EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE GUARAPUAVA – ESTADO DO PARANÁ.

BANCO GMAC S/A, pessoa jurídica de direito privado com sede em São Paulo-SP, na Avenida Indianópolis, 3096, bloco B, inscrito no CNPJ sob nº. 59.274.605/0001-13, por intermédio de seus advogados ao final assinados, conforme instrumento particular de Procuração anexa, com escritório profissional no endereço consubstanciado no rodapé da presente, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, apresentar

CONTESTAÇÃO,

com fundamento no artigo 30 da Lei nº. 9.099, de 26.9.1995, aos termos da Ação de Repetição de Indébito c/c danos morais nº. 25320-89.2010.8.16.0031 promovida por JOSIMA TOSSIN, nas razões de fato e de direito adiante expostos. DA INICIAL

Alega o Requerente ter firmado contrato de financiamento com a Requerida para aquisição do veículo que desejava. Alega que foi cobrado indevidamente a Taxa de Abertura de Crédito, taxa de emissão de boleto bancário e serviço de terceiro.

Entendendo que houve abusividade excessiva na cobrança das referidas taxas, busca a revisão do contrato pactuado, com a declaração da ilegalidade e abusividade da cobrança das taxas de abertura de crédito e a devolução dos valores em dobro, corrigidos monetariamente e acrescidos dos juros legais.

nasce para o titular a pretensão. incisos IV ou V. quando transcorridos mais de 3 (três) anos data da assinatura do contrato e conseqüente verificação de valores a serem restituídos.. em relação ao contrato de financiamento de veículo. por estarmos diante de prescrição do direto do autor.) IV . do Código Civil: “Art.a pretensão de reparação civil. por já ter transcorrido mais de 3 anos entre a assinatura do contrato e propositura da demanda.a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. há que ser reconhecida a aplicabilidade dos artigos acima transcritos. V . O contrato objeto da presente demanda foi celebrado em data de 06/12/2004. 206. § 3º. por força do quanto estabelecido nos artigos 189 e 206. tendo sido a demanda proposta apenas em 10/12/2010. a qual se extingue. DA PRESCRIÇÃO O Autor busca a prestação jurisdicional para rever suposta abusividade do Réu. ocorreu a prescrição prevista no Código Civil. como tarifa de cadastro e tarifa de emissão de boleto. Violado o direito... 189. com o intuito de obter a repetição dos valores supostamente pagos indevidamente. pela prescrição. busca o ressarcimento de enriquecimento sem causa. Prescreve: (. ou seja. 205 e 206. nos prazos a que aludem os arts. Assim. O início de contagem do prazo para verificação da existência de prescrição dá-se da formalização do contrato.Contudo. . conforme restará demonstrado. onde previsto o pagamento da tarifa bancária questionada..) § 3o Em três anos: (. Com relação aos débitos supostamente irregulares e decorrentes do mútuo. não assiste razão as alegações do Reclamante. Art.

há que ser reconhecida a aplicabilidade do inciso II.” (Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. quando transcorridos mais de 6 (seis) anos data da assinatura do contrato e conseqüente verificação de valores a serem pagos. quando da . tem-se em recente decisão. 38 da Lei 9. eis que a cobrança fora realizada em março de 2007 e a autora somente ajuizou a presente ação em agosto de 2009 e não há provas nos autos de que havia qualquer reclamação administrativa. O Código de Defesa do Consumidor. prevê o prazo de 90 (noventa) dias para a ocorrência da decadência do direito de reclamar os vícios com a mencionada natureza. A Autora propôs a ação pelo rito especial da Lei 9099/99. XX Juizado especial Cível da Comarca da Capital. tendo sido a demanda proposta apenas em outubro/2010. Acolho a preliminar argüida. que reza sobre o instituto da decadência nos casos de vícios aparentes ou de fácil constatação na prestação de serviços. Assim. com fulcro no artigo 269.DA DECADÊNCIA Referido contrato foi celebrado no ano de 2000. Autor: Luana Kelly Cordeiro da Silva. do artigo 26. em face do Réu pleiteando indenização por danos morais e materiais. Em razão do exposto.207.eventual ocorrência de um erro em qualquer valor cobrado pelo Réu no contrato de financiamento ora discutido restou quando da assinatura deste evidente seria tal vício. JULGO EXTINTO COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. no mérito. nos termos do art 26 do CDC. inciso II. ocorrendo a decadência do direito autoral. proferida em janeiro do corrente ano: “Dispensado o relatório por força do art. em seu artigo 26. do CDC.099/99. 2009. impugna os pedidos. Processo nº. Em contestação o Réu alega preliminarmente a decadência do direito autoral e. Neste sentido. IV do CPC.010613-1. E justificamos a aplicação do mencionado preceito legal vez que. Réu: Banco Safra S/A) .

Ademais. de ofício.267.REVISÃO DE CLÁUSULAS DE CONTRATO FINDO IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO . o que não se espera. O contrato que já se finalizou. caracteriza-se como ato jurídico perfeito. requer-se que seja julgada improcedente os pedidos do Autor. de ter suas cláusulas discutidas judicialmente. como houve a decadência do direito do autor. já que se trata de contrato quitado e findo.REPETIÇÃO DE INDÉBITO COMPRA E VENDA . Deve ser decretada a carência de ação quando a pretensão aviada cingir-se à discussão de . o que deve levar a extinção do presente feito. resta inviável a revisão da avenca. relativamente ao contrato de financiamento celebrado entre as partes. se houve quitação do valor devido.COBRANÇA . a decadência do direito do apelado impugnar as taxas e tarifas constantes no contrato celebrado entre as partes. não tendo a quitação ocorrido por erro. para que o feito seja extinto sem resolução de mérito. Caso assim não entenda Vossa Excelência. pagando-o integralmente. sem julgamento de mérito. DA CARÊNCIA DA AÇÃO Temos que o Autor negociou com a Instituição Financeira e quitou o contrato de financiamento. com base no art. impassível. Dessa forma. Deve-se destacar que a quitação integral do débito impede o ajuizamento da ação revisional.PAGAMENTO PARCELADO . Nesse sentido: "AÇÃO ORDINÁRIA . há de ser reconhecida. por ter sido integralmente cumprido pelas partes. o que deve ensejar a extinção do feito sem resolução do mérito.CARÊNCIA DE AÇÃO VOTO VENCIDO.Assim. A jurisprudência vem decidindo no sentido da impossibilidade jurídica do pedido de revisão de contratos findos. portanto. passa-se então à análise do mérito. Repita-se: o Autor já quitou integralmente a dívida em questão e objeto da presente ação revisional. inciso VI do CPC.CONTRATO CUMPRIDO . mas a eventualidade faz prever. não possui o Autor qualquer débito em face do Banco Requerido. por carência de ação.

. sem a ocorrência de vício. tendo em vista a impossibilidade jurídica deste. "AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATOS BANCÁRIOS . sob pena de se instalar a insegurança jurídica.Décima Primeira Câmara Cível . o valor pago não pode ser repetido (art. Assim. da Constituição Federal.RESTITUIÇÃO VALORES PAGOS . NO MÉRITO Efetivamente. já que o pagamento foi voluntário e não resultante de erros. as partes litigantes firmaram contrato de financiamento. Não se pode permitir a revisão de contrato findo e acabado.Apelação nº 0353649-0 . Quitou porque conseguiu negociar com a Instituição Financeira e porque achou vantajoso o pagamento. O Autor não demonstrou ter feito o pagamento por erro. por meio da qual o Requerente adquiriu o veículo que desejava. sob pena de impor total insegurança aos negócios jurídicos. a menos que o ato extintivo (o pagamento) seja resultante de erro. .Relatora: Teresa Cristina da Cunha Peixoto).Apelação nº 0324155-8 . O Autor negociou o débito que possuía em face da Instituição Financeira e o quitou. com base no inciso VI do art..CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR MORA. 965 CC).obrigações previstas em contrato findo. 5º. integralmente cumprido pela parte.)" (TJMG . constitui ato jurídico perfeito e acabado que não pode ser objeto de questionamento judicial sem que reste ofendido o art. XXXVI. uma vez que o cumprimento da avença." (TJMG . 267 do CPC.Nona Câmara Cível Data do julgamento: 28/11/2000). extinguindo-se o processo sem julgamento do mérito. inadmissível revisão de cláusulas contratuais. Resta juridicamente impossível a revisão de contrato quitado. com base no Código de Defesa do Consumidor. não é possível a discussão de contrato extinto pelo adimplemento. Contrato extinto é ato jurídico perfeito e acabado. (. quando já patenteada a mora.

requerendo a devolução em dobro dos valores pagos a título de Taxa de Emissão de Boleto e Taxa de Abertura de Crédito. este não haveria firmado o contrato. caso fosse desvantajosa a oferta e negociação estabelecida entre as partes. As prestações foram prefixadas. impondo sua total improcedência. certamente. tendo sido devidamente pactuada o pagamento de tarifa de abertura de crédito. estando quebrado o princípio da boa fé contratual. como se verifica desde o início e se demonstrará pelos demais tópicos da presente defesa. Ressalte-se. e somente a ruptura do mesmo. portanto. Caso não houvesse concordância do Reclamante com os valores. cabendo a improcedência da presente reclamação. que o equilíbrio do contrato foi inicialmente estabelecido de modo adequado. tecendo considerações a respeito da relação jurídica existente entre as partes. qualquer abusividade. quando do preenchimento da ficha cadastral. por isso não pode sustentar a onerosidade dos encargos contratados ou mesmo o desequilíbrio do pactuado. a reclamação está fadada ao insucesso. não justificando os argumentos expostos na inicial. mesmo porque. não importando em lesão para qualquer das partes. Enfim. Vale argumentar.Embora o pactuado entre as partes. encargos e tarifas incidentes. sabia a Reclamante desde o início os valores a pagar. respeitado seus termos em sua execução. tanto que aceito pela Reclamante. desde sendo que as parcelas foram PRÉ-FIXADAS. é que pode justificar a resolução ou a revisão deste. não havendo que se alegar dificuldade de compreensão das cláusulas escritas ou termos técnicos. assim como a tarifa de emissão de boletos. sendo claro o intento do mesmo em buscar vantagem ilícita perante o Reclamado. restando pois. ser mantido. ingressa em juízo. principalmente dos valores acordados. Não se encontram nas cláusulas da operação de crédito. devendo. improcedente a reclamação. sendo clara a aceitação deste em relação ao preço a ser pago. que todos os encargos foram informados ao Reclamante quando do preenchimento de sua ficha cadastral. encargos para abertura e execução do pacto e. tendo o Reclamante plena ciência dos termos. nem que aquele somente percebeu que os valores eram abusivos depois de usufruir do valor financiado. corrigidas monetariamente e acrescidas dos juros legais. . em termos reais.

cumpre ao Reclamado esclarecer que as instituições financeiras são regidas por normas próprias. não tendo que se falar em devolução de valores. o qual estabelece que leis complementares regularão referido sistema. e é justamente a Lei 4. Ademais. pelas Leis 4. Isto porque as partes são capazes para contratar. 104 e 122 do Código Civil Brasileiro. conforme se extrai do seu art. sabendo o Reclamante desde o início os valores que teria a pagar. esta lei já existe. Ainda. vigentes a época da formação do contrato. Os termos do pacto sub judice encontram-se dentro dos limites da legislação que rege o Sistema Financeiro Nacional. do art. e a relação entre fornecedor e consumidor. mormente porque prefixadas. a Reclamante deduz suas pretensões em contrariedade aos arts.Do Crédito e da Licitude do Contrato Inicialmente. a Constituição Federal igualmente dedicou especial capítulo ao Sistema Financeiro Nacional. pelo que se verifica que referidas relações jurídicas não apresentam qualquer desvantagem exagerada. portanto. Forçoso concluir desde o início que a pretensão deduzida na inicial é equivocada. .595/64 e 4. a lei não prejudicará o ato jurídico perfeito. Todavia. reputando-se como tal. 5º da CF/88. erigida à condição de Lei Complementar. válido e eficaz. além do controle exercido pelo mercado.657/42. bem como estão de acordo com a legislação em vigor que trata a respeito de contratos. que não há afronta à legislação vigente nas taxas praticadas pelo mercado.595/64. não implica que não há qualquer restrição ou limites nas taxas e tarifas praticadas. A bem da verdade. sendo o mesmo lícito.728/65. 6º c/c seu § 1º do Decreto-Lei 4. o contrato é lícito e não existe qualquer disposição legal que vede as cláusulas que restaram pactuadas. segundo o art. No mais. e o inciso XXXVI. no que diz respeito às instituições financeiras. sofrem a fiscalização do BACEN. o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que foi celebrado. pois as mesmas. O fato das Instituições Financeiras serem regidas pelo Sistema Financeiro Nacional. reconhecido pelo STJ e maioria dos Tribunais pátrios. em especial no caso concreto. 192. a qual. todas as instituições financeiras estão vinculadas.

Em resumo. assim também não se conhece qualquer fato superveniente que tenha repercussão a afetar a base do negócio entre as partes. porque devem ser respeitados os encargos prefixados. A prestação contratada pelo mútuo é fixa. tendo sido respeitada a vontade das partes e a boa-fé quando firmados o instrumento e em sua consecução. ou vício que mereça. portanto. não se conhece nenhum fato superveniente a influenciar ou afetar o equilíbrio das prestações do contrato entre as partes. e ainda assim permanece.” (2004. devidamente contratados e respeitados pelo Requerido tão somente. com taxa de juros constante do contrato. pretendendo ainda a devolução em dobro dos referidos valores. não havendo que se falar em revisão do pacto efetuado entre as partes litigantes. O seu valor permaneceu o mesmo. tudo grafado com caracteres de tamanho regular e claro. porque tem o seu valor igual. Trata-se de texto de leitura fácil e acessível. inexistindo na legislação em vigor vedação tanto aos encargos contratados e garantias. lícitas as cláusulas pactuadas impondo prevalecer o princípio do pacta sunt servanda. da primeira a ultima prestação. Por outro lado. “As partes firmaram contrato de natureza adesiva de mútuo. seja quanto à redação. sendo. não cabendo falar-se em prestações desproporcionais. para pagamento em parcelas fixas. porque não possui forma defesa em lei.Sendo as partes capazes para contratar.11441 .Apelacao Civel Des. . restando por conseguinte sem qualquer fundamento o pedido de restituição dos valores pagos a título de Taxa de Emissão de Boleto e Taxa de Abertura de Crédito. Critica. a pactuação existente lícita. Ronaldo Rocha Passos Julgamento: 21/09/2004 TJRJ) Restam fadadas ao insucesso as alegações dao Reclamante. considere-se também que desde a data em que foi firmado até a data da propositura da presente ação não se conhece mesmo porque não referido qualquer evento que pudesse provocar excessividade a prestação devida pelo autor. bem como os juros sobre ela incidentes. DA COBRANÇA DE TARIFA DE CONFECÇÃO DE CADASTRO Busca o Reclamante pela presente. disposição ou tamanho da letras.001. Recurso conhecido e desprovido. que permanecem as mesmas. a declaração de abusividade das taxas de abertura de crédito. assim como o valor final devido. Ao exame formal do documento não apresenta o mesmo qualquer defeito.

descabida a alegação da ocorrência de desequilíbrio em decorrência desta tarifa. não parte da vontade pura e simples do Requerido. conforme a livre vontade das partes litigantes. COBRANÇA PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE TARIFA PELA LIQUIDAÇÃO ABUSIVIDADE ANTECIPADA DA DO CONTRATO. a Resolução 3. haja vista a Resolução 3. Art. Assim.518 e Circular 3371 padronizar o pacote básico de tarifas.518 do Banco Central do Brasil autoriza a sua incidência: RESOLUCAO 3. uma vez que o custo de tal atividade tem a tarifação específica regulamentada pela autoridade governamental competente. não sendo devida a restituição do valor pago. Como anteriormente demonstrado. PROCESSO CIVIL. CONTRATUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO DAS PARCELAS. pelo contrário. FINANCIAMENTO PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. Referida Tarifa não deve compor a taxa de juros praticada pela instituição. Órgão responsável pela regulamentação e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional. 1º A cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil deve estar prevista no contrato firmado entre a instituição e o cliente ou ter sido o respectivo serviço previamente autorizado ou solicitado pelo cliente ou pelo usuário.518 Disciplina a cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. ALEGAÇÃO SUJEIÇÃO DE DAS CLÁUSULA . DIREITO DO CONSUMIDOR. bem como a nomenclatura a ser utilizada pelas Instituições Financeiras.A tarifa de confecção de cadastro ora questionada é autorizada pelo Conselho Monetário Nacional. não havendo qualquer abuso por sua cobrança: “CIVIL. edita as normas regulamentares a que estão sujeitas às instituições financeiras. sendo a mesma legal. Além de devidamente pactuada. e que por intermédio do Banco Central do Brasil. pois não há vedação legal para sua cobrança. há norma específica autorizando a tarifa posta em discussão.

bcb. a justificar o pleito de seu afastamento.gov. podendo ser cobrada do cliente apenas nos seguintes casos:” Deste modo. SERVIÇOS BANCÁRIOS. Relator Diva Lucy Ibiapina. NÃO HÁ VEDAÇÃO À COBRANÇA DE TARIFA A TÍTULO DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA. sendo esta autorizada pela legislação vigente. julgado em 16/10/2007. ONEROSIDADE EXCESSIVA OU OUTRAS DISTORÇÕES NA COMPOSIÇÃO CONTRATUAL DA TAXA DE JUROS. CASO CONCRETO. é paga para remunerar um determinado serviço público. SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO-FINANCEIRA SUBMETEM-SE AO CDC. A PRIORI. Ainda. O BACEN divulga em seu sítio (www. 173) As tarifas bancárias decorrem de um serviço prestado ao cliente. estando a tarifa em discussão devidamente pactuadas. ESTIPULAÇÃO HÁ NO NECESSIDADE.INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AO CDC. a quantia cobrada se mostra adequada. CONTROLE E REVISÃO PELO PODER JUDICIÁRIO DE EVENTUAL ABUSIVIDADE.” (20060110888887ACJ. Qual a diferença entre tarifa e taxa? A tarifa é a remuneração do banco por um serviço que prestou ao cliente. vindo a legitimar dada incidência.br). pois decorrente de uma prestação de serviço. o que restou confessado na reclamação. explica sua natureza: “8. CONTROLE DA ATIVIDADE BANCÁRIA. OPERAÇÕES BANCÁRIAS TÍPICAS. A taxa. pois houve relação neste sentido entre as partes. . não há que se falar em qualquer prática abusiva. Não há como afastar tal acertiva. estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. bem como. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DO STF. FINANCEIRA E DE CRÉDITO PELO BANCO CENTRAL E CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. não havendo que se falar em arbitrariedades ou mesmo ofensa ao Código de Defesa do Consumidor. orientações acerca das tarifas passíveis de cobrança. cabível sua incidência.. Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do D. DE DE EXPRESSA FINANCIAMENTO. CONTRATO ENTRETANTO. DJ 13/11/2007 p.F.

SÚMULA Nº 294 DO STJ. pelo que não prospera a alegação do Reclamante. que decorrem de lei. No caso em apreço não há qualquer abusividade nessas tarifas. verbis: "Não há nenhuma ilegalidade na cobrança das tarifas bancárias. tais como o IOF Imposto Sobre Operações Financeiras . decorrentes da própria natureza dos serviços bancários. 1. Outras. AUSÊNCIA DE PROVA DE FATO SUPERVENIENTE QUE TORNARIA EXCESSIVAMENTE ONEROSO O CONTRATO. Des. AOS CONTRATOS BANCÁRIOS APLICA-SE O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. . NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI DA USURA. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira. NOS TERMOS DO ARTIGO 6º. INCISO V. DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. CLÁUSULA NÃO POTESTATIVA. POSSIBILIDADE. como no caso dos tributos. extratos. OCORRE QUE A AUTORA NÃO ALEGOU E NÃO PROVOU A OCORRÊNCIA DE NENHUM FATO SUPERVENIENTE À CELEBRAÇÃO DO CONTRATO QUE O TORNARIA EXCESSIVAMENTE ONEROSO. OCORRÊNCIA. Romeu Gonzaga Neiva. ANATOCISMO.170-36/2001 ADMITE A CAPITALIZAÇÃO DE JUROS NOS CONTRATOS FIRMADOS APÓS A EDIÇÃO DESTE INSTRUMENTO NORMATIVO.A jurisprudência tem entendido que não é vedado estipulação de tarifas bancárias. 5ª Turma Cível. AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO ESTÃO SUJEITAS ÀS TAXAS DE JUROS ESPECIFICADAS NA LEI DA USURA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. 2. evidentemente. Neste sentido veja-se a ementa colacionada do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal. etc". 4. O ARTIGO 5º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.170-36/2001. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. TARIFAS BANCÁRIAS. ONEROSIDADE EXCESSIVA. DJU 05. NOS TERMOS DA SÚMULA Nº 297 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. (TJDFT . Rel. devolução de cheques. A ONEROSIDADE EXCESSIVA DOS CONTRATOS DE CONSUMO DECORRE. SÚMULA Nº 297 DO STJ. tais como manutenção de cadastros. 3. ou da própria natureza dos serviços bancários. CONSOANTE A SÚMULA Nº 596 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.2005). DE FATOS SUPERVENIENTES QUE TORNAM EXCESSIVAMENTE ONEROSAS AS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULA 596 DO STF.05. SENDO QUE NESTA HIPÓTESE ADMITE-SE A REVISÃO DAS ESTIPULAÇÕES CONTRATUAIS.e a CPMF . LEGALIDADE. assim transcrito: “REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. tendo em vista que algumas são decorrentes de lei.Embargos de Declaração na APC 20020110510225APC DF. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA.

razão pela qual deve ser julgada insubsistente a presente reclamação. A tarifa é cobrada em decorrência dos custos que envolvem a emissão do boleto e os trâmites de recolhimento e repasse do valor da parcela. TAIS COMO O IOF . como já explicitado. TENDO EM VISTA QUE ALGUMAS SÃO DECORRENTES DE LEI.5. não há porque prosperar a presente demanda. 6.IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS . o qual considera abusiva. EXTRATOS.CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. EVIDENTEMENTE. SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTES OS PEDIDOS FORMULADOS NA AÇÃO DE REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. NÃO HÁ NENHUMA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DAS TARIFAS BANCÁRIAS.E A CPMF . ENTRE OUTRAS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. está a Instituição Financeira cobrando a referida taxa de retorno. DEVOLUÇÃO DE CHEQUES. TAIS COMO MANUTENÇÃO DE CADASTROS. todavia não indica com clareza nos autos o respectivo valor tido como abusivo. DA TAXA DE RETORNO Relata o reclamante que além da taxa de abertura de crédito. tendo em vista que o mesmo terceiriza tais funções.” ( TJ – DF APELAÇÃO CÍVEL 20030110712059APC DF Registro do Acórdão Número : 255809 Data de Julgamento : 23/03/2006 Órgão Julgador : 1ª Turma Cível Relator : ROBERVAL CASEMIRO BELINATI Publicação no DJU: 05/10/2006 Pág. sendo que tais procedimentos não são realizados pelo Reclamado. . OUTRAS. honrou o que versam os diversos dispositivos que temos a respeito em nosso ordenamento. muito pelo contrário. SENDO MANTIDA INCÓLUME A R. não tendo o Banco Requerido qualquer participação ou ganho com a referida cobrança. refere-se ao valor cobrado pela instituição financeira emissora dos boletos bancários. Diante de tais fundamentos. Resta incontroverso que o Banco Reclamado em nenhum momento desrespeitou a legislação vigente. DECORREM DA PRÓPRIA NATUREZA DOS SERVIÇOS BANCÁRIOS. : 62) A cobrança da tarifa de emissão de boleto.

de tarifa a qual não foi embutida no contrato. na ausência de cobrança da respectiva tarifa. não há porque prosperar a presente demanda. O reclamante tinha ciência do valor do financiamento. todavia em nenhum momento comprova a aplicação da referida tarifa. saiba o autor deste o inicio o valor de sua obrigação. Não figurou no presente contrato a tarifa de terceiro dita como abusiva pelo reclamante. tanto que veio a quitar o contrato. e ainda a cliente contratou com o banco reclamante e aceitou a prestação que estávamos cobrando à época. Deste modo. pois vantajosa tal contratação. aceitando desta forma o valor do financiamento. O reclamante em termos genéricos requer a declaração de abusividades bem como a restituição em dobro. não há que se falar em restituição em dobro. A tarifa referente a taxa de retorno a qual o autor alega ser cobrada indevidamente.Inicialmente. não houve cobrança da tarifa em questão. não está embutida nas parcelas do financiamento. todavia deixa de comprovar tal pagamento. DOS DANOS MORAIS . tanto o é que o autor não comprovada referida cobrança. as parcelas foram pré fixadas. não há cobrança da tarifa de retorno. Conclui-se que além do reclamante ter financiando com o banco requerido. vindo a quitar o contrato. vale aduzir. tanto que aceito no momento da contratação. tampouco demonstra qual o valor cobrado. que o reclamante contratou com o Banco Requerido e aceitou todos os termos do contrato. primeiramente porque referida tarifa não foi pactuada no contrato. assim não podemos falar em cobrança ilegal. Alega o autor que houve cobrança de taxa de retorno. tendo o reclamante ciência dos valores fixados e ademais. bem como o valor cobrado de forma abusiva. Assim. aceitos todos dos termos da contratação. Diante de tais fundamentos. tanto pouco em cobrança abusiva da tarifa de terceiro. descabida a alegação da ocorrência de desequilíbrio em decorrência desta tarifa.

sabia a reclamante desde o inicio do contrato o valores a serem pagos. violar direito e causar dano a outrem. o reclamante tinha ciência dos valores a pagar. Pela Teoria da Causalidade Adequada. diretamente. Aquele que. a ver com o dano. A interpretação incorreta dessa doutrina ou uma visão invertida das regras comuns de experiência conduz. temos que resta por improcedente a demanda ora interposta. o antecedente que guarda maior relação entre o dano e o ato/fato. . ainda que exclusivamente moral. por ação ou omissão voluntária. guarda a mais estreita relação com este. comete ato ilícito. Pela simples leitura do Art. induvidosamente. deve-se buscar o antecedente imprescindível à existência do dano que." (grifo nosso) A partir da cláusula supracitada já se mostra que o Requerido em nada contribuiu pelo dano sofrido pelo Autor. 186 do Código Civil. concomitante. ousamos acrescentar: de quem não tem culpa ou mesmo não cometeu o ato ou omissão. pois estes foram pré fixados. inadmissível falar em indenização danos morais. não podemos chegar a conclusão diferente. a responsabilidade de quem não tem. relatando que estas aconteceram de forma abusiva. se aceitou os termos contratuais foi porque o negócio jurídico era bem vindo. No caso concreto. É o que a doutrina chama de antecedente adequado. senão vejamos: "Art. é de fácil verificação que todos os transtornos alegados pelo Requerente não podem caracterizar a indenização por danos morais. tinha ciência de obrigação que assumiu. requerendo desta forma respectiva indenização. utilizada pelo nosso Código Civil. No ato da assinatura do contrato tinha a reclamante ciência de todos os valores. 186. negligência ou imprudência. ou em outras palavras.Alega o autor que sofreu danos morais em razão de cobranças. Pelo contido nos autos.

apenas lança um pedido genérico na inicial. sequer restou comprovado de modo razoável e efetivo o alegado pelo Reclamante. não havendo que se falar em devolução dos valores que supostamente lhe foram cobrados indevidamente. Ressaltando que nos autos. negligente ou imprudente em relação ao Requerente. bem como. O artigo supracitado é claro quando diz que somente comete ato ilícito aquele que. por ação ou omissão voluntária. Pelo argüido anteriormente. negligência ou imprudência. não restou comprovado qualquer tipo de dano. São improcedentes os pedidos do Reclamante. pois todos os termos do contrato foram aceito quando a da sua assinatura. pois como dito. violar direito e causar dano a outrem. para com outrem. ainda que exclusivamente moral. o Requerido em nenhum momento praticou ato ilícito ou então foi omisso. Da Repetição de Indébito Busca o Reclamante a repetição de indébito. Não podemos falar em indenização por danos morais. independentemente de culpa ou dano. sendo que em momento algum o reclamado agiu de má – fé. seja jurídica ou física. buscando enriquecimento ilícito. Veja Excelência. taxa de emissão de boletos e serviço de terceiro. . o que não se verificou nos presentes autos. pois este não foi coagida a contatar com o requerido. seja ele de ordem material ou moral.O autor está agindo de má fé. o requerido em momento algum agiu de má fé. Deixa a reclamante de demonstrar quais foram os abalos morais sofridos. decorre de conduta ilícita cível de uma pessoa. inexistindo qualquer alteração nos valores cobrados durante a consecução do mesmo. no que diz respeito aos valores pagos a titulo de tarifa de abertura de crédito. restou comprovado a inexistência de qualquer irregularidade nas cláusulas constantes no contrato. que o nexo causal. contratou porque este lhe proporcionava as melhores vantagens. deixou a livre vontade da parte. tão pouco agiu de má fé. Devendo ser julgada improcedente a presente demanda.

“no sentido de que a repetição em dobro do indébito pressupõe não só a cobrança indevida. sendo. portanto lícitos. DA IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . desta forma não há que se falar em repetição de indébito. a justificar o pleito do Reclamante. inexiste. nem má-fé por parte do Reclamado. pois improcedente a alegação de crédito em favor do Reclamante. cumpria ao Reclamante provar qualquer pagamento indevido e que o tenha feito por erro. tendo todos os valores sido cobrados com fundamento no contrato assinado pelas partes litigantes. não havendo que se falar ainda em repetição em dobro. pois as referidas tarifas foram cobradas com base em dispositivos que autorizam.Aliás. locupletamento ilícito por parte da Requerida. sendo plenamente válidos os encargos e taxas pactuadas. 877 do CCB. Ressalta-se. No caso em epígrafe desde o início do contrato foram prefixadas as obrigações. Por outro lado. como já demonstrado. por conseguinte. devendo os encargos serem aplicados como avençado. as instituições financeiras são reguladas por normas próprias. sendo. mas também a má-fé do credor”. Na presente demanda como dito. tendo todos os valores sido cobrados com fundamento no contrato assinado pelas partes litigantes. nem má-fé por parte do Reclamado. não houve a cobrança de valores indevidos.3 da Turma Recursal Única do Estado do Paraná. como já exposto. portanto lícitos. o enunciado nº. Na presente demanda. não se verifica a ocorrência de onerosidade a alterar as condições contratadas. eis que os valores contratuais foram prefixados. não houve a cobrança de valores indevidos. conforme ficou comprovado. muito menos onerosidade quanto ao contrato firmado entre as partes. foi cancelado. sendo. não houve má fé por parte do Requerido. o que não se vê nestes autos. 2. a teor do art. como dito. tendo por base o contrato assinado pelas parte. Inexistindo qualquer prova do erro. pois os contratos são assinados para serem cumpridos. Ademais. não havendo prova. portanto de qualquer valor cobrado a maior. não havendo que se falar em qualquer prática abusiva.

Há que se dizer que a inversão do ônus da prova no caso dos autos é incabível. a seu critério. No caso dos autos. não havendo também que se falar na impossibilidade de produção. até porque o próprio Requerente juntou a peça vestibular toda a documentação referente a relação obrigacional havida entre as partes.Como se ainda não bastasse. importante destacar que o primeiro requisito exigido para que seja invertido o ônus da prova. pois o inciso VIII. posto que não houve qualquer abuso por parte da Ré. tenha apresentado qualquer justificativa que autorize a aplicação do referido instituto no caso dos autos. provar o fato constitutivo do seu direito. Assim. A hipossuficiência não se restringe unicamente ao poder econômico das partes envolvidas na relação entre consumidor e fornecedor. está relacionado ao convencimento do Juiz a ser formado em conformidade com a causa debendi invocada pelo consumidor. mas diz respeito à . sem que. Excelência a questão é bem simples. a Requerente ao firmar o contrato junto ao Réu sabia o valor das parcelas. que pretende a inversão do ônus da prova. atendidos os requisitos declinados naquele dispositivo legal. que autorize o Juiz a determinar a inversão do ônus da prova. pelo Requerente. acarretando a inviabilidade do acesso à Justiça. pretende o Requerente que seja deferido a inversão do ônus da prova. do artigo 6º. por meio da qual será possível ao Requerente produzir a prova necessária à elucidação dos fatos. no entanto. ao perigo de não lograr o consumidor. a alegação for verossímil. prevê a faculdade do juiz determinar. em razão de sua fragilidade. não pela falta de provas. mas também e principalmente. quando. não há que se falar na presença da verossimilhança das alegações do Requerente. mas pelo abuso de defesa do fornecedor. ou quando for hipossuficiente ante o fornecedor. de alguma prova que se faça necessária para o deslinde da causa. a verossimilhança não se destina apenas a verificação do direito subjetivo material. Nesse passo. do Código de Defesa do Consumidor. a verossimilhança. qual seja. a inversão do ônus da prova.

890 Valéria Caramuru Cicarelli OAB/PR 25.474 . Dessa forma. a justificar a inversão do ônus da prova? Qual o fato que. etc. 30 de março de 2011.vulnerabilidade. resta demonstrada a impossibilidade de se determinar no caso dos autos a inversão do ônus da prova eis que ausentes os requisitos exigidos pela legislação aplicável. para o Requerente impede. dificulta ou impossibilita a produção de alguma prova imprescindível a demonstrar o direito alegado na inicial? Assim. consubstanciada em uma diminuição da capacidade do consumidor no aspecto social. vez que infundadas e sem qualquer plausibilidade jurídicas as alegações expostas pelo Reclamante. pergunta-se onde está a hipossuficiência do Requerente. Curitiba. requer à Vossa Excelência. ante aos fatos e argumentos acima apresentados. Alexandre Nelson Ferraz OAB/PR 30. Requerimentos Pelo exposto. de acesso à informações. Nesses termos. seja julgada totalmente IMPROCEDENTE a presente demanda. Pede deferimento.

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