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APOSTILA - Direito Processual Penal - Princípios Constitucionais Gerais Pertinentes

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RESUMO DIREITO PROCESSUAL PENAL Autor: George Marmelstein Lima 1.

DIREITO PROCESSUAL PENAL “O processo penal é o modo, ou antes, os diversos modos pelos quais a lei regula o andamento das ações criminais e, juntamente, os atos da justiça, no juízo criminal, com o fim de descobrimento da verdade real.” (PIMENTA BUENO) 2. TIPOS DE PROCESO PENAL 2.1. Inquisitório: é sigiloso, não contraditório e reúne na mesma pessoa as funções de acusar, defender e julgar. O réu é mero objeto de persecução. A tortura é aceita. 2.2. Acusatório: é contraditório, público, imparcial, assegura ampla defesa; há distribuição das funções de defender, de acusar e de julgar a órgãos distintos. A autoridade judiciária não atua como sujeito ativo da produção da prova, ficando a salvo de qualquer comprometimento psicológico prévio. É o sistema vigente entre nós. Ressalta-se, contudo, que a Lei de Combate ao Crime Organizado (Lei 9.034/95) prevê a hipótese de diligências realizadas pessoalmente pelo juiz ainda na fase do inquérito, como a violação de sigilos preservados pela Constituição ou pela lei. Submetido o dispositivo ao crivo do Supremo, decidiu-se que: a) o magistrado tem poderes instrutórios e a investigação criminal não é monopólio da polícia judiciária; b) a coleta de provas não antecipa a formação do juízo condenatório; c) a CF autoriza restrições ao princípio da publicidade. Vencido o Min. Sepúlveda Pertence, por entender que a coleta de provas desvirtua a função do juiz de modo a comprometer a imparcialidade deste no exercício da prestação jurisdicional. 2.3. Misto: há uma fase inicial inquisitiva, na qual se procede a uma investigação preliminar e uma instrução preparatória, e uma fase final, em que se procede ao julgamento com todas as garantias do processo acusatório. 3. PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO PENAL 3.1. Conceito de princípios. A dogmática moderna avaliza o entendimento de que os princípios são, ao lado das regras, normas jurídicas, com um alto teor de juridicidade. Os princípios seriam mandados de otimização das regras, embora, muitas vezes, possam ser diretamente aplicados (ou concretizados), independentemente da pré-existência de regras. Diz-se, por isso, que os princípios seguiram o caminho metodológico “da servil normatividade no Direito privado à senhora juridicidade no Direito Público” (Ruy Espíndola). “Princípios são verdades ou juízos

fundamentais que servem de alicerce ou de garantia de certeza de um conjunto de juízos, ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade” (MIGUEL REALE)
J U e J e x . : o U Í Z r é u O t e A m Í Z O x . : F p U r i n N D c í p A i o M d E o N c o T n A L t r a O d U i t ó P R r i o I N C

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J U Í Z O B J U Í Z O C ei r xe . i :t o o à r é c u i t a t e ç mã oe d x v i. rá: e l o i i dt o r a é a u t t o e m m a dr i r e i t c o n h e c i m e n t o p e d s a s ro e a a l l di z a a ç s ã e on t e n ç a d e a u d i ê n c i a s

3.2. Princípio expressos e implícitos. “Os princípios beneficiam-se de uma objetividade e presencialidade normativa que os dispensam de estarem consagrados expressamente em qualquer preceito.” (CANOTILHO). “Assim como quem tem vida física, esteja ou não inscrito no Registro Civil, também os princípios ‘gozam de vida própria e valor substantivo pelo mero fato de serem princípios, figurem ou não nos Códigos” (Bonavides). 4. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS GERAIS PERTINENTES 4.1. Princípio da igualdade (art. 5o, caput). Trata-se da isonomia processual. Em juízo, as partes devem ter as mesmas oportunidades de fazer valer suas razões, e ser tratadas igualitariamente na medida de suas igualdades, e desigualmente na medida de suas desigualdades. 4.2. Princípio da legalidade (art. 5o, inc. II). No processo penal, a legalidade não é tão rígida quanto no direito penal material. Afinal, o próprio CPP dispõe que a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais do direito. 5. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PROCESSUAIS 5.1. Princípio da inafastabilidade da apreciação judicial (art. 5o, inc. XXXV). “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Está, portanto, de braços dados com princípio do amplo acesso ao Judiciário e do direito fundamental de ação. O termo lei (“a lei não excluirá”) deve ser interpretado extensivamente, para que sejam incluídos, obviamente, os decretos, as portarias, as medidas provisórias, as leis complementares e até emendas constitucionais que tenham como finalidade excluir da apreciação do Poder Judiciário certas matérias. O dispositivo não deve ser entendido apenas como um aviso ao Poder Legislativo ou ao Poder Executivo, mas sobretudo ao Poder Judiciário. Explica-se: se é certo que nem o Legislativo pode editar leis que excluam, de modo desproporcional, o controle judicial de determinados atos, nem o Executivo pode promulgar medidas provisórias ou outros atos normativos

como competente para o julgamento do caso concreto”. Juiz natural. Ruy. Encontra-se enunciado no art. 5. Princípios do Processo Civil. Até porque. mesmo que nada tenha ficado provado. 5o. rel. anteriormente. LV). 92). 5o. o próprio conteúdo do princípio do substantive due process vai muito além do que a simples observância dos dispositivos legais. Somente se “considera juiz natural o órgão jurisdicional cujo poder de julgar derive de fontes constitucionais”. Ou seja. isto é. A primeira acepção. de qualquer espécie que seja. 5.2. no sentido preconizado na Constituição e na Lei Processual é o juiz pré-constituído. pelo qual o magistrado não pode deixar de julgar. Daí a adoção do princípio do non liquet (ou da indeclinabilidade).3. entre outras garantias. 5. de cunho material. ainda que o juiz não tenha condições de dizer quem tem a razão. como preferimos. tem por objetivo apenas assegurar o regular e justo andamento do processo judicial. do direito de ser citado. tem-se que "a essência do substantive due process of law reside na necessidade de proteger os direitos e as liberdades das pessoas contra qualquer modalidade de legislação que se revele opressiva ou destituída do necessário coeficiente de razoabilidade" (STF. ADIMC-1755/DF. sobre o qual todos os outros direitos de liberdade repousam” (Loewenstein). p. ainda que ignore qual das partes o está o enganando. No sistema jurídico-constitucional pátrio. graças à construção jurisprudencial da Suprema Corte norte americana. tem o magistrado o dever de se pronunciar (PORTANOVA. do direito de defesa. Ministro CELSO DE MELLO). incisos XXXVII e LIII: “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente” e “não haverá juízo ou tribunal de exceção”. da qual proveio a expressão devido processo legal (due process of law). o devido processo. Observe-se que o termo inglês "law". Princípio do Devido Processo Legal (art. tem uma acepção procedimental ou formal (procedural due process) e outra substancial ou material (substantive due process). inc. o devido processo procedimental. num dialético paradoxo. através da instrução contraditória. vige o princípio “de que ninguém pode ser subtraído de seu juiz constitucional”. Isso significa “que ninguém pode ser subtraído da jurisdição do juiz constitucionalmente previsto para o julgamento de cada caso” (Rev. É “o fundamento. mas de "direito". ou seja. Ou seja. É a matriz deontológica onde todos os demais princípios processuais vão buscar fundamento. não tem a acepção de "lei" (rule). dos . a melhor tradução seria "devido processo jurídico" ou "devido processo constitucional". do duplo grau de jurisdição e da publicidade dos julgamentos. é igualmente certo que o próprio Poder Judiciário não se pode furtar de apreciar qualquer lesão ou ameaça a direito. já que as próprias leis podem ser "invalidadas" pelo "devido processo legal". o juiz já indicado. ainda que não saiba qual das partes é a vítima e qual o algoz.°. “quer dizer. Já em sua segunda acepção.(primários ou secundários) limitando desproporcionalmente a fiscalização jurisdicional. LIII). Princípio do juiz natural (art.

Significa que ninguém será processado senão pelo órgão do Ministério Público. O postulado da reserva constitucional de jurisdição . X) e a interceptação ou escuta telefônica (art. único. contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que mantivera sentença condenatória contra o paciente ¾ Oficial Capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro ¾ proferida pela Auditoria Militar do Estado.auditoria militar . LIII) a participação de juiz convocado no julgamento de recurso por tribunal de segunda instância. seqüestro ou indisponibilidade de bens ou mesmo a proibição de se afastar do país. É por esse princípio que se veda à comissões parlamentares de inquérito. 5º. Coimbra) .92).10. é uma situação irregular . Precedentes citados: HC 68905-SP (DJ de 15. “Não ofende o princípio do juiz natural (CF. se a denúncia foi recebida pelo relator antes dessa alteração. 703.Informativo 8 do STF. Quanto à dosagem da pena. Somente um membro do Ministério Público pode exercer as funções do parquet. Decidiu ainda o STF que. que criou o quadro de juízes substitutos em segundo grau. É por essa razão que uma sentença prolatada por um juiz absolutamente incompetente não pode gerar efeitos. há 13 anos. inc. 557.08.109-SP. uma vez que tal procedimento chancelaria a figura do chamado "promotor de exceção". O problema tem disciplina infraconstitucional: até o advendo da L. HC 75.Tribs. HC 74. “Direito Constitucional e Teoria da Constituição”. LIII). vol. a busca domiciliar (CF. Princípio do promotor natural (art. 303 do CPM: peculato. Min. J. LXI). pela Chefia da Instituição.021-GO. 5º.96” Informativo 40 do STF. págs. (HC 73. mas que não chega a anu lar os processos apreciados. salvo flagrante (CF. inc. vedou a designação casuística de promotor. por infração ao art.. ainda que na qualidade de relator. Celso de Mello. exercer o poder geral de cautela judicial: isso significa que a CPI não pode adotar nenhuma medida assecuratória real ou restritiva do ‘jus libertatis’. para promover a acusação em caso específico. art.861-RJ. “A Turma indeferiu pedido de habeas corpus interposto. 4. praticar atos que a Constituição reservou com exclusividade aos magistrados. Princípio da reserva de jurisdição. Sobre a eventual ofensa ao princípio do juiz natural. 5. . HC 70103-SP (RTJ 148/773). art. 1998. Validade. ponderou o Min. par. Min. incluindo-se a apreensão. HC 69601-SP (RTJ 143/962).95)” . tratando-se de denúncia oferecida e recebida anteriormente à LOMP (Lei 1 Apenas para ilustrar. 8658/93 . 418/419).importa em submeter. por exemplo. ao argumento da falta de fundamentação da pena aplicada e da ofensa ao princípio do juiz natural. dotado de amplas garantias pessoas e institucionais. 580 e 586. art. que ela fora suficiente fundamentada. relator. a).5. Ilmar Galvão. à esfera única de decisão dos magistrados. XII).que deve ser sanada o quanto antes mediante iniciativa legislativa . Ilmar Galvão. somente pode emanar do juiz. o seu recebimento por decisão do relator não implica violação ao princípio do juiz natural. 5.97” Informativo 91 do STF.consoante assinala a doutrina (J. 5º. p. 03. de absoluta independência e liberdade de convicção e com atribuições previamente fixadas e conhecidas. art. inclusive daqueles a quem se hajam eventualmente atribuído “poderes de investigação próprios das autoridades judiciais”.11. da Lei Complementar 646/90 do Estado de São Paulo. veja-se alguns julgados sobre o juiz natural: “Tratando-se de denúncia oferecida contra prefeito perante Tribunal de Justiça.4. O Plenário do STF. por maioria de votos. inexiste nulidade. cabia ao relator receber ou rejeitar a denúncia (CPP. Portanto. 5o. em conseqüência. 13.05. rel. inamovibilidade). Moreira Alves. por efeito de verdadeira discriminação material de competência jurisdicional fixada no texto da Carta Política. vedada a indicação de promotores "ad hoc" ou dativos. GOMES CANOTILHO. nem mesmo para evitar o reformatio in pejus indireto1. a Turma destacou que a existência d e um órgão judicial . inc. a prática de determinados atos cuja realização. rel. Almedina..que transferiu para o órgão colegiado essa competência -. rel. ex. e não de terceiros. Entre essa "reserva de jurisdição" constitucional incluem-se: a prisão. 5º.sem titular provido das garantias inerentes ao cargo (p. Min.

Sepúlveda Pertence.ao qual mencionada lei veio conferir eficácia . Princípio da ampla defesa (art. “Aos litigantes. Inobservância da garantia do contraditório. LV). outrossim. portanto. a necessária ciência. enquanto direito fundamental. o princípio pode ser encontrado. Além do disposto na norma constitucional. quando produzida sem observância do princípio constitucional do contraditório.8625/93) não ofende o chamado "princípio do promotor natural" . tem valor precário. bem como de participar da relação processual. 12. Celso de Mello. Nulidade. vale dizer. conforme a formulação clássica de FAZZALLARI. mas dispositivo. especialmente no processo penal condenatório.) (HC 67. Min. DJ 14. sem a efetiva inquirição de testemunhas pelo Juiz.917-0-RJ.897). a ampla defesa tornaria impraticável o exercício do direito à efetividade do processo. Inexistência de inquirição pelo Juiz. Daí. É de crucial importância ter em mente que a ampla defesa. A prova emprestada. 5.08. inc. 8o). por exemplo. rel.225). A simples ratificação de declarações prestadas na fase de inquérito. DJ 05. inobstante a existência de prova testemunhal emprestada. p. Min. rel. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes”. Min. A doutrina entende que a essência do contraditório pode ser sintetizada na fórmula “informação (necessária) e participação (eventual)”. “Prova. Sendo o processo o procedimento em contraditório.161-RJ. Condenação fundada exclusivamente no inquérito. Testemunhas. .a participação em audiência de inquirição de testemunhas de promotor de justiça que até esse momento não havia atuado no processo. 5. no mínimo. enumera o direito de toda pessoa a ser comunicada prévia e pormenorizadamente da acusação formulada. deve-se permitir às partes. que.707-0-RJ.6. Princípio constitucional do contraditório. em diplomas internacionais de direitos humanos. rel.7. ou seja. é questionável a sua eficácia jurídica. Recurso de habeas corpus provido” (RHC 54. cerceamento de defesa se. contudo.1992. Falta de justa causa para a condenação. Princípio do contraditório (art. vez que é limitada por outros direitos também de índole constitucional. de logo. entre as garantais judiciais mínimas (art. inc. Inocorre. possibilitar aos litigantes a oportunidade de apresentarem defesa em sentido amplo.°. por ambas as partes.. como. sequer ratificados no curso do processo. 5.) Prova emprestada. p. LV). Cunha Peixoto. Valor precatório. Embora admissível. Processo penal condenatório. é a ampla possibilidade de participação na dialética processual.1993. Pode-se dizer que a ampla defesa corresponde a dimensão ativa do contraditório. É por esta razão que há um prazo para que a contestação seja apresentada e um limite no número de testemunhas. em processo judicial ou administrativo. do que se faz ou que se pretende que seja feito no processo e possibilidade de cooperar e contrariar. Não houvesse esse prazo ou essa limitação de testemunhas. “(. 2 Jurisprudência: “Instrução criminal.03. desmentidas em juízo” (f. 2. que é a sentença2. não é uma garantia absoluta. o Pacto de São José da Costa Rica.. a ciência dos sucessivos atos que se desenvolvem rumo à produção do ato final.°. sobretudo quando as investigações policiais não lograram fornecer nem a prova material do crime e da autoria e tudo se baseia em provas orais. 5. Deve-se. O processo não é um procedimento inquisitório. ofende o princípio constitucional do contraditório e prejudica a apuração da verdade substancial. não foi ela a única a fundamentar a sentença de pronúncia” (HC 67. RTJ 78/131). É corolário inevitável da garantia da contraditoriedade da instrução criminal que a condenação não se pode fundar exclusivamente nos elementos informativos do inquérito policial.

se quiser. "habeas corpus". Art. 383 . em fato típico e antijurídico. o prazo de 3 (três) dias à defesa. O juiz deve pronunciar-se sobre aquilo que lhe foi pedido. No que tange ao ministério público federal não há por que se falar em titulares ou substitutos. qualquer direito subjetivo do acusado ou de seu defensor. Princípio da soberania do júri popular (art. da conduta atribuída a cada um dos acusados". Porém. Ausência de prejuízo às partes e de relevância do fato no deslinde da causa. Tortura. ainda que.8. 5. "DIREITO AO SILÊNCIO: O indiciado e o réu têm o direito subjetivo de permanecer em silêncio. no particular. 4. (HC 1024. mas em procuradores que atuam em determinada unidade. não compareceu. Nulidade. 5. de vários membros daquele órgão de defesa da cidadania em uma mesma causa. JUIZ GERALDO APOLIANO) "Penal e processual penal. Constitui-se. não havendo. ato que se realizou com as cautelas pertinentes". . Relembrem-se as hipótese de emendatio e mutatio libelli: "Art.improcedentes as assertivas de que não existe justa causa para o prosseguimento da ação penal.Se houver possibilidade de nova definição jurídica que importe aplicação de pena mais grave. Como peça que inicia a ação penal. 6. em conseqüência de prova existente nos autos de circunstância elementar. Nesses casos. Princípio do promotor natural. 1. abrindo-se. no fato de o juiz nomear defensor "ad hoc" para participar da audiência de inquirição de testemunhas de acusação.ordem de "habeas corpus" denegada.°. poderá ser perquirida de forma a permitir um juízo positivo ou negativo de plausibilidade. na peça acusatória concernente a crimes societários. com riqueza de detalhes. 2. Não há que se falar. 384 . No caso dos autos. dando azo a elucubrações da existência de ingerências políticas ou hierárquicas próprias dos regimes de exceção. podendo ser ouvidas até três testemunhas. XXXVIII) . definindo a extensão do provimento jurisdicional. em verdade. uma a uma. a fim de que o Ministério Público possa aditar a denúncia ou a queixa. 3. Ordem denegada. discernir quanto à existência de fumus boni juris da autoria e da materialidade do crime. a conduta do paciente. 5. constata-se que não há um procurador especificamente designado para substituir. o juiz baixará o processo. O que enseja a nulidade é a falta de intimação e não o indeferimento do adiamento da audiência. de modo a obstar a decretação de nulidade. O indeferimento à pergunta formulada pela defesa não acarreta qualquer prejuízo. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública.Se o juiz reconhecer a possibilidade de nova definição jurídica do fato. tenha de aplicar pena mais grave. nas dependências da polícia federal. em seguida. Parágrafo único . mas a atuação. A soberania dos veredictos constitui preceito constitucional. a fim de que a defesa. de inépcia da denúncia. a ocorrência do evento morte. regularmente intimado. busca delimitar os fatos para que seja possível. que poderá oferecer prova. inc. o simples fato de diversos membros atuarem na mesma causa. correta. 3. na denúncia ou na queixa. Inexistência. baixará o processo. fale e. no caso em tela. não havendo qualquer ofensa ao princípio do promotor natural. Não há que se confundir o "ofício" do ministério público com a "titularidade" em uma determinada vara. como já decidiu o STF "as decisões do Júri não 3 Julgados: "Não existe qualquer afronta ao princípio constitucional da ampla defesa. em conseqüência. não podendo ser constrangidos a responder às perguntas que lhes forem formuladas por qualquer autoridade ou agente do Estado.9. ao magistrado. Nenhuma conclusão desfavorável ao indiciado/réu pode ser extraída de sua legítima opção pelo silêncio". adotado pelo nosso código penal do "pas de nullité sans grief". em face do princípio. arrolando até três testemunhas". são os fatos submetidos a sua apreciação. 7. não contida. A denúncia deve descrever os fatos delituosos o mais minudentemente possível. descreve.O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da queixa ou da denúncia. Indeferimento de perguntas formuladas pela testemunha. quando o defensor constituído. O que efetivamente vincula o juiz criminal. a data e o lugar em que foi cometido o homicídio. as condutas de cada agente. (HC 989 JUIZ GERALDO APOLIANO) A jurisprudência majoritária do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça chancela o entendimento pela prescindibilidade de individualização. explícita ou implicitamente. o adiamento do ato processual é mera liberalidade do juiz. Denúncia genérica. Apesar de não esmiuçar.podemos dizer que a efetividade do processo é um direito fundamental limitador da ampla defesa3. posteriormente. e que somente por ocasião da instrução e por intermédio dela. produza prova. 2. Deve-se entender o princípio do promotor natural como aquele que se dirige a não permitir a substituição imotivada dos membros do ministério público. Princípio da correlação ("ne eat judex ultra petita partim"). pelo menos em tese. 5. no prazo de 8 (oito) dias. assim também como a presença dos denunciados nas diligências policiais e.

como proclama a vasta jurisprudência do Supremo Tribunal Federal". inc.” A Constituição brasileira de 1988. não exclui a recorribilidade das decisões do Júri.). as provas obtidas por meios ilícitos. Está expresso no art. o trancamento de ação penal por crime de tráfico de entorpecentes. As prerrogativas de foro contidas nas Constituições dos Estados (ou na legislação dos Estados) não prevalecem se se tratar de crime doloso contra a vida. da Constituição Federal. inspirada na Jurisprudência da Suprema Corte dos Estados Unidos. e art. câmara ou turma. Consagra assim.12. 5o. no processo.apreensão de 80 quilos de cocaína . LVI: “são inadmissíveis. adota no seu artigo 5º. no nosso sistema constitucional. IX) Está positivado no art. §1o). da sessão ou do ato processual. havendo na Constituição do Estado. A soberania dos vereditos. podendo a . inciso LVI. Diz o CPP: "se da publicidade da audiência. c. segundo entendimento do Pretório Excelso. poderá. 5. se o interesse público o exigir. IX: “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. ou somente a estes”. limitando o número de pessoas que possam estar presentes" (art. de ofício ou a requerimento da parte do Ministério Público.1. inc. 93. Princípio da publicidade (art. mas podem ser anuladas quando se mostrarem contrárias à prova dos autos. porquanto haveria uma simetria (princípio da simetria) entre a prerrogativa dos Ministros de Estado constante na Constituição Federal. sob pena de nulidade. Princípio da inadmissibilidade das provas ilícitas. inc.11. Por exemplo. 93 também reproduz o princípio: “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. Veja-se. tem sido mais flexível na admissibilidade de provas derivadas de provas ilícitas. 5º. Como decorrência do princípio em comento. a meu ver erroneamente. o Pretório Excelso determinou. 5. é possível a reformatio in pejus indireta. XXXVIII. para que o mesmo Tribunal do Júri profira novo pronunciamento. determinar que o ato seja realizado a portas fechadas. às próprias partes e a seus advogados. sob pena de nulidade. já entendeu que. observada em alguns casos pelo Supremo Tribunal Federal. e fundamentadas todas as decisões. limitar a presença. Princípio da motivação das decisões. frutos da árvore proibida. LX. antes de regulamentada a lei de escuta telefônica. 6. puder resultar escândalo. com base no princípio da proporcionalidade. com fundamento na doutrina dos “frutos da árvore envenenada”.°. LX: “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. 5. que o STF. essa prerrogativa prevalece mesmo nos crimes dolosos contra a vida. 5o. porém.podem ser alteradas quanto ao mérito. a prerrogativa de Secretário de Estado ser julgado pelo Tribunal de Justiça.10. que já decidiu que a prova ilícita contamina as provas obtidas a partir dela. o princípio da invalidade no processo das provas obtidas por meios ilícitos. 792. inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem. prevista no art. podendo a lei. contudo. o juiz ou tribunal. em se tratando de julgamento pelo júri (v. 93. em que o flagrante . Encontra-se expresso no art. a famosa doutrina constitucional americana sintetizada na expressão “fruits of the poison’s tree”.e demais provas só foram possíveis em virtude de interceptação de ligações telefônicas autorizada pelo juiz. e fundamentadas todas as decisões.” O art. em determinados atos. O STJ. por maioria de votos. pois a competência do júri tem assento constitucional. 5.

2º da Lei nº 8. O art. pois serve apenas para impedir a inclusão de seu nome no rol dos culpados. não tem o réu direito a liberdade provisória. 5º. só podem ser recebidos no efeito devolutivo. Maurício Corrêa. já que eles não têm efeito suspensivo.664-SP (1ª Turma. É elemento caracterizador de maus antecedentes o fato de o réu responder a diversos inquéritos policiais e ações penais sem trânsito em julgado. não lhe outorgando o direito à liberdade até que isso aconteça. como índice de maus antecedentes do acusado (CP. inc. não havendo incompatibilidade com o que dispõe o art. podendo doravante o juiz. HC 73.3. não ofende o princípio da presunção de inocência (artigo 5º-LVII da CF). Tendo em vista que a Lei 9.643-SP.2. Ilmar Galvão. "H. da Constituição. rel. 4 O STF já decidiu que o art. em face do que conjugadamente dispõem o art.072/90 manteve expressamente o caput do art. MAURÍCIO CORRÊA: "1.Enquanto não transitar em julgado a decisão condenatória.92. por sua vez. justificando-se. a qual. RHC N. segundo a qual "em caso de sentença condenatória.lei. a fiança  preenchidos os requisitos legais  pode ser prestada a qualquer tempo.7.368.099/95 na parte em que veda a suspensão condicional do processo quando o réu responda a outra ação penal não fere o princípio da presunção de inocência. Nem mesmo o inciso LVII do art. ou somente a estes”. Ilmar Galvão e Sepúlveda Pertence. no mesmo texto legal. SYDNEY SANCHES: "1.035/95  ao dispor sobre os meios operacionais para a prevenção e repressão de crimes resultantes de ações de quadrilha ou bando  determina em seu art. como o especial e o extraordinário. porque o art. que não tem efeito suspensivo da condenação. não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência". 5º da Constituição Federal ampara o agente.)" . não tendo sido revogada pela presunção de inocência do art. 35 da Lei nº 6. conseqüentemente. Precedente: HC 72.072/90. do Pacto de S.F".O benefício da apelação em liberdade não se aplica aos recursos extraordinário e especial. 2º da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.1976. de 21. Ficaram vencidos os Ministros Maurício Corrêa. LVII. p/ ac. Celso de Mello. 12 e 13 apelar em liberdade. por decreto-legislativo do Congresso Nacional.que. Moreira Alves).T. Veja-se. o fato de o mesmo haver sido processado e absolvido. que traz implícita a marca da periculosidade do agente. da Lei nº 8.297-SP. assim.95. rel. FRANCISCO REZEK "I . em liberdade.13. não se pode falar em derrogação. para apelar. Quadrilha e Liberdade Provisória. 74. Informativo nº 1). é a de que para os crimes previstos nos arts. e o § 2º do art. Menos. pelo reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva. o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade" aplica-se. nem pela aprovação. de interpor. que prevê a possibilidade do réu apelar em liberdade. é a regra geral para os demais crimes considerados hediondos. 35 da Lei nº 6. às instâncias ordinárias. ainda. LVII. está contida no mesmo texto legal. razão pela qual é legítima a execução provisória do julgado condenatório. permitir que tais réus apelem em liberdade. A presunção de inocência não impede que a existência de inquérito policial e de condenação criminal que não possa ser considerada para a caracterização da reincidência não possa ser levada em conta de maus antecedentes (Rel. 89 da Lei 9. A ordem de prisão. É da reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que os recursos de índole extraordinária. 74043-0 RELATOR : MIN. da CF . 59). concerne à disciplina do ônus da prova -. que proíbe ao réu incurso nos arts. art. A contradição entre o caput do art. a exacerbação da pena-base (CP. na nota de rodapé. 08. e não no suspensivo (art. HC N. LVII. § 2º. pois cuida da sentença e da apelação. da Costa Rica. Desta forma e com maior razão não se pode conceder ao paciente o especial privilégio de recorrer extraordinariamente em liberdade: não existe previsão legal para tanto. 9º que “o réu não poderá apelar em liberdade nos crimes previstos nesta lei”." indeferido. em 28."o réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão.10. enquanto não transitar em julgado a condenação. 5. orig. mas indeferido". 2º da Lei nº 8. 59).I. se o interesse público o exigir. Segunda Turma Presunção de Inocência e Maus Antecedentes . Min. Precedentes do STF.072/90 . 74828-7 RELATOR: MIN. 3. 5º.072/90). HC 72.08. mas decisões a respeito do princípio4. Também por seis votos contra cinco. 594 do CPP . Desta forma. LVII). Francisco Rezek. de 26.1990. 5º. II. limitar a presença. 27..368/76 . só porque primário e de bons antecedentes. HC N.038/90). não incluindo os recursos de índole extraordinária (especial e extraordinário).Lei dos Crimes Hediondos. excepcionalmente e em decisão fundamentada. Com base nesse entendimento.035 RELATOR : MIN. 12 e 13 da Lei de Tóxicos continua vigorando a regra geral proibindo que tais réus apelem em liberdade. 06. a interpretação que se pode dar para compatibilizar as duas normas em conflito. apenas. 4. da CF (“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”) não desqualifica.Lei de Tóxicos -. Min.C. 5.072. Recurso especial. 35 da Lei nº 6.II. Jose. a qual inclui entre eles o crime de tráfico de entorpecentes -. e o § 2º do art.(. Precedentes do STF.°. 3.05. Princípio do estado de inocência (art. mas agora não mais em caráter absoluto como era antes do advento da Lei nº 8.368/76. Min.. A previsão contida no § 2º do art. Habeas-corpus conhecido. rel. O STJ sumulou o entendimento de que "a exigência de prisão provisória. 10 da Lei nº 8. v. art. Precedentes do S.continua em vigor. às próprias partes e a seus advogados. o Pleno do STF entendeu que a regra do art. “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. não há direito líquido e certo deste de apelar em liberdade.96. segundo a maioria. noutra ação penal.02. 2. em tal hipótese. Presunção de Inocência e Maus Antecedentes . a Primeira Turma do STF indeferiu habeas corpus em que se pretendia ver reconhecido o direito do réu ao referido benefício até o trânsito em julgado da . Marco Aurélio.. Ordem parcialmente concedida". na hipótese. Assim sendo. Em se tratando de crime de tráfico de entorpecentes. em determinados atos.

em novo julgamento. não pode o réu apelar em liberdade (artigo 9º da Lei 9. mas. não tem ele direito à liberdade provisória enquanto não for julgado seu recurso especial e não transitar em julgado sua condenação. a nova decisão poderá impor-lhe. No caso de a sentença condenatória ter sido anulada em virtude de recurso da defesa. rel. porém. Por exemplo: réu condenado a um ano de reclusão apela e obtém a nulidade da sentença. Mais à frente. quando tratarmos da ação penal. Princípio da vedação à reformatio in pejus (art. "Se. anulado o Júri. em hipótese alguma. cuja soberania assenta na própria Constituição Federal (art. todavia. uma vez que a lei que proíbe o reformatio in pejus não pode prevalecer sobre o princípio constitucional da soberania de veredictos. o efeito de limitar a pena na nova decisão). Este princípio é mitigado nos casos de ação penal privada e a chamada "ação penal popular". pois do contrário o réu estaria sendo prejudicado indiretamente pelo seu recurso. Anulada a sentença condenatória em recurso exclusivo da defesa. Moreira Alves. "tratando-se de preceito decorrente da lei ordinária (CPP.g. art. Tais órgãos devem ser autoridades públicas (princípio da autoridade). ainda que mais gravosa ao acusado (e.6. 180 e 288). Habeas corpus indeferido". Súmula 160 do STF: “é nula a decisão do tribunal que acolhe. Trata-se de hipótese excepcional em que o ato nulo produz efeitos (no caso. conhecer uma qualificadora que não havia sido conhecida anteriormente).034/95). Assim. HC 75. Aplica-se. a jurisprudência não tem aceito a regra da proibição da reformatio in pejus indireta. Obs. 617). Assim. exasperar a pena imposta no primeiro". e o Ministério Público. ressalvados os casos de recurso de ofício”. arts. que não pode.97. 5º. no caso do inquérito. de bons antecedentes e por estar sendo processado por crimes afiançáveis (receptação dolosa e quadrilha: CP. 9. não tem aplicação para limitar a soberania do Tribunal do Júri. O tribunal não pode agravar a pena quando só o réu tiver apelado. no segundo julgamento. em se tratando de crime de quadrilha ou bando. a menos que a acusação recorra pedindo o reconhecimento da nulidade. condenação por ser ele primário. os jurados poderão proferir qualquer decisão. ou princípio da denunciabilidade popular dos crimes de responsabilidade. admitir que uma sentença proferida por juiz absolutamente incompetente. XXXVIII). e em face de idêntico veredicto. ao Juiz-Presidente. trataremos da "denúncia popular". uma vez que o vício é de tal gravidade que não se poderia. contra o réu. quais sejam.1. Princípio da oficialidade. no máximo. OUTROS PRINCÍPIOS PROCESSUAIS 6. A pretensão punitiva do Estado deve-se fazer por órgãos públicos. pelo vício da incompetência absoluta. no caso da ação penal pública.583-RN. Reformatio in pejus indireta. Min. nulidade não argüida no recurso da acusação. Como já decidiu o STF. a pena de um ano. . nem mesmo se a nulidade for absoluta. a vedação da reformatio in pejus indireta não se aplica às decisões do Tribunal do Júri. 617). não pode ser prolatada nova decisão mais gravosa do que a anulada. tivesse o condão de limitar a pena na nova decisão. A regra.9. 6. o tribunal não poderá decretá-la ex officio em prejuízo do réu. a autoridade policial.2.

Na AP privada. 102). “O princípio da imparcialidade do juiz não é empecilho para a participação ativa do julgador na instrução. 48 do CPP). No meu modesto entender. p. a todos se estenderá" (art. procura-se a verdade material. É bastante comum dizer que. pois.8. art. " O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos. nas infrações de menor potencial ofensivo. antes de parte (acusação) o MP é fiscal da lei. 42 e 576). Daí.7. reconhecendo que a ação penal é completamente infundada. ser dever do juiz participar ativamente da instrução. A discussão sobre a ação penal nos crimes tributário será tratada oportunamente. vem defendendo que o promotor. em relação a um dos autores do crime. Parte da doutrina. "A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos. 51). alguns tribunais têm sustentado a . Princípio da indisponibilidade da ação penal pública. 17) e o MP não pode desistir da ação penal pública. na fase atual. supõe-se. todavia. não devendo aguardar provocações de quem quer que seja. Princípio da indivisibilidade da AP privada.3. queda-se inerte” (Marinoni.6. dada a disponibilidade do conteúdo do processo. decorrente do processo acusatório. 6. 6. o juiz busca a verdade meramente formal. e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade" (art.099/95. sem que produza. pode ocorrer a perempção e a desistência. efeito em relação ao que o recusar" (art. no processo penal. que parcial é o juiz que. pode-se flexibilizar um pouco mais na busca da verdade real).5. Princípio da verdade real. 6. teria o dever de requerer a desistência. inclusive a subsidiária da pública. Princípio da iniciativa das partes. Por este princípio. ressalvados os casos de ação penal privada e de ação penal pública condicionada à representação do ofendido. em qualquer processo se busca a verdade material. ao passo que. Tal princípio foi mitigado pela Lei 9. no processo civil. Os órgãos incumbidos da persecução penal devem proceder ex officio.4. Princípio da disponibilidade da AP privada."A renúncia ao exercício do direito de queixa. mas progressista. Com base neste princípio. Princípio da oficiosidade. 49). tratando-se de interesses meramente privados. nem do recurso interposto (CPP. independentemente dos interesses em jogo (obviamente. sabendo que uma prova é fundamental para a elucidação da matéria fática. A autoridade policial não pode determinar o arquivamento do inquérito policial (CPP. Cabe ao MP promover privativamente a ação penal pública e ao ofendido. inclusive determinando diligências e produzindo provas de ofício. arts. 6. admite-se o perdão. o juiz não pode dar início ao processo sem a provocação da parte.6. no processo penal. ao contrário. que regulamentou o instituto constitucional da transação penal. 6. a ação penal privada.

6.10. que se utilizará dos elementos de informação nele constantes. da Constituição. mesmo em face da Carta Magna de 88. mas a própria Constituição incumbe-se de atribuir a competência recursal a vários órgãos da jurisdição”. Não obstante as disposições sobre a competência das autoridades policiais. “O princípio (do duplo grau de jurisdição) não é garantido constitucionalmente de modo expresso. titular da ação penal privada. 7. desde a República. 7. dentre as diversas garantias judiciais consagradas no texto. O INQUÉRITO POLICIAL 7. 5o. Trata-se de procedimento persecutório de caráter administrativo instaurado pela autoridade policial.9. que incorporou ao direito positivo nacional a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (pacto de São José da Costa Rica). tem-se que o direito de recorrer é um direito fundamental (no nosso entender. Ainda por esse princípio. de 22-11-69. por força do art. É o conjunto de diligêcias realizadas pela polícia judiciária para a apuração de uma infração penal e de sua autoria. ou remessa obrigatória. subsiste a remessa de ofício.2. que. o direito ao duplo grau de jurisdição seria um direito constitucional. entre nós. nos casos previsto no CPP (absolvição sumária. como qualquer direito fundamental. para o recebimento da peça inicial e para formação do seu convencimento quanto à necessidade de decretação de medidas cautelares. 6. adequada. O STF tem entendido. §2o. O Decreto nº 678. Tem como destinatários imediatos o MP.1. Competência. não existem direitos fundamentais infraconstitucionais. reconhece. Princípio do duplo grau de jurisdição. a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo. ainda que se . nas contravenções. Logo. necessária e proporcional em sentido estrito). vale dizer. o “direito de recorrer da sentença para Juiz ou Tribunal Superior”. tem-se como inconstitucional do art. Conceito. desde que essa limitação seja proporcional. e o ofendido. tem-se entendido que a falta de atribuição das mesmas não invalida os seus atos. contudo.insubsistência do chamado "recurso" ex officio. titular da ação penal pública. A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração de infrações penais e de sua autoria. O princípio que vincula o juiz aos processos cuja instrução acompanhou não vigora no processo penal. (-) Princípio da identidade física do juiz. ser limitado. embora possa. será iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio de portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial"). para aqueles que aceitam a tese de que os tratados de direitos humanos são normas constitucionais. portanto. de 06-11-92. concessão ou denegação de habeas corpus). 26 do CPP ("A ação penal. como destinatário mediato tem o juiz.

Exceção à essa regra . visando à expulsão de estrangeiro (lei nº 6. 7. A Lei 9. no entanto. inquérito judicial. pois. 7. 7. Vícios. o inquérito realizado de infração penal cometida na sede ou dependência do STF. pode consultar os autos de inquérito. que eventualmente pode apurar a existência de crime conexo ao objeto da investigação.7. c) apuração de infrações praticadas por juiz de direito.trate de prisão em flagrante.099/95 expressamente . 5. No caso do advogado. Valor probatório. Câmara dos Deputados ou Senado Federal etc. "Os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa não são exigidos no inquérito policial e na investigação criminal presidida pelo ministério público. A irregularidade.4. sob pena de responder criminalmente aquelas autoridades que as desrespeitem. do CPP). Contraditório e ampla defesa.3.5. que exige a observância do princípios do contraditório e da ampla defesa" (TRF . formador da opinio delicti do titular da ação penal. Nas seguintes hipóteses o inquérito será presidido por membro do Poder Judiciário: apuração de crime falimentar. poderá gerar a invalidade ou ineficácia do ato inquinado (auto de prisão em flagrante. mas. nota de rodapé 2). encontramos no inquérito judicial para a apuração de crimes falimentares e o instaurado a pedido do ministro da justiça.8.815/1980). O inquérito policial não é fase obrigatória da persecução penal. 20. não poderá acompanhar a realização de atos procedimentais. Sigilo. as investigações da CPI. Há outras: IPM (inquérito penal militar). Inquéritos extrapoliciais. porquanto foi produzido sem observância do contraditório (v. presidido pelo juiz de direito em que tramita o processo de falência. não se submete à competência jurisdicional ratio loci. visando à apuração de infrações falimentares. 7.6. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da socidade (art. nem à autoridade judiciária. podendo ser dispensado. por exemplo).5o). Não valem como prova. não exercendo a Polícia a atividade jurisdicional. O inquérito tem valor meramente informativo. caso seja decretado judicialmente o sigilo na investigação. o inquérito civil pública. caso haja outros meios suficientes para a propositura da ação penal. não constituindo desobediência aos direitos e garantias fundamentais do indiciado. 7. 7. O inquérito realizado pela polícia judiciária não é a única forma de investigação criminal. b) apuração de infrações cometidas nas dependências do STF. Prescindibilidade. Os vícios do inquérito não atigem a fase seguinte da persecução penal. por se tratar de procedimento administrativo de natureza inquisitória e informativa. realizado pelo MP. O sigilo não se estende ao MP. Não há o princípio do delegado natural.

14. contado em dobro se se tratar dos crimes previstos nos arts. o prazo será de 10 dias. designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la. 58 e 60 do Decreto-Lei 6.13. IV. por vício formal. Contudo.indiciado em liberdade: 30 dias. 13 e 14.9. O inquérito policial referente a crime de ação penal pública não pode ser arquivado pelo juiz. e este oferecerá a denúncia. .259/44. Cabe ao juiz.12. Prazos: . prorrogável por igual período. 7. 7. então. Prazos especiais: . RT 540/417). fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral. §3o. trinta dias.Crimes contra a economia popular: dez dias. salvo se se tratar de crime equiparado ao hediondo. 12. onde cabe recurso oficial e nos casos das contravenções previstas nos arts. Arquivamento. pois se trata de mera peça informativa. a requerimento do MP. STF. ao invés de apresentar a denúncia. salvo nos casos de crime contra a economia popular. Damásio entende em vigor.Indiciado preso: 10 dias.10.Crimes de competência da Justiça Federal: 15 dias. contado da efetivação da prisão 7. quando caberá o recurso em sentido estrito. ou pelo tribunal. 28 do CPP: "Se o órgão do Ministério Público. O despacho que arquivar o inquérito é irrecorrível. quando.dispensa o inquérito.Lei Antitóxico: réu solto. 7. Indiciado menor. Incomunicabilidade. mas provoca o relaxamento. requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação. De qualquer forma. Deve ser-lhe nomeado curador. por força do Estatuto da OAB. permitida a prorrogação sempre que o inquérito não estiver concluído dentro do prazo legal . a falta de curador para indiciado menor não invalidada o inquérito. . Se o réu estiver preso. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. ou insistirá no pedido de arquivamento. cinco dias. Notitia criminis anônima. sem a manifestação do Ministério Público (no sentido do texto. 136. 7. a incomunicabilidade não se estende ao advogado. da CF/88). o juiz. ao qual só então estará o juiz obrigado a atender". Há quem considere revogado. improrrogável. pois a Constituição não o permite não mesmo durante o Estado de Defesa (art. "Padece de inconstitucionalidade o procedimento investigatório que se origine de expediente delatório anônimo" (TRF 5a). Lembra-se o disposto no art. A presidência das diligências apuratórias fica a cargo do juiz de direito. estando preso ou não .11. 7.

assim como aqueles contra os quais tenha sido expedido mandado de prisão judicial. 61. a diligência será realizada pessoalmente pelo Juiz. Ação controladora. o apanhamento das referidas provas pode ser da iniciativa exclusiva do policial. 301 do CPP. 7. serão submetidos à identificação criminal. inclusive pelo processo datiloscópico e fotográfico. desde que não identificados civilmente. em caso de crime organizado. os crimes de quadrilha ou bando (ou a associação criminosa) são delitos permanentes.) o Supremo entendeu constitucional este dispositivo. 2º A prova de identificação civil far-se-á mediante apresentação de documento de identidade reconhecido pela legislação. a lei criou uma situação de flagrância em termos de macrocriminalidade. adotado o mais rigoroso sigilo de justiça.1.2. crimes contra a liberdade sexual ou crime de .7.15.3. LVIII. aquele que pratica infração penal de menor gravidade (art. ocorrendo a possibilidade de sigilo preservado pela Constituição ou por lei. desde que não haja risco de choque com as garantias constitucionais do sigilo. O Inquérito Policial na Lei 9. 7. Além disso. financeiras e eleitorais. documentos e informações. Trata-se de uma mitigação ao princípio da obrigatoriedade. Veja-se que recentemente foi promulgada a Lei 10. 3º O civilmente identificado por documento original não será submetido à identificação criminal.2. crime de receptação qualificada. caput e parágrafo único do art.15. No caso. Sendo identificado criminalmente.034/95 (Lei de Combate ao Crime Organizado). salvo nas hipóteses previstas em lei"). Possibilidade de o agente policial retardar a interdição do que supõe ser a ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada. Em tese. dispondo sobre a identificação criminal5. 5 Eis o teor da lei: "Art. mais propícia à eficaz arrecadação de provas e informações. 5o.099. documentos e informações fiscais. 3 o. o indiciado em inquérito policial. Ivan Lira sobre A Atividade Policial em Face da Lei de Combate ao Crime Organizado. o acesso a dados. LXI. Art. Acesso a dados.15. Aqui vai um resumo: 7. da CF/88 ("ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judicial"). exceto quando: I – estiver indiciado ou acusado pela prática de homicídio doloso. a autoridade policial providenciará a juntada dos materiais datiloscópico e fotográfico nos autos da comunicação da prisão em flagrante ou nos do inquérito policial. ensejando a figura do flagrante protaído. Vale a pena ler o artigo do Dr. 1º O preso em flagrante delito.054/2000. Como já vimos (item 2. A identificação criminal de pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações criminosas será realizada independentemente da o identificação civil. A lei permite. Identificação criminal versus identificação civil. segundo o qual "as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito". postergando a medida para momento futuro. encartado no art. 69 da Lei nº 9. como por exemplo na hipótese de o próprio indiciado oferecer as provas. Parágrafo único. Trata-se de exceção ao art. da CF/88 ("o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal. 5 . Pelo art. Art. Não existe incompatibilidade vertical entre este preceito e o art. de 26 de setembro de 1995). desde que mantida sob observação e acompanhamento.15. bancárias. crimes contra o patrimônio praticados mediante violência ou grave ameaça.

Colaboração espontânea e eficaz. IV – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações. Trata-se da delação premiada. §4o. em quantidade de vias necessárias". .1. 8o). quando solto. O prazo para encerramento da instrução criminal. quando o réu estiver preso. Vedação da liberdade provisória. II – houver fundada suspeita de falsificação ou adulteração do documento de identidade. quando houver. está assentada a vedação de concessão de liberdade provisória. já prevista no art.15. será de 81 dias. 9a da Lei dos Crimes Hediondos e no art. é necessário que sua atuação criminosa tenha sido de grande relevância no evento. em quarenta e oito horas. e de 120 dias.15.7. 7o da LCCO. VI – o indiciado ou acusado não comprovar. do Código Penal (extorsão mediante seqüestro) 7. 159. por expressa previsão legal (art.4. e no inquérito policial. Generalidades teorias do direito de ação • clássica ou imanentista (Savigny) • direito autônomo (Windscheid e Muther)  concreto (Wach)  potestativo (Chiovenda)  abstrato (Degenkolb e Plosz) características • direito subjetivo público • autonomia • abstração • instrumentalidade condições da ação: falsificação de documento público. A disposição só é aplicável nos casos de macrocriminalidade (crime organizado de porte relevante). 8. No art. 7.5.6. nos processos de crime organizado. E mesmo que o agente tenha participado de crime organizado. e não nas "quadrilhas de bagatela". Prisão processual. com ou sem fiança. III – o estado de conservação ou a distância temporal da expedição de documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.15. inclusive à fiança. A AÇÃO PENAL 8. Prazo máximo. Art. com ou sem fiança. sua identificação civil. 4º Cópia do documento de identificação civil apresentada deverá ser mantida nos autos de prisão em flagrante. para que o Estado lhe negue o direito à liberdade provisória. aos agentes que tenham intensa e efetiva participação na organização criminosa. V – houver registro de extravio do documento de identidade. A pena será reduzida de um a dois terços quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua autoria.

interesse efetivo da pessoa. 27) deficiente mental (art.)  morte do agente (I) . III  interesse-necessidade  interesse-utilidade • inexistência de causas extintivas de punibilidade (CP. I) coação irresistível e obediência hierárquica (CP. que o interesse se mostre individualizado. 267. 24)  ofendido (arts. ou seja. art. e 295. início) • ativa  Ministério Público na ação penal pública incondicionada (CF. I) na ação penal pública condicionada (art. 3. desde que afeto à sua pessoa. 151) [!] requisitos objetivos • quanto ao pedido  possibilidade jurídica  existência certa • legítimo interesse de agir (art. VI. final) O legítimo interesse advém da qualidade da pessoa. arts. III. art. art. 43. 107 etc.°. 577. 41)  exposição inteligível do fato  classificação do crime  identificação do acusado requisito subjetivo: legitimidade (art. III. (Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva)  fontes legais: CPP. ou mesmo alheio. art. isto é. 228 e CP. 22)  a imputabilidade menor de 18 anos (CF. 43. 648. 30 e 31) • passiva  autoria existência de indícios razoáveis (art. 129. CPC. art.Condições da ação são requisitos legais que esta deve preencher para que se profira uma decisão de mérito. em virtude do que esteja investido na faculdade de agir. requisitos formais • ajuizamento correto: competência jurisdicional • pagamento de custas • legitimidade ad processum (capacidade postulatória)  Ministério Público  ofendido • quanto à denúncia ou queixa (art. art.

art. anistia. § 3.249/95.°)  pagamento do tributo antes da denúncia (Lei n. § 2. I) princípios • da oficialidade • da legalidade  obrigatoriedade (art. graça ou indulto (II)  abolitio criminis (III)  prescrição (IV)  decadência (IV)  perempção (IV)  renúncia ou perdão (V)  retratação do agente (VI)  casamento da vítima com o agente (VII)  casamento da vítima com terceiro (VIII)  perdão judicial (IX)  ressarcimento do dano no peculato culposo (CP. 312. í s s i m a n i an dc oa i s i ç ã à o r ed p o r eM s J e A ação penal pública espécies • AP pública incondicionada • AP pública condicionada titularidade (CF.°) • inexistência de litispendência ou coisa julgada Espécies de ação penal quanto à pretensão ou ao seu conteúdo c o c o n d e n h e c i m c ea nu t oe l a er x e t i v a c u t i v a n d a et ó c r l a a r a c t óo rn i as t i t u i quanto à titularidade a p c o à r e q u n d i c i o ú b l i c a n n d t a i c i o ç ã n e a x d c al u o s i v sa u ç ã o p e n a l p b r i v a s i d d i á a r i a p de ar s po nú ab l. art. 42 e 576)  da divisibilidade [!] . 34)  morte do ofendido (art. 129.° 9. 240. art. 28)  da indisponibilidade (arts.

isto é. Ação penal pública: é pública quando a titularidade da ação penal pertence ao Estado.2.1. 38) • perempção (art. quando o direito de iniciá-la é do Estado. 100. 51) • decadência (art. CP. 100. 49)  o perdão (art. art.2. pode ser pública ou privada. 38. art. 2.2.incondicionada ( CP. 60) 8.°. art. § 3. 30) • personalíssima (CP. 31) • ofendido pobre (art.°) titularidade do direito de ação • o ofendido ou seu representante  menor de 18 anos ou incapaz (art. art. 25.ª parte) ação penal pública condicionada (CP.°.ª parte) • espécies • condicionada à representação do ofendido  decadência (art. Ação penal: é o direito de invocar-se o Poder Judiciário no sentido de aplicar o direito penal objetivo. 33)  > 18 < 21 (art. CP. LIX. 102)  revogação da retratação • condicionada à requisição do Ministro da Justiça  prazo  forma  irretratabilidade ação penal privada espécies • exclusiva (art. CF. 48)  a renúncia (art. 5. CP. art. 32) • a procuração ad judicia (art. 8. 29. art. 35) • ofendido morto ou declarado ausente (art. § 1. 100. 34)  mulher casada (art. 44) princípios e regras • oportunidade ou disponibilidade • indivisibilidade  no exercício da ação (art.2. . 236 e 240) • subsidiária da pública (art. art. Conceitos 8. 103)  forma  irretratabilidade (art. 1. possui duas formas: ação penal pública incondicionada e ação penal pública condicionada.

2. Min.4. Representação: é a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante penal. A Lei 1. Ressalte-se que a natureza desta "denúncia" não é . 8. Ação penal pública incondicionada: é incondicionada quando o seu exercício não se subordina a qualquer requisito. a primeira ocorre quando o CP determina que a ação penal é exclusiva do ofendido ou de seu representante legal. possui duas formas: a) condicionada à representação.6. Questões importantes: Ofensa Propter Officium . a partir do inquérito 726 (rel. devendo esta ter andamento com nomeação de curador (art. nos dois casos.7. Sepúlveda Pertence).8. 8.3.2.3. A inimputabilidade não se apresenta como impedimento ao processamento da ação penal. 100. a ação penal não pode ser iniciada sem a representação ou a requisição ministerial. 8. Ação penal pública condicionada: é condicionada quando o seu exercício depende de preenchimento de requisitos (condições).5. cada ação penal é promovida por seu titular.2.2. Procurador Geral da República. 151 do CPP). permite-se que o particular a inicie quando o titular não a propõe no prazo legal. possui duas formas: a) ação penal exclusivamente privada. embora a ação penal continue de natureza pública. Ministros do Supremo Tribunal Federal. a ação penal pode ser iniciada pelo próprio ofendido. 8.2. Inimputabilidade. b) ação penal privada subsidiária da pública. Ministros de Estado. nos termos do art. Tratando-se de ofensa dirigida a juiz de direito em razão de seu ofício. 8. Governadores de Estado e Secretário de Estado). Ação penal privada: é privada quando a titularidade da ação penal pertence ao particular. no sentido de movimentar-se o jus persequandi in juditio. quando o direito de iniciá-la pertence à vítima ou seu representante legal. caput. ou pelo Ministério Público mediante representação.8.2. isto é. através da qual "qualquer cidadão" é parte legítima para denunciar as autoridades nela indicadas por "crimes de responsabilidade" (Presidente da República. Ação Penal Popular. significa que pode ser iniciada sem a manofestação de vontade de qualquer pessoa. Esse é o novo posicionamento do STF. Ação penal no concurso de crimes: quando há concurso formal entre um crime de ação pública e outro de ação penal privada. 8. b) condicionada à requisição do Ministro da Justiça. Vice-Presidente da República. o órgão do MP não pode oferecer denúncia em relação aos dois. na segunda. o mesmo ocorre no concurso material e nos delitos conexos.059/50 prevê a ação penal popular.

bem de ação penal. Por isso. brilhantemente resumido pela Joana.990. porquanto: a) dirige-se tão somente à autoridade administrativa. preliminarmente. o oferecimento de denúncia pela prática de crime tributário anteriormente ao término da discussão administrativa sobre a existência. Inimputabilidade. que se torna parte integrante deste.Castro Meira Advertência inicial 1: O tema está intimamente ligado ao ponto 5 de civil (relações entre ilícitos penal.Castro Meira . a própria natureza "penal" dos crimes de responsabilidade é questionável.Fábio Guedes de Paula Machado http://infojur. 83 da Lei 9430/96: "A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. na esfera administrativa. na verdade. Ademais. propor desde logo a ação penal pública. Julgando a matéria. AÇÃO CIVIL EX DELICTO Por George Marmelstein Lima Roteiro de Estudo: . advirto que . de infração ou delitos políticos.Os efeitos civis da sentença penal condenatória . Ação Penal nos Crimes contra a Ordem Tributária.ccj. conforme entendimento do STF. embora seja possível. 151 do CPP). discutiu-se se a ação penal nos crimes contra a ordem tributária ainda seria pública incondicionada. será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final. Trata-se. neste último caso. implicará em abuso de autoridade. a leitura do referido resumo. A inimputabilidade não se apresenta como impedimento ao processamento da ação penal. de 27 de dezembro de 1.ufsc. devendo esta ter andamento com nomeação de curador (art. mas de mera notitia criminis. podendo ser proposta pelo MP independentemente da representação fiscal da autoridade administrativa ou se.º da Lei 8. ao contrário. pois se estaria retirando do MP a privatividade da ação penal pública). estaria condicionada à referida representação (argüindo-se. independentemente de tal representação.htm .br/arquivos/artigos/execucao_civil_da_sentenca_penal_conden atoria.A Experiência Alienígena Quanto ao Ressarcimento do Dano ex delicto . sobre a existência fiscal do crédito tributário correspondente". validade ou quantidade do crédito tributário. Com a promulgação dessa lei. b) não retira do MP a possibilidade de. a inconstitucionalidade da norma. indicando o momento em que será oferecida a representação.Execução civil da sentença penal condenatória . muitas vezes. A meu ver. 1.Ivan Lira de Carvalho . civil e administrativo). decidiu o Supremo que a norma não é inconstitucional. cuja sanção é estritamente política (perda do cargo e inabilitação temporária para o exercício de cargos ou funções públicas).O ilícito civil e o ilícito penal .º e 2.137. por certo se caracteriza como ato temerário e. Prescreve o art. ao tempo em que sugiro.

informei quais as autoridades que estavam sujeitas a esta modalidade peculiar de denunciação. isto porque todo ilícito penal é igualmente civil. no crime. Advertência inicial 2: Quando tratei da "ação penal popular". A obrigação de reparar o dano resultante do crime não e uma conseqüência de caráter penal. Ocorre que esqueci de mencionar que a recente Lei 10. o que ha de verdade nessas alegações não atinge os dois pontos seguintes: 1) que a reparação do dano e matéria de direito civil. quando no exercício de chefia das unidades regionais ou locais das respectivas instituições. Veja-se o que diz um dispositivo acrescentado à Lei 1. "a possibilidade de dois tipos de ação civil ex delicto: a ação de conhecimento. dos Tribunais de Contas. e aos membros do Ministério Público da União. Se há lesão patrimonial. 40-A (as acima mecionadas). Ao entendimento da separação da jurisdição em civil e penal. embora se torne certa quando haja sentença condenatoria no juízo criminal. se. Vicente Greco Filho. e a execução da sentença penal condenatória transitada em julgado"6. nos casos de crimes de responsabilidade específicos que ela menciona (geralmente ligados à matéria orçamentária. 8. E mais: Advogado Geral da União. rejeitando o instituto ambíguo da constituição de "parte civil" no processo penal.aqui serão abordados apenas alguns aspectos processuais referentes à matéria.079/2000. a pleiteássemos. A invocada conveniência prática da economia de juízo não compensa o desfavor que acarretaria ao interesse da repressão a interferência de questões de caráter patrimonial no curso do processo penal. ao dizer do Prof. de natureza condenatória.038. que tem como tópico a ação penal. 10 desta lei (crimes contra a lei orçamentária) serão processadas e julgadas de acordo com o rito instituído pela Lei n. das Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal. e 2) que a repressão sofreria. daí. como querem os . Verificado no mundo naturalístico a ocorrência de um delito. Introdução. e aos Juízes Diretores do Foro ou função equivalente no primeiro grau de jurisdição. dos Tribunais Regionais Federais. do Trabalho e Eleitorais. Eleitoral e Militar. a todo cidadão. por força da Lei 1. permitindo. Acrescentem isso também ao ponto 10 (Penal). as ações penais contra elas ajuizadas pela prática dos crimes de responsabilidade previstos no art. Procuradores-Gerais do Trabalho. a reparação há de ser pedida a um outro patrimônio. de 28 de maio de 1990. aos Procuradores-Gerais dos Estados e do Distrito Federal. refutando as razoes com que se defende o deslocamento da reparação do dano ex delicto para o campo do direito público: "A meu ver. São elas: Presidentes e respectivos substitutos quando no exercício da Presidência dos Tribunais Superiores. É indissimulável o mérito da argumentação de Sá Pereira na "Exposição de Motivos" do seu "Projeto de Código Penal". o dever de indenizar não depende apenas da efetiva condenação penal. e da independência entre estas. por imposição da Lei de Responsabilidade Fiscal). pela Lei 10. 39-A e o inc.028/2000 acrescentou outras autoridades. 6 Veja-se o que a Exposição de Motivos do CPP diz sobre a reparação do dano ex delicto: "O projeto. ajustando-se ao Código Civil e ao novo Código Penal. o oferecimento da denúncia". dos Tribunais de Justiça e de Alçada dos Estados e do Distrito Federal. e se me afigura impossível deslocar esta relação entre dois patrimônios do campo do direito privado para o do direito publico. II do parágrafo único do art.028/2000: "respeitada a prerrogativa de foro que assiste às autoridades a que se referem o parágrafo único do art. surge ao ofendido o direito de obter a reparação. aos Procuradores-Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal. mantém a separação entre a ação penal e a ação civil ex delicto.079/50.

63. por insuficiência de prova quanto a existência do crime ou sua autoria. 91. a reparação do dano ex delicto não passa de uma promessa vã ou platônica da lei". art. Contudo. II. a prejudicialidade daquele sobre o julgamento no civil. a inexistência matérial do fato. e art. sem reconhecer. ao tornar certa a obrigação de indenizar. condenatórias ou absolutórias7. 63) ou que. nascidas do mesmo ato. pelo sistema do direito pátrio. salvo na presença de motivo justificado ou impossibilidade de reparar o dano. instituindo ou regulando eficientemente medidas assecuratórias (seqüestro e hipoteca legal dos bens do indiciado ou do responsável civil). como serem propostas ao mesmo tempo. Código de Processo Civil. Código de Processo Penal). a decisão que determina o arquivamento de inquérito policial e de peças de informação.Independência entre as instâncias penal e civil. antes mesmo do inicio da ação ou do julgamento definitivo. reconhecer a inexistência do fato (art. constitui título executivo judicial. intentada a ação penal. Ficara. Código de Processo Penal. 19 do Código Penal. repetem-se alguns dispositivos legais referentes à independência de instâncias: Diante dessas premissas. Limita-se o projeto a outorgar ao juiz da actio civilis ex delicto a faculdade de sobrestar no curso desta até o pronunciamento do juízo penal. O projeto não descurou de evitar que se torne ilusório o direito a reparação do dano. incs. 2) ordenar o arquivamento do inquérito ou das pecas de informação. ou quem seja o seu autor. Não será prejudicial da ação civil a decisão que. VII e VIII.525 do Código Civil. quando o titular do direito a indenização não disponha de recursos pecuniários para exercê-lo. faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade. 107. perderia muito de sua prontidão e rapidez". 64). e determinando a intervenção do Ministério Publico. A reparação do dano no direito penal. do CP) e o requerimento de reabilitação (art.525. 1525. e art. a independência das ações é compensada pela atribuição de eficácia civil às sentenças penais. e art. No âmbito penal. assim. É expressamente declarado que faz coisa julgada no civil a sentença penal que reconhecer. outras formas de reparação do dano acabam por excluir a própria punibilidade. Código Civil) ou afastar a autoria (art. não impedem a propositura da ação civil: a sentença que declara não constituir crime o fato imputado ao réu. VI. Pelo nosso sistema. único. segundo a qual. permitindo que se proceda à execução civil (art. 3) declarar extinta a punibilidade. prevalece o disposto no art. único. relativamente a existência do fato. 64. do Código Penal. que é o da independência. 66. I. isto é. respectivamente para a retratação nos crimes que a positivistas. do CP). a decisão que declara extinta a punibilidade (art. oriundas da mesma fonte. no juízo penal: 1) absolver o acusado. 1. ex vi do art. Abrir no processo-crime a necessária margem a ação reparadora seria ou fazer marcharem simultaneamente as duas ações no mesmo processo. IV. no caso concreto. ao contrário. ou paralisar o processo-crime para que o cível o alcançasse no momento final de pronunciamento da sentença que aplicasse a pena e fixasse a indenização.I. o que se tornaria tumultuário. em legítima defesa. em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício de direito (art. 67. a responsabilidade civil é independente da criminal. sem fundamento a critica. a não reparação do dano figura como causa obrigatória da revogação do sursis (art. ou 4) declarar que o fato imputado não e definido como crime. Não creio que a repressão ganhasse com isto alguma coisa. par. a sentença condenatória. II.525 do Código Civil. 7 Apesar de já enumerados pela Joana. II e III. o juiz da ação civil poderá suspender o processo até o julgamento definitivo daquela (art. como esta àquela. qualquer das hipóteses do art. Desde que existia julgamento definitivo no processo-crime. 1. impede a concessão de livramento condicional (art. . par. 584. II. categoricamente. Não obstante a estas previsões. do CP). art. 83. Código Penal. 81. 94. A responsabilidade civil é independente da criminal. Código de Processo Penal. Código de Processo Civil. de maneira categórica. 110. Código de Processo Penal. Código Civil). a ação para reparação do dano pode ser proposta no juízo cível enquanto pendente a causa penal (art. 1. tanto pode a ação civil preceder a criminal. não há precedência. as jurisdições civil e criminal são independentes entre si.

falso testemunho e falsa perícia. Esta dependência de julgamento é o que se denomina de questão prejudicial. art. Lecionando sobre o tema. inicialmente o andamento do inquérito policial e do processo penal. Importante ressalvar que esta suspensão é faculdade do juiz civil e durará no máximo 01 (um) ano. entendido como responsável legal no caso de não ser o agente absolutamente capaz.º. do Eg. 64. Scarance esclarece que três são os requisitos essenciais para a conceituação da prejudicialidade: 1. o Prof. do Código de Processo Penal e art. pode surgir conforme a causa de pedir deduzida. nos crimes referidos no inciso VII. sem se falar ainda que a reparação do dano é causa genérica de atenuação da pena. se cometidos sem violência real ou grave ameaça. o que pode dar margem à suspensão do processo civil. A eficácia da sentença penal no processo civil. uma subordinação lógica desta em relação àquela. e 3. Pelo lado passivo. Veja-se o que foi dito pela Joana e no artigo do Ivan Lira de Carvalho. impedindo que se verifique a contraditoriedade de julgamentos. no casamento da vítima com terceiro. Ada . ou até mesmo em face de ambos. constata-se na realidade prática. se a reparação precede a sentença irrecorrível. Paralelamente. Outra situação surge na parte especial para o delito de peculato culposo. nos termos do art. art. 2. III. disposta a propósito no Código de Processo Penal. a primeira pode ser proposta pelo próprio ofendido ou seus sucessores. por fim. sob o entendimento de que o pagamento do cheque antes do recebimento da peça acusatória. sob a nomenclatura de arrependimento posterior. §5. Propostas as ações de conhecimento de natureza penal e civil. A ação civil de conhecimento pode ser proposta tão logo o fato ilícito tenha ocorrido. e desde que a ofendida não requeira o prosseguimento do inquérito policial ou da ação penal no prazo de 60 dias a contar da celebração. E se a vítima não participou do processo penal? É atingida pela coisa julgada absolutória impeditiva da ação civil? A Profª. 312. ou torna-se impossível o julgamento da causa civil sem que se tenha havido o julgamento penal.º autonomia. 265. isto independente da iniciação da persecutio criminis. crimes contra a honra. conforme art. Em se tratando de legitimidade ativa e passiva. b e também é causa de diminuição da pena. Supremo Tribunal Federal.º anterioridade lógica. 65. Igualmente merece destaque a Súmula 554.º necessariedade. nos arts.possibilitam. do Código Penal. § 3º. Pretensão civil e criminal da vítima. do Código de Processo Civil Questão prejudicial. ao casamento do agente com a vítima nos crimes contra os costumes e. agente e representante legal. exclui a justa causa para a ação penal. 92 e 93. em se mantendo a condição ensejadora da responsabilidade. 16 do Código Penal. pode a ação ser movida em face do autor do fato antijurídico ou contra terceiro.

permanece íntegra a imutabilidade dos efeitos civis relacionados com o dano. a restituições e a outros efeitos civis. Para a homologação desta sentença. do Código de Processo Civil. Outra solução apresentada. fazendo-se constar do mandado que. esta fica impedida. Neste caso. Scarance o modelo que se "atribua à sentença absolutória eficácia para impedir a ação reparatória quando o ofendido tiver participado como assistente. devendo-se servir de seu regimento para auferir os seus requisitos. após o recebimento da denúncia. inspirado no sentido da solidariedade universal contra os criminosos". 472. Revisão da sentença condenatória. cabe ao Estado indenizar o réu condenado pelo dano sofrido. mas se não havida a execução. que não mais existe. 62 do Código de Processo Penal e art. atingido pela autoridade da coisa julgada. com amparo na lição de Frederico Marques. e que foi.º. Assinalo que. afirmando que esta pode ser homologada no Brasil para obrigar o condenado à reparação do dano. para fins de cumprimento da sanção penal). Sobre a questão da revisão criminal. "Para isso. Sobre o mesmo aspecto trata o Código de Processo Penal no seu art. Com amparo na reforma legislativa italiana. necessitando a questão ser discutida na esfera civil. conforme redação dada pelo art. consiste em afirmar que já procedida a execução contra o devedor. isto em aceitação do "critério da internacionalização da sentença penal. permanecendo pendente um efeito de uma condenação. dispõe sobre a eficácia da sentença estrangeira. em caso de sentença absolutória. conseqüentemente. Scarance informa que mesmo desconstituída a condenação.Pellegrini Grinover entende que o impedimento não pode dirigir-se senão ao ofendido que tiver participado do processo criminal. ter sido proferida por juiz competente. necessário que a vítima. apresenta o Prof. ou tiver sido devidamente colocado em condições de intervir. ser irrecorrível e estar autenticada pelo cônsul brasileiro e devidamente traduzida por órgão oficial. 9. o . De toda forma. segundo entendimento do Supremo. devendo figurar as formalidades necessárias à execução. a sentença penal estrangeira não pode ser homologada para fins de execução penal (i. Efeitos civis da sentença penal condenatória estrangeira. como parte. ex vi dos arts. O Código Penal brasileiro no seu art. 212. é o Egrégio Supremo Tribunal Federal o órgão legitimado. de sentença condenatória estrangeira. o Prof. 787. Outro problema que surge é o tocante à superveniência da rescisão da sentença condenatória através da procedência de uma ação de revisão criminal.e. bastando que a parte interessada deduza requerimento neste sentido. se já houver sido reparado o dano. parecenos ser possível a repetição do indébito. naqueles casos em que a coisa julgada penal impede a discussão da matéria no cível. poderá ficar impedido o exercício da ação civil nas hipóteses especificadas em lei". tome ciência da instauração do processo. com base numa sentença condenatória desconstituída. I.

seu representante legal em caso de ausência de capacidade civil. 575. sendo certo que esta execução será precedida por uma liqüidação. que é processo de conhecimento. uma vez que tratando-se de execução com base em direito pessoal. como dispõem os arts. 94 e 95 do Código. a modalidade da liqüidação por artigos e por arbitramento. e não pedir a execução penal da sentença. serve-se o legitimado para a liqüidação da sentença. se se trata de execução de obrigação de dar coisa móvel por força de direito real (art. Transitada em julgado uma sentença penal condenatória. se apresentam com maior pertinência quando se tratar de liqüidar uma sentença penal condenatória. que culminará com uma sentença. sendo certo que. precisado o valor do quantum debeatur. surge a possibilidade para que a vítima. Pela regra estatuída no Código de Processo Civil. Pela regra posta no citado dispositivo normativo. visto que pessoas estranhas ao título dele podem se servir no processo de execução. tem o mesmo ampla liberdade de defesa. ou tratando-se de execução por obrigação de dar coisa imóvel por força de direito real. a propósito já reconhecido no processo penal. ou seja. apura-se que o foro do processo penal não necessariamente será a do processo de execução civil. IV.Estado que condenou o indivíduo deve requerer a extradição. a competência territorial é a do foro comum do domicílio do devedor. intentem na jurisdição civil o processo de execução de título executivo judicial. ao passo que apenas aquele que figura no polo passivo do título é que pode figurar como executado da execução civil. Pela própria letra da lei. é . execução por obrigação de fazer ou de não fazer. que se realizará já no foro competente. A execução. obrigação por quantia certa contra devedor solvente. A sentença penal condenatória necessita ser tornada líqüida. não podendo o mesmo abranger v. Para tanto. ou o mesmo foro comum é o competente. o terceiro responsável.g. devendo assim contra este ser movida uma ação de conhecimento. visto que o an debeatur não se discutirá mais. sendo pouco pertinente a simples realização de cálculos do contador que o exeqüente apresenta preliminarmente. 94). obrigação de dar bem imóvel por força de relação obrigacional. já se verifica uma extensão do polo ativo da relação processual. em se considerando não poder o mesmo ser atingido pelos efeitos da coisa julgada proferida no processo penal. ou seus sucessores no caso de ausência desta. Acerca deste processo preliminar de execução. art. a execução da sentença penal condenatória será a do juízo cível competente. sendo inclusive válido um julgamento que reconheça a inexistência do fato. Juízo cível competente para a execução de sentença condenatória.

A execução civil da sentença penal condenatória pelo Ministério Público em favor da vítima pobre. 32. 134 da própria Constituição e da lei complementar por ela ordenada: até que . A reparação da vítima e a Lei nº 9.956 e 70.776-SP. ambos oriundos de São Paulo. representará renúncia ao direito de queixa ou de representação. na forma do art. tendo por objeto a aplicação de uma pena. O STJ já manifestou no mesmo sentido. pois. novo acordo se permitirá. em todos os graus. 95). único)". onde e quando organizada. e por isso lá será feita a liquidação e. Legitimidade do Ministério Público para propor a ação quando a . organizada e tiver preenchidos os cargos próprios. Havendo dano a ser reparado à vítima. isto em obediência ao não reconhecimento da culpabilidade penal. ainda está em vigor a hipótese de legitimidade extraordinária do MP prevista no art. e da lavra do Min.º 25. reside na hipótese de uma condenação ter sido proferida na Justiça Federal.98). publicados respectivamente em 2 de setembro e 11 de outubro de 1996. já se decidiu que permanece em vigor o disposto no art.770. LXXIV". a seu requerimento. constituindo modalidade de assistência judiciária. devendo a questão ser discutida na jurisdição civil.6. 68 do CPP: "Processo Civil. Por outro lado. se implemente essa condição de viabilização da cogitada transferência constitucional de atribuições. Sem obter êxito esta proposta legislativa de acordo. Outro exemplo que demonstra a quebra do vínculo da funcionalidade. art. 68.competente o foro da situação (art.º. 8 Confira-se: “No contexto da Constituição de 1998. e sim perante a Justiça Estadual. 68 do CPP: "Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. Prescreve o art. constituindo-se. a execução poderá ser feita em lugar diferente do foro onde se processou o feito criminal. 63) ou a a ação civil (art. a Constituição Federal dispõe que "A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado. CPP. a execução civil (art. no sentido de que a legitimidade do Ministério Público subsiste enquanto não implementada a Defensoria Pública. Em face disso. na respetiva unidade da Federação o Ministério Público estará legitimado para a ação do art. embora nos Recursos Especiais ns. Assim. porém. a propositura da ação não mais será perante a Justiça Federal. título executivo civil. posteriormente. o art. 5. 68 CPP será considerado ainda vigente" (RE 147. "Assim sendo.na União ou em cada Estado considerado -. Por exemplo. pelo Ministério Público". par. parágrafos 1º e 2º). Mas o ofendido tem domicílio em Santos. para esse fim. só se pode considerar existente. onde inicialmente o autor do fato e a vítima podem celebrar acordo civil que. 68 do CPP? O STF acatou a tese da inconstitucionalidade progressiva do art. o homicídio se consumou em São Paulo. Ari Pargendler. deve reputar-se transferida para a Defensoria Pública: essa. a atribuição anteriormente dada ao Ministério Público pelo art. 68 CPP. 70). sendo homologado pelo juiz. 688. incumbindolhe a orientação jurídica e a defesa.099/95. enquanto a Defensoria Pública não for criada por lei. a execução da sentença condenatória (art. De pronto. afirma-se que este acordo não configura título executivo judicial. 64) será promovida. de direito e de fato. Reparação de dano. nos moldes do art. no Diário Oficial da União. 100. dos necessitados. desta vez entre o Ministério Público e o indigitado infrator. O processo nos crimes de menor potencial ofensivo é precedido de uma fase preliminar. DJ 19. Substituição processual. e que aqui foi o seu autor condenado criminalmente (CPP.

do Código de Processo Penal subsiste. É cabível a ação de reparação de dano. A substituição processual e a representação das partes no processo são institutos diversos. ressalto que o STJ tem entendimento sumulado no sentido de que "a sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade.Sentença que declara o perdão judicial. Para lá remeto-os. conforme orientação do STF. Sem concordar ou discordar (até porque o direito penal não é o meu forte). Recurso especial conhecido. mas improvido. Dele. HABEAS CORPUS Outro tópico do ponto 1 de processo penal é o habeas corpus. a Joana frisou bem que "a sentença em que se concede o perdão judicial é condenatória. 68. porém. valendo também como título executivo". . 68. a substituição processual prevista no art. vítima for pobre.P. já tratei quando resumi o ponto 10 de Processo Penal (Recursos no Processo Penal). Só mais um detalhe: réu absolvido por legítima defesa putativa.P. art. defende a tese de que a sentença concessiva do perdão judicial é condenatória. subsistindo a ilicitude do fato. podendo ser executada no juízo cível. a despeito dos textos legais posteriores que conferiram privativamente aos advogados a representação das partes no processo. Em seu resumo. para efeito de reparação do dano. não subsistindo qualquer efeito condenatório" (súmula 18). bem por isso. Damásio. C. A legítima defesa putativa exclui a culpabilidade ou o dolo.

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