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fisiologia_da_respiracao

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1 FISIOLOGIA DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS – AULA 2 ANOTAÇÕES DE AULA FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO INTRODUÇÃO Compreende a absorção de O2 e a eliminação de CO2 pelos

pulmões (respiração externa), o transporte de O2 e CO2 pelo sangue e os fenômenos de utilização de O2 e de produção de CO2 pelas células (respiração interna). A função dos órgãos da respiração está estreitamente ligada ao coração e á circulação. Estreita relação existe também entre a atividade respiratória e o controle da temperatura. Os órgãos da respiração possuem ainda função de captar substâncias odoríferas e assim transmitir informações. RESPIRAÇÃO INTERNA O local principal da combustão dos nutrientes são as mitocôndrias. Nos animais de interesse zootécnico a quantidade de O2 necessária e a produção de CO2 dependem da produtividade. Durante a fase de crescimento, o consumo de O2 depende do aumento da massa corpórea. A maior parte do oxigênio é utilizada no interior das células para oxidação do hidrogênio nas mitocôndrias. Com a oxidação do hidrogênio forma-se ATP a partir da união de ADP com fosfato inorgânico (fosforilação oxidativa). O CO2 provém da dissociação de grupos carboxila através da descarboxilase. Ocorre descarboxilação dos cetoácidos através das cetoácidos-descarboxilases, e dos aminoácidos, através das enzimas aminoácidosdescarboxilases. Determinando-se o teor de O2 e CO2 do sangue arterial e venoso de um órgão, podem-se conhecer o consumo de O2 e a produção de CO2 do tecido. As trocas gasosas entre sangue capilar e células dependem das diferenças de pressão do gás, da extensão da superfície de trocas e do fluxo sanguíneo capilar. Quando diminui o fornecimento de oxigênio para a célula, falamos em hipóxia. Quando o aporte a um dado tecido é completamente interrompido, denomina-se anóxia. RESPIRAÇÃO EXTERNA Vias de condução aérea As vias condutoras de ar possuem a função de conduzir o ar do exterior até os alvéolos. São constituídos pelas fossas nasais, faringe, laringe, traquéia e os brônquios. Durante sua passagem por essas vias o ar é aquecido e umedecido. O epitélio ciliado ajuda na remoção de corpos estranhos. Estruturas e função dos pulmões Os pulmões são dois órgãos localizados na cavidade torácica e revestidos pela pleura, que é constituída por tecido conjuntivo, tecido elástico e fibras musculares lisas. O tecido intersticial divide o parênquima em lóbulos cada vez menores. Cada lóbulo pulmonar possui uma fina ramificação da árvore brônquica, o bronquíolo terminal, que se divide em dois a quatro bronquíolos respiratórios. Estes conduzem o ar através dos ductos alveolares até os sacos alveolares. Os alvéolos situam-se alinhados ao longo dos ductos alveolares, que terminam nos sacos alveolares e estão separados através de septos delgados. Os alvéolos são revestidos pelas células epiteliais alveolares, que formam o epitélio respiratório. Estas células são ricas em mitocôndrias e tem função na defesa e fagocitose.

que é conseguida graças à expansão e contração do espaço torácico. Os músculos respiratórios e sua função As alterações da caixa torácica são causadas. a pleura. Isto leva a uma distensão dos pulmões. Pressão interpleural: é a diferença entre a pressão intrapulmonar e a força de retração dos pulmões. os linfonodos e a parede dos brônquios. encurtando o eixo longitudinal (expiração). a entrada de ar. Uma condição para essa troca é a diferença de pressão entre os alvéolos e o exterior. que se origina na artéria pulmonar.a irrigação do tecido pulmonar ocorre através do sistema de vasos sanguíneos nutritivos. ou inspiração. É a força capaz de vencer a resistência dos pulmões e do tórax ao processo de deformação. Por intermédio dela são irrigados o próprio interstício. Ocorre durante o processo de repouso respiratório. aumentando assim o diâmetro longitudinal da caixa torácica. Músculo Músculos inspiratórios Intercostais externos Intercartilaginosos externos Transversal das costelas Elevadores das costelas Serrato dorsal cranial Escaleno da primeira costela Escaleno supra-costal Músculos expiratórios Intercostais internos Intercartilaginosos internos Função Puxam as costelas para cima e para fora. Pressão intrapulmonar: pressão dentro dos alvéolos. formando em torno de cada alvéolo uma rede capilar respiratória. A inervação dos pulmões é feita através de fibras simpáticas e parassimpáticas que se ramificam na árvore brônquica. Com o relaxamento da musculatura diafragmática. costelas e ao esterno. Através de uma série de outros músculos ocorre simultaneamente um alargamento lateral do tórax. e a saída de ar. . que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. alargamento lateral da caixa torácica Puxam as costelas para cima Alargamento do tórax Elevação das costelas Elevação das costelas Imobilização da primeira costela e elevação das costelas Elevação das costelas Puxam as costelas para trás e para dentro.o sistema de vasos sanguíneos funcional. A MECÂNICA DA RESPIRAÇÃO EXTERNA A troca entre ar exterior e pulmões ocorre em duas fases. Cada alteração da caixa torácica esta ligada a uma alteração de volume pulmonar. a convexidade da cúpula volta para a caixa torácica. torna-se convexa no sentido caudal. por uma série de músculos. Forças que atuam: Força estática: equilíbrio entre as forças de retração e de alargamento da caixa torácica e elasticidade do tórax. Destes o mais importante é o diafragma. estreitamento da caixa torácica. ou expiração. ramifica-se pelo tecido intersticial até os lóbulos pulmonares e lá se ramifica. É formado por uma porção musculosa e uma porção tendinosa. denominados músculos respiratórios. Puxam as costelas para trás .2 O suprimento sanguíneo dos pulmões ocorre de duas maneiras: . Este se origina na artéria brônquica e se ramifica formando uma rede capilar intersticial irregularmente distribuída no estroma intersticial dos pulmões. fazendo com que o ar penetre (inspiração). A porção musculosa está fortemente ligada às vértebras lombares. a cúpula diafragmática tendinosa que tem convexidade cranial. A porção central e a porção tendinosa. Através da contração das fibras musculares.

Os volumes respiratórios são formados por uma mistura de ar das diferentes partes das vias respiratórias. ainda resta nos pulmões. As porções das vias respiratórias que não possuem epitélio respiratório constituem o espaço morto anatômico (regiões onde não ocorrem trocas gasosas). assim como da idade. Freqüência e amplitude da respiração O número e a amplitude dos movimentos respiratórios dependem do tamanho do animal. acompanhados de outros movimentos respiratórios conhecidos como movimentos respiratórios acessórios (dilatação das narinas dos cavalos). A soma da capacidade vital com o volume residual é denominada capacidade total. pode ainda entrar nos pulmões. Capacidade vital: é a quantidade de ar que pode ser trocada entre os pulmões e o exterior através de uma inspiração forçada seguida de uma expiração forçada. da temperatura ambiente e da produtividade. Quando se quer determinar a parte do volume corrente que participa diretamente das trocas gasosas nos alvéolos. após a morte do animal ainda resta nos pulmões. traquéia e brônquios.3 Transverso torácico Serrato dorsal caudal Ileocostal Obliquo abdominal externo Obliquo abdominal interno Transverso abdominal Reto abdominal Tipos de respiração Alterações da caixa torácica são observadas com o aumento da freqüência respiratória de um animal. em alguns animais. Os movimentos respiratórios da caixa torácica e da parede abdominal são. A relação entre a duração da expiração e da inspiração é denominada quociente respiratório. Volume de retração é a quantidade de ar que sai dos pulmões quando estes sofrem um colapso. graças a uma inspiração forçada. Volume inspiratório de reserva: é a quantidade ar que após uma inspiração normal. são representadas pelo nariz. pode ser eliminada dos pulmões após uma expiração forçada. Em condições normais. ocorre a respiração do tipo costo-abdominal. através do sulco costal (respiração abdominal). empurra vísceras abdominais e o diafragma em direção cranial Aumenta a pressão da cavidade abdominal. faringe. sexo. Durante a respiração normal de repouso (eupnéia) a expiração é mais longa que a inspiração. Em cada inspiração e expiração. O quociente respiratório depende da freqüência respiratória e do volume respiratório. O volume mínimo é a quantidade de ar que mesmo após colapso total do tecido elástico pulmonar. pelos movimentos das últimas costelas (respiração torácica). Apenas uma parte do ar trocado com o volume corrente chega até o epitélio alveolar. empurra vísceras abdominais e o diafragma em direção cranial as as as as . O volume residual divide-se ainda em volume de retração ou colapso e volume mínimo. Volume expiratório de reserva: é a quantidade de ar que após uma expiração normal. deve-se diminuir o volume do espaço morto do volume corrente. empurra vísceras abdominais e o diafragma em direção cranial Aumenta a pressão da cavidade abdominal. ocorre a mesma intensidade de respiração torácica e abdominal. movimentam-se quantidades diferentes de ar (volumes respiratórios) que se classificam do seguinte modo: Volume corrente: é a quantidade de ar que é trocada entre os pulmões e o exterior em cada inspiração e expiração. Volume residual: é a quantidade de ar que mesmo após uma expiração forçada. Essa parte do volume corrente é denominada de Estreitamento do tórax Puxam as costelas para trás Imobilização das costelas Aumenta a pressão da cavidade abdominal. empurra vísceras abdominais e o diafragma em direção cranial Aumenta a pressão da cavidade abdominal. As alterações da parede abdominal durante a respiração são observadas nos flancos.

0 Dióxido de Carbono Vol (%) Pressão parcial (mm Hg) 0.2 Oxigênio Pressão parcial (mm Hg) 159. O volume corrente é constituído por diferentes partes dos volumes respiratórios: é uma mistura gasosa.9 16. de modo que não ocorre troca gasosa de maneira ideal. O espaço morto alveolar é composto de ar que ventila alvéolos que são poucos perfundidos pelo sangue. Espaço morto fisiológico é um termo usado para descrever a soma do espaço morto anatômico com o alveolar. onde se combina com a hemoglobina. Normalmente o equilíbrio entre as pressões parciais de capilares e alvéolos do oxigênio.6 75. Além da diferença de pressão as trocas gasosas dependem do tempo de permanência do ar nos alvéolos.7 28. De acordo com ela. através de difusão. no cão. A relação entre a quantidade de ar fresco e a capacidade total dos pulmões depende da amplitude da respiração. a pressão parcial de oxigênio (PO2) pode ser calculada: PO2 = PB * FO2 PO2 = 760 * 0.1 127.000 PROCESSOS FÍSICO-QUÍMICOS DA RESPIRAÇÃO EXTERNA. A pressão parcial e a diferença de pressão entre duas partes do corpo é que resultam na transferência gasosa.03 0. Necessária para a realização das trocas de oxigênio e dióxido de carbono é a diferença de pressão para ambos os gases. Como unidade de medida da quantidade de ar trocada utiliza-se o volume-minuto. A pressão parcial de um gás é determinada pela pressão barométrica (PB) e pela fração do gás (FG) na mistura. .3 602.0 600. a mesma relação que o volume do gás mantém com o volume da mistura.5 5.1 100.21 → 160 mm Hg A pressão parcial de oxigênio diminui em altitudes elevadas porque a pressão barométrica diminui. ar expirado e ar alveolar.25 segundos.000 10. melhor é o fornecimento de oxigênio. Neste caso. Vol (%) Ar ambiente Ar expirado Ar alveolar 20. Quanto mais profunda é a respiração. Comparação das composições médias do ar ambiente.000 14.4 volume de ventilação alveolar.0 Vol (%) Nitrogênio Pressão parcial (mm Hg) 79. O gradiente de 60 mm Hg causa a difusão rápida do oxigênio para o capilar. O importante para a troca gasosa não é bem a fração de oxigênio. 760 mm Hg de pressão atmosférica e 47 mm Hg de pressão de vapor de água. com a pressão total. Volume-minuto médio de alguns animais domésticos Espécie animal Cavalo Vaca Ovelha Cabra Volume-minuto (mL) 62.21. que depende da freqüência (número de respirações por minuto) e da amplitude da respiração (volume corrente).7 13. portanto a fração do oxigênio no ar inspirado é de 0.0 Nos alvéolos ocorre uma troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue dos capilares pulmonares. assim como da velocidade do fluxo sanguíneo nos capilares. ocorre em 0. que serve como reservatório para o oxigênio e ajuda a manter o gradiente de difusão de oxigênio.000 85. e no sangue venoso a pressão parcial de oxigênio é na média de 40 mm Hg. cerca de um terço do tempo que o sangue fica no capilar. A pressão parcial do oxigênio nos alvéolos é na média 100 mmHg. O ar contém 21% de oxigênio.0 38. a 37 ºC.7 79. Para analisar tal mistura deve-se utilizar a lei dos gases. cada gás contido na mistura exerce uma mistura uma pressão parcial que mantém.2 3.6 575.

superior aos dois anteriores produz uma aceleração ou inibição da respiração. provenientes do pulmão. O primeiro a ser localizado foi o centro respiratório da formação reticular. Córtex cerebral: Influência voluntária Ponte: Centro de comandos superiores Influência Retroinformação Conexão com outros circuitos funcionais Medula oblongua: Centro respiratório e expiratório Variação da composição sanguínea Musculatura Inspiratória Musculatura Expiratória Estado de distensão dos pulmões Regulação nervosa da respiração A regulação nervosa é feita através do nervo vago.5 CONTROLE DA RESPIRAÇÃO. A porção ventral desse centro tem o papel de controle da inspiração. Ambos funcionam de maneira alterada. produzem uma inibição da inspiração. O ponto de partida e o local de chegada dos processos da respiração é o centro respiratório da medula oblongua daí partem impulsos centrais regulatórios. localizado na porção anterior da ponte. Durante a inspiração aumenta a freqüência dos impulsos que atuando sobre o centro respiratório. juntamente com o controle da temperatura. Através do vago chegam sinais elétricos no centro respiratório. enquanto que a dorsal atua no controle da expiração. . Um terceiro centro. Durante a expiração. A partir dele é feito o controle dos centros respiratórios medulares. Superposto aos centros respiratórios da medula oblongua. que se situa na parte lateral da massa cinzenta. Esse controle é denominado reflexo Hering-Breuer. existe o centro pneumotáxico. diminui a freqüência de impulsos que atinge um mínimo no final da expiração. Existe ainda a influência conjunta de estímulos internos e externos que constitui o controle reflexo. Neste momento o centro respiratório inicia a próxima inspiração. Existe a influência do 10º par craniano de nervos que é o controle neural. que constituem o controle nervoso central da respiração. e também a influência de alterações químicas do sangue. Controle nervoso central da respiração O controle da respiração é feito a partir de três locais do cérebro. que constitui o controle químico.

527p. J. Schroder. Na falta de O2 ocorre uma intensificação da atividade cardíaca e respiratória cuja finalidade é corrigir a absorção e o transporte de O2. J. Variações no conteúdo sanguíneo de CO2 afetam os centros respiratórios e circulatórios. M. Ketz. H. Guanabara Koogan.. Os três fatores atuam em conjunto de forma direta (vasos sanguíneos sobre os neurônios) ou indireta (quimiorreceptores). 1987. Reece.. Edit. 1996. Tratado de Fisiologia Veterinária. bem como do valor do pH do sangue. L. H. 856p. 1999. 611p. A. 2 ed. Guanabara. W. 4 ed. . Um aumento na pressão parcial de CO2 leva a um aumento da freqüência respiratória e a uma vasoconstrição em diversas regiões. Edit. Fisiologia Veterinária. Isto favorece a eliminação de CO2 e diminui a formação do mesmo nos tecidos. Fisiologia dos Animais Domésticos. O. 11ed. et al.6 Controle químico da respiração É feito através das variações da concentração de oxigênio e dióxido de carbono. Dukes. Guanabara Koogan. Bibliografia consultada: Cunningham. G. Edit. Gurtler. Swenson.

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