À G:. D:. G:. A:. D:. U:.

Mui Resp:. Grande Loja da Colômbia Com sede em Santa Fé da Colômbia E Resp:. Loja Veritas Vincit Nº 13 Or:. De Santa Fé da Colômbia

* OS FILHOS DA LUZ * *

ENSAIO Sobre HISTÓRIA, TRADIÇÕES, MITOS, LENDAS E FÁBULAS DA MAÇONARIA UNIVESAL. - Desde o nascimento do Mundo até o Século XX –
DESTINADO AOS OBREIROS DA COLUNA DO NORTE

Raymond François Aubourg Dejean M:. M:. R:.E:.A;.A:.

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* OS FILHOS DA LUZ * * *
ENSAIO
“… Chorai filhos da luz; Chorai crianças de Neftali; Chorai meus irmãos. Nesta noite de tormentas, o raio caiu. O Mestre foi imolado na fogueira do céu. Seu gênio consumido nas chamas da inveja...”
Erasmo

Traduzido do manuscrito francês por Gloria Susana Marino de Aubourg

Traduzido para o brasileiro Por Roberto Schukste

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* OS FILHOS DA LUZ * *
Esta obra foi editada pela Mui Resp:. Grande Loja da Colômbia e Resp:. Loja Veritas Vincit Nº 13 ao Or:. de Santa Fé de Bogotá, como homenagem ao 75º aniversário da Grande Loja da Colômbia. Ano 5.998 V:. L:.

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- INTRODUÇÃO –
Há muitos anos, séculos poderíamos dizer, numerosos historiadores, maçons, não maçons e anti-maçons tem escrito uma quantidade impressionante de livros; uns sérios, outros fantasiosos, sobre a Maçonaria universal e sobre suas origens. Apesar de todo o papel e de todos os esforços que foram empregados para escrever tais obras, devemos com sinceridade e humildade perguntar-nos: chegaremos alguma vez a descobrir as verdadeiras origens da Maçonaria? O único aspecto da Maçonaria que se supõe não ser um mistério resulta ser o maior de todos; refere-se a onde ela originou-se? Quando, como e por que surgiu? Supõe-se que sua origem e propósito surgiram de um grêmio das confrarias de canteiros e quebradores de pedra medievais na Inglaterra, mas ninguém pode responder a algumas interrogações: como chegou esse humilde grêmio a envolver, como dirigentes, membros expoentes da aristocracia européia? Qual foi o propósito da Maçonaria, que a manteve viva na clandestinidade durante séculos? As aspirações profundas do ser humano são as de descobrir as suas origens. O desejo do homem é descobrir a sua identidade pelo estudo dos fundamentos de sua cultura. O dever do maçom é de descobrir a sua cidadania maçônica por meio do ensino que lhe é dado pela história da Ordem. Começando esta investigação, não tinha outra intenção que a de satisfazer a minha própria curiosidade sobre determinados aspectos da personalidade da Maçonaria. A curiosidade é um grande defeito... Confesso ter sido aprisionado por ela. É importante afirmar que este ensaio não busca nem contradizer nem reescrever a história ortodoxa da Maçonaria; somente é a compilação de pranchas escritas durante o meu tempo de Aprendiz e Companheiro maçom. Resume minha interpretação pessoal do estudo bibliográfico dos grandes momentos da grande história da Maçonaria, desde suas mais remotas origens até o Século XX. Escrevi com o único propósito de dar aos queridos irmãos da Coluna do Norte um bom material para a forja de uma idéia pessoal sobre o que é a Instituição em qual acabam de ser recebidos e de compreender suas crenças por meio de sua cultura, história, lendas, fábulas e mitos.
“... Todo homem por natureza deseja saber...” Aristóteles

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- Dedicatória –
Esta contribuição à literatura maçônica do Or:. de Santa Fé de Bogotá é dedicada ao

Ven:. Ir:. Américo Carnicelli.
Escritor apaixonado e apaixonante da história da sua pátria, Colômbia, à qual está intimamente ligada a história da Maçonaria colombiana, membro fundador da Resp:. Loja Veritas Vincir Nº 13, a sua Loja Mãe, minha Loja Mãe, Nossa querida Loja Mãe. Esta obra foi escrita especialmente para os obreiros da Coluna do Norte e dedicada aos Aprendizes que, tiritando no frio da ignorância, buscam a luz nessa coluna escura onde é menos recebida e mais desejada. São eles mais do que quaisquer outros que aspiram receber o conhecimento e merecem ser chamados de “filhos da luz”, posto que eles sejam os mais ardentes buscadores.

Q:. Ir:. Aprendiz, tudo que a tua cabeça necessita, está nos livros, leia!

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- Agradecimentos Expresso meus agradecimentos aos QQ:.IIr:. da Resp:. Loja Veritas Vincit Nº 13, ao Or:.de Santa Fé de Bogotá, por seu apoio, especialmente ao Ven. Ir:. Eduardo Chaparro Ávila, sábio Ven:.M:.(1995-1996) da minha Loja Mãe por suas observações pertinentes. Sob a sua grande e venerável inspiração que, no meu tempo de obreiro da Coluna do Sul, comecei este livro que concebi como a obre de um Companheiro pedreiro do Século XVIII; como uma obra Mestra que tem por objetivo mostrar aos MM:. MM:. Da minha Loja o que compreendi dos seus ensinamentos e minha capacidade de interpretação, justificando assim o legítimo desejo de ascender à alta dignidade de membro da Câmara do Meio. Meus agradecimentos vão também aos meus QQ:.IIr:. Peter Preminger, da Resp:. Loja Liberdade Nº 22 do Or:. de Santa Fé de Bogotá; Jean Pierre Grandin, da Resp:. Loja Veritas Vincir Nº 13 e Jaime Garcia Urdaneta, profano, quem depois de da leitura desta obra, aspira a integrar a Ordem, pela correção que fizeram no manuscrito deste livro, que necessitava muito dos valiosos conselhos e comentários... Mil ternos agradecimentos a minha esposa Susana que me tem brindado com sua carinhosa compreensão e terno apoio em todo tempo e que foi a fiel tradutora do manuscrito original francês desta obra.

“... O saber é o que permite achar o bem, só se acha o mal pela ignorância, porque se desconhece a virtude...” Sócrates

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- Prefácio –
Apesar de que a Ordem maçônica não tem uma data de nascimento conhecida, os historiadores se comprazem em remontar sua história até a mais remota antiguidade. Certos autores não duvidam em remontá-la à “Idade de Ouro”: primeira época do mundo onde Adão foi iniciado pelo próprio Deus no paraíso. É certo que se a história da Maçonaria é a mesma que a do mundo, não pode deixar de ter as suas bases na mesma tradição. Existem muitas hipóteses sobre o nascimento da Ordem maçônica. Muito tem sido escrito sobre este tema; em todas essas hipóteses proponho aquela infinitamente mais certa da criação contínua e da evolução sob o impacto dos acontecimentos históricos e sociais. Ao longo dos muitos séculos da sua rica experiência, a Maçonaria tem recebido influência de diversas correntes de pensamento e a pressão cultural do seu ambiente social. Algumas vezes ela causou o evento; vivendo, pois, em um contexto de evolução cultural, necessariamente evoluiu. A história da origem da Maçonaria se caracteriza por duas principais correntes de pensamento baseadas em duas hipóteses que amiúde tem radicalizado setores dela. Uma, do ramo bíblico, filosófico e simbólico que atribui a origem à construção do templo de Salomão em Jerusalém. Não existe, porém, prova que demonstre que a história da Maçonaria se remonta a tempos tão primitivos. A outra, o ramo cavalheiresco e místico, que concede este privilégio à Ordem do Templo; esta última hipótese adquiriu tal preponderância durante o Século XVIII que todas as demais hipóteses se viram abandonadas e reduzidas ao silêncio nos principais estados da Europa. Este ensaio, testemunho da minha admiração por esta mui venerável instituição é uma síntese da minha interpretação de numerosas obras, tanto francesas como espanholas, norte-americanas e latino-americanas; está dividida em três partes: - A corrente filosófica, bíblica e simbólica da antiguidade. - A corrente cavalheiresca e mística do Século XII ao XVIII. - A corrente democrática e libertária do Século XVIII ao XX. O esquema condutor da obra é a tradição. Ela não é nem um sistema nem uma doutrina; apenas o fio de Ariadne que permite às verdades chegarem até nós. A tradição nos transmite a mensagem de um passado distante, aquele da nossa origem. Certo, esquecemos esse tempo primordial; mas sem dúvida, nossa mente inconsciente nos leva a buscar com nostalgia as Leis do mundo que ela tem transmitido e que desejamos interpretar seguindo a linguagem da nossa época.

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* PRIMEIRA PARTE A corrente bíblica, simbólica, e filosófica. Do nascimento do mundo ao Século VII D.C. * * Capítulo I
Cosmografia O dia antes do primeiro dia Cosmosofia O ovo primordial Poeira de estrelas Época antediluviana A Divindade Tradição As 7 ciências liberais Enoque Hermes Trimegisto A Torre (Babel.) de Borsipa A grande pirâmide do Egito 11 12 14 17 17 17 18 18 21 21

Capítulo II
Época Pré-Cristã A mitologia Influência esotérica egípcia Os mistérios e Isis O segredo As escolas Eleusianas A escola Platônica A escola Pitagórica O Mitraísmo A escola eclética de Alexandria O Cristianismo primitivo O Gnosticismo Os filhos da luz 22 22 23 24 24 25 26 27 28 28 29 29

Capítulo III
Os fundamentos judaicos A lenda 30 O Mestre Hiram 31 A construção do Templo 32 Balkis, Rainha de Sabá 32 A morte do Mestre 33 O castigo dos assassinos 33 O Delta sagrado 34 Destruição e reconstrução do Templo 35 A propagação do conhecimento na Europa 36 A decadência romana 36 A Arte Gótica 37

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* SEGUNDA PARTE A corrente mística e cavalheiresca. Do Século XII ao Século XVIII * * Capítulo IV
A época Templária Os Cavalheiros Templários Os Ashashins Os Irmãos do Oriente Os Cavalheiros construtores O fim das cruzadas O retorno à França A maquinação A morte do Grão Mestre O fim da Ordem do Templo A integração O poder da Igreja A controvérsia cientifica 38 39 40 41 42 43 43 44 46 47 49 50 50

Capítulo V
O Século XIV inglês Os Lolardos A Magna sociedade Os primeiros grêmios 51 51 52 53

* TERCEIRA PARTE A Maçonaria especulativa, Democrática e libertária. Do Século XVIII ao Século XX * * Capítulo VI
Os Maçons aceitos A corrente filosófica e mística A primeira constituição A maçonaria escocesa A grande Loja Provincial da Inglaterra Para o Reino da França 55 56 57 58 59

Capítulo VII
A Maçonaria moderna O século da razão A Maçonaria da Corte O Grande Oriente da França A Maçonaria revolucionária A desgraça do Grão Mestre Os Rosa-Cruzes A síntese progressiva A Maçonaria mística A Maçonaria mágica A Maçonaria Imperial A Maçonaria feminina A Maçonaria republicana A Maçonaria à conquista do mundo A Maçonaria contemporânea Relação da Maçonaria com a Igreja 61 61 62 63 64 64 66 67 68 70 70 71 72 73 74

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NOTA DOTRADUTOR

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* -PRIMEIRA PARTEA CORRENTE FILOSÓFICA, BÍBLICA E SIMBÓLICA. * * Do nascimento do mundo até O Século VIII d.C.

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CAPÍTULO I Cosmogonia * *
O dia antes do primeiro dia.
Faz entre dez e vinte mil milhões de anos que aconteceu a grande explosão, o Big Bang, o acontecimento que iniciou nosso universo. Por que isto aconteceu? É o maior mistério que conhecemos. Na época muito remota do início do universo, não havia galáxias, estrelas nem planetas, não havia vida nem civilizações; toda a matéria e a energia presente no universo estava concentrada com uma densidade muito elevada em uma massa informe e radiante, uma bola de fogo que continha todo o espaço e que podemos imaginar como um ovo cósmico, que nos lembra os mitos da criação de muitas culturas: (*53) “...Havia primeiro o grande ovo. Dentro dele havia o caos, e flutuando no caos estava Pan Gu, o grande Não desenvolvido, o embrião Divino; e Pan Gu saiu, rompendo o ovo com um martelo e um cinzel na mão com os quais deu forma ao mundo...” Teosofia chinesa, Século III D.C. Não é que toda a matéria e a energia estiveram apertadas num pequeno local do universo atual e sim que o universo inteiro: matéria e energia ocupavam um volume muito pequeno. Nessa época muito remota, o universo estava cheio de radiação e de matéria sutil, em princípio hidrogênio e gelo formado a partir de partículas elementares nessa densa bola de fogo primigênia, brilhantemente iluminado (*53). O universo começou com aquela titânica explosão cósmica, uma explosão que ainda não cessou e suas dimensões são tão grandes que superam a compreensão do homem. Recorrer a unidades familiares de distância que se escolham por sua utilidade na terra, como os quilômetros, não servem para nada. À medida que o tempo passava o tecido0 do espaço continuou expandindo-se, a radiação esfriou e o espaço tornou-se pela primeira vez escuro, tal como o concebemos agora. Logo começaram a crescer pequenas bolsas de gás. Formam-se gavinhas de vastas e sutis nuvens de gás, colônias de coisas grandes que se moviam pesadamente, girando lentamente, tornando-se cada vez mais brilhantes, contendo cem mil milhões de pontos brilhantes. Haviam se formado as estruturas maiores do universo: as galáxias como as vêem hoje. A terra, criada graças a uma dessas projeções, condensou-se a partir do gás e da poeira interestelar há 4.600 milhões de anos. (*49) Uns milhões de anos depois do Big Bang a distribuição da matéria no universo havia se tornado algo grumosa, talvez porque o próprio Big Bang não tinha sido perfeitamente uniforme. A matéria estava compactada mais densamente nesses grumos do que em outras partes. Pode-se imaginar que houveram dois ou mais Big Bang quase simultâneos: a chamada “reação em cadeia” bem conhecida pelos físicos nucleares. A gravidade desses grumos

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ataria para si quantidades substanciais de gás circundante, nuvens de hidrogênio e de hélio destinadas a converter-se em cúmulos de galáxias. (*53) É muito claro que o universo tenha estado em expansão desde o Big Bang, mas não está absolutamente claro que continue expandindo-se indefinidamente. A expansão pode tornar-se cada vez mais lenta até deter-se e inverter-se, fazendo que o universo criado por Deus, um dia final voltará a Deus. Se vivemos num universo flexível deste tipo o Big Bang não é a criação do Cosmos, e sim simplesmente o fim do ciclo anterior, a destruição da ultima encarnação do Cosmos. Porém ao contrário, é cientificamente conhecido que se existe menos de certa quantidade crítica de matéria no universo, a gravidade das galáxias será insuficiente para deter sua expansão e provocar a recessão; neste caso, o universo continuará sua fuga para sempre no infinito. (*53) O tamanho do universo é inacessível ao nosso conhecimento atual e, crescendo cada dia mais, será ainda mais difícil medi-lo, se tivéssemos os instrumentos adequados para tão gigantescas medidas. Conhecemos muito melhor a estatura do nosso sistema solar. As simulações numéricas feitas em 1970 estimam que a nuvem “Oort” (cuja estrutura esférica de asteróides envolve o sistema solar) é de 20.000 a 50.000 unidades astronômicas. Se cada unidade astronômica tivesse 150 milhões de quilômetros, o perímetro interior do nosso sistema solar se situaria entre 3.000.000 a 7.500.000 de quilômetros (*55). Carl Sagan dizia em sua famosa série televisiva “Cosmos”:
“...O Cosmos* é tudo o que é, o que foi e o que será alguma vez...”
(*): Cosmos, palavra grega que significa a ordem do universo, oposta a Caos.

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Cosmosofia
* * - O ovo primordial –
Se o marco geral de compreensão de um universo em expansão e de um Big Bang é fácil, temos que enfrentar-nos com perguntas ainda mais difíceis.. Como eram as condições na época do dito Big Bang? O que aconteceu antes? Havia um universo diminuto carente de toda matéria e logo a matéria criou-se repentinamente do nada? Muitas culturas respondem que Deus criou o universo do nada; é o caso da nossa cultura judaico-cristã. A pergunta seguinte que devemos formular imediatamente é evidente: de onde veio Deus? Se decidirmos que esta pergunta não tem resposta, por que não decidimos que a origem do Universo tampouco tem resposta? Se decidirmos que Deus tem sempre existido, por que não concluímos dizendo que o universo tem sempre existido? (*53). Cada cultura tem um mito sobre o mundo antes da criação e sobre a sua criação, frequentemente mediante a união sexual dos deuses ou a incubação de um “ovo cósmico”. Em geral, supõe-se que o universo segue um procedente humano ou animal; aqui seguem como exemplos extraídos de tais mitos:
“...No início de tudo, as coisas estavam descansando numa noite perpétua; a noite tudo oprimia como a erva daninha impenetrável...” O mito do “Grande Pai” do povo aborígine Ananda da Austrália central.

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“... Tudo estava em suspensão, tudo em calma, tudo silencioso; tudo imóvel e tranqüilo; e os espaços do céu estavam vazios...” O Popol Vuh dos Maias Quíchua. “... Na Arean estava sentado sozinho no espaço como uma nuvem que flutua no nada. Não dormia porque não existia o sono; não tinha fome porque esta ainda não existia. Estando assim durante muito tempo, até que lhe ocorreu uma idéia. Falou para si mesmo: vou fazer uma coisa...” Mito de Maia, Ilha Gilbert da Micronésia. “... Na origem dos tempos, existia Noun, o caos original inerte; deste caos saiu por potência própria o sol Ra-Atoun. Atoun masturbando-se ejaculou Chou-Tefnout. Chou-Tefnout produziu Geb (a terra) e Nout (o céu), os quais por sua vez deram nascimento aos grandes Neters da natureza: Osíris, Isis, Seth e Nephtys...” Lendas egípcias, XII Dinastia “... Antes que o céu e a terra tivessem tomado forma, tudo era vago e amorfo. O que era claro e ligeiro logo se deslocou para cima para converter-se no céu, enquanto que o pesado e turvo solidificou-se para converter-se em terra. Foi muito fácil ao material puro e fino reunir-se, mas muito difícil ao material pesado e turvo solidificar-se; por isso o céu ficou pronto primeiro e a terra tomou sua forma depois. Quando o céu e a terra se uniram na vacuidade tudo era uma simplicidade tranqüila, as coisas chegaram a ser sem serem criadas; esta foi a Grande Unidade. Todas as coisas saíram dessa unidade, mas todas se fizeram diferentes...” Huainan Zi, China, Século I a.C.

Esta ultima citação se une ao nosso conceito judaico cristão pois tm muita semelhança com o relato bíblico:
“... No principio Deus criou o céu e a terra ; disse pois Deus: “...seja feita a luz.....” e separou a luz das trevas; a luz chamou de dia e as trevas de noite; resultou o primeiro dia... No segundo dia, fez Deus o firmamento e separou as águas; o firmamento Deus chamou de céu ... No terceiro dia, Deus produziu a erva verde e arvores que dão fruto, reúnam-se as águas que estão sob o céu e apareça o árido e o seco ... No quarto dia, Deus fez as luminárias ou corpos luminosos no firmamento do céu, que distinguem o dia da noite e assinalam os tempos ou as estações, fez os dias e os anos e as estrelas ... No quinto dia produziu nas águas répteis e animais que vivem na água e aves que voam sobre a terra debaixo do firmamento do céu ... No sexto dia, criou os animais em cada gênero e por fim disse: façamos o homem à nossa semelhança nossa ... No sétimo dia, descansou e abençoou o sétimo dia, pois Deus tinha concluído todas suas obras até deixa-las bem acabadas.” Livro do Gênesis: capitulo I, versos de 1 a 28, capitulo II versos 1-3.

Durante milhares de anos os homens estiveram oprimidos pela idéia de que o universo era um marionete cujos fios eram manejados por um Deus ou Deuses invisíveis e inescrutáveis. Depois, há 2.500 anos, produziu-se um glorioso despertar que criou o cosmos do caos. Os primitivos gregos acreditavam que o primeiro ser foi o caos; que criou uma Deusa chamada noite e depois se uniu a ela; sua descendência produziu mais tarde todos os Deuses e os homens. O universo criado a partir do caos concordava com a época clássica grega que acreditava que a natureza imprescindível era manejada por Deuses caprichosos. A diferença entre esses mitos e o nosso conceito cientifico do Big Bang, é que a ciência se auto-examina e que podemos levar a cabo experimentos e observações para comprovar nossas idéias; mas, essas muito antigas historias da criação são merecedoras do nosso profundo respeito (*53). Os pontos de vista são muito diferentes quando se trata de definir a criação do universo; os científicos pretendem que o universo é um acidente, os religiosos que é a expressão da soberania ilimitada de Deus e os filósofos que é um ato fundamental de toda a criação. Para uns o universo não era inevitável; para outros o universo não é um acidente, existe por si próprio. Para os crentes, o universo é uma obra de criação; portanto está completamente sujeito à vontade do seu criador. Deus é energia com propósito (espírito criador) e vontade absoluta; são este propósito e esta vontade que são incompreensíveis para o homem (*49).

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A religião hindu é a única entre as grandes fés do mundo que inculca a idéia de que o próprio Cosmos está sujeito a um número de mortes e de nascimentos imensos, de fato infinitos. É a única religião no que as escolas temporais correspondem., as da cosmologia cientifica moderna. Seus ciclos vão do nosso dia e noite correntes até um dia e uma noite de Brahma, que dura 8.640 milhões de anos; mais tempo que a idade da Terra ou do Sol e uma metade aproximada do tempo transcorrido desde o Big Bang. As datas das inscrições Maias também avultam profundamente no passado e as vezes no futuro distante. Umas inscrições se referem a uma época de há mais de um milhão de anos e outra se refere talvez a fato de há 400 milhões de anos, ainda que os especialistas da cultura Maia discutam estas cifras. Os acontecimentos recordados podem ser míticos, mas os fatos temporais são prodigiosos. Um milênio antes que os europeus estiveram dispostos a despojar-se da idéia bíblica de que o mundo teria uns quantos milhares de anos de idade, os Mais estavam pensando em milhões e os hindus em milhares de milhões (*53). Há na religião Hindu o conceito profundo e atraente de que o universo não é mais que o sono de um Deus que, depois de cem anos de Brahma, se dissolve num sono sem sonhos. O universo se dissolve com ele, até que depois de outro século de Brahma, se renove. Se recomponha e comece de novo a sonhar o grande sonho cósmico. Enquanto isto e em outras partes, há um número infinito de outros universos, cada um com seu próprio Deus sonhando o sonho cósmico (*53). Estas grandes idéias estão temperadas por outra, talvez maior ainda, que diz: “...Os homens não são os sonhos dos Deuses, senão que os Deuses são os sonhos dos
homens...”

- Poeira de estrelas –
Nos últimos milênios temos feito os descobrimentos mais assombrosos e inesperados sobre o universo e o lugar que nele ocupamos. No último terço do Século XX, e já na fronteira do novo milênio, o homem iniciou o domínio do átomo, do elétron, a célula e como conseqüência, está em condições de transformar quase tudo. Os escravos humanos foram substituídos pela máquina e agora por outros servidores: os micros chips e os genes, que não podíamos ver com nossos olhos, mas que levam em seu interior a transformação do mundo. Foram quebradas as cadeias da gravidade. Foi decifrado o código genético e sabemos que a vida é uma certa disposição da matéria. Foi iniciada a exploração do espaço. Desde satélites ou desde a terra e graças aos raios X, os raios infravermelhos e a radiação Gama, são ouvidas as estrelas e as galáxias situadas a milhões de anos luz do nosso planeta. Temos examinado o universo e o espaço e descoberto que vivemos em uma partícula de poeira. Em outros campos tem sido vencidas enfermidades até há pouco mortais. Tem se começado a substituir partes vitais do organismo. Substituise o cobre pela fibra ótica, o aço e alumínio pelo plástico, o petróleo pela fusão nuclear. Tem se inventado o radar, o laser, a penicilina e os plásticos. Desejase substituir o elétron pelo fóton e se tem erradicado, em certa media e em certas sociedades, a fome. a dor e a doença. Acreditamos conhecer a data do nascimento do universo e temos aprendido que somos ao mesmo tempo 14

testemunhas e participantes de um processo de evolução iniciado há milhares de milhões de anos, que abrange a natureza inteira. Sabemos que o ser humano não tem existido sempre nas escalas de tempo da astronomia, seu aparecimento é muito recente. Emerge de uma longa serie de antepassados entre os quais reconhecemos as células primitivas, os metazoários, os peixes, os anfíbios, os répteis, os mamíferos e os primatas. Há menos de dez milhões de anos, evoluíram os primeiros seres que se pareciam com os humanos. Sabemos que a evolução funciona mediante a mutação e a seleção e sabemos que os átomos dos nossos ossos e do nosso sangue se forjaram em estrelas a anos luz de distancia de nós, e que inclusive as partículas mais antigas que compõe esses átomos são fosseis de energias e forças apenas compreensíveis que existiram no primeiro microssegundo da criação. Virginia Woolf dizia: “A natureza nos tem confeccionado hibridamente de argila e de diamante, de arco-íris e de granito..” Agora poderíamos acrescentar que o homem é composto de inimaginável cifra de 10 elevado a 29 partículas e podemos dizer: “Somos poeira, poeira de estrelas, poeira de estrelas que caminha...”, o que não é apenas uma frase poética. Para Monod: “...Rompeuse a antiga aliança e o homem sabe, finalmente, que está sozinho na imensidade indiferente do cosmos, do qual emergiu por acaso...”. Sabemos também que o homem vive em um pequeno planeta, a Terra, que é arrastado a velocidades fabulosas por sua estrela: o Sol, através do espaço interestelar Há pouco que sabemos, além disso, que se trata de uma astro muito comum, entre os quais existem não menos de dez mil milhões e sua própria ilha estelar: a via Láctea, que contém umas. 400 mil milhões de estrelas de todos tipos que se movem com uma graça complexa e ordenada. Nossos antepassados observaram a elegância da vida na terra, como apropriadas eram as estruturas dos organismos e suas funções; consideraram isto como prova da existência de uma grande desenhista, um Grande Arquiteto do Universo, que proporcionava meticulosamente à natureza, significado e ordem. E não podemos evitar o pensar no delicado e necessário equilíbrio da espécie humana. Em todas as épocas, nos têm fascinado estas perguntas. Onde estamos? Quem somos? Hoje está muito claro que vivemos a uns 300.000 anos luz do núcleo galáctico, nas bordas de um braço espiral onde a densidade de estrelas é relativamente reduzida. Vivemos em um planeta insignificante de uma estrela ordinária nos arredores de uma galáxia ordinária (*53), Somos uns seres sozinhos no cosmos, que Prigogine chamava: “...Ciganos nas fronteiras do universo...”, de um universo fragmentado, rico em diferenças qualitativas e em potenciais surpresas, de uma natureza complexa e múltipla, em qual os processos irreversíveis a aleatoriedade jogam um papel essencial e em qual a reversibilidade e o determinismo são apenas casos peculiares. Resta ainda muito para entender sobre a origem da vida, inclusive a origem do código genético. “...Sabemos pois ... que sabemos...”, mas, o nosso melhor saber é que sabemos pouco do mistério da vida. Dizia Aristóteles: “...Todo homem por natureza, deseja saber...” e é certo que temos essa incrível ânsia por aprender; somos impelidos a conhecer nós próprios por dentro e por fora; mas, se tudo isto não é suficiente, inventamos explicações, razões e relatos que nos dizem onde estamos e como somos.

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Criamos lendas, historias, fabulas com quais construímos o que chamamos de “tradição”; esta é a nossa maneira de ser; inventamos mecanismo que nos podem levar mais alem de nós próprios. Temos instrumentos que permitem ver o que não podemos ver, ouvir o que não podemos ouvir, ir a lugares aos quais não podemos ir, e vamos a esses lugares, e vemos essas coisas, e as ouvimos e nos perguntamos sempre as mesmas perguntas: O que significa? Como fazemos parte de tudo isto? Desejamos descobrir nosso passado, conhecer nosso presente e estabelecer o nosso futuro. Também desejamos descobrir a nós próprios, descobrindo a “Via Real” que nos permita entender o laço que temos com o universo e com seu Criador, como parte micro cósmica do Ele e Ele, como parte macro cósmica de nós próprios. Apesar das invenções e inovações do nosso mundo moderno; apesar dos prodígios técnicos e a evolução material do nosso século da luz, o homem não é mais feliz; sente mal-estar; continua inquieto e angustiado, entendido que perdeu a consciência de sua origem do primeiro dia desaparecido e esquecido; falta lhe algo, o reencontra-se com o laço original, com o passado distante, com a fonte primordial. A tradição transmite-nos a mensagem de um passado distante, aquele da nossa origem; mas, temos esquecido essa unidade criadora, esse tempo primordial; mas sem duvida, nossa memória inconsciente incita-nos a buscar com nostalgia as Leis do mundo que ela nos tem transmitido e que desejamos interpretar segundo a linguagem da nossa época. Na ânsia de conhecer o desconhecido, o homem tem a necessidade de imaginar e gosto do irracional que apóia sua capacidade de sonhar. Por isso, extrapola o tempo esquecido; ilustra-se com quimeras, contos de fadas; forjando mitos nebulosos e improváveis com o fim de satisfazer seu desejo pelo maravilhoso; intentando justificar seu desconhecimento pelo fantástico; de explica-lo e de compreende-lo pela alegoria da lenda. O homem gostaria que seu passado fora “bonito”; por isso agrega um pouco de decoro, de fantasia e de magnificência ao comum, para que os demais o invejem, para que desejem ser como quisera ser ele próprio, para que o admirem seus filhos, para quais quer ser seu herói, e seus amigos para quais deve ser “gente-boa”; para que o admirem mais, para que o amem mais, e para que seus inimigos o odeiem mais. O homem quer ser admirado; é por isso que decora a realidade com adornos magníficos; é por odiar o comum e o medíocre que o homem transforma a verdade em mitos, lendas e fabulas, quais, sem contradizer a verdade, apresenta a em forma mais valiosa; para embelezar os que participaram no seu desenvolvimento e a si próprio. Com o tempo e com o passar das gerações banhadas neste mito que se tornou vivente no espírito da sua comunidade, o homem aceitou-a como verdade e ao final nele crê; identifica-se com ele, transmitindo-o como testemunho do que ele próprio tem aceitado como sua história. São esses mitos, lendas e fabulas que reporto a seguir; são o tema desta obra. São tão numerosos que justificam um livro exclusivamente dedicado a eles. Agora sim, podemos começar a sonhar!

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* Época antediluviana * *
- A divindade –
..Com a mesma sede de conhecimento, tentamos com prender e explicar tudo, até o inexplicável. Tentamos em vão compreender tudo e compreender Deus, perceber e compreender sua onisciência, onipotência, onipresença através dos atos da vida. Tentamos, graças aos nossos radiotelescópios, entreve-Lo ainda que fosse por um instante no universo... busca inútil. A total abstração de Deus torna-O definitivamente invisível aos nossos olhos curiosos e à nossa mente inquieta. Graças aos nossos sentidos que, apesar de que em nome da razão, tem perdido seus instintos primordiais, tentamos compre4eder a abstração divina. Graças à teosofia ao deismo que herdamos dos nossos ancestrais educados nas religiões primitivas, podemos definir seu princípio; mas queremos outra coisa, queremos mais; não nos satisfazemos apenas com os efeitos; queremos a causa, queremos a realidade, queremos a revelação, a concreção da nossa esperança e da nossa fé no desconhecido, no irrevelável que queremos ser revelado. A compreensão do que é Deus, é da maior improbabilidade; para a ciência, Deus é uma causa; para a filosofia, uma idéia; para a religião, uma pessoa. Deus é para o cientista uma força primordial; para o filósofo, uma hipótese de unidade e para o religioso, uma experiência espiritual vivente (*49). A crença em um Principia Criador é um dos fundamentos da Maçonaria universal, originado nos numerosos anos de operativismo da construção, os maçons sabem que nada pode ser criado sem um Criador; o Universo e toda a vida não escapam a esse princípio; porém, qual é a origem da forma que pode gerar tanta potência, tanta criação, tanta harmonia? É efeito ou causa? Onde está situada? Em Deus? Pois, se a força está no universo, onde está Deus? (*4). Vivendo em uma civilização educada na religião judaico-cristã explicando que Deus é nosso Pai Criador, o imaginamos beatamente como nosso genitor, tal como o nosso pai carnal; é por isso que a nossa tradição popular representa-O como um patriarca bondoso e barbudo. Sendo o Criador, ele reina tal como um Rei sobre sua criação e tal como um Monarca, está sentado sobre seu trono. Estando no “céu”, seu trono não pode estar situado senão sobre as nuvens; é sobre esta forma que nossos ancestrais nos transmitiram há mil gerações, a imagem do Criador.

- Tradição –
Sentado sobre seu trono de nuvens em Thulé, (extremo setentrional do nosso mundo onde, de acordo com as mais antigas lendas, a vida teria aparecido pela primeira vez), Elfou (um dos nomes mais antigos de Deus), admirava sua criação, um boneco de argila vermelha, ao qual acabara de dar o “sopro de vida” e que chamou de Adão (o “Primeiro” em aramaico antigo). 17

Querendo que esse pequeno ser se tornasse o pai da humanidade e reinasse sobre o mundo que ele tinha acabado de criar, Deus decidiu instruí-lo no conhecimento dos mistérios da vida.

- As sete ciências livres –
O conhecimento do “Tudo em Todos” é o maior e mais antigo mistério da Maçonaria; nele se resume o conhecimento das sete ciências livres que eram a Gramática, a Dialética e a Retórica, a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia, todas reunidas em uma só “Grande ciência sagrada”: a Geometria, que encontra sua mais alta expressão no Egito, país que deve sua filosofia à Índia depois que se difundiu na Pérsia e na Caldéia e de ter fundado as bases das civilizações do oriente médio (*4). Os segredos das sete ciências livres foram comunicados a Jubal, filho mis velho de Lamec, patriarca descendente de Caim e de sua mulher Zilla. A alquimia e a arte de forjar os metais foram transmitidas ao seu irmão Tubalcaim. Os hebreus gravaram seus conhecimentos sobre duas colunas; uma de pedra e outra de tijolo, com o fim de que eles não se perdessem durante o dilúvio ordenado por Deus, que começou no ano 1.657 (2.378 anos a.C.). Choveu durante 40 dias e a água permaneceu durante 160 sobre a terra (*1).

- Enoque –
Nos textos antigos, encontram se frequentemente referências a Enoque (Henoch ou Henock) primeiro filho de Yered e pai de Matusalém; sétimo patriarca bíblico que, segundo a tradição, viveu no ano 3.740 antes de Cristo. Durante um sonho, conheceu o verdadeiro nome de Deus, que lhe foi proibido pronunciar e que não podia revelar (*4). Durante outro sonho, teve a revelação do dilúvio que devia submergir a terra e destruir a humanidade, porque Deus arrependeu-se de ter criado o homem, uma vez que reinava sobre a terra um relaxamento e perversão tal que ele resolveu fazer perecer todos os seres vivos da criação por meio de uma inundação universal, à exceção de Noé, de sua esposa, de sues três filhos e suas esposas e de um casal de cada espécie de animais que se refugiaram em uma arca de madeira (*1). Enoch decidiu preservar da catástrofe o verdadeiro nome de Deus e gravou as letras que o representavam sobre um delata de ouro, que introduziu em uma pedra cúbica de ágata. Construiu uma profunda abobada no interior de uma montanha para guardar o precioso Delta de ouro, no qual se tinha gravado o sagradíssimo nome (*46).

- Hermes Trimegisto –
Quando a ira divina se acalma e a chuva cessa, um chamado Hermes (o Hermorian) encontra as duas colunas de Jabal e de Tubalcaim. Inspirado por Deus, ele compreende a grande importância das revelações escritas sobre essas colunas e decide transmiti-las a uns homens capazes de ser depositários desses segredos e de fazê-los reviver. Depois do tempo necessário para conhecer as qualidades e capacidades desses postulantes, ele ordenou-os sacerdotes do culto ao “Deus vivo”, instruiu-os em todas as ciências e artes e

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revelou-lhes os mistérios dos símbolos. Desse tronco de sábios saíram os escolhidos que deviam ocupar o trono, os altos cargos e as dignidades do Estado egípcio. Hermes foi o iniciador da ciência secreta dos espíritos assim como da filosofia relativa a Deus e ao Universo. Uma das suas citações, extraída do texto do “discurso sagrado”, diz: “O que está acima é como o que está abaixo”, aí define uma correspondência sutil e análoga, entre os mundos superior e inferior, entre o mundo de causas e o mundo dos efeitos, entre o micro-cosmo e o macro-cosmo. Desde as primeiras civilizações da humanidade, foi notório que exista uma hierarquia oculta de Reis sacerdotes iniciados, constituídos em uma fraternidade teocrática de sábios e de Mestres, chamada “Grande Loja Branca” dirigida por Melquidezek, Rei de Salem e Mestre do “Deus altíssimo”. Durante séculos, essa fraternidade foi a íntima, secreta e fiel depositária dos mistérios e dispensadora da doutrina sagrada (*22). A primitiva obscuridade dos textos bíblicos cita alguns deles: Melquior, Gaspar e Baltazar que, segundo a tradição cristã, vieram venerar Jesus no dia do seu nascimento. A mais antiga tradição pretendia que Deus próprio havia escolhido Hermes, mortal de grande sabedoria, a quem ele havia dado por nome “o Trimegisto” (três vezes grande, três vezes sábio, três vezes Mestre), para ser iniciado no conhecimento dos mistérios da Índia, do Egito, da Pérsia e da Etiópia; sabedoria secreta consistente em uma série de doutrinas e de cerimônias sagradas. Também Deus iniciou-o no conhecimento das ciências e das artes com o propósito de instruir a humanidade para que expresse seus sentimentos com a escritura. É por isso que as lendas dizem que foi Hermes (Mercúrio para os latinos e Toth para os egípcios) quem criou os hieróglifos, o veículo de transmissão da teologia do antigo Egito. Hermes instruiu também os gregos na arte de sua interpretação (*11). Segundo Hesíodo da Esparta, Júpiter (Zeus), Mestre dos Deuses, teve sete esposas, amou também a várias ninfas e mortais com quais teve inumeráveis filhos, como Mercúrio (nome latino de Hermes) nascido dos seus amores com Maia, uma das filhas do Deus Atlas. Amou também a Aurora e dela teve um filho: Lúcifer; é dizer que Hermes e Lúcifer eram meio irmãos. Segundo a lenda de Osíris e de Isis, transmitida por Plutarco: Sírio (outro nome egípcio de Hermes) preceptor de Isis, filha mais velha de Saturno, o mais velho dos Deuses (Deus grego Cronos; pai do tempo ou Deus Humano), foi o inventor da linguagem e o primeiro legislador que ensina aos homens o culto aos Deuses e os meios para edificar os templos onde eles deviam ser adorados (*26). Toth (nome egípcio de Hermes), o grande Mestre do saber, mensageiro dos Deuses e guardião das encruzilhadas e dos primeiros conhecimentos é citado no Zohar (livro dos mortos egípcios) como o pesador das almas: “...Tua alma foi pesada e achada com falta de peso...” Toth está identificado com a religião egípcia, como o Deus da Sabedoria e da escrita, como o guardião dos arquivos sagrados e da magia (grande ciência sagrada da tradição oriental, inseparável da religião); está identificado com a cultura grega como Hermes (Hermes Mercúrio Trimegisto). Hermes também é assimilado a Lug, o Ser superior dos Ligures pré-célticos, o Mestre de todos os saberes, protetor das almas dos mortos que haviam transposto as

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barreiras do desconhecido como daqueles que o encomendaram em vida buscando o conhecimento ancestral. Obras muito prezadas foram atribuídas a Hermes; uma dentre elas o “Pinandre” relata magníficas passagens, dando exemplos da sua sabedoria, reproduzo uma delas, conhecida sob o nome de: “Concilio dos Deuses”: Nessa época distante, os Deuses reunidos, inquietaram-se por saber o que Hermes tinha feito com os altos conhecimentos que os grandes Mestres das forças da natureza lhe haviam confiado. Zeus, Mestre dos Deuses, interpelou-o: “...Mortal, confiamos-te o conhecimento das forças da natureza e o nome dos espíritos que as comandam com o fim de que as esconda da curiosidade dos homens; fizeste como te ordenamos?...” Hermes respondeu: “... Zeus, Mestre dos Deuses, foi feito como ordenaste...” Zeus pergunta-lhe: “...Onde escondeste o conhecimento dos mistérios da vida e do universo?...” Hermes respondeu: “...Eu escondi-o ali onde os homens jamais poderão encontra-lo...” O Deus do vento pergunta-lhe: “...Escondeste-o no mais forte sopro do meu Reino dos ventos?...” Hermes respondeu: “..Não, porque num dia próximo os homens irão aos sopros do vento e poderão encontra-lo...” O Deus do mar pergunta-lhe: “...Escondeste-o no mar profundo dos abismos do meu Reino das águas?...” Hermes respondeu: “...Não, pois que num dia próximo os homens irão até a maior profundidade do mar e poderão encontra-lo...” O Deus da terra pergunta-lhe: “...Terás escondido-o na mais profunda escuridão das fossas do meu Reino?...” Hermes respondeu: “...Não, pois que num dia próximo os homens irão até a maior profundidade da terra e poderão encontra-lo...” O Deus do fogo pergunta-lhe: “...Será então, no meu Reino do fogo, onde escondeste-o?... Hermes respondeu: “...Não, pois que num dia próximo os homens irão até o reino do fogo e poderão encontra-lo...” Zeus pergunta-lhe: “...Se não é no vento, nem no mar, nem na terra, nem no fogo, onde escondeste o conhecimento sagrado?...” Hermes respondeu: “...Eu escondi-o lá onde os homens jamais poderão encontra-lo...”

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Zeus pergunta-lhe: “...Diga-nos, pois, onde fica esse lugar tão confiável...” Hermes respondeu: “...No mais profundo dele próprio...” A Maçonaria tem se integrado à corrente tradicional iniciática designada sob o nome de “Hermetismo” e sua história está muito ligada àquela, desde a filosofia tradicional as grandes sínteses dos conhecimentos e do pensamento humano da época neo-Álexandrina, que marca a identidade entre a religião, a ciência e a filosofia, reconhecendo que o homem é a medida micro-cosmica de todas as coisas, parte de um “Grande Todo” macro-cósmico e que esta pertença a esse Grande Todo pode faze-lo entrever as verdades superiores.

- A torre Babel A torre Etermenarki é mais bem conhecida sob o nome de “Torre de Babel”, o que no assírio antigo significava “confusão”, tão numerosos foram os idiomas dos obreiros de todo o oriente médio afluíram para construí-la. Essa mescla lingüística foi o obstáculo para a transmissão das ordens de Philec, diretor dos trabalhos de construção. A palavra não podia ser empregada, foi necessário que os obreiros se expressassem por símbolos e sinais (*2).

- A grande pirâmide do Egito –
Este método de comunicação por símbolos foi em seguida levado ao Egito por Misraim, segundo filho de Cham, fundador da primeira dinastia faraônica do Egito (Reino mitológico do Rei escorpião) e foi empregado para a construção das pirâmides. Construída 2.500 anos antes de Jesus Cristo (IV Dinastia 2.723-2.563 a.C.), sob o reinado do faraó Quéops, a grande pirâmide do Egito é o exemplo da interpretação de conhecimentos geométricos na arte de construir onde se expressam elevados conhecimentos astronômicos nas medidas arquitetônicas. Os grandes homens da história do Egito foram todos Mestres de obras: Quéops, Tutmosis III e Ramses foram prodigiosos construtores que criavam suas obras para a glória do princípio divino que estava definido naquela época como “o Arquiteto soberano dos mundos”. Os egípcios têm conservado por longo tempo a lembrança de Imhotep, genial arquiteto instruído na “Câmara de vida” do templo de Tanis, lá onde se transmitiam os mistérios do alto conhecimento e a sabedoria dos anciãos do Egito sagrado. Imhotep foi o Mestre de obra que dirigia a construção do antigo templo de Edfou do alto Egito e da grande pirâmide de Quéops. Para a Maçonaria, a data da construção da grande pirâmide é a de 4.000 anos a.C.; ela é o primeiro ano do calendário maçônico, devido ao que nos encontramos no ano 5.998. Desde a época mais antiga (14 séculos antes da era cristã) os construtores egípcios estavam constituídos em uma sociedade de caráter iniciático no Deir el Medineh; esta organização foi uma das expressões mais primitivas da Maçonaria; foi o apogeu da primeira época corporativa egípcia. Ao final de 18ª Dinastia, uma primeira confraria de construtores foi rigorosamente comprovada. Suas leis, seus símbolos e sua moral alcançaram 21

um alto grau de espiritualidade. Perfeitamente integrada ao Império faraônico, ela uma dos mais belos elementos da sua sociedade. A documentação conservada no museu arqueológico do Cairo atesta que, no ano 29 do reino de Ramses II (19ª dinastia), os obreiros egípcios dispunham de uma organização capaz de formular reivindicações necessárias ao desenvolvimento técnico da época.

* CAPÍTULO II
Época pré-cristã * * - A mitologia –
Desde a antiguidade os homens têm sentido a necessidade de agruparem-se em comunidades para viver uma vida conforme com as idéias de seus componentes. Estas comunidades antigas tinham uma dupla finalidade: operativa, quando praticavam atividades físicas, e especulativa, quando realizavam estudos filosóficos. Seguindo a correntes do pensamento bíblico-simbólico, a filosofia maçônica encontra suas origens entre as culturas das antigas comunidades orientais. A mais conhecida dessas comunidades foi a dos Essênios entre os Hebreus, grupo social difundido na Judéia e na Palestina a partir do primeiro século antes de Jesus Cristo (*11). Os Essênios viviam em comunidades juramentadas separadas, porém unidas por um laço comum; seus membros dedicaram-se a profissões úteis à sociedade; seus bens eram comuns e se reconheciam entre eles por sinais e palavras. Ao redor do ano 65, antes de Cristo, os Essênios foram suspeitos de heresia e perseguidos pelos sacerdotes das sinagogas judaicas; refugiaram-se em Qumram, região desértica ao sul de Jericó, onde desapareceram por volta do ano 70 da nossa era. Os “Terapeutas”, comunidade esotérica de curandeiros denominavamse, segundo Filon de Alexandria, “... cidadãos do céu e do mundo, unidos ao criador do universo pela virtude que os procurava a amizade com Deus...”. Os Terapeutas dedicavam-se ao estudo do conteúdo esotérico dos livros antigos e punham em ação um pensamento criador comum com o fim de contemplar o invisível por meio do visível. Na Índia, Zoroastro, Rei de Bactisna, fundou e reformou a escola do Magismo; escreveu a “Zeudanesta” que contem os Nocktas, poemas antigos da primitiva religião do fogo e da luz do Deus Osmuz (*27). A doutrina desta escola foi anterior à da escola filosófica Vedantina, dedicada à interpretação das escrituras Bramânicas: os Vedas.

- Influencia esotérica egípcia –
A maçonaria tomou do antigo e esotérico Egito muitos dos seus mistérios; um deles relata que o Faraó, Rei do “país duplo”, representante de Amon Ra na terra, Deus do sol, era depositário de uma força misteriosa: o “Ka”, potente força vital de essência divina à qual os grandes sacerdotes a serviço do soberano “os servidores do lugar da verdade” dedicavam uma atenção especial para mantê-la viva. Esta força das profundidades do ser se 22

revelava quando os adeptos elevavam os braços, formando um esquadro sobre a cabeça. O “Ka”, muito presente no esoterismo do Egito, era representado pela serpente, cuja cabeça figurava sobre o chapéu Faraó (*21).Entre os egípcios, os sacerdotes formavam uma classe distinta dedicada ao estudo das ciências secretas, das artes e o ensino de algum ramo especial dos conhecimentos humanos. Esta ocupação foi seguida por todos os sacerdotes dos povos do oriente: os persas, caldeus, sírios, gregos, etc.. Os ritos de iniciação egípcios de Deir e Medineh, dos quais uma parte está descrita na sepultura de Amen-Nakht (tumba 218), tinha por objetivo despertar esse “Ka” que permitiria ao homem entrar na vida eterna durante sua passagem pela terra e livrar-se das travas da ilusão para entrar no conhecimento da “Doutrina Interior” (*34). Para a compreensão do ritual, o adepto penetrava no coração do sol e aqui, após sua morte simbólica, renasceria, tornando-se “filho da luz”; a partir deste momento, ele estava encarregado de repartir bem-estar entre os homens da sua raça e no mundo. Hermes citava esta força misteriosa sob o nome de “forte força da força” que se encontra em cada homem, mas que poucos pensavam em fazê-la frutificar; representava-a graficamente sob a forma do “caduceu” onde duas serpentes envolviam o bastão; a tradição védica chamava-a “Kundanili”, força latente nos fundamentos do homem. Seis séculos mais tarde na China, o Tão dará a ela o nome de “Chi” (*34). Os mistérios do Egito foram levados a este país pelos Caldeus (hindus). Nesta época egípcia remota, se consideravam como divinos o sol (Osíris), a lua (Isis), as estrelas e o poder da natureza; estes astros foram objetos de culto. O objeto dos “mistérios” amplamente propalados entre todos os povos do Oriente, todos tinham no papel de divindade principal: um homem e uma mulher. Fora no Egito: Osíris e Isis; na Índia: Mahadera e Sita; na Fenícia: Thammuz (Adonis) e Astarte (Vênus); na Frigia: Atys e Cybele; na Pérsia: Mithra e Ais; na Samodrácia e Grécia: Zeus (Sobazeus ou Dionísio) e Rhea; divindades que em todas as ocasiões eram emblema do sol e da lua (*42). Os símbolos foram a linguagem universal da teologia do Egito, foram também o método mais obvio de instrução porque, à semelhança da natureza, dirigiam mo ensino da vida. Os mistérios egípcios da Esfinge tiveram do mesmo modo origem nesse sistema de ensino que foi o simbolismo.

- Os mistérios de Isis –
Mãe da humanidade segundo os egípcios, a “Isis dos mil nomes” era uma divindade única que possuía diferentes formas; no geral, ela é representada sob a forma de uma vaca, mãe do boi Apis, entre cujos chifres se destacava o globo lunar. Um véu, símbolo da incompreensibilidade da natureza pela condição humana, ocultava-a continuamente (*41); a essência dos “mistérios” egípcios não era outra coisa que a exposição da fábula de Osíris e Isis; onde Isis percorreu a terra, reunindo os pedaços dispersos do seu defunto irmão e esposo Osíris, desmembrado por Seth (Typhon dos gregos). Quando os reuniu todos, formou outra vez o seu corpo e deu vida ao seu esposo despedaçado com tempo suficiente para gerar um filho dele: Horus, o unificador e vingador. Isis foi adotada sob diferentes nomes segundo as civilizações (Neith, Phta, Butto, Thor, Proserpina, Serapis, Juno, Ceres e Ranusta) (*34).

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Os sacerdotes dos templos de culto a Isis não admitiam mais do que um pequeno número de iniciados nas cerimônias de comemoração dos seus “mistérios” que eram de duas classes: os pequenos mistérios da vida e os grandes mistérios de Serapis e de Osíris. A doutrina sagrada era reservada aos últimos graus da iniciação chamada “Grande manifestação da luz”, esta elevada doutrina, muito secreta, era a dos magos da antiguidade (*35).

- O segredo –
A palavra “segredo” se explica conseqüência do mistério e a origem de todos os mistérios foi o culto secreto de um Deus único, em oposição ao culto público do povo que adorava diferentes divindades (*48). Era costume na antiguidade ensinar secretamente as ciências e as regras das artes e ofícios; tanto pelo respeito do conhecimento e dos privilégios tidos pelos que os possuíam, como para manifestar uma profunda admiração pela natureza, mão criadora da humanidade. Para caracterizar sua admiração, citamos “o segredo dos mistérios” de Macróbio: “... a natureza não quer aparecer desnuda tal qual é ante os olhares do vulgo e não só experimenta um prazer em disfarçar-se para não ser conhecida, como também exige dos sábios um culto misterioso e emblemático, de maneira que nem os próprios iniciados cheguem a penetrar seus segredos, senão sob o véu das alegorias...” (*35). A arquitetura, tal como as ciências liberais, era ensinada em segredo e secretamente também se conservavam e transmitiam as regras da arte de construir, que durante muitos séculos foram monopolizadas por sacerdotes e as corporações do Egito. Entre esses sacerdotes estavam os arquitetos que projetaram e construíram aqueles monumentos soberbos que ainda causam admiração do mundo.

- As escolas Eleusianas –
O esoterismo tradicional e seus fins iniciáticos têm exercido uma influencia considerável através dos séculos sob diversas formas de pensamento e de manifestações artísticas, literárias, filosóficas, sociais e religiosas. Depois do Egito, o culto de Isis adquiriu um novo esplendor no tempo dos Ptolomeus, em cuja época propagou-se a Atenas. Na Grécia, celebram-se os maiores mistérios da civilização helênica em Eleusis (hoje Septime), cidade de Atica, situada entre Megara e o porto do Pireu, a noroeste de Atenas, onde se erigiu o maior templo ao culto de Ceres (Ctéis, Cybele ou Astarte), Deusa da agricultura, geralmente representada com coroas de espigas de trigo, tendo na mão um ramo das mesmas (*35). Nas escolas eleusianas fundadas por Tríptolo no século XV a.C., dirigidas pelos poderosos “Iacchos”, praticava-se a prova da terra, a viagem misteriosa na mitológica “Demeter”. Nos mistérios de Eleusis, se comparava o iniciado com a espiga de trigo, produto fecundo do esforço vertical e da atividade laboriosa que impulsione o grão escondido na terra a germinar, abrindo seu caminho em direção à luz benéfica do sol (*47). A profundidade do lugar indica que aqui se efetua a transformação do ser, onde morre o vicio, os erros e as preocupações vulgares, onde se liberta a alma, onde renascerá a virtude.

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O recinto estreito e escuro onde se encontra o postulante representava o ventre da mãe e o tempo breve durante qual residiu nesse lugar, figurava o período de gestação do embrião, onde toma forma um novo ser antes de nascer a uma nova vida, livre de toda impureza e de toda preocupação. Este conceito de que a sabedoria está escondida nas profundezas da terra se inspira nas múltiplas descidas aos infernos que nos relata a antiguidade. Um dos mais conhecidos é aquele do Rei “Rhamp-sinite”, quanto o Monarca ganha nas regiões tenebrosas do centro da terra para jogar xadrez com Isis; tanto ele ganha, tanto ele perde, aprendendo a lei severa dos quadros brancos e pretos. O Rei voltava imediatamente à luz, trazendo um magnífico manto de ouro oferecido pela Deusa, que ele usaria unicamente para os banquetes rituais (*34). Em Eleusis foram iniciados os mais ilustres pensadores, sábios, homens políticos, médicos, poetas e escritores do mundo grego: Sófocles, Pindaro, Plutarco, Philipo, Cícero e Augusto, citando apenas os mais conhecidos. Os adeptos de Eleusis, os que têm acedido à iniciação, vivem na luz da companhia dos Deuses e os profanos ficam na escuridão da ignorância. Os “pequenos mistérios” de Eleusis eram celebrados no templo de Ceres e os “grandes mistérios” eram celebrados em Agra, ao sudoeste de Atenas, durante à note para torna-los mais imponentes e augustos. O ensino dado por essas escolas era rigorosamente oral e absolutamente secreto (*47). A escola eleusiana professava a doutrina de um só Ser “Criado e Conservador do Universo”; doutrina oposta ao politeísmo que professavam os sacerdotes ao povo grego; é esta doutrina secreta que levou Sócrates a beber a cicuta por tela professado abertamente aos atenienses (*17). Segundo Diodoro da Sicília, os gregos tomaram dos egípcios a idéia para a instrução dos mistérios eleusianos; os sábios Lactanse e Javonius afirma que teria muita semelhança com os mistérios de Isis, posto que Ceres era na Grécia o que Isis era no Egito. Segundo Crisóstomo, iguais cerimônias tinham lugar nos mistérios de Samotrácia (*35). Clemente de Alexandria disse dos grandes mistérios: “... eram o complemento de todo saber, vistas e aprendidas neles todas as coisas...”. Segundo Aristóteles, o templo de Eleusis foi reputado: “...o santuário de toda a terra...” e segundo Cícero: “...Ele foi o bem que Atenas entregou aos povos...”, porque era missão dos iniciados realizar a tarefa de inculcar a moral como base da instrução do povo(*42). De fato, os mistérios de Eleusis conseguiram realizar o melhoramento da condição moral dos atenienses e aperfeiçoou seus costumes, ligando-o a sua espécie por meio de deveres sagrados e recíprocos. Quando as escolas foram fechadas, os adeptos se expatriaram a diversas nações da Europa, em particular à França e a Itália onde fundiram a tradição dos mistérios gregos com as varias formas de expressão do esoterismo ocidental (*35)

- A escola Platônica –
A escola fundada na Grécia por Platão (427-347 a.C.), aluno de Sócrates, ensinava a filosofia, a retórica e a geometria, tal como revela a inscrição gravada sobre o pórtico0 de entrada da escola que ele criou às portas de Atenas, perto de Colônia, no jardim de ginástica do herói Academus: “...Não entre aqui quem não conhece a Geometria...”. No ensino da sua escola dos mistérios, cuja forma era o dialogo, Platão definia a vida materializada 25

como: “...a visão de um homem que, no fundo de uma caverna, via apenas o desfilar das sombras...” (*11). Definia Platão uma diferença entre a vida materializada e a espiritualizada; admitia a imortalidade da alma, afirmava sua existência depois do corpo e antes dele, depois da morte e antes do nascimento; sinalizava prêmios e castigos na vida futura. Professava Platão a eternidade do espírito, explicando a formação do universo com o obra de uma inteligência infinita. Platão concluiu que todos os Estados estavam mal governados e que somente através da filosofia se poderia discernir todas as formas de justiça política e individual. Expôs suas idéias em diálogos celebres: “Gorgias, Fedro, Fedon, o Banquete, a Republica, Teetero, o Sofista, o Político, Parmênides, Timeu e as Leis”. Por causa dessa idéias, Platão foi perseguido pelo Rei Dionísio 1º. A interpretação dos símbolos foi a base da filosofia ensinada por Platão; ela foi ensinada a numerosos eruditos do seu tempo: Isócrates, Eurípides, Aristófanes, Heródoto, Epíteto, Marco Antonio e Aristóteles, que foi o Príncipe dos retóricos. O ensino da sua “Lógica” nutriu e disciplinou a inteligência de Alexandre o Grande, do qual foi preceptor; Sócrates falou de Platão em Fedo: “... Eram homens de gênio os fundadores dos mistérios ou secretas assembléias dos iniciados, os quais nas primeiras eras do mundo ensinavam sob enigmas de compreensão difícil...” Quero terminar este parágrafo com uma citação desse grandioso filosofo que foi Platão, que parecerá familiar a muitos maçons: “...O saber é o que permite agir bem; só se age mal por ignorância, porque se desconhece a virtude...”.

-A escola Pitagórica –
Pitágoras de Samos (582-500 a.C) é um dos personagens mais notáveis da antiguidade. Nasceu em Samos na Grécia (uma tradição local faz Pitágoras nascer numa gruta situada no alto do Monte Kerkis). Foi iniciado nos mistérios fenícios e passou 22 anos nos templos egípcios para estudar5 a geometria e a música. Depois de ter visitado Delfos, Creta, Esparta, estabeleceu-se em Sidon, onde fundou sua primeira escola de matemática baseada no princípio mágico-cósmico dos números. Evoluiu em suas teorias numéricas e desembocou na metafísica. Segundo ele, os números são o princípio e a primeira chave de todo o universo; compreender o poder dos números, suas propriedades e virtudes, é a chave para o conhecimento dos mistérios da vida e do universo. Pitágoras ensinava também a natureza numérica dos primeiros princípios, assim como o poder místico das cifras e dos símbolos que, graças aos seus sentidos construtivos, revelam a intimidade natural da concepção e da evolução do homem e do universo. Entre esses símbolos, o mais apreciado por seus discípulos o pentáculo regular chamado “Tetragrama de Pitágoras” que foi utilizado pelos pitagóricos do Século I como sinal secreto de reconhecimento (*53). Os pitagóricos também veneravam um triângulo sagrado no qual viam o princípio criador do universo. A história pretende que Pitágoras foi o inventor das tabelas matemáticas e de numerosos problemas geométricos como aquele da quadratura do circulo e do teorema que leva o seu nome. Pitágoras desenvolveu um método de dedução matemática para demonstrar suas exposições geométricas. O moderno método da argumentação matemática, essencial para toda a ciência, se deve em grande parte a Pitágoras.

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No ano 590 a.C. mudou-se para Crotona, povoado da Sicília situado ao oeste do golfo0 de Trento onde fundou a sua escola filosófica “Magna Graça” ou escola filosófica de Crotona em um lugar chamado “Pequena Graça”. Mostra ao mundo greco-romano as tradições orientais da doutrina interior, baseada sobre exemplos simples, tal como a inscrição frontal do templo de Delfos: “...Nosce te ipsum...” (conhece-te a si mesmo), esclarecimento que deve desembocar em “e conhecerás o universo” (*47). O discurso do homem elo homem para o homem e o universo, Pitágoras deu-lhe o nome de filosofia. Pretendia Pitágoras, em suas lições aos seus discípulos, que existe um termo entre o que é e o que não é; é aí que está a passagem ao exercício do pensamento livre para a descoberta das fronteiras ilimitadas do conhecimento. Ensinava ele a física, a poesia, a musica e o canto. Admirador da harmonia universal, ele pede aos seus discípulos falar com uma linguagem to pura como o canto do cosmos. Os discípulos de Pitágoras se aplicavam no estudo da organização social e política, indicando que o grande filosofo pretendia algo mais que formar uma escola (*15). Ensinava ele o sistema da metempsicose ou doutrina da salvação, (transmigração almas de uns corpos a outros) pela qual a alma, como castigo pelas faltas passadas, volta a ser prisioneira de um corpo; porém, somente um encarceramento provisório. Segundo este conceito, a morte anuncia o renascimento em outro corpo até que a alma, purificada pela virtude, mereça libertar-se finalmente de toda materialização (*34). A morte do corpo não implica a da alma que Pitágoras não encarava como o resultado da organização física, e sim como o início da mesma. Pitágoras pregou a imortalidade da alma humana e afirmava ter sido Aetelides, filho do Deus Mercúrio, que lhe deu o dom de lembrar suas antigas encarnações. Ele dividiu as suas lições em duas partes: as exotéricas, ou parte externa das ciências, que eram dadas em lugares públicos e acessíveis a quantos queriam ouvi-las, e as esotéricas, ou parte interna das ciências, saber reservado a quem ele exigia cinco anos de um silencio absoluto, fortificado pela meditação e a contemplação dos ritmos do universo (*34). Atribui-se aos pitagoricos o ter sido considerado o universo como um grande todo harmônico: “Cosmos”, uma grande unidade de qual emana o mundo, posto que o consideravam como um conjunto de outras unidades subalternas. Ele tinha a reputação de possuir uma cultura universal; seus discípulos tinham-no como uma espécie de divindade e ouviam-no como oráculo infalível, diziam: “...o Mestre falou...” e não necessitavam de mais provas. A tão renomada sabedoria de Pitágoras se espalha rapidamente e ele torna-se um personagem importante da vida publica. No curso da história, células pitagoricas se formam na maioria dos Estados do mundo antigo. No0 início do século terceiro, a.C., ainda sob César e os primeiro imperadores romanos, o pitagorismo alcançou todas as classes sociais e adquiriu grande popularidade. (*55) Entre os pitagoricos se encontravam os construtores aos quais a humanidade deve a celebre basílica da porta maior de Roma, concebida como um templo-caverna na margem da via Prenestina.

- O Mitraísmo –

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Nação militar sobre tudo preocupada por seu prestigio material e econômico, Roma não brilhou por suas qualidades espirituais e religiosas; acolheu, contudo, diversas tendências iniciáticas que tolerava sob a condição de seus adeptos se limitassem a trabalhos esotéricos e não se entregassem à política. A civilização romana foi atravessada por um grande movimento do culto de Mitra (antigo deus frígio da luz, representado tendo em uma das mãos um globo terrestre e na outra a via Láctea) que foi muito difundido na Europa no primeiro século a.C, graças às conquistas das legiões romanas. O mitraismo teve um grande sucesso na cidade Imperial do segundo século d.C.. No ano285 d.C., o Imperador Trajano mandou construir um Mithraeum na cidade capital; as alta autoridades do Império romano protegiam a confraria, reconhecendo o Deus Mitra como protetor supremo da potência Imperial (*55). O Mitraismo foi uma das mais ricas associações iniciáticas da antiguidade, tanto por sua organização simbólica como pela qualidade de suas fraternidades que asseguravam uma grande coerência à instituição. Os templos de Mitra estavam decorados para simbolizar o cosmos; na abobada estava pintado o firmamento estrelado. Os templos maçônicos atuais são quase idênticos àqueles da época mitraica. Desde a iniciação, em qual o postulante pelas provas dos quatro elementos, o ritual que nos transmite a historia é muito parecido com o ritual maçônico que se utiliza ainda hoje. A dita cerimônia se realizava em uma sal subterrânea, sendo seguida de um ritual simbólico da morte-renascimento. Os adepto9s de Mitra recebiam ensino voltado para a astrologia, as relações do homem com o universo e os rudimentos da linguagem dos mistérios. Nos mistérios de Mitra, praticava-se um batismo, em forma de ducha, com o sangue de um touro sacrificado (*48). Glorificando e santificando o trabalho e protegendo os artesãos, o mitraismo iniciou em seus mistérios muitos arquitetos que contribuíram a propagar suas idéias nas primeiras corporações de construtores; tal como Vitruvio, letrado geômetra, desenhista e filosofo romano, venerado pelos pedreiros medievais, que afirmava: “...Aquele que utilizam apenas a mão nos seu trabalho não poderão jamais alcançar a perfeição...”. Ele dá para os séculos seguintes a definição do que deve ser um Mestre Arquiteto “...O espírito sem o trabalho,é como o trabalho sem espírito, não produzirão jamais nenhum obreiro perfeito...”

- A escola eclética de Alexandria –
No Egito, a escola eclética de Alexandria, fundada no século terceiro a.C. or Euclides sobre as bases do neoplatonismo, ensina a unidade das antigas doutrinas da diferentes correntes das tradições filosóficas, iniciáticas e religiosas do oriente próximo e distante. Muitas doutrinas da época antiga tentavam explicar o mundo. Empédocles via na matéria quatro elementos: terra, água, ar e fogo; Anaxágoras por sua vez encontrava que os elementos constituintes do mundo eram ordenados por uma inteligência cósmica; para Heráclito de Efeso, tudo mudava infinitamente: a morte sucede a vida, a vida a morte, a noite o dia, o dia a noite (*48). Até o século terceiro d.C., a escola eclética foi a origem da corrente alquimista que se formou nos meio sincréticos de Alexandria por uma síntese 28

das especulações e das praticas esotéricas caldéias, judaicas e helênicas, verdadeira “Arte sagrada” e da tradição hermética ou alquímica egípcia da escola de Hermes Trimegistro, na qual a “Grande Obra” é aquela da tradição individual como exemplo da concepção do ouro que é aquela da concentração materializada da luz. A doutrina eclética Alexandrina tomou rapidamente um grande desenvolvimento no Egito, no Bizâncio e no mundo árabe nas seitas fatimistas e ismaelitas (*47).

-O Cristianismo primitivo –
Com o nascimento de Jesus Cristo, certa idéia do mundo desaparece, outra aparece. Os começos do Cristianismo foram bastante movimentados no campo da fé, posto que ele nasce de uma sociedade onde os mais altos valores espirituais pertencem às sociedades iniciáticas. Numerosas culturas entrelaçam-se na Gália, na Alemanha e nas distantes fronteiras do Império romano e ainda que o Cristianismo não era de espírito iniciático, frequentemente cobre com suas crenças as velhas tradições, sem eliminar as suas bases. A Igreja Católica opôs-se progressivamente a todas as religiões antigas e a partir do século IV, ela se mostrará critica e injuriosa na consideração das fraternidades iniciáticas. Enquanto isto desistiu “de abolir os Antigos Mistérios”, dos quais soube, contudo “recuperar” as ideologias; reexplica-las e neutralizalas e “cristianiza-las” com o fim de converter seus antigos adeptos. Com a ajuda do poder político, a nova igreja Católica romana tomará pouco a pouco o primeiro plano espiritual, chegando a ser a religião do Estado (*22).

- O Gnosticismo –
A escola Gnóstica, diretamente ligada à escola eclética egípcia, é uma ideologia composta onde se mesclam uns elementos esotéricos egípcios, gregos, persas, babilônios e judeus. A corrente Gnóstica, fundada sobre a investigação esotérica, foi a base da tradição Cristã que desejou fundir as tradições antigas e aquelas da escola cabalística, tradição sagrada dos hebreus, derivada das antigas tradições caldéias, que tratam do valor místico dos números e das letras do alfabeto, com o Cristianismo nascente para fortifica-lo torna-lo aceitável aos pagãos (*47). Pouco a pouco, o gnosticismo se afina com o esoterismo cristão, reservado àqueles que desejaram penetrar nos segredos do mundo celestial no qual reina o “Demiurgo”: o “Grande Gerador, Ordenador do Universo”. Uma querela interna na Igreja Católica nascente terminou por opor os dogmáticos católicos aos gnósticos que desejavam afirmar uma profunda originalidade em contraste com o conceito dos Católicos, do qual os gnósticos consideravam que os ensinamentos eram uma traição dos de Jesus; seriam os primeiros oponentes do Cristianismo de Estado (*22). O simbolismo maçônico encontra seu fundamenta nessa corrente esotérica, forma de gnosticismo cristão, conhecido sob o nome de “Joanismo”.

- Os filhos da luz –

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Os maçons são frequentemente chamados “filhos da luz”, trabalhando para a gloria do “Grande Arquiteto do Universo”, o G:.A:..D:.U:.esta denominação é conhecida desde tempos imemoráveis do antigo Oriente Médio (*22). Os ritos mágicos praticados no Egito a Deir el Medineh, tinham por objeto permitir aos iniciados nas ciências secretas entrar na vida eterna penetrando no coração do “sol interior”, tornando-se assim “filhos da luz”. A luz do sol interior, é invisível aos olhos dos profanos, fechados pelo véu da ignorância. Para o espírito do homem das civilizações tradicionais, o invisível é um tema importante, não tem a ambigüidade de um conceito metafísico, ele é uma realidade, uma dimensão em qual se move cada um dos seres que compõe a humanidade. O invisível está presente e é sensível; envolve o homem como um meio que registra cada uma das ações terrestres; pertence a um fenômeno social da antiguidade, posto que o homem dessa época remota tinha necessidade de Deidade; ele vivia em um mundo que tinha sede de mistérios (*22). Na Grécia do século XV a.C., os Mestres iniciados nos “Grandes Mistérios” de Eleusis recebiam o titulo sublime de “Filhos da luz”, assim foram igualmente chamados os adeptos de Mitra na Roma antiga (*34). Encontra-se também esta denominação na época cristã primitiva em uma carta de Clemente de Roma aos Coríntios (*1): “...Que o Artesão do Universo conserve sobre a terra o número contado de sues filhos; das trevas à luz, da ignorância ao conhecimento...”. Também na Bíblia; encontramos esta denominação em São Paulo: “...Vós todos sois filhos da luz...” (*1).

* CAPÍTULO III
Os fundamentos judaicos * *
- As lendas – Quando Abraão foi para o Egito, ensinou as ciências liberais e formou um discípulo: Euclides, que se tornou Mestre nessas ciências. Ele próprio transmitiu seus altos conhecimentos a Davi, Rei de Israel quem, no ano de 1.014 antes de Cristo, reuniu materiais sobre a área de “Ornan el Jesubion”, no alto da colina de Moria perto de Jerusalém, para a construção do maior e mais magnífico dos templos. Segundo uma antiga lenda hebraica esta colina era a “pedra primordial”, o núcleo a partir do qual Yahvé havia construído a terra (*48). Dedicado à gloria de Yahvér, esse templo deveria abrigar o tabernáculo de madeira de acácia laminada de ouro puro que conteria “a Arca da Aliança”, símbolo da aliança entre Deus e seu povo, e as tabuas de pedra de Moisés, onde Yahvé havia escrito com seu dedo de fogo a Lei do povo hebreu. Moises havia mandão construir a Arca pelos melhores artesãos de Israel segundo as prescrições do “Eterno”. Após o retorno do Egito, o Rei Davi tinha feito transportar da casa de Abinabad, em Kirjath-Jeorim, para o santuário de Gihon, perto de Jerusalém (*56). A custodia da Arca estava confiada aos Levitas, dirigidos pelo grande sacerdote Sadoq (Tsadoc ou Shadoc ou Shadock); que havia dado ordens particulares para que se tivesse um grande cuidado afim de que ninguém pudesse tocá-la (*46). 30

O filho de Davi, chamado de “Leão de Judá” ou “O eleito de Deus” foi instruído por Nathan, sábio e sapiente filosofo que nutriu e disciplinou a inteligência do jovem príncipe do qual foi o preceptor, iniciando-o no significado dos textos sagrados e na prática das ciências secretas (*56). Salomão, tão conhecido por sua grande sabedoria e seu amor à poesia, foi o autor dos “Provérbios”, do “Eclesiastes” e do “Cântico dos Cânticos” (*47), hino de amor inspirado pela beleza de Balkis, Rainha de Sabá, para o desespero de Nagsara, sua esposa egípcia, filha do Faraó Siamon (XXI Dinastia) (*56). Na época em que o seu poderio, gloria e fama estavam em seu maior apogeu, Salomão fez erigir um magnífico templo à gloria do Eterno, projetado por seu pai Davi, construído com os mais belos e ricos materiais do Oriente Médio: a pedra branca, a madeira de cedro, cipreste e sândalo, ouro0 e pedras preciosas. Salomão decide que esse templo ideal não seria reservado ao povo hebreu e ordena: “...Todo homem, qualquer seja sua raça, sua cor, sua nacionalidade e sua religião poderá orar ao Eterno e encontrar abrigo, justiça e proteção, perdão por suas culpas e satisfação a suas suplicas...” (*II Crônicas 6:32-39); é por isso que Salomão queria que o edifício sagrado fosse erigido pelos esforços conjugados dos homens vindos de todo o oriente aos quais as tarefas mais nobres seriam reservadas. Os hebreus, não tendo conhecimentos suficientes para realizar uma obra tão importante, seriam empregados para os trabalhos de terra. Com o fim de que essa obra fosse a realização de todo o povo, Salomão exigia que cada hebreu participasse de uma maneira ou outra na grande obra da construção do “Templo do Senhor” que foi erigido, segundo a lenda, por 153.660 obreiros (80.000 homens para extrair as pedras da montanha, e 70.000 para transportá-las), vindos da Judéia e de suas províncias hebraicas e 3.600 obreiros construtores, superintendentes e inspetores fenícios cedidos pelo Rei Hiram II de Tiro (*47). Existia um grande apreço entre os Reis e tanto foi que o Rei Hiram prestou a Salomão toda a ajuda que podia, provendo-o de suas cantarias, de grandes pedras trabalhadas, e dos bosques do Líbano, madeira de cedros e abetos para a construção do templo. Em pagamento desses serviços, Salomão prometeu entregar-lhe, durante a construção, 20.000 medidas de trigo, 20 de vinho, azeite de oliveiras, cevada e mel. Na conclusão da obra, devia ainda ceder-lhe 20 cidades do território fronteiriço da Galiléia (*48).. Para dirigir semelhante obra, o Rei Hiram enviou a Salomão um arquiteto de vastos conhecimentos, hábil entre todos, capaz de realizar o gigantesco projeto o Mestre Hiram, de quem Salomão tinha tido notícias dos grandes méritos e da justa fama desse grande construtor. - O Mestre Hiram Hiram Abif (Hiram Habif ou Abi “o órfão”), filho de uma viúva d tribo hebraica de Neftali (Neftali ou Dan) e de pai tirense chamado Ur, tinha sido iniciado no segredo da geometria, “a ciência das ciências” e na arte da construção. Hiram era Mestre na “Arte do Traçado”, ciência misteriosa sem a qual nenhum grande edifício podia ser concebido (*9). Era capaz de resolver as maiores dificuldades técnicas e de manejar os materiais mais rebeldes. Sabia talhar a pedra melhor do que qualquer outro dos melhores artesãos.

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Mas, o melhor de tudo, Hiram era Mestre metalúrgico, conhecedor da fundição do cobre e do bronze e da feitura de todas as obras de metal (*4), especialista na ciência secreta da fusão e metais dos Mestres Fenícios iniciados nas escolas de mistérios do Egito e da Grécia, descendentes daqueles que haviam sido iniciados por Hermes, o descobridor da coluna de pedra de Tubalcaim. Hiram chegou a Jerusalém precedido pelo seu prestigiado renome e foi acolhido com grandes honras. De grande estatura, Hiram portava sempre em torno do pescoço uma corrente de ouro onde pendia uma medalha de forma triangular sobre qual estava gravado: de um lado, o olho daquele que tudo vê, e no verso, as quatro letras impronunciáveis de Deus e que só podem ser soletradas (*47). Depois de ter invocado a assistência de Adonai, “o Senhor todo poderoso, Mestre dos Mestres, o Grande Arquiteto do Universo”, a quem ele pede: “a beleza da inspiração, a força para a execução e a harmonia da concepção”, Hiram começou o gigantesco trabalho no 2º dia, do 2º mês, do 4º ano do reinado de Salomão (967 a.C.) (*27). O gênio de Hiram colocava-o acima de todos os homens e sua inteligência, sua sabedoria, seus elevados conhecimentos e sua grande habilidade exerciam tal influencia que todos se inclinavam ante a vontade e a autoridade daquele a quem todos davam respeitosamente o título de Mestre. - A construção do Templo – A construção do Templo dura 6 anos, 5 meses e 21 dias (*1). À porta do Oriente se levantava um sublime pórtico com um triplo alinhamento de mais de duzentas colunas. Hiram talha, ele próprio, a sala subterrânea do santuário, as fundações do “Sanctum Sanctorum”, à qual ele dá a proporção de um cubo de dez côvados de aresta, talhados em um gigantesco bloco de granito negro e rosado que, segundo uma antiga lenda, tinha caído do céu; tesouro oferecido pó Jeová aos artesãos com o fim de que construíssem sobre ele o santuário de Deus (*56). Para os antigos hebreus, o “Santo dos Santos” era a câmara nupcial na qual se consumava a união de Jeová com seu complemento feminino: Shekinah (ou Maronita), consorte de Jeová (*34). No fundo desta sala subterrânea, devia presidir o nicho contendo o relicário sagrado: a “Arca da Aliança”. Hiram fundiu as duas colunas destinadas a suportar a entrada do templo, as dez cubas e os dez pedestais, as caldeiras, copos e vasos necessários para os sacrifícios e a prática do culto e o Mar de Bronze (liga de estanho e cobre, material tradicionalmente empregado para a confecção dos instrumentos de culto, apreciada por suas excepcionais qualidades de incorruptibilidade e de ressonância)(*47), gigantesco cálice de reborda esculpida em forma de pétalas de lótus, sustentado por doze touros de bronze, que devia adornar a porta ocidental do edifício. O monumental tanque, que fazia parte das maiores maravilhas feitas pelas mãos do homem, estava destinado à purificação dos 15.000 sacerdotes e as 24 classes hierárquicas que oficiavam e mantinham diariamente o templo (*56). Salomão reuniu os príncipes de Israel mais dignos e experientes para escolher sete entre eles: Jehoshaphat, Zadok, seu filho Azariah, Elihoresphs, Aliah, Bernaiah e Abiathar e nomeou-os “Gabaonitas”, guardiões do “Sanctum

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Sanctorum” (*46), a sala subterrânea onde estava situada a Arca da Aliança e as jóias e objetos sagrados do Templo. Salomão ordenou isto pelo temor de que alguns malfeitores levados pela inveja buscassem destruir tão preciosos objetos e para proteger a Arca da Aliança de todas as profanações. Apesar de certa rivalidade com Hiram, devido ao prestigio excepcional que o arquiteto adquiriu durante a construção do Templo e sua recusa de dar ao Soberano o poder sobre as corporações, Salomão amava os maçons que, sabendo manejar os homens e dirigi-los, haviam levantado as premissas de uma sociedade industrial hierarquizada (*56). - Balkis, Rainha de Sabá – O templo de Jerusalém era a obra mais admirável de quantas se tinha visto tanto por sua magnitude como pela imensa riqueza empregada nele. Por todos lados estava coberto do legendário ouro vermelho que abundava nas montanhas do reino distante Reino de Saba, região mais meridional da Abissínia (ou Etiópia), a mais rica do oriente, que sua Rainha Balkis governava como herdeira dinástica de Sab, primeiro filho de Hermes. A Rainha havia vendido seu ouro a Salomão em troca de trigo que seu povo necessitava para alimentar-se. A orgulhosa e sedutora Rainha veio com sua numerosa comitiva para render homenagem ao Rei Salomão e para ver por si próprio a verdade das maravilhas que havia ouvido do esplendor e das riquezas do templo e saber a que fins haviam servido as riquezas de Saba que a Rainha havia enviado a Salomão (*56). O escritor francês Gerard de Nerval conta de maneira romanceada a lenda da “Rainha da manhã e de Salomão, Príncipe dos gênios”,em qual conta como o Rei Salomão foi seduzido por essa mulher de grande beleza, em qual gerou um filho (*18), mas que só tinha um interesse no Mestr5e Arquiteto Hiram que ela queria conquistar e levar ao seu distante Reino para unir-se a e construir outros templos. Outros autores contaram que o filho que a bela Balkis levava em seu ventre era fruto de seus amores com o Mestre construtor (*56). - A morte do Mestre – O magnífico templo estava quase terminado; faltava apensa a cobertura de telhas, mas Hiram não apareceu na obra. Os Mestres Maçons se inquietaram e procuraram-no sem êxito. Tendo visto rastros de sangue no umbral das portas do ocidente, do norte e do oriente, um grupo de vigilantes chegou à convicção de que o Mestre Hiram estava morto. Depois de investigações, nove companheiros denunciaram que os chamados Jubelum (ou Abairam ou Abi-Balah) Jubelas e Jubelos (*46)(ou Halem, Sterkin e Hother) (*1), três maus companheiros decepcionados com a recusa d Hiram em dar-lhes o mestrado e de quem haviam tentado arrancar pela força a palavra de passe dos Mestres Maçons, haviam golpeado até a morte o Grande Mestre com as ferramentas da obra (*47).Depois de sete dias de busca, é Satolkin, chefe da corporação de carpinteiros que encontra o cadáver de Hiram em decomposição em uma cova de 7 pés de comprimento, 5 de largura e 3 de profundidade, dissimulada ao pé de uma acácia e coberta com ramos dessa árvore, sobre uma encosta do vale de Sidon. O Mestre

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Hiram foi reconhecido por sua medalha peitoral de ouro onde estava gravado o olho de Adonai (*46). Três mil anos antes da construção do templo de Jerusalém, encontramos no Egito o mito do Mestre assassinado em uma das pinturas murais do santuário de Deir el Medinah: a lenda do”Iniciado perfeito”, aquele do Mestre Horembeb (ou Neferhotep), assassinado por um operário que queria usurpar sua função. O nome desse defunto Mestre está formado por duas palavras egípcias que significam “a perfeição – do conhecimento – na beleza” (*56). - O castigo dos assassinos – Depois do trágico acontecimento da morte do Mestre Hiram, os autores do crime trataram de escapar do castigo que os aguardava e se ocultaram. Três meses depois da morte de Hiram, um estrangeiro chamado Faros, originário de Jope (Jafa), informou ao Rei Salomão que havia visto uns homens ocultar-se em uma caverna a oeste de Jerusalém, perto das colinas de Jope; se ofereceu para conduzir os nove Mestres designados por Salomão para prendê-los. É o Mestre Fenício Yehu-Aber quem surpreende dormindo a Jubelum, chefe dos criminosos. Não podendo conter seu impaciente zelo, o matou com uma punhalada e separou a cabeça do tronco do traidor; que depois foi colocada na torre oriental do templo de Jerusalém até que fossem encontrados os seus cúmplices (*46). Haviam transcorrido seis meses desde que ocorr3u o castigo de Jubelum quando Ben-Dekar, intendente do palácio do Ri Salomão, fez publicar um aviso no Reino vizinho de Gheth (ou Gath) a descrição dos assassinos do Mestre Hiram. Algum dia mais tarde recebeu a notícia de que os dois homens tinham se refugiado nas cantarias próximas a Gheth. O Rei Salomão resolveu solicitar do Rei Maachab (Makah) de Gheth a prisão de Jubelas e Jubelos. O Rei Maachab ordenou que se encontrassem os criminosos e entregasse aos emissários do Rei Salomão. Quinze Mestres, acompanhados de uma forte escolta se apoderaram dos dois criminosos, acorrentaram e levaram-nos a Jerusalém para serem julgados e logo martirizados e decapitados; suas cabeças foram cravadas sobre as portas de Jerusalém (*46). - O Deus sagrado – Desde uma época muito remota, quando vivia o patriarca Enoque, ninguém podia pronunciar o nome de Deus até que foi pronunciado pelo próprio Iahvé (Jeová) quando apareceu a Moises na sarça ardente (*1). O legislador do povo Hebreu mandou fazer uma grande medalha de ouro, em qual mandou gravar o nome sagrado de Deus e colocou-a na Arca da Aliança. Na época de Samuel, os Filisteus se apoderaram da Arca e fundiram a grande medalha de ouro para construir um ídolo, de tal maneira que o nome de Deus ficou perdido para sempre. O nome sagrado subsistia somente sobre o delta de ouro incrustado na pedra de ágata gravado por Enoque; mas ninguém conhecia a localização do lugar onde o patriarca bíblico havia ocultado o precioso segredo 2.270 anos antes.

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Salomão queria ter o delta de ouro para consagrar o templo de Jerusalém à glória do “Grande Arquiteto do Universo” e ordenou a três Mestres: Zabuláo, Satolkin e Yehu-Aber iniciar a busca da abobada sagrada de Enoque para extrair a pedra e o delta sagrado. Depois de muitos estudos e penosas viagens, os três Mestres conseguiram descobrir a entrada da abobada subterrânea e nela encontraram o recipiente de água, em cuja face estava incrustado um triangulo de ouro muito brilhante que tinha esculpidas no centro as quatro letras da palavra inefável (*46). Depois de terminado o templo de Jerusalém, o Rei Salomão estabeleceu uma escola de arquitetura em Jerusalém, para que os operários do templo recebessem a instrução necessária e os meios de chegar à perfeição na “Arte Real”; mas com a morte de Hiram a alma da obra havia desaparecido. A obra do Grande Mestre devia ficar sem acabar; é por isso que para os Maçons “chove no templo”, que ainda esperava pelo telhado (*11). Os operários se separaram e se repatriaram pelo mundo, propagando as doutrinas das corporações de construtores e os elevados conhecimentos da construção do templo. - Destruição e reconstrução do templo No décimo oitavo ano do seu reino (600 a.C.), Nabucodonosor, Rei da Babilônia, à frente de seus soldados assírios (persas) sitiou Jerusalém durante 18 meses e derrotou os hebreus. Como represália à essa resistência, ordenou ao seu general Nabuzadan a destruição da cidade e do Templo até as sua bases.; os habitantes de Jerusalém foram conduzidos à Babilônia e reduzidos à escravidão. Antes da invasão babilônica, os fieis Mestres Maçons destruíram o delta de ouro que continha o nome inefável do “Grande Arquiteto do Universo” para evitar que o sagrado depósito fosse profanado. (Muitos anos mais tarde, o Príncipe judeu Sasbatzer (Zorobabel) para os persas), defendeu a causa dos hebreus ante o Rei Ciro da Pérsia quem, durante um sonho, havia recebido a ordem de Deus de libertar os hebreus. Foram libertados do seu cativeiro na Babilônia e puderam retornar a Jerusalém depois de 70 anos de escravidão e construir um novo templo com a proteção e ajuda econômica que o Rei Ciro lhes ofereceu (*46). O Rei ordenando que lhes fossem restituídos os ornamentos e jóias que pertenciam ao templo. Zorobabel foi nomeado governador da Judéia e, ajudado pelo grande sacerdote Josué e do profeta Ageu, reanima a energia desfalecentes das lojas operarias que subsistiam na Judéia para a reconstrução do templo. Seus vizinhos, os samaritanos, apesar de serem igualmente vassalos do Rei da Pérsia, se negaram a pagar o tributo ordenado por Ciro para a reconstrução do templo e se propuseram impedir pela força, atacando constantemente os hebreus, opondo-se a que se efetuassem os trabalhos. Temerosos dos ataques de seus inimigos, os hebreus manejavam suas ferramentas de construção com uma mão e com a outra empunhavam constantemente a espada para defender-se em qualquer momento de um ataque inimigo. Zorobabel, acompanhado de cinco emissários da pentarquia hebréia, reclamou ao Rei Dario, sucessor de Ciro, o cumprimento da promessa de proteção e ajuda oferecida ao povo de Israel por seu antecessor. O monarca expediu um

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decreto no qual condenava à pena de morte a todos os que perturbassem os hebreus na obra de reconstrução da cidade de Jerusalém e do seu templo. Graças a este decreto, os hebreus não foram molestados mais a seguir e puderam terminar a obra no ano 535 a.C. (*46). O Templo de Jerusalém sofreu muito durante o curso da história. Ele foi sitiado por Nabucodonosor e por Lisias, invadido por Pompeu, roubado por Creso, saqueado por Sosius, e depois remodelado com grande esplendor por Herodes no ano 20 a.C. (*47). Por fim, foi incendiado no ano 70 d.C. pelo exercito do general romano Tito Vespasiano; tal como o predisse Jesus Cristo a um de seus discípulos: “...Tu vês esses grandes edifícios, não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada...” (Marcos 13:1-2, Mateus 24:2 e Lucas 21:6 (*1). Tito fez trasladar para Roma os sagrados ornamento do templo que passaram a formar parte do tesouro dos palácios imperiais. - A propagação do conhecimento na Europa Depois da invasão assíria, as lojas de construtores foram dissolvidas e os operários se espalharam pelo oriente e pelo ocidente. Segundo a lenda, um deles: Ninus Gracus leva para Roma os segredos da construção do templo de Jerusalém. No século VII a.C., os dionisianos, sacerdotes arquitetos do Deus Dionísio (Baco), que dispõe de uma organização parecida à Maçonaria atual, estabelecem as bases sobre quais Numa Pompilio, Rei de Roma, escreve o édito organizando a vida social da cidade imperial, criando 31 colégios, entre os quais os mais importantes foram 4 dos artesãos construtores (collegias tignarii, artificum, fabrorum et opificum) que se beneficiavam de privilégios, de franquias e de leis particulares, à cabeça das quais o Rei Numa tinha colocado os Khadiseos”, Mestres construtores, que ele tinha feito vir da Grécia. A imagem do Rei Numa será querida nos corações das corporações maçônicas, posto que ele soube unir a administração da cidade imperial ao ideal iniciático. Durante a época das colonizações romanas, cada coorte era acompanhada de uma oficina do colégio dos arquitetos construtores (artífices) cuja missão era de dirigir as construções militares. É assim como Julio César espalha sobre a Gália artistas e sábios que entram em contato com as populações indígenas, pacificando as relações entre invasores e vencidos. Durante sua passagem pelos paises conquistados, estas oficinas propagam seus conhecimentos na arte de construir No ano 43 a.C., vários colégios de construtores se estabelecem na Inglaterra para construir campos militares para proteger os soldados romanos da invasão dos caledôneos (os escoceses). Estas obras militares se prolongam até o século III d.C. e se convertem pouco a pouco em cidades, é assim que nasce Eboracumk (hoje, York), que até o século XIV foi a segunda cidade em importância da Inglaterra, depois de Londres. No ano 290 d.C., o Imperador Carausius aprova a carta dos operários que construíram a catedral de Santo Albano (*47).. - A decadência Romana – No ano 410 d.C., Alarico entra em Roma abrindo caminho às demais tribos bárbaras que invadiram a Europa. É o começo da decadência do Império romano que, não tendo mais um poder central não perseguia os

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grandes comandos arquitetônicos que desapareciam; Não havia mais trabalho para os artesãos. O ano 476 marca o fim do Império romano do ocidente e os construtores se dispersam pelo continente europeu. Alguns deles permanecem na Inglaterra, transmitindo seus conhecimentos aos celtas que fundaram no século V a confraria dos “Couldenses” que rechaçaram rapidamente a forma artística da civilização romana. Entre os couldenses se encontram os descendentes dos druidas e dos “Barbos” célticos seus mestres espirituais, que levaram à honra o simbolismo céltico no qual domina Lug, Deus da luz e Mestre de todas as artes (*50). Irlanda abre suas portas ao cristianismo e seu encontro com o céltismo é positivo. Os couldenses se tornam monges construtores, organizados em colégios onde o maior foi o de Tara na Irlanda, pátria do celtismo (*56). Mesmo sendo cristãos, os couldenses não reconheciam a autoridade do Papa a quem consideravam como um simples bispo. Tempo depois alguns membros da ordem couldense se separaram dos artífices romanos e formaram sociedade separada. Foram os “Irmãos Pontífices”, que se dedicaram exclusivamente à construção de pontes e calçadas, ao restabelecimento e reparação de estradas, que foram ligados aos Cavalheiros Templários que se dedicavam à vigilância dos mesmos, protegendo os viajantes contra as agressões dos malfeitores que pululavam por todas as partes (a estrada dos Pirineus, que vai até Santiago de Compostela e que termina em Navarra, conserva ainda o nome de Caminho dos Templários” (*44). Ao redor do ano 450, um bom número de arquitetos dos colégios romanos optou exilar-se em Bizâncio onde, as corporações de construtores revelavam seu gênio na construção da magnífica basílica de Santa Sofia. Sob o reino de Justiniano (522-565) as corporações receberam numerosos pedidos e tinham muitos privilégios. Em Bizâncio se formara uma linguagem artística onde tinham uma parte importante os símbolos que vinham do Oriente Médio (*2). Durante séculos, as corporações operarias de construtores latinos transmitem o longo processos de seus conhecimentos e experiências dentro da prática da “Arte Real”: a construção de edifícios de pedras, que se estendiam por toda Europa. Todas as civilizações européias adotam estes conhecimentos arquitetônicos até a Idade Média. - A Arte Gótica – Na Europa Ocidental, a cultura como a arquitetura vem dos romanos; a arte de construir se desenvolve em forma de cultura arquitetônica chamada “Arte Românica”. Graças ao Rei Teodorico que, segundo a lenda, foi iniciado na arte de construir; os ostrógodos alemães adotam a maneira de construir dos romanos. Este monarca protegeu a expansão da arte construtiva dos “Magistri Comacini” lombardos que podiam viajar em todo seu reino sem ter e prestar contas a ninguém; esta corporação funda no ano 713 um colégio em Estrasburgo (Alemanha). A independentização do espírito dos povos está no estilo de suas constituições; as lojas lombardas aportaram muito ao progresso das construções de pedras que se desenvolveram até Carlos Magno (século IX), sob a forma arquitetônica chamada “Arte Gótica”. Apesar da proibição de associar-se às guildas pela administração de Carlos Magno em 779, o Imperador aconselhado pelos sábios Mestres

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irlandeses que ensinaram a filosofia e as ciências nos centos que ele fundou para acabar com a ignorância que dominava o império, facilita a propagação da Arte Gótica que, quando pouco a pouco as tradições carolíngias, se desenvolve com muito vigor na província de Navarra, sobre a estrada de São João de Compostela (*2). Graças à influencia oriental que tanto brilhava na Itália durante a dominação dos lombardos, as corporações de construtores, convertidas ao cristianismo, transpassaram os Alpes, acompanhando o progresso daquela religião, edificando igrejas e monastérios por toda parte. É na Inglaterra, pelo ano 790, que uns construtores fundam a primeira associação operaria, a dos obreiros da catedral de Verulan (York). Uma maçonaria organizada começa despontar em numerosos paises da Europa do Império Germânico; um pouco por todas partes, as agrupações de construtores tornam-se mais coerentes. Os imensos desenvolvimentos que tomaram esses trabalhos de construção obrigaram as confrarias a recrutar e admitir em seu seio a artistas de toda Europa com habilidades para o trabalho. Muitos membros das ordens monásticas filiaram-se a essas corporações para levar sua influencia e cooperação às obras.

* SEGUNDA PARTE A CORRENTE MÍSTICA E CAVALHEIRÍSTICA * * Do Século XII ao Século XIV
CAPÍTULO IV
- A epopéia Templária – A Europa sempre teve relação íntima com o oriente, que se manteve sempre presente graças à constante leitura das Santas Escrituras e as peregrinações. Até o ano 1.000, a luta da Espanha contra os muçulmanos forjou o conceito de Guerra Santa. Quando o monge Pedro “o ermitão”, pregava a libertação da Terra Santa pelos cidadãos da Europa durante a ultima década do século XI, promoveu em 1.095 a primeira cruzada diante do Papa Urbano II. O Papado reuniu um concilio em Clermont que propunha aos Cavalheiros da Cristandade uma ação piedosa que devia assegurar a salvação espiritual e eterna da classe militar dos Cavalheiros: uma cruzada para reconquistar os lugares santos.

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Houve um total de oito cruzadas, durante qual a mais alta nobreza européia, sob o comando de seus soberanos: Conrado III da Alemanha, Luis VII da França, Ricardo Coração de Leão da Inglaterra, Felipe Augusto II da França, Frederico I da Alemanha, André II da Hungria, Frederico II da Alemanha, Luis IX da França (São Luis) puderam expressar sua fé e a força das armas de seus contingentes, que foram exércitos em permanente crescimento e simultâneo destaque durante dois séculos (*25). A primeira cruzada (1096-1099) foi dirigida por Godofredo de Bouillon, Duque de Lorena; porem, mal concebida e composta de Cavalheiros acompanhados de mercenários mais terroristas que redentores, invadiram o Oriente Médio, matando, assaltando e exterminando a todos aqueles que protestaram, em meio de um barbarismo de sangue e fogo; porém, segundo as palavras do Papa Urbano II “...o Cristo ordenava...” e os assassinos “...mereceriam o perdão eterno...”(*43). Desde a tomada do simbólico centro do mundo, Godofredo de Bouillon foi eleito Rei de Jerusalém titula que ele recusou para adotar o de “Defensor do Santo Sepulcro”. - Os Cavalheiros Templários – A ordem dos Cavalheiros-monges combatentes: “os humildes soldados irmãos de Cristo e do templo de Salomão” (os Cavalheiros Templários), foi fundada em 1.118 por um pequeno grupo de nove nobres Cavalheiros franceses “devotos, religiosos e tementes a Deus”, gentil-homens “distinguidos e veneráveis”: Godofredo de Saint-Omer, Godofredo Bisoi, GodofredoRoval, Payen de Mont-Didier, Arquibaldo de Saint-Armand, Fulco d’Angers e Gondemare, encabeçado por Hugo de Payens, vassalo do Conde de Champagne. E, 1.125 eles aceitaram um novo Cavalheiro: Hugo, Conde de Champagne, que abandou o seu condado e repudiou a sua mulher e filhos para unir-se a eles. Diante do túmulo de Jesus Cristo, estes Cavalheiros fizeram voto perante Garimont Patriarca de Jerusalém, de retomar dos “infiéis” árabes o território do Santo Sepulcro que os turcos Seldjoukides, mais intolerantes que os árabes, proibiam os cristãos de velar com as armas na mão o triunfo da justiça, a defesa dos oprimidos, de praticar todas as virtudes e proteger os peregrinos que viajavam durante as cruzadas aos lugares sagrados da Terra Santa, intentando evitar um novo massacre, como aquele que foi a primeira cruzada que havia degenerado em uma paranóia criminosa (*47). Os “humildes soldados do templo” decidiram orientar suas atividades à reconstrução de pontes e de estradas que os cruzados tinha destruído nos combates; implantar praças fortificadas, portos, hospedarias para os peregrinos e capelas para suas orações e atuar como policia das estradas das peregrinações na Terra Santa. Os Templários introduziam um elemento novo nesta época da Idade Média: a conciliação de duas formas de vida que durante muito tempo tinham sido consideradas contraditórias: o sacerdócio e a milícia (*44). Como orem religiosa, os Templários tinham suas regras de conduta de uma constituição de 72 artigos escritos por Bernard de Fontaine, abade de Citaux, filho de Aleth de Fontaine, conhecido como Bernardo de Clairvaux (Bernardo de Clairval – São Bernardo -1.090-1.153), sobrinho do Cavalheiro Templário André de Montbard. Esta constituição, baseada nas das Ordens

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dos Beneditinos e do Cister, era mais severa que a mais severa das regras monásticas em uso nessa época; os obrigava a levar uma vida piedosa, entregando-se ao serviço de Cristo, em estrita obediência, pobreza e castidade (*43). A regra tem outras rudezas: os Templários têm apenas um prato para dois, devem comer em silencio, comer carne apenas três vezes por semana e fazer penitência na sexta-feira. Esta constituição foi confirmada em 1.1.39 pelo Papa Inocente II na bula “Omne datum optimum” segundo a qual os Templários não deviam lealdade a nenhum poder secular ou eclesiástico salvo ao próprio Papa. Não dependendo senão da Santa Sé, eles eram “soberanos” no sentido espiritual, em virtude de uma bula do Papa Alexandre III. Como sinais distintivos, os Templários tinham o crânio raspado, a barba longa e não tomavam banho. A Ordem Templária começou a expandir-se pela Europa nove anos depois de sua fundação, pouco antes de ser reconhecia pela Igreja no Concílio de Troie (Troyas). Os Templários obtêm em 1.127 uma carta de Estevão de Chartres, Patriarca de Jerusalém e do Patriarca Teócletes, 67º sucessor de São João, que eles adotaram como Santo Protetor. A divisa da ordem não pode conter mais humildade.: “...Non nobis, Domine, sed Nomini tuo da gloriam...” (*44)
(Nada para nós, Senhor, nada para nós senão para dar gloria ao teu nome).

O estandarte de combate dos cavalheiros Templários, chamado “Beau Séant” era vertical em dois quadros: um de cor negra acima, que simboliza a escuridão do mundo de pecado que os Templários tinham deixado para traz r o outro, de cor branca abaixo, que refletia vida de pureza da Ordem. Os Templários careciam totalmente de bens particulares; começaram sem casa onde viver, de tal forma que Balduino II, Rei de Jerusalém e sobrinho de Godofredo de Bouillon, os acolheu e lhes concedeu a ala norte do seu palácio Real, situado sobre o monte de Mojira, onde esteve construído o Templo de Salomão, para que estabelecessem seu quartel general: uma cripta meio escavada nas ruínas da antiga mesquita de Masjid al Aqsa, onde os muçulmanos tinha edificado 2.000 anos antes, o santuário “a Rocha”. Alguns anos mais tarde, o Rei Balduino II fez doação do dito palácio aos Templários e transferiu sua residência para a parte oposta da cidade: a torre de Davi. Os nobres da sua corte, assim como o Patriarca de Jerusalém, lhes conferem doações de seus próprios pertences de territórios, onde o Rei lhes concedia soberania. - Os Ashashins – Os Templários não se limitaram a tomar contato superficial com a civilização islâmica durante sua estada no Oriente Médio. Aprenderam o árabe, o que lhes abriu as portas da cultura oriental, adotaram muitas de suas praticas; entre elas, os ensinos secretos dos gnósticos e dos místicos sufis e de outros grupos filosófico-religiosos árabes. Foram postos em contato com primitivos ritos da religião cristã, com as tradições esotéricas do antigo Egito e as da religião judaica. Respeitando os hábitos, os costumes e o modo de vida das pessoas do país, protegeram os fracos, alimentaram os pobres, castigaram os opressores. Ao longo dos anos, foram chamados “Bons Cavalheiros”.

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Os Templários tinham boas relações com seus vizinhos, com quem tinham afinidades: os Assassinos (Ashashins ou Haxixins), seita gnóstica ismaelita cismática do Isam, que interpretava livremente o Corão. Seu Grão Mestre: o Sheikh el Djebel (o Velho ou Senhor da Montanha) que reinava sobre 20 aldeias (60.000 homens); vivia sobre a mesma colina d Mojira, guardando zelosamente os vestígios do Templo de Salomão. Os Assassinos cultivavam a ciência da Geometria e possuíam alguns segredos de construção que pretendiam ter do construtor do templo: o Mestre Hiram (*43) Transcorridos os anos, os Templários estavam intimamente ligados por pactos e transações secretas com os Assassinos e se ajudavam mutuamente, Durante quase dois séculos de sua presença no Oriente Médio, é possível que a instituição Templária tenha assimilado o pensamento esotérico do Islã e tenha derivado para essa sociedade secreta. Na época do Mestrado de Odo de Saint Amand, se pretendia que centos entre eles foram iniciados nos mistérios desta seita (*44). Nesta época, eles adotam o nome de: “Milice du Christ et du temple du Salomon” (Milícia do Cristo e do Templo de Salomão) e se expandiram pelo Oriente Médio onde eram acolhidos e respeitados em todas partes. Sua influencia se torna tão grande que o Rei Baldoino II de Jerusalém, fez deles seus representantes diplomáticos ante o mundo islâmico. Pretendiase que pela mediação dos Templários, o Rei de Jerusalém estabeleceu um tratado secreto com os Assassinos pela entrega da cidade de Damasco em troca de Tiro (*45). Os Cavalheiros Templários gozavam da mais alta estima em toda a Europa, receberam tantas concessões dos peregrinos que chegaram a ser a Ordem mais rica e poderosa do mundo cristão. Lutando pela instituição do regime sinárquico universalista que deveria alcançar todo o mundo conhecido na época, a Ordem do Templo se converteu em um Estado dentro do Estado e uma Igreja dentro da Igreja, posto que os privilégios que tinham obtido lhes permitiam escapar de todas as jurisdições Senhoriais ou Reais, inclusive eclesiásticas, uma vez que dependiam unicamente do Papado. Respaldados por uma sólida estrutura administrativa, os Templários capinavam, aravam, secavam pântanos, exploravam salinas, canalizavam rios e lagunas, cultivavam,abriam novas vias de comunicação, protegiam os transeuntes, estabeleciam mercados. Possuíam ademais o mais treinado e melhor equipado, cuja missão se reduzia à segurança das estradas do Oriente Médio. Ademais, comandavam uma potente frota de barcos de guerra (*54). - Os Irmãos do Oriente Quando os Templários se instalaram no caminho peregrino, há muito tempo os colégios arquitetônicos cristãos do Império oriental de Bizâncio, instruídos pelos Mestres cistercienses nas tradições romanas de construções e pelos artistas mozarabes da tradição islâmica, percorrem-no em todos os sentidos. Graças ao aporte cientifico e cultural que os arquitetos romanos dos “artifícios” fizeram no ano 450 em Bizâncio, se forma uma linguagem artística que usava uma grande parte dos símbolos que vinham do oriente próximo. Em 1.090 se criou em Constantinopla uma associação de construtores com patente papal, denominada “os Irmãos do Oriente”, independente das jurisdições

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Senhoriais, feudais. Os Irmãos do oriente adquiriram em Constantinopla os princípios que regeriam a estrutura da construção, tomada das confrarias islâmicas de construtores. Os Irmãos do Oriente viram com o aparecimento da Ordem do Templo a oportunidade de ampliar seus conhecimentos; no mesmo tempo encontraram protetores e mecenas mais poderosos que jamais tinham podido ter anteriormente (*22). Desde os inícios da Ordem Templária, houve templários que recebiam a iniciação “companheiril” e ascendiam aos graus de Capelão e Companheiro construtor. Pouco a pouco, chegavam a dirigir os trabalhos de construção. Houve uma ação recíproca entre os artistas de elite; muitos Irmãos do Oriente permaneciam dentro da Ordem do Templo; eram admitidos a tomar os hábitos monacais e a capa templária. Assimilando seu comportamento e transmitindo seus ritos, símbolos e segredos do ofício; chegaram a reunir, em suas pessoas, a Cavaleria de arma e a Cavaleria de ofício (*25). - Os Cavalheiros construtores – Para levar a cabo sua vocação de construtores, os Templários necessitavam se mão de obra qualificada. É por isso que ofereceram o mais precioso dos bens aos artesãos franceses que aceitaram trabalhar para eles sobre as obras que abrem em toda a Palestina: a liberdade de trabalho. A liberdade de trabalho não existia na sociedade feudal medieval; para exercer uma profissão, tinha de adquirir o “privilégio”, pertencer a uma corporação e ser apresentado por um Mestre artesão que, pouco aberto a formar uns competidores em potencial, não patrocinavam quem não fosse seu parente. Também devia pagar um cânone muito caro ao Senhor feudal. Os obreiros livres, chamados “franc mètiers” (ofícios livres) eram, por tanto, muito raros e apenas as Corporações permitiam a seus membros o exercício da sua arte (*23). Os Templários decidiram que os artesãos dos diferentes corpos de ofícios da construção que se estabeleciam sobre o território de suas operações, se tornassem “francos”, ou seja, livres. Vivendo com os Templários e participando dos seus trabalhos, os Maçons “francos” recebiam deles proteção e salários assim como cursos de aperfeiçoamento na “Arte Real”, organizados pelo “Magister Carpentarius” da Ordem, assim como um constante ensino cientifico, literário e filosófico proporcionado pelos Mestres dos Irmãos do Oriente vindos de Bizâncio. Muitos maçons franceses vieram instalar-se na Palestina e deram origem a uma linhagem (*27). Ao final da segunda cruzada, numerosos obreiros europeus foram repatriados para a França e os Cavalheiros Templários vieram instalar-se na Europa. É nesta época que aparece o estilo arquitetônico Bizantino que os Maçons do Oriente impuseram lá onde se instalaram as principais encomendas Templárias na França e na Inglaterra. Em 1.130, a Ordem do Templo está estabelecida em quase todos os Reinos da cristandade. Henrique I da Normandia lhes outorgou terras, o Rei Estevão da Inglaterra lhes deu os domínios de Cressing e Witham e sua esposa Matilde a propriedade de Cowley, perto de Oxford. Os Templários tinham possessões em Rochelle, Languedoc, Roma, Castilha e na Grã Bretanha (*45)

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Em 1.137, o Rei da França Luis VI “o gordo” oferece aos Templários um imenso terreno numa zona pantanosa perto de Paris que toma o nome de “Cultura do Templo” (hoje o bairro do Marais), onde construíram a torre do templo de Paris. Seu território se expande rapidamente até alcançar a terceira parte da superfície da capital francesa. Este território se chamará mais tarde “Enclave do Templo”e escapava da jurisdição Real; os Templários exerciam aqui sua soberania temporal e espiritual (*44). Lugar de asilo e de cultura o “Enclave do Templo” foi um pólo de atração para todos os artesãos do Reino que podiam reunir-se em confrarias livres, única forma lícita de associações da época medieval. Dispondo de franquias e permitindo a seus membros exercer sua arte com toda liberdade, escaparam dos impostos do Rei e da municipalidade de Paris. Em toda Europa, os Templários jogaram um grande papel nas guildas e confrarias. Os canteiros (de pedra) e os pedreiros (de tijolo) adquiriram seus conhecimentos nos conventos Templários e tinham saído deles enquadrados em lojas embebidos em uma aspiração comum: o afã de fazer participar o homem dos resultados corporativos desse saber e elevá-lo às alturas do conhecimento universal (*19). E, 1.125 na Inglaterra, a capela na Fleet Street, principal igreja Templária da Inglaterra, foi construída por uma guilda de arquitetos cristãos vindos da Terra Santa. É nesta guilda que se formaria o fermento da Maçonaria em Londres e na Inglaterra. Os Templários e os Maçons tiveram estreitos vínculos durante toda a época medieval; na festa do solstício de São João do verão, os grandes Mestres das duas Ordens reunidas, são iluminados pelos fogos ritualísticos (*39). - O fim das cruzadas – Durante o século XIII, as hordas mongólicas dirigidas pelo sultão mameluco Kala’um, descendente de Gengis Khan, tinha penetrado o Oriente Médio e governava sua maior parte. Em 1.290, seu filho, o sultão Al Ashraf, organizou uma formidável armada para reconquistar todas as cidades cristãs na Terra Santa. Convencidos pelos Templários, guardiões da Terra Santa, da necessidade de uma nova cruzada para recuperar Jerusalém, Nazaré e os lugares santos, o Papa Gregório X solicitou o apoio dos monarcas cristãos da Europa. Estes rechaçaram o pedido, considerando que a idéia era um meio da Igreja romana para obter o respaldo militar às suas necessidades políticas e financeiras. Não obtendo nenhum beneficio particular dessa cruzada, nenhum monarca europeu aceitou prestar seu braço armado nem o seu bolso a esta nova guerra oriental... Os Templários eram muito ricos, mas sua riqueza dependia em grande medida das doações dos peregrinos cristãos na Terra Santa e do monopólio do comercio na região que tinha acabado devido à insegurança da zona; seu tesouro teria de se esgotar rapidamente pelo gasto que significava uma nova cruzada. À falta de apoio dos monarcas cristãos, os Templários não puderam resistir aos poderosos ataques dos mamelucos e a derrota foi total. O sultão Al Ashraf teve o controle da Terra Santa em 1.292; os Templários haviam ficado sem uma base no Oriente Médio pela primeira vez em 170 anos e se tinha extinguido a fonte da sua fortuna oriental. As cruzadas haviam terminado

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definitivamente e também a razão de ser dos Templários que se recolheram, isolados e humilhados, sobre a minúscula ilha mediterrânea de Chipre. - O retorno à França – O Rei da França: Felipe IV “o Formoso ou o Belo” e o Papa Bonifácio VIII travavam desde muitos anos uma batalha de poderes, já que o monarca francês estava em constante oposição política contra o Soberano Pontífice que o havia excomungado. Após a morte de Bonifácio VIII em 1.309, o Rei francês manobrou pela designação de um Papa francês; o arcebispo de Bordéus, Bertrand de Got, que foi coroado Papa sob o nome de Clemente V. Como era de se esperara, não podia recusar as exigências do Rei francês que não demorou em dominá-lo. Os Templários, sempre bem informados por sua hábil rede de inteligência na Europa, souberam que o novo Papa era favorável ao empreendimento de nova cruzada com o fim de recuperar os lugares sagrados na Terra Santa, tal como o havia desejado o seu antecessor Gregório X. Os Templários acreditaram que se aproximava o momento de recuperar sua gloria. O Papa Clemente V convoca o Grão Mestre Jacques de Molay à França para discutir com ele as possibilidades de elaborar planos para uma nova cruzada com o objetivo de resgatar Jerusalém. O regresso dos Templários à França, indômitos, independentes e arrogantes, constituía uma força militar mais poderosa e melhor organizada que qualquer outra na Europa criava ao Rei Felipe IV alarmante perspectiva de ter um Estado Templário em suas costas; tudo0 isso era um risco inaceitável para o monarca francês, para os senhores feudais e o clero secular, que viam seriamente ameaçados seus interesse criados (*39). A Ordem Templária estava firmemente estabelecida na Europa, possuía suas próprias fortalezas e inúmeros territórios que a convertiam em proprietária e senhora feudal de uma parte significativa do território da Europa medieval. Os Templários gozavam de todas as vantagens do feudalismo, sem sofrer seus gravames; eram soberanos na pessoa do seu Grão Mestre a quem consideravam como se fosse um Príncipe independente. Nas assembléias, o Grão Mestre se colocava imediatamente depois dos bispos (*44). O Templário, tão rico da sua fortuna oriental que Jacques de Molay tinha trazido à vigilância das sólidas muralhas da torre do templo em Paris que apresentava suficiente garantia. Ao fim do século XIII, a Ordem Templária se transformou na detentora de uma potencia financeira excepcional e o banqueiro da maior parte dos Príncipes europeus. Os Reis recorriam a ela e Felipe IV “o Belo” , tendo necessidade financeira cada vez mais imperiosa, estava muito endividado com os Templários devido ao gasto da longa guerra que ele tinha em Flandres contra o Rei Eduardo da Inglaterra. Este tesouro se tornou uma presa provocante para o Rei francês. Conscientes dos ciúmes e inveja do Rei francês. Parecia mais prudente aos Templários buscar em outra parte onde esconder os bens mais valiosos que a Ordem desejava guardar. Daqui nasceu a lenda de um tesouro escondido que jamais foi descoberto. Por motivos, tanto da ambição pública como das permanentes necessidades econômicas, o monarca francês ditou varias disposições tendentes a diminuir o poder da Ordem do Templo na França e apoderar-se de suas riquezas. Ordenou-se o seqüestro das propriedades da Ordem adquiridas depois dos privilégios outorgados aos

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Templários pelo Rei Luis IX da França; mas Felipe IV não pôde contar com o apoio do Papa para mais; então, decidiu organizar uma maquinação que lhe permitisse acabar com a Ordem Templária e livrar-se das imensas dividas que ele não podia reembolsar; apoderar-se do tesouro Templário r recuperar o seu. - A Maquinação – Tendo todas as peças de um plano maquiavélico que tinha sido urdido por Guillaume de Nogaret, guarda do selo real e homem de confiança do Rei, o monarca francês planejou cuidadosamente a jogada. Guillaume de Nogaret tinha recrutado secretamente ex-Templarios expulsos da Ordem por faltas graves, com o fim que eles acusassem falsamente a Ordem Templária. O plano de Felipe IV consistia em prender num só dia os Templários, tal como o tinha feito em 1.306 com todos os judeus na França que foram exilados, mas sem as suas posses que foram incorporadas diretamente ao tesouro do Rei, que se apoderou também das contas a receber dos judeus cujos devedores deviam pagar ao tesouro Real. Desta maneira, se cancelaram todos os empréstimos que o Rei devia aos judeus. Da mesma maneira, Felipe IV esperava que se cancelassem os empréstimos que ele devia aos Templários (*44). Durante o verão de 1.307, se propagaram rumores em Paris segundo os quais os Templários adoravam uns ídolos orientais: uma estatua chamada “Bafomet” que segundo uns, se mostrava como um busto monstruoso, representando a cara de um ancião com o cabelo crespo e com barba ou como um ser de três caras, segundo outros, como um demônio em forma de bode; outras vezes, se mostrava em forma de gato preto ou de um ser, metade homem metade mulher, chamado de “Andrógino de Khunrath”(*43). Adoravam também uma deusa nua chamada “Cybele” que, em uma de suas mãos, segurava um disco solar e na outra a lua crescente à qual estava presa a corrente dos leões. Pretendia-se que os Templários praticavam ciências cabalísticas: a “Arte Sagrada” da tradição Hermética ou alquimista egípcia que haviam aprendido das seitas árabes com quais estavam em contato no Oriente Médio; práticas que se expressavam com a ajuda de desenhos estranhos, entre os quais uma estrela de cinco pontas chamada “Pentagrama de Pitágoras”. Que, em suas cerimônias, renegavam três vezes o Cristo, pisoteavam sobre a cruz em sinal de ofensa à Igreja cristã. Que cuspiam sobre o crucifixo e que, nus durante as cerimônias secretas, recebiam um beijo “in posteriori parte spine dorsi”, ou sobre o anu, o umbigo e a boca. Pretendia-se também que umas práticas repugnantes, como as obscenidades e a sodomia, se realizavam dentro da Ordem Templária (*44). Chega o dia fatídico; no amanhecer da sexta-feira 13 de outubro de 1.307, as tropas do Rei caíram sobre unidades Templárias para agrilhoar o Grão Mestre Jacques de Molay e 15.000 dos seus Templários. Para agitar a população e assim garantir seu apoio ao processo que seguiria, acusaram-se os Templários de heresia e de blasfêmia. Quando o Papa Clemente V tomou conhecimento disto, protestou contra o Rei francês, lembrando-lhe que os Templários não estavam submetidos às leis de nenhum país; nenhum governante secular podia castigá-los por nenhuma falta e por ser uma Ordem religiosa era responsável ante o Papa; que somente ele tinha

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autoridade sobre eles e que essas prisões eram uma usurpação da autoridade Papal. Para desacreditar o apoio Papal, o Rei francês empreendeu uma campanha de propaganda, acusando o Papa de indulgência com os hereges. Franco, o Papa atemorizou-se e covarde calou-se promulgando a bula “Pastoralis Preeminenta” em qual pedia aos monarcas da cristandade que prendam os Templários que estivessem em seus domínios (*39). O Rei francês prepôs ao Papa a realização de investigação formal dirigida pelo Grande Inquisidor da França, o frade Dominco Guillaime Imbert, que era o confidente do Rei. Nesta época em que a heresia era traição e a tortura era castigo quando a Igreja era a Lei, o Papa ordenou ao Grande Inquisidor que se colocasse em seu horrendo cargo, começando perseguição aos Templários; fazia-os sofrer torturas obscenas e lhes infligia mutilações. Em conseqüência da dor, muitos morreram antes de confessar coisa alguma. Porem a maioria confessou qualquer culpa para fazer a dor parar, até de ter assassinado Deus se fosse pedido por seus torturadores. O Rei Felipe V se apoderou de imediato das riquezas dos Templários. As casa da Ordem do Templo foram saqueadas, mas não se encontrou nada do que se supusera ter valor efetivo. O tesouro que o Rei esperava tomar das economias Templárias havia desaparecido. Havia desaparecido também a frota de a frota de navios Templária de sua base naval em Rochelle o que permitiu ao Grão Mestre Provincial de Auvergne: Pierre d’Aumont, acompanhado de alguns Cavalheiros de alta categoria fugir para a ilha escocesa Mull onde se encontraram com o Grande Comendador Templário para a Escócia: Georges de Harris e outros Cavalheiros de alta categoria com quais resolveram continuar a Ordem Templária (*44). - A morte do Grão Mestre – A partir de 1.310, circulam rumores insistentes na França de que na verdade os Templários não eram culpados, e sim que haviam sido vitimas de uma perseguição causada pela bem conhecida inveja do Rei da França. Para contraditar o rumor, Felipe V decidiu que o Grão Mestre Jacques de Molay, assim como os maiores notáveis da Ordem do Templo: o Grão Visitador da França, Hugues de Pénaud, o Comendador da Normandia, Geoffroi de Charney e o Comendador de Acquitania, Geoffroi de Gonneville, comparecessem e confessassem publicamente a vergonha de sua culpabilidade por heresias. Em 14 de março de 1.314, foram convidados os delegados Papais e um grande numero de nobres burgueses influentes de Paris diante dos quais, sobre um alto estrado levantado no átrio da catedral de Paris, Jacques de Molay, ao contrario das esperanças do Rei, se retratou de suas confissões obtidas sob os efeitos da tortura para defender a honra da Ordem Templária, proclamando à multidão reunida a seus pés: “Em um momento tão solene, quando me resta tão pouco tempo de vida, me parece ser correto que revele o engano que foi cometido e defender a verdade. Diante do céu e da terra, e colocando todos vós por testemunha, admito minha culpa do mais grave dos pecados; porém o meu pecado é ter mentido

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ao admitir as repugnantes acusações lançadas contra a Ordem. Declaro, e tenho de fazê-lo, que a Ordem é inocente; sua pureza e santidade estão fora de duvida. É certo que confessei o que meus inimigos desejavam que dissesse. A outros Cavalheiros que se retrataram de suas confissões, os conduzo à fogueira. Contudo, a idéia de morrer não é tão horrível como para que se confesse sujos crimes que nunca foram cometidos. Se me oferece a vida, mas ao preço da infâmia não vale a pena viver. “Não lamento ter que morrer se somente pode-se comprar a vida colocando uma mentira sobre outra.” Jacques de Molay sabia que qualquer acusado que confessara heresia depois de ter sido submetido a tortura e mais adiante se retrate dessa confissão era tido como “hereje relapso”, e que segundo a Lei eclesiástica, devia ser entregue ao braço secular para ser queimado vivo. A vergonha monumental em que havia deixado o Rei, o Papa e a Igreja assim como a possibilidade de que provocara mais vingança,, fez que não se atrasasse a morte por uma hora sequei; se anunciou a sua execução na fogueira e de tarde sobre um banco de areia no rio Sena, chamado ilha dos Judeus (ou ilha de Bouvier), diante da ilha da Cite. Ao por do sol, se levanta uma pira:;sobre ela, Jacques de Molay e Geoffroi de Charney, condenados como relapsos, foram queimados vivos, a fogo lento (*43). A bula Papal, “Vox in Excelso” de 3 de abril de 1.312 extingue a Ordem Templária, mas sem declará-la culpada das acusações levantas contra ela. Em seguida se publica a bula “Ad Providum” que transferia todas a propriedades Templárias à sua grande rival: a Ordem dos Cavalheiros do Hospital de São João de Jerusalém os hospitalários), conhecida em seguida sob o nome de Ordem dos Cavalheiros de Rodes e a partir de 1.530, sob o nome de Ordem dos Cavalheiros de Malta (Ordem de Malta). Assim foi como a Ordem do Templo foi eliminada da vida pública da Idade Média: pela ambição de um Rei, pela debilidade de um Papa e pela intolerância da Igreja Romana. - O fim da Ordem – O Papa Clemente V fez perseguir os Cavalheiros Templários por toda a Europa; mas apesar das pressões do clero ultra católico, inimigo encarniçado de tudo que podia estar contra decisão do Soberano Pontífice, os Monarcas espanhóis e portugueses, a quem os Templários haviam prestado grandes serviços, anunciaram que as acusações contra os Templários lhes pareciam infundadas e fruto de calúnia; que suas forças armadas eram demasiado importantes para arrestá-los e que se fizeram fortes em seus castelos, negando-se a correr resignadamente a sorte de sues irmãos franceses; ademais, os apreciavam porque foram muito úteis para combater os mouros em seus territórios. Na Espanha, a Ordem Templária decidiu mudar o seu nome, transformando-se nas Ordens de Montesa e de Calatrava; em Portugal, se transformou na Ordem de Cristo (*43). Foi na Inglaterra que a oposição foi a mais intensa, uma vez que o jovem Rei Eduardo II reagiu com incredulidade ante as acusações.

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Não lhe parecia que os Templários foram culpáveis de nada. Assim fez saber a outros monarcas cristãos e pedir-lhes que o apoiassem na defesa dos Templários que contavam com o respaldo dos nobres influentes nas cortes cristãs; muitos eram parentes ou amigos deles. Quando o Rei inglês recebeu a bula Papal, não teve remédio outro que ordenar as prisões, mas não o fez de imediato; preveniu com três meses de antecipação os Templários da iminência das prisões, o que lhes deu meios de fugir. Quando as tropas do Rei foram prendê-los, não se acharam os arquivos e o tesouro dos estabelecimentos Templários na Inglaterra havia desaparecido. Os Templários possuíam numerosas propriedades: 900 estabelecimentos na França e na Inglaterra, onde possivelmente receberam ajuda de familiares e amigos e instruções para chegar a um lugar seguro para pernoitar. Havia muito que podiam recebê-los: os nobres do Reino, que recebiam com agrado combatente experimentados, sem lhes importar que fossem procurados pela Igreja e a coroa inglesa, também os barões proprietários de terras, normandos em Gales e Irlanda (*45). Nessa época, o Rei escocês Robert Bruce estava reunindo suas clãs guerreiras, preparando-se para a guerra contra o Rei da Inglaterra e e estava feliz por encontrar militares treinados, sem importar-lhe que estivessem fugindo da Inglaterra. Muitos Templários ingleses e franceses encontraram refugio na Escócia e, segundo as lendas, o Rei Robert da Escócia havia acolhido em sua corte Templários resgatados que combateram com ele na batalha de Bannock Burn e que ajudaram-no vencer. Em agradecimento, o Rei Robert nomeou-os Cavalheiros na Ordem de Santo André da Escócia que ele funda em 1.313 em Heredon (*45); Ao ignorar a ordem Papal de prender os Templários, Escócia tinha feito um refugio seguro para os fugitivos. No dia de São João de 1.313, Pierre d”Aumont foi nomeado novo Grão Mestre da Ordem Templária e resolveu reconstruí-la sob uma forma secreta, apoiada pelos Cavalheiros escoceses. Os Templários organizam-se em Kilwining um capítulo orientado principalmente para o apoio dos irmãos em fuga (*44). Em 1.361, a sede da Ordem foi transferida para Aberdeen e se tem corroborado que a Ordem Templária se manteve como corpo coeso na Escócia durante quatro séculos. Os Templários tinham perdido tudo: sua honra, seus bens e o lugar que ocupavam na comunidade. Rechaçados pelo Vigário de Cristo, presos e encarcerados, ferozmente torturados e queimados na fogueira, obrigados a fugir e ocultar-se, perderam o seu intercessor perante Deus. O pensamento Templário evoluiu desta tragédia, passando do medo da perseguição sua natural compensação: o ódio de terem sido abandonados pela Igreja e o desejo de vingar-se. Depois desta tragédia, os Templários adotaram uma atitude radical perante a Igreja romana que os denegria; pois, se o Papa os rechaçava, em resposta eles rechaçavam el, chegando à conclusão de que era o Papa que havia traído Deus e na eles (*39). Ao mesmo tempo nasceu uma forma liberal de pensamento religioso; a diferença de opinião dentro da irmandade não importava; discutir as crenças pessoais em tal momento só podia separá-los; assim não as discutiam. Sua primeira preocupação deveu ter sido salvar as vidas, não as almas. A insistência em que se manifestava abertamente a crença em Deus, sem nenhum requisito para a maneira pessoal de reverenciá-lo, proibiu os comentários ou discussões sobre religião, pois as crenças de cada um lhes

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confirmou um respeito de parte de seus irmãos. A urgência e a importância da situação foi o momento onde os fios soltos do contato entre os fugitivos se desenvolveram fortemente, como aqueles dos vínculos da irmandade, e como é regra em épocas do autoritarismo, as uniões fraternais se alimentavam com maior força entre os membros das minorias (*39). A adversidade sô fez exaltar a força dos movimentos secretos, de tal maneira que a organização de fuga Templária se desenvolve proporcionando uma base firme sobre qual poderia estabelecer-se uma organização permanente, constituída por uma sociedade secreta informal de proteção mutua com filosofia religiosa, em qual os irmãos Templários podiam continuar em conato uns com outros e ajudar-se mediante a regra do segredo absoluto. Os anos transcorridos entre os primeiro artesãos de templários em 1.307 e a dissolução da ordem em 1.312 proporcionaram tempo e oportunidade para que os sistema de fuga evoluísse em uma organização clandestina completa e permanente (*39). - A integração – Lenda pretendia que, quando em 1.207, as tropas do Rei caíram sobre a sede principal em Paris, alguns Cavalheiros Templários que não foram imediatamente presos, encontraram apoio no grupo de operativo de construtores que estavam sob influencia direta na Palestina e que lhes devia sua”franquia de oficio”, sua liberdade de exercer a arte construtora e graças aos obtiveram privilégios de autoridade legal. A filiação Templária era uma realidade viva para muitos desses pedreiros que haviam obtido sua franquia de liberdade nos estabelecimentos Templários na Terra Santa, Em reciprocidade da ajuda que haviam recebido, eles ajudaram os Templários escaparem. Para não serem reconhecidos, os Templários se disfarçaram em Maçons, adotando sobrenomes emprestados, tal como o de “Mabei-gnac”, para evitar as perseguições das tropas Reais e circular livremente nos baronatos da época medieval onde os “pedreiros livres” podiam proporcionar emprego, alojamento, comida e dinheiro para os obreiros de outras localidades que passavam por ali, sem provocar a suspeita da população das cidades medievais onde todos se conheciam (*27). A integração Templária às confrarias de construtores teve a conseqüência de que muitos Templários fugidos da França por causa de perseguição foram buscar refugio entre as sociedades de canteiros e pedreiros assentados na Inglaterra, em Portugal e os territórios alemães. Segundo esta lenda, os Templários receberam ajuda das corporações operarias e instruções para chegar ao lugar seguinte para pernoitar, mas necessitavam de um estratagema ou sinal com qual poderiam localizar o que ia ajudá-lo na próxima etapa; para isso adotaram sinais e palavras de passe à maneira dos Maçons (*39). A influencia dos Templários sobre as comunidades de artesãos construtores não cessa com a dissolução da Ordem em 1.312 e muitos desses monges Cavalheiros, restabelecidos necessariamente laicos, permaneceram nas comunidades operarias que os tinham ajudado escapar; integrados a elas chegando a dirigi-las, Esta filiação foi particularmente importante em Flandres e na Escócia onde os Templários encontraram uma acolhida favorável, benévola e asilo seguro.

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Desejosos de retribuir a hospitalidade brindada iniciaram alguns desses Maçons nas doutrinas secretas da sua Ordem, criando um grau maçônico da qualidade de Cavalheiro Templário e constituíram deste modo os Maçons em seus sucessores e continuadores de suas práticas e rituais. Este grau era, naquele tempo, um executor da Ordem, dedicado à vingança do assassinato “judicial” do ultimo Grão Mestre da Ordem Templária, à restauração do mesmo e à perseguição dos inimigos dos Templários. Isto deu origem para acusar a Maçonaria como convicta de conspirar contra a Igreja e os Governos. - O poder da Igreja A supressão da Ordem Templária ocorreu numa época em que a Santa Sé estava preocupada em ampliar seu poder e sua riqueza, situação que fez surgir inquietações e suspeitas do populacho. Tendo todo o poder sobre todos, a Igreja temia a administração da verdade aos poderes espirituais, políticos, civis, legislativos e judiciais. Devido a isto a Igreja Católica Romana controlava todas as corporações de construtores da Europa. Não tarda em executar uma política ditatorial dirigida por um clérigo intransigente, transtornando o exercício da justiça e açambarcando uma grande massa de riqueza pública; impedindo ao poder secular assumir os cargos da Nação (*15). A pouca aptidão à vida monástica e ao celibato do baixo clero não permitia demonstrar como exemplo as verdades da religião que eles professavam em suas capelas que muitos transformaram em palácios, posto que uma quantidade excessiva de impostos recebidos pela Igreja se destinava a manter luxuoso trem de vida da alta hierarquia eclesiástica que o único que lhes importava era o dinheiro; por conseqüência, tudo estava à venda: indulgências, horárias, dispensas, etc.. A Igreja exigia para si, todos os direitos, privilégios e gestos de respeito (*27). A Igreja Católica medieval não só era dona de mais de um terço da superfície da Europa, contando com o maior número de servos e vileiros sob sua autoridade, como também considerava a si mesma o máximo centro do poder; mentinha seus próprios tribunais e prisões eclesiásticas. O Papa Bonifácio VIII foi o mais egocêntrico de todos os Papas; pois sustentava que sendo ele o único vigário de Deus na terra, tinha autoridade sobre todos, inclusive sobre os Reinos da cristandade e que todos os seres humanos que existiam na face da terra estavam sujeitos à autoridade do Pontífice Romano (*29). Bonifácio VIII promulgou a histórica bula “Unam Sanctum” em qual afirmava a superioridade do Papado por cima de todos e independente da autoridade secular de governantes do mundo Cristão. Esta bula foi a mais firma declaração da superioridade Pontifical que tenha sido feita por qualquer Papa na historia da Igreja Católica Romana. Esta bula enfureceu os monarcas da Europa que autocratas que eram, consideravam seguir a regra feudal medieval, que as pessoas e propriedades em seus domínios era seu patrimônio e estavam submetidos a eles. - A controvérsia cientifica – Da Igreja dependiam também as universidades onde as aulas eram ditadas em latim, através do que ensinava as verdades que convinham aos seus fins; de tal modo que aqueles que não conheciam o idioma não podiam

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estudar; por este meio, somente eram ensinados aqueles que não eram suspeitos à hegemonia clerical (*33). Veio o tempo em que as ciências começaram apoderar-se das mentes dos homens, a motivar sua imaginação e fazer aparecer novas teorias que se posicionavam contra o que a Igreja Romana ensinava. Os achados científicos pareciam estar em conflito com as interpretações das escrituras e por tanto, era inaceitáveis heréticas. Em Florença, alguns educadores independentizam-se da Igreja. Dirigidos por Leonardo da Vinci, organizam secretamente um grupo de eruditos, livres do controle da Igreja, que ensinava laicamente o idioma popular. Diante do perigo que pressentia a Inquisição Romana, Leonardo da Vinci refugia-se na França, onde funda um grupo educativo parecido com o de Florença que denomina “Escola de Cristo” com o fim de confundir os inquisidores da Igreja Católica (*33).

* CAPÍTULO V * *
- O século XIV inglês – Na Inglaterra, o orgulho, a intolerância, a arrogância, os abusos e a libertinagem do alto clero intransigente e dominador, cada vez mais ávido de riqueza e poder, dedicado a uma vida ociosa e vivendo na luxuria e glutonaria com um exercito de serventes, causava preocupação e desconcertava as ordens inferiores do clero; este avivou ante o povo esse ressentimento que alimentou um fluxo crescente de dissidência e protestos contra a Igreja Católica Romana que jamais foi aceita plenamente pelo povo, uma vez que desde os tempos da antiga igreja Celta, os dirigentes da Igreja na Inglaterra haviam lutado contra a autoridade Papal nesse Reino insular. Esta situação foi a fonte da primeira grande onda de protestos que gerou tanta dissidência e desorganização que a Igreja Católica da Inglaterra quase caiu na anarquia (*36). - Os Lolardos – O lamentável clima gerado na Europa pela decadência da Igreja Católica foi propicio para o surgimento de novas teorias filosóficas. Rapidamente se confrontaram as idéias filosóficas da civilização clássica das antigas culturas orientais contra o pensamento monacal e mono político da Idade Média Católica; o que desencadeará um antagonismo teológico, conhecido sob o nome de “Cisma do Ocidente” entre os místicos e os eclesiásticos. Esta oposição ideológica cria uma grande efervescência que é seguida de uma espécie de guerra literária, onde citarei apenas as obras mais conhecidas: “Reforma Católica da Igreja” de Giobertini, e “A Reforma”, tomo VII da historia de France de Michelet. Novas inteligências aparecem e o frade Agostinho Lutero foi a fonte de separação da cultura cristã com a criação de uma Ordem de protestantes, imediatamente seguida pelos reformistas britânicos que criaram a Igreja Anglicana e dos russos que criaram a Igreja Ortodoxa da Santa Rússia. No século XVI a corrupção e a decadência da

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disciplina eclesiástica foram tais que a dissolução da Igreja Catódica Apostólica Romana foi prognosticada (36). A dissidência na Inglaterra estava apenas começando a ser ouvida. Os precursores rebeldes da reforma protestante recusavam os ensinamentos da Igreja, originados muito depois da morte de Jesus Cristo. Tais ensinamentos que a Igreja Romana tinha declarado serem mais importantes que as próprias Sagradas Escrituras, apresentavam características de heresia para os reacionários, especialmente para o cura e acadêmico de Oxford: John Wiclyf. Durante vários anos, um grupo descontente chamado “os Lolardos” ou “Murmuradores”: os que, pela primeira vez, traduziram a “Vulgata” ao inglês, sustentavam que todos os cristãos deviam ter acessos às Sagradas Escrituras. Começara a pregar a reforma da Igreja; percorrendo os povoados, pregando contra as riquezas, a corrupção da Igreja e levando-lhes uma mensagem ultracatolica. Alguns desses seguidores: os párocos Johan Ball e John Wrave pregavam contra a Igreja e a classe privilegiada atiçando a inquietação pública nos três lugares medievais de reunião: a igreja, a taverna e o mercado, defendendo doutrinas tais como a igualdade de direitos e a abolição da vilanagem e da servidão (*40). Os Lolardos foram ferozmente perseguidos pela Igreja Romana e se viram obrigados a assumir a clandestinidade, tecendo uma rede de comunicação em todo o centro da Inglaterra e formando células secretas independentes, disseminadas por todo o país, que ofereciam refugio a quem estava em conflito com a igreja estabelecida. Pretendeu-se que o principal lugar de encontro em Londres era a antiga capela de São João Batista fora das portas de Leicester, perto do hospital dos leprosos, a uma lado da capela de Fleet Street que tinha sido a igreja principal dos Cavalheiros Templários na Inglaterra), onde havia uma hospedaria e alojamento para “sectários que odiavam a igreja de Cristo”(*36), sob a proteção do piedoso Duque de Lancaster; era ali que os seguidores de Wiclyf dirigiam seus sermões contra o clero católico. Os Lolardos sobreviveram durante os anos seguintes às perseguições da Igreja e de alguma maneira conseguiram o apoio de determinados membros da aristocracia, principalmente d classe dos Cavalheiros, ainda que essa associação tivesse uma origem eminentemente popular (*40). Esta foi a primeira comoção de uma atitude anti-eclesiástica que seguiria latente na Inglaterra até acontecer a erupção da Reforma Protestante. - A Magna Sociedade – Em 1.376, o Parlamento inglês tinha mencionado a corrupção na corte Real, o suborno no sistema legal, o mau manejo do dinheiro das arrecadações, a inépcia administrativa, os impostos excessivos e outras opressões deploráveis realizadas tanto por servidores do Rei como por grandes Senhores do Reino contra o humilde povo inglês. O descontentamento se generalizava na classe baixa da sociedade britânica e alguns ruídos de revolta começavam circular no Reino inglês, ampliando-se rapidamente (*39). Durante o verão de 1.381 houve uma agitação generalizada na Inglaterra que não foi só um convulsão, e sim uma rebelião camponesa com evidência de planejamento, posto que aconteceu o levantamento simultâneo de aproximadamente 100.000 homens em seis ponto diferentes das regiões de

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Essex e de Kent e especialmente em povoados da região de York.. O assassinato de Wat Tyler (Walter o Tecedor) desorganizou a revolta que acabou com o desaparecimento dos principais chefes de grupos regionais. Pretendeu-se que os lideres desta agitação tinham a proteção de uma misteriosa organização clandestina, uma “Grande Sociedade” (Magna Sociedade), bem organizada e documentada, que se reunia em Londres, com qual eles mantinham contato (*39). Esta sociedade secreta, cuja existência previa a revolta camponesa, tinha relações com os artesãos radicados em Londres que regressavam aos povoados de origem para incitar a população à rebelião; é esta “Magna Sociedade” a que proporcionava aos rebeldes, hospedagem, auxílios e casa de segurança, de tal sorte que eles não foram jamais capturados. Não parece razoável pretender que duas organizações secretas como os Templários e os Lolardos tenham existido uma ao lado da outra em todos os pequenos povoados da Inglaterra sem nenhuma relação entre elas, sobretudo quando cada uma tinha como tema central prover alojamento para ocultar homens da ira da religião do Estado (*39). Deve-se considerar provável que estiveram relacionadas e que evoluíram até chegarem a ser, talvez, uma e única estrutura de ajuda mutua. Se assim foi, esta “Magna Sociedade” por ser a organização secreta melhor estruturada, desempenhou um papel importante na reforma protestante da Inglaterra, a base do levantamento da revolta camponesa em 1.381. Esta organização secreta manteve-se viva durante séculos graças a uma dedicação e um compromisso trazido coma idéia de que haviam erros nos ensinamentos e praticas da Igreja estabelecida e que esta devia ser reformada (*39). - Os primeiros grêmios – As regras dos primeiros grêmios operários medievais são parte da historia e são bem conhecidas; elas vêm do século X, quando a Maçonaria operativa inglesa organiza a unificação dos estatutos, regulamentos e obrigações que estavam em vigor nas lojas da Inglaterra, com o fim de formar um corpo de leis: os Land Marks, o que foi aprovado numa assembléia geral em York no ano 916 (*5). A parti do século XIII, os grupos de construtores organizam em corporações profissionais juramentadas; na Alemanha se chamam confrarias e guildas na Inglaterra; foram corpos civis reconhecidos pelo Estado, que se beneficiavam de privilégios e de direitos públicos. Em 1.211, a confraria alemã dos cortadores de pedra de Madeburough reclamou e obteve uns privilégios da autoridade legal. Os Maçons, desta maneira, tornaram-se homens livres, chamados Francomaçons (abreviatura de francos ofícios da Maçonaria); promoveram o principal valor maçônico, pelo qual a cultura é o meio pelo qual o homem pode libertar-se da ignorância que o mantém em estado bruto. Em 1.241 em Colônia (Alemanha), o sacerdote dominicano Albertus Magnus reutiliza a linguagem simbólica dos antigos, desenvolve-a e adapta-a à arte de construir, permitindo assim à Maçonaria operativa tornar-se uma ordem especulativa, expressava seu ensino por símbolos que são símbolos gráficos dissimulando uma ação real ou um ensinamento moral (*11). Zelosas em proteger seus conhecimentos, as corporações de construtores da Idade Média adotaram rapidamente essa linguagem hermética

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que lhes permitia guardar estrito segredo da “Arte de Traçar”, o desenho arquitetônico e da execução das construções; proibiram a seus membros, constituídos em lojas e oficinas, transmitir os segredos do saber da arte lapidária em forma diferente a símbolos. Em 1.440, a confraria dos construtores da Catedral de Estrasburgo: os “Irmãos de São João” se chamaram pela primeira vez: Ordem Francomaçônica de São João; fundaram a “Sociedade Geral dos Maçons Livres da Alemanha”, primeira Grande Loja reconhecida por todas as lojas da Alemanha e dos paises vizinhos que, ainda que cada uma delas era livre e autônoma acorria a Estrasburgo em casos graves ou duvidosos (*14). Na França se criou o “Companheirismo” e nascem diversas fraternidades maçônicas; “os Filhos de Salomão”, “os Filhos do Mestre Jacques” e “os Filhos do Mestre Soubise”; foram criadas em seguida “os Companheiros do Dever. Todas estas corporações de construtores dispunham de constituições escritas pelas quais seus membros deviam ser livres e ter uma vida irretocável; eles se consideravam irmãos (*22). Apesar de que o pedreiro podia justamente ser ciumento de seus conhecimentos na arte de construir, as regras de segurança física da Francomaçonaria têm muito poucas relações com os rituais das corporações, de tal modo que se pode interrogar sobre esta súbita evolução do humilde pedreiro até o organizador de um grupo social estruturado como uma organização secreta juramentada, defendendo as portas de suas assembléias com as espadas em mãos, protegendo-se da traição na transmissão de seus segredos a “profanos”, com a ameaça de castigo temível. Não constituía u, razoamento gremial típico; ao contrario, o conhecimento de um castigo muito específico, proporcionado não pelos próprios obreriros, mas imposto por uma força superior: o Estado e a Igreja (*39).Até o século XIV, os antigos grêmios medievais foram militantemente religiosos e todos apegados à Igreja Católica, e a nenhum foi permitido ter um código de tolerância religiosa ou conceder proteção àqueles cujas opiniões estavam em conflito com os ensinamentos da Igreja Católica. O propósito da Maçonaria secreta: a proteção mutua de homens que tinham diferenças de crenças com a Igreja Romana, desacordo com os costumes da sociedade obreira medieval do século XIV; esta incoerência “social-profissional” deixa a porta aberta a toda especulação mais séria até a fantasiosa (*39); Certos autores desenvolveram hipóteses segundo quais os primeiros Francomaçons foram realmente Templários fugitivos ou seus descendentes; segundo estes autores, a Francomaçonaria havia se originado nos apuros e fuga dos Templários que utilizaram a organização obreira dos “francos ofícios” doravante estruturada, para formar rapidamente uma sociedade secreta e que as origens dela se encontra entre os Templários e simpatizantes da Ordem Templária que escapara da prisão e tortura nas mãos do Rei e do Papa, em uma época ideal para formar um grupo secreto no qual os Templários puderam esconder-se do conhecimento e da vingança da Igreja Católica. O estudo desta hipótese permite compreender melhor o sentido de certos símbolos da Mui Venerável instituição maçônica e podemos ser seduzidos por seu construtivismo, ao contrario do aspecto místico e improvável da corrente filosófica, bíblica e símbolos da Maçonaria e de seu mítico passado brumoso e incerto.

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À medida que o tempo passa, a memória escurece; as verdadeiras origens da Francomaçonaria se perderam e os Francomaçons ficam somente com a alegoria, criando um mundo fantástico que aceitaram como real: o dos Patriarcas bíblicos e do templo de Salomão, e dos Templários e das sociedades secretas e misteriosas. Transmitiram estas lendas fantásticas, fabulam românticas e mitos exóticos que seduzem os homens dos paises da Europa brumosa, fria e chuvosa.

* - TERCEIRA PARTE – A CORRENTE ESPECULATIVA, DEMOCRÁTICA E LIBERTÁRIA * * Do século XVIII ao século XX *
CAPÍTULO VI * *
- Os Mestres aceitos – Com o século XVIII, a mentalidade retrógrada das corporações de construtores evoluiu e os Maçons trataram de buscar um remédio para a crise que, nos últimos tempos estavam tornando-os menos prósperos. Decidiram generalizar a admissão de “membros honorários” estranhas à prática da “Arte Real” e à profissão de construir que tinham penetrado na lojas desde 1.400, (Manuscrito Cooke) os quais cooperaram para o sustento material das lojas e salva-las moralmente da decadência que as ameaçava e da dissolução à qual pareciam inevitavelmente destinadas. Estes membros honorários, chamados “Maçons Aceitos” pertenciam em sua maioria à burguesia. Foram eruditos, distinguidos em artes, nas letras e nas ciências. A elite intelectual desta época, impregnada da corrente humanista e “Pansófica”, transformou-se rapidamente em associações filosóficas, tais como a “Academia Platônica”, criada em 1.460 em Florença (Itália), a “Companhia dos Magos”, associação constituída na França no inicio do século XVI por Cornelius Agripa e a “Companhia do Palustre, criada em 1.512, que eram evidentemente de espírito Maçônico operativo. Estas associações eram comummente favorecias pelos grandes Senhores do Reino. Os Maçons Aceitos aportaram muito às lojas Maçônicas; frequentemente deram asilo aos filósofos herméticos e aos alquimistas adeptos da “Arte Magna” e da pedra filosofal. Alguns destes intelectuais eram homens que tinham um motivo para reunir-se e discutir as suas idéias em segredo, longe dos olhos e ouvidos da Igreja; eram os cientistas de Londres, de Oxford e de Cambridge que se deram conta do que estava acontecendo durante o século XVIII: a Igreja estava em 55

oposição à ciência; e de tal modo que eles se encontravam em grave perigo de castigo eclesiástico, tal como Galileu Galilei que teve de renegar em 1.638 sua teoria da rotação terrestre ao redor do sol para libertar-se da ameaça de tortura do tribunal da Inquisição Romana. Mas eles não queriam abandonar sua curiosidade cientifica e optaram por reunir-se em segredo nas lojas Maçônicas. Em 1.645, Elias Ashmole, astrólogo de origem judaica, alquimista da corrente Rosa-Cruz, físico e matemático, apelidado o “mercurófilo inglês” foi admitido como Maçom aceito em Lancashire. Fundou em Londres “o Colégio Invisível”, sociedade de inspiração Rosa-Cruz e em 1.646 uma sociedade que tinha por objetivo construir o templo ideal: “a casa de Salomão”, Ashmole contribuindo assim a acentuar as tendências herméticas da Ordem Maçônica. É nesta época que nascem as lendas simbólicas relativas à construção do templo de Jerusalém e aquela do construtor Hiram. Pretende-se que foi Ashmole que fez o esboço da organização da Ordem atual e consolidou as tendências que foram os fermentos da Maçonaria especulativa moderna. Em 1.662, sob o Reinado de Carlos II da Inglaterra, Robert Moore e Elias Ashmole solicitaram permissão Real para constituir-se em sociedade com o nome de “Real sociedade de Londres para o melhoramento do conhecimento natural (Royal Society of London)”. Os Maçons ingleses tiveram um rol importante na fundação desse corpo sapiente, o maior do século XVIII inglês, que foi presidido de 1.703 a 1.727 por Isaac Newton, genial inventor de um ramo totalmente novo para a época das matemáticas, o chamado “calculo das variantes”; foi o criador do método de calculo diferencial e integral; descobriu a lei da inércia e o “quadrado inverso” (*55). Foi também autor de descobertas fundamental sobre a natureza da luz e estabeleceu as bases para a teoria da gravitação universal que deduziu da terceira lei de Kepler sobre o movimento planetário universal. Embebido da corrente filosófica mística da época e adepto do Rosacrucianismo, Newton desenvolveu seus experimentos na fronteira entre a alquimia e a química (*11). O passatempo preferido dos últimos anos desse genial cientista foi a construção de um maquete arquitetônico do templo de Salomão. Integraram-se a esses novos “Maçons Aceitos” alguns gentis homens mestres na política e na arte de governar os Estados, influíram enormemente sobre o espírito das lojas de construtores e, pouco a pouco, começara a prevalecer sobre os Maçons de oficio Maçons antigos) e não tardaram em dirigir as oficinas, transformando as lojas operárias em lojas especulativas. Esse foi o “renascimento” da instituição e a criação da Maçonaria moderna que conhecemos hoje. O caráter da instituição Maçônica, intelectual e aristocrático, favoreceu seu desenvolvimento e cada um ambiciona a honra de admitido na fraternidade; as lojas de construtores começaram a transformação em lojas especulativas; mas souberam conservar o espírito da Maçonaria: o constutorismo e seu objetivo que é que cada um dos seus membros se torne um dos construtores simbólicos do edifício social(*48). - A corrente filosófica e mística – Entre 1.599 e 1.662 a corrente de pensamento filosófico-místicoalquímico de inspiração Rosa Cruz penetra os espíritos e impregna de maneira profunda e continua a Ordem Maçônica, jogando um rol importante como infusão de um espírito novo que volta a dar à Maçonaria um renovo de atividade espiritual no sentido de suas tradições. Com o século XVIII, inicia-se

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uma nova época de pensamento onde se confunde intimamente o racional das ciências exatas e naturais e o irracional como o estranho e o maravilhoso. A alquimia, que estava no seu apogeu na Europa, atropelou o racionalismo estreito do século XVIII, consagrando a pratica da “Grande Obra Hermética” e criando o sistema filosófico-místico-alquímico chamado “Ciência Sublime” originado na corrente tradicional hermética que intentava redescobrir o mistério da vida. É nesta época que os Rosacruzes ingleses penetram na Francomaçonaria e certas doutrinas e tradições místicas, como as tradições Templárias e Rosacruzes, assim como as lendas dos Essênios e do Dionísios se incorporam ao “renascimento” da Ordem Maçônica. Foram aportes importantes à transformação e à regeneração da Maçonaria, dando-lhe um objetivo de união, de perfeição e de progresso de fraternidade, de igualdade e de ciências (*3). - A primeira constituição – Em 24 de junho de 1.717, dia do solstício de verão e de São João Batista “(dia oficial da Francomaçonaria Universal) Jean Theophile Desagulier, James Anderson, George Payne, Calvert, Sumn, Malden, Elliot, com assistência dos irmãos King e de alguns outros, convocaram os membros de quatro lojas que estavam ativas em Londres nesta época; elas tinham nomes pitorescos saios das tavernas onde elas se reuniam: “the Goose and Gridinon” (o Ganso e a Grelha) de Saint Paul’s Churchyard, “the Crown Ale-House” (a taberna da Coroa) de Drury Lane, “the Apple-tree Tavern” (taverna da macieira) de Covent Garden e “the Rummer and Grapes Tavern” ( a taverna da taça e uvas) de Westminster. Reuniram-se na taverna “the Apple-tree”, situada ne Charles street, atrás da catedral de São Paulo de Londres em Covent Garden para unirem-se, constituindo formalmente a “Grande Loja de Londres”, autodenominada de “dos Maçons Modernos”. Elegeram o seu primeiro Grão Mestre: Anthony Seyer, desenhista dos arquitetos que, dirigidos pelo ancião Grão Mestre Christopher Wren, reconstruíram a catedral de São Paulo de Londres destruída em 1.666 pelo gigantesco incêndio da “city”, o coração de Londres. Elegeram, também, seus dois Grandes Vigilantes: Jack Lambell, da confraria dos carpinteiros e John Elliot, capitão construtor. Definiam a nova Grande Loja como “Loja Mãe da Inglaterra”; deram-lhe a onipotência legislativa, aquela de dar adiante as cartas de regularidade a todas as outras. As velhas lojas de Londres e de Westminster não aceitaram esses “novos” Maçons. A loja de York encolerizou-se ante essa decisão unilateral dos Maçons londrinos por denominar-se “Grande Loja”, afirmando que era superior, já que ela era a mais antiga da Inglaterra, uma vez que a sua origem remontava ao ano de 926, no tempo do término da catedral de São Pedro de York, época em que o Príncipe Edwin, filho menor do Rei Athelstan (o Ethelefton) da Northumbria, nomeado Grão Mestre dos Maçons do Reino, tinha dado a primeira franquia constitucional aos Maçons Yorkinos: uma carta permanente (carta de York) que segundo certos autores, havia reproduzido a carta de Santo Albano, aprovada pelo Imperador Romano Carausius no ano 290, que fixava os direitos e deveres dos membros. Esta carta foi reconhecida em 1.350 pelo Parlamento de Londres no “Manuscrito Real”, documento que define os estatutos dos obreiros construtores de Londres. 57

A loja de York decidiu impor-se e formou em 1.725 sua própria “Grande Loja da Inglaterra”. Desde esta época, York ocupa um lugar muito especial na Maçonaria, principalmente nos Estados Unidos, onde muitos Maçons consideram que o rito Yorkino é a forma mais antiga da Maçonaria. As outras lojas inglesas ficaram independentes e livres e continuaram respeitando as “antigas constituições”(*48). No mesmo ando de 1.725, a Maçonaria Irlandesa declarou uma “Grande Loja da Irlanda” com sede em Dublin. A Escócia foi a ultima em tornar pública sua Maçonaria em 1.736. Em 24 de junho de 1.718, George Payne, sucede a Anthony Seyer. Fazendo-se necessário formular, tanto os princípios como os estatutos e regulamentos da Ordem, Payne começou o trabalho de reunir todos os escritos, cartas e antigas constituições chamadas “OLd Charges” (antigas obrigações ou Constituições Góticas) e as “General Regulations” da Maçonaria; entre quais se encontram os mais antigos documentos: os estatutos Shaw, as ordenanças de Ina (668ª 725) e de Alfred (871 a 901), o poema Regius (1.390), o documento Cooke (1.410), o Nigo Jones (1.607, o documento Wood (1.610) e a carta de Athelstan, estabelecida durante a assembléia geral de 936 em York. Mas, numerosas lojas operativas queimaram muitos documentos das “grandes constituições góticas”, manuscritos de grandíssimo valor, com fim de não caírem nas mãos desses “novos Maçons” que, para eles, eram apenas uns profanos. Desses preciosos manuscritos, anotamos um texto de 1.750 atribuído ao Rei Henrique VI da Inglaterra que dá uma definição interessante da Maçonaria, como resposta a uma pergunta relativa aos seus mistérios: “A Maçonaria é o conhecimento da natureza, o discernimento da potencia que ela encerra e de suas obras múltiplas, em particular o conhecimento dos números e das medidas e da boa maneira de fazer todas as cousas para o uso do homem, em particular os edifícios, assim como todas as outras cousas que contribuam ao seu bem” (*19). O pastor Jean Theophile Desaguliers, filho de um protestante francês de Rochelle emigrado a Londres depois da revogação do édito de Nantes; espírito brilhante, físico, matemático, capelão do Príncipe de Gales, doutor em direito, membro da “Royal Society” e discípulo de Newton, sucede a George Payne em 1.729. Participa na redação da primeira constituição Maçônica que foi terminada em 1.720. O Duque de Montague, Príncipe de sangue Real inglês, novo Grão Mestre, sucede a Jean Theophile Desaguliers em 1.721; encarrega o pastor e presbítero escocês James Anderson redigir a nova carta da Francomaçonaria moderna que foi adotada no mesmo ano e publicada em 1.723 sob o Grão Mestrado do Duque de Wharton. Em 1.732, nove lojas se reuniram segundo “Grande Comitê da mais antiga e honorável confraria dos Maçons Livres e Aceitos” decidiram constituir a “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos segundo as velhas instituições”, chamada também “Grande Loja dos Antigos”. Em 1.756, o irlandês Laurence Dermott publica a constituição “Ahiman Rezon” (Lei dos irmãos designados, ou escolhidos). A divisão entre os antigos (280 lojas) e modernos (387 lojas) dura até 1.813, ano da reconciliação e fusão, formando em 1.815 a “Grande Loja unida dos Francomaçons da Inglaterra”; sua constituição, diferente daquela escrita por Anderson em 1.723, foi publicada em 1.815. A esta Grande Loja que é reconhecida a qualidade de “Grande Loja Mãe de todas as lojas do Mundo (*48).

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- A Maçonaria escocesa – Em 1.640, a família Real da Escócia, os “Stuarts” (Estuardos), refugiam-se na França no castelo de Saint Germain en Laye, abriugaram suas atividades políticas nas lojas povoadas de exilados que conspiraram contra Cromwell e seus partidários para reconquistar o trono da Inglaterra. Para debilitar a oposição Estuardista, Cromwell ordenou em 1.649 a decapitação do Rei Carlos I Stuart. Sua esposa, a Rainha Enriqueça da Escócia, Princesa da França e filha do Rei Enrique IV da França, refugia-se por sua vez no castelo de Saint German en Laye com seus dois filhos, sob a proteção do Rei Luis XIII. Para os Estuardos é necessário vingar a morte do Rei Carlos II e castigar seus assassinos. Sob a inspiração dos Estuardos, nasce em Saint Germain en Laye uma Maçonaria Católica de tradição Templária. Em 1.606, o general Monk coloca novamente um Estuardo no trono da Inglaterra: Charles II. Seu irmão menor e sucessor: James II, destronado em 1.688 por Guilherme de Orange depois da capitulação de Limerick, refugia-se também na França no mesmo castelo. Sob a proteção do Rei Luis XIV (*13). Em 1.689, mediante uma Lei do Parlamento que afirmava categoricamente que nenhum Católico Romano podia ocupar o trono da Inglaterra, foi negada a sucessão Real inglesa a James II Estuardo e a seu filho. Logo em 1.701, promulgou-se uma nova Lei que excluía do trono inglês a todos que não fossem membros da Igreja Anglicana. A luta se desenvolve na Inglaterra entre a Realeza Católica dos Estuardos e o Parlamento, depois entre os Estuardos e os nobres protestantes da “Casa de Orange e de Hanover”. Em 1.715, iniciou-se a rebelião chamada “Jacobina (fiel ao Rei Católico James II Estuardo), mas foi um fracasso miserável. Depois da execução de Carlos I Estuardo, os membros da nobreza escocesa Católica, que tinham encontrado refugio na França, a partir de 1.649 e alguns soldados fiéis, uniram-se a James II Estuardo para fundar em 1.721 a primeira loja Maçônica “Escocesa” em Dunquerque. Três gentis homens escoceses estabeleceram em 1.726 em Paris a loja “Saint Thomas” em um albergue de Saint Germain dês Pres; é uma loja “Jacobina” dirigida por Charles Radclyffe (Lorde Derwentwater), que vai dar nascimento à loja “Goustand”, em seguida à “lês Arts Sainte Marguerite” e finalmente, à loja “au Louis d’Argent” (Luis de Prata) instalada em um albergue da rua de Bussy em Faubourg Saint Germain em Paris. Uma cisão política dividirá essa loja que cederá seu lugar em 1.729 a uma loja inglesa de inspiração Orangista (*12). - A Grande Loja Provincial da Inglaterra Para o Reino da França – Na França, a Maçonaria teve uma grande influencia graças à autoridade do Duque de Wharton que, depois de ter sido Grão Mestre da Grande Loja de Londres, torna-se o primeiro Grão Mestre da primeira Grande Loja da França fundada em 1.728 e chamada “Grande Loja dos Mestres do Oriente de Paris”. Apoiado por numerosos britânicos, escoceses e irlandeses que compunham a maior parte das lojas e pelo teólogo escocês Andrew Michael Ramsay, conservador das tradições da Maçonaria Católica escocesa contra as tendências anglicanas, o Duque de Wharton propaga na França a Maçonaria

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básica de três graus ou Maçonaria “azul” que foram trazidos pelos Maçons escoceses exilados em Paris. Grande orador da “Grande Loja Provincial da Inglaterra para o Reino da França”, que foi constituída em Paris em 1.735, o Cavalheiro Andrew Michael Ramsay, Doutor ”Honoris Causa” em direito civil da Universidade de Oxford e membro da “Royal Society of London”, havia viajado por toda a Europa, chegando a conquistar as graças de grandes famílias da nobreza. Foi preceptor do Príncipe de Turenne e do Príncipe Carlos Estuardo, filhos de James III, exilado em Roma e pretendente ao trono da Inglaterra e da Escócia. Andrew Michael Ramsay é patrocinado por Fenelon, Arcebispo de Coimbra, onde ele foi executor testamenteiro (*14). Desde seu nascimento, a Francomaçonaria se desprende do artesanato e de todas as praticas manuais que haviam feito a sua gloria e aquela de suas confrarias. Em um discurso ainda celebre pronunciado em 1.736, Andrew Michael Ramsay define o espírito e a origem da Maçonaria q1ue, segundo ele, não tem nada a ver com das confrarias de canteiros medievais sebentos que os aristocratas franceses não gostavam e freqüentavam o salão filosófico de Fenelon onde se reunia a nobreza da corte do Rei Luis XV, declarando: “O numero de Francomaçons não deve ser tomado no sentido literal, grosseiro e material, como se nossos instrutores tivessem sido simples obreiros de pedra”. Ramsay fala, ao contrario, de uma origem entre Reis, Príncipes, Barões e Cavalheiros das Santas Cruzadas, fazendo dos Francomaçons os novos “Cavalheiros do século da razão” (*22). Proclama pela primeira vez a universalidade da Francomaçonaria, denuncia o patriotismo agressivo e dá as bases da Maçonaria dos altos graus, ou Maçonaria “vermelha” inspirada, não na Maçonaria operativa, e sim em uma ordem de cavalheiros. Este discurso teve uma influência imediata, profunda e durável sobre o desenvolvimento da Francomaçonaria. Graças a seus argumentos, Ramsay seduz uma grande parte da nobreza francesa e preparaa para ingressar nas lojas. Andrew Michael Ramsay foi o propulsor da corrente de pensamento “Filosófico-Cavalheiresca” da Maçonaria, ponto de partida doutrinal da tendência filosófica Maçônica chamada “Escocismo”. Ramsay conseguiu em 1.735 fazer admitir na França sua teoria da origem Templária da Maçonaria que tinha sido refutada pela primeira vez pela Grande Loja da Inglaterra em 1.728 por falta de provas. A partir de 1.737, iniciou-se uma onda de fantasia cavalheiresca que se difundiu pela Europa nos séculos XVIII e XIX segundo um tema pluricultural Arabe-Turco-Egipcio, formando em 1.785 um muito sofisticado repertorio de mais de 400 rituais exóticos. A corrente filosóficocavalheiresca adquiriu tal preponderância durante a segunda metade do século XVIII que todos os demais sistemas, tal como a corrente “bíblico-simbólica”, viram-se postergadas e reduzidas ao silencio nos principais Estados da Europa. Os Jesuítas apoderaram-se um momento deste sistema e abusaram da Maçonaria na Inglaterra e Escócia com o objetivo de formar um partido em favor da dinastia Católica dos Estuardos; fazendo crer que a Maçonaria trabalhava para repor uma Realiza Católica no trono da Inglaterra, cultivando a romântica ilusão de que a Maçonaria no era mais que continuação encoberta da extinta Ordem dos Templários que tinha tomado este véu para perpetuá-la com o fim de recuperar um dia o seu antigo poderio. No século XVIII, a

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Maçonaria “Escocesa, ou Templária” representa a elite da sociedade da época; esta crença se perpetuou e perdurou longo tempo no rito Sueco e está ainda viva no rito “Escocês Retificado” no qual anotamos em 1.782: “A verdadeira tendência do regime retificado é, e deve ser, uma ardente aspiração ao estabelecimento da cidade dos homens espiritualistas, que pratiquem a moral do Cristianismo primitivo, sem nenhum dogmatismo, nem qualquer união com a Igreja, qualquer que ela seja”(*27). A Grande Loja de Londres outorgou permissão em 1.738 para constituir em Paris a “Grande Loja Inglesa da França”. Nessa época Voltaire publicou suas “letras inglesas” onde fez apologia do sistema de Governo britânico em oposição ao despotismo do sistema francês: “...cujos preconceitos Católicos molestam o progresso da razão...”; Em 1.764, Voltaire dirige seus ataques à Igreja, já que não admite mais a autonomia do mundo religioso que, segundo ele, se preocupa demais com a política. O poder Real francês se inquieta rapidamente por causa da atuação das lojas Maçônicas dirigidas por uns Grãos Mestres ingleses e a Maçonaria é proibida em 1.737 por decreto do Rei Luis XV.

* CAPÍTULO VII A Maçonaria moderna * * - O século da razão –
O século XVIII foi o século da razão. Descobrindo as ciências e as invenções técnicas, ele encontra na Enciclopédia de Diderot e de d’Alembert um prodigioso meio de difusão do saber da época, em qual Diderot rechaça a visão Católica do mundo porque, segundo ele, é muito fechada e sufoca as faculdades de razoamento do ser humano; dizendo ao Papa que sua missão na terra era somente espiritual e pastoral, mas não econômica e política. O primeiro volume da grande enciclopédia é publicado em 1.752. Uma batalha de opinião se desenrola imediatamente, de tal sorte que o conselho de Estado proíbe a venda da obra. Para contrapor-se ao movimento hostil, a bela e influente Madame de Pompadour, concubina do Rei Luis XV, favorece com discrição e eficácia a publicação deste primeiro volume. Devido a novos elementos em sua maior parte intelectuais, que entraram nela eà influencia dos enciclopedistas, a Francomaçonaria francesa evoluiu em sua tendência religiosa para transformar-se em organismo filosófico social em luta pela liberdade de consciência, de pensamento e por todas as liberdades humanas. A Francomaçonaria moderna, nascida no século XVIII, é uma instituição sensivelmente diferente da Maçonaria antiga, onde a arte de construir era o critério essencial; ela se separa resolutamente do artesanato e de todas as práticas manuais que havia feito a gloria de suas confrarias. Com a entrada massiva dos aristocratas, dos humanistas e dos racionalistas, a Ordem Maçônica muda de rumo e, desde 1.620, os antigos Maçons operativos são claramente minoritários em relação aos intelectuais. Pouco a pouco, a antiga confraria operativa torna-se uma “sociedade de pensamento” que ignora os

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irmãos operários. No século XVIII, o segredo, a fraternidade e a tolerância são ainda rastros sobre-salientes das lojas que começam aprofundar a prática das ciências herméticas (*38). - A Maçonaria da Corte – Em 1.737, falava-se somente dos progressos que fazia a Ordem Francomaçônica. Todos os grandes do Reino procuravam ser recebidos. Mas a “sociedade secreta” é mal vista pelo Governo francês que proíbe as reuniões. Apesar de que alguma raras vezes a policia entra à força nos albergues onde se reuniam as lojas, ela não se atreve a perguntar os nomes dos participantes, pis se trata da elite da nobreza do Reino. É para assegurar a Monarquia sobre a fidelidade das lojas que em 1,738 , Luis de Pardaillan de Gondrin, Duque d’Antin, Príncipe de sangue Real e Grande da França é eleito Grão Mestre. Pela primeira vez a Ordem Maçônica é dirigida por um membro da alta nobreza francesa, ocupando funções oficiais e desfrutando de certo prestígio na corte Real. Sob a influência do Duque d’Antin, a Francomaçonaria francesa torna-se independente daquela da Inglaterra e abandona suas atividades políticas. Morre o Duque d”Antin e é sucedido pelo Príncipe Luis de BourbonCondé, Conde de Clermont, que continua protegendo a Ordem Maçônica contra a antipatia Real. Em 1,771, existiam 154 lojas em Paris, 322 nas províncias e 21 loja de regimento (militares). Em ‘1.776 a Francomaçonaria conta, ao menos, com 30.000 membros em toda a França (*20). Os Maçons franceses decidiram governarem-se por si mesmos e independentizaram-se da “Grande Loja de Londres”, fundando em 1.772 a “Grande Loja Nacional da França” com sede em Paris. As lojas do século XVIII tiveram um grande poder de atração, já que nelas um podia trocar idéias e desenvolver em conjunto a busca intelectual ao abrigo de todo dogmatismo e de toda censura. No final do século XVIII, a Francomaçonaria francesa podia ser qualificada de “Ordem da Corte”, posto que sob o Reino de Luis XVI, foram Francomaçons os mais altos personagens da Corte Real. Em 1.789, a Maçonaria tinha conquistado um lugar e uma influencia considerável, uma vez que tinha invadido as classes sociais médias e altas da sociedade francesa: a burguesia e a aristocracia (*29). - O Grande Oriente da França – A partir de 1.738, a Francomaçonaria francesa não devia encontrar mais obstáculos para seu desenvolvimento. Sob o impulso do Conde de Clermont, as lojas deixam as modestas tabernas onde se reuniam por cômodos salões onde abundam as pinturas e as decorações alegóricas maçônicas. O substituto do Grão Mestre, o modesto “mestre de danças” Lacorne, que apóia os burgueses contra os aristocratas, é detestado. Sólidos ódios se mostram abertamente entre os irmãos parisienses. Em 1.746, os “Lacornianos” estiveram à caça de postos de responsabilidade e os partidários das duas tendências: aristocratas e burgueses livram uma verdadeira batalha que foi tal que os irmãos profanaram o templo. A polícia proíbe as reuniões maçônicas e obriga a Grande Loja encerrar sua atividade; este recesso dura quatro anos. O balanço é catastrófico, o ideal d Francomaçonaria é cada vez mais débil e os

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irmãos encerram-se em disputas estéreis; a Ordem Maçônica está em um be4co sem saída. Os “Lacornianos” contra atacam, convencendo o Duque de Montmorency Luxembourg, primo do Rei Luis XVI, a “ressuscitar” a Maçonaria moribunda. O Duque consegue fazer eleger Grão Mestre um personagem suficientemente conhecido por albergar a Ordem sob sua proteção, para restaurar o seu brilho depois de anos de anarquia. É Luis Philippe Joseph d’Orléans, Duque de Chartres, Príncipe de sangue e primo do Rei Luis XVI. O Duque de Chartres tem uma personalidade libertina e frondosa, devorada pela ambição política que o leva a uma oposição enviesada ao regime do seu primo Real, o que lhe vale a estima do povo e de seus irmãos que o conhecerão sob o nome de “Philippe Egalitée” (Felipe Igualdade). Philippe d’Orleans presidirá a Maçonaria francesa até 1.793. Durante seu mandato, ele nomeará administrador geral o Duque de Montmorency, que será de fato o principal dirigente da Francomaçonaria e que reorganizará a Ordem reunindo os irmãos das duas correntes sociais. Dissolveu a Grande Loja da França em 1,772 e substituiu-a em 1.773 pelo Grande Oriente da França. Este “golpe” de estado autoritário descontenta certas lojas que não foram consultadas os protestos surgem (*19). A parti de 1.774, os efetivos do Grande Oriente crescem, enquanto diminuem os da Grande Loja refrataria à união. Em 1.775 foi necessário regenerar a Ordem que tinha sido invadida por irmãos libertinos, mais preocupados com as honrarias e os banquetes do que os fins iniciáticos. Em 1.777 foram criadas as câmaras de perfeição, que permitiram uma seleção qualificativa mais rigorosa do quadro de membros. - A Maçonaria Revolucionária – Voltaire escrevia em 1.766 ao Marques de Chauvin “...Tudo o que vejo bota as sementes de uma revolução que chegará sem falta...”. Ele não sabia que no mesmo ano, alguns extremistas opositores do regime realista são admitidos nas lojas. Em seu conjunto, a Maçonaria esteve pouco preocupada com as idéias revolucionarias que estavam em germinação; têm-se que buscar melhor estas idéias nos numerosos clubes políticos, nas academias e as sociedades literárias, que são de fato pequenos grupos revolucionários ativos. Porém, apesar de que ela não tinha tido parte ativa no movimento revolucionário, é a Francomaçonaria que fundou o “Clube Bretão” de Versailles, que se tornou em “Clube dos Jacobinos”, que preparou os espíritos para as reformas políticas que poderiam ser feitas pacificamente sem a intransigência dos aristocratas privilegiados do Reino (*20). É esta intransigência que provocará a reação revolucionaria que conseguiu suprimir o feudalismo e proclamar os “Direitos do Homem e do Cidadão”. Porém a dita reação degenera rapidamente em revolta sangrenta e finalizará no chamado “terror vermelho”. Quando a tormenta revolucionaria eclode, uns agitadores transformam certas lojas em clubes políticos nos quais participam os irmãos partidários da nova doutrina democrática. Apesar de que certas lojas tenham servido de base às idéias revolucionários, não se pode pretender que a instituição Maçônica inteira tenha estimulado a Revolução. Entre os 578 deputados que votaram pela morte do Rei Luis XVI, 477 eram Maçons; a decapitação de Luis XVI foi decidida por um voto de maioria, aquela do Duque d”Orleans, seu primo (*19).

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A partir de 1.790, a Maçonaria adotará um tríplice ideológico: Liberdade, Igualdade de direitos e Fraternidade humana, que serão o emblema da Republica francesa, a primeira da Europa, que lançará em 1.793 as bases da democracia e a abolição da escravatura (*33). O mundo inteiro admite hoje que a propagação desses princípios preparou uma profunda transformação da França e da Europa inteira e constituíram as bases sobre quais se libertaram os povos do mundo e se instala a democracia no “Novo Mundo”. É deste ideal que vieram as orientações filosóficas e filantrópicas de liberdade e progresso da Maçonaria como a conhecemos atualmente: a fraternidade universal atuando na construção do bem humano com o objetivo de que cada um dos seus membros se torne um dos construtores do edifício social. - A desgraça do Grão Mestre – Em 1.789 vem uma violenta ruptura entre o Grão Mestre: o Duque de Orleans, que espera recolher o fruto de suas intrigas políticas, beneficiando-se da queda inevitável do Rei Luis XVI e do seu administrado geral: o Duque de Montmorency, que quer manter=se fiel à Maçonaria. Os Maçons dividem-se: os burgueses obedecem ao Duque de Orleans e os aristocratas ao Duque de Montmorency que se une à “Armada dos Príncipes” em 1.791 e trabalha contra a Revolução. Temendo por sua vida, o Duque de Orleans decide renegar a Ordem Maçônica e seus irmãos Maçons. Profundamente decepcionados, os Francomaçons pronunciam sua queda realizando uma cerimônia de degradação onde quebrara a sua espada. Os Maçons revolucionários estão enojados dessa traição e em 1.793 o ex-Grão Mestre não escapará da guilhotina (*26). Nesta época turbulenta, a maioria dos Maçons dos paises da Europa mostra-se hostil à Maçonaria que é acusada de ter fomentado a desordem e favorecido a queda da Realeza francesa e da ordem estabelecida. Em Prússia, as lojas estão sob vigilância da policia e na Rússia, a Imperatriz Catarina II fecha-as. Durante este trágico período revolucionário, a Maçonaria francesa esteve a ponto de morrer pelos golpes que lhe têm dado seus membros. Quando a calma voltou, a Maçonaria estava exangue. Com grande coragem, Alexandre Louis Roettiers de Montaleau desperta várias lojas depois da chamada época de “Termidor” e toma a direção do Grande Oriente da França. Torna-se seu Grão Mestre em 1.796 e consegue a fusão das obediências francesas sob a tutela do Grande Oriente que se torna o correspondente autorizado da Grande loja da Inglaterra. Enquanto que a Maçonaria continental formava a Maçonaria mais elitista e sofisticada, a Maçonaria britânica havia se convertido em uma sociedade para comer e beber; as lojas inglesas não tardaram em degenerar e a fraternidade inglesa dos homens de bons costumes se reunia em uma camaradagem de taberna (*19). Depois de 74 anos de crise, devido a este mau espírito de libertinagem, cheio de conflitos internos devido a sua permanente luta de influencias, os Maçons ingleses se reconciliam em 1.813 e se unem fundando a “Grande Loja Unida da Inglaterra” com sede em Londres (*32).

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- Os Rosacruzes – Como curioso contraste do racionalismo do século da razão, o século XVIII também é a época de um vasto movimento místico que impregna os altos graus Maçônicos com os temas da alquimia e da Cabala, pois as lojas Maçônicas deram acolhidas aos filósofos herméticos e aos alquimistas cuja linguagem simbólica se cruzava com aquela dos Maçons. A penetração dos Rosacruzes na Maçonaria fez indubitavelmente da velha Maçonaria operativa uma instituição nova, precursora da Maçonaria especulativa atual. O movimento dos “Irmãos da Rosa e da Cruz”, foi criado no Egito e no século XIV pelo gentil homem Christian Rosenkreutz (Rosen-crutz, Rosencreutz ou Rosencreutsen), naturalista alemão que se dedicou ao estudo da filosofia oriental; morreu em 1,484 na formosa idade de 106 anos. Aos 16 anos partiu em peregrinação à Terra Santa, visitou o Santo Sepulcro, percorreu a Arábia e o Egito. Dirigiu-se em seguida à Pérsia, onde estudou as bases das operações mais elevadas das ciências ocultas. Recebeu ensinamentos secretos dos sábios que tinham estudado entre os “filhos de Agar” na cidade de Damasco na Arábia. Rosenkreutz percorreu o Líbano, Síria, Marrocos e e iria a Fez que, na época era o santuário da sabedoria muçulmana, onde as línguas orientais, a física, as matemáticas e as ciências da natureza. Fundou em Fez uma escola conhecida sob o nome de “Colégio Invisível”, consagrado à prática da “Grande Obra Hermética”, cujos discípulos foram conhecidos com o nome de “os Invisíveis” ou de “os Imortais” (*55). Rosenkreutz foi o criador do sistema filosófico-mistico-alquimico chamado “ciências sublimes”, saído da corrente tradicional hermética que tentava redescobrir os mistérios da vida. Alguns anos mais tarde, Rosenkreutz dirigiu-se à Espanha onde quis fundar uma sociedade destinada a colocar os homens sobre o caminho da ciência e do bem. Uma sociedade Rosa-Cruz existia na Itália até 1.411 e uma em Flandres até 1.411. Em 1.413, os Rosacruzes apareceram na Alemanha, onde se assentaram na cidade de Shlesvig em 1.484. A jóia simbólica dos Rosacruzes era uma rosa sobre qual se destacava uma cruz lavrada em seu centro. Segundo os resultados da investigação feita de 1.642 até 1.646 por Gabriel Naude, bibliotecário de Richelieu, primeiro ministro do Rei Luis XIII: “...Os Rosacruzes são piedosos e honestos em grau máimo, conhecem por revelação aqueles que são dignos de estar em sua companhia; não estão sujeitos nem à fome nem à sede nem às enfermidades, mandam nos espíritos e os demônios mais poderosos. Pela virtude de seus cantos, podem atrair a eles as pedras preciosas; dispõe de mais ouro e prata que o Rei da Espanha arrecada de suas rendas nas Índias, uma vez que seus tesouros jamais podem esgotar-se...”(*49). O éculo XVI vê desaparecer o Rosacrucianismo na Alemanha. Nasce nesta época uma lenda que pretende que os irmãos Rosacruzes partiram para Índia, onde fundaram o mítico Reino subterrâneo de “Agarthas”. A corrente Rosa-Cruz impregna de maneira profunda e contínua a Ordem Maçônica de 1.593 a 1.662 e terá um rol importante como a infusão de espírito novo na Maçonaria que volta a dar-lhe uma atividade espiritual no sentido de suas tradições.

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Os intelectuais Rosacruzes do século XVI foram numerosos: Johann Valentin Andreae (1.568-1.654), Capelão do Duque de Wurtenberg, um dos homens mais sábios do seu tempo, autor de numerosas obras literárias e herméticas, entre as quais “As bodas químicas de Christian Rosencreutz”, “Menippus”, “Turris Babel”, “A Fama” e co-autor do maior livro Rosa-Cruz “Os Manifestos” em associação com Arndt, Gerhardt e Christophe Besold, com o qual Johann Valentin Andreae funda a “Republica Cristianopolitana”. Teofasto Bombasto de Hoherheim, mais conhecido sob o pseudônimo de Paracelso; médico, espírito iluminado e cabalista; reabilitou a alquimia e descobriu, junto ao medico Fausto de Cornélio Agrippa, que o mundo inferior está unido ao mundo superior. Em seu livro “Achidoxa de tintura physica de occultea philosophiae”, um dos seus 364 escritos, intentara unir os conhecimento médicos do seu tempo com as ciências esotéricas. Um dos seus discípulos: Jakob Bohme (que muito influenciou Isaac Newton) trabalha especialmente sobre o tema da Pedra Filosofal (*55). Outro Rosa-Cruz: Francis Bacon definirá em sua obra “Nova Atlantis” uma sociedade ideal onde existe uma sociedade secreta chamada O templo de Salomão”, cujo objetivo é fazer a felicidade dos homens, revelando-lhes os segredos da natureza. O enciclopedista d”Ambert se apaixona pelos planos da “Nova Atlantis” de Bacon. Os destacados Rosacruzes Jean Tritemius, Heinrich Khunrath, Michel Maier, que publicou 21 volumes dedicados à arte de Hermes, Nicolas Flamel, Jan Amos Komensky (Comenius), Robert Fludd (Fluctibus) que foi o primeiro organizador da Francomaçonaria Rosacruciana e Barnaud, Thomas Vaughn, Von Ratishs, Brotoffer e Barich von Spinoza não se satisfazem mais com a velha linguagem simbólica dos alquimistas. Expuseram suas doutrinas em um novo sistema racional que teve enorme êxito no século XVII (*55). De 1.658 até 1.685, sociedades Rosacrucianas se formam em toda a Europa; sobre tudo na Inglaterra, já que o entranho e o maravilhoso, como a alquimia, também o racionalismo estreito do século XVII. Os adeptos ingleses: Christofer Wren, Robert Moray e Elias Ashmole têm um rol importante na fundação da “Royal Society”. É nesta época que os Rosa-Cruzes ingleses entram na Francomaçonaria e são eles que foram fomentadores da Maçonaria especulativa (*49). Elias Ashmole: astrólogo, alquimista, físico e matemático, chamado o “Mercurofilo inglês” é admitido como Maçom aceito em Lancashire. Continuará a acentuar as tendências herméticas da Ordem Maçônica. É nesta época que nascem as lendas simbólicas relativas à construção do Templo de Salomão e do seu construtor Hiram. Em 1.724 umas antigas constituições Maçônicas de Londres citam os Rosa-Cruzes e os Maçons como “Irmãos da mesma fraternidade ou Ordem”. - A síntese progressiva – A corrente de pensamento Maçônico do “Século da Razão” situa-se na “Síntese Progressiva”, caminho do conhecimento situado entre a metafísica tradicional (a unidade de todas as ciências) e o racionalismo (*49). Em 1.756, o Barão de Hund funda o rito Maçônico da “Estrita Observância” que está destinado a ressuscitar a Ordem do Templo, no qual aparece o mito dos “Superiores Desconhecidos” que supostamente, dirigirão a

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Maçonaria sem jamais encontrar os membros dos graus mais baixos; este rito conhecerá um grande sucesso na Alemanha. A partir de 1.773, o filosofo Joseph de Maistre tentará, com o apoio dos altos graus do “Rito Escocês Retificado”, de inspiração Cristã e Templária, fazer entrar a Maçonaria num “Cristianismo transcendental”. Os séculos XV e XVI viram nascer a influencia das doutrinas secretas da “Escola Eclética de Alexandria” que tom a uma importância indiscutível na Europa no momento em que a filosofia reúne a tradição iniciática, uma vez que os descobrimentos científicos do século XVI chamaram atenção sobre os alquimistas de tempo remoto, dando honra ao principio fundamental do Hermetismo; a unidade (o Todo está no Todo). Este retorno ao “conhecimento universal” marcará a síntese das correntes tradicionais: aquela da antiguidade e das influencias neo-Alexandrinas e gnósticas, aquela da igreja Cristã primitiva, aquela dos iniciados herméticos, alquimistas e cabalistas influenciados pelas tradições orientais. A elite intelectual do século XVI: Pomponazzi, Pic de la Mirandole e Ficin, entreviram o desenvolvimento filosófico dos sistemas de Zoroastro; de Hermes, de Orfeu, de Pitágoras e de Platão como complementos das idéias filosóficas Cristãs e a Cabala judaica, crendo descobrir a chave da energia do universo. Uma nova geração de pensadores: Agrippa, Rabelais e Paracelso criam o movimento “Pansófico, ou conhecimento universal” e o “Humanismo”, doutrina onde o universo se revela mais perfeitamente no homem, ponto culminante e coroação da evolução e onde o homem é o resumo do mundo e do cosmo. É o retorno à Lei do “Mentalismo” de Hermes (o Tudo é espírito, o universo é mental); esses princípios aproximam-se dos conhecimentos atuais da Lei de vibrações (nada repousa, tudo se move, tudo vibra) (*37). - A Maçonaria mística – A Maçonaria toma da antiga egípcia esotérica muitos dos seus mistérios. Suas origens egípcias foram objeto de muitos interesses e de muita literatura durante o século XVIII europeu. O genial compositor maçom Wolfgang Amadeus Mozart se inspira em uma iniciação do rito egípcio para a composição de uma de suas mais belas obras: a “Flauta Mágica”. O sucesso da ópera de Mozart fez conhecer à Maçonaria européia as teses das origens egípcias sustentadas pelo Barão Ignaz Von Born, conselheiro do Rei Joseph II da Áustria,Venerável da loja de Viena onde foi iniciado Mozart (*34). A partir de 1.801, assistimos a criação de ritos que se referem à tradição egípcia. Algumas lojas constituíram se com o propósito de perpetuar as iniciações egípcias antigas. O rito dos “perfeitos iniciados do Egito, ou rito de Misraim”, criado em 1.788 em Veneza (Itália) tinha a filiação de Cagliostro que havia obtido uma patente de construção de um grupo de Socisienos (seita protestante) italianos. Foi introduzido na França por uns Maçons que tinham participado na campanha do Egito com Napoleão. Em 1.810, os três irmãos Michel, Marc e Joseph Bedarride fundaram a obediência francesa de Misraim usando os poderes recebidos em Nápoles (Itália) das mãos do Grande Comendador De Lassalle. Para aferrarem-se à tradição, seus promotores fizeram nascer historicamente esse rito de Misraim, primeiro Rei mitológico do Egito (*49). Samuel Honis e Marconis de Nègre constituem em 1.815 o Rito de Memphis em Montauban (França), onde o0s fundadores teriam sido

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supostamente Cavalheiros Templários dirigidos por um egípcio de nome Ormuz, sacerdote de Memphis, convertido ao cristianismo por São Marcos. Organizado por Garibaldi, que foi seu primeiro Grão Mestre, a fusão dos ritos de Memphis e de Misraim se opera em 1.881. Foram associados a estas duas obediências os graus iniciáticos que vinham das antigas obediências esotéricas do século XVIII: “o rito dos Philadelphos”, “o rito dos Irmãos Africanos”, “o rito Hermético”, “o rito dos Philalethes” e “o rito Primitivo”, fundado em 1.780 em Narbonne (França) pelo Marques de Chefdebien. O rito de Memphis ressurgiu em 1.947 sob a forma do “Rito Oriental Antigo e Primitivo de Memphis” que se afirma como uma síntese de todos os ritos filosóficos, herméticos e alquimistas, situando sua origem no rito primitivo dos Philalethes. “Os ritos egípcios antigos fundiram-se em 1.959 em um “Supremo Conselho das Ordens Maçônicas de Memphis e Misraim Reunidos”; tornou-se em 1.963 no “Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim”“ (*34). Certos ritos Maçônicos reconhecem a necessidade das formas culturais (religiosas) em quais elas não partem do culto para chegar à tradição; mas ao contrario, partem da tradição para definir um culto. Estes ritos tomam suas fontes das teorias de Emmanuel Swedenborg (1.735), cujo ensinamento foi seguido na Suécia, na Inglaterra e na Alemanha. A influência de Swedenborg sobre a Francomaçonaria se exerce por intermédio de Martinès de Pasqually que forma a doutrina da “reintegração” (*15). A organização e a prática deste culto, verdadeira “teurgia”, chamada “Rito dos Eleitos Cohen” foi constituído em 1.754 no sul da França; desenvolveu-se em Paris em 1.767. O ritual desta doutrina consistia em uns cultos mágicos estranhos; sua finalidade era de entreabrir o véu ao outro mundo: as portas da “Jerusalém Celeste”, a fabulosa cidade de beatitude (*35). Após a morte e Martinès de Pasqually, seus ensinos dividem-se em dois ramos: um dirigido por Willemnoz, que teve a intuição d que a ordem Maçônica continha uns valores espirituais que uniam o esoterismo tradicional: aquele de um cristianismo esotérico, onde as práticas ocultas estão em primeiro plano e onde os adeptos lutam contra o materialismo e a filosofia racional. O outro, dirigido por Louis Claude de Saint Martin, conhecido a partir de 1.775 sob o pseudônimo de “Filosofo Desconhecido”, desenvolve uma doutrina mística e de analise metafísica. Segundo Saint Martin, não é útil nem igreja, nem culto, nem rito. O espírito do homem é o único e verdadeiro templo (*43). Um século mais tarde (1.886). Papus (Doutor Gerard Encausse) reúne a doutrina de Saint Martin, criando uma “Ordem Martinista”. Em torno de Paus, reunia-se um conselho de ocultistas parisienses, renovador do “ocultismo” que entendia orientar o Martinismo a este (*22). - A Maçonaria Mágica – A atitude mágica da Maçonaria, como vontade de obediência e de ritual, foi marcada no século XVIII. O Maçom ocultista alemão Schroeder fundou em 1.766 em Marbourg um capítulo dos “Verdadeiros e Antigos Maçons Rosa Cruz” onde se praticava a magia, a teosofia e a alquimia. Seu sistema, chamado “Rito de Schroeder” ou Rosa Cruz Retificado “era ainda praticado na metade do século XIX em Hamburgo. A lenda pretende que Schroeder tinha sido um dos Mestres da magia de Cagliostro, que e identificado como o Mestre

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da mais famosa Francomaçonaria mágica, ainda que essa curiosa honra ser atribuída ao mercador austríaco Kölmer, de volta do Egito, que teria sido o misterioso “Altotas”, o mestre de magia de Cagliostro (*49). Jose Balsamo, Conde de Cagliostro (Sicília), é um personagem extraordinário, ainda que se mantenha bem misterioso. Iniciado na Maçonaria em 1.777 em Londres criou em Bruxelas um rito Maçônico com operações mágicas; freqüenta as lojas de todos os ritos na Holanda, Alemanha, Polônia e Rússia. É em Mitau em 1.779 que ele faz por primeira vez uso de ritos mágicos. Funda em Lyon (França) uma loja “A Sabedoria Triunfante” e em 1.784 tenta o prestigio de mago e de curador. Dirige uma sociedade de gnósticos: a seita de “Saint Jakin” que durou até a revolução francesa, entregando-se às ilusões da magia, mesclando os segredos dos Rosacruzes e os mistérios dos Templários. Cagliostro funda em 1.784 em Lyon (França) o templo chamado “Loja Mãe do Rito Egípcio”, dirigindo o ritual da Maçonaria egípcia, tratando de ressuscitar o misterioso culto de Isis. O objetivo dos trabalhos desta loja era de levar o homem decaído a reconquistar sua dignidade perdida. O titulo que dava Cagliostro aos seus ensinamentos era de “Doutrina do Grande Copta” (*34). Cagliostro se instalou em Estrasburgo (França), cidade onde residiu de 1.780 a 1.783, adquirindo uma grande ascendência sobre o Cardeal de Rohan. Quando explodiu o escândalo “do colar da Rainha”, Cagliostro foi detido em 1.785 e encarcerado em Paris na Bastilha ao mesmo tempo em que o seu protetor o Cardeal de Rohan. Foi expulso da França e embarcado para a Inglaterra (*49). Depois de ter sido adorado como uma divindade foi tratado como um intrigante, charlatão e finalmente como aventureiro. Em seguida Cagliostro iria a Roma onde a Inquisição romana teve de condená-lo a morte em 1.791 por heresia e maçonismo; mas o Papa comutou a pena por prisão perpetua, fazendo encerrar em uma cela sem porta da fortaleza de São Leo, no Montefeltro (Itália), onde morreu enforcando em 1.795 para evitar sua fuga (*49) Outro grande e misterioso personagem aparecido neste “Século da Razão”: o Conde de Saint Germain; que contribuiu para tornar ainda mais misteriosa a Ordem Maçônica. Usava nomes diferentes em vários paises: Conde Summont, Conde de Solikof, Conde Welldona ou Veldone, Marques de Ballamare ou Belmar, Marques de Montferrat e de Aymar, Cavalheiro Schoening, Conde Czarogy e Príncipe Rackoczi. Nasceu na Itália, na região de Piemonte e seus verdadeiros títulos pareciam ser: Conde de Saint Martin e Marques de Aglié. Parecia possuir uma grande fortuna. A lenda relativa ao Conde de Saint Germain induz a crer que era um douto físico e um químico distinguido; pretendia ter descoberto o meio de fabricar ouro e assegurava que possuía o segredo de soldar os diamantes sem ficar vestígio da operação. Dizia ter aprendido esta prática, assim como outros dos seus segredos químicos, com antigos egípcios (*34). Seu valete Gleichen dizia dele: “...Falava com uma ênfase misteriosa das profundidades da natureza sobre o gênero da sua ciência e de seus tesouros; porém,não ensinou-me mais do que conhecera marcha e a singularidade da charlatanearia...”. O Conde de Saint Germain chegou a Paris em 1.718. Instalou-se na capital francesa graças ao patrocínio do Marques de Mangny, diretor das

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manufaturas Reais. Citando com desenvoltura os eventos históricos como se ele tivesse sido testemunha ocular, toma forma um rumor de sua imortalidade, que ele cultivava com muito humor (*49). Madame Pompadour, favorita do Rei Luis XV, instala-o no castelo de Chambord e autoriza-o permanecer em Versailles, onde consegue que o Rei empregue-o em 1.760 para as suas missões na Holanda para negociar secretamente a paz com York, embaixador da Inglaterra em Haia (*56). O Rei recebia-o familiarmente, concedendo-lhe audiências privadas. Em 1.762, esteve na Rússia em São Petersburgo, na corte de Pedro III. Todos os soberanos europeus recebem-no e dão provas de respeito. Qualquer que seja o pais onde se encontre, o Conde de Saint Germain suscita o mesmo assombro e a mesma admiração. Depois de alguns anos de viagens pela Europa, reside na Itália e em Berlim (Alemanha). Em 1.776 está na corte de Frederico II da Prússia a quem diferentes projetos químicos. Em 1.778 estabeleceu-se em Altona, onde conheceu o Duque de Brunswick. Oito anos depois adoece de gota, morre em Eckemfoerde de um ataque de paralisia ao lado de Landgrave de Hesse para quem fazia uma fábrica de cores (*48). O Conde de Saint Germain influenciou muito o medico austríaco François Antoine Mesmer, quem anuncia em 1.780 a descoberta do “magnetismo animal”; suas idéias conduzem em 1.738 ao estabelecimento em Paris de uma loja Maçônica conhecida sob o nome de Sociedade da Harmonia Universal”, que era destinada à iniciação de adeptos para praticar e propagar as doutrinas de Mesmer; primeiro sapiente contemporâneo que colocou em relação a situação do cosmos com o surgimento das enfermidades, tentando prolongar as investigações dos médicos da antiguidade que tinham uma concepção do corpo humano. - A Maçonaria Imperial – São os Irmãos que pertenciam à lojas militares que, durante o período Napoleônico, vão assegurar o renascimento da Ordem e a irradiação do seu espírito através da Europa.O espírito Maçônico dá aos militares a ocasião de fazer amizades profundas, favoráveis à coesão da armada Imperial. As tropas de ocupação Napoleônicas encontram Irmãos nos paises vencidos; são eles que facilitam a transmissão do pensamento francês e a integração ao Império. Numerosos marechais das armadas Imperiais Napoleônicas eram Francomaçons e a historia e a historia se interroga sobre filiação do próprio Imperador à Ordem Maçônica (*41). Graças à Francomaçonaria, Napoleão reforça sua própria armada e consolida suas conquistas. O pai de Napoleão, seus irmãos assim como o Príncipe Murat, primo do Imperador, eram Francomaçons. Desde o seu renascimento, a Ordem Maçônica estava sujeita à organização que proclama Napoleão. Em 1.806, o irmão do Imperador: Jose Bonaparte, é nomeado Grão Mestre do Grande Oriente; é assistido pelo Ministro Cambaceres como Grande Deputado. O outro irmão do Imperador: Luis Napoleão é Grande Orador e o chefe de policia Fouché é um dos dignitários do Grande Oriente. Em 1.804, o Conde de Grasse-Tilly funda em Paris o Supremo Conselho do Rito Escocês antigo e Aceito” (*12).

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- A Maçonaria feminina – Na antiguidade era comum a presença da mulher nas ordens iniciáticas e certos autores indicam que nas primeiras lojas Maçônicas operativas se tem encontrado ocasionalmente algumas mulheres. Depois, a Maçonaria se organiza e se torna exclusivamente masculina. No século XVII era difícil recusar as mulheres, uma vez que elas dirigem os salões intelectuais onde se defendiam idéias libertarias muito próximas das da Maçonaria (*13). Em 1.744 o Cavalheiro de Beauchêne cria uma Maçonaria feminina de quatro graus. Essas lojas femininas tomaram tanta importância a partir de 1.760 que o Grande Oriente da França decide regularizar a situação, criando umas “lojas de adoção” com um ritual particular. As grandes Damas do Reino francês filiam-se com entusiasmo (*14). Depois da Revolução, as lojas de adoção tomam um desenvolvimento importante sob o impulso da Imperatriz Josefina de Beauharnais, esposa de Napoleão, membro de uma loja adoção parisiense. Em 1.805 ela dirige uma sessão na loja “Imperial de Adoção dos Francos Cavalheiros”; porém, as lojas de adoção declinam sob a restauração da monarquia (*20). A Grande Loja Nacional da França tem constituído algumas lojas femininas e tem favorecido a autonomia da “Grande Loja Feminina da França”, composta exclusivamente por mulheres. A obediência mista “O Direito Humano” é criada em 1.894 sob o impulso de Marie Deraisme com o concurso de George Martin; os oficiais são eleitos entre os dois sexos. Em 1.901 o Direito Humano torna-se uma associação internacional que conta hoje com 40 federações (*24). Numerosas associações paramaçônicas femininas existem nos Estados Unidos da América: a “Eastern Star” criada em 1.850 (2.500.000 membros), o “White Shrine of Jerusalém” fundada em 1.895 (1.300.000 membros), a “Order of Aramanth” criada em 1.891 e a “Order of Rainbow for Girls”(*23). - A Maçonaria Republicana – Em julho de 1.830, durante a época dos três gloriosos, a Maçonaria canta sua ação onde seu rol democrático aparece à luz e organiza uma grande festa em honra do Marque de Lafayette a quem os Francomaçons norte-americanos outorgam as mais altas distinções maçônicas. Desde a queda da “monarquia burguesa” e o nascimento da segunda Republica em 1.848, aparece um lema maçônico sobre a bandeira francesa: “Liberdade, Igualdade Fraternidade”. Lamartine dá testemunho de sua ação nas lojas maçônicas para o restabelecimento da Republica Francesa, dando esperança aos cidadãos de um paraíso social onde a Maçonaria teria uma das chaves (*12). Em 1.849 se funda uma “Grande Loja Nacional da França”, acolhendo em suas oficinas a todos aqueles, de qualquer condição social, que queiram participar dos trabalhos maçônicos. O Grande Oriente da França, ao contrario busca uma política de recrutamento na burguesia de negócios. Para o Grande Oriente da França, a participação na vida política está conforme com a moral maçônica; deseja participar na vida pública e jogar um rol no xadrez político nacional (*15).

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Vítima de calunia a Grande Loja Nacional da França deve ser dissolvida em 1.851 sob a pressão da policia. Durante o Convento de 1.877, o Grande Oriente da França modifica o artigo I das constituições e desaparece a fórmula A:. G:. D:. G:. A:. D:. U:. e se impõe a divisa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Imediatamente a Grande Loja da Inglaterra denuncia o tratado com o Grande Oriente da França que, segundo ela, não respeita mais os Landmarks e a constituição de Anderson. É imediatamente imitada por numerosas Grandes Lojas do mundo que consideram, elas também, que o Grande Oriente da França não faz mais parte da Francomaçonaria Universal (*20). Em 1.871 o Grande Oriente da França suprime o titulo de Grão Mestre e substitui-o por “Presidente do Conselho da Ordem”. Aparentemente se trata de um pequeno detalhe; mas na realidade, é o começo de uma degradação da antiga tradição que leva aos Maçons do século XIX a suprimir os símbolos e partes dos rituais que não compreendem mais (*14). A Francomaçonaria, politicamente muito forte na França desde 1.872 até 1.826 vê ascender o anti-semitismo e o anti-maçonismo sectário organizado pelos Católicos. Neste clima tenso se acrescenta a encíclica do Papa Leão XIII. Esta situação se traduz em certo medo da Igreja Católica frente à Ordem maçônica que, segundo ela, renega a civilização cristã e quer instaurar uma sociedade laica que não teria necessidade da espiritualidade (no sentido católico do termo) (*13) A Francomaçonaria e a Igreja Católica rompem todo contato. Em 1.880 o Governo francês, integralmente constituído de Maçons, suprime a “Companhia de Jesus” (os Jesuítas) e obriga todas as congregações religiosas pedir um reconhecimento legal sob pena de serem dispensadas. Começa então uma guerra dissimulada entre Jesuítas e Francomaçons (*15). Em 1.881 o Ministro Maçom Jules Ferry institui o ensino obrigatório, laico e gratuito. A Maçonaria do século XIX quer assegurar o pleno desenvolvimento dos valores democráticos e republicanos, assim como o livre pensamento sob todas as formas. Esta Maçonaria encontrará seus títulos de gloria na criação da “Sociedade das Nações’ (*14). Em 1.880, doze lojas se separam do Grande Oriente da França e fundam uma Maçonaria independente: a Grande Loja Simbólica Escocesa” e em l.1895 é fundada a “Grande Loja da França” que, desde sua criação, deseja diferenciar-se do Grande Oriente da França; ela está constituída por Maçons simbolistas que não têm nenhuma ambição política (*14). Edouard de Ribeaucourt, professor de ciências naturais na Universidade renuncia do Grande Oriente em 1.913 e funda uma nova obediência maçônica: “Grande Loja Nacional Independente e regular para França e Colônias Francesas”, a atual “Grande Loja Nacional”(*14). A Grande Loja da Inglaterra vê vencer na França uma tendência maçônica que ela aprova. Na França, apenas a Grande Loja Nacional responde aos critérios de regularidade emitidos pela Grande Loja da Inglaterra. - A Maçonaria à conquista do Mundo – De origem inglesa ou escocesa, de Londres ou de Paris, a Francomaçonaria começa sua escansão na Europa. Instala-se na Rússia em 1.717 sob o Reino de Pedro o Grande e em Mons em 1.721. Umas lojas são criadas em Madri (Espanha) em 1.728 e chocam-se imediatamente com a

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Inquisição Católica. A expressão da Francomaçonaria é sobre tudo sensível a partir de 1.730, quando ultrapassa a fronteiras da Europa. A Inglaterra abre algumas oficinas em suas possessões coloniais da Índia, em Calcutá e na América, em Boston. A Francomaçonaria se instala, também, em Florença (Itália), em Malta em 1.733, em Haia (Holanda) em 1.734 (*26). O Imperador Frederico II da Prússia é iniciado em 1.738 e dirigirá rapidamente a Maçonaria alemã onde o caráter esotérico será muito mais desenvolvido que no resto da Europa. Em 1.758 Stephan Morin recebe uma patente da “Grande Loja de São João de Jerusalém” dando-lhe autorização para fundar lojas na América e de propagar os altos graus segundo o ritual dos “Imperadores do Oriente e do Ocidente” em qual se tornará o Grande Inspetor. Em 1.760 um loja de Perfeição é criada no Estado de Carolina do Sul em Chesterton (*20). O ideal fraternal que leva Morin seduz a jovem nação americana que admira o passado europeu, de tal sorte que Carolina do Sul se converteu em um bastião da Francomaçonaria nos Estados Unidos e continua sendo (*20). Benjamin Franklin fez grande propaganda na Europa pela causa da independência norte-americana. Em todas as lojas ele é estimulado e obtém dinheiro e armas (*29). 56 dos signatários entre os artesãos principais da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América eram Francomaçons. Os Francomaçons franceses entusiasmam-se com esta nobre luta que os leva a ir em ajuda dos insurgentes da América e George Washington encontrará ouvido favorável de parte da Francomaçonaria francesa. Chegando da França, os Marqueses de Lafayette e de Rochambeau desembarcam na América com armas e dinheiro e jogam um rol decisivo durante as lutas de independência (*23). A maior nação maçônica é sem lugar a duvidas os Estados Unidos da América. Toda sua historia leva uma onda do ideal maçônico que inspira a primeira constituição dos EE.UU.. 15 Presidentes foram Maçons; porem, mais preocupados com beneficência os Francomaçons estadunidenses relegam a segundo plano o simbolismo. O Maçom norte-americano está perfeitamente integrado à Nação e faz parte de uma Ordem que é um organismo dos mais honoráveis, muito raramente criticado (*23). - A Maçonaria contemporânea – Depois da Maçonaria pré-cristã e da Maçonaria operativa medieval, se afirma uma terceira Maçonaria, aquela dos tempos modernos, que não é o coração da nação como no Egito, nem o centro de gravidade de uma elite profissional como na Idade Média. Ela torna-se uma sociedade, se não secreta, pelo menos discreta. Em um mundo onde os ideais iniciáticos são relegados a um segundo plano, a Maçonaria tenta conservar seus ideais em suas lojas. Esta atuação de autenticidade foi combatida por uma “burguesia de negócios” e uma “aristocracia política” que invade a Maçonaria com sua mentalidade profana durante o nosso atual século XX. Os temas que apresenta a Maçonaria universal não se expressam na linguagem escrita dos conceitos usuais e sim naqueles dos símbolos que, no passado distante, revestem uma grande importância, mas que hoje parecem

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caducos em um mundo tomado pela lógica formal (*42). O simbolismo reveste, no entanto, um caráter de atualidade, já que se tornou um novo e atraente meio de expressão do pensamento na arte, na literatura e nas ciências; posto que em nossa época moderna, reconhecemos que não existe disparidade entre os procedimentos objetivos e os subjetivos do acercamento à verdade. Desde o começo do século XX, a Francomaçonaria é considerada como uma sociedade discreta situada num contexto político liberal. Pretende-se que no lugar fechado da loja, com porta guardada por um irmão armado de espada, o Maçom conspira; que seus dirigentes atuam sob os poderes políticos e que o destino das Nações está sob a influencia das lojas maçônicas. Esta classe de informações sem nenhum fundamento age ainda sobre opinião popular. O “Irmão três pontos” continua sendo um ser misterioso; por causa do juramento de não revelar nada sobre os trabalhos da sua oficina, se suspeita a conspiração contra o poder estabelecido, temporal ou eclesiástico (*39). - Relação da Maçonaria com a Igreja – Os eclesiásticos eram numerosos nas lojas maçônicas durante o século XVIII; elas eram profundamente católicas; nesta época admitiam-se apenas os católicos; mas, a partir da concordata de 1801 as lojas ficaram pouco a pouco sem praticantes católicos por causa das excomunhões Papais. Esta cisão conduziu inevitavelmente ao anti-clericalismo de uma parte e anti-sionismo de outra parte. A situação piorou no século XX por causa do artigo 2.335 do direito canônico promulgado em 1.917 pelo Papa Bento XV punindo com excomunhão a “Seita Maçônica”, mas que suprimido em 1.985 pelo Papa João Paulo II (*43). A Francomaçonaria nunca quis rivalizar com a Igreja ou entrar em competição com os ritos religiosos ou sacramentos; ela não tem tampouco a pretensão redentora da eternidade; quer apenas melhorar o homem aqui e agora e deixa aporta aberta a todos para outra esperança. A proclamação da “Infalibilidade Papal” foi um fato que abriu uma imensa foca em 1.869 entre Cristãos e Francomaçons; para as lojas é um ato dogmático intolerável que proíbe todo dialogo. A resposta da Igreja será, como de costume, acerba e caluniadora. Durante o século XX, a atitude da Igreja se abrandou em relação à Francomaçonaria; este comportamento conciliador tem conduzido em parte, o Grande Oriente da França amenizar a sua. As posições belicosas tradicionais têm sido bastante atenuadas, mas a reserva persiste ao menos. O Grão Mestre do Grande Oriente da França: Fred Zeller, dizia em 1.972: “Nossas relações com a Igreja irão, sem duvida, melhorar nos próximos anos; mas, temos ainda muito progresso a ser feito de parte a parte; a Igreja pretende ainda e sempre ter a verdade; nosso desejo é somente de buscá-la; como os nossos caminhos podem cruzar-se?” (*24). O Concilio Vaticano II adotou alguns aspectos novos da doutrina eclesiástica em ralação à Francomaçonaria; o artigo 2.335 do direito canônico pune ainda com excomunhão aqueles que aderem a uma “Seita ! ... Maçônica”. Porem, a Igreja não formulou uma doutrina oficial no que diz respeito à Francomaçonaria do nosso século, apesar de que o Papa João XXIII esta oração na Basílica de São Pedro em Roma:

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“... Senhor e Grande Arquiteto do Universo, Nós nos humilhamos a teus pés e invocamos teu perdão pela heresia no curso de desconhecer nossos irmãos Maçons como teus seguidores prediletos. Lutamos sempre contra o livre pensamento, porque não tínhamos compreendido que o primeiro dever de uma religião, como afirmou o Concilio, consiste em reconhecer até o direito de não crer em Deus. Tínhamos perseguido aqueles que dentro da própria Igreja haviam se distanciado, inscrevendo-se nas lojas, depreciando todas as injurias e ameaças. Tínhamos irrefletidamente acreditado que um sinal da cruz pudesse ser superior a três pontos formando uma pirâmide. Por tudo isto, nos arrependemos Senhor, e com teu perdão te rogamos que nos faça sentir que um compasso sobre um novo altar pode significar tanto como nossos velhos crucifixos; Amem. (*27). As doutrinas Francomaçônicas e religiosas, certo contrárias mas não contraditórias, poderiam unir-se, reconciliando assim a razão e a fé, recordando o grande principio da filosofia antiga que estas duas tendências tem como fonte comum: “...A harmonia resulta da analogia dos contrários...”

* Epílogo * *
O mundo religioso de hoje se resume em algumas cifras: 944 milhões de Cristãos, dos quais 533 milhões são Catódicos; 322 milhões de Protestantes; 89 milhões de Ortodoxos; 715 milhões de Hinduístas e Confucionistas; 530 milhões de Muçulmanos. Contando mais de 11,5 milhões de membros, a Francomaçonaria universal é a maior fraternidade do mundo; conta com mais de 6 milhões nos Estados Unidos (16.000 lojas aproximadamente)’(*19). Os negros são excluídos destas lojas estadunidenses. O tema da exclusão dos negros destas lojas tem gerado grandes debates, posto que, em nome da fraternidade humana não se pode excluir o homem por causa de sua cor. O problema nasceu nos anos 50, quando um homem de cor foi recusado por uma loja do Estado da Geórgia. A vitima desta recusa apelou da decisão diante da Grande Loja da Geórgia, que entretanto, confirmou a decisão adotada pela oficina do seu Oriente. Imediatamente, numerosos Grandes Lojas dos EE.UU. e a Grande Loja do México protestaram e cancelaram os tratados de paz e amizade com a Grande Loja da Geórgia. Seguiu-se um doloroso debate sobre o assunto que gerou a criação de sua obediência particular, a “Prince Hall”, que conta hoje com 5.000 lojas nos EE.UU. A Francomaçonaria conta com mais de 500.000 membros na América Latina;mais de 600.000 na Grã Bretanha; 80.000 na França e mais de 4,5 milhões no resto dos paises livres do mundo (*38). Estes dados são de 1.995; podemos estimar hoje que a fraternidade maçônica internacional aproximadamente 13 milhões de membros. Diversas

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organizações paramaçonicas, tal como a “Ordem deMolay” para jovens, contam com 4 milhões de membros no mundo. O ideal da Francomaçonaria se define dificilmente quando, embora ela tenha uma profunda coesão, os grupos e os homens que a compõe têm fortes divergências. Apesar desta tão grande riqueza aparente, creditada por seu passado distante, é, contudo certo que a influencia intelectual e social atual da Francomaçonaria é muito menos importante do que o mundo profano acredita geralmente. Ainda que ela represente uma corrente de pensamento não desprezível, o meio mais seguro de falsear a verdade é a de falar de uma única Francomaçonaria, de uma organização rigorosa ao ideal bem definido; em verdade existe uma Francomaçonaria multifacética que se dividia, apesar de sua unidade aparente, em diversas correntes de pensamento onde se realizam as atividades das oficinas. - A Maçonaria fraternal, onde a ênfase é posta sobre a qualidade das relações humanas, que permite aos irmãos desenvolver uma amizade profunda por uma ajuda global. - A Maçonaria de beneficência, que utiliza a prata da associação para ajudar os irmãos em dificuldade e os grupos sociais desfavorecidos, no que os irmãos manifestam seu desejo de justiça social. Estas duas correntes são hoje predominantes. - A Maçonaria humanista, que se interessa pelos valores humanos e à definição das Leis de uma sociedade harmoniosa. - A Maçonaria política, que tenta participar na boa marcha da Nação. - A Maçonaria deísta, que deseja acercar-se da Igreja e mostrar assim a importância da sua crença em um “Principio Criador”. - A Maçonaria iniciática e esotérica, onde a preocupação é o estudo do simbolismo e sua transmissão entre os iniciados. Esta ultima tendência une hoje uma minoria de adeptos, quando a “Arte Real” tem o efeito e servir de ponto de partida de todos os abusos, todas as loucuras: cabala, magia, filosofia hermética, contato com espíritos, magnetismo, teosofia, deísmo, ateísmo, destruição dos Impérios, República universal, etc... Alguns estranham esta diversidade, outros a julgam favoravelmente pensando que a tolerância é assim respeitada. Além destas grandes linhas filosóficas, existe uma grande quantidade de conceitos maçônicos; pode-se dizer que quase cada maçom tem o seu. Cada membro expressa na vida maçônica como na vida social, os conceitos que refletem sua personalidade; por tanto, na Maçonaria se encontra de tudo: ao lado do altruísmo se encontra a avareza; ao lado da sabedoria a loucura; ao lado do brilhantismo a mediocridade; se encontra o generoso e sincero ao lado do medíocre e sem valor e o sublime ao lado do ridículo. Se alguns entram na Maçonaria para buscar a verdade e o crescimento, outros entram para buscar oportunidades para suas necessidades; alguns para acrescentar, outros para tirar; alguns para servir, outros para buscar o que lhes possa servir a instituição Alguns encontram na Maçonaria instantes de liberdade que a sua vida tão ativa lhes tira; outros encontram uma fraternidade de taverna onde as reuniões são pretextos para bebedeiras. Esta grande diferença entre os homens que se chamam Irmãos não é nova, existe desde que o mundo é mundo e, quem melhor do que o grande

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Voltaire, tem podido dissertar o assunto, dando-nos uma grande lição de sabedoria com uma das suas belas citações, que disse num debate com os irmãos da sua Loja Mãe em Paris, no amanhecer da Revolução Francesa: “...Você não está de acordo comigo, irmão meu eu me alegro já que, é da nossa diferença que nasce nossa riqueza...” - O ideal democrático – Da época pré-cristã, a Maçonaria deve sua corrente “bíblica filosófica e simbólica”; do século XVIII teve a sua corrente “cavalheiresca e mística” e a partir do século XVIII começa a historia moderna da Ordem; aquela dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, sementes que saíram das lojas para emancipar os povos e delas germina a democracia. O mundo inteiro admite hoje que a propagação desses princípios tem preparado a profunda transformação que regenerou a França e Europa inteira e tem constituído as bases sobre quais se libertam os povos do mundo e se instala a democracia no novo continente. É desse ideal que vem a orientação filosófica, libertaria e progressista da Maçonaria atual e que ela existe como a conhecemos hoje; a fraternidade universal obrando na construção do bem humano. Quero citar a síntese de Rufolf von Sebottendorf: “...A Francomaçonaria moderna é a perpetuação da antiga Maçonaria da Idade Média; exteriormente ela o é de todas maneiras por aquilo que concerne ao modo de ensino e seu conteúdo; no entanto ela tem abandonado totalmente o caminho traçado pela antiga Maçonaria e tem se situado hoje sobre uma base puramente humanitária que vê a salvação em uma emenda vinda do exterior...”(*33). - A busca de si mesmo “ Depois da decadência, relatada na Bíblia, o homem tem tido sempre o mesmo fito: a busca das suas origens, a busca de si mesmo através da busca de Deus. A Francomaçonaria se apresenta como uma desta vias de procura do conhecimento, uma via que não se choca com nenhuma crença. Para sublinhar esta declaração, citemos a Oswald Wirth: “...a Maçonaria está convocada para refazer o Mundo e a tarefa não está acima de suas forças, porem à condição de que ela volte a ser o que devera ser...”(*37) A auto superação constante da Francomaçonaria tem despertado mais inimizade que qualquer outra organização na historia; a Igreja Católica tem-na atacado sem cessar; em vários paises tem sido declarada ilegal. Sua hostilidade fundamental com todos conformismos obrigatórios, tem feito proibir a Francomaçonaria pelos regimes autoritários ou fanáticos. Felizmente hoje, a Maçonaria não assusta mais ninguém além das pessoas mal informadas. Depois da subida do materialismo durante o século XIX, tem se gerado como oposição, seu inverso proporcional: a proliferação das formas de crenças, as seitas o integrismo. Este final do século XX nos dá o espetáculo da reafirmação do instinto religioso: “...Tirar do homem sua natureza profundamente religiosa, ela regressa com a desordem e a violência...” (*42

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Alguns, como o filósofo Maçom francês Jean Mignot, tratam de encontrar na Francomaçonaria um albergue da tradição à nossa civilização préparanóica: “...No mundo que muda, se encontra consolo e segurança em ser parte de coisas que não mudam...”(*41). *

- Conclusões * * Há quase um século, os augustos mistérios das sete ciências livres são ensinados em todos os colégios e universidades do mundo e já não são m ais segredos para ninguém; qualquer leitor pode encontrara quantidades de boas literaturas que tratam da “Arte Real”: a arte de construir e das outras grandes ciências da antiguidade, ou dos mistérios sagrados dos construtores das pirâmides do Egito antigo e dos segredos Mestres artistas da Idade Média, quando que a sociedade de comunicações em qual vivemos está repleta de informações de toda natureza que nos mostra uma grande quantidade de coisas. Hoje, sabemos todos ler, escrever e fazer contas; conhecemos tudo que estava ao alcance de uns poucos privilegiados, durante a época antiga onde se desenvolve a Maçonaria primitiva. O simbolismo, meio de transmissão do conhecimento na Idade Média não desperta interesse hoje. A busca da perfeição que se ensinava nos tempos antigos pelo simbolismo parece hoje vendida em um mundo tomado pela lógica formal, onde os conceitos de moral, honra e orgulho pessoal parecem antiquados e impróprios em uma realidade cotidiana de materialismo e violência, onde o homem deve vencer para não ser vencido e que degenera em uma guerra de consumismo, onde todos os golpes são permitidos em nome de um novo ideal superior: o dinheiro, que Giovanni Papini chamava: “O esterco do diabo”. Os princípios morais, necessários em toda sociedade humana, são escarnecidos pela própria sociedade em sua busca de gozo imediato e em sua avidez de um bem estar material sem custo. Nesta desordem social, a Francomaçonaria, estóica, está enferma por não pensar, por não dar importância aos preciosos valores esotéricos que ela continua a transportar sem ter mais consciência da sua utilidade, e podemos interrogar-nos, angustiados e nostálgicos: quando haverá a reconciliação entre o “Homo Faber” e o “Homo Sapiens”? (41).

* FIM * *

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-Anexos –
Maçons célebres entre seus Irmãos: Musica: Sibelius, Haydn, Mozart, Shemama Literatura: Montesquieu, Voltaire, Lamartine, Walter Scott, Robert Burn, Rudyard Kipling, Jonathan Swift, Oscar Wilde, Mark Twain, Conan Doyle, Klopstock, Herder, Wieland, Lessing, Fichte, Goethe, Eliphas Levi, Erckmann, Chatrian, Jules Romain, Paul Guth. Artes: Leonardo da Vinci, Bartholdt. Independência dos EE.UU.: George Washington, Benjamin Franklin, James Monroe, Alexander Hamilton, Marques de Lafaiete, Marques de Rochambeau, e os 56 signatários da carta de constituição dos Estados Unidos da América. Presidentes dos EE.UU.: George Washington, James Monroe, Andrew Jackson, James Polk, James Buchanan, Fames Garfield, Theodore Roosevelt, William Howard Taft, Warren Harding, Franklyn Roosevelt, Harry Truman, Lyndon Johnson, Gerald Ford. Políticos: Gambetta, Lamartine, Jules Ferry, Arago, Garneir-Pages, Benito Juarez, Simon Bolívar, Francisco de Paulo Santander, Narinho, Sucre, Córdoba, Garibaldi, Sam Houston, Samuel Colt, Winston Churchill, George Marshall, Douglas Mac Arthur, Patton. Aristocracia: Eduardo VII, Eduardo VIII e Jorge VI da Inglaterra, Frederico o Grande e Frederico II da Prússia, Jorge I da Grécia, Haakon VII da Noruega, Estanislau II da Polônia, Kameamea V do Hawai, Pedro o Grande da Rússia, Philippe d’Orleans Duque de Chartres, Louis de Pardaillan de Gondrin, Duque d’Antin, Duque Louis de Bourbon Conde, Conde de Clermont, Duque de Mountmorency Luxembourg. Revolução Francesa: Robespierre, Guillotin, Bailly, Talleyrand, Brissot, Condorcet, Marat, Dumouriez, Danton, Choderlos de Laclos. Epopéia Napoleônica: Josefina de Beauharmais, Joseph Bonaparte, Louis Napoleão Bonaparte, Príncipe Murat, Marechais Masser, Soult, Mac Donald, Ney, Augereau, Lefevre, Serurier, Montier, Kelleman, Fouché, Cambaceres e Duque de Wellington..

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E outros milhões de valorosos desconhecidos.

Bibliografia
1 A Bíblia 2 Arquitectura Masónic a: V.Rojas Aguilar 3 La logia Universal: O, Solano Barcenas 4 Le wsecretMasonique: R. Ambelain 5 Manual de Masonería: A. Cassard 6 Manual del aprendiz: (G.L. Venezuela) 7 Manual de aprendiz: (G.L.Mexico) 8 Manual del aprendiz: A. Lavagne 9 Manual ds compañeros: A. Lavagne 10 Masonería íntima: J.Montoya 11 El simbolismo masónico tradicional: J.P. Bayard 12 Les Francs Maçons devant l’historie: P. Naudon 13 La Francmaçonnerie: P.Naudon 14 La Francmaçonnerie em France: J. Bond 15 Le vrai visage de la Maçonnerie: G. Chevillon 16 Les Compagnonnages em France: P. Naudon 17 Bibliographie de la Francmaçonnerie et dês societes secretes: P Fesch 18 Le voyage en orient: G. de Nerval 19 History of fgreemasonry: R. F. Gould 20 Histoire abregee de la Francmaçonnerie: J. Lebegue 21 Aperçu sur l’initiation: J. Chacornac 22 Les secrets de la Maçonnerie: P.Protat 23The freemasons: A. Lewis 24 Loges et chapitres du Grand Orient de France: A. le Bihan 25 La francmaçonnerie templieres et occultiste: J. Aubier Montagne 26 Dictionaire de laa Francmaçonnerie et des Francmaçons: P. Belford 27 Les origenes religieuses et corporatives de la Francmaçonnerie: M. Dervy 28 Les loges de sauint Jean et la philosophie esoterique de la connasance: M. Dervy 29 L’humasnisme Maçonnique: B. Ibid 30 L’arche Royale de Jerusalen: B. Ibid 31 Sur le chemin d’Hiram: M. Dervy 32 Morals and dogma of the ancient and accepted scotish rite: J.Charleston 33 Orthodoxie maçonnique: J.M.Ragoin 34 Maçonnerie occulte: J.M.Ragon 35 Initiation hermetique: J.M.Ragon 36 Hatiments des revolutionaries ennemis de l’eglise: R.P.Huguet 37 Le compagnnages: B. de Castera 38 Le Francmaçonnerie: P.Naudon 39 Nacidos en sangre: J.Robinson 40 The birth of Britain: W. Churchill 41 La Francmaçonnerie, histoire et initiation: C.Jacq 42 La spirtualite de la Francmaçonnerie: J.P.Bayard 43 El enigma de los Templarios: Bignati-Peralta 44 A la sombra de los templários: R.Alarcon 45 La meta secreta de los templários: J.Atienza 46 A bridge to light: R.Hutchens 47 Diccionario enciclopedico de la Masoneria: ed. Kiers 48 Le Pendule de Foucault: Umberto Eco 49 Le livre de Urantia

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50 Les etoiles de Compostel: H.Vincent 51 Her-Bak, pois chiche: Schwaller de Lubicz 52 Her-Bak, disciple: Schwaller de Lubicz 53 Cosmos: Carl Sagan 54 La meta secreta de los Rosacruces: J.Atienda 55 Enciclopedia Universal 56 Hiram y el Rey Salomón: C.Jacq 57 Les Rois Maudits: M.Fruon

- Notas do autor –
Esta obra foi iniciada em Santa Fé de Bogotá, Colômbia, No mês de março de 1995, durante meu tempo de A:.M:. e terminada no fim de abril de 1998 sendo M:.M:. sob o malhete do V:.M:. Hernando NAVAEZ ALVAREZ. Venerável M:. da Loja Veritas Vinci Nº 13 E Gerardo VARGAS VELASQUEZ Grão Mestre da Mui Resp:. Grande Loja da Colômbia Com sede em Santa Fé de Bogotá. Esta obra não tem a vaidade de pretender ter a perfeição, eu aprendi que ela n ao existe; Seu único mérito é o de existir. Uma vez escrita, eu não tenho a vergonha de pretender ter a sabedoria, eu sei que estou muito longe dela. Eu não tenho, tampouco, a pretensão de ter um benefício qualquer; eu abandonei os direitos desta obra à minha Loja mãe e à Grande Loja da Colômbia. Minha única motivação foi a de cumprir o melhor possível o que me foi ordenado por uma das três regras do Sub:. Grau de M:.M:. Ensinar ao ignorante. QQ:.IIr:. Aprendizes dá-me satisfação em ter cumprido com meu dever. S:. F:. U:. Raymond François AUBOURG DEJEAN M:.M:. R:.E:.E:.A:. NOTA DO TRADUTOR
Esta obra chegou a mim graças à maravilha da Internet. Eu não sabia da sua existência e não estava à sua procura, e assim mesmo apareceu na telinha do meu computador. Depois de ter lido pensei: não posso ficar com ela sozinho, tenho de partilhá-la com outros buscadores do conhecimento da história. Decidi traduzi-la e ela está aqui. Espero que você tenha o mesmo espírito de solidariedade e ofereça-a a outro Filho da Luz, sem a luz deste conhecimento. Envie pela Internet ou entregue em mãos uma cópia impressa. Durante os meus 51 anos de vida na senda da Ordem esta foi uma das melhores leituras que já tive e abriu-me o entendimento de “quem somos de onde viemos e para onde vamos”. A divulgação desta, também, pode ser uma última e importante contribuição minha ao progresso da Ordem em nosso meio.

Roberto Schukste, M:.M:. – ARLS Experiência e Sabedoria – ao Or:. de Caias do Sul, RS – rschukste@uol.com.br – 20.7.2008

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