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Cesário Verde - Num bairro moderno

Cesário Verde - Num bairro moderno

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Análise do poema "Num Bairro Moderno" de Cesário Verde, por Rita Andrade.
Análise do poema "Num Bairro Moderno" de Cesário Verde, por Rita Andrade.

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Published by: Rita Andrade on May 19, 2011
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Num Bairro Moderno

³CESÁRIO VERDE. UM GÉNIO IGNORADO´

NUM BAIRRO MODERNO (EST. I-III)
Como uma câmara vai focando todos os pormenores do espaço interior e mesmo as referências ao espaço exterior, que sugerem´ o bem-estar, o conforto, que se vivia, num bairro moderno e burguês. Cesário comunga também neste bem-estar, é um homem que vive neste conforto. É muito mais chique dizer em francês. Confere-lhe outro estatuto.

Dez horas da manhã; os transparentes Matizam uma casa apalaçada; Pelos jardins estancam-se as nascentes, E fere a vista, com brancuras quentes quentes, A larga macadamizada. sossegados, Rez-de-chaussé repousam sossegados Abriram-se, nalguns, as persianas, E dum ou doutro, em quartos estucados, Ou entre a rama dos papéis pintados, Reluzem, num almoço as porcelanas porcelanas. Como é saudável ter o seu conchego, E a sua vida fácil! Eu descia, Sem muita pressa, para o meu emprego, Aonde agora quase sempre chego Com as tonturas duma apoplexia.

Sinestesia.

Hipálage. Cujas persianas se abrem, possibilitando-nos a contemplação do seu interior. Hipálage.

Este confronto é explicitado por um comentário pessoal.

Tom deambulatório.

Suspensão súbita, completa ou incompleta do movimento e da sensação.

NUM BAIRRO MODERNO (EST. IV-V)
O uso do diminutivo fragilidade implícita. ² Refere-se à vendedeira como se o seu olhar se fixa-se numa imagem, destacando o que o impressiona, visualmente. Impressiona-lhe a vendedeira frágil obrigada a um trabalho pesado. As características indiciam e reiteram uma ideia de debilidade, fragilidade que acentua o peso da opressão de que é vítima.

E rota, pequenina, azafamada, Notei de costas uma rapariga, Que no xadrez marmóreo duma escada, Como um retalho de horta aglomerada, Pousara, ajoelhando a sua giga. ajoelhando,
´

Contraste visual entre o branco, o negro e o colorido das frutas. O som vem completar todo este quadro.

E eu, apesar do sol, examinei-a; , examineiPôs-se de pé; ressoam-lhe os tamancos; E abre-se-lhe o algodão azul da meia, Se ela se curva esguedelhada, feia curva, E pendurando os seus bracinhos brancos.
Tom altivo.

Do patamar responde-lhe um criado: "Se te convém, despacha; não converses. Eu não dou mais." E muito descansado, Atira um cobre ignóbil oxidado, Que vem bater nas faces duns alperces.

O motivo do olhar domina a composição. São elementos lexicais que confirmam a importância que a percepção visual detém no poema. Crítica à desigualdade e à injustiça social.

NUM BAIRRO MODERNO (EST. VI-VII)
´

Subitamente - que visão de artista! Se eu transformasse os simples vegetais, À luz do Sol, o intenso colorista; Num ser humano que se mova e exista Cheio de belas proporções carnais?! Bóiam aromas, fumos de cozinha; Com o cabaz às costas, e vergando, Sobem padeiros, claros de farinha; E às portas, uma ou outra campainha Toca, frenética, de vez em quando. E eu recompunha por anatomia, recompunha, Um novo corpo orgânico, aos bocados. Achava os tons e as formas. Descobria Uma cabeça numa melancia, E nuns repolhos seios injectados.

O ´euµ lírico. A sinestesia aparece como motor de sensações, transmitindo a visão impressionista da realidade.

(Olfacto) (Visão) (Audição) Gente do contrasta imagem requintada burguês. povo que com a elegante, do bairro

Tipos sociais característicos do espaço urbano descrito. Pretérito imperfeito ² um percurso entre o acto de imaginar (de recompor a realidade) e a existência do real.

NUM BAIRRO MODERNO (EST. XIV-XV)
A forte consciência da injustiça e de opressão, que parece ser exclusiva do poeta, pois a regateira enfrenta-o com coragem e alegria. A expressividade dos verbos, das expressões que acompanham os seus movimentos.
´

Eu acerquei-me dela, sem desprezo; E, pelas duas asas a quebrar, Nós levantámos todo aquele peso Que ao chão de pedra resistia preso, Com um enorme esforço muscular. (...) E pitoresca e audaz, na sua chita, O peito erguido, os pulsos nas ilhargas, Duma desgraça alegre que me incita, Ela apregoa, magra, enfezadita enfezadita, As suas couves repolhudas, largas.

Auxilia a regateira, comungando com ela um mesmo esforço e tornando-se como que solidário da sua condição.

Fica contagiado com a força interior da vendedeira.

Apesar de feia, desprezada,« por ela que o poeta nutre simpatia.

 

FORMA DO POEMA
´ 2º e 3º - rima emparelhada.

Co/mo é /sau/dá/vel/ ter/ o/ seu/ con/che/go go, 1º e 3º verso E a sua vida fácil! Eu descia ia, cruzada. Sem muita pressa, para o meu emprego go, 2º e 4º verso Aonde agora quase sempre chego go interpolada. Com as tonturas duma apoplexia ia.

² rima ² rima

Estrofes: 16 quintilhas. Sílaba métrica: Versos decassilábicos ² 10 sílabas métricas.

SÍNTESE DAS CARACTERÍSTICAS LITERÁRIO-ESTILÍSTICAS DE CESÁRIO VERDE

Poetização do real

A dicotomia cidade/campo

A mulher em Cesário Verde

A poética literária

Linguagem e Estilo

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