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Jean-Claude Deschamps & Thierry Devos

Identidade Social Identidade Individual

dois conceitos relacionados nas representações do self (EU) e do grupo.

O conceito de identidade é polissêmico Vários Significados

Sinônimos:

•Auto-percepção
•Auto-imagem
•Auto-representação
•Autoconsciência
•Ego

IDENTIDADE -assunto de debates antigos entre Filosofia e Religião


Conceito que permeia os estudos da Ideologia e da
Raça Humana
O Self ( Eu) -Sujeito familiar ou a uma ação de agentes sociais
- Um processo ativo que regula o comportamento

Codol (1979 p. 424)- Identidade - uma das maiores preocupações


do campo da Psicologia Social
- seu conceito central.

Confronta Evidência X Conformidade


Tudo que envolve INDIVIDUAL X GRUPO
Coletividade X Individualidade
O Diverso e o Homogêneo

Robert Pagès - tema recorrente “ o igual e o diferente”

Marxismo, Anarquismo, Psicossociologia


Robert Pagès

http://www.robert-pages.com/bulletin-psychologique.asp
INDIVIDUALIDADE SOCIALX INDIVIDUAL

William James (1890) - distinção entre o Eu e o mim ( I and me)


Dualidade na representação do Eu (SELF) Ainda hoje essa dualidade tem
grandes repercussões sobre a identidade.

Mead (1934) - vai mais fundo

O Self consiste simultaneamente num componente sociológico = mim, que


é a internalização da função social, e num componente mais pessoal = o Eu.
Essa concepção evoluiu até os conceitos de

identidade pessoal e Identidade Social.


Mead :

Queda da divisão entre indivíduo/ sociedade


Diálogo entre Eu e Mim
O individual é uma criação contínua da sociedade
A sociedade é uma criação incessante do indivíduo
Os dois pólos tendem a ser vistos como opostos

Os conceitos de identidade social e individual são baseados na idéia de que


todo indivíduo é caracterizado por:

aspectos que mostram seu pertencimento grupal ou sua categoria de um


lado;

de outro por aspectos individuais, muito particulares, mais


idiossincráticos .
Sabin & Allen (1968):

•As características de base estruturantes de uma pessoa formam a identidade


social da pessoa

•Codificada como parte do Self que assegura as cognições a partir da posição


social ecológica.

•Os que estão na mesma posição e possuem experiências de vida comuns têm
identidade social similar(mesma identidade social)

Identidade Social implica em estar num mesmo pólo.

Identificação: Só ocorre em conexão com grupos ou categorias.

A identidade social se refere ao como o indivíduo “se percebe enquanto similar


aos outros” com a mesma carga de experiência O NÓS, mas refere-se também à
“percepção da diferença” ( especificar categorias distintas) “OS OUTROS”

“Quanto maior a identificação com um grupo , maior será a significado da


diferenciação deste grupo com os demais”.
A identidade social se refere ao fato de como o indivíduo
se percebe:

-como similar aos outros?”


-com a mesma carga de experiência? O NÓS

mas refere-se também à “percepção da diferença”


(especificar categorias distintas) “OS OUTROS”

Identidade Pessoal- é o que faz o indivíduo ter a percepção de


si como ele mesmo e diferente dos outros

Não tem uma definição tão precisa


É o indivíduo percebendo a si como idêntico a si mesmo
ele é o mesmo no tempo e no espaço e é isso que o especifica
como fora dos OUTROS

Goffman ( 1956) – descreveu indivíduos que desempenham


diferentes papéis para diferentes públicos.
Gergen (1965,1982) - idéia da fluidez do Self- É necessário falar de
identidades – Todo agente social pode atuar, mobilizar ou produzir identidades
de acordo com o contexto.

Questionamentos sobre a universalidade histórica do “ Sentimento de Identidade


Social”
– o problema central permanece inalterado: o sentimento de identidade social

é construída em todo indivíduo e modulada em todas as posições da


sociedade.

uma construção ideológica que não significa que não é real e eficiente.

É um guia para as atitudes dos indivíduos é é essencial para o funcionamento


de nossa sociedade.

Identidade Social -Sentimento de similaridade e identificação de UM COM os outros


Identidade Pessoal - Sentimento de unicidade e diferença de um ENTRE os OUTROS
CATEGORIZAÇÃO

Processo psicológico que tende a organizar o ambiente de acordo com uma


categoria estabelecida.

A categorização divide o ambiente em dois grupos:

•os que se parecem semelhantes de acordo com alguns critérios;

•os que são ou parecem ser diferentes de acordo com mesmo critério.

A categorização desempenha papel específico na estruturação do ambiente:

Sistematiza
Organiza
Simplifica

A Ênfase- enfatiza as diferenças entre as categorias – “categoria de contraste ou


diferenciação cognitiva”
A Similaridade- “assimilação ou efeito do estereótipo cognitivo”

Cada elemento da categoria é categorizado pelo recurso dividido por todos os


indivíduos da categoria.
CATEGORIA:

Grupo de elementos que têm em comum uma ou mais características

Apreensão cognitiva- é a simples apreensão da realidade


A ênfase em semelhanças ou em diferenças é um dos aspectos desta
simplificação que é categorizar.

Categoria social: é uma categoria cognitiva na qual os indivíduos supostamente


dividem uma ou mais características e se agrupam .

Estereótipos- a expressão da atribuição de características divididas por


diferentes membros do grupo sem levar e conta as diferenças inter-individuais.

Doise (1976) – categorização é um processo psicológico que simplifica a


percepção dos mundos físico e social e a organização particular que o indivíduo
dá à percepção subjetiva do seu ambiente.

Para tal o indivíduo deve estar inserido num sistema de categorias. Eles são
sujeitos e objetos de categorização ao mesmo tempo.
A categorização social minimiza as diferenças das categorias interiores
e exagera as diferenças entre as categorias.

As diferenças são usadas para avaliação.


- Representação Dicotômica do Universo no qual só se pode pertencer a uma
categoria - acaba criando atitudes de discriminação em relação aos
indivíduos que pertencem a categorias diferentes.

Teoria de Sherif (1966) – conflito objetivo de interesses entre os grupos – A


competição não é explicação suficiente para discriminação entre grupos.

Tajfel( 1972 a) – A idéia de pertencer a dois grupos diferentes leva à


discriminação em favor ao grupo ao qual a pessoa pertence.
Além da competição surge o conceito de IDENTIDADE, para explicar tal
discriminação.

Tajfel e Turner (1979) - identidade social é conceituada como sendo


conectada ao conhecimento individual de pertencer a certo grupo social
e á avaliação de significado e emocional que resultam desses membros
do grupo.
É pertencendo aos diferentes grupos é que os indivíduos adquirem uma
identidade social definindo sua posição específica na sociedade.
Pertencer a um dado grupo contribui para o desenvolvimento de uma
identidade social positiva, somente se as características do grupo forem
favoravelmente comparadas com outros grupos. A tendência é favorecer o
próprio grupo.

Tajfel (1974)- estabeleceu uma distinção à priori entre dois pólos opostos
no comportamento social.

Interação entre dois ou mais indivíduo ( difícil de encontrar na forma


pura na “vida real”)- indivíduos totalmente determinados por suas
relações interpessoais - características individuais não afetadas por
grupos sociais diferentes ou pelas categorias a que estes pertencem.

Interação de no mínimo dois indivíduos ( ou grupos de indivíduos)- são


totalmente determinados pelos respectivos membros do grupo ou
categorias sociais e não são afetados pelas relações inter-individuais
entre as pessoas em questão. (Tajfel & Turner,1979)

Os dois pólos se referem a: atitudes interpessoais e comportamentos inter-grupais.


Quando a identificação com o grupo é enfatizada- a pessoa passa do interpessoal para o pólo
inter-grupal.
Importância da distinção - fenômenos interpessoal e inter-grupal

Não se limita à teoria inicial de Tajfel - a distinção entre os fenômenos motiva a


necessidade de uma posição em favor de outra diferente e mais positiva, do próprio
grupo. A ênfase seria na criação nesta diferença.

“ O QUE REALMENTE IMPORTA É A A NECESSIDADE DE AUTO-


ESTIMA, O DESEJO POR UMA AVALIAÇÃO PESSOAL POSITIVA”
( Tajfel e Turner, 1979 p.34)

O postulado básico é de que “Indivíduos tendem a manter ou


potencializar sua auto-estima- tentam alcançar um conceito próprio
positivo.” ( Tajfel e Turner, 1979 p.34)

A tendência é:

preservar e alcançar uma auto-imagem positiva

se não conseguir avaliar a si mesmo de acordo com o comportamento


do pólo interpessoal busca na competição social entre os grupos
•A auto- imagem positiva repousa na avaliação da própria pessoa
diretamente- comparando a ela mesma com os outros

•A satisfação dos desejos se dá por uma auto-avaliação positiva

A teoria da Identidade Social é fundamentada em 2 bases:

Cognitiva

motivacional

Emler e Hopkins (1990) – Se é o aspecto motivacional da Identidade Social


que provoca a discriminação isto se dá pela necessidade de auto-estima e
respeito próprio.

Turner (1975a, 1975b)- pertence à escola motivacional.

Em sua concepção, os sujeitos agem no sentido de diferenciar grupos somente


quando este é o único caminho possível para atingir auto-avaliação e identidade
positivas. Se conseguirem atingir a diferenciação entre self (eu) e os outros
(através da identidade com o grupo que fornece a identidade positiva) eles não
recorrerão a esse viés inter-grupal.
De acordo com o modelo de identidade social, podemos predizer que:
quando a importância de pertencer a um grupo aumenta a identificação do
sujeito com o in-grupo se intensifica mais e mais e isso reduzirá
diferenciações entre o self (eu) e o In-grupo e destacará diferenças entre os
grupos.

Identidade Social e Identidade Individual não são excludentes, e nem


inversamente proporcionais em importância, mesmo que ambas estejam
em busca de satisfazer a necessidade de uma auto-imagem positiva.

Turner se referia quando introduziu o conceito de despersonalização.

Turner – para ele, os fatores que intensificam a saliência da categorização


in-grupo/out-grupo tendem incrementar a identificação ( similaridades,
equivalências, passível de troca) entre o self (eu) e os outros membros do
grupo( e diferenciações com os membros de outro grupo).
Conseqüentemente esses fatores despersonalizam o self de acordo com os
estereótipos que determinam o grupo.

A despersonalização refere-se ao processo de auto-estereotipia


pelo qual os indivíduos passam a considerar a si mesmos acima
de todos, como modelos intercambiáveis de uma categoria, mais
que como indivíduos únicos que são distintos dos outros.
( Turner 1987 p.50)

Estereotipia ocorre no fato de agir e pensar


que se salienta em termos da identidade do
grupo
Auto-definição e seus diferentes níveis:

Turner (1987), tenta explicar a oposição entre os aspectos psicológicos da


identidade, que se referem à constelação específica de características
individuais, e aspectos da identidade sociológica, que se refere à idéia de
similaridades e pertencimento a um grupo.

Distingue para tal três níveis de auto-definição em sua teoria de auto-


categorização:

a) Nível supra-ordem - quando o self é definido como um ser humano: isso


se refere a identidade humana baseada na comparação entre as espécies
(similaridade com a raça humana, diferenças com outras formas de vida)

b) Nível intermediário de auto-definição: no qual o self é definido como


membro do grupo ( similaridades com o in-grupo e diferenças inter-grupo):
se refere a uma identidade social baseada nas comparações inter-grupo
(em espécie)

c) Nível Subordinado de auto-definição no qual o self é definido como ser


original, diferenciação entre o self e os outros dentro do grupo: se refere a
uma identidade pessoal baseada nas comparações interpessoais (in-
grupo)
O modelo da categorização, assim como a Teoria da Identidade Social ou a Teoria da Auto-
categorização, afirma que:

-fatores semelhantes aumentam diferenças entre grupos e


similaridade e homogeneidade dentro do grupo.-

Percepção dos grupos como homogêneos e heterogêneos

“Efeito de homogeneidade do grupo externo”

 O grupo do próprio indivíduo será percebido de maneira mais


heterogênea.

Estudos dos últimos 15 anos demonstram que os indivíduos acreditam


que seu próprio grupo é mais diferenciado que os outros grupos.

o grupo ao qual se pertence pode ser percebido como heterogêneo por


seus membros

tendência de considerar o próprio grupo relativamente menos homogêneo do que


a um grupo ao qual não se pertence
Correlação entre hipóteses de diferenciação interindividual e intergrupal

-Similaridades dentro de um grupo não necessariamente significa


diferenças entre grupos- ( Deschamps, 1972-1973; Deschamps& Doise, 1978)

-Quando a representação de um mundo dicotomizado não é


proeminente ou relevante na situação, não há discriminação entre
grupos-

-Em certas condições quanto mais forte for a identificação com


o grupo, mais importante é a diferenciação interindividual dentro
do grupo.

Fenômeno da conformidade superior do self – Codol (1975)


Quanto mais os indivíduos se conformam com a normas de um grupo ( e
mais se identifica, a si próprio, com o grupo) mais tenderá a considerar a
si próprio diferente dos outros membros do grupo, acreditando que
corresponde com as normas de maneira melhor e mais correta que os
demais
Aqui está o conceito central de diferenciação do modelo interindividual e intergrupal:

Um processo geral de centrismo cognitivo aparece quando indivíduos são induzidos


com a representação de um mundo dicotomizado, dividido em duas categorias
mutuamente excludentes.

De acordo com essa representação, tanto o favoritismo do grupo interno (ingroup) como
a diferenciação inter-grupal (intergrupo - que pode ser chamado sociocentrismo) e auto-
favoritismo ou diferenciação entre o self e os outros (que pode ser chamado de
egocentrismo) poderia aumentar quando a categorização for enfatizada.

As relações entre individual e coletivo pode ser examinado de acordo com


situações, culturas e sociedades.

Sempre haverá a necessidade de considerar a possibilidade de


simultaneidade entre similaridade e diferença.
O eixo postulado definindo relações individuais e comportamento pólo versus
relações intergrupais e comportamento pólo poderá ser considerado.
Neste prospecto, similaridade e diferença, identidade social e identidade
pessoal precisam, em breve, dois pólos de um mesmo continuum que são
negativamente dependentes