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conhecimantos pedagógicos]

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  • O QUE É EDUCAR
  • RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR
  • RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET
  • EDUCAÇÃO COMO DIREITO
  • DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
  • O PROFESSOR COMO PROFISSÃO
  • DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO
  • A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS
  • O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO
  • AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA
  • O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES
  • DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO
  • A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR
  • OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO
  • OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO
  • DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
  • TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA
  • A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR
  • AVALIAÇÃO
  • IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO
  • TAREFAS DA AVALIAÇÃO
  • ETAPAS DA AVALIAÇÃO
  • MÉTODOS DE AVALIAÇÃO
  • TIPOS DE AVALIAÇÃO
  • CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
  • OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM:
  • MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO
  • COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO
  • Visão tradicional
  • Modelo adequado
  • AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
  • SINAES
  • CURRÍCULO
  • PLANEJAMENTO É:
  • CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE
  • CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE
  • PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS
  • PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE
  • O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO
  • NÍVEIS DE ENSINO
  • MODALIDADES DE ENSINO
  • GESTÃO ESCOLAR
  • Origem Normativa
  • PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
  • AUTONOMIA DAS ESCOLAS
  • GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA
  • ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90
  • CAPÍTULO IV - DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E AO LAZER - ECA
  • FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO
  • DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM
  • Quais são as concepções de desenvolvimento?
  • DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET
  • DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY
  • AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM
  • AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM
  • LUDICO E APRENDIZAGEM
  • O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR
  • MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM
  • DESENVOLVIMENTO
  • SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR
  • APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA?
  • A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA:
  • CRIATIVIDADE
  • CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS
  • MEDO DE SE EXPOR
  • METODOLOGIAS DE ENSINO
  • A FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Módulo: Conhecimentos Pedagógicos – SEC/BA 2010

O QUE É EDUCAR A palavra educar deriva da palavra latina educare, que significa "revelar o que está dentro", deixar florescer as habilidades e potencialidades, tornando explícitos os poderes inatos do homem. Faremos, por nossa conta, para fins de um melhor entendimento, uma distinção semântica do termo educação, ficando este como a instrução acadêmica e profissional passada de fora para dentro, ou seja, o conhecimento técnico transmitido pelo educador ao educando, independentemente do método pedagógico adotado. Chamaremos de educare a educação que aflora de dentro para fora, aquela que diz respeito ao ser, e não ao saber. Aquela que legará condutas morais e éticas responsáveis pelo norteamento da vida de cada um. A educação em valores humanos busca a união desses dois importantes conceitos. Educar é estabelecer uma troca com o educando. Educar não é um ato de "doação" de conhecimento, mas um processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua. A relação vertical, onde o educador é superior ao educando deve dar lugar à relação dialógica, a qual supõe troca, pois "os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Para Paulo Freire, educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa (...)". O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educando, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar a identidade do educando, sem levar em conta as experiências vividas pelo educando antes de chegar à escola, o educador não terá êxito na sua tarefa, e o processo será inoperante, consistirá em meras palavras despidas de significação real. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". O educador deve incentivar a curiosidade do educando valorizando a sua liberdade e a sua capacidade de aventurar-se. RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bom próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um «empurrão». Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal, que é definido por ele como: (..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. (VYGOTSKY), “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. São Paulo, Martins Fontes. 1989. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro. Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra 1

perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa idéia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES, 2002). Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 2

A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio necessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. EDUCAÇÃO COMO DIREITO Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 3

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput” deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. 4

deu-se início à escola nova. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. filantrópica ou confessional. visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I . § 2º . Devemos aliar forças para que isso não aconteça. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários.formação para o trabalho. § 1º . VII. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais.As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. Impediu-se a expressão dialética. A lei estabelecerá o plano nacional de educação. nos termos do plano nacional de educação.universalização do atendimento escolar. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. 208. II . cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir. V .assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem. no caso de encerramento de suas atividades. definidas em lei. constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social.erradicação do analfabetismo. que: I . de duração plurianual. O advento da escola nova foi em 1932. III . sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global. a instrução programada e o ensino individualizado.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. impedindo a atuação dialógica. Já no século XXI. sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. aluno que construía e ressignificava a história.melhoria da qualidade do ensino. Art.§ 3º . confessionais ou filantrópicas. científica e tecnológica do País. corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. 214. pois a educação tem por intenção a humanização do homem. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno. § 4º . O professor do século XXI deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade. falta de opções ou porque é preciso auferir ganhos (extras).Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. e a transmissão de emoções. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. Com o governo de Getúlio Vargas. Com a escola tecnológica. aluno enfatizado como cidadão. mas. tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras. 213. na forma da lei Art.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. e o modelo americano é instituído em nosso país. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem. Com o tecnicismo empregado em todos os campos. recolhida pelas empresas. A escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. A formação identitária do professor abrange o profissional. Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica. O ensino nesta época era tradicional. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático). sem explicação dialética do dia-a-dia. O PROFESSOR COMO PROFISSÃO A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista.promoção humanística. A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica e/ou como apenas executores de decisões alheias. ou ao Poder Público. IV . para os que demonstrarem insuficiência de recursos. Nessa era da 5 . ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. sem articulação com os demais membros da sociedade. a interação. na forma da lei. Os padres da Companhia de Jesus instalaram a primeira escola em 1549. II . Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. o aluno era impedido de criar e pensar. fechando-o em seu mundo.

afirma Libâneo. mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. 2. fracasso escolar. Ética como compromisso profissional e social devem ser respondidas e solucionadas para a garantia de uma sociedade melhor. com competência do conhecimento. com profissionalismo ético e consciência política. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita. pelas opiniões tendenciosas da mídia. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. qualidade do ensino do povo. São tarefas principais das escolas públicas: 1. complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos. Algumas perguntas envolvendo a escolarização. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. de igualdade nas oportunidades em educação. e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas. O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO O fracasso escolar é um grave problema do nosso sistema escolar. políticas e culturais. da formação de suas capacidades. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. aquela que esta inserida em um contexto único. e ressalta também os índices de escolarização no Brasil. como principal. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente. AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA Todos sabem da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. habilidades e atitudes. compreendendo os contextos históricos. Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais.tecnologia. O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece. Libâneo (1994) "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática". os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. imaturidade. A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS A escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. Só assim. a falta de preparo da organização escolar. Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar. entre outros. sociais. São exemplos de alguns fatores que promovem o fracasso escolar: dificuldades emocionais. Aponta muitos motivos para isto. O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES 6 . 3. que aponta para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. usando para isso a compreensão e a proposição do real. o ensino é sem dúvida promotora de ações indispensáveis para ocorrer a instrução. Democracia poderia ser entendida como um conjunto de conquistas de condições sociais. culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. A transformação da escola depende da transformação da sociedade. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. mas considera. falta de acompanhamento dos pais. A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública. 4. DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade é sempre uma reflexão importante. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários.

2. que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor. 2. Os princípios didáticos. 3. sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos. 2. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. Ação de aprender. e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências. Ação de ensinar. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. Os métodos de ensino aprendizagem. ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna". o currículo como expressão dos conteúdos de instrução. Aplicação de técnicas e recursos. 5. Os objetivos sócio-pedagógicos. o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. envolve uma atividade complexa. Libâneo afirma que. afetando assim a ação didática diretamente. na sua dimensão político. com João Amos Comenio. 3. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. no trabalho e na vida cultural e política. É fundamental nesta estruturação escolar. 7. os temas fundamentais da didática são: 1. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. como toda a profissão. OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO O ensino. Controle e avaliação da aprendizagem. o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. 4. sendo influenciado por condições internas e externas. Sintetizando. 3. O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. a didática aparece em obra em meados do século XVII. As formas organizadas do ensino. por mais simples que pareça. social e técnica. 6. a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola. a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos. O trabalho docente visa também à mediação entre a sociedade e os alunos. DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO É preciso conhecer os vínculos da didática com os fundamentos educacionais. Conteúdos da matérias. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. Entretanto. Podemos definir o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. estabelecendo na obra alguns princípios com: 1. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS A didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. compreender o objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática que são indispensáveis para o exercício profissional. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócioculturais. Assim sendo. 4. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo. A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO Sem dúvida. 7 . Os conteúdos escolares.O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social.

com regras e procedimentos padrões. Porém. que trabalhava com a educação de crianças pobres. determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. antes. Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. e. Os principais objetivos da atuação docente são: a. ajuda o aluno a aprender. Conhecimento dos programas oficias.Já mais adiante. g. Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos. c. c. É importante lembrar que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80. no Brasil. centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. com as denominadas "teorias críticas da educação A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino. b. Domínio de métodos de ensino. j. f. para a avaliação. g. o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. Depois. h. Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes. que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. Dominar os meios de avaliação diagnóstica 8 . f. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem. Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos. i. cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo. Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor: a. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos. b. Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. os procedimentos são: a. d. Conhecimento das funções didáticas Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina Domínio dos métodos e de recursos auxiliares Habilidade de expressar idéias com clareza Tornar os conteúdos reais Saber formular perguntas e problemas Conhecimento das habilidades reais dos alunos Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos Estimular o interesse pelo estudo Por parte do professor. b. Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. este autor não colocou suas idéias em prática. e. o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar: a. Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades b. Estes três itens se integram entre si. Henrique Pestalozzi (1746-1827). vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. c. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando à autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino. pois a aprendizagem é um processo. d.

deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada. aprender e fazer. desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. dificuldades e orientar o trabalho para as correcções necessárias. continuo e sistemático que acompanha o desenrolar do ato educativo".c. habilidades e atitudes dos alunos. conforme os objetivos propostos. mas também na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos."Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa a interpretar os conhecimentos. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi "a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. porém. investigar. A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor. mas sim deve ser utilizada como um instrumento de coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos. ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e aprendizagem. a determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. Por isto. Esta. porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados nas unidades temáticas. a fim de verificar progressos. no ato profissional. Permite um reajustamento com vista à processução dos objectivos pedagógicos pretendidos. A avaliação insere-se não só nas funções didáticas. ao mesmo tempo favorece uma atitude mais responsável do aluno em relação ao estudo. a avaliação é o processo de atribuir valores ou notas aos resultados obtidos na verificação da aprendizagem". experimentar. o professor. por isso a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos alunos. Já LIBÂNEO (1991) define "avaliação como uma componente do processo de ensino que visa. criar hábitos de trabalho independente e consciencializar o grau consecutivo dos objectivos atingidos após um período de trabalho." Para GOLIAS (1995) a avaliação é "entendida como um processo dinâmico. assumindo-o como um dever social. A motivação do docente no ensino e a sua adequada formação deve dar o direito de comunicar ou se expressar. ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho. Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha. determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas. daí. 9 . Ajuda ao professor a constatar as falhas no seu trabalho e a decidir a passagem ou não para uma nova unidade temática. contribui para a avaliação para correcção de erros de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. para ele. aprofundando os seus conhecimentos no domínio da natureza e da sociedade. tendo em vista mudanças esperadas no comportamento dos alunos.identifica as dificuldades do aluno e os conhecimentos prévios. representando algo que seja para a criança se comunicar a partir do vocabulário formal a partir de uma linguagem "normalizada" determinada pela sua evolução mental. A avaliação reflete sobre o nível do trabalho do professor como do aluno. com capacidades para descobrir. propostas nos objetivos. A avaliação tem a função diagnostica psico-pedagógica e didática. seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas. NÉRICI (1985) "relaciona avaliação com a verificação de aprendizagem pois. orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes". a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas de planificação do trabalho e da escola como um todo" PILETTII (1986). Também ajuda o aluno a realizar um esforço de sinetes das diferentes partes do programa do ensino. Diagnóstica . Pedagogico-Didáctica – refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A importância da avaliação reside na sua função social e pedagógica. determina o grau de assimilação dos conceitos. também ajuda os alunos a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem do aluno.

Realizar a aferição dos resultados. ajuda o aluno a desenvolver as capacidades cognitivas. identificar os fatores do ensino. Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. Permite que haja um controle contínuo e sistemático no processo de interacção professor . • Para avaliação formativa. • Informa sobre os objetivos se estão ou não a ser atingidos pelos alunos. ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho. interesses e dificuldades. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do aluno. atitude. Orientar a aprendizagem: Os resultados obtidos pela avaliação devem ser utilizados para corrigir. como observação do desempenho e entrevista.controla o Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). exigindo mais dos professores. na medida do possível. Seleccionar as técnicas e instrumentos de avaliação. Detectar as dificuldades de Aprendizagem: Ao avaliar. como técnica pode se utilizar o pré-teste. do semestre/ trimestre. o Carlos tem "problemas na representação do afastamento ou cota de um ponto". Com base nesses resultados deve. para melhor conhecer a sua personalidade. Para o caso concreto da disciplina de biologia deve-se utilizar as provas objectivas. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem várias técnicas e instrumentos de avaliação: • Para a avaliação diagnostica. adequar o ensino de forma que a aprendizagem se torne mais fácil e eficaz. Por exemplo. escreve correctamente e conhece bem a Gramática. para estimular o sucesso de todos. TIPOS DE AVALIAÇÃO a) Avaliação diagnostica: Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso. O professor pode organizar um caderno para anotar a progressão dos alunos em cada período. que se apresentam com maior clareza. • Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem. ETAPAS DA AVALIAÇÃO Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas: • • • • Determinar o que vai ser avaliado. Este registo deve ser acompanhado de modo a superar as dificuldades. • Constata particularidades b) Avaliação formativa: Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. 2. Verificar os ritmos de progresso do aluno: É a colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos através de provas. etc. objectividade e precisão – são directas.Função de Controle . para verificar se houve um progresso do aluno desde o ponto de partida da aprendizagem até ao momento. da unidade ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte: • Identificar alunos com padrão aceitável de conhecimentos. 10 . fazendo com que o professor se adapte aos diferentes comportamentos dos alunos. Também pode apontar as dificuldades no mesmo caderno. pois a observação visa a investigar. melhorar e completar o trabalho. 3. a ficha de observação ou qualquer instrumento elaborado pelo professor para melhor controle. provas. encontramos os dois instrumentos mais utilizados que são as provas objetivas e subjetivas. aptidões.alunos no decorrer das aulas. Conhecer o aluno: Pode-se orientar e guiar o aluno no processo educativo avaliando-o. TAREFAS DA AVALIAÇÃO São tarefas da avaliação as seguintes: 1. 4. os exercícios práticos. temos como técnicas a observação de trabalhos. • Para avaliação Sumativa. do ano letivo. exercícios ou de meios auxiliares. o professor pode detectar algumas dificuldades dos alunos. • Constata deficiências em termos de pré-requisitos.

É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. Entende-se que a avaliação não pode morrer. Dos meios. Ela se faz necessária para que possamos reflectir. O processo de avaliação deve ser aberto. questionamento. Tem a função classificadora. sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. Deve ser global. MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação. Tempo disponível/duração. reflexão. inerente e indissociável enquanto concebida como problematização. c) Avaliação somativa: Esta avaliação classifica os alunos no fim de um semestre/trimestre. O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica. È uma classificação final . A idade dos alunos. Dos conteúdos/complexidade da matéria. do ano letivo. Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem. Número de alunos na turma. Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil.• Localiza deficiência/dificuldades. do curso. sobre a acção. A forma como se avalia. segundo níveis de aproveitamento. Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento. é crucial para a concretização do projecto educacional. questionar e transformar nossas acções. segundo Luckesi (2002). Deve ser justo e uniforme. As condições da sala de aula. As conclusões finais devem ter certa validade e longo prazo. OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM: • • • • • • • • Dos objectivos de avaliação. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação deve obedecer os seguintes critérios: • • • • • • • • Tem que ser benéfico. O tipo do aluno. Deve estar ao alcance dos alunos. COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO Visão tradicional • • • • • • Acção individual e competitiva Concepção classificatória Apresenta um fim em si mesma Postura disciplinadora e directiva do professor Privilégio à memorização Pressupõe a dependência do aluno Modelo adequado • Ação coletiva e consensual • Concepção investigativa e reflexiva • Atua como mecanismo de diagnóstico da situação 11 .

a responsabilidade social. não é apenas um espaço social emancipatório ou libertador. O Saeb é o instrumento nacional de avaliação do ensino básico no País e coleta. o corpo docente. o oculto e informal. desde 1990. instituições acadêmicas e público em geral. "Assim eliminaremos duplicidade de matrículas e alunos fantasmas". informações sobre alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. na acepção de estar inteiramente vinculado a um momento histórico. nome da mãe. as escolas públicas já têm disponível no site do Inep um resumo de dados por escola. que é o de apoiar as Secretarias de educação na melhoria da qualidade do ensino. mas. garante. tanto o Censo como o Saeb passarão a ter o foco no aluno. realizado em 1931 no governo Getúlio Vargas. por exemplo. ou seja. que permite comparar. O resultado das provas. o Censo Escolar é o instrumento do governo federal que traz um raios-X quantitativo das escolas. Desde 2003. data de nascimento. para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelas IES. com nome. Enade. organizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educaionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de 1997. o resultado demorou sete anos para ser contabilizado. tem um duplo currículo. diretores e escolas. a estrutura física de escolas na mesma cidade. a gestão da instituição.861. em que os estudantes respondem a questões de língua portuguesa e matemática. professores. a pesquisa. o Ministério da Educação pretende aperfeiçoar o objetivo desses diagnósticos. a extensão. o explicito e o formal. que deixará de ser amostral Diferente da análise qualitativa do Saeb. Dessa forma. para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. Realizados desde a década de 90 por amostragem de alunos das redes estadual. obtido através do censo. de 14 de abril de 2004. O Currículo educativo representa a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social. era mostrado sempre por Estado. AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Novos mecanismos da aplicação do Censo Escolar e do Sistema de avaliação do Ensino Básico no Brasil (SAEB) serão implementados no início de 2005. região e país. mas também é um cenário de socialização da mudança. segundo Carlos Henrique Araújo. Ele é proposto pelo trabalho pedagógico nas escolas. O Sinaes avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino. bem como da estrutura física (número de laboratórios e bibliotecas. municipal e particular. o currículo é uma construção social. A novidade é que ele passará a incluir os dados por aluno. avaliação externa. Ele possui uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação. pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes. à determinada sociedade e às relações com o 12 . o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições. O objetivo é informatizar tudo e disponibilizar as informações na Internet em tempo real". raça e etnia. SINAES Criado pela Lei n° 10. Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). "Na época do primeiro Censo. as instalações e vários outros aspectos. dos cursos e do desempenho dos estudantes. Atualmente. Um dos focos mais importantes é o exame de múltipla escolha. com número de alunos. Sendo um ambiente social. CURRÍCULO A escola. A prática do currículo é geralmente acentuada na vida dos alunos estando associada às mensagens de natureza afetiva e às atitudes e valores.• Postura cooperativa entre professor e aluno • Privilégio à compreensão • Incentiva a conquista da autonomia do aluno. A operacionalização é de responsabilidade do Inep. pais de alunos. diretora de estatística da educação básica do Inep. cada estudante terá um cadastro pessoal que permitirá o acompanhamento de sua trajetória escolar. turmas e profissionais. Avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). em 2005 toda escola e todo aluno da rede pública fará o exame. o desempenho dos alunos. afirma Dirce Gomes. por exemplo). diretor de avaliação da educação básica do Inep.

em épocas diferentes a interesses. 4. à participação cívica. O Currículo. gerador de inovação. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. O processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. Para Silva. mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. axiologia (preocupa-se com a natureza do bom e mau. como construção de identidades locais e nacionais. ao sentido crítico. com a pluralidade cultural. 1995). "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). em sentido amplo. Hoje existem várias formas de ensinar e aprender e umas delas é o currículo oculto. não é imparcial. setores de trabalho. Para elaboração de um currículo escolar devemos levar em consideração as vertentes caracterizadas pela: ontologia (trata da natureza do ser). O ato de planejar é sempre processo de reflexão. aparece o movimento de exigência dos grupos culturais dominados que lutam para ter suas raízes culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. há a mesma humanidade. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. epistemologia (define a natureza dos conhecimentos e o processo de conhecer). prever o futuro. de sociedade e de educação. Para Vasconcellos (1995). de responsabilidade e de participação cívica. quanto as do indivíduo. 2. Planejar também é uma atividade que está dentro da educação. à cultura e ao poder. e currículo é a opção realizada dentro dessa cultura. implica relações de poder. incluindo o estético). Há várias formas de composição curricular. estadual e municipal". pensando e prevendo necessariamente o futuro". multidisciplinar e pluridisciplinar. essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. PLANEJAMENTO É: 1. devem ser substituídos. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. Porém. As ciências nos mostram que não há desenvolvimento sustentado sem o capital social. que é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo. é social e culturalmente definido.conhecimento. estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. 13 . as experiências do passado. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. Planejamento Educacional é processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. Portanto. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. Planejar. 2001). mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais. Nesse sentido. incorporando as políticas educacionais. a educação e currículo são vistos intimamente envolvidos com o processo cultural. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. marcados por uma forte fragmentação. de tomada de decisão sobre a ação. dos rituais. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. O currículo é um instrumento político que se vincula à ideologia. à estrutura social. ao reconhecimento do belo. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. é um processo que "visa a dar respostas a um problema. em prazos determinados e etapas definidas. através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. na medida do possível. visando à concretização de objetivos. pois por trás das nossas diferenças. da burguesia. cultural. o currículo oculto é “o conjunto de atitudes. reflete uma concepção de mundo. em certo espaço e tempo histórico. que é o conjunto de ações pedagógicas e a matriz curricular. sua essência e sua defesa. e ao respeito pelo outro. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. mas considerando as condições do presente. das elites. também refletiremos em um currículo que atenderá. sendo o centro da ação educativa. As teorias críticas nos informam que a escola tem sido um lugar de subordinação e reprodução da cultura da classe dominante. de modo a atingir objetivos antes previstos. entre recursos e objetivos. E que a escolarização é a condição fundamental de acesso à cultura. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. visando ao melhor funcionamento de empresas. Existe uma diferença conceitual entre currículo. organizações grupais e outras atividades humanas. instituições. A visão do currículo está associada ao conjunto de atividades intencionalmente desenvolvidas para o processo formativo. Ao pensarmos no homem como um ser histórico. econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. 3. A cultura é o conteúdo da educação.

currículo interdisciplinar não é apenas combinar algumas disciplinas em projetos. Citando Paulo Freire. 1994). nos projetos. humanas e artes. movimento. Devemos lembrar que a exclusão proveniente da sociedade do consumo e do capitalismo poderá sofrer diminuição através da idéia de currículos que privilegiem áreas que estão em crescimento no momento atual. A transdisciplinaridade é a investigação da acepção da vida através de relações entre os diversos saberes das ciências exatas. Os estudos serão estruturados em seis eixos temáticos: currículo e desenvolvimento humano. busca a inclusão. Uma sugestão curricular de alcance para a sociedade contemporânea deverá agregar as tendências atuais da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas interações sociais. organização e coordenação da ação docente. em médio prazo e/ou longo prazo. que é a noção da realidade. Ao buscarmos um novo olhar interdisciplinar chegaremos ao olhar transdisciplinar com mais entrosamento e fortalecimento. diversidade e inclusão 14 . adiciona. conhecimento e cultura. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. o trabalho em grupo. os instrumentos. principalmente após a ampliação do ensino fundamental para nove anos. envolvendo as ações e situações. CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE A palavra Currículo é de origem latina e significa o caminho da vida. A preocupação central é definir fins. o sentido. Tem sua expressão nos programas e. numa forma interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina. Mediante as demandas contemporâneas. A transdisciplinaridade considera o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas. currículo. o diálogo. através das diferentes disciplinas e além de toda disciplina e sua finalidade é compreender o mundo atual. 2001). 7. consentindo que cada aluno perceba o conhecimento coletivo e construa o seu de maneira individual. 6. onde a ênfase é o presente. o espaço de contestação das relações sociais e humanas e também o lugar da gestão. constatamos que a fala desse educador nos elucida ao colocar que devemos aproximar a atitude interdisciplinar da atitude transdisciplinar: porque encontraremos nas duas o coletivo instituinte. a preocupação é responder as perguntas "o quê". O currículo deve ser entendido como componente central do procedimento da educação institucionalizada. O conceito de interdisciplinaridade foi organizado propondo-se restabelecer um diálogo entre as diversas áreas dos conhecimentos científicos. coopera. agrega. centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. no cotidiano de seu trabalho pedagógico. Currículo é o ambiente do conhecimento. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. "como" e "com quê". "para quem" e também com "o quê". Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". da vida e do mundo. No Planejamento Operacional. O que é um currículo interdisciplinar? É o modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes. Como vemos. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. a transversalidade. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. a rota de uma pessoa ou grupo de pessoas. articular teoria e prática. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. organização dos tempos e espaços escolares. A transdisciplinaridade busca a compreensão do conhecimento. momento de execução para solucionar problemas. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. Na opinião de Sant'Anna et al (1995). percurso. sendo sobretudo tarefa de administradores. 8. educandos e o currículo. assim como. A interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências. quando existe correlação entre as capacidades exigidas para o exercício da cidadania e para as ações produtivas. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação. tratando prioritariamente dos meios. na situação de ensino-aprendizagem". áreas do conhecimento. compartilha. mais especificamente.5. o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. O papel da educação como elemento de desenvolvimento social é reorientado. em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. mas para que a interdisciplinaridade aconteça é necessário a colaboração e a parceria entre as disciplinas do currículo para se chegar a um finalidade única. pois a idéia é modernizar o debate sobre a importância do currículo. de decisões sobre a organização. educadores de todo o país estão reunidos para discutir o entendimento do currículo no ensino infantil e fundamental. "É um processo de racionalização. ou melhor. da cooperação e participação. articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO. estimulando a vinculação e indicando uma visão contextualizada do conhecimento. Currículo indica processo. Nessa expectativa compete ao professor. procura parceria. envolvendo o processo de reflexão. 1992). como a etimologia da palavra recomenda.

nas ideologias pessoais em relação às diferenças humanas. A análise de alguns dados sobre a multiculturalidade em alguns cursos de formação inicial de professores. por um lado. PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS 15 . A multiculturalidade é. o currículo tem. significa ignorar muitos daqueles saberes e atitudes bem como o princípio da igualdade de oportunidades educativas. O trabalho com populações culturalmente discrepantes desse padrão. CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE O currículo "coerente" é aquele que permanece uno. No entanto prevalecem. parte dessa formação mas indicia que a sua abordagem é ainda bastante avulsa. hoje. as ignora. menos em Desenvolvimento Curricular e em algumas metodologias de ensino e é frágil na Intervenção/Prática Educativa. inclusiva e pluralista do currículo. o conhecimento deve ser construído e reconstruído. a concepção e realização das melhores formas de adequar o currículo à diversidade dos seus destinatários. é entendido como uma adaptação das competências exigidas pelo trabalho com classes padrão ou por competências adicionais a usar e desenvolver face aos contextos multiculturais. que faz sentido como um todo e cujas peças. freqüentemente. é. mostra que o tema é.social. numa sociedade e num certo momento. professor de currículos que são multiculturais. por outro. quando a composição das classes for marcadamente discrepante daquela uniformidade. cada vez mais. una e pluralista do currículo e tornando mais óbvia a necessidade de incluir a vertente multicultural na preparação e no desempenho profissional de professores. Contempla os conhecimentos. Hoje. reforça-os no sentido da afirmação de uma concepção coerente. reforçaram o peso da diversidade e colocaram-na no centro do debate e das práticas educativas. enquanto variável constante na construção e realização do currículo. Tem tido um peso significativo nas unidades curriculares da área das Ciências Sociais. são consideradas relevantes tendo em conta as características da população escolar e as finalidades do sistema educativo. acentua as diferenças e na formação de professores que. ainda. de modos muito diferenciados. qualquer professor é. descontínua e pouco integrada. As transformações demográficas e culturais ocorridas nas duas últimas décadas. mais ou menos lateral ou oculta. e o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade. processualmente e sucessivamente. porque o ser humano é ser de múltiplas dimensões e aprendem em tempos e em ritmos diferentes. as atitudes e as competências que. é hoje. ano ou disciplina e. por outro. a sua versão multicultural. estão unidas e ligadas pelo sentido da totalidade. como souberem e puderem. e orienta para concepções dicotômicas do currículo. a prevalência de uma concepção de currículo dirigido a grupos definidos por uma suposta uniformidade cultural e social para os quais todos os professores devem ser formados e. nos discursos e nas práticas escolares. e sempre foi. no discurso pedagógico e social em relação à multiculturalidade que. a existência de um currículo oficial de um certo ciclo.Diante da constatação de necessidades contemporâneas. A formação inicial constitui a etapa estruturante de concepções coerentes e pluralistas do currículo. por inerência. Não será a crescente diversificação cultural da sociedade e das escolas que altera estes princípios. por um lado. uma dimensão essencial da coerência do currículo. e currículo e avaliação. freqüentemente. os novos diplomados colocam a incidência da sua formação no elenco de competências para o trabalho com classes situadas num padrão cultural de referência. qualquer currículo. de modo mais ou menos implícitos. multicultural seja qual for o sentido que queiramos atribuir à raiz (cultura) do termo. quaisquer que sejam. Dicotomias que indiciam. o contributo de peças associadas à multiculturalidade. por inerência. É condição para uma concepção una. dicotomias curriculares quando entram em jogo variáveis multiculturais. Enquanto totalidade integrada. Antes. em particular na Sociologia da Educação. Embora reconhecendo teoricamente a importância da multiculturalidade na gestão do currículo. Um currículo. de um currículo multicultural a que alguns professores deverão recorrer. Ignorar a diversidade. As raízes da persistência desta dicotomia encontram-se no peso das práticas monoculturais anteriores. Ou. os eixos temáticos referentes aos estudos em andamento incorporam a preocupação dos educadores com a necessidade de um currículo que contemple a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. A razão de ser e grande finalidade da teoria e da prática de organização e desenvolvimento curricular.

até o ano 2003. provendo-lhes as competências fundamentais requeridas para a participação na vida econômica. para que possam viver em ambientes saturados de informações e continuar aprendendo. recomendando o empenho de todos os países participantes em sua melhoria. Egito. especialmente as necessidades do mundo do trabalho. Bangladesh. das teses e estratégias que estavam sendo formuladas nos foros internacionais mais significativos na área da melhoria da educação básica. portanto. Unicef. 5. aprovada em 1996. na Tailândia. "os compromissos que o governo brasileiro assume. as oportunidades de alcançar e manter níveis apropriados de aprendizagem e desenvolvimento. que também ajudaram a elaborar a Declaração de Nova Delhi. jovens e adultos. realizada em Jomtien. Nesse sentido. Em seu conjunto. Esse documento é considerado "um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país". possuem mais da metade da população mundial. As idéias contidas no Plano Decenal. pela Unesco. num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo Tailândia. 7.que. de garantir a satisfação das necessidades básicas de educação de seu povo. Ampliar os meios e o alcance da educação básica. jovens e adultos. Estabelecer canais mais amplos e qualificados de cooperação e intercâmbio educacional e cultural de caráter bilateral. conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam a necessidades elementares da vida contemporânea". O plano expressa sete objetivos gerais de desenvolvimento da educação básica: 1. Brasil. Paquistão. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE 16 . têm origem na preocupação da comunidade internacional com a educação. o Plano Decenal marca a aceitação formal. política e cultural do país. cujo objetivo mais amplo é assegurar. Favorecer um ambiente adequado à aprendizagem. Índia. Nigéria e Indonésia . 4. Lá o documento foi aprovado pelas duas organizações internacionais. Os objetivos do Plano Decenal de Educação para Todos são lembrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. estabelecendo posições consensuais entre os nove países participantes. ao consolidar e ampliar o dever do poder público com a educação em geral e em particular com o ensino fundamental. pelo governo federal brasileiro. 6. a Conferência de Jomtien é um marco político e conceitual da educação fundamental. constituindo-se em um compromisso da comunidade internacional em reafirmar a necessidade de que "todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem". 3. a educação fundamental tem sido considerada um "passaporte para a vida". a crianças. em 1990. parcerias e compromisso. social. em todas as pessoas. juntos. 2. PNUD e Banco Mundial. Incrementar os recursos financeiros para manutenção e para investimentos na qualidade da educação básica. Dessa forma. Universalizar. Fortalecer os espaços institucionais de acordos. no período de uma década (1993 a 2003).Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir. México. multilateral e internacional. as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos. O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo brasileiro em Nova Delhi. Segundo o Plano. um corpo de conhecimentos essenciais e um conjunto mínimo de competências cognitivas. devendo desenvolver. Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças. na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. tendo em vista o novo cenário social advindo da sociedade da informação. expressam-se no Plano Decenal de Educação para Todos. conferindo maior eficiência e eqüidade em sua distribuição e aplicação. com eqüidade.

17 . formar novos docentes e propiciar formação continuada. .Proinfância: construção. A alfabetização de jovens e adultos será.Biblioteca na escola: com a criação desse programa. reestruturação e aquisição de equipamentos nas creches e pré-escolas. . por meio de um sistema nacional de ensino superior à distância. ampliar e abrir cursos noturnos e combater a evasão são algumas das medidas. estados e municípios. em todas as suas etapas. A prioridade é a Educação Básica. em um prazo de quinze anos. visa capacitar professores da Educação Básica pública que ainda não têm graduação. do ensino profissionalizante e médio. feita por professores das redes públicas.Educação profissional: os Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFETs) reorganizarão o modelo da educação profissional e atenderão as diferentes modalidades de ensino. . . no contra turno de sua atividade. As ações deverão ser desenvolvidas conjuntamente pela União.Brasil Alfabetizado: terá dois focos: a Região Nordeste. O prevê várias ações que visam identificar e solucionar os problemas que afetam diretamente a Educação brasileira.Provinha Brasil: instrumento de aferição do desempenho escolar dos alunos de seis a oito anos. que concentra 90% dos municípios com altos índices de analfabetismo. melhoria da infra-estrutura física. .Luz para todos: programa no qual as escolas terão prioridade.Formação: o programa Universidade Aberta do Brasil.Acesso facilitado: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) aumentará o prazo para o aluno quitar o empréstimo após a conclusão do curso.Gosto de ler: a Olimpíada Brasileira da Língua Portuguesa será realizada em 2008 e pretende resgatar o prazer da leitura e da escrita no Ensino Fundamental. . O plano Compromisso Todos Pela Educação propõe as diretrizes e estabelece as metas para as escolas das redes municipais e estaduais de ensino. e os jovens de 15 a 29 anos. . entre outros. . . .Piso do magistério: definição do piso salarial nacional de 850 reais para os professores. como Luz para todos. . Ações do PDE: .Transporte escolar: Caminho da Escola é o novo programa de transporte para alunos da Educação Básica que residem na zona rural. mas vai além por incluir ações de combate a problemas sociais que inibem o ensino e o aprendizado com qualidade. . . . os alunos do Ensino Médio terão acesso a obras literárias no local em que estudam.Estágio: alterações nas normas gerais da Lei do Estágio para beneficiar alunos da Educação Superior. Saúde nas escolas e Olhar Brasil.Educação Superior: duplicar as vagas nas universidades federais.Índice de qualidade: avaliará as condições em que se encontra o ensino com o objetivo de alcançar nota seis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). que vai do Ensino Infantil ao Médio.O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi aprovado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad em 24 de abril de 2007. prioritariamente.Salas multifuncionais: ampliação de números de salas e equipamentos para a Educação Especial e capacitação de professores para o atendimento educacional especializado. com o objetivo de melhorar a Educação no País.

.Inclusão digital: todas as escolas públicas terão laboratórios de informática.Censo pela Internet: com o levantamento do Educacenso. terão mais atividades no contra turno e ampliação do espaço educativo. . A ação faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. os gestores conhecerão detalhes da Educação do Brasil.Cidades-pólo: o Brasil terá 150 novas escolas profissionais.Educação Especial: monitorar a entrada e a permanência na escola de pessoas com deficiência. . obrigatória pela lei de 1971).. . . que se desenvolve. O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela lei nº 9394/1996. com o objetivo de incentivar a leitura. por meio do ensino. revogou as leis nº 4 024/61 (que foi nossa primeira lei de diretrizes e bases da educação. .Guia de tecnologias: as melhores experiências tecnológicas educacionais serão um referencial de qualidade para utilização por escolas e sistemas de ensino. em especial.Mais Educação: alunos passarão mais tempo na escola. predominantemente.Olhar Brasil: o programa identificará os estudantes com problemas de visão. que receberão óculos gratuitamente.Pós-doutorado: jovens doutores terão apoio do governo para continuar no Brasil. após declarar que a educação abrange “os processos formativos” que se desenvolvem em todas as instâncias da vida social. que engloba 60 obras de mestres brasileiros e estrangeiros. ambientes. a pesquisa e a busca pelo conhecimento.Saúde nas escolas: o Programa Saúde da Família atenderá alunos e professores para prevenir doenças e tratar outros males comuns à população escolar sem sair da escola. em instituições próprias” (§ 1º) que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. . NÍVEIS DE ENSINO 18 . .Acessibilidade: as universidades terão núcleos para ampliação do acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços. As escolas urbanas só receberão a verba se cumprirem as metas estabelecidas. . materiais e processos. que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. .Dinheiro na escola: todas as escolas de Ensino Fundamental Pública Rural receberão a parcela extra de 50% do Programa Dinheiro Direto na Escola. . a lei nº 9 394/96 afirma destinar-se a disciplinar “a educação escolar. com o objetivo de efetivar a política de acessibilidade universal. Os estudos que faremos sobre o sistema escolar brasileiro devem ser sempre baseados na lei nº 9 394/96.Professor-equivalente: a própria universidade poderá promover concurso público para a contratação de professores nas universidades públicas federais.Coleção educadores: a coleção Pensadores. nº 5 692/71 (que estabelecia as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º grau). nos dispositivos que ainda vigoravam). crianças e jovens de zero a dezoito anos atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). . aprovada após oito anos de discussão comandada pelo Congresso Nacional. . Esta lei. será doada para as escolas e bibliotecas públicas da Educação Básica. Em seu artigo 1º.Concurso: prevê a realização de concursos públicos para ampliação do quadro de pessoal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da expansão da rede profissional. e nº 7044/82 (que tornou opcional a profissionalização no 2º grau.

formação básica para o trabalho e a cidadania.De acordo com a lei (art. em no mínimo 800 horas e 200 dias anuais de efetivo trabalho escolar (art. Ao contrário da lei nº 5 692/71. que deixou em aberto a opção pela formação profissional nesse nível do ensino. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. IV – de extensão. As vagas para os cursos superiores. De acordo com o artigo 29 da lei 9394/96. Será oferecida em creches. Deve ter a duração mínima de três anos (art. Ao menos. enquanto os pobres só conseguem fazer um curso superior em escolas particulares e com muita dificuldade. que sempre termina por uma especialização profissional. que instituiu a profissionalização compulsória. as matérias são praticamente as mesmas em todas as escolas de ensino fundamental do país. e gratuito na escola pública (art. e em pré-escolas (de quatro a seis anos). compreendendo programas de mestrado e doutorado. em todos os níveis. articulados ou não com o ensino regular (art. a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. ainda são bastante limitadas. então. Jornalismo. 35). da economia. a lei nº 9 394/96 atribui ao ensino médio um caráter de formação geral básica: consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. Geralmente. psicológico. Administração. Ensino Médio. III – de pós-graduação. vencem aqueles que desfrutam de melhores condições socioeconômicas. e da clientela”. a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. e da lei nº 7 044/82. 24 e 32). Educação Superior. O que acontece. é praticamente igual para todos. aperfeiçoamento e outros. na maioria das vezes. sendo disputadas por muitos candidatos. em seus aspectos físico. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. Artes Plásticas. Direito. conforme o artigo 30. já que dispõem de melhores meios de estudar. Educação superior. Embora. da cultura . 24). II – de graduação. por uma parte diversificada. A educação profissional será feita em cursos específicos. cursos de especialização. principalmente nas escolas públicas e gratuitas. primeira etapa da educação básica. O desejável seria que a educação fosse pública e gratuita para todos. Em linhas gerais. História. seja constituído de uma “base nacional comum. Geografia são apenas algumas entre as muitas habilitações oferecidas. Ensino Médio. Ensino fundamental. que poderiam pagar. 40). Uma série de modalidades são oferecidas no ensino superior. deve ter um mínimo de 800 horas anuais em 200 dias de efetivo trabalho escolar (arts. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. diversificando-se gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. intelectual e social. Tem a duração de oito anos letivos e é obrigatório. Ensino fundamental. “a educação infantil. 26). Conforme o artigo 44. Economia. aprimoramento do educando como pessoa humana e compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos (art. abrangerá os seguintes cursos e programas: I – cursos seqüenciais por campo de saber. é que os ricos.35). Para crianças até seis anos de idade. complementando a ação da família e da comunidade”. ensino fundamental e ensino médio) e da educação superior: Educação infantil. Educação. MODALIDADES DE ENSINO O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos. o que pode acontecer é o seguinte: Educação infantil.32). 21) a educação escolar compõe-se da educação básica (educação infantil. de diferentes níveis de abrangência. Medicina. GESTÃO ESCOLAR 19 . ou entidades equivalentes (até três PDEanos de idade). não pagam. Em parte isso acontece porque os sistemas de ensino e os estabelecimentos escolares têm dificuldades em adaptar-se às características culturais e sociais diversificadas coexistentes em nosso país. pela lei (art.

sim.Para fim de melhor entendimento. do corpo docente e da equipe escolar como um todo. Estabelece objetivos para o ensino.A Gestão Escolar.relativamente recente . Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos. plano de curso. funcionando interligadas. agora não mais embasada nas conjeturas da administração. Art. gerais e específicos. Define as linhas de atuação. Essa é a primeira das leis de educação a dispensar atenção particular à gestão escolar. a escola passa a ter uma nova função social. Conseqüentemente. pois esta se relaciona aos diferentes momentos da história que varia ao longo do tempo. às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (LDB. avaliação e treinamento da equipe escolar. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. metas. e assume distinta configuração na política educacional. de seus recursos materiais e financeiros. por possuir um caráter mais democrático. esta se situa no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. atividades de secretaria). em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas. AUTONOMIA DAS ESCOLAS É importante salientar um importante aspecto da gestão escolar que é a autonomia das escolas para prever formas de organização que permitam atender as peculiaridades regionais e locais. propriamente dita. PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A partir de então. dos objetivos e o cumprimento de metas. • Acima de qualquer outra dimensão é incumbência da escola zelar pelo ensino e a aprendizagem. o norte da escola. nos princípios da Gestão. mas também de concepções teóricas a respeito dessa atividade. que vem unir forças com a Constituição de 1988. Gestão Pedagógica: É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. A mudança de denominação não foi apenas na escrita. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe).394/96. Origem Normativa No Brasil. é um termo recente. na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos. Cuida de gerir o área educativa. surge para assegurar o princípio da Gestão Democrática do Ensino Público. A proposta pedagógica é. embora muitas de suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem. de modo integrado ou sistêmico: GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA 1. Elabora os conteúdos curriculares. além disso. 12 da LDB). que é a sua razão de ser. reflete as transformações oriundas de um determinado contexto histórico. suas incumbências modificaram-se.é de extrema importância. Segundo Vieira (2005). definindo caminhos e rumos que uma determinada comunidade busca para si e para aqueles que se agregam em seu torno. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. oferecendo. com efeito. Avalia o desempenho dos alunos. plano de aula. sendo dessa forma assegurada como o princípio da educação pública. • Uma importante dimensão da gestão escolar é a relação com a comunidade (Art. Outro marco foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9. como detalha Vieira (2005): • A elaboração e a execução de uma proposta pedagógica são as primeiras e as principais das atribuições da escola. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas. • A escola tem como tarefa especifica a gestão de seu pessoal. 23). ainda.Suas 20 . outras medidas são previstas em lei com o objetivo de promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças. mas. Propõe metas a serem atingidas. nesse mesmo sentido. Gestão Administrativa: Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar. um marco normativo foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a “Gestão Democrática do Ensino Público”. e. A partir dessa lei a organização escolar ganha um novo perfil. direitos e deveres. anteriormente nomeada Administração Escolar. O conceito de Gestão Escolar . Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. e com o mesmo objetivo. 2. da escola e da educação escolar.

deveres. Art. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. assegurando-se-lhes: I . não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar. assegurando-se-lhes. rendendo o máximo em suas atividades.direito de contestar critérios avaliativos. Parágrafo único. administrativa e de recursos humanos . conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros.estão previstos no Regimento Escolar. exceto no de adoção por estrangeiros. Art. pessoal administrativo.alunos. de forma a garantir a organicidade do processo educativo.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. moral. contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança .de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. Nos casos expressos em lei. moral e educacional à criança ou adolescente. equipe escolar e comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão. mantê-las trabalhando satisfeitas.direito de ser respeitado por seus educadores. formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. espiritual e social. mental.A criança e o adolescente têm direito à educação. 13. pais e comunidades . sem prejuízo de outras providências legais. alunos. na realidade escolar. A guarda obriga a prestação de assistência material. preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. 2º Considera-se criança. II . as três não podem ser separadas mas. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal. Art. ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar. para os efeitos desta Lei. Art. atribuições . 21 .gestões pedagógica.correspondem a uma formulação teórica. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. explicativa. AO ESPORTE E AO LAZER . tutela ou adoção.em termos de fracasso ou sucesso . A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda. 25. a pessoa até doze anos de idade incompletos. III . 53 .Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado. podendo ser deferida. CAPÍTULO IV . À CULTURA. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90 Art.Direitos. em condições de liberdade e de dignidade. por lei ou por outros meios. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. devem atuar integradamente. A organização acima .especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar. nos termos desta Lei. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. Gestão de Recursos Humanos: Não menos importante que a Gestão Pedagógica.ECA Art. pois. visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. 33. 28. corpo técnico. podendo recorrer às instâncias escolares superiores. 3. a gestão de pessoal . todas as oportunidades e facilidades. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. lidar com pessoas. nos procedimentos de tutela e adoção.DO DIREITO À EDUCAÇÃO. a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa.de professores.Sem dúvida. Art. inclusive aos pais. Art. isto sim. liminar ou incidentalmente. Parágrafo único. nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato.

VII . 58 . III . VI .No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais. Atualmente. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. currículo. didática e avaliação. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida.O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente.É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico. da pesquisa e da criação artística. Art. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ele ter passado pela formação "teórica". V . inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. em boa parte dos cursos de licenciatura. 56 . O caminho deve ser outro. experiências e novas propostas relativas a calendário. pela freqüência à escola.ensino fundamental. II . preferencialmente na rede regular de ensino. estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais.atendimento no ensino fundamental. obrigatório e gratuito. ao se pensar um currículo de formação. com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão essencial o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.Os Municípios. adequado às condições do adolescente trabalhador. Entretanto. III .O Poder Público estimulará pesquisas. II . a ênfase na prática como atividade formadora aparece. esgotados os recursos escolares. bem como participar da definição das propostas educacionais. § 1° . é um dos aspectos centrais na formação do professor.acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência.IV . fazer-lhes a chamada e zelar. como exercício formativo para o futuro professor. § 2° . metodologia. esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. Desde o ingresso dos alunos no curso.É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I . junto aos pais ou responsável. Por essa razão. Isso significa ter a prática.Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental.acesso aos níveis mais elevados do ensino.O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. Parágrafo Único . A profissão de professor precisa combinar sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. em termos mais amplos. alimentação e assistência à saúde. transporte. Art.elevados níveis de repetência.reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. 54 . § 3° . Art. através de programas suplementares de material didáticoescolar.maus-tratos envolvendo seus alunos. 59 . V . Art. à primeira vista. Art.Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I .progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio.oferta de ensino noturno regular.Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. serração. 55 .atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. com apoio dos Estados e da União.atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente. como 22 . IV . tanto na disciplina especifica como nas disciplinas pedagógicas. segundo a capacidade de cada um. ao longo do curso. 57 .direito de organização e participação em entidades estudantis. Art.

A adaptação possui dois mecanismos opostos. equilibração. Na perspectiva construtivista de Piaget. Segundo Piaget. a criança identifica os objetos que pode ou não pegar. de acordo com as relações que estabelecemos com o meio físico. transformando isso em conhecimento seu. é o processo pelo qual as idéias. Concepção ambientalista . mas complementares. O desenvolvimento seria fruto da aprendizagem e esta aconteceria por condicionamento. entende que o desenvolvimento acontece por causa do ambiente. também. ou seja. a criança constrói sua realidade como um ser humano singular.o desenvolvimento humano é resultado de uma interação de fatores biológicos e ambientais. estamos diante de modalidades de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos de trabalho. A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve. que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o objeto. ou seja. tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo objeto). Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. por controle do ambiente. cai por terra aquela idéia de que o estágio é aplicação da teoria. ou seja. a articulação entre formação inicial e formação continuada. é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. A aprendizagem não influencia o desenvolvimento. Para ele. assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio. capazes de construir nossas próprias características. experiência física e lógico-matemática. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. 23 . DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM Quais são as concepções de desenvolvimento? Concepção inatista – É inspirada nas teorias de Darwin e explica o desenvolvimento humano como resultado único de informações biológicas. pessoas. social e cultural. da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora. passando a falar de forma compreensível. transmissão ou experiência social. costumes são incorporadas à atividade do sujeito. são: maturação. os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. entendendo por ambiente os espaços sociais. na EAPE TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Formado em Biologia. Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano. articula-se com a formação inicial. Fonte: aula professora Andrea Studart. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos. indo os professores à universidade para uma reflexão mais apurada sobre a prática. sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações. concluindo que. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito. FARIA salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento. Ou seja. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo. situação em que o cognitivo está em supremacia em relação ao social e o afetivo. As formas de conhecer são construídas nas trocas com os objetos. possibilitando pensar as disciplinas com base no que pede a prática. Significa. Por um lado. existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio.Fruto de uma ciência positivista. históricos e culturais. selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. Por outro. a pode ser feita na escola a partir dos saberes e experiências dos professores adquiridos na situação de trabalho. A adaptação ocorre através da organização. Em ambos os casos. Somos sujeitos ativos. segundo Piaget. Concepção interacionista . pega outros que estão por perto). sujeito-objeto. Os esquemas afetivos levam à construção do caráter. tendo uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto.referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções a respeito. o conhecimento é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação. também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto. ou seja. Através da discriminação progressiva dos objetos. entre os indivíduos e os objetos do mundo. são modos de sentir que se adquire juntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio. Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação. a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve. a formação continuada. a criança reconstrói suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. que podem ou não dar algum prazer a ela. ou seja. Segundo FARIA (1998). Os esquemas cognitivos conduzem à formação da inteligência.

sejam eles do mundo físico ou cultural. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. Dolle (1993). fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico. etc. instigado. lógico-dedutivo. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. mas terá que modificar o esquema para chupeta. A criança vai usando o sistema. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. a lógica. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET Ao elaborar a teoria psicogenética. A educação é um processo necessário. A aprendizagem é sempre provocada por situações externas ao sujeito. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações. é um processo ativo de auto-regulação. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações.comporta ações diferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios. deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico. através de estágios diferentes um do outro. Para que esta adaptação se torne abrangente. valores e sentimentos. ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora. até o pensamento formal. mediante experiências. A base do processo de equilibração está na assimilação e na acomodação. uma é condição para o surgimento da outra. O que promove este movimento é o processo de equilibração. é o produto das ações do sujeito sobre o objeto. ela já tem esquemas assimilados. que Piaget destaca. supondo a atuação do sujeito sobre o meio. Também será mais fácil para essa criança. Por isso. o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. Diante de um estímulo. é também possível graças à atividade do sujeito. 24 . A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e que terá caráter imediato. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. para a criança adquirir pensamento e linguagem. de maneira que é necessário investigar. A cada adaptação constituída e realizada. estando o pensamento e a linguagem centrados na criança. a partir da adolescência. partindo do individual para o social. motivado e. fica curioso. construindo acomodações e assimilações. com maior facilidade utiliza a mamadeira. Com sucessivas aproximações. tanto intelectual como moral. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. Ela poderá ser: experiência física . No processo de egocentrismo. Essas duas experiências estão inter-relacionadas.motivação. pela sua própria estrutura mental. assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista. A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. e período da inteligência operatório-formal. interesses e valores. o indivíduo pode olhar como desafio. promove a reversibilidade do pensamento. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. O processo de desenvolvimento mental é lento. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). Segundo Piaget. Para Piaget. Piaget afirma que. uma criança que já construiu o esquema de sugar. período da inteligência operatória-concreta. o falante passa por pensamento autístico. através de assimilações e acomodações. a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal. Segundo ele. período da inteligência pré-operatória. embora seja estimulado pelo objeto. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. isto é. a moral. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. uma ação com outras ações. uma suposta falta no conhecimento. conceito central na teoria construtivista. comer com colher. ou seja. resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa coordenação. Piaget chamou de acomodação. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. ”A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém”. sendo o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. A adaptação do sujeito vai ocorrendo.

que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. não existindo linearidade no desenvolvimento. morais. Nessa fase. a criança interage com o meio regida pela afetividade. Durante esse período. no estágio personalístico. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo.TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON A criança. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. porém. No estágio da adolescência. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. Imitando. é um desenvolvimento conflituoso. tornando-se habilitada à representação da realidade. lentamente. Segundo GALVÃO (2000). Na gênese da representação. conflitos. aparece a imitação inteligente. exploração e conhecimento do mundo social e físico. A criança começa a negociar. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. por isso. através da ação e interpretação do meio entre humanos. como um movimento que tende ao crescimento De acordo com GALVÃO no primeiro ano de vida. isto é. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. via expressões tônicas. a criança coloca-se em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir. a criança desdobra. por pelo menos três anos. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. rupturas. Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). suas condições de existência. predominando a afetividade. para ele. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. assim como Piaget. No simulacro. a criança voltase a questões pessoais. permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). Wallon acredita que o social é imprescindível. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. sofre crises. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro.No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. VYGOTSKY 25 . de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. predominam as atividades de investigação. Assim como Vygotsky. Para isso. para Wallon. definido pela simbiose afetiva da criança em seu meio social. podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. Ainda conforme GALVÃO é nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. os significados próprios. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". A criança. O autor estudou a criança contextualizada. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. o estágio impulsivo-emocional. contradição. Antes do surgimento da linguagem falada. retrocessos. Dos 3 aos 6 anos. mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. sendo este descontínuo e. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. que é a imitação em ato. ela vai “desprender-se” do outro. isto é. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. tautologia e elisão. a criança está voltada novamente para si própria. com seu mundo sócio-afetivo. No estágio sensório-motor. construindo suas próprias emoções. sofisticar. a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE LEV S. As emoções intermediam sua relação com o mundo. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. A parte cognitiva social é muito flexível. Pela imitação.

no nível social (entre pessoas. As funções psicológicas superiores aparecem. no nível interpsicológico) e. passando pela fala egocêntrica. Esse impulso é dado pela inserção da criança no meio cultural. O conhecimento tem gênese nas relações sociais. Os sistemas simbólicos organizam os signos em estruturas. Sendo assim. ela começa a falar para si mesma. sendo 26 . antes dessa associação. Para ele. No início do desenvolvimento. Desta maneira. a criança nasce inserida num meio social. Segundo Vygotsky. desenvolve a atividade coletiva. a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem. um objeto social. tornem-se estruturas básicas de seu próprio pensamento. assim como os instrumentos. entre o homem e o mundo existem elementos que auxiliam a atividade humana. é a forma de linguagem interna. Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos. Pensamento e linguagem associam-se devido à necessidade de intercâmbio durante a realização do trabalho. a fala da criança torna-se intelectual. Por volta dos 2 anos de idade. Os signos também auxiliam nas ações concretas e nos processos psicológicos. isto é. sendo capazes de transformar o funcionamento mental. como diz VYGOTSKY (1987). o desenvolvimento caminha do nível social para o individual. constitui-se como uma espécie de “dialeto pessoal”. fazendo com que as estruturas de fala que a criança já domina. na qual.). a criança torna-se capaz de atuar sobre suas próprias ações por meio da fala. depois. Como visto. generalizante. tornando-a sua. Segundo Vygotsky. Vygotsky chama isto de fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. que é dirigida ao sujeito e não a um interlocutor externo. Essas duas mudanças são essenciais e evidenciam o quanto são importantes as relações sociais entre os sujeitos na construção de processos psicológicos e no desenvolvimento dos processos mentais superiores. com função simbólica. Estes elementos de mediação são os signos e os instrumentos. signos são meios que auxiliam/facilitam uma função psicológica superior (atenção voluntária. A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e pessoais.Para Vygotsky. as formas de mediação permitem ao sujeito realizar operações cada vez mais complexas sobre os objetos. da mesma forma. Esta vai usando a fala de forma a afetar a ação do outro. assim. estas são complexas e articuladas. e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. O trabalho humano. ou seja. Os instrumentos são utilizados pelo trabalhador. se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças estruturais. e o pensamento torna-se verbal. A internalização é relacionada ao recurso da repetição onde a criança apropria-se da fala do outro. é na interação com outros sujeitos que formas de pensar são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que está inserido o sujeito. Para Vygotsky. etc. A fala interior não tem a finalidade de comunicação com outros. ou discurso interior. que é a família. ou seja. a cultura e a história do homem. sempre mediado por significados fornecidos pela linguagem. a ação coletiva. de fazer uso de determinados instrumentos para alcançar determinados objetivos. que une a natureza ao homem e cria. ao mesmo tempo que a criança passa a entender a fala do outro e a usar essa fala para regulação do outro. formação de conceitos. A fala para si mesma assume a função autoreguladora e. no nível individual (no interior da criança. sendo assim. portanto. as relações sociais e a utilização de instrumentos. na interação com adultos mais capazes da cultura que já dispõe da linguagem estruturada. ocorrem duas mudanças qualitativas no uso dos signos: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal. sociais e históricas. o grupo cultural fornece ao indivíduo um ambiente estruturado onde os elementos são carregados de significado cultural. planejem uma solução para um problema e controlem seu comportamento. memória lógica. no contexto das situações imediatas. permitindo o aprimoramento da interação social e a comunicação entre os sujeitos. o surgimento da fala egocêntrica indica a trajetória da criança: o pensamento vai dos processos socializados para os processos internos. A capacidade humana para a linguagem faz com que as crianças providenciem instrumentos que auxiliem na solução de tarefas difíceis. sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais. exige-se a utilização de instrumentos para transformar a natureza e. Os signos internalizados são compartilhados pelo grupo social. atingindo a fala interior que é pensamento reflexivo. Signos e palavras são para as crianças um meio de contato social com outras pessoas. Nas interações cotidianas. para ele. o pensamento e a linguagem iniciam-se pela fala social. ampliando as possibilidades de transformar a natureza. exige-se o planejamento. no nível intrapsicológico). Durante esse processo. A fala interior. no desenvolvimento da criança. a criança tem a capacidade de resolver problemas práticos (inteligência prática). A relação entre homem e mundo é uma relação mediada. duas vezes: primeiro. Esta fala interior. Porém. em um processo mediado pelo outro. o homem se produz na e pela linguagem. a comunicação social. então. Vygotsky destaca a importância da cultura. Para Vygotsky. a fala do outro dirige a ação e a atenção da criança. Os significados das palavras fornecem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo.

fragmentada. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam. é fundamental que as práticas pedagógicas trabalhem no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro. ou por outra criança mais velha. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. consegue chegar à zona de desenvolvimento proximal. A relação entre pensamento e palavra acontece em forma de processo. inclusive na escola. quando apresentado por crianças. Desta forma. Lima (1990). E uma vez o comportamento aprendido. costuma estar relacionado a problemas familiares. que a criança se apropria das palavras. pois tal atitude penderia para fazer da criança delatora 27 . podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. através da assistência e auxílio do adulto. A preocupação fica ainda maior quando nos remete o fato de que a escola é um local onde as crianças estão para aprender regras e valores. no início. Ele explica esta conexão entre desenvolvimento e aprendizagem através da zona de desenvolvimento proximal (distância entre os níveis de desenvolvimento potencial e nível de desenvolvimento real). ele poderá ser reproduzido em todo lugar. Comportamento agressivo na escola vem se tornando um dos vários fatores que atrapalham a aprendizagem atualmente. DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY Para Vygotsky (1987). É importante afirmar que não estamos falando somente de agressões físicas. aquele que ensina e a relação entre eles. ou seja. do conhecimento. já que não são somente as crianças que praticam ou sofrem agressões que se prejudicam nesse caso. mais tarde poderá realizar sozinha. Temos de levar em consideração que as crianças que assistem a esses episódios agressivos tendem a experimentar sensações como o medo e a ansiedade. Do mesmo modo que não se vê diferença entre as escolas da área rural e urbana nesse aspecto. AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM O crescente aparecimento de comportamentos agressivos nas escolas tem cada vez mais preocupado pais e principalmente professores. através dos “porquês” e dos “como”. para em seguida. chegar a dominá-los por si mesma (nível de desenvolvimento potencial). tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. visuais e reais. VYGOTSKY diz que o pensamento nasce através das palavras. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. É apenas pela relação da criança com a fala do outro em situações de interlocução. e o nível de desenvolvimento potencial. um “espaço dinâmico” entre os problemas que uma criança pode resolver sozinha (nível de desenvolvimento real) e os que deverá resolver com a ajuda de outro sujeito mais capaz no momento. Esse processo passa por transformações que. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras idéias que completa a idéia central. Os estudantes podem ter em casa um modelo de solucionar problemas de forma agressiva ou explosiva. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. aquele momento. incluindo aquele que aprende. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. com maior propriedade. Por isso. ajudando à criança a superar suas capacidades. Causa ansiedade nas crianças expectadoras por nada poderem fazer para ajudar o colega agredido. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio-histórico da espécie. c) Segundo Vygotsky (1987). a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio-interacionista. a agressividade não aparece só em escolas públicas. Quando o professor. constituindo-se em um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra e vice-versa. são sempre palavras do outro. a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. abreviada. aparece também nas escolas particulares. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. Segundo VYGOTSKY (1989). estamos tratando também de falas e atitudes hostis. Esse comportamento. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. que sejam professores. em si mesmas. se utilizando a mediação. Todo e qualquer processo de aprendizagem é ensino-aprendizagem. que. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. para com os colegas ou até mesmo com os professores. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. sendo que a linguagem funciona como mediador”. mas. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança.

sociabilidade. é necessária a mudança da prática educativa visando à formação do aluno e promovendo a sua participação: ver o aluno como um sujeito social com direitos e deveres. as características diferenciadas englobam alguns fatores. Como se pode perceber. para que desse modo todos possam compartilhar suas dificuldades e dúvidas. ensinar e aprender. que manda que ‘ele se ponha no seu lugar (. a aprendizagem se torna intencionalmente significativa. o seu gosto estético. Para que seu trabalho seja realizado com amor. Vive-se em relação com as outras pessoas nas diversas esferas da vida. etc. mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia. o sucesso da aprendizagem se caracteriza como resultado da afetividade por parte do professor. Ser educador requer muita responsabilidade. relaciono-me com os alunos apenas fora da classe [. Uma influência específica vem da relação do professor com os alunos (disponibilidade. a sua inquietude.]” Quando o professor interage com os alunos de maneira afetiva. Neste sentido. é preciso que este profissional esteja se identificando e se sinta realizado em sua profissão. assim como a respeito de si mesmos (MORALES. e a qualidade de nossa relação com os alunos podem ser determinantes para conseguir nosso objetivo profissional. aparência. quando as crianças chegam à escola. porque sua realização como pessoa não poderá construir-se estando embasada em ilusões. Em outros casos mais agravados. amor e afeto que o aluno terá sucesso na aprendizagem cognitiva. nível intelectual. Além disso. onde possam existir trocas de experiências. e ao trabalho. a sua linguagem. quer se pretenda conscientemente quer não. eu me limito a ensinar. não implica diminuir a autonomia docente em sala de aula. se faz necessário um trabalho de parceria da escola com a família. descartar a frase: “na sala de aula. auxiliando-o a lidar com os problemas em casa e dessa forma fazendo com que a agressividade diminua. os métodos utilizados na sala de aula. oportunizando o acesso e a construção do conhecimento. O professor que desrespeita a curiosidade do educando. Segundo Tisatto e Simadon (2002). Conforme o professor se apresenta e ministra suas aulas. buscamos seu êxito e não seu fracasso. comprometimento e muito amor pelo que faz. toda a turma sai prejudicada por essas circunstâncias. mais do que ninguém. Por outro lado. de interpretar o que está ao seu redor. da amizade e do respeito dos outros”. o professor estará respeitando o aluno. construindo uma relação interativa com os alunos. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE 1999). o professor que ironiza o aluno que o minimiza. mas também em suas atitudes. tais como constituição física. precisam ser recebidos com amor. a ênfase na emoção e na afetividade humana imprime ao professor a essência humanizadora de seu próprio ser.. Se levar em consideração que os alunos possuem características comuns. interesse manifestado por todos os alunos. Saber lidar com elas é uma arte necessária ao sucesso de qualquer atividade humana. mas também características diferenciadas entende-se que as características comuns são a manifestação pelo desejo de aprender e a expectativa de que a escola possa melhorar sua vida. e de como eles podem agir para reverter à situação. assim. nossa tarefa é ajudar os alunos em seu aprendizado. O professor precisa saber buscar. de maneira participativa e afetiva.Uma relação afetiva com os seus alunos. 1999).). As crianças. boa preparação das aulas. AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM Somos profissionais do ensino. mas somente se estiver pautada na realidade concreta e iluminada pela esperança de 28 . cada uma com maneiras diferentes de perceber. em alguns casos é viável fazer um trabalho psicológico com o aluno agressivo.. carinho. Sendo assim. ao estudo. Cabe. Para solucionar ou amenizar o problema. paciência. Para Werneck (2002): É preciso que ele ame o que faz e o espaço físico em que trabalha..o próximo alvo. Concretizar tudo isso não é fácil. temperamento. É no respeito às diferenças das crianças e na condução adequada de formas de tratamento a todos com igualdade. as práticas. etc. o aluno deve manifestar livremente suas opinião e até mesmo ser estimulado a fazê . Para que a escola possa orientar os pais sobre como o comportamento da criança na escola pode ser reflexo do comportamento da família em casa. formas imaginárias. precisam da ajuda do professor para uma interação com a escola e com outras crianças.lo sem medo de ser ignorado e/ou contrariado pelo professor. Cabe ao educador respeitar e despertar a curiosidade dos seus educandos. respeito e afeto. com relação à matéria. execução e avaliação das matérias escolares. antecedentes familiares e condições socioeconômicas. Muitas vezes. Pelo contrário. agir e refletir. Essas sensações descritas não são adequadas para um ambiente de aprendizado. os exercícios. sem perder sua autonomia.). os alunos terão apatia ou simpatia pela disciplina que ele leciona. “todas as pessoas são merecedoras da confiança. podem influenciar notavelmente não só no aprendizado dos conteúdos ou habilidades dos alunos. Isto quer dizer que o aluno tem o direito de participar das atividades de planejamento. evidentemente. Assim. E grande parte das crianças sente medo de passar por tal situação..

Através deles. a socialização. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. integra percepções. Através da atividade lúdica e do jogo. a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. Portanto. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. A ludicidade. O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. respeito mútuo e democracia. estimulando o pensamento. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Sendo uma atividade física e mental. É importante que o educando seja orientado e motivado para a busca efetiva da construção do conhecimento. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. confiança em si mesmo e certeza de que a estrada é longa e que. a criança desenvolve a linguagem. A participação da família também é muito importante para o sucesso e faz parte integrante desse processo. simpatia. mas de pessoas e ideais compartilhados. ou seja. A escola que cria um clima de afeto. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. Esta relação afetiva constitui incentivo para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. ao movimento espontâneo. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. ou seja. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano. vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real. compreensão. mas também requerem um esforço voluntário. as atividades lúdicas são excitantes. Em geral. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. criando um clima de entusiasmo.que é possível mudar. o pensamento. um lugar onde todos compartilhem suas experiências e opiniões proporcionam o envolvimento de todos os segmentos que dela fazem parte. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. Caso achasse confinada a sua origem. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. que através do “faz-de-conta” são reelaboradas criativamente. Assim. vai se socializando. A escola deve facilitar a presença dos pais no cotidiano escolar porque uma escola não se faz de paredes. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. uma situação de aprendizagem. estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. e neste sentido. por si só. As regras e a imaginação favorecem a criança comportamento além dos habituais. Várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. ao brincar. LUDICO E APRENDIZAGEM O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. satisfazem uma necessidade interior. O jogo e a brincadeira são. 29 . a iniciativa e a auto-estima. contudo. a criança forma conceitos. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. seleciona idéias. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Ele é considerado prazeroso. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. o que é mais importante. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. não a percorremos sozinhos. O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola. com as pessoas e com os objetos. estabelece relações lógicas.

Estimula o crescimento e o desenvolvimento. do jogo. quebra-cabeça. foi que os professores das séries iniciais afastam o lúdico da vivência dos alunos em sala de aula. animação. que envolvam os alunos e o conhecimento. de maneira sozinha ou com a ajuda do educador. sabendo que eles trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. Através das observações e da prática em sala de aula. Pois trabalhar de forma lúdica exige mais tempo. A impressão que tivemos. pelos quais o mundo tem seus limites ultrapassados: a criança cria o mundo e a natureza. MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Atualmente a motivação dos alunos para a aprendizagem é o centro das atenções no processo educaticional. favorecendo o advento e o progresso da palavra. motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. Segundo Santos (2000): Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos. a vontade de aprender. ao contrário. Quanto mais rica for à experiência pela criança. cada vez mais. pois ao brincar se sente livre para criar e recriar o mundo ao seu modo. As crianças estão sempre dispostas a jogar e brincar. No jogo. Os jogos. pode-se constatar que estar motivado é estar animado. Isso também ocorre na educação. que haja a VONTADE. o forma e o transforma e. com o silencio e a organização na sala de aula. é que o lúdico e o brincar estão mais presentes na educação infantil do que nas séries iniciais. ela está livre para explorar. A hora do recreio e a hora da saída se tornam os únicos momentos em que as crianças desnudam da responsabilidade da escola para permitir-se brincar e ser criança. maior será o material disponível e acessível a sua imaginação. uma vez que este reconhece que a aprendizagem é um processo pessoal. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. A ludicidade deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo num espaço de descobertas. explorar toda a sua espontaneidade criativa. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente. constatamos que os jogos e brincadeiras mais freqüentes na educação infantil são: massinha de modelar. a sala de aula é apresentada como coisa séria. não permitindo espaço para o divertimento. para autocontrolar suas atividades. brincadeiras e/ou jogos que são necessários para as crianças. se da primeira alternativa não obteve o resultado esperado. além do tateio. Mas o que pudemos observar nas realizações dos estágios. Para isso. senão nada acontece. neste momento. Além do valor inconteste do movimento interno e externo para os desenvolvimentos físicos. Os professores estão mais preocupados com o conteúdo. Eles devem ter em mente que o jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. e que ela desenvolve. jogo de memória e a educação física. enfim. daí a necessidade do professor ampliar. reflexivo e sistemático que depende do despertar das potencialidades do educando. a iniciativa individual. tais como. rodas e cantigas. Mas para que se realize a ação e esta resulte no aprendizado é necessário. Já nas séries iniciais geralmente são utilizados os jogos educativos. é necessário ter motivos para se chegar a esse estado. recursos para fazer com que o 30 . e é uma das formas mais natural e prazerosa no processo de aprendizagem. os brinquedos e as brincadeiras são atividades fundamentais nas áreas de estimulação da educação infantil e nas séries iniciais. inicialmente. Através dessas definições. utilizando suas potencialidades de maneira integral. contar histórias. não apenas nos aspectos físicos ou emocionais. do brinquedo e da brincadeira. da imaginação. o rigor e a disciplina são mantidos em nome dos padrões institucionais. entusiasmado. de criatividade. num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de aprender. Nesta. é necessário primeiro a vontade de realizá-la. O professor deve descobrir estratégias. O mundo da fantasia. sobretudo no aspecto intelectual. as faculdades intelectuais. envolvimento e dedicação e muitos não estão dispostos a sair de suas posições cômodas.Segundo Redin (2000): A criança que joga está reinventando grande parte do saber humano. amadurece e aprende ao mesmo tempo. longe dos gostos das crianças. há o APRENDIZADO. brinquedos e brincadeiras. Os educadores e pais devem estar cientes que brincar só faz bem para a criança. que é a maneira privilegiada de contato com o mundo. Segundo o dicionário Silveira Bueno. de imaginação. Cabe ao educador propor atividades que promovam essa motivação. a coordenação muscular. brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos. psíquicos e motor. brincadeiras livres com brinquedos e atividades no parquinho da escola. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. pintura. proporcionando uma aprendizagem de qualidade. jogos matemáticos. muitas vezes é reforçada com respostas imediatas de sucesso ou encorajada tentar novamente. 2004). a criança sadia possui a capacidade de agir sobre o mundo e os outros através da fantasia. Educação requer Ação e como resultado dessa ação. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. as vivências da criança com os jogos. nesse caso. ao invés de aproveitarem como instrumento facilitador da aprendizagem. da imaginação e do simbólico. O brincar se resume em ouvir histórias ou cantar algumas músicas. o que torna o ambiente infantil artificial. entusiasmo. testar hipóteses. mas. ela se cria e se transforma. Qualquer coisa que se faça na vida. além de prazeroso também é um mundo onde a criança está em exercício constante.

Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais. respeitando-o e valorizando-o. mas como todo produto é indissociável de um processo. Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos. podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. Porque. mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito. No entanto. sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. incluir temas que tenham relação. com seus colegas e com os próprios professores. quer na sua natureza. promovem a educação. bem como da transferência destes para novas situações. sendo assim assimilado. Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional. cada pessoa aprende a seu modo. segundo a autora. tentativas e erros. É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. familiar. orgânicos. então terá registrado um processo de aprendizagem. DESENVOLVIMENTO A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores. ou seja. interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. específica (escola) ou secundariamente (família). Como por exemplo: • Dar tratamento igual a todos os alunos. inclusive os objetivados como instituições que. estejam ligados à realidade do aluno. Em outras palavras. Através dela o sujeito 31 . respeitando a sua vida social. que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente. descobertas. No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem.aluno queira aprender. O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivoconstrutivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental. fazendo ligações àqueles já existentes. Já a aprendizagem significativa. mostrar que ele pode contar sempre com o professor. • Mostrar-se disponível para o aluno. fazem parte de um todo que depende. isto é. em outras palavras. emocionais. estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. Bock destaca que a aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. psicossociais e culturais. etc. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias. processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações). • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras. estável e organizada de forma adequada. de uma série de condições internas e externas ao sujeito. o conceito de aprendizagem não é tão simples assim. O processo de aprendizagem é pessoal. relaciona-se com conceitos relevantes. • Ser paciente e compreensivo com o aluno. Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro. • Procurar elevar a auto-estima do aluno. ou seja. o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. ensino. estilo e ritmo. que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento. visando resultados esperados e compreendidos. (BOCK. claros e disponíveis na estrutura cognitiva. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. há diversos fatores que nos leva a aprender um comportamento que anteriormente não apresentávamos um crescimento físico. tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos. A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. cuja síntese constitui o processo educativo. Embora haja discordâncias entre os estudiosos. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Há diversas possibilidades de aprendizagem. De acordo com Bock o processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva é o que os cognitivistas denominam aprendizagem. envolvendo aspectos cognitivos. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens. para a Psicologia. a sua história de vida. complementares e relacionados de alguma forma. quer na sua qualidade. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura. 1999) A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara. • Aproveitar as vivências que o aluno já tem e traz para a escola no momento de montar o currículo.

aquilo do que ela gosta. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. seus professores e colegas. portanto. A autora Bock (1999) destaca que a motivação continua sendo um complexo tema para a Psicologia e. Isso significa que. Segundo a concepção de Vygoysky se a aprendizagem está em função não só da comunicação. E. um interesse. mas também do nível de desenvolvimento alcançado. na concepção Vygotskyana. Segundo Vygotsky uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal. a necessidade e o objeto de satisfação. 1985) Assim. A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação. Veja bem. seduzir o aluno. Assim. Motivar passa a ser. ter a disposição. a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. o que o leva a iniciar uma ação. o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. encantar. para aprender é imprescindível “poder” fazê-lo. na base da motivação. Pode-se afirmar que a aprendizagem acontece por um processo cognitivo imbuído de afetividade. relação e motivação. uma intenção. A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais. Para ter bons resultados acadêmicos. cita algumas sugestões de como criar interesses: 1. está sempre um organismo que apresenta uma necessidade. prender a atenção. estando. e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir. Bock. 2. para as teorias de aprendizagem e ensino. os alunos necessitam de colocar tanta voluntariedade como habilidade. intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio. para que deseje saber. um desejo. principalmente. por fim. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. O aluno deve ser desafiado. uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber. A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito. aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. Vygotsky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. particularmente. do processo de generalização. um trabalho de atrair. Bruner é defensor desta proposta. na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento. o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. Propiciando a descoberta. adquire então relevo especial – além da análise do processo de comunicação – análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e. a decidir a sua prossecução e o seu termo A motivação é. Para Vygotsky. ou seja. (PAÍN. Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação. aos conhecimentos. procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível. a análise qualitativa das “estratégias”. o que conduz à necessidade de integrar tanto os aspectos cognitivos como os motivacionais. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir.histórico exercita. a intenção e a motivação suficientes. a orientá-la em função de certos objetivos. fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertencimento. desenvolver nos alunos uma atitude de investigação. isto é. devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico. usa utensílios. de querer saber sempre. Nas situações escolares. mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. Com isso entende-se que o desenvolvimento do individuo é um processo que se dá de fora para dentro. às estratégias e às destrezas necessárias. que o aluno “fique a fim” de aprender. sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. o processo que mobiliza o organismo para a ação. utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. ciência e tecnologia. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. tendo grande importância na análise do processo educativo. nossos interesses e emoções. Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança. nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o ouro. o que faz referência às capacidades. portanto. como modo de privilegiar seus interesses. entretanto. Essa atitude pode 32 . para isso é necessário “querer” fazê-lo. dos erros. também. que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana. uma vontade ou uma predisposição para agir. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva. a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente. por nossos desejos e necessidades.

a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. em geral. os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. pois ensinar está relacionado à comunicação. a partir daí. Tarefas muito difíceis. o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e. Por meio dessa necessidade. o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente). assim um aluno está motivado quando sente necessidade de aprender o que está sendo tratado. Essas observações sistematizadas vão gerar duvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar. o considerar-se culpado. 3. Porém mau êxito em quê? De acordo com que parâmetro? O que a nossa sociedade atual define como sucesso? Daí a necessidade de analisar o fracasso escolar de forma mais ampla. aprendizagem é também motivação. por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. Somos sempre “ a fim” de aprender coisas que são úteis e têm sentido para nossa vida. 5. Conclusão: A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos. não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo. Mas será que existe mesmo um culpado para a nãoaprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo. A estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem. ora todo um sistema econômico. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos. utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado. . Compreender a utilidade do que se está aprendendo é também fundamental. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudados e discutidos. emocionais. a família e a sociedade em geral. que não desafiam. ora a família. considerando-o como peça resultante de muitas variáveis.As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado.ser desenvolvida com atividades muito simples. ora uma determinada classe social. Quando se fala em fracasso. O professor deve descobrir estratégias. Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. O aluno não “fica a fim”. que geram fracasso. onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. nunca uma única pessoa pode ser culpada. de fácil compreensão. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. que começam pelo incentivo á observação da realidade próxima ao aluno – sua vida cotidiana . o educador desafia-o sempre. bem como da transferência destes para novas situações. orgânicos. e tarefas fáceis. descobrir. captando a atenção do aluno. A sociedade busca cada vez mais o êxito profissional. levam à perda do interesse. psicossociais e culturais. a sentir e a agir. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. envolvendo aspectos cognitivos. Os conhecimentos que o aluno apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. se ela é um processo que ocorre entre subjetividades. uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão.É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. para ele.. percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança. recursos para fazer com que o aluno queira aprender. uma ruína. Ele é definido por um mau êxito.Não há aprendizagem sem motivação. O propósito é discuti-lo como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola). é necessário poder sair do lugar da culpa. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento. supõe-se algo que deveria ser atingido. está no nível imaginário” O contrário da culpa é a responsabilidade. proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente. político e social. Falar ao sempre numa linguagem acessível. Ao estimular o aluno. 4. assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços. Porém. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa. Não deve expurgar a responsabilidade de um fracasso escolar. só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar. Para ser responsável por seus atos. torna-se comum o surgimento em todas 33 . O desejo de realização é a própria motivação. o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito. Assim.

Assim acontece com o fracasso escolar. ao conceder este rótulo à criança. também é responsável pela aprendizagem da criança. A aprendizagem é a articulação entre saber. etc). Claparéde diz que a escola pode provocar na criança conflitos que influenciarão seu gosto pelo aprender. Já mencionamos que a aprendizagem é um processo vincular. ao valorizar a inteligência. em termos de dificuldades. uma função. mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. agressivas. por sua vez. Desta forma. A aprendizagem tem um caráter subjetivo. isolado. há facilidade de aceitar as diferentes opiniões e idéias. Isso pode ser exemplificado no livro: “Na vida dez. ele pode assumir. disléxicas. cotidianas. Também contribuem para o fracasso escolar a própria instituição educativa que muitas vezes não leva em consideração a visão de mundo do aprendente. A família. pela ação sobre ele. daquilo que ela reflete em termos do sistema em que se insere. ele passa a ser sua dificuldade. o ser humano coloca em jogo seu organismo herdado. nos quais o aprendente é levado a memorizar conteúdos e não a pensá-los. As atividades visam à assimilação da realidade e não possibilitam o processo de autoria do pensamento tão valorizada por Alicia Fernández. Este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos.instituições educativas de “crianças problemas”. um sintoma não deve ser considerado de forma única. ocorre. uma informação a ser transmitida. se repetidas constantemente. além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento. podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em 34 . Em nosso sistema educacional. ao passar pelo portão da escola. teatro. portanto entre subjetividades. propiciando um espaço para a autoria de pensamento. A partir disso. que se dá no vínculo entre ensinante e aprendente. O sujeito pode estar em dificuldades de aprendizagem por ter ligado este fato a uma situação de desprazer. A sociedade do êxito educa e domestica. Outra questão referente à escola é que esta. etc. irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos. se esquece da interferência afetiva na não aprendizagem. “O saber em jogo”. uma alimentação adequada. segundo Maud Mannoni. mas sim dentro de um contexto muito mais amplo e repleto de significados. Entretanto é possível a existência de facilitadores de autoria de pensamento mesmo convivendo com carências econômicas. APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA? Ao falarmos de fracasso escolar. o conhecimento é o resultado de uma construção do sujeito na interação com os objetos (PIAGET) e o saber é a apropriação desses conhecimentos pelo sujeito de forma particular. ela revela uma possibilidade de mudança. pois implica no inconsciente. e que necessitam de um raciocínio matemático eles vão muito bem. o acesso a diversas formas de cultura (cinema. Seus valores. pois o aprender implica em desejo que deve ser reconhecido pelo aprendente. já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente. Aprender passa pela observação do objeto. o conhecimento é considerado conteúdo. de “crianças fracassadas”. é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. seu corpo e sua inteligência construídos em interação e a dimensão inconsciente. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. conhecimento e informação. As discrepâncias entre o desempenho fora e dentro da escola são significativas. analisando a história de vida do sujeito e buscando uma significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. É preciso distinguir aquilo que é próprio da criança. pelo desejo. Esta situação pode estar ligada a algum acontecimento escolar. Alicia Fernández cita uma pesquisa com famílias de classe baixa facilitadoras da aprendizagem. Quando se fala em “famílias possibilitadoras de aprendizagem” tem-se uma tendência a excluir as famílias de classes baixas já que estas não podem fornecer uma qualidade de vida satisfatória. Ela define como autoria “o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção”. a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo. não se observa em quais circunstâncias ela apresenta tais dificuldades (ele está assim e não é assim). Porém. Ou seja. Além disso. própria dele. na escola zero” que trata do ensino da matemática. Daí a necessidade de buscar o significado do “não aprender”. Esta última é o conhecimento objetivado que pode ser transmitido. computador. Isso não é apenas uma diferença terminológica. O perguntar é possível e favorecido. hiper-ativas. Condições estas que não são comuns em famílias produtoras de problemas de aprendizagem. Na escola os alunos vão mal. Em seu livro. É importante lembrar que o desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem. muitas vezes os profissionais da educação não conseguem transpor o conhecimento ensinando para a realidade do aprendente. cursos. Perde-se o sujeito. ou seja. dentro da família. O que caracteriza estas famílias é a criação de um espaço favorável para que cada membro possa escolher e responsabilizar-se pelo escolhido. Para aprender. não ocorrendo de fato uma aprendizagem. porém em situações naturais.

Os resultados do Saeb de 2003 mostram que cerca de 38% dos alunos. sobressaem-se o seu universo familiar. é de praticamente 48%. e a deficiência mental tem incidência pequena na população. As avaliações educacionais têm constatado que são altas as taxas de repetência e baixos os níveis de aprendizado na educação básica. contra 177 da média nacional. (FERNANDEZ. o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais. revelam que as taxas decaíram. ações que maximizam as chances de sucesso. estão em situação de atraso escolar. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem produzido um volume significativo de dados sobre os desempenhos dos alunos e os seus fatores associados. deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem. mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar. Para a obtenção do sucesso. seja por falta de coordenação do trabalho docente. A proporção nacional. constatava-se que mais de 50% dos alunos repetiam a primeira série do ensino fundamental. o grupo sem defasagem obteve média de 189 pontos. No Norte. de 19.aprendente. inclusive em tarefas do cotidiano escolar. os alunos que estão na idade correta auferiram nota média de 182 pontos. É certo que o principal desafio da educação brasileira. Escolas com clima degradado. O primeiro diz respeito à formação e atuação dos professores que. Para ela no fracasso escolar “a criança não tem um problema de aprendizagem. não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. é o da qualidade. tentando descobrir a função do não aprender. É preciso combater o fracasso escolar representado pela repetência. para as próximas décadas. mas eu. Os condicionantes do fracasso são diversos. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. São ainda elevadas. qual a modalidade de aprendizagem da criança. Quase 11% dos alunos da região mais rica (Sudeste) refazem a primeira série. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. Relativamente às características dos alunos. tenho um problema de ensinagem com ele”. monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos. Em 1990. 35 . e. como docente. com pelo menos um ano de atraso. Esses números são sinais de como as oportunidades educacionais estão distribuídas de forma não equânime. problema de aprendizagem e deficiência mental. teve média de 158 pontos. Uma educação bem sucedida deve conjugar um fluxo escolar regular com o progresso cognitivo dos estudantes. pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes. Os números da educação no Brasil de 2003. em muitos casos são deficitárias. são necessárias ações claras e racionais de alcance de metas. acompanham e incentivam os seus filhos. é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do não. Os estudantes com um ano de atraso obtiveram 166 pontos.8%. portanto. As evidências mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. Em matemática. na avaliação de leitura. na primeira série do ensino fundamental é de 30. Alicia Fernández diferencia fracasso escolar. acima da média nacional que é de 169. Esta é motivada pelo ingresso tardio da criança na escola.conhecimento. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. pelo abandono das salas de aula e pela reprovação ao final do ano letivo. ou seja. constituindo-se um sério problema para a educação. O terceiro refere-se à gestão da educação. distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. conforme a trajetória escolar. uma diferença de 23 pontos.1%. aos resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos. Este processo se difere bastante do fracasso escolar que pode evidenciar uma falha nesta relação vincular ensinante. incluindo desde a administração superior até a da escola propriamente dita. O segundo conjunto refere-se ao clima escolar. na 4ª série do ensino fundamental. Nessa etapa. seja por aspectos disciplinares. O grupo de alunos. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. na região mais pobre (Nordeste) o número é de 43%. Os dados de fluxo mostram que as chances de repetência são bem maiores no Nordeste e no Norte do país. 1994). Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. Conclui-se que a diferença da medida de aprendizagem. A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. professores e funcionários escolares.aprendizado. Os condicionantes originados no ambiente escolar podem ser agrupados em três grandes conjuntos. efetivando o pleno desenvolvimento de habilidades e competências em todos os componentes curriculares. O problema de aprendizagem pode ser um sintoma de outros conflitos ou ainda uma inibição cognitiva. recentemente divulgados. é de magnitude considerável. na segunda série.

pai da psicanálise. uma reconstrução de configurações. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. Práticas. Portanto. é a gratificação do seu próprio inconsciente inacessível. Para Sigmund Freud. desde a criação de trabalhos artesanais. o indivíduo cria para aliviar certos impulsos. passando a elaborar desejos imaginários. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. CRIATIVIDADE Criatividade é. filósofos ou mesmo outros profissionais. parte/todo. chegouse a considerar a criatividade como inspiração divina – o criador como um ser divinamente inspirado – ou tém como loucura – considerando o ato de criação como proveniente de um acesso de loucura. É urgente e imprescindível buscar obsessivamente a qualidade na Educação. Isto se dá. a fluência na leitura. não se teria condição de fazê-lo. o domínio da associação entre fonema e grafema. considera a criatividade como a habilidade do indivíduo reverter à relação figura/fundo. seja entre psicólogos. para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro. K. Criatividade é uma forma de reduzir tensão. desta forma. entretanto. Em tempos passados. É necessário abandonar a idéia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. primariamente. educadores. É necessário. ou seja. estabelecendo-se. uma nova conexão. exercícios de gramática relacionados com os textos. Kohler. de se atingir indiretamente algo que. Koffka e W. estudo de textos explorando as diferenças entre fatos e opiniões. Populares aplicam a palavra indiscriminadamente para uma série de produtos finais. a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes. O pensamento criador é. A teoria gestaltista. o desenvolvimento da capacidade dos estudantes em utilizar a linguagem escrita e ler. Wertheimer. criar é o seu consolo. são algumas das medidas. O artista ou criador. Esta habilidade modifica-se nas diferentes idades. tentando encontrar melhores explicações. Segundo Freud. criatividade e neurose têm a mesma fonte de origem:os conflitos do inconsciente. de novas possibilidades de ação. como debate sobre textos de jornais e revistas. a percepção brusca. Para que tais habilidades sejam desenvolvidas plenamente é importante dotar os docentes das competências para o seu ensino. bem-sucedidas de aprendizado. é amplo e muitas vezes até controvertido. o indivíduo só aparentemente desiste desta grandiosa fonte de prazer. textos de gêneros variados. instrumentos de avaliação. até as descobertas da física e da matemática. Seu conceito. poesias. de uma forma geral. cujos líderes são M. O “insight” envolve a percepção ou reconhecimento súbito da associação entre duas unidades de pensamento. quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira. tais como a codificação e decodificação. que o indivíduo 36 . conscientemente. seus fatores condicionantes. ela origina-se num conflito dentro do inconsciente. foge da realidade. leitura e discussão de diversificados gêneros textuais. que o levam. na etapa de alfabetização. definições operacionais. É o ler para aprender. A criação é uma forma de sublimação. mais precisamente. porque a noção de criatividade abrange um conjunto de fronteiras incertas. composição de sinfonias musicais. É a tese da “catarsis criadora”. não está longe de ser um neurótico. Segundo Freud. o oposto de imitação. à solução do problema. É a reconstrução do campo perceptivo do indivíduo. no seu ambiente. Suas fantasias podem ser tanto desejos eróticos quanto desejos de engrandecimento. Ao perder a ligação com os objetos reais das brincadeiras. A criatividade tem sido abordada de maneiras distintas. desenvolvendo as habilidades centrais. é “insight”. A teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein. que eram anteriormente separadas. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais. O indivíduo criativo é aquele que aceita livremente as idéias que surgem do ID. passa a fantasiar. quase que instantaneamente. É o aprender a ler. Os professores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo.A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. Algumas das principais evidências do Saeb revelam que o ensino de língua portuguesa centrado na evolução da capacidade de leitura dos estudantes obtém melhores resultados. para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. Melhorar os processos de alfabetização. Uma etapa necessária é a do letramento. através dos tempos. Parando de brincar ao se tornar adulto. como não possui os meios de alcançar determinadas satisfações. incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. de cópia.As teorias sicológicas modernas em muito contribuíram para uma melhor compreensão do complexo fenômeno da criatividade. com competência. provavelmente.

igualmente. Ressalta. É necessário. de brincar espontaneamente com idéias. no caso da Educação Física. esclarecendo que o professor deve incentivar o aluno a encontrar suas próprias idéias. sair da rotina são experiências que causam temor. Não é o caso de se desprezar a aprendizagem mecânica. segundo Rogers. Quando o indivíduo descobre algum fato que já foi revelado por outros. O meio ambiente pode. atitudes que muitas vezes chocam outras pessoas. Guilford. que debates de estudiosos concluem que a criatividade é um conceito muito abrangente. a expressão de uma idéia. exatamente. Este tem que. Outra importante contribuição na área da criatividade foi à análise fatorial de J. transformar os elementos. Mesmo entendendo que os dois tipos de aprendizagem não ocorrem de forma pura. pois conteúdos factuais são melhor ensinados e aprendidos por meio de repetição e memorização. o sistema educativo deveria se preocupar em oferecer experiências que promovessem o desenvolvimento da criatividade em todas as áreas de expressão. assustam. técnicas de movimentos esportivos. é que a avaliação do produto final seja feita internamente. Central para todo tipo de atividade criativa é o que ele chama de “abertura à experiência”. de Expressar o ridículo.possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos. emocional. O fato de o indivíduo perceber ou não as categorias. influi em sua habilidade de criar algo novo. emocionais e sociais. entre o novo conteúdo e as experiências vividas ou com os conhecimentos já adquiridos. em segundo plano. Isso ocorre quando a aprendizagem possibilita o estabelecimento de relações e vínculos. de algo concreto ou de uma forma de comportamento que seja nova para quem o fez. Desde o ponto de vista pedagógico. primeiramente. maximizar a possibilidade de emergência da criatividade. um fenômeno multifacetado. à sociedade. uma aprendizagem que provoca mudança no comportamento. O contexto sócio-histórico-cultural pode fomentar ou inibir a criatividade. Se aprendizagem for conceituada como toda nova reorganização que tem caráter de permanência e disponibilidade no tempo. apenas. o oposto de defesa psicológica. social. originado de múltiplas fontes: cognitiva. formas. por considerála um sistema de atitudes capaz de modificar-se e adaptar-se. que interagem para trazer a motivação e o envolvimento com a tarefa. Apesar da aceitação do conceito de criatividade e da proliferação dos trabalhos nesta área. Outra condição importante. causam estranheza e têm tendência a não serem aceitas de imediato. que o próprio indivíduo julgue o ato de criação. fórmulas. A ação criativa é uma situação onde se produz o novo. Apoiando-nos em Ausubel e Rogers . que: "ao considerarmos a noção de aprendizagem como um ato onde se encontram elementos cognitivos. emoções. de ver a vida de uma forma nova e significativa. que haja liberdade psicológica e que não se faça uma avaliação do indivíduo. entendemos a aprendizagem significativa como a aquisição de conhecimentos em que somos capazes de atribuir significado ao conteúdo aprendido. em atitudes e na personalidade. relações. Quando se oferece ao aluno oportunidade para ser criativo está se oferecendo também uma abertura para a expressão de sentimentos. tem como base experiências anteriores e resulta em algo produtivo para o indivíduo ou para a sociedade. A educação tem sido questionada por dar ênfase à aprendizagem mecânica ou de memorização e por não estimular uma forma autônoma de pensar e de agir. ainda assim representa uma realização criadora. transformação. Sefchovich & Waisburd (1995) e Capra (1982) assinalam que a cultura ocidental sempre valorizou o pensamento dedutivo racional. que é. o que vale observar é o nível de significância que pode resultar de cada uma delas. trazendo como conseqüência o aprender. Dieckert (1985 e 1984) prefere o termo criatividade pedagógica. em quantidade e qualidade. satisfazê-lo e. 37 . quantas vezes seja necessário. Aí estariam incluídos princípios. mesmo que estas já lhes sejam conhecida. que gera um tipo de pensamento divergente. o processo educativo é insuficiente para desenvolver a criatividade e a educação formal não tem oportunizado o ensino do pensamento criativo. gerando um estilo de criatividade estreitamente relacionado com o produto. inter pessoal e irracional. Wechsler (1995) comenta a esse respeito. uma pessoa é criativa na medida em que realiza suas pontencialidades como ser humano. pode-se supor que toda aprendizagem é primeiramente uma criação. O que se pretende é valorizar outros tipos de aprendizagem que possibilitem o desenvolvimento do pensamento divergente e da criatividade. Os primeiros autores vêm à criatividade como uma forma de vida. para converter cada situação em uma possibilidade de aprendizagem e ensino. ainda. Estimular o potencial de alunos faz parte de um tipo de prática pedagógica que envolve mudanças. como forma de construção de conhecimento e de aprendizagem significativa. Por aprendizagem mecânica ou repetitiva entende-se a aquisição de conhecimentos que nos possibilita memorizá-los e repeti-los literalmente quando somos questionados. enquanto que a civilização oriental privilegia a experiência subjetiva como forma de conhecimento. para haver criatividade. um estilo de criatividade mais centrada no ser humano e no seu desenvolvimento pessoal. conjugação de verbos e. Encontramos na literatura vários conceitos e definições sobre criatividade que apontam para uma capacidade humana. podemos concluir que é inevitável se trabalhar com a criatividade na sala de aula”. cores. Mudança.P. como predeterminadas.

populares e bem aceitos pelos colegas . elaboração (número de detalhes). “A estimulação intelectual e a privação emocional podem produzir um gênio. geralmente. aponta para uma certa inconstância entre o discurso. comenta as duas dimensões pessoais que os coloca como pessoas difíceis. demonstram extrema ousadia e ambição em sua maneira de agir. Parece existir “discordância" em relação ao que se entende por técnicas no esporte e dança e vivência corporal diversificada que um indivíduo adquiriu em sua história de vida. desordenados. a estética dos movimentos. de julgamento. CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS Um aspecto comprovado é a tendência dos docentes em privilegiar características de indivíduos criativos que se relacionam mais ao produto que este apresenta. De certa forma.atitudes que parecem facilitar a disciplina em sala de aula. que acaba por conduzi-los a tornarem-se marginalizados. flexíveis. A outra dimensão revela a tendência à conservação de traços ou aspectos menos atraentes da infância: egoísmo. contrários às regras . sinceros. a depreciação dos outros e a auto promoção destes indivíduos. o que ocorre apenas em uma pessoa psicologicamente saudável. artísticos . curiosidade. espontaneidade não foram consideradas importantes. interesseiros. como a independência de pensamento. ser questionador durante as aulas. às técnicas esportivas. o conceito de criatividade e o de pessoa sadia e plenamente humana talvez resultem a mesma coisa. Possuir um bom repertório de movimentos. Estudantes criativos em relação aos não criativos são instáveis. forma de agir ou mesmo de personalidade do indivíduo são incompatíveis com aquelas mais enfatizadas pela sociedade em geral e pelo professor em particular.traços negativos do ponto de vista social. necessariamente. algumas características de sua conduta. metodologias de ensino que estimulem formas de pensamento divergente e canalizem o agir para mudanças positivas também representam um obstáculo para o desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. o que pode gerar uma idéia errônea de que somente os indivíduos com performance corporal. a flexibilidade (riqueza das respostas). A mesma autora. ao estudar indivíduos altamente criativos. Segundo Vigotski (1998). cultos. Algumas características do comportamento de pessoas criativas são consideradas inadequadas ou negativas e acabam por rotulá-las como pessoas difíceis. fluidez (quantidade de respostas). Alencar (1993) ao analisar as características e comportamentos desejados e encorajados pelos professores em sala de aula. As características de aluno criativo que mais chamam a atenção de docentes de Educação Física estão ligadas ao aspecto motor.Em nosso entender o desconhecimento de características de personalidade e da forma de agir e se expressar. Características associadas à criatividade. Geralmente a infância de pessoas consideradas criativas são ricas em estímulo intelectual. aventureiros. obstinação. Uma delas é a determinação em fazer algo. o que se percebe nos discursos de alguns docentes é a associação que se faz da capacidade de se “expressar bem corporalmente" com a habilidade física. Ser curioso. que valoriza a criatividade. A originalidade (respostas inovadoras). despertando insensibilidade de amigos ou mesmo da sociedade. São. e “querer saber de tudo”. seriam criativos. mas pobres em comodidade emocional. esses estudos vão contra as concepções de Maslow (1998) e Rogers (1985) em relação à criatividade como auto realização. Estaria implícito aí o conceito de motricidade.variáveis positivas no aspecto social. vivências motoras ou domínio corporal implica experiências anteriores. na capacidade que o indivíduo possui de utilizar movimentos corporais para expressar uma idéia. No entanto. referem-se ao produto que o sujeito apresenta e nos esclarecem pouco sobre atitudes e comportamentos da pessoa criativa nos momentos de sua atuação. estes estudantes são também originais. descontrolados. egocentrismo. No entanto. intuição. e as práticas docentes que indicam um comportamento convergente. intolerância. aponta que mais de 95% dos professores gostariam que seus alunos fossem obedientes. Rogers (1985 a e b) acredita que a criatividade envolve toda uma orientação do organismo e não apenas a mente consciente. trabalhadores. 38 . estupidez. Algumas pesquisas sugerem que apesar de a criatividade ser considerada importante como habilidade de pensamento e como fator de desenvolvimento humano. a qualidade técnica. Antunes (1999) comenta que alunos considerados criativos comparados com figuras históricas consideradas geniais por sua criatividade. espontâneos. Isso não significa que estejam relacionadas.um dos requisitos para o desenvolvimento de habilidades de pensamento divergente . que pode ou não incluir técnicas esportivas. atenciosos.” Gardner (1996 e 1999).são vistas muitas vezes como condutas que atrapalham a aula. a exemplo de atletas e bailarinos. Para o primeiro autor. em vários outros trabalhos. mas também podem gerar pessoas frustradas e insatisfeitas. pessoas que pouco se incomodam em sacrificar o bem estar pessoal ou mesmo suas relações afetivas em troca do desenvolvimento de sua obra. a variedade e riqueza de experiências estão em relação direta com a atividade criadora.

que pode ter diferentes causas. as formas estereotipadas das danças transmitidas pelos meios de comunicação. como por exemplo o medo de ser avaliado negativamente por outros (pais. O culto ao corpo perfeito. Ruiz Perez (1995) acrescenta que. ainda. Alencar (1993) aponta a liderança. Isso exige que o professor esteja preparado para proporcionar aos alunos problemas e situações relevantes. que nós é imposta pela sociedade acaba por intimidar nossa capacidade de criar novos movimentos. existem numerosas oportunidades para aprender de forma mais criativa. Parece que para as meninas essa situação é mais comum que para os meninos. Concepções de ensino em que são privilegiadas e valorizadas a reprodução de conhecimento e a memorização de fatos são projetadas para que os alunos adquiram conhecimento de forma passiva. a independência e a iniciativa como características mais exigidas para o sexo masculino e a intuição. Expressar a criatividade por meio da motricidade é um problema na maioria das vezes. Isso pode ser observado já nas primeiras séries escolares e mesmo na educação não formal. especialmente nas atividades motoras. Aquelas velhas e tão conhecidas frases do tipo “isso não é pergunta que se faça”.MEDO DE SE EXPOR Muitas pessoas têm dificuldades e. Mosston & Ashworth (1996). nas quais o professor e o conteúdo a ser aprendido são o centro do processo ensino-aprendizagem. Pensar de forma diferente. As pesquisas sobre criatividade no Brasil têm sido realizadas principalmente com alunos e professores do ensino fundamental e médio e relatam estudos 39 . aceitar e valorizar as idéias e as soluções encontradas pelos alunos. “menino não dança assim” ou “meninas não se comportam desta maneira”. que colocam o êxito e o triunfo em evidência. acaba por criar barreiras à expressão criativa do aluno. professores). espontaneidade e sensibilidade. mas sim um veículo para acrescentar a ideação através dos conteúdos figurativos. mas como maior interesse por atividades estéticas que envolvem emoção e sentimentos. em um dos mais importantes trabalhos sobre metodologias de ensino em Educação Física. até certo ponto. de serem criativos. 2001): estar preso a programas e conteúdos. Isso também foi evidenciado em nossa pesquisa realizada com docentes universitários de Faculdades de Educação Física (Tibeau. tentar novas formas de expressão. para o sexo feminino. Os sentimentos negativos em relação ao próprio corpo geram um tipo de ansiedade que é pouco produtiva para a expressão de idéias e emoções por meio da motricidade. não como desvio de sexualidade. descobrimento. ainda são comuns em nossa sociedade. sendo o professor mediador e facilitador da construção de conhecimento do aluno. Afirmam que as áreas de Educação Física. acabam por inibir e aparecimento de formas de expressão individuais. medo de serem diferentes. Em nossas pesquisas uma das causas alegadas pelos docentes universitários como dificuldade para identificar alunos criativos é o medo e a vergonha que os alunos têm de se expor. Para Maslow (1990) os exemplos de criatividade sempre fazem referência a produtos masculinos. invenção e de ir mais além do conhecido. de manusear materiais de forma inusitada . Esportes e Dança oferecem grandes oportunidades para desenvolver a capacidade humana de diversidade. Cabe ao professor criar ambientes de respeito e aceitação que oportunizem as diferentes formas de expressão de criatividade do aluno. a falta de tempo e o pouco conhecimento que têm sobre a criatividade impossibilitam o reconhecimento da capacidade criativa dos alunos. O receio e a vergonha de se expor em atividades motoras está relacionado ao fracasso. com os ganhos e mais com o processo. METODOLOGIAS DE ENSINO Uma questão que é sempre presente nas discussões sobre criatividade no processo educacional versa sobre como os educadores reconhecem e cultivam uma forma de pensar divergente e autônoma de seus alunos e. questionar são encaradas com receio. embora numerosas atividades na Educação Física reclamem um pensamento convergente e reprodutor. Estudos comprovam que o medo aumenta com a idade e é na fase da adolescência (fase também de transformações corporais) que se pode observar melhor o temor de se expor. amigos. como esses educadores proporcionam aos estudantes oportunidade para canalizar sua energia criativa. A utilização de metodologias de ensino diretivas. as formas de manifestação corporal ditadas pela sociedade moderna. A inibição na utilização do corpo como linguagem de expressão. descrevem formas de trabalho ou estilos de ensino nas quais o aluno é protagonista do processo e a principal meta é sua autonomia. As mulheres se comprometem menos com os produtos. Torre (1997:9) adverte que os conteúdos não devem ser obstáculos para o desenvolvimento da criatividade. De acordo com Mackinnon (1980) pessoas criativas são as que apresentam mais indicadores de feminilidade. simbólicos. associada a uma resistência ao que novo ou diferente. de inventar novas formas de relação com o grupo. semânticos ou comportamentais.

consequentemente. á avaliação do pensamento produtivo. destruída ou incentivada. e os métodos de ensino reformulados. projetando-se no futuro. exceto em casos patológicos. assim. em graus diferentes. metodologias e programas para o desenvolvimento de diferentes formas de expressão da criatividade. pode ser inibida. habilidade para reestruturar idéias. em muitos pesquisadores na área da criatividade. Tendências e traços da personalidade criativa. as pessoas possuem. é necessário incrementar um tipo de ensino que combine o esforço de pensar com o de aprender. fundamental que. autônomo.sobre avaliação da criatividade em alunos. diante do volume e da complexidade dos problemas dos tempos atuais e da rapidez com que se processam as mudanças. valorizar e lidar com sua própria criatividade. quando este é encorajado a manipular objetos e idéias. Mudanças tecnológicas e científicas que ocorrem neste final de século têm ocasionado uma crise na universidade e. a classificarem. A psicologia admite que. para a descoberta de melhores respostas aos obstáculos e desafios do mundo moderno. a velhos problemas. Relatam também a falta de preparo dos professores. tais como a auto-confiança. E como bem o afirma Ostrower: “Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. que o indivíduo recebe. na formação de profissionais da educação. na maioria das vezes. Criatividade. potencial presente em todos os indivíduos por ocasião do nascimento. especialmente no Brasil. é encontrada em cada indivíduo. Wechsler (1995) vai mais longe e assinala o próprio despreparo do futuro profissional para entender. devem ser devidamente estimulados. assim. influência da criatividade no rendimento escolar. inteligência ou nível sócio-econômico. para ser autocrítica. julgarem. fluência. ao treinar e incentivar as atividades relacionadas com o pensamento convergente (reprodução de fatos conhecidos). Segundo Maria Helena Novaes (1975). E é do mesmo modo necessário”. Geralmente. procurando tornar o indivíduo sensível aos estímulos ambientais. sexo. Estabelecer um relacionamento criativo com uma determinada realidade é. romper com o passado e o presente. independente de idade. Qualquer indivíduo. o humor. abandonando. fatores inibidores e promotores da criatividade e. portanto. dependendo do meio ambiente em que os mesmos se desenvolvam. pode melhorar sua capacidade de pensamento criativo. principalmente. para considerar que a educação formal suprime muito a criatividade natural. a educação sem criação não é uma educação de verdade. a descobertas de outras. A FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudos realizados na área de formação de professores têm evidenciado a carência dos cursos de licenciatura em fornecer meios ao futuro profissional de desenvolver e aprimorar sua própria capacidade criativa e para reconhecer e valorizar esta forma de pensar e agir em seus alunos. de acordo com uma série de valores introjetados. Questionam também a própria forma de atuação do professor. há uma tendência para levar os indivíduos a interpretarem fatos. compararem. soluções originais). A criatividade. autogeradora. habilidade para sentir problemas. todas as habilidades em potencial. como a emergência de originalidade e individualidade. È. A emergência da era industrial e conseqüente modernização e automação da sociedade definiram muito as características das transformações que o processo educacional deveria incorporar. Boa Sorte! 40 . De uma certa forma. isto funciona como um incentivo ao desenvolvimento de suas próprias idéias. a abertura à percepção. Há uma tendência. entre outros. as atividades relacionadas ao pensamento divergente (fantasias. deve ser suficientemente aberta. com novas idéias e soluções. espera-se que o professor tenha sido preparado no seu curso de formação profissional para atuar de maneira crítico-reflexiva em relação aos conteúdos a serem ensinados e a valorizar a construção do conhecimento dos alunos. pois. muito freqüentemente. flexibilidade. idéias novas. no sentido de estimularem os indivíduos a elaborarem e transformarem as suas idéias. com uma predisposição ao pensamento criativo. o indivíduo utilize o seu potencial criador contribuindo. A educação formal. divergente e de trabalhar os conteúdos de maneira questionadora e indagadora. conformismo. Os condicionamentos agem. portanto. para oferecer condições para o desenvolvimento de formas de pensamento crítico. A velocidade das informações e dos conhecimentos enfatiza a necessidade de o Homem se adaptar continuamente a novas situações a fim de responder. curiosidade inteletual.

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