A Historia da Arte - Gombrich, E.H.- Ed. LTC-16a ed 16a edição - Título original: “The Story of Art” 1950 1.

Estranhos Começos: Povos pre-históricos e primitivos. América antiga. Parece que esses caçadores primitivos imaginavam que, se fizessem uma imagem de sua presa, os animais verdadeiros também sucumbiriam ao seu poder. Antigas civilizações pré-colombianas onde a feitura de imagens vinculada à magia e à realização, e também a primeira forma de escrita. 2. Arte para a Eternidade: Egito, Mesopotâmia e Creta. Regularidade geométrica e penetrante observação da natureza é característica de toda a arte egípcia. O método do artista se assemelhava mais ao do cartógrafo que ao pintor: tudo tinha que ser representado a partir do seu ângulo mais característico. Artistas cretenses representavam movimentos rápidos e ágeis em estilo livre e gracioso, já os mesopotâmios erigiam monumentos para celebrar vitórias nas guerras, verdadeiras crônicas ilustradas das campanhas dos reis. 3. O Grande Despertar: Grécia, séculos VII à V a.C.: Embora templos gregos sejam vastos e imponentes, não atingem as colossais dimensões das construções egípcias, foram edificados por seres humanos, para seres humanos, não existia um governante divino. Levar em conta o ângulo de onde o artista via o objeto, não mais como cartógrafo, mas como pintor. A velha idéia de que era importante mostrar toda a estrutura do corpo, com suas principais articulações, incentivou o estudo de anatomia dos ossos e músculos, para aparecerem visíveis sob o ondulado das roupagens. os artistas gregos tinham dominado o meio de transmitir um pouco os sentimentos mudos existentes entre as pessoas: troca de olhares, por exemplo. 4. O Império do Belo: A Grécia e o mundo grego: século IV a.C. à I d.C. Vários métodos, estilos e tradições criaram a variedade que admiramos no período. O artista já não tinha a menor dificuldade em representar movimento ou perspectiva. O típico e o individual eram colocados num novo e delicado equilíbrio. Com o helenismo pós-Alexandre os estilos e invenções da arte grega foram aplicados à escola grandiosa dos reinos orientais, de acordo com suas tradições. Os gregos romperam os rígidos tabus do primitivo estilo oriental, acrescentando às imagens tradicionais do mundo uma quantidade cada vez maior de características obtidas através da observação, possuem o cunho do intelecto que as criou. 5. Conquistadores do Mundo: Romanos, Budistas, Judeus e Cristãos, séculos I ao IV d.C. Arquitetura romana usa arcos, e assim se diferencia da grega, construiu abóbodas. Os indus com suas imagens de Buda em expressão de profundo repouso. Na decoração de sinagogas um estilo deselengante, pois quanto mais realista fossem os murais maior o pecado contra o Mandamento que proibia imagens. Artistas cristãos também se espelharam na tradição grega, adicionando clareza e simplicidade. 6. Bifurcação dos Caminhos: Roma e Bizâncio, séculos V a XIII. A mãe do imperador Constantino construiu uma primeira basílica, que serviu de modelo para todas as igrejas. As esculturas foram deixadas de lado e foi dado impulso as pinturas, que segundo o Papa Gregório Magno, final do século VI, servia muito bem aos analfabetos que não podiam ler a Palavra. O milagre dos pães e peixes, representado em mosaico numa igreja de Ravena é um bom exemplo. As idéias egípcias de dar importância a clareza na representação de todos objetos voltara com grande pujança, mas as formas não eram da arte primitiva, mas já da grega clássica. Processos primitivos misturados à metodos refinados são característicos da Idade Média. E em Constantinopla os iconoclastas ou destruidores de imagens, só permitiram imagens sacras ou ícones como da mãe de Deus com Jesus no colo, geralmente em mosaicos. 7. Olhando para o Oriente: Islã, China - séculos II à XIII. No Islã fazer imagens era definitivamente proibido, os artistas então criaram as ornamentações rendilhadas e sutis, conhecidas como arabescos, formas usadas também nos tapetes orientais. É o mundo onírico de linhas e cores. O impacto religioso sobre a arte foi mais forte ainda na China, um dos primeiros rolos ilustrados chi-

. mas para seu vislumbre de um mundo diferente. A arte romana de abobadar grandes edificações exigia uma série de conhecimentos e cálculos que em sua maior parte tinham se perdido. A Igreja Triunfante. As igrejas já não só serviam para proteção dos fiéis. que mostra a estrutura do corpo sob as dobras das roupagens. os egípcios haviam desenhado o que sabiam existir. isso para materializar sua visão enquanto a imaginação estava fresca. tal qual os primitivos das cavernas. eles aprenderam por um complexo de meditação e estudo. sua pintura nos faz acreditar que estamos testemunhando um evento sendo representado num palco. Observavam a natureza. Isso não tardou a revolucionar os métodos de construção. e só no final do período começa a se amalgamar. Só então voltando aos ateliês é que rapidamente começavam e terminavam a obra. contar com um certo número de arcos de reforço e preencher os intervalos com material mais leve.neses mostra uma coleção de grandes exemplos de senhoras virtuosas. sentar-se num banquinho em frente a uma tela. Vi a cidade santa. na Idade Média desenhavam também o que sentiam. Teólogos tornam-se conselheiros dos artistas. Cortesãos e Burgueses: o século XIV. Na Irlanda monges tentaram adaptar as técnicas dos Vikings a arte cristã e coseguiram bom resultado em especial com manuscritos dos séculos VII e VIII (Evangelhos de Lindisfarme). Conflito de grande números de estilos diferentes durante esse período. Eu darei gratuitamente da fonte da água da vida ao que tiver sede. mas provocar amor e ternura.redescobriu a arte de criar a ilusão de profundidade numa superfície plana. Os artistas queriam explorar as leis da visão e adquirir conhecimentos suficientes do corpo humano para incluí-las nas estátuas e pinturas. E assim recuperaram a arte clássica perdida. Agora tem-se um significado mais definido para formas fantásticas. arcobotantes que completam a armação externa da abóbada gótica.. Europa séculos VI a XI... os gregos o que viam. “como desenhar um pinheiro”. Mais irefinado do que grandioso o século XIV trouxe-nos a habilidade na decoração e nos rendilhados: Palácio dos Doges em Veneza.São Mateus escrevendo o Evangelho). de junto de Deus.. 10. Vikings usam a arte como magia.” O escultor estava embuido de um novo espírito: dignidade individual. Os artistas eram solicitados a serem copistas de obras antigas. Apocalipse 21. A arte chinesa é comedida. experimentando novas formas de composição. que descia do céu. na Europa da Baixa Idade Média. Aquele que vencer possuirá estas coisas. A Igreja Militante. que os ocidentais. etc. 11. Ora. “como desenhar rochas”.. Quando então. Minuciosa atenção ao detalhe. Podemos . A Arte Ocidental em fase de Assimilação. para aprender com ela. arco ogival. como os gregos e romanos. Como se tornou importante para o ilustrador mostrar seus sentimentos nas figuras. o século XII Igreja Militante quer dizer que era sua tarefa combater as forças do mal até a hora do triunfo no Juízo Final. Para representar paisagens nas pinturas os chineses não íam a campo. possibilitando a ele mudar toda concepção de pintura. As obras não pretendiam proclamar uma verdade solene. A partir de Giotto a História da Arte passou a ser também a História dos grandes artistas. 9. o mar já não existia. Não se obrigavam mais a imitar as reais gradações de tonalidades cromáticas que ocorrem na natureza. monges e ascetas eram representados em estátuas de um surpreendente realismo.1a2: “Vi um novo céu e uma nova terra. proporções corretas. Giotto: -. Visualizar mentalmente. com escritos no espírito Confucionista. eles preservaram mais as descobertas dos pintores helenísticos. Estilo gótico: cruzamento das “nervuras”. já tinham aprendido a pintar é que saiam a campo para captar o espírito da paisagem. mas mesmo assim lhes imprimiam seu estilo diferente (como numa capa . não mais para copiá-la. porque o primeiro céu e a primeira terra desapareceram. Tiveram a idéia de não fazerem um teto tão pesado. geralmente escrevendo poesias sobre as telas. o século XIII. habilitou-os a transmitir a idéia do sobrenatural. nos ditames da construção do templo de Salomão modelos para a arte. simbólica. Essa liberdade emancipou-os da necessidade de imitar a natureza. Buscaram na Bíblia.” 5a7: “. o princípio e o fim. a nova Jerusalém. E foi a arte bizantina que proporcionou aos artistas italianos transporem a barreira que separa a escultura da pintura. Eu sou o Alfa e o Ômega. 8. A pintura estava a caminho de se tornar uma forma escrita por imagens.Eis que renovo todas as coisas. Eu serei seu Deus e ele será meu filho. Com o Budismo.

egoisticamente resolveu escrever da direita para esquerda e danem-se os outros. Miguel estudou todos os detalhes e com que cuidado preparou cada figura dos desenhos. Veneza e Itália Setentrional. Encomendas de nobres. movimento distorcido. final do século XV na Itália. Rafael e Ticiano. Tradição e Inovação II. e a pura beleza. mas não representa uma cena real. Alberti traduziu um plano gótico para formas clássicas suavizando o bárbaro arco ogival e usando os elementos da ordem clássica num contexto tradicional. Rogier van der Weydin de Flandres: fidelidade a cada fio de cabelo. teatralidade e excitação. Hugo van der Góes: tenso e austero. eternização na obra: a perfeita harmonia na composição de figuras movimentando-se livremente. Fra Angélico criou a beleza e simplicidade. ao contrário de antes onde os príncipes e nobres escolhiam um dentre vários artistas. claro e simétrico. Monalisa parece estar viva. jogo de luz. a última ceia parece estar acontecendo a nossa frente. agora tinham adquirido status. O século XV no norte. Claus Sluter. Os grandes artistas tornaram-se orgulhosos. criou-se um estilo internacional que outro só veio no século XX. Mantegna movimento e perspectiva. de certo modo o artista é que escolhia quem ele iria agradar com sua obra. Realização da Harmonia. início do século XVI. Pollaiuolo. simplicidade na pintura. Filippo Brunelleschi (1377-1446). textura e superfície das coisas. Durer e Holbein. três armários e uma pintura à óleo. Correggio e Giorgione. tudo está como que num palco. Os horizontes dos artistas ampliaram-se através das grandes navegações. 14. simples e calma. Os artistas deixaram de receber encomendas do tipo: dois sapatos. início do século XVI. Miguel. desafiam antigas idéias de beleza e chocavam muita gente mais velha. Uccello dizia: “Quão doce é a perspectiva!” Gozzoli (1421-97) vivicidade e aprazividade da época. mas escultor. a impressão de imagens (xilogravura) assegurou o triunfo da Renascença. acurado no desenho e harmonioso na composição. “Leonardo conhecia a fórmula mágica que infundia vida nas cores espalhadas por seu sortílego pincel. vida festiva. está lá para quem quizer ver. Durante cerca de 500 anos arquitetos da Europa e América seguiram seus passos. Leonardo. assim salvou boa parte do desenho lúdico. mas não podemos esquecer dos pequenos artífices que estes sim carregavam a árdua tarefa da arte nas suas pobres mãos. 12. Agora podiam escolher que encomenda fariam. Conato Bramante (1444-1514) chegou a planejar um igreja circular para São Pedro. de 1502. Para ser admitido numa corporação o artista tinha que se mostrar capaz em atingir determinados padrões. a calma. Seu líder.Martin Schongauer. de burgueses. Konrad Witz radical inovador suiço pintou o lago de Genebra como se fosse o mar da Galiléia. Há nela drama. A impressão de estampas havia precedido em algumas décadas a impressão de livros.dizer que a arte medieval chegou ao fim e entramos na Renascença. Maraccio. 15. Piero della Francesca esmerou-se na indumentária de legionários romanos e no tratamento da luz. A Conquista da Realidade: início do século XV. Veit Stoss: veracidade e expressividade. 16. agora os artistas escolhiam um dentre vários nobres. Luz e Cor. cada ponto de costura. A arte podia agora refletir um fragmento do mundo real. A idéia de uma ressureição da “Grandeza de Roma”. Rafael. Xilogravura e xilografia. até de guildas de alfaiates e armeiros. 13. mestre . mas é circular. Botticelli = ação rapidamente entendida. Miguel não era pintor. a pouca profundidade. em Roma. movimentos graciosos e linhas melodiosas. Jan van Eyck e toda a geração de artistas em sua apaixonada busca da verdade. nada lhes parecia extraordinário. E da mesma forma como a imprensa acelerou o intercâmbio de idéias. Le Tavernier reflete fielmente a vida na cidade da sua época. Toscana e Roma. Donatello. possuia penetração e humor. usava toda a gama de expressões faciais. Pinturas seguindo regras matemáticas. Com que minúcia. . que ajuda a criar uma atmosfera misteriosa. sem a qual a Reforma talvez não tivesse ocorrido. não chegou a ser construida como nos seus planos. Fouquet usa a luz. Tornaram-se criaturas livres. O cúmulo do orgulho está em Leonardo. que por ser canhoto. como poderia negar um pedido do Papa? Quatro anos trabalhou no teto. Tradição e Inovação I. Um grupo de artistas florentinos se dispos a criar uma nova arte e romper com as idéias do passado. A nova pintura era diferente de todas as anteriores. humildade do dominicano transparecia.

Guido Reni. Tintoretto (1518-94) pinta o reencontro do corpo de São Marcos.Foivanni Bellini unificou seus quadros com uma feliz união de luz e cor. com gritantes contrates de luz e sombra. Tornou-se o mais admirado pintor pelos impressionistas em Paris no século XIX. Curvas e espirais. único pintor alemão a comparar-se com Durer. Jean Goujon escultor de figuras requintadamente graciosas. Pintou o Papa. fins do século XVI. poderia ter se tornado um dos maiores pintores já vistos em Veneza. seguiu Carracci. Holbein teve que procurar trabalho em Londres. Inglaterra e Alemanha possuem igrejas onde os pilares de sustentação da abóbada foram superficialmente convertidos em colunas para lhes afixarem capitéis. Sua mágica habilidade para tornar viva. simples. visão dramática e emocional. que ombreou fama com Miguel. óbvia. Uma crise na Arte. e harmonioso. Rubens aprendera a arte de dispor as figuras numa vasta escala e de usar a luz e cores para aumentar o efeito geral. discípulo de Rubens. Federico Zucaro (1543-1609) construiu uma janela na forma de rosto no Palácio Zuccari em Roma. Giorgione com luz sobrenatural de uma tempestade. No norte. com graça e beleza. Oh estultíce da espécie humana! Como ele organizou seu quadro “Casamento aldeão” para não parecer congestionado. o que já se fazia na Itália. a congregação podia reunir-se confortavelmente e olhar na direção do altar-mor. Benvenuto Cellini (1500-71) é o típico artista da época: irriquietas tentativas em criar algo mais interessante e incomum do que a geração anterior. desejava com ardor expressar a verdade ensinada nas igrejas. pintores e escultores se deparavam com protestantes iconoclastas. 19. amigo de Lutero.” El Greco (1541-1614). Carracci: pintor autêntico. 18. corpos humanos em formas harmoniosas. o velho (1525-69) cenas de vida camponesa. Procurou superar Rafael pintando o Papa. assegurou-lhe fama e um êxito que até então nenhum pintor conseguira. famoso por suas assustadoras representações das forças do mal. e especialmente o fato de que na paisagem diante da qual os personagens do quadro se movimentam. Visão e Visões: A Europa Católica. mas permitiu que a luz. sem as quais ela se desintegra. Caravaggio queria a verdade e sua obra não perdeu nada do peculiar arrojo nos três séculos que lhe sucederam. a nave. proclamava a verdade ensinada nas igrejas usando contrastes. com a Reforma. o ar e as cores uniformizassem as cores. de proximidade e distância. crítico de arte e biógrafo florentino escrevia: “se em vez de abandonar os caminhos já abertos e trilhados ele tivesse seguido pelo belo estilo de seus predecessores. muita ousadia para a época. Pieter Bruegel. Europa. nas catacumbas de Alexandria. Giorgio Vasari (1511-74). Num vasto espaço obilongo. Era o gótico transformado Albrecht Duer e suas assustadoras xilogravuras do apocalípse. na postura e na composição simétrica. maneirismo de figuras exageradamente alongadas. com “meninas” no primeiro plano. Van Dyck. ao afastar a Santa Virgem do centro da tela e lá colocar São Francisco foi muito ousado. Barroco: a Igreja tinha que ser cruciforme. luz e cor para equilibrar formas e dirigir nosso olhos para certas linhas. A propagação do novo saber: Alemanha e Países Baixos. Lucas Cranach (1472-1553). Diego Velásquez (1599-1660) transformou esses retratos (da família real de Felipe IV). entre a falta de harmonia nos gestos e movimentos. Bosch. nem confuso com tantos personagens! Jacques Callot (1592-1635). lá crou uma composição perfeitamente equilibrada. França. 17. Suas figuras são reais e tangíveis. em algumas das mais fascinantes pinturas que o mundo já viu. início do século XVI. descaso por formas e cores naturais. intensa e jubilosamente real qualquer figura. Pintou a assenção de Nossa Senhora com suas pernas balançando no espaço. Pintou a ele mesmo pintando. tinha em suas figuras textura e superfície. e rematada por uma cúpula alta e imponente. Grunewald. quando fez “Adão e Eva” estava trazendo para o norte dos Alpes. Correggio (1489-1534) deu tratamento a luz e sombra. “É um mísero discípulo aquele que não for capaz de superar o seu mestre” Leonardo. . não apenas um fundo. O único ramo da pintura que sobreviveu à Reforma foi o retrato. contudo o modo como faz a luz é barroco. primeira metade do século XVII. Ticiano. pela primeira vez e talvez única vez um artista conseguiu dar forma concreta e tangível aos medos que obicecavam o espírito dos homens da Idade Média. surpreendentes combinações com figuras enormes e descarnadas. Mabuse (1478-1532). ornamentos ofensivos são a coerência e unidade essenciais as construções barrocas.

Jan van Goyen. século XVIII. Exceto num ramo: pintura e gravura de panoramas. Rembrandt (1606-69) e seus auto-retratos. o pintor autêntico deve empenhar-se em melhorá-las pela grandeza de suas idéias. pintou festa de batizado. Bom gosto para residências de campo. William Hogarth (1697-1764).Itália final do século XVII e século XVIII. maior arquiteto inglês. Willem Kalf (1619-93) conhecido pintor de natureza morta. não lhes faltam equilíbrio. Jean-Baptist Siméon Chardin (1699-1779) desenhava episódios comoventes ou divertidos que pudessem ser desenvolvidos numa historia. século XVII. Cuidadoso ao graduar decoração e usar com parcimônia as formas mais extravagantes. luz e cor dominou completamente os efeitos dos seiscentistas. Poder e Glória I . simples e despojado. O escultor Bernini foi chamado por Luís XIV para trabalhar o Palácio de Versailles (1660-1680). No século XVIII. Poder e Glória II . com Francesco Guardi (1712-93) e o sentido de teatralidade. Alemanha. o primeiro andar das torres é quadrado. acreditava em regras ensináveis de gosto. era contra o gosto baseado no bom-tom. numa impressão fulgidia. Arquitetura grandiosa porém simples em seus traços e parco em sua decoração. detalhe após detalhe. comedimento e sobriedade. 21. O Espelho da Natureza: Holanda. Abordagem não convencional de temas religiosos. a arte italiana estava chegando ao fim. inventou o jardim paisagístico inglês. muito bem humorado. cores. que demonstra grandeza sem monotonia. as instituições inglesas e o gosto inglês tornaram-se os modelos admirados por todos os povos da Europa. William Kent. Francesco Borromini (15991667) compôs sua igreja através de um agrupamento de unidades diferentes: a vasta cúpula. Olhando com atenção vemos que um simples punhado de manchas coloridas habilmente dispostas. É simples. O tema torna-se secundário. O período ao redor de 1770 foi o maior para a arquitetura e não só para ela. “Em vez de se esforçar para divertir a humanidade (com minuciosa perfeição de suas imitações). Calma e docura quase melancólicas. assim como palavras triviais podem servir para uma bela canção.20. cada vez mais deslumbrantes durante a primeira metade do século XVII. No século XVIII artistas italianos eram principalmente soberbos na decoração de interiores. o segundo é redondo. Jakob Prandtauer (?-1726) construiu mosteiro de Melk as margens do Danúbio. frivolidades. observando homens e mulheres do povo. Frans-Hals (1580-1666). A guerra dos 30 anos. Jean Steen. Jacob van Ruisdail descobriu a poesia da paisagem nórdica. Simon de Vlieger (1601-53) capaz de transmitir a atmosfera do mar usando meios simples e despretenciosos. O frontão emoldura uma janela oval. com fontes e sebes aparadas. as torres laterais e a fachada curva. . final do século XVII e começo do XVIII. 23. mas de um valor menor. sempre com a maior eficácia nas partes que queria destacar. tem uma delicadeza de nuanças e um refinamento no toque. A Era da Razão: Inglaterra e França. Jan Verneir van Delf (1632-75) incluia até seres humanos nas suas naturezas mortas. concluiram o período barroco no estilo. Lucas von Hildebrandt (1668-1745) construira um palácio em Viena. genro de Jan van Goyen. paisagista. Jean-Antoine Houdon (1741-1828). pintura como dramaturgia. que está sob um colina e parece pairar sobre um jardim disposto em terraço. cores e decorações delicadas e alegres. Antonine Wattean (1684-1721) faz parte do período rococó. pois não fora a sua arte usada para enaltecer o poder e a glória de governantes de direito divino. Sir Chirstopher Wren (1632-1723). formas sem jamais dar um aspecto rude ou elaborado. seus retratos captam os modelos num momento característico. que é barroco mais por sua imensidão que pelos detalhes decorativos. Lorenzo Berrini (1598-1680) escultor insuperável ao reproduzir a expressão facial. Thomas Gainsborough (1727-88).” Nunca permitiu que o interesse do tema perturbasse a harmonia da pintura. a guerra civil inglesa. Usou o “chiaroscuro” para adensar o dramatismo da cena.França. a divisão da Europa em um campo católico e outro protestante afetou a arte de pequenos países como a Holanda. Embora seus retratos não sejam simétricos. transforma a cena banal numa visão de repousante beleza. Geovanni Battista Tiepolo (1696-1770) produziu afrescos alegres de se ver. A acumulação de novas idéias para produzir decorações mais complexas. rejeitou deliberadamente todas as limitações e nos levou a um extremo de emoção. 22. Ele dificilmente precisa de gestos e movimento para expressar-se. E é quase um milagre o que ele consegue reproduzindo texturas. e ao recuarmos se tornam as gôndolas de Veneza. objetos triviais podem compor um quadro perfeito. Joshua Reynolds (1723-92).

Era a Art Nouveau.M. 25. pintou um ancião agachado a medir o globo com compasso. Jacques-Louis David(1748-1825). grandeza romana. o final do século XIX.Turner (1775-1851) e John Constable (1776-1837). onde podia mostrar ângulos bem estranhos. americano. de longe. Eugene Delacroix (17981863). contrastes fortes e duros.W. Paul Cézanne (1839-1906). Eduard Manet (1832-83). Thomas Jefferson (1743-1826). a tradição tanto ajuda. quais meras manchas coloridas. Edgar Degas (1834-1917) foi quem mais se imprecionou com essas possibilidades. era sua “visão” dessa passagem bíblica. beleza . Jean-Baptiste Camile Corot (1796-1875) realismo na pintura. William Powell Frith (1819-1909) não usava como Monet velocidade e movimento. Victor Horta (1861-1947). Sir Charles Barry(1795-1860) & Augustin Welby. 26. ao ar livre e sob a luz do dia plena. Dante Gabriel Rossetti retorna ao estilo dos mestres da Idade Média com sinceridade e singeleza. descartando a simetria explorando o efeito das curvas sinuosas. para atingir um significado solene. para o primeiro. Pierre Auguste Renoir (1841-1919): luz do sol não permite usar o “sfumato” de Leonardo (formas que se fundem intencionalmente em sombras). Casa Branca. Sir John Soane (1752-1837) projetou uma casa de campo como um palacete palladino de William Kent. Francisco Goya (1746-1828) único em retratar com fatuidade. Pintou muito balé. mas usou corretamente os recursos estilísticos gregos. pintor francês. como obstaculiza. inspirado nas canções de Schubert. Claude Monet (1840-1926) impressionista: os efeitos mágicos de luz e ar eram mais importantes do que o tema da pintura. baseado no Oriente. foi até o norte da África para estudar as cores resplandecentes e roupagens romanticas do mundo árabe. nas casas do Parlamento de Londres fê-las parecerem dignas. Pintava com sinceridade. alguns o achavam preguiçoso. A Revolução Industrial começou a destruir o artesanato. O americano James Abboutt McNeill Whistler (1834-1903) não se importava pelo tema e sim a maneira pela qual ele era traduzido em cores e formas. A Revolução Permanente. mas impressão de luz em sua litografia (um método de reproduzir desenhos feitos diretamente na pedra. imaginação mais importante que o saber. paisagistas ingleses. 24. feiura e vacuidade o rei Fernando VII. vistos de ângulos os mais inesperados. absoluta precisão nos modelos do natural e desprezo por improvisações e confusões. pesquisou a historia para ser fiel a pintura de um momento da historia rescente. capacidade de encontrar grandeza e encanto num trecho da paisagem real. logo ele cria outra saída: suas formas dissolvem-se no sol e no ar. as formas redondas parecem às vezes planas. mas austera em seu quadro “Marat assassinado”. William Chambers (1726-96) estudou o estilo chinês na arquitetura e jardinagem. inventado no início do século XIX). Gustave Courbet (1819-77) nominou o realismo em 1855. para o segundo. ambição. neoclássico como Napoleão. com compaixão de um grande espírito. mas de perto os detalhes góticos conservam algo de romantico. O artista só era responsável pelo que pintava e como pintava ante a sua própria sensibilidade. Também fez em “Grupo num balcão” o contraste de seu estilo nas figuras das donzelas e o estilo de Hogarth em segundo plano. Jean-Honoré Frangonard (1732-1806). ARTISTAS LIVRES PARA PASSAR AO PAPEL SUA VISÕES PESSOAIS. Surgiu a fotografia e a cromotipia japonesa. o século XIX. realçava a impressão de espaços e formas sólidas. “composição equilibrada” e desenho correto foram sepultados. arquiteto belga de estilo próprio. A Ruptura na Tradição: Inglaterra. A ruptura na tradição que marca o período da Revolução Francesa inevitavelmente mudaria a situação em que viviam e trabalhavam os artistas. lembra pinturas chinesas. Os velhos chavões de “tema digno”. John Singleton Copley (1737-1815). Auguste Rodin (1840-1917) deixava algo inacabado para o expectador imagianar. Hokusai (1760-1849) e Utanaro (1753-1806) usaram todos os aspectos inesperados e não-convencionais. J. William Blake (1757-1827): Provérbios VIII. E ainda o alemão Gaspar David Friedrich (1774-1840) romantico. ritmo calculado no movimento e na distribuição das figuras. Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867).escultor do busto de Voltaire. sagaz e inteligente. 22-7. cor mais importante que o desenho. Jean-François Millet (1814-75) equilíbrio. fins do século XVIII e início do XIX. América e França. Em Busca de Novos Padrões.

Henry Moore (1898-1986) em 1938 queria saber da pedra o que ela desejava se tornar como escultura. o interior. E o norueguês Edvard Munch (1863-1944) em sua litografia “O grito” de 1895 dá o tom ao movimento expressionista. A pintura como uma espécie de construção. Georgio de Chirico (1888-1978) grego juntou por ironia a clássica cabeça de Alexandre o Grande a uma luva de operário. as salas. que proporcionasse alegria e consolo à todos. Henry de Toulouse-Loutrec (1864-1901) a arte da propaganda em cartazes. Ele pintava como se escrevesse. a sua obra. quase como arquitetura na obra de Piet Mondrian de 1920 ou na de Ben Nicholson de 1934. escreveu sobre os efeitos psicológicos da cor pura. por propagandistas do comunismo no leste europeu. um gnomo se transforma em um homúnculo sob os olhares do gato e das estrelas. queria desgastar o mínimo a pedra original para criar suas esculturas. entre os mais famosos estão Alberto Giacometti e Salvador Dali. Vicente Van Gogh (1853-1890) ansiava por uma arte despojada. criou um padrão decorativo usando a mesma cor nas paredes e toalhas de mesa. Sua obra “Historieta de um anãozinho” conta a historia teatralmente. Kathe Kollinitg (1867-1945) alemã queria com sua arte patrocinar a causa dos pobres e miseráveis. René Magritte (1898-1967) em seu auto retrato pintou ele pintando ele mesmo nú e com seios. Marc Chagall (1887-1985) também segue a linha simples e até ingenua. estrutura e simplicidade era o que nela buscavam. Dizia aos jornalistas:”Todos querem entender a arte. não apenas aos ricos compradores de arte. a admiração pela escultura africana uniu vários jovens artistas. não como arte. Henry Rousseau (1844-1910) em 1909 seguia o primitivismo de Gauguim e foi bastante simples e poético. e sua obra inaugura a arte abstrata. com o martelo na mão. Ernest Barlach (1870-1938) escultor de mendigos também seguiu esta linha. Arquitetura. Foi utilizada. O escultor Alexander Calder (1898-1976) iniciou o que hoje chamamos de “instalação” com suas peças “malucas” já em 1934. A ele devemos o que hoje toda dona de casa exige: a geladeira combinando com a cozinha. Lyonel Feininger (1871-1956) norte-americano. Pierre Bonnard (1867-1947) e Ferdinande Hodles (1853-1918) pintores suiços. Pablo Picasso (1881-1973) estranha mistura de imagens no final representam perfeitamente o que o artista queria dizer. em boa companhia com Rodin. galhos descarnados das oliveiras e formas escuras dos ciprestes esguios e pontiagudos como labaredas. Henri Matisse (1869-1954) francês. deprimidas fez algo inédito.e harmonia. Grant Wood (1892-1942) americano fez em 1936 um modelo de barro para se inspirar num quadro onde retratou vales e morros. Surgia o surrealismo. o primeiro perspectiva e profundidade para preservar o seu padrão de cor. Paul Gauguin (1848-1903) abandonou a Europa e foi viver nas ilhas do Pacífico com os nativos. desenhado crianças aparentemente tristes. mas sim os quartos. Constantin Brancusi (1876-1957) romeno simplificou a escultura ao máximo em sua obra “O beijo”. pois até então toda criança era pintada satisfeita e bonita. 27. Arte Experimental. cores fortes e intensas. Porque não começam procurando entender o canto dos pássaros?” Forma em 1o plano. Wassily Kandinsky (1866-1944). O pintor austríaco Oscar Kokochka. tema em 2o plano = Paul Klee (1879-1940) amigo de Kandinky. Não queria a representação correta: usou cores e formas para expressar o que sentia. nos trigais. profundidade e distância num padrão lúcido. bem distante do “belo” de até então. A primeira metade do século XX. Imaginem ele abraçando a pedra e escutando o que ela desejava se tornar. pintor russo vivendo em Munique. Durante a revolução nas artes que atingiu o clímax antes da 1a guerra mundial. ênfase sobre as verticais e horizontais. Mais o menos ao modo cubista. NADA EXISTE REALMENTE A QUE SE POSSA CHAMAR DE ARTE. selecionava seus temas para dar vasão as formas que queria trabalhar. e o desejava que os outros sentissem ao apreciá-las. com uma expressão potencialmente realçada. nas cercas vivas. Georges Seriat (1859-91) conciliou métodos impressionistas com a necessidade de ordem. e com a mesa e o fogão. o segundo simplificou o quanto pode parecendo pintar cartazes. como equação matemática. funcional: Frank Lloyd Wright (1869-1959) a fachada não importa. Esforçou-se para harmonizar a arte primitiva com seus próprios retratos simplificando os contornos das formas e usando cores fortes. mas prática. como se fosse um deles. . como em “Violino e as Uvas”. abusava de cores fortes. lembrando a arte egípcia. Foi o primeiro a descobrir beleza no restolho. certamente foi considerado preguiçoso. Emile Nolde (1867-1956) seguiu Kathe. Expressividade. O QUE EXISTEM SÃO OS ARTISTAS. Aubrey Beardsley (1892-1898) ilustrações em preto e branco que logo ficaram famosas. Cria o Cubismo.

com/blog/cns!55E525B28D775C52!9696. 614 e 615 um belo agradecimento aos livros que leu. O Triunfo do Modernismo.. Zoltan Kemeny (1907-65) em 1959 esse húngaro que viveu na Suiça nos reporta ao “ambiente urbano” com suas obras abstratas em metal. 1958 e 1980 respectivamente. o segundo tem o dom de nos permitir ver em terceira dimensão. 1986. Tate Gallery em Londres. pgs. americano com novas técnicas de aplicação de tinta (rabiscos). O autor também faz . como que por mágica. Uma Historia sem Fim. sem deixar que agora se faça a historia da arte. recortes de jornais.. Jackson Pollock (1912-56). não são contraditórios. Marino Marini (1901-80) italiano dedicado à multiplas variações sobre o mesmo tema. “Histórias em quadrinhos”. e o ajudaram a escrever este. é o pós modernismo.entry . Marcel Duchamps (1887-1968) e Joseph Benys (1921-86) francês e alemão ganharam notoriedade por “Dadaísmos” (infantilização da arte). diferentes ângulos e diferentes luzes para natureza morta. Créditos a http://jamspedagogo. Pós-modernismos: prédio da AT&T Nova Iorque 1982 e entrada da Close Gallery. Talvez possa chutar que ocorra uma fusão entre o pintor e o fotógrafo. trapos e outros.spaces. de Stan Hunt e “Duas plantas” de Lucian Freud. FIM. e Pierre Soulager (1919-). mas deixo isso para os novos professores de História da Arte.28. completamente sem estilo. já que ela (a historia da arte está acontecendo agora). Kurt Schwitters (1887-1948) inglês que colava bilhetes usados de ônibus. o primeiro desenha linhas na tela para chamar atenção para a própria tela. Franz Kline (1910-62) americano. Georgio Morandi (1890-1964) italiano.live. Nicolas de Stadl (1914-55) russo: luz e distância. fazem-nos esquecer da cor.

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