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ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA E A

MUDANÇA DE PARADIGMA NAS RELAÇÕES DE


AJUDA

“Rogers: ética humanista e psicoterapia”


Mauro Martins Amatuzzi
Ed. Alínea – 2010

“Por uma Psicologia Humana”


Mauro Martins Amatuzzi
Ed. Alínea - 2001
Humanismo
Movimento de retorno à cultura greco-latina clássica,
surgido no período do Renascimento, nos séculos XV e
XVI.

O humano concebido como fim último de uma


determinada teoria de conhecimento, abordagem ou
postura ética é um denominador comum presente nas
diversas acepções sobre o “Humanismo”.

“O humanismo surge então como um questionamento,


uma procura pelo sentido de ser deste homem. É um
esforço contínuo pela compreensão de sua totalidade,
pela sua consideração integral” (HOLANDA, 1998, p.21).
Sentido do Humanismo na Psicologia

Reviravolta de perspectivas do homem-resultado para o


homem-atual (AMATUZZI, 2001);

O ser humano tem que ser captado no seu movimento;


só pode ser captado movimentando-se, inserindo-se
num processo;

É o de nos colocarmos na postura do atual, do presente,


do atuante, do em curso.
Psicologia Humanista
 Reação às faltas de respostas aos problemas
vivenciais do ser humano, norte-americano, do pós-
guerra (décadas 50-60) pelas psicologias dominantes.
 Crítica à atitude científica tradicional.
 Ponto em comum de diferentes teorias consideradas
humanistas: uma atitude, com posicionamentos e
compromissos.
 De acordo com Rogers (1983) a identificação da ACP
com a psicologia humanista está baseada na sua
advocacia pela dignidade e valor da pessoa na sua
busca pelo crescimento.
“(...) O que Rogers trouxe não foi uma nova técnica para
a mesma finalidade. Ele trouxe outra finalidade. Ele não
descobriu um procedimento mais eficaz para solucionar o
problema das pessoas: ele mudou o modo de conceber
os problemas e a relação de ajuda. Nesse sentido, sua
contribuição não foi tecnológica, mas ética: ele não
trouxe meios novos, mas fins novos. Mudança de
paradigma” (AMATUZZI, 2010, p.13).
Pressuposto determinista

- Ser humano pensado como algum tipo de mecanismo.


- Ações humanas determinadas por causas identificáveis
e manipuláveis.
- Referências:
- Base do atendimento – diagnóstico – olhar analítico da
situação;
- Atendimento – estratégias de intervenção – visando
direcionar a ação; os efeitos são esperados como
consequências naturais;
- Pesquisas – Ligações genéricas de causalidade;
quantificação da distribuição de determinado fenômeno
em determinado campo.
(AMATUZZI, 2010, p. 16-17)
Pressuposto de autonomia

- Ser humano possui algum poder sobre as


determinações que o afetam, que é mais relevante para o
seu desenvolvimento do que essas determinações.
- Ações humanas baseadas na autonomia crescente da
pessoa e na fecundidade da relação inter-humana.
- Referências:
- Base do atendimento – tendência inata à atualização, ao
crescimento (# Diagnóstico);
- Atendimento – relação aberta e centrada na pessoa (#
estratégias de intervenção);
- Pesquisas – “... Qualitativas, descritivas de vivências
subjetivas, buscando explicitar seus significados
potenciais em relação a algum contexto”.
(p.17-18)
“Uma visão do ser humano, que se apoie na percepção
de um valor original e único da pessoa, é uma visão ética
e tem repercussões práticas na vida das relações
pessoais, sociais e até políticas” (p.19).

“(...) A abordagem centrada na pessoa é muito mais uma


ética que uma técnica” (p.21).

“(...) As disposições [ou atitudes] são anteriores aos


comportamentos e, de certa forma, os determinam. Por
uma disposição, uma atitude, um valor é que nos
inclinamos numa determinada direção” (p.21).

“(...) A consistência última da ACP não está no nível de


sua utilidade ou mesmo de sua eficácia, mas no nível do
seu valor. Se não tenho sensibilidade para valores,
jamais entenderei a abordagem centrada na pessoa; a
não ser que a entenda como técnica” (p.23).
Modo de ser – valores, atitudes (ética)

Aspectos concretos das diferentes


situações (contexto)

Modo de fazer – procedimentos,


comportamentos (técnica)
Características do modo de ser da ACP (WOOD,1994):

1. Uma perspectiva de vida de modo geral positiva –


Crença na vida, anterior à toda ciência e ideologia.
2. Uma crença numa tendência formativa direcional –
Processo criativo e não desintegrativo que envolve
todas as formas de vida, na qual o ser humano faz parte.
Pode estar bloqueada, impedida de atuar conforme o
contexto específico.
3. Uma intenção de ser eficaz – Compromisso com a
mudança, com a ação eficaz.
4. Um respeito pelo indivíduo e por sua autonomia e
dignidade – Disposição de atuar em conjunto com
outro(s) ser(es) humano(s).
Características do modo de ser da ACP (WOOD,1994):

5. Uma flexibilidade de pensamento e ação – Capacidade


de acolhimento do diferente, de se deixar transformar
pelo convívio.
6. Uma tolerância quanto às incertezas ou ambiguidades –
Capacidade de viver numa situação caótica até que fatos
suficientes se acumulem para ser possível abstrair-se
um sentido deles.
7. Senso de humor, humildade e curiosidade – Abertura ao
desconhecido, capacidade de rir dos limites de si
mesmo, disponibilidade a caminhos inesperados.
(p.39-44)
“... a ACP é uma maneira de ser que permite um
determinado olhar e gera uma maneira de fazer. Só que
esta maneira de fazer não está nela predefinida, a não ser
quanto às orientações gerais. Cada maneira de fazer
precisa ser gerada, sob a influência da abordagem, sim,
mas considerando os aspectos concretos das diversas
situações”.
(p.58)

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