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Farmacologia I.

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ABSORÇÃO

A absorção é a disponibilidade
de um fármaco desde seu sítio (local
de administração) até a corrente
sanguínea, portanto, é importante para
todas as vias de administração (com
exceção da venosa e da arterial).
O
fármaco necessita penetrar no plasma
para alcançar o seu local de ação. A
velocidade e a eficiência da absorção
dependem da via de administração, da
solubilidade e de outras propriedades
físicas do medicamento; na via
endovenosa, por exemplo, a absorção
“já ocorreu”, ou seja, a dose total do
fármaco alcança a circulação sistê-
mica. Já por outras vias, pode ocorrer
absorção apenas parcial, o que
diminui sua biodisponibilidade
(fração do fármaco que atinge a
circulação).
Portanto, as drogas
entram na circulação geral de duas
maneiras: diretamente, sem enfrentar
barreiras, por injeção intravascular,
ou indiretamente, quando introduzi-
das em compartimentos do organismo
onde necessariamente não agem,
como, por exemplo, nos casos de

administração pelo tubo digestivo ou
de injeção não intravascular, entre
outros. Na eventualidade de adminis-
tração indireta, antes de atingirem a
circulação, as drogas necessitam
atravessar barreiras, que são
representadas por membranas bio-
lógicas, desde o seu sítio de aplicação
até o plasma.

Em geral, quanto menos polar
for uma substância, mais lipossolúvel
ela será. O caso extremo de
polaridade é representado pelos íons,
os quais, não possuindo lipossolu-
bilidade, não passam pela barreira
lipídica, que é o mosaico fluido das
membranas plasmáticas celulares. Por
isto, é importante a influência do pH
na absorção de ácidos e bases
fracos.
Assim, as drogas compostas
por íons funcionam como eletrólitos
fracos, ou seja, contêm grupos ácidos
ou básicos que podem ionizar em pH
fisiológico. Ficam retidos em
membranas por apresentarem baixa
lipossolubilidade e serem em geral

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muito grandes para atravessarem os
poros.

A absorção depende, então, do
grau de ionização da droga e esta, por
sua vez, depende do pH do meio e da
constante de ionização da substância
(pKa).

- Um ácido será melhor absorvido
em meio de pH ácido, porque
estará menos ionizado, o contrário
se aplica a uma base, a qual, quanto
menor o pH, mais ionizada estará e
será menos absorvida.

Farmacologia I – CBM 343 – Gama Filho – Rômulo
Piloni – CAP 07

Como exemplo prático tem-se:

Porque a lidocaína, uma base fraca (pKa = 8,9) não provoca uma boa anestesia
em regiões inflamadas (pH ácido)?

Observando a tabela e a fórmula,
tem-se:

Ácido Fraco

Base Fraca

pH < pKa

NeutropH < pKaIonizado
pH > pKaIonizadopH > pKaNeutro

Log [HA] / [A⁻] = pKa - pH

Como a lidocaína é uma base fraca,
com pKa (8,9) e o meio é uma região
inflamada de pH ácido, ambos
fornecidos pelo enunciado, ao
analisá-los, observa-se que o
pH(meio)
> pKa(lidocaína), a partir

daí, consulta-se a tabela e afirma-se
que a lidocaína, neste meio, possui
maior fração ionizada, já que quanto
menor o pH, mais fração ionizada
estará presente no meio, consequen-
temente, será menos absorvida, pois
somente a fração neutra do fármaco
(lidocaína em questão) sofre difusão
passiva simples, sendo então
absorvido, é por isto, que o grau de
ionização de um fármaco depende
não somente do pKa deste fármaco,
mas também o pH do meio;

A reabsorção de um fármaco
ou metabólito ativo a partir do
intestino, após ser excretado pelo
fígado, podem ocorrem sem alteração
nenhuma ou o fígado pode gerar
metabólitos ativos que são, então,
excretados na bile e como ela é
reabsorvida durante a digestão, o
fármaco ou o metabólito ativo é
reabsorvido também, resultando em
um aumento em sua duração de ação.

Fatores que alteram: absorção

Qualquer que seja o modo de
absorção de uma droga, é necessário
que ela se dissolva, pelo menos
parcialmente, pois substâncias total-
mente insolúveis, não são absorvidas
e diversos fatores influenciam a
absorção, tais como:

- Polaridade do fármaco e pH
do meio –
a maior parte dos fármacos
são bases ou ácidos fracos presentes
em solução na forma ionizada e não-
ionizada. A forma não ionizada é
lipossolúvel e pode atravessar a
membrana, o que não acontece com a
forma ionizada. A distribuição de um
eletrólito fraco através da membrana e
por seu pKa (quanto mais baixo for o

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pKa, mais forte é o ácido e quanto
mais alto, mais forte é a base). Assim,
um fármaco ácido irá, em equilíbrio,
se acumular no lado mais básico da
membrana, o oposto servindo também
para as bases – fenômeno denomi-
nado “aprisionamento iônico”;
- Solubilidade – para que um
fármaco seja absorvido com facili-
dade, ele deve ser lipossolúvel,

contudo, com alguma hidrossolu-
bilidade, para que assim, possa ser
dissolvido em soluções aquosas;

- Estabilidade química –

alguns fármacos são instáveis no pH
gástrico ou são destruídos por
enzimas digestivas;

- Tipos de formulação de
medicamentos –
o tamanho das partí-

Farmacologia I – CBM 343 – Gama Filho – Rômulo
Piloni – CAP 07

culas em que a droga é administrada,
além da forma farmacêutica, inflem
na facilidade da dissolução, portanto,
na velocidade de absorção;
- Concentração – os fármacos
administrados em soluções altamente
concentradas são absorvidos mais
rapidamente do que aqueles em
soluções de baixa concentração;

- Circulação no local da
administração –
o aumento do fluxo
sanguíneo potencializa a velocidade
de absorção, em processos passivos,
não há interferência ativa das
membranas e nem gasto de energia
(exemplo: difusão lipídica, difusão
aquosa), já nos processos ativos, há
interferência das membranas e gasto
de energia (exemplo: transporte ativo
e transporte vesicular – pinocitose e
fagocitose);

BIODISPONIBILIDADE

É a fração do fármaco
administrado que alcança a circulação
sistêmica quimicamente inalterada, ou
seja, é a fração de fármaco que atinge
o seu local de ação ou fluido
biológico, a partir do qual o fármaco
tem acesso ao seu local de ação,
sendo assim, se 100 mg de um certo

fármaco são administrados por via
oral e 70 mg chegam inalterados ao
sangue, sua biodisponibilidade é de
70%.
Na administração via intrave-
nosa, 100% do fármaco adminis-
trado atinge o plasma.
Analisando-
se as concentrações plasmáticas
contra o tempo, em um gráfico, pode-
se calcular a área sob a curva (ASC),
que reflete a extensão da absorção do
fármaco.

O percentual de biodisponibi-
lidade depende da taxa de absorção
do fármaco e quanto do mesmo é
metabolizado antes de chegar à
circulação sistêmica, levando em
consideração fatores de absorção e
metabolização. Várias enzimas po-
dem inativar o fármaco ainda na
parede intestinal e também no fígado,
estes fatores que limitam a absorção,
também irão limitar a biodisponibi-
lidade.

METABOLISMO HEPÁTI-
CO DE PRIMEIRA PASSAGEM –

é a passagem do fármaco pelo fígado
através da circulação porta, após ter
sido absorvido pelo trato
gastrintestinal e antes de atingir a
circulação sistêmica, sofrendo extensa
biotransformação e limitando consi-

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deravelmente sua biodisponibilidade,
contudo, há casos em que a
capacidade metabólica do fígado pode
sofrer alterações, gerando variações
na biodisponibilidade: quando há
redução no fluxo sanguíneo hepático,
como por exemplo na cirrose hepática
ou no uso de β-bloqueadores,
aumentando, com isto, a biodispo-
nibilidade; quando há diminuição na
atividade metabólica das enzimas

hepáticas, como na insuficiência
hepática ou com o uso de fármacos
inibidores das enzimas do metabo-
lismo hepático, havendo também um
aumento da biodisponibilidade;
quando há fármacos, como os
barbitúrios, que aumentam a atividade
de enzimas metabólicas do fígado,
diminuindo, assim, a biodisponibili-
dade.

Farmacologia I – CBM 343 – Gama Filho – Rômulo
Piloni – CAP 07

BIOEQUIVALÊNCIA

O conceito de biodisponibilida-
de é conveniente para se fazer
generalizações, porém quando se
tenta utilizá-lo com uma precisão
numérica, há grandes falhas. A razão
disso é que se trata de um conceito
que não depende somente do fármaco,
mas será afetado também por
variações no pH estomacal, nas
atividades da parede intestinal e do
fígado, ou seja, varia muito de
indivíduo para indivíduo. Além disso,
é um conceito falho por não levar em
conta a velocidade de absorção,
portanto, a não ser que a meta-
bolização e a excreção de determi-
nada droga aumente na proporção

necessária, se essa droga for
absorvida rapidamente, ela atingirá
uma concentração plasmática mais
elevada, causando um efeito maior do
que se fosse absorvida lentamente.
Por estas razões, quando se quer, por
exemplo, licenciar produtos genéricos
a produtos já comercializados, utiliza-
se a bioequivalência. Para que sejam
bioequivalentes, devem apresentar as
seguintes características: mesmas
áreas sob a curva (concentração x
tempo) após a administração de
formulações diferentes, concentração
plasmática máxima equivalentes e
tempo para atingir essas
concentrações.

- Bioinequivalência – quando
dois fármacos não são bioequiva-
lentes;

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Farmacologia I – CBM 343 – Gama Filho – Rômulo
Piloni – CAP 08

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