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COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL E

PROCESSO PENAL DO TRF DA 5º REGIÃO-ANALISTA


JUDICIÁRIO
45. José na janela da empresa em que seu desafeto Pedro trabalhava, gritou em
altos bravos que o mesmo era "traficante de entorpecentes". Nesse caso, José
cometeu crime de

(A) calúnia.

(B) injúria.

(C) difamação.

(D) denunciação caluniosa.

(E) falsa comunicação de crime.

RESP: B -COMENTÁRIOS

Os crimes contra a honra estão previstos nos arts. 138 (calúnia), 139 (difamação) e
injúria (140) do Código Penal.

A calúnia consiste em imputar falsamente a alguém fato definido como crime.

A difamação consiste em imputar falsamente a alguém fato ofensivo à sua reputação.

A injúria caracteriza-se pela ofensa a dignidade ou o decoro.

Vamos aos exemplos:

O Mentiraldo disse: ” João estuprou Maria na festa de Natal da casa da Dona


Margarida”. Trata-se de uma calúnia. Observe, entretanto, que a calúnia admite a
exceção da verdade. Ou seja, caso João o processe alegando ter sido vítima de calúnia, o
Mentiraldo poderia ingressar com a “exceção da verdade” dizendo que pretende
demonstrar a veracidade do alegado. Observe que se o Mentiraldo houvesse dito: “João
é um estuprador”, estaria configurada a injúria. Nesse caso não se atribuiu um fato
criminoso, mas um conceito aviltante, uma qualidade negativa (obs: a injúria não
admite a exceção da verdade).

Guilherme de Souza Nucci, em seu CP comentado, exemplifica:

“Dizer que uma pessoa é estelionatária, ainda que falso não significa estar havendo uma
calúnia, mas sim uma injúria. O tipo penal do art. 138 exige a imputação de fato
criminoso, o que significa dizer que no “no dia tal, às tantas horas, na loja Z, o

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indivíduo emitiu um cheque sem provisão de fundos. Sendo falso esse fato, configura-se
a calúnia.

Ora, seguindo essa linha de raciocínio se José gritou que Pedro é traficante de
entorpecentes, José cometeu crime de injúria. Portanto a resposta é a letra B.

Memorize os seguintes exemplos:

José gritou: “João estuprou Maria na festa de Natal da casa da Dona Margarida”. Trata-
se de calúnia se o fato for falso. Na calúnia o fato imputado é crime. Para facilitar a
memorização lembre-se da regra do c-c das iniciais (calúnia-crime).

José gritou: “João não pagou a Maria a dívida que se venceu no dia 01 de fevereiro e
Maria ficou sem dinheiro para pagar a inscrição do concurso de Auditor Fiscal da
Receita Federal” Trata-se de uma difamação. O fato imputado não é crime. Observe que
tanto na calúnia como na difamação se atribui um fato a alguém. Na calúnia um fato
criminoso; na difamação se atribui um fato ofensivo a sua reputação.

José gritou: “João é estuprador”( injúria).Não se atribui um fato, se atribui uma


qualidade negativa que seja ofensiva a reputação.

José gritou: “João é caloteiro”(injúria).

46. A respeito da imputabilidade penal, é correto afirmar:

(A) A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez
proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía ao tempo da ação ou da
omissão, a plena capacidade de entender o caráter criminoso do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

(B) É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, voluntária ou culposa,
pelo álcool ou substância de efeitos análogos era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter criminoso do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

(C) É isento de pena o agente que, em virtude de perturbação da saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não possuía a plena
capacidade de entender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento.

(D) A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter criminoso do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

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(E) A pena pode ser reduzida de um a dois terços se o agente, por embriaguez
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou
da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter criminoso do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

RESP:A-COMENTÁRIOS

O candidato deveria acertar essa questão mesmo se estivesse embriagado. Aliás, depois
de entender a lógica das modalidades de embriaguez torna-se impossível errar.

Vamos começar com uma pergunta. Carlão completamente embriagado joga uma
garrafa de cerveja no amigo Ronaldo, vazando-lhe um dos olhos. No dia seguinte
acorda e não se lembra de nada do que fez. Nesse caso Carlão responderá pelo crime?
Depende da modalidade de embriaguez.

1) De acordo com o Código Penal tratando-se de embriaguez voluntária ou


culposa, Carlão responderia pelo crime.

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: II - a embriaguez, voluntária


ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.

Assim, por exemplo, Carlão responderia normalmente se, de dose em dose, sem
perceber, ficou totalmente embriagado e cometeu o crime (embriaguez culposa). Esse
posicionamento, entretanto, não é aceito pacificamente pela doutrina.

Da mesma forma, Carlão responderia se bebeu para criar coragem de agredir


Ronaldo.(embriaguez preordenada). Na verdade a embriaguez preordenada é uma
circunstância agravante do crime (art. 61, II, l).

O Código Penal adotou a teoria da actio libera in causa. Ou seja, a conduta é livre na
sua causa. O indivíduo responderia porque no início se colocou em uma situação de
embriaguez.

A teoria da actio libera in causa não é aceita pacificamente na doutrina. Zaffaroni a


critica severamente. Damásio de Jesus só aceita aplicá-la quando o indivíduo, antes de
se embriagar tenha querido o resultado ou assumido o risco de produzi-lo. Nas palavras
de Damásio “ a moderna doutrina penal não aceita a aplicação da teoria da actio
libera in causa à embriaguez completa, voluntária ou culposa e não preordenada, em
que o sujeito não possui previsão, no momento em que se embriaga, da prática do
crime. Se o sujeito se embriaga prevendo a prática do crime e aceitando a produção do
resultado, responde pelo delito a título de dolo. Se ele se embriaga prevendo a
produção do resultado e esperando que não se produza, ou não o prevendo, mas
devendo prevê-lo, responde pelo delito a título de culpa. Nos dois últimos casos é aceita

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a aplicação da teoria da actio libera in causa. Diferente é o primeiro caso em que o
sujeito não desejou, não previu e não havia elementos de previsão da ocorrência do
resultado.”

2) Tratando-se, todavia, de embriaguez oriunda de caso fortuito ou força maior Carlão


estará isento de pena se a embriaguez foi completa e no momento em que ele jogou
a garrafa ele estava inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento. Exemplos de embriaguez completa
oriunda de caso fortuito ou força maior: Carlão caiu no tonel de aguardante e ficou
completamente embriagado; o garçom colocou sorrateiramente uma substância no
guaraná do Carlão que o deixou completamente embriagado; Carlão foi vítima de um
trote e foi amarrado e obrigado a ingerir uma garrafa de Black Label.. (§ 1º - É isento
de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito
ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento).

Portanto, observe que para ocorrer a isenção de pena exige-se duas


condições:

ISENÇÃO DE PENA =

1º) EMBRIAGUEZ PROVENIENTE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR+

2º) INTEIRA INCAPACIDADE DE ENTENDER O CARÁTER ILÍITO DO FATO OU DE


DETERMINAR-SE DE ACORDO COM ESSE ENTENDIMENTO.

3) Entretanto mesmo que a embriaguez seja oriunda de caso fortuito ou força maior se
Carlão ainda possuía alguma capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento poderá responder pelo crime com a
pena reduzida de um a dois terços. (§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a
dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou
força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena
capacidade).

Portanto, observe que para a pena ser reduzida de um a dois terços exige-se
duas condições:

PENA REDUZIDA DE UM A DOIS TERÇOS:

1º) EMBRIAGUEZ PROVENIENTE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR+

2º) NÃO POSSUIR A PLENA CAPACIDADE (AO TEMPO DA AÇÃO OU OMISSÃO)

Assim a única resposta correta é a letra a.

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As situações das alíneas b e c não isentam de pena. Na “b” porque a embriaguez era
voluntária ou culposa e na “c” porque o agente teve apenas a capacidade reduzida.

A situação da alínea “d” isenta de pena. Está prevista no art. 26 do CP

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

A situação da alínea “e” isenta de pena, conforme já explicado.

47. João alterou documento verdadeiro emanado de entidade paraestatal. João


responderá por crime de

(A) falsificação de documento público.

(B) falsificação de documento particular.

(C) falsidade ideológica.

(D) falsificação de selo ou sinal público.

(E) supressão de documento.

RESP:A-COMENTÁRIOS

A resposta é a letra “a”. O candidato tinha que saber apenas que o


documento emanado de entidade paraestatal equipara-se a documento
público, conforme dispõe o §2º do art. 297 do CP.

Falsificação de documento público

Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou


alterar documento público verdadeiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se


do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o


emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível
por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o
testamento particular.

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48.Considere:

I. Extorsão mediante seqüestro.

I I. Peculato.

I I I. Epidemia com resultado de morte.

IV. Moeda falsa.

São crimes hediondos os indicados, APENAS, em

(A) I, III e IV.

(B) II e III

(C) I e III.

(C) III e IV.

(E) I, II e III.

RESP:C-COMENTÁRIOS

A alternativa correta é a letra C, uma vez que a extorsão mediante seqüestro e a


epidemia com resultado morte são crimes hediondos, conforme prevê os incisos IV e
VII do art.1º da Lei 8.072/90.

Esse é o tipo da questão que permite ao candidato acertar somente utilizando o bom
senso. Aliás, em várias questões o bom senso deveria ser o segundo critério de decisão
sobre qual o item o concursando deve marcar. O candidato inexperiente ler a questão e
pensa: nunca estudei crimes hediondos, portanto não sei a questão e, por conseguinte,
vou chutar. Às vezes, existe quase um sentimento de penitência, de expiação: “como
não estudei o assunto, não mereço acertar”. Outras vezes emerge uma sensação de
desespero ou de aflição que afasta o candidato do caminho da racionalidade. O
candidato tem que se lembrar naqueles instantes de decisão que ele está
desacompanhado de técnico e cabe a ele, sozinho, repetir: calma, calma, ora crimes
hediondos são aqueles que ofendem bens jurídicos mais graves e dentre esses quatro
delitos os que merecem uma reprimenda maior é o de extorsão mediante seqüestro e o
de epidemia com resultado morte, portanto, vou marcar a alternativa C.

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Sobre crime hediondo cabe uma observação final importante para os próximos
certames: com a edição da lei 11.464/2007 passou a ser possível a liberdade provisória
sem fiança nos processos por crimes hediondos.

BASE LEGAL

Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no


Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados
ou tentados:

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de


extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2o, I, II, III, IV e V);

II - latrocínio (art. 157, § 3o, in fine);

III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o);

IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159,


caput, e §§ lo, 2o e 3o);

V - estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo
único);

VI - atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com o art. 223,
caput e parágrafo único);

VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o).

49. A denúncia deve

(A) ser sempre escrita, inclusive quando do início da ação penal privada.

(B) estar necessariamente embasada em inquérito policial.

(C) conter obrigatoriamente o rol das testemunhas de acusação.

(D) descrever o fato criminoso com todas as suas circunstâncias.

(E) ser recebida ainda que já estiver extinta a punibilidade.

RESP: D-COMENTÁRIOS

A alternativa correta é a letra d, que está de acordo com o art. 41 do CPP abaixo
transcrito:

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“Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso,
com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou
esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e,
quando necessário, o rol das testemunhas.”

O fato criminoso é rodeado de circunstâncias que repercutem na ação penal. Assim, por
exemplo, quando o crime foi cometido, pode se configurar uma informação
imprescindível para verificar a prescrição; o local do crime influencia na competência;
os motivos e meios empregados (doloso ou culposo), os autores envolvidos (concurso
de pessoas), a participação de cada um dos autores e partícipes, em caso de concurso de
pessoas, todas essas informações podem gerar desdobramentos na ação penal..

A questão extraiu a resposta diretamente do artigo do CPP, sem maiores indagações.


Cabe ressaltar que a denúncia ou queixa não precisa ser necessariamente exaustiva.

50. Considere:

I. Ministros de Estado.

I I. Governadores de Estados.

I I I. Membros dos Tribunais Regionais Federais.

IV. Membros do Congresso Nacional.

V. Procurador Geral da República.

Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, nos crimes


comuns, as autoridades indicadas APENAS em

(A) II e III.

(B) I,IIIeV.

(C)II, IV e V.

(D) IV e V.

(E) I e IV.

RESP: A- COMENTÁRIOS

Os Governadores de Estado e membros dos TRFs são julgados pelo STJ,


conforme dispõe o art. 105, I, a da CF. Assim a resposta a questão é a letra A.

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“Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

I - processar e julgar, originariamente:

a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito


Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos
Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos
Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais
Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os
membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do
Ministério Público da União que oficiem perante tribunais.”

Cabe explicitar que os Ministros de Estado, os Membros do Congresso


Nacional e o Procurador Geral da República são julgados em caso de crime
comum pelo STF (art. 102, I, b e c).

A questão foi muito simples e perguntou apenas em relação aos crimes


comuns. Cabe, entretanto, uma explicação específica em relação aos Ministros
de Estado no que diz respeito ao crime de responsabilidade.

Os Ministros de Estado normalmente são julgados pelo STF tanto em caso


de crime comum ou em caso de crime de responsabilidade. Entretanto, se o
crime de responsabilidade do Ministro do Estado for conexo com o crime de
responsabilidade do Presidente da República, o Ministro de Estado será
julgado pelo Senado Federal nesse crime de responsabilidade (art. 52, I).

51. A respeito da prisão em flagrante, é correto afirmar que

(A) não pode ser feita por qualquer do povo, mas apenas pelas autoridades policiais
e seus agentes.

(B) se considera em flagrante delito quem é encontrado, logo depois, com


instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor da in-
fração.

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(C) para a lavratura do respectivo auto, é necessária a existência de pelo menos duas
testemunhas da infração.

(D) o preso, por razões de segurança, não tem direito à identificação dos
responsáveis por sua prisão.

(E) a pessoa presa em tal situação não tem direito à liberdade provisória, por ter essa
custódia cautelar natureza diversa da prisão preventiva.

RESP: B- COMENTÁRIOS

A resposta é a letra “B” que trata do flagrante presumido ou ficto do art. 302, IV
do CPP. (Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: IV - é
encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que
façam presumir ser ele autor da infração.)

O item “A” está errado porque o art. 301 do CPP prescreve que qualquer do
povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem
quer que seja encontrado em flagrante delito. (Art. 301. Qualquer do povo
poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer
que seja encontrado em flagrante delito.)

A opção “C” está errada porque a falta de testemunhas do fato criminoso não
impede a realização do auto de prisão em flagrante conforme estabelece o §2º
do art. 304. (§ 2o A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de
prisão em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo
menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à
autoridade.)

A alínea “D” está errada porque o inciso LXIV do art. 5º da CF determina que o
preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu
interrogatório policial.

A opção “E” está errada, uma vez que a liberdade provisória, preenchido os
requisitos legais, é um direito do indiciado, conforme dispõe o art. 310 do CPP.
(Art. 310. Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente

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praticou o fato, nas condições do art. 19, I, II e III, do Código Penal, poderá,
depois de ouvir o Ministério Público, conceder ao réu liberdade provisória,
mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de
revogação.) Obs: Com a alteração legislativa, as excludentes de ilicitudes,
antes previstas no art. 19, estão agora fixadas no art. 23, I, II e III: estado de
necessidade, legítima defesa, exercício regular de direito e estrito cumprimento
do dever legal.

52. Dentre outras hipóteses legais, caberá apelação da decisão

(A) que relaxar prisão em flagrante.

(B) que concluir pela incompetência do juízo.

(C) que julgar extinta a punibilidade.

(D) do Tribunal do Júri, quando ocorrer nulidade posterior à pronúncia.

(E) que não receber a queixa.

RESP: D-COMENTÁRIOS

A resposta é a letra D, porque está de acordo com o art. 593, III, do CPP

“Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:

III - das decisões do Tribunal do Júri, quando:

a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; “

A alternativa “A” está errada porque contra a decisão do juiz que relaxar a prisão em
flagrante cabe recurso em sentido estrito (581, V, CPP). Também é cabível recurso em
sentido estrito contra a decisão do juiz que concluir pela incompetência do juízo (581,II,
CPP), que julgar extinta a punibilidade (581, VIII, CPP) e que não receber a denúncia
ou a queixa (581, I, CPP). Assim, as alternativas B, C e E estão erradas

53. Quando a ação penal for privativa do ofendido,

(A) não cabe ao Ministério Público velar pela sua indivisibilidade.

(B) não cabe ao Ministério Público intervir nos atos e termos do processo.

(C) a queixa não poderá ser aditada pelo Ministério Público.

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(D) o perdão concedido a um dos querelados não aproveitará os demais.

(E) a queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais.

RESP:E-COMENTÁRIOS

A resposta é a letra “E” porque está de acordo com o art. 44 do CPP

“Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais,
devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção
do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de
diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal.”

A alternativa “A”está errada porque cabe ao Ministério Público velar pela


indivisibilidade da ação penal privada (Art. 48 do CPP).( Art. 48. A queixa contra
qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério
Público velará pela sua indivisibilidade.)

As alternativa “B e C” estão erradas, conforme conteúdo do art. 45 do CPP ( Art. 45. A


queixa, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, poderá ser aditada
pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos
subseqüentes do processo.)

A alternativa “D” está errada, conforme esclarece o conteúdo do art.51 ( Art. 51. O
perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que produza,
todavia, efeito em relação ao que o recusar.)

54. A respeito do processo referente a infrações de menor potencial ofensivo


perante o Juizado Especial Criminal, é INCORRETO afirmar que

(A) os embargos de declaração, quando opostos contra sentença, suspenderão


o prazo para o recurso.

(B) a competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi


praticada a infração penal.

(C) o procedimento sumaríssimo pode ser instaurado por denúncia oral


oferecida pelo Ministério Público.

(D) a sentença deverá mencionar os elementos de convicção do juiz,


dispensado, porém, o relatório.

(E) o não oferecimento da representação na audiência preliminar implica na


decadência desse direito.

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RESP: E- COMENTÁRIOS

A questão está disciplinada na Lei nº 9.099/95. O Parág. Único do art. 75 dispõe:

Art. 75. Não obtida a composição dos danos civis, será dada imediatamente ao
ofendido a oportunidade de exercer o direito de representação verbal, que será
reduzida a termo.

Parágrafo único. O não oferecimento da representação na audiência


preliminar não implica decadência do direito, que poderá ser exercido no
prazo previsto em lei.”

Assim, o ofendido dispõe de tempo para pensar se efetivamente quer oferecer


a representação. Se não oferecer a representação na audiência preliminar, o
ofendido disporá ainda do prazo de seis meses para oferecê-la.

Portanto, a alternativa incorreta é a “E”.

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