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PROBLEMA N.º 46 – (OAB/GO – 2003.

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A Companhia Energética de Goiás – CELG publicou Edital Licitatório, modalidade
Tomada de Preços, para aquisição de equipamentos de informática. A empresa FORTE
EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA., com sede em Anápolis e com 2
(dois) anos de funcionamento, ao adquirir o Edital Licitatório, percebeu que o item 3,
subitem 3.4 do mencionado Edital, proibia a participação de empresas sediadas fora do
Município de Goiânia e com menos de 3 (três) anos de funcionamento. Inconformada
com a proibição de sua participação no Certame, a Empresa FORTE EQUIPAMENTOS
DE INFORMÁTICA LTDA., solicitou ao seu Departamento Jurídico que tomasse as
providências legais. Na qualidade de Advogado da Empresa, proponha a medida
administrativa adequada.
ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA COMISSÃO DE LICITAÇÃO DA
COMPANHIA ENERGÉTICA DE GOIAS NA TOMADA DE PREÇOS PARA
AQUISIÇAO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA DE NÚMERO ________.

Forte Equipamentos de Informática Ltda, pessoa jurídica de


direito privado, com sede na_____ representada por seu advogado infra-assinado com
sede das atividades funcionais no endereço _____, com fundamento no artigo 109,
alínea d da lei 8.666\93 e artigo 56,§1º da lei 9784\99, ciente dos termos da decisão que
proibiu sua participação no certame licitatório, vem, inconformado da situação, interpor
o presente

RECURSO ADMINISTRATIVO

requerendo que,após o processamento das medidas administrativas de praxe,sejam


encaminhadas para o Procurador –Chefe deste Órgão as razões para nova apreciação.

Termos em que,
p. deferimento.
Local\data
Nome do Advogado
Número da Inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil.
ILUISTRÍSSIMO SENHOR PROCURADOR-CHEFE DA________.

RAZÕES DO RECURSO

I- Da decisão Impugnada

Em decisão exarada pela Comissão de Licitação realizada pela


Companhia Energética de Goiás na Tomada de Preços de número____,no dia_____, a
empresa recorrente teve sua inscrição recusada no certame.
De acordo com a fundamentação aludida no caso, a recusa se
deu em virtude de que o edital do procedimento licitatório proibia a participação de
empresas sediadas fora do Município de Goiânia e com menos de 3 (três) anos de
funcionamento.
Ocorre que tal decisão não pode prosperar, uma vez que vai de
encontro aos fundamentos inspiradores do legislador ao criar a lei 8666\93.
A lei supracitada é o procedimento administrativo pelo qual os
entes da Administração Pública e aqueles por ela controlados selecionam a melhor
proposta entre as oferecidas pelos vários interessados, tendo como objetivo a celebração
de um contrato.
Para alcançar essa finalidade a lei 8.666\93 trouxe disciplina
estruturando o certame licitatório com sentido de restringir a discricionariedade do
administrador.
Um dos princípios basilares do direito administrativo e da
Administração Pública é o da isonomia, disposto no artigo 5º da Constituição Federal:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos
termos seguintes”.

Se pessoas idênticas são tratadas de modo diferente, a conduta


administrativa estará sendo imoral. Assim, também, dispõe o artigo 36, XXI da
Constituição Federal:

“XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as


obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure igualdade
de condições a todos os concorrentes (...)”.

Conseqüência desse corolário constitucional, a lei de licitações


possui princípios próprios. Dentre eles temos o da igualdade de oportunidades aos
licitantes que se interessarem em contratar com a Administração. Por esse princípio a
igualdade em licitar significa que todos os participantes devem competir em isonomia
sem que a nenhum se ofereça vantagem não extensiva a outro.
José dos Santos Carvalho Filho destaca que:
“Corolário do principio da igualdade é a vedação de se
estabelecerem diferenças em razão de naturalidade, da sede ou
domicílio dos licitantes, ou a proibição de tratamento diverso de
natureza comercial, legal, trabalhista e previdenciária entre
empresas brasileiras e estrangeiras” (Manual de Direito
Administrativo, 22ª edição, Lumem Juris, p. 234).

Tanto é assim que está disposto no artigo 3º, § 1º, I e II da lei


8.666\93:

§ 1o “É vedado aos agentes públicos:


-admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação,
cláusulas ou condições que comprometam, restrinjam ou
frustrem o seu caráter competitivo e estabeleçam preferências
ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio
dos licitantes ou de qualquer outra circunstância impertinente
ou irrelevante para o específico objeto do contrato;
II - estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial,
legal, trabalhista, previdenciária ou qualquer outra (...)”.

Tal disposição legal trata-se de regra para proteger licitantes de


outros lugares da federação e decorre, também, de norma constitucional disposta no
artigo. 19, III da Carta Magna:

“É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos


Municípios:
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”.

Tal compreensão nos leva à conclusão de que a recusa na


admissibilidade da proposta licitatória da empresa supracitada fere dispositivos
constitucionais e infraconstitucionais tendo em vista o comportamento arbitrário
Comissão de Licitação ensejando, desse modo, obstáculos ao procedimento licitatório.

II – Do pedido

Ante o exposto, vem requerer que o presente recurso seja


conhecido, atribuindo-lhe o efeito suspensivo, e que seja declarada nulidade da decisão
atacada, com a consequente admissão da proposta apresentada pela recorrente.

Termos em que,
p. deferimento.
Local\data
Nome do Advogado
Número da Inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil.