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A Colher e o Oceano

Conta-se que um dia Aristóteles caminhava pela praia, perto do mar, quando viu um homem trazendo água
do mar numa colher e jogando-a num pequeno buraco que havia cavado na areia. Aristóteles estava às voltas
com seus próprios problemas. Não deu muita importância ao fato - uma vez, duas, chegou mais perto e ficou
olhando para o homem, mas este estava tão absorto que Aristóteles ficou curioso: "O que está fazendo?" Era
difícil acreditar, o homem estava completamente absorto. Ia até o mar, enchia a colher, trazia água, colocava-
a no buraco, voltava para o mar...
Por fim, Aristóteles disse: "Espere! Não quero perturbá-lo, mas o que você está fazendo? Está me deixando
tremendamente curioso."
O homem disse: "Vou colocar todo o oceano neste buraco."
Aristóteles, até mesmo ele, riu. Disse: "Você é um tolo! Isso não vai acontecer. Você é simplesmente louco e
está perdendo sua vida! Olhe a vastidão do oceano e a pequenez do seu buraco - e com uma colherinha você
pretende trazer o oceano para este buraco? Está simplesmente louco! Vá para casa e descanse um pouco."
O homem riu ainda mais alto que Aristóteles e disse: "Sim, irei, pois meu trabalho está feito".
Aristóteles disse: "O que você quer dizer com isso?"
Ele respondeu: "O mesmo que você - só que sua tolice é ainda maior. Olhe para sua cabeça ela é menor que o
meu buraco. E olhe para o Divino, para a Existência: é muito mais vasta do que o oceano. E sua lógica, será
que é maior que minha colher?"
E o homem se foi, às gargalhadas.

A Harmonia Oculta - (Osho)

A fábula do Tigre
(relatada por Zimmer em Filosofias da Índia, a partir de The Gospel of Sri Ramakrishna)

Um filhote de tigre fora criado entre cabras. Prenhe e balofa, sua mãe passara vários dias à procura de uma
presa sem nada conseguir, até que deparou com um rebanho de cabras selvagens. Estava faminta, o que
explica a violência de sua investida. O esforço do ataque precipitou o parto e ela acabou morrendo de
esgotamento. As cabras, que haviam se dispersado, retornaram ao lugar e lá encontraram um filhote de tigre
choramingando ao lado de sua mãe. Levadas pela compaixão maternal adotaram a débil criatura;
amamentaram-na junto com suas próprias crias e dela cuidaram ternamente. O animal cresceu e sobreveio a
recompensa pelos cuidados dispensados, pois o pequeno companheiro aprendeu a linguagem das cabras,
adaptou sua voz àquele som suave e mostrou tanto afeto quanto qualquer cabrito. A princípio teve alguma
dificuldade para mastigar com seus dentes pontiagudos as tenras folhas do pasto, mas logo se acostumou. A
dieta vegetariana o mantinha enfraquecido, conferindo ao seu temperamento uma notável doçura.
Certa noite - quando o órfão, crescido entre as cabras, já havia alcançado a idade da razão - o rebanho foi
atacado, desta vez por um velho e feroz tigre. As cabras se dispersaram, porém o jovem permaneceu onde
estava, sem medo ainda que surpreso. Achando-se face a face com a terrível criatura da selva, fitou-o
estupefato. Passado o primeiro impacto, começa a tomar consciência de si. Desamparado, berra, arranca
folhas de pasto e se põe a mastigar, ante o olhar perplexo do outro.
De repente, o poderoso intruso pergunta:
_ Que fazes aqui entre as cabras?! Que estás mastigando?!
A resposta foi um berro. O outro, indignado, disse num rugido:
_ Por que emites este som estúpido?!
E antes que o pequeno pudesse responder, apanhou-o pelo cangote e o sacudiu como se quisesse fazê-lo
recobrar a lucidez. O tigre da selva carregou o assustado animal até um lago próximo, soltando-o na margem
e obrigando-o a olhar para a superfície espelhada da água, então iluminada pela lua.
_ Vê estas duas imagens! Não são semelhantes? Tens a cara típica de um tigre, é como a minha. Por que te
iludes pensando seres um cabrito? Por que berras? Por que mastigas pasto?!
O tigrezinho, incapaz de responder, continuava a olhar espantado comparando as duas imagens refletidas.
Inquieto, apoiou-se numa e logo noutra pata, e lançou um grito de aflitiva incerteza. A velha fera novamente
o carregou porém agora até seu covil, onde lhe ofereceu um pedaço de carne crua e sangrenta, sobra de uma
refeição anterior. Ante a inusitada visão, o jovem tremeu de repugnância mas o velho, ignorando o fraco
gesto de protesto, ordenou rudemente:
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_ Come! Engole!
O outro resistiu, porém a horripilante carne foi forçada a passar entre seus dentes; o tigre vigiava atentamente
seu aprendiz que tentava mastigar e preparava-se para engolir. Sua não-familiaridade com a consistência da
carne causava-lhe certa dificuldade, e estava prestes a emitir outro débil berro quando começou a
experimentar o gosto do sangue. Excitado, devorou o restante com avidez, sentindo um prazer incomum à
medida que o novo alimento descia-lhe pela garganta e atingia o estômago. Uma força estranha e quente
irradiava de suas entranhas trazendo-lhe uma sensação eufórica e embriagadora. Estalou a língua, lambeu o
focinho satisfeito e, erguendo-se, deu um largo bocejo como se estivesse despertando de uma longa noite de
sono - uma noite que o manteve sob feitiço por anos e anos. Espreguiçando-se, arqueou as costas, estendeu e
abriu as garras. Sua cauda fustigava o solo e, de súbito, irrompeu de sua garganta o triunfal e aterrorizente
rugido de um tigre.
O inflexível mestre, que estivera observando de perto, sentia-se recompensado. A transformação, de fato,
acontecera. Ao cessar o rugido, perguntou severamente:
_ Agora sabes quem realmente és?
E para completar a iniciação de seu jovem discípulo no saber secreto de sua própria e verdadeira natureza,
acrescentou:
_ Vem! Vamos caçar juntos pela selva.

A Lenda Do Monge e do Escorpião


Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo
arrastado pelas águas.
O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão.
Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido a dor, o homem deixou-o cair novamente no rio.
Foi então à margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio,
colheu o escorpião e o salvou.
Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada.
Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
- Mestre deve estar doendo muito!
Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? que se afogasse!
Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda!
Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu: "Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo
com a minha."
Esta parábola nos faz refletir a forma de melhor compreender e aceitar as pessoas com que nos relacionamos.
Não podemos e nem temos o direito de mudar o outro, mas podemos melhorar nossas próprias reações e
atitudes, sabendo que cada um dá o que tem e o que pode.
Devemos fazer a nossa parte com muito amor e respeito ao próximo.
Cada qual conforme sua NATUREZA.

A oração que Deus entendia

"No ano de 1502, durante a conquista da América, um missionário espanhol visitava um ilha perto do México
quando encontrou três sacerdotes astecas.
- Como vocês rezam?
- Perguntou o padre.
- Temos apenas uma oração
- Respondeu um dos astecas.
- Dizemos:
- Ó meu Deus, Tu és três e nós somos três. Tende piedade de nós.
- É uma bela oração, mas Deus não entende estas palavras. Vou ensinar-lhes uma oração que Deus escuta.
E antes de seguir seu caminho, fez com que os astecas decorassem uma oração católica.
O missionário evangelizou vários povos, e cumpriu sua missão com um exemplar. Depois de muito tempo
pregando a palavra da Igreja na América, chegou o momento de retornar à Espanha.
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No caminho de volta, passou pela mesma ilha onde estivera alguns anos antes. Quando a caravela se
aproximava, o padre viu os três sacerdotes, caminhando sobre as águas e fazendo sinal para que a caravela
parasse.
- Padre!!! Padre!!!- gritava um deles. Por favor, torna a nos ensinar a oração que Deus escuta, porque não
conseguimos lembrar!!!
- Não importa - respondeu o missionário ao ver o milagre. E pediu perdão a Deus, por não haver entendido
que Ele falava todas as línguas.”

Extraído do livro: "Contos Russos"

A Verdadeira Alquimia

Certa vez um andarilho apareceu numa aldeia da Idade Média. Dirigiu-se à praça central da cidade,
anunciou-se como alquimista e disse que ensinaria como transformar qualquer tipo de metal em ouro.
Algumas pessoas pararam para ouvi-lo e começaram a proferir gracejos e ridicularizá-lo.
O estranho não se abalou com as chacotas, pediu um pedaço de metal e alguém entregou-lhe uma
ferradura, um outro ofereceu-lhe um prego. O alquimista então pegou ambas as peças, e ainda sob as risadas
dos incrédulos, colocou-as numa pequena vasilha e derramou sobre elas o conteúdo de um frasco que havia
retirado de sua sacola. Permaneceu alguns segundos em silêncio e o fenômeno aconteceu: a ferradura e o
prego tornaram-se dourados.
Uma sensação de espanto percorreu a multidão que se avolumava cada vez mais na praça.
O alquimista levantou as peças de ouro para que todos pudessem admirar a transmutação.
Um ourives presente no local pediu para examinar os objetos e foi atendido.
Em pouco tempo, revelou serem as peças de ouro puríssimo como nunca tinha visto.
As pessoas agitaram-se e agora queriam ouvir.
O alquimista então pegou um grosso livro de sua sacola e disse estar nele o segredo da transmutação dos
metais em ouro.
Poucos dias depois, a maioria das pessoas possuía uma cópia do valioso manuscrito, assim a receita para
produzir ouro passou a ser conhecida por todos.
Em seguida, entregou o livro a uma criança próxima e partiu tranqüilo. Ninguém o viu ir embora, pois
todos os olhos mantiveram-se fixos no objeto nas mãos da criança.
Contudo, a fórmula era complexa.
Exigia água destilada mil vezes no silêncio da madrugada e ingredientes que deveriam ser colhidos em
noites especiais e em praias distantes.
No início todos puseram as mãos à obra, mas com o passar do tempo, as pessoas foram desistindo do
trabalho.
Era muito penoso ficar mil noites em silêncio esperando a água destilar. Além disso, procurar os outros
ingredientes era muito cansativo.
As pessoas foram desistindo. E, à medida que desistiam, tentavam convencer os outros a fazerem o
mesmo.
Diziam que a fórmula era apenas uma galhofa deixada pelo alquimista para mostrar como eram tolos.
Assim, muitos e muitos outros, influenciados pelos primeiros, também desistiram.
Mas, um pequeno grupo prosseguiu com o trabalho.
Apesar de ridicularizados pelo resto da aldeia, continuaram destilando a água e fizeram várias viagens
juntos à procura dos ingredientes da fórmula.
O tempo correu, e a quantidade de histórias divertidas, e de situações que eles passaram juntos, desde que
começaram a seguir a fórmula, cresceu.
E o grupo dos aprendizes de alquimia tornou-se cada vez mais unido. Converteram-se em grandes amigos.
Até que em um mesmo dia, todos tinham começado juntos, e viraram a última página das instruções do
livro, e lá estava escrito:
"Se todas as instruções foram seguidas, você tem agora o líquido que, derramado sobre qualquer metal,
transforma-o em ouro.
Entretanto, agora você já percebeu que a maior riqueza não está no produto final obtido, mas sim no
caminho percorrido.
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O que nos torna infinitamente ricos não é a quantidade de ouro que conseguimos produzir, mas os
momentos que compartilhamos com os verdadeiros amigos".

Almas Grandes
História hindu.

No princípio dos tempos, uma grande nuvem espiritual envolvia o mundo constituindo a essência suprema,
e cada criança, ao nascer, recebia uma generosa parcela deste misterioso ectoplasma que descia sobre ela e
passava a ser sua alma.
Com o passar dos séculos, as populações foram aumentando e já não havia grandes porções de alma para
dividir com todos os que nasciam.
Então começaram a aparecer na terra milhares, milhões de pessoas com almas pequenas.
Mas até hoje, de vez em quando, um engano acontece, e ainda sobra um pedaço maior de alma para
determinados seres humanos.
Assim nascem, aqui... ali, criaturas de almas grandes.
Por toda parte, na terra, em países diversos, essas pessoas de almas grandes se reconhecem e se atraem ao
se verem pela primeira vez.
São em geral simpáticas, inteligentes, honestas, e se identificam imediatamente uma com as outras, como
se fossem irmãs.
Os casos de amor ou amizade à primeira vista, constituem provas concretas de que estas grandes almas
existem.
A angústia de viver está em que, no caso de sermos almas grandes, passamos as vezes uma vida inteira sem
encontrar nossas parceiras genuínas, aquelas pessoas perfeitamente aptas a se identificarem
conosco, a tornarem-se nossas maiores amigas, ou nossas grandes paixões.
E podem estar a nossa espera ali na esquina, ou num bairro que não freqüentamos, numa cidade que não
visitamos.
Todos deveriam falar com todos, sem constrangimentos, e tentar aproximações novas e freqüentes.
O mundo seria bem melhor se qualquer pessoa desconhecida dissesse em plena rua:
- "Taí...gostei de você...vamos tomar um café".
"Os navios não alcançam as estrelas, mas é através delas
que se lançam ao mar"

Dois Monges

Dois monges em peregrinação iam passando por um rio. Lá avistaram uma menina vestida com toda a
elegância, obviamente sem saber o que fazer, já que
o rio estava alto e ela não queria estragar suas roupas.
Sem mais cerimônias, um dos monges levou-a nas costas, atravessou-a
e depositou-a em solo seco do outro lado
Então os monges continuaram seu caminho. Porém o
outro monge, depois de uma hora, começou a reclamar:
— "Com certeza não é certo tocar uma mulher; é contra
os mandamentos ter contato íntimo com mulheres. Como
você pode ir contra a lei dos monges?
O monge que carregara a menina seguia em frente
em silêncio, mas finalmente observou:
— "Eu a deixei no rio há uma hora.
Por que você ainda a está carregando?"

Escrevendo na areia
(autor desconhecido)
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Dois grandes mercadores árabes, de nomes Amir e Farid, eram muito amigos e sempre que faziam suas
viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias, iam juntos, cada qual com sua caravana, seus
escravos e empregados.
Numa dessas viagens, ao passarem às margens de um rio caudaloso, Farid resolveu banhar-se, pois fazia
muito calor. Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela correnteza. Amir, vendo que seu grande
amigo corria risco de vida, atirou-se às águas e, com inaudito esforço, conseguiu salvá-lo.
Após esse episódio, Farid chamou um de seus escravos e mandou que ele gravasse numa rocha ali
existente, a seguinte frase:
"Aqui, com risco de sua própria vida, Amir salvou seu amigo Farid"
Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para rápido repouso.
Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir, alterando-se, esbofeteou Farid. Este,
aproximou-se das margens do rio e, com uma varinha, assim escreveu na areia:
"Aqui, por motivos fúteis, Amir esbofeteou seu amigo Farid"
O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento de Farid, perguntou-lhe:
- Meu senhor, quando fostes salvo, mandaste gravar aquele feito numa pedra e agora escreveis na areia o
agravo recebido. Por que assim o fazeis?
Farid respondeu-lhe:
- Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha para que todos aqueles que
tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles, procurem imitá-los. Ao contrário, porém, quando
recebemos uma ofensa, devemos escrevê-la na areia para que desapareça, levada pela maré ou pelos ventos, a
fim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo, para que qualquer mágoa desapareça
prontamente no nosso coração...

Fátima, a Fiandeira

Numa cidade do mais longínquo Ocidente, vivia uma jovem chamada Fátima, filha de um próspero
fiandeiro.
Um dia o pai lhe disse:
- Vem, filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do mar Mediterrâneo. Talvez
encontres por lá algum jovem atraente, de boa posição, com quem poderias casar.
Puseram-se a caminho e viajaram de ilha em ilha; o pai cuidando de seus negócios, enquanto Fátima
sonhava com o marido que logo poderia ter. Mas um dia, quando estavam a caminho de Creta, levantou-se
uma tempestade e o barco naufragou. Fátima semiconsciente, foi arrastada a uma praia perto de Alexandria.
Seu pai tinha morrido e ela ficou totalmente desamparada. Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida
até aquele momento, pois a experiência do naufrágio, e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar,
tinham-na deixado completamente exausta.
Quando vagava na areia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, levaram-na para sua
casa humilde e ensinaram-lhe seu ofício. Desse modo, Fátima iniciou uma nova vida, e dentro de um ou dois
anos voltou a ser feliz, reconciliada com sua sorte. Porém, um dia, quando estava na praia, um bando de
mercadores de escravos desembarcou e a levou, junto com outros cativos.
Apesar de Fátima lamentar-se amargamente por seu destino, eles não demonstraram nenhuma compaixão:
levaram-na para Istambul e a venderam como escrava. Seu mundo tinha desmoronado pela segunda vez.
No mercado havia poucos compradores. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar
em sua serraria, onde fabricava mastros para embarcações. Quando viu o abatimento da infeliz Fátima,
decidiu comprá-la pensando que poderia proporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos
de outro comprador.
Levou Fátima para casa, com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa. Ao chegar, soube que
tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas. Não podia enfrentar as
despesas que lhe davam os empregados, e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada
tarefa de fabricar mastros.
Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tão arduamente e tão bem que ele lhe deu a
liberdade e ela passou a ser sua auxiliar de confiança. Assim, chegou a ser relativamente feliz em sua terceira
profissão.
Um dia, ele lhe disse:
• Fátima, quero que vás a Java, como minha agente, com um carregamento de mastros, procura vendê-
los com lucro.
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Ela se pôs a caminho, mas, quando o barco estava diante da costa chinesa, um tufão o fez naufragar. Mais
uma vez Fátima se viu jogada na praia de um país desconhecido. De novo chorou amargamente, porque
sentia que em sua vida nada acontecia como esperava. Sempre que tudo parecia andar bem, acontecia algo
que destruía suas esperanças.
• Porque será – perguntou pela terceira vez – que sempre que tento fazer alguma coisa ela não dá certo?
Por que devo passar por tantas desgraças?
Como não teve respostas, levantou-se da areia e afastou-se da praia.
Ninguém na China tinha ouvido falar de Fátima e de seus problemas. Mas existia uma lenda de que
chegaria certa mulher estrangeira, capaz de fazer uma tenda para o imperador. Como naquela época não
existia ninguém na China que soubesse fazer tendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento
da profecia.
Para ter certeza de que a estrangeira, ao chegar, não passaria sem ser notada, uma vez por ano os sucessivos
imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país, pedindo
que toda mulher estrangeira fosse levada à corte.
Exatamente, numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou a uma cidade costeira da China. Os habitantes
do lugar falaram com ela através de um intérprete, e lhe explicaram que devia ir à presença do imperador.
• Senhora – disse o imperador quando Fátima foi levada até ele – sabe fabricar uma tenda?
• Acho que sim – respondeu a moça.
Pediu cordas, mas não tinham. Lembrando-se dos seus tempos de fiandeira, Fátima então colheu linho e
fabricou-as. Depois pediu um tecido resistente, mas os chineses não tinham do tipo que ela precisava. Então,
utilizando suas experiências com os tecelões de Alexandria, fabricou um tecido forte, próprio para tendas.
Percebeu que precisava de estacas para a tenda, mas não existiam no país. Lembrando-se do que lhe ensinara
o fabricante de mastros em Istambul, Fátima fabricou umas estacas firmes. Quando tudo estava pronto, deu
tratos à bola procurando lembrar de todas as tendas que tinha visto em suas viagens. E uma tenda foi
construída.
Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China, ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que
Fátima expressasse. Ela quis morar na China, se casou com um belo príncipe e, rodeada por seus filhos, viveu
muito feliz até o fim de seus dias.
Através dessas aventuras, Fátima compreendeu que o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma
experiência desagradável, acabou sendo parte essencial para a sua felicidade.

(“Fátima, a Fiandeira” é uma história-ensinamento, retirada do livro “Histórias da Tradição Sufi”, Edições
Dervish, seleção e adaptação Grupo Granada de Contadores de Histórias, coordenação Nícia Grillo)

Contos - Histórias da sabedoria sufi


(Paulo Coelho)

Não importa fingir-se de tolo

O mullah Nasrudin (personagem central de quase todas as histórias da tradição sufi) já se havia
transformado numa espécie de atração da feira principal da cidade. Quando se dirigia até ali para pedir
esmolas, as pessoas costumavam lhe mostrar uma moeda grande, e uma pequena: Nasrudin sempre escolhia a
pequena.
Um senhor generoso, cansado de ver as pessoas rirem de Nasrudin, explicou-lhe:
"Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro, e não será
considerado idiota pelos outros."
"O senhor deve ter razão", respondeu Nasrudin. "Mas se eu sempre escolher a moeda maior, as pessoas vão
deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. E, desta maneira, não poderei mais
ganhar meu sustento. Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é
inteligente".

Somos todos responsáveis

A comitiva passou pela rua; soldados fortemente armados levavam um condenado para a forca.
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"Este homem não prestava", comentou um discípulo com Nasrudin. "Uma vez dei-lhe uma moeda de prata
para ajudá-lo a levantar-se de novo na vida, e ele não fez nada de importante."
"Talvez ele não preste, mas pode estar agora caminhando para forca por sua causa", contestou o mestre. "É
possível que tenha utilizado a esmola para comprar um punhal, que terminou usando no crime cometido;
então, suas mãos também estão ensangüentadas - porque, ao invés de ajudá-lo com amor e carinho, preferiu
dar-lhe uma esmola e livrar-se de sua obrigação".

Cada coisa em seu lugar

A festa reuniu todos os discípulos de Nasrudin. Comeram e beberam por muitas horas, e conversaram sobre
a origem das estrelas. Quando já era quase madrugada, todos se prepararam para voltar as suas casas.
Restava um belo prato de doces sobre a mesa: Nasrudin obrigou os seus discípulos a come-lo.
Um deles, porém, se recusou.
"O mestre está nos testando" disse. "Quer ver se conseguimos controlar nossos desejos".
"Você esta enganado", respondeu Nasrudin. "A melhor maneira de dominar um desejo, é vê-lo satisfeito.
Prefiro que vocês fiquem com o doce no estômago - que é seu verdadeiro lugar - do que no pensamento, que
deve ser usado para coisas mais nobres."

Lenda Hindu Sobre a Criação da Mulher

Diz a lenda que o Senhor, após criar o homem e não tendo nada sólido para construir a Mulher, tomou um
punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais como: timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e
ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a mulher e a entregou ao homem como sua
companheira.
Após uma semana, o homem voltou e disse:
- Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz. Ela fala sem cessar e me atormenta de tal
maneira que nem tenho tempo para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim as
minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo e fica facilmente emburrada e, às vezes,
muito tempo ociosa. Vim devolvê-la por que não posso viver com ela.
Depois de uma semana o homem voltou ao criador e disse:
- Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Eu sempre penso nela, em
como ela dançava e cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava comigo e como se
achegava a mim.
Ela era agradável de se ver e de se acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir.
Por favor, dê-me-a de volta.
- Está bem, disse o Criador. E a devolveu.
Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:
- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de todas estas minhas experiências com esta
criatura, cheguei a conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Pega-lhe, toma-a de novo! Não
consigo
viver com ela!
O Criador respondeu:
- Mas também não pode viver sem ela. E virou as costas para o homem e continuou seu trabalho.
O homem desesperado disse:
- Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela.
E arremata o Criador:
- Achei que com as tentativas você já tivesse descoberto. Amor é um sentimento a ser aprendido.
É tensão e satisfação.
É desejo e hostilidade.
É alegria e dor.
Um não existe sem o outro.
A felicidade é apenas uma parte integrante do amor.
Isto é o que deve ser aprendido.
O sofrimento também pertence ao amor.
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Este é o grande mistério do amor.
A sua própria beleza e o seu próprio fardo.
Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar sempre a doação e o
sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá talvez que abdicar de alguma coisa para possuir ou
ganhar uma outra coisa. Terá talvez que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua
felicidade.
É como plantar uma árvore frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma parte da paisagem. Troca o
silêncio pelo gorjeio da passarada ao amanhecer. É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a
enfrentar o aprendizado do AMOR."

Medo do desconhecido

Contam as lendas que um dia um espião foi preso e condenado à morte pelo general do exército árabe.
Sua sentença era o fuzilamento, mas o general tinha um hábito diferente e sempre oferecia ao condenado
outra opção. E essa outra opção era escolher entre enfrentar o pelotão de fuzilamento ou entrar por uma porta
preta.
Com a aproximação da hora da execução o general ordenou que trouxessem o espião à sua presença para
uma breve entrevista.
Diante do condenado, fez a seguinte pergunta:
- O que você quer - a porta preta ou o fuzilamento?
A escolha não era fácil, por isso o prisioneiro ficou pensativo e, só depois de alguns minutos, deu a
resposta:
- Prefiro o fuzilamento.
Depois que a sentença foi executada o general virou-se para o seu ajudante e disse:
- “Assim é com a maioria dos homens. Preferem o caminho conhecido ao desconhecido”.
- E o que existe atrás da porta preta? Perguntou o ajudante.
- A liberdade, respondeu o general. E poucos foram os homens corajosos que a escolheram.
Essa é uma das mais fortes características do ser humano: optar sempre pelo caminho conhecido, por medo
de enfrentar o desconhecido.
Geralmente as pessoas não abrem mão da acomodação que uma situação previsível lhes oferece. É mais
fácil ficar com a segurança do que já se sabe do que aventurar-se a investigar novos caminhos.

Pense nisso!
Nem sempre o caminho já batido por muitos é o caminho que nos conduzirá à liberdade.
Nem sempre nadar a favor da correnteza é indício de chegada a um porto seguro.
Às vezes, é preciso abrir trilhas ainda desconhecidas da maioria, mesmo que tenhamos que seguir só.
Por vezes, é preciso nadar contra a corrente, optar pela porta estreita, para que se possa vislumbrar um
mundo livre, feliz, sem constrangimentos que tolhem a liberdade e infelicitam os seres.

O anel

Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Me dizem
que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota.
- Como posso melhorar?
- O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor sem olhá-lo, disse-lhe:
- Sinto muito meu jovem, mas não posso te ajudar, devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez
depois.
E fazendo uma pausa falou:
- Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa te ajudar.
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- C...Claro, professor, gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu
professor.
O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao garoto e disse:
- Monte no cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso
que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a
moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles
olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel.
Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele,
mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar
um anel.
Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem
seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.
Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e
voltou.
O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a
preocupação de seu professor e assim podendo receber ajuda e conselhos.
Entrou na casa e disse:
- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3
moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
- Importante que disse meu jovem,... contestou sorridente.
- Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para
saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele.
- Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda... Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa,
pesou o anel e disse:
- Diga ao seu professor, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
- 58 MOEDAS DE OURO!!! - Exclamou o jovem.
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas , mas se a venda
é urgente... O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que ocorreu.
- Senta. - Disse o professor e depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou disse:
- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um "expert". Pensava que
qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor???
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.
- Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo
que pessoas inexperientes nos valorizem.
- "Ninguém pode te fazer sentir inferior sem seu consentimento."

O CAMPONÊS LING E SUAS SETE MÁSCARAS


(Fábula chinesa oriunda de tradição oral - Autor anônimo)

Era uma vez um camponês que tinha medo, muito medo. Tanto medo que saía pouco. Plantava e criava
animais em sua própria terra, para não precisar sair muito. Como saía pouco, cada vez foi ficando com mais
medo e pensou que uma forma de esconder o medo era usar uma máscara. Fez uma, mas achou que em
certas ocasiões talvez fosse melhor fazer mais uma e assim fez duas, depois três, quatro, cinco, seis e sete.
E mais não fez porque não tinha como colocá-las. Aí parou de fazer máscaras, usava uma sobre a outra.
Estas máscaras pesavam, incomodavam, via pouco, ouvia pouco, perdeu a noção de calor e frio,
desaprendendo a viver sem máscaras. Passou a sair menos ainda porque assim não tinha que responder
perguntas, nem ver gente. Plantava, colhia, cuidava dos animais. Fazia grandes provisões para sair cada vez
menos. Um dia percebeu que não tinha mais sal, mas para não ter que sair passou sem sal, a comida perdeu o
sabor e um de seus poucos prazeres terminou. Apesar disto resistiu muito, comendo a comida sem sal até
resolver que precisava ir à vila mais próxima para comprar sal. Mas, fazia tanto tempo que não saía, que não
lembrava mais do caminho. Só conseguia lembrar vagamente que precisava encontrar uma trilha dentro do
bosque. Adiou, adiou até que resolveu enfrentar o medo e foi. Entrou no bosque e havia várias trilhas,
escolheu uma, andou muito, anoiteceu e o LING percebeu que não sabia mais chegar à vila. Então teve
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muito medo. Teve medo do escuro, do frio, dos animais e dos salteadores. Só que não tinha escolha, pois
não sabia voltar, encolheu-se e dormiu. No meio da noite foi acordado, eram os salteadores. Queriam
dinheiro. Não havia dinheiro. Tinha apenas alguns ovos que usaria para trocar pelo sal. Os salteadores
irritados levaram os ovos, suas roupas, sapatos, as máscaras e também lhe deram uma surra.
O camponês LING machucado e com medo encolheu-se e chorou. Depois o cansaço foi maior que o
medo e LING dormiu. Foi acordado por um forte calor e viu uma claridade que não sabia o que era, nem de
onde vinha. Desta vez não teve medo, sentiu-se bem, espreguiçou-se, esquentou-se e dançou. Ficou alegre e
lembrou que aquele calor e aquela luz eram do sol, e ficou espantado tentando entender como havia
esquecido do Sol.
LING caminhou nu e feliz, descobrindo cores, cheiros, novas trilhas e muitas coisas com novos
sabores para comer nestes caminhos. Riu e pulou feliz com as descobertas e esqueceu de que havia saído
para buscar o sal. Quando chegou ao fim de uma das trilhas, ficou surpreso pois havia voltado ao começo do
caminho, e estava perto da casa.
LING improvisou uma canção ao ver sua casa, deu comida aos animais, cuidou de suas plantas e
colheu o que havia para ser colhido. Aí lembrou-se do sal e que afinal tudo tinha acontecido por causa dele.
Zangado, LING começou a esbravejar, e a querer destruir tudo a sua volta. Na sua fúria virou uma tina em
que há muito tempo havia colocado água do mar e para sua surpresa esparramou-se uma grande quantidade
de poeira branca. LING provou uma pitada da poeira e descobriu que no fundo da tina, na qual não mexia
há anos, havia se acumulado uma grande quantidade de sal...

O enigma

Certa vez um grupo de jovens desafiou um velho sábio a decifrar uma enigma.
A fama do velho sábio tinha se propagado por toda parte e sua sabedoria era reconhecida por todos que o
circundavam.
Em uma praça pública da cidade, na presença de uma multidão o desafio foi lançado.
Um dos jovens, chegou até o velho sábio e perguntou:
- Diga-me se este pássaro que está entre as minhas mãos está vivo ou morto ?
A armadilha para vencer o velho sábio era perfeita, se o mesmo dissesse que estava vivo, o jovem apertaria
suavemente o pássaro, sufocando-o até a sua morte, então abriria a sua mão e a pequena ave encontraria-se
morta.
Se o velho sábio dissesse que a ave estava morta, aquele jovem abriria a sua mão e o pássaro ganharia
altura, num vôo de liberdade.
Diante de tal dilema o velho homem pôs-se a pensar tranqüilamente olhando profundamente nos olhos
daquele jovem desafiante, foi quando respirando fundo e falando calmamente lhe disse:
"Jovem a resposta está em suas mãos".

Muitas vezes ficamos à espera de que algo nos aconteça para que tomemos o rumo de nossas vidas e
esquecemos que cabe a nós segurarmos as rédeas de nossa existência e lutarmos pelo que desejamos, seja o
que for, um grande amor, uma carreia, um bom emprego, saúde, etc... A reposta sempre estará em nossas
mãos. Se não tomarmos consciência disso corremos o risco de passar a nossa vida inteira na mediocridade,
esmolando oportunidades que nunca virão.

O Guardião Do Castelo

Certo dia num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande
Mestre convocou, então, todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com
muita tranqüilidade, falou:
_"Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar."
Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima
dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e
disse apenas :
_"Aqui está o problema !"
Todos ficaram olhando a cena : o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro.
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O que representaria ?! O que fazer ?! Qual o enigma ?!
Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da
sala e ... ZAPT ... destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse :
_"Você será o novo Guardião do Castelo."

Moral da História :

Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.
Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou
um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele
em sua vida, tem que ser suprimido. Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram
importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço
esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz :
_"Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora, para então, beber o
vinho."
Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais
sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como
referência.
Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu
futuro. Necessariamente nessa ordem!

(Autor Desconhecido)

O Guardião do Mosteiro

Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O
grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.
O Mestre, com muita tranquilidade, falou:
- Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.
Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima
dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E
disse apenas: - Aqui está o problema!
Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O
que representaria? O que fazer? Qual o enigma?
Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da
sala e ...ZAPT!... destruiu tudo, com um só golpe.
Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:
Você é o novo Guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser
eliminado.
Um problema é um problema, mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou
um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em
sua vida, deve ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje
somente ocupam espaço - um lugar indispensável para criar a vida.
Os orientais dizem:
- Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá para, então, beber o
vinho.
Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho.
Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários até chegar às pessoas do passado que não fazem mais
sentido estar ocupando espaço em sua mente. Vai ficar mais fácil ser feliz.
(Roberto Shinyashiki)

O Jardim de Valhala
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Conta a lenda que na morada do Criador existe um imenso jardim, chamado de Jardim de Valhala. Neste
jardim, onde o tempo não vigora, e um minuto e a eternidade convivem no mesmo momento, ficam os
espíritos bons, escolhidos pelo Altíssimo, aguardando a hora de serem enviados à Terra para cumprirem sua
missão.
No Jardim de Valhala dois espíritos, um chamado Danjar e outro chamado Kandata, ficaram por tempos e
tempos, surgindo um amor profundo entre ambos. Um amor puro, fraternal, que os unia com uma força
superior à própria força do amor.
Danjar e Kandata estavam sempre juntos. Um era a alegria do outro, e, por um fenômeno que o mero
conhecimento humano não explica, um brilho descomunal reluzia sobre os dois quando estavam lado a lado.
A alegria que os dois espalhavam contagiava os demais espíritos e os dois transformaram-se na essência do
jardim.
Um dia, Danjar foi enviado à Terra. Kandata, à princípio, ficou muito feliz em saber que o seu inseparável
companheiro tinha, finalmente, sido enviado para cumprir sua missão, porém, aquela alegria de primeiro
momento foi se tranformando em uma tristeza profunda.
O Jardim de Valhala, de um instante para o outro passou a não ter mais sentido. Nada mais tinha sentido.
Até o brilho de Kandata foi morrendo e ela passou a ser a imagem viva da dor. Os outros espíritos de tudo
fizeram para que a alegria de Kandata voltasse e nada conseguiram.
A dor de Kandata era tão profunda que os outros espíritos, compadecidos de seu sofrimento, resolveram
enviá-la à Terra, mesmo sem ser a hora certa, para que ela pudesse procurar e encontrar Danjar, e, se possível
levá-lo de volta ao jardim.
Tomando Deus conhecimento da rebeldia de Kandata, deu-lhe um castigo. Ainda que ela estivesse na
Terra, nunca encontraria Danjar, vez que ele estaria sempre em lugar diferente do dela e ela jamais poderia
trazê-lo de volta ao Jardim de Valhala.
Kandata então, em um gesto desesperado, dividiu seu amor em infinitos pedaços e implantou cada pedaço
em um novo espírito que viesse à Terra, pois assim, não só ela, mas centenas de espíritos procurariam por ele
e algum poderia encontrar Danjar. Cada um deles levava parte do amor dela, um dia uma parte dela estaria
junto daquele que ela tanto amava.
Kandata dividiu-se e dividiu-se tanto, que dela nada mais restou senão a lembrança. Assim, quando duas
pessoas se encontram e sem qualquer explicação, um laço profundo de amor surge entre ambos, é um pedaço
do amor de Kandata que encontrou na outra pessoa, um pedaço do brilho de Danjar.

O Julgamento
(Chuang Tzu)

Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo
branco...
Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia:
- Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?
O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.
Numa manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira se reuniu, e disseram:
- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vendê-lo. Que
desgraça!
O velho disse:
- Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato, o resto é
julgamento. Se se trata de uma desgraça ou de uma benção, não sei, porque este é apenas um julgamento.
Quem pode saber o que vai se seguir?
As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco louco.
Mas, quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia
fugido para a floresta. E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente, as pessoas se reuniram e disseram:
- Velho, você estava certo. Não se trata de uma desgraça, na verdade provou ser uma benção.
O velho disse:
- Vocês estão se adiantando mais uma vez. Apenas digam que o cavalo está de volta... quem sabe se é uma
benção ou não? Este é apenas um fragmento. Você
lê uma única palavra de uma sentença, como pode julgar todo o livro?
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Desta vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente sabiam que ele estava errado. Doze lindos
cavalos tinham vindo...
O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde,
ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas.
As pessoas se reuniram e, mais uma vez, julgaram. Elas disseram:
- Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas, e na sua velhice
ele era seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca.
O velho disse:
- Vocês estão obcecados por julgamento. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as
pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma benção. A vida vem em fragmentos, mais que isso
nunca é dado.
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra, e todos os jovens da aldeia foram
forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois recuperava-se das fraturas. A cidade
inteira estava chorando, lamentando-se porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos
jovens jamais voltaria.
Elas vieram até o velho e disseram:
- Você tinha razão, velho - aquilo se revelou uma benção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com
você. Nossos filhos foram-se para sempre.
O velho disse:
- Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o
exército e que meu filho não foi. Mas somente Deus sabe se isso é uma benção ou uma desgraça. Não julgue,
porque dessa maneira jamais se tornará uno com a totalidade. Você ficará obcecado com fragmentos, pulará
para as conclusões a partir de coisas pequenas. Quando você julga você deixa de crescer. Julgamento
significa um estado mental estagnado. E a mente deseja julgar, porque estar em um processo é sempre
arriscado e desconfortável. Na verdade, a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina e outro começa:
uma porta se fecha, outra se abre. Você atinge um pico, sempre existirá um pico mais alto. Aqueles que não
julgam estão satisfeitos simplesmente em viver o momento presente e nele crescer... Somente eles são
capazes de caminhar com Deus.

Na próxima vez que você for tirar alguma conclusão apressada sobre um assunto ou sobre uma pessoa,
lembre-se desta mensagem.

O presente de insultos

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen-budismo aos
jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por
utilizar a técnica da provocação.
Esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para
reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava
ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama.
Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho mestre aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos ofendendo
inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitara tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
- Como o senhor pode suportar tanta indignidade?
Por quê não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde
diante de todos nós?
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou
o samurai.
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- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos - disse o mestre.
- Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.

O Rabino

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito. Seu objetivo era
visitar um famoso rabino. Lá chegando, o turista ficou surpreso ao ver que o rabino morava num quarto
simples, cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis - perguntou o turista.
E o rabino, bem depressa, perguntou também:
- E onde estão os seus?
- Os meus? - perguntou o turista. Mas eu estou aqui só de passagem!
- Eu também! Disse o rabino.
A vida na Terra é somente uma passagem. No entanto, vivemos como se fôssemos ficar aqui
eternamente !!!

Pense nisso..

O Samurai e o Mestre Zen

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse
muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se
repentinamente inferior.
Ele então disse ao Mestre:
- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei,
subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca
experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"
O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado
de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:
- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"
O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele
disse:
- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao
lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por
que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi
sussurro algum sobre isso."
O Samurai então argumentou:
- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."
E o Mestre replicou:
- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e
superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta
árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas.
O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto
desaparecer.
"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é
mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é
necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"

(Autor desconhecido)
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Os doze pratos

Um príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara quão antiga procedência, constituída
por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa.
Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças. Tomando
conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora
vítima de uma circunstância fortuita.
A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um
sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem à coleção, se o servo fosse perdoado.
Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Este solicitou que
fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços
da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel.
Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as
porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore e arrebentando-as todas.
Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:
- Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me. Desde que essas
porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria,
sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada. Assim,
com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos nada valem.
Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo que nada há mais
precioso do que a vida em si mesma.

Autor Anônimo

Que tipo de pessoas vivem neste lugar?

Conta uma popular lenda do Oriente, que um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e,
aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
"Que tipo de pessoas vive neste lugar?"
Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? - Perguntou por sua vez o ancião.
Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz - estou satisfeito de haver saído de lá.
A isso o velho replicou: a mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
"Que tipo de pessoas vive por aqui?"
O velho respondeu com a mesma pergunta:
"Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?"
O rapaz respondeu:
"Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste pôr ter de deixá-las".
"O mesmo encontrará pôr aqui", respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
"Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?"
Ao que o velho respondeu:
"Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos
lugares pôr onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali,
também os encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo e o futuro de cada um de nós está escrito no
passado. Ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo. O ambiente, o
presente e o futuro somos nós que criamos e isso só depende de nós mesmos".

Sem piscar os olhos

Durante uma guerra civil na Coréia, certo general avançava implacavelmente com suas tropas, tomando
província atrás de província, e destruindo tudo o que encontrava a sua frente. O povo de uma cidade, ao saber
que o general se aproximava - e tendo ouvido histórias de sua crueldade - fugiu para uma montanha nas
cercanias.
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As tropas encontraram as casas vazias. Depois de muito vasculhar, descobriram um monge Zen, que havia
permanecido no local. O general mandou que ele viesse a sua presença, mas o monge não obedeceu.
Furioso, o general foi até ele:
- Você não deve saber quem eu sou! - esbravejou. - Eu sou aquela capaz de perfurar o seu peito com a
minha espada, sem piscar os olhos!
O mestre Zen virou-se e respondeu serenamente:
- O senhor tampouco deve saber quem eu sou. Eu sou aquele capaz de ser perfurado por uma espada, sem
piscar os olhos.
Ouvindo isso, o general curvou-se, fez uma reverência, e se retirou.

(Mensagem de Paulo Coelho)

Sinais

Conta-se que um velho Árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, cada noite, que certa
vez, um rico chefe de grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou:
- Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?
O crente fiel respondeu:
- Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.
- Como assim? - indagou o chefe, admirado.
O servo humilde explicou-se:
- Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?
- Pela letra.
- Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?
- Pela marca do ourives.
O empregado sorriu e acrescentou:
- Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo ou
um boi?
- Pelos rastros - respondeu o chefe, surpreendido.
Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava, cercada
por multidões de estrelas, exclamou, respeitoso:
- Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens!
Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar
também.
(Autora espiritual: Meimei. Mensagem psicografada por Chico Xavier.)

Um conto Sufi

Os sufi (não se enganem, o certo é esse mesmo; no singular) são uma das centenas de castas da Índia. São
um povo pobre, temente a Deus e que se especializaram em contar histórias que transmitissem aos mais
jovens os ensinamentos filosóficos de seus ancestrais.
Esta é mais uma de suas lendas:
Conta-se que em um dos templos nas montanhas, há muito tempo, vivia um grande mestre. Sua fé era
considerada inabalável. Seus poderes não podiam ser entendidos de outra forma, que não a própria
manifestação divina.
Um jovem, ainda inexperiente demais, quis juntar-se aos monges desse templo, movido pelo desejo de
conhecer o Grande Mestre e estudar com ele. Após muita discussão por causa da idade do rapaz, o Mestre o
aceitou e passou a ensiná-lo pessoalmente, despertando a inveja dos demais monges.
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Num dia de inverno, onde a bruma das montanhas cobria a visão, os monges invejosos se reuniram em
torno de uma das fogueiras e decidiram que o jovem discípulo devia morrer. Correram até ele e lhe disseram:
“Se tu realmente tens fé e confias nos ensinamentos do mestre, tu saltarás do penhasco adiante e não
morrerás, porque tua fé há de salvá-lo”.
O jovem sequer considerou o pedido dos companheiros. Saiu correndo e jogou-se penhasco abaixo. Os
monges todos correram, esperando ver seu corpo dilacerado nas pedras lá embaixo, mas, para sua surpresa, o
jovem pairava no ar...
O Grande Mestre sorriu.
A segunda armadilha deu-se na travessia de um rio. Os monges aproximaram-se do jovem e disseram: “Se
tu realmente tens fé e confias nos sagrados ensinamentos do mestre, tu sairás do barco agora e caminhará
sobre as águas, sustentado pela sua fé”.
Mais uma vez, o jovem impetuoso não titubeou. Saiu do barco e pôs-se a andar sobre as águas, para o
espanto dos colegas monges.
Vendo aquilo, e lembrando do que acontecera antes, o Grande Mestre pensou: “Se ele pode andar sobre as
águas sendo apenas um discípulo, eu certamente poderei fazer o mesmo”. saindo do barco, o Mestre afundou
como uma pedra e morreu afogado.
Moral da história: A sua fé independe do seu Mestre.

Um Conto Zen
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por
utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma
inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava
ali para derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho
aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou
algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo
inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se
já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar
tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
- Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia
perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou
o Samurai.
- A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos. - disse o mestre - Quando não são aceitos, continuam
pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas
não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir...

(Autor desconhecido)
Uma antiga lenda
(Japão)

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter
assassinado uma mulher.
Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um
"bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino.
O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para
condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.
O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo,
fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.
Disse o juiz:
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- Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever num
pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO.
Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou
o juiz.
Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de
maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca.
Não havia saída.
Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o
acusado escolher um.
O homem pensou alguns segundos e pressentindo a "vibração" aproximou-se confiante da mesa, pegou um
dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu.
Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.
"- Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?"
"- É muito fácil", respondeu o homem.
"- Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário."
Imediatamente o homem foi liberado.

Moral da História:
Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento.
Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída. Não desista, não entregue os pontos, não se deixe
derrotar. Persista, vá em frente apesar de tudo e de todos, creia que pode conseguir.
Se você fizer o que sempre fez, conseguirá o que sempre conseguiu!!!
Use sua Força Divina, para superar suas limitações.

O mestre e a rosa

O mestre chamou os seus três discípulos e disse:


Eu tenho dedicado estes últimos anos a ensiná-los. Como recompensa eu gostaria que cada um me
trouxesse um presente.
Os três, conhecedores da sensibilidade do mestre, sabiam exatamente o que ele queria e saíram a procurar.
Uma hora depois chegou o primeiro, todo feliz, entregou o seu presente ao mestre dizendo:
Trouxe esta rosa. Os malditos espinhos me arranharam todo, mas eu consegui pegá-la.
O mestre agradeceu o presente.
Em seguida chegou o outro discípulo, todo radiante, entregou o seu presente ao mestre dizendo:
Mestre, eu te trouxe esta bela rosa. Os espinhos a protegiam, mas eu consegui alcançá-la.
O mestre sorrindo agradeceu o belo presente.
Muito tempo depois chegou o terceiro discípulo. Estava triste e cabisbaixo. Envergonhado perante seus
amigos, disse ao mestre:
Mestre, eu encontrei a mais bela de todas as rosas, mas não tive coragem de arrancá-la. Eu preferi deixá-la
irradiando sua beleza para todos que por ali passassem.
O mestre feliz disse:
Meu amado filho, você me deu um maravilhoso presente...

Os pássaros solitários

Do lado de um imenso muro de pedras voava um pássaro, como sempre sozinho, pensando na sua eterna
solidão.
Do outro lado do mesmo muro outro pássaro também voava e lamentava o seu interminável isolamento.
Mas do alto de uma nuvem, bem acima de qualquer muro, dois anjos observavam a cena.
Um dos anjos comentou:
Veja que maravilha! Que sincronismo de vôo! Isto é o verdadeiro amor.
O outro anjo questionou:
Será que eles nunca se encontrarão?
O primeiro anjo respondeu:
É claro que sim. Olhe, lá adiante, o fim do muro. Todo muro tem um fim.
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E completou:
Mas se eles se arriscassem a voar mais alto, acima do muro, poderiam se encontrar hoje mesmo.

O amigo...

“Meu amigo não voltou do campo de batalha, senhor.


Solicito permissão para ir buscá -lo” disse um soldado ao seu tenente.
“ Permissão negada” replicou o oficial,
“ Não quero que arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto”.
O soldado, ignorando a proibição, saiu e uma hora mais tarde regressou, mortalmente ferido, transportando
o cadáver de seu amigo.
O oficial estava furioso:
“ Já tinha te dito que ele estava morto!
Agora eu perdi dois homens!
Diga-me: Valeu à pena ir lá para trazer um cadáver?”
E o soldado moribundo, respondeu:
“ Claro que sim, senhor ! Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e pôde me dizer:”
“Tinha certeza de que você viria.”

Você decide...

Numa vila na Grécia, vivia um sábio famoso por saber sempre a resposta para todas as perguntas que lhe
fossem feitas.
Um dia, um jovem adolescente, com um amigo, disse: “eu acho que sei como enganar o sábio. Vou pegar
um passarinho e o levarei, dentro de minha mão, até o sábio. Então, perguntarei a ele se o passarinho está
vivo ou morto. Se ele disser que está vivo, espremo o passarinho, mato-o e deixo-o
cair no chão; mas se ele disser que está morto, abro a mão e o deixo voar.”
Assim, o jovem chegou perto do sábio e fez a
pergunta:
- Sábio, o passarinho que está em minha mão está vivo ou morto?
O sábio olhou para o rapaz e disse:
- Meu jovem, a resposta está em suas mãos!

Como você vê o mundo

Um dia um pai de família rica levou o seu filho para viajar para o interior com o firme propósito de mostrar
o quanto as pessoas podem ser pobres.
Eles passaram um dia e uma noite na fazenda de uma família muito pobre. Quando retornaram de viagem o
pai perguntou ao filho:
Como foi a viagem?
Muito boa papai!
Você viu como as pessoas pobres podem ser pobres? O pai perguntou.
Sim.
O que você aprendeu?
O filho respondeu:
Eu vi que nós temos um cachorro em casa e eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do
jardim, eles têm um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com luzes, eles têm
as estrelas e a lua. Nosso quintal vai até o portão de entrada, eles t6em uma floresta inteira.
Quando o garoto estava acabando de responder, seu pai estava espantado.
O filho acrescentou:
Obrigado pai, por mostrar o quanto “pobres”nós somos!

A flor amarela
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Esta é uma lenda sobre a flor amarela num jardim. Ela floresce uma vez só por ano então murcha e cai.
Quando um visitante entrou no jardim, ouviu reclamações de todos os lados. A mangueira manifestou então
sua intenção de ser uma palmeira.
-— Por que?
—- Perguntou o visitante.
—- Porque a árvore toda é útil - o fruto, as folhas, os galhos e até o tronco, enquanto em mim, mangueira
somente o meu fruto é de utilidade. A palmeira invejava a mangueira por ter seus frutos exportados.
Todas as plantas tinham inveja umas das outras. O visitante escutou todas as reclamações, até que avistou a
pequena flor amarela.
— Por que você não está reclamando como as outras plantas?
— A flor então respondeu: Eu costumava a olhar para o coqueiro e invejava suas folhas ao vento. Tinha o
desejo de produzir frutos suculentos como as mangas. Então pensei; se Deus quisesse que eu fosse como a
mangueira e a palmeira, ele teria me criado igual a elas. Mas sabe Deus me fez: uma flor amarela?
Porque ele queria que eu realmente fosse uma flor. Então o que eu posso fazer é ser a melhor flor amarela
de todas.

A caixinha dourada

Há algum tempo atrás, um homem castigou a sua filha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de
presente dourado.
O dinheiro era pouco naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina a embrulhar
uma caixinha com aquele papel dourado e a colocá-la debaixo da árvore de Natal.
Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menina levou o presente ao seu pai e disse: "Isto é para ti, Papá!"
Ele sentiu-se envergonhado da sua furiosa reacção, mas voltou a "explodir" quando viu que a caixa estava
vazia.
Gritou e disse: "Tu não sabes que quando se dá um presente a alguém, coloca-se alguma coisa dentro da
caixa?"
A menina olhou para cima, com lágrimas nos olhos, e disse: "Oh Papá, não está vazia. Eu soprei beijinhos
para dentro da caixa. Todos para ti, Papá".
O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou-lhe que lhe perdoasse.
Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado da sua cama por anos e, sempre que se sentia triste,
chateado, deprimido, pegava na caixa e tirava um beijo imaginário, recordando o amor que a sua filha ali
tinha colocado.
De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós tem recebido uma caixinha dourada, cheia de amor
incondicional e beijos dos nossos pais, filhos, irmãos e amigos...
Ninguém tem uma propriedade ou posse mais bonita que esta.

O Pote rachado

Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a
qual ele carregava atravessada em seu pescoço.
Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim
da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente. O carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu
chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava
envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que
ele havia sido designado a fazer. Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou
para o homem um dia à beira do poço:
- Estou envergonhado, e quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê ? Perguntou o homem. De que você está envergonhado ?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade da minha carga, porque essa rachadura no meu
lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem
que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote. O homem ficou
triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa de meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
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De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do
caminho, e isto lhe deu certo ânimo.
Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas
ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado ? Eu, ao conhecer o seu defeito, tirei vantagem
dele. Lancei sementes de flores no seu lado do caminho, e cada dia enquanto voltávamos do poço, você as
regava. Por dois anos eu pude colher estas lindas flores para ornamentar a mesa de meu senhor. Se você não
fosse do jeito que você é, ele não poderia ter esta beleza para dar graça à sua casa. Cada um de nós temos
nossos próprios e únicos defeitos. Todos nós somos potes rachados. Porém, se permitirmos, o Senhor vai
usar estes nossos defeitos para embelezar a mesa de seu Pai. Na grandiosa economia de Deus, nada se perde.
Nunca deveríamos ter medo dos nossos defeitos. Se os conhecermos, eles poderão causar beleza.

Menina cega

"Havia uma garota cega que se odiava pelo fato de ser cega. Ela também odiava a todos exceto seu
namorado. Um dia ela disse que se pudesse ver o mundo, ela se casaria com seu namorado.
Em um dia de sorte, alguém doou um par de olhos a ela. Então seu namorado perguntou a ela:
- Agora que você pode ver, você se casará comigo?
A garota estava chocada quando viu que seu namorado era cego.
Ela disse: Eu sinto muito, mas não posso me casar com você porque você é cego.
O namorado afastando-se dela em lágrimas disse:
- Por favor, apenas cuide bem dos meus olhos. Eles eram muito importantes pra mim."

O medo

Numa terra ,em guerra, havia um rei que espantava todos.


Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os para uma sala onde havia um grupo de archeiros
de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre a qual se viam cravadas figuras de caveiras cobertas
de sangue. Nesta sala ele mandava-os enfileirarem-se em círculo e então, dizia-lhes:
-”Vocês podem escolher entre morrerem trespassados pelas flechas dos meus archeiros ou passarem por
aquela porta e eu trancá-los lá dentro.”
Todos escolhiam serem mortos pelos archeiros. Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo
servira ao rei dirigiu-se ao soberano:
- “Sua Majestade, posso fazer-lhe uma pergunta?”
- “Diga, soldado.”
- “O que havia por detrás da assustadora porta?”
- “Vá e veja por si mesmo.”
O soldado, então, abriu vagarosamente a porta e, à medida em que o fazia, raios de sol entravam e
clareavam o ambiente...
E, finalmente, ele descobriu, surpreso, que... a porta se abria sobre um caminho que conduzia à
LIBERDADE !!!
O soldado, admirado, apenas olhou para o seu rei, que disse:
- Eu dava-lhes a escolher, mas preferiram morrer a arriscar-se a abrir esta porta.
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A Colher E O Oceano
A Fábula Do Tigre
A Lenda Do Monge E Do Escorpião
A Oração Que Deus Entendia
A Verdadeira Alquimia
Almas Grandes
Dois Monges
Escrevendo Na Areia
Fátima, A Fiandeira
Contos - Histórias Da Sabedoria Sufi
Lenda Hindu Sobre A Criação Da Mulher
Medo Do Desconhecido
O Anel
O Camponês Ling E Suas Sete Máscaras
O Enigma
O Guardião Do Castelo
O Guardião Do Mosteiro
O Jardim De Valhala
O Julgamento
O Presente De Insultos
O Rabino
O Samurai E O Mestre Zen
Os Doze Pratos
Que Tipo De Pessoas Vivem Neste Lugar?
Sem Piscar Os Olhos
Sinais
Um Conto Sufi
Um Conto Zen
Uma Antiga Lenda
O mestre e a rosa
Os pássaros solitários
O amigo...
Você decide...
Como você vê o mundo
A flor amarela
A caixinha dourada
O Pote rachado
Menina cega
O medo