Você está na página 1de 5

Biocombustível

Biocombustível ou agrocombustível é o combustível de origem biológica


não fóssil. Normalmente é produzido a partir de uma ou mais plantas.
Todo material orgânico gera energia, mas o biocombustível é fabricado
em escala comercial a partir de produtos agrícolas como a cana-de-
açúcar, mamona, soja, canola, babaçu, mandioca, milho, beterraba.[1

Tipos de biocombustível
Em Portugal, são considerados biocombustíveis, no âmbito do Decreto-Lei nº 62/2006[2]
(decreto-lei que transpõe a matéria para a Diretiva nº 2003/30/CE e cria mecanismos
para promover a colocação no mercado de quotas mínimas de biocombustíveis; prevê
dez tipos), os seguintes produtos:

Energia renovável

Biocombustível
Biomassa
Energia azul
Energia geotérmica
Energia hidráulica
Hidreletricidade
Energia solar
Energia maremotriz
Energia das ondas
Energia eólica

A Wikipédia possui o:
Portal de Ambiente

1. bioetanol: etanol produzido a partir de biomassa e/ou da fração biodegradável de


resíduos para utilização como biocombustível;
2. biodiesel: éster metílico e/ou etílico, produzido a partir de óleos vegetais ou
animais, com qualidade de combustível para motores diesel, para utilização
como biocombustível;
3. biogás: gás combustível produzido a partir de biomassa e/ou da fração
biodegradável de resíduos, que pode ser purificado até à qualidade do gás
natural, para utilização como biocombustível ou gás de madeira;
4. biometanol: metanol produzido a partir de biomassa para utilização como
biocombustível;
5. bioéter dimetílico: éter dimetílico produzido a partir de biomassa para utilização
como biocombustível;
6. bio-ETBE (bioéter etil-terc-butílico): ETBE produzido a partir do bioetanol,
sendo a porcentagem em volume de bio-ETBE considerada como
biocombustível igual a 47%;
7. bio-MTBE (bioéter metil-terc-butílico): combustível produzido com base no
biometanol, sendo a porcentagem em volume de bio-MTBE considerada como
biocombustível de 36%;
8. biocombustíveis sintéticos: hidrocarbonetos sintéticos ou misturas de
hidrocarbonetos sintéticos produzidos a partir de biomassa;
9. biohidrogénio: hidrogénio produzido a partir de biomassa e/ou da fração
biodegradável de resíduos, para utilização como biocombustível;
10. óleo vegetal puro produzido a partir de plantas oleaginosas: óleo produzido por
pressão, extração ou processos comparáveis, a partir de plantas oleaginosas, em
bruto ou refinado, mas quimicamente inalterado, quando a sua utilização for
compatível com o tipo de motores e os respectivos requisitos relativos a
emissões.

Conceitos
Biocombustíveis são fontes de energia renováveis, derivados de matérias agrícolas
como plantas oleaginosas, biomassa florestal, cana-de-açúcar e outras matérias
orgânicas. Existem vários tipos de biocombustíveis: bioetanol, biodiesel, biogás,
biomassa, biometanol, bioéter dimetílico, bio-ETBE, bio-MTBE, biocombustíveis
sintéticos, biohidrogénio.

Mas os principais biocombustiveis são: a biomassa, o bioetanol, o biodiesel e o biogás.

Biomassa

A biomassa é uma fonte de energia limpa e renovável disponível em grande abundância


e derivada de materiais orgânicos. Todos os organismos capazes de realizar fotossíntese
(ou derivados deles) podem ser utilizados como biomassa. Exemplo: restos de madeira,
estrume de gado, óleo vegetal ou até mesmo o lixo urbano. O máximo está sendo feito
para obter a energia da biomassa, já que o petróleo e o carvão mineral têm prevenções
de acabar, a energia elétrica está cada vez mais escassa (já que essa energia depende da
força da água) e a energia nuclear é perigosa. Outro fator importante é que a
humanidade esta produzindo cada vez mais lixo e esse lixo também é capaz de produzir
energia, isso ajuda a resolver vários problemas: diminuição do nível de poluição
ambiental, contenção do volume de lixo das cidades e aumento da produção de energia.
Vantagens: energia limpa e renovável, menor corrosão de equipamentos, os resíduos
emitidos pela sua queima não interferem no efeito estufa, ser uma fonte de energia, ser
descentralizadora de renda, reduzir a dependência de petróleo por parte de países
subdesenvolvidos, diminuir o lixo industrial (já que ele pode ser útil na produção de
biomassa), ter baixo custo de implantação e manutenção.

Quatro formas de transformar a biomassa em energia:

1. pirólise: através dessa técnica, a biomassa é exposta a altíssimas


temperaturas sem a presença de oxigênio, visando a acelerar a
decomposição da mesma. O que sobra da decomposição é uma
mistura de gases (CH4, CO e CO2 – respectivamente, metano,
monóxido de carbono e dióxido de carbono), líquidos (óleos
vegetais) e sólidos (basicamente carvão vegetal);
2. gaseificação: assim como na pirólise, aqui a biomassa também é
aquecida na ausência do oxigênio, gerando como produto final
um gás inflamável. Esse gás ainda pode ser filtrado, visando à
remoção de alguns componentes químicos residuais. A diferença
básica em relação à pirólise é o fato de a gaseificação exigir
menor temperatura e resultar apenas em gás;
3. combustão: aqui a queima da biomassa é realizada a altas
temperaturas na presença abundante de oxigênio, produzindo
vapor a alta pressão. Esse vapor geralmente é utilizado em
caldeiras ou para movimentar turbinas. É uma das formas mais
comuns hoje em dia e sua eficiência energética situa-se na faixa
de 20 a 25%;
4. co-combustão: essa prática propõe a substituição de parte do
carvão mineral utilizado em uma termoelétricas por biomassa.
Dessa forma, reduz-se significativamente a emissão de poluentes
(principalmente dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio,
responsáveis pela chuva ácida). A faixa de desempenho da
biomassa encontra-se entre 30 e 37%, sendo por isso uma opção
bem atrativa e econômica atualmente.

Biodiesel

O biodiesel é derivado de lipídios orgânicos renováveis, como óleos vegetais e gorduras


animais, para utilização em motores de ignição por compressão (diesel). É produzido
por transesterificação e é também um combustível biodegradável alternativo ao diesel
de petróleo, criado a partir de fontes renováveis de energia, livre de enxofre em sua
composição. É obtido a partir de óleos vegetais como o de girassol, nabo forrageiro,
algodão, mamona, soja.

Bioetanol

O bioetanol é a obtenção do etanol através da biomassa, para ser usado diretamente


como combustível ou se juntar com os ésteres do óleo vegetal e formar um combustível,
a esse processo se dá o nome de transesterificação. O etanol é um álcool incolor, volátil,
inflamável e totalmente solúvel em água, derivado da cana-de-açúcar, do milho, da uva,
da beterraba ou de outros cereais, produzido através da fermentação da sacarose.
Comercialmente, é conhecido como álcool etílico e sua fórmula molecular é C2H5OH
ou C2H6O.

O etanol é hoje um produto de diversas aplicações no mercado, largamente utilizado


como combustível automotivo na forma hidratada ou misturado à gasolina. Também
tem aplicações em produtos como perfumes, desodorantes, medicamentos, produtos de
limpeza doméstica e bebidas alcoólicas. Merece destaque como uma das principais
fontes energéticas do Brasil, além de ser renovável e pouco poluente. O Brasil é hoje o
maior produtor mundial de etanol, que, quando utilizado como combustível em
automóveis, representa uma alternativa à gasolina de petróleo. Destacam-se na produção
do etanol os estados de São Paulo e Paraná, respondendo juntos por quase 90% da safra
total produzida. Além disso, o Brasil lidera a produção mundial de cana-de-açúcar
(principal matéria-prima do etanol), sendo essa uma indústria que movimenta vários
bilhões de dólares por ano, e representa uma dependência menor do petróleo.

Impacto ambiental e vantagens


Os biocombustíveis são apresentados como alternativas aos combustíveis fósseis, visto
que são energias renováveis, o que não acontece com os combustíveis fósseis.

Na língua francesa, é feita uma diferença entre os termos biocombustível, biocarburante


e agrocarburante. Agrocarburantes são combustíveis para motor (automóveis e outros)
obtidos a partir de produtos agrícolas produzidos para esse fim.

Há também biocombustíveis produzidos a partir de óleos comumente usados.

Balanço ambiental e social

O balanço ambiental dos biocombustíveis depende da fileira considerada (álcool, óleo


vegetal puro, biodiesel etc.) e do tipo de agricultura praticado (agricultura intensiva,
agricultura biológica etc.).

Nos biocombustíveis resultantes da reciclagem dos óleos usados, pode-se considerar


que há um balanço ambiental positivo, pois esses óleos poderiam ser poluentes ou ter
um uso menos eficiente.

Quanto aos biocombustíveis produzidos a partir de produtos agrícolas, para fazer um


balanço ambiental é preciso ter em conta o impacto dos adubos e dos pesticidas
utilizados, do consumo de água, que pode ser muito importante para certas espécies
vegetais, e do impacto na biodiversidade quando imensas zonas de cultura substituem
áreas muito ricas em espécies (florestas tropicais e outros hot spots como a zona
mediterrânica). O balanço de CO2 dos biocombustíveis não é neutro, tendo em conta a
energia necessária à sua produção, mesmo que as plantas busquem o carbono na
atmosfera: é preciso ter em conta a energia necessária para a produção de adubos, para a
locomoção dos tratores agrícolas, para a irrigação, para o armazenamento e transporte
dos produtos. A fileira do óleo vegetal puro tem um melhor balanço que a do biodiesel.

OCDE e FAO questionam biocombustíveis


Segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
(OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação
(FAO) sobre as perspectivas da agricultura mundial na próxima década, divulgado na
quarta-feira, 4 de julho de 2007, pode-se verificar uma alta de preços para alguns
produtos, com destaque para os cereais. Analisando o que se passou até agora, a seca em
alguns países produtores de cereais e a redução de excedentes devido à procura chinesa
e à reforma da Política Agrícola Comum da União Europeia (PAC) explicam os
recentes picos nos preços de algumas matérias-primas. "Mas, olhando para o longo
prazo, as mudanças estruturais que estão ocorrendo vão manter os preços altos para
muitos produtos agrícolas na próxima década", diz o relatório. Que mudanças são
estas? "A redução dos excedentes e um declínio dos subsídios à exportação contribuem
para essas alterações, mas o mais importante é a crescente utilização de cereais,
açúcar, oleaginosas e óleos vegetais para produzir substitutos para os combustíveis
fósseis, isto é, etanol e biodiesel." O que levará a preços mais altos das culturas,
afetando, por arrasto, a alimentação animal, o que se irá refletir nos custos finais.

Segundo o relatório da União Européia, a quantidade de oleaginosas usadas para


biodiesel deve aumentar dos atuais dez milhões de toneladas para vinte e um milhões
dentro de dez anos. Nos Estados Unidos, o etanol feito a partir do milho vai duplicar até
2016, enquanto, no Brasil, os vinte e um bilhões de litros hoje produzidos saltarão para
quarenta e quatro bilhões.

O relatório sublinha ainda que, na maior parte dos países temperados, a produção de
etanol e biodiesel não é viável economicamente sem apoios públicos. O que significa
que as decisões políticas que forem tomadas a curto prazo poderão modificar o cenário
descrito no estudo. A introdução de novas tecnologias e o preço de petróleo são outras
duas variáveis que também contribuem para que ainda persistam muitas incógnitas
sobre o futuro deste novo mercado.