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Realismo em Portugal

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Literatura - Valdir 18.08.08 – 25.08.

08 Origens do Realismo, Realismo em Portugal

O Realismo surgiu primeiramente na França e foi o encontro de fatores políticos e teóricos no começo da segunda metade do século XIX. O grande fator político que alimentou a mudança cultural do romantismo para o realismo foi a Primavera dos Povos, 1848, movimento revolucionário originalmente apoiado pelo romantismo. Mesmo significando o fim do absolutismo francês, o governo de Lamartine que era um escritor e poeta romântico, causou grande insatisfação já em seu terceiro mês no poder. O que seguiu foi uma greve geral que foi fortemente reprimida pelo exército. Essa repressão brutal foi apoiada pelos românticos. Em fim, com a decepção com os românticos que, uma vez no poder, apoiaram mais a burguesia do que o povo, foi inaugurada uma nova linha cultural: o realismo. Enquanto desenrolavam-se as consequências da Primavera dos Povos, 2 filosofias antiromânticas ganharam adeptos. Em primeiro lugar, o positivismo de Augusto Comte incitou a valorização da lógica e da ciência e dos fatos observáveis. Seguia então uma atitude objetiva que foi adotada por vários grupos, inclusive as forças armadas brasileiras. A segunda filosofia teve mais impacto na literatura: o pesssimismo radical de Schopenhauer. Para o filósofo sempre existia a certeza de que viver é sofrer. A humanidade no entanto cria ilusões para esconder a dor dessa realização como o amor, a amizade, o trabalho, a família, o sexo e a religião. Sua filosofia influenciou Machado de Assis e Eça de Queirós. CARACTERÍSTICAS DO REALISMO O método realista pode ser resumido em: observação, análise e pessimismo. A observação é mais importante para um realista do que a imaginação, o sonho e os sentimentos. É preciso então observar e descrever o mundo como ele realmente é assumindo uma postura objetiva e antievasionista. Além de observar e descrever é preciso analisar os fatos cientificamente. O tipo de análise varia

de autor para autor e é o diferencial entre o estilo de cada um. Essa análise pode ser do indivíduo, da sociedade ou da psicologia dos sentimentos. Esse formato gera um grande problema; todas as obras tem enredo quase que secundário em comparação à analise e à descrição. Finalmente, o métdodo realista gera conclusões pessimistas, claramente mostrando claramente a influência de Schopenhauer. Normalmente o enredo e o desfecho evidenciam como o ser humano é egoista, sofredor e covarde. REALISMO EM PORTUGAL O início do realismo em Portugal se deu com a chamada Questão Coimbrã que durou de 1865 à 1867. Nota-se que a inserção de idéias realistas aconteceu 15 anos após o início do realismo na França e 40 anos depois do início do romantismo. O incidente involveu Antero de Quental, jovem de 23 anos e Feliciano Castilho, romântico conservador. Castilho julgou duramente o livro de poesias publicado por Antero de Quental “Odes Modernas” pois fugia do padrão romântico. Como reposta, Antero de Quental publicou o artigo “Bom senso e bom gosto” satirizando a imagem do escritor. Inicia-se assim o realismo em Portugal. Os maiores representantes do realismo em Portugal foram o próprio Antero, Cesário Verde e Eça de Queirós. Antero de Quental produziu basicamente poetas em forma de soneto onde o tema era filosófico concentrando-se no positivismo e no pessimismo. Mais tarde, Fernando Pessoa será influenciado por seus poemas. Cesário Verde também foi uma grande influência para Fernando Pessoa. Seu único livro praticou uma poesia fotográfica que retratava a vida cotidiana. Os poemas de Alberto Caeiro são muito influenciados pelo livro. Em um dos poemas iniciais de Alberto Caeiro, Cesário chega a ser mencionado diretamente. Eça de Queirós limitou sua arte em romances e contos. O autor era também jornalista e

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diplomata viajado. Sua obra pode ser dividida em duas partes. A primeira pode ser considerada altamente realista, seguindo os passos de Antero de Quental. Os livros publicados for críticos, polêmicos, provocadores e passavam uma visão negativa de Portugal. Entre eles estão: O crime do padre Amaro, Os Maias e O primo Basílio. Já na segunda fase, quando uma doença cardíaca força sua mudança para o campo, Eça foge dos padrões realistas. Há um tom de reconciliação com Portugal. O livro mais significativo dessa época é “A Cidade e as Terras.”

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