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Alicerce do Paraíso - Volume único

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL


A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma
civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.
Não há dúvida de que "Paraíso Terrestre" é uma expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe
doença, pobreza nem conflito. O "Mundo de Miroku", anunciado por Buda, a chegada do "Reino dos Céus",
profetizada por Cristo, a "Agricultura Justa", proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da Doçura", idealizado
pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu
cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da "Destruição da
Lei", prevista por Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final", profetizado por Cristo.
Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes,
porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-
se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável - e a
seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo
vindouro.
Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho
para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:
a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou da pobreza;
c) um homem de paz, que odeia o conflito.
Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará, como entes
preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais
do ser humano. Portanto, haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como
poderemos obtê-las?
Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar
tais condições.
25 de janeiro de 1949
DOUTRINA DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL
Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início da Criação, Deus
objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a concretização desse objetivo. Com
tal propósito, fez do ser humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando
a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado constitui
estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu
mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua missão.
Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu-
Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de
salvar toda a humanidade. Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz,
perfeitamente consubstanciado na Verdade-Bem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor,
erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam este mundo.
11 de março de 1950
O QUE É A VERDADEIRA SALVAÇÃO
Hoje em dia, a crítica mais freqüente em relação à nossa Igreja é que, tratando-se de uma entidade religiosa,
não deveria empenhar-se na cura de doenças. Entretanto, se pensarmos bem, concluiremos que não há nada
tão sem sentido como essa observação. Ela provém do pensamento limitado dos críticos, segundo os quais a
Religião deve ocupar-se apenas da salvação do espírito, não lhe cabendo a salvação da matéria. Para eles, a
cura de doenças é uma questão material, e por isso acham que ela não compete à Religião. Excluem das
atribuições religiosas a salvação material, limitando a essência da Religião à parte espiritual. Logicamente,
de acordo com o seu conceito, a salvação espiritual, em síntese, consiste na renúncia. Não tendo o Poder da
Salvação para eliminar materialmente o sofrimento e não encontrando outro recurso, as religiões, pelo
menos, tentam diminuí-lo espiritualmente, através da renúncia. Essa é a maneira como muitas pessoas têm
encarado a Religião até agora.
Não obstante, se a Religião excluir a matéria e preocupar-se unicamente com a salvação do espírito, ela não
estará promovendo a verdadeira salvação, pois a crença na possibilidade da solução dos problemas
materiais é que nos permitirá obter a verdadeira tranqüilidade espiritual. Quando sentimos fome, por
exemplo, só podemos ficar tranqüilos se tivermos certeza de que alguém nos trará comida; se soubermos
que ninguém o fará, é natural que fiquemos desesperados, temendo morrer de inanição. O mesmo acontece
em relação à doença, dificuldades financeiras e outros problemas. Só pelo reconhecimento de que tudo será
solucionado através da Fé teremos tranqüilidade absoluta. Dessa forma, a salvação das duas partes - a
material e a espiritual - é que nos fará sentir-nos salvos, alcançando o estado de verdadeira paz e segurança.
A base da salvação material e espiritual - aquela que é a mais perfeita - consiste, portanto, unicamente, em
eliminar a doença, tornando as pessoas sadias. Por maior que seja a nossa fortuna ou a quantidade e
variedade dos mais saborosos alimentos, provenientes do mar e da terra, em nossas refeições, por maiores
honrarias e por mais elevada posição social que tenhamos, isso de nada adiantará, se estivermos sofrendo
com doenças. A primeira condição para salvação da humanidade é, antes de mais nada, alcançar a saúde.
Por esse motivo, a meta de nossa religião é formar indivíduos e sociedades saudáveis.
24 de dezembro de 1949
CARACTERÍSTICAS DA SALVAÇÃO PELA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL
A missão da nossa Igreja é tirar as pessoas das torturas do Inferno e conduzi-las ao Céu, transformando a
sociedade num paraíso.
Para que o homem seja conduzido ao Céu, é necessário que ele próprio se eleve, tornando-se um ente
celestial, a fim de que, por sua vez, possa salvar o seu semelhante. Isso significa pendurar a escada do Céu
até o Inferno e estender as mãos para puxar o homem, degrau por degrau. É nesse ponto que nossa religião
difere das demais, sendo antes o seu oposto.
Todos sabem que os antigos religiosos contentavam-se com o mínimo necessário à sua subsistência. Eles se
entregavam a penitências e procuravam salvar o próximo colocando-se numa situação miserável. Isso
significa que estavam usando a escada em sentido contrário. O salvador empurrava os necessitados de baixo
para cima, ao invés de puxá-los lá do alto; é fácil calcular o duplo esforço exigido. Mas não havia
alternativa, visto que, nessa época, ainda não existia a noção do plano do Paraíso.
Naturalmente não havia chegado o tempo, pois a noite cobria o Mundo Espiritual. Entretanto, a partir de
1931, o Mundo Espiritual vem gradualmente se transformando em dia, facilitando a construção do Paraíso
na Terra. Sendo Deus o construtor, a obra progride à mercê do tempo, bastando ao homem agir de acordo
com a Vontade Divina. Deus traçou o plano, fiscalizando e utilizando livremente um número considerável
de criaturas.
A idéia exata que se pode ter da minha função, é a de mestre-de-obras local. Os nossos fiéis sabem
perfeitamente que estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, como parte dessa função. Aparecem-
me, então, vendedores que me oferecem terrenos em momentos e locais inesperados. Assim que percebo a
Vontade Divina de adquirir determinado terreno, surge a quantia requerida, sem que eu empregue o mínimo
esforço. Logo a seguir consigo, infalivelmente e à vontade, não só os mais adequados projetistas,
engenheiros e construtores, como também o material necessário. Até mesmo uma árvore aparece
oportunamente, já existindo lugar apropriado para ela. Às vezes eu me sinto perplexo ao receber árvores às
dezenas, de uma só vez. Planto-as estudando o espaço, interpretando a Vontade Divina, e verifico que elas
se encaixam maravilhosamente no jardim, sem falhas nem excesso. Sempre que isso acontece, não posso
deixar de sentir, claramente, a Vontade de Deus em tudo. Se desejo colocar uma pedra ou uma planta em
determinado lugar, recebo-as dentro de um ou dois dias no máximo. O que vêm a ser todas essas
ocorrências senão milagres? Caso eu começasse a enumerá-los, não acabaria mais. E o que estou dizendo
não passa de uma pequena parte do que pretendo expor com o tempo.
Escrevi este capítulo com o objetivo de ajudar os leitores a compreenderem que o homem nada empreende,
que ele apenas age sob a Orientação Divina. Pelos fatos relatados, fica bem claro que Deus pretende formar
o protótipo do Paraíso como início do advento do Paraíso Terrestre. Mas isso não é o bastante. Compete a
cada homem tornar-se um ente celestial, e é chegado esse momento. Naturalmente, seu lar será paradisíaco
e todos os componentes da família virão a ter uma vida celestial. Somente assim poderão ser salvas as
pessoas que sofrem no "inferno".
Daí a razão por que aconselho os fiéis a criarem uma vida sem sofrimentos, que é a Vontade do Altíssimo.
Enquanto o homem não conseguir eliminar as três desgraças - doença, pobreza e conflito - não poderá ser
salvo. Isso era impossível na Era das Trevas, mas hoje é possível. Terminou a época de sofrimento a que se
referiu Sakyamuni. Se os leitores compreenderem o sentido desta verdade, sentir-se-ão dominados por uma
alegria infinita, ainda desconhecida na experiência da humanidade.
5 de outubro de 1949
FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO
Conforme venho esclarecendo, a nossa Igreja é uma religião que abarca todos os campos da atividade
humana e que poderia ser denominada Empresa Construtora do Novo Mundo. Entretanto, como isso
pareceria fachada de alguma construtora civil, o jeito é chamá-la, por enquanto, Igreja Messiânica Mundial.
O objetivo dessa organização religiosa é o progresso e desenvolvimento da civilização conciliando a ciência
material e a ciência espiritual.
Sabemos que o conhecimento científico caminha velozmente, ao passo que o espiritual, baseado na
Religião, caminha desesperadamente lento. A religião conservou seu estado inato, sem alcançar muito
progresso, desde o início da civilização, há milhares de anos. Isso explica a grande distância entre ela e a
Ciência. Esta última veio a destacar-se, e a parte espiritual distanciou-se a ponto de desaparecer da nossa
vida. Por fim, o homem tornou-se indiferente ao espírito, chegando a confundir Ciência com Civilização.
Ele se ajoelha diante do trono da Ciência e se satisfaz na sua condição de escravo. Este é o aspecto do
mundo moderno. Por acaso o homem não prova isso entregando nas mãos da Ciência o que ele tem de mais
precioso, que é a vida? Embora ela não consiga garantir a vida humana, os homens modernos não o
percebem e continuam depositando-lhe cega confiança.
Deus compadeceu-se dessa cegueira e está procurando orientar o homem através de nossa Igreja. Por meio
da realidade, o Todo-Poderoso revela que a vida não pertence à matéria, que apenas ela é invisível aos
olhos humanos, mas possui existência absoluta sob Sua direção. A melhor prova consiste no fato de que
pessoas desenganadas pela medicina são salvas freqüentemente pelo Poder Divino.
Surge, então, a seguinte pergunta: "Por que uma questão de vital importância, como a vida, permaneceu na
obscuridade?" Efetivamente, isso ocorreu pela necessidade de impulsionar a cultura científica até certo
ponto. Tal acontecimento faz parte da Providência Divina; é um fenômeno passageiro, proveniente da
época e, na sua fase transitória, levado ao exagero. Mas Deus corrigirá tal exagero. Como Ele esclarece,
nitidamente, o limite entre a ciência material e a ciência espiritual, esta acertará os passos com a primeira,
progredindo e desenvolvendo-se até constituir-se um mundo realmente civilizado. Em resumo, o mundo
presente termina aqui para dar origem a um novo mundo.
30 de julho de 1952
RELIGIÃO ATIVA
Os leitores poderão estranhar quando eu disser que há religiões ativas e religiões inativas. É justamente o
que pretendo explicar agora.
Religião ativa é aquela que está relacionada com a vida prática, e a inativa ou morta, exatamente o oposto.
Infelizmente, é raro encontrar uma religião, dentre as muitas existentes, que esteja perfeitamente entrosada
com a vida prática.
As doutrinas são elaboradas com perfeição, mas não podemos esperar muito do seu poder doutrinário. No
período da fundação de muitas religiões, há centenas ou milhares de anos, talvez suas doutrinas estivessem
de acordo com a situação social da época, exercendo sobre ela grande influência. Sabemos, no entanto, que
esse poder foi enfraquecendo com o passar do tempo, até atingir o estado em que hoje se encontra.
Lamentavelmente, esta é a ordem natural das coisas; tudo sofre essa mudança, que acabou ocorrendo
também no âmbito da Religião. O surto de novas religiões adaptadas à época no decorrer destes anos, é um
fato inegável, observado em todos os países. Mas essas religiões acabam sempre desaparecendo, por faltar-
lhes poder suficiente para superar as anteriores.
Exemplifiquei as mudanças ocorridas nas religiões; agora desejo falar sobre as características das religiões
modernas.
É do conhecimento geral que o desenvolvimento da Ciência, a partir do século XVIII, vem constituindo
uma verdadeira ameaça para as religiões, e não se pode negar que ele tenha contribuído para a sua
decadência. A Ciência dominou a tal ponto a mente humana, que o homem só aceita aquilo que tem
explicação científica. O fato ainda seria desculpável, se não tivesse dado origem ao pensamento ateísta e à
corrupção moral sem fim, criando confusão social e transformando este mundo num verdadeiro caos. Ainda
há religiões antigas que se esforçam para doutrinar o povo com ensinamentos, os quais foram sendo
aperfeiçoados após sua elaboração, centenas de anos atrás. Mas falta poder doutrinário a essas religiões,
distantes da atualidade, e a carência de realismo torna sua existência equivalente à das antigüidades. Na
época em que surgiram, elas foram úteis, mas hoje seu valor não vai além de uma preciosidade histórica e
cultural. Dentre as novas religiões, há algumas que se aproveitam dessas preciosidades históricas
adornando-as ricamente, para atrair as pessoas; mas, com certeza, terão seus dias contados.
Diante de tudo isso, é admissível que a Religião tenha ficado abandonada por muito tempo, sendo superada
pelo maravilhoso progresso da cultura. Exemplificando, é como se quiséssemos usar carro de bois numa
época em que nos servimos de aviões, automóveis e telégrafo. A nossa Igreja respeita a História, mas não se
prende a ela, progredindo de acordo com a Vontade Divina e através dos seus próprios métodos.
As atividades relativas à obra que estamos realizando, abrangem a reforma da agricultura e da medicina,
apontam as falhas de todas as culturas e adotam, como princípio orientador, o ideal de uma nova
civilização. Uma de suas principais realizações vem a ser a construção do protótipo do Paraíso Terrestre e
do Museu de Arte. Além de servir-se dessas construções como recintos sagrados, onde os espíritos
maculados e exaustos possam se sentir reconfortados, a Igreja pretende, visando o enobrecimento do caráter
do homem, torná-las um baluarte contra os divertimentos fúteis e pecaminosos de hoje em dia.
De acordo com o exposto acima, a atividade da Igreja Messiânica Mundial, no plano individual, consiste
em salvar o homem da pobreza e contribuir para sua saúde física e mental; no plano social, sua finalidade é
construir uma sociedade sadia e pacífica. Sentimo-nos imensamente felizes ao saber que, ultimamente, o
nosso trabalho está sendo reconhecido pelos eruditos e tornando-se alvo de suas atenções. Embora, no
momento, seja uma obra insignificante, no dia em que ela for ampliada e difundida no mundo inteiro,
surgirá em todos os países a idéia de um mundo ideal, repleto de paz e felicidade. Afianço que isso não é
um sonho.
Que vem a ser, portanto, uma religião ativa, viva, senão a nossa, com todos esses exemplos? Infelizmente, a
sociedade atual olha as novas religiões com indiferença e desprezo, e isso se acentua principalmente na
classe dos intelectuais, que assumem uma atitude cautelosa perante o povo, mesmo quando se referem à
nossa Igreja. Entretanto, eu compreendo perfeitamente a razão dessa atitude. As religiões antigas
geralmente contam com espantoso número de adeptos, mas estes, na maioria, são pessoas de pouca cultura.
Entre as religiões novas, há algumas que não despertam nenhum interesse, devido às suas palavras e
práticas excêntricas; outras, possuem elementos supersticiosos em grande proporção, que o bom senso nos
leva a repelir. Creio que isso não durará por muito tempo, mas desejo que os responsáveis por essas
religiões usem de reflexão.
Há, também, teólogos que, para adaptá-las à época, reproduzem e vestem de uma nova roupagem as
doutrinas dos antigos santos, sábios e mestres. Isso confere a elas uma aparência progressista e de fácil
aceitação pela classe intelectual, mas resta dúvida quanto à sua validade em relação à vida prática.
O assunto me faz recordar o pragmatismo de William James, o famoso filósofo americano. Essa doutrina
filosófica preconiza a "filosofia em ação", e eu pretendo estendê-la também à Religião, isto é, a Religião
deve ser prática e ativa.
4 de novembro de 1953
RELIGIÃO QUE REVELA DEUS
Quando incentivamos as pessoas descrentes a crerem em Deus, a maioria reage, pede que provemos com
clareza a Sua existência, e assume uma atitude intelectual, dizendo não poder perder tempo com
superstições.
Essa tendência é notadamente acentuada entre as pessoas cultas. Mas não podemos criticá-las, porque elas
têm suas razões. Sua atitude explica-se pelo fato de que a maior parte das religiões é anticientífica, sendo
raras as que não estão afetadas por superstições. Muitas não conseguem dar provas claras da existência de
Deus e criam hesitação entre a Sua existência ou inexistência. Portanto, não é de se estranhar que haja
tantas pessoas indiferentes à Fé.
A Igreja Messiânica Mundial mostra claramente a existência de Deus. Todos aqueles que entram em
contato com ela, sentem-se maravilhados ante a constatação dessa verdade. A melhor prova está nos
inúmeros milagres e graças alcançados, através da Igreja, pelos seus fiéis. Infelizmente, são pouquíssimas
as pessoas que crêem por meio da simples leitura ou explanação oral das experiências de fé dos fiéis. A
maioria acha-se impedida de aceitar os fatos como realmente são, por professarem uma fé de baixo nível.
Em parte, isso se entende, mas não deixa de ser deplorável. Costumo sempre afirmar que a nossa Igreja não
é uma religião, e sim uma Ultra-Religião, uma grandiosa obra salvadora.
Os novos fiéis costumam dizer que, no início, quando leram as nossas publicações pela primeira vez, não
conseguiram crer integralmente no que elas expunham, achando a doutrina messiânica muito diferente não
só das doutrinas professadas por outras Igrejas, como também das teorias científicas. Considerando que
nenhuma experiência é perdida, eles começaram a receber Johrei cheios de desconfiança. Assombrados com
o fato de ele consistir apenas no levantar das mãos, pensaram em desistir, julgando impossível a cura por
meio de um ato tão simples. Entretanto, sentindo-se mais dispostos no dia seguinte, continuaram a recebê-lo
e melhoraram rapidamente. Esse é o testemunho unânime dos que relatam sua experiência.
É justamente porque a nossa Igreja evidencia graças imediatas, pouco comuns, que os intelectuais cometem
um engano, chamando a isso de superstição. Esse modo de interpretar e pensar não deixa de ser um grande
obstáculo; contudo, dentre os que se têm na conta de eruditos, há muitas pessoas de mente sã que se tornam
felizes por ingressarem na Fé, aceitando plenamente a realidade evidenciada. Tanto os mais obstinados,
como os devotos da Ciência, acabam se dando por vencidos diante das provas da existência de Deus
apresentadas pela Igreja Messiânica Mundial através de milagres sem conta, nunca manifestados antes.
9 de janeiro de 1952
RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES
A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor de Deus para guiar os infelizes ao caminho da
felicidade. Ninguém ignora que muitos lutam em vão para conseguir a felicidade almejada; raras são as
pessoas que a conseguem, depois de uma vida inteira de lutas.
É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada através da instrução e de biografias e
leituras referentes aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada merece admiração, mas
todos sabem, por experiência própria, que é difícil pô-la em prática.
Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com honestidade; entretanto, se a pessoa procede
diferente, cai no descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o indivíduo não sabe como agir. O que os
homens consideram bem-viver e se apressam por adotar, é a vida desonesta sob a capa da honestidade. Os
melhores adeptos dessa filosofia tornam-se os campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas
tendem a seguir tais exemplos e o mal social não diminui.
Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos faz chegar a tal conclusão, a julgar pelo aspecto do
mundo, de modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto mais ele se arrisca a cair no conceito de
"antiquado". Observa-se com freqüência que os homens que proclamam a justiça são repelidos e fracassam
na sociedade.
É enorme o meu esforço para manter constantemente o conceito de justiça diante de semelhante mundo. O
homem comum escarnece das minhas palavras, que ele considera crendices. Julga-me caprichoso e covarde,
porque não sou interesseiro. Sente-se importunado por enfrentarmos o mal e destemidamente escrevermos a
respeito, e também pelo nosso rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da firmeza de atitude com
que nos temos mantido, apesar de todas as pressões - atitude que visa unicamente o bem - está despertando
certa consideração por nós no espírito das pessoas. Alegra-nos, acima de tudo, que a situação tenha
abrandado, facilitando o nosso trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as perseguições,
tendo Deus por nosso apoio, e ao fato de a Igreja Messiânica Mundial possuir o Johrei, inexistente nas
demais religiões.
Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o advento da democracia. O ambiente ficou favorável,
em comparação com o do Japão anterior à Guerra, tornando possível, através da justiça, eliminar o mal e
caminhar ao encontro do bem.
A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do homem.
Naturalmente, o bem constitui a base da felicidade, sendo óbvio insistir sobre a necessidade de ele ter força
suficiente para vencer o mal. Até agora, entretanto, na sua maioria, as religiões careciam dessa força; por
conseguinte, não proporcionavam a felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a Iluminação para
satisfazer o povo, no seu desejo de atingir, pelo menos, a paz espiritual, uma vez que não conseguiam obtê-
la na sua totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então pregaram a resignação, através do espírito
de expiação e do princípio de nãoresistência contra o mal. Criaram, portanto, a teoria da negação da graça
na vida presente, o que explica ser classificada de superior a religião que visa a salvação do espírito, e de
inferior aquela que consegue obter, também, os benefícios do mundo. Mas essa teoria não passou de um
recurso para determinada época. Darei exemplos.
Há pessoas que, embora torturadas por uma doença prolongada, dizem-se alegres, alegando estarem salvas
quando na realidade estão apenas resignadas, sufocando seus verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie
de auto-traição. Por natureza, a verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento da saúde, se for esse o
caso.
Em todos os tempos houve famílias que, não obstante o ardor de sua fé, não foram agraciadas
materialmente, permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma, acabaram por se iludir, julgando que a
essência da Religião só objetiva a salvação espiritual.
A Igreja Messiânica Mundial salva tanto o espírito como a matéria. Podemos afirmar que vai além disso. As
obras de construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em diversas localidades, assim como a construção
de museus de arte que estamos realizando dependem inteiramente dos donativos dos fiéis. A Igreja abomina
a exploração, contando apenas com recebimento do donativo espontâneo. Apesar disso, é realmente
milagroso o fato de se conseguir a quantia necessária para o empreendimento de uma obra de tal
envergadura. Isso prova a prosperidade dos fiéis. O donativo, longe de ser temporário, tende a aumentar,
razão por que nunca me preocupei com dinheiro.
Na época em que apareceram as religiões antigas, os ensinamentos podiam ser de caráter limitado, de Fé
"Shojo", mas hoje a realidade é outra. Tudo adquiriu caráter universal, de modo que é preciso uma
organização grandiosa, para salvar a humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de pessoas
salvas. Por isso, ao tomar conhecimento dos seus objetivos, ninguém deixará de reconhecer a importância
da nossa Igreja.
10 de junho de 1953
IGREJA ABRANGENTE
Poderão compreender melhor a nossa Igreja, se a compararmos com uma loja de departamentos. A
comparação talvez não seja muito apropriada, mas considero-a a mais adequada e de mais fácil
compreensão. Eis os motivos:
Sempre tenho afirmado que a Igreja Messiânica Mundial abrange o cristianismo, o xintoísmo, o budismo, o
confucionismo, a Filosofia, a Ciência, a Arte, enfim, todas as expressões da cultura. Entre elas, dedicamos
especial atenção aos problemas concernentes à doença, à saúde e à agricultura, no campo da Ciência, e
também às artes.
Logicamente, como o seu nome está mostrando, a nossa Igreja tem por objetivo empreender a grandiosa
obra de Salvação do Mundo. É natural, portanto, que apontemos as falhas existentes em todos os setores
relacionados com a vida do homem, dispensando a este a mais elevada orientação.
Não obstante o maravilhoso progresso da cultura contemporânea, as falhas apresentadas por ela são tão
numerosas que causam espanto. As falhas superficiais não são muito graves, porque a própria sociedade as
percebe e pode corrigi-las; as falhas interiores, no entanto, por não serem divisadas a olho nu, só podem ser
corrigidas por um meio: desvelando-as através da Luz de Deus. Por essa razão, estamos dissecando todos os
setores da cultura atual, a fim de que, trazendo à tona a verdadeira natureza de cada um deles, possamos
planejar a concretização de um mundo melhor. Somente dessa forma poderemos alimentar esperanças
quanto ao advento da era da Civilização Celestial.
Eis, em breves palavras, o sentido da expressão "Igreja Abrangente."
28 de março de 1951
ULTRA-RELIGIÃO
Qualquer pessoa tomará por um sonho descabido o objetivo da nossa Igreja - construir um mundo sem
doenças, pobreza e conflitos, ou seja, o Paraíso Terrestre, que corresponde ao "Advento do Reino dos
Céus", pregado por Cristo, ou à "Vinda do Messias", da religião judaica. Sakyamuni disse que, depois de
sua morte, surgiria um mundo perfeito. Não afirmou, entretanto, que esse mundo estivesse iminente; ao
contrário, disse estar infinitamente longe: 5.670.000.000 de anos.
Todas essas profecias foram de grande utilidade. Se não houve referência a um plano de execução, devemos
interpretar que ainda não era chegado o tempo, mas sabemos que a aceitação e a prática dos ensinamentos
pregados pelas religiões antigas tornaram-se o alicerce das religiões atuais. Naturalmente, cada religião
criou e divulgou os seus protótipos, formas e métodos, adaptáveis aos diferentes povos e países.
Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, para serem condicionadas a
determinadas épocas, localidades, povos, tradições, costumes, etc. Graças a essa força, a cultura alcançou o
deslumbrante progresso que hoje apresenta. Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê de Satanás,
ou talvez, destruído.
Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar de levar em consideração os grandes méritos dos
fundadores de religiões. Todavia, embora estas últimas hajam evitado a destruição do mundo, é duvidoso
que o seu poder seja eficiente para o mundo atual ou para o futuro. Isto porque a humanidade padece de um
sofrimento infernal, o que comprova a deficiência das Igrejas, as quais não conseguem conduzir os
sofredores ao estado celestial. Só um número restrito de povos participa dos benefícios da civilização
moderna. Presentemente, a humanidade carece muito do espírito de paz.
Uma observação sobre o mundo atual faz com que as pessoas prudentes sintam a necessidade do
aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, o poder salvador de uma Ultra-Religião. Nesse
sentido, consciente da responsabilidade que lhe cabe como sendo esta Ultra-Religião, nossa Igreja vem
apresentando resultados surpreendentes.
20 de julho de 1949
EU ESCREVO A VERDADE
Comecei a escrever há mais de dez anos; naturalmente, apenas sobre assuntos relacionados à Fé. Ao
contrário de outros fundadores de religiões, procurei eliminar formalidades e palavras difíceis, utilizando
uma linguagem que todos pudessem compreender facilmente.
De modo geral, as religiões são boas. Entretanto, se por um lado elas possuem o que poderíamos chamar de
característica peculiar a toda religião, por outro lado têm um certo mistério que ora julgamos entender, ora
nos parece incompreensível, e talvez seja por isso mesmo que elas exercem atração. Sendo difícil
compreendê-las, as religiões podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo da pessoa, o que
facilita a formação de seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma religião, mais probabilidade ela
terá de subdividir-se. A História nos mostra a luta que travaram entre si essas facções. Assim, não
conseguindo captar a essência da Fé, os fiéis sentem freqüentes dúvidas, tornando-se difícil alcançarem a
verdadeira paz e iluminação espiritual.
Através dos métodos utilizados até agora, não conseguiremos obter a unificação harmoniosa nem mesmo de
uma só religião. Conseqüentemente, a unificação de todas elas torna-se uma utopia. Esse deve ser, também,
o motivo do aparecimento de novas religiões a cada ano que passa. Observando somente o Japão, notamos
que a tendência atual é aumentar o número de religiões proporcionalmente ao aumento da população.
Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, Amaterassu-Okami, Kunitokotati no Mikoto, Cristo, Shaka, Amida e
Kannon constituem o alvo da adoração de diversas religiões. Além destes, que são os principais,
poderíamos citar Mikoto, Nyorai, Daishi e inúmeros outros. Sem dúvida alguma, não levando em conta
Inari, Tengu, Ryujin e mais alguns, que pertencem a crenças inferiores, todos eles são divindades de alto
nível.
Remontando às origens, é óbvio que só existe um deus verdadeiro, isto é, DEUS. Até hoje, contudo, cada
religião se considera mais elevada que as demais, havendo, também, certa dose de discriminação entre elas.
Dessa forma, é impossível promover-se a união de todas. Apesar disso, o objetivo final de todas as religiões
é o mesmo; não há uma sequer que não deseje o Céu ou o Paraíso neste mundo, ou melhor, a concretização
do Mundo Ideal, um mundo onde todas as criaturas sejam felizes.
Mas o que é preciso para que esse mundo se concretize?
É preciso que surja uma religião universal, que englobe o mundo inteiro. Deverá ter as características de
uma Ultra-Religião, ser tão grandiosa que toda a humanidade possa crer nela incondicionalmente. Não
quero dizer que essa religião seja a Igreja Messiânica Mundial, mas a missão de nossa Igreja é ensinar o
meio que possibilitará a realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como elaborar o plano, o projeto para
a construção desse mundo. Na medida em que aumentar, em cada país, o número de intelectos conscientes
disso, estaremos marchando passo a passo para atingir nosso objetivo.
Em síntese, será a concretização da Verdade. Através dela, todos os erros se tornarão claros e serão
corrigidos, surgindo o Mundo de Luz, claro e límpido. Naturalmente, a humanidade se libertará do Mal; o
Bem, que estava subjugado por ele, triunfará, e o homem alcançará a felicidade. Portanto, em primeiro
lugar, é fundamental que a Verdade seja conhecida pelas pessoas do mundo inteiro. O empreendimento que
agora estou realizando - um grande esforço para revelar a Verdade através de explanações escritas -
constitui uma fase importantíssima para a concretização desse mundo.
25 de setembro de 1951
CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE
O verdadeiro objetivo da Religião é a concretização da Verdade.
Mas que é a Verdade?
A Verdade é o próprio estado natural das coisas. O Sol desponta no nascente e desaparece no poente; o
homem inevitavelmente caminha para a morte (essa morte a que o budismo se refere com as expressões
"tudo que nasce está sujeito a desaparecer" e "todo encontro está condenado à separação"). O homem
manter-se vivo através da respiração e da alimentação também é Verdade. A mente humana anda tão
confusa, que preciso insistir sobre assunto tão óbvio.
Observando os revoltantes acontecimentos deste mundo, o caos reinante na sociedade, os conflitos, a
desordem, o pecado, é impossível negar que tudo contribui mais para a infelicidade do que para a felicidade
do homem. Precisamos, pois, conhecer a razão de tais coisas. Tudo se baseia no fato de estarmos longe da
Verdade - isso é evidente. O problema é que não temos consciência disso.
Vou explicar meu ponto de vista.
Vejo que o homem moderno perdeu a noção da Verdade. Parece que a vida se mostra tão difícil para ele,
que lhe falta tempo para refletir sobre o assunto. A Religião, também, até hoje não tinha condições para
esclarecer o que é a Verdade, e transmitia noções falsas acreditando serem verdadeiras. Se a Verdade
pudesse ter sido revelada tal qual é, a situação humana seria muito melhor. Talvez até tivéssemos
construído algo semelhante ao Paraíso Terrestre.
Mas é chegado o tempo de revelar a Vontade de Deus e pregar a Verdade, para que esta possa se
concretizar. E a Vontade de Deus é que ela seja transmitida claramente. Se aqueles que lerem minhas
palavras tiverem a mente livre de preconceitos, certamente hão de obter a correta visão da Verdade.
Gostaria de dar uma explicação que todos compreendessem.
O homem adoece porque se distancia da Verdade e por motivo idêntico não consegue curar-se. Política
errônea, má ideologia, aumento de crimes, crise financeira, inflação e deflação, tudo isso se deve, também,
ao fato de o homem desviar-se da Verdade.
Tudo que desejamos logo se realizaria se estivéssemos de acordo com a Verdade; foi com esse propósito
que Deus criou a sociedade humana. Eis por que não é difícil a formação de uma sociedade ideal, nem é
impossível ser feliz. Nisto reside a possibilidade do advento do Paraíso Terrestre.
Alguns, talvez, achem estranhos os meus pontos de vista, mas não há razão para isso. Tudo que estou
dizendo tem muita lógica. Minhas idéias só parecerão estranhas a quem não estiver voltado para a Verdade.
Quanto mais absurdas elas parecerem, mais evidente se tornará a distância do mundo em relação à Verdade.
Deus concedeu ao homem a liberdade infinita. Eis a Verdade. As outras criaturas, como os animais e os
vegetais, gozam de liberdade limitada. Aqui se percebe a superioridade do homem. Falar da sua liberdade, é
dizer que ele ocupa o ponto médio entre os dois extremos - o animal e o Divino.
Quando ele se eleva, torna-se Divino; quando se corrompe, equipara-se ao animal. Se desenvolvermos esse
princípio, veremos que basta o homem querer para que o mundo se converta em paraíso. Caso contrário, ele
faz do mundo um inferno. Esta é a Verdade. Não há dúvidas quanto à escolha: a não ser uma pessoa de
espírito satânico, ninguém desejará ocupar a extremidade animal.
De acordo com o que acabamos de expor, a formação do Paraíso Terrestre vem a ser o objetivo final do ser
humano, e o único recurso para atingi-lo é a concretização da Verdade. Sendo esta a missão básica da
Religião, eu prego a Verdade e me esforço e trabalho incessantemente para concretizá-la.
16 de julho de 1949
VERDADE E PSEUDO VERDADE
Desde tempos remotos fala-se a respeito da Verdade, mas parece que sobre a Pseudoverdade, ou melhor,
sobre a verdade aparente, ninguém fala. Entretanto, para analisarmos qualquer problema, é necessário saber
diferenciá-las, pois essa distinção exerce enorme influência no resultado da análise. Muitas vezes a
Pseudoverdade passa por Verdade e as pessoas comuns não o percebem.
A Verdade e a Pseudoverdade existem na Religião, na Filosofia, na Arte e até na Educação. A
Pseudoverdade desmorona com o passar dos anos, porém a Verdade é eterna. Quando surge uma nova teoria
ou se faz alguma descoberta, as pessoas acreditam tratar-se da maior de todas as verdades; todavia, com o
aparecimento de novas teses e descobertas, é comum que aquelas venham a ser superadas. Da mesma
forma, por mais notável que seja uma religião, quem pode garantir que ela não se extinguirá após centenas
ou milhares de anos? Não seria uma extinção total, e sim a extinção de sua parte falsa; é óbvio que se
preservaria a parte verdadeira. Contudo, mesmo que não houvesse algo a preservar, essa religião não seria
alvo de críticas, pois cumpriu sua missão para o progresso da cultura. Quanto mais próxima da Verdade
estiver a Pseudoverdade, mais longa será sua vida; quanto mais distante, vida mais curta. Isso é inegável.
Apesar da distinção entre a Verdade e a Pseudoverdade caber aos intelectuais e aos dirigentes de cada
época, raros são aqueles que têm esse poder de discernimento. Às vezes, a Pseudoverdade pode ser mantida
por longo tempo. O absolutismo e o feudalismo usaram-na como Verdade. O mesmo se pode dizer em
relação ao fascismo de Mussolini, ao nazismo de Hitler e ao "hakkoiti-u" ("fazer do mundo uma só casa")
de Tojo, que tiveram pouca duração. É interessante que, na época, o fato passou despercebido, e
momentaneamente os povos acreditaram tratar-se da Verdade. Por causa dessa crença, até se sacrificaram
vidas humanas levianamente, e não podemos esquecer quantas pessoas foram vítimas de tais enganos.
Diante disso, percebemos como é terrível a Pseudoverdade.
A respeito da Verdade e da Pseudoverdade, não podemos deixar de observar que elas, como já dissemos,
também existem na Religião. Quantas religiões já surgiram e já desapareceram! Apesar de terem sido
gloriosas no início, tiveram vida curta, não deixando qualquer vestígio. Isso ocorreu por serem religiões
falsas. Entretanto, se for uma religião com valor idêntico ao da Verdade, mesmo que por algum tempo sofra
uma forte perseguição, um dia, sem dúvida alguma, conseguirá expandir-se e tornar-se uma grande religião.
Podemos fazer essa afirmativa observando as grandes religiões da atualidade.
30 de janeiro de 1950
LUZ DA INTELIGÊNCIA
Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa única. Mas ela pode ser de vários tipos,
apresentando diferentes níveis de profundidade.
Dentre as inteligências, as mais elevadas são: a Divina, a sagrada e a superior. Precisamos aprofundar a
nossa própria fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando possuímos espírito correto, que admite a
existência de Deus. Quando há esforço baseado na virtude, esses aspectos superiores da inteligência se
desenvolvem, e a recompensa será a verdadeira felicidade.
Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista, ardilosa, satânica e outras, que nascem do mal. Todos
os criminosos servem como exemplo. Os delinqüentes intelectuais, especialistas em fraudes, possuem-nas
em alto grau. Os conhecidos "heróis" de sucesso passageiro nada mais são do que portadores, em ampla
escala, dessas inteligências nocivas.
É interessante notar que quanto maior for a inteligência do bem, mais profunda ela é; quanto maior a
inteligência do mal, mais superficial. Basta analisar a vida dos criminosos, desde épocas remotas, para
verificar o que estamos dizendo. Eles fazem planos aparentemente perfeitos, mas que, na prática,
apresentam alguma falha. É essa falha que torna público e notório o seu fracasso. Por conseguinte, se o
homem deseja crescente prosperidade, deve fazer esforços para aprofundar sua inteligência.
A profundidade da inteligência depende da força da sinceridade. Assim, conclui-se que o homem cuja fé
não é correta, nada conseguirá. Tão logo seja aceita essa teoria, desaparecerão os males da sociedade.
O homem de hoje é superficial. Isto pode ser facilmente observado por quem examina os vários campos da
atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se ocupam de assuntos imediatos; qualquer outro é
negligenciado até que tome vulto. Suas providências assemelham-se aos remédios alopatas: combatem os
efeitos e não as causas. Ora, todo problema surge porque existe uma causa; nada acontece sem motivo.
A inteligência superficial não consegue prever o futuro, ficando impossibilitada de estabelecer uma
verdadeira política. No jogo de xadrez, o mestre ganha a partida porque "enxerga" os lances subseqüentes; o
novato é derrotado porque não os prevê.
Neste sentido, o homem deve conscientizar-se de que precisa cultivar as inteligências de nível superior,
pois, sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E devemos compreender que a Fé é o único meio para
adquiri-las.
25 de maio de 1949
AS CINCO INTELIGÊNCIAS
Há vários tipos de inteligência. Formam uma escada de cinco degraus, na seguinte ordem: Divina, sagrada,
superior, ardilosa e calculista.
A inteligência Divina é a mais elevada, e Deus a concede a certas pessoas para que cumpram missões
importantes. Bem afirma o ditado: "Diz-se que a inteligência é humana, quando o conhecimento é
aprendido; é Divina, quando não depende de aprendizado."
A inteligência Divina pode ser considerada como de caráter masculino em relação à inteligência sagrada,
que, por sua vez, pode ser considerada como de caráter feminino.
A inteligência superior é aquela manifestada pelas pessoas sábias. No budismo, denomina-se "Tie Shokaku"
(inteligência da percepção verdadeira) ou simplesmente "Tie" (inteligência).
A ação dos espíritos malignos é que obscurece o discernimento humano. Os políticos e os intelectuais da
atualidade dão-nos exemplo disto: gastam horas e horas discutindo problemas quase sempre de muito pouca
importância. Quando se trata de assunto de grande monta, dezenas de pessoas passam a debatê-lo por várias
horas, durante dias e dias, muitas vezes sem chegar à conclusão desejada. Isso prova a lentidão mental do
homem contemporâneo, pois todo problema só apresenta uma solução. Jamais houve um problema com
muitas respostas. E dizer que tantos cérebros levam vários dias só para encontrar a solução de um
problema!
É desolador...
A causa dessa lentidão mental é a escassez de inteligência superior, pois as mentes se acham obscurecidas.
E se elas estão obscurecidas é porque cultivam idéias satânicas, decorrentes da devoção ao materialismo.
Essa devoção provém do não-reconhecimento da existência de Deus. Ora, se as pessoas não reconhecem a
existência de Deus, é porque falta uma religião com o poder de inspirar-lhes essa crença. A verdadeira
religião deve ser capaz de mostrar claramente que Deus existe. A própria necessidade de insistir neste
assunto é decorrente da fraqueza mental do homem moderno.
De acordo com a teoria que expomos, quem possui inteligência superior, consegue resolver qualquer
problema em poucos minutos. Eu, pessoalmente, limito a trinta minutos os debates de meus subalternos,
seja qual for o problema discutido. Quando a questão se prolonga por mais de uma hora, aconselho que
interrompam a reunião, deixando-a para outro dia, ou que me consultem sobre o assunto.
É claro que não atendo à modéstia quando digo que quase sempre consigo resolver qualquer problema em
poucos minutos, por mais difícil que ele seja. Excepcionalmente, se aparece uma questão que não resolvo
logo, protelo-a sem me esforçar. Momentos depois, infalivelmente, vem-me a inspiração para solucionar o
caso.
Analisemos, a seguir, a inteligência calculista.
Todos a consideram uma inteligência superficial; seu sucesso é passageiro, resultando sempre em derrota, e
os que dela se utilizam perdem a confiança dos outros.
A inteligência ardilosa pode ser considerada como perversidade - é a inteligência do mal. Milhares de
pessoas a empregam, quase sempre pertencentes às classes dirigentes e intelectuais. Assim, é impossível a
sociedade melhorar. Tão logo essa espécie de inteligência seja erradicada do Universo, surgirá uma
sociedade sadia e países magníficos. Mas haverá meios de erradicá-la? Certamente que sim. Basta
destruirmos sua raiz. Essa tarefa cabe a uma religião poderosa, capaz de despertar a fé em Deus.
20 de agosto de 1949
A CONSTRUÇÃO DO PARAÍSO E A ELIMINAÇÃO DO MAL
Para que este mundo se transforme em Paraíso - objetivo de Deus - existe uma condição fundamental:
eliminar a maldade que a maioria dos homens traz no mais profundo recanto de suas almas. Pelo senso
comum, as criaturas desaprovam o mal e temem o contato com ele. A Moral, a Ética e a Educação
procuram reprimi-lo. A Religião, também, tem por ensinamento básico recomendar a prática do bem e
combater o mal. Observando a sociedade, vemos que os pais repreendem os filhos; os maridos, as esposas;
as esposas, os maridos; os patrões, os empregados. A tudo isso, acrescentam-se as leis, que, por meio de
sanções, tentam impedir o mal. Entretanto, apesar de todo esse esforço, a quantidade de pessoas más é
incalculavelmente maior que a de pessoas boas; para termos uma idéia mais precisa, entre dez, pessoas,
talvez nove sejam más.
Falando em homens maus, devemos lembrar-nos de que existem vários níveis de mal: os grandes, os médios
e os pequenos. Citemos alguns exemplos: o mal premeditado, praticado conscientemente; o mal que
cometemos inconscientemente, sem perceber que o estamos cometendo; o mal que praticamos por não
haver outro recurso; o mal que fazemos acreditando ser um bem. O primeiro não necessita de maiores
esclarecimentos; o segundo é o que mais se vê; o terceiro, em termos de povos, é praticado pelos selvagens,
e, em termos individuais, pelos loucos e pelos retardados, conseqüentemente não é tão grave; já o quarto,
isto é, o mal que se faz pensando ser um bem, é o mais prejudicial, pelo empenho com que as pessoas o
praticam, sem o esconder.
Deixarei os detalhes para o fim; agora quero mostrar a forma como geralmente se encara o mal, do ponto de
vista do bem.
Observando o mundo contemporâneo, constatamos que o predomínio do mal é tão grande, que podemos
perfeitamente dizer que ele é o mundo do mal. A História nos dá inúmeros exemplos de homens bons que
foram atormentados pelos perversos; da situação inversa eu nunca ouvi falar. Como o mal possui mais
adeptos que o bem, enquanto os malvados vivem burlando as leis e agindo como bem entendem, os bons
ficam subjugados, vivendo constantemente sob terror. Esta é a situação do mundo atual. Por serem mais
fracos, os bons são sempre atormentados e maltratados pelos maus.
A democracia surgiu em contraposição a esse absurdo estado de coisas e por isso tem uma origem natural.
O Japão, que viveu sob o domínio do pensamento feudal, insistiu em manter uma sociedade onde os fracos
são vítimas dos fortes, mas, felizmente, com a ajuda do exterior, conseguiu implantar o regime
democrático. Por esse motivo, ao invés de dizermos que, no Japão, a democracia teve uma origem natural,
devemos dizer que ela foi um resultado natural. Eis um raro exemplo da vitória do bem sobre o mal.
Contudo, a democracia japonesa ainda não está muito firme; em vários setores há resquícios de feudalismo.
E talvez eu não seja a única pessoa a perceber isso.
Vejamos, também, a relação entre o mal e a cultura.
O aparecimento daquilo a que se costuma chamar cultura pode ser explicado da seguinte maneira:
Na era subdesenvolvida e selvagem, os fortes pressionavam os fracos tolhendo-lhes a liberdade, impondo-
lhes a força, cometendo assassinatos e agindo como bem entendiam. Como resultado, os fracos inventaram
vários meios de defesa: fabricaram armas, construíram muralhas, facilitaram os transportes, etc. Em grupos
ou mesmo sozinhos, eles se esforçavam de todas as maneiras possíveis. Isso, naturalmente, serviu para
desenvolver a mente humana. Com o correr do tempo, para garantir a segurança dos fracos, fizeram-se
contratos entre grupos, os quais, possivelmente, deram origem aos acordos internacionais de hoje.
Socialmente, foi criado algo semelhante às leis, com o objetivo de limitar o mal; transcrito em forma de
códigos, isso deu origem às modernas legislações.
Entretanto, com métodos tão superficiais, não foi possível eliminar o mal que há no ser humano. Conforme
podemos ver, da era primitiva até hoje os homens vêm lutando contra o mal, em defesa do bem. E quanto a
humanidade tem sofrido com isso! Quantas pessoas boas foram sacrificadas! Para aliviar tão grande
sofrimento, apareceram vários religiosos de grande porte. Como os fracos eram sempre atormentados pelos
fortes e não tinham forças suficientes para se defender, esses religiosos pelo menos tentaram amenizar
espiritualmente suas aflições e dar-lhes esperança. Ao mesmo tempo, para combater o mal, pregaram a Lei
da Causa e Efeito, na tentativa de obter o arrependimento e a conversão dos perversos. É inegável que
obtiveram alguns resultados positivos, mas não conseguiram mudar a maioria.
Por outro lado, materialmente, instituíram-se os estudos, desenvolvendo-se a cultura material como uma
tentativa para combater, através do seu progresso, a infelicidade acarretada pelo mal. O progresso dessa
cultura foi muito além do que se podia imaginar; entretanto, não só ela foi inútil no sentido de evitar o mal -
seu primeiro objetivo - mas acabou sendo usada para fins maléficos, gerando atos de crueldade cada vez
maiores. Essa foi a razão pela qual as guerras passaram a ser realizadas em grande escala, até que acabou se
inventando a monstruosa e terrível bomba atômica. Atingindo esse ponto, podemos dizer que chegamos a
uma época em que se tornou impossível fazer a guerra. Falando sem reservas, é realmente uma ironia a
cultura material ter progredido com a ação do mal e, através deste, ter se chegado a um tempo em que a
guerra é impraticável. Naturalmente, no fundo de tudo isso está o milenar e profundo Plano de Deus.
Tanto os espiritualistas como os materialistas desejam um mundo de paz e felicidade, mas isso não passa de
um ideal, porque a realidade que nos cerca é bem diferente. Assim, os intelectuais vivem cercados por um
mar de dúvidas, batendo a cabeça contra as paredes. Entre eles, existem os que procuram a Religião, a
Filosofia e outros meios para decifrar esse enigma; a maioria, no entanto, acredita que o progresso
científico resolverá todos os problemas O fato é que a humanidade continua sofrendo, sem perspectivas de
uma situação melhor.
A seguir, descreverei como será o futuro do mundo.
Se o mal é a causa fundamental da infelicidade humana, conforme dissemos, levanta-se a seguinte questão:
por que Deus o criou? Esta é a pergunta que mais tem atormentado o homem até os dias de hoje. Eis,
porém, que finalmente Deus esclareceu a Verdade, que eu passo agora a anunciar.
O mal foi necessário até o momento porque, através do conflito entre ele e o bem, a cultura material pôde
progredir até chegar ao ponto em que se encontra. É surpreendente! Embora nem em sonho pudéssemos
imaginar que o motivo fosse realmente esse, é a pura verdade. A propósito, falarei primeiramente sobre a
guerra.
A guerra ceifou milhares de vidas e, por ser tão trágica, os homens a temem mais do que tudo. Para fugir a
essa catástrofe, usaram todos os recursos da inteligência humana, e nem precisamos falar o quanto isso
contribuiu para o progresso da cultura. Entre outras coisas, a História nos mostra claramente que, após as
guerras, tanto os países vencedores como os vencidos progrediram enormemente. Todavia, se elas
chegassem ao extremo ou se prolongassem demasiadamente, os países seriam totalmente aniquilados, o que
representaria a destruição da cultura. Sendo assim, Deus as detém num certo ponto, fazendo com que
retorne a paz. Através dos relatos históricos, vemos que sempre houve alternância de períodos de guerra e
períodos de paz.
Na sociedade, a situação é idêntica. Os criminosos e as autoridades vivem fazendo competição de
inteligência. Os desajustes de relacionamento entre as pessoas também são decorrentes da luta entre o bem
e o mal. Podemos entender, no entanto, que essas divergências contribuem para o desenvolvimento da
inteligência humana.
Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos entre o bem e o mal, é lícito afirmar que este foi
imprescindível. Contudo, precisamos saber que não é uma necessidade eterna, ou seja, há um limite para
ela. A esse respeito, devo dizer que, atrás de tudo isso, está o objetivo de Deus, que comanda o Universo.
Em termos filosóficos, a expressão seria Ser Absoluto, ou Vontade Universal.
A começar por Cristo, todos os fundadores de religiões fizeram profecias sobre o "Fim do Mundo", mas
essa expressão, em verdade, significa o fim do mundo do mal e o advento de um mundo ideal - o Paraíso
Terrestre, isento de doença, pobreza e conflito, o Mundo de Verdade, Bem e Belo, o Mundo de Miroku, o
Reino dos Céus, etc. Os nomes diferem, mas o significado é um só.
A construção de um mundo tão maravilhoso requer um preparo à altura; um preparo completo, que
preencha todas as condições, tanto do ponto de vista espiritual como do ponto de vista material. Deus
determinou que primeiro se efetuasse o progresso material, pois o progresso espiritual não está preso ao
tempo, podendo ser efetuado de uma só vez, ao contrário daquele, que necessita de muitos e muitos anos.
Para preencher a primeira condição, fez com que, inicialmente, os homens ignorassem Sua existência,
concentrando-se apenas nas coisas materiais. Foi assim que surgiu o ateísmo, condição básica para a criação
do mal. Assim fortificado, o mal impingiu maiores sofrimentos ao bem e, prosseguindo na luta, atirou o
homem ao abismo do sofrimento. Mas o homem sempre se debateu, na ânsia de sair desse abismo, o que
desencadeou a força geradora de um grande impulso no progresso da cultura. Foi trágico, porém inevitável.
Com tudo que dissemos, creio que puderam ter uma noção básica sobre o bem e o mal. Tendo finalmente
chegado o tempo em que o mal não será mais necessário, ou seja, o tempo presente, a questão é seriíssima.
Não se trata de previsão nem sonho; é a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está saltando aos
nossos olhos, através do extraordinário progresso da ciência nuclear. Por conseguinte, se estourasse uma
nova guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total, a extinção da humanidade. Não
obstante, esse progresso é uma forma de extinguir o mal e, por isso, torna-se motivo de alegria. Como
resultado, a cultura, que até hoje foi aproveitada pelo mal, sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira
disposição do bem. Daí surgirá o tão almejado Paraíso Terrestre.
13 de agosto de 1952
ERA SEMICIVILIZADA
É consenso geral que estamos vivendo um momento em que a civilização atingiu um nível nunca antes
alcançado. Se compararmos a época atual com a selvageria e o subdesenvolvimento da era primitiva,
veremos que houve de fato um grande progresso. Entretanto, foi um progresso apenas no sentido material,
pois espiritualmente permanecemos no estado de semi-selvageria.
Desde tempos remotos, continuamente os povos vêm desperdiçando a maior parte de suas energias com a
guerra, a maior de todas as violências. Eles em nada diferem dos animais ferozes, que lutam mostrando suas
presas e garras. É verdade, também, que existem os pacifistas, os quais não medem esforços para evitar a
guerra. Podemos dizer que os primeiros são seres animalescos, e os pacifistas são seres humanos realmente.
Cada uma dessas duas espécies contrastantes de homens procura satisfazer seus próprios desejos. É um
dualismo que a História veio registrando através dos tempos e perdura em nossos dias. Logicamente, existe
essa dualidade de pensamento também a nível individual, mas a violência está sendo evitada pela Lei, e
vem sendo mantida, ainda que precariamente. Os bons e justos, no entanto, são sempre pressionados pelos
maus, dos quais se tornam vítimas constantes.
Vejamos outro aspecto da questão.
Atualmente, graças ao progresso da Ciência, são feitas grandiosas invenções e descobertas, as quais,
dependendo da vontade das pessoas que as manipulam, podem ter resultados funestos ou, ao contrário,
contribuir para o aumento do bem-estar da humanidade. O atrito entre esses dois pensamentos opostos - o
selvagem e o civilizado - podem tornar-se causa da guerra, na qual essas invenções e descobertas também
poderiam ser empregadas para fins maléficos.
Analisando o assunto sob outro prisma, constatamos que os povos belicosos não são religiosos, ao contrário
dos povos pacifistas; daí a necessidade da Religião. Portanto, não seria demais dizer que, apesar de
apregoarem que estamos numa era de elevado nível cultural, na verdade estamos vivendo um período de
semi-selvageria, ou semicivilização, de modo que precisamos elevar seu nível, transformando a
semicivilização em civilização total, com perfeita unidade espírito-matéria. Assim, a missão dos religiosos,
daqui por diante, é realmente importantíssima.
25 de junho de 1949
MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO
A maioria dos comentários que fazem sobre a nossa Igreja é que se trata de uma religião supersticiosa. Mas
qual a razão dessa afirmativa? A verdade é que o ponto de vista daqueles que tecem tais comentários difere
do nosso. Eles analisam as questões espirituais tomando por base a matéria. Material, como o próprio nome
está indicando, é aquilo que podemos perceber claramente através da visão ou dos demais sentidos, e por
isso qualquer pessoa consegue compreender. O espírito, todavia, não é visível, conseqüentemente torna-se
fácil negar a sua existência. Assim, se fizermos uma simples comparação, teremos de concordar que o
espiritualismo encontra-se em situação desvantajosa em relação ao materialismo.
A visão materialista está limitada pelos cinco sentidos; tem, portanto, uma existência pequena, ao passo que
a visão espiritualista não tem limites. É como se fosse o tamanho da Terra comparado com o tamanho do
Universo, que é um espaço sem fim. Daqui onde estou só consigo ver até o Monte Fuji, e olhe lá... Não
passam de algumas dezenas de quilômetros. O pensamento, entretanto, que não podemos ver, num instante
pode estender-se até o infinito. Diante dele, a imensidão da Terra é insignificante. É como se a visão
espiritualista fosse o oceano, e a visão materialista fosse o navio que nele flutua. Baseados nisso, podemos
comparar o materialismo com o macaco Songoku, o qual, tentando fugir dos domínios espirituais de Buda,
percorreu milhares de milhas, mas, quando percebeu, ainda estava na palma da mão de Buda, e se
arrependeu do que fizera. Entre outros conceitos espiritualistas sobre o materialismo, podemos citar: "Tudo
é nada", "Tudo que nasce está condenado à extinção" e "Todo encontro está fadado à separação", de
Sakyamuni, ou, segundo o zen-budismo: "As coisas que possuem forma infalivelmente desaparecerão".
Pela exposição acima, acredito que entenderam como está errado analisar as coisas espirituais do ponto de
vista da matéria, pois esta é finita, enquanto aquelas têm vida eterna e são infinitas. É a mesma coisa que
querer colocar um elefante dentro de um pote ou ver todo o céu através de um orifício, ou seja, é ter uma
visão limitada das coisas.
Materialistas! Depois de conhecerem esta verdade, ainda têm algo a dizer? Pensem no que farão!
20 de dezembro de 1949
A ÉPOCA SEMICIVILIZADA E SEMI-SELVAGEM
Talvez todos pensem que a época mais próspera da civilização mundial seja a época contemporânea.
Entretanto, quando analisamos bem seu conteúdo, observamos que ela apresenta muitas falhas, como
podemos constatar todos os dias através dos jornais, que estão repletos de artigos sobre criminosos e
criaturas desventuradas. Analisando com justiça, verificamos que as coisas ruins são muito mais numerosas
do que as coisas boas. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos um caso de corrupção que se tornou um
problema muito sério. Quando as autoridades começaram a investigar, o caso se diversificou tanto que nem
podemos imaginar até onde se multiplicará. Portanto, ele também não seria uma pequena parte de um
"iceberg"? Aliás, se investigarmos as coisas profundamente, quantas pessoas íntegras encontraremos no
mundo político e econômico? Poderíamos arriscar-nos a dizer que nenhuma.
Pensando bem sobre o assunto, existe algo difícil de se entender. Se as pessoas relacionadas ao caso em
questão fossem camponeses de instrução primária, ainda seria compreensível. Mas todas elas são pessoas
civilizadas, que receberam educação esmerada. Em geral, acredita-se que, quando as pessoas recebem
educação apurada, sua mente se desenvolve e elas se tornam criaturas civilizadas, de modo que, assim, os
crimes tendem a diminuir. Entretanto, vendo fatos como o que ora se nos apresenta, ficamos desapontados,
só podendo dizer que tudo isso é realmente incompreensível. Portanto, como eu disse no título deste artigo,
a época em que vivemos é semicivilizada e semi-selvagem, e acho que, analisando a realidade que temos
diante dos nossos olhos, ninguém conseguiria fazer o contrário.
Que devemos fazer então? A solução do problema não é absolutamente difícil; pelo contrário, é muito fácil.
Como sempre tenho explicado, basta despertar as pessoas da educação materialista que receberam para a
educação espiritualista. Em termos mais claros, destruir o pensamento errôneo de que se deve acreditar
somente nas coisas que possuem forma e desacreditar daquelas que não a possuem. A única maneira de se
conseguir isso é fazer com que seja reconhecida a existência de Deus através do poder da Religião.
Estendendo-se esse entendimento das classes dirigentes a todas as pessoas, corrigir-se-á o conceito errado
de que se pode cometer crimes, contanto que eles não cheguem ao conhecimento de terceiros. Assim, não
haverá mais criminosos e, conseqüentemente, formar-se-á um mundo onde impere o bem e a alegria.
Parece, no entanto, que ninguém entende um princípio tão simples e claro como este, visto que só se
procura controlar o mal por meio de fortes redes e prisões chamadas leis. Isso, porém, é tratar os homens
como se fossem animais, não sendo à toa que o método não surte resultados positivos.
Ora, se não se consegue manter a disciplina da sociedade nem mesmo com as malhas da lei, torna-se
necessário descobrir onde está a causa do problema. Mas ninguém a percebe. A sociedade continua sendo
uma coletividade constituída de seres que são meio-homens e meio-animais. Por esse motivo, está
demasiado claro que já não é possível eliminar o caráter animalesco do homem através da educação
materialista. O ensino ministrado até hoje, como se pode ver pelos seus resultados, não passa de uma
técnica para encobrir esse caráter. Dessa maneira, não podemos sequer imaginar quando se edificará uma
sociedade verdadeiramente civilizada. Portanto, para solucionar o problema, é fundamental eliminar as
características animalescas da alma do homem. Não há método mais eficiente.
Eis a missão da Religião. Mas é estranho que, quanto mais elevada é a educação que se recebe, mais se
despreza a Religião. Por quê? Talvez seja esta a grande falha da civilização. A causa está no caráter
animalesco existente no interior dos homens, o qual recusa a Religião. Ou seja, é porque o mal não gosta do
bem. Daí podermos dizer que a educação da atualidade forma as "inteligências" do mal. Entretanto, chegou
a hora em que tal coisa não mais será permitida, porque surgiu a Igreja Messiânica Mundial, que prova a
existência de Deus e consegue fazer com que as pessoas O alcancem. Talvez achem impossível algo tão
maravilhoso, mas, na realidade, pode-se conseguir isso sem nenhuma dificuldade. Pelo simples contato com
a nossa Igreja, a pessoa obtém a certeza da existência de Deus, através do milagre. A melhor prova do que
dizemos são as inúmeras bênçãos maravilhosas manifestadas por ela. Creio que isso representa a
manifestação da Grandiosa Providência de Deus, que finalmente corrigirá essa civilização falha,
semicivilizada e semi-selvagem, fazendo com que Espírito e Matéria caminhem lado a lado, para a
construção do verdadeiro mundo civilizado.
14 de abril de 1954
O MATERIALISMO CRIA O HOMEM MAU
Talvez estas palavras pareçam demasiado fortes, mas não posso evitá-las, pois correspondem à pura
verdade. Segundo nosso ponto de vista, o materialismo, ou seja, o ateísmo, pode ser considerado o
pensamento mais perigoso que existe. Vejamos. Se Deus não existisse, eu também ganharia dinheiro
enganando o próximo habilmente, de modo que não fosse descoberto; faria o que bem entendesse e, além
de viver uma vida de luxo, estaria ocupando uma posição de maior destaque na sociedade. Entretanto,
consciente da existência de Deus, de forma alguma sou capaz de proceder assim. Tenho de percorrer o
caminho mais correto possível e tornar-me um homem que deseja a felicidade das outras pessoas. Caso
contrário, jamais poderia ser feliz e levar uma vida que vale a pena ser vivida.
O que eu estou dizendo não é mera teoria ou algo parecido. Como podemos ver através de inúmeros
exemplos que a História nos mostra desde os tempos antigos, por mais que a pessoa prospere por meio do
mal, essa prosperidade não dura muito, acabando por desmoronar. É um fato que deveria ser percebido
facilmente, mas parece que isso não acontece. A sociedade continua assolada pelos crimes. Crimes
horripilantes, como assaltos, fraudes e assassinatos; casos de corrupção de pessoas que ocupam posições
elevadas, os quais se tornam objeto de comentários sociais; incontável número de crimes de pequeno e
médio porte, etc. Tudo isso é uma conseqüência do pensamento ateísta; por conseguinte, podemos dizer que
esta é a verdadeira causa dos crimes. Está, pois, mais do que claro que só há um meio de eliminar os crimes
deste mundo: destruir o ateísmo. Atualmente, porém, os intelectuais, as autoridades e os pedagogos estão
confundindo pensamento teísta com superstição e tentando obter bons resultados com apoio nos
regulamentos da lei, no ensino, nos sermões, etc. Dessa forma, por mais que eles se esforcem, é natural que
nada consigam. As notícias publicadas diariamente nos jornais mostram-no claramente.
Assim, para criar uma sociedade limpa e pura, é preciso estimular intensamente o pensamento teísta. Por
infelicidade, o Japão encontra-se em tal situação que, quanto mais instruída é a classe, maior o número de
pessoas ateístas. Além disso, é comum acreditar-se que esta é uma qualificação dos intelectuais e dos
jornalistas, de modo que, quanto mais a pessoa enfatiza o ateísmo, mais progressista ela é considerada. Por
esse motivo, se não houver uma mudança radical, no sentido de que os ateístas sejam vistos como
ultrapassados, e os teístas, como vanguarda intelectual da época, a sociedade não se tornará alegre e feliz.
7 de maio de 1952
A CIÊNCIA CRIA AS SUPERSTIÇÕES
De uns tempos para cá, alguns jornalistas do Japão vêm tachando as religiões novas de supersticiosas e
trapaceiras. Dizem eles que, após a Segunda Guerra Mundial, o povo japonês passou a viver uma situação
muito confusa, e que, aproveitando-se disso, começaram a aparecer religiões trapaceiras e supersticiosas,
confundindo ainda mais as pessoas. Assim eles se expressam a respeito, mas não tentam descobrir as causas
do fato. Acham que as religiões novas são todas iguais e formulam definições baseadas apenas no seu
entendimento pessoal e nos boatos.
Não podemos deixar de nos sentir decepcionados com a superficialidade do julgamento desses jornalistas, e
achamos que é responsabilidade nossa orientá-los e ensiná-los a pensar de modo correto. Entretanto, não
queremos negar totalmente sua atitude, pois, como a base de seu raciocínio é materialista, é natural que eles
definam como superstição tudo aquilo que não vêem. Se estivéssemos em seu lugar, obviamente agiríamos
da mesma forma. Negando-se, porém, a existência do invisível, como ficaria o mundo? Talvez o
materialismo o levasse a uma situação calamitosa. As relações de amizade e amor entre as pessoas,
inclusive o relacionamento entre pais e filhos ou entre irmãos, passariam a ser meros cálculos de vantagens
e desvantagens. A sociedade seria fria como um cárcere de pedra, e nem mesmo os materialistas poderiam
suportá-la. Vemos, pois, que o modo de pensar dos jornalistas a que nos referimos encontra-se entre duas
posições, sem definição precisa.
Analisemos, a seguir, a situação real do mundo em que vivemos.
É considerável o número de pessoas supersticiosas entre os intelectuais. Há tempos, li uma estatística dos
diferentes tipos de superstições que existem em cada país; a Alemanha, considerada uma das nações mais
avançadas no ensino das ciências, acusava o maior número. Desse modo, notamos que as superstições
crescem proporcionalmente ao progresso científico. Eis como interpretamos o fato:
Durante longo tempo, recebemos, nas escolas, um ensino materialista cuja base é a lógica; entretanto,
quando terminamos os estudos e nos integramos na sociedade, encontramos uma realidade diferente, que
está em desacordo com a lógica. Em conseqüência, a maioria das pessoas começa a ter dúvidas, porque,
quanto mais age em conformidade com ela, piores são os resultados. Os mais inteligentes pensam, então,
em estudar uma nova sociologia que esteja de acordo com a realidade social em que vivem. Como não
existe esse tipo de curso, começam a estudar sozinhos. Se forem rápidos, conseguirão atingir seu objetivo
em pouco tempo; alguns, todavia, levam muitos anos. Trata-se, em verdade, de um segundo aprendizado,
completamente diferente do primeiro, que custou tanto sacrifício. Contudo, é um aprendizado real, seguro,
e pode ser aplicado no dia-a-dia. Os mais bem dotados, tendo enfrentado as amarguras e doçuras da vida,
adquirem larga experiência, tornando-se "doutores" nessa sociologia. A maioria deles, quando se acham a
um passo disso, já estão velhos, sendo que muitos acabam a vida como pessoas comuns. Existem, no
entanto, aqueles que sobressaem, como por exemplo o Sr. Yoshida, primeiro-ministro do Japão, o qual se
destacou pela sua superioridade e habilidade política.
Com essa explicação, penso que entenderam a causa das superstições. Em resumo, se falhamos quando
tentamos aplicar os conhecimentos adquiridos na escola - nos quais acreditávamos piamente - é fatal
cairmos na dúvida. Nesse momento, torna-se muito fácil as pessoas ingressarem em religiões supersticiosas
e trapaceiras. Podemos dizer, entretanto, que nenhuma das religiões existentes realmente esclarece dúvidas.
Assim, compreendemos que a culpa de tudo cabe ao ensino ministrado nas escolas, o qual está muito
distanciado da realidade, e concluímos que, em parte, as superstições são criadas por certo aspecto da
Educação contemporânea.
Para finalizar, quero dizer que reconhecemos serem numerosas, atualmente, as religiões supersticiosas e
trapaceiras, como dizem os jornalistas, mas achamos errado generalizar, porque, sem dúvida, existem
algumas às quais não cabem tais designações. Ora, chamar de superstição aquilo que não o é, também
constitui uma espécie de superstição. Nesse sentido, queremos prevenir aos jornalistas que escrevam sobre
as religiões supersticiosas e trapaceiras, mas que não definam com esses termos qualquer religião, pois esse
procedimento representa um obstáculo para o progresso da cultura.
30 de janeiro de 1950
INADEQUAÇÃO DO ESTUDO
Costumamos referir-nos ao estudo como se só houvesse uma modalidade. Entretanto, existe o estudo vivo e
o estudo morto. Parece estranho, mas vou esclarecer o que isso significa. Aprender por aprender é estudo
morto, enquanto aprender algo para ser utilizado na sociedade é estudo vivo. O estudo para pesquisar a
Verdade é diferente, e muito importante. Mas, vejamos, em primeiro lugar, o que é estudo.
Atualmente, nas escolas primárias, secundárias e superiores, utilizam-se os livros didáticos, ou melhor, a
teoria, como linha vertical; o que é ensinado pelo professor, constitui a linha horizontal. Esse método de
ensino foi elaborado após grandes esforços e inúmeras experiências feitas por didatas. Logicamente, novas
descobertas e novas teorias surgiram e desapareceram; algumas surgiram e foram ultrapassadas por outras
mais recentes, as quais aproveitaram daquelas apenas o que tinha validade para ser incorporado. Aquilo que
em outra época era considerado verdade e respeitado como regra de ouro, foi desaparecendo sem deixar
nenhum vestígio, na medida em que aparecia algo que o superava. Existem, contudo, algumas teorias
descobertas que se mantêm vivas até hoje, concorrendo para tornar a sociedade mais feliz.
É o tempo que determina o valor de todas as coisas. Por esse motivo, embora tenhamos plena certeza de que
uma teoria seja absolutamente verdadeira, inalterável e eterna, não podemos saber quando aparecerá outra
que a destrua, nem quem o fará. Vários exemplos podem ser citados, desde tempos antigos. Quando
aparecem novas descobertas, é natural que elas não se encaixem nos moldes das tradicionais; quanto menos
se encaixam, maiores são os seus valores. Resumindo, é uma ruptura das formas enraizadas; na medida em
que for mais intensa, maior a sua validade. Desse modo, é evidente que as velhas teorias são afastadas
devido ao aparecimento de teorias novas, superiores a elas. Se a verdade em que acreditávamos é
ultrapassada, é porque surgiu outra de maior Luz. É assim que se processa o desenvolvimento cultural.
Analisemos mais profundamente. O ensino tradicional foi sedimentando-se através dos anos, mas o
progresso cultural faz com que ele se dissocie dessa forma estática numa rapidez incrível. Um dia destes,
ouvi do presidente de uma empresa o seguinte comentário: "Embora seja muito inteligente, uma pessoa que
saiu da universidade há mais de dez anos não consegue situar-se, em face dos problemas reais do presente.
Isso acontece por não haver correspondência entre o que ela aprendeu naquela época e o tempo atual,
especialmente no que se refere aos técnicos." Essas palavras vêm ao encontro daquilo que eu explanava,
porque, pela sua própria natureza, os conteúdos das matérias estudadas devem se referir à época do estudo,
mas, se eles não acompanharem o progresso cultural, fatalmente o estudo perderá sua validade.
Exemplifiquemos.
Dizem que os políticos contemporâneos tornaram-se muito "pequenos", o que significa dizer que é difícil
encontrar políticos de grande envergadura. Os ministros de hoje não são nada hábeis; o máximo que eles
conseguem é resolver problemas do momento. Isso ocorre porque, na atualidade, os estadistas de nível
ministerial são formados pelas Universidades Federais e deixam-se levar facilmente pelas velhas teorias
aprendidas. Racionais em tudo, eles não sabem que existe algo além da lógica. É a mesma coisa que utilizar
o cavalo como meio de transporte numa rodovia, ou aprender a dirigir charrete ao invés de carro.
O estudo destina-se ao desenvolvimento do cérebro humano. É para edificar uma base, como se fosse o
alicerce de uma casa. Sobre essa base, precisamos fazer uma nova construção, ou seja, utilizar o estudo,
desenvolvê-lo e com ele criar coisas novas. Isso significa ajustar os passos ao contínuo progresso cultural. E
não é só isso. O verdadeiro estudo vivo é aquele que avança ainda mais, desempenhando a função de
orientar a cultura. Recentemente, o presidente Truman, dos Estados Unidos, declarou que, por volta de
1921, ele era um simples comerciante de variedades. Não se pode imaginar o quanto lhe foi benéfica essa
experiência na realidade social.
Há mais de dez anos, proclamei uma nova teoria relacionada com a Medicina; tão logo, porém, eu a
publiquei em livro, este foi apreendido. Como isso aconteceu três vezes, sem que eu pudesse fazer nada,
desisti. O motivo da apreensão é que a minha tese é contrária aos princípios da Medicina atual. Em relação
à porcentagem de curas alcançadas por meio desta, os efetivos resultados obtidos através do meu método
comprovam que ele é dez vezes mais eficaz. Além disso, não se trata de cura temporária, mas definitiva. O
que estou dizendo constitui a pura verdade, sem o mínimo alarde. No prefácio do livro, eu até escrevi:
"Estou pronto para comprová-lo a qualquer hora." Entretanto, como as autoridades e os especialistas não
deram a mínima atenção, nada mais pude fazer.
O objetivo da Medicina é curar os doentes, preservar a saúde do homem e prolongar-lhe a vida. Que
objetivo poderia ter além deste? Por mais que se preguem teorias, que se aperfeiçoem instalações e que haja
aparelhagens supersofisticadas, tudo isso será inútil se não corresponder ao referido objetivo. Baseadas
apenas na diferença entre a minha teoria e as da medicina tradicional, as autoridades e os especialistas
ignoraram-na sem ao menos tentar discuti-la, revelando-se, portanto, verdadeiros traidores do progresso da
cultura. Como os governantes são crédulos e não levantam nenhuma dúvida, só posso dizer que os homens
de hoje não passam de ovelhas indefesas.
Mas qual será a finalidade da minha arrojada teoria? Eu não sou nenhum louco. Se não tivesse absoluta
certeza da sua veracidade, não faria tanto empenho em divulgá-la.
Na Medicina, tão orgulhosa do progresso que alcançou, eu descobri uma grande falha. Entre as grandes
descobertas efetuadas até o presente, nenhuma se compara à descoberta que eu fiz, porque ela é de
importância radical para a solução de todos os problemas relacionados à vida humana. Enquanto os homens
não despertarem para essa grande falha, as doenças jamais serão eliminadas. Prevejo, entretanto, que, num
futuro próximo, quando a Medicina alcançar um progresso maior, minha teoria será confirmada.
Voltando nossa atenção para a sociedade, todos nós poderemos ver como é elevado o número de criaturas
que estão sofrendo, acometidas de doenças graves ocasionadas pela medicina errada. Diante disso, não
podemos ficar tranqüilos. No momento, porém, nada nos resta fazer senão orar: "Ó Deus, Todo-Poderoso!
Fazei, por favor, com que a Medicina abra os olhos, o quanto antes, para as suas falhas e, assim, torne
saudáveis todos os homens!"
25 de junho de 1949
A RESPEITO DO ATEÍSMO
Parece regra geral desenvolver o raciocínio do ponto de vista religioso, quando se escreve sobre ateísmo,
mas eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em Religião, colocando-me a mim próprio na posição
de ateu.
Quando uma criança nasce, o seio materno lhe fornece o leite para sua nutrição. A criança cresce
normalmente e os pais ministram-lhe alimentação adequada à primeira dentição. Assim, ela vai vencendo
várias fases de seu desenvolvimento, até atingir a adolescência. A alimentação, portanto, é a base do
crescimento. O homem se nutre suficientemente de calorias ao ingerir alimentos com prazer, graças ao
paladar. Creio ser esse o maior de todos os prazeres humanos.
O físico e também a inteligência vão se desenvolvendo gradualmente através da instrução e, na mocidade, o
ser humano está apto a exercer as funções normais de um adulto. Surgem-lhe, então, diversas ambições,
como a ânsia de poder, o espírito de competição e de progresso e, no plano físico, em forma de diversões,
folguedos e namoros.
Dessa maneira, o homem está pronto para participar da vida social, característica de um ser superior, com
os sofrimentos e alegrias que nascem da razão e do sentimento.
Consideremos, agora, a Natureza.
No Universo, não só os fenômenos visíveis, como o sol, a lua, as estrelas, a via-láctea, a temperatura, o
vento, a chuva, os animais, os vegetais e os minerais, que estão diretamente relacionados com o ser
humano, mas também os fenômenos invisíveis, tudo está sob a ação e controle do poder da Natureza. Esta é
a própria figura do mundo. Observando-a calmamente e sem idéias preconcebidas, qualquer pessoa - a
menos que seja insensível - fica embevecida com seu encanto misterioso.
A Natureza é dotada de mistério profundo e insondável. Grandioso é o Céu que contemplamos e ilimitada é
a sua extensão. Como se apresenta o centro da Terra? Qual o número certo de estrelas, o peso exato do
globo terrestre, a quantidade das águas marítimas? Se começarmos a enumerar coisas e fatos, não
acabaremos nunca.
A especulação nos deixa abismados com o movimento metódico dos astros, a formação da noite e do dia, o
fenômeno das estações, o sentido esotérico dos 365 dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso
ilimitado da civilização, etc. Quando surgiu este mundo? Qual a sua extensão? Ele é finito ou infinito? Qual
o limite da população mundial? E o futuro da Terra?
Tudo permanece envolvido em mistério. Tudo caminha silenciosamente, sem a mínima falha ou atraso,
obedecendo a uma ordem determinada.
Ainda nos deparamos com os seguintes problemas: Por que viemos a este mundo e que papel devemos
desempenhar? Até quando poderemos viver? Voltaremos ao Nada, após a morte, ou existe o desconhecido
Mundo Espiritual onde iremos habitar em paz? As reflexões sobre o assunto nos deixam ainda mais
confusos, permanecendo tudo na obscuridade. Não há outro qualificativo a não ser o que dizem os bonzos:
"A Realidade é um Nada, e o Nada é uma Realidade."
Vasta, ilimitada e infinita é a existência do mundo. O ser humano, com a pretensão de desvendar este
mundo misterioso, vem empregando todos os meios, principalmente a pesquisa; apesar de seus esforços, só
consegue conhecer uma pequena parcela dos fenômenos infinitos. Daí atinarmos com a insignificância da
inteligência humana em relação à Natureza. É significativa a expressão "sombrio vazio", também citada
pelos bonzos. Entretanto, a vaidade humana, em sua tola presunção, excede-se a ponto de querer subjugar
essa mesma Natureza. Sábio é o homem que, antes de mais nada, procura conhecer a si mesmo, submete-se
a ela e participa das suas graças.
Analisando a Natureza sob o aspecto da vida humana e do ambiente que a rodeia, subsiste um enigma que
sobrepuja todos os outros: "Quem construiu este mundo maravilhoso e o governa à sua vontade?" Ninguém
poderá deixar de refletir sobre o seu Criador, nem sobre o propósito com o qual foi construído um mundo
tão esplendoroso. Procuremos imaginar esse Criador.
Um lar é governado pelo chefe da família; um país, pelo rei ou presidente. Logicamente, este mundo deve
ser dirigido por alguém. E quem poderia ser senão o Ente conhecido como Deus? Não encontro outra
conclusão. Por conseguinte, negar Deus significa negar o mundo em si mesmo. Tal lógica não permite
dúvidas; se alguma pessoa duvidar, coloca-se num plano de obstinado preconceito. Nesse caso, assemelha-
se aos irracionais: é desprovida de inteligência.
Nossa missão é extirpar do homem essa irracionalidade, transformando-o em verdadeiro ser pensante, numa
verdadeira obra de reforma humana. Até mesmo o ateu deve convir que a grandiosidade do Universo e a
perfeição cósmica só podem partir de um princípio perfeito: DEUS.
6 de janeiro de 1954
O JUÍZO FINAL
Os cristãos e todas as pessoas em geral devem estar muito interessados em saber quando e como virá o
Juízo Final, profetizado por Cristo. Visto que está se aproximando a hora, vou esclarecer a questão
parcialmente. Não se trata de interpretação minha, e sim de um conhecimento que me veio totalmente por
intuição espiritual. Por isso, quero que tomem minhas palavras apenas como mais uma referência ou teoria.
Em primeiro lugar, é necessário definir se realmente haverá um Juízo Final. Ora, um ser Divino como
Cristo, que hoje é alvo da fé de milhares de seguidores no mundo inteiro, entre os quais se contam povos de
nações superdesenvolvidas, não profetizaria algo que não acontecerá. Caso sua profecia não se concretize,
ele não passará de um simples mentiroso. Portanto, embora não sejamos cristãos, acreditamos nela
piamente. As palavras do fundador da Religião Oomotokyo: "O que Deus diz não tem qualquer margem de
erro, nem sequer da largura de um fio de cabelo", sem dúvida alguma podem ser aplicadas à profecia sobre
o Juízo Final.
Sobre o bem e o mal também existem as seguintes profecias: "Destruirei o mal pela raiz e construirei o
Mundo do Bem"; "O Mundo do Mal já acabou"; "O Mundo do Mal atingirá o seu ápice aos noventa e nove
por cento, e, com a ação de um por cento, será transformado no Mundo do Bem"; "Finalmente está
chegando a hora da transição do mundo". Todas elas, creio eu, não podem dizer respeito a outra coisa senão
ao Juízo Final. É aquilo a que estamos nos referindo constantemente como sendo a Transição da Noite para
o Dia. Há uma frase também relacionada a essa transição: "O momento crítico deste mundo está prestes a
chegar; por isso, nosso espírito precisa estar polido". Tais palavras significam que é impossível o ser
humano transpor esse período estando cheio de máculas.
Tomando a Bíblia como base e analisando o sentido das profecias citadas, podemos afirmar que nos
encontramos na iminência de um grande perigo; para ultrapassá-lo, precisaremos estar com o espírito
purificado. Isso quer dizer que o homem mau será eliminado para sempre. Se assim for, torna-se
imprescindível purificarmos nosso espírito através de uma fé correta, a fim de que possamos transpor essa
fase com segurança.
Os materialistas podem não acreditar, podem dizer que é um absurdo, que Deus é apenas fruto da
imaginação do homem; entretanto, quando chegar o momento decisivo e, aflitos, eles quiserem voltar-se
para Deus, já será tarde demais. Isso é mais claro que a luz do dia. Naturalmente, o amor de Deus é infinito
e Seu desejo é salvar o maior número possível de criaturas. Nós, que seguimos Sua Vontade, estamos
repetidamente advertindo os homens, através da palavra oral e escrita.
Sobre o mesmo assunto existe outra advertência: "Deus está querendo salvar os homens, mas, se eles não
tomarem cuidado e não derem importância a tantos avisos, encarando-os simplesmente como o canto do
galo que estão acostumados a ouvir, chegará a hora em que, prostrados, terão de pedir perdão a Deus. No
entanto, quando chegar essa hora, Deus não poderá ficar se ocupando dos homens. Assim, eles terão de
resignar-se ante a situação criada pelas suas próprias mãos." Acho que essas palavras têm exatamente o
mesmo sentido daquilo que eu acabei de explicar.
A propósito, falarei resumidamente sobre o Dilúvio e a Arca de Noé.
O fato deve ter acontecido há milhares de anos, num antigo país europeu, onde viviam dois irmãos de nome
Noé. No estado que hoje chamamos de "transe", o mais velho foi avisado sobre a iminência de um dilúvio e
por isso deveria alertar seu povo. Muito apreensivos, eles anunciaram aos homens o perigo iminente, mas
ninguém acreditou em suas palavras. Passados alguns anos, finalmente eles conseguiram convencer seis
pessoas. Então Deus lhes ordenou que construíssem uma arca, e os oito entraram nela.
Pouco tempo depois, começou a chover ininterruptamente. Uns dizem que choveu durante quarenta dias;
outros dizem que cem. O certo é que foi um longo período de fortes chuvas. As águas subiam cada vez
mais, inundando as casas; apenas o cume das montanhas ficava de fora. Os homens tentavam entrar na arca
ou refugiar-se nas montanhas, mas os animais ferozes e as cobras venenosas, querendo salvar-se, faziam o
mesmo. Como a arca possuía tampa, ninguém conseguiu entrar. Famintos, os animais devoravam todos os
homens; salvaram-se apenas as oito pessoas que estavam na arca. Elas são consideradas antepassados da
raça branca.
No Novo Testamento, existe uma passagem na qual se diz que João faria o batismo pela água e Cristo faria
o batismo pelo fogo. Se o Dilúvio representou o início do batismo pela água, o batismo pelo fogo, atribuído
a Cristo, só poderá ser o Juízo Final que está prestes a chegar. Acontece que a água é material, e o fogo é
espiritual. Por isso, aquilo que estamos realizando atualmente-a purificação do espírito através do espírito-
nada mais é que o batismo pelo fogo. Como o espírito se reflete na matéria, a influência que esse batismo
exercerá sobre ela deverá produzir uma mudança extraordinária. Mas precisamos saber que existe perigo
apenas para o mal, e não para o bem.
Este artigo, eu o ofereço às pessoas descrentes.
20 de janeiro de 1950
A TRANSIÇÃO DA VELHA CULTURA PARA A NOVA CULTURA
A cultura atual, comparada à cultura primitiva, de milhares de anos atrás, alcançou um progresso
assombroso e está se expandindo cada vez mais. Todavia, o homem muito sofreu e lutou para chegar a esse
ponto, enfrentando catástrofes naturais, guerras, doenças e outros males. A história da humanidade mostra-
nos as terríveis batalhas que viemos travando contra esses sofrimentos.
É desnecessário dizer que, por trás dos objetivos do progresso, havia um plano no sentido de proporcionar a
todos os homens um mundo mais feliz, de eterna paz. Para a concretização desse ideal, no entanto, os
homens promoveram apenas o progresso da cultura material e consideraram a Ciência como única verdade,
não dando atenção a nada mais. Toda vez que havia uma descoberta ou invenção, a humanidade as
aplaudia, achando-as maravilhosas, crente de que, através delas, a felicidade aumentaria e, passo a passo,
aquele ideal estaria mais próximo. Foi assim que os homens viveram correndo atrás do sonho de alcançar a
felicidade.
Entretanto, o progresso da Ciência atingiu o ponto de se descobrir a desintegração do átomo. Essa grande
descoberta deveria ser digna de comemoração, mas, ao contrário do que se esperava, foi uma descoberta
aterradora. O caminho que percorríamos pensando ser o caminho para o Céu, na verdade era o caminho
indesejável para o Inferno. Inventou-se um material que, num segundo, pode acabar com milhares de vidas.
Talvez a História ainda não tenha registrado nenhum acontecimento tão contrário à previsão dos homens.
A humanidade ou, mais especificamente, os povos civilizados que inventaram esse terrível material,
acabaram criando, também, o problema de precisarmos fugir, a todo custo, da ameaça que paira sobre as
nossas cabeças. É realmente paradoxal. Contudo, pensando bem, trata-se de uma invenção que, em si
mesma, nada tem de temível; pelo contrário, é uma maravilha que vem contribuir para a felicidade do
homem. Ela é temida porque pode ser empregada como instrumento de guerra, mas, se for utilizada para a
paz, será realmente uma grande aquisição para a humanidade. No primeiro caso, seu emprego está baseado
no mal; no segundo caso, está baseado no bem. Logo, tanto pode se tornar um instrumento benéfico como
maléfico. Nesse sentido, se a pessoa que o manipula estiver do lado do bem, não haverá nenhum problema.
Mas o caso não é tão simples assim. Em termos concretos, é preciso transformar o mal em bem. Torna-se
desnecessário dizer que esta é a sagrada missão da Religião. Até agora, a Religião, a Moral, a Educação e a
Lei contribuíram para isso de certa forma, conseguindo alguns bons resultados, porém, ainda hoje, ao
contrário do que se esperava, o bem está sendo subjugado pelo mal. A preocupação existente de que o
material atômico venha a ser utilizado por este último, é uma prova do que dizemos. Entretanto, precisamos
aprofundar outro aspecto da questão. Se o ato diabólico e destruidor representado pelo lançamento da
bomba atômica for permitido, obviamente advirá o fim da humanidade. Sendo assim, é inadmissível que o
Criador do Céu e da Terra e de tudo que neles existe, e também arquiteto do progresso atingido pela
civilização, consinta passivamente essa catástrofe.
Interpretando desse modo, que mais poderia ser isso senão o "Fim do Mundo" profetizado por Cristo? Caso
não houvesse nenhuma outra profecia, a humanidade nada mais teria a fazer do que aguardar seu fim, mas
Cristo também disse: "É chegado o Reino dos Céus". Torna-se evidente, portanto, que essas duas grandes
profecias estão indicando o futuro do mundo, ou seja, que virá o Fim do Mundo e se estabelecerá o Céu na
Terra.
Foi previsto, ainda, o Retorno de Cristo e a Vinda do Messias. A propósito, também devemos pensar que,
para ficarmos absolutamente livres da destruição atômica, é necessário transformar o mal em bem,
conforme já explanei. E quem poderia ter força ou poder para isso senão o próprio Messias? Não obstante,
mesmo ocorrendo essa grande transformação, haverá muitos que não se converterão ao bem. A estes, para
os quais não é possível esperar mais nada, só poderá acontecer o pior dos piores. Cristo referiu-se a esse
acontecimento com a expressão "Juízo Final".
Com base no que acabo de expor, os homens devem conscientizar-se de que estamos na fase imediatamente
anterior à efetiva transição do Mal para o Bem, da Destruição para a Construção, da Velha para Nova
Cultura. O plano para a Nova Cultura já está muito bem preparado. Não foi elaborado pela inteligência nem
pela força humana; há milhares de anos Deus o vem preparando com toda a meticulosidade. Estou vendo
tudo isso de forma muito clara, e não apenas espiritualmente, mas inclusive através de fenômenos de ordem
material. Vejo realmente com tanta clareza que, sem vacilação, posso afirmar que não há, em absoluto,
nenhuma parcela de erro no que estou dizendo.
6 de setembro de 1950
CRIAÇÃO DA CULTURA
A nossa religião é denominada Igreja Messiânica Mundial. Naturalmente, tendo ela surgido para promover
a última salvação do mundo, não há disparidade entre seu nome e sua missão, mas também poderíamos
chamá-la de Igreja Criadora. Explicarei por quê.
Durante dezenas de séculos, a humanidade veio empregando todas as suas forças para o progresso e
desenvolvimento cultural, e, como podemos constatar, atingimos uma cultura notável e exuberante, que
chega a deixar-nos maravilhados. Não haveria palavras suficientes para enaltecer esse mérito. O ideal da
humanidade, obviamente, era promover a felicidade do homem; entretanto, graças à descoberta da
desintegração do átomo, a realidade foi bem diferente daquilo que se esperava. O adjetivo "pavoroso" ainda
seria fraco para qualificar tal descoberta, pois ela é capaz de ceifar milhares de vidas num instante.
Indubitavelmente, o sonho de felicidade foi traído, mais do que se possa imaginar. Quem poderia prever tão
grande desgraça? Haverá existido maior desencontro que esse em toda História? A humanidade - ou pelo
menos os homens cultos - precisa descobrir a verdadeira causa do problema, pois, enquanto ela não for
descoberta e solucionada, o progresso da cultura obtido de agora em diante não terá nenhum sentido. A
própria energia atômica, no entanto, torna-se demoníaca porque é utilizada como arma de guerra; se não o
for, logicamente torna-se um maravilhoso anjo da paz. De acordo com esse princípio, não há motivo para
fazermos alarde contra a bomba atômica, pois o problema está na guerra em si; conseqüentemente, não
existe problema mais importante que o da sua extinção. Há milhares de anos, com efeito, a humanidade
vem empregando todos os seus esforços para fugir desse horror; é um fato que todos estão fartos de
conhecer. Não obstante, ao invés de ele estacionar, a realidade mostra o seu incremento, a cada guerra que é
travada. Talvez isso também seja motivado pelo crescimento demográfico, mas a causa principal é o
aperfeiçoamento das armas, que culminou com a invenção da bomba atômica. O que mais poderia estar
indicando esse acontecimento senão a aproximação da hora de colocar-se um ponto final nas guerras?
Acredito que este é o "Fim do Mundo" profetizado por Cristo.
Pensando dessa forma, podemos considerar que a civilização atual seja um sucesso, mas também não
podemos deixar de admitir a existência de uma falha tão grande que anula esse sucesso. Analisando desse
ângulo, o certo seria despertar das falhas da cultura, as quais descrevi acima, e partir para a criação de uma
cultura nova e inédita. Em outras palavras, seria o reinício da cultura.
E como se criaria essa nova cultura? Eis o grande desafio que a humanidade vive atualmente. Acredito que
a Igreja Messiânica Mundial foi criada para corresponder a esse propósito. Portanto, com tão importante
missão, ela visa a desenvolver, de acordo com a Ordem de Deus, a grandiosa obra de construção do Paraíso
Terrestre. Como condição básica para atingir esse objetivo, propomo-nos, antes de tudo, a eliminar a
doença da humanidade. Julgo desnecessário falar muito a esse respeito, dados os maravilhosos resultados
que vimos obtendo. Obviamente, a verdadeira causa da guerra é a doença; não somente a doença física, mas
também a espiritual - a dos doentes do espírito que ainda não são considerados loucos ou insanos. Fazer
deles pessoas verdadeiramente saudáveis, deverá ser a base para solucionar o problema da guerra. Acredito
que as demais soluções apontadas não passam de palavras vazias.
13 de setembro de 1950
CONCRETIZAÇÃO DA PROFECIA DO REINO DOS CÉUS - O PARAÍSO
TERRESTRE
Creio que, para o momento atual, os pontos mais importantes da Bíblia estão resumidos nestes três: "Juízo
Final", "Advento do Reino dos Céus" e "Segunda Vinda de Cristo". Um estudo sério sobre tais fatos leva-
nos a crer que o Juízo Final é obra de Deus, que a Segunda Vinda de Cristo ocorrerá no seu devido tempo,
dispensando, portanto, qualquer explicação, e que somente o Reino dos Céus será construído com a força do
homem. Nesse caso, é indispensável que alguém se torne o arquiteto e execute a construção. Quanto ao
tempo, segundo o nosso conceito, trata-se do presente; quanto ao construtor, a nossa Igreja. A obra já foi
iniciada por nós. Referi-me diversas vezes, neste livro, ao protótipo do Paraíso, que está sendo construído
atualmente.
A profecia de Cristo se realizará com a construção do Paraíso Terrestre, efetuada pela nossa Igreja. Mas não
pretendo que, desse fato, advenha orgulho, pois a concretização da profecia bíblica se deve ao Amor
Universal de Deus, que utiliza Seus escolhidos para a construção do Mundo Ideal, segundo a necessidade da
época. Portanto, como a obra que estamos efetuando foi profetizada há dois mil anos por Cristo, considero
cada um de nossos fiéis como participante da missão de concretizar tal profecia.
20 de março de 1950
A CULTURA DE (***maru_su.tif***) ("SU")
Para falar desse tema, começarei por explicar o significado da forma (***maru_su.tif***) ("su"). Como se
pode ver, é uma circunferência (***maru.tif***) com um ponto (***) bem no centro. Se fosse apenas isso,
não teria um significado muito importante; entretanto, nada é tão significativo.
A circunferência expressa a forma de todas as coisas no Universo. A Terra, o Sol, a Lua e até mesmo os
espíritos desencarnados e as divindades tomam esse formato para se moverem de um lugar para outro. Isso
está bem comprovado pela conhecida expressão "Bola de Fogo". A "Bola de Fogo" das divindades é uma
esfera de luz; a dos espíritos humanos desencarnados não possui luz, é apenas algo embaçado ou desfocado,
de cor amarela ou branca. Tratando-se de espírito masculino, é amarela, e de espírito feminino, branca,
correspondendo respectivamente ao Sol e à Lua.
Mas vamos ao mais importante. Naturalmente, este mundo também tem o formato circular; mas não passa
de um círculo, pois o seu interior está vazio. No caso do ser humano, significa não ter alma; assim, colocar-
lhe um ponto no centro, ou seja, colocar-lhe alma, é torná-lo um ser vivente. Só dessa maneira ele pode
desempenhar atividades. Por conseguinte, a circunferência com um ponto no centro simboliza uma forma
vazia na qual se pôs alma. Isso equivale à expressão "colocar espírito", usada pelos pintores antigos. Com
base no que acabamos de dizer, podemos afirmar que até agora o mundo era vazio, não possuía alma. Eis,
portanto, o que significa "Cultura Superficial", sobre a qual já escrevi em outra oportunidade.
A prova do princípio exposto acima evidencia-se em todos os setores da cultura. O tratamento alopático das
doenças, como sempre digo, também é uma manifestação desse princípio. As dores e a coceira são
adormecidas por meio da aplicação de injeções ou de remédios passados no local; a febre, baixa-se com
gelo; corta-se, também, a purificação tomando-se remédios. Dessa forma, o doente livra-se dos sofrimentos
durante algum tempo, mas, como não se atingiu a raiz da doença, a cura completa é impossível; com o
tempo, a doença retorna. Em verdade, o que acontece é apenas o seu adiantamento. Sendo assim, também a
causa das enfermidades está na alma, porém até agora não se compreendeu isso.
O mesmo se verifica em relação a outros males, como os crimes, por exemplos. Atualmente, eles são
evitados de uma só maneira: fazendo-se o criminoso cumprir uma pena dolorosa. Trata-se de um processo
idêntico ao tratamento alopático empregado pela Medicina. Por isso é que, quando alguém comete um
crime, geralmente vem a cometer outros. Existe quem pratique dezenas deles, e até mesmo quem os cometa
a vida inteira, passando mais tempo preso do que em liberdade. A causa disto está na falta do ponto, ou
seja, da alma.
Sobre a guerra pode-se dizer a mesma coisa. Aumentando-se o poderio militar, o inimigo sentirá que não
tem condições de vencer e desistirá da luta por algum tempo. Mas isso não passa de um meio de adiar a
guerra; a História tem demonstrado que um dia, inevitavelmente, ela recomeçará. Assim, podemos entender
que a cultura existente até agora era apenas uma circunferência sem um ponto no centro.
Eu sempre falo sobre a teoria dos noventa e nove por cento e do um por cento. Se numa circunferência
entrar um ponto, significa que por meio de um por cento modificam-se noventa e nove por cento. Em outras
palavras, representa destruir noventa e nove por cento do mal com a força de um por cento do bem. Seria o
mesmo que tornar branca uma circunferência preta unicamente com a força desse um por cento.
Relacionando isso ao mundo, significa colocar conteúdo, ou melhor, colocar alma numa civilização vazia.
Assim, estamos vivificando a civilização que até agora só apresentava forma, como se fosse um objeto
inerte. É o nascimento de um novo mundo.
10 de setembro de 1952
PREFÁCIO DO LIVRO "O MUNDO ESPIRITUAL"
Neste volume estão coligidos os Ensinamentos que escrevi sobre os fenômenos do Mundo Espiritual, como
resultado de estudos e pesquisas efetuados durante mais de vinte anos. Não há fantasia nem exagero em
minhas palavras.
Dizem que a cultura humana progrediu muito, mas o que houve foi apenas progresso da parte material; a
parte espiritual, lamentavelmente, progrediu muito pouco. E o que é progresso da cultura? Em verdade,
progresso da cultura significa o desenvolvimento paralelo do concreto e do abstrato. Apesar do propalado
avanço cultural, o homem até hoje não conseguiu alcançar a felicidade, e a razão principal é que o
progresso se efetuou num único sentido. Em outras palavras, porque a cultura material se desenvolveu
muito, mas a cultura espiritual não acompanhou esse desenvolvimento.
Diante disso, eu desejo despertar a humanidade imprimindo um extraordinário progresso à cultura
espiritual. Visto que os fenômenos espirituais, em decorrência de sua própria natureza, não podem ser
percebidos pelos cinco sentidos do homem, torna-se muito difícil apreendê-los. Mesmo assim, como não
vou evidenciar o que não existe, e sim mostrar o que de fato existe, tenho absoluta certeza de que esse
objetivo será alcançado.
Crendo nos fenômenos espirituais, torna-se claro que poderemos apreender a causa fundamental da
verdadeira felicidade. Em outras palavras, para se obter a perfeita paz de espírito, é necessário profundo
conhecimento de tais fenômenos, seja qual for a Fé que se professe.
O homem não pode evitar a morte, mas conhece muito pouco sobre a vida após a morte. Meditemos.
Embora possa viver muito tempo, geralmente o homem não passa dos setenta ou oitenta anos. Se isso
representa o fim de tudo, a vida não é realmente vã? Caso ele pense assim, é porque desconhece totalmente
que, após a morte, existe a vida no Mundo Espiritual. Suponhamos, entretanto, que o homem chegue a
adquirir profundo conhecimento a esse respeito: viveria uma vida feliz neste mundo e também depois de
morrer. Existe, portanto, a possibilidade de ele se tornar eternamente venturoso.
É pelos motivos acima expostos que escrevi o presente volume.
25 de agosto de 1949
O MUNDO DESCONHECIDO
Vivemos e respiramos no Mundo Material, o Mundo Temporal, mas, com a morte, tornamo-nos habitantes
do Mundo Espiritual, o Mundo Desconhecido, isto é, o Mundo Intemporal.
O Mundo Espiritual é invisível, impalpável. Não sendo perceptível pelos sentidos, torna-se difícil crer na
sua existência apenas por meio de palavras, através de uma simples explicação. Entretanto, visto que se
trata de uma realidade e não de um vazio, seria impossível ele não se manifestar por algum fenômeno, sob
qualquer forma.
Com efeito, os fenômenos espirituais - grandes, médios ou pequenos - apresentam-se em todos os aspectos
da vida humana, nos seus mínimos detalhes e em todos os locais do mundo. Só que o homem não os
percebe. Essa falta de percepção é causada pelo desinteresse da educação da cultura tradicional em relação
ao espírito, em decorrência da fase noturna que o mundo atravessava. No escuro da noite, com a luz da Lua,
só se consegue enxergar escassamente, mas de dia, com a luz do Sol, é possível distinguir claramente todas
as coisas, de forma global e instantânea. Num futuro bem próximo, o Mundo Conhecido, que era regido
pela Lua, será o mundo regido pelo Sol, isto é, o mundo sob a Grande Luz. Como resultado dessa mudança
de regência, serão revelados todos os segredos, falsidades e erros.
5 de fevereiro de 1947
O PODER DA NATUREZA
Segundo meus estudos, a Grande Natureza, isto é, o mundo em que respiramos e vivemos, está constituída
de três elementos - o Fogo, a Água e o Solo - conforme já explanei em outra oportunidade. Atualmente, a
Ciência e o homem, pelos seus cincos sentidos, têm conhecimento do eletromagnetismo, do ar, da matéria,
dos elementos, etc., mas o meu propósito é falar sobre a energia espiritual, que a Ciência e os cinco sentidos
do homem ignoram.
A expressão "energia espiritual" ou "espírito" tem sido usada até hoje circunscrita à Religião ou à
Metafísica. Por isso, na maioria das vezes, é associada à superstição. A tendência é considerar intelectual
aquele que nega a existência do espírito, mas como estão enganados os que pensam assim...
A essência daquilo a que dou o nome de espírito é a fonte do grandioso poder que dirige tudo que existe
neste Universo e do qual dependem o nascimento, o crescimento, o movimento e a transformação de todas
as coisas. Chamo-o de Poder Invisível. Sendo assim, daqui por diante chamarei o mundo conhecido
simplesmente de Mundo Material, e o desconhecido, de Mundo Espiritual.
Como lei fundamental de tudo que existe, todos os fenômenos ocorridos no Mundo Material são projeções
daquilo que já foi gerado e acionado no Mundo Espiritual. Isso pode ser exemplificado pelos movimentos
das mãos ou das pernas, os quais são precedidos pela nossa vontade. Até agora, contudo, os estudiosos têm
procurado soluções analisando apenas os fenômenos do Mundo Material, e é por essa razão que embora se
diga que houve progresso na cultura, ele não trouxe bem-estar à humanidade. Portanto, para resolver
qualquer problema, é necessário solucioná-lo primeiro no Mundo Espiritual; inclusive as doenças, cujo
verdadeiro método de tratamento consiste em tratar o espírito por processos espirituais.
Mesmo nos seres vivos, o corpo espiritual está subordinado ao Mundo Espiritual, e o corpo físico,
logicamente, ao Mundo Material. A doença, como já tenho explicado, é a eliminação de toxinas
acumuladas, ou melhor, o processo de dissolução das toxinas solidificadas. Relacionando matéria e espírito,
a acumulação de toxinas numa determinada região representa a existência de máculas na correspondente
região do corpo espiritual, e o processo de dissolução significa a eliminação das máculas. Por conseguinte,
todo e qualquer tratamento que se proponha a curar apenas o corpo físico é método contrário, não levando à
verdadeira solução da doença.
Se o método fundamental para a erradicação das doenças é a eliminação das máculas do corpo espiritual,
qual é o poder que dissipará essas máculas? É a Luz emanada de Deus e irradiada através do corpo humano.
A profunda compreensão desse princípio só se tornará possível através da prática do Johrei por vários anos.
No momento, creio que os leitores poderão obter apenas uma noção geral; por isso, peço-lhes que leiam
com esse espírito.
Antes de explicar o que é o corpo espiritual do homem, torna-se necessário explicar o que é a morte.
Quando o corpo material fica imprestável, por velhice, doença, ferimento, perda de sangue, etc., o corpo
espiritual e o corpo material se separam. A esta separação é que chamamos morte. Ela ocorre quando o
corpo espiritual se liberta do corpo material. O primeiro regressa ao Mundo Espiritual e, passado algum
tempo, reencarna; o segundo, como todos sabem, apodrece e retorna à terra. Pelo exposto, compreende-se
que o corpo espiritual tem vida infinita, e o corpo material, vida finita, existência secundária.
Conseqüentemente, quando se trata de questões relativas ao homem, o verdadeiro alvo é o corpo espiritual.
Na ciência contemporânea, está se tornando conhecida a existência de uma espécie de radioatividade em
todos os seres, inclusive nos minerais e nos vegetais. Meus estudos revelaram que a radioatividade do corpo
humano é de qualidade superior. É como se falava nos velhos tempos: "Espiritualmente, o homem é
superior a todos os outros seres."
Quanto mais elevado o espírito, maior é o seu grau de rarefação (pureza), e, quanto mais aumenta o grau de
rarefação, mais difícil se torna detectá-lo através de instrumentos. Portanto, opondo-se aos conceitos
materialistas, é muito mais fácil captar a presença de espíritos de níveis inferiores, assim como acontece
com o rádio, entre os minerais, e a fosforescência, em alguns vegetais. Todavia, é importante
compreendermos este princípio: quanto mais rarefeito (puro) é o espírito, maior é o seu poder de atuação.
A irradiação do corpo humano é a mais poderosa, mas a grande diferença que há de umas para outras
pessoas, está além da imaginação. Quanto mais poderosa for essa irradiação, maior será a atuação do Johrei.
Assim, para irradiá-la com maior potência, concentrei-a numa parte do corpo, alcançando, com isso, pleno
sucesso na eliminação das máculas. Consegui, também, aumentar ainda mais a força da irradiação que cada
um possui, através de um método todo peculiar. Aplicando esses dois métodos, conhecendo o seu princípio
e somando experiências, consegue-se manifestar um poder extraordinário.
5 de fevereiro de 1947
OS ELEMENTOS FOGO, ÁGUA E SOLO
Tudo que existe, é composto de três elementos básicos. O nascimento e o desenvolvimento de todas as
coisas dependem da energia destes três elementos: o Sol, a Lua e a Terra. O Sol é a origem do elemento
Fogo; a Lua, a origem do elemento Água; a Terra, a origem do elemento Solo.
As energias do Fogo, da Água e do Solo movem-se, cruzam-se e fundem-se em sentido vertical e
horizontal. Verticalmente, significa que do Céu à Terra há três níveis: o Sol, a Lua e a Terra. Isso pode ser
claramente observado por ocasião de um eclipse solar. O Céu é o Mundo do Fogo, centralizado no Sol; o
espaço intermediário é o Mundo da Água, centralizado na Lua; a Terra é o Mundo do Solo, centralizado no
Globo Terrestre. Horizontalmente, significa a própria realidade em que nós, seres humanos, estamos
vivendo na face da Terra, ou melhor, o Mundo Material, constituído do espaço e da matéria. A existência da
matéria é perceptível por meio dos cinco sentidos do homem, mas por algum tempo o espaço foi
considerado vazio. Com a evolução da cultura, nele se descobriu a existência do meio-matéria (digo
provisoriamente meio-matéria) conhecido como ar. Entretanto, nesse espaço em que até há pouco se
pensava existir apenas o ar, identifiquei a existência de mais um elemento - denominei-o de "espírito".
Algumas religiões falam sobre o Mundo Espiritual, sobre espírito dos vivos, sobre espírito dos mortos,
sobre encostos, etc. Ascetas e médiuns também falam a respeito dos espíritos. Com a evolução da Ciência
Espiritual nos Estados Unidos e na Europa, as pesquisas sobre o assunto estão em franco desenvolvimento,
e até certo ponto podemos crer nas explanações de obras como "Raymond", da autoria de Sir Oliver Joseph
Lodge (1851-1940), e "Exploration in the Spiritual World", do Dr. Ward. Mas o objetivo do meu estudo
situa-se num campo completamente diverso.
Por princípio, o elemento da matéria é o Solo. Qualquer pessoa sabe que toda matéria surge do Solo e
retorna ao Solo. O elemento Água, que é meio-matéria, procede da Lua e está contido no ar. O espírito,
entretanto, não é matéria nem meio-matéria; irradiado do Sol, é imaterial, e por esse motivo sua existência
até hoje não foi comprovada. Resumindo: o Solo é matéria; a Água é meio-matéria; o Fogo é imaterial. Da
união desses três elementos surge a energia. Cientificamente, quer dizer que os três, como partículas
atômicas infinitesimais, tão pequeninas que estão além da imaginação, fundem-se e agem conjuntamente.
Eis a realidade do Universo. Portanto, a existência da umidade e a temperatura adequada para a
sobrevivência das criaturas no espaço em que respiramos, são decorrentes da fusão e harmonização do
elemento Fogo e do elemento Água. Se o elemento Fogo se reduzir a zero, restando apenas o elemento
Água, o Universo ficará congelado instantaneamente. Ao contrário, se restar apenas o elemento Fogo, e o
elemento Água se reduzir a zero, haverá uma explosão e tudo se anulará. Os elementos Fogo e Água unem-
se com o elemento Solo, e dessa união produz-se a energia que dá existência a todas as coisas. Por essa
razão, o fogo, pela sua natureza, arde em sentido vertical, e a água corre em sentido horizontal; o fogo arde
pela ação da água e a água se move pela ação do fogo.
Desde a antigüidade o homem é considerado um pequeno universo, porque o princípio acima se aplica ao
corpo humano. Isto é, o Fogo, a Água e o Solo correspondem, respectivamente, ao coração, ao pulmão e ao
estômago. O estômago digere o que é produzido pelo Solo; o pulmão absorve o elemento Água; o coração,
o elemento Fogo. Sendo assim, podemos compreender por que esses órgãos desempenham papel tão
importante na constituição do corpo humano. Entretanto, até hoje o coração é visto apenas como órgão
bombeador do sangue, o qual, cheio de impurezas, é levado ao pulmão para ser purificado pelo oxigênio.
Assim, ele é tido unicamente como órgão do sistema circulatório, pois se desconhece por completo a
existência do elemento Fogo.
Como dissemos, o estômago digere o alimento, ou melhor, o elemento Solo ingerido pela boca; o pulmão
aspira o elemento Água pela respiração; e o coração absorve o elemento Fogo pelas contrações cardíacas.
Portanto, a febre que sobrevém quando se adoece, tem por finalidade dissolver as toxinas solidificadas na
parte enferma, e o calor necessário ao corpo, isto é, o elemento Fogo, é absorvido do Mundo Espiritual pelo
coração. Isso quer dizer que as contrações cardíacas são movimentos bombeadores por meio dos quais esse
elemento é retirado do Mundo Espiritual. O aumento das contrações cardíacas, ou melhor, da pulsação,
antes de surgir a febre, deve-se à aceleração da aspiração do elemento Fogo. Os calafrios que se têm na
ocasião são motivados pelo desvio de calor necessário ao processo de purificação, e assim, provisoriamente,
diminui-se a quantidade de calor que mantinha a temperatura do corpo. A diminuição da febre significa o
fim do processo de dissolução das toxinas. Sendo assim, a temperatura do corpo é resultante da aspiração
incessante do elemento Fogo do Mundo Espiritual, por meio do coração.
Também o pulmão absorve incessantemente, através da respiração, o elemento Água do mundo
atmosférico, e por essa razão, além do volume de líquido ingerido pela boca, a água existente no corpo
humano também é absorvida, em grande parte, por intermédio dos pulmões. É graças a esse processo que,
tão logo a pessoa falece, imediatamente sua temperatura cai, o corpo fica gelado e perde a umidade, o
sangue coagula e o cadáver começa a secar. Explicando melhor, com a morte o espírito separa-se do corpo
carnal e entra no Mundo Espiritual. Como desaparece o espírito, que é o elemento Fogo, a parte líquida
solidifica-se. Em outras palavras, o espírito retorna ao Mundo Espiritual; a parte líquida, ao mundo
atmosférico, e o corpo carnal, ao solo.
5 de outubro de 1943
ELO ESPIRITUAL
Até agora pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque ainda se desconhece a sua importância.
Entretanto, embora os elos espirituais sejam invisíveis e mais rarefeitos que a atmosfera, através deles todos
os seres são influenciados consideravelmente. No homem, eles tornam-se o veículo transmissor da causa da
felicidade e da infelicidade. Em sentido amplo, exercem influência até sobre a História. Portanto, o homem
deve conhecer o seu significado.
Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e também preparação para o futuro. O
princípio da relatividade, os raios cósmicos e os problemas referentes à sociedade ou ao indivíduo, tudo se
relaciona com os elos espirituais. Vejamos a relação existente entre eles e o homem.
Tomemos como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor. Ele não sabe quantos elos
espirituais estão ligados a ele; podem ser poucos, dezenas, centenas ou milhares. Há elos espirituais grossos
e finos, compridos e curtos, bons e maus, e constantemente causam influência e transformação no homem.
Portanto, não é absurdo dizer que este se mantém vivo graças aos elos espirituais. Entre estes, o mais forte é
o que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos,
entre primos, amigos, conhecidos, etc. Creio que as expressões "laços de afinidade" e "ter afinidade com
alguém", usadas desde a antigüidade, referem-se aos elos espirituais.
Os elos espirituais sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando há harmonia entre o casal,
ele é grosso e brilhante; quando os cônjuges estão em conflito, ele torna-se mais fino e perde o brilho. Entre
pais e filhos, entre irmãos, etc., dá-se a mesma coisa.
Também podem ser formados novos elos, quando uma pessoa trava conhecimento com outra, quando inicia
uma amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o namoro ao clímax, o elo torna-se infinitamente
grosso e transmite intensas vibrações de um para o outro. São trocadas não só sensações agradáveis e sutis,
mas também de tristeza e solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se extremamente forte e é
impossível a separação. Nesse caso, mesmo que uma terceira pessoa tente interferir no romance, não só não
obterá nenhum resultado mas, ao contrário, fará aumentar ainda mais o grau da paixão. Quando duas
pessoas se amam, é como o pólo positivo e o pólo negativo em eletricidade, que se tocam e geram a energia
elétrica; nesse caso, o elo espiritual trabalha como fio elétrico. Tempos atrás, extinguindo espiritualmente o
pólo positivo, salvei duas estudantes que, envolvidas num amor lésbico, estavam a um passo de duplo
suicídio. Consegui que a moça que representava o pólo positivo voltasse à normalidade em cerca de uma
semana. Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo espiritual, e a outra, automaticamente, também
voltou à normalidade.
O elo espiritual entre pessoas que não têm laços de consangüinidade pode ser rompido, mas é impossível
romper o que existe entre parentes consangüíneos. No caso de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto:
como eles sempre estão pensando uns nos outros, o caráter dos filhos sofre a influência do caráter dos pais,
através do elo espiritual. Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro lugar devem melhorar
a si mesmos. Freqüentemente eles fazem coisas erradas e vivem advertindo os filhos, porém isso não dá
muito resultado, e o motivo é o que acabamos de expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo-nos por ver
pais maravilhosos com um filho transviado. A verdade é que esses pais são boas pessoas por interesse e
apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e isso se reflete no filho. Pode também acontecer que,
entre dois irmãos, um seja bom e outro seja corrupto. A causa está na vida anterior e nas máculas dos pais.
Para que possam compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação.
Após a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é, nasce nesse mundo. Referindo-se à morte, os
budistas usam a expressão "Odyo", que significa "vir para nascer". Analisando do ponto de vista do Mundo
Espiritual, é realmente o que acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas no Mundo
Material, e os espíritos que atingiram certo grau de purificação voltam a nascer neste mundo, ou melhor,
reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se arrependem ao morrer, seja por medo do castigo, seja por
outros motivos. Tendo compreendido que o homem nunca deve praticar o mal, fazem o firme propósito de
se tornarem virtuosas na próxima vida e, quando reencarnam, praticam realmente o bem. Vemos, pois, que,
embora alguém seja muito bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter sido um grande perverso.
Muitos homens, enquanto estão vivos, não acreditam na vida após a morte e, depois que morrem, não
conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida, reencarnam antes de estarem
suficientemente purificados e sofrem várias purificações no Mundo Material, pelas máculas que ainda
restam em seu espírito. Como o sofrimento é uma ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de
ter sido bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença, como por exemplo cegos, mudos e aleijados,
são pessoas que tiveram morte violenta na encarnação anterior e reencarnaram antes de concluída a
purificação.
Um caso interessante e freqüente de reencarnação é o de crianças que nascem com feições de velho. Isso
acontece porque essas pessoas morreram idosas na vida anterior, e reencarnaram precocemente; só dois ou
três meses após o nascimento é que tomam feições de bebê.
Ocorre, ainda, o caso do reflexo das más características dos pais sobre um dos filhos, o qual se torna
perverso, ao passo que num outro se reflete a consciência, ou melhor, o lado bom dos pais, e por isso este
filho se torna bondoso. Acontece também com freqüência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um
filho se torne esbanjador, gastando dinheiro como água, até acabar com a fortuna da família. Como se trata
de riqueza ilícita, os ancestrais escolhem um descendente que, dilapidando essa riqueza, na verdade está
trabalhando para salvar a família. Desconhecendo essa verdade, as pessoas acham que tal filho é
desprezível; por isso, ele é digno de pena.
Estamos ligados por elos espirituais não só aos parentes e amigos vivos, mas também àqueles que se
encontram no Mundo Espiritual. Existe, ainda, o elo espiritual que nos liga a Deus e também o que nos liga
a Satanás. Deus nos estimula para o bem, e Satanás para o mal. O homem é manejado constantemente por
uma força ou por outra. Assim, o espírito que foi purificado até certo ponto no Mundo Espiritual, é
escolhido como Espírito Guardião, o qual protege a pessoa confiada à sua guarda, através do elo espiritual
que os une. Quando ela está sujeita a um perigo iminente, o Espírito Guardião transmite-lhe um aviso e
tenta salvá-la. Como exemplo disso, podemos citar o caso de uma pessoa que vai pegar um trem mas que,
por ter se atrasado ou por algum outro problema, não o pega, tomando o trem seguinte. Aí, acontece um
desastre com o trem que ela não pegou, e muitos morrem ou ficam feridos. A pessoa foi salva graças ao
trabalho do Espírito Guardião, que conhece antecipadamente o destino de quem lhe foi confiado no Mundo
Material.
A quantidade de elos espirituais varia de acordo com a posição que o homem ocupa. Numa família, quem
os possui em maior número é o chefe, ligando-o com os familiares, com os empregados, com os amigos,
etc. Tratando-se do presidente de uma firma, possui elos com todos os funcionários; se for homem público,
como prefeito de uma cidade, governador de estado, primeiro-ministro, presidente, imperador, etc., tem elos
espirituais com todos aqueles que estão sob sua administração ou governo. Quanto mais elevada a posição
do homem, maior se torna o número de seus elos espirituais. Sendo assim, a personalidade de um líder tem
que ser nobre, porque, se no seu espírito houver impurezas, isso se refletirá nocivamente sobre grande
número de pessoas, atuando sobre o pensamento delas. O primeiro-ministro de um país, por exemplo, deve
ser um homem de grande personalidade; além de muita sabedoria, deve ter muita sinceridade. Caso
contrário, o pensamento do povo se deteriora, a moral relaxa, e o número de criminosos torna-se cada vez
maior. Principalmente os educadores, se soubessem que seu caráter se reflete sobre os alunos através dos
elos espirituais, deveriam tornar-se pessoas dignas de exercerem essa profissão, procurando constantemente
aperfeiçoar o próprio espírito.
Os religiosos - especialmente os fundadores, presidentes ou ministros de uma religião - sendo venerados por
grande número de fiéis como deuses vivos, devem ter muito cuidado, pois exercem uma influência notável.
Se praticarem atos condenáveis, aproveitando-se de sua posição, isso se refletirá no conjunto dos fiéis, e
essa religião acabará por se desmoronar, pois aqueles atos serão do conhecimento de todos.
Mas não é só o homem que tem elos espirituais. Também Deus tem elos que O ligam aos homens. A
diferença é que os de Deus possuem uma luz intensa, e os do homem, mesmo dos mais elevados, possuem
luz tênue; em geral são como linhas branco-acinzentadas. Quanto mais perversa for a pessoa, mais escuros
serão os seus elos espirituais. Comumente, ao escolhermos amigos, desejamos que sejam pessoas boas, pois,
misturando-se com o bem, o homem torna-se bom, e misturando-se com o mal, torna-se mau, graças às
influências transmitidas pelos elos espirituais.
Mesmo entre as entidades há os justos e os satânicos. Se o homem sempre venerar as divindades, seu
espírito será purificado, porque elas têm elos espirituais intensamente luminosos. Se venerar as entidades
satânicas, ao invés de luz, receberá fluidos maléficos que afetarão seu pensamento, e por isso se tornará
infeliz. Portanto, para seguir uma Fé, é essencial o homem discernir o bem e o mal. A intensidade da luz
varia conforme o nível da divindade. Quanto mais elevada ela for, maior número de milagres promoverá,
porque a luz dos seus elos espirituais é muito mais forte.
Existe atividade dos elos espirituais não só no homem, mas em todas as coisas. Por exemplo: a casa onde
residimos, os objetos que sempre usamos, entre os quais roupas e jóias, e principalmente as coisas de que
mais gostamos, possuem conosco um elo espiritual mais grosso. Numa antiga revista espiritualista dos
Estados Unidos, foi publicada uma reportagem sobre uma senhora que tinha um poder misterioso: pelos
objetos, ela identificava a fisionomia, a idade e as atividades recentes do seu dono. Quando contemplava
atentamente um objeto, tinha a impressão de estar diante da fotografia da pessoa. Isso ocorria por causa do
elo espiritual existente entre a pessoa e o objeto. Através desse exemplo podemos perceber como é sutil e
profunda a atuação dos elos espirituais.
Recentemente, começaram a fazer pesquisas científicas sobre os chamados raios cósmicos, os quais, a meu
ver, são os elos espirituais que unem a Terra aos outros astros. Desde que foi criada, a Terra mantém o
equilíbrio no espaço graças aos elos espirituais dos astros ao seu redor, que a atraem. Esses elos, cujo
número é incalculável - milhões ou bilhões - penetram até o centro da Terra. Aproveitando a oportunidade,
vou explicar rapidamente a relação entre a Terra e o Céu (espaço sideral).
Eles são como dois espelhos, um em frente ao outro. No espaço sideral há dois tipos de astros: os luminosos
e os opacos. Por não ter luz, o astro opaco não se torna visível aos olhos humanos, mas, com o passar do
tempo, vai se transformando em astro luminoso, pelo endurecimento de matérias cósmicas; ao atingir o
máximo de endurecimento, começa a brilhar. É por esse motivo que o mineral mais duro existente na Terra
- o diamante - é o que mais brilha.
Na época da criação do nosso planeta, o número de astros visíveis era tão pequeno como o das estrelas
durante a madrugada. Esse número cresceu proporcionalmente ao aumento da população; portanto, assim
como é impossível calcular o aumento da população humana no futuro, é impossível calcular o aumento do
número de astros. Freqüentemente os astrônomos descobrem novos astros, mas o que realmente acontece é
a transformação de um astro opaco em astro luminoso, o qual passa a ser percebido pelos olhos humanos.
Quanto às estrelas cadentes, representam a ação de desintegração das estrelas, e o meteoro é um fragmento
delas.
Todos os astros exercem influência sobre a humanidade: não só os grandes planetas, como Júpiter, Marte,
Saturno, Vênus, Mercúrio e outros, mas também as inumeráveis estrelas - grandes, médias e pequenas.
Assim como se destacam os cinco grandes planetas citados, em cada época existem cinco personalidades
mundiais. Também acho interessante compararem o homem às estrelas, e, referindo-se a personalidades
renomadas, falarem em "passagem de uma grande estrela", ou "queda de uma estrela".
A História registra que inclusive no Ocidente houve uma época em que se dava muita importância à
Astrologia, e os mestres religiosos consultavam os astros para ver a sorte ou o infortúnio, a felicidade ou a
infelicidade do homem, para analisar as doenças, etc. A Astrologia teve, pois, uma importância mundial. Na
China, a ciência da adivinhação também tomava por base os nove planetas. Para mim, não é sem cabimento
o interesse que os antigos tinham pelo estudo dos astros.
25 de outubro de 1949
OS TRÊS ESPÍRITOS DO HOMEM
Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito Guardião que constantemente o protege. É comum
ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus: isso significa que ele possui a partícula Divina que
lhe foi outorgada pelo Criador e que constitui seu Espírito Primordial. O espírito animal agregado após o
nascimento, é o Espírito Secundário; pode ser de raposa, texugo, cão, gato, cavalo, boi, macaco, doninha,
dragão, "tengu" (###"Tengu": ser misterioso que, segundo a crença popular, habita as montanhas. Tem
forma humana, asas, rosto vermelho e nariz comprido, sendo possuidor de poderes extraordinários. Porta
sempre um grande leque. É orgulhoso e amante de discussão e jogo###), aves, etc. Em geral, há uma
espécie para cada pessoa, mas em casos menos freqüentes há mais de uma. Dificilmente os homens da
atualidade acreditam nisso; creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo, através de inúmeras
experiências, eu compreendi que se trata de uma realidade incontestável.
O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito Secundário é o mal, são os pensamentos vis. No
budismo, dá-se à consciência o nome de Bodaishim (espírito do bem) ou Bushim (sentimento de
misericórdia búdica), e os maus pensamentos são chamados de Bonno (desejos mundanos).
Além desses dois espíritos - Primordial e Secundário - existe o Espírito Guardião. É o espírito de um
ancestral. Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus ancestrais um espírito que recebe a missão de
guardá-la. Via de regra, é espírito humano, mas também podem ser espíritos híbridos de homem com
dragão, raposa, "tengu" etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é "Karassu-tengu" (###"Karassu-
tengu": variedade de "tengu" com cabeça de corvo###), e meu Espírito Guardião é dragão.
É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se salvar miraculosamente, sendo avisado em sonho ou
tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à
inspiração recebida por artistas e inventores, no momento em que, compenetrados, estão criando alguma
obra. No caso de querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-lo receber graças através da Fé,
Deus atua por intermédio do Espírito Guardião. Os antigos provérbios "A verdadeira sinceridade se
transmite ao Céu", ou "A sinceridade se transmite a Deus", significam a concessão das graças Divinas
através do Espírito Guardião.
5 de fevereiro de 1947
DEUS EXISTE?
Pude intuir esta maravilha que é o Johrei graças ao conhecimento que tive sobre a existência do espírito e
ao princípio fundamental de que, com a purificação do espírito, o corpo volta à normalidade.
Esse princípio deve ser considerado como um prenúncio da cultura do futuro. Realmente ele representa uma
grande revolução para a Ciência, e, se o aplicarmos em todos os setores da vida, o bem-estar da humanidade
aumentará incalculavelmente. E não é só isso. Aprofundando-se a pesquisa desse princípio fundamental,
pode-se prever que ele influenciará até a essência da própria Religião.
A controvérsia sobre a existência de Deus é uma questão que tem desafiado os tempos e continua sempre
presente. E isso se justifica porque, apenas do ângulo de visão materialista, obviamente as pessoas nada
podem compreender a respeito de Deus, que é Espírito, o qual, para elas, equivale ao Nada. Mas, pela
Ciência Espiritual que estou propondo, é possível reconhecer a existência de Deus e, ao mesmo tempo,
responder a indagações sobre problemas como a vida após a morte, a reencarnação, a verdade sobre o
Mundo Espiritual, os fenômenos de encosto e incorporação e outras questões relativas ao Mundo
Desconhecido, que chamo também de Mundo Intemporal.
Primeiramente devo explicar como se processou a evolução do meu pensamento. Quando jovem, eu era
extremamente materialista. Até mais ou menos quarenta anos nunca entrei em templo algum. Achava tolice
adorar ou rezar para uma pedra, um espelho ou um papel escrito, que constituem a imagem de Deus nos
templos xintoístas e são colocados num recipiente com formato de caixa, feito por carpinteiros, com tábuas
de cânfora, e chamado "Omiya". Nos templos budistas também se adora um Buda desenhado em papel, ou
as estátuas de Kannon, Amida e Buda talhadas em madeira, pedra ou metal. Eu costumava afirmar que
Kannon e Amida só existiam na imaginação do homem; por conseguinte, achava que era uma adoração
ainda mais sem sentido, não passando de idolatria.
Naquele tempo, li a tese do famoso filósofo alemão Rudolf Eucken (1846-1926), o qual diz que o homem
possui o instinto inato de adorar qualquer coisa e, assim, criou e adora os seus próprios ídolos, caindo na
auto-satisfação. Como prova disso, acrescenta ele, todas as oferendas depositadas no altar estão voltadas
para o lado dos homens e não para o lado de Deus.
Senti-me perfeitamente identificado com a tese e até considerava que a existência de templos era
prejudicial ao progresso da Pátria, porque as nações que possuíam muitos templos estavam em declínio e
aquelas que quase não os tinham achavam-se em franco desenvolvimento. Apesar disso, mensalmente eu
contribuía com uma modesta quantia para o Exército da Salvação, e por esse motivo era visitado por um
sacerdote que sempre insistia em que eu me convertesse ao cristianismo. Ele me dizia: "As pessoas que
contribuem para o Exército da Salvação geralmente são cristãs. Por que o senhor contribui, se não é
cristão?" Então expliquei: "O Exército da Salvação trabalha para a recuperação de ex-presidiários,
transformando-os em pessoas de bem. Se não existisse, talvez um deles tivesse entrado em minha casa para
me roubar. Portanto, se o Exército da Salvação está impedindo que isso aconteça, é natural que eu seja
agradecido e colabore nas suas obras".
Houve muitos casos semelhantes, porém, na época, apesar de fazer o bem, eu não acreditava em Deus nem
em Buda. Sendo assim, poderão compreender quão forte era a minha tendência a jamais acreditar naquilo
que não se pode ver.
Naquele tempo, as minhas atividades comerciais iam muito bem, e eu estava no auge da autoconfiança, mas
um de meus empregados me fez perder tudo. A sorte adversa, manifestada através do falecimento de minha
primeira esposa, dos embargos judiciais sofridos da falência e de outras desgraças, arrastaram-me para o
fundo do abismo. Como resultado, acabei recorrendo àquilo a que todos recorrem nessas ocasiões: a
Religião. Também eu fui à procura da salvação no xintoísmo e no budismo, como era de praxe, e assim tive
conhecimento da existência de Deus, do Mundo Espiritual, da vida após a morte, etc. Refletindo sobre o
meu passado, arrependi-me da vida inútil que levara até então.
Após esse despertar, meu conceito sobre a vida deu uma volta de cento e oitenta graus. Compreendi que o
homem é protegido por Deus e que, se ele não reconhecer a existência do espírito, não passa de um ser
vazio. Também entendi que, mesmo na pregação moral, se não fizermos com que as pessoas reconheçam a
existência do espírito, ela não terá nenhum valor. Por isso, caros leitores, faço votos de que "abram os
olhos" para os esclarecimentos que darei sobre os fenômenos espirituais.
5 de fevereiro de 1947
EXISTEM FANTASMAS?
Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem.
Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Creio que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por
Buda, assim como a do Inferno, Purgatório e Céu, da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265-1321),
não são teses sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o
empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no Mundo Material.
O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras "Tome
assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço", proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que
um espírito pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez
com que ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é, aqueles que conseguiram
atingir os níveis de hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia Divina
pode chegar ao local mais distante num espaço de tempo menor do que a milionésima parte de um segundo,
mas o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto
mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos
Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas
de espíritos. Nessa oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição
adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles
assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou de qualquer outro material; no
xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra, numa letra ou no "Himorogui" (cruz feita de fibras de
linho).
Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhes são oferecidos de coração, mas o
mesmo não acontece se são atos apenas formais. Assim, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o
máximo de sentimento e realizá-lo de forma ideal, de acordo com as condições materiais do momento.
Desde épocas remotas fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas, mas na maioria dos casos
trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados. O grau de densidade das células espirituais dos
recém-falecidos é elevado, razão pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de
estranho, portanto, no fato de muitos terem visto a Ressurreição e Ascensão de Cristo. Porém, como o
espírito de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o espírito é purificado,
ficando menos denso, e, assim, mais difícil de ser visto.
Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não
tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual
seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem assim. Nele existem leis que são aplicadas
rigorosamente, e a liberdade é limitada.
Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos.
Os fantasmas geralmente são retratados com a expressão facial dos instantes da morte. Entretanto, com o
decorrer do tempo a expressão do espírito vai mudando lentamente, amoldando-se à índole da pessoa. Por
exemplo, os tímidos, os pessimistas e os solitários tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de
natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demônio; os de pensamento vil ficam com a
face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível
encobrir o pensamento, pela configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado,
aparecendo exatamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos um ano após a morte.
Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência: "Quando o homem falece,
seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já
estaria repleto, pois o número de pessoas que faleceram atinge vários bilhões". Esse autor, apesar de ser um
expoente do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.
5 de fevereiro de 1947
A EXISTÊNCIA DO MUNDO ESPIRITUAL
Em primeiro lugar, é preciso entender a finalidade do nascimento do homem.
Deus criou o homem para construir o Mundo Ideal, que é o objetivo do Seu governo na Terra, concedendo-
lhe missões específicas e utilizando-o conforme Sua vontade. A evolução da era primitiva para a brilhante
era cultural de hoje e também o desenvolvimento da inteligência humana até chegar ao estágio atual, foram
dirigidos exclusivamente para esse fim.
Não só o homem - criatura de nível mais elevado - mas todas as outras criaturas, inclusive os vegetais e
minerais, enfim tudo aquilo que tem forma, está constituído de dois elementos fundamentais: espírito e
corpo. Havendo separação desses elementos, o ser deixa de existir, seja ele qual for. Mas pretendo falar
apenas sobre o homem.
Quando o corpo carnal se torna inútil, por velhice, doença, perda de sangue, etc., o espírito o abandona e
dirige-se ao Mundo Espiritual, onde passa a viver. Esse fenômeno é idêntico no mundo inteiro, seja qual for
a raça. Há muitas obras de autores famosos tratando do assunto, entre elas a que se intitula "Raymond", da
autoria de Sir Oliver Lodge (1851-1940), editada na Inglaterra logo após a Primeira Guerra Mundial. Ele
registra as mensagens que lhe foram enviadas do Mundo Espiritual por um filho seu que falecera na
Bélgica, durante uma batalha daquela guerra. Na época, o livro foi lido por muitas pessoas de diversos
países, surgindo daí inusitado movimento de pesquisa do Mundo Espiritual e também grandes médiuns.
Também o famoso autor de "O Pássaro Azul", o belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), tornou-se um
estudioso dos fenômenos sobrenaturais após reconhecer a existência do espírito. Com a publicação, logo a
seguir, do livro "Exploration in the Spiritual World", do Dr. Ward, as pesquisas tomaram um impulso ainda
mais extraordinário. Nesta obra ele descreve minuciosamente o Mundo Espiritual. Conta que, uma vez por
semana, entra em estado de transe, sentado numa cadeira, e se transporta para lá. Nessas ocasiões, o espírito
de um tio seu acompanha-o para mostrar-lhe todos os aspectos daquele mundo, orientando-o sobre a sua
verdadeira natureza. Também os espíritos de seus amigos e conhecidos desempenham papel de instrutores,
enriquecendo sobremaneira os conhecimentos que lhe são ministrados. Trata-se de uma obra muito
interessante, que pode ser de grande validade para o conhecimento da vida no Mundo Espiritual, razão pela
qual espero que os leitores a leiam.
Inegavelmente há alguns aspectos diferentes entre o Mundo Espiritual do Ocidente e o do Japão. Pretendo
posteriormente, através de diversos exemplos, explicar os fenômenos de um e de outro.
Notícias procedentes da Inglaterra há mais de dez anos, dizem que surgiram naquele país centenas de
sociedades de pesquisas psíquicas desenvolvendo intensas atividades, e que até foi fundada uma
universidade para esse fim, mas eu gostaria de saber a situação presente, porque, com a eclosão da Segunda
Guerra Mundial, não tive mais notícias a respeito.
25 de agosto de 1949
CONSTITUIÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL
Como explanei em outras oportunidades, o Mundo Espiritual está constituído dos planos Superior,
Intermediário e Inferior, cada um formado de três níveis, perfazendo um total de nove. A diferença entre
eles é determinada por dois fatores: a luz e o calor.
No nível mais alto do Plano Superior, a luz e o calor são extremamente intensos; o nível mais baixo do
Plano Inferior caracteriza-se pela ausência desses elementos; o Plano Intermediário situa-se entre os dois,
correspondendo ao Mundo Material. Neste mundo existem pessoas felizes e pessoas infelizes; isso equivale
a estarem respectivamente nos Planos Superior e Inferior.
Como no nível mais alto do Plano Superior a luz e o calor são muito fortes, seus habitantes vivem quase
nus. Poderão ter uma idéia disso lembrando que, nas estatuetas búdicas, Nyorai e Bossatsu são
representados no estado de seminudez. À medida que se desce para o Segundo Céu, Terceiro Céu, etc., a
luz e o calor diminuem. Se um espírito fosse repentinamente elevado do Plano Inferior para o Superior,
seria ofuscado pela luz intensa e não suportaria o calor; preferiria, então, retornar ao Plano Inferior. Isso é
idêntico ao que acontece no Mundo Material: uma pessoa de baixa categoria elevada a uma posição alta
sem ter merecimento, tem mais sofrimentos do que satisfação.
No Plano Superior, a divindade mais alta e mais sagrada é Deus. Toda organização religiosa tem uma
divindade padroeira e também um fundador. Exemplifiquemos com o xintoísmo: na seita "Taisha-Kyo", o
padroeiro é Okuninushi no Mikoto; na seita "Ontake-Kyo", é Kunitokotati no Mikoto; na seita "Tenri-Kyo",
é Tohashira no Kami. O budismo também serve como e-xemplo: na seita "Shinshu" é Amida Nyorai; na
seita "Zen-Shu" é Daruma Daishi; na seita "Tendai" é Kanzeon Bossatsu; etc. Os fundadores de seitas,
como Kobo, Shinram, Nitiren, Honen e outros, situam-se na classe de líderes de cada comunidade. Assim,
ao entrarem no Mundo Espiritual, os espíritos das pessoas que tinham religião durante a vida terrena ligam-
se à organização a que elas pertenciam, e não se pode calcular o quanto são mais felizes que os espíritos dos
descrentes. Estes, não tendo uma organização à qual filiar-se, ficam perdidos, extremamente confusos,
vagando pelo Mundo Espiritual.
Desde épocas remotas fala-se sobre "espíritos errantes", porque tais espíritos ficam perambulando pelo
Plano Intermediário. Uma vez passando para o Mundo Espiritual, aqueles que não reconhecem a sua
existência e não crêem na vida após a morte, não podem se fixar em nenhum lugar, ficando privados de
inteligência e juízo durante certo tempo. Como exemplo, citarei um caso ocorrido há alguns anos.
Numa reunião de pessoas que pesquisavam fenômenos espirituais, o espírito de um homem muito famoso
manifestou-se, através de um médium. Chamaram, então, a esposa do falecido, a qual, pela maneira como o
espírito falava e agia, confirmou que realmente se tratava do marido. Fizeram-lhe muitas perguntas, mas as
respostas não eram corretas nem lúcidas, apesar do seu nível de cultura no Mundo Material. Isso acontecia
porque aqui neste mundo ele não acreditava na existência do Mundo Espiritual. Vemos, pois, que é
necessário o homem crer na existência do Mundo Espiritual e, assim, preparar-se para a vida após a morte.
Mas será que existe realmente aquilo que chamo Plano Superior, mais conhecido como Céu ou Paraíso? A
maioria das pessoas pensa que não passa de fantasia dos homens de eras passadas, porém eu estou
absolutamente convicto de que ele é uma realidade.
Há uma estória nesse sentido. Faz muito tempo, um sacerdote budista de alta categoria e um catedrático
discutiam sobre a existência do Inferno e do Paraíso após a morte. Ao final da discussão, o sacerdote
concluiu que eles existem, e o catedrático, que não existem. Enfim, alegando que para ter certeza não havia
outro meio senão morrer, o religioso sugeriu que ambos se matassem, e em vista disso o catedrático se
rendeu.
O assunto não é para brincadeira, mas, embora o sacerdote budista estivesse com a verdade, se pudermos
conhecer o Mundo Espiritual sem recorrer a esse extremo, será muito melhor, não é mesmo?
Citarei alguns fenômenos que pude comprovar através das minhas próprias experiências.
Uma senhora de trinta anos, esposa do diretor de uma empresa, solicitou a minha ajuda por estar
gravemente enferma. Como já tinha sido desenganada pelo médico, seus familiares me suplicaram que a
salvasse.
Ela residia a cerca de quarenta quilômetros de distância, razão pela qual não me era possível visitá-la com a
freqüência que o caso requeria. Por isso, trouxemo-la imediatamente para a minha casa. Pensando na
possibilidade de acontecer o pior durante a viagem, o marido também veio com ela no carro. Eu, ao mesmo
tempo em que a segurava com uma das mãos, ministrava-lhe Johrei com a outra.
Chegamos sem que houvesse acontecido nada daquilo que nos estava preocupando, mas, pela madrugada,
fui tirado da cama pelo acompanhante da doente. Fui vê-la imediatamente. Segurando minha mão com
força, ela me disse: "Sinto que algo vai sair de mim e estou com muito medo. Deixe-me segurar sua mão.
Tenho o pressentimento de que vou morrer hoje. Chame meus familiares com urgência".
Telefonei-lhes incontinenti, e, quando eles chegaram, acompanhados do médico da firma onde o marido da
senhora trabalhava, já tinha decorrido uma ou duas horas. A essa altura, ela estava em coma e com o pulso
bastante fraco. O médico examinou-a e disse que era questão de horas.
À noite, rodeada pelos familiares, a enferma continuava em estado de coma. De repente, mais ou menos às
vinte horas, abriu os olhos e começou a olhar à sua volta, como se não estivesse entendendo nada. Por fim
explicou: "Fui para um local muito bonito, tão maravilhoso que nem sei como descrevê-lo. Era um jardim
todo florido, onde estavam muitas pessoas de rara beleza, e lá no fundo divisei um senhor de ares nobres,
semelhante à figura de Kanzeon Bossatsu que se vê em pinturas sacras. Ele olhou na minha direção e sorriu.
Fiquei tão grata, que me prostrei no chão, mas logo recobrei os sentidos. Agora estou me sentindo muito
bem, como não acontecia desde que adoeci".
No dia seguinte, ela não tinha mais nenhum sofrimento; estava salva, embora continuasse fraca. Após um
mês mais ou menos, recuperou completamente a saúde. Esse exemplo nos mostra que o espírito daquela
senhora se separou do corpo por alguns instantes e foi para o Céu, sendo purificado dos seus pecados por
Kanzeon Bossatsu.
Outro exemplo.
Uma jovem de aproximadamente vinte anos foi curada de tuberculose pulmonar em estado gravíssimo, mas,
depois de aproximadamente um ano, teve uma recaída e faleceu. Essa jovem tinha um irmão mais velho,
vadio e viciado em bebida. Um dia, dois ou três meses depois que ela morreu, estando sentado no seu
quarto, ele notou uma espécie de fumaça ou neblina roxa a uns dois metros à sua frente, no alto. Essa
nuvem começou a descer devagarinho, e acima dela, de pé, ele viu sua falecida irmã. Olhando bem, notou
que ela estava muito mais bonita do que quando era viva; vestia-se elegantemente e irradiava uma nobreza
divinal. Ela, então, lhe disse carinhosamente: "Vim para aconselhá-lo a abandonar a bebida. Pense no bem
da nossa família e no seu próprio e deixe o álcool". Dizendo isso, subiu novamente na nuvem e começou a
elevar-se até desaparecer.
Decorridos alguns dias, aconteceu a mesma coisa, e o fato tornou a se repetir pouco tempo depois. Na
terceira vez, surgiu diante do rapaz uma bela ponte curva, toda pintada de vermelho, e a irmã, descendo da
nuvem, atravessou essa ponte e lhe disse: "É a terceira vez que venho. A partir de hoje não terei mais
permissão para vir. Esta é a última vez". Depois disso, o fato não se repetiu. Através desse caso, vemos que
é possível ter "visões" temporariamente.
Mais um exemplo.
Um rapaz de vinte e poucos anos sofria de uma doença que poderíamos classificar de psíquica. Nessa
época, ele estava loucamente apaixonado por uma mulher que trabalhava num bar noturno, e os dois iam
suicidar-se juntos. Entretanto, a um passo da tragédia, tive a grata felicidade de salvá-los, pois encontrei, no
bolso do rapaz, o veneno que ambos iam tomar.
Levando o casal para minha casa, examinei-os espiritualmente. Segundo constatei pelas palavras do próprio
rapaz, um espírito de raposa encostara nele para levá-lo ao suicídio. Nuns vinte minutos terminei o exame,
não sem antes ter advertido aquele espírito. O jovem, no entanto, continuava na postura anterior, de olhos
cerrados e com as palmas das mãos unidas à altura do peito. Virando-se para a esquerda, inclinou a cabeça
como se não compreendesse algo. Passados uns três ou quatro minutos, abriu os olhos, mas continuou de
cabeça inclinada. Disse então: "Vi uma coisa bastante estranha. Alguém ao meu lado estava tocando "koto"
(###"Koto": instrumento musical de corda, tipicamente japonês###), e o som desse instrumento era
extraordinariamente belo e nobre. Embevecido, eu olhava à minha volta e notei que estava num lugar que
me pareceu o interior de um santuário muito espaçoso. No fundo havia uma escada que levava a uma sala
toda acortinada. Aí, o senhor, vestido com trajes litúrgicos, subiu a escada suavemente e entrou na sala".
Ouvindo isso, eu comentei: "Se você viu a pessoa de costas, não podia ter reconhecido quem era". Mas ele
confirmou: "Tenho a certeza de que era o senhor". E descreveu a indumentária que, segundo disse, era
constituída de chapéu, blusa azul e calça vermelha. Ele pôde "ver" isso porque, momentaneamente, teve a
faculdade de visão espiritual. Esse rapaz era empregado de uma loja e não professava nenhuma Fé, não
tinha nenhum conhecimento sobre assuntos espirituais; portanto, creio que o seu relato merece ainda mais
confiança. Ressalta-se que à esquerda do lugar onde ele estava sentado ficava o Altar.
Os três exemplos citados poderão servir de ilustração para o conhecimento do interior e do exterior da
morada celeste, e também para comprovação da descida de seus habitantes.
Em seguida, escreverei sobre as condições do Paraíso Búdico.
Uma moça virgem, de dezoito anos, serviu de médium, incorporando o espírito de um de seus ancestrais,
um samurai que falecera numa batalha travada há mais de duzentos anos. Fora ardoroso adepto do budismo
e pouco depois de falecido entrou na seita fundada por Kobo Daishi. Em resposta às minhas perguntas, ele
disse:
"Quando eu cheguei aqui, havia uns quinhentos ou seiscentos espíritos, mas, ano após ano, reencarnavam
mais espíritos do que entravam, de modo que agora só existem mais ou menos cem.
Moramos numa casa grande, mas não há serviço propriamente dito, e passamos as horas divertindo-nos:
tocamos "koto", "shamissen" (###"Shamissen": espécie de violão###), flauta, tambor e outros instrumentos
musicais; pintamos, esculpimos, lemos, escrevemos, jogamos xadrez, cartas, etc., ou divertimo-nos de
outras maneiras que também existem no Mundo Material. De vez em quando há palestras feitas pelo próprio
Kobo Daishi e por outros espíritos, e isso constitui a maior das alegrias para nós. Às vezes Kobo Daishi
encontra-se com Buda, mas este, segundo ele diz, está num nível acima do Paraíso, onde a luz é muito
intensa; quase não se pode olhar para cima, de tão ofuscante que ela é.
Fora da casa, há um grande lago em cuja superfície bóiam inúmeras "hassu no ha" (folhas semelhantes à
vitória-régia do Rio Amazonas), tão grandes que nelas cabem duas pessoas. A maioria é ocupada por casais,
que nem precisam remar para se dirigir ao local aonde desejam ir. Não há noite; é sempre dia, e a claridade
é um pouco inferior à do dia claro. O sol é semelhante ao do Mundo Material, e seus raios luminosos,
purpurinos e suaves, provocam uma sensação agradável".
Em muitas oportunidades ouvi os espíritos que habitam o Paraíso Búdico dizer que se sentem entediados
quando já se encontram ali há muito tempo. Como estão sempre se divertindo, acabam perdendo o interesse
e por isso manifestam o desejo de serem transferidos do Mundo Búdico para o Mundo Divino. Não foram
poucos os espíritos que transferi para este último, atendendo a seus pedidos. Tal desejo é motivado pelo fato
de saberem que o Mundo Divino entrou recentemente numa fase de grande atividade e que todas as
divindades e espíritos estão extremamente atarefados. Não preciso dizer que isso se deve à aproximação da
Era do Dia, que é regida por Deus, ao passo que a da Noite era regida por Buda.
Passemos, agora, ao Plano Inferior.
O mais baixo dos três níveis que constituem o Plano Inferior é chamado pelos xintoístas "Nezoko no Kuni"
(Reino do Fundo da Raiz); os budistas o chamam de "Gokukan Jigoku" (Inferno de Frio Extremo),e no
Ocidente dão-lhe o nome de Inferno. Mas, seja qual for a designação, é um local completamente escuro e
gelado. O espírito que cair aí, fica sem enxergar nada durante dezenas ou centenas de anos; petrificado pelo
frio intenso, não pode se mover nem um centímetro. Sua situação é tão lastimável, que não encontro
adjetivos para descrevê-la. O que eu ouvi de um espírito salvo desse local fez-me arrepiar os cabelos. O
gélido Inferno retratado por Dante Alighieri na "Divina Comédia" não é absolutamente nenhuma fantasia.
O nível médio do Plano Inferior é o local onde existe carnificina, desejo carnal animalesco, fome, monte de
agulhas, lagoa de sangue, poço de serpentes, sala das abelhas e das formigas e outras coisas de que se
costuma falar. Os demônios encarregados da vigilância assemelham-se àqueles que vemos nos desenhos,
pintados de verde ou vermelho.
Um dos castigos do Inferno consiste em açoitar os espíritos com barras de ferros cheias de espinhos.
Segundo eles relatam, a dor é muito maior do que se fosse no corpo carnal, porque, sem a proteção deste, a
parte espiritual correspondente aos nervos é atingida diretamente.
Darei mais alguns exemplos de sofrimentos infernais.
Monte de agulhas, a própria expressão já está dizendo o que é: os espíritos são obrigados a andar descalços
em cima de agulhas, e a dor que sentem é algo indescritível.
A lagoa de sangue é o lugar para onde vão obrigatoriamente os espíritos das pessoas cuja morte foi
motivada por gravidez ou parto. Pelo que ouvi de muitos espíritos, eles ficam submersos até o pescoço
nessa lagoa, o ar está impregnado do cheiro de sangue, e continuamente uma infinidade de insetos e vermes
sobem até o seu rosto, provocando uma sensação tão horrível que eles se vêem incessantemente obrigados a
tirá-los com a mão. Esse sofrimento geralmente dura mais ou menos trinta anos.
Quanto à sala de abelhas, foi descrita pelo espírito de uma gueixa que incorporou no empregado de um
salão de beleza. Os espíritos são colocados dentro de uma caixa onde mal cabe uma pessoa, e inúmeras
abelhas picam todo o seu corpo, causando-lhes um sofrimento espantoso.
O castigo do fogo é infligido àqueles que morreram queimados ou se atiraram na cratera de um vulcão
ativo. Vou relatar um caso sobre esse castigo.
Um homem de meia-idade sofria de epilepsia causada por fogo. Ele conta que, à noite, deitava-se na cama e
adormecia, mas à meia-noite despertava. Então, a uns dez metros de distância, enxergava labaredas que
cada vez se tornavam mais próximas. Quando chegavam bem perto, ele tinha um espasmo e ficava com
uma febre altíssima. Sentia todo o corpo queimar e entrava em transe. Isso havia começado no ano seguinte
ao Grande Terremoto, razão pela qual se pode concluir que, em outra vida, ele morrera carbonizado por
ocasião de um terremoto.
Relações carnais impuras entre homem e mulher fazem com que os espíritos caiam no Inferno, mas a
situação varia de acordo com a gravidade do caso. Por exemplo: quando eles se suicidam por amor, os
espíritos de ambos ficam ligados e não podem se separar. Isso é causado pelo desejo que tiveram de
permanecer sempre juntos. Os que se suicidam abraçados ficam grudados, sentindo uma vergonha tão
grande, que se arrependem seriamente. Às vezes lemos nos jornais a notícia do nascimento de gêmeos
ligados por uma parte do corpo; geralmente se trata da reencarnação de um casal que se suicidou por amor.
Em casos de amor abomináveis - por exemplo, entre pais e filhos, entre irmãos, entre alunos e professores,
etc. - os espíritos também ficam grudados, mas, enquanto um permanece de pé, o outro fica de cabeça para
baixo. O incômodo e a vergonha a que os espíritos se expõem levam-nos a um profundo arrependimento.
Diante de tudo isso, poderão entender o equívoco daqueles que, por causa de um amor impossível, recorrem
ao suicídio acreditando poderem alcançar a felicidade no Céu. Pode-se, também, compreender claramente a
justiça reinante no Mundo Espiritual.
É preciso saber ainda o que acontece com os que são avarentos no Mundo Material, apesar de possuírem
muito dinheiro. Trata-se de pessoas materialmente ricas, mas espiritualmente pobres. Passando para o
Mundo Espiritual, ficam numa situação de penúria e reconhecem seu erro. Outros, porém, no Mundo
Material, têm um nível de vida inferior ao da classe média, mas se contentam com o que têm, vivendo a
vida cotidiana cheios de gratidão e empregando suas economias em obras que visam à salvação da
humanidade. Ao entrarem no Mundo Espiritual, tornam-se ricos e vivem muito felizes.
Mas existe outra causa para o empobrecimento dos milionários. Há pessoas que não desembolsam o
dinheiro que deveriam desembolsar ou não pagam o que deveriam pagar, e isso constitui uma espécie de
roubo; espiritualmente, estão acumulando dinheiro furtado, a que se acrescentam juros. O resultado é que os
bens vão se esgotando, e, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, um dia essas pessoas acabam perdendo
tudo o que têm. Muitas vezes vemos o herdeiro de um novo-rico esbanjar toda a fortuna da família por
incapacidade ou imoralidade, mas, conhecendo o princípio acima referido, poderão compreender por que
isso acontece.
Falemos agora sobre o nível mais alto do Plano Inferior.
É o local para onde vão os espíritos que estão prestes a alcançar o Plano Intermediário, após terem sofrido
os castigos infernais. Por conseguinte, os trabalhos a que estão submetidos são de natureza leve, como, por
exemplo, servir os alimentos oferecidos nas Moradas dos Ancestrais, consagrados nas casas dos seus
descendentes, levar mensagens, dar assistência a outros espíritos, etc. A propósito, convém saber algo a
respeito dos alimentos ofertados aos espíritos.
Embora desencarnado, o espírito sente fome se não se alimentar. Mas em que consiste esse alimento? O
espírito serve-se do espírito dos alimentos; entretanto, ao contrário do que acontece no Mundo Material, ele
se satisfaz com pouca quantidade de comida. Sua alimentação diária consta de uns três grãos de arroz.
Portanto, a comida comumente ofertada nos lares dá para um grande número de espíritos e ainda sobra
muito. As sobras são dadas àqueles que se encontram na camada dos famintos. Graças a isso, os espíritos
ligados a essa família elevam-se mais rapidamente.
Sempre que possível devemos oferecer alimentos aos antepassados, pois, levados pela fome, eles podem se
ver forçados a roubar para comer, e, conseqüentemente, cair no Inferno ou encostar em animais, como cão
ou gato. Quando o branco se mistura com o vermelho, fica vermelho, e o mesmo acontece quando o espírito
humano encosta em animais: vai se degradando progressivamente até que se animaliza. Quando ocorre a
reencarnação de um espírito híbrido de homem e animal, o corpo toma a forma desse animal. Existem
cavalos, cães, gatos, raposas, texugos e serpentes que entendem o que os homens dizem: trata-se da
reencarnação de espíritos híbridos. Sob forma animal, eles são obrigados a um certo grau de
aprimoramento, terminado o qual, voltam a nascer sob forma humana.
Há ocasiões em que, após matarem cobras, gatos, etc., as pessoas são perseguidas por grandes sofrimentos.
Muitos os atribuem àquele ato, e na maioria das vezes têm razão. Tratando-se de espírito humano sob forma
de animal, ele se vinga; se não for o caso, isso não acontece. Na casa de famílias tradicionais, às vezes
existe uma cobra de cor verde chamada comumente de "Aodaisho". Nela está reencarnado o espírito híbrido
de um ancestral e de uma cobra, o qual está protegendo seus descendentes. Se estes a matarem, ela se
zangará e fará sérias advertências. Caso não se dê atenção a essas advertências, poderá ocorrer a morte de
um dos descendentes ou chegar-se ao extremo de ver extinta a família, razão pela qual se deve tomar muito
cuidado. O mesmo pode acontecer quando se destrói o "Inari" (###"Inari": Numa crença popular japonesa,
capelinha onde se cultua o espírito de raposa###) ou quando se deixa de realizar cerimônias que nele vêm
sendo realizadas há muito tempo.
Citei vários exemplos, e entre os leitores provavelmente há alguém que conhece ou ouviu falar de casos que
se enquadram dentro daquilo que acabo de explicar.
Vou contar uma das experiências que tive.
Uma vez fui ministrar Johrei numa casa onde havia um cão de grande porte. O dono da casa esclareceu:
"Esse cão não é normal. Nunca sai para a rua, vive a maior parte do tempo dentro de casa e só se senta em
almofada de seda. Se uma pessoa da família o chama, ele atende, mas o mesmo não acontece se for um
empregado. Em relação à comida também é cheio de luxo, e jamais come coisas vulgares. Entende
perfeitamente o que lhe falam e não gosta de ficar na cozinha nem nas salas e cômodos inferiores; em tudo,
enfim, é idêntico a um ser humano". Então eu dei a seguinte explicação: "Esse cão é um ancestral seu que
se degradou ao nível de vida dos irracionais, reencarnando em forma de cão. Pela afinidade espiritual, foi
parar na sua casa. Por isso ele faz questão de que lhe dispensem o tratamento devido a um ancestral". O
dono da casa entendeu a explicação e ficou satisfeito.
O caso seguinte, também verídico, foi vivido por um dos meus discípulos. Eis o que ele contou:
"Há uns vinte e cinco anos, tendo tomado conhecimento de que uma senhora de meia-idade, residente em
Yokohama (principal porto do Japão), estava sofrendo uma tortura incomum, fiquei muito curioso e fui
visitá-la. Ela usava um pano branco em volta do pescoço, e qual não foi a minha surpresa quando ela o
tirou: havia uma cobra enroscada em seu pescoço! Essa cobra entendia o que lhe falávamos, e na hora das
refeições a referida senhora pedia permissão para se alimentar, dizendo que limitaria a comida a uma ou
duas tigelas. Nesse caso, a cobra afrouxava a pressão, mas, quando o limite prometido era ultrapassado,
pressionava novamente e não a deixava comer de forma alguma. Foi a própria senhora que me contou por
que aquilo acontecia.
Pouco depois do seu casamento, a sogra adoeceu, e ela não lhe dava comida, para que morresse logo. De
fato a sogra acabou falecendo, mais por falta de alimento do que pela própria doença. Por esse motivo, seu
espírito foi tomado de grande ódio e, para vingar-se, reencarnara sob forma de cobra e torturava a nora
daquela maneira. Assim, esta queria alertar as pessoas o mais possível sobre a temeridade daquele pecado, a
fim de redimir-se um pouco que fosse".
A respeito do trabalho dos animais, há um pensamento errado. O erro consiste em colocá-los no mesmo
nível do ser humano. Os trabalhos que deles são exigidos, podem parecer muito cruéis do ponto de vista
humano, mas não tanto como se está pensando. Bois e cavalos, por exemplo, até desejam ser maltratados,
por isso caminham devagar, propositalmente, desejando ser chicoteados. Não correm por causa da dor, mas
para saborear o prazer do açoite. Entre os homens, existe uma anomalia sexual conhecida como sadismo,
em que as pessoas atingem o orgasmo maltratando o corpo do outro. Isso é motivado pelo encosto do
espírito de animais como bois e cavalos. Sendo assim, é muito bom defender os animais, mas antes
deveríamos pensar em defender os homens que são tratados desumanamente.
Para finalizar, acrescento uma explicação sobre a Moradia dos Ancestrais do Lar, do tipo budista. Seu
interior representa o Paraíso, e para ali são convidados os ancestrais. No Paraíso, a comida e a bebida são
fartas, há todos os tipos de flor, cujo perfume impregna o ar, e soam as músicas mais belas e suaves, de
modo que se deve copiar tudo isso, oferecendo aos ancestrais alimentos, flores e incenso. Mesmo nos
templos, o bater do bloco de madeira ou de pratos de metal, o toque de flautas, etc., têm efeito de música. O
bater do sino na ocasião em que se oferece a comida, serve de chamada para os espíritos.
5 de fevereiro de 1947
CAMADAS DO MUNDO ESPIRITUAL
Já expliquei que o Mundo Espiritual está constituído dos planos Superior, Intermediário e Inferior, mas
explicarei agora a estreita relação entre eles e o destino do homem.
Cada um desses planos se subdivide em sessenta camadas, de modo que, no total, são cento e oitenta
camadas. Eu as chamo de Camadas do Mundo Espiritual.
O homem nasce no Mundo Material por desígnio de Deus. Creio que, nesse sentido, o elemento "mei"
(desígnio), que aparece em "seimei" (vida), tem a mesma significação que o "mei" de "meirei" (ordem).
Eis uma pergunta que todos fazem: por que razão o homem nasce? Enquanto não compreender isso, o
homem não poderá ter comportamento correto nem verdadeira tranqüilidade, estando sujeito a levar uma
vida vazia e ociosa.
O objetivo de Deus é fazer da Terra um mundo ideal, ou melhor, construir o Paraíso Terrestre. No
desenvolvimento do Seu plano, há uma grandiosidade que não pode ser expressa com palavras, pois o
progresso da cultura não tem limite. Assim, todos os acontecimentos da História Mundial, até hoje, não
passaram de operações básicas para concretizar o objetivo de Deus. Este, concedendo diferentes missões e
características a cada pessoa e alternando a vida e a morte, está fazendo evoluir Seu plano em direção ao
objetivo estabelecido. Portanto, concluímos que o bem e o mal, a guerra e a paz, a destruição e a construção
são processos necessários à evolução.
Como já expliquei minuciosamente, estamos atravessando a fase de transição da Noite para o Dia. O
mundo, atualmente, está prestes a dar um grande salto para a Nova Era, e a humanidade, libertando-se da
selvageria, está procurando alcançar o mais alto nível da cultura. Aí, a guerra, a doença e a pobreza terão
fim. É claro que o aparecimento do Johrei é o prenúncio disso e constitui mesmo um fator essencial.
Para o cumprimento de Seu plano, Deus emite ordens ao homem constantemente, através de algo que é
como a semente de cada indivíduo numa das camadas do Mundo Espiritual. Dei-lhe o nome de YUKON. A
ordem é primeiramente baixada ao YUKON, e este, através do elo espiritual, a transmite à alma, núcleo do
corpo espiritual do homem. Entretanto, é dificílimo o homem comum conseguir perceber a ordem Divina;
somente aqueles cujo corpo espiritual foi purificado até certo ponto é que o conseguem. Essa percepção é
dificultada não só pela grande quantidade de máculas, mas também pela ação de Satanás, que se aproveita
dessas máculas. Uma prova disso é que, às vezes, as coisas não correm como o homem deseja, e o seu
destino toma um rumo que ele jamais imaginaria. Existem, também, pessoas que se sentem sempre
governadas por uma força estranha e não conseguem mudar seu destino. É que, de acordo com a posição do
YUKON no Mundo Espiritual, há diferença na missão e também no destino. Isto é, quanto mais alta for a
camada em que estiver o YUKON de uma pessoa, melhor ela perceberá as ordens Divinas e mais feliz será.
Ao contrário, quanto mais baixo ele estiver, mais infeliz a pessoa. As camadas superiores correspondem ao
Céu: mundo de alegria, saúde, paz e riqueza material; em contraposição, as camadas mais baixas
correspondem ao Inferno: mundo de sofrimento, doença, conflito e pobreza. Assim, para ser
verdadeiramente feliz, o homem deve, antes de mais nada, elevar a posição do seu YUKON.
E como é que ele pode conseguir isso? Purificando seu corpo espiritual. Este está sempre se elevando ou
baixando, dependendo da quantidade de máculas; o espírito purificado se eleva, por ser leve, e o espírito
maculado desce, pelo peso das máculas. Portanto, para purificar seu espírito, o homem deve praticar boas
ações e acumular virtudes.
5 de fevereiro de 1947
A SITUAÇÃO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO E O MUNDO ESPIRITUAL
A situação do mundo contemporâneo apresenta-se realmente periclitante, talvez como jamais se tenha visto
na História. O temor pela Terceira Guerra Mundial domina quase toda a humanidade. É um problema
seriíssimo, pois o conflito envolveria todos os países, e não apenas os litigantes; seria inédita, portanto, a
extensão da sua influência.
Essa é a imagem do mundo atual, que se projeta à vista de qualquer um; todavia, se não conhecermos a
verdade sobre o Mundo Espiritual, onde está a origem de tudo que acontece neste mundo, não poderemos
descobrir a causa do problema. Só depois disso conseguiremos prever o futuro e ter tranqüilidade de
espírito. É sobre esse tema que vou escrever agora.
O Plano de Deus é construir o Paraíso Terrestre, e para isso era necessário que a cultura material
progredisse até certo ponto. Com esse objetivo, Ele criou o bem e o mal, e foi pelo atrito entre ambos que
alcançamos o extraordinário progresso material da atualidade e estamos agora a um passo do advento do
Paraíso. Já expliquei isso muitas vezes, mas vou tornar a fazê-lo, caso contrário, as pessoas que nunca
ouviram falar sobre o assunto teriam dificuldade de compreender aquilo que hoje pretendo expor.
A luta entre os homens iniciou-se no Mundo Espiritual a partir do momento em que o ser humano foi
criado. Os mais fortes queriam apoderar-se de todas as regiões conhecidas àquela época, governando-as
conforme sua vontade. Para isso, recorriam à violência, sem distinguir o bem e o mal, tal como vemos
presentemente. Assim, pouco a pouco, a inteligência do homem foi se desenvolvendo, e, paralelamente ao
aumento da população, ampliou-se a escala da luta, tendo-se chegado, enfim, à situação atual.
O plano de conquista da supremacia mundial foi elaborado há cerca de três mil anos, e seu chefe era um
dragão possuidor de grande poder no Mundo Espiritual. Esse dragão incorporou numa divindade e, através
dela, quis apoderar-se do mundo, tendo utilizado os métodos mais atrozes. Durante algum tempo a
divindade se saiu bem, recorrendo a tudo para atingir seu objetivo, mas, quando já estava prestes a atingi-lo,
falhou e recebeu severa punição de Deus. Arrependendo-se, voltou ao seu estado natural. A partir daí, o
dragão passou a incorporar nas grandes personalidades de cada época, procurando despertar nelas a ambição
de dominar o mundo. Fracassou sempre, mas não aprendeu, e até hoje está lutando tenazmente, com toda a
força. Muitos homens considerados importantes estão nesse caso. A História nos mostra que, embora eles
tivessem grandes poderes na época, acabaram tendo um triste fim. César, Napoleão, Guilherme II, Hitler e
outros podem servir de exemplo.
Creio que agora já podem ter mais ou menos uma idéia da origem da situação atual.
Referindo-me a personagens como os que mencionamos acima, eu sempre digo que são chefes dos
demolidores do mundo, pois até agora este não era verdadeiramente civilizado, ainda restando ao homem
cerca de cinqüenta por cento de características selvagens. Espiritualmente falando, significa que o homem
pecou muito e acumulou máculas; portanto, surge de vez em quando a necessidade de uma ação
purificadora. Como para isso é preciso haver demolidores e também limpadores, compreendemos que o
aparecimento deles sob forma de grandes personagens é apenas uma manifestação do Plano de Deus. De
nada adianta nos aborrecermos ou nos desesperarmos.
25 de fevereiro de 1951
JULGAMENTO NO MUNDO ESPIRITUAL
Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir plenamente a missão que lhe foi
concedida por Deus, contribuindo para o bem da sociedade. A maioria das pessoas, no entanto, fica atenta
apenas aos aspectos exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao mal. Em
conseqüência, no seu corpo espiritual vão se acumulando máculas. Passando para o Mundo Espiritual, nele
se efetua uma rigorosa eliminação dessas máculas.
Realizei minuciosos estudos e pesquisas procurando ouvir o maior número possível de espíritos
desencarnados, através de médiuns. De tudo que esses espíritos disseram, eliminei aquilo que pode não ser
verdade, transcrevendo apenas os pontos coincidentes entre os muitos depoimentos que ouvi. Por isso, tenho
certeza de que não há erros em minhas explanações.
Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que dou o nome de Plano
Intermediário. No xintoísmo, chamam-no de "Yatimata" (encruzilhada de oito direções); no Budismo,
"Rokudo no Tsuji" (esquina de seis caminhos), e no cristianismo, Purgatório. Entretanto, desejo chamar a
atenção para um fato: o Mundo Espiritual do Oriente é mais verticalizado que o do Ocidente, e o Mundo
Espiritual do Japão é o que se apresenta mais vertical. Por isso é que a sociedade japonesa é particularmente
constituída de muitos níveis hierárquicos, e a sociedade ocidental, menos hierarquizada, mais propensa à
igualdade. O objeto de minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão; espero que não esqueçam esse
fator, ao lerem minhas palavras.
Fundamentalmente, o Mundo Espiritual é constituído de nove níveis, pois tanto o Plano Superior, quanto o
Intermediário e o Inferior são formados de três níveis. Após a morte, o espírito das pessoas comuns vai para
o Plano Intermediário, mas o espírito daqueles que foram muito bons sobe imediatamente ao Plano
Superior, e o dos perversos desce incontinenti ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma idéia
disso observando a forma como ocorre a morte.
Aqueles cujo espírito vai para o Plano Superior, sabem a data aproximada em que vão morrer e, nessa
ocasião, não sentem nenhum sofrimento; chamam os mais chegados, expressam seus últimos desejos e
morrem em paz, como se a morte fosse a coisa mais natural. Ao contrário, aqueles cujo espírito vai para o
Plano Inferior têm morte muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os que vão para o
Plano Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos dolorosos. A maioria dos espíritos vai para este
plano, e podemos deduzir isso observando a face do cadáver. Se o espírito foi para o Plano Superior, não há
nenhuma expressão de sofrimento; pelo contrário, a pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano
Inferior, a face do cadáver se apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma expressão de agonia. A
face daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário, em geral mostra-se amarela, como é o caso da
maioria dos cadáveres.
Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário. Para chegarem lá, eles têm
de atravessar um rio. Nessa ocasião, um funcionário examina-lhes a roupa; se esta é branca, o espírito
passa, mas se é de cor, ele é obrigado a trocá-la por uma de cor branca. Há duas versões: segundo uns, o
espírito passa por uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio. Estes últimos
falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se tem impressão de ver nada mais são que as
ondulações dos corpos de inúmeros dragões se movimentando.
Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida; a cor varia de acordo com a
quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados tinge-se de preto. A seguir, por ordem decrescente
de máculas, a veste pode tornar-se azul, vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece
branca.
Em seguida, de acordo com a tese budista, o espírito vai para o Fórum, onde é julgado. O julgamento é bem
diferente do que ocorre no Mundo Material: caracteriza-se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de
favoritismo nem de equívocos. Na hora do julgamento, os espíritos vêem de forma diferente a face de Enma
Daio, o juiz. Para os perversos, ele se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, abre a boca até
às orelhas, e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo o espírito já fica atemorizado. Entretanto, os bons vêem-
no com uma expressão afável, branda e afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e
respeito por ele.
Um por um, os pecados são refletidos num espelho de cristal puro e, em seguida, julgados. O julgamento é
precedido de uma investigação, procedendo-se, em seguida, à comparação das condições presentes do
espírito com os outros registros seus existentes no Fórum. Quem exerce a função de juiz no fórum do
Mundo Material, também a exerce no Mundo Espiritual. Segundo o xintoísmo, o fiscal dos promotores é
"Haraido no Kami" (deus da purificação), e o Enma Daio é a divindade chamada "Kunitokotati no Mikoto".
Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do Plano Superior ou do Plano Inferior.
Portanto, a "esquina de seis caminhos" a que aludimos, como o próprio nome indica, é a encruzilhada para
ele ir a um daqueles níveis. Todavia, embora tenha ficado decidido que o espírito vai para o Plano Inferior,
concede-se a ele mais uma oportunidade: fazer aprimoramento no Plano Intermediário, para a sua elevação.
Aqueles que se arrependem e se convertem, ao invés de irem para o Plano Inferior como estava
determinado, vão para o Plano Superior.
O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das respectivas religiões, como faziam no Mundo
Material. Tais eclesiásticos, após seu falecimento, recebem ordem para cumprir essa missão. No Plano
Intermediário, o período de aprimoramento vai de alguns dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem
arrepender-se, descem ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda. Se os parentes, amigos e conhecidos lhe
oferecem cultos após a morte - cultos feitos de coração, com toda a sinceridade - ou somam méritos e
virtudes praticando o bem, fazendo feliz o próximo, a purificação do espírito desencarnado será acelerada.
Por essa razão, a dedicação aos pais, a fidelidade ao cônjuge, etc., aqui no Mundo Material, revestem-se de
grande significado mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com os cultos feitos em sua
memória.
5 de fevereiro de 1947
MUNDO ESPIRITUAL E MUNDO MATERIAL
Se alguém se interessa por Religião e deseja compreendê-la a fundo, é-lhe indispensável, antes de mais
nada, conhecer a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material. Isso porque o alvo da Fé é Deus, e
Deus é Espírito, invisível aos olhos humanos; querer apreender a Sua essência apenas teoricamente é tão
inútil como procurar peixe numa árvore.
Deus existe; é impossível negá-lo. No entanto, assim como é difícil fazer com que aborígines reconheçam a
existência do ar, também é difícil fazer com que a maioria dos homens da era contemporânea reconheça a
existência do espírito.
Em primeiro lugar, tentarei explicar a estrutura do Mundo Espiritual, a vida de seus habitantes e outros
aspectos desse mundo.
O homem é formado por dois elementos: o corpo carnal e o corpo espiritual. Com a morte, os dois se
separam e o espírito imediatamente entra no Mundo Espiritual, onde começa a viver. No momento da
separação, o espírito das pessoas muito bondosas sai pela testa; o espírito dos perversos, pela ponta dos
dedos do pé, e o das pessoas de nível mediano, pela região umbilical.
Os budistas referem-se à morte com a expressão "vir para nascer". Analisando do Mundo Espiritual, é
realmente "vir para nascer". Eles também dizem "antes de nascer", ao invés de "antes de morrer". Pelas
mesmas razões os xintoístas usam as expressões "voltar para o Mundo Espiritual" ou "transmutação para
voltar".
Ao passar para o Mundo Espiritual, o espírito primeiramente atravessa um rio e, a seguir, dirige-se para o
Fórum. É um fato incontestável, pois coincide com o que ouvi de muitos espíritos. Quando o espírito acaba
de atravessar o rio, a cor de suas vestes se altera. As vestes dos que têm menos máculas tornam-se brancas;
as dos outros tomam cores diferentes, de acordo com o peso das máculas: amarelo, vermelho, azul ou preto.
Entre as divindades, elas tomam a cor violeta.
O Fórum do Mundo Espiritual é semelhante ao do Mundo Material. Nele, o juiz e seus auxiliares procedem
ao julgamento do espírito, decidindo o prêmio e o castigo de cada um. Nessa ocasião, os muito bondosos
são conduzidos ao Plano Superior; os perversos caem no Plano Inferior; os que se situam entre uns e outros,
ficam no Plano Intermediário, que no xintoísmo chamam de "encruzilhada de oito direções" e no budismo
"esquina de seis caminhos". A grande maioria vai para este plano e aí faz um curso de aprimoramento, cuja
parte principal consta de ensinamentos transmitidos pelos sacerdotes da respectiva religião. Esse
aprimoramento dura mais ou menos trinta anos. Decorrido esse tempo, é determinado o local a que o
espírito será destinado. Aqueles que conseguem arrepender-se vão para o Plano Superior; os demais, para o
Plano Inferior.
O Mundo Espiritual é constituído de três planos, cada um dos quais também está subdividido em três níveis,
formando, ao todo, nove níveis. O Plano Superior é o Céu; o do meio é o Plano Intermediário; o Inferior é o
Inferno. Como o Plano Intermediário corresponde ao Mundo Material, no budismo ele é designado com a
expressão "esquina de seis caminhos", pois se liga aos três níveis do Plano Superior e também aos três
níveis do Plano Inferior. No xintoísmo, além desses, acrescentam, acima do Plano Superior, o "Céu
Superior", e, abaixo do Plano Inferior, o "Fundo do Abismo". Daí designarem o Plano Intermediário como
"encruzilhada de oito direções".
A seguir descreverei sucintamente o Céu e o Inferno.
Quanto mais próximo do ponto mais alto do Céu, mais intensa é a luz e o calor, e a maioria dos espíritos
vivem quase nus. Por isso, na maior parte das pinturas e esculturas budistas, as divindades são representadas
sem vestes. Ao contrário, quanto mais próximo do ponto mais baixo do Inferno, mais fraca é a luz e o calor;
o ponto extremo é completamente escuro e gélido. Portanto, ao deparar com esses sofrimentos, mesmo os
espíritos mais perversos são levados ao arrependimento.
Talvez as pessoas da atualidade achem que essa descrição, feita em termos genéricos, seja produto da
minha imaginação, mas em verdade trata-se de pontos coincidentes entre levantamentos e estudos que fiz
durante mais de vinte anos com inúmeros espíritos, através de médiuns e de todos os meios possíveis. Por
isso podem estar certos da veracidade do que lhes estou transmitindo. O Céu e o Inferno pregados por Buda,
e o Paraíso, Purgatório e Inferno da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265-1321), tenho certeza, não
são fantasias.
Pode-se mais ou menos deduzir para que plano vai o espírito observando-se a face do morto. Os que não
apresentam expressão de sofrimento e cuja pele permanece corada e fresca, como se ainda estivessem
vivos, vão para o Plano Superior; aqueles cuja expressão é triste e sombria, e cuja pele se apresenta pálida,
sem sangue, ou azul-amarelada, como ocorre com a maioria, vão para o Plano Intermediário; os que ficam
com uma expressão de profunda agonia e com a pele escura ou preto-azulada, vão, logicamente, para o
Plano Inferior.
Estas explanações têm por objetivo dar-lhes conhecimentos básicos sobre o Mundo Espiritual, mas em
outras oportunidades voltarei a falar sobre diversos fenômenos espirituais constatados através de minha
própria experiência.
25 de agosto de 1949
DERROTA DO DEMÔNIO
Assim como Cristo foi tentado por Satanás e Buda foi atormentado por seu primo Daiba, no caso da nossa
Igreja, Satanás e Daiba também nos espreitam insistentemente. O interessante é que, com o passar do
tempo, os demônios estão cada vez mais desesperados; atualmente, eles agem com vigor e força leonina.
Todos poderão comprovar a veracidade das minhas palavras através dos fatos que nos últimos tempos estão
sendo freqüentemente publicados pelos jornais. Por isso pode-se imaginar que a derrota do demônio está
iminente, o que significa que estamos atravessando a véspera do "Fim do Mundo" profetizado por Cristo.
Falando-se em demônio, tem-se a impressão de que seja um só. Na verdade, existem vários, de grande,
médio e pequeno poder. Quanto mais máculas o ser humano tiver, mais livremente será manipulado por
eles, através de elos espirituais maléficos. Dessa forma, inconscientemente, o homem tomará atitudes que
se opõem a Deus. Como os demônios vêm agindo à vontade há milhares de anos, continuam com sua
maldade e pensam que nada mudou, porque desconhecem a transição do Mundo Espiritual. Entretanto,
como essa transição está se processando, é com razão que eles estão confusos e ainda não despertaram.
À medida que o Mundo Espiritual vai clareando, a luz vai se tornando mais intensa. Quer dizer que está
chegando a época de terror para o demônio, pois Luz é o que ele mais teme; diante dela, ele se encolhe e
perde a força de ação. É por isso que até nas experiências mediúnicas, se não apagarem a luz, esses espíritos
não podem atuar. Só ocorre o contrário quando se trata de um espírito muito elevado. Por esse motivo,
como os espíritos satânicos temem a Luz que emana do Poder de Deus, fazem tudo para interromper-lhe o
fluxo, procurando criar obstáculos para nossa Igreja.
20 de novembro de 1949
ATUAÇÃO DOS DEMÔNIOS
O Universo inteiro movimenta-se pela Lei do Espírito Precede a Matéria. Todos os fenômenos surgem
primeiramente no Mundo Espiritual e depois são projetados no Mundo Material em maior ou menor tempo,
dependendo da grandeza do fenômeno. A projeção pode ocorrer em alguns dias ou após alguns anos.
Entretanto, esse tempo será abreviado à medida que for se aproximando a Era do Dia, o que de fato está
acontecendo. Isso, contudo, não é nada em comparação ao Mundo Espiritual, que, atualmente, acha-se
numa situação confusa como nunca esteve. A rapidez com que ocorrem as transformações, por sua vez,
também evidenciam claramente o Final dos Tempos.
Intensificação das atividades dos demônios
Hoje em dia, o que mais se pode observar é a atuação desesperada dos demônios. Eles exerceram grande
influência durante milhares de anos, e à medida que se aproximam seus derradeiros momentos estão se
debatendo desesperadamente.
Entre os espíritos satânicos existem chefes; quem está atuando mais, agora, é o dragão vermelho e o dragão
preto, e sua família chega a somar quase um bilhão de componentes. Entre eles também há classes -
superior, média e inferior - e as tarefas são determinadas de acordo com elas. Os demônios se esforçam
bastante para executar fielmente os trabalhos que lhes são ordenados, pois se sentem estimulados ante a
possibilidade de subir de classe e receber prêmios, conforme seu mérito.
De sua sede, o chefe emite ordens que são transmitidas ao Espírito Secundário do homem, através dos elos
espirituais. Nesse caso, atuam os demônios que correspondem à posição ou classe das pessoas aqui neste
mundo, e sua missão é encaminhar o homem cada vez mais para o mal, utilizando-se de todos os meios.
É lamentável, mas isso se manifesta claramente na sociedade. Os métodos são de fato extremamente hábeis
e cruéis. Por exemplo: os demônios fazem os homens de nível baixo cometer crimes perversos, como
assassinatos, assaltos ou violências; se a pessoa está num nível mais elevado, induzem-na à fraude, à
falsificação de dinheiro, de títulos, de obras de arte, etc. Fazem, também, com que o homem se divirta
ludibriando mulheres e mocinhas por meio de palavras hábeis, praticando adultério e outras ações
condenáveis. Quando a pessoa está acima desse nível, vê-se induzida à prática de crimes astuciosos, embora
aparente ser pessoa de bem: usurpar a fortuna alheia, ganhar dinheiro enganando o próximo, subornar,
sonegar, esconder produtos, negociar no mercado negro e outros atos escusos. Também é hábito desses
demônios levar os homens a embriagar mulheres a fim de abusar delas.
Todos esses casos representam infração da lei; se as pessoas forem descobertas, serão consideradas
criminosas. Contudo, há ocasiões em que elas são induzidas a praticar ações que parecem boas, mas que em
verdade não o são. Isso ocorre mais freqüentemente entre as pessoas de nível médio para cima, e, como
nesses níveis existe um grande número de intelectuais, é preciso muito cuidado. Para inspirar confiança,
eles sempre defendem teses orais ou escritas que à vista de qualquer um parecem corretas, mas
secretamente fazem o contrário do que pregam. Tratando-se de indivíduos demasiadamente hábeis, todos
confiam neles, e por essa razão torna-se difícil avaliar a justeza do que dizem. Isso acontece muito entre os
políticos, entre os homens renomados, que gostam de polêmicas, e também entre aqueles que têm certa
posição social, de modo que é necessário estar sempre prevenido.
O bem, do ponto de vista de Deus
Não há nada pior do que alguém se dedicar devotadamente a uma causa que acredita ser justa e os
resultados mostrarem exatamente o contrário. As pessoas envolvidas nos incidentes de 15-05-32 e 26-02-36
incluem-se nesse caso, assim como aquelas que, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, cometeram atos
pelos quais foram julgadas criminosas de guerra e executadas há pouco tempo.
Eis um crime que geralmente passa despercebido: uma pessoa devotar-se à prática de uma teoria, julgando-
a maravilhosa, e, na realidade, estar causando desgraça aos seus semelhantes. Tais criaturas são dignas de
pena, porque, com o cérebro bitolado pela Ciência, não têm possibilidade de compreender que são
manipuladas pelo demônio.
Entretanto, existem pessoas de nível superior, como fundadores de religiões, grandes cientistas que
descobriram novas teorias, pensadores renomados, etc., que estão acima da natureza humana e por isso,
freqüentemente, tornam-se ídolos, sendo venerados e respeitados durante muitos séculos após sua morte.
Evidentemente, não têm nenhuma parcela de maus pensamentos, nenhuma partícula de egoísmo, e
entregam sua vida a uma causa; são dignos de admiração. Todavia, mesmo nessas realizações há pontos que
beneficiaram a humanidade e pontos que lhe causaram danos. Por isso mesmo não são poucos os casos em
que é impossível determinar méritos e deméritos. Torna-se desnecessário dizer que tais pessoas não têm
nenhuma relação com o demônio, mas pode acontecer que suas obras sejam úteis até certa época e depois
venham a ser prejudiciais. Entre os cientistas e os religiosos isso ocorre com freqüência. É comum chegar
ao nosso conhecimento o caso de religiões que eram magníficas na época de sua fundação, mas que, com o
tempo, acabaram relaxando, nelas surgindo conflitos e corrupção, de modo que se tornaram nocivas.
Idêntico é o que acontece com certas teorias e teses: algo que na ocasião de sua descoberta era de grande
importância para o mundo, muitas vezes, com o passar dos anos, pode vir a ser prejudicial.
Em suma, tudo faz parte do Plano de Deus, e para o progresso da cultura lutam o bem e o mal, intercalam-
se o claro e o escuro, o belo e o feio. Assim, aproximamo-nos passo a passo do Ideal, que é o profundo
Propósito Divino, insondável pela inteligência humana.
25 de dezembro de 1950
INCORPORAÇÃO
Desde épocas remotas são muito numerosos os casos de incorporação, cujos tipos também variam bastante.
Atualmente, as pessoas consideradas intelectuais julgam que se trata de superstição; além de não darem
atenção ao fato, dão à palavra um sentido pejorativo. Entretanto, segundo meus estudos, a incorporação não
é absolutamente superstição, podendo ser de espírito do bem ou de espírito do mal. O importante é
distinguir exatamente quando se trata de um caso ou de outro.
Há três tipos de incorporação: de divindades de nível elevado, médio ou baixo; de espíritos de animais, que
fingem ser divindades, e de espíritos de seres humanos. No primeiro tipo, inclui-se, por exemplo, o espírito
dos fundadores de religiões, como a Sra. Miki Nakayama, da religião Tenri-Kyo, a Sra. Naoko Deguti, da
religião Omoto-Kyo, os fundadores das seitas Reimyo-Kyo, Konko-Kyo, Kurozumi-Kyo e Hito no Miti, e,
ainda, os iniciados Kobo, Nitiren, Honen e En-no Gyodja, dos velhos tempos. No segundo tipo, situam-se as
incorporações observadas em muitas crenças vulgares, existentes em grande número na sociedade, tais
como "Inari Kudashi no Gyodja", "Iizuna-Tsukai" e outras. O terceiro tipo, isto é, a incorporação de
espíritos de seres humanos, refere-se principalmente aos espíritos dos ancestrais e de parentes mais
próximos e recém-falecidos.
Se desenvolvêssemos a capacidade de discernir os tipos de incorporação e soubéssemos dispensar-lhe as
devidas cautelas e orientações, a incorporação seria muito útil à sociedade humana. Mas deixo claro que,
além desse discernimento ser quase impossível, se o conhecimento sobre o assunto for apenas superficial, as
conseqüências poderão ser desastrosas.
Na Europa e na América, estão realizando ativas pesquisas de Parapsicologia. Na Inglaterra e em vários
outros países, já existe até Faculdade de Estudos Parapsicológicos, e também estão se desenvolvendo
pessoas de alto potencial mediúnico. Como transmissoras de mensagens emitidas do Mundo Espiritual, são
dignas de nota as obras do americano Woodrow Wilson (1856-1924) e de Sir Northcliffe (1868-1940), ex-
editor do "The London Times". Entretanto, em todos os lugares a situação é idêntica, e na verdade, mesmo
na Europa ou nos Estados Unidos, aqueles que se dedicam a esse tipo de pesquisas estão sempre lutando
contra o ceticismo das pessoas obstinadas, intituladas intelectuais, e contra a descrença dos cientistas
bitolados no materialismo. Mas a vantagem é que, como naqueles países as leis não são medievais, a
pesquisa é livre. Se fizermos uma comparação, concluiremos que, pela opressão do governo e pela
descrença dos cientistas, até hoje, lamentavelmente, ainda não foram realizadas pesquisas consideráveis no
Japão.
5 de fevereiro de 1947
INCORPORAÇÃO E ENCOSTO DE ESPÍRITO ENCARNADO
Falei a um universitário sobre espírito e fenômenos espirituais, mas ele não se convencia. Como que me
desafiando, disse: "Então veja se há algum espírito incorporado em mim". Imediatamente procedi ao exame
espiritual e, não demorou muito, o rapaz entrou em transe e começou a falar com jeito de mulher jovem.
Havia incorporado o espírito de uma pessoa viva: o da empregada de um bar noturno que dele se enamorara
e com quem de vez em quando ia passear. O espírito fez este pedido: "Faz tempo que ele não vem me ver.
Gostaria que lhe dissesse para vir, pois estou com muita saudade". Apesar de o pedido ter sido feito por
espírito de gente viva, fiquei constrangido ao ser solicitado para transmitir o recado.
O universitário voltou a si sem compreender o que estava se passando, e eu então lhe perguntei: "Como
foi?" Ao que ele respondeu: "Não sei se entrei em transe, não entendi nada". Quando lhe contei o que
acontecera, espantou-se e, envergonhado, coçando a cabeça embaraçado, teve de admitir a existência do
espírito.
Também fiz exame espiritual numa jovem gueixa que incorporou o espírito do amante. Depois de lhe fazer
várias perguntas, compreendi que se tratava do espírito do proprietário de uma casa que vendia açúcar por
atacado. Ele disse o seguinte: "Combinei encontrar-me com esta gueixa hoje à noite, mas, como surgiu um
compromisso, peço-lhe o favor de dizer-lhe que só posso encontrar-me com ela amanhã". Suas palavras e
gestos eram de um homem de quarenta a cinqüenta anos, não havia dúvida. Quando transmiti o recado à
jovem, ela se espantou. Disse que entrara em transe e não sabia absolutamente o que falara, mas que
realmente havia combinado aquele encontro.
Certa vez, fui procurado por uma moça de mais ou menos vinte anos, a qual me disse que lhe parecia ter
sido acometida de hipocondria, e que estava achando o mundo muito sem graça. Então eu lhe fiz várias
perguntas, dizendo, entre outras coisas, que não havia razão para uma pessoa de aparência tão sadia estar
assim, além do mais sendo tão bonita. Acrescentei que devia haver um motivo especial. Finalmente,
compreendi que a causa de tudo era um rapaz da vizinhança, o qual se apaixonara por ela. "Ele tenta me
conquistar através de cartas e vários outros meios - disse a moça - mas eu não gosto dele e já lhe disse não
várias vezes; entretanto, ele fica sempre postado perto da minha casa e, de medo, eu quase não saio". Então
eu expliquei à jovem que o espírito daquele rapaz estava encostado nela. Sabendo disso, ela ficou tranqüila,
pois compreendeu que não estava doente. A partir daí, foi melhorando pouco a pouco e acabou por se
recuperar completamente.
Se é difícil fazer uma pessoa compreender a existência de espírito desencarnado, muito mais difícil ainda é
fazê-la compreender encosto de espírito encarnado. Todavia, trata-se de uma verdade indubitável, e eu
gostaria de que lessem conscientizados disso.
Ainda poderia citar vários exemplos, mas acho que esses três são suficientes. Acrescento, porém, que o fato
geralmente ocorre nas relações amorosas entre homem e mulher. Quanto à hipocondria daquela moça, era
motivada pelo pessimismo do rapaz, gerado pelo amor não correspondido. Esse estado refletia-se nela,
através do elo espiritual. Como se pode concluir, encosto de espírito encarnado significa o reflexo do
pensamento de outra pessoa. Quando, ao contrário do caso que citei, os dois se amam, os elos espirituais de
ambos se interrelacionam, produzindo uma sensação extremamente agradável. Se a ligação se torna
inseparável, é, em grande parte, devido a essa sensação.
Encosto de espírito desencarnado provoca uma sensação de frio; encosto de espírito encarnado, sensação de
calor.
Tratando-se de espíritos encarnados como os dos casos citados, não há grande problema, mas existem os
que são terríveis. É o que ocorre, por exemplo, no triângulo amoroso. Quando duas mulheres disputam um
homem, os ciúmes de ambas se materializam e lutam entre si. Em geral a esposa sai vencedora, porque é
natural o justo vencer; sua obstinação fará com que a amante acabe se afastando, acometida por doença,
falecendo ou arranjando outro amante.
Se o espírito encarnado for de gente, a incorporação não é tão grave; pior é quando se trata do espírito de
"kudaguitsune". Desde a antigüidade, quem pratica esse tipo de incorporação são ascetas aos quais se dá o
nome de "iizuna-tsukai". Eles aceitam todos os trabalhos que lhes pedem, como, por exemplo, fazer
vinganças. O "kudaguitsune" é um tipo de raposa pouco menor que um melão e tem um pêlo branco e
macio; seu espírito é muito obediente ao homem e faz qualquer maldade que lhe ordenem. Desde tempos
remotos há muitos "iizuna-tsukai" na região sul, e aí se aconselha que ninguém se case com eles, porque, se
lhes desagradarem na menor coisa que seja, eles se vingarão. Há, também, a incorporação do espírito
encarnado de outros tipos de raposa. Seu corpo permanece no "Inari" (###Vide pág. 106###) ou nas matas,
e só o seu espírito atua.
25 de agosto de 1949
VIDA E MORTE
Para a vida humana, talvez não haja problema tão premente quanto o da morte. Não será, pois, uma grande
felicidade se o homem tiver esclarecimentos comprobatórios, e não fantásticos, a respeito dessa questão?
Desejo esclarecer as dúvidas existentes transmitindo a todas as pessoas o resultado dos meus estudos sobre
os fenômenos espirituais. Com relação ao problema da vida após a morte, existem no Ocidente muitas obras
famosas, tais como as de Sir Oliver Joseph Lodge (1851-1940) e do Dr. Ward, que são autoridades no
assunto. No Japão temos Wazaburo Assano, um profundo pesquisador com quem eu tive certo
relacionamento e que deixou vários trabalhos. Infelizmente, ele faleceu há alguns anos. Falando sobre os
fenômenos espirituais, no entanto, quero deixar bem claro que, na medida do possível, me basearei apenas
na minha própria experiência. Agirei assim para garantir a exatidão do que digo, pois, como esses
fenômenos são invisíveis, é difícil apresentá-los de forma concreta, sem cair em dogmas.
Desprendido do corpo, que se tornou inútil, o espírito retorna ao Mundo Espiritual, onde passa a habitar,
começando uma nova vida. Descreverei, inicialmente, como se processa o instante da morte, observado do
Mundo Espiritual.
Geralmente o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região umbilical ou pela ponta dos dedos do
pé. O espírito puro sai pela testa; o que tem muitas máculas, pela ponta dos dedos do pé; o mediano, pela
região umbilical. Isso se explica porque o espírito puro praticou o bem enquanto vivia, somou méritos e foi
purificado; o que tem muitas máculas somou muitos pecados, e o mediano situou-se entre os tipos
mencionados. Tudo está fundamentado na Lei da Concordância.
O exemplo que se segue é a experiência de uma enfermeira que "viu" a morte de um doente; sua descrição é
tão perfeita, que serve de ilustração. É um exemplo ocidental, porém, tanto no Ocidente como no Japão,
existem pessoas que têm a faculdade de ver espíritos. Não guardei os pormenores da descrição, mas vou
reproduzir as partes mais importantes.
"Certa vez - disse ela - fitando um doente prestes a morrer, notei que de sua testa subia algo branco, uma
espécie de névoa que, espalhando-se lentamente pelo espaço, tornou-se uma massa disforme, semelhante a
uma nuvem. Pouco a pouco, entretanto, começou a tomar a forma humana; minutos depois, apresentou-se
exatamente com as mesmas características físicas da pessoa. De pé, no espaço, olhava atentamente seu
corpo inerte, junto do qual os familiares choravam. Parecia que desejava mostrar-lhes sua presença, mas
desistiu, por saber que estava em dimensão diferente; mudou, então, de posição, dirigiu-se para a janela e
saiu suavemente".
Realmente, a descrição acima retrata muito bem os instantes da morte, que os budistas designam pela
expressão "vir para nascer". De fato, se analisarmos do Mundo Material, é "ir para morrer", mas, se o
fizermos do Mundo Espiritual, é "vir para nascer". Da mesma forma, ao invés de dizerem "antes de morrer",
eles dizem "antes de nascer". Assim, o espírito vive no Mundo Espiritual durante determinado tempo, às
vezes dezenas, centenas ou milhares de anos, para nascer novamente. Desse modo, o homem nasce e morre
muitas vezes. Para se referirem a esse nascer e renascer, os budistas usam a expressão "Rin-ne Tensho".
Qual a relação entre o Mundo Espiritual e o homem?
O homem vem ao Mundo Material para cumprir a missão que lhe foi determinada por Deus, tenha ou não
tenha consciência disso. No cumprimento dessa missão, acumula máculas no seu corpo espiritual. Chega,
porém, um momento em que, por doença, velhice ou outros motivos, torna-se-lhe difícil continuar a
cumpri-la. Quando isso ocorre, o espírito abandona o corpo e retorna ao Mundo Espiritual. Nesse sentido,
desde tempos remotos chama-se "Nakigara" (invólucro vazio) ao corpo sem espírito, e "Karada" (invólucro)
ao corpo carnal de uma pessoa viva.
Na ocasião em que o espírito entra no Mundo Espiritual, inicia-se, na maioria deles, o processo purificador
das máculas. Dependendo do peso e da quantidade destas, logicamente ele vai ocupar um nível mais
elevado ou mais baixo. O período de purificação é variável. Os períodos mais curtos duram poucos anos, às
vezes dezenas, e os mais prolongados, centenas ou milhares de anos. Os espíritos que foram purificados até
certo ponto, reencarnam, por determinação de Deus.
Essa é a ordem normal, porém, de acordo com a pessoa, há situações em que não se obedece a ela. Isso
acontece com aqueles que, na ocasião da morte, têm forte apego à vida. Eles reencarnam antes de terem
sido suficientemente purificados no Mundo Espiritual. Geralmente têm destino infeliz, porque lhes restam
consideráveis máculas da vida anterior, que precisam ser eliminadas. Por essa razão é que muitos praticam
o bem mas vivem perseguidos pelos infortúnios. São pessoas que na vida anterior cometeram muitos
pecados e, quando morreram, arrependeram-se seriamente, tomando a firme decisão de não persistir no
erro. Esse propósito ficou impregnado em seu espírito, mas, como reencarnaram sem terem sido
suficientemente purificadas, vivem sempre cercadas de sofrimento, apesar de detestarem o mal e praticarem
o bem. Entretanto, não são poucos os exemplos de pessoas que, passando um período de infelicidade e
tendo redimido os seus pecados, tornam-se subitamente felizes.
Há homens que se orgulham de não conhecerem outra mulher além de sua esposa, e outros que não desejam
casar-se, terminando a vida solteiros. São indivíduos a quem as mulheres causaram muita infelicidade na
vida anterior, e por esse motivo morreram com uma espécie de temor ao sexo feminino, sentimento que
deixou marcas em seu espírito.
Algumas pessoas têm especial aversão ou receio de aves, insetos ou outros bichos. Isso tem origem na
morte que tiveram, causada por um desses animais. O mesmo pode ser dito em relação àqueles que temem a
água, o fogo ou os lugares altos. Outros têm medo de lugares onde se aglomera muita gente. Quando
alguém sente isso, é porque em outra vida morreu pisoteado pela multidão. É interessante o pavor que
certas criaturas têm de ficar sozinhas. Ministrei Johrei numa pessoa assim. Ela não podia ficar sozinha
dentro de casa. Nessas ocasiões, saía para a rua e ficava esperando alguém chegar. Provavelmente, na vida
anterior, tais pessoas faleceram de um mal súbito, quando estavam sozinhas.
Pelos diversos exemplos mencionados, concluímos que, no dia-a-dia da sua vida, o homem deve se esforçar
para morrer em paz, sem apegos, temores e outras preocupações.
Quando uma pessoa nasce deformada ou aleijada, geralmente é porque reencarnou antes de estar
suficientemente purificada no Mundo Espiritual. Por exemplo: antes de ser curada de fratura nas mãos ou
nas pernas, provocada pela queda de um lugar alto.
Além do apego do próprio falecido, há outro motivo para a reencarnação prematura: a influência do apego
dos familiares. É comum o caso de mulheres que engravidam logo após o falecimento de um filho querido.
Esse novo filho é aquele que morreu e reencarnou prematuramente, em virtude do apego da mãe.
Geralmente essas crianças não são muito felizes.
Existem pessoas sábias e pessoas ignorantes. Por quê? Pela diferença de idade entre suas almas: as
primeiras têm alma velha; as segundas têm alma nova. A alma velha, por ter reencarnado muitas vezes,
possui uma larga experiência do mundo, ao passo que a nova, por ter sido criada recentemente no Mundo
Espiritual, tem pouca experiência, motivo pelo qual é mais ignorante. Como vemos, também há um
processo de procriação no Mundo Espiritual.
Ainda podemos citar algumas experiências pelas quais muitos já passaram.
Certas pessoas, ao encontrarem alguém que nunca viram, têm a impressão de tratar-se de pessoa já
conhecida. Sentem uma grande emoção, como se fossem pai e filho, ou irmãos; podem até experimentar um
sentimento mais profundo. A razão é que na vida anterior eram parentes bem próximos ou tinham laços de
estreita amizade; a isso se convencionou chamar de INNEN (afinidade espiritual).
Também, por ocasião de uma viagem, encontramos lugares pelos quais sentimos especial simpatia ou
atração e onde desejaríamos residir. É porque em outra vida residimos ou passamos muito tempo nesse
locais.
No relacionamento entre homem e mulher, há casos em que ambos ficam em idílio ardente, que progride
até se tornar um amor cego. A explicação é que na vida anterior, apesar de enamorados, eles não
conseguiram unir-se. Entretanto, na vida atual, apresentando-se essa oportunidade, cria-se entre os dois um
amor apaixonado.
Ao lermos ou ouvirmos falar de determinados personagens ou acontecimentos históricos, podemos sentir
simpatia ou até ódio. Isso acontece porque já vivemos na época em que aqueles fatos ocorreram, ou porque
tivemos algum relacionamento com aqueles personagens.
5 de fevereiro de 1947
AS DIVERSAS EXPRESSÕES FACIAIS APÓS A MORTE
A morte pode ocorrer de muitas formas. Uns morrem de repente, por hemorragia cerebral, apoplexia, ataque
cardíaco, desastre, etc., e quem nada conhece sobre o assunto diz que essas pessoas é que são felizes,
porque não passam pelas angústias nem pelas dores da doença. Entretanto, nada mais errado; ninguém é
mais infeliz do que elas. Como não estavam preparadas para morrer, mesmo habitando o Mundo Espiritual
não têm noção de que faleceram e continuam pensando que estão vivas. Além do mais, como os elos
espirituais se mantêm após a morte, o espírito, através desses elos, tenta encostar num parente
consangüíneo. Geralmente encosta em criança ou em pessoas fisicamente enfraquecidas, como senhoras
anêmicas em conseqüência de parto, visto que nelas o encosto se torna mais fácil.
Essa é a causa da paralisia infantil autêntica, e também pode ser a causa da epilepsia. É por isso que a
paralisia infantil freqüentemente apresenta sintomas semelhantes aos da hemorragia cerebral. A epilepsia
manifesta os sintomas dos instantes da morte. Por exemplo: quando a pessoa espuma, é porque se trata da
incorporação do espírito de alguém que morreu afogado; se tem ataque ao ver fogo, trata-se da incorporação
do espírito de uma pessoa que morreu queimada. Há diversos outros casos em que se manifestam condições
relacionadas com morte antinatural. O sonambulismo também tem a mesma causa, assim como muitas
doenças de origem espiritual.
Sobre mortes antinaturais, há um aspecto que convém conhecer.
Os espíritos daqueles que morreram assassinados, que se suicidaram, etc., durante algum tempo não podem
sair do local em que ocorreu a morte, e são chamados de "espíritos presos à terra". Geralmente eles ficam
circunscritos a um espaço mais ou menos exíguo (de dez a cem metros) e, não suportando a solidão, tentam
atrair companheiros. Por essa razão, tornam-se freqüentes as mortes nos locais onde aconteceram desastres,
como estradas de rodagem e de ferro, nos locais onde houve afogamentos, como lagos e rios, ou onde
alguém se enforcou.
Os "espíritos presos à terra" não podem desligar-se desses locais durante cerca de trinta anos, mas, de
acordo com a atenção e o carinho que seus familiares lhes dispensam, oferecendo-lhes cultos para sua
elevação, esse tempo pode ser muito abreviado. Por isso, devem dispensar uma atenção toda especial aos
espíritos daqueles que não tiveram morte natural.
Todos os mortos, especialmente os suicidas, continuam no Mundo Espiritual com as dores e as angústias do
momento em que morreram. Os suicidas se arrependem seriamente, porque o Mundo Espiritual é a
continuação do Mundo Material. Por essa razão, se a morte ocorre em meio a sofrimentos, o espírito vai
para o Plano Intermediário ou para o Plano Inferior, mesmo que se trate de uma pessoa bondosa. Quem era
solitário antes de morrer, continua solitário no Mundo Espiritual; os que não tinham sorte, continuam sem
sorte.
Contudo, há casos particulares em que a situação no Mundo Espiritual torna-se o oposto do que era no
Mundo Material. É o que acontece, por exemplo, com aqueles que enriqueceram à custa do sofrimento
alheio. É, também, o caso dos avarentos. Indo para o Mundo Espiritual, eles ficam paupérrimos e se
arrependem enormemente. Ao contrário, pessoas que no Mundo Material gastaram grandes somas para o
bem da humanidade, acumulando méritos pelo altruísmo praticado, no Mundo Espiritual tornam-se ricas e
afortunadas. Criaturas que aparentavam uma dignidade que não tinham, poucos meses ou um ano depois da
passagem para o Mundo Espiritual tomam uma aparência de acordo com seu verdadeiro caráter. Isso se
justifica porque o Mundo Espiritual é o mundo do pensamento, e aquilo que esconde o pensamento, ou seja,
o corpo carnal, já não existe. Os pensamentos malévolos e indignos fazem com que o espírito tome um
aspecto feio ou até horrível; já o espírito daqueles que acumularam méritos pelo seu altruísmo, toma uma
aparência bondosa e agradável. Podem, pois, compreender a diferença entre o Mundo Espiritual e o Mundo
Material. Realmente, no Mundo Espiritual não há parcialidade de forma alguma.
Anos atrás, havia entre meus subordinados um jovem chamado Yamada. Um dia, ele me disse: "Peço
licença para ir a Ossaka tratar de um assunto". Sua expressão e seu comportamento não eram normais.
Perguntei-lhe que assunto ele tinha a tratar naquela cidade, mas suas respostas foram evasivas e confusas.
Decidi, então, examiná-lo espiritualmente. Nessa ocasião, eu estava pesquisando os fenômenos espirituais
com grande interesse.
Fiz com que o rapaz se sentasse e cerrasse as pálpebras. Quando iniciei o exame espiritual, ele começou a
se contorcer de dor. Manifestou-se, então, um espírito que se identificou como sendo o de um amigo seu.
"Quando eu era empregado de uma firma de Ossaka - disse ele - fui despedido por um dos diretores, que
acreditou nas calúnias de certo indivíduo. Fiquei num tal estado de inconformismo e desespero, que me
matei, tomando veneno. Pensava que, suicidando-me, estaria pondo fim na minha existência, que voltaria
ao nada, mas, ao invés disso, os sofrimentos dos instantes da morte continuavam indefinidamente. Fiquei
deveras surpreso e me arrependi seriamente do que havia feito. Ao mesmo tempo, pensei em vingar-me do
diretor da firma, que fora o causador de tudo, e por isso encostei em Yamada, para levá-lo a Ossaka, e, por
suas mãos, assassinar aquele homem".
O espírito parecia estar padecendo intensamente e me suplicou que lhe aliviasse o sofrimento. Então eu lhe
fiz ver seus erros e lhe ministrei Johrei. Imediatamente ele se sentiu aliviado e me agradeceu muitas e
muitas vezes. Prometendo desistir do seu intento, retirou-se.
Durante o tempo em que o espírito esteve incorporado em Yamada, este ficou completamente inconsciente;
depois, não se lembrava de nada do que tinha falado. Quando retornou a si, contei-lhe o que se passara. Ele
ficou surpreso e, ao mesmo tempo, muito contente por se ver salvo de um grande perigo.
Pelo exposto, devem compreender que, embora esteja enfrentando o maior dos sofrimentos, o homem
jamais deve cometer suicídio. Os casais que se suicidam por amor estão completamente afastados da
realidade. Muitos pensam que, morrendo, vão para o Céu, onde deslizarão por um lago tranqüilo, sentados
numa folha de lótus, e viverão na maior felicidade. Isso é um grande engano. Vou explicar com mais
detalhes.
Quando um homem e uma mulher se suicidam abraçados, os espíritos de ambos, ao entrarem no Mundo
Espiritual, ficam grudados um ao outro sem poder separar-se, sujeitos a grandes incômodos. Como essa
situação vergonhosa é vista pelos demais espíritos, não é pequeno o seu arrependimento. Casais que se
matam por amor, geralmente ficam colados costa com costa, ou barriga com costa, etc., conforme o
pensamento e a atitude do momento da morte, e perdem toda a liberdade, o que torna tudo mais difícil. Os
espíritos daqueles que tiveram relações sexuais imorais e abomináveis, como por exemplo o incesto, além
de ficarem grudados, se um fica de pé, o outro fica com a cabeça para baixo, de modo que a sua dor e
desconforto estão além da imaginação. Quando se trata de relações imorais de eclesiásticos, professores e
outras pessoas que devem dar exemplo às demais, evidentemente a pena é mais pesada.
25 de agosto de 1949
DOENÇA E ESPÍRITO
Conforme já expliquei pormenorizadamente, a doença é o aparecimento e o transcurso do processo de
purificação, mas convém saber que existem muitas doenças de origem espiritual. Muito se tem falado sobre
isso desde tempos remotos, havendo mesmo certas religiões que afirmam que quase todas as doenças têm
origem espiritual. Através de pesquisas, entretanto, eu soube que a doença pode ser decorrente de ação
espiritual ou processo purificador. Também descobri que entre os dois tipos há uma relação íntima e
inseparável, pois o encosto de espírito enfermo limita-se ao local maculado do corpo espiritual. Portanto, se
este, pela dissolução das máculas, ficar purificado até certo grau, não só desaparecerá a doença do corpo
material, mas também será impossível o encosto do espírito enfermo, e a pessoa se tornará saudável, física e
espiritualmente.
5 de fevereiro de 1947
OS JAPONESES E AS DOENÇAS PSÍQUICAS
Atualmente, as pessoas vivem falando sobre degradação moral, aumento de crimes, política deficiente, etc.
Vou mostrar que tudo isso tem profunda relação com a doença psíquica. Em primeiro lugar, explicarei a
verdadeira causa desse tipo de doença. Todos vão se surpreender, mas, como se trata da própria Verdade,
estou certo de que compreenderão, a menos que se trate de um doente mental.
A verdadeira causa da doença psíquica é física e, ao mesmo tempo, fenômeno de encosto. Para os homens
da atualidade, que receberam uma educação materialista, talvez seja um pouco difícil entender isso, o que é
plenamente justificável, pois lhes incutiram na mente que não se deve acreditar naquilo que não se vê.
Porém, a Verdade é a Verdade, mesmo que a neguem. Se disserem que o espírito não existe, por ser
invisível, terão de concluir que também não existe o ar nem os sentimentos.
O espírito existe porque existe; o fenômeno de encosto também existe porque existe. Se não partirmos desse
princípio, não poderei explanar a minha tese. Assim, é melhor que aqueles que negam firmemente a
existência do espírito não a leiam. Há pessoas que nos julgam supersticiosos, mas para nós elas é que o são;
portanto, consideramo-las dignas de pena.
Mostrarei, a seguir, por que eu afirmo que a doença psíquica é um fenômeno de encosto.
Muita gente se queixa de ter o pescoço e os ombros enrijecidos. Creio mesmo que quase todos os japoneses
se queixam disso. Aliás, pela minha longa experiência, posso afirmar que todas as pessoas apresentam esses
sintomas. É raro alguém dizer o contrário, mas, em tais casos, o que acontece é que o pescoço e os ombros
da pessoa se encontram tão rijos, que se tornam insensíveis à dor. Esse enrijecimento constitui a verdadeira
causa da doença psíquica. Posso imaginar o espanto e a surpresa dos leitores, mas creio que, com o
desenrolar da explicação, vão acabar compreendendo.
Com o enrijecimento do pescoço e dos ombros, as veias que levam o sangue ao cérebro ficam comprimidas,
causando anemia na parte frontal da cabeça. Aí está o problema, pois a anemia cerebral não se resume
numa simples anemia. Como o sangue é espírito materializado, ela não é senão a falta de células espirituais
que alimentam o cérebro, provocando o enfraquecimento espiritual, causa imediata da doença psíquica. Os
espíritos aguardam essa oportunidade para encostar. A maioria é de animais como raposa, texugo e, mais
raramente, cães e gatos, e sempre é um espírito desencarnado. Pode haver, também, encosto simultâneo de
espírito humano e animal.
Analisando o pensamento humano, diremos que ele é constituído de razão, sentimento e vontade, os quais
levam o homem à ação. A função da parte frontal do cérebro é comandar a razão, e a da parte posterior é
comandar os sentimentos. Como prova disso, o amplo desenvolvimento da parte frontal da cabeça, nas
pessoas de raça branca, indica a riqueza da razão; ao contrário, as de raça amarela possuem a parte frontal
estreita e a parte posterior desenvolvida, indicando a riqueza dos sentimentos. Todos sabem que a raça
branca é a mais racional, e a raça amarela a mais emotiva. A razão e o sentimento estão sempre em luta
dentro do homem. Se a razão vencer, não há falhas, mas a pessoa torna-se fria; se o vencedor for o
sentimento, os instintos ficam em liberdade, o que é perigoso. O ideal é os dois se harmonizarem e a pessoa
não pender para um só lado, mas geralmente isso não acontece. Para o sentimento ou a razão se
expressarem em ação, seja grande ou pequena, necessita-se da vontade, a qual provém de uma função
situada em determinado ponto da zona umbilical. Essa é a origem de todas as ações, e a união dos três
elementos - razão, sentimento e vontade - constitui a trilogia do pensamento.
O enfraquecimento espiritual na parte frontal da cabeça provoca insônia. Esta, na maioria das vezes, é
causada por pontos solidificados na zona occipital direita, que comprimem as veias. Como a insônia acelera
o enfraquecimento espiritual, os espíritos aproveitam a oportunidade para encostar. A parte frontal da
cabeça é a sede de comando do corpo, e o espírito, ocupando essa parte, consegue dirigir livremente o
indivíduo. Ele tem interesse em utilizá-lo à sua vontade, pois com isso se torna influente entre os
companheiros. O ser humano nem pode imaginar como é grande esse interesse. Brevemente, baseando-me
nas minhas observações, pretendo escrever sobre os espíritos de raposa.
Conforme eu vinha explicando, a razão controla constantemente o sentimento - que é o instinto do ser
humano - cuidando para este não cometer erros. Por isso o homem pode, mesmo precariamente, levar uma
vida normal, pois o instinto está sendo dominado pela razão que, funcionando como lei, mantém a ordem na
vida. Portanto, se o homem perde a força dessa lei, o sentimento se desvia, livre e desenfreado. Eis o que é
a doença psíquica.
Sabedor de que a lei está brilhando dentro da parte frontal da cabeça do homem, o espírito desejoso de
dominá-lo encosta num certo ponto, objetivando aquela região. É claro que, se a pessoa estiver com a
plenitude de sua energia espiritual, não há possibilidade de encosto.
A força de atuação do espírito é variável. Se na parte frontal da cabeça a energia espiritual da pessoa for de
100%, o encosto é impossível; se for 90%, o espírito encostará 10%; no caso de se tornar 80, 70, 60 , 50 ou
40%, o espírito encostado conseguirá manifestar uma força de 20, 30, 40, 50 ou 60%. Quando a força da
razão é 40%, torna-se impossível controlar a força do sentimento, que é 60%; assim, o espírito encostado
pode governar livremente o homem. Como explanei no início, o enrijecimento do pescoço e dos ombros
comprime as veias e causa o enfraquecimento espiritual, propiciando ao espírito encostado atuar na mesma
proporção desse enfraquecimento.
Atualmente, todo mundo está nessas condições. Pode-se dizer, portanto, que não há ninguém com energia
espiritual total; até aqueles que são respeitados na sociedade pela sua integridade moral, têm deficiência de
mais ou menos 20 a 30%. Às vezes acontecem coisas que nos levam a perguntar: Por que uma pessoa tão
maravilhosa cometeu tal erro? Será que não entendeu aquilo? Por que será que falhou? E outras perguntas
semelhantes. A razão de tais atitudes está nos 20 ou 30% de deficiência da energia espiritual da pessoa.
Entretanto, essa porcentagem não é fixa; está constantemente oscilando. Mesmo quando tomam atitudes
louváveis, os homens têm cerca de 20% de deficiência; quando têm maus pensamentos e por algum motivo
cometem um crime, estão com aproximadamente 40% de deficiência. Isso é o que vemos acontecer com
freqüência. Quando retorna aos 20%, em geral a pessoa se arrepende do que fez. Segundo um dito popular,
ela foi tentada pelo demônio.
O normal é ter-se de 30 a 40% de enfraquecimento da energia espiritual, mas, conforme o motivo, a
qualquer momento essa porcentagem pode ultrapassar os 50%. Nesse caso, as pessoas cometem crimes
inesperados. Um exemplo disso é a histeria, cuja causa, quase sempre, é o encosto de um espírito de raposa,
o qual domina a razão e, levado pelo ciúme ou pela ira, atua com uma força que excede o limite dos 50%.
Assim, as pessoas fazem escândalos ou falam coisas incoerentes, nas quais nem estavam pensando. Mas
isso não continua por muito tempo, porque aquele limite de 50% novamente se reduz. Sendo assim, o
homem deve fazer o possível para manter o limite de no máximo 30% de enfraquecimento da sua energia
espiritual; se chegar a 40%, já é perigoso.
Creio que, tomando conhecimento do que acabamos de explicar, poderão compreender perfeitamente por
que há tantos criminosos hoje em dia. Como o espírito encostado é de animal, se a sua força de atuação
ultrapassar o limite dos 50%, temporariamente o espírito da pessoa ficará nas mesmas condições daquele,
embora a aparência seja de ser humano. A diferença mais notável entre o homem e o animal é que o
primeiro tem capacidade de reflexão, mas o segundo não tem. A vontade do animal é apenas matar a fome,
mas, como a ganância do homem é ilimitada, uma vez que ele manifesta características animais, revela uma
crueldade inimaginável.
Como eu falei, já que não existe ninguém cujo espírito seja 100% forte, todas as pessoas - umas mais,
outras menos - são influenciadas pelo encosto de um espírito; assim, proporcionalmente à força de atuação
desse espírito, todas sofrem de doença psíquica. Falando sem reserva, não é exagero afirmar que todos os
japoneses, sem exceção, são doentes mentais, mesmo que em pequena proporção.
Vou relatar minha experiência sobre isso.
Diariamente encontro dezenas de pessoas e converso com elas sobre vários assuntos, mas posso dizer que
todas cometem falhas, que todas fazem coisas esquisitas; até mesmo as que merecem consideração social,
embora nestas, normalmente, as falhas não sejam percebidas. Sendo assim, creio que podemos dizer que a
doença psíquica em menor grau está generalizada.
E não é só o que as pessoas dizem, mas também o que fazem. Pelas atitudes do dia-a-dia percebe-se
claramente que quase ninguém tem bom senso. As criaturas não mostram o mínimo interesse pela etiqueta e
pelas boas maneiras. Em geral, quando entram na sala e me cumprimentam, olham para lugares como a
parede, o jardim, etc. Há algumas que são cheias de mesuras, e outras, ao contrário, secas demais, pelo que
se pode concluir que todo mundo é doente psíquico em pequeno grau.
25 de setembro de 1949
AS TRÊS GRANDES CALAMIDADES E AS TRÊS PEQUENAS CALAMIDADES
Vou explicar o significado fundamental das Três Grandes Calamidades - vento, chuva e fogo - e das Três
Pequenas Calamidades - fome, doença e guerra - comentadas desde eras remotas.
O vento e a chuva são ações purificadoras do espaço entre o Céu e a Terra, causadas pelas máculas
acumuladas no Mundo Espiritual, isto é, impurezas invisíveis. Dispersá-las com a força do vento e lavá-las
com a chuva, é a finalidade da tempestade. Mas que máculas são essas e de que forma se acumulam?
São máculas formadas pelos pensamentos e palavras do homem. Pensamentos que pertencem ao mal, como
ódio, insatisfação, inveja, cólera, mentira, desejo de vingança, apego, etc., maculam o Mundo Espiritual.
Palavras de lamúria, inclusive em relação à Natureza, como, por exemplo, comentários desairosos sobre o
tempo, o clima e a safra, censuras e agressões às pessoas, gritos, intrigas, cochichos, enganos, repreensões,
críticas e outras coisas desse gênero também partem do mal e maculam o Reino Espiritual das Palavras,
que, em relação ao Mundo Material, situa-se antes do Reino do Pensamento. Quando a quantidade de
máculas acumuladas ultrapassa certo limite, surge uma espécie de toxinas que causarão distúrbios na vida
humana, e então ocorre a purificação natural. Essa é a Lei do Universo.
Como expliquei, as máculas do Mundo Espiritual, ao mesmo tempo que influenciam a saúde do homem,
afetam as ervas, as árvores e principalmente as plantações, tornando-se a causa da má colheita e do
alarmante aparecimento de insetos nocivos. É esse o motivo pelo qual, atualmente, estão surgindo pragas
que secam pinheiros e cedros em todas as regiões do Japão. Portanto, se os japoneses não se elevarem
muito, será difícil evitar que isso aconteça. Em outras palavras: os erros dos próprios japoneses estão
secando os pinheiros e os cedros do seu país, de modo que eles precisam moderar bastante o seu
pensamento e as suas palavras.
Tal como nas calamidades naturais, nas calamidades humanas também há algo de aterrorizador,
principalmente na guerra - aquela que maiores danos causa ao homem. Sobre as causas da guerra,
apresentarei uma tese nova, que poderá surpreender, por ser algo fora de qualquer expectativa. Gostaria de
que os leitores lessem com toda a atenção.
A guerra é a luta de grupos, e até hoje a humanidade tem demonstrado mais propensão a ela que à paz. E
não é só internacionalmente. Observando cada região de um país, veremos que quase não há lugares sem
conflito. Nas repartições, nas firmas, nas associações, enfim, em qualquer grupo, sempre há lutas nos
bastidores, ininterruptamente, e as pessoas vivem se criticando e se rejeitando. Observamos, ainda, conflitos
entre profissionais, conflitos no lar, entre casais, entre irmãos, entre pais e filhos, conflitos entre amigos,
etc. O homem realmente aprecia muito os conflitos. Notamos que freqüentemente eles ocorrem até no
interior de transportes, ou na rua, com os transeuntes. Creio ser desnecessário continuar enumerando todos
os conflitos que existem entre os homens. Vou explicar a causa dessa tendência humana.
Todas as pessoas possuem toxinas de diversas espécies, inatas ou adquiridas após o nascimento. Essas
toxinas se acumulam no local em que os nervos são mais instados pelo homem, isto é, do pescoço para
cima. Mesmo que as mãos e os pés estejam descansando, órgãos como o cérebro, os olhos, o nariz, a boca,
os ouvidos e outros estão em constante ação enquanto o homem se encontra acordado. É natural, portanto,
que as toxinas se reúnam nas proximidades desses órgãos. Essa é também a causa do enrijecimento da
região do pescoço e dos ombros, de que muitos se queixam. À medida que as toxinas se acumulam, vão se
solidificando, e, quando a solidificação atinge certo estágio, surge a ação contrária, isto é, a dissolução e
eliminação, a que nós chamamos processo purificador. Ele é sempre acompanhado de febre, que surge para
dissolver as toxinas solidificadas e, assim, facilitar a sua eliminação. Essa purificação natural é o resfriado;
excreções como escarro, coriza, suor, etc., representam eliminação das toxinas.
A grande maioria das pessoas estão constantemente em processo de purificação, com resfriado ameno, mas,
sendo ele quase imperceptível, elas se julgam sadias, o que não corresponde absolutamente à verdade. Caso
se submetam a um exame minucioso, será constatado, infalivelmente, que elas têm um pouco de febre da
cabeça aos ombros, apresentando, entre outros sintomas, peso e dor de cabeça, secreção ocular, coriza,
zumbido no ouvido, piorréia e enrijecimento do pescoço e dos ombros. Por isso, sempre há uma certa
indisposição. Essa indisposição é a origem da ira, que se concretiza em forma de conflito, cujo aumento,
por sua vez, acaba em guerra. Assim, para extinguir o espírito belicoso, só há um método: eliminar aquela
indisposição. Eis por que, quando a pessoa se sente bem, não se incomoda ao ouvir alguma coisa
desagradável, mas, se ela está indisposta, não consegue evitar a ira. Creio que quase todos já tiveram essa
experiência.
É muito comum vermos bebês que choram muito. Geralmente se diz que eles são nervosos, mas, se forem
examinados, sempre se constatará um pouco de febre em sua cabeça e na região dos ombros. Embora se
trate de bebês, muitos têm os ombros endurecidos. Em tais casos, com a ministração de Johrei, as toxinas
diminuirão, cessará a febre e eles deixarão de chorar constantemente. Com as crianças que facilmente se
irritam acontece o mesmo, mas por meio do Johrei o problema se resolve, e elas se tornam obedientes; além
disso, seu nível de aproveitamento escolar também melhorará. O conflito entre casais tem a mesma origem;
recebendo Johrei, eles conseguirão se harmonizar.
Como a causa fundamental do conflito é a febre decorrente da dissolução das toxinas da cabeça e da região
do pescoço e dos ombros, o único meio de solucioná-lo é eliminar completamente a febre. Então não será
exagero afirmar que o Johrei da nossa Igreja, apesar de o mundo ser tão grande, é o único, inigualável,
absoluto e radical meio de eliminação do conflito. O mesmo podemos dizer em relação a todos os
problemas que hoje constituem motivo de sofrimento.
Ideologias destrutivas ou que fomentam lutas de classes, também têm origem na insatisfação e nas queixas
provenientes da indisposição das pessoas. Muitos, para fugirem dela, inconscientemente procuram
sensações fortes, e isso, evidentemente, resulta em crimes, alcoolismo, devassidão, ociosidade, brigas, etc.
Fazendo mau uso da razão, os materialistas ambiciosos de cada época geram o aumento da insatisfação e
das queixas, instigam a guerra e provocam a revolução social de caráter nocivo. Conseqüentemente, para se
construir a paz eterna sobre a Terra, em primeiro lugar se deve erradicar a indisposição de cada homem e
aumentar-lhe o bem-estar. Não há dúvida de que, assim, o ser humano abominará o conflito e amará a paz.
13 de agosto de 1949
A TEMPESTADE É UMA CALAMIDADE HUMANA
Desde tempos remotos os tufões e as inundações são considerados calamidades naturais. Todo mundo os
aceita como fenômenos inevitáveis. No meu ponto de vista, entretanto, são calamidades humanas. Vou
explicar por quê.
Atualmente, os cientistas objetivam a diminuição de tais ocorrências através da pesquisa e do progresso da
meteorologia. No Japão, são aplicadas anualmente enormes quantias em instalações adequadas a esse fim.
Vem se desenvolvendo um esforço constante, e de fato se têm obtido alguns resultados, mas parece que
dificilmente se atingirá o objetivo final. Somente no Japão, os prejuízos anuais causados por tufões e
inundações elevam-se a uma soma realmente alta. No recente tufão perderam-se 6.500.000 sacos de arroz,
4.229 casas ficaram danificadas ou foram carregadas pela água, 144 pessoas desapareceram ou morreram, e
o número de feridos atingiu vários milhares. Além disso, os prejuízos com plantações e com estragos nas
rodovias, construções e instalações, segundo declaração do órgão competente, atingiram mais de duzentos e
cinqüenta milhões de dólares. Vemos, pois, a enormidade dos prejuízos. Somando-se, também, os danos
materiais e morais causados por grandes e pequenos tufões, várias vezes ao ano, creio que o resultado será
gigantesco, difícil de calcular.
Em face de tal situação, mesmo que não haja possibilidade de exterminar essas calamidades, é necessário
fazer todo esforço para que os danos sejam os menores possíveis. O Governo e o povo estão empregando
todos os métodos praticáveis, mas há falta de verbas e a aparelhagem não chega nem de longe ao montante
previsto. Se as deficiências persistirem, é claro que não se encontrará solução para o problema.
Nas condições atuais, em que se depende apenas da pesquisa meteorológica, é impossível prestar auxílio em
casos de urgência. Dizemos impossível porque as pesquisas científicas estão baseadas no materialismo, isto
é, pesquisa-se somente a parte superficial das coisas, sem se procurar descobrir o seu interior. Para
solucionar o problema, só há um recurso: apreender a essência desse interior e providenciar a prevenção das
calamidades. Mas aí surge a pergunta: É possível conhecer as causas fundamentais do problema? Eu
gostaria de provar que sim.
Inicialmente direi que a tempestade é a ação purificadora do espaço acima da Terra, isto é, daquilo que
chamamos de Mundo Espiritual, pois até nele há uma constante acumulação de impurezas. Materialmente
falando, é como acumular poeira numa cidade ou numa casa. Só que, como o Mundo Espiritual é invisível,
o homem não percebe o acúmulo de impurezas. Se até hoje essa percepção não foi possível, é porque a
educação está voltada apenas para a matéria, negligenciando os estudos espirituais. Sempre falamos que
essa é a maior falha da humanidade. Se ela não reconhecer a existência do Mundo Espiritual e não fizer
pesquisas baseadas nesse conhecimento, não lhe será fácil compreender o princípio da tempestade. Sendo
assim, a missão original da Religião é fazer reconhecer a existência do Mundo Espiritual, ignorado e
negado por quase todos. Entretanto, parece-me que as antigas religiões sempre se mostraram
desinteressadas em relação ao assunto, o que eu acho muito estranho. Mas deixemos isso de lado.
Como já expliquei em outras oportunidades, quando se acumulam impurezas no Mundo Espiritual, surge
naturalmente uma ação purificadora. O vento dispersa as impurezas e a água as lava: eis o que é a
tempestade. Realmente, não há nenhuma diferença entre ela e a limpeza que se faz diariamente no Mundo
Material. Portanto, identificar a causa dessas impurezas é a única chave para solucionar o problema.
A impureza é a mácula criada pelo pensamento, pela palavra e pela ação do homem. Isto é, os maus
pensamentos, más palavras e más ações do ser humano influenciam o Mundo Espiritual, gerando máculas.
Por essa razão, em face da freqüente ocorrência de grandes tufões, podemos compreender como os
pensamentos se tornaram maus, quantas más palavras são pronunciadas e quantas más ações são praticadas.
Direi, entretanto, que há uma maneira extremamente fácil de eliminar as máculas: basta que a situação se
inverta, ou melhor, que os pensamentos, as palavras e as ações do homem se tornem bons. Em outros
termos: através do bem, purificar o Mundo Espiritual maculado pelo mal. Nesse caso, o bem transforma-se
em luz para eliminar as máculas. Os hinos cristãos, os sutras budistas e as orações xintoístas são preces de
Amor e Louvor e por isso contribuem para a limpeza do Mundo Espiritual. Se elas não existissem, os tufões
seriam ainda mais violentos.
Diante do exposto, podemos afirmar que quem gera o tufão é o homem, e ele próprio sofre com isso.
Realmente, a natureza é perfeita. A tempestade é um fenômeno semelhante ao processo de purificação
conhecido como doença, o qual surge no corpo humano quando nele se acumulam impurezas. Portanto,
como método para prevenir a tempestade, basta que compreendam esse princípio e deixem de praticar o
mal, passando a praticar o bem. É preciso reconhecer que, além deste, não há outro método que apresente
soluções radicais.
24 de setembro de 1949
CONSIDERAÇÕES ESPIRITUAIS SOBRE OS INCÊNDIOS
Todos sabem como surgem os incêndios. Os jornais estão sempre publicando notícias de incêndios causados
por fósforo, cigarro, aquecedor elétrico, etc. Geralmente eles acontecem por descuido do homem, não
vamos negar que isso seja verdade. Mas creio que, na posição de religiosos, devemos procurar descobrir a
causa espiritual dos incêndios.
A doença, como sempre explicamos, é a ação purificadora do corpo humano. Quando as toxinas que nele se
acumulam atingem certa quantidade, causam distúrbios à saúde, surgindo, então, a ação para eliminá-las,
isto é, a ação de limpeza. Sem ela, não é possível o homem manter a saúde; é uma Lei Universal e,
realmente, uma grande dádiva de Deus. Como a Ciência ainda não conseguiu descobrir esse princípio,
interpreta a doença de forma completamente errada. Apesar de todo o progresso, o fato é que a humanidade
continua sofrendo, pois a Ciência mostra-se impotente ante o elevado número de pessoas enfermas.
Talvez achem incoerência falar de doença para explicar as causas do incêndio, mas, na verdade, a causa de
ambos é a mesma, visto que o incêndio também é uma ação purificadora. O mesmo podemos dizer em
relação à tempestade. Nesse caso, há um acúmulo de impurezas no Mundo Espiritual, isto é, máculas
motivadas pelos maus pensamentos, más palavras e más ações do homem, e a tempestade sobrevém como
ação purificadora dessas máculas. Quer dizer, as impurezas dispersas pelo vento, são lavadas e carregadas
pela água e secas pelos raios solares. Assim se processa a purificação.
Como esclareci, a doença é a ação purificadora do corpo humano, e a tempestade é a purificação do espaço
acima da terra. Mas as casas, os edifícios e outros tipos de construções, quando as máculas neles
acumuladas atingem certo ponto, também sofrem uma ação purificadora: o incêndio. A origem de tais
máculas é o dinheiro impuro que se empregou nessas construções ou o acúmulo de más ações praticadas por
aqueles que as utilizam.
Sobre isso, outrora ouvi um caso interessante, relatado por uma senhora vidente. Alguns anos antes do
grande terremoto que atingiu a Região Leste, andando pelas ruas da cidade de Tóquio, ela viu rústicos
barracões enfileirados, em lugar dos altos prédios. Achou esquisito, mas, quando ocorreu o terremoto,
entendeu o significado do que vira. Como sempre falamos, tudo acontece primeiro no Mundo Espiritual,
isto é, pela Lei do Espírito Precede a Matéria a purificação ocorre primeiro no Mundo Espiritual e depois se
reflete no Mundo Material.
Por ocasião do último incêndio de Atami, o edifício onde funcionava a sede provisória da nossa Igreja foi
salvo, apesar de ter sido envolvido pelas chamas. Isso aconteceu, naturalmente, porque nele não havia
impurezas. Assim, se materialmente fizermos construções à prova de fogo e nos esforçarmos
espiritualmente para não maculá-las, elas não se incendiarão, deixando de oferecer qualquer perigo.
A esse respeito, talvez surja uma dúvida: que não há razão para cidades à prova de fogo, como as do
Ocidente, virem a incendiar-se, mesmo havendo impurezas. Entretanto, não existe outra explicação para o
fato de muitas cidades terem sido destruídas por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, a não ser
o princípio que acabamos de expor. É preciso saber que realmente as Leis do Universo são absolutamente
invioláveis.
20 de maio de 1950
INCÊNDIO E JOHREI
São freqüentes as experiências de fé relatadas por pessoas que, por ocasião de um incêndio, conseguiram
fazer mudar a direção do vento ministrando Johrei, quando as chamas já haviam atingido a casa do vizinho.
Isso acontece porque o incêndio é a ação purificadora através do fogo. Quando se acumulam impurezas na
matéria, o espírito também está impuro; conseqüentemente, o fogo alastra-se com facilidade. Ao se
ministrar Johrei, essas máculas desaparecem; deixando de existir aquilo que deveria ser queimado, o fogo
muda de direção. Realmente a Natureza é perfeita. Portanto, para acabar com os incêndios, é preciso, antes
de tudo, evitar que o espírito da matéria se macule; não há outro processo para exterminá-los radicalmente.
Assim, em primeiro lugar, devemos entronizar a Imagem da Luz Divina em nosso lar, para purificar o
mundo espiritual da família.
Nos últimos tempos tem havido incêndios em várias regiões. São muitas as casas destruídas pelo fogo,
numa época em que já há grande falta de residências, de modo que, embora se esteja construindo muito, o
problema continua sem solução. E o incêndio não causa apenas danos materiais, mas também grandes danos
morais. Além disso, sabemos que não é pequena a mão-de-obra necessária para reconstruir aquilo que foi
destruído, nem são poucos os prejuízos com a suspensão do trabalho, no caso de uma empresa. Diante de tal
situação, as autoridades competentes estão fazendo um esforço desesperado para solucionar o problema,
mas inutilmente, porque não compreendem as bases espirituais acima explicadas.
Para terminar definitivamente com os incêndios no Japão, é preciso que a grande maioria de seus habitantes
se tornem fiéis da nossa Igreja. Todavia, como creio que isso é impossível atualmente, não há outro recurso
senão utilizar métodos materiais contra os incêndios e esperar, dando tempo ao tempo, pois acredito que,
futuramente, Deus solucionará o problema.
20 de fevereiro de 1952
COMO ENCARAR A RELIGIÃO
Tenho observado que, quando as pessoas analisam a Religião, não compreendem o ponto mais importante:
sua posição.
A Religião está acima de qualquer outro valor. A Filosofia, a Moral e a Ciência ocupam uma posição
inferior. Entretanto, por ignorância dessa verdade, usam-se expressões como "Religião Filosófica" e outras
parecidas, baseadas na interpretação filosófica da Religião, o que é absolutamente errado. Explicar a
Religião sob o ponto de vista da Filosofia, é tentar explicar algo que não possui forma através de algo que a
possui. A Religião foi criada por Deus, e a Filosofia, pelos homens. A Moral também difere da Religião.
Tal como a Filosofia, ela foi criada pelo homem, mas há uma diferença entre ambas: a Filosofia é de caráter
ocidental e científico, ao passo que a Moral é de caráter oriental e psicológico. Comparada com a Filosofia
e a Moral, a Ciência é muito mais materialista, sendo patente a distância que há entre ela e a Religião. Por
todas essas razões, podemos perceber como está errado o conceito que os intelectuais da atualidade têm
sobre esta última.
Todavia, se analisarmos mais profundamente, veremos que a Filosofia é o conjunto das teorias criadas pelo
homem até hoje, e por isso, quando a comparamos com a Religião, a importância desta revela-se por si
mesma. Se tentamos descobrir, através da Filosofia, o ponto mais profundo de uma questão, encontramos
barreira e nada conseguimos. Uma prova disso é que, quanto mais pesquisamos através dela, mais confusos
ficamos. Uma dúvida puxa outra, e na maioria das vezes não recebemos resposta para as nossas perguntas.
A conseqüência é nos cansarmos facilmente da vida, havendo pessoas que chegam ao extremo de pensar
que a única solução para tal angústia é o suicídio. Esse é um fato que ninguém desconhece.
Quanto à Moral, não se pode negar que tem contribuído muito para o bem da sociedade. Entretanto, embora
ela tenha surgido com o objetivo de melhorar a conduta do homem por meio de códigos, não conseguiu
dominar-lhe totalmente o espírito, pois também nasceu do cérebro dos intelectuais. No antigo Japão, talvez
fosse possível aceitá-la, mas hoje em dia, tendo a Moral caráter oriental e estando tudo dominado pela
cultura ocidental, ela já não consegue convencer as pessoas e, obviamente, tende a desaparecer.
A respeito da ciência materialista, que nós sempre criticamos, não há necessidade de maiores comentários.
Atualmente, falar em cultura é o mesmo que falar em Ciência; interpreta-se progresso cultural como
progresso científico. É duvidoso, porém, que o homem tenha se tornado mais feliz com o progresso da
Ciência. Ao contrário, somos levados a pensar que a infelicidade cresceu proporcionalmente a ele. Ante a
terrível ameaça de guerra nuclear que paira sobre a humanidade, não é preciso dizer mais nada.
Evidentemente, o desejo dos homens, excetuando-se uma parte, é alcançar a felicidade. A expansão e o
progresso da Ciência também têm esse objetivo. Mas é muito triste constatar que na realidade acontece
justamente o oposto. Urge, portanto, averiguar a causa disso.
Se a Filosofia, a Moral e a Ciência, como acabei de expor, não têm força suficiente para resolver o
problema, o que é que poderá resolvê-lo a não ser a Religião? Certamente, os intelectuais têm consciência
do fato, mas na verdade, enquanto o consenso geral tomar como padrão as religiões tradicionais, acho que o
problema continuará sem solução. Dessa forma, não é possível prever quando se concretizará a felicidade
do ser humano. Vemos, pois, que são muito sombrias as condições da sociedade atual.
Todavia, neste mundo resignado, apareceu a nossa Ultra-Religião, com enorme poder salvador. Talvez seja
difícil aceitá-la, pois ninguém poderia imaginar uma religião semelhante, mas o fato é que não se pode
negar aquilo que é evidente. Uma vez conhecendo a sua verdadeira essência, como os cegos que
experimentam a alegria de ver a luz, todos despertarão. A prova do que dizemos está nos relatos cheios de
alegria que enchem as nossas publicações. Por isso, aqueles que desejam a verdadeira felicidade, façam
uma experiência, entrem em contacto com a nossa Igreja! Por mais saborosa que seja uma comida, é
impossível avaliarmos seu sabor apenas ouvindo explicações sobre ela ou olhando-a; antes de mais nada, é
preciso prová-la. Tenho a certeza de que todos ficarão satisfeitos com o sabor jamais experimentado até
então.
29 de abril de 1950
FÉ E RELIGIÃO
É comum as pessoas pensarem que Religião e fé significam a mesma coisa, mas, na verdade, há muitos
aspectos em que uma e outra se diferenciam. O provérbio popular "Não importa qual seja a crença, contanto
que se creia", é próprio da fé, e não da Religião. O mesmo se pode dizer em relação ao ato de adorar
monstruosas esculturas de pedra ou de madeira feitas por selvagens. Por esse motivo, não é de admirar que,
atualmente, as pessoas civilizadas não dêem atenção ao tipo de fé em que se adoram ídolos, considerando-o
como de baixo nível. Entretanto, não quero dizer que uma religião seja boa pelo simples fato de ser religião.
Isso porque há religiões de nível superior, médio e inferior. A que pode realmente salvar a humanidade é a
de nível superior.
Parecerá estranho ouvir-se afirmar que entre as religiões existem níveis; o fato é que em todas as coisas há
uma hierarquia, e as religiões não fogem à regra. Logicamente, quem dirige a religião de nível mais alto é o
Supremo Deus; sendo assim, sua autoridade e virtude são muito elevadas e poderosas. É mais do que óbvio,
portanto, que essa religião possua força de salvação própria daquele nível. A melhor prova disso consiste na
evidência de inúmeros milagres. Eis por que ocorrem tantos milagres em nossa Igreja. Verifica-se a cura de
doenças consideradas incuráveis pela Medicina, evita-se o perigo de desastres, incêndios e outras
ocorrências desagradáveis que poderiam ter acontecido às pessoas, etc. Por conseguinte, quanto mais
benefícios materiais se manifestam, mais devemos nos conscientizar de que, no centro da Igreja Messiânica
Mundial, está presente o Supremo Deus.
20 de abril de 1950
INSENSIBILIDADE EM RELAÇÃO À FÉ
De acordo com o senso comum, não há dúvidas de que servir em prol do bem-estar social e fazer feliz o
próximo são boas ações. Por conseguinte, deveria ser próprio da natureza humana apoiá-las e ter vontade de
Servir; entretanto, por incrível que pareça, freqüentemente vejo pessoas que agem friamente com referência
a essa questão. Parece que não se interessam por aquilo que não lhes diz respeito, nem pelo bem da
sociedade. Para elas, estas coisas só as fazem perder tempo; em tudo, o que importa mesmo são elas
próprias; se tiverem lucros, está ótimo. Acham que agir assim é que é ser inteligente, pois, de outro modo, é
impossível ganhar dinheiro ou subir na vida. De fato, o mundo é engraçado, porque pessoas desse tipo é que
são tidas como espertas.
Criaturas assim pensam de forma calculada e materialista quando deparam com qualquer sofrimento. No
caso de ficarem doentes, por exemplo, basta-lhes consultar um médico; em assuntos complicados, basta-
lhes pedir ajuda à Lei; a quem não lhes obedece, bastam carões ou castigos. Dessa forma, simplesmente
acomodam os problemas. Como acham que, se estiverem bem, não importa como estejam os outros,
procuram comodidade apenas para si. Ora, por não pensarem também no próximo, não são merecedores de
estima nem de consideração. Os que se juntam à sua volta são interesseiros, e por isso, quando a situação
começa a piorar, todos se afastam. É natural que, justamente para tais pessoas, problemas e sofrimentos
sejam uma constante. Quando tudo principia a correr mal e fracassar, elas se afobam, tentando recuperar-se
com suas próprias forças; forçam a situação que já estava forçada e, assim, acabam num estado calamitoso,
nunca mais voltando ao que eram antes.
Exemplos como esses são muito freqüentes na sociedade. Obviamente, pessoas desse tipo não querem nem
ouvir falar em Fé. Acham que Deus não existe, que tudo não passa de superstição, ou que Deus existe
dentro de cada um. Além de se jactarem de também serem deuses, dizem que gastar tempo e dinheiro com
semelhantes coisas é a maior tolice que existe. Acham que a Fé não passa de consolo mental para covardes
ou passatempo de quem não tem nada a fazer.
Consideramos tais pessoas insensíveis em relação à Fé.
8 de abril de 1950
RELIGIÃO E MANDAMENTOS
Assim como a Política, as religiões também podem ter características liberais ou despóticas. A maioria das
religiões tradicionais é do segundo tipo. Os inúmeros mandamentos que possuem, preconizando o que deve
ser feito, comprovam-no. Elas são de caráter "Shojo", ao contrário da Igreja Messiânica Mundial, que é de
caráter "Daijo", liberal, quase não tendo mandamentos.
Os mandamentos religiosos assemelham-se às leis da sociedade. É falso que os homens só conseguem
conter o mal pela força da Lei. Se um homem for realmente íntegro, esteja ele onde estiver, mesmo num
local onde não haja leis moderadoras, jamais praticará o mal, porque é um homem verdadeiro. Os
mandamentos constituem as leis das religiões.
Caso só se consiga um comportamento bom e correto por meio deles, é porque a Fé professada não é
verdadeira. Apesar dessa observação, sabemos que no tempo dos homens primitivos e selvagens, sendo bem
precária a inteligência humana, não havia condições de se compreender realmente a Religião. Por isso foi
necessário prevenir o mal através dos mandamentos.
Está claro, pois, que a religião de uma época altamente civilizada, na qual os homens conseguirão evoluir a
ponto de compreenderem profundamente a Vontade Divina, prescindirá dos castigos estabelecidos pelos
mandamentos. Ela será de fato uma religião capaz de construir o Paraíso Terrestre, mundo de autêntica e
eterna paz.
17 de dezembro de 1949
PRÁTICAS ASCÉTICAS
Desde a antigüidade, a fé e as práticas ascéticas são vistas pelo povo como se tivessem íntima relação entre
si.
As práticas ascéticas tiveram origem no bramanismo, que predominava na metade da antiga Índia, antes do
nascimento de Sakyamuni (Buda). A pintura e a escultura "Arhat" revelam a crueldade dessas práticas. Por
exemplo: os praticantes suspendiam algo só com um braço, sentavam-se entre a bifurcação de dois galhos,
ou chegavam ao cúmulo de praticar o "Zazen" (meditação profunda, com as pernas cruzadas) sentados
numa tábua cheia de pregos. Houve religiosos que se mantiveram anos seguidos na mesma posição. Eles
acreditavam que, perseverando em tais sofrimentos, conseguiriam atingir a Iluminação, ou melhor, sentir-
se-iam iluminados.
É muito famoso o martírio de Dharma, o qual abraçou a Verdade no momento em que se sentiu
profundamente iluminado pelo luar, que ele estava contemplando numa noite de prática ascética. Segundo a
tradição, Dharma não tem pernas porque elas ficaram atrofiadas, deixando de funcionar durante os nove
anos que ele passou sentado diante de uma parede, em estado de meditação.
Dizem que ainda há muitos ascetas brâmanes na Índia, os quais chegam a operar milagres. A meditação do
falecido Rabindranath Tagore, nas profundezas de uma floresta, e o jejum praticado diversas vezes por
Mahatma Gandhi devem ser práticas ascéticas brâmanes.
A ascese era amplamente praticada na época em que surgiu Sakyamuni. Não contendo sua compaixão por
aqueles que se entregavam ao martírio da autotortura, ele pregou a possibilidade de qualquer pessoa tornar-
se mais iluminada através da leitura das escrituras búdicas. Emocionado com a eminente virtude de
Sakyamuni, o povo hindu fez dele objeto de adoração. Assim, pela lógica, os budistas que praticam a ascese
estão contrariando as boas-novas de Sakyamuni.
Não posso concordar com os religiosos japoneses que ainda persistem nas práticas ascéticas brâmanes. Isto
porque os fiéis da nossa Igreja abraçam a Verdade, seguem o Caminho e conseguem cumprir sua missão
sem fazer prática ascética de espécie alguma.
25 de janeiro de 1949
FÉ "SHOJO"
Falando sobre Religião, ouço muitas críticas a respeito dos líderes religiosos. Dizem que eles deveriam
viver com mais sobriedade, comer, beber e morar pobremente, assim como andar de trem, de ônibus ou até
mesmo a pé.
É fato que, antigamente, para fazerem suas pregações, os fundadores de religiões calçavam sandálias de
palha e usavam panos enrolados nas pernas, como se fossem polainas, a fim de facilitar-lhes as longas
caminhadas. Às vezes, retiravam-se para as montanhas, faziam jejuns, tomavam banhos de cascata,
experimentavam todos os tipos de sofrimentos e sacrifícios; outras vezes, eram jogados na prisão, ou
exilados em ilhas longínquas. Ainda hoje sentimos tristeza ao pensar nos sofrimentos que eles tiveram que
passar. Entretanto, apesar de tantos sacrifícios, só conseguiram estender suas doutrinas a um território
restrito; para que elas se expandissem mais amplamente, foram necessárias dezenas de gerações.
Comparadas aos dias atuais, as condições precárias a que esses pregadores tiveram de se sujeitar a vida
inteira vão muito além de nossa imaginação.
A lembrança das práticas religiosas a que nos referimos permanece gravada na mente das pessoas, e por isso
é natural que elas tenham uma visão errada sobre as religiões novas. As religiões caracterizadas por tais
práticas particularizam-se pela fé "Shojo", que é anterior ao nascimento de Sakyamuni e tem sua origem no
bramanismo da Índia. Seus ensinamentos valorizam, principalmente, a Iluminação através da ascese.
Segundo dizem, ainda hoje existe, naquele país, um pequeno número de bramanistas que conseguem fazer
milagres graças a um enorme esforço espiritual. O jejum praticado pelo famoso Mahatma Gandhi talvez
fosse uma decorrência do fato de ele ter professado o bramanismo quando jovem.
Há uma história interessante sobre a origem dos oitenta e quatro mil sutras budistas divulgados por
Sakyamuni.
Naquele tempo, o bramanismo estava em grande expansão na Índia, e acreditava-se que a Iluminação só
podia ser alcançada por meio da ascese, considerada o verdadeiro caminho da Fé. Vendo a expressão das
esculturas e pinturas representativas de ascetas brâmanes existentes em diversos locais do Japão, podemos
imaginar a situação deles naquela época. Não suportando semelhante estado de coisas, Sakyamuni, com sua
grande misericórdia, descobriu uma forma para as pessoas obterem a Iluminação sem precisar recorrer às
práticas ascéticas: os sutras budistas. Segundo ele, a simples leitura desses textos seria bastante.
Obviamente o povo se alegrou com isso e passou a considerá-lo o mais respeitável e benéfico de todos os
santos. Foi assim que o budismo se espalhou por toda a Índia. Podemos mesmo dizer que essa foi a maior
realização de Sakyamuni entre as suas atividades de salvação.
Diante do exposto, é fácil entender quão erradas estão as práticas ascéticas da fé "Shojo", que contrariam a
vontade e a grande misericórdia de Sakyamuni, aproximando-se do bramanismo, o qual foi alvo de sua
atividade salvadora. Creio que, do Paraíso, ele estará lamentando essa situação. Assim, podemos concluir
que a fé "Shojo", além de errada, é inadequada ao nosso tempo.
Por outro lado, no que se refere à difusão religiosa, observamos que aquilo que antigamente se levava dez
anos para conseguir, hoje pode ser feito apenas em um dia, graças ao progresso tecnológico da imprensa e
dos meios de transporte. O correto, por conseguinte, é nos adequarmos à época em que vivemos, utilizando-
nos de todos os recursos que a civilização moderna nos oferece. Se a religião se basear unicamente nos
métodos antigos, obviamente não conseguirá atingir seus verdadeiros objetivos. Isso se evidencia na
tendência que as religiões tradicionais têm de se afastar da época atual.
Quando as pessoas de fé "Shojo" vêem as atividades religiosas que estamos realizando, limitam-se a ficar
admiradas e não tentam sequer compreender aquilo que verdadeiramente objetivamos. Se elas se
restringissem a isso, não haveria nada de mau; algumas, porém, começam a espalhar boatos contra nós,
dizendo que levamos vida de nababos. Entretanto, nós dependemos apenas das contribuições dos fiéis; não
temos necessidade de dinheiro. Se dermos atenção aos comentários, deixaremos que essas contribuições em
gêneros alimentícios, feitas com tanto sacrifício, apodreçam, obrigando-nos a jogá-las fora. Por outro lado,
não podemos vendê-las nem devolvê-las. Da mesma forma, não poderíamos deixar de utilizar as casas que
nos são oferecidas de boa vontade pelos fiéis. Ao invés de dar ouvidos a comentários, devemos atentar para
o grande trabalho que essas doações nos estão possibilitando realizar: a salvação da humanidade. Diante
disso, poder-se-á entender o quanto é errado o pensamento "Shojo".
Como o ideal de nossa Igreja é construir um mundo sem doença, pobreza e conflito, as pessoas que nela
ingressam adquirem uma vida alegre e saudável, cheia de harmonia e prosperidade. Todavia, para os que
vivem no lamentável inferno da sociedade atual, isso é algo inconcebível. Além de negarem a concretização
desse ideal, eles pensam, naturalmente, que tudo não passa de uma boa isca para iludir o povo. Pode ser
também que, para essas pessoas, o protótipo do Paraíso Terrestre que estamos construindo sejam meros
palacetes luxuosos. O nosso objetivo, no entanto, é cultivar os nobres sentimentos dos homens,
possibilitando-lhes oportunidade para se distanciarem, de vez em quando, da sociedade infernal de hoje em
dia e visitarem terras paradisíacas, que os envolvam nos ares celestiais de Verdade, Bem e Belo, fazendo-os
sentir-se no estado de suprema alegria. Assim, evidencia-se a grande necessidade da construção do
protótipo do Paraíso Terrestre para o homem contemporâneo.
Se a sociedade continuar como está, crescerá cada vez mais o número de pessoas de baixo nível, de jovens
degradados, e não haverá um lugar sequer que não seja um viveiro para a maldade social. Por isso podemos
afirmar que o único "oásis" do mundo hodierno é este protótipo do Paraíso Terrestre. Se as pessoas
compreenderem realmente a grandiosidade do nosso sublime projeto, ao invés de nos censurarem, o que
elas deverão fazer é manifestar-se seu inteiro apoio.
Ainda tenho algo importante a dizer. Os japoneses, por causa das invasões bélicas que empreenderam há
algum tempo, foram tão mal interpretados que perderam a confiança do mundo. Sentimos que é preciso
recuperar, o mais breve possível, essa confiança. Justamente por esse motivo é que o protótipo do Paraíso
Terrestre constitui um patrimônio importantíssimo, para mostrar não só a beleza natural do nosso país,
como também o indiscutível pendor artístico dos japoneses. Doravante, surge uma grande oportunidade
para que os turistas nos visitem cada vez mais e compreendam o nosso alto nível cultural, ao mesmo tempo
que desfrutam o prazer da viagem. Fico na expectativa da grande admiração que o protótipo do Paraíso
Terrestre despertará, quando ficar concluído.
Como o que se diz acima, fica explicado o que é fé "Shojo" e fé "Daijo".
11 de março de 1950
LIBERDADE NA FÉ
No Japão, a liberdade religiosa só foi alcançada após a promulgação da nova Constituição. Não é disso,
porém, que vou tratar; pretendo discorrer sobre a liberdade na própria Fé.
Há inúmeras religiões - grandes, médias e pequenas - no mundo inteiro. Entretanto, todos pensam que sua
religião é a melhor e, logicamente, considerando as demais de nível inferior, advertem insistentemente os
adeptos para não terem nenhum contacto com elas. Dizem que as outras religiões provêm do demônio, que
se deve temer o castigo de Deus e, ainda, que não se obterá a salvação seguindo a dois senhores.
Essas atitudes dependem de cada religião. Existem as que são muito rigorosas e cujos missionários
procuram impedir o relacionamento dos adeptos com outros credos. Algumas até intimidam as pessoas
dizendo-lhes coisas atemorizantes, como, por exemplo, que, se mudarem de fé, lhes advirão grandes
desgraças, sofrerão doenças graves, perda da própria vida ou da família inteira, etc. É a costumeira tática
utilizada pelas falsas religiões. Se nos basearmos no senso comum, perceberemos que tudo não passa de
tolice, mas geralmente as pessoas se deixam influenciar, ficando indecisas. E isso não ocorre apenas com as
religiões novas; mesmo nas religiões antigas e dignas de respeito acontecem fatos semelhantes, o que é
incompreensível. Analisando bem, podemos concluir que o pensamento liberal não se restringe às áreas
políticas e sociais. Parece-nos que os grilhões do pensamento despótico persistem também nas religiões.
Sendo como discorri acima, devo dizer, a respeito da liberdade em Religião, que promover vantagens para a
Igreja em detrimento dos fiéis, cerceando sua vontade, é um abuso que atinge as raias do absurdo. Além do
mais, empregar para isso a ameaça verbal, é algo que, a essas alturas, pode ser considerado uma
imperdoável chantagem religiosa. Como ilustração, citarei o que tive ensejo de ouvir de uma pessoa: "Há
muito tempo sou adepto fervoroso de determinada religião, mas vivo constantemente enfermo e não consigo
livrar-me do sofrimento causado pela pobreza. Por esse motivo, fui perdendo a fé e resolvi abandoná-la.
Entretanto, quando participei ao ministro a decisão que tomara, ele me disse coisas aterrorizantes. Sem
saber como agir, venho pedir conselhos ao senhor." Eu expliquei a essa pessoa que aquela religião, sem
sombra de dúvida, era demoníaca e que o melhor seria deixá-la o quanto antes.
Exemplos como esses existem aos montes. O principal motivo que leva as religiões a tomarem tais atitudes
é o medo que elas têm de ver diminuir o número de seus fiéis. Por outro lado, há uma razão que já se
registra desde eras remotas. Quando a religião se torna atuante e conhecida, observa-se uma tendência para
o aparecimento de imitações. Até mesmo com a nossa Igreja ocorre esse fato. Nessas oportunidades, eu
explico que as religiões se assemelham aos cosméticos: quando são bem aceitos, surgem imitações. Ora, se
isto acontece, é uma prova de que o produto foi bem aceito pelo povo. Portanto, ao invés de condenar o
fato, devemos alegrar-nos com ele.
No cristianismo, parece que existe a mesma tendência, mas em outro sentido. Referimo-nos à advertência
sobre a vinda do Anticristo ou falso salvador. Trata-se de uma advertência que apresenta não só pontos
positivos como também negativos, pois, caso apareça o verdadeiro Salvador, será fácil confundi-lo com o
falso, e muitas pessoas deixarão de ser salvas.
O mais grave, entretanto, é que muitos adeptos oferecem sua ardorosa fé acreditando que a religião que
professam é a melhor de todas. Como são realmente sinceros, espiritualmente já estão salvos, e
pessoalmente se sentem satisfeitos. Mas isso não é o certo. A verdadeira felicidade consiste em viver-se
uma vida paradisíaca, em que a matéria esteja salva juntamente com o espírito. Embora sejam crentes
fervorosos, muitos desconhecem esse particular; assim, é grande o número de pessoas que não conseguem
se livrar da infelicidade.
A propósito, quero fazer mais uma advertência. O motivo pelo qual uma religião proíbe seus fiéis de terem
contato com outras, talvez seja o receio de que eles possam encontrar uma religião superior. Isso significa
que existe um ponto fraco nessa religião; portanto, os fiéis devem acautelar-se. Nesse ponto, nossa Igreja é
realmente liberal. Todos os messiânicos sabem que até achamos muito útil o contato com outras religiões,
porque, através das pesquisas, estamos ampliando nosso campo de conhecimentos. Por conseguinte, se
acharem uma religião melhor que a Igreja Messiânica Mundial, podem converter-se a ela a qualquer
momento. Isso jamais constituirá um pecado. Para o Verdadeiro Deus, o importante é a pessoa ser salva e
tornar-se feliz.
8 de outubro de 1952
RELIGIÃO ANTIGA E RELIGIÃO MODERNA
Embora simples, os princípios religiosos utilizados por mim na obra salvadora que venho empreendendo,
diferem grandemente dos princípios religiosos existentes até hoje.
Os antigos fundadores ou pregadores de religiões adotavam a frugalidade na alimentação, vestiam-se
sumariamente e levavam uma vida simples. Para se aperfeiçoarem, faziam penitências, permanecendo
isolados em montanhas quase inacessíveis, debaixo de cascatas (ato considerado purificador), lendo os
livros sagrados dia após dia.
Dessa maneira, entre Verdade, Bem e Belo, este último era negligenciado. Poucos religiosos se
interessavam pelas artes. O milagre era vagamente conhecido; entretanto, eles tinham especial consideração
pelos princípios dos livros búdicos, apreciavam as formalidades e as celebrações religiosas e procuravam
salvar a humanidade unicamente com a pregação.
Essa análise limita-se ao budismo. Tomei-o como exemplo porque o xintoísmo e o cristianismo são
religiões modernas. Deixo de fazer referência ao antigo xintoísmo, anterior à introdução do budismo,
porque quase não consta da História nem da tradição.
O trabalho que estou realizando, é bem diferente do que era feito pelos antigos. Em primeiro lugar porque,
objetivando o mundo isento de doença, pobreza e conflito, proclamei, audaciosamente, a construção do
Paraíso Terrestre, o que já é suficiente para evidenciar a grande diferença entre a Igreja Messiânica Mundial
e as demais religiões.
Como primeira meta para atingir o nosso objetivo, estamos libertando o homem do seu maior inimigo - a
doença - e os resultados são cada vez mais evidentes e indiscutíveis. A condição fundamental para a
concretização do Paraíso Terrestre, é ser saudável de corpo e alma, o que, por sua vez, elimina a pobreza e
o conflito. Os fiéis da nossa Igreja estão trabalhando dia e noite, unidos por esse princípio. Assim, a
construção do Paraíso Terrestre, longe de ser um mero ideal, é uma realidade que está apresentando
surpreendentes resultados.
Projetamos o protótipo do Paraíso Terrestre escolhendo locais maravilhosos, em Atami e Hakone, onde
estão sendo edificados magníficos edifícios e jardins. Com a conclusão dessas obras, pretendo mostrar ao
mundo a sublimidade e formosura do Supremo Céu. O Paraíso Terrestre pode ser considerado,
essencialmente, o Mundo da Arte, razão por que a nossa Igreja confere às manifestações artísticas uma
atenção toda especial.
Paralelamente à marcha do Plano Divino, pretendo publicar projetos mais recentes, elaborados sob a
Orientação de Deus, os quais abrangem Política, Economia, Educação, etc. Através deles, os leitores
poderão reconhecer a magnitude dos objetivos da Igreja Messiânica Mundial.
9 de julho de 1949
O QUE É UMA RELIGIÃO NOVA
Atualmente, em vários setores sociais, fala-se sobre o tema Religião Nova, sendo ele também abordado,
com muita seriedade, em jornais e revistas. Isso é bastante animador. Observamos, entretanto, que esses
órgãos de comunicação consideram nova uma religião apenas porque ela surgiu recentemente, sem se
interessar pelo seu conteúdo. E é muito triste constatar que até mesmo as pessoas que fazem parte de tais
religiões pensem assim.
A propósito, devo dizer que não tem sentido uma religião apresentar-se com o nome de nova e seu conteúdo
não corresponder a essa designação. Se a religião apenas mudar ou acrescentar, de acordo com o
entendimento do seu fundador, algumas interpretações ou sentidos às palavras que há muito tempo vêm
sendo ditas em livros ou ensinamentos muito conhecidos, revelados pelo fundador de uma religião antiga,
não se poderá dizer que ela é uma religião nova. Aliás, conservando as mesmas formas e construções e
chegando ao ponto de aconselhar a volta aos ensinamentos desse fundador, ela se distancia cada vez mais
da época atual. É impressionante haver quem não ache estranho esse procedimento. Se tivermos de lidar
com pessoas inteligentes, de nível cultural elevado, principalmente entre a camada jovem, certamente elas
não aceitarão uma doutrina cheirando a mofo. Assim, podemos dizer que, atualmente, a maioria dos
seguidores das religiões tradicionais são arrastados apenas pelas tradições e costumes.
Quanto às religiões novas, seus adeptos ingressam nelas à procura de algo novo; parece, todavia, que os
crentes verdadeiramente firmes são muito poucos. Por conseguinte, para fazermos com que o homem da
atualidade creia sinceramente, é preciso oferecer-lhe uma teoria baseada na razão e acompanhada de
insofismáveis Graças Divinas; caso contrário, de nada adiantará tentar convencê-lo. Diante de tudo isso, é
muito natural ser efêmera a fé daqueles que seguem uma religião apenas como seguem a moda.
Não quero dizer que o homem contemporâneo seja destituído de sentimentos religiosos, mas, observando a
realidade que nos cerca, constatamos que não existem muitas religiões nas quais possamos crer. Se
houvesse alguma, quase todos, indubitavelmente, a procurariam; não a encontrando, as pessoas tornam-se
descrentes, por não terem outra alternativa. Uma vez que a Ciência é mais compreensível, pelo fato de ser
concreta e satisfazer os desejos humanos, essas pessoas apóiam-se nela naturalmente. Por isso eu acho que
não podemos censurar os descrentes.
Analisemos a questão:
Como, inúmeras vezes, nem a Ciência, na qual têm tanta confiança, nem a própria Religião conseguem
resolver-lhes os problemas, as criaturas ficam num dilema. Entre os intelectuais, alguns, não podendo
prever os acontecimentos futuros, passam a duvidar; outros, sentindo-se fartos da vida, perdem o gosto de
viver ou vivem apenas para o momento presente; outros, ainda, em melhores condições financeiras,
procuram mais divertimentos. Além disso, a crença de que não mais aparecerá um líder na história religiosa
também contribui para o desespero das pessoas. Algumas estão quase desistindo, quase desligadas da
realidade, pesquisando doutrinas ultrapassadas. Essa é a realidade da época em que vivemos.
O pensamento do mundo atual está totalmente confuso, não se encontrando uma saída. Contudo, em meio
desta confusão, repentinamente surgiu a Igreja Messiânica Mundial, que, com muita coragem, pretende
alertar todos os setores da cultura tradicional, apontar um por um de seus erros e mostrar como deve ser a
verdadeira civilização. Como essa grande força de atuação já está sendo manifestada continuamente,
podemos afirmar, sem nenhuma parcialidade, que ela é o assombro do século XX. Tal afirmação
fundamenta-se naquilo que sempre digo: o mundo, até agora, estava na Era da Noite, iluminado unicamente
pela fraca luz da Lua, mas surgiu a luz do Sol, e todas as coisas desnecessárias e prejudiciais que estavam
encobertas começaram a aparecer abertamente. Eis o significado da expressão "Luz do Oriente", usada
pelos antigos. Atualmente, estamos atravessando a fase da aurora; com o passar do tempo, o Sol se
levantará até o centro do Céu e iluminará o mundo inteiro. Por esse motivo, as teorias que venho
divulgando, desconhecidas por todos até o momento, causam espanto e até muitos mal-entendidos.
Como o mundo esteve durante longo tempo na Era da Noite, não é de se admirar que os olhos tenham se
acostumado à escuridão e fiquem ofuscados ante a repentina revelação da Cultura do Dia. Existe, no
entanto, um problema: uma vez chegado o Mundo do Dia, Deus aproveitará da Cultura da Noite apenas as
coisas úteis, não havendo outro recurso senão eliminar as inúteis. Além do mais, sendo a luz do Sol sessenta
vezes mais clara do que o luar, até as doenças não identificadas ou consideradas incuráveis serão facilmente
solucionadas. Os fatos reais evidenciados diariamente através do Johrei de nossa Igreja mostram isso muito
nitidamente. Falando com mais clareza, assim como a Lua perde seu brilho ante o esplendor do Sol,
também a civilização sofrerá uma grande transformação.
Com o que acabo de dizer, creio que poderão entender a grandiosidade dos empreendimentos da Igreja
Messiânica Mundial.
8 de abril de 1953
RELIGIÕES NOVAS E RELIGIÕES TRADICIONAIS
Quando analiso o comércio da atualidade, observo que existem dois tipos de lojas - as novas e as
tradicionais. As primeiras são dinâmicas, objetivando expandir-se amplamente, mas ainda não ganharam
plena confiança do povo, pois este desconhece a qualidade das suas mercadorias, não sabendo se os preços
são razoáveis. Preocupadas, as pessoas compram nelas apenas a título de experiência, ou para atender às
suas próprias necessidades. Entretanto, se a loja é tradicional, merece absoluta confiança dos fregueses.
Para eles, sendo artigos dessa loja, por certo são bons. Ao invés de comprar na incerteza, em outros locais,
preferem ir a um lugar de confiança, ainda que seja mais distante. No caso de uma compra de certo vulto, é
certo dirigirem-se às lojas tradicionais, pelo nome que elas possuem, conseguido através de um longo tempo
de vendas. Em face disso, as lojas novas empenham-se arduamente para atrair pelo menos algumas pessoas
acostumadas a comprar nas casas tradicionais. Trata-se de uma situação que todos conhecem, e por isso
dispensa maiores comentários.
Interessante é que no campo religioso ocorre o mesmo. O aparecimento de uma nova religião ainda é
cercado de dificuldades maiores que o das pequenas lojas comerciais. De imediato, ela é tachada de
supersticiosa e maléfica, ou até mesmo de trapaceira. É realmente cruel. Existem, sem dúvida, muitas
religiões novas às quais se possam atribuir esses adjetivos, mas, de vez em quando, aparecem religiões
verdadeiras. Também não podemos esquecer que todas as religiões respeitadas atualmente já foram novas;
com o passar do tempo é que elas ganharam tradição. A loja nova, esforçando-se para oferecer preços e
mercadorias equivalentes aos das lojas tradicionais, acaba tornando-se uma delas. Sendo assim, é errado
tachar de trapaceiras e maléficas todas as religiões que surgem.
Pelos motivos expostos, creio que o primeiro dever das pessoas que criticam as religiões novas é analisá-las
bastante, para poderem classificá-las de "boas" ou "más". Só depois é que devem escrever a seu respeito.
30 de março de 1949
RELIGIÃO E OBSTÁCULO
Desde a antigüidade, costuma-se dizer que os obstáculos são inerentes à Religião. O maior deles, talvez,
tenha sido aquele que foi imposto a Cristo. Os obstáculos impostos a Buda por Daiba também são famosos.
No Japão, registram-se os de Honen, Shinran, Nitiren e outros, os quais são do conhecimento de todos. Mais
próximo de nossos dias, podemos citar as pressões feitas às Igrejas Tenrikyo, Oomotokyo, Hito-no-Miti,
etc. Nossa Igreja também não constitui exceção; já foi pressionada inúmeras vezes, enchendo as páginas dos
jornais, onde ocupou o desagradável lugar de honra entre as religiões novas. O interessante é que, quanto
mais brilhante se anunciar o futuro de uma religião e quanto mais alto for o seu valor, maiores serão os
obstáculos enfrentados por ela. Vou explicar por quê.
Pela Lei do Espírito Precede a Matéria, as divindades do Mundo Espiritual, cumprindo as determinações de
Deus, procedem à salvação da humanidade através das religiões, de acordo com o tempo, o lugar e o povo.
O cristianismo, o budismo e o islamismo são os exemplos mais importantes. Naturalmente, toda religião
ensina o bem e tem como objetivo transformar o mundo em paraíso. Isso é ótimo para os homens, mas, para
os demônios, é justamente o contrário, pois seu objetivo é criar homens maus, a fim de construir uma
sociedade infernal, repleta de angústias e sofrimentos. Para atingir esse propósito, eles lutam
incessantemente com as divindades. Essa é a realidade do Mundo Espiritual, que se reflete no Mundo
Material, e por isso este é um mundo diabólico, como podemos constatar.
Para um pequeno bem, surge uma ação contrária praticada por um demônio de pouca força; para um grande
bem, surge a ação de um demônio muito poderoso. Assim, a Igreja Messiânica Mundial vem enfrentando
contínuos obstáculos provocados pelos chefes do mundo satânico. Sendo ela a mais elevada de todas as
religiões que já existiram desde o começo da História, aquele mundo está em pânico. Para mim, o fato não
requer maiores explicações, mas os messiânicos de todos os lugares podem comprová-lo, em parte, através
de encostos espirituais ou fenômenos semelhantes. Atualmente, os demônios que atuam com mais força são
o chefe dos dragões vermelhos e o chefe dos dragões pretos; utilizando-se de seus seqüazes, eles estão
criando obstáculos em conjunto. Essa luta é travada de uma forma que vai além da imaginação. Gostaria de
escrever tudo a respeito, porém, como não tenho a permissão de Deus, deixarei para uma próxima
oportunidade, quando tiver chegado o tempo certo. Entretanto, por mais que os chefes dos demônios tentem
nos atrapalhar, nós temos ao nosso lado o Supremo Deus, o qual manifesta um poder absoluto; mesmo que
estejamos perdendo a batalha por uns instantes, ao final sairemos vencedores, não havendo, portanto,
motivo para preocupação. O sofrimento até lá será intenso, mas percebe-se claramente que estamos
crescendo de forma considerável, apesar dos contínuos obstáculos.
Convém conhecer a característica dos demônios. Eles possuem uma persistência assustadora e , ainda que
falhem inúmeras vezes, não se arrependem nem desistem de seus objetivos de maneira nenhuma. Tentam
atingi-los por estes e aqueles meios, insistentemente, utilizando-se de artifícios que nem podemos imaginar.
Não há adjetivos para definir sua impiedade, barbárie e crueldade. No entanto, sendo esta a própria natureza
dos demônios, o que fazer? Os mais poderosos escolhem e encostam nas pessoas que ocupam posições de
destaque na sociedade, nos intelectuais e nos jornalistas. Todo mundo ficaria aterrorizado se conhecesse a
extensão desta verdade.
Embora a luta entre Deus e esses terríveis demônios seja travada incessantemente, não tomamos
conhecimento dela, por se tratar de um fato ocorrido no invisível Mundo Espiritual. É por esse motivo que o
homem - o Rei da Criação - é manejado como se fosse um boneco. Estando diretamente relacionado com o
assunto, entendo perfeitamente essa luta, mas creio que é difícil alguém compreender o meu estado
espiritual em relação a ela, pois à vezes sinto medo, e às vezes acho graça e até me divirto.
A luta entre o bem e o mal, na Obra Divina, nunca foi tão intensa e variada como atualmente. Ela constitui
uma grande peça teatral formada de verdades e falsidades, a qual só pode ser qualificada de misteriosa. Há,
porém, um fato muito importante a considerar: a grande transformação do mundo. Na luta travada até hoje
entre Deus e o demônio, quando Deus cedia algum terreno, porque se estava na Era das Trevas, era
necessário bastante tempo para Ele reconquistar o que perdera; agora, como todos os fiéis sabem, esse
tempo está se encurtando consideravelmente. Encontramo-nos na transição para o Mundo do Dia, e a força
dos demônios está enfraquecendo cada vez mais. Por essa razão, a rapidez com que vem se efetuando a
reconquista, em algumas ocasiões até nos traz vantagens, e a realidade nos mostra isso.
Em maio do ano retrasado, recebemos um golpe que, por um momento, parecia fatal à nossa organização.
Pensamos até que jamais conseguiríamos nos recuperar. Hoje, porém, passados apenas dois anos, o
progresso da construção dos protótipos do Paraíso Terrestre, em Hakone e Atami, e a expansão da Fé são
tão grandes como ninguém poderia imaginar. Essa é uma prova de que o poder de Deus está sendo
manifestado com maior intensidade e de que estamos a um passo do advento do Mundo do Dia. Logo virá o
tempo em que a Igreja Messiânica Mundial será procurada pelo mundo inteiro. Portanto, uma vez que ela
desenvolve uma obra tão grandiosa para a salvação da humanidade, acho até natural que enfrente obstáculos
de grandes dimensões.
3 de setembro de 1952
RELIGIÃO CELESTIAL E RELIGIÃO INFERNAL
Como as principais religiões que existem sofreram perseguições na época da sua fundação, tornou-se
comum associar Religião e perseguição. Os exemplos de que foram vítimas os adeptos, contam-se em
grande quantidade na história das religiões. Entre eles, figuram casos aterradores, como a perseguição dos
fariseus e a crucificação de Cristo, fundador do cristianismo, religião que predomina no mundo inteiro. No
Japão, embora diferisse o grau de sofrimento, todos os religiosos também tiveram de atravessar um período
espinhoso. As únicas exceções foram Sakyamuni e Shotoku, que não sofreram perseguições pelo fato de
serem príncipes.
Os fundadores de religião superam os outros homens em honestidade, sendo dotados de um extraordinário
sentimento de amor e caridade. São homens santos, modelados pela essência do bem, por arriscarem a
própria vida na salvação dos sofredores. Entretanto, ao invés de reconhecerem devidamente o seu esforço e,
agradecidos, acolherem-nos com honrarias, o governo e o povo os têm odiado como se eles fossem
enviados do demônio, perseguindo-os a ponto de lhes tirarem a vida. A injustiça está mais do que evidente.
Semelhante fato, à luz do raciocínio, leva-nos a considerar como demoníacos os homens que odeiam,
torturam e tentam eliminar esses grandes benfeitores.
O homem, por natureza, pertence ao bem ou ao mal; não existe estado intermediário. Em outras palavras,
ele está associado a Deus ou a Satanás. Assim, quem alimenta idéias ateístas e mostra-se contrário às boas
ações, abomina Deus, tornando-se, evidentemente, sem o saber, um servo do demônio.
Até os fundadores de religiões hoje consideradas importantes, inicialmente foram tratados como demônios e
tenazmente perseguidos. Mas, como a própria História mostra, o mal foi derrotado pelo bem. As santas
palavras de Cristo, "Venci o Mundo", encerram o mesmo sentido e são dignas de reflexão. Assim, longos
anos após a morte dos seus fundadores, a maioria das religiões foram reconhecidas e tiveram suas
divindades reverenciadas. Isso aconteceu devido à alegria que eles proporcionaram ao povo, com seus
ensinamentos, e à notável contribuição que trouxeram ao aumento do bem-estar social.
Nenhuma religião foi devidamente reconhecida durante a existência do seu fundador, e as perseguições
tornaram-se fatos comuns. Os crentes até adquiriram o hábito de se comprazer com uma vida atribulada. A
leitura da história trágica dos missionários cristãos que, seguindo o exemplo do ato redentor de Cristo,
enfrentaram a morte em territórios selvagens, é realmente comovedora. Nenhuma outra religião encontra-
se, hoje, tão solidamente enraizada em todos os recantos do mundo como o cristianismo.
A perseguição religiosa ocorrida no Japão e conhecida como "Conflito de Amakussa", pode dar uma idéia
da realidade mencionada acima. Foram sofrimentos inevitáveis, causados por terceiros, mas existem
religiões que até procuram o martírio. O maometismo, o taoísmo, o lamaísmo e o bramanismo da Índia
caracterizam-se pela prática de penitências e do ascetismo, considerando-os como essência da fé. Embora
com alguma diferença, ocorrem fatos semelhantes entre diversas religiões tradicionais do Japão, onde
continuam a existir algumas seitas que levam ao extremo o cumprimento dos mandamentos, fazem
penitências e vivem à procura de aperfeiçoamentos. Como vemos, essas religiões são infernais, pois
consideram o martírio um meio fundamental para polir a alma. Assim, o homem torna-se uma espécie de
ser anormal, que transforma o sofrimento em prazer. Em verdade, isso acontece devido à necessidade que
ele tem de suprir, com as próprias forças, a insuficiência do poder da Religião.
A Igreja Messiânica Mundial surgiu por uma necessidade imperativa, neste momento em que o mundo está
repleto de religiões de fé infernal. No que diz respeito às pregações e às atividades, a nossa Igreja difere
radicalmente das outras, vindo a ser até mesmo o seu oposto. Ela repudia principalmente a penitência,
considerando a vida celestial como a verdadeira forma de professar a Fé. Além disso, caracteriza-se pelo
seu amplo conteúdo, abrangendo Religião, Filosofia, Ciência, Arte e demais setores do conhecimento
humano, sobretudo os referentes à saúde e à agricultura, que são pontos fundamentais da salvação. Tudo
isso, pode-se dizer, constitui a condição fundamental para transformar o Inferno em Paraíso. E o que seria
senão o próprio Amor Divino? Por conseguinte, as penitências constituem heresias, e a verdadeira salvação
implica numa situação de vida celestial, transbordante de alegria. Quando esta situação abranger o mundo
inteiro, surgirá o autêntico Paraíso Terrestre.
Nesses termos, o Paraíso Terrestre, que vem a ser a meta da nossa Igreja, inicia-se no lar. O aumento
gradativo de lares celestiais chegará a transformar o mundo num paraíso. Se essa verdade fosse
compreendida, ninguém deixaria de louvar a Igreja Messiânica Mundial e nela ingressar. Como os homens
têm a mente afetada por conceitos materialistas e ateístas, ou por religiões de caráter limitado, perdem a
oportunidade de conhecer essa alegria, por desconfianças e equívocos. Entretanto, a verdade sobre a nossa
Igreja não deixará de vir à luz; estou à espera desse dia, lutando incessantemente, sob Orientação Divina.
25 de março de 1953
RELIGIÃO E SEITAS
As religiões estão subdivididas em seitas. O cristianismo, por exemplo, entre outras seitas, subdivide-se em
catolicismo e protestantismo, que se destacam sobre as demais. Quanto ao budismo, só no Japão existe o
Shingon, Jodo, Shinshu, Zen, Nitiren e outras, as quais, por sua vez, também estão subdivididas;
atualmente, há cinqüenta e oito subseitas. No xintoísmo, excetuado o Shinto de Templo, há treze seitas
principais: Taisha, Mitake, Fusso, Missogui, Tenri, Konko, etc.
A subdivisão das religiões parece ilógica, mas vejo o caso da seguinte maneira: será que a causa não está
nos cânones? Isto porque tanto a Bíblia como os preceitos búdicos contêm muitos pontos incompreensíveis,
cuja interpretação varia de pessoa para pessoa, contribuindo forçosamente para a criação de várias seitas.
Quanto ao xintoísmo, não possui um fundador como o cristianismo e o budismo. Formou-se baseado nos
livros clássicos, entre os quais o "Kojiki" e o "Nihon Shoki", ou através de ensinamentos transmitidos por
médiuns.
Embora as religiões citadas sejam religiões por natureza, sua subdivisão em seitas tende a ocasionar
conflitos, prejudiciais à obra educacional de fraternidade, que é a missão principal da Religião. A causa da
subdivisão, sem dúvida alguma, está na dificuldade de interpretação dos ensinamentos. Entretanto, se a
finalidade das religiões é salvar toda a humanidade, creio que tudo deveria ser claro para todos.
Para evitar tais dificuldades, pregarei a doutrina por um novo método, de modo que ela possa ser facilmente
assimilada pelas pessoas. Pretendo, ainda, do ponto de vista da Religião, publicar, gradativamente,
interpretações novas sobre Política, Economia, Educação, Arte, etc.
25 de janeiro de 1949
A VERDADEIRA RELIGIÃO
A verdadeira religião deve fundamentar-se no universalismo. Não será verdadeira se for limitada a um país,
povo ou classe, porque tal limitação provoca disputa de poderes, o que contraria a própria essência das
religiões, cuja missão é eliminar conflitos e promover a paz. Qualquer hostilidade significa afastar-se do
objetivo da Religião. Por isso, é estranho que a História registre tantas lutas religiosas.
Chamamos "Shojo" a religião limitada, e "Daijo", a de objetivos universais. Logo se vê que só esta última
pode ser considerada verdadeira.
5 de novembro de 1949
BENEFÍCIOS MATERIAIS
Modéstia à parte, em nossa Igreja ocorrem maravilhosas Graças Divinas.
Na antigüidade surgiram religiões magníficas, e até hoje isso vem acontecendo. Entre elas, as três mais
importantes - o cristianismo, o islamismo e o budismo - e mais algumas já conquistaram suas respectivas
posições. A maioria, porém, desde o início, sempre se ocupou unicamente da salvação espiritual.
A Igreja Messiânica Mundial ainda tem pouco tempo de vida, e, comparada com outras, é uma religião
pequena. Apesar disso, a rapidez de seu progresso pode ser considerada inédita e está sendo alvo de muita
atenção, o que, às vezes, até se torna um problema. Mas isso é um fenômeno transitório, uma das
inevitáveis experiências pelas quais temos de passar. É uma questão de tempo; naturalmente, virá o dia em
que, por opinião imparcial, será reconhecido seu verdadeiro valor.
Como todas as religiões, nossa Igreja tem seus ideais, seus princípios religiosos, e vem se esforçando para
progredir. Vou mostrar os pontos em que ela difere das religiões tradicionais, pois, se não os conhecerem,
não conseguirão compreendê-la verdadeiramente.
A grande diferença é que nela ocorrem muitos benefícios materiais. Entretanto, as pessoas que se dizem
entendidas no assunto acham que esse tipo de religião é de baixo nível e por isso não lhe dão atenção. Se
pensarmos bem, encontraremos uma explicação para essa atitude.
Atualmente, analisando as inúmeras religiões do Japão, constatamos que existem dois tipos: as que são
populares e as que não o são. No primeiro caso, por exemplo, a fé está voltada para este ou aquele ídolo ou
deus, e seus adeptos - as pessoas de baixo nível cultural, que nada entendem de teorias religiosas ou de
Filosofia - têm um único objetivo: receber benefícios materiais. Ora, do ponto de vista dos intelectuais, isso
é tolice e não merece a mínima atenção. Assim, eles concluem que a busca desses benefícios é própria da
Fé de nível inferior. Por outro lado, valorizam as religiões que, não se importando com os benefícios
materiais, colocam os princípios religiosos em termos didáticos, dotando-os de inteligentes razões. Se tais
religiões tiverem uma longa tradição e durante esse tempo nela tiverem surgido grandes líderes ou
sacerdotes de alta virtude, eles as valorizam ainda mais, considerando-as de alto nível. Em síntese, para os
intelectuais o que vale é a força do nome e a tradição. A propósito disso, desejo expor minha sincera crítica.
Dos dois tipos de Fé mencionados, o primeiro pode ser de baixo nível, mas a verdade é que ele está
atingindo a massa popular mais do que podemos supor. Como as pessoas que o professam têm pouca
cultura, não lhes interessam princípios nem teorias; elas vão de vez em quando à Igreja, fazem pedidos de
graça, dão uma esmola e se satisfazem com isso. Trata-se de uma fé muito simples, mas é indiscutível que
impressiona bem e contribui para mudar o sentimento de outras pessoas. Se essas religiões acreditam no
invisível, é porque têm uma visão espiritualista; portanto, elas contribuem de alguma forma para o bem
social, mais do que aquelas que estão baseadas num sólido materialismo. Seus seguidores cultivam o bom
sentimento de pedir ajuda a Deus, por isso não haverá motivos para que cometam, inescrupulosamente, os
crimes horríveis a que ficam sujeitos os materialistas.
Quanto ao segundo tipo de fé, diferentemente do primeiro, é seguido por pessoas que, acreditando somente
no que vêem, desprezam aqueles que crêem no invisível, considerando-os supersticiosos. Parece que,
atualmente, a maioria pertence à classe dos intelectuais. Naturalmente, uma vez que são materialistas, eles
acham que devem lidar com as religiões didaticamente; quando discutem sobre o assunto, não ficam
satisfeitos se não o colocarem em termos lógicos e filosóficos. Por isso, a nosso ver, suas teses são
superficiais, e as críticas que fazem à nossa Igreja não passam de comentários malévolos.
Para fazer a verdadeira análise de uma religião, é preciso penetrar nela profundamente, procurando
averiguar seu conteúdo com os olhos bem abertos. Deve-se analisá-la livre de conceitos pessoais.
Originariamente, a natureza de uma religião não está na sua forma, mas no seu conteúdo. Portanto, é
necessário que os intelectuais mudem bastante suas atitudes críticas.
De acordo com o exposto acima, criticar nossa Igreja vendo apenas as aparências externas e classificá-la
como religião vulgar por estar centralizada no recebimento de benefícios materiais, é uma grande
leviandade ou descortesia. Enquanto se persistir nessa atitude, as críticas não terão nenhum sentido. Se
fizerem uma profunda análise da Igreja Messiânica Mundial, compreenderão que ela não só é de caráter
popular como teórico. Podemos dizer mesmo que é uma Ultra-Religião, inédita para a humanidade. E não é
só isso. O que defendemos não se restringe apenas à Religião. Nosso objetivo é dar a mais alta diretriz ao
campo da Medicina, da Agricultura, da Arte, da Educação, da Economia, da Política, enfim, a tudo quanto
diz respeito ao homem. Em suma: queremos colocar a teoria em prática, de maneira que a Fé seja vivida no
nosso dia-a-dia.
8 de novembro de 1950
MILAGRE E RELIGIÃO
Seria desnecessário dizer que milagre é o acontecimento de algo considerado impossível, algo que, não
coincidindo com a lógica e não se podendo medir com o senso comum, só podemos afirmar que é um
mistério.
Mas desde quando existe esse mistério chamado milagre? Temos registrados os milagres de Cristo, os quais
são muito conhecidos e dispensam comentários; no Japão, evidenciaram-se, entre outros, o milagre
acontecido a Nitiren e os realizados pelos fundadores das Igrejas Tenrikyo, Oomotokyo, Konkokyo e Hito-
no-Miti (atualmente Igreja P.L.). Sabe-se que em vários outros lugares ocorreram pequenos milagres, mas o
interessante é que nas mais antigas e abalizadas religiões eles quase não ocorrem. Enquanto seus fundadores
estavam vivos, é possível que muitos milagres tenham sido realizados, porém, com o passar do tempo, eles
se extinguiram por completo. Por esse motivo, em certas religiões tradicionais, as pessoas de posição
elevada precisaram encontrar algo de valor que substituísse os milagres, pela necessidade de fazê-las
sobreviver. Como resultado, apareceram as religiões filosóficas, as ciências religiosas, a Teologia e outras
formas de estudos sistematizados. Obviamente, elas consideram que o ponto mais importante da Religião é
a salvação do espírito, razão pela qual desprezam as graças materiais. Além disso, acrescentam as
formalidades tradicionais de cada uma. Assim, vieram mantendo sua existência como organização religiosa.
As pessoas conscientes e os povos civilizados não as aceitam, e, não encontrando uma Fé cujo teor os
satisfaça, muitos se tornam incrédulos, como vemos atualmente. Torna-se claro, portanto, que a Fé
ardentemente desejada pelas pessoas é, antes de mais nada, uma nova Fé, que se tenha despojado das velhas
roupagens e cujos princípios sejam racionais e comprovados por provas autênticas.
Existem, no momento, algumas religiões que estão se expandindo muito, como a Narita-no-Fudosson,
Toyokawa, Fushimi-Inari, Kompira Gonguem e certas seitas da Religião Nitiren, as quais,
indubitavelmente, de certa forma estão sendo úteis à sociedade. Entretanto, elas visam apenas os benefícios
materiais, e seus níveis são tão baixos, que não exercem nenhuma atração sobre as pessoas de cultura
elevada nem sobre a camada jovem. Em verdade, satisfazem apenas um número limitado de pessoas.
De acordo com o que acabo de expor, podemos dizer que, atualmente, só há duas espécies de Fé no Japão:
as religiões teóricas e as religiões práticas, ou seja, as que visam unicamente as graças. Essa é a situação
inexpressiva do campo religioso japonês. Portanto, pensando naquilo que as circunstâncias atuais estão
exigindo, concluímos que é necessário o aparecimento de uma religião nova e ideal.
A peculiaridade da nossa Igreja é que, através de princípios religiosos, ela formula conceitos inéditos sobre
a Teologia, a Ciência e a Filosofia, dando-lhes novas interpretações. Além disso, aponta os defeitos da
cultura contemporânea, ensina como deve ser a nova cultura e indica o caminho para a criação da nova
civilização mundial. Por conseguinte, podemos dizer que ela está acima da conceituação de uma simples
religião.
Uma vez ingressando na Fé Messiânica e analisando-a minuciosamente, a pessoa se surpreenderá com a
veracidade do que acabamos de dizer. Tornando-se fiel, compreenderá, também, que uma das grandes
características da nossa religião é a ocorrência de muitos milagres. Certamente a História das Religiões não
registra nenhuma outra em que eles sejam tão numerosos. Milagre, como já dissemos, é benefício material,
por isso não há dúvida de que conseguiremos atingir o nosso objetivo: construir um mundo absolutamente
isento de doença, pobreza e conflito. Mas não basta lerem o que escrevi; antes de mais nada, é necessário
conhecerem a Igreja Messiânica Mundial.
5 de março de 1952
RELIGIÃO É MILAGRE
Desde tempos remotos costuma-se dizer que os milagres são inerentes à Religião, o que realmente é
verdade. Modéstia à parte, nunca houve religião que evidenciasse tantos milagres como a Igreja Messiânica
Mundial. Em poucas palavras, direi que isso ocorre porque ela é dirigida pelo Supremo Deus.
Pensando que todas as divindades são iguais, as pessoas geralmente tendem a cultuá-las da mesma forma.
Entretanto, precisamos saber que até entre as divindades existe hierarquia: superior, média e inferior. Em
ordem decrescente, essa hierarquia, iniciando pelo Altíssimo, vai até Ubussunagami, Tengu, Ryujin, Inari e
outros.
Gostaria de falar detalhadamente sobre todas essas classes, mas assim eu estaria desvelando divindades de
outras religiões. Portanto, por uma questão de respeito, não o farei. Desejo apenas mostrar, através de um
fato, quão elevado é o deus que dirige a Igreja Messiânica Mundial. Nem preciso falar sobre a maravilha
que é o Johrei, pois, com o passar do tempo, na medida que vai se tornando conhecido, ele está constituindo
o elemento mais eficiente para a expansão da nossa Igreja. Aliás, sobre a solução de doenças através do
Johrei, devo esclarecer que, mesmo a pessoa duvidando e recebendo-o apenas a título de experiência, ou
achando impossível obter a cura por meio de "uma tolice dessas", a graça será alcançada da mesma forma, e
rapidamente, o que muitos acham um mistério. Até o presente acreditava-se imprescindível a pessoa ter fé
para ficar curada de uma doença. Era corrente este pensamento: "Acredite; você não pode duvidar." Assim,
é natural que, condicionadas a essa idéia fixa, as pessoas estranhem o que acabo de dizer. Vou explicar a
razão.
Primeiramente, crer na validade de algo sem ter nada que a comprove é enganar a si próprio, pois ninguém
pode acreditar numa coisa antes de ter provas. Assim, é óbvio que aquele pensamento está errado.
Empregar todos os esforços para crer porque nos foi dito para crer, produz algum efeito, pois isso é melhor
do que duvidar. Tal efeito, porém, não provém de Deus, como muitos pensam, mas da própria força de cada
um. Mas por que motivo um pensamento tão errado vinha sendo aceito como a coisa mais natural? É que,
até agora, ignorando que a divindade à qual se dirigiam não tinha poder suficiente, as pessoas tentavam
suprir essa deficiência com a força humana. Nesse sentido, em nossa Igreja, as pessoas melhoram mesmo
que duvidem. Isso acontece por conta da grande força de Deus não sendo necessário, portanto, acrescentar a
força humana. Logo, se uma divindade não tem poder para curar uma doença, é porque seu nível é inferior.
Muitas vezes, quando as graças não ocorrem do modo desejado, o ministro ou o orientador dão desculpa de
que a pessoa tem pouca fé. Parece-me que eles acham que a graça é conseguida com o esforço do homem,
ao invés de ser concedida por Deus. Na verdade, Deus é infinitamente piedoso; por isso, mesmo que
façamos apenas um pedido, infalivelmente Ele nos atenderá. Quando o homem emprega demasiado esforço
para alcançar uma graça e ultrapassa os limites, Deus não fica satisfeito, se é que se trata do Verdadeiro
Deus. Principalmente fazer penitências, jejuns e abstenções são atitudes que estão em desacordo com a
Vontade de Deus, pois Seu grande amor vê com tristeza o sofrimento humano. Pensemos bem. Nós, seres
humanos, somos filhos de Deus. Como nosso pai, não há razão para Ele se alegrar com o nosso sofrimento.
Ainda que a pessoa tenha conseguido receber uma graça através de penitência, quem a concedeu não foi
Deus, mas algum espírito pertencente à falange dos demônios. Graças desse tipo são efêmeras, não duram
muito tempo. As graças concedidas por Deus são diferentes. À medida que nos dedicamos à Fé, nossos
infortúnios irão diminuindo gradativamente, atingiremos um estado espiritual de paz e segurança e seremos
felizes.
Em síntese: trata-se de religião de baixo nível aquela em que a pessoa, embora não creia, esforça-se para
crer, com o objetivo de alcançar graças; trata-se de religião de nível superior aquela em que Deus concede a
graça mesmo que a pessoa duvide ou não acredite.
11 de abril de 1951
RELIGIÃO É MILAGRE
Várias heranças literárias provam que Religião e milagre são coisas inseparáveis. Religião sem milagre
deixa de ser Religião. Isto porque o homem é totalmente incapaz de operar qualquer milagre, o qual é obra
de Deus. Sendo assim, uma religião que não apresente milagres é como uma existência nula. Falta-lhe a
essência, embora ostente aparência religiosa.
A magnitude de uma religião é proporcional à ocorrência de milagres. Milagre, em outras palavras,
significa o aparecimento de benefícios inesperados. Isso estimula e dá origem a um profundo sentimento
religioso, que conduz o homem à Fé e salva-o da desgraça.
Que religião podemos chamar de verdadeira a não ser essa? É desnecessário dizer que uma única prova vale
por mil argumentos. Embora a situação que vivemos atualmente seja uma conseqüência da Segunda Grande
Guerra, o aumento do mal social, principalmente os pensamentos insanos que infestam os jovens -
verdadeiros sustentáculos do futuro - e o estado confuso em que estes se encontram, não deixam de
representar uma realidade apavorante. A causa de tudo isso é a educação recebida pelos jovens, a qual os
levou a aceitar o materialismo como norma de ouro. Enquanto os homens não despertarem desse engano,
não haverá solução para o problema.
Naturalmente, para combater os conceitos materialistas, é preciso despertar o homem para a Religião,
começando por convencê-lo da existência de Deus. Nossa Igreja vem insistindo neste ponto, e o milagre é o
único recurso para ela atingir seu propósito.
Milagre é tornar possível aquilo que se considera impossível realizar pela ação do homem. Como ele
mostra, na realidade, o que não se pode interpretar teoricamente, quaisquer dúvidas a respeito serão,
logicamente, dissipadas de imediato. Assim, mesmo na exclusão do mal social ou na criação de países
pacíficos, não se poderão obter resultados satisfatórios a não ser que se dê a exata consciência de Deus
através do milagre, cultivando, dessa forma, a espiritualidade.
Na história da humanidade, não se conhece nenhuma religião que tenha apresentado tantos milagres como a
nossa. Neste sentido e nesta fase de grande transição que estamos atravessando, o objetivo da Igreja
Messiânica Mundial é sacudir a alma do mundo, que está adormecida, despertando-a com o poderoso sopro
do milagre.
Deus, Todo-Poderoso, veio à Terra como Kanzeon-Bossatsu (encarnação da Misericórdia), conhecido
também como Komyo-Nyorai (encarnação da Luz) e, após transformar-se em Oshim-Miroku (encarnação
da Ação Livre e Desimpedida), está manifestando, pelas Divinas Mãos do Messias, os mais variados e
incontáveis milagres, utilizando livremente a sagrada energia vital. Dessa forma, através da Igreja
Messiânica Mundial, Deus está realizando a grandiosa obra da salvação do mundo.
11 de junho de 1949
ANÁLISE DO MILAGRE
Em poucas palavras, chama-se milagre a realização daquilo que achamos impossível, mas, na verdade, nada
acontece por acaso. Quem pensa de forma diferente, está redondamente enganado. Parece um tanto
complicado, contudo vou mostrar por que estou fazendo essa afirmativa.
A idéia preconcebida de que determinada coisa nunca poderá acontecer, já constitui um erro, pois leva em
consideração apenas aquilo que se manifesta exteriormente, isto é, as aparências. Como até agora o
pensamento da maioria dos homens baseava-se em conceitos materialistas, se às vezes sucede algo
diferente, eles pensam que se trata de milagre. Por exemplo: uma criança cair de um penhasco e não sofrer
nada; um carro bater numa bicicleta e não haver ferimentos nem prejuízos; uma pessoa se salvar por ter se
atrasado e perdido um trem que depois descarrilhou, virou ou colidiu com outro; um ladrão que estava
entrando numa casa fugir, pela ministração do Johrei; uma pessoa recuperar o que lhe foi roubado; um
incêndio que havia se alastrado até à casa do vizinho ser desviado, devido à repentina mudança de direção
do vento, por efeito do Johrei.
Com os fiéis da nossa Igreja ocorrem constantemente grandes e pequenos milagres, isto é, fatos fora do
comum. E por que motivo eles ocorrem? Onde está a causa? Creio que todos querem sabê-lo.
É claro que a verdadeira razão do milagre está no Mundo Espiritual. Entretanto, há milagres decorrentes da
força pessoal de cada um e outros decorrentes da força de terceiros. Inicialmente falarei sobre o primeiro
tipo.
O homem possui aquilo a que chamamos aura, que é como se fosse a vestimenta do espírito. Ela tem o
formato do corpo, que parece coberto por uma espécie de névoa branca, e não é visível às pessoas de
sensibilidade comum. Sua largura é variável, e isso se deve ao grau de pureza do espírito; quanto mais puro
ele for, mais larga é a aura. Nas pessoas comuns, ela varia de três a seis centímetros; a dos virtuosos tem de
sessenta a noventa centímetros; nos salvadores da humanidade, ela é infinita. Ao contrário, se o corpo e o
espírito são impuros, a aura é estreita e tênue. Em caso de desastre, por exemplo, na hora exata em que um
carro - que também possui espírito - vai bater numa pessoa, não conseguirá atingi-la se for alguém de aura
larga. Ela se salva, porque é afastada para o lado. Pessoas assim, quando caem de um local alto, mesmo
indo de encontro ao espírito da terra ou de uma pedra, não se machucam, apenas batem de leve.
As casas também possuem espírito, de modo que, se o dono for virtuoso, a aura da casa será larga; no caso
de incêndio, o espírito do fogo não a atinge, pois é barrado pela aura. Por isso, na ocasião do grande
incêndio de Atami, a sede provisória da nossa Igreja foi milagrosamente poupada. Se ocorre o contrário - o
que é difícil - é porque há necessidade de queimar impurezas; por conseguinte, o fato obedece ao Plano de
Deus.
Vejamos, a seguir, os milagres decorrentes da força de terceiros.
O homem tem três espíritos: o Primordial, o Guardião e o Secundário. Vou me abster de maiores
explicações sobre a relação existente entre eles, pois já falei sobre isso em outras oportunidades.
O Espírito Guardião é escolhido entre os ancestrais; ele salva seu protegido no caso de um perigo, ou lhe
faz avisos importantes através de sonhos. Quando se trata de pessoa que tem missões especiais, há casos em
que uma divindade vem em seu socorro (em geral, o padroeiro do local onde a pessoa nasceu). Por
exemplo, se um trem está prestes a colidir com outro, como essa divindade tem conhecimento do fato, pode
fazer parar o espírito do trem instantaneamente. Mesmo que o fato esteja ocorrendo a milhares de
quilômetros, ela chega ao local numa rapidez extraordinária.
Como vemos, o milagre não ocorre absolutamente por coincidência ou por acaso; há sempre uma razão. Se
compreenderem isso, verão que ele não tem nada de sobrenatural. Para mim, o natural é haver milagres; se
não houver é que eu acho estranho.
Às vezes, quando me encontro diante de um problema difícil, cuja solução está demorando, começo a
esperar que repentinamente aconteça um milagre, e geralmente ele acontece, solucionando o problema. Isso
é muito freqüente. Creio que aqueles que têm fé profunda e acumularam virtudes, já passaram por muitas
experiências nesse sentido. Portanto, se o homem pensar e praticar o bem, acumular virtudes e fizer
esforços para tornar mais larga sua aura, jamais lhe acontecerão desgraças inesperadas.
Em nosso contacto com as pessoas, quanto mais espessa for sua aura, mais calor sentiremos, surgindo, daí,
grandes afeições. Tais pessoas sempre cativam outras, que se reúnem à sua volta em grande número, e
assim elas terão êxito e progresso no trabalho.
5 de junho de 1951
RELIGIÃO À LUZ DA VERDADE (RELIGIÃO "DAIJO")
Embora se saiba que existe a classificação "Daijo" e "Shojo" referente às religiões - classificação usada
principalmente no budismo - até nossos dias ainda não foi divulgada uma explicação radical sobre o
assunto. Procurarei expor o meu ponto de vista.
Resumindo, "Daijo" significa Natureza e refere-se às atividades de criação e desenvolvimento de todas as
coisas existentes no Universo. Portanto, "Daijo" abrange tudo, nada lhe escapa. De acordo com este sentido,
falarei não sobre o "Daijo" búdico, mas sobre o "Daijo" universal. Isto é, não somente Religião, Filosofia,
Ciência, Política, Educação, Economia e Arte, mas também a guerra e a paz, o bem e o mal.
Podemos observar uma ordem natural nas atividades de todo o Universo. Considera-se realmente homem o
indivíduo que reconhece a obediência à ordem como fator natural do progresso. Por essa razão, o desvio da
ordem acarreta, infalivelmente, obstáculos, estacionamento ou destruição. A obediência ou a desobediência
à ordem constrói ou destrói, e a realidade mostra que no mundo sempre tem ocorrido construção e
destruição. As religiões podem servir como exemplo. Embora os homens as condenem, tachando-as de
supersticiosas ou heréticas, elas progredirão se forem necessárias à humanidade; caso contrário, submeter-
se-ão à seleção natural. Devemos confiar até certo ponto na ação da Natureza. Se as religiões tiverem
realmente vida e valor, a perseguição humana contribuirá para o seu progresso. Temos um exemplo vivo no
cristianismo. Quem objetará contra a sua predominância atualmente, apesar da crucificação do seu
fundador?
O homem moderno possui uma visão demasiadamente estreita e curta, cujo erro, creio eu, deve ser
analisado seriamente.
25 de outubro de 1949
A VERDADEIRA RELIGIÃO "DAIJO"
É do conhecimento de todos que há religiões de caráter universal e outras de caráter restrito. As opiniões
dos religiosos e filósofos a esse respeito são extremamente ambíguas e quase se acham desviadas da
Verdade. Portanto, exponho o assunto, aqui, de maneira mais clara.
Primeiramente, precisamos conhecer a natureza de todas as religiões existentes no mundo. Elas diferem
entre si, possuindo suas próprias formas e meios doutrinários, baseados nos princípios dos respectivos
fundadores. Basta uma simples reflexão para sentirmos o absurdo da existência de seitas, com
características próprias, dentro de religiões consideradas universais, como o budismo, o cristianismo e, no
Japão, o xintoísmo.
Pensemos no que vem a ser a Religião. Se ela tem por princípio, como sabemos, o amor fraternal e o
espírito de conciliação e paz, todas as religiões devem possuir um único objetivo. Não seria sensato,
portanto, estabelecer unidade nos sistemas doutrinários? A separação influi na ideologia da humanidade,
tornando-se uma das causas da confusão social. Como a força dos que estão ao lado da Religião, ou seja, do
bem, é dispersada, os homens perdem, também, a resistência contra o poder do mal.
A realidade mostra freqüentemente a vitória do mal. No fim, Deus vencerá, por ser onipotente, mas
imaginemos a luta que terá de ser travada pelo bem. Como o mal é prepotente e controla quase tudo, fica à
espreita, aproveitando a menor oportunidade para influenciar-nos. Parece que as conhecidas relações entre
Cristo e Satanás, e entre Buda e Daiba (Devadatta), não sofreram nenhuma modificação até a presente data.
Vemos, portanto, que a Religião precisa ter maior poder que o mal; do contrário, não conseguirá
transformar este mundo num mundo feliz, onde triunfe o bem. Somente assim haverá unidade religiosa,
dando lugar a um mundo de felicidade, isento de inquietações.
Será uma obra difícil, mas não impossível. Isso, porque está próximo o advento do Paraíso Terrestre, que é
o objetivo de Deus. A condição básica para a sua concretização é substituir o espírito restrito pelo universal,
ou melhor, desenvolver uma superatividade cultural que abranja todos os setores: Religião, Ciência,
Política, Economia, Arte, etc. É também necessário que, para desempenhar a função de liderança, apareça
um gigante com poder e sabedoria sobre-humanos.
6 de janeiro de 1954
A RELIGIÃO PRECISA SER UNIVERSAL
Não adianta uma religião ter todas as condições; se não tiver base universal, não será uma religião
verdadeira. Caso ela se restrinja a uma nação ou povo, ocorrerá aquilo que vemos no mundo atual: surgirão
motivos para conflitos. Cada qual se orgulhará da superioridade da sua religião e rebaixará as outras,
acabando por haver atritos. Pode acontecer, também, que as religiões sejam utilizadas na política
governamental. A exploração exagerada do xintoísmo pelo exército japonês, durante a Segunda Guerra
Mundial, e as Cruzadas da Europa exemplificam o que estamos dizendo.
Os exemplos não são poucos, e a causa está no fato de que as religiões se restringiam a determinados povos.
Mas não havia outro recurso, pois, naquela época em que a civilização ainda estava engatinhando, não
existiam os rápidos meios de transporte que existem atualmente, e as relações internacionais estavam
limitadas a pequenas áreas. Hoje, tudo se tornou mundial e internacional, e as religiões também deveriam
seguir esse caminho. É por isso que passamos a chamar nossa Igreja de Igreja Messiânica Mundial, e não
mais de Igreja Japonesa, como antes.
11 de fevereiro de 1950
RELIGIÃO PROGRESSISTA
Observando atentamente a sociedade atual, constato que tudo progride rapidamente; não há nada que não
esteja acompanhando esse progresso. Entretanto, por incrível que pareça, a Religião, entidade que tem a
mais profunda relação com a humanidade, continua da mesma forma, não apresentando nenhum progresso.
Pelo contrário. Como prova, as religiões tradicionais nos ensinam a voltar ao início, ao ponto de partida dos
seus fundadores. Ora, se devemos voltar à origem, é porque saímos do caminho certo; caso o fato se repita
várias vezes, não progrediremos nada, ficando em total desacordo com a cultura. Tais religiões nos mostram
isso claramente na medida em que perdem o poder de atrair pessoas e teimam em permanecer na situação
em que se encontram.
De fato, todas as religiões que existem, sofreram perseguições e pressões na época de sua fundação.
Podemos mesmo dizer que esse é o destino de toda religião nova. Apesar disso, com fôlego renovado,
expandiram-se vigorosamente, passando por épocas maravilhosas. A verdade, porém, é que, com o tempo, a
maioria das religiões tende a estacionar. Vamos analisar por que isso acontece.
Sem dúvida alguma, as religiões entram em decadência por não acompanharem a marcha do tempo.
Quando cumprem rigorosamente os ensinamentos do seu fundador, considerando-os como as mais sublimes
e importantes determinações, mas não dão atenção a outros fatores, tornam-se anacrônicas. Como a brecha
vai ficando cada vez maior, passam a ser acusadas de incapazes, conforme está ocorrendo atualmente.
Se todas as coisas estão sujeitas à Lei de Causa e Efeito, faz-se absolutamente imprescindível que as
religiões tradicionais reflitam muito sobre o assunto, pois não há motivos para elas continuarem
eternamente transcendentais. Um dos princípios básicos de nossa religião é que tudo deve progredir e
acompanhar o tempo. Essa é a razão pela qual não damos atenção às formalidades das religiões tradicionais,
dispensando o tempo e os gastos que elas requerem. Na realidade, as formalidades não trazem benefício
algum. Assim, não há motivo para as divindades ficarem contentes com elas.
Em face do que dissemos, a missão da verdadeira religião é dar orientações no sentido de melhorar, cada
vez mais, a vida do homem atual. Resumindo, só uma religião progressista poderá realmente salvar a
humanidade.
5 de novembro de 1950
A LÓGICA EM RELIGIÃO
O critério para distinguirmos se uma religião é ou não é boa e correta, o método mais simples e que
apresenta menos margem de erros, consiste em averiguar se ela é de natureza lógica ou ilógica. Nesse
ponto, as religiões mediúnicas são perigosas; entretanto, não estou dizendo que todas elas devam ser
evitadas. Na verdade, entre os fundadores de religiões que hoje são consideradas grandes, muitos eram
médiuns. Mesmo se tratando de religiões mediúnicas, cada uma é boa ou má de acordo com a sua própria
natureza. Sendo assim, para distinguir as religiões, o melhor é começar a analisá-las pelo senso comum.
23 de julho de 1949
PAZ E SEGURANÇA
As pessoas acham que as expressões "paz" e "segurança" limitam-se apenas ao espírito, mas esse modo de
pensar constitui um grande erro, uma vez que, para obtermos a verdadeira paz e segurança, não podemos
excluir a matéria. Pensem bem: se houver uma que seja das três grandes desgraças - doença, pobreza e
conflito - onde estará a paz? Quando as pessoas estiverem certas de que, durante toda a sua vida, não terão
preocupações com doenças, não ficarão pobres, nem haverá possibilidade de se envolverem em conflitos, aí
sim, elas terão a verdadeira paz e segurança. Entretanto, no mundo contemporâneo, possuir essas três
condições ao mesmo tempo não passa de utopia. Diríamos que provavelmente não existe uma pessoa
sequer, no mundo inteiro, que possa afirmar possuí-las.
Observando este mundo, logo percebemos que nada ocorre conforme desejamos; as coisas más acontecem
incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O mundo em que vivemos é a própria imagem do inferno.
No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos quando vamos ficar doentes. Um simples resfriado
pode acabar logo, como também perdurar e gerar uma doença terrível. Portanto, não podemos estar
despreocupados, pensando que um resfriado não é nada. Como diz a Medicina, os vírus estão em toda parte,
e por isso é impossível saber quando vamos contrair uma doença contagiosa ou a que hora um bacilo vai
nos atacar. Conseqüentemente, as autoridades são muito exigentes em matéria de higiene, aconselhando-nos
a conservar a limpeza, não comer nem beber em demasia, fazer gargarejo ao voltar da rua, lavar as mãos
antes das refeições, tomar cuidado com os alimentos e outras medidas semelhantes. São tantas as
advertências, que até ficamos saturados. Levar tudo isso em consideração é o mesmo que viver sob a
constante ameaça de todos os tipos de perigos.
Quanto à pobreza e aos conflitos, na maior parte dos casos provêm de problemas financeiros, que se
originam do desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é óbvio que, se não conservarmos o espírito e
o corpo sadios, jamais conseguiremos a tranqüilidade absoluta. Talvez as pessoas achem impossível
consegui-la; contudo, se pudermos realmente obtê-la, não será uma maravilhosa Graça do Céu? Eu afirmo,
sem qualquer sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça.
10 de dezembro de 1952
O BEM E O MAL
O mundo apresenta um aspecto multiforme, com a mescla do bem e do mal. Tragédia e comédia, desgraça e
felicidade, guerra e paz, tudo é impulsionado pelo bem ou pelo mal. Há homens bons e homens maus.
Precisamos, portanto, ser esclarecidos sobre a existência de uma causa básica, determinante desses dois
elementos. No momento, parece-me indispensável conhecê-la, e por isso desejo explicá-la.
Por uma inclinação normal, o homem odeia o mal e procura o bem. Com raras exceções, tanto os governos,
como a sociedade ou a família, amam o bem, porque sabem que o mal não gera paz ou felicidade.
Há dois pontos a salientar na definição do bem e do mal. "Homem bom é aquele que crê no invisível; mau é
o que não crê." O primeiro crê em Deus: é espiritualista; o segundo, pelo fato de não O ver, não crê: é
materialista.
A boa ação parte do amor, da compaixão ou da justiça social, isto é, do amor à humanidade. Há pessoas que
praticam o bem por saberem que a boa ação produz bom fruto, e a má ação, mau fruto. Outras socorrem o
próximo impelidas pela compaixão. Os quatro princípios do budismo - evitar o desperdício, ser moderado,
fazer economia e tudo poupar - são práticas do bem. O desejo de ser simpático, gentil, fiel à profissão,
almejar o benefício e a felicidade do próximo, render graças, manifestar gratidão e esforçar-se no sentido de
agradar a Deus, também são práticas do bem. Ainda existem várias outras práticas, mas creio que essas
sejam as mais comuns.
A má ação, produto do pensamento destrutivo fechado à existência Divina, justifica o delito, contanto que
se consiga ludibriar os outros. Então, a fraude é praticada como ação perfeitamente normal; torturam-se
inocentes, não importando se isso desgraça os homens e a sociedade, e chega-se até ao cúmulo da prática do
homicídio.
A guerra é um homicídio coletivo. Desde a antigüidade, os homens considerados heróis provocaram guerras
para conseguir poderes e satisfazer desatinadas ambições. Diz um provérbio: "O vitorioso domina o mundo,
mas este o subjuga quando readquire seu equilíbrio." A História nos mostra o fim, quase sempre trágico,
desses "heróis" que brilharam apenas temporariamente, como conseqüência natural do mal que cometeram.
Se fosse certo o conceito popular de que "não importa enganar, contanto que não se seja descoberto", seria
até mais vantajoso e inteligente praticar toda espécie de maldades e viver luxuosamente.
O mal surge, ainda, da crença de que, após a morte, o homem retorna ao Nada; é a negação da vida após a
morte, isto é, da vida no Mundo Espiritual.
Embora a sorte o favoreça durante algum tempo, a realidade evidente é que o faltoso está fadado à ruína.
Aquele que comete delitos vive inquieto e atormentado pelo receio de ser preso. Sob a tortura da sua
consciência acusadora, é induzido ao arrependimento, sendo freqüente o caso de criminosos que se
entregam ou se alegram em cumprir a pena, porque assim adquirem tranqüilidade. Isto significa que sua
alma, através do elo espiritual, está sendo censurada por Deus, seu Criador. Portanto, ao praticar o mal,
mesmo que consiga enganar os outros, a pessoa não pode enganar a si mesma e muito menos a Deus
Onisciente, ao qual todo homem está ligado por um elo espiritual. Por essa razão, jamais o crime compensa.
Existem pessoas que deixam de praticar ações condenáveis, entre outros motivos, por estes dois: por
autodefesa, pois, apesar de pretenderem o mal, temem o descrédito da sociedade, e por covardia, não
obstante desejarem os seus proveitos. Por outro lado, muitos praticam o bem por conveniência, sabendo que
as boas ações conquistam simpatia e são compensadoras; ou melhor, praticam o bem na esperança de
retribuição. Isso não passa de uma transação, pois essas pessoas vendem favores para comprar gratidão.
Tais ações não oprimem o próximo nem afetam a sociedade, sendo melhores que as más, porém, não são
verdadeiramente benéficas. Portanto, perante Deus, cujo olhar penetra no íntimo do homem, nelas não há
honestidade. A dúvida quanto a isso é decorrente da superficialidade do ponto de vista humano. Essas
atitudes são perigosas, próprias dos que não crêem no Ser Invisível; os que as praticam são levados, no
momento oportuno, a cometer algum mal que possa passar desapercebido na sociedade.
Ao contrário, quem realmente crê em Deus, não se deixa ludibriar por "brilhantes perspectivas". Ainda que
seja considerado um homem de bem, do ponto de vista terreno e objetivo, se o indivíduo não crê em Deus,
situa-se na esfera do mal, visto estar propenso a transformar-se num mau elemento a qualquer instante. Por
isso eu insisto: ter fé, crer naquele Ser Invisível, é o atributo essencial do autêntico homem de bem. Estou
convencido de que nada, além da Fé, nos poderá salvar dos conceitos excessivamente desmoralizadores que
caracterizam a época atual.
Embora o homem continue criando leis, polícia, tribunais e prisões para impedir a ocorrência de crimes,
tudo isso é como ele construir jaulas de ferro para animais ferozes, a fim de proteger-se do perigo. Dessa
forma, os criminosos não estão recebendo tratamento apropriado a seres humanos. E haverá maior
infelicidade para alguém do que terminar a vida descendo às condições de animal, quando foi criado como
um ser superior a todos os demais?
"O homem se tranforma em animal quando se corrompe, e em ser Divino, quando se eleva." Esta é uma
verdade secular. O homem é realmente um ser intermediário entre Deus e a besta. De acordo com esta
verdade, o verdadeiro civilizado é aquele que se libertou do instinto animal. Creio que se pode conceituar o
progresso da civilização como a evolução do homem animal para o homem Divino. E o lugar onde se
reúnem homens Divinos poderá ser outro que não o PARAÍSO TERRESTRE?
25 de janeiro de 1949
ATEÍSMO É SUPERSTIÇÃO
O problema do suborno de funcionários públicos tem ocupado os noticiários jornalísticos. Surge um caso
após o outro e parece que a coisa não tem fim. Isto nos mostra que o serviço público está completamente
corrompido. Assemelha-se a um sifilítico purulento em terceiro grau. Jamais vi, até hoje, tanta corrupção. A
polícia estuda novos meios para prevenir o problema, mas não encontra solução, embora venha aplicando
severamente os recursos legais. Todas as medidas revelam-se provisórias, pois não se conhece a raiz do
mal, e por isso é impossível evitar que surjam problemas dessa espécie.
Dentro da mesma ordem de fatos, temos os aproveitadores dos serviços públicos, cujas atividades obscuras
vêm se tornando notórias nos últimos tempos. Tais indivíduos convidam funcionários para reuniões em
restaurantes ou casas noturnas e, após oferecer-lhes magníficas recepções, conseguem concluir negócios
altamente vantajosos para si próprios. Desse modo, enfraquecem todas as resistências. As despesas que isso
acarreta são geralmente consideráveis, e é o povo que vai pagá-las através do aumento do preço das
mercadorias e dos impostos.
O problema em questão exige solução radical e urgente. Infelizmente, nada poderá ser feito enquanto a
polícia e os especialistas ignorarem as causas do fato. Vou sugerir um meio infalível para solucioná-lo.
De início, parece-nos contraditório que pessoas de cultura superior ou, pelo menos, de nível médio,
cometam crimes. Entretanto, o povo se engana, julgando que os homens mais instruídos sejam incapazes de
praticá-los. Talvez o homem culto não use métodos violentos, mas recorre às sutilezas da inteligência.
Conseqüentemente, seus delitos serão mais graves, pois ele exerce maior influência social. E qual é o
motivo que o leva à prática de crimes revoltantes?
A causa principal é uma falha psicológica: sua visão materialista, que o faz crer no êxito da ação culposa
executada com habilidade, às ocultas, sem o testemunho de outrem. Acontece, porém, que, quando menos
se espera, o crime é descoberto. Então, o culpado se surpreende e se põe a pensar. O que se passa em seu
íntimo deve ser mais ou menos o seguinte: "Infelizmente fui descoberto, apesar de minha habilidade.
Conhecendo a lei como conheço, não deixei nenhuma pista. Como vieram a saber? É inútil ficar me
lamentando. Farei o possível para fugir às conseqüências e, da próxima vez, serei mais esperto." Esta é a
tendência geral. Há, também, os que caem em si e refletem: "Eu não devia ter burlado a lei. Vou cumprir a
pena e me regenerar." Entretanto, com o decorrer do tempo, tal decisão poderá enfraquecer e o culpado
reincidir no erro. Isso acontece porque ele não crê em Deus.
O único meio de resolver estes problemas é a Fé. É através dela que vislumbramos a existência de Deus.
Creio na força da Fé para resolver tais casos, porque a psicologia do delinqüente se baseia na convicção de
que Deus não existe. Quase todos eles acreditam que, acima da Terra, existe apenas o ar, e mais nada. É um
conceito simplista. Além disso, julgam-nos supersticiosos, por crermos num Deus invisível. Embora
crentes, não somos nós os supersticiosos. Só há uma perigosa superstição: a do ateísmo, que se oculta sob a
obstinada negação da existência de Deus. Os ateus merecem realmente piedade. Se destruirmos a base da
psicologia do criminoso - a descrença em Deus - teremos solucionado o problema.
Mas por que tantos homens da atualidade caíram nas garras desse fanatismo? O fato se deve à educação
materialista que desde o berço lhes veio sendo ministrada. Nossa missão é convertê-los, isto é, reeducá-los.
Não há outro meio para formar cidadãos honestos. Se os políticos e educadores não tomarem consciência da
base do problema, tudo o mais que fizermos será provisório. É nossa tarefa fazer os delinqüentes
compreenderem que, embora ocultem seus crimes aos olhos do mundo, jamais poderão enganar a Deus.
12 de dezembro de 1951
POR QUE O MAL SE REVELA
Como já me referi em "ATEÍSMO É SUPERSTIÇÃO" (###N.T.: Pág. 201###), a causa das injustiças que
infestam o mundo reside na própria mente humana.
O pensamento que admite a possibilidade de se manterem despercebidos os delitos, sejam eles quais forem,
acha-se enraizado entre os que não crêem verdadeiramente em Deus. Segundo tal raciocínio, é muito mais
fácil e vantajoso ganhar dinheiro de modo ilícito.
Claro está que esse conceito é largamente seguido entre os que praticam o mal, mas o fato é que o crime
sempre é descoberto. No fundo, o próprio culpado sabe disso, porém, como desconhece a razão dessa
verdade, não consegue abandonar a senda do mal.
Considera-se que todo cidadão é independente, apesar de ser um membro da sociedade, e que, portanto, ele
é livre para praticar quaisquer atos. Atualmente, "viver com inteligência" significa empregar a habilidade
exclusivamente no que possa proporcionar benefícios à própria pessoa. O homem, simulando admiração
pelas palavras dos seus superiores ou religiosos, no íntimo zomba delas, achando que são tolices. Prende-se
a formalidades, tornando-se nulo não apenas espiritualmente, mas também quanto ao seu valor humano.
Esse é o pensamento moderno da maioria dos homens, os quais, longe de conseguirem a almejada
felicidade, acabam fracassando. E fracassam porque, embora o mal não seja descoberto pelos outros, a
própria pessoa sabe que o cometeu. Aí é que está o problema, pois o conteúdo do consciente e do
subconsciente reflete-se num local do Mundo Espiritual que corresponde, na Terra, ao nosso Palácio da
Justiça. Pode ser chamado de Fórum do Mundo Espiritual.
Infelizmente, é difícil para o homem, vítima do materialismo, crer na existência do Mundo Espiritual, que
ele nega sumariamente. A ignorância da existência desse mundo é a fonte do mal. Assim, para extirpar o
mal pela raiz é necessário pregar esta verdade e convencer o homem; não há meio mais eficiente.
Vejamos como é feita a comunicação ao Fórum do Mundo Espiritual.
Há um elo espiritual semelhante ao telégrafo sem fio que estabelece uma ligação entre cada homem e esse
Fórum, no qual as nossas ações são registradas com assombrosa exatidão. O registrador anota tudo
minuciosamente num livro, e os delitos são julgados de acordo com o grau de perversidade. Por esse
julgamento do Mundo Espiritual, o delito é revelado no Mundo Material, de forma hábil, para a pena
correspondente.
Quando o homem tomar consciência desse fato, deixará de cometer qualquer espécie de mal. Se, ao
contrário, praticar bons atos, será recompensado também, segundo o próprio mérito. Esta é a realidade dos
dois mundos, o Espiritual e o Material. Deus construiu-os sabiamente. Sendo esta a Verdade Absoluta, não
há outra solução a não ser aceitá-la.
Atualmente, a maioria dos homens cultos é cega a essas questões espirituais e menospreza o ato de revelá-
las ao povo. Inclusive mostram-se prevenidos contra a pregação desse princípio fundamental, considerando-
o superstição, quando, na realidade, são eles que se portam como verdadeiros supersticiosos. A maior prova
do que dizemos é que, apesar de intenso empenho nesse sentido, os delitos não têm diminuído. A justiça
terrena tenta evitá-los punindo-os com medidas provisórias e superficiais, depois que eles vêm à tona.
Estabelece leis que podem ser transgredidas, deixando de tocar no ponto vital, e a humanidade, imatura,
chega a orgulhar-se do que denomina "Civilização". Digamos, antes, pela evidência dos fatos, que estamos
vivendo, atualmente, a era da "cultura selvagem".
26 de dezembro de 1951
O HOMEM MAU É IGNORANTE
Sabemos que o homem mau é aquele que sacrifica o próximo para satisfazer os seus interesses, dando a
impressão, muitas vezes, de estar agindo apenas por uma espécie de capricho.
Passarei a uma análise psicológica desse tipo de pessoas.
É costume dos homens maus expressarem o desejo de gozar a vida enquanto podem. Ora, os delitos não
ficam ocultos por muito tempo, e esses infelizes, receosos de tal fato, preparam-se para o fim iminente do
seu breve gozo.
Os delitos não se restringem aos de banditismo, roubo ou homicídio, como se costuma supor. Homens de
elevada posição social também cometem desonestidades sumamente lamentáveis. Os jornais de após-guerra
alardeavam repelentes delitos, como desvio de mercadorias, contrabando, sonegação de impostos e fraudes.
Surpreendia-nos a prisão de personagens que jamais poderíamos imaginar em semelhante situação. Eles
supunham que seus crimes passariam despercebidos, por terem sido habilmente executados, esquecendo-se
de que a maldade é sempre descoberta, porque Deus tudo observa do invisível Mundo Espiritual. A nossa
constante afirmação de que o homem descrente é perigoso, está fundamentada justamente nisso. Trata-se de
um ponto importantíssimo e difícil de ser compreendido até por pessoas inteligentes.
Uma vez descobertas e condenadas as más ações, as pessoas caem no conceito público, levando anos para
recuperarem a confiança perdida. Muitas, caindo em descrédito, ficam relegadas para o resto da vida.
Reflitamos um pouco. O prejuízo será muitas vezes superior aos lucros obtidos por meios ilícitos.
Na Era Meiji (1868-1912), o famoso ladrão Sadakiti Shimizu, quando foi preso, assim expressou seu
arrependimento: "Não há coisa pior do que roubar. Se eu dividisse o dinheiro que roubei até hoje pelo
número de dias que se passaram, o resultado seria de apenas 45 centavos por dia." Concordo que não deve
ter sido compensador, por mais baixos que estivessem os preços na Era Meiji.
Praticar o mal, além de não ser compensador do ponto de vista religioso e material, também não o é pela
inquietação de que o criminoso se torna vítima até ser descoberto. O maior ignorante é o indivíduo que
comete o mal e sacrifica o próximo para satisfazer os seus próprios interesses.
30 de abril de 1949
O HOMEM MAU É ENFERMO
O título acima suscitará dúvidas em inúmeras pessoas, pois há muitos homens maus com aparência sã.
Entretanto, eles são sadios apenas aparentemente; na realidade espiritual, são autênticos enfermos.
Conforme venho asseverando, os homens maus são vítimas dos maus espíritos. Estes dominam o Espírito
Primordial, afastam o Espírito Guardião e agem a seu bel-prazer, como se fossem a própria pessoa. Podem
ser de animais como raposa, texugo, dragão, etc., e praticam atos não muito diferentes daqueles que esses
animais praticariam. Nessas condições, sem nenhum constrangimento e até com satisfação, fazem coisas
impiedosas e cruéis, que o homem jamais faria. Pode-se compreender, portanto, como esses espíritos são
desumanos, porque escapam à compreensão pelo senso comum.
Como sempre afirmo, o homem é constituído de Espírito Primordial, de natureza Divina, e de Espírito
Secundário, de natureza animal. Este último incorpora-se ao homem por permissão de Deus, pois comanda
todos os desejos materiais indispensáveis à existência humana.
Analisando um homem mau, constatamos que ele está revelando o seu instinto animal, inerente ao Espírito
Secundário, ou manifestando o instinto de um espírito animal "encostado". Isto acontece devido às máculas
existentes no seu corpo espiritual, sendo que o grau de encosto é proporcional à densidade dessas máculas.
O Espírito Guardião será então dominado pelo espírito animal e agirá sob suas ordens.
As máculas espirituais são a causa do homem mau. Como elas se refletem no sangue, de acordo com a Lei
do Espírito Precede a Matéria, infalivelmente sobrevirá, algum dia, uma intensa ação purificadora,
proporcional, em sofrimento, à densidade das máculas, causando acidentes imprevistos, doenças e outras
desgraças.
É curioso o fato observado muitas vezes entre os grandes criminosos: são presos só depois que se
arrependem e desejam aproximar-se de Deus. É a ação da Lei da Purificação pelo sofrimento, decorrente
das máculas do corpo espiritual.
Observamos, assim, que o homem mau é um autêntico enfermo, porque a causa da maldade reside nas
máculas do espírito. Quanto maior o crime, mais intensa a ação purificadora, que transforma o culpado em
enfermo gravíssimo, submetido a dores infernais.
As máculas surgem porque falta força, isto é, Luz ao Espírito Primordial, de natureza Divina. Portanto, para
livrar-se delas, o homem precisa contar com o apoio da Religião, ter fé e manter sempre em vista o Todo-
Poderoso. Se ele agir dessa forma, a Luz de Deus penetrará na sua alma, através do elo espiritual,
diminuindo-lhe as máculas. O espírito mau padecerá com isso e, intruso que é, abandonará imediatamente
sua vítima, fazendo com que o Espírito Secundário se retraia e fique sem ação para o mal.
Quem não reverencia Deus, está sujeito a transformar-se em mau elemento, em qualquer oportunidade ou a
qualquer momento. Podemos afirmar que os indivíduos afastados de Deus, cujo número é elevadíssimo na
sociedade atual, são elementos perigosos. Assim, o mal social tende a não diminuir. Por mais honesto que o
homem seja, não será autêntico, se estiver afastado de Deus; será apenas um homem superficial, cuja má
índole, em estado latente, não permite que nele se possa confiar.
Lamentavelmente, muitas pessoas, incapazes de compreender essa simples verdade, negam a Religião e
contam somente com o apoio da lei humana para o extermínio do mal. O que foi exposto, no entanto,
demonstra o quanto elas estão equivocadas.
21 de novembro de 1951
COMO ACABAR COM OS CRIMES
Dentre os crimes cometidos ultimamente, os mais graves são os crimes praticados por indivíduos que, para
roubar uma pequena soma em dinheiro, não hesitam em tirar a vida de seu semelhante. Para eles, isso é
mais simples do que matar um cão. Quando analiso esse tipo de pessoa, fico pasmado com sua estupidez,
inconcebível por meio do senso comum. Que situação tenebrosa! Tais indivíduos não pensam no sofrimento
da vítima e de seus familiares. Além disso, não passa pela sua cabeça que, no caso de serem presos, a pena
de morte seria fatal, ou que, na melhor das hipóteses, não escapariam à prisão perpétua. Seja como for, com
uma vida pela frente, eles não poderiam mais integrar a sociedade e estariam jogando fora a sua própria
existência. Esse é o pensamento que deveria ocorrer-lhes, mas parece que tal não acontece, o que revela um
estado psicológico realmente de se estranhar. Os atos dessas criaturas estão à mercê dos seus instintos e não
passam de satisfações momentâneas; seu objetivo é divertir-se por curto espaço de tempo. Uma vez que
terão de pagar bem alto - um prejuízo talvez dezenas ou centenas de vezes maior do que o lucro obtido -
não podemos considerá-las como seres humanos. São exatamente como os quadrúpedes. As "pessoas de
quatro pés", como todos sabem, não têm nenhuma percepção para ver que, após o crime, poderão ser
condenadas à morte. Por isso mesmo, é difícil lidar-se com elas.
Com base no que acabamos de dizer, talvez se pense que não há uma explicação para os crimes, mas na
realidade eles são perfeitamente explicáveis. Do ponto de vista espiritual, podemos compreendê-los muito
bem. Segundo os Ensinamentos de nossa Igreja, o homem possui três espíritos: o Espírito Primordial,
atribuído por Deus; o Espírito Guardião, escolhido entre os Ancestrais, e o Espírito Secundário, responsável
especialmente pelos desejos físicos e seculares do homem. Naturalmente, o Espírito Primordial é a fonte
dos bons sentimentos, e o Espírito Guardião incentiva a pessoa para o bem. Quando o Espírito Secundário
predomina, quem está dominando é o quadrúpede. Por isso, embora tenha aparência humana, a pessoa
torna-se semelhante a um animal. Nestas circunstâncias, não se justifica o sentimento de pena ou
compaixão; ela demonstra caráter perverso do princípio ao fim.
Esta é a causa básica dos crimes sem escrúpulos. Por isso é muito perigoso o homem deixar que sua alma
seja dominada pelos animais, pois basta qualquer estímulo para lhe surgirem desejos maléficos e ele se
tornar um criminoso. Mas o que é que se deve fazer? Não há outro meio para solucionar o problema a não
ser a força da Religião. E por que deve ser através da Religião? Como eu disse anteriormente, o homem é
dominado pelo espírito animal, isto é, pelo Espírito Secundário. Portanto, é preciso enfraquecer a força de
domínio deste último. Em termos mais claros, aumentar a força do bem numa proporção muito maior que a
do mal, fazendo com que o Espírito Secundário se torne o dominado. Afirmo que não existe método mais
eficaz.
Antes de mais nada, é necessário ingressar na fé, voltar-se para Deus, adorá-Lo e orar. Uma vez que a
pessoa esteja ligada a Deus pelo elo espiritual, através deste a Luz Divina será derramada em sua alma; à
medida que a alma for sendo iluminada, o Espírito Secundário se retrairá e a força que ele tem para utilizar
a pessoa a seu bel-prazer irá enfraquecendo. No íntimo de todo ser humano, há uma luta constante entre o
bem e o mal. Isso acontece em virtude do princípio exposto acima. Assim, por mais minuciosas que se
tornem as leis e por mais que se fortaleça o sistema de policiamento, será o mesmo que combater o crime
com uma força estranha. Sem dúvida é melhor do que nada, mas, enquanto não se for ao âmago do
problema, os resultados serão insignificantes, apresentando-se situações sociais nefastas, como acontece
hoje em dia.
É incompreensível que nem o governo nem os educadores percebam algo tão óbvio. Eles se limitam a
suspirar, dizendo que, atualmente, há muitos crimes inescrupulosos e que a delinqüência juvenil aumenta
dia a dia. Não conseguem libertar-se de idéias anacrônicas, que cheiram a mofo, e só a muito custo
determinam o restabelecimento deste ou daquele princípio ético ou moral; a reforma de métodos
educacionais, etc. Achamos isso muito triste. Pode parecer ironia, mas é o mesmo que colocar água numa
peneira e, notando que ela vaza demais, fazer uma peneira de furos menores.
25 de julho de 1951
VENÇA SEU PRÓPRIO MAL
Já escrevi a respeito da necessidade de vencer o mal, dando à expressão o sentido de não ser vencido pelo
homem perverso. Agora falarei da vitória sobre o mal que existe em nosso íntimo.
Dentro de cada ser humano há uma batalha constante entre o bem e o mal. É a luta para subjugar as paixões
do mundo, conforme a interpretação budista.
A ambição humana é ilimitada. Embora o homem viva tentando refrear-se em relação ao dinheiro, ao sexo,
ao poder, à fama e ao egoísmo, vê-se constantemente tentado por eles. A consciência lhe adverte que seja
prudente, que evite isto e aquilo que será castigado se for a determinado lugar, etc. O campo de batalha
desta luta sem trégua encontra-se no interior de cada indivíduo.
A vitória do mal resulta em pecado e infelicidade; a vitória do bem cria felicidade. É tudo tão simples e
nítido quando examinamos a questão, que parece fácil de praticar. Entretanto, mesmo com uma clara noção
do assunto, os homens não são capazes de triunfar na luta contra o mal, principalmente quando não têm fé.
Eis por que os fiéis mais esclarecidos pecam menos que os outros. Mas, para isso, é necessário que eles
façam um grande esforço.
Naturalmente, a força que nos arrasta à prática do mal pertence ao Espírito Secundário, e a que nos conduz
pelo caminho do bem, ao Espírito Guardião. Como, além destes, temos o Espírito Primordial, que
determina o Absoluto Bem, precisamos fazer algo para aumentar-lhe o poder de atuação, porque essa é a
força que domina o mal pela raiz. Sendo assim, o único recurso é adorar a Deus e solidificar a fé. Não
existe outro meio para se obter a felicidade.
20 de junho de 1951
O VERDADEIRO HOMEM FORTE
Atualmente, fala-se muito sobre os erros sociais, mas, esses erros são causados pela existência de um
grande número de criaturas corruptas. Uma rápida visão do passado mostra-nos que sempre houve
necessidade de combater os perversos.
Se examinarmos a psicologia dos que vivem a prejudicar o próximo, veremos que eles têm plena noção do
que fazem, com exceção dos grandes criminosos, destituídos da menor parcela de discernimento. Quase
todos se encaminham para o mal em busca de riquezas, bebidas e sexo, embora saibam que isso é
condenável. Sustentam a idéia medíocre de que é impossível a regeneração para os que já trilharam o
caminho do erro. Naturalmente, eles temem a lei; mas, como lhes é difícil satisfazer honestamente suas
ambições, usam de todos os meios para fugir à punição e esconder seus malfeitos. Mentem e ludibriam com
crescente habilidade; enganar os outros acaba se tornando, para eles, algo extremamente fácil.
Os ludibriados se resignam porque são honestos e não têm experiência dos ardis utilizados pelos perversos.
Isso ajuda a intensificação do crime, e os corruptos passam a auferir grandes vantagens. Quando o mal
compensa, é muito difícil a reabilitação. Então, pouco a pouco, eles começam a se afundar na lama do
pecado. Geralmente, o tipo que obtém muito proveito de seus delitos é um criminoso intelectual,
pertencente à classe superior ou média.
Dizem os antigos que todas as pessoas têm sete manias, ainda que não tenham consciência disso. Creio que
as manias do homem malvado não o impedem de passar por tormentos de consciência ao prejudicar os
outros, criando máculas e infelicidade para si mesmo, nem de reconhecer que o hábito de beber, de gastar
em excesso e afligir a família, é uma fonte de padecimentos. Mas ele não consegue se dominar e continua
agindo de maneira errada. Sabe que o relacionamento extra-conjugal custa dinheiro e que se arrisca a
contrair doenças malignas, causando preocupação aos familiares; entretanto, persiste em seu modo perigoso
de viver. Entrega-se a jogos de azar, que sempre lhe acarretam prejuízo, mas teima em arriscar a sorte.
Acredito que quase todos nós temos conhecimento de casos semelhantes, tão comuns hoje em dia. Eis por
que me detive nesses aspectos da questão.
Quem não consegue se dominar, apesar de compreender que deve abandonar as práticas viciosas, é um ser
destituído de força, isto é, de verdadeira coragem, o que há de mais precioso no homem. Costumo dizer:
"Quando o homem enobrece, identifica-se com Deus". Manter vigilante esforço contra o mal, dominá-lo e
superá-lo, significa tornar-se Divino. Esta é a força autêntica, proveniente de Deus. Portanto, para mim, o
perverso não passa de um homem fraco.
29 de outubro de 1949
O HÁBITO DE RESIGNAÇÃO DOS JAPONESES
Dizem que não há país civilizado cujo povo seja tão resignado quanto os japoneses. E não é para menos.
Como diz um antigo ditado, é impossível ganhar de autoridades e crianças que choram. Assim, ainda hoje
restam heranças do feudalismo.
Vejamos. Mesmo que uma pessoa seja prejudicada por um artigo difamatório de jornal ou revista, desiste de
reclamar, com medo do que o jornalista possa publicar no artigo seguinte. No caso de não ficarem
satisfeitos com resoluções tomadas pelas autoridades, os japoneses se resignam, porque têm medo das
conseqüências que lhes podem advir se expressarem sua insatisfação. Se acham que os impostos estão sendo
cobrados injustamente, eles não se rebelam, por temor de serem visados daí em diante. Também não
denunciam pessoas que tomam empréstimos forçados nem chantagistas, pelo medo de represálias. E todos
sabem que, aproveitando-se dessa resignação, os chefões do submundo, que ainda existem em todos os
lugares, vivem atormentando e ameaçando o povo.
Dizem que nos Estados Unidos, se os direitos humanos não são respeitados, ou se as pessoas são tratadas de
maneira inconveniente, elas protestam e jamais recuam até que seja feita justiça. Só quando todos os
homens tiverem essa coragem é que as injustiças sociais serão eliminadas, respeitando-se a justiça. Com
isso, realizar-se-á uma verdadeira sociedade democrática. Por conseguinte, se o povo japonês quiser
construir uma sociedade feliz e democrática, é preciso que ele não se dobre de maneira alguma quando vir a
justiça desrespeitada. Ou seja, é preciso que o bem vença o mal. Quando esse pensamento se estender a toda
a sociedade japonesa, o Japão começará realmente a se tornar um país democrático.
31 de maio de 1949
VENCER O MAL
Desde a antigüidade, as religiões têm se desenvolvido com base no princípio da absoluta "não-resistência".
Cristo falou: "Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda." Quando se achava na
cruz, no Gólgota, ele disse: "Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem." Esses fatos evidenciam
Cristo como a personificação do Amor.
Também Sakyamuni, interpretando como uma provação para o seu próprio aperfeiçoamento as insistentes
perseguições de seu primo Daiba, que pretendia destruí-lo a fim de herdar seu poder e sua glória, não
assumiu nenhuma atitude de resistência.
Entretanto, ao analisarmos os resultados, embora estejamos convencidos de que o amor cristão e a
misericórdia búdica cativam a alma humana, tornando-se a fonte da fé, não podemos concluir se esses
resultados foram ou não benéficos, pois, decorridos mais de dois mil anos da morte de Sakyamuni e de
Cristo, o mal continua a aumentar, ao invés de diminuir. O fato de homens bons viverem molestados por
maus elementos e de homens honestos serem ludibriados, é uma realidade que tem resistido aos séculos,
dando-nos a impressão de que não tem nada a ver com o progresso da cultura. Este, pelo contrário, serviu
para esmerar a técnica na execução do crime, em nada alterando sua natureza.
Reflitamos: por que o mal não é exterminado? Indubitavelmente, a causa está na passividade do bem. Os
indivíduos maus aproveitam a situação e perseguem constantemente os bons, que são ridicularizados e tidos
no baixo conceito de tolos e covardes. Os bons, por sua vez, superestimam os maus, deixando de oferecer-
lhes resistência; temendo prejuízos ou inesperadas agressões, preferem tolerá-los, como se essa resignação
fosse sensata. Isso contribui para aumentar o ânimo dos maus, que afiam suas garras na intensificação do
mal, não deixando, porém, de precaver-se, a fim de escaparem à lei.
Infelizmente, vivemos numa sociedade onde o povo é sempre a vítima. A esperança da realização de um
mundo onde os bons possam viver tranqüilos, ainda se perde no horizonte. Nós, religiosos, pregamos que o
bem não deve, em momento algum, sucumbir ao mal, pois sua derrota evidenciaria que não é um bem
verdadeiro, e sim, covardia. Cabe-nos provar que o mal não conseguirá vencê-lo. Acredito ser este o modo
correto de agir, numa religião autêntica e sincera.
Os maus elementos consideram os religiosos como seres diferentes dos indivíduos comuns, encarando-os da
seguinte maneira: "Eles são seguidores do princípio da não-resistência; não nos causarão, portanto, grande
perda, ainda que os maltratemos." Aqui reside a fraqueza dos religiosos, ou melhor, a razão pela qual eles
são julgados assim. Por conseguinte, precisamos verdadeiramente, e a todo custo, erradicar o conceito
satânico dos maus elementos, lutando incansavelmente contra o mal.
Creio ser do conhecimento de todos que, por ocasião do ataque à nossa Igreja feito por um jornal de grande
circulação, lutamos sem nenhum temor de sua maldade. Lutamos destemidamente, ainda que o nosso
adversário tentasse esmagar-nos pela força, e até que ele se arrependesse dos seus atos. Não seria essa a
verdadeira Vontade de Deus? Conseqüentemente, cabe-nos despertar os seres humanos para a melhor
solução, que é o abandono do mal pela conversão ao bem, pois, de forma alguma, este poderá ser vencido
pelo mal. Penso ser este o procedimento correto de uma religião autêntica e sincera.
Mantive-me, até hoje, fiel a esse princípio e creio que jamais sucumbirei à injustiça. Uma prova disso é que
venho lutando, na condição de réu, por um caso de propriedade que, por incrível que pareça, não foi
resolvido no espaço de quatorze anos. Toda vez que ocorre a mudança ou a substituição de um magistrado,
quem vem para o seu lugar tem de recomeçar o estudo de todo o processo, afligindo-se ante a obrigação de
ler um relatório processual cada vez mais extenso, razão pela qual me sugere um acordo. Como meu
objetivo é combater a injustiça, coloco a questão pessoal em segundo plano, evitando a reconciliação,
enquanto meu adversário não tomar consciência de seu erro.
O objetivo da Religião é incentivar o bem e combater o mal. Este jamais deve derrotar o bem. A razão está
no fato de que o mal decresce à medida que o bem triunfa, contribuindo para o melhoramento da sociedade.
Assim surgirá o Paraíso Terrestre.
18 de abril de 1951
SEJAM FORTES OS VIRTUOSOS
O mundo atual está fortemente dominado por maus elementos. A opressão e o sofrimento causados aos
homens de bem, é fato que ninguém ignora. Esclarecerei a causa fundamental de semelhante situação.
Em todas as épocas, os honestos foram considerados fracos, e os perversos, fortes, conceito que facilita
ainda mais o predomínio e o abuso dos corruptos e dos corruptores. Antigamente, os homens de bem eram
forçados a resignar-se, impotentes contra a violência dos malfeitores, pela falta de leis e órgãos de
policiamento. Dentre os civis, os mais fortes e arrojados sobrepunham-se aos demais. A História e os contos
japoneses dão exemplos de maus elementos da classe dos samurais que abusavam da espada, impondo,
assim, obediência aos civis indefesos.
Há uma diferença capital entre a sociedade antiga e a moderna. Após a reforma Meiji, em 1868, quando o
imperador Meiji restaurou o poder monárquico que esteve nas mãos de governos militares durante trezentos
anos, deu-se início à era da civilização, aperfeiçoando-se, paulatinamente, as leis e a sociedade em geral,
até os dias de hoje. Após a guerra, aliviou-se o ambiente social, com o desaparecimento da oligarquia e a
repressão quase total do banditismo.
Ultimamente, os maus elementos substituíram a violência por processos ardilosos, atormentando as pessoas
honestas com interesses monetários, intimidações e ameaças que escapam sutilmente à Lei. São casos
típicos de extorsão e exploração, mas outros fatores não mencionados aqui existem ainda para tormento dos
homens. Sempre partem de criaturas inescrupulosas e astutas, que vivem abusando da Lei, através de
trapaças e estratagemas engendrados para a satisfação de seus interesses. Lamentalvemente, tais elementos
pertencem, muitas vezes, às classes média e alta. Os "chefões" não desaparecem e os escândalos
burocráticos continuam, porque os inocentes não recorrem à Justiça, temerosos de vinganças descabidas.
Ninguém ignora que uma das causas do mal social é a fraqueza dos homens honestos.
Sempre me mantive fiel ao princípio de que o honesto e virtuoso deve vencer o malvado. Graças a esse
princípio, sempre recorri à Justiça para solucionar diversas questões. A mais longa batalha judicial que já
enfrentei vem se prolongando há mais de dez anos, pois tenho por critério que o homem de bem, o homem
justo, nunca deverá ser vencido pelo homem perverso, e que o autêntico bem é muito mais forte do que o
mal. A principal razão de ainda não se ter conseguido exterminar o mal da sociedade humana, reside no fato
de que os virtuosos se deixam vencer pelos desonestos e inescrupulosos, dos quais o mundo está cheio.
O indivíduo honesto, mas fraco, não é um honesto autêntico, e sim um pusilânime. É um honesto passivo,
que não se insurge contra o mal. Embora não pratique más ações, não passa de um covarde, permitindo o
alastramento do mal para poder manter-se em segurança. Se os indivíduos perversos chegassem a se
convencer da inutilidade dos seus esforços e da conveniência de participar do mundo dos honestos, por
serem estes invencíveis, poderosos e incontroláveis, certamente o mal social decresceria e teríamos um
mundo mais confortável e alegre.
Aceita esta teoria, ainda que os honestos, apesar da maior boa vontade, nada possam fazer individualmente,
o recurso seria formar uma entidade denominada, por exemplo, "Associação contra o Mal". Sugiro este
plano por considerá-lo uma excelente medida para a reforma social que precisa ocorrer urgentemente.
15 de outubro de 1949
ACABAR COM OS PERVERSOS
Talvez estranhem o título acima, mas acho que ele é o mais adequado. A explicação é a seguinte:
Estou cercado de indivíduos desonestos, que procuram enganar-me pelo fato de eu ser um religioso e
parecer-lhes até mesmo um santo. Esses infelizes, dotados de grande astúcia e de inteligência maléfica,
preparam-me ciladas incríveis. Alguns deles possuem posição social e são atrevidamente insistentes. Eu os
deixo agir à vontade. Mesmo assim eles tentam ludibriar-me de várias maneiras. E não desistem, apesar de
pressentirem o fracasso. Pelo contrário, aguardam um acordo, julgando-me constrangido pelo cerco, pois
mantenho uma atitude calma e completamente indiferente ao assunto. Por fim, colocados em má situação,
pelo esgotamento de recursos e de fundos, a afobação acaba por arruiná-los de uma vez.
Há, também, os astuciosos, que preparam ardilosamente as armadilhas e empregam mil táticas para me
enredar. Pensando que a Igreja dispõe de muitos bens e que eu, seu fundador, talvez seja inexperiente em
questões sociais, eles acham que acabarei entregando-lhes uma quantia considerável. Além disso, mostram-
se despreocupados, na certeza de que, para evitar aborrecimentos, eu não vou processá-los, embora eles me
tenham causado prejuízo. Ciente de suas intenções, deixo-os frustrados e perplexos, obrigados a desistir.
Deus nunca deixa de auxiliar o bem, jamais apoiando o mal, por mais insignificante que seja. É por isso que
estou sempre insistindo sobre a necessidade de vencer o mal. Esse é o procedimento do homem
verdadeiramente honesto, autêntico e sincero. Caso contrário, não se conseguirá melhorar o mundo
corrompido em que vivemos. Convicto de que assim deve agir uma religião viva e atuante, faço questão de
acabar com todos os perversos.
20 de fevereiro de 1952
ÓDIO AO MAL
Mediante observação cuidadosa, constatei que o homem de nossos dias é destituído de ódio ao mal. São
poucos os que ficam indignados quando sabem que um inocente está nas garras de um perverso.
Imagino que muitas pessoas, ao lerem o que escrevi acima, refletirão assim: "Que adianta rebelar-me contra
o mal que atinge os outros? Não fere meus interesses! É bobagem atormentar-me com tais fatos... Bastam-
me as minhas preocupações! A vida já é tão cheia de problemas e sofrimentos, que o melhor é disfarçar e
fingir que não vejo certas coisas". Ora, quem pensa assim geralmente é considerado hábil e dotado de
experiência. A seu respeito, costuma-se dizer: "É um sujeito vivido!" Esse tipo, pretensamente experiente, é
tido como padrão, sendo respeitado e imitado por muita gente.
Na Política, que sempre funciona muito mal, o descalabro é evidente. A maioria dos políticos e funcionários
públicos são corruptos. Ex-dirigentes de sociedades são denunciados por escândalos de suborno e
prevaricação. A onda de crimes avoluma-se dia a dia. Segundo a opinião geral, urge dar fim à delinqüência
juvenil, evitando-se, dessa forma, um negro futuro para o Japão e para o mundo.
Essas observações que fiz cuidadosamente, demonstram que o mal não é odiado.
Os funcionários públicos conservam o autoritarismo feudal. Esfriam-se as relações entre os familiares e
aumenta a crise entre educadores e educandos, por ter-se abraçado a democracia de maneira deturpada. A
bela capa da democracia oculta a exploração dos impostos e o sofrimento do povo sob a opressão do poder
burocrático.
O número de problemas desagradáveis é tal, que se torna difícil relacioná-los.
A causa de tudo isto é uma generalizada despreocupação quanto ao sentido de justiça, acrescida do egoísmo
de muitas criaturas, erroneamente consideradas "experientes". Todavia, examinando os fatos, vemos que a
sociedade atual não poderia possuir outras características. Chega a ser lógico.
Em todas as épocas, os jovens possuem vigoroso senso de justiça e ódio ao mal. Ao deixarem os bancos
escolares, no entanto, enfrentam uma realidade tão inesperada, que golpeia todas as suas convicções,
dissolve seus velhos ideais e exige a reformulação de seus valores, para que eles adquiram a chamada
"experiência da vida". Qualquer manifestação do espírito de justiça cria mal-entendidos, suscita antipatia de
superiores hierárquicos e dificulta-lhes o sucesso na profissão. Qualquer intenção de justiça é considerada
como pedantismo ou inexperiência. A essa altura, o sentimento de justiça é posto de lado, num canto do
coração, sendo substituído pelo "senso prático". Considera-se, então, que o jovem se aprimorou na arte de
viver em sociedade.
Não digo que isto seja propriamente mau; contudo, o aumento de pessoas acomodadas afrouxa a estrutura
da sociedade e facilita o aparecimento de corruptos e criminosos. A nossa realidade social torna patente o
que acabo de afirmar.
Para definir o valor de um homem, julgo importante verificar a sua dosagem de ódio ao mal. Quanto maior
ojeriza tiver pelo mal, mais firme é a pessoa, mais sólido é o seu caráter. Mas não me refiro ao ódio
simplista, que geralmente traz complicações. Os jovens costumam exaltar-se facilmente, importunar o
próximo, ameaçar a ordem social e causar uma sensação de desconforto à sua volta. Para evitar esse ódio
nocivo, precisam do apoio da Inteligência Suprema. Quem abomina profundamente o mal, deve amadurecer
seu pensamento, evitar atos impulsivos, dar bons exemplos à sociedade, praticando tudo que é bom e justo,
virtuoso e útil.
Gostaria de contar a minha experiência sobre esse assunto.
Desde menino, desenvolvi um forte sentimento de justiça. Tinha um ódio profundo pelas desigualdades que
há no mundo e muito lutei para reprimir o furor que me dominava quando sabia de alguma injustiça ou
desonestidade.
Esse autodomínio é difícil e doloroso, mas será facilitado se o encararmos como um treinamento Divino
que nos aprimora espiritualmente. Sob esse aspecto, vemos que tal controle minora o sofrimento e lapida a
alma.
Eis uma característica que conservo até hoje: continuo tendo horror pelo mal. Porém aceito os fatos,
buscando ser tolerante, tomando tudo como provação. A boa norma de conduta determina o ódio ao mal,
mas também prudência nas ocasiões em que ele se manifeste. Melhor dizendo, temos de ter cuidado para
que esse sentimento não se mostre exagerado nem prejudique o próximo; que ele não fira o bom senso, não
falte aos preceitos do amor e da harmonia. É um ódio útil, que nos permite caminhar com um sentimento
semelhante ao de Deus.
25 de fevereiro de 1951
O VALOR DO HOMEM RESIDE NO SEU ESPÍRITO DE JUSTIÇA
O meio mais eficiente para a avaliação de uma pessoa, é o conhecimento do grau do seu espírito de justiça.
O processo mais correto é determinar o padrão de honestidade, o senso de responsabilidade e a confiança
que ela inspira. Realmente, creio que o espírito de justiça é a essência do homem. Quem não o possui,
assemelha-se à medusa, vulgarmente conhecida como água-viva, a qual é destituída de ossos, de modo que
não merece confiança alguma.
Devemos distinguir, em primeiro lugar, o certo e o errado das coisas. Se a pessoa que de nós discorda
estiver desorientada, é nosso dever ajudá-la com espírito de justiça, sem nos intimidarmos. Essa atitude
poderá causar momentos amargos, em nossa vida, mas promete a realização dos nossos desejos, não
havendo motivos para preocupação.
Atualmente, o mundo está repleto de pessoas más. Basta a menor distração para cairmos nas malhas de seus
enganos e explorações. Isso provém da falta de um espírito de justiça inabalável. Minha longa experiência é
a melhor prova do que estou dizendo, e por essa razão vou tomá-la como exemplo.
Na época em que eu era comerciante (antes de me tornar religioso), muitas vezes fui vítima de embustes e
experiências pavorosas. Por felicidade, possuo inquebrantável espírito de justiça. Lutei contra todos os
obstáculos, indiferente às conseqüências monetárias. O esforço empreendido na preservação da justiça
acarretou-me muitas desvantagens, que felizmente foram passageiras. Com o tempo, a situação melhorou e
acabei por vencer, não só recuperando como ganhando muito mais do que tinha perdido. Involuntariamente
tive três ou quatro casos judiciais, e um deles vem se prolongando até hoje.
No tempo em que eu vivia na pobreza, uma associação perseguiu-me, aproveitando-se do seu dinheiro e
posição. Com o decorrer do tempo, fui favorecido pelas circunstâncias e essa associação teve de desistir.
Foi o seguinte:
Eu possuía uma fábrica de objetos de fantasia e obtive, em dez países a patente de um artigo que teve
extraordinária aceitação, propiciando-me um contrato especial com certa firma. Como o artigo tivesse
entrado em moda, recebi uma proposta sumamente egoísta de uma associação de lojas varejistas de objetos
de fantasia, sediada em Tóquio, a qual me pedia que lhe vendesse uma das duas exclusividades reservadas
àquela firma. Vendo-se rejeitada pela minha honestidade, tentou boicotar-me com a colaboração de todas as
lojas do gênero, a fim de obrigar-me a ceder. Dois anos de resistência me acarretaram considerável
prejuízo, mas a associação deu-se por vencida e entramos em acordo.
Outro caso interessante foi quando, em protesto contra uma injustiça comercial, tentei suspender
determinada transação. O encarregado, surpreso, disse-me ter sido eu a primeira pessoa que rompera a
tradicional obediência às imposições feitas aos comerciantes. Reconhecendo que eu estava com a razão, a
firma desculpou-se, e o caso foi resolvido.
Após tornar-me religioso, por diversas vezes passei momentos agitadíssimos, de sério perigo. Nessa época,
bastava a religião ser nova para sofrer pressão e perseguição. Não havia meios para reagir, e eu padeci
bastante. Mas, afinal, a pressão e a perseguição cessaram, o que prova a vitória da justiça.
Por essas experiências, vemos que, embora o bem se renda temporariamente ao mal, a perseverança
assegurará a sua vitória definitiva. Daí a conclusão de que o homem deve abraçar a justiça e marchar
destemidamente, tornando-se, assim, sustentáculo da comunidade, baluarte contra o mal social e construtor
de uma sociedade sadia, porque Deus não deixará de ajudar os justos, como jamais deixou.
10 de outubro de 1951
ESPÍRITO DE JUSTIÇA
Vejo-me na obrigação de escrever sobre o tema em foco, demasiadamente comum, porque, nos dias de
hoje, o espírito de justiça está sendo muito negligenciado. Se observarmos os diversos aspectos do mundo
ao nosso redor, notaremos que ele é quase que destituído do espírito de justiça. Tão enormes são os
interesses em jogo, de tal forma predomina a cobiça na mente humana, que, quando alguém se refere à
justiça, é menosprezado.
Todavia, nem sempre as coisas ocorrem como os homens desejam; muito pelo contrário, os fracassos e
desgraças são mais freqüentes que o sucesso. Apesar disso, nada lhes causa surpresa, como se fosse um
estado normal da vida; assim, eles continuam a viver inconscientemente. Esta é a realidade do mundo
moderno. Para tal situação, no entanto, existe, a nosso ver, uma causa evidente, que a maioria das pessoas
não consegue perceber. É justamente a carência do espírito de justiça, do qual falarei em seguida.
A maior parte dos homens vive contaminada pelos maus pensamentos, que anuviam seu espírito. Esta
cegueira espiritual os impede de descobrir a causa a que nos referimos. Tenho certeza disso pela observação
que há longo tempo venho fazendo sobre a sorte dos homens.
A causa da falta do espírito de justiça acha-se relacionada com o Mundo Espiritual, cuja existência é
absoluta, embora ele seja invisível. Naquele mundo, há uma lei de Deus, rigorosa e imparcial - diferente da
lei humana - que julga as ações dos homens com perfeita justiça. Infelizmente o homem não compreende
nem acredita nisso pela simples menção, e assim, com as próprias mãos, contribui para a sua infelicidade.
A maioria das pessoas é hábil no falar, no falsificar as aparências e simular um valor pessoal inexistente.
Tudo, porém, será inútil, porque, como eu disse anteriormente, o olhar de Deus desvenda o íntimo dos
homens, cuja sorte Ele decide, pesando o bem e o mal na mesma balança. Se uma verdade tão patente deixa
de ser compreendida até por homens ilustres, cultos, com posição e fama, é porque eles só vêem a parte
superficial do mundo, ignorando a existência da parte principal - o Mundo Espiritual. Conseqüentemente,
forçam a inteligência para falsear a vida e lutam no sentido de enganar o próximo. Pobres de espírito os que
julgam ser isso esperteza!
Não obstante a prova que se evidencia nas conseqüências sempre contrárias a essa realidade, a
generalização de tal conceito faz aumentar o número de criminosos e a insegurança social. Assim, apesar
dos seus desdobrados esforços, quando os homens procuram realizar algo na sociedade atual, são marcados
pelo fracasso, resultante das pedras lançadas em seus caminhos. Alguns caem na desdita de figurar nos
periódicos como vítimas de casos judiciais. Considero "espertos imbecis" os indivíduos desse tipo e estou
tentando convencê-los dos seus erros. O recurso é fazer com que eles reconheçam a existência de Deus, e
essa tarefa é bastante árdua. Para tanto, é necessário criar oportunidade para mostrar-lhes o milagre. Eis por
que estou realizando surpreendentes milagres com o poder que me foi concedido por Deus, e sinto-me
jubiloso em saber que o fato está sendo reconhecido pela sociedade.
Resumindo: a justiça é o próprio Deus; a injustiça pertence ao mal, sendo própria de Satanás. Deus é a
própria justiça, e Satanás, a própria maldade. Por natureza, Deus promove a felicidade, e Satanás a
desgraça. O essencial é nos convencermos desta verdade: tanto a felicidade como a desgraça dependem do
comportamento humano. Para nos tornarmos felizes, é absolutamente necessário basear-nos no espírito de
justiça.
Vemos, portanto, que o mal jamais compensa. Costumo afirmar que os homens maus são idiotas; se o
sentido de minhas palavras for compreendido, eles tornar-se-ão aptos a percorrer o caminho da felicidade.
Entretanto, para isso acontecer, existe uma condição. Quando se fala de justiça, três aspectos devem ser
considerados: a justiça menor, de objetivos individuais; a intermediária, baseada no interesse da
comunidade ou da nação; e ainda a justiça ampla, que visa a humanidade. O Japão foi derrotado, na última
guerra mundial, porque se baseou numa pseudojustiça, que visava somente o seu próprio bem. A justiça
menor e a intermediária são falsas; somente a justiça ampla, que augura benefícios para o mundo inteiro, é
verdadeira, e apenas ela perdurará eternamente. Esta é uma verdade que se aplica também à Religião.
A Igreja Messiânica Mundial tem por objetivo a construção do Paraíso na Terra - isento de doença, pobreza
e conflito. Isso beneficiará toda a humanidade e representará a concretização da verdadeira e integral
justiça.
23 de dezembro de 1953
O MUNDO DOMINADO PELO MAL
Ninguém ignora que os povos do mundo atual estão submetidos a diversos sofrimentos, tais como guerras,
doenças, insegurança, crises políticas, econômicas, etc. Tratarei, aqui, dos itens relacionados, sem me
referir - é claro - a este ou àquele país, mas de um modo amplo e geral. Começarei pelos aspectos que
constituem problemas mundiais.
Em primeiro lugar, salientarei o problema econômico, por representar um dos motivos de maior
preocupação. A crise econômica, que atinge não só o governo, como também o povo, deixa de ser uma
novidade, embora a maioria ignore a sua causa. Indubitavelmente, ela surge por influência do mal. Os
governos, por exemplo, são prejudicados pelo mau procedimento dos funcionários. Que aconteceria se estes
agissem conscienciosamente? Evitar-se-ia o esbanjamento de recursos, pois os funcionários teriam
consciência de que tais recursos são provenientes dos impostos, que custaram o suor do povo. O número de
funcionários poderia ser reduzido à metade, ou até menos, devido à eficiência do trabalho, motivada pela
supressão do desperdício de tempo durante o expediente. A fidelidade dos funcionários no cumprimento dos
deveres favoreceria o sucesso de todos os empreendimentos e cativaria a simpatia do público, que, por sua
vez, os olharia com respeito, deixando de temê-los ou desprezá-los. Além disso, a extinção dos subornos
impediria a prevaricação dos mesmos funcionários, tornando-os dignos da confiança do povo.
Se tudo isso acontecesse, não haveria mais necessidade de fiscalização, nem de processos jurídicos
onerosos, resultando em incalculável benefício para a economia do país. Em relação à vida privada, o
indivíduo adquiriria mais saúde, uma vida mais confortável e um lar feliz, pelo abandono do uso de bebidas
alcoólicas e extravagâncias prejudiciais. Notaríamos, ainda, o lucro inesperado que adviria da baixa de
todos os preços, pelo desaparecimento das negociatas, muito comuns nos empreendimentos.
Realizado o que foi exposto, o governo não necessitaria sequer da metade do presente orçamento, e o povo
exultaria de alegria pela redução dos impostos.
O mesmo podemos dizer em relação às empresas particulares. Que sucederia se todos os empregados
conseguissem vencer a sua má índole? A fiel execução do serviço dispensaria gastos supérfluos; a astúcia e
a fraude tornar-se-iam uma raridade. Por conseguinte, facilitar-se-iam as boas transações, poupar-se-ia
tempo, os negócios seriam efetuados em ambiente agradável, haveria aumento de produção e,
conseqüentemente, baixa do custo e ampla saída dos produtos. No setor da exportação, nos tornaríamos
imbatíveis mundialmente. O resultado mais agradável seria o desaparecimento de conflitos entre
empregados e empregadores. O prazer com que todos se dedicariam à produção, a conciliação e a
disposição saudável, dariam grande impulso ao serviço, o que, por sua vez, ocasionaria aumento da renda,
extinguindo por completo a preocupação com problemas econômicas. As empresas prosperariam, sem
dúvida, em ambiente saudável, desaparecendo bajulações e traições entre chefes e subordinados.
No setor político, as pessoas estão conscientes do habilidoso emprego do mal e do pequeno número de
membros de partidos que têm por princípio velar pela felicidade do Estado e do povo. Certamente os
políticos não deixam de levar em consideração o bem-estar da Nação e do povo, mas a realidade prova que
eles são dotados de conceitos egoísticos e fazem tudo em benefício próprio e do partido a que pertencem,
tendo por costume atacar as opiniões dos partidos opostos. Esse ataque, de caráter extremamente
desprezível, que consiste no simples prazer doentio de criticar, hoje é tido como um ato comum. Nas
assembléias, as sátiras, os termos indecorosos, os tumultos, que se convertem em vexame, assim como as
agressões, dão a impressão de encontros de bandoleiros.
Vejamos, agora, o que está acontecendo com a sociedade.
Ninguém ignora que a corrupção é geral em todos os setores. É raríssimo encontrar um lar pacífico, pois em
todas as famílias fomentam-se os conhecidos conflitos entre casais, entre pais e filhos, etc. Vemos, também,
com freqüência, desavenças entre amigos e conhecidos. Ultimamente, os crimes contra parentes próximos
entraram em moda, ultrapassando o limite do lamentável e causando terror. Além disso, os jornais
estampam, diariamente, invasões domiciliares, assaltos, roubos violentos, fraudes, usurpações, furtos em
lojas, ameaças e outros horrores. Em linhas gerais, esse é o aspecto da sociedade; podemos, pois, afirmar
que este mundo é um atoleiro de pecados. É conforme disse Buda: "um mundo de sofrimentos". Portanto,
não há exagero em afirmar que a sociedade é constituída pelas vítimas do mal. Com efeito, entre milhares
de pessoas, não existe uma só que possa viver um dia livre de preocupações. Dentre as preocupações, a
maior, certamente, é a doença. O medo de ladrões resolve-se trancando-se as portas; com saúde,
conseguimos livrar-nos da pobreza, porque podemos trabalhar; processos jurídicos são evitados com
prudência. Mas é impossível evitar doenças e guerras. Uma análise minuciosa, entretanto, esclarece-nos
sobre a possibilidade de evitá-las, unicamente através da Religião, já que toda desgraça tem sua origem no
mal.
17 de setembro de 1952
ELIMINAÇÃO DO MAL
Que é o mal?
Mal, sem dúvida, é ameaçar o próximo, causar-lhe sofrimento e prejudicar a sociedade em busca de
vantagens pessoais. Por causa dele, os prejuízos individuais e sociais são incalculáveis. Em todo
relacionamento humano, não há ninguém que, em maior ou menor proporção, não seja vítima do mal.
As pessoas se vêem obrigadas a reforçar janelas, trancar portas, mantê-las fechadas em pleno verão e deixar
alguém de guarda ao se ausentar, a fim de impedir a entrada de gatunos. Também somos levados a
desconfiar de quem nos acena com negócios vantajosos; enfim vemo-nos forçados a desconfiar de tudo.
Além disso, qualquer notícia relativa a roubos na vizinhança perturba o sono de muitos, e sair à noite -
principalmente tratando-se de mulheres - é extremamente perigoso. Não podemos descuidar-nos dos
batedores de carteiras nos transportes coletivos, nem dos empregados infiéis, nem da vigilância rigorosa que
as casas comerciais têm de manter para evitar fraudes. Vivemos assustados, intranqüilos, pois estamos
cercados de velhacos. Eis a realidade do mundo atual.
Mas ainda há coisas piores. Os pais se preocupam com os filhos adolescentes expostos às tentações. As
esposas vivem alarmadas com a infidelidade dos maridos, e estes, com a infidelidade das esposas. Surgem
fracassos imprevistos nas empresas, e os gastos do Governo para manter a polícia e as instituições de defesa
social, são enormes. Casas e firmas constroem sólidos depósitos para resguardar seus bens contra os
assaltantes. Nas fábricas, há dispendiosa vigilância contra o furto de matérias-primas. Exigem-se
providências contra a desonestidade de empregados por ocasião de armazenagem e pagamentos. Instalam-se
cofres, cria-se exagerado número de livros de registro, guias e recibos, que devem ser carimbados um por
um. As mercadorias são de qualidade duvidosa, os profissionais negligenciam seus serviços, as greves são
mal intencionadas e os ricos buscam lucros excessivos. Todas estas coisas têm raiz no mal.
A desonestidade dos funcionários realiza-se quase à vista do público. Fala-se que se podem obter matrículas
nas escolas por meio de gratificações, e alvarás, nas repartições públicas, agindo-se nos bastidores. É
raríssima a imparcialidade em qualquer setor social. Ninguém acredita que seja possível sobreviver sem
alguma forma de transação ilegal.
Se quisermos calcular a proporção do bem em relação ao mal, nesta enumeração de fatos, veremos logo que
a proporção do mal é bem maior. Não conseguiremos, sequer, avaliar os prejuízos que sofrem os indivíduos
e a sociedade, por mais que relacionemos os danos e a insegurança do mundo atual.
O progresso da civilização e o advento de um mundo melhor só serão possíveis pela erradicação do mal que
ora nos aflige. Todas as questões, mesmo os sucessos e os fracassos, dependem do grau de incidência do
bem e do mal. Portanto, os políticos e os educadores devem empenhar-se para diminuir a porcentagem do
mal. E eu estou certo de que o único recurso para isto é a Fé Verdadeira.
25 de janeiro de 1949
A FONTE DA CORRUPÇÃO
Todos já devem estar fartos dos casos de corrupção, os quais, como é do conhecimento geral, têm ocorrido
uns após outros. Talvez nunca tenha havido tantos ao mesmo tempo, como acontece no momento.
Naturalmente, com o julgamento feito pelas autoridades, um dia ficará esclarecido se a alma das pessoas
implicadas é "preta" ou "branca". Mas a importância do problema está no fato de que ele não pode ser
resolvido apenas dessa forma. Excluindo o último acontecimento, no caso de tais escândalos, que se
tornaram uma espécie de atividade anual desde os tempos antigos, não teremos uma solução definitiva se
julgarmos apenas o que vem à tona. Urge erradicá-los de uma vez, pois eles são exatamente como larvas
que proliferam num monte de lixo, e por isso é preciso fazer uma limpeza. Não há método mais eficaz e,
com certeza, é o que o povo mais deseja. A única dificuldade é que não se tem consciência do ponto vital
do problema.
Mas qual é esse ponto vital? É justamente o teísmo, aquilo que os intelectuais mais abominam. Na
realidade, o ateísmo, ou seja, o contrário do teísmo, é a fonte da corrupção. Por isso é difícil lidar-se com
esta. O ateísmo é o pensamento subversivo de que se pode praticar ações ilícitas, agir com esperteza,
contanto que nada seja descoberto. Além disso, quanto mais se desenvolve a inteligência humana, mais
hábeis se tornam os seus métodos.
Atualmente, pensa-se que o ateísmo é a principal condição para se obter sucesso, mas o interessante é que,
quando se tenta colocá-lo em prática, nada corre como se esperava. Ainda que, momentaneamente, tudo
corra bem, cedo ou tarde a pessoa acabará sendo desmascarada, como podemos constatar pelo caso a que
nos referimos linhas atrás. Talvez as pessoas implicadas saibam disso até certo ponto; entretanto, uma vez
que seu pensamento está fundamentado na sólida crença de que Deus não existe, elas não chegam a
compreender de fato. Assim, é realmente duvidoso quantas pessoas conseguirão se arrepender e se
regenerar, não obstante as conseqüências sofridas. A maioria deverá pensar: "Falhei porque o método
empregado não foi bom e porque me faltou inteligência. Da próxima vez, agirei com mais habilidade e não
serei apanhado de maneira alguma". Provavelmente seja este o pensamento natural dos ateus. Portanto, para
acabar de vez com essa tendência ruim, é preciso cultivar o teísmo por meio da Religião. Não existe
método mais eficiente.
Além disso, enquanto os ateístas forem numerosos nas camadas superiores, como acontece hoje, será difícil
a sociedade sair do atoleiro ao qual está presa. É o que se evidencia quando analisamos o transcorrer do
caso a que aludimos. Pelo que ficou esclarecido até agora - e talvez isto seja apenas uma pequena parte de
um "iceberg" - os prejuízos causados à nação e o incômodo sofrido pelo povo são bem grandes. Também
não podemos menosprezar a grande influência exercida sobre o pensamento do povo. Obviamente, se as
pessoas da classe dirigente praticam más ações às ocultas e gozam do bom e do melhor, e se o dinheiro
gasto desordenadamente pelos partidos e pelos políticos provém dos impostos pagos à custa do sangue e do
suor do povo, este não se sente motivado a trabalhar honestamente. Por conseguinte, passa a pensar que, por
mais que os dirigentes falem de coisas brilhantes e magníficas, ele não mais se deixará enganar. O respeito
que até então as pessoas sentiam se transformará em desprezo, sua consideração pelo país diminuirá, e a
ordem social perderá sua força. São, pois, incalculáveis os danos que isso trará ao destino da nação.
A causa da corrupção, conforme dissemos, é o ateísmo. Assim, a erradicação do pensamento ateísta é a
chave principal para solucionar o problema. Para tanto, é preciso fazer com que as pessoas se conscientizem
da existência de Deus através das ações dos religiosos. É preciso semear nelas a sólida crença de que,
embora consigam enganar o próximo, não conseguirão enganar a Deus. Dessa forma, tornar-se-á impossível
acontecerem casos de corrupção e outros semelhantes. Os personagens principais do caso recentemente
descoberto, são pessoas que receberam educação esmerada, que ocupam considerável posição social, que
são respeitadas e inteligentes. Mas fica uma dúvida: por que elas agiram daquela forma? Exatamente por
causa do seu pensamento ateísta. Daí se conclui que a educação e os estudos nada têm a ver com o senso de
moral. Como os planos foram habilmente arquitetados por pessoas tidas como dignas pela sociedade, julgar-
se-ia impossível que eles fossem descobertos. Mas o fato é que se acabou criando um enorme problema, em
conseqüência de uma pequenina brecha, tal como um pequeno buraco feito por uma formiga. Diante disso,
só podemos pensar em juízo de Deus.
Existe outro fator importante. O Japão orgulha-se de ser um país regido por leis, mas, pensando bem, isso é
um grande disparate. Se um país é regido apenas por leis, basta os criminosos serem hábeis para escaparem
delas e fugirem à condenação, de modo que os maus elementos é que saem ganhando. Deter o mal através
de jaulas chamadas leis significa tratar os seres humanos como animais. O pobre homem - soberano das
criaturas - perde todo o seu "status". Se chamarmos a isso de nação civilizada, com certeza a civilização
chorará de tristeza.
Sempre digo que a época atual é uma era semicivilizada e semi-selvagem, e provavelmente não há uma só
pessoa que possa negá-lo. Suponhamos, por exemplo, que uma carteira esteja caída bem na frente de
alguém. Tratando-se de uma pessoa comum, se ninguém estiver olhando, certamente ela a embolsará; quem
não a embolsa de forma alguma é porque acredita sinceramente na existência de Deus. Formar pessoas
desse tipo é a missão da Religião. Entretanto, as autoridades e os jornalistas mantêm-se indiferentes em
relação a ela, tacham-na de supersticiosa e fazem tudo para que o povo se afaste dela, como se achassem
sua existência desnecessária. Tal atitude é realmente incompreensível. Desse modo, eles se tornam aliados
do ateísmo e, conseqüentemente, uma das principais causas da corrupção.
Por todos esses motivos, as autoridades devem, nesta oportunidade, abrir muito bem os olhos, numa visão
espiritual, e tomar todas as providências que a situação requer. Caso contrário, esses problemas indesejáveis
nunca serão exterminados, prejudicando enormemente o progresso da nação. Contudo, se elas lerem minhas
palavras e, como de costume, não derem atenção ao problema, fazendo de conta que ele nem existe,
provavelmente chegará o dia em que venham a se arrepender, mas então será tarde demais.
Atualmente, a nação está imprimindo um largo incremento à Educação e a outros setores, num esforço para
desenvolver a inteligência do homem e reformar-lhe o pensamento. Todavia, enquanto não se exterminar
pelas raízes o pensamento ateísta - que é a principal causa do problema - será como tentar encher uma
peneira com água. Obviamente, os conhecimentos obtidos com tanto sacrifício viriam a ser mais utilizados
para o mal do que para o bem. Seria, portanto, uma idiotice tão grande, que não há palavras para expressá-
la. A melhor prova disso é o crescente aumento do número de crimes intelectuais à medida que a cultura
progride.
Talvez seja inútil, mas, com esta explanação, desejo alertar os intelectuais do mundo inteiro.
3 de março de 1954
A ORIGEM DOS MALES SOCIAIS
Falarei a respeito dos males sociais, que, atualmente, constituem o maior problema do Japão. Antes, porém,
é necessário analisarmos o método que os intelectuais e os governantes empregam para evitá-los.
Os males sociais estão sendo controlados de forma cada vez mais rigorosa, através de leis e regulamentos,
mas, como essas medidas não atingem o ponto vital do problema, os homens maus só pensam nos meios de
livrar-se delas habilmente. Se encontram alguma brecha, logo tentam aproveitar-se, de modo que as
autoridades se esforçam por não lhes dar oportunidades, tornando as leis e os regulamentos cada vez mais
rigorosos. É realmente uma competição entre a inteligência do Bem e a inteligência do Mal.
Geralmente pensamos que os violadores das leis são os criminosos, os delinqüentes, os chefes de bandos,
etc. Na realidade, porém, o problema não envolve apenas as pessoas das classes inferiores; ele vem de cima,
começando por ministros, políticos, deputados e funcionários públicos, e atingindo até famosos
empresários. Podemos dizer que poucas são as pessoas que não cometem crimes. Acontece que os
criminosos que se mostram abertamente como tal, são apenas uma parte; costuma-se mesmo dizer que os
que foram agarrados pelas malhas da lei não tiveram sorte, o que prova a existência de muitos crimes
submersos, que não vêm à tona.
Quando analisamos profundamente os criminosos, não temos dúvida em afirmar que eles não temem o
crime. Não sabem que é uma vergonha causar danos à nação, prejudicar a sociedade ou fazer mal às
pessoas. Os criminosos podem saber criticar os outros, mas não sabem criticar a si próprios. E não é raro
sabermos, atualmente, de funcionários que fazem festas e gastam a rodo, enquanto o povo está sofrendo sob
a pressão dos impostos.
Se o homem não tiver receio de cometer más ações, se não sentir vergonha de praticar atos impuros nem
pena de fazer os outros sofrerem, esse homem já perdeu o valor como ser humano. Por mais que fale de
teorias excelentes e se orgulhe de ter instrução, somente isso não lhe confere valor como ser humano. É um
objeto, é um homem sem alma. Por haver muitas pessoas desse tipo atualmente, o mal social é intenso,
apresentando-se o mundo em estado infernal. Resumindo, podemos dizer que no Japão existem doentes em
estado gravíssimo.
Qual será o motivo de ocorrências tão aflitivas? Indubitavelmente elas são conseqüência da educação
materialista de que tanto falamos. Por isso, é muito fácil exterminar totalmente o mal social: basta destruir
o pensamento materialista. Mais nada. Mas de que maneira? Obviamente, através da educação
espiritualista, isto é, do reconhecimento da existência de Deus, do Espírito e do Mundo Espiritual. Esta é a
verdadeira e valiosa missão da Religião. Entretanto, é impossível fazer as pessoas reconhecerem a
existência de Deus e do Espírito somente por meio de princípios religiosos, sermões e preces. É necessário
manifestar milagres, conceder benefícios materiais, ou seja, Graças Divinas palpáveis. Não existe
absolutamente outro meio, além desse, para eliminar o pensamento materialista.
14 de maio de 1949
A VERDADEIRA CAUSA DA INTRANQÜILIDADE SOCIAL
Atualmente, ouve-se falar muito sobre as medidas que devem ser tomadas em face do aumento assustador
da criminalidade. Vou dar minha opinião a esse respeito.
Falando abertamente, o homem contemporâneo não se completou como verdadeiro ser humano, pois ainda
tem muitas características animalescas. Poder-se-ia dizer que é um ser meio-humano e meio-animal. Talvez
achem que eu esteja me expressando de uma forma demasiado agressiva, mas não tenho outro recurso, já
que essa é a pura realidade. Vou explicar por que faço tal afirmação, e estou seguro de que as pessoas que
lerem minhas palavras hão de concordar comigo.
Existem, presentemente, várias organizações destinadas a prevenir os crimes: polícia, tribunais, presídios e
um número incontável de funcionários que se encarregam de administrá-los, além de centenas de milhares
de leis. Assim, aparentemente, a sociedade está aparelhada a ponto de quase não haver brechas para a
ocorrência de crimes.
O método é idêntico àquele que se utiliza para defender os homens contra os animais ferozes que
constituem uma ameaça para eles: fazem-se jaulas fortes para protegê-los do perigo. Mas, tal como animais
que logo conseguem quebrar as jaulas, por melhor que elas tenham sido preparadas, os seres humanos vêm
espremendo sua inteligência, desde os tempos antigos, para diminuir cada vez mais habilmente os pontos
fracos dos métodos preventivos contra os crimes. Eis a situação atual desses métodos. E a cada ano aumenta
o número de leis, o que é o mesmo que tecer redes com pontos pequenos. Torna-se necessário agir de tal
forma porque os "homens-animais" afiam suas unhas e presas para romper as jaulas.
Esta é a causa da intranqüilidade social. Com efeito, ainda que, exteriormente, os homens tenham forma de
seres humanos, interiormente são como animais. Se fossem verdadeiros seres humanos, a sociedade não
necessitaria de jaulas. Quem jamais pratica o mal, esteja onde estiver, é que tem a qualificação de autêntico
ser humano. Se a decadência moral continua, apesar do crescente progresso da cultura, é porque o método
de quebrar jaulas está vencendo o método de fortalecê-las. Este é o motivo pelo qual sempre afirmamos que
a cultura da atualidade é uma cultura desequilibrada, onde só houve progresso da parte material.
O mundo dos seres humanos é um mundo sem leis nem organizações anticriminais. O esforço que estamos
empreendendo tem um único objetivo: construir esse mundo.
3 de setembro de 1949
O MAL SOCIAL É OU NÃO É CAUSADO PELO MEIO AMBIENTE?
Desde os tempos mais remotos é costume dizer: "Se tiveres riqueza consolidada, terás espírito correto". Isso
significa que, quando o homem deixa de passar por dificuldades materiais, suas palavras e atitudes também
melhoram. Assim, muitos intelectuais interpretam que a carência material é a causa dos males sociais que
infestam o mundo atualmente. Em parte isto é verdade, mas não é o ponto vital do problema. Se essa fosse
a verdadeira causa dos males sociais, as pessoas abençoadas materialmente deveriam ser corretas; todavia, a
realidade nos mostra que nem todas o são. Existem muitas pessoas ricas que praticam atos ilícitos e às vezes
perturbam e prejudicam a sociedade muito mais do que os pobres. Através do poder do dinheiro, apoderam-
se de muitas residências e deixam-nas desabitadas, numa época em que estamos passando por séria crise
habitacional; alvoroçam a moral; tiram a liberdade dos fracos e indefesos, impedindo-os de subir na vida;
corrompem o mundo político; e tantas outras coisas, que chega a ser impossível enumerá-las.
Por esses fatos, fica evidente que o aumento dos males sociais não é causado unicamente pela carência
material. Conclui-se, daí, que eles provêm da falta de fé, como sempre costumamos dizer. Esta é a sua
verdadeira causa. Enquanto não solucionarmos essa questão, será impossível pensarmos na erradicação dos
males sociais. A solução básica e incontestável do problema está no aparecimento de uma religião
poderosa.
O maior erro que existe no pensamento dos homens civilizados da atualidade é a mania de atribuir ou
transferir todas as culpas para terceiros. Creio que a influência do marxismo constitui o centro desse modo
de pensar, pois, segundo sua teoria socialista, a infelicidade do homem é causada unicamente pelo péssimo
mecanismo da organização social. De fato, torna-se necessário melhorar cada vez mais esse mecanismo,
mas é um grande equívoco determinar que esta seja a causa única da infelicidade do homem. Mesmo que se
chegue a uma organização ideal, se o modo de pensar e agir de cada indivíduo estiver errado, essa
organização não poderá ser administrada com eficiência, e o resultado, infalivelmente, será a bancarrota.
Portanto, a única forma de solucionar o problema é melhorar a natureza espiritual de cada indivíduo. Ou
seja, deve-se considerar que o homem é o ponto principal, e a organização social, um ponto secundário.
É evidente que esse pensamento errado surgiu das teorias materialistas, que não reconhecem a natureza
espiritual do homem. Tenta-se solucionar todos os problemas através dessas teorias e nisso está o grande
erro. Como resultado, os homens da época atual julgam que suas próprias palavras e ações são corretas e
procuram atribuir a culpa dos males sociais a terceiros. Na realidade, porém, a causa de quase todos esses
males está no próprio indivíduo. Se os homens estiverem profundamente conscientizados disso, a humildade
e o espírito filantrópico surgirão por si mesmos, nascendo uma sociedade feliz e pacífica. Jamais se
conseguirá tal coisa por outro caminho que não seja a fé.
O pensamento de que a culpa dos males sociais está em terceiros - princípio da revolução socialista -
baseado no qual se pretende destruir a organização social, faz com que o povo se rebele, transferindo a
culpa à organização, ao invés de assumi-la. Gostaríamos, portanto, que os homens da atualidade,
plenamente conscientizados do que estamos dizendo, reconsiderassem os erros cometidos até o presente e
começassem tudo de novo.
25 de maio de 1949
É POSSÍVEL SOLUCIONAR OS MALES SOCIAIS?
Nunca houve um número tão grande de criminosos, em nosso país, como atualmente. Vêm ocorrendo casos
assustadores, como o roubo praticado por um grupo de mais de cem pessoas, causando prejuízo de
quatrocentos milhões de ienes, e também casos de violência coletiva e aumento gradativo de crimes
praticados por adolescentes. A situação social é tão calamitosa, que não pode continuar como está.
Analisemos a situação das classes situadas acima da média. Aí também é uma calamidade. Verifica-se o
suborno de entidades públicas, especulações, negociatas e muitas outras irregularidades. Se fôssemos
enumerá-las, não chegaríamos a um ponto final. Mas esses são apenas os casos que vêm à tona
eventualmente, não passando da pequena parte visível de um "iceberg". Os males sociais do Japão atual
parecem não ter fim. É como se fosse um monte de lixo tão grande que não se tem lugar para pisar.
Portanto, o grande problema com o qual nos defrontamos é encontrar o meio de eliminar esse lixo.
Naturalmente, as autoridades e os homens conscientes estão preocupados com o problema, e reconheço que
vêm fazendo o maior esforço para encontrar uma solução. Entretanto, por que não se conseguem vislumbrar
ao menos uma pequena luz de esperança?
Em nossa opinião, essas pessoas partem de idéias totalmente erradas, estão completamente fora do caminho
certo. Raciocinemos. Em primeiro lugar, é preciso descobrir por que as pessoas cometem crimes. Se isso
não ficar bem esclarecido, não será possível tomar-se medidas apropriadas.
A causa fundamental do crime está na alma humana, em nenhum outro lugar. Dependendo de ter alma
"branca" ou "preta", a pessoa será boa ou má. Por conseguinte, o ponto vital para a solução do problema dos
crimes é transformar o portador de alma "preta" em portador de alma "branca". Acontece que as autoridades
e os intelectuais da atualidade não percebem isso. Planejam todas as variedades de métodos, tendo como
ponto de referência aspectos secundários e terciários, que aparecem externamente, e empenham-se na
tomada de medidas anticriminais. Mas isso é o mesmo que estarem enchendo de água uma vasilha furada,
motivo pelo qual jamais conseguirão extinguir os crimes, levem quantos anos levarem. Alguém disse: "Para
exterminar o crime por completo, é preciso que haja um policial vigiando cada pessoa". E com razão,
porque, apesar do crescente aperfeiçoamento do sistema jurídico e do esforço cada vez maior empreendido
pelos tribunais e pelos policiais, não se obtêm os resultados esperados.
Mas não existirá uma medida eficaz, uma medida que apresente resultados positivos? Sim, existe. Vou
escrever a respeito.
Como eu disse antes, só há um meio de tornar "branca" a alma dos seres humanos: a Religião. Contudo,
será que basta ser simplesmente uma religião? Isso também requer uma análise. Como todos sabem,
religiões existem muitas. Começando pelas mais novas, as que realmente nos trazem tranqüilidade de
espírito infelizmente são tão poucas quanto as estrelas do amanhecer. E as religiões tradicionais? Talvez
todos concordem que nenhuma tem força suficiente para transformar o "preto" em "branco". Portanto, em
primeiro lugar, é preciso analisar as religiões com muita cautela, selecionar algumas que pareçam razoáveis
e, mesmo que não se chegue a cooperar com elas, pelo menos tratá-las com simpatia. Não existe alternativa
melhor.
As autoridades têm uma grande preocupação com os males sociais; todavia, não entendo por quê, não passa
por suas cabeças a idéia de recorrer à Religião. Elas sempre se apóiam nos métodos materialistas, dos quais
não querem se desapegar. Esta é a situação atual. Conseqüentemente, o povo é que sofre. Portanto, torna-se
imprescindível e urgente curar esta cegueira e fazer com que as pessoas se conscientizem da verdadeira
essência da Religião. Uma vez que o pensamento dos criminosos se fundamenta no princípio materialista de
não acreditar no que é invisível, eles pensam que basta enganar as pessoas e, concentrando nisso toda a sua
inteligência, empenham-se em fomentar o mal social. Assim, enquanto não exterminarmos esse
pensamento, será inútil valer-nos de outros métodos, pois eles não passarão de paliativos momentâneos. É
preciso tomar por base o pensamento espiritualista e fazer os criminosos se conscientizarem da existência
de Deus. Se eles acreditarem que os seres humanos estão constantemente sendo observados pelos olhos de
Deus e entenderem a Lei de Causa e Efeito, será facílimo eliminar o crime pela raiz.
Os intelectuais que lerem minhas palavras certamente dirão: "Não duvido de que seja exatamente como o
senhor está argumentando, mas essa argumentação não é suficiente para fazer os criminosos reconhecerem
a existência de Deus". Ora, eles dizem isso porque seu pensamento também é materialista. Acham que
forçar as pessoas a acreditar em Deus é, sem dúvida, coisa de religião supersticiosa. Mas sua interpretação é
justificável, pois eles têm como ponto de referência as religiões surgidas até hoje.
Agora eu gostaria de que os intelectuais refletissem profundamente sobre a cultura científica. De fato, ela
progrediu rapidamente. Surgiram descobertas umas após outras, e aquilo que há cem anos era considerado
um sonho, hoje se tornou realidade. Entretanto, as religiões, e somente elas, não mudaram nem um pouco
em relação à época de sua fundação, há milhares de anos. Seria impossível, portanto, não surgirem dúvidas
quanto à causa dessa contradição. Conseqüentemente, analisando as religiões, os intelectuais da atualidade
acham que elas não passam de simples relíquias. Sua visão é a mesma que se tem em relação às
antigüidades. Assim, quando nós argumentamos que, para solução do mal social, é preciso recorrer à
Religião, eles nem dão ouvidos. Eis aí o problema.
Conforme já tive oportunidade de escrever, assim como o progresso da civilização científica está
construindo uma nova época, é preciso, também, que, no campo da Religião, surja algo equivalente. Ou
melhor, não será nada estranho que surja uma religião de nível mais elevado que o alcançado pela Ciência.
Também não será estranho que essa religião tenha um poder capaz de solucionar os problemas que a
Ciência não consegue resolver. Se compreenderem e aceitarem o que estou dizendo, poderão entender a
verdadeira natureza da Igreja Messiânica Mundial. Modéstia à parte, ela tem um poder grandioso, e, uma
vez ingressando nela, qualquer pessoa reconhecerá isso facilmente. Raciocinem: por mais bela que seja uma
coisa, se não nos aproximarmos dela, não conseguiremos ver sua beleza; por mais saborosa que seja uma
comida, se não a provarmos, não saberemos seu sabor; se houver um tesouro enterrado, mas não cavarmos a
terra, não o encontraremos. Da mesma forma, não adianta ficar do lado de fora apenas imaginando o que é a
nossa Igreja. Pensar que ela não passa de mais uma religião supersticiosa e trapaceira, deixando-se
influenciar por boatos e pelas falsas notícias publicadas nos jornais, será rejeitar a própria felicidade. Antes
de mais nada, é preciso entrar em contato com ela. "Se não entrarmos na toca da onça, não conseguiremos
agarrar seus filhotes". É um sábio ditado, não acham?
25 de janeiro de 1951
JORNAL QUE ENALTECE O BEM
Em todos os jornais da atualidade há um exagerado número de notícias relacionadas ao mal: roubos,
assaltos, assassinatos, fraudes, mercado negro, contrabando, suicídios, adultério, etc. São tantas notícias
desagradáveis, que chega a ser quase impossível enumerá-las. Se estivéssemos no exterior e soubéssemos de
tudo isso, poderíamos pensar que não existe país tão horrível quanto o Japão. Entretanto, por pior situação
em que ele se encontre, deve haver alguma coisa que se possa elogiar ou que seja motivo de orgulho.
Acontece que as coisas boas ficam mais escondidas e são mais difíceis de aparecerem. Desde os tempos
antigos, diz-se que as más ocorrências vão longe; de fato, parece que as coisas más logo se tornam
conhecidas e se espalham. Também no que se refere aos noticiários dos jornais, o que está relacionado às
coisas boas não atrai os leitores. Quanto pior é o assunto, maior é o interesse das pessoas. Principalmente os
artigos que falam de fatos macabros, fora do comum, são do interesse de cem por cento dos leitores e por
isso aparecem escritos em caracteres bem grandes. A melhor prova é que as manchetes dos jornais dizem
respeito aos artigos que relatam notícias ruins.
De vez em quando, aparecem algumas notícias boas, como por exemplo a que saiu estes dias, sobre o
Professor Yugawa. Mas isso talvez não passe da centésima parte, em comparação com o número de notícias
más. Como podemos ver por esses fatos, os leitores que lêem diariamente jornais tão cheios de males,
inconscientemente são influenciados por eles. Assim, a consciência do homem sobre o mal diminui e,
devido ao seu próprio caráter, ele se acostuma até mesmo àquilo que, em estado psicológico normal, lhe
pareceria terrível.
Em princípio, o objetivo pelo qual os jornalistas mostram apenas a parte escura das coisas é advertir a
sociedade, num esforço para melhorá-la cada vez mais. É uma ironia, no entanto, pois esse esforço surte um
efeito contrário. Talvez até a mente dos jornalistas acabe ficando entorpecida e eles comecem a achar que é
muito normal relatar ocorrências criminosas com grande eloqüência. Como não conseguimos ficar calados
diante desta sua tendência ao estado de torpor em relação ao mal, não temos outra saída senão adotar o
método contrário ao deles. Observando a redação de nosso jornal, poderão compreender isso muito bem. Os
crimes ou aspectos negativos da sociedade jamais são explorados de forma sensacionalista. Dessa forma,
despertamos a sociedade e reafirmamos a absoluta rejeição do mal. Talvez seja uma posição muito natural
para um jornal religioso, mas, se publicações desse tipo contiverem simplesmente artigos semelhantes a
sermões, como se estivessem mastigando vela, não atrairão a atenção das pessoas e por isso acabarão não
sendo lidas. Como essas publicações são infrutíferas, o nosso jornal, mesmo que se trate de um pequeno
comentário, publica artigos que toquem a fundo o coração dos leitores. Publica, também, teorias novas, que
raramente são apresentadas. É assim que ele atrai as atenções. Além disso, através do "suntetsu" (sátira
curta e incisiva), fazemos com que os leitores consigam captar o ponto vital das coisas. Principalmente os
relatos de graças recebidas, que são artigos característicos de nosso jornal e representam fatos verídicos -
recentes milagres de valiosas vidas que foram salvas - nunca deixam de ser lidos. Os leitores ficam
maravilhados e talvez não haja um só que não se comova.
Como podemos ver, talvez não exista atualmente um jornal igual ao nosso, que rejeita o mal e inspira
fortemente o bem. Podemos, portanto, dizer que, mesmo em pequena escala, ele é uma existência de caráter
luminoso cujo brilho é único, destacando-se pelo seu objetivo de melhorar o sentimento das pessoas.
18 de fevereiro de 1950
OS VIRTUOSOS BEM-SUCEDIDOS NA VIDA
Este título parece um tanto estranho, mas trata-se de uma verdade que poucos percebem, e por isso vou
escrever a respeito.
Até hoje, tanto no Ocidente como no Oriente, quando analisamos as pessoas bem-sucedidas na vida - não só
as que realizaram empreendimentos que lhes valeram fama mundial, mas também as que obtiveram sucesso
de alcance limitado - vemos que quase todas elas são pessoas más. Na realidade, é difícil o virtuoso ser
bem-sucedido, pois ele difere muito do perverso. De fato, a maioria das pessoas que não hesitam em
incomodar os outros ou em aumentar os males da sociedade, escapam habilmente das malhas da lei e
vencem na vida; parece que, para elas, não existe outro método para galgar o sucesso. Assim, quando
alguém vê um indivíduo bem-sucedido, logo lhe vem o preconceito de que seja um espertalhão, o qual, sem
dúvida, está fazendo coisas desonestas às escondidas. E não está pensando errado, pois é isso mesmo que
acontece. Conseqüentemente, as criaturas ávidas de sucesso os imitam, julgando ser um método hábil a
pessoa não escolher meios para alcançar seus objetivos. Por isso, o virtuoso é prejudicado. Esta é a causa
dos males sociais da época atual.
Esse ponto de vista está tão enraizado na cabeça dos homens da atualidade, que eles nos olham da mesma
maneira. Pelo fato de nossa Igreja ter conseguido trezentos mil fiéis em apenas três ou quatro anos, logo de
saída ela é incluída no grupo dos bem-sucedidos. Vendo-a através do preconceito dos "óculos escuros",
esses homens pensam que, embora se trate de uma religião, sem dúvida ela está fazendo coisas desonestas
ocultamente e por isso vem obtendo sucesso. Eles acabam concluindo que, no mundo atual, não há motivos
para se vencer na vida unicamente através do bem. Naturalmente, não é apenas o povo que pensa dessa
forma; até as autoridades têm uma tendência, pequena ou grande, para tal pensamento. E não somos só nós
que achamos isso. Além do mais, a soma de pessoas prejudicadas com a expansão da nossa Igreja e de
materialistas que não simpatizam com as religiões novas, assim como as queixas e denúncias feitas em
segredo por chantagistas que se deram mal conosco e os boatos espalhados pelos jornais de má-fé,
confundem o pensamento das autoridades, muitas vezes levando-as a fiscalizar-nos, embora elas o façam
mais pela responsabilidade que têm.
Esse é o motivo das críticas da sociedade em relação à nossa Igreja. Mas elas ocorrem justamente porque os
que obtiveram sucesso através da prática do bem são muito poucos. Tais críticas representam uma prova do
que estamos dizendo. Por conseguinte, precisamos varrer o pensamento errôneo de que só se consegue
sucesso através do mal e mostrar que saímos vitoriosos quando caminhamos ao lado do Bem e da Justiça. É
por isso, também, que estamos nos esforçando ao máximo. Se fizermos com que a sociedade se conscientize
dessa verdade, é óbvio que isso trará uma influência muito positiva para ela e para cada indivíduo. E
acredito que este também seja um meio para que a Religião possa cumprir a missão que lhe é inerente.
18 de março de 1950
A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL PODE SER EVITADA
A maior ameaça que paira atualmente sobre a humanidade é, sem dúvida alguma, a eclosão da Terceira
Guerra Mundial. Como é do conhecimento de todos, os intelectuais do mundo inteiro, cada um na sua
posição, estão procurando evitá-la, discutindo o assunto oralmente ou por escrito e usando toda a sua
inteligência. Entretanto, não sei por que razão, apenas entre os religiosos não há ninguém opinando sobre o
assunto, o que é realmente incompreensível. Diante disso, eu gostaria que, antes de mais nada, refletissem
sobre o objetivo da Religião.
Nem seria necessário dizer, de tão óbvio, que o objetivo da Religião é construir um mundo de paz, um
mundo sem conflitos. Sendo assim, acho muito estranho o absoluto silêncio que, talvez por não saberem o
que fazer, os religiosos mantêm atualmente, ante o perigo da Terceira Guerra Mundial. Naturalmente, sem
o apoio do Governo e por não poderem pegar em armas, devido à idade, eles deveriam, através de métodos
pacíficos, compatíveis com a sua condição de religiosos, trabalhar para que a guerra seja evitada. Assim,
gostaria de mostrar as causas da guerra e como evitá-las, ou melhor, apresentar o princípio que possibilita a
sua erradicação. Para compreenderem melhor, falarei sobre a doença e a saúde.
Sempre afirmo que a doença é um sofrimento que surge quando a eliminação das máculas acumuladas no
espírito do homem se reflete no corpo. Seja qual for o tipo de sofrimento, a causa está nas máculas
espirituais. No que se refere ao corpo material, é o processo de eliminação das impurezas; por conseguinte,
se o homem quer se libertar desse sofrimento, só há uma forma: não acumular impurezas e, ao mesmo
tempo, eliminar as que já estão acumuladas. Sofrimentos coletivos como os danos causados por vento,
chuva, incêndio, terremoto, agitações sociais, etc., também são ações purificadoras. A guerra nada mais é
que esse sofrimento em forma ampliada. Para evitá-la, está mais do que claro, é preciso eliminar as máculas
espirituais de cada indivíduo.
Supondo-se que seja declarada a Terceira Guerra Mundial, isso aconteceria por ter aumentado
demasiadamente o número de homens com espírito maculado, chegando-se a uma situação em que não
havia outro recurso. Creio mesmo não ser exagero afirmar que atualmente o mundo está repleto de homens
impuros. O ser humano acumulou máculas pela prática do mal, decorrente de uma educação baseada no
materialismo, o qual ignora a existência de Deus. Sendo assim, o problema só poderia ser solucionado pela
retificação das idéias materialistas. Com o espírito extremamente maculado por esse tipo de educação, o
homem ficou cego, o que é um resultado muito normal.
Mas é preciso saber que, pela Lei do Universo, onde se acumulam impurezas, infalivelmente surge o
processo purificador natural. O surto de epidemias, por exemplo, embora o aparecimento do vírus seja uma
causa direta, deve-se ao fato de terem surgido homens com necessidade de purificar. Trata-se, pois, de uma
ocorrência natural, baseada na Lei da Concordância, que se aplica a todas as coisas existentes sobre a face
da Terra. As grandes metrópoles, as obras arquitetônicas da atualidade e, por assim dizer, quase todas as
coisas materiais, são produtos do mal, isto é, um conglomerado de máculas; conseqüentemente, estão
fadadas à destruição.
Assim, através da guerra, o homem e todas as coisas onde se acumulem impurezas serão purificados de uma
só vez. Essa é a imutável Lei do Universo; nada há a fazer. Portanto, para evitar a Terceira Guerra Mundial,
o homem e todas as coisas existentes sobre a Terra devem ser purificados até que não haja mais necessidade
de uma grande ação purificadora. Caso perguntem se existe um método para promover essa purificação
geral, responderei que sim. Esta é a missão da nossa Igreja Messiânica Mundial; para isso é que ela nasceu.
Em outras palavras: como o mundo é a soma de indivíduos, basta cada um tornar-se digno, a tal ponto que
seja desnecessária a purificação.
17 de outubro de 1951
ELIMINAÇÃO DA TRAGÉDIA
Entre todas as coisas do mundo, o que o homem mais detesta é a tragédia. Eliminá-la totalmente é
impossível, mas, de certo modo, não será tão difícil diminuí-la. Passemos a estudar sua natureza.
A realidade evidencia que a maioria das tragédias é causada pela doença. Entretanto, elas também são
geradas por problemas sentimentais e pela desonestidade proveniente de interesses materiais. Através de
uma pesquisa acurada, no entanto, descobri que todas as tragédias têm sua raiz na enfermidade espiritual.
Dizem que um espírito são habita um corpo são, e isso é uma grande verdade. Verifiquei, após longos anos
de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a impaciência, o alcoolismo, a preguiça e a corrupção de jovens
existem quase sempre em físicos doentes.
Infelizmente, ainda não se descobriram métodos positivos para solucionar o problema da doença e
restabelecer a saúde física e espiritual, nem mesmo apelando para a medicina ou para outros meios. Ainda
que se tivesse encontrado a causa das doenças, não existiria uma forma para resolver o problema
verdadeiramente. Há quem se orgulhe de ter descoberto a origem delas e o processo de cura; a maioria dos
processos, contudo, não passa de paliativos. É realmente desolador. Todavia, dentre os casos milagrosos
relatados em nossas publicações, encontramos muitos exemplos da cura de doenças gravíssimas, e a alegria
e gratidão dos agraciados nos comovem até as lágrimas.
A verdadeira solução das doenças e de outras desgraças depende de uma força invisível, e só aos que a
experimentaram é dado reconhecer o incomensurável Poder Divino. Os homens modernos não se
convencem senão através da realidade ou de provas; portanto, sem a apresentação de resultados concretos, é
inútil pregar princípios elevados e divulgá-los. Para esses homens, a salvação da humanidade e a obra em
prol da sociedade não passam de um sonho.
A essência da verdadeira Fé consiste em mover o que é visível por ação de um poder invisível. Esse poder
maravilhoso está sendo manifestado pela nossa Igreja e, por essa razão, creio eu, poderíamos dizer que ela é
a Religião do Poder.
Como a maioria das religiões hoje existentes se limita a pregar doutrinas, suas forças agem do exterior para
a alma. Mas o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica Mundial - o Johrei - projeta a Luz
Espiritual diretamente na alma, despertando-a instantaneamente. Isto é, a Igreja converte a pessoa sem a
intervenção humana, deixando os sermões para segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam
rapidamente uma percepção superficial, e, em seguida, uma percepção mais profunda. Além de superarem
as suas próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a eliminar as tragédias alheias.
11 de junho de 1949
EXCLUSÃO DO TEMOR
Conforme venho repetindo, o objetivo de nossa Igreja é a salvação da humanidade. Em poucas palavras,
significa eliminar toda espécie de temor da sociedade humana.
Evidentemente, os maiores temores do homem vêm a ser o da doença, o da pobreza e o dos conflitos.
Dentre os três, o pior, indiscutivelmente, é o temor da doença; nada tão ameaçador para o ser humano.
Certamente, durante sua vida, ninguém consegue livrar-se dessa ameaça. Com o progresso da civilização,
ao invés de diminuir, ela tende até a aumentar. O segundo temor é a pobreza, geralmente motivada pela
própria doença.
Atualmente, julga-se que quase todas as doenças são causadas por vírus. A doença nunca foi tão temida
como nos dias atuais, motivo pelo qual estão se tomando as medidas consideradas adequadas, tais como
atestados de saúde, vacinação e radiografias, entre outras. Todas as organizações criadas para evitar as
doenças, ou seja, centros de saúde, hospitais públicos e particulares, etc., dispõem de muitos recursos, e é
realmente grande o sacrifício do povo para sustentar as incalculáveis despesas e o trabalho dispendido.
A vultosa quantia empregada no tratamento de uma doença e o prejuízo sofrido com a impossibilidade de
trabalhar, principalmente quando o enfermo é o chefe da casa, acarretam as maiores dificuldades
econômicas para os seus familiares. Isso constitui uma das principais causas do surpreendente aumento de
crimes que vêm sendo cometidos após a guerra. Naturalmente esse fato não deixa de ser conseqüência da
guerra, cujos danos são passageiros; a doença, no entanto, assume maior gravidade, por ser permanente.
A agitação por que a humanidade passa, atualmente, revela a intensidade do seu temor à guerra. Isto porque
as relações entre os países tendem a se agravar. Até hoje, o homem viveu num mundo de sofrimentos
ininterruptos. Entretanto, como a existência de Deus é uma realidade, Seu incomensurável amor não
permitirá que a humanidade permaneça por longo tempo nessa condição. Indubitavelmente, esta época de
agonia terá um fim, para dar lugar ao magnífico Paraíso Terrestre. Estamos absolutamente convictos disso
e, imbuídos de tal convicção, prosseguimos com fé inabalável. Que outro sentido poderia ter a profecia de
Jesus sobre o advento do Reino dos Céus a não ser a predição desse acontecimento? Por essa razão, estou
convencido de que a verdadeira missão da Religião é eliminar os três grandes temores aqui citados.
7 de janeiro de 1950
O HERÓI DA PAZ
Atualmente, só de ouvir a palavra "herói" algumas pessoas sentem uma espécie de admiração. Por outro
lado, existem outras, como eu, que sentem uma certa rejeição, porque essa palavra lhes inspira um pouco de
tristeza. Como podemos ver através da História, por trás das magníficas realizações dos heróis, estão
ocultos os crimes que eles cometeram, fazendo do povo de sua época uma vítima de seus desejos egoístas e
causando-lhe, conseqüentemente, grandes prejuízos. São fatos que não podemos ignorar e tampouco apagar
da nossa memória. Não obstante, devemos agradecer-lhes os temas que proporcionaram à literatura, ao
teatro, ao cinema, etc., e que tanto têm contribuído para o nosso deleite.
Não levando em conta o aspecto artístico, parece que o mundo confunde herói com grande personagem.
Cristo, Sakyamuni e Maomé, por exemplo, são realmente grandes religiosos, mas não são heróis. Se
pensarmos um pouco, poderemos entender que a diferença está em suas realizações. É desnecessário dizer
que esses três grandes religiosos tentaram, a qualquer preço, salvar a humanidade, mas salvar no sentido
espiritual. Assim, comparando suas realizações às da Ciência, torna-se evidente que o mérito da construção
da magnífica civilização atual pertence a esta última.
Isso é apenas o aspecto que veio à tona e se tornou perceptível, mas não podemos deixar passar
despercebidas as atividades dos religiosos no outro aspecto da questão. O que acontece é que, não sendo
visíveis, elas não atraíram muita atenção. Muito pelo contrário: vieram sendo interpretadas erroneamente,
como se fossem coisas separadas, e não se pode imaginar quanta infelicidade isso causou aos seres
humanos. Na realidade, é justamente com a força dos dois lados - matéria e espírito, frente e verso, luz e
sombra - que a civilização pôde alcançar o nível atual. Naturalmente, isto foi obra da Providência de Deus.
Em termos humanos, o progresso da parte material pode ser considerado como contribuição dos heróis e
cientistas, e o da parte espiritual, fruto da realização dos grandes religiosos.
Todavia, embora a civilização tenha alcançado tão grande progresso, não podemos esperar que ela vá além
disso. Significa que a civilização chegou a um beco sem saída. Realmente, como podemos constatar, a
infelicidade e a intranqüilidade dos homens aumentam a cada dia; se continuar assim, nem poderemos ter
idéia de quando virá o mundo de Paz e Felicidade, que é o ideal de todos os seres humanos.
Conseqüentemente, faz-se necessária a construção de uma civilização ainda mais elevada, através de um
grande salto da civilização atual. Por grande felicidade, este momento chegou. Deus mostrou-me
claramente os fundamentos desse Mundo Ideal e atribuiu-me um grande poder, de modo que já comecei a
executar a sua construção. Talvez as pessoas se espantem com as minhas palavras e cheguem a pensar que
se trata de auto-elogio, mas não tenho outra alternativa, porque o que estou dizendo é a pura verdade.
Observando a transformação que se processará no mundo daqui para frente e o desenvolvimento paralelo de
meus trabalhos, poderão entender que não estou mentindo.
Retrocedendo ao que dizia antes, falarei mais um pouco sobre a Ciência e a Religião.
Até hoje, os fundamentos das religiões eram de caráter "Shojo", isto é, as pregações dos fundadores não
eram muito profundas. Poderão certificar-se disso observando que sempre houve muita hesitação e que a
verdadeira Paz e Iluminação não foram alcançadas. Isso era inevitável, devido ao Tempo. Mas Deus
revelou-me até os fundamentos absolutos e infinitos, só que não me é permitido expô-los agora, razão pela
qual escrevo apenas até certo ponto.
A esse respeito, como podemos ver pelas religiões tradicionais, geralmente as religiões se utilizam de dois
meios de salvação: os Ensinamentos Sagrados, através das escrituras, e os sermões, através das palavras.
Além das religiões, restam-nos, como herança principal de nossos antepassados, o desbravamento de matas
e terras, construções, objetos artísticos, etc. Entretanto, quando faço uma análise mais profunda, vejo que é
imperioso o aparecimento de uma força com capacidade para liderar o mundo daqui para frente.
Agora, torna-se necessário que eu fale a meu respeito. Como todos sabem, escolhi três locais para Solo
Sagrado - Hakone, Atami e Kyoto, no Japão - lugares extremamente aprazíveis, onde estou construindo,
atualmente, um pequeno protótipo do Paraíso Terrestre. Meu objetivo é criar um ambiente paradisíaco cujas
características internas e externas estejam harmonizadas: enormes jardins com a beleza das montanhas e das
águas, um palácio das belas-artes, construções inéditas entre as religiões, etc. Dedico-me, também, ao
desenvolvimento revolucionário da medicina e da agricultura; além disso, através de infinitos e fabulosos
milagres, empenho-me em fazer com que o homem se conscientize da existência de Deus. Enfim, faço
difusão religiosa por métodos ainda não explorados, ainda não utilizados por nenhum homem. Estas
atividades constituem o importantíssimo alicerce do mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo.
Gostaria de acrescentar que todas as atividades de construção a serem realizadas de agora em diante, da
primeira à última, já estão elaboradas na minha mente, só restando esperar pelo tempo certo. Com o passar
do tempo, tudo irá se concretizando. Trata-se de um plano por demais grandioso; pode-se dizer que é a
criação da nova civilização mundial.
Como se pode ver, a Igreja Messiânica Mundial não é propriamente uma religião, e não estamos
conseguindo sequer dar-lhe um nome adequado. Além do mais, tudo veio se concretizando conforme o
Plano de Deus; chega mesmo a assustar-me a exatidão com que isso vem se processando. Iniciada como
religião em agosto de 1947, nossa Igreja conseguiu, em apenas seis anos, a magnífica expansão que vemos
atualmente. Se observarmos que ela conseguiu tamanho progresso enfrentando a pressão das autoridades, a
incompreensão dos jornalistas e os mais variados obstáculos durante esse período, teremos de admitir que
isso não seja obra do homem. Naturalmente, daqui por diante, continuaremos caminhando de acordo com o
programa definido por Deus e, dessa forma, um dia se descortinará o grande Drama Divino que tem o
mundo como palco. A esse simples pensamento, sentimo-nos tomados de grande interesse e curiosidade.
Além disso, doravante se evidenciarão, uns após outros, milagres surpreendentes e cenas de eufórica
alegria. Portanto, desejo que aguardem com muita atenção.
Em suma, eu me considero o Herói da Paz.
11 de maio de 1953
A BÚSSOLA DA RECONSTRUÇÃO DO JAPÃO
Baseado na atual conjuntura, desejo tecer considerações a respeito da política nacional que o Japão precisa
adotar daqui para frente. Antes, porém, tenho que falar sobre a missão da nação japonesa.
Deus, para governar o mundo, concedeu a cada país uma missão específica. Evidentemente, o Japão não
constitui exceção. Como a missão que lhe cabe não estava esclarecida até o presente momento, foram
praticados os mais gritantes erros, decorrentes da interpretação caprichosa do homem. O resultado foi a
nação caótica que vemos atualmente.
Analisando a história do Japão, evidencia-se que, desde a antigüidade, têm surgido grandes heróis e
guerreiros, a maioria dos quais, utilizando-se da violência chamada guerra, enfeixou o poder em suas mãos.
Em quase todos os lugares, podemos ver os males e crimes que eles cometeram, devastando territórios e
fazendo o povo viver na pior das agonias. Em poucas palavras, pode-se afirmar que a história do Japão não
passa do registro de uma disputa de poderes entre os dominantes. É fato real, sem margem de dúvida, que a
maior e a última dessas disputas foi a Segunda Guerra Mundial. Desde que o Japão foi instituído como
nação, seu povo tem sido muito sacrificado, vítima dessa situação conflitante. Vê-se, portanto, que não
houve absolutamente história do povo.
Todavia, durante esse longo período, também houve épocas pacíficas de tempos em tempos. Nos períodos
Assuka (592-707), Hakuho (646-723), Tempyo (710-797), Heian (801-899), Ashikaga (1338-1573),
Kamakura (1205-1333), Momoyama (1574-1600), Guenroku (1688-1704), Kyoho (1763-l782), Bunka
(1804-1817), Bunsei (1818-1829) e Meiji (1868-1911), apesar de sua curta duração, desenvolveu-se uma
cultura pacífica, da qual foram preservadas até hoje algumas heranças. São quadros que retratam sua época,
esculturas, objetos artesanais, etc. O fato de haverem sido criadas tantas peças artísticas maravilhosas em
tão curto período de paz - peças que ainda hoje podemos apreciar - mostra-nos a elevada tendência dos
japoneses para o Belo.
Outro ponto a ressaltar é a natureza do Japão. Todos os turistas que o visitam ficam admirados, dizendo que
nenhum país tem paisagens tão puras e lindas como as japonesas. É também um dos países mais ricos em
espécies de ervas, árvores e flores. Além disso, dizem que, no Japão, a variação das estações é
incomparável, evidenciando-se nas transformações das montanhas, rios, gramas e árvores, nas flores da
primavera, no verde do verão, no bordo do outono, na queda das folhas durante o inverno e em outros
aspectos, cada qual expressando a beleza de sua estação.
É também característica a arte e a técnica dos japoneses na utilização da beleza natural da madeira e outros
materiais nas construções. As artes plásticas e o artesanato são muito apreciados pelos estrangeiros, seja a
pureza e riqueza das pinturas, os característicos "makiê", as cerâmicas e outros objetos.
Kyoto e Nara escaparam aos bombardeios aéreos durante a guerra graças ao trabalho do Professor Langdon
Warner (1881-1955), que se empenhou na preservação das duas cidades pela compreensão que tinha da arte
japonesa, não obstante ser estrangeiro.
No que se refere aos produtos alimentícios, a grande quantidade de alimentos provenientes do mar, as
verduras variadas e a técnica da culinária também evidenciam uma cultura muito característica, que vivifica
o sabor natural das coisas.
Refletindo sobre tudo isso, pode-se perceber qual é a missão inata do Japão: por meio da beleza natural e da
beleza criada pelo homem, cultivar o espírito de nobreza do ser humano, dar-lhe tranqüilidade e fortalecer-
lhe o desejo de desfrutar da paz. Em termos mais concretos, tornar-se o jardim público do mundo e a fonte
de toda e qualquer expressão do Belo.
Entretanto, em que situação nos encontramos! Ao invés de cumprir sua verdadeira missão, o Japão viveu
por longo tempo sob a bandeira do militarismo, sem voltar sua atenção para mais nada. Uma vez que
despertem para o significado de sua missão e reflitam profundamente, os japoneses poderão compreender o
quanto estavam errados. A situação inédita em que o país se encontra, obrigado a dispensar os armamentos
militares em conseqüência da derrota sofrida na guerra, só pode ser determinação de Deus para fazê-lo
entender sua verdadeira missão. A propósito da inexistência de forças armadas, talvez haja, entre os
japoneses, pessoas que se preocupam com o futuro da nação, mas acredito que seja uma preocupação
desnecessária. Isto porque, se o Japão se tornar o parque público do mundo, incorporando o Bem e o Belo e
apresentando-se como um jardim paradisíaco, embora ocorra uma guerra, os inimigos, e muito menos os
aliados, não teriam coragem de destruí-lo.
Também em nossa Igreja, como todos sabem, estamos preparando e executando a construção do protótipo
do futuro Paraíso Terrestre, nas cidades de Hakone e Atami, em locais escolhidos pela sua paisagem
pitoresca. Nele está expresso o máximo da beleza das construções arquitetônicas e dos jardins. Além disso,
estamos instalando o que se poderia chamar de local de apresentação das belas-artes para o exterior. A
propósito, gostaria de ressaltar que, dentre os muitos produtos exportados pelo Japão, dificilmente a
exportação dos produtos têxteis, que são tão característicos, poderá ultrapassar certo limite. Quanto às
maquinarias, construções navais, trens, bondes, automóveis, bicicletas, etc., restringem-se a artigos comuns,
destinados à massa popular dos países altamente desenvolvidos; para os países cuja população é de baixo
nível, são exportados produtos que apenas satisfazem suas necessidades. Em termos de maquinaria de alto
nível, de mercadorias variadas e de material cultural, talvez ainda estejamos longe de alcançar países
desenvolvidos como os Estados Unidos. Por esse motivo, a política nacional que o Japão deve adotar daqui
para frente são os empreendimentos turísticos e a exportação de objetos de arte, obras artesanais e flores.
Não seria exagero dizer que, além disso, quase nada tem futuro.
Existe, no entanto, um fator da maior importância: os problemas de saúde dos japoneses. Por mais perfeitas
que sejam as instalações turísticas e por mais que nos tornemos alvo da admiração dos visitantes, se o Japão
estiver infestado de doenças contagiosas, como a tuberculose, seria o mesmo que convidá-los para uma bela
mansão de portas fechadas.
Outro ponto importante é o que se refere às verduras japonesas. O fato de, no Japão, se utilizar excremento
humano como adubo, desde a antigüidade, constituiria por si só um grande obstáculo para atrair os
estrangeiros, dado o perigo da transmissão de vermes. Assim, o ideal seria explicar o método de Cultivo
Natural preconizado pela nossa Igreja. Com isso, todos os obstáculos mencionados anteriormente seriam
eliminados.
Penso que, com estas explicações, possam ter uma compreensão geral dos nossos objetivos. Entretanto,
quando chegar o dia em que os projetos e instalações a que nos referimos ficarem concluídos em todo o
território japonês, verão realmente concretizado o Paraíso Terrestre que nós proclamamos, e acredito que
nenhum país terá motivos para deixar de recebê-lo com alegria e satisfação.
30 de maio de 1949
A PALAVRA "SU"
Eu sempre aconselho manter a ordem em tudo, e a transcrição da palavra "SU" (chefe, senhor, dono) nos
sugere a mesma idéia. Ela é transcrita da seguinte forma: (###). Vamos analisá-la.
Os três traços horizontais significam: Céu, homem e Terra; ou Sol, Lua e Terra; ou os números sagrados 5,
6 e 7; ou Deus, espírito e matéria. Esses traços são completados por outro, vertical, que os atravessa no
meio, e em cima de todos há um sinal.
A Política, a Economia, a Educação, a Religião, ou qualquer outra atividade humana, tudo, em suma, deve
observar essa hierarquia. Se assim não for, nada poderá correr bem. Mas, até hoje, tudo que existe
geralmente está separado, situando-se no plano vertical ou no plano horizontal. Uma das maiores
conseqüências disso nós observamos no antagonismo entre o pensamento fundamental do Oriente e do
Ocidente.
Finalmente chegou o tempo de cruzar os pensamentos e as atividades, como os traços e planos da palavra
analisada, isto é, o tempo de seguir o exemplo da palavra "SU", cujo significado, como já vimos, é
"senhor", "chefe", "dono".
Observemos que no meio da palavra forma-se uma cruz (***ju.tif***) e relembremos que o traço de cima
representa o Céu, e o de baixo, a Terra. Isso quer dizer que o mundo dos homens está entre o Céu e a Terra;
por essa razão ele tem forma de cruz. É essa a realidade do Paraíso Terrestre, ou Reino de Deus. A palavra
que designa Deus ("Kami") tem a mesma significação. "KA" (***hi.tif***) significa "fogo"; "MI"
(***mizu.tif***) significa "água". O fogo arde verticalmente, e a água corre horizontalmente. Unindo "KA"
e "MI", obtemos "KAMI", ou seja, Deus, cujo trabalho é unir, atar. Agora chegou o momento em que Deus
quer unir o que está separado, porque está próximo o Reino dos Céus.
Os católicos fazem o sinal da cruz sobre o peito. A significação é idêntica à do símbolo dos budistas
(<***manji.tif***) e tem a mesma explicação. Na cruz búdica, entretanto, as pontas estão curvadas, o que
significa que, após o cruzamento, a cruz começa a girar.
Pelo exposto, a Política também precisará estar estruturada em três camadas, para uma boa atuação. Se
assim não for, haverá distúrbios e incompreensão, o que gerará conflitos. A cruz que se observa na palavra
"SU" liga perfeitamente a parte de cima e a de baixo; assim, a classe média, entre o povo, tem a função de
harmonizar as classes alta e baixa. Acima de todos, temos o Presidente ou o Primeiro-Ministro para
governar. Desse modo, tudo que obedecer à forma da palavra "SU" (***su.tif***) correrá bem, sem
interrupções ou obstáculos, inclusive na administração de firmas ou de sociedades civis.
Obedecendo-se a essa ordem hierárquica, estará concretizado o mundo ideal, ou seja, o Mundo de Miroku -
mundo da Luz.
3 de setembro de 1949
NOVO CONCEITO DE AMOR À PÁTRIA
O amor à pátria parece ser comum a todos os povos. Talvez não exista um só país que não o adote como
regra de ouro e máxima do civismo. No Japão também, até o fim da guerra, um forte sentimento de amor à
pátria tomava conta de toda a população. Uma das causas, naturalmente, era o regime imperialista, em que
o Imperador era o símbolo do povo, adorado como encarnação de Deus. O fato está nitidamente gravado em
nossa memória.
É óbvio que o respeito e a crença na eternidade da família imperial criaram esse sentimento no povo e que
certo grupo de ambiciosos e de governantes exerceu enorme influência sobre o ensino e a propaganda,
fazendo com que tudo saísse a seu favor. Como resultado, construiu-se uma nação singular, como jamais se
viu outra igual. Considerando-se um país Divino, o Japão acabou caindo na auto-satisfação, fez-se de
"filhinho mimado", sem ao menos ser tão rico assim. Habilmente, os escolásticos insuflaram esse complexo
de superioridade em termos lógicos e históricos, o que foi desastroso. Assim, o sentimento de lealdade e
patriotismo assolou o país inteiro, e o povo acabou por achar muito normal fazer qualquer coisa em prol da
nação e do Imperador, até mesmo sacrificar a própria vida. Isto era considerado o mais elevado ato moral.
Com a perda da guerra, o orgulho dos japoneses voou longe e, ao contrário, até nasceu neles um sentimento
de inferioridade. Nessa ocasião, houve uma declaração do Imperador que deixou o povo perplexo: "Eu não
sou Deus, sou um homem". Nasceu, então, a nova Constituição, que dizia estar o poder político nas mãos
do povo. Dessa forma, o Japão se tornou uma nação democrática. Foi realmente um acontecimento inédito
desde o começo de sua existência histórica. Além disso, a mudança de posição do Imperador, que antes se
colocava em posição Divina, determinou que, à exceção dos intelectuais, o futuro da grande massa popular,
já sem razão de existência, ficasse totalmente obscuro. E todos sabem que o povo acabou por perder o
rumo, situação que continua até os dias de hoje.
A propósito, houve um fato muito engraçado. Logo após o término da guerra, todas as pessoas que se
encontravam comigo diziam, com expressão desapontada: "O `vento Divino' acabou não soprando, não é?"
Então eu respondia: "Não digam tolices. O `vento Divino' soprou, mas vocês o estavam interpretando
erradamente. Em verdade, a Vontade de Deus é ajudar o bem e castigar o mal. Já que o Japão é que estava
errado, é natural que tenha perdido a guerra. Portanto, ao invés de nos lamentarmos, deveríamos agradecer
e até comemorar. Como não podemos fazer isso, temos de ficar quietos, mas virá o dia em que todos
compreenderão a verdade". Ouvindo isso, as pessoas diziam: "Entendi perfeitamente", e voltavam alegres
para suas casas.
Através desse fato, podemos ver que os japoneses deixavam em segundo plano o que é bom e o que é mau,
quando se tratava de assuntos relativos à nação. Pensando apenas no seu próprio bem, chegaram até a
estabelecer e propagar o "slogan" "Hakko iti u" (o mundo sob a égide do Japão) e a julgar que, se o seu país
estivesse bem, pouco importavam os outros países. Isso foi considerado lealdade e patriotismo, e assim os
japoneses vieram avançando como cavalos refreados a cabresto. Desde essa época, portanto, estava sendo
plantada a semente terrível da catástrofe.
Quando pensamos em tudo isso, compreendemos que o amor à pátria deve estar de acordo com a época.
Além do mais, se não for com base no conceito do bem e do mal, do certo e do errado, é impossível formar
um plano a longo prazo, em termos nacionais. Sendo assim, vou mostrar o sentimento de amor à pátria que
está de acordo com a era vindoura.
Em termos mais claros, o fundamental é tornar "Daijo" o pensamento do Japão, que até então era "Shojo".
Sintetizando: criar o amor internacional, o amor humanitário, isto é, amar o mundo por amar o Japão.
Atualmente, tudo está se tornando universal e internacional, e as aspirações independentes e transcendentais
já se tornaram sonho do passado. Conseqüentemente, em termos concretos, o amor à pátria, daqui para
frente, deve consistir, antes de mais nada, em tornar segura a vida de nossos irmãos - noventa milhões de
pessoas - e fazer do Japão uma nação justa, baseada na moral, merecedora do respeito do mundo inteiro. A
propósito, existe o problema do rearmamento, que está em ativa discussão. As teses favoráveis e contrárias
acham-se em confronto há algum tempo e não se obtém nenhuma solução. Entretanto, acho que não é um
problema tão difícil assim. Encarando-o como um problema real, logo compreenderemos a solução
adequada, ou seja, abandonar o rearmamento se houver garantia de que não há absolutamente nenhum país
que possa invadir o Japão; caso contrário, fazer uma defesa de acordo com a capacidade do país.
3 de dezembro de 1952
O JAPÃO É UM PAÍS CIVILIZADO OU SELVAGEM?
Lendo o título acima, talvez duvidem da minha sanidade mental, pois, embora tenha perdido a Segunda
Grande Guerra, incontestavelmente o Japão está situado entre os países ditos civilizados. Quando se fala em
país selvagem, pensa-se logo nos países da África e em alguns outros, mas, refletindo bem, eles não devem
ser considerados pura e simplesmente selvagens: seria mais correto dizer que são selvagens-
subdesenvolvidos.
O Japão certamente não é subdesenvolvido, mas o fato é que ele continua selvagem como antes. O que me
faz pensar assim é a observação da conjuntura atual. Vejo serem praticados inúmeros atos de selvageria,
como violências de grupo, ameaças, brigas, roubos de armas, pessoas ferindo e sendo feridas, e muitos
outros atos que assustam o povo e intranqüilizam toda a sociedade. Esta vive num estado de extrema
aflição. Até os estudantes das escolas superiores, que deverão ser os futuros líderes da cultura, participam
dessa agitação. É de fato desolador. Entre outras coisas, a título de roubar pequenas quantias, sufocam-se ou
espancam-se motoristas de táxi até que eles desfaleçam, e matam-se pessoas por motivos insignificantes.
Vemos, ainda, assassinatos e mutilações entre pais e filhos, ou entre irmãos. A sociedade é realmente
selvagem, e não há um só dia em que não apareçam nos jornais manchetes sobre assaltos, estupros, batidas
de carteira, incêndios provocados, brigas, assassinatos, etc. Se quiséssemos enumerar todos os atos
selvagens, não chegaríamos ao fim; somos, portanto, levados a duvidar de que este mundo seja civilizado.
Talvez fosse adequado dizer que ele é uma sociedade mais próxima à dos animais. Em vista disso, o
homem contemporâneo parece ainda ignorar o que é civilização.
A civilização atual, com o desenvolvimento das máquinas, tornou-se muito prática, e a organização e
estruturação social foram hábil e cientificamente formadas, de modo que, à primeira vista, tem-se
impressão de um progresso espantoso. Diante dessa realidade, a maioria exulta de contentamento, achando
que civilização é isso. Entretanto, ao nosso ver, não passa de uma civilização superficial; por trás dela,
somos forçados a pensar que ainda resta muito de selvageria. Para melhor compreensão, farei um
retrospecto histórico.
Em prosseguimento às eras primitiva e selvagem-subdesenvolvida, surgiu a civilização decorrente do
progresso da Religião e da Educação. Paralelamente, deveria ter diminuído a selvageria, porém o que se vê
na realidade é até o contrário. Pode parecer paradoxal, mas é mais apropriado dizer que estamos numa era
semicivilizada. A era da verdadeira civilização só se efetivará no mundo que vai ser construído daqui para
frente. Será o mundo de paz e felicidade tão esperado pelos homens. Para nossa grande alegria, esta época
está diante dos nossos olhos. A Igreja Messiânica Mundial surgiu para promover a concretização desse
mundo. Todos poderão entender isso observando as atividades que ela vem realizando; a primeira consiste
em apontar os muitos erros subjacentes na civilização atual e pregar o que é a verdadeira civilização.
Para que as pessoas acreditem nas minhas palavras, Deus está me permitindo realizar inúmeros milagres,
através dos quais fica patenteada a Sua existência. Sendo assim, a nossa Igreja não é uma religião comum,
que se possa aquilatar pelos critérios tradicionais. Podemos compreender que ela é a criadora de uma
civilização inteiramente nova e, também, a encarregada de concretizar o majestoso plano arquitetado por
Deus para esta época de grande transição na história do mundo.
4 de junho de 1952
O CARÁTER DEPENDENTE DOS JAPONESES
Nos japoneses da atualidade, nota-se uma característica muito forte: sua dependência. Em maior escala, a
nível de governo, comércio e outros setores, eles estão na dependência dos demais países. Também existe
subsídio do governo para diversos artigos de consumo e ajuda financeira do Banco do Japão. Médios e
pequenos empresários afirmam que irão à falência se não obtiverem empréstimos bancários; algumas
pessoas dizem não lhes ser possível viver sem pedir dinheiro emprestado a parentes e conhecidos; crianças
não conseguem estudar se não tiverem ajuda dos pais. Além disso, existem os desempregados, viúvas, etc.,
que vivem na dependência da ajuda do governo, dos serviços sociais e da assistência de instituições. Onde
quer que se observe, parece que nada é possível sem a ajuda de terceiros; conseqüentemente, não podemos
deixar de ficar espantados com o caráter dependente dos japoneses.
Somos forçados a admitir que a causa fundamental dessa dependência é o fato de o Japão ainda não se ter
libertado dos fortes laços do feudalismo. Naquela época, a classe predominante eram os samurais e os
funcionários do governo; o restante era a classe dos cidadãos em geral. Os mais graduados viviam da
pensão a eles concedida pelos senhores feudais; os menos graduados - excetuando os patronais - embora
recebessem uma pequena quantia, tinham sua vida garantida durante muitos anos. Caso, por exemplo, o
empregado de uma loja iniciasse uma atividade autônoma, era costume o patrão permitir que ele usasse o
nome da sua loja e até recomendar a uma parte da freguesia que comprasse na loja do ex-empregado. Os
operários não tinham direito de sociedade de classe, como hoje, e por isso viviam à custa dos senhores
feudais ou da ajuda dos patrões mais ricos. Entre a maioria das pessoas, portanto, não havia independência
nem igualdade. Elas dependiam da ajuda dos mais poderosos e, logicamente, não eram donas da sua própria
vida. Uma vez que esta situação se prolongou por vários séculos, é perfeitamente justificável a dificuldade
do povo em se libertar desse sentimento de dependência.
No que se refere às mulheres, nenhuma trabalhava fora como agora, mesmo que atingisse certa idade, de
modo que elas não tinham outra alternativa senão depender dos pais, e, uma vez casadas, deviam prestar
fidelidade absoluta à família do marido até a morte. Além disso, desobedecer ao marido ou à sogra era tido
como trair os deveres de esposa, o que tornava a situação muito mais difícil. As mulheres estavam, pois,
numa situação semelhante à de uma planta parasita, que não consegue sobreviver senão se agarrar a algo
bem forte.
Nos Estados Unidos, a situação é muito diferente. Entende-se isto analisando a história de sua formação. No
começo do século XVII, centenas de puritanos da Inglaterra emigraram para a América sem levar quase
nada. Desbravaram as montanhas e os campos desabitados e, com sacrifício e esforço, conseguiram
construir, em pouco mais de duzentos anos, a nação civilizada que vemos atualmente. Por isso, é natural
que haja uma diferença tão grande entre o pensamento dos americanos e o pensamento dos japoneses. Os
americanos não tinham em quem se apoiar, mesmo que quisessem; não havia quem os ajudasse, além deles
próprios. Por maiores que fossem as dificuldades, só dependiam de si mesmos. O único recurso era produzir
algo a partir do nada, com a própria força. É por esse motivo que sinto realmente uma grande admiração
pelos americanos.
Se o povo japonês, pelas críticas que tem sofrido, pretende reconstruir este país, precisa, antes de tudo,
seguir o espírito desbravador do povo americano. Estou certo de que a introdução desse pensamento é muito
mais eficaz que a introdução de capital. É o método fundamental, pois está baseado na Verdade de que o
espírito domina a matéria. Entretanto, podemos dizer que, entre os intelectuais do Japão, quase ninguém
percebe isso. Mesmo nos órgãos de comunicação, o que se faz é incentivar o espírito de dependência.
Talvez eu esteja exagerando, mas essa característica é própria dos pedintes acovardados, que compram a
compaixão das pessoas. Além disso, quando alguém não atende suas exigências conforme eles desejam, os
japoneses reclamam, queixam-se, revoltam-se e, por fim, com a ajuda de terceiros, tentam até derrubar esse
alguém. Parecem não perceber que, em conseqüência disso, também estão derrubando a si próprios. Com
efeito, não há tolice igual. Pode-se até dizer que, com essa atitude, não só se torna difícil reconstruir o
Japão, mas até mesmo manter a situação atual.
Quase sempre fazem-se greves como único meio de resolver os problemas existentes entre empregados e
empregadores. Talvez seja algo inevitável, mas, pensando bem, o que pode acontecer é o seguinte: quanto
mais se faz greve, mais a empresa regride, e o resultado é a diminuição da receita e, logicamente, do salário
dos empregados. É o mesmo que a pessoa apertar o seu próprio pescoço. Obviamente, tanto os
empregadores como os empregados têm por objetivo a felicidade. Se é assim, não tem fundamento que um
lado esteja feliz e o outro infeliz. Uma vez que há uma relação de reciprocidade entre ambos, se os
empregados não fizerem os empregadores lucrar, não receberão salários maiores. Não há coisa tão simples
quanto essa. Conseqüentemente, os capitalistas estão errados em desejar lucros além do normal, e os
trabalhadores também estão errados em pensar apenas em seus próprios benefícios. Além disso, quando se
analisa imparcialmente o mundo empresarial da atualidade, vê-se que, na época anterior à guerra, os lucros
dos capitalistas eram exagerados e a economia nacional também tinha uma disponibilidade incomparável
em relação à época contemporânea. Mas qual é a situação atual? Poderíamos afirmar que quase já não
existem verdadeiros empresários e capitalistas. Grandes grupos econômicos foram dissolvidos e a maioria
dos milionários foi à falência. Como desapareceram os capitalistas e também os grandes proprietários de
terras, que eram os inimigos dos comunistas, é difícil, para estes, continuar arquitetando suas lutas.
Quando se leva em conta essa situação, apesar de os grandes capitalistas serem um tanto indesejáveis na
conjuntura atual, chega-se à conclusão de que, se não surgir um grande número de médios capitalistas, será
quase impossível pensar-se no êxito dos empreendimentos. Esta é a necessidade imediata para os dias
atuais. Talvez seja por esse motivo que, no ano passado, os Estados Unidos incentivaram o Japão a adotar a
política de capitalização dos recursos. E isto se torna ainda mais evidente quando verificamos que, mesmo
na União Soviética, devido ao exagerado empenho inicial para derrubar os capitalistas, os empreendimentos
sofreram percalços e Stalin utilizou-se da política da abertura de meios para a formação de médios
capitalistas.
Por esses exemplos, vemos que, no momento, é preciso haver um sólido aperto de mão entre os
trabalhadores e os capitalistas japoneses, e não simples acordos. Somente assim poderemos aspirar ao
aumento da felicidade e do bem-estar dos trabalhadores. Entretanto, é um terrível engano pensar que nada
pode ser resolvido a não ser através de lutas. Caso isto não seja percebido, fatalmente haverá a auto-
extinção não só dos empregados como dos empregadores.
Raciocinando dessa forma, fica bem claro que o método de fazer greves para resolver os problemas entre
empregados e capitalistas não passa de simples manifestação do espírito de dependência, pois, se os
empregados pedem aumento de salário aos capitalistas é porque dependem deles. Se trabalhassem dando o
máximo de seu espírito de independência, os resultados do seu trabalho seriam muito melhores e certamente
os capitalistas é que ficariam na sua dependência. Por conseguinte, primeiro os empregados devem fazer
com que os capitalistas lucrem e, depois, exigir a justa distribuição dos lucros. Como isso é o certo e o
justo, logicamente os capitalistas não poderiam recusar-se a atender às suas reivindicações. Seguindo-se
essa diretriz, a solução dos problemas entre trabalhadores e capitalistas não seria tão difícil. Atualmente,
porém, tenta-se apenas obter a elevação dos salários, sem levar em conta as dificuldades; portanto, só
podemos julgar que está se tentando forçar a situação.
Sintetizando, nesta oportunidade eu gostaria de alertar que, para resolver esse problema, não há meio mais
eficiente do que eliminar de vez o espírito de dependência que caracteriza o povo japonês.
25 de março de 1950
OS JAPONESES NÃO TÊM AMBIÇÃO
Sem dúvida, os leitores ficarão espantados se eu disser que não existe um povo tão desprovido de ambição
como os japoneses. Entretanto, não posso deixar de dizê-lo, pois é a pura verdade. Acontece simplesmente
que a maioria das pessoas não percebe isso.
Dando exemplos concretos, os japoneses da atualidade quase não se interessam em ganhar a confiança do
próximo. Falam, sem a menor perturbação, mentiras que inevitavelmente serão descobertas, ou que estão
mais do que evidentes. E o pior: mentiras que serão descobertas assim que eles virarem as costas. Mais do
que tudo, existem muitas pessoas que não cumprem os horários combinados. Isso também constitui uma
mentira, mas, achando que é algo muito natural, qualquer pessoa faz dessa prática uma rotina. Quando se
vai fazer uma compra, o vendedor e o comprador mentem um para o outro. Como o vendedor não lucra se
for muito honesto, talvez, até certo ponto, a mentira seja inevitável, mas em geral elas são exageradas. Em
primeiro lugar, o tempo que os dois perdem nas negociações e complicações burocráticas é insuportável;
além do mais, um perde a confiança no outro. Como o comprador pede desconto, o vendedor aumenta o
preço, e vice-versa. Tratando-se de negócios de maior vulto, é preciso fazer-se ofertas e contra-ofertas,
durante meio dia ou um dia inteiro, havendo até os que demoram dias ou meses. Assim, é um grande
desperdício de tempo e dinheiro para ambos os lados.
Dar exemplo de si próprio é meio constrangedor, mas, quando vou fazer compras, sou do tipo que quase
nunca pede desconto. Só quando os artigos são espantosamente caros ou quando percebo que vou ser
enganado é que me vejo forçado a regatear, porém é muito raro. Ajo assim porque, se eu pechinchar, não há
dúvida de que o vendedor aumentará o preço na próxima ocasião; aí eu vou pechinchar outra vez, e assim
por diante. Isso dá muito trabalho e só causa experiências desagradáveis.
Os exemplos acima relacionam-se a compra e venda, mas o mesmo parece ocorrer com os funcionários de
órgãos públicos e empresas privadas. Querendo subir rápido na vida, eles gostam de mostrar suas
realizações, de contar seus feitos para todos e de se apresentar como benfeitores. Acham-se espertos por
agirem dessa maneira, mas, como seus chefes têm percepção mais aguda, acabam descobrindo a verdade e
pensando: "Este indivíduo mostra-se bom diante dos superiores, mas não deve ser leal de coração". Assim,
tais pessoas não se tornam dignas de confiança. Os empresários, por sua vez, gostam de mostrar que têm
dinheiro, quando na realidade não o têm; querem mostrar que têm apoios poderosos atrás de si e anunciar
que seus empreendimentos são muitíssimo vantajosos. Entretanto, ainda que eles triunfem
momentaneamente, estas artimanhas nunca dão bons resultados.
O que acabamos de dizer também se aplica, freqüentemente, à propaganda feita pelos padrinhos de
casamento. Quando alguém apresenta o proponente de casamento e o elogia além do que ele merece,
mesmo que o casamento fique acertado, será um desastre, antes ou depois de realizado. Além disso, os
noivos e seus familiares serão prejudicados, e o padrinho ou a pessoa que serviu de intermediário, daí por
diante não será merecedor de confiança. Muitas vezes, também, acontece de ser feita uma intensa
propaganda de remédios e cosméticos que, por um momento, são muito bem vendidos, mas que acabam não
tendo mais saída, por seus efeitos não corresponderem à propaganda.
Os exemplos são tão numerosos que parecem não ter fim. Resumindo, em todos os nossos empreendimentos
a confiança deve estar em primeiro plano. Se perdermos a confiança dos outros, será o nosso fim. Ainda que
façamos tudo com perfeição, nada dará certo. Será o mesmo que tentar encher uma peneira com água.
Todavia, parece que pouquíssimas pessoas percebem isso. Muitas, embora julguem ter feito algo com
inteligência, visando a grandes lucros, acabam perdendo a confiança do próximo. Perdem todo o seu
trabalho, restando-lhes apenas o cansaço. Quem age dessa maneira não possui ambição. Portanto, se
agirmos honestamente, sem mentir, nos tornaremos pessoas de quem todos dirão: "O que essa pessoa diz
não tem erro. Tratando-se dela, posso ter absoluta confiança". Assim, é lógico que ganharemos dinheiro,
subiremos na vida e seremos amados e respeitados pelos outros. Esse tipo de pessoa é que tem verdadeira e
profunda ambição. Aliás, eu sempre costumo dizer que o homem deve ter grandes ambições, mas a ambição
de bens eternos, e não de bens momentâneos.
1º de novembro de 1950
NAÇÃO REGIDA PELO CAMINHO
O Japão, assim como todos os países que se dizem civilizados, é regido por leis. Entretanto, a realidade nos
mostra que essa não é a forma ideal para se governar uma nação. Através da História, vê-se que é difícil
exterminar os crimes somente com o poder das leis. Como não se consegue eliminar todo o mal do homem,
os crimes são inevitáveis; conseqüentemente, só a Religião poderá trazer a verdadeira solução para o
problema. Contudo, casos que exigem soluções imediatas não poderão ser resolvidos apenas por meio dela.
Por esse motivo, em primeiro lugar é preciso ensinar ao homem o Caminho. Refiro-me ao Caminho Perfeito
e à lógica.
Embora o assunto se assemelhe à antiga moral oriental, o que agora desejo anunciar é uma moral nova e
progressista. Sou levado a isso pela evidente decadência moral da sociedade contemporânea, onde saltam
aos nossos olhos a corrupção dos jovens, o aumento do índice de criminalidade e outros fatos. Até mesmo
os intelectuais já estão percebendo a situação, tanto assim que aconselham a volta ao ensino da Moral nas
escolas e a elaboração de algo que preencha as falhas da Educação. O assunto tem servido de tema para
várias discussões, e é muito animador constatar a existência de uma preocupação nesse sentido.
Após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ficaram sem qualquer apoio, não tendo a que recorrer. O
resultado é que aumentou o número de criaturas desorientadas. Até o fim da guerra, em todas as escolas do
país, o ensino tinha por base a Moral, as sábias palavras do Imperador e também a lealdade e o amor aos
pais, profundamente enraizados no coração do povo japonês desde épocas antigas. É inegável, portanto, que
a sociedade daquela época era muito mais honesta e sincera que a da época atual. Mas nem por isso
devemos revitalizar essa velha moral; torna-se imprescindível criar uma ordem moral para a Nova Era.
Após a guerra, estabeleceu-se a democracia no Japão, e assim nos libertamos do despotismo. Isso foi muito
bom; pena é que se tenha ido além dos limites e chegado à situação presente, ou seja, a uma sociedade
predisposta à anarquia. Sendo assim, urge formar uma nova idéia moral que esteja em conformidade com a
época, eliminando o que há de mau e aproveitando o que há de bom no antigo e no novo pensamento. É
necessário construir um novo espírito japonês, semelhante ao do cavalheirismo inglês, por exemplo. Para
tanto, como expus acima, a base é o Caminho, cuja noção deve ser intensamente apregoada, não só no
ensino como na sociedade. Se conseguirmos, com isso, diminuir uma parte que seja do mal social,
ficaremos muito satisfeitos.
Dando uma explicação mais compreensível sobre Caminho, isto é, o Caminho Perfeito, devo dizer que se
trata de algo aplicável a todas as coisas; ou melhor, ele é a bússola orientadora da conduta humana.
Seguindo o Caminho, o homem não terá insucessos nem desgraças, tudo lhe correrá bem. Gozará de maior
confiança, será respeitado e amado pelo próximo e, logicamente, ficará em situação de harmonia e de paz.
Na medida em que aumentar o número de indivíduos e de lares com tais características, o mal social irá
diminuindo cada vez mais, graças à influência exercida por eles.
Por esse motivo, se continuarmos apoiando-nos apenas nas leis, como fazemos atualmente, crescerá o
número de indivíduos espertos e malvados, os quais pensam que lhes basta agir de modo a não caírem nas
mãos da Justiça. Em outras palavras, Deus, como sempre digo, é o Caminho Perfeito; adorar a Deus
significa seguir o Caminho. Portanto, o homem que se submete ao Caminho Perfeito e por ele é regido, é
um verdadeiro homem civilizado.
Este artigo, eu ofereço aos intelectuais do mundo inteiro.
7 de fevereiro de 1951
OBEDIÊNCIA AO CAMINHO PERFEITO
A essência da fé, em última análise, é a obediência ao "Dori" (Caminho Perfeito). O termo "Dori" é
constituído de "do" e "ri": "do" é o mesmo que "miti", ou seja, caminho; "ri" significa lógica.
Não existe palavra tão significativa quanto "miti". Pela ciência do espírito das palavras "mi" é água,
matéria, e "ti" é sangue, espírito; "mi" também significa negativo, e "ti", positivo. Na representação gráfica
da palavra "miti" entra a letra que, isoladamente, representa a palavra "kubi" (pescoço), e o sinal chamado
"shinnyu", que indica ligação. O pescoço é a parte mais importante do corpo; podemos viver mesmo que
nos cortem os braços ou as pernas, mas, se nos cortarem o pescoço, morreremos. É muito expressivo aquilo
que se costuma dizer quando uma pessoa é despedida do emprego: "Cortaram-lhe o pescoço". O acréscimo
do referido sinal a uma letra tão importante, torna extremamente significativa a palavra "miti".
Caminho é também o meio pelo qual todas as coisas se ligam. Os meios de transporte, as ondas elétricas, os
raios luminosos, o deslocamento das pessoas de um lugar para outro, tudo depende do caminho. Até o Sol, a
Lua e as estrelas possuem uma órbita definida, isto é, um caminho. Sendo assim, o caminho é a base de
todas as coisas e, conseqüentemente, podemos concluir como é errado desviar-nos dele.
A seguir explicarei o sentido espiritual da palavra "ri". Ela faz parte da seqüência de "ra" (a seqüência é ra-
ri-ru-re-ro), que significa espiral e cuja expressão concreta toma a forma de redemoinho. Este possui um
centro, dependendo do qual se produzem movimentos de expansão ou de contração. Se o movimento for da
esquerda para a direita, torna-se centrípedo; se for da direita para a esquerda, torna-se centrífugo.
Exemplifiquemos:
O centro de nossa Igreja é Gora, na cidade de Hakone. "Go" significa cinco, e também fogo; "ra" é
redemoinho. Isso quer dizer que o espírito do fogo se expande em movimentos centrífugos. O desenho
chamado "tomoê" (###Esse desenho existe desde a época antiga e aparece em alguns brasões, sendo muito
utilizado entre os budistas. Figuras de 1 (***tomoe1.tif***) 2 (***tomoe2.tif***) e 3 (***tomoe3.tif***)
"tomoê" mais usadas. De acordo com a direção, tornam-se centrípetas ou centrífugas###) encerra um
significado que é realmente um profundo mistério: todo movimento para a esquerda transforma-se em
movimento para a direita.
O sentido espiritual das sílabas da seqüência ra-ri-rure-ro caracteriza a atividade do dragão ("ryu-jin"). O
termo "ryujin", é constituído de "ryu" e "jin"; "ryu", por sua vez, é constituído de "ri" e "u". Quando o
dragão está imóvel, toma a forma de redemoinho. O engraçado é que a maioria das pessoas cujo nome tem
uma das sílabas ra-ri-ru-re-ro, apresentam características de dragão. Observando-as, poderemos constatar
isso.
Se eu continuar explicando essas coisas, não acabarei nunca, por isso vou me deter na palavra "ri". Ela é
formada pela junção de duas letras que, sozinhas, representam palavras cujo sentido é, respectivamente, rei
(***ou.tif***) e povoado (***sato.tif***). A primeira compõe-se de três linhas horizontais paralelas, sendo
que da linha superior, a qual representa o Céu e o Fogo, parte uma linha vertical; esta atravessa a linha
mediana, que representa o Interregno e a Água, e termina na linha inferior, que representa a Terra e o Solo.
A letra com que representamos a palavra que significa povoado (***sato.tif***) é constituída, por sua vez,
de duas outras que, isoladas, representam palavras que significam, respectivamente, arrozal em campo
alagado (***ta.tif***) e solo (***tsuti.tif***). A primeira, originariamente, era uma cruz dentro de um
círculo; a segunda é expressa da mesma forma que o número 11 em algarismos japoneses, ou seja, uma cruz
sobre uma linha. O número 11 também tem o sentido de unificação; portanto, "ri" é a ação básica de todas
as coisas e tem o sentido de PERFEIÇÃO. O nome da Igreja Tenrikyo, onde também entra essa palavra, é
um nome muito bom.
"Riho" (lei) é uma palavra bastante usada e, a propósito, vou explicar o sentido espiritual de "ho". "Ho" é
fogo, e "o" é água. De acordo, porém, com a ciência do espírito das palavras, "o" está incluído em "ho"; isto
quer dizer que o fogo arde continuamente por ação da água. Graficamente, "ho" compõe-se de duas
palavras cujo sentido é: anular a ação da água. Como esta corre horizontalmente, há o perigo de gerar
desordem; portanto, anulada sua ação, fica apenas o vertical, o que significa a imobilidade absoluta. Daí se
conclui que não podemos infringir o "ho", que é a Lei.
Se juntarmos tudo isso, entenderemos o profundo significado do "Dori". Em resumo, podemos dizer que
"Dori" (Caminho Perfeito) é Deus. Obedecer a ele é obedecer a Deus. O homem, em quaisquer
circunstâncias, deve sempre respeitá-lo, obedecer-lhe e jamais desviar-se dele.
20 de novembro de 1950
RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E POLÍTICA
Atualmente, a sociedade está repleta de males. Por toda parte ocorrem fatos desagradáveis, uns após outros;
a intranqüilidade das pessoas alcança o auge. É urgente, portanto, meditar muito, para encontrar a causa dos
males sociais. De onde eles provêm? A quem responsabilizar?
Obviamente, a culpa não poderia deixar de ser da Religião, da Educação e da Política. A chave para a
solução do problema é saber em que ponto está localizado o gravíssimo equívoco.
Em primeiro lugar tratarei da Religião.
Excetuando o cristianismo, as outras religiões tradicionais estão muito atrasadas. Inclusive o budismo, que
nasceu há mais de dois mil e seiscentos anos, visando o povo hindu, já não condiz com a nossa época, por
mais importante que tenha sido Sakyamuni e por mais profundos que sejam os seus ensinamentos.
Naturalmente, a situação é ainda mais grave com a sociedade japonesa atual. Os hindus daquela época
faziam meditações diárias no interior das matas e liam milhares de livros sagrados para encontrarem a
Verdade. Para os homens atuais, no entanto, que precisam trabalhar da manhã à noite a fim de ganhar o pão
de cada dia, isso é impraticável. É mesmo natural que, apesar de todos os seus esforços para se manterem
ativas, as religiões tradicionais nada conseguiam fazer além de proteger os túmulos e lamentar a situação
em que se encontram. Se elas se valem da assistência social como único meio para sobreviver, ninguém
poderá negar que estão fora dos campos da atuação religiosa.
Quanto à Educação, também está muito distante do verdadeiro caminho. Seu real objetivo é formar homens
íntegros, isto é, homens que façam da justiça o seu código de Fé e se esforcem para aumentar o bem-estar
social, contribuindo para o progresso e a elevação da cultura. Na situação atual, porém, até mesmo os que
se formam nas melhores escolas superiores praticam crimes e outras ações que prejudicam a sociedade.
Urge fazer algo para modificar essas condições.
O maior erro da Educação é ser totalmente materialista. Estamos cansados de dizer que, se ela não evoluir
juntamente com o espiritualismo, não lhe será possível nem mesmo sonhar em atingir seu verdadeiro
objetivo. Entretanto, como esse erro vem de longa data, estamos conscientes de que enfrentaremos muitas
dificuldades se tentarmos eliminá-lo bruscamente.
O ideal espiritualista é fazer reconhecer a existência do espírito, o que significa fazer reconhecer a
existência de Deus. Sem isso, o espiritualismo não teria fundamento. Naturalmente, a Religião encarregou-
se disso até hoje, mas não obteve resultado visível, porque não havia uma religião com força suficiente para
tanto. Nasceu, então, a nossa Igreja, dotada de força para fazer com que todos reconheçam o espiritualismo
e com que a Religião e a Ciência caminhem lado a lado. Dessa forma, nascerá um mundo de eterna paz,
onde todos poderão viver uma vida celestial. Se o progresso da cultura, por maior que ele seja, não
promove, paralelamente, o aumento da felicidade, a culpa cabe ao próprio homem, que ficou preso apenas à
cultura material. A humanidade precisa perceber isso o quanto antes.
No que concerne à Política, sua situação também é calamitosa. Tomarei por base exclusivamente a política
japonesa, que, mesmo sob domínio estrangeiro, é assaz medíocre. Sendo ela materialista, seu conteúdo
torna-se mais medíocre ainda. Podemos afirmar que não existem muitos políticos de visão ampla e que a
maioria se resringe às tarefas do dia-a-dia. Isso acontece porque seus espíritos estão maculados, de modo
que, embora sejam políticos, eles não conseguirão, de maneira alguma, manter um desempenho desejável se
não tiverem por base a Fé. Como as religiões tradicionais não têm força suficiente para modificá-los, a
única solução é o aparecimento de uma religião nova e poderosa.
27 de agosto de 1949
RELIGIÃO E POLÍTICA
Apesar de haver uma estreita relação entre Religião e Política, é estranho que isso não tenha despertado
muito interesse. Na realidade, até o término da Segunda Guerra Mundial, a Política, longe de apreciar a
participação da Religião, vivia oprimindo-a. Desde a antigüidade este fenômeno se fez notar em vários
lugares, registrando-se não poucos casos da quase extinção de religiões devido à violência das perseguições.
No entanto, por mais que a Religião tente realizar o seu objetivo, que é a construção de um Mundo Ideal,
para incrementar a felicidade do homem, torna-se evidente que ela jamais atingirá essa meta se a Política
não for justa. Sendo assim, uma Política escrupulosa requer políticos íntegros e, para preencherem essa
condição, eles devem ser dotados de religiosidade.
No Japão - desconheço a situação no estrangeiro - um erro no qual os políticos têm inclinação para incorrer
é a corrupção. Pode-se dizer que isso acontece porque eles são escravos do materialismo, cuja origem está
na falta de religiosidade. É desejável o aparecimento de políticos dotados de espírito religioso, pois só
assim poderemos alimentar esperanças quanto ao futuro, aguardando o bom desenrolar dos destinos da
Nação. No que se refere à construção de um novo Japão, é necessário, sobretudo, incutir espírito religioso
nos políticos, para que seja realizada uma Política arraigada no senso religioso.
Atualmente o povo vive criticando, e com razão, a degeneração da Política, as fraudes eleitorais, a
prevaricação dos funcionários públicos, a degradação dos educadores, etc. Os próprios políticos, os órgãos
competentes e o povo empenham-se com unhas e dentes na solução purificadora dos problemas dessa
lamacenta sociedade. Infelizmente, na prevenção do crime, conta-se apenas com a força da Lei, mas esta
não atinge o âmago da questão, pois a causa dos crimes está no interior do homem, ou seja, na sua alma.
Purificar a alma é o método verdadeiramente eficaz. Estou convicto de que isso só poderá ser conseguido
através de uma Fé verdadeira.
25 de janeiro de 1949
AS LEIS E O CARÁTER SELVAGEM DO HOMEM
No mundo atual, quanto mais civilizado é um país, mais complexo é o seu sistema legislativo. Como todos
podem ver, os artigos das leis tendem a aumentar a cada ano; pode-se até dizer que a época contemporânea
é a época da onipotência da legislação. Ora, a existência de muitas leis significa que é difícil os oficiais de
justiça e os advogados de uma repartição memorizarem todas elas, mesmo utilizando a vida inteira. De fato,
se eles não conseguem dar conta daquilo que lhes diz respeito, os efeitos das leis deveriam ser mais
visíveis; entretanto, ao invés de diminuírem, os crimes tendem a aumentar cada vez mais com o passar dos
anos. Por que será? Não é realmente incompreensível? É uma total contradição ao progresso da cultura. Por
isso, desejo analisar a causa do problema.
Seria desnecessário dizer que o principal objetivo das leis é diminuir a criminalidade e construir um mundo
sem crimes. Entretanto, o que se vê é justamente o contrário, como dissemos há pouco. No Congresso
Nacional realizado anualmente, o assunto que mais se discute é o aumento dos artigos das leis. No entanto,
se a cultura progredisse do modo previsto, o número de criminosos iria diminuindo cada vez mais e, com
certeza, surgiriam artigos desnecessários nas leis. Sendo assim, não deveria ser discutida também, no
Congresso Nacional, a eliminação de partes da lei? Mas o interessante é que, embora isso não aconteça,
ninguém estranha o fato, pois as pessoas perderam as esperanças, achando que a situação não tem mais
solução.
Compreendemos perfeitamente que é impossível eliminar os crimes somente com as leis. Todavia, no
momento, se elas não existissem, haveria uma catástrofe: o mundo seria dominado pelos maus, e os bons
não conseguiriam dormir tranqüilos. Por isso, as leis precisam continuar existindo, mas seria bom unir a
elas um meio eficaz. Em princípio, só podemos valer-nos da Educação e da Religião, mas delas também
não podemos esperar muito, pois, durante dezenas de séculos, viemos nos utilizando desses recursos e o
mundo humano ainda se encontra na situação de que estamos vendo.
Já escrevi anteriormente que as leis têm quase o mesmo significado que o aprisionamento de animais
ferozes em jaulas. Se estas não existissem, haveria perigo de que eles fizessem mal às pessoas e aos animais
domésticos. Assim, as leis não passam de um rígido controle feito com redes e grades fortes. Como os
homens tentam violá-las, se nelas houver brechas, elas vão se tornando cada vez mais fechadas. Para
impedir essa violação, a cada ano se fazem leis mais complexas e policiamento mais rigoroso, o que, aliás,
é uma vergonha para o ser humano. Por esse motivo, se os homens de hoje estão sendo tratados como se
fossem animais, não é possível nos orgulharmos muito de nossa condição humana. Caso refletíssemos bem
sobre esses pontos, despertaríamos o quanto antes. A antiga expressão "animal com aparência de homem"
se adapta perfeitamente aos homens da atualidade. Em suma, o homem ainda não conseguiu se libertar do
estado semicivilizado e semi-selvagem.
Naturalmente, existem diversos níveis de pessoas, isto é, as que merecem ser tratadas como gente e as que
devem ser tratadas como animais. Do mesmo modo que existem países belicosos, existem países pacifistas,
sendo que aqueles são selvagens, e estes, verdadeiramente civilizados.
A seguir falarei sobre a Educação. O tema já passou pelo crivo das experiências realizadas até hoje;
portanto, não há necessidade de escrever muito a respeito.
Há muitos séculos, como todos sabem, inúmeros pedagogos vêm se esforçando nesse campo. Podemos
reconhecer-lhes certo mérito, mas sua força não vai além disso. Não obstante, em relação à época selvagem,
a sabedoria humana se desenvolveu bastante, e tanto a política como as organizações sociais e demais
setores da sociedade conseguiram espantoso progresso, de modo que não podemos desprezar a contribuição
da Educação. É inegável, entretanto, que faltou força na parte espiritual, ou seja, no aspecto referente ao
melhoramento do espírito, visto que até agora não foi possível prescindir-se da jaula denominada lei.
Quanto à Religião, obviamente lhe reconhecemos certo mérito no sentido da salvação espiritual. Mas ela
também não conseguiu fazer com que as leis se tornassem desnecessárias, apesar do aparecimento de
inúmeros santos maravilhosos e personalidades relevantes, e dos esforços e sofrimentos de seus seguidores e
até mesmo de fiéis, que chegavam a sacrificar sua vida. Conseqüentemente, não podemos esperar muito das
religiões tradicionais.
Então, surge o problema: que fazer para eliminar verdadeiramente o caráter animal do homem e construir
uma sociedade que não tenha necessidade de jaulas? Evidentemente, é preciso que surja uma força até
agora nunca vista, que supere a cultura tradicional. Mas devemos nos alegrar, pois essa força nos foi
atribuída por Deus - Senhor do Universo - e de fato nós a estamos manifestando. Como ela é a essência da
nossa religião, podemos dizer que esta é realmente uma Ultra-Religião. Na qualidade de precursores do
Mundo da Luz, que está para se concretizar, gostaria que considerassem minhas palavras como o primeiro
alarme para despertar a humanidade da ilusão em que ela está vivendo.
22 de agosto de 1951
PODER REVOGANTE OU PODER CONSTITUINTE?
Estes termos referem-se ao Congresso Legislativo. De fato, a cada ano, aprovam-se novas leis. Entretanto,
isso não é motivo para orgulho, pois as leis são instituídas porque o mal social aumenta. Caso aumentasse o
número de homens honestos, não haveria necessidade de leis; portanto, não seria necessário instituí-las. O
verdadeiro progresso da cultura só terá sido alcançado quando a função do Congresso Legislativo consistir
em revogar as leis.
6 de agosto de 1949
A TOLICE DO CONTROLE DA NATALIDADE
Em três oportunidades escrevi a respeito do controle da natalidade, mas volto a fazê-lo por ainda haver
pontos em que não foi dito o suficiente.
Atualmente, o Japão está incentivando o controle da natalidade, devido à insuficiência de alimentos em
relação ao elevado número de seus habitantes. Analisando bem, essa é realmente uma visão a curto prazo.
Suponhamos que uma criança nasça agora. Para ela se tornar adulta, são necessários vinte anos; todavia,
uma vez que estamos atravessando uma situação tão instável, não podemos imaginar como será o mundo
daqui a vinte anos. Nem mesmo se pode ter idéia das grandes mudanças que poderiam ocorrer num prazo de
cinco anos. Por conseguinte, ainda que entre em vigor neste momento o método para diminuir a população
do país através do controle da natalidade, é impossível saber se daqui a alguns anos ainda será necessária
essa preocupação. Isso não significa que devamos pensar em expandir nosso território, cometendo os
mesmos erros do passado; nem em sonho deve-se pensar nisso. Mas quem pode dizer que não virá a época
em que o problema da população será resolvido pacificamente?
Vejamos. Caso fosse concretizada a Nação Mundial de que falam certos intelectuais dos Estados Unidos,
talvez fosse possível a política de contrabalançar a população dos países, isto é, fazer com que parte da
população de um país superpovoado emigrasse para lugares onde a densidade demográfica seja baixa.
Acredito que haja muita possibilidade de se colocar em prática essa política, pois o desequilíbrio
populacional é um dos motivos de intranqüilidade para um país. Sendo assim, os que são a favor do
controle da natalidade talvez precisem levar em conta esses pontos. Na minha opinião, a Nação Mundial
provavelmente se concretizará mais rápido do que se imagina. Digo isso porque no dia em que,
pacificamente ou por meio da guerra, for resolvido o grande problema do mundo atual, isto é, a ameaça
representada pelas relações entre os Estados Unidos e a União Soviética, concretizar-se-á, obviamente, a
Era de Paz eterna, e então nascerá a Nação Mundial.
20 de agosto de 1949
NÃO MENOSPREZE OS CÁLCULOS
Na minha opinião, o que mais falta aos políticos japoneses são conhecimentos sobre Economia. Em síntese,
são os cálculos. Entretanto, isso não acontece somente na política; em qualquer empreendimento é
impossível obter êxito quando se esquecem os cálculos. E estes não dizem respeito apenas às coisas
relacionadas a dinheiro. Seja qual for a circunstância, para sabermos claramente as possibilidades de lucros
e prejuízos, vantagens e desvantagens, não podemos menosprezar os cálculos.
É óbvio que, segundo a teoria política da democracia, deve ser respeitada a vontade da maioria da
população, mas isso é conseguido através do número de votos, e estes só podem ser obtidos através dos
cálculos. Não há qualquer probabilidade de sucesso ou progresso quando se negligencia esse aspecto.
O melhor exemplo do que dizemos é a última grande guerra. Talvez haja várias causas para a derrota do
Japão, mas a principal foi o pouco caso que se fez dos cálculos. Com base nestes, os japoneses não
deveriam ter iniciado a guerra, mas, uma vez iniciada, ainda que por um erro, deveriam ter-lhe colocado um
ponto final o mais rápido possível. Deixando-se escapar essa oportunidade, à medida que a guerra
prosseguia, mais desvantajosa ficava a situação, o que se torna evidente, ao relembrarmos aquela época.
Não é apenas para o mundo atual que os cálculos têm importância; eles sempre foram importantes. Um dos
principais motivos pelos quais o senhor feudal de nome Yoritomo (1147-1199) conseguiu dominar o Japão
foi a grande riqueza que ele acumulou utilizando um homem hábil em descobrir minas de ouro, chamado
Kanebori Kitiji. O mesmo aconteceu com Toyotomi Hideyoshi (1536-1598), que se tornou poderosíssimo
graças ao ouro obtido na mina de Sado. Podemos ter idéia da quantidade de ouro e prata que ele armazenou
através de uma famosa história que contam a seu respeito. Quando Hideyoshi construiu a mansão Jurakudai,
convidou, para uma festa, todos os senhores feudais daquela época, aos quais deu o seguinte presente:
margeou com pepitas de ouro e prata o caminho que eles teriam de percorrer, desde o portão da casa até a
entrada - um percurso nada pequeno - e deixou que eles levassem as pepitas que pudessem. O mesmo ainda
se poderia dizer de Ieyassu Tokugawa (1542-1616), cuja dinastia conseguiu manter-se no poder durante
trezentos longos anos graças ao ouro da mina de Sado. Segundo uma famosa história, com intenção de
procurar ouro por todo o país, ele se valeu do célebre descobridor de minas Okubo Iganokami, o qual
descobriu a mina de ouro de Izu Oohito.
Com o passar do tempo, entretanto, o ouro da mina de Sado foi escasseando. No fim da época feudal no
Japão, tendo diminuído grandemente a exploração dessa mina, surgiu a ameaça de falência econômica;
conseqüentemente, os soldos pagos até então aos vassalos tornaram-se inconstantes, o que os levou a passar
dificuldades financeiras. É indiscutível que essa foi a causa da queda do regime feudal.
Como sou religioso, qualquer pessoa poderia pensar que não me interesso por Economia. Mas isso não
corresponde à realidade. Talvez pelo fato de já ter sido empresário, estou seguro de que ninguém poderia
me passar para trás em matéria de cálculos. Para falar a verdade, comendo e vestindo-me humildemente, e
morando num barraco, como os religiosos antigos, não me seria possível salvar o homem contemporâneo.
Os tempos são outros, e os terrenos e as construções devem estar de acordo com eles. Até para construir o
modelo do Paraíso Terrestre é preciso uma enorme soma de dinheiro. Por isso, é óbvio que os recursos
financeiros constituem uma das bases para a expansão de nossa Igreja. Nesse aspecto, a religião mais
conhecida do mundo religioso atual é a Igreja Tenri-Kyo. Seu ponto forte, todos o sabem, é a grande
importância que ela sempre deu à obtenção de capital desde os tempos antigos.
Por essa variedade de exemplos, pode-se entender que, desde o governo de uma nação até um
empreendimento particular, nada vai bem se desprezarmos os cálculos. A esse respeito, convém lembrar os
Estados Unidos. A maioria dos poderosos políticos americanos saiu do mundo empresarial. É famoso,
também, o caso do Presidente Trumann, que há vinte anos era comerciante de miudezas. Fala-se, ainda, que
muitos militares poderosos foram empresários. Por isso, a principal razão de os Estados Unidos ocuparem a
posição que hoje ocupam é que a maior parte de seus governantes foram empresários hábeis nos cálculos.
Em contrapartida, observando os dirigentes do Japão, vemos que quase todos se tornaram funcionários do
governo logo depois que saíram das universidades, só tendo conseguido posição após longo tempo no cargo.
Por isso, além de não saberem nada sobre a sociedade, não têm o menor interesse pelos cálculos.
Assemelham-se a filhinhos de papai, ou a principezinhos. A melhor prova são os empreendimentos
governamentais. A Ferrovia Nacional, por exemplo. Enquanto as companhias ferroviárias particulares
continuam distribuindo dividendos anualmente, embora irrisórios, a Ferrovia Nacional tem um déficit de
vários milhões de ienes. O mesmo acontece com a venda de cigarros: eles são vendidos a um preço
exorbitante, apesar de sua má qualidade. Realmente, os governantes não passam daquilo que o povo
costuma chamar de "negociantes amadores". Por conseguinte, seria desejável que, doravante, surgissem
muitos políticos que atuem ou tenham atuado na área empresarial. Esclareço que esta é a condição
fundamental para a reconstrução do nosso país.
10 de setembro de 1949
A CAUSA DA POBREZA
O objetivo da nossa Igreja é construir um mundo isento de doença, pobreza e conflito. Quanto às questões
relacionadas à doença, tenho a impressão de já tê-las examinado e explicado detalhadamente, sob todos os
ângulos; não obstante, pretendo continuar dando esclarecimentos a respeito, pois se trata da medicina
indicada por Deus. Agora, porém, falarei sobre o problema da pobreza.
A pobreza é decorrente da perda da saúde. Contudo, existem outras causas importantes. Além de não poder
trabalhar, por causa da doença, a pessoa tem de gastar muito dinheiro com tratamentos médicos. Se for
pouco tempo, ainda é suportável, mas, quando a doença se prolonga por um longo período, acarreta
desemprego. Assim, o sofrimento causado pela doença é acrescido das dificuldades financeiras, de modo
que a pessoa, com seu sofrimento duplicado, fica envolvida pelas escuras nuvens da intranqüilidade em
relação ao futuro, não conseguindo ir nem para frente nem para trás. Podemos dizer que esse sofrimento é
um verdadeiro inferno.
Por toda parte existem inúmeras criaturas em tal situação. Esses infelizes, ao conhecerem a nossa Igreja,
logo conseguem vislumbrar a luz da esperança em relação ao futuro e sair do inferno em que vivem,
começando a ter uma vida alegre. São exemplos concretos, que podem ser vistos em quantidade nas
Experiências de Fé.
A maior parte dos casos de pobreza podem ser solucionados dessa forma. Mas, aprofundando um pouco
mais, abordarei outro aspecto importante. Para tanto, relatarei minha experiência sobre o assunto, com a
qual desejo ensinar o segredo da solução definitiva do problema.
Quando eu era jovem, apesar de ser ateu, sempre tive o desejo de melhorar a sociedade. Achando que, para
isso, não havia meio mais eficaz do que uma empresa jornalística, fiz várias pesquisas e fiquei sabendo que,
naquela época, precisaria de mais ou menos um milhão de ienes. Ora, eu sou de família pobre e só pude me
casar e ter um lar graças à pequena soma em dinheiro que me foi presenteada por meus pais. Abri, então,
uma lojinha de miudezas a varejo, a qual tinha uma largura de 2,70 m. Como os resultados foram bons, em
pouco mais de um ano comecei no comércio por atacado e, aproximadamente dez anos depois, era
considerado um bem-sucedido na vida; meus bens somavam o equivalente a cento e cinqüenta mil ienes
daquela época (1919). Precipitando-me em conseguir logo a quantia necessária para a abertura da empresa
jornalística, estendi demais a mão, de modo que acabei falindo, com dívidas até o pescoço.
Conseqüentemente, tive de desistir da idéia de abrir a empresa.
Desesperado, recorri à Religião. Durante mais ou menos vinte anos, passei por inúmeros percalços e
dificuldades, tendo sofrido muito por causa de vultosas dívidas. Agora, entretanto, vejo que tudo isso
constituiu a minha prática ascética. Em geral, os religiosos se isolam nas montanhas, banham-se em
cascatas e fazem jejum, mas acho que a minha prática foi muito mais difícil e sofrida. E não foi apenas uma
ou duas vezes que me vi afundando em problemas financeiros. Vou revelar a "filosofia da pobreza", que
adquiri nessa época, através do estado de Iluminação.
Além da doença, a causa da pobreza são as dívidas. Cheguei à conclusão de que, se não as contrairmos,
jamais ficaremos pobres. Ora, quando se toma dinheiro emprestado, inevitavelmente chega o dia em que se
tem de pagar a dívida. Entretanto, ainda que se disponha do dinheiro suficiente, geralmente a data
determinada para o pagamento é adiada. Aí está o desencontro. Quando se faz uma dívida, correm juros
todos os dias, sem falhar um só, até que ela seja liquidada completamente. Por conseguinte, ainda que a
pessoa tenha calculado um lucro considerável, subtraindo-se os juros, quase não haverá lucro. Além do
mais, a dívida provoca uma constante intranqüilidade espiritual, e, nesse estado, a inteligência se atrofia,
sendo impossível surgirem boas idéias.
As dívidas são a causa da maioria dos fracassos ocorridos na sociedade, e da maioria dos casos de pobreza.
Eu, que despertei para essa realidade, sempre digo às pessoas: "Se você tiver cem mil ienes, empregue num
negócio apenas um terço dessa quantia, isto é, trinta mil ienes". Esse empreendimento, à primeira vista,
parece pequeno, mas, com o passar do tempo, tornar-se-á grande. Caso haja um fracasso, a pessoa poderá
começar tudo novamente, com outros trinta mil ienes e um novo método, pois já tem experiência do
fracasso. É assim que a maioria começa a percorrer o caminho do sucesso. Ocorrendo outro fracasso, ainda
restarão à pessoa os últimos trinta mil ienes; se ela fizer nova tentativa, é certo que desta vez será bem
sucedida.
A maior parte das pessoas, no entanto, se tiverem cem mil ienes, começam empregando essa quantia toda;
às vezes até fazem empréstimo de mais cinqüenta mil. Assim, começam com cento e cinqüenta mil, o que é
realmente uma aventura. Se o empreendimento falhar, é natural que elas recebam um golpe fatal, do qual
nunca mais conseguirão se recuperar. Todavia, se as pessoas agirem como eu faço, haverá um superávit
monetário. Por isso, quando aparecem negócios pouco dispendiosos ou de lucro certo, deve-se entrar logo
em ação. Ao contrário, quando a pessoa está com todos os seus recursos empatados, muitas vezes pode
surgir um imprevisto na hora do pagamento, obrigando-a a deixar passar o prazo determinado. Com isso, a
confiança que depositaram nela diminui. Se há uma reserva de dinheiro, ela sempre pode cumprir com a
palavra no prazo do pagamento e, assim, ganhar maior crédito. É dessa forma que se obtêm grandes lucros.
Darei maiores exemplos sobre o assunto.
O principal motivo da derrota do Japão na última guerra foi a política de empréstimos. Parece que quase
ninguém percebe esse fato, mas é preciso que se atente bastante para ele.
Até o início da guerra, o Japão veio aumentando suas importações a cada ano. Como as dívidas se
avolumavam, foi necessário fazer novos empréstimos para pagá-las. Com esses empréstimos, o país
aumentou seu poderio militar, expandiu seu território e cada vez estendeu mais suas mãos para invadir
outros países. Naturalmente, além de empréstimos externos, também se fizeram empréstimos internos, de
modo que o Japão acabou expandindo a política das dívidas públicas até o fim dos limites. Os prejuízos que
a Ferrovia Nacional está sofrendo, atualmente, também são herança dessa política. Caso não a tivessem
adotado, talvez não surgissem pessoas ambiciosas, ávidas de invasões. E mais: a cada ano o comércio
aumentaria as exportações, e, sem dúvida alguma, o Japão estaria numa ótima situação. Em conseqüência, a
cultura de cunho pacífico expandir-se-ia amplamente, a moral do povo se elevaria e seríamos uma nação
feliz, invejada pelo mundo inteiro. Além disso, o país poderia importar com facilidade tudo quanto
precisasse em matéria de alimentos, dando aos demais países uma sensação de paz e tranqüilidade em
relação ao seu povo. Como resultado, as nações possuidoras de grandes territórios receberiam com muito
prazer os imigrantes japoneses, e tornar-se-ia desnecessário o controle da natalidade.
Se a política de empréstimos de uma nação tem essas conseqüências, nos casos particulares acontece o
mesmo. Acredito que, através de minhas palavras, compreenderam o método que deve ser empregado para
solucionar o problema da pobreza.
30 de junho de 1949
A RESPEITO DAS DÍVIDAS
Como tenho dito várias vezes, durante longo tempo sofri por causa das dívidas, e posso dizer que não há
nada mais horrível. Talvez todos passem por essa experiência, pois, quando se contrai uma dívida, é muito
difícil saldá-la.
Ao fazer um empréstimo, a pessoa pensa em pagar o mais rápido possível, mas, ainda que consiga o
dinheiro suficiente, é próprio do ser humano não fazê-lo tão facilmente. Pensando em empregar esse
dinheiro, ela deixa o tempo correr, acreditando que poderá pagá-lo depois de lucrar mais um pouco. Assim,
arranja pretextos que lhe convêm. Se, por felicidade, a pessoa consegue pagar a dívida assim que obtém a
quantia suficiente, ganha a confiança daquele que lhe emprestou o dinheiro, o qual se mostra disposto a
conceder-lhe novo empréstimo. Então, ela pede mais dinheiro, elevando a quantia.
O dinheiro nunca entra de acordo com o previsto, mas sempre sai de acordo com o estabelecido, e é por isso
que não se consegue devolvê-lo no prazo estipulado. Uma vez aprisionada pelas dívidas, não é fácil a
pessoa desvencilhar-se delas; por fim, torna-se um hábito pedir dinheiro emprestado. Existe até quem se
sente mal quando não tem dívidas. Talvez, em dez pessoas, não haja uma só que, tendo feito uma dívida,
consiga livrar-se desse hábito para sempre.
Atualmente, a maior parte dos problemas sociais tem origem nas dívidas contraídas. Dizem que a maioria,
senão todos os casos judiciais, são causados por elas. Por conseguinte, a primeira condição para eliminar os
conflitos que existem no mundo, é fazer todo o possível para não contrair dívidas. Quando elas forem
inevitáveis, devemos saldá-las o quanto antes. Se todos agissem assim, formar-se-ia uma sociedade feliz e
diminuiriam os problemas das pessoas.
Outro fato que eu gostaria de frisar é que as dívidas encurtam a vida. O falecido Sr. Kihatiro Okura sempre
dizia isso, e realmente é a pura verdade. Nada obscurece tanto o espírito do homem como as dívidas.
Tomando como exemplo a minha própria experiência, após libertar-me delas, senti-me como se tivesse
saído de um longo período na prisão.
25 de fevereiro de 1950
DEVEMOS OU NÃO DEVEMOS FAZER DÍVIDAS?
Durante mais de vinte anos, provei sofrimentos causados pelas dívidas. Para que possam fazer uma idéia,
recebi várias intimações judiciais e sofri uma falência. A "filosofia da dívida", da qual falarei a seguir,
baseia-se nas conclusões que tirei de todas estas experiências.
Farei uma análise da pessoa que está para fazer um empréstimo.
Existem empréstimos ativos e passivos. O empréstimo ativo é aquele que se faz quando se vai começar um
empreendimento, já calculando que uma quantia X vai dar um lucro Y; isto é, faz-se o cálculo de modo que
sobre algum dinheiro mesmo depois de subtraídos os juros. Esse tipo de empréstimo, todos o conhecem.
Entretanto, no caso dos empréstimos passivos, sai mais dinheiro do que entra, por isso ele está sempre
faltando.
É comum a pessoa fazer dívidas por não haver outra alternativa. Quando as coisas começam a apertar, ela
não consegue pensar no futuro. Diante de uma situação difícil, tenta livrar-se dos compromissos imediatos,
sem levar em consideração se os juros são altos ou baixos; o importante, para ela, é conseguir o
empréstimo. Muitos anúncios publicados atualmente nos jornais, sobre a concessão de empréstimos, são
desse tipo. Podemos dizer que, a essa altura, entre dez dessas pessoas, oito ou nove estão a um passo do
abismo.
Esta classificação dos empréstimos é uma classificação feita a grosso modo. Agora vamos analisar o caso
de não se fazer o empréstimo.
Começa-se o empreendimento com o capital que se possui no momento. Mesmo que seja um negócio de
pequeno porte, não há outro recurso. Suponhamos, por exemplo, que se tenha cem mil ienes. Inicialmente,
emprega-se a metade ou um terço desse capital. Como o restante fica guardado, poder-se-á pensar que o
negócio progredirá muito lentamente. Além disso, esses cem mil ienes devem ser obtidos com o esforço
próprio, sem a ajuda de ninguém, pois assim estarão impregnados de suor e terão força. Depois, inicia-se o
empreendimento, que deve ser do menor porte possível. Exemplifiquemos.
Comecei o método de terapia pela Fé no mês de maio de 1934, alugando uma casa de cinco cômodos por
setenta e sete ienes. Estava situada na rua Hiraga-tyo, no bairro de Koji Mati (Tóquio). Achei que era uma
casa boa demais; entretanto, como as condições eram ótimas, decidi alugá-la. Na época, eu ainda tinha
muitas dívidas, mas fiz esse empreendimento pensando em praticar a filosofia para a qual despertara através
delas. As idéias sobre esse princípio filosófico me foram fornecidas pela Grande Natureza. Podemos
entendê-lo observando os seres humanos. A criança recém-nascida, com o passar dos meses e dos anos, vai
crescendo cada vez mais, e a sua força e inteligência tornam-se adultas. O mesmo acontece com as plantas.
Plantando-se uma pequena semente, ela germina, formando um broto; a seguir saem duas folhinhas e,
depois das folhas propriamente ditas, o caule se desenvolve, os galhos se expandem, até que a planta se
torna uma enorme árvore. Esta é a verdade. Portanto, os seres humanos precisam seguir esse exemplo. Eu
tive a revelação de que, praticando fielmente o princípio acima, não deixaria de obter grande sucesso.
Decidi, pois, em qualquer empreendimento, partir da menor forma possível.
A maior parte das pessoas, no entanto, tenta fazer coisas grandes e aparatosas desde o começo. Observando
bem, vemos que a maioria acaba fracassando. Quase todos os empreendimentos da sociedade são assim. As
pessoas começam por negócios de grande porte e só depois de fracassarem é que, forçadas pelas
circunstâncias, seguem a ordem, ou seja, começam tudo de novo, fazendo pequenos empreendimentos. Só
então é que conseguem sucesso.
A propósito, os negócios nunca se processam de acordo com a lógica ou com os cálculos. Existem vários
motivos para isso, mas o mais importante é a influência da mente. Como o dia do vencimento da dívida
nunca deixa de chegar, aconteça o que acontecer, essa preocupação está continuamente martelando a
cabeça da pessoa. Naturalmente, a realidade nunca acompanha os planos. Com essa preocupação constante
na mente, não surgem boas idéias. Esse é o ponto mais desvantajoso. Ora, com os bolsos sempre vazios, as
pessoas não têm vitalidade. Mesmo que se enfeitem exteriormente, são pobres material e espiritualmente.
Por isso, mostram-se inibidas em todos os seus empreendimentos, não têm força para crescer, estão sempre
descontentes. Os comerciantes, por exemplo, não conseguem fazer compras mesmo que as mercadorias
estejam baratas; conseqüentemente, deixam de lucrar. Como a maioria prorroga o prazo do pagamento da
dívida, a confiança dos outros diminui. Se o prazo se prolonga por muito tempo, começam a correr juros em
cima de juros. A essa altura, a pessoa começa a se afobar e força a situação. Quando isso acontece, é o seu
fim. Eu sempre faço advertências sobre a afobação e as situações forçadas, mas a maioria das pessoas não
percebe isso. Mesmo que momentaneamente os resultados sejam bons, eles nunca duram muito tempo.
Os famosos senhores feudais Nobunaga e Hideyoshi, por exemplo, fracassaram porque se afobaram e
forçaram situações. Em contrapartida, o domínio da dinastia Tokugawa durou trezentos longos anos porque,
nos métodos empregados por Ieyassu, seu fundador, não houve afobação ou situação forçada nem mesmo
para ele assumir o poder. Ieyassu utilizava-se da famosa tática de "ceder para vencer", quando achava que a
situação estava um pouco difícil: esperava a oportunidade propícia, isto é, aguardava que o tempo ficasse a
seu favor. Assim, fez com que o poder rolasse naturalmente para as suas mãos.
Eis o conselho de Ieyassu: "A vida do homem é como uma longa caminhada carregando um pesado fardo.
Não se deve ter pressa". Essas palavras expressam muito bem o seu caráter. A derrota do Japão, nesta
última guerra, teve várias causas, mas não há dúvida de que a afobação e as situações forçadas foram
fatores decisivos, embora, desde o início, o procedimento dos japoneses tenha sido errado.
Não se deve fazer empréstimos para pagar dívidas, mas foi o que aconteceu no período final da guerra, e
pelo mesmo motivo foi emitido dinheiro de maneira bem desordenada. Essa foi, em grande parte, a causa
da inflação.
A Inglaterra, logo após a formação do gabinete trabalhista, tomou dos Estados Unidos um empréstimo de
três bilhões e setecentos milhões de dólares. Acho que seria uma boa iniciativa se, futuramente, não se
tornasse motivo de problemas financeiros; mas, depois disso, foi preciso tomar empréstimos em cima de
empréstimos. A desvalorização da libra também é uma conseqüência desse fato. Na época em que o
Império Britânico era próspero, sua receita anual elevava-se a três bilhões de libras, provenientes de suas
colônias e de outras fontes. Que diferença entre a situação atual e a situação antiga! O equilíbrio financeiro
da Inglaterra, que até então era um dos seus motivos de orgulho, acabou em tal estado após o país passar
por duas guerras. Foi um destino inevitável.
Pelo que foi exposto, fica evidenciada esta verdade: não se deve contrair dívidas, e, em todas as iniciativas,
é preciso começar de forma pequena. Gostaria que fizessem disso um lema a ser seguido. Contudo, quando
se tem absoluta certeza de poder saldar a dívida em curto prazo, é admissível contraí-la.
Esta é a minha filosofia da dívida, que eu recomendo a todos.
12 de novembro de 1949
DINHEIRO MAL GANHO, DINHEIRO MAL GASTO
Há um antigo ditado que encerra uma grande verdade: "Dinheiro mal ganho, dinheiro mal gasto". Vou
interpretá-lo espiritualmente.
Existem vários tipos de investimentos, como a Bolsa de Valores, o aumento ou a diminuição do preço das
mercadorias, as apostas em corridas de cavalos, etc. De todos eles, o mais representativo é a Bolsa de
Valores, e por isso vou me deter em sua análise.
Na época em que eu era agnóstico, lancei mão desse investimento. Durante alguns anos vendi e comprei
ações, mas acabei tendo um grande prejuízo. Naturalmente, esse também foi um dos motivos que me
levaram a entrar para a vida religiosa. Além disso, os conhecimentos que adquiri sobre o lado espiritual da
questão, mostraram-me que jamais se deve fazer tal tipo de investimento. Gostaria, portanto, que as pessoas
interessadas na Bolsa de Valores não deixassem de ler este artigo.
É costume dizer-se que, na Bolsa de Valores, cem pessoas perdem para uma lucrar, e é exatamente assim.
Não existe, entretanto, uma só pessoa que, tendo-se tornado multimilionária da noite para o dia, consiga
conservar essa fortuna por muito tempo. Além disso, quem tem grandes ganhos é quem mais perde; quanto
mais a pessoa lucra, é como se em seu caminho existisse um precipício a esperá-la. Espiritualmente, a
explicação é a seguinte:
A grande maioria das pessoas que perdem na Bolsa de Valores sente-se decepcionada, inconformada,
querendo de qualquer jeito recuperar o dinheiro perdido. Conseqüentemente, esse ressentimento converge
para a pessoa que lhes sugou o dinheiro, mas, como não sabem quem é, nem onde reside, acaba
convergindo, naturalmente, para a Bolsa de Valores e se acumula nas notas de dinheiro. Analisando
espiritualmente, no dinheiro que circula na Bolsa de Valores imprime-se, nesse momento, a imagem do
ódio, do rancor, do ressentimento de milhares de pessoas. Como essas imagens e as próprias pessoas
prejudicadas estão ligadas por um elo espiritual, o desejo que elas têm de recuperar o dinheiro perdido
continuamente está puxando esse dinheiro. Por isso, ele nunca permanece muito tempo nos cofres da pessoa
que o ganhou. Um dia, ele é puxado, e a pessoa sofre um grande prejuízo, ficando sem um vintém.
Isso não ocorre apenas nos investimentos, mas em tudo que se relacione com dinheiro. Por exemplo:
quando as riquezas são obtidas de forma ilícita; quando não se dá a alguém, intencionalmente, o dinheiro
que se deveria ter dado, quando não se paga uma dívida e em outras situações. Em tais oportunidades, a
pessoa lesada fica furiosa, e, como no caso da Bolsa de Valores, aquele que a lesou fatalmente perderá
dinheiro.
Outro fato que se precisa saber é que, desde os tempos antigos, muitos prédios religiosos ficaram reduzidos
a cinzas em conseqüência de incêndios. Parece impossível que templos, relicários, santuários e outras
construções realizadas com recursos puros sejam destruídos dessa forma. Mas existe um motivo. É que, por
ocasião de se angariarem fundos para construí-los, forçou-se a situação. Às vezes, determina-se uma quantia
para os membros ou igrejas filiais, que são forçados a colaborar. Mas é uma atitude errada. Tratando-se de
ofertas em dinheiro para a Obra Divina, o correto é que a quantia seja determinada pela livre e espontânea
vontade da pessoa. Só quando se faz uma oferta com alegria e satisfação é que o dinheiro se torna realmente
puro. Outro fator importante é que as construções religiosas devem ser utilizadas de acordo com a Vontade
de Deus; não se deve fazer coisas erradas, que as impregnem de máculas, caso contrário elas receberão o
batismo do fogo.
Voltando ao caso da Bolsa de Valores, quando o objetivo não for o de lucrar com as cotações, trata-se de
um bom investimento. Está muito certo comprar ações visando os juros, isto é, os dividendos; não
representa "comprar" nenhuma espécie de rancor. Pelo contrário, é um investimento muito útil ao
desenvolvimento da indústria e deve ser bastante incentivado.
25 de junho de 1949
A INSTRUÇÃO PREMATURA É PREJUDICIAL
Talvez achem paradoxal eu falar que o homem da atualidade desenvolveu sua inteligência, mas prejudicou
sua capacidade intelectual. O que eu quero dizer, no entanto, é que aumentaram as pessoas de inteligência
limitada, superficial, ágil, e diminuíram as pessoas gabaritadas, dotadas de inteligência profunda.
Mas por que será que isso acontece? Segundo minhas observações, é uma conseqüência da instrução
efetuada antes do tempo apropriado. A instrução prematura é maléfica porque se incutem conhecimentos
sem que a mente esteja suficientemente desenvolvida, isto é, há um desequilíbrio entre as noções
transmitidas e o desenvolvimento psicofísico. Em verdade, o homem tem que utilizar o corpo e a mente de
acordo com sua idade. Dar a uma criança de sete ou oito anos um trabalho mental apropriado a um jovem
de quinze ou dezesseis é uma tarefa excessivamente pesada. Qual será o resultado disso? Vou mostrá-lo
através de um exemplo.
Quando eu estava no curso primário (entre sete e onze anos), quis aprender judô, mas disseram-me que
antes dos quinze eu não poderia fazê-lo. Como eu perguntasse o motivo, responderam-me que, se a pessoa
praticar judô ou qualquer outro esporte inadequadamente, poderá prejudicar seu crescimento e
desenvolvimento. Naturalmente eles param por causa do excesso de esforço físico. Da mesma forma, no
ensino atual, acha-se que é bom uma criança de doze ou treze anos fazer o que um adulto faz. Realmente,
durante algum tempo, a capacidade intelectiva se desenvolve com grande rapidez, e por isso a instrução
pode parecer boa, mas não há um desenvolvimento em profundidade, formando-se adultos com capacidade
intelectiva inadequada e sem uma lógica profunda.
Na realidade, no Japão também está diminuindo cada vez mais o número de "grandes" políticos. Portanto,
os que estão ligados à Educação <###EDUCAÇÃO: É um processo de desenvolvimento integral da
personalidade###> <###INSTRUÇÃO: É um processo através do qual se eleva o desenvolvimento do
conhecimento###> devem pensar bastante sobre esse problema.
2 de julho de 1949
O MAU COMPORTAMENTO DOS FILHOS
Atualmente, o mau comportamento das crianças é considerado um problema social, mas parece-me que
ainda não lhe foi atribuída nenhuma solução adequada. As variadas teorias preventivas ainda são muito
superficiais, e é extremamente lamentável que nenhuma delas toque no âmago da questão. Vou mostrar o
método que eu acredito ser a prevenção absoluta.
Antes de mais nada, é preciso deixar bem clara a causa fundamental do problema. Para isso, temos de
pensar na relação entre pais e filhos. Em termos mais claros, se o pai é o tronco da árvore, o filho é o ramo;
por conseguinte, tomar medidas para não deixar apodrecer o ramo, mas esquecer-se de cuidar do tronco,
assemelha-se a colocar o carro na frente dos bois. A condição básica para solucionar o problema é ter plena
consciência de que a causa do mau comportamento dos filho está nos pais.
Em primeiro lugar, façamos uma análise espiritual.
Como sempre digo, os pais e os filhos estão ligados por um elo espiritual. Conseqüentemente, se houver
máculas no espírito dos pais, através desse elo o espírito dos filhos também ficará maculado. Esta é a causa
do seu mau comportamento. Sendo assim, o método para evitar a delinqüência infantil é fazer com que o
espírito da criança não adquira máculas. Para isso, é preciso, em primeiro lugar, fazer com que o espírito
dos pais não fique maculado. Ignorando esse princípio, os pais têm preconceitos errados e, sem saber,
cometem pecados que dão origem a máculas, as quais se refletem nos filhos. Portanto, é necessário que eles
pensem constantemente no bem e tenham um comportamento correto, preocupando-se sempre em elevar o
seu próprio caráter. Este é o único método eficiente; não existe outro.
A interpretação acima baseia-se no aspecto espiritual. Agora vou explicar materialmente.
Como todos sabem, os filhos aprendem com os pais e procuram imitá-los. Por isso, quando os pais pensam
no que não é correto ou praticam o que não é bom, por mais habilmente que o escondam, é certo que um
dia os filhos ficarão sabendo, uma vez que moram sob o mesmo teto. Então, é óbvio que a criança pense
assim: "Se nossos pais fazem isso, que mal há em que nós façamos também ?"
Em síntese, não é errado dizer que o mau comportamento dos filhos é uma conseqüência do mau
comportamento dos pais. Por conseguinte, não passa de uma forma para desmascarar a corrupção destes.
Pessoas que têm filhos! Saboreiem bem esta tese e, se desejam que eles sejam bons, tornem-se bons pais
primeiro.
22 de abril de 1950
POR QUE SURGEM CRIANÇAS-PRODÍGIO
Há algum tempo, apareceu nos jornais a notícia de uma criança de seis anos que pintava quadros
magníficos. Vou explicar por que nascem crianças assim.
Desde os tempos antigos, de vez em quando têm surgido crianças-prodígio. No Ocidente, segundo ouvimos
dizer, existiram grandes músicos que, aos seis ou sete anos de idade, já tocavam muito bem piano ou
violino, e, com pouco mais de dez anos, compunham esplêndidas melodias. Conta-se que o famoso
Schubert, dos dez anos aproximadamente até sua morte, ocorrida quando ele estava com trinta e um anos,
fez mais de quinhentas composições. Por isso, não há dúvidas de que tenha sido um gênio.
Mas há uma causa especial para o nascimento desses gênios. Naturalmente, através da ciência materialista é
impossível imaginá-la, mas precisamos conhecê-la. Nós explicamos o fato pela ciência espiritual. No caso
de um músico, por exemplo, as causas podem ser duas. Uma é a reencarnação do espírito de um grande
músico; a outra, fenômeno de encosto.
Suponhamos que um grande músico morra. Mesmo no Mundo Espiritual ele não consegue esquecer sua tão
adorada arte. Assim, em virtude desse forte apego, ele pode reencarnar prematuramente. Esta é uma das
causas. Pode acontecer também que, não conseguindo esperar até a reencarnação, ele procure um
descendente seu, de preferência uma criança, e nela encoste. Espera para encostar quando seus dedos
começarem a ficar ágeis, por volta dos seis ou sete anos. Como é um grande músico, manifesta uma enorme
capacidade. Entretanto, ele não consegue encostar em pessoas com as quais não tenha nenhuma ligação,
mas apenas, em pessoas de sua linhagem espiritual, principalmente em crianças. Isto porque é mais fácil
encostar em crianças do que em adultos; é também mais fácil manejá-las à sua vontade. Pensem bem. Uma
criança de seis ou sete anos não pode ter a capacidade de um adulto. Conhecendo, porém, essas causas, não
é nada estranho o aparecimento de crianças-prodígio. Entretanto, nem todas elas se tornarão grandes
músicos, grandes pintores, etc. Algumas o serão até certa idade, depois se tornarão pessoas normais. É o
que acontece no caso de encosto de espírito, porque ele só tem permissão de encostar até certa época,
devido à missão dada por Deus ou ao desejo de seus ancestrais. Tratando-se de reencarnação, o espírito é da
própria pessoa, de modo que é impossível haver mudança.
11 de março de 1950
PARAÍSO TERRESTRE
"Paraíso Terrestre" é uma expressão que soa maravilhosamente. Não há nenhuma outra que inspire mais
Luz e Esperança. A maioria das pessoas, no entanto, considera o Paraíso Terrestre uma utopia, algo sem
qualquer possibilidade de realização. Quanto a mim, creio na sua chegada e sinto-a bem próxima.
Meditemos na grande advertência bíblica: "Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus". Parece-
nos impossível que o grande fundador do poderoso cristianismo, que influenciou metade do mundo, tenha
proferido palavras sem fundamento.
É natural que todos queiram saber o que seja o Paraíso Terrestre. Vou descrevê-lo apelando para a
imaginação.
O Paraíso Terrestre pode ser compreendido como o Mundo dos Felizes. Será um mundo de alta civilização,
isento de doença, pobreza e conflito. Cabe a nós, entretanto, encontrar a forma de minorar o sofrimento
humano e transformar em paraíso este mundo repleto de males.
Inicialmente, precisamos descobrir como eliminar a doença, pois, entre as três grandes desgraças que
citamos, ela é a principal. Em seguida, temos de vencer a pobreza, cuja causa primária é a doença; os
pensamentos errados, as falhas políticas e a deficiente organização social são causas secundárias. Quanto à
inclinação para o conflito é motivada pelo estado selvagem de que a humanidade ainda não conseguiu se
libertar. Portanto, é essencial eliminar as três grandes desgraças.
Como adquiri confiança na solução desses problemas, vou esclarecer a realidade da forma mais simples
possível.
Todos aqueles que ingressam em nossa Igreja e seguem seus ensinamentos, para sua própria surpresa, vão
sendo purificados espiritual e fisicamente, libertam-se pouco a pouco da pobreza e tomam aversão aos
conflitos. Há inúmeras experiências de fé provando que a maioria dos fiéis, com o correr dos anos, goza de
crescente felicidade.
É condenável salientar os defeitos alheios, mas, neste momento, devo fazer referência às pessoas que,
embora possuam fé, tombam nas garras de doenças fatais ou continuam vivendo de forma miserável, porém
satisfeitas e contentes. Comparando-as com os descrentes, pode ser que estejam salvas espiritualmente, mas
não fisicamente. A salvação foi feita pela metade. A Verdadeira Salvação abrange o espírito e o corpo.
Numa família, todos devem tornar-se saudáveis, libertar-se da pobreza e usufruir de alegria plena. Até hoje,
porém, visava-se apenas à salvação do espírito, não havendo preocupação com o corpo físico; todos se
resignavam, considerando que a Fé limita-se à salvação da alma.
Muitos religiosos afirmam que a Fé que busca obter graças imediatas é de nível inferior. Trata-se de uma
concepção ilógica, pois não há quem não aspire a graças imediatas. Se alguém se queixa de dores físicas, é
estranho retrucar que o homem deve superar a vida e a morte. Ora, ninguém é capaz de tal superação.
Pensar que se conseguiu tal coisa é enganar a si próprio.
Um episódio relacionado à história do mestre Takuan é bem ilustrativo. Quando ele estava às portas da
morte, cercado de pessoas, alguém lhe solicitou que escrevesse uma frase. Takuan, tomando da pena,
escreveu: "Não quero morrer." Imaginando algum engano, pois julgavam que um mestre tão notável não
escreveria tal coisa, entregaram-lhe novamente a pena e o papel. E o mestre escreveu: "Não quero morrer
de maneira alguma."
Admiro essa atitude. Em igual circunstância, a tendência vaidosa seria escrever: "Acaso temerei a morte?"
O mestre, porém, abandonou todo falso orgulho e revelou francamente seus sentimentos. Isso merece
consideração, porque um simples bonzo não conseguiria agir assim.
Muitas pessoas que pretendem salvar o próximo, fazem autopropaganda, apesar de ainda não viverem livres
das desgraças. A intenção pode ser boa, mas os meios são incorretos. Só devemos pensar em conduzir
aqueles que são vítimas de sofrimentos e misérias, quando já tivermos conseguido a nossa própria salvação
e felicidade; então, poderemos trazê-los ao nível em que estamos. Nossos semelhantes sentir-se-ão atraídos
ao presenciar nosso estado feliz. É quando a propaganda surte cem por cento de efeito. Eu mesmo não ousei
difundir meus ensinamentos antes de me encontrar em boas condições. Só o fiz quando me senti abençoado
pelas Graças Divinas.
Se considerarmos que o Paraíso Terrestre é o Mundo dos Felizes, concluiremos que, no lugar onde as
pessoas se reúnem e se tornam felizes, está estabelecido o Paraíso Terrestre.
25 de janeiro de 1949
VERDADE, BEM E BELO
Conforme tenho dito, o Paraíso Terrestre que idealizamos é um mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo.
Mas gostaria de escrever a respeito com maiores detalhes.
Para seguir a ordem, começarei explicando o que entendemos por VERDADE. Evidentemente, referimo-
nos à manifestação concreta da Verdade, isto é, a própria realidade, autêntica, expressa corretamente, sem o
mínimo erro, impureza ou obscuridade. A cultura desenvolvida até o presente vinha confundindo e
considerando como verdade muita coisa que não o era, e por isso muitos conceitos falsos eram tidos como
verdadeiros. Entretanto, ninguém percebeu isso, porque, obviamente, a cultura era de baixo nível.
Basta observarmos a sociedade atual para percebermos que a maioria dos homens são forçados a trabalhar
desde a manhã até a noite para ganhar o pão de cada dia, fazendo-o sem nenhuma parcela de ânimo, alegria
e esperança, mas apenas para se manterem vivos. Embora estejam se afogando num lamaçal de
preocupações, motivadas pela doença, pelas dificuldades financeiras e pelo medo da guerra, eles insistem
em dizer que este mundo em que vivemos é avançado, civilizado. Não obstante, observando com rigorosa
imparcialidade, percebemos que quase todos os homens lutam entre si, odeiam-se e entram em choque, tal
como os animais, agonizando num redemoinho de insegurança e ansiedade; é como se estivéssemos
olhando o próprio Inferno. E este é justamente o resultado da cultura da pseudoverdade, à qual me referi há
pouco. Os próprios intelectuais não percebem isso e, acreditando tratar-se de um mundo civilizado,
continuam a enaltecê-lo. Coitados, são dignos de nossa compaixão...
O mesmo acontece com a doença, por exemplo. Justamente porque a Medicina está em desacordo com a
Verdade, todos os lugares estão repletos de pessoas doentes. É tuberculose, é disenteria infecciosa, é
meningite, é derrame cerebral, é paralisia infantil, enfim são inúmeras espécies de doenças. E eis a
justificativa que dão para isso: "Antigamente também existiam várias enfermidades, só que a Medicina não
estava desenvolvida a ponto de descobri-las; hoje, porém, ela adquiriu essa capacidade". Insistindo sobre o
assunto, o que nós desejamos é que o número de doentes diminua e o número de homens realmente
saudáveis aumente. Apenas isso. Vejamos.
Os homens contemporâneos temem exageradamente a doença. Por essa razão, as autoridades e os
especialistas preocupam-se com a higiene e empenham-se na prevenção das doenças. O mais engraçado
nisso é a vacina preventiva: ela mesmo é que não cura; não passa de simples paliativo. Dessa forma, a
Medicina nem ao menos sabe distinguir a cura temporária da cura verdadeira e radical. E, mesmo que
soubesse, não adiantaria nada, pois desconhece o método para erradicar a doença. Além do mais, como
ignora completamente que ela é uma Providência de Deus para aumentar a saúde, empenha-se tão
simplesmente em deter sua marcha, pensando que isso é progresso. Outrossim, por total desconhecimento
de que esse método se torna origem da doença - como mostra a realidade - quanto mais a Ciência progride,
mais se multiplicam as enfermidades e o número de doentes, diminuindo cada vez mais a resistência física.
Por isso, os homens sofrem de cansaço e insônia, não têm persistência, não podem fazer qualquer excesso;
caso pratiquem um exercício um pouco pesado, acabam sentindo-se "quebrados". Por quê? Isso não é
incompreensível? A realidade mostra-nos, porém, que, seguindo-se o princípio da doença ensinado pela
nossa Igreja e recebendo-se Johrei, as doenças desaparecem e as pessoas tornam-se verdadeiramente
saudáveis.
A seguir, escreverei a respeito do BEM, que, evidentemente, é o contrário do MAL. Mas o que é o MAL?
Ele é causado pelo ateísmo nascido do pensamento materialista, e o Bem é o seu oposto: nasceu do teísmo.
Esta é a Verdade. Entretanto, como a razão da Ciência consiste na negação do teísmo, que é a Verdade,
quanto mais ela progride, mais aumenta o Mal; sendo assim, o progresso da cultura não passa de superficial.
Dessa forma, reconhecemos os méritos da Ciência, mas não podemos deixar de levar em conta o Mal que
ela produz. Sem perceber isso, os homens enaltecem apenas os seus pontos positivos e, elaborando
habilidosas teorias para ocultar-lhe os pontos negativos, subjugam as classes dirigentes e levam-nas a
concluir que, sem a Ciência, nada terá solução. Assim, acabaram por afastar-se da felicidade espiritual.
Em seguida, analisemos o BELO, que também constitui um problema.
De fato, acompanhando o desenvolvimento da cultura, os elementos representativos do Belo multiplicaram-
se e, individualmente, estão em nível satisfatório, mas o povo não consegue usufruir deles. Somente uma
parte - a classe privilegiada - desfruta de boas roupas, boa alimentação e boas moradias, enquanto a classe
popular mal consegue alimentar-se, não tendo condições para pensar no Belo. Talvez isso ocorra apenas no
Japão, mas essas pessoas dispõem de alimento simplesmente para matar a fome; de casa, para dormir; de
ruas, para passagem e condução, e onde têm de enfrentar os empurra-empurras. Da mesma forma, a
sociedade não consegue gozar das belezas naturais, que são dádivas de Deus, tal como as montanhas, as
águas, as plantas e as flores, nem das belezas artísticas criadas pelo homem. Assim, não obstante o grande
desenvolvimento da civilização, uma vez que toda a humanidade não pode usufruir de tais dádivas, o
mundo contemporâneo é realmente o paraíso dos ricos e o inferno dos pobres. A causa disso é a existência
de uma grande falha em algum lugar da civilização; quando essa falha for corrigida e a felicidade
desfrutada eqüitativamente, o mundo será de fato civilizado. Essa é a missão da Igreja Messiânica Mundial.
Por tudo que aqui foi exposto, creio que puderam entender o verdadeiro significado da Verdade, do Bem e
do Belo, mas o mais importante é o poder de concretizá-los. De nada adiantarão as palavras se elas
constituírem apenas um lema pintado num quadro. Todavia, devemos alegrar-nos, pois este sonho tão
almejado está para se tornar uma realidade em nosso planeta.
25 de setembro de 1953
A RESPEITO DO PARAÍSO TERRESTRE
Diariamente, através do rádio e dos jornais, tomamos conhecimento de que a sociedade está repleta de
males. Numa visão a grosso modo, e excluindo a guerra, podemos enumerar a corrupção dos funcionários
públicos, assassinatos, roubos, fraudes, suicídios, tuberculose e outras doenças contagiosas, falta de
alimentos, crises habitacionais, dificuldades financeiras, opressão de impostos, etc. As coisas boas são tão
poucas quanto as estrelas do amanhecer... Então surge a dúvida: por que a sociedade chegou até esse ponto?
Realmente, pode ser que existam muitas causas, mas, em poucas palavras, diríamos que a situação é
decorrente da decadência moral e também da acentuada decadência do nível do homem. É por isso que,
ultimamente, os entendidos no assunto e os educadores começaram a interessar-se por essa questão. Outra
causa que pode ser levantada é que, após a Segunda Grande Guerra, o pensamento liberal passou dos
limites. Parece que se discute a reforma e o incremento da educação, da moral e da educação cívica por não
haver outra alternativa. Mas é interessante observar que, em tais ocasiões, o Japão nunca recorre à Religião,
o que talvez possa ser explicado. As religiões antigas são fracas demais, e as novas, em sua maioria, são
supersticiosas e falsas. É por isso que, como todos vêem, ainda não se conseguiu achar um caminho que
levasse à solução radical do problema. Eu, porém, elaborei um plano concreto, objetivando solucioná-lo de
forma diferente.
Para começar, baseei-me nas diversões populares. Naturalmente, em qualquer época, a grande massa
popular necessita de diversões. Na sociedade atual, entretanto, as que existem são de baixíssima categoria.
De fato, teatro, cinema, esporte, xadrez, dominó, etc., são diversões aceitáveis, mas acho que se fazem
necessárias recreações de nível ainda mais elevado. É com esse objetivo que a nossa Igreja está construindo
o protótipo do Paraíso Terrestre, nas terras de Hakone e Atami. Como já escrevi várias vezes, aí será
construído o paraíso ideal, onde se acham perfeitamente harmonizadas a beleza natural e a beleza criada
pelo homem. Um projeto grandioso como esse, não creio que já tenha sido elaborado por alguém.
Encantada com a atmosfera tão diferente do mundo a que está acostumada, qualquer pessoa, nesses locais,
esquece-se de tudo e até pensa estar em cima das nuvens. Visto que isso acontece antes mesmo de termos
concluído metade da obra, todos ficam maravilhados.
O protótipo de Hakone já está próximo de sua conclusão, mas, como é uma obra de pequena escala, falarei
a respeito do protótipo de Atami, em plena construção, atualmente.
No jardim de cem mil metros quadrados, com altos e baixos, estão sendo plantados arbustos e árvores que
dão flores, como ameixeiras, cerejeiras, azaléias, etc., mescladas com árvores que estão sempre verdes.
Também está em fase de preparação a construção de um jardim com as mais diversas variedades de flores.
Pela sua beleza encantadora na primavera e pela paisagem da Baía de Sagami, que se pode avistar ao longe,
não seria exagero dizer que o protótipo de Atami é um enorme e ideal "Jardim do Éden".
Como localização, este protótipo do Paraíso Terrestre está situado no melhor local de Atami. Além do mais,
para acrescentarmos maior beleza ao lugar, construiremos um magnífico museu de belas-artes, cuja
conclusão certamente fará com que o protótipo do Paraíso Terrestre de Atami se torne alvo da admiração
não só de japoneses como de estrangeiros. Por conseguinte, qualquer pessoa que visite esse local purificará
seu espírito maculado pelas condições do mundo, e sua alma, completamente árida, será regada na própria
fonte. Assim revigorada, seu trabalho renderá mais e, naturalmente, seu caráter também se elevará. Por isso,
a contribuição do protótipo do Paraíso Terrestre para o espírito das pessoas da sociedade será inestimável.
1º de janeiro de 1952
CONSIDERAÇÕES SOBRE O PARAÍSO TERRESTRE
O Paraíso Terrestre a que costumamos nos referir, é, em termos mais claros, o Mundo do Belo. Em relação
ao homem, é a beleza dos sentimentos, o belo espiritual. Naturalmente, as palavras e atitudes do homem
devem ser belas. Da expansão do belo individual nasceria o belo social, isto é, as relações pessoais se
tornariam belas, assim como também as casas, as ruas, os meios de transporte e as praças públicas. Em
grande escala, como é natural que a limpeza acompanhe o Belo, a política, a educação e as relações
econômicas também se tornariam belas e limpas, da mesma forma que as relações diplomáticas entre os
países.
Pensando desse modo, podemos perceber o quanto a sociedade contemporânea está cheia de fealdade e
maldade. Nas classes baixas, principalmente, o Belo é escasso demais, em virtude das péssimas condições
financeiras, que causam a decadência do ensino e a precariedade dos estabelecimentos e instalações de
atendimento ao público. Daí, conseqüentemente, nasce a intranqüilidade social.
Agora, gostaria de falar em especial sobre a parte relativa às diversões. Nesse campo, o Belo precisa ser
muito enriquecido, pois a consciência do Belo é o que de melhor existe para a elevação dos sentimentos
humanos. Esse é um dos motivos pelos quais sempre incentivamos a Arte. Nem é preciso mencionar o
quanto o baixo nível das artes, na época atual, está degradando a espiritualidade das pessoas.
Como se vê, o fator essencial para a criação do Mundo do Belo é o poder econômico. Enquanto o povo for
pobre, não poderemos sequer sonhar em concretizar esse mundo. Mas como fortalecer o poder econômico?
Se todos os indivíduos trabalharem com total empenho visando a elevar o poder de produção, estarão
fortalecendo-o. A condição básica para tanto é a saúde de cada indivíduo. E a saúde é o principal objetivo
de nossa Igreja, o que se torna evidente pelo grande número de pessoas perfeitamente saudáveis que
estamos conseguindo criar unicamente com o poder de purificação por nós manifestado.
Portanto, devemos dizer que a Igreja Messiânica Mundial é a primeira religião à qual Deus atribuiu a
qualificação para o estabelecimento do Mundo do Belo. Concretizá-lo, é questão de tempo. Para se
certificarem dessa verdade, basta observarem atentamente a atuação de nossa Igreja daqui em diante.
3 de junho de 1950
A ARTE DE DEUS
Como seres contemporâneos, é chegada a hora de nos conscientizarmos da época em que estamos vivendo.
Vou explicar o que isso significa.
A cultura material progrediu tanto que, através da invenção do rádio, da televisão e de outros meios de
comunicação, podemos tomar ciência dos acontecimentos mundiais em poucos instantes. Se não
compreendermos a importância desse fato, não poderemos falar sobre a civilização atual.
Nos Estados Unidos, começou-se a falar, há alguns anos, sobre a Nação Universal e Governo Universal.
Tais expressões não estarão prenunciando, para um futuro próximo, o advento de um mundo ideal? Será,
com efeito, um grande acontecimento. Quando raiar esse dia, naturalmente se escolherá um Presidente
Mundial, e qualquer nação poderá apresentar seus candidatos. Entretanto, para o nascimento desse Novo
Mundo, será necessário haver uma enorme revolução em todos os setores, especialmente no pensamento
humano. Obviamente, todos os "ismos" serão varridos, e, ao mesmo tempo, haverá unificação dos
pensamentos.
Para melhor compreensão, darei um exemplo. Suponhamos que um exímio pintor pinte um grande quadro
representando o mundo. Ele o expressaria com a máxima beleza, através de linhas e cores variadas, sem
nenhum defeito, com Técnica Divina. Como não é difícil imaginar, os preparativos para a pintura desse
quadro levariam vários milênios. As primeiras linhas seriam o mais importante, pois representariam as
fronteiras dos países, e levariam muito tempo para serem traçadas. Em seguida, viria a escolha das cores:
vermelho, azul, amarelo, branco, violeta, enfim, uma variedade delas.
A título de experiência, tentemos aplicar isso aos diferentes povos e países. Quero, porém, alertar-lhes que
se trata apenas de uma suposição. Cada país desempenharia uma função de acordo com a peculiaridade de
sua cor. Desenhadas as linhas e usadas habilmente as cores, estaria pronto o quadro do mundo. E que mais
poderia ser este quadro senão a Grande Arte de Deus Todo-Poderoso? Até hoje, entretanto, considerando a
cor de seu país a melhor de todas, os homens quiseram pintar o quadro somente com essa cor, razão pela
qual não foi possível obterem êxito. Naturalmente, outro fator que eles não levaram em conta foi o tempo.
A derrota sofrida pelo Japão e pela Alemanha na última guerra ilustra muito bem o que estamos dizendo.
Por analogia, os "ismos" ou ideologias podem ser comparados às tintas fabricadas por cada país.
Conseqüentemente, uma nação não pode tentar pintar além da sua linha limite, porque isso provoca atritos
com as outras, cujos objetivos são os mesmos. Como esses atritos constituem um estorvo para o quadro do
mundo, elaborado por Deus com base no amor à humanidade, obtém-se apenas um sucesso temporário.
Vejamos.
A maioria dos heróis que apareceram desde os tempos antigos, acabaram sendo derrotados por terem
cometido o erro de criar obstáculos para a Arte de Deus. Baseadas nesse fato, as potências mundiais, ao
invés de tentarem pintar os outros países com a sua cor, devem se esforçar para tornar mais viva e mais bela
a cor de cada país. Se adotarem essa política, estarão concordes com a Vontade Divina, e assim se
concretizará o Mundo Ideal.
Estes são os motivos pelos quais é necessário pensar na Religião. Entretanto, na forma como vêm sendo
praticadas até hoje, cada uma querendo pintar a outra com a sua cor, as religiões deixam de acompanhar a
marcha do tempo, ficando em desacordo com o Plano de Deus. Por isso, precisamos entender a Vontade
Divina que está por trás do progresso da civilização e, dando-nos as mãos, fazer de todas as religiões uma
só força, para a construção do mundo Ideal que está prestes a surgir.
20 de dezembro de 1949
RELIGIÃO E ARTE
O conceito atual de que Religião está desligada da Arte parece-me um grande equívoco. Enobrecer os
sentimentos do homem e enriquecer-lhe a vida, proporcionando-lhe alegria e sentido, é a missão da Arte.
Os entendidos no assunto sentem indizível prazer em apreciar as flores, na primavera, e as paisagens
campestres ou marítimas. Não é exagero dizer que o Paraíso Terrestre, que temos por ideal, é o Mundo da
Arte, o qual não é outro senão o mundo da Verdade, do Bem e do Belo, a que costumo me referir.
A Arte é a representação do Belo. Mas por que será que ela foi negligenciada até os nossos dias?
Monges antigos e famosos demonstraram notável genialidade no campo artístico, esculpindo e construindo
templos. Entre esses artistas religiosos, sobressaiu o príncipe Shotoku. Dificilmente se pode crer, dizem
todos, que a magnificência arquitetônica do Templo Horyuji, de Nara - obra-prima do príncipe - e as
pinturas e esculturas que adornam o seu interior, tenham sido criadas há mais de mil e trezentos anos.
Por outro lado, como houve muitos monges que divulgaram doutrinas adotando a simplicidade e o
ascetismo, certamente nasceu o conceito de que não há nenhuma relação entre a Arte e a Religião. Aqui
impera a Verdade e o Bem, mas falta o Belo.
Pelas razões expostas, pretendo fazer uma grande divulgação da Arte.
25 de janeiro de 1949
RELIGIÃO E ARTE
Sempre dizemos que o objetivo de Deus é construir o Paraíso Terrestre. Ora, se o Paraíso Terrestre é um
mundo sem conflitos, um mundo de eterna paz e absoluta Verdade, Bem e Belo, a Arte terá um
desenvolvimento extraordinário.
Segundo diz um antigo ditado, a Religião é a mãe da Arte; é óbvio, portanto, que ambas estão
profundamente relacionadas. Todavia, é interessante notar que, entre os fundadores das inúmeras religiões
que surgiram até hoje, foram poucos os que demonstraram interesse artístico. Dos religiosos que se
destacaram nesse campo, podemos citar: no Ocidente, o pintor Leonardo da Vinci e os compositores Bach e
Hendel; no Japão, a arte budista do príncipe Shotoku, Gyoki, as esculturas de Kukai, etc.; na China, durante
a Era So-Guem, e no Japão, durante a Era Tempyo, as pinturas de alguns bonzos.
Vou explicar a causa do desinteresse dos religiosos pela Arte.
Como o mundo se achasse completamente mergulhado na Era da Noite e a Era da Luz estivesse longe
demais, não havia necessidade de preparativos para a concretização do Paraíso Terrestre. Em outras
palavras, estava-se na época infernal. Encontrando-se em condição infernal e não em situação celestial, os
fundadores de religiões, para difundir seus ensinamentos, tiveram de percorrer caminhos espinhosos e
passar por enormes sofrimentos. Sendo assim, não havia motivo para se falar em Paraíso ou Arte, e até
podemos dizer que nenhum deles afirmou que iria construir o Paraíso Terrestre. Contudo, houve profecias
sobre o advento de um mundo ideal, embora não se esclarecesse quando. Entre elas, podemos citar o
"Mundo de Miroku", anunciado por Buda; o "Reino dos Céus", profetizado por Cristo; a "Agricultura
Justa", de Nitiren; o "Pavilhão da Doçura", do fundador da Igreja Tenrikyo, e o "Mundo dos Pinheiros", do
fundador da Igreja Oomotokyo. Foi-nos revelado, porém, que finalmente o tempo é chegado. Como o
Paraíso está prestes a nascer, queremos anunciar o seu advento para toda a humanidade.
Naturalmente, seria impossível imaginar que um projeto tão grandioso - que poderíamos considerar um
sonho - pudesse ser concretizado com a força humana; entretanto, como se trata do Plano de Deus, Todo-
Poderoso, não resta a menor dúvida que ele se tornará realidade. Atualmente, Deus está manifestando
inúmeros milagres para demonstrar Sua Força e, dessa maneira, infundir-nos uma sólida fé. Poderão
compreender isso ao ver que todos os messiânicos, experimentando tais milagres, vão adquirindo uma fé
inabalável.
Visando à concretização do Plano Divino, a Igreja Messiânica Mundial não mede esforços para promover a
Arte. E é para iniciar essa promoção que estamos construindo os protótipos do Paraíso Terrestre de Hakone
e Atami, em locais de magnífica paisagem. Se as pessoas não estiverem conscientes desses pontos, não
conseguirão entender o verdadeiro significado do nascimento de nossa Igreja. Em resumo, as religiões
existentes até hoje tiveram a missão de preparar os alicerces para a construção do Paraíso Terrestre, e a
missão da Igreja Messiânica Mundial é concretizá-la.
6 de maio de 1950
RELIGIÃO ARTÍSTICA
Sempre se pensou que não há muita relação entre Arte e Religião. Entretanto, no Japão, as manifestações
artísticas tiveram início com a arte budista, não obstante se limitassem a simples quadros, estátuas,
tecelagem, etc. No que se refere à música, existiam instrumentos tais como "sho" (###Instrumento musical
de cano. É constituído de dezessete canos de bambu, longos e curtos, dispostos verticalmente. Dois deles
não emitem som; os quinze restantes possuem orifícios na parte anterior e na parte posterior###), "hitiriki"
(###Instrumento musical de cano, semelhante à flauta###), "mokugyo" (###Instrumento que se bate na hora
de ler os sutras. É feito de madeira oca, arredondado, esculpido em formato de cabeça de peixe. Para se
produzir o som utiliza-se um pequeno bastão coberto por um pedaço de pano ou couro###) e "dora"
(###Instrumento musical semelhante ao gongo###) e os sons emitidos na leitura dos sutras budistas. Por
isso, podemos dizer que se tratava de uma arte primitiva.
Mais tarde, estimulada pela introdução das artes chinesa e coreana no país, a arte japonesa passou por um
período de imitações, até que conseguiu criar um estilo próprio. Atualmente, com a importação da cultura
ocidental, também foi introduzida a arte do Ocidente. Principalmente após a Era Meiji (1868-1912),
afluíram, com grande intensidade, as artes dos Estados Unidos e da Europa. Em conseqüência, no panorama
artístico japonês da época atual, encontram-se as melhores obras de todo o mundo, as quais estão sendo
absorvidas e assimiladas, de modo que, aos poucos, vai se criando uma arte universal. Por isso, talvez
possamos afirmar que o Japão é um centro cultural.
Não existe, ou melhor, nunca existiu uma religião que desse tanta importância à Arte quanto a Igreja
Messiânica Mundial. Isto porque o Paraíso Terrestre - nosso objetivo último - é o Mundo da Arte.
Obviamente, se ele é um mundo isento de doença, pobreza e conflito, isto é, o mundo de perfeita Verdade,
Bem e Belo, o homem seguirá a Verdade, amará o Bem e odiará o Mal; assim, todas as coisas se tornarão
belas. Nesse sentido, a Arte não será apenas um deleite indispensável; ela constituirá a própria vida e se
desenvolverá intensamente. Ou seja, o Paraíso Terrestre será o Mundo da Arte. Eis o motivo pelo qual
tenho grande interesse por ela e pretendo incentivá-la bastante, no futuro. Como primeiro passo, estou
construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, em Atami; quando ele estiver concluído, atrairá ainda mais a
atenção da sociedade, recebendo muitos elogios. Infalivelmente, merecerá consideração a nível mundial.
Portanto, estamos dando prosseguimento aos planos sob essa diretriz.
6 de junho de 1951
CIÊNCIA E ARTE
O mundo contemporâneo pensa que tudo pode ser resolvido pela Ciência. Entretanto, embora quase
ninguém chegue a perceber, existem diversas coisas importantes que a Ciência não consegue resolver.
Analisemos a Arte, por exemplo.
A pintura e as mais diversas expressões artísticas, como a literatura, a música, o cinema e até o teatro,
possuem algum teor científico, mas não é preciso dizer que estão quase totalmente fundamentadas no
conjunto da genialidade, inteligência, consciência e esforço do homem. Todos sabem o quanto a Arte é
necessária para a sociedade humana. Se ela não existisse, a vida seria seca e sem sabor, como se
estivéssemos dentro de uma cela de pedra.
Exemplifiquemos: sempre que caminho pela cidade, sinto que, se não houvesse lojas, residências e prédios
ao redor, e eu não pudesse ver o verde das árvores da rua ou dos jardins das casas, mas apenas uma parede
semelhante à de um presídio de uma só cor sombria, prolongada em linha reta, talvez eu não suportaria
andar sequer alguns quarteirões. Assim, a bela visão proporcionada pelo rico colorido das casas, pelas
diferentes feições e expressões das pessoas, com sua maneira característica de se vestir e de andar - a
exuberância dos jovens exibindo a moda; as pessoas de idade, os recém-chegados do interior - enfim, os
infinitos aspectos que encontramos, cada um com algo de interessante, é que nos permitem andar pela rua
sem entediar-nos. Quando nos distanciamos da cidade, dentro de um ônibus ou de um trem, não ficamos
cansados porque a paisagem variada - montanhas, rios, plantas, árvores e plantações - nos faz passar o
tempo. Além do mais, as diversas transformações ocasionadas pelo clima das estações enriquecem o nosso
sentimento. O mundo é realmente uma arte criada pela Natureza e pela mão do homem. É por isso que vale
a pena viver.
Pensando dessa forma, poderão concluir que até a Ciência é uma parte da Arte e entender, portanto, que ela
tem uma função auxiliar. Assim, é por demais evidente que há uma ligação inseparável da Arte com a vida
do homem. Ante essa evidência, a Igreja Messiânica Mundial interessa-se pela Arte e estimula-a como
nenhuma religião o fez até agora.
Entretanto, até mesmo na Arte existem níveis. Se ela é de nível inferior, corre o perigo de abaixar o nível
das pessoas, levando-as à degradação, motivo pelo qual é preciso muita cautela. Por isso, a Arte deve ser de
nível elevado - uma arte que, deleitando a pessoa, eleve o seu sentimento.
A teoria é fácil, mas existirão organizações que se encarreguem disso? Quanto ao exterior, nada posso
afirmar; porém, todos sabem que, nesse ponto, a situação do Japão é muito precária. Para corrigir essa
falha, nossa Igreja está efetuando a construção do protótipo do Paraíso Terrestre, do qual faz parte o Museu
de Belas-Artes. Há um sábio e antigo ditado que diz: "A Religião é a mãe da Arte". Ele exprime muito bem
a atividade de construção que estamos desenvolvendo.
30 de abril de 1952
A MISSÃO DA ARTE
Cada coisa existente no Universo possui uma utilidade específica para a sociedade humana, ou seja, uma
missão atribuída pelos Céus. Naturalmente, a Arte não constitui exceção. Portanto, uma vez que o artista é
um membro da organização social, ele deve conscientizar-se de sua missão e exercê-la plenamente, pois
essa é a Verdadeira Arte e também a responsabilidade que lhe cabe.
Entretanto, quando observo os artistas da atualidade, não posso deixar de ficar decepcionado com as
atitudes inconseqüentes da maioria. É claro que existem artistas excelentes, mas a maior parte se esquece da
sua responsabilidade, ou melhor, não tem nenhuma consciência dela. Além do mais, eles constituem um
problema, pois, tendo-se como criaturas superiores, fazem o que bem entendem sem a menor vergonha.
Acham que, agindo de acordo com sua própria vontade, estão manifestando sua personalidade e seu caráter
de gênio. A sociedade, por sua vez, os superestima, considerando-os pessoas especiais, e aprova quase tudo
que eles fazem. Por isso, sua mania de grandeza torna-se ainda maior.
É preciso, todavia, que o caráter dos artistas seja muito mais elevado que o das pessoas comuns. Explicarei
isto com base na Religião.
Inegavelmente, nos primórdios da sua história, a humanidade possuía muitas características animais, mas
não há dúvida de que, após a era selvagem, ela veio progredindo gradativamente, construindo-se, pouco a
pouco, a civilização ideal. Neste sentido, o progresso da civilização consiste na eliminação do caráter
animal do homem. Alcançar esse nível é alcançar a Verdadeira Civilização. Ainda hoje, porém, a maioria
das pessoas está sujeita ao terror da guerra, prova de que persiste no homem uma grande parcela de
características animais. Assim, cabe ao artista uma grande missão: ele é um dos encarregados da eliminação
de tais características.
Torna-se necessário, portanto, elevar o caráter do homem por meio da Arte. Naturalmente, esse objetivo
será alcançado através da literatura, da pintura, da música, do teatro, do cinema e de outras artes. O espírito
dos artistas, comunicando-se por esses veículos, influenciará o espírito do povo. Falando mais claro, as
vibrações espirituais emitidas pela alma do artista tocarão a sensibilidade das pessoas através das obras
literárias, da pintura, dos instrumentos musicais, dos cantos, das danças, etc. Em outras palavras: haverá
uma sólida ligação entre o espírito do artista e o espírito de quem apreciar suas obras. Se o caráter daquele
for baixo, o das pessoas também se degradará; obviamente, se for um caráter elevado, terá o efeito
contrário.
Eis a importância da Arte. O artista deve funcionar como orientador espiritual do povo. Neste sentido, não
seria exagero afirmar que uma parte da responsabilidade do aumento do mal social cabe aos artistas.
Vejamos: erotismo cada vez mais vulgar, literatura cada vez mais grotesca, quadros cada vez mais
monstruosos; as opiniões dos artistas, assim como também a música, o teatro e o cinema, cada vez piores.
Se analisarem minuciosamente tais fatos, certamente compreenderão que a minha tese não é errada.
15 de outubro de 1949
PARAÍSO - MUNDO DA ARTE
Costumo dizer que o Paraíso é o Mundo da Arte, mas isso não deixa de ser um conceito bastante resumido.
Naturalmente, o aperfeiçoamento da Arte é desejável, seja a pintura, a escultura, a música, as artes cênicas,
a dança, a literatura, a arquitetura, etc., entretanto, para se poder falar em Paraíso, é preciso que todas as
artes estejam reunidas, ou melhor, que tudo seja artístico.
Segundo o meu princípio, a solução dos sofrimentos pela Graça Divina não é outra coisa senão a magnífica
Arte da Vida, isto porque a Arte, na sua essência, deve satisfazer as condições da Verdade, do Bem e do
Belo.
Em primeiro lugar, no sofredor não há, fundamentalmente, Verdade. O homem deve ser sadio por natureza.
Quando ele perde a saúde espiritual ou material, significa que deixou de ser o que era: Verdade. Tomemos
por exemplo uma jarra: se ela apresentar um defeito, perderá sua utilidade. Como objeto, nela não há
Verdade se deixar vazar água, se cair quando a colocarmos em pé, ou quebrar-se quando tentarmos usá-la.
Para que a jarra possa ser utilizada, é preciso consertá-la. O mesmo acontece com os homens. Se uma
pessoa, por motivo de doença não puder cumprir as missões para as quais foi criada, tornar-se-á inútil para a
sociedade. Deverá, pois, submeter-se à reforma que vem a ser o Johrei da nossa Igreja, prece a Deus em
favor de quem sofre.
A seguir, consideremos o Bem. Se não houver, no homem, nenhuma parcela de Bem e ele praticar somente
o mal, também deixará de ser um homem verdadeiro: será um animal. Tal espécie de homem prejudicaria a
coletividade em que vive, e precisaríamos, ao invés de condená-lo, evitar sua existência. Mas isso compete
a Deus, que possui o direito sobre a vida e a morte.
Inúmeras pessoas tornam-se vítimas do fracasso, da doença e da pobreza; algumas chegam até a perder a
vida. Elas estão sendo julgadas por Deus. Entretanto, embora se fale no mal de forma genérica, existe
aquele que é praticado conscientemente e aquele que é praticado inconscientemente. O sofrimento varia de
acordo com essa diferença. A justiça é perfeita.
Dispenso maiores explanações sobre o Belo, por ser assunto do domínio de todos; mas, como temos dito, a
condição fundamental para transformar este mundo em paraíso está na concretização da Verdade, do Bem e
do Belo. Assim, tanto a eliminação das máculas causadoras das doenças, como a reformulação dos métodos
agrícolas, são, logicamente, artes. A primeira é a Arte da Vida, e a segunda, a Arte da Agricultura.
Acrescentemos, ainda, a construção do protótipo do Paraíso Terrestre, que é a Arte do Belo. Com a junção
das três, construiremos o Mundo da Luz, consubstanciado na trindade Verdade-Bem-Belo. É o Paraíso
Terrestre, ou a concretização do Mundo de Miroku.
4 de outubro de 1950
O PARAÍSO É O MUNDO DO BELO
Os fiéis da nossa Igreja estão bem cientes de que o objetivo de Deus é a construção do mundo ideal, de
perfeita Verdade, Bem e Belo. Sendo assim, o objetivo de Satanás, Seu antagonista, é obviamente a
Falsidade, o Mal e a Fealdade. Falsidade e Mal não necessitam de explicações; portanto, falarei a respeito
da Fealdade.
Neste mundo, existem coisas erradas. Há casos, por exemplo, em que a Fealdade se associa à Verdade e ao
Bem. Ao ver tais fatos, muitas vezes as pessoas fazem deles alvo de admiração e respeito. Em termos mais
claros, desde tempos remotos, não são poucas as pessoas que, comendo e vestindo-se precariamente,
morando em cabanas, enfim, vivendo uma vida miserável, realizam práticas virtuosas para o bem do
próximo e da sociedade. Realmente, se suas condições de vida fossem desfavoráveis, isso seria inevitável
para elas poderem sobreviver, mas algumas, mesmo tendo condições para viverem de modo diferente,
escolhem espontaneamente tal forma de vida, o que acredito não ser desejável. Entre elas, encontram-se
muitos religiosos que escolhem uma vida de abstinência como meio de aprimoramento, achando ser um
meio excelente. Quem vê isso, considera-os pessoas sublimes. Mas, para falar a verdade, esse pensamento
não é correto, pois se negligencia um fator importantíssimo, que é o Belo; ou seja, temos Verdade, Bem e
Fealdade. Neste sentido, desde que não ultrapassem as condições adequadas a cada indivíduo, as vestes, a
alimentação e a moradia do homem devem ser utilizadas da maneira mais bela possível, porque isso está de
acordo com a Vontade Divina. Além do mais, o Belo não é simplesmente uma satisfação individual, mas
também o que causa uma sensação agradável aos outros; assim, podemos dizer que é uma espécie de boa
ação. Na verdade, quanto mais alto grau de civilização a sociedade alcançar, tudo deverá se tornar mais
belo. Pensem bem. Na vida dos selvagens não existe quase nenhuma beleza. Por isso, também podemos
dizer que o progresso da civilização é, em parte, o progresso do Belo.
Naturalmente a nível individual, os homens também devem procurar manter uma beleza adequada, para
causar boa impressão às demais pessoas; sobretudo as mulheres, devem procurar mostrar-se ainda mais
belas. Talvez não seja da minha conta falar-lhes semelhantes coisas, mas é a pura verdade: dentro de casa,
deve-se sempre ter o cuidado de não deixar teias de aranha no teto, de conservar o assoalho tão limpo que
não haja nem um cisco, de arrumar logo os objetos desagradáveis à vista e deixar os utensílios bem
organizados. Assim, tanto os moradores da casa como as visitas sentir-se-ão bem, o sentimento de respeito
nascerá naturalmente, e o conceito do chefe da casa também se elevará. Devemos, ainda, cuidar do aspecto
externo das residências. Mas não é preciso gastar dinheiro para isso; se procurarmos conservar nossa casa
sempre limpa e em bom estado exteriormente, não só causaremos uma boa impressão às pessoas que
passam pela sua frente, como também contribuiremos para influenciar positivamente o plano de turismo
nacional. A esse respeito, existe um comentário sobre a Suíça, o qual, em parte, talvez se justifique pelo
tamanho do país. De qualquer forma, dizem que, lá, tanto as ruas como as praças públicas são sempre
conservadas limpas e por isso a sensação que se tem é realmente a melhor possível. Este é um dos motivos
pelos quais o país recebe tantos turistas; portanto, poderíamos tê-lo como exemplo a ser imitado.
As razões expostas mostram que nós, japoneses, também precisamos cultivar o senso do Belo. Através
disso, exerceremos boa influência sobre os indivíduos e, em grande escala, muito mais do que pensamos,
sobre a sociedade e a nação. E mais ainda; através desse ambiente belo, os sentimentos dos cidadãos
também se tornarão belos, e os crimes e os acontecimentos desagradáveis diminuirão, o que,
conseqüentemente, se tornará um dos fatores determinantes do Paraíso Terrestre.
Finalizando, escreverei a meu respeito. Desde jovem eu gostava de tudo que dissesse respeito ao Belo.
Embora fosse muito pobre, cultivava flores em espaços vazios e, quando dispunha de tempo, pintava
quadros. Sempre que me era possível, visitava museus e exposições. Na primavera, apreciava as flores, e no
outono, o bordo. Agora, pela graça de Deus, minha vida se tornou mais afortunada, e, além de apreciar o
Belo como desejo, isso constitui uma ajuda para a realização das atividades da Obra Divina. Entretanto,
para terceiros, que desconhecem esse fato, minha vida parece exageradamente luxuosa, o que é inevitável.
Desde tempos antigos, como sempre digo, os fundadores de religiões faziam a divulgação das doutrinas
levando uma vida paupérrima e realizando penitências. Comparando-me com eles, talvez todos achem
minhas atitudes um tanto estranhas, pela grande diferença observada. Na verdade, aqueles religiosos
estavam na Era da Noite, e até mesmo a Religião era divulgada por meios infernais. Chegou, porém, a
Época de Transição e, atualmente, quando o mundo está para se tornar Dia, a salvação é efetuada num
estado paradisíaco, de modo que é necessário refletir profundamente sobre esse ponto.
11 de julho de 1951
OBRAS-PRIMAS DA ARTE AO ALCANCE DO POVO
Vou explicar o significado fundamental da construção do Museu de Belas-Artes de Hakone.
Como sempre digo, o objetivo da nossa Igreja é construir um mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. Para
expressar este último, construí uma obra de arte inédita, unindo a beleza natural à beleza criada pelo
homem. Que pretendo atingir com isso?
Embora o Japão, desde um passado bem remoto, sempre tivesse possuído grande número de magníficas
obras de arte, que nunca deixaram nada a desejar em relação às de qualquer outro país, até hoje elas
estavam nas mãos da classe dominante, bem guardadas nos seus palácios. Só de vez em quando essas obras
eram expostas e, assim mesmo, a um limitado número de pessoas. Portanto, em termos mais claros,
vigorava, até algum tempo atrás, o monopólio das belas-artes, produto do pensamento feudalista dos
japoneses.
Já há muito tempo eu vinha me rebelando contra esse mau costume. Pensava modificá-lo de alguma forma,
colocando as belas-artes ao alcance de todos. Enfim, queria libertá-las e, com elas, deleitar o povo.
Acreditava que, dessa maneira, também daria um novo sopro à vida da Arte. Como sou líder religioso e,
conseqüentemente, pude contar com a dedicação dos fiéis, o Museu de Belas-Artes foi concluído em curto
espaço de tempo. Vendo concretizada uma aspiração de longos anos, estou imensamente feliz.
Atualmente, existem museus de Arte particulares, mas o objetivo destes é muito diferente do meu. São
museus organizados por milionários, com os inúmeros objetos que eles colecionaram para preservação e
segurança de seu futuro. Esses milionários dispendem grande soma de dinheiro para satisfazer seus próprios
"hobbies", proteger sua fortuna, receber honrarias, etc. Entretanto, como existe uma lei regulamentando
que, num determinado número de dias do ano, as peças dos museus particulares devem ser expostas ao
público, esses museus abrem suas portas durante um curto período, na primavera e no outono, apenas para
cumprirem a exigência da lei. Por isso, devemos dizer que seu significado social ainda é muito limitado.
Em contraposição, o nosso Museu de Belas-Artes fecha somente durante os três meses de inverno -
dezembro, janeiro e fevereiro - devido ao clima impróprio de Hakone. No restante do ano, ele está aberto,
podendo ser visitado quando se desejar. Assim, também nesse aspecto podemos dizer que ele é um museu
ideal. Além disso, os objetos nele expostos são tão famosos e raros, que as pessoas interessadas em Arte
desejam admirá-los pelo menos uma vez. Imagino, pois, quão grande seja sua satisfação. Acrescente-se que
o preço do ingresso é bem acessível; dessa forma, estamos contribuindo grandemente para o bem da
sociedade.
Outro aspecto positivo é que, quando os artistas da atualidade queriam ver um objeto de arte como ponto de
referência para os seus estudos, não encontravam um museu de arte japonesa no verdadeiro sentido da
palavra. Como todos sabem, os museus históricos possuem grande número de objetos históricos e
arqueológicos, mas trata-se, principalmente, de arte budista, ao passo que outros, como os particulares, por
exemplo, expõem sobretudo arte chinesa e ocidental. Assim, poderemos contribuir para a preservação dos
valiosos patrimônios culturais que tendem a se dispersar facilmente.
Outro dia, em visita ao museu, o Sr. Assano, diretor do Museu Nacional do Japão, e o Sr. Fujikawa, chefe
do Departamento do Conselho de Desenvolvimento do Patrimônio Histórico e Artístico Japonês, disseram
que esse tipo de museu preenche as condições de que a nação mais necessita atualmente, razão pela qual
eles nos manifestavam seu irrestrito apoio e o desejo de que alcançássemos um êxito cada vez maior. Isso
veio firmar mais ainda a minha convicção.
Por fim, quero dizer em especial que, no futuro, virão turistas ao Japão, uns após outros e, como não
existem turistas que não passem por Hakone, sem dúvida eles visitarão o nosso Museu de Belas-Artes.
Também nesse aspecto ele será de grande utilidade, contribuindo para que os visitantes se conscientizem do
elevado nível da cultura japonesa. A propósito, estrangeiros de grande influência tal como o Professor
Langdon Warner (1881-1955) nos solicitaram permissão para visitar o museu, de modo que, um dia, ele
também será conhecido no exterior; creio mesmo não estar muito longe o tempo em que se tornará uma das
atrações do Japão. No desejo de corresponder a essa expectativa, estou me esforçando ao máximo para o
aperfeiçoamento de todos os seus detalhes.
6 de agosto de 1952
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DA CIVILIZAÇÃO JAPONESA
Tenho muito a dizer sobre as características peculiares do Japão e do seu povo. Se os japoneses tivessem
profunda compreensão a esse respeito, jamais precisariam ter experimentado o amargo destino de povo
vencido na guerra, nem ter visto seu país em ruínas. Existe uma expressão que nos aconselha a
conhecermos bem a nós mesmos, mas é necessário estender esse pensamento aos limites do conhecimento
de nossa pátria. Na época do isolacionismo (séc. XVII-séc. XIX), ainda seria admissível os japoneses
desconhecerem seu próprio país; atualmente, porém, quando tudo se processa em âmbito mundial e
internacional, é de vital importância conhecermos profundamente o país em que nascemos. Em termos de
Japão, esse conhecimento consiste em estarmos perfeitamente cientes da missão que ele deve cumprir.
É evidente que, se não compreendermos o motivo da existência do Japão, não poderão ser consolidadas as
grandiosas metas nacionais. Para melhor entendimento, basta lembrar a situação do país até o fim da
Segunda Guerra Mundial. Havia uma classe militar dominante, chamada "Gumbatsu", que era detentora de
poderes absolutos. Escolhida por um pequeno número de pessoas, governava o país como bem entendia. Por
isso, no que se relacionava aos governantes, o povo não tinha direito ao uso da palavra, acomodando-se à
condição de serviçais. Esta situação ainda está bem gravada em nossas mentes. A partir da Era Meiji (1868-
1911), instituiu-se a Constituição e foi criado o Sistema Representativo. Com isso, embora desse a
impressão de que se estavam respeitando as idéias do povo, na verdade a política encontrava-se nas mãos de
uma minoria, que acabou por fazer aquela terrível guerra. Foi a mesma coisa que vender gato por lebre.
Vamos refletir sobre a história do Japão. Desde a remota época do imperador Jinmu, este país não teve um
período sequer de paz, sendo contínuas as guerras internas. A política sempre esteve totalmente dominada
pelo regime de força. Disfarçados sob o belo nome "Código de Ética do Samurai", bárbaros assassinos
recebiam condecorações heróicas. O vencedor das guerras assumia a hegemonia desse tempo.
Até o fim da Segunda Guerra Mundial o Japão veio sendo arrastado sob esse regime de brutalidade, só
interrompido após o grande choque da derrota. Se os japoneses não se conscientizarem profundamente do
significado de tudo isso, será impossível surgir uma verdadeira política nacional, digna de uma nação
pacífica. Para tanto, o mais importante é uma nova conscientização do país. Em verdade, o Japão deveria
ser o oposto da nação violenta e despótica a que costumamos nos referir; assim, é preciso que ele se torne
uma nação pacífica e artística. Esta é a missão que Deus lhe concedeu.
Fala-se muito sobre a reconstrução do país, mas isso por si só não tem grande significação. Se analisarmos
com imparcialidade, veremos que não passamos de uma nação democrática sem preparo bélico, o que,
naturalmente, constitui motivo de alegria. Entretanto, o Japão precisa compreender sua missão peculiar em
relação ao mundo e empenhar-se pelo bem-estar de todos os povos: eis o verdadeiro papel do Novo Japão.
Vou enumerar algumas das razões que me levam a fazer essa afirmativa.
Em primeiro lugar, as maravilhosas paisagens da terra japonesa. No mundo, talvez não haja outras que se
lhe comparem; estamos sempre ouvindo elogios por parte daqueles que nos visitam.
No que se refere ao tempo, as estações do ano são bem definidas, o que é muito significativo. Há uma
contínua renovação dos aspectos da Natureza: as montanhas, os rios, a grama, as árvores, etc. Isso está bem
claro nas palavras do famoso poeta Kyoshi Takahama, que, após ter viajado pelo mundo inteiro, disse o
seguinte: "Não existe país onde as estações sejam tão bem definidas como no Japão. O haicai (###Poema
típico japonês###) canta as estações do ano, de modo que, em outros países, não é possível compor um
haicai autêntico". Além disso, ouve-se dizer que a nossa riqueza em variedade de grama, árvores, flores,
folhas, frutos e produtos do mar é realmente incomparável.
Outra característica marcante do povo japonês é a habilidade manual, o que justifica o seu pendor artístico.
A prova disso é o número elevado de magníficas obras de arte criadas no Japão, não obstante o seu passado
de constantes guerras internas. Ainda hoje nos surpreendemos com essa técnica e dom admiráveis.
Com tudo que foi explicado, creio que se pode entender a missão do Japão e do seu povo. Em resumo, é
preciso transformar todo o território japonês no Jardim do Mundo e empreender contínuos esforços no
sentido de promover a Arte, até que ela atinja o seu mais elevado nível. Ou melhor, deve-se estabelecer
uma política nacional baseada no turismo, na Arte e no artesanato, empregando todo o empenho na sua
concretização. Como resultado, é natural que isso contribuirá para a elevação do pensamento de toda a
humanidade, proporcionando, também, um nível mais alto de recreação e distração. Em poucas palavras, é
importante fazer do Japão um país de elevadíssimo nível artístico e cultural.
Podemos afirmar que nunca se temeu tanto a guerra e se desejou tão ardentemente a paz como na época
atual. A causa da guerra, como sempre dizemos, é substituir nos homens uma forte disposição para a luta.
Logicamente, essa disposição tem origem no pensamento selvagem, o que significa dizer que, embora os
homens se considerem civilizados, na realidade ainda lhes falta muito para se despojarem da selvageria. O
meio para solucionar o problema é fazer com que a humanidade mude o objetivo pelo qual está vivendo. A
meta dessa mudança deve ser a Arte, isto é, deve-se transformar o mundo infernal, repleto de lutas, num
mundo paradisíaco, repleto de Arte. Através da ameaça armada, podemos obter uma paz momentânea, mas
a paz duradoura só poderá ser conseguida pela renovação do pensamento. Essa renovação, eu afirmo, só se
efetivará por meio da Religião e da Arte.
Não falemos, portanto, em reconstrução do Japão, e sim na construção de um Novo Japão. Para que isso
possa se tornar realidade, só há um meio: transformá-lo numa nação artística.
1º de janeiro de 1950
O JAPÃO É O PAÍS DO ESPÍRITO
O Japão é o país que representa o espírito; os outros países representam a matéria. Este assunto não é muito
conhecido, por isso vou focalizá-lo, expondo alguns pontos que fundamentam minhas palavras.
Em primeiro lugar, falarei sobre as construções. No Japão, predominam as de madeira ("ki"); no exterior, as
de pedras naturais, concreto ou tijolos. Quanto aos instrumentos musicais, temos o "koto", o "shamissen" e a
flauta, feitos geralmente de madeira e bambu; já nos demais países, os instrumentos musicais costumam ser
de metal. Além disso, a voz dos japoneses lembra a voz dos pássaros, ao passo que a dos estrangeiros
assemelha-se à voz de outros animais. Nas casas japonesas tradicionais, anda-se e dorme-se sobre esteiras
feitas de plantas; nas casas estrangeiras, anda-se, geralmente, sobre pedras, cimento ou tapetes
confeccionados com peles de animais.
Dizem que o Japão é o país do pneuma (###Pneuma, em japonês, também é "Ki", mas escrito com
caracteres diferentes da palavra que significa madeira###). Ora, pneuma é espírito. Os outros países, como
dissemos, são o corpo, isto é, a matéria ("tai"). "Ki" ainda significa fogo, positivo, por isso é masculino,
enquanto "tai" também significa água, negativo, e por isso é feminino. Antigamente, os homens eram
prepotentes e as mulheres eram passivas. É uma observação curiosa, mas a comida típica dos japoneses, o
arroz, tem o formato do órgão genital masculino, e o trigo dos estrangeiros tem o formato do órgão genital
feminino.
Muitas outras razões poderiam ser apontadas para fundamentar a afirmação que fizemos inicialmente, mas
acho que estas são suficientes. À medida, porém, que o Paraíso vai se estabelecendo, o Oriente e o Ocidente
irão se aproximando, e o vertical e o horizontal se cruzarão, formando o "Izunomê". Compreendendo isso e
observando o mundo atual sob esse prisma, tudo se torna muito claro. O Japão começou a assimilar com
grande intensidade a cultura norte-americana, materialista; mais recentemente, a cultura japonesa também
começou a ser admitida nos Estados Unidos. Isso significa a fusão das culturas oriental e ocidental.
Os homens podem não perceber, mas o Plano de Deus está avançando passo a passo.
8 de abril de 1953
A RESPEITO DO JARDIM DA TERRA DIVINA
O Jardim Sagrado que estou construindo há cinco anos, em Gora, na cidade de Hakone, só está cerca de
oitenta por cento pronto. Mesmo assim, comparado aos famosos jardins existentes em todo o Japão, desde
os tempos antigos, não deixa nada a desejar. Talvez soe como auto-elogio, mas há uma grande diferença de
nível entre este jardim e os demais. É claro que existem muitos jardins maravilhosos, cada um com suas
características; porém, seja ele qual for, não possui aspectos tão relevantes quanto o de Hakone.
A Terra Divina, como podemos ver, é totalmente diferente de outros locais. Possui tal abundância de pedras
e rochas naturais, que chega a espantar. Estou dispondo-as conforme a Orientação Divina, não me
submetendo às tradicionais formalidades relativas a jardins. Não me baseio em modelos; estou construindo
este jardim num estilo totalmente novo. Até no que diz respeito às árvores, juntei várias espécies,
combinando-as bem, para que possam estar em harmonia com as pedras e rochas. As cascatas e correntes
d'água foram aproveitadas para expressarem, ao máximo, o sabor da natureza. Assim, somando a beleza das
montanhas e das águas com a beleza dos jardins, tentei expressar o que há de melhor e mais elevado na arte
natural. Meu objetivo é fazer aflorar, através dos olhos da pessoa que vê esse quadro, o sentimento do belo
latente nos seres humanos, elevar seu caráter e eliminar as impurezas de seu espírito. Por esse motivo, tanto
as pedras como as árvores e plantas foram selecionadas e combinadas cuidadosamente, colocando-se amor
em cada uma delas. É como se fôssemos pintar um quadro utilizando materiais "in natura". Gostaria,
portanto, que o admirassem com esse espírito.
Construí esse jardim de modo que, visto de perto ou de longe, parcialmente ou em conjunto, ou de qualquer
ângulo, sobressaia cada uma de suas características. Além disso, com o passar dos meses e dos anos, vão
nascendo vários musgos típicos de Hakone, plantinhas de nome desconhecido, minúsculas flores graciosas e
brotos de árvores que crescem nas reentrâncias das pedras como "bonsai" (###Técnica de cultivo pela qual
se fazem plantas em miniatura###), as quais, por si mesmas, parecem querer atrair a atenção das pessoas.
No ano passado, o jardim todo ficou mais "maduro", assumindo um aspecto mais tranqüilo: melhorou tanto
que nem o reconhecíamos. Eu mesmo cheguei a percorrê-lo diversas vezes, sem ter coragem de afastar-me.
Após a chuva, quando a água é abundante, temos a impressão de estar vendo, de lugar bem alto, uma
correnteza no meio da mata. O som da água escorrendo pelas pedras, a corrente quebrando-se, lançando
gotas para todos os lados, mais adiante descrevendo graciosas curvas e terminando em duas cascatas...
Visão panorâmica deslumbrante! A cascata do lado direito, chamada "Ryuzu no Taki" (Cachoeira Cabeça
de Dragão), é maravilhosa, e a do lado esquerdo divide-se em vários fios d'água, para mais abaixo quebrar-
se e espirrar para todos os lados. Vejo de relance até uma andorinha voando rápido, bem rente às cascatas.
Realmente, a harmonia da beleza natural com a beleza artificial está expressa muito melhor do que eu
esperava. Fico satisfeitíssimo. Ao contemplar essas cascatas, sinto-me como se estivesse nas profundezas de
montanhas e vales ou diante de um quadro magnífico. Geralmente, as cascatas artificiais têm certo sabor
mundano que as prejudica, mas isso não acontece com as deste jardim, plenamente identificadas com as
cascatas naturais. O vermelho e o amarelo dos bordos, que nelas se refletem esplendorosamente, as cores de
cada árvore e a forma tridimensional de plantio fazem com que eu me sinta no meio de densas matas.
Mas deixemos aqui as explanações a respeito do que já foi concluído. Também no terreno baldio, bem
espaçoso e próximo à parte posterior do jardim, estou pensando em construir outro jardim muito diferente, e
já dei início à sua construção. Também para este tenho um plano bem diferente, inaudito; quando ele estiver
terminado, talvez cause assombro a todas as pessoas.
Vim escrevendo à proporção que as idéias me afloravam à mente, e talvez me achem orgulhoso demais por
estar elogiando o que eu mesmo fiz. Sem dúvida, na opinião das pessoas comuns, isso está errado. Mas este
jardim da Terra Divina foi construído por Deus; eu sou apenas o Seu Instrumento. Portanto, como ele foi
construído pela técnica, ou melhor, pela Arte Divina, não seria nada de mais elogiá-lo. É o mesmo que
louvar a Deus; por conseguinte, um ato muito justo. Há algum tempo, o Sr. William W. Shudler, professor
de Geografia de um colégio dos Estados Unidos, veio apreciá-lo e, com visão de profissional, assim
exprimiu sua admiração: "Já vi jardins do mundo inteiro, mas nenhum tão raro e artístico como este. Talvez
possamos afirmar que ele seja único em todo o mundo".
A seguir, falarei sobre o Museu de Belas-Artes, que será construído por último.
A construção está planejada até o verão do ano que vem e, quando ela estiver concluída, o Jardim Sagrado
da Terra Divina ficará ainda mais magnífico. Quanto às obras artísticas a serem expostas, já tenho algumas
e já andei pesquisando as que são avaliadas como Tesouro Nacional, existentes em museus históricos e de
belas-artes de várias regiões, em coleções particulares, em templos, etc., com os quais, pouco a pouco,
estou fortalecendo meu relacionamento. Assim, tenho certeza de que o Museu de Belas-Artes de Hakone
nada ficará devendo a outros do gênero. Minha intenção é expor poucas obras históricas e arqueológicas,
tendo como critério meu senso estético, independente de ser arte oriental ou ocidental, antiga ou moderna.
Pretendo selecionar somente as obras-primas de artistas famosos de cada época. Isso porque o significado
do Museu de BelasArtes deixará de ser alcançado se todas as pessoas, entendidas ou não em Arte, não se
sentirem tocadas e extasiadas com a beleza das obras expostas.
Naturalmente, este museu, a começar pela sua arquitetura, instalações internas, decoração e tudo o mais,
será construído de acordo com a orientação de Deus; por isso, quando ele estiver concluído, apresentará
resultados absolutamente especiais. Com a sua conclusão, praticamente estará terminada a construção do
protótipo do Paraíso da Terra Divina. No momento em que isso se concretizar, a Obra Divina entrará em
sua verdadeira fase de expansão. Mas não pararemos aí. A construção do protótipo do Paraíso de Atami
também terá rápido progresso. Deus faz com que tudo se processe de acordo com a Ordem, esta é a
Verdade.
19 de setembro de 1951
SIGNIFICADO DA CONSTRUÇÃO DO MUSEU DE BELAS-ARTES <###NOTA: Este
artigo é a saudação proferida por Meishu-Sama na inauguração do Museu de Belas-Artes
de Hakone.###>
Sou Mokiti Okada, Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial.
Meus sinceros agradecimentos aos senhores pela sua presença no dia de hoje, apesar de estarem tão
atarefados. Convidei-os especialmente, antes da inauguração deste museu, para ouvir suas impressões de
abalizados "experts" das belas-artes, e, também, para expor, em rápidas palavras, os meus propósitos.
O objetivo primordial da Religião é a criação do mundo da Verdade, do Bem e do Belo. A Verdade e o
Bem são coisas espirituais, mas o Belo expressa-se por meio de formas, elevando o espírito do homem pela
sua contemplação.
Como é do conhecimento geral, no Ocidente, desde a antigüidade greco-romana até aproximadamente a
Idade Média, e também no Japão, desde a época Shotoku (574-622) até a Era Kamakura (1192-1333), a arte
sacra era muito próspera. É incontestável que a Religião foi o corpo materno de todas as artes, seja da
pintura, da escultura, da música, etc. Na era contemporânea, todavia, esse elo entre Religião e Arte foi
enfraquecendo pouco a pouco, de tal modo que elas acabaram se dissociando por completo. Por influência
da Ciência, fala-se muito, hoje em dia, em estagnação da Religião. Entretanto, pelo motivo exposto acima,
acho que a Religião e a Arte têm de caminhar tal como as rodas de um carro.
Desejo falar agora sobre as características do Japão.
Tal como os indivíduos, cada país possui uma ideologia cultural particular. A do Japão consiste em
contribuir para a elevação da cultura, deleitando a humanidade através do Belo. Poderemos compreender
isso observando a magnificência da paisagem desse país; a abundância e variedade de suas flores, plantas e
árvores, a sensibilidade aguçada de seu povo em relação ao Belo, a excelência de seu artesanato, etc.
Todavia, por desconhecimento da natureza de sua missão e por sua ambição demasiado imprudente, o Japão
acabou sofrendo aquela amarga derrota na Segunda Guerra Mundial. Nem seria preciso dizer que o fato de
ter sido despojado até de armamentos para não provocar novas guerras, foi Obra de Deus a fim de despertar
os japoneses para a sua verdadeira missão. Ultimamente, tem-se falado muito sobre rearmamento, mas
trata-se apenas de uma medida de defesa, sendo evidente que não contém outro significado.
Está claro, portanto, o caminho que o Japão deve seguir daqui para a frente. Tendo isso como objetivo,
infalivelmente lhe advirá eterna paz e prosperidade. Consciente dessa verdade, venho me esforçando para
concretizá-la, embora, no contexto geral, talvez seja insignificante o meu esforço. Como método concreto,
primeiramente construí um pequeno Paraíso do Belo, com a intenção de mostrá-lo ao mundo. Os locais que
preenchem este requisito, sem dúvida alguma, são Hakone e Atami, pelas facilidades de acesso, pela beleza
das paisagens, pelas fontes termais, pela excelência do clima e do ar. São lugares plenamente satisfatórios.
Escolhendo um local particularmente belo, nessas duas cidades, e unindo a beleza natural à beleza criada
pelo homem, para formar um ambiente artístico ideal, consegui, finalmente, concluir o protótipo do Paraíso
Terrestre de Hakone e este Museu de Belas-Artes.
Como é do conhecimento de todos, até hoje não existia, no Japão, nenhum museu de belas-artes tipicamente
japonês. Existe museu de belas-artes chinesas, de belas-artes ocidentais, o de arte sacra, nas dependências
do Museu Histórico, e outros museus, mas nenhum de arte japonesa. Sendo assim, nem mesmo os próprios
japoneses podiam admirar as belas-artes de seu país. Se, por acaso, um estrangeiro nos visitasse e desejasse
apreciar obras de arte tipicamente japonesas, era impossível satisfazer sua vontade. Isso não constituiria
uma grande falha do Japão, o país das belas-artes? Portanto, se este museu for capaz de suprir pelo menos
uma parte dessa falha, será para mim uma grande e inesperada felicidade.
Também gostaria de que os senhores tomassem conhecimento de outro fato.
Desde tempos remotos, o Japão possui um grande número de verdadeiras obras-primas da Arte, das quais
poderia vangloriar-se perante o mundo inteiro. Entretanto, até o término da Segunda Guerra Mundial, elas
eram propriedades intocáveis, guardadas com todo o zelo pelas famílias milionárias e nobres e raramente
expostas ao público. Creio que isso foi motivado pela ideologia monopolista e feudalista. Hoje, porém,
tendo-se tornado o Japão uma nação democrática, o fato ficou apenas como imagem do passado. Pela sua
própria natureza, as obras-primas da Arte existem para serem mostradas o mais possível ao povo, a fim de
deleitá-lo e fazê-lo, inconscientemente, elevar sua espiritualidade. Assim sendo, é preciso, antes de mais
nada, erradicar a ideologia monopolista e liberar as belas-artes.
Felizmente, por ocasião da grande mudança ocorrida em nível nacional, após a guerra, muitos tesouros
culturais que estavam escondidos foram lançados no mercado, sendo evidente o quanto isso foi útil para a
constituição do nosso Museu de Belas-Artes. É um museu pequeno; entretanto, tenciono fazer dele um
modelo, pois acredito que, doravante, surgirão, seguidamente, vários museus, tanto no Japão como no
exterior. Por isso, o seu conjunto e até os mínimos detalhes foram objeto de minha especial atenção;
naturalmente, os jardins - cada árvore e cada planta - também são projetos meus. Como é obra de amador,
esse museu pode ter muitos defeitos, mas, se puder ter alguma utilidade, sentir-me-ei muito satisfeito. Além
disso, pensando em possíveis bombardeios aéreos, incêndios, roubos, etc., tomei precauções suficientes
tanto no que concerne ao ambiente como às instalações. Creio, portanto, que ele também preencha
condições para a conservação de Tesouros Nacionais.
Acredito que os senhores tenham compreendido meus propósitos; mas, repetindo, não tenho outro objetivo
senão o de fazer aflorar a natureza intrínseca do Japão, ou seja, a de País do Belo e Paraíso do Mundo.
Também tenho planos de, num futuro próximo, construir protótipos do Paraíso Terrestre, e seu
indispensável museu de belas-artes, em Atami e Kyoto. Aproveito o ensejo para expressar meu desejo de
poder contar com o apoio de todos os senhores.
9 de julho de 1952
POR QUE AS OBRAS-PRIMAS CHEGARAM ÀS MINHAS MÃOS
Como as pessoas que já visitaram o Museu de Belas-Artes de Hakone devem saber, temos inúmeras peças
que não se conseguem facilmente. Por isso não há quem não se espante. Vou contar, desde o início, como
ocorreram os fatos.
Comecei a comprar objetos de arte logo após o término da guerra. Naquela época, o Japão estava passando
por uma transformação até então nunca vista. Os nobres, os milionários, os senhores feudais, os grandes
grupos econômicos, enfim, todos aqueles que ocupavam posições privilegiadas foram despojados delas de
uma só vez. Premidos pelas dificuldades financeiras, eles viram-se obrigados a desfazer-se das caligrafias,
quadros e antigüidades de valor artístico que eram tesouros de família desde a época de seus ancestrais. Por
conseguinte, surgiram no mercado muitas peças famosas e raras, e a preços baixos. Fiquei com muita pena,
pois essas pessoas precisavam vendê-las mesmo a contragosto, para poderem pagar os altíssimos impostos
lançados sobre seus bens. Assim, ao comprar os objetos, eu também fui levado por uma grande vontade de
ajudá-las, de modo que não pedi desconto, tendo comprado a maioria pelo preço ofertado. É óbvio, porém,
que fiz um balanço dos ganhos exorbitantes de vendedores ambiciosos. Dessa forma, as peças foram sendo
colecionadas pouco a pouco.
Como tenho dito várias vezes, desde jovem eu gostava muito das belas-artes. Entretanto, minha capacidade
de avaliação ainda era de amador; além disso, eu não tinha experiência em compras desse tipo, nem
entendia de preços do mercado. Conseqüentemente, só comprei as obras de que gostava. E parece que esse
método não falhou; posso até dizer que não comprei nenhuma peça falsa.
Os especialistas no assunto que visitaram o Museu de Belas-Artes de Hakone, teceram-lhe elogios sinceros
e não apenas para serem gentis: "Em todos os museus de belas-artes que visitei até hoje, as peças expostas
são de valor duvidoso, mas as deste museu não. É um conjunto de objetos de primeira classe!" O Sr. Alan
Priest, Curador do Setor de Belas-Artes Orientais do Museu Metropolitano de Nova Iorque, também elogiou
especialmente esse ponto.
Enquanto fazia isto e aquilo, fui colecionando muitos objetos, e minha capacidade de avaliação tornava-se
cada vez mais aguçada. Comecei, então, a pensar que, um dia, deveria construir um museu de belas-artes.
Isso ocorreu há mais ou menos três anos. A partir daí, misteriosamente, superando todas as expectativas,
começaram a aparecer peças que vinham ao encontro desse objetivo, e eu então compreendi claramente
que, por fim, Deus começara a executar a construção do Museu de Belas-Artes. Os milagres ocorridos nesse
sentido foram muitos, e, como não conseguiria enumerar todos, citarei apenas os mais relevantes.
Foi logo no começo. Certo vendedor, especialista em "makiê", misteriosamente me trazia, uma após outra,
obras de alto nível. E não era só eu que me espantava: o próprio vendedor dizia que, para ele, o fato
também era realmente um mistério. Além disso, a época era propícia e consegui objetos valiosos por preços
incrivelmente baixos; em termos de mercado atual, custaram várias vezes menos. Todas as peças de
"makiê" que atualmente estão expostas no Museu de Belas-Artes são dessa época, tendo sido colecionadas
em apenas meio ano. Entre elas, destacam-se duas do extraordinário artesão Shossai Shirayama, e ainda
tenho algumas outras guardadas, que pretendo expor um dia. Hoje, quase já não existem à venda obras
desse artista; restam muito poucas, e seus proprietários não abrem mão delas.
Há muito tempo aprecio os objetos de estilo Rin e as cerâmicas Ninsei. Com o passar dos anos, eles foram
ficando cada vez mais caros; ultimamente, já não existe quase nenhum à venda, e dizem que os interessados
estão desapontadíssimos. Entretanto, na confusão do período logo após a guerra, os preços eram baixíssimos
e eu pude adquirir muitas obras; podemos, pois, entender que isso foi obra do Poder de Deus. É por esse
motivo que eu nunca deixava de conseguir as peças que gostaria de possuir ou que necessariamente
deveriam existir no Museu de Belas-Artes. Todas as vezes que isso acontecia, o vendedor exclamava: "É
um mistério! É um milagre!"
A esse respeito, ocorreu um fato interessante. Eu estava querendo adquirir a famosa xilogravura "Tokaido
Gojusantsugui", de Hiroshigue, quando me apareceu um vendedor especializado em xilogravuras, que me
ofereceu algumas obras desse artista. Eu lhe disse que, se fosse a impressão original da "Gojusantsugui", eu
a compraria a qualquer hora. Qual não foi o meu espanto quando, no dia seguinte, ele a trouxe para mim,
dizendo: "Não há nada mais misterioso. Ontem, assim que voltei para casa, uma pessoa me levou
exatamente o que o senhor queria. Fiquei muito surpreso, pois estava à procura dessa obra há mais de
quarenta anos, e justamente ontem apareceu alguém para vendê-la. Não consigo entender!"
É claro que eu também exultei com o grandioso milagre. Examinando atentamente, vi que era de fato a obra
original, que estava sendo guardada por um lorde feudal. Percebi, inclusive, que a encadernação parecia ter
sido feita por um ancestral seu; por isso, fiquei duplamente maravilhado em poder adquiri-la. Além disso, o
preço era muito baixo, o que me deixou mais contente ainda.
A seguir, falarei sobre a cerâmica chinesa.
Anteriormente, eu não sentia nenhuma atração nem entendia nada sobre o assunto, mas, quando pensei que
essas peças seriam necessárias ao Museu de Belas-Artes, não tardou que elas se fossem acumulando. São
estas que agora estão expostas, e as pessoas não acreditam que tenham sido colecionadas em apenas um
ano. No princípio, eu não entendia absolutamente nada, como disse, mas fui escolhendo-as com base nas
explicações dos vendedores e no meu sexto sentido. Hoje, os especialistas dizem que ficam impressionados
em ver como se conseguiu reunir tantos objetos de valor. Por isso não tenho palavras para exprimir a
grandiosidade das graças concedidas por Deus.
Ainda poderia contar muitos outros fatos, mas gostaria que imaginassem o restante. Agora, explicarei por
que ocorreram tais milagres.
Os espíritos dos autores dessas obras, que, obviamente, estão no Mundo Espiritual, assim como os espíritos
das pessoas que as apreciavam e os daqueles que tinham alguma relação com elas, pensando em praticar um
ato meritório, faziam com que as peças chegassem às minhas mãos por diversos meios. Isto porque, através
desse mérito, eles se salvariam e subiriam de nível no Mundo Espiritual. Não é preciso dizer que foi pelo
mesmo motivo que conseguimos este esplêndido Museu de Belas-Artes em tão pouco tempo. Pensem bem.
Até agora, para se conseguir um museu de belas-artes, era necessário o empenho de uma geração inteira de
milionários; se este foi conseguido num piscar de olhos, qualquer pessoa poderá ver que não é obra humana.
8 de outubro de 1952
CAMPANHA DE FORMAÇÃO DO PARAÍSO POR MEIO DAS FLORES
O objetivo da Igreja Messiânica Mundial é a construção do Paraíso Terrestre. Mas o que significa isso?
Obviamente, o Paraíso Terrestre é o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. O método para obtenção da
saúde - o Johrei - que é a vida de nossa Igreja, e a Agricultura Natural, são meios de que nos utilizamos
para materializá-lo, mas o Johrei, além de promover a renovação do corpo físico, visa também à renovação
do espírito. Independentemente de tais métodos, é de extrema urgência elevar o espírito das pessoas através
do Belo. Esse é um novo projeto da Igreja Messiânica Mundial, que agora estamos colocando em prática.
Para falar a respeito, vou expor, em primeiro lugar, a situação atual do Japão.
Numa classificação sumária, o Belo situa-se no domínio da audição, da visão e do paladar. No que se refere
à audição, talvez nunca tenha havido época tão próspera em música como a época atual, em virtude,
principalmente, do rádio, sendo muito significativo, também, o progresso do toca-discos, dos discos, etc. No
tocante à visão, entretanto, a situação é muito precária, existindo apenas o teatro, o cinema e coisas do
gênero. Em verdade, queremos algo que toque nosso sentimento pela beleza, que seja mais simples, mais
próximo de nós, e que não esteja limitado pelo tempo. Ora, o teatro e o cinema são excelentes meios para
deleitar os olhos, mas, como implicam limitação no tempo, questões financeiras e meios de transporte, não
podem ser aceitos integralmente.
O que propomos aqui, é o cultivo e distribuição das flores, excelente forma de propagação do Belo.
Consiste em ornamentar com flores não só as residências como outros locais. Hoje em dia, as flores
ornamentam, geralmente, as residências de pessoas acima da classe média, mas isso é insuficiente. Nosso
objetivo é adornar com elas todos os lugares e classes sociais, colocando-as à vista de qualquer pessoa. No
canto do escritório, em cima da escrivaninha, onde quer que seja, não é nem preciso dizer o quanto uma flor
nos reanima e nos faz sentir um toque de pureza. Em termos ideais, desejamos ornamentar até mesmo
prisões e locais de execução. Quão boa influência isso exerceria sobre os detentos! Se chegarmos ao ponto
de existirem flores onde quer que haja pessoas, a força para tornar ameno este mundo infernal será bem
grande. Atualmente, porém, isso é impossível, dado o alto preço das flores; por conseguinte, precisamos
fazer com que elas possam ser adquiridas a preços bem baixos. Para tanto, devemos intensificar o seu
cultivo, mas de modo a não prejudicar a produção de alimentos.
O Japão é considerado o primeiro país do mundo no que se refere à variedade de flores. Quanto aos
métodos de cultivo, também parece atingir o nível mais alto, e todos sabem que a tulipa, que era produzida
exclusivamente na Holanda, começou a ser cultivada, antes da última guerra, não só no Estado de Niigata,
com exceção da Ilha de Sado, mas também no Estado de Kanagawa. Está sendo exportada para a Inglaterra
e para os Estados Unidos, e a produção vem aumentando a cada ano.
Pela pesquisa que fizemos, constatamos, por exemplo, que os americanos admiram muito as flores
existentes no Japão, interessando-se pelas raridade que não possuem em seu país. Assim, doravante,
devemos fazer das flores mais um recurso para a obtenção de divisas, cultivando-as em larga escala. Até
hoje essa prática veio sendo negligenciada, mas de agora em diante deve ser estimulada ao máximo. Além
do mais, como a flor é um produto cuja exportação não sofre limitações de quantidade, torna-se objeto de
enorme expectativa.
8 de maio de 1949
AS PLANTAS TÊM VIDA
Gosto muito de cuidar das plantas do jardim e sempre corto seus galhos, arrumando-lhes o formato. De vez
em quando, porém, sem perceber, acabo cortando demais ou deixando de cortar onde é necessário. Às
vezes, quando vou plantar uma árvore, não havendo outra alternativa, por causa do espaço, planto-a num
lugar que não é do meu agrado e deixo a parte da frente para trás, ou meio de lado, o que me incomoda,
toda vez que a observo. Mas é engraçado, pois, com o passar do tempo, vejo que a árvore vai se
acomodando aos poucos, por si mesma, até que acaba se harmonizando perfeitamente com o lugar. Acho
isso interessantíssimo e não posso deixar de pensar que ela está viva. Certamente, as árvores também
possuem espírito. Nesse ponto, assemelham-se ao homem que cuida de sua aparência para não passar
vergonha perante os outros.
Temos atrás, ouvi um velho jardineiro contar que, quando uma planta não dava flores como ele queria,
dizia-lhe estas palavras: "Se este ano você não der flores, vou cortá-la." Assim, ela não deixava de florir.
Ainda não experimentei fazer isso, mas o fato parece-me verossímil. Não há erro em lidarmos com qualquer
elemento da Grande Natureza acreditando que ele possui espírito. Num livro que li, de autor ocidental,
dizia-se que uma árvore que geralmente leva quinze anos para crescer, tendo sido cuidada com amor e
dedicação, cresceu da mesma forma na metade do tempo, isto é, em sete ou oito anos.
O mesmo pode ser dito em relação às vivificações florais. Eu próprio vivifico as flores de todos os
compartimentos de minha casa; entretanto, ainda que elas não estejam do meu completo agrado, deixo-as
assim mesmo. No dia seguinte, noto que elas estão diferentes, com um aspecto agradável, como se
realmente estivessem vivas. Nunca forço o formato das flores; vivifico-as da maneira mais natural possível.
Por isso, elas ficam cheias de vida e duram mais. Se mexermos muito, as flores perdem sua graça natural, o
que não acho bom. Assim, quando vamos vivificá-las, devemos, primeiramente, imaginar como iremos
fazê-lo, para depois cortá-las e fixá-las rapidamente. Isso porque, tal como os seres vivos, quanto mais
mexermos, mais fracas elas ficam. Esse princípio também se aplica ao homem. Com os pais, por exemplo:
quanto mais cuidados tiverem na criação dos filhos, mais fracos eles serão.
Como vivifico as flores dessa maneira, minhas vivificações duram mais do que o dobro do normal, e todos
se admiram. Em geral não se usa bambu e bordo - certamente porque não duram muito - mas eu gosto de
vivificá-los, e eles sempre duram de três a cinco dias; às vezes o bambu dura mais de uma semana, e o
bordo, quase duas. Além disso, qualquer que seja a flor, não mexo em seus cortes, deixando-as ao natural.
5 de agosto de 1953
A RESPEITO DA COLETÂNEA DE POEMAS "YAMA TO MIZU" (MONTE E ÁGUA)
Como sempre digo, o objetivo da Fé é polir a alma e purificar os sentimentos. Existem três maneiras para
conseguirmos isso: pelo sofrimento oriundo não só de abstinência ou penitências, mas tambem de danos e
catástrofes; pela soma de méritos e virtudes e pela elevação da alma por influência da arte de alto nível.
Dentre elas, o caminho mais rápido é este último. E não existe nada melhor, pois nossa alma vai sendo
polida imperceptível e prazerosamente.
Neste sentido, sempre que dispusermos de tempo, é bom lermos a coletânea intitulada "Yama to Mizu"
(Monte e Água), poemas escritos em estilo "waka" (###Poema composto no Japão desde os tempos antigos,
semelhante ao haicai, diferenciando-se deste no que diz respeito aos pés métricos, que são trinta e um. É
constituído de cinco versos, dos quais o primeiro e o terceiro são pentassílabos, e os demais,
heptassílabos###). Por intermédio deles, nossa alma se eleva sem que o percebamos. Quando isso ocorre, a
Inteligência da Percepção da Verdade é polida e, assim, o cérebro se torna mais claro e a fé se eleva mais
facilmente. Isso acontece porque os referidos poemas são repletos de Verdade, Bem e Belo.
De acordo com o exposto, tenho como objetivo desenvolver a fé também por meio do poder do espírito das
palavras.
6 de maio de 1950
FELICIDADE
Em todos os tempos, o ser humano aspirou à felicidade, primeiro e último objetivo do homem e meta de
todo preparo, esforço e aperfeiçoamento. Mas quando poderão as criaturas consegui-la de fato? A maioria,
não obstante ansiar pela felicidade, permanece vítima das desgraças e deixa este mundo antes de desfrutar a
alegria de vê-la concretizada.
Será, então, a felicidade algo tão difícil de se conseguir? Devo dizer que não. A felicidade baseia-se na
eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e conflito. Como essa eliminação não é fácil, a maior
parte das pessoas submete-se a uma forçada resignação.
Tudo se enquadra dentro da Lei de Causa e Efeito, e a felicidade não foge a essa lei. Descobrir sua causa
será, pois, descobrir a chave do problema. A solução da incógnita está na compreensão do amor altruísta.
Lutar pelo bem-estar do próximo é a condição essencial para nos tornarmos felizes. O mundo, entretanto,
está repleto de pessoas que buscam a felicidade apenas para si, indiferentes à desgraça alheia.
É uma tolice almejar a felicidade semeando a infelicidade. É como a água de um recipiente: se a
empurramos, ela volta; se a puxamos, ela se afasta. A necessidade da Religião reside nesse ponto. O amor
pregado pelo cristianismo e a caridade búdica têm por propósito infundir a fraternidade no coração humano.
Contudo, essa verdade tão simples é difícil de ser reconhecida pelo homem.
Deus, por meio de Seus representantes, criou as religiões, que por sua vez estabeleceram doutrinas, através
das quais são indicadas as bases do viver. São as religiões que nos ensinam a existência de um Ser Invisível,
para, com a mais pura intenção, conduzir-nos ao caminho da Fé. Não é pequeno o empenho requerido para
salvar uma pessoa. A vida, realmente, não tem sentido para a maioria, que, não sendo ensinada a crer no
invisível, parte para o Além indiferente aos ensinamentos, ludibriada e perdida nas trevas. Todavia, para os
que souberem desfrutar da alegria de viver, extasiar-se com as verdades, conseguir vida longa e o meio de
serem verdadeiramente felizes, o mundo será, sem dúvida, um paraíso digno de ser vivido.
Nós afirmamos que, para nos tornarmos felizes, há um caminho cujo rumo está indicado neste livro,
apresentado com tal propósito.
1º de dezembro de 1948
SEGREDO DA FELICIDADE
Quando falo em "segredo da felicidade", parece que me refiro a algo mágico e misterioso. Nada disso,
porém. O "segredo da felicidade" é muito simples. Tão simples, que poucos conseguem descobri-lo.
Quantas pessoas felizes conhecemos? Talvez nenhuma. Isso mostra que o mundo está cheio de sofrimento.
Todos vivem sob o risco de fracasso, dúvida, desespero, desemprego, doença, pobreza e conflito,
acorrentados pelas dificuldades, como se estivessem numa prisão.
Creio que todo ser humano, algum dia, perguntou a si mesmo: "Se Deus criou o homem, por que o faz
sofrer tanto, ao invés de determinar que no mundo reine a felicidade?"Como essa interrogação permanece
sem uma resposta, vamos tecer considerações a respeito.
Muitos já me perguntaram: "Se Deus é Amor e Piedade, como deixou que o homem errasse, para depois
levá-lo ao Juízo Final?" E mais: "Se, desde o início, Ele não criasse o homem como um ser malvado, não
haveria necessidade de castigo ou Juízo Final..." Parecem-me observações bem lógicas. Falando a verdade,
eu também penso assim. Se estivesse no lugar de Deus, poderia explicar tudo a respeito do problema. Como
sou apenas uma existência criada, não consigo dar a resposta que Ele daria. Entretanto, esforço-me para
compreender e imagino que a resposta da questão é a que vai a seguir.
O bem e o mal se digladiam desde as eras mais remotas; jamais um predominou definitivamente sobre o
outro. Refletindo bem, foi em conseqüência do atrito entre ambos que a civilização atingiu tão grande
desenvolvimento.
Mas, como obter a felicidade neste mundo em que se empreende tal batalha? Deixando de lado todas as
suposições com que temos tentado compreender a vontade de Deus, procuremos descobrir o meio de sermos
felizes.
Como venho afirmando há muito tempo, nossa felicidade depende de fazermos os outros felizes. Esse é o
meio mais seguro para alcançá-la, e eu o venho aplicando há muitos anos com resultados maravilhosos. Foi
por isso que escrevi este ensinamento. Simplificando o conselho, pratiquemos o maior número possível de
boas ações, pensemos em dar alegria às outras pessoas.
Que a esposa estimule o marido a trabalhar para o bem-estar da sociedade e que o marido lhe dê alegria,
mostrando-se gentil com ela e inspirando-lhe confiança.
É natural que os pais amem os filhos. Mas devem fazer mais do que isso: devem cuidar do seu futuro com a
máxima inteligência e eliminar atitudes autoritárias no trato com eles.
Que na vida cotidiana suscitemos esperança no coração das pessoas com quem lidamos, tendo por lema
proceder com amor e gentileza em relação a chefes e subalternos, bem como seguir as normas da
honestidade.
Aos políticos, cabe esquecerem a si próprios, pondo a felicidade do povo acima de tudo e erigindo-se como
exemplos de boa conduta. O povo também deve praticar boas ações e esforçar-se constantemente para
desenvolver sua inteligência.
Sabemos que serão mais felizes aqueles que praticarem maior número de ações louváveis. Já imaginaram
que povo e que nação surgiriam, se todas as pessoas se unissem para praticar o bem? Um país assim seria
alvo de respeito universal. Poderia ser considerado como uma parcela do Paraíso Terrestre, pois, com o
tempo, desapareceriam todos os problemas de ordem moral, toda doença, toda pobreza e todo conflito.
Seria como "bater com o martelo no chão" - a pancada não poderia falhar.
Por toda parte existem homens praticando o mal, mentindo, enganando, buscando atender às exigências de
seu próprio egoísmo. É uma sociedade de seres maldosos. Assim, a felicidade mantém-se muito distante. E
o pior é que há quem julgue ser natural um mundo tão perverso, achando inútil tentar reformá-lo. Temos até
encontrado quem procure impedir nossas tentativas de transformar em paraíso este inferno terrestre. Essas
pessoas, pelo mal que intentam, cavam sua própria desgraça, criando para si próprias o pior de todos os
infernos. São merecedoras de piedade e oramos constantemente para que sejam salvas.
Tenho certeza de que, meditando sobre este ensinamento, todos perceberão que não é difícil ser feliz.
1º de outubro de 1949
O SEGREDO DA BOA SORTE
Já escrevi a respeito em outras oportunidades, mas insisto sobre o assunto porque, quanto mais observo o
mundo atual, mais vejo pessoas infelizes.
É desnecessário dizer que, desde a antigüidade, a boa ou má sorte do homem constitui a questão mais difícil
que existe. Talvez o ser humano esteja fadado, desde o momento em que nasce até o momento em que
morre, a nunca se libertar do desejo de obter a boa sorte. Isso porque geralmente não conseguimos
compreender aquilo que mais desejamos. Seria maravilhoso se o conseguíssemos, mesmo que fosse um
pouco. Felizmente, eu adquiri clara compreensão dos fundamentos para se alcançar a boa sorte. Além disso,
pelas minhas próprias experiências, verifiquei que eles não contêm o mínimo erro, de modo que os exponho
com toda a convicção.
Conforme todos podem observar, não existe nada mais vago, abstrato e difícil de ser obtido que a boa sorte,
algo tão simples. Não estando ela ao nosso alcance, a única alternativa que temos, naturalmente, é esperar
por ela. Daí, talvez, o nome sorte. Concordo com as palavras: "A vida é uma grande aposta", pois até as
pessoas consideradas sábias continuam a perseguir a boa sorte, embora pareçam ter perdido as esperanças
de alcançá-la. Talvez esta seja a predestinação dos homens.
É unicamente pela vontade de alcançar a boa sorte que conseguimos fazer diversas coisas, seja qual for o
sacrifício. Por esse motivo, também, é que "fazemos das tripas coração" e chegamos ao fim da vida
sacrificando-nos para realizar nossos desejos. Assim, talvez, seja a vida. Não existe nada mais irônico que a
sorte: quanto mais tentamos agarrá-la, mais ela foge. No Ocidente, existe um ditado que diz: "A
oportunidade de obter a boa sorte só aparece uma vez na vida. Se a perdermos, não encontraremos outra". É
exatamente assim.
Pela minha longa experiência, sinto que sou constantemente ludibriado pela sorte. Às vezes parece que vou
consegui-la facilmente, mas tal não acontece. Quando a vejo bem diante de meus olhos e estendo as mãos
para alcançá-la, ela acaba escapando. Quanto mais a perseguimos, mais rápido ela foge. É realmente difícil
lidar com ela. Mas eu consegui agarrar de fato aquilo que se chama sorte. Entretanto, o que complica sua
explicação é a existência de pontos desconhecidos que as pessoas dificilmente compreendem, salvo as que
têm fé. Isto porque elas olham somente o lado superficial das coisas e não o seu interior; ou melhor, não o
enxergam. E no caso da sorte, sua causa está justamente no interior; sem compreender isso, é impossível
alcançá-la. Quando o homem movimenta o corpo, não é o corpo em si que se move; quem o faz mover-se é
o espírito, que está dentro dele. Da mesma forma, o fator essencial da sorte está no interior do homem. Vou
explicar melhor.
Em primeiro lugar, ampliemos a teoria acima. A parte superficial do mundo corresponde ao Mundo
Material, e a parte interior, ao Mundo Espiritual, ou seja, o espaço invisível aos nossos olhos. Esta é a
estrutura do mundo; assim o fez o Criador. Por isso, da mesma forma que o espírito move o corpo, o Mundo
Espiritual move o Mundo Material. Em tudo, o Mundo Espiritual é soberano, e o Mundo Material, súdito.
Portanto, o mesmo acontece com a sorte; basta que ela advenha ao nosso espírito, que se encontra no
Mundo Espiritual, para que, refletindo igualmente na matéria, nos tornemos pessoas afortunadas.
Darei explicações mais detalhadas sobre o Mundo Espiritual.
Ele possui uma hierarquia muito mais justa e rigorosa que a do Mundo Material. É constituído de cento e
oitenta camadas, distribuídas em três planos - Superior, Intermediário e Inferior - cada um composto de
sessenta camadas. Naturalmente, o Plano Superior é o Céu; o Inferior é o Inferno; o Intermediário
corresponde ao Mundo Material. Talvez o homem contemporâneo não acredite nisso de imediato;
entretanto, como Deus me mostrou minuciosamente a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo
Material, e, através de minha longa experiência, adquiri o mais profundo conhecimento sobre o assunto, não
há o menor erro no que estou afirmando. Como prova disso, existem inúmeras pessoas que, acreditando
nesse princípio e colocando-o em prática, conseguiram alcançar a boa sorte. Eu me incluo entre elas. Para
se certificarem do que estou dizendo, basta que me analisem imparcialmente: constatarão o estado de
felicidade em que eu me encontro.
Ampliando um pouco mais o assunto, falarei sobre as camadas espirituais mencionadas acima.
Se, conforme expus, o corpo físico do homem está no Mundo Material, e o espírito, no Mundo Espiritual,
este deve situar-se numa das cento e oitenta camadas, a qual seria uma espécie de "residência" do espírito.
Esta "residência" não é fixa; flutua constantemente para cima ou para baixo. Uma vez que o destino
acompanha essa flutuação, o homem deve esforçar-se ao máximo para elevar-se às camadas superiores.
Naturalmente, o Plano Inferior é o Inferno; um mundo de trevas, repleto de doença, pobreza, conflito e
figuras horrendas, assombrosas, monstruosas, com todos os tipos de sofrimentos possíveis. Em
contraposição, quanto mais alta for a camada, melhor a sua condição. O Plano Superior é o Céu, local puro,
de paz, luz, saúde e riqueza. O Plano Intermediário é mais ou menos a média entre os dois extremos.
Conseqüentemente, se a "residência" do Mundo Espiritual reflete-se na matéria e transforma-se em destino,
é claro que o princípio fundamental da boa sorte está na elevação do nível espiritual.
Como nos mostra a realidade, existem muitas pessoas que, tornando-se importantes e invejadas por
terceiros, ficam orgulhosas e pensam que continuarão assim eternamente. Um dia, porém, de forma
inesperada, vêem-se decaídas, arruinadas, regredindo ao estado anterior. Isto acontece porque,
desconhecendo o fundamento da boa sorte, elas se baseiam quase que somente na força humana. Além
disso, maltratam os outros e forçam situações. Assim, mesmo que, aparentemente, obtenham êxito, seu
espírito está decaído no Inferno. Em conseqüência, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, essas pessoas
passam a ter o mesmo destino. Da mesma forma que a matéria, o espírito tem peso, de modo que, se ele for
pesado, cai no Inferno, e se for leve, sobe ao Céu. A conhecida expressão "peso na consciência" refere-se
exatamente a isso.
Ao contrário das más ações, que maculam o espírito e o tornam pesado, as boas ações o tornam leve,
fazendo-o elevar-se. Por conseguinte, o segredo da boa sorte é evitarmos o mal, não cometermos pecados e
praticarmos o bem o máximo possível, tornando leve o nosso espírito. Por se tratar da Verdade, afirmo que
não há outra maneira para alcançarmos a boa sorte.
Explicada dessa forma, a teoria é realmente fácil de ser compreendida; entretanto, quando vamos colocá-la
em prática, torna-se muito difícil. Existe, porém, um método facílimo para conseguirmos isso. Esse método
não é outro senão a Fé. Portanto, as pessoas que realmente desejam obter a boa sorte, antes de tudo e mais
do que tudo, devem se converter.
3 de fevereiro de 1954
SERMÃO, JOHREI E FELICIDADE
Desde os tempos antigos, as religiões sempre se basearam em dogmas, transmitindo-os através de sermões.
Em nossa Igreja - os messiânicos o sabem - quase não se utiliza esse recurso. Vou explicar por quê, levando
em conta que alguns fiéis ficam embaraçados quando estranhos lhes fazem perguntas sobre o assunto.
A finalidade da Religião é eliminar erros e incentivar a prática das virtudes. Contudo, essa prática só é
realmente possível quando as máculas espirituais são eliminadas. Uma vez que o espírito esteja purificado,
cessarão os atos condenáveis e a pessoa se tornará honrada, útil ao seu meio social e a toda a humanidade.
Os sermões são processos purificadores que agem através do sentido da audição. Os livros sagrados, como a
Bíblia, a sutra budista, e os ensinamentos de várias religiões, agem mediante o sentido da visão e o espírito
das palavras. A Igreja Messiânica Mundial também se utiliza desses meios, mas possui ainda o processo
purificador denominado Johrei.
O Johrei não visa curar doenças; é, antes, um método de criar felicidade. Ele não pode ter como objetivo a
cura das doenças, porque estas são formas de purificação; sua finalidade é eliminar as máculas do espírito.
O resultado da erradicação dessas máculas é a extinção dos sofrimentos humanos.
Costumo ensinar que a doença, a pobreza e o conflito são processos purificadores. A doença é o principal,
porque afeta a própria base da vida. Quando conseguirmos vencê-la, também solucionaremos o problema da
pobreza e do conflito. Portanto, a base da felicidade é a eliminação das máculas espirituais. O Johrei é o
método mais simples e infalível para erradicá-las. É, pois, evidente que ele não visa a própria doença, e sim
as suas causas.
Como já escrevi em outras oportunidades, o corpo material do homem vive no Mundo Material, e o espírito,
no Mundo Espiritual. Sendo assim, a situação do Mundo Espiritual influi sobre o espírito e se reflete sobre o
corpo, de modo que o destino do homem se origina no Mundo Espiritual.
O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Intermediário e Inferior. Cada plano é
constituído de três níveis, e cada nível se subdivide em vinte camadas. Ao todo, são cento e oitenta
camadas, mais uma - acima de todas - ocupada por Deus. Temos, pois, cento e oitenta e uma camadas.
Qualquer entidade, por mais elevada que seja, acha-se numa das cento e oitenta camadas.
Essa explicação tem por base o sentido vertical. Horizontalmente, a extensão de cada plano varia no sentido
do Inferno até o Céu.
Suponhamos que um espírito se encontre no nível inferior do Plano Inferior; isto significa que ele se acha
no fundo do Inferno. Como nesse local o sofrimento do espírito é muito intenso, há terrível reflexo sobre o
corpo físico, que passa a ser espantosamente atormentado. No nível médio do Plano Inferior, o reflexo é
menos danoso. Então o sofrimento se torna mais suave, mais tolerável. E assim por diante. Os padecimentos
variam de acordo com a posição do espírito nas várias camadas do Mundo Espiritual.
Ultrapassando-se as sessenta camadas do Plano Inferior, atinge-se o Plano Intermediário, que corresponde à
vida na Terra. Acima do Plano Intermediário está o Plano Superior, o Reino dos Céus, onde se acham os
anjos e onde se pode desfrutar uma vida de felicidade.
Como se vê, a posição em que se acha o espírito de uma pessoa reflete-se no seu destino. Por isso, devemos
esforçar-nos para elevar o nosso nível espiritual, o que significa reduzir os nossos sofrimentos e,
proporcionalmente, aumentar a nossa felicidade. Assim, não mais serão necessários os sofrimentos
purificadores. É inútil apelar para a inteligência e envidar esforços enquanto o espírito estiver no Plano
Inferior, porque esta é a Lei de Deus. E a Lei do Espírito Precede a Matéria também é inviolável.
Concluímos, portanto que, para ser feliz, é necessário crer em Deus Absoluto, adorá-Lo, compreender e
praticar a Sua Vontade, somar méritos e purificar o espírito de modo que o seu habitat espiritual se eleve ao
Céu. Não há outro processo para alcançarmos a felicidade, e nisso reside o profundo significado do Johrei.
25 de março de 1952
25 de agosto de 1952
DESTINO E LIBERALISMO
Como sempre me fazem perguntas sobre predestinação e destino, explicarei a diferença entre ambos.
A predestinação é algo atribuído a uma pessoa em caráter definitivo, e de maneira alguma pode ser mudada.
Já o destino é livre, dentro dos limites da predestinação, e, dependendo do esforço de cada um, pode-se
atingir o nível mais alto ou, ao contrário, decair ao nível mais baixo.
O liberalismo, que hoje se tornou alvo da atenção de tantas pessoas, é muito semelhante ao destino. O
verdadeiro liberalismo está restrito a certos limites. É impossível existir a liberdade infinita; a verdadeira
liberdade é aquela que tem limites. Assim, quando ultrapassamos esses limites, não só invadimos e
prejudicamos a liberdade dos outros, como também nos tornamos traidores da cultura. Pela mesma razão,
quando ultrapassamos os limites do destino, invariavelmente fracassamos.
25 de janeiro de 1949
NÓS É QUE TRAÇAMOS O DESTINO
O homem costuma resignar-se a tudo, atribuindo ao destino o desenrolar dos acontecimentos.
É comum definir-se destino como "algo que não pode ser mudado". Mas eu desejo ensinar que todos podem
mudá-lo de acordo com sua própria vontade, ou melhor, cada um pode traçar o seu destino. A consciência
desse fato permite transformar o pessimismo em otimismo.
A não ser um louco, ninguém deseja um destino infeliz. Todo mundo almeja a boa sorte, mas são poucos os
que a conseguem, não obstante o enorme esforço que fazem para consegui-la. Entre cem pessoas, talvez não
se encontre uma que seja feliz. Triste realidade!
Buda afirmou: "Todas as coisas são efêmeras". Mas há criaturas inconformadas, que, atraídas pela presença
de um homem afortunado entre milhares que não têm sorte, continuam perseguindo tenazmente o sucesso.
Por outro lado, existe gente conformada, que aceita tudo na vida.
Seria maravilhoso que o homem encontrasse realmente um meio de alcançar a boa sorte. Não o
conhecendo, ele se confunde ao traçar seu destino, tornando-se infeliz. Sofre dentro do cárcere criado por
ele próprio. O mundo acha-se repleto dessas pessoas ignorantes e dignas de compaixão.
Assim, está mais do que evidente que, para ser afortunado, o homem precisa semear o bem. É costume
dizer-se que o bem produz bons frutos, e o mal faz o contrário. A semente do mal tem origem no egoísmo,
que leva as pessoas a quererem tudo para si, não se importando com o sofrimento e o prejuízo que possam
causar ao próximo. A semente do bem origina-se no sentimento fraterno de querer alegrar ou favorecer os
semelhantes. Parece simples, mas é difícil de praticar.
A vida é bem complicada. Para viver, é preciso criar um espírito capaz de aceitar e aplicar o princípio
acima. Todavia, isso depende unicamente da Fé que se pratica, a qual deve ser selecionada entre as muitas
que existem. Modéstia à parte, a Fé Messiânica é a que está mais concorde com essas condições. Por isso
aconselho aqueles que estão sofrendo a ingressarem o mais breve possível na nossa Igreja.
27 de fevereiro de 1952
NÓS É QUE TRAÇAMOS O NOSSO DESTINO
Ao falar em destino, devo esclarecer primeiramente que as pessoas confundem predestinação com destino.
A diferença, no entanto, é radical. Devemos entender por predestinação certas condições a que estamos
sujeitos antes mesmo do nascimento, ao passo que o destino depende inteiramente do homem.
A não-realização de diversos desejos deve-se à predestinação, da qual estamos impossibilitados de nos
livrar. O importante é conhecer o seu limite, o que é difícil, ou seja, quase impossível. O desconhecimento
desse limite faz o homem traçar planos superiores à sua capacidade e ter esperanças descabidas, que o
levam ao fracasso. Se, consciente do seu erro, ele voltasse imediatamente ao ponto de partida, certamente
sofreria menos, mas a ignorância da predestinação o impele a prosseguir, aumentando sua desgraça.
Isto decorre também do fato de subestimar-se o rigor do mundo. Como resultado, a maioria das pessoas só
toma consciência da realidade após amargas experiências, falhando nas tentativas de recuperação ou vendo-
se impedidas de recomeçar suas atividades, por causa das pedras lançadas em seu caminho. Felizes os que
reconhecem o erro em tempo, ao tomarem conhecimento da realidade.
Referi-me ao destino dos descrentes. Com os crentes é diferente.
Devo abordar a questão pelo aspecto espiritual e dizer, numa palavra, que todos os sofrimentos são ações
purificadoras. Ser vítima de chantagem, incêndio, acidente, roubo, desgraça familiar, prejuízo, fracasso
comercial, necessidade monetária, conflito conjugal, desavença entre pais e filhos ou entre irmãos,
contenda com parentes e amigos, tudo isso faz parte da ação purificadora. Nessas circunstâncias, só há um
recurso: eliminar as máculas espirituais por meio do sofrimento. Enquanto houver máculas no espírito, a
ação purificadora persistirá; diminuí-las, é condição essencial para melhorar o destino. O ato purificador é
dispensado quando atingimos certo grau de purificação; então a desgraça se transforma em felicidade.
Sendo esta a verdade, a boa sorte não se espera de braços cruzados, mas purificando.
Se a Fé é o meio para purificarmos sem sofrimentos, é natural que não haja felicidade para os descrentes.
Existem diversas espécies de crenças, mas para se obter a verdadeira felicidade é preciso seguir uma fé
verdadeira e de poder elevado. Daí a necessidade de se reconhecer a Igreja Messiânica Mundial como uma
religião que corresponde a essa condição.
25 de outubro de 1952
BOM SENSO
Para que a Fé seja autêntica, ela deve ser professada sem ferir o bom senso. Palavras e atos excêntricos
devem ser vistos com desconfiança; entretanto, as pessoas geralmente dão muito crédito a tais coisas.
É preciso muita cautela. Religiões egocêntricas, fechadas, que não mantêm relações com outras e que se
isolam socialmente, também não são dignas de confiança. A Fé é verdadeira quando não prejudica a lucidez
e, ao mesmo tempo, desenvolve a consciência de que sua missão é salvar a humanidade. Jamais pode ser
egoística ou fechada em si mesma. O Japão é exemplo típico do que aqui se condena: sofreu amarga derrota
na Segunda Guerra Mundial porque visava apenas o seu próprio bem, ficando indiferente à sorte dos países
vizinhos.
A formação de homens perfeitos é um dos propósitos da Fé. Evidentemente, não se pode exigir a perfeição
do mundo, mas o esforço para consegui-la passo a passo deve ser a verdadeira atitude religiosa.
A consolidação da Fé faz com que a pessoa assuma uma aparência comum. Isto significa que ela se
identificou plenamente com a Fé. Chega a tal ponto, que seus atos ou palavras jamais ferem o bom senso.
Sempre inspira simpatia, sem dar indícios da religião a que pertence. No seu contato com os outros,
assemelha-se à suave brisa da primavera. Suas maneiras são afáveis, modestas e gentis. Deseja crescente
bem ao próximo e trabalha em favor do bem-estar da comunidade.
Sempre afirmei e continuo afirmando: quem deseja ser feliz, deve primeiramente tornar feliz seus
semelhantes, pois a Divina recompensa que disto provém, será a Verdadeira Felicidade. Buscar a própria
felicidade com o sacrifício alheio, é criar infelicidade para si mesmo.
25 de janeiro de 1949
FÉ É JUSTIÇA
Que é Religião?
Religião, evidentemente, não é uma interpretação complicada de doutrinas e filosofias religiosas. Seu
objetivo é a formação de homens perfeitos. Estas palavras tão simples resumem a resposta, mas na prática
isso é difícil de realizar. É exatamente como disse Confúcio (552-479): "Falar é fácil; fazer é que é difícil."
Vou explicar qual é a dificuldade.
A maioria das pessoas pensa que ninguém consegue fama ou riqueza apenas com honestidade, julgando
inevitável a utilização de alguns meios ilícitos. Além disso, quase todos preferem os maus divertimentos
aos bons. Esse falso critério prevaleceu durante milhares de anos e acabou se transformando em senso
comum. Embora houvesse muitas tentativas por parte da lei e da educação moral visando a melhorar a
sociedade, os resultados foram insignificantes.
A Religião é o último recurso que possuímos; entretanto, devemos considerar que a diferença de força, no
campo religioso, influi enormemente. Uma religião de pouco poder não consegue vencer o mal. Eis por que
seus seguidores também não conseguem deixar de agir erradamente. Torna-se, pois, necessário o
aparecimento de uma poderosa religião capaz de vencer o mal. Só assim teremos um mundo harmonioso e
uma boa sociedade. Isso é o que chamamos de Justiça aliada à Fé.
3 de junho de 1950
VERDADEIRA FÉ
Chu-tzu, sábio chinês (1130-1200), afirma que a dúvida é o princípio da crença. É a pura verdade.
No mundo atual, existe um grande número de religiões, a maioria das quais baseada em falsidades. Muitas
adoram ídolos e até animais, sem o saberem. Pouquíssimas dirigem sua adoração diretamente a Deus, o
Criador do Universo.
Digo sempre que a crença deve ser precedida do máximo de dúvida. Há caminhos religiosos que, embora
não possam ser considerados falsos, são crenças de tipo inferior, pois não têm Deus como objetivo da fé.
Quando estudamos seriamente as religiões, vemos que muitas apresentam falhas. Portanto, antes de
seguirmos uma crença, devemos questioná-la bastante, desprender-nos de velhas ideologias e conceitos não
comprovados e examinar tudo minuciosamente, de modo que possamos ingressar numa Fé que não
apresente falhas. Assim, teremos certeza de que aquele é o nosso caminho.
Existem seitas que pregam a necessidade de primeiramente crer para depois alcançar graças. Ora, crer antes
de ter certeza, é o mesmo que enganar a si próprio. A meu ver, o procedimento correto é, antes de mais
nada, experimentar ou limitar-se à observação e análise dos princípios e ensinamentos: verificar se eles são
corretos e se há milagres (o que prova a atuação da Força Divina), para sentir se o novo caminho é digno de
ser seguido como Verdadeira Religião.
Sabemos de seitas que tentam impedir que seus seguidores conheçam outros cultos. Na minha opinião, isso
revela temor de que suas falhas e a fragilidade de seus princípios se tornem patentes. Se fossem religiões de
nível muito elevado, nada temeriam. O adepto que, ao examinar uma nova crença, se convence da
excelência da que já adotou, mais solidifica sua fé.
É bom, contudo, estar ciente de que também os espíritos malignos podem promover milagres, a fim de
iludir os menos esclarecidos, aprisionando-os com dogmas e superstições. Em tais casos, no entanto, os
resultados logo se manifestam: sofrimentos sem solução, que muitos interpretam, erroneamente, como
provações necessárias a que estão sendo submetidos. Estes sofrimentos persistem, apesar de todos os
sacrifícios e orações fervorosas. As promessas, os jejuns, as privações, as penitências, etc., revelam-se
totalmente inúteis. Diante de tal situação, inúmeras pessoas julgam-se abandonadas por Deus e afastam-se
da Fé, caminhando para uma infelicidade maior.
Na religião que cultua somente a Deus, Criador do Universo, os fiéis podem, inicialmente, ser atingidos por
doenças e infortúnio; entretanto, vencida essa fase de purificação das máculas, a situação será sempre
melhor do que a anterior. Deus recompensa aquele que obtém resultados ao trabalhar no sentido de
beneficiar a humanidade.
Aproveito o ensejo para prevenir o leitor contra o velho conceito: "Não importa qual seja a crença, contanto
que se creia". Isso é completamente errado. O objetivo da Fé deve ser única e exclusivamente Deus. De Sua
adoração provém a Luz que dissipa as máculas do ser humano. Se, mediante vantagens iniciais, o homem
crê em qualquer coisa, há influências malignas que o pervertem e degeneram. Nessa questão fundamental, a
maioria não distingue o certo do errado. Por isso, quase sempre as graças são passageiras e acarretam mais
desgraças do que felicidade.
Tratei deste assunto para que aprendam a distinguir a Verdade, não se deixando iludir por falsas crenças.
25 de janeiro de 1949
INCORPORAÇÃO E ENCOSTO
Embora eu esteja sempre alertando sobre o perigo da incorporação, muita gente continua praticando-a. Vou
explicar detalhadamente por que isso não é recomendável.
Oitenta ou noventa por cento dos casos de incorporação são de espíritos de raposa, e noventa e nove por
cento deles são maus. Enganam as pessoas instintivamente, fazendo-as praticar o mal, e divertem-se muito
com isso. Entre eles, há os de nível superior, que, quando incorporam em alguém, dizem ser Nyorai,
Bossatsu, Dragão, etc. Tais espíritos, ao mesmo tempo que fazem a pessoa crer, empenham-se, através dela,
em que outras também creiam. Essa pessoa passa, então, a ser endeusada e a viver cercada de luxo.
Freqüentemente vemos desses casos.
Entre os espíritos de raposa, os mais velhos possuem considerável poder. Ao visarem um homem, como
conhecem tudo que ele pensa, traçam planos baseados nesses pensamentos. Se é pessoa que gostaria de ser
venerada como se fosse uma divindade, dela se apossam sorrateiramente e começam a trabalhar nesse
sentido. Tais pessoas dizem ser uma nova manifestação de determinada divindade muito conhecida. Não há
quem não conheça casos semelhantes.
De maneira extremamente ardilosa, os referidos espíritos procuram formar um elo espiritual com a criatura
visada e, como também manifestam alguns milagres, os ingênuos se deixam enganar. Isso acontece muito
na sociedade. "Deuses da moda", que surgem em vários lugares, são desse tipo; evidentemente, trata-se de
espíritos extraordinariamente hábeis.
Tendo conhecimento de que uma pessoa deseja ser rica a todo custo, eles incorporam nela e trabalham com
inteligência ardilosa, fazendo-a ganhar muito dinheiro. Porém não escolhem os meios, e em geral induzem-
na a cometer crimes. Durante algum tempo as coisas vão bem com a pessoa, mas depois tudo começa a dar
errado, havendo muitos que até vão presos.
Se um homem deseja conquistar uma mulher, esses espíritos, habilmente, fazem que ele se aproxime dela e,
para despertar-lhe o interesse, utilize métodos e palavras galantes; às vezes até o levam a recorrer à
violência. São, portanto, muito perigosos. Tratando-se de espíritos de animal, para eles não existe mal nem
bem. Eles ficam contentes fazendo o homem dançar a seu gosto, como se fosse um boneco. Assim, o ser
que é considerado superior a todos os outros encontra-se numa situação lastimável. Se pudesse entender
isso, o homem não teria razão para se orgulhar.
Além dos espíritos de raposa, também os espíritos de texugo, de dragão, de "tengu", etc. podem incorporar
no ser humano e enganá-lo. Entre eles, o mais temível é o de dragão. Por sua grande inteligência e poder,
lhe é muito fácil utilizar o homem à sua vontade e, conforme a situação, feri-lo ou até tirar-lhe a vida. Por
ocasião daquele incidente ocorrido no ano passado, atuaram muitos desses espíritos perversos, que agiram
com extrema crueldade. Como são muito inteligentes, também dominam o homem ideologicamente. Essa é
a causa da maioria dos crimes hediondos, cometidos a sangue frio, em nome desta ou daquela ideologia,
com influências maléficas sobre a sociedade.
Comparados aos espíritos de dragão, os de texugo e de "tengu" não têm grande poder. Entretanto, como a
maioria destes últimos possui muita força e cultura, apoderam-se dos ambiciosos, manejam-nos, fazem-nos
subir na vida e tornar-se renomados na sociedade. Além disso, eles gostam de se gabar. Desde a
antigüidade, são muito comuns os casos de incorporação desses espíritos entre os sacerdotes Zen e entre
cientistas e fundadores de religiões, mas raros são aqueles cujo poder tem longa duração.
Abordei vários aspectos concernentes à incorporação, mas é preciso saber que os demônios não realizam
seus trabalhos maléficos como bem querem. Há um chefe que os dirige, e este é o mais temível. Perante sua
força, a maior parte das divindades ficam sem ação. Clara ou ocultamente, ele estorva as atividades da
nossa Igreja. Como ela representa uma grande ameaça para o mal, quem a combate é o chefe dos chefes.
Essa luta é uma manifestação da grande guerra entre o bem e o mal.
Entretanto, existe algo importante do qual se devem precaver: ficar desprevenidos e tranqüilos, julgando
que, como os messiânicos têm muita proteção, não há perigo de os espíritos de animal encostarem ou
incorporarem tão facilmente. Se o fiel pensa dessa maneira eles aproveitam a oportunidade. Além disso,
caso a pessoa pratique a Fé Shojo, quanto mais ardorosa ela for, mais fácil será a incorporação, razão pela
qual estou sempre alertando sobre o perigo desse tipo de Fé. Quando tais espíritos se apoderam de um
indivíduo, este procura mostrar que a Fé Shojo é um bem, apresentando razões persuasivas e exaltando suas
qualidades. Eles enganam as criaturas com muita astúcia, e em geral elas acreditam piamente que a Fé
Shojo é realmente um bem, passando a trabalhar com entusiasmo. No entanto, como a base está errada,
quanto mais elas trabalham, mais negativos são os resultados. Então as pessoas vão ficando cada vez mais
nervosas. Chegando a esse ponto, os conselhos dos outros nem entram em seus ouvidos, e elas vão se
confundindo mais e mais. Não podendo avançar nem recuar, acabam fracassando.
Existem muitas criaturas assim, mas não há problema se elas despertarem logo; caso contrário, ficam
completamente perturbadas e perdem a proteção de Deus. Creio, portanto, que entenderam como é
temerário professar a Fé Shojo e por que eu sempre falo que o bem de Shojo é o mal de Daijo.
O que melhor distingue a pessoa de Fé Shojo é que ela sempre foge ao que é aceito por todos, e esse ponto
fraco é visado pelos demônios. Seja lá o que for, nunca erramos quando julgamos de acordo com o senso
comum. Como este é o ponto fraco dos demônios, eu sempre aconselho as pessoas a valorizá-lo.
Encontramos muitos exemplos na sociedade. Crenças que dão valor às atitudes excêntricas, teorias e
ideologias também excêntricas, crenças mediúnicas, tudo isso gera problemas, e freqüentemente vemos e
ouvimos falar de ocorrências que tumultuam a ordem social. Do ponto de vista espiritual, podemos
compreender muito bem o porquê de tais ocorrências. Se o homem venera espíritos de baixa categoria, de
animais como raposa, texugo, etc., é porque sua posição está sob a terra, abaixo, portanto, da condição dos
quadrúpedes, cujo lugar é sobre ela. Isso significa que, no Mundo Espiritual, ele se encontra na "Esfera dos
Animais". Como todas as coisas do Mundo Espiritual se refletem no Mundo Material, essa pessoa está no
Inferno.
Entretanto, nem todos os espíritos de raposa são maus. Embora raros, alguns são corretos e pertencem ao
Mundo Divino, do qual são mensageiros. São espíritos de raposa branca e estão se esforçando no trabalho
daquele mundo, sendo muito úteis. Há, por conseguinte, dois tipos de espíritos de raposa: os maus e os
bons. Estes últimos também possuem muita força e fazem bons trabalhos.
5 de dezembro de 1951
FÉ MESSIÂNICA
Tudo, na vida humana, principalmente a nossa fé, tem de ser versátil ("enten-katsudatsu"), livre e
desimpedido ("jiyu-mugue"). "Enten" significa "a roda gira". Se a roda possui arestas, não pode girar. Com
muita razão se diz: "Aquela pessoa perdeu as arestas porque sofreu muito."
Entretanto, mais do que possuir arestas, existem pessoas que se assemelham ao "konpeito" (doce cheio de
ângulos). Ao invés de rodarem, vivem se enroscando em toda parte. Há outras que sofrem dentro do próprio
molde por elas criado, o que é desculpável, quando se limita a elas próprias; mas há quem considere boa
ação atormentar o próximo, encurralando-o dentro desse molde.
Os exemplos que citamos são característicos da fé "Shojo" e não se limitam à Religião. A vida dessas
pessoas cheira a mofo e causa náuseas.
"Jiyu-mugue" significa "não criar formas, normas e mandamentos" e, por extensão, "ser completamente
livre de todas as limitações". Devo lembrar-lhes que não se trata de anarquia, e sim, da liberdade que
respeita a liberdade alheia.
Sendo "Daijo", a Fé Messiânica difere muito da fé "Shojo", cujos preceitos são tão rigorosos que ela própria
não consegue cumpri-los. Eles são cumpridos apenas superficialmente, não na sua essência. Essa
duplicidade de ação gera fracasso e, ao mesmo tempo, constitui um mal, porque dá origem à hipocrisia.
Assim sendo, as pessoas de fé "Shojo" são aparentemente boas, mas interiormente ruins. Ao contrário, as de
fé "Daijo" sentem-se mais livres, alegres, sem necessidade de camuflagem, porque sabem respeitar a
liberdade humana; nelas, a hipocrisia não tem lugar. Esta é a verdadeira e grata Fé Messiânica.
Em outras palavras, as pessoas de fé "Shojo" sofrem de mania de grandeza, tornam-se megalomaníacas,
porque caem, sem querer, na hipocrisia. Isso as torna insuportáveis e antipáticas. Além disso, elas
diminuem-se, ao invés de engrandecer-se. Chamamos de "homem limitado" a esse tipo de pessoa.
Na ocasião de levantar alguma construção, por exemplo, divirjo sempre do operário que se preocupa
somente com a beleza exterior. Como isso, de certo modo, causa má impressão, faço-o corrigir as suas
falhas. O mesmo se aplica aos homens. Os que procuram ser modestos, são sempre mais respeitados, porque
parecem mais nobres. Portanto, os que professam a nossa Fé, devem tornar-se alvo de um respeito sincero.
20 de abril de 1949
ESPÍRITO DE "IZUNOMÊ"
Já expliquei, inúmeras vezes, o que significa espírito de "Izunomê". Vejo, porém, que é difícil praticá-lo,
pelas poucas pessoas que o conseguem realmente. Na verdade não é tão difícil. Se conhecermos e
assimilarmos o seu fundamento, não haverá dificuldades. A idéia preconcebida de que é difícil é que tolhe a
ação. Ao mesmo tempo, como me parece que ainda não deram muita importância ao assunto, sou levado a
escrever repetidas vezes sobre ele.
Em síntese, "Izunomê" significa "princípio imparcial", isto é, manter-se sempre no centro. Não é "Shojo"
nem "Daijo": é Shojo e Daijo simultaneamente, ou seja, significa não tender aos extremos, nem decidir-se
de maneira impensada.
Naturalmente não podemos fugir à decisão de determinadas questões, mas a dificuldade está no julgamento.
O espírito de "Izunomê" assemelha-se à arte culinária: o alimento deve ser temperado na justa medida -
nem doce, nem salgado. Assemelha-se também ao clima - nem quente, nem frio. É o clima agradável da
primavera e do outono. Se os homens adotassem esse espírito e agissem de acordo com ele, seriam
estimados por todos e tudo lhes correria bem. Entretanto, os homens de hoje mostram acentuada tendência
ao radicalismo. Temos o melhor exemplo na Política. Os políticos professam princípios radicais,
denominando-os de partido direitista ou esquerdista. Como esses pensamentos estão associados à
obstinação, eles vivem em conflitos. E tudo isso prejudica grandemente o país e o povo.
O método "Izunomê" deveria ser adotado na Política; contudo, há pouca probabilidade de aparecerem
políticos ou partidos que tenham consciência disso. A guerra origina-se, também, do choque gerado pela
imposição de princípios extremistas.
Verificamos, através de pesquisas, que os conflitos religiosos também surgem de "Shojo" e "Daijo", isto é,
da diferença entre o sentimento e a razão. Nesse caso, deve-se estabelecer a união encurtando a linha
perpendicular e a horizontal pela metade, o que significa uma solução pacífica. Assim, não é difícil entrar-
se em entendimento.
A propósito desse assunto, podemos observar que sempre há conservadores e renovadores em todos os
setores, mesmo no religioso. O primeiro grupo compreende os velhos crentes, aferrados à tradição, os quais
detestam as novidades; o segundo compreende os progressistas, que, tendendo ao extremismo, desprezam
tudo que é antigo. Daí surge a discussão, a causa do conflito, que poderia ser facilmente resolvida pelo
método "Izunomê".
A Religião, também, exige um profundo conhecimento da época. Todavia, os religiosos são indiferentes a
esse ponto, demonstrando forte inclinação para considerar a tradição milenar como um código de ouro.
Sendo a Fé algo espiritual - a Verdade absoluta e eterna - não é possível modificá-la. Mas o mesmo não se
aplica ao setor administrativo. Este corresponde à parte material da Religião e deve acompanhar as
mudanças da época.
O que acabamos de dizer implica numa perfeita ação espírito-matéria, ou seja, devemos agir sempre de
acordo com o método "Izunomê". Assim, é escusado repetir que não se conquista a alma do homem
moderno praticando fielmente métodos antiquados. O essencial é compreender que a ação de "Izunomê" é a
verdade fundamental de todas as coisas. Desejo que os fiéis tenham profunda consciência dessa ver-dade, e
por isso estou sempre pregando o espírito de "Izunomê".
25 de abril de 1952
TIPOS DE FÉ
Em Religião, existem muitos tipos de Fé. Em linhas gerais, temos:
1º - Fé que visa à graça;
2º - Fé oportunista;
3º - Fé passiva;
4º - Fé interesseira;
5º - Fé mediúnica;
6º - Fé egoísta;
7º - Fé ostensiva;
8º - Fé ocasional;
9º - Fé volúvel;
10º - Fé superficial e caprichosa;
11º - Fé comodista;
12º - Fé farisaica.
Analisemos cada um desses tipos.
1º - Fé que visa à graça
O interesse concentra-se apenas nas graças que se deseja alcançar. Deus e o mundo ficam em segundo
plano. As pessoas visam somente ao próprio bem. Sabem aproveitar-se da Fé, mas não sabem agradecer e
retribuir os favores Divinos. Aproveitar-se da Fé significa colocar Deus em segundo plano, abaixo do
homem. As graças se alcançam adorando a Deus. A fé que visa somente à graça, sobrevive por pouco
tempo, acabando por perder-se.
2º - Fé oportunista
É a dos que se mostram indiferentes enquanto a religião que professam for desconhecida na sociedade, mas
procuram participar das suas atividades quando ela se torna famosa e se expande.
3º - Fé passiva
É a daquele que vive agradecendo, dando a impressão de ter grande fé, mas não chega a pensar na salvação
da humanidade, que é o objetivo de Deus. Como não há ação, por ser uma fé estritamente "Shojo", sua
existência é apenas figurativa.
4º - Fé interesseira
É a das pessoas sumamente astutas, que procuram aproveitar-se da religião para fazer um negócio, ou
acalentam alguma outra ambição. Quem cultiva esse tipo de fé, abandona a religião assim que verificar a
impossibilidade de tirar tais proveitos.
5º - Fé mediúnica
É a dos que se baseiam na incorporação de espíritos no homem e, aceitando-a, procuram conhecer o Mundo
Espiritual. Isso não é condenável, mas eles acreditam facilmente nas palavras de espíritos de baixa
categoria e alegram-se com falsas predições e com mistificações. Não deixa de ser uma heresia.
6º - Fé egoísta
É a das criaturas extremamente egoístas, que fazem oferendas e romarias a entidades muito conhecidas,
tendo por única finalidade receber graças exclusivamente para si. São tipos vulgares, que nunca se
interessam pelas desgraças sociais e humanas.
7º - Fé ostensiva
É a daqueles que gostam de se mostrar, de receber elogios, de ser apreciados e bem falados. Trata-se de fé
superficial, que não consegue desligar-se do egoísmo. Também é de baixa categoria.
8º - Fé ocasional
É a das pessoas que comparecem à Igreja quando ninguém se lembra mais delas. Tais pessoas, afastando-se,
dão a impressão de abandono da Fé, mas não é propriamente isso. Elas vêm à Igreja de vez em quando,
como sonâmbulas, sem ao menos saber por quê. É preferível que abandonem a Fé.
9º - Fé volúvel
Seus adeptos não conseguem manter-se numa religião. Gostam de conhecer outras e vivem sempre
mudando de crença. Portanto, jamais alcançam graças verdadeiras. Não passam sem Religião, mas vivem
confusos. Aceitam opiniões com a maior facilidade. Não deixam de ser infelizes.
10º - Fé superficial e caprichosa
É a fé manifestada por pessoas essencialmente caprichosas, que não conseguem concentrar-se numa
religião, como no caso dos possuidores de fé volúvel. Os adeptos vivem mudando de uma para outra crença.
São peregrinos da Religião.
11º - Fé comodista
Os adeptos aproveitam-se de Deus e da Fé para satisfazerem seus interesses. Assemelha-se à fé egoísta e
encontra-se na maioria das organizações religiosas, entre líderes e orientadores.
12º - Fé farisaica (impregnada de falsidade)
É quando o adepto aparenta fé, mas no fundo não reconhece a existência de Deus. É o tipo que engana
facilmente os outros com sua lábia. Como Deus não permite tal abuso por muito tempo, a pessoa acaba
sempre por se revelar e desaparecer.
Diremos que a fé é verdadeira quando não corresponde a nenhum dos tipos que foram citados.
30 de agosto de 1949
CONHEÇA A VONTADE DIVINA
Volto a ventilar o assunto de que o homem foi criado para construir o Mundo Ideal planejado por Deus. E
ele só trabalhará com saúde, sem desgraças, em ambiente satisfatório, se conseguir identificar-se com este
objetivo Divino. Eis a Verdade Eterna.
O ser humano carrega não só as suas próprias máculas, como as de sua raiz familiar. Além disso, mesmo
sem saber, ele absorve substâncias tóxicas, aumentando, inevitavelmente, o número de suas enfermidades.
Ora, a existência de pessoas doentes e, conseqüentemente, inúteis para a Obra Divina, constitui um prejuízo
para Deus. Por isso, é lógico que Ele deseje curá-las; nem precisaríamos preocupar-nos com o assunto. No
entanto, os que ignoram esse aspecto, julgam que os remédios sejam o único recurso contra as doenças, e
nada mais fazem que reprimi-las. Assim, desconhecendo a Lei de Identidade Espírito-Matéria, jamais
poderão obter a cura integral.
Os males que decorrem da ignorância humana, não se restringem às questões de saúde. Todas as desgraças
têm o mesmo caráter e destinam-se à purificação do homem. O processo purificador, no entanto, muda seu
tipo de ação de acordo com a causa do mal.
Os pecados de furto, peculato, prejuízo ao próximo, luxo excessivo e outros, são redimidos com perda de
dinheiro e de bens materiais. O farrista que esbanja a herança familiar está redimindo as máculas de seus
pais e de seus antepassados. O espírito de um antepassado escolheu um descendente para que, por seu
intermédio, se processe a purificação e a preservação do sangue da família, a fim de que ela venha a
progredir no futuro. Nessas circunstâncias, não há conselho que surta efeito. Pode ocorrer o caso de dois
irmãos com índoles diferentes: um é incorrigível e malvado; o outro é leal e honesto. Aparentemente, o
primeiro é mau e desonra o nome da família. Mas, à luz da Verdade, purificando a família e eliminando as
máculas dos antepassados, sua missão assume maior importância que a do outro. Por essa razão, é
dificílimo definir o bem e o mal usando critérios humanos.
Incêndios, roubos, falsidade, perdas na Bolsa, falências comerciais, apostas inúteis, gastos com doenças,
etc., são formas materiais de redenção de máculas também adquiridas materialmente. Portanto, embora
possa fugir às sanções das leis humanas, ninguém escapa das leis eternas.
O pecado de enganar ou ludibriar os olhos humanos será redimido, conseqüentemente, pelos males da vista;
aquele que se comete através da palavra, provocará doença dos ouvidos ou da língua; torturar a mente do
próximo causará dores de cabeça; o uso dos braços apenas para benefício próprio, será fonte de
padecimento nos braços. A purificação ocorre de acordo com o princípio da concordância.
Também o ingresso na Fé produz sofrimento, e este será tanto mais profundo, quanto maior for a dedicação.
O motivo é que Deus quer beneficiar a pessoa como recompensa pela sua dedicação, e para isso é
necessário eliminar suas máculas espirituais, a fim de que ela possa receber Suas Graças. Suportando as
purificações sem vacilar, a pessoa receberá benefícios inesperados. Entretanto, quem não possui firmeza de
fé, vacila nesses momentos decisivos.
Vou lhes falar de minha experiência sobre o assunto.
Durante vinte anos sofri em virtude de dívidas aparentemente insolúveis. Finalmente consegui saldá-las em
1941. Foi um alívio! No ano seguinte, começaram a chegar-me riquezas inesperadas, e assim me surpreendi
com a profundidade da Vontade Divina.
É habitual ouvirmos comentários como este: "Fulano ficou rico após o incêndio". Isso nada mais é que uma
conseqüência da purificação. Podemos dizer o mesmo em relação ao incêndio de Atami. Se compararmos a
atual cidade com o que ela era antes da catástrofe, veremos que a diferença é surpreendente.
Concluímos que, se os bons acontecimentos são apreciáveis, os maus também nos trazem benefícios, pois
são purificadores, e que haverá verdadeira paz sempre que soubermos agradecer, tanto na saúde como na
enfermidade. Mas isto se limita aos que têm fé. Com os descrentes ocorre o contrário: o sofrimento gera o
sofrimento, a ansiedade piora a situação, e tudo caminha para o abismo.
O segredo da felicidade humana consiste em aceitar esta verdade.
2 de dezembro de 1953
O PECADO E A DOENÇA
No setor da Religião, muito se tem falado sobre a relação entre o pecado e a doença. Essa relação é um fato,
mas vou falar sobre o assunto do ponto de vista da Ciência Espiritual.
Como explanei anteriormente, na medida em que a pessoa tem maus pensamentos e persiste na prática do
mal, suas máculas vão aumentando. Quando atingem certa densidade, surge o processo purificador natural,
para a sua eliminação. É uma lei do Mundo Espiritual e, por conseguinte, a ela ninguém consegue escapar.
Essa purificação, na maioria das vezes, manifesta-se em forma de doença, mas há ocasiões em que toma
outra forma. Existem, pois, diferentes aspectos de desgraças. Na matéria, as máculas correspondem à
acumulação de toxinas. Entretanto, a enfermidade de origem espiritual, ocasionada pelo pecado, é difícil de
se curar e exige muito tempo. Doenças como a tuberculose, a osteoporose, o câncer etc., que apresentam
sintomas persistentes e obstinados, contam-se entre esses casos.
Há dois meios para se redimir o pecado: sofrer ou praticar o bem. Escolhendo este último, tudo será muito
mais fácil. Como exemplo, vou contar uma estória ocorrida na época em que eu estava pesquisando a
religião Tenri-Kyo.
Um rapaz que sofria de tuberculose pulmonar e fora desenganado, ingressou na referida religião. Pensando
na prática de uma boa ação, decidiu fazer a limpeza do escarro expectorado por outras pessoas nos passeios
da cidade. Decorridos três anos, durante os quais fez isso todos os dias, o rapaz estava completamente
recuperado; a doença tinha desaparecido sem deixar o menor vestígio.
A estória que se segue é famosa.
O Sr. Yamamoto Tyogoro, mais conhecido pela alcunha de Shimizu no Jirotyo, encontrou-se com um
sacerdote budista de alta categoria, o qual lhe disse: "Sua face está marcada pelo estigma da morte. Será
difícil o senhor viver mais de um ano". Conformado, Jirotyo doou todos os seus bens para obras
filantrópicas, entrou num templo budista e ficou aguardando.
Passaram-se dois anos, mas nada de extraordinário aconteceu. Ele estava muito zangado e, tendo
casualmente encontrado o mesmo sacerdote, pensou em repreendê-lo severamente. Entretanto, foi o
religioso quem falou em primeiro lugar: "Que coisa estranha... O estigma da morte que havia em sua face
quando eu o encontrei naquele dia, desapareceu completamente. Deve haver alguma razão profunda para
isso". Então Jirotyo contou o que fizera, ao que o sacerdote budista disse: "O ato de caridade que o senhor
praticou transformou sua morte em vida".
Aplicando esse princípio à nossa realidade atual, compreende-se que o sofrimento da maioria do povo
japonês, em conseqüência da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, não é senão o processo de
purificação decorrente da invasão a outros países durante longo tempo, e da exploração e matança de outros
povos.
5 de fevereiro de 1947
O HOMEM DEPENDE DE SEU PENSAMENTO
É realmente verdade que gratidão gera gratidão e lamúria gera lamúria. Isto acontece porque o coração
agradecido comunica-se com Deus, e o queixoso relaciona-se com Satanás. Assim, quem vive agradecendo,
torna-se feliz; quem vive se lamuriando, caminha para a infelicidade.
A frase "Alegrem-se que virão coisas alegres", expressa uma grande verdade.
3 de setembro de 1949
MISTÉRIO DO MUNDO ESPIRITUAL
O Mundo Espiritual é algo realmente extraordinário e misterioso, e pelo senso comum do homem da
atualidade é difícil compreendê-lo. Vejamos como o pensamento do homem se reflete nele.
O Mundo Espiritual é o mundo do pensamento; ali, as existências surgem do nada e voltam ao nada. Tudo é
extremamente mutável. Imaginemos, por exemplo, que dois escultores façam imagens da mesma divindade.
De acordo com a personalidade de cada um, haverá diferenças entre as divindades que assentam nessas
imagens. Se a personalidade de um deles for elevada, descerá um espírito Divino de alto nível, coerente
com o autor. Entretanto, mesmo que o formato da outra imagem seja igual, se a personalidade do escultor
for baixa, virá um espírito representante daquela divindade, ou uma partícula sua.
Outro exemplo: a divindade diante de cuja imagem as pessoas oram com sinceridade, manifesta seu poder,
isto é, sua luz, com força total; ao contrário, se o pensamento das pessoas for apenas formal, faltando a elas
respeito e convicção dos sentimentos, o poder do espírito Divino será reduzido proporcionalmente. Além
disso, quanto mais gente estiver orando, mais aumentará esse poder, mais intensa se tornará a luz. Há um
antigo provérbio que diz: "Se houver espírito de fé, até cabeça de sardinha fará milagres". Expliquemos o
sentido dessas palavras.
Suponhamos que uma pessoa vulgar, que não possui nenhuma qualificação, faça a imagem de uma
divindade e comece a promovê-la utilizando-se de hábeis métodos de propaganda. Se durante algum tempo
muitas pessoas a adorarem, por esse ato de fé criar-se-á uma imagem dessa divindade no Mundo Espiritual,
manifestando-se, então, considerável poder, através da concessão de muitas bênçãos. É realmente
espantoso, mas as coisas só irão bem durante algum tempo, pois não se trata de poder verdadeiro, e sim de
produto da força do pensamento humano; é um poder temporário, que um dia acabará. O fato acontece
freqüentemente, todos o sabem. Assim é que surgem os chamados "deuses da moda".
Eu me referi aos espíritos Divinos, agora falarei sobre os espíritos satânicos.
O que mais existe no mundo são pessoas corruptas que, por ambição desmedida, aborrecem, fazem sofrer e
levam os outros à desgraça. Isso é produto das idéias materialistas, que negam o invisível, mas, analisando
do ponto de vista espiritual, é algo realmente terrível. Como tais pessoas fazem os outros sofrer, os que são
atingidos ficam cheios de rancor, de ódio por elas e procuram retribuir-lhes o mal que receberam. Esses
pensamentos são transmitidos à pessoa visada através do elo espiritual. A imagem espiritual do ódio e do
rancor é tão pavorosa, que, se pudesse enxergá-la, qualquer perverso morreria instantaneamente. Entretanto,
se as pessoas atingidas não são apenas uma ou duas, mas milhares ou milhões, forma-se um monstro ainda
mais horripilante, que circunda esse perverso de diversas maneiras e tenta destruí-lo. A situação dele,
portanto, é insuportável. Mesmo sendo um bravo ou um grande herói, terá um fim miserável. Relembrando
os grandes personagens da História, desde a antigüidade, vemos que todos eles, sem exceção, tiveram esse
destino. Observando, também, o drama dos políticos perversos, a ruína dos que se tornaram ricos
repentinamente e, ainda, o fim dos que seduziram e enganaram muitas mulheres, poderemos compreender
muito bem por que tiveram tal destino.
Ao contrário, se a pessoa praticar um grande número de boas ações e despertar em muita gente gratidão e
alegria, estes sentimentos a envolverão em forma de luz, e ela, então, se tornará cada vez mais virtuosa.
Como Satanás e os maus espíritos, amedrontados por essa luz, também não poderão se aproximar, a pessoa
será muito feliz. A auréola que se vê nas imagens das divindades simboliza essa luz.
Com o que acabo de dizer, poderão compreender quanta importância o homem deve atribuir ao
pensamento.
25 de outubro de 1949
AURA
Já falei a respeito do Johrei como transmissão da Luz Divina, mas darei agora uma explicação mais
profunda.
O corpo espiritual do homem possui a mesma forma do corpo carnal; a única diferença é que no corpo
espiritual existe aquilo que denominamos "aura".
O corpo espiritual irradia incessantemente uma espécie de ondas de luz. É como se fosse a veste do corpo
espiritual, daí a denominação "aura". Sua cor é geralmente branca, porém, conforme a pessoa, poderá ser
amarelada ou roxa. Também há diferença de largura: normalmente tem cerca de três centímetros, mas no
enfermo é fina; à medida que a enfermidade se agrava, a aura vai afinando cada vez mais, e na hora da
morte desaparece. A expressão popular "Fulano está com a sombra da morte na face" justifica-se pela
percepção de que a aura de pessoas nesse estado é quase inexistente. Nas pessoas saudáveis, ao contrário,
ela é larga. Essa largura torna-se ainda maior nos virtuosos, cujas ondas de luz também são mais fortes; nos
heróis, a aura é mais larga do que nas pessoas comuns; nas personalidades ilustres do mundo, é ainda mais,
sendo extraordinariamente larga nos homens santos.
Entretanto, a largura da aura não é fixa; varia constantemente, de acordo com os pensamentos e atos da
pessoa. Quando esta pratica ações virtuosas, baseada na justiça, sua aura é larga; em caso contrário, é fina.
As pessoas de sensibilidade comum em geral não conseguem enxergar a aura, mas existe quem o consiga.
Mesmo aquelas, se observarem atentamente, poderão vislumbrá-la.
A largura da aura tem relação direta com o destino do homem. Quanto mais larga ela for, mais feliz ele
será. Os que têm aura larga são mais calorosos, causam uma boa impressão e atraem muitas pessoas, porque
as envolvem com sua aura. Ao contrário, aqueles cuja aura é fina, causam uma impressão de frieza,
desagrado e tristeza, e temos pouca vontade de permanecer em sua companhia.
Em face do que dissemos, o esforço para aumentar a largura da aura é a fonte da felicidade. Mas de que
forma devemos agir? Antes de responder a essa pergunta, darei uma explicação sobre a natureza da aura.
Já sabemos que todos os pensamentos e atos humanos se subordinam ao bem ou ao mal. A largura da aura
também é proporcional à soma do bem ou do mal. Isto significa que, na ocasião em que a pessoa pensa ou
pratica o bem, surge-lhe o sentimento de satisfação na consciência, o qual se transforma em luz e soma-se
ao seu corpo espiritual, aumentando-lhe, assim, a luminosidade; ao contrário, o mal transforma-se em
máculas, que também se acrescentam às já existentes no corpo espiritual da pessoa. Ao mesmo tempo,
quando se faz o bem, a gratidão do beneficiado torna-se luz, e esta, através do elo espiritual, é transmitida
para o praticante do bem, aumentando-lhe, conseqüentemente, a luz; em contraposição, pensamentos de
vingança, ódio, inveja, etc., transformam-se em máculas, que são transmitidas à outra pessoa pelo elo
espiritual, somando-se às que ela já possui. Sendo assim, é importante que o homem pratique o bem, alegre
o próximo e dele jamais receba pensamentos como os que mencionamos.
O fracasso e a ruína daqueles que rapidamente conseguiram fortuna ou posições elevadas têm origem no
que acabo de expor. Atribuindo a causa do sucesso à sua capacidade, inteligência e esforço, a pessoa cai na
presunção e na vaidade, torna-se egoísta e arrogante, vive uma vida de luxo, passando a ser alvo de
sentimentos geradores de máculas. Em conseqüência disso, a sua aura vai perdendo luz e afinando, e acaba
sobrevindo a ruína. Esse é o fim de muitas famílias nobres e de muitos milionários. Socialmente, ocupam
posição superior e recebem da sociedade e do País os favores correspondentes a essa posição, razão pela
qual deveriam retribuí-los adequadamente, isto é, fazendo o bem em abundância. Dessa forma, suas
máculas estariam sendo eliminadas constantemente. A maioria das pessoas, entretanto, só pensa em
proveito próprio; em decorrência disso, avolumam-se-lhes as máculas e o seu espírito desce a um nível
muito baixo, apesar de conservarem as aparências. Por fim, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, essas
pessoas acabam arruinadas.
Um pouco antes do grande terremoto ocorrido em 1923 na Região Leste, o qual arrasou Tóquio, um vidente
me disse que, ao invés da cidade de prédios grandes e magníficos, vira uma cidade cheia de casebres. E
qual não foi a minha surpresa, ao constatar que realmente a cidade ficara como ele havia visto!
Ainda podemos citar outro exemplo. Refere-se ao industrial americano John D. Rockfeller (1839-1937) e
ocorreu quando ele era jovem e ainda não havia acumulado sua fabulosa fortuna. Rockfeller tinha
começado a trabalhar numa loja e, baseado no conceito de que o homem deve fazer o bem, começou a dar
donativos para uma igreja. Inicialmente dava cinco centavos por semana, mas, conforme o aumento de sua
renda, foi aumentando o donativo, até que acabou instituindo o famoso Rockfeller Research Center. Ele
registrava as quantias doadas no verso de uma caderneta que, segundo dizem, é considerada tesouro
familiar.
Falam, também, que Andrew Carnegie (1835-1919), fundador da Bethlehem Steel Corp., a maior firma do
gênero na América do Norte, fez prevalecer, quando morreu, a tese que sempre defendera, destinando a
obras de assistência social quase toda a sua fortuna, avaliada em bilhões de dólares. Para o seu herdeiro
deixou apenas um milhão de dólares e educação universitária garantida. A propósito, o grande psicólogo
alemão Hugo Munsterberg (1863-1916) elogia os milionários que não deixam heranças.
Só em 1903, segundo dizem, as doações de milionários americanos a universidades, bibliotecas e institutos
de pesquisas somaram mais de dez milhões de dólares, sendo que as doações anônimas teriam superado
várias vezes essa quantia. Logo após a Primeira Guerra Mundial, Andrew Carnegie doou uma quantia muito
elevada à International Peace Foundation, e com uma parte dessa importância a Ciência e a Educação na
Alemanha foram grandemente beneficiadas. A edição de volumosa obra de pesquisa - a primeira do mundo
- sobre guerra e crime, realizada por uma equipe de mestres liderada pelo professor Lipmann (1857-1940),
foi possível graças a essa ajuda, e dizem ser inestimável a contribuição que ela trouxe para a felicidade
mundial. Ao pensar em tais fatos, posso compreender por que os Estados Unidos prosperaram tanto. Os
grandes grupos econômicos do Japão, entretanto, foram excessivamente egoístas, e julgo que a isso se deva
sua queda, e nunca a uma coincidência.
Quanto mais fina é a aura, mais sujeita está a pessoa a infelicidade e desastres. A razão é que, em virtude
das máculas, o intelecto fica entorpecido, o raciocínio falha, a força de decisão diminui, e não se pode ter
uma previsão correta das coisas; por conseguinte, a pessoa se impacienta, pois deseja o sucesso rápido. Tais
criaturas podem conseguir sucesso passageiro, mas nunca duradouro. Nesse sentido, se a política de uma
nação é ruim, é porque a aura de seus governantes é fina, assim como também a do povo, que sofre as
conseqüências dessa má política.
Aqueles que têm grande quantidade de máculas geralmente passam por muitas purificações; facilmente são
vítimas de doenças ou acidentes. Quem sofre acidente de trânsito é porque tem aura fina; quem tem aura
espessa, em qualquer situação livra-se do perigo. Por exemplo, na iminência de alguém ser apanhado por
um veículo, o espírito deste se chocará com a pessoa se ela tiver aura fina, mas não ocorrerá o choque se a
sua aura for espessa. Nesse caso a pessoa é arremessada para longe e nada sofre, graças à elasticidade da
sua aura.
Refletindo sobre o princípio aqui exposto, podemos concluir que o único meio para nos tornarmos felizes é
aumentarmos a espessura da nossa aura praticando o bem. Existem criaturas que se resignam diante da má
sorte; elas me causam pena, pois não conhecem esse princípio. Também, quanto mais espessa for a aura dos
ministros desta Igreja, mais pessoas eles salvarão, e, quanto mais pessoas salvarem, mais agradecimentos
receberão, o que fará aumentar a espessura de sua aura. Simultaneamente, melhores serão os resultados do
seu trabalho de difusão. Tenho muitos discípulos assim.
5 de fevereiro de 1947
DEUS É JUSTIÇA
Não deixa de ser estranho falar, agora, que Deus é Justiça. Mas insisto nesse ponto porque não só o povo,
mas também os fiéis e os ministros geralmente tendem a esquecê-lo.
Embora a nossa Igreja se dedique especialmente à prática da justiça e do bem, há alguns fiéis que se
desviam do caminho certo e vagueiam sem rumo. Nessas ocasiões - torno a insistir - se eles desprezarem o
sinal de advertência enviado por Deus, poderão sofrer terríveis conseqüências.
No início, sensíveis e agradecidas às graças e milagres recebidos, as pessoas se mostram devotadas,
fervorosas na fé. Desde que esta seja sincera, as graças se fazem evidentes, o que torna essas pessoas
respeitadas por todos. Como também são beneficiadas materialmente, na verdade elas deveriam sentir-se
ainda mais gratas e dedicadas; entretanto, longe de pensarem na retribuição, muitas se acostumam com as
graças, tornando-se orgulhosas e vaidosas. Os espíritos do mal, que estão sempre vigilantes, aproveitam
essa oportunidade para conquistá-las, e começam a controlá-las a seu bel-prazer. Isso é realmente
alarmante.
Satanás espreita principalmente as pessoas ambiciosas e fúteis. Sendo ele impotente contra a verdadeira fé,
não há perigo para quem a possui. Isso se evidencia pela presença ou ausência de egoísmo. O homem que
vive somente para Deus e a humanidade, sem pensar nos seus próprios interesses, não é atingido por
Satanás. No entanto, quando as coisas começam a correr bem, ele pode tornar-se pretensioso, julgando ser
um grande homem. Aí é que está o perigo, pois surge a ambição, e quanto mais ambicioso se torna o
homem, mais ele procura engrandecer-se e mais poderes deseja conquistar. O fato é alarmante. Quando isso
acontece, Satanás penetra no espírito da pessoa e acaba por dominá-la. É um poder passageiro; entretanto,
como ocorre a cura de doenças e outros milagres, a vaidade é mais instigada ainda, chegando o vaidoso a se
julgar a encarnação de alguma divindade.
Trata-se de uma tendência que pode ser claramente distinguida observando-se com atenção as atividades
das religiões fundadas por esses pseudodeuses. Algumas se caracterizam pelo escasso amor e pela fé
"Shojo", regida por preceitos extremamente rigorosos. Os que não obedecem a eles, vêem-se ameaçados de
castigo, destruição ou morte, caso abandonem o grupo ou a Fé. São religiões ameaçadoras, que procuram
impedir o desmembramento de sua organização. Se uma religião apresentar esses indícios, pode ser julgada
como de caráter diabólico.
Torno a dizer que a fé verdadeira é "Daijo", liberal; portanto, nada impede que seja seguida ou abandonada.
Além disso, ela é celestial, alegre e ativa, revelando vida. A religião que exige uma fé rigorosa e dogmática,
age com heresia, é infernal. Devem acautelar-se principalmente quando houver o mínimo de segredo que
seja. Se uma religião disser, por exemplo: "Isso não pode ser dito aos outros, mas...", podem ter certeza de
que ela é herética. A religião correta e autêntica é a própria imagem da clareza, sem nenhum indício de
sigilo ou mistério.
18 de março de 1950
POSSUA FÉ UNIVERSAL
Conforme venho insistindo, o mal de "Daijo" (fé universal) corresponde ao bem de "Shojo" (fé restrita), e
vice-versa. Peço profunda reflexão aos fiéis de nossa Igreja, os quais estão esquecidos deste ponto capital.
Em poucas palavras, a maneira "Daijo" de encarar as coisas é observar tudo com visão global. Vou explicar
melhor.
Há fiéis que são muito dedicados, pensando estarem praticando o bem; muitas vezes, contudo, as
conseqüências de seus atos atrapalham a propagação da religião. Além disso, como todos sabem por
experiência própria, tais pessoas são do tipo auto-suficiente, confiam demais na força humana e,
inconscientemente, tendem a esquecer-se do santo poder de Deus.
Ouço ainda, com freqüência, o seguinte comentário: "Por que fulano, apesar de tanta dedicação, não faz
muito progresso?" A razão é que essa pessoa tem fé "Shojo" e, como tal, é austera, cria um ambiente
constrangedor à sua volta, não atraindo as demais, e por esse motivo não prospera. O pior de tudo é que
leva as coisas ao extremo e, fugindo ao senso comum, diz e faz excentricidades. Vendo isso, as criaturas
sensatas são tomadas de desprezo, achando que a nossa Igreja é uma religião supersticiosa e de baixo nível.
É justamente nesse ponto que devemos tomar o máximo de cuidado.
Existem pessoas, no entanto, que fazem progresso sem que a gente espere, apesar de não darem mostras de
grande dedicação. Essas sim, realmente compreendem e agem conforme a fé "Daijo".
Desejo acrescentar que justamente as pessoas de fé "Shojo" é que procuram julgar o bem e o mal do
próximo. Trata-se de um erro gravíssimo, pois só Deus sabe fazer justiça. É demasiada insolência do
homem querer julgar o seu semelhante, e não há maior ofensa a Deus do que ignorarmos a profundidade
dessa profanação. Tais pessoas geralmente se julgam perfeitas, são orgulhosas e, como lhes falta caráter, ao
invés de progredirem, costumam criar casos detestáveis.
Tomemos como exemplo o Japão antes do término da guerra. Naquela época, julgava-se que o arrojado
patriotismo do povo era uma ação justa e ditada pelo bem. Era, no entanto, um bem de caráter restrito, pois
tinha-se em vista somente a felicidade do próprio país; assim, a derrota não foi nada mais que uma
conseqüência desse conceito egoísta. Aliás, eu publiquei o ensinamento "Precisamos ser universais" para
comprovar a veracidade dessa tese, ou seja, para demonstrar que o bem autêntico deve ser o bem de
"Daijo", isto é, o bem universal. Se partíssemos deste princípio, não teríamos sido invadidos e estaríamos
livres daquele massacre e vexame. Continuaríamos gozando de paz e mereceríamos o respeito do mundo
inteiro.
Em outras palavras, o amor também se divide em amor de Deus e amor do homem. Como o amor de Deus é
amor "Daijo", Ele ama a humanidade com um amor ilimitado; o amor do homem é amor "Shojo", pois ele
se limita a amar a si próprio, a seus partidários e a seu povo. Portanto, vem a ser um mal.
Os fiéis que compreenderem claramente o sentido das minhas palavras, devem manter sempre uma atitude
"Daijo", isto é, tomar consciência do amor de Deus e transmiti-lo ao próximo, o que não deixará de
produzir bons frutos.
Viver de acordo com a Vontade de Deus e possuir amor fraternal, tornará a pessoa agradável a todos
aqueles que a rodeiam, propiciando-lhe um sucesso garantido.
25 de novembro de 1951
A NOSSA RELIGIÃO E O UNIVERSALISMO
Observando o mundo atual, constatamos a existência de pessoas que, dizendo-se esquerdistas, direitistas ou
neutras, vivem criando conflitos. É fácil o aparecimento de choques, entre esses grupos, em virtude de cada
um se firmar em sua ideologia e tentar impô-la aos demais. Existem alguns cujo propósito é justamente
provocar tais choques, mas isso não vem ao caso no momento.
Após a Segunda Guerra Mundial, o objetivo do povo japonês é a democracia, que, obviamente, visa o
máximo de felicidade para o maior número de pessoas. Entretanto, se cada um insistir em suas ideologias e
"ismos", isso resultará em conflitos e, ao invés de se proporcionar felicidade às pessoas, se estará
acarretando o máximo de desgraças. Quem o diz não sou eu apenas. Dentro do quadro social da atualidade,
é uma tendência que realmente aparece clara em todos os setores. Vejamos, por exemplo, os partidos
políticos. Num mesmo partido, existem alas, ocorrem choques entre seus componentes, devido à diferença
de pontos de vista, e há sempre o perigo de desagregação. Qualquer coisa que fuja a esses pontos de vista é
considerada como inimiga, por isso não é fácil manter-se a coesão do partido. Planeja-se derrubar gabinetes
que acabaram de ser compostos e até se insiste para que um gabinete formado apenas há dois ou três meses
concretize as medidas políticas propostas por ocasião das eleições.
Raciocinemos. Por melhor que seja um político, é impossível ele cumprir suas promessas no prazo de seis
meses ou mesmo um ano. É por esse motivo que o Gabinete Japonês muda tão rapidamente que nem dá
tempo para esquentar as cadeiras. Nesse aspecto, assemelha-se ao da França. Na Inglaterra, o gabinete
trabalhista saiu-se muito mal no primeiro ano de posse; se fosse no Japão, seria fortemente criticado, mas a
tolerância dos ingleses é de fato extraordinária. Chegou a impressionar-nos a confiança que eles
depositaram em Sir Attlee e a paciência com que ficaram aguardando os resultados. Passado o referido
período, as coisas começaram a melhorar. Hoje em dia, parece que a situação da Inglaterra é muito boa,
inclusive economicamente.
Nos Estados Unidos acontece o mesmo. Como o mandato presidencial é de quatro anos, é possível fazer
uma política arrojada. Vencedores da Segunda Guerra Mundial, os americanos demonstraram grande
tranqüilidade econômica, logo após o término do conflito, quando deram aquele magnífico exemplo que foi
o Plano de Salvação da Europa e do Leste Asiático. Isso se deveu também às quatro eleições consecutivas
do Presidente Roosevelt, o qual, governando durante dezesseis anos, pôde tomar medidas ousadas, tendo
obtido bons resultados.
Como expus anteriormente, a realidade atual do Japão é que ele não consegue deixar de comportar-se como
país bitolado. Portanto, neste momento, todos os japoneses devem empenhar-se, antes de mais nada, em
cultivar o espírito de tolerância. É aquilo de que mais necessitamos.
Se o objetivo da nossa Igreja é a construção de uma sociedade sem conflitos, primeiramente precisamos
livrar-nos do estreito sentimento de orgulho que nos faz menosprezar os outros. Torna-se necessário
caminharmos sem levar em conta se os ideais são da esquerda, da direita ou do meio, mas fundindo-os num
ideal grande e nobre, que abranja tudo e ao qual se possa realmente chamar de mundial. Batizamo-lo de
Universalismo.
8 de abril de 1949
MINHA NATUREZA
Já escrevi um artigo intitulado "Como eu me vejo". Agora, ao invés de me colocar na posição de terceiros,
tentarei analisar-me de forma subjetiva, dando uma visão mais profunda de mim mesmo.
Creio que, atualmente, não existe uma pessoa tão feliz quanto eu, e por isso minha gratidão a Deus é
constante e profunda. Mas qual será a causa da minha felicidade? De fato, eu não sou uma pessoa comum,
sobretudo porque Deus me atribuiu uma grandiosa missão. Esforço-me dia e noite para cumpri-la, e todos
os messiânicos sabem que, através dela, um incontável número de pessoas está sendo salvo. Entretanto, a
felicidade tem um segredo fácil de ser praticado mesmo pelas pessoas comuns, ou melhor, por aqueles que
não têm uma missão especial como eu.
Primeiramente, desejo abrir meu coração, mostrando aquilo que é uma tônica em meu íntimo.
Desde jovem gosto de dar alegria ao próximo, a ponto de isso se tornar quase um "hobby" para mim.
Sempre estou pensando no que devo fazer para que todos fiquem felizes. Quando acordo pela manhã, por
exemplo, minha primeira preocupação é saber o estado de ânimo dos meus familiares. Se houver uma só
pessoa mal-humorada, já não me sinto bem. Na sociedade acontece justamente o contrário: os subordinados
é que se preocupam com o estado de ânimo dos seus superiores. Como sou diferente, acho isso estranho e
até fico um pouco desapontado. Por esse motivo, algo que me deixa muito triste é escutar gritos de raiva,
lamentações inúteis e reclamações. Também me é difícil ouvir repetidas vezes um mesmo assunto. Minha
natureza é sempre pacífica e alegre.
O resultado do que acabo de expor é um dos fatores determinantes da minha felicidade. Por isso eu sempre
afirmo: "Se não fizermos a felicidade do próximo, não poderemos ser felizes." Acredito que meu maior
objetivo - o Paraíso Terrestre - estará concretizado quando meu estado de espírito encontrar ressonância e
expansão no coração de todos os homens.
Este artigo parece um auto-elogio, mas se, depois de sua leitura, ele puder levar algum benefício às pessoas,
ficarei satisfeito.
30 de agosto de 1949
OSTENTAÇÃO RELIGIOSA
Todos que vêm a mim pela primeira vez, dizem a mesma coisa: "Antes de conhecê-lo, eu pensava que o
senhor fosse uma criatura pouco acessível, que sempre estivesse rodeado de pessoas. Imaginava que, para
dirigir-me ao senhor, deveria fazê-lo com o maior protocolo. Foi com muito medo que resolvi visitá-lo,
mas, ao contrário do que esperava, tudo foi tão simples e fácil que fiquei surpreso."
Realmente, quando se trata de um fundador de religião ou de um chefe, a tendência geral é pensar que eles
vivem cercados de aparato. Em tempos passados, vários de meus subordinados quiseram que eu procedesse
dessa forma. Entretanto, eu não sentia vontade alguma de agir assim e continuei a ser a pessoa simples que
sempre fui.
Muita gente deve estar curiosa, perguntando a si mesma por que eu não assumo uma atitude ostentosa,
comportando-me como se fosse um deus. Vou explicar a razão.
Talvez pelo fato de ter nascido em Tóquio, jamais gostei de exibicionismo. Como detesto a falsidade, acho
que aparentar aquilo que não sou e criar diversos aparatos é uma forma de mentir; além do mais, à vista dos
outros, pode ser até uma atitude desagradável. Afinal de contas, o melhor é a pessoa se mostrar como
realmente é.
Na posição em que me encontro, talvez fosse melhor eu ficar no fundo da nave, junto ao altar, como um
deus, e ali dar audiências, porque assim eu me valorizaria muito mais. Não gosto disso, porém. Àqueles que
não aprovam meu procedimento, eu sempre digo que não precisam permanecer comigo. Todavia, com o
passar do tempo, como a realidade mostra a constante expansão da nossa Igreja, constato que o número de
pessoas que aceitam minha maneira de agir é cada vez maior, e isso me deixa muito satisfeito.
Devo acrescentar que considero minha natureza muito diferente da de outras pessoas. Detesto imitar o que
os outros fazem. Esse é um dos motivos pelos quais não me porto com ostentação. Quero ter sempre a
aparência de pessoa comum. Agindo assim, também estou quebrando a tradição geral, mas esta
característica contribuiu muito para que eu pudesse descobrir a forma revolucionária de curar todos os
males: o Johrei. Como os fiéis sabem, manifesto o poder de curar doenças através do Ohikari, que
confecciono escrevendo uma letra numa folha de papel, não diferencio Deus de Buda, estou construindo o
protótipo do Paraíso Terrestre, empenho-me na promoção da Arte, evito a ostentação religiosa, etc. Se eu
quisesse, poderia enumerar uma infinidade de realizações minhas que realmente quebram a tradição. A
propósito, dias atrás, fui visitado por uma jornalista do Fujim Koron, que me disse ter ficado surpreendida
ao chegar à entrada da Sede Provisória e não ver nenhum aparato que lembrasse uma Igreja. Ela achou
muito estranho. Daqui por diante pretendo realizar uma intensa atividade religiosa em todos os campos da
sociedade, mas de forma absolutamente inédita.
13 de maio de 1950
MINHA MANEIRA DE PENSAR
Tenho o costume de pensar profundamente sobre todas as coisas. Suponhamos que eu faça um projeto
qualquer. A maioria das pessoas, quando elaboram um projeto, ficam ansiosas, querendo logo pô-lo em
prática, e, mais do que isso, com a esperança de poderem contar com a ajuda da sorte e obterem resultados
positivos. As coisas, porém, não ocorrem como elas esperavam e geralmente redundam em fracasso. Tais
pessoas só pensam no sucesso, não levando em conta a possibilidade de fracasso, o que é muito perigoso.
Eu, no entanto, faço o contrário. Desde o começo imagino o insucesso. Elaboro, também, um plano à parte,
para quando isso acontecer. Assim, se o projeto falhar, o fato não me atinge muito; eu aguardo um pouco
mais. Agindo dessa maneira, é fácil eu me recuperar, em caso de fracasso.
Em relação ao dinheiro, procedo do mesmo modo. Divido-o em três partes: se a primeira não der, começo a
usar a segunda; caso esta ainda seja insuficiente, recorro à terceira. Seguindo esse método, a probabilidade
de falta de recursos é mínima.
À primeira vista, parecerá perda de tempo fazer um planejamento muito detalhado, tomando todas as
precauções para as eventualidades que possam surgir; contudo, se procedermos dessa forma, tudo correrá
mais rapidamente, pois não haverá falhas. Fazendo como eu faço, não há desperdício de dinheiro, nem de
tempo, nem de trabalho. Somando tudo isso, representa um inesperado e considerável lucro. Todos sabem
que tenho planejado grandes empreendimentos, uns após outros, e os tenho executado sem qualquer
preocupação; tudo sempre corre muito bem. Ainda que eu haja elaborado um plano detalhadamente e todos
os preparativos estejam em ordem, não o ponho logo em prática; aguardo o tempo certo. Quando aparece
uma boa oportunidade, começo a executá-lo com todo o empenho. Depois, é só esperar, sem pressa ou
afobação. O homem nunca deve precipitar-se. Se o fizer, estará forçando a situação e, procedendo assim,
nada dará certo. Pensando naqueles que fracassaram, vemos que, por sua pressa, todos eles, sem exceção,
forçaram situações.
A propósito, lembro-me sempre da Segunda Guerra Mundial. No início, as coisas corriam bem, e por esse
motivo os japoneses ficaram orgulhosos, vaidosos; mesmo quando tudo mudou, eles pensaram que não era
nada e forçaram a situação. Como se mantiveram nessa atitude, o resultado foi aquele triste fim. Naquela
época, senti que, com tanta afobação, as autoridades fatalmente nos levariam a perder tudo, mas silenciei,
pois não podia comentar esse meu pensamento com ninguém. Se, desde o começo, tivessem considerado a
hipótese da derrota, o resultado não teria sido tão desastroso, por isso foi grande a minha decepção.
Obviamente, o fato ocorreu devido à falta de planejamento por parte das autoridades competentes.
Quando as pessoas me observam, às vezes me acham apressado; outras vezes, calmo e despreocupado. À
primeira vista, é natural que elas fiquem confusas. Tudo se deve, logicamente, à grande proteção de Deus,
mas todos se espantam pela maneira rápida com que as minhas obras são executadas. Poderão compreendê-
lo melhor atentando para a incrível rapidez com que se processa a expansão da nossa Igreja.
Desejo, agora, chamar atenção para a necessidade de uma mudança na mentalidade do homem. Existem
pessoas que se concentram num único trabalho, sem descanso; muitas vezes, entretanto, não conseguem ser
eficientes. Isso acontece porque elas acabam entediadas, saturadas, mas ficam agüentando e insistindo no
trabalho. Esse procedimento não é certo. Nessas ocasiões, o melhor é parar um pouco e até mesmo procurar
uma recreação, a fim de espairecer a mente. Muitos pintores dizem que, quando não se sentem inspirados
ou quando estão sem vontade, não pegam de modo algum no pincel. Na minha opinião, é uma atitude
bastante sensata. Até certo ponto, a liberdade pode gerar muito mais eficiência. Nesse sentido, não gosto de
ficar preso a uma só tarefa; estou sempre mudando de uma para outra. Agindo dessa forma, sinto-me mais
disposto, trabalho com satisfação e minha cabeça funciona melhor. Pode acontecer, no entanto, de acordo
com a situação de cada um, que essa recomendação seja impraticável. Por isso, conhecendo bem o princípio
que acabo de expor e procedendo de acordo com as possibilidades e circunstâncias do momento, a pessoa
terá um grande proveito. É isso que estou tentando ensinar.
25 de junho de 1952
FILOSOFIA DA INTUIÇÃO
Quando jovem, fui simpatizante da teoria de Henri Bergson, o eminente filósofo francês (1859-1941).
Ainda me lembro dessa teoria e vou expô-la, nesta oportunidade, por considerá-la de grande proveito do
ponto de vista religioso.
Segundo minha interpretação, a filosofia de Bergson baseia-se nestes três princípios: "Todas as coisas se
movem", "Teoria da Intuição" e "O eu do momento". Dentre eles, o que mais me impressionou foi a "Teoria
da Intuição", a qual diz o seguinte: "É algo dificílimo ver as coisas exatamente como elas são, captar o seu
verdadeiro sentido, sem cometer o mínimo engano." Estudemos o porquê dessa afirmativa.
Os conceitos formados pela instrução que recebemos, pela tradição, pelos costumes, etc., ocupam o
subconsciente humano formando como se fosse uma barreira, e dificilmente o percebemos. Tal "barreira"
constitui um obstáculo quando observamos as coisas. Quando dizemos, por exemplo, que todas as religiões
novas são supersticiosas, heréticas ou falsas, devemos esse julgamento à "barreira", que está servindo de
estorvo.
Os homens de hoje, através dos jornais, das revistas, do rádio e dos comentários públicos, constantemente
tomam conhecimento de idéias e opiniões que concorrem para aumentar e solidificar essa "barreira".
Devido ao conceito de que as doenças só podem ser curadas pela medicina, a realidade é deturpada quando
ocorre um milagre: dizem ser ação do tempo ou buscam mil explicações. Presenciamos tal fato com
freqüência.
A "Teoria da Intuição" encarrega-se de corrigir tais erros, comuns entre os homens. Libertando-os,
completamente, de preconceitos, ela os ensina a fazerem uma fiel observação dos fatos. Para isso é
necessário ser "o eu do momento", isto é, fazer com que a impressão instantânea, captada pela intuição,
corresponda à verdadeira substância do objeto de observação. Caso presenciamos uma cura realmente
milagrosa, devemos crer, pois essa é a verdadeira observação. Se, ao contrário, julgamos impossível que
uma doença seja curada sem o auxílio de aparelhos ou remédios, significa que estamos sendo bloqueados
pela tal "barreira" de preconceitos. Na hipótese de alguém acrescentar: "Isto é superstição, não pode ser
verdade", é porque a "barreira" do próximo está contribuindo para aumentar o obstáculo, e devemos ficar de
guarda contra isso.
O outro princípio - "Todas as coisas se movem" - significa que tudo está em eterno movimento. Por
exemplo: nós não somos os mesmos de ontem, nem mesmo o que fomos há cinco minutos atrás; o mundo
de ontem não é o mesmo de hoje. Isso abrange também a sociedade, a civilização e as relações
internacionais. Precisamos, portanto, fazer uma observação fiel, isto é, uma observação clara, do homem e
de suas transformações.
Ao invés de modificarem seus pontos de vista e pensamentos, para acompanharem o constante movimento
evolutivo, as religiões antigas criticam as religiões novas, servindo-se de conceitos religiosos milenares. Eis
por que não conseguem ter uma idéia exata a respeito delas.
Esta é a teoria de Bergson aplicada ao campo religioso.
30 de janeiro de 1950
NOVAMENTE A RESPEITO DE BERGSON
Sinto-me dominado pelo desejo de escrever novamente sobre Henri Bergson, o famoso filósofo moderno da
França, a quem já me referi anteriormente. Muitas pessoas me dirigem perguntas por não entenderem o
sentido de minhas palavras, que me parecem bem simples, mas que elas acham de difícil assimilação.
Embora se trate de pessoas cultas, sou obrigado a dar-lhes uma explicação minuciosa, servindo-me de
exemplos, para que elas possam compreender. Nesta oportunidade, lembro-me da própria filosofia de
Bergson.
A razão pela qual as pessoas não entendem coisas tão fáceis é que elas não ficam no estado do "eu do
momento", talvez por não terem conhecimento, ou melhor, consciência disso. Segundo a teoria de Bergson,
mal o homem começa a ter noção do mundo à sua volta é cercado de comentários, imposições de lendas e
instruções, que lhe criam uma espécie de "barreira mental", antes de atingir a maioridade. Essa "barreira" o
impede de assimilar novas teorias. Uma mente desimpedida as compreenderá com facilidade, pois tem livre
arbítrio; por isso aconselhamos que a mente seja aberta como uma página em branco. Entretanto, são raros
os que percebem a "barreira".
Quem já leu o princípio de Bergson, comece a ser, agora, o "eu do momento". Este "eu do momento"
refere-se à impressão instantânea, captada no momento em que se observa ou se ouve alguma coisa. É agir
como uma criança, sem dar tempo para a intromissão de "barreiras". Muitas vezes admiro certas palavras
usadas pelas crianças para se certificarem de algo que um adulto lhes disse. Bergson chamou a isso de
"Teoria da Intuição". Através desta, ele também queria nos mostrar que uma observação fiel consiste em
ver a coisa tal qual ela é, sem torcê-la, relacionando-a ao "eu do momento".
Dentro de sua filosofia, Bergson emite um conceito muito interessante: "Todas as coisas se movem." Isso
significa que tudo está em contínuo movimento. Este ano, por exemplo, difere do ano passado em tudo. O
mesmo podemos dizer a respeito do mundo, da sociedade e dos nossos próprios pensamentos e
circunstâncias. Somos diferentes até mesmo do que fomos ontem, ou há cinco minutos atrás. Aqui,
podemos aplicar o velho ditado: "Trevas a um palmo do nariz." Assim, se aplicarmos a teoria bergsoniana
ao homem, em todas as circunstâncias, notaremos o seguinte: diante de um fato, as nossas observações e
pensamentos de hoje devem ser diferentes das observações e pensamentos do ano anterior.
Em sentido mais amplo, observemos a radical diferença entre o período anterior e o período posterior à
guerra. É surpreendente a mudança que ocorreu em tão breve espaço de tempo. Mas a maioria dos
indivíduos não conseguem captar, com exatidão, a realidade atual, bloqueados pelos métodos e conceitos
antigos, que eles herdaram de seus antecessores e que constituem um verdadeiro obstáculo. Classifico esses
indivíduos de conservadores e antiquados, porque mantêm a mente estagnada, enquanto tudo obedece à lei
do movimento perpétuo. Eles sofrem o abandono do mundo e vão ao encontro de um trágico destino.
Basta uma reflexão sobre a teoria de Bergson, para compreendermos o insucesso das religiões.
A ação de Kannon consiste em ceder às transformações constantes, acompanhando o movimento das coisas
sem cometer o mínimo desvio. Essa divindade é conhecida, também, como "Oshim-Miroku", encarnação da
ação livre e desimpedida. Em outras palavras, ação livre em relação às coisas do mundo exterior. O nome
"Mugue-ko-nyorai" tem o mesmo significado.
Em resumo, devemos escolher assuntos adequados para falar com as pessoas idosas, ser delicados com as
senhoras, teóricos com os intelectuais e simples com o povo em geral. Devemos proceder de modo que
todas as pessoas com quem conversamos possam compreender-nos e interessar-nos pelo que dizemos,
ouvindo-nos com prazer. Se professarem a Fé dessa maneira, poderão obter ótimos resultados.
18 de julho de 1951
PRAGMATISMO
Na mocidade, apreciei muito a Filosofia. Entre as inúmeras teorias filosóficas, a que mais me atraiu foi o
pragmatismo, do famoso norte-americano William James (1842-1910).
James achava que a exposição meramente teórica da filosofia constitui apenas uma espécie de distração;
para ele, a filosofia só era válida se fosse colocada em ação. Acho interessante a sua teoria, cujo realismo
autêntico é característico dos filósofos americanos. Aderi, portanto, às suas idéias e me esforcei por adotá-
las em meu trabalho e na vida cotidiana.
O benefício que o pragmatismo me proporcionou naquela época, não foi pequeno. Mais tarde, quando
iniciei meus trabalhos religiosos, julguei necessário aplicá-lo à Religião. Isto significa ampliar o campo
religioso de modo que abranja a vida em geral. Então, o político não cometeria injustiças, porque, visando à
felicidade do povo, promoveria uma boa administração, granjeando, assim, a confiança de todos. O
industrial obteria a admiração da coletividade, pois exerceria a profissão honestamente; seus negócios
progrediriam com segurança, porque ele mereceria a estima de seus empregados, que seriam fiéis no
trabalho. O educador seria respeitado e teria notável influência sobre seus discípulos, educando-os com
bases sólidas. Os funcionários e os assalariados em geral subiriam de posição, porque a Fé produz bom
trabalho. A alma do artista irradiaria de suas obras, com grande elevação e força espiritual, exercendo
influência benéfica sobre o povo. O ator, no palco, manifestaria nobreza, porque suas representações seriam
baseadas na Fé, e os espectadores receberiam o reflexo de seus sentimentos elevados. Entretanto, isso não
significa que as coisas se processassem com rigidez didática: tudo deveria ser agradável e atraente.
É fácil imaginar como melhoraria o destino dos indivíduos e como eles se tornariam úteis à sociedade, se
seus atos fossem iluminados pela Fé, qualquer que fosse sua profissão ou situação.
Haveria, certamente, um cuidado especial: o pragmatismo religioso não deveria transformar-se em
fanatismo, pois todo exagero é desagradável. A ostentação religiosa é uma das piores coisas que há.
Existem muitas criaturas que exibem atitudes de religiosidade. Isso aborrece os outros. O ideal é ser natural,
ser uma pessoa simples, pondo apenas mais gentileza e nobreza nos atos. Em uma frase: ser polido,
eliminando a fé grosseira. Alguns devotos têm atitudes que lembram as dos psicopatas. São extremamente
subjetivos, fazem do lar um ambiente triste, importunam os vizinhos e suscitam desconfiança sobre a
religião que seguem. A culpa, no entanto, é de quem os orienta; por isso, o ato de orientar requer muita
prudência.
25 de janeiro de 1949
RELIGIÃO PRAGMÁTICA
O pragmatismo, doutrina sustentada inicialmente por Charles Sanders Peirce, famoso filósofo americano
(1839-1914), chegou a ser uma filosofia de âmbito mundial, propagada por William James, que hoje é
considerado seu criador. Dizem que pragmatismo significa utilidade prática; creio, entretanto, ser mais
adequado aplicar o termo "ativismo".
Acho desnecessário falar muito a respeito, porque se trata de uma teoria conhecida por todos aqueles que se
interessam pela Filosofia. O que desejo falar agora, é sobre o pragmatismo religioso. Já me referi uma vez a
esse tema, mas torno a abordá-lo, para melhor compreensão.
Quando falamos em ativismo religioso, temos a impressão de que todas as religiões estejam praticando
ações de Fé. Todos conhecem propagandas por escrito, sermões verbais, orações, cultos, rituais religiosos,
ascetismo e mortificações; infelizmente, porém, as religiões ainda não atingiram a vida prática. Em
verdade, não passam de cultura mental.
O pragmatismo filosófico introduz a Filosofia na vida prática, acentuando, neste ponto, o caráter americano.
Pretendo fazer o mesmo, com uma diferença: fundir a Religião e a vida prática, tornando-as íntimas e
inseparáveis. Deixemos, pois, de ostentar virtudes, de isolar-nos, de ser teóricos como foram até hoje os
religiosos, e sejamos iguais às pessoas comuns. Para tanto, é preciso que eliminemos toda afetação religiosa
e procedamos sempre de acordo com o senso comum, a ponto de tornar a Fé imperceptível aos outros. Isso
vem a ser a apropriação completa da Fé.
Com essa explicação, creio que puderam entender o que vem a ser ativismo religioso.
30 de maio de 1951
JOHREI ATRAVÉS DAS LETRAS
Lendo o título acima, talvez os leitores nem façam idéia do que se trata. Com o que escreverei a seguir,
entretanto, compreenderão perfeitamente o que pretendo dizer: ler os meus Ensinamentos é receber Johrei
através dos olhos. Eis a explicação:
Todos os textos refletem o pensamento da pessoa que os escreveu; precisamos ter plena ciência disso.
Espiritualmente falando, significa que as vibrações espirituais do escritor são transmitidas, através das
letras, para o espírito do leitor. Como os meus Ensinamentos representam a própria Vontade Divina, o
espírito de quem os lê se purifica.
A leitura pode exercer influência positiva ou negativa sobre a alma do leitor. É grande, portanto, a
influência exercida pela personalidade do escritor. Quer se trate de artigo de jornal ou de obra literária,
aconselho aqueles que os escrevem a pensarem muito, mas isto não quer dizer que eu lhes esteja
recomendando escreverem sermões.
Naturalmente, se a obra não for interessante, as pessoas não a lerão com prazer, e por isso ela será inútil. É
importante que o assunto atraia, fazendo os leitores se sentirem presos a ele. Todavia, analisando a
literatura da atualidade, a grande maioria das obras nos faz pensar que os escritores se interessam apenas em
vendê-las ou vê-las adaptadas ao cinema, e, com isso, ganhar fama. Os textos não passam de um amontoado
de palavras; terminada a leitura, sentimos que deles nada se aproveita. Em verdade, seus autores não
passam de pretensos escritores. Tais obras poderiam ser comparadas a pessoas vazias de conteúdo: podem
ser famosos por algum tempo, mas um dia cairão no esquecimento.
Quando observamos minuciosamente a sociedade atual, até nos assustamos com as numerosas falhas que
ela apresenta. Se quisermos tomá-la por tema, não nos faltarão assuntos. Gosto muito de cinema, do qual
sou freqüentador assíduo. Às vezes, quando vejo filmes que apontam as falhas da sociedade, fico muito
interessado e contente, por saber que, de alguma forma, alguém pensa como eu; tenho até vontade de
reverenciar seus autores e produtores. Obras desse tipo nunca deixam de ser reconhecidas pelo público,
dando lucros vantajosos às livrarias e empresas cinematográficas. É como matar dois coelhos de uma só
cajadada.
26 de novembro de 1952
LEIA O MAIS POSSÍVEL OS MEUS ENSINAMENTOS
Para divulgar a nossa Religião, utilizamos até agora o Johrei e as publicações. Daqui em diante, também
vamos difundi-la por meio de mesas-redondas e palestras em auditórios, nas mais diversas localidades. À
difusão através da visão e da cura de doenças será acrescentado o método que alcança as pessoas pela
audição. Utilizando esses três meios, poderemos operar grandiosos resultados.
O novo método consiste em transmitir explicações orais sobre a Igreja, procurando mostrar que se trata de
uma religião realmente fora do comum. Entretanto, para que nos compreendam, é necessário nós próprios
termos profundo conhecimento sobre a Fé que professamos. Só assim faremos com que os nossos ouvintes,
conscientes de que a Igreja Messiânica Mundial é de fato uma grande religião, tenham vontade de ingressar
nela.
Em tais ocasiões, muitos dizem que não sabem falar bem, ou coisas semelhantes, mas esse é um
pensamento errado, pois não é com belas palavras que atingimos o coração do próximo. Como sempre digo,
o que move as pessoas é a nossa sinceridade. É com ela que atingimos o seu espírito, que despertamos a sua
alma; falar bem ou mal é um problema secundário. Todavia, para mover as pessoas com o nosso ardor e
sinceridade, precisamos ter muita compreensão, e para isso devemos ler o mais possível os Ensinamentos, a
fim de polir nossa inteligência.
Haverá muitas oportunidades em que nos farão perguntas às quais teremos de responder com bastante
clareza, pois, do contrário, as pessoas não ficarão satisfeitas. Por mais difícil que seja a pergunta,
precisamos dar uma resposta que elas aceitem. Devemos ter o máximo cuidado para não lhes responder de
forma evasiva, por falta de conhecimento. Quando as pessoas vão se aprofundando muito, às vezes nós nos
esquivamos, dando uma resposta qualquer, o que não deve acontecer de maneira nenhuma. Como
seguidores de Deus que somos, não podemos usar do expediente de mentir. Se não soubermos responder,
devemos dizê-lo francamente. No entanto, pelo receio de que, agindo assim, as pessoas nos menosprezem,
costumamos fingir que sabemos. Isso é péssimo. Nesse caso, os resultados são desastrosos. Se confessarmos
o nosso desconhecimento, as pessoas confiarão em nós, achando que somos honestos e sinceros. Por mais
inteligente que alguém seja, é impossível saber tudo; portanto, não é nenhuma vergonha desconhecer
alguma coisa.
Às vezes as pessoas me fazem perguntas sobre assuntos que estão bem claros nos meus Ensinamentos. Isso
acontece porque elas estão faltando com o dever diário de os ler. Os Ensinamentos devem ser lidos tanto
quanto possível; quanto mais o lerem, mais os fiéis aprofundarão sua fé e elevarão seu espírito. Aqueles que
negligenciam sua leitura, vão perdendo a força gradativamente. Quanto mais sólida for sua fé, mais a
pessoa terá vontade de ler, e é bom que o faça repetidas vezes, até que os Ensinamentos se fixem bem em
sua mente. Na medida em que se lê, vai se compreendendo mais claramente a Vontade Divina.
Aproveito a oportunidade para acrescentar algo com relação ao Johrei. Alguns ministrantes, embora
desconheçam a causa da doença, fazem de conta que o sabem. Isso não deve ocorrer de maneira alguma.
Tais pessoas, quando o doente não consegue melhorar como elas desejam, dizem que o problema é de
origem espiritual, para fugirem da responsabilidade. Em verdade, é difícil determinar se a causa de uma
doença é espiritual ou material. Por princípio, o homem é uma unidade espírito-matéria, portanto, no caso
do Johrei, não existe essa distinção. Se o espírito melhora, a matéria também melhora, e vice-versa. Por
outro lado, quando o doente melhora rapidamente, alguns acham que se trata de uma purificação comum; se
acontece o contrário, pensam que a causa é espiritual. Isso constitui um grande erro. É o mesmo que um
médico diagnosticar tuberculose quando não está conseguindo curar a doença.
29 de novembro de 1950
SINCERIDADE
Só a sinceridade é capaz de resolver os problemas dos indivíduos, do país e do mundo. A deficiência
política resulta da falta de sinceridade. A pobreza material e a corrupção moral também têm a mesma
origem. Enfim, todos os problemas são gerados pela falta de sinceridade. Religião, Educação e Arte que
não se alicerçam na sinceridade, passam a representar meras formas sem conteúdo.
Homens, a chave de todos os problemas está na sinceridade.
25 de janeiro de 1949
SINCERIDADE
Para sabermos se uma pessoa age com sinceridade ou não, temos um meio muito simples: ver se ela
respeita seus compromissos. Deixar de cumprir os compromissos, parece - à primeira vista e em certos
casos - coisa de pouca importância. Mas, na verdade, significa enganar, e isso constitui uma espécie de
pecado. Portanto, é assunto que merece a máxima atenção.
Um dos compromissos mais sujeitos a ser desrespeitado é o que se refere ao horário.
Pensemos no que ocorre quando somos impontuais. A pessoa que nos espera sujeita-se a todo tipo de
aborrecimento e preocupações. Há um ditado que afirma: "É melhor ser esperado do que esperar", mas
pense de modo contrário. Devemos considerar o estado de ânimo daquele que nos aguarda. Quem não o
leva em conta, não é sincero, e isso anula qualquer outra qualidade.
Como instrumentos de Deus, os messiânicos devem cumprir rigorosamente seus compromissos e respeitar
pontualmente os horários. Não serão aprovados na Fé os que assim não procederem. Gravem isto na mente
e jamais se esqueçam desta advertência.
28 de janeiro de 1950
EGOÍSMO E APEGO
Notamos que todas as pessoas manifestam em seu caráter dois traços irmãos - egoísmo e apego - e que nos
problemas complicados há sempre interferência desses sentimentos.
Temos casos de políticos que acabaram na miséria porque o apego às posições os fez perder a melhor
oportunidade de se afastarem da vida pública. Eis um bom exemplo da inconveniência do egoísmo e do
apego.
Há industriais que, devido ao apego que têm ao dinheiro e ao lucro, irritam seus fornecedores, prejudicando
as transações comerciais. Momentaneamente, o negócio se lhes afigura vantajoso, mas, com o tempo,
mostra-se contraproducente.
Na vida sentimental, quem muito se apega geralmente é desprezado; muitas vezes os problemas nesse
terreno surgem do excesso de egoísmo.
O passado nos revela como os egoístas provocam conflitos e se atormentam, pelos sofrimentos causados ao
próximo.
Já dissemos que o principal objetivo da Fé é erradicar o egoísmo e o apego. Tão logo me conscientizei
disto, empenhei-me em exterminá-los. Como resultado, meus sofrimentos se amenizaram e tudo corre
normalmente em minha vida. Há um ensinamento que diz: "Não sofra antecipadamente pelo que ainda não
ocorreu, nem pelo que já passou". São palavras de grande sabedoria.
A finalidade do aperfeiçoamento no Mundo Espiritual é a extinção do apego. A posição do nosso espírito se
eleva à medida que o apego se reduz.
No Mundo Espiritual, é raro que marido e mulher permaneçam juntos. A razão do fato está na diferença da
posição que o espírito de cada um alcançou. O convívio dos dois só lhes será possível quando estiverem
nivelados, como habitantes do Reino do Céu. Entretanto, aqueles que alcançarem certo grau de
aperfeiçoamento, terão licença de se encontrar, embora estejam em camadas espirituais inferiores. Mas o
encontro durará apenas um instante, e a licença lhes será concedida pelas divindades que superintendem os
níveis em que eles estão situados. Não haverá permissão para que, levados pela saudade, os cônjuges se
abracem; à mínima intenção de teor mundano, seus corpos ficarão rijos e perderão o movimento. Isso
demonstra como o apego é condenável.
A posição do espírito vai se elevando de acordo com a redução do apego, mediante o aprimoramento no
Mundo Espiritual. Sendo assim, o encontro de marido e mulher irá sendo facilitado conforme eles forem
subindo de nível.
Creio que, com o que acabamos de dizer, demos ao leitor uma clara noção da diferença entre o Mundo
Material e o Mundo Espiritual.
Outro aspecto negativo do apego refere-se às pessoas que se mostram insistentes quando convidam outras a
participarem de sua crença, dando a impressão de serem muito dedicadas. Isso não dá bom resultado.
Impingir a Fé é um sacrilégio aos olhos de Deus. Quem prega uma religião, só deve insistir se observar que
o outro está interessado. Se a pessoa não demonstra interesse, é melhor desistir e esperar o tempo oportuno.
25 de janeiro de 1949
DOMINE O "GA"
Na vida cotidiana do homem, não há coisa mais temível do que o "ga" (eu, ego). Isso pode ser bem
compreendido se atentarmos para o fato de que, no Mundo Espiritual, a eliminação do "ga" é considerada o
aprimoramento fundamental.
Quando eu era da Igreja Omoto (###Religião nova, fundada por Nao Deguti###), encontrei, no "Ofudesaki"
(###Ensinamentos escritos pela fundadora###), as seguintes frases: "Não há coisa mais temível do que o
`ga'; até divindades cometeram erros por causa dele." E também: "Devem ter `ga' e não devem ter `ga'; é
bom que o tenham, mas não o manifestem." Fiquei profundamente impressionado, pela perfeita explicação
da verdadeira natureza do "ga" em frases tão simples. É escusado dizer que elas me induziram a uma
profunda reflexão.
Havia, ainda, esta frase: "Em primeiro lugar, a docilidade." Achei-a extraordinária. Isto porque, até hoje,
para aqueles que seguiram docilmente os meus conselhos, tudo correu bem, sem fracassos. Há pessoas que
não são bem sucedidas por terem um "ga" muito forte. É realmente penoso ver os constantes fracassos
decorrentes do "ga".
Como foi exposto, o princípio da Fé é não manifestar o "ga", ser dócil e não mentir.
18 de fevereiro de 1950
ENTREGUE-SE A DEUS
Freqüentemente aconselho às pessoas: "Entreguem-se a Deus".
Entregar-se inteiramente a Deus é jamais se preocupar com o que possa acontecer. Isso parece fácil, mas na
realidade não o é. Eu mesmo faço um grande esforço para agir assim; entretanto, as preocupações surgem-
me involuntariamente. Neste mundo cheio de perversidade, é quase impossível viver sem preocupações.
Mas o homem de fé torna-se diferente dos demais: tão logo lhe surge um problema, lembra-se de entregá-lo
a Deus. Sente-se, pois, aliviado.
Gostaria de salientar um ponto que a maioria das pessoas desconhece. Se interpretarmos espiritualmente o
ato de preocupar-se, verificaremos que ele representa uma forma de apego. É o apego à preocupação. Isso
constitui um grave problema, porque influi maleficamente sobre todas as coisas.
O apego apresenta-se como desejo de fama, dinheiro e satisfação de todas as vontades. Entretanto, ainda há
outros apegos de caráter maligno. Por exemplo, referir-se a alguém dizendo: "Fulano não merece perdão, é
um insolente. Eu o detesto, vou dar-lhe uma lição". Esse pensamento expressa o desejo obstinado de que
aconteça algo mau à pessoa.
Mas não me prenderei a essas conhecidas formas de apego; pretendo analisar aquelas que nem todos
percebem, tal como a preocupação em relação ao futuro e o sofrimento pelo que já passou. Quando se trata
de um religioso, embora Deus queira protegê-lo, o apego forma espiritualmente um obstáculo. Quanto mais
forte o apego, mais fraca é a proteção Divina; daí nem sempre as coisas correrem como gostaríamos.
Vejamos.
É difícil conseguir de imediato aquilo que se deseja intensamente, mas todos sabemos, por experiência
própria, que é comum esse desejo se concretizar a partir do momento em que, considerando-o inviável, a
pessoa se resigna.
Às vezes, querendo obter algo, tudo nos parece fácil, mas nada conseguimos. E, mais uma vez, o desejo se
concretiza repentinamente, quando já o tivermos esquecido.
Na prática do Johrei acontece o mesmo. Se houver intensa vontade de curar alguém "de qualquer maneira",
a recuperação torna-se mais difícil. Entretanto, quando o ministramos com desprendimento, ou quando a
pessoa o recebe com certa desconfiança, inesperadamente sobrevêm bons resultados. Freqüentemente,
apesar do esforço de toda a família, o doente em estado grave acaba morrendo. Observa-se que é
relativamente mais fácil a cura de um enfermo, quando este e sua família se preocupam menos, ficando um
tanto indiferentes ante a idéia da morte.
Temos, ainda, o caso de o doente e seus familiares, ansiosos pela cura, verem a doença ir se agravando
sempre, até chegar ao ponto em que, ante a perspectiva do inevitável desenlace, todos se resignam. É então
que sobrevêm melhoras rápidas, e firma-se a cura. Aquele que reage, confiando somente no poder de sua
força de vontade, certo de que vai se curar, quase sempre morre. É um fato curioso. A causa principal está
no apego à vida.
Esses exemplos mostram a perigosa influência do apego.
Ao nos depararmos com um doente desenganado, é bom insinuar-lhe, bem como à sua família, que, diante
da improbabilidade da cura, vamos pedir a Deus pela sua infalível salvação no Mundo Espiritual. A partir
daí, com a ministração do Johrei, muitas vezes a doença começa a ceder.
O mesmo se aplica no relacionamento entre pessoas de sexos opostos. O demasiado interesse de uma afasta
a outra. Pode parecer irônico, mas é o apego que esfria o coração. Aliás, a maioria dos acontecimentos tem,
realmente, caráter irônico. Por isso, são complicados e curiosos.
Considerando que quase sempre o apego é a causa do insucesso, tenho por hábito aconselhar às pessoas que
provoquem o efeito contrário. É a ironia das ironias, mas é a pura verdade.
28 de novembro de 1951
SABOR DA FÉ
Cada coisa tem seu sabor. A matéria, o homem, a vida cotidiana com suas múltiplas facetas, tudo, enfim,
tem um sabor peculiar. Se excluirmos da vida o sabor, ela perderá sua atração e o homem não terá mais
vontade de viver.
No campo religioso também existem religiões que têm sabor e as que não o têm. Pode parecer estranho,
mas há religiões que despertam verdadeiro pavor. Nelas os adeptos vivem sob o constante temor das
divindades, aprisionados pelos dogmas, não gozam da menor liberdade. A esse tipo de Fé, eu denomino "Fé
Infernal".
O objetivo da Fé é alegrar a vida, dar-lhe tranqüilidade e permitir que se desfrute do sabor de viver. Então
as coisas da natureza se transfiguram: as flores, o vento, a lua, o cântico dos pássaros, a beleza das águas e
das montanhas passam a ser vistos como dádivas de Deus para alegria das criaturas. E passamos a agradecer
os alimentos, o vestuário e a casa em que vivemos, considerando-os como bênçãos, e a simpatizar com
todos os seres, mesmo os irracionais e os inanimados. Sentimos que até o pequenino verme da terra se acha
próximo de nós... É o estado de êxtase.
A Religião deve levar o homem à despreocupação, que é o estado ideal. Se ele enfrenta um problema, que
aprenda a deixá-lo nas mãos de Deus, tão logo sejam aplicados os recursos humanos para a sua solução. Eu
procedo assim: aquilo que me parece difícil e incompreensível, remeto aos cuidados do Absoluto - e dou
tempo ao tempo. Numerosas experiências minhas demonstraram que tal prática dá resultados além dos
esperados. Mais ainda: eles ultrapassam todos os desejos formulados. Por isso, quando surge algo
desagradável, confiando em Deus, eu logo admito que é prenúncio de bons acontecimentos. Acho
interessante quando compreendo, depois, que o mal aparente determinou a vinda do bem. Então as
preocupações se tornam ridículas, sinto-me grato e percebo que minha vida é um contínuo milagre...
Eis o que chamo de maravilhoso Sabor da Fé.
25 de janeiro de 1949
HONESTIDADE E MENTIRA
É melhor ser franco ou não ser franco? É claro que a franqueza é o melhor caminho. Entretanto, as coisas
não são tão simples assim. Há ocasiões em que precisamos ser francos e outras em que não devemos sê-lo.
As pessoas que conseguem distinguir tais situações são consideradas inteligentes, ou sábias. Quando temos
de escolher entre uma situação e outra, devemos, tanto quanto possível, ter como norma a franqueza.
Todavia, se esta for totalmente impraticável, como, por exemplo, quando visitarmos um doente
desenganado, somos forçados a omitir a verdade. Ainda que estejamos contrariando a nossa vontade, esse é
o melhor procedimento. Na sociedade, existem muitas pessoas de larga vivência que não gostam de usar de
franqueza. Observando o mundo, constato que essa é a causa de inúmeros fracassos. Todavia, é difícil
falharmos quando agimos de modo contrário.
30 de agosto de 1949
ESTÁ ERRADO DIZER QUE OS HONESTOS SAEM PERDENDO
Há muito tempo ouve-se dizer que as pessoas honestas saem perdendo. Entretanto, refletindo
profundamente, pergunto a mim mesmo se essas palavras não soam mal para a sociedade e para os
indivíduos. Sendo assim, ainda que pouco adiante afirmar o contrário, pois os fatos parecem comprovar a
veracidade daquela afirmação, minha experiência me faz garantir que não existe nada tão falso. Vejamos.
Quando observamos minuciosamente a sociedade, notamos que existem duas maneiras de ver as coisas: a
curto prazo e a longo prazo. Em geral, os homens tendem a julgar o bem ou o mal através de resultados
momentâneos. Ao verem, por exemplo, o sucesso obtido por pessoas desonestas que enganam o próximo ou
vendem gato por lebre, ficam deslumbradas e definem que os honestos sempre saem perdendo. Mas é
preciso que tais coisas sejam vistas a prazo mais longo, pois, inevitavelmente, a farsa virá à tona e aquelas
pessoas passarão por grandes vexames, podendo-se até afirmar que acabarão arruinadas. Em contrapartida,
ainda que por um momento os honestos sejam mal interpretados, prejudicados ou colocados em posição
desvantajosa, com o passar do tempo, infalivelmente, a verdade será esclarecida. Vou contar minha
experiência a esse respeito.
É constrangedor eu falar de mim mesmo, mas desde jovem eu era muito honesto. Não conseguia mentir de
maneira alguma. Por isso, sempre me diziam: "Um rapaz honesto como você nunca vai alcançar sucesso. Se
você não mudar seu pensamento e não for hábil no mentir, dificilmente será bem-sucedido na vida".
Achando que essas palavras eram sensatas, menti bastante durante algum tempo, mas não estava bem
comigo mesmo. Sentia uma angústia insuportável, minha vida se tornava sombria, meus dias eram só de
tristeza. Não havia, pois, condição para eu obter bons resultados nos meus empreendimentos.
Naquela época, eu era comerciante, de modo que as "técnicas" de negociar deveriam ser muito mais
vantajosas para mim. Mas eu não conseguia me sair bem e acabei decidindo voltar à honestidade, traço
próprio de meu caráter. O engraçado é que, depois disso, os resultados começaram a ser melhores do que eu
esperava. Em primeiro lugar, adquiri maior crédito no mundo dos negócios, as coisas passaram a se
processar num ritmo excelente e em pouco tempo consegui um grande capital. Com isso, deixei-me levar
pela corrente. Quando já tinha estendido demais a mão, deparei com a crise do mundo econômico e decaí a
ponto de não conseguir mais recuperar-me. Foi isso que me fez abraçar a vida religiosa.
Entretanto, até hoje continuei seguindo os princípios da honestidade, da qual determinei jamais me apartar.
Obviamente, os resultados são ótimos. Durante um período relativamente longo, houve ocasiões em que fui
mal interpretado, criticado, pressionado, enfrentando caminhos espinhosos, cheios de dificuldades, mas
nunca perdi a confiança das pessoas, o que ainda hoje atribuo, com toda convicção, à minha honestidade.
Parece que os homens contemporâneos têm uma visão a curto prazo e se deixam encantar por resultados
momentâneos. É, pois, necessário que, diante de qualquer situação, eles observem os fatos com os olhos
voltados para a eternidade. Isso é válido para todas as circunstâncias. Exemplifiquemos. Um político que
força a situação para conseguir o poder, não o reterá nas mãos por muito tempo. É o mesmo que colher um
caqui ainda verde, não esperando que ele amadureça e caia, e ficar frustrado com a sua cica. Existe um
ditado que diz: "Os grandes políticos pensam em termos de cem anos; os políticos de nível médio, em
termos de dez anos; os de nível inferior, em termos de um ano". É exatamente assim. Entretanto, hoje em
dia, por infelicidade, parece que o número de políticos de nível inferior é bem maior.
O mesmo princípio se aplica à Agricultura Natural, por mim preconizada. Vemos que a agricultura
praticada até hoje conseguiu bons resultados com o uso de adubos, mas, como os adubos corroem a terra,
esta se torna cada vez mais pobre. Sem perceber isso, as pessoas mostram-se deslumbradas com os
resultados momentâneos. Por fim, tanto a terra como o homem ficam intoxicados.
O princípio também é válido para a medicina atual. Durante algum tempo, os medicamentos e os
tratamentos através de aparelhos surtem efeito; pouco a pouco, no entanto, surgem efeitos contrários e a
pessoa piora. Sempre deslumbrada com os resultados momentâneos, ela volta a utilizar o mesmo método e
vai piorando cada vez mais.
Meu objetivo, com esses exemplos, é chamar atenção para as conseqüências da visão a curto e a longo
prazo, a que me referi inicialmente.
20 de abril de 1949
GANANCIOSOS SEM GANÂNCIA
Quando observo a sociedade atual, constato que existe um grande número de gananciosos. Entretanto,
embora possa parecer estranho, não são pessoas verdadeiramente gananciosas, porque buscam apenas o
sucesso momentâneo, não percebendo que mais tarde só terão prejuízos. Dizem mentiras bem arquitetadas,
mas, como a mentira é sempre desmascarada, acabam perdendo totalmente a confiança dos outros. Quanto
mais hábil for o mentiroso, mais tempo levará para ser descoberto. Por isso, durante algum tempo, ele pode
pensar que teve vantagens; no entanto, a verdade sempre vem à tona. Criaturas assim enganam-se ao julgar
que nunca serão desmascaradas e por esse motivo não se corrigem, continuando a enganar o próximo.
Obviamente, são materialistas, não acreditam na existência de Deus. Quando são descobertas, é o seu fim:
toda a confiança que nelas se depositava cairá por terra. Com isso terão perdas incalculáveis, pois ninguém
mais lhes dará atenção.
Em tais ocasiões, fico com pena dessas pessoas e ponho-me a pensar que, se elas tivessem agido honesta e
corretamente desde o início, agora seriam merecedoras de crédito e estariam obtendo grandes lucros, ao
invés das vantagens efêmeras que tiveram. Com esse procedimento, elas mostram não ser gananciosas de
fato. A maioria dos indivíduos que estão em apuros por causa de dinheiro ou cujos empreendimentos não
vão bem, são pessoas gananciosas, mas do tipo sem ganância.
Quaisquer que sejam as circunstâncias, o homem deve conquistar, em primeiro lugar, a confiança de todos.
Não há riqueza maior. Da riqueza chamada confiança surgem "juros" sem limites, e mesmo que,
socialmente, lhes faltem recursos, os "ricos" desta ordem nunca ficarão em má situação. Por esse motivo,
enquanto as pessoas não crerem na existência de Deus, nada há de dar certo com elas. Para isso, só há um
caminho: a fé. Aqueles que a têm, são possuidores de um tesouro sem limites e, além de verdadeiramente
felizes, são criaturas da ganância mais autêntica.
11 de fevereiro de 1950
O HÁBITO DA MENTIRA
Entre as várias espécies de hábitos, existe um, pouco percebido, que é o da mentira. O homem moderno
mente demais, baseando-se na idéia errônea de que será bem sucedido. A maioria, acostumada a esse mau
hábito, nem sequer toma consciência de que está mentindo. Quando isso ocorre com os meus subalternos,
costumo chamar-lhes a atenção, mas muitos deles parecem ter perdido a noção da diferença entre a verdade
e a mentira. Só percebem haver mentido e pedem desculpas depois de eu lhes ministrar uma lição bem clara
a respeito. O hábito faz com que o povo moderno se perca, incapaz de distinguir os limites entre a mentira e
a verdade.
Deixarei de lado as mentiras inconseqüentes, que não merecem análise especial, para cuidar das maiores,
mais graves, por serem conscientes e premeditadas. Entre elas, começaremos por analisar as mentiras
proferidas pelos políticos. Estes, muitas vezes, são censurados por deixarem de cumprir as promessas de
uma boa política e planejamento, feitas durante pomposas propagandas eleitorais. Há, também, muitos
parlamentares que desprezam os compromissos assumidos com os seus eleitores, julgando essa atitude
perfeitamente normal. Existem educadores cujos atos contradizem a grandeza de suas palavras, e é comum
os jornais publicarem artigos de caráter duvidoso. As propagandas exageradas não constituem exceção.
Os impostos representam o maior problema. É uma competição de mentiras, entre fiscais e contribuintes, de
caráter sumamente complicado e desagradável. Há médicos que mentem, dando esperanças a pacientes
incuráveis. Também desaprovo os bonzos que fazem uso freqüente das "mentiras de ocasião". As
conhecidas táticas empregadas pelos comerciantes são mentiras aceitas pelo público. Com estas variedades,
embora resumidas, podemos afirmar que o mundo é um complexo de mentiras.
Talvez achem incrível o fato de um promotor mentir, mas isso acontece de vez em quando. A prova se
evidencia no notável esforço que o Ministério Público vem empregando, baseado em suposições, para criar
criminosos, desde a ocorrência de um caso até o julgamento final. Sempre que isso se repete, penso
insistentemente no motivo de tanto interesse em culpar cidadãos inocentes. É realmente um enigma, para o
qual não existe explicação. A profissão de promotor exige a condenação de um criminoso, mas a
condenação de um inocente foge ao nosso raciocínio. É difícil saber prontamente se um suspeito é ou não
responsável por um crime, mas creio ser possível distinguir o branco do preto, após uma breve investigação.
O desejo de mentir pe do pensamento otimista segundo o qual é impossível a mentira vir à luz. A teoria da
inexistência de Deus favorece o argumento de que a mentira perfeita é sinal de inteligência - o que constitui
um erro gravíssimo, a existência de Deus é uma realidade, e a mentira, mesmo bem pregada, é passageira,
estando sempre sujeita a ser descoberta. Isso acarreta um grande prejuízo a quem mente, porque,
contrariando seu objetivo primordial, a pessoa se expõe à vergonha de ter o seu crédito destruído e ser-lhe
imposto um castigo. O mentiroso pensa que Deus não existe, simplesmente porque Ele é invisível. Neste
ponto, iguala-se aos selvagens, que não acreditam na existência do ar porque não o vêem. Pobre homem
civilizado, completamente mergulhado no hábito da mentira!
5 de setembro de 1951
NÃO SE IRRITE
Diz um velho ditado: "Tolerar o que é fácil está ao alcance de todos, mas a verdadeira tolerância significa
tolerar o que é intolerável". Outro ditado aconselha: "Carrega sempre contigo o saco da paciência e costura-
o toda vez que ele se romper". Encontro boas razões nesses conselhos.
As pessoas me perguntam: "Que práticas ascéticas o senhor realizou? Subiu alguma montanha para banhar-
se numa cachoeira, jejuou ou fez outras penitências?" Então esclareço que jamais pratiquei tais coisas.
Todas as minhas "penitências" consistiram em tolerar a tortura das dívidas e reprimir a ira. Quem ouve, fica
espantado, mas é a pura verdade. Creio que Deus determinou aperfeiçoar-me mediante purificações desse
tipo, pois continuamente têm aparecido fortes motivos para eu ficar irritado. Por natureza, detesto irritar-
me, mas há sempre alguma coisa que me afeta nesse sentido.
Certa vez, passei por tanta vergonha devido a um desentendimento, que mal conseguia encarar as pessoas.
Minha indignação atingia o auge e eu não conseguia reprimi-la. Foi quando me fizeram um convite para
comparecer a uma festa. Nas circunstâncias, o convite era irrecusável. Lá, entretanto, permaneci desligado,
sem poder concentrar meu espírito. Tomei até uma dose de saquê, para me descontrair. Isso demonstra
como eu estava perturbado. Somente após alguns dias consegui recobrar a tranqüilidade.
Mais tarde, vim a saber que a minha ida àquela festa salvou-me de uma grande desgraça. Se não fosse a
indignação daquele momento, eu não teria comparecido a ela, e teria recebido um golpe fatal. Realmente
fui salvo pela ira e não pude conter minha gratidão.
Quem tem missão importante, é submetido por Deus a muitos aprimoramentos. Creio que ter de reprimir a
raiva, é uma das maiores provas. Aqueles que têm muitas razões para irritar-se, devem compreender que
sua missão é grandiosa. Se conseguirem resistir a todo tipo de provocação, mantendo calma absoluta, terão
concluído uma etapa do seu aprimoramento.
Há um episódio interessante que eu gostaria de relatar.
Na Era Meiji, houve um homem famoso pela sua paciência, o Sr. Buei Nakano, presidente do Conselho
Privado de Comércio. Uma vez lhe perguntaram qual era o segredo de seu espírito de tolerância. Ele
respondeu: "Por natureza, eu era irascível. Mas, certo dia, ao visitar o grande industrial Eiichi Shibuzawa,
ouvi-o discutindo com a esposa no cômodo contíguo àquele em que eu estava. Informado de minha
presença, ele abriu a porta corrediça e veio sentar-se junto a mim. Trazia a fisionomia serena de sempre;
nem parecia vir de uma discussão. Admirei-me e, ao mesmo tempo, tive a revelação de algo importante: o
poder de controlar a ira. Compreendi que aquele era o segredo de seu prestígio no mundo industrial, e que
eu devia seguir seu exemplo e esforçar-me para reprimir a cólera com facilidade. Desde então passei a
disciplinar-me nesse sentido, e tudo começou a correr normalmente em minha vida, até eu atingir a
condição atual."
Lembrem-se, pois, de que Deus treina e disciplina aqueles que têm uma grande missão a cumprir.
Gostaria de voltar ao assunto das dívidas.
Baseado na minha própria experiência, concluí que as dívidas são motivadas pela precipitação, que nos faz
forçar situações.
Jamais devemos forçar uma situação. Se o fizermos, talvez obtenhamos um êxito passageiro; entretanto,
mais cedo ou mais tarde, seremos colhidos pelas conseqüências, enfrentando obstáculos inesperados. É
possível que, após um rápido sucesso, nos vejamos forçados a voltar ao ponto de partida. Examinando as
causas da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, veremos que houve quem forçasse muito a
situação.
Impor soluções e precipitar providências, provoca desequilíbrio mental e impede as boas inspirações. Pior
ainda é agir à força, de qualquer maneira, na falta de idéias. Só devemos tomar resoluções depois que surge
a idéia apropriada, isto é, quando houver certeza de que o plano concebido não vai falhar. Em outras
palavras, é preciso aplicar o método: "Pense duas vezes antes de agir".
Quase sempre é muito difícil o pagamento das dívidas. Se elas se prolongarem, os juros aumentarão,
causando grande sofrimento moral.
Existem dívidas ativas e dívidas passivas. As ativas, fazemo-las para investir em negócio rendoso; as
passivas, para cobrir prejuízos. Embora muitas vezes estas últimas sejam inevitáveis, não devemos contraí-
las. Se formos vítimas de prejuízos, devemos abandonar toda ostentação e falsa aparência, reduzir os nossos
gastos e esperar que surjam novas oportunidades.
Também desejo chamar a atenção para um ponto importante: a ganância. Consideremos o velho ditado:
"Quem tudo quer, tudo perde". Os prejuízos geralmente são causados pela ambição de ganhar demais. Não
existe, neste mundo, o pretenso "negócio-da-china" que tantos vivem a propor. Desconfiemos desse tipo de
negócio. O empreendimento que não parece grande, oferece melhores perspectivas. Exemplificarei com
minha própria experiência.
Certa ocasião, eu precisava de dinheiro para saldar dívidas e impulsionar a obra religiosa. Não foi fácil
consegui-lo; enquanto eu o desejava muito, não entrava dinheiro algum. Por fim, resignei-me, deixando o
problema nas mãos de Deus. Quando eu já estava esquecido de tudo, comecei a receber inesperadamente
grandes somas. Percebi, então, que o mundo não pode ser explicado em termos de raciocínio comum.
25 de janeiro de 1949
VENCER A IRA
Não faz muito tempo que Deus me ensinou a vencer a ira. Agora pretendo transmitir-lhes esta boa-nova,
pois não há nada que nos cause tanto sofrimento.
Existem indivíduos que nunca ficam irados, dando a impressão de que sempre estão felizes. Eles pertencem
a um tipo excepcional de pessoas; entre as criaturas comuns, podemos afirmar que não há uma sequer que
não seja atingida pela ira. Os antigos já ensinavam várias maneiras de controlar esse sentimento, mas, em
geral, elas não produzem o efeito verdadeiro, porque apenas servem para contê-lo e não para eliminá-lo.
Contendo a ira, podemos fugir ao sofrimento causado por ela; no entanto, isso traz em si um novo
sofrimento. Portanto, não é a solução. Quanto maior a ira, maior o sofrimento para controlá-la. Fica isso por
aquilo. Só a forma ensinada por Deus pode eliminá-la com facilidade. Mostrarei como é maravilhosa.
A parte superior do estômago, situada no centro do corpo humano, é uma região muito importante,
tradicionalmente chamada de plexo solar. Dizem que o centro do corpo é o umbigo, mas este é o centro da
região abdominal, onde está a sede da vontade, tal como a coragem e a decisão. Conforme digo sempre, a
parte frontal da cabeça governa a razão, ou seja, a inteligência, a memória, etc; a parte posterior comanda
os sentimentos: a alegria, a ira, a dor, o prazer e outros.
Como a região abdominal é o que foi explicado, o fruto global da trilogia vontade - razão - sentimento
constitui o plexo solar; assim, por ocasião da ira, o pensamento concentra-se nessa região. Quando alguém
fica irado, sente como se fosse uma massa ou um nó na parte superior do estômago; todos já
experimentaram essa sensação e sabem disso. Se, nesse momento, a pessoa recebe Johrei no plexo solar,
aquela massa ou nó se dissolve e, em alguns minutos, ela tem a impressão de que um laço está se desatando
e de que seu peito está se abrindo. É, então, invadida por uma sensação muito agradável. Aos poucos,
sentir-se-á aliviada e até com vergonha de ter se zangado. Daí a expressão: "A raiva se derreteu". E
acontece isso mesmo. Além do mais, como o Johrei possibilita não só a cura de outras pessoas, mas também
do próprio ministrante, não há nada melhor do que essa prática. Ora, torna-se desnecessário dizer que a ira é
a causa dos conflitos pessoais e familiares e, numa escala maior, dos conflitos sociais e da quebra da paz
entre os países. Sendo assim, podemos afirmar que é realmente uma grande salvação essa forma
maravilhosa de eliminá-la.
30 de maio de 1951
NÃO JULGUEIS
Há muitos religiosos que interpretam erradamente esta sentença. Lembro-me de já haver tratado do assunto,
mas estou insistindo em virtude de encontrar pessoas que ainda não o entenderam.
Costuma-se definir uma pessoa como boa ou má, e um dos piores comentários é dizer: "Fulano está com o
diabo no corpo". Gravíssimo engano. Quem se acha sob má influência é aquele que faz tal comentário.
O homem não deve emitir opinião sobre o próximo, pois não tem capacidade para julgar o bem ou o mal, a
sinceridade ou a falsidade. Isso compete a Deus. Quem se arroga o poder de julgamento está infringindo os
direitos Divinos, porque é apenas um ser humano. É excesso de presunção, é uma atitude altamente
condenável. Esse tipo de pessoa acha-se sob a ação do demônio; deve, portanto, acautelar-se. Obviamente
não possui verdadeira fé. Geralmente assume ares de grande seriedade, condena as crenças alheias e
preconiza reformas na Igreja. Ora, se de fato houver maus elementos entre os fiéis, eles devem ser deixados
aos cuidados de Deus, para que sejam convenientemente julgados. A preocupação humana é perfeitamente
dispensável. Confiar no poder humano mais que no Divino, é o cúmulo da pretensão, pois cabe ao Supremo
Deus o governo de tudo. Aquele que erra, recebe primeiramente avisos Divinos; depois, se não se corrige,
pode ser chamado de volta ao Mundo Espiritual.
Os antigos fiéis de nossa Igreja conhecem bem certos casos que confirmam o que estou dizendo. Portanto,
todos devem procurar seguir esta norma: "Não julgue o próximo, mas julgue constantemente a si próprio".
Quem age assim, compreende Deus.
21 de maio de 1952
PRESUNÇÃO
Existem adeptos fervorosos que criticam os métodos dos dirigentes da Igreja a que pertencem,
impacientando-se quando estes não ouvem seus conselhos relativos às reformas que lhes parecem
necessárias. Como o número desses adeptos é muito grande, escreverei sobre o assunto.
Não condeno os fiéis que agem assim, pois sua atitude é ditada pela sinceridade; mas o fato exige muita
reflexão, porque o pensamento deles está baseado na fé "Shojo". A nossa Igreja caracteriza-se pela fé
"Daijo" e por isso difere muito do pensamento comum da sociedade em geral.
Julgar o próximo é uma presunção. Se não reconhecermos esse ponto, não poderemos agradar a Deus.
Somente Ele conhece a bondade e a maldade dos homens. Já escrevi a respeito uma vez e aconselho muita
prudência. Caso o fiel estiver errado ou for má pessoa, Deus se encarregará de julgá-lo, sendo desnecessário
qualquer preocupação de nossa parte. A preocupação não significa falta de confiança no poder de Deus?
Isso é comprovado por inúmeras experiências de antigos fiéis que foram julgados por Deus, muitos deles
perdendo até a vida por causa de uma fé errada. Portanto, devem conhecer a si próprios muito bem, antes de
pretenderem julgar o próximo.
Não há fiéis com más intenções, já que ingressaram em nossa Igreja. Sei perfeitamente que todos são
sinceros; entretanto, como há vários níveis de sinceridade, é preciso muita atenção. Isso nada mais é do que
a minha costumeira frase: O BEM DE "SHOJO" VEM A SER O MAL DE "DAIJO". Qualquer bem ou
sinceridade de caráter restrito resulta em mal.
Desde a criação deste mundo, nunca houve religião que tivesse um objetivo tão elevado quanto o nosso, isto
é, salvar toda a humanidade. Por conseguinte, os problemas internos da Igreja devem ser confiados a Deus.
Os fiéis precisam ter sempre em mente a sociedade, o mundo, ou melhor, dirigir a vista para fora, e não
para dentro.
Desejo acrescentar que a Providência de Deus é demasiado profunda para ser compreendida pela
inteligência humana. Nos ensinamentos da Igreja Omoto consta a seguinte passagem: "Aquele que
considera o Mundo Divino inatingível pela sabedoria humana, é um esclarecido." E também esta: "Pergunto
se seria possível fazer a reconstrução dos três mil mundos (###Expressão budista referente a todos os
mundos contidos no Universo###) com uma Providência facilmente compreendida pelos seres humanos."
Estas palavras são realmente simples e bem claras.
12 de setembro de 1951
NÃO JULGUE
O fato de ainda haver, entre os fiéis, uma maioria que comenta: "Fulano é bom, beltrano é mau", "isto é um
obstáculo, aquilo não", significa que os Ensinamentos não foram assimilados completamente.
Já repeti várias vezes que julgar o próximo é o mesmo que profanar a posição de Deus. É um erro
gravíssimo, para o qual peço muita atenção. O homem é incapaz de discernir o bem do mal. Se ele julga ter
conseguido esse discernimento, é porque atingiu, inconscientemente, o auge da presunção. Isso prova que
ele nem ultrapassou o portão da Fé.
Devem também levar em consideração que a Providência Divina não é fácil de ser compreendida pelo
raciocínio humano. Querer compreendê-la com a fé "Shojo", é o mesmo que espreitar o céu através de um
orifício. Já me cansei de repetir que não permaneçam nesse tipo de fé, porque só se consegue conhecer a
Vontade de Deus com a fé "Daijo". Mas isso parece ser difícil, pois, infelizmente, há pessoas que persistem
no erro.
Observando a sociedade em que vivemos, notamos que ela apresenta um aspecto limitado em todos os
setores. De vez em quando, os jornais anunciam escândalos pela disputa de poderes entre facções criadas
dentro das organizações religiosas. Não constituem exceção os partidos políticos, as empresas e outras
associações, sendo escusado falar sobre os prejuízos causados à eficiência e progresso dos
empreendimentos.
Deus quer reconstruir este mundo justamente por causa de tais erros. Um estudo aprofundado mostra-nos
que todos eles resultam dos princípios "Shojo". Ora, se não partirmos dos princípios "Daijo", jamais surgirá
uma sociedade sadia e altruísta. Assim, espero que, se os nossos fiéis ainda possuem resquícios de
pensamentos estreitos e vulgares, tomem consciência disso o quanto antes e procurem reformar sua mente,
para se tornarem verdadeiros messiânicos. Com a intensificação gradual da purificação, o Juízo Divino se
tornará mais severo, e, se não o fizerem agora, será tarde demais para arrependimentos.
São realmente verdadeiras estas palavras que aparecem insistentemente nos ensinamentos da Igreja Omoto:
"A presunção e o engano são causas de grandes desgraças." Têm o mesmo sentido as palavras de Jesus:
"Não julgueis." O importante é a pessoa julgar a si própria, não se intrometendo nos atos alheios.
Os nossos adeptos já sabem que ninguém deixa de ter toxinas no corpo. O mesmo acontece no terreno
espiritual: ninguém deixa de apresentar máculas, razão pela qual Deus procura salvar-nos através da
purificação. Eu sei tudo que se passa dentro das pessoas. Como não me manifesto, elas se preocupam,
achando que não sei de nada. No entanto, eu permaneço calado, entregando tudo nas mãos de Deus.
13 de maio de 1953
NÃO SEJA ODIADO
Já lhes falei que não devem odiar ninguém. Digo-lhes, também, que não devem ser odiados. Isso porque os
maus pensamentos, o ódio, o ciúme, o desejo de vingança e outros sentimentos negativos chegam até nós
através dos elos espirituais e nos atrapalham completamente. Ficamos mal humorados, perturbados e não
podemos desempenhar corretamente nossas tarefas; nessas condições, o sucesso é impossível. Tomem, pois,
o máximo cuidado.
Neste mundo, há muitas pessoas que não se incomodam de torturar o próximo e torná-lo infeliz. Apesar
disso, são elogiadas pelo êxito que alcançam em suas profissões. Aqueles que procuram imitá-las, julgando
ser esse o método certo para o sucesso, possuem vistas curtas.
Se o número dessas criaturas perversas aumentar, será difícil que o mundo melhore. O tempo nos revela,
porém, que toda semente ruim produz mau fruto; os perversos serão infalivelmente destruídos.
Assim, para vivermos bem humorados, para os nossos trabalhos progredirem normalmente e para evitarmos
grandes aborrecimentos, é preciso alegrar os nossos semelhantes, tornando-os felizes. Esse é um dos
fundamentos da Religião. Quem age assim, merece ser qualificado de "inteligente". Por isso costumo
afirmar que os perversos são ignorantes. Esta é uma verdade eterna.
18 de julho de 1951
RESPEITE A ORDEM
O conhecido adágio "Deus é Ordem" deve ser lembrado como algo que exerce vital importância sobre tudo
que existe.
Em primeiro lugar, observando o movimento de todas as coisas do Universo, verificamos que tudo se
desenvolve dentro de perfeita harmonia. Tomemos como exemplo as estações do ano. Elas se repetem
infalivelmente todos os anos, seguindo a mesma ordem: primavera, verão, outono e inverno. As flores
desabrocham nesta seqüência: ameixeiras, cerejeiras, glicínias, íris... Assim, a Natureza nos ensina a ordem.
Se o homem a desconhecer ou for indiferente a ela, nada lhe correrá bem. Os obstáculos serão freqüentes,
resultando em confusão. Até hoje, no entanto, a maioria dos homens não têm respeitado a ordem, o que se
pode desculpar pelo fato de não ter havido quem lhes ensinasse as más conseqüências desse desrespeito.
Vou expor, resumidamente, o que todos devem saber sobre o tema em questão.
Todos os fenômenos do Mundo Material são reflexos do Mundo Espiritual; ao mesmo tempo, os fenômenos
do Mundo Material também se refletem no Mundo Espiritual. A ordem é o caminho e também a Lei.
Perturbar a ordem, significa desviar-se do caminho; violar a Lei, é faltar à civilidade.
Na vida cotidiana, existem ordens que o homem deve respeitar. Entre os membros de uma família há
diferenças de comportamento. Para nos sentarmos numa sala, por exemplo, devemos considerar como lugar
de honra a parte mais elevada, onde se colocam objetos de adorno; faltando essa parte, o lugar de honra é o
local mais afastado da entrada. Quando os membros de uma família ocupam os devidos lugares, sentando-se
o pai próximo ao lugar de honra, depois a mãe, o primogênito, a primogênita, o segundo filho, a segunda
filha, etc., cria-se um ambiente harmonioso. O desrespeito à Lei não trará boas conseqüências, mesmo num
regime democrático.
Suponhamos uma ponte sobre um rio, a qual só dá passagem para uma pessoa de cada vez. Se várias
pessoas tentarem atravessá-la ao mesmo tempo, haverá confusão e todos se precipitarão no rio. É
absolutamente necessário que as pessoas atravessem uma de cada vez, ou seja, é preciso que haja ordem.
Outro exemplo: quando recebemos visitas, as poltronas e os lugares variam de acordo com o grau de
amizade e posição, o mesmo acontecendo com os cumprimentos. Se isso for observado, tudo correrá em
perfeita harmonia e não se causarão impressões desagradáveis. Também há diferença de atitudes e diálogos
entre moços, velhos e crianças. O essencial é causar sempre boa impressão ao próximo.
Em algumas famílias, os pais dormem no térreo, reservando o andar de cima para os filhos e empregados.
Isso é um erro: nessas famílias, os filhos e os empregados tornar-se-ão desobedientes. Também a esposa
deixará de ser dócil e submissa, quando dormir mais próximo ao lugar de honra do que o marido.
Falemos agora sobre as imagens religiosas.
Quem entroniza Deus ou Buda no térreo e dorme no andar superior, está colocando-os abaixo do homem. É
preferível deixar de entronizá-los, porque, além de impedir as graças, isso constitui uma ofensa.
O mesmo se aplica ao Altar dos antepassados. Será uma grave ofensa colocar os descendentes acima dos
antepassados, pois os fenômenos terrestres se refletem no Mundo Espiritual, destruindo a harmonia que
deve ser mantida entre os dois mundos.
Este princípio também se aplica ao país e à sociedade. O maior problema é o conflito existente no setor
industrial, entre patrões e operários. A administração da produção efetuada por estes últimos é o que há de
mais reprovável, porque se afasta completamente da ordem.
Exemplifiquemos com uma indústria. Para administrá-la e desenvolvê-la, é preciso manter a ordem em
tudo. O presidente deve assumir a direção geral; os membros da diretoria devem participar dos planos de
maior importância; os técnicos se ocuparão com sua especialidade; os operários se esforçarão dentro do seu
setor de trabalho. Se todos se unirem assim, em forma de pirâmide, a empresa não deixará de prosperar.
Todavia, se a administração for efetuada pelos operários, a pirâmide virará de cabeça para baixo,
provocando, infalivelmente, a sua queda. Desse modo, o conflito entre patrões e operários ocasiona a
destruição de ambas as classes, o que representa uma grande tolice. É necessário, portanto, que a
administração seja feita pacificamente, através do entendimento entre as duas classes, e respeitando-se a
ordem. Não há outro meio para estabelecer a felicidade de ambas.
Creio que o primeiro passo para a prosperidade consiste em eliminar do mundo industrial a desagradável
palavra "conflito". O comunismo surgiu devido à administração excessivamente egoísta dos capitalistas,
que vinham explorando a classe operária. Hoje, entretanto, ele caiu no extremismo, em conseqüência das
reações que causou no mundo industrial, motivando o declínio das indústrias e da produção. Espero que
tomem consciência disso o quanto antes, que despertem para o espírito de auxílio mútuo e se esforcem para
a construção de um novo mundo. Eis o sentido das minhas palavras: "Respeite a ordem."
A realização de atividades foi sempre conhecida pelo termo "keirin" (administrar, gerir), o que, em última
análise, significa "girar a roda." Os líderes correspondem ao eixo de uma roda. Quanto mais centralizado
ele está, melhor ela gira. A percepção do seu girar é pequena perto do eixo e vai aumentando no sentido da
periferia. Quanto mais afastado do centro está o eixo, mais difícil é o girar da roda.
De acordo com o exposto, isso significa o seguinte: o centro é ocupado por poucas pessoas; o número destas
aumenta à medida que a distância em relação ao centro vai se tornando maior. O trabalho mais pesado, num
automóvel, cabe aos pneus, que constituem a parte externa e têm contato direto com o chão. Por aí, devem
perceber o que vem a ser a ordem. Portanto, para que a empresa progrida, basta que os líderes permaneçam
no interior, trabalhando apenas com a inteligência e distribuindo as ordens.
25 de janeiro de 1949
ORDEM
Diz um antigo ditado: "Deus é ordem". Há, também, um provérbio chinês que afirma: "Entre marido e
mulher existem diferenças, e há ordem hierárquica entre velhos e jovens". Concordo plenamente com
ambos.
É surpreendente a desordem que reina ultimamente na sociedade. Quando as coisas não correm
normalmente, a causa é a falta de ordem, principalmente tratando-se de problemas humanos.
Ordem e educação estão estreitamente relacionadas e isso exige especial atenção. Observemos a Grande
Natureza. Nela tudo segue uma ordem predeterminada: o ano está dividido em quatro estações - primavera,
verão, outono e inverno; os dias alternam-se com as noites; as plantas se desenvolvem obedecendo uma
ordem: as flores da cerejeira jamais desabrocham antes das flores da ameixeira.
Podemos citar vários exemplos.
Não adianta fazer romaria às divindades depois de tratar de qualquer assunto, pois, nesse caso, a divindade
foi posta em segundo plano. O mesmo se deve dizer em relação à ministração ou recebimento de Johrei.
Quando se obedece à Lei da Ordem, o resultado é notável.
Tenho observado freqüentemente pessoas que constroem casas assobradadas e reservam para seus filhos os
aposentos do primeiro andar, ficando com os do térreo. Com esse procedimento, os filhos tendem a
desobedecer aos pais, pois ocupam uma posição superior. O mesmo se dá no caso de patrão e empregado. É
preciso muito cuidado nesses assuntos.
Pode parecer insignificante, mas a disposição das pessoas à mesa tem grande influência. Em ordem de
importância, o chefe da família deve ocupar o lugar de honra; a esposa, o segundo; depois virão
sucessivamente o primogênito, o segundo filho, a primeira filha, etc. O ambiente se faz harmonioso quando
os lugares são determinados de acordo com a ordem. Do contrário, surgem fatos desagradáveis. Muitas
vezes participei de reuniões cujo ambiente carregado podia ser logo percebido por quem chegasse.
Verifiquei que geralmente isso acontecia quando a disposição dos lugares não obedecia à ordem.
Para se estabelecerem os lugares, devem ser considerados de ordem inferior aqueles que ficam próximos à
entrada, e de honra, os que estão mais afastados. Sabemos que o lugar de maior honra é o que fica em frente
ao "toko-no-ma" (###Toko-no-ma - Nas casas japonesas, é o local considerado nobre de um cômodo, com
uma reentrância, que fica mais elevada que o assoalho e geralmente toma toda uma parede. No toko-no-ma
penduram-se quadros ou panôs e ornamenta-se com vivificações florais. Costumeiramente recebem-se as
visitas na sala onde existe toko-no-ma###). Portanto, quando se tratar de ordem nas reuniões, é preciso
levar em consideração o "toko-no-ma" e a entrada. Tudo o mais deve ser decidido com bom senso.
Relacionando o lado direito e o lado esquerdo, vemos que este é o mais importante, pois representa a parte
espiritual; o lado direito a ele se subordina, pois representa a parte material (note-se que o braço direito é o
mais utilizado).
30 de agosto de 1949
AGUARDAR O TEMPO CERTO
A minuciosa observação dos vários setores sociais mostra como é grande o número dos fracassados.
Se o fracasso representasse sofrimento apenas para o próprio indivíduo, este poderia resignar-se, atribuindo
a culpa à sua inexperiência e má sorte. Mas não é assim; a família também é atingida, há prejuízo para
parentes e amigos, e o fato isolado acaba constituindo uma espécie de mal social. Logicamente, a pessoa
não tinha intenção de prejudicar ninguém; no entanto, em decorrência de seu fracasso, muitas outras foram
prejudicadas.
O problema não deve ser menosprezado. É preciso examiná-lo profundamente, pois, quase sempre, sua
causa reside em fatores que passaram despercebidos.
De início, a pessoa concebe um plano, prepara-o cuidadosamente (pelo menos imagina que está agindo
assim), mas, quando se entrega à execução da obra, as coisas não correm como pensava. Começam a surgir
dificuldades e obstáculos, que lhe impedem o discernimento e descontrolam suas perspectivas de futuro.
Essa é a trajetória habitual dos que fracassam. Vejamos a causa de sua derrota.
Podemos resumi-la numa frase: eles não levaram em consideração o tempo. Este, de modo geral, é um fator
absoluto. Flores, frutos, produtos agrícolas, tudo tem seu tempo certo. Mesmo que as condições sejam
favoráveis, se não forem levadas em conta as exigências da estação, isto é, do tempo, não haverá bons
resultados.
As flores silvestres desabrocham na primavera, porque seus bulbos são plantados no outono; as flores dos
jardins nos encantam do verão ao outono, porque seus bulhos e sementes são plantados na primavera.
Os frutos também têm sua época de amadurecimento. Não podemos sentir o seu sabor enquanto estão
verdes; quando bem maduros, são deliciosos. Mesmo os produtos agrícolas, têm seu tempo de amanho,
semeadura e transplantação. E devem estar de acordo com a terra e o clima.
Como vemos, a Grande Natureza ensina ao homem a importância do tempo. Em seu estado original, ela é a
própria Verdade, e por isso serve de modelo a todos os projetos do homem. Eis a condição vital para o
sucesso.
O Johrei, a Agricultura Natural e outros princípios preconizados por mim, praticamente não fracassam; eles
alcançam os objetivos almejados porque se baseiam na Lei da Natureza.
Nunca me afobo quando planejo algo. Encaro o assunto com objetividade, examinando-o sob todos os
ângulos possíveis, e ponho-me a refletir calmamente. Só me entrego aos preparativos indispensáveis, após
me convencer de que o plano é correto e útil à humanidade em todos os aspectos e possui sentido
duradouro.
Acontece que a maioria das pessoas não têm paciência para esperar. Lançam-se à obra prematuramente,
provocando desequilíbrio entre o projeto e o tempo. Por se afobarem, aumentam esse desequilíbrio, e daí
sobrevém o fracasso. Portanto, em todos os empreendimentos, o essencial é ter paciência para aguardar a
chegada do tempo exato. As coisas possuem, infalivelmente, uma ocasião propícia. Com toda razão dizem
os velhos provérbios: "Se esperarmos, teremos bom tempo para navegar", "A sorte se espera deitado" e
"Mire cuidadosamente para acertar o alvo".
Muita gente se impacientou com meu sistema. Houve quem me apresentasse idéias e planos que, às vezes,
eu prometia realizar. Como tardasse a executá-los, as pessoas reclamavam ou estranhavam. Quanto a mim,
estava à espera do tempo adequado.
Os conhecidos aforismos "Agarre a oportunidade" e "Não perca a ocasião", confirmam o que estou dizendo.
Sentimos que estamos diante da ocasião propícia, quando, preenchidas todas as condições, passamos a
sentir um forte impulso para executar o plano imediatamente. Tudo se processará, então, com facilidade,
devido ao amadurecimento do tempo. Aguardando o tempo certo, estaremos poupando esforços e todas as
coisas correrão bem. Em resumo, devemos refletir bem antes de agir. Por exemplo: se algo impede que uma
pedra role morro abaixo, mas tentarmos empurrá-la, despenderemos muita força. Entretanto, se soubermos
esperar pacientemente, o obstáculo irá sendo vencido pelo peso da pedra. Com o tempo, até o empurrão de
um dedo a fará precipitar-se. É o que acontece com a oportunidade.
"Se o rouxinol não canta, esperarei até que ele cante". Esta frase foi dita satiricamente por Ieyassu
Tokugawa, o fundador da dinastia Tokugawa, a qual governou o Japão durante trezentos anos porque ele
soube dar tempo ao tempo.
Creio que o que dissemos é suficiente para compreenderem a importância do tempo. Nao Deguti escreveu:
"Com o tempo nem Deus pode". Isso resume admiravelmente a verdade da questão.
25 de junho de 1949
TEMPO É DEUS
Tudo que existe, inclusive o que se relaciona ao homem, é regido pelo Tempo. A delimitação do apogeu e
da decadência subseqüente, das mudanças históricas, das definições do bem e do mal, da justiça e da
injustiça, tudo está subordinado a ele. Por esse motivo, o que agora é um bem daqui a alguns anos poderá
ser um mal, e aquilo que hoje é considerado verdade poderá ser desprezado amanhã, por tornar-se falso. O
passado nos mostra que as coisas que atualmente estão no apogeu um dia infalivelmente entrarão em
decadência. Assim, pode-se dizer que não existe verdade nem mentira absolutas, havendo mesmo um antigo
provérbio que afirma que a justiça e a injustiça são como se fosse uma coisa só. Ambos conceitos, sem
qualquer sombra de dúvida, são verdades.
Antes do término da Segunda Guerra Mundial, acreditava-se que não havia nada superior ao amor e à
lealdade