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NÚCLEO PREPARATÓRIO EXAME DA ORDEM

CAPÍTULO 2 – A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

1) ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Nesse sentido dispõe Moreira Neto (2005):

Os entes administrativos são dotados de personalidade jurídica para serem sujeitos de


direitos e obrigações.

Externamente, o Estado se personifica como a República Federativa do Brasil, unidade


política soberana constituída como um Estado Democrático de Direito (art. 1º, CF), e,
internamente, como uma pluralidade de entidades políticas, a União, os Estados membros, o
Distrito Federal e os Municípios, todas elas política e administrativamente autônomas, em
seus respectivos espaços geográficos e setores de competência.1

O Estado é uma pessoa jurídica de direito público interno ou externo.

a) interno: quando possui direitos e obrigações no ordenamento jurídico, capaz


de fazer imperar o ordenamento jurídico internamente.
b) Externo: fazendo parte das relações jurídicas internacionais.

O Estado é o produtor da vontade social, seu papel é de buscar o bem comum. Por ser
personalizado é detentor de uma série de direitos e obrigações, inclusive o de implantar a
política governamental em todo o seu território.

GOVERNO: é um conjunto de medidas, metas, objetivos escolhidos pelo Estado para


ser realizados em determinado período e em determinados locais. Governo é ação, por isso
não é dotado de personalidade jurídica.

O Estado ao traçar os seus planos de governo necessita que os mesmos sejam


efetivados, por isso ele cria a Administração Pública. Esta é o instrumento do Estado para que
a sua vontade seja manifestada.

2) DEFINIÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A expressão Administração Pública pode ser analisada sob duas acepções: objetiva
(material ou funcional) ou subjetiva ( formal ou orgânica).

Conforme ressalta o prof. Hely Lopes:


1
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro:
Forense, 2005.
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Em sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do


Governo; em sentido material, é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em
geral; em acepção operacional, é o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos
serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. Numa visão
global, a Administração é, pois, todo o aparelhamento do Estado preordenado à realização de
seus serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas.2

A acepção SUBJETIVA se refere a quem vai executar a vontade estatal, uma estrutura
orgânica será criada formalmente para essa manifestação. Será portanto um conjunto de
entidades políticas e administrativas, compostas de órgãos públicos e agentes públicos.

Não podemos confundir a terminologia Administração Pública e Poderes ( Legislativo,


Executivo e Judiciário). O princípio da separação de poderes, princípio base do
constitucionalismo, faz uma diferenciação entre atividades fundamentais para o Estado de
Direito, que são as funções legislativas, as executivas e judiciais. Entretanto todas essas
atividades são desenvolvidas dentro e pela Administração Pública.

Apesar de vermos a maioria das atividades administrativas serem desenvolvidas pelo


órgãos que possuem a função típica executiva, todos os outros órgãos, inclusive os que
detém função típica legislativa ou judicial também administram. Sendo assim, todos compõem
a Administração Pública.

Exemplificando, fazem parte da Administração Pública: O Ministério da Saúde, a Câmara


do Deputados, o Tribunal Superior Eleitoral.

Na acepção OBJETIVA, a administração pública é a própria atividade que será


desempenhada pelas pessoas políticas, administrativas, seus órgãos e agentes. São
consideradas atividades administrativas: o fomento, a polícia administrativa, o serviço público
e as intervenções administrativas

a) fomento: são mecanismos de incentivo à iniciativa privada de utilidade pública. Ex:


incentivos fiscais, subvenções sociais.
b) Polícia administrativa: refere-se ao próprio poder de polícia. Ocorre quando há
limitações ao uso, gozo e fruição de bens, liberdades e atividades dos particulares em prol da
coletividade. Ex: instituição de normas para estabelecimentos comercias.
c) Serviço Público: é toda atividade que a lei identifica como sendo necessária ser
prestada direta ou indiretamente pela Administração Pública para atender os anseios da
sociedade. Ex: transporte público, gás canalizado.
d) Intervenções econômicas: são medidas impostas pela Administração Pública
visando a regulamentação e fiscalização das atividades econômicas privadas ou até mesmo o
seu modo de ser prestado. Ex: atuação das empresas públicas, monopólio.

2
Meirelles, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 20 ed. São Paulo: Malheiros, 1995, p.60.
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3) CLASSIFICAÇÃO

3.1) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA OU CENTRALIZADA

A Composição da Administração Pública Direta é a materialização da forma de Estado


adotada pelo Brasil. É formada pelos entes políticos ou federados juntamente com seus
órgãos públicos e agentes públicos. São a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios.

São características das entidades federativas;

ƒ possuem autonomia político-administrativa (art. 18 da CF/88)


ƒ são pessoas jurídicas de direito público interno

As competências administrativas de cada uma das entidades federativas são


estabelecidas primeiramente pela Constituição, depois se utiliza o critério de interesses:
nacionais, regionais e locais.

Como veremos adiante, as entidades federativas podem :

A) desconcentrar as suas atividades criando órgãos públicos para si próprias;

b) estabelecer uma estrutura de descentralização administrativa, criando outras pessoas


jurídicas para executar atividades que lhe serão repassadas com titularidade, ou ainda;

c) delegar a terceiros não integrantes da Administração Pública o exercício da atividade


administrativa.

Primeiramente verificaremos a estrutura de descentralização administrativa: a


Administração Pública Indireta ou Descentralizada.

3.2) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA OU DESCENTRALIZADA

São formadas por uma série de pessoas jurídicas que necessitam serem criadas pela
entidade federativa. A União cria a sua Administração Indireta e em consonância ao princípio
da simetria todos os demais entes também têm a competência exclusiva de criar a sua própria
estrutura.

A descentralização ocorre quando as entidades políticas criam a sua Administração


Pública Indireta e lhes repassa a titularidade de alguma atividade administrativa específica
sob seu controle ( ex: previdência social, educação, atividade empresarial).
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Vejamos os ensinamentos do prof.José dos Santos Carvalho Filho:

(...) é o conjunto de pessoas administrativas que, vinculadas à respectiva Administração


Direta, têm o objetivo de desempenhar as atividades administrativas de forma
descentralizada.

O conceito, que procuramos caracterizar com simplicidade para melhor entendimento, dá


destaque a alguns aspectos que entendemos relevantes. Primeiramente, a indicação de que a
administração indireta é formada por pessoas jurídicas, também denominadas por alguns e
até pelo Decreto-Lei nº 200/67, de entidades (art. 4º, II).

Depois, é preciso não perder de vista que tais pessoas não estão soltas no universo
administrativo. Ao contrário, ligam-se a elas, por elo de vinculação, às pessoas políticas da
federação, nas quais está a respectiva administração direta.3

São características das entidades que a compõem :

ƒ são criadas por lei (autarquias e fundações públicas com personalidade jurídica
de direito público) ou em virtude de lei autorizativa ( fundações públicas com personalidade
jurídica de direito privado, empresas públicas e sociedades de economia mista (art. 37, XIX da
CF/88);
ƒ se submetem a um regime jurídico de direito público;
ƒ São dotadas de personalidade jurídica ;
ƒ Recebem a titularidade da atividade administrativa a ser executada através de
OUTORGA (ou delegação legal);
ƒ Possuem autonomia administrativa, exercem atividades específicas ;
ƒ Possuem orçamento, receita e patrimônios próprios;
ƒ decorrem do fenômeno da DESCENTRALIZAÇÃO administrativa: técnica, por
serviços ou funcional;
ƒ estão VINCULADAS à Administração Direta, mas NÃO EXISTE
SUBORDINAÇÃO, e sim um controle finalístico, também denominado, controle de resultado
ou tutela administrativa; Na esfera federal esse controle é denominado de SUPERVISÃO
MINISTERIAL (art. 26, Decreto-lei 200/67)
ƒ submetem-se ao sistema de controle externo realizado pelos Tribunais de
Contas (art. 71, II da CF/88);
ƒ seus agentes públicos, em regra, se submetem a concurso público;
ƒ em regra, também há a obrigatoriedade de realizar licitação;
ƒ Respondem diretamente pelos atos de seus agentes (pode ser responsabilidade
objetiva ou subjetiva)

3
Op. cit., p. 376
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De acordo com o art 4° do Decreto- lei 200/67 a Administração Federal compreende:

II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de


entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:

a) Autarquias;

b) Empresas Públicas;

c) Sociedades de Economia Mista.

d) fundações públicas. (Incluído pela Lei nº 7.596, de 1987)

3.2.1) INTEGRANTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA:

A) AUTARQUIAS

De acordo com o art. 5º do referido decreto-lei , considera-se:

I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica,


patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.

A.1)CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS:

• pessoa jurídica de direito público (art. 41, CCB);

• desempenham atividades administrativas típicas;

• criação por lei específica, independe de registro para serem constituídas;


• se submetem a um regime jurídico administrativo;
• seus bens são considerados bens públicos ( são alienáveis nos termos e condições
legais, imprescritíveis e impenhoráveis)
• equipara-se à Fazenda Pública (art. 100, CF/88) por isso gozam de prerrogativas
processuais:

a) prazo em quádruplo para contestar, em dobro para recorrer (art. 188 do CPC);

b) o pagamento de custas se dará somente ao final, quando forem vencidas ( art. 27,
CPC)
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c) dispensa de apresentação de mandato dos procuradores ( súmula 644 do STF: “ Ao


procurador autárquico não é exigível a apresentação de instrumento de mandato para
representá-la em juízo”.

e) não se sujeitam à falência, concurso de credores ou a habilitação de crédito em


falência, recuperação judicial, concordata ou inventário para cobrança de seus créditos, a não
ser que tenha que estabelecer as preferências entre as Fazendas Públicas federal, estadual e
municipal;
f) a sentença proferida contra elas, ou que julgar procedentes, no todo ou em parte,
os embargos à execução de dívida ativa está sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório,
não produzindo efeitos enquanto não confirmada pelo Tribunal ( art. 475, I e II do CPC);
g) NÃO HAVERÁ DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO OBRIGATÓRIO:

g.1) quando a condenação ou direito controvertido , for de valor certo não excedente a
60 salários mínimos, ou

g.2) quando houver a procedência dos embargos do devedor na execução de dívida


ativa do mesmo valor ( art. 475, 2, do CPC)

ƒ Gozam de imunidade tributária recíproca ( art. 150, par., 2), que veda a instituição de
impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados às
suas atividades essenciais ou à que delas decorram

• os agentes públicos que se submeterem a concurso público poderão ser servidores


públicos e se submeterem a um regime próprio (estatutários) ou poderão ser empregados
públicos (celetistas), tendo em vista a extinção da obrigatoriedade de regime jurídico único
para as autarquias

• Exs: INSS, BACEN, CVM, UFMG, INMETRO, AGÊNCIAS REGULADORAS (exs:


ANATEL, ANEEL, ANP)

A.2)ESPÉCIES DE AUTARQUIAS:

As autarquias podem ser identificadas como autarquias comuns e autarquias especiais (


agências executivas, agências reguladoras e as associações públicas)

A.2.1) AUTARQUIAS COMUNS: são aquelas que se enquadram nas característcas


gerais do Decreto –lei 600/1967. Ex: INSS, IBAMA.
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A.2.3) AUTARQUIAS ESPECIAIS: são aquelas que por imposição legal tem um regime
jurídico diferenciado, possuindo características específicas, em regra gozando de maior
autonomia e independência para desempenhar suas atividades.

A.2.3.1) AGÊNCIAS REGULADORAS

Na década de 90, o Estado Brasileiro implantou um política de desestatização, dentre


as diversas medidas adotadas, o Estado diminuiu a sua interferência na atividade econômica,
deixando de assumir diretamente o exercício de atividades empresariais, conforme artigo 173
da CF/88, alterado pela EC 19/98.

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de


atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.

Muitas das atividades que eram prestadas diretamente pelo Estado foram repassadas
para a iniciativa privada (telefonia, energia, abastecimento de água...), entretanto, com o
objetivo de garantir uma eficiente prestação de serviços, de manter a concorrência, de
proteger o consumidor, o Estado assumiu uma função reguladora; ou seja, passou a intervir
indiretamente nessas atividades, mantendo um sistema normativo de controle.

Apesar de já existirem no ordenamento jurídico brasileiro autarquias sob regime


especial antes do processo de desestatização, como é o caso do Banco Central, do CADE (
Conselho Administrativo de Defesa Econômica, criado em 1962), a maior incidência se deu
posteriormente à década de 90. Como exemplo: ANATEL, ANEEL, ANP, ANA, ANCINE.

Somente duas agências possuem previsão expressa constitucional: ANATEL e a ANP


, respectivamente: art. 21, XI e art. 177, parágrafo 2,III.

Apesar de somente termos agências reguladoras como autarquias, nada impede que
sejam também fundações públicas e até mesmo órgãos públicos integrantes da
Administração Pública Direta, apenas teria que se tomar cuidado na sua especialidade, pois
atividades típicas somente podem ser exercidas pelas autarquias e por órgãos públicos da
Administração Direta.

Algumas características são apontadas pela doutrina genericamente para as agências


reguladoras, o que não quer dizer que serão aplicadas a todas ao mesmo tempo, pois há
necessidade de previsão legal, sintetizamos abaixo o entendimento do ilustre Prof. Carlos Ary
Sundfeld.

ƒ Desempenham atividades típicas de Estado:


- editam normas pois possuem amplo poder normativo nas suas áreas de atuação;
lembrando que somente imputam a ela a edição de atos normativos secundários,ou seja,
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sempre em consonância com uma lei anterior, respeitando os limites regulamentadores


estabelecidos por ela. Não existe aqui a figura de atos administrativos autônomos;
- fiscalizam a atividade privada;
- aplicam sanções administrativas;
- resolvem conflitos advindos das relações entre as empresas privadas e o
consumidor, ou entre aquelas e o Estado, assegurando uma maior autonomia em relação ao
Poder Executivo;
- podem possuir mecanismos que lhe asseguram uma maior independência em
relação a outras autarquias. Ex: mandato fixo dos seus dirigentes (art. 6 e 9 da Lei
9.986/2000, que dispõe sobre a gestão de recursos humanos das agências reguladoras).

Art. 6o O mandato dos Conselheiros e dos Diretores terá o prazo fixado na lei de criação
de cada Agência.

Art. 9o Os Conselheiros e os Diretores somente perderão o mandato em caso de


renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de processo administrativo
disciplinar.

Parágrafo único. A lei de criação da Agência poderá prever outras condições para a
perda do mandato.

Não podemos nos esquecer de que estará incorporada a cada agência as características
da entidade administrativa que lhe der forma. Se for uma autarquia, todas as características
das autarquias estarão presentes, no que não dispuser contrariamente a lei instituidora.

AGÊNCIAS EXECUTIVAS

As agências executivas não são estruturas isoladas na Administração Pública, e sim


terão existência quando uma autarquia ou uma fundação pública receberem através de ato
administrativo do chefe do Poder Executivo uma QUALIFICAÇÃO JURÍDICA ESPECIAL, ou
seja, de AGÊNCIA EXECUTIVA.

O seu processo de qualificação é traçado pela Lei 9.649/1998,

Conforme dita o art. 51, o Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a
autarquia ou fundação que tenha cumprido os seguintes requisitos:

I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em


andamento;

II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério superior.

§ 1º - A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da República.


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§ 2º - O Poder Executivo editará medidas de organização administrativa específicas para as


Agências Executivas, visando assegurar a sua autonomia de gestão, bem como a
disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros para o cumprimento dos objetivos e
metas definidos nos Contratos de Gestão.

Art. 52 - Os planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional definirão


diretrizes, políticas e medidas voltadas para a racionalização de estruturas e do quadro de
servidores, a revisão dos processos de trabalho, o desenvolvimento dos recursos humanos e
o fortalecimento da identidade institucional da Agência Executiva.

§ 1º - Os Contratos de Gestão das Agências Executivas serão celebrados com periodicidade


mínima de um ano e estabelecerão os objetivos, metas e respectivos indicadores de
desempenho da entidade, bem como os recursos necessários e os critérios e instrumentos
para a avaliação do seu cumprimento.

§ 2º - O Poder Executivo definirá os critérios e procedimentos para a elaboração e o


acompanhamento dos Contratos de Gestão e dos programas estratégicos de reestruturação e
de desenvolvimento institucional das Agências Executivas.

B) FUNDAÇÕES PÚBLICAS

As fundações públicas forma inseridas na estrutura da Administração Pública Indireta


com o advento da Lei 7596/87, que acrescentou ao art. 5º do Decreto-Lei 200/67 o inciso IV.

Apesar de existir uma grande polêmica acerca de sua natureza jurídica e características,
coadunamos com entendimento da maioria doutrinária, profa. Di Pietro, Diógenes Gasparini,
Oswaldo Aranha Bandeira de Mello e o próprio STF que admitem que as fundações
públicas podem ter personalidade jurídica de direito público ou privado, dependendo da
sua forma de criação.

Posições contrárias são encontradas nas obras dos ilustres professores José dos Santos
Carvalho Filho, Caio Tácito, Seabra Fagundes onde as fundações públicas somente podem
ter personalidade jurídica de direito privado; já os professor Celso Antônio Bandeira de Mello
as fundações públicas têm personalidade jurídica de direito público.
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Características comuns a todas as fundações públicas:

ƒ tem por objeto a prestação de serviços públicos de cunho social, tais como,
assistência social, assitência médica e hospitalar, educação e ensino, pesquisa, atividades
culturais, meio ambiente.
ƒ Sua área de atuação tem que ser definida por lei complementar
ƒ Não possuem finalidade lucrativa, mas podem ter lucro.
ƒ submetem-se aos controles político, administrativo e financeiro da entidade política que
a criou ( U, EM, DF e M) e dos Tribunais de Contas
ƒ não são controladas pelo do Ministério Público;

ƒ Em regra seus contratos são administrativos;


ƒ Como são prestadoras de serviços públicos há possibilidade de responsabilidade civil
objetiva: aplica-se o artigo 37, par. 6 da CR/88.

fundações de direito público fundações de direito privado


a)submetem-se ao regime de a)submetem-se ao regime de direito pú
público; privado: denominação de regime híbrido

b) são pessoas jurídicas de direito pú b) são pessoas jurídicas de direito privado;

c)são criadas por lei específica,


registro posterior de seus atos;
c)são criadas mediante lei específica auto
a) gozam de prerro dependendo de inscrição da escritura pública
processuais iguais às autarquias constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídica
b) gozam de prerrogativas trib
iguais às autarquias (art. 150, § 2º da CR/8 a) não gozam de prerrogativas process
c) seus bens são públicos; b) gozam de prerrogativas tributária
d) em regra, o pessoal é estatu 150, § 2º da CR/88);
celetista (EC 19/98); c) seus bens são privados;
e) fundações públicas fe
competência é da Justiça Federal; exce obs: A profa. Di Pietro ressalta que os bens
justiças especializadas, conforme art. 10 diretamente à sua finalidade são bens públicos.
CR/88);
f) Em regra, emanam atos administrat d) seu pessoal: empregados públicos (
celetista);
e) fundações privadas federais: comp
é da Justiça Estadual;
f) em regra, emanam atos de direito privado;
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4) EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTa

Ambas fazem parte do gênero empresas estatais ou empresas governamentais,


por isso, incialmente serão estudadas em conjunto para depois identificarmos suas
características específicas

De acordo com o Decreto- lei 200/ 1967 :

II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito


privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União*, criado por lei* para a
exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de
contingência ou de conveniência administrativa *podendo revestir-se de qualquer das
formas admitidas em direito. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 900, de 1969)

III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade


jurídica de direito privado, criada por lei *para a exploração de atividade econômica,
sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua
maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. (Redação dada pelo
Decreto-Lei nº 900, de 1969).

Apesar de ter sido caracterizada pelo Decreto – Lei 900/ 69, a Constituição de
1988 não recepcionou esse entendimento totalmente, por isso algumas ponderações
devem ser feitas:

• De acordo com o artigo 37, inciso XIX as empresas públicas e as sociedades


de economia mista não são mais criadas por lei, mas sim em virtude de lei
autorizativa;
• A empresa pública terá capital exclusivo da União, obviamente quando for uma
empresa pública federal; se for estadual, distrital ou municipal, terá, pelo princípio da
simetria que ter capital exclusivo das suas entidades federativas respectivas, ou seja,
do Estado, do Distrito Federal ou do Município;
• A atividade econômica ficou limitada com a Reforma Administrativa, pois de
acordo com o artigo 173 da CR/88, ressalvados os casos previstos na Constituição, a
exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo,
conforme definidos em lei.
• Apesar do Decreto-lei se referir somente à atividade econômica, tais empresas
também podem prestar serviços públicos numa gestão privada , e nesse caso, nos
ensina a profa. Di Pietro que “ a empresa estatal que desempenha serviço público é
concessionária de serviço público submetendo-se á norma do artigo 175 e ao
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regime jurídico dos contratos administrativos, com todas as suas cláusulas


exorbitantes, deveres perante os usuários e direito ao equilíbrio econômico-
financeiro”. PÁG. 382

Conforme dicção do artigo 173§ 1º, “ a lei estabelecerá o estatuto jurídico da


empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que
explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de
prestação de serviços, dispondo sobre:

I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade; II - a


sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;

III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações,


observados os princípios da administração pública;

IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal,


com a participação de acionistas minoritários;

V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos


administradores.

§ 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão


gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.

§ 3º A lei regulamentará as relações da empresa pública com o Estado e a


sociedade.

Já o artigo Art. 175 disciplina as empresas que prestam serviços públicos, que
poderão também ser as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

Art. 175: Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime
de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos.

Parágrafo único. A lei disporá sobre:

I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços


públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as
condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;

II - os direitos dos usuários;

III - política tarifária;


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IV - a obrigação de manter serviço adequado.

3.1) CARACTERÍSTICAS COMUNS ENTRE AS EMPRESAS PÚBLICAS E


SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA

• possuem personalidade jurídica de direito privado;


• são criadas por lei específica autorizativa e dependem de registro dos seus
atos constitutivos;
• como já vimos, têm por objeto: a prestação de serviços públicos ou a
exploração de atividade econômica;
• possuem regime jurídico híbrido (normas de direito privado parcialmente
derrogadas por normas de direito público);
• seus agentes públicos são denominados empregados públicos e submetem-se
ao regime celetista;
• não estão sujeitas à falência, de acordo com o art. 2º, I da Lei nº 11.101/2005;
• não gozam de prerrogativas processuais;
• não possuem imunidade tributária*

OBS*: o STF no RE 407099/ RS, rel. Ministro Carlos Velloso em 22/06/2004


estendeu a imunidade tributária à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, a
equiparou às autarquias, as integrou no conceito de Fazenda Pública e considerou
seus bens públicos. ( lembrem-se que se trata de um caso isolado).
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3.2) DIFERENÇAS ENTRE AS QUE PRESTAM SERVIÇOS PÚBLICOS E


ATIVIDADE ECNÔMICA

Prestação de serviços públicos Exploração de atividade econômica


• se submetem integralmente às • se submetem à licitação,mas nos
normas de licitação da lei 8.666/93 termos do art. 173, §1º, III, da CR/88, a lei
(normas gerais federais; que estabelecerá o estatuto da empresa
• De acordo com o art. 98 do CC, os disporá acerca das regras de licitação e
bens são privados; contratação, respeitados os princípios da
Administração Pública; entretanto trata-se de
OBS: entretanto há autores (Di Pietro e norma de eficácia limitada, por isso,
Celso Antônio que entendem que se os enquanto não vier a lei regulamentadora,
bens forem empregados na prestação do terão que seguir a lei 8.666/93).
serviço público são considerados bens
públicos. OBS: nos casos de atividades-fim das
empresas estatais exploradoras de atividade
econômica entende o TCU que a licitação
não é obrigatória (Acórdãos nº 121/98 e
• Se submetem a responsabilidade 624/2003) entendimento não seguido pela
civil objetiva do art. 37, § 6º da CR/88, imas doutrina;
também podem ser responsabilizados
subjetivamente. • os bens são considerados privados;

• Não se submetem a responsabilidade


civil objetiva do art. 37, § 6º da CR/88,
portanto a regra é a responsabilidade
subjetiva, mas s também podem ser
responsabilizados objetivamente (mas com a
imputação de outras leis, como no caso de
danos ao consumidor, danos ambientais.
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3.3) DIFERENÇAS ENTRE EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE


ECONOMIA MISTA

EMPRESAS PÚBLICAS SOCIEDADES DE ECONOMIA


MISTAC
• composição do capital: • composição do capital

a) capital totalmente público, a) capital misto (o Estado tem


desde que a maioria do capital votante participação majoritária), mas as ações
permaneça de propriedade da entidade com direito a voto pertençam em sua
federativa, será admitida na empresa maioria à entidade federativa ou a
pública a participação de outras entidade da Administração Indireta;
pessoas jurídicas de direito público
interno, bem como de entidades da
Administração Indireta da União,
Estados, DF e Municípios). ƒ forma de constituição
societária:
• forma de constituição
societária só pode se constituir sob a forma
de sociedade anônima;
a) empresa pública: pode assumir
qualquer forma admitida em direito (
LTDA, S/ª...)
ƒ foro de jurisdição da sociedade
de economia mista federal: Justiça
Estadual (vide súmulas 517 e 556 do
• foro de jurisdição (só tem STF e 42 do STJ )
cabimento se se tratar de empresa
pública federal: Justiça Federal (art.
109, CR/88);