A
introdução de 22.17-21 é uma comprovação de que as diversas sessões da obra são fruto de um
colegiado de homens de Deus e sábios, e não apenas do próprio Salomão. O capítulo 30 tem como
mentor o sábio Agur, filho de Jaque e o rei Lemuel com sua mãe são considerados os autores do
trecho bíblico que encerra o livro de Provérbios.
A extraordinária capacidade intelectual de Salomão é evidenciada no Primeiro Livro dos Reis (4.29-
32), que afirma ser Salomão autor de 3.000 provérbios. O destaque conferido ao “temor do Senhor”
como a chave para uma vida feliz aqui, agora e na eternidade (1.7), é o elo indelével de todas as
sessões e conclusões da obra.
Propósitos
No livro de Provérbios, a sabedoria tem sua origem em Deus, Yahweh. Os ditados e instruções
da obra têm um principal objetivo: revelar prudência aos incautos; conhecimento e bom senso aos
jovens (1.4); assim como aumentar a inteligência dos sábios (1.5). O uso freqüente da expressão
“filho meu” ressalta a idéia de um monarca que ama a Deus, sábio e muito experiente na arte de
viver, que, amorosa e pacientemente, procura conduzir seus súditos mais jovens e inexperientes pelo
caminho da paz, da saúde e da prosperidade eterna (1.8,10; 2.1; 3.1; 4.1; 5.1). Embora esta obra seja
eminentemente prática e menos teológica, o alicerce de toda a sua praxe repousa sobre o princípio
filosófico de que o “temor do Senhor” é o segredo de uma vida feliz (1.7).
Nos primeiros capítulos (de 1 a 9), a obra revela que o caminho da sabedoria é absolutamente
oposto a qualquer atitude arrogante, violenta e imoral (1.11-18; 2.16-18).
Ao mesmo tempo, Provérbios critica severamente a esposa implicante e briguenta (19.13; 21.9,19),
e os maridos insensíveis, preguiçosos e rabugentos (14.29; 26.21). O lar deve ser um lugar de amor,
respeito, descanso e encorajamento para a alma (15.17; 17.1).
A intriga e a difamação são expressamente condenadas (10.19; 17.27). O tempo e a comunica-
ção devem servir para a edificação saudável e integral dos filhos e dos alunos ou discípulos (1.8;
22.6; 31.26). O sistema disciplinar formado por ministração, ensino, acompanhamento, correção e
repreensão e indispensável à boa educação e formação de filhos, empregados e alunos em geral
(13.24). Por isso, Provérbios incentiva o trabalho honesto e dedicado (10.4; 31.17-19), repudiando
o preguiçoso e aproveitador (6.6; 20.13). A boa e verdadeira riqueza está associada a retidão, jus-
tiça e esforço competente (3.16); enquanto a miséria é, quase sempre, fruto de iniqüidade e falta
do “temor do Senhor” (22.16). Há riquezas perversas e sobre elas Provérbios faz severos alertas
(15.16; 28.6). Os reis e governantes têm obrigação de agir com honestidade e justiça (31.5). Os
que tratam os mais fracos e pobres com misericórdia e cooperação serão grandemente abenço-
ados por Deus (14.21). Os ímpios e arrogantes serão exterminados subitamente (11.2; 16.18), es-
pecialmente aquele soberbo que vive questionando e zombando da fé e do comportamento limpo
e justo dos crentes no Senhor (1.22; 21.24). Os que se entregam ao álcool e a quaisquer outras
drogas vivem sob depressão e muita tristeza e precisam desistir de seus vícios o quanto antes e
apegar-se a Deus (20.1; 23.29-35).
INTRODUÇÃO
PROVÉRBIOS
Mesmo não tendo a preocupação de ser uma obra teológica, Provérbios faz questão de apresentar
Deus como o Criador do Universo, Aquele que detém o tempo, a matéria e a História em suas mãos,
controlando cada mínimo detalhe na Terra e no Universo (16.4,9,33; 20.24; 14.31; 5.21; 15.3). A
“Sabedoria”, como atributo do caráter de Deus é personificada (8.22-31). Não há situação impossível
para Deus, pois é Ele quem dirige e muda o próprio coração dos reis, segundo seus propósitos
santos e justos (21.1).
Data da primeira publicação
A escrita e o estilo poético-sapiencial dos provérbios já eram áreas bastante apreciadas pelos
povos do Oriente Próximo (cananitas, hititas), especialmente na Mesopotâmia e no Egito, desde o
segundo milênio a.C. A técnica literária de personificar uma grande virtude a ser exaltada e ensinada
é visível em muitas passagens do livro bíblico de Provérbios (1.20; 3.15-18; 8.1-36). Os “30 ditados
dos Sábios”, que fazem parte do cânon das Escrituras Sagradas (22.17 a 24.22), apresentam grande
semelhança com as 30 sessões da conhecida obra egípcia “Sabedoria de Amenemope”, publicada
por volta da mesma época de Salomão. Nesse sentido, considerando o papel fundamental do rei Sa-
lomão na autoria e coletânea dos melhores pensamentos disponíveis em sua época, sobre o relacio-
namento do homem com Deus, Yahweh (o nome sagrado e impronunciável de Jeová ou Iavé: YHWH,
o Eu Sou dos judeus e de todos os crentes, o Senhor – Êx 3,14, 15; Mt 16.15-17), podemos inferir que
o livro de Provérbios, como o conhecemos, foi publicado por volta do século 10 a.C. Um período em
que Israel e os povos vizinhos experimentaram grande paz, prosperidade e desenvolvimento cultural.
Tudo isso, fruto do amor sincero e dedicado do rei Davi e de seu filho Salomão, por Deus, por seu
povo e pela humanidade em geral. A vida do rei Salomão mostra o que um líder nacional pode fazer
por sua nação e pelo mundo, quando verdadeiramente comprometido em servir a Deus.
O próprio livro de Provérbios nos revela que um grupo especial de sábios, conhecido como “os
servos de Ezequias, rei de Judá” (25.1), foi encarregado de selecionar, organizar, editar e publicar
seções completas dos pensamentos e escritos de Salomão, por volta dos anos 715 e 686 a.C. Época
de grande reavivamento espiritual em Israel, motivado pelo próprio Ezequias rei, que amava a exten-
sa obra poética e literária de Davi e de Asafe (2Cr 29.30). Foi nesse tempo que as palavras proféticas
(no sentido de “oráculo”, de instrução e transmissão da Palavra de Deus ao povo) do sábio Agur
(cap.30) e do rei Lemuel (cap.31.1-9), assim como os demais ditados dos “Sábios” foram incorpora-
dos à coletânea que deu origem ao cânon do livro de Provérbios, como o temos hoje, na edição da
Bíblia King James Atualizada - KJA (22.17 a 24.22; 24.23-34).
Esboço geral de Provérbios
I. Prefácio: autor, propósito e tema (1.1-7)
II. Dois conjuntos de sete princípios de sabedoria (1.8 – 9.18)
A) Primeiro conjunto dos princípios do saber:
1. O poder e as riquezas conquistados por meios imorais e violentos (1.8-33)
2. A graça e a riqueza da sabedoria e do discernimento que vêm de Deus (2.1-22)
3. Deus sempre abençoará o esforço daqueles que nele confiam (3.1-10)
4. Descobrir o valor da disciplina é encontrar valioso tesouro (3.11-20)
5. Um único Caminho é certo, e o amor ao próximo passa por ele (3.21-35)
6. A sabedoria bíblica é o maior tesouro de uma família (4.1-9)
7. A sabedoria do Senhor nos ajuda a tomar o Caminho certo (4.10-19)
B) Segundo conjunto dos princípios do saber:
1. O filho de Deus precisa demonstrar justiça e bom senso ao mundo (4.20-27)
2. O cuidado para não se deixar levar pelos ardis da carne e do maligno (5.1-6)
3. O amor verdadeiro é absolutamente oposto à concupiscência (5.7-23)
4. Cuidados com a fiança, a preguiça e os enganos malignos (6.1-19)
5. A imoralidade e o adultério são loucuras: fuja dessas ciladas (6.20-35)
6. Quem busca viver em santidade contará com as bênçãos de Deus (7.1-27)
7. A personificação da Sabedoria em busca do coração humano (8.1-9.18)
III. Provérbios escritos por Salomão e as palavras dos sábios (10.1-29.27)
1. A extraordinária sabedoria divina e inteligência de Salomão (10.1-22.16)
2. A primeira parte dos ditados dos Sábios (22.17 – 24.22)
3. A segunda parte dos ditados dos Sábios (24.23-34)
4. Os pensamentos de Salomão pelos sábios do rei Ezequias (25.1-29.27)
IV. Os oráculos do sábio Agur (30.1-33)
1. A verdade e a mentira – o meio termo ou a difamação (30.1-10)
2. Caluniadores e enganadores – os desobedientes (30.11-17)
3. Os quatro caminhos misteriosos, e a queda no adultério (30.18-20)
4. Os quatro eventos que surpreendem o mundo (30.21-33)
V. Oráculos do rei Lemuel e da rainha-mãe (31.1-9)
VI. Acróstico da mulher virtuosa (31.10-31).
O princípio da sabedoria
1

1
Provérbios de Salomão, filho de Davi,
rei de Israel.
2
Para aprender a viver de maneira inte-
ligente e disciplinada; para entender os
ensinos que produzem sabedoria;
2
3
para desenvolver um caráter correto e
perspicaz, vivendo de maneira justa, com
eqüidade e bom senso;
4
para dar prudência aos simples, assim
como conhecimento e juízo aos jovens.
3
5
Mesmo o sábio que lhes der ouvidos
aumentará em muito seu entendimento,
e quem tem discernimento obterá clara
orientação
6
para compreender o significado das pa-
lavras e parábolas, ditados e enigmas dos
sábios.
7
O temor do SENHOR é o princípio do co-
nhecimento, mas os insensatos despre-
zam a sabedoria e a disciplina.
4
Advertências contra as seduções
8
Filho meu, ouve a inst r ução de teu
pai e não menosprezes o ensino de t ua
mãe.
5
9
Pois eles formarão uma coroa de bên-
çãos para a tua cabeça e colar de honra
para o teu pescoço.
10
Filho meu, se pessoas perversas tenta-
rem seduzir-te, não o permitas!
11
Se te convidarem: “Vem conosco, em-
bosquemo-nos para assaltar e matar al-
guém; espreitemos o incauto, ainda que
apenas por diversão!
12
Traguemo-los vivos, como a sepultura
engole os mortos; vamos destruí-los por
completo, como são aniquilados os que
descem à cova;
13
encontraremos todo tipo de objetos
valiosos e encheremos as nossas casas
com tudo o que roubarmos;
6
14
junta-te ao nosso bando; dividiremos
PROVÉRBIOS
1
Jafar Sadeq, considerado pela tradição muçulmana xiita como um de seus santos mais destacados, encontrou-se com um
religioso ocidental e lhe perguntou: “Quem pode ser considerado sábio?” Depois de pensar um pouco, o religioso lhe disse:
“Aquele que pode distinguir entre o bem e o mal”. Ao que replicou o mestre xiita: “Então, até mesmo um macaco pode ser con-
siderado sábio, pois que é capaz de discernir entre o que é bom e ruim para ele”. Entretanto, a Palavra de Deus nos garante que
a amorosa, sincera e reverente devoção a Deus (expressão aqui traduzida por “temor”) é a lei magna e princípio fundamental de
todo o saber (v.7). A sabedoria divina de Salomão, sua profícua produção literária de provérbios e cânticos em louvor ao Senhor
Deus são citados em 1Rs 4.32; Ec 1.1; Ct 1.1; Pv 10.1; 25.1.
2
“Sabedoria” é palavra-chave nesta obra canônica e ocorre mais de 40 vezes em todo o livro. Seu significado inclui a idéia de
aplicar a inteligência divina nas idéias e práticas humanas cotidianas. O livro dos provérbios é uma convocação para um viver
sadio e bem sucedido, em harmonia com os justos e imutáveis desígnios de Deus (3.13,14; 4.5). Jesus Cristo, o Messias, é a
expressão exata da sabedoria de Deus (1Co 1.30; Cl 2.3).
3
A palavra, aqui traduzida por “prudência”, no original hebraico é uma expressão tão forte que, na literatura hebraica, fora do
cânon bíblico, é normalmente usada com conotação negativa de “ardil” ou “astúcia” (Gn 3.1; Jó 5.13). Os “simples” ou “inexpe-
rientes” são expressões (e seus sinônimos) que aparecem no texto bíblico mais de 15 vezes, sempre com o propósito de se referir
às pessoas que se deixam influenciar facilmente; os incautos, ingênuos, inseguros ou de personalidade fraca, alguns devido à
pouca experiência com a vida e nos relacionamentos humanos e à dificuldade em dominar suas vontades (9.4,16; Sl 19.7). A KJ
de 1611 traduz este versículo assim: To giue subtiltie to the simple, to the yong man knowledge and discretion.
4
O v.7 resume o tema da obra: !¸ N ¨ ` “o temor” do Senhor, que é a maneira bíblica hebraica original de se referir à plena, alegre e amo-
rosa submissão do ser humano ao seu Criador e Pai – Deus Yahweh – a quem, como súditos celestes, devemos honra e a cuja Palavra
devemos obediência (9.10; 31.30; Jó 28.28; Sl 2.11; 111.10; Is 12.6; Ec 12.13; Ml 1.14). Em contraposição, temos a figura do “insen-
sato”, expressão cujo sentido mais amplo e dramático refere-se ao “louco”, não exatamente ao doente mental, mas especialmente ao
“tolo”, aquele que diante da verdade e da vida prefere a mentira e a morte (v.22; Jo 1.9-12; Pv 5.12; 12.1; 20.3; 28.26; 29.11; Sl 14.1).
5
Na prática diária da vida hebraica, especialmente nos tempos antigos, o pai e a mãe são os primeiros e melhores mestres
que um ser humano pode ter: é um privilégio, particularmente nos primeiros anos de vida. Por isso, é comum no Oriente, os
mestres tratarem seus alunos como filhos (6.20). A KJ de 1611 traduz: My sonne, heare the instruction of thy father, and forsake
not the law of thy mother.
6
O poder e o prazer são tentáculos do deus Dinheiro (Mâmon), que desde a mais tenra idade procuram seduzir e manipular
os “tolos” e “volúveis”. Pessoas cujo egoísmo não lhes permite resistir aos encantos e prazeres do poder, seja qual for o preço a
148
em partes iguais o resultado de tudo o
que tomarmos!”
15
Filho meu, não sigas pelo caminho
desse tipo de gente! Afasta os teus pés
para longe das veredas que eles seguem,
7
16
pois os pés deles se precipitam para o
mal e correm para derramar sangue.
17
Assim como é inútil estender a rede de
caça, se as aves te observam,
8
18
da mesma maneira essas pessoas não
percebem que armam cilada contra a
própria vida; constroem emboscadas
para sua própria destruição!
19
Tal é a vereda de todo ganancioso; e a
ambição pelo lucro ilícito conduz o in-
sensato à ruína.
Exortação à sabedoria
20
A Sabedoria clama em alta voz pelas
ruas, proclama nas praças públicas;
9
21
brada do alto dos muros; à entrada das
portas da cidade profere em alta voz o
seu discurso:
22
“Até quando, ó insensatos, amareis a
insensatez? E vós, zombadores, até quan-
do tereis prazer na zombaria? E, vós, des-
controlados, até quando desprezareis o
conhecimento?
23
Convertei-vos, pois, à minha exorta-
ção: eis que derramarei copiosamente
sobre vós o meu espírito e vos revelarei
as minhas palavras.
10
24
Contudo, visto que vos convoquei ao
arrependimento e vós recusastes; porque
estendi a mão e não houve quem aten-
desse;
25
em vez disso, rejeitastes todo o meu
conselho e não aceitastes a minha repre-
ensão,
26
eu, de minha parte, zombarei da vos-
sa desgraça; me rirei quando o terror se
abater sobre vós,
11
27
em vindo o flagelo como a tempesta-
de sobre vós; em vindo a vossa completa
perdição como o furacão, quando a afli-
ção e a dor vos desesperarem.
28
Então, suplicarão minha atenção, en-
tretanto, não vos responderei; buscar-
me-ão, porém, não me hão de encontrar.
29
Porquanto desprezaram o conheci-
mento e rejeitaram o temor do Eterno,
o SENHOR,
30
não desejaram receber o meu conselho
e foram indiferentes à minha advertên-
cia!
31
Portanto, comerão do fruto de suas
decisões e atitudes, e se fartarão de suas
próprias elucubrações inúteis.
12
pagar; que estão prontas a derramar sangue inocente para obter seus intentos sórdidos (v. 13,19; 3.14-16; 5.1-6; 6.24; 7.5; 16.16;
Jó 28.12-19; Mt 6.24).
7
O caminho do adultério (não apenas sexual, mas toda alteração da verdade e justiça) é ilusório (aparentemente interessante,
sedutor e prazeroso), mas conduz, invariavelmente, a dois resultados: produz muito mal às outras pessoas (v.16) e aos próprios
incautos (vv.17-19).
8
Uma alusão a um antigo adágio oriental: “Ave experiente (e suculenta) não cai em laço simples”. Os caçadores (corruptores
e mal-intencionados) freqüentemente caem em suas próprias armadilhas (emboscadas – v.11): é só uma questão de tempo (Sl
7.15; Pv 26.27; Ec 10.8).
9
Salomão é dirigido por Deus para personificar a “Sabedoria”, fazendo referência à própria pessoa de Jesus Cristo, que prome-
te conceder o seu Espírito (v.23), mediante oração invocatória (de aceitação da Graça – v.28), adverte todos aqueles que zombam
e desdenham da sua Palavra, mas promete a paz e a felicidade aos que o aceitam de coração sincero (vv.32,33; Mt 5.6).
10
Ainda é tempo de o arrogante, presunçoso, insensível, avarento, hedonista e egoísta se render humildemente aos pés de
Cristo e receber a graça salvadora de Deus. Há uma fonte de refrigério de alma e sabedoria jorrando, ininterruptamente, à disposi-
ção de todas as pessoas da terra (18.4). Contudo, chegará o momento em que essa fonte cessará de jorrar na terra e o derradeiro
juízo terá início, sem clemência (v.24; Is 1.4; 5.24; Mt 23.37).
11
Este verso não deve ser compreendido como uma atitude simplesmente vingativa ou possivelmente descontrolada de Deus,
mas como uma reprodução da exultação humana, frente ao glorioso momento de sua redenção, depois de tanto tempo passado
sob as tentações, a exploração e zombaria daqueles que se achavam imbatíveis, auto-suficientes e rebeldes contra Deus, seus ser-
vos e seus princípios. O sábio poeta retrata a alegria do justo que, finalmente, vê com satisfação o mal ser definitivamente destruído.
Deus dará sua resposta aos reis da terra que usurparam seus poderes e imaginaram ser iguais à divindade (6.12-15; Sl 2.4).
12
É comum às pessoas clamarem diante de um perigo, grave acidente ou catástrofe: “Ó, meu Deus!” Todavia, no instante
preciso em que o Dia do Senhor chegar, e com ele o grande e derradeiro Juízo, não adiantarão expressões de arrependimento
e súplicas por perdão e misericórdia (vv.20,27; 18.20; 31.31; Is 3.10). “Portanto, tudo o que o ser humano semear, isso também
colherá!” (Gl 6.7).
PROVÉRBIOS 1
149 PROVÉRBIOS 1, 2
32
Pois a imprudência dos néscios os ma-
tará; e o falso bem-estar dos insensatos
os levará à destruição.
33
Mas aquele que me der ouvidos vive-
rá em plena paz, seguro e sem temer mal
algum!”
13
Lucros de uma vida sábia
2
Meu filho, se aceitares os meus con-
selhos e abrigares contigo os meus
mandamentos,
1

2
com o objetivo de considerar atenta-
mente a sabedoria e inclinar o coração
para o discernimento,
2

3
e, se clamares por entendimento, e por
inteligência suplicares, aos brados;
4
se buscares a sabedoria como quem
procura a prata, e como tesouros escon-
didos a procurares,
5
então, compreenderás o que significa
o temor do SENHOR e acharás o conheci-
mento de Deus.
3
6
Porquanto é o SENHOR quem concede
sabedoria, e da sua boca procedem a in-
teligência e o discernimento.
7
Ele reserva a plena sabedoria para os
justos; como um escudo protege quem
procura viver com integridade,
8
pois guarda os passos do justo e protege
o caminho de seus santos.
4
9
Desse modo, compreenderás bem o que
significa ser justo, ter juízo, agir com reti-
dão, e aprenderás os caminhos do bem.
10
Pois a sabedoria habitará em teu co-
ração, e o conhecimento será agradável
à tua alma.
5
11
O bom senso te guardará, e a plena in-
teligência te protegerá.
12
A sabedoria te livrará das veredas dos
maus, das pessoas de palavras ardilosas;
13
dos que abandonam o caminho da
verdade e trilham os atalhos da mentira
e das trevas;
14
que se alegram em praticar o mal e co-
memoram a crueldade dos perversos,
15
seguem por atalhos tortuosos e se ex-
traviam em suas próprias trilhas.
16
A sabedoria também te livrará da mu-
lher imoral, da pervertida que visa sedu-
zir com palavras e sensualidade,
6
17
que abandona aquele que desde a ju-
ventude foi seu companheiro dedicado,
ignorando a aliança que pactuou diante
de Deus.
7
18
A mulher imoral caminha a passos
largos em direção à morte, que é a sua
13
Os “tolos” seguirão suas próprias e mais obscuras vontades rumo à destruição. O “sábio” andará na companhia do Espírito
de Deus e jamais se arrependerá; ainda que passe por crises e momentos de aflição, reinará em triunfo, paz e felicidade sobre a
terra (Is 32.9,18; Ez 34.27; Am 6.1; Sf 1.12).
Capítulo 2
1
O sábio conclama os jovens ou inexperientes (tanto na vida quanto na comunhão com Deus) a depositarem a sabedoria em
seus corações com todo o carinho e segurança, assim como o salmista exorta que guardemos a Palavra de Deus (Sl 119.11; Is
55.11). A expressão original hebraica `!`3C` “meus mandamentos” não deixa dúvida sobre as ordens expressas do Senhor.
2
A expressão hebraica traduzida nas edições de KJ, desde 1611, como “coração”, corresponde, na antiga cultura hebraica,
a “entranhas” ou a “intestinos”, por causa da sensação (frio na barriga) normalmente experimentada quando se sente uma forte
emoção, e significa o “centro das decisões humanas”; sendo assim traduzida também, em algumas passagens, por “mente” ou
“razão” (4.21; 1Rs 3.9). A KJ de 1611 publica assim este versículo: So that thou incline thine eare vnto wisedome, and apply thine
heart to vnderstanding.
3
A expressão hebraica aqui traduzida por Deus é Elohim (v.17; Gn 2.4; Pv 3.4; 25.2; 30.9). O sábio nos exorta a conhecer a
Deus como pessoa (Pai), como única maneira de alcançar vida sábia e eterna (v.6; Fl 3.10-11).
4
A expressão hebraica original “santos” significa aqueles que foram “santificados”; escolhidos e separados pelo Espírito de
Deus para sua honra e glória (Rm 1.7; 8.14).
5
Os que aceitam a Palavra de Deus e recebem com sinceridade a sua Graça, aprenderão, com o Espírito do Senhor, a agir com
sabedoria em todas as circunstâncias (Hb 5.11-14).
6
A expressão hebraica original e literal “forasteira” ou “estrangeira” carregava o sentido de que as mulheres judias eram
tementes ao Senhor e, portanto, somente as gentias ou pagãs eram “imorais”. Contudo, o significado mais amplo diz respeito
ao afastamento da Lei e, especialmente, do amor sincero e dedicado ao Senhor, a fim de se entregar aos ilusórios prazeres mun-
danos (5.3,10,20; 6.24; 7.5,21; 23.27; 1Rs 11.1).
7
O crente sincero é leal e, por seu amor e fé em Deus, não quebra pactos assumidos diante do Senhor, como o caso da
“aliança” matrimonial, normalmente celebrada na juventude, com a pessoa a quem se prometeu amar e cooperar na construção
de uma família temente a Deus por toda a vida (Is 54.6; Ez 16.8; Ml 2.14; Êx 20.14).
150 PROVÉRBIOS 2, 3
derradeira habitação, e cujas trilhas to-
das conduzem ao lugar dos espíritos
mortos.
8
19
Os que a procuram jamais retornarão,
tampouco voltarão a encontrar o cami-
nho da vida!
20
Entretanto, a sabedoria te fará an-
dar pelo caminho dos homens de bem e
aprenderás a guardar a vereda dos justos.
21
Porquanto os justos herdarão a terra, e
os íntegros nela habitarão;
9

22
porém os ímpios serão exterminados
da face da terra, assim como dela serão
desarraigados os insinceros e desleais.
O sábio ama e obedece a Deus
3
Filho meu, não te esqueças das mi-
nhas ordenanças, mas permite que o
teu coração guarde os meus mandamen-
tos,
2
porquanto eles prolongarão a tua vida
por muitos anos e te concederão plena
prosperidade e paz.
1
3
Que a benignidade e a lealdade jamais
te abandonem: ata-as ao redor do pesco-
ço, escreve-as na tábua do teu coração.
4
Assim, encontrarás favor diante de
Deus e dos homens, bem como boa re-
putação.
2
5
Confia no SENHOR de todo o teu coração
e não te apóies no teu próprio entendi-
mento.
3
6
Reconhece o SENHOR em todos os teus
caminhos, e Ele endireitará as tuas vere-
das.
7
Não sejas sábio aos teus próprios olhos;
teme ao SENHOR e aparta-te do mal.
8
Isso se constituirá em saúde para o teu
corpo e vigor para os teus ossos.
9
Honra ao SENHOR com teus bens e com
as primícias de todos os teus rendimen-
tos;
10
e se encherão com fartura os teus celei-
ros, assim como transbordarão de vinho
os teus reservatórios.
4
11
Filho meu, não desprezes a disciplina
do SENHOR, nem te sintas magoado por
causa da sua repreensão.
12
Porquanto o SENHOR corrige a quem
ama, da mesma forma que o pai re-
preende o filho a quem deseja todo o
bem.
5
13
Bem-aventurado o homem que acha
a sabedoria, e a pessoa que encontra o
entendimento,
14
pois a sabedoria é muito mais proveito-
sa que a prata, e o lucro que ela proporcio-
na é maior que o acúmulo de ouro fino.
8
A expressão hebraica original transliterada refaim significa “espíritos dos mortos” ou “reino das sombras” (7.27; Jó 26.5). Os
falecidos estão no Sheol, expressão hebraica original que se refere à sepultura, ao pó da terra para onde nossos corpos voltam,
às profundezas obscuras ou às “moradas dos mortos” (1.12). Uma vida dedicada à prática da imoralidade (uma ação imoral leva
sempre a outra e mais outra), pavimenta o caminho que conduz rapidamente à destruição e à morte dos envolvidos (5.5; 9.18).
9
As terras de Canaã haviam sido prometidas por Deus a Israel (Gn 17.8; Dt 4.1). Na terra prometida o povo de Deus encontraria
plena paz e liberdade para viver em alegre devoção a Deus – Yahweh. Essa promessa foi ampliada para todos os povos, mediante
o sacrifício vicário de Cristo, o Messias (v.22; Dt 28.63; Sl 37.9-29; Mt 5.5).
Capítulo 3
1
A obediência amorosa aos mandamentos e princípios da Palavra de Deus (o temor ao Senhor – 1.7) proporciona saúde ao
corpo, paz ao espírito e, portanto, vida longa (v.8; 9.10,11; 10.27; 19.23). Essa é a promessa do quarto grande mandamento (Êx
20.12), que faz parte também dos ensinos de Jesus Cristo. Salomão orou pedindo sabedoria, e Deus lhe prometeu paz, prospe-
ridade e longevidade saudável, se permanecesse obediente à sua Palavra (1Rs 3.13,14).
2
O sábio crescerá em graça diante de Deus e dos homens, conforme o exemplo que nos deixou o Senhor Jesus (Lc 2.52; Rm
12.17; 2Co 8.21). A expressão hebraica original l¸ _ C 2 “confia” refere-se à atitude de depositar toda a nossa fé na pessoa de Deus.
3
O ser humano herdou de Deus a criatividade (capacidade de resolver problemas e ordenar o caos), mas para uma solução
perfeita e duradoura, devemos sempre consultar o Senhor (em oração) e sua Palavra. Não confiar jamais apenas em nossa força
e sentimentos, mas depositar toda a nossa fé no amor e poder de Deus, da mesma forma que os antepassados de Israel con-
fiaram em Deus e foram salvos (Sl 22.4,5; 37.5; Nm 14.24; Dt 1.36; Is 38.3). O próprio rei Davi suplicou a seu filho Salomão que
oferecesse seu coração em plena e sincera confiança ao Senhor (1Cr 28.9; Os 4.1; 6.6; Is 45.13).
4
Deus promete a todos que lhe trazem o dízimo de seus bens e ganhos, como sincera demonstração de fé, louvor e adoração,
derramar mais bênçãos financeiras e econômicas do que eles têm condições de recolher e armazenar (Ml 3.10; Dt 28.8,12; 2Co 9.8).
5
Nem sempre o justo vive em prosperidade plena; às vezes precisamos passar por provas e períodos sob a repreensão do Pai,
a fim de crescermos espiritualmente e não ficarmos tão apegados aos desejos da nossa carne e aos bens materiais (v.2; 12.1; Jó
5.17; 36.22; Sl 119.71; Hb 12.5-10). Israel, por exemplo, passou por uma prova e período de disciplina que durou 40 anos, por
causa do coração endurecido dos filhos de Deus naquele momento histórico (Dt 8.2-5).
151 PROVÉRBIOS 3
15
Mais preciosa é do que os rubis mais
puros, e tudo o que podes ambicionar
não é comparável a ela!
6
16
Ao passar da vida, na mão direita a sa-
bedoria te garante longevidade; na mão
esquerda, riquezas e honra.
17
Os caminhos da sabedoria são veredas
agradáveis, e todas as suas trilhas condu-
zem à paz.
7
18
A sabedoria é árvore que oferece vida a
quem a abraça; quem a ela se apega será
muito feliz!
8
19
Por meio da sua sabedoria o SENHOR
firmou os alicerces da terra, por seu en-
tendimento fixou no lugar os céus.
20
Pelo seu conhecimento as fontes mais
profundas se rompem, e as nuvens gote-
jam o delicado orvalho das manhãs e as
chuvas de tempo em tempo.
9
21
Filho meu, não se apar tem estes en-
sinos dos teus olhos; guarda em teu co-
ração a verdadeira sabedoria e o bom
senso;
22
porquanto serão vida plena para a
tua alma e valiosa jóia ao redor do teu
pescoço!
10

23
Assim, andarás seguro no teu cami-
nho, e não tropeçará o teu pé.
24
Quando te deit ares, jamais temerás;
repousarás, e o teu sono será t r anqüi-
lo.
11
25
Não te afligirás com a iminência das
calamidades nem da ruína provocada
pelos ímpios!
26
Porque o SENHOR é a tua segurança
em qualquer circunstância e guardará os
teus pés de caírem em ciladas.
27
Sempre que possível, não deixes de co-
operar com quem precisa de ajuda.
12
28
Não respondas simplesmente ao teu
próximo: “Vai e volta amanhã, e eu te
darei algo”, se o tens disponível agora e
podes ajudar.
29
Não planejes o mal contra o teu pró-
ximo, que confiantemente mora contigo
ou perto de ti.
30
Jamais acuses ou demandes com al-
guém, sem razão, especialmente se essa
pessoa não te fez um mal evidente.
31
Não tenhas inveja de quem é violento,
nem adotes qualquer dos seus procedi-
mentos;
32
porque o SENHOR detesta o perverso,
porém ao justo Ele trata como seu gran-
de amigo!
13
33
A maldição do SENHOR está sobre a
casa dos ímpios, mas Ele abençoa o lar
dos justos.
34
Ele ri com desprezo dos arrogantes
zombadores, entretanto concede graça
aos humildes!
35
A honra é a preciosa herança dos sá-
bios, mas o Senhor expõe os insensatos
ao ridículo.
6
A sabedoria é personificada pelo poeta sagrado como a mais bela e inteligente mulher. A esposa amorosa e dedicada vale
mais que os mais caros rubis (31.10). Jó também considerou a sabedoria muito mais valiosa que os rubis (Jó 28.18). A KJ de 1611
já trazia a expressão hebraica original “rubis”, em vez de “pérolas”, como aparece em algumas versões: She is more precious then
Rubies: and all the things thou canst desire, are not be compared vnto her.
7
A expressão hebraica original shãlôm não apenas significa paz mas também prosperidade e plenitude, considerando a paz
com Deus como base para alcançar a plenitude. (v.2; 16.7; Sl 119.165).
8
O poeta sagrado usa uma figura de linguagem que remete à Árvore da Vida do jardim do Éden (Gn 2.9; Pv 11.30; 13.12; 15.4;
Ap 2.7; 22.2,14 de acordo com 1Co 1.30).
9
Deus abriu, pela força do seu poder, fontes e rios por toda a terra (Gn 7.11; 49.25; Sl 74.15). O orvalho diário que limpa o ar
e renova o viço da flora e da fauna é uma figura de linguagem da própria renovação da graça diária de Deus para com a humani-
dade, assim como as chuvas periódicas concedidas pela sabedoria divina (Dt 33.13; 2Sm 1.21).
10
Nas antigas culturas orientais, os soberanos exibiam ao redor do pescoço um valioso colar de ofício (Gn 41.42).
11
O sono reparador e saudável é profundo e sem sobressaltos. Por isso, a oração antes de dormir é de fundamental impor-
tância na preparação de um terapêutico período de descanso para restauração do físico e da alma. Só Deus pode nos conceder
absoluta segurança e paz, mesmo em meio às crises mais difíceis e preocupantes (Sl 4.8; Mt 8.24-26; Ef 4.26). Essa é uma das
promessas listadas entre as bênçãos pactuais (Lv 26.6; Jó 11.18,19; Mq 4.4; Sf 3.13; Pv 1.33).
12
Deixar de fazer o bem que sabemos e podemos é um grave pecado de omissão (Tg 4.17).
13
O Senhor abomina qualquer tipo de prática pagã, como a maldade, arrogância, indiferença, perversidade e degradação
moral (Dt 18.9,12; Pv 6.16; 8.7; 11.20). Porém, o justo é considerado seu grande amigo (Gn 18.17-19; Jó 29.4; Sl 25.14; Jo
15.12-27).
152 PROVÉRBIOS 4
A supremacia da sabedoria
4
Ouvi, filhos meus, a instrução do pai;
prestai atenção, a fim de alcançardes
o discernimento;
2
porquanto o ensino que vos ofereço é
excelente; não desprezeis a minha dou-
trina.
3
Quando eu era menino, ainda mui-
to pequeno, filho único de meus pais, e
muito especial para minha mãe,
1
4
meu querido pai me ensinava, dizendo:
“Retém em teu coração as minhas pa-
lavras; obedece às minhas ordenanças e
viverás feliz.
5
Busca a sabedoria, procura obter en-
tendimento e não te esqueças das pala-
vras da minha boca, tampouco delas te
afastes.
6
Não abandones a sabedoria, e ela te pro-
tegerá; ama-a, e ela te dará segurança.
7
O princípio fundamental do saber é:
procura obter sabedoria; investe todo o
teu ser e o que possuis para adquirir en-
tendimento.
2
8
Dedica grande consideração à sabe-
doria, e ela te exaltará; abraça-a, e ela te
honrará!
9
Ela te coroará com um exuberante dia-
dema de graça sobre tua cabeça e nela
fará repousar o esplendor da glória”.
10
Ouve, filho meu, recebe com atenção
as minhas palavras e terás vida longa.
11
No caminho da sabedoria te condu-
zi e pelas veredas da retidão te ensinei
a andar.
12
Sendo assim, enquanto andares sabia-
mente, nenhum obstáculo impedirá tua
vitória: correrás e não tropeçarás!
13
Retém a orientação que recebeste e
jamais a desprezes; guarda-a bem, pois
dela depende a tua vida.
3
14
Jamais sigas pelas trilhas dos ímpios,
tampouco andes pelas veredas dos maus.
15
Evita o mal caminho, não passes por
ele; desvia-te dele e passa de largo.
16
Porquanto, os maus não conseguem
conciliar o sono enquanto não praticam
o mal; não podem dormir se não fizerem
tropeçar alguém;
17
pois eles se alimentam com o pão da
malignidade, e se embriagam com o vi-
nho da violência.
18
Entretanto, a vereda dos justos é como
a luz da aurora, que vai brilhando cada
vez mais até a plena iluminação do dia.
19
O caminho dos perversos é como as
mais densas trevas, nem conseguem sa-
ber em que tropeçam.
4
20
Filho meu, dá atenção às minhas ins-
truções; aos meus conselhos inclina os
teus ouvidos.
21
Jamais os percas de vista; guarda-os no
mais íntimo das tuas entranhas,
22
pois são vida para quem os encontra e
saúde para todo o seu ser.
23
Acima de tudo o que se deve preser-
var, guarda o íntimo da razão, pois é da
disposição do coração que depende toda
a tua vida.
5
24
Afasta para longe da tua boca as pala-
1
O rei Davi fala sobre Salomão, seu único filho com Bate-Seba (1Cr 22.5; 29.1),quando este era ainda muito jovem e inexpe-
riente (simples), muito amado por seu pai e, especial para sua mãe (Gn 37.3; Zc 12.10). As citações e declarações autobiográficas
eram comuns entre os sábios judaicos (Pv 24.30-34, de acordo com o livro de Eclesiastes).
2
A expressão original hebraica !`¸2N¨ (o princípio) nos ajuda a compreender que a sabedoria é “suprema” e deve ser procura-
da de todo o coração, por meio do temor do Senhor (1.7), como alguém que, ao encontrar uma pérola rara, de valor inestimável,
vende tudo o que tem para adquiri-la (Mt 13.45,46). É Deus quem concede a sabedoria (Tg 1.5-8).
3
Devemos aceitar e amar a sabedoria divina como luz e guia eterno para os nossos caminhos (Sl 119.89, 105). Jesus Cristo
nos ensinou a reconhecer na Palavra de Deus a direção sábia e infalível de Deus; seus mandamentos são leves e nos conduzem
à verdadeira felicidade (Mt 11.28-30; Jo 10.10; 14.12-21).
4
Em muitas ocasiões, o próprio Messias, o Senhor Jesus, referiu-se aos provérbios para ministrar aos seus amados ouvintes
(Jo 12.35 com Pv 4.19; Jo 8.24 com Pv 5.23; Jo 6.47 com Pv 8.35; Mt 7.24-29 com Pv 14.11).
5
A expressão hebraica original aqui traduzida por “coração”, corresponde à sede dos sentimentos e decisões do ser humano,
que no antigo oriente era compreendida como a região das entranhas (dos intestinos), especialmente por causa da sensação
que as emoções normalmente causam no estômago, como um certo “frio na barriga”. Jesus nos ensinou que a boca fala do que
está cheio o “coração”, ou seja, do que está repleto o íntimo (Lc 6.45). Sendo o corpo do cristão o templo do Espírito Santo, é
fundamental que saibamos guardar o nosso “coração”; afastarmo-nos do mal mediante atenção às orientações do Espírito (Rm
8.26,27; 1Co 6.19; 1Ts 5.19).
153 PROVÉRBIOS 4, 5
vras perversas; e não permitas que teus
lábios pronunciem qualquer mentira.
25
Olha sempre para a frente, mantém teu
olhar fixo no objetivo a ser alcançado.
6
26
Reflete sobre tuas escolhas e sobre o
caminho por onde andas, e todos os teus
planos serão bem sucedidos!
27
Não te desvies nem para a direita
nem para a esquerda; retira o teu pé da
malignidade!
7
Conselhos contra a imoralidade
5
Filho meu, presta atenção às minhas
palavras de sabedoria e inclina os teus
ouvidos para compreender o meu dis-
cernimento.
2
Assim manterás o bom senso, e os teus
lábios guardarão o conhecimento;
1

3
porquanto os lábios da mulher imoral
são sedutores e destilam mel; sua voz é
mais suave que o azeite,
4
contudo, no final é amarga como fel,
afiada como uma espada de dois gumes.
2

5
Seus pés correm para a morte; seus pas-
sos conduzem-na diretamente ao inferno.
6
Ela não reflete sobre o perigo de andar
por trilhas tortuosas, e não consegue en-
xergar o caminho da vida.
7
Agora, portanto, meu filho, dá-me ou-
vidos e não te desvies das palavras da mi-
nha boca.
8
Afasta o teu caminho da mulher adúltera,
e não te aproximes da porta da sua casa;
9
para que não entregues aos outros a tua
honra, tampouco, tua própria vida a al-
gum homem cruel e violento;
10
para que dos teus bens não se fartem
os estranhos, e outros se enriqueçam à
custa do teu trabalho;
11
e venhas a te queixar e gemer no final
da vida, quando teu corpo perder o es-
plendor e o vigor abandonar tua carne.
12
Então, murmurarás: “Como me rebe-
lei à disciplina! Como meu coração des-
prezou a repreensão!
13
Não quis ouvir os meus mestres, nem
dei atenção aos que me ensinavam.
14
Cheguei muito próximo da ruína com-
pleta, à vista de toda a comunidade!”
3

15
Portanto, bebe a água da tua própria
fonte, sacia tua sede com as águas que
brotam do teu próprio poço.
16
Por que deixar que os teus ribeiros
transbordem pelas ruas e as tuas fontes
pelas praças?
17
Que tais mananciais sejam exclusiva-
mente teus, jamais divididos com quem
quer que seja!
18
Bendita seja a tua fonte! Alegra-te
sobremaneira com a tua esposa. Sê feliz
com a moça com quem casaste!
19
Gazela ardorosa, corsa graciosa; que os
seios da tua esposa sempre te fartem de
prazer, e seu amor te extasie de carinhos
todos os dias de tua vida.
20
Por qual razão, filho meu, andarias
6
Devemos olhar sempre para nosso alvo maior: a glória do Senhor (Fl 3.13,14), e não nos deixarmos levar pelas coisas e pai-
xões paralelas deste mundo (Sl 119.37). A inveja, o mexerico e a maledicência são outras formas de nos desviarmos do principal
objetivo de nossas vidas e “olharmos de lado” (v.27; Lv 19.16; Dt 5.32,33; 28.14; Js 1.7).
7
Assim foi traduzido este versículo, do manuscrito grego para a KJ de 1611: Turne not to the right hande nor to the left: remoue
thy foot frō euil. (1.15).
Capítulo 5:
1
A expressão original hebraica ¨` !_ £ 2 !_ V ¨ ` ! `· · · · · C * C ¨ C 2 7 “para que conserves a discrição e os teus lábios guardem o conhecimen-
to” era, costumeiramente, aplicada a um sacerdote (Ml 2.7). Os cristãos, hoje, são os sacerdotes de Cristo (1Pe 2.9; Ap 5.10).
2
Estes conselhos foram dirigidos, originalmente, a jovens masculinos de uma cultura oriental hebraica, há cerca de 3000 anos;
hoje, particularmente nas sociedades ocidentais, podem ser aplicados, indistintamente, a ambos os sexos e a todas as idades.
Os “lábios que destilam o mel” referem-se à conversa interessante, compreensiva e agradável que se estabelece entre duas
pessoas em processo de sedução (Ct 4.11; 5.13; 7.9). As palavras de uma mulher ou homem adúlteros (imorais), bem pensadas
e carinhosamente pronunciadas, exercem função semelhante à do azeite quente massageado em músculos tensos e juntas dolo-
ridas; entretanto, são expressões cheias de lisonjas, hipocrisia e malícia (Sl 5.9; 55.21). O absinto ou fel é um extrato de ervas, a
substância mais amarga que se conhecia, usado na época no tratamento dos males do estômago, fígado e intestinos.
3
No contexto da cultura e da Lei judaicas da época, o pecador aqui apresentado quase foi acusado perante a assembléia do
povo e condenado à pena de morte por apedrejamento (Lv 24.14; Dt 22.22). A tradução literal e original deste versículo é: “Por
pouco estive em todo mal no meio de toda a assembléia e congregação”. A KJ de 1611 traduziu desta maneira: I was almost in
all euill, in the midst of the congregation & assembly.
154 PROVÉRBIOS 5, 6
descontrolado atrás de uma mulher imo-
ral? Por que acariciar outros seios que
não os de tua esposa?
21
Os caminhos do homem estão diante
dos olhos do SENHOR, e Ele examina aten-
tamente todos os seus passos!
4
22
Quanto ao perverso, são suas próprias
iniqüidades que o amarram e o fazem pri-
sioneiro das cordas do seu pecado.
23
Com toda a certeza, ele morrerá por
falta de controle; andará inseguro e cam-
baleante por conta de sua insensatez.
Advertência quanto a ser fador
6
Filho meu, se ser viste de fiador
ao teu próximo, se, com um aper-
to de mãos, te comprometeste por um
est ranho,
1
2
e ficaste enredado pelas declarações que
saíram da tua boca, então és prisioneiro
de tua própria palavra.
3
Agora, filho meu, considerando que
caíste nas mãos do teu companheiro, vai
e humilha-te diante dele; insiste, inco-
moda e importuna esse teu próximo;
4
não te permitas conciliar o sono, nem que
teus olhos pestanejem; não descanses.
5
Livra-te desse compromisso como a ga-
zela das mãos do caçador, como a ave da
armadilha que a pode prender.
2
Advertência contra a preguiça
6
Observa a formiga, ó preguiçoso, reflete
sobre o trabalho que ela realiza e sê sábio!
7
Mesmo não tendo um chefe, nem su-
pervisor, nem comandante,
8
armazena suas provisões no verão, e na
época da colheita ajunta seu alimento,
com toda a disciplina.
9
Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?
Quando te levantarás da tua sonolência?
10
Tirando uma pestana, cochilando um
pouco, cruzando os braços para descansar,
11
tua iminente pobreza te aterrorizará,
e tua necessidade te assaltará como um
ladrão armado.
Advertência contra a maldade
12
O caráter do perverso é maligno. Ca-
minha de um lado para o outro murmu-
rando atrocidades,
3
13
comunica-se sorrateiramente com os
olhos, arrasta os pés e faz sinais com os
dedos.
14
Em seu coração habita o engano; todo
o tempo planeja o mal; anda semeando
perversidades e discórdias.
15
Por essa razão, a desgraça se abaterá
repentinamente sobre ele; de um gol-
pe será completamente destruído, sem
qualquer apelação.
4
4
Estamos moralmente e psicologicamente nus diante do Espírito de Deus, e o Senhor sonda os nossos corações (vontades e
intenções), o tempo todo. Se a felicidade plena e a vida eterna repousam na obediência amorosa e sincera aos mandamentos de
Deus, não há como justificar más intenções, deslizes morais e pecados de toda espécie, com argumentos racionais, científicos
e modernos (novos padrões de moral mundial). Somente o sincero arrependimento, confissão, pedido de perdão e a mudança
radical de hábitos, mediante o exercício prático do “temor do Senhor” poderão nos livrar das garras do maligno e da destruição
certeira (v.22; 1Sm 16.7; Ez 33.11; Mt 5.8 de acordo com Hb 9.27 e Gl 6.7).
Capítulo 6
1
Um documento assinado, um aperto de mão ou uma palavra empenhada, para a pessoa que realmente teme a Deus, são
atitudes que têm o mesmo significado: um compromisso que deve ser cumprido custe o que custar (22.26,27). Em Gênesis há
uma passagem que ilustra bem o perigo de assumirmos a responsabilidade pelo pagamento da dívida do próximo ou qualquer
outra obrigação semelhante. Judá ofereceu sua própria pessoa como garantia pela devolução, em segurança, de Benjamim a
Jacó (Gn 43.9), e, quando o cumprimento desse desafio pareceu impossível de se realizar, Judá se viu obrigado a apresentar-se a
José para servir-lhe como escravo (Gn 44.32,33). Era costume dos judeus da antigüidade selarem seus contratos e alianças com
um aperto de mãos (Pv 11.15; 17.18; 20.16; 22.26, de acordo com Jó 17.3).
2
Devemos fugir de qualquer contrato de fiança como as aves fogem das mãos ou do laço do passarinheiro (Sl 124.7). Veja este
versículo na tradução da KJ de 1611: Deliuer thy selfe as a Roe from the hand of the hunter, and as a bird from the hand of the fowler.
3
O original hebraico personifica e apresenta o “homem vil” 7_V_`72 C¨_N como “homem de Belial”, uma pessoa maligna (1Sm
30.22). O termo “maligno” vem da conjunção de duas palavras: beli, “sem” e ya’al, “nada de bom” ou “imprestável” (Jz 19.22;
1Sm 25.25; Jó 34.18; Dt 13.13). Em 1Co 6.15 essa palavra traduz um dos nomes de Satanás.
4
Há pessoas que são absolutamente escravizadas e manipuladas pelo Diabo. Assim como as atitudes do homem de Belial
são semelhantes às obras do Maligno, assim também seu fim será parecido à derrota iminente, fulminante e eterna do “homem
da iniqüidade” (2Ts 2.7-12). A própria palavra “Diabo” originalmente significa “semeador de conflitos”, e a palavra grega diabolos
quer dizer “aquele que promove a discórdia”. A palavra original hebraica Satan tem o sentido básico de “Acusador”.
155 PROVÉRBIOS 6, 7
16
Há seis atitudes que o SENHOR odeia,
sete atitudes que ele detesta:
5

17
olhos arrogantes, língua mentirosa,
mãos que derramam sangue inocente,
18
coração que maquina planos perversos,
pés que se apressam para fazer o mal,
19
a testemunha falsa que espalha difa-
mações e aquele que provoca contendas
entre irmãos!
Advertências contra o adultério
20
Filho meu, obedece à orientação de teu
pai e não abandones o ensino de tua mãe.
21
Ata-os para sempre ao teu coração,
envolve-os junto ao teu pescoço.
6
22
Quando caminhares, eles te guiarão;
quando te deitares, eles te protegerão
durante o sono; quando acordares, eles
dialogarão contigo!
23
Porquanto, o mandamento é lâmpada,
o ensino é luz, e as advertências da disci-
plina são o caminho que conduz à vida;
24
eles te guardarão da mulher imoral e
das palavras lisonjeiras da mulher adúl-
tera!
25
Não cobices no teu coração a sua
beleza, nem te deixes seduzir por seus
olhares,
7
26
pois o preço de uma prostituta é um
pedaço de pão, quando comparado ao
objetivo da adúltera, que vive rondando
à caça de vidas preciosas!
8
27
É possível alguém atear fogo ao pró-
prio peito sem queimar a roupa?
28
Pode alguém andar sobre brasas sem
queimar os próprios pés?
29
Assim acontece com quem se deita
com mulher alheia; ninguém que a toque
ficará sem castigo.
30
O ladrão não é execrado se, faminto,
furta para matar a fome?
31
Contudo este, quando for pego, deverá
pagar sete vezes o que furtou, ainda que
isso lhe custe tudo o que tem em casa.
9

32
Mas o homem que comete adultério
não tem juízo; qualquer pessoa que as-
sim procede a si mesmo se destrói.
33
Sofrerá ferimentos e vergonha, e a sua
humilhação jamais se apagará,
34
pois o ciúme desperta a fúria de um
homem, que não terá misericórdia quan-
do se vingar.
10
35
Não aceitará nenhuma compensação;
nem os mais caros presentes servirão
para acalmar sua ira.
A sedução e a cilada do adultério
7
Filho meu, obedece aos meus conse-
lhos e no íntimo do teu ser guarda os
meus mandamentos!
5
A poesia bíblica hebraica do séc. X a.C. costumava usar números na formação de seu paralelismo sinônimo, com o objetivo
de dar ênfase e dramaticidade aos escritos sapienciais (30.15-29; Jó 5.19). O número sete, por exemplo, desde a antigüidade ju-
daica tem sido usado para comunicar a idéia de “absoluto, completo, perfeito” e tem sentido de “muitos ou fartura”. A idéia central
deste versículo é apenas mostrar uma seleção das várias atitudes pecaminosas que são detestadas, abomináveis a Deus (3.32).
6
Estas expressões no original evocam a passagem de Dt 6.4-9, que alguns judeus mais religiosos até hoje recitam todas as
manhãs, como sua confissão de fé, conhecida como shema, “Ouve, ó Israel!...”. (v.22; Js 1.8; Dt 6.4-9).
7
É melhor deixar a Palavra e o Espírito de Deus queimarem toda a “cobiça”, assim que surgir no horizonte de nossa alma
voluptuosa, do que cair no engodo do “adultério” (imoralidade), quer seja sexual, financeiro ou político (Pv 5.20; Mt 5.27-30, de
acordo com Êx 20.17).
8
Aqui não há uma concessão bíblica para qualquer prática imoral ou licenciosidade sexual. O saber canônico está apenas
revelando, de forma dramática, que a mulher pública (prostituta) tem como principal objetivo o dinheiro dos incautos que por ela
são seduzidos; mas como adúltera, ela é muito mais perversa: reduzirá o homem conquistado, a mera servidão e a completa ruína
moral e econômica (1Sm 2.36; Pv 5.10; 29.3). Quem se entrega a uma vida adúltera será destruído, a menos que se arrependa
e mude radicalmente seus hábitos, zelando permanentemente por sua castidade e integridade diante de Deus (Hb 13.4; 1Co
6.9; Gl 5.19-21).
9
A lei dos judeus exigia, como penalidade, que o criminoso restituísse, à sua vítima, até cinco vezes mais o valor do que havia
furtado ou roubado (furto a mão armada ou com violência). A sabedoria bíblica e poética usa o termo “sete vezes” para indicar,
simbolicamente, que o faltoso pagará a pena máxima e integral. Contudo, a pessoa que vive em adultério e jamais se arrepende,
sofrerá vergonha e destruição eterna (Êx 22.1-9; 2Sm 13.13,22).
10
Aqui, a exemplo da questão do v.26 (Nota 8), não está sendo apresentada uma justificativa plausível para a vingança e a
violência, especialmente se a parte prejudicada for temente a Deus. No entanto, o sábio nos adverte sobre a força destruidora do
ciúme incontrolado. Além disso, bens materiais sempre poderão ser reconquistados ou restituídos, mas não há compensação
para a loucura (insensatez) das práticas adúlteras, que não ficarão sem o devido castigo (vv. 29-31).
156 PROVÉRBIOS 7
2
Segue as minhas orientações e desco-
brirás a verdadeira vida; zela pelos meus
ensinos como cuidas da pupila dos teus
olhos.
3
Amarra os meus mandamentos aos
teus dedos; escreve-os na tábua do teu
coração!
4
Dize à Sabedoria: “Tu és minha irmã!”,
e ao Entendimento considera teu parente
próximo;
1
5
eles saberão te manter longe da mulher
imoral e da pessoa leviana e bajuladora.
6
Da janela da minha casa, por minhas
grades, olhando eu,
7
vi entre os incautos, no meio de um gru-
po de jovens, um rapaz deveras sem juízo!
8
Ele ia e vinha pela rua próxima à esqui-
na de certa mulher imoral, depois seguiu
em direção à casa dela.
9
Estava chegando o crepúsculo, o final
do dia, caíam as sombras do entardecer,
rodeavam as trevas da noite.
10
Eis que a mulher lhe sai ao encontro,
com vestes de prostituta e cheia de astú-
cia na alma.
11
Ela é sedutora e espalhafatosa, seus pés
não suportam ficar em casa;
12
um momento na rua, outro nas praças,
em cada esquina se detém à espreita de
sua vítima.
13
Precipitou-se sobre o rapaz, beijou-o
sem pudor e lhe declarou:
14
“Tenho em casa a carne dos sacrifícios
de paz que hoje preparei para cumprir os
meus votos.
2
15
Por esse motivo, saí ao teu encontro, a
buscar-te, e te encontrei.
16
Já estendi sobre o meu leito cobertas
coloridas de linho fino do Egito;
17
também já perfumei minha cama e o
ambiente, com mirra, aloés e canela.
18
Vem, embriaguemo-nos com as de-
lícias da sensualidade até o amanhecer;
gozemos os prazeres do amor!
19
Pois o meu marido não está em casa;
partiu para uma longa viagem.
3

20
Levou consigo uma bolsa cheia de pra-
ta e não retornará antes da lua cheia!”
21
Assim, com a sedução ardilosa das suas
muitas palavras e gestos, persuadiu-o,
com a lisonja e volúpia dos seus lábios,
o arrastou.
22
E ele, sem refletir, no mesmo momento
a seguiu como o boi levado ao matadou-
ro ou como o cervo que corre em direção
à emboscada,
23
até que uma flecha lhe at ravesse o co-
ração; como a ave que se apressa em sal-
tar para dent ro do alçapão, sem imagi-
nar que essa atitude lhe custará a vida!
24
Agora, portanto, filho, dá-me toda a
tua atenção e inclina os teus ouvidos às
minhas palavras experientes:
25
Não permitas que teu coração se des-
vie para o caminho da mulher imoral,
nem vagues desorientado pelas trilhas
dessa pessoa.
26
Inúmeras foram as suas vítimas; e
muitos são os que por ela foram mortos!
27
A casa dela é uma trilha que conduz
precipício abaixo, rumo ao inferno, à
morada eterna dos mortos.
4

1
O sábio personifica a Sabedoria e o Entendimento, para enfatizar o quanto são importantes e devem ser amados e cuidados
como nossos parentes mais íntimos. O termo hebraico original “irmã” pode também ser empregado aqui com o sentido de
“noiva” (Ct 4.10-12; 5.1,2).
2
Conforme a Lei, após seu período menstrual toda mulher deveria oferecer, ao Senhor, uma oferta “pacífica” ou “de comu-
nhão” (Lv 15.19-30; Am 5.21,22). O sentido espiritual do texto nos leva a entender que essa pessoa imunda, que representa toda
a sagacidade do pecado, teve a petulância de usar um ritual sagrado para confundir e instigar ainda mais a volúpia do jovem
inexperiente (incauto ou fraco na fé). Essa situação também revela como é possível que as pessoas continuem sua vida religiosa
e cerimonial sem se darem conta de que estão cometendo graves afrontas e sacrilégios contra Deus.
3
Podemos fazer uma outra importante inferência espiritual a partir desta declaração. É possível ver como a sociedade tende a
argumentar que Deus se ausentou do mundo e da vida cotidiana e individual das pessoas sobre a face da terra e que, portanto,
nada há de mal em se permitir um pouco de divertimento e prazer em meio a tanta desgraça. Esse sofisma bem articulado tem
levado e continuará levando milhões de pessoas para a morte eterna, especialmente quando o “Noivo” voltar em glória para
resgatar os seus e destruir o Maligno e seus seguidores (Mt 25.6).
4
O sábio não está se referindo simplesmente à pena máxima para o adultério, tanto do homem quanto da mulher, explícita
na Lei e em voga na época, que era a condenação à morte (Lv 20.10). O pecado e todo tipo de adulteração da Palavra de Deus
conduz à desmoralização da personalidade, à ruína em todos os sentidos, ao lugar dos mortos (em hebraico: Sheol), e à morte
157 PROVÉRBIOS 8
A primazia absoluta da sabedoria
8
A Sabedoria clama! O Entendimento
ergue a sua voz!
1
2
Sobre os montes mais elevados junto
ao caminho, nos cruzamentos, ouve-se a
voz do discernimento.
2
3
Ao lado dos portais, à entrada da cida-
de, portas adentro, ela conclama em alta
voz:
4
“A todos vós, ó homens, suplico; dirijo
a minha convocação a toda a humanida-
de.
5
Entendei, ó incautos, a prudência; e vós,
insensatos, compreendei a sabedoria!
3
6
Ouvi, pois proferirei conselhos exce-
lentes; os meus lábios falarão de assuntos
justos e práticos.
7
A minha boca proclamará a verdade,
porquanto meus lábios abominam a ma-
lignidade!
8
Todas as minhas palavras são justas, ne-
nhuma delas é adulterada ou perversa.
4
9
Para os que possuem discernimento,
são ensinos claros; e, veredas retas, para
os que alcançam o conhecimento.
10
Recebei o meu ensino, e não a prata,
preferi o conhecimento, antes do ouro
puro.
11
Porquanto, melhor é a sabedoria do
que as mais finas jóias, e de tudo o que se
possa ambicionar, absolutamente nada
se compara a ela!
12
Eu sou a Sabedoria! Em mim habita
todo o conhecimento, o discernimento e
o ensino!
5
13
O temor do SENHOR consiste em
odiar o mal; rejeit ar todo orgulho, ar-
rogância, o mau compor t amento e o
falar per verso.
14
Meu é o conselho sábio; a mim perten-
cem o entendimento e o poder!
15
Por meu intermédio, os reis governam,
e as autoridades exercem a justiça;
16
da mesma forma, mediante meu po-
der, governam os nobres, todos os juízes
da terra.
17
Eu amo todos os que me amam, e
quem me busca me encontra!
6
18
Em minhas mãos está toda a riqueza,
honra, prosperidade e justiça perenes.
19
Meu fruto é melhor que o ouro; sim,
que o ouro mais puro; o lucro que vos
ofereço é superior ao metal mais valioso!
20
Ando pelo caminho da retidão, em
meio às veredas da justiça,
21
outorgando riquezas aos que me
amam; oferecendo a estes prosperidade
sem fim!
eterna ou inferno (2.18; 5.5; 14.12; 16.25; Mt 7.13; 1Co 6.9,10). Graças a Deus temos na pessoa e no sacrifício vicário de Cristo,
a derradeira oportunidade de nos livrarmos das garras do pecado e da morte: a confissão, o arrependimento e o abandono da
prática do pecado em o Nome do Senhor (1Jo 1.9).
Capítulo 8
1
O livro de Provérbios pode ser didaticamente dividido em três grandes capítulos, todos com o objetivo de ensinar à huma-
nidade como viver de forma piedosa (santa e inteligente) diante de Deus: o temor do Senhor é a base de todo o saber e vida
com Deus (1.1 – 7.27). A prática da verdadeira vida espiritual (santidade) só é possível mediante a sabedoria – o conhecimento
vivo do Senhor – (8.1 – 9.18). A piedade (santidade) é o exato oposto da vida mundana desinteressada de Deus – impiedade –
(10.1 – 31.31).
2
Uma das mais evidentes demonstrações da graça de Deus está no fato de que ele mesmo providencia – de todas as formas
– para que sua mensagem de salvação (evangelização) chegue a todos os povos, culturas e indivíduos em todo o mundo, das
ruas e vilas às grandes edificações e centros urbanos. É importante notar que o convite do Senhor vem ao nosso encontro, onde
estivermos, e cabe a nós a decisão final de aceitá-lo de todo o coração ou nos mantermos indiferentes, atitude que tem o mesmo
sentido prático da rejeição (v.7; Lc 19.9,10).
3
O termo original hebraico C¸`N_!£ peti´ “simples” comunica a idéia de uma pessoa “ingênua, inexperiente, que é facilmente
enganada”, ou seja, “incauta”. “Néscio” ou “insensato” – em hebraico, kesil – tem o sentido de alguém vagaroso na compreensão
das coisas e da vida, mas inclui também a idéia de ser “ímpio, pagão ou ateu” (Sl 49.13; Ec 7.25).
4
A expressão “adúltera” não se aplica somente à perversão sexual, mas a todo tipo de distorção da verdade, falsificação,
corrupção, deturpação e perversidade (Fp 2.15 e Pv 2.15).
5
A “Sabedoria” é personificada e revelada com perfeição em Jesus, o Filho de Deus e o Cristo (o Messias prometido). Nele
reside, corporalmente, toda a plenitude da “Divindade” (Cl 2.9), que é a “Vida” (Jo 14.6) e a “Luz” que veio do céu (Jo 8.12) para
todos os que o aceitam com sinceridade e alegria de coração (Jo 7.17). Só essa sabedoria tem o poder de falar com autoridade
absoluta (vv.22-31; Jo 1.1; 1Co 1.30; Cl 1.17).
6
Aqui podemos reconhecer claramente a voz de Jesus Cristo expressando seu amor incondicional pela humanidade e sua
disposição constante em atender as orações de todos que se achegam a ele (Jo 13.1; Hb 7.25).
158 PROVÉRBIOS 8, 9
A Sabedoria vive para sempre
22
O SENHOR me possui como fundamento
do seu Caminho, antes mesmo do princí-
pio das suas obras mais antigas;
7
23
fui formada desde a eternidade, desde
a origem de tudo, antes de existir a terra.
24
Nasci quando ainda nem havia abis-
mos, quando não existiam fontes carre-
gadas de água;
25
antes de serem estabelecidos os montes
e de se formarem as colinas, eu já existia.
26
Ele ainda não havia formado a terra,
tampouco os campos, ou as partículas de
poeira com as quais fez o mundo.
27
Quando Ele estabeleceu os céus, lá
estava Eu; quando delineou o horizonte
sobre a superfície do abismo,
28
quando fixou as nuvens em cima e es-
tabeleceu as fontes do abismo,
29
quando determinou as fronteiras do
mar para que as águas não ultrapassas-
sem seu ordenamento, quando assinalou
as balizas dos alicerces da terra,
30
então, Eu estava com Ele e cooperei
em tudo como seu arquiteto. Dia após
dia tenho sido o seu prazer, sempre me
sentindo muito feliz a seu lado.
8

31
Regozijando-me com o mundo que
Ele criou, e me alegrando com os seres
humanos!
32
Agora, pois, filhos meus, ouvi-me
atentamente, porquanto muito felizes se-
rão os que guardarem os meus decretos!
33
Ouvi o meu ensino e sereis sábios, não
rejeites a minha instrução.
34
Bem-aventurado todo aquele que me
dá ouvidos, vigiando dia a dia à minha
porta, aguardando com esperança às om-
breiras da entrada da minha casa.
35
Porquanto, toda pessoa que me en-
contra, acha a vida e ganha o favor do
SENHOR.
9

36
Todavia, aquele que decide afastar-se
de mim, a si mesmo se flagela; todos os
que me desprezam, amam a morte!”
O grande convite da Sabedoria
9
A Sabedoria edificou a sua casa; er-
gueu suas sete colunas.
1

2
Charqueou as melhores carnes do re-
banho para o banquete, preparou seu
vinho com especiarias e arrumou sua
grande mesa.
3
Já deu ordens às suas servas para pro-
clamarem os convites desde o ponto mais
alto da cidade, anunciando:
2
7
O trecho dos vv.22-31 veio a se constituir – ao longo da história de Israel e da Igreja – em um hino sobre a personificação e a
obra da sabedoria divina em toda a criação do Universo (1.20-33; 3.15-18; 9.1-12). Portanto, esta e outras passagens semelhantes
podem ser interpretadas como uma antecipação sobre o que o NT descreve quanto a Jesus Cristo como a própria Palavra de
Deus (Jo 1.1-3; 17.5), como também, Sabedoria de Deus (1Co 1.24,30; Cl 2.3; Jo 5.17,18).
8
Deus, em sua plena soberania e eternidade, criou o Universo e tudo o que há, a partir do “nada absoluto”, que é o sentido
exato da palavra “criar” nos originais hebraicos do livro do Gênesis 1.1,21,27. Deus forma do “nada” as partículas básicas do
Universo, moléculas e células, enquanto sua palavra (o logos divino) e sabedoria (seu caráter amoroso e justo), reveladas na
pessoa do seu Filho, e nosso Salvador (Messias), colaboram na maravilhosa ação da Trindade para ordenar tudo de tal forma que
a humanidade possa ter alguma compreensão geral (Jo 1.1-3). E na plenitude dos tempos, no limiar do final das eras, decidiu
Deus tomar plena forma humana (encarnar) na pessoa de seu Filho, Jesus Cristo; viver e sacrificar-se em benefício da vida eterna
da criação, da qual o homem, feito à imagem de Deus, é obra-prima (Gn 1.26-28).
9
Aquele que é a vida em si mesmo é o único que pode dar a vida (Jo 14.6). E Deus (em Cristo) deseja ansiosamente dar essa
vida a todos aqueles que desejam recebê-la, mediante simples e sincera fé na pessoa e obra vicária do seu Filho, o Cristo (Jo
11.25,26; Jo 3.16-21). A KJ de 1611 traz a seguinte tradução para este versículo: For whoso findeth mee, findeth life, and shall
obtaine fauour of the LORD.
Capítulo 9
1
O convite divino (de Yahweh – o nome hebraico de Deus) sempre se expressou nos termos de um grande, delicioso e alegre
banquete entre amigos de verdade (Is 55.1,2). Somente em Cristo, entretanto, o Evangelho (a Salvação), esse banquete eterno,
tem seu custo total e substância plenamente compreendidos (Jo 6.51-58). Aqui a expressão hebraica !`C2_l pode ser transli-
terada em hokmôť “a sabedoria” (1.20). As grandes edificações pagãs, como o magnífico templo de Afrodite e o palácio do rei
assírio Senaqueribe, costumavam ser sustentados por sete imponentes colunas. Mas a sabedoria que vem do Senhor revela suas
sete colunas, nos sete dias da criação (8.27), e mais: na Instrução, no Conselho, no Ensino, no Entendimento, na Inteligência,
no Conhecimento Pleno (para receber, no coração, a Sabedoria) e na Prudência (a melhor maneira de se aplicar o saber). Estas
palavras são as chaves para compreensão da Sabedoria e deste livro.
2
A Sabedoria e a Insensatez convidam a humanidade para suas casas (14.7,8; 8.34). Entretanto, a Sabedoria edificou sua casa
pessoalmente (14.1; 31.10-27), não apenas utiliza a casa de outrem, nem fica “sentada” (v.14) recepcionando seus convivas. O
159 PROVÉRBIOS 9, 10
4
“Vinde todos vós, os incautos!” Aos in-
sensatos e desajuizados conclama:
5
“Vinde, comei do meu pão e bebei do
vinho que preparei.
6
Abandonai a insensatez e vivei; andai
pelo Caminho do arrependimento!
3
7
O que censura o zombador traz afronta
sobre si; quem repreende o ímpio man-
cha o próprio nome.
8
Portanto, não admoestes o escarnece-
dor, para que não te aborreça; repreende
o sábio, e ele te amará!
9
Orienta a pessoa que tem sabedoria, e
ela será ainda mais sábia; ensina o ho-
mem justo, e ele aumentará em muito o
seu saber.
10
O temor do SENHOR é a chave da sabe-
doria e conhecer a Divindade é alcançar
o pleno sentido do conhecimento!
11
Porquanto por meu intermédio os teus
dias serão multiplicados, e o tempo da
tua vida se prolongará.
12
Se fores sábio, o benefício será todo
teu; contudo, se fores zombador sofrerás
as conseqüências da tua própria esco-
lha”.
O convite da Insensatez, a louca
13
A Insensatez é mulher sensual, exibi-
cionista e ignorante!
14
Sentada à porta de sua casa, no ponto
mais alto da cidade,
15
propagandeia sua proposta aos que
transitam por ali em seus caminhos:
16
“Vinde todos vós, os incautos!” E aos
que não têm bom senso ela convida:
17
“A água roubada é doce, e o pão que se
come escondido é ainda mais saboroso!”
18
Contudo, eles nem imaginam que exa-
tamente ali residem os espíritos dos con-
denados à morte, que os seus convidados
estão todos nas regiões mais profundas
do inferno.
4

A justiça e a malignidade
10
Provérbios de Salomão:
1

O filho sábio alegra o coração do
seu pai, mas o filho insensato é a tristeza
de sua mãe.
2
Os tesouros que são fruto da desones-
tidade de nada valem, mas a justiça livra
da morte.
3
O SENHOR não permite que o justo ve-
nha a passar fome, mas abate a ambição
dos ímpios.
4
As mãos preguiçosas empobrecem o ser
humano, porém as mãos laboriosas lhe
produzem riqueza.
5
Aquele que faz a colheita no verão é fi-
lho sensato, mas aquele que dorme du-
rante a ceifa é filho que causa vergonha.
6
Sobre a cabeça do justo há bênçãos,
mas na boca dos perversos reside a bru-
talidade.
7
A memória do justo é abençoada, mas o
nome dos perversos cai em podridão.
8
O sábio de coração aceita os manda-
mentos, mas o insensato de lábios vem
a arruinar-se.
9
Quem caminha com integridade anda
banquete preparado pela Sabedoria forma um contraste poético e moral com a cama perfumada da Insensata (7.17). A Sabedoria
oferece o melhor pão (iguarias), um vinho novo e especial, muito mais saboroso (Ct 8.2), ao seu grupo de convidados que proce-
de das ruas e das praças, sendo que a deficiência de tais hóspedes é a única qualificação deles (v.4).
3
As dádivas divinas da Sabedoria à humanidade são apresentadas simbolicamente como um magnífico banquete, semelhante
aos realizados por ocasião das bodas dos grandes monarcas. Cristo (o Caminho – At 19.23; 24.22) retoma esse tema e convida
“seus servos” para seu banquete universal e eterno (Lc 14.15-24; Mt 22.1-14).
4
A expressão hebraica original usada aqui 7`N2 do she’ôl (sepultura, moradia dos mortos ou inferno) não é uma referência
específica ao futuro eterno, uma vez que a teologia hebraica dessa época tinha mais interesse em conhecer a Deus na terra e
obedecer a Ele, do que em especular sobre os detalhes da vida após a morte. Só com a vinda de Jesus Cristo (o Messias) e seus
ensinos sobre salvação e vida eterna, é que também ficou clara a doutrina da condenação à morte eterna e o aniquilamento de
Satanás e seus seguidores (Jo 3.16-21; Mc 9.44,45; Ap 20.10-14). A KJ de 1611 traduz assim este versículo: But hee knoweth not
that the dead are there; and her guests are in the depths of hell.
Capítulo 10
1
No original hebraico, a soma do valor numérico das consoantes do nome “Salomão”, na expressão ¨C72 “de Salomão”,
resulta em 375, conforme o antigo costume judaico de atribuir números às letras (Sl 119). Curiosamente, esse é o número total
dos versículos selecionados da imensa obra (1Rs 4.32) do sábio servo do Senhor (28.7; 15.20; 17.21,25; 29.3,15), e que se acham
registrados entre os capítulos 10.1 e 22.16.
160 PROVÉRBIOS 10, 11
em segurança, mas quem segue por tri-
lhas tortuosas será descoberto.
10
Aquele que se comunica com olhares
maliciosos provoca infelicidades, assim
como a boca do insensato o leva à des-
truição.
11
Os lábios do justo são fonte de vida,
mas a boca dos ímpios abriga a violên-
cia.
2
12
O ódio provoca contendas, mas o amor
cobre todas as transgressões.
3
13
Nos lábios do prudente se encontra
a sabedoria, mas a vara da repreensão é
para as costas do desajuizado.
14
Os sábios acumulam conhecimento,
mas a boca do néscio é um atalho para
a ruína.
15
Os bens dos ricos são sua cidade for-
tificada, mas a pobreza é a humilhação
dos pobres.
16
O salário do justo lhe proporciona
uma vida feliz, mas as rendas do perverso
o conduzem ao castigo.
17
Quem recebe bem a disciplina conhece
o caminho da vida, mas quem ignora a re-
preensão desencaminha a si e aos outros.
18
Quem esconde o ódio tem lábios fal-
sos, e quem espalha calúnia é insensato.
19
Quando se fala demais é certo que o
pecado está presente, mas quem sabe
controlar a língua é prudente.
20
A língua dos justos é prata da melhor
qualidade, mas o coração dos ímpios
quase não tem valor.
21
As palavras dos justos alimentam mui-
tas pessoas, mas os insensatos morrem
por falta de juízo.
22
A bênção do SENHOR produz riqueza e
não provoca sofrimento algum.
23
Para o insensato, praticar a iniqüidade
é um divertimento; mas o ser humano
verdadeiramente inteligente deleita-se
na sabedoria.
24
Aquilo que teme o ímpio, isso mesmo
lhe acontecerá; o que os justos esperam
lhes será concedido.
25
Como passa a tempestade, assim desa-
parece o perverso, mas o justo permane-
cerá firme para sempre.
4
26
Como vinagre para os dentes e fumaça
para os olhos, assim é o preguiçoso para
aqueles que o supervisionam.
27
O temor do SENHOR prolonga os dias
da nossa existência, mas o tempo de vida
dos perversos será abreviado.
28
O objetivo do justo será concluído
com alegria, mas as ambições dos ímpios
darão em nada.
29
O Caminho do SENHOR é o refúgio dos
íntegros, entretanto, será a destruição de
todos os que praticam o mal.
30
Os justos jamais serão definitivamente
abalados, mas os ímpios pouco perma-
necerão na terra.
31
A boca do justo produz sabedoria, mas
a língua perversa será extirpada.
5
32
Os lábios justos sabem como falar agra-
davelmente; entretanto, a boca dos ímpios
só tagarela perversidades.
A Integridade e o bom nome
11
Deus tem ódio das balanças de-
sonestas, mas os pesos exatos lhe
dão prazer!
2
Em qualquer situação devemos conversar de maneira controlada e compreensiva, ainda que tenhamos de ser firmes e decisivos. A
conversa torpe, autoritária e abrutalhada coopera na formação de um ambiente beligerante, rixoso, malicioso e odioso (Ef 4.25-32).
3
O verdadeiro amor, em toda a amplitude do seu significado sempre promoverá o perdão e a reconciliação. A expressão he-
braica original kasah “cobrir” comunica o sentido de “expiar”, “apagar”, “cancelar a dívida”. Este versículo foi citado também por
Tiago e pelo apóstolo Pedro no NT (Tg 5.20; 1Pe 4.8). Jesus Cristo foi quem pagou toda a nossa dívida por meio do seu próprio
sangue e nos deixou o maior exemplo prático de amor e perdão (Cl 2.14).
4
O homem prudente constrói sua casa sobre a Rocha (Cristo – 1Pe 2.4-10). Este é um fundamento perpétuo: o justo permane-
cerá vivo e feliz para sempre, enquanto o ímpio e insensato passará de uma hora para outra, e dele ninguém mais se lembrará (Mt
7.24-27; Sl 37.10; 15.5; Is 28.18; 1Co 15.58). A KJ 1611 traduziu este versículo assim: As the whirlewinde passeth, so is the wicked
no more: but the righteous is an euerlasting foundation.
5
A expressão hebraica original ¨C2l, transliterada em hokmâh “a sabedoria”, comunica, nas Sagradas Escrituras, a qualidade
de ser “arguto para o bem”, embora esse mesmo termo fora da Bíblia tenha apenas o sentido de “grande inteligência, perspicácia
e perícia técnica” (Êx 31.3; Ez 27.8). Contudo, a “sabedoria plena” pertence a Deus e é dom de Deus aos amados de seu Filho,
Jesus, o Messias (Jo 12.12-36). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: The mouth of the iust bringeth foorth wisedome: but the
froward tongue shalbe cut out.
161 PROVÉRBIOS 11
2
Em vindo a arrogância, chega logo tam-
bém a desonra, mas com os humildes
está a sabedoria.
1
3
A integridade dos justos os guia, mas a
falsidade dos infiéis os aniquila.
4
As riquezas acumuladas não terão valor
algum no Dia da ira divina, mas a justiça
livrará o fiel da morte.
2
5
A retidão dos íntegros de coração lhes
descortina o caminho justo, mas os ím-
pios são abatidos por sua própria perver-
sidade.
6
A integridade das pessoas justas as li-
vrará, mas em sua malignidade os infiéis
serão apanhados.
7
Assim que o ímpio morre, toda a sua
esperança perece com ele; todos os seus
planos acabam em nada.
8
O justo é salvo das tribulações, e elas
são transferidas para o ímpio.
9
O ímpio, com sua própria boca, destrói
o próximo, mas os justos encontram a li-
berdade por meio do real conhecimento.
10
Com a prosperidade dos justos toda a
cidade fica feliz; quando os ímpios pere-
cem há música e alegria no ar.
11
Os justos abençoam a cidade por meio
das bênçãos que recebem, mas pela boca
dos perversos é destruída.
12
O que despreza o próximo é falto de
senso, mas a pessoa prudente sabe o mo-
mento de se calar.
13
O fofoqueiro trai a confiança de quem
quer que seja, mas aquele que guarda um
segredo merece crédito.
14
Não havendo sábia direção, toda a na-
ção é arruinada; o que a pode restaurar é
o conselho de muitos sábios.
15
Quem serve de fiador com certeza so-
frerá as conseqüências; entretanto, quem
evita assumir a responsabilidade de ou-
trem estará seguro e em paz.
16
A mulher gentil e honrada alcança o
respeito de todos, mas os homens per-
versos só conquistam bens materiais.
17
Quem faz o bem aos outros, a si mes-
mo o faz; a pessoa cruel provoca sua pró-
pria ruína.
18
O ímpio recebe pagamentos engano-
sos, mas quem semeia a justiça colhe se-
gura recompensa.
19
Tão certo como a retidão conduz a
uma vida feliz, assim o que segue o ma-
ligno corre para sua própria morte.
20
O SENHOR detesta todas as pessoas
perversas de coração, mas aqueles que
andam em integridade de coração são a
sua alegria.
21
Tendes todos esta certeza: os maus não
ficarão sem o devido castigo, mas os jus-
tos serão perdoados!
22
Como anel de ouro em focinho de
porco, assim é a mulher bonita, mas in-
discreta.
23
As ambições dos justos resultam em
bem para muitos; a esperança dos ím-
pios, somente em desgosto e ira.
24
Quem dá com generosidade, vê suas
riquezas se multiplicarem; outros prefe-
rem reter o que deveriam ofertar, e caem
na pobreza.
25
O generoso sempre prosperará; quem
oferece ajuda ao necessitado, conforto
receberá.
26
O povo amaldiçoa aquele que esconde
o trigo para alcançar maior preço, mas a
bênção alcança aquele que logo se dispõe
a atender o povo.
1
A arrogância é o único pecado sem perdão; não porque Deus não possa perdoar o soberbo, mas porque a pessoa altiva
jamais reconhece profundamente seus erros e, portanto, não é capaz de pedir perdão com a sinceridade de quem deseja aban-
donar o erro e obedecer ao Senhor. A expressão hebraica original ]`¨_* zãdôn refere-se a “arrogância” ou “insolência”, que é
sempre causada por um desequilíbrio na balança da auto-estima: desenvolvemos um conceito exageradamente alto de nossa
própria pessoa ou capacidades e um baixo conceito ou desconsideração pelo talento ou virtudes de outrem. Quando esse mes-
mo sentimento se aplica à pessoa de Deus, corremos o risco de cometer o pecado da blasfêmia (16.18). Já o termo hebraico
C`V`.3 cãnüah “os humildes”, em sua forma verbal de “andar humildemente” diante do Senhor, se junta às virtudes paralelas, do
humilde: a justiça e a misericórdia, o fundamento e o âmago da piedade e da verdadeira religião de Deus, descrita no AT (Mq
6.8; Pv 15.33; 29.23).
2
O dia (ou período) do grande e terrível juízo final de Deus sobre a terra e a humanidade é chamado nas Escrituras, de: Dia do
Juízo (Is 10.3; Sf 1.18); Dia da ira (Lm 2.22; Sf 2.2; Rm 2.5); Dia do Senhor (Is 2.12; 13.6; Ez 30.3; Jl 1.15; 2.11); Dia da vingança
(Jr 46.10).
162 PROVÉRBIOS 11, 12
27
Todas as pessoas que procuram o bem
serão respeitadas; porém, o mal atropela-
rá aquele que o busca.
28
Quem deposita confiança em suas ri-
quezas certamente se decepcionará, mas
os justos florescerão como a folhagem
verdejante.
29
A pessoa que causa problemas para sua
família herdará apenas o vento; e o falto
de juízo acabará sendo servo do sábio.
30
O fruto da justiça é árvore da vida, e
toda pessoa que conquista almas é sábio.
3

31
Se mesmo o justo é corrigido em sua
caminhada na terra, quanto mais o ím-
pio e o pecador!
As atitudes do justo e do perverso
12
Toda pessoa que deseja o conheci-
mento ama a disciplina; mas aque-
le que odeia a repreensão não tem juízo.
2
O homem bom obtém o favor do SE-
NHOR, mas o que engendra malignidades
está sob a condenação do SENHOR.
3
O ser humano não se estabelece por
meio da perversidade, mas a raiz dos jus-
tos é firme e não será arrancada.
4
A mulher virtuosa é coroa de honra para
seu marido, mas a de atitudes vergonho-
sas é como podridão nos ossos dele.
1
5
Os planos dos justos são honestos, mas
as sugestões dos ímpios são sempre en-
ganosas.
6
As palavras dos perversos são armadi-
lhas mortais, mas, quando os justos fa-
lam, há libertação.
7
Os ímpios são derrubados e desapare-
cem, mas a casa dos justos permanecerá
indestrutível.
8
O homem é honrado de acordo com a
sua sabedoria, mas o que alimenta per-
versidades no coração é desprezado.
9
É melhor ser uma pessoa comum do
povo, porém, que trabalha duro e mes-
mo assim, tem quem o sirva, do que fin-
gir ser rico e passar fome.
2

10
O justo zela com carinho dos seus re-
banhos, mas até as atitudes mais amáveis
dos ímpios são cruéis.
11
Quem se dedica ao trabalho de sua
própria terra colherá com fartura, mas o
que vai atrás de ilusões é insensato.
12
O perverso cobiça até os despojos sa-
queados pelos maus; a raiz dos justos,
entretanto, produz seu fruto no tempo
certo.
13
O perverso cai em contradição e se en-
reda em seu próprio falar malicioso, mas
o justo não se preocupa por falar fran-
camente.
14
Do fruto da sua boca, o ser humano
conquista o que é bom para si, e o traba-
lho de suas mãos será recompensado.
15
As trilhas do desajuizado aos seus pró-
prios olhos parecem um ótimo atalho;
antes de tudo, porém, o sábio inclina
seus ouvidos para os conselhos.
3
Todo aquele que por Deus é justificado vive como cidadão do céu e terá novo e eterno acesso à Àrvore da Vida. E a grande
sabedoria desse “novo cidadão” consiste em apresentar o Caminho da Salvação ao mundo perdido (3.18; Dn 12.3; 1Co 9.19-22;
Tg 5.20). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: The fruit of the righteous is a Tree of Life: and hee that winmeth soules, is wise. O
justo é exortado a ser ainda mais sábio (santificado); o ímpio renitente será punido com a destruição eterna (v.31; 1Pe 4.18,19).
Capítulo12
1
O termo hebraico original 7`_l havill diz respeito à “força feminina”, ao caráter batalhador, corajoso e determinado das mu-
lheres em geral e especialmente daquelas que temem ao Senhor e, por isso, além de fortes, são “sábias”. Sua atitude delicada,
piedosa e ao mesmo tempo firme, honrada e constante, demonstra suas virtudes ao mundo. Essa é a mulher descrita no capítulo
31 deste livro. Sua intenção é sempre fazer o que é certo e o bem (31.12); trabalha de bom grado sem murmurações (31.13);
procura socorrer quem esteja passando por qualquer situação aflitiva (31.20); exerce diariamente a sabedoria prática (31.26-27);
e o segredo da sua força moral e carisma estão em seu amor ao Senhor (31.30). A mulher virtuosa tem um comportamento
semelhante ao de Rute no AT (Rt 3.11), e proporciona – como a própria sabedoria - honra e muitas alegrias a seu marido (Pv
4.9). Em contraste, a mulher insatisfeita, queixosa, autoritária, escandalosa e agressiva se assemelha a um câncer na vida do seu
marido e familiares (3.8; Hb 3.16).
2
A expressão hebraica original e literal mitkabbēd “aquele que se vangloria”, ou “dá excessiva honra a sua própria pessoa e
a tudo o que faz” traduz o comportamento da pessoa que erroneamente dá mais valor a si e à humanidade do que a Deus (Jo
5.44; Rm 2.29; Pv 12.15; Jó 9.20). Devemos corrigir nossa perspectiva em relação a quem primeiramente é digno do nosso louvor.
Nossa felicidade e glória estão em reconhecer o amor e o poder de Deus em nossas vidas, pois foi o Criador quem nos concedeu
os dons e habilidades que possuímos (Jr 9.23-25).
163 PROVÉRBIOS 12, 13
16
O tolo revela de imediato seu aborre-
cimento, mas a pessoa prudente ignora
o insulto!
17
A testemunha leal dá testemunho sin-
cero, mas o falso depoente conta menti-
ras.
18
As palavras do tagarela ferem como es-
pada de dois gumes, todavia a língua dos
sábios promove a cura.
3
19
Os lábios de quem diz a verdade per-
manecem para sempre, mas a língua do
mentiroso dura apenas um instante.
20
O engano se apodera do coração dos
que vivem planejando o mal, mas a ale-
gria habita entre todos os que cooperam
pela paz.
21
Nenhum mal abaterá o justo, mas os
perversos estão cobertos de problemas.
4
22
O SENHOR tem ódio mortal da boca
mentirosa; mas se compraz imensamen-
te com os que falam a verdade!
23
O homem sábio não alardeia seus co-
nhecimentos, mas o coração dos sem juí-
zo é como fonte a jorrar insensatez!
24
As mãos zelosas e dedicadas governa-
rão, mas os preguiçosos acabarão sendo
forçados a trabalhar.
25
O coração ansioso deprime o ser hu-
mano, mas uma palavra de encoraja-
mento o anima.
26
O homem honesto é um bom guia
para seus amigos, mas as trilhas dos ím-
pios os induzem ao erro.
27
O preguiçoso não aproveita bem sua
caça, mas o diligente dá valor a seus bens.
28
No Caminho da justiça está a Vida; esse
é o Caminho que nos livra da morte.
5

O tolo não ouve o próprio pai
13
O filho sábio acolhe a orientação
do pai, mas o insensato não aceita
a repreensão!
2
Do fruto da boca, o ser humano se ali-
mentará do bem, entretanto, a ambição
dos ímpios é a crueldade.
3
A pessoa que consegue guardar sua boca
preserva a própria vida, todavia quem fala
sem refletir acaba se arruinando.
1
4
O preguiçoso ambiciona e nada alcan-
ça, mas os desejos daquele que se em-
penha na obra serão plenamente satis-
feitos.
5
Os justos odeiam tudo o que se parece
com a mentira, mas os perversos produ-
zem vergonha e desgraça.
2
6
A justiça guarda o homem íntegro, mas
a impiedade arruína o que vive pratican-
do o pecado.
7
Alguns assumem falsamente o papel
de ricos e prestigiosos, mas nada têm de
3
A expressão “tagarelice”, neste versículo, vem do original hebraico ¨C`2 bôteh e tem o sentido de “falar sem discernimento”,
“entregar-se a conversas tolas, mentirosas e inúteis”, “falar sem refletir sobre as possíveis conseqüências”. Esta curiosa palavra
hebraica ocorre somente aqui, em toda a Bíblia. Contudo, no NT, Jesus resgata o sentido dessa expressão e Mateus usa um termo
grego originado da mesma raiz, battalogein, que se traduz por “usar de vãs repetições” (Mt 6.7). A “tagarelice”, portanto, é a falta
completa de domínio sobre a língua e, conseqüentemente, sobre as atitudes (Tg 3.5-12).
4
Absolutamente nada que venha sob a ordem do mal, “por ou pelo” mal, acontece com o crente fiel. O Senhor, pessoalmente,
é quem cuida dos seus e mesmo as situações difíceis, crises e sofrimentos fazem parte do seu plano de salvação, santificação
e vida eterna (Sl 34.22; 91.10; Rm 8.28). Diferentemente do “tagarela” ou do “ímpio”, a palavra daquele que confia no Senhor
(sábio) realiza um trabalho terapêutico na alma e no corpo dos seus ouvintes (4.22; 15.4). O crente precisa estar sempre em muita
comunhão com o Espírito de Deus, cuidando para não se deixar levar pela carne ou pelas provocações do mundo e perder o
controle da língua (Sl 106.33).
5
Em todo o AT, esta é uma das poucas passagens que afirmam categoricamente a imortalidade da pessoa humana (alma ou
espírito humano). O andar do crente no Caminho (Jesus Cristo, o Messias) reflete, durante sua existência na terra, a luz da sua
fé, por meio das obras que realiza, e aflui para a vida eterna, de maneira que não há, para o que crê no Senhor, morte espiritual
(3.2; 11.4; 1.22; 9.7,8). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: In the Way of rigtheousnesse is Life, and in the Path-way thereof
there is no death.
Capítulo 13
1
O controle sobre o que se fala (conteúdo) e como se fala (comunicação) é uma das evidências mais claras do quanto uma
pessoa é sábia. As Escrituras (o AT e o NT) ensinam que “a língua tem poder sobre a vida e a morte” (18.21; 10.19; 21.23; Tg
3.2). A pessoa que não reflete antes de falar, e tem orgulho de dizer que “fala mesmo, tudo o que sente e deseja”, acabará se
arruinando mais cedo ou mais tarde (12.18; 10.14; 18.7; 2Tm 3.3,4).
2
A expressão original hebraica aqui transliterada como rãsha´ e traduzida por “perversos” comunica a idéia de “algo mal
ligado”, “solto e sem sentido”. Quem não está “ligado” ao Senhor, na mais profunda comunhão espiritual, não tem paz e segu-
164 PROVÉRBIOS 13, 14
fato; outros passam a idéia de que são
pobres, mas possuem grandes riquezas!
8
As riquezas de uma pessoa servem de
resgate para sua própria vida, mas o po-
bre jamais será ameaçado.
9
O fulgor da luz dos justos brilha esplen-
didamente, mas a lâmpada dos perversos
se apagará totalmente.
10
A arrogância só produz contendas,
mas a sabedoria está com aqueles que
buscam conselho.
11
O dinheiro arrecadado de maneira ines-
crupulosa se extinguirá, mas quem o con-
quista honestamente terá cada vez mais.
12
A expectativa que se adia deixa o co-
ração adoecido, mas o anseio satisfeito
renova o vigor da vida.
13
Quem zomba da Palavra pagará caro
por isso, mas aquele que obedece ao
mandamento será regiamente recom-
pensado.
3
14
A instrução dos sábios é fonte de vida,
e tem o poder de distanciar o ser huma-
no das ciladas mortais.
15
O bom entendimento conquista o fa-
vor, mas as estratégias dos ímpios não
permanecerão por muito tempo.
16
Toda pessoa prudente deve agir com
sabedoria, mas o tolo torna pública toda
a sua tolice.
17
O mensageiro ímpio tropeça em sua
própria malignidade, mas o emissário
digno de confiança apresenta a salvação.
18
Quem despreza a correção cai no es-
cândalo e na pobreza, entretanto, quem
acolhe a repreensão é abençoado com
honra!
19
A esperança que se realiza satisfaz e
alegra a alma; o tolo, contudo, jamais se
desapega do mal.
20
Aquele que caminha com os sábios
será cada vez mais sábio, todavia aquele
que anda na companhia dos insensatos
acabará arruinado.
21
A infelicidade persegue os pecadores,
mas a prosperidade é a recompensa dos
sábios.
22
O homem bom deixa sua herança para
os filhos de seus filhos, mas toda a rique-
za dos ímpios é acumulada para ser dis-
tribuída aos justos.
23
A boa terra dos pobres produz gene-
rosas colheitas, mas por falta de justiça
eles a perdem.
24
Quem se nega a disciplinar e repreen-
der seu filho não o ama; quem o ama de
fato não hesita em corrigi-lo.
4
25
O sábio recebe o suficiente para satis-
fazer plenamente seu apetite; a alma dos
perversos, contudo, sempre está faminta.
5

Homem sábio, mulher sábia
14
A mulher sábia edifica a sua casa,
mas com as próprias mãos a in-
sensata destrói o seu lar.
2
A pessoa que caminha na retidão teme
ao SENHOR, mas o que anda por atalhos
sinuosos, esse não leva Deus a sério.
3
A conversa do perverso traz a vara para
suas próprias costas, mas os lábios dos
sábios os protegem.
4
Não havendo bois, o celeiro fica vazio,
mas por intermédio da força bovina vem
a grande colheita.
1
5
A testemunha verdadeira não usa de ar-
dis, mas a falsa transborda em mentiras.
rança. Por isso mesmo, anda atropelando as demais pessoas, sempre buscando desprezar o passado, aflito quanto ao presente
e temeroso em relação ao futuro. “Perverso”, de 12.8, é a tradução de um termo hebraico procedente da raiz ΄ãwâh que significa
“perverter” ou “torcer a verdade”. Em 17.4, o termo original é ΄ãwen cujo sentido é de “pessoa depravada” ou “ímpia”.
3
O termo hebraico original ¨_2¨7 “a palavra” é uma evidente referência à santidade e ao poder das Sagradas Escrituras (Sl
119). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: Whoso despiseth the Word, shall be destroyed : but he that feareth the commaun-
dement, shall be rewarded.
4
Assim como um bom e responsável pai, que se preocupa com o bem-estar futuro do seu filho, deve dialogar, repreender e – se
necessário – usar a vara da disciplina para expulsar a insensatez dos filhos, Deus – nosso Pai – também prefere nos corrigir seve-
ramente a nos ver perdidos para sempre (Dt 8.5; Jó 5.17; 1Co 11.32; 2Tm 2.25; Hb 12.10; Pv 22.15; 19.18; 23.13,14; 29.15,17).
5
Este versículo revela de forma mais específica os ensinos anteriores de 13.18,21 e 10.3.
Capítulo 14
1
O princípio aqui é de que os sábios devem cuidar bem dos seus meios de produção, para usufruírem de colheitas e indústrias
lucrativas. Na época, os bois eram cooperadores valiosos no trabalho agrícola do arado e na movimentação das cargas (12.10).
165 PROVÉRBIOS 14
6
O escarnecedor busca sabedoria e nada
encontra, entretanto, o conhecimento
chega facilmente ao coração daquele que
possui discernimento.
7
Foge da presença do tolo, porquanto
nele não encontrarás qualquer sombra
de juízo e bom senso.
8
A sabedoria da pessoa prudente é dis-
cernir seu próprio caminho, mas a in-
sensatez dos perversos é absolutamente
enganosa.
9
Os insensatos zombam do mandamen-
to de reparar o pecado cometido, mas
entre os justos há humildade e correta
atitude.
2

10
Cada coração conhece bem suas pró-
prias mágoas, e da sua alegria não parti-
cipará o estranho.
3
11
A casa dos ímpios será destruída, mas
o tabernáculo dos justos florescerá.
4

12
Há caminhos que ao ser humano pare-
cem ser as melhores opções de vida, mas
ao final conduzem à morte.
5

13
Mesmo no riso a alma pode sofrer, e a
euforia pode acabar em tristeza.
14
Os infiéis receberão o devido paga-
mento por sua conduta, mas o homem
bom será regiamente recompensado.
6
15
O incauto acredita em toda informa-
ção que recebe, mas o homem prudente
observa bem onde pisa.
7

16
O sábio teme o SENHOR e evita o mal,
mas o tolo age com impetuosidade e sem
refletir.
17
A pessoa que se ira muito rapidamente
faz loucuras, e o homem que vive tra-
mando ciladas é odiado.
18
Os incautos herdam a insensatez, mas
o conhecimento é a coroa dos pruden-
tes.
19
Os maus haverão de se humilhar diante
dos homens de bem, e os perversos supli-
carão misericórdia às portas da justiça.
20
Os pobres são evitados até por seus
próprios vizinhos, mas inúmeros são os
amigos dos ricos.
21
Quem despreza o próximo comete pe-
cado, mas bem-aventurado é quem trata
com bondade todos os necessitados!
22
Acaso, não é certo que pecam os que
tramam o mal? Mas os que planejam o
bem encontram amor e lealdade.
23
Em todo trabalho dedicado há provei-
to; meras palavras, contudo, conduzem à
pobreza.
24
Os sábios são coroados com riquezas,
mas a recompensa do insensato são suas
próprias tolices.
25
A testemunha que fala a verdade salva
vidas, mas aquele que declara falsidades
é enganoso.
26
Aquele que teme ao SENHOR é abençoa-
do com todo amparo e segurança, força e
refúgio também para seus filhos.
27
O temor do SENHOR é fonte de vida, e é
capaz de nos afastar das ciladas da mor-
te.
28
Na multidão das pessoas que governa
2
Os tolos e perversos não acreditam em pecado, nem no inferno. Mas os tementes a Deus, e justos, quando tropeçam e co-
metem algum pecado, imediatamente devem buscar o perdão do Senhor e, eventualmente, da pessoa ofendida, restabelecendo
sua plena comunhão com o Senhor (Mt 25.41; 18.15-20; 26.41; 1Jo 1.9).
3
Qualquer pessoa, por mais que tenha instrução ou experiência de vida, se não pertence ao rol dos filhos de Deus, não conse-
gue compreender e partilhar dos sentimentos de um pecador arrependido, nem da plena alegria do perdão e reconciliação, que
somente o Salvador pode conceder ao crente arrependido (1Sm 1.10; Mt 26.75; 13.44; 1Pe 1.8).
4
A humilde “tenda” (tabernáculo) dos justos permanecerá inabalável, conforme ilustração ministrada por Jesus Cristo em seus
ensinamentos (Mt 7.24-27 e Lc 6.46-49). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: The house of the wicked shall bee ouerthrowen:
but the tabernacle of the vpright shall flourish.
5
Aqui há uma advertência clara a toda e qualquer religião ou crença que não tenha como fundamento a pessoa e a obra do
Filho de Deus, o Messias, Jesus Cristo (v.13; Sl 25.4; 119.35; Jo 14.6).
6
O termo hebraico transliterado em sügh “infiel” comunica especificamente a idéia de uma atitude contínua e explicitamente
desleal contra Deus. Foi o comportamento descrente e infiel tantas vezes descrito no livro do Êxodo e, especialmente, em Juízes
2.10-19. A “infidelidade ao Senhor” é a disposição íntima de relativizar ou “esfriar na fé” e afastar-se da obediência sincera à
Palavra de Deus (Hb 6.4-8).
7
A expressão hebraica original C·`¨_V` “o prudente” refere-se à pessoa “sagaz” (engenhosa, inteligente, esperta), qualidades
que podem ser direcionadas tanto para o bem quanto para o mal (Gn 3.1). Jesus nos ensinou a ser “astutos para o bem” (Mt
10.16; Jó 5.12).
166 PROVÉRBIOS 14, 15
está a glória do rei; sem o povo, o prínci-
pe não é nada!
29
A pessoa que se mantém calma dá pro-
va de grande sabedoria, mas o precipitado
revela publicamente sua falta de juízo.
30
A paz de espírito é saúde para o corpo,
mas a inveja corrói como o câncer.
31
Oprimir o povo é ultrajar o seu Cria-
dor, mas tratar com bondade o pobre é
honrar a Deus.
32
Por meio da sua própria malignidade,
o perverso é derrubado; os justos, entre-
tanto, ainda que diante da morte, encon-
tram consolo e esperança.
33
No coração do prudente habita a sabe-
doria, mas tudo o que existe na alma dos
tolos vem a público.
34
A justiça engrandece as nações, mas o
pecado é uma vergonha para qualquer
povo.
9
35
O servo prudente recebe as recompen-
sas do rei, mas o que procede indigna-
mente será alvo do castigo real.
Deus conhece o coração humano
15
A resposta branda desvia o furor,
mas a palavra ríspida desperta a
violência.
1
2
A língua dos sábios torna o ensino in-
teressante, mas a boca dos insensatos é
fonte de tolices.
3
Os olhos do SENHOR estão em toda par-
te: Ele observa atentamente os maus e os
bons!
4
As palavras bondosas revigoram a nos-
sa vida, entretanto o falar perverso desa-
nima o espírito.
5
O tolo despreza as orientações de seu
pai, mas quem compreende bem a repre-
ensão demonstra sabedoria.
6
A casa do justo contém grande tesouro,
mas os rendimentos dos ímpios lhes tra-
zem preocupação.
7
As palavras dos sábios divulgam conhe-
cimento; mas o coração dos insensatos
não procede assim.
8
O SENHOR detesta as ofertas e sacrifícios
dos ímpios, mas a oração dos justos é o
seu contentamento.
2
9
O SENHOR odeia as trilhas dos perversos,
mas ama quem segue a justiça.
10
Há um severo castigo para quem aban-
dona o caminho do bem, e quem não su-
porta ser corrigido encontrará a morte.
11
O Além e o Inferno estão abertos dian-
te do SENHOR, quanto mais os corações
dos homens!
3

12
O escarnecedor não gosta de quem o
corrige, tampouco busca a ajuda dos sá-
bios.
13
A alegria do coração ilumina todo o
rosto, mas a tristeza da alma abate todo
o corpo.
14
O coração que sabe discernir busca o
conhecimento; todavia, a boca dos in-
sensatos alimenta-se de tolices.
15
Todos os dias são tristes para os que
mantêm o coração aflito, mas a vida é
8
É impressionante o número de pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza em todo o mundo. A falta de misericórdia e
cooperação efetiva daqueles que possuem bens e fartura, para com os que não têm a mesma chance, é uma atitude de desonra
ao nome do Senhor. Pois Deus criou tanto os ricos quanto os pobres, à sua imagem (19.17; 22.2; Jó 31.15; Tg 3.9; Mt 25.31-46).
9
Israel foi escolhida para receber as maiores bênçãos de poder, prosperidade e prestígio em todo o mundo, caso obedecesse às
leis de Deus (Dt 28.1-14). Os cananeus chegaram a ser expulsos de suas terras por causa do pecado que cultivavam (Lv 18.24,25).
Israel, contudo, por haver se rebelado contra os mandamentos do Senhor recebeu a mesma sentença (Dt 28.15-68; 2Sm 12.10).
Capítulo 15
1
As palavras pacíficas e sensatas de Gideão acalmaram a fúria dos homens de Efraim (Jz 8.1-3; Pv 15.18; Ec 10.4). Em con-
traste, a palavra ríspida e irônica de Nabal enfureceu Davi (1Sm 25.10-13).
2
Aqueles que estão afastados da verdadeira adoração a Deus também não terão suas orações ouvidas na hora da necessida-
de. O Senhor nem mesmo aceitará qualquer oferta ou sacrifício de pessoas que não o amam sinceramente (21.3,27; 3.32; Ec 5.1;
Is 1.11-15; Jr 6.20; Mt 7.21; 15.8). O Senhor ama e ouve todo aquele que busca a justiça (v.9; 21.21; 1Tm 6.11).
3
Nem mesmo no Além ou Abismo (em hebraico ]`¨_2_N_` Abadom), no Inferno ou Destruição – morte eterna - (em hebraico
7`N2 Sheol), em nenhum lugar, há qualquer segredo ou pensamento oculto ao pleno onisciente conhecimento do Senhor (Jó
26.6; Sl 88; 44.24; 139.8; Is 14.15; Am 9.2). Abadom é um dos títulos do Diabo em Apocalipse 9.11 (Sheol e Abadom aparecem
juntos novamente em Pv 27.20). Só o Senhor conhece perfeitamente a razão e os sentimentos mais íntimos de cada ser humano
(1Sm 16.7). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: Hell and Destruction are before the LORD: how much more then, the hearts
of the children of men?
167 PROVÉRBIOS 15, 16
agradável para as pessoas que buscam
alegrar a alma.
4
16
É melhor possuir poucos bens com o
temor do SENHOR do que ser rico e viver
infeliz.
17
É melhor comer um prato de hortali-
ças, onde há amor, do que ter um boi ce-
vado acompanhado de ódio na refeição.
5
18
A pessoa que se irrita facilmente pro-
voca dissensão, mas o paciente acalma as
discussões.
19
O preguiçoso encontra obstáculos por
onde quer que passe, mas a vereda dos
justos é uma estrada plana.
20
O filho sábio proporciona alegrias a seu
pai, mas o insensato despreza sua própria
mãe.
21
As tolices alegram quem não tem bom
senso, mas a pessoa de entendimento
prefere as atitudes corretas.
22
Onde não existe conselho fracassam os
bons planos, mas com a cooperação de
muitos conselheiros há grande êxito.
23
Expressar a própria opinião é motivo
de alegria; e como faz bem o conselho
certo na hora necessária!
24
A pessoa sábia escolhe o Caminho da
vida, que conduz para cima, e assim evita
as trilhas que descem para o inferno.
6
25
O SENHOR derruba a casa do arrogante;
entretanto, mantém intactos os limites
da propriedade da pobre viúva.
7
26
Abomináveis são para o SENHOR os
pensamentos dos maus, porém Ele se
agrada sobremaneira de palavras since-
ras ditas com bondade.
27
O avarento coloca sua própria família
em apuros, mas quem repudia o suborno
viverá mais e melhor.
8
28
O justo medita antes de responder,
mas a boca dos ímpios faz jorrar o mal.
29
O SENHOR está longe dos perversos,
mas seus ouvidos estão próximos à ora-
ção dos justos.
30
Um olhar amigo consola e anima o co-
ração; uma boa notícia revigora a alma.
31
Quem acolhe bem a repreensão cons-
t rutiva terá sempre lugar ent re os sá-
bios!
32
Quem recusa a disciplina despreza sua
própria pessoa, mas quem compreende a
repreensão adquire ainda mais entendi-
mento.
33
A sabedoria ministra o temor do SE-
NHOR, e a humildade antecede a honra.
9
O amor e a soberania do Senhor
16
Ao ser humano foi concedida a ca-
pacidade de planejar, entretanto, é
o SENHOR quem dá a palavra certa.
1

4
Mesmo sob a cruz da pobreza, enfermidades e aflições, os filhos de Deus podem usufruir a alegria de confiar plenamente no
amor e no poder do Pai (1Pe 1.6-8).
5
A expressão “boi cevado” ou “boi gordo” refere-se às melhores e mais caras partes do boi (bifes suculentos), reservadas
apenas para pessoas e ocasiões muito especiais (7.14; Mt 22.4; Lc 15.23).
6
“O Caminho” e “Caminho da Vida” são também nomes de Jesus Cristo (Jo 14.6). É a obra e a pessoa de Jesus que nos
leva para cima, para os céus e para a plenitude da presença eterna de Deus, nosso Pai. Não são os nossos talentos, virtudes e
obras que nos promovem ao céu e evitam que sejamos atirados ao Abismo (Inferno, morte ou separação eterna de Deus); nossas
atitudes boas são apenas demonstrações práticas da Salvação que recebemos, e da fé que foi implantada em nossos corações
pelo Espírito do Senhor (Ef 2.8-10).
7
Na antiguidade oriental, os proprietários de terras usavam marcar os limites de suas terras com amontoados de pedras. Quem
movesse esses marcos do lugar original estaria correndo o risco de ser condenado por furto de terras (22.28; Jó 24.2; Dt 19.14).
8
O AT conta a história de como a cobiça de Acã foi responsável pela morte de toda a sua família em Jericó, e isso nos serve de
alerta e exemplo contra toda tentação de avareza (Js 7.14-26). Semelhantemente, jamais devemos oferecer ou ceder a subornos:
o final dessas antigas e desonestas práticas é sempre terrível (17.8; 28.16; Dt 16.19; 1Sm 12.3; Ec 7.7; 1Tm 6.10).
9
Os “mansos e humildes” herdarão a terra (Mt 5.5; 23.12; Lc 14.11; 18.14; Tg 4.10; 1Pe 5.6). A sabedoria se expressa de forma
sincera, branda e bondosa (11.2; 13.10).
Capítulo 16
1
A expressão hebraica original ]`27 “da língua”, aqui traduzida por “quem dá a palavra certa”, alerta a humanidade para o fato
de que, embora ao ser humano tenha sido dado o talento de “planejar” e a “criatividade”, somente Deus sabe o que é “certo”
e melhor; portanto, toda nova idéia ou bom planejamento deveria conter uma profunda reflexão, mediante oração e consulta às
Escrituras, buscando a direção e aprovação do Senhor (vv. 2,9; 19.21; 20.24; 31.30,31). A KJ de 1611 traduz este versículo assim:
The preparations of the heart in man, and the answere of the tongue, is from the LORD.
168 PROVÉRBIOS 16
2
Todos os caminhos do homem pare-
cem cer tos aos seus olhos, mas o SENHOR
julga as verdadeiras motivações do co-
ração.
2

3
Consagra ao SENHOR todas as tuas obras
e os teus planos serão bem-sucedidos.
4
O SENHOR criou tudo o que existe com
um propósito definido; até mesmo os
ímpios para o dia do castigo.
3
5
Abominável é ao SENHOR todo arrogan-
te de coração; é evidente que não ficará
sem a devida punição.
6
Por intermédio da misericórdia e da
verdade se faz expiação do pecado; e pelo
temor do SENHOR, o ser humano evita
todo o maligno.
4

7
Quando as atitudes de uma pessoa são
agradáveis ao SENHOR, até os inimigos
dessa pessoa vivem em paz com ela, pela
vontade divina.
5

8
É muito melhor possuir poucos bens
com honestidade do que riquezas com
injustiça.
9
Em sua alma, o homem planeja seus
caminhos, mas o SENHOR é quem deter-
mina seus passos.
10
Os lábios do rei falam com grande
autoridade; contudo, sua boca não deve
jamais trair a justiça.
11
Equilíbrio e pesos honestos vêm do
SENHOR; por isso, Ele deseja que a balança
seja usada com justiça.
6

12
A prática da impiedade é abominável
para os governantes, porque com eqüi-
dade deve ser estabelecido o poder.
13
Os lábios justos fazem a felicidade do
rei, e ele ama as pessoas que falam a ver-
dade.
14
A ira do rei é prenúncio de morte, mas
o homem sábio consegue acalmá-lo.
7
15
A alegria no rosto do rei é sinal de
vida; seu favor é como generosa nuvem
de chuva na primavera.
16
É muito melhor conquistar a sabedo-
ria do que o ouro puro. É mais proveito-
so obter o entendimento do que a prata
mais valiosa.
17
O caminho do justo evita o mal;
quem guarda seu caminho preser va sua
alma!
18
A soberba precede a ruína, o espírito
arrogante vem antes da queda.
19
Melhor é ter espírito humilde entre os
oprimidos do que repartir um grande es-
pólio com os arrogantes.
20
Quem considera atentamente tudo o
que fala, prospera, e feliz é aquele que
confia no SENHOR.
21
O sábio de coração é considerado inte-
ligente; quem fala com equilíbrio tem o
poder de convencer os outros.
22
O entendimento é fonte de vida para
aqueles que o possuem, mas a insensatez
traz castigos aos tolos.
2
A compreensão do v.1 é iluminada pelos vv.2,3 e seguintes. Deus avalia as mais secretas e verdadeiras intenções do coração de
cada ser humano (14.12; 24.12; Sl 139.23; 1Co 4.4,5; Hb 4.12). Os alvos e objetivos alinhados com a vontade de Deus serão todos
plenamente alcançados, e haverá grande e permanente felicidade em suas realizações (1Pe 5.7; Pv 3.5,6; Sl 1.3; 55.22; 90.17).
3
Deus é absolutamente soberano, nada escapa ao seu controle pessoal em todo o Universo desde sempre. Portanto, ele
sabe que os ímpios renitentes não permitirão aos seus corações aceitar o dom divino da salvação. O ímpio é aquele que siste-
maticamente zomba do Senhor e de tudo o que se refere à salvação ou religião (do latim religio, como na Vulgata, no sentido de
“religar-se” a Deus – Tg 1.26-27); somente no final da História, o ímpio, o Maligno e a morte reconhecerão o poder e a majestade
do Senhor, mas será tarde demais; serão banidos para o castigo eterno, e nunca mais perturbarão os filhos de Deus (Ec 7.14; Rm
2.5-11; 8.28; Êx 9.16; Ez 38.22,23; Ap 20.14,15).
4
Quando uma pessoa ou todo um povo se arrepende das más escolhas que fizeram e, conseqüentemente, dos maus cami-
nhos pelos quais andaram (em afronta à vontade expressa de Deus em sua Palavra), o Senhor – mediante a pessoa e a obra do
seu Filho, Jesus, o Messias – perdoa todos os pecados e prepara o convertido (aquele que teve a rota da sua vida radicalmente
alterada da morte para a vida) para seu Reino e a vida eterna (1.7; 3.3; Os 4.1; Is 1.18,19; 55.7; Jr 3.22; Ez 18.23-32; 33.11-16;
Os 14.1-4).
5
Assim ocorreu na história dos reis piedosos Asa e Josafá (2Cr 14.6,7; 17.10; Pv 3.17; Rm 12.18; Hb 12.14).
6
Na antigüidade, os comerciantes costumavam levar em suas bolsas de couro, pedras especiais e de vários tamanhos a fim de
pesar e medir quantidades de prata para os pagamentos das mercadorias (Mq 6.11; Pv 21.2; 24.12; Jó 6.2; 31.6).
7
O humor do rei poderia determinar a morte de muitas pessoas que se aproximassem dele na hora errada, ou lhe provocassem
ainda mais a ira por algum motivo (19.12; Et 7.7-10; Mt 22.7; Lc 19.27). Por sua maneira de tratar o rei Nabucodonosor, Daniel nos
revela a atitude correta de uma pessoa sábia: buscar acalmar a alma daqueles que detêm o poder antes de lhes pedir qualquer
coisa (Dn 2.12-16).
169 PROVÉRBIOS 16, 17
23
O coração do sábio ministra à sua boca,
e seus lábios são hábeis para o ensino.
24
As palavras agradáveis são como um
favo de mel, são doces para a alma e revi-
goram a saúde e a alegria de viver.
25
Há caminhos que parecem certos ao
ser humano, contudo, no final condu-
zem à morte.
26
A fome do trabalhador o obriga a traba-
lhar; é o seu estômago que o impulsiona.
27
O homem maligno está sempre à pro-
cura de praticar o mal; até mesmo suas
palavras são como o fogo devorador.
28
O homem perverso vive provocando
contendas, assim como o difamador, que
consegue separar os maiores amigos.
29
O homem violento alicia seu próprio
amigo e o guia pelas trilhas do mal.
30
Quem faz sinais maliciosos com os
olhos planeja o mal; quem franze os lá-
bios já está a meio caminho da prática do
que é ruim.
8

31
O cabelo grisalho é uma coroa de ex-
periência e esplendor, que deve ser con-
quistada mediante uma vida justa.
9
32
Muito melhor é o homem paciente
que o guerreiro, mais vale controlar as
emoções e os ímpetos do que conquistar
toda uma cidade!
33
A sorte é lançada no colo, mas a deci-
são correta vem do SENHOR!
10
A paz de Deus é melhor que o ouro
17
Melhor é um bocado de pão seco
com paz e tranqüilidade do que a
casa repleta de carnes e contendas!
2
O servo prudente saberá controlar o fi-
lho de conduta vergonhosa e participará
da herança como um dos irmãos.
1
3
O ouro e a prata são provados pelo
fogo, mas é o SENHOR que revela quem as
pessoas realmente são.
4
Os maus dão grande atenção às más
notícias, assim como os falsos apreciam
ouvir mentiras.
5
Quem zomba dos pobres revela des-
prezo pelo Criador deles; quem se alegra
com a desgraça dos outros não ficará
muito tempo sem castigo.
6
Os filhos dos filhos são uma gloriosa
honra para os idosos, e os pais são o or-
gulho dos seus filhos.
7
Os lábios eloqüentes não ficam bem ao
insensato; muito menos a língua menti-
rosa ao governante.
2
8
O suborno age como pedra mágica aos
olhos de quem o oferece, e causa a ilu-
são de que é possível comprar qualquer
pessoa.
3
9
Aquele que perdoa uma ofensa, cobre
a transgressão e demonstra amor, mas
aquele que a joga no rosto, separa os me-
lhores amigos.
4
8
Era comum, no oriente antigo, os homens fazerem certas insinuações por meio de “piscadelas”, “acenos com as sobrance-
lhas” ou “franzindo os lábios” (6.13,14).
9
A vontade de Deus é que os idosos sejam pessoas sábias e amáveis, que ofereçam e recebam todo o respeito e consideração
na sociedade (Lv 19.32; Pv 3.1-26).
10
Os antigos judeus usavam certos “jogos sagrados” para compreender a vontade de Deus, especialmente em situações
difíceis de distinguir que decisão tomar. Aqui, vários pedregulhos eram depositados numa das dobras da roupa, em seguida
tirava-se uma das pedras que era atirada ao chão, fornecendo uma determinada interpretação (Êx 28.30; Nm 26.53; Ne 11.1;
Jn 1.7; Sl 22.18). Entretanto, a sorte (o final de determinada situação ou destino) não é fruto do acaso nem de forças cósmicas,
mas simplesmente dos desígnios de Deus para cada pessoa (1.1-7). Normalmente precisamos mais “fazer” o que já sabemos
que é vontade de Deus do que “saber” o que mais Deus tem para nós. Sempre que “fazemos” o que “já sabemos” ser vontade
de Deus (expressa claramente em sua Palavra), temos maior facilidade para compreender “o que mais” nos reserva o Senhor
(Lc 12.31,32).
Capítulo 17
1
José do Egito e Daniel são clássicos exemplos de “servos sábios” em todos os sentidos (Gn 41; Dn 1).
2 A expressão hebraica original ¨¨¸2 sheqer “da mentira” ou “mentiroso” significa, principalmente, “ser infiel” ou “enganoso”
(31.10). A mentira é, em última análise, “a ação de enganar mediante a palavra falada”; contudo, num sentido ampliado, qualquer
tipo de “comportamento traiçoeiro” se inclui nesta definição (2Sm 18.13).
3
O vocábulo hebraico ¨l·2_¨ shohadh “o suborno” é a raiz da expressão original “dar presentes” como uma demonstração de
amizade e respeito, especialmente nos momentos de alianças políticas (1Rs 15.19; 2Rs 16.18). Contudo, desde o antigo oriente,
a expressão passou a designar “uma gorjeta ou gratificação maliciosa” como incentivo à perversão da justiça e da lei vigente
(Sl 26.10).
170 PROVÉRBIOS 17, 18
10
A repreensão produz marcas indelé-
veis na pessoa de entendimento, mais
fortes que cem chicotadas nas costas do
insensato.
11
O perverso só pende para a rebeldia;
por isso, a morte virá para ele como um
mensageiro cruel.
5

12
Melhor é encont rar uma ursa da qual
roubaram os filhotes do que um insen-
sato demonst rando todas as suas toli-
ces.
13
A pessoa que costuma retribuir o bem
com o mal jamais afastará o mal de sua
própria casa.
14
O início de um desentendimento é
como a primeira rachadura numa enor-
me represa; por isso resolva pacificamen-
te toda a questão antes que se transforme
numa contenda destruidora.
15
Há duas injustiças que o SENHOR abo-
mina: que o inocente seja condenado e
que o culpado seja colocado em plena
liberdade como justo.
16
De que adiantam riquezas nas mãos
do insensato, já que ele não deseja adqui-
rir sabedoria?
17
O amigo dedica sincero amor em to-
dos os momentos e é um irmão querido
na hora da adversidade.
18
A pessoa sem juízo com um simples
aperto de mão se compromete, e logo se
torna fiador do seu próximo!
19
Quem gosta de viver brigando ama o
pecado; quem age com arrogância está à
procura da sua própria destruição.
20
O homem de coração maldoso jamais
prospera de fato, e o de língua mentirosa
logo cai em desgraça!
21
O filho insensato só produz tristeza,
e nenhum contentamento tem o pai do
que pratica tolices.
22
O coração bem disposto é remédio de
grande eficácia, mas a alma deprimida
consome até dos ossos do corpo todo o
vigor.
23
O ímpio tem prazer em aceitar às es-
condidas qualquer suborno, a fim de
desviar o rumo da justiça.
24
A sabedoria é o grande objetivo das
pessoas realmente inteligentes, mas o
tolo não sabe nem o que o satisfaz de
fato.
25
O filho sem juízo é tristeza para seu pai
e amargura para sua mãe!
26
Não há bom agouro em castigar o ino-
cente, nem em açoitar quem merece ser
honrado.
6
27
Quem realmente detém o conhe-
cimento é comedido no falar, e quem
possui o entendimento demonstra alma
tranqüila.
28
Até mesmo o tolo passará por sábio, se
conservar sua boca fechada; e, se domi-
nar a língua, parecerá até que tem grande
inteligência.
7
Sabedoria para ouvir e ao falar
18
O solitário busca seu próprio in-
teresse e rebela-se contra a verda-
deira sabedoria.
2
O insensato não tem prazer no entendi-
mento, mas sim em fazer valer seu modo
de vida.
3
Vindo a impiedade, vem também o des-
prezo; e com a desonra, a vergonha.
4
Águas profundas são as palavras articu-
4
A expressão hebraica V_2·£ pesha tem o sentido de “ultrapassar os limites da justiça”, “rebelar-se” ou “fugir da Lei de Deus”;
errar o caminho proposto pelo Senhor. É a própria descrição da “apostasia” – afastamento deliberado e busca de um estilo de
vida mundano, materialista e impiedoso – (14.14; 16.12). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: He that couereth a transgres-
sion, seeketh loue; but he that repeateth a matter, separateth very friends.
5
A expressão original diz respeito ao “envio de um oficial de justiça ou soldado com ordem de prisão e açoites”. Temos o exem-
plo do envio de Abisai e Joabe para acabar com a rebelião de Sebá contra Davi (2Sm 20.1-22; 1Rs 2.25-46; Pv 16.14).
6
Quem julga ou condena precisa estar muito certo dos seus atos, caso contrário trará todo tipo de angústias, preocupa-
ções e dissabores sobre sua própria vida e família. Os sofrimentos imerecidos de Jeremias, assim como de todos os justos
sobre a terra, não ficarão impunes e jamais serão esquecidos por Deus (v.10; Jr 20.2; Gn 7.1; Dt 25.1; Sl 1.6; Mt 10.41;
23.34,35).
7
Este foi o comentário irônico de Jó com seus amigos, quando se desataram a falar sem conhecimento nem sabedoria, depois
de um bom tempo de empático silêncio (Jó 2.13; 13.5,13).
171 PROVÉRBIOS 18
ladas pelos seres humanos, mas a fonte
da sabedoria é como um ribeiro trans-
bordante.
1
5
Não é direito favorecer os ímpios para
privar da justiça o justo.
2
6
As palavras do insensato provocam con-
tendas, e sua língua clama por açoites.
7
A boca do insensato é sua própria des-
graça, e seus lábios, uma verdadeira cila-
da para sua alma.
8
As palavras do caluniador são como fi-
nas iguarias: descem até o íntimo do ser
humano.
3
9
Quem é negligente no seu trabalho é
irmão do destruidor.
10
O Nome do SENHOR é Torre Forte, sob
a qual o justo busca refúgio e permanece
seguro!
4
11
Os bens dos avarentos constituem sua
cidade fortificada: eles imaginam que ela
seja inexpugnável.
12
Pouco antes da sua queda, o coração
do homem se enche de arrogância; a hu-
mildade, contudo, antecede a honra!
13
Quem responde antes de ouvir comete
grande tolice e passa vergonha!
14
A alma bem disposta sustém o ser hu-
mano durante sua doença, mas o espírito
deprimido, quem o pode suportar?
15
O coração do que possui discernimen-
to adquire conhecimento, e o ouvido dos
sábios anseia por mais entendimento.
16
Um bom presente desobstrui a passa-
gem para aquele que o entrega, e o conduz
à presença das pessoas que decidem.
5
17
A primeira pessoa a apresentar sua
causa sempre parece ter razão, até que
outra pessoa venha à frente e defenda
sua tese.
6

18
Quando os poderosos se enfrentam no
tribunal, lançar as pedras da sorte indica
uma decisão para as questões.
7

19
É muito mais difícil reaver a amizade
de um irmão ofendido que conquistar
uma cidade fortificada; e as discussões
são como as grandes portas trancadas de
um castelo.
20
Do fruto da boca o coração se farta; a
língua faz todo o corpo responsável pelas
conseqüências de suas palavras!
21
A língua tem poder sobre a vida e so-
bre a morte; os que a usam habilmente
serão recompensados.
8

22
Quem encontra uma esposa descobre
algo excelente: recebeu uma bênção es-
pecial do SENHOR.
23
O pobre se expressa com súplicas, mas
o rico avarento responde com arrogância.
1
O coração e os pensamentos humanos são complexos e obscuros (20.5); a ministração do sábio, entretanto, refrigera a alma;
e suas palavras são como fonte inesgotável de vida e criatividade (1.23; 10.11; 13.14).
2
Todas as pessoas, independentemente de classe social, raça, cor, credo e cultura, devem ter pleno acesso ao direito e a
um julgamento justo. Qualquer tipo de favoritismo foi expressamente condenado na Lei do Senhor (Lv 19.15; Dt 1.17; 16.19; Pv
17.26; 31.5; Ml 3.5).
3
As conversas do caluniador ou difamador se apresentam deliciosas como os mais saborosos petiscos; chegam a parecer
palavras de sabedoria (16.21,23), mas acabam promovendo grandes discórdias e dissensões (11.13; 26.20-22). Alojam-se no
íntimo das pessoas e, mesmo após sua digestão, continuam vivas e ativas no organismo.
4
Na tradição judaica, a expressão “o Nome” significa a própria pessoa, sua presença e personalidade, pois diz respeito à
sua natureza e qualidades (caráter). Em sentido “lato” (amplo), “o Nome” quer dizer “a Palavra de Deus”, “a Verdade”, “o Todo-
poderoso”. Esses são alguns dos sentidos da expressão literal hebraica ¨_`¨` C¸2 “é o Nome de Yahweh”, ou seja, “Jeová, Javé ou
Iavé”. Esses são os nomes nos quais confiamos e somos seguros. Nossa torre forte e nosso castelo inexpugnável é o nosso Deus
(Êx 3.14,15; Sl 18.2; 27.5; 91.2; 144.2; Pv 29.25). Os ímpios elegem seus bens, talentos e riquezas, como seu deus (v.11; Mt 6.24).
A KJ de 1611 traduz este versículo assim: The name of the LORD is a Strong Tower, the righteous runneth into it, and is safe.
5
O autor deste provérbio apenas está relatando uma prática que começava a se tornar rotineira em sua época: presentear
as pessoas responsáveis por selecionar aqueles que teriam o privilégio de expor suas causas diante dos supremos juízes ou,
eventualmente, do próprio monarca, ou seu representante direto (17.8). Deus, entretanto, é insubornável e está sempre disponível
para nos receber e ouvir atentamente, em sessão exclusiva e particular (2Cr 7.14,15).
6
Uma advertência aos juízes, magistrados, senhores, pastores, conselheiros, pais e educadores em geral: é sempre fundamen-
tal ouvir bem, e sem preconceitos, todas as partes envolvidas numa questão a ser dirimida (Dt 1.16).
7
Lançar as pedras da sorte ou “dados sagrados” era uma antiga e tradicional prática judaica quando se desejava determinar
que direção ou qual a melhor decisão a ser tomada, e evitar contendas prolongadas e desnecessárias (16.33; Mt 27.35).
8
A língua é uma bênção quando usada sob o controle do Espírito de Deus, de outra forma, pode ser um desastre e motivo de
grandes desgraças (Tg 3.1-12; Mt 5.22).
172 PROVÉRBIOS 18, 19
24
Cuidado! As muitas amizades podem
levar à ruína, mas existe amigo mais che-
gado que um irmão.
O pobre sábio e o rico avarento
19
Melhor é o pobre que vive com
integridade do que o insensato
que só fala tolices.
2
Não é proveitoso ter zelo sem discerni-
mento, nem ser precipitado e desviar-se
do Caminho.
1
3
A perversidade do ser humano corrom-
pe sua vida, mas é contra o SENHOR que
sua alma se rebela.
4
A fortuna produz muitos amigos, mas até
o melhor amigo do pobre o abandona!
5
A testemunha falsa não per manecerá
sem o devido cast igo, e aquela pessoa
que vent ila ment ir as não escapará im-
pune.
6
São muitos os que têm prazer em adu-
lar os governantes, e todos são amigos de
quem dá valiosos presentes.
7
O pobre é desprezado por todos os seus
parentes, quanto mais por seus amigos!
Ainda que os procure para lhes pedir aju-
da, não os encontra em lugar nenhum.
8
O que adquire entendimento ama sua
própria alma; o que preserva a inteligên-
cia encontra o bem.
9
A falsa testemunha não viverá sem cas-
tigo, e o que profere mentiras perecerá.
10
Não fica bem que os tolos vivam luxuo-
samente; mais ridículo ainda é o servo do-
minar os príncipes.
11
Sábio é o homem que consegue con-
trolar seu gênio, e sua grandeza está em
ser generoso e perdoador com quem o
ofende!
2
12
A ira do rei é como o rugido de um
leão enfurecido, entretanto sua bondade
é como o orvalho que desce suave sobre
a relva.
13
Um filho sem juízo pode levar seu pai
à desgraça; a esposa murmuradora e bri-
guenta é como uma goteira que não pára
de gotejar.
14
Um homem pode herdar dos seus pais
casa e dinheiro, mas somente o SENHOR
pode conceder uma esposa sábia.
15
A indolência conduz ao sono profun-
do, e o preguiçoso passa fome.
16
Quem obedece às Leis do SENHOR vive
mais e melhor; quem despreza a Palavra
de Deus certamente encontrará a morte
eterna.
17
Quem trata bem os pobres empresta ao
SENHOR, e Ele o recompensará regiamente!
3
18
Disciplina teus filhos enquanto eles
têm idade para aprender; não cooperes
para a morte deles!
19
A pessoa iracunda tem de sofrer as
conseqüências do seu mau gênio; por-
quanto, se tu a livrares, virás a ter de re-
petir tal ajuda vez após outra.
20
Presta bastante atenção aos sábios con-
selhos, e recebe de coração a orientação,
assim alcançarás a sabedoria.
4
21
O ser humano pode fazer muitos pla-
nos; contudo, quem decide é Deus, o SE-
NHOR!
22
O que se espera do ser humano é seu
1
O religioso fundamentalista precisa ter cuidado em não confundir “zelo” com “legalismo”. O apóstolo Paulo, por exemplo, foi
“zeloso”; porém – quando seu coração foi convertido por Jesus, o Caminho (At 19.23; 22.4; 24.22) – ele reconheceu que neces-
sitava “nascer de novo” para poder ver a História e o Reino com “discernimento” e “real conhecimento espiritual” (Rm 10.2; At
9.1-19; Jo 3). Em hebraico, “desviar-se do caminho” tem muitas vezes a conotação de “pecar”.
2
A expressão hebraica original transliterada em shēkhel, proveniente da raiz shãkhal, significa “ser hábil”, “perspicaz” ou “sá-
bio”. Em sua forma causativa, produz o vocábulo moskil, cuja amplitude semântica engloba as idéias de “ensinar com esmero”,
“ter perícia e maestria”, “ser amoroso e compreensivo” (3.4; 16.20). Saber controlar os impulsos agressivos, retardar a ira e man-
ter a calma é ser “longânimo” (em grego no NT makrothumia), virtude gerada pelo poder do Espírito Santo (Gl 5.22).
3
Deus considera todo o bem, ajuda e cooperação prestada aos pobres, como uma oferta (presente) entregue a ele pessoal-
mente (Mt 25.40; Lc 12.33; Pv 14.21,31). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: He that hath pity vpon the poore, lendeth vnto
the LORD, and that which he hath giuen, will he pay him againe.
4
O substantivo hebraico original transliterado em müsar, derivado da raiz yãsar “repreender”, “castigar”, em sua forma cau-
sativa tem o sentido amplo de “ensino, disciplina e castigo para correção de erro”. A amplitude semântica do termo engloba as
idéias de “instrução bíblica sobre a vida; conhecimento, disciplina, entendimento, discrição e inteligência”, todos componentes
do “sábio conselho” (17.18; 19.11; 21.30; 29.15).
173 PROVÉRBIOS 19, 20
amor leal; é muito melhor ser conhecido
pelos poucos recursos conquistados do
que pelas muitas mentiras ditas!
5
23
O temor do SENHOR conduz à Vida;
quem ama sinceramente a Deus viverá
em paz e segurança!
24
O preguiçoso põe a mão no prato, e
não se dá ao trabalho de levar o alimento
até à boca!
25
Açoite o rebelde e zombador, e os
desajuizados aprenderão a prudência;
repreende o homem que possui discer-
nimento, e ele ganhará ainda mais enten-
dimento!
26
O filho que é capaz de roubar o pai, e
que expulsa a mãe de casa, não tem ver-
gonha nem qualquer valor humano.
6
27
Filho meu, se deixas de ouvir a instru-
ção, logo te afastarás dos ensinos capazes
de te dar a verdadeira inteligência!
28
A testemunha corrupta zomba da jus-
tiça, e a boca dos ímpios tem fome de
iniqüidade.
29
Preparados estão os juízos para todos
os rebeldes e escarnecedores, assim como
os açoites para as costas dos perversos!
A sabedoria vale mais que ouro puro
20
O vinho é escarnecedor e a bebida
alcoólica induz a brigas; não é in-
teligente deixar-se dominar por elas!
1

2
O medo que o rei provoca é como o
bramido de um leão; quem o irrita colo-
ca em risco a própria vida.
3
Qualquer pessoa tola tem o poder de co-
meçar uma briga; quem consegue por fim
às contendas é que merece honrarias.
4
O preguiçoso não ara a terra por causa do
clima frio; no entanto, na época da colhei-
ta procura por frutos, mas nada encontra.
5
Como águas profundas são os propósitos
do coração humano; todavia, quem tem
discernimento sabe como trazê-los à tona.
6
Muitos proclamam sua própria benig-
nidade; contudo, o homem fiel, quem o
achará?
7
O justo caminha na sua integridade; fe-
lizes serão os filhos de sua descendência.
8
Assentando-se o rei em seu trono, para
julgar, com apenas um olhar discerne o
que está ocorrendo de mal.
9
Quem pode declarar: “Tenho consciên-
cia limpa! Estou livre de todos os meus
pecados”?
2

10
Dois pesos e duas medidas; pesos
adulterados e medidas falsificadas são
desonestidades abomináveis ao SENHOR.
11
Até mesmo uma criança revela sua
personalidade mediante suas ações; seu
procedimento demonstrará o quanto ela
é sincera e bondosa.
12
Os ouvidos que ouvem e os olhos que
vêem foram feitos pelo SENHOR.
13
Não ames o sono, para que não empo-
breças; abre os olhos e te fartarás do teu
próprio alimento.
14
“Não vale tudo isso! Não tem esse
valor!”, exclama o comprador; contudo,
quando se vai, gaba-se de ter realizado
um ótimo negócio.
3
5
A expressão hebraica original `¨C_l, transliterada em hesedh, comunica a “graça fiel de Deus que perdoa e transforma”. É o
“amor leal” que tantas vezes aparece nos textos do profeta Oséias, e que pode ser traduzido em português como “misericórdia”
ou “benignidade” (14.22; 20.6; Mt 5.7; 18.23-35; Lc 6.36; 11.4).
6
Segundo a Lei e a tradição judaicas, os filhos devem cuidar dos pais idosos com todo carinho e respeito (Is 51.18). Assim como
os pais devem abençoar seus filhos com a sabedoria e os bens que acumularam durante a vida (Gn 31.14; Nm 27.8; Sl 127.3; Pv
13.22). Furtar, enganar ou agredir os pais eram considerados crimes graves (Jz 17.1,2; Êx 21.15,17; Pv 10.5; 13.5; Mc 7.11-13).
Capítulo 20
1 O livro de provérbios associa embriaguez a pobreza (23.20,21; Os 7.5), a desavenças e crimes (23.29,30) e a injustiça (31.4,5).
O sábio não se deixa dominar por nada, a não ser pelo Espírito de Deus (Gn 9.21; Is 28.7). O álcool é a droga mais vendida em
todo o mundo, em nossos dias. Na fermentação alcoólica das bebidas, o ácido pirúvico (3C) é descarboxilado e, dessa maneira,
liberta CO2 e origina uma molécula de etanol (C2H5OH).
2
Nenhum ser humano está completamente isento de pecado (Jó 14.4; Rm 3.23), mas aqueles cujos erros e pecados foram
perdoados podem se considerar justificados e, portanto, limpos diante do Senhor e da humanidade (Sl 24.4; 51.1-10; Mt 5.8; Jo
13.8,9; 15.3).
3
Pechinchar exaustivamente, a ponto de se ridicularizar o valor real do produto que se deseja comprar, com o fim de pagar o
menor preço pelo objeto desejado, é um antigo costume nascido no oriente médio, ainda em voga em muitos países, especial-
mente ao norte da África e no mediterrâneo.
174 PROVÉRBIOS 20
15
Mesmo onde existam muito ouro e pe-
dras preciosas, os lábios que comunicam
sabedoria são mais valiosos que uma jóia
rara.
4

16
Tomem-se as vestes de quem serve
de fiador ao estranho; sirva sua própria
roupa de penhor àquele que der garantia
a uma mulher leviana.
5
17
Deliciosa é a comida conquistada por
meio de ardis e mentiras, contudo, em bre-
ve ela se transforma em areia na boca!
6
18
Os planos realizados mediante sábios
conselhos têm bom êxito; mesmo na
guerra é necessário uma boa estratégia.
19
Quem vive contando casos sigilosos
não sabe guardar segredos; portanto, evi-
ta a companhia de quem fala demais.
20
Se amaldiçoares o teu pai e a tua mãe,
a luz da tua vida se extinguirá na mais
profunda das trevas.
7

21
A conquista gananciosa e antecipa-
da de uma herança não terá um final
abençoado!
8
22
Não murmures: “Eu te farei pagar pelo
mal que me fizeste!” Entrega a tua vindi-
cação ao SENHOR, e Ele te dará a vitória!
9
23
O SENHOR detesta quem se utiliza de
medidas e pesos desonestos!
24
Os passos do ser humano são dirigi-
dos pelo SENHOR. Como seria possível a
alguém discernir perfeitamente seu pró-
prio destino?
25
Cuidado! É uma cilada consagrar algo
como Santo, mediante uma declaração
irrefletida, e só mais tarde pensar em to-
das as conseqüências do voto feito.
10

26
O rei sábio descobre quem está pra-
ticando perversidades e o castiga com a
máxima severidade.
11
27
O espírito do homem é a lâmpada do
SENHOR, a inteligência e o discernimento
humano revelam tudo o que se passa no
corpo.
28
A bondade e a lealdade preservam o
rei; por sua benignidade, ele dá firmeza
ao seu trono.
12
4
Aqui os termos “sabedoria”, “instrução” e “conhecimento” podem ser intercambiáveis, assim como a expressão original e lite-
ral “rubis” ou “pérolas” tem o sentido ampliado de “jóia rara e muito valiosa” (3.14,15; 8.10,11). A KJ de 1611 traduz este versículo
assim: There is gold, and a multitude of Rubies: but the lips of knowledge are a precious iewell.
5
A lei judaica da época facultava ao credor tomar as roupas de um devedor inadimplente como pagamento ou garantia de
dívida. O fiador de uma pessoa que não conhece bem (no caso judaico, de um gentio ou estranho), ou de uma mulher de má
reputação e, portanto, de confiabilidade duvidosa, poderá ficar sem suas próprias roupas para saldar a responsabilidade de uma
dívida (fiança) assumida (Dt 24.10-13).
6
No Brasil há um dito popular que afirma: “tudo que é gostoso faz mal, engorda ou é pecado”. A verdade não está longe da
sabedoria popular, neste caso. A “Insensatez” ou “a mulher adúltera” são um exemplo claro de quanto o mal e o erro parecem
atraentes e prazerosos; entretanto, logo essas experiências se tornam em sofrimento e amargura, como bem ilustra a metáfora
neste versículo: “mastigar areia” (9.13-18). Zofar faz observação semelhante em Jó 20.12-18, cerca de 2000 a.C.
7
Atitudes de violência física ou verbal (palavras cruéis e amaldiçoadoras) contra os pais eram crimes sujeitos a pena de morte
entre os antigos judeus (Lv 20.9; Pv 13.9; 30.11,17).
8
Em geral, as pessoas mais ávidas por dinheiro são as que mais o perdem de um modo ou de outro. Essa foi a triste opção
do “filho perdulário”, mas que – depois de muita humilhação e sofrimento – encontrou o perdão e a plena acolhida do pai, para
recomeçar sua vida em bases mais justas e sábias (Lc 15.11-32).
9
A vingança, mesmo no AT, é prerrogativa exclusiva de Deus, pois ele é o único que retribui a cada um com amor e justo rigor,
sempre com o objetivo de instruir, corrigir e salvar o faltoso e perdido. A vingança humana é uma punição destrutiva, pois sempre
emprega maior força e intensidade do que o mal recebido e, portanto, acaba tornando-se também injusta. Assim, o mais sábio é
entregar toda a vindicação (reclamação; exigência de direitos e juízo) aos cuidados do Senhor, e esperar com fé por sua resposta.
Há uma clara promessa de “vitória” para quem confiar na vingança do Senhor contra os perversos, por suas ações malignas (Dt
32.35; Sl 27.14; 37.34; 94.1).
10
Era um costume judaico, especialmente no AT, os crentes em Deus fazerem votos ou consagrarem (santificar) determinados
objetos ou lugares (e até mesmo as próprias pessoas e familiares), como um “presente” ao Senhor, por uma bênção especial
recebida (Lv 27.1-25; Dt 23.21; Jz 11.30-35; 1Sm 1.11). Contudo, a “Sabedoria” – conhecedora que é das fraquezas e leviandades
humanas – prefere aconselhar ao homem que não faça votos ou consagrações alopradas, sem uma séria e profunda reflexão,
evitando erro ainda maior do que seria o não cumprimento de uma promessa pessoal a Deus (Ec 5.4-6).
11
A KJ de 1611 apresenta a tradução literal deste versículo: A wise king scattereth the wicked, & bringeth the wheele ouer them.
“O rei sábio joeira os ímpios e faz passar sobre eles a roda.” A “roda” refere-se ao trilhador que separava os grãos da palha. Os
ímpios serão peneirados, e devidamente castigados no fogo, no Dia do Juízo (28.27,28; Ap 14.7,8).
12
Ao contrário do que diria Maquiavel, muitos séculos mais tarde, a verdadeira benevolência, honestidade e generosidade é
que tornam um rei ou qualquer governante muito querido por seus súditos ou eleitores, e proporcionem grande e efetivo incentivo
175 PROVÉRBIOS 20, 21
29
O esplendor dos jovens está na sua for-
ça; e a glória dos idosos, nos seus cabelos
brancos.
30
As marcas e os ferimentos eliminam o
mal; as provações e os açoites purificam
as profundezas da alma.
13
Deus controla o coração dos reis
21
O coração do rei é como um ri-
beiro de águas caudalosas nas
mãos do SENHOR; este o inclina para onde
deseja.
1

2
Todo caminho do homem é reto a seus
próprios olhos, mas Yahweh, o SENHOR, é
quem julga suas motivações mais íntimas.
2

3
Praticar o que é justo e certo é mais
aceitável ao SENHOR do que o ofereci-
mento de sacrifícios.
3
4
Olhar altivo, coração arrogante são os
sinais mais claros da vida pecaminosa
dos ímpios.
4
5
Os projetos bem elaborados do homem
trabalhador redundam em fartura; o de-
sesperado acaba sempre na miséria.
6
As riquezas conquistadas mediante lín-
gua mentirosa são ilusão passageira e ci-
lada que pode levar à morte.
7
A própria violência dos ímpios se en-
carregará de destruí-los, porque se ne-
gam a fazer o que é certo.
8
O culpado adiciona erros ao seu cami-
nho tortuoso; no entanto, a conduta do
inocente é reta.
9
É melhor morar só, no fundo de um
quintal, do que dentro de uma mansão
com uma mulher murmuradora e bri-
guenta!
10
A alma do ímpio anseia por praticar
o mal; aos seus olhos ninguém merece
bondade.
11
Quando o zombador é castigado, a
pessoa inexperiente ganha sabedoria;
quando o sábio recebe instrução, obtém
pleno conhecimento.
12
O Justo observa a atitude dos ímpios e
os faz cair em desgraça!
13
Quem fecha os ouvidos às súplicas dos
pobres, um dia também clamará e não
receberá qualquer resposta!
14
O presente que se entrega em segre-
do acalma a ira, e o suborno oferecido às
ocultas apazigua os maiores acessos de
fúria.
15
Quando se faz justiça, os justos ficam fe-
lizes, entretanto isso apavora os perversos!
16
A pessoa que se desvia do caminho da
sensatez na assembléia dos mortos per-
manecerá.
17
Quem se entrega desvairadamente aos
prazeres passará necessidade; quem se
ao desenvolvimento real da cidadania e do senso de cooperação social e comunitária. A pátria deve, de fato, ser “mãe gentil”
(3.3; 14.22; 16.12; 29.14).
13
Muito se pergunta sobre o porquê de pobreza, doenças, guerras, cataclismos e sofrimentos sobre a terra. Uma das respostas
é a sabedoria divina clamando às consciências dos povos para que se voltem para Deus, o Criador do Universo, e o adorem
com sinceridade de coração, obedecendo à sua Palavra e a seus mandamentos. Os ímpios, perversos e tolos, apesar de tudo,
não aprendem; justamente porque são insensatos (10.13; 14.3; 19.29; 17.10; 27.22). Esses males não podem ser considerados
“castigos” sobre os filhos de Deus, mas provações, uma vez que o “castigo” dos crentes estava sobre Jesus, o Messias (Is 53.5;
Rm 1.16,17; 10.10; 11.11; 13.11).
Capítulo 21
1
Nada e ninguém resiste ao controle soberano de Deus; portanto, quando alguma coisa ou pessoa parece impedir nosso
progresso, apesar do nosso esforço e trabalho, o melhor é entregarmos esse caso ao Senhor em oração (20.22). Até mesmo
reis ímpios e poderosos, como Nabucodonosor e Ciro tiveram suas vontades controladas pela ação do Espírito de Yahweh (Dn
4.31-35; Is 45.1-3; Ed 6.22).
2
Transliteração do tetragrama hebraico ¨`¨` YHWH em Yahweh (Iavé, Javé ou Jeová) – Nome (que na tradição hebraica revela
o próprio caráter do seu possuidor) Santo e impronunciável de Deus (Gn 12.8; 13.4; 26.25; Êx 3.11-15), traduzido em toda a Es-
critura e, especialmente no AT, como “Senhor”. Neste capítulo, a KJ faz constar a transliteração ao lado da tradução adotada em
português, com o intuito de salientar esse esclarecimento. Os pensamentos e intenções dos seres humanos parecem coerentes
e justificáveis para cada pessoa, mas somente o Senhor julga perfeitamente, e seu Espírito pode nos revelar se estamos agindo
corretamente (14.12; 16.2; 24.12; Jó 31.6; Sl 139.23; 1Co 4.4,5; Hb 4.12).
3 Esta foi a advertência que os profetas nos deixaram (Os 6.6; Mq 6.7,8), que o profeta Samuel repete ao infiel, prepotente e
tresloucado rei Saul (1Sm 15.22,23) e com que Jesus, o Messias nos admoesta (Mc 12.33).
4 A arrogância, própria dos ímpios, tira a fé devida a Deus e a coloca erroneamente no “eu” humano (Sl 18.26-28; Hb 11.6).
176 PROVÉRBIOS 21, 22
apega ao vinho e à carne gorda jamais
será rico!
5
18
O perverso servirá de resgate para o
justo, e o traidor, no lugar do fiel.
6
19
Melhor é morar numa região deserta
do que na companhia de uma mulher
amargurada e briguenta.
20
Na casa do sábio há riquezas poupadas
e alimentos armazenados; o insensato,
entretanto, engole tudo o que pode num
instante.
21
Quem busca a retidão e o amor leal
terá vida longa e será tratado com respei-
to e justiça.
22
O sábio conquista a cidade dos valentes
e destrói a fortaleza em que eles confiam.
7
23
Quem reflete antes de falar evita mui-
tos dissabores e sofrimentos.
24
Insolente, soberbo, seu nome é “zom-
bador”! Ele sempre age no ardor de sua
arrogância.
25
O preguiçoso é aquele que morre “de-
sejando”, mas nunca põe de fato as mãos
no trabalho!
8
26
Os dias se passam, e ele “desejando”
mais e mais, enquanto o justo reparte
sem parar o que granjeia.
9
27
Os sacrifícios dos ímpios já por si são
absolutamente inaceitáveis; tanto mais
quando oferecidos com más intenções.
28
A testemunha falsa acabará sendo con-
denada à morte, mas a pessoa que sabe
ouvir e se informar poderá falar para
sempre.
29
O ímpio finge que é confiante, mas
somente o justo permanece firme no Ca-
minho!
30
Não há inteligência alguma, nem co-
nhecimento algum, nem estratégia al-
guma que consiga opor-se à vontade do
SENHOR.
31
Os homens podem preparar seus ca-
valos para o dia da batalha, mas somente
Yahweh, o SENHOR é quem dá a vitória!
10

O bom Nome vale mais que prata
22
A boa reputação é mais importan-
te que muitas posses; desfrutar de
boa estima vale mais que prata e ouro.
2
O rico e o pobre têm algo precioso em
comum: o SENHOR é o Criador tanto de
um quanto do outro.
3
O prudente percebe o perigo e busca
refúgio; o incauto, contudo, passa adian-
te e sofre as conseqüências.
4
A recompensa ao temor do SENHOR e ao
comportamento humilde são a riqueza, a
honra e a vida!
5
Nas trilhas dos perversos existem espi-
nhos e ciladas; quem deseja proteger a
própria vida deve afastar-se deles.
6
Ensina a criança no Caminho em que
deve andar, e mesmo quando for idoso
não se desviará dele!
1

5
A expressão hebraica literal ]C2_` ¨]`_` “o vinho e o ungüento” fica melhor traduzida para o português como “o vinho e os
alimentos gordurosos” ou “carne gorda”. O vinho e o ungüento (azeite) faziam parte dos festejos suntuosos da época (23.20,21;
Am 6.6). O azeite puro era também empregado na produção de preciosos bálsamos, loções e perfumes (Jo 12.5).
6
Na antigüidade, Deus entregou três nações à Pérsia, em troca da liberdade dos exilados de Judá (Is 43.3,4; Pv 11.8).
7
Conforme os originais, uma outra maneira de dizer: “a sabedoria é mais operosa e eficaz que a força bruta” (24.5; Ec 9.16).
O apóstolo Paulo ensinou a Igreja de Cristo a usar as armas da espiritualidade para derrubar todas as fortalezas do pecado e do
maligno (2Co 10.4).
8
Aqui temos dois personagens muito comuns: o “zombador” e o “desejando”; o primeiro, que vive escarnecendo de Deus e de
todos que têm fé, é motivo de riso e desprezo de Deus (1.22; 3.34; 19.25,29; 21.11). O “desejando” é o preguiçoso que sempre
tem uma boa desculpa para relaxar e descansar em vez de dedicar-se a qualquer trabalho digno (6.6; 13.4).
9
O justo e prudente é aquele que não enjeita trabalho, ainda que mal remunerado; não esbanja o que recebe e procura poupar
para o futuro. Apesar de toda essa dedicação, não é avarento, pois movido pelo Espírito de Deus, usa de generosidade para com
os necessitados e coopera alegremente com os mais pobres que se esforçam (Sl 37.26; 112.9; Ef 4.28).
10
Por toda a Escritura há advertências do Senhor quanto a colocarmos nossa total confiança em pessoas e coisas, mesmo nas
mais sofisticadas tecnologias. Nossa fé deve ser oferecida em sua plenitude somente a Deus, Yahweh, e nele devemos descansar
nossa alma, por ele movendo nossa mente e força de trabalho operoso (Sl 3.8; 20.7; Os 1.7; Dt 17.16; 1Sm 17.47).
Capítulo 22
1
Os pais que são crentes em Deus e andam no Caminho (segundo o Espírito e a Palavra do Senhor Jesus, o Messias – 2Sm
22.31; Is 40.3; Jr 32.39; Mt 7.13; 11.10; Lc 20.21; At 9.2), devem ensinar (inclusive mediante o testemunho pessoal de uma vida
regenerada) seus filhos, desde a mais tenra idade, a amar e obedecer à Palavra de Deus, pois assim como são instruídos na
177 PROVÉRBIOS 22
7
O rico domina sobre os pobres, o que
toma emprestado se torna servo do que
empresta.
8
Quem semeia injustiça colherá desgraça,
e o castigo de sua soberba será completo.
9
O homem generoso será abençoado, por-
quanto reparte seu pão com o necessitado.
2
10
Lança fora o escarnecedor, e com ele
irá a contenda; cessarão as demandas e
a ignomínia.
11
O que ama a sinceridade de coração e é
grácil no falar será amigo do rei!
3
12
Os olhos do SENHOR protegem o verda-
deiro conhecimento, mas Ele confunde
os discursos dos traidores.
13
O preguiçoso sempre alega: “Há um
leão lá fora! Serei morto se sair à rua!”
4
14
A conversa da mulher imoral é uma ci-
lada profunda; nela permanecerá quem
estiver sob a ira do SENHOR!
15
A tolice mora naturalmente no cora-
ção das crianças, mas a vara da correção
as livrará dela!
16
Quem enriquece à custa de oprimir
o pobre, assim como quem adula, com
presentes, os ricos, certamente passará
necessidade!
Os trinta ditados dos Sábios
17
Inclina teu ouvido e presta toda aten-
ção aos ditados dos sábios; aplica teu co-
ração ao meu ensino,
18
porquanto terás grande satisfação em
guardá-los em teu íntimo!
19
Para que a tua confiança seja deposi-
tada toda no SENHOR, vou instruir hoje
também a ti.
20
Porventura, não te escrevi trinta ditados
com orientações e conselhos excelentes,
5

21
com o objetivo de te ensinar princípios
dignos de confiança, para poderes res-
ponder com verdade ao que te envia?
6
22
Não explores o pobre, por ser fraco,
nem oprimas os necessitados no t ribu-
nal,
23
pois o SENHOR será o Advogado de-
les, e despojará a vida dos que os
defraudaram!
7
24
Não te associes com quem vive de mau
humor, nem caminhes em companhia da
pessoa iracunda;
25
para que não te acostumes com seus
modos, e não acabes caindo em uma ci-
lada mortal.
8

26
Não imites a pessoa que com um sim-
meninice é de se esperar que cresçam e gerem muitos discípulos na graça e no conhecimento do Senhor. A instrução e a dis-
ciplina (ou correção) andam sempre juntas em benefício do sábio, desde a infância até a vida madura (Gn 18.19; 1Rs 8.63; Pv
1.8; 4.11; 22.15).
2
O vocábulo “generoso” vem da expressão hebraica e literal “bons olhos”, que se refere à pessoa que consegue olhar as
qualidades, talentos, bens e bênçãos do seu próximo “com alegria sincera” (1Co 13.6). A inveja é um sentimento maligno e
exatamente contrário a este, considerado pelos antigos judeus como ayin horeh, em hebraico, e ayin harsha em aramaico, “mal
do olho” ou “mau olhado” (23.6).
3
Uma das características dos sábios não é a exaltação, muito menos qualquer manifestação de descontrole emocional ou ira,
mas elegância, educação e habilidade em se expressar com calma, clareza e argumentos conclusivos (Ec 10.12). Os “puros” não
são aqueles que nunca se sujaram, mas os que foram “limpos eternamente” pela ação poderosa do sangue vicário do Messias,
aspergido na Cruz do Calvário (Mt 5.8; Hb 9.14; Sl 24.4).
4
O preguiçoso é pródigo em boas desculpas para driblar o trabalho, as responsabilidades, e continuar a fazer o que alguns
chamam de “ócio criativo”, ou seja, “nada” (6.6).
5
A expressão hebraica C`27_2, transliterada em šlšwm, tem sido alvo de vários estudos exegéticos. Muitos lingüistas a tradu-
zem como “cousas excelentes”; na Septuaginta (LXX – a mais antiga e prestigiada tradução grega do AT) e na Vulgata (tradução,
de Jerônimo, do AT para o latim), aparece a expressão “triplamente” ou “trinta ditos”. De fato, aqui começa uma seção (de 22.22
a 24.22) que pode ser dividida em 30 tópicos específicos sobre atitudes sábias fundamentais. Alguns arqueólogos e biblistas
acreditam que esse conjunto de princípios seja uma resposta ou diálogo com o antigo livro egípcio “Sabedoria de Amenemope”,
sábio gentio muito conhecido entre os intelectuais judeus na época de Salomão. Era comum os judeus admirarem a sabedoria de
outros povos e promoverem reuniões de intercâmbio cultural, embora, evidentemente, não pudessem apoiar a religiosidade nem
os profetas pagãos. Salomão e Daniel foram considerados muito mais excelentes do que todos os sábios de Israel e dos países
vizinhos (1Rs 4.30-34; 10.1-13,24; Dn 5.11,12).
6
Era costume um sábio ser enviado para algum projeto missionário por seu pai ou mestre superior (1Pe 3.15).
7
O Espírito do Senhor é o grande advogado dos oprimidos e daqueles que não têm acesso à justiça plena, por serem pobres
(Êx 22.22-24; Sl 12.5; 140.12; Is 3.13-15; Ml 3.5; Pv 23.10,11).
8
Provérbio que gerou o conhecido dito popular: “Dize-me com quem andas, e te direi quem és” (1Co 15.33; Pv 5.22; 12.13;
13.14; 29.6).
178 PROVÉRBIOS 22, 23
ples aperto de mãos empenha-se com ou-
tros e se torna fiador de dívidas;
27
se tu não tens com que pagar, por que
correr o risco de perder até a cama em
que dormes?
28
Não desloques os marcos antigos que
limitam as propriedades e que foram co-
locados ali por teus antecedentes.
29
Já observaste uma pessoa zelosa em seu
trabalho? Pois será promovida ao serviço
real; não trabalhará para gente obscura!
9
Conclusão dos 30 ditos dos Sábios
23
Quando te assentas para uma re-
feição com alguma autoridade,
presta atenção em quem está diante de ti;
2
põe uma faca à tua própria garganta, se
estiveres com grande apetite.
1
3
Não cobices todas as iguarias que te são
oferecidas, porquanto podem ser enga-
nosas.
4
Não chegues à exaustão na tentativa de
conquistar a riqueza; tem bom senso!
2

5
Os bens e o prestígio desaparecem
como num piscar de olhos; criam asas e
voam pelos céus como a águia.
3

6
Não aceites comer na casa do invejoso,
tampouco cobices as iguarias que lá são
servidas;
4
7
porquanto o miserável só pensa nos
gastos. Ele diz: “Come e bebe!”, entretan-
to não fala com sinceridade.

8
Vomitarás o bocado que comeste, e des-
perdiçarás a tua cordialidade.
9
Não vale a pena conversar com o insen-
sato, pois ele despreza a sabedoria que há
nas tuas palavras.
10
Não mudes os antigos marcos divisó-
rios de propriedade, nem invadas as ter-
ras dos órfãos,
11
porquanto o Redentor dos direitos dos
órfãos é poderoso, e se colocará contra ti
por causa deles!
5

12
Submete teu coração à disciplina e in-
clina teus ouvidos à Palavra de sabedoria!

13
Não hesites em disciplinar a criança;
ainda que precises corrigi-la com a vara,
ela não morrerá.
14
Castiga-a, tu mesmo, com a vara, e as-
sim a livrarás do Sheol.
6
15
Filho meu, se o teu coração agir com
sabedoria, o meu coração se alegrará.
16
Grande será o meu regozijo quando os
teus lábios se expressarem com retidão.
9
Os mestres, artífices e técnicos eram considerados sábios (8.30; Êx 35.30-35). Todo profissional que se dedica a seu trabalho,
com amor e louvor a Deus, será guindado a posições mais destacadas e, eventualmente, a liderança geral. As Escrituras revelam
os exemplos de José, administrador geral do Egito (Gn 41.46), dedicado pastor, legislador e líder (Êx 3;4); de Davi, grande poeta,
músico e governador (1Sm 16.21-23) e de Hurão, especialista em arte no bronze (1Rs 7.14).
Capítulo 23
1
Muita comida e bebida entorpecem o raciocínio e nos deixam vulneráveis e propensos a aceitar propostas que poderiam
ser rejeitadas, ou melhor negociadas, se a mente não estivesse tão ocupada com a beleza da mesa e a digestão das variadas
iguarias. Uma refeição de negócios deve ser encarada como um momento de trabalho e não um descontraído piquenique em
família (v.6; Sl 141.4).
2
O desejo de progresso e eventual enriquecimento é legítimo e sadio; contudo, a obsessão por poder, prestígio e riquezas
pode arruinar uma pessoa, física e espiritualmente (1Tm 6.10; Hb 13.5; Pv 15.27; 28.20).
3
Os bens e o dinheiro são voláteis, e a fama e o prestígio são ilusões passageiras. Tudo passa muito rápido, menos nossos
investimentos no amor a Deus e em seu Reino (Jr 17.11; Lc 12.21; 1Tm 6.17).
4
O “invejoso” é, literalmente, em hebraico, uma pessoa de “olho mau”; antônimo de “generoso” ou “pessoa de olhos abenço-
adores” (22.9). Essa maneira de as Escrituras definirem o “mesquinho” e a “inveja” foi incorporada por Jesus em suas homilias
e parábolas (Mt 20.15).
5
O vocábulo hebraico original C7_N. gõ´el, “seu redentor”, comunica a idéia de alguém que “redime plenamente”, pagando
o valor total exigido por um resgate. Também expressa a agonia e a dor de um parente que suplica “retribuição” ou “vingança”
em nome de um parente injustiçado. Essa é a expressão que descreve o “Redentor” de Jó (19.25; Is 44.6; Jr 14.18). É também
o “vingador de sangue” descrito no AT (Nm 35.12). É o ministério perfeito e absoluto que somente a pessoa de Jesus Cristo, o
Messias, cumpriu com efeito eterno no NT (1Pe 2.21-25). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: For their Redeemer is mighty;
he shall plead their cause with thee.
6
Como já visto anteriormente, a expressão hebraica original 7`N2C do Sheol, que nos melhores manuscritos do NT corres-
ponde ao termo Hades (Ap 20.14,15), tem uma amplitude semântica muito grande, podendo – em cada caso e de acordo com
o contexto – significar: volta do corpo humano ao pó de onde foi criado por Deus; simplesmente um estado da morte enquanto
aguarda a volta do Cristo e o Dia do julgamento final; o lado do repouso no lugar para onde vão as almas dos mortos depois que
deixam o corpo humano mortal; um lugar celeste chamado pelos judeus de seio de Abraão (Lc 16.22; Jo 1.18); simplesmente
179 PROVÉRBIOS 23, 24
17
Jamais invejes os pecadores em teu co-
ração; é muito melhor temer o SENHOR
para sempre!
18
É certo que sempre haverá um futuro,
e tua esperança não será aniquilada!
19
Ouve, filho meu, e torna-te sábio, e di-
rige teu coração pelo Caminho.
20
Não caminhes com os que se enchar-
cam de vinho, tampouco com os que se
empanturram de comida,
21
porquanto os bêbados e os glutões se
empobrecerão, e a indolência os vestirá
de trapos!
22
Ouve o teu pai, pois ele te gerou, e não
desprezes tua mãe, quando for idosa.
23
Compra a verdade, a sabedoria, a dis-
ciplina e a inteligência, e não as vendas
por preço algum!
24
O pai do justo vai saltar de júbilo;
quem tem a felicidade de gerar uma pes-
soa sábia com ele muito se alegrará.
25
Que teu pai e tua mãe sejam muito
felizes contigo, que exulte aquela que te
deu à luz!
26
Filho meu, dá-me o teu coração, e que
teus filhos apreciem também os meus
caminhos,
7

27
pois as mulheres imorais e insensatas são
como uma armadilha profunda e mortal.
28
Como um assaltante elas espreitam
suas vítimas, e multiplicam entre os ho-
mens o número dos infiéis!
29
Para quem são os ais de pesar? Para quem
as expressões de profunda tristeza? Para
quem as brigas e inimizades? Para quem os
ferimentos desnecessários? De quem são os
olhos embaçados e vermelhos?
30
Para todos aqueles que gastam horas
se encharcando de vinho, os que andam
em busca de bebidas fortes e misturas al-
coólicas!
31
Não te entregues a contemplar a tintura
avermelhada do vinho, quando cintila pro-
vocante no copo e escorre suavemente!
32
No fim, ele ataca como a serpente e en-
venena como a víbora!
8
33
Teus olhos verão coisas horríveis e tua
mente entorpecida te fará dizer tolices.
34
Serás como alguém que dorme no
meio do mar agitado ou deita-se sobre as
cordas de um alto mastro.
35
E dirás: “Feriram-me, mas eu nada
senti! Bateram em mim, contudo eu
nada percebi! Quando despertarei para
que possa voltar a beber?”
A fé em Deus inspira e fortalece
24
Não tenhas inveja dos ímpios,
tampouco queiras caminhar na
companhia deles;
1

uma referência à sepultura; as profundezas e o inferno, o lado atormentador do Hades conhecido como Gê hinnõm em hebraico,
ou Geena em grego (Lc 16.23). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: Thou shalt beate him with the hod, and shalt reioyce
deliuer his soule from Hell. A idéia geral dessa instrução proverbial é que a verdadeira educação cristã, disciplina e correção da
criança, poderá contribuir decisivamente – ainda que seja na vida adulta – para ajudá-la a tomar uma decisão sincera, pessoal e
profunda de entrega do seu coração a Deus, mediante a aceitação consciente da morte vicária do Senhor Jesus Cristo, o Messias
(Jo 1.12; 3.16).
7
O termo hebraico original ¨27 lēbh “coração”, cuja raiz verbal significa “adquirir compreensão” ou “desenvolver o discerni-
mento”, aparece nas Escrituras como “órgão físico” (2Sm 18.14); “centro do corpo humano” (Is 1.5); “centro das forças espiri-
tuais” (Lm 3.41); “força íntima do ser” (Jr 17.10); “força da mente” (Ec 2.20); “poder da memória” (Sl 31.12), e a própria “razão
e consciência” (Jó 27.6).
8
O texto se refere às bebidas alcoólicas, mas podemos aplicar o mesmo princípio a todas as demais drogas da atualidade cha-
madas lícitas ou não, como o fumo, por exemplo. Hoje em dia, há muitas pessoas “viciadas” que ainda não se deram conta disso,
pois consomem todos os dias, sem orientação médica e exageradamente, uma série de alimentos não saudáveis: refrigerantes,
suplementos vitamínicos, estimulantes, analgésicos, xaropes e remédios em geral, produtos que agem como as serpentes mais
sagazes (Nm 21.6); espreitam e atacam, preferencialmente, na calada da noite, envenenando suas vítimas e aguardando que,
atordoadas, cambaleantes e trêmulas caiam absolutamente aniquiladas ao longo do caminho para que as possam devorar (v.29-
35; 20.1; Dt 21.20; 1Sm 25.36; Sl 75.8; Is 5.11,22; 56.12; Mt 24.49; Lc 21.34; Rm 13.13; Ef 5.18; 1Ts 3.3).
Capítulo 24
1
A palavra hebraica original, transliterada em rã´ãh, e aqui traduzida por “ímpios”, tem o sentido de “maligno” e comunica a
idéia de “destruir e arruinar”. O “mal” moral é tudo quanto causa “dano” (Mq 2.1-3). Há uma outra expressão, que também pode
ser traduzida por “Maligno”, cuja raiz hãwwãh revela “uma vontade concupiscente” ou “cobiça incontrolável” (17.4; 24.1). Assim,
podemos compreender melhor o caráter do Maligno, o Diabo, que incapaz de controlar sua volúpia, sagacidade e inveja, incita o
ser humano a também pecar contra Deus (Gn 3.6; 1Jo 2.12-17).
180 PROVÉRBIOS 24
2
pois o coração dos perversos intenta
violência o tempo todo, e seus lábios só
murmuram malignidades.
3
Com sabedoria se constrói uma casa, e
com inteligência ela se consolida.
4
Mediante discernimento seus cômodos
são mobiliados com todo tipo de bens
preciosos e agradáveis.
5
Um homem sábio é poderoso, e quem
possui entendimento potencializa sua
força;
6
quem parte para a guerra necessita de
orientação estratégica, pois com muitos
conselhos se conquista a vitória!
7
A sabedoria é virtude elevada demais
para o perverso; por isso ele fica sem pa-
lavras nas assembléias.
8
Quem urde o mal o tempo todo será co-
nhecido como mexeriqueiro!
9
A intriga do perverso é pecado, e o escar-
necedor é detestado por todas as pessoas.
10
Se te mostras vagaroso para ajudar teu
próximo, pouca força terás no dia da an-
gústia.
2
11
Liberta os que estão sendo conduzidos
à morte, salva os que são arrastados ao
suplício!
12
Porquanto, ainda que alegares: “Eis
que não sabíamos o que ocorria!” Aquele
que investiga todos os corações não per-
ceberia a verdade? Não saberia Aquele
que preserva a sua vida? Não retribuirá
Ele a cada um segundo a sua atitude?
13
Come o mel, filho meu, porque é bom,
o favo de mel é doce ao paladar.
14
Sabe, também, que a sabedoria é boa
para a alma; se a encontras, com certeza
haverá futuro para ti.
15
Não te embosques, como faz o ímpio,
junto à morada do justo, nem destruas o
seu local de repouso,
3

16
pois ainda que um justo caia sete vezes,
sete vezes tornará a se erguer; os ímpios,
todavia, são arrastados para a desgraça!
4
17
Se teu inimigo cai, não te alegres com isso,
e não exulte teu coração se ele tropeça,
18
para que Yahweh, o SENHOR, não veja
isso, fique aborrecido contigo, e retire de
sobre ele o seu castigo.
19
Não te aflijas por causa dos maus, tam-
pouco tenhas inveja dos ímpios.
20
Pois não existe futuro para o perverso:
a lâmpada dos ímpios está simplesmente
se extinguindo.
21
Teme a Yahweh, o SENHOR, filho meu, e
ao rei; não te associes aos revoltosos,
22
pois terão repentina destruição, e
quem pode calcular a ruína que o SENHOR
e o rei podem provocar?
Outros provérbios de sabedoria
23
Aqui segue uma outra seleção de ditos
dos Sábios: Agir com parcialidade nos
julgamentos não é nada prudente.
24
Quem declarar ao ímpio: “Tu és justo!”
será amaldiçoado pelos povos e sofrerá a
indignação das nações!
25
Entretanto, para os que punem o cul-
pado haverá paz e conforto, e sobre eles
virão muitas outras bênçãos.
2
Neste versículo, nos manuscritos hebraicos, há um jogo enigmático de palavras: o termo ¨¨3 çãrãh “angústia” e o vocábulo
¨¸_3 çar “pouco”, “pequeno” ou “restrito”, derivam de uma mesma expressão que significa “cingir”, “constringir”, “apertar-se”. Os
antigos sábios judeus costumavam usar o curioso recurso das charadas e frases capciosas, além das parábolas e histórias com
fim moral, para ensinar àqueles que realmente desejavam aprender, confrontar o mal e esquivar-se de possíveis perseguidores.
Jesus, o Messias, foi o grande mestre na arte de combinar a amplitude semântica, sonora e gráfica das palavras em hebraico,
aramaico, latim e grego, a fim de comunicar seus mais profundos e amplos ensinamentos (Mc 7.26-30; Jo 12.20-26; 19.20,21).
3
A palavra hebraica, aqui transliterada em çaddiq “reto”, deriva da raiz çãdaq “ser justificado e vitorioso”. A combinação desses
significados pode ser traduzida no termo português “justo”, compreendendo que a santidade e o amor leal e permanente de Deus
é que conquistam a “vitória” sobre todas as nossas tendências pecaminosas. Essa expressão, portanto, refere-se à “justificação”
pela fé em Jesus, o Messias, capaz de vencer os propósitos e artimanhas do Diabo, cancelando a sentença de morte que todo
ser humano carrega e quaisquer acusações que o Inimigo possa apontar contra os filhos de Deus, no dia do julgamento final
(Rm 3.23; Hb 9.27,28).
4
O “justo” ou “justificado” não é a pessoa que sofre queda, mas aquela que, quando tropeça, tem a humildade de reconhecer seu
erro, pedir sincero perdão a Deus e a quem mais possa ter ofendido e retornar à absoluta e perfeita comunhão com o Pai (1Jo 1.9). O
número “sete” na tradição cultural e religiosa oriental e israelita refere-se ao “número integral”, “completo”, “perfeito”, “infinito em sua
abrangência”. Portanto, o perdão de Deus é sem limites (6.16; Jó 5.19; Mt 18.21-22). Os ímpios, em sua empáfia e arrogância, são
aqueles que não pedem nem aceitam o perdão; esses, infelizmente, terão o fim que escolheram (v.22; 4.19; 6.15; 11.3,5).
181 PROVÉRBIOS 24, 25
26
A resposta franca é prova de sincera e
fraternal amizade!
5
27
Forma primeiro a tua lavoura e levanta
a tua casa, então, estarás à vontade para
constituir a tua família.
6

28
Não testemunhes sem motivo contra o
teu próximo, tampouco fales mal dele!
29
Jamais digas: “Segundo me fez, assim
lhe retribuirei! Devolverei a cada um con-
forme o mal que lançou contra mim!”
30
Passei junto ao campo do preguiçoso,
pela vinha de um homem sem juízo:
31
Eis que tudo estava cheio de urtigas,
sua superfície coberta de espinhos, e seu
muro de pedras, em ruínas.
32
Ao observar tudo isso, comecei a refle-
tir, vi e tirei uma lição:
33
“Dormir um pouco, cochilar um pouco;
um pouco cruzar os braços e deitar-se,
34
e a pobreza te sobrevirá como um as-
saltante, a tua mendigação como um la-
drão armado!”
Outros conselhos de Salomão
25
Estes são out ros provér bios de
Salomão, os quais for am t r ans-
cr itos pelos ser vos de Ezequias, rei de
Judá:
1

2
A glória de Deus é ocultar certos conhe-
cimentos; tentar desvendá-los é a glória
dos majestosos!
2
3
A altura do céu, a profundidade da ter-
ra e o coração dos soberanos, são lugares
insondáveis.
4
Tira as escórias da prata e ela ficará ab-
solutamente pura;
5
tira o ímpio da presença do rei e seu
trono se firmará na justiça.
3
6
Não te vanglories diante do rei, nem
reivindiques um lugar entre as pessoas
mais importantes;
7
pois é muito melhor que o próprio rei
te convide: “Sobe até aqui!”, do que seres
humilhado na frente das autoridades.
4
8
Não conduzas precipitadamente alguém
5
Este versículo pode ser traduzido, literalmente, assim: “Beijados serão os lábios de todo homem que responde com palavras
retas”, semelhante ao que apresenta a KJ de 1611 – Every man shall kisse his lippes that giueth a right answere. Melhores recursos
exegéticos, entretanto, possibilitaram uma melhor compreensão acerca dessa metáfora, pois “as palavras sábias e sinceras ditas de
forma agradável são doces como o mel” (16.13; 16.24). O beijo fraternal na tradição das culturas orientais representava, especial-
mente nas saudações, uma demonstração de humildade, paz, respeito, amizade e lealdade. Por isso, o conhecido beijo de Judas
passou para a História como um dos mais repugnantes gestos de traição (Lc 22.47,48). Mesmo o beijo romântico era comumente
compreendido como um sinal ou expressão do compromisso de amor leal que se estabelecia entre pessoas que se amavam. Com
o passar dos séculos, especialmente nas culturas ocidentais, ocorreu uma banalização do beijo, e, hoje em dia, seu profundo e vir-
tuoso simbolismo deu lugar à sensualidade ou a mera cordialidade. O mesmo acontece com o gesto universal do “aperto de mãos”
ou do insosso e comercial “bom dia” que, muitas vezes, nada têm a ver com seus mais éticos e fraternos significados originais.
6
Aqueles que confiam em Deus, especialmente os jovens, não devem ser fatalistas, muito menos, acomodados. Os sábios
bíblicos ensinam que devemos calcular bem todos os nossos projetos e procedimentos (Lc 14.28). A expressão literal hebraica
“casa” também significa “família” e, por isso, constituir uma família requer planejamento e preparo, a fim de que esse empreendi-
mento possa ser concluído com felicidade (v.3; 9.1).
Capítulo 25
1
Salomão foi o último rei a governar o reino unificado de Israel; o primeiro monarca a reinar sobre todo o Israel (agora restrito
ao Reino do Sul, logo após a destruição do Reino do Norte). Foi no reinado de Ezequias (aproximadamente entre os anos 715
e 686 a.C.), que ocorreu um maravilhoso reavivamento espiritual em todo o território israelense remanescente. O rei Ezequias
restaurou o cântico dos hinos ao seu devido lugar (2Cr 29.30). Seu profundo interesse pela Palavra e pelos documentos bíblicos
escritos por Davi explica seu apoio a uma compilação dos provérbios de Salomão (1.1; 10.1). Sua atitude lembra a decisão do
rei King James em 1607, também um apaixonado pela Palavra de Deus, ao acatar a sugestão de vários líderes cristãos da época
e coordenar uma acurada compilação e tradução dos melhores manuscritos disponíveis nas línguas originais, para a publicação
de nova edição da Bíblia em inglês, e que tem servido de referência na tradução das Escrituras para todas as demais línguas e
culturas do planeta, em todas as épocas.
2
Deus reserva para si a plenitude do poder e do saber, e recebe toda a glória que lhe é devida, pois o homem não consegue
compreender a Criação, o Universo nem o modo como Deus o governa. O rei e os intelectuais (majestosos) obtêm glória quando
lhes é facultado o dom de conhecer a verdade e governar com justiça (1Rs 3.9; 4.34). O homem domina o que explica.
3
A expressão hebraica, transliterada em çedhãqâh “justiça”, tem o sentido de “aquilo que é reto, exato, direito, limpo, honesto,
inocente, sem tortuosidade, perversão ou adulteração alguma”. É o antônimo do termo ´ãwâh “perverter” (13.5; 16.12; 20.26;
28.10; Is 1.22-25; Ez 22.18; Ml 3.2,3).
4
Cerca de 1000 anos mais tarde, Jesus Cristo faria referência a essas e outras palavras de Salomão e dos demais sábios
citados no livro de Provérbios, numa demonstração clara e prática da inerrância, poder, e sabedoria perpétua das Escrituras
Sagradas (Lc 14.7-11; Is 22.15-19).
182 PROVÉRBIOS 25
ao tribunal, pois como agirás caso teu
oponente te desminta?
9
Busca resolver tua causa diretamen-
te com o teu próximo, mas não reveles
qualquer segredo de outra pessoa,
5

10
caso contrário, quem te ouvir poderá
te difamar e jamais recuperarás tua re-
putação!
11
Maçãs de ouro com enfeites de prata é
a palavra falada em tempo oportuno.
12
Anel de ouro ou colar de ouro fino é a
censura do sábio para o ouvido atento.
13
Como o frescor da neve num dia de
ceifa é o mensageiro fiel para quem o en-
via: ele reconforta a vida do seu senhor.
6
14
Nuvens e ventos e nada de chuva, assim
é a pessoa que promete mas não cumpre.
7
15
Com paciência dobra-se um magistra-
do, e a língua macia pode quebrar ossos.
8
16
Encontraste mel? Come o suficiente,
para que não fiques enjoado e o vomites.
17
Teu pé seja raro na casa do teu pró-
ximo, para que ele não se enjoe de ti, e
venha a te odiar.
18
Assim como uma arma, uma espada
ou uma flecha aguda, é o perigo daquele
que diz mentiras contra o seu próximo.
19
Dente que balança e pé deslocado são
atitudes semelhantes a confiar no traidor
no dia da aflição!
9
20
Como tirar a própria roupa num dia de
frio, ou derramar vinagre numa ferida é ter
de cantar com o coração entristecido!
10
21
Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de
comer; se tiver sede, dá-lhe de beber.
22
É procedendo assim que amontoa-
rás brasas vivas sobre a cabeça dele, e
Yahweh, o SENHOR, te recompensará!
11
23
Como o vento norte traz chuva, assim
a língua fingida provoca olhar irado.
24
Melhor é viver solitário, num canto
sob o telhado, do que repartir a casa com
uma mulher briguenta.
25
Como água fresca para a garganta se-
denta é a boa notícia quando chega de
uma terra distante.
26
Fonte turvada e nascente poluída é o jus-
to que se amedronta na frente do ímpio.
27
Não é bom comer muito mel nem bus-
car glória sobre glória!
12
5
Devemos agir com calma, prudência e sabedoria, mesmo quando temos, em nossas mãos, os meios de promover a justiça
(17.14; 24.28). Não é aconselhável divulgar as atitudes de nossos inimigos, sob o risco de cometermos o pecado da difamação
(11.13; 31.8,9; Tg 4.11).
6
Os reis orientais já haviam descoberto o prazer das bebidas refrescantes. Como não costumava nevar nas terras de Israel nos
períodos de colheita, blocos de gelo eram trazidos das montanhas para resfriar as bebidas dos monarcas (10.26; 13.17; 26.1).
7
Mais de 1000 anos se passariam até que Judas, irmão de Jesus Cristo e Tiago, fizesse referência a essa passagem do AT em
sua epístola canônica à Igreja no NT (Jd 12).
8
Para lidar com a justiça e seus dignos representantes, em todas as instâncias, deve-se agir com muita paciência, perseveran-
ça e boas palavras (14.29; 15.1; Lc 18.2-5).
9
Este dito sapiencial era também aplicado aos vizinhos pagãos: “depender do Egito é o mesmo que apoiar-se numa cana
rachada”, não apenas pela fragilidade de sua sustentação, mas também pelo risco de ferir a mão, ao se firmar sobre sua ponta
lascada (Is 36.6). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: Confidence in na vnfaithfull man in time of trouble, is like a broken
tooth, and a foot out of ioynt.
10
Os exilados hebreus não sentiam a menor motivação para cantar os cânticos de Sião, especialmente para entretenimento
dos seus dominadores (Sl 137.3,4).
11
Mais de 1000 anos após a publicação desta passagem, o apóstolo Paulo usaria o mesmo conceito bíblico para ensinar a
jovem e florescente Igreja de Cristo a vencer o mal, fazendo o bem (v.15; Rm 12.20,21). Havia um ritual egípcio, de expiação de
culpa, segundo o culpado se obrigava a caminhar pela cidade com uma bacia de carvões em brasa sobre a cabeça. Sendo assim,
essa metáfora, especialmente na época de Salomão, podia ser compreendida perfeitamente: a bondade pode fazer o papel das
brasas vivas na consciência de uma pessoa culpada, fazendo que ela se dobre à verdade e abrace a sensatez (Êx 23.4,5; 2Rs
6.21-23; 2Cr 28.15; Pv 20.22). Essa metáfora ainda aponta para o juízo final, quando o Senhor colocará as derradeiras e intermi-
náveis brasas do arrependimento sobre as cabeças dos ímpios (Sl 140.10). Mesmo que o inimigo ou opositor permaneça hostil e
rebelde, agindo, o crente, com misericórdia e bondade, o Senhor o recompensará (11.18; 19.17).
12
A expressão hebraica transliterada em kãbbôdh “glória” ou “honra” comunica originalmente a idéia de “valor real”, “algo bem
pesado e valioso, como o ouro puro”. Assim, quem busca avidamente sua própria “honra” e “valor” diante dos homens, corre o
risco do enfado como acontece quando se come muito mel. A “desonra” ou a “desvalorização” é expressa por meio do vocábulo
qãlôn que ainda pode significar “inutilidade”, “desprezo” e “vergonha” (11.2). Ser avaliado pela sociedade é suportar complexos,
angústias e aflições, mas ter o coração “pesado” (verificado) por Deus e achado sem o Espírito Santo, portanto, sem o perdão
redentor de Jesus, o Messias, é a condenação final e separação eterna do Pai (Dn 5.27-30; Mt 25.26-30).
183 PROVÉRBIOS 25, 26
28
Uma cidade aberta, sem muralhas, tal
é o homem sem autocontrole!
13
Atitudes do sábio e do insensato
26
Como neve no verão e chuva na
colheita, assim a honra não fica
bem ao insensato.
1
2
Como o pardal que foge sem rumo e
a andorinha que esvoaça veloz, assim a
maldição jamais cairá sobre quem não
merece.
2
3
Assim como o chicote foi feito para o
cavalo, e o freio, para o jumento, a vara
da disciplina é para as costas de quem
não tem juízo.
4
Não respondas ao insensato com seme-
lhante insensatez, para não te igualares a
ele.
5
Responde ao insensato conforme a toli-
ce dele, para que ele não fique pensando
que possui alguma sabedoria.
6
A pessoa que pede a um tolo para
t ransmitir uma mensagem se arrisca a
ter muitos problemas; é como se tivesse
seus pés amputados ou tomasse vene-
no.
7
Como pendem inúteis as pernas do
coxo, assim é a palavra de sabedoria na
boca do insensato.
8
Como prender uma pedra à atiradeira é
conceder honra ao tolo.
9
Galho de espinhos na mão de um bê-
bado é o provérbio ao entendimento dos
insensatos.
3
10
Um arqueiro que fere a todos: tal é o
patrão que dá emprego ao insensato e ao
bêbado que passam por sua porta.
4
11
Como um cão que torna ao seu vômi-
to é o insensato que repete suas tolices.
5
12
Vês uma pessoa sábia aos seus pró-
prios olhos? Cer tamente há mais espe-
rança para o tolo do que para essa pes-
soa.
13
O preguiçoso alega: “Há uma fera vio-
lenta no caminho, um leão feroz rondan-
do pelas ruas!”
14
Assim como a porta gira em suas do-
bradiças, assim o preguiçoso se revira so-
nolento em sua cama!
15
O preguiçoso até consegue colocar a
mão no prato; contudo, levá-la à boca é
para ele um esforço extenuante!
16
A pessoa indolente se acha mais esper-
ta do que sete homens que respondem
com bom senso.
17
Como alguém que decide pegar um
cão pelas orelhas, assim sofre aquele que
se mete em discussão alheia!
13
Cada dia mais, em nossa sociedade pós-moderna, o descontrole emocional revela as angústias, frustrações e as aflições da
humanidade. Este versículo pode ser assim traduzido, literalmente, do original hebraico: “conservar o espírito dentro dos limites
da sensatez bíblica”, e comunica a idéia de uma abstinência auto-imposta não apenas em relação aos vícios e imoralidades, mas
às emoções desenfreadas e aos pensamentos sórdidos e negativos de toda espécie. No NT, essa capacidade de “autocontrole”,
em grego transliterado enkrateia “manter sob controle” ou “dentro dos limites da sabedoria bíblica” é um dom oferecido a todo
crente sincero, como um dos gomos do fruto do Espírito Santo (Gl 5.23).
Capítulo 26
1
As colheitas em toda a região da Palestina costumam acontecer, ainda hoje, entre os meses de junho e setembro; nessa época é
rara a ocorrência de chuvas (1Sm 12.17,18). Não há razão nem bom senso em honrar uma pessoa insensível e perversa. Ela poderá
conquistar a obediência das pessoas pelo medo que impõe, mas jamais pelo respeito amoroso que inspira (11.18; 19.17).
2
As pragas, sentenças, maldições e maus agouros, proferidos por quem quer que seja, não podem se concretizar na vida de
quem caminha no temor do Senhor e, portanto, em justiça. Davi foi amaldiçoado por Simei, mas nada de mal aconteceu a Davi,
pois estava inocente quanto à acusação de ter assassinado membros da família de Saul (2Sm 16.8,12).
3
Assim como a bebida alcoólica e as drogas entorpecem os sentidos e o corpo de seus usuários, o perverso e insensato
são também indolentes (insensíveis) ao profundo, libertador e maravilhoso conteúdo dos provérbios e parábolas de sabedoria
bíblica.
4
A segunda metade deste versículo pode ser traduzida literalmente por: “quem dá salário ao perverso é como quem confia em
qualquer transeunte”. Abimeleque contratou pessoas desocupadas e vadias para ajudá-lo a matar seus próprios meio-irmãos, a
fim se assumir um governo que se caracterizou por brevidade e insucesso total (Jz 9.4-6).
5
Mais de 1000 anos após a publicação deste provérbio, o apóstolo Pedro refere-se a esta passagem das Escrituras para ad-
vertir os falsos mestres que perturbavam a boa doutrina neotestamentária da Igreja primitiva (2Pe 2.22). O insensato repete suas
tolices, assim como o viciado tende a retornar à dependência do álcool ou das demais drogas, se não permitir que seu coração
seja absolutamente controlado pelo Espírito Santo (23.35; 2Ts 3.5). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: As a dogge returneth
to his vomite: so a foole returneth to his folly.
184 PROVÉRBIOS 26, 27
18
Como um demente que espalha brasas
e atira flechas mortais,
6
19
assim é a pessoa que engana seu pró-
ximo e depois alega: “Mas eu só estava
brincando!”
20
Sem lenha o fogo se apaga, sem o calu-
niador encerra-se a briga.
21
Carvão para as brasas e lenha para a
fogueira, assim é a pessoa briguenta para
atiçar as contendas.
22
As palavras do difamador são como pe-
tiscos apetitosos, descem com delicioso sa-
bor até o íntimo de quem lhes dá atenção.
23
Como uma camada de esmalte de pra-
ta sobre vaso de barro, também os lábios
diplomáticos podem esconder um cora-
ção maligno.
7

24
Quem alimenta a perversidade procu-
ra disfarçar suas intenções com os lábios,
pois em seu íntimo mora a Falsidade;
8

25
portanto, se a voz dessa pessoa for ele-
gante e bem articulada, não confies nela,
porquanto há sete abominações em seu
coração!
26
Essa pessoa poderá fingir e camuflar o
ódio, porém toda a sua malignidade será
revelada em público.
9
27
Quem cava uma armadilha, nela aca-
bará caindo; quem rola uma pedra sobre
os outros será atropelado pelo retorno da
mesma pedra que havia empurrado.
10

28
A língua mentirosa destila ódio sobre
aqueles a quem fere, e a boca bajuladora
provoca destruição!
As várias expressões da sabedoria
27
Não te felicites pelo dia de ama-
nhã, pois não sabes o que o hoje
vai gerar.
1
2
Seja outra pessoa quem te elogie, e não
a tua boca; um estranho e não tuas pró-
prias palavras!
3
A pedra é pesada e a areia um fardo,
mas a irritação provocada pelo tempe-
ramento incontrolável dos insensatos é
muito superior às duas, juntas.
4
O furor é cruel e a ira destruidora, mas
quem resistirá diante do ciúme?
2
5
Melhor é a reprimenda feita com fran-
queza do que o amor não revelado!
3
6
Quem fere por amor demonstra lealda-
de, mas falsos são os beijos do inimigo!
4
6
A expressão original hebraica ¨7¨_7!C¸2 “como um enlouquecido” (ou como no vocábulo transliterado em mithlahlēah) tem
sua origem em uma raiz que só consta nesta forma intensiva e reflexiva, com o sentido de “louco”, doença mental motivada por
algum tipo de insolação. Curiosamente, a palavra traduzida por “loucura” em algumas passagens do livro de Eclesiastes advém
de outra raiz que significa “fingir que se possui um brilho extraordinário” ou “tentar refletir um falso carisma” (Ec 1.17; 2.2; 7.25).
Uma outra raiz ainda shãga´ descreve esse estado de neurose, como “delírio” (1Sm 21.12; Jr 50.38).
7
Jesus, o Messias, também fez uso do significado desta passagem bíblica para repreender muitos religiosos e mestres da Lei
de seu tempo, mais preocupados com as formalidades exteriores e tradições ritualísticas do que em amar a Deus e ao próximo
com plena sinceridade de coração (Mt 22.36-40; 23.27; Lc 11.39).
8
A conversa gentil e amistosa pode ocultar planos enganosos, intenções utilitaristas e maldosas, como a sedução da mulher
imoral (2.16; 5.3). Personalizando as qualidades morais na figura de duas mulheres bonitas e perspicazes, a Falsidade é a grande
inimiga da humanidade e da Sabedoria (1.20; 12.20). Há sete atitudes que o Senhor detesta (6.16-19; Jó 5.19; Jr 9.8).
9
Jesus Cristo fez menção ao conteúdo deste versículo, ao lembrar que as pessoas não serão julgadas por seu exterior: por
suas ofertas, rigor religioso, legalismo ou práticas cerimoniais, mas pelo que de verdade habita o seu íntimo. As mais íntimas
intenções, motivadoras das boas e das más obras serão todas trazidas a público. Deus é quem observa e avalia o coração de
cada ser humano (5.14; Lc 8.17; Nm 35.24,25).
10
Não se deve buscar a vingança, pois não temos condição de ser justos no propósito da punição corretiva contra quem nos
prejudicou; nossa tendência é sempre devolver muitas vezes mais pelo mal que sofremos. Tampouco devemos pensar em atentar
contra alguém, pois com a mesma violência e sordidez com que planejamos qualquer mal contra o próximo, também seremos
“esmagados” pelo efeito reverso. É como tentar resolver os problemas de um país mediante um ataque nuclear: toda a terra seria
afetada, inclusive o agressor (Sl 7.16; 7.15; Ec 10.8,9; Et 7.10; Pv 1.18; 28.10; 29.6).
Capítulo 27
1
Cerca de 1000 anos após a publicação deste provérbio, Jesus Cristo, o Messias contextualiza, em sua época e discípulos, o
conteúdo desta palavra de sabedoria, na parábola do “rico insensato” (Lc 12.16-20; Tg 4.13-16; Is 56.12; Pv 16.9).
2
A expressão hebraica original ¨¸N.¨ “os ciúmes” (6.32-35) não ocorre comumente nas Escrituras com o significado negativo
que há em 14.30, por exemplo. Existe um sentido bem diferente e positivo para esse vocábulo na expressão em português “zelo-
so” que, em vez de se referir aos “ciúmes de” (inveja), diz respeito aos “ciúmes em prol de” (Ct 8.6,7), portanto, um sinal de amor
e não de indiferença ou rancor (Êx 20.5; 1Rs 19.10; Zc 8.2).
3
Esta é a verdadeira “crítica construtiva” (15.31; Gl 2.14).
4
Amor sem lealdade é paixão sem compromisso, por isso a expressão em hebraico transliterado em hesedh “amor”
185 PROVÉRBIOS 27, 28
7
Quem está satisfeito despreza o mel,
mas para quem tem fome até o amargo
é saboroso.
8
Como ave vagando longe do ninho, assim
é o homem perambulando longe do lar!
9
Perfume e incenso promovem alegria
no coração; o conselho sincero de um
amigo dá encorajamento para viver.
10
Não abandones o teu amigo, tampou-
co o amigo do teu pai, nem vás à casa do
teu irmão no teu dia atribulado: mais
vale o vizinho próximo do que o irmão
distante!
11
Filho meu, sê sábio! Assim eu encon-
trarei a felicidade e saberei dar uma boa
resposta a quem me criticar.
5
12
A pessoa perspicaz percebe o perigo e
busca refúgio; o incauto segue adiante e
sofre todas as conseqüências.
13
Quem concorda em ser fiador de uma
pessoa que não conhece, deve dar sua pró-
pria roupa como garantia de pagamento!
14
Se acordas teu próximo logo ao romper
da aurora com um grito de “bom dia”, este
teu cumprimento soa como maldição!
15
Goteira pingando sem parar em dia de
chuva e a mulher ranzinza são irritações
muito parecidas;
16
detê-la é como tentar frear o vento,
como conter o óleo com as mãos!
17
Assim como o ferro afia o próprio ferro,
as pessoas aprendem umas com as outras.
18
Quem cuida bem da sua figueira co-
merá dos seus frutos, e quem t rata bem
o seu pat rão será recompensado.
19
Assim como a água reflete o rosto, o
coração revela quem somos nós!
20
O Sheol e o Abadom são insaciáveis,
assim como nunca se fartam os olhos da
humanidade.
6

21
O crisol é para a prata e o forno é para
o ouro, mas o que prova o ser humano
são os elogios que recebe.
7
22
Mesmo que você espanque o perverso,
como grãos num pilão, a sua insensatez
não se separa dele!
8
23
Conhece bem o estado das tuas ove-
lhas, e presta atenção aos teus rebanhos;
24
porque as riquezas não são para sem-
pre, e nada garante que uma coroa seja
transmitida de geração em geração.
9
25
Quando o feno for cortado, surgirem
novos brotos, e o capim das colinas for
apanhado,
26
as ovelhas te fornecerão lã para as tuas
roupas, e poderás comprar mais terras
com a venda de teus cabritos.
27
Tuas cabras fornecerão leite com far-
tura para que alimentes a ti mesmo, tua
família e todos os teus servos.
10
(14.22) é a mesma expressão que se traduz por “misericórdia”, “lealdade” e “benignidade” (19.22; 20.6). Significa bondade
para com os que passam por provações e angústias, amizade fiel, boa vontade, abnegação e graça. É a palavra-chave na
mensagem profética de Oséias (Os 2.2-23; Rm 8.28-30). O pior dos inimigos é o adulador, dissimulado e mentiroso (Sl 141.5;
Mt 26.49; Pv 5.3,4).
5
Um filho ou aluno (discípulo) sábio serve de poderoso testemunho de que os pais ou mestres que lhe deram educação e
formação são pessoas dignas de grande honra (10.1).
6
Como já temos visto em várias passagens na KJ, a expressão hebraica She’ôl e sua correspondente em grego, Hades, podem
ser traduzidas como “inferno”, “sepultura”, “além” ou “condição ou lugar dos mortos” em comparação aos “vivos na terra”; o
mundo da “invisibilidade” dos que deixam a carne pelo efeito transcendental da morte do corpo físico (9.18; Ez 31.15-18). O termo
‘Abhaddôn significa, literalmente, “destruição” ou “lugar de perecer”, mas neste versículo e contexto funciona como sinônimo
retórico de “Sheol” (15.11). No NT, o vocábulo “Abadom” é usado como nome próprio do “anjo do Abismo”, em grego Apoliom
(Ap 9.11). O apetite da “morte” e da “ambição humana” são insaciáveis (Jó 26.6; Is 5.14; Ec 4.8).
7
A prosperidade e o sucesso devem ser aceitos com humildade, como graça de Deus, e jamais com a arrogância dos per-
versos que, insanos, se iludem com a força de alguns de seus dons e se esquecem do Doador. Cerca de 1000 anos após a
publicação deste provérbio, Jesus, o Cristo, faz menção desse princípio de sabedoria bíblica ao precaver seus discípulos contra
os perigos da lisonja e da soberba (Lc 6.26; Pv 12.8; Is 1.25; Ml 3.3).
8
Assim como o trigo e outros grãos eram moídos no almofariz, a fim de que a palha e toda impureza fossem separadas do me-
lhor das sementes, ainda que o insensato seja submetido aos mais severos castigos, sua empáfia, opulência e soberba teimosia
não lhe permitem observar suas atitudes más e reconhecer que necessita de uma mudança radical (20.30; 26.11; Jr 5.3). Por isso,
na vida de todos nós, a Salvação é dom imerecido e milagre do Senhor (Jo 1.12; 3.16-19).
9
Até mesmo os reis e governantes poderosos podem perder suas riquezas, prestígio e poder de um momento para outro (Jó
19.9; Lm 5.16).
10
Na Palestina da época, o feno era retirado entre os meses de março e abril. A economia agrícola da antigüidade é refletida
186 PROVÉRBIOS 28
Ditos de sabedoria em antíteses
28
O ímpio foge, mesmo que nin-
guém o persiga, mas as pessoas
honestas são valentes como um leão.
2
Quando um país está em revolta, os
chefes se multiplicam, mas apenas um
líder sábio consegue manter a ordem!
3
Um pobre que sobe ao poder e oprime
os pobres é como um furacão que chega
de súbito, acaba com a plantação e des-
trói tudo à sua volta.
4
Os que abandonam a Lei louvam o ím-
pio, os que observam a Lei o repreendem!
5
As pessoas más não entendem o sentido
do direito, mas os que buscam Yahweh, o SE-
NHOR, o compreendem perfeitamente!
6
É melhor o pobre que se mantém ín-
tegro que o de atitudes perversas, ainda
que rico.
1
7
Quem guarda a Lei é filho inteligente,
mas o que anda em más companhias en-
tristece e envergonha seus pais.
8
Quem aumenta seus bens, por meio de
juros escorchantes, ajunta para alguma
outra pessoa que será bondosa para com
os necessitados!
9
O que desvia o ouvido para não ouvir a
Lei, até mesmo sua oração se torna abo-
minável.
10
Quem engana um homem honesto e o
induz a praticar o mal cairá em sua pró-
pria armadilha; entretanto quem é justo
será grandemente recompensado!
11
O rico arrogante é poderoso a seus
próprios olhos, mas o pobre que é inteli-
gente o conhece muito bem.
12
Quando os justos triunfam, há grande
glória; quando os ímpios tomam o po-
der, o povo corre em busca de um lugar
para se esconder.
13
Quem camufla suas faltas jamais al-
cançará o sucesso, mas quem as reconhe-
ce, confessa e abandona, recebe toda a
compaixão de Deus!
2

14
Feliz a pessoa que vive sempre no te-
mor do SENHOR, mas o indiferente e o
que se revolta contra o SENHOR cairá em
desgraça.
15
Leão rugindo e urso feroz: é o ímpio
governando um povo enfraquecido.
16
Um príncipe sem inteligência multiplica
as extorsões; mas aquele que detesta a de-
sonestidade governará por muito tempo!
3
17
Um homem culpado de assassinato fugi-
rá até a sepultura; que ninguém o proteja!
4
18
Quem procura caminhar de maneira
honesta viverá seguro, mas quem pro-
cede com perversidade subitamente en-
contrará a desgraça.
19
Quem cultiva sua terra sacia-se do pão,
quem persegue ilusões se fartará de mi-
séria.
20
O homem leal receberá muitas bên-
çãos, mas quem se apressa para enrique-
cer não ficará impune.
21
Não é justo fazer acepção de pessoas,
mas alguns juízes procedem assim por
um pouco de dinheiro.
nesta passagem (23-27). O trabalho diário, de sol a sol é uma maneira de manter a subsistência no presente, enquanto o futuro
está absolutamente associado à graça e mercê de Deus (Gn 31.38-40). As ovelhas e cabritos eram utilizados como meio de
pagamentos (2Rs 3.4). O leite forte de cabra era misturado ao das vacas (Dt 32.13,14; Is 7.21,22; Pv 31.15).
1
A expressão hebraica original `C!2 “em sua integridade” deriva da raiz transliterada em tãmam “um ser completo”, “bem
acabado”; e significa, também, “de atitude justa”, “impecável”, “honesto e sem falsidade”. Em 11.3 observamos a forma tummâh,
com o mesmo sentido. Portanto, “ser íntegro” é a decisão humana de entregar-se voluntariamente ao processo de transformação
divina, como o barro se deixa moldar sob as mãos competentes e talentosas do oleiro (Jr 18.1-10).
2
A expressão hebraica transliterada rãhãm significa o ato de misericórdia de socorrer os aflitos, angustiados, fracos e pobres,
com o objetivo primeiro de revelar a graça do Senhor aos que foram feitos cativos das artimanhas do maligno e do pecado. Muito
sofrimento psicológico e físico advém das tentativas inúteis de esconder, da própria consciência, os erros cometidos, e de furtar-
se à confissão (especialmente a Deus em oração sincera). A outra palavra hebraica traduzida por “amor leal” ou “misericórdia” é
hesedh, e pode ser analisada em 19.22 (3.7,8; Sl 32.3-11).
3
A expressão hebraica transliterada em beça’, aqui traduzida por “desonestidade”, tem o sentido literal de “pegar um lucro
injusto de cada assunto que necessita passar por nossas mãos”. Pode-se traduzir ainda por “avareza” ou “ganho perverso”. Um
ditado em português nos ajuda a compreender o sentido da expressão original: “quem parte e reparte, fica com a melhor parte”
(Gn 37.26; Êx 18.21).
4
Desde os primórdios, assim como na época de Salomão, a Lei era rigorosa em relação a crimes de homicídio, entre outros,
e punia com a morte seus culpados (Gn 4.14; 9.6; Êx 21.14).
187 PROVÉRBIOS 28, 29
22
O homem de olho ávido corre atrás da
riqueza, e não sabe que a necessidade vai
cair sobre ele.
23
Quem repreende um homem depois
achará favor, mais do que aquele que o
bajula com palavras vãs.
24
Quem rouba seu pai e sua mãe, e ale-
ga: “Isso não é errado!”, é comparsa do
Destruidor!
5
25
A pessoa gananciosa provoca conten-
das o tempo todo, mas quem confia no
SENHOR prosperará em paz!
26
Quem confia apenas em si mesmo é in-
sensato, porém quem caminha de acordo
com a sabedoria, não corre perigo.
27
Quem dá aos pobres não viverá em ne-
cessidade, mas quem esconde seus olhos
dos que precisam de ajuda sofrerá muitas
maldições.
28
Quando os perversos sobem ao poder, o
povo se esconde; mas quando eles encon-
tram a destruição, os justos florescem!
Outros provérbios antitéticos
29
Quem retesa a nuca diante das
repreensões será quebrado de re-
pente, e sem remédio!
1

2
Quando os justos se multiplicam, o
povo se alegra; o povo se aflige, quando o
perverso governa.
2

3
O filho que ama a sabedoria é o orgu-
lho do seu pai. Quem anda com mulhe-
res imorais dá fim a tudo o que possui.
4
Quando o governo é honesto, o país
tem segurança; mas, quando o governo
cobra impostos demais, a nação acaba
em desgraça!
5
O homem que bajula seu próximo está
apenas construindo uma armadilha para
si mesmo.
6
Os ímpios são capturados nas artima-
nhas de seus próprios pecados, mas os
justos andam livres e felizes!
7
O justo se interessa em militar pela cau-
sa dos necessitados, o ímpio não tem a
inteligência para dedicar-se a isso.
3
8
Os zombadores alvoroçam toda uma
cidade, mas os sábios conseguem apazi-
guar grandes conflitos.
9
Quando um sábio se dispõe a discutir
com um tolo, quer se zangue quer ria, ja-
mais terá descanso!
10
Os assassinos detestam a pessoa ín-
tegra, mas os homens retos protegem a
vida de quem vive em integridade.
11
O insensato expande todas suas paixões,
mas o sábio as reprime e acalma sua alma!
12
Se um chefe dá atenção às palavras
mentirosas, seus auxiliares todos se tor-
nam perversos.
13
O enfraquecido e o opressor se encon-
tram: é Yahweh, o SENHOR, quem deu a
cada um o dom de enxergar.
14
O rei que julga o pobre; com verdade
estabelecerá seu trono para sempre.
15
A vara da disciplina e as palavras da
repreensão dão sabedoria, mas o jovem
abandonado à sua própria sorte envergo-
nhará sua mãe.
4

16
Quando cresce o número dos ímpios,
multiplicam-se as transgressões; contu-
do, os justos viverão o suficiente para ver
a queda dos perversos!
17
Corrige o teu filho, e ele te dará des-
5
Quem rouba ou engana seu pai ou sua mãe não pode estar ao lado de Deus; sua companhia, por certo, será o Diabo ou algum de
seus asseclas. Mais de 1000 anos depois desta declaração, Jesus, o Messias, usou o mesmo conceito bíblico para repreender muitos
mestres judeus de seu tempo que estavam questionando seus discípulos quanto à cerimônia de lavar as mãos antes das refeições,
mas não respeitavam nem eram honestos com seus próprios pais (Mt 15.4-6; Mc 7.10-12; Pv 19.26). Na KJ de 1611, este versículo foi
assim traduzido: Who so robbeth his father or his mother, and saith, it is no transgression, the same is companion of a Destroyer.
Capítulo 29
1
A pessoa que não ouve os conselhos dos pais e dos sábios na Palavra de Deus pode se preparar para grandes infortúnios.
Assim sucedeu aos filhos de Eli, que morreram por causa de teimosa rebeldia (1Sm 2.25; Dt 9.6,13; Pv 1.22-27; 6.15).
2
Os israelitas aprenderam desde muito cedo na História o que significa submeter-se a um governo pagão, ímpio e corrupto
(Êx 2.23,24; Jz 2.18; Pv 28.12).
3
Os justos e honestos se preocupam com o bem-estar dos pobres (v.14; 19.17; 22.22; Jó 29.16).
4
A expressão original hebraica !l_2`!` , transliterada em tôkēhehâh “a repreensão” ou “a disciplina”, nas Escrituras do AT é
usada exclusivamente para descrever um tipo de “punição” usada por Deus, para corrigir e ensinar seu povo ao longo da pere-
grinação. As expressões como a raiz yãkhah “julgar” ou “pronunciar sentença” e müsãr “instrução” (19.20) são outras formas de
se referir à atitude de oferecer educação e disciplina, especialmente aos filhos jovens. A expressão mēbhish “dando motivos de
188 PROVÉRBIOS 29, 30
canso; trará delícias para ti.
18
Um povo que não aceita a revelação do
SENHOR é uma nação sem ordem. Quem
obedece à Palavra de Deus é feliz!
5

19
Meras palavras não são suficientes
para disciplinar um escravo; mesmo que
as compreenda, não conseguirá reagir
positivamente!
6
20
Vês uma pessoa precipitada ao falar?
Pois espera-se muito mais de um insen-
sato do que de alguém com essa atitude.
21
Se alguém mima seu escravo desde a in-
fância, este, por fim, se tornará ingrato!
22
A pessoa de mau gênio sempre causa
algum tipo de problema e discórdia.
23
O orgulhoso sempre acabará sendo
grandemente humilhado; em contraste,
chegará o dia em que o humilde receberá
honra e glória.
24
O comparsa de um criminoso é sem-
pre o pior inimigo de si mesmo: se dian-
te das autoridades ele disser a verdade,
será castigado; se não disser, Deus o
punirá!
25
O medo humano sempre arma suas
ciladas, mas quem confia em Yahweh, o
SENHOR, vive em segurança!
26
Muitos procuram o favor das pessoas
importantes, mas o SENHOR dá o que cada
um merece!
7
27
O homem iníquo é abominável para
os justos, o de caminho reto, entretanto,
é amedrontador para os ímpios!
Palavras proféticas do sábio Agur
30
Palavras de sabedoria divina pro-
clamadas por Agur, filho de Jaque:
Este homem declarou a Itiel; a Itiel e a
Ucal:
“Ó Deus, fatiguei-me! Fatiguei-me, ó
meu Deus, e exausto estou,
1
2
porquanto sou demasiadamente tolo
para ser homem, não tenho a inteligên-
cia humana,
2
3
não aprendi a sabedoria, nem tenho o
conhecimento do Santo!
3
4
Quem subiu ao céu e de lá retornou?
Quem reúne o poder dos ventos em uma
das mãos? Quem represa as águas do mar
numa túnica? Quem determinou todos
os limites da terra? Qual é o seu Nome, e
o Nome do seu Filho? Respondei-me, se
é que o sabes!
4
5
A Palavra de Deus é comprovadamente
vexame” é a forma causativa do vocábulo bush “envergonhar-se”. Filhos disciplinados, respeitadores e bem educados proporcio-
nam grandes alegrias e muitas honras a seus pais e mestres (31.23; 1Tm 3.2-5).
5
A “revelação” é a mensagem de Deus ou “visão profética” oferecida ao povo, por meio da meditação nas Escrituras ou de
um profeta (aquele que prega a Palavra de Deus). O povo de Israel desviou-se da Palavra e pecou terrivelmente contra Deus,
quando o profeta do Senhor, Moisés, havia se retirado para o monte do Sinai por um breve tempo (Êx 32.25; 1Sm 3.1; Is 1.1;
Am 8.11,12; Pv 8.32; 28.4-14). A KJ de 1611 traduz assim este versículo: Where there is no vision, the people perish: but he that
keepeth the Law, happy is he.
6
Os servos, assim como os próprios filhos, devem ser educados mediante uma sábia combinação de ministração verbal,
ensino, acompanhamento, advertência, correção (disciplina) e punição diante dos erros cometidos. Apenas uma punição clara e
específica por falta cometida; sem xingamentos, agouros, ódio ou mágoas (vv.15,17; 22.6).
7
O mesmo Deus que controla os reis de toda a terra, zela, todos os dias, pelo direito dos justos e dos pobres e indefesos
(21.1; Jó 36.6; 1Rs 10.24).
Capítulo 30
1
Estes dois capítulos finais de Provérbios são apêndices canônicos à obra sapiencial de Salomão. O capítulo 30 apresenta os
“oráculos” de Agur, filho de Jaque, um sábio ligado ao povo ismaelita e ao grupo dos “Sábios” (22.17; 24.23). Itiel e Ucal eram
alguns de seus discípulos mais chegados (Gn 25.13,24). Agur foi mestre de grande sabedoria, como Etã e Hemã (1Rs 4.31). A
palavra “oráculo ou sentença de provação” pode ser aqui interpretada como o nome próprio do lugar onde viveu Agur: C¸N. Mãssã
ou Massá (Jr 23.33-38; Is 13.1). No capítulo 31, o rei de Massá, Lemuel, registra as exortações (oráculos ou mensagens de Deus)
ministradas por sua mãe.
2
Mais de 1.000 anos depois da publicação deste provérbio, o apóstolo Paulo chegaria à mesma conclusão diante do Espírito
de Deus (1Tm 1.16).
3
A expressão “Santo” é uma maneira muito peculiar de Salomão e dos “Sábios” se referirem ao Nome do Senhor, no livro de
Provérbios (9.10).
4
Desde a antigüidade, os sábios hebreus costumavam usar vários recursos lingüísticos, como as perguntas retóricas, metá-
foras e figuras de linguagem diversas, com fins estéticos e didáticos. Aqui a grandeza de Deus como Criador supremo é o ponto
enfatizado pelo autor, assim como ocorre no livro de Jó (Is 40.12; Jó 26.8; 38.4-11; Sl 135.7). Hoje, é evidente para nós que o
Nome de Deus é Yahweh e seu Filho, Jesus Cristo, o Messias (Mt 1.21; Hb 1.1-4).
189
5
Deus e, paralelamente, sua Palavra são denominados o nosso escudo (Gn 15.1; Sl 3.3; 7.10; 18.2,30; Pv 2.7; 14.32; 18.10). A
KJ de 1611 traz a seguinte tradução: Euery Word of God is pure: he is a shield vnto them that put their trust in him.
6
Advertência proclamada pelo profeta Moisés aos israelitas da antiguidade assim como a todos os teólogos e pregadores
de hoje (Dt 4.2; Ap 22.18-19). Nem o Senhor nem Sua Palavra precisam de qualquer ajuda; a humanidade é que carece de
obediência às Escrituras.
7
O estilo poético e profético do sábio Agur é marcado pela composição de listas com cifras características (vv.
15,18,21,24,29).
8
O próprio Moisés previu que Israel desprezaria o Senhor quando passasse a ter fartura em alimentos, grandes rebanhos e
muito conforto material (Dt 8.12-17; 31.20). O Nome do Senhor aqui é Elohim – o Santo (v.17; 2.5; 3.4; 25.2; Gn 2.4). Mais de 1.000
anos depois desta declaração, o apóstolo Paulo ensinaria que conhecer o Nome do Senhor é participar dos seus sofrimentos e
da sua Glória (Fp 3.10).
9
É preciso muito cuidado para não mentir. As falsas acusações provocam fortes reações, e as maldições que são rogadas
contra quem processa calúnias e difamações surtirão seu efeito (26.2). Jamais se deve tirar qualquer proveito da falta de instrução
ou da condição pobre e fragilizada de uma pessoa ou de um povo.
10
Mais de 1000 anos depois desse dito, Jesus Cristo adverte os mestres e teólogos de seu tempo sobre o perigo das dissimu-
lações e arrogâncias (Lc 18.11; Is 65.5).
11
Os perversos se assemelham muito às bestas feras em sua sagacidade, volúpia e violência por devorar suas presas (Sl 14.4;
Jó 29.17; Mq 3.2,3).
12
Como já vimos em outras passagens, a expressão hebraica Sheol pode ser traduzida por “sepultura, profundezas, pó, morte e,
eventualmente, inferno” (27.20; Is 5.14; 14.9,11; Hc 2.5; Ap 20.14). No antigo Oriente e, especialmente, entre o povo de Israel, a espo-
sa sem filhos era marginalizada, desprezada pela comunidade e vivia desolada (Gn 16.2; 30.1; Rt 1.11-21; 1Sm 1.6-11; 2Rs 4.14).
13
É difícil compreender o caminho traçado por quaisquer desses viajantes; a total liberdade, a sinuosidade quase ilógica dos
movimentos (marchas e demarchas), a falta de rastros perceptíveis quando passam (Jó 39.27; Jr 48.40).
pura, Ele é um escudo para quem nele
confia totalmente.
5
6
Não acrescentes nada às suas palavras;
jamais declare algo que Deus não disse,
para que Ele não te contradiga e passes
por mentiroso.
6
7
Duas bênçãos peço a Ti que me dês, não
mas negues, antes que eu morra:
7

8
Afasta de mim a falsidade e a mentira;
também não me permitas viver em ex-
trema pobreza nem em grande riqueza;
concede-me o sustento diário necessário.
9
Para que não ocorra que, tendo em de-
masia, venha eu a imaginar que não pre-
ciso do Senhor. Ou, passando miséria,
acabe roubando e envergonhando o teu
Nome, ó meu Deus!
8
10
Não calunies o servo diante de seu pa-
trão; ele te amaldiçoará, e serás castigado.
9
11
Há quem amaldiçoa o pai e não aben-
çoa a mãe;
12
há quem se considera puro e não se
lava de sua imundície;
10
13
há pessoas de olhares altivos; e de sem-
blantes arrogantes;
14
há quem ostente dentes como espadas
afiadas, cujas mandíbulas estão sempre
armadas de facas com o objetivo de de-
vorar os fragilizados desta terra e os po-
bres da humanidade.
11
15
A sanguessuga tem duas filhas que se
chamam: ‘Me dá!’ e ‘Me dá!’ Há três gran-
des demandas que jamais estão completa-
mente satisfeitas, quatro que nunca decla-
ram: ‘É o bastante!’:
16
O Sheol, a mulher sem filhos; a terra
seca que precisa sempre de chuva; e o
fogo de um incêndio!
12
17
Os olhos de quem ridiculariza seu pai,
ou de quem trata sem consideração e
obediência a própria mãe serão arranca-
dos pelos corvos do vale, e serão devora-
dos pelos filhotes dos abutres!
18
Há três caminhos misteriosos demais
para a minha compreensão, quatro que
não consigo entender:
19
O caminho do abut re pelo céu, o
caminho da serpente sobre a rocha,
o caminho do navio em alto mar, e o
caminho do homem com sua mulher
amada!
13
20
Entretanto, o caminho da mulher imo-
ral é assim: ela pratica adultério, toma
banho e logo em seguida alega: “Não fiz
nada de errado!”
21
Três eventos abalam as estruturas do
mundo, quatro a terra não pode suportar:
22
O escravo que se torna rei, o insensato
que se satisfaz com sua refeição,
23
a mulher de mau gênio que consegue
PROVÉRBIOS 30
190
1
No antigo sistema monárquico hebraico, a rainha-mãe exercia grande influência nas decisões do marido e dos filhos, especial-
mente em relação ao filho mais velho e futuro monarca (1Rs 1.11-13; 15.13). Essa tradição passou para a cultura israelense e, hoje em
dia, é mundialmente conhecida a influência das mães judias em suas famílias. Todo o livro de Provérbios é poeticamente povoado de
personagens femininos disputando a atenção e o coração do homem (a Sabedoria, a Insensatez, a Adúltera, a Virtuosa etc...).
2
Um exemplo de Ana, mulher que buscou, na fé e em suas orações ao Senhor, a realização do seu sonho de ser mãe e liber-
tação da ignomínia que a tradição judaica impunha às esposas sem filho, de sua época (1Sm 1.11).
3
Pobre da casa ou da nação onde seus líderes são dependentes do álcool ou de algum outro tipo de droga (20.1; Ec 10.16,17;
Os 7.5). Governantes imorais e viciados afastam-se de tudo o que é justo e verdadeiro, desprezando as necessidades básicas
do seu povo e país (5.23; 10.2; 30.14).
4
O líder maior de uma nação recebe de Deus a responsabilidade de zelar pela edificação espiritual, cultural e bem-estar do seu
povo (16.10; Lv 19.15; Sl 82.3; Jó 29.12-17; Is 1.17).
5
No original hebraico, este poema foi composto em acróstico, no qual as primeiras letras de cada parágrafo (versículo) seguem
a ordem alfabética judaica. Esta peça literária é uma apologia à “esposa exemplar” (12.4; Rt 3.11) e uma personificação da própria
se casar, e a serva que toma o lugar de
sua senhora!
24
Quatro seres da terra são muito peque-
nos e, contudo, admiravelmente sábios:
25
As formigas, criaturas de pouca força,
entretanto, conseguem armazenar todo
o alimento de que necessitam no verão;
26
os coelhos, animais sem nenhum po-
der, contudo, habitam nas alturas dos
penhascos;
27
os gafanhotos, que não têm rei, mas
ainda assim conseguem trabalhar unidos
e avançam em fileiras em direção a um
objetivo;
28
a lagartixa, que qualquer pessoa pode
pegar com a mão, contudo, habita tam-
bém nos palácios dos grandes monarcas!
29
Há três seres de andar elegante, quatro
que se locomovem majestosamente:
30
O leão, que é o mais poderoso de todos
os animais, e nada o intimida;
31
o galo de andar altivo; o bode; e o rei à
frente do seu exército!
32
Se procedeste como um tolo em te
exaltares ou se tramaste o mal, tapa a
boca com a mão.
33
Pois assim como bater o leite produz
manteiga, da mesma forma, uma pan-
cada no nariz faz jorrar muito sangue e
provocar a raiva de alguém só produzirá
uma grande briga!
Palavras proféticas do rei Lemuel
31
Oráculos de Lemuel, rei de Massá,
os quais sua mãe lhe ministrou:
1

2
“Que tens, amado filho meu? Filho de
minhas entranhas, resposta às minhas
orações!
2
3
Não entregues a tua força às mulheres,
nem o teu vigor aos que corrompem os
que governam.
4
Escutai, Lemuel! Não é prudente que
os reis bebam muito vinho, tampouco
aqueles que têm a responsabilidade de
governar se entreguem também às outras
formas de embriaguez;
3

5
porquanto quando não estão sóbrios se
esquecem do bom siso e das leis, e não
são solidários aos direitos dos fracos e
dos pobres.
6
Dá licor ao moribundo, e vinho aos
amargurados;
7
bebam e esqueçam-se da miséria, e não
se lembrem de suas aflições.
8
Abre a tua boca em favor dos que não
podem se defender; sê o protetor dos di-
reitos de todos os desamparados!
9
Ergue a tua voz e julga com justiça, de-
fende o pobre e o indigente.”
4
Acróstico da mulher virtuosa
10
Mulher virtuosa, quem a achará? O
seu valor em muito ultrapassa os das
mais finas jóias!
5
N Alef
11
O seu marido tem plena confiança nela,
e a miséria jamais chegará à sua casa.
2 Bet
12
Essa esposa exemplar faz ao seu mari-
do sempre o bem e nunca o mal.
. Guimel
13
Escolhe a lã e o linho e com alegria tra-
balha com as próprias mãos.
¨ Dalet
14
Como os navios mercantes, ela traz de
longe as provisões para seu lar.
PROVÉRBIOS 30, 31
191
“sabedoria”. Evidentemente, quem a encontra é porque recebeu de Deus essa graça, bênção e presente mais rico do que muitos
diamantes, rubis e esmeraldas (vv.1-7; 3.15; 8.11,35; 18.22; 19.14). Maria, de Betânia, foi considerada por Jesus, o Messias, uma
“mulher exemplar” (Lc 10.38; Jo 11.1-14). A mulher 7`! “de ânimo esforçado” (notável), assim como o homem sábio aprendeu o
que significa o “temor do Senhor” (1.7). A KJ de 1611 traduz este versículo assim: Who can finde a virtuous woman? for her price
is farre aboue Rubbies.
6
Este versículo tem sido traduzido literalmente por “Ela estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca”, como na
KJ de 1611: She layeth her handes to the spindle, and her handes hold the distaffe. Expressões ligadas à cultura hebraica agrícola
e mecânica, da época, hoje pouco conhecidas da maioria dos falantes de língua portuguesa.
7
A mulher exemplar, além de ser empreendedora, não deixa de ser feminina, delicada e de dar atenção a sua beleza exterior e
modo de vestir (vv.19-22,30; Gn 41.42; Jz 8.26; Ct 3.10; 2Sm 1.24; Ap 18.16; Pv 3.14; 6.9,10; 20.13; 27.27; Lc 12.42). Entretanto,
é na força do seu amor sincero a Deus que seu caráter é lapidado como o mais belo ornamento (Is 52.1; 1Tm 2.9,10; 1Pe 3.1-6;
Sl 35.26; Jó 16.20; 39.7; Pv 14.21; 22.9).
8
Ensina com amor, dedicação e paciência a seus filhos e amigas. Aprendeu a aconselhar mediante a Palavra do Senhor que
aplica à sua própria vida e cujos resultados avalia, com humildade e misericórdia para com o próximo (1.8,21; 6.20; 22.4; Gn
30.13; Sl 72.17; Ct 6.9; Ml 3.12; Rt 4.14,15).
9
A mulher notável, assim como o homem sábio aprenderam o que significa o “temor do Senhor” e, por isso, serão grandemen-
te recompensados; aqui, agora e eternamente (1.7,21; 12.14; 22.4; Mt 25.21,34).
¨ He
15
Antes do romper da aurora, ela se le-
vanta a fim de preparar a comida para
todos os de casa e dar ordens às suas co-
laboradoras.
` Vav
16
Ela sabe avaliar a conveniência de um
campo agricultável e o compra com o
seu salário; planta nessas terras sua pró-
pria vinha.
* Zayin
17
Dedica-se com prazer a seu trabalho;
seus braços são fortes e vigorosos.
l Het
18
Administra com sabedoria, e seus ne-
gócios produzem lucros; mesmo tarde da
noite sua lâmpada não se apaga.
C Tet
19
Com talento e delicadeza prepara os
fios de lã e de linho para tecer as roupas
da família.
6
` Yod
20
Coopera com os pobres e necessitados.
2 Kaf
21
Quando chega o inverno rigoroso, ela
não se preocupa, pois todos em sua casa
têm agasalhos para vestir.
7 Lamed
22
Tece cobertas para sua cama e tem
condições para se vestir de linho e púr-
pura.

C Mem
23
Nas assembléias à porta da cidade, onde
seu marido toma assento entre as autori-
dades de sua terra, ele é respeitado.
. Nun
24
Ela produz roupas de linho e as vende,
fornece também cintos de couro aos co-
merciantes.
C Samek
25
Sua melhor roupa consiste de força
e dignidade; é otimista em relação ao
futuro!
7
V Ayin
26
Abre a boca com sabedoria, e sua língua
sabe ensinar com bondade e paciência.
8
£ Pê
27
Acompanha seus servos e cuida dos
negócios de sua casa sem dar lugar à pre-
guiça.
3 Tsade
28
Seus filhos fazem questão de elogiá-
la e seu marido proclama suas virtudes,
afirmando:
¨ Qof
29
“Muitas mulheres são notáveis, tu, po-
rém, a todas sobrepujas!”
¨ Resh
30
A beleza é uma ilusão, e a formosura é
passageira; contudo, a mulher que teme a
Yahweh, o SENHOR, essa será honrada!
2 Shin
31
Seja essa mulher virtuosa recompen-
sada por seus merecimentos, e suas boas
obras, proclamadas à porta da cidade!
9
! Tav
PROVÉRBIOS 31

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