A Historia da Arte - Gombrich, E.H.- Ed. LTC-16a ed 16a edição - Título original: “The Story of Art” 1950 1.

Estranhos Começos: Povos pre-históricos e primitivos. América antiga. Parece que esses caçadores primitivos imaginavam que, se fizessem uma imagem de sua presa, os animais verdadeiros também sucumbiriam ao seu poder. Antigas civilizações pré-colombianas onde a feitura de imagens vinculada à magia e à realização, e também a primeira forma de escrita. 2. Arte para a Eternidade: Egito, Mesopotâmia e Creta. Regularidade geométrica e penetrante observação da natureza é característica de toda a arte egípcia. O método do artista se assemelhava mais ao do cartógrafo que ao pintor: tudo tinha que ser representado a partir do seu ângulo mais característico. Artistas cretenses representavam movimentos rápidos e ágeis em estilo livre e gracioso, já os mesopotâmios erigiam monumentos para celebrar vitórias nas guerras, verdadeiras crônicas ilustradas das campanhas dos reis. 3. O Grande Despertar: Grécia, séculos VII à V a.C.: Embora templos gregos sejam vastos e imponentes, não atingem as colossais dimensões das construções egípcias, foram edificados por seres humanos, para seres humanos, não existia um governante divino. Levar em conta o ângulo de onde o artista via o objeto, não mais como cartógrafo, mas como pintor. A velha idéia de que era importante mostrar toda a estrutura do corpo, com suas principais articulações, incentivou o estudo de anatomia dos ossos e músculos, para aparecerem visíveis sob o ondulado das roupagens. os artistas gregos tinham dominado o meio de transmitir um pouco os sentimentos mudos existentes entre as pessoas: troca de olhares, por exemplo. 4. O Império do Belo: A Grécia e o mundo grego: século IV a.C. à I d.C. Vários métodos, estilos e tradições criaram a variedade que admiramos no período. O artista já não tinha a menor dificuldade em representar movimento ou perspectiva. O típico e o individual eram colocados num novo e delicado equilíbrio. Com o helenismo pós-Alexandre os estilos e invenções da arte grega foram aplicados à escola grandiosa dos reinos orientais, de acordo com suas tradições. Os gregos romperam os rígidos tabus do primitivo estilo oriental, acrescentando às imagens tradicionais do mundo uma quantidade cada vez maior de características obtidas através da observação, possuem o cunho do intelecto que as criou. 5. Conquistadores do Mundo: Romanos, Budistas, Judeus e Cristãos, séculos I ao IV d.C. Arquitetura romana usa arcos, e assim se diferencia da grega, construiu abóbodas. Os indus com suas imagens de Buda em expressão de profundo repouso. Na decoração de sinagogas um estilo deselengante, pois quanto mais realista fossem os murais maior o pecado contra o Mandamento que proibia imagens. Artistas cristãos também se espelharam na tradição grega, adicionando clareza e simplicidade. 6. Bifurcação dos Caminhos: Roma e Bizâncio, séculos V a XIII. A mãe do imperador Constantino construiu uma primeira basílica, que serviu de modelo para todas as igrejas. As esculturas foram deixadas de lado e foi dado impulso as pinturas, que segundo o Papa Gregório Magno, final do século VI, servia muito bem aos analfabetos que não podiam ler a Palavra. O milagre dos pães e peixes, representado em mosaico numa igreja de Ravena é um bom exemplo. As idéias egípcias de dar importância a clareza na representação de todos objetos voltara com grande pujança, mas as formas não eram da arte primitiva, mas já da grega clássica. Processos primitivos misturados à metodos refinados são característicos da Idade Média. E em Constantinopla os iconoclastas ou destruidores de imagens, só permitiram imagens sacras ou ícones como da mãe de Deus com Jesus no colo, geralmente em mosaicos. 7. Olhando para o Oriente: Islã, China - séculos II à XIII. No Islã fazer imagens era definitivamente proibido, os artistas então criaram as ornamentações rendilhadas e sutis, conhecidas como arabescos, formas usadas também nos tapetes orientais. É o mundo onírico de linhas e cores. O impacto religioso sobre a arte foi mais forte ainda na China, um dos primeiros rolos ilustrados chi-

e só no final do período começa a se amalgamar. Observavam a natureza. Eu darei gratuitamente da fonte da água da vida ao que tiver sede. habilitou-os a transmitir a idéia do sobrenatural. Não se obrigavam mais a imitar as reais gradações de tonalidades cromáticas que ocorrem na natureza. Cortesãos e Burgueses: o século XIV. Europa séculos VI a XI. Os artistas eram solicitados a serem copistas de obras antigas. Buscaram na Bíblia. 8. tal qual os primitivos das cavernas. Mais irefinado do que grandioso o século XIV trouxe-nos a habilidade na decoração e nos rendilhados: Palácio dos Doges em Veneza. monges e ascetas eram representados em estátuas de um surpreendente realismo. Apocalipse 21. 9. 10. Isso não tardou a revolucionar os métodos de construção. o mar já não existia. Minuciosa atenção ao detalhe. Vikings usam a arte como magia. a nova Jerusalém. experimentando novas formas de composição. como os gregos e romanos. “como desenhar um pinheiro”. 11. Giotto: -. geralmente escrevendo poesias sobre as telas.São Mateus escrevendo o Evangelho). etc. A Igreja Triunfante. sua pintura nos faz acreditar que estamos testemunhando um evento sendo representado num palco.” 5a7: “. Eu serei seu Deus e ele será meu filho. nos ditames da construção do templo de Salomão modelos para a arte. porque o primeiro céu e a primeira terra desapareceram. Os artistas queriam explorar as leis da visão e adquirir conhecimentos suficientes do corpo humano para incluí-las nas estátuas e pinturas. arco ogival. Conflito de grande números de estilos diferentes durante esse período. o princípio e o fim. mas provocar amor e ternura. Teólogos tornam-se conselheiros dos artistas.redescobriu a arte de criar a ilusão de profundidade numa superfície plana. “como desenhar rochas”. Ora. os gregos o que viam. que mostra a estrutura do corpo sob as dobras das roupagens. Estilo gótico: cruzamento das “nervuras”. Com o Budismo.. proporções corretas. já tinham aprendido a pintar é que saiam a campo para captar o espírito da paisagem. eles aprenderam por um complexo de meditação e estudo.” O escultor estava embuido de um novo espírito: dignidade individual. A Igreja Militante. o século XII Igreja Militante quer dizer que era sua tarefa combater as forças do mal até a hora do triunfo no Juízo Final. mas mesmo assim lhes imprimiam seu estilo diferente (como numa capa . A arte chinesa é comedida. Podemos . Agora tem-se um significado mais definido para formas fantásticas. Vi a cidade santa. que descia do céu. sentar-se num banquinho em frente a uma tela. Essa liberdade emancipou-os da necessidade de imitar a natureza. possibilitando a ele mudar toda concepção de pintura. eles preservaram mais as descobertas dos pintores helenísticos. A partir de Giotto a História da Arte passou a ser também a História dos grandes artistas. na Idade Média desenhavam também o que sentiam. A Arte Ocidental em fase de Assimilação. na Europa da Baixa Idade Média. de junto de Deus. Para representar paisagens nas pinturas os chineses não íam a campo. não mais para copiá-la. A arte romana de abobadar grandes edificações exigia uma série de conhecimentos e cálculos que em sua maior parte tinham se perdido. o século XIII.1a2: “Vi um novo céu e uma nova terra. Só então voltando aos ateliês é que rapidamente começavam e terminavam a obra.. para aprender com ela. Como se tornou importante para o ilustrador mostrar seus sentimentos nas figuras. E foi a arte bizantina que proporcionou aos artistas italianos transporem a barreira que separa a escultura da pintura. isso para materializar sua visão enquanto a imaginação estava fresca.. Quando então. Eu sou o Alfa e o Ômega. os egípcios haviam desenhado o que sabiam existir. simbólica. mas para seu vislumbre de um mundo diferente.. E assim recuperaram a arte clássica perdida. que os ocidentais. Visualizar mentalmente. Tiveram a idéia de não fazerem um teto tão pesado... As obras não pretendiam proclamar uma verdade solene. A pintura estava a caminho de se tornar uma forma escrita por imagens. arcobotantes que completam a armação externa da abóbada gótica. com escritos no espírito Confucionista.neses mostra uma coleção de grandes exemplos de senhoras virtuosas. Aquele que vencer possuirá estas coisas.Eis que renovo todas as coisas. As igrejas já não só serviam para proteção dos fiéis. contar com um certo número de arcos de reforço e preencher os intervalos com material mais leve. Na Irlanda monges tentaram adaptar as técnicas dos Vikings a arte cristã e coseguiram bom resultado em especial com manuscritos dos séculos VII e VIII (Evangelhos de Lindisfarme).

egoisticamente resolveu escrever da direita para esquerda e danem-se os outros. agora tinham adquirido status. acurado no desenho e harmonioso na composição. . 15. Rafael. de burgueses. Durante cerca de 500 anos arquitetos da Europa e América seguiram seus passos. possuia penetração e humor. Monalisa parece estar viva. Fra Angélico criou a beleza e simplicidade. Leonardo. E da mesma forma como a imprensa acelerou o intercâmbio de idéias. final do século XV na Itália. vida festiva. A arte podia agora refletir um fragmento do mundo real. A Conquista da Realidade: início do século XV. Agora podiam escolher que encomenda fariam. eternização na obra: a perfeita harmonia na composição de figuras movimentando-se livremente. Pollaiuolo. “Leonardo conhecia a fórmula mágica que infundia vida nas cores espalhadas por seu sortílego pincel. a calma. simplicidade na pintura. até de guildas de alfaiates e armeiros. O século XV no norte. Donatello. Maraccio. Seu líder. Veit Stoss: veracidade e expressividade. humildade do dominicano transparecia. Hugo van der Góes: tenso e austero. Tradição e Inovação II. Filippo Brunelleschi (1377-1446). mas escultor. Alberti traduziu um plano gótico para formas clássicas suavizando o bárbaro arco ogival e usando os elementos da ordem clássica num contexto tradicional. de certo modo o artista é que escolhia quem ele iria agradar com sua obra. Miguel. início do século XVI. a impressão de imagens (xilogravura) assegurou o triunfo da Renascença. Botticelli = ação rapidamente entendida. a pouca profundidade. Os artistas deixaram de receber encomendas do tipo: dois sapatos. mas é circular. claro e simétrico. Realização da Harmonia. Jan van Eyck e toda a geração de artistas em sua apaixonada busca da verdade. Rafael e Ticiano. Pinturas seguindo regras matemáticas. mas não podemos esquecer dos pequenos artífices que estes sim carregavam a árdua tarefa da arte nas suas pobres mãos. três armários e uma pintura à óleo. que ajuda a criar uma atmosfera misteriosa. mas não representa uma cena real. 14. Tradição e Inovação I. Rogier van der Weydin de Flandres: fidelidade a cada fio de cabelo. O cúmulo do orgulho está em Leonardo. Tornaram-se criaturas livres. jogo de luz. assim salvou boa parte do desenho lúdico. de 1502. a última ceia parece estar acontecendo a nossa frente. A idéia de uma ressureição da “Grandeza de Roma”.Martin Schongauer. criou-se um estilo internacional que outro só veio no século XX. Há nela drama. Os horizontes dos artistas ampliaram-se através das grandes navegações. em Roma. textura e superfície das coisas. Fouquet usa a luz. cada ponto de costura. mestre . 13. e a pura beleza. Conato Bramante (1444-1514) chegou a planejar um igreja circular para São Pedro. que por ser canhoto. como poderia negar um pedido do Papa? Quatro anos trabalhou no teto. 16. não chegou a ser construida como nos seus planos. Xilogravura e xilografia. Claus Sluter. Toscana e Roma. Para ser admitido numa corporação o artista tinha que se mostrar capaz em atingir determinados padrões. Uccello dizia: “Quão doce é a perspectiva!” Gozzoli (1421-97) vivicidade e aprazividade da época. Konrad Witz radical inovador suiço pintou o lago de Genebra como se fosse o mar da Galiléia. Piero della Francesca esmerou-se na indumentária de legionários romanos e no tratamento da luz. ao contrário de antes onde os príncipes e nobres escolhiam um dentre vários artistas. Mantegna movimento e perspectiva. A impressão de estampas havia precedido em algumas décadas a impressão de livros. Miguel estudou todos os detalhes e com que cuidado preparou cada figura dos desenhos.dizer que a arte medieval chegou ao fim e entramos na Renascença. Correggio e Giorgione. Um grupo de artistas florentinos se dispos a criar uma nova arte e romper com as idéias do passado. sem a qual a Reforma talvez não tivesse ocorrido. Luz e Cor. Miguel não era pintor. 12. teatralidade e excitação. agora os artistas escolhiam um dentre vários nobres. Encomendas de nobres. Os grandes artistas tornaram-se orgulhosos. movimentos graciosos e linhas melodiosas. desafiam antigas idéias de beleza e chocavam muita gente mais velha. está lá para quem quizer ver. A nova pintura era diferente de todas as anteriores. Durer e Holbein. início do século XVI. tudo está como que num palco. Com que minúcia. usava toda a gama de expressões faciais. Veneza e Itália Setentrional. nada lhes parecia extraordinário. Le Tavernier reflete fielmente a vida na cidade da sua época. simples e calma. movimento distorcido.

Barroco: a Igreja tinha que ser cruciforme. na postura e na composição simétrica. No norte. intensa e jubilosamente real qualquer figura. O único ramo da pintura que sobreviveu à Reforma foi o retrato. Giorgione com luz sobrenatural de uma tempestade. e rematada por uma cúpula alta e imponente. 18. maneirismo de figuras exageradamente alongadas. Carracci: pintor autêntico. Diego Velásquez (1599-1660) transformou esses retratos (da família real de Felipe IV).Foivanni Bellini unificou seus quadros com uma feliz união de luz e cor. pela primeira vez e talvez única vez um artista conseguiu dar forma concreta e tangível aos medos que obicecavam o espírito dos homens da Idade Média. “É um mísero discípulo aquele que não for capaz de superar o seu mestre” Leonardo. poderia ter se tornado um dos maiores pintores já vistos em Veneza. Federico Zucaro (1543-1609) construiu uma janela na forma de rosto no Palácio Zuccari em Roma. Caravaggio queria a verdade e sua obra não perdeu nada do peculiar arrojo nos três séculos que lhe sucederam. Inglaterra e Alemanha possuem igrejas onde os pilares de sustentação da abóbada foram superficialmente convertidos em colunas para lhes afixarem capitéis. Holbein teve que procurar trabalho em Londres. famoso por suas assustadoras representações das forças do mal. visão dramática e emocional. ao afastar a Santa Virgem do centro da tela e lá colocar São Francisco foi muito ousado.” El Greco (1541-1614). Correggio (1489-1534) deu tratamento a luz e sombra. França. Ticiano. assegurou-lhe fama e um êxito que até então nenhum pintor conseguira. Curvas e espirais. Era o gótico transformado Albrecht Duer e suas assustadoras xilogravuras do apocalípse. Pintou a assenção de Nossa Senhora com suas pernas balançando no espaço. que ombreou fama com Miguel. o ar e as cores uniformizassem as cores. discípulo de Rubens. com gritantes contrates de luz e sombra. Pintou a ele mesmo pintando. lá crou uma composição perfeitamente equilibrada. descaso por formas e cores naturais. de proximidade e distância. e harmonioso. desejava com ardor expressar a verdade ensinada nas igrejas. A propagação do novo saber: Alemanha e Países Baixos. primeira metade do século XVII. corpos humanos em formas harmoniosas. Jean Goujon escultor de figuras requintadamente graciosas. o velho (1525-69) cenas de vida camponesa. seguiu Carracci. Pieter Bruegel. amigo de Lutero. crítico de arte e biógrafo florentino escrevia: “se em vez de abandonar os caminhos já abertos e trilhados ele tivesse seguido pelo belo estilo de seus predecessores. mas permitiu que a luz. surpreendentes combinações com figuras enormes e descarnadas. a nave. Bosch. ornamentos ofensivos são a coerência e unidade essenciais as construções barrocas. contudo o modo como faz a luz é barroco. com “meninas” no primeiro plano. tinha em suas figuras textura e superfície. luz e cor para equilibrar formas e dirigir nosso olhos para certas linhas. Van Dyck. Mabuse (1478-1532). o que já se fazia na Itália. Sua mágica habilidade para tornar viva. nem confuso com tantos personagens! Jacques Callot (1592-1635). Tintoretto (1518-94) pinta o reencontro do corpo de São Marcos. Guido Reni. proclamava a verdade ensinada nas igrejas usando contrastes. 19. Grunewald. Visão e Visões: A Europa Católica. . Tornou-se o mais admirado pintor pelos impressionistas em Paris no século XIX. nas catacumbas de Alexandria. com a Reforma. Procurou superar Rafael pintando o Papa. Num vasto espaço obilongo. Benvenuto Cellini (1500-71) é o típico artista da época: irriquietas tentativas em criar algo mais interessante e incomum do que a geração anterior. Rubens aprendera a arte de dispor as figuras numa vasta escala e de usar a luz e cores para aumentar o efeito geral. início do século XVI. óbvia. Pintou o Papa. a congregação podia reunir-se confortavelmente e olhar na direção do altar-mor. entre a falta de harmonia nos gestos e movimentos. muita ousadia para a época. não apenas um fundo. Oh estultíce da espécie humana! Como ele organizou seu quadro “Casamento aldeão” para não parecer congestionado. Uma crise na Arte. Suas figuras são reais e tangíveis. Europa. Giorgio Vasari (1511-74). com graça e beleza. simples. quando fez “Adão e Eva” estava trazendo para o norte dos Alpes. Lucas Cranach (1472-1553). e especialmente o fato de que na paisagem diante da qual os personagens do quadro se movimentam. pintores e escultores se deparavam com protestantes iconoclastas. único pintor alemão a comparar-se com Durer. em algumas das mais fascinantes pinturas que o mundo já viu. fins do século XVI. 17. sem as quais ela se desintegra.

Lorenzo Berrini (1598-1680) escultor insuperável ao reproduzir a expressão facial. tem uma delicadeza de nuanças e um refinamento no toque.Itália final do século XVII e século XVIII. paisagista. e ao recuarmos se tornam as gôndolas de Veneza. A guerra dos 30 anos. Cuidadoso ao graduar decoração e usar com parcimônia as formas mais extravagantes. Simon de Vlieger (1601-53) capaz de transmitir a atmosfera do mar usando meios simples e despretenciosos. com Francesco Guardi (1712-93) e o sentido de teatralidade. Alemanha. Geovanni Battista Tiepolo (1696-1770) produziu afrescos alegres de se ver. acreditava em regras ensináveis de gosto. era contra o gosto baseado no bom-tom. Jan Verneir van Delf (1632-75) incluia até seres humanos nas suas naturezas mortas. seus retratos captam os modelos num momento característico. pintura como dramaturgia. o segundo é redondo. frivolidades. assim como palavras triviais podem servir para uma bela canção. comedimento e sobriedade. não lhes faltam equilíbrio. Francesco Borromini (15991667) compôs sua igreja através de um agrupamento de unidades diferentes: a vasta cúpula. que está sob um colina e parece pairar sobre um jardim disposto em terraço. A Era da Razão: Inglaterra e França. Ele dificilmente precisa de gestos e movimento para expressar-se. Bom gosto para residências de campo. objetos triviais podem compor um quadro perfeito. William Kent.” Nunca permitiu que o interesse do tema perturbasse a harmonia da pintura. a divisão da Europa em um campo católico e outro protestante afetou a arte de pequenos países como a Holanda. observando homens e mulheres do povo. pois não fora a sua arte usada para enaltecer o poder e a glória de governantes de direito divino. É simples. Poder e Glória II . Usou o “chiaroscuro” para adensar o dramatismo da cena. maior arquiteto inglês. Antonine Wattean (1684-1721) faz parte do período rococó. cores. Thomas Gainsborough (1727-88).20. Arquitetura grandiosa porém simples em seus traços e parco em sua decoração. A acumulação de novas idéias para produzir decorações mais complexas. Jan van Goyen. Jean Steen. William Hogarth (1697-1764). as instituições inglesas e o gosto inglês tornaram-se os modelos admirados por todos os povos da Europa. cada vez mais deslumbrantes durante a primeira metade do século XVII. detalhe após detalhe. 21. Jakob Prandtauer (?-1726) construiu mosteiro de Melk as margens do Danúbio.França. muito bem humorado. cores e decorações delicadas e alegres. No século XVIII artistas italianos eram principalmente soberbos na decoração de interiores. as torres laterais e a fachada curva. genro de Jan van Goyen. O frontão emoldura uma janela oval. rejeitou deliberadamente todas as limitações e nos levou a um extremo de emoção. que demonstra grandeza sem monotonia. a arte italiana estava chegando ao fim. E é quase um milagre o que ele consegue reproduzindo texturas. Joshua Reynolds (1723-92). a guerra civil inglesa. final do século XVII e começo do XVIII. mas de um valor menor. O período ao redor de 1770 foi o maior para a arquitetura e não só para ela. Abordagem não convencional de temas religiosos. inventou o jardim paisagístico inglês. formas sem jamais dar um aspecto rude ou elaborado. O escultor Bernini foi chamado por Luís XIV para trabalhar o Palácio de Versailles (1660-1680). transforma a cena banal numa visão de repousante beleza. o primeiro andar das torres é quadrado. No século XVIII. século XVII. O tema torna-se secundário. 22. . Embora seus retratos não sejam simétricos. com fontes e sebes aparadas. Willem Kalf (1619-93) conhecido pintor de natureza morta. Jacob van Ruisdail descobriu a poesia da paisagem nórdica. Lucas von Hildebrandt (1668-1745) construira um palácio em Viena. O Espelho da Natureza: Holanda. Jean-Baptist Siméon Chardin (1699-1779) desenhava episódios comoventes ou divertidos que pudessem ser desenvolvidos numa historia. século XVIII. Rembrandt (1606-69) e seus auto-retratos. Exceto num ramo: pintura e gravura de panoramas. pintou festa de batizado. concluiram o período barroco no estilo. Olhando com atenção vemos que um simples punhado de manchas coloridas habilmente dispostas. Frans-Hals (1580-1666). Sir Chirstopher Wren (1632-1723). Poder e Glória I . 23. simples e despojado. “Em vez de se esforçar para divertir a humanidade (com minuciosa perfeição de suas imitações). sempre com a maior eficácia nas partes que queria destacar. Calma e docura quase melancólicas. Jean-Antoine Houdon (1741-1828). o pintor autêntico deve empenhar-se em melhorá-las pela grandeza de suas idéias. numa impressão fulgidia. luz e cor dominou completamente os efeitos dos seiscentistas. que é barroco mais por sua imensidão que pelos detalhes decorativos.

cor mais importante que o desenho. Os velhos chavões de “tema digno”. mas usou corretamente os recursos estilísticos gregos. Edgar Degas (1834-1917) foi quem mais se imprecionou com essas possibilidades. lembra pinturas chinesas. de longe. com compaixão de um grande espírito. William Blake (1757-1827): Provérbios VIII. A ruptura na tradição que marca o período da Revolução Francesa inevitavelmente mudaria a situação em que viviam e trabalhavam os artistas. pintor francês. Paul Cézanne (1839-1906). Sir John Soane (1752-1837) projetou uma casa de campo como um palacete palladino de William Kent. vistos de ângulos os mais inesperados. Casa Branca. ARTISTAS LIVRES PARA PASSAR AO PAPEL SUA VISÕES PESSOAIS. John Singleton Copley (1737-1815). era sua “visão” dessa passagem bíblica. Era a Art Nouveau. para atingir um significado solene. grandeza romana. o final do século XIX. beleza . Pintou muito balé. William Chambers (1726-96) estudou o estilo chinês na arquitetura e jardinagem. “composição equilibrada” e desenho correto foram sepultados. fins do século XVIII e início do XIX. Gustave Courbet (1819-77) nominou o realismo em 1855. absoluta precisão nos modelos do natural e desprezo por improvisações e confusões. americano. o século XIX. O americano James Abboutt McNeill Whistler (1834-1903) não se importava pelo tema e sim a maneira pela qual ele era traduzido em cores e formas. mas de perto os detalhes góticos conservam algo de romantico. O artista só era responsável pelo que pintava e como pintava ante a sua própria sensibilidade. as formas redondas parecem às vezes planas. foi até o norte da África para estudar as cores resplandecentes e roupagens romanticas do mundo árabe. nas casas do Parlamento de Londres fê-las parecerem dignas. Pierre Auguste Renoir (1841-1919): luz do sol não permite usar o “sfumato” de Leonardo (formas que se fundem intencionalmente em sombras). 26. Francisco Goya (1746-1828) único em retratar com fatuidade. Sir Charles Barry(1795-1860) & Augustin Welby. pesquisou a historia para ser fiel a pintura de um momento da historia rescente. ao ar livre e sob a luz do dia plena. Victor Horta (1861-1947). como obstaculiza. sagaz e inteligente. para o primeiro. alguns o achavam preguiçoso. Eduard Manet (1832-83).Turner (1775-1851) e John Constable (1776-1837). contrastes fortes e duros.M. mas impressão de luz em sua litografia (um método de reproduzir desenhos feitos diretamente na pedra. quais meras manchas coloridas. Thomas Jefferson (1743-1826). Pintava com sinceridade. ritmo calculado no movimento e na distribuição das figuras. mas austera em seu quadro “Marat assassinado”. Jacques-Louis David(1748-1825). neoclássico como Napoleão. onde podia mostrar ângulos bem estranhos. inventado no início do século XIX). Jean-Honoré Frangonard (1732-1806). inspirado nas canções de Schubert. a tradição tanto ajuda. A Revolução Industrial começou a destruir o artesanato. 22-7. 25. Auguste Rodin (1840-1917) deixava algo inacabado para o expectador imagianar. Eugene Delacroix (17981863). paisagistas ingleses. Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867). logo ele cria outra saída: suas formas dissolvem-se no sol e no ar. arquiteto belga de estilo próprio. 24. América e França. A Revolução Permanente. Jean-Baptiste Camile Corot (1796-1875) realismo na pintura. imaginação mais importante que o saber. pintou um ancião agachado a medir o globo com compasso. Hokusai (1760-1849) e Utanaro (1753-1806) usaram todos os aspectos inesperados e não-convencionais. J. feiura e vacuidade o rei Fernando VII. realçava a impressão de espaços e formas sólidas. capacidade de encontrar grandeza e encanto num trecho da paisagem real. William Powell Frith (1819-1909) não usava como Monet velocidade e movimento.escultor do busto de Voltaire. Também fez em “Grupo num balcão” o contraste de seu estilo nas figuras das donzelas e o estilo de Hogarth em segundo plano. E ainda o alemão Gaspar David Friedrich (1774-1840) romantico. Surgiu a fotografia e a cromotipia japonesa. para o segundo. Claude Monet (1840-1926) impressionista: os efeitos mágicos de luz e ar eram mais importantes do que o tema da pintura. baseado no Oriente. ambição.W. Jean-François Millet (1814-75) equilíbrio. Dante Gabriel Rossetti retorna ao estilo dos mestres da Idade Média com sinceridade e singeleza. A Ruptura na Tradição: Inglaterra. Em Busca de Novos Padrões. descartando a simetria explorando o efeito das curvas sinuosas.

Henry Rousseau (1844-1910) em 1909 seguia o primitivismo de Gauguim e foi bastante simples e poético. Kathe Kollinitg (1867-1945) alemã queria com sua arte patrocinar a causa dos pobres e miseráveis. pois até então toda criança era pintada satisfeita e bonita. René Magritte (1898-1967) em seu auto retrato pintou ele pintando ele mesmo nú e com seios. Sua obra “Historieta de um anãozinho” conta a historia teatralmente. 27.e harmonia. certamente foi considerado preguiçoso. cores fortes e intensas. Pablo Picasso (1881-1973) estranha mistura de imagens no final representam perfeitamente o que o artista queria dizer. e o desejava que os outros sentissem ao apreciá-las. não apenas aos ricos compradores de arte. com uma expressão potencialmente realçada. que proporcionasse alegria e consolo à todos. Grant Wood (1892-1942) americano fez em 1936 um modelo de barro para se inspirar num quadro onde retratou vales e morros. Arquitetura. o primeiro perspectiva e profundidade para preservar o seu padrão de cor. Mais o menos ao modo cubista. O escultor Alexander Calder (1898-1976) iniciou o que hoje chamamos de “instalação” com suas peças “malucas” já em 1934. Esforçou-se para harmonizar a arte primitiva com seus próprios retratos simplificando os contornos das formas e usando cores fortes. A pintura como uma espécie de construção. Surgia o surrealismo. as salas. Imaginem ele abraçando a pedra e escutando o que ela desejava se tornar. Georgio de Chirico (1888-1978) grego juntou por ironia a clássica cabeça de Alexandre o Grande a uma luva de operário. por propagandistas do comunismo no leste europeu. bem distante do “belo” de até então. deprimidas fez algo inédito. estrutura e simplicidade era o que nela buscavam. Wassily Kandinsky (1866-1944). A ele devemos o que hoje toda dona de casa exige: a geladeira combinando com a cozinha. o interior. O pintor austríaco Oscar Kokochka. profundidade e distância num padrão lúcido. Ernest Barlach (1870-1938) escultor de mendigos também seguiu esta linha. criou um padrão decorativo usando a mesma cor nas paredes e toalhas de mesa. Porque não começam procurando entender o canto dos pássaros?” Forma em 1o plano. Arte Experimental. Aubrey Beardsley (1892-1898) ilustrações em preto e branco que logo ficaram famosas. Não queria a representação correta: usou cores e formas para expressar o que sentia. não como arte. Constantin Brancusi (1876-1957) romeno simplificou a escultura ao máximo em sua obra “O beijo”. Paul Gauguin (1848-1903) abandonou a Europa e foi viver nas ilhas do Pacífico com os nativos. Vicente Van Gogh (1853-1890) ansiava por uma arte despojada. queria desgastar o mínimo a pedra original para criar suas esculturas. um gnomo se transforma em um homúnculo sob os olhares do gato e das estrelas. E o norueguês Edvard Munch (1863-1944) em sua litografia “O grito” de 1895 dá o tom ao movimento expressionista. desenhado crianças aparentemente tristes. Lyonel Feininger (1871-1956) norte-americano. Marc Chagall (1887-1985) também segue a linha simples e até ingenua. mas sim os quartos. ênfase sobre as verticais e horizontais. Durante a revolução nas artes que atingiu o clímax antes da 1a guerra mundial. . Foi o primeiro a descobrir beleza no restolho. e sua obra inaugura a arte abstrata. nos trigais. Foi utilizada. a sua obra. NADA EXISTE REALMENTE A QUE SE POSSA CHAMAR DE ARTE. Emile Nolde (1867-1956) seguiu Kathe. Ele pintava como se escrevesse. O QUE EXISTEM SÃO OS ARTISTAS. Henri Matisse (1869-1954) francês. galhos descarnados das oliveiras e formas escuras dos ciprestes esguios e pontiagudos como labaredas. Henry de Toulouse-Loutrec (1864-1901) a arte da propaganda em cartazes. em boa companhia com Rodin. e com a mesa e o fogão. Georges Seriat (1859-91) conciliou métodos impressionistas com a necessidade de ordem. com o martelo na mão. Expressividade. A primeira metade do século XX. como se fosse um deles. o segundo simplificou o quanto pode parecendo pintar cartazes. funcional: Frank Lloyd Wright (1869-1959) a fachada não importa. Henry Moore (1898-1986) em 1938 queria saber da pedra o que ela desejava se tornar como escultura. Dizia aos jornalistas:”Todos querem entender a arte. lembrando a arte egípcia. entre os mais famosos estão Alberto Giacometti e Salvador Dali. mas prática. pintor russo vivendo em Munique. Cria o Cubismo. quase como arquitetura na obra de Piet Mondrian de 1920 ou na de Ben Nicholson de 1934. selecionava seus temas para dar vasão as formas que queria trabalhar. a admiração pela escultura africana uniu vários jovens artistas. Pierre Bonnard (1867-1947) e Ferdinande Hodles (1853-1918) pintores suiços. como equação matemática. escreveu sobre os efeitos psicológicos da cor pura. tema em 2o plano = Paul Klee (1879-1940) amigo de Kandinky. abusava de cores fortes. como em “Violino e as Uvas”. nas cercas vivas.

Talvez possa chutar que ocorra uma fusão entre o pintor e o fotógrafo. o segundo tem o dom de nos permitir ver em terceira dimensão. de Stan Hunt e “Duas plantas” de Lucian Freud. recortes de jornais. diferentes ângulos e diferentes luzes para natureza morta. O autor também faz . é o pós modernismo. 614 e 615 um belo agradecimento aos livros que leu. como que por mágica. Uma Historia sem Fim. O Triunfo do Modernismo. sem deixar que agora se faça a historia da arte. FIM. 1958 e 1980 respectivamente..spaces. Nicolas de Stadl (1914-55) russo: luz e distância. e Pierre Soulager (1919-). 1986. mas deixo isso para os novos professores de História da Arte.28. Marino Marini (1901-80) italiano dedicado à multiplas variações sobre o mesmo tema.com/blog/cns!55E525B28D775C52!9696. Tate Gallery em Londres. Franz Kline (1910-62) americano. Pós-modernismos: prédio da AT&T Nova Iorque 1982 e entrada da Close Gallery. Marcel Duchamps (1887-1968) e Joseph Benys (1921-86) francês e alemão ganharam notoriedade por “Dadaísmos” (infantilização da arte). e o ajudaram a escrever este. pgs.. já que ela (a historia da arte está acontecendo agora). “Histórias em quadrinhos”. Georgio Morandi (1890-1964) italiano. trapos e outros. o primeiro desenha linhas na tela para chamar atenção para a própria tela. Jackson Pollock (1912-56). americano com novas técnicas de aplicação de tinta (rabiscos). não são contraditórios. Zoltan Kemeny (1907-65) em 1959 esse húngaro que viveu na Suiça nos reporta ao “ambiente urbano” com suas obras abstratas em metal. completamente sem estilo. Kurt Schwitters (1887-1948) inglês que colava bilhetes usados de ônibus.entry . Créditos a http://jamspedagogo. fazem-nos esquecer da cor.live.

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