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Crítica Social

A Corrida de Cavalos

Objectivos:

 Novo contacto de Carlos com a alta sociedade lisboeta, incluindo o próprio rei;
 Visão panorâmica dessa sociedade (masculina e feminina) sob o olhar crítico de
Carlos;
 Tentativa frustrada de igualar Lisboa às capitais europeias, sobretudo Paris;
 Cosmopolitismo (fingido) da sociedade;
 Possibilidade de Carlos encontrar aquela figura feminina que vira à entrada do
Hotel Central.

Existem 4 corridas.

Visão caricatural:

 O hipódromo parecia um palanque de arraial;


 As pessoas não sabiam ocupar os seus lugares;
 As senhoras traziam "vestidos sérios de missa";
 O bufete tinha um aspecto nojento;
 A 1ª corrida terminou numa cena de pancadaria;
 As 3ª e 4ª corridas terminaram grotescamente.

Conclusões a retirar:

 Fracasso total dos objectivos das corridas;


 Radiografia perfeita do atraso da sociedade lisboeta;
 O verniz da civilização estalou completamente;
 A sorte de Carlos, ganhando todas as apostas, é indício de futura desgraça (Sorte
no jogo…).

O Jantar dos Gouvarinho

Objectivos:

 reunir a alta burguesia e aristocracia;


 reunir a camada dirigente do País;
 radiografar a ignorância das classes dirigentes.

Os alvos visados neste jantar são:

 Conde de Gouvarinho
o voltado para o passado;
o tem lapsos de memória;
o comenta muito desfavoravelmente as mulheres;
o revela uma visível falta de cultura;
o não acaba nenhum assunto;
o não compreende a ironia sarcástica do Ega;
o vai ser ministro.
 Sousa Neto
o acompanha as conversas sem intervir;
o desconhece o sociólogo Proudhon;
o defende a imitação do estrangeiro;
o não entra nas discussões;
o acata todas as opiniões alheias, mesmo absurdas;
o defende a literatura de folhetins, de cordel;
o é deputado.

Nota-se assim a superficialidade dos juízos dos mais destacados funcionários do Estado;
incapacidade de diálogo por manifesta falta de cultura.

A Imprensa

"A Corneta do Diabo":

 o director é o Palma "Cavalão", um imoral;


 a Redacção é um antro de porcaria;
 publica um artigo contra Carlos mediante dinheiro;
 vende a tiragem do número do jornal onde saíra o artigo;
 publica folhetins reles, de baixo nível.

"A Tarde":

 o director é o deputado Neves;


 recusa publicar a carta de retractação de Dâmaso porque o confunde com um seu
correligionário político;
 desfeito o engano, serve-se da mesma carta como meio de vingança contra o
inimigo político;
 só publica artigos ou textos dos seus correligionários políticos.

Aspectos a notar: o baixo nível; a intriga suja; o compadrio político; assim como os
jornais, está o País.

Sarau do Teatro da Trindade

Objectivos:

 ajudar as vítimas das inundações do Ribatejo;


 apresentar um tema querido da sociedade lisboeta: a oratória;
 reunir novamente as várias camadas das classes mais destacadas, incluindo a
família real;
 criticar o ultra-romantismo que encharcava o público;
 contrastar a festa com a tragédia.
Neste sarau, destacam-se dois personagens:

 Rufino
oo bacharel transmontano;
oo tema do Anjo da Esmola;
oo desfasamento entre a realidade e o discurso;
oa falta de originalidade;
oo recurso a lugares-comuns;
oa retórica é oca e balofa;
oa aclamação por parte do público tocado no seu sentimentalismo.
 Alencar
o o poeta ultra-romântico;
o o tema da Democracia Romântica;
o o desfasamento entre a realidade e o discurso;
o o excessivo lirismo carregado de conotações sociais;
o a exploração do público seduzido por excessos estéticos estereotipados;
o a aclamação do público.

N.B.: As classes dirigentes estão alheadas da realidade (nota-se isso pela indignação do
Gouvarinho). Caracteriza-se a sociedade como sendo deformada pelos excessos líricos
do ultra-romantismo.

Espaço e Cor
O Ramalhete

O Jardim:

1. A estátua de Vénus Citereia


o "enegrecendo a um canto na lenta humidade das ramagens silvestres"
(Cap.I)
o "parecendo, agora, no seu tom claro de estátua de parque, ter chegado de
Versalhes" (Cap.I)
o "uma ferrugem verde, de humidade, cobria os grossos membros de vénus
Cetereia" (Cap.XVIII)
2. A Cascata
o "uma cascatazinha seca" (Cap.I)
o "E desde que a água abondava, a cascatazinha era deliciosa" (Cap.I)
o "Por entre as conchas da cascata, o fio de água punha o seu choro lento"
(Cap.XVII)
o "mais lento corria o prantozinho da cascata, esfiado saudosamente, gota a
gota" (Cap.XVIII)
3. O Cipreste e o Cedro
o "um pobre quintal inculto, abandonado às ervas bravas, com um cipreste,
um cedro" (Cap.I)
o "o cipreste e o cedro envelhecendo como dois amigos tristes" (Cap.I)
o "o cipreste e o cedro envelheciam juntos, como dois amigos, num ermo"
(Cap.XVIII)
Os móveis do escritório do Afonso:

 "Todos os móveis do escritório do avô desapareciam sob os largos sudários


brancos." (Cap.XVIII)

A Toca:

 "O melhor é baptizá-la definitivamente com o nome que nós lhe dávamos. Nós
chamávamos-lhe a Toca" (Cap.XIII)
 "só meter a chave devagar e com uma inútil cautela na fechadura daquela
morada discreta, foi para Carlos um prazer" (Cap.XIII)
 "uma tarde, (…) experimentaram ambos essa chave" (Cap.XIV)
 "tapeçarias, onde desmaiavam, na trama de lã, os amores de Vénus e Marte"
(Cap.XIII)
 "onde se distinguia uma cabeça degolada"(Cap.XIII)
 "uma enorme coruja fixava no leito de amor, os deus dois olhos redondos e
agoirentos" (Cap.XIII)
 "o famoso armário, o móvel divino de Craft" (Cap.XIII)
 "na base quatro querreiros" (Cap.XIII)
 "a peça superior era quardada aos quatro cantos pelos quatro evangelistas"
(Cap.XIII)
 "espigas, foices, cachos de uvas e rabiça de arados" (Cap.XIII)
 "dois faunos, recostados em simetria, indiferentes aos heróis e aos santos"
(Cap.XIII)
 "era ao centro um ídolo de bronze, um Deus bestial" (Cap. XIII)

Os símbolos cromáticos

O Vermelho:

 "aquela sombrinha escarlate (…) quase o envolvia, parecia envolvê-lo todo -


como uma larga mancha de sangue" (Cap.I)
 "ao lado de Maria, com uma camélia escarlate na casaca" (Cap.I)
 "todas as cadeiras eram forradas a repes vermelhos" (Cap.XI)
 "abria lentamente o grande leque negro pintado de flores vermelhas" (Cap.XI)

Amarelo e Dourado:

 "uma senhora loura, os cabelos loiros, de um oiro fulvo" (Cap.I)


 "uma senhora alta, loira" (Cap.VI)
 "era toda forrada, paredes e tecto, de um brocado amarelo, cor de botão-de-oiro"
(Cap.XIII)

O Negro:

 "seus olhos muito negros" (Cap.III)


 "o negro profundo de dois olhos que se fixaram nos seus" (Cap.VII)

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