VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA

VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA, UM PRINCÍPIO DA EVOLUÇÃO DA LÍNGUA.

Partimos do pensamento primário e norteador de que o fenômeno ³variação linguística´ esteve presente em todo o momento da formação e estruturação de nossa língua, ao retornarmos à língua -mãe, o latim, percebemos que desde então, até os dias atuais, tivemos mu danças renovadoras da língua. A linguística atual revela que uma língua não é homogênia e deve ser entendida justamente pelo que caracteriza o homem ± a diversidade, a possibilidade de muda nças. É preciso compreender que tais mudanças, como se pensava no início, não se encerram somente no tempo, mas também se manifestam no espaço, nas camadas sociais e nas representações estilísticas. De acordo com Celso Ferreira da Cunha (1992), ao traçar mos a linearidade histórica de nossa ³língua brasileira´, notamos que essa provém da língua portuguesa, que por sua vez provém do latim, que se entronca na grande famíli a das línguas indo -européias. De início era o simples falar de um povo de cultura rúst ica, que vivia no centro da Península Itálica, mas a língua latina veio, com o tempo, a desempenhar extraordinário papel na histó ria da civilização ocidental. Os romanos, em contato com outras terras, outras gentes e outras civilizações, ensinavam, mas também aprendiam. E aprenderam muito com outros povos. Desde o século III a.C., pois, sob a benéfica influência grega, o latim escrito com intenções artísticas foi sendo progressivamente apurado até atingir, no século I a.C., a alta perfeição da prosa de Cíc ero e César, ou da poesia d e Horácio e Virgílio. Em consequência, acentuou-se com o tempo a separação entre essa língua literária, praticada por uma pequena elite, e o latim corrente, a língua usada no colóquio diário pelos mais variados grupos sociai s da Itália e das províncias. Tal diferença era sentida pelos romanos, que opunham ao conservador latim literário, ou clássico, o inovador latim vulgar, língua falada por todas as camadas da população e em tod os os períodos da latinidade. Foi esse matizado latim vulgar que os soldados, colonos e funcionários romanos levaram para as regiões conquistadas e, sob o influxo de múltiplos fatores, diversificou -se com o tempo. Por volta do século V, os falares regionais já estariam mais próximos dos idiomas român icos do que do próprio latim. Após a fase de transição, surgem, então, durante o século XIII, os primeiros documentos que chegaram até nós integralmente r edigidos em galego -português. Com os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, os portugueses amplia ram enormemente o império de sua língua. No Brasil, a língua portuguesa apresenta uma relevante diferenciação com o português de Portugal; há, evidentemente, diferenças sintát icas, semânticas e fonéticas. Diferenças sintáticas ± colocação diferente dos pr onomes oblíquos; uso da preposição em com verbos de movimento: chegar na, ir na...; emprego de ter em lugar de haver... Diferenças semânticas ± azular, em Portugal significa tornar azul; no Brasil, fugir. Cangaço, em Portugal significa resíduo de uvas; no Brasil, quadrilha. Moço, em Portugal, criado; no Brasil, apenas jovem. Diferenças fonéticas ± na fonologia, as diferenças são mais profundas, assinalando -se não só na emissão das vogais, como na das consoantes: minimo, mintira, (m); fonti, poti (t); quêx o, bêjo (ai)¹ e o acréscimo de e, após r e l,em Portugal (sole)... Além dos fatores sociais, geográficos e históricos, outros mais serviram para distanciar o nosso português do português de Portugal. Em primeiro lugar, a língua portuguesa encontrou rival no tupi, o qual, tornado língua geral, a ultrapassou, até o século XVIII, segundo Teodoro Sampaio (1954). Os padres preocupados com a catequese, falavam, escreviam a sua gramática e organizavam dicionários em tupi. Os bandeirantes também contribuíram bati zando os acidentes geográficos e algumas localidades com vocábulos dessa procedência. O português sobressaiu, e tornou -se idioma nacional, o que não impediu que restassem vestígios do tupi em nosso falar. Assim, temos de providência indígena muitos nomes d e lugares, utensílios, alimentos, flora e fauna, como: Manhumirim, pororoca, Iracema, tatu, abac axi, etc. Outro elemento que entrou em contato com o português do Brasil foi o africano. A necessidade de braços que trabalhassem a terra trouxe o negro, que agregou ao nosso falar seu vocabulário e influiu na pronúncia. De providência africana temos: macumba, cachaça, moleque, quindi m, jiló, cochilo, tanga, etc. (1) As letras entre parênteses representam, aproximadamente, a pronúncia portuguesa da parte destacada. Os colonizadores portugueses trouxeram para o Brasil a cultura e a Língua Portuguesa, essa foi sendo enriquecida com vocábulos e locuções novas; adquirimos outra pronúncia. Além de recebermos

é irreal o nivelamento da língua devido a muitos fatores como: social. champanhe. caso contrári o. Da mesma forma se constatam diferenças dentro de uma mesma área geográfica. Ao lermos alguns textos. De origem francesa temos: abajur. que se estruturou em duas vertentes durante seu processo evolutivo: o latim clássico. chique. em que se distanciaram os falare s do Brasil com o de Portugal. Eis alg uns exemplos: ‡ Dialetos ± variações faladas por comunidades geograficamente definidas. como em Rónaldo. no Brasil. A partir de um ponto qualquer vão se assinalando diferenças à medida que se avança no espaço geográfico. etc. ‡ Idioletos ± é uma variação particular. Variações: A Multiformidade Da Língua. uma vez que variam no espaço ± variação diatópica ±. É inegável as diferenças que existem dentro de uma mesma comunidade de fala. short. e tudo indica que vai continuar. resultantes das diferenças sociológicas tais com o educação do indivíduo. recentemente passamos a assumir que o preconceito lingüístico é real e se manifesta toda vez que temos o embate e a identificação das diferenças linguísticas por diferentes grupos. manchete. estaríamos falando latim. ‡ Ecoletos ± um idioleto adotado por uma casa. xampu. enfim.1 Variação histórica A variação histórica acontec e ao longo de um determinado período de tempo. algarismo. já na região Nordeste temos o uso das vogais o e e aber tas. sua profissão. 1 Dimensões que propiciam as variedades 1. Idioma é um termo intermediário na distinção dialeto -linguagem e é usado para se r eferir ao sistema comunicativo estudado quando sua condição a iguala a linguagem. Tudo isso pode interferir e operar como modelador à fala de alguém. oxalá. o vocabulário especializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões. E mais ainda. do . café. etc. pode ser identificada ao se comparar dois estados de uma língua. E o português que chegou a nossas terras não permaneceu o mesmo por diversas influências. estamos certos de que a evolução da língua vem desde sempre. Ao constatarmos a renovação da língua. geográfico e cultural. ‡ Etnoletos ± variação para um grupo étnico. garage . o r é retroflexo. gol. isto é. muita vezes. Segundo CAMACHO(1988) existem múltiplo s fatores originando as variações. como em porta. Ocorreu com o latim. histórico. Após analisarmos o desenvolvimento linear de nosso português. falado por uma minoria de grandes escritores e o latim vulgar. Ao encontrarmos pessoas de regiões diferentes do Brasil. no tempo ± variação diacrônica ± e no indivíduo. E hoje. por exemplo. a evolução perpassa pela diversidade que é a transitoriedade da língua. como já citamos. Na fala de interioranos de São Paulo. também estão pre sentes em nossa língua alguns vocábulos do oriente e de outras línguas européias. necessitamos aceitar as variações e estudar o que as provoca para entendermos o proce sso evolutivo linguístico. omelete. Dentro da unidade territorial brasileira se revelam muitos falares que se justificam e condicionam para se adequar a realidade sociocultural de nosso país. ainda assim percebemos dific uldades de coexistência dos múltiplos falares. E o mesmo com a Língua Portuguesa. O latim se modificou para s e adequar à extensão do território dominado pelos romanos.influência das línguas indígenas e africanas. grupos com os quais convive. É a linguagem padrão estandardizada em função da comu nicação pública e da educação. sua identidade. etc. celular. que pela extensa população usuária se difundiu rapidamente. sémente. na íntegra. mesmo sabendo que é fato incontestável seu dinamismo. alfaiate. Em uma linguagem sistemática e coerente podem ocorrer formas diferentes de se efetuar a língua. P ortanto. não raro nos deparamos co m expressões lingüísticas diferentes. ‡ Socioletos ± variações faladas por comunidades socialmente definidas. estresse. De origem inglesa temos: clube. De providência árabe temos: álcool. as quais recebem diferentes denominações. futebol. Foi de evolução para evolução que chegamos até o exato momento de nosso falar.

Para Nascentes o falar do Norte e do Sul apresenta traços diferenciadores fundamentais: a abertura das vogais pretônicas no Norte em palavras que não sejam diminutivos nem a dvérbios terminados em ±mente. fluminense. A palavra resenha aparece nos dicionários como: ato ou efeito de resenhar. também é usado com o sentido de sair furtivamente ±. assim como os arcaísmos podem se tornar presentes ou por fixar se na fala popular ± PRADO MENDES (2000) ao analisar a ausência de artigo definido diante de nomes próprios em algu mas regiões mineiras constatou como uma caso de retenção lingüística. recensão. Portanto. O novo pode se sobrepor ao antigo. notícia que abarca certo número de nomes ou fatos similares. Entre as divisões propostas em caráter provisório. porém. (1) (2) ³. As mudanças no decorrer do tempo podem ser de significado ± vazar. fundada em observações pessoais colhidas em suas viagens por todos os Estados do País. na linguagem de alguns jovens apareceu nos anos 90 para desc rever conversa desnecessária. Os ouvintes tendem a demonstrar f alta de familiaridade com esses termos. não acontece de repente. sobreleva a de Antenor Nascentes. conferência. isto é. publicado em 1920. Entretanto. Antenor Nascentes dividiu o falar brasileiro em seis subfal ares que reuniu em dois grandes grupos os quais foram chamados de Norte e Sul. As manifestações que se operam no sistema lingüístico sempre têm origem nas nec essidades expressivas. ³cantada´ no Norte. um conservadorismo do portu guês dos séculos XVIII e XIX. contagem. Esta zona se estende. cous a (escrita amplamente coisa). Alguns termos se tornaram obsoletos. podemos afirmar que possuímos formas diversificadas de nosso falar por ora haver retenções de estágios anteriores ou por estarmos mudando o uso dos vocábulos para nos adequar a grande evolução temporal. a partir daí. O trabalho de Amadeu Amaral teve o méri to de chamar a atenção para a importância e a urgência de uma recolha sistemática dos nossos falares. e no Sul: baiano.Luís de Olinto cêcunhece ele?´ (e não ³Luís do Olinto´) Este é. tôdas( perderam o acento). Neste caso temos. apesar disto . e grafia ± êle. Estes espaços admitem seis subfalares ± no Norte: amazônico e nordestino. Foi ele quem animou as pesquisas de Antenor Nascentes sobre o linguajar carioca (1922) e outras que se lhe seguiram. além de todos os significados encontrados no dicionário . quanto à dimensão histórica da variação lingüística.. Ou ainda. em que há supressão do artigo definido diante de nom es próprios Edmundo e Olinto. A variação se manifesta com maior evidência no léxico(vocabulário). mas com algumas alterações. mais ou menos. da foz do rio Mucuri.2 Variação geográfica O Brasil apresenta um vasto território. . portanto. mineiro e o sulista. resquício de uma forma lingüística de períodos anteriore s da língua portuguesa que não sofreu alterações com o p assar dos anos.aquele que é fio(filho) de Edmundo´ (e não ³filho do Edmundo´) ³.. de Amadeu Amaral. outros permaneceram.. vocab ulário e estrutura sintática. O processo de mudança é gradual. jovens ao desconhecer a existência de algumas palavras ao se depararem com essas..século XVII e XVIII nos deparamos com registros lingüísticos que diferem com os de hoje. muitas vezes concebem o teor de entendimento. condenados a perecerem pela progressiva nivelação cultural. retornar como fosse algo novo. e normal ou descansada no Sul. 1. temos uma variante como verdade. entre Espírito Santo e Bahia. a cadência do ritmo frasal. inédito. Com isso temos diferentes formas de pronúncia. Eles estão separados por uma zona que ocupa uma posição mais o u menos eqüidistante dos extremos setentrional e meridional do país. descrição pormenorizada. uma vez que incoerências locais não de stituem do texto a coerência. Assim em (1) e (2) abaixo. citamos o desuso de expressões com mesóclise: constatamos sua estranheza quando alguém lê trechos bíblicos com uma linguagem mais antiga. dados do português contemporâneo falado nas referidas regiões. Uma variante inicialmente utilizada por um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos socialmente mais expressivos e ao cair em uso torna -se uma norma. até o Estado de Mato Grosso. Basta uma singela frase ou uma simples palavra para caracterizar as pessoas pertencentes a cada um destes grupos. se interessam e as lançam em seus grupos sob novo significado ou com o mesmo mas tendo sempre c omo idéia primária o modismo. caracterizado por regiões geográficas diversas . Como exemplo. Os estudos dialectológicos de caráter científico iniciaram -se no Brasil com o Dialeto caipira.

mas principalmente a expressão de sua diferença. nas casas pobres. favorecida na fala das pessoas de baixa escolaridade. a forma reduzida do pronome pessoal de 3ª pessoa ele para ³eis´ e ³es´ ocorre com maior frequência e é.. trazida pela mí dia incorpora-se ao falar de regiões distantes. por exemplo. Antenor Nascentes a considerava incaracterística por ser praticamente despovoada na época em que ele propôs as divisões do falar brasileiro. formam -se comunidades linguísticas menores em torno de centro polarizadores da cultura. que acabam por definir os padrões linguísticos utilizados na região de sua influência. pelo confronto. como o ³r´. o indivíduo que protagoniza a fala poderá adequá -la a seu perfil ou ao grupo a que pertence. Há uma indagação implícita neste fato: ³ Existe alguma disfunção. Fica claro que a variação social não compromete a compreensão entre indivíduos. se analisa a experiência humana em unidades providas de conteúdo semânt ico e de expressão fônica. que por um período breve ± durante a colonização ± foi largamente utilizada no país. A região mato-grossense. uma vez que toda a variação provém da língua indígena tupi. social. macaxeira. que têm apenas o 1º grau. Percebemos que dentro de uma comunidade ampla. Mas no nível semântico também ocorre esta manifestação. sexo.4 Variação estilística . Conforme MARTINET(1964) ³uma língua é um instrumento de comunicação segundo o qual. portanto. morfológico e sintático. alguma impossibilidade de uso da gramática normativa pela grande maioria dos falantes?´ ou ³Estamos apenas a observar a língua como um fator de identidade?´ Sendo esse o caso. Não é difícil perceber que a norma culta ± por diversas razões de ordem política. Para denominar uma planta muito conhecida da família das euforbiáceas temos nomeações diversas. A globalização é um processo que de certa forma homogeneíza os falares. econômica. ³t´ e no ritmo da fala. que antes era própria de uma região do país. 2.. faixa etária. na comunidade belorizontina. Entendemos que as diferenças lingüísticas entre as regiões são graduais e que nem sempre coincidem com as fronteiras. as variáveis sociais liga das à distribuição espacial. essa região está mais povoada e o falar encontrado nela é muito parec ido com os subfalares mineiro e sulista. Encontramos o ³r´ retrofle xo pertinente a tais regiões. Nas regiões Norte e Nordeste se falava ³ficar vitalina´ (em alusão à Santa Vitalina) e ³ficar no ca ritó´ (espécie de prateleira rústica. isto é. sendo assim. um contingente meio de comunicação entre os homens. hoje ³ficar vitalina´ e ³ficar caritó´ são usadas mais nas dramaturgias como forma de evidenciar o falar nortista e nordestino. cultural ± é algo reservado a poucas pessoas no Brasil. Em Minas Gerais é conhecida como mandioca . além de estabelecer.1. A definição de áreas lingüísticas fundam enta a indicação de diferenças e identidades . A expressão ³ficar para titia´ (ficar solteirona. talvez porque haja um distanciamento entre as normatizações gramaticais e a obediência dos falantes em seguir tais normas. hoje. por exemplo. uma vez que alguns momentos de incoerência são sanados pelo con texto em que a fala se forma. Um grupo acadêmico de uma universidade apresentará uma variedade linguística bem diferente de um grupo de vendedores ambulantes do interior do Brasil. pois a manifestação lexical da sinonímia.nas realizações de determinados sons.´ Comunidades diferentes vivenciam experiências diferentes e isto se reflete nos respectivos sistemas linguísticos: léxico. Hoje. Cada região uma denominação. grau de escolaridade e grupo profissional. de maneira a distinguir áreas lingüísticas e falares. mas é fundamentado no histórico. De acordo com RAMOS (1998). de modo variável de comunidade para comunidade. concluímos que a língua signo/privilegiado de identidade não é um instrumento neutro. ³o´. a língua como referencial humano traria inúmeras variações. porque decididamente não somos todos iguais e devido ao meio espacial ou social em que estejamos haverá uma tendência da língua em se caracterizar por esses agentes. onde são colocados os objetos de pouco uso). Uma forma expressiva. Os vários estudos que enfocam este tipo de relação língua/fatores sociais têm privilegiado a variação morfossintática ou a morfo-fonológica. no Rio de Janeiro como aipim e em Pernambuco. Cada qual usará o recurso linguístico que lhe foi concebido em seu processo de aprendizagem para efetuar a comunicação. ³e´. Do exposto. não encontrar casamento) era usada mais na região Sudeste. É relevante lembrar que tal fenômeno se encerra no âmbito geográfico. 1. evidenciamos.3 Variação social A variação social está relacionada a fatores sociais como etnia. política e ec onomia. com o advento da televisão.

Uma variante histórica pode resultar em uma variante geográfica. há cert amente. e que a simultaneidade da língua padronizada pela gramática normativa e a existência das diversas formas que o falante usa para a efetivação da comunicação. trava a comunicação conforme seu dialeto e dentro de uma prática linguística eficaz ± comprometida com as condições contextuais. enquanto operadores da língua. Uma pessoa pertencente a um grupo profissional. Vemo -la num caminhar mais arrastado no processo renovador da língua. profissional. em u m parecer judicial (quando o juiz. Sendo fato real a coexistência de variedades linguísticas entendemos que cada forma particular de se manifestar a língua portuguesa no Brasil. pois está sempre presa às estru turas mais antigas por ter raízes mais profundas no português arcaico. mas um questionamento surge: ³Temos. esta classe não é composta por indivíduos de um único meio nem com a mesma formação. Mas. advogado expõem os fatos analisados para um júri. concluímos que as diversas modalidades de variação linguística não existem isoladamente. A do receptor implica a escolha do tratamento e uma busca de adaptação. o tipo de assunto tratad o e quem são seus receptores. Tendo como norteador as três dimensões de W. denomina de dimensão decorrente da associação. Tomando por base as informações até então. uma vez que é essa a ensinada nas escolas e tida como forma de ascensão social. que apesar de ter uma escolaridade média. quando há um mínimo de r eflexão do indivíduo sobre as normas linguísticas utilizados nas conversações imediatas do cotidiano. em que o grau de reflexão é máximo. é em certas ocasiões inacessível aos leigos. Sem levar em conta as graduações intermediárias. e o formal. divergem no campo d a praticidade oral e escrita. não consegue apresentar compreensibilidade devido aos inúmeros termos em latim e vocabul ário muitas vezes rebuscado). é possível identificar dois limites extremos de estilo: o formal. Neste momento vemos o favorecimento e a eleição da norma formal como ³certa´. que MC DAVID JR. Os motivos que proporcionam tantas variedades foram expostos nos capítulos anteriores. sabemos o quão importante é seu papel de sustentação da língua. há uma grande maioria que utiliza a língua de forma des preocupada. A norma culta está relacionada à linguagem da classe dominante. a situação determina uma variedade menos formal e m ais próxima da concepção de entendimento do receptor para que haja comunicação. Manifestação Ocasional Ou Intencional? Estamos conscientes de que a variação linguística é uma situação real e abrangente. o grau de intimidade. assim como uma variante geográfica pode ser vista como uma variante social ao se conside rar a migração entre regiões. uma relação mútua entre elas. Todavia.A variação estilística se faz presente na expressividade individual duma língua e considera um mesmo indivíduo em diferentes situações de comunicação: se está em ambiente familiar. quando o adulto se dirige a uma criancinha. é uma variante de uma única vértice . ora de forma intencional ± tem a língua como mediação simbólica de sua identidade. Esta maioria desvincula seu falar da norma padrão promovendo as variações ora de forma ocasional ± seu dialeto é i nerente à sua formação -. Uma minoria sente -se capaz e confiante em utilizá -la. observamos que ao se registrar a língua de forma escrita temos mais cuidado e pre ocupação em obedecer às normas gramaticais.. Variação. consciência da ve rsatilidade do nosso idioma?´ Sob a ótica do usuário da língua como ponto preponderante na escolha de formas específicas de efetuação linguística cremos que podemos nos portar de maneira consciente ou inconsciente perante a atuação das variedades da língua materna. BRIGTI ± emissor receptor e situação ± entendemos que a identidade do emissor determina as variedades linguísticas. Temos vários fatores direcionando a escolha da variação específica para cada ocasião. Dentre alguns destacamos a influência da profissão. Em contraposição. Notamos que as pessoas tendem a apresentar desvios maiores às normas gramaticais na língua falada. que é o princípio básico da língua. Entretanto quando nos deparamos com a priorização do ensinamento da norma culta e o desrespeito as demais variações. Não queremos desmerecer a variante formal. . isto talvez pela rapidez com que se efetua a comunicação. mas fora do conhecimento do ouvinte). 3. como por exemplo. sem contar que na escrita os desvios ficam mais nítidos d o que na fala. Isto ocorre no momento em que uma pessoa de baixa escolaridade ouve um diagnóstico médico (feito dentro da nomenclatura específica. vemos também o preconceito linguístico se formar. quando desenvolv e um léxico altamente especializado. utilizado em conversações que não são coloquiais e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo. promotor.

E isso não ocorre somente agora. ícones e som. Talvez porque sejam tênues para o indivíduo enquanto as emprega na comunicação. As variações linguísticas podem ocorrer naturalmente como resultado dos fatores espaço e tempo. É importante desmistificar a íngua padronizada e respeitar a riqueza cultural presente nos falares que compõem a ³língua brasileira. uma vez que as mudanças ocorridas por estes fatores são lentas e gradativas. sob a forma de rastros escritos em paredes e muros. processos de redu ção e processos de alterações ortográficas. Uma comunidade humana adota certos comportamentos constantes em termos de comunicação.´ (PRESENÇA. Tais manifestações linguísticas são entendidas como signos presentes no cenário de imagem das grandes cidades contemporâneas apresent ando o seu caráter dialógico. Vimos que as mudanças foram gradativas desde o nascimento do latim. O que percebemos nesta manifestação linguística é a necessidade de se expressar. período da col onização brasileira. caracterizada por várias tipologias textuais que ³conseqüentemente. através de uma linguagem especial. de fazer das ruas uma extensão da individualida de. um processo de construção de significados em que ocorre inter ação do sujeito com a sociedade. criaram um vocabulário ³especial e secreto´.´ Considerações Finais A variação de nossa língua é fato incontestável de acordo com a nova linguística. Existem na cidade de Belo Horizonte. Esta necessidade de utilizar a língua como ponto referencial e particularizador. Apresentamos fatores geográficos. uma vez que a própria escrita adquire uma forma nova. identificada por elementos verbais e não verbais. Entretanto entendemos que os fatores social e estilístico agem na configuração de nossa língua sob a harmonia da sincronia presente. Tomamos como exemplo a linguagem dos internautas.As variações provocadas pelos fatores geográfico e histórico tendem a perpassar pelos falantes sem que estes percebam a ocorrência das mudanças na língua.´ A variação linguística surge intencionalmente. A língua assim será usada como instrumento de definição do que é a ³pessoa´ entre ³as pessoas. c omo também de autoafirmação. cria-se um dialeto próprio que os agrupe e ao mesmo tempo os distancie dos demais falares. principalmente no campo léxico. tornando a comunicação. também e percebido no grafite e na pichação. Evidentemente. históricos. as comunidades da internet acabam por criar uma sociedade linguística restrita com suas especificidades próprias como: ausência de pontuações. que se difere significativamente de outras formas escritas tradicionais. de ser entendido apenas por elementos do grupo. Este tipo de texto apresenta novas características. ausência de acentuação gráfica. Todas essas modificações têm uma questão humana presente ± construir e agregar novos amigos. Ao se criar uma linguagem peculiar. Atualmente. Entendemos que o crescente distanciamento entre a língua eleita como ³certa´ e a efetivação nas grandes camadas sociais divergem causando o elitismo de uma e marginalizando as outras . Seus traços linguísticos em alguns momentos são tão particulares que para o leitor de fora do grupo é i ncoerente e sem estruturação. que é a língua -mãe do português. os errantes e presos nas galés das embarcações marítimas. diversas crews (grupos de pessoas de uma mesma região) que aparecem nos muros através de siglas. como uma forma dos grupos marcarem presença na comunidade e seu pa pel de fator de projeção no meio social. o calão. junto aos apelidos d os pichadores. 32) . Na ânsia de criar elos com indivíduos que compartilham os mesmos interesses. até o nosso ³abrasileiramento´ do português vindo de Portugal. O advento da internet trouxe muitas transformações e inovações e dentre elas no campo textual. há uma intencionalidade de se criar uma variação própria para a auto-definição e particularização do usuário da língua. como imagem. quer por uma pessoa ou uma comunidade. Independentemente da intencionalidade ou não no emprego das variações. esse comportamento linguístico é decorrente do próprio comportamento social e a criação dessa linguagem específica serve a diversos objetivos como: o desejo de privacidade. Durante o século XVI. isto é. Portanto. pede novas formas de leitura e escrita que trazem outra dimensão para os papéis de auto r e leitor. É uma forma de isolamento. de diferenciação. a rede da internet inaugu ra uma nova forma de escrita. torna -se importante evidenciar os vocabulários diferenciados. mas também como recurso de individualidade. sociais e estilísticos como geradores de transformações e criação de novos falares d entro do território nacional.

VARIANTES LINGUÍSTICAS O exercício proposto abaixo baseia-se numa propaganda publicitária. fator de inserção no mundo atual estimul ando o sujeito a ser ativo perante a cultur a e história de nossa naç ão. O "jeitinho de falar que cativa na hora" é uma das atrações turísticas do Ceará. Constatarmos a permanência da unidade linguística. enfim. De que forma o texto publicitário a utiliza em seu processo de persuasão? Esse texto publicitário é adequado ao público a que se dirige? Comente. Ciente do poder simbólico das variações o usuário tende a utilizá -la como meio de projeção social. Toda forma de se expressar possui uma gramática que a estrutura tornando cada variação efica z no processo da comunicação. Faça-o.possibilidades. y Variantes . devido à caracteres similares presentes em todas as variações. a Língua Portuguesa torna -se hoje. pois é cada vez mais comum o uso desses textos em exames vestibulares e coletâneas de redação.

Os vestibulares inovadores exploram as variantes lingüísticas de uma maneira bem mais apropriada. estabelecer relações de intimidade entre os falantes. PERNAMBUCO) ² Observe os inconvenientes lingüísticos e reescreva a frase de forma que atenda à norma-padrão: Convidamos aos professores para que dê início as discursões dos assuntos em palta. é sempre plural.a regência .checar problemas ligados à acentuação. à crase e à grafia de palavras problemáticas (especialmente aquela que s têm grafias semelhantes).a concordância.: Convidamos os professores para que dêem início às discussões dos assuntos em pauta. há outras variações. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado.S. 18 anos. trabalham o dia inteiro nas roças de milho e feijão. EXERCÍCIOS SOBRE VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS 1 (Encceja/EM-MEC) Os amigos F.de grupo social para grupo social: pessoas que moram em bairros chamados nobres falam diferente dos que moram na periferia. . 1° jun. a concordância é com a forma.S. Para resolver essas chamadas questões de correção de frases. é preciso não perder de vista que a língua é um código de comunicação e também um fato com repercussões sociais. (U.de situação para situação: cada uma das variantes pode ser falada com mai cuidado e vigilância (a fala formal) e s de modo mais espontâneo e menos controlado (a fala informal). Metade da produção fica para o dono da terra e metade para a gente. o modo de falar de grupos profissionais. há uma aproximação máxima entre língua e etiqueta social. como. d) põe terno e gravata para ir falar na Câmara dos Deputados. mesmo na forma singular. reconhecendo a sua utilidade para criar variados efeitos de sentido: caracterizar personagens no interior de um texto narrativo.. termos chulos. e) vai ao Maracanã de chinelo e bermuda. é inevitável perguntar qual delas é a corret . .. por exemplo. mas afetam a imagem social do falante. é aconselhável adotar os seguintes cuidados: . Além dessas. em casa e em outras situações informais. Dessa maneira. . o baiano. mas sim. quando tratam das variantes. Houve mesmo época em que o ³chique´ era a concordância com o conteúdo. a língua escrita e oral. Costuma-se distinguir o português das pessoas mais prestigiadas socialmente (impropriamente chamada de fala culta ou norma culta) e o das pessoas de grupos sociais menos prestigiados (a ala popular ou f norma popular). . Resposta: não existe a mais a correta em termos absolutos. ridicularizar pessoas que as utilizam inadequadamente. 2002) . Usar o português rígido. Nada impede que. a mais adequada a cada contexto. Uma frase como ³o povo exageram´ tem o mesmo sentido que ³o povo exagera´. . 17 anos. Os vestibulares tradicionais. . Nesse particular. é ¶de meia·. F.J. . .V.observar os pronomes em dois níveis: . fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida.de época para época: o português de nossos antepassados édiferente do que falamos hoje.´ A atitude desse aluno se assemelha à atitude do indivíduo que: a) comparece ao baile de gala trajando ³smoking´. pedante. deprecia a imagem do falante. solicitando. F. quase só se preocupam com o que ch amam de correção gramatical.. como na questão que segue. Hoje. embora não contenha nenhum absurdo. Diante de tantas variantes lingüísticas. o paulista e o gaúcho falam de maneiras nitidamente distintas.a conjugação. etc.de região para região: o carioca. (U.observar se as palavras estão empregadas na sua forma e no seu sentido corret . Um professor universitário ou um juiz falam de um modo na faculdade ou no tribunal e de outro numa reunião de amigos.o uso da forma adequada à sua função sintática.observar o verbo em três níveis: . R. Por outro lado.µ (Folha de São Paulo. por exemplo. M. Soa como pretensioso. fugir afinal das normas típicas dessa situação.S. c) vai à praia de terno e gravata. A questão que segue é um bom o exemplo de proposta de correção lingüística no estilo tradicional. e J. postulando como falar correto apenas aquele que corresponde às normas da linguagem culta e formal. ´Não ganhamos salário. uma frase como ³o povo exageram´. artificial.Uma língua nunca é falada de maneira uniforme pelos seus usuários: ela está sujeita a muitas variações. No português atual. mande o verbo para o plural. O modo de falar uma língua varia: . Como se sabe. 20 anos. b) vai à audiência com uma autoridade de ³short´ e camiseta. próprio da língua escrita formal. a gíria própria de faixas etárias diferentes. cidade paraibana na divisa com o Ceará. o coletivo. VIÇOSA) ² Suponha um aluno se dirigindo a um colega de classe nestes termos: ³Venho respeitosamente solicitar-lhe se digne emprestar-me o livro. sob o ponto de vista do conteúdo. Há muitas formas de dizer que não perturbam em nada a comunicação. desrespeitosos.a colocação. Quando se fala das variantes. moradores de Bom Jesus. Os vestibulares modernos exploram as variantes de maneira diferente. comentários sobre o uso de certas variantes e propondo comparações entre elas. é inadequado em situação formal usar gírias.

) 2) Luis Fernando Verissimo constrói o humor por apresentar um jogador de futebol que não corresponde à imagem que normalmente se faz desse tipo de atleta. ² Uma saudação para a minha genitora. Eu gostaria de fazer uma observação. d) desrespeitam a formação profissional do repórter. 12/maio/1998. e a saudação final dirigida a sua mãe. ² Ahn? ² É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. no entanto. recuperado o esférico. São elas: a) A saudação do jogador aos fãs do clube. com desenvoltura. mamãe! ² Estou vendo que você é um.. mas num deu pra vê direito. por favor. Ao dar a explicação. (VERISSIMO.) b) ´E aí.Os jovens conversam com o repórter sobre sua relação de trabalho. inclusive. In: Correio Brasiliense. c) O uso da expressão ´galeraµ. um. assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto: a) ´O carro bateu e capotô. e um jogador que fala. galera Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. no início da entrevista. explicam o que isso significa. logo em seguida. d) O descobrimento. aqui presentes ou no recesso dos seus lares. a uma pessoa à qual sou ligado por razões. inadequada à situação da entrevista. genéticas? ² Pode.. ² Como é? ² Aí. por parte do entrevistador. na zona de preparação. galera. Aí. e da expressão ´progenitoraµ.) c) ´Só um instante. Por exemplo. de modo muito rebuscado. campeão. 4) (Enem-MEC) O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. talvez mesmo previsível e piegas. com energia otimizada. da palavra ´estereotipaçãoµ. ² Minha saudação aos aficionados do clube aos demais esportistas. Você quer dizer mais alguma coisa? ² Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental. valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto. por que não? ² Aí. por parte do jogador. por parte do entrevistador. Luis Fernando. ² Quais são as instruções do técnico? ² Nosso treinador vaticinou que. c) dificultam a comunicação com o repórter. você pode imaginar um jogador de futebol dizendo ¶estereotipação·? E. b) A linguagem muito formal do jogador. concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade. pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? ² Estereoquê? ² Um chato? ² Isso. e a fala do jogador em ´é pra dividir ao meio e ir pra cima pra pegá eles sem calçaµ. Uma palavrinha pra galera.µ (Alguém comenta em um reunião de trabalho. ² Um jogador que confunde o entrevistador. aumentam as probabilidades de. algo banal. Texto para as questões de 2 a 5. ² Como é? ² Alô. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita.) .µ (Um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando. Utilizam a expressão ´é de meiaµ e. surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. b) consideram que o repórter talvez não conheça aquele modo de falar. ô meu! Como vai essa força?µ (Um jovem que fala para um amigo. eles a) alteram o sentido da expressão. com um trabalho de contenção coordenada. ² Certo. a) Qual é essa imagem? b) Que tipo de linguagem se esperaria que um jogador de futebol utilizasse? 3) (Enem-MEC) O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público.

por pegá-los a) na mentira b) desprevenidos c) em flagrante d) rapidamente e) momentaneamente O texto a seguir circulou pela internet como uma piada.d) ´Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de secretária executiva desta conceituada empresa. b) Por que a piada reflete uma visão lingüística preconceituosa? 7) O comportamento do gerente deixa implícita sua opinião sobre diferentes variantes da Língua Portuguesa. a gente corre o risco de termos. Explique.) -se e) ´Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser. o problema percebido pelo gerente nos textos do ´Nirsoµ pode ser entendido de outra maneira. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa. seja na sua forma oral ou escrita. Amanha toxegando. Os relatório di venda vai xegaatrazadoproquetofexando umas venda. as piadas manifestam uma postura preconceituosa e nos perm item refletir sobre como são avaliadas as pessoas a partir do uso que fazem da língua. CORREÇÃO ORTOGRÁFICA O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores: SeoGomis. Abrasso. 2001) 6) Geralmente. Abrasso Nirso No dia seguinte: SeoGomis. Utilize-o como base para responder às questões 6 e 7. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora. levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. Num xegueipucausa de que vendi mais deis mil em Beraba. escutou atentamente o gerente e disse: ² Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias. ed.: ´A parti de ojenois tudo vamofazê feito o Nirso. Português: língua e literatura. E assim foi o mês inteiro. O criente de belzontepidiu mais cuatrucentapessa. E tomou. muito pouca comida nos lares brasileiros. Faz favor toma as providenssa.µ (Alguém que escreve uma carta candidatando a um emprego. O gerente. Si priocupá menos em iscrevêsertomod a vendêmaiz. O presidente. a) Que opinião é essa? b) De que maneira a atitude tomada pelo presidente da empresa demonstra que o uso de uma variante não pode ser associado ao modo de avaliar o falante que a utiliza? FONTE: ABAURRE. set. Temo que mandatreiz mil pessa. em to língua culta. 2002.µ (Um professor universitário em um congresso internacional. Nirso Aproximadamente uma hora depois recebeu outro. São Paulo: Moderna. To indo pra Brazilha. formal. muito preocupado com a imagem da empresa. Maria Luiza. 144-146 Postado por zantoncàs 19:39 Marcadores: Variações linguísticas . Brazilhafexo 20 mil. Acinado. a) Embora os ´errosµ ortográficos chamem imediatamente a atenção de quem lê o texto. No outro: SeoGomis. sem comprometimen de sentido.) 5) (Enem-MEC) A expressão ´pegá eles sem calçaµ poderia ser substituída. 2ª. p. um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários. O Presidenti" (Autoria desconhecida. SeoGomis. num futuro próximo. juntamente c os faxes do om vendedor.

Só fumo cigarro de paia de mio. lá na sala dela.. Aí . Só canto o buliço da vida apertada. . É por isso que eu digo. Aí galera.. com sua viola. quando fô pra lhe chamá. recebê uma merreca. vu véi.. eu tô lá sentado. mas aqui é Jonilso que tá falano. aí ele íatê que mim avisá pelo telefone lá da rua. não faço o papé De argummenestré. Aí eu fui lá vê colé a de mermo. Eu nun vô dá meu endereço que eu moro ni uma bocada! Aí a mulé vai pensá o que? Vai pensá que eu sô vagabundo tomém. A minha chupana é tapada de barro. botei o endereço de um camarado meu e o telefone. Meu pai.Exercício de Variação Linguística Coloque o texto a seguir em linguagem formal. de 7 a 7.. Sem mintiraniua. à percura de amô. eu lhe mando um emelho". eu vou lhe dá o emelho de um vizinho meu pra sinhora. hoje em dia. de inverno e de estio. eu vô lhe dá a idéa. que ele tem computadô. eu só "nada... Não tenho sabença. volta pro seviço. a muléempenô. Agora pra você que recebeu esse emelho. Só que eu nun sô minino. e ela gostanovú. ele dizê que eu sô irmão dele e que eu tinha saído. Meu verso só entra no campo e na roça. Canto uma sodade que mora em meu peito.. cantô da mão grossa. Da lida pesada. aí ele mim avisa". Cantando. A mulé só perguntano e eu jogando um "h" na mulé. na moral. ela me disse mermo assim: "aí. Nas pobrepaioça. e acabô o almoço nundiscansa não. depois quando eudisse isso. que o cara mora longe e o computadô é lá do trabalho dele. não! como é que você qué trabalha na loja de computadô e não tem emelho?". jogano 171 na mulé e ela cumenolegal. Nêgo de gravata. fiz a ficha que a mulé me deu e fiquei lá esperano. Os cara que nunrecebero esse emelho vai ximbá. pachola. coitadinho! vivia sem cobre.E eu quero falá é sobre isso mermo: emelho. é pau viola mermo. Mintiraretada. vá lá na loja que ainda tem a vaga! Já fui! V aleu! Jonilso. aí meio dia para pra almuçá. A parada é a seguinte: ôto dia eu tavapercurano um serviço no jornal aí eu vi lá uma vaga na loja de computadô. aí a mulé me chama pa entrevista. se eu sabia fazê coisa como que e eu só "sim sinhora. véi. véi!". né pai.. VÉI. joguei meu Mizuno e fui lá. E às vez. que aí era o tempo dele ligápro orelhão do bar lá da rua e falá comigo ou deixá o recado que a galera lá dá.Aí. É pau. se abrindo toda. Nada! Aí. véi?Aí uns dias depois eu acabei conseguindo um seviço de ajudante de predero: um pau danado! Eu pego 7 hora da manhã e leva direto. aí ela começô: a muléperguntano coisa como que... olhô pra ficha e mim perguntô mermo assim: "você mora aí. Aí ela bateu no meu ombro assim e disse "Ói. quando chegá fim de mês. Aí eu cheguei lá.. ou errante cantô Que veve vagando. tá...a muléjáía me chamá já . QUEM NUM TEM EMELHO XIMBA.. comida fêa. singelo e sem graça. da serra ao sertão. mim dê seu emelho que aí quando fô pra lhe chamá. Trabaio na roça. eu íafazê o que.É porque eu num tenho emelho.! Aí ela mim disse mermo assim: "ói. aí ele me liberôpraescrevê no dele. é como a mulé disse: " quem nun tem emelhoximba.. Sou poeta das brenha. pois nunca estudei. Mulé boa da nada! Entrei na sala dela. recordando a feliz mocidade. Miserave! Mas aí. aí eu disse "é". é?".Aí ela parô assim. no rico salão. Aí eu disse a ela mermo assim "ói. Aí eu digo e agora?". É isso aí. O poeta da roça Sou fio das mata. das roça e dos eito. pá. ói. que eu já tinha dado a idéa pra ele que se ela ligasse pá ele. E o fio do pobre não pode estudá. Falo mermo assim. Apenas eu sei o meu nome assiná. sentei pá. pra ela deixá recado. Esse emelho é de Craudinei. que eu já trabalhei nisso e naquilo".. Botei uma rôpa porreta que eu tenho. quem num tem emelhoximba!". .. Não entra na praça. tôcumeno nada!". Meu verso rastero. a miserave da mulé.

por Frankland e Duppa. O polimetilacrilato foi o primeiro polímero acrílico produzido industrialmente (por Rohm e Haas.Eu canto o caboco com suas caçada. pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. liberdade de aprender. 1975. VII. 205. Constituição da República Federativa do Brasil. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I. na forma da lei. A isto seguiu-se em 1865 a preparação do etil-metacrilato. & MILES.I. Nas noite assombrada que tudo apavora. II. em 1927).5. Foi vendido como uma solução do polímero em solvente orgânico e foi usado principalmente em laças e formulações para revestimentos superficiais. sem cobiça dos cofrelüzente. São Paulo: Polígono/Edusp. sem casa e sem pão. o Dr. Morando no campo. Eu canto o vaquero vestido de coro. BRISTON. Rohm. Brigando com o toro no mato fechado. A educação. na forma da lei. Texto 2 CAPÍTULO III Da Educação. Por dentro da mata. E tomba de fome. 206. garantia de padrão de qualidade. com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos.) desenvolveu um método econômico para a fabricação do monômero. Na sua opinião. D. assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Eu canto o mendigo de sujo farrapo. Coberto de trapo e mochila na mão. IV. a forma de língua pela qual o artista optou e a temática de sua poesia se harmonizam? Por quê? . direito de todos e dever do Estado e da família. E assim. com tanta corage Topando as visage chamada caipora. garantindo. de 5 de outubro de 1988. a maioria dos acrilatos mais comuns havia sido preparada em laboratório e ao mesmo tempo já existiam alguns trabalhos sobre a sua polimerização. Cantando as verdade das coisa do Norte. Rowland Hill (da I. Eu vivo contente e feliz com a sorte. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Texto 3 Poliacrilatos e polimetacrilatos A história de laboratório dos monômeros acrílicos começou em 1843. V. a arte e o saber. J. Cante lá que eu canto cá.C. ASSARÉ. sem vê a cidade. Ganhando lugio do dono do gado. A forma de língua portuguesa apresentada no texto 1 nos remete a que tipo de realidade? Comente. na Alemanha.I. III. ed. começou um estudo sistemático no campo dos acrílicos e mais tarde tomou parte ativa no desenvolvimento industrial dos polímer s do éster acrílico o naquele país. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. H. 1984. Art. O texto 2 é uma poética. ou seja. ensinar. Que pega na ponta do brabo novio. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. VI. Patativa do. quando da primeira síntese do ácido acrílico. enquanto que Crawford (também da I. Tecnologia dos polímeros. gestão democrática do ensino público. pesquisar e divulgar o pensamento. Por volta de 1900. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. planos de carreira para o magistério público. é um texto que expõe as propostas criativas de um poeta.C. Petrópolis: Vozes. Que chora pedindo o socorro dos home. enquanto que em 1877 Fittig e Paul notavam que ele possuía uma certa tendência para polimerizar. valorização dos profissionais do ensino.) estudou o metílmetacrilato e sua polimerização em profundidade. Mais tarde. da Cultura e do Desporto Seção I Da Educação Art. Em 1901. C.

A que grupo social pertencem as pessoas que utilizaram a forma de língua portuguesa do texto 2? Por que usaram essa forma de língua? Que tipo de conhecimento é necessário para a perfeita compreensão do texto 3? Que forma de língua é aí apresentada? Que fatores estão na origem destas três variantes da língua portuguesa? Questões sobre Variação Linguística Formulamos questões para o ensino médio ou superior. mas nunca sentiu o gosto de prego de ponta fina na boca. Infelizmente. d) a expressão ³darem um importante passo´ refere-se a pessoas que usam a cola de sapateiro para quê? Justifique sua resposta com elementos extraídos do texto. Não adianta nós fabricarmos o melhor solado do Brasil se o país não andar bem das pernas. e) o título ³A Amazonas está lançando uma cola que vai fazer ela perder muitos fregueses´ faz referência a pessoas que usam a cola de sapateiro para quê? Justifique sua resposta. jamais bateu meia sola num pé de ferro. A AMAZONAS ESTÁ Tem gente que usa cola de sapateiro. Felizmente. paioça (correspondentes. as formas fio. Destaque uma ocorrência desse tipo e explique qual é a intenção do autor do texto em relação ao leitor. LANÇANDO UMA COLA mas para perdê-la. MUITOS FREGUESES. Ela significa menos drogas no meio da rua e mais gente saudável dentro das sapatarias. "dos home" e outros. nunca remendou um couro com agulha grossa e linha de cifra. A nova cola feita pela Quimicam. Faça-o. do Grupo Amazonas. "das brenha". mio.´ O exercício proposto abaixo baseia-se numa propaganda publicitária. respectivamente) ou os plurais "das mata". O Grupo Amazonas está lançando a primeira cola de sapateiro que não dá barato: Adesivo Amazonas. é uma cola tão avançada que nem nos DE SAPATEIRO QUE Estados Unidos nem na Europa se faz igual. tem gente que usa a cola de sapateiro não para ganhar a vida. isto agora vai mudar. As diferenças entre essas formas e aquelas da língua-padrão são sistemáticas. Observe e comente. a partir de texto do gênero publicitário. na língua-padrão. sem um pingo de Tolueno. sem um pingo de Tolueno. Identifique outro exemplo desse tipo de variante e determine que grupo de f lantes faz uso a dessas expressões. mas para perdê-la. "das roça e dos eito". VAI FAZER ELA PERDER O Grupo Amazonas se orgulha de ter feito uma cola que vai ajudar as empresas e a sociedade a darem um importante passo. pois é cada vez mais comum o uso desses textos em exames vestibulares e coletâneas de redação. ou seja. O Grupo Amazonas está lançando a primeira cola de sapateiro que não dá barato: Adesivo Amazonas. ainda no texto 1. . das indústrias de calçados e de artefatos de couro.Observe. c) a expressão gíria ³dá barato´ relaciona-se a que grupo de falantes? Transcreva um trecho do texto que justifique sua resposta. Felizmente isto agora vai mudar. relacionada a determinado grupo social de falantes. de acordo com o padrão culto formal (substitua os termos ou expressões coloquiais grifados. ou seja. b) observa-se a produção do efeito de sentido de familiaridade. nesse caso. QUESTÃO 1 ± No texto publicitário acima: a) a expressão ³linha de cifra´ é um exemplo de variante linguística diastrática. através do uso de determinadas expressões próprias da fala informal. tem gente que usa cola de sapateiro não para ganhar a vida. seguem determinados padrões. QUESTÃO 2 ± Reescreva o trecho a seguir. procedendo às adaptações gramaticais necessárias): ³Infelizmente. milho e palhoça. a filho.

.O "jeitinho de falar que cativa na hora" é uma das atrações turísticas do Ceará. De que forma o texto publicitário a utiliza em seu processo de persuasão? Esse texto publicitário é adequado ao público a que se dirige? Comente.

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