CLÁUDIA DOS ANJOS

CENTRO CULTURAL E ASSISTENCIAL INFANTIL : UMA FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

Campo Grande 2007

CENTRO CULTURAL E ASSISTENCIAL INFANTIL : UMA FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

CLÁUDIA DOS ANJOS

Esta monografia constitui-se no Trabalho Final de Graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo e trata-se de uma das exigências para a obtenção do Título de Arquiteta e Urbanista Orientador: Prof. Arquiteto João Bosco Urt Delvizio

Campo Grande 2007

Ficha Catalográfica preparada pela Biblioteca Central Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Anjos, Cláudia dos Centro cultural e assistencial infantil: Uma fábrica de Criatividade/ Anjos, C. – Campo Grande/MS: UFMS 2007 096 p.; 10 pranchas Anexos: 01 Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMS Orientador: Prof.° Arquiteto João Bosco Urt Delvizio Co-orientador: Prof° Arquiteto Caio Nogueira Hosannah Cordeiro Colaboradores: Profª Arquiteta Juliana Couto Trujillo Profª Arquiteta Andrea Naguissa Yuba Profª Arquiteta Ana Cláudia Gimenez Mesquita Prof° Engenheiro José Francisco de Lima

FOLHA DE APROVAÇÃO
Autor: Cláudia dos Anjos Título: Centro Cultural e Assistencial Infantil

Monografia defendida e aprovada em 04/12/2007, pela comissão julgadora:

____________________________________________________________________ Prof. M. Sc. Arquiteto João Bosco Urt Delvizio (orientador)
Curso de Arquitetura e Urbanismo/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

____________________________________________________________________ Prof. M. Sc. Arquiteto Caio Nogueira Hosannah Cordeiro (co-orientador)
Curso de Arquitetura e Urbanismo/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

____________________________________________________________________ Prof. M. Sc. Arquiteto César Guilherme Jacobina Esteves
Curso de Arquitetura e Urbanismo/Universidade para o Desenvolvimento da Região do Pantanal UNIDERP

__________________________________ Prof. M. Sc. João Bosco Urt Delvizio
Coordenador do Curso de Arquitetura e Urbanismo

Dedico,
A todas as crianças E pessoas que possam utilizar-se E tirar proveito deste sistema.

Aos meus pais, Pela forma como me educaram.

Ao arquiteto supremo: Deus, Dedico toda a minha vida, Assim como toda a sua produção, Como forma de exprimir O quanto é real o meu amor.

Sua filha para sempre

É bom poder dizer meu muito obrigada!
Ao concluir esse trabalho eu não podia deixar de agradecer algumas pessoas especiais: O primeiro deve ser dirigido ao meu orientador, prof. Bosco, que me concedeu o tratamento mais gentil e solidário ao longo do período que realizei os trabalhos. Aos Professores, Arquitetos Caio, Juliana, Nagui, Ana Cláudia, e Prof° Engenheiro José Francisco... Sem eles a elaboração deste trabalho estaria comprometida. Aos meus colegas de curso (Taty, Lílian, Reinaldo “Bóia”, Carol “Denguinho”, Taiza, Adriana, Loyana, e Victoria), meus eternos companheiros, seja nos momentos em que precisamos produzir, sejam nos momentos que adoramos nos descontrair. Aos colegas da turma de Arquiloucura e Torturismo de 2007. Aos meus tios e tias (os mais lindos do mundo), e aos meus priminhos, que me permitem momentos únicos de prazer. Aos meus avós, com quem divido os melhores momentos de minha existência e cujo amor ultrapassa os limites do racional. Aos meus amigos e companheiros de tantos anos, com quem compartilho mais essa vitória. Às pessoas que sempre estão ao meu lado e me incentivam nos momentos em que necessito. A todos aqueles que, de uma forma ou de outra, apostam em mim. Em especial aos meus queridos amigos, que mesmo longe estão sempre presentes em meu coração: Aline, que sempre esteve ao meu lado quando quis desistir... E ao Gleison, amigo sempre presente desde o primeiro ano de faculdade até agora, me dando força nas inúmeras noites mal dormidas de projeto, me apoiando nas dificuldades e vibrando com as conquistas adquiridas, com muito entusiasmo e carinho... Eles são aqueles que me fizeram acreditar que seria possível... Agradeço de coração a participação nesse trabalho e na minha vida, não só pela força... Mas também porque a vida seria sem eles menos colorida... Ao Túlio e Renan, meus queridos irmãos, meus pontinhos de luz. Aos meus Pais, pela dedicação e amor incondicional...

E principalmente a Deus, O grande Arquiteto do Universo.

Mais uma vez, obrigada!

“Confia no Senhor de todo o teu coração”, assim como uma criança confia no seu pai. “Não se turbe o vosso coração”, disse Jesus, “credes em Deus; crede também em mim” (João 14.1). Descanse no Senhor, mesmo não compreendendo a situação atual. Creia que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm. 8). “Oh! Maria, sem pecado concebida; rogai por nós que recorremos a Vós.”

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SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LISTA DE SÍMBOLOS RESUMO ABSTRACT INTRODUÇÃO 1.1 Justificativa 1.2 Objetivos 1.2.1 Geral 1.2.2. Específicos 1.3 Metodologia 1.4 Considerações parciais O PROBLEMA DO MENOR 2.1 Em defesa da infância 2.2 Assistência ao menor no Brasil 2.3 Assistência ao menor em Campo Grande EDUCAÇÃO 3.1 Apoio à educação integral na rede pública 3.2 A educação que temos e a educação que queremos 3.3 Centro de apoio a educação integral LAZER 4.1 Breve histórico do surgimento da noção de lazer 4.2 O conceito do Lazer 4.3 A importância do Brincar CULTURA 5.1 Conceito 5.2 Cultura Marginalizada PRINCIPIOS ARQUITETÔNICOS 6.1 Definição da área de Implantação 6.2 Contexto histórico-cultural 6.3 Contexto jurídico-institucional 6.4 Contexto socioeconômico 6.5 Infra-estrutura 6.6 O terreno PROPOSTA ARQUITETÔNICA 7.1 Centro Cultural e Assistencial Infantil 7.2 Quantidade de crianças que serão assistidas 7.3 Condicionantes PRECEDENTES 8.1 Funcionais Centro cultural e Assistencial – Ubatuba, SP Centro Assistencial – São Paulo, SP 8.2 Tipológico Centro de ensino experimental Cícero dias, Recife, 8.3 Plásticos / formais iii iv v vi vii viii 16 17 18 18 18 19 19 20 20 22 25 29 29 30 34 36 36 37 39 40 40 42 44 44 47 48 49 50 51 54 54 56 57 59 59 59 60 61 62 63

1.

2.

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7.

8.

ii

9.

6.

Escola de marketing industrial Escola PHD Infantil 8.4 Tecnológico Teatro Municipal de Natal Universidade Cruzeira do Sul MEMORIAL DESCRITIVO 9.1 Listagem das espécies utilizadas no paisagismo 9.2 - Programa de Necessidades 9.3 – Descrição do projeto 9.4 – Projeto Arquitetônico CONSIDERAÇÕES FINAIS ANEXOS Anexo A – LEI N9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 Anexo B – Projeto Arquitetônico REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

63 64 65 65 65 67 67 78 81 83 84 85 86 92 93 95

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LISTA DE FIGURAS
Capítulo 2
Figura 2.1 – criança com fome Figura 2.2 – trabalho infantil Figura 2.3 – Índice de famílias necessitadas em Campo Grande, MS 20 21 26

Capítulo 3 Capítulo 5 Capítulo 6

Figura 3.1 – arranjo tradicional de sala de aula Figura 3.2 – arranjo da sala de aula pelos critérios atuais Figura 5.1 - Desenho feito por criança após ver tiroteio entre policia e traficantes Figura 6.1 – Inserção de Campo Grande-MS – no mapa do Brasil Figura 6.2 – Inserção de Campo Grande no mapa do Mato Grasso do Sul Figura 6.3 – Campo Grande vista do parque das nações indígenas Figura 6.4 - Campo Grande Vista de noite da Casa da Indústria Figura 6.5 - Inserção da região de implantação do projeto no município Figura 6.6 – Inserção do bairro na região Figura 6.7 - Inserção do terreno no bairro e malha viária Figura 6.8 – ruas do bairro Tiradentes Figura 6.9 - ruas do bairro Tiradentes Figura 6.10 – foto aérea do terreno, seu entorno e malha viária Figura 6.11 – Planialtimétrico Figura 6.12 – Vista oeste do terreno Figura 6.13 – Vista Norte do terreno Figura 6.14 – Vista do entorno do terreno, lado Norte Figura 6.15 – Vista do entorno do terreno, lado Sul Figura 7.1 – crianças Figura 3.2 – arranjo da sala de aula pelos critérios atuais

31 32 42

44 44 45 45 46 47 49 49 49 51 51 52 52 53 53 31 32

Capítulo 7

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Capítulo 8

Figura 8.1 – Centro cultural e assistencial, Ubatuba, SP Figura 8.2 – implantação do centro cultural e assistencial, Ubatuba, SP Figura 8.3 – Centro assistencial, São Paulo, SP Figura 8.4 – Centro de ensino experimental Cícero Dias Figura 8.5 – Pátio do Centro de ensino experimental Cícero Dias Figura 8.6 – brises e maquete do Centro de ensino experimental Cícero Dias Figura 8.7 – Jardim interno da escola de Marketing Industrial Figura 8.8 – Muros e cobogó da escola PHD infantil Figura 8.9 – Grelhas de Proteção solar, Teatro municipal de Natal Figura 8.10 – Brises da fachada da Unicsul Figura 8.11 – Janelas da biblioteca voltada para o pátio da Unicsul Figura 9.1 – Grama São Carlos Figura 9. 2 – Flamboyant Figura 9.3 – Jacarandá Figura 9.4 – Pata de Vaca Figura 9.5 – Chuva de ouro Figura 9.6 – Clorofito Figura 9.7 – Trapoeraba Roxa Figura 9.8 – Palmeira de Natal Figura 9.9 – Sangue de adão Figura 9.10 – Maria sem vergonha Figura 9.11 – Ipê-Rosa Figura 9.12 – Palmeira Imperial Figura 9.13 - Molecule

59 60 60 61 62 63 63 64 65 66 66

Capítulo 9

68 69 69 71 72 73 73 74 75 76 77 78 83

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LISTA DE TABELAS
Capítulo 6 Capítulo 7
Tabela 6.1 – dados gerais de Campo Grande- MS Tabela 6.2 – freqüência média dos ventos na região Tabela 7.1 – numero de participantes das escolas vivas, em Campo Grande-MS 45 45 56

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT CCAI CREA/MS MS UFMS Associação Brasileira de Normas Técnicas Centro Cultural e Assistencial Infantil Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de Mato Grosso do Sul Estado de Mato Grosso do Sul Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

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RESUMO
Este estudo tem como objetivo principal, aproximar a arquitetura da necessidade de transformar menores em risco social em cidadãos íntegros haja vista a importância que a cultura, o esporte e o lazer possuem em favor da inclusão social e consequentemente embasar/conceituar os termos relacionados ao projeto, verificando as relações existentes entre lazer, a escola e o processo educativo, e de que forma esses podem contribuir para uma alternativa pedagógica. A arquitetura será utilizada com a intenção de ensinar a conviver, não sendo utilizada apenas para cumprir suas necessidades funcionais, pois, através da arquitetura, é possível socializar o jovem com a vida dos demais seres humanos e suas diversas manifestações. A esta fundamentação teórica consiste em revisão bibliográfica pertinente à educação, à cultura e ao lazer direcionados para a socialização de menores em risco social, que incentive a produção de idéias, que seja estimulado pelo lúdico e democratize a cultura, tornando acessível a todos toda forma de arte.

PALAVRAS-CHAVE: Menores em risco social, lazer infantil, Inclusão Social, centro cultural infantil, assistência infantil.

viii

ABSTRACT
This study has as main subject, approach the architecture of need in transforming teenages on social risk in citizens has seen the importance that the culture, the sport and the leisure posses in favor to the digital inclusion and consequently establish the related terms to the project, verifing the existing relations between the leisure, school, and the educational process, and in which way they can contribute to one pedagogical alternative. The architecture will be utilized with the intention in teaching to live in society, not only being utilized to perform its functional needs, because, through the architecture, It is possible to socialize the teenage with the other human being’s life and their several manifestations. This theoretical grounding consists of pertinent bibliographical revision to the education, to the culture and the leisure directed to the socialization of the teenage in social risks, that motivates the production of ideas, that is stimulated by the playful and democratize the culture, turning accessible to all every art form.

KEYWORDS: Teenages in risk, infantile leisure, social inclusion, infantile cultural center, infantile assistence.

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RESUMO
Este estudo tem como objetivo principal, aproximar a arquitetura da necessidade de transformar menores em risco social em cidadãos íntegros haja vista a importância que a cultura, o esporte e o lazer possuem em favor da inclusão social e consequentemente embasar/conceituar os termos relacionados ao projeto, verificando as relações existentes entre lazer, a escola e o processo educativo, e de que forma esses podem contribuir para uma alternativa pedagógica. A arquitetura será utilizada com a intenção de ensinar a conviver, não sendo utilizada apenas para cumprir suas necessidades funcionais, pois, através da arquitetura, é possível socializar o jovem com a vida dos demais seres humanos e suas diversas manifestações. A esta fundamentação teórica consiste em revisão bibliográfica pertinente à educação, à cultura e ao lazer direcionados para a socialização de menores em risco social, que incentive a produção de idéias, que seja estimulado pelo lúdico e democratize a cultura, tornando acessível a todos toda forma de arte.

PALAVRAS-CHAVE: Menores em risco social, lazer infantil, Inclusão Social, centro cultural infantil, assistência infantil.

viii

ABSTRACT
This study has as main subject, approach the architecture of need in transforming teenages on social risk in citizens has seen the importance that the culture, the sport and the leisure posses in favor to the digital inclusion and consequently establish the related terms to the project, verifing the existing relations between the leisure, school, and the educational process, and in which way they can contribute to one pedagogical alternative. The architecture will be utilized with the intention in teaching to live in society, not only being utilized to perform its functional needs, because, through the architecture, It is possible to socialize the teenage with the other human being’s life and their several manifestations. This theoretical grounding consists of pertinent bibliographical revision to the education, to the culture and the leisure directed to the socialization of the teenage in social risks, that motivates the production of ideas, that is stimulated by the playful and democratize the culture, turning accessible to all every art form.

KEYWORDS: Teenages in risk, infantile leisure, social inclusion, infantile cultural center, infantile assistence.

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CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO

Um bom arquiteto é um bom filósofo, sociólogo e um bom ser humano. (Alain Botton1)

A melhor forma de transformar a vida de crianças e adolescentes é transformar o mundo onde elas vivem. O brincar e o lúdico são as primeiras formas de nos expressarmos, e nos fazem participar de idéias e de objetivos comuns. Esses símbolos, no cotidiano das crianças, são elementos essenciais para o seu desenvolvimento, assim favorecendo a auto-estima e o aprendizado de novas atividades. A preocupação inicial é propiciar um espaço arquitetônico que possibilite afastar da ociosidade crianças e adolescentes em risco social, para desta forma evitar o envolvimento desses menores com drogas, marginalidade e prostituição. A intenção do trabalho visa também aproveitar como instrumento de integração social e desenvolvimento físico e psicológico os atrativos que o esporte, a cultura e o lazer exercem sobre os jovens, oferecendo-lhes oportunidades de crescimento pessoal e profissional. O projeto pretende ainda ajudá-los na conquista dos direitos da cidadania e de uma saúde melhor. Assim, o lúdico se alia às técnicas pedagógicas para a construção de um local voltado para o aprender, e aos poucos o simbólico vai dando lugar ao real. Sendo assim, o presente estudo tem o propósito de criar uma estrutura arquitetônica para auxílio cultural e assistencial infantil, voltada ao lazer de jovens ociosos e em risco social, para que haja uma garantia aos mesmos do direito de um perfeito desenvolvimento físico, psíquico, social e cultural. Trata-se de um edifício dotado de equipamentos para a complementação do ensino regular, a prática de esportes, cultura e lazer, além de cursos complementares de formação profissional. A exigência fundamental para que as crianças possam participar das atividades desenvolvidas no espaço arquitetônico, é que freqüentem a escola pública em período que se alterne ao da permanência no Centro Cultural e Assistencial Infantil, assim, estimulando as

1 Botton, Alain. Filósofo suíço, autor de “The architecture of Happiness” – (Arquitetura da Felicidade). 2006. Em entrevista para o Jornal Fantástico dia 25 de março de 2007.

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crianças e adolescentes a estudarem, e afastá-las da rua e do ócio, motivando-as e orientandoas ao aprendizado.

1.1 – Justificativa
[...] os arquitetos têm que pensar em projetos que deixem nossas cidades menos tristes e tragam o melhor do ser humano. (Alain Botton)

Na sociedade moderna, muitos pais não dispõem de tempo para brincar e passear com seus filhos. Por outro lado, algumas crianças desde muito cedo começam a trabalhar. Por isso, em suas horas vagas, as crianças de classe média, passam a ocupar seu tempo assistindo programas de televisão, brincando com jogos e brinquedos eletrônicos, ou ociosas e em alguns casos nas ruas (essa última opção é a mais comum às crianças de classes menos favorecidas). Esses jovens são submetidos a toda imprevisibilidade da vida urbana contemporânea, e muitas vezes acabam por desinteressar-se pelo modo de brincar criativo e por atividades culturais infantis. O problema se agrava entre jovens e crianças da periferia, onde a violência torna-se ainda mais cruel e os recursos disponíveis são escassos. Problema esse manifestado na música “Ensino Errado”:
[...] A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!) A rua é perigosa então eu vejo televisão (Tá lá mais um corpo estendido no chão)[...] (Gabriel, O Pensador).

O tema justifica-se uma vez que a população de Campo Grande, na faixa etária que esse estudo propõe atender é grande. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atualmente existem nesta capital aproximadamente 129.422 jovens na faixa etária de 05 a 14 anos, e na região do Bandeira nesta mesma faixa etária a população é de aproximadamente 28.045, segundo o perfil sócio-econômico de Campo Grande. Portanto este projeto tem o propósito de apresentar uma estrutura arquitetônica voltada às crianças e adolescentes, por entender a necessidade de implantar, acompanhar e desenvolver, em organizações socialmente responsáveis, oportunidades de qualificação profissional, desenvolvimento pessoal e cidadania para jovens em situação de

vulnerabilidade social, e uma alternativa de lazer para jovens de classe média, atendendo parte da região urbana do Bandeira, nas proximidades dos bairros Tiradentes, Maria Aparecida Pedrossian, Jardim Noroeste, e Arnaldo Estevão de Figueiredo.

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1.2 - Objetivos
Os objetivos deste trabalho dividem-se em objetivos geral e específico, a saber:

1.2.1 - Objetivo Geral

Projetar O Centro Cultural e Assistencial Infantil, dotado de equipamentos de assistência à comunidade (segurança, saúde etc.), contribuindo para o bem-estar da comunidade e constituir marco arquitetônico de referência na região do entorno. Atender a carência de projetos sociais voltados às crianças e adolescentes ociosos de 05 a 14 anos de ambos os sexos, ameaçados ou privados da convivência comunitária e/ou em situação de risco social e pessoal, a mercê da marginalidade em Campo Grande-MS, assegurando, a esta parcela da população, o amparo da Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 do Estatuto da Criança e do Adolescente – ao declarar em seu artigo 3º que “crianças e adolescentes gozam de todos os direitos inerentes à pessoa humana”. Estabelecendo assim, um espaço arquitetônico para o auxílio e atendimento à população infanto-juvenil, que complementará o centro educacional, resgatando a qualidade de vida de crianças, adolescentes e jovens atendidos gratuitamente o que possibilitará que a arte e a cultura sejam elementos capazes de transformar tais vidas.

1.2.2 - Objetivos específicos

...“pensar globalmente, agir localmente” (Richardson, 2007)2.

• • • •

Projetar um espaço adequado para a prática de esportes. Projetar um espaço que propicie a retirada das crianças da rua no

período em que não estão na escola, motivando-as e orientando-as ao aprendizado. Ampliar através da edificação construída as oportunidades de

convivência social e comunitária dessas crianças e adolescentes. Atender a jovens ociosos através de projetos sociais e cursos.

2 Richardson, phyllis. “XS Green” – (XS Ecológico). 2007. Pagina 10.

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• • capital.

Desenvolver espaços verdes adequados para as crianças entrarem em

contato com a vegetação. Propor espaços para recreação, lazer e cultura para crianças e jovens da

1.3 - Metodologia
Grande parte desse trabalho consiste em considerações, conceituações e fundamentações teóricas. 1. Pesquisa documental feita em fonte primárias em arquivos públicos ou particulares, fontes estatísticas. a. Pesquisa bibliográfica em livros e catálogos fotográficos em órgãos públicos como: Prefeitura, Secretarias, IBGE e outros. 2. Pesquisa bibliográfica feita em fontes secundárias tais como livros, revistas, publicações diversas, panfletos, revistas, etc. 3. Orientação no âmbito técnico, arquitetônico, Urbanístico e paisagístico concedida pelo Arquiteto João Bosco Urt Delvizio. 4. Estudos de caso, Legislação e normas. 5. Visitas a entidades da rede de atendimento a crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social. 6. Estudo da demanda do centro na região proposta. 7. Levantamento de dados estatísticos sobre a população em idade escolar. 8. Elaboração de ante projeto

1.4 - Considerações Parciais
O centro cultural e assistencial infantil propõe áreas verdes, construção de equipamentos urbanos e implantação de um edifício voltado a projetos sociais. Procura integrar as escolas da região, e procura a melhoria da qualidade de vida de seus usuários, bem como o beneficiamento direto e indireto da comunidade do bairro, viabilizando assim um futuro melhor mais humano e produtivo para todos.

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Os próximos capítulos abordam a revisão bibliográfica, a fundamentação teórica, conceitos, as propriedades e os fatores condicionantes do objeto de estudo que, possam fornecer embasamento para a proposta arquitetônica, objeto de estudo desta monografia, que, por sua vez são os problemas enfrentados pelos menores de baixa renda e como esses problemas se inter-relacionam com a educação e a comunidade onde estão inseridos, e através da arquitetura dar apoio as escolas públicas da região do bairro Tiradentes, que não está estruturada para receber as novas metodologias de educação, a educação integral.

CAPÍTULO 2 – O PROBLEMA DO MENOR

2.1 - Em defesa da infância
“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. (Artigo 227 caput da Constituição Federal de 1988)

Está garantido na constituição federal. “A saúde é um direito de todos e um dever do Estado”. A legislação brasileira, por meio do Estatuto da criança e do adolescente, reforça o compromisso pela promoção do bem-estar desses pequenos cidadãos. Responsabilidade esta que não é apenas da família, mas do estado e da sociedade como um todo.

Figura 2.1 Fonte: charagoesquerdo.files.wordpress.com.fome

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Numa sociedade dominada pelo progresso e por tecnologias avançadas, é transtornante notar as péssimas condições do menor no Brasil e no mundo. Apesar de tantas descobertas, a sociedade ainda é incapaz de superar graves problemas, como as taxas de prostituição, desnutrição, violência, mortalidade infantil e os elevados números de crianças de rua. Eles vivem dessa forma por necessidade, pois já nascem entre violência, miséria. Segundo o IBGE (censo industrial), desde os anos 80 o Brasil tem índices preocupantes de desemprego, com isso crescendo os trabalhos informais, e crianças tendo também que trabalhar cada vez mais cedo em atividades como vendedores de sinal, guardadores de automóveis. E é entre os jovens que apresentam as piores taxas de desempregos e piores salários (Folha de São Paulo - Dinheiro - 20/9/2005), e enfrentam problemas quanto à inserção no mercado. É também uma população que vem exigindo enfoques na educação profissionalizante, pois o mundo do trabalho está exigindo habilidades nem sempre disponíveis na educação dos jovens de classes populares, como informática e língua estrangeira. Por outro lado é polêmico quando se trata sobre trabalho na juventude, pois é uma população que, em princípio, deveria estar dedicada aos estudos, mas em grande parte da população jovem há a necessidade de suas famílias, que do seu trabalho dependem.

Foto 2.2 Fonte: www.proec.ufg.br

Os pais enfatizam a importância do trabalhar como forma de ocupar a mente e o tempo, o que os impediriam de estar pensando em cometer alguma infração. (CASTRO, 2002). [...] que nem se diz o outro: ‘cabeça parada, oficina do Diabo’. Portanto trabalhar é visto para os pais como uma eficiente medida para afastar seus filhos das ruas, que é

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considerado o lugar mais propício para o envolvimento com a criminalidade e drogas; além disso, a falta de oportunidade de trabalho e alternativas de lazer caracteriza uma marca de vulnerabilidade à violência. Os menores que perambulam pelas ruas das cidades, nelas estabelecem suas relações sociais algumas vezes recebendo uma cultura marginalizada. Com a crescente marginalização dos centros, as chances dos jovens carentes se transviarem também crescem. Traficantes de drogas estão cada vez mais presentes no cotidiano de adolescentes. Atraídos pelo fascínio pelo mundo desconhecido e supostamente livres das ruas. Com esses problemas a escola deixou de ser prioritária para crianças e adolescentes, que desde cedo buscam emprego, para contribuir com o sustento da família.

2.2 – A assistência ao menor no Brasil
No Brasil, segundo AMÉRICO (2000), os menores carentes começaram a preocupar os ricos comerciantes a partir de 1730, quando da urbanização das cidades litorâneas decorrente da exploração e exportação do ouro de Minas Gerais e da queda do valor do açúcar do nordeste no mercado internacional. Desta mesma data se tem as primeiras referencias históricas relacionadas à preocupação com os menores carentes. Neste momento da história os atendimentos sociais eram todos feitos pelas ordens da igreja católica, pois os menores eram abandonados nas portas de conventos e mosteiros, e assim eles eram quase sempre bem cuidados, não representavam maiores preocupações. De acordo com Carlos A. C. Niemeyer (2001), a palavra “menor” no final do século XIX, já designava uma classe de indivíduos que ainda não havia atingido a maioridade penal e civil, e possuía um forte significado ligado ao abandono e marginalidade. A partir da virada para o século XX, as questões da infância começam a despertar a atenção da sociedade, relacionando as origens da infância desvalida com as novas condições sociais que o capitalismo gerava, os reformadores sociais passaram a identificar a rua como um lugar perigoso para a infância e, conseqüentemente, o menor abandonado como um problema para a construção de uma sociedade que se pretendia moralizada e organizada.

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Até a segunda década do século XX, a questão da infância desamparada no Brasil ainda era considerada “caso de polícia” a ser resolvida pela simples repressão urbana nas ações de “limpeza” da cidade. Iniciam-se então os primeiros debates a respeito das responsabilidades pelo amparo à infância. Em 1927 (Decreto n° 17.943-A, de 12 de outubro de 1927) o estado assumiu oficialmente o menor, criando para ele o primeiro código de proteção voltada aos menores do Brasil, criado pelo Juiz de menor Mello Mattos. Em 1942 surge o serviço de assistência ao menor, que funcionava como uma penitenciária para menores infratores. Em seguida surgem outras entidades como a forma que se conhece, oferecendo programas baseados na assistência e educação básica e estratégias de trabalho e geração de renda. Com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente iniciou-se um processo de mudanças no panorama legal da infância e da juventude. A sociedade contemporânea unindose ao governo através de instituições governamentais e não governamentais vem buscando sensibilizar a todos sobre a importância da assistência aos menores, principalmente relacionados à sua educação, pois a criança é o futuro do Brasil. Atualmente, de acordo com UNICEF, o Brasil tem uma das melhores legislações do mundo sobre as crianças e adolescentes, e ao mesmo tempo é um país onde as crianças são mais injustiçadas e desprotegidas, pois as mesmas leis que garantem os direitos de cidadão às crianças, não são aplicadas na realidade. Mesmo assim hoje os direitos dos menores são reconhecidos como nunca antes na história.

Deixai vir a mim as criancinhas, quer dizer: deixai que sejam crianças, que cresçam com o sorriso nos lábios e com fronte levantada para o céu, porque é estúpido que se consiga a riqueza com o sangue das suas veias e com a medula dos seus ossos, ao preço de sua inocência e da bondade de sua alma. (Boletim da Escola Moderna, 1919).

Segundo dados obtidos no portal Voluntário, no Brasil são dois eixos de atuação: por meio de contato direto ou indireto com crianças e adolescentes: O Projeto Luz, Câmera... Paz! Desde 2006, com o apoio do HSBC, recebe adolescentes em conflito com a lei, ensinando-os a trabalhar com os jornais, buscando fazer com que o assunto infância e adolescência saia na mídia e com melhor qualidade.

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A Associação Brasileira Terra dos Homens é uma instituição independente e sem fins lucrativos. Suas atividades tiveram início como um programa afiliado à Fondation Terre des Hommes, em 1982. Em 1997, adquiriu autonomia jurídica fazendo novas parcerias e ampliando seu campo de atuação no Brasil. Desde o começo, a Terra dos Homens objetiva o atendimento a crianças e adolescentes separados de suas famílias. São crianças que vivem em instituições de abrigo, nas ruas da cidade ou em contexto de violência doméstica ou quaisquer situações de risco. O restabelecimento da convivência familiar e comunitária dessas crianças é o foco central do trabalho desenvolvido. A Fundação Abrinq é uma organização “amiga da criança”, sem fins lucrativos, que nasceu em 1990, ano da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Tem a missão de promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da criança e do adolescente. A Rede Globo tem um projeto de apoio à educação chamado Amigos da Escola. É uma iniciativa destinada a fortalecer a participação comunitária no esforço de melhoria da escola pública. Os Amigos da Escola atuam na estimulação das escolas as quais dão abertura à comunidade na convocação da sociedade brasileira a participar de ações de voluntariado e na ampliação de parcerias aproximando a família e a comunidade da vida escolar. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) atua em 158 países do mundo e tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para seu pleno de desenvolvimento. É a única organização mundial que se dedica especificamente às crianças. Trabalha com os governos nacionais e organizações locais em programas de desenvolvimento de longo prazo nos setores de saúde, educação, nutrição, água e saneamento e também em situações emergenciais, na defesa das crianças vítimas de guerras e outras catástrofes. O UNICEF também considera o esporte um meio eficaz de complemento à educação e uma forma eficiente de aumentar o interesse e o desempenho na escola. Além de fazer bem à saúde, o esporte permite trabalhar, ao mesmo tempo, a afetividade, as percepções, a expressão, o raciocínio e a criatividade de meninos e meninas. Projeto Criar e Crescer. Combate a fome, promovendo a entrega de alimentos, primeiros socorros, roupas e atendimento fraterno nas noites de sábado nas ruas de Salvador. Promove oficinas e eventos recreativos, educativos e eventos de valorização e integração social. Fornece cesta básica como assistência a famílias carentes.

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As Aldeias Infantis SOS criam famílias para crianças que não podem ser mantidas em sua família natural, ajudando-as a construir seu próprio futuro. Cada Aldeia Infantil SOS é um condomínio formado por 10 a 12 casas-lares, onde moram famílias com até 9 crianças com idades diferentes, que convivem sob os cuidados de uma mãe social. Além disso, através dos Centros Sociais, participam do desenvolvimento de suas comunidades, criando programas que tenham como meta fortalecer as famílias e prevenir o abandono infantil. Nos Centros Sociais são desenvolvidas atividades educacionais, artísticas, culturais, esportivas, de capacitação profissional e geração de renda para famílias de comunidade em situação de risco, bem como de capacitação para agentes sociais e líderes comunitários. Mudar. Movimento Unificado de Defesa da Criança e Adolescente de Rua. O Mudar é uma Associação de interesse público, beneficente, filantrópica e ecumênica, de fins não-econômicos, exercendo suas atividades com autonomia administrativa e financeira no território brasileiro. O objetivo do Mudar é a proteção dos direitos de cidadão das crianças e adolescentes que vivem na rua e da rua.

2.3 - Situação dos menores em Campo Grande
Segundo o mapa da exclusão social de Campo Grande, as famílias em vulnerabilidade social se concentram principalmente nas áreas periféricas das capitais. Essas famílias se caracterizam por serem desestruturadas e possuírem na maioria vários filhos, e por não possuírem uma renda digna.

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Foto 2.3 – Índice de Famílias Necessitadas Fonte: Diagnóstico Social da cidade de Campo Grande – MS

A região do Bandeira é populosa, pobre, e distante do centro da cidade. Essa pode ser a definição da região dada pelo Campo Grande News, que está na pouco confortável situação de concentrar o maior número de ocorrências policiais em Campo Grande, que junto com a Região Anhanduizinho, segundo o Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública), concentra 31% dos casos, e entre os bairros, o segundo mais violento da cidade esta o bairro Tiradentes, com crimes muitas vezes ligados ao comércio de drogas, perdendo apenas para o jardim Los Angeles. Por ser uma região em que concentra muitas pessoas de baixa renda, os pais permanecem fora de casa a maior parte do tempo e pelo baixo poder aquisitivo remete à pouca aquisição de livros, revistas, computadores, filmes, cursos, lazer e ausência de cuidado integral. Na falta de local adequado para passarem a maior parte do dia, resta às crianças e adolescentes buscarem nas ruas e terrenos baldios formas de convivência, “socialização” e de diversão.

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Atualmente Campo Grande dispõe de cerca de 20 órgãos públicos e particulares que contribuem de alguma forma para suprir as necessidades dos menores, dedicando a eles tempo integral. Infelizmente a capacidade de atendimento é restrita e a oferta de serviços é limitada: Essas unidades descentralizadas de assistência social na cidade de Campo Grande têm como objetivo prestar atendimento a crianças e adolescentes de 7 a 16 anos, em horário complementar ao escolar, através de atividades sócio-educativas. São as unidades: • • • • • • • • • • • • • • • • Aero Rancho - CMU - "Prof.ª Adevair da Costa Lolli Guetti" Barra Mansa Botafogo Canguru Dom Ântonio Barbosa - "Rosa Adri" Indubrasil Los Angeles Monte Castelo - "Luiza Paruá Peres" Moreninha II - "Alair Barbosa de Resende" Nossa Senhora Aparecida Novos Estados - "Hercules Mandeta" Popular - "Valéria Lopes da Silva" Tijuca II Vida Nova – CMU Vila Gaúcha Vila Marly

Capacidade Total: 3.010 jovens PARCEIROS: • • • A.a.b.b Abctran União recreativa

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O Clube do pequeno trabalhador é mantido pelo Promosul, onde cerca de 100 meninos e meninas, de 14 a 18 anos são contratados para trabalharem, com carteira de trabalho assinada, recebendo um salário mínimo por mês, vale-transporte, alimentação e sendo obrigatório o estudo.

O Clube mantém oficinas, os menores produzem todos os tipos de artesanato com tecelagem, tapeçaria, bijuterias, tricô, cozinha industrial, costura e reciclagem de papel. • O Educandário Getúlio Vargas, inaugurado em 1943, com a finalidade de cuidar dos filhos dos doentes que tinha lepra, para salvá-los desta doença na década de 40. Com o tempo descobriu-se a cura e o educandário perdeu sua função, e lá hoje funciona a sociedade Eunice Weaver, tornando-se uma entidade filantrópica que ampara os menores carentes de Campo Grande. O sistema é feito por meio de internato, e atende às necessidades dos menores proporcionando reforço escolar, cursos profissionalizantes em oficinas, atividades de cultura e lazer, acompanhamento psicológico, médico, odontológico e assistência social. Os pais podem ficar com os filhos aos finais de semana ou retirá-los de lá desde que assinem um termo de responsabilidade. O educandário atende crianças de ambos os sexos, de todas as idades, e possui uma enorme lista de espera.

Ideal seria que essas instituições passassem por uma reorganização e revitalização de maneira a contribuir e satisfazer as necessidades do local.

O Programa Escola Viva da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) é a versão campo-grandense do programa Escola Aberta do MEC. Hoje o Programa conta com a participação de 19 escolas municipais de Campo Grande. Elas abrem todos os sábados e domingos, no período da manhã e da tarde, para oferecerem à comunidade cursos (informática e línguas estrangeiras), oficinas de formação para o trabalho (cabeleireiro, manicure e pedicure, bordados, culinária), atividades culturais e esportivas (futsal, dança, judô, xadrez, atletismo), entre outras.

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CAPÍTULO 3 – EDUCAÇÃO

3.1 – Apoio à educação integral na rede pública

Os ministérios da Cultura, do Desenvolvimento Social, da Educação, do Esporte e do Combate à Fome estão promovendo um trabalho conjunto de reforço da cidadania e de inclusão social por meio da educação em tempo integral de alunos da rede pública de ensino. Um dos objetivos do Programa é o fortalecimento da formação cultural de jovens, promovendo o desenvolvimento da percepção artística, com ações sociais de apoio às escolas públicas, no período contrário do horário escolar. Para aproximação das escolas com as famílias serão estimuladas atividades educativas e culturais com a participação da comunidade, como integração dos alunos com o meio onde vivem. O programa visa principalmente à redução da evasão escolar, ao combate ao trabalho infantil e à exploração de menores, utilizando-se de atividades esportivas e de lazer que estimulem a solidariedade, o desenvolvimento humano e a cidadania. A educação integral deverá ser implantada com a ajuda de instituições públicas ligadas às áreas da educação, cultura, esporte, saúde e ação Social. Instituições privadas também poderão participar, promovendo atividades educativas, culturais e desportivas que estejam integradas nos projetos pedagógicos das escolas e que sejam oferecidas gratuitamente. A inserção dos jovens no mundo de trabalho varia entre muitos projetos, e todos eles exigem que esses jovens estudem. Existem os projetos que conjugam com capacitação e iniciação profissional as atividades artístico-culturais, esportivas e de educação para a cidadania. Os jovens interessados na arte-educação estudam em um turno e em outro freqüentam o centro de apoio a escola, e muitos deles são artistas ou aprendizes, que além de participarem de espetáculos também se educam para serem expectadores, mas a falta de

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equipamentos de lazer, esporte e cultura, podem inibir o livre curso do seu desejo e habilidades. Além da falta de equipamentos os jovens circulam em um raio restrito, limitados por seus bairros, não exercendo continuamente a cidadania social. E com a escassez em seus bairros é possível que quando se trata de ofertas culturais, esportivas e de lazer, a insuficiência do equipamento social e cultural afete a população de renda mais baixa, pois em comunidades pobres seriam escassas as oportunidades de os jovens usufruírem os bens culturais e terem acesso ao capital cultural e artístico, e o futebol ainda seria a modalidade de esporte mais difundida e acessível a esses jovens. Os jovens que estão na produção artística, mesmo quando fazem esporadicamente apresentações ou com baixa remuneração, são mais positivos com relação à vida, havendo compensação em ganharem pouco, pois estão trabalhando no que gostam. O estudo da arte completa – dança, música, esporte - e o direito e acesso a bens culturais, socializam a beleza, atingem a alma e exigem equilíbrio, disciplina e muita concentração.

3.2 - A educação que temos e a educação que queremos
“A escola finge que ensina e o aluno finge que aprende” (Darcy ribeiro)

O Conceito de Educação é um conceito difícil de definir, tendo sofrido alterações ao longo dos tempos. No passado, os fatos eram transmitidos por demonstrações, cativando à atenção dos alunos. Mas com o aumento da informação, e de pessoas entusiasmadas por informação, chegou-se ao atual ensino. Na educação atual, cabe à escola fornecer ao aluno um conjunto de conhecimentos e habilidades, testando periodicamente quanto foi adquirido destes conhecimentos através de exames. Outra grande falha deste método é o fato de haver divisão no conhecimento (história, matemática, português, geografia...) não havendo assim nenhuma possibilidade de se ver as inter-relações entre as matérias.

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Deste modo, o conjunto de conhecimentos transmitidos aos alunos, não é sinônimo de conhecimento adquirido, porque este método apenas incentivava a memorização, ignorando os estilos individuais de aprendizagem de cada aluno.
“A primeira coisa é a escola. Sou árduo defensor da escola em tempo integral. As crianças, em vez de ficar no meio da rua, vão estar na escola o tempo todo, dando oportunidade ao pai e a mãe de trabalhar. Com isso, talvez 50% dos meninos e meninas saíssem da rua. Hoje ficam na rua mesmo, porque às vezes nem comida têm em casa”. (Volmer do Nascimento)3

O movimento da escola nova teve início na segunda metade do século XIX, na Europa. O que definia o movimento era a descoberta da psicologia infantil e as criticas as escolas tradicionais que tratavam as crianças como adulto, cabendo à escola fornecer ao aluno um conjunto de conhecimentos e habilidades, testando periodicamente quanto foi adquirido destes conhecimentos através de exames. Outra grande falha deste método é o fato de haver divisão no conhecimento (história, matemática, português, geografia...) não havendo assim nenhuma possibilidade de se ver as inter-relações entre as matérias.

Figura 3.1 Fonte: www.fnde.gov.br

3 (Nascimento, Volmer do. Ex-coordenador do movimento nacional dos meninos e meninas de rua do rio de janeiro. Entrevista ao jornal do Brasil, 2-12-1990).

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Parece ter ficado de fora das escolas tradicionais, o lúdico da aprendizagem e valores como valentia, religião, e o que é certo ou errado também não fazem parte do universo escolar. Deste modo, o conjunto de conhecimentos transmitidos aos alunos, não é sinônimo de conhecimento adquirido, porque este método apenas incentivava a memorização, ignorando os estilos individuais de aprendizagem de cada aluno. O ponto de partida deste trabalho é a escola moderna. Trata-se de escolas, voltadas para crianças e adolescentes onde não há obrigações impostas a elas por um grupo de adultos. Isto significa que os alunos não são obrigados a assistir aulas, fazer lições ou passar por exames, e todas as regras são decididas pelos próprios alunos e comunidade em assembléia, possibilitando a formação de indivíduos autônomos, e com respeito à liberdade do aluno.

Figura 3.2 Fonte: www.fnde.gov.br

Tem-se a idéia de trabalhar uma nova concepção e uma nova maneira de pensar a escola, em que os processos educativos não mais fiquem restritos aos muros escolares, mas que também complementem as atividades escolares com outras atividades em um espaço alternativo ao da escola, insistindo-se na teoria de complementação, assumindo um papel

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fundamental na sociedade. A idéia é que se possa ser um elemento transformador dentro da comunidade. Além do contato com a comunidade pedagógica, e do acompanhamento escolar, estimulando a adoção de novas formas de ensinar e aprender. Comumente os projetos têm como pré-requisito freqüencia na escola para poderem participar de suas atividades e muitos acompanham o desempenho escolar dos jovens. A escola deve ser um espaço privilegiado, rico em recursos à aprendizagem, num ambiente onde os alunos possam construir os seus conhecimentos de acordo as necessidades individuais de aprendizagem que os caracteriza, e onde a motivação para a aprendizagem surge no aluno, cabendo apenas à escola fornecer capacidades que permitam no seu futuro aprender qualquer assunto que lhe interesse. Concordando com Comenius o ideal é “ensinar tudo para todos”. Neste sonho de educação, o professor deixaria de ser um mero passador de conhecimento, e seria um companheiro do aluno na procura das informações e na busca da realidade. O pensamento é que a verdadeira aprendizagem é aquela que é buscada espontaneamente.
“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisará passar para atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu. Existem, por certo, inúmeras veredas, e pontes, e semi-deuses que se oferecerão para levar-te do outro lado do rio; mas isso te custaria tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho, por onde só tu podes passar. Para onde leva? Não perguntes, segue-o.” (Friedrich Nietzsche)

Na medida em que a escola ensina conteúdos conflitantes com os aprendidos na família e na rua, gera desinteresse e a sala de aula se transforma no espaço em que se aprendem coisas “chatas”, sem conexão com a vida lá fora. A educação é “popular”, quando tem como ponto de partida a realidade do público alvo, e pode se tornar um agente importante nos processos de tornar livre o indivíduo e a sociedade. É um trabalho humano, em que se dá pela prática da pessoa humana, enquanto habita a natureza, provém de sua própria prática coletiva de classe. A educação popular exprime um conteúdo que se origina na realidade, adquirindo diferentes formas de trabalho pedagógico, pois ele está dirigido e dirigindo para os moradores de periferias de cidades. Então educação popular é um fenômeno de produção e apropriação dos produtos culturais, expresso por um sistema aberto de ensino e aprendizagem, constituído de uma teoria

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de conhecimento referenciada na realidade, orientado por desejos de justiça, liberdade, igualdade e felicidade para todos.

3.3 – Centro de apoio a educação integral

Em seu relato sobre a educação em tempo integral, Anísio Teixeira, conceitua a educação integral como uma educação escolar ampliada em suas tarefas sociais e culturais, e acrescenta que o aluno teria a oportunidade de participar de forma ativa da comunidade escolar, desenvolvendo competências importantes de cidadania e autonomia, além de vivenciar experiências diversificadas de educação, em oficinas, atividades esportivas, teatro e demais atividades artísticas. Nessa perspectiva a escola articula a atividade intelectual com a atividade criadora e com a vida social e comunitária, portanto a idéia básica que sustenta este conceito é a de educação como vida e para a vida, uma educação que vai muito além dos conteúdos dados em sala de aula. Normalmente confundido com a simples ampliação da carga horária, o conceito de educação integral é muito mais amplo, a idéia, não é a simples ampliação da jornada escolar fazendo com que as crianças fiquem os dias inteiros na escola, mas sim que ocupem seus espaços livres com outras formas de aprendizagem que sejam enriquecedoras para o seu desenvolvimento como cidadãos plenos. Nas escolas de horário integral há práticas higiênicas, atendimento médico e odontológico e são garantidas aos alunos quatro refeições diárias, atendendo principalmente jovens de baixa renda.

3.4 - Arquitetura para a educação
As escolas públicas até 1911 se caracterizavam por uma grande simplicidade espacial. Constituíam uma solução tectônica, pura em sua rudeza, destinada a programas humildes que retratavam os conceitos dominantes sobre ensino. Estruturas para aceitar qualquer forma que o enciclopédismo pedisse como manifestação artística. Aparências que se justificam por si mesmas, nem impostas pela estrutura tectônica, nem procura de uma forma para o universo brasileiro. Quanto ao programa, tudo era ensino; nem ao menos um recinto para administração. A escola desconhecia qualquer ampliação de seu significado social além e ensinar primeiras letras e tabuada. Só muito mais tarde estes programas foram enriquecidos. (Artigas, 1984)

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Podemos considerar que o programa de necessidades desse período se restringia apenas às salas de aula, pois julgava isso o suficiente. Através dessa forma de edificação já podemos visualizar a forma limitada como era tratada a Educação nesse período.
O que é uma escola? É um lugar onde se ensina a ler e a escrever, onde se aprende a consultar o relógio e a contar o tempo, onde se aprende sobretudo a ser orgulhoso do próprio país, agradecendo todas as noites à Deus por nos haver em X lugar, em lugar de Y, cujos habitantes são notoriamente muito menos inteligentes que nós. (Bardi, 1994)

Segundo BARDI (1994) durante o processo de se fazer escola é preciso torná-la viva, e presente no cotidiano das crianças que as freqüentarão. O professor, condições materiais, os alunos e as instalações da escola se completam formando um conjunto que será transmitido aos alunos seja em campo, ou seja, em sala de aula. Assim o prédio educacional deve ser adequado às exigências educacionais e funcionais a que se destina. Tendo sempre em mente que o centro educacional é o “segundo lar”, pois é o segundo espaço edificado depois de sua própria casa, e é no espaço educacional que se inicia o seu conhecimento do universo e de vida em sociedade. São os usuários e a função a que se destina que, com suas necessidades e interesses, ditam o programa de necessidades, e que constituía a composição do espaço arquitetônico, tornando-se o espaço edificado muito importante, pois é através dele que a arquitetura faz parte da vida dos seres humanos em suas diversas manifestações. A intenção da arquitetura escolar e de apóia a escolar é absorver a idéia da habitação dos freqüentadores, e devem ser equipados para servirem de abrigos a diversas atividades humanas, estas presentes ou não em seus lares. E são especificamente os espaços educacionais para crianças e jovens que estamos tratando, e sua relação com o público- alvo e com suas novas funções que passam a assumir na sociedade.

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CAPÍTULO 4 – LAZER

4.1 – Breve histórico do surgimento da noção de lazer
Segundo Niemeyer (2001) Com o êxodo populacional às cidades, e ao concentrar a população em áreas congestionadas, passou a exigir-se toda uma sorte de demandas sociais. O espetáculo da pobreza estampava as ruas, e impõem limites às elites dirigentes. Isso levará à crescente tematização da questão social na segunda metade do século XIX. No decorrer das importantes transformações que marcaram o incremento da Segunda Revolução Industrial, acentua-se a divisão social do trabalho. Essas transformações irão corresponder a novas formas de organização política e social. Incentivado pelo imperialismo em expansão surge a “cultura de massa”, como um espelho da produção em larga escala, a qual irá fomentar a indústria dos lazeres, que caracteriza o novo estilo de vida urbana. Até então, sendo visto como atividade de classe, o lazer passa a atender cada vez mais ao fenômeno de massa, perdendo vínculos tradicionais, amparados pelos meios de comunicação, fugindo desta maneira ao controle das instituições formais conservadoras. Surge um controle do espaço urbano, sugerindo medidas de proteção dos males causados pelo industrialismo, e acrescenta-se após 1870 os conceitos de higiene humana, tornando-se uma discussão moral e estética aplicada a diversos setores das atividades humanas. No decorrer da segunda metade do século XIX, passa a ter ações efetivas para se obter a melhoria das condições de saúde pública através de procedimentos higiênicos aplicados ao “corpo” e à “mente” do trabalhador. Esses procedimentos vão considerar o indivíduo em sua “unidade psicossomática”, sujeito às enfermidades “mentais” decorrentes de vários fatores relacionados aos trabalhos, tornando necessária a cura do corpo de da alma simultaneamente. Como solução para os problemas de saúde pública – saúde do “corpo” e da “mente” – inaugura-se o espaço a serviço do tempo livre. Com o surgimento da pedagogia e da psicologia moderna, torna-se conseqüente a evocação do lúdico como forma de influenciar positivamente as emoções humanas desde a mais jovem idade.

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Considerado o prejudicado entre as transformações urbanas, o público infantil motivará atenção especial dos reformadores que viam nas ruas um ambiente “nocivo”, criador de maus “hábitos” e de “tendências anti-sociais”. O interesse pela organização do lazer dirigido à infância e à juventude objetivava introduzir uma política social de assistência médica-pedagógica a este segmento frágil da população. Com a visão social de Mário de Andrade empenhado em promover assistência moral e cultural a jovens e crianças provenientes das camadas pobres da população, os novos processos pedagógicos irão estabelecer que a educação deveria estimular aspectos ligados à inteligência e à solidariedade social, e que a recreação viria contribuir eficazmente para essa finalidade. A corte, desprestigiada pelos códigos de civilidade, incorpora novos comportamentos ainda não apropriados pela cultura popular numa tentativa de justificar seus privilégios. Começam a existir os passatempos coletivos que demandará o início de um novo comportamento lúdico nesta sociedade. Assim começa a forma-se uma cultura de lazer.

4.2 – O conceito de lazer
"O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais." (Dumazedier, 1976, apud Oleias) 4 Lazer – [do lat. Licere, “ser lícito”] ócio, descanso, folga, vagar. Senso de prazer e da volúpia. Tempo de que se pode livremente dispor, uma vez cumprido os afazeres habituais. Divertimento, entretenimento, distração, recreio. (Novo Aurélio Século XXI)

O conceito de lazer surge em 1976, através do sociólogo francês, Joffre Dumazedier, criador do que atualmente é chamada a sociologia do lazer. Segundo ele o uso do tempo livre é um fator de desenvolvimento cultural, portanto seria o “terceiro setor”, a indústria do lazer. O tempo destinado ao lazer é compensatório, pois repõe as energias para as próximas atividades obrigatórias, descarrega as tensões do trabalho, tudo isso se deve ao fato de quebrar
4 Dumazedier, Joffre. Sociólogo Francês, apud Oleias, Valmir José. Sociólogo Brasileiro. Disponível no site http://www.cds.ufsc.br/valmir/cl.html . Acessado Em 03/06/2007 as 05hs35min.

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a rotina, nem que seja com uma simples caminhada em um parque, ou em uma conversa familiar, onde encontram prazer em pequenos gestos do cotidiano, e são capazes de preencher com isso as necessidades de exercícios físicos, de criatividade manual, de sonhos, de informação, de sociedade.
“O lazer é como qualquer atividade que não seja profissional ou doméstica, um conjunto de atividades gratuitas, prazerosas, voluntárias e liberatórias, centradas em interesses culturais, físicos, manuais, intelectuais, artísticos e associativos, realizados em um tempo livre roubado ou conquistados historicamente sobre a jornada de trabalho profissional e doméstico e que interferem no desenvolvimento pessoal e social dos indivíduos” (Camargo, 1989).

Poderíamos definir lazer, como uma forma de você utilizar seu tempo dedicando-se a uma atividade prazerosa e que você goste de fazer, o que não significa que seja sempre uma mesma atividade. Fazendo convergir às diversas expressões, podemos considerar a ausência de qualquer atividade concreta, ou seja, certa liberdade de não fazer coisa alguma. Surge de forma clara uma tentativa de definir certo tempo (fora das ocupações diárias) em contraponto com o outro tempo (o das ocupações diárias). Assim, o conceito “tempo livre” parece aquele que melhor corresponde à necessidade de “batizar” a parte do dia em que não estamos ocupados com atividades definidas. É evidente constar à importância do lazer para a recuperação física e psíquica dos desgastes que as pessoas sofrem nas relações no dia a dia, na família e nos grupos sociais de que fazem parte. A instituição procurara em suas ações proporcionar ao publico alvo experiências que, além de possibilitarem a recuperação física e mental, melhorem a qualidade de vida e atendam à necessidade de participação, solidariedade e integração sócio-cultural. No Brasil a classificação de lazer se divide em três atividades: as esportivas, as recreativas ou lúdicas e as culturais. O lazer é geralmente gratuito, o lazer cultural é centrado nas artes e no conhecimento, e o lazer esportivo é relacionado a exercícios físicos.

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4.3 - A importância do brincar

É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fruem sua liberdade de criação. (Elisabeth Salgado)5

A afirmação central da valorização do brincar encontra-se em Santo Tomás de Aquino: “O brincar é necessário para a vida humana”. O brincar não esta restrito apenas as crianças. É mais comum vê-los brincar, mas muitas vezes os adultos usam brincadeiras para esquecer o stress do dia-a-dia. Todas as crianças, assim como todo ser humano, são indivíduos inseridos na sociedade, e são portadores de cultura profundamente marcada pelo meio em que vivem. Tendo na família um ponto de referência por onde estabelecem relações sociais. Através do brincar a criança tem uma forma de aprendizagem, e é um instrumento que permite que a criança atribua sentido ao mundo e as suas relações com suas necessidades, tendo assim bagagem para desenvolver atividades mais elaboradas futuramente. É desenvolvida durante o brincar a auto-estima das crianças, o entendimento da colaboração, divisão, liderança, obediência às regras e competição, favorece a aprendizagem e habilidades motoras, desenvolve habilidades visuais e auditivas, seu raciocínio criativo e inteligência. Finalmente, o brincar pode funcionar como um espaço através do qual a criança deixa sair sua angústia, aprende a crescer e aprende os limites. A experiência criativa começa com o viver criativo, manifestado primeiramente na brincadeira. A criança privada de brincadeiras é notoriamente inquieta e incapaz de brincar, apresentando um empobrecimento da capacidade de experiências no campo cultural. Se a criança não gosta de brincar ou não é criativa nas brincadeiras, é porque ela esta com problemas. A ludoterapia é a terapia adaptada para o tratamento infantil através do lúdico, "do brincar". Essa terapia tem mostrado excelentes resultados em crianças com diversos tipos de problemas, permitindo que a criança expresse seus medos, conflitos e ansiedades, possibilitando, com o auxilio do terapeuta, a elaboração destes sentimentos.

5 Salgado, Elisabeth. Psicopedagoga disponível em www.elisabethsalgadoencontrandovoce.com, acesso em 04/06/2007 às 23h24min.

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CAPÍTULO 5 – CULTURA

5.1 - Conceito
Cultura – [do lat. Cultura] ato, efeito ou modo de cultivar. Conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação, e cooperação entre indivíduos da sociedade. Atividade e desenvolvimento intelectual de um indivíduo. Antrop. O conjunto com complexo de códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva, e se manifestam praticamente em todos os aspectos da vida.

A palavra Cultura deriva do latim “Cultura” onde o significado é cultivar o solo, cuidar. É extremamente importante que esse solo seja cultivado por um número cada vez mais amplo de setores da sociedade. Os conceitos de cultura muito freqüentemente diferem do senso comum. E coube ao antropólogo Edward Burnett Tylor oferecer pela primeira vez uma definição formal do conceito popularmente adotado, Tylor define como sendo cultura as formas de organização de um povo e todos os comportamentos que são aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano e transferidos para as gerações seguintes, conferindo uma identidade para esse povo. Portanto tudo o que nasce da alma do homem - e mais seus hábitos, costumes, tradições e crenças - é cultura. Não existem culturas melhores, nem culturas piores, pois é impossível julgarmos objetivamente as diferenças, um exemplo é o Brasil que não é igual culturalmente a nenhum outro país, diferindo nos valores, na maneira de vestir e agir, na música, teatro, artes, lendas e contos populares, santos, milagres e crenças, comidas, artesanato. De tudo isso o Brasil tem um pouco. E de tudo isso se faz a identidade do brasileiro. A Cultura de um povo se aprende e pode evoluir com o tempo. A perspectiva da cultura como “mecanismo de inclusão social” inicia-se com o pressuposto que o homem precisa de orientação para encontrar suas bases no mundo, esses são bens imateriais que ele tem que apreender antes de poder funcionar, considerando que ele é um ser inacabado, completando-se por ações, e pensar, e isso consiste não somente no mental, mas também palavras, gestos, desenhos, sons musicais, ou toda ação que acontece ao seu redor. Esses são pré-requisitos humanos. Com isso podemos deduzir que não existe a natureza humana sem a cultura.

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A cultura é aperfeiçoada, desenvolvida, e modificada, continuamente, nem sempre de maneira perceptível pelos membros do próprio grupo. É justamente isso que contribui para seu enriquecimento constante, por meio de avanços e criações da própria sociedade e ainda através do que é adquirido de outros grupos. A cultura é essência de uma sociedade, não pode e nem deve ser mudada por imposição, portanto não se deve prever a eliminação de determinados traços culturais. Além dos hábitos e costumes que recebe de seu grupo, o homem amplia seus horizontes, e passa a ter novos contatos com grupos diferentes em hábitos, costumes os quais farão com que adquiram alguns desses modos de agir e pensar. Trata-se da aquisição pelo contato. É certo que essa transmissão pelo contato não abrange toda a cultura do outro grupo. Somente alguns traços se transmitem e se incorporam aos seus padrões hábitos ou costumes que até então lhe eram estranhos. Havendo uma troca recíproca de valores culturais. Dessa forma, o homem adquire novos elementos culturais, e enriquece seu tipo cultural. Atividades e ações culturais são indispensáveis para a produção de conhecimentos que contribuam para a solução dos graves problemas que comprometem o desenvolvimento do País. A cultura é também um dos fatores que possibilitam a criação de condições favoráveis a uma efetiva transformação dos indivíduos e da sociedade. A cultura assume sentidos múltiplos que contribuem aos processos vindo na contramão da violência, proporcionando identidade individual e coletiva, proporcionando ética e estética. As atividades artísticas e lúdicas comumente integram projetos como linguagem para a cidadania, com a intenção de estimular a criatividade e a liberdade de expressão. Uma das formas de estimular a produção artístico-cultural é criar espaços para a manifestação desse tipo de realizações. A instituição pretende oferecer um modo de aperfeiçoar a cultura brasileira, e de melhorar o nível intelectual da população infanto-juvenil dos bairros e escolas próximas ao local de implantação. Visa também ao fortalecimento da identidade nacional – fatores essenciais para o processo de desenvolvimento. Há intenção também de procurar atender às necessidades de lazer cultural da população que utilizará o projeto, sensível para o fato de que as necessidades de integração social, exposição de emoções, entretenimento e diversão são fundamentais para o desenvolvimento do ser humano. As atividades culturais serão realizadas através de ações que incluem teatro, cinema, dança, música, palestras, seminários, debates e oficinas. Procurando, com estas linhas de

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educação, permitir ao público-alvo o acesso durante seu tempo livre ao lazer cultural que proporcione diversão e entretenimento.

5.2 - Cultura marginalizada
Apesar de contribuir para formação do ser humano, a cultura, é incapaz de orientar nossos comportamentos ou ordenar nossas experiências sem a tendência fornecida por ações significantes. Para obter a informação adicional necessária no sentido de agir, somos induzidos a depender cada vez mais de estímulos externos. Nossas idéias, nossos valores, nossos atos, até mesmo nossas emoções são uma herança que o homem recebe ao nascer. Desde o momento em que nasce a criança começa a receber uma série de influxos do grupo em que nasceu.

Figura 5.1 desenho feito por menino após ver tiroteio Fonte: www.duplipensar.net/artigos/200x/esse-individ

Os pais se preocupam com a cultura recebida por seus filhos.Um exemplo é uma entrevista feita por Zaluar, a um ladrão eventual de 29 anos, pai de família, onde ele demonstra preocupação com seus filhos não os querendo no meio da rua. Assim se referindo ao local (rua):
“... é igual, por exemplo, você gostar de uma moto, gostar de um carro bonito, então eu acho que isso atrai a gente e a mesma coisa é isso, crime. Você vê um bandido passar e que o bandido falou isso, fez aquilo, que dizer que a pessoa é atraída por aquilo. É só o que a gente ouve hoje, sobre crime... porque no ambiente em que a gente mora só se comenta isso, é o que mais se comenta na favela é a respeito do crime... e isso fascina as pessoas que moram ali dentro e é atraído por aquilo.” (ZALUAR, 1992, PAGINA 26).

“Amamentados pelos sons dos tiros” é esse o contexto onde esses jovens vivem, em meio aos riscos e vulnerabilidades das drogas, violências e crimes, e as figuras com as quais

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eles se identificam é o chefe do tráfico, o chefe do crime. Para esses jovens, o tráfico representa uma possibilidade de melhoria de vida social. E o traficante é visto nos meio onde eles vivem como uma figura de respeito que zela pelo bem-estar da comunidade à medida que faz bem feitorias, muitas vezes substituindo o Estado. E para eles são os traficantes que os respeitam como cidadãos. Outro motivo para jovens se envolverem com o crime é para financiar o próprio vício, pois as drogas é uma forma que encontraram para fugir da vida difícil, uma forma de se sentirem mais leves, mais contentes. À medida que a criança vai crescendo, recebe novas influências desse mesmo grupo, de modo a fazer parte da sociedade, passando a agir como reflexo de sua sociedade fazendo aquilo que é normal e constante para ele, agindo de acordo com padrões já pré-estabelecidos. Como a diversão é limitada, a rua se torna a única forma de diversão para crianças de bairros carentes, a mesma rua marginalizada, onde recebem as culturas provenientes deste meio. Essa rua que muitas vezes é onde a criança passa a maior parte do dia, quando não estão na escola. A carência de atividades é explorada pelo tráfico marcando presença e ocupando espaços deixados em aberto pelo poder público, colocando lazer, organizando festas, e uma série de outras atividades para animar a comunidade, e assim se transformam em uma referência para os jovens.

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CAPÍTULO 6 – PRINCIPIOS ARQUITETÔNICOS

6.1 - Definição da área de implantação
O Projeto será implantado em Campo Grande, capital do estado do Mato Grosso do Sul.

Foto 6.1 Fonte: www.inema.com.br

Foto 6.2 Fonte: www.moldurarte.com.br

Campo Grande é uma cidade que se revela moderna, de vias largas e arborizadas que harmoniza crescimento com qualidade de vida.

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Foto 6.3 Campo Grande vista do parque das nações indígenas Fontes: www.elitebrasil.com.br/matogrossodosul/

Foto 6.4 vista noturna do centro da cidade www.brazil4you.com/cidades/?CodCid=36

Dados Gerais da cidade de Campo Grande – MS: Localização: Município da região centro-oeste – capital do estado do Mato Grosso do Sul População: Limites: 724.638 habitantes segundo o IBGE Norte: Jaraguari e Rochedo; Sul: Nova Alvorada do Sul e Sidrolândia; Leste: Ribas do Rio Pardo; Oeste: Terenos. Temperatura média anual: Área: Altitude: Distância de Brasília:
Tabela: 6.1

23.19°C 8.118,4km² 532m² 1134km

Ventos predominantes: segundo a Embrapa, a direção leste é predominante com sua freqüência superior a 30%, existindo também uma freqüência significativa nas direções norte e nordeste.

A FREQÜÊNCIA MÉDIA É: NW: NE: SE: 0-14% 5-17% 5-16%

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N: E:
Tabela 6.2

5-17% > 36%

A Cidade está dividida em sete regiões: Região Urbana do Centro, Região Urbana do Segredo, Região Urbana do Anhanduizinho, Região Urbana do Bandeira e Região Urbana do Prosa.

Figura: 6.5 Fonte: www.pmcg.ms.gov.br

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O bairro onde será implantado o Centro Cultural e Assistencial Infantil, esta localizado na Região Urbana do Bandeira. O lote está localizado no Bairro Tiradentes.

Figura 6.6 Fonte: www.pmcg.ms.gov.br

6.2 - Contexto histórico-cultural
6.2.1 - O Bairro Tiradentes em Campo Grande

Em meados de 1950, o médico Dr. Anísio de Barros, compra uma extensa área do “Bandeirinha” (antigo dono de uma extensa área na cidade, situada na região hoje chamada de Bandeira, em homenagem a ele) e forma a Fazenda Rancharia, que inicialmente serve para receber os gados provenientes de suas fazendas no pantanal. Com a abertura da rua Joaquim Murtinho, a cidade começa a se aproximar da Fazenda Rancharia, fazendo com que o Dr. Anísio de Barros reveja os planos para sua propriedade. Assim nos anos 70, o médico promove o começo do loteamento da fazenda, para incentivar a ocupação. Doou uma área para os salesianos, área onde hoje é o Asilo São João Bosco.

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Posteriormente a fazenda é cortada pela estrada das Três Barras e pelo mini-anel. A proximidade ao mini-anel, e as condições hidrológicas, suscitou uma coleção de mais de doze piscinas naturais regadas pelas minas do Córrego Lajeado, área recentemente ocupada pelo empreendimento imobiliário, Condomínio Dahma.

6.3 - Contexto jurídico-institucional
O terreno esta localizado entre as ruas: ao norte Joaquim Murtinho, ao sul Brasilândia e a oeste Antônio Pinto de Barros. A lei de uso e ocupação do solo, que dispõe sobre a área urbana do território do município de campo grande, estabelecida por lei, para as quais são atribuídas diferencialmente permissões e restrições de uso e ocupação do solo, visando o ordenamento geral do assentamento. Segundo esta, o terreno escolhido esta localizado na zona de uso Z7, que permite as categorias residenciais, comerciais atacadistas e varejistas, industrial e serviços diversos. O tema deste trabalho encaixa-se na categoria de prestação de serviços, S1 e S2, que permite resumidamente: S1: Autônomos, escolas de informática, bicicletaria, serviços para alimentação, imobiliárias, consultórios e clinicas medicas, academia de ginástica, cursos de línguas e profissionalizantes, bares e congêneres sem musica. Todos com porte até 720m². S2: idem ao item S1, todos com porte acima de 720m².

Em função do permitido ao zoneamento Z7, a taxa de ocupação é 50%, a taxa de permeabilidade é de 12,5%, o índice de elevação é dois pavimentos é livre para as laterais e frente, e de 5 metros a frente do lote. Localizado na Latitude 20°28'9.43"S e Longitude 54°34'43.03"O

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Foto 6.7 Fonte: www.maps.google.com.br

6.4 - Contexto socioeconômico

Figura 6.8 Bairro Tiradentes Fonte: a autora

Figura 6.9

A tipologia de ocupação do solo mais ocorrente é a residencial, térrea e centro de lote, predominando as construções de baixa renda, e alguns condomínios residenciais próximos, também de baixa renda.

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A população residente no Bairro Tiradentes excede 15000 habitantes com densidade habitacional de 15,71 hab/ha.

6.5 - Infra-estrutura
Abastecimento de água – a região é abastecida pela rede pública de distribuição de água. Pavimentação asfáltica – no Bairro Tiradentes, atualmente é em 30% do bairro, e está em processo de pavimentação das principais ruas para a passagem da linha de ônibus. Educação - existem oito escolas nas proximidades dos terrenos (duas municipais, e seis estaduais) Coleta de lixo - três vezes por semana. Esgoto sanitário - possui esgoto em 50 % do bairro. Iluminação pública – a iluminação pública é bastante deficiente na maior parte das ruas do bairro. Saúde – a região do Tiradentes conta um centro de saúde 24 horas. Lazer – A região do Bandeira e o Bairro Tiradentes ainda não são bem providos de locais de lazer. Transporte Urbano – A região é provida por várias linhas de ônibus, com fluxo suficiente nos horários de pico, e deficiente no período noturno e nos demais horários diurnos, havendo também deficiência de linhas para terminais, e para o shopping.

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6.6 - O terreno

Figura 6.10 Fonte: www.maps.google.com.br

Figura 6.11: Curvas em nível Fonte: geomorena

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O terreno possui a área aproximada de 27820.587m², e como é possível visualizar na foto anterior, o terreno é plano.

Figura 6.12: Vista do oeste do terreno Fonte: a autora

Figura 6.13: Vista do norte do terreno Fonte: a autora

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Figura 6.14: Vista do entorno do terreno ao norte Fonte: a autora

Figura 6.15: Vista do entorno do terreno ao sul Fonte: a autora

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CAPÍTULO 7 – PROPOSTA ARQUITETÔNICA

O projeto a ser apresentado, “Centro Cultural e Assistencial Infantil”, irá contemplar soluções arquitetônicas, para que esse possa eliminar ao máximo as barreiras físicas ou sensoriais de uma edificação, proporcionando autonomia a todos que o freqüentarem. Ele deverá ser um modelo para cidade que possui pouca preocupação com o direito de ir e vir de todos. As pessoas devem se conscientizar da importância de um espaço projetado para todos. O local na verdade terá a função de auxiliar professores do ensino regular, com cursos, palestras e principalmente oficinas, para que esses possam atender crianças carentes.

7.1 - Centro cultural e assistencial infantil
“Educai as crianças e não será preciso punir os homens” (Pitágoras)

A própria sociedade impõe barreiras para a inclusão social, começando por dar valor de status a quem tem acesso à cultura. Sendo assim é conveniente a construção de um espaço público, para que as crianças possam desde cedo desfrutar do verdadeiro sentido de cultura, lazer e educação. Qual a fórmula para um novo ensino público de qualidade? Teoricamente: pão + trabalho + educação = ordem. Combater a fome e a ociosidade, esta seria a fórmula para um ensino de qualidade e para impedir o avanço da criminalidade.

Figura 7.1 Fonte: posto-assistencia-maria-ajudando

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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê a transformação gradativa de um sistema educacional como conhecemos para o regime de tempo integral. Ao mesmo tempo a lei reconhece e valoriza as iniciativas de instituições que desenvolvem experiências extra-escolares, estas organizações, nascidas em geral por iniciativa da própria comunidade, que trabalham por uma educação melhor e pela proteção social. Atualmente a educação precisa atender a essas novas funções devido à dimensão social assumida pela escola, mas dificilmente a escola tem infra-estrutura necessária para poder oferecer determinados serviços exigidos à educação integral. É indicada a oferta de serviços educacionais com tal abrangência através de uma rede de apoio à escola visando o ensino integral como forma de proteção à infância. O plano pedagógico da nova educação deve articular cultura, saúde e educação e ser construído em toda a comunidade escolar. É o que garantirá a qualidade do ensino integral. Isso é fundamental para os processos de igualdade social. A educação deve ser repensada como uma forma de integração com os outros espaços. O objetivo da instituição de apoio à nova educação pública é requerer integração à ordem através da oferta de assistência ao menor carente em uma instituição de caráter disciplinador e uma rede que possibilite não apenas educá-los, mas atendê-los com serviços sociais, pois pode ser o único lugar que alguns jovens são bem-vindos. Então lá se deve cuidar da saúde médica e odontológica. Cuidar da higiene. Alimentar e capacitá-los para o mercado de trabalho. Em “a produção da escola pública contemporânea”, Gilberto Luiz Alves cita a merenda como importante função da escola pública de modo a compensar o que eles não encontram em casa. Toda a abrangência do centro cultural e assistencial infantil se trata de ajudar a preparar e servir a “sobremesa” para uma população que pode nem sequer possuir a refeição principal. É importante fazer com que a educação integral tenha entre seus princípios a interligação com a sociedade para o desenvolvimento social dos estudantes e da comunidade. Atualmente o ensino é um fenômeno de desigualdade social, por isso é preciso levantar uma forma de constituir uma educação com igualdade de condições para todos os membros da sociedade em todos os sentidos. A idéia da educação hoje em dia é formar pessoas e não só abastecê-las com conteúdo. Deve-se haver um enorme esforço para

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aproveitar as características culturais já presentes nas crianças e jovens e promover a educação a partir dessas características.

7.2 - Quantidade de crianças que serão assistidas:
Segundo dados obtidos no programa Escola Viva, em Campo Grande MS, em média 402 jovens freqüentam as oficinas oferecidas nas escolas aos finais de semana, portanto os projeto pretende assistir uma média de 500 crianças diariamente. NÚMERO DE PARTICIPANTES NAS OFICINAS /2006 ESCOLAS Nº TOTAL DE PARTICIPANTES MÊS DE MARÇO/2006

01 EM PROF.ª ARLENE MARQUES 465 DE ALMEIDA 02 EM CARLOS VILHALVA 304

CRISTALDO 03 EM PROF.ª ELIZABEL MARIA 411 GOMES SALLES 04 EM ELIZIO RAMIREZ VIEIRA 05 EM EULÁLIA NETO LESSA 06 EM PE. HEITOR CASTOLDI 662 244 312

07 EM PROF.ª IONE CATARINA 400 GIANOTTI IGYDIO 08 EM PROF. JOÃO CÂNDIDO DE 475 SOUZA 09 EM MAESTRO JOÃO CORRÊA 408 RIBEIRO 10 EM JOÃO NEPOMUCENO 373

11 EM PROF.ª LEIRE PIMENTEL DE 443 CARVALHO 12 EM CONSULESA MARGARIDA 516 MAKOUD TRAD 13 EM PROF.ª MARIA TEREZA 606

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RODRIGUES 14 EM PROF.ª MARINA COUTO 244

FORTES 15 EM PROF.ª ONEIDA RAMOS 16 EM SANTOS DUMONT 17 EM PE. TOMAZ GHIRARDELLI 18 EM PROF.ª OLIVA ENCISO 19 EM SULIVAN 316 370 647 420

SILVESTRE 434

OLIVEIRA 20 TOTAL PARTICIPANTES
Tabela 7.1 - Fonte: www.pmcg.ms.gov.br

8050

7.3 - Condicionantes
• A Convenção Internacional dos Direitos da Criança, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal Brasileira conferem direitos a crianças e adolescentes como garantia de proteção e desenvolvimento integral. As crianças e adolescentes são o foco principal de atendimento do Centro Cultural e Assistencial Infantil. • Não é intenção de a instituição substituir a família ou a comunidade, com laços afetivos essenciais para o desenvolvimento na infância e adolescência. Por isso, o Centro Cultural e Assistencial Infantil propõe a trabalhar para o fortalecimento de suas famílias e comunidades e a ajudar os jovens a se tornarem mais autônomos e emancipados. • Toda transformação social pressupõe um trabalho sério de educação. O Centro Cultural e Assistencial Infantil tem sua ação predominantemente educativa, baseada na idéia que através da Educação é possível a transformação da sociedade com melhores condições de vida para todos. • O Protagonismo Juvenil pode ser compreendido como gerência da sua própria vida pelos jovens em formação como sujeitos de sua vontade, de sua imaginação, de sua criatividade e o respeito a seus valores culturais e o estímulo à sua participação nas decisões. Tais práticas estão fundadas da crença de que a participação ativa dos jovens na definição de sua vida e da

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sociedade contribui para a formação de uma postura cidadã. Os jovens serão estimulados a participar de várias decisões a respeito da entidade, convidados a emitir suas opiniões acerca de variados temas. Isso faz com que esses jovens se sintam privilegiados e responsáveis pelo que acontece dentro da entidade. • Usar da estratégia do “Ensino mútuo” – alguns alunos adolescentes, instruídos pelo mestre, ensinam outros adolescentes, supervisionando sua conduta e administrando, material didático, portanto se tem jovens ensinando outros jovens e crianças da comunidade, que desenvolveriam um sentido de orientação, tendo como ênfase a cultura e a reconstrução de valores éticos, como os de solidariedade e responsabilidade social.

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8 – PRECEDENTES

8.1 - Funcionais:

Precedente 1

Obra: CENTRO CULTURAL E ASSISTENCIAL Local: Ubatuba – SP Ano: 2001 Autor do Projeto: Ruy Ohtake

http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura628.asp

Figura 8.1

Também conhecido como “Centro o Menino e o Mar”, teve inicio em 1999 e conclusão em 2001. “o projeto procura contribuir para que crianças hoje excluídas amanhã se tornem cidadãos, com dignidade”, observa Ohtake. Tem a forma de um peixe e elementos que lembram as ondas, destaque por seu desenho simples e uso de materiais locais. Possui um espaço para eventos, o “Pavilhão do Menino Pescador” voltado para uma pequena praça, nos outros blocos está localizado o posto médico, berçário e administração, salas de aula e ateliês, e um espaço reservado para restaurante ainda não construído.

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http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura628.asp

Figura 8.2

Precedente 2

Obra: CENTRO ASSISTENCIAL Local: São Paulo – SP Ano: 2002 Autor do Projeto: Danielle Klintowitz, Stefânia Dimitrov e Alessandra Pires.

Figura 8.3 Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura312.asp

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Com dois edifícios, de uso educacional (Núcleo multimídia) e cultural (teatro de arena), voltados à população carente do Jardim Ângela, bairro extremamente populoso e adensado da periferia sul de São Paulo Implantadas em terreno com 40 mil m2 e topografia irregular, originalmente ocupado por centro de extensão escolar. No núcleo multimídia possui sala de informática e estúdio de áudio e imagem.

8.2 – Tipológicos

Precedente 3

Obra: CENTRO DE ENSINO EXPERIMENTAL CÍCERO DIAS Local: Recife - PE Ano: 2006 Autor do Projeto: Ana Paula Polizzo, Gustavo Martins e Marco Milazzo

Figura 8.4 Fonte: www.plataformaarquitectura.cl/.../admin/page/5/

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Fonte: http://www.vitruvius.com.br/institucional/

Figura 8.5

Escola pública modelo, funciona em período integral. Os alunos fazem três refeições por dia e contam com aulas especiais, como língua estrangeira e filosofia. A escola não possui muros nem portões, partindo da idéia que o conhecimento não deve ser concentrado e sim difundido para além das barreiras e muros da escola. Usando técnicas tradicionais de modulação foi possível a construção mais rápida e econômica. O volume foi dividido em cinco blocos: de administração e professores, de salas de aula e laboratórios, de serviço e refeitório, de biblioteca e informática, e de auditório. Esse conjunto possui um e dois andares unidos por um conjunto de estruturas metálicas. O projeto atende todos os requisitos de acessibilidade e conforto térmico, utilizando-se de rampas e bom aproveitamento de ventilação e iluminação natural. Outro fator importante é o entendimento de que a escola não poderia ter fundos, todas as fachadas deveriam ser trabalhadas como principais. O programa para a escola foi elaborado de forma a iniciar um novo conceito de ensino. As nove salas de aula foram dimensionadas para um específico número de alunos e são divididas entre si por painéis móveis, que permitem a configuração de um espaço único, se necessário. As salas são equipadas para que possa ser informatizado, o auditório localizado no térreo possibilita fácil acesso de visitantes em caso de eventos e o programa da escola também inclui uma biblioteca informatizada. A idéia é formar uma escola para ensino diferenciado, buscamos criar um projeto de fácil execução, racionalidade construtiva, sem perder de vista a sua estética, volumetria e importância como formadora de cidadãos.

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Fonte: http://www.vitruvius.com.br/institucional/

Figura 8.6

8.3 – Plásticos/ Formais
 Precedente 4 Obra: ESCOLA DE MARKETING INDUSTRIAL Local: Cotia-SP Ano: 2003 Autor do Projeto: João Paulo Campos e Ernesto Zamboni

Foto 8.7 - Jardin interno Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura390.asp

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Ambientes educacionais integrados à escala da natureza O conjunto se divide em dois módulos de salas de aulas. Separados entre si por uma grande praça, cada um deles abriga também uma praça de convivência com cobertura vazada na área central. Ele foi construído em alvenaria convencional, revestido por tijolos aparentes e apresenta fechamento com grandes extensões em vidro, detalhe que assegura vista constante para o verde.

Precedente 5

Obra: ESCOLA PHD INFANTIL Local: Natal-RN Ano: 2003 Autor do Projeto: Felipe Bezerra

Foto8.8: muro recortado que delimita o corredor Fonte: www.arcoweb.com.br

Explorando ao máximo o potencial de materiais como a alvenaria comum, as telhas metálicas e os cobogós, o arquiteto Felipe Bezerra desenvolveu um projeto de impacto visual. A proposta baseou-se em formas e cores para despertar o interesse dos moradores da região. Internamente, os cuidados com o conforto térmico definiram uma das características mais importantes do projeto. Como a face principal está voltada para o poente, o muro amarelo com recortes, que internamente delimita o corredor de acesso às salas de aulas, foi projetado com a função de protegê-las contra a radiação solar direta, ao mesmo tempo em que permite a saída do ar quente - os ventos dominantes incidem pela face oposta.

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Por sua vez, as classes são delimitadas por cobogós. “Desse modo há ventilação cruzada constante”.

8.4 – Tecnológicos

Precedente 6

Obra: TEATRO MUNICIPAL DE NATAL Local: Natal-RN Ano: 2005 Autor do Projeto: Mario Biselli e Guilherme Motta

Foto 8.9 - Grelhas de proteção solar Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura656.asp

Escolhido em concurso público de arquitetura, no final de 2006, o projeto do Teatro de Natal foi criado por equipe liderada por Mario Biselli e Guilherme Motta. No desenho dos arquitetos paulistas, o privilegiado terreno - com duas esquinas - ganhará uma grande praça pública, de configuração triangular, voltada para a via principal. Nesse espaço livre de construções, uma parte será pavimentada e destinada a apresentações ao ar livre, e a porção restante será ocupada por jardim de palmeiras e jatos d’água.

Precedente 7

Obra: UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL Local: São Paulo – SP Ano: 2001

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Autor do Projeto: Kruchin Arquitetura

Figura 8.10 elementos da fachada da Unicsul Fonte: arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura529

Figura 8.11 janelas da biblioteca voltada para pátio Fonte: arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura133

A construção, que se expressa a partir da estrutura metálica, tem suas fachadas como elementos funcionais e estéticos. O edifício foi concebido de modo a firma pela identidade de sua arquitetura, uma autonomia que o desenho torna explícita. Na cobertura, outro destaque do projeto: uma praça arborizada com pista de cooper. Como o pavimento superior está praticamente na mesma altura da copa das árvores, há a sensação de um jardim elevado contínuo.

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9 – MEMORIAL DESCRITIVO

9.1 – Listagem das espécies utilizadas no paisagismo

GRAMA SÃO CARLOS

Representação em Projeto:

Nome científico: Axonopus Popularmente conhecida: Curitibana Fertilidade do solo: Médios e fracos Altura: até 15 cm Tolerâncias: Pisoteio Seca e áreas sombreadas. Descrição: Grama rasteira com folhas largas, lisas e sem pelos cor verde-intenso e com estolhões ou estolhos (caules rastejantes, que emitem de espaço em espaço raízes para baixo e folhas para cima abundantes), é também a mais resistente a sombra mas adapta-se bem a áreas ensolaradas. Crescimento pouco intenso para o alto, formando um gramado bastante denso. Resiste bem às pragas e ervas daninhas. Utilização: jardins públicos e residenciais, áreas industriais, casas de campo, segurar barragens, evitar erosão, regiões de clima frio também, e evitam crescimento de matos.

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Figura 9.1 Fonte: www.isla.com.br/img/artigos/2005-02-14.grama.jpg

FLAMBOYANT

Representação em projeto:

Nome científico: Delonix regia Altura: até 15 m de altura

Seu uso na arborização urbana fica recomendado apenas a parques e grandes espaços, devido a sua altura e suas raízes muito superficiais que destroem as calçadas ao seu redor. Suas flores são majestosas e de cor vermelha-alaranjada ou amarelas, e a época de floração é de outubro a dezembro.

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Figura 9.2 Fonte: http://ourworld.compuserve.com/

JACARANDÁ

Representação em projeto:

Nome científico: Jacaranda mimosifolia Altura: até 15 m de altura Características: Árvore frondosa, de folhagem delicada. De porte médio, esta espécie pode atingir até 15 metros de altura. Durante o inverno, o jacarandá-mimoso perde suas folhas, mas no início da primavera ele se cobre de flores arroxeadas e perfumadas. A floração se prolonga até o começo do verão e recobre praticamente toda a copa.

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Figura 9.3 Fonte: www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=50815...

PATA DE VACA

Representação em projeto:

Nome científico: Bauhinia variegata (flor rosa) Nome científico: Bauhinia (flor branca) Altura: até 10 m de altura Características: Árvore mediana de até 10 m de altura, com copa densa. As flores de coloração rosa ou brancas. A floração ocorre de julho a setembro.

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Figura 9.4 http://www.arvores.brasil.nom.br/florin/bauhi.htm

CHUVA DE OURO

Representação em projeto:

Nome cientifico: Cassia fistula Observações: Altamente decorativa, indica-se plenamente à ornamentação de parques e jardins.

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Floração: Apresenta caprichosa disposição de flores perfumadas em ramos pendentes. É, entre as espécies do gênero, a que mais se caracteriza pelo aroma. Floresce nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro.

Figura 9.5 Fonte: www.imagem.ufrj.br/index.php?acao=detalhar_im

CLOROFITO

Representação em projeto: Nome científico: Chlorophytum comosum hybrido Nome popular: clorofito, gravatinha. Porte: 15 a 20cm de altura. Características: Herbácea de folhagem ornamental verde com bordas brancas ou

apresentando coloração branca ou amarelada no centro, com as bordas verdes. Utilizada como forração em canteiros, preferencialmente a meia-sombra e em locais de clima quente e úmido. O solo deve ser rico em matéria orgânica e mantido úmido.

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Figura 9.6 Fonte: www.biologico.sp.gov.br

TRAPOERABA-ROXA

Representação em projeto:

Nome científico: Tradescantia zebrina Porte: 15 a 25cm de altura. prostada

Características:

Herbácea

suculenta, folhagem ornamental. Folhas verdes arroxeadas, com duas faixas prateadas brilhantes na face de cima e roxas na face de baixo. Prospera em meia sombra, em terra fértil e com boa drenagem.

Figura 9.7 Fonte: www.biologico.sp.gov.br/bioin_janeiro05.htm

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PALMEIRA-DE-NATAL

Representação em projeto: Nome científico: Veitchia merrilli Porte: até 8 metros Características: De hábito solitário, com estipe delgado, levemente anelado e de coloração cinza-claro a escuro.

Figura 9.8 Fonte: www.jardinagempaisagismo.com

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SANGUE DE ADÃO

Representação em projeto: Nome científico: Salvia splendens

Foto 9.9 Fonte: http://www.expomudas.com.br /ornamentais017.htm

Porte: 0,80 a 1,20m de altura. Flores: Quase o ano todo. Características: Florescimento intenso sempre à pleno sol. Existem espécies com flores vermelhas, brancas ou roxas. Não requer muitos cuidados.

MARIA-SEM-VERGONHA

Representação em projeto:

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Nome científico: Impatiens walleriana

Foto 9.10 Fonte: http://www.artevegetal.com.br/htmls

Porte: Até 60cm na espécie original e até 20cm nas variedades anãs. Flores: Quase o ano todo, em diversas cores. Características: À meia-sombra floresce mais intensamente. É utilizada em conjuntos, bordaduras ou como forração nas variedades anãs. Dá sempre um toque campestre ao jardim, com a delicadeza de suas flores. Não requer muitos cuidados.

IPÊ ROSA

Representação em projeto:

Nome científico: Tabebuia pentaphylla

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Foto 9.11 Fonte: baixaki.ig.com.br/.../16949-ipe-rosa.htm

Porte: em torno de 8,0 metros Raízes: pivotantes Folhas: caduca Observações: crescimento e florescimento rápido  PALMEIRA IMPERIAL

Representação em projeto:

Nome cientifíco: Roystonea oleracea

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foto 9.12 Fonte: www.palmeirasholambra.com.br/fotos .html

Características: Palmeira solitária, robusta, provida de palmito de mais de 2m de comprimento, 18-40m de altura; estipe colunar, liso, de cor esbranquiçada; folhas pinadas, 24m de comprimento.

9.2 - Programa de Necessidades

O programa de necessidades do Centro Cultural e Assistencial Infantil foi baseado na intenção de dar apoio às escolas sem infra estrutura mínimas necessárias a educação integral.

Programa dimensionado para cerca de 500 Crianças por período.
1. Bloco 1 A-Térreo  Setor Administrativo

- Sala de administração - Diretoria

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- tesouraria/secretaria - Almoxarifado central  Setor de funcionários

- Banheiro de funcionários masculino e feminino - Sala de funcionários - Copa - Sala de reuniões  Setor Assistencial

- Recepção - Salas de Assistência Médica - Sala de Psicologia - Sala de Enfermagem - Sala de Assistência Social - Sala de Psicologia - Sala de Vacinação -Sala de Campanhas de apoio a família (Cesta básica, campanha do leite, etc) - Farmácia popular - Salas de dentista - Sala de inalação e reidratação  Setor Cultural

- Pavilhão de exposições - Banheiros das famílias femininos e masculinos e PNE - Laboratório de modelagem, estilismo e costura - Laboratório de marcenaria, marchetaria e oficina de manutenção  Setor Esportivo

- Quadra polivalente - vestiário masculino feminino e PNE - Lanchonete - Depósito

B-1°Pavimento  Setor de apoio Pedagógico

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- 2 salas experimental - Laboratório químico biológico - Laboratório de idiomas - 2 Salas múltiplo uso  Setor Artístico

- Sala de cerâmica - Sala de desenho e pintura - Sala de música - Sala de dança - Sala de teatro e expressão corporal  Setor Cultural

- Vestiários, masculino e feminino - Camarins, masculino e feminino - Mini-auditório - Sala de conferência

2. Bloco 2  Setor Multimídia

- Sala de Fotografia - Laboratório de fotografia - Estúdio de fotografia - Laboratório de áudio, som e TV - Rádio comunitária - Ilha de edição/gráfica - Tudoteca (a biblioteca de tudo) - Laboratório de Informática - Internet livre  Setor Assistencial

- Refeitório - Cozinha - Depósito - Câmara fria

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- Área de serviço - Banheiros, masculino e feminino - Espaço para refeições

9.3 – Descrição do projeto

A Implantação em terreno com 31.080 m² e topografia regular, possibilitou o estabelecimento da apropriação do espaço de forma convidativa, com ampla integração visual. O Centro Cultural e Assistencial Infantil – C.C.A.I. - possui dois acessos voltados para o norte e um para o sul junto ao núcleo multimídia. Tendo assim seus espaços locados de maneira a permitir permeabilidade entre os ambientes, criando naturalmente um pátio interno e coberto para onde convergem todas as circulações e funções. O conjunto tem sistema de fluxos de circulação com eixos bem definidos e espaços fluidos.

Outro fator importante é o entendimento de que o C.C.A.I não deveria ter fundos, então todas as fachadas foram trabalhadas como principais, já que o projeto é perceptível por todos os lados. Assim, C.C.A.I. se abre tanto para fora quanto para dentro gerando novos espaços de convívio. O C.C.A.I é distribuído em um conjunto de edificações com um e dois pavimentos ligadas por uma marquise de treliça espacial, e policarbonato. Com volumetria integrando linhas retas e curvas e com cores intensas, os edifícios destacam-se no entorno, caracterizando-os como sedo de fácil identificação infantil. O edifício principal possui integração interior/exterior, com ventilação natural por efeito chaminé e iluminação zenital, criando um micro-clima no jardim interno onde se localiza a recepção e espera. O clima de campo grande exigiu um sistema de ventilação natural com grandes aberturas, varandas e brises para proteção do excesso de sol. Voltado para a Rua Joaquim Murtinho, esta estrategicamente a sala de exposições colocada na intenção de convidar a entrar quem passa pela. O saguão dá

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continuidade ao jardim interno onde se localiza a recepção com balcão de atendimento ao público e onde fica a administração, os atendimentos a saúde preventiva e o acesso ao pavimento superior, onde está localizado o mini-auditório, e onde são ministrados diversos cursos artísticos e culturais. Este volume principal é independente, mas com comunicação de destaque ao centro multimídia, por uma marquise de treliça espacial e policarbonato. Integrado ao centro multimídia está localizado o refeitório dimensionado para atender simultaneamente até 125 crianças. Do lado oposto ao refeitório se localiza a “Tudoteca”, chamada assim por ter a intenção de oferecer conhecimento em suas varias possibilidades de publicações. O centro multimídia conta também com salas de aula de fotografia, laboratório e mini estúdio fotográfico, esses dois últimos com paredes cegas para que não haja influência externa de luz, prejudicando os trabalhos. Possui também um estúdio de som, imagem e vídeo, radio comunitária e uma ilha de edição, para os jovens produzirem e publicarem as noticia do bairro. Solução estrutural: Pilares de concreto colocados à mesma distância compõem uma malha que suportam a estrutura, necessitando apenas das vigas nas paredes externas, amarrando os principais pilares, para vencer grandes vãos foi proposto modelo de laje protendida nervurada que trava a estrutura para receber os pisos do pavimento superior e cobertura, e com recheios de nervura feitos com embalagens tetrapak, para que se possa economizar na quantidade de concreto, e possibilitando conforto térmico e acústico, os recheios das paredes internas também são feitas com embalagens tetrapak, para que haja conforto térmico e acústico, e possibilitando uma estrutura leve. Nas quadras na marquise e na cobertura do jardim interno, a solução estrutural adotada é a de “space frames” da casa “molecule”, em que peças de alumínio se encaixam formando um desenho parecido com o de uma molécula, podendo assim admitir qualquer forma, e de forma mais leve, que as estruturas espaciais tradicionais.

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Foto 9.13 Fonte: http://www.molecule.com.ar/

9.4 – Projeto Arquitetônico

O projeto Arquitetônico, disponível no anexo B, foi dividido em dez pranchas no formato A1 (84.1cm de largura por 59.4 cm de altura). O Conteúdo das pranchas engloba a representação gráfica da proposta, croquis, imagens e textos explicativos.

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CAPÍTULO 10 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo esta baseado na consideração do lazer como cultura no tempo disponível, e não em contraposição, mas em estreita ligação com as obrigações da vida social. Como instrumento de mudança social. Considerando o momento de violência em que vive o país, procura-se relevar todos os movimentos que levaram ao envolvimento infantil e a refletir o que a sociedade pode fazer para tentar mudar, mostra-se assim a importância do Centro Cultural e Assistencial infantil, não só para seus usuários, mas para a comunidade em geral, que poderá ser beneficiada direta ou indiretamente.

ANEXO A

LEI N. 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 (*) Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. TÍTULO II DOS PRINCÍPIOS E FINS DA EDUCAÇÃO NACIONAL Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I — igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II — liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III — pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; IV — respeito à liberdade e apreço à tolerância; V — coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI — gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII — valorização do profissional da educação escolar; VIII — gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX — garantia de padrão de qualidade; X — valorização da experiência extra-escolar; XI — vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

Seção II DA EDUCAÇÃO INFANTIL Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e

da comunidade. Art. 30. A educação infantil será oferecida em: I — creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II — pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.

Seção III DO ENSINO FUNDAMENTAL Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: I — o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II — a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III — o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV — o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. § 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus responsáveis, em caráter: I — confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou II — interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa. Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino.

Seção IV DO ENSINO MÉDIO Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: I — a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II — a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III — o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV — a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I — destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania; II — adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes; III — será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição. § 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I — domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna; II — conhecimento das formas contemporâneas de linguagem; III — domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. § 2º O ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. § 4º A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional.

Seção V DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos,

que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si. Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I — no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos; II — no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.

CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissional. Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. Parágrafo único. Os diplomas de cursos de educação profissional de nível médio, quando registrados, terão validade nacional.

Art. 42. As escolas técnicas e profissionais, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade.

TÍTULO IX DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. § 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. § 2º O Poder Público deverá recensear os educandos no ensino fundamental, com especial atenção para os grupos de sete a quatorze e de quinze a dezesseis anos de idade. § 3º Cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá: I — matricular todos os educandos a partir dos sete anos de idade e, facultativamente, a partir dos seis anos, no ensino fundamental; II — prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados; III — realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a distância; IV — integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. § 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal e aos

Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam condicionadas ao cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados.

ANEXO B

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMÉRICO, Tatiana Pereira. Projeto AMPARE. 2000 -Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)- Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal, Campo Grande, MS, 2000. ARTIGAS, João Batista Vilanova. A função social do arquiteto. [il]. São Paulo: Nobel, 1989. 93 p. (Cidade aberta). Concurso do Prof. Arq. João B. Vilanova Artigas para professor titular da disciplina de projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo realizado em junho de 1984. BARDI, Lina Bo. Tempos de grossura: o design no impasse. [il. color]. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1994. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2001. – (Coleção Saraiva de Legislação) _______. Lei Federal n. ° 8.069/1990 - Estatuto da criança e do adolescente. Goiânia: Governo da Cidade de Goiânia, 2000. CAMARGO, Luiz Otávio de Lima. O que é Lazer. São Paulo, Brsiliense, 1989 CASTRO, Mary Garcia (Coord.). Cultivando vida, desarmando violências: experiências em educação, cultura, lazer, esporte e cidadania com jovens em situação de pobreza. 2. ed. Brasília: UNESCO, 2002. CHAUI,Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 7 ed. Sao Paulo: Cortez, 1997. CORBELLA, Oscar; YANNAS, Simos. Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos: conforto ambiental. [il]. Rio de Janeiro: Revan, 2003. DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. São Paulo, Perspectiva, 1976. FERREIRA, Aurelio Buarque de Holanda. Novo Aurelio seculo XXI: o dicionario da lingua portuguesa. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. FICHER,Ernst. A necessidade da arte. Rio de Janeiro. Zahar editores, 1967 GARCIA MENDEZ, Emílio; COSTA, Antônio Carlos Gomes da. Das necessidades aos direitos. São Paulo: Mallheiros, 1994. 165 p.

MACHADO, Karla. Centro de integração de esporte, lazer e cultura. 2000. [15] f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)Universidade para o

Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal, Campo Grande, MS, 2000. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2003. RIZZINI, Irene. O Século Perdido: Raízes Históricas das Políticas Públicas para a Infância no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Universitária Santa Ursula e Amais Livraria e Editora, 1999 TEIXEIRA. Anísio. Educação para a democracia. Rio de Janeiro, Ed.UFRJ, 1997. ZALUAR, Alba. Artigo: “O Esporte na Educação e na Política Pública.” In: Educação & Sociedade. 38, abril/91. SP, Papirus, 1991.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BOJIKIAN, Ana C.S. Brinquedoteca. Campo Grande: Monografia UNIDERP, 2006. BRASIL. Lei N° 8.069, Estatuto da Criança e do Adolescente, de 13 de julho de 1990. Disponível em: http://www.mj.gov.br/sedh/dca/eca.htm. Acesso em: 18 de abril 2007, às 20h00min. CALDERON, Adolfo Ignácio. Juventude, Capacitação Profissional e Inclusão Social uma experiência de extensão universitária. Ed. Olho D'agua. 1ª Edição, 2001. CARLI, Manoel C.I.M. Centro Assistencial para Menores Desamparados. Campo Grande: Monografia UNIDERP, 2004. Colégio COC. COClândia Cidade da Criança. Disponível em:

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GRUNOW, Evelise. Centro assistencial. Arq. Danielle Klintowitz, Stefânia Dimitrov e Alessandra Pires. São Paulo, SP. Revista ProjetoDesign. Edição 273, novembro 2002. MACHADO, Marina Marcondes. O Brinquedo – Sucata e a Criança: A Importância do Brincar, Atividades e Materiais. Ed. Loyola. São Paulo SP, 1994. MARQUES, Indiara A. Escola Contemporânea em Campo Grande MS. Campo Grande: Monografia UFMS, 2006. MELENDEZ, Adilson. Centro cultural e assistencial. Arq. Ruy Ohtake. Ubatuba, SP. Revista ProjetoDesign. Edição 308 Outubro de 2005. NEUFERT, Ernest. Arte de projetar em Arquitetura, trad. Da 21ª ed. Alemã. Rio de Janeiro: J. Catalan, 1978. NIEMEYER, Carlos A.C. Parques Infantis de São Paulo – Lazer Como Expressão de Cidadania. Ed. Annablume, 2002. NOGUEIRA, Clariane M. Núcleo de Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável. Campo Grande: Monografia UFMS, 2005. PENSADOR O, Gabriel. Estudo Errado. Disponível em: http://gabriel-

pensador.letras.terra.com.br/letras/66375/. Acesso em 17 de abril de 2007, às 18h12min RICHARDSON, Phyllis. XS Ecológico - Grandes Idéias Para Pequenos Edifícios. Ed. GUSTAVO GILI. 2007. SANTOS, Santa M.P. Brinquedoteca: A Criança, o Adulto e o Lúdico. Ed. Vozes. Petrópolis RJ, 2000. SILVA, Laís M. da. Centro de Educação Infantil. Campo Grande: Monografia UNIDERP, 2004.

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