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Cultura e Diversidade

Conhecer
Reconhecer
Valorizar
Cultura e Diversidade
Cultura e Diversidade

Aracaju 2010
GOVERNO DE SERGIPE

Governador do Estado MARCELO DÉDA CHAGAS

Vice-Governador do Estado BELIVALDO CHAGAS SILVA

Secretária de Estado do Planejamento, Habitação e do Desenv. Urbano MARIA LÚCIA DE OLIVEIRA FALCÓN

Secretário de Estado da Comunicação Social CARLOS ROBERTO DA SILVA

Secretária de Estado da Cultura ELOÍSA DA SILVA GALDINO

Secretário de Estado do Desenvolvimento JORGE SANTANA DE OLIVEIRA


Econômico, da Ciência e Tecnologia e do Turismo
Diretor-Presidente da Empresa de Desenvolvimento CARLOS HERMÍNIO DE AGUIAR OLIVEIRA
Sustentável do Estado de Sergipe
Diretor-Presidente da Empresa Sergipana de Turismo JOSÉ ROBERTO DE LIMA ANDRADE

COMISSÃO ORGANIZADORA DA I JORNADA SERGIPANA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL

Secretária Adjunta do Planejamento, Habitação ANA CRISTINA DE CARVALHO PRADO DIAS


e do Desenvolvimento Urbano
Superintendente de Desenvolvimento, Captação GLEIDENEIDES TELES DOS SANTOS
de Recursos e Programas Especiais
Gerente do Projeto Identidade, Cultura e MARCEL DI ANGELIS SOUZA SANDES
Desenvolvimento dos Territórios Sergipanos
Secretário Adjunto da Cultura MARCELO RANGEL LIMA

Coordenadora de Marketing da Empresa Sergipana de Turismo CAROLINE PORTUGAL

Gerente da Unidade de Atendimento Coletivo – Indústria PAULO AFONSO MARQUES DE SOUZA


Serviço Brasileiro de Apoio às Empresas – Sebrae/Se
Diretor do Teatro Tobias Barreto LINDOLFO AMARAL
Apresentação dos
Lambe-sujos e
Caboclinhos em
Laranjeiras. Ao fundo,
a Igreja Matriz.
Sumário

15 Sergipe: conhecer, reconhecer e valorizar

19 A cultura como vetor estratégico do


desenvolvimento e da inclusão social

31 Diversidade e riqueza
Receita da identidade e beleza do povo sergipano
34 Manifestações tradicionais
34 Tradições religiosas
35 Artesanato
36 Espetáculos e Danças
40 Música
40 Literatura popular
40 Folguedos de Guerra, Luta e Libertação
44 Manifestações contemporâneas
44 Festas e Eventos
47 Teatro e música
48 Artesanato

51 Territorios de Identidade
53 Grande Aracaju 92 Presença Indígena

56 Encontro Cultural de Laranjeiras 93 Toré

58 Chegança 94 Cangaço

60 Lambe-sujos e Cabloclinhos 96 Artesanato em Couro

63 Taieiras 97 O Vaqueiro, o Boiador e o Berrante

64 Cacumbi 98 Cordel

65 São Gonçalo 99 Violeiros e Cantadores

66 Ciclo da folia 100 Festa do Leite e Semana da Vaca Leiteira

68 Procissão do Fogaréu 102 Festa do Quiabo

69 Procissão do Encontro 103 Pituzada

70 Ciclo junino
105 Médio Sertão
71 Pé-de-Serra 108 Procissão do Madeiro
72 Caceteira do Rindu 110 Festa do Boi
73 Samba de Pareia 111 Festival de Jegues
74 Samba de Coco 112 Bonequeiras
76 Candomblé/Umbanda 113 Galinha de Capoeira com Fava
77 Nagô
115 Baixo S. Francisco
78 Mamulengo
118 Bom Jesus dos Navegantes
79 FASC
119 Pastoril
80 O Mercado
120 Banda de Pífanos
81 Caranguejada
122 Guerreiro
83 Alto Sertão 123 Zé Pereira
86 Cavalhada 125 Maracatu
87 Casamento do Matuto 126 Cavalgada
88 Rendas 127 Queima de Judas
91 Artesanato em Madeira
128 Bordadeiras 165 Centro Sul
130 Artesanato em Cerâmica 168 Grupo Parafuso
132 Artesanato em Palha/Cipó 170 Silibrina
134 Festa da carne do Sol 171 Tecelagem
135 Peixada em panela de barro 173 Bordado

137 Sul Sergipano 174 A Capoeira e o Berimbau de Boca

140 Quadrilha Junina 175 Maculelê

143 Batucada Pisa Pólvora 176 Festival da Mandioca e a Maniçoba

144 Barco de Fogo 177 Lombo em Panela de Barro

147 Encontro de Carros-de-boi 179 Leste Sergipano


148 Festa da Laranja 182 Reisado

149 Refogado de Aratu 183 Sarandagem ou Sarandaia

151 Agreste Central 185 Batalhão/Bacamarteiros

154 Feiras 186 Festa do Mastro

156 Os Caretas 187 Samba de Aboio

157 Embeleco 188 Renda Irlandesa

159 Penitentes 190 Festival de Arte Arthur Bispo do Rosário

160 Trezenário de Santo Antônio 191 Robalo do Molho de Camarão


e Festa do Caminhoneiro
194 Referências Bibliográficas
161 Brinquedos Artesanais

162 Filarmônicas

163 Buchada de Carneiro


Integrantes da religiosidade
afro Nagô de Laranjeiras,
aguardando a passagem dos
Lambes- Sujo e Caboclinhos.
Sergipe: conhecer,
reconhecer e valorizar
em cultura não há desenvolvimento. E esse fato tem sido
negligenciado durante décadas de política desenvolvimentista. Se
observarmos a história, veremos que durante cinco séculos, o Brasil
buscou caminhos monocromáticos para a trama da sua história.
Como diria Sérgio Buarque de Holanda, nós ficamos como caranguejos,
arranhando o litoral.
Sem dúvidas, um estado como Sergipe, cujo litoral foi abençoado com
cinco grandes barras fluviais, que juntamente com a cana de açúcar foram
por décadas os motores da economia sergipana, além da disponibilidade
de recursos minerais e da existência de um significativo pólo de comércio e
serviços como Aracaju, deve valorizá-lo como estratégia de desenvolvimento.
Por outro lado, esquecer o seu interior significa inviabilizar um projeto de
desenvolvimento mais justo, equitativo e sustentável, que garanta a inclusão
dos seus cidadãos pelo direito e pela renda.
Em Sergipe, o progresso Interiorizar, mais na alma que no território, é dar sustentabilidade ao
econômico não sufocou desenvolvimento, mas isso não é uma ação simples. Ela passa pela observação
a diversidade. Além do da diversidade que se formou entre os rios São Francisco e Real, entre o Oceano
Atlântico e o sertão nordestino. Para isso, é necessário delicadeza ao tratar de
turismo de sol e mar e das elementos sensivelmente entrelaçados, a saber: cidadania, cultura e economia.
manifestações da cultura
Felizmente, em Sergipe, o progresso econômico não sufocou a diversidade.
de massa, existem por todo Além do turismo de sol e mar e das manifestações da cultura de massa,
o nosso território belas existem por todo o nosso território belas representações feitas do nosso mais
representações feitas do genuíno “barro”, original deste valioso chão. Essa é uma das características
mais marcantes aos olhos de quem nos visita e é isso que o leitor verá ao longo
nosso mais genuíno “barro”. deste livro “Sergipe: Cultura e Diversidade”.
Se somos muito diversos, isso se deve ao fato de que a natureza de um espaço
formado por tantas diversidades ambientais e trocas culturais o imuniza em
relação ao risco de homogeneização. Desta forma, devemos aproveitar as
oportunidades que o nosso espaço nos oferece e criar, a partir das nossas mais
sinceras vocações, possibilidades de negócios, de geração de emprego e renda
e de melhoria da qualidade de vida dos sergipanos, buscando a integração na
diversidade e o aporte do fator cultural à equação do desenvolvimento.
Um rápido exame nos mostra que, não raro, os países mais desenvolvidos
também são aqueles que mantêm mais vivos os elementos importantes da sua
cultura, aqueles traços que os une enquanto conjunto singular. Nesse sentido,
Sergipe dá um passo à frente ao realizar um primeiro levantamento para
melhor conhecer esse patrimônio que, muitas vezes, não é material, mas é tão
importante quanto nosso patrimônio físico-ambiental.

Sergipe: Cultura e Diversidade 15


Com o Planejamento Participativo, criamos em Sergipe uma imensa “ágora” Ao lado, Cheiroso, o Mateus do
onde a cultura foi incorporada à política de desenvolvimento territorial, Reisado do Balde de Laranjeiras.
Abaixo, pintura sobre cerâmica,
tornando real um compromisso assumido em nosso Plano Estratégico de
de Ismael Pereira.
Governo. E se a nova forma de governar para o futuro de Sergipe dá voz ao
nosso colorido vário, cabe então aos sergipanos contribuírem, em parceria
com o seu governo, para a construção dos seus caminhos, exaltando e
preservando toda a sua diversidade, construindo, juntos e efetivamente, um
Sergipe Para Todos.
Tenho, por tudo isso, não apenas a honra, mas um inegável orgulho em
poder compartilhar com o maior número possível de pessoas o acesso a essa
demonstração da beleza, grandeza e criatividade da gente sergipana. Entrego
ao povo de Sergipe um registro daquilo que somos e da força e originalidade
da imaginação popular no mundo do trabalho, da religião e das festas. E se
imaginarmos, ao longo dos 500 anos de história brasileira, os milhares de
sergipanos que construíram e reconstroem nossa cultura, posso dizer que este
livro tem milhares de autores e centenas de anos de vivência.
Que seja de utilidade e de prazer lúdico a todos quantos o lerem.
Marcelo Déda Chagas
Governador do Estado de Sergipe

16 Sergipe: Cultura e Diversidade


A cultura como
vetor estratégico do
desenvolvimento e da
inclusão social
Ao ler este livro, o leitor será arrastado para um domínio
onde governam a emoção e o encantamento com a beleza e
a diversidade cultural sergipanas. A riqueza das ilustrações
e cartografias e a sutileza dos estudiosos que descreveram as
manifestações selecionadas para esta publicação, transportarão o leitor por
alguns momentos para o mundo daqueles que fazem a nossa Cultura.
Cultura e desenvolvimento. O global, igual, padronizado e enlatado versus
o local, diferenciado e único. Dois temas cuja relação tem sido há muito
explicitada, emergem com força mais uma vez no início do século XXI. Desta
vez, o foco são os países em desenvolvimento e a pergunta que se põe é: existe
possibilidade de gerar desenvolvimento a partir do fortalecimento da cultura?
A resposta ainda está sendo construída. São muitas as experiências, os
A publicação deste livro, caminhos, e o debate é rico. Nesse sentido é que vários países passaram a
que tem como fonte criar órgãos e institutos com a finalidade de conceder ao tema um tratamento
específico. Desse movimento são ilustrativas as criações de Institutos de
principal o levantamento Pesquisa, autônomos ou vinculados a Universidades, em sua maioria visando
cultural, é uma mostra dar um tratamento científico ao tema, especialmente na vertente da economia
panorâmica de toda a da cultura e da economia criativa.
beleza e riqueza das “A necessidade de se conhecer melhor o setor cultural já se impôs, a partir dos
manifestações culturais anos 1970, em países europeus – principalmente a França, um dos primeiros a
incluir a cultura no plano de metas nacional – nos Estados Unidos e em outros
do povo sergipano. países-membros da Unesco que incorporaram o conceito de cultura em suas
estratégias de desenvolvimentos social e econômico”1.
Além dos pioneirismos europeu e americano, as iniciativas de países da
América Latina no âmbito do Convênio Andrés Bello2 merecem destaque,
especialmente o caso do México, que elaborou, no espaço delimitado do
seu Sistema de Informações Culturais, além do seu Atlas de Infraestrutura
Cultural e das pesquisas de costumes e consumos culturais, um levantamento
de caráter qualitativo, assemelhado ao que agora apresentamos, descrevendo
as suas principais manifestações, a abrangência geográfica e a periodicidade
da ocorrência, grupos envolvidos, as funções sociais e culturais que cada
manifestação exerce no interior do grupo que a pratica, além dos riscos que
enfrentam e as possíveis medidas de salvaguarda que permitiriam protegê-las
e promovê-las.

Sergipe: Cultura e Diversidade 19


No Brasil, foram publicadas duas edições do Sistema de Informações e
Indicadores Culturais, fruto do convênio entre o Ministério da Cultura e o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o desenvolvimento de
uma base contínua de informações relacionadas ao setor cultural e construção
de indicadores culturais. Essa base de dados é parte integrante do Sistema
Nacional de Cultura que, a exemplo dos Sistemas de Saúde e Assistência
Social, prevê o estabelecimento de princípios e diretrizes comuns, divisão de
atribuições e responsabilidades entre os entes da federação, compartilhamento
de recursos e criação de instâncias de controle social das políticas do setor, bem
como um compartilhamento público e transparente e a integração de dados e
indicadores coletados pelos municípios, os estados e o governo federal, para
gerar informações e estatísticas da realidade cultural brasileira.
A reconhecida capacidade do IBGE e a implementação do Sistema Nacional
de Cultura levam-nos a entrever um caminho promissor a respeito das
pesquisas na área cultural em todo o Brasil, uma vez que estados e municípios,
ao se associarem ao sistema, devem criar instrumentos de gestão para
acompanhamento e avaliação das políticas públicas de cultura, ou seja, seus
Sistemas Estaduais e Municipais de Informações e Indicadores Culturais.
No entanto, o recorte dado pelo IBGE às atividades culturais deixa de fora
grande parte das produções da cultura popular, pois estas, por sua vez, não
podem computar dados para as contas nacionais, em virtude do seu alto grau
de informalidade, o que faz com que seu acompanhamento preciso seja uma
tarefa difícil.
As classificações atualmente existentes, sem dúvida, não delineiam fielmente
o que compõe o setor cultural, o que não é uma falha dos pesquisadores que
sobre o assunto se debruçam, mas um desafio posto pela natureza do próprio
objeto pesquisado: a fluidez da cultura.
Foi com a disposição de compreender a diversidade cultural de Sergipe e
torná-la fonte de auto-estima, emprego e renda para os seus habitantes que a
experiência do Planejamento Participativo incorporou, além da economia e
da infraestrutura, a cultura. A metodologia da territorialidade, implementada
pelo Governo sergipano, baseada nos territórios de identidade do Ministério
do Desenvolvimento Agrário, pressupõe 5 dimensões: a social, a político-
institucional, a ambiental, a econômico-produtiva e a cultural, que também se
constituem como bases do Programa Mais Cultura.
Os Territórios da Cidadania do Governo Federal estimulam a Sociedade Civil
a se auto-organizar para buscar o desenvolvimento. O Ministério da Cultura
passou a ver a cultura não apenas como fenômeno restrito às manifestações
artísticas, ampliando o conceito para o campo mais vasto da criação humana
no seu sentido histórico-antropológico, fato que teve grande importância no
que se refere à incorporação da contribuição popular ao processo de formação
da sociedade brasileira.
O Governo de Sergipe, em uma ampla consulta popular realizada em 2007,
estabeleceu oito Territórios de Planejamento baseados na sua identidade Artesanato em cerâmica inspirado
cultural. Em 2008, trabalhou com os delegados do Planejamento Participativo nas gravuras dos cordéis.

20 Sergipe: Cultura e Diversidade


(PP) os símbolos-ícones e as festas mais representativas de cada território. Em Igreja de Bom Jesus dos
2009, aprofundando ainda mais nessa direção, trabalhou o tema cultura nas Navegantes em Laranjeiras.
conferências do PP, fazendo um primeiro levantamento das manifestações Mosteiro das Carmelitas
culturais existentes em todos os teritórios, com destaque para a escolha dos em São Cristóvão.
principais elementos da gastronomia de cada um deles.

Sergipe: Cultura e Diversidade


Produzir este livro significa registrar e divulgar para um público amplo
aquilo que mais nos representa e singulariza, com base em uma abrangente
pesquisa empírica e bibliográfica e preenchendo uma lacuna dos registros As classificações
e levantamentos acerca da cultura no estado de Sergipe. Trata-se, portanto,
atualmente existentes,
de um primeiro levantamento do nosso acervo cultural do ponto de vista
qualitativo e especializado. sem dúvida, não delineiam
Antes deste livro, em 1977, a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro fielmente o que elas vêm
realizou pesquisas para elaboração do Atlas Folclórico do Brasil, onde o a ser, o que não é uma
Estado de Sergipe foi a grande surpresa, por contar, naquela ocasião, com 220 falha dos pesquisadores
grupos populares em atividade. Um resultado que fez de Sergipe, à época, a
maior reserva de folclore de todo o País.
que sobre o assunto se
debruçam, mas um desafio
Na realidade, a novidade deste material que publicamos agora reside em três
aspectos: a “arquitetura” do processo de pesquisa e do seu aperfeiçoamento, a posto pela natureza do
atualidade do levantamento e a idéia de registrar o grau de dinamismo em que próprio objeto pesquisado:
se encontram as manifestações. Essa informação é de extrema importância a fluidez da cultura.
para todos, especialmente para algumas secretarias, como a Secretaria
de Estado do Planejamento, Habitação e do Desenvolvimento Urbano
(Seplan), que tem como missão coordenar o planejamento das políticas
públicas no Estado de Sergipe; a Secretaria de Estado da Cultura (Secult),
que tem trabalhado para promover a Política Cultural do Estado de forma
territorializada e integrada, de modo a assegurar a produção e o acesso aos
bens e serviços culturais e garantir a diversidade cultural sergipana buscando

Sergipe: Cultura e Diversidade 21


desenvolver a cultura em seus aspectos social, humano e econômico, e como a
Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia
e do Turismo (Sedetec), que é responsável pela política de desenvolvimento
econômico e turismo.
Por se tratar de uma obra que se pretende acessível a um público que deseja
conhecer Sergipe, especialmente aos empresários da área da economia da
cultura e do turismo e àqueles que nos visitam e aos nossos estudantes,
futuros responsáveis pelos rumos de Sergipe, esta publicação não registra
exaustivamente tudo aquilo que foi levantado na pesquisa de campo, mas,
apenas os eventos mais importantes de todos os territórios, tanto do ponto de
vista sociocultural quanto da sua capacidade de gerar renda e benefícios para
os seus agentes e afins.
O fato de não incluirmos nele informações que são altamente mutáveis,
certamente, conceder-lhe-á maior tempo de representatividade do que é
Sergipe, o que não quer dizer que ignoremos o movimento contínuo da
cultura. Desta forma, o nosso rol de informações não inclui dados acerca
da produção (oferta) e demanda de bens e serviços culturais, nem aspectos
relativos à gestão cultural no nível municipal ou informações sobre os gastos
públicos com cultura e o perfil socioeconômico da mão-de-obra ocupada
Mercado Antônio Franco, construído
em atividades culturais, pesquisas que já são sistematicamente elaboradas e em 1926, foi restaurado para servir
atualizadas pelo IBGE e que podem ser encontradas nos sites www.ibge.gov.br de espaço de comercialização do
ou www.cultura.gov.br. artesanato sergipano em Aracaju.

22 Sergipe: Cultura e Diversidade


É importante, também, ressaltar que o objetivo deste livro não foi criar um
Guia ou Catálogo Cultural, e sim registrar a diversidade da cultura sergipana.
Apesar disso, para os leitores que tenham interesse em visitar ou entrar em
contato com os indivíduos e grupos que fazem a cultura sergipana, estão
disponíveis no site www.seplan.se.gov.br, no link “Programas - Planejamento
Participativo”, os Relatórios das Conferências Municipais do Planejamento
Participativo – Ciclo 2009-2010, que contêm informações sobre onde
encontrá-los, assim como está disponível em meio digital esta e outras
publicações.
Cabe destacar, ainda, que os resultados do nosso levantamento indicam
forte correlação com as informações do Suplemento de Cultura da Pesquisa
de Informações Básicas Municipais – MUNIC 2006, do IBGE, no tocante
às atividades artísticas e artesanais existentes nos municípios sergipanos,
revelando que este primeiro levantamento, que agora apresentamos, será de
grande valia aos diversos fins a que se propõe.

O caminho percorrido
A necessidade da produção deste livro nasceu durante o Planejamento
Participativo. Essa enriquecedora experiência, acontecida em Sergipe a
partir de 2007, mobilizou milhares de participantes em todos os municípios
e escolheu as prioridades de investimentos que devem integrar a ação
governamental e o orçamento público. A decisão de conhecer melhor a cultura
de cada território do nosso Estado decorre da decisão preliminar de tornar a Imagem de Santa Católica em
cultura um vetor do desenvolvimento local, do fortalecimento da cidadania artesanato de fibra de coqueiro.
e da melhoria da qualidade de vida da população. Além da riqueza empírica
quando do contato proporcionado pelo Planejamento Participativo com mais
de 35 mil sergipanos nos 3 primeiros anos de Governo, o Plano Estratégico
da Administração Estadual, que preconiza a necessidade de inclusão pelo
direito e pela renda, bem como o Desenvolver-SE (Plano Estadual de
Desenvolvimento Econômico para 10 anos), ao definir a economia da cultura
como um dos pilares do desenvolvimento sustentável em um horizonte de
longo prazo, foram os fundamentos documentais dessa decisão.
O Projeto “Identidade, Cultura e Desenvolvimento dos Territórios Sergipanos”
foi elaborado e o primeiro passo foi a realização de um seminário, reunindo
grandes nomes da antropologia, economia, geografia, história, planejamento
e políticas públicas e representantes de várias áreas governamentais e da
sociedade civil brasileira e sergipana.
Resultou dele um quadro referencial para tratar o tema – cujas contribuições
estão publicadas em uma Coletânea, facultando o acesso de um público mais
amplo ao conteúdo das exposições e dos debates. Desse encontro, resultou
também a recomendação técnica da realização de um levantamento do
acervo da cultura com vistas a conhecer melhor o universo a ser trabalhado,
da elaboração de uma interpretação de fundo histórico e antropológico
da formação cultural do nosso Estado e de medidas de promoção e
fortalecimento de nossas expressões.

Sergipe: Cultura e Diversidade 23


Nesse sentido é que o II Ciclo do Planejamento Participativo, com o tema
“Construindo Parcerias para o Desenvolvimento Territorial”, forneceu a
base institucional para a realização de um levantamento inicial durante as
conferências municipais. Na mesa temática: “Cultura, Desenvolvimento e
Inclusão” foram identificadas as manifestações culturais dos municípios,
principais dificuldades e ações complementares para o seu desenvolvimento,
informações consolidadas em relatórios entregues aos delegados do
Planejamento Participativo e gestores municipais com a finalidade de
proporcionar aos habitantes dos municípios o conhecimento mais acurado
da sua realidade, além de subsidiar a formulação dos Planos Plurianuais dos
municípios sergipanos3.
Essas informações serviram de orientação para, em uma segunda fase,
realizarmos um levantamento cultural qualificado dos oito territórios de
identidade sergipanos, ratificando ou atualizando as informações obtidas
durante o PP, a partir de uma pesquisa de campo encomendada pela Seplan e
realizada em agosto de 2009 por professores dos Departamentos de Geografia
e Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe, coordenados pelos
professores Maria Augusta Mundim Vargas e Paulo Sérgio da Costa Neves.
Nessa segunda etapa, o auxílio institucional das Prefeituras e das pastas
responsáveis pela política cultural nos municípios foi de grande importância
ao nos receberem para a realização de entrevistas. Ao todo, foram realizadas
349 entrevistas nos 75 municípios sergipanos, entre temas gerais, com
representantes de órgãos municipais ligados à cultura, historiadores e
intelectuais dos municípios e entrevistas de foco específico, realizadas com os
grupos responsáveis pela realização das manifestações.
Dessa forma, as informações sobre as manifestações foram em seguida
alvo de um trabalho interpretativo que possibilitou um entendimento mais
aprofundado sobre suas origens, evolução, situação atual, significado e
importância em suas dimensões mais relevantes.
Para fins do registro e mapeamento, a técnica escolhida foi a matriz lugar/
atributo que possibilitou a produção de mapas coropléticos, onde foram
registradas mais de 500 manifestações/expressões segundo os municípios,
de acordo com a nomenclatura original dada pelos entrevistados, o que
sublinha o valor desse registro inicial que esperamos incluir no nosso futuro
sistema de informações e indicadores culturais. Após essa fase, procedeu-se
o agrupamento das informações em tipologias e categorias para facilitar o
trabalho interpretativo e de mapeamento.
A matriz se estrutura da seguinte forma: nas linhas estão as tipologias e
as manifestações que compõem cada uma delas e nas colunas estão os
municípios e os territórios.
Além de indicar a ocorrência da manifestação, as matrizes contaram com Imagem de anjos em barro
o uso da variável cor, que permitiu uma leitura rápida do grau de dinamismo confeccionados em Santana
das manifestações, em um gradiente definido da seguinte forma: do São Francisco.

24 Sergipe: Cultura e Diversidade


Cor Especificação
Expressam, mobilizam, são a imagem do município.
São muito importantes para os grupos que as produzem.
Manifestações que não acontecem mais.
Eventos cívicos.
Realizadas pelas Prefeituras.

Por exemplo:
No grupo das Manifestações Tradicionais, a Cavalhada apresentou forte
ocorrência no território do Alto Sertão Sergipano, indicando sua ocorrência
regionalizada.

Situado também no grupo Manifestações Tradicionais, o Bordado apresenta


forte ocorrência em todos os territórios exemplificados, revelando ser uma
manifestação disseminada em todo o Estado de Sergipe.

Grandes Grupos Território Alto Sertão Sergipano


de Manifestações Município Canindé do São Francisco Poço Redondo Monte Alegre de Sergipe
Manifestações Cavalhada Não foi encontrada
Tradicionais Bordado

Grandes Grupos Território Baixo São Francisco Sergipano


de Manifestações Município Malhada dos Bois Muribeca Telha
Manifestações Cavalhada Não foi encontrada Não foi encontrada Não foi encontrada
Tradicionais Bordado

Grandes Grupos Território Médio Sertão Sergipano


de Manifestações Município Nossa Senhora das Dores Feira Nova Cumbe
Manifestações Cavalhada Não foi encontrada Não foi encontrada Não foi encontrada
Tradicionais Bordado

“Com efeito, a maior densidade de determinada manifestação na linha sinaliza


sua ocorrência generalizada no espaço e as cores colaboram para identificar
o grau de importância, seja para o município, seja para o território e até
mesmo para Sergipe (como no caso do bordado). Já a maior densidade de
manifestações nas colunas, indica a diversidade de manifestações existentes
em um mesmo município ou território”4.

Sergipe: Cultura e Diversidade 25


“Afinal, nossa abordagem passa pelo entendimento de que a produção cultural
é formadora do espaço e, como tal, o seu mapeamento é, também, uma
construção social (Martinelli, 1991)”5.
Para a produção deste livro as informações foram extraídas da matriz e
reclassificadas em três novas categorias: trabalho, fé e festa. Portanto, são
estas categorias que o leitor encontrará ao longo da publicação, junto com a
indicação da sua ocorrência geográfica através do uso de ícones.
Outras agregações de informações foram produzidas para fins interpretativos,
mas o leitor não as encontrará neste livro, assim como as matrizes utilizadas
para o mapeamento, pois entendemos ser uma informação que terá mais valor
para fins de política pública e atualização da pesquisa, o que não significa
dizer que não será disponibilizada para o público. As informações que aqui
não foram contempladas pela limitação deste material serão disponibilizadas
no portal dos territórios assim que se definirem as estruturas do Sistema de
Informações Geográficas de Sergipe e do Sistema Estadual de Informações e
Indicadores Culturais.
Acreditamos, também, na continuidade do Planejamento Participativo,
canal institucionalizado de diálogo entre Estado e Sociedade, como
forma de promover novos estudos, bases estatísticas e políticas públicas,
no sucesso do Projeto Economia da Cultura e Turismo de Sergipe como
norte de desenvolvimento e constante discussão e nas iniciativas que têm
sido desenvolvidas pela Sudene e pelo Minc no sentido do mapeamento e
sistematização dessas informações. Personagem confeccionado
pelo artesão Liu Filho, em
Cabe ressaltar que, pela natureza da pesquisa (foi entrevistada apenas uma Simão Dias.
pequena “amostra” das pessoas que fazem a cultura sergipana), algumas
informações deixaram de ser captadas, especialmente pelos vieses que a
subjetividade dos entrevistados imprimia às entrevistas. Portanto, se este
trabalho pode ser considerado inédito, não significa dizer que seja definitivo
ou imune a falhas, pelo contrário, o universo levantado nos impõe o imenso
desafio de continuar a identificar e compreender toda a dinâmica da
diversidade cultural sergipana.
“Dessa forma, a produção do material visual dessa pesquisa insere-se
no esforço recente e ainda em processo de discussão e construção de
uma cartografia cultural. Apresentamos diferentes maneiras de perceber,
compreender e representar a cultura, dentre mapas, matrizes e quadros, mas,
sobretudo, com a certeza de que se constitui obra aberta a novas medições
e traços representativos da cultura sergipana”6. Enfim, trata-se de uma obra
incompleta e cuja construção coletiva permitirá que levemos à frente este
primeiro ensaio.

Sergipe: Cultura e Diversidade 27


Roteiro de Viagem
O conteúdo deste livro está agrupado em três capítulos: Manifestações
Tradicionais, Manifestações Contemporâneas e Territórios de Identidade.
Os dois primeiros capítulos representam as interpretações proporcionadas pela
pesquisa. As manifestações culturais foram organizadas em dois grandes grupos:
“as tradicionais/enraizadas, que são aquelas herdadas e mantidas tal como
apropriadas no passado, saberes transmitidos de geração a geração, conservando
suas raízes, e as ressignificadas/contemporâneas – aquelas cuja evolução
apresenta variações na composição e estrutura, incorporando novos elementos e
também o novo, recentemente apropriado, sem raízes no passado”7.
No terceiro, um perfil sumário de cada território, situando o quadro
geográfico, ecológico, econômico, histórico e humano do contexto tratado
abre cada separatriz para que o leitor possa compreender, com clareza, o
significado de cada manifestação catalogada e sua relação com o espaço e a Foto A: Quadrilheira se apresentando com
cultura onde está implantada. vestimenta em apologia ao cangaço.
Foto B: Confecção de bolsas em palha
Mapas, iconografias, fotografias e legendas explicativas ilustram o livro, de tabua ou toboa, em Pacatuba.
além das descrições das manifestações culturais mais significativas em seus Foto C: ao cangaço.
Boneca de pano confeccionada em
alusão ao Pastoril.
territórios de identidade, redigidas como verbetes didáticos para mais fácil
entendimento dos leitores. Página ao lado:
Foto A: Músico integrante do Samba de
Pareia tocador de “onça”.
Foto B: Artesanato de barro em alusão
ao cangaço.

28 Sergipe: Cultura e Diversidade


Cabe destacar que o fato de uma manifestação estar representada em um dos 1
IBGE, Sistema de Informações e Indicadores
territórios não significa dizer que ela não ocorra nos demais. A ocorrência Culturais 2003-2005.
geral das manifestações está representada na forma de ícones no quadro 2
O Convênio Andrés Bello de Integração da
“Principais Manifestações” que abre cada território, onde estarão informadas Educação, Ciência, Tecnologia e Cultura é uma
as principais manifestações de cada município de Sergipe. Já a distribuição organização internacional intergovernamental
das manifestações na forma de verbete indica o território onde elas têm maior instituído no âmbito do tratado assinado em
Bogotá em 31 de janeiro de1970, substituído
importância. Nesse sentido, a publicação visa também reforçar os elementos
em 1990, que goza de personalidade jurídica
de identidade dos territórios sergipanos. internacional e cujo objetivo é contribuir para
No conjunto, é um amplo mosaico do que há de mais relevante, dinâmico e alargar e reforçar o processo dinâmico de
integração dos Estados no âmbito educativo,
representativo na cultura em Sergipe e, potencialmente, capaz de promover
científico, tecnológico e cultural.
a melhoria da qualidade de vida do seu povo. O livro preenche uma lacuna e
põe à disposição de quantos tenham interesse no tema, um livro de qualidade,
3
As informações encontram-se disponíveis
no link do Planejamento Participativo, no
consistente, à altura do patrimônio pesquisado.
endereço eletrônico: www.seplan.se.gov.br.
A todos, uma boa leitura e uma boa viagem pelo universo da cultura sergipana! 4
NEVES, Paulo S. da C. & VARGAS, Maria
A. M.. Levantamento Cultural dos Territórios
Eloísa da Silva Galdino Sergipanos. Aracaju, 2009.
Secretária de Estado da Cultura 5
MARTINELLI apud NEVES, Paulo S. da C. &
Jorge Santana de Oliveira VARGAS, Maria A. M.. Levantamento Cultural
Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, dos Territórios Sergipanos. Aracaju, 2009, p. 15.
da Ciência e Tecnologia e do Turismo 6
NEVES, Paulo S. da C. & VARGAS, Maria
Maria Lúcia de Oliveira Falcón A. M.. Levantamento Cultural dos Territórios
Secretária de Estado do Planejamento, Sergipanos. Aracaju, 2009.
Habitação e do Desenvolvimento Urbano 7
Ibid.

Sergipe: Cultura e Diversidade 29


Diversidade e riqueza
Receita da identidade e
beleza do povo sergipano
rabalho, fé e festa. Dimensões da vida social em torno das
quais surgiram, transformaram-se e permanecem vivas as
manifestações culturais do nosso povo. O artesanato, que vai do
bordado a peças em madeira, cerâmica, palha, cipó, couro, pedra.
Objetos utilitários, decorativos, verdadeiras obras de arte. A religiosidade,
que se traduz em festas, rituais, cantos e danças. Espetáculos e festejos
que celebram os Ciclos Junino e Natalino. As danças, representações de
guerra, luta, libertação. A música, o canto, a literatura. Um conjunto rico e
diversificado que mostra toda a força e beleza da imaginação, criatividade
e capacidade de realização da nossa gente, ao longo de sua história. Foi esse
universo que a pesquisa levantou e qualificou em todos os 75 municípios dos
oito territórios de identidade sergipanos e que está apresentado neste livro,
com suas imagens mais expressivas e representativas.

Um conjunto valioso e
diversificado de manifestações
culturais que mostra toda a
força e beleza da imaginação,
criatividade e capacidade de
realização do povo sergipano,
ao longo de sua história.

Artista popular
César Leite.

Sergipe: Cultura e Diversidade 31


Reisado do povoado
Balde de Laranjeiras.
Manifestações tradicionais
Tradições religiosas
A religiosidade dos sergipanos é escadarias da igreja Senhor do
marcada pela predominância da Bomfim e Paixão de Cristo.
matriz católica. As procissões,
A presença das religiões afro é
novenas, trezenas, romarias,
observada em municípios de todos os
quermesses e leilões acompanham os
territórios, com expressão mais forte
festejos dos padroeiros, reforçando
no território Grande Aracaju, onde se
a religiosidade que se expressa
destacam os municípios de Aracaju,
nos preparativos, arrecadação de
Laranjeiras e Riachuelo.
fundos, na ornamentação de altares
e andores. Além das festas, ocorrem
em alguns municípios peregrinações, Ao lado, comemoração religiosa, dia da Santa
romarias e rituais, entre os quais Cruz, Divina Santa Cruz da Serra Grande em
os Penitentes, a Queima de Judas, Poço Verde.
Cosme e Damião, lavagem das Abaixo, grupo de Penitentes do povoado
Cabeça da Vaca em Nossa Senhora da Glória.
Artesanato
Bordado
O Bordado, em suas diferentes
variantes, é considerado emblemático.
Essa disseminação do bordado
confere-lhe uma importância muito
grande entre as práticas culturais
dos sergipanos.

Madeira, cerâmica, Palha e Cipó


couro Embora menos difundidos, são
Essas outras variantes de artesanato destaque nos municípios de Estância
encontram-se presentes em vários e Santa Luzia do Itanhi (no Sul
territórios do Estado, sendo um Sergipano), Riachão do Dantas
elemento definidor da imagem de (no Centro Sul Sergipano), Pacatuba,
municípios importantes: Aracaju, Brejo-Grande e Neópolis (no Baixo
Estância, Santa Luzia do Itanhi, São Francisco Sergipano) e Pirambu
Ribeirópolis, Frei Paulo, Divina (no Leste Sergipano).
Pastora, Brejo Grande, Santana do São
A arte do barro de Beto Pezão. Francisco e Cedro de São João.

Sergipe: Cultura e Diversidade 35


Espetáculos e danças
Ciclo Junino
A pluralidade e a relevância das A decoração, os trajes e os pratos
manifestações culturais do Ciclo típicos acompanharam o movimento,
Junino no Nordeste decorrem da ritmados pelas danças ao som da
conjunção entre ciclo de chuvas e a sanfona, zabumba e triângulo.
absorção das culturas indígena, afro e Os Santos homenageados são três:
européia, resultando numa produção Santo Antônio, São João e São Pedro.
que envolve parte da comunidade em São João, o mais reverenciado, é
muitos municípios. Em Sergipe, as comemorado efusivamente com
festas, danças e rituais do ciclo junino comidas típicas, fogos e muita música.
estão presentes com muita força em Entre as manifestações das festas
praticamente todo Estado. juninas, a quadrilha é a que mais
As chuvas caídas no dia de São José, se destaca, todavia, vem passando
Cidade cenográfica no Forró Caju. 19 de março, animam os agricultores por mudanças significativas em sua
para o plantio. E, no mês de junho, coreografia, com a transferência dos
a colheita, principalmente do milho, arraiais de ruas e praças para espaços
é agradecida e festejada. Assim, de grandes eventos.
a ambiência dos festejos rurais Outros entretenimentos singularizam
migrou para povoados e cidades. municípios como Estância, pelos

36 Sergipe: Cultura e Diversidade


barcos de fogo, arraiais, produção
de fogos além de folguedos como
o Pisa Pólvora. Carmópolis com os
Bacamarteiros. Capela, Muribeca
e Japaratuba com a Sarandagem.
Boquim com o pau de fita. Tomar
do Geru com a Dança de São João.
O casamento do matuto realiza-se
com importância significativa em
vários municípios.
Como expressão da cultura de origem
africana, o Samba de Coco e o Samba
de Pareia mantêm suas heranças Bares e lojas de artesanato no Arraiá do Povo.
mais fortes na região do Cotinguiba, Abaixo, quadrilha junina se apresentando no
que corresponde à maioria dos centro de artes da orla de Aracaju.
municípios do território Grande
Aracaju. O Samba de Coco é o mais
difundido em variadas comunidades.

Sergipe: Cultura e Diversidade 37


Cacumbi do Seu Deca em
frente à Igreja de Nossa
Senhora da Conceição dos
Pardos, em Laranjeiras.

38 Sergipe: Cultura e Diversidade


Ciclo Natalino
Os festejos do Ciclo Natalino traduzem,
como aqueles do Ciclo Junino, a
religiosidade dos nordestinos e a
capacidade de produção de rituais pagãos
associados às bênçãos, novenas, trezenas
e procissões. Entretanto, sem a mesma
animação e participação popular. O
período natalino é caracterizado por
manifestações mais restritas e familiares
de iniciativa das comunidades católicas.
As danças do Ciclo Natalino estão mais
presentes no território Grande Aracaju.
O Reisado é a manifestação mais
cultivada, presente em várias cidades.
Maracatu, Taieiras, Pastoril, Cacumbi
e Guerreiro permanecem em atividade As procissões realizadas em diversas cidades
de Sergipe encerram o ciclo natalino. Um das
em outros municípios. O São Gonçalo é
procissões mais conhecida deste ciclo é a
preservado em alguns municípios, com procissão de São Benedito e Nossa Senhora
destaque para Campo do Brito (Agreste do Rosário, em Laranjeiras.
Central) e Laranjeiras (Grande Aracaju).
Música
As manifestações dos Ciclos Junino
e Natalino, como também as
tradições religiosas são responsáveis
pela ocorrência e permanência das
zabumbas, localizadas em alguns
povoados do Estado. Os tocadores
de pífano ou pife estão presentes em
vários municípios. O instrumento
é aprendido “de ouvido” por seu
tocador e incorporado aos ternos
de zabumba que se apresentam em
cerimônias religiosas e festas. Os
aboiadores são representativos no
Alto Sertão, principalmente nos
municípios de Porto da Folha, Poço
Redondo e Canindé de São Francisco.

Literatura popular
Mestre Jove liderando o grupo Guerreiro Treme-Terra de Japaratuba.
Os poetas, escritores e contadores de
estórias resistem e são considerados
importantes figuras em mais de Folguedos de Guerra, Luta e Libertação
quinze municípios.
São importantes manifestações de conferem singularidade ao município
alguns territórios, com destaque para de Lagarto.
Laranjeiras e Itaporanga D’Ajuda,
As Cavalhadas representam uma
ambos da Grande Aracaju.
tradição que remete às lutas entre
A Capoeira é a mais difundida, sendo cristãos e mouros.
praticada em diversos municípios.
Em Sergipe, permanecem vivas em
As danças afro são significativas em
Canindé do São Francisco e Poço
Amparo do São Francisco, Japoatã
Redondo (Alto Sertão). A corrida
(Baixo São Francisco), Aracaju e
de argola, parte integrante das
Laranjeiras (Grande Aracaju). O
Cavalhadas, foi registrada em outros
Maculelê está presente em Japaratuba
municípios, com destaque para
(Baixo São Francisco), Tobias Barreto,
Muribeca (Baixo São Francisco),
Lagarto (Centro Sul), Riachuelo
Pinhão e São Miguel do Aleixo
(Grande Aracaju). A Chegança é mais
(Agreste Central) e Cumbe
expressiva nos municípios de Divina
(Médio Sertão). Já a corrida de
Pastora (Leste), Itabaiana (Agreste
mourão é valorizada em Canindé
Central) , São Cristóvão e Laranjeiras
de São Francisco e Poço Redondo
(Grande Aracaju). Os Lambe-sujos
Xilogravura de Helton Henrique – Projeto (Alto Sertão) e Pacatuba (Baixo
e Caboclinhos são destaques da
Gravura de Inverno sob a coordenação São Francisco.
de Elias Santos. cidade de Laranjeiras. Os Parafusos

40 Sergipe: Cultura e Diversidade


Integrantes de grupo de Samba
de Coco em cortejo folclórico.

Sergipe: Cultura e Diversidade 41


Grupo Teatral Imbuaça,
criado em 1977, encenando
o espetáculo Senhor dos
Labirintos em homenagem
a Arthur Bispo do Rosário.
Manifestações contemporâneas

Festas e Eventos
Forró Micaretas
Uma retrospectiva histórica do Os festejos tornam-se complexos: Os carnavais fora de época, tal como
deslocamento dos arraiais juninos apoios, patrocinadores, logística, ocorrem em diversos municípios do
para espaços de grandes eventos marketing, apresentações paralelas. Estado, derivam da popularidade das
aponta a década de 1990 como um Tudo tem sido programado com micaretas e trios elétricos baianos,
período de transição do convívio antecedência, envolvendo um disseminados em todo o país.
comunitário à explosão de massa. número cada vez maior de pessoas As micaretas são poucos
Em vários municípios sergipanos responsáveis pela organização e representativas nos territórios do
ocorrem forrós, todavia, devido aos realização do evento. Além do Forró- Baixo São Francisco, Leste e Sul,
poucos recursos econômicos, as Caju e do Arraiá do Povo, na capital, mas chama a atenção o grau de
festas vêm sendo assumidas pelas realiza-se uma vasta programação mobilização onde elas ocorrem.
prefeituras, com apoio do Governo nos municípios que promovem a
do Estado. festa no período junino.

Forrozeiros no
Arraiá do Povo na
Orla de Aracaju.

44 Sergipe: Cultura e Diversidade


Comemorações
Cívicas
Civismo e patriotismo são
nitidamente incorporados ao
calendário comemorativo dos
sergipanos. Embora sem alcançar
a representatividade das festas
religiosas, o 7 de Setembro e a data da
emancipação política dos municípios
são comemoradas com muito
entusiasmo e grande participação
da população em todo o Estado. O
ritmo das fanfarras, a definição das
alas, das coreografias, das roupas de
gala às vestes temáticas, os ensaios
caprichados, tudo é preparado para
o grande dia, no qual uma rede de
atores, que extrapola os diretamente
envolvidos, alcança os controladores
Cavalgada de Brejo Grande.
do trânsito, os montadores de
palanques, os vendedores de lanches,
Cavalgadas, vaquejadas e outros até bandeiras, sombreiros e bonés.
As cavalgadas e as vaquejadas são as cavalgadas de São Domingos,
vêm passando por modificações Macambira e Riachão do Dantas e as
significativas, sobretudo a partir da vaquejadas de Frei Paulo e Pinhão.
década de 1970. Elas permanecem
Os outros eventos agrupados com
populares e mantêm a essência
vaquejadas não se assemelham
da tradição do passeio à cavalo
necessariamente à sua estrutura
– a cavalgada – e da exposição
de competição, mas sobretudo,
das virtudes de força, coragem e
por tratarem de apresentações
competição dos vaqueiros sertanejos
envolvendo “o boi” e “o vaqueiro” que
– a vaquejada. Entretanto, os passeios
atualmente ocorrem com shows de
se distanciaram dos fins religiosos,
bandas eletrônicas, carros de sons,
predominando os percursos para
camisetas, propagandas, entre outros.
simples diversão, e as vaquejadas
São os casos das festas do boi, do
afastaram-se das matas, da caatinga,
Encontro de Carros de Boi de Tomar
para as arenas. Outros elementos
do Geru, das corridas de jegue e até
verificados nos dias de hoje são
de pega do boi no mato, presentes em
a introdução de concursos para
vários municípios dos territórios Alto
cavaleiros, amazonas e cavalos, nas
Sertão, Médio Sertão, Agreste Central
cavalgadas, com a distribuição de
e Centro Sul.
camisas promocionais e o término
com shows. Esses eventos são mobilizadores das
Banda Marcial de Escola Pública Estadual
populações das sedes e do entorno do município de Nossa Senhora do Socorro
Nas vaquejadas, introduziram
dos municípios, movimentando o em desfile pela avenida Barão de Maruim
premiações em dinheiro, ingressos,
comércio e gerando renda. em Aracaju.
pagamento de inscrições. Assim

Sergipe: Cultura e Diversidade 45


Festa do Boi em Nossa
Senhora das Dores.

Outros eventos Eventos


Existem eventos dissociados daqueles Entre eles estão as festas e festivais agropecuários
mais conhecidos (forró, micareta, do Mastro, da Cabacinha, do
Originalmente de caráter estritamente
cavalgada, vaquejada), mas que são Caranguejo, da Mangaba e o
econômico, esses eventos passaram
mobilizadores no território onde Cantamutumba, esta, um concurso
a incorporar folguedos e grupos
ocorrem. de músicos no povoado de igual
tradicionais em sua programação.
nome, no município de Pedrinhas.
As exposições agropecuárias e as
Além de outros: Corrida da Cidade
diversas festas (do milho, mandioca,
de Monte Alegre de Sergipe, Jogos
laranja, quiabo, da vaca leiteira) são
Abertos, Réveillon da Orla de
momentos de negócios, mas também
Aracaju, Mostra Junina, Fórum
de exibição de grupos folclóricos e
do Forró, Projeto Freguesia, Festa
artistas regionais, assim como de
dos Bairros, Rock Sertão, em
corridas e brincadeiras. Em muitas
Nossa Senhora da Glória, Festa do
cidades já são declaradamente
Caminhoneiro, em Itabaiana, Garoto
“eventos do município”, nos casos de
e Garota Estudantil e até Miss Gay,
Boquim, Lagarto, Pinhão, Cumbe
em Umbaúba.
e Nossa Senhora da Glória, já se
traduzem em importantes festas
de mobilização local e territorial.
Cartaz de divulgação do Rock
Dessa forma, além de geradores de
Sertão, festival que ocorre renda, funcionam também como
em Nossa Senhora da Glória. veículos difusores das manifestações
Artista: Jeferson Melo. tradicionais.

46 Sergipe: Cultura e Diversidade


Teatro e música
A diversidade de grupos e tipos de
manifestações de teatro e música é
uma realidade em todo o Estado.
Ocorrem grupos com nítida função
pedagógica gestados nas escolas
e em associações com temáticas
predominantemente ligadas às
tradições do lugar e da região. Além
Ao lado, Grupo de teatro popular
disso, inúmeros grupos de teatro em apresentação na praça Fausto
e música desenvolvem atividades Cardoso em Aracaju.
relacionadas à arte contemporânea Abaixo, Mamulengo de Cheiroso
demarcando a heterogeneidade das em apresentação no teatro
produções artísticas de Sergipe. Atheneu em Aracaju.

Sergipe: Cultura e Diversidade 47


Pintura de Damião Gêmeos,
Ateliê Gêmeos Arte, Estância.

Artesanato
O aspecto artístico também está
presente no artesanato, seja pela
diversidade, seja pelo interesse
que o trabalho desperta em seus
conterrâneos.
O artesanato em madeira é mais
diversificado e consagrado pelos
mestres desse ofício, como Véio
(Nossa Senhora da Glória), Tonho
(Poço Redondo) e Manoel de Maroto Também é significativa em nosso
(Tomar do Geru), destaque na arte de Estado a produção de escultura em
carros de boi. pedra e em barro, tapeçaria, pintura
em tecido e porcelana.
Em Santana do São Francisco a
cerâmica é representativa, nos
estilos tradicional e contemporâneo, Acima, cavalo em cerâmica pintado
por Ismael Pereira. Ao lado,
sendo emblemática para a cidade
retirantes talhados em madeira por
e principal fonte de renda de seus Mestre Tonho de Poço Redondo.
produtores.

48 Sergipe: Cultura e Diversidade


Artesanato em barro
de Beto Pezão em
homenagem ao reisado.

Sergipe: Cultura e Diversidade 49


Estado de Sergipe
Territórios Sergipanos
Canindé do São Francisco

ALAGOAS
Poço Redondo

Alto Sertão Sergipano Porto da Folha

Gararu

Monte Alegre de Sergipe Nossa Senhora


de Lourdes
Itabi
Amparo do
Canhoba São Francisco
Nossa Senhora
da Glória Graccho Telha
Cardoso
Propriá
Feira Nova
Aquidabã Cedro de
BAHIA Médio Sertão Sergipano São João
Malhada São
Santana do
São Francisco
Nossa Senhora dos Bois Francisco
Aparecida Cumbe Japoatã Neópolis
Carira
Baixo São Francisco Sergipano
São Miguel Muribeca
do Aleixo
Nossa Senhora Brejo Grande
das Dores Ilha das
Agreste Central Sergipano Capela
Pacatuba Flores

Ribeirópolis
Pinhão
Frei Paulo
Leste Sergipano
Pedra Siriri Japaratuba
Mole Moita
Bonita Santa Rosa
de Lima
Macambira Rosário
Itabaiana Malhador do Catete Carmópolis
Divina General
Campo Pastora Maynard
Simão Dias do Brito Pirambu
Poço Verde Riachuelo Maruim
Santo Amaro
Areia Laranjeiras das Brotas
São Branca
Domingos

Nosa Senhora
do Socorro
Centro Sul Sergipano Lagarto Barra dos
Coqueiros
ARACAJU
Grande Aracaju
Itaporanga São Cristovão
d’Ajuda
Riachão do Dantas Salgado OCEANO ATLÂNTICO

Boquim
Tobias Barreto

Pedrinhas
Estância
Itabaianinha Arauá
Capital
BAHIA Sul Sergipano Santa Luzia Sede municipal
Tomar do Geru do Itanhi
Umbaúba Hidrografia
Limite municipal
Cristinápolis
Indiaroba
Grande Aracaju
ormado por nove municípios, o
território da Grande Aracaju concentra
quase a metade da população, dos
postos de trabalho e dos investimentos
públicos e privados de Sergipe, e muito da cultura
também. Tradição e modernidade completam-se
nesse rico espaço, onde verdadeiras jóias
arquitetônicas do passado, como São Cristóvão e
Laranjeiras, convivem com uma capital, fruto de
um experimento urbano inovador. Inaugurada
em 1855, Aracaju abre um novo capítulo na vida
da então província. Sob o signo do progresso,
da construção de um porto e do planejamento
geométrico, ela surge como concreção civilizadora.
Do legado do antigo Vale do Cotinguiba ficaram,
além do patrimônio histórico e arquitetônico
gerados pela riqueza do açúcar, as manifestações
culturais e religiosas com grande diversidade e
forte tom afro-brasileiro. O desenvolvimento não
abafou a tradição, nem a moderna Capital sufocou
as manifestações interioranas. Ao contrário, aqui
elas encontraram acolhimento, estímulo e meio de
fortalecimento. E o Mercado Thales Ferraz é uma
mostra inegável de como Aracaju é uma vitrine
vistosa de tudo quanto a cultura de Sergipe produz
no artesanato, na culinária, na música popular.
E de quanto a população – do litoral, do agreste,
do sertão e do São Francisco – orgulha-se de viver
nesse Estado.

Museu de Arte Sacra de São Cristóvão – Instalado


na aérea da antiga Ordem Terceira, no Convento de
São Cristóvão, o museu reúne obras da mais pura
representação artístico-religiosa dos séculos XVII,
XVIII, e XIX, sendo o primeiro monumento tombado
no estado pelo IPHAN em 1941.

Sergipe: Cultura e Diversidade 53


Território Grande Aracaju

Riachuelo Maruim

Santo Amaro
das Brotas
Laranjeiras

Nossa
Senhora do Barra
Socorro dos
Coqueiros

São Cristóvão
Aracaju

Itaporanga D´Ajuda
Principais Manifestações
Trabalho

Feira/Mercado Fogaréu Dança de São Gonçalo

Poesia/Cordel/ Paixão de Cristo Reisado


Pregoeiros Populares
Queima de Judas Pífanos
Contadores de Estórias
Lavagem
Trios pé de serra
Renda Irlandesa
Peregrinações/Romarias
Violeiros
Renda Filé
Rezas e Benzimentos
Música (Filarmônicas e/ou
Croche
Festa da Cruz de Bela (Maruim) Grupos Musicais)
Bordado (Pronto Cruz, Ponto
Festa / Entretenimento Carnaval
Cheio e Vagonite)
Batalhão
Retalhos Micareta
Batalhão de Bacamarteiros
Artesanato em Palha/Cipó Festa Junina
Sarandagem ou Sarandaia
Artesanato em Cerâmica Casamento do Matuto
(Cortejo da Baiana)

Artesanato em Madeira Cavalgada


Samba de Coco

Artesanato em Jornal Eventos Agropecuários


Samba de Pareia

Fogueteiros Festival da Mangaba


Chegança

Artes Plásticas Festival do Caranguejo


Lambe-sujos e Caboclinhos

Encontro Cultural
Religião Capoeira (Puxada de Rede,
Dança Guerreira, Ritual do
Santos Festejados Fogo e Maculelê) Festival de Arte

Nagô Taieiras Artes Cênicas

Candomblé/Umbanda Cacumbi

Penitentes Guerreiro

Sergipe: Cultura e Diversidade 55


Encontro Cultural de Laranjeiras
No dia 28 de maio de 1976, teve platéia de 5.573 admiradores, que prova inequívoca de respeito,
início a primeira edição do Encontro contemplaram seu êxito. Entre os valorização e defesa cultura
Cultural de Laranjeiras, que se preparativos do evento, destacou-se sergipana. É explorando cada
estendeu até o dia 30 do mesmo o curso sobre folclore, realizado no segmento que compõe a nossa
mês. O evento nasceu do resultado auditório do Colégio Estadual diversidade cultural que segue
das pesquisas referentes à cultura Atheneu Sergipense, na cidade a histórica e acolhedora
popular, realizadas por uma equipe de de Aracaju, ministrado pela Laranjeiras, berço das mais
estudiosos e pesquisadores oriundos professora Maria de Lourdes fortes expressões culturais.
de diversas partes do país. Foi na Borges Ribeiro, à época, Motivo de muito orgulho
histórica cidade de Laranjeiras que a Assessora da Campanha de para os sergipanos. (Encontro
diversidade cultural chamou a atenção Defesa do Folclore Brasileiro. Cultural de Laranjeiras – 20
dessa equipe, que logo despertou anos. Governo do Estado
Nessa trajetória, relevantes
para a realização de uma festividade de Sergipe, Secretaria
estudos foram realizados
popular que evidenciasse as Especial da Cultura).
de modo a honrar os
manifestações culturais ali existentes.
compromissos firmados
Reunindo representantes dos Estados no tocante às finalidades Em sua 35º edição, o
de Sergipe, Alagoas, São Paulo, Rio do evento. Encontro Cultural de
de Janeiro, Pernambuco e Bahia, o Laranjeiras reúne grupos
É possível compreender folclóricos e artísticos de
1º Encontro Cultural de Laranjeiras
porque na atualidade Sergipe e do Brasil nas
teve em sua primeira edição uma ruas da cidade histórica,
o Encontro ainda é uma

56 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 57
Chegança
Auto popular de origem portuguesa, ligado
ao Ciclo Natalino.
Constitui-se de diversas jornadas
independentes entre si. Resulta de uma
promessa feita por tripulantes de uma
nau que foram salvos de uma tempestade
durante uma viagem. No dia 6 de janeiro, a
embarcação ancorou e seus tripulantes, em
terra firme, cumpriram com a promessa,
visitando a primeira igreja que encontraram.
Era a igreja de São Benedito. Lá contaram
encantos e coreografias, todos os perigos que
passaram no mar. Esse fato inclui a chegança
no segmento dos grupos de louvor a São
Benedito e à Virgem do Rosário, santos
protetores dos negros.
Usam trajes de acordo com aqueles
utilizados pela Marinha de Guerra do
Brasil. São personagens de destaque: Piloto,
Tenente, Capitão, Capitão-patrão e General.
Geralmente usam pandeiros como único
instrumental, além de um apito utilizado
pelo Piloto ou pelo General para o comando
das evoluções e mudanças de “marchas”.
A coreografia básica acontece em fileiras.
Quase sem sair do lugar eles movimentam
o corpo de um lado para o outro, imitando
o balanço de uma embarcação ao mar.

58 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 59
Lambe-sujos e
Caboclinhos
São dois grupos, num folguedo, ligados
numa manifestação guerreira e rítmica.
O folguedo se baseia em episódio de
destruição dos quilombos. Representa a
rivalidade entre negros e índios brasileiros.
O Lambe-Sujos é formado por homens e
meninos pintados de preto, usando “short” e
gurita vermelha. Formado por “Rei, Princesa
e a Mãe Suzana”, eles saem às ruas
tocando pandeiros, cuícas, reco-
recos e tamborins.
O Caboclinhos pinta-se de roxo e
traja penas à maneira indígena.
O enredo consiste na captura da
“Rainha” dos Caboclinhos pelos
Lambe-Sujos. Em sequência,
ocorre a batalha com a vitória
dos Caboclinhos. Os negros são
aprisionados e levados de porta
em porta para pedir dinheiro e
assim conseguirem a liberdade.
A apresentação é sempre
marcada pela melação de parte
das pessoas presentes.

Manifestação de luta e libertação encenada


nas ruas de Laranjeiras pelos Lambe-Sujos
e Caboclinhos, reafirmando a influência dos
negros e dos indígenas na cultura sergipana.
Cortejo das Taieiras subindo
a escadaria da Igreja São
Benedito – Laranjeiras
Taieiras
Folguedo popular de caráter Benedito. Os personagens que
religioso, tem como objetivo a integram a manifestação são: Taieiras
louvação. A dança das Taieiras é (dançarinas), Guias, Contra Guias,
acompanhada por um tambor e por Lacraia, Capacetes, Ministro, Patrão,
querequexés sutilmente sacudidos Rei e Rainhas.
pelas dançarinas, e ainda bastões
O visual das Taieiras é infinitamente
utilizados durante a apresentação.
rico e belo. Elas vestem blusa
O cortejo sai anualmente da vermelha e saia branca, enfeitada
residência da líder do grupo, com fitas multicoloridas. Os dois
seguindo pelas ruas da cidade, em cordões são diferenciados por faixas
direção à igreja, diante da qual amarradas na cintura, de forma e
os integrantes dançam e cantam. cores diferentes. Cada personagem
Entram no templo sagrado sem usa uma indumentária específica
parar de dançar e cantar, depois o e diferenciada. Muitos adornos e
cortejo volta a percorrer a cidade, adereços completam o visual.
cumprindo um ritual tradicional e
As Taieiras podem se apresentar em
emocionante. Saem às ruas na Festa
festas profanas, desde que o grupo Rainha perpétua das Taieiras.
de Reis. Os santos são louvados
tenha cumprido as obrigações com os Abaixo, cortejo pelas ruas de Laranjeiras em
com muito respeito e devoção: direção à igreja de São Benedito para louvar
santos de devoção.
Nossa Senhora do Rosário e São aos santos São Benedito e N. Sra do Rosário.

Sergipe: Cultura e Diversidade 63


Cacumbi
Folguedo popular que é uma variação
de “autos” e “bailados” como: Congada,
Guerreiro e Reisado. É uma manifestação
coreográfica de bailado rico e brejeiro. Tem
como objetivo a louvação aos padroeiros
dos africanos, São Benedito e Nossa
Senhora do Rosário. Geralmente, o grupo
dança nos dias de Reis e na Procissão de
Bom Jesus dos Navegantes.
As músicas são selecionadas de acordo
com o caráter da apresentação. Umas são
próprias para o cortejo nas ruas, outras
Grupo de louvor composto exclusivamente para apresentação nas igrejas.
por homens, apresenta-se principalmente na
Procissão de Bom Jesus dos Navegantes e no Os participantes têm idades que variam
Dia de Reis em homenagem aos padroeiros entre 15 e 50 anos. E todos são do sexo
dos negros, São Benedito e N. Sra. do Rosário. masculino.
Instrumentos musicais usados: cuíca,
pandeiro, reco-reco, caixa e ganzá.
O Ritmo é forte e contagiante.
A dança do Cacumbi significa um dos mais
belos quadros do folclore sergipano.

64 Sergipe: Cultura e Diversidade


São Gonçalo
Esta dança é sem dúvida um dos enfeitados de fita e colares, como
ritos mais difundidos do catolicismo parte da indumentária.
popular brasileiro. A dança inclui um ritual com ensaios,
Conta a lenda de origem portuguesa almoço oferecido pelo pagador da
que São Gonçalo, ainda um jovem promessa aos participantes, cortejo
frade, viveu na cidade de Amarante. e dança. Sempre enfileirados,
Por ser “farrista”, tocava viola e na procissão, a imagem do
dançava com as prostitutas, no Santo, ornamentada em um
intuito de impedi-las de pecar. Dizem barco pequeno, é conduzida
que um dia chegou a realizar um por uma mulher, a
parto de uma delas. Comenta-se “mariposa”, única
ainda ter sido marinheiro e, após a integrante feminina
sua morte, tornou-se santo. entre os dez dançadores.
No interior da igreja eles
A dança criada por ele continua
apresentam as suas danças.
presente nos folguedos que lhe fazem
homenagem, por intermédio de um O patrão, o chefe, tira o canto
rito tradicional que tem por objetivo e comanda as apresentações.
o pagamento de promessas. Outros componentes são os
tocadores (dois violões
Em Sergipe, a Dança de São Gonçalo
e dois cavaquinhos.
tem um aspecto marcante no
povoado Mussuca, Laranjeiras: os Ao lado, Mestre Sales – mestre
dez dançadores usam saias, chales do folguedo São Gonçalo.

Sergipe: Cultura e Diversidade 65


Ciclo da folia
Mais da metade dos municípios do Estado faz
a festa da micareta. E muitos também fazem
o carnaval. Mas, sem dúvida, a manifestação
mais importante desse ciclo é o Pré-Caju,
que também conta com o Verão Sergipe,
realizado em vários municípios da Grande
Aracaju. Nele, Aracaju é tomada pelo clima
momesco e os turistas, sobretudo jovens,
invadem a cidade para curtir, em pleno verão,
a contagiante alegria desse carnaval fora
de época que mobiliza a população, lota os
hotéis, gera empregos e leva para Aracaju as
principais bandas de trios do axé music. A
profissionalização do evento, presente em seus Uma das mais importantes festas do estado, o Pré-Caju
vários segmentos, desde o bloco de cordas aos reúne foliões de todo o nordeste, contagiados pela alegria
e a forma com que o sergipano organiza e celebra essa
pacotes turísticos, a economia do lúdico que
prévia do carnaval brasileiro, gerando emprego e renda em
gera, contribuindo para o ganho de grandes diversos segmentos.
e micros negócios, o apoio institucional em
torno, expresso na participação de várias
instituições governamentais, fortalecem, a cada
ano, a prévia carnavalesca de Aracaju.

66 Sergipe: Cultura e Diversidade


Procissão do Fogaréu
A Procissão do Fogaréu é um ritual Ritual tradicional que acontece
que acontece a céu aberto durante há mais de 100 anos nas ruas da
a quinta-feira da Semana Santa em cidade de São Cristóvão é encenado,
meio aos casarões coloniais de São atualmente, pelo grupo de teatro
Cristóvão. É realizado por homens amador religioso, chamado “G12”. A
que saem pelas ruas escuras da procissão é organizada pelos devotos
cidade, com tochas, encenando e cidadãos de São Cristóvão em
a perseguição a Jesus Cristo. São parceria com a Igreja Católica.
cinco os principais acontecimentos Tem duração aproximada de
que marcaram a historia de Jesus: a 90 minutos, incluindo trajeto e
entrada do menino Jesus, a oração no encenações de placo, tendo como
Horto das Oliveiras, a Última Ceia, a personagens Jesus, o Tentador,
sua prisão e a Ressurreição. Madalena, escribas, farizeus, soldados
da Guarda Romana, matracas e
Apóstolos.
Procissão do Fogaréu pelas
ruas da cidade histórica de
A manifestação encerra importante
São Cristóvão, realizada pelo significado simbólico para os devotos
Grupo religioso G 12. e grupos religiosos de Sergipe.
Procissão do Encontro
Tradição do século XIX ou talvez fiéis carregam velas acesas, muitos
mais antiga, a manifestação acontece dos ex-votos são deixados na igreja
com três procissões. Apesar de ter nesta noite. O cortejo sai da igreja de
data móvel, acontece sempre na Nossa Senhora do Carmo, antecedido
primeira quinzena da quaresma. pelos Frades, cantores, músicos e
Muitos romeiros começam a chegar promesseiros. A imagem do Senhor
à cidade na sexta-feira e no sábado dos Passos sai encoberta por uma Saindo de igrejas distintas, as procissões dos
para a procissão do domingo. A cidade santos N. Sr. dos Passos e N. Sra. Das Dores,
caixa forrada com tecido de cor roxa,
em São Cristovão, culminam no Encontro na
fica cheia de devotos, que vêm pagar e dirige-se até a Igreja Matriz de praça São Francisco, onde é celebrada ao final
promessa e tentam chegar ao andor do Nossa Senhora da Vitória de onde da procissão uma missa campal.
Senhor dos Passos. sairá somente no domingo, ao final
Evento organizado pela igreja católica, da tarde.
com apoio de grupos de oração e No domingo, acontecem missas em do Convento do Carmo. Milhares
devotos, a primeira procissão é noturna várias igrejas: Vias Sacras e Romeiros, de fiéis ganham as ruas e a Praça São
e acontece no sábado quando são com 4 horas de sermão, e a Procissão Francisco para escutar o sermão e
cantados os sete primeiros passos da do Encontro. “O ápice do ato é o o canto da Verônica que enredam a
Paixão. Os cantos são realizados em encontro das imagens de Nosso comovente liturgia do catolicismo
locais prefixados e mantidos segundo a Senhor dos Passos e Nossa Senhora colonial”. (Thiago Fragata, Procissão
tradição, onde são erguidos pequenos das Dores. Seguindo percursos dos Passos em São Cristóvão/SE. In:
altares com uma tela representando distintos, a primeira sai da igreja Senhor dos Passos em todos os passos,
o passo a ser cantado (em latim). Os matriz, ao tempo que a segunda sai Márcio José Garcez Vieira)

Sergipe: Cultura e Diversidade 69


Ciclo junino
O São João é a festa que melhor típica, licores e música nordestina festa se deve à preservação de suas
representa a alma sergipana. Não há embalam dias seguidos de festa que características: música regional,
cidade que não tenha seus festejos em nada atrapalha o cotidiano da danças típicas e um ambiente
juninos. Na Grande Aracaju, a festa população aficionada pelo forró. alegre, tranqüilo e acolhedor para
dura um mês inteiro. O Forró-Caju Além de festa tradicional, o São João o lazer cultural.
e o Arraiá do Povo, em Aracaju e o é hoje importante atrativo turístico,
Forró-Siri, em Nossa Senhora segmento econômico a O São João de Sergipe é destaque na
do Socorro, são os três formar um complexo representação dos festejos juninos no Brasil,
eventos de massa mais que envolve centenas pela preservação das tradições musicais,
comidas típicas e pelo espírito festivo do
significativos desse de atividades e
povo sergipano. Acima, Quadrilha junina
ciclo. Shows, arrasta- gera divisas para o Unidos em Asa Branca, campeã do Festival
pés, muita comida Estado. O sucesso da de Quadrilhas do Nordeste.

70 Sergipe: Cultura e Diversidade


Pé-de-Serra
O São João tem em Sergipe uma triângulo metálico, base para a
importância decisiva e é, de longe, execução de xotes, xaxados e baiões
a mais característica manifestação que estimulam a dança agarrada
lúdico-cultural do Estado. O dos pares e a alegria das festas de
complexo da festa tem na música um forró. Se essa modalidade da música
elemento fundamental, e os músicos nordestina perdeu importância ou
constituem um segmento dos mais sofreu transformações em outros
criativos e representativos da vida estados brasileiros, em Sergipe, a
local. Do tradicionalíssimo pé de preferência de todos, jovens e idosos,
Trio Pé de Serra JCruz de serra sergipano tem se destacado continua firme pelo que ali se chama
Laranjeiras em apresentação bandas de grande sucesso popular de autêntico pé de serra. Eles existem
em frente ao prédio da UFS no país. O que caracteriza os trios em praticamente todas as cidades
de Laranjeiras. pé de serra, além do repertório e estão presentes em todos os
junino, é a formação musical: eventos e casas especializadas em
uma zabumba, uma sanfona e um dança sertaneja.
Caceteira do Rindu
A Caceteira é mais uma variante
da árvore genealógica do samba.
De origem africana, o Samba de
Caceteira é ritmado por instrumentos
de percussão (zabumbas, cuícas
e ganzás). Em São Cristóvão, a
tradicional Caceteira de Dona
Biu atualmente é conhecida como
Caceteira do Rindu. José Gonçalves
dos Santos (mestre Rindu) é mais
um herdeiro dessa manifestação
folclórica, centenária e típica do
Ciclo Junino. Existem duas atuações
mais relevantes dessa dança. Uma Manifestação folclórica de representação única em Sergipe, a Caceteira
do mestre Rindu ainda utiliza instrumentos musicais tradicionais.
é a Sarandagem, realizada no dia
31 de maio, cujo objetivo é receber passa, cantando e encantando a e a forma ao alcance de realizar o
com muita festa, alegria e fogos, todos com suas cantigas tradicionais, maior objetivo da dança. Coragem
o mês junino. A outra, também a caminhada festiva tem início na e perseverança: duas virtudes que
dedicada a São João, realiza-se sede do município e se estende até o impulsionam o mestre Rindu a
no dia 24 de junho (dia do citado povoado Pinto. Lá, o Cristo (afilhado manter a essa manifestação que
santo), e consiste em um grande de São João) é festejado com muito reforça a amplitude e a identidade
cortejo festivo do referido grupo. Samba de Caceteira, esperança e fé. cultural dos sergipanos. (Maria
Ganhando adeptos pelas ruas onde É o enlace do sagrado com o profano Aurelina dos Santos).

Apresentação
da Caceteira de
Rindu no Arraiá
do Povo – Aracaju.

72 Sergipe: Cultura e Diversidade


Samba de Pareia
Dança de origem africana, com
influência indígena. Sua difusão está
Apresentação do grupo de
ligada a formação dos quilombos. Os
Samba de Pareia no Arraiá
pontos mais marcantes são as palmas do Povo – Aracaju.
e o sapateado. No Povoado Mussuca, Ao lado, preservado há
Laranjeiras, tem um objetivo mais de 300 anos o Samba
específico mantido até o presente: de Pareia mantém viva a
cumplicidade nos passos e o
festejar o nascimento de uma criança
gingado dos remanescentes
da comunidade, no seu 15º dia de de quilombolas.
vida, quando é servida uma bebida,
denominada “meladinha” (também
de origem africana) e os integrantes,
durante toda a comemoração,
dançam na residência da parturiente.
Atualmente o grupo é composto
apenas por mulheres. A
indumentária é típica do ciclo junino,
ou seja, vestidos estampados de
saias rodadas, chapéus de palha e
tamancos de madeira, cujo percutir
do contato com o solo enriquece a
sonoridade rítmica dos instrumentos.
(Antonio Alves do Amaral e Maria
Aurelina dos Santos).

Sergipe: Cultura e Diversidade 73


Samba de Coco
“É comum ouvir a palavra coco dentro
do universo folclórico. Caracterizada
por um sapateado que demonstra
todo o vigor do brincante, ele pode
ser dança de conjunto, mas sem
perder as interferências dos solos e das
umbigadas. O canto, com seu ritmo
sincopado, é sempre acompanhado
de palmas batidas com os braços
erguidos e requebros sensuais. Tem
samba de coco de várias formas, mas
a raiz é sempre a mesma: o batuque
africano”. (Aglaé D´Ávila Fontes de
Alencar, Danças e Folguedos).

Os negros cantavam e tocavam


durante o ritual da quebra do coco
para a extração das polpas. A batida
do coco dita o ritmo da dança.

74 Sergipe: Cultura e Diversidade


Candomblé/Umbanda
Nos primeiros momentos da “Cultura manifestação), em seus instrumentos
dos Orixás” no Brasil, a religião vivos (médiuns; cavalo, etc), pelos
africana chamou-se genericamente cantos entoados em sua homenagem.
Candomblé. Tratando-se de uma
Atualmente conquista espaço no
cultura viva, naturalmente, o seu
panorama dos bens imateriais e
processo de dinamização deu-lhe a
passa a se integrar ao patrimônio
identidade de Umbanda. Implantada
cultural como elemento da política
em terras brasileiras por negros
governamental de cultura e turismo.
escravizados, oriundos da Costa dos
Chamando a atenção por sua beleza,
Escravos e do Daomé principalmente,
misticismo e resistência, ao longo de
essa confraria teve sua proliferação
mais de quatro séculos dificilmente
com a abolição da escravidão.
vividos, um novo horizonte surge,
Apesar das pressões sociais sofridas,
convidando-a a continuar sob o olhar
esse segmento religioso, preservou Ritual realizado no dia 8 de
digno e respeitoso dos sergipanos. dezembro nas areias da praia
sua integridade impulsionada pela
(Dicionário do Folclore Brasileiro, em homenagem à Oxum, que no
crença no culto da divinização dos
Luiz da Câmara Cascudo, extraído sincretismo religioso representa
orixás. Pela fé, os orixás (residentes N. Sra. da Conceição.
e adaptado por Maria Aurelina
na costa da África) são atraídos para
dos Santos).
o ritual da incorporação (dar santo;
Nagô
A religião nagô chegou em Sergipe,
na cidade de Laranjeiras, durante o
Período Colonial (início do século
XVI). O culto difere da ‘Umbanda’
e do ‘Candomblé’, por louvar os
orixás da Costa, os “Santos Pedras”.
Durante a iniciação ou batismo
dos adeptos não se raspa a cabeça.
Por essa razão, popularmente é
denominada “Nação Cabeluda”.
Além disso, o Santo da casa não
aceita dançar sobre piso de cerâmica,
motivo pelo qual o piso do lugar
reservado à latada (espaço ritualístico
do Nagô) é de chão batido.
Na cidade de Laranjeiras, a
Irmandade Santa Bárbara Virgem é
paralelepípedo como as demais cordões feitos com lágrimas de
reconhecida como a única no Brasil
residências da vizinhança. Nossa Senhora (pequenas contas
que mantém a originalidade e os
camprestres de cor esbranquiçada),
fundamentos, a exemplo da frente Comprova-se a presença da
atabaques Barricas de fabricação
da Casa Nagô, localizada à rua fidelidade às raízes religiosas
caseira, encourados com pele
Umbelina Araújo (antiga Loxa, já africanas desse seguimento cultural
de carneiro ou de boi se este for
falecida, que deu nome à via pública), também nos instrumentos que
presenteado vivo à Irmandade Santa
que não recebeu o calçamento de usam: Cabaças entrelaçadas por
Bárbara Virgem.
Atualmente, a jovem Bárbara
Cristina dos Santos chefia essa
colônia com muita fé, sabedoria
e responsabilidade. Ela é a mais
jovem “Loxa” (mãe de Santo) que
conhecemos, escolhida pelo Santo
da Casa, que nela vislumbrou todos
os requisitos indispensáveis
a uma “Mestra do Sagrado”..
(Maria Aurelina dos Santos).

Única no Brasil, esta Irmandade centenária


ainda mantém os seus fundamentos religiosos
e ritualísticos originais. O centro do terreiro,
por exemplo, é de chão de terra batido e
os tambores são aqueles advindos com os
escravos fundadores da religião em Laranjeiras.

Sergipe: Cultura e Diversidade 77


Mamulengo
Quer se conheça ou não, o teatro
de bonecos soa sempre como algo
meio familiar, porque ele remete
à infância sem entretanto ser algo
infantil. Desperta em todos o desejo
de brincar e brincar é justamente o
que o Mamulengo de Cheiroso faz.
Brincando, falam da vida, por mais
fantasiosa que pareça, falam do povo,
da gente inocente e sábia que está
escondida dentro de cada um.
Para o bonequeiro, mais
especificamente o mamulengueiro,
suas “mãos molengas” ganham a Criado em 1978, no Programa de cultura popular. O trabalho do grupo
vida própria do personagem que Extensão da Universidade Federal se configura através dos espetáculos,
manipulam, todavia o brincar não é de Sergipe (UFS), pela dramaturga das oficinas, simpósios, seminários
tudo. O trabalho desenvolvido pelo Aglaé D’Ávila Fontes, sergipana, e demais atividades onde possa
grupo Mamulengo de Cheiroso, professora da UFS, Especialista em expressar o resultado do seu
além da confecção dos bonecos, Educação Musical, autora de várias trabalho. (Fonte: Grupo Mamulengo
cenários e adereços, está voltado para peças de teatro e de vários trabalhos de Cheiroso).
a pesquisa constante no universo da sobre Folclore e Educação, tendo
cultura popular do Nordeste. uma vida dedicada à pesquisa da
O Mamulengo de Cheiroso é uma atração
que, além de divertir, resgata a cultura
sergipana através de suas peças teatrais.
Festival de Artes de São Cristóvão
Criado em 1972, o Festival de dos visitantes e à organização do
Artes de São Cristóvão teve um evento, em uma cadeia de geração
papel fundamental na consolidação de empregos e renda. O FASC
do cenário artístico sergipano, foi importante por reconhecer e
projetando a cidade de São Cristóvão valorizar o patrimônio cultural
Festival de grande repercussão no Brasil,
como a Capital da Arte e da Cultura de Sergipe, mas, após as grandes onde se apresentavam grupos de renome
em Sergipe. O festival teve o seu auge dificuldades encontradas para no cenário artístico local e nacional.
na década de 1980 e está suspenso a realização do evento, hoje se Abaixo, artista: Jorge Luiz Fonseca Barros.
desde o ano de 2005. Sempre encontra desativado. Tamanho original: 60 cm x 41 cm.
organizado pela prefeitura de São
Cristóvão com apoio do Governo
do Estado e da Universidade Federal
de Sergipe, contava com a presença
de grandes atrações nacionais e
grupos de vários municípios de
Sergipe. Com datas variáveis, mas
sempre acontecendo no segundo
semestre, o Festival durava vários
dias e transformava a cidade e os
povoados pelo intenso fluxo de
turistas que chegavam ao lugar. Parte
da população local se empregava
em atividades ligadas à recepção

Sergipe: Cultura e Diversidade 79


O Mercado
“A grande feira da cidade é realizada gostosa do que uma fatia de presunto.
nos Mercados Central e Thales Ferraz A feira se divide em outras tantas
durante toda a semana. Uma feira feiras: aqui estão as bancas de carne
de proporções gigantescas, uma verde, carne de porco, carne seca a
feira movimentada, onde há fartura saborosíssima jabá, de carne do sol;
e variedade. Você verá as frutas de alia as bancas de peixe fresco e de
minha terra: os cajus, as graviolas, os peixe do São Francisco; acolá queijos
melões, as mangabas, as melancias, e requeijões, frutas e verduras, redes e
as jaboticabas. Os praieiros trarão alpercatas, doces de puba e de milho.
siris, peixes, aratus, camarões e Mais adiante ainda, a feira de panelas
caranguejos. Você já comeu alguma e de cerâmica popular (...)” (Roteiro Nos Mercados Antonio Franco, Thales Ferraz
vez na vida moqueca de maçunim? de Aracaju, Mário Cabral. Extraído e Albano Franco, em Aracaju, encontra-se de
O maçunim, amiga, é mais saboroso e adaptado). tudo um pouco do que é produzido no estado.
do que o sururu da cidade de Maceió.
E a carne do sol de Cedro é mais

80 Sergipe: Cultura e Diversidade


Único estado do Brasil que
possui uma avenida com bares
e restaurantes especializados
nesse saboroso crustáceo,
a Passarela do Caranguejo.

Caranguejada
É impossível contestar o fato de
o caranguejo ser o aperitivo mais
consumido em todo o território da
Grande Aracaju. Mais do que uma
refeição, comer caranguejo é um
verdadeiro hobbie para os sergipanos
dessa região do Estado e para os
turistas que a visitam.
Lavado, o caranguejo é temperado
com cheiro verde e sal. Em seguida,
o crustáceo é cozido na panela por
15 a 20 minutos até ficar vermelho.
Quando servido, o caranguejo é
acompanhado por vinagrete, além
de um “kit” composto por martelo
e tábua de madeira, equipamentos
indispensáveis para a quebra da
sua casca.
Também é bastante apreciado o
quebrado de caranguejo, seja ele
refogado ou em recheios de pastéis.
(Seplan, Guia Gastronômico dos
Territórios Sergipanos, 2010).

Sergipe: Cultura e Diversidade 81


Alto Sertão

uas maravilhas chamam a atenção de todos para


esse espaço territorial sergipano composto por
sete municípios. A primeira, refere-se aos achados
arqueológicos da sociedade canindé, datados de oito
mil anos atrás. Os fósseis encontrados iluminam nosso passado
ancestral e revelam a presença humana na bacia do São Francisco, há
milênios. A hidrelétrica do Xingó, com um lago artificial imenso, de
65 km², é a segunda das maravilhas. Atesta a engenhosidade humana
e a capacidade de evolução do homem que dali, na idade da pedra
lascada, da pura convivência com a natureza, saltou para a era das
barragens, transformando o ambiente, dominando a natureza. Dos
tempos indígenas, restou a mistura racial e cultural que se afirmou
sob a influência da expansão pecuária e a implantação dos currais
de gado. A pata do boi abriu o caminho para uma gente mameluca.
Junto à pecuária, o Alto Sertão desenvolveu uma agricultura regular,
com ênfase no milho e feijão, cultivados nas duras condições
climáticas locais. Do ponto de vista cultural, tradições ligadas às
atividades econômicas regionais se misturam a novos eventos de
massa revelando a persistência das primeiras e a chegada no interior
do território do Estado de hábitos modernos, que mobilizam
principalmente a juventude, a exemplo do Rock Sertão. Outro
fenômeno local recente é a demarcação cultural de recorte étnico.
Caso da afirmação espacial quilombola em Poço Redondo e Porto
da Folha, onde, aliás, estão os Xocós e seu Toré, expressão grupal de
canto e dança de remanescentes indígenas. E também os sem-terras,
milhares deles, socialmente ativos e economicamente produtivos.
Sob o signo da conquista e da resistência, os homens fizeram desse
território o cenário de construção de um mundo de lutas.
Cenário que inclui a presença inesquecível do Rei do Cangaço
nordestino, o Lampião. Depois de quase duas décadas de
escaramuças com a polícia, ele tombou na Grota do Angico, em
confronto com a volante pernambucana. Mas vive no imaginário
de todos, como um mito, herói para alguns, bandido para outros.
Cânion de Xingó – Apesar “Cabra macho”, valente, destemido, enfim, o homem de fibra
da intervenção humana, a
construção da represa compõe
eternizado pela consciência popular. E que se especializou num
uma paisagem impressionante ofício que o território conheceu desde muito tempo atrás, aliás,
sem indícios de artificialidade. desde tempos imemoriais: o combate.

Sergipe: Cultura e Diversidade 83


Território Alto Sertão

Canindé de
São Francisco

Poço Redondo

Porto da Folha

Gararu

Monte Alegre de Sergipe Nossa Senhora de Lourdes

Nossa Senhora da Glória


Principais Manifestações
Trabalho Religião

Feira/Mercado Santos Festejados Pífanos

Poesia/Cordel/ Toré Violeiros


Pregoeiros Populares
Candomblé/Umbanda Aboiadores
Crochê
Penitentes Cavalhada
Renda de Bilro
Fogaréu (Procissão dos Homens)
Corrida de Argola/
Bordado (Pronto Cruz, Ponto
Salto de Argola
Cheio e Vagonite) Queima de Judas
Corrida de Mourão (Canindé de
Rendendê Peregrinações/Romarias São Francisco e Poço Redondo)

Festa do Santo Cruzeiro (Gararu) Música (Filarmônicas e/ou


Retalhos Grupos Musicais)
Missa do Cangaço (Poço Redondo)
Bonequeiras Carnaval
Rezas e Benzimentos
Artesanato em Palha/Cipó Micareta

Artesanato em Cerâmica Festa Junina


Festa / Entretenimento

Artesanato em Madeira Samba de Coco Casamento do Matuto

Artesanato em Couro Capoeira (Puxada de Rede, Cavalgada


Dança Guerreira, Ritual do
Artes Plásticas Fogo e Maculelê)
Eventos Agropecuários

Pinturas Rupestres Pastoril


Festa do Quiabo

Bacia Leiteira Dança de São Gonçalo


Rock Sertão

Reisado

Sergipe: Cultura e Diversidade 85


Cavalhada
Pertencente ao Ciclo Natalino, a
de vermelho (os mouros). Essa forma de círculo, com as armas
Cavalhada é um Folguedo que foi
formação remete à Batalha de Carlos suspensas apontando para o alto,
introduzido no Brasil por volta de
Magno e “Os Doze Pares de França”. são reverenciados com uma corrida
1756, pelos portugueses, que viram
O folguedo está voltado para uma em torno de si. Encerrando a
na lúdica uma oportunidade para a
batalha (competição) configurada competição, é a hora do “Adeus”. Os
concretização da cataquese.
na “Corrida da Argolinha”. Esse é cavaleiros seguram lenços brancos
As Cavalhadas representam a luta o momento mais importante da e, em veloz corrida feita em sentidos
entre cristãos e mouros. O grupo apresentação, que exige excelente contrários, cristãos e mouros
é composto por doze cavaleiros domínio eqüestre e refinada saúdam-se, sinalizando pacífica
vestidos de verde (os cristãos), que pontaria, visto que a toda velocidade união. O retorno para casa é feito
fazem pares com os doze vestidos o cavaleiro retira, com a ponta da em longo e solene cortejo equestre
lança, a argolinha pendurada no musicado pela Banda de Pífanos
travessão. Vencedores, os cristãos (grupo que integra a Cavalhada).
convertem os mouros Os cavaleiros seguem cantando em
ao cristianismo. trovas, a bravura e a lealdade cristã.
(Dicionário do Folclore Brasileiro,
No final da batalha, as lanças
Luís da Câmara Cascudo. Extraído
são entregues a parentes e/ou
e adaptado por Maria Aurelina
simpatizantes que, agrupados
dos Santos).
uns próximos aos outros, em

Representação da luta entre mouros e cristãos,


que em Sergipe está fortemente ligada ao ciclo
natalino. As cavalhadas são disputas entre dois
cordões de cavaleiros vestidos com indumentárias
coloridas que fazem uma bonita disputa de
destreza, mira e cavalgada entre si.

86 Sergipe: Cultura e Diversidade


Casamento do Matuto
O espetáculo cômico do casamento
caipira sofre variações conforme a
imaginação de seus idealizadores.
Mas preserva o bordão. É uma sátira
bem humorada sobre os costumes
sertanejos tradicionais, cuja moral
não permitia a gravidez ou mesmo o
intercurso sexual fora do matrimônio.
O noivo-tabaréu é obrigado a casar
com a moça que perdeu a virgindade
e, muitas vezes, tem que fazer isso
bêbado para agüentar publicamente a
maçada em que se envolveu.
Muitas vezes, o casamento do matuto
começa com um desfile de carroças
onde os dois personagens desfilam.
Em seguida, vem o padre, a mãe da
noiva e o pai, armado de espingarda,
naturalmente... Na cerimônia realizada
em um palco improvisado, uma
beata entra em cena também. Ali se
desenvolve o ato: o noivo tenta fugir,
o pai pressiona o noivo, a noiva chora
junto à mãe e a beata se escandaliza
com o tamanho da barriga da ex-moça.
Finalmente, ajudado pela bravata do
pai, o padre consegue arrancar um sim
do matuto e o espetáculo chega ao fim.

Brincadeira típica do ciclo junino que


faz sátira aos antigos casamentos
motivados pela obrigação do noivo
em se casar com a “não mais moça”
filha de coronel.

Sergipe: Cultura e Diversidade 87


Rendas
A arte de tecer a renda para a
mulher sertaneja não é somente o
complemento da renda familiar,
é também um momento de
congregação entre as mulheres
e, acima de tudo, um saber que é
ensinado de mãe para filha.
A Renda de Bilro, predominante no
território do Alto Sertão, é mais uma
manifestação artesanal que ainda
sobrevive no território. Inserida no
Brasil por mãos colonizadoras, esse
tipo de renda era de uso exclusivo
do reisado e da nobreza. Outra
vertente aponta para a possibilidade
da introdução dessa arte na região
por parte dos holandeses que se
estabeleceram no Nordeste por
volta do século XVII. Perpassando
gerações, a produção artesanal dos
bilros, espinhos de mandacaru, linhas
e almofadas, pontua o artesanato
sergipano dando mais visibilidade
à moda dos tempos atuais. No
enlace da modernidade com a
tradicionalidade, a renda de bilro
enfrenta acirrada concorrência com
as rendas industrializadas.
Ainda assim, permanece viva graças
à transmissão informal, mostrando
que é possível a convivência da
tradição com a modernidade no
mesmo espaço social. (Maria Aurelina
dos Santos).

Arte de tecer utilizando a almofada,


o molde de papel, alfinetes, linha e
bilro: instrumentos básicos para a
criação da renda.
Sergipe: Cultura e Diversidade 89
Artesão Zeus e sua arte
de esculpir imagens
sacras em madeira.

90 Sergipe: Cultura e Diversidade


Artesanato em Madeira
“A madeira bruta, aos poucos começa de pau que a gente bota pra baixo. A
a ser desbastada. Calejadas, as mãos imburana boa pra trabalhar com arte
do artista buscam a forma imaginada, é quando ela está sequinha, madura,
o corte certo viaja zeloso pelas curvas por volta dos 35 anos. Uma imburana
da anatomia... aos poucos, a teimosa de 30 anos ainda escorre água. Mas O artesão sergipano, Véio, esculpe
imburana, o resistente cedro deixa não é toda imburana que é boa, tem reproduções de personagens nordestinos,
para trás a forma original e segue os que conhecer: se é imburana de imagens sacras e de arte decorativa a
partir da madeira caída na mata.
caminhos da nova vida traçada pelas de cheiro, não presta para
mãos do artista” (Cleomar Brandi, a arte. A boa é a imburana
Artesãos de Sergipe. Unimed) Cambão. O povo não sabe,
mas a imburana é uma trabalhadores com os seus ofícios...
“... eu vinha andando e olhei Chega um ônibus cheio de turistas
para um imburana* assim por madeira importante para
a natureza, porque ela que vêm pro Xingó, muitos deles, e
olhar mas vi desenhado na naquele alvoroço, compram tudo...
árvore um pássaro. Cortei ajuda a fazer chover...
O que tem mais saída graças a Deus” (Mestre Antônio,
e esse foi o meu primeiro por Ilma Fontes. Artesãos de
trabalho. Eu uso canivete, é Lampião, Antônio
Conselheiro, Nossa Sergipe. Unimed)
marreta, formão e lixa. O
artesão é esse que pega o Senhora da Conceição *Imburana: madeira da região do Alto
machado, vai pra mata, – para a igreja eu faço Sertão. Ao lado do Cedro, divide a
corta a madeira e tira de lá a Cristo, a Ceia, a uva e o preferência dos artesãos. Já o Mulungu,
peça que quer... Não é todo pé vinho... sai também umas madeira abundante e sem valor
peças que eu faço assim de comercial, é utilizado.

Sergipe: Cultura e Diversidade 91


Presença Indígena
“O achado arqueológico de maior animais de médio e pequeno porte última tribo indígena de Sergipe,
importância em Xingó foi, sem que vivem dispersos na caatinga os Kariris Xocós. Após a expulsão
dúvida, a descoberta de dois e requerem muito tempo para ser de suas terras e o retorno com
cemitérios indígenas. O sítio do apanhados. A maior parte vive em o reconhecimento de posse, os
Justino, na margem sergipana, e o nichos específicos e aparece mais Kariri-Xocós ainda mantêm a
sítio São José, do lado alagoano. O abundantemente em certas estações sua indianidade preservada pela
sítio do Justino encontrava-se no do ano. Os animais caçados pelos manutenção do ritual do Ouricuri
município de Canindé, num terraço bandos xingoanos e que compunham em área de terra sagrada, apesar da
na confluência do riacho Curituba a sua dieta alimentar são conhecidos perda da sua língua mãe. Além disso,
com o São Francisco. Foi ocupado pelos resíduos deixados em restos de para auxiliar na subsistência do seu
durante períodos compreendidos entre banquetes ou, raramente, em pinturas povo, os Kariri-Xocós desenvolvem
2000 e 8000 anos antes do presente.” nas paredes das rochas. São veados, trabalhos manuais com argila, palha e
(Gabriela Martin, O Rio São capivaras, macacos, tatus, lagartos, sementes que são vendidos na região.
Francisco – a Natureza e o Homem) tamanduás, tartarugas, peixes e um
grande número de aves.” (Fernando
“Os registros rupestres, como
Lins e Carvalho, A Pré-História Os diversos artefatos arqueológicos
linguagem preservada, testemunham
Sergipana) encontrados na região de Xingó
a presença de grupos humanos no comprovam o processo evolutivo dos
nordeste brasileiro. A caça disponível Na ilha de São Pedro, no rio São primeiros habitantes da região às margens
é caracterizada por espécies de Francisco, ainda é encontrada a rio São Francisco.

Os Xocós são o único grupo indígena


existente em território sergipano.
Toré
Encontrado apenas em Porto da
Folha entre remanescentes dos
índios xocós, o Toré é um rito de
evocação. A dança, os cantos e a
beberagem de jurema estimulam os
participantes que alcançam o clímax
quando entram em contato com
seus ancestrais e suas divindades.
Duas modalidades aparecem no
lugar: o toré de roupa, apresentado
como simples folguedo em qualquer
festejo popular e o toré de búzios,
onde os integrantes usam uma
espécie de saiote de palha e sopram
seus rústicos instrumentos, que
quando dançado evoca o segredo
do Ouricuri para mostrar a sua terra: identidade e conquista, Vera A dança é feita em círculo, geralmente ao
condição de verdadeiros indígenas. Lúcia Calheiros Mata). O ritual, redor de uma fogueira que é a forma da
oração coletiva, por momentos de mãos
“A dramatização da identidade faz além de eficiente instrumento de
dadas e por outros soltas.
ver que, apesar da longa trajetória de coesão comunitária, é elemento
“integração”, continuam capazes de distintivo entre os que reivindicam
se manter índios e fortalecidos pelo sua procedência racial e o restante da
segredo do Ouricuri” (A semente da população do território.

Sergipe: Cultura e Diversidade 93


Cangaço
Movimento de indiscutível presença do sertão. A Grota do Angico, na ouro e prata, cartucheiras, chapéus
no imaginário popular nordestino, o divisa de Canindé do São Francisco e botas, imitando os heróis do
Cangaço reservou para Sergipe o seu com Poço Redondo, foi o palco onde, sertão. Além disso, o Xaxado, dança
mais marcante momento: a queda de na manhã de 27 de julho de 1938, os típica do sertão, foi outra cultura
Lampião e do seu bando na Grota volantes cercaram a grota e mataram difundida pelos cangaceiros. A dança
do Angico, em confronto com a a tiros Lampião, Maria Bonita e consiste no avanço do pé direito
volante pernambucana. outros membros do bando, além de em quatro movimentos laterais
decapitá-los e expor suas cabeças em puxando o pé esquerdo, num rápido
Conhecidos por sua valentia
praça pública para provar ao povo e deslizado sapateado. Relacionado
e sagacidade, os cangaceiros
que Lampião não era imortal. aos gestos de guerra, firmes, porém
conheciam como ninguém as
graciosos, recebeu este nome devido
veredas do imenso sertão nordestino, Há aproximadamente 12 anos, é
ao barulho (chiado) das sandálias
tornando muito difícil a sua captura. realizada, na Grota de Angico, a
dos cangaceiros arrastando pelo
Das plantas medicinais às fontes de Missa do Cangaço em homenagem
chão de areia do sertão. Dançado
água, dos locais com disponibilidade aos cangaceiros mortos na chacina.
inicialmente por homens, a presença
de alimento às rotas de fuga e lugares Os participantes percorrem uma
feminina teve início com a entrada de
de difícil acesso, Lampião, Maria trilha por dentro da Caatinga até a
mulheres para o bando, a exemplo de
Bonita e o seu bando eram quase grota, onde um altar é montado e um
Maria Bonita. (www.infonet.com.br/
insuperáveis na arte do combate. padre celebra a missa de homenagem.
lampiao/. Extraído e adaptado).
Mocinhos para alguns, bandidos para Como legado, o Cangaço deixou
outros, os cangaceiros se eternizaram para a cultura do povo do sertão os A missa do Cangaço é realizada há 12
na memória do povo hábitos de se vestir ornamentado em anos para lembrar a morte de Lampião
e seu bando.

94 Sergipe: Cultura e Diversidade


O local da morte de Lampião,
a Grota do Angico, é
atualmente ponto de visitação
de turistas e interessados pela
cultura do Cangaço.

Acima, Garruncha e bereta: armas


utilizadas pelo bando de Lampião.
Maria Gomes de Oliveira – Maria Bonita
e Virgulino Ferreira – Lampião.

Sergipe: Cultura e Diversidade 95


Artesanato em Couro
A expansão pecuária nordeste e mais tarde a cama para os partos;
adentro instituiu novos hábitos de couro todas as cordas, a borracha
por onde chegava o curral. Tanto para carregar água, o mocó ou alforje
os hábitos alimentares quanto os para levar comida, a mala para
artefatos e utensílios estão arraigados guardar roupa, a mochila para milhar
na cultura do homem nordestino. cavalo, a peia para prendê-lo em
A indumentária do sertanejo que viagem, as bainhas de facas, as brocas
lida com o gado no meio da caatinga e os surrões, a roupa de montar no
requer um primor e qualidade que mato, os banguês para os curtumes
garantam a sua proteção contra os ou para apanhar sal; para os açudes,
galhos espinhentos da vegetação. o material de aterro em couro por
Capistrano de Abreu, ao analisar juntas de bois, que calcavam a terra
A expansão pecuária instituiu novos hábitos o complexo cultural do gado, que com o seu peso; em couro, pisava-
alimentares e culturais, como as selas,
denominou “civilização do couro”, se tabaco para o nariz”. (Caminhos
roupas e chapéus de couro. Ofício que
permanece vivo nas tradições de artesãos, escreveu: “De couro era a porta das Antigos e Povoamento do Brasil,
como os de Poço Redondo. cabanas; rude leito aplicado ao chão, Capistrano de Abreu).

96 Sergipe: Cultura e Diversidade


O Vaqueiro, o Boiador
e o Berrante
O Berrante ou Búzio é o meio de
comunicação mais rudimentar e Os vaqueiros de gibão e
mais tradicional ainda utilizado chapéu de couro enfrentam os
no agreste e no sertão. Criado para desafios da aridez do clima e
da ranhura da vegetação.
estabelecer contato à distância entre
o vaqueiro, o boiador e o gado,
o berrante é um instrumento de
sopro feito com chifres de boi. Sua de uma boiada (dispersão do tão abrangente utilidade
montagem consiste no encaixe de um gado), hora do almoço, reunião dos que nem mesmo o gado furta-se
sobre o outro, bem ajustados, com vaqueiros, realização de uma pega do a ouvi-lo e entendê-lo.
um furo na parte superior para fazer boi, local onde a rez está amarrada
“... Vai boiadeiro...”, tocando sua
fluir a sonoridade. Pronto, recebe em algum lugar na caatinga, hora da
boiada com o seu berrante de
tratamento decorativo (pintura, chegada e da partida, etc.
melodia circunstancialmente
entalhe, verniz, etc) ou permanece
É nesse mundo enigmático que entoada, para manter o equilíbrio
em sua forma rústica.
vive o homem e seu inseparável sócio-cultural e econômico de
É, antes de tudo, um veículo sonoro instrumento de comunicação, Sergipe. (Dicionário do Folclore
a serviço da comunicação no Alto desbravando o sertão, alegrando Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo.
Sertão, especialmente porque codifica os lugares mais distantes por onde Extraído e adaptado por Maria
situações emitidas através da maneira passa. É o herói das caatingas e do Aurelina dos Santos)
como toca o berranteiro (vaqueiro e/ cerrado que dá asas à economia de
ou boiador). Dessa forma, vaqueiro, Sergipe, com esse jeito simples de O músico Antônio Carlos
boiador, berrante e gado, interligam- ser. Sem dúvida, é um Du Aracaju em mais uma
se por meio de uma linguagem elemento cultural de raríssima apresentação, tendo ao lado
sonora que leva mensagens correlatas beleza e encantamento, com sua um menino tocador de berrante
(instrumento utilizado para
a perigo de acidentes na estrada,
tocar a boiada).
uma rez (vaca) que fugiu, chamando
a atenção do gado para permanecer
agrupado na caminhada, estouro
Cordel
Literatura popular escrita em prática viabilizou o aparecimento da
versos e publicada em um formato Literatura de Cordel contemporânea.
denominado folheto pelos editores
É difícil precisar a data do
e leitores nordestinos. O folheto é
surgimento no Brasil dessa literatura
um pequeno caderno, geralmente
popular impressa. Porém tudo indica
impresso em papel-jornal, com
que foi nos últimos anos do século
número variado de páginas.
XIX. Antes que o jornal se difundisse,
A união da narrativa poética com as
O nome Literatura de Cordel provém a Literatura de Cordel era fonte de ilustrações em xilogravura transforma o
de Portugal e data do século XVII. informação. O folheto tornou-se o cordel em uma das mais interessantes
Esse nome deve-se ao cordel ou elemento mais expressivo para que expressões da arte nordestina.
barbante em que os folhetos ficavam os acontecimentos chegassem ao
pendurados, em exposição. conhecimento de todos. Era lido nos
mercados, nas feiras, nas reuniões de
Alguns pesquisadores atribuem às
pessoas nos pequenos povoados ou Xavier Brandão. Manoel d’Almeida
“folhas soltas” lusitanas a origem
nos serões familiares nordestinos. Filho, que viveu em Aracaju mais de
da Literatura de Cordel. O povo
português, antes que se difundisse a O maior destaque dessa modalidade cinqüenta anos, á a maior expressão
imprensa, fazia o registro da poesia de literatura é Leandro Gomes de entre os nossos poetas. (Antonio
popular em folhas manuscritas. Essa Barros. O decano em Sergipe é Saturo Alves do Amaral)

98 Sergipe: Cultura e Diversidade


Violeiros e Cantadores
São poetas populares, interpretes e cheia de versos é uma constante na interessar alguém para arranjar-
fiéis das tradições, histórias e luta do peleja dos cantadores, designação lhes uma sala, convidam o povo,
povo nordestino. Câmara Cascudo clássica para esses duelos poéticos, despertam a curiosidade. Na hora
os define como “representantes um desafio que põe em evidência os aprazada, iniciam a peleja. Vencedor
legítimos de todos os bardos seus dotes como poeta e cantador. ou vencido, o dividendo é de 50%.
menestréis”. Ainda segundo o autor, “Canta quase gritando, as veias A notoriedade dos cantadores está
“a cantoria sertaneja é o conjunto entumecidas pelo esforço, a face sempre dependendo do último
de regras, de estilos e tradições que congesta, os olhos fixos para não encontro, já que uma fama de vinte
regem a profissão do cantador” perder o compasso, não musical, anos pode desaparecer em trinta
(Vaqueiros e Cantadores, Luís da que para eles é quase sem valor, minutos de “martelo).
Câmara Cascudo). Vivem cantando mas a cadência, o ritmo, que é
sozinhos ou em dupla os romances tudo” (Roteiro de velhos cantadores Vivem cantando sozinhos ou em
amorosos, as aventuras e fatos da e poetas populares do sertão, Luís dupla os romances amorosos, as
sociedade. A improvisação ritmada Wilson de Sá Ferraz). Procuram aventuras e fatos da sociedade.

Sergipe: Cultura e Diversidade 99


A Festa do Leite
e a Semana da
Vaca Leiteira
Estado cuja formação territorial
tem as raízes fixadas na atividade
pecuária, Sergipe tem, no seu sertão,
um rebanho bovino significativo,
destacando-se, na pecuária leiteira,
o território do Alto Sertão. É aí onde
está concentrada mais da metade da
produção leiteira do estado e para
onde converge o leite produzido
em outros territórios sergipanos. Leite compreende desde exposição Senhora de Lourdes, Padroeira do
O município de Nossa Senhora da agropecuária a concurso da rainha e município, e pela Festa de Bom Jesus
Glória é o principal responsável de derivados do leite, com destaque dos Navegantes, que acontece na sua
pelo processamento de toda essa para o concurso de queijos. Outro parte “baixa”, margeada pelo Rio
produção, contando com laticínio ponto alto da festa é o torneio leiteiro São Francisco.
de grande porte, distribuidores de ovinos e caprinos, onde algumas
Em Lourdes, alguns criadores ainda
e fabriquetas de queijo e outros vacas chegam a produzir mais de 50
assumem a tradição de distribuir leite
derivados do leite. Como resultado litros de leite por dia.
entre as pessoas da cidade, na Sexta-
da expressividade da bacia leiteira do Com características similares, a feira da Paixão.
sertão sergipano, em dois municípios Semana da Vaca Leiteira acontece
foram criados festejos para celebrar na sede do município de Nossa A forte cultura do leite configura o
essa atividade produtiva: a Festa do Senhora de Lourdes, no mês de território do Alto Sertão, distribuindo
Leite, em Nossa Senhora da Glória, e setembro, e é uma das festas mais para todo o Estado e até para
a Semana da Vaca Leiteira, em Nossa importantes “no alto” do município, circunvizinhos a sua rica produção.
Senhora de Lourdes. pareada apenas pela Festa de Nossa
Apoiada por instituições financeiras
e de assistência técnica, a Festa do

100 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 101
Festa do Quiabo
Criada como forma de valorizar a
produção de quiabo do perímetro
irrigado do projeto Califórnia, a
Festa do Quiabo é uma das grandes
atrações do Sertão Sergipano.
Realizada na última semana do
mês de setembro, no forródromo
do município de Canindé de São
Francisco, o evento acontece desde
2005 e conta com o patrocínio da
prefeitura e dos produtores através
das suas associações.
Cada produtor doa parte da sua
produção para ser utilizada no
preparo da festa, que, entre outras
atrações, conta com uma pista
escorregadia, feita à base de quiabo
moído e sabão em pó, sobre a qual
aquele que passar sem cair recebe
uma premiação. O evento também
conta com concurso de culinária à Concursos e disputas fazem parte
base de quiabo, do maior comedor de da programação da festa do quiabo.
Na imagem acima, concurso
quiabo e shows com atrações locais e de maior comedor de quiabo.
de outros Estados. Abaixo, a famosa corrida na pista
escorregadia de quiabo.

102 Sergipe: Cultura e Diversidade


Pituzada
Além do queijo coalho, do requeijão camarão pitu do Brasil, está
manteiga, buchada e sarapatel, ameaçado de extinção. Mas aqui você
reflexos da forte atividade pecuária, pode comê-lo sem dor na consciência
outra grande atração da culinária do porque o pitu é cultivado de maneira
Alto Sertão Sergipano é a pituzada. sustentável no Alto Sertão Sergipano.
Um dos pratos mais famosos (Seplan, Guia Gastronômico dos
da região às margens do rio São Territórios Sergipanos, 2010).
Francisco, a pituzada é feita em panela
de barro, que leva azeite de dendê,
O pirão de pitu está entre as
cebola, tomate e pimentão picados,
diversas iguarias ligadas à vida dos
cheiro verde, leite de coco, cenoura e ribeirinhos do São Francisco, rio
batata, além, é claro, do pitu. que atravessa ao norte o território
do Alto Sertão.
O principal ingrediente da receita,
o Macrobrachium carcinus, maior

Sergipe: Cultura e Diversidade 103


Médio Sertão

m nenhum outro lugar do mundo, alguém pode


comer uma carne do sol com traíra como a
servida em Nossa Senhora das Dores, ou provar
uma galinha de capoeira com fava tão bem
preparada quanto a de Cumbe. Muito menos se divertir
numa Corrida totalmente dedicada ao Jegue, como em
Itabi ou em um rodeio profissional, como em Nossa
Senhora das Dores.
Toda essa autenticidade resulta da invenção do povo do
Médio Sertão Sergipano. Criatividade aí não quer dizer
esquecimento dos valores do passado. A criatividade local
em nada contraria o amor às tradições. Elas se fazem
presente no mundo do trabalho, da religião e também nas
festas e nos entretenimentos.
Provam isso o artesanato em pedra, palha, cipó, cerâmica
e madeira encontráveis em alguns dos seis municípios do
território de identidade. Eles são produzidos ao longo de
sucessivas gerações, transmitidos de pais para filhos numa
cadeia sucessória de longas datas.
No município de Nossa Senhora das Dores, mantém-se a
prática da penitência, a exemplo da Procissão do Madeiro,
manifestação religiosa bicentenária.
Nítidas expressões simbólicas da ocupação territorial que
foi feita à custa de sofrimento, de dores resultantes da
submissão indígena e da conquista do lugar pela expansão
pecuária. As festas ligadas à atividade pecuária têm um
grande destaque, proporcional à história local que, junto
a eventos como a Festa do Abacaxi, de Gracho Cardoso,
promovem o enlaçamento das manifestações tradicionais
com as expressões modernas dinamizando vivamente a
cultura local.
Os festejos do ciclo junino e natalino têm também registros
significativos com destaque em alguns municípios, como
é o caso do Casamento do Matuto, para o São João, e do
Reisado, durante o final do ano.

Personagem comum do sertão, o jegue, além


de instrumento de trabalho é o companheiro
do homem sertanejo.

Sergipe: Cultura e Diversidade 105


Território Médio Sertão

Itabi

Gracho
Cardoso

Aquidabã
Feira Nova

Cumbe

Nossa
Senhora das
Dores
Principais Manifestações
Trabalho Religião

Feira/Mercado Santos Festejados Aboiadores

Poesia/Cordel/ Penitentes Corrida de Argola/


Pregoeiros Populares Salto de Argola
Queima de Judas
Contadores de Estórias Música (Filarmônicas e/ou
Rezas e Benzimentos Grupos Musicais)
Crochê
Carnaval
Bordado (Pronto Cruz, Ponto Festa / Entretenimento
Cheio e Vagonite)
Samba de Coco Micareta

Retalhos
Capoeira (Puxada de Rede, Festa Junina
Dança Guerreira, Ritual do
Bonequeiras Fogo e Maculelê) Casamento do Matuto

Artesanato em Palha/Cipó Dança de São Gonçalo Cavalgada

Artesanato em Cerâmica Reisado Vaquejada

Artesanato em Madeira Pífanos Eventos Agropecuários

Artes Plásticas Violeiros Festa do Boi (Rodeio Profissional)

Festival do Jegue

Sergipe: Cultura e Diversidade 107


Procissão do Madeiro
No povoado Gentil, cidade de Nossa
Senhora das Dores, a fé é cultuada de
forma singela e respeitosa. A Procissão do
Madeiro é uma manifestação bicentenária
de religiosidade popular, que mobiliza
centenas de pessoas de diversas partes do
Brasil. Movidos pelo sentimento da fé,
dezenas de jovens e senhoras aderem ao
culto ritualístico. Os motivos da adesão
são vários: pagamento votivo, redenção
dos pecados e solidariedade cristã, entre
outros. É uma confraria exclusivamente
feminina que após caracterizarem-se,
apropriam-se da identidade coletivamente
construída, ou seja, todas são
denominadas “Beatas”. Envoltas nas
mortalhas de cor preta e com tercinho de
Nossa Senhora (branco), entrelaçando-lhes
as mãos, elas peregrinam de estação
em estação, dispostas em dois cordões
encabeçados pelo “Madeiro”. Percorrem
dez estações ritualísticas por volta das
dezenove horas da Sexta-Feira da Paixão.
A Guardiã do Madeiro, D. Maria José,
realiza a procissão das Penitentes Beatas
todos os anos, com a mesma fé e com o
mesmo Madeiro que existe há mais de dois
séculos, renovando a fé e a esperança dos Procissão de beatas, uma confraria
exclusivamente feminina, que
seus familiares, adeptos e simpatizantes.
percorre dos povoados até a cidade
Até onde se sabe, essa tradição devocional acompanhando o Madeiro (cruz).
existe apenas em Nossa Senhora das Devido ao seu peso, a cruz é sempre
Dores, com origens desconhecidas, devido carregada pelos homens.
à ausência de registros anteriores. (Maria
Aurelina dos Santos)

108 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 109
Festa do Boi
Surgida em um momento em que as
vaquejadas e as boiadas estavam em
decadência, a “Festa do Cavalo”, uma
pequena tourada, ganhou dimensões
inimagináveis, transformando-se,
anos depois, na nacionalmente
conhecida Festa do Boi, o único
rodeio profissional realizado em
terras sergipanas.
Maior vitrine turística do município
de Nossa Senhora das Dores, marca o
período de maior movimentação da
produção artesanal e do comércio do
lugar. Durante os cerca de 90 dias que
antecedem a festa (realizada durante
três dias em torno do feriado do dia
15 de Novembro), a cidade muda a Durante os três dias de festa, cerca os rodeios, destacam-se o Sertanejo e
sua feição. No aspecto econômico, de 40 mil pessoas, entre turistas de o Forró em apresentações de artistas
cerca de 600 pessoas são empregadas Sergipe e de outros Estados, visitam locais e nacionais.
de forma direta e indireta, seja as terras de Nossa Senhora das Dores,
na estruturação do evento ou lotando pousadas e as casas dos
Tradicional festa de rodeio, atrai pessoas
nas exposições agropecuárias, de moradores locais, alugadas com cerca de todo o estado para ver os peões
automóveis e de artesanato que de 100 dias de antecedência. Dentre montados em touros e cavalos e assistir
acontecem concomitantemente. os gêneros musicais tocados durante aos grandes shows de artistas nacionais.

110 Sergipe: Cultura e Diversidade


Festival de Jegues
O animal de montaria e trabalho é
importante elemento da economia e
cultura no mundo rural do país. No
Nordeste, um deles ganhou lugar de
destaque pela rusticidade, resistência,
força para a tração e facilidade no trato
com excelente desempenho nas lidas
agrícolas e pouca exigência alimentar. O
pequenino jegue ganhou em Itabi uma
grande projeção. Para ele, a cidade realiza
todos os anos um grande festival. Pelo
menos em Itabi, a evolução dos meios de
transporte e a seletividade genética que
hoje valoriza outros animais de montaria
e trabalho, não anulou na memória do
povo a contribuição do asno à cultura
O Festival de Jegues já é conhecido em todo o
nordestina, levando-o a edificar numa das país. O concurso do jegue mais enfeitado e a
principais praças da cidade uma estátua corrida são as principais atrações da festa.
em sua homenagem.

Sergipe: Cultura e Diversidade 111


Bonequeiras
Tradição cultural das mais antigas da comunidade para a crianças que participam
presentes no território, a confecção importância das bonecas das atividades do grupo.
de bonecas de pano é uma arte de de pano na cultura local. (SEPLAN. Relatório do II
destaque no município de Nossa Um grupo de dança Ciclo do Planejamento
Senhora das Dores. Confeccionadas composto por crianças Participativo.
por grupos de idosas, elas são veste-se como as bonecas Conferência Territorial
variadas, seja na cor, no tamanho para promover esse resgate do Médio Sertão
ou no que representam. As figuras da cultura do município e a Sergipano).
da cultura local são constantemente geração de renda, apresentando
representadas nessas peças, a suas coreografias em escolas e
exemplo de Maria Bonita. Com o eventos. Além da dança, existem
intuito de motivar e resgatar essa outras atividades paralelas, como
O projeto Dança de Retalhos veio
tradição, um projeto foi criado no oficinas de confecção de bonecas,
resgatar uma cultura bastante popular na
início do ano de 2009 e desenvolve comercialização do que é produzido cidade de N. Sra. das Dores, que ficou
atividades voltadas à sensibilização e reuniões com pais e mães das esquecida durante anos.

112 Sergipe: Cultura e Diversidade


Galinha de Capoeira
com Fava
A galinha criada no terreiro de casa
é chamada de galinha de capoeira.
Ela é encontrada em todo o Estado
de Sergipe e, geralmente, quando
cozida, é servida tendo como
acompanhamentos arroz branco e
pirão. No território do Médio Sertão,
a galinha de capoeira recebe uma
guarnição especial: saborosos grãos
de feijão verde conhecidos como fava.
As mais famosas estão em Itabi e em Típico prato da culinária nordestina, a Galinha
Cumbe. (Seplan, Guia Gastronômico de Capoeira com Fava além de ser extremamente
dos Territórios Sergipanos, 2010). saborosa tem grande valor nutritivo.

Sergipe: Cultura e Diversidade 113


Baixo São Francisco
is um território culturalmente ativo, diversificado e pujante.
Tudo celebrado às margens do grande rio onde o festejo maior
é a procissão do Bom Jesus dos Navegantes, realizada em vários
municípios do território de identidade. À fartura propiciada
pelas águas e presente na culinária marítima, soma-se a tradição pecuária.
Isso explica um pouco a característica da cartografia cultural da região,
baseada na maior e na menor proximidade do rio e distingue o ribeirinho
do interiorano. A carne do sol de Cedro de São João é tida como iguaria
sergipana. Conhecida, reconhecida, valorizada, como o bordado de ponto de
cruz, encontrável em todas as ruas de Telha, Cedro, Canhoba ou Própria; ou
o artesanato, presente em quase todos os municípios. Assim como as festas
e manifestações religiosas como a de Nossa Senhora da Conceição, São José,
Santo Antônio e a Queima de Judas, realizada no sábado de Aleluia nas ruas
de Telha, Cedro e Japoatã em meio à grande algazarra e participação popular.
Diversidade é o que não falta: Guerreiro em dois municípios do território
(Propriá e São Francisco), Sarandagem em Muribeca, Samba de Coco em
Canhoba, Amparo de São Francisco Japoatã e Muribeca e até Maracatu em
Brejo Grande. Trios Pé de Serra, Aboiadores, Corrida de Argola e Violeiros,
formam esse vasto e colorido conjunto de dezenas de folguedos, festejos e
feitos de forte feitio regional.
O carnaval do Baixo São Francisco é famoso, agitando várias cidades,
especialmente Neópolis, onde o bloco Zé Pereira se destaca como grande
atrativo local. Tal diversidade cultural encontra paralelo na agricultura local,
produtora de cana, arroz, mandioca, milho, feijão, amendoim, fava, abacaxi,
banana, coco e gado. Atividades que guardam suas especificidades, geram os
seus próprios e peculiares ritos de plantio e de colheita. Em outras palavras,
criam suas culturas características e singulares.

Foz do rio São Francisco,


divisa entre Sergipe e Alagoas.
Ao lado, taboa: fibra natural
abundante do território, sendo
principal matéria prima para a
produção do artesanato local.

Sergipe: Cultura e Diversidade 115


Território Baixo São Francisco

Amparo
Canhoba de São
Francisco
Telha

Cedro Propriá
de São
João Santana
do São
Francisco
Malhada São
dos Bois Francisco
Neópolis

Muribeca

Japoatã
Ilha das
Flores Brejo Grande

Pacatuba
Principais Manifestações
Trabalho Religião

Feira/Mercado Santos Festejados Maracatu

Poesia/Cordel/ Candomblé/Umbanda Pífanos


Pregoeiros Populares
Penitentes Violeiros
Crochê
Auto Flagelo Aboiadores
Bordado (Pronto Cruz,
Ponto Cheio e Vagonite) Paixão de Cristo
Corrida de Argola/
Salto de Argola
Rendendê Queima de Judas

Corrida de Mourão
Artesanato em Cerâmica Rezas e Benzimentos

Música (Filarmônicas e/ou


Artesanato em Couro Festa / Entretenimento
Grupos Musicais)
Sarandagem ou Sarandaia
Artes Plásticas
(Cortejo da Baiana) Carnaval

Rizicultura
Samba de Coco Micareta

Capoeira (Puxada de Rede, Festa Junina


Dança Guerreira, Ritual do
Fogo e Maculelê) Casamento do Matuto

Guerreiro Cavalgada

Pastoril Vaquejada

Reisado Festa da Carne do Sol

Encontro Cultural

Sergipe: Cultura e Diversidade 117


Bom Jesus dos
Navegantes
Os festejos católicos são muito fortes
em Sergipe, mas são especialmente
significativos no Baixo São Francisco.
Aí, além do nome do santo que
batiza o território, Santo Antônio é
comemorado em quatro municípios,
e Nossa Senhora da Conceição em
nove. Afora São José, festejado em
Malhada dos Bois e São João, no
Cedro. Mas o ponto alto desses
festejos populares, sem dúvida, é
a procissão fluvial de Bom Jesus
dos Navegantes. O cortejo de
embarcações desfila em Propriá, Na Tradicional Festa de Bom Jesus dos
Neópolis, Santana do São Francisco Navegantes de Propriá, acontece a Corrida de
e Ilha das Flores, precedido por Canoas, onde principalmente os pescadores
disputam a competição.
missa campal e procissões nas ruas.
Quando pescadores e canoeiros dão
curso ao desfile, a população exulta
com o estampido de fogos de artifício
e muita animação.
Pastoril
Pastoril é um fragmento dos nas mãos pandeiros vazados, ornados
presépios ou “pastoris dramáticos”, de fitas. Suas figuras são: Diana,
sem os textos declamados ou Cigana, Anjo ou Belo Anjo, o Velho,
dialogados. Celebra o nascimento do a Estrela do Norte, Cruzeiro do Sul, a
Menino Jesus e origina-se dos autos Borboleta, entre outros. As cantigas
de Natal na França. No Brasil recebeu acontecem uma após a outra, sem
a influência dos índios e dos negros. qualquer diálogo ou texto falado.
O Pastoril é acompanhado por um
A tradição das cores azul e encarnada
trio de sanfona, zabumba e triângulo.
tem raízes nas lutas entre cristãos e
mouros. Azul representa Maria e o
encarnado o “Sangue de Cristo”. As
pastoras se dividem em dois cordões, Pastoril de Brejo Grande,
um azul e outro encarnado. Usam dança e canta em louvor
chapéus ou diademas enfeitados e ao menino Jesus.

Sergipe: Cultura e Diversidade 119


Banda de Pífanos
O termo é usado para denominar o
conjunto musical popular conhecido
no Nordeste do Brasil, também
chamado de esquenta mulher, terno
de zabumba, banda de pife (ou
pífano), bombo, cabaçal, etc.
As bandas de pífanos tocam “salvas”
nas rezas das novenas, acompanham
procissões e se apresentam em
eventos diversos.
A banda de pífano é composta por
quatro instrumentos: dois pifes ou
pífanos, uma zabumba e uma espécie
de tarol. As mais autênticas utilizam
instrumentos produzidos pelos
próprios músicos nas comunidades
onde residem. Enquanto tocam,
dançam em círculo, fazem giros,
abaixam-se e se levantam de forma
alternada e bastante movimentada.
Em Sergipe, as apresentações
acontecem em rituais de pagamento
de promessas, datas comemorativas,
festas religiosas, aniversários e
eventos culturais.
Pode-se localizar uma Banda de
Pífanos em diversos municípios
do Estado.

Na imagem, o grupo de Pífano Nossa Senhora


da Conceição de Muribeca mantém a tradição
da musicalidade nordestina através do som
simples e vigoroso, baseado na sonoridade de
instrumentos como o pífano e a zabumba.

120 Sergipe: Cultura e Diversidade


Guerreiro
É um auto natalino presente nos A dança é composta por jornadas. Indumentárias: homens – calças
Estados de Pernambuco, Alagoas Passos de destaque: 40 rebatidos, comuns, camisas de duchese, ao
e Sergipe. Carrega influência do tesoura recortado, martelo agalopado, estilo militar. Vassalos e o índio Peri
Reisado. Segundo “Seu Euclides”, trupe e coco. Um dos mais belos a caráter. Mulheres – vestidos de
saudoso mestre do Guerreiro “Treme momentos da dança é justamente duchese, geralmente saias rodadas
Terra”, de Aracaju, surgiu de uma a luta de espadas que é travada e muitas fitas coloridas. A coroa
outra dança executada pelos índios entre o Mestre e o Índio. O Mestre da Rainha é ricamente trabalhada.
“Aboris” das matas, que dançavam é o instrutor do grupo, além de seu Instrumentos: sanfona, pandeiro,
ao som de berimbau e uma viola fundador. É ele que comanda os triângulo e tambor.
adaptada com cordas de fibra vegetal. solos e rege com um apito o início
Uma outra versão conta a história e o término das “jornadas”. Mestre,
de uma Rainha, seu esposo, o Rei Contra-mestre, Embaixador, Vassalos,
Severino, Guardas do Reino, uma Índio, Tocadores, Rainha Lira, Estrela
e Verde-rama são os personagens. O teor dramático dos Guerreiros remete
envolvente relação da rainha com o ao relacionamento entre brancos e índios
índio Peri e um combate que acaba Nas apresentações intercalam cantos
nos primeiros momentos de ocupação de
com a morte do Rei. com charadas e louvações. Sergipe.

122 Sergipe: Cultura e Diversidade


Zé Pereira
O município de Neópolis, cuja
denominação inicial era Santo
Antônio da Vila Nova, tem festejos
carnavalescos cujo destaque é
a grande participação popular,
embalada por blocos independentes
que animam as ruas ao som do mais
autêntico frevo pernambucano.
Chamados indistintamente de Zé
Pereira, esses grupos formam um
arrastão de alegria pela cidade,
tradição que vem atraindo, cada
vez mais, a atenção dos que
procuram um carnaval diferente
dos predominantes nas grandes
cidades. O nome Zé Pereira é uma
Carnaval de Neópolis com grande influência
homenagem àquele que, de maneira
do frevo pernambucano é conhecido pela sua
despretensiosa, saiu pelas ruas do alegria, irreverência e espontaneidade.
Rio de Janeiro, cantando e dançando
animadamente: o criador do tríduo
momesco no Brasil. (Antonio Alves
do Amaral)

Sergipe: Cultura e Diversidade 123


Rei, rainha e súditos, o maracatu é
a expressão do sincretismo cultural
entre os negros africanos, índios
brasileiros e brancos portugueses.
Maracatu
Por não ser um auto, o Maracatu não
possui um enredo para sua exibição.
Representa uma herança dos séquitos
negros que acompanhavam os Reis
do Congo, eleitos pelos escravos para
coroação comemorada com batuques no
adro em homenagem ao Santo protetor.
O cortejo real é lembrança da célebre
Rainha africana, Ginga de Matamba.
A indumentária é constituída de vestidos
em cores extravagantes (estampados e
lisos), chapéus de pano com abas moles,
lembrando tocas que as sinhazinhas
usavam para dormir.
São personagens: Rei, Rainha, Príncipe,
Princesa, Vassalos, Ministros, Cavaleiros,
Lanceiros, Buzineiros, Porta-bandeira,
Tocadores e Calungas, que são bonecas
com poderes sobrenaturais, representando
as divindades (orixás) cultuadas como
Oxum e Xangô.
O cortejo itinerante sai pelas ruas
dançando, dando umbigadas, saracateios
e fazendo reverências, ao som das
marchas, ritmos batidos, marcadores,
lembrando cantos aos orixás. Em algumas
músicas percebe-se um acentuado sotaque
africano. Por ter perdido a tradição
sagrada, o Maracatu integra o ciclo
carnavalesco das brincadeiras de rua.
Os instrumentos que os integrantes
utilizam são tambores artesanais (por
eles mesmos confeccionados), chocalhos
e gonguê. A madeira utilizada para os
instrumentos é o tronco do coqueiro ou da
faveira braba.
Não existe uma coreografia específica,
a não ser a saudação aos tambores e ao
grupo que representa a realeza.
Em Sergipe, podemos encontrar
a manifestação nos municípios de
Japaratuba e Brejo Grande (povoado
Brejão dos Negros.

Sergipe: Cultura e Diversidade 125


Cavalgada
A cavalgada vem sendo produzida
com uma série de elementos que a
transportam no presente como uma
manifestação contemporânea. Elas
mantêm a essência da tradição do
passeio, mas se afastaram dos fins
religiosos do passado constituindo
percursos para simples diversão. Os
elementos mais marcantes no presente
são os concursos de cavaleiros,
amazonas e cavalos com distribuição de
camisas promocionais acompanhados
por trios e realização de show no ponto
final do percurso.

Tradicional cavalgada realizada


em Brejo Grande.

126 Sergipe: Cultura e Diversidade


Queima de Judas
O catolicismo popular é
a um grande fogueteio, algazarra e
particularmente duro com Judas em
gritaria. A comicidade e a pirotecnia
todo o Nordeste. Aqui, ele expia quase
do espetáculo colocam a Queima
tudo que fez a Jesus. No sábado de
de Judas como uma das mais
Aleluia, um boneco de pano repleto
concorridas expressões dramáticas
de fogos e explosivos é pendurado a
do povo brasileiro.
uma espécie de forca, aguardando a
chegada da noite. Em meio a versos
anedóticos trocados entre os presentes
e a um inventário bufo que troça com A malhação ou queima do Judas é parte
os organizadores e amigos do festejo, do rito que compõe a Semana Santa.
a população assiste ao momento Atualmente é comum enfeitar o boneco
com vestimentas ou placas contendo
mais esperado: a queima do traidor nomes de políticos, atletas ou mesmo
de Jesus que se espedaça em bandas de personalidades não tão bem aceitas
e explode dos pés à cabeça em meio pelo povo.

Sergipe: Cultura e Diversidade 127


Bordadeiras
O bordado é a tradição artesanal mais
desenvolvida pelas mulheres do Baixo
São Francisco. Em cada calçada, em
cada porta de casa ou em centros
comunitários, as mulheres bordadeiras
desenvolvem o seu trabalho com
exímio primor. São pontos de cruz,
rendendês, entre outros.
Segundo os mais velhos, o ponto
cruz foi trazido pelos portugueses
e o redendê pelos holandeses que
passaram aqui pelo Baixo São
Francisco por volta do século XVII.
Desde então fazer bordado é uma
arte transferida de mães para filhas,
salvo para alguns homens que mais bastante conhecido e, para melhorar Acima, o Rendendê, e abaixo, o ponto de cruz,
recentemente aprenderam bordar ou as vendas, a produção passou a ser dois típicos bordados sergipanos.
Ao lado, no Baixo São Francisco é comum ver
fazer algum tipo de acabamento. diversificada.
as mulheres sentadas em suas portas durante
Na década de 1970 ocorreram Assim, pode-se dizer que foi com a a tarde tomando uma fresca e proseando
significativas modificações no enquanto fazem o seu bordado.
crise econômica do arroz que Cedro
município de Cedro de São desenvolveu o artesanato como
João. Nesse período, a falência fonte de renda para a maioria de
da rizicultura implicou em uma seus habitantes. O artesanato desse
migração de seus habitantes para município é produzido, de forma maior parte das mulheres de Cedro,
Aracaju e para a Capital. Esse em geral, em outros municípios, por atualmente, dedicar-se aos afazeres
processo serviu para difundir o mulheres que moram nos povoados de acabamento. Já os homens têm a
bordado local em vários lugares do de Aquidabã, Propriá, Malhada dos função de lavar, engomar e embalar
Brasil. Por volta da década de 1990 Bois, Porto da Folha, Lagarto, Tobias deixando a mercadoria pronta para
o artesanato sergipano já estava Barreto entre outros, cabendo à a venda.

128 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 129
Artesanato
em Cerâmica
Santana do São Francisco concentra
um expressivo segmento do
artesanato utilitário e decorativo.
Seus ceramistas herdaram dos
indígenas essa ancestral habilidade de
moldar o barro com as mãos e dar a
ele um uso cultural. Vasos, moringas,
enfeites e uma infinidade de criativas
Torno, instrumento essencial para a
e singelas peças garantem o sustento modelagem das peças de barro.
de centenas de famílias e levam a
outros lugares o nome de Sergipe.
Alguns artesãos desenvolvem
trabalhos autorais, esculpindo e
pintando suas obras com talento
extraordinário. Os oleiros de Santana
são conhecidos e admirados em
todo o país, alguns deles sendo
requisitados para transmitir seus
ensinamentos em outros Estados.

Notoriamente identificada pela riqueza na


moldagem e brilho nas cores com que são feitas,
a cerâmica produzida no estado mantém-se com
tradição e criatividade nas novas peças.
Artesã Dona Judite.

Artesã Maria do Carmo.

Forno para cozimento da cerâmica.

Sergipe: Cultura e Diversidade 131


Artesanato em Palha/Cipó
No Baixo São Francisco há uma do referido fruto maduro (a goga)
predominância da ouricurizeira é a alimentação dos ruminantes,
(palmácea nordestina), cujas folhas devido ao seu sabor adocicado. Desse
e frutos têm importante papel na processo, resulta o ouriciri de boi. A
alimentação e no artesanato. A parte não digerível (o coquinho) é
facilidade com que se encontra a evacuada pelo animal e aproveitada
planta favorece o artesanato regional pelo homem em sua alimentação.
que, perpassando décadas, já existe Sem dúvida, esse é o melhor ouricuri
no território há mais de um século. que se pode degustar.
Do fruto da planta (espécie de Seja de pindoba, de coqueiro ou de taboa,
Das folhas do pé de ouricuri
coquinho), popularmente conhecido a criatividade dos artesãos do Baixo São
originou-se o artesanato utilitário e
por dicuri, tudo é aproveitado: Francisco atravessa fronteiras.
decorativo. Popularmente conhecida
a polpa serve para o preparo da
por pindoba, essa palha muito
cocada de ouricuri; a casca (do fruto
contribui para a economia da cultura,
maduro) para a produção de suco e
devido à sua ampla utilidade. Secas mandalas, porta lápis e até mesmo
ainda pode ser degustada fresquinha
e despalitadas ou não, elas ganham tapetes e coberturas para casas de
no momento da colheita. O ouricuri
valor e forma nas mãos do homem taipas. É a natureza dando asas à
quando colhido verde passa por um
que as transforma em: vassoura, imaginação humana e ampliando
processo de cozimento que possibilita
abanos, esteiras, jarros, fruteiras, a diversidade cultural sergipana.
a extração da polpa inteirinha,
jogos americanos, leques, chapéus, (Maria Aurelina dos Santos)
quando é quebrado. Outra utilidade

132 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 133
Festa da Carne do Sol
Reflexo da importância da produção de solto no pasto. Seja preparada com
carne do sol para o município de Cedro o gado da região ou de estados como
de São João, a Festa da Carne do Sol Bahia, Minas Gerias e Pará, a carne
aconteceu durante 6 anos consecutivos, de sol de Cedro é vendida nas feiras
ficou desativada por 10 anos, e foi livres locais e de outros municípios
reativada em 2009. A festa dura 3 dias como Japoatã, Pacatuba, Ilha das
e é uma oportunidade de divulgar o Flores, Brejo Grande, Aquidabã,
principal produto da culinária local. Muribeca, Propriá, Japaratuba e
Aracaju e ainda é exportada para
O segredo da carne do sol é o tempo
restaurantes e churrascarias do
de salgamento, que varia de acordo
município de Penedo (Alagoas). De tradição secular, a carne do sol
com a presença do Sol ao longo de Cedro de São João é famosa pela
do dia e cujo preparo é feito pelo A qualidade única da carne do sol de qualidade e sabor.
machante. Em Cedro, os produtores Cedro de São João e a habilidade dos
são fazendeiros da região. O gado seus machantes na comecialização
destinado para o abate tem um garantem sustento direto para cerca
acompanhamento técnico e é criado de 150 pessoas no município.

134 Sergipe: Cultura e Diversidade


Peixada em panela de barro
Território marcado pelo encontro encontrada em Propriá, principalmente
do Rio São Francisco com o Oceano quando o peixe banhado em leite de
Atlântico, o Baixo São Francisco é coco, azeite de oliva, verduras e cheiro
rico em pratos à base de frutos do verde é o surubim.
mar. É difícil decidir qual a iguaria
Peixe de água doce de grande valor
mais apreciada da culinária regional
comercial, o surubim possui carne de
diante da diversidade de crustáceos
coloração clara e textura firme com
(camarões, caranguejos, siris,
sabor pouco acentuado. A ausência de
guaiamuns e aratus), moluscos (ostras
espinhas, torna-a adequada aos mais
e sururus) e peixes (dourado, surubim,
variados usos e preparos, agradando
corvina, bagre e até cações e caçonetes). Uma das principais atrações culinárias
a todos os paladares. (Seplan, Guia do território é a peixada de surubim em
Uma das grandes atrações do território Gastronômico dos Territórios panela de barro encontrada em Propriá.
é a peixada em panela de barro Sergipanos, 2010).

Sergipe: Cultura e Diversidade 135


Sul Sergipano
ingularidade e invenção. Eis a marca desse
território. Veja-se o São João, por exemplo.
Ao lado das tradicionais quadrilhas e pés de
serra, o inusitado Barco-de-fogo – movido a
coloridos e ruidosos fogos de artifício – que
só se encontra em Estância e atrai a atenção de todo o
país. Tradição aqui também é o que não falta: ela aflora
nas cerimônias religiosas ou nas festas e folguedos
populares, abundantes em todo o território: Reisado,
Pastoril, Samba de Coco e Capoeira. Tradição que se
conserva nos costumes locais e se expressa em eventos
como o Encontro de Carros-de-boi, regionalmente
muito valorizado.
Economicamente, a laranja substituiu a cana-de-
açúcar, e, não poderia ser diferente, para ela se faz
todos os anos uma festa em Boquim, espaço para
o qual convergem músicos, artistas populares,
forrozeiros e muita gente, renovando nesse grande
evento de rua o velho rito de festejo agrícola, tão caro
às comunidades tradicionais.

Duas típicas embarcações do


território sergipano. A do lado
navega pelas límpidas águas
do estuário dos rios Real e
Piauí. E a de cima, navega
pelos céus de Estância.

Sergipe: Cultura e Diversidade 137


Território Sul Sergipano

Salgado

Boquim

Pedrinhas Estância

Arauá
Itabaianinha

Tomar do Geru Santa Luzia do Itanhy

Umbaúba

Cristinápolis Indiaroba
Principais Manifestações
Trabalho Religião

Feira/Mercado Santos Festejados Pífanos

Poesia/Cordel/ Candomblé/Umbanda Aboiadores


Pregoeiros Populares
Penitentes Música (Filarmônicas e/ou
Renda de Bilro Grupos Musicais)
Auto Flagelo
Crochê Carnaval
Queima de Judas
Richilieu Micareta
Rezas e Benzimentos
Bordado (Pronto Cruz, Festa Junina
Ponto Cheio e Vagonite)
Festa / Entretenimento
Casamento do Matuto
Tecelagem Batucada Pisa Pólvora
Cavalgada
Retalhos Samba de Coco
Vaquejada
Bonequeiras Capoeira (Puxada de Rede,
Dança Guerreira, Ritual do Eventos Agropecuários
Artesanato em Palha/Cipó Fogo e Maculelê)
Festa da Laranja
Artesanato em Cerâmica Pastoril
Encontro de Carros do Bois
Artesanato em Madeira Dança de São Gonçalo

Artesanato em Couro Reisado

Fogueteiros Reisado dos Bichos

Artes Plásticas

Sergipe: Cultura e Diversidade 139


Quadrilha
Junina
Dança palaciana
de origem francesa
surgida no século XIX. Tornou-se
notória na Europa e em toda a América
a ponto de abrir os bailes da corte em
qualquer país. Foi assimilada pelo povo
que lhe deu nova feição inventando
novos passos, porém, por muito tempo,
mantendo os traços originais da dança,
inclusive diversos termos franceses. No
século XX veio a ser uma manifestação
junina, dançada nos arraiais, em
homenagem a Santo Antônio, São João
e São Pedro.
No passado, as mulheres se vestiam
com roupas de chita, rendas e fitas
coloridas. Usavam chapéus ou arranjos
de flores e calçavam sandálias de couro.
Os homens, calças de listras, lisas ou
em xadrez. Camisas coloridas, jibão,
jabiracas e chapéus de palha.
Sandálias de couro ou botas e, em
alguns casos, tamancos.
No presente, as indumentárias estão
sofisticadas. Os dançarinos já não se
vestem de chita, não utilizam sandálias
de couro, tampouco chapéus de palha.
A sanfona é o instrumento principal
nas suas apresentações e está sempre
acompanhada de triângulo e zabumba.
Na quadrilha, além dos dançarinos,
participam o Padre, o Escrivão, o Juiz, o
Noivo e a Noiva, pois estão presentes na
encenação de um casamento matuto.
Durante o mês de junho é dançada em
praticamente todo o Estado de Sergipe.
(Antônio Alves do Amaral).

140 Sergipe: Cultura e Diversidade


Seja profissional, seja de
improviso, a quadrilha
nunca deixa de ser dançada
nos arraiais de Sergipe.

Sergipe: Cultura e Diversidade 141


O pisar do tamanco e o batuque
dos instrumentos tecem os
ritmos da pisada da pólvora.

142 Sergipe: Cultura e Diversidade


Batucada Pisa Pólvora
O fabricação de fogos de artifício acompanhar os que se desviam da
integra o conjunto de vastas sua trajetória barulhenta e luminosa,
atividades ligadas à economia dos movida à queima de pólvora.
festejos juninos. Os fogos Essa atividade levou ao ritual
não apenas animam, mas de preparação da pólvora, e as
sobretudo, compõem o batucadas criadas em torno dessa
fundo cênico das noites atividade levaram ao folguedo
do São João. A profissão junino. Auxiliado por tambores e
do fogueteiro por isso é cânticos as mulheres estalam
de grande significado seus tamancos no chão e
para a realização as danças dão início ao
da festa. Em torno espetáculo. Em Estância,
do trabalho desse o pisa-pólvora se inicia
profissional se em março e um pilão de
organizou a Batucada madeira serve de base para
do Pisa Pólvora. a moagem da matéria-
Principalmente em prima e, ao mesmo tempo,
função da produção do como um grande tambor
busca-pé, um artefato que motiva o fogueteiro ao
que encanta as crianças trabalho e os assistentes
porque costuma ao divertimento.

Sergipe: Cultura e Diversidade 143


Barco
de Fogo
“Por todo o mês de junho até 29,
dia de São Pedro, o chaveiro do
Céu, Estância se transforma em
um imenso palco dentro e fora
das casas para encenação dos ritos
tradicionais que assinalam os
festejos juninos, cujo apogeu se dá
na véspera e nos dias 23 e 24. Na
madrugada fria da salva, enquanto
os sinos tocam e busca-pés rabeiam,
hasteia-se a bandeira de São João
em frente à Catedral Diocesana. E
qual um mensageiro de sonhos e
A maior felicidade para o fogueteiro é
aspirações estancianas, o barco de quando seu barco de fogo percorre todo
fogo, impulsionado por foguetes o trajeto sem perder o rojão.
e retrofoguetes, corre num arame
esticado sob os aplausos do povo.”
(Ofenísia Soares Freire,
O São João na Estância)
Sergipe: Cultura e Diversidade 145
Encontro de Carros-de-boi
No período colonial, a atividade carreiro é composta de duas peças Criado há 20 anos para resgatar
agrícola do Brasil estava voltada ligadas ao cabeçalho: na ponta do as tradições do homem do campo,
para o cultivo da cana-de-açúcar. cabeçalho grande, há uma argola que o Encontro de Carros-de-Boi do
Em decorrência da grande produção pega a corrente de ferro que serve município de Tomar do Geru é o
do produto e em função da distância de tiradeira para a junta imediata cartão postal da cidade e acontece
existente entre os canaviais e os à do coice. As rodas compõem-se no último final de semana do mês
engenhos, surgiu um problema de cada uma de sete voltas, quatorze de setembro, com apresentações de
difícil solução: o transporte da cana raios, um cubo, uma bucha, uma bandas populares, desfile e concurso
até os engenhos. Com o objetivo de chaveta, uma arruela; a roda é de carros de bois.
solucionar a situação, os portugueses argolada, depois de feito o círculo,
No domingo, às 5 horas da manhã,
introduziram no Brasil o primeiro com uma barra de ferro. Os cubos
acontece a alvorada festiva e, às 10
veículo que circulou em suas terras: são argolados e o eixo é de ferro.
horas, o desfile de carros com as
o carro-de-boi. (Maria Aurelina Há ainda que notar nas carroças de
premiações à tarde.
dos Santos) bois de Sergipe que à trava da mesa
é adaptada uma espécie de alavanca
“A carroça de boi é um veículo...
que, nos momentos precisos, atua
suporta até 2500 quilos. As suas O Carro de boi é um dos mais primitivos e
sobre as rodas, freando-as, aliviando
características são as seguintes: sua simples meios de transporte. Introduzido
destarte o esforço da junta do coice,
mesa é composta de um cabeçalho no Brasil por colonos portugueses, ainda
que é o único freio do carro de bois é muito presente no cotidiano do povo de
grande e dois cabeçalhos pequenos,
típico.” (A carroça de boi, Bernardino Tomar do Geru.
um cadeião e quatro cadeias. A
José de Souza).
plataforma da mesa onde fica o

Sergipe: Cultura e Diversidade 147


Festa da Laranja
A Festa da Laranja foi criada no municípios circunvizinhos a
ano de 1956, em Boquim, por produzirem os frutos, especialmente
jovens estudantes que, tomando os do Sul e Centro-Sul de Sergipe.
conhecimento da Festa da Uva no A festa logo passou a ser uma vitrine
Rio Grande do Sul, tiveram a ideia da citricultura sergipana, tornando-
de tornar o município conhecido, se tradicional, onde os produtores da
através de uma festa que divulgasse região confraternizam e discutem os
a laranja – nova cultura da terra. problemas da citricultura. Tudo isso
Como a ideia dos jovens estudantes para melhorar a produção e dar mais
deu certo, em 1966, a laranja dava qualidade aos frutos produzidos
a Boquim a liderança da cultura em Sergipe.
no Nordeste, influenciando os
Dentro da programação, sempre era
realizada uma série de concursos,
com intuito de envolver com maior
intensidade a população e visitantes esses eventos foram abandonados,
no clima da festa. Assim, acontecia sendo retomados nos últimos anos
o concurso da casa mais enfeitada com a revitalização da citricultura
com produtos cítricos, o de tomador sergipana. (www.prefeituraboquim.
de maior quantidade de suco de com.br e Perfil dos Municípios de
laranja, além de provas de atletismo Sergipe, Banco do Nordeste. Extraído
e ciclismo. Com o passar do tempo, e adaptado)

Fortemente ligada à produtividade


de Boquim, a Festa da Laranja atrai
centenas de pessoas, não somente
para apreciar o fruto, bem como
admirar as suas rainhas.
Refogado de Aratu
Os mangues do Sul Sergipano pimentão, alho, cheiro verde e milho
guardam uma das iguarias mais verde. A parte mais difícil da sua
apreciadas da culinária do litoral elaboração, sem dúvidas, é a pesca do
sergipano, o aratu. Não há como aratu, que se esconde ligeiro nas tocas
resistir às cores, ao aroma e ao sabor quando percebe a presença humana.
do seu refogado servido na panela (Seplan, Guia Gastronômico dos
de barro, acompanhado por arroz Territórios Sergipanos, 2010).
branco, pirão e molho de pimenta.
De fácil e rápido preparo – o prato
costuma levar em média 25 minutos Os mangues do Sul Sergipano guardam uma
para ficar pronto – o catado de aratu das iguarias mais apreciadas da culinária
é temperado com tomates, cebola, do seu litoral, o aratu.

Sergipe: Cultura e Diversidade 149


Agreste Central

sergipano sempre foi conhecido pelo seu


espírito realizador, comercial e empreendedor,
dentro e fora do Estado. Não sem razão. As
carrocerias de caminhão fabricadas em Itabaiana
são familiares aos motoristas de todo o país. Inúmeros
empresários sergipanos tornaram-se pioneiros em vários
ramos de negócio. Sem dúvidas, muitos desses talentos
foram treinados na lida das feiras regionais, que além de
grande mercado de troca, compra e venda de bens, é um
observatório especial para quem quer apreciar o que se faz,
o que se come, o que se usa nas cercanias: iguarias como o
doce de bofó – feito com a batata do umbuzeiro, artesanato
variado, uma grande diversidade de frutas, verduras e
carne de boa qualidade. A Feira de Itabaiana é famosa
regionalmente e muito concorrida.
Um personagem importante se liga a esse complexo
produtivo-comercial da feira: o caminhoneiro. Ele presta
um serviço inigualável ao território, interligando o Agreste
a toda a economia do Estado. Por isso, todos os anos é
homenageado com uma festa especial, que reúne milhares
de profissionais do volante e o público interessado em
shows, diversão e paquera. Esse progresso conduzido hoje
pelos caminhões do Agreste se iniciou com o trabalho do
vaqueiro, que submeteu os ocupantes originais do lugar
e, depois de colonizar as terras indígenas, fez florescer
as fazendas de criação. O gado e o cavalo (usado como
montaria para o trato das fazendas e meio de transporte
durante séculos) marcaram a cultura local. Daí a
permanência e o sucesso das cavalgadas, vaquejadas e das
corridas de argola.
Forrós, Pés de serra, Guerreiro, Aboiadores e Bandas de
Pífanos, Cacumbi e Reisado são encontrados em alguns
municípios da região que sedia também um Museu do
Cangaço, em Frei Paulo, especialmente dedicado ao
tema e que mantém viva a admiração de todos por esses
bandoleiros rurais que destacaram o nome do Nordeste.

Alguns dos diversos produtos


vendidos nas barracas das
feiras do Agreste Central.

Sergipe: Cultura e Diversidade 151


Território Agreste Central

Carira

Nossa Senhora São Miguel


Aparecida do Aleixo

Ribeirópolis
Frei Paulo
Pinhão

Pedra Moita
Mole Bonita

Macambira
Itabaiana Malhador

Campo
do Brito
São
Domingos Areia Branca
Principais Manifestações
Trabalho Festa / Entretenimento

Feira/Mercado Samba de Coco Micareta

Poesia/Cordel/ Chegança Festa Junina


Pregoeiros Populares
Capoeira (Puxada de Rede, Casamento do Matuto
Renda de Bilro Dança Guerreira, Ritual do
Fogo e Maculelê) Cavalgada
Crochê
Cacumbi Vaquejada
Bordado (Pronto Cruz,
Ponto Cheio e Vagonite)
Guerreiro Eventos Agropecuários

Bonequeiras
Dança de São Gonçalo Festa do Caminhoneiro

Artesanato em Palha/Cipó
Reisado Corrida do Jegue

Artesanato em Cerâmica
Pífanos Encontro Cultural

Artesanato em Madeira
Violeiros

Artesanato em Couro
Aboiadores

Artesanato em Pedra
Corrida de Argola/Salto de Argola

Artes Plásticas
Música (Filarmônicas e/ou
Grupos Musicais)
Religião
Carnaval
Santos Festejados
Os caretas (Ribeirópolis e
Candomblé/Umbanda
Nossa Senhora Aparecida)
Penitentes
Embeleco (Moita Bonita)
Paixão de Cristo

Queima de Judas

Rezas e Benzimentos

Sergipe: Cultura e Diversidade 153


Feiras
“A feira sempre foi um evento de relojoeiros, fotógrafos, mecânicos de
grande significado desde os bicicletas e até dentistas práticos...
primórdios das civilizações do têm uma pequena função de lazer,
oriente e do ocidente. No Brasil, ir sobretudo quando situadas nas zonas
à feira é costume praticado desde o rurais ou nas pequenas cidades, e
período colonial. Já faz parte da nossa desempenham também destacado
cultura. Em Sergipe, quase todas papel como “locus” de informação. Mesmo com a modernização das práticas
as cidades floresceram no entorno comerciais, a feira livre nunca deixará de
Esse papel dá à feira função muito ter a sua importância para a cultura e
de feiras, como Itabaiana, Lagarto,
destacada... Percebe-se que a feira é lazer do povo sergipano. Aqui, a grande
Carira, Própria, Estância, etc.”
local de muitos negócios e ultrapassa feira de Itabaiana.
(Amâncio Cardoso, Feira Popular:
a venda no varejo. Grandes compras
Celeiro de Histórias e de Folclore)
de produtos agrícolas, de rebanhos e
“As feiras são, essencialmente, lugares até de terras são acertadas aí... desde existe um mercado periódico de três
de compra e venda de produtos os maiores aglomerados urbanos até ou quatro vendedores...” (Alexandre
variados... bens industrializados os pequenos povoados. Mesmo em Filizola Diniz, O subsistema
ao lado de produtos agrícolas lugarejos... de quatro ou cinco casas, urbanoregional de Aracaju)
tradicionais. Há uma pequena oferta
de serviços ligados à feira: barbeiros,
No Brasil, ir à feira é costume
praticado desde o período
colonial. Em Sergipe, quase
todas as cidades cresceram
no entorno das feiras.

Sergipe: Cultura e Diversidade 155


Os Caretas
Surgida na década de 1950, “Os que fosse reconhecido. As máscaras
Caretas” de Ribeirópilis foram uma representam o símbolo maior dos
invenção do Sr. José Robustiano “Caretas”, que a elas devem o seu
de Menezes que resolveu brincar nome. Atualmente, não são mais
o carnaval antes da data oficial, no confeccionadas artesanalmente,
domingo que o antecedia. Ao longo são compradas em lojas de
dos anos a brincadeira foi ganhando artigos festivos, sendo de origem
mais adeptos e mais adereços, industrializada.
inclusive as máscaras e as tintas para A pequena brincadeira do Sr.
“melar” o público que acompanhava Robustiano começou a atrair muitos Brincadeira só de homens, que, escondidos
o cortejo, juntamente com uma participantes e se tornou uma grande por trás das máscaras, levam irreverência
banda de pífano. festa. Anos depois, ficou conhecida e diversão para as ruas de Ribeirópolis.
Por se tratar de uma época como “A Festa dos Reis da cidade
conservadora, as mulheres não de Ribeirópolis” e começou a ser
participavam do grupo “Os Caretas”, realizada sempre no fim de semana pelas principais ruas da cidade,
tradição que se mantém, apesar das antes do carnaval. seguidos animadamente pela
mudanças observadas na festa, como Os preparativos para a Festa de multidão da cidade e arredores.
o fato do cortejo ser acompanhado, Reis apresentam uma programação Para os ribeiropolenses “Os Caretas”
hoje, por todos, independentemente festiva que se inicia no sábado, representam a sua cultura, sua
do sexo e da idade. quando ocorrem atrações musicais, tradição, o seu modo de brincar
Por esta manifestação ter sido e prossegue na manhã do domingo, o Carnaval e de se destacarem no
inspirada nos bailes de carnaval, é a partir das 5h, quando é anunciada, cenário cultural. (Os Caretas: Rito
que se nota o uso indispensável das através de fogos e com músicas e Simbologia na festa de Reis de
máscaras como um dos elementos da banda de pífano, na chamada Ribeirópolis/SE, Aparecida Santana
fundamentais para o sentido do “alvorada festiva”, a vinda de “Os de Jesus. Extraído e Adaptado.)
grupo, que queria se divertir sem Caretas”. Às 8h eles saem em cortejo
Embeleco
É uma manifestação folclórica que ao maior número possível de pessoas. O objetivo do Embeleco é percorrer as ruas
Para tal, visitam povoados e a sede da cidade e povoados de Moita Bonita para
demarca o final do ciclo quaresmal.
mostrar ao povo o Judas traidor.
Durante os quarenta dias da do município. Por onde passa vai
quaresma, os Penitentes mantêm seus ganhando mais adeptos, arrecadando
sentimentos voltados para o reviver dinheiro e donativos (bebidas). Por seu Manoel Francisco dos Santos,
do sofrimento de Jesus Cristo que volta das dezesseis horas, o cortejo o Embeleco é tão antigo quanto a
termina na crucificação. Mas é no retorna ao povoado para o merecido penitência. Supõe-se que exista a
sábado de Aleluia que o sofrimento descanso dos seus integrantes vindos mais de duzentos anos. (Entrevista
dos penitentes cede lugar à euforia e à da longa caminhada e “malhação” com Manuel Francisco Santos e José
vingança. O mesmo chefe do cordão do Judas. Roberto Santana Santos. Por: Maria
da penitência do povoado Lagoa do Voltam a se reencontrar no Aurelina dos Santos)
Capunga, em Moita Bonita, troca a momento da leitura do testemunho
mortalha ritualística penitencial pela e, na sequência, sua incineração.
indumentária do gerente do grupo As figuras de maior destaque são
Embeleco. Trata-se de uma dança o gerente, o médico, o enfermeiro,
exclusivamente masculina, onde os a velha buchuda e o caboclo (que
homens se vestem de mulher. Às oito tira os versos). O restante do grupo
horas da manhã do sábado de Aleluia, usa máscara. O Embeleco é uma
o cortejo sai às ruas dançando ao som dança itinerante que visa devolver
de um tambor, uma caixa e um apito. ao Judas todo sofrimento que Jesus
O objetivo é mostrar o traidor (Judas) padeceu. Dessa forma, segundo

Sergipe: Cultura e Diversidade 157


158 Sergipe: Cultura e Diversidade
Penitentes
Os Penitentes, uma vertente do que não sou dos mais velhos, ainda A organização grupal dos penitentes,
catolicismo rústico brasileiro, alcancei tempo em que as coroas com o passar do tempo, veio a
constituem uma sociedade secreta de espinhos e as disciplinas de aço se estabelecer através de dois
que tem como funções principais representavam um papel saliente no segmentos: o primeiro, composto
pagar promessas e orar pelas almas. processo da salvação. Era a mesma pelos alimentadores das almas; o
época na qual predominava, em segundo, formado pelos penitentes
Não existem dados precisos sobre
ambos os sexos, o costume selvagem da disciplina.
o surgimento dessa ordem religiosa
de, só excetuando o cabelo da
popular que o sociólogo, padre Os alimentadores das almas
cabeça, capinar o corpo inteiro; e
Monsueto de Louvor, considera “o consistem num grupo formado pelos
então o pedaço de navalha velha,
mais interessante e desconhecido penitentes participantes da procissão
que já não se prestava a este último
fenômeno do misticismo nordestino”. que acontece durante a Quaresma,
serviço, passava a fazer parte dos
O pesquisador Rosemberg Cariry sempre às segundas, quartas e sextas.
instrumentos de penitência...”.
aborda que “existem registros No cortejo religioso, constituído
históricos, desde o século XVII, no Para Getúlio César, “a autoflagelação de dois cordões, têm um papel de
Nordeste do Brasil, da existência é prática religiosa comum de muitos destaque durante todo o percurso: o
de muitos rituais de penitência povos e que nos foi legada pela igreja “Alertador”, incumbido de principiar
entre as religiões das diversas etnias européia medieval. O Concílio de os cânticos e orações; o responsável
formadoras do povo brasileiro”. Trento já dispunha de normas para as pelo transporte da cruz ou madeiro;
Ordens de Penitentes. e o “Matraqueador”, encarregado
Um ensaio de Tobias Barreto,
de executar, em cada estação, o toque
publicado em 19884, com o título “Na história dos santos muitos
da matraca.
“Penitentes: Encomendações das são os exemplos de autoflagelação.
almas”, traz a constatação da presença Esses rituais chegaram ao Brasil, Os Penitentes da disciplina são
de penitentes em Sergipe, antes da expandiram-se por meio de cultos assim denominados por utilizarem
peregrinação do padre Ibiapina, e realizados pelo catolicismo popular durante a autoflagelação lâminas
na Vila de Campos, hoje cidade de português e sofreram modificações de aço amarradas em pedaços de
Tobias Barreto, distante das margens através das influências das culturas barbante. Essa prática devocional foi
do rio São Francisco. Em um trecho, indígena e africana. O misticismo observada nos municípios sergipanos
o polígrafo sergipano relatou: “Eu, exacerbado é a expressão maior de de Ilha das Flores e Tomar do Geru.
uma religiosidade mestiça”. (Antônio Alves do Amaral e Maria
Aurelina dos Santos).

Na noite da Sexta-Feira da Paixão, os


Penitentes de Macambira, envoltos
em túnicas brancas e encapuzados,
realizam na cidade seu curioso rito de
agradecimento pelas graças alcançadas.
Trezenário de Santo Antônio e Festa do Caminhoneiro
São 13 noites de orações antes No dia 12 de junho, penúltimo dia
da Festa de Santo Antônio, em do trezenário onde está inclusa,
Itabaiana, de 01 a 13 de junho. No ocorre a Festa do Caminhoneiro.
dia 1º, a imagem de Santo Antônio é Eles são os patrocinadores da festa
levada da igreja para uma residência. nesse dia. Vêem de todo o Brasil
E assim, sucessivamente, cada para comemorar e agradecer a
dia parte de um local diferente, Santo Antônio.
saindo às 19h e chegando ao seu
No período, a cidade, conhecida
destino às 20h. Nessas 13 noites,
como a capital nordestina do
antes de se iniciarem as rezas na
caminhão por receber milhares deles
igreja, é trazida a imagem. A partir
e por ter fábricas de carrocerias, é
daí começam as orações de Santo
povoada por profissionais de todo
Antonio, com “missas festivas” (fogos
o país. Paralelo ao comércio do Integrando os festejos juninos de Itabaiana,
e grande participação das pessoas;
segmento, explorado por várias a Festa do Caminhoneiro faz homenagem ao
cada dia com um padre diferente e
feiras especializadas, shows, forrós santo padroeiro da cidade, Santo Antônio.
patrocinada por um grupo). Todas as O momento auge da festa é a procissão em
e uma procissão motorizada agitam
noites a Filarmônica se apresenta e os carreata pelas ruas da cidade.
Itabaiana e movimentam a sua
enfeites da igreja e do andor de Santo
economia.
Antonio são renovados.
Artesão João Luiz.

Brinquedos vaqueiros, instrumentos musicais,


miniaturas, as mais diversas, de
Artesanais animais, mobiliário, petecas, peões,
O design popular, criativo e eficiente, carros-de-boi, zorras, manés-
é prodigioso no que refere aos gostosos, e uma infinidade de peças
brinquedos infantis. Usando vários de palha, madeira, metal, louça e
suportes, ele é responsável pela tecido de preços bem acessíveis e que
fabricação de veículos, bonecas, contam com a grande admiração da
fantoches, cangaceiros, violeiros, criançada. Trata-se de uma linha de
brinquedos simples, imaginosos e
baratos. Sem essa última condição,
não teriam qualquer utilidade no
Nordeste, onde a vida dura estimula
o uso de matéria-prima disponível –
inclusive a reciclagem – por causa da
escassez de recursos. É diversificado,
colorido e multifuncional o elenco de
brinquedos que compõe o catálogo
do design popular de Sergipe. É
surpreendente que esse veio de
produção e consumo rudimentar,
sobreviva em meio ao mundo
competitivo da indústria moderna.

Sergipe: Cultura e Diversidade 161


Filarmônicas
“No momento em que o Príncipe
Regente Dom João desembarcou na
cidade do Salvador e, alguns dias
mais tarde, no Rio de Janeiro, ao
som da banda da Brigada Real que
trazia consigo, chegava ao Brasil não
somente uma banda militar famosa
em toda Europa, como também uma
tradição musical fecunda e mais que
trissecular. A partir daquele instante,
a banda da Brigada Real exerceu tão
grande influência que, meio século
depois da chegada da Corte, rara era
a cidade ou vila que não possuía pelo
A influência da banda da Brigada Real menos uma filarmônica”. (Horst Karl
portuguesa foi tão grande, que hoje Schwebel, Bandas, Filarmônicas e
as filarmônicas são uma realidade em Mestres da Bahia).
vários municípios sergipanos.

Filarmônica de Itabaiana –
Nossa Senhora da Conceição
Buchada de Carneiro
Em São Miguel do Aleixo, pode-se prepara. Depois de bem cozidos, os
encontrar a mais deliciosa iguaria miúdos são enrolados em pequenas
do Agreste Central, a buchada de trouxas feitas com pedaços do bucho
carneiro. Sempre acompanhada de carneiro que vão novamente
de farinha de mandioca e molho para o fogo, deixando cozinhar por
de pimenta, a buchada é feita de mais três a quatro horas. (Seplan,
miúdos de carneiro picados, o menor Guia Gastronômico dos Territórios
possível, e temperados com tomate, Sergipanos, 2010).
cebola, cebolinha, pimentão, coentro,
cominho, alho e pimenta do reino. Deliciosa e sempre acompanhada de pirão e
molho de pimenta, a buchada de carneiro de
Deliciosa, a buchada exige grande São Miguel do Aleixo é conhecida em todo
habilidade culinária de quem a Agreste Central.

Sergipe: Cultura e Diversidade 163


Centro Sul

aras cidades brasileiras mantêm viva a


tradição da Silibrina – (nome de uma
pólvora especial do buscapé), abertura dos
festejos do ciclo junino promovida só por
homens, que gira em torno de um animado cortejo
pelas ruas da cidade e da subida a um mastro com
muitos brindes. Ela é realizada em Lagarto com muitos
fogos de artifício e grande participação popular. Aí
também se encontra uma expressão dramática singular
que remonta aos tempos da escravidão: o Grupo
Parafuso, espetáculo popular associado à resistência
negra e a autoafirmação de quilombolas.
Território pecuário, como, aliás, a maior parte de
Sergipe, Cavalgadas e Vaquejadas são muito comuns
em seus municípios. Um deles é famoso pela qualidade
e variedade de bordados, rendas, tecelagem e couro:
Tobias Barreto. Trata-se de uma parte do Estado
musicalmente rica onde se encontram Filarmônicas
tradicionais, pés de serra e Samba de Coco. E com
atrativos coreográficos incomuns: o Maculelê, a Dança
de São Gonçalo, a Capoeira e o Reisado.

Ao lado, manifestação folclórica


exclusiva de Sergipe. Acima, a arte
plástica retratada em ovo de Avestruz.

Sergipe: Cultura e Diversidade 165


Território Centro Sul

Poço Verde Simão Dias

Lagarto

Tobias Barreto

Riachão do Dantas
Principais Manifestações
Trabalho Religião

Feira/Mercado Santos Festejados Reisado

Poesia/Cordel/ Candomblé/Umbanda Pífanos


Pregoeiros Populares
Penitentes Música (Filarmônicas
Contadores de Estórias e/ou Grupos Musicais)
Queima de Judas
Renda de Bilro Carnaval
Festa da Divina Santa Cruz
Crochê da Serra Grande (Poço Verde) Micareta

Richilieu Rezas e Benzimentos Festa Junina

Bordado (Pronto Cruz, Cavalgada


Ponto Cheio e Vagonite) Festa / Entretenimento
Vaquejada
Rendendê Batalhão
Eventos Agropecuários
Tecelagem Silibrina
Encontro Cultural

Retalhos Samba de Coco

Bonequeiras Caboblinhos

Artesanato em Palha/Cipó Capoeira (Puxada de Rede,


Dança Guerreira, Ritual
Artesanato em Cerâmica do Fogo e Maculelê)

Artesanato em Madeira Taieiras

Fogueteiros Dança de São Gonçalo

Artes Plásticas

Sergipe: Cultura e Diversidade 167


Grupo Parafuso
“Quem quiser ver o bonito
Saia fora e venha ver
Venha ver o Parafuso
A torcer e a destorcer.”
(Antônio Wanderley de Melo Corrêa, Maurício
da Conceição Neves e Marcos Vinícius Melo dos
Anjos, Sergipe Sociedade e Cultura)
Segundo a tradição do Brasil colonial era
comum as sinhazinhas deixarem durante a
noite suas anáguas no quaradouro. Os negros,
na calada da noite, fugiam para roubá-las.
Fantasiando-se com elas, empreendiam fugas
em busca da liberdade. Cobriam o corpo com
as anáguas e saiam pelas veredas e caminhos,
dando pulos, rodopiando, fazendo assombração.
A superstição da época fazia o povo acreditar
em almas sem cabeça e outras visagens. Assim,
o disfarce contribuiu para a formação de
quilombos. A verdade foi revelada quando, no
dia 13 de maio de 1888, os negros fugitivos
voltaram a vestir as anáguas e apareceram pela
primeira vez à luz do dia, fazendo zombarias
para os senhores de engenho. Estava formado
o Grupo Parafuso, na cidade de Lagarto,
atualmente, o único do Brasil.
Usam como instrumentos o triângulo, o
acordeon e o bombo. (Antônio Alves do Amaral
e Maria Aurelina dos Santos).

Dança em rodopios que virou


brincadeira após a escravidão.
Os descendentes de negros,
de Largato, mantêm a tradição
pintando a cara e se divertindo.

168 Sergipe: Cultura e Diversidade


Sergipe: Cultura e Diversidade 169
Silibrina
Trata-se de uma versão da
Sarandagem, todavia só
encontrada com esse nome em
Lagarto. A Silibrina ocorre, há
quase um século, na madrugada
de 31 de maio para 1º de junho.
Dela tomam parte apenas os
homens que, cantando músicas
juninas, desfilam pela cidade
em meio a grande algazarra. A
variação da Sarandagem está
na derrubada e preparação do
mastro antes do cortejo. Ele é
colocado na principal praça da
O brilho dos rojões dos buscapés, ilumina as cidade, onde após o desfile ocorre
ruas da cidade para recepcionar São João e
a competição da subida para a
os demais santos do mês de junho.
retirada dos brindes dispostos
no topo. Silibrina é como os
lagartenses denominam a pólvora
queimada que sai dos busca-pés.

170 Sergipe: Cultura e Diversidade


Tecelagem
Tobias Barreto e Poço Verde
são dois municípios de grande
vocação artesanal. Tobias Barreto,
aliás, transformou-se numa
espécie de centro comercial. O
bordado, a renda, a tecelagem e
mesmo o uso de retalhos para
confecção de peças movimentam
o dinâmico segmento econômico
do artesanato têxtil, atraindo
compradores de todo o Nordeste
e outras regiões pela variedade e
preço dos itens produzidos.

Tobias Barreto e Poço Verde transformaram-se num grande


centro do comércio de bordados, rendas e tecelagem,
atraindo compradores de todo o país.
Bordado
O bordado, em suas diferentes
variedades, é uma prática
generalizada em todo o Estado.
Atividade feminina, tem importante
papel no sustento de milhares de
pessoas. Mas não se pode reduzir
sua importância apenas ao plano
econômico. Há na dinâmica de sua
elaboração uma clara dimensão
pedagógica e social, uma vez que
a atividade suscita a iniciação, a
qualificação e a organização das
artesãs, exercendo nas comunidades
envolvidas um papel importante
no fortalecimento da identidade
local. Uma das modalidades mais
praticadas é o rendendê, bordado que
alterna pontos cheios que cobrem os
fios de tecido (um tipo de linhão),
para compor figuras de flores ou
qualquer outro tema escolhido, com
retângulos em ponto aberto.

Tanto detalhe, primor e


qualidade, vêm atraindo
olhares do mundo para esta
arte tradicional em Sergipe.

Sergipe: Cultura e Diversidade 173


A Capoeira e o Berimbau de Boca
A capoeira, há muito, ganhou de boca. Trata-se de um instrumento até as primeiras décadas do século
o mundo e não há país que não cuja corda, feita de cipó-timbó, é XX, sobreviveu à repressão e hoje
conheça essa dança-luta afro- dedilhada ou percutida com uma se amplia e se institucionaliza como
brasileira. Em Sergipe, ela preservou vareta ou uma faca, à medida que o prática desportiva”. (Novo Dicionário
uma variação especial: o berimbau tocador corre os lábios por ela para da Língua Portuguesa, A. B. Ferreira).
obter efeitos sonoros especiais.
“A destreza, a valentia, a sagacidade
Mestre Primo de
Campo dos Crioulos – “Jogo atlético, constituído por e o golpe de vista eram cultivados
Lagarto, único tocador um sistema de ataque e defesa, de na capoeiragem, que podia ser
de berimbau de boca caráter individual e origem folclórica disputada com ou sem armas. Às
de Sergipe. genuinamente brasileira, surgido vezes, os dois contendores estavam
no Brasil-Colônia entre os escravos armados, às vezes, um estava e outro
bantos procedentes de Angola e que, não. A base da luta era a negaça, o
apesar de intensamente perseguidos engano, o engodilhar, o amaranhar,
a isca, o florear. Este visava
desnortear o oponente, enganando-o,
enleando-o, confundindo-o,
embaraçando-o, logrando-o com
trejeitos de corpo, de mãos, pés, ou
de tudo isso conjugado, para atingi-lo
imprevistamente”. (Mestre Bimba, A
crônica da capoeiragem, Jair Moura).
capoeiragem, Jair Moura).
Maculelê
O maculelê é um dos espetáculos frenesi do combate que parece
afro-brasileiros de maior tensão caminhar a cada momento para
dramática. Não há como não ver algo mais sério. A eficiência dos
nele o embate que marcou a vida do dançarinos é expressa tanto na
Brasil escravista. Seus participantes dinâmica coreografia quanto na
desenvolvem essa dança em meio precisão dos golpes desferidos pelos
a movimentado balé que mais figurantes que simulam à perfeição
lembra uma luta marcial, percutindo um duelo de espadas.
simultaneamente com hábeis
No território, Tobias Barreto e
entrechoques de facões afiados o som
Lagarto mantêm viva essa tradição de
que marca e estimula os dançarinos-
acentuado significado étnico. Merece
lutadores. À medida que o folguedo
destaque também o Maculelê de
evolui, os passos se tornam mais
Japaratuba, no Leste Sergipano.
rápidos e o bater metálico dos facões
se intensifica. A aparência inicial de
De golpes precisos e
uma dança ganha contornos mais coreografia perfeita, o
definidos de um enfrentamento, Maculelê tem suas raízes na
envolvendo os espectadores no dança dos negros africanos.

Sergipe: Cultura e Diversidade 175


Festival da Mandioca
e a Maniçoba
Evento que visa mostrar toda a
riqueza do ciclo junino e dinamizar
e resgatar a cultura do município
de Lagarto, o Festival da Mandioca,
que aconteceu pela primeira vez
no ano de 2009, entre os dias 29
de maio e 24 de junho(dia de São
João), conta com a apresentação
de manifestações religiosas, shows,
elementos da culinária local, novas
técnicas de aproveitamento da
mandioca, concurso de rainha da
mandioca, casamento caipira, dentre
outras atrações.
Derivados da mandioca e bebidas típicas dos festejos juninos.
Espera-se que seja levada adiante e
incorporada ao calendário cultural
de Lagarto, cidade de forte produção para a bovinocultura e para o cultivo
cultural e agropecuária, com da mandioca, atividades que lidera
destaque, no aspecto econômico, em Sergipe.
A produção da mandioca é tão
significativa para o município que
permeia várias dimensões da vida
social, a exemplo da culinária
local, que se destaca e sublinha sua
singularidade com a Maniçoba.
Comida de origem indígena, a
Maniçoba lagartense é composta
por mocotó, charque, folhas da
mandioca e exige paciência no
processo de cozimento. Nas mãos de
Dona Teté e Dona Regina (ambas
falecidas) a Maniçoba se tornou
prato generalizado no lugar, a ponto Rainha do Festival de Mandioca de Lagarto.
de algumas famílias terem na sua Abaixo, prato típico dos municípios de Lagarto
produção a garantia de grande e Simão Dias, a maniçoba é feita com a folha
parcela da sua renda. da mandioca.

176 Sergipe: Cultura e Diversidade


Lombo em Panela de Barro
Atividade povoadora do Centro tomates, cebolas, cebolinha, coentro,
Sul Sergipano, a pecuária tem forte hortelã e pimenta do reino.
influência sobre a culinária regional.
Em Tobias Barreto, a tradição
Logo cedo, no café da manhã, a
recomenda que, depois de fervido,
carne, principalmente de origem
o lombo descanse por um dia. Na
bovina, acompanha cuscuz de milho,
manhã seguinte, o lombo vai ao
bolos de aipim e fubá.
forno para terminar de cozinhar.
No almoço, um dos pratos mais
(Seplan, Guia Gastronômico dos
apreciados é o lombo feito na panela
Territórios Sergipanos, 2010).
de barro. O lombo é recheado com
Atividade povoadora do Centro Sul toucinho de porco e temperado com
Sergipano, a pecuária tem forte vinagre, alho, cominho, pimentões,
influência sobre a culinária regional.
Um dos pratos mais apreciados é o
lombo feito na panela de barro de
Tobias Barreto.
As dunas do povoado Lagoa Redonda
em Pirambu: um dos mais belos
atrativos turísticos de Sergipe.
Leste Sergipano

vocação artesanal do território contrasta


com grandes investimentos na área
de açúcar e álcool e na exploração
do petróleo e gás, e é, sem dúvida, o
elemento local de identidade de maior visibilidade.
Em Divina Pastora, destaca-se a Renda Irlandesa,
hábil e lentamente tecida pela mão de obra feminina.
Em Santa Rosa de Lima, o fabrico de selas de
montaria. Em Japaratuba e Pirambu, o artesanato em
palha e cipó.
O catálogo da cultura popular inclui, aqui, variadas
manifestações juninas, como os Bacamarteiros e
a Sarandagem; carnavalescas, em quase todos os
municípios do território e folclóricas: Maculelê,
Chegança, Guerreiros e Reisado.
Uma vertente instrumental do universo popular
ganha um sopro de resistência com o Sr. Batistinha,
em General Maynard. Único repentista vivo de um
território que, por muitos anos, reuniu violeiros que
projetaram em todo Nordeste essa moda artística,
que caracterizava as feiras nordestinas nesse período.

Sergipe: Cultura e Diversidade 179


Território Leste Sergipano

Capela

Japaratuba
Siriri

Santa Rosa
de Lima
Pirambu
Divina Carmópolis
Rosário do
Pastora Catete
General
Maynard
Principais Manifestações
Trabalho Religião

Feira/Mercado Santos Festejados Cacumbi

Poesia/Cordel/ Penitentes Guerreiro


Pregoeiros Populares
Queima de Judas Reisado
Renda Irlandesa
Peregrinações/Romarias Pífanos
Crochê
Culto a Santa Bárbara (Carmópolis) Corrida de Argola/Salto de Argola
Bordado (Pronto Cruz,
Ponto Cheio e Vagonite) Rezas e Benzimentos Música (Filarmônicas e/ou
Grupos Musicais)
Artesanato em Palha/Cipó
Carnaval
Artesanato em Madeira Festa / Entretenimento
Micareta
Bacamarteiros
Artesanato em Jornal
Festa Junina
Artesanato em Couro Batalhão
Cavalgada
Batalhão de Bacamarteiros
Festa do Mastro
Sarandagem ou Sarandaia
(Cortejo da Baiana) Festa do Catete

Samba de Aboio Festival da Mandioca

Chegança Encontro Cultural

Capoeira (Puxada de Rede, Maracatu


Dança Guerreira, Ritual do
Fogo e Maculelê)

Sergipe: Cultura e Diversidade 181


Reisado
“O reisado ainda constitui um e, já desenganado, passa a fazer a as Figuras entregam ao público
dos melhores divertimentos para esperada partilha, ao som da sanfona, objetos que devem ser devolvidos
os matutos sertanejos. O caboclo cavaquinhos e pandeiros”. (Carvalho com dinheiro”. (Danças Populares
é a figura principal da “função”. Deda, Brefáias & Burundangas). de Aracaju, Paulo de Carvalho Neto.
Centraliza as atenções e a simpatia Extraído e Adaptado por Maria
“São 12 os componentes do reisado
da assistência. O boi é feito com o Aurelina dos Santos).
sergipano, a saber: Boi, Dona do
cobertor de chitão estampado, preso Baile, Caboclo, Tocadores (sanfona,
a uma caveira de boi enfeitada de zabumba, triângulo e pandeiro) e
papel de seda. Dos chifres, pendem Figuras. Estas Figuras se dividem em
barulhentos guizos. Um homem 1)lado vermelho (Contra-Mestre,
forte, servindo-se dessa cobertura, Cabocla, Cigana, Borboleta, Guriatá)
dança curvado e apoiado numa e 2) lado verde (Camponesa, Lua
forquilha que sustenta a caveira. Rouxinha, Aeroplano e Menina). Os
Depois de alguns minutos de dança Tocadores são do sexo masculino e
e investimentos no “caboclo” e na as Figuras, do feminino, estas com
assistência, acontece o primeiro indumentárias apropriadas que dão
assalto dos bichos contra o “boi o nome de cada Figura. Em sete
janeiro”, até que aparece a “besta- partes seguidas se desenvolve a ação:
fera” que consegue abater o boi. O Serenata, Pedição de Sala, Bendito,
“caboclo” reza, sopra nas traseiras do Reisado de Marimbondo do mestre
Contra-dança, Figuras, O Boi e a Sabau, grupo folclórico secular composto
boi para reanimá-lo, chora, lamenta Jaraguá e a Retirada. Nos intervalos, somente por integrantes da família.
Sarandagem ou Sarandaia
É uma brincadeira, uma para comemorar, comendo e
manifestação popular cujo objetivo bebendo. Por onde passa, o
é celebrar a chegada do mês junho cortejo ganha novos adeptos.
e marcar o início dos festejos E assim, continua pelas ruas
juninos. Trata-se de um grupo de até o final da brincadeira.
pessoas, homens e mulheres de
todas as idades, animadamente
percorrendo as ruas da cidade, No dia 1º de junho as ruas de
Capela se enchem de gente para
tocando, cantando e dançando.
ver a baiana passar recolhendo os
Param em residências onde são presentes que serão pendurados
convidados pelos donos da casa no mastro.

Sergipe: Cultura e Diversidade 183


Presença certa nos festejos
juninos, as danças e evoluções
se fazem em torno ao estrondo
do bacamarte.

Batalhão/Bacamarteiros
Dança popular de origem africana, denominar o grupo que se assemelha mulheres permanecem no local da
com influência indígena, própria a um batalhão de guerra. apresentação, cantando e dançando
do ciclo junino. É resultante da as rodas juninas.
A orientação do cortejo é determinada
necessidade de diversão das noites
pelo “Sargento” (mestre da Em Sergipe, essa manifestação
de São João, por parte dos escravos
iniciativa), que, ao som do apito e surgiu por volta do século XVIII
mantidos no cativeiro.
gestuais, indica-lhe a direção a seguir. e ocupa lugar de destaque na
Eles se reuniam para festejar o Chegando ao local da apresentação, atualidade, permanecendo mais viva
Santo, brincando e atirando com o Batalhão se dispersa, enquanto e mais atraente.
os bacamartes, fabricados por eles realizam algumas coreografias.
Os instrumentos musicais utilizados
próprios, réplicas das armas de Na sequência, o grupo se divide:
são pandeiros, ganzás, reco-recos,
guerra do período colonial. os homens vão ao lugar escolhido
cuícas e caixas de profusão.
O instrumento bélico serviu para para a realização dos disparos. As
Na confecção dos instrumentos
utilizam a madeira do genipapeiro
(árvore frutífera da região), couro de
animais e sementes.
Na fabricação da pólvora são
utilizados o carvão feito da umbaúba,
cachaça para borrifar e o enxofre. Em
ritual festivo, a pólvora é preparada
em grandes pilões, enquanto os
participantes do grupo cantam e
dançam em clima de muita união e
alegria. (Maria Aurelina dos Santos).

Sergipe: Cultura e Diversidade 185


Festa do Mastro
Encerrando o ciclo das festas
juninas, o São Pedro de Capela
vem ganhando prestígio a cada
ano. O apreço do sergipano ao
forró explica essa espichada que, no
Estado, ocorre praticamente durante
todo o mês de junho. O complexo
festivo-econômico gera milhares de
empregos, abre oportunidades de
negócios para a hotelaria, a música, o
comércio e os serviços, ao tempo que
entretém filhos da terra e visitantes
que, nos dias finais do mês, acorrem
a Capela para fecharem esse ciclo ao
som da música regional nordestina.

Acima, caminho percorrido pelos brincantes


embalados pela música do pífano, lama e cachaça.
Ao lado, na Praça Anderson de Melo, o mastro é
erguido cheio de presentes e cachaças amarrados
em seus galhos, esperando o corajoso que
conseguirá subir até o topo.

186 Sergipe: Cultura e Diversidade


Samba de Aboio
O Samba de Aboio se iniciou em 13 enquanto são feitos os banhos (com
de maio de 1888, com a libertação dendê, mel e ervas) e as orações. A
dos escravos. Manifestação passada partir daí o povo começa a adorar e
de geração em geração, ocorre no a fazer suas preces. A fonte em que a
Sábado de Aleluia e no domingo pedra foi encontrada existe até hoje
da Ressurreição, no povoado no povoado Aguada.
Aguada, município de Carmópolis.
A indumentária das adeptas da
Participam do grupo, homens,
religião é composta por chapéu,
mulheres e crianças, cerca de 35
calçado, calça e blusa brancos, à
pessoas. Homenageia princesa Isabel,
exceção do lenço vermelho colocado Ritual de banho da Santa Bárbara em azeite
que deu a liberdade aos escravos, e
no pescoço. Tudo em homenagem à de dendê no sábado de Aleluia.
Santa Bárbara, Iansã.
Santa Bárbara. Usam tambores feitos
A Santa Bárbara (um orixá em forma de oco de pau e encourados com pele
de pedra, segundo a religião Nagô), no encanto da dança há toda uma
de boi. Os tocadores ficam sentados
foi encontrada à margem de uma sedução no ritmo. A outra pessoa é
sobre os tambores. Os outros tocam
fonte por “Tamashalim Ecuobanker”, surpreendida por uma rasteira. Os
ganzás, pandeiros e a onça.
que, por ser adepta da religião integrantes, geralmente, caem muito
No Samba de Aboio, em roda, os e por isso, no dia seguinte, estão com
Nagô e ter muitos conhecimentos,
participantes dão batidas nas cochas o corpo dolorido. (Entrevista com
reconheceu-a. Durante o ritual a
e esperam alguém se aproximar. Mas, José Francisco Mota de Assis).
Santa é passada de mão em mão,

Sergipe: Cultura e Diversidade 187


Renda Irlandesa
Sergipe guarda em seu acervo
cultural verdadeiras relíquias. A
arte de tecer a renda irlandesa, em
Divina Pastora, pode se considerada
uma delas. As tecelãs das tintas, laces
e riscos elaboram com precisão,
graciosidade e delicadeza, peças
de alto luxo e beleza que levaram
essa belíssima produção artesanal
a ser registrada como Patrimônio
Cultural do Brasil. A paciência,
a perseverança, a determinação
das artesãs e a variedade de peças
são traduzidas na garantia de um
mercado muito exigente. Nessa
trajetória, a renda ganhou asas
através das mãos simples de quem
a faz, sendo exportada para países
como Estados Unidos, levando
Sergipe a ser considerado pioneiro e
único nessa arte.
Chamam a atenção o acabamento
requintado, a beleza ímpar e
a produção exclusivamente
manufaturada, requisitos
indispensáveis para quem sabe
unir a tradição ao bom gosto. Essa
prática artesanal conserva entre os
sergipanos a herança dos tempos
medievais. Trazida para cá por
missionários, contribui ainda hoje
para a geração de renda para as
famílias. (Maria Aurelina dos Santos)

Técnica dos tempos medievais foi trazida


para Sergipe por missionárias e hoje
constitui uma tradição cultural tombada
como patrimônio nacional pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

188 Sergipe: Cultura e Diversidade


Festival de Arte Arthur Bispo do Rosário
Natural de Japaratuba, Artur Bispo Apresentação, que Artur Bispo
do Rosário foi marinheiro e viveu deveria vestir no dia do juízo final.
na cidade do Rio de Janeiro. Ainda
Artista reconhecido
na Marinha, começou a despertar
internacionalmente, Japaratuba
alucinações anunciando ser o
homenageia seu filho dando o
enviado de Deus, encarregado de
título ao seu Festival de Artes que
julgar aos vivos e aos mortos. Detido,
é realizado há 12 anos, no intuito
foi conduzido ao hospício Pedro II
de possibilitar espaço para que os
e transferido para a Colônia Juliano
grupos folclóricos e artísticos de
Moreira com o diagnóstico de
Sergipe apresentem os seus trabalhos.
esquizofrenia paranóica, onde residiu
O Festival de Artes Arthur Bispo do
até a sua morte.
Rosário inicia com a coroação do rei
Internado, Artur Bispo do Rosário e da rainha do Cacumbi, e durante
passou a produzir objetos com uma semana há apresentações de
diversos tipos de materiais diversos grupos folclóricos em
Em meio a sua loucura, Arthur Bispo
produziu com sucata e lixo verdadeiras
oriundos do lixo, que após a sua praça pública, além da realização de
obras primas da arte moderna. descoberta foram classificados concursos literários e exposições de
Abaixo, a coroação do rei e rainha do como arte vanguardista. Sua obra artes em museus e casarios da cidade.
Cacumbi abre a programação do festival. mais conhecida é o Manto da

190 Sergipe: Cultura e Diversidade


Robalo ao Molho de Camarão
“A pesca marítima, a coleta de Gastronômico dos Territórios
mariscos e crustáceos nos estuários Sergipanos, 2010, p.31
e manguezais, o cultivo do coco da
Os camarões, depois de limpos, são
baía e os frutos encontrados nas
utilizados na produção de um dos
restingas são as principais fontes
mais saborosos pratos da culinária
dos ingredientes da cozinha do
regional, a moqueca de robalo ao
Leste Sergipano.
molho de camarão servido em
No Rio Japaratuba, ainda é possível travessas de madeira fabricadas
observar muitas famílias tirando o pelos artesãos locais. Geralmente
seu sustento da pesca do camarão de acompanhada de arroz branco e
água doce, encontrado nas várzeas e pirão feito a partir do caldo do
capturado através da pesca artesanal peixe, a moqueca de robalo é uma
com o uso do covo, uma armadilha das maravilhas gastronômicas do Uma das maravilhas gastronômicas do Leste
em forma tubular feita de tiras de Leste Sergipano. (Seplan, Guia Sergipano, é a moqueca de robalo ao molho
bambu amarradas com cipó”. Guia Gastronômico dos Territórios de camarão servido em travessas de madeira
Sergipanos, 2010). fabricadas pelos artesãos locais.

Sergipe: Cultura e Diversidade 191


Calendário das Festas de Padroeiros de Sergipe
Padroeiro Município(s) Data
Senhor dos Passos Maruim 1
Senhor das Misericórdias Muribeca 1
Janeiro Senhor do Bonfim Salgado 1º domingo
Santo Amaro Santo Amaro das Brotas 15
Bom Jesus dos Aflitos Gararu 4º domingo
São Sebastião Poço Verde 20
Nossa Senhora da Guia Umbaúba 2
Nossa Senhora de Lourdes Pirambu / Nossa Senhora de 11
Lourdes / Pedra Mole
Fevereiro Bom Jesus dos Pobres Canhoba 17
Nossa Senhora Purificação Capela 2
Nossa Senhora do Amparo Amparo do São Francisco 1º domingo
Nossa Senhora D’Ajuda Itaporanga D’Ajuda 2
Nossa Senhora do Socorro Nossa Senhora do Socorro 2
Março São José Malhador / Pedrinhas / Pinhão 19
Maio Nossa Senhora Piedade Graccho Cardoso 4º domingo
Divino Espírito Santo Indiaroba 3º domingo
Santo Antônio Ilha das Flores / Itabaiana / 13
Malhada dos Bois / Neópolis /
Propriá
Junho São João Batista Areira Branca / Cedro de 24
São João / General Maynard
São Paulo Frei Paulo 4º domingo
Laranjeiras 8
Sagrado Coração de Jesus Monte Alegre de Sergipe 4
Nossa Senhora Santana Simão Dias / Boquim / Aquidabã / 26
Julho Santana do São Francisco
Nossa Senhora do Carmo Carmópolis 16

O quadro acima apresenta as Festas de Padroeiros dos municípios sergipanos 1


NEVES, Paulo S. da C. & VARGAS,
e a data em que acontecem. A pesquisa não registrou a ocorrência da festa Maria A. M.. Levantamento Cultural
do padroeiro no mês de abril, em nenhum município de Sergipe, embora dos Territórios Sergipanos. Aracaju,
2009. Extraído e adaptado.
comemorações a outros santos possam acontecer nesse mês.
“As festas dos padroeiros são indicadas, pela maioria dos entrevistados,
como manifestações que mobilizam os municípios. Durante todo o ano os
padroeiros são festejados com novenas e procissões, com destaque para o mês
de dezembro, quando, em 9 municípios, as pessoas festejam Nossa Senhora
da Conceição como padroeira”¹.

192 Sergipe: Cultura e Diversidade


Padroeiro Município(s) Data
Nossa Senhora da Boa Hora Campo do Brito 15
São Roque Campo do Brito 16
Nossa Senhora Imperatriz Tobias Barreto 15
dos Campos
Agosto Nossa Senhora da Glória Nossa Senhora da Glória 15
São Domingos São Domingos 1º domingo
Nossa Senhora do Telha 2º domingo
Perpétuo Socorro
Santa Rosa de Lima Santa Rosa de Lima 30
Nossa Senhora da Piedade Lagarto 8
Nossa Senhora das Dores Nossa Senhora das Dores 15
Setembro Nossa Senhora da Vitória São Cristóvão 8
São Miguel São Miguel do Aleixo 29
Nossa Senhora do Socorro Tomar do Geru 8
São Francisco Cristinápolis / Macambira / 4
São Francisco
Outubro Santa Terezinha Moita Bonita 3
Nossa Senhora Aparecida Nossa Senhora Aparecida 12
Sagrado Coração de Jesus Ribeirópolis 4º domingo
Nossa Senhora do Rosário Rosário do Catete 7
Nossa Senhora Divina Pastora Divina Pastora 2º domingo
Sagrado Coração de Jesus Carira 4º domingo
Novembro Nossa Senhora das Graças Feira Nova 27
São Félix de Cantalício Pacatuba 20
Nossa Senhora do Amparo Riachão do Dantas 4º domingo
Nossa Senhora do Desterro Japoatã 4º domingo
Nossa Senhora da Conceição Poço Redondo / Porto da Folha / 8
Riachuelo / Aracaju / Arauá /
Brejo Grande / Canindé do São
Francisco / Itabaianinha / Itabi
Dezembro Nossa Senhora da Saúde Japaratuba 8
Santa Luzia Santa Luzia do Itanhi / 13
Barra dos Coqueiros
Sagrada Família Siriri 4º domingo
São João Apóstolo e Evangelista Cumbe 27
Nossa Senhora de Guadalupe Estância 12

Sergipe: Cultura e Diversidade 193


Gruta da Pedra Furada –
Laranjeiras.

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SECULT – Secretária de Estado da Cultura. Agenda Desenvolvimento do Território Alto Sertão Sergipano:
Cultural. Set. 2008. Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008.
SECULT – Secretária de Estado da Cultura. Agenda SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano de
Cultural. Out. 2008. Desenvolvimento do Território Médio Sertão Sergipano:
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008.
Boletim do Território Alto Sertão Sergipano: SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano
Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. de Desenvolvimento do Território Sul Sergipano:
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008.
Boletim do Território Médio Sertão Sergipano: SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano
Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. de Desenvolvimento do Território Centro Sul Sergipano:
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008.
Boletim do Território Sul Sergipano: Planejamento SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano
Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. de Desenvolvimento do Território Leste Sergipano:
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008.
Boletim do Território Centro Sul Sergipano: SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano
Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. de Desenvolvimento do Território Agreste Central
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Sergipano: Planejamento Participativo de Sergipe.
Boletim do Território Leste Sergipano: Planejamento Aracaju, 2008.
Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano
SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. de Desenvolvimento do Território Baixo São Francisco
Boletim do Território Agreste Central Sergipano: Sergipano: Planejamento Participativo de Sergipe.
Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. Aracaju, 2008.

SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. SEPLAN – Secretaria de Estado do Planejamento. Plano


Boletim do Território Baixo São Francisco Sergipano: de Desenvolvimento do Território Grande Aracaju:
Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008. Planejamento Participativo de Sergipe. Aracaju, 2008.

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acordou/ Fontes de Alencar, Aglaé D`Ávila/ Coord. TURISMO E LAZER em revista. São João, Sergipe se
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Sergipe: Cultura e Diversidade 199


Igreja de Nossa Senhora da
Comandaroba – Laranjeiras.

200 Sergipe: Cultura e Diversidade


Cultura e Diversidade
Carlos Roberto da Silva EQUIPE TÉCNICA DA SEPLAN NO Franklyn Timoteo S. do Espirito Santo
Eloísa da Silva Galdino PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO Mestrando em Ciências Sociais
Jorge Santana de Oliveira Gleyse Santana
Alan Juliano da Rocha Santos
Maria Lúcia de Oliveira Falcón Mestranda em Ciências Sociais
Amanda Heloísa Melo de Santana
Coordenadores do Projeto Identidade, Joacenira H. R. de Oliveira
Cláudia Regina Santos Costa
Cultura e Desenvolvimento dos Mestranda em Ciências Sociais
Eduardo Almeida
Territórios Sergipanos Julio Cesar Rocha Silva
Emanuelle Teles Aguiar
Mestrando em Ciências Sociais
Ana Cristina de C. Prado Dias Fernanda dos Santos Lopes Cruz
Maryane Meneses Silveira
Carlos Hermínio de Aguiar Oliveira Flávia Dantas Moreira
Mestre em Geografia
Gleideneides Teles dos Santos Igor Ramos dos Anjos
Núbia Oliveira Almeida
Maria Lúcia de Oliveira Falcón Laura Sampaio de Sá Oliveira
Mestranda em Geografia
Coordenadores do Planejamento Márcio dos Reis Santos
Priscila Santos Silva
Participativo de Sergipe Maria Auxiliadora Alves da Silva
Mestranda em Ciências Sociais
Mônica Souza da Costa
Marcel Di Angelis Souza Sandes Renata Sibéria de Oliveira
Rodrigo da Silva Menezes
Gerente Executivo do Projeto Mestranda em Geografia
Rosane de Aguiar Chagas Santos
Identidade, Cultura e Desenvolvimento Rosane Guedes da Silva
Tiago Brito Ferreira
dos Territórios Sergipanos Mestranda em Ciências Sociais
Walter Uchoa Dias Júnior
Vitor Costa Oliveira
REVISÃO CRÍTICA EQUIPE DA UFS Mestrando em Ciências Sociais
Joab Almeida Silva Williams Souza Silva
Maria Augusta Mundim Vargas
Thais Barbosa Figueiredo Mestrando em Ciências Sociais
(coordenação)
Secretaria de Estado do Paulo Sergio da Costa Neves ACERVO FOTOGRÁFICO E OUTROS
Desenvolvimento Econômico, da ARQUIVOS DOCUMENTAIS
REVISÃO E SISTEMATIZAÇÃO
Ciência e Tecnologia e do Turismo
DOS DADOS DE CAMPO Acervos Particulares
Laura Sampaio de Sá Oliveira Arquivo Público de Aracaju
Luciano Ricardo de Santana Souza
Fernanda dos Santos Lopes Cruz Biblioteca Pública Epifânio Dória
Mestre em Geografia
Marcel Di Angelis Souza Sandes Empresa Sergipana de Turismo
Maryane Meneses Silveira
Secretaria de Estado do Fundação Municipal de Cultura,
Mestre em Geografia
Planejamento, Habitação e do Turismo e Esportes
Ronilse Pereira de Aquino Torres
Desenvolvimento Urbano Instituto Tobias Barreto
Especialista
Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe
Marcelo Rangel Lima Rodrigo Santos de Lima
Secretaria de Estado da
Secretaria de Estado da Cultura Mestrando em Geografia
Comunicação Social
Trícia Cavalcanti Pergentino Sant’anna
CONSULTORES INTERNOS Secretaria de Estado da Cultura
Mestre em Agroecossistemas
Secretaria de Estado da Inclusão,
Antonio Alves do Amaral PESQUISA DE CAMPO Assistência e do Desenvolvimento Social
Maria Aurelina dos Santos Serviço Brasileiro de Apoio Às Micro
Adalgisa Viana Dorea
Secretaria de Estado da Cultura e Pequenas Empresas
Mestranda em Ciências Sociais
CONSULTORES EXTERNOS Daniela Moura Bezerra Universidade Federal de Sergipe

Antônio Risério Leite Filho Mestranda em Ciências Sociais EDIÇÃO


Eduardo Henrique Saphira Andrade Dayse Maria Souza
Solisluna Design Editora
Maria Augusta Mundim Vargas Mestranda em Geografia
Enéas Guerra
Paulo Sérgio da Costa Neves Elaine Ferreira Lima
Valéria Pergentino
Mestre em Ciências Sociais
Emerson Alves Ribeiro Projeto Gráfico e Design
Mestrando em Geografia Valeria Pergentino
Ewerthon Clauber de Jesus Vieira Elaine Quirelli
Mestrando em Ciências Sociais

Sergipe: Cultura e Diversidade 201


Créditos das fotos
Autor não Identificado – Autor Identificado Cristiano Santana Flickr
Direitos Retidos Página: 92 (Fotos B e C)
A.Vilela / EMSETUR
Danielly Farias – Flickr
Páginas: 144 (Foto C), 148 (Foto C), Página: 79 ( Foto A)
Página: 111 (Foto A)
156 (Fotos A e B) e 189 Alejandro Zambrana / EMSETUR
Díjna Torres Secult
Acervo da Casa de Cultura de Estância Páginas: 28 (Foto A) e 70
Página: 174 (Foto B)
Páginas: 142, 143 (Foto A), 144 (Foto B) Alejandro Zambrana / Prefeitura
Edel Ferreira
Acervo da COHIDRO Municipal de Aracaju
Página: 97 (Foto B)
Página: 102 (Foto C) Página: 76 (Foto B)
Edinah Mary / SEIDES
Acervo da EMDAGRO Alfredo Moreira / SEBRAE
Capa: Fotos C, D e E
Página: 100 (Foto A) e 101 Páginas: 28 (Foto B), 50 (Foto A), 128
Páginas: 14, 16 (Foto B) 18 (Fotos A, B,
(Fotos A e B), 129 (Foto A), 140 (Foto
Acervo da EMSETUR C, D, E), 20, 23, 24, 26 (Fotos A, B, C),
A), 172, 188 (Fotos A, B e C)
Páginas: 21 (Foto B), 80 (Foto B), 82, 28 (Foto C), 31, 35 (Foto B), 36 (Foto B),
114, 130 (Foto B) Amanda Melo 48 (Foto B), 49, 50 (Fotos B, C e E), 71
Página: 111 (Foto B) (Foto A), 74 (Fotos A e B), 78 (Foto B),
Acervo da Prefeitura Municipal
Ana Lira – Flickr 93 (Fotos A e B), 115, 122, 130 (Foto A),
de Aracaju
Página: 63 (Foto A) 133 (Fotos A, B, C, D, E e F), 140 (Foto
Páginas: 90, 91 (Foto A), 96 Foto (B),
B), 161 (Foto C), 162 (Foto A), 173 (Foto
131 (Fotos B e C), 161 (Foto A) André Moreira / Agência Sergipe A) e 175 (Fotos A e B)
Acervo da Secretaria da Cultura de Notícias
Páginas: 73 (Foto A e C) e 148 (Foto A) Edson Araújo / SECULT
de Capela
Páginas: 42, 58 (Fotos A e B), 62, 63
Página: 183 (Foto A),185 (Foto B), Antônio Alves do Amaral (Foto B), 69 (Fotos A e B), 73 (Foto B),
186 (Foto B) Páginas: 34 (Fotos A e B), 50 (Foto G), 75, 77 (Fotos A e B), 86 (Foto A e B), 94,
Acervo da Secretaria da Cultura 120, 127 (Foto B), 158 e 159 95 (Fotos A, B, C e D), 170 (Fotos A e
de Cedro de São João Antônio Carlos du Aracaju B), 186 (Foto A), 187 (Fotos A e B), 190
Página: 134 (Foto B) Página: 97 (Foto A) (Foto B) e 194
Acervo da Secretaria da Cultura e Antônio Júnior Eduardo Almeida / SEPLAN
Turismo de Canindé do São Francisco Página: 176 (Fotos A e B) Páginas: 6, 22, 26 (Foto D), 29 (Foto B),
Página: 102 (Fotos A e D) 35 (Foto C), 48 (Foto C), 56 (Foto B)
Betinho Studio Fotográfico 88, 89 (Fotos A e C), 99 (Fotos A e B),
Acervo da Secretaria de Ação Social Páginas: 46 (Foto A), 108 (Fotos A e B) 104, 112 (Fotos A e B), 148 (Foto B), 149
de Moita Bonita e 110 (Foto A e B) (Foto A), 150, 154 (Fotos A e B), 155, 161
Página: 157 (Foto A e B)
César de Oliveira (Foto D), 173 (Foto C), 176 (D) e 179
Acervo da Secretaria de Estado 40 (Foto A) Inventário das Manifestações Culturais
da Educação
César de Oliveira / Portal Photos do Estado de Sergipe / SEPLAN
Página: 50 (Foto F)
de Sergipe Páginas: 40 (Foto B), 50 (Foto H), 76
Páginas: 92 (Foto D), 146 e 147 (Foto A), 89 (Foto B), 91 (Fotos B e C),
92 (Foto A), 132 (Foto A), 144 (Foto A),
César de Oliveira EMSETUR 162 (Foto B) e 171 (Fotos B e C) e
Páginas: 16 (Foto A), 136, 137, 145, 173 (Foto B)
178, 182 (Foto B) e 200
Janaína Santos / BANESE
Cleverton Silva Página: 160 (Foto A)
Página: 72 (Foto A)
Johnny Oliva / SEPLAN
Cristiano Mendonça Capa: Foto B
Página: 185 (Foto A) Páginas: 26 (Foto E), 27, 35 (Foto A),
50 (Foto D), 81 (Foto A e B), 96 (Foto

202 Sergipe: Cultura e Diversidade


A), 100 (Fotos B e C), 102 (Foto B), 103 Márcio Dantas
(Foto A), 113 (Foto A e B), 130 (Foto D), Páginas: Capa (Foto F), 29 (Foto A),
131 (Foto A, D e E), 134 (Foto A), 135 32, 33, 36 (Foto A), 37 (Foto A), 38 e
(Foto B), 163 (Foto A), 165, 171 (Foto 39 (Fotos A e B)
A), 176 (Foto C), 177 (Fotos A e B), 188
Márcio Garcez
(Foto D) e 191 (Fotos A e B)
Páginas: 68 (Fotos A e B)
Jorge Henrique / Agência Sergipe
Marco Vieira / Agência Sergipe
de Notícias
de Notícias
Páginas: 56 (Foto A), 66 (Foto B)
Página: 123 (Fotos A e B)
e 72 (Foto B)
Marcos Rodrigues / Agência Sergipe
José Valtene dos Santos
de Notícias
Páginas: 183 (Foto B)
Página: 118 (Foto A)
Juarez Silva / SEED
Maykon Christian
Páginas: 45 (Foto B)
Página: 118 (Foto B)
Kin Guerra – Páginas: 103 (Foto B), 135
Poeta Jorge Henrique / Acervo do
(Foto A), 149 (Foto B), 163 (Foto B)
Colégio Estadual Manuel Messias Feitosa
Lúcio Telles / SECULT Página: 87 (Fotos A e B)
Páginas: 98 (Fotos A e B), 119 (Fotos A
Repaginação: Edson Araújo
e B), 124 (Fotos A e B) e 182 (Foto A)
Foto: Lúcio Telles
Lúcio Telles / SEPLAN Página: 190 (Foto A)
Capa: Foto A
Ricardo Espinheira
Páginas: 8, 12,13, 30, 47 (Foto A), 60
Páginas: 66 (Foto A) e 67
(Fotos A, B e C), 61 e 65 (Fotos A e B)
Thais Figueiredo / EMSETUR
Marcel Di Angelis / SEPLAN
Página: 21 (Foto A)
Páginas: 48 (Foto A), 57, 71 (Foto B)
e 127 (Foto A) Vovô Monteiro
Páginas: 45 (Foto A) e 126
Marcel Nauer / EMSETUR
Página: 52 Wácton Silva / Prefeitura Municipal
de Itabaiana
Marcel Nauer / Acervo Mamulengo
Página: 160 (Foto B)
de Cheiroso
Páginas: 47 (Foto B), 78 (Foto A) Wellington Barreto / Agência Sergipe
de Notícias
Marcelinho Hora
Páginas: 44 e 64 (Foto B)
Páginas: 2, 3, 5, 41, 143 (Foto B) e 184
Wellington Barreto / EMSETUR
Márcio Dantas /
Páginas: 80 (Foto A), 130 (Foto C), 132
Agência Sergipe de Notícias
(Foto B) e 161 (Foto B)
Contracapa
Páginas: 17, 64 (Foto A), 164, 168
(Fotos A e B) e 174 (Foto A)

Sergipe: Cultura e Diversidade 203


Relação dos participantes da mesa temática
"Cultura, Desenvolvimento e Inclusão"
Neste item, relacionamos os Janice Calixto S. Santos Jackson Teixeira Felix
participantes das Conferências Joana D’are C. Santos Jaqueline Farias Santos
Municipais e Territoriais do João Paulo P. Santos Jarlene da Cruz Santos
Planejamento Participativo que Jocelma Batista Santos Jean Rodrigues dos Santos
forneceram informações fundamentais Jorge Lopes de Santana Jéssica Silva L. Amorim
à elaboração deste livro durante os José Carlos dos Santos Filho Jorge Souza dos Passos
debates da Mesa Temática "Cultura, Josefa D. Costa Josenilton dos Santos Bispo
Desenvolvimento e Inclusão”. Luiz Eduardo S. de Oliveira Josilene de Jesus Santos
A contribuição dessas Márcia de Souza Basto Lea Maria Santos Salvador
pessoas caracterizou o primeiro Maria Auxiliadora dos Santos Loayes Santos
levantamento realizado e orientou a Maria D. França Lourdes Santos de Jesus
equipe da Universidade Federal de Maria de Fátima Santos Lúcia Rodrigues
Sergipe na pesquisa de campo. Maria Edenalva dos Santos Maria da Conceição R. Moura
Maria Eliza dos Santos Maria José L. Santana
Território da Grande Aracaju Maria Isabel de Souza Markues Anderson Souza
Maria José de Deus Milena Ramos dos Santos
Aracaju Maria Neuzice dos Santos Nivaldo dos Santos
Alexandre Pereira Santana Marili Souza Bacelar Roberto C. Costa
Ana Maria Santos Dantas Marinalva Menezes S. Batista Sabrina Bomfim de Oliveira
Ana Paula Nascimento Mauricio Santos de Jesus Salete Maria da Silva
André Iriz Sampaio M. Moyses Nadisson Rafael N. Bispo Tatiane Alves dos Santos
Antônio Correia Nailson Tiago Nunes Bispo
Benildes J. de Jesus Pedro do Nascimento Itaporanga D’Ajuda
Caio Ebert Renê dos S. Soares Bráulia Lima
Carlos Alberto Rosa Maria do N. Silva Denilza Viana Evaristo
Carlos Henrique Rosemary Conceição de Santana Djaene dos Santos Santana
Cássia dos Santos Silva Sandra Lissa de Menezes Elaine Maria Cortes Santos
Claudio Guimarães Mendes Sandra Maria da Silva Elenalda Ribeiro Santos
Cleverton Paulino dos Santos Suely Lucas Melo Jeane de Jesus
Cristiane Santos Ribeiro Valdemar S. Silva José O. Prado Soares
Daniel Fernando M. dos Santos Valdera Gomes da Silva Josenilde de Jesus Santos
Diana S. Gama Vandith G. de Oliveira Josineide Viana Santos
Edinelde Oliveira Santos Karolline Malta de Andrade
Elaine Marques da Silva Barra dos Coqueiros Luiz Santos Possidônio
Eleonaldo do N. Santos Ana Paula da Silva Oliveira Maria José Santos Alves
Eliane Ramos dos Santos Antônio Genivaldo A. dos Santos
Eliene de Jesus Santos Bernadere Bispo Cruz Laranjeiras
Elinaldo do S. Filho Carlos Henrique do S. Oliveira Acácia Aguiar dos Santos
Eline Vieira da Silva Cícera Lucia S. dos Santos Adriana Pinto Ribeiro
Elúzia de Souza Cilene Correia Ana Maria S. Barreto
Euride M. Gomes Cledson Santos Carlos Alberto Paiva Campos
Euvaneide Pereira Nascimento Cleide Selma Bispo Cleide dos Santos
Fabio Roberto G. Pereira Cleomar Santos Cristiano Batista dos Santos
Francielly Santos Silva Cleverton dos Santos Edinalva Batista dos Santos
Genilson dos S. Martins Edeilton Teles Menezes Edleuza J. S. Campos
Geovan Carlos P. de Rezende Edson Santos Teixeira Gilda Santos Matias
Gilvanda Alves Dantas Elealdo Teixeira Felix Helenilda Acioli da Rocha
Gleide Pereira dos Santos Eugênio Carlos da Silva Iracilde Santos Gomes
Ionara da S. Batista George Santos da Silva Itelma B. da S. Campos
Jackison Bruno G. Santos Gilvanilde Maria Santos Jean Vieira da Silva
Jaíra Calixto Gloria Sena Joselito Bento dos Santos
Jamisson dos Santos Iolanda O. dos Santos

204 Sergipe: Cultura e Diversidade


Lenilde Santos Silva Maria Aparecida Ferreira João Evangelista dos Santos
Lenilson de Campos Cezário Maria da Penha da Silva José Carlos Bezerra
Lívia Borges Santana Maria da Piedade C. Bispo José Demósthenes Oliveira Junior
Lucas Bezerra de Lima Maria do Socorro Xavier Silva Júlia Maria Moreira Silva
Maria Cleide dos Santos Maria Helena S. Oliveira Kelly Cristina H. de Oliveira
Maria de Lourdes da S. Campos Maria Lindinalva dos Santos Manoel Messias B. S. Hipólito
Maria Isabel dos Santos Mariana dos Santos Márcia Verônica dos Santos
Maria Ivone Santos Brota Rosemary dos Santos Maria Aparecida P. da Cruz
Maria Rosildete dos Santos Taylane Barbosa dos Santos Maria Augusta de Oliveira Santos
Rosimeire S. Araujo Maria Cenira da Silva
Santo Amaro das Brotas Maria Cícera Cardoso Araujo
Maruim Adérico de Melo Maria Dalva da Piedade
Ana Cristina dos A. Santos Adriana dos Santos Maria de Lourdes Neves
Ana Isabel dos S. Oliveira Ana Lúcia Santana Maria do Carmo Silva Souza
Beldomiro Maciel Anastácio Barbosa Lima Maria Emília Soares Costa
Carlos Alberto Rabelo Edemilson Santos Batista Maria Helena Santos
Charles Frederico O. Menezes Matheus Carvalho Nunes Maria Iracema Couto Bezerra
Clóvis Joaquim dos Santos Sílvia Regina Melo dos Santos Maria Isabel S. dos Santos
Edimundo Menezes Costa Valdir Corrêa dos Reis Maria José de O. Santos
Gilda S. Menezes Maria José Ferreira dos Santos
Gisélia Francisca dos Anjos São Cristóvão Maria José Machado dos Santos
Givanilda Maria de Lucena Santos Antônio Alves do Amaral Maria Lúcia Santos Souza
Janima Silva dos Santos Ariosvaldo Nunes Santos Maria Renilde Oliveira Santos
Lívia Maria L. Santos Carlos Alberto de Paula Bastos Maria Selma dos Santos
Maria Guedes Alves Glariston dos Santos Lima Maria Valdineide dos Santos
Maria Vilma Santos Gleidson de Andrade Santos Maria Vaneide dos Santos
Osvaldo Santos Prado João Batista Santos Miraldete Vieira Matos
Rejane A. Santos José Thiago da Silva Filho Paulo César A. De Oliveira
Rejane Francisco Maria Aurelina dos Santos Priscila Teles Vicente
Rita de Cácia Alcântara Melo Maria Cristina A. Santos Regiane Guimarães de Santana
Núbia Oliveira Almeida Rosângela dos Santos Oliveira
Nossa Senhora do Socorro Stella de Freitas Silva Rosecleide Santos
Amanda Maria F. dos Santos Rosilda Costa Moreira
Arlindina C. Costa Riachuelo Rute Filomena Santos da Silva
Belaine Rodrigues dos Santos Alessandra Aracanjo Félix Silvina Moreira dos Anjos
Cristiano da Silva Santos Américo Santos do Nascimento Simonete Correia de Oliveira
Cristina Angélica dos S. Almeida Ana Erundina Souza Santos Sônia da Silva
Edson dos Santos Anai de Oliveira Santos
Edson Santos Almeida Analúcia de O. Santos Território do Alto Sertão
Eliane Silva de Santana Andréa M. de Meneses Sousa
Belaniza Marinho
Eliene Cristine Chaves Canindé do São Francisco
Elinaldo dos Santos Júnior Carlos Alberto Santos
Acácia Aguiar Andrade
Gildete Santos Souza Edileuza Rodrigues S. Santos
Acácia B. Lima Feitosa
Gilmara Oliveira Gonzaga Eneas Gabriel R. Moreira
Adelmo Manoel da Silva
Helenilton Oliveira Santos Gicelma Santos de Oliveira
Alcina de Albuquerque Teixeira
Jenisson dos Santos Figueiredo Gilca Maria dos Santos
Antonio Santos
José Dionísio dos Santos Gildo de Oliveira Santos
Bruno Freire Barbosa
José Gelio Oliveira da Silva Gilmar de Oliveira Santos
Cícero Leonízio dos Santos
José Horestes Bispo Gilvanete B. Santos
Clarise Huberto da Silva
José Ricardo dos Santos Givalda Maria dos Santos
Geonilda Nascimento Duarte
Juliana Cristina Givanete B. Santos
Grea Nascimento Duarte
Karla Vanessa dos Santos Givanilde Almeida Santos
Helena Juvendina Lisboa
Kinos Dos Santos Silva Helenice Moreira Santos
Iara Oliveira do Nascimento
Lucas Campos dos Santos Herika Pereira de Araujo
Jacira Venâncio
Lucas dos Santos Inêz Marques de Menezes Silva
José Antônio Soares
Marcelo de Jesus A. dos Santos Joana Angélica Vieira Santos
José Rodrigues

Sergipe: Cultura e Diversidade 205


Lígia Maria Avelino Ivo Adnil Silva Regiane Ferreira Silva
Maria Auxiliadora Melo de Brito José Marcos Silva Ricardo Santos Araújo
Maria de Fátima Alves de Souza José Robson do Nascimento Tássia Amanda Rodrigues dos Santos
Maria F. da Silva José Santos Vicente Batista dos Santos Filho
Maria Gildevânia da Silva Laís Marielma O. Santos Walber Gonçalves Matos
Maria José Anabade Oliveira Luiz Carlos Noia de Melo Wilson dos Santos
Maria José Batista Lima Manoel Vicente Filho
Maria José Messias dos Santos Maria Anita Garcia Araujo Poço Redondo
Maria Telma Cabral Silva Lima Maria Aparecida P. Oliveira Antônio Alberto P. da Silva
Nilza Maria da Silva Maria do Céu Vieira Santos Edimilson Moreira Feitosa
Noemia Bezerra da Silva Maria José Feitosa da Silva Everaldo dos Santos Nazaré
Rita dos Santos Givaldo Machado Gois
Rosiane da Silva Nossa Senhora da Glória Jamison Santana Santos
Silvia de Iliveira Adeilde Lima Freitas Souza José Ailton Francilino
Simônica Santos Silva Amilton Batista Santos José Gilvan dos Santos
Tereza Raquel Carvalho Santos Clésio de Oliveira Canuto José Temístocles Caldeira dos Santos
Valdir da Silva Cornelito Alves dos Santos Luiz José Neto
Vandete Batista Lima Genivaldo Sales de Brito Marcos José dos Santos Nazaré
Vera Núbia Avelino Santana Hugo Adriano dos Santos Maria Cristiane R. dos Santos
Zuleide Veríssimo Feitosa Hugo H. de Souza Maria das Graças de Oliveira
Italo Nogueira Barros de Freitas Maria Marta da Silva
Gararu José Alves dos Santos Quitéria Gomes Pereira
Aldo Martins dos Santos José Edigenaldo Oliveira Rafaela da Silva Alves
Ana Suely de A. Santos José Francisco Pereira Rivaldo Andrade dos Santos
Anabel Alves França Santos José Ivaldo B. de Freitas Sidney Feitosa Gouveia
Aricleber Albuquerque Melo José Valmir de Souza
Carlos Augusto Pereira Santos Josevania Almeida dos Santos Porto da Folha
Cláudia Manoela Silva Santos Manoel Santos Aragão Ana Paula da Silva
Clédia Maria Matos Santos Maria dos Prazeres de Santana Cassiane de Sena Rezende
Darla Rayane Santos de Carvalho Maria José Andrade Cátia Lima dos Santos
Edemilton Pinheiro Santos Maria José de Almeida Claudeane Alves de Oliveira
José Geraldo M. dos Santos Maria Lenalda dos Santos Cleynan Lima Santana
Júlia Gomes dos Santos Maria Marta dos Santos Edielton Vieira de Souza
Jussara de Jesus Passos Maria Rezende Nunes Ednilson Vierira de Souza
Kátia Albuquerque Melo Miriam Amaral Santos Fabiana dos Santos G. Matos
Maria Cláudia Damasceno Santana Reinha Oliveira Santos Faulevilon Alves Moreira
Maria do Socorro Souza Santos Rosa Maria Santos Silva Genilson Elias da Silva
Marivaldo Albuquerque Melo Rosimeire Almeida Santos Gileno Alves da Silva
Meiriane Albuquerque Melo Rosineide Souza Monteiro Gilson da Silva Lima
Nicéia Araujo Rosivânia de Oliveira Jéssica Laise dos S. Melo
Rosineide Silva dos Santos Sivaldo Mota Vieira Joel Barros de Oliveira
Valdenira O. Santos Souza José André da Silva Matos
Monte Alegre de Sergipe Wellington dos Santos José Carlos da Silva
Adriel Soares da Costa Wellington Rodrigues Santos José Conceição Soares
Alison Alves da Silva Juliano Feitosa Costa
Ana Angélica Vieira de Melo Oliveira Nossa Senhora de Lourdes Luiz Carlos de Santana
Ana C. O. dos Santos Anselmo Santana Luiz Gonçalves Lima
Antônio dos Santos Benildes Ferreira da Silva Santos Luiz Santos
Ará Gomes da Cruz Carlos Alberto dos Anjos Manoel Acácio Martins
Cícero Clácio dos Santos Gelsiana de Andrade Batista Maria Ednalva dos Santos
Cícero Gomes de Souza João Carlos Santos Maria Ingrócia da Silva Couto
Débora Félix da Silva José André Oliveira Maria Ivete dos Santos Aragão
Edilson Nunes Nascimento Josineide Barros da Silva Maria Luciene Braga
Eliandro Campos Cardoso Luciana Souza Barros Maria Nazaré Acácio dos Santos
Eloy Alves de Santana Maria Elena Marques de Melo Marinalva de Souza Santos
Isabel Cristina dos Santos Silva Moraes Melo Cardoso Michele de Alcântara Santos

206 Sergipe: Cultura e Diversidade


Michele Ferreira da Silva Diogo Vieira Aragão Dilton Dantas Pinheiro
Nmaria Ivoluzia Lima Eline Brunet Aragão Santana Edison Luiz dos Santos
Patrícia Delfino Lima Elizeu Veloso dos Santos Neto Edivan dos Santos
Roberto C. de O. Silva Genson Aragão Mota Edmilson Santos
Sara Marques Getirana Valença José Antonio dos Santos Farley dos Santos
Saulo Rafael Souza Santos José Leonardo Dória Harlyson Santos Vilarins
Sergiane Acácio dos Santos José Ronaldo Aragão Santos Jameline Lopes da Silva
Tamires Oliveira Couto José Vandeilson Aragão Jardeson Felipe S. Dantas
José Verionaldo Albuquerque José Adolfo Brito
Território do Médio Sertão Lilian Silviane Santos José Fernando B. Santos
Luciana Ferreira da Silva José Izaias dos Santos
Aquidabã Maria Balbina R. de Matos Juliete Alves da Silva
Aline Bomfim dos Santos Maria Claudia Dória Lucas Rodrigues Nunes
Aline Nascimento Lima Maria Elinalda dos Santos Marcelo Bomfim Martins
Alisson Alves Costa Rumy Conceição Santos Marcia Tereza
Anderson Lima de Carvalho Sandra Maria Santos Marciene Santos
Carlos Alberto Matos de Lima Tâmara Cristina V. dos Santos Maria Aparecida Santana
Claúdio Santos Guimarães Vanessa Cristina Ferreira Santos Maria Gécica P. de Oliveira
Crislaine Mendonça Mota Ranore Matias
Diana dos Santos Itabi Renato Pinheiro de Lemos
Elenilza Ferreira Lima Antonio Carlos Fernandes Rosilene dos Santos
Elia Barbosa de Andrade Bruna dos Santos Cruz Sandra Maria Muniz D. Farias
Eliene Fernanda da Silva Santos Daniel Andrade Resende Sarah Monaliza V. de Andradre
Everton Vieira dos Santos Iracema Menezes Conceição Sérgio Rodrigues Dória
Evison Tedomiro dos Santos João Alves dos Santos Soélia Muniz Dantas
Ewerton Santos de Andrade José dos P.Santos Tatiane V. Siqueira
Jaqueline Silveira Márcio José de Souza Tomaz de V. Batista
Jéssica Camila Santos Araujo Marco Antonio Bispo da Silva Valtomir dos Santos
José Raimundo de Morais Filho Maria Celeste Pereira Cardoso
Josiel José dos Santos Maria Helena da Cruz Brejo Grande
Josileide dos Santos Murilio Vieira de Sá Ana Alice Tavares dos Santos
Kátia Maria Ferreira Santos Rosilene E. de Oliveira André Gois Ferreira
Keila dos Santos Rosineide Lima da Cunha Ferreira Antônio Bomfim B. dos Santos
Luiza Matos de Lima Carlos Eduardo Ribeiro
Manoel Moura dos Santos Nossa Senhora das Dores Claudeane Bispo
Maria de Lourdes G.Santana Cley Rui Oliveira Santana Clébson Monteiro dos Santos
Maria Jaelsa Vieira Silva Cley Ruy Oliveira Santana Gefferson Pereira dos Santos
Maria Lucia Ribeiro Fabíola Ribeiro Batista Golson Antônio Oliveira
Maria Silva de Oliveira Fabricio Paixão S. de Oliveira Jaqeuline dos S. Da Silva
Marizônia de Souza Fabricio Paixão Silva de Oliveira José Acácio Rabeno
Mayck Santos Ribeiro Geovan Carlos Pinto de Rezende Julia Gonçalves Dias
Raimundo de Andrade Filho Maira de J. Campos Jussara C. Barreto
Rodrigo de Oliveira Andrade Manoel Messias Moura Luiz Dias dos Santos
Silvia Maria de Oliveira Manoel Messias Moura Magno de Oliveira Barros
Simone Leite Silva Rafael Gomes Morais Rayra Santos de Oliveira
Tiago Santos da Cruz Rafael Gomes Morais Samuel Tavares dos Santos
Vagna Keyth V. dos Santos Vera Lúcia S.Teles Valdenilson do N. Palmeira
Wesley Vieira dos Santos Vera Lúcia Soares Teles Valter Ferreira Lima

Graccho Cardoso Território do Baixo São Francisco Canhoba


Acisa Priscila Lima Santana Aerton Tôrres Rocha
Airlan Gomes dos Santos Amparo do São Francisco Aparecida V. de Matos
Ana Cleide Dória Adelaide dos Santos Artana Conceição F. Divino
Andrezamikielly Pereira Melo Alisson dos Santos Claudia M. dos S. Guimarães
Clezimary do N. Santos Crisley dos Santos Claudinete dos S. Torres
Deyse Jackeline V. dos Santos Deyvid Ramos dos Santos Deorizando T. Oliveira

Sergipe: Cultura e Diversidade 207


Diogo Santos Sales Edileuza dos S. Barros Samuel Pinheiro da Silva
Eanes Cardoso B. Neto Edson Ramos Alves Valdirene Santos Muniz
Edenilze Salviano de Matos Emerson Wlisses L. Gomes
Edivan Sequeira Chagas Fábio dos Santos Muribeca
Enalda S. dos Santos Francisco C. E. Santos Analugrací Santos Gonçalves
Iris Regina M. dos Santos Ivete Ramalho de Souza Andresa Silva da Cruz
Jorge Luiz S. Silva Jailza Bispo Santos Eksele Matos Santos
Lucélia dos Santos Jhonata Henrique L. Santos Ivone Lima de O. Leite
Lucienir Freire Melo John M. Bispo Silva Leônia da Silva L. Souza
Marcos Paulo C. Lima José Francisco dos Santos Luizete Lima Santos
Maria Aparecida V. Soares Joseilton Santos de Araujo Maria Eunice F. Santos
Maria Neuza Santos Kadiane Cristina S. Silva Marta Gonçalves de Matos
Maria Núbia de M. Chages Kadjars Eugênia S. Silva Roseli Conserva dos Santos
Maria Zenilde Teodora Andrade Keli Cristina da Silva Salon Amaral Figueiredo
Miriam Rodrigues da Silva Laudete Santos S. Rita Vagna Veloso Andradre
Norma Tavares Lemos Lúcia Helena da Silva
Sheila Vieira Santos Luiz Henrique S. dos Santos Pacatuba
Suleni Paulino dos Santos Margarete Silva Adriana Pinheiro dos Santos
Vânia Maria de Oliveira Maria da Conceição C. Santos Alcy Santos Silva
Vilma França F. Rodrigues Maria damiana L. S. Lisboa Aline Rodrigues Santos
Weverton Santos de Matos Maria Ednalva Barros Anderbal Silva Santos
Xifraneze Santos Maria José da S. G. Henrique Antônio Martins
Maria José dos S. Siqueira Carlos Eduardo S. Santana
Cedro de São João Maria Solange dos Santos Carlos Rodrigo S. Souza
Alex Santos A. de Cerqueiro Meire Helena S. Almeida Edirene Dos S. Monte
Ana Amélia O. Santos Paulo Ricardo dos Santos Eduardo Azevedo Prudente
Antônio Batista do Nascimento Rafael N. Santos Elizabeth Azevedo de O. Vieira
Cícero Ferreira Rinaldo Santos Silva Esrael dos Santos
Davi Barbosa de Melo Robson Augusto S. Vieira Fábio Luiz de Carvalho
Genilson Pereira Santos Rodrigo dos Santos Fernando dos S. Silva
Girlândia Caldas Silva Rominique R. dos Santos Flávio Rodrigues Ferreira
Givânio Gonzaga Brito Rosilene Domingos Gilton Santos Silva
Igor Freire Nunes Terezinha M. dos Anjos Glécia Bispo S. Souza
Jane Freire Santos Thiago dos Santos Irindade Janilson F. dos Santos Ramalho
Josivânia Silva Santos Vera Maria da A. Carvalho João Autran C. do Nascimento
Maestrelli de Lizandra Silva Vitor Rafael D. Santos Joaquim Melo Santos
Magda Oliveira R. Costre Wysla da Costa Silva José Adriano dos Santos
Marcos Antônio L. da Silva José J. Melo dos Santos
Maria Cerene Doria Malhada dos Bois José S. de Almeida
Maria Clara I. A. Melo Alana Gomes Moura Josivaldo da Silva
Maria Eunice Ramos Ana Elizabethe A. Dória Manoel A. dos Santos
Marilene dos Santos Angela Maria da Silva Maria Adelma G. de S. Francy
Marinalva Barbosa Moraes Ayslon P. Junior Maria de Fátima Santos
Sindsey Oliveira Melo Dayane Aparecida Santos Maria Luzia de Oliveira
Valeria de Abreu S. de Gaza Elizanio dos Santos Marisa Batista da Silva
Fernando Aguiar Moura Mauro da Silva Monteiro
Japoatã Flávio Gomes Santos Micherlângela Conceição Lima
Agnaldo M. da Silva Gilze Aguiar Moura Rosângela Matias de Jesus
Aldair Bezerra Lemos Jairo Marques S. Gomes Rosiana Bezerra dos Santos
Alisson dos Santos Jeilza Feitosa Sandra Santos R. Melo
Anderson Barros Silva José Gomes Ponte
Antônio Carlos L. Silva Manoel Gomes Júnior Propriá
Ariane Rocha Manoel Messias S. dos Santos Alan Santos Costa
Carlos Cezar R. Silva Maria M. Santos Antônio José de Oliveira
Clayton Mendes Santos Maria Neides V. Moura Antônio Xerife
Diva Maria Rodrigues Nilmara Gomes Moura Clevânip Gomes Santos

208 Sergipe: Cultura e Diversidade


Cristiano P. Lima Maria Patricia dos Santos Nara Regina Araujo Santos
Edigleise de O. Dos Santos Roseane Freitas da Silva Nara Regina F. dos Santos
Edjênio F. da Silva Wellington dos Santos Nilson Oliveira Trindade
Erivaldo V. dos Santos Wendel Santana Barbosa Rosangela Vieira Araújo
George dos Santos Roseane de Souza
Gil Dantas Telha Thiago Ferreira
Iza Maria dos Santos Aranes da Mota Freire Tiago dos Santos
José Rinaldo S. da Silva Bruno Barbosa de Melo Viviane Santos
José Wilson N. dos Santos Daniel Barboza Vieira Willekeson Nascimento
Kaline da Silva Santos Débora Vieira Costa
Klésia Figueiras da Silva Eduarda dos S. Freire Território do Sul Sergipano
Luciene dos Santos Eranio Vieira
Marcos Antônio dos Santos Everton Mota Silva Arauá
Marcos Antônio S. Bezerra Ginaldo de Oliveira Lima Carla Gualberto dos Santos
Maria da Conceição V. dos Santos Gracilienne Alves de Melo Daniela de Menezes Celestino
Maria de Fátima S. Santos José Nunus Santos Filho Edinaldo dos Santos
Maria Elisabete Nunes Karlinha Marcelina de J. Brasida Edjane Ribeiro Santos Rodrigues
Maria Luciene Bomfim Lilian Freire Jaime Monteiro de Farias Júnior
Martinho José da Silva Maria José dias Freire Jaqueline Evangelista Santos
Meiramar E. Feitosa Ray da Graça Vieira Jazon N. da Silva
Michel Luiz C. de Gomes Ricardo dos Santos João Luiz dos Santos
Sâmara T. dos Santos Suziana dos Santos Joelma Lacerda Santos
Silvania Maria P. Souza Tenison de Oliveira Vieira Josefa Marta A. dos Santos
Sônia Santos Pontes Wendel Barbosa de Souza Josefina de Oliveira
Terezinha Mariano Williane Oliveira Vieira Manuela de Jesus Santos Martins
Widson Melo Santos Maria Aparecida Nascimento
Wilson Torres Silva São Francisco Maria Josefa de Jesus
Aldimary Cardoso Santos Maria Rosana da Silva Barbosa
Ilha das Flores Anailza Nascimento Santos Mônica Rodrigues da Silva
Carlos B. Santos André Alves dos Santos Nivalda Bispo dos Santos
Clésio Pereira dos Santos Beive Bezerra Braga Verônica Almeida dos Santos
Dalvani Fernandes Cícero Ferreira Verônica Cristina D. dos Santos
Ednaldo Pinheiro Lemos Cina Mércia S. Nascimento Zilvanda Santos Santana
Eduardo J. de Brito Claudeane Santos Bispo
Elis Morgana S. de Oliveira Claudenês Santos Bispo Boquim
Fernanda Cravo de Melo Claudio José A. Bispo Aloísio Santos
Leonilton Santos Oliveira Diogo Souza Nascimento Ângela Maria S. Passos
Lucia dos Santos Douglas dos Santos Arlete Rejane Andrade Oliveira
Maria da Conceição Santos Eduardo Nascimento Everaldo Freguesia dos Santos
Maria Iranici Santos Eduilton Vieira Araújo Jailma Santos Mendouça
Neiandersoon P. dos Santos Eliane Maria da S. Gomes José Costa de Santana Santos
Renata da C. Cravo de Melo Elizabete Nascimento Santos Maria Auxiliadora Campos
Selma Maria dos Santos Géssica Santos Araujo Maria do Carmo N. Santos
Stella P. Brito Jailson Santos Menezes Maria José Souza Chaves Menezes
Vanusa da Silva Viera Jandira Graziela S. Araújo Solenilton O. Lima
Viviane dos Santos João Victor S. O. Silva Vânia Maria de Souza Borges
José Olímpios dos Santos Wellington dos Santos
Santana do São Francisco Klediane Silva Santos
Arielenes de França Barroso Laís Santos Araújo Cristinápolis
Daniela Santos Lildete Santana Santos Adalberto Domingos Fortuna
Dyeggo de Oliveira Passos Lucineide Rodrigues Santos Adriana Leal de Jesus
Geovan Carlos P. de Rezende Maria Alice E. Santos Ana Cláudia Gonçalo
Jodson Costa de Souza Maria Jaqueline Moura Ana Lucia Souza da Silva
Luciana da Cruz Gomes Maria José A. da Cruz Ana Rita F. de Carvalho Silva
Maria Edilene dos S. Alquino Maria Rosa C. Santos Andréa Silva Dias
Maria Rosa N. Santos Antônia Maria Rodrigues Santos

Sergipe: Cultura e Diversidade 209


Clécia Rogéria Santos Gonçalves Fernanda Barreto de Freitas Lourival Ribeiro da Costa
Cristiana dos Santos Fernanda Deise S. Daniel Maria Evania dos Santos Dantas
Dionete Vieira dos Santos Lima Flávio Luiz Garcia Santos Maria Gleciana R. Moreira Alves
Ducinaldo dos Santos Gledson Rony Santos Fonseca Mariádilo M. Vieira
Edimario Santos Silva Hayanna A. R. Laves Oderlei Valverde Silva Dias
Edlaine Quintela Guimarães Isis Lessa dos Anjos Ubaldo Batista dos Santos Júnior
Elielma Quintela Guimarães José Augusto de Jesus
Estefânia Ferreira Dias José Carlos F. de Andrade Pedrinhas
Fabio do N. Santos Jossé Wellington F. Nascimento Clayton J. dos Santos
Francisco de Assis do N. Santos Josué dos Santos Denise Santos Gois Santana
Francisco de Assis Souza Filho Juliana Leite Coelho José Fernandes Menezes
Jeovana de Jesus Santos Katiana Santana de Jesus Josivânia Rodrigues S. Santana
Joaldo Lima de Souza Laila Carlindo C. Santana Marcos Paulo Carvalho Lemer
José Conceição da Silva Luiz Carlos Alves dos Santos Maria A. Fonsêca
José Paxão Araujo Lima Luiz Carlos dos Santos Maria de Fátima dos Santos
Josefa Alves Freire Lunalva Oliveira Maria José Gois dos Santos
Josefa Sirlene Alves de Jesus Magno Luiz de Melo Bispo Maria Rosimeire Batista Santana
Layse Souza Silveira Magnoly da Costa Rodrigues
Luciene dos Santos Maisa S. Wanus Salgado
Lucimar Coutinho França Manoel M. M. Santos Adelmo Neto dos Santos
Luis Amilton de Oliveira Marcel Felippe Lima de Menezes Alisson Oliveira da Silva
Luzia Lisboa dos Santos Márcia Ramos de F. Rodrigues Darly Marques Andrade
Macela Soares de Menezes Marcos Reimundo Menezes Santos Elenice da Silva Catete
Marcos Paulo da Conceição Santos Maria Bethânia M. Calasans Everton dos Santos Silva
Maria Aparecida Carvalho dos Santos Maria Raimunda Santos Carvalho Fábia Cristina de Lima
Maria Aparecida Paixão Santos Marta Monteiro dos S. de Jesus Gisleide Santana Santos
Maria da Conceição R. de Carvalho Michele Santos Costa Hugo D. de Santana Nascimento
Maria Ferreira da Silva Natházia de A. F. Reis Izanildes Oliveira Matos
Maria José Cardoso Neta Nyria Zafira S. Silva Batista Javânia Wilza da S. Santos
Maria Rita de Jesus Viturino Oscimara de Oliveira Santos Jivaneide Tavares Lima
Maria S. P. de Jesus Priscila Alcântara dos Santos Joaldo Ribeiro Santos
Maria Suzana O. da Silva Rilda Adriana A. de Oliveira José Luciano do Nascimento
Marineide dos Santos Ronaldo Nascimento Medeiros José Matos Filho
Marta Soraia Marciano do Nascimento Sabrina Batista Silva Costa Josefa Railma dos Santos Souza
Martha Suely Santos de Cerqueira Silvania Dias Ramos dos Santos Josefa Santana Anjos
Maurício Liberato dos Santos Symone Silva de Menêzes Josefa Sheila de Jesus Ribeiro
Mônica Trindade Coutinho Tereza Cristina Menezes Macedo Josilene Alves de Souza
Oacir Alves dos Santos Vagno de Andrade Souza Santos Juliana Santos Rodrigues
Raimundo Carlos dos Santos Vaneide Santos Santana Kercia Santos Batista
Rayane Maria Santos Fontes Viviane dos Santos Lais Assis Santos
Rivania Rocha Wesley Luiz do Nascimento Laurinete Conceição Santos
Sheila Micaela da Silva Luciana Santos Fraga
Tânia Angélica Vita Indiaroba Maria da Paixão Batista Rodrigues
Telma Maria D. Guimarães Aparecida dos Santos Bispo Maria de Fátima R. Santos
Danielle Santos de Jesus Maria Filomena Barbosa
Estância Erielmo Elonis dos Santos Maria Isabel Freire Lopes
Alisson Barreto Santos Givaldo Alexandre de Almeida Maria Martins Felix
Antônia Márcia de Souza Silva José Antônio dos Santos Bispo Mariza Matos Moreira
Antônio Batista Assunção Miriam Silva Santos
Antônio Batista Neto Itabaianinha Olga Alves Santos
Cláudia Ferreira Rocha Erlanga de Jesus Santos Rodrigo Lisboa de Andrade
Dalva Fábio Alves de Santana Rogéria Lírio dos Santos
Deise Santos do Nascimento Fernando Lins de Carvalho Silvana Bispo dias
Deivesson de Sousa Lima Jadson Lima dos Santos Zenaide Caetano dos Santos
Dislan D. Melo Santos Joselito Nascimento
Leziane Santos Araújo

210 Sergipe: Cultura e Diversidade


Santa Luzia do Itanhi Angelina Ferreira dos Santos Josefa Pinheiro dos Santos
Alane Santos de Jesus Antônia da Silva Santos Josefa Santana Fontes
Edivaldo dos Santos de J. Martins Antônio Carlos de Oliveira Josefa Silveira Soares
Eliege Paiva Silva Audilene Rocha dos Santos Josefina de Jesus Santos
Givaldo Sena dos Santos Austogesilo Ramos dos Santos Josineide F. de Oliveira Santos
Ivanete de Souza Alves Carla Cynara Mota Lima Guimarães Juliana Liberato Ramos
Janete Nascimento Santos Carla Mailza Costa Ribeiro Júlio César Oliveira Ramos
José Fonseca Costa Carla Maria Souza Santos Jusária A. de Aragão
José Wilton Carlos André Araújo Menezes Juvanira Santos do Carmo
Maria Dalva Ferreira Carlos Eduardo Juvenal Ramos
Maria Daniana Santana Passos Carlos Eduardo Guimarães Ribeiro Laudeci Silva da Conceição
Maria Francisca de Jesus Cássia Oliveira dos Santops Ribeiro Laudice Silva da Conceição
Maria José dos Santos Cláudia Jane da Souza Ribeiro Lucicléia Alves Lima
Maria José Teodozio Santos Cleide Aparecida Souza Guimarães Luciene Bispo Guimarães
Maria Santana de Jesus Crislan Santos Ramos Lucineide Guimarães dos Anjos
Maria Valdeci Teodozio Santos Dacio José Silveira Silva Maiara Santana dos Santos
Marilia da C. Cavalcante Deivid dos Santos Lima Manoel Messias dos Santos
Patrícia Maria dos Santos Delvandro Cruz dos Santos Manoel Vieira de Menezes Filho
Roberto Amaro da Silva Dermeval Dionízio dos Santos Bomfim Maria Carolina dos Santos
Vanessa Santos de Jesus Dijalma Martins de Oliveira Souza Maria Célia Barbosa Costa
Vera Lúcia Donato de Carvalho Dilma Moreira de Oliveira Maria Cristina de Jesus Bomfim
Zélia Alves da Conceição Ecílio Rodrigues da Conceição Maria Edielda S. Medeiros
Edgar dos Santos Maria Franciely dos Santos
Tomar do Geru Edgenal dos Santos Maria Iraildes dos Santos
Adriana de Jesus Souza Eláine Lailla do Nascimento Lima Maria Isabel Eleutério Cardoso Silva
Carlos Maciel Santos Eliane Bispo do Carmo Maria José B. de Farias
Claudivanio de Jesus da Silva Elisângela Souza Lima Santos Maria José de Souza Reis
Daniela de Jesus Silva Elton Guimarães Carvalho Maria Lúcia Carvalho Santos de Jesus
Edeleide V. dos S. Guimarães Ezequias dos Santos Maria M. Barreto Santos
Edson de Oliveira dos Santos Fábio Guimarães Ribeiro Maria Neta A. dos Santos
Flávia Guimarães de A. Santos Flávia Alves de Souza Carvalho Maria Rosângela Alves dos Santos
Fransnilton Viana Santos Francisco V. dos Santos Viana Maria Sônia F. Ribeiro
Germônica G. de Araújo Genara Luzia Pereira Marileide de Jesus Lima
Givanilda de Jesus Costa Gilza dos Santos Dias Marisa Faria dos Santos
Jeferson de Moura Souza Givaldo Ferreira Lima Marivaldo de Jesus Rodrigues
João Antônio Soares Jesus Graciene da S. Nascimento Maxsual Fernandes Oliveira
Jocivanio R. dos Santos Ilenilton Silveira Amaro Moisés Augustinho dos Santos
José Domingos dos Santos Iranil Dantas da Gama Nadja Batista de Carvalho
José E. Vieira Araújo Irene Fernandes Rodrigues Nathan de Sousa Reis
José Jailson J. Oliveira Ivana Maria Andrade Vilanova Nivaldo Correia de A. Santos
Josefa Cícera de M. Viana Ivanete de Jesus Clemente Noeme Barreto L. dos Santos
Josefa Lima dos Santos Janaína Aparecida Santos Félix Raimunda M. da Silva
Marco Paulo L. de Oliveira José Adilson de S. Santos Regiane Fernandes dos Santos
Maria Jucilene Santos Rocha José Evangelista dos S. Filho Renata Amaro Inocêncio
Maria Solange dos Santos José Gomes do Nascimento Rosimeri R. dos Santos Nascimento
Maria Valdirene C. Santos José Honorato Conceição Santos Sabrina M. dos Santos
Patrícia Kelle da Silva Lima José Jilson dos Santos Samuel Nunes dos Santos
Paulo César R.Santos José Leilton de Andrade Sérgio Roza dos Santos
Raimunda Constantina Santos José Luis de Jesus Santos Silvia Rejane Trindade Menezes
Raimunda Costa Santos José Ronaldo de Oliveira Valdemir Cordoso Silva
Thiago dos Santos Santana José Walter H. dos Santos Valdemira B. dos Santos
Walfrania F. dos Santos Araújo Josefa Alves de França Vívian Ribeiro dos Santos
Josefa da Silva Santos Viviane Souza Gomes
Umbaúba Josefa Eduleuza Souza Santos Walter Silva Cardoso Júnior
Adilça Fernandes Chaves Josefa Eudes N. Santos Wilson Cardoso Silva
Ana Maria Cardoso dos Santos Josefa Lindisônia de Farias Wiltom de Jesus Santos

Sergipe: Cultura e Diversidade 211


Território do Agreste Central Edimaria B. da C. Costa Luzinete dos Santos Góis
Eliane Dantas de Oliveira Maria Augusta de Santana
Areia Branca Francisco Carlos de Jesus Maria Auta do Nascimento
Andréa de Oliveira Fonseca Gilson Joaquim dos S. Júnior Maria de Lourdes L. de Jesus
Everaldo José de Souza Jaime Santos Maria Edilene Santos
Givaldo C. de Oliveira Jaque Pereira dos S. Menezes Maria Ione da C. Santos
Gláucia Silva de Oliveira Jazilda de S. O. dos Santos Maria José dos S. Carvalho
Isailde de Oliveira Jeffeson Costa dos Santos Maria Nelma S. Oliveira
Ivanilde Sales dos Santos José A. B. Costa Maria Osana de Oliveira
José Adilson de Almeida José Jerffeson da C. Oliveira Mário Cavalcante W. Filho
Juliana Messena José Nilson Pereira de Souza Mônica O. Lima Santos
Lucas Fontes Lima José Wanderley N. Filho Nicea Mendonça Araujo
Lurdes Nunes de Oliveira Josefa Alves S. dos Santos Nicélia do Nascimento Santos
Marcelo José Dias Josefa Nascimento de Oliveira Noelita Gomes dos Santos
Maria Bernadete T. Santos Juliano dos Santos Regina Helena dos Santos
Maria Dilma B. Santos Juvenilson Lima Menezes Roseli Brito Santos
Maria Hosana dos Santos Luiz Lima Ferreira Silvana dos Santos
Nailene A. L. Ribeiro Narlete Santana da Mota Silvana Mercia S. Lima
Nilton Marcelino F. dos Santos Susiclay de Oliveira Santos Simone Santos M. Motta
Verônica O. Nascimento Valdson Santos de Jesus
Itabaiana Vaneide Souza O. Barreto
Campo do Brito Adriana Ferreira Farias Vanusa dos Santos
Adelson Souza Júnior Adriano Bispo Viviane Ramos dos Santos
Antônio Carlos Almeida Fonseca Anderson dos Santos Wesly Vieira Santos
Givaldo Francisco dos Santos Aricela dos Santos Lima
Lucivânia de Oliveira Bruna de C. Souza Macambira
Margarida Francisca de Lisboa Carla Patrícia da Silva Nonato Ana Izabel Genes dos Santos
Marivalda da Cruz Carlos Henrique dos Santos Anderson Santana Fontes
Suelena de Lima Leal Climene Passos do Nascimento Antônia Carvalho dos Anjos
Tatiane da Purificação Almeida Creuzia dos Santos Andrade Claúdia S. Vasconcelos
Valquíria Almeida da Silva Dayseane Lima da Costa Danilo Missael dos Santos
Denise de Jesus Passos Edna Meireles de O. Costa
Carira Edicleide Cardoso dos Santos Elessandra Oliveira Teles
Carla de Sena Anunciação Edilene Lima de Oliveira Elisângela Santos de Jesus
Denilson Carlos dos Santos Ednalva Barros dos Santos Ita Anderson Passos Lima
Denys Helder Monteiro Eduardo A. Prudente Jacilene Santos de Castro
Denyson Macelio Monteiro Eliana dos Santos Jocimar de Jesus Santos
Edimeude Nascimento Elivânia V. Santos Josefa Simone Nunes de Jesus
Elisabeth Silva S. Bispo Emília Menezes Rezende Lydiane Oliveira de Jesus
Euniro Mario dos Santos Geovânio dos Santos Andrade Marcelo de Sousa Passos
Irineza R. dos Santos Gilza Lima S. de Jesus Marcos Paulo Carvalho Lima
João Hélio de Almeida Giselma Dantas Maria Adriana de J. Souza
José Frede Góis Ilma da Silva Borges Maria Aparecida S. Bernades
José Resende dos Santos Israel Santos da Silva Maria Bernadete Mendonça
Josefa Inez Basto Jacquiciêne Leal Meneses Maria Clara G. dos Santos
Joseilde Maria B. Lima Jeane da Silva O. Cunha Maria Das Graças dos Santos
Lucineide Maria dos Santos João Fonseca de Siqueira Maria Socorro V. Andrade
Marco Antônio O. Nascimento José Bomfim Silva Marinalva de Jesus Santos
Marineuza S. da Mota José Carlos Bispo Renilde Gonzaga Fontes
Severino dos Santos José Dácio de Jesus
José Roberto dos S. Menezes Malhador
Frei Paulo Josenilde Andrade Silva Ana Angélica dos Anjos
André Lucas N. de Oliveira Josinara Sobral de Oliveira Diougo Rafael M. dos Anjos
Andressa Nascimento de Oliveira Josivalda de Souza Santana Fernando J. Leite
Bruno de O. Corrêa Dantas Luciana Costa L. Rezende Jacira Vieira dos S. Oliveira
Carlos André A. Feitosa Luís Eduardo de Jesus Jessi Kallene A. dos R. Santos

212 Sergipe: Cultura e Diversidade


José Ginaldo dos Santos Manuel Benicio O. Neto Pinhão
Lucicleide dos Santos Manuel Bomfim Oliveira Antônio Fraje de A. Neto
Maria Aldeci de A. Lima Manuel Sousa Fernandes Dara Nunes de Sá
Maria Campos Maria Aparecida S. dos Reis Edson Fernandes Souza
Maria da Silva Menezes Maria Barros D. Silva Ioga de Jesus Santos
Maria Edvânia Santos Maria Delma da Mota Joelma de A. Andrade
Maria Helena dos R. Santos Maria Do Carmo de Lima José Antônio S. Oliveira
Maria Josenir de A. Santos Maria Dos Prazeres B. de Jesus Marcelo Luís
Odeler Santos de Rezende Maria Lúcia Elma de Santana Maria Aparecida V. Silva
Paulo Glenison de Oliveira Maria Nicelma S. Barbosa Marília Gabriela C. Lima
Rosicléia Santana de Menezes Maria Odete dos Reis Nelson G. da Cruz Júnior
Valter Rubens G. de Lima Maria Rivaneide S. Bento Romualdo Bispo dos Santos
Maria Santos A. Lima
Moita Bonita Maria Selma B. Santana Ribeirópolis
Andréa de Oliveira Cunha Maykon Carlos Lima Áfia Leite Nascimento
Andréa Menezes da Trindade Nayara Santos de Almeida Alcilânia Rezende de Santana
Antônio Francisco Fiel Patrícia Alves Barros Geovan Carlos Pinto de Rezende
Catarina Barbosa Renato Santana de Jesus Gilvani da Cunha
Conceição B. S. Nascimento Rosália Almeida dos S. Santana Kátia Menezes de J. Santos
Daniela Góis da Silva Rute Nascimento Oliveira Maria Jocilêne Barreto
Gene de Souza Barreto Valdileide Oliv. L. dos Santos Maria Solange Santos
Ir. Mª Cristina de Souza Lima Vanusa Oliveira L. Barbosa Marineusa Santos M. Lima
Jackeline Teles dos Santos Victor José B. dos Santos Odair José da Silva
José Alenilson de Góis Vilma Pereira de Góis Valdilene Feitosa Santos
José Anselmo de Farias Valdir Passos Santana
Mônica Luzia C. Menezes Pedra Mole Verônica Menezes de Lima
Acácio Antônio S. Costa
Nossa Senhora Aparecida Adriana B. dos S. Souza São Domingos
Agliede Resende L. da Silva Ana Selma dos Santos Andreia J. Santana
Ângela de Jesus Pereira Brisa Cristina Calman Bernadete Cardoso dos Santos
Antonio de Barros Dorcas Nadja dos Santos Edineide de Jesus
Bernadete Pereira Lima Edilene S. Rocha Santos Ivanilde dos S. Oliveira
Bruno Natan S. Lima Edivania Pereira dos Santos Joanita R. da Silva
Carlos Wendel S. Barbosa Edjânia Soares da Conceição Joelma de Jesus Batista
Creunice Ferreira Lima Elenilde G. dos Santos Jona Bispo de Vasco
Creuzisse Dantas Elielza dos Santos Hora José Adeilson de Jesus
Daniele Lima Santana Evanilson Souza Conceição Josefa Edilma de J. Paixão
Deusa de B. Dantas Fabiane dos Santos Josina de J. De Góis
Eliene Maria de Almeida Fabio Santos de Oliveira Josinete do E. Santo Batista
Eurice dos Santos Gelson Alves de Lima Jusilene Batista dos S. Moraes
Fátima Meneses Oliveira Gesilda O. S. da Conceição Leilane da Paixão Silva
Fernanda Iris Lima Santos José Américo de Souza Lenilce de Jesus
Gilmara Santana Santos José Edivaldo dos Santos Lindanalva M. da Silva
Gisselma Oliveira Lima José Fernandes B. dos Santos Lucineide Pereira Alves
Hiane Santos Moura Josefa Vanderleia da Conceição P. Benjamim
Ingrid Nayara S. Santos Lady Daiane S. Oliveira Paulina Lima dos Santos
Jaci Bento S. Barreto Leide Celma S. Oliveira Rose Vânia da Silva
Joanna Kayane S. de Santos Marcela Santos Souza Soolton Santos Mendonça
João Carlos dos Santos Maria de Lourdes Santos Vandicléia Jurema Santana
John Lennon de J. Silva Maria de Lourdes Soares
José Gilvan Freitas Maria Difatima de J. Nascimento São Miguel do Aleixo
José Reginaldo Barreto Maria Lívia Francisco Adelson Souza de Jesus
Joseana Silva Rosângela F. Andrade Amanda Santos de Jesus
Josefa Irani de A. Santos Solange Alves S. de Jesus Ana Célia Vieira Santos
Josefa Lima de Santana Suzana dos Santos Soares Ana Paula Mendonça Meneses
Josefa Maria O. Almeida Terezinha Viana C. dos Santos Anderson de Jesus Alves

Sergipe: Cultura e Diversidade 213


Carlos Henrique Paes Clenia Fonseca Matos Fábio Ribeiro dos Santos
Clarice dos Santos de Jesus Cleone Santana Santos João Paulo C. de Jesus
Diego Souza Santos Eliana Santos C. de Andrade José Clailson do Vale Santos
Edivaldo Gomes de Rezende Gislene Fonseca Dias José Edson Alves Guimarães
Flavia das Graças Fonseca Guiomar Bruno dos Santos Josenilson Bispo dos Santos
Francielle Vasconcelos Joelson Batista dos Santos Leandro Pereira da Silva
Israel Santos Souza José Messias Souza Maria Betânia A. Araujo Souza
Jaqueline Santana dos Santos Joseane Gonçalves de Souza Maria Vitor de Macedo
Luam de M. Rezende Josefa Araujo dos Santos Matias Bendito dos Santos
Magna Lima da Cruz Josefa C. de Jesus Renivaldo Valença da Costa
Márcio José Ferreira Josefa Rareli de O. Souza Seramiza S. Fontes
Maria de Fátima Silva Josefa Souza S. da Conceição Silvia Carolina Garcez
Maria Isabel de Jesus Josineide de Souza Oliveira Santos Valderlam Lima Souza
Maria Lenira dos Santos Keila Maria P. Pereira
Michelle Santos Freitas Lídia Maria da Silva Freire Território do Leste Sergipano
Mileise Santiago Soares Lindinete Costa dos Santos
Simone Meneses S. Amaral Maria Aparecida M. dos Santos Capela
Teresinha da G. Oliveira Maria da Conceição B. de Gois Aneline de Melo Sobral
Maria Gorete Almeida Figueiredo Antônia Regina C. da Silva
Território do Centro Sul Marlucia de Santana Cléssio Alves Lima
Nívia Costa Reis Gonçalves Edriana Silva Santana
Lagarto Rita de Cássia A. F. Lima Eleonaldo do Nascimento Santos
Adriel Correia Alcântara Roberto Santos Silva Gedivalda dos Santos
Andréa Silva de Santana Rosilda Alves do A. Dória Ivanildo Gonzaga dos Santos
Carlos André Nascimento Santana Rosivania Borges Josemir Menezes Ribeiro
Carlos Vinícius M. Monteiro Sandra Rosália de O. Santos Maria Lourdes Silva Santos
Dinalva Lopes dos Santos Sidiclei Fonseca Laves Mériam Alaíde da Silva Santos
Dulcilene dos Santos Almeida Sueli S. R. Freire Robson Ferreira Santos
Edgleison de O. Santana Tereza Araujo da Silva Rosa Cecília Lima Santos
Enoque Araujo Wellington dos Santos
Erivaldo Sobrinho de Oliveira Simão Dias
Evandro O. Santana Ana de Jesus Santana dos Santos Carmópolis
Flávio Henrique do Nascimento Oliveira Ana Maria Andrade M. Santa Rosa Ademar Souza Teles
Francisco André M. Santana Ana Maria M. de Souza Alexandre de Santana Magalhães
José Edvzon da S. Melo Antônio Santa Rosa do Rosário Neto Arlene Ribeiro Teles dos Santos
José Simões Santos Junior Audenea Nunes da Mota Dennilton dos Santos
Marcos Aurélio S. Bastos Creusa Alves Batista Elaine Santos da Cruz
Maria Augusta dos Passos Edivânia Santa Rosa Nunes Jussara Soares Souza
Maria Oliveira Santos Fransual Alves dos Santos Márcia Cristina Santos Melo
Marliton dos S. Nascimento Isabela de Castro Santos Saany Amancio de Laencar
João Francisco Santos Araujo
Poço Verde José Adérico Cruz do Nascimento Divina Pastora
Antônio Oliveira França Josefa Marleide C. Santos Alice Maria dos Santos
Denilson Santos Da Silva Joseilda Ferreira de Almeida Cristiana dos Santos
José Araujo De Santana Filho Lucivânia Souza Santos Oliveira Dalva Maria Ferreira Maciel
José Jean Dos Santos Filho Maria de Fátima Andrade Deivison Wilson Santos Lima
José Luciano Araujo Maria de Souza Menezes Jaslene Bispo dos Santos
Manoel Das Virgens Thiago Araujo dos Santos John Carmo dos Santos
Maria Aparecida Andrade De Oliveira Uilma Santos Oliveira Joselita dos Santos
Rosilene Alves Barbosa Vânia Maria dos Santos Josilene Oliveira dos Santos
Toni Landi Anselmo A. Dos Santos Maria da Paixão Souza de Jesus
Tobias Barreto Maria de Lourdes Santos Lima
Riachão do Dantas Anacléia Luz de Carvalho Maria Pastora dos Santos Dantas
Acácia Maria dos Santos Silva Daniel Conceição Oliveira Nadja Maria Veríssimo
Cláudia Francisca de Oliveira Equiton Silva Menezes Paulo César
Sandra Carmem de Oliveira

214 Sergipe: Cultura e Diversidade


Valdi Santos Silva Edielma dos Santos Maria Ceilma Assis
Valdice Santos Nunes Eliane Santos Vieira Maria Cilane R. do Nascimento
Vânia Santos Bomfim Geilton da Silva Bezerra Maria Eliza F. dos Anjos
Geovan Pinto de Rezende Maria José dos Santos Anjos
General Maynard Geraldo dos Santos Maria Selma Garção
Danilo dos Santos Gevaldo dos Santos Maria Suzirlane F. Santos
Givalda Silva S. Costa Gilmara Silva Santos Marlene F. Sotero de Oliveira
Hingride Silva Santos Jean Carlos dos S. Cruz Marluce Maria F. de Arruda
José Carlos de Jesus Jideilton de Oliveira Lima Michelle Santos
José Hunaldo Lima de Almeida José dos Santos Moises Derreira
Josimar Santos Costa Joseilde Sabino Santos Rosely Santana Leal
Lucivania S. da Silva Josivaldo Rocha Cruz Severina Maria Inácia Conceição
Maria Tatiane de Almeida Lívia Paixão dos Santos Síntia Gardênia dos Santos
Mayra Rocha Santos Luiz Teles
Priscila dos Santos Manoel dos Santos Santa Rosa de Lima
Valdenoura F. dos Santos Raquel de Andrade Claudionisio Santos Leite
Rosineide dos Santos Fábio Santana Santos
Japaratuba Tânia Teles da Costa Gabriela dos Santos Arcanjo Silva
Gilberto dos Santos Tereza Neuma M. Cariri Ivanildo Gonzaga da Silva
Iolanda de Oliveira Santos José Ivan Santos de Jesus
José Barreto de Sobral Junior Rosário Do Catete Manoel Messias dos Santos
Karoline Ketilin M. Souza Ana Cláudia S. de Lima Marcelle Campos
Lucas dos Santos Andrade Carlos Alberto dos Santos Ferreira Marcos Paulo C. Lima
Maria Roselita dos Santos Claudivânia Santos Costa Maria José dos Santos
Silvestre Ferreira Elberty Carlos F. dos Anjos Maria Rosely O. Santos
Sonaley dos Santos Elisângela T. de Oliveira Valdinete Freire de Araujo
Sones Alberto do Nascimento Irani Santos
Valdir dos Santos Ivonete Lopes Siriri
Walas de Oliveira da Conceição Jailton José dos Santos Andressa dos Santos
Wellington dos Santos Jaira Lute da Silva Camila de Jesus Santos
Jamisson José Mendes dos Santos Cláudia Michelle O. dos Reis
Pirambu Janaina dos Santos Cláudio Morais Vilanova
Acácia Dias da Cruz Joany de O. Santos Maria Auxiliadora de Melo
Américo A. B. S. Junior João Santos Maria de Deus de Jesus
Dayse Aparecida dos Santos Rocha Joelma dos Santos Neves Maria de Lourdes P. Silva
Deividson Bispo Santos Josenilton Filho Maria Dilma Neri da Cruz
Diego Oliveira da Costa Kelly Cristina Lisboa
Diego Vieira dos Santos Kesley Dieriche Santos

Sergipe: Cultura e Diversidade 215


Relação dos entrevistados durante a Pesquisa de Campo
Neste item, relacionamos as pessoas que Luiz Eduardo Bittencourt da Silva Kátia Alburqueque Melo
foram entrevistadas durante a pesquisa Maria Eunice de Andrade Santos Niceia Araujo
de campo que objetivou aprofundar Socorro Albuquerque de Oliveira
o conhecimento acerca das principais Nossa Senhora do Socorro
manifestações culturais de Sergipe. Adelson Santos Monte Alegre de Sergipe
Damião Ancelmo Neres Alisson Alves da Silva
Território da Grande Aracaju Denilton Selmo Sales Antônio Geraldo dos Santos Oliveira
Francina Oliveira Santos Maria Aparecida Silvestre Correia
Aracaju George de Oliveira Santos Walfran Lima Souza
Ana Badyally Maria Helena Aragão
Antônio Soares de Freitas Roberto Wagner Santos Cruz (Betinho) Nossa Senhora da Glória
Emanuel Vasconcelos Serra Rosival Teles do Nascimento Antônio Lima de Santana
Everlane Moraes Valdemir Oliveira dos Reis Aselmo Andrade Dantas “Aselmo Correia”
Isaac Enéas Galvão Francisco Paixão “Chico paixão”
Ivanira Lemos Dória Riachuelo Jorge Henrique Vieira Santos
Jácome Góes da Silva Ana Cristina Guimarães Josefa Alice de Andrade Oliveira “Janete”
Jorge dos Santos Rocha Gildo de Oliveira Santos Maria Aparecida de Souza Santos
José Messias do Nascimento Helena Tourinho Maria da Conceição dos Santos
José Roberto Freitas (Beto Pezão) João Batista Santos Maria de Oliveira Barreto
Luis Alberto Santos de Jesus Maria José de Oliveira Miriam Amaral Santos
Luiz Carlos Nunes Santos (Blek Malé)
Marizete Silva Lessa Santo Amaro das Brotas Nossa Senhora de Lourdes
Silvane Santos Azevedo Anastácio Barbosa Lima Anselmo Mota de Santana
Vinícius Viana Araújo Maria Celestina de Oliveira Antonio Cardoso dos Santos
Waldoilson Santos Leite Augusto Alves dos Santos
São Cristóvão Benildes Ferreira da Silva Santos
Barra dos Coqueiros Aloysio Araújo Luzinete Ferreira dos Santos
Bárbara Dias Caridade da Fonseca e Matos
Iolanda Oliveira Dos Santos Jorge dos Santos Poço Redondo
Josenilton dos Santos Bispo José Thiago da Silva Filho Alcino Alves Costa
Leo Andrade Luzinelma Pereira de Oliveira (Nilma) Anderson Henrique Ventura
Lúcia Rodrigues Maria Passos dos Santos Artegeno dos Santos “Geno Vito”
Maria Celina Ferreira da Silva Marieta Santos (D. Marieta das Queijadas) Janisson Santana Santos
Roberto Calazans Costa Neide Quitéria Silva Jeane Vieira
Nelson Polito Santos Filho José Lemos
Itaporanga D’Ajuda Sílvio Corado de Amaral José Lemos
Edson dos Santos (Seu Dica) Sócrates de Andrade Prado Josefa Maria Conceição (Vânia)
Elaine Maria Cortes Santos e Silva Vânia Dias Correia Maria Domingas dos Santos Neto
Juarez Pinheiro Maria Lídia Cruz
Luiz Santos Possidônio Território do Alto Sertão Mestre Tonho
Robson Santos Silva (Mister Silva) Rafaela da Silva Alves
Wesley Santos Pereira (Nem) Canindé do São Francisco Raimundo Eliete Cavalcante
Acácia Aguiar Andrade Rivaldo Andrade dos Santos “Galego”
Laranjeiras José Antônio Rogéria Gomes Dantas
Antônio Carlos dos Santos Maria São Pedro Gomes “Dulcinéia” Salvio Pereira de Oliveira
Bárbara Cristina dos Santos Tereza Raquel Carvalho Santos
Efigênia Maria da Conceição Veranúbia Avelino Santana Porto da Folha
Givalda Maria dos Santos Bento Dona Francisca
Maria de Lurdes Santos Gararu Erinaldo Delfino da Silva
Beatriz Cruz dos Santos Maria da Conceição Bernardino
Maruim Carlos Augusto Pereira Santos Maria Helena Cardoso Farias “Bilenga”
Jair Dórea Santos Djenal Vieira Silva
Joaquim dos Santos Júlia Gomes dos Santos

216 Sergipe: Cultura e Diversidade


Território do Médio Sertão Manso Pinheiro Robson dos Santos
Maria Dias Ferreira Sergio Gomes
Aquidabã Suziane dos Santos
Carlos Alberto Canhoba
Claudiney Silvio Gomes de Oliveira Aritana Conceição Ferreira Divino Propriá
Erlene Gonzaga de Andrade Leôncio Rocha Antônio José de Oliveira
Maria Augusta Melício Santo Maria Zenilde Teodoro Andrade Erasmo Rodrigues Teixeira
Maria de Lourdes dos Santos Xifronese Santos Felipe Moura da Silva
Raimundo de Andrade Filho Martinho José da Silva
Rigley Ribeiro Cedro de São João
Terezinha Souza Moura Claúdia Maria do Nascimento Melo Santana do São Francisco
Gileno de Jesus Fernanda da Silva Vasco
Cumbe José Carlos Santos “Cacau” Roberto Batista Cruz
Eliezer José dos Santos Juraci Ramos Rocha Filho Rubenice Silva Pereira
Gladson Rodrigues dos Santos Luiz Nunes Santos Wilson de Carvalho (Capilé)
Maria R. de Siqueira Maria Nazareth Alves
Marieze Menezes Santos São Francisco
Ilha das Flores Claudenês Santos Bispo
Feira Nova Dália Nascimento dos Santos Francisco Graciliano da Silva
Maria José da Conceição Francisca Maria Pereira Matias Manoel Euclides Santos
Maria José da Silva Santos Joélio dos Santos Maria de Fátima dos Santos
José Roberto dos Santos Robério Rocha de Araújo
Graccho Cardoso Rildo dos Santos
Ana Luiza Nunes Mota Santos Telha
José Verionaldo Albuquerque Japoatã Ângela Maria Luiz Diniz
Rivanete Alves dos Santos Marcelo Santos Gomes Josenaide Alves Graça
Valdinete de Deus Santana Maria do Carmo dos Santos Karla Marcelina de Jesus Brasida
Moisés Lopes Neudo Sergio
Itabi Selma Maria Ferreira Santos
Acácia Cristina Souza Território do Sul Sergipano
Aclecia de Oliveira Santos Malhada dos Bois
Wilenburg Vieira de Souza Ariosvaldo José dos Santos Arauá
Maria Neuma dos Santos Nascimento Jaime Monteiro
Nossa Senhora das Dores Maristela Ferreira da Silva Maria Alves da Silva Andrade
Adenilson Marcos dos Santos (Liliu) Mônica Almeida dos Santos Raimundo dos Santos
Amilton Alves de Andrade
George José Xavier Muribeca Boquim
João Paulo Araújo de Carvalho Cricia Silva Bernadete
Manoel Messias Moura José Bonfim Filho Iolanda Chagas
Maria Ana Oliveira Santana (Marita) Lady Kelly Pereira Matos
Natália Pinheira dos Santos Maria José Silva Cristinápolis
Rosa Angélica de Andrade Wnaldo Santos Carlos Alexandre S. Andrade (Jacaré)
Terezinha B. dos Santos (D. Terezinha) Raimundo Carlos dos Santos
Neópolis
Território do Baixo São Francisco Fábio Augustinho Pereira Estância
Jorge Ribeiro dos Santos Adnilson da Conceição
Amparo do São Francisco Luciano Feitosa Rafael Cremildes Almeida Santos
Edmilson Santos Maria José Santos Dionízio de Almeida Neto
Jorge Alves Siqueira Mariza Soares dos Santos Vieira Jolira Miguel dos Santos
Marilene Santos José Pereira do Nascimento (Zé de Ló)
Orlando Francisco dos Santos Pacatuba Maria Judith Melo Andrade
Sandra Mara Muniz Dantas de Farias Arisvaldo Vieira Mello Valdivino Menezes Neto
Cleonaldo
Brejo Grande Domingos Ferreira Indiaroba
Jocelice Luiz dos Santos João Altran Cosme Amaninho dos Santos
José Carlos dos Santos Ferreira Maria Isabel Santos Santana Francisco José Alves Santos

Sergipe: Cultura e Diversidade 217


Valdenice dos Santos Carira Pinhão
Winiston Antônio Ramos de Almeida Djanira Maria Bispo Aparecida Batista dos Santos Andrade
Francisco Sales da Conceição Clabio Vieira
Itabaianinha Hélio de Almeida Marcelo V. de Andrade Oliveira
Ana Maria Borges Moraes José Augusto da Costa Osvaldo Batista Souza
Cleidiene Batista da Silva Maria Inês Correia dos Anjos
Manoel Alves de Oliveira (Nezinho) Ribeirópolis
Frei Paulo Cristiane Bispo
Pedrinhas José Alves de Oliveira Genivaldo Santos de Jesus
Bartolomeu Vieira Lima Josefa Ana Dilma dos Santos Laudice Mendonça Mota Guedes (Ivone)
Evaldo Ribeiro dos Santos Luiz Lima Ferreira Ledicelma Santos Oliveira (Dona Leda)
Luis Anselmo Barbosa dos Santos Marivalda Lima Souza Lucivalda Sousa Teixeira e Dantas
Maria de Jesus Santos Senhor Dadá Valdir Passos Santana
Raony Freitas do Nascimento Valéria Santana
Itabaiana
Salgado Domingos Alves São Domingos
Laurinete Conceição Santos (Laura) Elivânia Vieira Santos Ivo Roberto Pinto
Márcia Oliveira Reis dos Santos Erickson Carvalho Jose Carlos dos Santos Santana
Pedro Vicente dos Santos Helena Meneses Josefa Lima Santos
Rodrigo Lisboa de Andrade Jailson Deniz
José Adenilson São Miguel do Aleixo
Tomar do Geru Maria José Santos de Jesus Anderson de Jesus Alves
Claudete Maria dos Santos Maria Rosa de Santana Antonio Gomes de Rezende
José Alves Wanderlei de Oliveira Menezes Dário dos Santos Rezende
José Joelson Oliveira Santos Zé de Biela Diego Souza Santos
Manoel Maciel Mendes dos Reis Flavia das Graças Fonseca
Miraldina de Souza Fonseca Macambira José Alves da Fonseca (Zé das Graças)
Ronilson Guimarães de Oliveira Alexandre Messias do Alto José Maleivan Santos de Freitas
Rui Barbosa Leal Ito Anderson Passos Lima
Maria Valdira Santos Batista Território do Centro Sul
Umbaúba Miguel Santana
Antônio Cirilo de Oliveira Rosidete Francisca dos Santos Lagarto
Elizeu de Jesus Souza Andre Barbosa de Santana
Givanilde de Jesus Santos Malhador Aristides de S. Libório Sobrinho
Ricardo Batista de Carvalho Carlos Alberto dos Santos Assuero Cardoso Barbosa
Diogo Rafael Menezes dos Anjos José Leonardo de Jesus Santos
Território do Agreste Central José Paulo dos Santos José Ricardo Carvalho Silva
Padre Raimundo Diniz
Areia Branca Moita Bonita
Alailson Gois Alves Cristiane de oliveira Barreto Poço Verde
Everaldo José de Souza Jorgevânio Menezes de Lima João soares de Jesus – João Giló
Fábio Santos da Hora Marcos da Luz Oliveira Maria Alves Santana
Isabel Cristina Santos Maria Creuza da Silva Santos Maria Madalena Vicente
Izabel da Silva Mesquita Raimunda de Jesus Santos
José Aloísio Oliveira Nossa Senhora Aparecida
Marcelo José Dias Genivaldo Lima Riachão do Dantas
Maria Djalma Dias Ribeiro Gidenilson Barreto da Silva Dernival Cândido dos Santos
Maria Lídia dos Santos Ferreira Gilberto dos Santos José Renilton Nascimento Santos
Giséria Bonfim Santos (Nêga de Gerson) Josefa Barbosa Alves
Campo do Brito Maria Adriana Oliveira Santana Josué Gonçalves dos Santos
Caetano Bispo da Silva Maria Anelia Batista de Santana
Givaldo Francisco dos Santos Pedra Mole Ubiramara Ventura da Silva
José Barbosa da Conceição Acácio Antonio Santos
Valmir dos Santos José Aloísio dos Santos
Noel Monteiro dos Santos
Rivaldo de Souza

218 Sergipe: Cultura e Diversidade


Simão Dias Carmópolis Pirambu
Austeclino Ferreira Bonfim (Dr. Ciência) Alexandre Santana Magalhães Agnaldo dos Santos Silva
João de Souza da Cruz Dennilton dos Santos Jaci Rosa Santos
Josefa Santos de Jesus Idelfonso Cruz Oliveira Luiz Teles da Silva
Marcelo Domingues de Souza José Francisco Mota de Assis Maria dos Santos Sales (Dona Nazilde)
Maria Izabel Ribeiro Neuzice Santos
Ricardo Rocha Santana Divina Pastora
Rosemberg Silva Batista Alzira Alves Santos Rosário do Catete
Flávio Augusto Santos João Vieira dos Santos
Tobias Barreto Maria Das Graças Dos Santos Luzinete de Jesus
Antônio de Oliveira Silva (Virman) Washington Luiz De Souza Maria Isabel Conceição dos Santos
Eunice da Gama Ribeiro
Fábio Ribeiro dos Santos General Maynard Santa Rosa de Lima
Josafá Alves dos Santos (Mestre Bahia) João Batista dos Santos (Batistinha Aliella Luzarte da Silva
Josivânia Meneses de Melo da marcação) José Francisco de Oliveira
Marcus Vinicius de Matos Souza José Carlos de Jesus Santos José Valmir Meneses
Margarida Araujo Bispo Maria Madalena de Assis Silva Lindaura de Jesus
Maria Lúcia Corrêia
Território do Leste Sergipano Japaratuba Maria Rute de Santana
Dênis Américo Corrêa dos Santos Mazilde Santos de Oliveira
Capela Edinei Arnon dos Santos Andrade
Carlos Lúcio de Melo Edson Mota Siriri
Evânio Oliveira Andrade Eduardo Carvalho Cabral Iolanda Nogueira da Silva
José Pinto Meneses Filho Guilherme Julius Zacarias de Melo José Edno Gomes dos Santos
Márcio Fabiano Santana de Melo João Batista Rocha Santos Maria do Carmo Santos
Maria Nilza Santos José Joaquim dos Santos Telma Guimarães Andrade
Maria Zuleide Moura Magnólia Góis Menez
Tereza Maria Cabral Manoel dos Santos (Seu Nêgo)
Marilene dos Santos
Pedro dos Santos

Sergipe: Cultura e Diversidade 219


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Sergipe : cultura e diversidade / [organizadora]


Maria Lucia de Oliveira Falcón. -- Salvador, BA :
Solisluna Design Editora, 2010.

Vários colaboradores.
ISBN 978-85-89059-29-9

1. Arte - Sergipe 2. Cultura popular - Sergipe


3. Diversidade cultural - Sergipe 4. Festas
folclóricas - Sergipe 5. Sergipe - Descrição
I. Falcón, Maria Lúcia de Oliveira.

10-07141 CDD-306.098141
Índices para catálogo sistemático:
1. Sergipe : Brasil : Cultura popular :
Sociologia 306.098141

Este livro foi editado em junho de 2010


pela Solisluna Design e Editora.
Impresso em papel couché 150g/m2.
Impressão Gráfica Santa Marta.
Aracaju, Sergipe, Brasil.