VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA, UM PRINCÍPIO DA EVOLUÇÃO DA LÍNGUA.

Partimos do pensamento primário e norteador de que o fenômeno ³variação linguística´ esteve presente em todo o momento da formação e estruturação de nossa língua, ao retornarmos à língua -mãe, o latim, percebemos que desde então, até os dias atuais, tivemos mu danças renovadoras da língua. A linguística atual revela que uma língua não é homogênia e deve ser entendida justamente pelo que caracteriza o homem ± a diversidade, a possibilidade de muda nças. É preciso compreender que tais mudanças, como se pensava no início, não se encerram somente no tempo, mas também se manifestam no espaço, nas camadas sociais e nas representações estilísticas. De acordo com Celso Ferreira da Cunha (1992), ao traçar mos a linearidade histórica de nossa ³língua brasileira´, notamos que essa provém da língua portuguesa, que por sua vez provém do latim, que se entronca na grande famíli a das línguas indo -européias. De início era o simples falar de um povo de cultura rúst ica, que vivia no centro da Península Itálica, mas a língua latina veio, com o tempo, a desempenhar extraordinário papel na histó ria da civilização ocidental. Os romanos, em contato com outras terras, outras gentes e outras civilizações, ensinavam, mas também aprendiam. E aprenderam muito com outros povos. Desde o século III a.C., pois, sob a benéfica influência grega, o latim escrito com intenções artísticas foi sendo progressivamente apurado até atingir, no século I a.C., a alta perfeição da prosa de Cíc ero e César, ou da poesia d e Horácio e Virgílio. Em consequência, acentuou-se com o tempo a separação entre essa língua literária, praticada por uma pequena elite, e o latim corrente, a língua usada no colóquio diário pelos mais variados grupos sociai s da Itália e das províncias. Tal diferença era sentida pelos romanos, que opunham ao conservador latim literário, ou clássico, o inovador latim vulgar, língua falada por todas as camadas da população e em tod os os períodos da latinidade. Foi esse matizado latim vulgar que os soldados, colonos e funcionários romanos levaram para as regiões conquistadas e, sob o influxo de múltiplos fatores, diversificou -se com o tempo. Por volta do século V, os falares regionais já estariam mais próximos dos idiomas român icos do que do próprio latim. Após a fase de transição, surgem, então, durante o século XIII, os primeiros documentos que chegaram até nós integralmente r edigidos em galego -português. Com os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, os portugueses amplia ram enormemente o império de sua língua. No Brasil, a língua portuguesa apresenta uma relevante diferenciação com o português de Portugal; há, evidentemente, diferenças sintát icas, semânticas e fonéticas. Diferenças sintáticas ± colocação diferente dos pr onomes oblíquos; uso da preposição em com verbos de movimento: chegar na, ir na...; emprego de ter em lugar de haver... Diferenças semânticas ± azular, em Portugal significa tornar azul; no Brasil, fugir. Cangaço, em Portugal significa resíduo de uvas; no Brasil, quadrilha. Moço, em Portugal, criado; no Brasil, apenas jovem. Diferenças fonéticas ± na fonologia, as diferenças são mais profundas, assinalando -se não só na emissão das vogais, como na das consoantes: minimo, mintira, (m); fonti, poti (t); quêx o, bêjo (ai)¹ e o acréscimo de e, após r e l,em Portugal (sole)... Além dos fatores sociais, geográficos e históricos, outros mais serviram para distanciar o nosso português do português de Portugal. Em primeiro lugar, a língua portuguesa encontrou rival no tupi, o qual, tornado língua geral, a ultrapassou, até o século XVIII, segundo Teodoro Sampaio (1954). Os padres preocupados com a catequese, falavam, escreviam a sua gramática e organizavam dicionários em tupi. Os bandeirantes também contribuíram bati zando os acidentes geográficos e algumas localidades com vocábulos dessa procedência. O português sobressaiu, e tornou -se idioma nacional, o que não impediu que restassem vestígios do tupi em nosso falar. Assim, temos de providência indígena muitos nomes d e lugares, utensílios, alimentos, flora e fauna, como: Manhumirim, pororoca, Iracema, tatu, abac axi, etc. Outro elemento que entrou em contato com o português do Brasil foi o africano. A necessidade de braços que trabalhassem a terra trouxe o negro, que agregou ao nosso falar seu vocabulário e influiu na pronúncia. De providência africana temos: macumba, cachaça, moleque, quindi m, jiló, cochilo, tanga, etc. (1) As letras entre parênteses representam, aproximadamente, a pronúncia portuguesa da parte destacada. Os colonizadores portugueses trouxeram para o Brasil a cultura e a Língua Portuguesa, essa foi sendo enriquecida com vocábulos e locuções novas; adquirimos outra pronúncia. Além de recebermos

1 Variação histórica A variação histórica acontec e ao longo de um determinado período de tempo. Em uma linguagem sistemática e coerente podem ocorrer formas diferentes de se efetuar a língua. futebol. Foi de evolução para evolução que chegamos até o exato momento de nosso falar. muita vezes. estresse. falado por uma minoria de grandes escritores e o latim vulgar. necessitamos aceitar as variações e estudar o que as provoca para entendermos o proce sso evolutivo linguístico. ‡ Ecoletos ± um idioleto adotado por uma casa. e tudo indica que vai continuar. no tempo ± variação diacrônica ± e no indivíduo. é irreal o nivelamento da língua devido a muitos fatores como: social. Após analisarmos o desenvolvimento linear de nosso português. como em porta. por exemplo. E mais ainda. estaríamos falando latim. no Brasil. xampu. grupos com os quais convive. garage . A partir de um ponto qualquer vão se assinalando diferenças à medida que se avança no espaço geográfico. do . E hoje. ‡ Socioletos ± variações faladas por comunidades socialmente definidas. champanhe. Idioma é um termo intermediário na distinção dialeto -linguagem e é usado para se r eferir ao sistema comunicativo estudado quando sua condição a iguala a linguagem. short. celular. ‡ Etnoletos ± variação para um grupo étnico. etc. chique. enfim. Variações: A Multiformidade Da Língua. também estão pre sentes em nossa língua alguns vocábulos do oriente e de outras línguas européias. já na região Nordeste temos o uso das vogais o e e aber tas. as quais recebem diferentes denominações. pode ser identificada ao se comparar dois estados de uma língua. histórico. mesmo sabendo que é fato incontestável seu dinamismo. que pela extensa população usuária se difundiu rapidamente. 1 Dimensões que propiciam as variedades 1. Dentro da unidade territorial brasileira se revelam muitos falares que se justificam e condicionam para se adequar a realidade sociocultural de nosso país. etc. estamos certos de que a evolução da língua vem desde sempre. resultantes das diferenças sociológicas tais com o educação do indivíduo. etc. caso contrári o. Eis alg uns exemplos: ‡ Dialetos ± variações faladas por comunidades geograficamente definidas. o r é retroflexo. na íntegra. a evolução perpassa pela diversidade que é a transitoriedade da língua. recentemente passamos a assumir que o preconceito lingüístico é real e se manifesta toda vez que temos o embate e a identificação das diferenças linguísticas por diferentes grupos. oxalá. como em Rónaldo. sémente. E o português que chegou a nossas terras não permaneceu o mesmo por diversas influências. Ao encontrarmos pessoas de regiões diferentes do Brasil. É inegável as diferenças que existem dentro de uma mesma comunidade de fala. algarismo. omelete. não raro nos deparamos co m expressões lingüísticas diferentes. É a linguagem padrão estandardizada em função da comu nicação pública e da educação. De origem inglesa temos: clube. P ortanto. O latim se modificou para s e adequar à extensão do território dominado pelos romanos. Ao constatarmos a renovação da língua. o vocabulário especializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões. ainda assim percebemos dific uldades de coexistência dos múltiplos falares. Ocorreu com o latim. como já citamos. café. Tudo isso pode interferir e operar como modelador à fala de alguém. manchete. Segundo CAMACHO(1988) existem múltiplo s fatores originando as variações. De providência árabe temos: álcool. Ao lermos alguns textos. Na fala de interioranos de São Paulo. E o mesmo com a Língua Portuguesa. alfaiate. geográfico e cultural. De origem francesa temos: abajur. sua identidade. uma vez que variam no espaço ± variação diatópica ±. gol. Da mesma forma se constatam diferenças dentro de uma mesma área geográfica. que se estruturou em duas vertentes durante seu processo evolutivo: o latim clássico. sua profissão.influência das línguas indígenas e africanas. ‡ Idioletos ± é uma variação particular. em que se distanciaram os falare s do Brasil com o de Portugal. isto é.

O trabalho de Amadeu Amaral teve o méri to de chamar a atenção para a importância e a urgência de uma recolha sistemática dos nossos falares. 1. além de todos os significados encontrados no dicionário . porém. isto é. O novo pode se sobrepor ao antigo. em que há supressão do artigo definido diante de nom es próprios Edmundo e Olinto. uma vez que incoerências locais não de stituem do texto a coerência. ³cantada´ no Norte. A palavra resenha aparece nos dicionários como: ato ou efeito de resenhar. e grafia ± êle. Portanto. Esta zona se estende. fluminense. a cadência do ritmo frasal. contagem. apesar disto . inédito. e no Sul: baiano.aquele que é fio(filho) de Edmundo´ (e não ³filho do Edmundo´) ³. Antenor Nascentes dividiu o falar brasileiro em seis subfal ares que reuniu em dois grandes grupos os quais foram chamados de Norte e Sul. se interessam e as lançam em seus grupos sob novo significado ou com o mesmo mas tendo sempre c omo idéia primária o modismo. quanto à dimensão histórica da variação lingüística. da foz do rio Mucuri. de Amadeu Amaral. . mineiro e o sulista. assim como os arcaísmos podem se tornar presentes ou por fixar se na fala popular ± PRADO MENDES (2000) ao analisar a ausência de artigo definido diante de nomes próprios em algu mas regiões mineiras constatou como uma caso de retenção lingüística. na linguagem de alguns jovens apareceu nos anos 90 para desc rever conversa desnecessária. A variação se manifesta com maior evidência no léxico(vocabulário). recensão. mais ou menos. O processo de mudança é gradual. dados do português contemporâneo falado nas referidas regiões. muitas vezes concebem o teor de entendimento. Assim em (1) e (2) abaixo. Uma variante inicialmente utilizada por um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos socialmente mais expressivos e ao cair em uso torna -se uma norma. Neste caso temos.. publicado em 1920. citamos o desuso de expressões com mesóclise: constatamos sua estranheza quando alguém lê trechos bíblicos com uma linguagem mais antiga. outros permaneceram.século XVII e XVIII nos deparamos com registros lingüísticos que diferem com os de hoje. sobreleva a de Antenor Nascentes. descrição pormenorizada. Ou ainda. Os estudos dialectológicos de caráter científico iniciaram -se no Brasil com o Dialeto caipira. Para Nascentes o falar do Norte e do Sul apresenta traços diferenciadores fundamentais: a abertura das vogais pretônicas no Norte em palavras que não sejam diminutivos nem a dvérbios terminados em ±mente. um conservadorismo do portu guês dos séculos XVIII e XIX. Basta uma singela frase ou uma simples palavra para caracterizar as pessoas pertencentes a cada um destes grupos. até o Estado de Mato Grosso. Os ouvintes tendem a demonstrar f alta de familiaridade com esses termos. notícia que abarca certo número de nomes ou fatos similares.. (1) (2) ³. As manifestações que se operam no sistema lingüístico sempre têm origem nas nec essidades expressivas. vocab ulário e estrutura sintática. a partir daí. mas com algumas alterações. Entre as divisões propostas em caráter provisório. jovens ao desconhecer a existência de algumas palavras ao se depararem com essas. conferência. portanto. Como exemplo. retornar como fosse algo novo. não acontece de repente. Com isso temos diferentes formas de pronúncia. podemos afirmar que possuímos formas diversificadas de nosso falar por ora haver retenções de estágios anteriores ou por estarmos mudando o uso dos vocábulos para nos adequar a grande evolução temporal. Foi ele quem animou as pesquisas de Antenor Nascentes sobre o linguajar carioca (1922) e outras que se lhe seguiram. cous a (escrita amplamente coisa). fundada em observações pessoais colhidas em suas viagens por todos os Estados do País. Estes espaços admitem seis subfalares ± no Norte: amazônico e nordestino. Eles estão separados por uma zona que ocupa uma posição mais o u menos eqüidistante dos extremos setentrional e meridional do país. Alguns termos se tornaram obsoletos. temos uma variante como verdade. caracterizado por regiões geográficas diversas . também é usado com o sentido de sair furtivamente ±. Entretanto.Luís de Olinto cêcunhece ele?´ (e não ³Luís do Olinto´) Este é.. entre Espírito Santo e Bahia. As mudanças no decorrer do tempo podem ser de significado ± vazar. condenados a perecerem pela progressiva nivelação cultural..2 Variação geográfica O Brasil apresenta um vasto território. e normal ou descansada no Sul. tôdas( perderam o acento). resquício de uma forma lingüística de períodos anteriore s da língua portuguesa que não sofreu alterações com o p assar dos anos.

faixa etária. mas principalmente a expressão de sua diferença. que por um período breve ± durante a colonização ± foi largamente utilizada no país. É relevante lembrar que tal fenômeno se encerra no âmbito geográfico. portanto. ³e´. Em Minas Gerais é conhecida como mandioca . Fica claro que a variação social não compromete a compreensão entre indivíduos.. na comunidade belorizontina. pois a manifestação lexical da sinonímia. isto é. formam -se comunidades linguísticas menores em torno de centro polarizadores da cultura. concluímos que a língua signo/privilegiado de identidade não é um instrumento neutro. hoje ³ficar vitalina´ e ³ficar caritó´ são usadas mais nas dramaturgias como forma de evidenciar o falar nortista e nordestino. no Rio de Janeiro como aipim e em Pernambuco. de maneira a distinguir áreas lingüísticas e falares. de modo variável de comunidade para comunidade. 1. hoje. uma vez que toda a variação provém da língua indígena tupi. essa região está mais povoada e o falar encontrado nela é muito parec ido com os subfalares mineiro e sulista. sendo assim. ³o´. grau de escolaridade e grupo profissional. favorecida na fala das pessoas de baixa escolaridade. se analisa a experiência humana em unidades providas de conteúdo semânt ico e de expressão fônica. Os vários estudos que enfocam este tipo de relação língua/fatores sociais têm privilegiado a variação morfossintática ou a morfo-fonológica. talvez porque haja um distanciamento entre as normatizações gramaticais e a obediência dos falantes em seguir tais normas. Um grupo acadêmico de uma universidade apresentará uma variedade linguística bem diferente de um grupo de vendedores ambulantes do interior do Brasil. um contingente meio de comunicação entre os homens.´ Comunidades diferentes vivenciam experiências diferentes e isto se reflete nos respectivos sistemas linguísticos: léxico. sexo. Uma forma expressiva. ³t´ e no ritmo da fala. econômica. trazida pela mí dia incorpora-se ao falar de regiões distantes. Cada qual usará o recurso linguístico que lhe foi concebido em seu processo de aprendizagem para efetuar a comunicação. alguma impossibilidade de uso da gramática normativa pela grande maioria dos falantes?´ ou ³Estamos apenas a observar a língua como um fator de identidade?´ Sendo esse o caso. onde são colocados os objetos de pouco uso). Do exposto. a forma reduzida do pronome pessoal de 3ª pessoa ele para ³eis´ e ³es´ ocorre com maior frequência e é. além de estabelecer. Percebemos que dentro de uma comunidade ampla. mas é fundamentado no histórico. que têm apenas o 1º grau. Para denominar uma planta muito conhecida da família das euforbiáceas temos nomeações diversas. macaxeira. Encontramos o ³r´ retrofle xo pertinente a tais regiões. Conforme MARTINET(1964) ³uma língua é um instrumento de comunicação segundo o qual. uma vez que alguns momentos de incoerência são sanados pelo con texto em que a fala se forma. política e ec onomia.3 Variação social A variação social está relacionada a fatores sociais como etnia.nas realizações de determinados sons. De acordo com RAMOS (1998).1. morfológico e sintático. Cada região uma denominação. Entendemos que as diferenças lingüísticas entre as regiões são graduais e que nem sempre coincidem com as fronteiras. social. cultural ± é algo reservado a poucas pessoas no Brasil. porque decididamente não somos todos iguais e devido ao meio espacial ou social em que estejamos haverá uma tendência da língua em se caracterizar por esses agentes. que acabam por definir os padrões linguísticos utilizados na região de sua influência. com o advento da televisão. por exemplo. Antenor Nascentes a considerava incaracterística por ser praticamente despovoada na época em que ele propôs as divisões do falar brasileiro. A globalização é um processo que de certa forma homogeneíza os falares. como o ³r´. 2. A região mato-grossense. não encontrar casamento) era usada mais na região Sudeste. Não é difícil perceber que a norma culta ± por diversas razões de ordem política. A definição de áreas lingüísticas fundam enta a indicação de diferenças e identidades . Nas regiões Norte e Nordeste se falava ³ficar vitalina´ (em alusão à Santa Vitalina) e ³ficar no ca ritó´ (espécie de prateleira rústica.. pelo confronto. nas casas pobres. Há uma indagação implícita neste fato: ³ Existe alguma disfunção. as variáveis sociais liga das à distribuição espacial. Hoje. A expressão ³ficar para titia´ (ficar solteirona. o indivíduo que protagoniza a fala poderá adequá -la a seu perfil ou ao grupo a que pertence. a língua como referencial humano traria inúmeras variações. que antes era própria de uma região do país.4 Variação estilística . por exemplo. evidenciamos. Mas no nível semântico também ocorre esta manifestação.

em que o grau de reflexão é máximo. Variação. Entretanto quando nos deparamos com a priorização do ensinamento da norma culta e o desrespeito as demais variações. . Todavia. não consegue apresentar compreensibilidade devido aos inúmeros termos em latim e vocabul ário muitas vezes rebuscado). pois está sempre presa às estru turas mais antigas por ter raízes mais profundas no português arcaico. profissional. que MC DAVID JR. sem contar que na escrita os desvios ficam mais nítidos d o que na fala. Vemo -la num caminhar mais arrastado no processo renovador da língua. isto talvez pela rapidez com que se efetua a comunicação. Uma variante histórica pode resultar em uma variante geográfica. trava a comunicação conforme seu dialeto e dentro de uma prática linguística eficaz ± comprometida com as condições contextuais. Neste momento vemos o favorecimento e a eleição da norma formal como ³certa´. Sem levar em conta as graduações intermediárias. Uma pessoa pertencente a um grupo profissional. Em contraposição. BRIGTI ± emissor receptor e situação ± entendemos que a identidade do emissor determina as variedades linguísticas. uma vez que é essa a ensinada nas escolas e tida como forma de ascensão social. o grau de intimidade. e que a simultaneidade da língua padronizada pela gramática normativa e a existência das diversas formas que o falante usa para a efetivação da comunicação. vemos também o preconceito linguístico se formar. a situação determina uma variedade menos formal e m ais próxima da concepção de entendimento do receptor para que haja comunicação. quando há um mínimo de r eflexão do indivíduo sobre as normas linguísticas utilizados nas conversações imediatas do cotidiano. o tipo de assunto tratad o e quem são seus receptores. que apesar de ter uma escolaridade média. observamos que ao se registrar a língua de forma escrita temos mais cuidado e pre ocupação em obedecer às normas gramaticais.A variação estilística se faz presente na expressividade individual duma língua e considera um mesmo indivíduo em diferentes situações de comunicação: se está em ambiente familiar. sabemos o quão importante é seu papel de sustentação da língua. é em certas ocasiões inacessível aos leigos. A norma culta está relacionada à linguagem da classe dominante. Isto ocorre no momento em que uma pessoa de baixa escolaridade ouve um diagnóstico médico (feito dentro da nomenclatura específica. é possível identificar dois limites extremos de estilo: o formal. mas fora do conhecimento do ouvinte). quando desenvolv e um léxico altamente especializado. enquanto operadores da língua. promotor. quando o adulto se dirige a uma criancinha. esta classe não é composta por indivíduos de um único meio nem com a mesma formação. Temos vários fatores direcionando a escolha da variação específica para cada ocasião. ora de forma intencional ± tem a língua como mediação simbólica de sua identidade. que é o princípio básico da língua. advogado expõem os fatos analisados para um júri. uma relação mútua entre elas. é uma variante de uma única vértice . Uma minoria sente -se capaz e confiante em utilizá -la. Tendo como norteador as três dimensões de W. concluímos que as diversas modalidades de variação linguística não existem isoladamente. Notamos que as pessoas tendem a apresentar desvios maiores às normas gramaticais na língua falada. Não queremos desmerecer a variante formal. Tomando por base as informações até então. Sendo fato real a coexistência de variedades linguísticas entendemos que cada forma particular de se manifestar a língua portuguesa no Brasil.. denomina de dimensão decorrente da associação. Esta maioria desvincula seu falar da norma padrão promovendo as variações ora de forma ocasional ± seu dialeto é i nerente à sua formação -. 3. em u m parecer judicial (quando o juiz. há uma grande maioria que utiliza a língua de forma des preocupada. como por exemplo. consciência da ve rsatilidade do nosso idioma?´ Sob a ótica do usuário da língua como ponto preponderante na escolha de formas específicas de efetuação linguística cremos que podemos nos portar de maneira consciente ou inconsciente perante a atuação das variedades da língua materna. Os motivos que proporcionam tantas variedades foram expostos nos capítulos anteriores. utilizado em conversações que não são coloquiais e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo. Dentre alguns destacamos a influência da profissão. A do receptor implica a escolha do tratamento e uma busca de adaptação. há cert amente. Manifestação Ocasional Ou Intencional? Estamos conscientes de que a variação linguística é uma situação real e abrangente. Mas. e o formal. mas um questionamento surge: ³Temos. divergem no campo d a praticidade oral e escrita. assim como uma variante geográfica pode ser vista como uma variante social ao se conside rar a migração entre regiões.

como imagem. Evidentemente. Todas essas modificações têm uma questão humana presente ± construir e agregar novos amigos. O advento da internet trouxe muitas transformações e inovações e dentre elas no campo textual. Durante o século XVI. Existem na cidade de Belo Horizonte. os errantes e presos nas galés das embarcações marítimas. É importante desmistificar a íngua padronizada e respeitar a riqueza cultural presente nos falares que compõem a ³língua brasileira. através de uma linguagem especial. Na ânsia de criar elos com indivíduos que compartilham os mesmos interesses. Vimos que as mudanças foram gradativas desde o nascimento do latim. quer por uma pessoa ou uma comunidade. c omo também de autoafirmação. uma vez que a própria escrita adquire uma forma nova. Este tipo de texto apresenta novas características. cria-se um dialeto próprio que os agrupe e ao mesmo tempo os distancie dos demais falares. Portanto. como uma forma dos grupos marcarem presença na comunidade e seu pa pel de fator de projeção no meio social. Talvez porque sejam tênues para o indivíduo enquanto as emprega na comunicação. caracterizada por várias tipologias textuais que ³conseqüentemente. Entretanto entendemos que os fatores social e estilístico agem na configuração de nossa língua sob a harmonia da sincronia presente.´ (PRESENÇA. há uma intencionalidade de se criar uma variação própria para a auto-definição e particularização do usuário da língua. É uma forma de isolamento.As variações provocadas pelos fatores geográfico e histórico tendem a perpassar pelos falantes sem que estes percebam a ocorrência das mudanças na língua. junto aos apelidos d os pichadores. Esta necessidade de utilizar a língua como ponto referencial e particularizador. período da col onização brasileira. que se difere significativamente de outras formas escritas tradicionais. as comunidades da internet acabam por criar uma sociedade linguística restrita com suas especificidades próprias como: ausência de pontuações.´ Considerações Finais A variação de nossa língua é fato incontestável de acordo com a nova linguística. isto é. tornando a comunicação. Apresentamos fatores geográficos. O que percebemos nesta manifestação linguística é a necessidade de se expressar. um processo de construção de significados em que ocorre inter ação do sujeito com a sociedade. ícones e som. sociais e estilísticos como geradores de transformações e criação de novos falares d entro do território nacional. o calão. a rede da internet inaugu ra uma nova forma de escrita. mas também como recurso de individualidade. diversas crews (grupos de pessoas de uma mesma região) que aparecem nos muros através de siglas. Ao se criar uma linguagem peculiar. Independentemente da intencionalidade ou não no emprego das variações. As variações linguísticas podem ocorrer naturalmente como resultado dos fatores espaço e tempo. principalmente no campo léxico. 32) . criaram um vocabulário ³especial e secreto´. Uma comunidade humana adota certos comportamentos constantes em termos de comunicação. sob a forma de rastros escritos em paredes e muros. torna -se importante evidenciar os vocabulários diferenciados. até o nosso ³abrasileiramento´ do português vindo de Portugal. ausência de acentuação gráfica. esse comportamento linguístico é decorrente do próprio comportamento social e a criação dessa linguagem específica serve a diversos objetivos como: o desejo de privacidade. históricos. uma vez que as mudanças ocorridas por estes fatores são lentas e gradativas. Entendemos que o crescente distanciamento entre a língua eleita como ³certa´ e a efetivação nas grandes camadas sociais divergem causando o elitismo de uma e marginalizando as outras . pede novas formas de leitura e escrita que trazem outra dimensão para os papéis de auto r e leitor. de fazer das ruas uma extensão da individualida de. de diferenciação. Atualmente. identificada por elementos verbais e não verbais. Tais manifestações linguísticas são entendidas como signos presentes no cenário de imagem das grandes cidades contemporâneas apresent ando o seu caráter dialógico. também e percebido no grafite e na pichação. A língua assim será usada como instrumento de definição do que é a ³pessoa´ entre ³as pessoas. Tomamos como exemplo a linguagem dos internautas. E isso não ocorre somente agora. que é a língua -mãe do português. de ser entendido apenas por elementos do grupo.´ A variação linguística surge intencionalmente. Seus traços linguísticos em alguns momentos são tão particulares que para o leitor de fora do grupo é i ncoerente e sem estruturação. processos de redu ção e processos de alterações ortográficas.

De que forma o texto publicitário a utiliza em seu processo de persuasão? Esse texto publicitário é adequado ao público a que se dirige? Comente. pois é cada vez mais comum o uso desses textos em exames vestibulares e coletâneas de redação.possibilidades. O "jeitinho de falar que cativa na hora" é uma das atrações turísticas do Ceará. Ciente do poder simbólico das variações o usuário tende a utilizá -la como meio de projeção social. devido à caracteres similares presentes em todas as variações. Constatarmos a permanência da unidade linguística. Faça-o. enfim. VARIANTES LINGUÍSTICAS O exercício proposto abaixo baseia-se numa propaganda publicitária. y Variantes . fator de inserção no mundo atual estimul ando o sujeito a ser ativo perante a cultur a e história de nossa naç ão. a Língua Portuguesa torna -se hoje. Toda forma de se expressar possui uma gramática que a estrutura tornando cada variação efica z no processo da comunicação.

: Convidamos os professores para que dêem início às discussões dos assuntos em pauta.µ (Folha de São Paulo. em casa e em outras situações informais.observar o verbo em três níveis: .S.o uso da forma adequada à sua função sintática. Um professor universitário ou um juiz falam de um modo na faculdade ou no tribunal e de outro numa reunião de amigos.´ A atitude desse aluno se assemelha à atitude do indivíduo que: a) comparece ao baile de gala trajando ³smoking´. mesmo na forma singular. e J. Nada impede que. o modo de falar de grupos profissionais. desrespeitosos. 2002) . R. Como se sabe. a concordância é com a forma. fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida. . comentários sobre o uso de certas variantes e propondo comparações entre elas. mas afetam a imagem social do falante. EXERCÍCIOS SOBRE VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS 1 (Encceja/EM-MEC) Os amigos F. O modo de falar uma língua varia: . é ¶de meia·. mande o verbo para o plural. postulando como falar correto apenas aquele que corresponde às normas da linguagem culta e formal. por exemplo.de época para época: o português de nossos antepassados édiferente do que falamos hoje. a mais adequada a cada contexto. b) vai à audiência com uma autoridade de ³short´ e camiseta. quando tratam das variantes.. Diante de tantas variantes lingüísticas.. Nesse particular. é aconselhável adotar os seguintes cuidados: .a concordância. solicitando. Para resolver essas chamadas questões de correção de frases. A questão que segue é um bom o exemplo de proposta de correção lingüística no estilo tradicional. ´Não ganhamos salário. . é preciso não perder de vista que a língua é um código de comunicação e também um fato com repercussões sociais. .a conjugação. 20 anos. No português atual. Soa como pretensioso. Metade da produção fica para o dono da terra e metade para a gente.observar se as palavras estão empregadas na sua forma e no seu sentido corret .S. d) põe terno e gravata para ir falar na Câmara dos Deputados. como na questão que segue. deprecia a imagem do falante. embora não contenha nenhum absurdo. M. termos chulos. Houve mesmo época em que o ³chique´ era a concordância com o conteúdo. c) vai à praia de terno e gravata. é sempre plural. trabalham o dia inteiro nas roças de milho e feijão. reconhecendo a sua utilidade para criar variados efeitos de sentido: caracterizar personagens no interior de um texto narrativo. 1° jun. estabelecer relações de intimidade entre os falantes. Resposta: não existe a mais a correta em termos absolutos. a gíria própria de faixas etárias diferentes. . mas sim. . (U. o paulista e o gaúcho falam de maneiras nitidamente distintas. Hoje. PERNAMBUCO) ² Observe os inconvenientes lingüísticos e reescreva a frase de forma que atenda à norma-padrão: Convidamos aos professores para que dê início as discursões dos assuntos em palta. próprio da língua escrita formal. Os vestibulares modernos exploram as variantes de maneira diferente. ridicularizar pessoas que as utilizam inadequadamente.checar problemas ligados à acentuação. . fugir afinal das normas típicas dessa situação.. Além dessas.observar os pronomes em dois níveis: . o baiano. Uma frase como ³o povo exageram´ tem o mesmo sentido que ³o povo exagera´. e) vai ao Maracanã de chinelo e bermuda. como. VIÇOSA) ² Suponha um aluno se dirigindo a um colega de classe nestes termos: ³Venho respeitosamente solicitar-lhe se digne emprestar-me o livro. etc. há uma aproximação máxima entre língua e etiqueta social. é inadequado em situação formal usar gírias. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. 18 anos. Dessa maneira. cidade paraibana na divisa com o Ceará. há outras variações. (U. à crase e à grafia de palavras problemáticas (especialmente aquela que s têm grafias semelhantes). 17 anos.de região para região: o carioca. Costuma-se distinguir o português das pessoas mais prestigiadas socialmente (impropriamente chamada de fala culta ou norma culta) e o das pessoas de grupos sociais menos prestigiados (a ala popular ou f norma popular). moradores de Bom Jesus. Usar o português rígido.de grupo social para grupo social: pessoas que moram em bairros chamados nobres falam diferente dos que moram na periferia. quase só se preocupam com o que ch amam de correção gramatical.Uma língua nunca é falada de maneira uniforme pelos seus usuários: ela está sujeita a muitas variações. Os vestibulares inovadores exploram as variantes lingüísticas de uma maneira bem mais apropriada. sob o ponto de vista do conteúdo. pedante. Quando se fala das variantes.a colocação. artificial. a língua escrita e oral. Por outro lado. F.S. uma frase como ³o povo exageram´. F. por exemplo.J.a regência . Há muitas formas de dizer que não perturbam em nada a comunicação. . .de situação para situação: cada uma das variantes pode ser falada com mai cuidado e vigilância (a fala formal) e s de modo mais espontâneo e menos controlado (a fala informal).V. Os vestibulares tradicionais. o coletivo. é inevitável perguntar qual delas é a corret .

aumentam as probabilidades de. concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade. eles a) alteram o sentido da expressão. de modo muito rebuscado.) . ² Certo. Luis Fernando. por parte do jogador. com um trabalho de contenção coordenada. logo em seguida. genéticas? ² Pode. com desenvoltura. algo banal. mamãe! ² Estou vendo que você é um. e um jogador que fala. pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? ² Estereoquê? ² Um chato? ² Isso. inadequada à situação da entrevista. Eu gostaria de fazer uma observação. explicam o que isso significa.Os jovens conversam com o repórter sobre sua relação de trabalho. d) O descobrimento. Por exemplo. b) consideram que o repórter talvez não conheça aquele modo de falar.. galera Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. galera. um. Você quer dizer mais alguma coisa? ² Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental. (VERISSIMO. por favor. Aí. no entanto.) 2) Luis Fernando Verissimo constrói o humor por apresentar um jogador de futebol que não corresponde à imagem que normalmente se faz desse tipo de atleta. 4) (Enem-MEC) O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. mas num deu pra vê direito. na zona de preparação. Uma palavrinha pra galera. 12/maio/1998.. inclusive. Texto para as questões de 2 a 5. ² Quais são as instruções do técnico? ² Nosso treinador vaticinou que. valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto. ² Como é? ² Alô. ² Como é? ² Aí. São elas: a) A saudação do jogador aos fãs do clube.) b) ´E aí. a) Qual é essa imagem? b) Que tipo de linguagem se esperaria que um jogador de futebol utilizasse? 3) (Enem-MEC) O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público. recuperado o esférico. você pode imaginar um jogador de futebol dizendo ¶estereotipação·? E. surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. a uma pessoa à qual sou ligado por razões. d) desrespeitam a formação profissional do repórter. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita. In: Correio Brasiliense. ² Um jogador que confunde o entrevistador. por que não? ² Aí.µ (Alguém comenta em um reunião de trabalho. no início da entrevista. por parte do entrevistador. ² Minha saudação aos aficionados do clube aos demais esportistas. ² Uma saudação para a minha genitora. por parte do entrevistador. Utilizam a expressão ´é de meiaµ e. Ao dar a explicação. aqui presentes ou no recesso dos seus lares. campeão. e a fala do jogador em ´é pra dividir ao meio e ir pra cima pra pegá eles sem calçaµ. da palavra ´estereotipaçãoµ. com energia otimizada.µ (Um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando. e da expressão ´progenitoraµ. talvez mesmo previsível e piegas. c) O uso da expressão ´galeraµ. e a saudação final dirigida a sua mãe. ² Ahn? ² É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. ô meu! Como vai essa força?µ (Um jovem que fala para um amigo. assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto: a) ´O carro bateu e capotô.) c) ´Só um instante. b) A linguagem muito formal do jogador. c) dificultam a comunicação com o repórter.

a) Que opinião é essa? b) De que maneira a atitude tomada pelo presidente da empresa demonstra que o uso de uma variante não pode ser associado ao modo de avaliar o falante que a utiliza? FONTE: ABAURRE.d) ´Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de secretária executiva desta conceituada empresa. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora. a gente corre o risco de termos. muito pouca comida nos lares brasileiros. E assim foi o mês inteiro. Utilize-o como base para responder às questões 6 e 7. SeoGomis.µ (Um professor universitário em um congresso internacional. O presidente. um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários. em to língua culta. juntamente c os faxes do om vendedor. seja na sua forma oral ou escrita. num futuro próximo. No outro: SeoGomis. set. Temo que mandatreiz mil pessa. o problema percebido pelo gerente nos textos do ´Nirsoµ pode ser entendido de outra maneira. Os relatório di venda vai xegaatrazadoproquetofexando umas venda. Maria Luiza. Acinado. 2002. ed. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa. O Presidenti" (Autoria desconhecida. b) Por que a piada reflete uma visão lingüística preconceituosa? 7) O comportamento do gerente deixa implícita sua opinião sobre diferentes variantes da Língua Portuguesa. p. levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. E tomou. 2001) 6) Geralmente. Explique. 2ª. Amanha toxegando. O criente de belzontepidiu mais cuatrucentapessa.: ´A parti de ojenois tudo vamofazê feito o Nirso. escutou atentamente o gerente e disse: ² Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias. Abrasso Nirso No dia seguinte: SeoGomis. por pegá-los a) na mentira b) desprevenidos c) em flagrante d) rapidamente e) momentaneamente O texto a seguir circulou pela internet como uma piada. Brazilhafexo 20 mil. São Paulo: Moderna. Num xegueipucausa de que vendi mais deis mil em Beraba.µ (Alguém que escreve uma carta candidatando a um emprego. To indo pra Brazilha. Abrasso. a) Embora os ´errosµ ortográficos chamem imediatamente a atenção de quem lê o texto. CORREÇÃO ORTOGRÁFICA O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores: SeoGomis. Faz favor toma as providenssa. formal. O gerente. sem comprometimen de sentido.) -se e) ´Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser. Nirso Aproximadamente uma hora depois recebeu outro. Si priocupá menos em iscrevêsertomod a vendêmaiz. as piadas manifestam uma postura preconceituosa e nos perm item refletir sobre como são avaliadas as pessoas a partir do uso que fazem da língua. Português: língua e literatura.) 5) (Enem-MEC) A expressão ´pegá eles sem calçaµ poderia ser substituída. muito preocupado com a imagem da empresa. 144-146 Postado por zantoncàs 19:39 Marcadores: Variações linguísticas .

É pau. pra ela deixá recado.. aí a mulé me chama pa entrevista. jogano 171 na mulé e ela cumenolegal.. à percura de amô. se eu sabia fazê coisa como que e eu só "sim sinhora. de inverno e de estio. Sem mintiraniua. da serra ao sertão.Exercício de Variação Linguística Coloque o texto a seguir em linguagem formal.. recordando a feliz mocidade. Agora pra você que recebeu esse emelho. olhô pra ficha e mim perguntô mermo assim: "você mora aí. Nêgo de gravata. singelo e sem graça. Mulé boa da nada! Entrei na sala dela. não faço o papé De argummenestré. vu véi. tá. É isso aí. Meu pai. Só canto o buliço da vida apertada. fiz a ficha que a mulé me deu e fiquei lá esperano. Meu verso só entra no campo e na roça.. Aí eu disse a ela mermo assim "ói. Trabaio na roça. tôcumeno nada!".. não! como é que você qué trabalha na loja de computadô e não tem emelho?". Aí galera. de 7 a 7. quem num tem emelhoximba!". aí ela começô: a muléperguntano coisa como que.. eu só "nada. quando fô pra lhe chamá. eu vou lhe dá o emelho de um vizinho meu pra sinhora. que o cara mora longe e o computadô é lá do trabalho dele. eu vô lhe dá a idéa. com sua viola. na moral. aí ele me liberôpraescrevê no dele.. a miserave da mulé. pachola.a muléjáía me chamá já . vá lá na loja que ainda tem a vaga! Já fui! V aleu! Jonilso.. joguei meu Mizuno e fui lá. coitadinho! vivia sem cobre. é pau viola mermo. Nas pobrepaioça.. no rico salão.. ele dizê que eu sô irmão dele e que eu tinha saído. Da lida pesada. aí ele mim avisa". comida fêa. se abrindo toda. Não tenho sabença. eu lhe mando um emelho". véi!".. depois quando eudisse isso.. Aí eu digo e agora?". mas aqui é Jonilso que tá falano.E eu quero falá é sobre isso mermo: emelho.Aí ela parô assim. Cantando. Apenas eu sei o meu nome assiná. das roça e dos eito. é como a mulé disse: " quem nun tem emelhoximba. que ele tem computadô. que eu já trabalhei nisso e naquilo"..Aí. quando chegá fim de mês. recebê uma merreca. . hoje em dia.. que aí era o tempo dele ligápro orelhão do bar lá da rua e falá comigo ou deixá o recado que a galera lá dá. que eu já tinha dado a idéa pra ele que se ela ligasse pá ele. E o fio do pobre não pode estudá. aí eu disse "é". pois nunca estudei. Só que eu nun sô minino.! Aí ela mim disse mermo assim: "ói. pá. véi?Aí uns dias depois eu acabei conseguindo um seviço de ajudante de predero: um pau danado! Eu pego 7 hora da manhã e leva direto. Não entra na praça.. Aí ela bateu no meu ombro assim e disse "Ói. aí meio dia para pra almuçá. véi. ou errante cantô Que veve vagando. É por isso que eu digo. sentei pá. QUEM NUM TEM EMELHO XIMBA. eu íafazê o que. volta pro seviço. e ela gostanovú. Botei uma rôpa porreta que eu tenho. Os cara que nunrecebero esse emelho vai ximbá. e acabô o almoço nundiscansa não. Aí . Mintiraretada. Sou poeta das brenha. A minha chupana é tapada de barro. E às vez. Esse emelho é de Craudinei. aí ele íatê que mim avisá pelo telefone lá da rua. VÉI. eu tô lá sentado.. né pai. mim dê seu emelho que aí quando fô pra lhe chamá. ói. Canto uma sodade que mora em meu peito. botei o endereço de um camarado meu e o telefone.É porque eu num tenho emelho. Miserave! Mas aí. a muléempenô. é?". Falo mermo assim. lá na sala dela. cantô da mão grossa. . Só fumo cigarro de paia de mio. ela me disse mermo assim: "aí. Eu nun vô dá meu endereço que eu moro ni uma bocada! Aí a mulé vai pensá o que? Vai pensá que eu sô vagabundo tomém. Meu verso rastero. Aí eu cheguei lá. O poeta da roça Sou fio das mata. Aí eu fui lá vê colé a de mermo. Nada! Aí. A parada é a seguinte: ôto dia eu tavapercurano um serviço no jornal aí eu vi lá uma vaga na loja de computadô. A mulé só perguntano e eu jogando um "h" na mulé..

a arte e o saber. O polimetilacrilato foi o primeiro polímero acrílico produzido industrialmente (por Rohm e Haas.) desenvolveu um método econômico para a fabricação do monômero.5. Brigando com o toro no mato fechado. VI. II. começou um estudo sistemático no campo dos acrílicos e mais tarde tomou parte ativa no desenvolvimento industrial dos polímer s do éster acrílico o naquele país. Eu canto o vaquero vestido de coro. quando da primeira síntese do ácido acrílico. ensinar. enquanto que em 1877 Fittig e Paul notavam que ele possuía uma certa tendência para polimerizar. pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.I. São Paulo: Polígono/Edusp. Que pega na ponta do brabo novio. em 1927). V. ed. sem vê a cidade.Eu canto o caboco com suas caçada. Que chora pedindo o socorro dos home. 205. Ganhando lugio do dono do gado.I. liberdade de aprender. Em 1901. na forma da lei. Nas noite assombrada que tudo apavora. a maioria dos acrilatos mais comuns havia sido preparada em laboratório e ao mesmo tempo já existiam alguns trabalhos sobre a sua polimerização. A forma de língua portuguesa apresentada no texto 1 nos remete a que tipo de realidade? Comente. A educação. Por volta de 1900. garantia de padrão de qualidade. valorização dos profissionais do ensino. direito de todos e dever do Estado e da família. a forma de língua pela qual o artista optou e a temática de sua poesia se harmonizam? Por quê? .C. Mais tarde. E tomba de fome. assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União. Rowland Hill (da I. O texto 2 é uma poética. sem cobiça dos cofrelüzente.) estudou o metílmetacrilato e sua polimerização em profundidade. na forma da lei. Rohm. com tanta corage Topando as visage chamada caipora. VII. o Dr. & MILES. D. da Cultura e do Desporto Seção I Da Educação Art. Na sua opinião. C. garantindo. III. por Frankland e Duppa. IV. com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. ou seja. Eu canto o mendigo de sujo farrapo. Por dentro da mata. pesquisar e divulgar o pensamento. H. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I. Morando no campo. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. A isto seguiu-se em 1865 a preparação do etil-metacrilato. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. é um texto que expõe as propostas criativas de um poeta. 206. Coberto de trapo e mochila na mão. Cantando as verdade das coisa do Norte. BRISTON. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Tecnologia dos polímeros. Texto 2 CAPÍTULO III Da Educação. gestão democrática do ensino público. Constituição da República Federativa do Brasil. E assim. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. Foi vendido como uma solução do polímero em solvente orgânico e foi usado principalmente em laças e formulações para revestimentos superficiais. 1975. Patativa do. planos de carreira para o magistério público. sem casa e sem pão. Texto 3 Poliacrilatos e polimetacrilatos A história de laboratório dos monômeros acrílicos começou em 1843. 1984. Cante lá que eu canto cá. Petrópolis: Vozes. enquanto que Crawford (também da I. ASSARÉ. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. na Alemanha. Eu vivo contente e feliz com a sorte. de 5 de outubro de 1988. J.C.

sem um pingo de Tolueno. na língua-padrão. QUESTÃO 2 ± Reescreva o trecho a seguir. a filho. nunca remendou um couro com agulha grossa e linha de cifra. nesse caso. MUITOS FREGUESES. mio. através do uso de determinadas expressões próprias da fala informal. Felizmente isto agora vai mudar. e) o título ³A Amazonas está lançando uma cola que vai fazer ela perder muitos fregueses´ faz referência a pessoas que usam a cola de sapateiro para quê? Justifique sua resposta. Destaque uma ocorrência desse tipo e explique qual é a intenção do autor do texto em relação ao leitor. relacionada a determinado grupo social de falantes. "das roça e dos eito". ou seja. milho e palhoça. respectivamente) ou os plurais "das mata". paioça (correspondentes. tem gente que usa cola de sapateiro não para ganhar a vida. b) observa-se a produção do efeito de sentido de familiaridade. A AMAZONAS ESTÁ Tem gente que usa cola de sapateiro. O Grupo Amazonas está lançando a primeira cola de sapateiro que não dá barato: Adesivo Amazonas.´ O exercício proposto abaixo baseia-se numa propaganda publicitária. mas nunca sentiu o gosto de prego de ponta fina na boca. jamais bateu meia sola num pé de ferro. QUESTÃO 1 ± No texto publicitário acima: a) a expressão ³linha de cifra´ é um exemplo de variante linguística diastrática. pois é cada vez mais comum o uso desses textos em exames vestibulares e coletâneas de redação. Não adianta nós fabricarmos o melhor solado do Brasil se o país não andar bem das pernas. de acordo com o padrão culto formal (substitua os termos ou expressões coloquiais grifados. Infelizmente. sem um pingo de Tolueno. das indústrias de calçados e de artefatos de couro. do Grupo Amazonas. Ela significa menos drogas no meio da rua e mais gente saudável dentro das sapatarias. "das brenha". ainda no texto 1. A que grupo social pertencem as pessoas que utilizaram a forma de língua portuguesa do texto 2? Por que usaram essa forma de língua? Que tipo de conhecimento é necessário para a perfeita compreensão do texto 3? Que forma de língua é aí apresentada? Que fatores estão na origem destas três variantes da língua portuguesa? Questões sobre Variação Linguística Formulamos questões para o ensino médio ou superior. VAI FAZER ELA PERDER O Grupo Amazonas se orgulha de ter feito uma cola que vai ajudar as empresas e a sociedade a darem um importante passo. O Grupo Amazonas está lançando a primeira cola de sapateiro que não dá barato: Adesivo Amazonas. ou seja. Identifique outro exemplo desse tipo de variante e determine que grupo de f lantes faz uso a dessas expressões. Observe e comente. Felizmente. procedendo às adaptações gramaticais necessárias): ³Infelizmente. c) a expressão gíria ³dá barato´ relaciona-se a que grupo de falantes? Transcreva um trecho do texto que justifique sua resposta. as formas fio. é uma cola tão avançada que nem nos DE SAPATEIRO QUE Estados Unidos nem na Europa se faz igual. A nova cola feita pela Quimicam. isto agora vai mudar. tem gente que usa a cola de sapateiro não para ganhar a vida. "dos home" e outros. mas para perdê-la. Faça-o. seguem determinados padrões. As diferenças entre essas formas e aquelas da língua-padrão são sistemáticas. a partir de texto do gênero publicitário. LANÇANDO UMA COLA mas para perdê-la.Observe. . d) a expressão ³darem um importante passo´ refere-se a pessoas que usam a cola de sapateiro para quê? Justifique sua resposta com elementos extraídos do texto.

.O "jeitinho de falar que cativa na hora" é uma das atrações turísticas do Ceará. De que forma o texto publicitário a utiliza em seu processo de persuasão? Esse texto publicitário é adequado ao público a que se dirige? Comente.

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