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EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA CERTA instrumentos de coerção, somando-se assim aos

antigos instrumentos. Dentre estes novos


A Execução para a entrega de coisa instrumentos, podemos citar a parte final do § 5o
corresponde às obrigações de dar em geral, sendo indiferente do Artigo 461 : “imposição de multa por tempo
a natureza do direito a efetivar, que tanto pode ser real como de atraso, busca e apreensão, remoção de
pessoal. pessoas e coisas, desfazimento de obras e
Na redação anterior do art. 621 a impedimento de atividade nociva, se necessário
entrega de coisa certa só cabia para quem fosse condenado com requisição de força policial” e também,
“a entregar a coisa certa”, somente sendo admitida a como dispõe o § 6o do Artigo 461, “O juiz
execução forçada nos casos de títulos executivos judiciais. poderá, de ofício, modificar o valor ou a
Em 1994 com a Lei nº 8.953 passou a ser cabível a execução periodicidade da multa, caso verifique que se
de obrigação de dar coisa certa ou incerta tanto para títulos tornou insuficiente ou excessiva”. Vale lembrar
judiciais, como, também, para os extrajudiciais. Contudo em que a Lei nº 8.952 de 13.12.1994, que
2002 passou a vigorar a Lei nº 10.444, dando nova redação introduziu a multa pecuniária, permitiu que a
para o art. 621, o sistema de execução passou a ser lato mesma fosse diária e também fosse imposta ex
sensu. Onde ao final do julgamento já está garantida a officio, § 4o Artigo 461.
expedição do mandado de entrega da coisa perseguida pelo Outro ponto crucial na análise da multa
autor. coercitiva, também conhecida como Astreintes é
Tanto para os títulos judiciais quanto que não há um limite máximo para o quantum
para os extrajudiciais o objeto é a coisa certa, ou seja, coisa desta multa. É licito que o valor da multa
especificada ou individualizada, que pode ser: imóvel ou ultrapasse o valor da coisa a ser entregue. Vale
imóvel. retornar a afirmar que esta multa tem a
Não há mais, no ordenamento jurídico finalidade coercitiva de obter a tutela específica;
brasileiro, ação autônoma para entrega de coisa certa logo, se o quantum tivesse um limite máximo, a
fundada em título judicial, em face do disposto no Art. 461- obtenção desta tutela específica estaria
A do CPC. É um caso de cumprimento de sentença. inviabilizada em alguns casos, como, por
Art. 461-A. Na ação que tenha por exemplo, onde o valor econômico da coisa a ser
objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela entregue fosse baixo, não obstante o alto valor
específica, fixará o prazo para cumprimento da obrigação. sentimental que tivesse para o credor.
Com a sentença, o juiz expede ordem ALIENAÇÃO DA COISA DEVIDA: Mesmo
para que o réu entregue a coisa, determinando medidas quando houver alienação da coisa devida a
necessárias para compeli-lo caso não o faça. terceiros, se o ato de disposição ocorreu após a
Quando é fundada em Título Judicial, a propositura da execução, continuará ela
execução de coisa certa é regida pelos Art. 621 a 628 do alcançável pela constrição judicial (art. 626
CPC. O devedor de título executivo judicial será citado no CPC). O credor, é bom notar, não está obrigado
prazo de 10 dias para satisfazer a obrigação ou propor a buscar a coisa devida em poder de terceiros.
embargos. Tem ele, portanto, três opções: satisfazer a Pode preferir executar o devedor pelo valor da
obrigação, caso de extinção da mesma através de sentença, coisa,mais perdas e danos decorrentes da
opor embargos através do depósito ou não da coisa, ou ficar alienação(art. 626 CPC).
inerte, caso em que o juiz irá expedir mandado de busca e
apreensão ou imissão de posse à favor do exeqüente. EMBARGOS DE RETENÇÃO: A lei nº
Tendo o credor um título executivo 10.444/07/05/2002, restringiu o campo de
judicial, a efetivação da pretensão deste se dará aplicação dos embargos de retenção por
imediatamente após o seu direito se tornar incontroverso benfeitorias que cabem, desde então, apenas nas
para o juiz. execuções para entrega de coisa fundada em
A tônica do legislador nesta reforma foi títulos extrajudicial (art. 745,IV,acrescentado
perseguir a tutela específica, ou seja, procurou-se fazer com pela lei nº11.382/2006).Pra realizar a
que as decisões sejam efetivamente cumpridas, que o credor condenação contida nas sentenças que impõem
vitorioso na demanda não seja apenas vitorioso o cumprimento das obrigações de dar coisa
formalmente, mas sim materialmente, que tenha o bem da certa,a argüição do ius retentionis somente será
vida desejado em suas mãos. viável na contestação.Depois da sentença não
haverá mais oportunidades para questionar
Para se alcançar esta execução específica foi embargos.O mandado de busca e apreensão
necessário que o juiz recebesse novos (móveis) ou de imissão de posse(imóveis) é
conseqüência imediata da sentença, sem ensejar
novas oportunidades,para qualquer incidente
cognitivo ou de acertamento.
EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO SUBSTITUTIVA
O Credor não está jungido à obrigação de perseguir a coisa
sonegada, desta maneira, tanto na destruição como na
alienação da coisa, fica-lhe aberta a oportunidade de optar
pela execução da obrigação substitutiva ou subsidiária,
através da qual poderá reclamar uma quantia em dinheiro
equivalente ao valor da coisa, além das perdas e danos.
Títulos especiais de entrega de coisa: ações executivas
lato sensu

Lei nº 10.444 de 07 de maio de 2002.


Anteriormente a Lei:
• Regra era submeter a dois processos:
• Ação condenatória
• Ação executória.
Exceção:
• Ação de despejo
• Ação de reintegração de posse.
Direito de retenção: Deverá ser postulado na
contestação.

É possível a execução para entrega de pessoa?

A exceção virou regra com o advento do art 461-A instiuído


pela Lei nº 10.444, de 07.05.02, de modo que nenhuma
sentença de condenação ao cumprimento de obrigação de
entrega de coisa se submeterá ao sistema da duplicidade de
ações. Uma única relação processual proporcionará o
acertamento e a realização do direito do credor de coisa.
Generalizou-se, no campo dessas obrigações, a ação
executiva lato sensu. Apenas se empre gará a ação
executiva para os títulos executivos extrajudiciais.
Várias providências reforçam a efetividade da tutela às
obrigações de entrega de coisa. Dentre elas, a de maior
destaque é, sem dúvida, a permissão para empregar-se,
também nas ações relativas às obrigações de dar, a multa
periódica por retardamento no cumprimento da decisão
judicial (astreintes).