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RESUMO 001 – DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

I – Noções sobre a ciência do direito:

- O homem é um ser eminentemente social, não só pelo instinto sociável,


mas também por força de sua inteligência que lhe demonstra que é melhor
viver em sociedade para atingir seus objetivos.

II - Conceito de Direito: é um conjunto de normas, estabelecidas pelo poder


político, que se impõem e regulam a vida social de um dado povo em
determinada época.

III – Finalidade do direito: Obter o equilíbrio social, impedindo a desordem e


os delitos, procurando proteger a saúde e a moral pública, resguardando os
direitos e a liberdade das pessoas.

1. Direito Objetivo: é o complexo de normas jurídicas que regem o


comportamento humano, de modo obrigatório, prescrevendo uma
sanção no caso de sua violação.
2. Direito Subjetivo: é a permissão dada pela norma jurídica para fazer
ou não fazer algo.

1. IV – Direito Público: é aquele que regula as relações em que o Estado


é parte, ou seja, rege a organização e a atividade do Estado
considerado em si mesmo (Direito Constitucional). Em relação com
outro Estado (Direito Internacional), e em suas relações com os
particulares, quando procede em razão de seu poder soberano e atua
na tutela do bem coletivo (Direito Administrativo e Tributário).

1. V – Direito Privado: é o que disciplina as relações entre particulares,


nas quais predomina, de modo imediato, o interesse de ordem
privada, como exemplo: Compra e venda, doação, casamento,
testamento, etc.

VI – Ramos do Direito Público Interno:

1. Direito Constitucional – Normas alusivas à organização b


2. Direito Administrativo – Regula atos administrativos e qualquer poder
estatal.
3. Direito Tributário – Arrecadação e Fiscalização de tributos.
4. Direito Processual – tem por finalidade regular a organização judiciária
– Lei de Execução Penal.
Direito Penal – diz respeitos às normas atinentes aos crimes e às penas
correspondentes.

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VII – Ramos do Direito Público Externo:

1. Direito Internacional Público: é o conjunto de normas e convenções


que regulam relações diretas ou indiretas entre Estados e organismos
internacionais (ONU, UNESCO, OIT, OMS, FAO). Regula relações de
coordenação e não de subordinação porque os Estados são
igualmente soberanos.
2. Direito Internacional Privado: é o que regulamenta as relações do
Estado com cidadãos pertencentes à outro Estado. É preciso
esclarecer que o Direito Internacional Privado privado não disciplina
as relações supranacionais, somente determina quais normas deste
ou daquele outro ordenamento jurídico são aplicáveis no caso de
haver conflito de leis no espaço.

VIII – Ramos do Direito Privado:

1. Direito Civil.
2. Direito Comercial/Empresarial.
3. Direito do Trabalho.

- Direito Civil – rege as relações familiares patrimoniais e obrigacionais que


se formam entre indivíduos enquanto membros da sociedade;
- Direito Comercial/Empresarial – disciplina a atividade negocial do
comerciante e de qualquer pessoa, física ou jurídica, destinada a fins de
natureza econômica, desde que habitual e dirigida à produção de resultados
econômicos;
- Direito do Trabalho – regulamenta as relações entre empregador e
empregados, à organização do trabalho e da produção e à condição social
do trabalhador assalariado.

IX – Fontes Jurídicas:

1. Matérias/Formais
a. Estatais – Legislativas – Leis/Decretos/Regulamentos;
- Jurisprudenciais – Sentenças/Súmulas;
- Convencionais – Tratados/Convenções Internacionais

b. Não Estatais – Direito Consuetudinário – Costumes/Tradição;


- Doutrina – Direito Científico;
- Negócios Jurídicos

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1. X – Norma Jurídica: é um imperativo autorizante, é a norma jurídica
que atribui direitos e deveres a alguém e também impõe uma sanção.
Estadual.

XI – Classificação da Norma Jurídica Quanto à Hierarquia:

1. Normas Constitucionais
2. Leis complementares
3. Leis Ordinárias
a. Leis Delegadas;
b. Medidas Provisórias;
c. Decretos Legislativos;
d. Resoluções
4. Decretos Regulamentares
5. Normas Internas
6. Normas Individuais

XII - Normas Constitucionais:

1. Normas Constitucionais:
- são relativas ao texto originalmente promulgado pela Assembléia Nacional
Constituinte em 1988.

* EMENDA CONSTITUCIONAL: passa a fazer parte da CF após o trâmite e os


critérios de aprovação.

• Quem pode propor:


1. Um terço dos membros da Câmara dos Deputados e Senado Federal;
2. O Presidente da República;
3. Metade mais um das Assembléias Legislativas, sendo que cada uma
delas pela maioria dos membros

• Para Votação:
- Será discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional ( CD + SF)
em dois turnos e em ambos os turnos terá que ter no mínimo 3/5 dos
votos (Quorum qualificado).

• Não pode ser objeto de Emenda Constitucional: Cláusulas Pétreas


1. A Forma Federativa do Estado;
2. O voto direto, secreto, universal e periódico;
3. A Separação dos Poderes
4. Os Direitos e Garantias Individuais

• A Emenda Constitucional apresenta 02 faces:


1. De um ângulo é a própria Constituição;

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2. Por outro lado se subordina à CF podendo ser inválida se não estiver
de acordo

3. Lei Complementar:

- São leis intermediárias de poder inferior às Leis Constitucionais


(Emendas), mas superiores às Leis Ordinárias.
Exemplo:
- Leis que fixem ou modifiquem os efetivos das forças armadas;
- Criação e extinção de Ministérios

• Quem pode propor:

- Qualquer membro ou comissão da Câmara dos Deputados, do Senado


Federal ou do Congresso Nacional, o Presidente da República, o
Supremo Tribunal Federal, os Tribunais Superiores (STJ, Tribunal
Superior Eleitoral, Tribunal Superior do Trabalho, Superior Tribunal de
Justiça, Superior Tribunal Militar, Tribunal de Contas da União), ao
Procurador- Geral da República e aos cidadãos na forma e nos casos
previstos em Lei (EC: nº 32/2001).

• Cidadãos: por iniciativa popular com apresentação de Projeto de Lei à


Câmara dos Deputados subscrito por no mínimo:
1. 1% do Eleitorado Nacional;
2. Distribuído por pelo 05 Estados;
3. Não menos de 0,3% dos Eleitores de cada um deles;

XIII - Constitucionalismo:

- A grosso modo, o Constitucionalismo tem origem formal na Constituição


Americana (1787) e a Constituição Francesa ( 1791)
- Surgiram em contraposição ao Regime Absolutista reinante, onde com
movimentos populares apoiado pela burguesia, onde elegeu-se o POVO
como legítimo titular do Poder.
- Na CF/88, o parágrafo único do Art. 1º estabelece que “todo poder emana
do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou
diretamente, nos termos desta Constituição”.
- Além de exercer de maneira indireta através de seus representantes eleitos,
o povo também realiza diretamente, concretizando assim a soberania
popular.
- Como o povo exerce o Poder diretamente?
1. Iniciativa popular;
2. Plebiscito;
3. Referendo;

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XIV – Plebiscito:

a. - Consulta-se o povo para após a decisão popular, o governante toma


a decisão política.
Exemplo de Plebiscito: em 21/04/1993 a EC 02/1992 consultava sobre a
forma de Regime de Governo no Brasil, se Parlamentarista ou
Presidencialista, o povo optou pela manutenção do PRESIDENCIALISMO.

XV – Referendo:

- Primeiro o governante executa o ato administrativo ou legislativo para


depois o povo ratificar ou rejeitar.

Exemplo de Referendo: em 23/10/2005 o povo foi chamado às urnas para


decidir sobre o Art. 35 da Lei 10.826/2003, conhecida como Estatuto do
Desarmamento.

A pergunta era: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido


no Brasil”? A resposta foi “Não”, com um percentual de 63,94% de Não e
36,06% de Sim.

XVI – Constituição:

1. Conceito Sociológico – é a somatória dos fatores reais do poder


dentro de uma sociedade somente se efetivando se
representasse o efetivo poder social.
2. Conceito Político – é a decisão política do titular do poder
constituinte sobre a estrutura e órgãos do Estado, direitos
individuais e a vida democrática.
3. Conceito Jurídico – é a lei fundamental de organização do
Estado, estabelece os limites de atuação do Estado ao
assegurar respeito aos direitos individuais.

XVII – Classificação das Constituições:

1. Quanto à Origem:

a. Outorgadas – são as constituições impostas de maneira unilateral


pelo agente revolucionário, que não recebeu do povo legitimidade
para em nome dele atuar.
No Brasil as Constituições outorgadas foram:
1824 – Império
1937 – Inspirada em modelo fascista extremamente autoritária –
Getúlio Vargas/Estado Novo
1967 – Ditadura Militar

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b. Promulgadas – são aquelas constituições que são fruto do trabalho de
uma Assembléia Nacional Constituinte, eleita diretamente pelo povo,
para em nome dele atuar, nascendo da deliberação da legítima
representação popular
No Brasil as Constituições Promulgadas foram:
1891 – 1ª Constituição Republicana
1934 – Inseriu a democracia social, inspirada na Constituição de
Weimar/Alemanha
1946 – Após a 2ª Guerra Mundial
1988 – Atual

2. Quanto à forma:

a. Escrita – formada por um conjunto de regras sistematizadas e


organizadas em um único documento.

b. Costumeira/Consuetudinária – é aquela que não traz as regras em um


mesmo/único texto solene e codificado, é formada por textos
esparsos, reconhecidos pela sociedade como fundamentais, baseada
nos usos e costumes, jurisprudências e convenções. Ex. Constituição
da Inglaterra

3. Quanto à Extensão:

a. Sintéticas - são as Constituições enxutas que veiculam ao texto


constitucional apenas os princípios fundamentais e estruturais do
Estado. São as mais duradouras, pois não descem às minúcias. Ex.
Constituição Americana.

b. Analítica – são as Constituições que abordam todos as assuntos que


os representantes do povo entenderem fundamentais. Ex.
Constituição Federal de 1988 ( Art. 242 § 2º)

4. Quanto ao Conteúdo:

a. Formal – é a Constituição que tem como critério o seu processo de


formação e não o conteúdo das normas. Ex. Constituição Federal de
1988 (Assuntos Eleitorais/Trabalhistas/Tributários/etc)

b. Material – é o tipo de Constituição que está mais adstrita a


determinados assuntos, contém as normas fundamentais e estruturais
do Estado, a organização de seus órgãos e os direitos e garantias
individuais. Ex. Constituição do Império do Brasil de 1824.

5. Quanto ao modo de elaboração:

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a. Dogmática – sempre escritas, baseadas nos dogmas estruturais e
fundamentais do Estado, partem de teorias preconcebidas, de planos
e sistemas prévios de ideologias, são elaborados de um só jacto,
reflexivamente, racionalmente por uma Assembléia Constituinte. Ex.
CF/88.

b. Históricas – constituem-se através de um lento e contínuo processo


de formação, ao longo do tempo, reunindo a história e as tradições de
um povo. Ex. Constituição Inglesa.

6. Quanto à Alterabilidade:

a. Rígidas – são as constituições que exigem para sua alteração um


processo legislativo mais solene. No Brasil, com exceção da
Constituição Imperial de 1824, todas foram e são consideradas rígidas.
Ex. Const. Federal de 1988.

b. Flexíveis – é o modelo de constituição que não requer um processo


legislativo muito formal para suas alterações, nesses casos, não
existe hierarquia entre a Constituição e as Normas infra-
constitucionais. Ex. CF de 1824.

XVIII – Características da CF/88:

- Promulgada
- Escrita
- Analítica
- Formal
- Dogmática
- Rígida

XIX – História das Constituições:

1. Constituição Imperial de 1824.

Caracterizada pela existência do Poder Moderador que dá ao


imperador a competência para equilibrar os Poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário. Propiciou a existência do Parlamentarismo, sendo o Presidente
do Conselho de Ministros o Chefe de Governo e o Imperador, o Chefe de
Estado, com um parlamentarismo que à época, se assemelhava ao
Parlamento Britânico.

D. Pedro I queria ter poder sobre o legislativo através do veto imperial,


iniciando uma desavença na assembléia.

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Características:
a. Foi a única Constituição brasileira a não sofrer emendas;
b. Foi a Constituição brasileira que teve uma vigência mais longa;
c. A existência de 04 Poderes;
d. Definiu quem é cidadão brasileiro;
e. O Estado adotou o Catolicismo como religião oficial;
f. O imperador era irresponsável , não respondia por seus atos
judicialmente;
g. o Governo era uma monarquia unitária e hereditária;
h. Voto censitário conforme a renda do eleitor.

2. Constituição de 1891.

Fortemente inspirada na Constituição Americana, inclusive o país


adotou o nome de Estados Unidos do Brasil.

Características:
a. Regime de Governo era o Presidencialismo;
b. Mandato do presidente de 04 anos sem reeleição imediata;
c. O vice-presidente poderia ser reeleito por partido diferente do presidente;
d. Abolição das instituições monárquicas;
e. Os senadores deixaram de ser vitalícios;
f. Existência de 03 Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário;
g. Os presidentes das províncias passaram a ser eleitos pelo voto direito.

3. Constituição Brasileira de 1934.

Uma Constituição bastante democrática, foi a que menos durou em


toda história brasileira, apenas 03 anos.

Características:

a. Bastante progressista em relação à legislação trabalhista;


b. Voto obrigatório para maiores de 18 anos;
c. Cria a jornada de trabalho de 08 horas;
d. Cria a Justiça do Trabalho;
e. Cria a Justiça Eleitoral;
f. Instituiu o voto secreto;
g. Proibiu o trabalho infantil;
h. Nacionalizou as riquezas do sub-solo e quedas d’água no país;
i. Propiciou o voto feminino.

Um abraço

8
César

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