LISTA 1 TEXTO I Depois da independência, se não antes, começamos a balbuciar a nossa literatura, pagamos, como era natural, o tributo

à imitação, depois entramos a sentir em nós a alma brasileira, e a vazá-la nos escritos, com a linguagem que aprendemos de nossos pais. Prosseguimos na modesta senda, quando em Portugal principiou a cruzada contra a nossa embrionária e frágil literatura, a ponto de negar-se-lhe até uma individualidade própria. Não era generoso, e não era justo. Basta que a escola dos escritores portugueses, começando pelo príncipe dos seus prosadores, Alexandre Herculano, não se associou à ingrata propaganda. Ainda assim, não reagimos, e nem pensamos em retaliar. No Brasil também se cultiva a crítica; e desde remotas eras Aristarco mostrou que não há superioridade inacessível à censura. Todavia respeitávamos os representantes ilustres da literatura mãe. Enquanto em Portugal, sem darem-se ao trabalho sequer de ler-nos, acusavam-nos de abastardar a língua, e enxovalhar a gramática; nós, ao contrário, apreciando as melhores obras portuguesas, aprendíamos na diversidade dos costumes e da índole a formar essa literatura brasileira, cuja independência mais se pronuncia de ano em ano. É infantil; será incorreta; mas é nossa; é americana. ALENCAR, José de. O nosso cancioneiro. Apud COUTINHO, A. Caminhos do pensamento crítico. Rio de Janeiro /Brasília: Pallas/INL, 1980 p. 188-9 1ª Questão: Ao se referir à literatura portuguesa, no texto I, Alencar emprega o vocábulo "mãe". Por outro lado, referindo-se à nossa literatura, ele utiliza o verbo "balbuciar" e o adjetivo "embrionária". Transcreva integralmente o período em que Alencar emprega um adjetivo de sentido relacionado a "balbuciar" e "embrionária", para qualificar a literatura brasileira. 2ª Questão: Transcreva, do texto I, uma locução verbal em que o auxiliar exprime um processo considerado em sua fase inicial, semelhante a : "começamos a balbuciar". (linha 1) TEXTO II ORGULHO Olha este céu ! E a transparência deste ar ! Olha este sol que é um cacique de brasas com seu escudo polido e seu cocar de raios ! Ouve esta música de asas vibrando sobre este esplendor de passifloras ... Olha esta serra colossal, o arrojo desta cachoeira dando um salto mortal ... Estes frutos que encerram sóis e auroras na sua polpa. Estas madeiras cujo cerne tem a cor das fogueiras, e as maravilhas destas flores fluviais tão grandes como ilhas ... Esta fauna esquisita e bizarra,

estes insetos que são poetas como a cigarra, que são arquitetos como o cupim ... Onde você já viu terra tão linda assim ? Fecho os olhos imerso no esplendor que esta pátria imensa encerra e porque minha terra é a mais bela da terra eu me sinto o maior Poeta do universo ! PICCHIA, Menotti del. Poesias. São Paulo: Martins/Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia, 1978. p.137 3ª Questão: (2,0 pontos)

Transcreva, apenas, os segmentos da primeira estrofe do poema em que há um recurso metafórico para representar a imagem do sol.
4ª Questão: (2,0 pontos) Reescreva o verso "Onde você já viu terra tão linda assim?", empregando o mesmo mecanismo lingüístico de comparação usado nos versos de Gonçalves Dias, abaixo transcritos: Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos

bosques

têm

mais

vida,

5ª Questão: (2,0 pontos) O verbo "olhar" na primeira estrofe está empregado na forma imperativa, segunda pessoa. "Olha este céu ! Olha este sol " Flexione as formas verbais, empregando-as na terceira pessoa do singular. LISTA 2 1a Questão: Toda noite dá vontade de dizer: ‘Esse é o verdadeiro Brasil’. Mas talvez seja mesmo ocioso procurar o país numa só pessoa e num só lugar. Ele é esse e aquele, não esse ou aquele. O que tem de melhor é a variedade. Ele é especial por ser diverso, é singular porque plural. VENTURA, Zuenir. Jornal do Brasil, Caderno B, 27/06/98. p. 10. Leia o fragmento de Mário de Andrade: Fale fala brasileira Que você enxerga bonito Tanta luz nessa capoeira tal e qual numa gupiara. Misturo tudo num saco, Mas gaúcho maranhense Que pára no Mato Grosso, Bate este angu de caroço Ver sopa de caruru ANDRADE, Mário de. Poesias completas. São Paulo: Martins, 1955. p. 333-4. vocabulário capoeira - Terreno em que o mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra ou para outro fim. gupiara - Depósito sedimentoso diamantífero nas cristas dos morros; gorgulho. ver – Como.

caruru - Planta cujas folhas, verdes, são saborosas e nutritivas, e por isso muito usadas na culinária. Agora, formule até três frases completas, estabelecendo a relação entre as duas últimas frases do texto de Zuenir Ventura e o fragmento de Mário de Andrade. 2a Questão: Em português, a relação de causalidade pode ser expressa pela conexão de duas orações em que uma apresenta a causa que acarreta a conseqüência contida na outra. Esta relação pode ser explicitada através de diversas formas estruturais. Transcreva do trecho abaixo a frase que apresenta uma relação de causalidade, expressa por duas formas estruturais diferentes. Toda noite dá vontade de dizer: ‘Esse é o verdadeiro Brasil’. Mas talvez seja mesmo ocioso procurar o país numa só pessoa e num só lugar. Ele é esse e aquele, não esse ou aquele. O que tem de melhor é a variedade. Ele é especial por ser diverso, é singular porque plural. VENTURA, Zuenir. Jornal do Brasil, Caderno B, 27/6/98. p.10. 3a Questão: No trecho abaixo, há relações de comparação que estão lingüisticamente marcadas por formas diferentes. Transcreva os termos correspondentes de apenas uma destas relações de comparação. A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo. Da mesma forma que instituições justas e racionais revelam um povo grande e livre, uma língua pura, nobre e rica anuncia a raça inteligente e ilustrada. ALENCAR, José de. Pós-Escrito. Diva. Rio de Janeiro, Aguilar, 1965, V. Ip. 399,400, 01. 4a Questão: Houve vários modernismos, enfeixados sob a mesma denominação geral e digladiando-se em escolas e manifestos. Houve o modernismo oswaldiano, condensado na teoria antropofágica, mas houve um modernismo folclórico, um modernismo social e nacionalista e um modernismo por assim dizer coloquial, que visava a depor - e conseguiu - o beletrismo da literatura praticada até então. Folha de S.Paulo, Caderno MAIS ! , 28/06/98. p. 6-7. Diga a que tipo de modernismo (“folclórico”, “social” ou “ nacionalista”) se filia o texto abaixo. Justifique sua resposta, em até três frases completas. ........................................................................................... ....................................... Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil. Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar... a conversa dos fazendeiros nos cafezais, a conversa dos mineiros nas galerias de ouro, a conversa dos operários nos fornos de aço a conversa dos garimpeiros, peneirando as bateias,

a conversa dos coronéis nas varandas das roças... Mas o que eu ouço, antes de tudo, nesta hora de sol puro palmas paradas pedras polidas claridades brilhos faíscas cintilações é o canto dos teus berços, Brasil, de todos esses teus berços, onde dorme, com a boca escorrendo leite, moreno, confiante, o homem de amanhã! CARVALHO, Ronald de. Toda a América. Rio de Janeiro: Pimenta de Melo & Cia., 1926. 5a Questão: Compare as opiniões expressas nos textos abaixo e escreva um parágrafo de aproximadamente cinco linhas, estabelecendo relação entre a língua e a nacionalidade. I- A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo. Da mesma forma que instituições justas e racionais revelam um povo grande e livre, uma língua pura, nobre e rica, anuncia a raça inteligente e ilustrada. ALENCAR, José de. Pós-Escrito. Diva. Rio de Janeiro, Aguilar, 1965, V. I, p. 399,400, 01. II- LÍNGUA É VIDA. Faz parte de toda a gama de nossos comportamentos sociais, como comer, morar, vestir-se , etc. Não é uma realidade à parte, algo que se esquece tão logo se saia da sala de aula, das provas, dos concursos. LUFT, Celso Pedro. Língua & liberdade. Porto Alegre: L&PM, 1985. p.74.

III- O Movimento de 1922 não nos deu - nem nos podia dar- uma ‘língua brasileira’, ele incitou os nossos escritores a concederem primazia absoluta aos temas essencialmente brasileiros [...] e a preferirem sempre palavras e construções vivas do português do Brasil a outras, mortas e frias, armazenadas nos dicionários e nos compêndios gramaticais. CUNHA, Celso. Língua portuguesa e realidade brasileira. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1970. LISTA 3 TEXTO I Rio de Janeiro Fios nervos riscos faíscas. As cores nascem e morrem Com impudor violento Onde meu vermelho ? Virou cinza. Passou a boa ! Peço a palavra ! 5 Meus amigos todos estão satisfeitos Com a vida dos outros. Fútil nas sorveterias. 10

Na periferia da globalização. Somos construídos por ela. Vocabulário: 1 “abusão”: engano. na coesão referencial. ronco. No asfalto. as metrópoles subdesenvolvidas concentrarão não apenas população. exerce papel semelhante à do trecho sublinhado no exemplo acima. Essa hipótese tem preocupado os cientistas sociais. Poesia e prosa.. mas também miséria. (v. Nos denuncia naquilo que escondemos. crendice. Construímos nossa cidade. com uma frase completa. 6 e 7)? b) A que estilo de época pertence o texto I ? Justifique sua resposta.) Meu coração vai molemente dentro do táxi. Questão 02 a) Transcreva. dentro do contexto.Pedante nas livrarias. 4a Questão: A coesão referencial pode ser realizada por meio de formas cujo lexema (radical) forneça instrução de sentido que represente uma interpretação de partes antecedentes do texto. regougo de martelos e martírios. meu Deus. como furúnculos maduros. 13) E tantos tantíssimos contos-do-vigário. levados numa escuma onde borbulhas se abrem. apenas a frase em que se utiliza recurso literário semelhante ao empregado nos termos sublinhados dos seguintes versos do texto I: E tantos adultérios também. a cada pergunta abaixo. Carlos Drummond de. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Será necessário coordenar ações locais e iniciativas conjuntas entre cidades de uma mesma região. TEXTO II Uma cidade é uma cidade é uma cidade. já sofrem com congestionamentos.“basalto”: rocha vulcânica. (linhas 11-12) a) Qual o sentido. o mundo dos homens. Exemplo: Imagina-se que. Os urbanistas apontam o planejamento como antídoto para o caos. da expressão sublinhada nos versos “Meus amigos todos estão satisfeitos / Com a vida dos outros. com uma frase completa. ANDRADE. . Na pedreira. Tu tu tu tu tu no meu coração. poluição e violência. do texto II. conservando o mesmo valor sintático da oração e fazendo apenas as alterações necessárias: Será necessário coordenar ações locais e iniciativas conjuntas entre cidades de uma mesma região. Independentemente de tamanho ou localização. virtudes e desterros. nos sufocam. 1988. do texto III. superstição. No basalto domado. 3 – “regougo”: voz da raposa ou qualquer som que a imite. 14) Responda. Ela espelha. agora.11. transportes e saneamento básico adequados.. Crescendo num ritmo veloz. Mas não serão as únicas a enfrentar esses problemas. Onde está a saída. dificilmente conseguirão dar a tantas pessoas habitação. E tantos tantíssimos contos-do-vigário . as cidades vão enfrentar ao menos um desafio comum: o aumento da tensão urbana provocado pela crescente desigualdade entre seus moradores. p. 2 . 1988. Somos construídos por ela.82. E tantos adultérios também. ou a entrada ? PELLEGRINO. Boiamos e nadamos dia e noite. p. Mesmo metrópoles do topo da hierarquia global. A burrice do demônio. como Nova York.” (v. Grande construção. Transcreva. Nos calçadões. empreitada de porte enorme. haverá aumento das tensões urbanas. Questão 01 Responda.. abusões. A mão do homem em toda parte. Rio de Janeiro: Rocco. erro. Uma cidade não é um diamante transparente. Os elos e cordames nos enlaçam.. Mas tantos assassinatos. transformando a oração reduzida em outra iniciada por conectivo. Os governos precisam apostar em parcerias com a iniciativa privada e a sociedade civil. Ela é feita à imagem e semelhança de nosso sangue mais secreto. Hélio. (v. Nas praias nu nu nu nu nu nu . palmo a palmo.. 5a Questão: Reescreva o seguinte fragmento do texto III. com uma frase completa. ilusão. a cada uma das perguntas abaixo: b) c) Como se chama o recurso literário empregado nos termos sublinhados no item anterior? Em que consiste este recurso? 3a Questão: Reescreva as duas frases de acordo com a orientação entre parênteses: Construímos nossa cidade. apenas a expressão que. (voz passiva) b) Explique.. Uma cidade nos revela. onde os veículos veiculam nosso exaspero e desespero. suas contradições. 15 (Este povo quer me passar a perna . o sentido do trecho: Construímos nossa cidade. (linhas 6-7) TEXTO III Qual será o futuro das cidades? As megacidades vão mudar de endereço no próximo milênio. Na rua. no futuro. Milímetro por milímetro. Não há mágica tecnológica à vista capaz de resolver as dificuldades.

Os que decretaram o fim das utopias ignoraram os autores que viram na consciência utópica uma dimensão permanente da condição humana e os que compreenderam a utopia no sentido sociológico.0) Toda noite – tem auroras. 1988. de uma história. proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz. f. 15 Questão 04 Justifique. os homens presentes. 25/06/2000. fantasia. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. considero a enorme realidade. (linhas 14-16) “ Moços.7) Justifique o emprego do imperativo. Entre eles. 2. formulada por minorias e classes sociais descontentes com o status quo. 'não'. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. tópos. criação de Thomas Morus (14801535). 1. o título do poema Mãos Dadas. que descobriu a força e a materialidade do desejo. utopia < gr. Projeto irrealizável. Obra Completa. O segundo grupo inclui autores como Karl Mannheim. nesse sentido. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 3. graças ao qual a humanidade marcha no longo caminho que leva à redenção. A morte e o renascimento das utopias. E eis que a utopia volta à cena. (Aurélio eletrônico. há duas concepções de ‘utopia’.a) Que idéias estão sendo contrapostas no fragmento acima? LISTA 4 b) Transcreva do fragmento acima apenas a locução que introduz a contraposição das idéias. sintetizando Freud e Marx.3) “ Não nos afastemos muito. vamos de mãos dadas. Questão 05 Leia o fragmento abaixo: UTOPIA [Do lat. . A lista inclui. onde um governo. ANDRADE. In: Folha de S. ou seja. como expressão de grupos e estratos marginalizados. para os quais cada ato lingüístico remete necessariamente à utopia da comunicação perfeita. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. Mãos Dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Raios – toda a escuridão. Castro Alves. Caderno MAIS!. ext. que. Transcreva do período acima apenas um exemplo de termo com a mesma função sintática do termo sublinhado. não direi os suspiros ao anoitecer. São Paulo. creiamos.68 Entre os pensadores do primeiro grupo está Freud. que viu na utopia uma reflexão voltada para a superação da sociedade existente. Não nos afastemos muito. disse que a utopia é um ‘sonhar para a frente’. p. País imaginário. não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. Moços. em contraste com a ideologia. O presente é tão grande. ROUANET. 'lugar'. Sérgio Paulo. Não serei o cantor de uma mulher. (linhas 1416). Paulo. -ía. não tarda” (v. + gr. não tarda A aurora da redenção. Mas não temos por que surpreender-nos com isso. mod. em contraste com a ideologia. Poesia e Prosa. Quais são? o a) O fragmento de Castro Alves e o poema de Carlos Drummond de Andrade apresentam verbos no modo imperativo: 2a Questão: Responda às questões sobre o seguinte trecho: O segundo grupo inclui autores como Karl Mannheim. que viu na utopia uma reflexão voltada para a superação da sociedade existente. Jürgen Habermas e Karl-Otto Apel. que tenta legitimar essa sociedade. organizado da melhor maneira. creiamos. vamos de mãos dadas.” (v. quimera. ext. (v. o oÏ. p. Carlos Drummond de. é a antevisão de uma sociedade mais justa. + gr. 3a Questão: O segundo grupo inclui autores como Karl Mannheim. com frases completas. sua capacidade ilimitada de construir mundos imaginários para anular privações reais. 1976. p. figura Ernst Bloch. Entre eles. a paisagem vista da janela. 212 1a Questão: No 2 parágrafo. a concretização do ‘princípio esperança’. o tempo presente. ordem das coisas na qual os homens se relacionam entre si de modo igualitário e nãoviolento. Também não cantarei o mundo futuro. correlacionando as semelhanças temáticas entre os versos destacados. não nos afastemos. versão 3. -ia1). P. que viu na utopia uma reflexão voltada para a superação da sociedade existente. O tempo é a minha matéria. também. a vida presente. Descrição ou representação de qualquer lugar ou situação ideais onde vigorem normas e/ou instituições políticas altamente aperfeiçoadas. que tenta legitimar essa sociedade. Estou preso à vida e olho meus companheiros. sempre presentes em qualquer sociedade. P. A utopia. em contraste com a ideologia. à utopia da comunidade argumentativa ideal.] S. escritor inglês. que tenta legitimar essa sociedade. finalmente.

deve principalmente alimentar-se dos assuntos que lhe oferece a sua região. mesmo que só se dê o exemplo de como botar uma palavra depois da outra e viver disso com alguma dignidade – sem sucumbir às tentações à nossa volta. identificando a classe de palavra a que cada um pertence e qual a relação que estabelecem entre as orações. ó rude e doloroso idioma. que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela . RELICÁRIO No baile da Corte Foi o Conde d’Eu quem disse Pra Dona Benvinda Que farinha de Suruí Pinga de Parati Fumo de Baependi É comê bebê pitá e caí LISTA 6 TEXTO III LÍNGUA PORTUGUESA Última flor do Lácio. a serviço da Pátria. por que só a gramática deve ser respeitável neste país. Só o roceiro miúdo não falou nada. 4a Questão: Nesse fragmento de Castro Alves.. há um verso que apresenta uma característica própria de um uso. consagrado em nossas gramáticas. inculta e bela. lira singela Que tens o trom e o silvo da procela. Que o povo peque contra a linguagem é aceitável. Leo Lynce. que contribuem . dedicarem-se ao neologismo exibicionista. a) Que o povo peque contra a linguagem é aceitável ( Texto I. De escritores profissionais. Tuba de alto clangor. esplendor e sepultura: Ouro nativo. o general falou: – Meio século. Pecadores. Questão 01 Observa-se. com o Brasil às costas. antes de tudo.. O que se deve exigir do escritor. e afinal. se nada mais é? Luís Fernando Veríssimo. à introdução de pronomes em lugares impróprios e ao uso de academicismos para fins antinaturais é visto como devassidão imperdoável. que características da poesia socialmente engajada do Romantismo estão presentes no texto de Castro Alves e no de Carlos Drummond de Andrade. Questão 02 Um texto é um tecido e sua costura se faz através de mecanismos lingüísticos de coesão. O ambiente nos domina. com frases completas. a libertinagem nos chama. uma relação do uso da linguagem com os diversos níveis socioculturais brasileiros.. És. curvado sobre o cabo da enxada. com o qual ele se identifica. Porque não sabia nada. que o cronista se inclui no comentário. E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te. cinco linhas. HISTÓRIA DE UM CRIME Fazem hoje muitos anos Que de uma escura senzala Na estreita e lodosa sala Arquejava ua mulher. aproximadamente. justifique o emprego do “que” sublinhado nos seguintes fragmentos. que conhecem as regras. Porque estava ausente. indiferente.. predominantemente. que o torne homem do seu tempo e do seu país. Mas pessoas educadas. Mas vivemos com relação à gramática como viviam os jesuítas com relação à “gramática”. Considerando aspectos de coesão e coerência. Falaram depois o doutor e o magnata. Outros mais falaram no banquete da vida nacional. e tão prazerosa. senhores. a um tempo. tradicionalmente considerado “pecar contra a gramática”. LISTA 5 Não há dúvida que uma literatura. nos textos I e II. para a moral gramatical. já que ele vive na promiscuidade mesmo. espera-se que mantenham-se corretos e castos a qualquer custo. esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese. como se compartilhasse da opinião de todo um grupo. TEXTO I Tomar liberdades com a língua é uma atividade tão mal vista pelos guardiões da sua virtude como seria tomar liberdades com suas filhas. sobretudo uma literatura nascente. através da mudança de pessoa do discurso. quanto à abordagem do tema. Também não conseguimos. perrengado.b) Explique. 5a Questão: Explique a estilização da escrita das formas do infinitivo. Em que da voz materna ouvi: “meu filho!” TEXTO II NO BANQUETE Do alto dos seus bordados. desconhecida e obscura. linha 2) b) (. ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço. Reescreva esse verso segundo o padrão escrito culto da língua. mas não estabeleçamos doutrinas tão absolutas que a empobreçam.) esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese ( Texto I. é certo sentimento íntimo. principalmente. A poesia de Goiás. linhas 7-8) 3a Questão: Transcreva do texto I uma oração em que se perceba. Amo-te assim. no último verso do poema Relicário de Oswald de Andrade. para realizar sua coerência. Justifique esta afirmativa em.

vai reforçando sua opinião crítica sobre a realidade. os modernistas promoveram uma valorização diferente do léxico. que cantas em mim e para ninguém a noite inteira de sexta e a noite inteira de sábado e nos desconheces. trom: Som de trovão. 2a Questão: Transcreva da primeira estrofe do poema acima dois adjetivos que. conter substâncias economicamente úteis. passa por cima e iguala? As mãos do carpinteiro. Designação comum aos baixos da família dos saxornes. ex.) clangor: Som rijo e estridente como o de certos instrumentos metálicos de sopro. o eu-lírico constrói progressivamente sua visão da realidade: nas estrofes 1.. procela: Tempestade marítima.alimento divino. 2. arrolo: Canto para adormecer crianças. Antônio Cândido e Aderaldo Castelo. comprido e estreito.E em que Camões chorou. no exílio amargo. o estilo retórico e sonoro com que seus antecessores abordavam as coisas mais simples. A vida parou ou foi o automóvel? Carlos Drummond de Andrade E ele.) Atenção . especialmente o saxorne contrabaixo(. O fragmento acima destaca algumas dentre muitas das características do Modernismo. Manuel? Mole como madeira no ferro? Às vezes querendo fingir dureza. constituem exemplo de antítese. O gênio sem ventura e o amor sem brilho! Olavo Bilac. Releia: "Um rebanho nas nuvens? Mas como?" (verso 19) "Um arado no espaço? Será?" (verso 22) Nos versos acima. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO FAVELÁRIO NACIONAL 1. o qual pode. Veiga. Vocabulário Lácio: Região da Itália Central no litoral do mar Tirreno. Explique por quê. trombeta de metal. 5.. como igualmente não te conhecemos? Sei apenas do teu mau cheiro: baixou a mim. Presença da Literatura Brasileira III. ln: SALGADO. só lenheiro faz isso. sem consideração.vocabulário: pomo (penúltimo verso) . tua vida. [Os modernistas] tomaram por temas as coisas quotidianas. descrevendo-as com palavras de todo dia.. José J. a alma do carpinteiro não podem ser mais brutos do que a madeira. 3a Questão: Mesmo quando não procuraram subverter a gramática. paralela à renovação dos assuntos. mas lenheiro é quase igual ao machado que ele . COTA ZERO Stop. A hora dos ruminantes.. tuba: 1. agreste. dois exemplos desse “culto da forma”. 2. justificando. o corpo. telegrama nasal anunciando morte. Entre os romanos. Em madeira não se trabalha batendo com força. p. 1997. em linguagem figurada. 6. tosca / rude. próprio da poética parnasiana. na viração. ganga: Resíduo. basta olhar a cara de um lenheiro para se ver que ele não tem delicadeza nem tato: não precisa. alimento caído do céu Questão 04 No texto. inventando nós que a ferramenta não respeita. Sebastião. em certos casos. 111. direto. Levantados do chão Como então? Desgarrados da terra? Como assim? Levantados do chão? Como embaixo dos pés uma terra Como água escorrendo da mão? Como em sonho correr numa estrada? Deslizando no mesmo lugar? Como em sonho perder a passada E no oco da Terra tombar? Como então? Desgarrados da terra? Como assim? Levantados do chão? Ou na planta dos pés uma terra Como água na palma da mão? Habitar uma lama sem fundo? Como em cama de pó se deitar? Num balanço de rede sem rede Ver o mundo de pernas pro ar? Como assim? Levitante colono? Pasto aéreo? Celeste curral? Um rebanho nas nuvens? Mas como? Boi alado? Alazão sideral? Que esquisita lavoura! Mas como? Um arado no espaço? Será? Choverá que laranja? Que pomo? Gomo? Sumo? Granizo? Maná? (HOLLANDA. Questão: Na poética parnasiana se costuma destacar que “Ela promove o culto da forma em geral”. rápido. Destaque do poema Língua Portuguesa de Olavo Bilac. combatendo a literatura discursiva e pomposa. exprimir a vida diária. Chico Buarque de. Aponte duas características distintas desse momento literário identificadas uma em cada um dos textos seguintes.fruto maná (último verso) . TERRA. favela. nas estrofes 4. formada por um simples tubo reto. O seu desejo principal foi o de serem atuais.Prosopopéia Quem sou eu para te cantar.. como. no entanto. a conjunção adversativa "mas" e o futuro do presente do indicativo são utilizados para enfatizar esse posicionamento crítico. dar estado de literatura aos fatos da civilização moderna. Modernismo. de uma jazida filoniana. silvo: Qualquer som agudo e relativamente prolongado produzido pela passagem do ar comprimido entre membranas que vibram. melhor. com raiva. 1a levanta e abaixa sem dó. apito. a trompa e a trombeta. inculta: Singela. tenta decifrar o significado da imagem "levantados do chão". TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O texto a seguir está publicado em obra dedicada "aos milhares de famílias de brasileiros sem terra". 3. p. em geral não aproveitável. S P: Companhia das Letras. Poesias.

(Coleção Super Prestígio).. Broquéis. . p.. 78 e 81. encravada favela. “Agora que a velhice começa..... Carlos Drummond de. Custa ser irmão.. como prevenção. Mas favela. Gente...” ..Decoro teus nomes.... [.. [.. Transcreva integralmente apenas um verso do fragmento acima em que um pleonasmo expressa crítica irônica. pois moro próximo ao local de infestação de carrapatos estrela no Jardim Eulina.. Eles jorraram na enxurrada entre detritos da grande chuva de janeiro 1966 em noites e dias e pesadelos consecutivos. a saber: a) lírico b) épico c) dramático LISTA 7 Questão 01 Leia os fragmentos do poema “Violões que choram.. erisipela. com suas palavras. de cobra e baseado.. Hélder Câmara... sobretudo.” (D. no jornal Correio Popular de Campinas... São Paulo: Ediouro. Medo de ti. Comprida. Medo de que sintas como sou culpado e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade. Cruz e.. Explique.. tuas perambeiras... envelhecendo.... [.. explicite a figura de linguagem predominante nas estrofes e explique sua função na estética simbolista. depois do caso esmiuçado: “– Nem gosto de lembrar disso. em uma frase completa.. 2002. Faróis e Últimos sonetos. Mate a vontade.109-12.. Sepulcros vivos de senis segredos... preciso aprender com o vinho a melhorar envelhecendo e... detalhada.. Mate à vontade. Empregando a conjunção aditiva e.. vivas. M. Surpreendi-me ainda ao saber que vão esperar o laudo daqui a 15 dias para saber por que ou do que as pessoas morreram..... uma vez que estão em zona urbana? (Carrapatos.. fazendo apenas as alterações necessárias para eliminar a repetição do sufixomente.... Volúpias dos violões.. Não sei subir teus caminhos de rato. em frase completa... Somos desiguais e queremos ser sempre desiguais.] Velhinhas quedas e velhinhos quedos.. saúde pública é coisa séria! Não seria o caso de remanejar esses bichos imediatamente... p. vulcanizadas.”... por que se trata de ironia. cegos. sem modificar o sentido original do verso... Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver nem de tua manha nem de teu olhar... ciao que este nosso papo está ficando tão desagradável Vês que perdi o tom e a empáfia do começo? (ANDRADE. Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos. Minha bisavó – que Deus a tenha em glória – sempre contava e recontava em sentidas recordações de outros tempos a estória de saudade daquele prato azul-pombinho.. Questão 02 A expressão destacada na afirmação abaixo exemplifica uma figura de linguagem. Cegas.. vãs. E queremos ser bonzinhos benévolos comedidamente sociologicamente mui bem comportados. de Cora Coralina. mesmo dentro da área militar. expandindo ou reduzindo o texto. medo só de te sentir.) Questão 05 "Somos desiguais/ e queremos ser/ sempre desiguais/ E queremos ser/ bonzinhos benévolos/ comedidamente/ sociologicamente/ mui bem comportados" (versos 28 a 35) a) Pleonasmo é a figura de linguagem através da qual a redundância de termos de sentido equivalente confere à expressão mais vigor ou clareza... e explique. ed.. invariavelmente. Eternamente a caminhar sozinhos... velhinhas e velhinhos. sem te conhecer.. a que se refere a expressão “esses bichos”? Justifique.. Sentimental.. Questão 04 Em 7 de agosto de 2006. Puxada em suspiros saudosistas E ais presentes. c) Que palavra da carta justifica a referência a “saúde pública”? Questão 05 Explique.. foi publicada.... 1984. vozes veladas. a) Na carta acima. LISTA 8 Questão 01 Leia as estrofes do poema “O prato azul-pombinho”. de Cruz e Sousa. veludosas vozes. a diferença estilística entre os versos originais e sua resposta. Com base na leitura desses fragmentos. "Corpo". Era uma estória minuciosa.] SOUSA... sintáticas e semânticas envolvidas. a escapar do perigo terrível de. falecido em 1999) Nomeie a figura e esclareça o sentido da expressão no contexto em que foi empregada. Questão 03 Matte a vontade. virar vinagre....). Observe as construções abaixo. feitas a partir do enunciado em questão: Matte à vontade.. reescreva os versos "comedidamente/ sociologicamente". São Paulo.. Tua dignidade é teu isolamento por cima da gente. as diferenças que possam existir entre os gêneros literários.. explicitando as relações morfológicas.] Vozes veladas. b) A compreensão da carta pode ser dificultada porque há nela vários implícitos. e sei que existem muitas capivaras.. Este enunciado faz parte de uma propaganda afixada em lugares nos quais se vende o chá Matte Leão.. E terminava.. Record. a seguinte carta: Li reportagem no jornal e me surpreendi... Aponte duas passagens do texto em que isso ocorre e explique. mal-do-monte na coxa flava do Rio de Janeiro. templos de Mamalapunam em suspensão carioca. Arcebispo emérito de Recife/Olinda. Tenho medo. b) A estilística nos aponta meios diferentes de expressas o mesmo conteúdo. reformulada. M. b) Retome a propaganda e explique o seu funcionamento.. custa abandonar nossos privilégios e trançar a planta da justa igualdade. 2ª. Matte Leão. a) Complete cada uma das construções acima com palavras ou expressões que explicitem as leituras possíveis relacionadas à propaganda....

“sem o seu consentimento”. Que outros termos do texto correspondem. A proposta de “ensinar a pescar. 25 set 2006. Pequenos negócios.É que a estória se prendia Aos tempos idos em que vivia Minha bisavó Que fizera deles seu presente e seu futuro.. maltratar o grumete. Goiânia. 47. como cooperativas de reciclagem. Explique o seu uso nas expressões destacadas acima. por expressar o ponto de vista de um jornal ou de uma revista. Seleção de Darci F. Ricardo. Relacionando as duas. 2004. em vez de dar o peixe” está se consolidando nas carteiras de investimento privado de companhias brasileiras devido ao amadurecimento da ação social no país. [. porque este ousara. De acordo com a leitura dos fragmentos. Cora. São Paulo: Martim Claret. O Popular. em tese. deve ser imparcial. às expressões “ensinar a pescar” e “dar o peixe”? Leia as duas charges abaixo. CAMINHA. 22. p. criam oportunidades de sustento para excluídos do mercado de trabalho formal. respectivamente. Bom-Crioulo. Tendo em vista estes comentários. Melhores Poemas de Cora Coralina. Denófrio. na frase do jornalista Kotscho. Questão 03 EMPREENDEDORISMO GERA RENDA E TOMA LUGAR DE FILANTROPIA Ações de estímulo à geração de renda visam fim da relação paternalista entre companhias e comunidades carentes. LISTA 9 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO (Unesp) O URAGUAI (Canto IV) . 2005. por sua vez. p. Magazine. muito querido por todos e de quem diziam-se “coisas”.. explicite: a) A lembrança a que o eu poético faz alusão. As aspas são sinais que podem servir a vários objetivos na língua portuguesa. As questões 1 e 2 referem-se a elas. O gênero editorial. São Paulo: Global. por pretender ser fiel aos fatos relatados. mano!”? Questão 06 “Uma coisa é manifestar sua preferência no editorial. a outra é editorializar o noticiário”. Aleixo. qual o sentido da expressão “Se liga. um belo marinheiro de olhos azuis. não se prende a critérios de objetividade.] CORALINA. b) Como são construídos os traços épicos e líricos. Adolfo. Questão 02 Bom-Crioulo esmurrara desapiedadamente um segundaclasse. em que sentido a segunda justifica a resposta dada pelo personagem da primeira? Questão 05 No contexto da primeira charge. A notícia. explique o uso da expressão “editorializar o noticiário”. Questão 04 As charges abordam situações características da realidade brasileira. KOTSCHO.

Que. Produzido por Lucy Barreto. e lhe passeia.Meu santo. José de. (Ufscar) Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado.. escrito e dirigido pelo cineasta brasileiro Carlos Diegues. enfoca-se a índia Moema que. CONVITE A MARÍLIA Já se afastou de nós o Inverno agreste Envolto nos seus úmidos vapores. onde é que eles foram. meu santo. Mulher Nordestina: . delicado. Agora. as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Simboliza o porto almejado ou o retorno à felicidade perdida. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO As questões seguintes tomam por base um soneto do poeta neoclássico português Bocage (Manuel Maria Barbosa du Bocage. e falece. infeliz com a morte do marido Cacambo. Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes. Eu tô vendo. Fr. a seguir: a) aponte o componente nacionalista de ambos os poemas que prenuncia uma das linhas temáticas mais características do Romantismo brasileiro. SANTA RITA DURÃO. meu santo? Lord Cigano: . se estão presentes . Tinha a face na mão. Lá reclinada. p. Filho. de Santa Rita Durão. 1941. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força.Vivos? Lord Cigano: .. E fuja. Tem tanta riqueza lá. Assuntos Abordados: Arcadismo Questão 01 Os textos apresentados correspondem.É..Ah. no segundo terceto de Bocage. b) cite dois escritores românticos brasileiros que se utilizaram dessa linha temática.. José. Meu santo. a índia Lindóia. linha escolhido Para morrer a mísera Lindóia. deixa-se picar por uma serpente. 149.. neto. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES. fiquei só com o meu velho que morreu na semana passada. que espalhava Melancólica sombra. Na branda relva. E nem se atrevem a chamá-la. pasma e treme. Onde é que eles estão agora. sorveu-se n'água. 142. Mas na onda do mar. vem lograr comigo Destes alegres campos a beleza. me diga. Entre as salsas escumas desce ao fundo. meu santo? Lord Cigano: . ao ver partir seu amado Diogo Álvares. Eu estou vendo a sua família. quero ver o meu povo. Pálida a cor.. geralmente bucólico. de Basílio da Gama. 78-9.fragmento Este lugar delicioso. Uma fonte aqui houve. cuja paz e tranqüilidade servem de palco ao idílio dos amantes e ao sossego da vida. Escrito e dirigido por Carlos Diegues. BASÍLIO DA GAMA. da Academia Brasileira. e cinge Pescoço. e a mão no tronco De um fúnebre cipreste. pera aí. Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Tomando por base este comentário. E param cheios de temor ao longe. o aspecto moribundo. e lhe lambe o seio. as aves de mil cores Adejam entre Zéfiros e Amores.. Porto: Lello & Irmão. b) localize. e "Caramuru" (1781). ninguém precisa trabalhar. releia os textos em pauta e. que irado freme. sem mais vista ser. CARAMURU. Eu me engano: a região esta não era: Mas que venho a estranhar. poetas neoclássicos brasileiros. Releia os textos e. e irrite o monstro. se acostumando ao lugar novo. Altamira! (in: filme BYE BYE BRASIL (1979). Destas copadas árvores o abrigo: Deixa louvar da corte a vã grandeza: Quanto me agrada mais estar contigo Notando as perfeições da Natureza! (BOCAGE. No primeiro. Obras de Bocage. e braços. como que dormia. vivos. a mãe das flores O prado ameno de boninas veste: Varrendo os ares o sutil nordeste Os torna azuis. Uma dessas fórmulas é a chamada tópica do lugar ameno. Cansada de viver. CARAMURU (Canto VI. e triste. eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado. retomadas ao longo dos tempos. 1945. e temem Que desperte assustada. Tornando a aparecer desde o profundo: "Ah Diogo cruel!" disse com mágoa. pp.E eu sei lá? Como é que eu vô saber? Quer dizer... o verso em que se estabelece relação opositiva com a tópica do lugar ameno.. minha família foi embora. e nas mimosas flores. São Paulo: Edições Cultura. 1968. O URAGUAI. p.A gente se acostuma com tudo. eu. soltando o leme. deixa eu ver! Eu tô vendo: eles estão num vale muito verde onde chove muito. e apresse no fugir a morte. na seqüência de Bye Bye Brasil. Mulher Nordestina: . E toma o fresco Tejo a cor celeste: Vem. dois elementos da paisagem descrita por Lord Cigano que caracterizam Altamira como um lugar ameno. respectivamente. Mais de perto Descobrem que se enrola no seu corpo Verde serpente. chegaram até nossa modernidade. segue a embarcação a nado e se deixa morrer afogada. Estrofe XLII) Perde o lume dos olhos. a fragmentos marcantes dos poemas épicos "O Uraguai" (1769). a seguir. 1765-1805) e diálogos de uma seqüência do filme Bye Bye Brasil (1979). eu sei.) BYE BYE BRASIL Mulher Nordestina: .. E em contemplá-lo tímido esmoreço. Com mão já sem vigor. Rio de Janeiro: Public. a) aponte. a evocação literária de um recanto ideal. No segundo. ó Marília. A fértil primavera.. ou seja.) Assuntos Abordados: Intertextualidade Questão 02 Os escritores clássicos gregos e latinos produziram certas fórmulas de expressão que. E. eles estão a muitas léguas daqui. É uma terra tão verde. nora.. Fogem de a ver assim sobressaltados.

Que havemos de esperar... a seguir: a) Aponte duas dessas características.. (in POEMAS de Cláudio Manuel da Costa. pelo gosto das circunstâncias comuns. 156. Que nas úmidas ribeiras Deste cristalino rio Guiava as brancas ovelhas. 1966.47. São Paulo: Cultrix... a sorte deste mundo é mal segura. que vêm tarde. possuo o sangue quente de um artista. de Cláudio Manuel da Costa... Leia-os com atenção: LIRA 14 (Parte I) Minha bela Marília. pelo vocabulário de fácil entendimento e por vários outros elementos que buscam adequar a sensibilidade... duas citações do texto. de que fez parte Cláudio Manuel da Costa. reservista. vier o nosso outono Com o inverno que há nele... In: RAMOS. caracteriza-se pela utilização das formas clássicas convencionais.. da verdadeira causa do fenômeno descrito em todo o poema. Moveu as bárbaras penhas.." Marília de Dirceu") Quando.. pela delegação da fala poética a um pastor culto e artista. antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça. pelo enquadramento temático em paisagem bucólica pintada como lugar aprazível. (RICARDO REIS. que é de outrem. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO (Unesp) ALTÉIA Cláudio Manuel da Costa Aquele pastor amante.. Dadas estas informações. Essa mesma crítica. b) A que causas o eu poemático atribui o fenômeno observado na natureza? Assuntos Abordados: Linguagem Literária Questão 04 O estilo neoclássico. fundamento do Arcadismo brasileiro. Da classe 38. Sou milionário em senso de humorista. sel. poeta. Senão para o que fica do que passa O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes. num mundo de doente hipocrisia.... Péricles Eugênio da Silva (Intr. já vêm frias. a) indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema. b) Justifique sua resposta com. b) transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível... p. a natureza e a beleza. Ah! não. Lídia.. vem depois dos prazeres a desgraça. p. e notas): POESIA DO OUTRO ANTOLOGIA. de maneira diferente.. não para a futura Primavera. Há quem me julgue um poeta irreverente. Assuntos Abordados: Indianismo Questão 01 O indianismo tem uma tradição relativamente longa na Literatura Brasileira. mentira.. tudo passa. Assuntos Abordados: Intertextualidade Questão 02 Nos dois poemas a seguir.. anotou com propriedade a importância do décimo segundo verso: este verso exprime uma mudança de atitude. ao outono? c) Os dois poetas valorizam o momento presente... São Paulo: Melhoramentos. em seu poema.... é reação da burguesia. com que tudo degenera! (Cláudio Manuel da Costa.. Marília bela? que vão passando os florescentes dias? As glórias. a) Antes de Alencar quem trouxe o índio para a literatura? Cite pelo menos um autor ou uma obra. Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem. que muitas vezes Afinando a doce avena. . socialista.) Assuntos Abordados: Características Árcades Questão 05 Neste fragmento do romance ALTÉIA.. a razão. de outubro.. AULA 10 ... minha Marília... acumulam-se características peculiares do Arcadismo. dela extraindo uma "filosofia de vida". autodidata. Releia o texto que lhe apresentamos e. por outro lado...... feita pelo eu poemático. Rio de Janeiro.. embora o façam de maneira diferente. Sobre uma rocha sentado Caladamente se queixa: Que para formar as vozes. Aquele.... vegeta falsamente..... situada no passado. 1964.. reservemos Um pensamento... se vem depois dos males a ventura... mas juro que estou duro e sem dinheiro. Sonetos (VlI). Em que consiste essa diferença? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO (Unesp) Primeiro texto: Auto-retrato Juca Chaves Simpático. b) Esse filão indianista chegou até o Modernismo e repercutiu em vários autores: indique um autor e uma obra em que se deu essa repercussão. Teme. de quem somos mortos. domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática.. 22.... que não vive.. e pode enfim mudar-se a nossa estrela. que o ar as perceba.. sobre a passagem do tempo.) Assuntos Abordados: Linguagem Poética Questão 03 A crítica literária brasileira tem ressaltado que o terceiro verso do poema é aquele que concentra o tema central. Parou as ligeiras águas... romântico. Nem para o estio. Responda: a) Qual o tema que o terceiro verso concentra? Transcreva outros dois versos que o repercutem. Aproveite-se o tempo.. "Odes") a) Em que consiste a "filosofia de vida" que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga? b) Ricardo Reis associa a passagem do tempo às estações do ano.... pelo menos. (TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA. que se corrige nos versos finais graças à descoberta. Com a bossa de qualquer bom brasileiro..Meus males.. solteiro. Que sentido é dado.

por isso é que eu vim ver se o achava no jardim. poeta neoclássico português. Os namorados gostam sempre da lua. saíram dele mesmo estas verdades num dia em que se achou mais pachorrento. eu ainda a acho mais bem feita que bonita. depois limpálo com o lenço. sim. disco RGE) in HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA. fascículo número 41.Era filho aqui de Saquarema. Era Siqueira. voltando a si. de moças mil) num só momento. respondeu que. excelente dona de casa. Pareceu-lhe bastante isto: .Morreu cônego. "Quincas Borba". p. verificamos que apresentam pontos em comum. o movimento rápido de ambos. Pertencem ao meu modo de existir. . continuou o major levando o dedo ao olho esquerdo.. que está uma noite para namorados? b) Diante das palavras do major. e. .... embora sejam inconfundíveis pelo estilo e atitudes. morreu cônego. pode ser que seja outro. e até perguntaram por este senhor.Conheci-o. a cabeça do Rubião meia inclinada. depois contou que Rubião teimava em dizer que as noites do Rio não podiam comparar-se às de Barbacena. in Obras de Bocage. cap. a seguir. E assim eu viverei eternamente.. os bicos de gás. .... verificamos que um deles privilegia um tipo de características pessoais. XLII) Assunto Abordado: Realismo Questão 04 Major Siqueira. intérprete e showman brasileiro. e Juca Chaves (Jurandyr Chaves . (Machado de Assis. nunca ele a viu na rua que me não dissesse: Hoje vi aquela bonita senhora do Palha. era como se acabasse de dar ordens para o chá Rubião. triste de facha. Já.. releia atentamente ambas as estrofes e. e não pequeno: Incapaz de assistir num só terreno.. enquanto o outro varia a natureza das características que enumera. Esta D. quando chegou àquela pelo interior. Morreu cônego. levá-lo ao ouvido..Parece que sim. devagar. . carão moreno. se não morrer por outra Ana Maria.1765-1805). Nem nunca. murmurou o outro espantado. 1968. no tempo. meão na altura. está deliciosa. sem olhar para um nem para outro. está uma noite para namorados. propriamente reparei. Há muito que não vejo uma noite assim. passados os primeiros instantes. Abril Cultural.. Os dois textos pertencem a artistas bastante afastados entre si.. conversem.. a mulher do nosso Palha é um primor. e contudo urgia dizer alguma coisa. que não podem estar sós. compositor. a propósito disso. em verdade. tranqüila. de maneira que.. tinha bom gosto. Sofia.Mendes. mas amigo de ver moças bonitas.Agora mesmo. . comente as características pessoais enfatizadas por Juca Chaves e Bocage.Olá! estão apreciando a lua? Realmente. a noite era linda.. nenhum acanhamento. Depois. O ar que respiro. Mas Rubião estragou tudo. batendo carinhosamente no ombro do major. Lendo-se os poemas (o de Juca é letra de uma de suas canções). quando ele entrou no jardim.. como se mira um painel de mestre. murmurou Rubião. Lello & Irmão. Conheci-o muito. Que lhe parece? . por exemplo. devagar. Nenhum medo. mais propenso ao furor do que à ternura bebendo em níveas mãos por taça escura de zelos infernais letal veneno: Devoto incensador de mil deidades (digo. em Icaraí. impenetrável.. o padre Mendes. Boa idéia era a anedota do padre Mendes. e que maior mestre que Deus? dizia ele. este licor que bebo. calado não fez mais que tirar o relógio para ver as horas. Trata-se de Bocage (Manuel Maria Barbosa du Bocage . era um que não tinha este olho. Porto. bem servido de pés. Rubião não sabia que dissesse. Tenho tanto a mania de sentir Que me extravio às vezes ao sair Das próprias sensações que eu recebo.. Rubião e Sofia participam desta cena do romance Quincas Borba. Segundo texto: Retrato Próprio (Soneto LXXXI) Bocage Magro. Com base nesta observação. disse o major sorrindo. Mas estavam aqui há muito tempo? ..Mas o meu mundo é belo e diferente: vivo do amor ou vivo de poesia. falava com tal simplicidade. .. viu-a risonha. Vexado. muitas vezes são ásperos em críticas e sátiras sociais.1938). Os homens já acabaram o maldito voltarete? . São Paulo. ainda não achou que dizer. Olhou para Sofia.Bem... que o major pensou ter visto mal. Esteve algum tempo em Minas? . Era homem de bons costumes. referira uma anedota de um padre Mendes. Ambos líricos e sentimentalistas. mas por outra que dava para a de jantar. O padre Mendes? Conhecido. no primeiro parágrafo. respondeu o major olhando curiosamente para Sofia. se é que é o mesmo. o pior é que não havia padre nem anedota e ele era incapaz de inventar nada. E. . e somente no altar amando os frades: Eis Bocage.. na verdade. readquiriu a posse de si mesma.. disse Sofia. nariz alto no meio. Olhem só para baixo. (1962. No meu tempo. Tinha visto as duas mãos presas. o terrível major. Sofia. Não era Mendes? . e sai-lhe de tudo isto um padre Mendes. bela de cara e de figura. Realmente. O major mal podia conter o assombro. 497. como se lhe parecesse que não andava. de olhos azuis. Se na verdade sinto o que sinto.. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO . 1971. Eu Serei tal qual pareço em mim? Serei Tal qual me julgo verdadeiramente? Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu. a) Por que o major diz. Nem sei bem se sou eu quem em mim sente. qual foi a primeira reação de Sofia? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Soneto de Fernando Pessoa / Álvaro de Campos Quando olho para mim não me percebo. de Machado de Assis. passou do jardim à casa não entrou pela porta da sala de visitas.E boa pessoa.. Assuntos Abordados: Interpretação Textual Questão 03 Observando o que cada poeta diz de si próprio na primeira quadra.Pode ser..O padre! o Mendes! Muito engraçado o padre Mendes! . vou ver as amigas. era filho de Saquarema. o mesmo de figura... Deliciosa! para namorados.Já. em quem luz algum talento. continuou o major acendendo um charuto. E eu nunca sei como hei de concluir As sensações que a meu pesar concebo. Sim.Creio que esteve. deliciosa.

ou seja. refrescava a atmosfera. Subia a passo curto e repousado a ladeira de Santa Teresa. Havia oito dias que Lúcia não andava boa. minhas mesas. Pelos lábios úmidos No texto de José de Alencar. e precedendo-me. – Já estou boa. Ela estendeu-me as mãos ambas risonha e atraindo-me. na Baixa. Questão 2 No texto de José de Alencar. Brasília: INL. Os lábios aspiravam com delícias o sabor desses puros bafejos. Identifique o início e o final do trecho em que ocorre o flashback e indique dois aspectos ou expressões que permitem identificá-lo. Agora é que eu começo a gozar desta linda manhã. em água tépida. Às vezes a surpreendia fitando em mim um olhar ardente e longo. blue bonnets. Trocamos ainda algumas palavras. Subia a passo curto e repousado a ladeira de Santa Teresa. atribuindo a sua mudança a algum pesar oculto. Observe o fragmento abaixo: Uma brisa ligeira. sorvendo num soluço o seu último beijo. enrubescendo. despertava. ia saudar a minha doce e terna amiga. suplicando-lhe que me confiasse as mágoas que a afligiam. refrescava a atmosfera. tinha uns laivos melancólicos. reclinou-se sobre o meu peito com um gracioso abandono. calculando a hora de minha chegada pelo despertar de Lúcia. 6 . o meu pensamento porém abria as asas. toda interessada." É composto o sujeito do verbo PERTENCEM. Contrariado por este obstáculo. era cintilante o brilho que desferia a sua pupila negra. como se os prurisse fome de beijos que a devorava. Há dois minutos um bem-te-vi pousou nas grades do terraço. que lavavam os pulmões fatigados de uma respiração árida e miasmática. Ah. da qual as belezas de todos os climas são convivas. Como pude respirar todo esse tempo sem a diferença entre hibiscos e gardênias. as edelweiss. De bem longe avistei Lúcia que me esperava e me fez um aceno de impaciência. Rio de Janeiro. peperônias e gloxínias. quase deitada. Uma brisa ligeira. As árvores cobriam-se da nova folhagem de um verde tenro. A fresca e vivace expansão de saúde desaparecera sob uma langue morbidez que a desfalecia. E saltando na ponta do pé descalço. inseto ou tremor de vento e onda me tocam mais que o mais acrílico artefato e platinado aço da sala. José. – Ainda bem! Já me habituaste a só achar bonito aquilo que vejo através do teu mimoso sorriso. . 1974. o campo aveludava a macia pelúcia da relva.. Mas desprendeu-se logo dos meus braços. que lavavam os pulmões fatigados de uma respiração árida e miasmática. como costumam desabrochar no Rio de Janeiro dentre as fortes trovoadas do estio. Os olhos se recreavam na festa campestre e matutina da natureza fluminense. pertencem ao meu modo de existir. ardendo em rubor. recalcada por uma força misteriosa. p. Não sei como puderam nascer sem mim. Sentamo-nos nos degraus da pequena escada de pedra. Obra poética. e fugiu veloz. Romances ilustrados de José de Alencar. embalar-se. O novo ano tinha começado. com as janelinhas cerradas. com o gesto acariciador e amoroso dos dedos sobre a orelha. móveis. Fugiu. Que seca ter de se ir vestir! Desejaria estar numa banheira de mármore cor-de-rosa. e informei-me de sua saúde. Estou comprando esses fascículos com tudo sobre plantas. 301) Assunto Abordado: Termos Essenciais da Oração Questão 05 "O ar que respiro.12) Identifique dois desses elementos literários e explique como cada um deles se relaciona aos princípios estéticos do Romantismo. Outra vez a febre voluptuosa nos arrebataria para abrir-nos a mansão do prazer e dos mágicos deleites. ao mês. e precedendo-me. Rio de Janeiro: J. que orvalhava-lhe o semblante de luz e graça.. da qual as belezas de todos os climas são convivas. A fúria amorosa dos primeiros tempos. lentejava a onda perene de um sorriso. sempre angélico. Os lábios aspiravam com delícias o sabor desses puros bafejos. 1977. tulipas e cerejeiras. Periquitos se coçam e piam na gaiola fazendo amor sobre os poleiros entre olhagens que me folham. Lia muitos romances. começou a ler. Olympio. então ela voltava o rosto de confusa. Não vês? – Realmente as rosas de suas faces viçavam. pássaro. este licor que bebo. – Não digas isto.) Tornou a espreguiçar-se. (ALENCAR. foi buscar ao aparador por detrás de uma compota um livro um pouco enxovalhado. Aguilar Ed. Tanto mais eu vivo mais quero saber de ardísias e bocárnias. o narrador de "O primo Basílio" apresenta duas características da educação da personagem Luísa que serão objeto de crítica ao longo do romance. Eu não amaria sequer esses livros se não soubesse da matéria orgânica condensada em suas páginas. que me penavam.) Questão 1 LISTA 11 Era um domingo. Com uma arrebatada veemência esmagou na minha boca os lábios túrgidos. e. apressei o passo para alcançar o portão do jardim. a) Qual é esse sujeito composto? b) Qual a classificação das orações que acompanham cada membro desse sujeito? Assunto Abordado: Realismo Questão 06 (Fuvest) "Luísa espreguiçou-se. ouvindo música!(. ia saudar a minha doce e terna amiga. e as frutas dos cajueiros se douravam aos raios do sol. o seu sorriso. Tudo isto me inquietava. (l. ainda impregnada das evaporações das águas. o narrador usa o recurso do flashback. a) Quais são essas características? b) Explique de que modo elas contribuem para o destino da personagem. o meu pensamento porém abria as asas. consolei a minha impaciência com o sabor da esperança que se insinuara no meu coração. veio estender-se na "voltaire". Nesse excerto. Era a "Dama das Camélias". a inserção de um evento ocorrido antes do episódio narrado. A bonança que sucedera às grandes chuvas trouxera um dos sorrisos de primavera. os elementos literários que estruturam a narrativa ajustam-se com perfeição à estética do Romantismo. tinha uma assinatura. beliscou algo amarelo e livre se foi marrom para o telhado. J. e ao passar fechou a porta que comunicava com o interior. perfumada e adormecer! Ou numa rede de seda. Paulo! respondia com um tom de queixa. Posso ter pesares junto de ti? É uma ligeira indisposição. calculando a hora de minha chegada pelo despertar de Lúcia. Cia. Os olhos se recreavam na festa campestre e matutina da natureza fluminense. Jardim da infância Qualquer vegetal. De repente Lúcia atirou-se a mim.. cama. há de passar. a tinha interrogado. em outras terras. ainda impregnada das evaporações das águas.(Fernando Pessoa.

dois metros abaixo do alvo: beleza de tinido faz a pedrada. Mário. porém.confundindo tumbérgias com hipocampos. mal abrem o bico em um bocejo de pouco caso e repegam no cochilo: soneca matreira. (l. Vila dos confins. Casimiro. que o pau é seco. espreita 5galeia – sacode. A gente dobra o corpo.) Questão 03 A prosa de ficção modernista desdobrou-se em várias correntes. não queria. e ao desprender-me das faixas infantis. quando o enjerizado aponta na porteira do curral. Affonso Romano de. o urubu pombeia4 a providência. Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! ( Casimiro de Abreu ) Vocabulário: 1refestelado – acomodado despreocupadamente 2amojo – disponibilidade de leite para a amamentação 3jaraguá – espécie de capim 4pombeia – observa. vigiando a vaca chegadinha no amojo2 que. A abordagem desse tema é integralmente feita de acordo com o padrão romântico na literatura brasileira? Justifique a resposta. apresenta-se uma outra imagem da infância. O urubu raciocina: mede o mal-inclinado do passante. Identifique duas características marcantes da linguagem do texto e cite um exemplo para cada uma delas. eu. AULA 12 Meus oito anos Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida. deita mão em pedra. solta a cria ainda boba do susto no rapado jaraguá3 do pastinho-debezerro. fluque-fluque. fluque-fluque. dama-da-noite com dama das camélias. Do alto do pau. de plantão. nada. Lá está o peste. (l. mas de espingarda na mão.. trombetas e espadas de São Jorge. Não foi na cidade. voando barulhento que nem máquina de trem de ferro subindo ladeira custosa. estica as asas de picumã. (SANT’ANNA. Bicho excomungado! (PALMÉRIO. Passa homem. o urubu galeia5 as juntas das pernas engomadas de piche.17) Elas revelam sentimentos de certos personagens e repetem alguma informação dada em outra parte do texto. ocado pelo fogo – por isso mesmo sonoroso também. onde se morre abafado. tomando nota de tudo quanto acontece de importante pela redondeza. Questão 04 O emprego das palavras com finalidade artístico-expressiva envolve recursos variados. calcula o tamanho e o peso da pedra. 1980. 1955. os campos e as matas. Comigo não. infante ainda. (l. 6) a maldita assombração.. Outros. E continua quentando sol. dois dos quais estão exemplificados nas formas sublinhadas nas seguintes passagens dos textos II e III. e continua pousado do mesmíssimo jeito. 16 . pensa e repensa ligeiro. Há tipos que respondem com fedorento arroto de desprezo.. cavaleiro passa. e confesso francamente que a palmatória não me deixou grandes saudades. A gente grita. Refestelado1 que só ele. Questão 02 Associado ao tema da infância. representa um desses desdobramentos. que estão mas é de olho fechado de mentira. foi ao ar livre. A cabo-verde alça vôo. sapateia. com suas palavras. sem brincos de princesa. o texto de Casimiro de Abreu aborda ainda outro tema significativo na literatura romântica: a relação entre o homem e a natureza . longe ainda.) O texto I apresenta um tema relevante no Romantismo: a infância. xinga. Que deliciosa vida aquela! Como eu corria por aqueles prados! Que colheita que fazia de flores! Que destemido caçador de borboletas! Ah! meus oito anos! Quem me dera tornar a tê-los!. E. Rio de Janeiro: José Olympio. fluquefluque. O fazendeiro busca em casa a fogo-central e volta ao pasto. balança O tema da infância está muito presente na trajetória lírica brasileira desde o século XIX. não. ao saltar do berço. o texto segue o padrão literário romântico? Justifique a resposta. Transcreva os versos do poema de Affonso Romano de Sant’Anna que remontam à infância e explique a diferença na abordagem do tema pelos dois poetas. 1965. morador em zona de criação. do romancista mineiro Mário Palmério. Que o quê! Urubu nem cheirou nem fedeu. zunindo. p. mal-acostumado pelo daninho vício de comer umbigo de bezerro recém-parido. Pensa.) Questão 02 Considere as seguintes expressões extraídas do texto III: aquele meio quilo de maldade. 15) subindo ladeira custosa. rijo. aos oito anos ia eu para a escola. não. desmemoriado cavaleiro da rosa. porém. 21 . O poeta Casimiro de Abreu a retratou pela ótica do Romantismo em um texto famoso e representativo: Meus Oito Anos Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! (ABREU. (l. 203. respectivamente: entre olhagens que me folham. Casimiro de. Rio de Janeiro: Edições de Ouro.. ( ABREU. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Seu Bastião! Vai-se embora o negro-preto. mais hora menos hora. se desespera e berra os mais feios palavrões. vi quase ao mesmo tempo o céu e o mar. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa. e demuda de pouso.22) Nomeie o recurso lingüístico empregado em cada passagem e descreva o valor estilístico de cada um. mal sabendo que era na casa de Tia Antonieta que nasciam as violetas africanas. adivinha até aonde pode chegar aquele meio quilo de maldade. com suas palavras. disposto a acabar com a maldita assombração. no galho alto do pé de angico esquecido no meio do pasto. Mas. violão! De pau-defogo não não. passa mulher e menino.) TEXTO I Nasci no campo. Ao tratar desse tema. Obras de Casimiro de Abreu. passa boi. Questão 01 No texto II. . e vai bater no tronco do pé de angico. 1976. e. Que país é este? e outros poemas. senti a brisa da praia brincar com meus cabelos e o vento da montanha trazer-me de longe o perfume das florestas. Correlacione cada expressão ao respectivo personagem e indique o elemento do texto a que cada uma se refere. O texto III. Vila dos confins Não há bicho mais velhaco do que urubu roceiro.

TEXTO V O circo o menino a vida A moça do arame equilibrando a sombrinha era de uma beleza instantânea e fulgurante! A moça do arame ia deslizando e despindo-se. e os meninos protegidos pelo SAM*. escolheria sem dúvida nenhuma São Cosme e São Damião. na cerâmica ingênua dos santeiros do povo. 212.” “Protegei o menino que estuda e o menino que trabalha. e os enjeitados. e protegei o menino que é apenas moleque de rua e só sabe pedir esmolas e furtar. A existência desse interlocutor é evidenciada em vocábulos que pertencem a duas diferentes classes gramaticais. No terceiro parágrafo. todos os milhões de meninos deste grande e pobre e abandonado meninão triste que é o nosso Brasil. seus pés No texto. protegei suas canelinhas finas. ouvem. 5ª ed. mas sempre são representados como dois meninos.) Questão 01 O poema de Bandeira constrói-se com base na relação entre o eu-lírico e seu interlocutor. Protegei o menino mimado a quem os mimos podem fazer mal e protegei os órfãos. Rio de Janeiro: José Olympio. b) Explique qual a finalidade do emprego tão freqüente dessa função sintática no texto. Lentamente. b) Diga que traço gramatical comum aos vocábulos indica a presença do interlocutor.. 9ª ed. identifique dois recursos gramaticais que expressam essa mudança de atitude do emissor. Obras completas – VII. 1982. e protegei os meninos dos casais que não se separam e se dizem coisas amargas e fazem coisas que os meninos vêem. além do uso das aspas. suas cabecinhas sujas. e que aprendem a rezar e obedecer e andar na fila e ser humildes. a) Indique que função sintática é essa. Questão 05 “Protegei os meninos ricos. 118. Identifique esse traço. pois toda a riqueza não impede que eles possam ficar doentes ou tristes. Manuel. ou viver coisas tristes. pois toda a riqueza não impede que eles possam ficar doentes ou tristes” “Protegei os filhos dos homens bêbados e estúpidos. “São Cosme e São Damião. a idade de oito anos é tomada como referência a uma infância harmoniosa. Oswald de. todos os meninos e meninas do Brasil. AULA 13 TEXTO IV O impossível carinho Escuta. e também os meninos das mães histéricas e ruins. e protegei o menino que é apenas moleque de rua” No texto. Protegei o menino que estuda e o menino que trabalha. protegei muito os pobres meninos protegidos! E protegei sobretudo os meninos pobres dos morros e dos mocambos. e deram muitos doces e balas aos meninos sãos. a) Identifique essas duas classes gramaticais.) que podem pisar em cobra e seus olhos que podem pegar tracoma – e afastai de todo perigo e de toda maldade os meninos do Brasil. 10ª ed.) * SAM .TEXTO II meus sete anos Papai vinha de tarde Da faina de labutar Eu esperava na calçada Papai era gerente Do Banco Popular Eu aprendia com ele Os nomes dos negócios Juros hipotecas Prazo amortização Papai era gerente Do Banco Popular Mas descontava cheques No guichê do coração ( ANDRADE. que morreram decapitados já homens feitos. essa referência está considerada no título e recebe um tratamento que revela um traço característico do Modernismo brasileiro. p. Só para judiar. E diante deles sentimos vontade de ser bons meninos e também de ser meninos bons. No poema de Oswald de Andrade. observa-se uma nítida mudança de atitude do emissor: nos dois parágrafos iniciais.equivalente à FUNABEM Questão 04 Questão 03 Na literatura brasileira. ah! São Cosme e São Damião. Protegei os filhos dos homens bêbados e estúpidos. p. ele fala sobre São Cosme e São Damião. Glorioso São Damião!” Setembro. eu não quero contar-te o meu desejo Quero apenas contar-te a minha ternura Ah se em troca de tanta felicidade que me dás Eu te pudesse repor – Eu soubesse repor – No coração despedaçado As mais puras alegrias da tua infância! ( BANDEIRA. 162.. Estrela da vida inteira. Se eu fosse escolher santos. Rio de Janeiro: Record. 200 Crônicas escolhidas. 1957 ( BRAGA. Protegei os meninos ricos. TEXTO III São Cosme e São Damião Escrevo no dia dos meninos. sentem. Rubem. dois gêmeos de ar bobinho. ó São Cosme e São Damião! – protegei os meninos protegidos pelos asilos e orfanatos. p.. Protegei os meninos dos casais que se separam e sofrem com isso. a partir do terceiro parágrafo. E eu com os olhos cada vez mais arregalados . os louros e os escurinhos. ou ouvir ou ver coisas ruins. 1996. justificando sua resposta. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Protegei. ó Glorioso São Cosme. e também os meninos das mães histéricas ou ruins. ele se dirige a São Cosme e São Damião. os filhos sem pai.Serviço de Assistência ao Menor . protegei os meninos do Brasil. E rezar uma oração. é utilizada repetidamente a função sintática presente nos termos destacados acima. São Cosme e São Damião passaram o dia de hoje visitando os meninos que estão com febre e dor no corpo e na cabeça por causa da asiática. os tristes meninos da cidade e os meninos amarelos e barrigudinhos da roça. 1971.

............ Considerando essa posição do eu-lírico em relação ao passado..... Poesias Reunidas. Meus pronomes e brasileirismos... II e III abordam..... Simplesmente porque já não há mais razão pra forçar a nota. inculcando-me a excelência do papel impresso.” Eu tinha oito anos e sabia esperar........ Graciliano.. [.. meti-me na soletração. Mário de.... essas crianças! ( QUINTANA... a emoção do emissor... E não faço porque d.......... Agora não sei esperar mais nada Desta nem da outra vida..... 6ª ed.... meu Deus. quem é o Terteão? . IV e V usam a interjeição e o ponto de exclamação para marcar a afetividade..... Cartas a Manuel Bandeira.... a) Que aspecto gramatical é esse? b) O que motivou a pergunta final feita pelo personagem do Texto I? Questão 02 ......... São Paulo: Globo... restavam-me as linhas em negrita... 220) Questão 01 Os textos I...... LISTA 14 TEXTO I .... 1958.. Nova antologia poética....... guiado por Mocinha..... ponho a mão na consciência e sei que não é...” Ah.] Certamente meu pai usara um horrível embuste naquela maldita manhã.............. Oswald de. 1998... p.... Observando o último parágrafo do texto de Rubem Braga (texto III).. que estão muito diminuídos estes em número e por isso mais repetidos...” Esse Terteão para mim era um homem. eu escrevi o Compêndio em menos de mês e sem abandonar minhas ocupações. identifique três outros recursos gramaticais utilizados para expressar a afetividade do emissor.. As outras folhas se desprendiam.. quem sabe?. São Paulo: Record.. Questão 04 Os textos I. Rio de Janeiro: Simões.... (RAMOS.. p.aí é que ficava errado e forçado. 5ª ed... d........ conseguia mastigar os conceitos sisudos: “A preguiça é a chave da pobreza – Quem não ouve conselhos raras vezes acerta – Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.. revelou tristeza por haver gerado um maluco e deixou-me..... arfando penosamente... ..até parecerem dois pires.....125.. Manu.) TEXTO III .... Agora corrigir um pronome colocado errado por inconsciência só pra ficar mais de estilo português isso não faço não.... saem hoje como água que brota sem nenhuma preocupação mais...... Apenas é um novo hábito adquirido e que não é mais nem acintoso nem proposital...... Eu não lia direito. A expressão “Naqueles voluptuosos tempos” (verso 13) marca uma posição do eu-lírico em relação ao passado..... o menino às vezes segreda-me baixinho “Titio. quem sabe?.. p. 1997. “Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens segredava-me sempre: “Quem sabe?.99) TEXTO II pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (ANDRADE... O que você chama de acintoso e proposital... 33ª ed.... resumo da ciência anunciada por meu pai..” ( versos 14 a 17 ) “o menino às vezes segreda-me baixinho “Titio..) Questão 02 Releia os versos 9 a 17..... 86/87.. e não pude saber que fazia ele na página final da carta.. mas....... p. 1971..... Mário.. Afinal meu pai desesperou de instruirme..... (ANDRADE.. Rio de Janeiro.. ... um aspecto gramatical que costuma ocupar grande espaço nas aulas de português. III..... Infância... Respirei. São Paulo: Civilização Brasileira....... explique o que é a infância na concepção do poema.” ( versos 27 a 30 ) Observando o emprego dos tempos verbais nos vocábulos sublinhados acima..... direta ou indiretamente. A não ser a preocupação de escrever desacintosamente... Saía o que saía e não corrigi nada... explique o emprego dos parênteses no verso 13... ) Sim! Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens segredava-me sempre: “Quem sabe?...... Questão 03 .Mocinha..aí é que eu não seguia mais a orientação que queria e continuo querendo seguir e sigo mesmo......... No entanto o menino ( que não sei como insiste em não morrer em mim ) ainda e sempre apesar de tudo apesar de todas as desesperanças. Meu tio dizia: “Bobo! Não sabes que elas sempre trazem uma roupa de malha por baixo?” ( Naqueles voluptuosos tempos não havia maiôs nem biquinis..

... a questão da língua fazia parte de um projeto cultural mais amplo... Questão 03 A que contradição faz referência José de Alencar no segundo parágrafo de seu texto? Questão 04 Considerando as posições de José de Alencar com relação aos padrões lingüísticos do Brasil e de Portugal... o “meio” influencia na definição de diferenças lingüísticas e culturais? Justifique.. Chega um índio na piroga... se não tanta importância à forma do que eu. LISTA 15 TEXTO V 1500 A imaginação do senhor Flutua sobre a baía. Questão 02 Murilo Mendes procura trazer para seu poema diversas marcas de “brasilidade”. Quando povos de uma raça habitam a mesma região.. Desfia um lundu tão bom Que uma índia sai da onda..cena. José de.recontar. poucos darão mais.. nos sentimentos... a) Como se chama esse tipo de combinação? b) Transcreva três versos consecutivos que exemplifiquem tal procedimento... azar! “Despede uma flecha no velho Cheiinho de barbas brancas....... [.... Sai um velho de tamancos.. Umas. Outras. Obra Completa... também. Como se explica.. por ventura muito superior a qualquer das outras destinadas à revelação do belo.. em suas obras.. italiano. Rio de Janeiro: José Aguilar.. a relação colonizador versus colonizado está de acordo com o que nos contam os livros de história? Justifique... mas para a transformação profunda do idioma de Portugal.. quando não é a pecha de escritor incorreto e descuidado.143-144) Questão 01 Muitos foram os escritores modernistas que procuraram.. 1958.. é fato incontestável.... Suspende o corpo no mar. e... Murilo. Pensa que é Dão Sebastião... Dá um tremor no seu corpo E zarpou para Lisboa. não para a formação de uma nova língua.. portanto. portanto.. de manhã à tarde... MENDES. a história de nosso país... que é a expressão desses fatos morais e sociais... O Pão de Açúcar sonhou Que um carro saiu da Urca Transportando com amor Meninas muito dengosas. Dá um grito: “Bofé.... pp... a separação nas idéias..Oswald de Andrade e Mário de Andrade (Textos II e III) foram autores decisivos na formulação dos rumos estéticos e ideológicos do modernismo brasileiro... (ALENCAR.] A revolução é irresistível e fatal. sem alteração do sentido.. um fato inédito na história das culturas? Justifique. formam uma só unidade de sentido? b) Reescreva o verso de modo mais formal. na opinião de José de Alencar. Faz pinturas de baú. As pitangas e os cajus . a) Qual o verso em que dois recursos lingüísticos. não se rompem unicamente os vínculos políticos.. Questão 06 As transformações da língua portuguesa falada no Brasil seriam. na língua. etc. nuinhas da silva. Pós-Escrito à 2ª edição de Iracema.. retirando do texto a passagem que melhor ilustra o posicionamento do autor.. o poeta utiliza um tipo de combinação de orações que é predominante em todo o poema. Questão 05 Para José de Alencar... como a imensidade dos mares que separa os dois mundos a que pertencemos..... Considerando que. o etrusco em latim... Questão 03 Para mostrar uma sucessão de fatos... de maillot..] Que a tendência. e o romano em francês. há de ser larga e profunda.. O céu.... Fica em pé no portaló.. sob climas diferentes... Mas se esses povos vivem em continentes distintos. Rio de Janeiro: Nova Aguilar..1994. Entretanto.. essa contradição? [... próprios da linguagem coloquial. Tira uma gaita do cinto. para os modernistas....... qual a posição dos dois autores em relação à norma gramatical? TEXTO IV . De repente uma fragata Brotou do chão da baía. nos costumes. qual o verso que introduz a . Minhas opiniões em matéria de gramática têm-me valido a reputação de inovador. vilões! Descobrimos um riacho E a fruta aqui é bem boa....... como a que transformou o persa em grego e céltico.” No mesmo instante o garoto Lhe respondeu: “Sai. pois entendo que o estilo é também uma arte plástica.. opera-se. a independência política só por si forma sua individualidade.. responda: o autor se opõe aos pontos de vista de Oswald (Texto II) e Mário de Andrade (Texto III)? Justifique.312/314) Descansam o dia inteiro.. do primeiro contato entre os descobridores e os habitantes originários das terras brasileiras? b) Do modo como é apresentada. pp. ... No dia seguinte mesmo O indiozinho já está De arco e flecha na mão Olhando pro fim do mar... a) No poema de Murilo Mendes. Nasce ali mesmo um garoto Do corpo moreno dela.. Poesia Completa e Prosa.... vestidas de tanga... E mais outras...... existe no Brasil. .

... TEXTO 3: Camelôs Manuel Bandeira Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão: O que vende balõezinhos de cor O macaquinho que trepa no coqueiro O cachorrinho que bate com o rabo Os homenzinhos que jogam boxe A perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma Alegria das calçadas.. Explique de que modo esses dois traços aparecem na intertextualidade realizada por Oswald no poema. exemplificando-a. avisava gritando: . sempre tiveste uma maneira de falar muito distinta. encantado. não se podendo afirmar que uma variante seja superior a outra....’” Outros..Disto ele sempre fez questão.. Boduzinho.. Assim ficara sabendo que não era ninguém...TEXTO 6 .. Todos... não senhora. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha.... Rio de Janeiro: Editora do Autor... 1984. (In: Libertinagem..... com orações ou uma relíquia... é o padeiro”.131)... o velho barão. Ele me contou isso sem mágoa nenhuma.. ..... e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era: e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “Não é ninguém. ..Isto é verdade. queres constipar-te e matarme de cuidados? ..Já falas como uma portuguesa......Fecha.. porém.. .. 5a ed... 1964.. 1971... pp. E teu pai. gorjeou Henriqueta. disse Bonifácio Odulfo. João Ubaldo. 1971. é admirável como tens talento para essas coisas! . E estás linda como uma princesa! Minha princesinha portuguesa! ... Uns falam pelos cotovelos: .. mas... Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.... TEXTO 2: O Padeiro (fragmento) Rubem Braga Tomo meu café com pão dormido.’ Naturalmente o menino pensará: ‘Papai está malu.Não é ninguém. sabem mexer nos cordéis com o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades.. (Org... Questão 01 A crítica literária considera que a poesia de Oswald de Andrade apresenta duas vertentes: uma ‘destrutiva’ e uma ‘construtiva’.... Seleta em prosa e verso. p. que este frio me mata! Que estavas a fazer lá fora com este frio.. muito coquete em seu redingote de golas de pelego.“O cavalheiro chega em casa e diz: ‘Meu filho. . E dão aos homens que passam preocupados ou tristes uma lição de infância.. sempre saberão que ele nunca andou no meio dos pretos e que se formou em Coimbra. Rio de Janeiro: José Olympio... é o padeiro! .. Explicou que aprendera aquilo de ouvido... p..Mas nunca falei lá muito à brasileira. TEXTO 4: Desabrigo (fragmento) Antônio Fraga Questão 04 Toda língua apresenta variação regional e social. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer... p.. (In: Ai de ti. para não incomodar os moradores..... que graciosamente envergara por cima da camisola cor-de-rosa. coitados.. . 4ª ed..... têm a língua atada.45) Questão 02 a) Que sentido assume o pronome indefinido ninguém no texto acima? b) Quando esse pronome indefinido é usado na função sintática de sujeito. Justifique essa afirmativa. Transcreva a passagem do diálogo em que melhor se observa um julgamento de valor que contraria essa afirmação e revela preconceitos sociais e culturais. (RIBEIRO. fala exatamente como um português. LISTA 16 TEXTO 1: escapulário Oswald de Andrade No Pão de Açúcar De Cada Dia Dai-nos Senhor A Poesia De Cada Dia (In: Poesias reunidas... Ele abriu um sorriso largo. 44.... fecha. Emanuel de Moraes).... .. Costuma dizer que. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. pela voz. foi uma das primeiras coisas que primeiro me atraiu em ti.. e se despediu ainda sorrindo.. E ensinam no tumulto das ruas os mitos heróicos da meninice.. 75) Nota: escapulário: objeto de devoção formado por dois quadrados de pano bento.. Copacabana... que não é tão ruim assim......Que frio! .469) Interroguei-o uma vez: como tivera a idéia de gritar aquilo? “Então você não é ninguém?”.. Viva o povo brasileiro.. a dupla negação pode ou não ocorrer... Rio de Janeiro: Nova Fronteira.. 4a ed. que os devotos trazem ao pescoço...... vai buscar um pedaço de banana para eu acender o charuto..

como o camelô. No condomínio Zinho é conhecido como vendedor de uma firma de importação. (In: Mistérios do Rio. por cima de verdadeiros abismos. Zinho some durante alguns dias. b) Além de se apresentar como “um representante da afamada fábrica de perfumes mercúrio”. 28-29) Questão 03 No texto 4. num milagre de equilíbrio. Um aqui para o cavalheiro. aparecem traços característicos de sua poética. ziguezagueando.. Para justificar sua ausência Soraia diz.. No poema de Manuel Bandeira (Texto 3). uma favela em Jacarepaguá. e bêbedos.. Questão 04 Identifique dois recursos predominantes na caracterização dos núcleos do complemento do verbo vender. b) Reescreva-o de modo a ajustá-lo à norma culta escrita. Questão 05 Como esses elementos identificados no item anterior se convertem em recursos expressivos? Questão 06 a) No texto 4. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura. Turismo e Esportes – DGDIC.. pp. mas é conhecido como Zinho na Cidade de Deus. Zinho perguntou. sem sofrer um arranhão!. 1990. Os pequeninos casebres feitos de latas de querosene também suspendem-se no ar. 34) TEXTO 6: Cidade de Deus (fragmento) Rubem Fonseca O nome dele é João Romeiro. a cada passo. que o marido está viajando pela firma. mas também não caem. uma mulher dócil e calada. Você se importa? . e ela respondeu que havia tido na vida dela um homem metido a direito que não passava de um canalha. explicitando esses traços.. A polícia anda atrás dele. alegres de cachaça. outro para a senhorita. p. 1990. nos níveis da forma e do conteúdo. de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo. Comente essa afirmação. mulheres que fazem o terrível trajeto com latas cheias de água na cabeça. DGDIC. que se encontra no segundo verso do poema de Bandeira: um de natureza morfológica e um de natureza sintática. TEXTO 5: A favela que eu vi (fragmento) Benjamim Costallat O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco.Os senhores vendo eu aqui me exibir pensarão que sou um mágico arruinado que não podendo trabalhar no palco vem aqui fazer uns truques pra depois correr o chapéu pedindo uns níqueis Mas não sou nada disso Sou um representante da afamada fábrica de perfumes mercúrio que não manda distribuir prospectos não bota anúncio no rádio nem nos jornais nem mesmo anúncios luminosos Esta casa meus senhores prefere contratar um técnico propagandista que saia por aí distribuindo gratuitamente os seus produtos Entre os maravilhosos preparados da fábrica de perfumes mercúrio encontra-se esta loção – a afamada loção mercúrio que elimina a caspa e a calvície mas não dá cabo da cabeça do freguês Se os senhores fossem adquirir este produto nas farmácias ou drogarias lhes cobrariam dez ou quinze mil réis Eu estou autorizado a distribuí-lo gratuitamente às pessoas que adquirirem o reputado sabonete minerva pelo qual cobro apenas dois mil réis para cobrir as despesas da publicidade.. se autodenomina? Questão 07 . Quando chega uma partida grande de droga na favela. e que ele é branco. E dizer que há uma população inteira que todos os dias desce e sobe a Favela. Ela é Soraia Gonçalves. o camelô afirma que a loção mercúrio é gratuita. (Desabrigo. referente à regência verbal. dá uma profunda lição de alegria àqueles que têm tudo.. Zinho nunca foi preso. Desenvolva essa afirmativa. Deus protege a Favela!. a) Transcreva o trecho que exibe o desvio. Turismo e Esportes. há um desvio de sintaxe em relação à norma culta escrita. onde comanda o tráfico de drogas. que não tem nada.Foi aí que um camelô aproveitando o ajuntamento começou a dizer .. mas sabe apenas o seu apelido. Diga quais são esses recursos. Aquela gente. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura. para as vizinhas que encontra no playground ou na piscina. E a Favela merece a proteção divina porque ela é alegre na sua miséria. indiretamente.. por cima dos precipícios.. as pernas bambas. Soraia soube que Zinho era traficante dois meses depois de estarem morando juntos num condomínio de classe média alta na Barra da Tijuca.

(In: Obra Completa. que.. A morte e o renascimento das utopias. Nos calçadões. Fútil nas sorveterias. 6 e 7)? b) A que estilo de época pertence o texto I ? Justifique sua resposta. o oÏ. 987) Questão 02 Vimos que.. Construímos nossa cidade. No basalto domado. Carlos Drummond de. a) Como se chama o recurso literário empregado nos termos sublinhados no item anterior? b) Em que consiste este recurso? TEXTO .] S... do texto II. Como os romances e contos de Machado de Assis se apresentam em relação a esses dois aspectos? TEXTO Rio de Janeiro Fios nervos riscos faíscas. A lista inclui.. 1985. ROUANET. + gr. Os elos e cordames nos enlaçam.. sempre presentes em qualquer sociedade. ou seja. com uma frase completa. ext. tópos. São Paulo.... Os que decretaram o fim das utopias ignoraram os autores que viram na consciência utópica uma dimensão permanente da condição humana e os que compreenderam a utopia no sentido sociológico.. E eis que a utopia volta à cena.... 3. 25/06/2000. é a antevisão de uma sociedade mais justa.. também. palmo a palmo.. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Poesia e prosa. O segundo grupo inclui autores como Karl Mannheim.11. dos chafarizes e das lojas. abusões.. As cores nascem e morrem Com impudor violento Onde meu vermelho? Virou cinza....82. versão 3.... 14) Questão 01 De que modo o ponto de vista do narrador influencia o modo de ver os personagens e os espaços nos textos 5 e 6? TEXTO 7 Esaú e Jacó (fragmento) Machado de Assis . p. sua capacidade ilimitada de construir mundos imaginários para anular privações reais.. das casas. Nas praias nu nu nu nu nu nu . . 1997.. Onde está a saída. Entre os pensadores do primeiro grupo está Freud.. Viverei com o Catete. Rio de Janeiro: Rocco.narrativas que ‘apagavam’ o narrador atrás de uma objetividade. Uma cidade nos revela. como expressão de grupos e estratos marginalizados. regougo de martelos e martírios.Que estranhos? Não vou viver com ninguém. nos sufocam. mod.... ANDRADE.. Ela é feita à imagem e semelhança de nosso sangue mais secreto. Sérgio Paulo. da expressão sublinhada nos versos “Meus amigos todos estão satisfeitos / Com a vida dos outros. Paulo. finalmente. p. Descrição ou representação de qualquer lugar ou situação ideais onde vigorem normas e/ou instituições políticas altamente aperfeiçoadas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar... levados numa escuma onde borbulhas se abrem. fantasia... Passou a boa! Peço a palavra ! Meus amigos todos estão satisfeitos Com a vida dos outros. Nos denuncia naquilo que escondemos.11) LISTA 17 Meu coração vai molemente dentro do táxi. Diga com que sentido o mesmo termo é usado por Machado de Assis no texto acima... vol. Uma cidade não é um diamante transparente.. Tu tu tu tu tu no meu coração. que tenta legitimar essa sociedade. In: Folha de S... São Paulo: Companhia das Letras. A utopia. que descobriu a força e a materialidade do desejo.. (Este povo quer me passar a perna . o Largo do Machado. criação de Thomas Morus (1480-1535). relacionando tal significado com um posicionamento marcante na obra do autor. tomando como modelo os padrões definidos pelas ciências naturais. Grande construção. que viu na utopia uma reflexão voltada para a superação da sociedade existente... Na rua.... Caderno MAIS!. em contraste com a ideologia.. onde os veículos veiculam nosso exaspero e desespero. Pedante nas livrarias. -ía. no texto 2... 2. 13) E tantos tantíssimos contos-do-vigário..... Hélio. Questão 03 Algumas tendências literárias da segunda metade do século XIX mostravam. P. entre outras coisas: . p. 1988. a cada pergunta abaixo. A burrice do demônio.. escritor inglês. para os quais cada ato lingüístico remete necessariamente à utopia da comunicação perfeita. A mão do homem em toda parte... a concretização do ‘princípio esperança’. figura Ernst Bloch. o mundo dos homens. p. como furúnculos maduros.” (v. ordem das coisas na qual os homens se relacionam entre si de modo igualitário e nãoviolento. ext....narrativas que abordavam os fatos sociais reduzindo-os a fatores biológicos.. Mas não temos por que surpreender-nos com isso. E tantos tantíssimos contos-do-vigário . nesse sentido. dentro do contexto. não falo das pessoas que lá moram. 1 País imaginário.. P.) LISTA 18 Questão 01 Responda. meu Deus. 'lugar'. organizado da melhor maneira. Ela espelha. Jürgen Habermas e Karl-Otto Apel. Projeto irrealizável... com uma frase completa. disse que a utopia é um ‘sonhar para a frente’. quimera. ou a entrada ? PELLEGRINO.. TEXTO Uma cidade é uma cidade é uma cidade. p. (v. Questão 05 Transcreva. Entre eles. Rubem Braga fez uso expressivo do indefinido ninguém. 1.. f. à utopia da comunidade argumentativa ideal.. Somos construídos por ela.. -ia1). onde um governo. a cada uma das perguntas abaixo: a) Qual o sentido. mas das ruas.. Questão 04 Responda.. sintetizando Freud e Marx. Mas tantos assassinatos.. utopia < gr. 'não'. 1988. suas contradições.. apenas a frase em que se utiliza recurso literário semelhante ao empregado nos termos sublinhados dos seguintes versos do texto I: E tantos adultérios também. Na pedreira. (Aurélio eletrônico. empreitada de porte enorme. No asfalto. proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz. (v. graças ao qual a humanidade marcha no longo caminho que leva à redenção.. + gr. Milímetro por milímetro.(In: Histórias de amor. 15 UTOPIA [Do lat. Boiamos e nadamos dia e noite.. a Praia de Botafogo e a do Flamengo.0) .. formulada por minorias e classes sociais descontentes com o status quo. (v. virtudes e desterros. E tantos adultérios também.

Leia o fragmento abaixo: Toda noite – tem auroras. 1988.) esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese ( Texto I. vamos de mãos dadas. TEXTO Tomar liberdades com a língua é uma atividade tão mal vista pelos guardiões da sua virtude como seria tomar liberdades com suas filhas. o tempo presente. curvado sobre o cabo da enxada. “Foi um filme muito premonitório. Justifique esta afirmativa em. que estão fazendo 30 anos neste 2009. há um verso que apresenta uma característica própria de um uso.. Parecia um disco voador. b) (. e tão prazerosa. Castro Alves. indiferente.Leo Lynce. Carlos Drummond de. como muita gente pensa. Porque não sabia nada. É provável de que o cinema e a música dão economia. Outros mais falaram no banquete da vida nacional. Chico garante. esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese. Viu o filme duas vezes antes do pôr a letra na música de Menescal. Ou música e economia é que dão cinema? A articulista Flávia Oliveira associa. Para o bem e para o mal”. correlacionando as semelhanças temáticas entre os versos destacados. não tarda A aurora da redenção. tradicionalmente considerado “pecar contra a gramática”. a vida presente. quanto à abordagem do tema. a libertinagem nos chama. com frases completas. a paisagem vista da janela. O tempo é a minha matéria. Não serei o cantor de uma mulher. TEXTO HISTÓRIA DE UM CRIME Fazem hoje muitos anos Que de uma escura senzala Na estreita e lodosa sala Arquejava ua mulher. Moços. Entre eles. considero a enorme realidade. à introdução de pronomes em lugares impróprios e ao uso de academicismos para fins antinaturais é visto como devassidão imperdoável. Minha motivação foi antropológica.3) “Não nos afastemos muito. mas sim Jarí. Reescreva esse verso segundo o padrão escrito culto da língua. Questão 8 Nesse fragmento de Castro Alves. aproximadamente. se nada mais é? Luís Fernando Veríssimo. Pecadores. De carona na caravana Rolidei. Quais são? TEXTO Mãos Dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Que o povo peque contra a linguagem é aceitável. Obra Completa. Os escravos. senhores. que o cronista se inclui no comentário. Roberto Menescal e Chico Buarque. não tarda” (v. instalada pelo prefeito em plena praça. não nos afastemos. para a moral gramatical. Cacá sim. o emprego fácil de baixa qualificação e a telecomunicação restrita. Considerando aspectos de coesão e coerência. Também não cantarei o mundo futuro. ANDRADE. uma relação do uso da linguagem com os diversos níveis socioculturais brasileiros. O Brasil passou por uma modernização intensa. o filme e a canção.7) Justifique o emprego do imperativo. com frases completas. Um detalhe: a usina no mar.” (v. Ele voltava de filmagens em União dos Palmares e avistou uma luz azulada. “Ali tive o insight de que algo importante estava acontecendo no Brasil. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. linhas 7-8) Questão 7 Transcreva do texto I uma oração em que se perceba. de uma história. cinco linhas. não direi os suspiros ao anoitecer. justifique o emprego do “que” sublinhado nos seguintes fragmentos. mesmo que só se dê o exemplo de como botar uma palavra depois da outra e viver disso com alguma dignidade – sem sucumbir às tentações à nossa volta. mas hoje percebo que aquilo era o início da globalização. predominantemente. principalmente. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Falaram depois o doutor e o magnata. identificando a classe de palavra a que cada um pertence e qual a relação que estabelecem entre as orações. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Mas vivemos com relação à gramática como viviam os jesuítas com relação à “gramática”. no Pará. o título do poema Mãos Dadas. através da mudança de pessoa do discurso. a industrialização do Brasil grande e a massificação da TV. Só o roceiro miúdo não falou nada. linha 2) Classe: conjunção (subordinativa integrante). Também não conseguimos. a serviço da Pátria. por que só a gramática deve ser respeitável neste país. Bye Brasil . 212 Questão 4 a) O fragmento de Castro Alves e o poema de Carlos Drummond de Andrade apresentam verbos no modo imperativo: “ Moços. como se compartilhasse da opinião de todo um grupo. Castro Alves. com o qual ele se identifica. De escritores profissionais. perrengado. passeia pelas transformações socioeconômicas expressas em “Bye Bye Brasil” . Estão lá embrião da globalização e a opção nacional pelo transporte rodoviário. no Texto Trinta anos na estrada. Poesia e Prosa. TEXTO NO BANQUETE Do alto dos seus bordados. LISTA 19 TRINTA ANOS NA ESTRADA UMA VIAGEM PELAS REFERÊNCIAS ECONÔMICAS DE “BYE BYE BRASIL”. Mas pessoas educadas. completa o cineasta. os homens presentes. A poesia de Goiás Questão 02 No 2o parágrafo. b) Explique. há duas concepções de ‘utopia’. Questão 6 Um texto é um tecido e sua costura se faz através de mecanismos lingüísticos de coesão. vamos de mãos dadas. Questão 5 Observa-se. TEXTO II Bye. creiamos. “Negócios&Cia” pede licença e reverência os mestres Cacá Diegues. com o Brasil às costas. p. O presente é tão grande.68 Questão 3 Justifique. diz Cacá.. Não nos afastemos muito. creiamos. que contribuem para realizar sua coerência. consagrado em nossas gramáticas. que nasceu em 1972. espera-se que mantenham-se corretos e castos a qualquer custo. não era o complexo nuclear de Angra. mas era uma TV. Chico não lembra. 1976. Raios – toda a escuridão. a canção Bye Bye Brasil de Chico Buarque e Roberto Menescal às injunções socioeconômicas vividas pelo Brasil e pelo mundo nas últimas três décadas. e afinal. não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. numa viagem a Alagoas”. a) Que o povo peque contra a linguagem é aceitável ( Texto I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Recheou o texto com referências à economia. que conhecem as regras. O FILME E A CANÇÃO No dia em que completa três anos. p. que características da poesia socialmente engajada do Romantismo estão presentes no texto de Castro Alves e no de Carlos Drummond de Andrade. dedicarem-se ao neologismo exibicionista. Porque estava ausente. O ambiente nos domina. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. já que ele vive na promiscuidade mesmo. o general falou: – Meio século. nos textos I e II.

br/cultura/site/ensaio.facasper. (http://www. Hoje é preservar”. 3) (UFF 2010) Cacá Diegues desbrava o Brasil como os brasilianistas de outrora e mostra uma população alijada que tenta se manter entre a cultura tradicional – transmitida por seus antepassados – e a modernidade. recebeu aporte de US$ 200 milhões. por Euclides da Cunha emergem na obra de Diegues. diz o empresário. Chico Buarque. Desde então. Adaptação). no seguinte verso: Puseram uma usina no mar (Texto II. Bye. tenha dó de mim Pintou uma chance legal Um lance na capital Nem tem que ter ginasial Meu amor Baby. Brasil (Texto II) cinco (5) passagens que refletem transformações socioeconômicas ocorridas no Brasil nos últimos trinta anos: . Roberto Menescal e Chico Buarque 1) (UFF 2010) Destacam-se da canção Bye. 15) 2 Pintou um chance legal Um lance na capital Nem tem que ter ginasial (v. verso 10) c) A canção Bye Bye Brasil (Texto II) apresenta.57-59) a) Dentre as cinco (5) passagens transcritas acima. Aponte uma (1) característica linguístico-discursiva que diferencie estes dois gêneros textuais de que se vale a articulista: tópico explicativo e canção. 8) Vidrou na minha calça Lee (v. Transcreva dois (2) exemplos e reescreva-os em registro padrão. Flávia Oliveira. uma série de exemplos de registro familiar. ao atribuir um determinado fato a alguém fora do texto. em 1978. apresenta um tópico explicativo para relacionar as transformações socioeconômicas com as referências construídas nos versos da canção Bye. mas também manejo florestal cultivo do curauá e geração de créditos de carbono.com. 1 Já tem fliperama em Macau (v. escolha duas (2) e comente os aspectos socioeconômicoculturais em cada uma delas retratados. que como um bandeirante entra nos mais longínquos rincões do Brasil. coração Não dá pra falar muito não Espera passar o avião Assim que o inverno passar Eu acho que vou te buscar Aqui tá fazendo calor Deu pane no ventilador a) Transcreva o pronome que recupera o vocativo presente nos versos acima.Bye. Em 2000. b) Comente o recurso linguístico utilizado pelo compositor. vieram pelo mar do Japão para a Amazônia (foto). 21-23) 3 As fichas já vão terminar (v. podes crer Eu vi um Brasil na tevê Peguei uma doença em Belém Agora já tá tudo bem Mas a ligação tá no fim Tem um japonês trás de mim Aquela aquarela mudou No Tabariz O som é que nem os Bee Gees Dancei com uma dona infeliz Que tem um tufão nos quadris Tem um japonês trás de mim Eu vou dar um pulo em Manaus Aqui tá quarenta e dois graus O sol nunca mais vai se pôr Eu tenho saudades da nossa canção Saudades de roça e sertão Bom mesmo é ter um caminhão Meu amor Na estrada peguei uma cor Capaz de cair um toró Estou me sentindo um jiló Eu tesão é no mar Assim que o inverno passar Bateu uma saudade de ti Tô afim de encarar um siri Com a bênção de Nosso Senhor O sol nunca mais vai se pôr.coração Não dá pra falar muito não Espera passar o avião Assim que o inverno passar Eu acho que vou te buscar Aqui tá fazendo calor Deu pane no ventilador Já tem fliperama em Macau Tomei a costeira em Belém do Pará Puseram uma usina no mar Talvez fique ruim pra pescar Meu amor No Tocantins O chefe dos parintintins Vidrou na minha calça Lee Eu vi uns patins pra você Eu vi um Brasil na tevê Capaz de cair um toró Estou me sentindo tão só Oh. Maceió Peguei uma doença em Ilhéus Mas já tô quase bom Em março vou pro Ceará Com a bênção do meu orixá Eu acho bauxita por lá Meu amor Bye bye. O Complexo exigia forte infra-estrutura e era visto como um elefante branco. 28) 4 Eu vi um Brasil na tevê (v. 43) 5 Eu tenho saudades da nossa canção Saudades de roça e sertão Bom mesmo é ter um caminhão ( v. O eterno retorno e a interminável travessia resgatada.Brasil: Puseram uma usina no mar/Talvez fique ruim pra pescar/Meu amor (Texto II.2 milhão de toneladas). Ele planeja a segunda fábrica de celulose (1. Brasil A última ficha caiu Eu penso em vocês night and day Explica que tá tudo okay Eu só ando dentro da lei Eu quero voltar. “Em 70/80 desenvolvimento era derrubar floresta. sonho do americano Daniel Ludwig.5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Oi. em relação à construção linguística. foi comprado por Sérgio Amoroso. 2) (UFF 2010) Oi. bye bye Abraços na mãe e no pai Eu acho que vou desligar As fichas já vão terminar Eu vou me mandar de trenó Pra Rua do Sol . versos 10-12): A fábrica de celulose e a termelétrica do Projeto Jarí (PA). entre outros. b) A articulista. do grupo Orsa. O filme é uma forma contemporânea de denunciar o Brasil que conhecemos pouco.

orgulho de branco. revela o contrário. Da era cristã de 1500 até estes tempos severos de hoje. teu fogo. mudar de caminho. 15 cabelo escorrido. viril e sem quaisquer das características edulcoradas que estamos acostumados a considerar indiscutivelmente femininas”. Aleilton Fonseca. Entretanto. teus santos.mas que elas vão sempre mudando. mas não o faz necessariamente em termos de contraste entre as personalidades prescritas para os dois sexos nem em termos de dominação ou submissão. toda cultura determina de algum modo os papéis dos homens e das mulheres. Grande Sertão:Veredas. algemas. sociáveis. Obra poética. empatando fazer uma coisa? Isso tem gente que repele. no primeiro lance de vista. b) Caracterize o interlocutor do eu lírico no Texto VII. TEXTO V O senhor… mire. medito: foi negro. De acordo com a autora. antes de tudo. 20 teu modo de amar. Eu digo e repito ao senhor: escute seu pressentimento. mais dengo e alvura. veja: o mais importante e bonito. A gente pisca. pele. o jeito de andar. medito: foi negro. Entre os povos estudados por Mead. Os sertões. de Aleilton Fonseca. Transcreva essa frase e explique o seu sentido no texto. b) Observe a diferença de pontuação entre “O sertanejo é. Esse povo era formado por indivíduos implacáveis que se aproximavam de um tipo de personalidade que. ao narrar histórias e causos em boa parte inspiradas no imaginário popular brasileiro e no vasto universo rosiano. foi índio ou foi cristão? Jorge de Lima. teus pés. Texto IV a) Caracterize os efeitos de sentido que a intertextualidade do Texto IV (aspectos verbais e não verbais) apresenta com o fragmento de Os sertões (Texto III). a vida é cheia de espanto. agricultores e criadores de porcos. teu suor. só se . visando observar como as atitudes sociais se relacionavam com as diferenças sexuais. Segundo ela. o romance Nhô Guimarães.. para prevenir certos fatos. tristeza do mundo. meu senhor. desistir de negócio. a) Os Textos V e VI apresentam marcas linguísticodiscursivas que caracterizam uma interlocução do narrador. lá dentro. agricultores e pescadores. desengonçado. Desmanchar viagem. teus olhos. tua espuma. Margareth Mead comparou três sociedades primitivas da Nova Guiné.” Euclides da Cunha. índio ou cristão? Quem foi que te deu esta sabedoria. desprezando o sexo como base para o estabelecimento de diferenças de personalidade. eram (homens e mulheres) maternais. um forte. concluiu que a crença. em que o personagem. pouco individualistas e orientados para as necessidades da geração seguinte. 25 tua saliva. É uma voz da gente.TEXTO III “O sertanejo é. desgosto da vida. tendo em vista uma temática característica do movimento modernista. c) O Texto VII aborda as mudanças históricas que ocorrem no tempo.. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral. inesperadamente. coração . toda essa aparência de cansaço ilude. é isto: que as pessoas não estão sempre iguais. No revés o homem transfigura-se e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta. b) Na progressão de sentido no fragmento de Nhô Guimarães (Texto VI). num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias. justificando sua resposta. Já os ferozes caçadores de cabeça Mundugumor. Afinam ou desafinam. MUDANDO Tempos e tempos passaram por sobre teu ser. tentando dizer o futuro. eram o extremo oposto. relembra seu velho amigo Nhô Guimarães. foi índio ou foi cristão? Os modos de rir. há uma frase do narrador que sintetiza o seu discurso. entretanto. do mundo. torto. padronizaram o comportamento de homens e mulheres como “ativamente masculino. LISTA 20 TEXTO I Sexo e temperamento em três sociedades primitivas Nos anos 30.” (Texto III) e “O sertanejo é antes de tudo um agitador!” (Texto IV) e comente os aspectos semântico-estilísticos na produção de sentidos nessas duas frases. É desgracioso. É o que a vida me ensinou. tua alma? Te vendo. descobrir a intenção de certos amigos. teu sangue. Hércules-Quasímodo é o homem permanentemente fatigado. resgates. um forte. TEXTO VI Ah. teus suspiros. Isso que me alegra montão. Guimarães Rosa. em um temperamento inato ligado ao sexo não era universal. a) Transcreva o refrão do poema e explique o seu sentido. 4) (UFF 2010) Concebido como uma homenagem ao escritor João Guimarães Rosa. É um conselho que a gente dá de si para si mesmo. 5) (UFF 2010) FOI MUDANDO. um fragmento que apresenta essas marcas de interlocução. verdade maior. 5 quem foi que formou de novo teu ventre. cooperativos. A partir dos resultados obtidos na pesquisa. Transcreva integralmente os dois versos que delimitam o tempo da mudança. então compartilhada na sociedade americana. um povo com características “femininas”. Negro. o aspecto dominador de um titã acobreado e potente. Transcreva. 10 gozo. Nhô Guimarães. A sua aparência. apresenta uma linguagem de forma imaginativa. alforrias? Foi negro. no cinquentenário de Grande Sertão: Veredas. identifique-as e justifique seu emprego. antes de tudo. teus abraços. de cada um dos textos. ainda não foram terminadas . os montanheses Arapesh. tua língua? Te vendo. ou revela aos outros. uma coisa acontece! Já lhe aconteceu de sua natureza amarrar. teus ódios. na cultura americana. Eu não insisto se dentro de mim uma voz me fala. Em síntese. tuas comidas. foi índio ou foi cristão? Quem foi que mudou teu leite.

TEXTO III Ser mulher. Questão 03 . vi o pintor da nossa casa vestido de mulher no Carnaval. na eterna aspiração de um sonho superior. In: WERNECK. p. para meu espanto. atestam-te os meus olhos rasos d’água a dor que a tua ausência me causou”. Gilka. TEXTO II Homem ou mulher? Quando menino. homem quando pintava a casa e mulher quando ia para a rua. insípida. por entre os carros do corso na avenida ele apareceu. dá a chupeta. batom. Continuava longe da verdade. tantálica tristeza! ficar na vida qual uma águia inerte. mamãe eu quero mamar. Para Mead. isolada. Uma questão de gênero – Mente cérebro. erigidos como padrão masculino e. encantado em mulher. Para fundamentar sua resposta.106) Questão 13 A arte simbolista foi fortemente marcada pela crença de que a linguagem era limitada para traduzir a complexidade humana. A idéia de que ele era as duas coisas. e aquilo foi um espanto. p. Outra dizia: “Não queiras. dominador e impessoal.” (L.. de braço dado com outro que te encontrou. dá a chupeta pro bebê não chorar”. 14-18) Levando em conta a percepção do narrador expressa no fragmento acima. no ascenso espiritual aos perfeitos ideais. mais tarde. LISTA 21 Questão 01 Compare a imagem da mulher idealizada e sublime. Peruca. p. Como um sapo que vira príncipe ou uma abóbora que vira carruagem.. e.. que se afastava quando tentava bebêla e sob árvores que encolhiam os ramos quando lhes tentava colher os frutos. aos quatro ou cinco anos.” Considerando a informação acima somada ao conhecimento sobre a tradição simbolista da qual essa poesia faz parte. pude perceber formas mais complexas de papéis sociais e comportamento sexual. (Texto adaptado de ANGELO.”. pescadores lacustres e amantes das artes. cujo suplício. tentei entender por aí aquele mistério da infância. havia uma inversão das atitudes sexuais: a mulher seria o parceiro dirigente. b) Retire do texto I a passagem em que se encontra uma aparente contradição entre o fragmento acima e o comportamento descrito para um dos três povos primitivos citados. Essa conclusão seria reforçada pela inversão da posição de dominância entre os sexos no terceiro povo estudado. Ser mulher. Na verdade.” (L. Retire do texto quatro dessas expressões. desejar outra alma pura e alada para poder. Apresente a relação entre a estruturação sintática do poema de Gilka Machado e a limitação da linguagem de que trata a afirmativa acima. jurou mas não cumpriu. demonstre. (.. mamãe eu quero.. Ser mulher. presa nos pesados grilhões dos preceitos sociais! (MACHADO. Questão 12 Questão 9 Identifique a tese central proposta no texto I. como mulher..mas não o faz necessariamente em termos de contraste entre as personalidades prescritas para os dois sexos nem em termos de dominação ou submissão. Lembro-me de algumas das canções. calcular todo o infinito curto para a larga expansão do desejado surto. acrescentara uma pinta. 11-14) a) Explicite o referente do pronome “o” sublinhado na afirmativa acima. apresente uma característica sintática do texto. Continuava longe da verdade.. oh! atroz. tentei entender por aí aquele mistério da infância. pra Deus você pecou. e que ele representava uma transgressão. Ou ainda: “Passaste hoje ao meu lado. 1991. Muitos carnavais que vieram depois e algumas leituras só me deram dados para perceber a constância e a antiguidade daquele gesto. vir à luz trazendo a alma talhada para os gozos da vida. fingiu e me enganou. cristalizada na tradição literária romântica. (org. figura lendária. Minha mãe contou que a mulher dele tinha ido embora com outro e que ele bebia cachaça. 2008. vaidosa... meu amor. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial: FUNARJ. prescritos para a maioria das mulheres e dos homens demonstra não haver base para considerar tais aspectos comportamentais vinculados ao sexo. Hoje entendo-o melhor. em uma tribo.. recuperava o pintor. era estar perto de água. olhos e faces pintados. ou próprio de tântalo. levava aberta uma sombrinha de barbatana quebrada e cantava alegre uma música bem diferente daquelas outras: “Mamãe eu quero. com ela. e o homem. por haver roubado os manjares dos deuses para dá-los a conhecer aos homens. 89-91) Questão 11 O texto II apresenta expressões de temporalidade que situam ao menos quatro estágios da percepção do narrador referentes à imagem de um homem vestido de mulher. pairou algum tempo em meu espírito.. a liberdade e o amor. 24) eu esteja ainda longe da verdade: ali. Ser mulher.. a partir de elementos textuais. Ivan. ele era outro homem. 2005. Já não sei se ela disse exatamente nessa ordem. Um dia mamãe falou: vamos ver o Carnaval. por sua vez. pude perceber formas mais complexas de papéis sociais e comportamento sexual.. mais tarde. sendo uma para cada um desses estágios. o infinito transpor.) Ele (o pintor da infância) gostava de cantar enquanto espalhava cores musicais pelas paredes. São Paulo: Duetto Editorial. por sortilégio de alguma fada ou malefício de alguma bruxa. uma perturbação.encontraria em homens indisciplinados e extremamente violentos. Uma delas: “Aos pés da Santa Cruz você se ajoelhou e em nome de Jesus um grande amor você jurou. seu repertório falava de amores traídos e paixões sem remédio.) Boa companhia. que ser mulher no texto III se relaciona à ideia de “tantálica tristeza”. São Paulo: Companhia das Letras. tentar da glória a etérea e altívola escalada. Imagino que aquele menino o tenha colocado na categoria dos seres e coisas encantados que povoam a infância. Poesias completas. pra mim você mentiu. Nos Tchambuli. o fato de que traços de temperamento tradicionalmente considerados femininos fossem. Questão 10 Observe o fragmento abaixo: “. As explicações pareceramme sempre mecânicas demais – isso aconteceu por causa daquilo – e não alcançaram a força que o encantamento teve na infância. Ser mulher. Quando. H. uma maravilha. com a imagem da mulher construída no texto III. Naquela tarde de sol. (PISCITELLI. encontramos a seguinte informação sobre “tantálico”: “Relativo a. embora Observe o fragmento abaixo: “Quando.”. menos responsável e emocionalmente dependente. em vinil. saber da mágoa que sinto quando a relembrar-te estou.. que recuperei em discos. buscar um companheiro e encontrar um senhor. sentir a vida triste.. Adriana. dançando na rua. em outra.. diferencie o significado atribuído ao vocábulo “homem” no último parágrafo do texto II do significado que lhe é atribuído no primeiro parágrafo. Questão 02 No Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1986: 1647).

29) Questão 04 Pode-se afirmar que o eu-lírico apresenta concepção de casamento diferente da cultivada pelas outras mulheres referidas no texto (verso 1). mas que limpe os peixes. A qualquer hora da noite me levanto. O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio pro-fun-do. ele fala coisas como “este foi difícil” “prateou no ar dando rabanadas” e faz o gesto com a mão. Eu não. se quiser pescar. Identifique tal verso. Terra de Santa Cruz. encontra-se um conectivo normalmente descrito com o sentido de finalidade/movimento. Por fim. Em um desses versos. 986. o efeito de sentido extrapola essa descrição.Em três versos do texto III. Apresente a diferença na caracterização do papel masculino nos dois textos.p. Quais seriam essas concepções em oposição? Questão 05 Nos poemas Ser mulher (texto III) e Casamento (texto IV). tratam do papel masculino em relação ao feminino. retalhar e salgar. . Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva. TEXTO IV Casamento Há mulheres que dizem: Meu marido. abrir. pesque. É tão bom. Adélia. os peixes na travessa. em alguma medida. verificam-se vozes líricas femininas que. de vez em quando os cotovelos se esbarram. (PRADO. vamos dormir. destaque o conectivo e explique o referido efeito de sentido. ajudo a escamar. só a gente sozinhos na cozinha. Rio de Janeiro: Guanabara Dois.

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