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A Crise da República Oligárquica

A Crise da República Oligárquica

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A Crise da República Oligárquica (Café com Leite) no Brasil.
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História Brasil - Fernando 29.08.

08 A Crise da República Oligárquica

Durante o governo de W. Brás que durou de 1914 a 1918, o Brasil teve de reorganizar sua economia em consequência da Primeira Guerra Mundial. Imediatamente com o início da guerra houve uma queda brusca da compra do café pelos europeus. O café, que já apresentava sinais de decadência, entrou em crise. Além disso, houve um êxodo rural dos trabalhadores imigrantes que começaram a povoar a cidade de São Paulo. A Europa não importava mais café e também deixou de exportar bens de consumo já que suas fábricas passaram a produzir produtos bélicos e não existia mais excedente para vender para as Américas. Houve, então, um surto industrial, o segundo de nossa história sendo o primeiro durante a Era Mauá no século XIX. Os capitais involvidos nessa substituição de importações vieram dos importadores de Santos, Rio e São Paulo e dos cafeeicultores que perceberam a grave crise do café e decidiram diversificar. A industrialização momentânea teve a boa fortuna de obter máquinas para indústria de fábricas européias. Além disso, o êxodo do campo trouxe mão de obra semi-especializada e abundante já que eram imigrantes que trabalhavam em seus países de origem no seto secundário. O resultado final desse surto, que foi sufocado pela entrada de bens dos Estados Unidos depois da guerra, foi a diminuição do caráter agrário do Brasil, enfraquecendo a República Oligárquica que tem por base o campo. Ao mesmo tempo que o setor agrário perde poder, os setores urbanos se fortalecem e tornam-se críticos da Rep. Oligárquica. A burguesia industrial apresentou uma pressão tímida ao regime. Vários representantes eram também cafeeicultores e todos tinham vínculo com o PRP. A maior crítica da classe foi a posição anti-protecionista do Brasil em relação aos norte-americanos. Sendo os Estados Unidos o maior comprador de café brasileiro, o governo deixou de tomar decisões que protegeriam a indústria nacional sob a ameaça do aumento de tarifas para café brasileiro na América do Norte. A burguesia ficou descontente com a posição, mas, ao mesmo tempo, não visava entrar em conflito maior

com o governo. Outro setor urbano que se manifestou contra a Oligarquia foi a classe média. Sua maior reindivicação era o pedido de mudança na Constituição que criaria o voto secreto diminuindo assim muitas das irregularidades no processo eleitoral. O setor que mais se destacou na ofensiva contra o governo foi o operariado. Motivados por uma filosofia Anarco-Sindicalista, os operários se mobilizaram e iniciaram a Primeira Greve Geral do Brasil em 1917 (antes da Revolução Russa). As condições que precederam a greve eram terríveis: a maioria dos operários viviam em cortiços, trabalhavam 14 horas por dia e eram submetidos a condições perigosas de trabalho. Muitas mulheres trabalhavam pra suplementar a renda familiar e ganhavam por volta de 30% do salário dos homens além de serem submetidas à violência e ao estupro. Crianças também eram empregadas em fábricas e ganhavam 5% do salário de um homem adulto. Muitas foram abusadas sexualmente. É nessa situação de péssimas condições, ausência de leis trabalhistas e constante aumento do custo de vida que iniciou-se uma conscientização dos trabalhos por meio de jornais e sindicatos. A greve que eclodiu em julho visava o final do trabalho infantil e dos turnos femininos à noite, a diminuição da carga horária para 8 horas, uma semana útil de 5 dias, direito de liberdade sindical e 30% aumento salarial além de anistia para todos os envolvidos na greve. A polícia e a mídia (especialmente o Estado de São Paulo) foram decisivos na vitória da burguesia. O resultado foi um aumento de 20% nos salários e suposta anistia que foi quebrada com a perseguição de trabalhadores logo depois. O anarquismo também começa a perder força. Com a Segunda Greve Geral em 1919, que foi um fracasso, o anarquismo perdeu definitivamente seus adeptos sendo substituido por idéias socialistas.

História Brasil - Fernando 29.08.08 A Crise da República Oligárquica

O ANO DE 1922 Em 1922, no ano do centenário da independência do Brasil, foi fundado o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Os líderes do novo partido vieram do anarquismo mas dessa vez tinham o apoio internacional da Terceira Internacional em Moscou. A União Soviética confiou ao PCB a tarefa de trazer a experiência russa com o comunismo para países na América Latina. Também em 1922 aconteceu a famosa Semana de Arte Moderna. Respondendo às regras rígidas do Parnasianismo, escritores e artistas brasileiros declararam a separação do estilo europeu para criar um estilo próprio, brasileiro. A semana, mais do que tudo, mostrou a vontade de mudança do arcáico para a vanguarda. Finalmente, o Tenentismo se organizou em 1922. A camada média do exército, representada por tenentes e capitães, formaram uma forte força reformista no país. Visavam a ascenção militar, econômica e social, o fim da república oligárquica e o voto secrete a fim de 'moralizar' o país. Epitácio Pessoa, o nono presidente e simpatizante com os paulistas, viu o início do tenentismo com o episódio do 18 do Forte em Copacabana. Artur Bernardes, de Minas, tinha ganhado a eleição contra Nilo Peçanha mas os tenentes queriam empossar Peçanha pondo um fim na oligarquia. O resultado foram 17 mortos que se tornaram mártires para a causa. Organizaram-se então duas famosas colunas. A Coluna Paulista liderada por Miguel Costa precisou fugir de São Paulo. A Coluna Gaúcha liderada por Luís Carlos Prestes encontra-se com a de São Paulo formando a temida Coluna Prestes que seguiu viajando pelo Brasil sem nunca perder uma batalha. Após três anos, cansados e desgastados, fogem pra Bolívia onde Prestes entra em contato com idéias marxistas. Ao voltar de sua fuga, a maioria da coluna se torna o 'braço armado' de Vargas. Prestes, no entanto, será a pedra no sapato de Vargas.
1917- Primeira Greve Geral 1917- Revolução Russa 1919- Segunda Greve Geral 1921- Terceira Internacional em Moscou 1922- PCB 1922- Semana de Arte Moderna 1922- 18 do Forte de Copacabana 1924- Coluna Paulista 1924- Coluna Gaúcha 1924/27- Coluna Prestes

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