P. 1
Acessão

Acessão

|Views: 130|Likes:
Publicado porarnaldobsneto

More info:

Published by: arnaldobsneto on May 20, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/23/2012

pdf

text

original

REVISTA ÂMBITO JURÍDICO ® Aquisi? da propriedade pela acess?

Resumo: É modo originário de aquisição do domínio, através dos acréscimos ou incorporação, natural ou artificial, de bem inesperadamente. Assim, são acréscimos que a coisa sofre no seu valor ou no volume em razão de elemento externo, normalmente pela natureza. A formação da ilha é considerada uma acrescência aos terrenos ribeirinhos, para dividi-los fraciona-se a ilha dividindo o rio pelo álveo em duas partes, art. 1.248 a 1.250 do CC. Sumário: 1. Espécies. 1.1. Acessão por formação de ilhas. 1.2. Acessão por formaçào de aluvião. 1.3. Acessão por força avulsão. 1.4. Acessão por abandono de álveo 1.5. Acessão por construções e plantações ou acessões artificiais. 1.6. Acessão natural de animais. 1.7. Acessão natural de animais. Referencias bibliograficas. Acessão é modo originário de aquisição do domínio, através dos acréscimos ou incorporação, natural ou artificial, de bem inesperadamente. Assim, são acréscimos que a coisa sofre no seu valor ou no volume em razão de elemento externo, normalmente pela natureza. A formação da ilha é considerada uma acrescência aos terrenos ribeirinhos, para dividi-los fraciona-se a ilha dividindo o rio pelo álveo em duas partes, art. 1.248 a 1.250 do CC. 1) ESPÉCIES 1.1) ACESSÃO POR FORMAÇÃO DE ILHAS Uma Ilha, por definição, é um prolongamento do relevo, estando numa depressão absoluta preenchida por água. Existem quatro tipos principais de ilha: ilhas continentais, ilhas oceânicas, ilhas fluviais e ilhas vulcânicas. Também existem algumas ilhas artificiais. De acordo com Maria Helena Diniz [1], a ilha é um acúmulo paulatino de areia, de cascalho e materiais levados pela correnteza, ou rebaixamento de águas, deixando a descoberto e a seco uma parte do fundo ou do leito. As águas públicas podem ser de uso comum ou dominicais. As águas públicas de uso comum são: a) os mares territoriais, nos mesmos incluídos os golfos, bahias, enseadas e portos; b) as correntes, canais, lagos e lagoas navegáveis ou flutuáveis; c) as correntes de que se façam estas águas; d) as fontes e reservatórios públicos; e) as nascentes quando forem de tal modo consideráveis que, por si só, constituam o "caput fluminis"; f) os braços de quaisquer correntes públicas, desde que os mesmos influam na navegabilidade ou flutuabilidade. Uma corrente navegável ou flutuável se diz feita por outra quando se torna navegável logo depois de receber essa outra. As correntes de que se fazem os lagos e lagoas navegáveis ou flutuáveis serão determinadas pelo exame de peritos. Não se compreendem na letra b) os lagos ou lagoas situadas em um só prédio particular e por ele exclusivamente cercado, quando não sejam alimentados por alguma corrente de uso comum. A perenidade das águas é condição essencial para que elas se possam considerar públicas, nos termos do artigo precedente. Entretanto para os efeitos deste Código ainda serão consideradas perenes as águas que secarem em algum estio forte. Uma corrente considerada pública, nos termos da letra b) não perde este caráter porque em algum ou alguns de seus trechos deixe de ser navegável ou flutuável, ainda se consideram públicas, de uso comum todas as águas situadas nas zonas periodicamente assoladas pelas secas, nos termos e de acordo com a legislação especial sobre a matéria. São públicas dominicais todas as águas situadas em terrenos que também o sejam, quando as mesmas não forem do domínio público de uso comum, ou não forem comuns. As águas comuns são as correntes não navegáveis ou flutuáveis e de que essas não se façam. As águas particulares são as nascentes e todas as águas situadas em terrenos que também o sejam, quando as mesmas não estiverem classificadas entre as águas comuns de todos, as águas públicas ou as águas comuns. Desta forma, são bens da União os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais, bem como as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II, e ainda, o mar territorial (art. 20, da CF). Desta forma, aponta Maria Helena Diniz[2] que somente interessam ao Direito Civil as ilhas formadas em rios não navegáveis ou particulares, por pertencerem ao domínio particular. A ilha é a aquisição do domínio pelo acréscimo ou incorporação de bem inesperado. Pode ser pela acessão natural (art. 1.249, CC). “Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes: I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais; II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado; III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram.” As regras também constam dos artigos 23 a 25 do Código das Águas dispõe que: “Art. 23. As ilhas ou ilhotas, que se formarem no álveo de uma corrente, pertencem ao domínio público, no caso das águas públicas, e ao domínio particular, no caso das águas comuns ou particulares. § 1º Se a corrente servir de divisa entre diversos proprietários e elas estiverem no meio da corrente, pertencem a todos esses proprietários, na proporção de suas testadas até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais. § 2º As que estiverem situadas entre esta linha e uma das margens pertencem, apenas, ao proprietário ou proprietários desta margem. Art. 24. As ilhas ou ilhotas, que se formarem, pelo desdobramento de um novo braço de corrente, pertencem aos proprietários dos terrenos, a custa dos quais se formaram. Parágrafo único. Se a corrente, porém, é navegável ou flutuável, eles poderão entrar para o domínio público, mediante prévia indenização. Art. 25. As ilhas ou ilhotas, quando de domínio público, consideram-se coisas patrimoniais, salvo se estiverem destinadas ao uso comum.” Para uma melhor compreensão do assunto e seguindo o método de Maria Helana Diniz[3] e Flávio Tartuce e José Fernando Simão[4] optamos por elaborar gráficos sobre o assunto, de forma a evitar confusão: A) Ilhas formadas no meio do rio cuja margem é de proprietários diferentes:

B) As ilhas formadas entre o meio do rio e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado: C) As ilhas. a custa dos quais se formaram . pelo desdobramento de um novo braço de corrente. que se formarem. pertencem aos proprietários dos terrenos.

“Art. com ressalva idêntica a da última parte do § 1º do artigo anterior. recuada a faixa respectiva. ou seja. far-se-á divisão entre eles. 17. na proporção do terreno conquistado. em proporção a testada e que cada um dos prédios apresentava sobre a antiga margem a) Aluvião própria .250. Se o álveo for limitado por uma estrada pública. as águas do rio se afastam. trata-se no caso de aluvião decorrente de fato natural. de forma sucessiva e imperceptível as margens de um curso de água. dividir-se-á entre eles. Já aluvião imprópria. na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. O terreno aluvial. pertencem aos donos dos terrenos marginais. 18. Caso ocorra aluvião seja na modalidade própria ou imprópria em frente a prédios pertencente aos proprietários diversos. em proporção a testada que cada um dos prédios apresentava sobre a antiga margem. Art. por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes. ou pelo desvio das águas destas. Quando a "aluvião" se formar em frente a prédios pertencentes a proprietários diversos. que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes. Os acréscimos por aluvião formados as margens das correntes comuns.” Desta forma. esses acréscimos serão públicos dominicais. pertencem aos proprietários marginais. far-se-á a divisão entre eles. onde ocorre o acréscimo paulatino. o acréscimo ocorre em decorrência do acumulo de terra. mantida. que importa em aquisição para o proprietário do imóvel. a servidão de trânsito constantes do mesmo artigo. sucessiva e imperceptivelmente.1. Os acréscimos formados. sem indenização. 1. 12. Parágrafo único. porém. nessa Segunda hipótese.” O Código das Águas prevê: “Art. decorre do afastamento das águas de um curso. de forma gradativa e imperceptível. ou seja. segundo o princípio do “o acessório segue o principal”. Parágrafo único. podemos classificar a aluvião como própria. ou das correntes públicas de uso comum a que se refere o art.2) ACESSÃO POR FORMAÇÀO DE ALUVIÃO É o acréscimo lento formado nas margens dos rios.

b) Aluvião imprópria .

. Recusando-se ao pagamento de indenização. uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro. ou pela indenização ao reclamante. arrojando-a sobre outro prédio.251. 21. a incorporação se considera consumada. se. em um ano. devendo o proprietário restituí-las. “Art.3) ACESSÃO POR FORÇA AVULSÃO É desmembramento súbito por força da corrente de água. 1. Demais objetos porventura destacados de um imóvel e lavados a força violenta a outro terreno. Verifica-se a "avulsão" quando a força súbita da corrente arrancar uma parte considerável e reconhecível de um prédio. que desfigura o imóvel tornando-o total ou parcialmente impróprio para o uso. Nos casos semelhantes. no prazo decadencial de um ano. sem aderência ao prédio. Parágrafo único. não havendo a possibilidade de remoção (art. 19. se indenizar o dono do primeiro ou. o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo. adotar-se-ão as regras relativas às acessões artificiais.251. sem indenização. será regulada pelos princípios de direito que regem a invenção. o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. aplicam-se à "avulsão" os diapositivos que regem a "aluvião". são considerados coisas perdidas. CC). Parágrafo único. Quando. ninguém houver reclamado. por força natural violenta. e o proprietário prejudicado perde o direito de reivindicar e de exigir indenização. Art. A avulsão só se verifica quando se tratar de ma porção de terra.” O Código das Águas prevê: “Art. 20 O dono daquele poderá reclamá-lo ao deste. ou pelo consentimento na remoção da mesma. Neste caso o dono poderá reclamar indenização. aplicando-se as normas relativas à descoberta. Art. 22. Quando a "avulsão" for de coisa não susceptível de aderência natural. Art. 1. Não se verificando esta reclamação no prazo de um ano. a quem é permitido optar. Se o acréscimo for realizado por intervenção humana.1.

II.”[6] . o abandonado volta aos seus antigos donos.03. . 462 e seguintes e. 305/307). segundo o próprio uso dos ribeirinhos. Reexame de prova. 1.4) ACESSÃO POR ABANDONO DE ÁLVEO Vale dizer. com a aluvião imprópria. indenizando-se aquele que perdeu suas terras. 27. bem como com os documentos juntados às fls. Art. Art. Parágrafo único. Evandro Lins e Silva. nego-lhe provimento. . que pertencerá aos proprietários ribeirinhos. Retornando o rio ao seu antigo leito. Se a mudança da corrente se fez por utilidade pública. essa questão foi suscitada. Utilidade pública. Diante desses fatores. na parte conhecida. sentença. já preconizava que os "terrenos marginais do rio Tietê pertencem à municipalidade de São Paulo" (AI 31. A simples alteração do curso do Rio Tietê não tem a virtude de alterar a natureza da faixa de servidão administrativa constituída sobre propriedade particular. por mais que as águas públicas de uso comum – como o é o Rio Tietê –. recompor-se-á a situação anterior (art. com o laudo do perito judicial. 29 e 31 do Decreto-lei n. 284). foi objeto de desapropriação. o direito de cada proprietário estender-se-á desde a margem até a linha ou ponto mais conveniente para divisão equitativa das águas. Faixa de servidão administrativa. Min. art. DJ 04. ou dominical. 729 e 772). "de acordo com a documentação juntada com a petição inicial. Art. 10.12. tampouco na via especial poderá ser apreciado tal aspecto. a não ser que esses donos indenizem ao Estado.643/34 – Código de Águas. identificada pela natureza jurídica de terreno reservado. Não constam dos autos elementos que possam indicar que a área onde atualmente subsiste a servidão administrativa. sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso. Rel. Ausência de prequestionamento. no entanto. Atentado àverdade dos fatos. Código de Águas. Não-configurado o imprescindível confronto analítico. Prequestionamento.” Não se pode confundir o álveo abandonado. ainda.00 m2. Álveo abandonado. É oportuno esclarecer que o bem imóvel em questão situa-se na avenida Embaixador Macedo Soares. zona oeste de São Paulo (fl. À guisa de reforço no que tange à legitimidade da Municipalidade para propor ação de reintegração de posse. na extensão da testada de cada quinhoeiro. a qual foi instituída em prol do poder público. Ausência. 27. por se tratar de um acontecimento natural.252. é possível concluir que. com a correspectiva indenização do proprietário. em que parte do álveo descobre-se em razão de um desvio no curso das águas. considerando-se que a Municipalidade teria o direito à propriedade do álveo como forma de ressarcir-se do prejuízo sofrido com a expropriação do prédio por onde passa o novo curso do Tietê. p. Não-impugnada oportunamente a matéria referente à reintegração de posse da faixa de servidão administrativa. ou seja. O álveo abandonado da corrente pública pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens. Conheço em parte do recurso especial e. de uma área que mede 660. 27 do código de águas. 24. pois. O álveo será público de uso comum. nos moldes de uma desapropriação indireta.Se o rio teve seu curso alterado por ingerência do Poder Público.[5] 2) Processo Civil. sem que tenham direito a indenização alguma os donos dos terrenos por onde as águas abrigarem novo curso. junto à via de acesso da ponte da Freguesia do Ó.033/RJ. de per se. DJ 08. salvo a hipótese do artigo seguinte.” O Código das Águas prevê: “Art. Se o rio retornar ao leito antigo. . e não por fato exclusivo da natureza. o direito de cada um deles se estende a todo o comprimento de sua testada até a linha que divide o álveo ao meio. CC). Min. Legitimidade da municipalidade para a propositura de reintegração de posse. associada a circunstância de a municipalidade estar investida da natureza de proprietária do álveo abandonado.2000) A partir das informações supra esposadas. 1. de preferência. constata-se que o Município de São Paulo também possui a propriedade de alguns terrenos ribeirinhos desapropriados. Trata-se.00 m2. Desvio do curso do rio.É inadmissível o recurso especial na parte em que dependa de reexame de prova e se não houve o prequestionamento do direito tido por violado. entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. em face da pretensa violação dos artigos 26. ainda que envolva uma das condições da ação. é imperioso asseverar que a pretensão recursal resta integralmente prejudicada. se oriundo de motivo de utilidade pública passa a pertencer a posse do álveo abandonado à pessoa de Direito Público que houver desapropriado. Agravo no Recurso Especial. Prova do prejuízo e julgamento extra petita. linha ou ponto locados. o prédio ocupado pelo novo álveo deve ser indenizado. Modificação do curso do leito do rio tietê. 26.1.1964. cuja propriedade indubitavelmente é privada e a posse exercida pela recorrida desde longa data. foi a Municipalidade de São Paulo que retificou o antigo leito do Rio Tietê" (fls. Esse fato. em verdade. Jurisprudência: “1) Recurso especial. e será particular no caso das águas comuns ou das águas particulares. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens. Mediante o enfoque concedido à segunda premissa. Vale salientar que o recurso especial tão-somente merece ser conhecido em relação a alínea "a" do permissivo constitucional. A teor do que restou consignado na v. 27. apropriar-se do leito de um rio que se secou. permutados ou decorrentes de álveos abandonados. em que o rio seca. ou seja. 9º Álveo é a superfície que as águas cobrem sem transbordar para o solo natural e ordinariamente enxuto. "b". tampouco merece reparo o acórdão recorrido. bem como o seu álveo. “Art. . os donos dos terrenos por onde o rio inaugurar novo curso não terão direito a indenização. e outra parte sobre a faixa de servidão administrativa de 15m de largura em 464. Em momento algum do processo. Art. não se verificou que a municipalidade pugna pela reintegração de posse de uma faixa de servidão administrativa.252.535/SP. e o álveo abandonado passa a pertencer ao expropriante para que se compense da despesa feita. Deve originar-se de forças naturais. culmina com a impossibilidade de o ente público promover reintegração de posse de área compreendida por servidão administrativa. no entanto. pertence ao expropriante a fração de terra correspondente ao álveo abandonado.00 m2" (fls. cabe asseverar que o saudoso Ministro Evandro Lins e Silva. a qual se superpõe em parte "sobre o antigo álveo do Rio Tietê em 196. Álveo abandonado. Ausência de impugnação oportuna. pertençam aos Estados quando percorram parte dos territórios de dois ou mais Municípios (artigo 29. § 2º Na hipótese de um lago ou lagoa nas mesmas condições. Aquisição da propriedade como forma de compensar o prejuízo decorrente da expropriação do prédio por onde passa o novo curso. desde meados da década de 60.Agravo no recurso especial a que se nega provimento. do Código de Águas). conforme a propriedade das respectivas águas. Ação de divisão. Propriedade do Estado. Rel. porquanto ausente o imprescindível prequestionamento da matéria (AGA 199. Sálvio de Figueiredo Teixeira. 300). Litigância de má-fé. § 1º Na hipótese de uma corrente que sirva de divisa entre diversos proprietários.

plantou ou edificou. pela substituição de algumas plantas mortas. ainda que vantajosa. alterando sua substância. adquirirá a propriedade do solo.5) ACESSÃO POR CONSTRUÇÕES E PLANTAÇÕES ou ACESSÕES ARTIFICIAIS São decorrentes de conduta humana e podem ser móvel e imóvel. já que não haverá mais identidade entre o que o dono perdeu e o que poderá recuperar. A circunstância de a propriedade do terreno . A título de conclusão e para desmistificar esta celeuma. temos uma acessão por plantação. Caso a plantação exceda consideravelmente o valor do terreno. uma característica de gestão de negócio.257. que nada beneficiaria o prejudiciado. quando se trata de benfeitoria necessária. melhorá-la ou embelezá-la. ou obras feitas na coisa. prevê que “o direito de retenção previsto no art. Imagine-se o seguinte exemplo: alguém está guardando. mas fica obrigado a pagar-lhes o valor. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno. caso o sujeito se encontre de boa-fé. mas por uma questão de política legislativa e necessidade de manutenção do equilíbrio das relações sociais. se imóvel alheio é considerada mera acessão ou coisa. se agiu de má-fé. onde a plantação ou a construção passa a ser considerada como bem principal e o bem imóvel se torna o acessório. Marco Aurélio Bezerra Melo e Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald denominam de acessão invertida ou inversa[9]. como plantações e construções (art. Indivisibilidade. do CC. CC): Resultam de trabalho humano. CC).ex: plantação. onde se faz presente o princípio da solidariedade humana e do não locupletamento. até que se prove o contrário.1. de boa-fé. promovida pelo Conselho Federal de Justiça. Na acessão o possuidor visa o seu próprio interesse. 1. com o fito de conservá-la. A acessão artificial é a aquisição de uma coisa nova pelo proprietário dela. a boa-fé é elemento imprescindível para que haja indenização. Se imóvel próprio é considerada como benfeitoria. 96. p. no destino econômico do imóvel alterando sua substancia. V. O art. Conceito de acessões artificiais (art. adquire a propriedade destes. que se caracteriza pela circunstância de produzir uma mudança. planta ou edifica em terreno próprio com sementes. semeadura (art. No caso em questão o sujeito terá a propriedade do que foi construído. As benfeitorias são incluídas na classe das coisas acessórias (art.253 a 1. plantou ou edificou. mas por obvio terá que pagar ao amigo o cimento. plantas ou materiais alheios.259.248. surgindo daí a responsabilidade civil. contida no art. Imaginemos o seguinte exemplo: alguém planta um pomar em terreno alheio. da 1ª Jornada de Direito Civil. Já as acessões artificiais inserem-se entre os modos de aquisição da propriedade imobiliária. terá direito a indenização. Jurisprudência: “Realizada no bem constrito (terreno). Além disso. que se caracteriza pela circunstância de produzir uma mudança. Diferença entre acessões artificiais e benfeitorias reside no fato de que as acessõesartificiais são obras que criam uma coisa nova e que se aderem à propriedade anteriormente existente e as benfeitorias são as despesas feitas com a coisa. Marco Aurélio Viana demonstra que o mais adequado seria o dono dos materiais pudesse reivindicá-los. aquele que semeia. havendo desrespeitado à boa-fé subjetiva. teremos uma acessão por plantação. onde nada havia anteriormente. a aquisição beneficiara o dono do terreno. além de responder por perdas e danos. O Enunciado nº 81. Se fizermos um pomar em terreno alheio. do CC. por não haver nenhuma alteração na substância e na destinação da coisa. mediante pagamento da indenização fixada judicialmente. passará a ter direito a indenização. Na benfeitoria há. CC).253 a 1. até certo ponto.s 1. 1. estando-se os transtornos da destruição da coisa. na benfeitoria ela é irrelevante. adquirirá a propriedade do solo. Esse caso é uma benfeitoria. se não houver acordo. por ato de amizade. onde nada havia anteriormente. planta ou edifica em terreno alheio perde. melhorá-las (úteis). aquele que. 1. 1.219. 1. aderindo à propriedade preexistente. CC). em proveito do proprietário. só se poderá reivindicar os bens do dono do terreno antes do momento que ele incorpore ao seu solo[8]. também se aplica às acessões (construções e plantações) nas mesmas circunstâncias”. na acessão. Assim. Nada há em nosso sistema jurídico que permita o direito de retenção por acessão. cai sob o domínio do seu proprietário ante a presunção juris tantum. pois claramente agiu de má-fé. em razão de uma ação qualquer. sem se preocupar com o do proprietário. plantas e construções. aquele que. as sementes. Portanto. consistindo em obras que criam coisas novas. Neste último caso. em virtude do consentimento tácito do dono da terra. se procedeu de boa-fé.219 do CC. embelezá-las (voluptuárias). tendo por fundamento a posse jurídica. Aquele que semeia. no destino econômico do imóvel. se não houver acordo. Não constitui uma acessão a conservação de plantações já existentes. Acessão artificial. conceituadas como obras e despesas feitas em coisas alheias para conservá-las (necessárias). de boa-fé. 1. ainda que vantajosa. já que a má-fé induz a culpa. cimento de parente em sua garagem. mediante pagamento da indenização fixada judicialmente. tecem as seguintes considerações: “Acessões artificiais e benfeitorias são institutos que não se confundem. admite a retenção para as benfeitorias necessárias ou úteis.253. pois o sujeito que guardava o cimento sabia claramente que cimento não era seu. tendo caráter oneroso e submete-se à regra de que tudo aquilo que se incorpora ao bem. essa pessoa utiliza o cimento e constrói em sua casa um canil. decorrente da realização de benfeitorias necessárias e úteis. Certo dia. Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald. Artigo 1255 do Código Civil.”[7] Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa. sem prejuízo dos danos. em razão de ressarcimento.

Flávio. sendo que o semovente voltou à condição de res nullius. Nelson. estará sujeito à discussão judicial em relação ao artigo 1255. promovida pelo Conselho Federal de Justiça. v. e responde por indenização que represente. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo. Se o construtor estiver de boa-fé. provavelmente. pai de José. Série Concursos Públicos. Rio de Janeiro: Ed. ou lavoura. V. mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente. Direito civil. o casal veio a separar-se. também. a controvérsia acerca da acessão artificial. plantas ou materiais a quem de boa-fé os empregou em solo alheio. São Paulo: Atlas. Nosso Código não trata tal matéria. o qual. Aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes. e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção. "caput" e parágrafo único do Código Civil. devendo ressarcir o valor das acessões.6) ACESSÃO NATURAL DE ANIMAIS Quando o animal doméstico volta ou passa a viver em outra propriedade. 1. tempos depois. o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente. Direito Civil Brasileiro: Direito das coisas. a Maria não terá deferida a propriedade do imóvel.258. é obrigado a demolir o que nele construiu.”[10] No entanto. 2008. o leilão do imóvel (terreno) somente poderá ser levado a leilão após dirimida. plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida. houver necessidade de proteger terceiros de boa-fé”. verificada acessão (edificação) realizada no bem constrito (terreno). DireitosReais. De regra. passa aquele proprietário a deter o direito sobre ele. quando não puder havê-la do plantador ou construtor.[11] Referencias bibliográficas DINIZ. e para evitar prejuízo a eventual arrematante. Direito civil. O proprietário das sementes. Notas: [1] DINIZ. 2006. 2ª Ed. v. Cristiano Chaves de. Sílvio de Salvo. o casal José e Maria delibere por edificar no fundo do terreno de Antonio. Maria Helena. Todavia. Se a construção. parágrafo único) somente é viável quando. Maria Helena. 2008. SIMÃO. se de ambas as partes houve má-fé. ao permitir a construção em seu terreno. In casu. Marco Aurélio Bezerra de. Maria poderá pleitear indenização calculada sobre 50% do valor da acessão. 2005. se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção. Direito das coisas. Direito Civil Brasileiro: . este passa a ter a condição de indivisível. se o valor da construção exceder o dessa parte. da 4ª Jornada de Direito Civil. Rio de Janeiro: Ed. o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu. 2. 4. V. nas vias apropriadas. 168. quando o trabalho de construção. José Fernando. O Enunciado nº 318. Lumen Juris. plantas e construções. invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste. prevê que “o direito à aquisição da propriedade do solo em favor do construtor de má-fé (art. se de má-fé. que serão devidos em dobro. 1. adquire a propriedade da parte do solo invadido. 2005. Imaginemos o seguinte exemplo: Após o matrimônio. e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste. São Paulo: Ed. Lumen Juris. adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido. Presume-se má-fé no proprietário. além dos requisitos explícitos previstos em lei. uma vez que o proprietário Antonio obrou de má-fé. pagando as perdas e danos apurados. se fez em sua presença e sem impugnação sua. 4. FARIAS. p. TARTUCE. feita parcialmente em solo próprio. MELO. Apelação parcialmente provida. ROSENVALD. titular do solo. VENOSA. adquirirá o proprietário as sementes. São Paulo: Saraiva. 3. devendo ser reservado valor correspondente à parcela do co-proprietário sem olvidar direito de preferência do mesmo na aquisição do bem. como há acessão de boa-fé. Método. pois este pertencerá a seu sogro Antonio.ser da empresa devedora e a propriedade da edificação ser dos embargantes constitui hipótese de condomínio indivisível.

Rel. p. Rio de Janeiro: Ed. 2005. Cristiano Chaves de. Franciulli Netto. 89. 323.br/jurisprudencia/1222776/apelacao-civel-ac-6983-rs-20047107006983-7-trf4. DireitosReais. DJ 23/08/2006 P. JBCC vol. Marco Aurélio Bezerra de. p. FARIAS. DJ 30/09/2002 p. p. São Paulo: Saraiva.br . Nelson. 259. Rel. 2006. 151 apud FARIAS. Marco Aurélio. p. Série Concursos Públicos. 146. v. v. Cristiano Chaves de. v. Direito Civil Brasileiro: Direito das coisas. [5] STJ. Artur César de Souza. 4. p.006983-7. 147. Maria Helena.jusbrasil. Direito civil. Cristiano Chaves de. 2006. [4] TARTUCE. 4. Lumen Juris.Segunda Turma. www. ROSENVALD. Rel. V. Direito Civil Brasileiro: Direito das coisas. 320. www.71. http://www. Data do Julgamento: 27/08/2002. [7] FARIAS. REsp 330046/SP. SIMÃO. São Paulo: Atlas. [2] DINIZ. Acesso em 12/04/2009. Flávio. 152. 2006. Rio de Janeiro: Ed. Nelson. Acesso em 12/02/2009. 319. 214. 2005. DJ 11/04/2005 p. Apelação Civel: AC 6983 RS 2004. 2008. Rio de Janeiro: Ed. ROSENVALD. Rio de Janeiro: Ed. Recurso Especial 2001/0061492-6.com. [9] MELO. Lumen Juris. Min. 1ª Turma. [3] DINIZ. Direito civil.stj. Nancy Andrighi. São Paulo: Saraiva. ROSENVALD.07. Data do Julgamento: 26/07/2006. Lumen Juris. V. Agravo Regimental No Recurso Especial 2002/0048962-6. José Fernando. 2ª Ed. DireitosReais.Terceira Turma. [11] VENOSA.Direito das coisas. 4. 2005. Comentarios ao novo código civil – volume XVI – p. p. [6] STJ. DireitosReais. Lumen Juris. 146. 2008. T3 . v. Método. Direito das coisas. Acesso em 12/02/2009. 199 p.jus. 998. p. . p. Maria Helena.stj. T2 . São Paulo: Saraiva. Min. [10] TRF4. p. 146. Sílvio de Salvo. Nelson.br . 168. 4. 2005. São Paulo: Ed.jus. [8] VIANA. Data do Julgamento: 09/11/2004. AgRg no REsp 431698/SP.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->