VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA, UM PRINCÍPIO DA EVOLUÇÃO DA LÍNGUA.

Partimos do pensamento primário e norteador de que o fenômeno ³variação linguística´ esteve presente em todo o momento da formação e estruturação de nossa língua, ao retornarmos à língua -mãe, o latim, percebemos que desde então, até os dias atuais, tivemos mu danças renovadoras da língua. A linguística atual revela que uma língua não é homogênia e deve ser entendida justamente pelo que caracteriza o homem ± a diversidade, a possibilidade de muda nças. É preciso compreender que tais mudanças, como se pensava no início, não se encerram somente no tempo, mas também se manifestam no espaço, nas camadas sociais e nas representações estilísticas. De acordo com Celso Ferreira da Cunha (1992), ao traçar mos a linearidade histórica de nossa ³língua brasileira´, notamos que essa provém da língua portuguesa, que por sua vez provém do latim, que se entronca na grande famíli a das línguas indo -européias. De início era o simples falar de um povo de cultura rúst ica, que vivia no centro da Península Itálica, mas a língua latina veio, com o tempo, a desempenhar extraordinário papel na histó ria da civilização ocidental. Os romanos, em contato com outras terras, outras gentes e outras civilizações, ensinavam, mas também aprendiam. E aprenderam muito com outros povos. Desde o século III a.C., pois, sob a benéfica influência grega, o latim escrito com intenções artísticas foi sendo progressivamente apurado até atingir, no século I a.C., a alta perfeição da prosa de Cíc ero e César, ou da poesia d e Horácio e Virgílio. Em consequência, acentuou-se com o tempo a separação entre essa língua literária, praticada por uma pequena elite, e o latim corrente, a língua usada no colóquio diário pelos mais variados grupos sociai s da Itália e das províncias. Tal diferença era sentida pelos romanos, que opunham ao conservador latim literário, ou clássico, o inovador latim vulgar, língua falada por todas as camadas da população e em tod os os períodos da latinidade. Foi esse matizado latim vulgar que os soldados, colonos e funcionários romanos levaram para as regiões conquistadas e, sob o influxo de múltiplos fatores, diversificou -se com o tempo. Por volta do século V, os falares regionais já estariam mais próximos dos idiomas român icos do que do próprio latim. Após a fase de transição, surgem, então, durante o século XIII, os primeiros documentos que chegaram até nós integralmente r edigidos em galego -português. Com os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, os portugueses amplia ram enormemente o império de sua língua. No Brasil, a língua portuguesa apresenta uma relevante diferenciação com o português de Portugal; há, evidentemente, diferenças sintát icas, semânticas e fonéticas. Diferenças sintáticas ± colocação diferente dos pr onomes oblíquos; uso da preposição em com verbos de movimento: chegar na, ir na...; emprego de ter em lugar de haver... Diferenças semânticas ± azular, em Portugal significa tornar azul; no Brasil, fugir. Cangaço, em Portugal significa resíduo de uvas; no Brasil, quadrilha. Moço, em Portugal, criado; no Brasil, apenas jovem. Diferenças fonéticas ± na fonologia, as diferenças são mais profundas, assinalando -se não só na emissão das vogais, como na das consoantes: minimo, mintira, (m); fonti, poti (t); quêx o, bêjo (ai)¹ e o acréscimo de e, após r e l,em Portugal (sole)... Além dos fatores sociais, geográficos e históricos, outros mais serviram para distanciar o nosso português do português de Portugal. Em primeiro lugar, a língua portuguesa encontrou rival no tupi, o qual, tornado língua geral, a ultrapassou, até o século XVIII, segundo Teodoro Sampaio (1954). Os padres preocupados com a catequese, falavam, escreviam a sua gramática e organizavam dicionários em tupi. Os bandeirantes também contribuíram bati zando os acidentes geográficos e algumas localidades com vocábulos dessa procedência. O português sobressaiu, e tornou -se idioma nacional, o que não impediu que restassem vestígios do tupi em nosso falar. Assim, temos de providência indígena muitos nomes d e lugares, utensílios, alimentos, flora e fauna, como: Manhumirim, pororoca, Iracema, tatu, abac axi, etc. Outro elemento que entrou em contato com o português do Brasil foi o africano. A necessidade de braços que trabalhassem a terra trouxe o negro, que agregou ao nosso falar seu vocabulário e influiu na pronúncia. De providência africana temos: macumba, cachaça, moleque, quindi m, jiló, cochilo, tanga, etc. (1) As letras entre parênteses representam, aproximadamente, a pronúncia portuguesa da parte destacada. Os colonizadores portugueses trouxeram para o Brasil a cultura e a Língua Portuguesa, essa foi sendo enriquecida com vocábulos e locuções novas; adquirimos outra pronúncia. Além de recebermos

Ao encontrarmos pessoas de regiões diferentes do Brasil. ‡ Idioletos ± é uma variação particular. 1 Dimensões que propiciam as variedades 1. recentemente passamos a assumir que o preconceito lingüístico é real e se manifesta toda vez que temos o embate e a identificação das diferenças linguísticas por diferentes grupos. É inegável as diferenças que existem dentro de uma mesma comunidade de fala. Idioma é um termo intermediário na distinção dialeto -linguagem e é usado para se r eferir ao sistema comunicativo estudado quando sua condição a iguala a linguagem. Foi de evolução para evolução que chegamos até o exato momento de nosso falar. É a linguagem padrão estandardizada em função da comu nicação pública e da educação. Eis alg uns exemplos: ‡ Dialetos ± variações faladas por comunidades geograficamente definidas. café. não raro nos deparamos co m expressões lingüísticas diferentes. celular. Variações: A Multiformidade Da Língua. manchete. necessitamos aceitar as variações e estudar o que as provoca para entendermos o proce sso evolutivo linguístico. alfaiate. ‡ Ecoletos ± um idioleto adotado por uma casa. omelete. champanhe. etc. algarismo. A partir de um ponto qualquer vão se assinalando diferenças à medida que se avança no espaço geográfico. as quais recebem diferentes denominações. Em uma linguagem sistemática e coerente podem ocorrer formas diferentes de se efetuar a língua. uma vez que variam no espaço ± variação diatópica ±. caso contrári o. Ao lermos alguns textos. como em porta. sua profissão. E hoje. pode ser identificada ao se comparar dois estados de uma língua. E o mesmo com a Língua Portuguesa. xampu. a evolução perpassa pela diversidade que é a transitoriedade da língua. Da mesma forma se constatam diferenças dentro de uma mesma área geográfica. oxalá. chique. Ocorreu com o latim. falado por uma minoria de grandes escritores e o latim vulgar. como já citamos. estaríamos falando latim. no Brasil. ‡ Socioletos ± variações faladas por comunidades socialmente definidas. E o português que chegou a nossas terras não permaneceu o mesmo por diversas influências. estresse. etc. que se estruturou em duas vertentes durante seu processo evolutivo: o latim clássico. geográfico e cultural. P ortanto. Tudo isso pode interferir e operar como modelador à fala de alguém. enfim. no tempo ± variação diacrônica ± e no indivíduo. sua identidade. futebol. do . De providência árabe temos: álcool. como em Rónaldo. na íntegra. mesmo sabendo que é fato incontestável seu dinamismo. isto é. etc. garage . é irreal o nivelamento da língua devido a muitos fatores como: social. O latim se modificou para s e adequar à extensão do território dominado pelos romanos. Após analisarmos o desenvolvimento linear de nosso português. ‡ Etnoletos ± variação para um grupo étnico. Na fala de interioranos de São Paulo. resultantes das diferenças sociológicas tais com o educação do indivíduo. também estão pre sentes em nossa língua alguns vocábulos do oriente e de outras línguas européias. Dentro da unidade territorial brasileira se revelam muitos falares que se justificam e condicionam para se adequar a realidade sociocultural de nosso país. De origem francesa temos: abajur. em que se distanciaram os falare s do Brasil com o de Portugal. e tudo indica que vai continuar. histórico. short. estamos certos de que a evolução da língua vem desde sempre. gol.influência das línguas indígenas e africanas. o r é retroflexo. já na região Nordeste temos o uso das vogais o e e aber tas. por exemplo. ainda assim percebemos dific uldades de coexistência dos múltiplos falares. o vocabulário especializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões. grupos com os quais convive. De origem inglesa temos: clube.1 Variação histórica A variação histórica acontec e ao longo de um determinado período de tempo. Segundo CAMACHO(1988) existem múltiplo s fatores originando as variações. muita vezes. Ao constatarmos a renovação da língua. que pela extensa população usuária se difundiu rapidamente. sémente. E mais ainda.

outros permaneceram. resquício de uma forma lingüística de períodos anteriore s da língua portuguesa que não sofreu alterações com o p assar dos anos. na linguagem de alguns jovens apareceu nos anos 90 para desc rever conversa desnecessária. Portanto. mineiro e o sulista. isto é. a cadência do ritmo frasal.2 Variação geográfica O Brasil apresenta um vasto território. cous a (escrita amplamente coisa). 1.Luís de Olinto cêcunhece ele?´ (e não ³Luís do Olinto´) Este é. podemos afirmar que possuímos formas diversificadas de nosso falar por ora haver retenções de estágios anteriores ou por estarmos mudando o uso dos vocábulos para nos adequar a grande evolução temporal. Ou ainda. portanto. tôdas( perderam o acento). também é usado com o sentido de sair furtivamente ±. Uma variante inicialmente utilizada por um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos socialmente mais expressivos e ao cair em uso torna -se uma norma. Estes espaços admitem seis subfalares ± no Norte: amazônico e nordestino. Entre as divisões propostas em caráter provisório. a partir daí. Alguns termos se tornaram obsoletos. conferência. (1) (2) ³. O processo de mudança é gradual. Antenor Nascentes dividiu o falar brasileiro em seis subfal ares que reuniu em dois grandes grupos os quais foram chamados de Norte e Sul.. Assim em (1) e (2) abaixo. retornar como fosse algo novo. apesar disto . O trabalho de Amadeu Amaral teve o méri to de chamar a atenção para a importância e a urgência de uma recolha sistemática dos nossos falares. assim como os arcaísmos podem se tornar presentes ou por fixar se na fala popular ± PRADO MENDES (2000) ao analisar a ausência de artigo definido diante de nomes próprios em algu mas regiões mineiras constatou como uma caso de retenção lingüística. As manifestações que se operam no sistema lingüístico sempre têm origem nas nec essidades expressivas. ³cantada´ no Norte. porém. em que há supressão do artigo definido diante de nom es próprios Edmundo e Olinto. mais ou menos. entre Espírito Santo e Bahia. sobreleva a de Antenor Nascentes. Os estudos dialectológicos de caráter científico iniciaram -se no Brasil com o Dialeto caipira. uma vez que incoerências locais não de stituem do texto a coerência.aquele que é fio(filho) de Edmundo´ (e não ³filho do Edmundo´) ³. inédito. condenados a perecerem pela progressiva nivelação cultural.século XVII e XVIII nos deparamos com registros lingüísticos que diferem com os de hoje. . até o Estado de Mato Grosso. e grafia ± êle. se interessam e as lançam em seus grupos sob novo significado ou com o mesmo mas tendo sempre c omo idéia primária o modismo. Eles estão separados por uma zona que ocupa uma posição mais o u menos eqüidistante dos extremos setentrional e meridional do país. da foz do rio Mucuri.. muitas vezes concebem o teor de entendimento. A palavra resenha aparece nos dicionários como: ato ou efeito de resenhar. Entretanto. Basta uma singela frase ou uma simples palavra para caracterizar as pessoas pertencentes a cada um destes grupos. dados do português contemporâneo falado nas referidas regiões. notícia que abarca certo número de nomes ou fatos similares. Como exemplo. fundada em observações pessoais colhidas em suas viagens por todos os Estados do País. além de todos os significados encontrados no dicionário .. recensão. e normal ou descansada no Sul. quanto à dimensão histórica da variação lingüística. A variação se manifesta com maior evidência no léxico(vocabulário).. mas com algumas alterações. vocab ulário e estrutura sintática. não acontece de repente. O novo pode se sobrepor ao antigo. Esta zona se estende. publicado em 1920. contagem. Para Nascentes o falar do Norte e do Sul apresenta traços diferenciadores fundamentais: a abertura das vogais pretônicas no Norte em palavras que não sejam diminutivos nem a dvérbios terminados em ±mente. Com isso temos diferentes formas de pronúncia. descrição pormenorizada. e no Sul: baiano. caracterizado por regiões geográficas diversas . de Amadeu Amaral. fluminense. temos uma variante como verdade. Neste caso temos. Foi ele quem animou as pesquisas de Antenor Nascentes sobre o linguajar carioca (1922) e outras que se lhe seguiram. As mudanças no decorrer do tempo podem ser de significado ± vazar. jovens ao desconhecer a existência de algumas palavras ao se depararem com essas. Os ouvintes tendem a demonstrar f alta de familiaridade com esses termos. um conservadorismo do portu guês dos séculos XVIII e XIX. citamos o desuso de expressões com mesóclise: constatamos sua estranheza quando alguém lê trechos bíblicos com uma linguagem mais antiga.

A globalização é um processo que de certa forma homogeneíza os falares. Cada região uma denominação. a forma reduzida do pronome pessoal de 3ª pessoa ele para ³eis´ e ³es´ ocorre com maior frequência e é. A expressão ³ficar para titia´ (ficar solteirona. o indivíduo que protagoniza a fala poderá adequá -la a seu perfil ou ao grupo a que pertence. por exemplo. macaxeira. como o ³r´. Nas regiões Norte e Nordeste se falava ³ficar vitalina´ (em alusão à Santa Vitalina) e ³ficar no ca ritó´ (espécie de prateleira rústica. além de estabelecer.3 Variação social A variação social está relacionada a fatores sociais como etnia. no Rio de Janeiro como aipim e em Pernambuco. portanto. Os vários estudos que enfocam este tipo de relação língua/fatores sociais têm privilegiado a variação morfossintática ou a morfo-fonológica. De acordo com RAMOS (1998). porque decididamente não somos todos iguais e devido ao meio espacial ou social em que estejamos haverá uma tendência da língua em se caracterizar por esses agentes. 2. concluímos que a língua signo/privilegiado de identidade não é um instrumento neutro.. grau de escolaridade e grupo profissional. favorecida na fala das pessoas de baixa escolaridade. de maneira a distinguir áreas lingüísticas e falares. Há uma indagação implícita neste fato: ³ Existe alguma disfunção. econômica. talvez porque haja um distanciamento entre as normatizações gramaticais e a obediência dos falantes em seguir tais normas.1. Um grupo acadêmico de uma universidade apresentará uma variedade linguística bem diferente de um grupo de vendedores ambulantes do interior do Brasil. É relevante lembrar que tal fenômeno se encerra no âmbito geográfico. Antenor Nascentes a considerava incaracterística por ser praticamente despovoada na época em que ele propôs as divisões do falar brasileiro. de modo variável de comunidade para comunidade. pois a manifestação lexical da sinonímia. a língua como referencial humano traria inúmeras variações. social. hoje ³ficar vitalina´ e ³ficar caritó´ são usadas mais nas dramaturgias como forma de evidenciar o falar nortista e nordestino. política e ec onomia. Uma forma expressiva. Encontramos o ³r´ retrofle xo pertinente a tais regiões. faixa etária. nas casas pobres. ³o´. cultural ± é algo reservado a poucas pessoas no Brasil. trazida pela mí dia incorpora-se ao falar de regiões distantes. Hoje. Mas no nível semântico também ocorre esta manifestação. sendo assim.nas realizações de determinados sons. ³t´ e no ritmo da fala. não encontrar casamento) era usada mais na região Sudeste. ³e´. onde são colocados os objetos de pouco uso). uma vez que toda a variação provém da língua indígena tupi. pelo confronto. Percebemos que dentro de uma comunidade ampla. hoje. por exemplo. Para denominar uma planta muito conhecida da família das euforbiáceas temos nomeações diversas. Cada qual usará o recurso linguístico que lhe foi concebido em seu processo de aprendizagem para efetuar a comunicação. essa região está mais povoada e o falar encontrado nela é muito parec ido com os subfalares mineiro e sulista. que acabam por definir os padrões linguísticos utilizados na região de sua influência. Não é difícil perceber que a norma culta ± por diversas razões de ordem política. se analisa a experiência humana em unidades providas de conteúdo semânt ico e de expressão fônica. Em Minas Gerais é conhecida como mandioca . que por um período breve ± durante a colonização ± foi largamente utilizada no país.. com o advento da televisão. que antes era própria de uma região do país. Conforme MARTINET(1964) ³uma língua é um instrumento de comunicação segundo o qual. A região mato-grossense. Fica claro que a variação social não compromete a compreensão entre indivíduos. na comunidade belorizontina. mas é fundamentado no histórico. evidenciamos.´ Comunidades diferentes vivenciam experiências diferentes e isto se reflete nos respectivos sistemas linguísticos: léxico. alguma impossibilidade de uso da gramática normativa pela grande maioria dos falantes?´ ou ³Estamos apenas a observar a língua como um fator de identidade?´ Sendo esse o caso. mas principalmente a expressão de sua diferença. morfológico e sintático. formam -se comunidades linguísticas menores em torno de centro polarizadores da cultura. A definição de áreas lingüísticas fundam enta a indicação de diferenças e identidades . que têm apenas o 1º grau. um contingente meio de comunicação entre os homens. Do exposto. isto é. sexo. uma vez que alguns momentos de incoerência são sanados pelo con texto em que a fala se forma. as variáveis sociais liga das à distribuição espacial.4 Variação estilística . Entendemos que as diferenças lingüísticas entre as regiões são graduais e que nem sempre coincidem com as fronteiras. 1.

Notamos que as pessoas tendem a apresentar desvios maiores às normas gramaticais na língua falada. quando desenvolv e um léxico altamente especializado. promotor. quando há um mínimo de r eflexão do indivíduo sobre as normas linguísticas utilizados nas conversações imediatas do cotidiano. Os motivos que proporcionam tantas variedades foram expostos nos capítulos anteriores. mas um questionamento surge: ³Temos. Manifestação Ocasional Ou Intencional? Estamos conscientes de que a variação linguística é uma situação real e abrangente. que é o princípio básico da língua. Tomando por base as informações até então. Mas. A do receptor implica a escolha do tratamento e uma busca de adaptação. há cert amente. Isto ocorre no momento em que uma pessoa de baixa escolaridade ouve um diagnóstico médico (feito dentro da nomenclatura específica. Uma pessoa pertencente a um grupo profissional. Vemo -la num caminhar mais arrastado no processo renovador da língua. Esta maioria desvincula seu falar da norma padrão promovendo as variações ora de forma ocasional ± seu dialeto é i nerente à sua formação -. em que o grau de reflexão é máximo.A variação estilística se faz presente na expressividade individual duma língua e considera um mesmo indivíduo em diferentes situações de comunicação: se está em ambiente familiar. e que a simultaneidade da língua padronizada pela gramática normativa e a existência das diversas formas que o falante usa para a efetivação da comunicação. é em certas ocasiões inacessível aos leigos. e o formal. como por exemplo. advogado expõem os fatos analisados para um júri.. o tipo de assunto tratad o e quem são seus receptores. mas fora do conhecimento do ouvinte). sabemos o quão importante é seu papel de sustentação da língua. vemos também o preconceito linguístico se formar. denomina de dimensão decorrente da associação. A norma culta está relacionada à linguagem da classe dominante. isto talvez pela rapidez com que se efetua a comunicação. observamos que ao se registrar a língua de forma escrita temos mais cuidado e pre ocupação em obedecer às normas gramaticais. o grau de intimidade. BRIGTI ± emissor receptor e situação ± entendemos que a identidade do emissor determina as variedades linguísticas. Entretanto quando nos deparamos com a priorização do ensinamento da norma culta e o desrespeito as demais variações. . Neste momento vemos o favorecimento e a eleição da norma formal como ³certa´. Sem levar em conta as graduações intermediárias. Temos vários fatores direcionando a escolha da variação específica para cada ocasião. Sendo fato real a coexistência de variedades linguísticas entendemos que cada forma particular de se manifestar a língua portuguesa no Brasil. Variação. uma relação mútua entre elas. esta classe não é composta por indivíduos de um único meio nem com a mesma formação. Em contraposição. 3. Uma minoria sente -se capaz e confiante em utilizá -la. em u m parecer judicial (quando o juiz. é possível identificar dois limites extremos de estilo: o formal. pois está sempre presa às estru turas mais antigas por ter raízes mais profundas no português arcaico. que apesar de ter uma escolaridade média. Dentre alguns destacamos a influência da profissão. a situação determina uma variedade menos formal e m ais próxima da concepção de entendimento do receptor para que haja comunicação. consciência da ve rsatilidade do nosso idioma?´ Sob a ótica do usuário da língua como ponto preponderante na escolha de formas específicas de efetuação linguística cremos que podemos nos portar de maneira consciente ou inconsciente perante a atuação das variedades da língua materna. trava a comunicação conforme seu dialeto e dentro de uma prática linguística eficaz ± comprometida com as condições contextuais. Uma variante histórica pode resultar em uma variante geográfica. Todavia. ora de forma intencional ± tem a língua como mediação simbólica de sua identidade. Tendo como norteador as três dimensões de W. há uma grande maioria que utiliza a língua de forma des preocupada. concluímos que as diversas modalidades de variação linguística não existem isoladamente. profissional. não consegue apresentar compreensibilidade devido aos inúmeros termos em latim e vocabul ário muitas vezes rebuscado). assim como uma variante geográfica pode ser vista como uma variante social ao se conside rar a migração entre regiões. utilizado em conversações que não são coloquiais e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo. é uma variante de uma única vértice . quando o adulto se dirige a uma criancinha. divergem no campo d a praticidade oral e escrita. Não queremos desmerecer a variante formal. sem contar que na escrita os desvios ficam mais nítidos d o que na fala. enquanto operadores da língua. que MC DAVID JR. uma vez que é essa a ensinada nas escolas e tida como forma de ascensão social.

criaram um vocabulário ³especial e secreto´. É importante desmistificar a íngua padronizada e respeitar a riqueza cultural presente nos falares que compõem a ³língua brasileira. torna -se importante evidenciar os vocabulários diferenciados. Entretanto entendemos que os fatores social e estilístico agem na configuração de nossa língua sob a harmonia da sincronia presente.´ (PRESENÇA. como imagem. mas também como recurso de individualidade. diversas crews (grupos de pessoas de uma mesma região) que aparecem nos muros através de siglas. até o nosso ³abrasileiramento´ do português vindo de Portugal. o calão. um processo de construção de significados em que ocorre inter ação do sujeito com a sociedade. de diferenciação. cria-se um dialeto próprio que os agrupe e ao mesmo tempo os distancie dos demais falares. ícones e som. identificada por elementos verbais e não verbais. Todas essas modificações têm uma questão humana presente ± construir e agregar novos amigos. Tomamos como exemplo a linguagem dos internautas. Este tipo de texto apresenta novas características. ausência de acentuação gráfica. c omo também de autoafirmação.´ A variação linguística surge intencionalmente. junto aos apelidos d os pichadores. há uma intencionalidade de se criar uma variação própria para a auto-definição e particularização do usuário da língua. principalmente no campo léxico. uma vez que as mudanças ocorridas por estes fatores são lentas e gradativas. Uma comunidade humana adota certos comportamentos constantes em termos de comunicação. sob a forma de rastros escritos em paredes e muros.´ Considerações Finais A variação de nossa língua é fato incontestável de acordo com a nova linguística. Durante o século XVI. isto é. também e percebido no grafite e na pichação. É uma forma de isolamento. Existem na cidade de Belo Horizonte. período da col onização brasileira. históricos. processos de redu ção e processos de alterações ortográficas. Esta necessidade de utilizar a língua como ponto referencial e particularizador. pede novas formas de leitura e escrita que trazem outra dimensão para os papéis de auto r e leitor. quer por uma pessoa ou uma comunidade. através de uma linguagem especial. esse comportamento linguístico é decorrente do próprio comportamento social e a criação dessa linguagem específica serve a diversos objetivos como: o desejo de privacidade. Tais manifestações linguísticas são entendidas como signos presentes no cenário de imagem das grandes cidades contemporâneas apresent ando o seu caráter dialógico. como uma forma dos grupos marcarem presença na comunidade e seu pa pel de fator de projeção no meio social. Apresentamos fatores geográficos. E isso não ocorre somente agora. Ao se criar uma linguagem peculiar. Portanto. Evidentemente.As variações provocadas pelos fatores geográfico e histórico tendem a perpassar pelos falantes sem que estes percebam a ocorrência das mudanças na língua. 32) . caracterizada por várias tipologias textuais que ³conseqüentemente. Seus traços linguísticos em alguns momentos são tão particulares que para o leitor de fora do grupo é i ncoerente e sem estruturação. uma vez que a própria escrita adquire uma forma nova. sociais e estilísticos como geradores de transformações e criação de novos falares d entro do território nacional. de ser entendido apenas por elementos do grupo. Atualmente. Independentemente da intencionalidade ou não no emprego das variações. a rede da internet inaugu ra uma nova forma de escrita. Vimos que as mudanças foram gradativas desde o nascimento do latim. tornando a comunicação. O que percebemos nesta manifestação linguística é a necessidade de se expressar. Talvez porque sejam tênues para o indivíduo enquanto as emprega na comunicação. Na ânsia de criar elos com indivíduos que compartilham os mesmos interesses. Entendemos que o crescente distanciamento entre a língua eleita como ³certa´ e a efetivação nas grandes camadas sociais divergem causando o elitismo de uma e marginalizando as outras . que é a língua -mãe do português. A língua assim será usada como instrumento de definição do que é a ³pessoa´ entre ³as pessoas. que se difere significativamente de outras formas escritas tradicionais. as comunidades da internet acabam por criar uma sociedade linguística restrita com suas especificidades próprias como: ausência de pontuações. de fazer das ruas uma extensão da individualida de. O advento da internet trouxe muitas transformações e inovações e dentre elas no campo textual. As variações linguísticas podem ocorrer naturalmente como resultado dos fatores espaço e tempo. os errantes e presos nas galés das embarcações marítimas.

Faça-o.possibilidades. y Variantes . devido à caracteres similares presentes em todas as variações. pois é cada vez mais comum o uso desses textos em exames vestibulares e coletâneas de redação. a Língua Portuguesa torna -se hoje. O "jeitinho de falar que cativa na hora" é uma das atrações turísticas do Ceará. VARIANTES LINGUÍSTICAS O exercício proposto abaixo baseia-se numa propaganda publicitária. enfim. fator de inserção no mundo atual estimul ando o sujeito a ser ativo perante a cultur a e história de nossa naç ão. Ciente do poder simbólico das variações o usuário tende a utilizá -la como meio de projeção social. Toda forma de se expressar possui uma gramática que a estrutura tornando cada variação efica z no processo da comunicação. De que forma o texto publicitário a utiliza em seu processo de persuasão? Esse texto publicitário é adequado ao público a que se dirige? Comente. Constatarmos a permanência da unidade linguística.

termos chulos. VIÇOSA) ² Suponha um aluno se dirigindo a um colega de classe nestes termos: ³Venho respeitosamente solicitar-lhe se digne emprestar-me o livro. a língua escrita e oral.o uso da forma adequada à sua função sintática. próprio da língua escrita formal. e J. Dessa maneira. Hoje. M. comentários sobre o uso de certas variantes e propondo comparações entre elas. EXERCÍCIOS SOBRE VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS 1 (Encceja/EM-MEC) Os amigos F. como na questão que segue. é preciso não perder de vista que a língua é um código de comunicação e também um fato com repercussões sociais.de grupo social para grupo social: pessoas que moram em bairros chamados nobres falam diferente dos que moram na periferia.µ (Folha de São Paulo. reconhecendo a sua utilidade para criar variados efeitos de sentido: caracterizar personagens no interior de um texto narrativo.a conjugação. a gíria própria de faixas etárias diferentes.observar se as palavras estão empregadas na sua forma e no seu sentido corret .S. à crase e à grafia de palavras problemáticas (especialmente aquela que s têm grafias semelhantes).Uma língua nunca é falada de maneira uniforme pelos seus usuários: ela está sujeita a muitas variações.: Convidamos os professores para que dêem início às discussões dos assuntos em pauta. Uma frase como ³o povo exageram´ tem o mesmo sentido que ³o povo exagera´. PERNAMBUCO) ² Observe os inconvenientes lingüísticos e reescreva a frase de forma que atenda à norma-padrão: Convidamos aos professores para que dê início as discursões dos assuntos em palta. quase só se preocupam com o que ch amam de correção gramatical. (U. R. Metade da produção fica para o dono da terra e metade para a gente. deprecia a imagem do falante. . Usar o português rígido. . pedante. por exemplo. o paulista e o gaúcho falam de maneiras nitidamente distintas. etc. o baiano.S.S. é aconselhável adotar os seguintes cuidados: .´ A atitude desse aluno se assemelha à atitude do indivíduo que: a) comparece ao baile de gala trajando ³smoking´. 18 anos. c) vai à praia de terno e gravata. Quando se fala das variantes. moradores de Bom Jesus.. a concordância é com a forma. Além dessas. mas sim.de região para região: o carioca. O modo de falar uma língua varia: . 2002) . . Nada impede que.a concordância. d) põe terno e gravata para ir falar na Câmara dos Deputados. estabelecer relações de intimidade entre os falantes. por exemplo. cidade paraibana na divisa com o Ceará.de situação para situação: cada uma das variantes pode ser falada com mai cuidado e vigilância (a fala formal) e s de modo mais espontâneo e menos controlado (a fala informal). b) vai à audiência com uma autoridade de ³short´ e camiseta. é ¶de meia·.. é inevitável perguntar qual delas é a corret .observar os pronomes em dois níveis: . é inadequado em situação formal usar gírias. como. fugir afinal das normas típicas dessa situação. Por outro lado. Para resolver essas chamadas questões de correção de frases. No português atual. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. . Os vestibulares modernos exploram as variantes de maneira diferente.. uma frase como ³o povo exageram´. 20 anos. Os vestibulares inovadores exploram as variantes lingüísticas de uma maneira bem mais apropriada.observar o verbo em três níveis: . . a mais adequada a cada contexto. fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida. A questão que segue é um bom o exemplo de proposta de correção lingüística no estilo tradicional. o coletivo. (U. mas afetam a imagem social do falante. é sempre plural. . Costuma-se distinguir o português das pessoas mais prestigiadas socialmente (impropriamente chamada de fala culta ou norma culta) e o das pessoas de grupos sociais menos prestigiados (a ala popular ou f norma popular). 1° jun. Como se sabe. desrespeitosos. quando tratam das variantes. há uma aproximação máxima entre língua e etiqueta social. mesmo na forma singular. o modo de falar de grupos profissionais. há outras variações.a regência . Soa como pretensioso. e) vai ao Maracanã de chinelo e bermuda. em casa e em outras situações informais. Diante de tantas variantes lingüísticas. . artificial.V. mande o verbo para o plural. postulando como falar correto apenas aquele que corresponde às normas da linguagem culta e formal. sob o ponto de vista do conteúdo.J. Nesse particular. 17 anos. Resposta: não existe a mais a correta em termos absolutos. . Houve mesmo época em que o ³chique´ era a concordância com o conteúdo. embora não contenha nenhum absurdo. solicitando. ridicularizar pessoas que as utilizam inadequadamente. F. trabalham o dia inteiro nas roças de milho e feijão.checar problemas ligados à acentuação. Os vestibulares tradicionais.de época para época: o português de nossos antepassados édiferente do que falamos hoje. Um professor universitário ou um juiz falam de um modo na faculdade ou no tribunal e de outro numa reunião de amigos. ´Não ganhamos salário. Há muitas formas de dizer que não perturbam em nada a comunicação. F.a colocação.

no início da entrevista. Ao dar a explicação.) b) ´E aí. por que não? ² Aí. In: Correio Brasiliense.) . de modo muito rebuscado. Utilizam a expressão ´é de meiaµ e. ² Ahn? ² É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. Eu gostaria de fazer uma observação. Aí. recuperado o esférico. (VERISSIMO. inadequada à situação da entrevista. assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto: a) ´O carro bateu e capotô. por parte do entrevistador. d) desrespeitam a formação profissional do repórter. genéticas? ² Pode. concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade. Texto para as questões de 2 a 5. algo banal.. ² Como é? ² Aí. por favor.µ (Alguém comenta em um reunião de trabalho. e a saudação final dirigida a sua mãe. e a fala do jogador em ´é pra dividir ao meio e ir pra cima pra pegá eles sem calçaµ.µ (Um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando. mamãe! ² Estou vendo que você é um. a uma pessoa à qual sou ligado por razões. ² Quais são as instruções do técnico? ² Nosso treinador vaticinou que. Por exemplo. ² Como é? ² Alô. logo em seguida. Você quer dizer mais alguma coisa? ² Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental. e um jogador que fala. b) A linguagem muito formal do jogador. por parte do entrevistador. Luis Fernando. São elas: a) A saudação do jogador aos fãs do clube. a) Qual é essa imagem? b) Que tipo de linguagem se esperaria que um jogador de futebol utilizasse? 3) (Enem-MEC) O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público.) 2) Luis Fernando Verissimo constrói o humor por apresentar um jogador de futebol que não corresponde à imagem que normalmente se faz desse tipo de atleta. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita. eles a) alteram o sentido da expressão. com energia otimizada. ² Um jogador que confunde o entrevistador. mas num deu pra vê direito. b) consideram que o repórter talvez não conheça aquele modo de falar. d) O descobrimento. ² Certo. c) O uso da expressão ´galeraµ. e da expressão ´progenitoraµ. com desenvoltura. inclusive. ô meu! Como vai essa força?µ (Um jovem que fala para um amigo. no entanto. por parte do jogador. surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. da palavra ´estereotipaçãoµ. valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto. ² Uma saudação para a minha genitora. 4) (Enem-MEC) O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. talvez mesmo previsível e piegas. um. você pode imaginar um jogador de futebol dizendo ¶estereotipação·? E. c) dificultam a comunicação com o repórter. na zona de preparação. explicam o que isso significa. Uma palavrinha pra galera.) c) ´Só um instante. 12/maio/1998. aqui presentes ou no recesso dos seus lares. galera. com um trabalho de contenção coordenada. ² Minha saudação aos aficionados do clube aos demais esportistas. galera Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. campeão.Os jovens conversam com o repórter sobre sua relação de trabalho. aumentam as probabilidades de. pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? ² Estereoquê? ² Um chato? ² Isso..

b) Por que a piada reflete uma visão lingüística preconceituosa? 7) O comportamento do gerente deixa implícita sua opinião sobre diferentes variantes da Língua Portuguesa. num futuro próximo. CORREÇÃO ORTOGRÁFICA O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores: SeoGomis. Amanha toxegando. Utilize-o como base para responder às questões 6 e 7. a) Que opinião é essa? b) De que maneira a atitude tomada pelo presidente da empresa demonstra que o uso de uma variante não pode ser associado ao modo de avaliar o falante que a utiliza? FONTE: ABAURRE. formal. por pegá-los a) na mentira b) desprevenidos c) em flagrante d) rapidamente e) momentaneamente O texto a seguir circulou pela internet como uma piada. Os relatório di venda vai xegaatrazadoproquetofexando umas venda. O gerente.µ (Alguém que escreve uma carta candidatando a um emprego. E assim foi o mês inteiro. O Presidenti" (Autoria desconhecida. levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. escutou atentamente o gerente e disse: ² Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias. as piadas manifestam uma postura preconceituosa e nos perm item refletir sobre como são avaliadas as pessoas a partir do uso que fazem da língua. São Paulo: Moderna. O criente de belzontepidiu mais cuatrucentapessa. Português: língua e literatura. 2001) 6) Geralmente. Temo que mandatreiz mil pessa. Si priocupá menos em iscrevêsertomod a vendêmaiz. 2002. Abrasso. sem comprometimen de sentido. 144-146 Postado por zantoncàs 19:39 Marcadores: Variações linguísticas . Nirso Aproximadamente uma hora depois recebeu outro. um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora.µ (Um professor universitário em um congresso internacional. No outro: SeoGomis. To indo pra Brazilha. Maria Luiza. Explique.d) ´Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de secretária executiva desta conceituada empresa.) -se e) ´Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser.: ´A parti de ojenois tudo vamofazê feito o Nirso. muito preocupado com a imagem da empresa. a) Embora os ´errosµ ortográficos chamem imediatamente a atenção de quem lê o texto. Brazilhafexo 20 mil.) 5) (Enem-MEC) A expressão ´pegá eles sem calçaµ poderia ser substituída. ed. em to língua culta. Abrasso Nirso No dia seguinte: SeoGomis. a gente corre o risco de termos. Acinado. juntamente c os faxes do om vendedor. Num xegueipucausa de que vendi mais deis mil em Beraba. muito pouca comida nos lares brasileiros. SeoGomis. 2ª. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa. Faz favor toma as providenssa. seja na sua forma oral ou escrita. o problema percebido pelo gerente nos textos do ´Nirsoµ pode ser entendido de outra maneira. E tomou. p. set. O presidente.

botei o endereço de um camarado meu e o telefone. Agora pra você que recebeu esse emelho. A parada é a seguinte: ôto dia eu tavapercurano um serviço no jornal aí eu vi lá uma vaga na loja de computadô. pra ela deixá recado. E o fio do pobre não pode estudá. lá na sala dela. Aí . Nas pobrepaioça. Apenas eu sei o meu nome assiná. né pai. depois quando eudisse isso. joguei meu Mizuno e fui lá. da serra ao sertão. E às vez. cantô da mão grossa.. na moral. aí a mulé me chama pa entrevista. recebê uma merreca. singelo e sem graça. que o cara mora longe e o computadô é lá do trabalho dele. Mulé boa da nada! Entrei na sala dela. fiz a ficha que a mulé me deu e fiquei lá esperano. Meu pai. eu vou lhe dá o emelho de um vizinho meu pra sinhora. Meu verso rastero. véi?Aí uns dias depois eu acabei conseguindo um seviço de ajudante de predero: um pau danado! Eu pego 7 hora da manhã e leva direto. É por isso que eu digo. recordando a feliz mocidade. mas aqui é Jonilso que tá falano. O poeta da roça Sou fio das mata. . com sua viola. Miserave! Mas aí.Exercício de Variação Linguística Coloque o texto a seguir em linguagem formal. Só que eu nun sô minino.. aí meio dia para pra almuçá. eu lhe mando um emelho". eu tô lá sentado.. eu vô lhe dá a idéa.. QUEM NUM TEM EMELHO XIMBA. é como a mulé disse: " quem nun tem emelhoximba. Esse emelho é de Craudinei..E eu quero falá é sobre isso mermo: emelho. mim dê seu emelho que aí quando fô pra lhe chamá. Só fumo cigarro de paia de mio. de 7 a 7. sentei pá. A minha chupana é tapada de barro. é?".. tá. e ela gostanovú. ou errante cantô Que veve vagando.. Aí eu fui lá vê colé a de mermo. hoje em dia. a miserave da mulé. Mintiraretada. não! como é que você qué trabalha na loja de computadô e não tem emelho?". se eu sabia fazê coisa como que e eu só "sim sinhora. Aí galera. Meu verso só entra no campo e na roça. pá. se abrindo toda. Sou poeta das brenha. . Nêgo de gravata.. não faço o papé De argummenestré. tôcumeno nada!". A mulé só perguntano e eu jogando um "h" na mulé. de inverno e de estio. Canto uma sodade que mora em meu peito. é pau viola mermo. vá lá na loja que ainda tem a vaga! Já fui! V aleu! Jonilso. ói. véi. Sem mintiraniua. pachola.. Falo mermo assim. aí ele mim avisa"..É porque eu num tenho emelho. ela me disse mermo assim: "aí. Os cara que nunrecebero esse emelho vai ximbá. que aí era o tempo dele ligápro orelhão do bar lá da rua e falá comigo ou deixá o recado que a galera lá dá. véi!". Aí ela bateu no meu ombro assim e disse "Ói.. vu véi. Nada! Aí..! Aí ela mim disse mermo assim: "ói. pois nunca estudei. Da lida pesada.. que eu já trabalhei nisso e naquilo".. Aí eu digo e agora?". Eu nun vô dá meu endereço que eu moro ni uma bocada! Aí a mulé vai pensá o que? Vai pensá que eu sô vagabundo tomém.. coitadinho! vivia sem cobre. Aí eu disse a ela mermo assim "ói. e acabô o almoço nundiscansa não. Botei uma rôpa porreta que eu tenho. eu íafazê o que. Não entra na praça. Trabaio na roça. quem num tem emelhoximba!". É isso aí.Aí. aí eu disse "é". Aí eu cheguei lá. quando fô pra lhe chamá. É pau.. aí ela começô: a muléperguntano coisa como que. jogano 171 na mulé e ela cumenolegal. Cantando. a muléempenô. Não tenho sabença. aí ele íatê que mim avisá pelo telefone lá da rua. aí ele me liberôpraescrevê no dele. das roça e dos eito. quando chegá fim de mês. Só canto o buliço da vida apertada. eu só "nada.a muléjáía me chamá já ..Aí ela parô assim. que eu já tinha dado a idéa pra ele que se ela ligasse pá ele. VÉI. comida fêa. no rico salão. volta pro seviço. olhô pra ficha e mim perguntô mermo assim: "você mora aí. ele dizê que eu sô irmão dele e que eu tinha saído. que ele tem computadô. à percura de amô.

começou um estudo sistemático no campo dos acrílicos e mais tarde tomou parte ativa no desenvolvimento industrial dos polímer s do éster acrílico o naquele país. 206. de 5 de outubro de 1988. Rowland Hill (da I.Eu canto o caboco com suas caçada. & MILES. Foi vendido como uma solução do polímero em solvente orgânico e foi usado principalmente em laças e formulações para revestimentos superficiais.5. quando da primeira síntese do ácido acrílico. Eu canto o mendigo de sujo farrapo. Que pega na ponta do brabo novio. Que chora pedindo o socorro dos home. valorização dos profissionais do ensino. Na sua opinião. VI. o Dr. Nas noite assombrada que tudo apavora. gestão democrática do ensino público. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. planos de carreira para o magistério público. Brigando com o toro no mato fechado. ASSARÉ. II. pesquisar e divulgar o pensamento.C. D. C. ed. O texto 2 é uma poética. com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. Petrópolis: Vozes. assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União. por Frankland e Duppa. liberdade de aprender. Eu canto o vaquero vestido de coro. a maioria dos acrilatos mais comuns havia sido preparada em laboratório e ao mesmo tempo já existiam alguns trabalhos sobre a sua polimerização. garantindo. IV. ou seja. V. a arte e o saber.C. Patativa do. Texto 2 CAPÍTULO III Da Educação. pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. Rohm. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. 1975. III. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I. Cantando as verdade das coisa do Norte. VII. E assim. A isto seguiu-se em 1865 a preparação do etil-metacrilato. enquanto que Crawford (também da I. em 1927). 205. São Paulo: Polígono/Edusp. E tomba de fome. Ganhando lugio do dono do gado. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. Tecnologia dos polímeros. H. sem casa e sem pão. Art. J. na forma da lei. a forma de língua pela qual o artista optou e a temática de sua poesia se harmonizam? Por quê? .I. na forma da lei.) estudou o metílmetacrilato e sua polimerização em profundidade. Cante lá que eu canto cá. com tanta corage Topando as visage chamada caipora.) desenvolveu um método econômico para a fabricação do monômero. Constituição da República Federativa do Brasil. ensinar. Morando no campo. direito de todos e dever do Estado e da família. 1984. na Alemanha. BRISTON. Eu vivo contente e feliz com a sorte. garantia de padrão de qualidade. da Cultura e do Desporto Seção I Da Educação Art. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O polimetilacrilato foi o primeiro polímero acrílico produzido industrialmente (por Rohm e Haas. sem vê a cidade. A educação. Texto 3 Poliacrilatos e polimetacrilatos A história de laboratório dos monômeros acrílicos começou em 1843. é um texto que expõe as propostas criativas de um poeta. enquanto que em 1877 Fittig e Paul notavam que ele possuía uma certa tendência para polimerizar. sem cobiça dos cofrelüzente. A forma de língua portuguesa apresentada no texto 1 nos remete a que tipo de realidade? Comente. Mais tarde. Por dentro da mata. Em 1901. Por volta de 1900.I. Coberto de trapo e mochila na mão.

paioça (correspondentes. na língua-padrão. Faça-o. b) observa-se a produção do efeito de sentido de familiaridade. Observe e comente. seguem determinados padrões. nesse caso. tem gente que usa a cola de sapateiro não para ganhar a vida. das indústrias de calçados e de artefatos de couro. milho e palhoça. ainda no texto 1. relacionada a determinado grupo social de falantes.Observe. MUITOS FREGUESES. sem um pingo de Tolueno. jamais bateu meia sola num pé de ferro. A nova cola feita pela Quimicam. VAI FAZER ELA PERDER O Grupo Amazonas se orgulha de ter feito uma cola que vai ajudar as empresas e a sociedade a darem um importante passo.´ O exercício proposto abaixo baseia-se numa propaganda publicitária. c) a expressão gíria ³dá barato´ relaciona-se a que grupo de falantes? Transcreva um trecho do texto que justifique sua resposta. a partir de texto do gênero publicitário. d) a expressão ³darem um importante passo´ refere-se a pessoas que usam a cola de sapateiro para quê? Justifique sua resposta com elementos extraídos do texto. O Grupo Amazonas está lançando a primeira cola de sapateiro que não dá barato: Adesivo Amazonas. "dos home" e outros. e) o título ³A Amazonas está lançando uma cola que vai fazer ela perder muitos fregueses´ faz referência a pessoas que usam a cola de sapateiro para quê? Justifique sua resposta. Destaque uma ocorrência desse tipo e explique qual é a intenção do autor do texto em relação ao leitor. QUESTÃO 2 ± Reescreva o trecho a seguir. mio. "das roça e dos eito". tem gente que usa cola de sapateiro não para ganhar a vida. de acordo com o padrão culto formal (substitua os termos ou expressões coloquiais grifados. As diferenças entre essas formas e aquelas da língua-padrão são sistemáticas. Identifique outro exemplo desse tipo de variante e determine que grupo de f lantes faz uso a dessas expressões. Felizmente isto agora vai mudar. mas nunca sentiu o gosto de prego de ponta fina na boca. "das brenha". ou seja. . as formas fio. do Grupo Amazonas. sem um pingo de Tolueno. A AMAZONAS ESTÁ Tem gente que usa cola de sapateiro. Felizmente. isto agora vai mudar. Infelizmente. é uma cola tão avançada que nem nos DE SAPATEIRO QUE Estados Unidos nem na Europa se faz igual. mas para perdê-la. A que grupo social pertencem as pessoas que utilizaram a forma de língua portuguesa do texto 2? Por que usaram essa forma de língua? Que tipo de conhecimento é necessário para a perfeita compreensão do texto 3? Que forma de língua é aí apresentada? Que fatores estão na origem destas três variantes da língua portuguesa? Questões sobre Variação Linguística Formulamos questões para o ensino médio ou superior. LANÇANDO UMA COLA mas para perdê-la. Não adianta nós fabricarmos o melhor solado do Brasil se o país não andar bem das pernas. respectivamente) ou os plurais "das mata". Ela significa menos drogas no meio da rua e mais gente saudável dentro das sapatarias. QUESTÃO 1 ± No texto publicitário acima: a) a expressão ³linha de cifra´ é um exemplo de variante linguística diastrática. ou seja. pois é cada vez mais comum o uso desses textos em exames vestibulares e coletâneas de redação. através do uso de determinadas expressões próprias da fala informal. procedendo às adaptações gramaticais necessárias): ³Infelizmente. a filho. O Grupo Amazonas está lançando a primeira cola de sapateiro que não dá barato: Adesivo Amazonas. nunca remendou um couro com agulha grossa e linha de cifra.

O "jeitinho de falar que cativa na hora" é uma das atrações turísticas do Ceará. De que forma o texto publicitário a utiliza em seu processo de persuasão? Esse texto publicitário é adequado ao público a que se dirige? Comente. .

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