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Resenha Castells

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Publicado porElis Vieira

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Published by: Elis Vieira on May 09, 2011
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Resenha sobre o prólogo e a conclusão, do livro “A sociedade em rede”, CASTELLS, Manuel. 2007.

Elis de Andrade é aluna do PPGSD/UFF.

O autor analisa os importantes acontecimentos que ocorreram a partir do final do segundo milênio da Era Cristã transformando o cenário social do homem. Podemos dizer que houve uma revolução, pelo fato de se ter modificado toda a estrutura social, política e econômica, sendo assim, podemos considerar que houve uma revolução tecnológica centrada na informação que remodelou a base material da sociedade de forma acelerada. Castells utiliza como ponto inicial para analisar as transformações na nova economia, sociedade e cultura em processo de transformação a revolução da tecnologia da informação, devido a sua penetrabilidade em todas as esferas das atividades do homem. Mas ao fazer sua escolha metodológica partindo do ponto da tecnologia da informação o autor não descarta a possibilidade do surgimento de novos processos sociais em conseqüência da transformação tecnológica. Para Castells a tecnologia não determina a sociedade, nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica, pois existem muitos fatores que influenciam a descoberta científica e a inovação tecnológica (criatividade e iniciativa empreendedora). Embora a sociedade não determine a tecnologia, ela pode sufocar seu desenvolvimento, principalmente quando isto acontece por intermédio do Estado. Embora não determine a evolução histórica, a tecnologia ou sua falta acaba tendo certa capacidade de transformação social. O livro que é dividido em três volumes, pretende estudar o surgimento de uma nova estrutura social, onde esta é manifestada de várias maneiras conforme a diversidade de culturas em todo o planeta, esta nova estrutura social em questão está associada ao surgimento do informacionalismo, moldado pela reestruturação do modo capitalista de produção ao final do século XX. O autor fundamenta esta abordagem através da perspectiva histórica que as sociedades são organizadas por relações históricas em processos estruturados de produção, experiência e poder. Vamos às definições para que fique claro o significado das palavras acima: produção é a ação do homem dobre a matéria (natureza) para transformá-la em seu benefício,

consumindo parte dele e acumulando o excedente para o investimento para vários objetivos. Experiência é a ação dos homens sobre si mesmos, determinada pela interação entre as identidades biológicas e culturais dos homens em relação a seus ambientes naturais e sociais. A experiência é fundamentada pela eterna busca da satisfação das necessidades e desejos do homem. Poder é a relação entre os homens que baseado na produção e experiência impõe a vontade de alguns sobre outros pela utilização potencial ou real de violência física ou simbólica, sendo as instituições sociais criadas para impor o cumprimento das relações de poder existentes em cada período histórico. O poder tem como base o Estado, mantendo como monopólio institucionalizado a violência, embora o que Foucault chamou de microfísica do poder, também atue de forma diferente, pois está incorporada nas instituições e organizações, difundida em toda a sociedade. A produção é considerada um processo social complexo, pois cada um dos indivíduos é diferenciado internamente, o trabalho é muito diferenciado e estratificado de acordo com cada trabalhador no processo produtivo. O produto é usado de duas formas pela sociedade: consumo e excedente. As estruturas sociais interagem fortemente com os processos produtivos que irão determinar as regras para apropriação, distribuição e uso do excedente. As regras constituem modos de produção, definindo as relações sociais de produção e determinando a existência de classes sociais. O princípio que estrutura a apropriação e controle do excedente caracteriza o modo de produção capitalista. Uma das mudanças que ocorreram em conseqüência da revolução tecnológica foi a reestruturação do sistema capitalista a partir da década de 80, no qual o desenvolvimento desta tenha sido moldado pela lógica e interesses do capitalismo. O sistema alternativo presente no período histórico, que o autor chama de “estatismo” também tentou redefinir os meios de seus objetivos estruturais preservando a essência desses objetivos. A tentativa “estatista” fracassou em partes pela incapacidade de assimilar e utilizar os princípios do informacionalismo que fazem parte das novas tecnologias da informação. Apesar da tecnologia da informação ser organizada no paradigma das esferas dominantes da sociedade, a tecnologia e as relações técnicas de produção difundem-se por todos os tipos de relações e estruturas sociais,

perpassando o poder e a experiência e modificando-os. Sendo assim, as formas de desenvolvimento ajustam toda uma à esfera de comportamento social. Para Castells, a tendência social e política características da década de 90, foram a construção da ação social em torno das identidades primárias. Sendo os primeiros passos históricos das sociedades informacionais a caracterização da identidade como seu princípio organizacional. Identidade é definida pelo autor como “o processo pelo qual um ator social se reconhece e constrói significado principalmente com base em determinado atributo cultural ou conjunto de atributos, a ponto de excluir uma referência mais ampla a outras estruturas sociais”. (Castells, 2007, p.57) A construção social dominante de novas formas de utilização de espaço e tempo cria uma meta-rede que ignora as funções não essenciais, os grupos sociais subordinados e os territórios desvalorizados; gerando uma distancia social enorme entre essa meta-rede e a maioria das pessoas, atividades e locais do mundo. Sendo assim,
“Quando a rede desliga o Ser, o Ser, individual ou coletivo, constrói seu significado sem a referência instrumental global: o processo de desconexão torna-se recíproco após a recusa, pelos excluídos, da lógica unilateral de dominação estrutural e exclusão social”. (Castells, 2007, p.60)

Castells detecta que as estruturas sociais emergentes levam à conclusão, como tendência histórica, que as funções e processos dominantes da era da informação estão cada vez mais organizados em torno de redes. De forma simples o autor define o conceito de rede, “é um conjunto de nós interconectados” e “nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta” (Castells, 2007, p.566). Prosseguindo sua definição:
“Redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam se comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma estrutura social com base em redes é um sistema aberta

altamente dinâmico suscetível de inovação sem ameaças ao seu equilíbrio. Redes são instrumentos apropriados para a economia capitalista baseada na inovação, globalização e concentração descentralizada; para o trabalho, trabalhadores e empresas voltadas para a flexibilidade e adaptabilidade”. (Castells, 2007, p.566).

Sob uma perspectiva histórica ampla, a sociedade em rede mostra uma transformação qualitativa da experiência humana, pois recorrendo os antigos modelos sociológicos, o primeiro foi caracterizado pela dominação da natureza sobre a cultura, o segundo modelo caracterizou a dominação da natureza pela cultura. Estamos entrando em um novo estágio em que a cultura refere-se á cultura, tendo sobrepujado a natureza a ponto de esta ser renovada artificialmente. Com a convergência da evolução histórica e da transformação tecnológica nos encontramos em um modelo puramente cultural de interação e organização social. Este é o início de uma nova era, a era da informação marcada pela autonomia da cultura frente às bases materiais de nossa existência. Apesar do grande recorte feito pelo autor para analisar as mudanças ocorridas na sociedade pós-moderna, em diferentes áreas (política, economia e cultura), no final do século XX, ele aborda as áreas anunciadas na parte introdutória, dando subsídios ao leitor com teorias sociológicas, definições de termos e contribuições de outros autores (como Scott Lash, Alain Touraine, Daniel Bell e Nicos Poulantzas) que também estudam o tema em questão. Contudo, como não tive contato com toda a obra (as partes analisadas foram somente o prólogo e a conclusão), os dois capítulos estudados me deram a dimensão exata do grandioso tema proposto e dos sólidos argumentos introduzidos pelo autor.

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