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INSOLVÊNCIA CIVIL

INSOLVÊNCIA CIVIL

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1. INTRODUÇÃO

Desde a entrada em vigor do Código de Processo Civil, o direito positivo brasileiro passou a adotar um sistema análogo ao da falência para devedores não comerciantes. Este sistema, foi chamado de execução por quantia certa contra devedor insolvente ou, mais resumidamente, "insolvência civil". Ela apresenta certas diferenças da falência, já que se origina do estado econômico do devedor civil insolvente, pode ser declarada com base na impontualidade, não é considerada criminosa, não há inquérito judicial, o devedor civil não tem obrigação de requerer a sua insolvência etc. Para que se utilize o procedimento da execução por quantia certa contra devedor insolvente é preciso que alguém pleiteie em juízo a declaração de insolvência, ou seja, é preciso exercitar o poder de ação, não sendo possível a declaração ex officio da condição de insolvente, ou se ocorrer a insolvência presumida quando A insolvência civil precisa ser declarada judicialmente para que produza efeitos jurídicos, porém, haverá a insolvência presumida, quando:

O devedor não possuir outros bens livres e desembaraçados para nomear à penhora; For necessário arrestar bens do devedor com fundamento no art. 813, I, II, III. Antes de mais nada, é preciso ter em mente que a insolvência é

instituto civil e, como tal, deve ser estudado no contexto do Código de Processo Civil e, em especial, no da execução, dentro do qual mantém institutos comuns, como os embargos do devedor, a remição etc.

2. CARECTERIZAÇÃO DA INSOLVÊNCIA

concorrerão todos os credores do devedor comum. Com relação aos efeitos de caráter objetivo. que é a declaração judicial de insolvência.nomeação do administrador para a massa.2 Pode-se assim dizer que há três requisitos para que um devedor seja considerado insolvente: • • desequilíbrio financeiro/patrimonial. ocorrerá o vencimento antecipado de todas as dividas. a arrecadação dos bens penhoráveis e a execução coletiva do concurso de credores. Há dois efeitos na declaração de insolvência: o caráter subjetivo e o • caráter objetivo.o caráter de execução coletiva. C . em juízo e fora dele.por alcançar a execução a totalidade dos bens do devedor. D . qual seja a condição de devedor não comerciante e por fim requisito jurídico. com poderes de representação ativa e passiva. constituindo a massa de bens do insolvente. impedindo-o de administrar seus bens e deles dispor até a liquidação total da massa.convocação geral dos credores por edital. PARTES DA INSOLVÊNCIA .universalidade. 3. ao juízo da insolvência. como medida ampla de publicidade do estado de insolvência do devedor. chamado patrimonial. O maior efeito do caráter subjetivo é se fazer presente sobre a pessoa do devedor. ainda que estas não estejam inteiramente resgatadas.pois. B . requisito pessoal. E -extinção das obrigações do insolvente. Segundo Humberto Theodoro Júnior. as principais características do processo de insolvência são: A .

3 Podem requerer a insolvência o credor. EFEITOS DA INSOLVÊNCIA A sentença que declara a insolvência é de natureza constitutiva porque altera relações jurídicas. os efeitos da declaração de insolvência podem ser de direito material e de direito processual. O sujeito passivo da execução é o devedor não comerciante pois. poderá ser declarada nos autos. Para Vicente Greco Filho. facilitando-se as providências processuais e respectivos encargos pela reunião em processo único de todas as execuções. podem requerer a insolvência. O próprio devedor ou o inventariante de seu espólio. instruindo o pedido com título judicial ou extra judicial. A vantagem prática da auto-insolvência consiste em obstar as execuções individuais que poderiam protelar a liquidação geral do patrimônio. havendo. não possuir bens próprios que bastem ao pagamento de todos os credores. se comerciante. O credor sem título deve primeiro obtê-lo em processo de conhecimento para. depois. Os efeitos de direito material acarretam: A . . beneficiar-se da extinção das obrigações. assumindo a responsabilidade por dívidas. o devedor pode requerer a auto-insolvência. Se o devedor for casado e o outro cônjuge. nunca à insolvência. estará sujeito à falência. desde que presentes as situações de arresto. 4. posteriormente. a fim de convocar os credores comuns e poder. habilitar-se. Sentindo-se em situação de insolvabilidade.o vencimento antecipado da dividas do devedor. a situação do devedor em relação aos seus bens e a situação dos próprios bens. então. um litisconsórcio passivo entre eles. Este título não precisa estar vencido.

4 B . 5. onde apresentará sua defesa consistindo em todas as matérias que o devedor solvente poderia alegar em embargos de devedor na execução.Fase postulatória e instrutória até a decretação. D .a perda do direito de administrar os bens. As fases procedimentais são as seguintes: 1 .atração das execuções movidas por credores individuais. Nesta fase.Fase de arrecadação e habilitação de créditos. C . em cada uma.nomeação de administrador.a prescrição das obrigações. oferecer embargos. D .os bens do devedor passam a constituir uma massa insolvente. Nela. a insolvência pode ser requerida pelo credor que tenha título executivo judicial ou extrajudicial ou pelo próprio devedor ou seu espólio.a arrecadação de todos os bens do devedor suscetíveis de penhora. PROCEDIMENTO O procedimento da insolvência pode ser esquematizado em quatro fases nas quais.execução por concurso universal dos seus credores. Sendo a insolvência . o devedor será citado para. É uma fase com caráter de conhecimento e se encerra por uma sentença decretando. B . C . predomina uma determinada atividade. ou não a insolvência. Na sentença que declarar a insolvência o juiz nomeará um administrador da massa dentre os maiores credores. no prazo de dez dias. 2 . Os efeitos de direito processual acarretam: A .

a declaração de crédito e do respectivo título. o juiz encerra o processo de insolvência por sentença . será entregue ao devedor. Não havendo mais bens a liquidar. simulação. se não for suficiente para pagar a todos. entregando a declaração de crédito acompanhada do título executivo. em 24 horas. O juiz também mandará expedir edital para convocar todos os demais credores para que apresentem. pode o juiz não ter idéia da situação patrimonial geral do devedor. como na execução por quantia certa contra devedor solvente. o escrivão ordenará as declarações de crédito. obedecido o procedimento e as alternativas desses atos. o termo de compromisso de desempenhar bem e fielmente o cargo. 4 . a nulidade. autuando cada uma com o respectivo título.Fase das liquidação da massa e pagamentos dos credores. fraude ou falsidade de dívidas e contratos. de acordo com o percentual de rateio para cada um.5 requerida pelo credor. de modo que a nomeação recaia sobre o próprio requerente. intimará todos os credores por edital para. 3 . O administrador assinará. no prazo comum de 20 dias. alegarem suas preferências. Se os bens não tiverem sido alienados. O produto da alienação será entregue para pagamento aos credores. após a sentença de aprovação do quadro. O devedor também poderá apresentar impugnação no mesmo prazo porque a regularidade do crédito interessa à correta liquidação da massa. o juiz determinará a praça para os imóveis e o leilão para os móveis. No caso de haver saldo credor.Fase da verificação e classificação dos créditos Após o prazo de habilitação . no prazo de 20 dias.

a requerimento de qualquer credor. se posteriormente. Outra forma de extinção de obrigações é o acordo que o devedor pode propor aos credores após a aprovação do quadro geral. . Decorridos cinco anos do trânsito em julgado da sentença de declarou encerrada a insolvência. acabam todas as obrigações anteriores do devedor. já que. ainda que não habilitadas no processo. adquirir bens penhoráveis até que sejam extintas suas obrigações. DO SALDO DEVEDOR E DA EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES Liquidada a massa. sem que tenha sido efetuado o pagamento integral a todos os credores.6 6. 774). o devedor insolvente continua obrigado pelo saldo (art. serão arrecadados nos autos do processo.

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