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A Cultura e as Culturas

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Neste trabalho fazemos uma abordagem dos elementos que compõem a cultura, suas características, seus factores e outros elementos a ela ligados, focalizando dentre vários aspectos, a diversidade cultural. Trabalho de Antropologia Cultural, feito por estudantes do 3º ano do Curso de Ensino de Administração de Comércio e Finanças em 2010.
Neste trabalho fazemos uma abordagem dos elementos que compõem a cultura, suas características, seus factores e outros elementos a ela ligados, focalizando dentre vários aspectos, a diversidade cultural. Trabalho de Antropologia Cultural, feito por estudantes do 3º ano do Curso de Ensino de Administração de Comércio e Finanças em 2010.

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A cultura e as culturas

1. INTRODUÇÃO Ao longo da história, o ser humano lida com um conjunto de símbolos, na sua maioria dados, isto é, ele os encontra já em uso corrente na sociedade quando nasce e eles permanecem em circulação após a sua morte, com alguns acréscimos, subtracções e alterações parciais das quais pode ou não participar. Ele faz uso de alguns desses símbolos no decurso da sua vida, certas vezes deliberadamente e na maioria das vezes espontaneamente, sendo que o propósito é fazer uma construção dos acontecimentos que constituem a essência da sua vida, para se auto-orientar no “curso das coisas experimentadas” J. Dewey citado por Geertz, C (1978:1). É o conjunto de símbolos de que fizemos referência acima, que constitui a “cultura” é justamente este o pano de fundo do presente trabalho. Nele fazemos uma abordagem dos elementos que compõem a cultura, suas características, seus factores e outros elementos a ela ligados, focalizando dentre vários aspectos, a diversidade cultural, razão da expressão “a cultura e as culturas” que constitui o tema em estudo.

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A cultura e as culturas

1.1 METODOLOGIA Pesquisas bibliográficas. Buscas na Internet. Discussão em grupo.

1.2 OBJECTIVOS 1.2.1 Objectivo geral

Estudar a cultura, sua diversidade, características, processos que nela ocorrem e os factores que a influenciam.

1.2.2 Objectivos específicos •
• •

Definir a cultura; Caracterizar a cultura; Indicar a sua importância e dos processos que a compõe para o homem.

2. Conceito de cultura e suas características
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2.1 A cultura Ao longo da história, a cultura foi evoluindo significativamente, daí que podem se observar diversos pontos de vista sobre este conceito, como podemos ver a seguir: Edward B. Taylor1, define a cultura como um conjunto complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e várias outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. A cultura é também definida por Vinigi L. Grotanelli2 como sendo toda a actividade consciente e deliberada do homem como ser racional e como membro de uma sociedade e o conjunto das manifestações concretas que derivam daquela actividade. Por seu turno, C. Geertz citado por Martinez (2007:43), define a cultura como sendo uma estrutura de significados transmitidos historicamente, encarnados simbolicamente, para comunicar e desenvolver o conhecimento humano e as atitudes para com a vida, uma lógica informal da vida real e do sentido comum de uma sociedade, que funciona tambem como controlo. Do acima exposto podemos definir em linhas gerais a cultura como sendo o conjunto de usos, costumes, hábitos, crenças e significados transmitidos historicamente, garantindo desta forma a perpetuidade de um povo. 2.2 Caracteristicas da cultura a) A cultura é simbólica O símbolo é uma chave para a compreensão da cultura, pois ao tentar formular a cultura, faz se por intermédio de uma linguagem que é iminentemente simbólica. Não só a linguagem verbal, mas também os ritos de iniciação, as instituições culturais, as relações, os costumes e mais, são considerados formas simbólicas. b) A cultura é social A cultura pertence à sociedade, representa uma conquista e um cúmulo de séculos, isto é, o património cultural que a sociedade foi formando durante toda a sua história. A pessoa é formada pela cultura e o seu comportamento é pautado pela cultura interiorizada. Neste sentido, nenhum membro da sociedade é desprovido completamente de cultura, pois ele é uma criação da cultura até certo ponto que antes de realizar o seu primeiro acto consciente, já tem uma conduta definida que modela os seus comportamentos e processos intelectuais. c) A cultura é estável e dinâmica
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Citado por Martinez, Antropologia Cultural, Guia para o estudo, 5ª edição, 2007, pp41 Citado por Martinez idem pp42

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A estabilidade cultural

A estabilidade cultural leva-nos a reflectir sobre a autenticidade cultural, tema que nos faz pensar no conceito de cultura original, como se fosse uma entidade pura. O conceito de realidade complexa que implicamos à cultura, torna dificil aceitar tal ideia, embora reconheçamos que na cultura há sempre algo de estável, que de alguma maneira a protege dos inevitáveis processos de mudança. Tomemos como exemplo a memória histórica comum, instituições, normas religiosas e civís, língua, parentesco e território. • O dinamismo cultural

A cultura é dinamica pois no seu interior ocorrem mudanças, consideradas como fenómenos despercebidas ou inconscientes. Trata se de mudanças que consideramos estruturais, pois é próprio da cultura o movimento interno de funcionamento e crescimento, reformulando-se constantemente. Neste sentido podemos afirmar que a cultura nunca é a mesma. Ela cresce e se desenvolve como um ser vivo, que, se deixar de respirar morre. O funcionamento, o crescimento e as mudanças acontecem em primeiro lugar por forças endógenas. Martinez (2007:51) afirma que “Uma cultura abstracta, estática, repetitiva, sempre igual a sí mesma está chamada a desaparecer.” A cultura é dinâmica graças a mais outras causas. Existem forças exógenas na cultura que a fazem mudar e transformar. A cultura se desenvolve com um movimento espiral, que, em cada giro, vai encontrando elementos novos que pode incorporar na sua constituição. A cultura é também dinâmica através de acção directa dos próprios membros da sociedade que provocam mudanças conscientes: a cultura experimenta a mudança desejada e consciente. Perante certas situações, os próprios membros da cultura acometem conscientemente as mudanças. d) A cultura é selectiva A cultura é selectiva pois entre duas ou mais culturas pode-se dar um processo que se inicia com a avaliação de novos elementos, terminando com a aceitação ou rejeição destes na cultura em causa, como por exemplo a adopção de técnicas avançadas que implica necessariamente um problema económico, fazendo com que as técnicas obsoletas sobrevivam ao lado das técnicas avançadas. e) A cultura é universal e regional A cultura é universal, pois não existem seres humanos desprovidos de cultura, isto é, não há povos sem cultura nem homens incultos. Tendo essa universalidade podemo-nos referir aos aspectos que são comuns a todas as culturas e que denominamos “universais culturais”. Tomemos como exemplo que todos os povos sentem as
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mesmas necessidades de subsistência, de alimentação, de defesa dos perigos da natureza e dos animais, da comunicação com outros seres humanos, da satisfação das apetências sexuais, do respeito, da amizade, da ordem social e outros. Quando falamos de culturas regionais referimo-nos a formas diferentes de um mesmo fenómeno cultural (culturas particulares). Nestas culturas iremos encontrar as várias instituições familiares, sociais, políticas, económicas e religiosas. f) A cultura é determinante e determinada A cultura faz o homem. Ela se impõe aos individuos e estes pouco podem fazer no sentido de fugir dos padrões culturais. A cultura é determinada pelo homem, pois ele é o agente activo da própria cultura. As mudanças culturais surgem do esforço adaptativo do homem frente à realidade que o cerca: o domínio do meio ambiente, da sua própria sobrevivência, conforto e satisfação, seja no domínio da estética e da inteligência. g) A cultura tem um aspecto cognitivo Neste aspecto destacam-se três significados que são:

Significados operativos – a cultura dá nos a conhecer o significado de como agir ou da maneira justa de agir. Significados cosmológicos – a partir da cultura podemos obter o significado do mundo que nos rodeia, da natureza, do universo todo, da teologia, das crenças do povo, a sua explicação ou respostas a questões de ordem diversa. Significados morais – a ética. Os significados dos valores, o que é desejável, não bom ou não belo.

3. O dinamismo cultural e os processos de Enculturação, Aculturação, Inculturação, Desculturação e os factores da cultura. Como fizemos menção em linhas anteriores, o dinamismo cultural reside na ausência de estaticidade, o que pressupõe que a cultura está em constante mudança, daí que se conclui que a cultura “não é algo acabado ou definitivo mas sim algo em contínuo aperfeiçoamento” Martinez (2007:59).

3.1 A Enculturação
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V.L Grottanelli define a enculturação como o processo através do qual todo o indivíduo obtém do grupo social em que se insere todos os elementos necessários para a sua plena inserção social. Grottanelli afirma ainda que a criança encontra ao nascer uma cultura já completamente formulada e que vai assimilando-a lenta e inconscientemente ao longo do seu crescimento. O processo de enculturação se desenrola durante todo o período de vida do indivíduo, é exclusivamente humano e segundo M. Herskovits é semelhante a um tirocínio de instrução e experiência vital. Este processo permite dentre vários aspectos a adaptação à vida social e permite que o indivíduo se habitue aos modos de vida do seu grupo, aprendendo as suas formas de comportamento. A enculturação dá se segundo os seguintes passos:
1. Assimilação – neste passo dá se aquisição de comportamentos padronizados que a criança

observa à sua volta. 2. Conformação – é absorver o máximo de cultura e conformar o comportamento com ela; 3. Aprendizagem dos símbolos;
4. Aquisição de hábitos; 5. Interpenetração – processo pelo qual os fenómenos orgânicos, biológicos e psicológicos

se interpenetram e não é fácil distinguir até onde vão uns e outros. Todos eles tornam se humanos. 6. Duração – o processo de enculturação estende-se por toda a vida do indivíduo e apresenta variações e intensidades diversas.
a) Na infância, revestem-se de muita importância as primeiras experiências e contactos com

a cultura, os quais correspondem aos condicionamentos fundamentais tais como comer, dormir, falar, etc. b) Na idade adulta o processo torna-se mais consciente, podendo haver aceitação ou repulsa.
c) Na velhice raramente se aceita uma reformulação devido à cultura anteriormente

interiorizada que se encontra sob forma bastante consolidada (como algo cristalizado). Tornando-se impermeável às novas sugestões.
7. Determinismo – o determinismo cultural pode ser explicado com base no comportamento

humano. Um indivíduo em idade adulta ao começar a fazer o uso das suas faculdades mentais, o faz consoante a cultura aprendida. Este comportamento constitui a conduta pessoal e consciente do indivíduo e não deixa de ser uma expressão da sua cultura.

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3.2 A Aculturação Segundo Martinez (2007:79) em Psicologia o termo aculturação é usado no sentido que na Antropologia se dá ao processo de enculturação. Em sociologia é usado no sentido de socialização e na Pedagogia no sentido de educação ou condicionamento. A aculturação teve várias designações provenientes de autores diversos, podendo-se destacar as seguintes: empréstimo de culturas, disseminação cultural, transmissão cultural em marcha e processo de mistura de culturas. Segundo Ítalo Slignorelli3, a aculturação é um processo que conduz um indivíduo a assumir, em tudo ou em parte, modos de cultura de um outro grupo. Desta definição deve-se pressupor o contacto entre duas culturas, resultando influências e transformações mútuas. Este processo constitui um dos factores da dinâmica cultural, pois do contacto entre duas culturas, haverão elementos duma cultura que se irão integrar na outra através de processos de mistura e fusão, surgindo como resultado uma nova síntese cultural e um novo padrão cultural do comportamento. 3.3 A Desculturação O termo desculturação deriva de “descultura”, o que por outras palavras significa “falta de cultura”, porém, que não se subentenda que existam indivíduos sem cultura. Trata-se aqui duma mera questão sintáctica. Com o termo desculturação, referimo-nos aos aspectos negativos da dinâmica cultural, isto é, a subtracção e/ou destruição em diverso grau, do património cultural. Causas A desculturação pode ser originada por causas internas ou externas. Causas internas: estas constituem a perda de vitalidade dos elementos duma cultura, de tal maneira que, se não houver um processo regenerador esses elementos caem em desuso e desaparecem. Podemos tomar como exemplo a mudança de certos hábitos familiares, linguísticos, de divertir-se etc. Causas externas: são as crises culturais que resultam dos contactos culturais. A dinâmica cultural permite a selecção e a integração de novos elementos e o abandono de alguns traços culturais.

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Citado por Martinez idem, pp42

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A desculturação acontece de maneira imperceptível e lenta, afetando um ou outro traço cultural e assim vai mudando o estilo de vida de uma comunidade. Na prática observamos o que já deixou de pertencer à cultura actual de um povo, por exemplo, o uso do batuque fora do contexto ritual de uma época, assume hoje significados diferentes e originais. Perdeu em parte ou na totalidade o significado original.

3.4 A inculturação O termo inculturação teve a sua origem no mundo religioso quando os Padres da África e da Ásia mostraram que a mensagem evangélica não atingia a essência dos povos. Nestes termos, verificou-se a necessidade de se buscar um conceito que exprimisse um processo que criasse uma ligação entre a mensagem cristã e a cultura, tendo surgido primeiramente o termo encarnação, o qual podia ser usado, por exemplo nos seguintes termos: “O Evangelho precisa de ser encarnado nas culturas” Simbine Jr (2009:13). Apenas entre 1974 e 19754 é que o vocábulo inculturação passou a fazer parte do mundo religioso, sendo considerado como a “...encarnação da vida e da mensagem cristã em uma área cultural concreta...”, não num sentido de mera adaptação de aspectos religiosos na cultura mas sim que essa mensagem cristã seja um elemento activo e dinâmico, proporcionando a transformação e recriação da cultura. Pode-se entender a inculturação como um processo recíproco no qual há introdução de elementos exteriores na cultura e vice-versa, como se pode notar na concepção de João Paulo II, segundo a qual a inculturação é o processo pelo qual ocorre a “encarnação do evangelho nas culturas e simultaneamente a introdução dos povos com as suas culturas na comunidade eclesial, transmitindo-lhes os seus próprios valores, assumindo o que há de bom nas culturas e renovando-as a partir de dentro.” 3.5 Os factores da cultura Factores da cultura são elementos ou fenómenos que determinam a alteração de certos aspectos inerentes à cultura. Existem quatro factores da cultura que são:

O homem – o homem como dinamizador da cultura influencia todos os processos enculturação, inculturação, aculturação e desculturação, portanto ele é um dos factores da cultura. A comunidade;


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Ver Padre Rafael Simbine Júnior, Inculturação, O que é e como fazer, pp13

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O meio ambiente; O tempo que actua sobre a formação da cultura.

4. A interação entre a cultura e a natureza, sociedade e a civilização A essência de uma civilização é a cultura e a vida social, pois a civilização é um tipo de comunidade ou sociedade humana que conseguiu um determinado nível de cultura. Esse nível cultural é algo que não é individual, mas sim propriedade do grupo, daí que além de simples interacção denota-se uma dependência da cultura na sociedade e da civilização na cultura. A natureza por sua vez, interage com os restantes fenómenos por via da grande influência que exerce na cultura, pois o homem, antes de ser um ser social é um ser biológico e possui, portanto muitos aspectos dependentes da natureza, desde o seu surgimento, sobrevivência e evolução.

5. A cultura do simbólico e a cultura do material Os sistemas simbólicos (mito, língua, arte, ciência) são tidos como instrumentos do conhecimento e da construção do mundo dos objectos (mundo material). Segundo Claude Levi-Strauss, os símbolos são os equivalentes significativos do significado. Ainda de acordo com Levi-Strauss, os símbolos são mais reais do que aquilo que simbolizam, já que o significante precede e determina o significado. Os factores sociais são simbólicos e desta forma acultura é simbólica pois pode ser considerada como um conjunto de sistemas simbólicos, como por exemplo a linguagem, as regras matrimoniais, as relações económicas, a arte, a ciência, a religião, entre outros. Deste modo Levi-Strauss considera que a explicação do símbolo pelo material é ilusória, sendo necessário, portanto que nos instalemos na interpretação da cultura e abandonemos o naturalismo. Por exemplo, o mito e o ritual não são para serem compreendidos em função do real.

6. A identidade cultural A identidade cultural é o conjunto de elementos (valores, princípios, atributos, etc) que tornam uma determinada cultura única, permitindo deste modo a sua distinção entre várias. O elementos da identidade cultural são os usos, os costumes, os feixes de hábitos, as crenças, as religiões, etc

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A identidade é anterior ao indivíduo e por isso este adere a ela sob pena de se tornar desenraizado. É ela que promove os segmentos culturais que identificam um povo e que lhe poderão dar uma força exterior e tem como objectivo proceder conscientemente à distinção entre os grupos. 7. Erosão e permanência da identidade cultural Com vista as peculiaridades que os diferentes povos buscam manter em seu lugar, percebe-se que os sistemas de comunicação globalmente interligados, as imagens e influências da mídia, a busca pela inserção no mercado mundial de estilos e a velocidade das informações, contribuem para desvincular, descaracterizar e até desalojar as identidades culturais no espaço e no tempo. A compressão de distâncias e das escalas temporais proporcionada pelas tecnologias, possibilita a exposição das culturas locais a influências externas, dificultando a manutenção da identidade cultural inacta ou o impedimento do seu enfraquecimento em virtude do bombardeamento e infiltração de outras culturas. O capitalismo e a globalização são os factores que contribuem em grande escala para a mitigação das fronteiras culturais, possibilitando a homogenização das relações sociais e fazendo com que as crenças e hábitos fiquem descaracterizados. 8. A totalidade cultural: Unidade, diversidade e etnicidade Sobre este ponto, importa salientar que cada realidade cultural possui uma lógica própria, como resultado de sua história particular. Toda a cultura tem seus critérios de organização e é daqui onde se denota a diversidade, entretanto, nenhuma cultura está isolada, tomando em conta as relações internas assim como externas. Assim tomando em conta os aspectos geográficos (os grupos étnicos do mesmo país, por exemplo), a cultura é vista na totalidade. É preciso focar também que a diversidade não significa negar a existência de características comuns ou mesmo a existência de uma dimensão universal do ser humano. Ao se respeitar e valorizar as diferenças étnicas e culturais, não implica obrigatoriamente em aderir aos valores do outro, mas sim respetá-los como do outro, como expressão da diversidade que é em sí de todo o ser humano A etnicidade é um fenómeno social produzido e reproduzido ao longo do tempo, onde através da socialização o indivíduo assimila os estilos de vida, as normas, e crenças da sua comunidade. A
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etnicidade é um aspecto central para a identidade de um indivíduo ou de um grupo, oferecendo uma linha de continuidade com o passado, mantida viva através das práticas das tradições culturais, não sendo estática nem imutável, mas variável e adaptável. 9. Conclusão Do estudo feito sobre a cultura, conclui-se que a cultura é adquirida, isto é, ela não é transmitida biologicamente mas sim o homem adquire os valores culturais na sociedade em que se encontra inserido. A cultura é diversificada, vasta e muito complexa. Ninguém a pode conhecer na totalidade nem mesmo viver ou cumprir na totalidade as exigências culturais, dada a sua vastidão. Todas as culturas são igualmente dignas. Nenhuma cultura é melhor ou superior à outra, existem apenas características específicas que distinguem uma determinada cultura de tantas outras, reforçando a identidade do grupo detentor da mesma. De igual modo que não existem indivíduos sem cultura. A cultura é dinâmica e o seu dinamismo é garantido pelo homem, muitas vezes de forma inconsciente. Ela tem uma relação muito forte com a natureza, com o ambiente e com a sociedade, porquanto ela é um factor social.

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BIBLIOGRAFIA
• • •

Geertz, C. A interpretação das culturas, Rio de Janeiro, Zahar, 1978. Hall, Stuart, A identidade cultural da pós-modernidade, DP&A editora. Martinez, Francisco Lerma, Antropologia Cultural, Guia para o estudo, Paulinas editorial, 5ª edição, Maputo, 2007.

Simbine Jr, Rafael, Inculturação, O que é e como fazer, Paulinas editorial, Maputo, 2009.

Web Missionary, A cultura e as culturas, Oficinas Officas ASA, 1ª Edição, Rio Tinto, Portugal.

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