Parte I Investigação Científica

Metodologias de Investigação Cientifica

Margarida Pocinho

Lição n.º1
Unidade Curricular:

Métodos e Técnicas de Investigação

Mestrado em Psicologia Clínica

Página

Margarida Pocinho

.........................................20 Bibliografia 2009 Página Margarida Pocinho ................................................3 Características básicas das metodologias de investigação cientifica...............................................................Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica Índice Objectivos e contexto.........4 Qualidade da Investigação......................................4 Metodologia (s) e Técnicas de investigação.............................................14 Bibliografia..............................................................................................13 A validade experimental......................................................

outros pretendem reverter o processo maligno que determinada acção causou. quantitativo.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica OBJECTIVOS E CONTEXTO As disciplinas que versam nas Metodologias de Investigação científica visam capacitar o aprendiz para a investigação e produção de conhecimento nas áreas específicas da sua formação. deverão ser valorizados igualmente os paradigmas. mediante o domínio da coerência científica dos caminhos heurísticos da investigação em curso. A primeira coisa a considerar é o porquê dos cientistas realizarem determinadas experiências. metaanalítico e a própria a investigação/acção. Aceitando que a investigação é necessariamente multidimensional. colaboradores e investigadores num esforço individual e cooperativo com real interesse e significado no contexto educativo/ profissional em que se encontram inseridos. A verdade é que o fim último é sempre o mesmo. A resposta é simples uns querem desenvolver e testar teorias acerca do comportamento e da experiência humana. quer mental. Página Margarida Pocinho . outros descobrir a causas que levam ao sofrimento. Um trabalho de investigação científica deverá estar em consonância com os objectivos a que se propõe. melhoria da qualidade de vida do ser humano. mobilizando integralmente o vigor e a criatividade dos aprendizes do processo. qualitativo epidemiológico. quer físico.

sociais.. Parte do problema para as técnicas (adequam-se as técnicas ao problema e não o contrário). (A investigação nas tecnologias da saúde deve ser deste tipo) DEPENDENDO DA TEORIA NA BASE DA INVESTIGAÇÃO: Descritiva dos aspectos significativos dos domínios Página Margarida Pocinho . organizacionais. Intervenção humana em ambientes do mundo real: Investigação Instrumentalista.. a respectiva análise (dos dados) assim como inferências subsequentes a realizar. técnicas. sendo que Metodologia inclui o estudo dos vários métodos aplicáveis ou seja. METODOLOGIAS DEPENDENDO DA MOTIVAÇÃO: Compreensão teórica e formulação mais abstracta de fenómenos: Investigação Pura.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DAS METODOLOGIAS DE INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA METODOLOGIA (S) E TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO Toda a investigação se suporta em métodos e técnicas. pessoais. ‘Investigação Aplicada’: Parte da Tecnologia (aparelhos. as ferramentas específicas.) 2. Técnicas referem os meios. ambas as coisas) para os processos (físicos. Investigação Orientada-ao-Problema’. Esta metodologia apresenta duas sub-categorias: 1. os processos de conduzir cada projecto de investigação específico.. as abordagens que permitem a aquisição de informações relevantes.

segundo Popper. para se aquilatar se esta se afirma como uma conquista científica. em princípio. procurando conhecer sua forma lógica para saber se é uma teoria empírica ou se é tautológica. Popper (1)aponta quatro caminhos. são capazes de gerar inferências que são. a fim de conhecermos se a teoria é internamente coerente. As Teorias são expressas na forma Dedutiva por Axiomas e Postulados operados pela Lógica. Depois pode-se comparar a teoria com outras. Página Margarida Pocinho . comparando logicamente as conclusões. temos as provas da teoria através das aplicações empíricas que podem ser deduzidas nela. INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA TRADICIONAL A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA TRADICIONAL É BASEADA NO PENSAMENTO RACIONAL POSITIVISTA: Das observações constroem-se Teorias que tentam explicar o que é observado. refutáveis empiricamente. através dos quais se pode submeter uma teoria à prova: Em primeiro lugar. As Teorias Científicas.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica Explicativa do comportamento dos fenómenos Preditiva do futuro Prescritiva indo além da predição pode prescrever e aplicar normas e processos em determinadas circunstâncias específicas DEPENDENDO DA TRADIÇÃO NUMA DADA ÁREA OU DOMINIO DO CONHECIMENTO: Investigação Científica tradicional se a tradição é mais quantitativa Investigação Interpretativa quando a tipologia mais habitual é mais qualitativa Investigação aplicada ou orientada ao problema quando se pretende intervir numa dada realidade. umas com as outras. Em seguida. Finalmente.

pelo menos uma teoria ou expectativa rudimentar precede sempre as observações cujo papel fundamental. era lícito admitir científico apenas conceitos que proviessem directamente da inferência. É evidente então. Seria ingénuo pensá-lo e a história nos tem dado incontáveis exemplos.. como o das contrastações experimentais. poderemos dizer que ela foi corroborada pela experiência. o progresso e aprimoramento da teoria. A imaginação seria um tipo de categoria que. lembranças etc. (.) inverto os termos daqueles que pensam que a observação deve preceder as expectativas e os problemas. busca o contra-exemplo para obter a melhoria. mas iniciando da observação de enunciados singulares através da imaginação. Este seria o ideal. isto é. Por conseguinte. Segundos os positivistas... Revela-se assim sua filiação Kantiana. Página Margarida Pocinho . 1) Thomas Kuhn é um norteamericano. de que nem sempre o cientista se defronta com os factos de forma objectiva e sem preconceitos. excepto com Charles Darwin e Albert Einstein. afirmo que não partimos de observações mas sempre de problemas seja de problemas práticos ou de uma teoria que se encontra em dificuldades. que o critério de demarcação para os positivistas era o da indução lógica. de mente aberta em busca da verdade. como percepções. Conhecimento Objectivo: 238(2 p. mas na realidade não acontece. historiador da ciência. ordenando as informações singulares. é mostrar que algumas das nossas teorias são falsas estimulando-se deste modo à construção de outras melhores. O cientista ideal de Popper é aquele que procura. É aquele que formula as suas teorias não partindo de enunciados singulares e por meio de indução conseguir leis universais. Normalmente o cientista dá mostras e age como se já conhecesse os pormenores ou alguns dos resultados que possam advir de sua investigação. (. "A razão que me leva a pensar que devo começar com alguns comentários em torno da teoria do conhecimento reside no facto de estar em desacordo com toda a gente a este respeito." Popper. que fossem logicamente redutíveis a impressões da experiência sensorial.. dá condições ao cientista de formular sua teoria que deverá ser posteriormente testada e ir em busca de contra-exemplo para seu próprio progresso. que não concorda com esta imagem de desbravador do homem de ciência.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica Se a mesma resistir às provas e não for substituída por outra no decurso do avanço científico.) O ponto fundamental é a relação entre observação e teoria. Creio que a teoria vai sempre à frente.

não as consideraria devidamente. a ciência paradigmática ou assim chamada normal passa a ser objecto de estudo em escolas e universidades e o sucesso obtido na solução dos problemas e a grande harmonia de opiniões em torno da teoria desencorajam quaisquer possibilidades de surgirem objecções e de haver posições críticas a respeito dela. Obtido o consenso da comunidade. Página Margarida Pocinho . A formulação de uma hipótese científica passa por uma primeira fase que Kuhn chama de pré-paradigmática: há várias tentativas e vários esforços em diferentes direcções. Somente quando há um paradigma é que toda a força da investigação fica voltada num só sentido para esgotar todas as possibilidades e aplicações e somente neste instante é que é possível o aparecimento de alguns factos que não se coadunem com a teoria. culpando sempre a imperfeição de sua teoria ou observação e medições incorrectas. É evidente que um cientista isolado que enfrentasse tais dificuldades. Resistência a toda e qualquer novidade e um comportamento quase geral que encontra sua justificação no facto de estarmos arraigados às nossas convicções. é exactamente neste contexto que há a maior probabilidade de aparecerem factos estranhos e serem levados na devida conta. às nossas crenças. somente quando vinculado a um paradigma préestabelecido. então ele envidará todos os esforços para proteger suas ideias. ao status quo. Um cientista será considerado tal. isto é.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica O êxito imediato é factor de satisfação pessoal e de estima entre os colegas. envolto num mundo conceitual só seu: ele tem perante si verdadeiros enigmas que reclamam uma solução. Este é o período da dispersão intelectual: cada cientista trabalha por sua conta. seja porque é mais cómodo. até que será possível encontrar um paradigma. Este paradigma passa a merecer o consenso dos demais pelos resultados obtidos e pela solução de grande parte dos enigmas de que se procurava a chave. mas se este não aparecer. tentando colocar os factos e moldá-los à sua teoria. seja porque nos dispensa de empreender esforços para tentar captar mais profundamente aquilo que se nos afigura merecedor de ulterior pesquisa e explicação. uma teoria associada a certas aplicações padrão. Não obstante a adesão dogmática seja um factor desestimulante para quaisquer inovações. Mas este consenso exerce um papel fundamental na ciência.

Durante a verificação de hipóteses. as dificuldades que aparecem na teoria. As tecnologias da saúde não são uma ciência. Ciência da Gestão. pode ser descrita e medida pelo observador e seus instrumentos. mostrando-se altamente conservador a quaisquer tentativas de mudanças(1). afirma Kuhn.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica É este o cientista normal. Usam-se testes e tenta-se a previsibilidade dos fenómenos. preocupado em resolver os problemas. mas um conjunto de disciplinas sem uma Teoria construída. das Engenharias biomédicas. recolhendo informação de forma activa e guiada pela própria teoria. não guiados pela teoria. pelo que são disciplinas aplicadas utilizam teoria parcial ou. Ciências da saúde. aniquilado intelectualmente pelo sucesso da mesma e até porque ainda não tem capacidade suficiente para criticá-la. Durante a formação do próprio corpo teórico através de observações passivas 2. etc. Se a observação é do mundo real ela é dita empírica e torna-se relevante em duas situações: 1. faz-se ‘investigação exploratória’ onde os estudos são abertos. O resultado de testar as hipóteses realimenta a Teoria. Quando não existe teoria disponível. Neste momento ele passa a ser seu defensor. cooptando uma teoria de “disciplinas de referência” como: Comportamentos das Organizações. O sucesso desta faz com que ele se consciencialize sempre mais de sua acuidade mental e da bondade de sua teoria. Ciência da Computação. fornecendo um Conhecimento empírico que podem postular teorias. dogmaticamente. Não existe um problema avulso. O cientista normal adere a uma teoria sem discussão. um problema só se caracteriza como tal quando está em contraste com o contexto que o gerou. MÉTODO POSITIVISTA: Assume que a realidade é objectivamente dada. verificando-a ou detectando eventuais “anomalias. Página Margarida Pocinho . é algo desconhecido que não encontra seu lugar adequado no esquema previamente estabelecido.

As perguntas de partida são do tipo: Página Margarida Pocinho . definição das questões a investigar. face ao seu envolvimento na selecção e definição do domínio. Faz uma crítica endereçada quer às “Ciências Exactas” quer às Sociais. enquadramento da investigação (âmbito). Propõe a extinção da separação entre "sujeito" e "objecto". definição das questões a investigar. Em resumo: Na Ciência tradicional (ou convencional) extraem-se novas hipóteses da teoria existente. declara impossível a observação e interpretação objectiva. As dificuldades de objectividade apontadas são a intangibilidade de alguns factores e relações devido ao necessário envolvimento do investigador no domínio da investigação e os Resultados dependentes da perspectiva do investigador. Pressupõe portanto a existência de um corpo teórico. definição das variáveis bem como a própria estratégia de medida dos valores dessas variáveis. Neste tipo de investigação. INVESTIGAÇÃO INTERPRETATIVISTA Pressupõem uma filosofia Interpretativista. atitudes diferentes quanto ao aspectos referidos levam a múltiplas interpretações do mesmo fenómeno. testar hipóteses e fizer inferências a partir do conhecido. já que são dependentes do Observador. selecção. Tem a sua origem no pós-positivismo. MÉTODO INTERPRETATIVISTA Assume que o acesso à realidade só é possível através construções sociais como a linguagem. critica a “quimera” científica (convencional). selecção da teoria existente. compreender e interpretar os fenómenos percepcionados.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica A Investigação nas tecnologias da saúde poderá ser positivista se usar formalismos e variáveis quantificáveis e mensuráveis. Hipóteses explícitas que possam ser verificáveis e refutáveis e um método de investigação aplicado e técnicas bem definidas para testar as hipóteses. testam-se e juntam-se os resultados à teoria. consciência e ontologias (partilha de significados). um enquadramento teórico explícito para guiar a investigação. Filosofia baseada na hermeneutica (compreensão humana e interpretação de textos) e na fenomenologia (descrever.

Ambição (teórica e prática) 10.. Investigação baseada em Estudos-de–Caso. Este avanço. TENDÊNCIA NA INVESTIGAÇÃO APLICADA 1. implicou: 1. vem de outras disciplinas (ex: Ciências da saúde. Estatística. O teste da Extensão de uma Teoria Página Margarida Pocinho . com pouca relevância científica 3. a construção e/ ou demonstração da tecnologia bem como a avaliação da capacidade diagnostica da tecnologia utilizada. Investigação Empírica é dominada pelas aproximações descritivas. em alguns casos. mais aplicados. imagiologia. Computação. Reflectir os fenómenos em estudo e a natureza do contexto 5.. Relevância dos resultados (para as Organizações a montante e jusante. Combinação de Técnicas e sua avaliação 4.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica Em que medida as tecnologias da saúde influenciam ou são influenciados pelo contexto? O foco não é tanto nas variáveis e processos mas na interpretação dada ao que é medido ou testado ou realizado INVESTIGAÇÃO APLICADA OU ORIENTADA AO PROBLEMA Nesta abordagem à investigação é bastante importante a tecnologia (artefactos.) 8. cumprindo com os requisitos para a Investigação em saúde. biomédicas.) 3. menos acumulativos. sociedade.. descritiva simples. a conceptualização de requisitos e modelos. Explicitação de um Corpo Teórico que. Dados validados e Analisados estatisticamente 6. . Modelos com capacidades explicativas limitadas e com pouco valor preditivo. Depois dos anos 90 artigos menos teóricos. A escolha de um Método de Investigação apropriado 2. Publicação 9. técnicas usadas) que implica aspectos variados como a aplicação de tecnologia. Até anos 90 predomínio de artigos conceptuais (não empíricos) 2. Extracção de relacionamentos entre variáveis 7..

domínio significativo Definir as questões a responder pela investigação Seleccionar o Método de Investigação e T écnicas (possivelmente uma combinação delas) e justificá-los . c. b. a. Dados de desactualização ráp i . apesar de a i nvesti gação depen d er : a. 4. Pressão par a publ i car cont em aneam por ent e. a. Técnicas de investigação científica positivista 3. Técnicas de investigação na fronteira cientifico/interpretativista 5. Fenómenos instáveis: a. d. de m o n stra ções) i nfl uenci a o domínio da investigação. 2. estruturação. Técnicas de investigação secundária EXISTEM VÁRIAS TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO: Página Margarida Pocinho . O a cto de In ve sti a r g (i te ra cção. TÉCNICAS 1. d. Representatividade DESAFIOS FALTA DE TEORIA PRÓPRIA E A QUE EXISTE TEM UM PERÍODO DE VALIDADE REDUZIDO FACE A: 1. e. f. Variações culturais significativas. Técnicas não empíricas 2. c. 3. Período de da val i dade or gani zações e tecnologia em movimento. “secçõe s d e co rte ” alteram se. De cortes longitudinais no tempo Dos participantes directos que são afectados Dos investigadores no objecto de estudo Da adopção da nova tecnologia que pode ser demorada no tempo Concl usões sobre Investigação: Considerar o balanço Ri gor Ver sus Rel evância Identificar os desafios antes de iniciar a Investigação Clareza acerca das convenções relativas à investigação a efectuar Sel ecci onar um sub. n questi onários.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica 11. Técnicas de investigação interpretativista 4. b.

Baseado em Questionários: Colecção dos dados a partir de entrevistas e questionários estruturados iv) . Incluem: a) Conceptualização baseada em especulações e opiniões. a partir de múltiplas fontes.“Agente” altera as condições existentes para estudar a reacção. factores e variáveis. (análise argumentativa e dialética) b) Demonstração de teoremas c) Aplicação de métodos formais e induções d) Abstracções matemáticas e verificação e simulação de modelos e) Outras como cenários hipotéticos futuros (simulados). ou em pensamentos conceptuais sobre abstracções. a) Incluem: i) .Trabalho de Campo: ii) Observação directa pelo investigador do objecto de estudo no seu contexto original iii) . um conjunto determinado de fenómenos e factores para estudo c) Experiências Laboratoriais: i) Criação de um ambiente artificial onde se isolam e controlam determinados fenómenos. b) Experiências de Campo: i) Isolar ou controlar...Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica 1) Técnicas não empíricas baseiam-se em dados criados artificialmente.) 4) Investigação Descritiva/Interpretativista: a) Parte-se da observação empírica para uma análise de rigor limitado.. no mundo real. 3) Técnicas de Investigação Interpretativista: a) Investigação realizada em grupo (ou sobre um grupo de pessoas): i) Discussão frequente com o grupo ou com quem é afectado” pela técnica ii) Uso de ferramentas para Trabalho colaborativo iii) Pesquisa pela Acção investigador .Estudos de Caso: Envolve a colecção de dados detalhados. 6) Investigação Secundária: Página Margarida Pocinho . sobre um fenómeno específico e bem definido do mundo real. Revisões teóricas e Meta-análise teórica 2) Técnicas de Investigação Científica positivista (aplicáveis nas tecnologias da saúde): a) Técnicas de previsão aplicando algoritmos de regressão e Séries temporais extrapolando a partir de dados passados. b) Controlo da perspectiva do investigador: i) Exame crítico ii) Revisão de preconceitos e princípios de base iii) Variação das observações iv) Revisão crítica pelos pares 5) Técnicas de fronteira Científicas/Interpretativas. iv) Outros Métodos das Ciências Sociais (Etnografia...

imagiológica. Por último. 7) Técnicas de Investigação baseadas na tecnologia (Tecnologias da saúde.Técnica da Desconstrução: (1) Analisar um sistema ou conjunto de métodos revelando nova informação sobre o que está a ser analisado. torna-se ficção e perde a sua utilidade. de forte cariz positivista e normativo que apenas faz sentido no âmbito da investigação realizada nas Ciências Naturais e Exactas. Numa posição intermédia. (2) . temos a posição menos conhecida porque mais recente e menos divulgada na literatura dos que consideram que os conceitos abstractos de validade e fiabilidade Página Margarida Pocinho .Tal informação e características podem depois ser de novo utilizadas de forma eventualmente diversa QUALIDADE DA INVESTIGAÇÃO É fundamental que todo o investigador se preocupe com a questão da fiabilidade e validade dos métodos a que recorre sejam eles de cariz quantitativo ou qualitativo. O cerne da polémica pode sintetizar-se da seguinte forma: temos por um lado a posição dos que consideram que a natureza intrínseca da investigação qualitativa não precisa de se preocupar com os critérios de cientificidade adoptados pelo modelo de pesquisa quantitativo.. A questão do rigor e da qualidade científica da investigação está envolvida numa polémica acesa que se arrasta há muitas décadas e tem apaixonando a comunidade de investigadores em desde então. realização (ou prototipagem) de um artefacto/sistema (ex:Sistema de programas de computador. embora em termos totalmente distintos dos padrões assumidos pela investigação quantitativa. Separam-na em função da sua natureza qualitativa ou quantitativa.) a) Dividem-se em duas categorias: i) Técnica da Construção: (1) Incluem a Concepção.. descrições) já pré-existentes e reexamina-os à luz de novas teorias ou processos. porque sem rigor a investigação não tem valor. artigos. instrumentação.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica a) Análise de documentos (textos. (i) Implica a existência de teoria ou modelo explicativo dos resultados a testar ii) 2 . temos a linha dos que defendem que a pesquisa qualitativa se deve pautar por critérios de qualidade científica. menos ortodoxa. ou aparelho físico) (2) Objectivo: (a) Explicitamente testar uma hipótese ou resolver um problema. projecto. Engenharia Biomédica.

essencial assegurar-se que os resultados são atribuíveis a uma só variável experimental e não ao efeito de variáveis estranhas.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica típicos da pesquisa quantitativa deveriam ser aplicados também para a aferição da qualidade da investigação qualitativa já que. Para se certificar que o estudo que realiza tem qualidade tem que ceder às exigências da validade interna. A VALIDADE EXPERIMENTAL A qualidade da investigação e a validade experimental andam de “mãos dadas”. A validade interna é assegurada se nenhum outro factor entra em jogo ou se outros factores de invalidade são neutralizados (variáveis parasitas). etc. Página Margarida Pocinho . A qualidade da investigação tem de ser assegurada pela validação externa. seja ele qualitativo ou quantitativo depende do treino. pelo rigor. dos paradigmas que suportam as teorias. dado que os desenhos experimentais verdadeiros estão melhor protegidos dos factores de invalidade e prestam-se melhor ao estudo da casualidade. Em qualquer investigação experimental é. A qualidade da investigação depende em grande parte da qualidade do investigador. pela relevância e pelo questionamento da própria investigação acerca dos seus princípios. dos conhecimentos e sobretudo das capacidades do investigador em dar o devido ênfase à relevância e ao rigor da investigação em curso. por isso deve construir o seu desenho de maneira a introduzir uma variável independente e a observar os efeitos desta manipulação sobre a variável dependente. É fundamental o reconhecimento de que a ciência progride por rupturas sucessivas dependendo dos paradigmas aceites e que estes correspondem a “diferentes olhares” sobre a realidade influenciados por outros aspectos que não os científicos. do empenho deste em compreender o universo que o rodeia e do ambiente de cultura e de estímulo em que se insere. consideram. fenómenos e técnicas. dos conceitos. Os problemas de validade interna dizem respeito especialmente aos desenhos não experimentais ou quasi-experimentais. A validade experimental inclui a validade interna e a validade externa. A qualidade de um estudo. a utilização de uma terminologia diversa acaba por ser prejudicial levando a que os métodos qualitativos sejam vistos como inválidos e não fiáveis o que explica a má reputação que impera em torno da investigação qualitativa e que se estendeu até aos nossos dias. portanto.

história pessoal e reacções quando tomam parte em experiências. Cheio de entusiasmo. por isso tudo deve ser cuidadosamente planeado. Qual poderá ser a reacção de um professor de estatística céptico? Céptico: Como é que eu posso saber que os resultados dos alunos são melhores. aparentemente irrelevantes. Mas esperamos ter-lhe dado uma panorâmica do tipo de teorias e paradigmas envolvidos. Página Margarida Pocinho . Deseja agora conduzir uma investigação com que possa verificar a viabilidade da sua teoria. face aos maus resultados na disciplina de estatística que ministra. os alunos tinham mais três meses de prática quando foram testadas pela segunda vez. Céptico: Pode ter a certeza de que os resultados não melhoravam mesmo sem o esquema? É que. que afectem o comportamento de cada pessoa e que poderão não ter nada a ver com o problema em que o investigador está interessado. apesar de tudo. do que eram antes? Investigador: Bem.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica A validade externa de um estudo não tem valor senão quando a validade interna foi primeiramente estabelecida sem equívoco (3) Se a validade externa é julgada adequada. evitando enviezamentos Façamos um exercício: Imagine que tem uma teoria acerca da forma como os estudantes do ensino superior adquirem as capacidades de memorização. Na investigação aplicada. o que mostra ter melhorado a capacidade de memorização. uma validade interna estabelecida. os resultados ou as conclusões de um estudo podem ser generalizados a outras pessoas e a outros contextos para além dos considerados no estudo. quando o objecto é um ser humano é importante termos em conta que cada um tem as suas próprias subtilezas. Podem assim existir uma série de factores. Os resultados após a apresentação do esquema de mnemónica foram superiores. após o esquema de mnemónica. Temos a convicção de que não conseguimos abranger todos os paradigmas e criticas que envolvem um design de uma investigação. desenvolveu uma mnemónica para decorar e aplicar fórmulas. eu avaliei os resultados de memorização antes de dar o esquema e depois de dar o esquema de mnemónica. Vamos supor que um docente e investigador. Basicamente a escolha depende do objecto da investigação e do problema em estudo. encontra uma universidade disposta a cooperar consigo e que lhe permite apresentar a sua mnemónica a um grupo de estudantes e ainda avaliar os resultados do mesmo no final da sua aplicação.

Céptico: Como é que normalizou as situações experimentais em todas nessas diferentes universidades? ou será que deixou apenas que as coisas acontecessem? Investigador: Eu apresentei aos professores a forma de explicar o esquema de mnemónica e as instruções acerca de quanto tempo se devia operar com aquele esquema. distribuí-las igualmente pelos dois grupos. da forma mais cuidadosa possível. preferi.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica Investigador: Eu comparei os resultados do esquema de mnemónica dos alunos que usaram o esquema de leitura com outros alunos a quem não foi apresentado o esquema. da quantidade de alunos por turma. classe social. Investigador: Eu tentei igualar os meus dois grupos de alunos. Céptico: Mas como é que pode ter a certeza de que o professor que administrou o seu esquema de mnemónica não estava com tantas expectativas e tão entusiasmado com o esquema que fez melhorar os resultados? O outro grupo pode ter tido um professor chato e desmotivante e daí não terem melhorado tanto os resultados. a capacidade de memorização inicial. Ou então o primeiro grupo era constituído só por raparigas que têm tendência a memorizar mais depressa. como por exemplo o sexo. como é que eu posso saber que o seu esquema de mnemónica poderá ajudar outros alunos de outras universidades? Investigador: Após os primeiros resultados obtidos na primeira universidade. Céptico: Mas como é que sabe que os alunos que usaram o esquema de mnemónica não possuíam já maior capacidade? Ou então que tinham mais dificuldades de memorização no início. pelo contrário. Os alunos que usaram o esquema melhoraram significativamente mais. Como não teria sido possível igualar os alunos em todas as características possíveis. a inteligência. Assim. Página Margarida Pocinho . Investigador: Eu tive o cuidado particular de que fosse o mesmo professor o responsável por ensinar os dois grupos e que ele/ela tivesse algo de interessante para fazer o mesmo com o outro grupo de alunos. pelo que tiveram um maior aumento. realizei esta investigação em várias outras. etc. Céptico: Mas se você apenas utilizou um professor de uma escola. isso não tem nada a ver com o esquema de mnemónica. em todos os factores relevantes. quaisquer diferenças entre os grupos terão de ser devidas ao meu esquema de mnemónica e não a qualquer outro factor. de áreas muito diferentes entre si e com diferentes tipos de alunos.

a responsável pelo facto destes alunos apresentarem melhores resultados. A diferença era suficientemente grande e consistente para que a possamos considerar real quando comparamos os dois grupos de alunos. diferentes professores e escolas diferentes. É por isso que seria uma excelente ideia ter um igual número de alunos bons e maus em estatística e de alunos que gostem muito e pouco de estudar na minha experiência. Investigador: Bem. eu realizei um teste estatístico que me confirmou que as diferenças nos resultados na memorização entre os dois grupos não foram devidas ao acaso. Investigador: Mas porque é que não disse isso antes? Eu poderia ter avaliado as performances dos alunos na estatística no início da investigação.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica Céptico: Quanto mais o ouço falar mais intrigado fico com a variabilidade que pode ser introduzida pela utilização de alunos diferentes. Descobrir exactamente qual é a relação entre a elasticidade de raciocínio para a estatística e capacidade de memorização. Céptico: Tenho estado agora a pensar. Céptico: Mas não será que mesmo que melhores resultados na estatística estejam associados a melhores resultados posteriores isso se possa dever a qualquer outro factor? Não poderá acontecer que os alunos que gostam mais de estudar sejam aquelas que fazem menos erros de memória e estejam também mais predispostas a assimilar um novo esquema de ensino? Nesse caso seria a capacidade de memorização e não o seu esquema de mnemónica. O que eu gostava de saber era se são os alunos que menos dificuldades têm com os cálculos aqueles que beneficiam mais do esquema ou se o esquema é também um auxiliar para aqueles que têm maiores dificuldades com a estatística. Como é que podemos ter a certeza de que as melhorias na memorização que atribui ao seu esquema são suficientemente grandes para que possamos dizer que existem realmente entre o grupo que foi sujeito ao esquema de mnemónica e o grupo que não foi sujeito ao esquema de mnemónica? Provavelmente as diferenças nos resultados que obteve na sua experiência foram devidas a acasos nas performances. para verificar se eram os alunos com melhores performances ou com piores performances que aquelas que apresentavam maiores ganhos após a apresentação do esquema de mnemónica. Investigador: É certamente um novo problema. Os indivíduos variam tanto nas suas produções de dia para dia. Dessa forma poderia descobrir se factores como a capacidade de memorização ou as Página Margarida Pocinho . não estou verdadeiramente interessado em diferenças tão gerais entre alunos que tiveram o esquema de mnemónica e aquelas que não o tiveram.

Uma previsão deste tipo é conhecida como hipótese experimental (H1). Esta poderá ser uma fase importante quando se pretende desenvolver uma teoria sobre os factores mais importantes que afectam um tipo particular de comportamento. Para que o possa fazer. Embora a nomenclatura das etapas de uma investigação seja algo variada consoante o recurso bibliográfico utilizado.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica atitudes face à escola têm algum efeito na forma como os alunos beneficiam mais ou menos do esquema de mnemónica. Página Margarida Pocinho . Por vezes torna-se apropriado a um investigador realizar um estudo exploratório. Que deve então fazer o investigador? É óbvio que não é possível a um investigador ter em consideração todos os factores possíveis que podem intervir na forma como os alunos aprendem as formulas. De qualquer das formas haverá sempre um momento em que o investigador pretenderá testar a sua teoria. Todo o trabalho de investigação se insere num continuum. podendo ser situado em correntes de pensamento que o influenciam. apresentamos uma tipologia que com algumas adaptações vai “beber” a sua essência quer à obra de Quivy e Campenhoudt(4) e quer à de Balnaves (5). A opção por estas duas obras devese ao facto de querermos apresentar uma metodologia que se pudesse aplicar quer nos estudos de natureza qualitativa quer de natureza quantitativa. no qual possa observar até que ponto existe comportamentos que influenciem a investigação. terá sempre de fazer uma previsão do tipo de comportamento que se espera que ocorra se a teoria se confirmar.

br/pokuhn. William R. London : Sage Publications . 4.] http://cynthia_m_lima.pt/users/baratoni/TextosPopper. Balnaves. PS: as referências bibliográficas neste documento estão formatadas segundo a norma ISO-690 referência numérica Página Margarida Pocinho . Experimental and Quasi-Experimental Designs for Generalized Causal Inference.htm.com. 2001. [Citação: 20 de Dezembro de 2008. Boston : Houghton Mifflin. Shadish. Março de 2001.htm. problemática da evolução da ciência. Thomas D. 5.Parte I Investigação Científica Metodologias de Investigação Cientifica BIBLIOGRAFIA 1. Raymond e Campenhoudt.prof2000. Mario e Pelella. Popper x Kuhn: Considerações sobre a ciência. Introduction to quantitative research methods-an investigative approach. Cook. Luc Van. Barata. [Online] 13 de Dezembro de 2001. Campbell. 3. Giovanni.sites. 2001 . modelos de evolução da ciencia. Cella. Manual de Investigação em Ciências Sociais. 2. [Online] Cynthia Moreira Lima.] http://www. Universidade Federal do Maranhão Departamento de filosofia. Quivy. Lisboa : Gradiva. João Madeira. [Citação: 2 de Fevereiro de 2009. 1992. Peter Caputi Mark.uol. and Donald T.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful