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Metodologia da Pesquisa

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  • Ao aluno
  • Visão geral da disciplina
  • Esquematizando
  • Concepções e Formas de Conhecimento
  • Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento
  • Pesquisa Científica: conceito e modalidades
  • Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica
  • A Comunicação dos Resultados da Pesquisa: a monografia
  • Estilo para a Redação de Trabalhos Acadêmicos
  • Como Elaborar as Referências de um Documento

CENTRO DE ESTUDOS DE PESSOAL

CURSO DE COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

METODOLOGIA DA PESQUISA

Maria Christina Zentgraf Rio de Janeiro

É vedada a reprodução integral ou parcial do material do EAD sem a permissão escrita do CEP ou do autor.

Sumário

AO ALUNO ........................................................................................................................................5 VISÃO GERAL DA DISCIPLINA ................................................................................................................7 UNIDADE I - TÉCNICAS DE ESTUDO .....................................................................................................9
Texto 1 O Ato de Estudar .................................................................................................................. 10 Texto 2 Técnicas de Leitura .............................................................................................................. 13 Texto 3 A Leitura Analítica ................................................................................................................ 18 Texto 4 A Documentação Pessoal .................................................................................................... 21 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 25

UNIDADE II - O CONHECIMENTO COMO FORMA DE COMPREENSÃO E TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE .......27
Texto 5 Concepções e Formas de Conhecimento ............................................................................ 28 Texto 6 Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento ............................................................... 34 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 38

UNIDADE III - A PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA ......... 39
Texto 7 Pesquisa Científica: conceito e modalidades ....................................................................... 40 Texto 8 Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica ............................................................. 44 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 46

UNIDADE IV - ETAPAS DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE PESQUISAS CIENTÍFICAS ...................................47
Texto 9 A Lógica da Concepção do Projeto de Pesquisa .................................................................. 38 Texto 10 A Pesquisa Bibliográfica ....................................................................................................... 54 Texto 11 Pesquisas Descritivas e Experimentais ............................................................................... 62 Texto 12 Pesquisas Qualitativas ......................................................................................................... 67 Esquematizando... ............................................................................................................................... 70

UNIDADE V - A COMUNICAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS: AS MONOGRAFIAS ......................................73
Texto 13 A Comunicação dos Resultados da Pesquisa: a monografia ............................................... 74 Texto 14 Estrutura de Trabalhos Acadêmicos Segundo a ABNT ....................................................... 78 Texto 15 Estilo para a Redação de Trabalhos Acadêmicos ................................................................ 84 Texto 16 Apresentação de Citações em Trabalhos Acadêmicos ........................................................ 87 Texto 17 Como Elaborar as Referências de um Documento .............................................................. 90 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 94

REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 96 APÊNDICES .....................................................................................................................................99

.

A maioria atende pelo reembolso postal. A internet também não é acessível a todos. o telefone. uma vez que se destina a orientá-lo no sentido de ampliar seus procedimentos de estudo e iniciá-lo na produção de trabalhos científicos.O módulo Metodologia da Pesquisa tem caráter instrumental. de maneira bastante simplificada. estou fornecendo. Na primeira parte deste módulo. termo cunhado por Paulo Freire ao comparar a aprendizagem tradicional à situação de depósito e retirada que ocorre nos bancos. Ao aluno . Por este motivo. com o objetivo de aprofundar o conhecimento de determinados assuntos ou introduzir itens não abordados. Encontrará. ao final deste módulo. esquemas e fichamentos. Eles lhe permitirão se autoavaliar e decidir prosseguir ou fazer recapitulações. executar e comunicar os resultados de trabalhos científicos. o que o transformará (se ainda não o for) em um leitor crítico. o que dificulta o acesso a livrarias e bibliotecas. A execução dos exercícios é o único meio de que você dispõe para verificar como se encontra o seu conhecimento sobre os temas propostos. Proporciona condições de levá-lo a desenvolver o rigor metodológico exigido pela pesquisa e o espírito crítico necessário a todo e qualquer estudo. Agora. endereço eletrônico ou indicação de “sites” de algumas editoras. não limitado a uma “educação bancária”. algumas recomendações para que o estudo seja o mais proveitoso possível: a) este módulo. sugerimos leituras complementares. requer exercícios práticos para que a metodologia e as técnicas de investigação sejam dominadas pelo pesquisador. além de conteúdos conceituais que exigem leitura e reflexão. orientações metodológicas para planejar. Ao final de cada texto. você iniciará o estudo da metodologia da pesquisa através de textos sobre o conhecimento. é imprescindível que você os realize. Muitos cursistas residem em regiões longínquas. Prosseguindo na leitura. encontram-se indicações sobre os melhores procedimentos de estudo. assim. tais como os passos para realizar uma leitura analítica. fazer resumos. na seção Enriqueça seu estudo. objeto das pesquisas científicas.

d) e) Finalizo esta mensagem. segui as normas da ABNT ao fazer citações nos textos. o que dificulta o trabalho dos estudantes e pesquisadores. entretanto. ao elaborar a lista de referências ao final do módulo e nos gráficos que se encontram no apêndice. No ano de 2000 e agora em 2002. colocando-me à disposição para solucionar possíveis dúvidas que venham a ocorrer e desejando-lhe muito sucesso. textos que abordam este assunto. neste material. ao indicar as fontes pesquisadas. Assim. os trabalhos técnicos. inseri. não devendo ser adotada nos relatórios de pesquisas e trabalhos acadêmicos. praticamente todas as publicações e livros se tornaram desatualizados. livros e monografias devem seguir as normas da Associação Brasileira da Normas Técnicas (ABNT). tais como artigos. para servir de exemplo a você.b) c) para realizar com sucesso o trabalho final. Em decorrência. A autora . é necessário a dedicação de uma a duas horas ao estudo diário. as normas mais utilizadas para a elaboração de trabalhos acadêmicos foram atualizadas. é importante alertar. que a linguagem coloquial por mim utilizada neste material é específica da didática da educação a distância.

estrutura. paradigmas conflitantes na atualidade Textos 7 e 8 Onde encontrar Carga horária: 05 h Visão geral da disciplina . temática e interpretativa A documentação pessoal. Papel da teoria e do fato na construção do conhecimento Carga horária: 04 h Unidade III: A Produção e Transmissão do Conhecimento Através da Pesquisa Científica Objetivos: Identificar diferentes concepções de pesquisa Analisar as questões que envolvem a pesquisa científica como forma de produção e transmissão do conhecimento Conteúdo Finalidade. fenômeno e teoria. esquematizar e resumir A leitura analítica: análise textual. científico. Unidade I: Técnicas de Estudo Objetivo: Demonstrar aquisição do instrumental teórico-metodológico para o aperfeiçoamento das habilidades de leitura. Conteúdo O ato de estudar Técnicas de leitura: sublinhar. significado e modalidades de pesquisa científica Abordagem metodológica da pesquisa científica. Fichas: vantagens do uso. de fichamento e de organização de estudos. finalidades e tipos Onde encontrar Textos 1 a 4 Carga horária: 06 h Unidade II: O Conhecimento como Forma de Compreensão e Transformação da Realidade Objetivo: Distinguir o conhecimento científico de outros tipos de conhecimento. filosófico e teológico Onde encontrar Textos 5 e 6 Ciência: fato.Objetivo geral: Aplicar métodos e técnicas de estudos e pesquisas para a elaboração de trabalhos técnicos e científicos. Conteúdo Concepção e formas de conhecimento: popular.

Unidade IV: Etapas do Processo de Produção de Pesquisas Científicas Objetivo: Caracterizar as etapas do processo de produção de pesquisas científicas desde a elaboração do projeto à execução da pesquisa Conteúdo A lógica da concepção e construção de um projeto de pesquisa: tema. pressupostos teóricos. problema. objetivos. questões de estudo. Conteúdo O trabalho monográfico: a estrutura da monografia e a construção lógica do texto A estrutura de trabalhos acadêmicos segundo as normas da ABNT Textos 13 a 17 Estilo para a redação de trabalhos acadêmicos Normas para a apresentação de citações e elaboração de referências segundo a ABNT Carga horária: 10 h Onde encontrar . metodologia. cronograma e orçamento O planejamento e a execução de pesquisas bibliográficas e/ou documentais O planejamento e a execução de pesquisas descritivas e experimentais O planejamento e a execução de pesquisas qualitativas Onde encontrar Textos 9 a12 Carga horária: 20 h Unidade V: A Comunicação de Trabalhos Científicos: as monografias Objetivo: Demonstrar aquisição do instrumental técnico para a elaboração de relatórios de trabalhos acadêmicos.

Técnicas de Estudo Guia de estudo ASSUNTO OBJETIVOS ESPECÍFICOS Desenvolver hábitos de estudo que conduzam à autonomia no processo de aprendizagem Utilizar técnicas de leitura adequadas a um estudo proveitoso Carga horária: 06h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 1 "O ato de estudar" Exercícios Estudo do texto 2 "Técnicas de leitura" Exercícios Estudo do texto 3 "A leitura analítica" Exercícios 1. Técnicas de leitura: sublinhar. estrutura. Fichas: vantagens do uso. as fichas Enriqueça seu estudo Estudo do texto 4 "A documentação pessoal" Exercícios Unidade I . A documentação pessoal. em especial. A leitura analítica: análise textual. temática e interpretativa 4. esquematizar. resumir 3. O ato de estudar 2. finalidades e tipos Aplicar técnicas de análise de leitura no estudo de textos Distinguir diferentes modalidades de organização da documentação pessoal.

o estudante necessita estar atento a dois aspectos: recorrer a procedimentos adequados para buscar as informações. em seguida. na bibliografia especializada. finalmente.” Para realizar essas experiências citadas por Medeiros. E conclui “estudar é realizar experiências submetidas à análise crítica e à reflexão. pesquisador e. O que significa estudar? Medeiros (2000. o estudante precisa conhecer e utilizar procedimentos adequados para fazer uma leitura proveitosa. Salomon. Isso leva à questão da formação da biblioteca pessoal. Desse modo. dentre outras técnicas. se os iniciantes em trabalhos intelectuais não tiverem adquirido hábitos de estudo sistemáticos e eficientes através da utilização de métodos e técnicas adequadas. claro. citações. implicado num processo de auto-desenvolvimento. com o objetivo de apreender informações que sejam úteis à resolução de problemas. Os livros são caros. esquemas e resumos. nada se conseguirá neste sentido.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 1 O Ato de Estudar Os cursos de graduação e de pós-graduação têm como um de seus objetivos desenvolver nos estudantes o espírito científico e a prática de trabalhos técnicos. se completam e se superpõem a partir de determinado momento de cada uma. vai paulatinamente se transformando: terá que ser antes estudioso para. Entretanto. apoiado em material didático e científico que se constitui. autor. Complementando tal posição. não se excluem nem cessam pela aparição ulterior. tornam-se ultrapassados com alguma rapidez (pelo menos as edições). uma vez que já concluíram um curso superior. basicamente. p. Essas fases. crítica e criativa. p. antes. bem como estabelecer uma organização para seus estudos. 26). A bibliografia especializada de metodologia da pesquisa é considerada difícil por muitos estudantes. Isto ocorre porque ela parte da suposição de que aqueles que a ela recorrem dominam as técnicas adequadas de estudo e leitura. paráfrases. Severino (2000) adverte que o ensino superior exige dos universitários: • autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa. para se iniciar nas questões da pesquisa científica. declara: Imaginamos o iniciante no trabalho científico como aquele que. autoridade no assunto. 2001. e o hábito de utilização de cópias 10 . • projeto de trabalho intelectual individualizado. 13) explica que o estudo começa com a elaboração de um pequeno texto e atinge a produção de vários volumes de uma obra. tornar-se trabalhador intelectual. (SALOMON. fichamentos.

Observe as recomendações de Galliano sobre a utilização do tempo: . em fichas individuais reunidas em fichários por ordem alfabética. uma vez que os relatórios de pesquisa e as descobertas nas diferentes áreas do conhecimento. Não se pode fazer um curso superior se não houver tempo disponível para estudar.. antes de aparecerem em livros. Ao se estabelecer um cronograma de estudos.Não estabeleça períodos muito longos de estudo sem pausas para descanso. As técnicas especiais de leitura e fichamento para utilização desse instrumental serão abordadas nos próximos textos. dentre outras. .UNIDADE I dificulta a formação de acervos pessoais. Nas fichas. pode levar a um aproveitamento nulo. Além dessas fontes.Programe a utilização de períodos vazios em sua atividade. CD-ROMs. em seus acervos. De qualquer maneira. no decorrer da vida profissional.” (GALLIANO. Apesar do exposto. . oferece hoje um acervo extraordinário para estudiosos das mais diferentes áreas. Outro aspecto a considerar. As bibliotecas são organizadas no sentido de auxiliar os leitores e pesquisadores. embora em algumas delas o acervo seja limitado e pouco renovado. congressos.Planeje seu tempo – essa é a forma correta de “ganhar” tempo para o estudo. . mesas-redondas etc. para refletir. são publicados em revistas e jornais. As universidades e outras instituições possuem bibliotecas. a internet. principalmente por todos aqueles que estudam e trabalham. os estudantes devem se conscientizar de que existem livros fundamentais nas diferentes áreas do conhecimento e que devem ser adquiridos. seu acervo se apresenta classificado por assunto. explorá-las. A assinatura de revistas especializadas é um hábito a ser cultivado. palestras. poderá ser bastante utilizada pelos cursistas que dela dispõem. 11 .Reserve ao menos um período mínimo para estudar todos os dias. livros. integrando mesas-redondas e fazendo palestras. A princípio como participante. por exemplo. teses de doutorado. Lá se encontram obras de referência geral. disquetes e outros recursos de multimídia disponíveis para pesquisadores. deve-se escolher um horário em que o estudioso apresente um melhor rendimento. rede mundial de computadores. em seguida fazendo pequenas comunicações e. que devem acompanhar o estudioso pela vida toda. é a programação das atividades de estudo e a divisão adequada do tempo. . o estudante deve freqüentá-las. Muitas bibliotecas estão hoje informatizadas oferecendo uma alternativa de organização mais moderna. deixar as atividades de leitura e reflexão para o final do dia. além de dados sobre a obra e o autor. 1986. 53). p. Algumas universidades mantêm. seminários. dissertações de mestrado. As revistas também oferecem a oportunidade de ampliar a bibliografia sobre determinado assunto com novas referências. “O conhecimento forma-se por fases e a quantidade de informação transforma-se em qualidade de conhecimento. periódicos.Substitua o horário de uma ou mais atividades não-essenciais para obter tempo de estudo. outras modalidades de aprendizagem são os encontros. título e autor. Assim. está registrada a referência da obra (código da biblioteca). Além do estudo através de fontes bibliográficas. através da qual ela é localizada nas prateleiras.

você estará em condições de ser um aluno e profissional estudioso e atualizado em seus conhecimentos.METODOLOGIA DA PESQUISA O sucesso da aprendizagem. ⇒ No texto “Considerações em torno do ato de estudar”. de posse de uma boa bibliografia e organizando o seu tempo. de modo a reservar 1 ou 2 horas diárias para estudo. Faça uma proposta de programação semanal de suas atividades essenciais. Em resumo. Além de livros e publicações sobre o conteúdo específico de sua área de conhecimento. depende da organização do aluno. técnicas de estudo e pesquisa etc. onde os autores discutem o processo de estudar e a postura do leitor no ato de ler: leitor-objeto. 2000). autor e a localização na estante. e o leitorsujeito. responda às questões a seguir: 1. do ambiente adequado. Sabemos que aqueles que não residem nas grandes cidades têm dificuldade na aquisição de livros por falta de livrarias. apontam as pesquisas. 12 . Qual a situação de sua cidade neste aspecto? A que livrarias você pode recorrer para adquirir livros básicos? O livreiro aceita encomendas? 5. aquele submisso ao que lê. registrando as modificações que considera necessárias. Anote as 5 obras que considera mais adequadas ao conteúdo desta disciplina. que livros e revistas você possui sobre METODOLOGIA CIENTÍFICA? 2. 6. acesso a catálogos de editoras etc. Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo o texto “O leitor no ato de estudar a palavra escrita”. Não esqueça de registrar nas anotações os dados sobre a obra. o autor faz reflexões bastante oportunas sobre o ato de estudar. quando realiza uma leitura crítica e consegue ir além do texto (LUCKESI. 4. utilizando procedimentos adequados de estudo. Exercícios No sentido de contribuir para a consecução de seu projeto de trabalho científico. Cumpra a programação traçada de modo experimental e procure realizar uma avaliação da semana. Existem bibliotecas especializadas na sua cidade? Em que instituições? Quais seriam mais acessíveis para sua utilização? 3. que considera um trabalho difícil por exigir disciplina intelectual que não se adquire a não ser praticando (FREIRE. da assiduidade e cumprimento do cronograma estabelecido e da utilização de técnicas de estudo. Visite as bibliotecas que considera mais adequadas a seu curso e verifique no fichário de assuntos o tema: metodologia científica. 2001).

Ao fazer contato com o material de leitura. a ampliação ou integração de conhecimentos. Para atingir esses propósitos devemos identificar as idéias principais do autor.UNIDADE I Texto 2 Técnicas de Leitura Prosseguindo na temática iniciada no texto “O Ato de Estudar”. Nos artigos de revistas. onde. Estabelecida a unidade de leitura. a capa e a contracapa. como procurar a idéia principal que ela encerra? Em algumas ocasiões a idéia principal está explícita e é facilmente identificada. a uma leitura integral do texto e se determine a unidade de leitura a ser estudada. a verificação. a crítica. neste texto serão abordadas algumas técnicas de leitura. a comparação. dentre outras coisas. É um estudo analítico. Como proceder? Mandam os especialistas que se proceda. Toda leitura é feita com um propósito que pode ser a investigação. você aprendeu que existem procedimentos específicos para um estudo proveitoso. procede-se a sua leitura. sintetizando-o. 13 . Estes procedimentos permitem constatar se o assunto tratado na obra interessa aos propósitos do leitor. Concluída esta exploração inicial e constatado o interesse pelo material. o resumo (nas monografias) e as referências. Em outras. Veja a seguir como identificar a idéia principal em um parágrafo. algumas questões deverão ser feitas: De que trata o livro? Quem é o autor? Que informações o autor fornece sobre o livro? Quais os temas abordados? Quando o livro foi publicado pela primeira vez? As respostas a estas questões serão obtidas verificando-se o título e o subtítulo. inicialmente. matérias de jornal e textos acessados na internet. dividido em partes que vão sendo sucessivamente estudadas. a sua tarefa inicial é examiná-lo no todo. a introdução. O texto fica. ela se confunde com idéias secundárias. Além disso. assim. o sumário. é preciso entender que a unidade é uma parte do texto que apresenta uma totalidade de sentido. Como proceder? Para fazer o reconhecimento de um livro. o prefácio. findo o qual o leitor refaz o sentido total do livro. evitará perda de tempo com leituras injustificáveis face ao objetivo do estudo ou pesquisa. preocupação semelhante deve ocorrer. Para se estabelecer a unidade de leitura. pré-requisitos para um estudo aprofundado.

2001. Lembra Salomon (2000) que a idéia principal pode estar apenas nos elementos essenciais de uma oração. classificações etc. os detalhes significativos. procura justificá-lo para o leitor. p. sublinhados. que deverão ser. Explica Salomon: É comum os autores dedicarem uma parte introdutória e/ou a parte final para dar a idéia principal. p. (SALOMON. 37) “o sublinhar é uma estratégia que permite focalizar a atenção da pessoa no material que está lendo. 100). 97) Na produção científica. o autor. Deduzirá de idéias mais gerais as mais específicas. Segundo Rickards apud Boruchovitch e Mercuri (1999. É necessário que se tenha um primeiro contato com a unidade de leitura – parágrafo. No entanto. A frase final do parágrafo sintetiza a idéia. Quando for feita a segunda leitura.” 14 . Faz isto através de proposições que se relacionam dentro duma estrutura lógica de demonstração: numa proposição colocará a idéia principal e. destacar ou salientar.METODOLOGIA DA PESQUISA Na maioria dos casos. noutras. uma vez que não está investigando. os argumentos de sua comprovação. acompanhada de frases que a explicam e detalham. entretanto. capítulo. num momento posterior. desenvolve idéias dentro de uma ordem hierárquica: a mais geral para todo o trecho e as menos gerais apresentadas logo abaixo destas. que a frase que expressa a idéia principal venha ao final do parágrafo. Este exame inicial levará o leitor a captar o plano da obra. Como proceder ao encontrar as idéias principais? Como destacá-las no texto? Observe a seguir as principais técnicas para tal: sublinhar. Pode acontecer. Nos trabalhos científicos. isto é. Em torno dessa relação. as demais atribuições funcionarão como detalhes importantes ou como simples acessórios. as teses. p. os conceitos. os pontos de vista estão sempre comprovados ou justificados. buscar a idéia principal. demonstra. Expõe seu trabalho através de proposições nas quais são essenciais o sujeito (elemento causa) e o predicado (atributo do sujeito). A técnica de sublinhar Sublinhar é sinônimo de pôr em relevo. e sim comunicando. livro ou capítulo de livro? Já foi visto que o primeiro contato com o material de leitura consiste em fazer seu reconhecimento. É um procedimento muito usado pelos leitores. bem como revisar as idéias essenciais. 2001. livro – fazendo-se alguns sinais à margem. Como identificar a idéia principal em um artigo. (SALOMON. o sujeito e o predicado. ao expor o seu trabalho. o parágrafo se inicia por uma frase importante que traz a idéia principal. exige cuidados para que possa ser útil. A primeira recomendação a ser feita é não sublinhar durante a primeira leitura. utiliza o método dedutivo. Procura distribuir as idéias específicas pelos parágrafos. esquematizar e resumir. então. Ele informa. analisa. Este fato levará o leitor a identificar a idéia principal e as proposições que a comprovam ou justificam. Ao desenvolver o seu raciocínio. Quem escreve obedece a um plano. as afirmativas.

ordenando idéias principais e secundárias. enquanto que a aprendizagem fica prejudicada com marcações secundárias. sofrem a influência das crenças e atitudes do leitor. Explicam Boruchovitch e Mercuri quais são os objetivos da técnica de sublinhar: • reforçar a atenção para os elementos principais do texto. • seguir um critério lógico. facilitar a captação e compreensão da lógica do conteúdo e permitir uma rápida consulta ao conteúdo do texto. Pode apresentar listagens de conteúdo ou chaves como você verá no esquema apresentado ao final desta e de outrras unidades. aquelas a elas subordinadas e o inter-relacionamento de fatos e idéias. 15 . Salomon destaca as seguintes características de um bom esquema: • fidelidade ao texto • estrutura lógica • adequação ao assunto estudado • utilidade • cunho pessoal O esquema é útil para destacar o propósito do leitor. Pode ainda ser subdividido por algarismos romanos. como também do conhecimento que o leitor tenha das tarefas. códigos e palavras. • facilitar a releitura. • fazer esquemas que facilitem a compreensão do conteúdo. Os objetivos da técnica de sublinhar são específicos. Além disso. ou usar numeração progressiva como no esquema elaborado na Unidade 7 deste módulo. nem deve haver um excesso de informações.UNIDADE I Pesquisas têm demonstrado que a compreensão do texto aumenta quando são sublinhados trechos relevantes. letras ou simplesmente diferenciado por espaços. Deve ser organizado segundo uma seqüência lógica onde aparecem as idéias principais. também. dependerão não só de sua utilização adequada. • destacar o importante do acessório. Não devem ser sublinhados detalhes. a uma avaliação sobre a lógica do texto. Outro aspecto a observar é que as técnicas de estudo. A elaboração de esquemas exige a participação ativa do leitor na assimilação do conteúdo. variando de uma matéria para outra. para produzirem resultados. levando-o. É imprescindível que o leitor se pergunte: Por que e para que estou fazendo a leitura desse texto? A técnica de esquematizar O esquema é uma representação sintética do texto através de gráficos. Alguns cuidados devem ser tomados para sua elaboração: • só construir o esquema após a compreensão profunda do texto.

no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim. São normas práticas para elaborar um resumo: • só resumir após preparar o esquema ou anotações. Em linhas gerais. 2) Tratando-se de livro recente e havendo dúvida quanto a sua validade. 14). a técnica é a maneira mais adequada de se vencer as etapas indicadas pelo método. Verificar título. informações nas capas. a serem vencidas na investigação da verdade. prefácio ou introdução. 1986. O objetivo do resumo é abreviar as idéias do autor sem. editora. consultar seções de resenhas de livros em revistas especializadas e jornais. desde que este o faça separadamente. enquanto a técnica equivale à tática. consultar enciclopédias ou a opinião de um especialista no assunto. mais segura e perfeita. também extraído de Galliano (1986. 75): A orientação prática para a seleção prévia da leitura adequada ao estudo pode resumirse nos seguintes passos principais: 1) Examinar o livro que desperta o interesse. Tratando-se de obra clássica. e o resumo apresenta o texto de maneira condensada. a concisão de um esquema. Para se fazer um resumo é imprescindível a compreensão do texto lido. sublinhar e esquematizar. (GALLIANO. é uma técnica intermediária entre o resumo e o esquema. contudo.METODOLOGIA DA PESQUISA A técnica de resumir O resumo é uma condensação do texto. arte ou ofício. Apresenta as idéias essenciais e pode também trazer a interpretação do leitor. sumário ou índice. A principal diferença entre o esquema e o resumo reside no fato de que o esquema apresenta o texto em seqüência lógica e em ordem de subordinação. autor. Método é uma orientação geral constituída por um conjunto de etapas. resumo apresentado por Galliano (1986) correspondente a um trecho de duas páginas: Método e técnica não são a mesma coisa. • usar frases diretas e curtas. como já foi exposto neste texto. Para elaborar o resumo devem ser usados os mesmos procedimentos indicados para sublinhar e para elaborar esquemas. número da edição e data da publicação. • fazer as apreciações críticas e observações pessoais em separado. de maneira mais hábil. • apresentar sempre a referência completa do texto resumido. p. Por isso diz-se que o método equivale à estratégia. Saber resumir é uma técnica essencial para quem estuda e cumpre tarefas intelectuais. a seguir. O resumo esquemático Como o nome está dizendo. Técnica é um modo de realizar uma atividade. Observe o exemplo que se segue. Quando você considerar relevante. faça transcrições de palavras do próprio autor. bibliografia. colocando-as entre aspas e o número da página entre parênteses. Veja. É de suma importância saber encontrar as idéias principais e secundárias. 16 . p. ordenadamente dispostas.

Exercícios Com o objetivo de levá-lo a colocar em prática as técnicas recomendadas no texto “Técnicas de Leitura”. 17 . a disciplina do estudo e até um fluxograma de um plano de trabalhos acadêmicos. e utilizadas as técnicas de sublinhar. intitulado “A organização da vida de estudos na Universidade”. Enriqueça seu estudo ⇒ No capítulo I de Severino (2000). 2. objeto do próximo texto. destacadas as idéias principais e secundárias. 1. Analise-o. Elaborar um esquema em chave. Sublinhar as idéias principais e detalhes importantes.UNIDADE I Finalizo este texto esclarecendo que. tenho certeza de que você estará preparado para fazer uma leitura analítica. você encontrará considerações sobre os instrumentos de trabalho. 4. solicitamos que faça o seguinte exercício usando um texto de sua preferência dentre os indicados para o curso. Delimitar as unidades de leitura. 3. esquematizar e resumir. Fazer a 1ª leitura. uma vez selecionada a unidade de leitura.

fazer algumas anotações à margem. Nela se adquire uma visão de conjunto do pensamento e do estilo do autor. pode-se recomendar buscar no dicionário toda palavra desconhecida que aparece num texto. Análise textual A primeira leitura (você viu no texto anterior. consultando-se obras de referências tais como dicionários. De posse desses conhecimentos. Segundo Medeiros (2000. Em suma. portanto. [. históricos etc. 23). os pontos que exigem esclarecimentos para compreensão do texto: informações sobre o autor. um estudo de texto em profundidade. consultar as obras de referência. como fazer a leitura analítica. faz-se uma investigação para buscar as informações. p. o que pode ser verificado em obras de referência. mas devem-se assinalar. 18 . Ele divide a leitura analítica em três etapas: a análise textual. nas margens. é: • não sublinhar. Veja. como também dos termos geográficos. esquematizar e resumir. de modo a compreendê-lo. Concluída a leitura. agora.. encontra-se.] em princípio. enciclopédias. Às vezes. Você tem o hábito de consultar obras de referência? Elas são ferramental essencial para o fornecimento de informações. sentido das palavras desconhecidas. atlas geográficos e históricos. Nesta leitura nada se sublinha. em condições de fazer uma leitura analítica. ao terminar a leitura.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 3 A Leitura Analítica No texto “Técnicas de Leitura” você se familiarizou com a maneira de delimitar a unidade de leitura e com as técnicas de sublinhar. o significado de uma palavra desconhecida vem logo a seguir por um termo de sentido equivalente.. fatos históricos. aplicando as técnicas de leitura. lembra-se?) é o contato inicial com a unidade de leitura. outros autores citados etc. O esforço. ao se fazer a análise textual. Outro procedimento é experimentar descobrir o sentido da palavra no contexto. É a análise textual. • tentar encontrar o sentido dos termos novos pelo próprio texto.. para descobrir o sentido de um vocábulo parece constituir-se em valioso exercício para a ampliação do vocabulário. a seguir. Esta investigação é necessária pois a compreensão do texto depende não só do conhecimento do significado das palavras. isto é. a técnica a seguir. Inicialmente gostaria de esclarecer que existem diferentes nomenclaturas para designar as etapas da leitura analítica e que optei pela classificação usada por Severino (2000). em relação aos vocábulos. a análise temática e a análise interpretativa. apreender a mensagem do autor e fazer um julgamento sobre o mesmo. • se não conseguir.

enfim. Esse “escutar”. • tornar o texto mais acessível e a leitura mais enriquecedora.” Quando se faz a análise textual. o raciocínio do autor para demonstrar a tese? • Existem subtemas ou temas paralelos na unidade de leitura? Observe o que diz Galliano sobre a análise temática: [.. tornando-as menos cansativas.. é superar a estrita mensagem do texto. 70): “nunca se acomodar diante do termo desconhecido [. no entanto. é explorar toda a fecundidade das idéias expostas.UNIDADE I E. como bem diz Salomon (2001. Análise interpretativa Interpretar. p. não debate seus conceitos ou idéias. após esclarecidas as dúvidas. como o propósito da leitura é apreender o conteúdo. é mais importante esclarecer o vocabulário e as dúvidas sobre os termos do que mesmo a própria compreensão do texto. é cotejá-las com outras. Mas..” 19 . é “tomar uma posição própria a respeito das idéias enunciadas. é ler nas entrelinhas.] nela o estudante não “discute” com o texto. mecânico. é forçar o autor a um diálogo.] considere-o um desafio. além de permitir a elaboração de um esquema mais coerente e rigoroso. Análise temática É feita com o objetivo de levar o leitor a uma compreensão da mensagem veiculada pelo autor na unidade de leitura. 1986. se o propósito do estudo se restringisse à memorização das palavras ou frases. • Qual a argumentação. explica Severino. O segundo passo. Somente quando o estudioso estabelece o esquema de pensamento do autor. (2000. A análise temática. Seria passivo. Nessa etapa procura-se apreender o pensamento do autor sem nele intervir. 92). deverá ser procurar dados sobre o autor da obra. a tese do autor). Este procedimento é facilitado fazendo-se uma série de perguntas: • De que trata o texto? • Como está problematizado? Qual a dificuldade a ser resolvida? • Qual a posição do autor sobre o problema? Que idéia defende? (a resposta a esta questão revela a idéia principal. A análise textual oferece. p. deixar de esclarecer a dúvida no momento oportuno é sempre prejudicial. nada tem de mecânico. a análise temática estará terminada. as seguintes vantagens: • diversificar as atividades de estudo.. somente interroga-o e deixa que fale em resposta. 56). é a base para a obtenção de resumos que sintetizam as idéias do autor ao invés de serem apenas reduções de parágrafos. dentre outras. é dialogar com o autor. p. • oferecer informações e ampliar o conhecimento. o ato de “escutar” o texto envolve descoberta e reflexão por parte do leitor (GALLIANO.

• situar o autor no contexto mais amplo da cultura filosófica. na esfera mais ampla do pensamento geral do autor. um produtor de conhecimento. Exercícios No texto “A Leitura Analítica” você obteve uma visão sobre a leitura analítica.METODOLOGIA DA PESQUISA Diferentemente das análises textual e temática. Selecione um texto de sua preferência e realize a seguinte atividade: · leitura analítica do texto. • fazer crítica pessoal às posições defendidas no texto. Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo o texto “Processo de leitura crítica da palavra escrita”. 20 . com base científica. concluindo o exercício com uma síntese pessoal. 2000). poderá ampliar os aspectos que a análise do texto suscitou e fazer novas proposições. desde que ele se fundamente em argumentos convincentes. nas quais o leitor “ouve o autor” mas não interfere. temática e interpretativa. do leitor crítico. na análise interpretativa o leitor assume uma posição própria. cuja vivência pessoal do problema deverá ter alcançado nível que possibilite o debate da questão. Concluídas todas as etapas da leitura analítica. uma avaliação do texto em função de sua coerência interna e da originalidade e contribuição à discussão do problema. fase mais delicada da interpretação e que exige maturidade intelectual do leitor. A análise interpretativa tem papel primordial na construção do leitor sujeito. cumprindo todas as etapas e procedimentos indicados na análise textual. Tudo indica que se encontra em condições de aplicar em situações concretas os conhecimentos apreendidos. Neste texto os autores trazem subsídios que aprofundam o tema “Leitura analítica” (LUCKESI. Não esqueça de colocar no início do trabalho a referência do texto lido. não assume uma posição pessoal perante o texto em estudo. • formular um juízo crítico. Estará apto a elaborar uma síntese pessoal que se apóia na retomada de pontos levantados nas etapas anteriores e culmina com a contribuição pessoal do leitor para o tema. o leitor encontra-se em condições de se tornar um leitor-autor. • explicitar os pressupostos que o texto implica. Severino subdivide-a nas seguintes etapas: • situar o pensamento desenvolvido na unidade.

debates. toda informação apresentada sob a forma de textos. O que deve ser documentado? Tudo que for do interesse e que oferecer importância e utilidade na área acadêmica ou profissional do estudante pode ser documentado: leituras. apenas. 1986. comunicada de forma oral. 21 . acrescenta ainda a vantagem de ser prática (quando bem feita) e estar sempre à disposição. nas leituras indicadas. pedra ou outros recursos. Vou dar. através de técnicas de impressão. A documentação pessoal supre a necessidade da informação prévia até mesmo para orientar a pesquisa em outras fontes de consulta. procure ampliar as informações.UNIDADE I Texto 4 A Documentação Pessoal Chegamos à última etapa desta unidade. Existem centros especiais de documentação. Apesar de os estudiosos terem a sua disposição as editoras. visual ou gestual. escrita. estes procedimentos variam de pessoa a pessoa. dos computadores. madeira. algumas sugestões de ordem geral. Como documentar? A maneira mais indicada é fazer registros em fichas e organizá-las em fichários. é um documento. as livrarias. fixada em um suporte material. armazenada em papel. a informática está introduzindo novos procedimentos. hoje enriquecidos com a chegada da informática. mapotecas. gravação etc. palestras etc. Se for do seu interesse.” Nesse sentido. este último texto trata especificamente da documentação pessoal. 109) que “documentação é [também] toda informação sistemática. arquivos. as informações da rede de computadores. como fonte durável de comunicação. bancos de dados. das redes mundiais de informação. Explica Chizzotti (2000. estabelece um diálogo permanente com a memória e estimula constantemente a criatividade intelectual. 99). imagens ou outros meios. em especial as fichas e sua organização em fichários.. p. os arquivos das instituições. Atualmente. pintura. A tudo isso. museus. recomenda-se sempre que forme sua própria biblioteca e organize a sua documentação pessoal. sinais. idéias pessoais. (GALLIANO. tais como bibliotecas. A documentação é a ciência que trata não só da organização como do manuseio da informação. tendo até agora abordado as técnicas para aperfeiçoar suas habilidades de estudo e leitura. p.

São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas. devido às facilidades que elas oferecem para manipulação e arquivamento. 48). por serem mais suaves do que o de desmonte.] é ainda um homem rural em processo lento de urbanização. 152 p.. Veja o que diz Cervo (1996. deles não se distanciando notavelmente em nenhum aspecto: vestuário. A seguir você terá oportunidade de analisar diferentes tipos de fichas adaptadas de Lakatos: a) Ficha de citações Neste tipo de ficha são reproduzidas frases e parágrafos inteiros ou parte deles.” (p. por homens.METODOLOGIA DA PESQUISA As fichas permitem ao estudante guardar com exatidão dados coletados em diferentes fontes e que servirão para o seu estudo. ed.] indica a supressão de partes do texto.” (p. 7).” (p. o garimpeiro apresenta-se.] e sua organização é mais ou menos influenciada pelos padrões que já existem em nossa cultura para agrupamentos dessa natureza. 1965. 22 . ainda. “A característica fundamental no comportamento do garimpeiro [. Marina de Andrade.1978. em geral. dos respectivos conteúdos. como agente de integração nacional. Normalmente abrangem indivíduos de um só sexo [. uma introdução à antropologia. “[. São Paulo: Martins. “Os trabalhos no garimpo são feitos.” Lakatos (2001) faz um estudo bastante detalhado sobre fichas e fichários. desbravador e. 5... “O garimpeiro [. 26). Apresenta. alimentação. procedimentos e modelos de fichamentos. 111). desde os tempos coloniais. tipos de fichas (com exemplos concretos dos mesmos) etc. O homem... Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. O sinal [. 73) sobre a técnica de fichamento: “Aquele que tiver suficiente paciência para realizar estas tarefas cansativas com esmero terá a grande satisfação de constatar que seu esforço será compensado ante a facilidade com que poderá proceder à redação de seu trabalho: basta dispor todas as fichas referentes a um mesmo assunto sobre a mesa. com métodos de vida pouco diferentes dos habitantes da cidade.” (p.” (p.. da composição. p. aparecendo a mulher muito raramente e apenas no serviço de lavação ou escolha de cascalho. de resumo e analítica. sob certa forma. vida familiar. Ralph. 130). Neste texto. p. “Entre os diversos tipos humanos característicos existentes no Brasil.] é a liberdade. É preferível o uso de fichas a cadernos. Aborda a questão do aspecto físico. A utilização de fichas e sua organização em fichários é de importância excepcional para os estudiosos que nelas encontrarão os subsídios necessários à elaboração de suas tarefas e seus estudos..] indivíduos [os garimpeiros] que reunidos mais ou menos acidentalmente continuam a viver e trabalhar juntos.. 47) (LINTON.. Existem diferentes tipos de fichas segundo os objetivos a que se destinam e que recebem diferentes denominações. adotei a nomenclatura usada por Lakatos (2001): ficha de citações.. como um elemento pioneiro. MARCONI.

Finaliza com um glossário que esclarece a linguagem especial dos garimpeiros.]. 1978.UNIDADE I Ao elaborar a ficha devem-se tomar alguns cuidados: • aspear as citações. como conseqüência de sua atividade.] “Este instrumental de trabalho do estudante é utilizado através de técnicas especiais de leitura e fichamento que serão vistas nos próximos textos.. De qualquer maneira. • quando forem suprimidos parágrafos de uma mesma página. b) Ficha resumo (de conteúdo) MARCONI. comprova a predominância da consulta aos curandeiros e aos medicamentos caseiros. Quando a frase transcrita tiver sido extraída de outra obra. indicando que alguns garimpeiros do local executam o trabalho do garimpo em fins de semana ou no período de entressafra. deve-se citar entre parênteses a referência bibliográfica. em parte. Faz um levantamento de crendices e superstições. Os verbos devem ser ativos.. livros.. indicando as diferenças entre ranchos da zona rural e casas da zona urbana. em uma abordagem econômica e sócio-cultural. Marina de Andrade. sua correlação principalmente com as atividades agrícolas. Lá se encontram obras de referência geral. A análise econômica abrange ainda o nível de vida como sendo.] “As universidades e outras instituições possuem bibliotecas. após cada citação. o estudante deve frequentá-las. não é longa. Aponta a influência dos sonhos nas práticas diárias. A ficha de resumo apresenta a essência do texto numa sintaxe elaborada pelo leitor.. Considera adequados a alimentação e os hábitos de higiene. Faz referência ao tipo de família mais comum – a nuclear – aos laços de parentesco e ao papel relevante do compadrio. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas. Dá especial destaque à descrição das fases da atividade de garimpo incluindo as ferramentas utilizadas. Apresenta a hierarquia de posições existentes e os tipos de contrato de trabalho que diferem do rural e o respeito do garimpeiro à palavra empenhada. No que respeita à saúde. explorá-las. Enfatiza as atividades econômicas da região em que se insere o garimpo. teses de doutorado etc. deixar uma linha em branco com o sinal [. superior ao do egresso do campo e a descrição das casas e seus equipamentos. desde a fundação do povoado até a constituição do município. sendo. Descreve um tipo humano característico. Aponta o sentimento de liberdade do garimpeiro e justifica seu nomadismo. Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. tanto dos garimpeiros quanto de suas famílias. Sob o aspecto sócio-cultural demonstra a elevação do nível educacional e a mobilidade profissional entre as gerações: dificilmente o pai do garimpeiro exerceu essa atividade e as aspirações para os filhos excluem o garimpo. dissertações de mestrado.14). embora em algumas delas o acervo seja limitado e pouco renovado. trabalhadores agrícolas. periódicos. • indicar. Só colocar o número da página ao final da última citação. com especial destaque ao que se refere à atividade de trabalho. conforme o exemplo a seguir: [. o garimpeiro. apesar da maioria residir na área urbana. 152 p. como se pode observar no exemplo de ficha citação. de modo geral. portanto.” [. Enfoca aspectos geográficos e históricos da região. Embora seja mais detalhada do que a ficha bibliográfica.. 23 .. Pesquisa de campo que se propõe a dar uma visão antropológica do garimpo em Patrocínio Paulista. o número da página.” (p.

152 p. 24 . Exercícios 1. Os dados. e o citadino. Marina de Andrade. Tal harmonia difícil e às vezes não encontrada em todas as obras dá uma feição específica ao trabalho e revela sua importância. faça a leitura da parte III (Documentação) do livro de Chizzotti (2000). nesta primeira unidade. caracterizam sua originalidade. e evidenciando a colaboração que o garimpeiro tem dado não apenas à cidade de Patrocínio Paulista. Esta análise pode ser feita em relação: • ao conteúdo • à forma de apresentação • a outras obras etc. pois o fruto de seu trabalho extrapola o município. tanto das atividades de garimpo quanto do comportamento e atitudes ligadas ao mesmo. ao lado de quem vive. O principal mérito é ter dado uma visão global do comportamento do garimpeiro. Carece de uma análise mais profunda da inter-relação entre o garimpeiro e o rurícola. que difere da apresentada pelos escritores que abordam o assunto. Caracteriza-se por uma coerência entre a parte descritiva. Como está claro no exemplo. ⇒ Muito oportuna também é a leitura do texto Fichas. conscientizar você da necessidade de utilizar uma metodologia de trabalho especialmente voltada para o ensino individualizado e fundamentada em técnicas de estudo. Foi dado especial destaque à fidelidade das denominações próprias. embora você possa recorrer ao tutor. Esta postura é particularmente necessária nos cursos a distância.METODOLOGIA DA PESQUISA c) Ficha analítica (de comentário ou crítica) MARCONI. Foi intenção. com o emprego do formulário e entrevistas. Enriqueça seu estudo ⇒ Se você desejar conhecer mais sobre o tema documentação. resumo e analítica) com base em um dos textos indicados para o curso ou outro mais acessível a você. nos quais. mas a outras regiões. o seu processo de aprendizagem ocorre na maioria das vezes de maneira solitária. Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. sistematização e aproveitamento. mais superficiais em suas análises. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas. o leitor realiza uma interpretação crítica neste tipo de ficha. elas ajudarão a desenvolver estudos com maior racionalidade. 1978. encontrado no livro de Lakatos (2001). obtidos por levantamento próprio. Essencial na análise das condições econômicas e sócio-culturais da atividade de mineração do Nordeste Paulista. Elabore três diferentes tipos de fichas (citação. entre a consulta bibliográfica e a pesquisa de campo. em cujo ambiente às vezes trabalha.

rede de computadores biblioteca pessoal palestras encontros seminários congressos mesas-redondas outros Aspectos a considerar no ato de estudar: domínio das técnicas de leitura programação das atividades divisão do tempo Técnicas de Leitura Propósito da leitura: investigação crítica comparação verificação ampliação/integração de conhecimentos Procedimentos para identificar as idéias principais do autor: fazer leitura integral estabelecer unidades de leitura sublinhar esquematizar resumir A Leitura Analítica Leitura analítica Estudo aprofundado do texto: compreensão apreensão julgamento Classificação das etapas da leitura analítica Análise: textual temática interpretativa A Documentação Pessoal Documentação pessoal Documentação pessoal: fichas e fichários Vantagens da documentação pessoal O que documentar Como documentar 25 .UNIDADE I Esquematizando... O Ato de Estudar Para desenvolver { o espírito crítico a prática de trabalho técnico { é necessário adquirir o hábito de estudos sistemáticos e eficientes através da utilização de métodos e técnicas adequados O ensino superior exige do estudante: autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa. apoiado em material didático e científico Recursos de aprendizagem: bibliotecas de universidades. crítica e criativa projeto de trabalho intelectual individualizado. de outras instituições etc.

O Conhecimento como Forma de Compreensão e Transformação da Realidade

Guia de estudo
ASSUNTO 1. Concepção e formas de conhecimento: empírico, científico, filosófico e teológico 2. Ciência: fato, fenômeno e teoria. Papel da teoria e do fato na construção do conhecimento OBJETIVOS ESPECÍFICOS Distinguir o conhecimento científico de outras modalidades do conhecimento, essencial para entender a realidade

Carga horária: 04h

TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 5 "Concepções e formas de conhecimento" Exercícios Estudo do texto 6 "Fatos e teorias na construção do conhecimento" Exercícios

Reconhecer o papel que desempenham fatos e teorias na construção do conhecimento Enriqueça seu estudo

Unidade II

METODOLOGIA

DA

PESQUISA

Texto 5
Concepções e Formas de Conhecimento
Os primeiros textos deste módulo mostraram que o estudioso necessita se apoiar em instrumental teórico-metodológico para desenvolver seus conhecimentos não somente durante o curso universitário, mas também por toda a vida profissional. Nesta unidade (adaptada de Zentgraf, 1997b), você refletirá sobre o papel do conhecimento para a compreensão e transformação do mundo. Se não tivéssemos a capacidade de conhecer e de compreender, viveríamos submetidos às leis da natureza, impossibilitados de transformar o mundo para atender às nossas necessidades. A compreensão do mundo ocorre tanto em situações simples do cotidiano quanto nas complexas, em instituições e laboratórios científicos. O conhecimento se revela de forma teórico-prática. Luckesi (2000) destaca os seguintes aspectos em relação ao conhecimento: • é social, é o indivíduo relacionado a outros que encontra saídas para os problemas da realidade; • é histórico, para solucionar impasses da atualidade contamos com a contribuição do passado; • é um modo de “iluminação da realidade”, mesmo quando se dá através de uma explicação mágica; • é necessário para o progresso, para o atendimento às necessidades do ser humano; • pode ter uma função de libertação ou de opressão. A realidade pode ser abordada de diferentes maneiras. Veja um exemplo adaptado de Cervo (1996) que ilustra o que acabo de afirmar: se desejássemos obter um maior conhecimento sobre o homem, como deveríamos proceder? Poderíamos analisar o seu aspecto externo, a sua aparência e dizer coisas a partir de nossa experiência cotidiana ou do bom senso; ou então, investigar experimentalmente as relações entre seus órgãos e respectivas funções; ou ainda, questionar a sua origem, sua liberdade e, finalmente, o que dele foi dito por Deus. Neste exemplo, o pesquisador se depara com quatro diferentes abordagens do conhecimento: • conhecimento empírico ou popular • conhecimento científico • conhecimento filosófico • conhecimento teológico Vamos analisar, a seguir, algumas características dessas diferentes abordagens.

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O conhecimento filosófico Difere do científico pelo objeto de investigação e pela metodologia. Difere também do conhecimento popular pelos métodos e instrumentos de apreensão do conhecimento. Quanto ao objeto da filosofia. não deve ser menosprezado. Descartes e outros estudiosos. refere-se a vivências. assim. o próprio sujeito organiza suas experiências. p. sem observação metódica ou de simples transmissão de geração em geração. isto é. explica Cervo (1996. não chegando à essência das coisas. pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável. Bacon.10). • é sensitivo. as hipóteses não comprovadas não constituem conhecimento científico. Verifica-se. casuais. Explica Lakatos (1995. Apesar dessas restrições. Pode resultar de experiências repetidas. nem por isso. com sua metodologia objetiva e rigorosa. sua composição. • é acrítico. e é falível. o objeto da ciência são os dados próximos.UNIDADE II O conhecimento empírico Também chamado vulgar. é obtido ao acaso. no exemplo dado. • é subjetivo. uma vez que não é um conhecimento definitivo. Como vimos. não só pela razão. não perceptíveis pelos sentidos e que. perceptíveis pelos sentidos ou por instrumentos. novas pesquisas e proposições podem rever a teoria existente. o senso comum. é necessário ir mais além: conhecer a natureza dos vegetais. formando teorias. lida com fatos. deve ser irrigada. Galileu. Daí para cá o desenvolvimento da ciência foi-se acelerando continuamente e hoje. seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie de outra. científico. se não a receber de forma “natural”. propriamente dita.” 29 . p. É sistemático. o conhecimento vulgar. É um conhecimento real. ocorreu nos séculos XVI e XVII com Copérnico. O conhecimento científico A revolução científica. e verificáveis pela experimentação. não se pretende uma organização das idéias. ultrapassam a experiência. • é assistemático. Difere do conhecimento filosófico porque suas proposições ou hipóteses são testadas pela experimentação. Apresenta as seguintes características: • é superficial. é um saber ordenado logicamente. de chegar à verdade. constitui a base do saber e é bastante anterior ao aparecimento da ciência. mas. por serem de ordem supra-sensível. não há a preocupação de análise. é basicamente a forma de observação. 14): Saber que determinada planta necessita de uma quantidade “X” de água e que. “é constituído de realidades mediatas. conforma-se com a aparência. a emoções da vida cotidiana. É verificável. abrange pesquisas em todas as áreas do mundo físico e humano. que a diferença entre o conhecimento popular e o científico. Para que isso ocorra. baseado na experiência da vida cotidiana.

] Isto. Como. pois suas hipóteses constituem uma representação coerente da realidade. Lakatos (1995. é racional porque seus enunciados são logicamente relacionados. para isso. Isto porque o problema da verdade radica na finitude do homem.. são verdades infalíveis. 12): Todos falam. não invalida o esforço humano na busca da verdade. A filosofia questiona os conhecimentos científicos e técnicos. e isto graças. e na complexidade e ocultamento do ser da realidade. vimos que a realidade é misteriosa. Apóia-se em doutrinas cujas proposições são sagradas por terem sido reveladas pelo sobrenatural. a totalidade do objeto da realidade investigada.. os fatos e problemas que envolvem o homem concreto: O progresso técnico beneficia a humanidade? O que é valor. pode o homem chegar à verdade? Vejamos o que diz Cervo (1996. rumo à abertura do ser. discutem e querem estar com a verdade. [.. isto implica atenção. p.. aos instrumentos científicos de que o homem se serviu para perceber e ver o que os sentidos jamais teriam visto. não é.] O desvelamento do ser das coisas supõe. na procura incansável de decifrar os enigmas do universo. enigmática e através da compreensão do entendimento ela se revela ao homem. É o resultado da fé humana na existência de uma ou mais divindades. bons instrumentos.] 30 . [... então.] O método e os instrumentos são a alma de toda a pesquisa científica. evidências nunca postas em dúvida nem verificáveis. da seguinte maneira: “de um lado. Verdade-Evidência-Certeza Ao tratar do conhecimento. em certas áreas. certamente.. de outro lado. bons sentidos. necessita saber como chegar à verdade. [.METODOLOGIA DA PESQUISA O conhecimento filosófico é valorativo. e isto é inegável. Nenhum mortal.. pois parte de hipóteses não verificáveis. os cientistas buscam. hoje? O conhecimento teológico É um conjunto de verdades aceitas pelos homens a partir da revelação divina. que aparece em dado momento. em suas pesquisas. [. o estudioso terá condições de refletir e se posicionar sobre o mesmo. o homem já entendeu bastante daquilo que o ser é e manifesta: a conquista tecnológica. as posições dos teólogos fundamentam-se nos ensinamentos de textos sagrados. e é sistemático. p. porém.” Sabedor das diferentes maneiras de aquisição do conhecimento. [. Apresenta respostas a questões não respondidas pelas outras modalidades do conhecimento. à manifestação do ser ao conhecimento da verdade. porém. a capacidade do homem de receber as mensagens. as viagens espaciais mostram quanto já foi aprendido. 17) exemplifica a abordagem dos teólogos em contraposição à dos cientistas frente à evolução das espécies. [.. de outro.. fatos concretos capazes de comprovar (ou refutar) suas hipóteses. Vimos também que o homem procura entendê-la de diferentes maneiras e suas limitações dificultam a compreensão da realidade que é múltipla e complexa. é o dono da verdade. tema da próxima seção.] Pode-se dizer que. Procura compreender a realidade no contexto mais universal e o sentido de tudo que envolve o homem.. de um lado..] Aquilo que se manifesta. certamente. Mas.

é transparência. terá chegado à verdade sobre um determinado objeto. pode-se dizer uma verdade. como nem tudo se desvela de um ente. O que entender pelas palavras de Cervo? Analise a partir de um exemplo: muitas vezes. 14) A certeza é o estado de espírito que consiste na adesão firme a uma verdade. p. Para que a verdade. no desvelamento do ser. que se manifesta. não condizem com a ciência. terá certeza sobre o que estudou. Esse estado de espírito se fundamenta na evidência. A evidência. o desvelamento. se o objeto se desvela ou se manifesta com suficiente clareza. 31 . apareça. a verdade? É o encontro do homem com o desvelamento.... 13): O que é.] Relacionando o trinômio [verdade. através da representação do mesmo e das impressões que ele provoca. À medida que novas impressões forem aparecendo. A respeito daquilo que se manifesta do ser. se o pesquisador tiver chegado a evidências. poderá fazer afirmativas sem temor de engano. 1996. O espírito científico requer do pesquisador uma mente objetiva. Muitas vezes. novos aspectos do objeto vão se tornando claros mas a totalidade nunca será atingida. ao chegar aos resultados e conclusões do mesmo. crítica e racional. Como está claro. é desocultamento e desvelamento do ser. o iniciante em pesquisas desenvolve um trabalho e. Há uma certa conformidade (grifo nosso) entre o que o homem julga e diz e aquilo que do objeto se manifesta. a dúvida e a opinião. Por outro lado. é necessário que ocorra a evidência. Soluções parciais. com o desocultamento e com a manifestação do ser. uma verdade. pois.. essencial ao pesquisador. utilizando uma metodologia e instrumentos inadequados.UNIDADE II Este trecho de Cervo leva-nos a refletir sobre o conhecimento científico e seus condicionantes: o rigor e o método. Em muitas ocasiões. certeza] poder-se-ia concluir dizendo: havendo evidência.] Pode-se dizer que há verdade quando o homem (inteligência) percebe e diz o ser que se desvela. faz afirmações que não se referem às questões que pesquisou: portanto. (CERVO. meias verdades. O que é a evidência? Evidência é manifestação clara. isto é. imperfeito. E continua Cervo (p. evidência. E o que é a certeza? Explica Cervo (p. como o de Ptolomeu. não se pode falar arbitrariamente sobre o que não se desvelou. 14). [. o homem. Mas. o homem pode conhecer o objeto de modo humano. pois. a utilização de instrumentos adequados e o espírito científico. isto é. pode-se afirmar com certeza. a verdade absoluta e total nunca será conhecida pelo homem. por falta de evidências que conduzam à certeza. ao afirmar o geocentrismo. sem temor de engano. mesmo parcialmente. sem temor de engano. não tem evidências que demonstrem a veracidade de suas palavras e está falando de maneira arbitrária sobre o que não desvelou na sua pesquisa. a manifestação do ser é. [. o critério da verdade. chega a conclusões que não correspondem aos fatos e incide em erro. outras situações se manifestam: a ignorância. Ao longo da história são muitos os exemplos de erros.

trata-se. A dúvida universal consiste em considerar toda asserção como incerta. [. [. entretanto. do assentimento a uma asserção tida até então por certa para lhe controlar o valor.. A opinião é uma afirmativa sobre um objeto.] A dúvida é um estado de equilíbrio entre a afirmação e a negação.. A dúvida é espontânea quando o equilíbrio entre a afirmação e a negação resulta da falta do exame do pró e do contra. O progresso das certezas científicas produz. não por serem verdadeiras. 14). um dogma.] Então. Imbuído do espírito científico que se constrói ao longo da vida. o progresso da incerteza.] Podemos até dizer que. o que faz que uma teoria seja científica. perdemos o trono da segurança que colocava nosso espírito no centro do universo: aprendemos que somos. 24). nós cidadãos do planeta Terra.METODOLOGIA DA PESQUISA Veja como Cervo se manifesta sobre esses estados de espírito: Ignorância é um estado puramente negativo. entretanto. de rupturas. Uma doutrina. (p. de Newton a Bohr. da evidência.. Quer seja a dúvida refletida. [. de passagem de uma teoria para outra. [. certeza de que a tese está definitivamente provada). mas também de transformações. da verdade. se não for a sua “verdade”? Popper trouxe a idéia capital que permite distinguir a teoria científica da doutrina (não científica): uma teoria é científica quando aceita que sua falsidade possa ser eventualmente demonstrada. As teorias científicas são mortais e são mortais por serem científicas. (p. de Laplace a Hubble. mas por serem as mais adaptadas ao estado contemporâneo dos conhecimentos. ele próprio exilado no entorno de uma galáxia também periférica de um universo mil vezes mais misterioso do que se teria podido imaginar há um século. 32 . uma incerteza “boa”. Quem emite uma opinião tem medo de se enganar porque os argumentos em contrário são fortes e o sujeito não tem evidências suficientes para refutá-los. de uma etapa essencial à compreensão do conhecimento. mas sempre provisória... mas sem certeza. O progresso das certezas científicas. A dúvida metódica consiste na suspensão fictícia ou real. 22). encontram neles mesmos a autoverificação incessante (referência ao pensamento sacralizado dos fundadores. é oportuno trazer à nossa reflexão alguns trechos retirados de Morin (1999): A evolução do conhecimento científico não é unicamente de crescimento e de extensão do saber.. (p. de posse de instrumental metodológico e pesquisando a verdade com rigor e seriedade. As definições de Cervo sobre os diferentes tipos de dúvida deixam bastante claro que ela é um estado de espírito bastante útil e necessário para o conhecimento científico. que consiste na ausência de todo conhecimento relativo a qualquer objeto por falta total de desvelamento. os suburbanos de um Sol periférico.] O conhecimento científico é certo. A dúvida refletida é o estado de equilíbrio que permanece após o exame das razões pró e contra. sem dúvida. 23).. A visão que Popper registra com relação à evolução da ciência vem a ser a de uma seleção natural em que as teorias resistem durante algum tempo. portanto. quer seja a dúvida metódica. (p. na medida em que se baseia em dados verificados e está apto a fornecer previsões concretas. É a dúvida dos céticos.. de Galileu a Einstein. que nos liberta de uma ilusão ingênua e nos desperta de um sonho lendário: é uma ignorância que se reconhece como ignorância. o estudante tornarse-á apto a enfrentar e solucionar os problemas que se apresentam na vida profissional. Finalizando este texto. não caminha na direção de uma grande certeza.

leia as três questões a seguir: a) Você concorda com Morin quando ele afirma que a evolução do conhecimento científico pode não ser apenas crescimento do saber. leia o texto “O conhecimento científico”. que leva o leitor a refletir sobre questões éticas ligadas à pesquisa. O que distingue o conhecimento popular do conhecimento científico? Exemplifique. Quais as características do conhecimento. Por que o conhecimento religioso é considerado infalível para os crentes e suas evidências não são verificáveis? 6. A teoria de Ptolomeu é chamada de geocentrismo e a de Copérnico. Se desejar. Procure e recorte exemplos das quatro modalidades que você analisou no texto estudado. Jornal é uma fonte de conhecimentos em suas diferentes modalidades. matéria publicada no Jornal do Brasil. à luz do referencial teórico no texto: “No século II. Copérnico concluiu que o Sol estava no centro do universo e a Terra juntamente com os demais planetas estavam envolvidos por uma ‘esfera de estrelas fixas’. 33 . fundamentando-se em suas próprias observações e analisando estudos de astrônomos. uma vez que. 8. Nicolau Copérnico contestou a teoria de Ptolomeu. Quais as principais diferenças entre o conhecimento filosófico e o científico e como essas diferenças repercutem na metodologia empregada por filósofos e cientistas? 5. Concluída a análise. apresente por escrito suas conclusões. ⇒ Recomendo também a leitura de Zaluar et al.evidência – certeza Enriqueça seu estudo ⇒ Para complementar os conteúdos relativos ao objetivo desta unidade. Claudio Ptolomeu formulou a teoria de que a Terra era o centro do universo. mas a Terra e os demais planetas giram ao seu redor”. siga o seguinte roteiro: conhecimento conhecimento científico verdade . ocorre uma ruptura com o conhecido? b) A idéia defendida durante a Idade Média ocidental de que a Terra era plana era um dogma ou uma teoria? c) Como o progresso das certezas científicas pode produzir o progresso da incerteza? Exercícios Com o auxílio do texto responda às questões: 1. De que maneira diferentes formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa? 7. de heliocentrismo. (2000). encontrado no livro de Köche (2001). segundo Luckesi? 3. 4.UNIDADE II Para orientá-lo em suas reflexões. em muitas ocasiões. com os planetas e o Sol girando ao seu redor. Hoje sabemos que o Sol não é o centro do universo. Somente no século XV. Analise a situação apresentada a seguir. De que maneira o Homem desafia os mistérios que o Mundo lhe oferece tornando-o um mundo cultural e transformando-o para atender as suas necessidades? 2.

Dentre os autores adotados neste curso. objeto desta disciplina. dentre os quais o de Ander-Egg: “A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais.a lógica e a matemática b) factuais . 19) Entretanto. são precisos sacrifícios enormes [. São características das ciências: a) objetivo ou finalidade . com o mundo real que se oculta. b) função . leis e teorias. no diálogo que a atividade científica estabelece com o mundo dos fenômenos. química. é preciso citar que. c) objeto • material . p. Para que haja uma aproximação e um diálogo entre a inteligência do homem e a realidade ou a natureza do mundo.tudo aquilo que se pretende conhecer ou verificar.enfoque especial das diversas ciências frente ao mesmo objeto material. Lakatos (1995) serviu de orientação para o desenvolvimento deste texto.. em especial o conhecimento científico. a ele outros cientistas se seguiram.. velado. A grande diversidade de fenômenos que ocorrem no universo levou o homem a estudá-los dividindo-os em diversos ramos ou ciências específicas que têm sido grupadas de acordo com sua complexidade ou de acordo com seu conteúdo. obtidos metodicamente.antropologia cultural. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. Ela apresenta e analisa diversos conceitos de ciência.física. 34 . economia. apresenta a seguinte classificação para as ciências: a) formais .ampliar e aperfeiçoar a relação do homem com a realidade através do conhecimento. • formal .” (LAKATOS. 58): A ciência não é uma operação de verificação das realidades triviais. sociologia e outras. há um problema de sacrifício de ambas as partes. fatos. Em contrapartida. baseando-se em Bunge. Augusto Comte foi um dos primeiros a apresentar uma classificação para as ciências. política. p. ela é a descoberta de um real escondido ou. certos ou prováveis. sistematizados e verificáveis.distinguir características comuns. Neste texto você e eu faremos algumas reflexões sobre ciência.divididas em dois grupos • naturais . direito. psicologia social. Lakatos (1995). 1995.]. fenômenos. devemos ter em mente o que afirma Morin (1999.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 6 Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento No texto anterior foi abordado o conhecimento. como diz Espagnat. leis e princípios que regulam os eventos. biologia e outras • sociais .

dentre as quais interessam ao presente estudo: “coisas que existem no espaço 35 . 40). são pontes entre a observação da realidade e a teoria científica. estudam fatos que se supõe ocorrer na realidade e. sistemático e racional dos fatos. 25). as ciências formais estudam as idéias e as ciências factuais estudam os fatos. As reflexões já desenvolvidas ao longo desta unidade encontram-se resumidas na seguinte passagem: [. As segundas. Observe o que escreve Morin (1999. que explica a realidade. Consiliência”. Wilson afirma que há condições de superar a situação atual e reunir os vários campos do conhecimento. Wilson.UNIDADE II A diferença básica entre os dois grandes grupos reside no objeto de estudo.] a finalidade da atividade científica é a obtenção da verdade. pela ótica da ciência futura. Em conseqüência. Segundo Godoy. O. O termo consiliência é antigo. Não é outra a posição do cientista Edward. cada vez mais tende-se a ultrapassar. detectando erros e auxiliando as decisões do cientista. abrir.. O que são fatos? Segundo Cohen e Nagel. as especializações. A demonstração é final. representava a idéia de uma só ciência defendida por iluministas na metade do século XIX. citados por Lakatos (1995. as competências devam dissolver-se. não têm relação com fatos da realidade e em conseqüência “não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas” (LAKATOS. Nesse sentido. O método é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que. p. chegam ao conhecimeto da realidade. em toda parte. como a física. com maior segurança e economia. 1995. por exemplo. Mas. como a matemática. Isso não significa que as distinções. englobar as disciplinas. Isso significa que um princípio federador e organizador do saber deve impor-se. através da comprovação de hipóteses que. comprovando ou refutando suas hipóteses. p. como um momento de sua pré-história. 27). Outro aspecto a destacar é que as ciências formais podem demonstrar ou provar. permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –. p. a palavra fato pode referir-se a coisas diferentes. 10): A pré-história da ciência ainda não está morta no fim do século 20. As primeiras.. enquanto as factuais verificam. podem usar a observação e a experimentação para testar suas hipóteses. p. e elas aparecerão. Não se pode falar dos ramos das ciências sem enfocar a posição de cientistas que se opõem a um excesso de especializações. As ciências factuais. (LAKATOS. 1995. traçando o caminho a ser seguido. como mostra Godoy (1999). o argumento central do cientista é de que o trabalho mental é produto de atividades psicoquímicas do cérebro e suas interações com o corpo humano. através do estudo metódico. então. ao comentar o livro traduzido do cientista “A unidade do conhecimento. usam a lógica. por sua vez. enquanto a verificação é provisória. as ciências exatas são necessárias para o desenvolvimento das ciências sociais e humanas.

A ciência não se preocupa com casos individuais e sim com generalizações. Explica Lakatos (1995. [. teoremas e axiomas”. no seio de uma comunidade..89) que. através das generalizações empíricas e das inter-relações entre afirmações comprovadas. baseando-se em fatos e relações já conhecidos. não produziria a ciência. o desenvolvimento cientifico é “uma inter-relação constante entre teoria e fato. princípios. d) a teoria serve para. b) a teoria serve como sistema de conceptualização e de classificação dos fatos. citados por Lakatos. Esta conceituação leva a concluir que teoria e fato são os objetos de estudo dos cientistas.]” Veja o exemplo a seguir: a convivência de indivíduos heterogêneos. e) a teoria serve para indicar os fatos e as relações que ainda não estão satisfatoriamente explicados e as áreas da realidade que demandam pesquisas. leva à estratificação. prever novos fatos e relações. os aspectos invariáveis comuns a diferentes fenômenos. em virtude das quais uma proposição é verdadeira. Verifica os fatos particulares para. regras. A função da hipótese é chegar aos fatos. através deles. em outras palavras. Goode e Hatt. generalizações. correlações. Este fato levou a uma lei da hidrostática. por exemplo. “a teoria se refere a relações entre fatos ou. 89). A lei procura explicar os fenômenos da realidade.” (p. se o fato é uma observação empiricamente verificada. leis. p. consistindo em conceitos. a realidade empírica se revela através de fatos. estudaram o papel da teoria em relação aos fatos que apresento esquematicamente: a) a teoria serve como orientação para restringir a amplitude dos fatos a serem estudados. à ordenação significativa desses fatos. c) a teoria serve para resumir sinteticamente o que já se sabe sobre o objeto de estudo. Quando o conhecimento a respeito de fatos ou de relações entre eles é amplo.METODOLOGIA DA PESQUISA e no tempo (assim como as relações entre elas).” (p. ao se banhar percebeu que seu corpo perdia peso quando mergulhava na água. durante longo tempo. também podem desempenhar função significativa na construção da teoria. Existem exemplos clássicos de fatos que deram origem a leis e teorias. 89). Os fatos. temos uma teoria. Veja o que diz Lakatos: a) um fato novo. 36 .. b) os fatos podem provocar a rejeição ou a reformulação de teorias já existentes. fato é qualquer coisa que exista na realidade. Arquimedes. classificações. chegar a proposições gerais denominadas leis. a teoria se baseia em fatos e a justaposição de fatos sem “um princípio de classificação (teoria). Logo. por sua vez. Em suma. uma descoberta. pode provocar o início de uma nova teoria.

2000). Na próxima Unidade vamos aprofundar os procedimentos científicos para a produção do conhecimento. que fatos e teorias se integram e se completam em função do objetivo da ciência: a procura da verdade. Realize uma leitura analítica deste texto. bem como com a importância e características do conhecimento científico como forma de libertação do Homem em relação ao mundo. Vimos. leis e teorias. levará o leitor a fazer uma revisão dos conceitos de fato. moderna e contemporânea. Chegamos ao final da Unidade II cujo tema foi o conhecimento. assim. no sentido de que afirmam em pormenores o que a teoria afirma em termos bem mais gerais. d) os fatos descobertos e analisados pela pesquisa empírica exercem pressão para esclarecer conceitos contidos na teoria. 37 . Você deve ter-se familiarizado com suas diferentes modalidades. no entendimento do modo específico que a ciência adota para conhecer a realidade: a verificação de fatos e a inter-relação entre os mesmos (leis e teorias).UNIDADE II c) os fatos redefinem e esclarecem a teoria previamente estabelecida. também. Iniciouse. ⇒ A leitura do texto “O problema metodológico da pesquisa”. (Rudio. Exercício 1. itens 1 e 2. resumindo-o. Enriqueça seu estudo ⇒ A leitura do capítulo 2 de Köche (2001) “Ciência e método: uma visão histórica” propiciará uma análise das ciências grega. fenômeno.

. Química Exemplos: Antropologia Cultural.qualquer coisa que exista na realidade Fenômeno . mas sem certeza Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento Ciência .estado de equilíbrio entre afirmação e negação Opinião . sensitivo. classificações. objetivo .é a adesão firme a uma verdade Ignorância .verdades aceitas pelos homens a partir da revelação divina Verdade-Evidência-Certeza Verdade .material e formal Caracterização das ciências Classificação das ciências estudam as idéias Formais Exemplos: Lógica e Matemática podem demonstrar ou provar Ciências Naturais Exemplos: Física. a-crítico científico . isto é.. sistemático. sistemático teológico . subjetivo. sua ordenação significativa . leis Desenvolvimento científico . certos ou prováveis.conjunto de conhecimentos racionais.é a ausência de conhecimento relativo a um objeto por falta de desvelamento Dúvida .distinguir características comuns aos eventos função .forma teórico-prática e prático-teórica de compreender a realidade que nos cerca. Direito Factuais estudam os fatos Ciências Sociais Fato . sistematizados e verificáveis.relações entre fatos.é a manifestação clara do ser.METODOLOGIA DA PESQUISA Esquematizando. racional.superficial.afirmativa sobre um objeto. assistemático. é social é histórico é um modo de iluminação da realidade é necessário para o progresso pode ter função de libertação ou de opressão Aspectos do conhecimento Abordagens do conhecimento empírico (vulgar ou popular) . generalizações.é o encontro do homem com o desvelamento do ser Evidência .real.ampliar e aperfeiçoar a relação homem x realidade objeto . Psicologia. falível filosófico . é o critério da verdade Certeza . princípios. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. verificável.percepção que se tem do fato Teoria .conceitos. obtidos metodicamente. Concepções e Formas de Conhecimento Conhecimento .valorativo.inter-relação constante entre teoria e fato • Papel da teoria em relação aos fatos • Papel dos fatos na construção da teoria 38 . Sociologia.

Finalidade. Paradigmas conflitantes na atualidade Identificar diferentes paradigmas metodológicos da pesquisa científica Enriqueça seu estudo Estudo do texto 8 "Paradigmas metodológicos da pesquisa científica" Exercícios Unidade III . significado e modalidades de pesquisa científica OBJETIVOS ESPECÍFICOS Carga horária: 05h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 7 "Pesquisa científica: conceito e modalidades" Exercícios Conceituar pesquisa e distinguir suas diferentes modalidades 2.A Produção e Transmissão do Conhecimento Através da Pesquisa Científica Guia de estudo ASSUNTO 1. Abordagem metodológica da pesquisa científica.

perguntar: o que é pesquisa? Pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. 40 . para esta investigação empregam-se metodologia e técnicas científicas e utilizam-se como pressupostos iniciais conhecimentos já existentes sobre a questão. 1996. então. São elementos essenciais à pesquisa: a dúvida ou problema. Quanto à pesquisa original. a pesquisa resumo exige a utilização dos métodos científicos empregados naquela. estabelece princípios científicos. o objetivo daqueles que se iniciam é aprender a metodologia e as técnicas. 19). então. de cunho prático. p. como ficou evidente na Unidade II. A pesquisa é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização cuidadosa de métodos. seguindo os passos dos pesquisadores profissionais. parte da problematização de uma situação que é investigada através da pesquisa. Neste caso. A produção do conhecimento científico. Apesar de não se tratar de pesquisa original. busca soluções para problemas concretos. método científico e a resposta ou solução. como ficou claro na definição acima. A pesquisa tem diferentes objetivos. técnicas e outros procedimentos científicos. a pesquisa será um resumo de assunto.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 7 Pesquisa Científica: conceito e modalidades O conhecimento científico. diferente da pesquisa original elaborada pelo pesquisador profissional. ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema. amplia o saber. A pesquisa aplicada é realizada por questões imediatas. Como obter. A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema. o conhecimento científico? A maneira específica utilizada pela ciência para a obtenção do conhecimento científico é através da pesquisa. Cabe. Na realidade. caracteriza-se por apresentar resultados que são novas conquistas para a área de conhecimento investigada. desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados (GIL. A pesquisa varia de acordo com a qualificação do investigador. é essencial para que o Homem entenda a realidade e a transforme. a pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que envolve inúmeras fases. A pesquisa pura é aquela realizada por questões de ordem intelectual.

Neste trabalho adoto a posição de Cervo. progresso e cidadania. isto é. cito as técnicas específicas para testes de laboratório. Métodos e técnicas na pesquisa científica Existem diferentes maneiras de conceituar métodos e técnicas. o hábito da pesquisa é papel do professor. idéias ou opiniões que estejam em desacordo com as observações ou com as respostas resultantes. “métodos são técnicas suficientemente gerais para se tornarem procedimentos comuns a uma área das ciências ou a todas as ciências”. ou pelo menos aceitável. São eles: a) formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses. Há. a curiosidade. porque a apanha como princípio científico e educativo. (DEMO. quando. Não faz sentido dizer que o pesquisador surge na pósgraduação. dialoga com a realidade e escreve trabalho científico. Esta metodologia é complementada com técnicas que são específicas para as diferentes ciências. entretanto. a generalização é tarefa do processo chamado indução. e) generalizar.UNIDADE III Neste ponto. estamos na presença do método. 41 . Educação criativa começa na e vive da pesquisa. mas aprende-se de verdade quando se parte para a elaboração própria. para determinar a antigüidade em função do carbono etc. 44). Quem sabe dialogar com a realidade de modo crítico e criativo faz da pesquisa condição de vida. dadas certas condições. é sobretudo aprender em sentido criativo. tomando nota. para levantamento de opinião de massa. motivando o surgimento do pesquisador. desde o primeiro dia de vida da criança. antecipar que. p. isto é. existem procedimentos que são idênticos em todas as ciências e que são utilizados em quase todas as pesquisas. Desse modo. f) prever ou predizer. Se a nossa proposta for correta. para quem as técnicas são procedimentos científicos empregados por uma ciência determinada. é de se esperar que surjam certas relações. c) registrar tão cuidadosamente quanto possível os dados observados com o intuito de responder às perguntas formuladas ou comprovar a hipótese levantada.] Dialogar com a realidade talvez seja a definição mais apropriada de pesquisa. procedimentos que são utilizados pela totalidade ou quase totalidade das ciências. É possível aprender escutando aulas.. neste caso. [. estender as conclusões obtidas a todos os casos que envolvem condições similares. d) elaborar explicações ou rever conclusões. Diz Cervo (1996. b) efetuar observações e medidas.. veja o que diz Demo sobre o assunto: Pesquisar não é somente produzir conhecimento. aproveito para lembrar que incentivar o espírito crítico. pela primeira vez na vida. 1992. que aprende construindo. Como exemplo. a pesquisa começa na infância e está em toda a vida social. p. 46).

registro. segundo o caráter dos dados coletados. pesquisa sobre determinado indivíduo. procedimentos etc. com a precisão possível. análise e correlação de fatos sem manipulá-los. também chamados de pesquisa quase científica. portanto. de campo. Cervo destaca as seguintes subdivisões ou formas de pesquisa descritiva: a) estudos exploratórios. d) pesquisa de motivação procura as razões ocultas que determinam a preferência por determinado produto. descritiva e experimental. grupo ou comunidade com o objetivo de investigar vários aspectos da vida cotidiana do investigado. social. segundo o lugar em que se desenvolvem. diferente da pesquisa histórica. interesses. em pesquisa pura ou aplicada. a ocorrência de um fenômeno. Nas próximas unidades voltarei a tratar deste tipo de pesquisa. Desde a graduação os alunos devem ser iniciados nesta modalidade de pesquisa. A pesquisa descritiva caracteriza-se por estudar fatos e fenômenos físicos e humanos sem que o pesquisador interfira. uma vez que ela é também a primeira etapa das pesquisas descritiva e experimental. permite investigar e conhecer situações e relações que se desenvolvem na vida política. De acordo com este critério. em pesquisas mais amplas. Em conseqüência. as pesquisas podem ser grupadas segundo a área do conhecimento em pesquisas históricas. com o objetivo de tomada de decisões. f) pesquisa documental estuda a realidade atual. e) estudo de caso. pelas ciências sociais e humanas. segundo a forma de raciocínio. investiga documentos com o objetivo de descrever e comparar diferentes tendências. Esta modalidade de pesquisa é utilizada. Recomenda-se esta forma de pesquisa quando se precisa ampliar conhecimentos sobre o problema a ser investigado. Assim. educacionais etc. econômica etc.. certas atitudes etc. assim. em pesquisas de laboratório. A pesquisa bibliográfica investiga o problema a partir do referencial teórico existente em documentos e publicações. existem diferentes tipos de pesquisa que são classificados pelos autores segundo diferentes critérios. c) pesquisa de opinião abrange uma gama muito grande de investigações visando descobrir tendências. em pesquisa quantitativa ou qualitativa. em pesquisa indutiva ou dedutiva etc. definem objetivos e buscam maiores informações sobre determinado assunto em estudo. como os estudos exploratórios. principalmente. Procura evidenciar. b) estudos descritivos ocupam-se do estudo e descrição das propriedades ou relações existentes na realidade pesquisada. não elaboram hipóteses a serem testadas. O pesquisador utiliza técnicas de observação. auxiliam a formulação clara de um problema e de hipóteses. usos e costumes etc. ele apresenta os seguintes tipos de pesquisa: bibliográfica. 42 . Ela é a pesquisa por excelência na área das ciências humanas. segundo a sua utilização. sua relação e conexão com outros e suas características. em diferentes níveis de profundidade e com diferentes objetivos. além de pesquisa original é também utilizada como pesquisa resumo para os iniciantes. sendo. Cervo adota como critério para classificação o procedimento geral utilizado.METODOLOGIA DA PESQUISA Modalidades ou tipos de pesquisa O homem pode investigar a realidade sob os mais variados aspectos.

Que critério adota Cervo para classificar as pesquisas em bibliográfica. 1996. Exercícios 1. você terá oportunidade de ampliar a noção de “variáveis” e suas diferentes modalidades. Modernamente. descritiva e experimental? Enriqueça seu estudo ⇒ Através da leitura do texto “Pesquisa descritiva e pesquisa experimental” (Rudio. em seus alunos. 2000). o questionário e a entrevista. Faça um esquema representando as subdivisões da pesquisa descritiva citadas por Cervo. 43 . tornando perceptíveis as relações existentes entre as variáveis. bem como aprofundar as noções sobre os tipos de pesquisa estudados. p. Qual a diferença entre a pesquisa original e a pesquisa resumo? 5. Você concorda com a afirmativa de que o estudante universitário que se inicia na pesquisa e o pesquisador profissional têm objetivos distintos? Justifique. Qual o objetivo da pesquisa bibliográfica? 7. Os cientistas usam diferentes critérios para classificar as pesquisas. hábitos de estudo que favoreçam o surgimento do espírito científico. Enquanto a pesquisa descritiva procura explicar e interpretar os fenômenos que ocorrem. Enumere três características da pesquisa científica. A pesquisa experimental caracteriza-se por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo. a tecnologia oferece ao pesquisador aparelhos e instrumentos que permitem atingir os seus objetivos. 2. Uma das características da pesquisa científica é o emprego de procedimentos científicos. o pesquisador utiliza como instrumentos a observação. Que características precisa ter um trabalho científico para ser considerado pesquisa pura ou pesquisa aplicada? 4. 9. “manipulandose a variável independente a fim de observar o que acontece com a dependente. São criadas situações de controle e interfere-se na realidade. 3. 8. que serão abordados na Unidade IV. a pesquisa experimental pretende explicar as causas e a maneira pela qual o fenômeno é produzido. Concluímos aqui este texto esperando que você adote a pesquisa como forma de conhecer a realidade que o cerca e desenvolva. Cite uma diferença entre a pesquisa descritiva e a pesquisa experimental. 51). Que nome recebem esses procedimentos e como Cervo os define? 6. a coleta de dados da realidade presente é a técnica por excelência. para tanto.UNIDADE III Em todas essas formas.” (Cervo.

” A pesquisa científica. duas tendências conflitantes predominam na comunidade científica.] As interpretações de Parsons (1902-1979) sobre Pareto. p. o outro. embora importantes e 44 . um paradigma adota a pesquisa utilizada nas ciências naturais para explicar os fatos e fazer previsões em outras áreas. p. pesquisadores começaram a mostrar insatisfação com a utilização de métodos experimentais na área humana. No século atual. por estar voltada para a realidade empírica e pela maneira de transmitir o conhecimento obtido. criar objetos e concepções. Comte para o estudo dos fatos sociais e no Empirismo de Mill para a investigação de fenômenos psicológicos.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 8 Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica Vimos no texto anterior que a pesquisa é o meio por excelência de se obter o conhecimento e que a mesma se apresenta sob diferentes modalidades. Chizzotti (2000. Durkheim e Weber. em conseqüência da amplitude e enfoque da realidade investigada pelas ciências. As pesquisas quantitativas – descritivas e experimentais –. funcionalista da sociedade. [. entretanto. No Brasil. desdobraram-se em uma concepção estrutural. a partir da década de oitenta. Pareto e Durkheim estenderam este paradigma experimental à análise da sociedade. adotassem um paradigma que se adaptasse às especificidades da área. uma lógica própria para a investigação dos fenômenos humanos e sociais a partir do contexto concreto em que os mesmos ocorrem. Era necessário encontrar formas alternativas de investigação que. defende uma metodologia. distingue-se de outras modalidades de investigação pelos métodos e técnicas utilizados. Essa concepção se difundiu nos meios acadêmicos norte-americanos e constituiu-se em um método de análise e explicação dos fenômenos sociais (CHIZZOTTI. 131). Apesar da grande influência desse paradigma. uma vez que não levavam à solução de problemas prementes. Nesta linha. Já no começo do século XX. 2000. encontrar explicações e avançar previsões. partindo de outros pressupostos. trabalhar a natureza e elaborar as suas ações e idéias são fins subjacentes a todo esforço de pesquisa... outras concepções se desenvolveram. a respeito dos fatos sociais. nos meios acadêmicos alemães incentivam-se as discussões metodológicas sobre as ciências humanas. A fundamentação do primeiro paradigma se encontra no Positivismo de A. critica-se a adoção de modelos das ciências da natureza para explicar as ciências do homem e novos caminhos vão surgir para a compreensão das ciências humanas e sociais. 11) explica que “Transformar o mundo.

como. 45 . quando é ou não adequado utilizá-la e como se coloca a questão do rigor científico nesse tipo de investigação. 13). muitas vezes empregados indevidamente como equivalentes. estudo de caso e estudo de campo. por exemplo. não eliminaram os desafios da realidade fluida do mundo das variáveis neste campo. 2000. Na próxima Unidade. enfatiza o processo e leva em consideração a perspectiva dos participantes. a adotar novas abordagens e metodologias de investigação ligadas ao paradigma das Ciências Humanas. então. p. 79). Afirmam que a especificidade das ciências humanas é o estudo do comportamento humano e social. 11). o que justifica uma metodologia própria. Citam as pesquisas do tipo etnográfico e o estudo de caso como pesquisas qualitativas que vêm tendo grande aceitação na área educacional. Os cientistas favoráveis à pesquisa qualitativa são contrários ao paradigma positivista que adota um padrão único de pesquisa calcado no modelo das ciências naturais para todos os ramos da ciência. estes cientistas optam pelo método clínico (a descrição do homem em um dado momento. naturalística. Este fato não invalida a necessidade de que as ciências humanas tenham uma metodologia específica “porque o fenômeno humano possui componentes irredutíveis às características da realidade exata e natural. que adota uma posição intermediária. podemos afirmar que a pesquisa qualitativa envolve várias correntes de pesquisa baseadas em pressupostos contrários ao modelo experimental e emprega métodos e técnicas muitas vezes diferentes daqueles adotados neste modelo. Outro aspecto que também parece gerar ainda muita confusão é o uso de termos como pesquisa qualitativa. 2001. em uma dada cultura) e pelo método histórico-antropológico. afirmam que a pesquisa qualitativa ou naturalística utiliza dados descritivos obtidos pelo pesquisador no contato com a situação em estudo.” (p. explicando que muito da abordagem das ciências naturais vale igualmente para as humanas. participante.” (CHIZZOTTI. acompanho Demo (1985). “Em oposição ao método experimental. (LÜDKE. que capta os aspectos específicos dos dados e acontecimentos no contexto em que acontecem. Bogdan e Biklen. Entre a polêmica suscitada pelos que defendem uma só metodologia científica calcada nas ciências naturais e aqueles que consideram o fenômeno humano tão específico que necessita de metodologia totalmente diferente daquela das ciências naturais. explica Lüdke: Apesar da crescente popularidade dessas metodologias. etnográfica.UNIDADE III prestando grandes serviços à pesquisa social. as regras lógicas do conhecimento. p. ainda parecem existir muitas dúvidas sobre o que realmente caracteriza uma pesquisa qualitativa. sobre elas. serão abordados os procedimentos comuns às ciências e que se concretizam nos projetos de pesquisa. Existem procedimentos comuns a todas ou quase todas as ciências e procedimentos específicos decorrentes das características particulares de cada uma. Começa-se. visando superar limitações não superadas pelas pesquisas até então desenvolvidas. Em síntese. citados por Lüdke. São as metodologias qualitativas.

2 .A construção científica. Técnicas . práticas. Você concorda com a posição de Demo sobre os atuais paradigmas? Justifique. Nessa linha encontra-se a pesquisa qualitativa.envolve várias correntes de pesquisa que empregam técnicas específicas das ciências humanas e sociais.manipula diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo qualitativa . 3.procedimentos científicos empregados por uma determinada ciência.realizada por questões de ordem intelectual. Localize. Esquematizando.METODOLOGIA DA PESQUISA Exercícios 1. Pesquisa pura . 2. Pesquisa aplicada . Modalidades ou tipos de pesquisa: bibliográfica . Métodos .muito da abordagem das ciências naturais vale igualmente para as ciências humanas que a isto somam a necessidade de metodologia específica.a dúvida ou problema.Introdução ao ensino da metodologia da ciência. o significado de “concepção funcionalista da sociedade”.procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos para obtenção do conhecimento científico.estuda fatos e fenômenos físicos e humanos sem que o pesquisador interfira experimental .. livros de Filosofia ou História das Ciências e transcreva o significado dos termos “positivismo” e “empirismo”.realizada por questões imediatas.utiliza dados descritivos. Pesquisa qualitativa ou naturalística . 5. Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica Pesquisa científica . 4.investiga o problema a partir do referencial teórico existente em publicações descritiva . enfatiza o processo e a perspectiva dos participantes. Paradigmas: a) utilização da pesquisa nas ciências naturais para explicar os fatos e fazer previsões. em livros de Sociologia.difere de outras modalidades de investigação pelos métodos e técnicas utilizados. comuns a uma área das ciências ou a todas as ciências. pela maneira de transmitir o conhecimento obtido e por estar voltada para a realidade empírica.. Faça uma consulta a obras de referência. o método científico e a resposta ou solução. Discorra sobre a tendência predominante nas pesquisas educacionais realizadas na atualidade. 46 . b) metodologia própria para a investigação dos fenômenos humanos e sociais a partir do contexto concreto em que os mesmos ocorrem. Discorra sobre os dois paradigmas da ciência que se contrapõem na atualidade. Pesquisa Científica: conceitos e modalidades Pesquisa . Enriqueça seu estudo ⇒ Para aprofundamento desta Unidade muito contribuirá a leitura de dois textos de Demo (1985): 1 . Elementos essenciais da pesquisa . Posição intermediária entre os dois paradigmas .técnicas gerais.

metodologia.Etapas do Processo de Produção de Pesquisas Científicas Guia de estudo ASSUNTO 1. O planejamento e a execução de pesquisas qualitativas OBJETIVOS ESPECÍFICOS Carga horária: 20h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 9 "A lógica da concepção do projeto de pesquisa" Exercícios Estudo do texto 10 "A pesquisa bibliográfica" Exercícios Estudo do texto 11 "Pesquisas descritivas e experimentais" Exercícios Reconhecer a lógica que perpassa as diferentes partes de um projeto de pesquisa. questões. O planejamento e a execução de pesquisas bibliográficas e documentais 3. problema. A lógica da concepção e construção do projeto de pesquisa: tema. cronograma e recursos 2. a partir da construção de uma matriz Caracterizar a pesquisa bibliográfica e as técnicas para a sua realização Caracterizar pesquisas descritivas e experimentais e as técnicas para a sua realização Caracterizar as pesquisas qualitativas e as técnicas para a sua realização Enriqueça seu estudo Estudo do texto 12 "Pesquisas qualitativas" Exercícios Unidade IV . O planejamento e a execução de pesquisas descritivas e experimentais 4. pressupostos teóricos. objetivos.

Veja os exemplos que ele dá: Um projeto de pesquisa que buscasse descobrir o elixir da juventude seria importante e original. principalmente frente ao rigor e sistematização tradicionalmente exigidos nas pesquisas científicas. Desse modo. seguido pelas ciências naturais e que pretende estender os procedimentos usados nestas ciências às ciências humanas e um segundo. Muito interessante também é seguir o roteiro que Castro sugere para discussão do assunto da pesquisa e que se resume no seguinte: uma tese deve ser original. muitos pesquisadores têm adotado uma postura intermediária. um primeiro. deve-se considerar como pré-requisito que o tema da pesquisa esteja relacionado à área profissional do investigador. 48 . b) quando se relaciona a uma questão teórica cuja solução é uma contribuição para a literatura especializada. porém destituída de importância (CASTRO. E explica ele que. in ZENTGRAF. eliminando o exagero que caracteriza as pesquisas positivistas. Inicialmente. importante e viável. porém de viabilidade duvidosa. Esta segunda postura ainda apresenta muitos pontos obscuros. 49). Quando se pode afirmar que um tema é importante? De modo geral isto ocorre em duas situações: a) quando diz respeito a um segmento relativamente grande da sociedade. ele terá experiência e visão mais detalhada das questões. o pesquisador necessita adotar critérios na seleção do tema. o mesmo não ocorre quando se trata dos três. 1997b) que uma escolha mal feita torna a pesquisa inviável. Uma pesquisa que buscasse medir a deserção no ensino primário estaria tratando de um tema importante e viável não trazendo.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 9 A Lógica da Concepção do Projeto de Pesquisa Ficou claro no texto “Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica” que atualmente dois grandes paradigmas se contrapõem no estudo das ciências. qualquer originalidade. p. A 1ª etapa na concepção de uma pesquisa a ser realizada é a escolha do tema. contudo. que vem ganhando corpo entre os cientistas sociais e que pretende uma metodologia de pesquisa totalmente diferente para as ciências do homem. uma pesquisa sobre a cor da roupa que os alunos trajam para ir fazer exame vestibular seria original e viável. sem contudo abandonar totalmente os procedimentos para elaboração e desenvolvimento de projetos de pesquisa científica. Diz Castro (in Zentgraf. Na sua própria área. Diante desta situação. limitações e problemas que ocorrem no cotidiano. Seguindo esta posição intermediária. 1997b. embora seja relativamente fácil atender a um ou dois desses critérios. apresentarei a você a lógica de concepção de um projeto de pesquisa.

em qualquer domínio do conhecimento. Neste aspecto convém destacar que. escolher problemas concretos e passíveis de solução. por exemplo. Um iniciante em pesquisa que desejasse investigar o ensino fundamental estaria enfocando um tema demasiado genérico. Feitas essas considerações sobre a escolha do tema. E mais: elaborar questionamentos em torno do problema. O pesquisador.UNIDADE IV O que significa um tema original? Um tema é original quando seus resultados nos surpreendem. é decorrência da análise de alguns itens tais como: prazos. discussão e entrevistas envolvendo especialistas no assunto. para clarificar o problema realizam-se estudos exploratórios e descritivos. precisa verificar se o problema que pretende investigar se enquadra na categoria de científico. disponibilidade de informações. será abordada a seguir a definição do problema. pode-se concretamente afirmar que o tema é inviável. a produção científica etc. Não sendo possível o atendimento a esses itens. teorias já existentes a respeito etc. formular o problema de maneira clara. consulta à literatura que trata do tema. estaria começando a delinear diferentes problemas relacionados ao ensino fundamental através de perguntas precisas e definidas. pesquisados. que. menos chance haverá de revelar novas facetas. 27) afirma que “um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis. Devem-se transformar os conceitos abstratos. E quanto à viabilidade? Este critério é facilmente operacionalizado. Muitas vezes. modalidades da pesquisa descritiva que você já estudou na Unidade III. Muitas vezes o problema está formulado de maneira a levar a conclusões subjetivas e não objetivas como devem ser as investigações científicas. Por exemplo: o nível de formação de professores. porque um tema ainda não é um problema. Como problematizá-lo? Se levantasse alguns questionamentos em torno do assunto. objetiva. tais como: de que maneira é feita a distribuição de vagas e a absorção do alunado? Qual a integração dos currículos com o contexto social nas escolas públicas do ensino fundamental no município do Rio de Janeiro? etc. de se pesquisar a qualidade do ensino das universidades públicas. Sim. serão indicadores da qualidade do ensino nas universidades. Assim. quanto mais investigado for um problema. O exemplo transcrito de Castro em relação a um tema de pesquisa que abordasse a evasão do ensino primário mostra claramente se tratar de um tema que dificilmente apontará fatos novos. É o caso. recursos financeiros. aconselha reflexão sistemática sobre o objeto. 49 . Gil (1996. no entanto. p.” Ele dá algumas “dicas” para a formulação de problemas científicos.. O que é então um problema? Um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de discussão. em indicadores empíricos que caracterizem a qualidade de ensino. como qualidade.

portanto. o pesquisador deverá fazer uma pequena pesquisa bibliográfica sobre o problema. onde. o pesquisador registra as etapas do projeto. também. 1997b) recomenda que primeiramente seja construída uma matriz. de forma esquemática. Prosseguindo. Não há um rígido planejamento prévio.METODOLOGIA DA PESQUISA Escolhido o tema e tornado o assunto pesquisável através da problematização. uma “proposição estável que pode vir a ser a solução do problema. 2002). Nas pesquisas qualitativas. Na pesquisa descritiva faz-se a exposição detalhada de todos os passos da coleta e registro de dados. é. Poderá também trabalhar com hipóteses respostas provisórias ao problema em estudo que poderão ser confirmadas ou refutadas. Sobre as hipóteses. respondidos. o pesquisador explicita no projeto como vai trabalhar para chegar ao que pretende: a metodologia que adotará e as técnicas que utilizará. Para conhecer e optar pelos pressupostos que direcionarão o estudo. o controle e as técnicas a serem usadas. devem-se estabelecer os pressupostos teóricos que servirão de fundamento à pesquisa. (THIOLLENT. Observe o modelo de matriz contendo as etapas essenciais do projeto. Moulin (in Zentgraf. Quem? Quando? Onde? Como? Expõem-se também as dificuldades. o pesquisador trabalhará com questões ou objetivos específicos que. detalham-se os procedimentos de observação.35). Para alcançar o objetivo final. A etapa seguinte é estabelecer o objetivo da pesquisa. A pesquisa bibliográfica será objeto de um texto em separado. variam de pesquisa a pesquisa. O necessário agora é passarlhe a idéia da lógica das diferentes partes de um projeto e.” (p. as precauções. as técnicas se estabelecem durante a pesquisa. podendo verificar a lógica e coerência entre elas. tipo de experimento e registro de resultados. O tema (o que investigar) foi desdobrado em um problema que pressupõe estudos teóricos que servirão de base ao objetivo que o pesquisador pretende alcançar. terceira etapa na concepção do projeto. Se a pesquisa for experimental. isto é. até onde o pesquisador pretende chegar com sua investigação. A matriz para montagem e avaliação de projetos Com a finalidade de facilitar a montagem de projetos de pesquisa. as teses. os pontos de vista já existentes sobre a questão a ser pesquisada e que servirão de base ao estudo. algumas considerações de Gil (1996) explicam ser a hipótese uma proposição ou expressão verbal suscetível de ser declarada verdadeira ou falsa. levarão ao alcance do objetivo final da pesquisa. que é fazê-lo entender que esses itens não são rígidos. entretanto. um fato importante. Os pressupostos são as teorias. tais como entrevistas e questionários. 50 . a manipulação das variáveis. Veja-se a lógica que envolve as várias etapas aqui expostas. num processo de idas e voltas.

tendo em vista as mudanças ocorridas no mundo? Procedimentos (metodologia) 1) Pesquisa bibliográfica e documental técnicas: levantamento e • seleção de bibliografia leitura analítica • fichamento • análise comparativa • análise dos • currículos atuais levantamento e • análise da legislação pertinente ao ensino técnico 2) Pesquisa descritiva: entrevista com • diretores. Tema: Educação e currículo Título: Projeto de reformulação curricular das escolas técnicas federais Situaçãoproblema Que reformulações serão necessárias para que os atuais currículos das escolas técnicas atendam ao avanço técnicocientífico desse final de século? Pressupostos teóricos Definição dos objetivos do estudo Questões do estudo e/ou hipóteses Questões: 1) Quais as diferentes abordagens teóricas encontradas nos currículos das atuais Escolas Técnicas Federais? 2) Quais as mudanças fundamentais no currículo para torná-lo mais atual? 3) Que pressupostos deverão subsidiar os currículos das escolas técnicas. [1996]. que fundamentem dentre outros. 2000. O 2) Elaborar uma currículo de proposta de quase todas as reformulação escolas hoje curricular para as segue o modelo Escolas Técnicas técnico-linear Federais que proposto por contemple uma Ralph Tyler formação técnico(1978). análise dos • resultados 3) Conclusões 4) Elaboração do relatório final (monografia) *Adaptado de matriz elaborada por cursista do CEP (in ZENTGRAF. 47). Autores como 1) Evidenciar Libâneo (1996) e abordagens teóricas Snyders (1981). coordenadores e alunos. Agora. É apenas um exemplo. 51 . profissional conectada com os novos paradigmas do mundo do trabalho e a perspectiva de uma educação voltada para a construção do cidadão/trabalhador. um currículo voltado vêm defendendo para a formação a idéia de se técnico-profissional rever a questão em consonância com curricular dentro os avanços técnicodo enfoque científicos do final do histórico-crítico século. professores.UNIDADE IV Matriz analítica para montagem e avaliação de projetos Tema: Título: Definição da situaçãoproblema Pressupostos teóricos Definição dos objetivos do estudo Questões do estudo e/ou hipóteses Procedimentos Fonte: Moulin. p. existem inúmeras outras maneiras igualmente válidas. 81. p. você terá oportunidade de analisar uma matriz preenchida com os dados fundamentais de um projeto. da educação.

sua delimitação. Como está bastante claro. • Orçamento .detalhamento dos recursos humanos (pessoal). considerado necessário.onde deve constar texto ou documento não elaborado por você. • Sumário .de maneira clara e objetiva. 2000. • Introdução .onde deve constar texto ou documento elaborado por você. você estará de posse dos dados essenciais para a construção do projeto de pesquisa.onde de forma dissertativa é apresentado o tema.listagem das fontes utilizadas no planejamento e elaboração do projeto. Veja algumas: Define e planeja para o próprio orientando [aluno] o caminho a ser seguido no desenvolvimento do trabalho de pesquisa e reflexão. é uma diretriz a ser. materiais e financeiros necessários. A seguir sugiro uma estrutura que você poderá seguir ao elaborar um projeto de pesquisa. varia de autor para autor.contendo dados de identificação do projeto.aqui. • Apêndice .METODOLOGIA DA PESQUISA A construção do projeto de pesquisa Uma vez preenchida a matriz de montagem e avaliação de projetos. Como. então. 52 . seqüência de roteiros e cumprimento de prazos. (SEVERINO. • Referências .enumeração das principais divisões e seções do projeto. Severino destaca as vantagens de um projeto bem elaborado.formulário onde são registradas as etapas e atividades da execução da pesquisa segundo o tempo previsto. na medida do possível. a justificativa. estruturá-lo? A disposição dos diferentes itens no projeto não se reveste de caráter rígido. questões a serem pesquisadas. explicitando as etapas a serem alcançadas. mas que considere necessário. • Cronograma de execução . p. 159). o autor anuncia o tipo de pesquisa. • Anexo . explicitar hipóteses. • Folha de rosto . os instrumentos e estratégias a serem usados. Este planejamento possibilitará ao pós-graduando/pesquisador impor-se uma disciplina de trabalho não só na ordem dos procedimentos lógicos mas também em termos de organização do tempo. também de forma dissertativa. os métodos de raciocínio (facultativo) e as técnicas a serem empregadas (procedimentos mais restritos). • Hipóteses ou questões a investigar . como o pesquisador chegou a ele. os pressupostos teóricos e o objetivo que pretende alcançar. a origem do problema. seguida. o projeto é um documento que deve acompanhar o pesquisador durante todo o processo da pesquisa. • Procedimentos/Metodologia . ou então.

não trazendo. contudo. qualquer originalidade. Enriqueça seu estudo ⇒ Os capítulos 1 e 2. respectivamente. 3. trarão grande contribuição para sua aprendizagem. 53 . Além da originalidade. que outros dois critérios Castro considera necessários na escolha de um tema de pesquisa? Caracterize-os. Em que argumentos ele se baseou para fazer tal afirmativa? 2. um projeto de pesquisa que medisse a deserção no ensino fundamental estaria tratando de um tema importante e viável. Você teve oportunidade de ler sobre os critérios para selecionar um tema para um trabalho científico. então: O que é um problema? 5.UNIDADE IV Exercícios 1. A partir de sua vivência profissional. Conclua esta tarefa procurando preencher uma matriz com os dados de um tema de seu interesse.” encontrados em Gil (1996). Entretanto. Perguntamos. Segundo Castro. reflita sobre um tema que considere adequado a uma pesquisa. Verifique se o tema escolhido se enquadra nos critérios definidos por Castro. 4. o tema ainda não é o problema do qual se origina uma pesquisa. “Como encaminhar uma pesquisa” e “Como formular um problema de pesquisa.

Para facilitar o seu estudo. em geral localizados em bibliotecas. essencial para que se desenvolva profissionalmente. 1997a) será apresentado um tipo especial de trabalho científico: a pesquisa bibliográfica. entrevistas e questionários nos locais em que o fenômeno ocorre (pesquisa de campo ou de laboratório). é o processo de documentação direta. analisado e publicado sob a forma de livros. Ao fazer tal afirmativa não me dirijo apenas a futuros pesquisadores. Qualquer pesquisa exige coleta de dados de fontes variadas que se processa através de documentação direta ou indireta. folhetos. para a sua reflexão e análise. p. Manzo. A pesquisa bibliográfica tem a finalidade de levantar as contribuições culturais e científicas já existentes sobre um determinado tema. quando se trata de material de 1ª mão proveniente de fontes diversificadas e dispersas encontradas em arquivos. correspondência pessoal etc. Neste caso. 109). resolver. Mas pode também utilizar dados levantados por outras pessoas. não somente problemas já conhecidos. Como você vê. Não é outra a posição de Galliano (1986. é pré-requisito para qualquer pesquisa científica. recolher e analisar as principais contribuições teóricas sobre um determinado fato. partidos políticos. p. igrejas. é oportuno trazer. A maioria dos autores subdivide o processo de documentação indireta em dois grupos: a) pesquisa documental. mas a qualquer profissional. artigos e outros impressos. artigos etc. quando diz: Pesquisa bibliográfica é a que se efetua tentando resolver um problema ou adquirir novos conhecimentos a partir de informações publicadas em livros ou documentos similares (catálogos. assunto ou idéia. como também explorar novas áreas.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 10 A Pesquisa Bibliográfica Neste texto (adaptado de Zentgraf.). Diante do exposto. onde os problemas ainda não se cristalizaram suficientemente. citado por Lakatos (2001. O pesquisador pode recolher dados através de observações. ocorre o processo de documentação indireta. além de ser uma pesquisa independente. este estudo que engloba as etapas do planejamento e execução da pesquisa bibliográfica. o texto está 54 . assim se refere à contribuição da pesquisa bibliográfica: “oferece meios para definir. uma vez que o espírito científico possibilita uma visão da realidade menos dependente do conhecimento popular. Seu objetivo é desvendar. b) pesquisa bibliográfica. 44). que é constituída por material já elaborado. O propósito deste texto é familiarizá-lo com as atividades de planejamento e execução da pesquisa bibliográfica e documental. o iniciante precisa conhecer e praticar este tipo de pesquisa. Ela é particularmente importante porque.

55 . originalidade e viabilidade. O que você deseja pesquisar: currículo. I O Planejamento da Pesquisa Bibliográfica Esta seção subdivide-se em duas. um quadro com as atividades a serem desenvolvidas durante o planejamento da pesquisa e. delimitar o tema. consulta a livros e outros documentos e registro de anotações em rascunhos e fichas. apresentando-se. Para facilitar esta seleção deve-se recorrer a leituras. A disponibilidade de tempo e muitas vezes de recursos financeiros são outros fatores que devem ser lembrados. Nunca é demais lembrar os três aspectos destacados por Castro e já de seu conhecimento: importância. bem como suas tendências e inclinações pessoais. da execução da pesquisa bibliográfica. importante e original. escola particular. Vamos elaborar um projeto? Escolha do tema A escolha do tema deve atender a alguns aspectos. na primeira. observações. uma pequena explicação sobre cada uma das atividades. A 1ª parte trata do planejamento da pesquisa bibliográfica e a 2ª parte. Suponhamos que você tenha escolhido como tema de pesquisa “O ensino fundamental”.UNIDADE IV dividido em duas partes. formas de avaliação do rendimento. acesso. na segunda. é necessário restringir. Quadro-síntese do planejamento Etapa • • • • • • • • • • • • Atividades Escolha do tema Delimitação do tema Problematização Justificativa Pressupostos teóricos Objetivos Hipóteses/Questões Procedimentos (Metodologia) Construção da matriz Cronograma de execução Orçamento Elaboração final do projeto Planejamento da pesquisa bibliográfica Você deve ter observado que a elaboração do projeto de pesquisa é a última atividade do quadro. competência dos professores? Como vê. é tão abrangente e genérico que se torna impossível fazer um estudo aprofundado. Ela é precedida de uma série de atividades que demandam muita reflexão. análise de situações discrepantes etc. O pesquisador deve levar em consideração sua formação e experiência profissional. escola pública. administração escolar. Da maneira como está apresentado.

Para isso. possivelmente. precisa conhecer o que já foi escrito sobre o assunto sob pena de estar simplesmente repetindo o que outros já fizeram. Ela restringe o tema. Considerando que a grande maioria dos professores de 1ª a 4ª série são egressos das escolas públicas de formação de professores. ao selecionar um tema e problematizá-lo. na atualidade. Problematização A formulação do problema pode ser feita de maneira interrogativa ou afirmativa. elucidada. Considerando sua vivência e interesse. não só no conteúdo a ser investigado. Por que razão escolhi tal tema? Relevância Neste item você mostrará a importância da pesquisa. o que significa explicitar a questão que deverá ser investigada e. No exemplo que estamos seguindo.METODOLOGIA DA PESQUISA Delimitação do tema A delimitação torna o tema viável para a pesquisa. mas pode ocorrer que ao longo do estudo ainda sofra reformulações porque o processo se caracteriza pelo dinamismo. É necessário que se redija de maneira clara e objetiva a questão a ser solucionada através da pesquisa. terá que 56 . Voltemos ao tema “O ensino fundamental”. uma revisão de literatura inicial seguida de reflexão do pesquisador é imprescindível. a problematização poderia ser a seguinte: Em que medida os livros de Didática da Matemática usados nas escolas públicas de formação de professores de 1ª a 4ª série do município do Rio de Janeiro influenciam no baixo nível do ensino da Matemática? Ou então: As dificuldades demonstradas pelos alunos de 1ª a 4ª série na aprendizagem da Matemática são conhecidas. necessita conhecer pontos de vista. Além disso. poderia investigar os conteúdos dos livros de Didática da Matemática utilizados pelas escolas públicas de formação de professores do município do Rio de Janeiro. Para isto. Trará constribuição para solucionar as questões do ensino da Matemática na atualidade? Pressupostos teóricos O pesquisador. teses e teorias que possam fundamentar o seu trabalho e de onde possa extrair alguns pressupostos teóricos que o direcionem. como também em relação ao tempo e ao espaço. os livros de Didática da Matemática utilizados na sua formação são responsáveis pelo baixo nível do ensino da Matemática. O tema ficou bem mais delimitado. Justificativa Na justificativa cabe ao pesquisador apontar as razões de sua escolha. O passo a seguir é colocar o tema delimitado sob a forma de problema.

os objetivos poderiam ser: a) identificar as abordagens do ensino da Matemática. para que fazer a pesquisa. As questões do nosso exemplo poderiam ser: . se transformará em uma tese ou ponto de vista. defendido ou explicitado.UNIDADE IV fazer uma revisão de literatura preliminar e responder à questão: o que dizem os especialistas sobre este problema? Objetivos Nesta parte. o pesquisador vai explicitar aonde quer chegar. nos livros de Didática da Matemática utilizados nas escolas públicas de formação de professores de 1ª a 4ª série. Métodos são os procedimentos mais amplos de raciocínio e técnicas os procedimentos mais restritos que se concretizam através de instrumentos 57 . Hipóteses/Questões Como explica Luckesi (2000). No exemplo que vimos apresentando. Realizada a pesquisa. eis a hipótese: As abordagens de ensino levadas aos futuros professores nos livros de Didática da Matemática adotados nas escolas públicas de formação de professores do município do Rio de Janeiro influenciam no baixo nível do ensino da Matemática. em muitas pesquisas são usadas questões a investigar em substituição às hipóteses.Que abordagens de ensino são mais adequadas ao ensino da Matemática de 1ª a 4ª série? . b) evidenciar as abordagens do ensino da Matemática mais adequados aos alunos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. Qual a resposta provisória ao problema? No nosso tema-problema-objetivo. que procedimentos adotar? Como fazer para realizar a investigação? Que passos dar? No nosso caso específico já sabemos tratar-se de uma pesquisa bibliográfica.Que abordagens de ensino são encontradas nos livros de Didática da Matemática adotados nas escolas públicas de formação de professores. por esse motivo. Não é fácil para o iniciante a elaboração de uma hipótese. se esta hipótese for confirmada. Os objetivos que pretende atingir guardam relação com a contribuição que espera dar para ampliação do conhecimento. passadas aos futuros professores. a hipótese é uma tese ou ponto de vista a ser demonstrado. no município do Rio de Janeiro? Procedimentos (Metodologia) Para realizar a pesquisa em torno de nosso tema-problema-objetivo-hipótese. A metodologia é um tema muito controvertido.

Como se pode observar. estarão atingindo os objetivos pretendidos. ainda. Cronograma de execução De quanto tempo necessitamos para desenvolver a pesquisa? Como distribuir o tempo para a realização da pesquisa após elaborado o projeto? Estas indagações são respondidas construindo-se um cronograma de execução onde apareça o tempo destinado às diversas atividades. então. o cronograma é formado por linhas que indicam as atividades e por colunas que indicam o tempo previsto. É uma estimativa que pode sofrer alterações. Cronograma de execução da pesquisa Períodos Atividades Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Orçamento Como calcular os custos do projeto? Fazer um orçamento dos gastos que envolvem a pesquisa? Por mais simples que seja a pesquisa. Explica Moulin: O emprego da matriz auxilia na sistematização dos elementos do projeto. A nossa pesquisa utiliza o método indutivo e as técnicas serão: levantamento e seleção da bibliografia. 81). Você teve oportunidade de analisar uma matriz e fazer um exercício de preenchimento da mesma. sendo possível constatar de imediato se os procedimentos adotados permitem obter os dados necessários para responder às questões e/ou testar as hipóteses e. mas. você estará apto a planejar uma pesquisa. é necessário uma previsão dos custos que envolve. Construção da matriz Antes de se iniciar a montagem do projeto de pesquisa. com 58 . um orçamento considerando os custos com pessoal (recursos humanos). pode ser evidenciada a coerência do plano. leitura analítica e fichamento. após dominar a técnica. elabora-se uma matriz a fim de constatar se as partes planejadas guardam a lógica e coerência necessárias. p. ao mesmo tempo que permite visualizar o todo e suas partes devidamente caracterizadas quanto às suas definições e inter-relações. É um exercício que exige reflexão. O instrumento a ser usado serão as fichas. se uma vez respondidas as questões e/ou testadas as hipóteses. Desse modo.METODOLOGIA DA PESQUISA adequados. partindo das anotações realizadas. (MOULIN. Faz-se. [1996].

procederemos a sua elaboração final e poderemos passar à etapa seguinte: a execução da pesquisa.. Note que nesta fase você ainda não está fazendo leitura analítica. Em cada item existem diferentes técnicas a serem adotadas. na segunda. título. você identificou todas as etapas do planejamento de uma pesquisa bibliográfica. consulta a fichários de bibliotecas. as orelhas do livro. Levantamento da bibliografia Ao se iniciar a pesquisa bibliográfica. análise de bibliografias citadas em livros e revistas técnicas. Na segunda seção vamos tratar da execução da pesquisa. A ficha bibliográfica vai registrar apenas as referências bibliográficas (autor. II A Execução da Pesquisa Bibliográfica Na primeira seção deste texto. à coleta de material ou levantamento bibliográfico que é feito de várias maneiras: através de buscas em catálogos de livros e outras publicações. sempre que possível. você verifica o sumário. também. consulta a internet e a especialistas na área. local da publicação. então. acrescidas de palavras-chave relacionadas ao seu tema e o local onde você poderá encontrar a obra. prefácio etc. Procede-se. aparecendo na primeira um quadro das atividades segundo a sucessão em que ocorrem e. Importante. Elaboração do projeto Concluídas as reflexões e anotações feitas até aqui para a construção do projeto. No máximo. Aconselho que esta coleta seja cuidadosamente registrada em fichas bibliográficas. Esta seção está igualmente subdividida em duas.UNIDADE IV material (de consumo e permanente) e os recursos financeiros que serão necessários para cobrir essas despesas. dependendo não só do pesquisador como também do próprio contexto. uma explicação sobre as mesmas. a fim de constatar se o seu tema é abordado naquela publicação. registrar o código da prateleira em que a obra se 59 . Quadro-síntese da execução Etapa Atividades Levantamento da bibliografia Seleção da bibliografia Leitura analítica Fichamento Execução da pesquisa − fichas de citação bibliográfica − fichas resumo − fichas analíticas ou interpretativas Análise comparativa. o primeiro passo é a identificação das fontes que possam fornecer respostas ou esclarecimentos ao nosso problema. editora e data). interpretação dos dados e conclusões O quadro apresenta passo a passo os procedimentos operacionais para a realização da pesquisa.

na Unidade I. necessariamente. Você travou conhecimento com a leitura analítica. apresentando a sua pesquisa. ainda resta ao pesquisador realizar uma análise comparativa entre os autores lidos e registrados nas fichas. Para isso recomenda-se que siga as técnicas da leitura analítica. o pesquisador mergulha na sua leitura. interpretar os dados em função de sua hipótese/questões e estabelecer suas conclusões e recomendações. Espero. interpretação dos dados e conclusões A ficha analítica ou interpretativa tem o objetivo de registrar a sua posição em relação ao texto lido. monografia. que veremos na Unidade V. Seleção da bibliografia Concluída a etapa de levantamento. sem que seja. caberá a você fazer a seleção das publicações que interessam a sua pesquisa. Fichamento Este assunto foi estudado no texto “A Documentação Pessoal”. Uma pesquisa bibliográfica realizada com o objetivo de conclusão de curso de graduação ou mesmo de especialização pode ser bem feita. ao aprender diferentes técnicas de estudo. apreendeu o espírito científico frente à realidade. o pesquisador só tem acesso direto à obra na etapa de seleção. a etapa final da pesquisa que é a comunicação dos resultados. Na maioria das vezes. volte à Unidade I e reestude-a. trabalho de grandes proporções. É possível consultar o material em instituições. Leitura analítica De posse do material. É uma ficha crítica. então. O presente texto teve como objetivo levá-lo a caracterizar a metodologia do planejamento e as técnicas de execução da pesquisa bibliográfica. Inicia-se. obtê-lo por empréstimo nas bibliotecas ou até adquirir livros e revistas em livrarias. demonstrar que o aluno iniciou-se na metodologia científica. 60 . com isso.METODOLOGIA DA PESQUISA encontra (no caso de se tratar de uma biblioteca). Entretanto. Se achar necessário. ter contribuído para a realização do seu trabalho monográfico. Análise comparativa. o pesquisador acha-se em condições de preparar um roteiro para a elaboração do relatório ou melhor. Finda esta etapa.

de Gil (1996). ⇒ Recomendo a leitura do texto “Pesquisa bibliográfica” (LAKATOS.De que recursos você deverá dispor? (orçamento) 11. Não esqueça de preencher primeiramente a matriz de montagem.UNIDADE IV Exercícios Ao final da realização desta tarefa. Para chegar ao objetivo. (problematização) 4. o que lhe dará uma visão sistemática de seu projeto. 1. ⇒ Muito oportuno também é a consulta ao capítulo 13 “Como calcular o tempo e o custo do projeto?”. O que você pretende com a investigação? Aonde quer chegar? Qual é o seu propósito? (objetivo) 7. você verá que está com um projeto de pesquisa delineado. Lembre-se que o item Fichas já é seu conhecido. Selecione um tema a partir dos critérios de Castro e que possa ser investigado através de uma pesquisa bibliográfica. é sempre recomendável indicar algumas leituras que abordarão o tema a partir de outros enfoques. 2. Aponte a importância e contribuição que a investigação trará ao conhecimento. (relevância) 5. transforme o tema em um problema. Por que você escolheu este tema para pesquisa? Justifique. 2001). Faça alguma leitura em torno do tema escolhido e com o auxílio do que apreendeu. Procure delimitar o tema de modo que se torne claro. Você conhece a posição de especialistas no assunto? Resuma o ponto de vista ou a tese de pelo menos dois deles e que servirão de fundamentação a seu estudo. Que procedimentos você deverá seguir para realizar a pesquisa bibliográfica em torno do tema que escolheu? (metodologia da pesquisa) 9. Se necessário. objetivo e não muito amplo. que hipótese ou mesmo questões você deverá investigar? (questões ou hipóteses) 8. 61 . delimite-o no tempo e no espaço. 3. Como dispor do tempo para executar as atividades da pesquisa? (cronograma de execução) 10.Que título você considera adequado para o seu projeto? Enriqueça seu estudo Embora tenha sido apresentado um texto minucioso sobre o planejamento e a realização da pesquisa bibliográfica. (pressupostos teóricos) 6.

apenas parte da população é observada. descrever e interpretar a realidade. selecionada de acordo com uma regra ou plano. Para tal. ou seja. como o fará e por que deverá fazê-lo. ao selecioná-la. Quais serão. isto é. Quais são suas características mais gerais? Veja algumas. uma parte da população. portanto. é seguir determinados procedimentos. A pesquisa científica não se interessa por casos particulares. descritivas e experimentais. os aspectos específicos da pesquisa descritiva? Posso afirmar que são principalmente os procedimentos. os questionários e as entrevistas são técnicas muito utilizadas nas pesquisas descritivas. Até mesmo as hipóteses poderão ser substituídas por questões. as características de uma determinada população ou fenômeno. dandonos assim confiança de generalizar para o universo o que nela foi observado. não só pela economia de recursos e tempo. nas pesquisas descritivas e experimentais são utilizadas. seu propósito consiste em estabelecer generalizações. p. Neste texto. A elaboração de projetos desse tipo de pesquisa exige grande conhecimento do problema. dentre outras. as técnicas diretas de coleta de dados – totalmente diferentes das pesquisas bibliográficas – e o tratamento estatístico que sofrem os dados coletados. donde foi retirada. é o que se chama de amostra. (RUDIO. você tomará conhecimento de algumas características e conceitos gerais das pesquisas descritivas e experimentais. I A pesquisa descritiva Na pesquisa descritiva. Você poderá planejar uma pesquisa descritiva seguindo as mesmas etapas apresentadas para as pesquisas bibliográficas. então. quando e onde o fará. 62 . sem interferir nesta realidade. mas também por ocorrer maior controle e precisão de dados. que nos garantam ser ela representação adequada da população. O pesquisador precisa saber o que pretende. foi adotada neste módulo a nomenclatura de Cervo (1996) que classifica as pesquisas em bibliográficas. E explica: Amostra é.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 11 Pesquisas Descritivas e Experimentais Como você já sabe. Rudio (2000) afirma que é melhor trabalhar com a amostra do que com a população. O mais importante. Na maioria das vezes. quem ou o que deseja medir. o pesquisador procura conhecer. 62) Além das observações. 2000. as técnicas de observação de grupos de indivíduos chamados de população.

mediante a análise da freqüência de incidências e correlações estatísticas. Chizzotti explica que as observações sistemáticas procuram superar as incertezas das percepções imediatas e construir conceitos que permitam formular hipóteses para investigação. esta etapa decorre das etapas anteriores. de perguntas abertas ou mistos. 63 . O pesquisador descreve. • coleta de dados qualitativos. A análise dos eventos observados produz descrições baseadas na freqüência das incidências. das hipóteses ou questões que se investigam e com base nos pressupostos teóricos. que apresenta o tema em duas partes: • coleta de dados quantitativos. os questionários podem ser de perguntas fechadas. O questionário é um conjunto de perguntas dispostas seqüencialmente. estruturadas e controladas como sinônimos. Coleta de dados quantitativos As principais técnicas para a coleta de dados mensuráveis utilizam como instrumento a observação. 52).UNIDADE IV Técnicas diretas de coleta de dados Para estudar as técnicas de documentação direta. explica e prediz” (CHIZZOTTI. O pesquisador participa. 2000. A observação pode ser estruturada ou sistemática e consiste na coleta e registro de eventos observados que foram previamente definidos. p. A coerência e a lógica que caracterizam o projeto de pesquisa se estende à coleta de dados. Que são pesquisas qualitativas? São aquelas que se fundamentam em dados coletados nas interações interpessoais analisadas a partir da significação que os informantes dão aos seus atos. em relação aos dados coletados. Que são pesquisas quantitativas? São aquelas que “prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. compreende e interpreta. as pesquisas se dividem em quantitativas e qualitativas. De acordo com sua construção. procurando verificar e explicar sua influência sobre outras variáveis. especialmente do problema formulado. será seguido o esquema de Chizzotti (2000). No texto “Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica”. conclui Chizzotti. é necessário que o pesquisador selecione as técnicas mais adequadas e elabore instrumentos para registro e análise dos dados colhidos. Para realizar a coleta de dados e reunir informações necessárias à comprovação das hipóteses ou respostas às questões da investigação. é elaborado em função dos objetivos da pesquisa. bem como à análise dos mesmos. são as observações que se realizam sob controle para responder a objetivos prédefinidos. foi visto que. Rudio (2000) considera as observações sistemáticas. o questionário e a entrevista.

deve-se compreender: . Ao iniciar o processo de investigação direta. As informações vão sendo manuscritas ou gravadas e devem ser codificadas para serem transformadas em indicadores objetivos das variáveis.linguagem simples. utiliza a entrevista não estruturada. O questionário misto apresenta os dois tipos de questões elaboradas em função dos interesses da pesquisa. mas o conteúdo da entrevista e os diálogos vão sendo escolhidos livremente.o que pretende medir . maior elaboração nas respostas.como pretende confirmar as hipóteses • em relação ao informante. assim.o objetivo de cada questão . testar e aplicar os instrumentos para a coleta de dados. É uma comunicação bidirecional. clara. deverá selecionar a amostra da população que irá ser consultada.o conteúdo sobre o qual dará informações • em relação ao questionário.METODOLOGIA DA PESQUISA No questionário de perguntas fechadas. O tema é previamente estabelecido. É uma técnica que permite que se concretize uma relação estreita entre pessoas. havendo. No questionário de perguntas abertas. A entrevista estruturada é uma modalidade de comunicação entre o pesquisador que deseja colher informações sobre determinado fato e a pessoa que detém a informação.as questões que lhe são propostas . é necessário que contenha: . sem ambigüidades A entrevista é um diálogo preparado com objetivos definidos. Uma pessoa com perguntas preestabelecidas leva a outra a responder às perguntas.as informações que busca (o objetivo da pesquisa) . Se você optou por realizar uma pesquisa descritiva. Quando o entrevistador não deseja impor a sua visão. construir. Após a fase de aplicação. as afirmações apresentam alternativas de respostas fixas e previamente estabelecidas. o entrevistado responde com frases.estrutura lógica: · · · · seja progressivo seja preciso seja coerentemente articulado as questões e subquestões formem um todo lógico e ordenado . Chizzotti faz as seguintes observações sobre o questionário: • em relação ao pesquisador. o seu projeto poderá seguir os moldes apresentados para a pesquisa bibliográfica acrescido das especificidades dos procedimentos da pesquisa descritiva. as respostas são tabuladas e os resultados analisados e interpretados. A pesquisa termina com as conclusões a que você chegou frente aos objetivos e 64 . é necessário que saiba: .

O termo se origina da matemática. O pesquisador precisa estar muito atento às características da pesquisa experimental.UNIDADE IV questões. As pesquisas experimentais são muito usadas para identificar relações de causa e efeito entre variáveis. deseja-se medir. Os projetos experimentais podem-se desenvolver em laboratório ou no campo. etc. Inicia-se. II A pesquisa experimental A pesquisa experimental manipula a realidade através de experimentos. então. na pesquisa experimental. p. 69) E variável independente? São aquelas variáveis tais como preço. É essa a diferença básica entre ela e a pesquisa descritiva.sofridos em função da manipulação da variável independente. onde designa uma quantidade que pode tomar diversos valores. evitando perda de tempo e reformulações desnecessárias. peso. uma vez que ele deverá manipular e controlar uma ou mais variáveis independentes e ao mesmo tempo observar as mudanças que ocorrerão com a variável ou variáveis dependentes. recomendo que seja construída uma matriz analítica antes de detalhar o projeto. Entretanto. Você sabe o que é variável? Idade . em especial. aspectos ou categorias são variáveis. marca de um produto. a fase de redação do relatório da pesquisa através do qual você comunica o estudo realizado. A coleta de dados se realiza mediante a manipulação de determinadas condições utilizando-se a técnica de observação dos efeitos produzidos. embalagem. Todas as coisas que podem assumir diferentes valores. 65 . das técnicas. estatura. com exceção dos procedimentos. A matriz permitirá a você estabelecer a coerência e a lógica essenciais entre as partes do projeto. que são manipuladas pelo pesquisador com o objetivo de se medir o efeito sobre a variável dependente. sexo. classe social são variáveis. 2000. Já as variáveis dependentes tais como vendas. (RUDIO.. Tanto no planejamento dos projetos experimentais quanto nos projetos descritivos. assim como ocorre na pesquisa descritiva. são as variáveis cujos efeitos . imagem etc. o planejamento pode seguir as mesmas etapas que apresentei no texto sobre a pesquisa bibliográfica.

Após o estudo do texto. O que você entende por pesquisa descritiva? 3. Represente.METODOLOGIA DA PESQUISA Exercícios 1. O que você entende por variáveis independentes e variáveis dependentes? Enriqueça seu estudo ⇒ Você encontrará informações úteis sobre esta Unidade nos seguintes textos de Richardson (1999): “A observação”. 2. 4. 5. registrando suas principais características. as técnicas de observação e de entrevista utilizadas nas pesquisas quantitativas. Qual a diferença básica entre pesquisas descritivas e experimentais? 6. em um esquema. faça um resumo do mesmo. “Questionários” e “Entrevistas”. Faça a distinção entre população e amostra. 66 .

os dois grandes paradigmas metodológicos da pesquisa científica. p. Os cientistas que partilham da abordagem qualitativa em pesquisa se opõem. você e eu vamos refletir um pouco mais sobre as metodologias qualitativas. O material obtido nessas pesquisas é rico em descrições de pessoas. p.. os pesquisadores da área educacional se juntaram aos demais. Quais as principais características das pesquisas qualitativas? Bogdan e Biklen. 78).] a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada. situações. citados por Lüdke e André (2001). em geral. O pesquisador é integrante fundamental e participante dessa modalidade de pesquisa. 2001. via de regra através do trabalho intensivo de campo. A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. você tomou conhecimento das pesquisas quantitativas e qualitativas. sem adiantar explicações nem conduzir-se pelas aparências imediatas. preliminarmente. a fim de alcançar uma compreensão global do fenômeno. na Unidade III. (CHIZZOTTI. Não aceitam também que processos quantificáveis e técnicas de mensuração sejam o único caminho para legitimar os conhecimentos da área humana e social. importantes na área das ciências humanas e sociais. Em síntese. Posteriormente. acontecimentos. Neste texto.] (CHIZZOTTI.. Os dados coletados são predominantemente descritivos. Deve. [. ao pressuposto experimental [. despojar-se de preconceitos. As raízes da pesquisa qualitativa se encontram nas práticas cotidianas dos antropólogos e dos sociólogos sobre a vida das comunidades. 2001. Eles não aceitam que o paradigma das ciências naturais seja diretriz para as ciências humanas e sociais. calcado nas ciências naturais e no paradigma positivista. 2.. destacam cinco características básicas. a saber: 1.. essas correntes se fundamentam em alguns pressupostos contrários ao modelo experimental e adotam métodos e técnicas de pesquisa diferentes dos estudos experimentais. predisposições para assumir uma atitude aberta a todas as manifestações que observa. Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa nas suas pesquisas.UNIDADE IV Texto 12 Pesquisas Qualitativas Ao estudar. inclui 67 . 82). se contrapõem a um padrão único de pesquisas para todas as ciências. elas têm especificidades próprias que determinam metodologias e procedimentos próprios para atingir seus objetivos. Mas em que consistem as pesquisas qualitativas? A pesquisa qualitativa é uma designação que abriga correntes de pesquisa muito diferentes.

METODOLOGIA

DA

PESQUISA

transcrições de entrevistas e de depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos. 3. A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto. O interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas. 4. O “significado” que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. Nesses estudos há sempre uma tentativa de capturar a “perspectiva dos participantes”, isto é, a maneira como os informantes encaram as questões que estão sendo focalizadas. 5. Aanálise dos dados tende a seguir um processo indutivo. Os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos. As abstrações se formam ou se consolidam basicamente a partir da inspeção dos dados num processo de baixo para cima. (LÜDKE E ANDRÉ, 2001, p.12-13).

Quais as principais abordagens metodológicas qualitativas?
São elas: - a pesquisa participante - a pesquisa-ação - a pesquisa etnográfica ou naturalística - o estudo de caso O objetivo do pesquisador nas três primeiras abordagens é adotar uma postura de observador crítico e participante ativo através da qual coloca a ciência a serviço do movimento social. As pessoas que participam da pesquisa possuem o conhecimento empírico, popular, despojado de espírito crítico não relacionando as suas experiências individuais com o contexto social. A finalidade prioritária da pesquisa qualitativa, segundo os pesquisadores da área, é de desenvolver a consciência crítica e ampliar o conhecimento da comunidade envolvida na pesquisa. Favorece-se, assim, o processo de mudança e transformação da comunidade, levando-a a assumir um novo papel como ator social. Quanto à abordagem do estudo de caso caracteriza-se por ser bem delimitado, referindose a uma situação particular que pode se limitar, por exemplo, à observação das práticas pedagógicas de uma professora ou ao cotidiano de uma escola. O estudo de caso qualitativo “se desenvolve numa situação natural, é rico em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada.” (LÜDKE e ANDRÉ, 2001, p. 19).

Quais as técnicas mais utilizadas nas pesquisas qualitativas?
A coleta de dados qualitativos se realiza num processo de idas e voltas, nas diversas etapas da pesquisa e na interação do pesquisador com os pesquisados. Durante a pesquisa, os dados colhidos em diferentes etapas são continuamente analisados e avaliados. São técnicas de coleta de dados nesta modalidade de pesquisa: a observação participante, a entrevista individual e coletiva. Chizzotti aponta ainda o jogo dos papéis, a história de vida autobiográfica e a análise de conteúdo, dentre outras técnicas.
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UNIDADE IV

Considerando que os dados coletados não são quantificados, que cuidados tomar para garantir a veracidade dos fatos? Os dados coletados deverão ser validados segundo os critérios de: - fiabilidade (independência de análises ideológicas do autor); - credibilidade (garantia de qualidade relacionada à exatidão e quantidade das observações efetuadas); - constância interna (independência dos dados em relação à ocasionalidade etc.); - transferibilidade (possibilidade de estender as conclusões a outros contextos). Veja a seguir algumas características da observação participante, da entrevista nãodiretiva e da análise de conteúdo. Observação participante: é feita através do contato direto do pesquisador com o fato observado visando captar as ações dos atores em seu próprio contexto. A atitude do observador participante pode se caracterizar por uma identificação total com os participantes, vivenciando todas as ações de sua vida. O observador partilha de uma interação completa nas situações espontâneas e formais, acompanha a vida cotidiana, as circunstâncias e sentido das ações. A observação participante necessita ser revestida de cuidados para que elimine dados de emoções, deformações e interpretações destituídas de comprovação. Entrevista não-diretiva: é uma maneira de coletar dados a partir do discurso livre do entrevistado. Apresenta limitações, tais como a grande quantidade de dados e a emocionalidade do entrevistado. Além disso, é necessário que seja cercada de cuidados para garantir a cientificidade da técnica e a credibilidade das informações recebidas. Análise de conteúdo: é uma técnica de tratamento e análise de informações coletadas através de documentos escritos ou de outras formas de comunicação: oral, visual, gestual. Através da análise de conteúdo chega-se à compreensão crítica do sentido das comunicações e seu conteúdo claro ou implícito. Existem diferentes procedimentos para explicitar o significado das comunicações. O procedimento a ser utilizado depende dos objetivos da investigação, do tipo de material a ser analisado e também da ideologia do analisador. Neste texto você adquiriu noções gerais sobre as características e procedimentos das pesquisas qualitativas. Esses conteúdos poderão ser aprofundados através da leitura de livros de metodologia científica na medida em que você precise utilizá-los.

Enriqueça seu estudo
⇒ Para enriquecimento desta unidade é importante a leitura dos textos de Lüdke (2001): “Evolução da
pesquisa em educação” e “Abordagens qualitativas da pesquisa: a pesquisa etnográfica e o estudo de caso.”

⇒ Se você tiver interesse em conhecer mais sobre a técnica de análise de conteúdo, leia o artigo de
Gomes “A análise de dados em pesquisas qualitativas”, in Minayo (2001).

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METODOLOGIA

DA

PESQUISA

Exercícios
1. Qual o posicionamento dos pesquisadores que utilizam a metodologia qualitativa? 2. Explique duas características da pesquisa qualitativa. 3. Colete alguns dados que explicitem o que é a pesquisa-ação. 4. Caracterize a técnica da observação participante. 5. Reflita sobre um problema a ser pesquisado através de um estudo de caso e faça uma síntese do mesmo.

Esquematizando...
A Lógica da Concepção do Projeto de Pesquisa
Passos da concepção de projeto de pesquisa (construção da matriz analítica) originalidade 1) escolha do tema – critérios importância viabilidade - reflexão sistemática sobre o objeto - consulta à literatura sobre o tema 2) definição do problema – critérios para a formulação de problemas científicos - elaboração de questionamentos - formulação clara e objetiva - escolha de problemas concretos e passíveis de solução 3) pressupostos teóricos – critérios para o estabelecimento de pressupostos – fazer pesquisa bibliográfica preliminar 4) definição do objetivo da pesquisa – critérios para o estabelecimento do objetivo - manter a lógica entre as etapas anteriores e o objetivo a alcançar - questões: objetivos menores específicos - hipóteses: respostas provisórias que poderão ou não ser confirmadas

5) questões e/ou hipóteses – critérios para o estabelecimento de questões/hipóteses

6) metodologia / técnica – obedecer aos procedimentos específicos dos diferentes tipos de pesquisa

A Pesquisa Bibliográfica
Qualquer pesquisa exige coleta de dados através de: documentação direta – dados recolhidos através de observações, entrevistas e questionários nos locais em que o fenômeno ocorre; documentação indireta – dados recolhidos através de documentos e bibliografia. Finalidade da pesquisa bibliográfica – levantar as contribuições científicas e culturais já existentes sobre um determinado tema. Etapas do planejamento da pesquisa bibliográfica . escolha do tema . delimitação do tema . problematização . justificativa . relevância . pressupostos teóricos . objetivos . hipóteses / questões

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.preocupação maior com o processo .ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como principal instrumento .antropológica .à utilização de processos quantificados e técnicas de mensuração como único procedimento Posição do pesquisador: Posição do pesquisado: Pesquisas qualitativas integrante e participante da pesquisa sujeitos que produzem práticas para intervir nos problemas que identificam .o significado que as pessoas dão às coisas e à vida sofre atenção especial do pesquisador . descrever e interpretar a realidade sem interferir na mesma. .observação .análise dos dados segundo processo indutivo Características das pesquisas qualitativas 71 .questionários . perguntas abertas. ambiente experimental Pesquisa qualitativa – coleta de dados através da interação entre pesquisador e sujeitos da pesquisa. .dependentes .estruturada/não estruturada A Pesquisa Experimental Finalidade da pesquisa experimental: manipular a realidade através de experimentos.em laboratório . Tipos de variáveis Coleta de dados .à utilização do paradigma das ciências naturais A corrente qualitativa se opõe nas ciências humanas e sociais .UNIDADE IV . Planejamento das pesquisas descritivas Procedimentos gerais semelhantes à pesquisa bibliográfica Procedimentos específicos técnicas diretas .perguntas fechadas.a um padrão único de pesquisa .sociológica .entrevistas tratamento estatístico Pesquisa quantitativa – coleta de dados quantitativos. peso etc. misto Entrevista .no campo Pesquisas qualitativas Origem das pesquisas qualitativas . favorecendo aspectos subjetivos e a realidade dos sujeitos Principais técnicas para a coleta de dados quantitativos Observação .diferentes correntes de pesquisa que têm em comum pressupostos contrários ao modelo experimental. observação sistemática e controlada da freqüência de incidência dos fenômenos. observação e análise interpretativa.dados coletados descritivos na maioria . procedimentos / metodologia construção da matriz cronograma de execução orçamento elaboração do projeto Etapas da execução da pesquisa bibliográfica levantamento da bibliografia seleção de bibliografia leitura analítica fichamento análise comparativa. . Variáveis: todas as coisas que podem assumir diferentes valores: idade.independentes . interpretação dos dados e conclusões A Pesquisa Descritiva Finalidade da pesquisa descritiva: conhecer.estruturada ou sistemática Questionário . Pesquisa experimental na área de marketing: identificação de relações de causa e efeito entre variáveis. .

observação participante .pesquisa etnográfica ou naturalística .pesquisa participante pesquisa-ação .análise de conteúdo 72 .estudo de caso Principais técnicas para a coleta de dados qualitativos .entrevista não-diretiva .METODOLOGIA DA PESQUISA Abordagens metodológicas qualitativas .

Estilo para redação de trabalhos acadêmicos 4. A estrutura de trabalhos acadêmicos segundo as normas da ABNT Leitura do texto 14 "Estrutura de Identificar a estrutura de trabalhos trabalhos acadêmicos segundo a ABNT" acadêmicos segundo as normas da ABNT Exercícios Aplicar regras básicas de estilo na redação de trabalhos acadêmicos Análise do texto 15 "Estilo para a redação de trabalhos acadêmicos"" Exercícios Análise dos textos 16 e 17 "Apresentação de citações em trabalhos acadêmicos" e "Como elaborar as referências de um documento" Exercícios Enriqueça seu estudo 3. Normas para a apresentação de citações e referências em trabalhos acadêmicos Identificar as diretrizes da ABNT para apresentação de citações e referências em trabalhos acadêmico Unidade V . distinguir as diferentes partes que a constituem e os princípios que norteiam a construção do texto Carga horária: 10h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 13 "A comunicação dos resultados da pesquisa: a monografia Exercícios 2. A estrutura da monografia e a construção lógica do texto OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar monografia.A Comunicação de Trabalhos Científicos: as monografias Guia de estudo ASSUNTO 1. O trabalho monográfico.

A especificação encontrada nos trabalhos de Le Play caracteriza até nossos dias os trabalhos monográficos. A própria estrutura da monografia conduz a uma reflexão coerente e lógica. uma dissertação ou uma tese. O relatório de pesquisa é editorado sob a forma de uma monografia que. por sua vez. Salomon faz um alerta àqueles que realizam monografias científicas. pode-se afirmar que a monografia é um relatório de uma pesquisa sobre determinado tema e que. no sentido de que privilegiem a reflexão. Veja o que ele entende por estes aspectos qualitativos: • pessoal . conforme o grau de profundidade. Assim. deve ter havido pesquisa. publicou 57 monografias descrevendo minuciosamente a vida dos operários franceses e o orçamento de uma família-padrão daquele grupo. os objetivos e os procedimentos de abordagem. A conclusão. autônomo. criativo e rigoroso. Severino (2000) destaca que.” Esta definição permite esclarecer alguns pontos confusos em relação ao termo.o estudo é o resultado do esforço do pesquisador e de sua capacidade de inter-relacionamento dialético com outros pesquisadores. por conseguinte. além de precedidos de um trabalho de pesquisa. • autônomo . pode ser um trabalho de iniciação científica. o estudo de um só tema. p. o que confirma o sentido etimológico da palavra: monos (um só) e graphein (escrever).METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 13 A Comunicação dos Resultados da Pesquisa: a monografia Salomon (2001) vai buscar em 1855 as origens históricas da monografia quando Le Play. expõe e demonstra. a relevância do problema. quer seja bibliográfica. é decorrência de uma investigação. Costa (1998. de campo ou de laboratório. sociólogo francês. A introdução expõe e delimita o tema.a problemática deve estar ligada à vivência do pesquisador. frente a sua visão de mundo. Para haver monografia. os relatórios científicos devem apresentar um processo de reflexão cujas características são ser pessoal. sem a qual a monografia se reduz a um simples relatório de procedimentos de pesquisa ou compilação de obras de terceiros. 213) dá a seguinte definição para monografia: “Estudo minucioso que propõe esgotar um determinado tema relativamente restrito. É a investigação. 74 . o desenvolvimento traz a fundamentação lógica do trabalho. ser relevante e significante para ele. é a síntese de toda a reflexão que se faz ao longo do trabalho.

mas à medida que o pesquisador prossegue na sua caminhada. sem os quais não há ciência e nem resultado válido. como a qualquer pesquisador. Em suma. é claro.no trabalho científico não há lugar para o senso comum e o espontaneísmo. exige-se ainda a disciplina do compromisso assumido pela decisão da vontade. além. 191): “Em cada parte. roteiro e demais anotações. além de passar pelos procedimentos próprios da pesquisa bibliográfica. questionários e entrevistas.UNIDADE V • criativo . Destaca Luckesi (2000. Trabalho de conclusão de curso . impõem-se um empenho e um compromisso inevitáveis. do próprio projeto. Dissertação . 148). (SEVERINO. da relação com o que vem antes e o que virá depois. É oportuno destacar que a ABNT evita o termo genérico monografia. E conclui: Além da disciplina imposta pela metodologia geral do conhecimento e pelas metodologias particulares das várias ciências. a 75 . 2000. bem como sobre a montagem do mesmo. segundo a estrutura indicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). p. bem como nas pesquisas qualitativas. Neste módulo estou dando ao termo “monografia” um sentido genérico que se refere a todas essas modalidades. após a conclusão do fichamento. o pesquisador estará em condições de organizar um roteiro para relatar o seu estudo. Resta. Não se faz ciência sem esforço. Ao pós-graduando.nos trabalhos de iniciação científica prevalece a apropriação da ciência acumulada. Isso implica uma série de análises.trabalho acadêmico elaborado ao final dos cursos de mestrado. Redação provisória da monografia Vimos no texto “A Pesquisa Bibliográfica” que. o pesquisador. tais como observações. sínteses e conclusões que antecedem a redação da monografia. item. análise. parágrafo. interpretação dos dados e conclusões. realiza outros procedimentos de coleta e análise de dados. A primeira redação deve ser feita sob a forma de rascunho e orientada pelas fichas. preferindo adotar a nomenclatura “Trabalhos acadêmicos” que ela subdivide em: Teses . • rigoroso . passa a colaborar na produção da ciência. agora. cujo grau de profundidade vai variar em função do nível de conhecimento do próprio pesquisador: iniciante ou profissional. orientálo sobre o processo de elaboração deste tipo de relatório científico. capítulo. p. cuidando da seqüência. perseverança e obstinação.trabalho acadêmico elaborado nos cursos de doutorado. a monografia é um relatório através do qual o pesquisador comunica os resultados de seu estudo sobre um tema específico. A construção lógica desse roteiro é feita a partir dos dados coletados e das reflexões e conclusões do pesquisador. Nas pesquisas de campo ou de laboratório. vamos expressar as nossas idéias. Abordei aqui os objetivos e características de um trabalho monográfico.elaborado no final da graduação e na especialização.

190). Introdução . a conclusão resumirá os resultados que levaram à comprovação ou rejeição da hipótese ou questões de estudo. das referências e dos anexos. aperfeiçoada no conteúdo e na redação. para novas verdades. que dêem ao leitor idéia exata do conteúdo daquela seção ou subseção. Em outras palavras. o corpo do trabalho – isto é. O termo desenvolvimento não precisa ser usado. As seções devem receber títulos temáticos assim como as subseções. as questões ligadas aos objetivos da investigação direcionam o processo e. de nossa reflexão seja facilmente percebida pelo leitor de nosso escrito.onde o autor coloca de maneira dissertativa todos os itens que constituíram o seu projeto. Severino e Luckesi já citados dão a seguinte definição para esses termos: a) explicar: tornar evidente. fará inferências que o estudo venha a permitir e recomendará pontos que devam ser reestudados ou aprofundados. Salomon. esta deverá ser analisada. c) demonstrar: aplicar argumentação própria à natureza do trabalho. objetiva. explícito o que está obscuro ou complexo. Títulos temáticos significa que devem ser portadores de sentido. Lendo a introdução. 76 . b) discutir: comparar posições que se entrechocam dialeticamente. as teorias já existentes sobre o mesmo e que subsidiaram a pesquisa. essas questões podem se transformar nos títulos das seções. Para comunicar as suas idéias. sóbria e precisa como convém a um trabalho científico. isto é. ao elaborar o relatório monográfico. do orçamento.” Na redação provisória. “poderá ser a abertura de uma nova problemática. verdades garantidas. Deve ser clara. em alguns pontos deverá explicar. o autor. Redação definitiva da monografia Terminada a redação provisória.é a parte mais extensa do trabalho e onde o pesquisador comunica a fundamentação teórica. É dividido em seções e em subseções se a organização lógica do pensamento o exigir. o texto propriamente dito – já pode ser estruturado em três partes: introdução. retocada. o processo e o resultado da pesquisa. relevância. partir de premissas. em outros discutir ou mesmo demonstrar. os objetivos e questões do estudo. Desenvolvimento .é o fecho do trabalho. como destaca Luckesi (1995). desenvolvimento e conclusão. Conclusão . contribuição e metodologia utilizada. com exceção apenas do cronograma. ou o encaminhamento de possível solução ao problema levantado. Muitos terminam a introdução detalhando a estrutura das demais seções. É neste momento que o pesquisador toma uma posição que poderá ser uma síntese das idéias explicadas. discutidas ou demonstradas ou.” (p.METODOLOGIA DA PESQUISA fim de que a expressão do nosso pensamento. Durante a realização da pesquisa. conhece-se o problema pesquisado.

Exercícios 1. recorra ao texto “Análise e relatório final”. Qual a estrutura básica deste relatório? 2. de acordo com o que estabelecem as normas da ABNT. do livro de Marconi (1999).UNIDADE V Existem diretrizes para a elaboração do relatório. O que deve figurar nas conclusões? Enriqueça seu estudo ⇒ Se você desejar fazer alguma leitura para ampliar este tema. 77 . mas elas sofrem adaptações segundo o tipo de pesquisa e características do pesquisador. ou ao capítulo 6 “Trabalhos científicos”. As regras básicas a serem seguidas estão nas normas da ABNT. E no desenvolvimento? 4. Após a execução da pesquisa. o autor comunica o seu estudo através de um relatório. De modo geral o que vem apresentado na introdução? 3. de Goldenberg (1999). No próximo texto serão apresentadas as regras básicas de formatação da monografia.

Existe um órgão internacional responsável pela normatização. muitas vezes. Esse órgão é hoje uma federação mundial de organizações nacionais. Esta opção evita também que os cursistas utilizem procedimentos heterogêneos e. É a International Organization for Standartization (ISO). na qual o Brasil é representado pela ABNT (Santos. Existem diferentes padrões de trabalhos científicos. 3) que apresenta a estrutura da monografia. Elas são estabelecidas internacionalmente e têm como objetivo facilitar a troca de informações e dar objetividade às comunicações científicas. I Estrutura do trabalho Partes Elementos integrantes Capa (obrigatório) Lombada (opcional) Folha de rosto (obrigatório) Errata (opcional) Folha de aprovação (obrigatório) Dedicatória(s) (opcional) Agradecimento(s) (opcional) Epígrafe (opcional) Resumo na língua vernácula (obrigatório) Resumo em língua estrangeira (obrigatório) Lista de ilustrações (opcional) Lista de tabelas (opcional) Lista de abreviaturas e siglas (opcional) Lista de símbolos (opcional) Sumário (obrigatório) Introdução Desenvolvimento Conclusão Referências (obrigatório) Glossário (opcional) Apêndice(s) (opcional) Anexo(s) (opcional) Índice(s) (opcional) Pré-textuais Texto Pós-textuais 78 . o autor precisa se ater a dois tipos de normas: as de formato e as de estilo. 2000). os cursos coordenados pelo CEP seguem as suas diretrizes. que é. Por ser a ABNT o órgão que representa o Brasil nacional e internacionalmente. decorrentes de simplificações usadas por variadas instituições brasileiras. Veja. o esquema proposto pela norma NBR 14724/2002 (p. Explica Spector (1997) que na redação de um trabalho científico. a seguir. no Brasil. sediada em Genebra.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 14 Estrutura de Trabalho Acadêmico – segundo a ABNT Neste texto você irá se deter na estrutura da monografia de acordo com as regras da ABNT. inadequados. o órgão regulamentador das normas e procedimentos para elaboração e apresentação de trabalhos técnicos e científicos.

tese de doutorado e outros. Veja a seguir. 79 . de acordo com o Código de Catalogação Anglo-Americano. que seguram a parte interna das folhas. Errata Corrigenda. Capa É essencial para a proteção e identificação do trabalho. trabalho de conclusão de curso. Lombada É a parte dorsal. A ABNT recomenda a apresentação das informações na ordem que se segue: • nome da instituição • nome do autor • título do trabalho e subtítulo. nome da instituição e área de concentração • nome do orientador e do co-orientador. o título da obra e elementos alfanuméricos. a estrutura da monografia apresenta três grandes divisões. no anverso da folha de rosto deve figurar: • natureza do trabalho. Quando se fizer necessário faz-se a lista dos erros e indicam-se as correções. II Pré. É facultativa. isto é. nela aparecem o nome do autor.UNIDADE V Como você verificou na tabela. curso etc. Alguns desses elementos são obrigatórios e outros são opcionais. por isso é obrigatória. isto é. A seguir darei algumas explicações sobre elas.texto ou pré-textuais São os elementos apresentados antes do texto e que trazem informações necessárias à identificação do trabalho. aprovação em disciplina. se houver • número de volumes quando houver mais de um • cidade onde se localiza a instituição recebedora • ano em que foi entregue o trabalho. . objetivo do trabalho. Quando usada. as costas da obra. Além dos elementos que aparecem na capa. É opcional. No verso da folha de rosto deve figurar a ficha catalográfica. Folha de rosto Deve figurar logo após a capa e constitui-se na fonte principal de identificação. isto é. dissertação de mestrado.

METODOLOGIA DA PESQUISA Folha de aprovação É obrigatória e vem logo após a folha de rosto trazendo os mesmos elementos acrescidos da data de aprovação e de dados de identificação dos componentes da banca. Dedicatória (s) É opcional e aparece quando o autor presta homenagem a pessoas relevantes em sua vida particular ou profissional. instituição a que pertencem e assinatura. Lista de ilustrações e lista de tabelas São opcionais . só deverão ser elaboradas se houver tais elementos no texto. com os respectivos significados. tais como nome. colocar as palavras-chave (NBR 6028). 80 . Lista de abreviaturas e siglas Relação alfabética de abreviaturas e siglas que aparecem no trabalho. Agradecimento(s) Aparece quando o autor deseja demonstrar gratidão a pessoas que contribuíram direta ou indiretamente para a elaboração do trabalho. consiste em uma versão para o inglês (abstract) ou para o espanhol (resumen) ou para o francês (résumé). com as mesmas características do resumo em língua vernácula. Consiste numa citação correlacionada com o assunto abordado e seguida da indicação do autor. Resumo na língua vernácula Apresentação concisa e obrigatória dos elementos de maior importância do texto não devendo ultrapassar 500 palavras. titulação. Abaixo do resumo. Lista de símbolos Relação opcional de símbolos utilizados no texto com as respectivas significações. Cada item deverá constar com seu nome específico seguido do número da página. É opcional. Epígrafe É opcional e pode figurar após a folha de agradecimentos e no início das seções primárias. Resumo em língua estrangeira Elemento também obrigatório.

São apresentadas teorias. Dados quantitativos não devem aparecer na conclusão. 81 . III Texto ou textuais Consiste no estudo propriamente dito e se divide em três partes: a introdução. clara e ordenadamente. o desenvolvimento e a conclusão. devem figurar. Minúcias ou provas matemáticas ou procedimentos experimentais. dentre outras partes. Deve ser dividida em tantas seções e subseções quantas forem necessárias para o detalhamento do relatório da pesquisa ou estudo realizado. nem tampouco resultados comprometidos e passíveis de discussão. Desenvolvimento Parte mais importante do texto. Introdução É a etapa inicial do texto. Geralmente é feita a partir do projeto e nela constam. A introdução não é uma repetição do resumo. Conclusão Nesta seção. subseções e demais divisões do trabalho. a abordagem metodológica utilizada e a relevância do trabalho. como você já viu no Texto 13. seguindo-se o número das páginas. além do tema do estudo e sua delimitação. obedecendo à ordem em que se apresentam. as evidências e deduções tiradas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo da discussão do tema. os pressupostos teóricos. nem antecipar os resultados e conclusões. não deve detalhar a fundamentação teórica. as hipóteses ou as questões do estudo e. Recomendase usar a mesma grafia do interior do trabalho. por exemplo. em função dos objetivos e hipóteses ou questões. IV Pós-textuais ou pós-texto O trabalho é finalizado com os elementos pós-textuais a seguir apresentados. Vejamos um pouco mais. finalmente. procedimentos e discussão de resultados. descrição de métodos. os objetivos.UNIDADE V Sumário É obrigatório e consiste na enumeração das seções. Recomendações devem ser feitas para que novas pesquisas e estudos prossigam no sentido de investigar os resultados não esclarecidos. se necessário devem constituir material anexo ou apêndices. As descrições apresentadas devem ser suficientes para permitir a compreensão das etapas da pesquisa. a justificativa.

natureza do trabalho • dois espaços duplos: separação dos títulos das subseções. (exceção para as ilustrações). São também identificados por letras maiúsculas e respectivos títulos. digitado no anverso da folha (exceção da folha de rosto) • fonte tamanho 12 para o texto. A elaboração das referências obedece à norma NBR 6023/2002 sobre a qual trataremos no Texto 17. mais importantes para o estudo. formato A4. paginação e legendas Margem • superior e esquerda: 3cm • direita e inferior: 2cm Espaço • duplo • espaço simples: citações longas. dentre outros. Anexo É opcional e consiste em textos ou documentos não elaborados pelo pesquisador. V Apresentação de trabalhos acadêmicos Formato • papel branco. impresso na cor preta. Glossário Lista opcional de palavras de sentido restrito acompanhadas da respectiva definição. tamanho menor para citações longas. notas.METODOLOGIA DA PESQUISA Referências É um elemento obrigatório que permite a identificação individual de documentos que possuam informação registrada incluindo impressos. ficha catalográfica. manuscritos. Índice É opcional e segue a NBR 6034 para a sua elaboração. dos textos que os precedem e os sucedem 82 . referências. Apêndice É opcional e consiste em textos ou documentos elaborados pelo próprio pesquisador com o objetivo de complementar sua argumentação. São identificados por letras maiúsculas. registros audiovisuais e sonoros. notas de rodapé. seguidas dos respectivos títulos. legendas.

2. em detalhes. Em que consiste e onde deve figurar o resumo em língua vernácula? 3. mas contada a partir da folha de rosto (não se usam mais os algarismos romanos) • localização do número no canto superior direito da folha. 83 . Ela trata. Fale sobre a parte textual da monografia. não deve ser seguido. Utilizando os dados de sua pesquisa. O estilo coloquial da redação. organize uma proposta de capa e de folha de rosto. são encontrados modelos de formatação de páginas que podem servir de exemplo por ocasião da redação da monografia. VII Observações Finais No apêndice deste módulo. dos princípios para a elaboração de trabalhos acadêmicos. a 2 cm da borda superior e da borda direita da folha Numeração progressiva • nas seções e subseções do texto • os títulos das seções primárias devem iniciar folha • os títulos das seções e subseções são destacados através de negrito.UNIDADE V Indicativos de seção • o número da seção vem alinhado à esquerda separado do título por um espaço de caractere • os títulos sem indicativo numérico são centralizados • a folha de aprovação. a dedicatória e a epígrafe não têm título Paginação • numeração arábica colocada a partir da primeira folha da introdução. Exercícios 1. Apesar de ter procurado. Explique a diferença entre apêndices e anexos. 4. itálico ou grifo e redondo Siglas Quando aparecer pela primeira vez no texto. se você tiver algumas dúvidas tenho a certeza de que irá solucioná-las fazendo uma consulta à mesma. usa-se o nome completo seguido pela sigla entre parênteses. neste texto. Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo a análise da Norma NBR 14724/2002. entretanto. abordar os aspectos gerais da norma.

E conclui “ainda que o ato de escrever seja profundamente individual.. Dentro das seções ele também deverá decidir onde se torna necessário abrir subseções. Caberá ao autor decidir o número de seções necessárias para que os resultados de sua pesquisa sejam comunicados. Deve-se evitar o uso excessivo dos parágrafos ou a sua ausência quase total. embora sem a preocupação de um trabalho artístico. num manual de estilo.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 15 Estilo para a Redação de Trabalhos Acadêmicos O pesquisador. a informação vem estruturada através de divisões e subdivisões obrigatórias. Por esta razão. parte substantiva de seu trabalho. é encontrado um conjunto de diretrizes que auxiliam a redação inteligível e agradável. ao preparar a comunicação dos resultados de sua pesquisa. . consultados para a redação deste tema. ele tem por obrigação cumprir o objetivo de se fazer entender. Severino. a seqüência e a maior ou menor complexidade do parágrafo decorrem do raciocínio expresso. 43) explica que. pois ele expressa as etapas do raciocínio do autor.concisão: capacidade de se expressar sem uso redundante de palavras que prejudicam a objetividade do texto. Galliano. Os autores que tratam de estilo. 84 . os textos não-literários devem seguir uma série de normas [. Assim é que as informações aparecem divididas em seções e estas subdivididas em subseções. Serão feitas neste texto algumas considerações sobre o estilo.]” Quais são as normas básicas de estilo para que se produza um bom texto técnico? No trabalho científico. são unânimes em afirmar a importância da clareza. p.coerência: relação lógica das frases que constituem o parágrafo. tais como Salomon. Medeiros. unidade. A construção do parágrafo é um dos momentos mais importantes da redação. . Spector e Beaud. deve se preocupar com dois aspectos: a formatação e o estilo que usará na redação. Veja o que eles afirmam a respeito desses tópicos: .. Estas decisões não são aleatórias. coerência e concisão ao se redigir um parágrafo. e você poderá recorrer à própria norma da ABNT.clareza: capacidade de transmitir com exatidão uma idéia em uma frase. unidade menor do pensamento. Quando o autor de um trabalho não-literário expressa seu pensamento. Spector (1997. Estão ligadas ao conteúdo e seqüência das informações.unidade: relevância de cada frase para o tema do parágrafo. Sobre a formatação foram apresentados os dados essenciais. além do conteúdo. as dimensões. A estrutura do parágrafo acompanha a estrutura da própria monografia: introdução. desenvolvimento e conclusão. à dimensão total do trabalho e às unidades de pensamento. .

no texto. • coloquialismo . . . e e/ou . Finalizando. abro parênteses para lembrar aos leitores deste módulo que a linguagem por mim usada se aproxima do coloquial.exponha as idéias com clareza. • tempo do verbo . define-se a abreviatura quando o termo aparece pela primeira vez. .” (p.deve-se evitar o seu uso nos casos em que a ação já foi concluída. • etc. a partir de sua experiência em bancas examinadoras e orientação de teses. quando. respeitar as leis da gramática.a maior parte dos erros de concordância ocorre em frases longas.não devem ser usados nas monografias. ele. alguns manuais recomendam que todos os números acima de dez sejam escritos com algarismos e não com palavras. geralmente após a interpolação de frases que separam o sujeito do verbo.: Aqui. alcançará maior clareza e a redação ganhará em qualidade. . Fogem ao rigor do trabalho científico.evite linguagem coloquial.na linguagem técnica não se deve usar expressões coloquiais nem expressões técnicas imprecisas. Releia o texto quantas vezes se fizerem necessárias.prefira frases curtas que contenham uma só idéia. no entanto. Spector (1997). destaca as dificuldades que o pesquisador apresenta ao redigir seus relatórios. todas as vezes que o fizer aumentará o seu entendimento do mesmo. Para tal. • abreviaturas . colocando-a entre parênteses após o termo por extenso.deve-se manter homogeneidade no tempo dos verbos: o trabalho científico relata uma investigação já realizada. terá de utilizar os códigos da lingüística. quando são usadas muitas abreviaturas. Você não deverá seguir a linguagem por mim usada ao elaborar sua monografia. por se tratar de um curso dado dentro das técnicas da educação a distância. Spector diz que o trabalho deverá ser revisto continuamente pelos seguintes motivos: 85 . • gerúndio . pode ser usada apenas a abreviatura. através do material.observe as regras gramaticais ao fazer sua redação. veja algumas: • concordância verbal . que recomendam ao autor procurar travar um diálogo com o aluno. são expressões imprecisas. da familiaridade com o estudante. obrigatoriamente. não deve ser escrito no passado.não há consenso sobre o seu uso.UNIDADE V de comunicar aos seus pares os resultados de sua pesquisa. a partir daí. Obs.utilize linguagem direta. • uso de numerais nos textos técnicos . faço as seguintes recomendações: . o que obriga o autor a fazer o seu relato no pretérito perfeito. 53). Observe o exemplo que ele dá: “Einstein demonstrou que a velocidade da luz é constante. precisão e objetividade. o fato demonstrado ainda é aceito. costuma-se fazer uma lista de abreviaturas e colocá-la no pré-texto.

⇒ Beaud (2000).rever frases e parágrafos pouco claros. “Alguns conselhos muito práticos para a redação do manuscrito”. tabelas desnecessárias. traz muitos exemplos sobre os tópicos explanados no texto. Espero que as considerações aqui apresentadas sobre questões de estilo despertem em você a preocupação em apresentar as suas pesquisas numa linguagem técnica correta e agradável.verificar a seqüência lógica do texto. .cortar o excesso de adjetivos. um artigo de seu interesse e faça uma leitura crítica sobre o estilo adotado pelo autor. em uma revista técnica.evitar desproporção entre as seções. no capítulo 24.. informações repetitivas. . nas referências etc. apresenta “dicas” interessantes. . 86 . de autoria de Spector (1997).detectar erros tipográficos. . Exercício Localize.conferir os dados nas tabelas. é uma leitura proveitosa. Enriqueça seu estudo ⇒ A Parte 3. “Manual de Estilo”. .METODOLOGIA DA PESQUISA . Use o Texto 15 como referência.

A ABNT (ASSOCIAÇÃO. aparecem dois tipos de citações. Que são citações e como e quando usá-las? Segundo a ABNT.UNIDADE V Texto 16 Apresentação de Citações nos Trabalhos Acadêmicos Esta Unidade tratou especificamente da elaboração de monografias chamadas pela ABNT de trabalhos acadêmicos.2) assim define a citação direta: “transcrição textual de parte da obra do autor consultado. logo na primeira página. eu indiquei a 87 . Você percebeu que algumas citações vêm inseridas no texto que escrevi. Observe que. deve ficar claro que ambas são denominadas de citações diretas porque utilizam as próprias palavras do autor consultado. p. e devem ser redigidos obedecendo a determinadas regras de estilo. vem uma citação de Medeiros escrita no próprio texto. Salomon e Medeiros.” Ocorre. ela é uma citação direta longa. Veja que por se tratar de citações textuais. entretanto. 2002b. As citações têm o objetivo de dar maior credibilidade às idéias e pontos de vista que o pesquisador está defendendo uma vez que ele vai buscar em outros autores – especialistas no assunto tratado – argumentos favoráveis a sua proposição. enquanto outras vêm destacadas do texto com uma formatação específica? Retorne ao Texto 1. É uma citação direta curta. Já a citação de Medeiros não ultrapassa três linhas. de Salomon. citação é a “menção de uma informação extraída de outra fonte. p. no caso. 2002b. Este texto tratará das citações. foi digitada com espaço de entrelinha simples e a fonte é menor do que a utilizada no texto. Ao longo deste módulo você teve oportunidade de conviver com diferentes tipos de citações. Dois parágrafos abaixo. principalmente. Por que isso ocorre? Em primeiro lugar. com a mesma fonte e entre aspas. A citação de Salomon tem mais de três linhas e por essa razão é apresentada em destaque. Restam ainda dois aspectos prioritários na redação dessa modalidade de trabalhos: são eles as citações e as referências.1). apresenta um recuo de 4 cm em relação à margem esquerda. Estes trabalhos têm uma estrutura própria. está destacada do texto. motivo pelo qual vem inserida no próprio texto. como você já viu. “ O ato de estudar”. a um fator estético. A primeira. ainda no Texto 1. Veja que ela não está entre aspas. diferentes maneiras de apresentá-las graças.” (ASSOCIAÇÃO. entre aspas. que repetem exatamente as palavras do autor.

” (ASSOCIAÇÃO. a palavra fato pode referir-se a coisas diferentes [.METODOLOGIA DA PESQUISA fonte. Muitas vezes consideramos relevante transcrever o pensamento de um autor que vem citado numa obra escrita por outro. o sobrenome do autor.]. Veja o que a ABNT recomenda fazer nesta situação.2). Por outro lado quando você desejar enfatizar alguma expressão ou trecho da citação. citados por Lakatos (1995. consulte a Norma NBR 10520/2002.] significando a supressão de um trecho. isto é. Uma maneira usual de obter informações ocorre através de depoimentos.” Na indicação da fonte que precede ou acompanha a citação ocorrem duas situações. É este o sinal que você deve usar quando desejar fazer a supressão de um trecho na citação. 88 . Acompanhe o próximo parágrafo. acrescentar algo ou enfatizar determinados aspectos. p. Acompanhe a definição dada pela ABNT “ citação direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original. Repare que eu digo com as minhas palavras que Salomon (2001) foi buscar em 1855 as origens históricas da monografia. grifo nosso). No sétimo parágrafo você pode verificar procedimento semelhante quando me refiro a Severino (2000). quando eu explico que: “Segundo Cohen e Nagel. Como proceder? Observe no parágrafo anterior que eu concluí a frase com o sinal [. Em muitas ocasiões o pesquisador não necessita transcrever os textos em sua totalidade. p. 2002b..2.]” O que significa isso? Simplesmente que eu tive acesso ao livro de Lakatos onde obtive a informação de Cohen e Nagel. deseja fazer supressão de um trecho.. no parágrafo anterior.. Se você desejar conhecê-lo. logo no primeiro parágrafo você encontra uma citação indireta.1). (ASSOCIAÇÃO...”(ASSOCIAÇÃO. 2002b. Na explicação que darei a seguir você verá um exemplo de destaque em citação. p. acompanhado da data e do número da página do livro de onde ela foi extraída.] indicar. mencionandose os dados disponíveis. Consulte o Texto 13 “A Comunicação dos resultados da pesquisa – a monografia”. a expressão informação verbal. A isso denomina-se de citação de citação. entre parênteses. Uma outra maneira de você se remeter ao pensamento de um autor é a citação indireta também chamada por alguns de paráfrase. p. a expressão a ser acrescida junto à fonte seria “grifo do autor. palestras etc. Esse procedimento de indicação da fonte é chamado de autor-data. deverá destacá-la e ao transcrever os dados da fonte acrescentar a expressão “grifo nosso”. em nota de rodapé. “Quando se tratar de dados obtidos por informação verbal [.27)... 2002.. Você viu. Se o destaque tivesse sido do próprio autor. A ABNT define esta situação como “texto baseado na obra do autor consultado. que inseri o símbolo [. Existe um outro procedimento que é denominado de numérico. Você encontra um exemplo de citação de citação no Texto 6 – “Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento”. junto à indicação da fonte foi feito o acréscimo explicativo “grifo nosso”. bem como negrito para a expressão informação verbal.

13 .UNIDADE V a) o sobrenome do autor ou autores poderá vir totalmente dentro de parênteses e nesse caso em letras maiúsculas. Ex. p. (SALOMON. Você poderá consultar esta e outras normas na própria sede da ABNT que fica situada na Av. Na NBR 10520/ 2002. uso do símbolo [. Exercícios Analise.26). Rio de Janeiro – RJ – CEP 20 003-900 – telefone (21) 3974 2300 ou... 89 . citações indiretas 4. você encontrará inúmeras outras ocorrências num nível de detalhamento bem expressivo. vem na sentença em letras maiúsculas e minúsculas. neste módulo.28º andar. citações diretas curtas 3. Conforme explica Salomon (2001). exemplos das seguintes situações: 1.] Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo a leitura da NBR 10520/2002. Ex. citação de citação 5. citações diretas longas 2. onde encontrará informações preciosas para a redação de citações em sua monografia. 2001. a monografia é um estudo aprofundado de um tema. Treze de Maio. adquiri-las. devido à maneira de redigir. b) o sobrenome do autor ou autores. As situações mais comuns no uso de citações foram por mim expostas. se preferir.

utilizei como exemplo diversas referências por mim organizadas na lista que se encontra no final deste módulo. Se você tiver necessidade de aprofundar a análise deste tema.2). O que é exatamente referência? É a seguinte a definição de referência adotada atualmente pela ABNT: “conjunto padronizado de elementos descritivos. itálico ou grifo mas uma vez escolhida uma dessas formas. Até pouco tempo era usual a expressão referências bibliográficas. em espaço simples e separadas umas das outras por espaço duplo. A pontuação segue regras internacionais. as referências devem estar alinhadas junto à margem esquerda. retirados de um documento. Os títulos podem ser destacados por negrito. Como deve ser feita a apresentação das referências? Na lista. Neste texto vamos dar a você algumas orientações gerais sobre a apresentação das referências no sistema alfabético. que permite sua identificação individual. deve ser seguida em toda a lista. adotado neste trabalho. mas a partir do ano 2000.” (ASSOCIAÇÃO. a coleta de dados da pesquisa não se limita às informações provenientes das bibliotecas. ele virá em maiúsculas não se usando. É que atualmente. Os elementos a serem incluídos na referência são de dois tipos: elementos essenciais que são indispensáveis para a identificação do documento e complementares que permitem uma melhor identificação dos mesmos. Em outras ocasiões ela vem em nota de rodapé ou no fim do capítulo ou seção. por exemplo. 90 . atinge os meios eletrônicos.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 17 Como Elaborar as Referências de um Documento Neste último texto você vai se familiarizar com a questão das referências. deverá consultar a norma NBR 6023/2002. itálico ou grifo. Em que parte do trabalho devem-se localizar as referências? A localização das referências está na dependência do tipo de documento. com as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias. Há uma razão para isso. No caso de obra sem autoria em que o título inicia a referência. a referência vem no início do trabalho. mas nesse caso deve ser repetida em lista ao final do trabalho. quando a ABNT atualizou a NBR 6023. Esta lista é um elemento pós-textual obrigatório. p. negrito. 2002a. assim. ela adotou apenas o termo referências. Se você prepara um resumo de um texto numa ficha. Para tanto.

• mais de três autores: indica-se o primeiro e a expressão et al. na lista de referências. Em relação à autoria. fascículo. Quando se tratar de referência de matéria de revista ou boletim. Quando se tratar de parte de uma obra com autores ou títulos próprios. numeração correspondente ao volume. Brasília. local. caderno ou parte. o exemplo de Godoy. Veja. data e dados da publicação. CD-ROM.9.). Quando se tratar de matéria de jornal. Seção 1. além do autor ou autores e título da matéria. Diário Oficial da União. Ver Luckesi. Veja. Nas obras consultadas online. além dos elementos já indicados nos parágrafos anteriores. de 19 de fevereiro de 2002. título. o endereço eletrônico deve vir entre os sinais < >. Quando se tratar de documentos eletrônicos (disquetes. É importante também passar-lhe algumas noções sobre as regras para transcrição dos elementos de autoria. são essenciais jurisdição. • um dos autores é responsável pelo conjunto: ver Minayo. nas referências deste módulo. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 2. paginação da matéria e data. título da matéria. Prossiga consultando a lista de referências. edição. Veja. da referência completa da obra e da paginação da parte destacada. precedido da expressão “Disponível em”. são elementos essenciais da referência. título. na lista de referências deste módulo. local. são elementos essenciais o autor ou autores e título da parte. o título do jornal (em destaque). os elementos essenciais são autor ou autores. DF. na lista de referências. título da publicação (em destaque). local. Veja a seguir a referência de uma resolução do Conselho Nacional de Educação. Veja. numeração. 4 mar. editora e data de publicação. Veja. os exemplos de Chizzotti (um autor) e de Lakatos e Marconi (dois autores). Como fazer a transcrição dos elementos na referência? Até aqui procurei chamar a sua atenção para aspectos gerais da apresentação de referências. na lista de referências deste módulo. seguida da expressão latina “In”. edição. • até três autores: ver Cervo e Bervian. 2002. a data da publicação precede o nome da seção. BRASIL. p. internet etc. o exemplo de Gomes. folhetos e trabalhos acadêmicos são elementos essenciais o autor ou autores. o exemplo de Boruchovitch e Mercuri. Poder Executivo. Quando se tratar de legislação.UNIDADE V Quais os elementos essenciais de um documento e como apresentá-los? No caso de livros. título e subtítulo. a referência de Zaluar. No caso de haver seção. caderno ou parte e a referência finaliza com a paginação. ocorrem as seguintes situações: • autor pessoal: ver Costa. paginação correspondente e data da publicação. acrescentar as informações relacionadas à descrição física do meio. dentre outros. na lista de referências. bem como a data de acesso ao documento. 91 . editora e data.

• No caso de a editora não estar identificada. 2002a. M. quando se tratar de obra traduzida. Nesse caso não se deve indicar a editora. 19) e apresenta o exemplo a seguir: ARAUJO. como se pode ver em Goldenberg. U.l. • quando se tratar de homônimos. deve-se usar a expressão sine loco entre colchetes: [S. ao final da referência.n. “sempre que necessário à identificação da obra. utilize a expressão sine nomine abreviada [s. que se escreve por extenso. No caso de não aparecer na obra o nome da cidade. 1986. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais)Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. com exceção do mês de maio. fazer como em Beaud. Em relação ao título e subtítulo: • devem ser transcritos separados por dois pontos destacando-se apenas a primeira parte. Observe a referência de Santos. sem destaque tipográfico” (ASSOCIAÇÃO. conforme se vê na lista. por exemplo. devem ser incluídas notas com informações complementares. p. Em relação à data: • é transcrita em algarismos arábicos.]. mas se conhece a data provável. Como exemplo cito a referência de Demo. São Paulo. Máscaras inteiriças Tukúna: possibilidades de estudo de artefatos de museu para o conhecimento do universo indígena. Em relação a notas: • informa a ABNT que. já tendo sido mencionada na referência. Veja a referência de Boruchovitch e Mercuri. 102 f. abreviando-se os prenomes e eliminando-se palavras que designam a natureza jurídica e comercial. Em relação ao local: • deve-se transcrever o nome da cidade como. conforme o caso. Em relação à edição: • a edição deve vir logo após o título e subtítulo. Nas publicações periódicas os meses são indicados de forma abreviada (três primeiras letras). na referência de Cervo e Bervian. 1985. 92 . sempre que possível.]. acrescenta-se o nome do estado ou do país. • autor entidade: ver Associação Brasileira de Normas Técnicas. na lista de referências. coloca-se o sinal [ ].METODOLOGIA DA PESQUISA • obra traduzida: ver Beaud. em várias referências. Em algumas ocasiões a editora é a pessoa ou instituição responsável pela autoria. Veja a referência de Moulin. Quando no documento não aparece a data. Em relação à editora: • indica-se o nome da editora.

utilização de fontes e apresentação de referências. as chamadas no decorrer dos textos. principalmente no que concerne às citações. Compare-as com as normas da ABNT e redija um parecer a respeito. Procurei apresentar a você. Termino aqui a minha contribuição para os seus estudos de metodologia da pesquisa lembrando que você poderá sempre aprofundar e ampliar os seus conhecimentos recorrendo às leituras complementares e às normas da ABNT. e o numérico. Observe também que. na lista. neste texto. no qual se obedece à ordem alfabética na confecção da lista. algumas vezes. Pontos principais a serem analisados: o sistema de referência utilizado o recurso tipográfico utilizado para destacar o título o alinhamento das referências a apresentação de periódicos e jornais a apresentação de referências eletrônicas a apresentação da edição.UNIDADE V De que maneira devem ser ordenadas as referências dos documentos citados em um trabalho? Os sistemas mais adotados para a ordenação das referências são o sistema alfabético. as ocorrências mais usuais ao se redigirem as referências nos trabalhos acadêmicos. obedecem à mesma entrada que utilizei nas referências. Isso pode ocorrer quando na mesma página aparece o nome de um autor de várias obras. Além disso. dentre outras. Como já foi aqui comentado. ao invés de aparecer o sobrenome do autor. editora. aparece um traço (seis espaços). 93 . local e data Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo a leitura da NBR 6023/2002 que complementará o que você estudou neste texto. a lista elaborada neste módulo segue o sistema alfabético. no qual a lista é organizada de acordo com a ordem de citação no texto. Exercício Procure em bibliotecas de instituições de ensino superior algumas monografias e faça uma análise das listas de referências que apresentam. Veja os exemplos das referências da Associação Brasileira de Normas Técnicas e de Demo. Faça uma análise da lista e verá que sigo rigorosamente a ordem alfabética. Foi também minha intenção mostrar-lhe que este módulo foi organizado de maneira a servir de exemplo na elaboração de trabalhos acadêmicos.

3.1.3.] 4.3 Citação de citação – citação direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original 4.2 Relatório da pesquisa: processo de reflexão pessoal autônomo criativo rigoroso 1.3.4 Importância do parágrafo 3.3 Informações importantes: 4.1 Pré-textuais 2.3 Dados obtidos por informação verbal: indicar entre parênteses a expressão “informação verbal” 4.3.METODOLOGIA DA PESQUISA Esquematizando.2 Destaque de expressões na citação: incluir a expressão “grifo nosso” ao transcrever os dados da fonte 4. 5.2 Localização das referências 94 .3 Pós-textuais 3 ESTILO PARA A REDAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS 3..2..1 Manual de estilo: conjunto de diretrizes para auxiliar a redação 3.1..3 Normas de redação clareza unidade coerência concisão 3. 1 A COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA: A MONOGRAFIA 1.2 Estrutura redacional dos trabalhos acadêmicos: seções e subseções e outros 3.2 Redação definitiva 2 ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS SEGUNDO A ABNT 2. 1.2 citação direta curta – até três linhas. inserida no próprio texto 4.2 Citação indireta – texto baseado na obra do autor consultado 4.2 Tipos de citação 4.1.1..4 Formas de indicação de fontes nas citações 5 COMO ELABORAR AS REFERÊNCIAS DE UM DOCUMENTO 5.1 Redação provisória 1.1.2.2 Textuais 2. destacada fora do texto 4.1 Definição de citação: menção de uma informação extraída de outra fonte 4. retirados de um documento que permite sua identificação individual.1.2 elementos complementares 5. A ABNT evita o uso do termo genérico monografia.1 Monografia: estudo minucioso que propõe esgotar um tema relativamente restrito. substituindo-a na NBR 14724/2000 pela expressão trabalhos acadêmicos.1 Citação direta 4.1 Elementos de uma referência 5.2.1 Montagem da monografia 1.2. conforme o grau de profundidade.1 citação direta longa – mais de três linhas. uma dissertação ou uma tese.2.2.1.2.5 Cuidados a tomar no ato de redigir concordância verbal tempos de verbo uso de numerais abreviaturas coloquialismo 4 APRESENTAÇÃO DE CITAÇÕES NOS TRABALHOS ACADÊMICOS 4.1 elementos essenciais 5.1.1 Definição de referência: conjunto padronizado de elementos descritivos. O relatório da pesquisa é editorado sob a forma de uma monografia que. pode ser um trabalho de iniciação científica.1.2.1 Supressão de trechos da citação: usar o sinal [.

6 data 5. folhetos e trabalhos acadêmicos 5.4.UNIDADE V 5.6.1 autoria 5.5.1 Sistema alfabético 5.6.6 Documentos eletrônicos 5.5.5.4 Como apresentar os elementos essenciais de um documento 5.2 Parte de uma obra 5.5.6 Sistemas de ordenação das referências 5.3 edição 5.4.4.4.3 Revista ou boletim 5.2 título e subtítulo 5.4 Jornal 5.4.2 Sistema numérico 95 .7 notas 5.5 Legislação 5.4.5.3 Apresentação das referências 5.5.5 Transcrição dos elementos na referência 5.5.4 local 5.1 Livros.5 editora 5.

2001. O famoso cientista Edward O. A. Arte da tese: como redigir uma tese de mestrado ou de doutorado. José Carlos. Mirian. São Paulo: Harbra. Como elaborar projetos de pesquisa. GIL. ed. 1995. Rio de Janeiro: Paz e Terra. ed. Petrópolis: Vozes. 4. 1986. Pesquisa: princípio científico e educativo. G. E. Tradução de Glória de Carvalho Lins. 2002b. Introdução à metodologia da ciência. DEMO. FREIRE. 2000. GODOY. BERVIAN. ______. São Paulo: Atlas. da. E. 2001. Pedro. NBR 6023: Informação e documentação: referências–elaboração. ed. M. Acesso em: 25 mar. 1985. O método científico: teoria e prática.). Tecnologia Educacional. 19. MARCONI. 1996. Antonio. 2.br>. 1998. ed. método e criatividade. Pesquisa social: teoria. Rio de Janeiro. Disponível em <http:// www. uma monografia ou qualquer outro trabalho universitário. 13. A.. 1999. (Org. E. São Paulo: Atlas. A. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. Maria C. José Carlos. 9. 3. P. M. 96 . A importância do sublinhar como estratégia de estudo de textos. A. n. BEAUD.Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. jan. MERCURI. Metodologia científica. São Paulo: Loyola. Rio de Janeiro. 2001. ed. GALLIANO. Ação cultural para a liberdade. 4. 1996. 14. Fundamentos da metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. In: MINAYO. BORUCHOVITCH. Romeu. São Paulo: Atlas. O neo-iluminista. 3. CERVO. ______. GOMES. L. 1999. GOLDENBERG. São Paulo: Makron Books.istoe. 5./fev. 2000. Wilson prega em livro a polêmica união de todas as ciências. p. ed. Metodologia do trabalho científico. 2002a. NBR 10520: Informação e documentação: citações em documentos–apresentação. ed. Antônio F.. LAKATOS. CHIZZOTTI. São Paulo: Cortez.com. 28. 3. 21 out. 3. 2002c. NBR 14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos–apresentação. 67-80. Pesquisa em ciências humanas e sociais. Rio de Janeiro.S. v. Norton. Rio de Janeiro. 2001. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Petrópolis: Vozes. Metodologia científica. ______. São Paulo: Atlas. ISTO É./mar. São Paulo. ed. ed. COSTA. G. ed. São Paulo: Cortez. 1996. ______. 1999. P. KÖCHE. Guia para elaboração de relatórios de pesquisa e monografias. Antonio. 1992. LIBÂNEO. ed. Rio de Janeiro: Record. A análise de dados em pesquisa qualitativa. Michel. Rio de Janeiro: UNITEC.. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências sociais. ed. 144. 1998. 37-40.

São Paulo: Atlas. ed. Nelson. Metodologia da pesquisa-ação. V. Monografia objetiva. p. Ralph E. Técnicas de estudo e pesquisa em educação. 2. 14. São Paulo: Cortez. MONTEIRO. Rio de Janeiro: CEP/UFRJ. A. Petrópolis: Vozes. 2001. São Paulo: Atlas. 1999. SANTOS. Maria Cecília de S. 1997. Alexandre e Maria Alice Sampaio Dória. SEVERINO. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas 6. Rio de Janeiro: ZTG.LUCKESI. 1978.. Módulo de ensino do Curso de Especialização em Docência Superior. Cipriano C. 97 . 9. 2000. J. Maria Christina. Porto Alegre: Globo. ZALUAR. Para onde vão as pedagogias não diretivas. ed. Petrópolis: Vozes. João Bosco. M. O uso da matriz na montagem e análise de projetos de estudo. 1997a.M. D. SP: Unicamp.ed.. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Princípios básicos de currículo e ensino. E. ANDRÉ. Gildenir Carolino. p. MAZZOTTI. São Paulo:Atlas. Lisboa: Moraes.. 28. Roberto Jarry (Org. Rodrigo. F. Campinas. 2002. 2001. 2000. [1996].). Alda J. Apostila. A pesquisa bibliográfica: planejamento. Fazer universidade: uma proposta metodológica. Pesquisa social: teoria. 7 ago. ZENTGRAF. ______. Técnicas de pesquisa. 10. LAKATOS. 2000. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa qualitativa. TYLER. resenhas. Como fazer uma monografia. Edgar. Michel. Alba. 5.ed. ______. 1999. Pesquisa social: métodos e técnicas. A. 2000. No prelo. In: ZENTGRAF. São Paulo: EPU. 2001. Técnica de estudos e pesquisa em educação: leituras complementares. THIOLLENT. ed. Tradução de Maria D. SALOMON. 3. ______.. 2001. 21. RUDIO. 4. 81-85. Introdução ao projeto de pesquisa científica. São Paulo: Cortez. ed. SPECTOR. 2000. V. dissertações e projetos de pesquisa. Ciência com consciência. 11. 11. 2000. 2000.ed. et al. ed. Pesquisa e liberdade de pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. MORIN. MINAYO.ed. GEWANDSZNAJDER. Rio de Janeiro: EDU/ UERJ. Metodologia do trabalho científico. resumos . Tradução de Leonel Vallandro. método e criatividade. G. 1987. ed. RICHARDSON. MARCONI. M. PEREIRA. Redação científica: a prática de fichamentos. MOULIN. Rio de Janeiro: CEP/UFRJ. Manual para a redação de teses. 2000.). Rio de Janeiro. Maria Christina. Luiz F. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. M. ed. Nelly M. 2002. São Paulo: Cortez. Manual de organização de referências e citações bibliográficas para documentos impressos e eletrônicos. 3. SNYDERS. MEDEIROS. impr. Fernando.Pesquisa em educação. Jornal do Brasil. (Org. ed. Módulo de ensino do Curso de Especialização em Supervisão Escolar. São Paulo: Martins Fontes. 3. execução e comunicação. LÜDKE. Rio de Janeiro: CEP/UFRJ. 1997b.

.

............................................................................................................................................................... .................................................................... ....................................................................................................................................................................................................................................................................... .................... ................. ............................. ................................................................................................... ....................... ....................................................................................................... Natureza do Trabalho Data da aprovação Banca Examinadora __________________ __________________ __________________ Apêndice . .... ........ FOLHA DE APROVAÇÃO AUTOR TÍTULO DO TRABALHO RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA ABSTRACT .......................................................................................................... ............................................................................................................. ............................................ ........................Apêndice A ...................................................................................................................Formatação de Página CAPA ............... (INSTITUIÇÃO) FOLHA DE ROSTO ...................................................... .......... .. ...................................................... (AUTOR) TÍTULO DO TRABALHO AUTOR TÍTULO DO TRABALHO CIDADE ANO CIDADE ANO Trabalho final apresentado à Instituição X como requisito para obtenção do certificado de ..................... ........ ............. ................................................................................................................................................................................... .....................

.............. 40 LISTA DE TABELAS (se houver) LISTA DE TABELAS TABELA 1 Custos do projeto A.. ..... . ................. 32 FIGURA 2 Eclipse Solar.LISTA DE ILUSTRAÇÕES (se houver) LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Aurora Boreal........ 71 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS (se houver) LISTA DE ABREVIATURAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas CEP Centro de Estudos de Pessoal DEDICATÓRIA (opcional) Dedico este estudo a meus pais Maria e J o a q u i m Oliveira 100 ................ 45 TABELA 2 Custos do projeto B............ ..........

................................. .............................. .................................. ....................................................................................................................................................... social e historicamente....................................................................AGRADECIMENTOS (opcional) AGRADECIMENTOS EPÍGRAFE (opcional) [.... ........................ nos tornamos capazes de aprender........................................ ..............1 .... ... ................................................................................. p............................2 Histórico ................ ..................... ............................................ .......... REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS 101 .............................................................. .......................... 10 2......................................................................................... ............................................... 10 2.......................................] somos os únicos seres que..................................................................... .... 4 CONCLUSÃO .....1 Considerações iniciais ......................... 12 3 ..... 77) RESUMO EM LÍNGUA VERNÁCULA RESUMO ..................... ...................................................... .................................... ............................. 1999......................................... (Freire................................. 3...................................................................................................................................................... ............................................................ 5 2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................. SUMÁRIO SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................ ...........................................................

......... ....................................................................................................................... ................. ............ .............................................................................................. ................................... ........................................................................................ ......................................................... ............................................. ....................................................................................................................................................................... (título) ...................................................................................................................................................................... 102 ................................................. ..................................................................................... 2 ........... ....................... .................................................................................................................... .................. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS (obrigatório) REFERÊNCIAS [.......................................................................................... ........................................................................................ ....................... ................... ............................................................ ........ . ............... .................................................................... ..................................... ...... ........................................................................................................................... .................................................... ................................................................... .......................................................................................................................................................................................................................................................................................... ............................................................................................................................................................................. ........................................................................................ .. .................................................... ............................... .......................... ......................................................................................................................] CONCLUSÕES .... ................................... .................................................................... ................................... ....................................... ............................... ...................................................................................................................................... ......................................... ................................................................................................................................................................................ .................................................................................INTRODUÇÃO DEMAIS CAPÍTULOS 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... ................................................................................................... ....... ....................... ............................... ....................................................................

APÊNDICES A.Modelo de Capa MARGENS superior 3 cm esquerda 3 cm direita 2 cm inferior 2 cm 103 .Plano de Ação ANEXO A . C etc. (opcional) APÊNDICE A . B. B. (opcional) ANEXOS A. C etc.

Campinas .com.com.com. RJ.SP Cortez (0XX 11) 3864-0111 cortez@cortezeditora. 5571-0276 e 55719777 Vozes (0XX 24) 2237-5112 www.(11) 36133344 Harbra (0XX 11) 5549-2244.br EPU (0XX 11) 3168-6077 Record (0XX 21) 2585-2000 Guanabara Koogan Travessa do Ouvidor.br Papirus Bertrand Brasil (0XX 21) 2263-2082 (0XX 19) 3234-6422 Caixa Postal 736 13001-970 .vozes.com Makron Books do Brasil Atlas (0XX 11) 221-9144 www.editorasaraiva.br www. Saraiva (0XX 11) 36133000 televendas .br (0XX 11) 3845-6622 makron@books.br Pioneira (0XX 11) 3858-3199 pioneira@virtual-net.com.com.br 104 .com.com.Apêndice B .br Livraria Martins Fontes (0XX 11) 3241-3677 info@martinsfontes.Editoras Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT) (0XX 21) 2553-2123 abt@domain. 11. Centro – Rio de Janeiro.edatlas.

Digitação e editoração eletrônica Guido da Silva Godinho 105 .Autora Maria Christina Santos Rocha Zentgraf Mestre e Doutora em Educação pela UFRJ. Livre Docente pela UERJ. É autora do presente Módulo. Tem trabalhos publicados em revistas especializadas. Docente nos cursos de pós-graduação da UERJ e UNICARIOCA. Especialista em Educação a Distância. produção e execução de projetos na área. Professora adjunta da UERJ. tem participado do planejamento. no Brasil e no exterior.

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