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Resumo Direito Penal Militar

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DIREITO PENAL MILITAR

APOSTILA I

1. NOÇÕES HISTÓRICAS Evidências históricas permitem deduzir que alguns povos civilizados da antiguidade, como Índia, Atenas, Pérsia, Macedônia e Cartago, conheciam a existência de certos delitos militares e seus agentes eram julgados pelos próprios militares, especialmente em tempo de guerra. Mas foi em Roma que o Direito Penal Militar adquiriu vida própria considerado como instituição jurídica. As origens históricas do Direito Penal Militar, como de qualquer ramo do Direito, são, principalmente, as que nos oferecem os romanos. A política foi sempre dominar os povos antes de tudo pela força das armas e depois consolidar a conquista pela Justiça das leis e sabedoria das instituições. Teve, assim, o exército romano o seu Direito Criminal. Para as faltas graves da disciplina, o Tribuno convocava o Conselho de Guerra, julgava o delinqüente e o condenava a bastonadas. Esta pena, às vezes eram aplicada com tal rigor que acarretava a perda da vida do condenado. Tais penas estavam ligadas a certos crimes e atos de covardia. Nós também copiamos essa aflição física dos romanos, com a triste reminiscência no art. 184 do Regulamento de 20 Fev 1708 e o castigo corporal no Brasil somente foi abolido, inicialmente pelo Exército por meio da Lei n.º 2.556, de 26 Set 1874, art. 8º e, na Marinha (Armada), pelo Decreto n.º 3, de 16 Nov de 1889, art.2º. 2. CONCEITO “É o complexo de normas jurídicas destinadas a assegurar a realização dos fins das instituições militares, cujo principal é a defesa armada da Pátria”. A preservação dessa ordem jurídica militar, aonde preponderam a hierarquia e a

disciplina, exige obviamente do Estado, mirando a seus possíveis violadores, um elenco de sanções de naturezas diversas, de acordo com os diferentes bens tutelados: administrativas (disciplinares), civis e penais. As penais surgem com o Direito Penal Militar.

Direito Penal Militar e Direito Processual Penal Militar. As normas de Direito Penal Militar são conhecidas como de direito penal material ou substantivo e as de Direito Processual Penal Militar como de direito penal formal ou adjetivo, ou, simplesmente, de direito processual. As normas de Direito Penal Militar são as reunidas no Código Penal Militar (CPM) e as de Direito Processual Penal Militar, no Código Processual Penal Militar (CPPM). O direito material regula as relações entre as pessoas e o direito processual entre as pessoas e o Estado-Juiz. Assim, sempre que tivermos a violação de um direito material aquele que se sentir prejudicado poderá buscar do Estado-Juiz a chamada prestação jurisdicional, ou seja, o processo e o julgamento daquele que violou a norma de direito material e com a sua conduta causou-lhe um dano ou prejuízo.

Caráter especial do Direito Penal Militar.

O Direito Penal Militar é um direito penal especial, porque a maioria de suas normas, diversamente das de direito penal comum, destinadas a todos os cidadãos, se aplicam, exclusivamente, aos militares, que têm especiais deveres para com o Estado, indispensáveis à sua defesa armada e à existência de suas instituições militares. Esse caráter especial, ainda, advém de a Constituição Federal atribuir com exclusividade aos órgãos da Justiça Castrense (art. 122, CF/88) o processo e o julgamento dos crimes militares definidos em lei. Há, como exceção a esta regra, o processo e o julgamento dos crimes dolosos contra a vida praticados por militar contra civil, os quais por força da Lei n.º 9.299/96 são da competência da Justiça Comum. Assim, tais fatos continuam possuindo a classificação de crime militar, e, portando, devem ser apurados por meio de IPM, contudo será a Justiça Comum e não a Auditoria Militar, no âmbito do estado, a competente para o processo e o julgamento de tais crimes. 3. COMENTÁRIOS AO CPM 3.1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE “Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.”

inc. que a acolhia. contra a prepotência do estatólatra (Ramagem BADARÓ). Já por ocasião dos estudos da Comissão elaboradora do CPM de 1944. entretanto. Cabe salientar que a pena de multa não está prevista atualmente para os crimes militares. abrangendo não só as do CP como as das demais leis penais especiais”. 1º do Código Penal Militar de 1969. ou autoritária. também incluso o texto do Código Penal comum de 1969. embasado na máxima de Feuerbach. Nullum Crimen. 5º. como lembra DELMANTO. No Brasil. originário da remota Magna Carta de 1215. Nulla Poena.Conceito O artigo em questão estabelece o chamado princípio da legalidade. contra o voto do eminente Desembargador Sílvio Martins Teixeira.1789. a pena de multa foi julgada inadequada aos crimes militares. a palavra pena inclui as mais diversas restrições de caráter penal (penas privativas de liberdade. pena e lei. Sine Praevia Lege. de 26. como lei devem ser entendidas todas as normas de natureza penal. art. nos seguintes termos: “Ninguém pode ser punido se não for em virtude de uma lei previamente estabelecida e promulgada anteriormente ao delito e legalmente aplicada”. As palavras crime. XVIII). restritivas de direito. a expressão crime compreende também as contravenções e. Para MIRABETE. XXXIX. o Estado não podia tolerar que o indivíduo empregasse impunemente suas forças e . foi inscrito na Constituição de 1824 e repetido em todas as Cartas Constitucionais subseqüentes. É o princípio das Reserva Legal. por entender que a mesma já estava prevista em várias leis militares. Sílvio Martins TEIXEIRA lembrava que “na Doutrina do nacional – socialismo. penas de multa que são conversíveis em detentivas etc. antepara e protege a liberdade individual do Militar e do cidadão. tendo sido incluído no art. 8º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. com correspondência integral no art. 1º do Código Penal Comum. “Assim. elaboradas na forma que a Constituição prevê. têm sentido amplo neste artigo.08. O Princípio da Legalidade que estrutura o art.). a causa próxima do princípio da legalidade está no Iluminismo (Séc. imposta pelos barões ingleses ao rei João Sem Terra. Previsão Constitucional O princípio da legalidade ou da reserva legal está prevista na carta Magna.

que do enunciado do art. XL). da analogia ou interpretação extensiva para incriminar algum fato ou tornar mais severa sua punição. salvo se para beneficiar o agente (CF/88. art. portanto. Conclui-se. será ele punido de acordo com a lei cuja idéia fundamental melhor se adapte. Corolário das regras acima. não se aceitando leis vagas ou imprecisas. visto que somente a lei. nem o emprego. segundo o conceito de uma lei e a sã maneira de ver de um povo. merece punição. 59. as lacunas da lei”. pode determinar o que é crime e indicar a pena cabível. no memorial prussiano. pelo juiz. E prosseguia dizendo que. A da anterioridade. Com esses argumentos. assim como a cominação da pena. a Comissão incumbida da elaboração do projeto nazista formulou.capacidades contra a conservação e o desenvolvimento da coletividade. Se ao fato não foi imediatamente aplicável nenhuma lei penal. elaborada na forma que a Constituição permite. ou quem. foi declarado ser imprescindível conceder-se ao juiz a faculdade de preencher. pois considerando-se serem as leis editadas para o futuro. Lei Federal. marcando exatamente a conduta que objetivam punir. é indispensável que a vigência da lei que o define como tal seja anterior ao próprio fato. visto que as leis que definem os critérios devem ser precisas. o seguinte dispositivo: Incorre em pena quem pratica um fato que a lei declara punível. 5º. na segunda leitura. . Para que qualquer fato possa ser considerado crime. impõe-se ainda: A irretroatividade. A taxatividade. da Constituição Federal. as normas penais não podem volver ao passado. e seguintes. elaborada de acordo com o processo legislativo discriminado a partir do art. 1º do Código Penal Militar resultam duas regras fundamentais: A da Reserva Legal (ou da Legalidade). “de acordo com esse critério. em certos limites. sem lhe respeitar as intenções”. abroquelando-se no texto da lei. na esteira de DELMANTO.

DELMANTO explica que caso seja . art. o que está em perfeita harmonia com a garantia da reserva legal (CF. a lei posterior e a anterior. trata o referido art. o que nos parece. em virtude dela. Ora. 2º do Código Penal Militar consagra o princípio Tempus Regit Actum. aplica-se retroativamente. e o seu parágrafo único.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. cessando. devem ser consideradas separadamente. ainda quando já tenha sobrevindo sentença condenatória irrecorrível.44).” Remissão O Código Penal comum tem disposição idêntica no caput do art. que é a supressão da figura criminosa.-lei 6.209/84. caput. mudando apenas a parte final do dispositivo que.227. data venia. Especialmente. não é mais idônea a ferir o bem jurídico que pretende tutelar. 2º. trata da sentença condenatória transitada em julgado. a lei rege os atos praticados durante sua vigência. O Código Penal Militar revogado (Dec. Ou seja. nem a mantença das seqüelas penais da sentença. Noção Em sentido amplo. entendendo o legislador que a ação antes prevista como delituosa.2. 5º. XL e XLI). naquele.3. salvo quando aos efeitos de natureza civil. na mesma esteira do CP/1940 que mandava aplicar – apenas ao fato não julgado definitivamente – a lei posterior que favorece o agente sem suprimir crime ou atenuar a pena. tem redação similar ao § 1º do CPM. LEI SUPRESSIVA DE INCRIMINAÇÃO “Art. Retroatividade de lei mais benigna § 1º . 2º . de 24. não tem mais sentido o prosseguimento da execução da pena. favorece o agente. tornou incontestável que a retroatividade benéfica não sofre limitação alguma. trazido a lume pela Lei 7. 2º. trata da sentença condenatória irrecorrível e.A lei posterior que. tinha disposição idêntica no art. cada qual no conjunto de suas normas aplicáveis ao fato. a própria vigência de sentença condenatória irrecorrível.Para se reconhecer qual a mais favorável. ter o mesmo sentido. de qualquer outro modo. neste. Seu parágrafo único. 2º do CPM da Abolitio Criminis. Apuração da maior benignidade § 2º .01. o art. com a descriminação do fato.

dispõe ser possível a retroatividade e a ultratividade da lei. 5º. para aquele que. Novatio Legis in Pejus: A terceira hipótese refere-se à Lei nova mais grave que a anterior (Lex Gravior). 159 do Código Civil. III. inc. tal ato deixaria de existir como crime. 109. por ação ou omissão ou culpa. de seqüência. Assim por exemplo: o fato não é mais considerado crime. da mesma maneira que o Código Penal. entretanto. Hipóteses de conflito de leis penais no tempo Novatio Legis Incriminadora: A Lei nova torna típico fato anteriormente não incriminado. fundamenta-se no diploma penal castrense.99. passando a ser classificado como contravenção ou deixando de ser punido.839. Vige. são admitidas outras excusativas de responsabilidade ou novas justificativas dos fatos considerados crimes. Além da Abolitio Criminis. O Código Penal Militar. Abolitio Criminis: (CPM. no art. causa dano a outrem. A Abolitio Criminis é uma das causas de extinção de punibilidade prevista no art. que tem previsão no art. de 27. XL – CF. em vez de dois a oito). Sílvio Martins TEIXEIRA lecionava que: de diversas formas pode uma nova Lei beneficiar o agente de um crime. circunstâncias perdem o caráter de agravantes. eliminando circunstâncias qualificadas ou agravantes previstas anteriormente etc. tal Lei não pode ser aplicada aos fatos a ela anteriores.12. I. Novatio Legis in Mellius: A última hipótese é de Lei nova mais favorável que a anterior. art. que “torna certa a obrigação de reparar dano resultante do crime”. o princípio da irretroatividade da Lei Penal mais severa. A obrigação de reparação. os civis. Por força da garantia do art.aprovado e entre em vigor projeto de lei que extingue o crime de adultério. 123. ou quantidade (de um a quatro anos. 2º) – A abolitio criminis faz desaparecer o delito e seus reflexos penais. no caso. afastou do âmbito da Justiça castrense os institutos despenalizadores da suspensão condicional do processo e da exigência de representação do ofendido nas lesões corporais de natureza leve e nas culposas. que passou a impedir a aplicação da Lei 9. .099/95 (que criou os Juizados Especiais Criminais) na Justiça Militar e. a lei nova pode favorecer o agente de várias maneiras. é diminuído o prazo para a prescrição. Exemplo: Lei 9. seja cominando pena mais branda em qualidade (detenção. permanecendo. em vez de reclusão).

94/564. Maurício KUEHNE apresenta as seguintes decisões: Execução Penal: Réu condenado pela Justiça Militar por crime de roubo a estabelecimento bancário. terão suas penas executadas pelo Juízo de execução comum do Estado. Competência do Juízo da Execução Penal – o suscitado – para prosseguir na execução (STJ – CC 7. STF: “Transitada em julgado a sentença condenatória.082 E 1. O militar condenado.309-SP – J. 90/881. compete ao juízo das execuções a aplicação da lei mais benigna”. Juízo competente. sujeita-se ao regime ao regime de cumprimento da legislação especial e não à de que trata a Lei de Execuções Penais (LEP.075) Conflito de competência. pelo seu Presidente. nos termos dos arts. Os sentenciados recolhidos a estabelecimento penal sujeito à administração estadual. Execução da pena. 588 e590 do Código Penal Militar.Competência para aplicação da lei nova DELMANTO enumera duas hipóteses a considerar para a aplicação da lei nova. Militar ou Federal. DJU 16. com sentença transitada em julgado. Em se tratando de crime militar. art. 2º. Manual 1989:70).098. 90/451. em 27. a aplicação da lei posterior compete ao juiz da execução. . ainda que condenados pela Justiça Eleitoral. Precedentes no STF: RTJ 85/786.03. Ao preso provisório ou condenado da JUSTIÇA MILITAR. nos casos de competência originária do Superior Tribunal Militar. 2º.067. Jurisprudência Súmula 611. quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição originária. aplicar-se-ão igualmente a disposições da Lei 7. a execução da sentença e os incidentes de execução devem ser resolvidos pelo Juiz-Auditor da Auditoria por onde correu o processo ou. Penal Militar. parágrafo único). 92/881. nos termos do parágrafo único do seu art. 1.03. dependendo de já ter sido ou não julgado o caso em definitivo. 1ª Hipótese: Se a condenação já transitou em julgado. 95/758 (MIRABETE.89. p. se cumpre a pena em estabelecimento militar. 3. Execução da pena. Lei de Execução Penal. 88/1.90.210. de 11/07/74.RT 87/447 E 1.

os institutos de direito material previstos na Lei 9. É a conclusão a que se chega à vista dos arts. ou Tribunal de Justiça. 5º da Constituição. opera-se.839/99. ou Superior Tribunal Militar. no prazo legal. ou ao tribunal com que o processo estiver. à luz de uma e de outra. para efeito do que determina o art. Se o ofendido. 88) e à suspensão condicional do processo penal (art. Exigência de representação nos crimes de lesões corporais leves ou de lesões culposas (Lei 9. ao Juízo de qualquer uma das doze Circunscrições Judiciárias Militares enunciadas pelo art. deixa de formular a representação a que se refere o art. Apuração da maior benignidade O Código Penal Militar manda que se considerem a lei posterior e a anterior. especialmente as medidas despenalizadoras pertinentes à exigência de representação nas hipóteses de lesões corporais leves ou de lesões corporais culposas (art.09. 99 da Lei 9.Em tais hipóteses. art. aponte qual das leis aplicáveis lhe parece ser a mais favorável”. §§ 3º e 4º da Constituição Federal. Extinção da punibilidade.457.099/95. a análise do caso in concreto.099/95. em conseqüência da sua inércia.92 – Lei da Organização Judiciária Militar da União. 88). Consumação da decadência. . a decadência do direito de postular a instauração da persecutio criminis. Segundo Álvaro Mayrinck da Costa: “cabe ao juiz. 125. Pedido deferido. Incidência residual no âmbito da Justiça Militar. caberá ao juiz.” Para DELMANTO. parágrafo único e art. visto que pode ocorrer que convenha a aplicação da primeira ainda que em pena mais grave que a segunda que apresenta pena menos severa. desde que os delitos militares tenham sido praticados antes da vigência da Lei 9. 124. pode-se e deve-se aceitar que o próprio réu. São ainda aplicáveis à Justiça Militar. Habeas corpus. de 04. a aplicação da nova lei. separadamente. “há casos em que a opção entre a lei nova e a velha só pode ser decidida por uma apreciação subjetiva e não objetiva. Se for militar federal.099/95. cada qual no conjunto de suas normas aplicáveis ao fato para definir a de maior benignidade.2º da lei 8.89). pela Auditoria Militar do seu Estado.2ª Hipótese: Se o processo ainda está em julgamento. em face da superveniência da Lei 9. se MILITAR ESTADUAL.839/99. por intermédio do seu defensor. circunstância esta que enseja o reconhecimento da extinção da punibilidade do agente. dependendo da fase em que se encontrar.

a lei vigente ao tempo da execução. não significam repressão pela infração de leis penais vigentes na época em que o fato foi praticado. visto que a Constituição Federal. 5º. MEDIDAS DE SEGURANÇA “Art. Diferente do crime. Por outro lado. a fatos delituosos cometidos em momento anterior ao da edição da lei mais severa. ou pela existente no momento da execução. prevalecendo. no que se refere aos institutos de direito material. em seu art.A Lei 9.099/95 – não alcança. a lei aplicada é a que vigora na data em que é determinada a sentença. está afirmando que a nova lei retroage. Logo. mas antes de ser posta em execução. Embora haja quem as considere como sanção penal.839/99 – que torna inplicável à Justiça Militar a Lei 9. Se a lei se modifica depois que foi decretada a medida. se diferente da anterior. ainda que o Inquérito Policial Militar ou o processo penal sejam iniciados posteriormente. não têm o caráter retribuitivo do mal com o mal. salvo para beneficiar o réu. de acordo com a lei vigente na época em que se executa. que é punido de acordo com a lei vigente na data em que foi cometida a infração. quando o código afirma que tais medidas são reguladas pela lei em vigêncka ao tempo da sentença. não se fazendo menção. se diversa. as medidas de segurança não são penas. 3. os crimes militares praticados antes da sua vigência. entretanto.” O Código Penal Militar em vigor inclui.As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença. a lei vigente ao tempo da sentença só retroagirá se for mais benéfica. ela será aplicada de acordo com a modificação. Pena é a que o Código relaciona como Principais (art. O sistema constitucional brasileiro impede que se apliquem leis penais supervenientes mais gravosas. declara taxativamente em termos gerais que a lei penal não retroagirá. como aquela que afastam a existência de causas extintivas da punibilidade. ou seja. as medidas de segurança nada têm a ver com a lei que existia à época em que o ato foi praticado. o que é inconcebível. às medidas citadas.3. 98). São medidas necessárias à garantia social e do próprio indivíduo que se torna perigoso. nos referidos artigos. 3º . . neste artigo. 55) ou Acessórias (art. as medidas de segurança no Título I – Da Aplicação da Lei Penal Militar. XL. pois sendo o seu objetivo a segurança atual.

ainda que revogado pelo decurso do tempo ou uma vez superado o estado excepcional que as originou. TEMPO DO CRIME “Art.” Segundo DELMANTO. tanto a ação como a consumação. 225). O fundamento desta teoria é a de evitar a incongruência de o fato ser considerado crime em decorrência da lei vigente na época do resultado. 3. Ambas têm Ultratividade. estado de sítio. é a circunstância de ter sido a conduta praticada durante o prazo de tempo em que ela era exigida e a norma necessária à salvaguarda dos bens expostos naquela ocasião especial. ainda que outro seja o do resultado.).” O Código Penal Militar determina o tempo do crime de acordo com a Teoria da Atividade.A lei excepcional ou temporária. art. Análise separada merecem os crimes permanentes como a deserção (CPM. Assim.5. segundo MIRABETE. é aquela que o considera como sendo o momento da conduta (ação ou omissão). epidemia etc. LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA “Art. que é a capacidade de aplicarem-se ao fato cometido sob seu império. aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. O que possibilita a punição. embora decorrido o período da sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram. As leis excepcionais são as promulgadas para vigorar em situações ou condições sociais anormais (ex.Considera-se praticado o crime no momento da ação ou da omissão. art. o princípio da retroatividade benigna não é aplicável em casos de leis excepcionais ou temporárias. a qual. 187) e o seqüestro ou cárcere privado (CPM. Leis temporárias são as que têm tempo de vigência determinado em seus próprios dispositivos. com manobra a fraudulenta. quando não o era no momento da ação ou omissão. para obter vantagem ilícita (no estelionato). o momento em que o agente efetua os disparos contra a vítima ou atropela o ofendido (no homicídio doloso ou culposo). Esta ultratividade visa a frustar o emprego de expedientes tendentes a impedir a imposição de suas sanções a fatos praticados nas proximidades de seu termo final de vigência ou da cessação das circunstâncias excepcionais que a justificaram.3. em que. teríamos. prolongam-se no tempo enquanto o agente estiver ausente de sua Unidade ou privando a vítima . ou ilude o ofendido.4. 4º . guerra. tendo sua vigência subordinada à duração da anormalidade que as motivou. ou o agente obtenha a vantagem indevida etc. segundo MIRABETE. pouco importando a ocasião em que o sujeito passivo venha a morrer. ou deixa de prestar socorro ao ferido (omissão de socorro). 5º . por exemplo.

3. com relação à redução do prazo prescricional para o agente menor (CPM. o fato considera-se praticado no lugar em que deveria realizar-se a ação omitida. a lex gravior (a lei mais grave) será aplicada. que segue normas próprias especiais (CPM. como aquele em que ocorreu o resultado. A regra incidirá. Idêntico raciocínio deve ser feito ao crime continuado (CPM. Por exemplo. em relação . contra B.Considera-se praticado o fato no lugar onde se desenvolveu a atividade criminosa. pela qual lugar do crime é aquele em que se iniciou a execução da conduta típica. pela qual lugar do crime é aquele em que se produziu o evento. ato de disposição patrimonial prejudicial a seus interesses. LUGAR DO CRIME “Art. que cai morto no país vizinho. o estelionato e o seqüestro aéreo. a questão merece análise mais apurada. o resgate de uma terceira nação. Nos crimes omissivos. Teoria do resultado. pela qual é tido como lugar do crime tanto aquele em que se iniciou sua execução. Teoria da Ubiqüidade.” Quando a conduta típica (ação ou omissão) e o resultado danoso ocorrem num mesmo lugar. art. 129). art. e ainda que sob a forma de participação. ou E se apodera de um avião que sobrevoa o território de um Estado. a fim de que este realize em outro. que é a posição do nosso Código. no todo ou em parte. art. Incidindo lei nova mais severa durante o tempo da privação da liberdade ou da ausência do militar. que é a posição do nosso Código. bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. com êxito.6. Onde foi cometido o homicídio. não existem dificuldades na fixação do lugar do crime. Teoria da Atividade. §2º). 125. respectivamente em cada um desses casos? Existe três Teorias que podem explicar tais situações: 1. Entretanto. obrigando seu piloto a variar o rumo e a aterrissá-lo em outro. 2. pois o agente ainda está praticando a ação na vigência da lei posterior. já que considera praticado o fato no lugar em que deveria realizar-se a ação omitida. Como exceção à regra Celso DELMANTO cita a prescrição. 6º . 3. através da fronteira. solicitando. em relação aos crimes omissivos.de sua liberdade. A dispara. ou C induz D em erro num país. nos chamados crimes a distância ou de longa mão. que são as infrações em que a conduta típica se dá em um país e o resultado ocorre em outro. entretanto. 80) quando um ou mais dos delitos componentes forem praticados na vigência da lei posterior mais severa.

geralmente o direito tem eficácia em todo o território do Estado que o sancionou. toda embarcação sob comando militar. ainda que de propriedade privada. se encontrem em local sob administração militar e atentem contra as instituições militares. ao crime cometido. tratados e regras de direito internacional. pois a eficácia extraterritorial das leis depende da vontade do outro Estado. 7º .Aplica-se a lei penal militar. Ampliação a aeronaves ou navios estrangeiros §2º .Para efeito da aplicação deste Código. considera-se navio. de caráter internacional que será resolvido pelo art. 8º do CPM. no território nacional ou fora dele. TERRITIRIALIDADE – EXTRATERRITORIALIDADE “Art. admitida através de leis ou tratados internacionais. ainda que. no todo ou em parte. quando idênticas. que estabelece que a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. ou nela é computada. 3. sob comando militar ou militarmente utilizados ou ocupados por ordem legal de autoridade competente. o agente esteja sendo processado ou tenha sido julgado pela justiça estrangeira.Para os efeitos da Lei Penal Militar consideram-se como extensão do Território Nacional as aeronaves e os navios brasileiros. Território nacional por extensão §1º . Para Paulo GUSMÃO. Para ele. onde quer que se encontrem.7. quando diversas. A questão da territorialidade e da extraterritorialidade se insere no chamado direito penal internacional.” A lei penal militar se aplica aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou navios apenas quando estes. território é a parte da . Conceito de navio §3º . neste caso. resulta um conflito de jurisdição.aos crimes comissivos. sem prejuízo de convenções. desde que em lugar sujeito à administração militar e o crime atente contra as instituições militares. envolvendo países diferentes.É também aplicável a Lei Penal Militar ao crime praticado a bordo de aeronaves ou navios estrangeiros. sendo estrangeiros. Nos casos dos crimes a distância.

ainda que fora do lugar sujeito à administração militar. ou reformado ou assemelhado ou civil. d) por militar durante o período de manobras ou exercício. usa armamento de propriedade militar ou qualquer material bélico.” Este artigo insere a regra non bis in idem. soberanamente.por militar em situação de atividade ou assemelhado que. qualquer que seja o agente. Consideram-se crimes militares. II – os crimes previstos neste Código. PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO “Art. ou em formatura. quando praticados: a) por militar em situação de atividade ou assemelhado. Segundo MIRABETE.9. ficando a quantidade da redução ao critério prudente do magistrado. É formado pelo solo. c) por militar em serviço. ou assemelhado.A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. contra militar na mesma situação ou assemelhado. em tempo de paz: I – os crimes de que trata este Código. Já na hipótese de a pena cumprida no estrangeiro ser da mesma qualidade. contra militar da reserva. ou assemelhado. contra militar da reserva. f) REVOGADO . em caso de diversidade qualitativa de pena imposta é obrigatória. quando o mar lhe serve de fronteira. ou seja. 9º. quando idênticas. 3. b) por militar em situação de atividade ou assemelhado. 3. subsolo. ou assemelhado. a sua autoridade e na qual encontra-se a sua população. quando diversas. . em comissão de natureza militar. contra militar da reserva. quando definidos de modo diverso na lei penal comum ou nela não previstos.superfície terrestre que o Estado exerce. ela é simplesmente abatida da pena a ser executada no Brasil. espaço aéreo que o recobre. sob guarda. 8º . A atenuação. ou reformado. em lugar sujeito à administração militar. ou civil. ou a ordem administrativa militar. ou civil. evitar a duplicidade de repressão penal. é evidente que esta não será cumprida. ou nela é computada. ou reformado. a se a pena cumprida no estrangeiro for superior à imposta no País. e) por militar em situação de atividade. embora não estando em serviço. salvo disposição especial. CRIMES MILITARES EM TEMPO DE PAZ “Art. fiscalização ou administração militar. contra o patrimônio sob a administração militar.8. embora também o sejam com igual definição na lei penal comum. para a prática de ato ilegal. ilhas e mar territorial que o banha. como é o caso do Brasil.

ou reformado. acampamento. d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar. acantonamento ou manobras. finalmente. quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil. ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar. serão da competência da justiça comum. podemos dizer que o fato definido como crime impropriamente militar também está previsto no Código Penal comum. daí dizer que são crimes propriamente militares. Ou seja. exploração. o crime propriamente militar é o que só por militares pode ser praticado. observação. em linhas gerais. aquele crime comum cujas circunstâncias alheias ao elemento constitutivo do fato delituoso o transformam em crime militar transportando-o para o CPM. “Crime militar é todo aquele que a lei assim o reconhece como tal”. Nunca haverá previsão de tais fatos no Código Penal comum ou em qualquer outra lei de caráter penal. isto é. isto é. garantia e preservação da ordem pública. pela condição militar do culpado. vigilância. o desrespeito a superior etc. a revolta. no exercício de função inerente a seu cargo. contra as instituições militares. O crime impropriamente militar é. como os do inciso II. o motim. ou pela espécie militar do fato. ao serviço ou à disciplina das instituições militares. Assim. aquele que. Os delitos propriamente militares nunca podem ser crimes comuns. acarreta dano à segurança ou à economia. ou no desempenho de serviço de vigilância. O crime impropriamente militar é. ou contra a ordem administrativa militar. quando legalmente requisitado para aquele fim. O legislador penal brasileiro adotou o critério legal para definir crime militar. ou em obediência a determinação legal superior.III – os crimes praticados por militar da reserva. b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado. c) contra militar em formatura. consideram-se como tais não só os cometidos no inciso I.” Conceito. exercício. a violência contra superior. São exemplos de crime propriamente militares a covardia. administrativa e judiciária. aquele que constitui uma infração específica e funcional da profissão de “soldado”. contra militar em função de natureza militar. apenas enumerou taxativamente as diversas situações que definem esse delito. ou por civil. Parágrafo único – Os crimes de que trata este artigo. por sua vez. Desta forma. . ou pela natureza militar do lugar. pela anormalidade do tempo em que é praticado. ou durante o período de prontidão. ou. Crime própria e impropriamente militar. nos seguintes casos: a) contra o patrimônio sob a administração militar. um fato só poderá ser considerado crime militar se estiver previsto no Código Penal Militar (CPM).

Desta forma. Desse modo. Inquérito. ou seja. por intermédio da instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM). poderá a autoridade militar. 82 do Código de Processo Penal Militar determina que “nos crimes dolosos contra a vida. a um processo administrativo (PAD) para apuração da falta disciplinar e a um processo judicial para apuração da infração penal. É bom lembrar que para uma conduta ser considerada crime militar deve estar prevista no CPM. devidamente prevista em regulamento próprio”. ao mesmo tempo. dando-lhe tratamento de transgressão disciplinar.299/96 que. a conduta violadora do dever militar em sua essência é a mesma e somente o caso concreto poderá determinar se houve mera transgressão disciplinar ou um crime militar. que permitem às autoridades militares aplicarem sanções disciplinares a seus subordinados por fatos de menor gravidade. ao mesmo tempo.Distinção entre Crime Militar e Transgressão Disciplinar. por maioria. praticados contra civil. O Crime Militar é a ofensa mais grave a esse mesmo dever. “toda ação ou omissão contrária ao dever militar. Julgada medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil – ADEPOL. uma apuração disciplinar. Se entender o contrário. mas que visam a assegurar a hierarquia e a disciplina militares. ao dar nova redação ao art. para que possa ser considerada transgressão disciplinar deve estar inserida no Regulamento Disciplinar correspondente. contra a Lei 9. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Crimes dolosos contra a vida. do §1º ao §4º do art. 144. As Forças Armadas e as Forças Auxiliares dispõem de normas complementares contidas nos Regulamentos Disciplinares.” Afastando a tese da autora de que a apuração dos referidos crimes deveria ser feita em inquérito policial civil e não em inquérito policial militar. que tal fato teve tamanha repercussão e gravidade poderá optar por uma postura que determine. e uma postura penal. De igual forma. da CF. Transgressão Disciplinar é. que atribuem às polícias . a Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito à Justiça comum. existem certas condutas que estão previstas tanto no CPM quanto no Regulamento Disciplinar. entender que a gravidade da conduta deva apenas limitar sua apuração à esfera administrativa. por meio de “sindicância” ou Processo Administrativo (como prefere o novo Estatuto PM). o Tribunal. Contudo. indeferiu a liminar por ausência de relevância na argüição de ofensa ao inciso IV. assim. agindo por seu bom senso. situação que poderá determinar que o acusado seja submetido.

24 do CPM. Considerou-se que o dispositivo impugnado não impede a instauração paralela de inquérito pela polícia civil. De acordo com o CPM não existem definições distintas para os crimes de revolta e de motim. “Revolta” “Parágrafo único. arsenal. Maurício Corrêa. p/ o acórdão Min. III – assentindo em recusa conjunta de obediência ou em resistência ou violência. sendo a existência de armas o único e essencial ponto de distinção entre os dois crimes. quando estejam agindo sem ordem ou praticando violência. hangar. Ilmar Galvão e Sepúlveda Pertence. presentes os demais elementos constitutivos do tipo. se reunirem-se sem armas. contudo a redação atual de tais delitos admite que dois militares reunidos podem praticá-los. com aumento de um terço para os cabeças”. ou dependência de qualquer deles. contra superior. para que um militar seja considerado superior. fortaleza. aeródromo ou aeronave. basta que exerça autoridade sobre outro em razão da função que ocupa. A revolta é. 149). É comum achar que. exige-se a reunião de quatro ou mais militares. Pois. 20. navio ou viatura militar. com aumento de um terço para os cabeças”. SUPERIOR é. é condição da configuração do crime de revolta. para ação militar. para configuração dos delitos de motim ou de revolta. ou negando-se a cumpri-la. (STF – Ação Direta de Inconstitucionalidade 1. ou utilizando-os de qualquer daqueles locais ou meios de transporte. Reunirem-se militares ou assemelhados. “Motim” “Art. não sendo necessário possuir grau hierárquico mais elevado. nos termos do art. . exceto as militares. o agrupamento de militares armados. de igual posto ou graduação ou que lhe seja inferior. em virtude da função exerce autoridade sobre outro. o crime será de motim. DOS DELITOS EM ESPÉCIE Motim (art. fábrica ou estabelecimento militar. de oito a vinte anos. Portanto. DJU. I – agindo contra a ordem recebida de superior. 4.494-DF – Rel. Assim. portanto. Vencidos os Ministros Celso de Mello. 149. IV – ocupando quartel. Relator.97).04. Pena – reclusão. Marco Aurélio. de quatro a oito anos. o motim armado. o militar que. à luz do CPM. em comum. II – recusando obediência a superior. ou prática de violência. Apenas o armamento dos participantes é elemento constitutivo do primeiro. Se os agentes estavam armados. em desobediência a ordem superior ou detrimento da ordem ou da disciplina militar.federal e civil o exercício das funções de polícia judiciária e a apuração das infrações penais. Pena – reclusão.

Os parágrafos do art. Vedada a reformatio in pejus. pontapés e socos que podem ou não provocar lesões. Ementa: Violência contra superior. Violência contra Superior – somente na forma qualificada prevista no art. 157. 238). 155) etc. maior é o crime e. tais como ultraje ao pudor (art. razão pela qual tratar-se de crime militar próprio. colega de igual graduação. 157. Rel. 209. §3º do CPM. “Formas qualificadas” § 1º Se o superior é comandante da unidade a que pertence o agente. de doze a trinta anos. a pena é aumentada de um terço. Quando se torna obrigatório o laudo médico. é que torna indispensável o exame médico legal na pessoa da vítima.Violência contra superior (art. também físicos. ou oficial general. aplica-se. A agressão verbal poderá caracterizar outros delitos. se o crime ocorre em serviço”.098. § 5º A pena é aumentada da sexta parte. de três a nove anos. Denúncia e condenação por lesão corporal. CPM. 160). § 3º Se da violência resulta lesão corporal. portanto. a do crime contra a pessoa. “Violência contra superior” “Art. puxão de orelhas. art. Pena – detenção. Conduta tipificada no art. Autoria e materialidade induvidosas. isto é. Este crime só pode ser cometido por militar. A violência exigida para caracterização deste delito é a violência física. desrespeito a superior (art. §3º do CPM. além da pena da violência. 157. Há necessidade apenas da existência de contato físico diretos ou através de instrumentos. § 4º Se da violência resulta morte. quando da violência resulta lesão corporal. Nesse sentido. de três meses a dois anos. 157). porém em serviço. § 2º Se a violência é praticada com arma. .75) Ementa: Soldado que agride a socos e golpes de bastão. Acórdão de 04. Pena – reclusão. A violência contra superior assume tal gravidade que as conseqüências penais independem do resultado da ação (pode ou não causar lesão corporal). 157 denotam a escalada de gravidade do crime. fausto Nunes Vieira. mais grave a pena cominada. não encontrando previsão no Código Penal comum. incitamento (art. Praticar violência contra superior. quanto mais deve ser respeitado o ofendido (superior). consistente em tapas. rasgar roupas. Pena – reclusão.11. Juiz Dr. empurrões. 1. (TJM/MG – Ap.

163 – 166). p. Juiz Cel João Vanderlan Rodrigues Vieira. a pena é aumentada de um terço.mantêm-se a decisão recorrida. (TJM/RS – Ap. Praticar violência contra o oficial de dia. vigia ou plantão. militar ou civil. pode caracterizar o crime de motim previsto no art. Recusar obedecer a ordem do superior sobre assunto ou matéria de serviço. “Recusa de obediência” “Art.002/97 – Rel. regulamento ou instrução.228) Violência contra militar em serviço (art. Decisão unânime. § 1º Se a violência é praticada com arma. Vale ressaltar que a mesma conduta. I.10. É crime que não exige a qualidade de militar do sujeito ativo (agente). relativo a serviço ou dever imposto em lei. Define-se insubordinação como sendo o fato de o militar negar-se a obedecer ordem de superior hierárquico. além da pena da violência. o crime se apresenta com duas feições: cometido com arma ou sem arma. j. Jurisprudência Penal Militar. ou relativamente a dever imposto em lei regulamento ou instrução. 158. A insubordinação ficará restrita aos . de serviço. a do crime contra a pessoa. Pena – reclusão. estendendo a proteção contra violência física a todos os militares de serviço. podendo ser cometido por qualquer indivíduo. ou contra sentinela. de doze a trinta anos”. 15. Pena – reclusão. aplica-se . § 2º Se da violência resulta lesão corporal. Pena – detenção. Quanto aos meios empregados pelo agente do delito. ou de quarto. 163. CPM. O artigo é um desdobramento do artigo anterior.97. Insubordinação (art. Considerado um crime contra as instituições militares. 3. Apelo improvido. jan/jun 1997. de um a dois anos. “Violência contra militar em serviço” “Art. se o fato não constitui crime mais grave”. 149. de três a oito anos. § 3º Se da violência resulta morte. aqui definida como insubordinação. e não apenas ao superior hierárquico. 158).

o crime será de motim. CONCRETA – ou seja. praticar violência contra inferior. Mas. O cumprimento de ordens manifestamente ilegais responsabilizam o militar que executou e o superior que a emitiu. aquelas que. sem qualquer necessidade de maior avaliação acerca da sua conformidade com a lei. à primeira vista. já demonstram visível ilegalidade. Deve a ordem ser: IMPERATIVA – deve importar numa exigência para o inferior. pois seu cumprimento não deve estar sujeito à apreciação do subordinado. ou seja. como não lhe cabe discutir sobre sua legalidade. O que vale dizer que apenas as ordens manifestamente ilegais não devem ser cumpridas pelo subordinado. Em sendo mais de um militares. 175. é fundamental. regulamento ou instrução (base legal). Finalmente a ordem tem que estar relacionada à lei. “Resultado mais grave” . Permite-se que o inferior examine o conteúdo da determinação. ORDEM é a expressão da vontade do superior hierárquico dirigida a um ou mais inferiores determinados para que cumpram com uma prestação ou abstenção no interesse do serviço. as de caráter geral não são ordens desta natureza e seu não-cumprimento constitui mera transgressão disciplinar. Assim. se a ordem é ilegal. “Violência contra inferior” “Art. PESSOAL – significa que deve ser dirigida a um ou mais inferiores determinados. encontra-se no estrito cumprimento de dever legal (dever de obedecer a ordem). pura e simples. contudo é certo que atualmente não se admite a obediência cega. sustentada na hierarquia e na disciplina. de três meses a um ano. Certo é também que o sistema militar apresenta características próprias. Violência contra inferior (art. A obediência. Pena – detenção. é ilegal também o fato praticado pelo subordinado (“ordens manifestamente ilegais não devem ser executadas”) . por isso não são ordens os conselhos. As ordens não-manifestamente ilegais responsabilizam apenas o superior que a emitiu. exortações e advertências. 175). no sistema militar.casos em que um único militar recusar-se a obedecer tais ordens.

se oficial. 188. “Art. nem assumiu o risco de produzi-lo. com a intenção de não mais voltar” “Deserção” “Art. ou do lugar em que deve permanecer. ou seja. é também aplicada a pena do crime contra a pessoa. ocorre a pratica do fato tipificado em tal artigo do CPM. aplica-se o disposto no art. agravando-a de um quinto a um terço. modalidade de crime qualificado pelo resultado. 175 “caput” trata da violência pura e simples do superior contra o inferior. Ausentar-se o militar. mas que resulte lesão corporal ou morte. e consiste na violência praticada pelo superior contra o inferior. findo o prazo de trânsito ou férias. 159”. 187. a pena do crime contra a pessoa é reduzida de metade”. da Unidade em que serve. 159 trata do crime preterdoloso ou preterintencional. atendendo-se. Ex. dentro do prazo de oito dias. 73 do CPM. Quando a violência resulta morte ou lesão corporal e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado. A lei não estipula o quantum do agravamento desta pena. deixa de se apresentar. dentro de oito dias. 159. sendo que a vítima vem a cair e morrer ao bater a cabeção contra o solo. sem licença. Se o superior efetuar um empurrão contra o subordinado e em seguida desfere-lhe uma bofetada. DEFINIÇÃO DOUTRINÁRIA – “Ausência não autorizada do serviço militar. ao disposto no art. quando for o caso. sob a rubrica “resultado mais grave”. contados daquele que termina ou é cassada a licença ou agregação ou em que é declarado o estado de sítio ou de guerra. III – tendo cumprido a pena. O art. O art.Parágrafo único. por mais de oito dias: Pena – detenção de seis meses a dois anos. a pena é agravada”. 187 – 194). II – deixa de se apresentar à autoridade competente.: agente desfere um soco no oficial de serviço ou na sentinela por desejar ferir qualquer um deles. por parte de um oficial ou de uma praça. Se da violência resulta lesão corporal ou morte. O PRETERDOLO apresenta dolo no antecedente e culpa no conseqüente. Na mesma pena incorre o militar que: I – não se apresenta no lugar designado. 187 trata da chamada deserção propriamente dita e é por isso que se diz que tal artigo traz a definição legal de deserção. O art. Uma segunda situação vem prevista no parágrafo único do mesmo artigo. “Casos assimilados” “Art. . dentro do prazo de oito dias. Deserção (art.

“Deserção por evasão ou fuga” “Art. Ausência. “Deserção especial” “Art. .IV – consegue exclusão do serviço ativo ou situação de inatividade. na falta desta. É o lapso de tempo de oito dias que a lei concede ao ausente. 451 do CPPM. Deixar o militar de apresentar-se no momento da partida do navio ou aeronave. a consumar o crime de deserção. à autoridade policial. Pena – detenção. se apresentar. criando ou simulando incapacidade”. A contagem dos dias de ausência. permanecendo ausente por mais de oito dias. É quando se completam os oito dias de ausência. Parte de ausência. distrito ou zona”. 187 do CPM. Prazo de graça. Deverá ser elaborada pelo chefe imediato do ausente e serve para: a) dar conhecimento do fato ao escalão superior. assim. c) provocar a elaboração do inventário dos bens deixados ou extraviados pelo ausente. dentro de vinte e quatro horas. oportunizando-lhe o desistência (“arrependimento”) e a conseqüente apresentação. à luz do art. devendo nessa esfera o fato ser tratado. ou fugir em seguida à prática de crime para evitar prisão. não vindo. b) registrar o início da contagem do prazo de graça.”. à autoridade militar do lugar. Antes da consumação do crime de deserção. de que é tripulante. 190. se após a partida ou deslocamento. ou da partida ou deslocamento da unidade ou força em que serve: Pena – detenção até três meses. uma vez que esta trata da chamada deserção instantânea. inicia-se a contagem do prazo à zero hora do dia 11 e consumar-se-á a deserção a partir da zero hora do dia 19. 190 do CPM. Momento consumativo. o militar é considerado ausente por oito dias. mas em mera transgressão disciplinar. para ser comunicada a apresentação a comando militar da região. ou de recinto de detenção ou de prisão. Afora a deserção tipificada no art. Caso retorne ao serviço nesse período de ausência. 192.: Se a falta injustificada ocorreu no dia 10. consoante o art. de seis meses a dois anos”. Despacho do Comandante. não há falar-se em crime. Evadir-se o militar do poder da escolta. “iniciar-se-á à zero hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do militar . Ex.. ou..

Recebida a parte de deserção. Parte de deserção.Na parte de ausência. Destina-se a arrecadar os bens da Fazenda Pública Estadual deixados ou extraviados. a partir de então. É de praxe incluir-se no inventário os bens particulares deixados pelo ausente. o comandante despachará mandando que: a) sejam publicados o termo de deserção e o próprio despacho em BIO. b) sejam juntados os assentamentos do desertor. a prisão em flagrante do desertor onde quer que for capturado. mandando inventariar o material permanente da Fazenda Pública Estadual. com a assistência de duas testemunhas idôneas e mandando publicar em BIO a parte de ausência e o próprio despacho. por meio do qual encaminhará o termo de inventário e participará ao comandante. Temo de deserção. de forma a fornecer os elementos necessários à propositura da ação penal (oferecimento da denúncia pelo Ministério Público). que será subscrito (assinado) pelo comandante e por duas testemunhas idôneas. estará configurado o delito. o comandante proferirá um despacho designando alguém (pode ser praça ou oficial) para lavrar o termo de deserção. razão pela qual autoriza. chefe ou diretor que tal ausência já conta de oito dias. bem como os bens particulares deixados pelo ausente. ou autoridade correspondente. c) seja oficiado ao Comandante Geral encaminhando o termo de deserção e solicitando a demissão (se praça não-estável) ou a agregação (se oficial ou praça estável). de preferência oficiais. Despacho do comandante. Inventário. configurando o crime de deserção. deixado ou extraviado pelo ausente. Concluído o termo de deserção. Documento elaborado pelo comandante da subunidade do militar ausente. será formalizada a instrução provisória do processo de deserção devendo ser mencionadas todas as circunstâncias do fato. Uma vez publicado o termo de deserção. que classificase como sendo permanente. No termo de deserção. Despacho no termo de deserção. . o comandante irá emitir um despacho.

Embriaguez em serviço (art. quando em serviço. já que não podemos aceitar que a ingestão de álcool melhore o desempenho funcional de quem quer que seja. a falta de atenção e prejuízo ao desempenho do serviço que o agente está realizando. 0:00 do dia 17 3. de seis meses a dois anos”. a prova testemunhal que evidencie de modo preciso o estado do acusado na ocasião. valendo então. 202). Assim. Pena – detenção. O delito de embriaguez apresenta duas modalidades: Na primeira o militar encontra-se em serviço e. 0:00 do dia 16 2. 451. com todas as circunstâncias demonstrativas da situação em que o mesmo se encontrava. Dia da Falta 1. a embriaguez em serviço tem como conseqüência imediata. a de apresentar-se embriagado para prestar serviço. Da mesma forma. Expediente do dia 24 ► ► ► ► ► PM escalado às 8 horas do dia 15. resolve-se também no âmbito disciplinar. inexiste o delito. Caso ingira bebida alcoólica e não se embriague. mas certamente subsistirá a transgressão disciplinar. no mínimo. nessa qualidade embriaga-se. 202. se a embriaguez ocorre fora do serviço. em seu lugar.d) manda realizar diligências para localizar o desertor e determina a publicação do resultado destas. ou apresentar-se embriagado para prestálo. Na segunda modalidade. Parte de Ausência. é necessário que o sujeito ativo tenha ciência de que iria entrar em serviço. Início da contagem da ausência. f) seja remetido os autos ao Ministério Público. “Art. e) seja arquivada cópia autêntica dos autos. Embriagar-se o militar. 0:00 do dia 24 4. . Parte acusatória e Termo de Deserção. Nem sempre é possível a execução do exame de dosagem alcoólica . §1º): 1 2 3 4 5 6 7 8 ___________________________________________ 15 DF 16 0:00 1 17 0:00 2 18 19 20 21 22 23 24 0:00 3 Expediente 4 DF. Consumação da deserção. CONTAGEM DO PRAZO PARA CONSUMAÇÃO DA DESERÇÃO (art.

chegando mesmo ao coma alcoólico nos casos mais graves. O delito de dormir em serviço é sempre doloso. tratamento ou custódia. § 2º se resulta morte: Pena – reclusão. “Maus tratos” “Art. apresentam-se perturbações sensoriais como a visão dupla. em lugar sujeito à administração militar ou no serviço de função militar. Dormir em serviço (art. de dois meses a um ano. de três meses a um ano”. vigia. ou em situação equivalente. Expor a perigo a vida ou a saúde. exame de sangue) ou pelo exame clínico (exame de embriaguez. 213). 136 do Código Penal comum. 213. “Formas qualificadas pelo resultado” § 1º Se do fato resulta lesão grave: Pena – reclusão. A comprovação da embriaguez.Essa falta de atenção pode evoluir até mesmo para a incapacidade total para a continuação e realização do serviço. como oficial de quarto ou de ronda. até quatro anos. cumpre participar ao superior hierárquico a fim de que sejam adotadas providências cabíveis. podendo configurar mera transgressão disciplinar. O delito de maus tratos está previsto no art. inconveniência de atitudes. “Dormir em serviço” “Art. para o fim de educação. por médico a ser designado pela autoridade militar. quando em serviço. O militar tem o dever de utilizar todos os meios possíveis para evitar que adormeça e quando esses meios se apresentem deficientes. dormir o militar. “exame visual”). zumbido de ouvido. portanto. No tipo penal. ilusões (percepções erradas). quando o agente perde a coordenação motora. Pena – detenção. ou não sendo oficial. guarda ou vigilância. quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis. de ronda ou em qualquer serviço de natureza semelhante. plantão às máquinas. de dois a dez anos”. quer abusando de meios de correção ou disciplina. Em qualquer dos casos o exame deve ser feito sempre por médico perito oficial e. palavra difícil e pastosa. quer sujeitando-as a trabalhos excessivos ou inadequados. predomina a confusão psíquica. instrução. ao leme. o que vale dizer que a conduta culposa não caracteriza o delito. 203). poderá ser efetivada pelo exame de dosagem alcoólica (exame de alcoolemia. na ausência deste. Pena – detenção. razão pela qual é crime militar impróprio. no entanto. Maus tratos (art. 203. em serviço de sentinela. de pessoa sob sua autoridade. exige-se que a exposição a perigo ocorra em lugar sujeito à administração militar ou que o seu agente esteja no exercício de função .

posto tratar-se de delito de perigo abstrato. militar ou civil. não sendo necessário que o agente realize todas as condutas típicas mas apenas uma delas. ato de ofício. desconhecendo o CPM a forma culposa. prevê uma situação a mais para a vítima. 279).. ou seja. Retardar ou deixar de praticar. na via pública. . de três meses a um ano”. ou sujeitando-a a trabalhos excessivos ou inadequados (ex. É crime múltiplo. ressalvando-se quanto a este último que sua punibilidade está condicionada ao fato de o delito atentar contra as instituições militares. de seis meses a dois anos”.” (art. Para configuração do delito de embriaguez ao volante não é necessário a provocação de qualquer dano à saúde ou ao patrimônio de outrem. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. ou ainda abusando de meios de correção ou disciplina (ocorre com mais freqüência contra recrutas ou alunos em cursos de formação).. guarda ou vigilância. importando o crime na violação desse dever de autoridade.militar. ou qualquer outro inebriante. sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos . Portanto. “Art. Basta a simples condução de veículo estando o agente sob efeito de substância alcoólica ou de efeitos análogos. Pena – detenção. de 23 Set 97) restou tipificado a conduta de “conduzir veículo automotor. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. indevidamente. o delito de embriaguez ao volante é crime militar impróprio. 319.: trabalhos forçados em locais insalubres). 306 do Código de Trânsito brasileiro). 319). encontrando-se em estado de embriaguez.º 9. Os parágrafos do art. Comete o delito o agente que priva de alimentação ou cuidados necessários (ex. a de estar submetida à autoridade do agente. tratamento ou custódia. Pena – detenção. por bebida alcoólica. instrução. ou praticá-lo contra expressa disposição de lei. O art. 213 do CPM. Dirigir veículo motorizado. O crime de maus tratos é essencialmente doloso. atualmente. Prevaricação (art.503.: doentes internados sob sua custódia). para o fim de educação. “Embriaguez ao volante” “Art. 213 aludem às formas qualificadas pelo resultados lesão corporal grave e o de morte. Com o advento da nova lei de trânsito (Lei n. Embriaguez ao volante (art. sob administração militar. 279. na via pública.

detenção até seis meses”. b) o indulgente (doloso). O superior neste caso tem competência para punir o subordinado. Pena – se o fato foi praticado por indulgência. na terceira. preguiça. a misericórdia. mas requer um elemento subjetivo do injusto (especial fim de agir). que o crime praticado por indulgência. ou.320 do Código Penal comum e. desatenção. sem que o crime não se aperfeiçoa. menosprezo. quando lhe falta competência. o agente retarda (protrai. mas pode praticar o crime de condescendência criminosa. Inexistindo o elemento subjetivo do injusto o delito praticado poderá ser o de condescendência criminosa. 322. a tolerância demasiada. É crime que só pode ser cometido pelo superior hierárquico em relação ao seu subordinado infrator. Condescendência criminosa (art. caracterizado pela expressão “para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. “Condescendência criminosa” “Art. Já quando o superior não tem competência para punir o subordinado deve informar imediatamente . O crime de prevaricação é essencialmente doloso. descuido. por isso. Ou seja. Na primeira. não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. O presente artigo apresenta duas modalidades de crime.A prevaricação é crime militar impróprio. será crime militar impróprio quando presentes as condições exigidas pelo CPM. posto que também encontra previsão no Código Penal comum. detenção até seis meses. incúria. o indulgente doloso e o culposo: a) o culposo. Deixar de responsabilizar subordinado que comete infração no exercício do cargo. A condescendência criminosa está prevista no art. se o superior não pretender com a sua conduta a satisfação de um interesse ou sentimento pessoal deixa de praticar o crime de prevaricação. pela referência à negligência. O delito se consuma de três maneiras. delonga). O sujeito passivo é o Estado. representado pela Administração Militar. seja militar ou civil. ele deixa de praticar (omissão) e. na segunda. INDULGÊNCIA é a qualidade do indulgente. ele pratica (ação) o ato de ofício contra disposição legal. ATO DE OFÍCIO é aquele que se compreende nas atribuições do servidor. que está na esfera de sua competência. NEGLIGÊNCIA é o desleixo. O seu sujeito ativo deverá ser funcionário público. CRIME DOLOSO é aquele em que o agente manifesta a vontade livre e dirigida à prática de qualquer das condutas mencionadas pela lei penal. administrativa ou judicial. 322). é a clemência. se por negligência. a benevolência. ou seja.

Promotor da Justiça Militar da União. bem como o Juiz-Corregedor da Justiça Militar estadual. Desacatar autoridade judiciária no exercício da função ou em razão dela. Especial ou Permanente. O crime só admite a forma dolosa. ameaças. Dr. Comentários ao Código Penal Militar. difamatórias ou caluniosas. É a grosseira falta de acatamento. Vol. 341). Autoridades judiciárias são igualmente. 2. os juízes dos Tribunais Militares dos Estados de São Paulo. podendo consistir em palavras injuriosas. Jorge César de Assis . vias de fato. “Desacato” “Art. Apostila do Curso de Formação de Oficiais (APMBA). humilhação. militar ou civil. Rio Grande do Sul e Minas Gerais. devendo. É condição sem a qual não se configura o crime de desacato a situação de estar a autoridade judiciária no exercício da função ou em razão dela. . 2. os Ministros do Superior Tribunal Militar e o Juiz-Auditor Corregedor na esfera federal e. Luiz Augusto Santana – Promotor de Justiça Militar/BA. posto que também encontra definição no Código Penal comum.à autoridade competente para a punição. Pena – reclusão. agressão física. sob pena de cometer o crime de condescendência criminosa. sujeitar o subordinado à prisão disciplinar ou à prisão em flagrante delito. – BIBLIOGRAFIA – 1. É crime militar impróprio. gritos agudos etc. A ofensa constitutiva do desacato é qualquer palavra ou ato que redunde em vexame. O Regulamento Disciplinar da PMBA traz textualmente a exigência de uma pronta atuação do superior que presenciar ato contrário à disciplina ou ao decoro da instituição. não havendo previsão de culpa. mesmo o funcionário público desde que agindo como particular. desprestígio ou irreverência ao funcionário. assim. gestos obscenos. Desacato (art. 341. Autoridade judiciária é tanto o juiz-Auditor como qualquer um dos Juízes-Militares que compõem o Conselho de Justiça. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Dr. até quatro anos”.

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