EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE GUARAPUAVA – ESTADO DO PARANÁ.

BANCO GMAC S/A, pessoa jurídica de direito privado com sede em São Paulo-SP, na Avenida Indianópolis, 3096, bloco B, inscrito no CNPJ sob nº. 59.274.605/0001-13, por intermédio de seus advogados ao final assinados, conforme instrumento particular de Procuração anexa, com escritório profissional no endereço consubstanciado no rodapé da presente, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, apresentar

CONTESTAÇÃO,

com fundamento no artigo 30 da Lei nº. 9.099, de 26.9.1995, aos termos da Ação de Repetição de Indébito c/c danos morais nº. 25320-89.2010.8.16.0031 promovida por JOSIMA TOSSIN, nas razões de fato e de direito adiante expostos. DA INICIAL

Alega o Requerente ter firmado contrato de financiamento com a Requerida para aquisição do veículo que desejava. Alega que foi cobrado indevidamente a Taxa de Abertura de Crédito, taxa de emissão de boleto bancário e serviço de terceiro.

Entendendo que houve abusividade excessiva na cobrança das referidas taxas, busca a revisão do contrato pactuado, com a declaração da ilegalidade e abusividade da cobrança das taxas de abertura de crédito e a devolução dos valores em dobro, corrigidos monetariamente e acrescidos dos juros legais.

a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. em relação ao contrato de financiamento de veículo.Contudo..) IV .) § 3o Em três anos: (.a pretensão de reparação civil. O início de contagem do prazo para verificação da existência de prescrição dá-se da formalização do contrato. por estarmos diante de prescrição do direto do autor. a qual se extingue. § 3º. Art. conforme restará demonstrado. Prescreve: (.. V . ocorreu a prescrição prevista no Código Civil. pela prescrição. DA PRESCRIÇÃO O Autor busca a prestação jurisdicional para rever suposta abusividade do Réu. quando transcorridos mais de 3 (três) anos data da assinatura do contrato e conseqüente verificação de valores a serem restituídos. ou seja.. incisos IV ou V. nos prazos a que aludem os arts. Assim. 189. Violado o direito. O contrato objeto da presente demanda foi celebrado em data de 06/12/2004. há que ser reconhecida a aplicabilidade dos artigos acima transcritos. com o intuito de obter a repetição dos valores supostamente pagos indevidamente. busca o ressarcimento de enriquecimento sem causa. tendo sido a demanda proposta apenas em 10/12/2010. não assiste razão as alegações do Reclamante. Com relação aos débitos supostamente irregulares e decorrentes do mútuo. por já ter transcorrido mais de 3 anos entre a assinatura do contrato e propositura da demanda. . nasce para o titular a pretensão.. onde previsto o pagamento da tarifa bancária questionada. 205 e 206. do Código Civil: “Art. por força do quanto estabelecido nos artigos 189 e 206. 206. como tarifa de cadastro e tarifa de emissão de boleto.

Processo nº. Em razão do exposto. Assim. Acolho a preliminar argüida. E justificamos a aplicação do mencionado preceito legal vez que. quando transcorridos mais de 6 (seis) anos data da assinatura do contrato e conseqüente verificação de valores a serem pagos. nos termos do art 26 do CDC. há que ser reconhecida a aplicabilidade do inciso II.” (Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. ocorrendo a decadência do direito autoral. no mérito. que reza sobre o instituto da decadência nos casos de vícios aparentes ou de fácil constatação na prestação de serviços. do CDC. Autor: Luana Kelly Cordeiro da Silva. do artigo 26. proferida em janeiro do corrente ano: “Dispensado o relatório por força do art. quando da . tendo sido a demanda proposta apenas em outubro/2010.099/99.207. XX Juizado especial Cível da Comarca da Capital. Em contestação o Réu alega preliminarmente a decadência do direito autoral e. Neste sentido. em face do Réu pleiteando indenização por danos morais e materiais. Réu: Banco Safra S/A) . tem-se em recente decisão. A Autora propôs a ação pelo rito especial da Lei 9099/99. inciso II. 2009.eventual ocorrência de um erro em qualquer valor cobrado pelo Réu no contrato de financiamento ora discutido restou quando da assinatura deste evidente seria tal vício. com fulcro no artigo 269.DA DECADÊNCIA Referido contrato foi celebrado no ano de 2000. em seu artigo 26. impugna os pedidos. 38 da Lei 9. IV do CPC.010613-1. prevê o prazo de 90 (noventa) dias para a ocorrência da decadência do direito de reclamar os vícios com a mencionada natureza. O Código de Defesa do Consumidor. eis que a cobrança fora realizada em março de 2007 e a autora somente ajuizou a presente ação em agosto de 2009 e não há provas nos autos de que havia qualquer reclamação administrativa. JULGO EXTINTO COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO.

se houve quitação do valor devido. sem julgamento de mérito. passa-se então à análise do mérito. não tendo a quitação ocorrido por erro. por carência de ação. há de ser reconhecida. não possui o Autor qualquer débito em face do Banco Requerido. Nesse sentido: "AÇÃO ORDINÁRIA .CARÊNCIA DE AÇÃO VOTO VENCIDO. DA CARÊNCIA DA AÇÃO Temos que o Autor negociou com a Instituição Financeira e quitou o contrato de financiamento. de ter suas cláusulas discutidas judicialmente. a decadência do direito do apelado impugnar as taxas e tarifas constantes no contrato celebrado entre as partes. inciso VI do CPC. pagando-o integralmente. resta inviável a revisão da avenca. como houve a decadência do direito do autor. caracteriza-se como ato jurídico perfeito. Deve ser decretada a carência de ação quando a pretensão aviada cingir-se à discussão de .REVISÃO DE CLÁUSULAS DE CONTRATO FINDO IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO . de ofício.REPETIÇÃO DE INDÉBITO COMPRA E VENDA . com base no art. por ter sido integralmente cumprido pelas partes. Dessa forma. portanto. mas a eventualidade faz prever. o que deve ensejar a extinção do feito sem resolução do mérito. o que não se espera. Deve-se destacar que a quitação integral do débito impede o ajuizamento da ação revisional.PAGAMENTO PARCELADO .267.COBRANÇA .Assim. o que deve levar a extinção do presente feito. já que se trata de contrato quitado e findo. relativamente ao contrato de financiamento celebrado entre as partes.CONTRATO CUMPRIDO . O contrato que já se finalizou. Ademais. Caso assim não entenda Vossa Excelência. requer-se que seja julgada improcedente os pedidos do Autor. impassível. para que o feito seja extinto sem resolução de mérito. A jurisprudência vem decidindo no sentido da impossibilidade jurídica do pedido de revisão de contratos findos. Repita-se: o Autor já quitou integralmente a dívida em questão e objeto da presente ação revisional.

Nona Câmara Cível Data do julgamento: 28/11/2000). sem a ocorrência de vício.)" (TJMG . Contrato extinto é ato jurídico perfeito e acabado. integralmente cumprido pela parte. por meio da qual o Requerente adquiriu o veículo que desejava. Assim. extinguindo-se o processo sem julgamento do mérito. constitui ato jurídico perfeito e acabado que não pode ser objeto de questionamento judicial sem que reste ofendido o art. Não se pode permitir a revisão de contrato findo e acabado..Relatora: Teresa Cristina da Cunha Peixoto). 965 CC). 5º. XXXVI.CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR MORA. uma vez que o cumprimento da avença." (TJMG . NO MÉRITO Efetivamente.RESTITUIÇÃO VALORES PAGOS . sob pena de se instalar a insegurança jurídica. sob pena de impor total insegurança aos negócios jurídicos. O Autor negociou o débito que possuía em face da Instituição Financeira e o quitou. 267 do CPC. Resta juridicamente impossível a revisão de contrato quitado.obrigações previstas em contrato findo. Quitou porque conseguiu negociar com a Instituição Financeira e porque achou vantajoso o pagamento. "AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATOS BANCÁRIOS . . O Autor não demonstrou ter feito o pagamento por erro.Apelação nº 0324155-8 . (. as partes litigantes firmaram contrato de financiamento. a menos que o ato extintivo (o pagamento) seja resultante de erro. da Constituição Federal. já que o pagamento foi voluntário e não resultante de erros.Apelação nº 0353649-0 . com base no Código de Defesa do Consumidor. o valor pago não pode ser repetido (art. tendo em vista a impossibilidade jurídica deste. não é possível a discussão de contrato extinto pelo adimplemento.. com base no inciso VI do art. inadmissível revisão de cláusulas contratuais. quando já patenteada a mora.Décima Primeira Câmara Cível .

improcedente a reclamação. corrigidas monetariamente e acrescidas dos juros legais. este não haveria firmado o contrato. sendo claro o intento do mesmo em buscar vantagem ilícita perante o Reclamado. principalmente dos valores acordados. qualquer abusividade. impondo sua total improcedência. estando quebrado o princípio da boa fé contratual. respeitado seus termos em sua execução. Caso não houvesse concordância do Reclamante com os valores. em termos reais. As prestações foram prefixadas. encargos e tarifas incidentes.Embora o pactuado entre as partes. e somente a ruptura do mesmo. Enfim. Vale argumentar. que o equilíbrio do contrato foi inicialmente estabelecido de modo adequado. sabia a Reclamante desde o início os valores a pagar. nem que aquele somente percebeu que os valores eram abusivos depois de usufruir do valor financiado. a reclamação está fadada ao insucesso. sendo clara a aceitação deste em relação ao preço a ser pago. não justificando os argumentos expostos na inicial. tendo o Reclamante plena ciência dos termos. restando pois. mesmo porque. como se verifica desde o início e se demonstrará pelos demais tópicos da presente defesa. Ressalte-se. assim como a tarifa de emissão de boletos. quando do preenchimento da ficha cadastral. que todos os encargos foram informados ao Reclamante quando do preenchimento de sua ficha cadastral. ser mantido. é que pode justificar a resolução ou a revisão deste. devendo. cabendo a improcedência da presente reclamação. Não se encontram nas cláusulas da operação de crédito. tecendo considerações a respeito da relação jurídica existente entre as partes. requerendo a devolução em dobro dos valores pagos a título de Taxa de Emissão de Boleto e Taxa de Abertura de Crédito. caso fosse desvantajosa a oferta e negociação estabelecida entre as partes. não importando em lesão para qualquer das partes. encargos para abertura e execução do pacto e. por isso não pode sustentar a onerosidade dos encargos contratados ou mesmo o desequilíbrio do pactuado. ingressa em juízo. . certamente. desde sendo que as parcelas foram PRÉ-FIXADAS. não havendo que se alegar dificuldade de compreensão das cláusulas escritas ou termos técnicos. tanto que aceito pela Reclamante. portanto. tendo sido devidamente pactuada o pagamento de tarifa de abertura de crédito.

cumpre ao Reclamado esclarecer que as instituições financeiras são regidas por normas próprias. 192.Do Crédito e da Licitude do Contrato Inicialmente. Isto porque as partes são capazes para contratar. do art.595/64 e 4. sendo o mesmo lícito. a Reclamante deduz suas pretensões em contrariedade aos arts. além do controle exercido pelo mercado. no que diz respeito às instituições financeiras. pelo que se verifica que referidas relações jurídicas não apresentam qualquer desvantagem exagerada. Ademais. a Constituição Federal igualmente dedicou especial capítulo ao Sistema Financeiro Nacional. pelas Leis 4. o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que foi celebrado. todas as instituições financeiras estão vinculadas.728/65. em especial no caso concreto. que não há afronta à legislação vigente nas taxas praticadas pelo mercado. segundo o art. e a relação entre fornecedor e consumidor. pois as mesmas. portanto. No mais. válido e eficaz. sabendo o Reclamante desde o início os valores que teria a pagar. 5º da CF/88.595/64. 104 e 122 do Código Civil Brasileiro. a lei não prejudicará o ato jurídico perfeito. erigida à condição de Lei Complementar. não implica que não há qualquer restrição ou limites nas taxas e tarifas praticadas. a qual. não tendo que se falar em devolução de valores. bem como estão de acordo com a legislação em vigor que trata a respeito de contratos. e é justamente a Lei 4. 6º c/c seu § 1º do Decreto-Lei 4. esta lei já existe. Ainda. sofrem a fiscalização do BACEN. e o inciso XXXVI. . o contrato é lícito e não existe qualquer disposição legal que vede as cláusulas que restaram pactuadas. o qual estabelece que leis complementares regularão referido sistema. mormente porque prefixadas. vigentes a época da formação do contrato. Todavia.657/42. Os termos do pacto sub judice encontram-se dentro dos limites da legislação que rege o Sistema Financeiro Nacional. A bem da verdade. conforme se extrai do seu art. Forçoso concluir desde o início que a pretensão deduzida na inicial é equivocada. O fato das Instituições Financeiras serem regidas pelo Sistema Financeiro Nacional. reputando-se como tal. reconhecido pelo STJ e maioria dos Tribunais pátrios.

Ronaldo Rocha Passos Julgamento: 21/09/2004 TJRJ) Restam fadadas ao insucesso as alegações dao Reclamante. considere-se também que desde a data em que foi firmado até a data da propositura da presente ação não se conhece mesmo porque não referido qualquer evento que pudesse provocar excessividade a prestação devida pelo autor. para pagamento em parcelas fixas. a declaração de abusividade das taxas de abertura de crédito. Em resumo. com taxa de juros constante do contrato. A prestação contratada pelo mútuo é fixa. tudo grafado com caracteres de tamanho regular e claro. tendo sido respeitada a vontade das partes e a boa-fé quando firmados o instrumento e em sua consecução. sendo.001. inexistindo na legislação em vigor vedação tanto aos encargos contratados e garantias. porque tem o seu valor igual. portanto. e ainda assim permanece.Sendo as partes capazes para contratar. O seu valor permaneceu o mesmo. Recurso conhecido e desprovido. não havendo que se falar em revisão do pacto efetuado entre as partes litigantes. Ao exame formal do documento não apresenta o mesmo qualquer defeito.11441 . porque não possui forma defesa em lei.Apelacao Civel Des. DA COBRANÇA DE TARIFA DE CONFECÇÃO DE CADASTRO Busca o Reclamante pela presente. restando por conseguinte sem qualquer fundamento o pedido de restituição dos valores pagos a título de Taxa de Emissão de Boleto e Taxa de Abertura de Crédito. não se conhece nenhum fato superveniente a influenciar ou afetar o equilíbrio das prestações do contrato entre as partes. Critica. a pactuação existente lícita. Trata-se de texto de leitura fácil e acessível. disposição ou tamanho da letras. pretendendo ainda a devolução em dobro dos referidos valores. seja quanto à redação. não cabendo falar-se em prestações desproporcionais. porque devem ser respeitados os encargos prefixados. bem como os juros sobre ela incidentes. assim também não se conhece qualquer fato superveniente que tenha repercussão a afetar a base do negócio entre as partes. assim como o valor final devido.” (2004. ou vício que mereça. da primeira a ultima prestação. que permanecem as mesmas. devidamente contratados e respeitados pelo Requerido tão somente. “As partes firmaram contrato de natureza adesiva de mútuo. . Por outro lado. lícitas as cláusulas pactuadas impondo prevalecer o princípio do pacta sunt servanda.

Referida Tarifa não deve compor a taxa de juros praticada pela instituição. ALEGAÇÃO SUJEIÇÃO DE DAS CLÁUSULA . a Resolução 3. edita as normas regulamentares a que estão sujeitas às instituições financeiras.518 Disciplina a cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. DIREITO DO CONSUMIDOR. há norma específica autorizando a tarifa posta em discussão. não havendo qualquer abuso por sua cobrança: “CIVIL.518 do Banco Central do Brasil autoriza a sua incidência: RESOLUCAO 3. bem como a nomenclatura a ser utilizada pelas Instituições Financeiras. não parte da vontade pura e simples do Requerido. FINANCIAMENTO PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. pelo contrário. sendo a mesma legal. pois não há vedação legal para sua cobrança. CONTRATUAL. 1º A cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil deve estar prevista no contrato firmado entre a instituição e o cliente ou ter sido o respectivo serviço previamente autorizado ou solicitado pelo cliente ou pelo usuário. não sendo devida a restituição do valor pago. conforme a livre vontade das partes litigantes. PROCESSO CIVIL. Órgão responsável pela regulamentação e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional.518 e Circular 3371 padronizar o pacote básico de tarifas. Além de devidamente pactuada. descabida a alegação da ocorrência de desequilíbrio em decorrência desta tarifa.A tarifa de confecção de cadastro ora questionada é autorizada pelo Conselho Monetário Nacional. Como anteriormente demonstrado. uma vez que o custo de tal atividade tem a tarifação específica regulamentada pela autoridade governamental competente. Assim. PAGAMENTO ANTECIPADO DAS PARCELAS. e que por intermédio do Banco Central do Brasil. haja vista a Resolução 3. COBRANÇA PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE TARIFA PELA LIQUIDAÇÃO ABUSIVIDADE ANTECIPADA DA DO CONTRATO. Art.

SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO-FINANCEIRA SUBMETEM-SE AO CDC. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DO STF.” (20060110888887ACJ. CONTRATO ENTRETANTO. Não há como afastar tal acertiva. pois decorrente de uma prestação de serviço. CONTROLE DA ATIVIDADE BANCÁRIA. explica sua natureza: “8. ESTIPULAÇÃO HÁ NO NECESSIDADE. cabível sua incidência.br). CONTROLE E REVISÃO PELO PODER JUDICIÁRIO DE EVENTUAL ABUSIVIDADE. A PRIORI. orientações acerca das tarifas passíveis de cobrança. vindo a legitimar dada incidência.bcb. CASO CONCRETO. pois houve relação neste sentido entre as partes. SERVIÇOS BANCÁRIOS. a justificar o pleito de seu afastamento. OPERAÇÕES BANCÁRIAS TÍPICAS. FINANCEIRA E DE CRÉDITO PELO BANCO CENTRAL E CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. o que restou confessado na reclamação..INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AO CDC. não há que se falar em qualquer prática abusiva. julgado em 16/10/2007. O BACEN divulga em seu sítio (www.F. 173) As tarifas bancárias decorrem de um serviço prestado ao cliente. Relator Diva Lucy Ibiapina.gov. estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. NÃO HÁ VEDAÇÃO À COBRANÇA DE TARIFA A TÍTULO DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA. sendo esta autorizada pela legislação vigente. Qual a diferença entre tarifa e taxa? A tarifa é a remuneração do banco por um serviço que prestou ao cliente. estando a tarifa em discussão devidamente pactuadas. é paga para remunerar um determinado serviço público. Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do D. a quantia cobrada se mostra adequada. DJ 13/11/2007 p. A taxa. Ainda. . podendo ser cobrada do cliente apenas nos seguintes casos:” Deste modo. não havendo que se falar em arbitrariedades ou mesmo ofensa ao Código de Defesa do Consumidor. ONEROSIDADE EXCESSIVA OU OUTRAS DISTORÇÕES NA COMPOSIÇÃO CONTRATUAL DA TAXA DE JUROS. bem como. DE DE EXPRESSA FINANCIAMENTO.

que decorrem de lei. (TJDFT . ou da própria natureza dos serviços bancários. SENDO QUE NESTA HIPÓTESE ADMITE-SE A REVISÃO DAS ESTIPULAÇÕES CONTRATUAIS. 3.2005). INCISO V. 4. AUSÊNCIA DE PROVA DE FATO SUPERVENIENTE QUE TORNARIA EXCESSIVAMENTE ONEROSO O CONTRATO.170-36/2001 ADMITE A CAPITALIZAÇÃO DE JUROS NOS CONTRATOS FIRMADOS APÓS A EDIÇÃO DESTE INSTRUMENTO NORMATIVO. Rel.Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira. SÚMULA 596 DO STF. verbis: "Não há nenhuma ilegalidade na cobrança das tarifas bancárias.05. 1. OCORRÊNCIA. ANATOCISMO.A jurisprudência tem entendido que não é vedado estipulação de tarifas bancárias.e a CPMF . Neste sentido veja-se a ementa colacionada do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal. POSSIBILIDADE. assim transcrito: “REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. DJU 05. tais como manutenção de cadastros. NOS TERMOS DO ARTIGO 6º. DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI DA USURA. A ONEROSIDADE EXCESSIVA DOS CONTRATOS DE CONSUMO DECORRE. CONSOANTE A SÚMULA Nº 596 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.Embargos de Declaração na APC 20020110510225APC DF. 2. TARIFAS BANCÁRIAS. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. como no caso dos tributos. devolução de cheques. Outras.170-36/2001. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. NOS TERMOS DA SÚMULA Nº 297 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. evidentemente. Romeu Gonzaga Neiva. CLÁUSULA NÃO POTESTATIVA. ONEROSIDADE EXCESSIVA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. DE FATOS SUPERVENIENTES QUE TORNAM EXCESSIVAMENTE ONEROSAS AS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULA Nº 294 DO STJ. extratos. tais como o IOF Imposto Sobre Operações Financeiras . AOS CONTRATOS BANCÁRIOS APLICA-SE O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. SÚMULA Nº 297 DO STJ. tendo em vista que algumas são decorrentes de lei. decorrentes da própria natureza dos serviços bancários. 5ª Turma Cível. AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO ESTÃO SUJEITAS ÀS TAXAS DE JUROS ESPECIFICADAS NA LEI DA USURA. . pelo que não prospera a alegação do Reclamante. OCORRE QUE A AUTORA NÃO ALEGOU E NÃO PROVOU A OCORRÊNCIA DE NENHUM FATO SUPERVENIENTE À CELEBRAÇÃO DO CONTRATO QUE O TORNARIA EXCESSIVAMENTE ONEROSO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O ARTIGO 5º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. etc". Des. No caso em apreço não há qualquer abusividade nessas tarifas. LEGALIDADE.

não há porque prosperar a presente demanda. OUTRAS. todavia não indica com clareza nos autos o respectivo valor tido como abusivo. sendo que tais procedimentos não são realizados pelo Reclamado. honrou o que versam os diversos dispositivos que temos a respeito em nosso ordenamento. razão pela qual deve ser julgada insubsistente a presente reclamação. TAIS COMO O IOF .” ( TJ – DF APELAÇÃO CÍVEL 20030110712059APC DF Registro do Acórdão Número : 255809 Data de Julgamento : 23/03/2006 Órgão Julgador : 1ª Turma Cível Relator : ROBERVAL CASEMIRO BELINATI Publicação no DJU: 05/10/2006 Pág. EVIDENTEMENTE. A tarifa é cobrada em decorrência dos custos que envolvem a emissão do boleto e os trâmites de recolhimento e repasse do valor da parcela. como já explicitado. SENDO MANTIDA INCÓLUME A R. TAIS COMO MANUTENÇÃO DE CADASTROS. tendo em vista que o mesmo terceiriza tais funções. refere-se ao valor cobrado pela instituição financeira emissora dos boletos bancários. Diante de tais fundamentos.5.IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS . ENTRE OUTRAS. NÃO HÁ NENHUMA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DAS TARIFAS BANCÁRIAS.CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. TENDO EM VISTA QUE ALGUMAS SÃO DECORRENTES DE LEI. está a Instituição Financeira cobrando a referida taxa de retorno. 6. não tendo o Banco Requerido qualquer participação ou ganho com a referida cobrança. : 62) A cobrança da tarifa de emissão de boleto. SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTES OS PEDIDOS FORMULADOS NA AÇÃO DE REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS.E A CPMF . DA TAXA DE RETORNO Relata o reclamante que além da taxa de abertura de crédito. DEVOLUÇÃO DE CHEQUES. o qual considera abusiva. . EXTRATOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Resta incontroverso que o Banco Reclamado em nenhum momento desrespeitou a legislação vigente. muito pelo contrário. DECORREM DA PRÓPRIA NATUREZA DOS SERVIÇOS BANCÁRIOS.

tanto que veio a quitar o contrato. de tarifa a qual não foi embutida no contrato. não houve cobrança da tarifa em questão.Inicialmente. vindo a quitar o contrato. O reclamante em termos genéricos requer a declaração de abusividades bem como a restituição em dobro. tanto o é que o autor não comprovada referida cobrança. que o reclamante contratou com o Banco Requerido e aceitou todos os termos do contrato. aceitando desta forma o valor do financiamento. tendo o reclamante ciência dos valores fixados e ademais. Conclui-se que além do reclamante ter financiando com o banco requerido. não há cobrança da tarifa de retorno. vale aduzir. não há porque prosperar a presente demanda. Não figurou no presente contrato a tarifa de terceiro dita como abusiva pelo reclamante. assim não podemos falar em cobrança ilegal. A tarifa referente a taxa de retorno a qual o autor alega ser cobrada indevidamente. O reclamante tinha ciência do valor do financiamento. Alega o autor que houve cobrança de taxa de retorno. na ausência de cobrança da respectiva tarifa. e ainda a cliente contratou com o banco reclamante e aceitou a prestação que estávamos cobrando à época. primeiramente porque referida tarifa não foi pactuada no contrato. não está embutida nas parcelas do financiamento. Assim. tampouco demonstra qual o valor cobrado. Diante de tais fundamentos. Deste modo. saiba o autor deste o inicio o valor de sua obrigação. bem como o valor cobrado de forma abusiva. tanto que aceito no momento da contratação. todavia em nenhum momento comprova a aplicação da referida tarifa. as parcelas foram pré fixadas. descabida a alegação da ocorrência de desequilíbrio em decorrência desta tarifa. não há que se falar em restituição em dobro. pois vantajosa tal contratação. DOS DANOS MORAIS . tanto pouco em cobrança abusiva da tarifa de terceiro. aceitos todos dos termos da contratação. todavia deixa de comprovar tal pagamento.

temos que resta por improcedente a demanda ora interposta. ainda que exclusivamente moral. ousamos acrescentar: de quem não tem culpa ou mesmo não cometeu o ato ou omissão. . induvidosamente. No caso concreto. utilizada pelo nosso Código Civil. ou em outras palavras. relatando que estas aconteceram de forma abusiva. tinha ciência de obrigação que assumiu. Pelo contido nos autos. a ver com o dano. a responsabilidade de quem não tem. deve-se buscar o antecedente imprescindível à existência do dano que. É o que a doutrina chama de antecedente adequado. se aceitou os termos contratuais foi porque o negócio jurídico era bem vindo. senão vejamos: "Art. diretamente. negligência ou imprudência. comete ato ilícito. o antecedente que guarda maior relação entre o dano e o ato/fato.Alega o autor que sofreu danos morais em razão de cobranças. Pela Teoria da Causalidade Adequada. pois estes foram pré fixados. por ação ou omissão voluntária." (grifo nosso) A partir da cláusula supracitada já se mostra que o Requerido em nada contribuiu pelo dano sofrido pelo Autor. 186 do Código Civil. violar direito e causar dano a outrem. Aquele que. 186. concomitante. No ato da assinatura do contrato tinha a reclamante ciência de todos os valores. guarda a mais estreita relação com este. A interpretação incorreta dessa doutrina ou uma visão invertida das regras comuns de experiência conduz. requerendo desta forma respectiva indenização. Pela simples leitura do Art. não podemos chegar a conclusão diferente. inadmissível falar em indenização danos morais. sabia a reclamante desde o inicio do contrato o valores a serem pagos. é de fácil verificação que todos os transtornos alegados pelo Requerente não podem caracterizar a indenização por danos morais. o reclamante tinha ciência dos valores a pagar.

no que diz respeito aos valores pagos a titulo de tarifa de abertura de crédito. O artigo supracitado é claro quando diz que somente comete ato ilícito aquele que. independentemente de culpa ou dano. para com outrem. buscando enriquecimento ilícito. taxa de emissão de boletos e serviço de terceiro. Da Repetição de Indébito Busca o Reclamante a repetição de indébito. tão pouco agiu de má fé. inexistindo qualquer alteração nos valores cobrados durante a consecução do mesmo. violar direito e causar dano a outrem. o Requerido em nenhum momento praticou ato ilícito ou então foi omisso. Deixa a reclamante de demonstrar quais foram os abalos morais sofridos. seja ele de ordem material ou moral. o que não se verificou nos presentes autos.O autor está agindo de má fé. Pelo argüido anteriormente. pois este não foi coagida a contatar com o requerido. pois como dito. Veja Excelência. restou comprovado a inexistência de qualquer irregularidade nas cláusulas constantes no contrato. não havendo que se falar em devolução dos valores que supostamente lhe foram cobrados indevidamente. sequer restou comprovado de modo razoável e efetivo o alegado pelo Reclamante. negligência ou imprudência. apenas lança um pedido genérico na inicial. pois todos os termos do contrato foram aceito quando a da sua assinatura. Devendo ser julgada improcedente a presente demanda. São improcedentes os pedidos do Reclamante. Ressaltando que nos autos. negligente ou imprudente em relação ao Requerente. sendo que em momento algum o reclamado agiu de má – fé. por ação ou omissão voluntária. contratou porque este lhe proporcionava as melhores vantagens. decorre de conduta ilícita cível de uma pessoa. seja jurídica ou física. Não podemos falar em indenização por danos morais. não restou comprovado qualquer tipo de dano. bem como. que o nexo causal. ainda que exclusivamente moral. o requerido em momento algum agiu de má fé. deixou a livre vontade da parte. .

não se verifica a ocorrência de onerosidade a alterar as condições contratadas. tendo todos os valores sido cobrados com fundamento no contrato assinado pelas partes litigantes. pois as referidas tarifas foram cobradas com base em dispositivos que autorizam. muito menos onerosidade quanto ao contrato firmado entre as partes. sendo plenamente válidos os encargos e taxas pactuadas. Na presente demanda como dito. Ressalta-se. mas também a má-fé do credor”. não houve a cobrança de valores indevidos. sendo. o enunciado nº. DA IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . como já exposto. cumpria ao Reclamante provar qualquer pagamento indevido e que o tenha feito por erro. portanto de qualquer valor cobrado a maior. tendo todos os valores sido cobrados com fundamento no contrato assinado pelas partes litigantes. por conseguinte. foi cancelado.Aliás. devendo os encargos serem aplicados como avençado. pois os contratos são assinados para serem cumpridos. portanto lícitos.3 da Turma Recursal Única do Estado do Paraná. não havendo que se falar em qualquer prática abusiva. não havendo prova. Na presente demanda. o que não se vê nestes autos. Inexistindo qualquer prova do erro. sendo. não havendo que se falar ainda em repetição em dobro. eis que os valores contratuais foram prefixados. não houve a cobrança de valores indevidos. nem má-fé por parte do Reclamado. as instituições financeiras são reguladas por normas próprias. locupletamento ilícito por parte da Requerida. a teor do art. “no sentido de que a repetição em dobro do indébito pressupõe não só a cobrança indevida. como já demonstrado. sendo. inexiste. tendo por base o contrato assinado pelas parte. 2. nem má-fé por parte do Reclamado. No caso em epígrafe desde o início do contrato foram prefixadas as obrigações. conforme ficou comprovado. desta forma não há que se falar em repetição de indébito. não houve má fé por parte do Requerido. como dito. 877 do CCB. Por outro lado. pois improcedente a alegação de crédito em favor do Reclamante. a justificar o pleito do Reclamante. portanto lícitos. Ademais.

pretende o Requerente que seja deferido a inversão do ônus da prova. mas diz respeito à .Como se ainda não bastasse. sem que. que pretende a inversão do ônus da prova. mas pelo abuso de defesa do fornecedor. importante destacar que o primeiro requisito exigido para que seja invertido o ônus da prova. atendidos os requisitos declinados naquele dispositivo legal. não há que se falar na presença da verossimilhança das alegações do Requerente. pelo Requerente. a alegação for verossímil. ou quando for hipossuficiente ante o fornecedor. Há que se dizer que a inversão do ônus da prova no caso dos autos é incabível. posto que não houve qualquer abuso por parte da Ré. em razão de sua fragilidade. Excelência a questão é bem simples. a verossimilhança não se destina apenas a verificação do direito subjetivo material. a inversão do ônus da prova. a verossimilhança. provar o fato constitutivo do seu direito. não pela falta de provas. No caso dos autos. A hipossuficiência não se restringe unicamente ao poder econômico das partes envolvidas na relação entre consumidor e fornecedor. acarretando a inviabilidade do acesso à Justiça. a Requerente ao firmar o contrato junto ao Réu sabia o valor das parcelas. Assim. de alguma prova que se faça necessária para o deslinde da causa. por meio da qual será possível ao Requerente produzir a prova necessária à elucidação dos fatos. ao perigo de não lograr o consumidor. do artigo 6º. pois o inciso VIII. tenha apresentado qualquer justificativa que autorize a aplicação do referido instituto no caso dos autos. Nesse passo. do Código de Defesa do Consumidor. qual seja. não havendo também que se falar na impossibilidade de produção. quando. no entanto. está relacionado ao convencimento do Juiz a ser formado em conformidade com a causa debendi invocada pelo consumidor. prevê a faculdade do juiz determinar. a seu critério. mas também e principalmente. até porque o próprio Requerente juntou a peça vestibular toda a documentação referente a relação obrigacional havida entre as partes. que autorize o Juiz a determinar a inversão do ônus da prova.

consubstanciada em uma diminuição da capacidade do consumidor no aspecto social.vulnerabilidade. Pede deferimento.474 . resta demonstrada a impossibilidade de se determinar no caso dos autos a inversão do ônus da prova eis que ausentes os requisitos exigidos pela legislação aplicável. 30 de março de 2011. a justificar a inversão do ônus da prova? Qual o fato que. dificulta ou impossibilita a produção de alguma prova imprescindível a demonstrar o direito alegado na inicial? Assim. para o Requerente impede. vez que infundadas e sem qualquer plausibilidade jurídicas as alegações expostas pelo Reclamante. ante aos fatos e argumentos acima apresentados. requer à Vossa Excelência. etc. pergunta-se onde está a hipossuficiência do Requerente. Dessa forma. Requerimentos Pelo exposto. seja julgada totalmente IMPROCEDENTE a presente demanda. Nesses termos. Alexandre Nelson Ferraz OAB/PR 30. Curitiba. de acesso à informações.890 Valéria Caramuru Cicarelli OAB/PR 25.

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