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OS BENEFICIOS DOS JOGOS COOPERATIVOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

ENSAIO

Os Benefícios dos Jogos Cooperativos na Educação Fí sica Escolar

Autor: Sheila Machado. Orientadora: Marinês Ramos.

RESUMO Este ensaio tem como objetivo refletir sobre os benefício dos Jogos Cooperativos na Educação Física Escolar

INTRODUÇÃO .

agressividade e exacerbação da competitivi dade dos jogos ocidentais. porém tenta estabelecer uma relação desses jogos com a natureza. no envolvimento e na diversão. Podemos oferecer a alternativa da solidariedade e do senso crítico diante do egoísmo e da resignação" (p. Ao falarmos sobre Jogos Cooperativos. Oliveras (1998) apresenta os Jogos Cooperativos destacando as mesmas caracteristicas que Brown (1995). "uma de nossas tarefas é educar para não aceitar passivamente a injustiça [.] como educadores temos que transmitir outros valores.123). evitar a eliminação dos mais fracos. menos habilidosos etc. Para esse pesquisador .´O objetivo primordial dos jogos cooperativos é criar oportunidades para o aprendizado cooperativo e a interação cooperativa prazerosa (Orlick. tendo como propósito mudar as características de exclusão. mais lentos.. implícita ou explícita. os Jogos Co operativos não são manifestações culturais recentes.2002) . A essência dos Jogos Cooperativos ³começou há milhares de anos. pois buscam evitar condutas de agressão. quando membros das comunidades tribais. exigindo colaboração. apud Brotto. permitindo a flexibilização das regras e mudando a rigidez das mesmas facilita -se a participação e a criação. seletividade. Com essa perspectiva os Jogos Cooperativos ganham uma visão e um papel transformador. libertam da eliminação. em alguns jogos. aproximando -se das abordagens críticoemancipadoras da Educação Física Escolar. 1989. 31). Partindo do trabalho de Terry Orlick. abre espaço para integrá -los com a temática do meio . nem tampouco uma invenção moderna. surgem novos trabalhos sobre Jogos Cooperativos que permitem identificar muitas possibilidades para a abordagem dos mesmos no contexto escolar. liberta m da agressão física. eliminando a pressão de ganhar ou perder produzida pela competição.REFERENCIAL TEÓRICO Jogos Cooperativos: principais referê ncias. na aceitação.. se uniam para celebrar a vida´ (Orlick. 2002. que encontra uma forte relação do jogo cooperati vo ou competitivo com as questões políticas das classes socialmente desfavorecidas. p. Uma delas é a perspectiva política trazida por Brown (1995). pois o interesse se volta para a participação. Terry Orlick torna-se a principal referência em estudos e trabalhos sobre esse tema (BROTTO.47). Apresenta os Jogos Cooperativos como atividade física essencialmente baseada na cooperação.. Para ele. Ao relacionar os Jogos Cooperativos com a natureza. São jogos baseados em atividades com mais oportunidade s de diversão que procuram evitar as violações físicas e psicológicas. pois criar significa construir. libertam para criar. culturais e morais. Orlick (1989) apud Brotto (2002 ) faz uma arqueologia para mostrar como os jogos perpetuados por determinadas sociedades refletem e repassam valores éticos. p. pois procura incluir e integrar todos. Destaca a importância dos Jogos Cooperativos porque libertam da competição.

2001. a auto -estima. entusiasmo e continuidade" (p. ou seja. 2003). re -creação. não só para a EF escolar. Nesse sentido. se somos obrigados a admitir. Procurando fazer uma interface dos Jogos Cooperativos com a Pedagogia do Esporte. tais como: as emoções. porém diminuindo a exacerbação do mito da competição. os Jogos Cooperativos são introduzidos como uma forma de intervenção. a necessidade de conhecimento e as condutas comportamentais. Callado propõe "potencializar a prática de jogos cooperativos" (Callado. p. as crianças se beneficiam física e psicologicamente das atividades. relacionando Jogos Cooperativos e saúde. a aprendizagem. como Lovisolo (2001) que a competição é inseparável do esporte? Existem aqueles que defendem a cooperação intra -time (Devide. Calado (2001) está incluindo os J ogos Cooperativos em uma nova concepção. que surge de uma inter-relação das características específicas da área com os princípios filosóficos de um projeto maior chamado "Educação para a Paz". Salvador e Trotte (2001) elegeram os Jogos Cooperativos como atividade para proporcionar aos alunos a oportunidade de vivenciarem e experimentarem a possibilidade de algumas mudanças comportamentais em relação ao contexto e à realidade em que viviam. "caracterizando-os como um exercício de convivência fundamental para o desenvolvimento pessoal e para a transformação. 40). Com essa forma de abordar o esporte. a "Educação Física para a Paz". Ao participar de jogos. pois considera que a cooperação se aprende cooperando. Brotto (2002) propõe uma mudança para tornar o esporte menos competitivo e excludente. na convivência e no jogar. paz-ciência. liberdade. Essa nova abordagem. 3). contribuindo para preservar sua saúde. respeito mútuo. porém quando assistimos a uma partida de vôlei ou futebol não observamos as equipes criando estratégias para cooperarem com a vitória dos seus .3). nas aulas de Educação Física as formas de relações de poder reproduzidas nas regras.ambiente e da ecologia em projetos que venham a ser desenvolvidos na escola. sob uma abordagem multifatorial e holística. o relacionamento pessoal. confiança. vai ao encontro da perspectiva multifatorial da promoção da saúde defendida por Farinatti e Ferreira (2006) para a Educação Física Escolar. essa concepção estimula uma boa polêmica e um grande desafio para novos estudos: como desenvolver a cooperação entre duas equipes ou dois adversários. Em nosso entendimento. A proposição do autor é fazer dos Jogos Cooperativos uma pedagogia para o esporte e para a vida. mas para a Educação como um todo. diálogo. Eis um grande desafio. Descreve também as características de uma "Ética Cooperativa: con-tato. encontra -se a possibilidade de trabalhar um conteúdo de forte apelo de alunos e professores. Carlson (1999) vê nos Jogos Cooperativos um caminho para melhorar a saúde. que envolve diversos aspectos relacionados com a saúde individual. Encontraram nos J ogos Cooperativos uma forma de discutir." (p.

p. O dicionário classifica jogo como brinquedo. são explorados e experimentados pelas crianças durante a realização deste tipo de atividade que é. cognitivos e motores entre outros. O que são Jogos Cooperativos . p. que os alunos possam se autoavaliar qu anto ao seu desempenho e que todos os jogadores possam participar ativamente do início ao fim do jogo (1991. (Huizinga. filosóficas. Vemos com isso que a resposta a essa questão não será simples e envolverá discussões éticas. oposto s e cooperativos (Kamii e Devries. Por outro lado. 5). puro e isoladamente. que representam mais do que apenas atividades lúdico esportivas. Kamii e Devries caracterizam um bom jogo em grupo sob a visão de seus processos educacionais como sendo interessante e desafiador para as crianças. uma vez que o mesmo está susceptível às transformações históricas e sociais. 990).. isto é. um momento de descontração e alegria para elas.) o jogo é mais do que um fenômeno fisiológico ou um reflexo psicológico. tentando sempre realizar uma comparação com os jogos competitivos para entendermos melhor seus processos.. 1991. divertimento. JOGOS COOPERATIVOS: A POSSIBILIDADE DA INCLUSÃO Para a maioria das pessoas os jogos são atividades que tem por característica o ato de brincar. encerra um determinado sentido. na maioria das vezes.adversários. Aspectos culturais. Seguindo esta linha. políticos. 03) Intrínseco aos jogos estão os jogos em grupo. 1996. políticas e pedagógicas que extrapolam as delimitações desse artigo. p. sociais. 04). eles são classificados como aqueles em que as crianças jogam juntas de acordo com uma regra pré estabelecida que especifique: (1) algum clímax preestabelecido (ou uma série deles) a ser alcançado e (2) o que cada jogador deveria tentar fazer em papéis que são interdependentes. Ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica. É uma função significante. Korsakas e De Rose Jr. Sendo assim. p. (2002) ressaltam a necessidade de refletirmos os atributos filosóficos e pedagógicos do esporte enquanto patrimônio cultural da humanidade e pratica educativa. (. Especificando ainda mais nossos estudos chegamos aos Jogos Cooperativos. Como educadores sabemos que o jogo implica em muitas outras funções no desenvolvimento da criança. Estes jogos possuem valores educacionais s emelhantes aos jogos em grupo mas possuem algumas peculiaridades. essas peculiaridades serão analisadas e discutidas. 1986. passatempo (Aurélio.

mas sim em todo grupo participante. São menos sensíveis as solicitações dos outros. Há maior homogeneidade na quantidade de contribuições e participações. a relação de aj udar-se com maior freqüência coloca os alunos diante das diferenças e ensina -os a lidar com as mesmas.Os jogos cooperativos são atividades alternativas ao mundo competitivo. é em parte consequência da ação dos outros membros. todos os demais integrantes. p. Ajudam-se mutuamente com frequência. A produtividade em termos qualitativos é menor. A especialização de atividades é menor. Situação Cooperativa Situação Competitiva Percebem que o atingimento dos seus objetivos. O quadro abaixo realiza uma boa comparação das situações desenvolvidas nas atividades cooperativas e nas competitivas. 2000. A relação entre aspectos trabalhados nos jogos em grupo e os padrões de percepção/ação desenvolvidos são apresentados na tabela abaixo através da análise de atividades cooperativas e competitivas: . A conquista dos desafios através de ações coletivas desenvolve nos alunos o sentimento de pertencer a um grupo. São mais sensíveis as solicitações dos outros. Este envolvimento não se apresenta apenas nos alunos com melhor desenvolvimento motor. 2000. é incompatível com a obtenção dos objetivos dos demais. para que o objetivo de um deles seja alcança do. 45) Analisando o quadro acima fica evidente que o envolvimento através do jogo cooperativo é muito mais explícito do que nas atividades competitivas. oportunizando a satisfação de todos(BROTTO.2000). A produtividade em termos qualitativos é maior. em que seus objetivos possuem um caráter de solidariedade e não de exclusão. deverão igualmente alcançar seus respectivos objetivos (Deutsch. 38) . Há menor homogeneidade na quantidade de contri buições e participações. apud Brotto. e os mesmos devem ser alcançados de maneira coletiva. (Brotto. p. a valorização da ação de cada indivíduo em prol de um resultado coletivo valoriza e encoraja os alunos. Ajudam-se mutuamente com menor freqüência. Percebem que o atingimento de seus objetivos. A situação cooperativa é aquela em que os objetivos do indivíduo são de tal ordem que. A especialização de atividades é maior. As metas e os resultados são estimulados através de desafios.

do que a cooperação. Como exemplo disto podemos citar itens como o objetivo de ganhar . atenção Sucesso compartilhado Vontade de jogando. juntos. o sucesso compartilhado com resultado. p.54) Diante disto é possível observar algumas características específicas desenvolvidas por estas atividades...com Ativação.que são fundamentais para a harmonia e eficácia. com alguém. os alunos tem a oportunidade de vivenciar o jogo com maior prazer e satisfação.. já que para cada um o jogo é um camin ho de co- . apud Brotto... rivalidade Jogar..inimigo Dependência. 46) A soma de todos esses fatores não excludentes e cooperativos determina um resultado fundamental para nós educadores: a possibilidade de desenvolvimento é muito mais elevado para todas as crianças que participam das atividades. há uma indicação que a competição produza maior insegurança pessoal (expectativa de hostilidade por parte de outros). amigo com o outro. stress Ilusão de vitória individual continuar Acabar logo com o jogo Medo Raiva.p. juntos Parceiro. ao invés de comparações. do outro Adversário. parece desaparecer quando os seus membros se vêm em situação de competir para a obtenção de objetivos mutuamente exclusivos. parceria Jogar. a relação de parceiro. a coordenação de esforços. A intercomunicação de idéias. Amor Alegria.contra Tensão... amigo Interdependência.Visão de jogo Objetivo O outro Relação Ação Clima de jogo Resultado Consequência Motivação Sentimentos Símbolo Cooperação Possível para todos.. (Deutsch.comunhão Ponte Competição Parece possível só para um. Por enfatizar os resultados através de desafios. a vontade de conti nuar jogando entre outros. Ademais. a ação de jogar ... a amizade e o orgulho de por pertencer ao grupo. 2000..solidão Obstáculo (Brotto...2000. Ganhar . Ganhar .

queremos torná-la mais expressiva. apud Vago. essas turmas são uma grande oportunidade de propiciar aos alunos a prática de inúmeras manifestações. de sua cultura corporal . propiciando aos alun os oportunidade de vivenciarem os mais diversos gestos. Desejamos que os alunos sejam capazes de realizar as atividades propostas a sua maneira. 1995. O professor deve trabalhar seus alunos de maneira que as diferenças não representem empecilhos para uma convivência harmoniosa do grupo. o que pretendemos trabalhar com este tipo de jogos? Através dos Jogos Cooperativos pretendemos trabalhar o aspecto da corporeidade no seu real significado. ou seja.65) Mas afinal. cultura corporal (Coletivo de Autores. p. não pretendemos destruir a imagem do homem. p. simplesmente devolver ao homem a sua originalidade primordial (1996. original. e devem ser aproveitadas na forma de organização do ensino. p. Para Vago estas particularidades devem ser consideradas pelo professor de Educação Física como uma diversificação cultural presente em sua aula. pelo contrário. . Manifestações estas que representam a essência de nossa profissão e podem ser classificadas como cultura física (Betti. p. 1995. Ensinar e aprender diversas culturas corporais. expressões e movimentos. um verdadeiro patrimônio lúdico da humanidade (1995. mas tendo a preocupação com a sua originalidade.(Orlick. 69) nas aulas de Educação Física. que os movimentos sejam autênticos. apud Brotto. apud Vago. p. muito pelo contrário. 69). essas diferenças representam as riquezas culturais. e que possam aprender novas alternativas através da maneira de seus colegas. Como relata Santin. É importante ressaltar que cada ser humano apresenta individualidades específicas. sem a necessidade da padronização e /ou classificação de movimentos. das vivências experimentadas. Essa originalidade é desenvolvida através da história de vida. 93). criativos. Ensejar a possibilidade de se relacionar com seus colegas e consigo mesmo através do corpo. 69).evolução. A presença de turmas heterogêneas em nossas aulas deve ser valorizada. Dentro desta perspectiva devemos incentivar as mais diversas vivências sem classificá-las como certas ou erradas.

suas idéias e sugestões devem ser discutidas e aceitas ou não pelo grupo. pai e filho. 1991. Devemos ensinar nossos alunos a gostarem de seu próprio corpo e o de seus colegas. que reduza o poder do adulto. o professor pode intervir como um jogador. 1991. ele torna-se um participante no mesmo nível de seus alunos. Os jogos em grupo são excelentes oportunidades de discussão e interação entre os alunos. mas não esquecendo nunca de sua função de organizador e condutor do grupo. Devemos apresentar as diferenças existentes em nossos corpos (tanto entre os alunos como entre professor e aluno. p. expressando-se de maneira natural e autêntica. 291). Sua relação com os alunos. sua metodologia e sua postura propiciarão condições para o desenvolvimento máximo de sua turma. p. p. É importantíssimo que o professor reduza o seu poder tanto quanto possível. mas sim as atitudes tomadas pelo mesmo. o que ocasiona reflexão e interação entre as crianças. As relações que o professor estabelece com seus alunos refletem e caracterizam o comportamento de sua turma. Não importa o tipo de jogo que o professor sugere. ou seja.O que almejamos é que as aulas de Educação Física representem momentos marcantes na vida de nossos alunos. classificação ou discriminação. a tomada de decisões deve ser feita por parte dos mesmos. etc) e que através delas poderemos aprender e crescer juntos . O encorajamento dessas iniciativas estimula a autonomia intelectual e social da criança (Kamii e Devries. . Segundo Piaget existem dois princípios básicos de ensino que o professor deve analisar no momento da elaboração de suas aulas: que os jogos sejam modificados a fim de se ajustarem à maneira como a criança pensa. Como participante e igualmente ³submisso´ as regras do jogo. A participação do professor como jogador é uma das melhores maneiras de encorajar seus alunos. encoraje a cooperação entre elas e ajude -as a chegar a suas próprias decisões (Kamii e Devries. O professor tem papel importantíssimo no sucesso de seus alunos. Sendo assim. eliminando qualquer tipo de inibição. 1991. dê tempo às crianças. e que a autoridade do adulto seja reduzida tanto quanto possível (apud Kamii e Devries. 287) . 292). Que através da alegria do lúdico seja possível oportunizar a possibilidade de vivenciarem os mais diversos padrões de movimento e interagirem consigo mesm os e com o grupo.

resolvendo problemas (Darido. valorização de resultados. Nosso poder adulto é tão natural e nossas concepções empiristas sobre aprendizagem são tão inconscientes e fortes que freqüentemente fazemos coisas autoritariamente.. mas pela execução do que se faz ou do que se sabe (Santin. (Kamii e Devries. os mesmos não terão condições de assimilar aspectos como solidariedade. p. Se o professor elaborar uma aula com características cooperativas mas incentivar seus alunos através de aspectos competitivos. Por último devemos refletir sobre a postura do professor frente as atividades cooperativas.) O aluno constrói o seu conhecimento a par tir da interação com o meio. p. alegria. criatividade.) jogamos de acordo com a visão que temos do jogo e que dependendo dessa percepção escolhemos um estilo ou outro para jogar (Brotto. Portanto o mesmo deve ser introduzido de maneira clara e breve para assim os alunos interpretarem e utilizarem as regras durante a sua realização. 1992. apesar de nossas melhores intenções. e mais trata-se de um aprendizado que não é medido e calculado pelo resultado. atitudes.. Na análise de Darido (1998) o jogo tem papel importantíssimo na metodologia construtivista e é considerado o principal modo de ensinar. A linha de ensino que mais se aplica a este tipo de jogos é a Construtivista. (. 1991.A metodologia que o professor deve aplicar em uma aula com jogos cooperativos deve conter algumas características específicas para se alcançar os objetivos destes jogos. ou seja.. 2000. 293) Aspectos como formas de motivação. O professor deve se auto -avaliar frente a maneira com que conduz sua aula. construção dos valores. p. 61). A descoberta de objetivos intrínsecos e ocultos são características dos jogos cooperativos. pois valoriza as experiências de seus alunos. entre outros fatores determinarão a compreensão por parte dos alunos dos verdadeiros objetivos dos jogos cooperativos. 24). entre outros fatores que correspondem aos princípios destas atividades. 1998. . a sua cultura (. 61). Este é um aspecto importante para o su cesso deste tipo de jogos.. p.

não o retomaremos. o mais concreto. Tornar-se humano é tornar-se individual. pois a hegemonia das ciências biológicas nas explicações do corpo. Conforme Daolio (1994). mesmo inconsciente desse processo. Corpo e movimento continuam sendo conceitos centrais para a Educação Física. segundo Rodrigues (apud Daolio. 36). Sensível a esta nova leitura é que os Parâmetros Curriculares . 1994). é portador de especificidades culturais no seu corpo.Educação Física Escolar O histórico da Educação Física revela uma trajetória de heteronomia subordinada a interesses externos ao estabelecimento escolar e que variam com as mudanças sociais. essa tarefa parece estar sendo dividida com conhecimentos provindos de áreas como a antropologia social. Atualmente. abordar este componente curricular a partir de concepções culturais. da atividade física e do esporte parecia inquebrantável. Parecia improvável. porém. ³o mais natural. entre outras. que é. individualidade esta que se concretiza no e por meio do corpo. Isso não significa que ignoramos o passado e suas determinações. Dado o fato de existir um significativo conjunto de referências bibliográfi cas abordando esse processo histórico. cada sociedade se expressa diferentemente por meio de corpos diferentes. a sociologia. porém. Assim. três décadas atrás. em como desdobrar tal feito efetivamente no âmbito das intervenções pedagógicas. agora. Todo homem. o primeiro e o mais normal patrimônio que o homem possui´ (p. a grande dificuldade parece residir. podemos afirmar que a Educação Física trabalha com conteúdos culturais. a história. hoje torna-se possível discutir o corpo como uma construção cultural e o movimento como expressão da complexidade humana. a ciência política. pois aprendemos e compreendemos a Educação Física atual através dele e é a partir dele que visualizamos possíveis caminhos a serem percorridos por esse componente curricular.

Nacionais reconheceram como situada no âmbito da Cultura Corporal os inúmeros conhecimentos e representações1 que passaram a constituir-se em potencial conteúdo a ser tematizado pelo agora componente curricular Educação Física (PCNs. as atividades expressivas. pode . Segundo a concepção de Sacristán e Gómez (2000). tais como o jogo. continua sendo o de educar.. exercendo a função essencial de transmitir parte do patrimônio cultural de uma geração para outra.] na tensão dialética entre reprodução e mudança. com características lúdicas. conhecimentos. por seus conteúdos. as ginásticas.. suas formas e seus sistemas de organização. Apesar dessa situação constante de críticas e questionamentos. Deste modo. Nesse processo complexo. 2001). a escola acaba se tornando um espaço que recebe muitas críticas. Essa função educativa está ligada [. oferecendo uma contribuição complicada. Algumas dessas produções da cultura corporal foram efetivamente incorporadas pela Educação Física em seus conteúdos. de diversas culturas humanas. mas específica: utilizar o conhecimento. até as práticas pedagógicas desenvolvidas nas salas de aula (Souza Júnior. como ferramenta de análise para compreender. entre outros. o objetivo da escola. explicitando o sentido das influências que o indivíduo recebe na escola e na sociedade. A escola é uma instituição de fundamental importância na sociedade atual. o verdadeiro sentido das influências de socialização e os mecanismos explícitos ou disfarçados que se utilizam para sua interiorização pelas novas gerações. quanto à sua organização de forma geral. passando pelos seus projetos. o esporte. a escola proporciona aos al unos. concepções. 1999). também social e historicamente construído e condicionado. disposições e modos de conduta que a sociedade adulta requer. como um todo. para além das aparências superficiais do status quo real ± assumido como natural pela ideologia dominante ± . tendo em comum a representação corporal. paulatina e progressivamente. a apropriação de idéias.

[.] caracteriza-se no Brasil um movimento de ³repedagogização´ da teorização em Educação Física. com pontos muitas vezes divergentes. fundamentada em diálogo com as Ciências Humanas e Sociais. o entendimento de Educação Física é remetido a uma prática pedagógica. embora contenham enfoques científicos diferenciados entre si.. sociológicas e concepções filosóficas. No entanto.oferecer àquela. 66) reclama do fato de que ³sempre se privilegiou o entendimento da Educação Física enquanto profissão negligenciando-a enquanto disciplina acadêmica. efetuado por in termédio do discurso pedagógico. espaços adequados de relativa autonomia para a construção sempre complexa e condicionada do indivíduo adulto (Sacristán. primeiro enquanto prática pedagógica é fundamental para o reconhecimento do tipo de conhecimento. têm em comum a busca de uma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do ser humano. Todas essas correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para a área e aproximado-a das ciências humanas e. 66).] que não há antagonismo. Gómez. mas. 2000. Tani (apud Bracht. sugerindo algum tipo de antagonismo´.. segundo Bracht (1999)... p. Sendo a escola um espaço para tratar do conhecimento produzido pelo homem e com a Educação Física inserida nesse contexto. Já Bracht entende [. p. 22). reconhecer a Educação Física. que papel ela deve desenvolver no ambiente escolar? Ela possui o caráter de treinamento esportivo ou é uma área que trata da apropriação de conhecimentos acerca da cultura corporal de movimento? Atualmente se concebe a existência de algumas abordagens para a Educação Física escolar no Brasil que resultam da articulação de diferentes teorias psicológicas. a partir do início da década de 80. de saber o necessário para orientá -la e para o reconhecimento do tipo de relação possível/desejável entre a Educação Física e o ³saber científico´ ou as disciplinas científicas (1999. 1999. A partir de então a expressão ³Educação Física´ passa a ter pelo menos dois . p.

ela deve se constituir como uma ação pedagógica com aquela cultura. ao mesmo tempo. com tradição no sabe r-fazer. sob pena de perder a riqueza de sua especificidade. que consiga incorporar o esporte.entendimentos: (i) é uma área de conhecimento (científico). porém. ainda para Betti (1998). Betti (1998) propõe que uma de suas tarefas é preparar o aluno para ser um praticante lúcido e ativo. desenvolvendo uma visão crítica do sistema esportivo profissional e dos instrumentos conceituais e perceptivos para uma apreciação estética e técnica do esporte e. o jogo. para Bracht (1999). Na tentativa de reformulação dos objetivos da Educação Física. buscando fundamentar -se em conhecimentos científicos. Essa ação pedagógica a que se . conforme os PCNs (2001). Porém não é um conhecimento que se possa incorporar dissociado de uma vivência concreta. deve-se levar em conta que a Educação Física possui pelo menos um século e meio de história no mundo ocidental moderno. cabendo a ela ser uma prática de intervenção que tematiza as manifestações da nossa cultura corporal de movimento com uma intenção pedagógica. estar preparado para analisar criticamente as informações que recebe dos meios de comunicação sobre a cultura corporal de movimento. certo tipo de conhecimento. Alerta ainda que ela não pode se transformar em um discurso sobre a cultura corporal de movimento. Isso implica também compreender a organização institucional da cultura corporal em nossa sociedade. oferecidos pelas abordagens dos diferentes componentes curriculares. que a Educação Física também propicia aos alunos. contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. O componente curricular da Educação Física. (ii) é uma prática pedagógica (para alguns. Além disso. restrita à instituição escolar). a dança e as ginásticas em sua vida e tirar o melhor proveito possível deles. é preciso prepará -lo para ser um consumidor do esporte espetáculo. Pode-se dizer. como os outros componentes. tem buscado a formulação de um recorte epistemológico próprio.

na escola. segundo o Coletivo de Autores (1992). dança e ginástica. A dimensão cognitiva será feita sempre sob esse substrato corporal. a Educação Física é uma prática pedagógica que. 1998. O papel da Educação Física é fazer a mediação . É fundamental. A Educação Física escolar não possui a intenção de fazer os alunos aprenderem a repetir gestos estereotipados. etc. com o objetivo de apenas automatizá-los e reproduzi-los. desafios ou necessidades human as. O professor de Educação Física deve auxiliar o aluno a compreender seu sentir e seu relacionar -se na esfera da cultura corporal de movimento (Betti. 2001). esporte. exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e adequada (PCN´s. jogando. tematiza formas de atividades expressivas corporais. restringindo os alunos ao simples exercício de certas habilidades e destrezas.propõe a Educação Física será sempre uma vivência impregnada da corporeidade do sentir e do relacionar -se. É preciso que o aluno entenda que o homem não nasceu pulando. saltando. capacitando o sujeito a refletir sobre suas possibilidade s corporais e. constituindo o que Betti (1994) denominou saber orgânico. arremessando. construindo uma possibilidade autônoma de utilização de seu potencial gestual. no âmbito escolar. Por isso. p. Já. para essa perspectiva da prática pedagógica da Educação Física. com a intenção de proporcionar aos alunos a sua apropriação crítica. mas sim de proporcionar a apropriação do processo de construção de conhecimentos relativos ao corpo e ao movimento. as quais configuram uma área do conhecimen to que podemos chamar de cultura corporal. como jogo. com autonomia. 13). balançando. como respostas a determinados estímulos. o desenvolvimento da noção de historicidade da cultura corporal. segundo o Coletivo de Autores (1992). relacionando organicamente o ³saber movimentar -se´ ao ³saber sobre´ esse movimentar-se. a Educação Física ³recorta´ a cultura corporal de movimento. Todas essas atividades corporais foram construídas em determinadas épocas históricas.

56). levando o sujeito à autonomia crítica no âmbito da cultura corporal de movimento. sendo definida como ³uma disciplina que tem por finalidade propiciar aos alunos a apropriação crítica da cultura corporal de movimento´ (Betti. . p. 2003.simbólica desse saber orgânico para a consciência.

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