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Universidade Gama Filho

MÁRCIO WILLIANS BARRETO DE ANDRADE

DISPONIBILIDADE E ACESSIBILIDADE UNIVERSAL DA INFORMAÇÃO


DIREITO, LIMITES E LIMITAÇÕES

SANTO ANDRÉ
2010
MÁRCIO WILLIANS BARRETO DE ANDRADE

DISPONIBILIDADE E ACESSIBILIDADE UNIVERSAL DA INFORMAÇÃO


DIREITO, LIMITES E LIMITAÇÕES
MÁRCIO WILLIANS BARRETO DE ANDRADE

DISPONIBILIDADE E ACESSIBILIDADE UNIVERSAL DA INFORMAÇÃO


DIREITO, LIMITES E LIMITAÇÕES

Monografia apresentada à Universidade


Gama Filho como requisito parcial para
obtenção do título de especialista em Direito
da Tecnologia da Informação.
Orientador: Anderson Soares Furtado
Oliveira

SANTO ANDRÉ
MÁRCIO WILLIANS BARRETO DE ANDRADE

DISPONIBILIDADE E ACESSIBILIDADE UNIVERSAL DA INFORMAÇÃO


DIREITO, LIMITES E LIMITAÇÕES

Monografia julgada e aprovada:

Professor Orientador: Anderson Soares Furtado Oliveira.

Membros da Banca:

SANTO ANDRÉ / 2010


Resumo

O presente estudo pretende propor uma reflexão sobre qual o papel da


tecnologia da informação na sociedade atual, quais os limites impostos pelo
ordenamento jurídico ao domínio da informação; se está a informação e as formas
de sua veiculação ao alcance de todos; se as facilidades tecnológicas possibilitam
igualdade de oportunidade para a exposição de ideologias e opiniões; se conduzem
a informação de maneira imparcial e verdadeira para a população, permitindo melhor
condição de decisão quanto às diretivas e políticas a serem adotadas no governo da
nação; e se é o direito a forma pela qual se busca a equidade com a implantação de
leis e princípios.
Sumário

Introdução ..................................................................................................................... 7

Capítulo I – Conceitos e Aspectos Relevantes.............................................................. 8

1. A Informação ........................................................................................................ 8

1.1 - Informação e conhecimento ........................................................................... 8

1.2 - Informação e comunicação ............................................................................. 8

2. Tecnologia da informação..................................................................................... 9

2.1 - Formas de veiculação ................................................................................... 10

2.2 - Subjetividade e intervenção na veiculação de informações ......................... 10

3. Informação como um bem jurídico ...................................................................... 12

3.1 - Liberdade informativa: informação sobre si mesmo. .................................... 12

3.2 - Disponibilidade universal da informação: informação sobre qualquer coisa . 13

Capítulo II - Informação e as relações de Direito e Poder ........................................... 15

1. A informação como ferramenta de troca ou de domínio ..................................... 15

1.1 – Vigilância tecnológica .................................................................................. 18

1.2 – O “grampo” virtual ....................................................................................... 19

1.3 – Os bancos de dados pessoais ..................................................................... 23

2. Limites jurídicos à disponibilidade da informação ............................................... 23

2.1 - Proteção à intimidade e à vida privada ......................................................... 25

2.2 – Renúncia à privacidade no âmbito pessoal ou profissional ......................... 27

2.3 – A liberdade de expressão ............................................................................ 31

3. Regulamentação e segurança da informação no meio virtual ............................ 32

3.1 – Regulamentação no ciberespaço................................................................. 32


3.2 - Segurança interna e externa ........................................................................ 35

Capítulo III - Inclusão e educação digital – Direito e Limitações ................................. 37

1. Direito à informação ............................................................................................ 37

1.2 - Limites entre informação particular e informação coletiva ............................ 38

1.2 - Relação entre direito à informação e acesso à informação: ......................... 38

1.3 - Distinção entre manifestação do pensamento e liberdade de informar ........ 38

2. Disponibilidade e acessibilidade ......................................................................... 39

3. Fatores, condições e limitações .......................................................................... 45

Conclusão ................................................................................................................... 46

Bibliografia................................................................................................................... 49

Anexo I ........................................................................................................................ 54

Agravo de Instrumento No. 472.738-4 – Voto 10.448 ........................................... 54

Anexo II ....................................................................................................................... 69

Programas nacionais de Inclusão Digital .............................................................. 69

Anexo III ...................................................................................................................... 82

Serviços e Conteúdos nos Telecentros ................................................................ 82

Anexo IV ...................................................................................................................... 88

Produção de Conteúdos nos Telecentros ............................................................. 88


7

Introdução

Da globalidade das megalópoles ao regionalismo de firmes raízes culturais e


históricas presentes de forma mais marcante em algumas regiões ou países,
encontra-se a necessidade não só de atender o indispensável de cada qual, no
âmbito da individualidade e da coletividade, mas também de compatibilizar a real
carência de alguns com os interesses de outros, identificando inclusive o que é
legítimo do ponto de vista nacional, em relação ao que é imposto por outras culturas.

Nestas questões, o papel da informação é fundamental e decisivo visto que


de posse dos dados concretos e confiáveis, é possível a tomada de decisão
acertada e imparcial, nos limites humanos permitidos.

A questão é que se de um lado a tecnologia da informação abre um leque de


meios e maneiras de se veicular a informação de forma rápida e representativa, por
outro, tal tecnologia é passível de controle e modificação, gerando influências à
critério do interessado.

Além disto, justamente pela facilidade tecnológica, por vezes são obtidas e
veiculadas informações de caráter pessoal e não autorizado, onde os limites entre o
interesse público, a intimidade e a vida privada é tênue e de difícil definição.

Necessitamos entender se há de fato uma regulamentação legal e atuante


para que a informação não passe sempre a ter conteúdo invasivo ou que imponha a
linha ideológica de quem a manipula deixando transparecer que aponta soluções,
apresentando porém, quando muito, verdades parciais, com seu caráter político
embutido cuja assimilação pelo receptor é despercebida.

Por outro lado, não podemos permitir que esta regulamentação, sob o título
de proteção, configure-se em censura.

Facilmente observamos o caráter social da informação e sua potência como


transformadora da realidade, seja pelo uso indevido ou pelo viés imposto.

Neste acirrado mundo de posições e imposições, acredita-se haver freios e


contrapesos através do ordenamento jurídico, com o qual, ao menos na teoria
busca-se a equidade.
8

Capítulo I – Conceitos e Aspectos Relevantes

1. A Informação

Informação é todo dado tratado, organizado ou trabalhado de forma a gerar


modificação no conhecimento daquele que a recebe, normalmente transformando-se
em algo útil.

O dado é um elemento da informação, que isoladamente não transmite


nenhum conhecimento(RESENDE:2008, p.07).

Importante destacar que informação não é documento, um arquivo, um


programa de computador ou algo parecido, ou seja, não podemos confundir a
informação com o seu repositório ou o suporte que a veicula.

Relevante também é a percepção de que com o domínio da informação


consegue-se também uma fonte de poder, já que esta permite uma análise do
passado, para aplicação no presente e com previsão para o futuro.

Desta forma, mais do que somente veicular a informação, passou-se a buscar


formas de armazená-la, organizá-la e recuperá-las com a maior velocidade possível,
daí sua associação com a tecnologia foi inevitável e indissociável desde então.

1.1 - Informação e conhecimento

O conhecimento se constrói a partir da interpretação de um conjunto de


informações, criando argumentos, explicações e justificativas que o fundamentam
através de conceitos e raciocínios lógicos, dando significado a fatos concretos.

Percebemos que a informação, ou o acúmulo desta, por si só não significa


conhecimento, mas a utilização da mesma na busca do novo, de maneira racional,
forma o conhecimento, o que tem influência direta na ação do sujeito e suas
relações sociais (LUCKESI:1996).

1.2 - Informação e comunicação

O papel da comunicação tem a mais profunda relevância ao tema já que esta


pode mudar tanto o conhecimento quanto a informação.

De maneira simples podemos definir que comunicação é um processo pelo


qual trocam informações dois ou mais pólos os quais configuram-se em emissores e
9

receptores, ao se relacionarem.

Nesta relação de troca, podem ocorrer fatores que influenciem na modificação


da informação e da comunicação, por várias razões, com ou sem intencionalidade.

O próprio processo de comunicação poderá ocasionar tais fenômenos já que


implica em codificação e decodificação da mensagem, se não for compatível e
perfeitamente compreensível aos pólos envolvidos.

Menezez (1973,p. 147), em sua obra Fundamentos Sociólogos da


Comunicação, traz boa definição ao citar:

“É uma troca de experiências socialmente significativas; é um esforço para a convergência de


perspectivas, a reciprocidade de pontos de vista implica, dessa forma, certo grau de ação conjugada
ou cooperação. Para tanto, toda sociedade adota um conjunto de signos e de regras que, por força
das convenções tácita e coletivamente aceitas, deixa de ser arbitrário. Daí que se optássemos por
símbolos inteiramente novos e estranhos, isso nos isolaria do resto da comunidade”.

Em complemento, segundo Stefanelli (1993), vemos que a mensagem


propriamente dita, bem como a forma com que se dá a troca desta informação
exerce influência direta no comportamento daqueles que se comunicam, já que a
comunicação é um processo de compreender, compartilhar mensagens enviadas e
recebidas , e desta maneira poderá influir fortemente nos resultados finais, como
veremos a seguir.

2. Tecnologia da informação

Se a comunicação tem o poder em modificar a informação e a comunicação,


conforme afirmamos acima, a tecnologia da informação potencializa de forma
excepcional este poder pela velocidade que pode imprimir à comunicação.

Podemos entender tecnologia como um conjunto de conhecimentos


científicos, aplicados a um determinado ramo de atividade1, e no caso em tela,
associando-se tal tecnologia à informação, em razão da necessidade do domínio e
veiculação desta última, criou-se uma ciência autônoma.

Boa definição desta ciência foi feita por Tatiana Malta Vieira (2007, p.177),
como se vê:

1
Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa
10

“Por tecnologia da informação entende-se a microeletrônica, a computação (software e hardware), as


telecomunicações, a optoeletrônica, a engenharia genética e todos os processos tecnológicos
interligados por uma interface e linguagem comuns, na qual a informação é gerada, armazenada,
recuperada, processada e transmitida.” (grifos da autora)

2.1 - Formas de veiculação

Considerando-se que as maneiras como a informação é veiculada não é


objeto principal deste estudo, mas a influência que esta veiculação pode ter nos
aspectos jurídicos das relações sociais, elencaremos apenas de forma genérica a
classificação desta veiculação, a qual dividimos em três pontos (SARACEVIC:1974,
p.62)

a) Mídia impressa: é um meio de comunicação que relaciona-se às mensagens


publicitárias ou jornalísticas, impressas em papel ou similar através de processo
gráficos, birôs de impressão, etc..

b) Telecomunicação: configura-se quando a informação que se quer transmitir,


independente da forma como por exemplo sons, sinais, imagens, etc., são emitidos
ou recebidos, através de radioeletricidade, fibras ópticas, fio ou qualquer outro
processo eletromagnético.

c) Processos informáticos: é a forma com que se veiculam informações utilizando-se


de microcomputadores e outras máquinas eletrônicas.

Destas formas acima anotadas, há que se destacar os métodos aplicados em


qualquer uma delas, visto que cada um destes tem objetivos distintos na forma de
dirigir-se e se fazer assimilar pelo seu destinatário, conforme trataremos a seguir.

2.2 - Subjetividade e intervenção na veiculação de informações

Na atualidade somos expostos às mais variadas informações


ininterruptamente, por diversos meios de comunicação, recepcionando-as de
maneiras ativa ou passiva, assimilando seus efeitos positiva ou negativamente,
conforme o caso.

Esta informação chega a todos, de todas as idades, em qualquer lugar,


variando apenas a forma.

Vários grupos, no intuito de divulgar ou até mesmo impor seus interesses,


11

sejam eles políticos, ideológicos ou financeiros, percebendo a força que tem os


meios de comunicação associados às novas tecnologias criam meios inteligentes de
atingir seus objetivos influenciando àqueles que lhes interessam de maneira direta e
indireta.

As possibilidades tecnológicas de hoje permitem que determinada informação


possa veicular-se com a mesma configuração de idéias transmitidas por meios
diferentes, como mídia impressa, outdoors, internet, televisores, etc., mantendo o
objeto central e a mensagem sem alteração, de maneira a causar a influência que se
deseja.

Tais objetivos, por vezes, podem significar prejuízos, formas de dominação, e


outros aspectos negativos, dada a facilidade com que hoje se obtém e se veicula
informações sobre tudo e todos.

Bom exemplo temos no documentário dirigido por Estela Renner intitulado:


“Ciança, a alma do negócio”, o qual demonstra de forma contundente como a
criança de fato se tornou a alma do negócio para a publicidade.

Neste documentário, como ele esclarece, vemos que a indústria descobriu


que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, sendo estas submetidas à
uma mídia que estimula o consumo, em uma linguagem direta ao público infantil.

O resultado não é só o prejuízo financeiro dos pais, mas também uma lesão
psicológica neste pequeno consumidor, que vai se tornando compulsivo, além de
impor-lhe mudança de comportamento incompatível com a idade.

Conforme bem demonstra o mencionado documentário, crianças ainda nas


primeiras fases escolares vão à escola com sapatos de salto alto, maquiadas, e em
razão disto já não brincam ou correm.

Estes pequenos seres manipulados conhecem e reconhecem marcas


famosas de roupas, celulares, alimentos supérfluos, e vão ficando cada vez mais
isolados de usa realidade pessoal e local, perdendo sua infância prematura e
injustamente, e valorizando costumes e culturas incompatíveis com sua realidade e
idade.

Identificamos aqui sérias violações aos direitos da criança,


12

constitucionalmente protegidos, e também aos direitos do consumidor.

Claro que os aspectos midiáticos da informação não são unicamente


negativos, e em todos os seus meios e formas, traz as duas possibilidades.

Aliado à tecnologia, um dos grandes poderes herdados pela comunicação na


atualidade é a facilidade e diversificação de formas na comunicação em massa,
através do que as informações são direcionadas a um imenso público por meio da
internet, televisão, radiodifusão, cinema, periódicos, etc., não importando onde se
encontrem e em que cultura estejam inseridas.

3. Informação como um bem jurídico

Ao estudarmos a evolução das sociedades, percebemos nitidamente os eixos


sobre os quais giram a produção de riquezas, como a supervalorização da terra na
época predominantemente agrícola (HUBERMAN:1986), o destaque aos bens de
produção na revolução industrial, e agora, a valorização da informação na chamada
sociedade da informação, sendo este seu principal ativo.

Considera-se hoje a informação indispensável para o desempenho de


qualquer atividade, seja trabalho, educação, saúde, lazer, etc.., utilizando-se a
tecnologia da informação como mecanismo para isto.

Configura-se a informação, desta maneira em um bem jurídico, bem definido


nos dizeres de Liliana Minardi Paesani (2009, p.10), em sua obra Direito de
Informática: Comercialização e Desenvolvimento Internacional do Software, ao
afirmar:

“Dessa maneira, a informação transforma-se em nova matéria-prima, pertencente ao gênero especial


dos bens imateriais. A organização produtiva transforma-se de unidade de tratamento de materiais
em unidade de tratamento de informações.
A informação, para poder ser valorada e valorizada, é submetida a tratamentos sofisticados. Pode ser
guardada, manipulada como um objeto, cedida, ou até subtraída ilicitamente.” (grifos da autora).

3.1 - Liberdade informativa: informação sobre si mesmo.

Entendemos a liberdade informativa, tendo como centro o indivíduo, que de


uma forma ampla, tem tanto o direito de obter qualquer informação a seu respeito,
como também de ter garantido o direito à sua intimidade, e por conseqüência o
13

controle das informações sobre si mesmo.

No âmbito Constitucional, tem o cidadão garantido o acesso às informações


sobre si mesmo no artigo 5º, incisos LXXII e LXXVII, através da ação de Habeas
Data, a qual visa assegurar a qualquer cidadão livre acesso às informações
existentes em registros ou bancos de dados governamentais ou de caráter público
relativas à sua pessoa, a fim de protegê-lo, por exemplo, contra o uso abusivo
destas informações adquiridas de forma fraudulenta e ilícita (SILVA:2005).

Já no caso da proteção à intimidade, também nossa Constituição Federal, em


artigo 5º inciso X. tem como cláusula pétrea, a garantia da inviolabilidade da vida
privada

No âmbito infra-constiotucional há várias formas de proteção, como por


exemplo, o artigo 325 do Código Penal, que dispõe sobre a violação de sigilo
funcional, ou seja, quando um funcionário público, revela um fato que tem ciência
em razão de seu cargo, e que deveria manter segredo, como por exemplo dados
sigilosos de investigações sobre algum indivíduo.

Partindo-se do exemplo acima podemos afirmar que da mesma forma incorre


em responsabilidade civil se estes dados fossem divulgados indevidamente por
terceiros, como ocorrido em caso recente, Processo n° 0111127-
57.2008.8.19.0001/TJRJ, tendo inclusive seu recurso de apelação julgado em
02/03/2010.

Nesta ação judicial o procurador José Augusto Simões Vagos encontrou


divulgado na internet três vídeos em o mesmo interrogava policiais federais acerca
da investigação que fazia na chamada “operação planador”, a qual culminou na
famosa “operação furacão”.

Conforme pode ser observado na sentença, que ordenou a retirada dos


vídeos e condenou o site “google” ao pagamento de danos morais, entendeu-se que
as edições realizadas nos vídeos sugeriam que o procurador fraudava as ações
judiciais, o que prejudicou sua honra e sua moral.

3.2 - Disponibilidade universal da informação: informação sobre qualquer


coisa
14

Em uma análise inicial nos deparamos neste tema com o conflito de direitos
básicos e até fundamentais, pois se de um lado busca-se garantir a liberdade de
expressão, de outro parece necessário regulamentar a forma e os limites desta
liberdade, evitando-se o conflito social.

Como sabemos, a liberdade de expressão tem papel fundamental para se


garantir o direito à informação, que é ao mesmo tempo base e subsídio de um
Estado Democrático de Direito. Sendo assim, liberdade de expressão e o direito à
informação estão intimamente ligados ao exercício da cidadania.

Além destes, contamos também com o Princípio da Publicidade, o qual


encontra guarida também no já citado no artigo 5º da Constituição Federal.

A publicidade surge como uma garantia individual servindo, por exemplo, para
evitar abusos dos órgãos julgadores, limitar formas opressivas de atuação da justiça
criminal, facilitar o controle social sobre o Judiciário e o Ministério Público, etc..

A exigência da publicidade originou-se da reação liberal, da mesma época


das declarações de direitos, contra os processos secretos em que os juízes atuavam
sem a censura do povo, em geral.

Em face das novas Tecnologias da Informação, é fácil imaginar que o


conteúdo da garantia mudou na atualidade, por esse motivo, quando a publicidade
pode fazer mais mal do que bem, exigem medidas restritivas para garantir a justiça.

Podemos citar como exemplo o fato de alguns processos correm em segredo


de justiça, mesmo em face do que estabelece o artigo 792 do Código de Processo
Penal Brasileiro, pelo qual as audiências, sessões e atos processuais serão, em
regra, públicos, podendo o juiz, todavia determinar que se realize a portas fechadas,
no caso de a publicidade acarretar escândalo, inconveniente grave ou perigo de
perturbação da ordem. Sendo que o conhecimento dos autos, por conseguinte, não
poderá ser subtraído das partes e seus procuradores.

Nesta mesma linha, o inciso LX do artigo 5º do texto Constitucional assegura


a publicidade dos atos processuais, admitindo, contudo, o sigilo quando a defesa da
intimidade ou interesse social o exigirem.

Importante destacar que a garantia da publicidade é uma garantia das outras


15

garantias e, inclusive, da reta aplicação da lei.

Nada melhor que a fiscalização da opinião pública para que as atuações de


forma geral, e em especial a estatal, inclusive a judicial seja feita corretamente.

Neste caso, poderíamos entender que a disponibilidade universal da


informação pode atuar também como obstativa de eventuais arbitrariedades.

Capítulo II - Informação e as relações de Direito e Poder

1. A informação como ferramenta de troca ou de domínio

Com a globalização e os novos rumos da economia a sociedade vai se


diversificando e lançando mão de todo tipo de tecnologia para a produção do capital,
com destaque para as Tecnologias de Informação e Comunicação, que tornaram-se
mais que ferramentas, constituído-se também em patrimônio.

Tais tecnologias são associadas à atuação do Estado em seus vários setores


como o setor econômico, financeiro, tecnológico legislativo e outros, atuação esta
fortemente influenciada pelo meio empresarial privado na defesa de seus interesses.

Filósofos e pensadores modernos e contemporâneos como Habermas,


Dahrendorf, Daniel Bell, Marshall e outros chamam atual sociedade de pós-
industrial, na qual a decisão de onde será aplicado o recurso passa a ser mais
importante do que produzi-lo.

Já na primeira revolução industrial, em razão da máquina a vapor, o


conhecimento passou a ter relevante importância nos meios produtivos, reforçando-
se tal fato com a segunda revolução industrial, impulsionada pela eletrônica, que
definitivamente inseriu o conhecimento, e por conseqüência a informação, como um
bem.

Nos dizeres de Marilena Chauí (1980, p. 57), a informação "... em lugar da


mercadoria apareceu como resultado de relações sociais enquanto relações de produção, ela
aparece como um bem que se compra e se consome."

Analisando-se por esta ótica, poderíamos medir as riquezas das organizações


e até mesmo de países pela sua capacidade no domínio e veiculação da
informação, utilizando-se para isto da tecnologia e legislação.
16

Conforme mencionamos acima, a informação é atualmente um dos principais


itens responsáveis pela reprodução do capital, e esta, potencializada pelos meios de
comunicação em massa, ganha poderes que vão muito além de ser um dos
principais itens responsáveis pela reprodução do capital, tem na realidade o poder
de modificar a sociedade de forma ampla e irrestrita.

Bem definiu Yoneji Masuda(1982, p.182), ao citar:

“Pela primeira vez na história dos povos vamos ter uma profunda transformação social, de forma
silenciosa, sem revoluções, guerras ou lutas de classes, simplesmente com o magnífico poder
invisível da informação.”

No contexto atual percebe-se que a dominação, seja política, cultural ou


econômica, está diretamente ligada ao domínio da informação, o que envolve a
habilidade em reunir, produzir, processar manipular e obter vantagens com seu uso.

Nesta questão o direito tem se mostrado elemento largamente utilizado como


meio de reafirmar o poder dos governantes e dominantes, que utilizam-se da
informação e comunicação na forma de ferramenta importante, como por exemplo:
as leis que normatizam a mídia e as telecomunicações em geral.

Bom exemplo disto temos na história recente de nosso país, quando na


vigência do AI-5, o diretor da surcusal de Brasília do jornal “O Estado de São Paulo”,
em 15 de setembro de 1972, teria recebido um telegrama que dizia2:

“De ordem do senhor ministro da Justiça fica expressamente proibida a publicação de: notícias,
comentários, entrevistas ou critérios de qualquer natureza, abertura política ou democratização ou
assuntos correlatos, anistia a cassados ou revisão parcial de seus processos, críticas ou comentários
ou editoriais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira, ou problema sucessório e suas
implicações.”

Com este artifício, os governantes conseguiam manter para o mundo a


imagem de um país estável e próspero, diferente da realidade vivida.

Mas não precisamos ir tão longe.

Foi amplamente divulgado na impressa que desde 31 de julho de 2009, que o


Jornal "O Estado de São Paulo" estaria proibido judicialmente de publicar

2
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=516JDB007
17

reportagens sobre a operação “Boi Barrica”, a qual trata de investigação da Polícia


Federal que levou ao indiciamento do empresário Fernando Sarney, filho do ex-
presidente da República e atual presidente do Senado, José Sarney.

Tal proibição teve origem em ação proposta pelo investigado Fernando


Sarney, e foi prolatada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do
Distrito Federal e Territórios, estipulando a multa de R$ 150.000,00 (cento e
cinqüenta mil reais) para cada reportagem do jornal contrária à decisão, e sob o
argumento de que o caso é sigiloso não tornou público o teor do despacho com os
argumentos do magistrado.

Seguindo este mesmo modelo, no dia 17/07/2009 o juiz Nemias Nunes


Carvalho, da 2ª Vara Cível de São Luís, no Maranhão, determinou que fosse retirado
do site do jornal “Pequeno”, reportagem sobre a mesma operação, e também
originou-se em ação promovida pelo investigado Fernando Sarney.

Importante ressaltar que a “família Sarney” detém o controle dos principais


meios de comunicação do Maranhão, como a TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e
o jornal O Estado do Maranhão, dentre outros.

Estaríamos diante daquilo que poderíamos chamar de censura judicial, que


inclusive é proibida por nossa Carta Magna?

Interessante também se faz observar que se por um lado existiu a divulgação


na imprensa sobre os fatos acima, os mesmos não foram colocados no destaque
que mereciam, sendo mesmo sobrepostos por várias outras notícias tornando-os
praticamente despercebidos para a maioria da população.

Estratégias de publicidade e propaganda para conduzir a sociedade ao viés


de interesse daqueles que são dominantes é prática das mais antigas.

Isto tudo nos leva a concordar com a reflexão proposta por Ricardo Gandour,
diretor de Conteúdo do Grupo Estado, ao citar:

"Poderia o progresso econômico propiciar uma certa anestesia política e deixar a população
3
desatenta em relação aos atentados contra a liberdade de expressão?"

Transportando o caso acima para uma esfera maior de atuação, vemos que

3
http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,homenagem-a-anj-vira-ato-contra-a-censura,438895.htm
18

os países chamados “desenvolvidos” atuam também de forma análoga na “defesa


de seus interesses” induzindo e até coagindo as demais nações para que façam uso
das informações produzidas por eles, em qualquer área, impondo sua cultura e
ideologia, tornando-os usuários passivos e desestimulados à produção de sua
própria informação.

Exemplo disto podemos citar no evento em que o Brasil forneceu dados sobre
projetos de pesquisa da área energética aos Estados Unidos, os quais depois de
anexados à base de dados denominada “Energyline”, não mais puderam ser
acessados pelo Brasil já que esta base de dados é restrita apenas ao Canadá e aos
Estados Unidos4.

Há também o caso do projeto REMAC, que tratou do Reconhecimento das


margens Costeira do Brasil, em que os dados foram levantados pelas companhias
estadunidenses “Woodswhole” e a “Lamont”, as quais compilaram tais informações
impossibilitando o acesso destas aos pesquisadores brasileiros (ARAÚJO:1991,
p.37).

Desta maneira, a exploração que antes resumia-se aos recursos naturais hoje
é abrangente e ilimitada já que além os países “dominados” utilizarem-se apenas
dos parâmetros fornecidos pelos “dominadores”, passam também a fornecer todo
tipo de dados a estes, configurando-os em matéria prima para que produzam novas
informações para manutenção de seus particulares interesses.

1.1 – Vigilância tecnológica

Sob a premissa de o Estado exercer o poder disciplinar, e os particulares


preocuparem-se com a segurança, o uso da vigilância eletrônica vai ficando cada
vez mais natural tanto em locais públicos como privados.

Também se atribuem a tais recursos eletrônicos a função do controle de


trânsito, supervisão de crianças, segurança de bens e pessoas, etc..

Mas o efeito pode ser oposto ao que se espera pois se de um lado busca-se

4
Revista Dados e Idéias, v. 1, n. 6, p. 63-69.
19

as facilidades e seguranças acima exemplificadas, por outro os cidadãos em geral


tem sua imagem capturada centenas de vezes por dia, podendo ser monitorada não
só por aqueles que diretamente operam os serviços de cada local, mas praticamente
por qualquer pessoa que consigam obter o endereço eletrônico destas câmeras,
semelhante aos sites de Internet, e com isto passam a ter acesso às imagens para
utilizá-las para qualquer fim.

Excetuam-se no caso acima poucos serviços que contam com mecanismos


especiais de cifragem, os quais normalmente não são implementados pelo custo que
apresentam.

Na atualidade não podemos conceber que o uso de vigilância por meio


eletrônico possa ser algo reversível, e desta forma o caminho que entendemos deva
ser seguido é o da regulamentação séria e rígida.

Esta regulamentação, dentre outros requisitos deveria definir que o local onde
se realiza esta vigilância deve estar devidamente sinalizado, tal procedimento deve
ser proibido em banheiros, vestiários ou em qualquer local que ofenda a dignidade
das pessoas, deve determinar um prazo de armazenamento, garantia de sigilo das
imagens, obrigatoriedade de utilização de codificação ou cifragem das imagens, etc..

Caso contrário, aquilo que aparentemente poderia ser utilizado para o


chamado bem comum poderia configurar-se em forma de domínio e violação da
privacidade para particulares ou o próprio Estado.

1.2 – O “grampo” virtual

Poderíamos definir como “grampo virtual”, por analogia às interceptações


telefônicas, a vigilância do comportamento das pessoas exercida de forma particular,
aleatória e não autorizada, agravada pela velocidade com que tais informações
possam ser disponibilizadas ao público e à rede de computadores, saindo do
controle a limitação de sua circulação.

Dois casos bem interessantes poderiam ser citados. O primeiro trata-se de


uma situação em que um fotógrafo do jornal “O Globo” capturou imagens das telas
dos computadores dos ministros do Supremo, cuja publicação ocorrida em um blog
transcrevemos abaixo:
20

“ministros conversam pelo computador

Um fotógrafo do jornal O Globo captou as imagens das telas dos computadores dos ministros do
Supremo, trocando mensagens durante a sessão do Mensalão . O ministros Ricardo Lewandowski
fala para a ministra Carmem Lúcia que está impressionado com a sustentação do procurador-geral da
República Antonio Fernandes de Souza em plenário.

Os dois discutem, entre outras coisas, sobre aceitar ou não a acusação de peculato para os
mensaleiros que não são funcionários públicos. A certa altura a ministra Carmem Lúcia diz que o voto
do ministro Eros Grau, que é petista, será contra receber a denúncia. Ela e o ministro Lewandowiski
chamam Eros Grau de “o cupido”, provavelmente por estar de galinhagem com a presidente do
Supremo Ellen Gracie, de quem está sentado ao lado.

Um trecho:

12:45 Lewandowiski: Carmem, a sustentação do PGR impressiona.

12:46 Lewandowiski: Carmem, não sei não, mas mudar à última hora é

complicado. Eu, de qualquer maneira, vou ter de varar a noite. Mas acho que

podemos bater um papo aqui mesmo. Inha dúvida é quanto ao peculato em coparticipação, mesmo
para aqueles que não são funcionários públicos, ou não tinham a posse direta do dinheiro.

12:48 Carmem Lúcia: Exatamente, também acho que há dificuldade, mas não dá mais para o que
cogitei e lhe falei... realmente, ou fica todo mundo ou sai todo mundo...

Outro trecho

Carmem Lúcia: o cupido acaba de afirmar aqui ao lado que não vai aceitar nada...

Lewandowiski: Desculpe, mas estou na msma, será que estamos falando a mesma coisa?

Carmem Lúcia: Vou repetir, me foi dito pelo cupido que vai votar pelo não

recebimento da denúncia, entendeu?

Lewandowiski: Ah. Agora sim. Isso só corrobora que houve uma troca. Isso quer dizer que o
resultado desse julgamento era realmente importante.

Carmem Lúcia: E quando eu disse isso há duas semanas, você disse que o Reitor não poderia estar
dando (cai a ligação)

Pois é.

Estamos diante da publicação de diálogo entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal, durante
sessão plenária. Vamos ver o que dizem quando souberem que fotografaram a tela dos seus
5
computadores...”

5
http://diogocoutinho.blog-
se.com.br/blog/conteudo/home.asp?idBlog=67&arquivo=mensal&mes=08&ano=200
21

Outro caso que ensejou além de polêmica um processo judicial bem típico
desta nova sociedade da informação, mas envolvendo questões de honra e
privacidade nos mesmo moldes que antes, foi aquele em que envolveu-se a modelo
Daniela Cicarelli em momentos de privacidade com seu namorado na praia.

O casal acima passou por situação que exprime bem a idea daquilo que aqui
chamamos de “grampo virtual”.

Em setembro de 2008 ela foi filmada por um “paparazzo” em uma praia da


Espanha, em cenas muito íntimas e eróticas com seu namorado, e o vídeo foi
postado no site de compartilhamento “youtube”, sendo difundido rapidamente por
todo o mundo.

A modelo entrou com ação judicial, e mesmo havendo a determinação para


que o vídeo fosse retirado da internet, os usuários passaram a postá-lo de maneira
disfarçada.

Ante tal situação, em janeiro de 2009 uma decisão judicial suspendeu


temporariamente o serviço de compartilhamento acima mencionado, numa tentativa
de manter a segurança jurídica, sob os argumentos de que o vídeo não trazia
nenhuma utilidade pública, tratando-se também de ofensa à imagem, à intimidade e
à honra do casal6.

Neste caso temos vários aspectos jurídicos interessantes além do objeto


principal, dentre eles a territorialidade, já que o fato ocorreu em outro país, bem
como as postagens ocorrerem em provedores estabelecidos fora do território
nacional.

Embora nossa doutrina admita que uma pessoa, ao participar de um cenário


público como uma praia ou um evento esportivo, não possa opor que sua imagem
seja incluída como parte deste cenário, ela é bem clara também quando esclarece
ser o cenário o aspecto principal, e não a pessoa.

No caso acima, porém, a figura de destaque foi o casal e seus atos,


ocorrendo uma exploração não autorizada das imagens, cuja divulgação satisfazia

6
http://www.conjur.com.br/2006-set-28/justica_confirma_veto_video_cicarelli_internet?pagina=2
22

apenas o desejo de conhecer coisa alheia, sem qualquer utilidade socialmente


justificável.

Cabe aqui destacar literatura muito bem utilizada no processo judicial em


questão, que exprime a essência do julgado:

“o privilégio sempre há de ser da vida privada. Isso por uma razão óbvia: esse direito, se lesado,
jamais poderá ser recomposto em forma específica: ao contrário, o exercício do direito à informação
sempre será possível a posteriore, ainda que, então, a notícia não tenha mais o mesmo impacto”.
(ARENHART:2000,p.95) (grifo do autor)

Interessante também destacar a declaração do voto divergente, que a seguir


transcrevemos,o qual traz outra ótica sobre a questão:

“DECLARAÇÃO DE VOTO DIVERGENTE

Tutela antecipada. Pedido de retirada de filme exibido em site mantido pelas agravadas ao
fundamento de violação ao direito de privacidade e imagem. Inadmissibilidade. Ausência da prova da
verossimilhança se o filme é verdadeiro e apenas reflete as cenas explícitas de beijos, abraços e
carícias, protagonizados pela modelo Daniela Cicarelli e seu namorado numa praia pública e
badalada da costa espanhola. Direito à imagem que tem como princípio informador, em especial
quando se trata de pessoas públicas, a própria conduta do protegido, não sendo juridicamente
razoável vislumbrar o direito constitucional desvinculado por completo do primeiro parâmetro que é o
fornecido pela conduta dos que não tiveram nenhum cuidado com a própria imagem, intimidade e
privacidade. Ausência do risco de dano irreparável porque eventual violação poderá ser traduzida em
perdas e danos. Presença da internet e do direito à informação que não podem ser olvidadas na
discussão dos relevantes temas envolvidos. Antecipação de tutela bem indeferida em primeiro grau.
7
Recurso improvido.”

Em sua justificativa quanto a este voto, o Desembargador Maia da Cunha faz


menção à velocidade da comunicação implantada no século XXI, com ênfase à
internet, e que censurar um único site poderia fazer da decisão judicial coisa inócua
já que as imagens difundiram-se velozmente pelo mudo, sendo arquivadas em
computadores pessoais e divulgadas por outros provedores.

Na realidade, o mencionado Desembargador atribui a culpa à protagonista


das cenas sensuais, por se tratar de pessoa pública, a qual indubitavelmente
sempre atrai o “olhar” de turistas e profissionais da imprensa, e não ter agido com o
devido cuidado ao se expor em local público.

7
(AGRV.Nº: 472.738-4/SP –Des. Maia da Cunha)
23

1.3 – Os bancos de dados pessoais

Outra maneira quase invisível da utilização da informação como forma


domínio é através da formação de arquivos com informações pessoais, cujos dados
são cruzados entre diversas organizações com o intuito de delinear o perfil das
pessoas e trabalhar seus produtos de forma que se identifiquem “naturalmente” com
estes e se tornem “necessários” aos mesmos.

Nos dizeres de Tatiana Malta Vieira (2007, p.196):

“Empresas coletam informações de caráter pessoal de forma desautorizada e depois cruzam essas
mesmas informações com dados provenientes de prestadoras de serviço telefônico, provedores de
acesso à Internet, administradoras de cartão de crédito, bancos, enfim, toda e qualquer organização
que possa contribuir para o processo de delineamento do perfil das pessoas. O mecanismo utilizado
para facilitar a coleta recorre à persuasão para convencer o próprio titular das informações; sua
privacidade se transforma em moeda de troca na era da informação. Trocam-se informações
pessoais por serviços personalizados, brindes, direito de participar de sorteios, acesso gratuito à web,
produtos e financiamentos online.”

Estas empresas utilizam-se de técnicas ardilosas para a coleta destas


informações, de maneira que não parecem estar espionando ou invadindo a vida
particular de seus clientes, porém conseguem saber tudo de sua privacidade e até
de sua intimidade, como por exemplo: preferências sexuais, remuneração, o que
compra, assiste ou lê, etc..

Estes dados passam a circular em locais cujo titular não autorizou, podendo
inclusive ser disponibilizados aos órgãos governamentais, familiares, empresa onde
trabalha, etc., criando efeitos inesperados e indesejados.

2. Limites jurídicos à disponibilidade da informação

Em um Estado em que há leis, a liberdade consiste em fazer aquilo que a lei


não proíbe, impedindo o constrangimento ilegal, conforme vemos no direito romano,
cujo teor era na permissividade de se fazer o que lhe agradasse, a exceção daquilo
que fosse proibido pela força ou pelo direito.

Nos limites jurídicos à disponibilidade da informação, importante se faz o


“Princípio da intervenção mínima do Estado”, que envolve as chamadas liberdades
dos “antigos e modernos”, as quais Benjamin Constant, bem definiu no começo do
24

século 19, citando que a liberdade dos antigos tratava-se do direito de participação
política, e a liberdade dos modernos tratava-se da esfera onde o ser humano
poderia exercer seu direito sem intervenção do Estado.

Aplicando-se isto ao nosso estudo, entendemos que a primeira liberdade


acima citada, qual seja: liberdade dos antigos, garantiria a liberdade política dos
cidadãos, com maior intervenção regulatória Estado, e não unicamente a liberdade
expressiva, fomentando-se assim um debate público (FISS:2005, p. 06).

Já no segundo caso, a liberdade dos modernos, estaríamos protegendo a


liberdade de expressão do emissor, evitando-se o controle do Estado sobre este
discurso, e conseqüentemente sobre a formação da opinião pública (FISS:2005, p.
06).

Constituímos aqui um paradoxo ante a necessidade de se harmonizar as


liberdades individuais com as coletivas, visto parecer matéria extremamente
conflitante.

Vejamos o que citou Alexandre Moraes (2004, p.86), em sua obra “Direito
Constitucional:

“...nenhuma liberdade individual é absoluta, sendo possível, respeitados certos parâmetros, a


interceptação das correspondências e comunicações telegráficas e de dados sempre que as
liberdades públicas estiverem sendo utilizadas como instrumento de salvaguarda das práticas ilícitas.”

Mas quem e como se define estes limites, principalmente na atualidade em


que as informações se processam com velocidades, e caem rapidamente no
domínio público?

Destacamos aqui os dizeres de Sidney Guerra (2004, p.24), que vai nesta
mesma linha:

"A informação sendo processada em vias de globalização acaba por produzir efeitos jurídicos nunca
antes imaginados cujas barreiras geográficas que antes separavam os Estados cedem lugar a um
mundo virtual e universal, onde todas as pessoas podem ter acesso às mesmas informações".

Talvez tenhamos apenas que nos pautar pela regra máxima de convivência,
na qual a liberdade de um é a ausência de coação por parte de outros.
25

2.1 - Proteção à intimidade e à vida privada

A atual Constituição Federal brasileira conferiu aos direitos de personalidade


especial atenção, consagrando o Princípio da Dignidade Humana, estabelecendo a
partir disto a inviolabilidade do Direito à honra e a privacidade, fixando que a
liberdade de expressão e da informação teria que observar tais direitos, conforme
determina o artigo 5º. Inciso X de nossa Constituição.

Na atualidade, talvez caiba justamente ao Direito da Tecnologia da


Informação encontrar o ponto de equilíbrio entre a liberdade de expressão e
informação e a proteção à honra e a intimidade da pessoa humana, ante as novas
formas tecnológicas de produção de informação e meios de comunicação.

Conforme bem conceitua Celso Bastos (1989, p.63), a privacidade é :

“a faculdade que tem cada indivíduo de obstar a intromissão de estranhos em sua vida privada e
familiar, assim como de impedir-lhes o acesso à informações sobre a privacidade de cada um, e
também de impedir que sejam divulgadas informações sobre esta área da manifestação existencial
do ser humano.”

A distinção entre intimidade e vida privada, é que a primeira corresponde aos


sentimentos interiores do indivíduo, enquanto que a segunda corresponde aos
aspectos externos porém privativos do mesmo.

Neste caso, da intimidade participa somente o próprio indivíduo, enquanto


que da vida privada participam pessoas íntimas de sua convivência, que tem acesso
às suas informações pessoais.

Destacamos que os direitos discutidos neste tópico abrangem também as


pessoas jurídicas, embora ainda existam discussões doutrinárias a este respeito,
visto que alguns não dissociam o direito à intimidade e à vida privada dos direitos de
personalidade.

Ressalta-se que este entendimento é compartilhado pelo Superior Tribunal de


Justiça brasileiro, já que editou a súmula nº. 227 , que diz: “A pessoa jurídica pode
sofrer dano moral”.8

Vemos também sua confirmação em nosso Código Penal, no artigo 152, que

8
http://ww.stj.gov.br/SCON/pesquisar.jsp
26

trata do sigilo da correspondência comercial, e no artigo 154, que resguarda o sigilo


profissional.

Destacam-se também as leis 9.279/96, que trata da concorrência desleal,


onde em seu artigo 195 regula a questão da divulgação não autorizada dos
conhecimentos, dados ou informações da pessoa jurídica, e a lei 7.232/84, que no
inciso VIII do artigo 2º protege a privacidade das pessoas jurídicas.

Lembramos ainda que, seja no âmbito da pessoa física ou jurídica, a proteção


à intimidade e à vida privada ocorre em duas dimensões distintas porém
complementares, sendo uma objetiva e a outra subjetiva.

A subjetiva refere-se ao direito que tem o indivíduo em exigir de particulares e


do Estado determinados comportamentos, sejam omissivos ou comissivos, em
proteção ao direito aqui discutido.

Já a objetiva relaciona-se aos valores estabelecidos em um Estado


Democrático de Direito que agem como diretrizes e limites ao direito subjetivo acima
mencionado.

Destacamos a seguir curiosas decisões judiciais, que ilustram bem a questão


aqui estudada:

1 RMS nº. 5352/GO Constitucional e processual civil. Mandado de segurança.


Escuta telefônica. Gravação feita por marido traído. Desentranhamento da prova
requerido pela esposa: viabilidade, uma vez que se trata de prova ilegalmente
obtida, com violação da intimidade individual. Recurso ordinário provido. 9

2 RESP nº. 46420/SP. Direito a imagem. Direito de arena. Jogador de futebol. Album
de figurinhas. O direito de arena que a lei atribui as entidades esportivas limita-se a
fixação, transmissão e retransmissão do espetaculo desportivo publico, mas não
compreende o uso da imagem dos jogadores fora da situação especifica do
espetaculo, como na reprodução de fotografias para compor "album de figurinhas".
Lei 5989/73, artigo 100; lei 8672/93.10

9
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.jsp?acao=imprimir&livre=escuta+telef%F4nica&&b=AC
OR&p=true&t=&l=10&i=118
10
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28%28%27RESP%27.clap.+ou+%27RESP
27

Vemos nos julgados acima a aplicação direta dos princípios fundamentais


insculpidos em nossa Constituição Federal, garantindo-se então a proteção à
intimidade e à vida privada, apesar da difícil tarefa em estabelecer os limites entre o
que vem a ser público ou particular no tocante à produção e veiculação da
informação.

2.2 – Renúncia à privacidade no âmbito pessoal ou profissional

Uma questão aparentemente simples como esta proposta neste tópico pode
ganhar relevos marcantes se analisada com pais profundidade. Sendo a privacidade
um Direito de personalidade, tem este a característica de irrenunciabilidade.

Desta forma, como fica a questão da possibilidade de sua renúncia por


interesse próprio daquele a quem pertence este Direito, como por exemplo para a
participação dos atuais “reality shows” ou por necessidade profissional?

Nosso Código Civil traz claramente em seu artigo 11 tal perspectiva, conforme
transcrevemos:

“Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos de personalidade são intransmissíveis e
irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.”

Mário Luiz Delgado, em um artigo veiculado pela revista Jurídica Consulex 11,
entende que mesmo com a assertiva do artigo acima transcrito não está proibida a
venda da própria imagem, inclusive em situações de pornografia, desde que seja
específica quanto ao tempo e ao objeto, com condições de revogabilidade.

Quanto às relações profissionais, a Tecnologia da Informação foi absorvida de


forma tão intensa no meio corporativo, que hoje torna-se difícil imaginar como era
antes sem a utilização destes meios para fomentar a produção com eficiência e
lucratividade.

Também por este mesmo motivo o número trabalhadores on line aumentou


muito, gerando uma nova forma de labor, e evidentemente fazendo surgir
necessidades de regulamentação para esta nova maneira de exploração da mão de

%27.clas.%29+e+@num=%2746420%27%29+ou+%28%27RESP%27+adj+%2746420%27.suce.%29
11
Revista Jurídica Consulex, nº 169,p. 24-26.
28

obra, bem como nos demais casos novos surgidos mesmo nos ambientes de
trabalho tradicionais, como por exemplo: o uso de e-mail e acesso à Internet para
fins profissionais.

As comunicações eletrônicas, por serem velozes e terem a relação custo


benefício bem favorável, podem melhorar a eficiência e produtividade, pois
possibilita comunicação rápida tanto dentro da empresa como desta com seus
clientes, fornecedores e órgãos governamentais.

Porém, é evidente que o abuso de tais tecnologias surge tanto da parte do


trabalhador, como da parte dos empregadores.

O primeiro através do uso desvirtuado do e-mail corporativo e da Internet,


tratando de assuntos não relacionados ao serviço, acarretando sensível queda da
produtividade, e lentidão no sistema de informática da empresa, e o segundo no
excesso de vigilância e as vezes até na invasão de privacidade.

A grande maioria destes impactos da Tecnologia da Informação em Ambiente


Corporativo podem ser resolvidos com alguns cuidados e normas estabelecidas no
próprio ambiente corporativo, deixando claro os limites entre o ambiente de trabalho
e a vida privada do trabalhador, bem como de uma interpretação cuidadosa dos
preceitos legais, inclusive os de ordem Constitucionais.

Exemplos bem interessantes temos em nossa doutrina e jurisprudência, do


que destacamos abaixo inclusive um julgado histórico muito esclarecedor.

Vejamos:

“PROVA ILÍCITA. ”E-MAIL" CORPORATIVO. JUSTA CAUSA. DIVULGAÇÃO DE MATERIAL


PORNOGRÁFICO.

1. Os sacrossantos direitos do cidadão à privacidade e ao sigilo de correspondência,


constitucionalmente assegurados, concernem à comunicação estritamente pessoal, ainda que virtual
("e-mail" particular). Assim, apenas o e-mail pessoal ou particular do empregado, socorrendo-se de
provedor próprio, desfruta da proteção constitucional e legal de inviolabilidade.

2. Solução diversa impõe-se em se tratando do chamado "e-mail" corporativo, instrumento de


comunicação virtual mediante o qual o empregado louva-se de terminal de computador e de provedor
da empresa, bem assim do próprio endereço eletrônico que lhe é disponibilizado igualmente pela
empresa. Destina-se este a que nele trafeguem mensagens de cunho estritamente profissional. Em
princípio, é de uso corporativo, salvo consentimento do empregador. Ostenta, pois, natureza jurídica
29

equivalente à de uma ferramenta de trabalho proporcionada pelo empregador ao empregado para a


consecução do serviço.

3. A estreita e cada vez mais intensa vinculação que passou a existir, de uns tempos a esta parte,
entre Internet e/ou correspondência eletrônica e justa causa e/ou crime exige muita parcimônia dos
órgãos jurisdicionais na qualificação da ilicitude da prova referente ao desvio de finalidade na
utilização dessa tecnologia, tomando-se em conta, inclusive, o princípio da proporcionalidade e, pois,
os diversos valores jurídicos tutelados pela lei e pela Constituição Federal. A experiência
subministrada ao magistrado pela observação do que ordinariamente acontece revela que,
notadamente o "e-mail" corporativo, não raro sofre acentuado desvio de finalidade, mediante a
utilização abusiva ou ilegal, de que é exemplo o envio de fotos pornográficas. Constitui, assim, em
última análise, expediente pelo qual o empregado pode provocar expressivo prejuízo ao empregador.

4. Se se cuida de "e-mail" corporativo, declaradamente destinado somente para assuntos e matérias


afetas ao serviço, o que está em jogo, antes de tudo, é o exercício do direito de propriedade do
empregador sobre o computador capaz de acessar à INTERNET e sobre o próprio provedor. Insta ter
presente também a responsabilidade do empregador, perante terceiros, pelos atos de seus
empregados em serviço (Código Civil, art. 932, inc. III), bem como que está em xeque o direito à
imagem do empregador, igualmente merecedor de tutela constitucional. Sobretudo, imperativo
considerar que o empregado, ao receber uma caixa de "e-mail" de seu empregador para uso
corporativo, mediante ciência prévia de que nele somente podem transitar mensagens profissionais,
não tem razoável expectativa de privacidade quanto a esta, como se vem entendendo no Direito
Comparado (EUA e Reino Unido).

5. Pode o empregador monitorar e rastrear a atividade do empregado no ambiente de trabalho, em


"e-mail" corporativo, isto é, checar suas mensagens, tanto do ponto de vista formal quanto sob o
ângulo material ou de conteúdo. Não é ilícita a prova assim obtida, visando a demonstrar justa causa
para a despedida decorrente do envio de material pornográfico a colega de trabalho. Inexistência de
afronta ao art. 5º, incisos X, XII e LVI, da Constituição Federal.
12
6. Agravo de Instrumento do Reclamante a que se nega provimento.

Em nossa doutrina:

“Segundo a Folha Online de 10/07/2004, mais de um terço dos norte-americanos que usam a Internet
no trabalho têm suas atividades on line monitoradas por seus patrões, o que vem crescendo devido
ao baixo preço das ferramentas de rastreamento e diante da preocupação, por parte das empresas,
com a produtividade e com o uso da rede para fins sexuais.”( GUBERT: 2005, p. 171)

“O correio eletrônico não é um serviço postal e o depósito de mensagens não é, tecnicamente, uma
caixa postal propriamente dita. Trata-se, tão-somente, de um meio de comunicação, sendo o "e-mail"
apenas um depositário de mensagens eletrônicas enviadas para um endereço virtual.”

12
RR nº. 613/2000 - TST
30

(BELMONT:2004, p. 64)

"Umas das razões que levam ao rastreamento das navegações e e-mails diz respeito à associação
da má utilização ao bom nome e reputação da empresa. No terreno da responsabilidade civil, não
têm validade os chamados Legal Disclaimers ou avisos de isenção de responsabilidade empresarial,
que remetem ao funcionário - e não à Empresa - a responsabilidade pelo envio de e-mail causador de
prejuízo moral ou material. Assim como não teria valor o aviso afixado na porta de veículo funcional,
informativo de que a empresa não responderia pelos xingamentos, agressões físicas ou
abalroamentos ocorridos em horário de serviço, remetendo ao empregado a integral responsabilidade
pelos atos. Isto porque o empregador responde, perante terceiros, pelos danos praticados pelo
empregado ou preposto." (BELMONT:2004, p. 113)

“Quando o empregado executa seus serviços em estabelecimento do empregador, que, obviamente,


tem a sua organização, e utiliza os instrumentos de trabalho fornecidos pelo empregador, não é
razoável que possa este empregado exercer a sua vida privada até o ponto de negar a existência de
seu próprio estado de subordinação à ordem produtiva e mesmo a propriedade do empregador com
13
relação aos meios de produção que lhe são postos à disposição ”.

“Umas das razões que levam ao rastreamento das navegações e e-mails diz respeito à associação
da má utilização ao bom nome e reputação da empresa. No terreno da responsabilidade civil, não
têm validade os chamados „Legal Disclaimers‟ ou avisos de isenção de responsabilidade empresarial,
que remetem ao funcionário - e não à Empresa - a responsabilidade pelo envio de e-mail causador de
prejuízo moral ou material.” (BELMONT:2004, p. 119)

O sigilo de comunicação é bem definido por José Cretella Júnior (1990, p.


268), ao expor que sigilo de correspondência é a liberdade pública que consiste em
emitir o pensamento exclusivamente ao destinatário, não podendo nenhuma outra
pessoa devassá-lo, nem mesmo o Estado através de seus agentes, estando de um
lado a liberdade de manifestação do pensamento, e de outro o direito à intimidade.

Sendo assim, e-mail e o acesso às páginas eletrônicas estariam abrangido


pelo artigo 5º, inciso XII da Constituição Federal, e portanto gozam dos direitos
acima mencionados.

Ocorre porém que alguns trabalhadores e até de alguns operadores do direito


pode ser induzidos ao erro se não fizerem e responderem corretamente a seguinte
questão: sigilo de quem?

Ora, se o e-mail é corporativo, se as ferramentas tecnológicas são do


empregador, e se o trabalhador foi orientado quanto ao uso restrito de tais recursos,
13
www.estadao.conjur.com.br
31

as informações e correspondências que circulam por meio destas ferramentas tem


como remetente e destinatário, conforme o caso o próprio empregador, sendo o
trabalhador um seu preposto.

Percebemos então que o uso do poder diretivo do empregador, previsto no


artigo 2º. da CLT, na atualidade, não se resume somente à sua necessidade de
controle para os fins empresariais. Hoje, o empregador, dentre outras coisas, teve
sua responsabilidade aumentada pelos artigos 241 A e B da lei 11.829/08, por ser
proprietário das ferramentas tecnológicas, podendo responder por atos de seus
trabalhadores, relacionados à pornografia infantil e adolescente, e também pela
responsabilidade civil que lhe é imputada pelo artigo 932, inciso III do Código Civil.

Nas referencias doutrinárias e jurisprudenciais aqui apresentadas, os autores


e julgadores deixam claro que o e-mail corporativo é aquele cedido aos empregados
pela empresa, juntamente com equipamentos de informática, para o desempenho
das atividades laborativas,

Temos isto bem demonstrado pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho-


TST João Oreste Dalazen (2005), quando publicou no “Jornal do Advogado”: “o e-
mail corporativo é como se fosse uma correspondência em papel timbrado da
empresa”

Logo, pelo exposto, não há que se falar em violação de Direito à intimidade ou


à vida privada o monitoramento da correspondência em ambiente corporativo,
levando-se em consideração tudo que até aqui expomos.

2.3 – A liberdade de expressão

No Brasil temos esta liberdade garantida em nossa Lei Maior, no artigo 5º.,
inciso IV, da Constituição Federal de 1988, independente de censura ou licença,
conforme também anota-se nesta lei, artigo 5º, inciso IX.

Embora a liberdade de expressão, não somente no Brasil, se constitua em


uma garantia constitucional do cidadão contra a autoridade vigente, ao longo da
história sempre houveram atos deste último que cerceavam esta liberdade em nome
do “interesse público” ou da “honra de terceiros”, como no exemplo relacionado à
“família Sarney” que citamos no item 1 deste capítulo.
32

Eis o dilema: se o Estado intervém excessivamente torna-se totalitário, se não


intervém torna-se omisso e contribui para a exclusão dos grupos menos favorecidos
da sociedade.(FISS:2005, p.4)

Também podemos citar aqui um exemplo claro e de fácil compreensão da


necessidade da intervenção Estatal. Trata-se de um caso recente, julgado pelo
Supremo Tribunal Federal, de nº. HC82424/RS, no qual discutia-se o direito de
publicar-se livros e revistas cujo conteúdo fomentaria ódio contra o povo judeu.

Encontramos neste julgado o conflito entre a liberdade de expressão e outros


direitos fundamentais, no caso a igualdade racial e a dignidade da pessoa humana,
onde a intervenção Estatal buscou compatibiliza-los e colmatá-los.

O desafio está em estabelecer de maneira precisa os limites para este


equilíbrio.

Outro exemplo típico da intervenção Estatal na autonomia e liberdade editorial


dos meios de comunicação em massa, a favor da liberdade de expressão igualitária
e democrática é o horário eleitoral gratuito e obrigatório, regido pelo artigo 47 da Lei
9.504;97, sob o argumento de favorecer os candidatos e partidos minoritários que
não poderiam ter acesso a esta mídia sem a atuação do Estado.

Os exemplos acima, no entanto, destacam a maneira mais comum em que o


Estado é identificado: a forma regulatória.

Nela o Estado age como policial ditando comandos e proibições, agindo nas
áreas criminal e cível, avaliando danos e determinando as diretrizes a serem
seguidas.

Importante se faz observar também que a influência Estatal não ocorre


somente no meio legal ou jurídico, o financiamento público das atividades artísticas
e culturais de maneira geral, bem como nos atos regulatórios da imprensa, sem
dúvida gera alguma influência na liberdade de expressão, já que pode distorcer o
discurso em favor dos ocupantes do poder constituído.

3. Regulamentação e segurança da informação no meio virtual

3.1 – Regulamentação no ciberespaço


33

Em nosso entendimento, toda a elaboração conceitual que rege as diversas


formas de organizações sociais partem sempre do mundo abstrato, materializando-
se posteriormente por atos e fatos, os quais embora tornem-se tangíveis, tem sua
fundamentação na abstração que os criou.

Podemos citar como exemplo dito o conhecido “contrato social” de Rousseau.

Da mesma, forma, concordamos que no chamado ciberespaço o que


encontramos é de fato uma identidade reflexa do mundo tangível, porém com um
teor muito maior de abstração, reforçado pela velocidade de propagação e
transformação.

Nesta linha, há de se analisar o papel da política e do Estado.

Na concepção liberal, o Estado nasce da agregação de indivíduos que


supostamente viviam auto-suficientes e livres no estado de natureza, com o objetivo
de garantir a liberdade de cada um em relação ao outro.

Por isso a realização histórica dos direitos não é confiada à intervenção


positiva do Estado, mas é deixada ao livre jogo do mercado, partindo do pressuposto
liberal que o pleno desdobramento dos interesses egoísticos de cada um - limitado
somente pelo respeito formal do egoísmo do outro - possa transformar-se em
benefício público pela mediação da mão invisível do mercado (HUBERMAN:1986,
p.99).

O próprio contrato social funda-se no pressuposto do natural egoísmo dos


indivíduos que deve ser somente controlado e dirigido para uma sadia competição
de mercado. Isto não impede, como afirma H. C. de Lima Vaz (1988, p. 33), "o
reaparecimento do estado de natureza em pleno coração da vida social, com o conflito dos interesses
na sociedade civil precariamente conjurado pelo convencionalismo jurídico."

A atual conjuntura mundial dominada pelo processo de globalização sob a


hegemonia neoliberal não faz que acentuar esta situação, exasperando a
contradição entre democracia política e social, entre direitos de liberdade e direitos
sociais.

De fato, a globalização dos direitos humanos não vai no mesmo sentido da


globalização da economia e da finança mundial que está vinculada à lógica do lucro,
da acumulação e da concentração de riqueza e desvinculada de qualquer
34

compromisso com a realização do bem estar social e dos direitos do homem.

A globalização dos direitos humanos tende a incluir um número sempre maior


de direitos, de primeira, segunda, terceira, quarta geração, etc.; mas não basta
acrescentar a lista dos direitos para que estes se tornem efetivos.

Existem direitos fundamentais sem os quais a longa lista de direitos se torna


vazia: sem os direitos econômicos e sociais não é possível garantir os direitos civis e
políticos.

Os direitos de liberdade só podem ser assegurados garantindo a cada ser


humano as condições mínimas de bem-estar social que lhe permita viver com
dignidade.

No entanto o processo de globalização acaba gerar um estado de defesa dos


direitos de liberdade, com uma intervenção mínima do Estado, já que as novas e
velhas desigualdades sociais e econômicas estão surgindo no mundo inteiro, e com
muito mais ênfase e velocidade devido, dentre outros fatores, às novas Tecnologias
de Informação.

Quanto ao sistema jurídico neste contexto, há de se repensar uma vez que


distanciou-se da realidade fática geradas ou amplificadas por estas novas
tecnologias.

Jürgen Habermas (1997), em sua teoria da ação comunicativa parece


descrever um resgate da ética do Direito, através de maior participação popular.

Ainda que perfeita como sistema, a ordem jurídica jamais pode ignorar a
realidade, nem tornar-se ferramenta de manobra do poder vigente, seja ele maioria
ou minoria, nem tampouco fechar-se ignorando as reais necessidades dos cidadãos,
pois não pode configurar-se apenas como uma técnica de controle social, nos
moldes da rigidez jurídica do positivismo de Hans Kelsen.

Por outro lado, não podemos nos deixar levar pela apresentação que se faz
hoje do ciberespaço como um universo individual e distinto de nossa realidade, cuja
distorção o faz parecer um mito, através de um “tradição inventada”, como bem
definiu Hobsbaw (1997, p. 315):

“Por ”tradição inventada” entende-se um conjunto de práticas, normalmente reguladas por regras
35

tácita ou abertamente aceitas; tais práticas, de natureza ritual ou simbólica, visam inculcar certos
valores e normas de comportamento através da repetição, o que implica, automaticamente; uma
continuidade em relação ao passado.”

Atualmente o que percebemos é uma técnica de inversão de valores, a


realidade é apresentada como mito, e vice-versa, além de uma distorção entre os
conceitos de mito, tradição e costume.

Conforme também nos ensina Hobsbaw, o costume é a essência da ação,


enquanto a tradição inventada é acessória a este.

Esclarece-nos ainda, de forma ilustrativa:

““Costume” é o que fazem os juízes; “tradição” (no caso tradição inventada) é a peruca, a toga e
outros acessórios e rituais formais que cercam a substância, que é a ação do magistrado. A
decadência do “costume” inevitavelmente modifica a “tradição” à qual ele geralmente está associado.”

Se por um lado não podemos nos prender às tradições, que não são
sinônimos de mitos, jamais devemos ignorar as lições que a história nos concede,
pelo que se deve evitar a validação do poder obtida através de manipulação de
informações.

Se há conflitos, a solução deve ser proposta a partir de uma concepção


razoável de justiça social, sem ferir os direitos e liberdades individuais ou coletivas
adquiridos historicamente por cada Estado e cultura, antes mesmo compatibilizando-
os.

Sendo assim, em nosso entendimento, é perfeitamente possível a adequação


de cada legislação Estatal tradicional já existente ao nível de abstração e velocidade
do ciberespaço, cada qual nos moldes de sua cultura e organização político-social,
porém com muito mais ênfase a um sistema cooperativo internacional de
conformação jurídica baseada mais em princípios que em leis, o que permitiria mais
flexibilidade na aplicação destes que das rígidas normas jurídicas.

3.2 - Segurança interna e externa

Ao utilizarmos o termo “segurança da informação” necessitamos tomar


cuidado pois tal segurança não se restringe somente à informação propriamente
dita, mas também se estende à todos e tudo que seu efeito pode alcançar.
36

Utilizando-se de um caso recente para melhor compreensão, podemos ver


claramente ao que nos referimos na afirmativa acima.

Em 17/07/2007 um avião da empresa aérea TAM, que fazia o vôo n° 3054, de


Porto Alegre para São Paulo, derrapou na pista do aeroporto de Congonhas, em
São Paulo, e bateu em um prédio, resultando em 187 mortos que estavam no avião
e outros 12 mortos que estavam no prédio.14

Com o objetivo de esclarecer o acidente, dentre outras ferramentas utilizou-se


da transcrição dos dados gravados na “caixa preta” do mencionado avião, os quais
foram divulgados inoportunamente pela Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI,
que investigava o caso, ocasionado efeitos das mais diversas naturezas, envolvendo
diretamente os processos de segurança da informação.

Dentre outras coisas, a segurança da informação deve garantir que nos


processos de produção, divulgação e armazenamento, sejam atendidos os
parâmetros legais, políticos e contratuais, se houverem.

No caso em tela, os dados contidos na gravação transcrita continham, dentre


outras, informações confidenciais relacionadas às vítimas, e outras que em nada
poderia acrescentar ao interesse público como os últimos momentos dos pilotos, as
quais não poderiam ser divulgadas indistintamente ante a insegurança e efeitos
jurídicos a que dariam motivação.

Ensejaram, por exemplo, a responsabilidade civil do Estado, conforme prevê


o artigo 37 da Constituição Federal, a Violação de Sigilo Funcional prevista no artigo
325 do Código Penal, conforme já citamos em tópicos anteriores, além da agressão
ao Princípio da Intimidade previsto no artigo 5°, inciso X da Carta Magna.

Dentre outros, poderiam os integrantes da CPI apoiarem-se no artigo 20 do


Código de Processo Penal, o qual garante à autoridade o sigilo para elucidação do
caso ou em razão do interesse social.

14
http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/voo3054/acidente.shtml
37

Capítulo III - Inclusão e educação digital – Direito e Limitações

1. Direito à informação

Considerando-se que nossa análise sempre busca parâmetros no Direito


Positivo, e que o Direito à Informação é um dos alicerces da democracia, nada mais
elementar que ressaltar os comandos Constitucionais relativos à este direito
fundamental.

Nossa Lei maior é muito objetiva e auto-explicativa quanto a esta questão,


razão pela qual transcrevemos os artigos correspondentes, a saber:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Art. 5º inciso IV – é livre a manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato;

Art. 5º inciso IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,


independentemente de censura ou licença;

Art. 5º inciso XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional;

Artigo 220 A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer


forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação
jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII
e XIV.”

Importante destacar também o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos


Humanos:

“Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer
meios e independentemente de fronteiras.”

E ainda o rtigo 19 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos:

“Toda pessoa terá o direito à liberdade de expressão; esse direito incluirá a liberdade de procurar,
receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, independentemente de considerações
38

de fronteiras, verbalmente ou por escrito, de forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua
escolha.”

Levando-se em conta tudo que já expusemos até aqui, cabe-nos destacar nos
artigos acima somente os seguintes aspectos:

1.2 - Limites entre informação particular e informação coletiva

Embora o direito à informação coletiva seja muito amplo, limita-se


necessariamente às restrições previstas no já citado, art. 5, inciso X, da constituição,
que garante a inviolabilidade, intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, do que bom exemplo citamos no Capítulo II, item 1.2, motivo pelo que se
faz desnecessário maior explanação nesta tópico.

1.2 - Relação entre direito à informação e acesso à informação:

O Direito à informação, conforme já mencionado, trata-se da garantia legal


que cada pessoa tem para obter informações livremente sobre qualquer coisa, e
sobre si mesmo, até os limites da intimidade e a privacidade do outro.

Mas para que se materialize o Direito à informação necessário se faz que


criem-se condições e possibilidades de acesso à mesma, independente da
condições geográficas, políticas ou sociais.

Sobre esta questão trataremos melhor no item 2 deste capítulo.

1.3 - Distinção entre manifestação do pensamento e liberdade de informar

Por manifestação do pensamento entende-se o direito que tem toda pessoa


em expor suas idéias livremente, independente da fonte ou credibilidade.

A este respeito, inclusive, trazemos a clássica citação de Darcy Arruda


Miranda (1995, p. 499), que à cerca da lei da Imprensa diz:

“Comentar é também fazer crítica. A crítica, transcende a narrativa, vai além da censura, porque
envolve um julgamento. Pode, assim, o cronista parlamentar atacar ou elogiar as atividades
funcionais dos representantes do povo, julgando-as de acordo com o seu critério próprio, critério que
pode ser justo ou injusto, correto ou falho, medíocre ou elevado. A lei não fixa padrão mental único
para a atividade jornalística. Cada qual aprecia os fatos de conformidade com o seu modo de ver as
coisas e analisá-las.”
39

Já a liberdade de informar requer objetividade, seriedade e exatidão da


mesma, para que o destinatário possa, dentre outras coisas, tomar decisões e
realizar suas escolhas de maneira livres e autônoma.

O Fato, por exemplo, de em um artigo jornalístico, a informação ter uma


redação livre com aspectos de opinião não faz da informação veiculada uma
manifestação do pensamento, como acima citamos.

Exige-se, ainda, que a informação divulgada de maneira coletiva tenha


utilidade social e seja verídica, dentre outras coisas, sujeitando-se também, como já
citamos, aos limites da liberdade de expressão

De maneira mais minuciosa, ressaltamos que o direito à informação


compreende o direito de informar, prerrogativa do artigo 220 da Constituição
Federal; direito de se informar, conforme comando constitucional do artigo 5º, inciso
XIV, e direito de receber informação.

2. Disponibilidade e acessibilidade

Atualmente a democratização da Informação é tema muito discutido, cuja


essência é a possibilitação e acesso à informação, incluindo-se nisto não só
recepção mas também a produção e emissão, com o uso de vários dispositivos,
dentre eles a chamada inclusão digital.

A inclusão Digital busca garantir o acesso às tecnologias da Informação e


comunicação à toda sociedade de maneira simples e adaptada à cada realidade
regional.

Esta inclusão compreende não só a disponibilização das ferramentas, mas


também a chamada “educação digital” já que é necessário treinamento para se
poder utilizar adequadamente qualquer ferramenta, e dela extrair o melhor resultado.

Pra tanto, governos e comunidades atuam em projetos que tem por finalidade
criar condição de acesso àqueles que possuem baixa renda, e também no estudo
pra desenvolvimento de tecnologias baratas e eficazes para este propósito.15

No Brasil, o governo vem implementando ações com mais ênfase desde o

15
http://pt.wikipedia.org/wiki/Democratiza%C3%A7%C3%A3o_da_informa%C3%A7%C3%A3o
40

ano de 2005, no chamado “Projeto de Inclusão Digital”, utilizando-se de recursos


como o fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, embora os resultados tenham sido
fica aquém do desejado.

Contando-se também com a organização da Sociedade Civil, resultados


expressivos passam a ser contabilizados, dos quais ressaltamos alguns abaixo
ilustrados, a partir de informações obtidas no “Observatório Nacional de Inclusão
Digital – ONID”, que é “é uma iniciativa do Governo Federal em conjunto com a
sociedade civil organizada que atua na coleta, sistematização e disponibilização de
informações para o acompanhamento e avaliação das ações de inclusão digital no
Brasil.”16

Vejamos:

Telecentros: locais existentes em comunidades distintas, em que se


disponibilizam recursos de informática, dentre eles acesso à internet,contando-se
normalmente com orientadores. 17

16
http://www.onid.org.br/portal/o-que-e/
17
http://visualizacoes.onid.org.br/?aba=brasil
41

UF Telecentros Participação no País18


SP 1.127 21,15%
MG 908 17,04%
BA 543 10,19%
RJ 398 7,47%
PR 332 6,23%
RS 243 4,56%
CE 212 3,98%
SC 175 3,28%
GO 167 3,13%
PE 163 3,06%
RN 133 2,50%
DF 106 1,99%
MT 95 1,78%
ES 93 1,75%
MS 88 1,65%
PA 81 1,52%
PB 78 1,46%
MA 74 1,39%
PI 74 1,39%
AC 48 0,90%
AM 47 0,88%
TO 40 0,75%
AL 34 0,64%
SE 22 0,41%
RO 21 0,39%
AP 19 0,36%
RR 8 0,15%

18
http://visualizacoes.onid.org.br/?aba=ufs
42

19

Diversos serviços são disponibilizados nestes telecentros, relacionados, por


exemplo, à capacitação profissional, cultura, educação, saúde, comunicação e lazer.

Vejamos abaixo o comportamento dos usuários em relação a tais serviços 20

19
http://visualizacoes.onid.org.br/?aba=ufs
http://visualizacoes.onid.org.br/?aba=municipios
http://visualizacoes.onid.org.br/?aba=municipios
20
http://onid.org.br/portal/pesquisa
43

Serviços online mais procurados

Serviços online menos procurados


44

Serviços ofline mais utilizados

Conteúdo proibido

Porém, a defasagem desta inclusão e educação digital no Brasil é muito


grande, restringindo-se por diversos fatores políticos, sociais, econômicos e até
mesmo culturais, conforme estudaremos a seguir.
45

3. Fatores, condições e limitações

Mais uma vez, a nosso ver, encontramos na Constituição Federal diretrizes


quanto ao estabelecimento das ações necessárias para a criação dos fatores e
condições que permitam o acesso e disponibilidade da informação à todas as
pessoas, desta vez no artigo 3º, mais especificamente inciso III, que diz:

" Art. 3o - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. "

Pelos parâmetros que vimos no item 2 deste capítulo, percebemos que o uso
das tecnologias da informação e comunicação constituem uma via eficaz para fazer
cumprir o preceito legal acima, já que pode colocar à disposição de qualquer pessoa
serviços e informações de maneira igualitária, imediata e atualizada, independente
da condição social ou geográfica, possibilitando-lhe capacitação e possibilidades
para seu desenvolvimento e inclusão social.

Ressalta-se que a universalização do acesso e disponibilidade da informação


é antes de tudo dever do Estado, o qual pode contar com a sociedade civil para
cumprir tal tarefa, e com isto reduzir as disparidades existentes em face dos
aspectos regionais, sociais, econômicos, políticos, e geográficos desta grande nação
que é o Brasil.

Neste contexto, poderíamos até utilizar como sinônimo as expressões


“exclusão digital” e “exclusão social”, pois como verificamos, o acesso às tecnologias
da informação e comunicação pode permitir ao usuários dos mencionados
telecentros ou outros postos de acesso público e gratuito, reduzir o abismo que os
distanciavam da cidadania e do acesso social.

Importante ressaltar que a cidadania é mais que o simples acesso às


tecnologias. Existe a necessidade de integração real e noção de sociedade e
interesse coletivo na busca de manutenção democrática dos direitos existentes e
também na ampliação destes.

Assim, aquele que antes era excluído digital e socialmente, poderá passar a
manter uma postura ativa perante a sociedade assumindo para si a responsabilidade
de contribuir para decidir os rumos da sociedade que participa.
46

Conclusão

Na atualidade somos expostos às mais variadas informações


ininterruptamente, por diversos meios de comunicação, recepcionando-as de
maneiras ativa ou passiva, assimilando seus efeitos positiva ou negativamente,
conforme o caso.

Esta informação chega a todos, de todas as idades, em qualquer lugar,


variando apenas a forma, mas exercendo uma influência que precisa de cuidado
quanto aos aspectos jurídicos das relações sociais

Vários grupos, no intuito de divulgar ou até mesmo impor seus interesses,


sejam eles políticos, ideológicos ou financeiros, percebendo a força que tem os
meios de comunicação associados às novas tecnologias criam meios inteligentes de
atingir seus objetivos influenciando àqueles que lhes interessam de maneira direta e
indireta.

Aliado à tecnologia, um dos grandes poderes herdados pela comunicação na


atualidade é a facilidade e diversificação de formas na comunicação em massa, que
nem sempre observam a obrigação legal de que a informação divulgada de maneira
coletiva necessariamente deve ter utilidade e relevância social bem como ser
verídica.

Também, por vezes a veiculação da informação não distingue de maneira


clara a diferença entre e a manifestação do pensamento e a liberdade de informar,
sendo a primeira o direito que tem toda pessoa em expor suas idéias livremente,
independente da fonte ou credibilidade, e a segunda aquela que requer objetividade,
seriedade e exatidão.

Considera-se hoje a informação indispensável para o desempenho de


qualquer atividade, seja trabalho, educação, saúde, lazer, etc., utilizando-se a
tecnologia da informação como mecanismo para isto.

Sendo assim, dentre outras coisas, configura-se atualmente a informação


como um bem jurídico, um ativo das empresas e nações, medidas pela capacidade
no domínio e veiculação da informação, cujas ferramentas principais são a
tecnologia e legislação.
47

Certo é que todos temos direito à liberdade informativa, tendo como centro o
indivíduo, bem como ter garantido o direito à intimidade, e por conseqüência o
controle das informações sobre si mesmo, e também o direito à disponibilidade
universal da informação, podendo obter informação sobre qualquer coisa, até os
limites acima citados.

Em um Estado em que há leis, a liberdade consiste em fazer aquilo que a lei


não proíbe, impedindo o constrangimento ilegal, conforme vemos no direito romano,
cujo teor era na permissividade de se fazer o que lhe agradasse, a exceção daquilo
que fosse proibido pela força ou pelo direito.

Nos limites jurídicos à disponibilidade da informação, importante se faz o


“Princípio da intervenção mínima do Estado”, e a necessidade de se harmonizar as
liberdades individuais com as coletivas.

Mas o direito à informação coletiva é muito amplo, e limita-se


necessariamente às restrições previstas no, art. 5, inciso X, da Constituição Federal,
que garante a inviolabilidade, intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas

Porém, para que se materialize o Direito à informação necessário se faz criar


condições e possibilidades de acesso à mesma, independente da condições
geográficas, políticas ou sociais, observando-se a essência da questão, que é não
só recepção mas também a produção e emissão

Assim, a universalização do acesso e disponibilidade da informação é antes


de tudo dever do Estado, o qual pode contar com a sociedade civil para cumprir tal
tarefa, e com isto reduzir as disparidades existentes em face dos aspectos regionais,
sociais, econômicos, políticos, e geográficos desta extensa nação que é o Brasil.

Conforme verificamos ao longo deste estudo, esta disponibilidade e


acessibilidade universal à informação estão além da existência e uso das
tecnologias de informação e comunicação.

Se de um lado a tecnologia da informação abre um leque de meios e


maneiras de se veicular a informação de forma rápida e representativa, por outro, tal
tecnologia é passível de controle e manipulação, imprimindo o viés que se quer,
impondo-o sobre a opinião coletiva, impedindo a verdadeira comparação de
48

ideologias e possibilidades.

Em contrapartida, também percebemos que o uso das tecnologias da


informação e comunicação constituem uma via eficaz para fazer cumprir o dever
estatal de reduzir a desigualdade social, já que pode colocar à disposição de
qualquer pessoa serviços e informações de maneira igualitária, imediata e
atualizada, independente da condição social ou geográfica, possibilitando-lhe
capacitação e possibilidades para seu desenvolvimento e inclusão social.

No tocante aos limites de acesso e veiculação de informação, a nosso ver,


não se pode admitir tratar de quaisquer questões de direito e justiça sem considerar,
como ponto primordial, a noção de dignidade da pessoa humana.

O sistema jurídico em geral baseia-se em um conjunto harmônico de regras e


princípios jurídico (normas jurídicas) que regulam as relações humanas em suas
diversas esferas, buscando a paz social.

Na conciliação de qualquer conflito há de se observar sempre os princípios


fundamentais, para os quais entendemos que o limite da flexibilização tem um
núcleo duro em todos os casos: a dignidade da pessoa humana, configurando-se no
princípio dos princípios.

Tal afirmativa não considera necessariamente a existência de princípios


absolutos de maneira geral, visto que se um princípio da dignidade humana é
absoluto em relação aos demais, é também relativo e relação a outro princípio da
dignidade humana, sendo que através do juízo ponderado evitamos a exclusão de
um em detrimento de outro, compatibilizando-os pra que co-existam
harmoniosamente, adequando-se a cada caso em particular, sempre em prol da
justiça e do bem comum.
49

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<http://onid.org.br/portal/programa> acessado em 18/03/2010

Artigo: Acidente com Vôo 3054 da TAM; publicado em 17/07/2007; disponível em


<http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/voo3054/acidente.shtml>;
53

acessado em 18/03/2010.

Artigo: Homenagem à ANJ Vira Ato Contra a Censura; publicada 22/09/2009;


http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,homenagem-a-anj-vira-ato-contra-a-
censura,438895.htm; acessado em 19/03/2009.

Artigo: Justiça Confirma Veto no Caso Daniella Cicarelli; publicado em


28/09/2006; disponível em <http://www.conjur.com.br/2006-set-
28/justica_confirma_veto_video_cicarelli_internet?pagina=2> acessado em
2/03/2010.

Artigo: Quarenta Anos Após AI-5, Ainda a Censura; publicado em 16/12/2008;


disponível.em
<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=516JDB007>;
acessado em 28/02/2010.

Blog Postagem: Ministros Conversam Pelo Computador; publicado em 23/08/07;


disponível em <http://tremazul.blog-
se.com.br/blog/conteudo/home.asp?pg=5&idBlog=67&arquivo=mensal&inicio=&fim=
&mes=8&ano=2007> acessado em 13/01/2010.
54

Anexo I
Agravo de Instrumento No. 472.738-4 – Voto 10.448

COMARCA: SÃO PAULO


Relator Des. ÊNIO SANTARELLI ZULIANI (4ª Câmara Direito Privado)
AGTE.: RENATO AUFIERO MALZONI FILHO e DANIELLA CICARELLI LEMOS
AGDO.: INTERNET GROUP DO BRASIL LTDA., ORGANIZAÇÕES GLOBO DE
COMUNICAÇÃO e YOUTUBE INC.

Pedido de antecipação de sentença por violação do direito à imagem, privacidade,


intimidade e honra de pessoas fotografadas e filmadas em posições amorosas em
areia e mar espanhóis – Tutela inibitória que se revela adequada para fazer cessar a
exposição dos filmes e fotografias em web-sites, por ser verossímil a presunção de
falta de consentimento para a publicação [art. 273, do CPC] – Interpretação do art.
461, do CPC e 12 e 21, do CC – Provimento, com cominação de multa diária de R$
250.000,00, para inibir transgressão ao comando de abstenção.

Vistos.

Os postulantes, RENATO AUFIERO MALZONI FILHO e DANIELLA CICARELLI


LEMOS, ingressaram com ação inibitória com o propósito de suspender exibição do
filme e de fotos deles, que foram captadas sem consentimento [clandestinidade] em
momento de lazer na praia de Tarifa, na costa da Espanha, por um paparazzi e que
estão sendo divulgadas em web-sites das requeridas [INTERNET GROUP DO
BRASIL LTDA., ORGANIZAÇÕES GLOBO DE COMUNICAÇÃO e YOUTUBE INC.].

Os pretendentes afirmam que está ocorrendo violação aos direitos da personalidade


[intimidade, privacidade, imagem], o que autoriza afirmar violação dos arts. 220, § 1º
e 5º, X, da CF e 12 e 21, do Código Civil e não se conformam com o indeferimento
da tutela antecipada, argumentando que o fato de as imagens terem sido captadas
em local público [praia] não autoriza a publicidade sem consentimento, como está se
verificando.

Decide-se.

Cumpre, inicialmente, estudar a possibilidade de ser concedida tutela antecipada


55

inaudita altera parte, devido à forte oposição a esse tipo de medida, em virtude do
art. 5º, LV, da CF. Evidente que seria recomendável citar as requeridas para
resposta, o que garantiria segurança da decisão judicial a ser proferida. Ocorre que
o direito dos envolvidos requer uma tutela de emergência, caracterizando uma
situação em que as providências de citação agravariam o risco de dano [periculum in
mora]. Nesse contexto, viável antecipar a tutela, ainda que sem a citação das
requeridas.

Em seguida, não custa realçar a importância dos direitos da personalidade no


estágio atual do Direito. O direito à imagem, antes do Código Civil, era protegido
graças ao empenho dos doutrinadores, como CARLOS ALBERTO BITTAR, que
sempre defendeu o conceito de resguardo da intimidade e da imagem retrato, ainda
que em se cuidando de pessoas famosas, como artistas, que, igualmente, não
merecem testemunhar agressões de sua imagem em revistas de sexo, de
pornografia e ilustrações de textos indecorosos [Os Direitos da Personalidade, 2ª
edição, Forense Universitária, 1995, p. 91].

Aliás, sobre essa circunstância e devido ao fato de a questão atingir pessoa


conhecida, como Daniela Cicarelli, é de rigor mensurar se a informação que está
sendo transmitida caracteriza adequada utilidade de conhecimento, isto é, se é bom
para a sociedade insistir na transmissão do vídeo em que os dois cometem
excessos à beira-mar. Não soa razoável supor que a divulgação cumpre funções de
cidadania; ao contrário, satisfaz a curiosidade mórbida, fontes para mexericos e
“desejo de conhecer o que é dos outros, sem conteúdo ou serventia socialmente
justificáveis” [GILBERTO HADDAD JABUR, “A dignidade e o rompimento da
privacidade”, in Direito à Privacidade, Idéias e Letras, 2005, p. 99].

Não há motivo público que justifique a continuidade do acesso. Verifica-se que a


tutela antecipada foi indeferida sob o fundamento de que não haveria ato ilícito na
captação de imagens de banhistas que se beijam e trocam ousadas carícias em
público, circunstância que excluiria ofensa a “direito à imagem ou desrespeito à
honra, à intimidade ou à privacidade dos autores”. Respeitada a convicção do ilustre
Magistrado, era caso de atender os autores.

O direito à imagem sofre, não se discute, temperamentos. Não é absoluto, embora


de cunho potestativo [somente o titular poderá dele dispor, mediante consentimento]
56

cede frente ao interesse público preponderante. A pessoa não poderá se opor, por
exemplo, que sua imagem-retrato seja incluída como parte de um cenário público,
como quando é fotografada participando de um evento público, de uma festa
popular, de um jogo esportivo, etc. Alguns segredos de pessoa notória podem ser
contados e não filmados, com a discrição necessária, em obras biográficas, como
anota, na Itália, LUIGI GAUDINO [La responsabilità extracontrattuale, Giuffrè,
Milano; 1994, p 248]: “sarà cioè lecita la narrazione della biografia, nom già la
traspozione cinematográfica di e episodi della sfera intima di una persona
riproposti esclusivamente per appagare la curiosità altrui”.

Contudo, como adverte a Professora MARIA HELENA DINIZ [“Direito à imagem e


sua tutela”, in Estudos de Direito de Autor, Forense Universitária, 2002, p. 101], essa
restrição é legítima quando a figura da pessoa não é destacada com insistência, pois
o objeto da licença é o de divulgar uma cena em que a imagem da pessoa seja parte
integrante [secundária]; aqui, no entanto, o que se verifica é a exploração das
imagens das pessoas na praia e não o contrário. Ficou conhecida, na Itália, a
sentença que responsabilizou a conhecida canal RAI de televisão, por reproduzir
imagem ridícula de torcedor de futebol, captada em pleno estádio “precisamente con
un dito infilato nella boca” [GIOVANNA VISITINI, Trattato breve della
responsabilità civile, Cedam, Milano; 2005, p. 468].

A situação de Renato e Daniella é muito pior do que a do italiano flagrado com um


dedo na boca.

Não cabe ignorar o precedente do colendo STJ [Resp. 595.600 SC, DJ de


13.9.2004], pelo qual foi rejeitada indenização de dano moral por divulgação de
retrato de moça que tomava sol, na praia, de topless. Todavia, não devemos
esquecer, igualmente, que caso semelhante foi julgado de forma diferente pelo STJ
de Portugal, quando se reconheceu a culpa pela publicação da foto de mulher
“quase completamente nua (em topless) na praia do Meco, considerada um dos
locais onde o nudismo se pratica com mais intensidade, número e preferência,
mesmo que se admita ser essa pessoa fervorosa adepta ao nudismo” [nota 818, de
p. 324, da obra de CAPELO DE SOUSA – O Direito Geral de Personalidade,
Coimbra; 1995].

Resulta que não há uniformidade sobre essa importante variante do direito


57

contemporâneo. Não é permitido afirmar, de forma categórica, no intróito da lide, que


os jovens que protagonizaram cenas picantes não possuem direito de preservarem
valores morais, como o de impedir que esses vídeos continuem sendo acessados
por milhares de internautas, porque isso constrange e perturba a vida dos
envolvidos, como relatado nos autos. E, na dúvida sobre o direito preponderante, “o
privilégio sempre há de ser da vida privada. Isso por uma razão óbvia: esse direito,
se lesado, jamais poderá ser recomposto em forma específica: ao contrário, o
exercício do direito à informação sempre será possível a posteriore, ainda que,
então, a notícia não tenha mais o mesmo impacto” [SÉRGIO CRUZ ARENHART, A
tutela inibitória da vida privada, RT, 2000, p. 95].

No caso em apreço, segundo consta dos autos, a exposição da imagem dos autores
é do tipo que causa depreciação, com ofensa ao resguardo e a reserva, porque são
filmagens que estão sendo transmitidas como forte apelo sexual e com sentido
obsceno. Nessa situação, lembra ADRIANO DE CUPIS, o consentimento da pessoa,
com a exposição de imagem lesiva à honra, é obrigatoriamente expresso e
específico [Os Direitos da Personalidade, Lisboa, 1961, p. 140], conceito que se
aplica à hipótese, pois, ainda que eles não proibissem a indiscrição do paparazzi,
como se aventou, deveria existir concordância deles para a publicação dos lances
íntimos, porque depõem contra o resguardo da privacidade.

Os paparazzi são conhecidos pelo modo agressivo com que atuam na captação das
imagens, informa REGINA SAHM [Direito à imagem no direito civil
contemporâneo, Atlas, 2002, p. 207], o que caracteriza a ilicitude de suas
atividades [voyeurismo]. Negar a tutela antecipada seria premiar a atuação desses
profissionais que não pedem autorização para suas filmagens e fotos e,
principalmente, legalizar o sensacionalismo e o escândalo propagados pelos meios
de comunicação, sem licença dos envolvidos.

A tutela inibitória que está modelada no art. 461, do CPC, foi introduzida no sistema
brasileiro para contornar os efeitos da crise do processo de conhecimento
[condenatório]. A opção por perdas e danos [tutela ressarcitória] nem sempre atende
os interesses imediatos dos titulares do direito subjetivo, pelo que a demora na
solução do pedido poderá recrudescer ou ampliar o dano que se busca reparar,
inviabilizando a ideologia da satisfação integral do lesado. Daí a necessidade de
58

interditar, bloquear a expectativa de concretização de dano iminente ou paralisar a


sua continuidade. Para LUIZ GUILHERME MARINONI, cuja previsão de três anos
para o término de um processo é bem otimista, afirma que, “se alguém teme que seu
direito à imagem seja violado, continue a ser violado ou seja novamente violado, não
pode se dar ao luxo de esperar o tempo necessário ao trânsito em julgado da
sentença cominatória” [Tutela inibitória, RT, 1998, p. 70].

A doutrina é uníssona em reconhecer a utilidade da tutela inibitória em casos de


ofensa ao direito à imagem por meios de comunicação, até porque isso está previsto
no art. 12 e 21, do Código Civil, valendo mencionar a obra de EDUARDO TALAMINI,
Tutela relativa aos deveres de fazer e de não fazer, RT, 2001, p. 440, que sugere
aplicação da multa para dissuadir o ofensor. No campo da informática, destaca-se a
doutrina autorizada de DEMÓCRITO RAMOS REINALDO FILHO
[Responsabilidade por publicações na Internet, Forense, 2005, p. 149] e
RICARDO LUIZ LORENZETTI [Comércio Eletrônico, RT, 2004, p. 435]. ELIMAR
SZANIAWSKI afirmou [Direitos de personalidade e sua tutela, 2ª edição, RT, p.
2005]:

“A vítima terá por escopo obter, por parte do Judiciário, a cessação da execução da
violação. A interdição da perturbação dar-se-á através de tutela inibitória, que além
de fazer cessar o atentado atual e contínuo, removendo os efeitos danosos que são
produzidos e que se protraem no tempo, possui natureza preventiva contra a
possível prática de novos atentados pelo mesmo autor. As ações típicas destinadas
para tutelar preventivamente a vítima de atos atentatórios ao seu direito de
personalidade, consiste na ação inibitória antecipada, na ação de preceito
cominatório, da tutela antecipada e das medidas cautelares atípicas, como a busca e
apreensão e o seqüestro, e das medidas cautelares atípicas”.

Os postulantes afirmam que não autorizaram as fotografias e as filmagens, e isso é


verossímil, uma conclusão que se toma diante das circunstâncias em que foram
fotografados e filmados. O Juiz poderá aplicar o art. 335, do CPC, para entender
que, até prova em contrário, é permitido presumir que não autorizaram que seus
momentos de intimidade fossem divulgados pelo mundo todo, como está ocorrendo.
Há reclamação da parte dos envolvidos de que a maciça divulgação das cenas, da
forma pornográfica e escandalosa que se confirma pelos documentos juntados, está
59

repercutindo mal no ambiente de trabalho deles, o que é um motivo de reforço da


tutela que se concede, originariamente, para preservação de sentimentos e direitos
fundamentais da dignidade humana [art. 1º, III, da Constituição Federal].

Não importa que seja verdade; os autores da ação querem preservar direitos
tutelados pela Constituição Federal, de modo que as cenas de suas vidas privadas
não podem ser mais veiculadas. O interesse do público não é mais importante que a
evolução do Direito da intimidade e da privacidade e que estão sendo seria e
gravemente afetados pela exploração da imagem.

A tutela inibitória a ser concedida impedirá que as requeridas permitam acesso ao


filme e às fotografias, conforme pedidos dos itens “a” e “c”, da inicial [fl. 40/41],
arbitrada, para cada uma das rés, a multa diária de R$ 250.000,00 [duzentos e
cinqüenta mil reais] em caso de desobediência. É necessário abrir um parágrafo
para justificar o arbitramento da multa que é prevista no § 5º, do art. 461, do CPC.

Tendo em vista que o vídeo não contém matéria de interesse social ou público, há
uma forte tendência de ser, no final, capitulada como grave a culpa daqueles que
publicaram, sem consentimento dos retratados e filmados, as cenas íntimas e que
são reservadas como patrimônio privado. Portanto e porque as pessoas envolvidas
são conhecidas, a exploração da imagem poderá ter um sentido e uma conotação
mercantilista, o que justifica mensurar a astreinte na mesma proporção das
vantagens que as requeridas pretendem auferir com a divulgação, sob pena de se
tornar inócua a providência judicial.

Pelo exposto, dá-se provimento para conceder a tutela antecipada, inaudita altera
parte, nos moldes do pedido inicial, expedindo-se, com urgência, ofício para que o
Juízo de Primeiro Grau expeça comunicado, via fax, para que as rés cumpram a
ordem de abstenção, sob pena de multa diária de R$ 250.000,00, para cada uma,
em caso de transgressão.

ÊNIO SANTARELLI ZULIANI

Relator

DECLARAÇÃO DE VOTO DIVERGENTE

Tutela antecipada. Pedido de retirada de filme exibido em site mantido pelas


60

agravadas ao fundamento de violação ao direito de privacidade e imagem.


Inadmissibilidade. Ausência da prova da verossimilhança se o filme é
verdadeiro e apenas reflete as cenas explícitas de beijos, abraços e carícias,
protagonizados pela modelo Daniela Cicarelli e seu namorado numa praia
pública e badalada da costa espanhola. Direito à imagem que tem como
princípio informador, em especial quando se trata de pessoas públicas, a
própria conduta do protegido, não sendo juridicamente razoável vislumbrar o
direito constitucional desvinculado por completo do primeiro parâmetro que é
o fornecido pela conduta dos que não tiveram nenhum cuidado com a própria
imagem, intimidade e privacidade. Ausência do risco de dano irreparável
porque eventual violação poderá ser traduzida em perdas e danos. Presença
da internet e do direito à informação que não podem ser olvidadas na
discussão dos relevantes temas envolvidos. Antecipação de tutela bem
indeferida em primeiro grau. Recurso improvido.

Insurgem-se os agravantes contra a r. decisão que indeferiu a antecipação de tutela


para retirar dos sites das agravadas o filme contendo a gravação das cenas
amorosas que protagonizaram na famosa praia de Tarifa, na costa da Espanha,
aduzindo que a sua manutenção fere direitos da personalidade (privacidade,
imagem, intimidade) e viola os arts. 220, § 1o, e 5o, X, da Constituição Federal, bem
como os arts. 12 e 21 do Código Civil de 2002, já que o fato de ter sido feito em local
público não autoriza a publicidade sem consentimento.

O digno Magistrado prolator da r. decisão agravada indeferiu a antecipação de tutela


ao fundamento principal de que a captação de imagem de banhistas em cenas
ousadas de carícias e beijos em público não constitui ato ilícito capaz de justificar a
tutela pretendida.

O digno desembargador relator concede a antecipação de tutela ao fundamento


primordial de que, malgrado o filme se tenha feito em local público, fere o direito de
imagem e privacidade dos autores a veiculação desprovida de autorização,
discorrendo longamente sobre o tema com apoio em doutrina e jurisprudência que
entende aplicáveis sobre direitos à privacidade, imagem e intimidade.

Ouso, com a devida vênia, discordar do entendimento deduzido pelo digno


desembargador relator.
61

Faço-o, lembrando, de início, que os meus fundamentos terão o cuidado de não


ingressar prematuramente na análise do mérito da ação indenizatória, cujo
julgamento somente se deverá dar na r. sentença, ocasião em que terá o digno
Magistrado prolator da r. decisão agravada maiores e melhores condições de avaliar
os relevantes motivos jurídicos que envolvem o problema.

De todo modo, em se tratando de antecipação de tutela final, é inevitável que se


avance um pouco sobre o mérito, mas apenas o indispensável a que se possa
concluir pela prova ou não da verossimilhança das alegações ligadas à antecipação
pretendida.

Pois bem.

Não encontro a prova da verossimilhança das alegações que se destinam a obrigar


as agravadas a retirar das suas páginas eletrônicas o filme em que estão retratados
alguns minutos de gravação contendo os autores em apaixonada troca de carícias,
beijos e abraços que terminaram num sensual banho de mar.

Cabe lembrar que os temas de direito não podem ser discutidos sob ótica que não
seja absolutamente contemporânea aos tempos vividos, em que a velocidade da
internet se somou aos demais meios de comunicação social, e, inegavelmente, pela
velocidade, com grande supremacia em termos de veiculação de fatos de interesse
geral da coletividade. A rede mundial que compõe a internet traz à lume toda a
modernidade dos novos tempos, mostrando instantaneamente os fatos e os
acontecimentos públicos havidos em qualquer parte do planeta, na mais perfeita
demonstração de que o homem, no que se refere à informação avançou de modo
inexorável para o Século XXI.

A análise de qualquer direito fundamental que não considere este novo veículo de
comunicação será inadequada como forma de traduzir o também novo sentimento
jurídico acerca de qualquer tipo de censura ligado às empresas nacionais que
mantêm páginas na internet, esta maravilhosa rede de computadores que encurtou
todas as distâncias, que fez o tempo passar tão velozmente a ponto de o furo de
reportagem da manhã estar envelhecida no começo da tarde, e em que o mundo,
com os seus fatos importantes e de interesse geral da sociedade, aparece a um
clique na tela do computador pessoal de cada cidadão.
62

Ignorar esta realidade poderá conduzir, não raro, a uma decisão judicial
absolutamente inócua, quase surreal, porque enquanto o mundo todo já viu as
imagens e leu as notícias (inclusive guardando-as em seu computador pessoal os
que as colecionam), e que continuam espalhadas em incontáveis outros sites pelo
mundo a fora, acessíveis a qualquer brasileiro, censura-se um provedor brasileiro de
manter na sua página eletrônica o que todo mundo já viu e que o mundo inteiro
continua mostrando.

Nesse contexto novo, não se pode cogitar de direito à privacidade ou à intimidade


quando os autores, apesar de conscientes de serem figuras públicas, em especial a
modelo Daniela Cicarelli (e quem a acompanha evidentemente não ignora o
fato), se dispõem a protagonizar cenas de sensualidade explícita em local público e
badalado como é a praia em que estavam, uma das que compõem o que se poderia
chamar de riviera espanhola, situada na Costa da Andaluzia, no município de Cádiz.

Pessoas públicas, cuja popularidade atrai normalmente turistas e profissionais da


imprensa em geral, particularmente os conhecidíssimos “paparazzi” da Europa, não
podem se dar ao desfrute de aparecer em lugares públicos expondo abertamente
suas sensualidades sem ter a consciência plena de que estão sendo olhados,
gravados e fotografados, até porque ninguém ignora, como não ignoravam os
autores, que hoje qualquer celular grava um filme de vários minutos com razoável
qualidade.

As cenas exibidas no filme que num só dia circulou o mundo pela internet, passando
pela tela de todos que possuem um computador em casa ou no trabalho, revelam de
modo claro que não houve nenhuma preocupação dos autores com a possibilidade
de serem vistos, olhados, fotografados e filmados, mesmo estando na mais aberta
demonstração da intimidade de um casal, deixando, obviamente, ao abandono,
qualquer princípio de preocupação sobre a privacidade que as pessoas
normalmente têm em relação à própria sensualidade.

Quem age assim em local absolutamente público, sendo pessoa pública, não pode
reclamar da exposição que a mídia em geral dá pela natural curiosidade do ser
humano em relação aos artistas e modelos famosos. Exposição que não passa
daquela exposta pelos protagonistas, que, embalados pelo sucesso e pela paixão do
momento e do lugar, não se preocuparam com a própria privacidade e intimidade. A
63

veiculação do filme verdadeiro nada mais é do que a realidade no limite que os


próprios autores explicitamente consideraram razoável quanto às suas privacidades
e intimidades.

Restaria, no que tange à prova da verossimilhança, a alegação do direito à própria


imagem.

O raciocínio é o mesmo em relação à privacidade e à intimidade, e não me


impressiona, como impressionou ao digno desembargador relator, com a devida
vênia, o fato de a filmagem ter sido escondida, mera presunção, e de os autores não
mais quererem que permaneça para a visita daqueles poucos que ainda não viram,
ou daqueles que querem rever e não guardaram.

E não me impressiona, com a máxima vênia, pela simples e boa razão de que o
direito à imagem, se excesso houve, partiu da própria conduta dos autores, que,
famosos e conhecidos, se dispuseram a saciar suas sensualidades mediante
atrevida troca de carinhos corporais numa praia pública e badalada da costa
espanhola, cientes de serem vistos e olhados por quem lá estava, e conscientes de
que deveriam estar sendo fotografados e filmados.

O direito à imagem, especialmente no que concerne aos famosos, às pessoas


públicas cuja simples aparição revela curiosidade, não é algo tão disponível, tão
absoluto, que possa ser utilizado ao bel prazer de cada um sem nenhuma
vinculação com o melhor parâmetro que é aquele traçado pelo próprio detentor do
direito.

Não vislumbro expectativa de direito razoável bastante para afirmar a violação do


direito à imagem.

Em tese, fere a lógica jurídica protetora da imagem, que os autores, protagonizando


em uma praia pública e cercada de pessoas cenas de alto teor sensual em cada
beijo, em cada abraço, em cada carícia corporal, e depois de o mundo já ter visto o
filme pela internet, venham a Juízo para proibir que este ou aquele site mantenha o
filme verdadeiramente vivido e que continua circulando e à disposição de todos em
sites internacionais.

Não se pode mais conceber que direitos constitucionais fundamentais possam ser
usados de forma tão simples, a um desejo de não quero mais, sem qualquer vínculo
64

com a conduta anterior que deu ensejo ao fato do qual se reclama.

Nesse conjunto de idéias e conceitos não vislumbro a prova da verossimilhança das


alegações que visam retirar dos sites das agravadas o filme estrelado pelos
agravantes, que, pela própria conduta, quase se poderia inferir uma prévia e tácita
autorização para filmagem e veiculação.

Claro que o tema jurídico, pela sua relevância e importância na vida do cidadão, não
se esgota nem se exaure no quanto afirmado, mas torna controvertido ao extremo o
direito invocado, circunstância que impede o deferimento da tutela antecipada. Isso
porque a prova da verossimilhança exige, como já o disseram todos os
doutrinadores nacionais, prima facie, a prova da presença do direito invocado de
modo tão claro e límpido que se pode antecipá-lo antes mesmo da instauração do
devido processo legal e do contraditório.

E por não vislumbrar essa prova da verossimilhança é que, com a devida vênia do
digno desembargador relator, e sem prejuízo de ao final se entender presente o
direito invocado, não posso concordar com a antecipação de tutela pretendida.

Há mais, contudo.

Não antevejo o risco de lesão grave e de difícil reparação. Na esteira do mesmo


raciocínio desenvolvido, sobre ser previsível a utilização de fotos ou filmes pela
mídia diante da aberta exposição da imagem promovida pelos próprios agravantes,
quando protagonizaram as cenas numa praia pública, parece certo que eventual
violação a direito dos autores poderá ser reparado plenamente pela via pecuniária.

A verificação do dano de difícil reparação, ou perigo da demora, contém, no caso,


uma agravante: o risco de se ferir a liberdade de informação também garantida pela
Constituição Federal.

Não me parece justificável, com a devida vênia, no contexto público e notório


(independente de prova, portanto) de que o mundo todo já viu as imagens pela
internet, que se ultrapasse, de pronto e mesmo diante da possibilidade de reparação
em dinheiro, o também garantido direito à informação previsto na Constituição
Federal através da liberdade da imprensa. É o que a doutrina chama de “periculum
in mora” inverso.
65

Também a liberdade da imprensa e o direito à informação pelos veículos de


comunicação social não podem mais ser pensados sem a força da presença da
internet, dada à rapidez com que os fatos são divulgados e vistos pelos que
freqüentam a rede mundial de computadores. Impõe-se cuidado ainda maior, no
caso, para não ferir inutilmente a liberdade de imprensa e o direito de informar, o
que se afirma porque o que se proibirá já é do domínio público.

Seja como for, o fato é que há possibilidade de reparação do dano pela sua forma
tradicional das perdas e danos, sem necessidade, em princípio, de violar o direito à
informação relacionado a fato verdadeiro e cuja exposição, insista-se, somente
ocorreu em decorrência da conduta permissiva dos agravantes.

Pelo exposto, e com a máxima vênia aos entendimentos contrários, o meu voto é
pelo indeferimento da antecipação de tutela.

MAIA DA CUNHA

DESEMBARGADOR REVISOR

Agravo de Instrumento nº 472.738.4 (voto 10.448 – Dr. Ênio)


Agravante: Renato Aufiero Malzoni Filho e Daniela Cicarelli Lemos
Agravadas: Internet Group do Brasil Ltda., Organizações Globo de
Comunicação e Youtube Inc.
Declaração de voto
Não faz muito tempo que a agravante foi protagonista ou, coadjuvante, de uma certa
cautela, igualmente de ampla divulgação, porquanto proibiu os convidados à
cerimônia de seu casamento, de ingressarem com seus aparelhos de telefone
celular, afastando o risco de imagens não consentidas e autorizadas. Portanto,
precavendo-se.

Contudo, nesse outro tempo e relacionamento, não agiu com idêntica cautela. É
evidente que não haveria como impedir qualquer registro de sua presença em um
local público e movimentado, mas, a considerar aquele anterior espírito que foi de
preservar sua privacidade, não tenho dúvida que a agravante bem sabia desse risco,
mais ainda quando não só reagiu como também agiu nesse afeto que
demonstravam, reitere-se, publicamente, daí surgindo algum excesso e, com este, a
reclamação a título de violação da sua intimidade pela indevida e injustificada
66

exploração por parte dos agravados dessas imagens, realizadas por um paparazzi.

Daí porque, a princípio, a conduta dos agravantes bem se aproxima daquilo que o
MM.Juiz Alcides Leopoldo e Silva Junior, anotou como renuncia ao direito a
privacidade e intimidade. Aliás, sobre isso, entende-se que significa “viver de forma
independente com um mínimo de ingerência alheia”. (cf.A pessoa pública e seu
direito de imagem, Ed.Juarez de Oliveira, pág.85

Portanto, é inegável que o fato em si desperta não só curiosidade, como induz a


uma polêmica bem mais acentuada porque associado a pessoas públicas, sabe-se,
de trato diverso das outras. Aliás, os próprios agravantes invocam essas virtudes
pessoais e isso mostra que toda e qualquer análise desse episódio não pode ser
dissociada deste contexto que é de permanente exposição à mídia em geral, ou, de
tudo aquilo que é da sua pessoa, do seu cotidiano, ou mesmo da sua atividade
profissional.

Nesse sentido:

“Os limites de proteção da honra individual, quanto à divulgação dos fatos


pertinentes à vida humana, assentam-se em dois princípios: interesse público
e liberdade de expressão. A vida de determinadas pessoas, seja pelo exercício
de função pública estatal, seja de atividade ligada ao público (cinema,
televisão, imprensa, teatro etc.), tem na publicidade grande fator de sucesso. A
expectativa do público em relação a fatos da vida privada dessas pessoas
restringe-lhes o âmbito desta esfera, quanto maior for a notoriedade.

Desta forma, mesmo que na ofensa à honra no campo civil seja indiferente a
veracidade ou não do fato considerado lesivo, a permissibilidade de sua
divulgação está contida apenas no interesse público justificado e, neste caso,
a divulgação deve referir-se a fato verdadeiro. Pode ocorrer que a divulgação
de certos fatos verdadeiros corresponda a um interesse social, como os que
ocorrem nas relações profissionais. Mesmo que um fato seja tido por
desonroso, como nas informações bancárias, a finalidade da informação
justifica extravasar a notícia do fato. (Aparecida Amarante, Responsabilidade
civil por dano à honra, 5ª ed., BH: Del Rey, 2001, p. 118/119).

E porque “todo acontecimento desperta invariavelmente, como reação lógica,


67

algum juízo ético na massa em geral e, em cada indivíduo em particular” (cf.


Israel Drapkin Senderey, Imprensa e Criminalidade, ed. José Bushatsky, 1983, p.
41/42), cabe, a esse momento que é de expressa oposição pela reiterada
exploração dessas imagens, analisar se existe fundamento legal para suspender tal
divulgação, ainda que, aparentemente, não se encontre divergência com o MM.Juiz
acerca da licitude do que, aonde e como se filmou .

Também e ainda à primeira vista, os argumentos utilizados acerca da possibilidade


de prejuízos de ordem profissional não convencem para o que, no momento, se
pretende. Com efeito, seria suficiente apenas uma notícia escrita ou mesmo uma
simples fotografia do episódio, para justificar algum tipo de inconveniência desse
proceder com aquilo que antes possa ter interessado em termos de associação da
imagem pública dos agravantes com algum tipo de publicidade, aliás, o que já
ocorreu, sem a interferência tirada da conduta dos agravados, de um outro tipo
dessa exposição.

Daí porque, a meu ver, a insurgência somente se justifica pela proporção que isso
alcançou, apesar de que, a esse momento do processo, não é possível afirmar se
em muito superou o que se imaginou ou, apenas, não foi satisfatoriamente avaliada,
de resto, tal como poderia ou, no mínimo, deveria ocorrer. Afinal, pelas
circunstâncias, à agravante, uma pessoa pública e desse meio da mídia, não é
razoável a negativa de que não tenha previsto esse resultado, além do que, ao se
constatar que a filmagem não é curta, ao contrário, é seqüencial e progressiva, fica
evidente que os protagonistas também se descuidaram desse elemento tempo de
exposição e, por óbvio, maiores conseqüências.

Logo e na busca de um limite, transferindo para o exame do mérito da ação eventual


separação dos aspectos individuais dos litisconsortes nesse episódio, mesmo
porque se o agravante, que não é uma pessoa pública, teve ou poderá ter algum tipo
de bônus, conseqüentemente, experimenta o ônus dessa sua opção, resta, para o
momento, evitar excessos.

A propósito, “uma coisa é a usurpação do nome ou da imagem e outra é que,


pela utilização dos mesmos, se exponha a pessoa ao menosprezo ou ridículo”
( cf. Aparecida Amarante, Responsabilidade civil por dano à honra, 5ª ed., BH:
Del Rey, 2001, pág.127)
68

Ou, a reiterada e não autorizada divulgação dessa cena até porque não se trata de
uma questão de significativo interesse público, jornalístico ou similar. É mera
curiosidade, algum sensacionalismo, e, talvez, muita fantasia.

Portanto, a necessidade é colocar um limite e porque os argumentos do Dês.Enio


Zuliani, relator deste recurso, foram bem colocados e autorizaram essa tutela
inibitória para afastar o caráter permanente desse fato e sua exposição ao público
em geral, nesse contexto, acompanho Sua Excelência.

Em outras palavras, não se trata de analisar e decidir se os agravados poderiam ou,


podendo, não deveriam ter veiculado esse filme na Internet. Apenas e porque isso já
ocorreu, não cabe mais fazer. Nesse vértice, “na proteção da intimidade não se
visa ao prejuízo moral ou à indignidade de um ato levado a público, mas, sim, a
violação da paz ou da tranqüilidade da vida íntima. O ato ilícito, na
configuração da lesão à honra, não supõe que o mesmo suceda mediante
indiscrição ou intromissão na vida privada. Com isto é fácil concluir, como fez
Dotti, que o direito à intimidade não constitui um gênero abrangedor do direito
à honra, nem mesmo se sobrepõe a este”. (Aparecida Amarante,
Responsabilidade civil por dano à honra, 5ª ed., BH: Del Rey, 2001, p. 116).

Contudo, para evitar dúvidas ou equívocos, ouso a uma ressalva que diz respeito a
uma questão também técnica, da execução dessa medida e que, no caso, não pode
afetar os agravados, inclusive no tocante a multa diária que é arbitrada.

Pela natureza do meio de divulgação, Internet, sabe-se que isso pode estar em
outros sites, inúmeros deles particulares, pelo que não há como obrigar os
agravados ao exercício de um verdadeiro direito de seqüela em benefício dos
agravantes tão somente pela afirmação de que foram os primeiros a proceder a
divulgação que agora se proíbe, e, portanto, em tudo responsáveis.

Aliás, se nesse campo de comunicação não se atingiu um estado estacionário de


ciência e tecnologia, é óbvio que maior deve ser a cautela para se evitar qualquer
tipo de indesejada exposição ou de violação de privacidade, e, nessa prudência, não
há dúvida que deve ser considerada a oscilação existente entre as pessoas,
especialmente pelas suas relações com o mundo exterior.

CARLOS TEIXEIRA LEITE FILHO - Desembargador


69

Anexo II
Programas nacionais de Inclusão Digital

Ação Digital – MT
O Ação Digital- MT foi criado em 2004 e vem democratizando o acesso às tecnologias do mundo
virtual. O projeto atende bairros carentes da capital e municípios do interior, com a instalação de
locais com computadores conectados à internet.
http://www.acaodigital.mt.gov.br/

Ação Digital Nordeste


O Ação Digital Nordeste visa fortalecer institucionalmente pequenas organizações não-
governamentais do Nordeste brasileiro, por meio da provisão de equipamentos, capacitação em
informática e tecnologias de informação e comunicação e conexão à Internet
http://www.adn.org.br/

Acessa Jundiaí
O Projeto Acessa Jundiaí consiste em disponibilizar gratuitamente equipamentos de informática,
como micro-computadores, impressoras e acesso à internet. Conta também com monitores para
orientar o munícipe e atender às necessidades específicas.
http://acessa.jundiai.sp.gov.br/

Acessa São Paulo - SP


Acessa São Paulo é o programa de inclusão digital do Governo do Estado de SP. Desde julho de
2000 oferece o acesso às novas tecnologias da informação e comunicação, em especial à internet,
contribuindo para o desenvolvimento dos cidadãos paulistas.
http://www.acessasp.sp.gov.br/

Banco do Brasil
O Programa de Inclusão Digital do Banco do Brasil doa computadores, treina monitores e articula
parcerias para fomentar o desenvolvimento local e o acesso à informação pelas populações carentes.
http://www.bb.com.br/portalbb/page3,8305,8402,0,0,1,6.bb?cod...

BH - Digital
O projeto de inclusão digital teve início em 2005 e tem por objetivo cobrir 95% da área da cidade com
internet sem fio de alta velocidade até o início de 2008.
http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=por...

Casa Brasil
Casa Brasil é um projeto do Governo Federal que tem como principal objetivo reduzir a desigualdade
social em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), através do forte apoio à
produção cultural local e da capacitação em tecnologia.
http://www.casabrasil.gov.br/
70

Casa Vitória
Os telecentros Casa Vitória são resultado da parceria entre o projeto Casa Brasil e da Prefeitura de
Vitória. Suas principais linhas de ação são comunicação comunitária, educação ambiental, economia
solidária e cultura livre/software livre.
http://www.vitoria.es.gov.br/hot-sites/vitoriadigital/inicia...

Cidadão.Net - MG
Uma iniciativa que busca democratizar o acesso às tecnologias da informação e comunicação,
preparando os cidadãos das comunidades excluídas para o exercício efetivo e amplo da cidadania
por meio de computadores com impressora e acesso à internet.
http://www.mg.gov.br/governomg/ecp/comunidade.do?app=governo...

Cidade Digital Tauá


Com o programa Cidade Digital, Tauá promove com respeito e dignidade a inclusão digital,
disponibilizando às pessoas acesso grátis à internet, realização de cursos, conexão de internet em
suas residências e videoconferências.
http://tauadigital.net/index.php

COEP
O COEP em parceria com o Ministério das Comunicações implantou os telecentros comunitários de
informática em organizações integrantes do programa Comunidade COEP na região Nordeste.
http://www.comunidadescoep.org.br/acoes_telecentros.asp

Comitê para a Democratização da Informática


Por meio das Escolas de Informática e Cidadania o CDI tem o objetivo de mobilizar os segmentos
excluídos da sociedade para a transformação da realidade utilizando a tecnologia da informação
como um meio para a construção e o exercício da cidadania.
http://www.cdi.org.br/

Computadores para Inclusão


O Projeto CI envolve a administração federal e seus parceiros num esforço conjunto para a oferta de
equipamentos de informática recondicionados, em plenas condições operacionais, para apoiar a
disseminação de telecentros comunitários e a informatização das escolas públicas e bibliotecas.
http://www.computadoresparainclusao.gov.br/

Comunidade Digital - AC
Programa de inclusão digital do Governo do Estado do Acre promove o uso intensivo da tecnologia
da informação para ampliar a cidadania e combater as diferenças, visando garantir a privacidade e
segurança digital do cidadão, sua inserção na sociedade da informação e o fortalecimento do
desenvolvimento local por meio dos Telecentros.
http://www.comunidadedigital.ac.gov.br/

Consulado da Mulher
71

Busca promover a cidadania e a emancipação da mulher, por meio da educação continuada, da


participação na comunidade, da melhoria da qualidade de ser e de vida, da geração de trabalho e
renda e da mudança nas relações de gênero. As oficinas são realizadas a partir de métodos próprios
adaptados a cada ação, baseados em economia solidária, educação popular e gênero.
http://www.consuladodamulher.com.br/

CVT - MCT
Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) são unidades de ensino e de profissionalização,
voltados para a difusão do acesso ao conhecimento científico e tecnológico, conhecimentos práticos
na área de serviços técnicos, além da transferência de conhecimentos tecnológicos na área de
processo produtivo.
http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/77600.html

Cyberela
A Rede Cyberela é uma das estratégias do Projeto de Inclusão Digital de Mulheres Comunicadoras
da ONG CEMINA. O objetivo é qualificar e incentivar essas comunicadoras a produzir conteúdo com
a perspectiva de gênero utilizando as TIC's.
http://www.cemina.org.br/a_redecyberela.asp

DF Digital - DF
O DF Digital foi criado com o objetivo de oferecer à população do Distrito Federal oportunidade de
inclusão digital mediante cursos de informática e acesso à internet promovendo também a inclusão
social por meio de capacitação profissional.
http://www.dfdigital.df.gov.br/

Eletronorte - Rede Floresta Topawa Káa


Topawa Káa- Rede Floresta de Inclusão Digital foi criada pela Eletronorte em março de 2004 para
combater a exclusão digital entre as comunidades da Amazônia por meio de telecentros formados
pela comunidade, com a participação dos moradores da região.
http://www.eln.gov.br/opencms/opencms/pilares/responsabilida...

Escola de Inclusão Digital e Cidadania - EIDC


O programa Escola de Inclusão Digital e Cidadania – EIDC, tem por objetivo promover a inclusão
digital e a cidadania, possibilitando a diminuição das desigualdades sociais e criando novas
condições de negócios, geração de emprego e renda.
http://sites.google.com/a/denilton.org/eidc/Home

Estações Digitais - FBB


Sempre com o apoio de um parceiro local, sendo a maioria organizações não-governamentais, desde
2004, a iniciativa busca aproximar o computador da vida de estudantes, donas-de-casa,
trabalhadores, populações tradicionais e cooperativas, economizando tempo e dinheiro, criando
novas perspectivas e melhorando a qualidade de vida da população.
http://www.fundacaobancodobrasil.org.br/estacaodigital

Estações Digitais - João Pessoa


72

O projeto das Estações Digitais é desenvolvido pela Prefeitura de João Pessoa em parceria com o
Ministério da Ciência e Tecnologia. Cada estação tem 11 computadores, impressora e scanner, onde
são oferecidos cursos básicos de informática.
http://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/?n=12970

Expresso Cidadão - PE
O objetivo do Expresso Cidadão é simplificar a vida do cidadão, disponibilizando diversos serviços
reunidos num só local. Em cada unidade, o usuário encontra diferentes serviços, além de acesso à
internet e uso de computadores.
http://www2.expressocidadao.pe.gov.br/web/expcidadao

Faetec Digital
O programa Faetec Digital é uma iniciativa do governo do Estado que oferece acesso gratuito à
Internet banda larga em unidades distribuídas em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro
http://www.faetec.rj.gov.br/faetecdigital/

Faróis do Saber - Curitiba


O Farol do Saber é um ponto de disseminação da cultura e do saber. Aliando o uso da internet nos
espaços, estimula a leitura, o ato de conhecer priorizando a pesquisa, criatividade, reflexão e o gosto
de freqüentar uma biblioteca.
http://www.cidadedoconhecimento.org.br/cidadedoconhecimento/...

FECAM - RN
O projeto da FECAM - Federação de Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte - tem, em parceria
com as Câmaras das cidades diversos telecentros instalados nos municipios do Rio Grande do Norte,
a fim de beneficiar a população que neles residem.
http://www.fecamrn.org.br/

Fundação Bradesco
Os CIDs-Centros de Inclusão Digital são laboratórios de tecnologia da informação criados
especialmente para atender comunidades onde o acesso à tecnologia é limitado. Objetiva também
promover a inclusão digital e estimular a responsabilidade social.
http://www.cid.org.br/

Fundação Orsa
Viabiliza a criação de estruturas de comunicação local, onde a comunidade pode navegar na internet
compreendendo as diferentes ferramentas de inclusão digital através da participação sistemática em
atividades planejadas.
http://www.fundacaoorsa.org.br/

Garagem Digital
O Programa Garagem Digital tem por objetivo promover a inclusão digital de forma a contribuir com o
processo educacional de jovens e com o desenvolvimento de suas comunidades.
http://www.centec.org.br/index.php/programas-a-projetos/gara...
73

Gemas da Terra - MG
A Gemas da Terra atende às comunidades rurais de Minas Gerais, oferecendo acesso à Internet e
integração com as outras comunidades da rede.
http://www.gemasdaterra.org.br/

Gesac
Provê conexão via satélite à Internet para escolas, telecentros, ONGs, comunidades distantes e
bases militares fronteiriças, além de oferecer serviços como conta de e-mail, hospedagem de páginas
e capacitação de agentes multiplicadores locais.
http://www.idbrasil.gov.br/

Goiás Digital - GO
O programa Goiás Digital pretende facilitar a comunicação entre cidadãos e governo por meio de
quiosques de auto-atendimento com serviços online e telecentros de apoio, com oficinas e acesso à
internet, priorizando a cidadania por meio da tecnologia.
http://www.administracao.go.gov.br/index.php?idp=774&editori...

Ilhas Digitais - CE
O objetivo do programa é democratizar a informação veiculada pela Internet e promover a inclusão
digital no Estado do Ceará, bem como dar oportunidade para os usuários a aprimorarem seus
conhecimentos, adquirindo experiência para o campo profissional.
http://www2.ceasa-ce.com.br/IlhaProjeto.htm

Internet Comunitária - RJ
O programa funciona com laboratórios de informática em todo o Estado do Rio de Janeiro,
oferecendo à população treinamentos gratuitos de alfabetização digital, acesso à web em banda larga
e a diversos serviços de governo eletrônico.
http://www.internetcomunitaria.rj.gov.br

Internet Livre - SESC SP


Um programa voltado à democratização do acesso à Internet e à inclusão digital.
http://www.sescsp.org.br/sesc/servico.cfm?servico_id=4

Jovem.Com - Campinas
O Jovem.Com, programa de inclusão digital da Prefeitura de Campinas, oferece à população acesso
à Internet e a cursos de informática. Os jovens participam de oficinas sócio-educativas sobre temas
diversos e realizam várias atividades transversais.
http://www.campinas.sp.gov.br/governo/cidadania-assitencia-e...

Mangaratiba Digital
O Projeto Mangaratiba Digital tem por objetivo incluir digital e socialmente as comunidades carentes,
garantindo o acesso a informação, democratizando o uso da Internet, representando um ganho
74

significativo na qualidade de vida da população.


http://www.mangaratiba.rj.gov.br/sec_tecnologiadainformacao/...

Maré - Telecentros da Pesca


O projeto visa desencadear um processo educativo, voltado ao fortalecimento da cidadania
participativa, que pretende obter resultados no resgate da auto-estima dos pescadores, produzindo
também uma inclusão político-econômica.
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/seap/

Ministério da Ciência e Tecnologia


O programa de inclusão digital do Ministério da Ciência e Tecnologia pode ser resumido em: oferta de
instrumentos, meios e facilidades, para os menos favorecidos, facilitando o acesso às oportunidades
de emprego e geração de renda.
http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/77601.html

Ministério da Defesa
Apóia telecentros que possuem conexão fornecida pelo Gesac, além de outras iniciativas para
inclusão digital.

Ministério das Comunicações - Kits Telecentro


A doação de kits telecentros para prefeituras brasileiras é uma iniciativa do Programa de Inclusão
Digital do Ministério das Comunicações que tem como meta instalar telecentros em todos os 5,5 mil
municípios do país.
http://www.mc.gov.br/

Ministério do Planejamento
O órgão é responsável pela manutenção do portal Inclusão Digital do Governo Federal e pelo
Observatório Nacional de Inclusão Digital, em parceria com a sociedade civil. Também apóia um
conjunto de telecentros, viabilizando a participação de seus representantes em eventos de inclusão
digital, e conexão à internet junto ao Gesac.
http://www.inclusaodigital.gov.br/

Moradia e Cidadania
A ONG Moradia e Cidadania visa promover a cidadania para a população socialmente excluída, por
meio da educação e da geração de trabalho e renda e do uso do computador e o acesso à Internet.
http://www.moradiaecidadania.org.br/projetos/projetos.php

N@ Escola - Santo André


O Projeto N@ Escola busca contribuir para a apropriação e uso do espaço público das escolas pelas
comunidades, oferecendo o uso dos Laboratórios Pedagógicos à comunidade para acesso à
computadores com internet.
http://www.santoandre.sp.gov.br/bn_conteudo.asp?cod=5832
75

Navega Pantanal
O projeto procura promover a inclusão digital em comunidades remotas da Bacia do Alto Paraguai
visando estabelecer programas e estratégias de ações capazes de romper o isolamento geográfico
imposto naturalmente às comunidades localizadas no local.
http://www.navegapantanal.fmb.org.br/

NAVEGAPARÁ - PA
Programa de inclusão digital que possibilita o acesso a informação e a educação permitindo assim
uma maior inclusão social.
http://www.navegapara.pa.gov.br/

Nova Iguaçu Digital


O projeto Nova Iguaçu Digital contata os beneficiários do Programa Bolsa Família na cidade e os
convida a aprender noções básicas de informática e internet, garantindo que a população carente
seja a maior beneficiária do programa.
http://www.mds.gov.br/noticias/nova-iguacu-rj-combate-analfa...

Núcleo Sabe Tudo - Sorocaba


O projeto promove a inclusão digital por meio de centros de estudos equipados com 20 computadores
avançados, que utilizam a internet como ferramenta de pesquisa , além de disponibilizar à
comunidade jornais e revistas e mirante de observação.
http://www.juventudesorocaba.org.br/index.php?option=com_con...

Osasco Digital
O Programa Osasco Digital tem por objetivo permitir aos cidadãos osasquenses o acesso à
tecnologia da informação e da comunicação através da implantação de Centros de Inclusão Digital-
CID's.
http://osascodigital.org.br/

Palmas Virtual
O Projeto Palmas Virtual é parte integrante do programa de Inclusão Digital do Governo Municipal e
tem por objetivo oferecer acesso gratuito à tecnologia da informação, promovendo o desenvolvimento
da fluência tecnológica.
http://www.arede.inf.br/inclusao/edicoes-anteriores/49-2009-...

Paracambi Digital
O programa oferece cursos de capacitação em sistemas de informação que abrangem os níveis
básico e avançado, incluindo html e computação gráfica.
http://www.paracambi.rj.gov.br/index.php?option=com_content&...

Paranavegar - PR
O objetivo geral do Paranavegar é disponibilizar computadores com acesso à internet a toda a
população do Paraná e formar pessoas da própria comunidade que tenham interesse e capacidade
de articulação com o seu meio.
76

http://www.telecentros.pr.gov.br/

Piraí Digital
O Programa Piraí Digital ter por objetivo a democratização do acesso aos meios de informatização e
comunicação com o intuito de gerar oportunidades de desenvolvimento econômico e social.
http://www.piraidigital.com.br/

Pontos de Cultura
Os Pontos de Cultura são responsáveis por articular e impulsionar as ações já existentes nas
comunidades. Um dos principais aspectos dos Pontos é a transversalidade da cultura e a gestão
compartilhada entre poder público e a comunidade.
http://www.cultura.gov.br/cultura_viva/?page_id=31

Prefeitura de Colatina
O programa oferece cursos básicos de informática em telecentros localizados nas regiões menos
favorecidas. Os telecentros disponibilizam o acesso livre fora dos horários reservados para os cursos.
http://www.colatina.es.gov.br/noticias/noticias.php?area=ass...

Prefeitura de Guarulhos
O Programa de Inclusão Digital da Prefeitura de Guarulhos foca o uso da tecnologia voltada para o
mercado de trabalho seja na recolocação profissional ou o primeiro emprego.
http://www.guarulhos.sp.gov.br/

Prefeitura de São Paulo


Os telecentros da Prefeitura de São Paulo têm como objetivo proporcionar a entrada das
comunidades carentes à rede mundial de computadores e promover a luta pelos seus direitos e o
exercício de seus saberes coletivos.
http://www.telecentros.sp.gov.br/

Programa de Educação e Inclusão Digital de Niterói


O projeto Telecentros de Niterói dá ênfase ao uso de software livre, como o Linux, na capacitação
profissional dos cidadãos e como base dos telecentros que visam a diminuição dos índices de
exclusão digital.
http://www.telecentro.niteroi.rj.gov.br/

Programa de Inclusão Digital da Prefeitura de Natal


O Programa de Inclusão Digital da Prefeitura de Natal pretende, por meio dos telecentros
comunitários, promover o desenvolvimento social e econômico da população que não dispõe de
acesso à internet, criando oportunidades e reduzindo a exclusão social.
http://www.natal.rn.gov.br/noticia/ntc-825.html

Programa de Inclusão Digital da Prefeitura de São Carlos


O Programa de Inclusão Digital (PID), lançado em 2003 pela Prefeitura de São Carlos, oferece à
77

população a formação básica em informática, permitindo assim a aquisição de conhecimentos e


habilidades específicas para o uso do computador e da Internet, aliando conteúdos e habilidades
básicas para o exercício da cidadania.
http://www.saocarlos.sp.gov.br/index.php/inclusao-digital-pi...

Programa de Inclusão Digital de Lagoa de Dentro


O programa de Inclusão Digital de Lagoa de Dentro conta atualmente com dois telecentros montados
por meio do recebimento do kit do Ministério das Comunicações.

Programa de Inclusão Digital de Passo Fundo


Programa de Inclusão Digital da Prefeitura de Passo Fundo- RS implementado em escolas do
município que são abertas no perído noturno e finais de semana para o uso livre da comunidade.
http://www.pmpf.rs.gov.br/pagina_interna.php?t=19&c=1572&p=1...

Programa de Inclusão Sociodigital - BA


O objetivo do Programa é possibilitar ao cidadão, especialmente o de baixa renda, o livre acesso às
tecnologias de informação e comunicação através dos Centros Digitais de Cidadania (CDC).
http://www.cidadaniadigital.ba.gov.br/inclusaodigital.php?pg...

Programa Inclusão Digital Para a Comunidade


A meta da Prefeitura de Manaus é implementar 220 Telecentros (laboratórios de informática) com
banda larga nas escolas, inclusive as da Zona Rural. Nos telecentros serão desenvolvidos diversos
projetos de inclusão digital que vão desde a informática básica até a utilização dos recursos da
Internet em projetos educacionais e comunitários.
http://www.manaus.am.gov.br/secretarias/semed/acoes-e-propos...

Programa SERPRO de Inclusão Digital


Os telecentros do SERPRO são voltados para a inserção da população de baixa renda, grau de
escolaridade baixo e pouco ou nenhum acesso à tecnologia da informação. Funcionam como
estímulo à melhoria das relações comunitárias.
http://www.serpro.gov.br/inclusao

Programa Territórios Digitais


O objetivo do Territórios Digitais é disponibilizar acesso às tecnologias digitais de informação e
comunicação para aprimorar os processos de gestão da produção; o controle social das políticas
públicas; o acesso à informação; e a formação de rede de troca de experiências.

Programando o Futuro
O objetivo da Programando o Futuro é fortalecer as iniciativas da sociedade civil organizada na
apropriação das tecnologias de informação e comunicação como forma de colaborar no
desenvolvimento sustentável de suas comunidades.
http://www.programandoofuturo.org.br/site/

PROINFO/MEC
78

O PROINFO promove o uso pedagógico da informática na rede pública de ensino fundamental e


médio (escolas) através dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE), que são coordenados por
cada estado e município de forma descentralizada.
http://portal.mec.gov.br/seed/index.php?option=content&task=...

Projeto Beija-Flor - SC
O projeto Beija-Flor proporciona acesso livre e gratuito aos recursos da informática para quem vive
nas áreas rurais e de pesca do estado de Santa Catarina.
http://www.beijaflor.agricultura.sc.gov.br/

Projeto CID
O objeto do projeto é proporcionar a inclusão digital, por meio da implantação dos Centros de
Inclusão Digital em três municípios da Baixada Fluminense (Duque de Caxias, São João de Meriti e
Belford Roxo).
http://www.baixadadigital.com.br/ocid.html

Projeto Comunidade Escola


O Projeto mantém escolas municipais de Curitiba (PR) abertas nos finais de semana com atividades
educativas, esportivas, culturais, de saúde e de geração de renda, com objetivo de promover o
desenvolvimento local por meio de parcerias com órgãos públicos, privados e terceiro setor.
http://www.cidadedoconhecimento.org.br/

Projeto Estruturador Rede de Formação Orientada pelo Mercado


O Projeto Estadual de Inclusão Digital tem como finalidade preparar os cidadãos para o futuro, por
meio da universalização do acesso à internet possibilitando o desenvolvimento auto-sustentado,
difusão de conhecimento e melhoria da qualidade de vida.
http://www.inclusaodigital.mg.gov.br/

Projeto Informática para a Comunidade - PE


Projeto da Secretaria da Educação do Estado de Pernambuco, que libera ao público o acesso à
Internet nos laboratórios de informática das escolas nos finais de semana.
http://www.educacao.pe.gov.br/

Projeto Internet Cidadão - Quissamã


O projeto fornece para o município de Quissamã (RJ) conexão por ondas de rádio através de
repetidoras localizadas em pontos estratégicos, o que permite o livre acesso a Internet.
http://www.quissama.rj.gov.br/

Projeto Saúde e Alegria - PA


O objetivo dos telecentros digitais do Projeto Saúde&Alegria é apoiar as comunidades em vários
âmbitos: saúde, educação, cultura, geração de renda, organização comunitária, meio ambiente e
ampliação dos canais de comunicação comunitária já existentes.
http://www.saudeealegria.org.br/portal/index.php
79

Projeto Telecentro Pindamonhangaba


O Projeto foi criado em 2006, ministrando cursos básicos e avançados para a população e é uma
iniciativa do Fundo Social de Solidariedade de Pindamonhangaba. Tem como objetivos reduzir os
índices de exclusão digital em Pindamonhangaba, levar conhecimento e educação às comunidades e
viabilizar o acesso da população aos serviços públicos oferecidos via internet.
http://www.pindamonhangaba.sp.gov.br/index.asp

Quiosque Cidadão
O projeto instala computadores conectados à internet banda larga em bibliotecas públicas, escolas ou
em outros espaços públicos. Conta com softwares livres educativos, tais como meio ambiente,
relacionamento racial, direitos e deveres do cidadão, prevenção às drogas, alcoolismo e doenças
sexualmente transmissíveis, guia de profissões, entre outros.
http://www.mi.gov.br/programas/desenvolvimentodocentrooeste/...

Rede Cidadania de Inclusão Digital - Santo André


O projeto conta com quatro pontos de acesso livre à informática e uma unidade móvel e tem como
objetivos possibilitar o primeiro contato com o computador; identificar e potencializar sua atuação nos
diversos canais de participação; trabalhar a informática como ferramenta básica do cotidiano do
usuário; e ampliar as perspectivas de atuação no mercado de trabalho.
http://www.santoandre.sp.gov.br/bn_conteudo.asp?cod=5832

Rede de Inclusão Digital do Comitê Fome Zero de Joinville


O objetivo da Rede Popular de Inclusão Digital, programa promovido pela ONG Comitê Fome Zero de
Joinvile, é a capacitação e democratização do acesso à informação através do computador.
http://rede-popular.wikidot.com/

Rede Jovem
O programa , responsável pela implantação de Espaços Jovem – telecentros comunitários, ambientes
de troca e solução coletiva de questões da juventude – atua nas periferias das áreas metropolitanas
do país, oferecendo à juventude oportunidades de interação com novas tecnologias.
http://www.redejovem.org.br/

Rede Saci
A Rede SACI atua como facilitadora da comunicação e da difusão de informações sobre deficiência,
visando estimular a inclusão social e digital, a melhoria da qualidade de vida e o exercício da
cidadania das pessoas com deficiência.
http://www.saci.org.br/

Rede.Lê - Pontão de Cultura UFMG - MG


A Rede.Lê promove o intercâmbio de culturas, via Internet, entre diversas comunidades. Visando
formar uma rede social de comunicação, a proposta é estimular o desenvolvimento de ações locais e
focar na produção de bens culturais.
http://www.ufmg.br/rede.le/
80

Ribeirão Jovem
O programa pretende, por meio dos seus Centros de Inclusão Digital (CIDs) e bases de apoio
comunitário (BACs), preparar jovens para as mudanças tecnológicas que influenciam diretamente seu
dia a dia.
http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/rbjovem/i99principal.htm

Sala do Cidadão Bahia - BA


Os infocentros do projeto oferecem ao cidadão acesso ao mundo digital, em unidades do Serviço de
Atendimento ao Cidadão – SAC. Criado pelo governo do Estado da Bahia tem como objetivo
melhorar a prestação dos serviços públicos.
http://www.sac.ba.gov.br/Orgao.asp?Orgao=94

Se Liga
O Programa Se Liga é um projeto de inclusão digital da Prefeitura de Maracanaú em parceria com o
SEBRAE. O objetivo é construir a cidadania digital, além de fomentar o empreendedorismo local.
http://www.maracanau.ce.gov.br/ciencia-tecnologia-e-empreend...

Tabuleiro Digital
Projeto de inclusão digital da Faculdade de Educação – FACED/UFBa, que concebe espaço para
acesso à internet, troca de e-mail e trocas culturais, enquanto espaço de encontros, de modo rápido e
ágil.
http://www.tabuleirodigital.com.br/twiki/bin/view/Tabuleiro/...

Telecentro Trabalho e Renda


O Programa Telecentro Trabalho e Renda foi implantado pela prefeitura de São Luís e tem como foco
principal o uso da tecnologia como meio de auxílio aos usuários que procuraram uma melhor
colocação no mercado de trabalho.
http://www.saoluis.ma.gov.br/

Telecentros de Informação e Negócios


Convergem parcerias institucionais e empresariais no uso intenso das tecnologias de informação e
comunicação com vistas à alfabetização digital do empresário da pequena empresa, habilitando-o ao
uso de tecnologias, aplicativos e navegadores Web.
http://www.telecentros.desenvolvimento.gov.br/sitio/inicial/...

Telecentros de Porto Alegre


O projeto leva conhecimento e educação às comunidades, capacita os usuários para o mercado de
trabalho e viabiliza o acesso da população aos serviços públicos oferecidos via internet para reduzir
os índices de exclusão digital em Porto Alegre.
http://www.telecentros.com.br/

Telecentros Itaipu
81

O projeto faz parte da proposta de Responsabilidade Social de Itaipu e promove a inclusão digital de
comunidades carentes e micro e pequenos empresários, oferecendo o acesso e a capacitação para
utilizar a informática como meio de profissionalização.
http://jie.itaipu.gov.br/?secao=imagem_dia&q=pt/node/418

Telecentros Jovem Cidadão - MA


Os telecentros do projeto investem na formação dos jovens e da população em geral visando o
desenvolvimento das pessoas e de sua cidade. Pretendem combater a exclusão digital; qualificar os
usuários e inseri-los na sociedade da informação; melhorar a relação entre o cidadão e o poder
público e estimular a criação de sites em língua portuguesa com temáticas relacionadas ao nosso
cotidiano, de modo a afirmar nossa identidade cultural.
http://www.pjcportal.org.br/

Telecentros Petrobrás
Cada unidade do projeto conta com 10 a 20 computadores ligados à Internet, em entidades de
regiões de baixo IDH de todo o Brasil. Visam ampliar a cidadania por meio da inclusão digital,
fazendo uso intensivo da tecnologia de informação.
http://www2.petrobras.com.br/portal/frame.asp?pagina=/Respon...

Telecentros Prefeitura de Rio Branco


O objetivo dos Telecentros da Prefeitura de Rio Branco é promover a inclusão sócio-ambiental e
digital da população de baixa remuneração e oferecer cursos de informática e possibilidade de
interação a quem nunca teve acesso a um computador.
http://www.riobranco.ac.gov.br/v3/index.php?option=com_conte...

Via Pública - RS
O Via Pública é um projeto que visa criar e manter pontos de acesso público à Internet em todo o Rio
Grande do Sul, contribuindo, desta forma, para a disseminação e o compartilhamento do
conhecimento e da informação.
http://www.viapublica.rs.gov.br/

Villa Livre
O programa Villa Livre tem a finalidade de promover a inclusão digital e social utilizando o software
livre. Capacita os interessados em digitalização de áudio, edição e veiculação em rádio online.
http://www.uenf.br/Uenf/Pages/Reitoria/Villa_Maria/?&modelo=...

Viva Rio - RJ
As salas do projeto, localizadas em comunidades de baixa renda, são espaços destinados ao
desenvolvimento da economia local e da cidadania, e promovem cursos de qualificação profissional,
democratização da internet e geração de renda e emprego.
http://www.vivario.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start....
82

Anexo III
Serviços e Conteúdos nos Telecentros
Relatório final da pesquisa

“Serviços e conteúdos nos telecentros”


___________________________________________________________________________________________________

Olá telecentrist@s e amig@s!

A primeira pesquisa elaborada pelo ONID procurou conferir quais são os serviços
utilizados pelos usuários, além de levantar as permissões e proibições de conteúdo nos
telecentros.

A tabulação desta pesquisa foi realizada com os dados obtidos de 25 de julho a 11 de


agosto de 2008 e até esta data, houve 573 respostas.

A análise apresentada abaixo não tem a pretensão de generalizar os dados e reflete


somente resultados e conclusões sobre telecentros que participaram desta pesquisa.

Serviços online mais procurados

A expectativa dos resultados com relação aos serviços online mais utilizados nos
telecentros era de que fossem relativos a sites de relacionamento, como orkut; e
comunicadores instantâneos, como o MSN, tendência de análise baseada em um senso
comum. Porém, a pesquisa nos revelou um dado diferente, pois os serviços indicados
como “sempre” procurados foram os relacionados à pesquisa escolar (92,62%) e ao e-mail
(90,86%).

O gráfico abaixo mostra os seis serviços online mais procurados, dentre os 12


pesquisados, e a freqüência de sua procura.

Nunca Raramente Sempre

pesquisa escolar

e-mail

notícias

sites de relacionamento

comunicadores instantâneos

multimídia

0% 20% 40% 60% 80% 100%

pesquisa sites de comunicadores


e-mail notícias multimídia
escolar relacionamento instantâneos
Nunca 1,58% 3,34% 3,70% 13,01% 10,74% 12,17%
Raramente 5,80% 5,80% 21,70% 14,06% 17,08% 30,86%
Sempre 92,62% 90,86% 74,60% 72,93% 72,18% 56,97%

1
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Relatório final da pesquisa

“Serviços e conteúdos nos telecentros”


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Os dados apresentados acima revelam o telecentro como um espaço que privilegia um uso
mais voltado para o consumo de informações e não necessariamente como um espaço
alternativo à diversão. Isto pode ser reforçado com a baixa taxa que os jogos online
apresentaram em nossa pesquisa, sendo apontado como serviço “nunca” procurado em
29,10% das respostas.

É importante salientar que as proibições a determinados conteúdos, em alguns telecentros,


podem ter influenciado a freqüência de procura de todos os serviços.

O gráfico abaixo mostra os seis serviços online menos procurados, dentre os 12


pesquisados, e a freqüência de sua procura.

Nunca Raramente Sempre

jogos

salas de bate-papo

álbuns de fotos

blogs

busca de empregos

e-gov

0% 20% 40% 60% 80% 100%

jogos salas de bate-papo álbuns de fotos blogs busca de empregos e-gov

Nunca 29,10% 21,44% 17,61% 16,58% 11,80% 11,27%


Raramente 31,75% 36,56% 43,66% 49,03% 47,35% 50,35%
Sempre 39,15% 42,00% 38,73% 34,39% 40,85% 38,38%

Serviços offline mais procurados

Considerando já os dados de que os serviços online mais procurados são pesquisa escolar
e e-mail, não causou estranheza que trabalhos escolares e impressão estivessem entre os
maiores percentuais de uso de serviços offline (90,58% e 71,03% respectivamente). Outro
serviço que teve destaque foi a elaboração de currículos, que ficou em segundo lugar com
71,90%. Já com as menores taxas de procura ficaram os serviços de descarregar mídia;
com 63%, e de gravar CDs e DVDs, com 44,33%.

2
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Relatório final da pesquisa

“Serviços e conteúdos nos telecentros”


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O quadro abaixo mostra os serviços offline mais utilizados e sua taxa de procura.

Serviços offline utilizados

90,58%
100%
71,90% 71,03%
80% 63,00%

60% 44,33%

40%

20%

0%
trabalho elaboração de impressão descarregar gravar CDs e
escolar currículo mídia DVDs

trabalho escolar elaboração de currículo impressão descarregar mídia gravar CDs e DVDs

Sim 90,58% 71,90% 71,03% 63,00% 44,33%


Não 9,42% 28,10% 28,97% 37,00% 55,67%

Proibições

Uma grande polêmica é sempre criada com relação a filtragem de conteúdo na internet:
como os pais devem controlar, o que a empresa deve permitir, o que a escola pode utilizar
como recurso pedagógico. Tentamos compreender como o telecentro se insere neste
contexto questionando se existe alguma restrição e controle de conteúdos acessados.

De acordo com os 571 respondentes desta questão, em 86,16% dos telecentros existe a
proibição de algum tipo de conteúdo.

No gráfico a seguir vemos quais são estes conteúdos e a porcentagem correspondente


aos números de telecentros que aderem a estas práticas.

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Relatório final da pesquisa

“Serviços e conteúdos nos telecentros”


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Conteúdos proibidos
Proibem Não proibem

600
89,88%
83,94%
81,15%
500 78,53% 78,53%

66,49%
Número de respondentes

400

300

33,51%
200
21,47% 21,47%
18,85%
16,06%
100 10,12%

0
sites de conteúdo jogos com jogos em geral salas de bate- sites de comunicadores
adulto violência papo relacionamento instantâneos

Dos resultados que obtivemos das proibições, de um total de 573 respostas, pode-se
perceber uma diferença com relação aos jogos com violência, proibidos em 66,49% dos
casos, e jogos em geral, restritos em apenas 21,47%.

Esta diferença parece ser originária de uma crença de que jogos com violência estimulam
a violência, e por este motivo, devem ser proibidos. Podemos observar este argumento no
comentário de um dos respondentes, quando perguntado o motivo pelo qual concorda ou
não com a proibição:

“pois tais conteúdos como jogos violentos podem alterar o comportamento


das pessoas, tornando-as violentas”.

Em contrapartida, jogos com conteúdos gerais, sobretudo os de caráter educativo são


aceitos e muitas vezes utilizados pelos telecentros.

“Acho que devemos sempre combater a violência, e na escola devemos


procurar jogos educativos para nossos alunos”.

Quando consultados se estavam de acordo com as restrições ao acesso a determinados


conteúdos, dos 432 respondentes, 99,07% afirmaram concordar com estas proibições e
0,93% discordaram.

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Relatório final da pesquisa

“Serviços e conteúdos nos telecentros”


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Na tabela abaixo estão listados alguns motivos pelos quais os telecentristas acreditam ser
benéficas as restrições.

Motivos Nº de respondentes Percentual


Idade dos usuários 106 26,97%
Internet deve ser usada como ferramenta educativa / pedagógica 95 24,17%
Não atende aos objetivos dos telecentros 58 14,76%
Determinados conteúdos são inadequados a um ambiente de uso comunitário 56 14,25%
O livre acesso estimula violência e sexo 39 9,92%
Outros 20 5,09%
Existem outros serviços prioritários 19 4,83%
Total de respondentes 393 100,00%

A maioria acredita que determinados conteúdos devam ser bloqueados porque os


telecentros são ambientes freqüentados por crianças e adolescentes e o livre acesso pode
expô-las a temas considerados não adequados.

“A maioria dos usuários do nosso telecentro, são crianças, adolescentes e


jovens. Na minha opinião, esse tipo de conteúdo é inviável para tais
usuários”.

Outro motivo apontado é que nestes espaços a internet deve ser utilizada como uma
ferramenta pedagógica, que auxilie na educação dos usuários.

“Como se trata de um ambiente pedagógico, as atividades devem ter limites,


ou seja, devem estar voltadas para o sucesso do ensino-aprendizagem e para
atender necessidades do público (negócios, emprego, correio eletrônico,
entre outros)”.

Além disto, certos conteúdos deveriam ter seu acesso restringido por não atender aos
objetivos dos telecentros e por serem considerados inadequados a este ambiente.

“Porque o objetivo do telecentro é funcionar como um espaço de inclusão


digital e não como uma lan house, por isso temos que restringir alguns
serviços, até por que o acesso a Internet é gratuito”.

Em relação àqueles que não concordam com as proibições, podemos observar que há um
consenso de que a internet é uma excelente ferramenta de aprendizagem quando é
utilizada adequadamente. Sendo assim, consideram como ideal não proibir o acesso e sim
conscientizar os usuários quanto ao que se deve ser acessado.

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Relatório final da pesquisa

“Serviços e conteúdos nos telecentros”


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Respondentes por região

A região que apresentou um maior número de respondentes é a região Nordeste, com


38,15% das respostas, de um total de 512. Com a menor taxa, ficou a região Centro-oeste
com 46 respostas, representando 8,20% do total de respondentes.

Respondentes por região

38,15%
Nordeste

Sudeste 33,33%

10,52%
Sul

Norte 9,80%

8,20%
Centro-Oeste

0 50 100 150 200 250


Número de respondentes

Conclusão

Segundo os resultados apresentados neste relatório, podemos afirmar que os serviços


mais procurados na maioria dos telecentros pesquisados são os relacionados a atividades
escolares como pesquisa e elaboração de trabalhos. Adicionalmente, podemos dizer que
serviços como e-mail e notícias também são bastante utilizados.

Por fim, considerando os dados das proibições, inferimos que há uma percepção por parte
dos respondentes de que certos conteúdos como sites com temas adultos ou que fazem
apologia a violência, crime, sexo ou qualquer tipo de preconceito, não correspondem a
conteúdos que devam ser acessados em telecentros.

Gostaríamos de agradecer a todos que já participaram de nossas pesquisas e nos


ajudaram a conhecer um pouco mais sobre os telecentros.

Em breve divulgaremos os resultados da segunda pesquisa ONID – “Produção de


conteúdo nos telecentros”.

Qualquer comentário, dúvida ou sugestão, por favor, escreva para pesquisa@onid.org.br.

Atenciosamente,
Equipe ONID
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Anexo IV
Produção de Conteúdos nos Telecentros
Relatório final da pesquisa

“Produção de conteúdo nos telecentros”


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Olá telecentrist@s e amig@s!

A segunda pesquisa elaborada pelo ONID teve por objetivo conferir se há produção de conteúdo
nos telecentros, quais são os softwares utilizados e quais os equipamentos disponibilizados para
esta produção.

A tabulação desta pesquisa foi realizada com os dados obtidos de 14 a 31 de agosto de 2008 e até
esta data, houve 590 respostas.

A análise apresentada abaixo não tem a pretensão de generalizar os dados e reflete somente
resultados e conclusões sobre telecentros que participaram desta pesquisa.

Produção de conteúdo

Dos telecentros que responderam a nossa pesquisa; 292 (49%) disseram produzir algum tipo de
conteúdo. A região Nordeste se destacou como a região com a maior produção, com 45% do total
de respondentes; seguida da Sudeste (27%), Sul (16%), Centro-Oeste (7%) e Norte (5%).

Perguntamos também qual o conteúdo produzido e observamos que publicações (jornais, textos e
blogs) e imagens (ilustração e fotografia) ficaram entre os mais apontados, com respectivamente
31% e 30% das respostas. Já a produção audiovisual foi citada por 82 telecentros, o que representa
28%.

Ao analisarmos estas respostas regionalmente, percebemos que no geral as produções são


equilibradas. As regiões Nordeste e Norte apresentam uma pequena variação entre as produções,
com destaque para publicação para a primeira e para publicação e imagem para a segunda. Já na
região Sudeste podemos observar que há uma maior ênfase em produção de imagem e na Centro-
Oeste o foco é em publicações.

A região que mais se diferencia das demais é a Sul que apresenta uma maior produção de materiais
audiovisuais, se comparada proporcionalmente às outras regiões. A seguir podemos observar estas
variações no gráfico comparativo.

Tipo de produção por região

Publicação Imagem Audiovisual

50%
45% 44%
43%

40%

30% 28%
25% 24% 24%

20% 17%
15%
10%
10% 6% 6% 5% 5%
3%
0%
Nordeste Sudeste Sul Centro-oeste Norte

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IPSO – Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos
Relatório final da pesquisa

“Produção de conteúdo nos telecentros”


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Com estes resultados, percebemos que a produção existente nos telecentros é pequena ou
incipiente. Esta percepção também pode ser observada no gráfico abaixo que representa o
interesse dos telecentros em projetos para a produção de conteúdo.

Interesse em projetos de produção de conteúdo

35%

31%

10%
12%
12%
Não tem interesse

Interesse em área não especificada

Tem interesse, mas falta apoio dos gestores, equipamentos e/ou recursos financeiros

Interesse em projetos audiovisuais (Web-rádios, filmagens, vídeos e fotografias)

Interesse em publicações (jornais, blogs e livros)

Nele vemos que dos 208 respondentes desta pergunta, 35% não têm interesse em nenhum projeto
de produção de conteúdo. Nas respostas abertas, percebemos que muitas vezes existe o interesse
em realizar determinados projetos, mas os telecentros não contam com apoio de seus
coordenadores e não possuem recursos ou pessoas capacitadas para seguirem com o projeto.

"Temos interesse para fazer gravação de depoimentos e documentários na


comunidade, porém não dispomos de pessoas capacitadas para operação de
filmagem".

"Existe um projeto de produção de vídeo, mas não há pessoas que possa


disponibilizar seu tempo para passar esse conteúdo para outras pessoas. Existe
também um projeto de um jornal comunitário virtual, mas não existem palestrantes".

“Ainda não, o meu gestor, nunca se interessa por fazer oficina alguma ou qualquer
outro projeto em nosso telecentro”.

Equipamentos dos telecentros

A produção de conteúdos muitas vezes pode ser determinada pela disponibilidade de equipamentos
nos telecentros, por isso perguntamos quais são os equipamentos disponíveis aos usuários e como
este uso é feito.

No gráfico a seguir, podemos observar que a maioria dos telecentros possui equipamentos básicos
de informática como: impressora (82%), gravadores de CD (62%) e fones e caixas de som (49%).

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Relatório final da pesquisa

“Produção de conteúdo nos telecentros”


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Equipamentos disponíveis aos usuários


Impressora 82%

Gravador de CD 62%

Fones/caixas de som 49%

Gravador de DVD 35%

Scanner 28%

Microfone(s) 23%

Câmera fotog. digital 21%

Datashow e/ou projetor 20%

Webcam 14%

Câmera filmadora digital 10%

Câmera fotog. analógica 3%

0 100 200 300 400 500

Em relação a outros tipos de equipamentos para realizar produções como câmeras fotográficas e
filmadoras digitais vemos que o número diminui e apenas 21% e 10% dos respondentes afirmam
possuir este tipo de equipamento.

Finalmente, perguntamos sobre a disponibilidade de uso destes equipamentos aos usuários dos
telecentros. Apesar de 86% (508) dos nossos respondentes falarem que qualquer usuário pode
fazer uso dos equipamentos, quando perguntado sobre os critérios de uso, 37 afirmaram que
apenas monitores, a equipe do telecentro e pessoal autorizado podem utilizá-los.

“O uso dos equipamentos é só para quem trabalha no telecentro, ex: tirar fotos para
relatório ou gravar um vídeo para a instituição. Já a impressora e o scanner faz
parte dos serviços oferecidos no telecentro”.

“Em alguns equipamentos não, por exemplo o datashow, por ser um material muito
delicado e caro só os funcionários fazem o manuseio”.

E em apenas 24 respostas disseram que os equipamentos são usados durante oficinas e cursos
de capacitação.

“Todos esses equipamentos são disponibilizados aos usuários que participam dos
processos de formação”.

Softwares utilizados

Em relação aos softwares de edição do conteúdo produzido, esta pesquisa mostra que, no geral,
existe um maior número de telecentros que utiliza softwares proprietários (218 respondentes) e
apenas 163 citaram softwares livre em suas respostas.

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Relatório final da pesquisa

“Produção de conteúdo nos telecentros”


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Softwares de tratamento de áudio

100
Para tratamento do áudio, os
80
39% 38% dois softwares mais utilizados
são o proprietário Adobe
Soundbooth, 43% e o software
60
livre Audacity, 41%. Em
terceiro lugar, temos o
40
15% proprietário, Sony Soundforge,
16%, seguido dos softwares
20 livre XMMS (5%), Amarok (2%)
5%
2% 2%
e Totem Movie Player (2%).
0
A do be A udacity So ny XM M S A maro k To tem
So undbo o th So undfo rge M o vie P layer

Softwares de edição de vídeo e de tratamento de imagens

Em relação aos softwares para 51%


100
edição de vídeo e de tratamento
de imagem; podemos observar 80
uma predominância no uso do
software proprietário Windowns 60
Vídeo Maker, já que mais da 21%
metade dos respondentes 40
afirmaram utilizá-lo. Em seguida, 8%
20 6%
temos os softwares livres 5% 5% 4%
Cinelerra, Avidemux e Gimp com 0
respectivamente 21%, 8% e 6% Windows Cinelerra Avidemux Gimp Sony Pinnacle Virtualdub
das respostas. Video Soundforge Videospin
Maker

Oficinas e cursos de capacitação

Áreas das oficinas de capacitação


19%
Como podemos observar no gráfico a ao
120
lado, a principal oficina de capacitação
Nº de respondentes

100 12% oferecida pelos telecentros é na área de


12%
80 comunicação (19%). Vídeo e Fotografia
8%
ficaram com 12% dos respondentes e
60
capacitação em áudio teve apenas 8%.
40 Este baixo número pode justificar a
20 pequena produção de conteúdos
0
audiovisuais, como já vimos neste
Comunicação Vídeo Fotografia Áudio relatório.

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Relatório final da pesquisa

“Produção de conteúdo nos telecentros”


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Em nossas questões abertas outras oficinas de capacitação também foram citadas dentres elas:
cultura urbana e memória e patrimônio, metarreciclagem, material reciclado (artes plásticas), oficina
de games educativos e recondicionamento de computadores.

"Pretendemos iniciar a produção de um jornal feito por crianças e adolescentes com


informações que interessem a faixa etária de 8 a 16 anos, e que seja distribuido nas
escolas da região".

"Estamos nos preparando para fazer uma oficina de rádio web, no momento é a
única coisa que podemos produzir e, depois disso incentivar através de uma oficina
a outras pessoas a aprenderem sobre o tema".

Respondentes por região

Em relação à distribuição das respostas pelas regiões do Brasil, as maiores taxas de retorno à
nossa pesquisa foram de telecentros situados na região Nordeste, com 45,33% das respostas, de
um total de 578. Com o menor número de respostas, ficou a região Centro-oeste com 38 respostas,
representando 6,57% do total de respondentes.
Respondentes por região

45,33%
Nordeste

25,43%
Sudeste

Sul 14,88%

7,79%
Norte

Centro-Oeste 6,57%

0 50 100 150 200 250 300

Número de respondentes

Conclusão

Segundo os resultados desta pesquisa, podemos dizer que a produção de conteúdos nos
telecentros ainda é incipiente. Isto pode ser atribuído a alguns fatores como a falta de recursos e de
pessoas capacitadas para a produção. Dentre os conteúdos produzidos, verificamos que há uma
preponderância em publicações e um grande interesse em produções de jornais.

Gostaríamos de agradecer a todos que já participaram de nossas pesquisas e nos ajudaram a


conhecer um pouco mais sobre os telecentros.

Qualquer comentário, dúvida ou sugestão, por favor, escreva para pesquisa@onid.org.br

Atenciosamente,
Equipe ONID

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