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Dworkin x Kelsen

Dois importantes doutrinadores que se destacaram significativamente no


campo jurídico. No entanto, seguem correntes diversificadas.

Enquanto Dworkin afirma ser os princípios a principal fonte do Direito,


Kelsen aceita somente as leis. Sabe-se que uma das táticas de ataque ao
positivismo adotadas por Dworkin constituiu em ”demonstrar a inadequação da
regra de reconhecimento como critério material para identificar a presença dos
princípios no ordenamento jurídico”.

Kelsen afasta a principiologia desde o início em duas descrições sobre


os sistemas jurídicos:
“Os sistemas normativos podem ser de dois tipos: os sistemas
estáticos e os sistemas dinâmicos. Nos sistemas estáticos, as normas
são válidas se seu conteúdo ou substância está de acordo com o
conteúdo material prescrito pela norma fundamental do sistema. Nos
sistemas dinâmicos, por outro lado, as normas são válidas se são
criadas pela autoridade competente e segundo o procedimento
prescrito pela norma fundamental. Em suma, nos sistemas estáticos
operam critérios materiais de validade das normas e nos sistemas
dinâmicos as normas estão submetidas a condições formais de
validade. De acordo com a Teoria Pura do Direito elaborada por
Kelsen, os ordenamentos jurídicos são sistemas dinâmicos.”
(KELSEN, Hans. Teoria Geral do Direito e do Estado. São Paulo:
Martins Fontes; 1998, p. 163-165.)

Já a teoria da integridade de Dworkin afasta a tese positivista do


isolamento entre direito e moral, adotando um conceito de moralidade da qual
podem emanar princípios jurídicos empregados para solucionar os casos
difíceis.

Seria Dworkin um antipositivista?


O conceito de kelsen de que a legitimidade das normas jurídicas
independe de sua correlação com uma ordem moral é assaz necessária para
um exame claro das distinções entre Direito e moral, no entanto, deixa de
distinguir que entre estes dois aparelhos normativos existem também
conexões, ou seja, que um ordenamento jurídico sempre apregoa valores e
concepções morais vigentes ou aceitos socialmente em caráter predominante.

Dworkin retoma a interpretação afirmando que uma única decisão correta


para determinado caso encontra-se na unicidade e irrepetibilidade que marca
cada caso, a ressalvar a complexidade de um ordenamento de princípios e
regras, que se depara por inteiro e de forma competidora no que se refere aos
seus princípios, no sentido de se alcançar a norma mais ajustada, a única
capaz de produzir justiça naquele caso específico.

Em suma, Dworkin e Kelsen são de grande importância para o mundo


jurídico, embora proporcionem ideias completamente opostas.