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Eutanásia e Suicídio Assistido: Direitos de Todos

Nesse texto desenvolverei minha visão sobre a Eutanásia.


Eutanásia não é apenas um tipo de morte que pode-se chamar de assistida.
Existem vários tipos de Eutanásia e os colocarei abaixo:

“Quanto ao tipo de ação

Eutanásia ativa: o ato deliberado de provocar a


morte sem sofrimento do paciente, por fins misericordiosos.

Eutanásia passiva ou indireta: a morte do paciente


ocorre dentro de um quadro terminal, ou porque não se
inicia uma ação médica ou porque há interrupção de
uma medida extraordinária, com o objetivo de minorar
o sofrimento.

Eutanásia de duplo efeito: a morte é acelerada como


uma conseqüência indireta das ações médicas que são
executadas visando ao alívio do sofrimento de um
paciente terminal.

Quanto ao consentimento do paciente

Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada


atendendo a uma vontade do paciente.

Eutanásia involuntária: quando a morte é provocada


contra a vontade do paciente.

Eutanásia não-voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse


manifestado sua posição em relação a ela.”(Ética e Eutanásia: Heriberto Brito de
Oliveira, Eymard Francisco Brito de Oliveira,Robertha Zuffo Brito de Oliveira, Ana
Maria Brito de Oliveira,Maria Elisabeth Rennó de Castro Santos, João Alfredo de
Paula e Silva )

Ao meu ver um paciente, uma vez considerado lúcido tem direito a saber seu
prognóstico e suas reais chances de sobreviver ou de curar-se. Uma vez feito isso
caso a conjectura sobre o que deverá acontecer não for satisfatória para o
paciente, ele tem direito a escolher se quer viver ou não e se quer esperar entrar
na fase do sofrimento máximo para fazer tal escolha. Atualmente pode-se manter
vivo por muito tempo um paciente que não passa de um vegetal e eu pergunto e o
sofrimento da família dessa pessoa? Já que ele não pode mais escolher nada,
pois não pode mais pensar não seria o caso de acabar-lhe com o sofrimento e
dar-lhe uma morte digna? Não seria o caso de livrar a família do sofrimento e do
desgaste psicológico também?

Outra coisa, há milhares de pacientes que podem sobreviver e precisam de um


leito de UTI e o governo tem que arcar com gastos de um paciente para o qual
não existe mais saída?

Um paciente tetraplégico não pode nem mesmo suicidar-se e qualquer pessoa


que o ajude é considerado assassino, pelo menos aqui no Brasil. Há pacientes
tetraplégicos que não podem nem mesmo sobreviver sem o uso de aparelhos e
muitos desejam morrer, por que violentar o direito de uma pessoa lúcida de
morrer? Pra mim, Eutanásia é um ato misericordioso, um ato genuinamente
democrático. Recentemente li uma matéria sobre um inglês que teve um derrame
e continuou lúcido, porém seus movimentos limitavam-se a reduzidas
movimentações da cabeça para os lados e os piscares de olhos. Ele deseja
morrer e já manifestou isso varias vezes e ainda por cima, amaldiçoa os médicos
que salvaram sua vida quando ele teve um derrame. Será que esses médicos
salvaram mesmo a vida dele? Tudo bem que eles não podiam ter noções das
sequelas. Sua mulher já disse que se não conseguir na justiça o direito à morte
assistida para o marido , vai aplicar-lhe uma dose letal de medicamentos.

Uma outra visão que tenho da Eutanásia são os casos de suicídios em que as
conseqüências não são a morte mas algum tipo lesão anatômica ou funcional.
O individuo já deixou claro que não quer permanecer nesse mundo (isso não é
uma menção ao sobrenatural) e mesmo assim insistem em negar-lhe a dignidade.

Outra coisa que penso é que o suicídio assistido deveria existir pra qualquer
pessoa, independente do fato dela possuir uma doença mortal ou não. Sou a favor
de que qualquer um que não queira mais estar aqui nesse planeta deveria poder
morrer com dignidade. O falso Estado laico brasileiro não pode proporcionar há
muitos condições mínimas de vida e bem-estar então porque essas pessoas não
podem escolher morrer de forma decente? Há coisas na sociedade sobre qual
ninguém pode legislar que são as relações interpessoais, quando um individuo se
acha inapto a viver em nossa sociedade e está há anos tentando se adaptar a isso
e não consegue, por que mantê-lo vivo contra sua vontade?

Há pessoas que falam: “Ah, isso é babaquice, quem quer se matar vai lá e se
mata”. Mas e o medo do sofrimento que o paralisa e o mantém preso a uma vida
que ele não deseja?

Vou me ater muito pouco ao aspecto religioso: muitas religiões prevêem lugares
maléficos, tenebrosos ou até mesmo a danação eterna pra quem recebe ou pra
quem pratica Eutanásia ou suicídio, mas acho apenas que depende da vontade do
cidadão ou do seguidor religioso de arcar com tais conseqüências se elas
existirem, não cabe a um padre ou rabino ou qualquer outro sacerdote decidir
sobre a vida de um fiel, muito menos influenciá-lo. Acredita-se sempre em um
milagre, mas milagres não existem. Certa vez, no inicio da década de 90 li em
uma entrevista concedida por um médico holandês à revista Veja que em 30 anos
que ele estava trabalhando em UTI , ele nunca viu um milagre, de um grupo
pacientes gravíssimos raramente alguém sobrevive e ainda sem seqüelas, de um
grupo de pessoas completamente arruinadas quase ninguém se reergue e ficar
pegando exceções para justificar certas ideais ao meu ver, limitadas e
conservadoras e por que não dizer cegas, acho ridículo.

Sou teísta, mas duvido que exista uma punição pra quem fizer uso da Eutanásia.

Por Sergio Gomes