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Certificação Ambiental

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MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL

GT

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CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL E A PROMOÇÃO DO ECOTURISMO NO PARQUE ESTADUAL TURÍSTICO DO ALTO RIBEIRA (PETAR)
KLEIN, Flávio Bordino1 e PAULINO, Sônia Regina2 Resumo
o presente trabalho tem como objetivo analisar as condições existentes em unidades de conservação para a implantação da certificação ambiental em empreendimentos que localizam-se no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). Foram considerados os aspectos socioambientais do turismo praticado no PETAR analisados à luz dos princípios e dos requisitos para Certificação em Turismo Sustentável, pela ABNT NBR 15.401:2006. O perfil da demanda revela que os turistas possuem altos níveis de escolaridade e renda e buscam serviços de acomodação com melhor infraestrutura, o que pode levar a que empreendimentos certificados tenham maior aceitação da parte dos turistas. Os resultados indicam que empreendimentos que buscarem a Certificação em Turismo Sustentável podem reduzir os impactos socioambientais negativos de modo a contribuir para a expansão e consolidação do ecoturismo no PETAR. Palavras-chave: Certificação Ambiental; Ecoturismo; Unidades de Conservação.

Introdução
Esse trabalho tem como objetivo analisar as possibilidades para a implantação da certificação ambiental no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), com base na ABNT NBR 15.401: 2006, em empreendimentos que prestam serviços de hospedagem aos turistas que visitam esta unidade de conservação. Com seus 35.712 ha, o PETAR faz parte da área contínua de Mata Atlântica mais preservada do Brasil. Ele foi criado pelo decreto lei nº 32.283 de 19/05/58, incluído como área de preservação do ecossistema Mata Atlântica e Caverna. Abrange os municípios de Apiaí (8.360 ha) e Iporanga (27.352 ha), ambos localizados na região do Vale do Ribeira, em SP (CASTRO, 2004; FOGAÇA, 2006). É classificado como uma Unidade de Conservação de Proteção Integral e seu uso, de acordo com a Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000, está restrito a atividades que não envolvam consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais. Assim, de acordo com o caput do art. 11 da supracitada lei, uma das atividades permitidas para unidades de conservação como o PETAR é o ecoturismo. De fato, a atividade turística nesta região vem sendo associada à geração de renda e de empregos para a população local, em especial no Bairro da Serra em Iporanga (BONDUKI, 2002; FOGAÇA, 2006). Porém, concomitante, existem evidências de aspectos que podem ocasionar impactos socioambientais negativos do turismo praticado dentro do Parque como a visitação turística acima da capacidade de carga, destruição física dos espeleotemas e no entorno: construção de hotéis e pousadas sem adequação paisagística, despejo de esgotos em rios e córregos sem tratamento e disposição imprópria dos resíduos sólidos gerados pelos turistas (FOGAÇA, 2006; GIATTI, 2004, LOBO, 2008). Como forma de estimular o ecoturismo no PETAR, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo contraiu um financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a realização do “Projeto de Desenvolvimento do Ecoturismo na Região da Mata Atlântica”. O Projeto abrange seis parques estaduais, dentre eles o PETAR. Os investimentos nos parques incluirão não apenas equipamentos para a prática de atividades como trilhas, mirantes, centros de interpretação ambiental, etc., mas também a melhoria e/ou ampliação de meios de hospedagem (exceto em Ilhabela e PETAR)3 e serviços de alimentação, venda de artesanatos e outros serviços turísticos que poderão ser geridos, no sistema de concessão, pelo setor privado (SÃO PAULO, 2008, grifo nosso). As atividades inseridas no referido Projeto baseiam-se em três componentes: estruturação dos parques para a visitação pública, organização e consolidação do produto turístico e fortalecimento da gestão pública. No caso do PETAR, a primeira componente será nos núcleos Caboclos, Ouro Grosso e Santana, a partir de obras para a reforma e ampliação dos referidos núcleos, além da reorganização administrativa para maior eficiência, controle e incremento da satisfação dos visitantes. Incluirá também investimentos em monitoramento e infraestrutura para a visitação dos atrativos (grutas e cavernas), nos seus acessos (trilhas) e a elaboração do plano de manejo. A segunda e terceira componente ocorrerá após a realização da primeira, visando ampliar a divulgação do marketing turístico e a gestão pública do Parque. O tempo para a execução deste projeto é de quatro anos e espera-se, após o seu término, um aumento de 50% no número de turistas (SÃO PAULO, 2008).
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Graduando do curso de Bacharelado em Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP flabklein@hotmail.com . Docente do curso de Bacharelado em Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP sonia.paulino@usp.br . A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo não explicita o porquê desta exceção.

ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - CITURDES

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no levantamento dos aspectos socioambientais inerentes ao turismo no PETAR para. a unidade foi o Bairro da Serra. PRADA. A referida norma serviu de base para a criação. Embora. 2004). Tal Norma foi desenvolvida no âmbito do Programa de Certificação em Turismo Sustentável (PCTS). Já impactos ambientais seriam quaisquer mudanças no meio ambiente que ocorrem como resultado das atividades de uma organização (MOURA.MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL GT 4 Existem. serem relacionados com os requisitos de gestão da sustentabilidade inseridos na supracitada Norma. de forma a agregar valores ao produto. a Norma Nacional para Meios de Hospedagem – Requisitos para a Sustentabilidade: NIH54:2004. 4 Aspectos ambientais são todos os elementos das atividades de uma organização (processos). o turismo no PETAR vem aumentando os impactos socioambientais adversos. o presente trabalho apresenta a seguir a estrutura. os aspectos ambientais compilados foram organizados e discutidos segundo os princípios e requisitos da ABNT NBR 15. Apesar deste modelo de certificação ser o mais difundido mundialmente. a tendência ao aumento da demanda turística evidencia um potencial para a consolidação dos empreendimentos já existentes. que incorpora a norma desenvolvida no Programa de Certificação em Turismo Sustentável – PCTS. Esta Norma é a referência do presente trabalho para analisar oportunidades para a promoção do ecoturismo no PETAR. os quais podem ser geridos no sistema de concessão.401:2006 (Meios de Hospedagem – Sistema de Gestão de Sustentabilidade – Requisitos). concomitante à conservação ambiental (INSTITUTO DE HOSPITALIDADE. melhoria do atendimento. não estabelece padrões de desempenho. portanto. aspectos socioambientais do ecoturismo no PETAR que podem estar relacionados à ocorrência de impactos adversos4. posteriormente. para o PETAR. dois anos depois. posteriormente. como já mencionado. em muitos casos. o Instituto de Hospitalidade. Por outro lado. A unidade de análise foi o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira e em relação ao entorno do parque.ISO 14001 (PINTO. 2004). da ABNT NBR 15. em 2004.CITURDES 284 . em parceria com o Conselho Brasileiro para o Turismo Sustentável (CBTS) publicaram. Metodologia Para o desenvolvimento do trabalho foram identificados. 2004). Muitas empresas estão demonstrando maior interesse em melhorar seu desempenho ambiental e. A referida Norma objetiva a sustentabilidade de micro e pequenos meios de hospedagem. localizado em Iporanga. com base em pesquisa bibliográfica e documental.401:2006. os investimentos não incluirão a expansão dos meios de hospedagem. Nos resultados. seus produtos ou serviços que podem interagir com o meio ambiente como. não considera os aspectos sociais e também não avalia os resultados mas sim os procedimentos adotados pelo empreendimento para implantar o Sistema de Gestão Ambiental . ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL . 2008). da qualidade de vida da comunidade receptora. o que evidencia uma necessidade de que a consolidação dos meios de hospedagem deva ocorrer a partir de instrumentos de gestão ambiental que conciliem o ecoturismo com a função desta UC. os aspectos negativos do turismo foram discutidos e analisados para. Devido a necessidade em criar-se um modelo de certificação propício à realidade do turismo ecológico no Brasil. Para a análise da contribuição potencial da certificação ambiental para a promoção do ecoturismo no PETAR. a qual baseou-se primeiramente. obterem certificação pela norma ISO 14001 (MOURA. através de requisitos e critérios mínimos. A partir do exposto. por exemplo. oportunidades para consolidação do ecoturismo em regiões com potencial. como é o caso do PETAR. consumo de água ou emissão de efluente. para diversos serviços turísticos.401:2006 apresentados no quadro 1. relacionálos com a ABNT NBR 15. a série de normas ISO 14000 baseia-se na certificação de procedimento e gerenciamento.

o hotel Canto das Águas. FOGAÇA. é o primeiro hotel a receber a certificação de conformidade com a ABNT NBR 15. Seleção e uso de insumos Requisitos relacionados aos aspectos socioculturais: • • • • • • Comunidades locais. • Qualidade e satisfação dos clientes.CITURDES 285 .401:2006 GT 4 Princípios: • Respeitar a legislação vigente. Compilação de aspectos socioambientais do ecoturismo no PETAR No PETAR. No caso da ABNT NBR 15. PRADA. efluentes e resíduos sólidos. No entanto. Em 2009. por exemplo. a beleza cênica e a floresta preservada tornaram o Parque um dos locais turísticos mais visitados no Estado de São Paulo. 2004). os aspectos socioambientais associados aos impactos adversos das atividades turísticas no PETAR. Resultados e discussão Esse item baseia-se em identificar e compilar.Princípios e requisitos5 ambientais. seria em comprometer-se com o aproveitamento da comunidade local (item 6. o ecoturismo nas últimas décadas tornou-se a principal fonte de renda e empregos.2 da Norma). Saúde e educação. um indicador para este requisito seria o percentual da mão-de-obra local em relação ao total do empreendimento. os padrões de certificação socioambiental são apresentados na forma de princípios e critérios. localizado na cidade de Lençóis. A partir dos procedimentos metodológicos apresentados.401. buscou-se apontar os aspectos ambientais do ecoturismo no PETAR para. Em 2003 o PETAR recebeu mais de 48 mil visitantes (GIATTI. no Bairro da Serra há uma carência de saneamento básico na região e. Os critérios tratam de elementos que podem ser medidos e/ou avaliados a partir de indicadores (PINTO. posteriormente. localizado em Iporanga (BONDUKI.401 (INSTITUTO ECOBRASIL. ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL . a questão da infraestrutura do setor hoteleiro não acompanhou o crescimento da demanda turística no PETAR. Eficiência energética. 2002. • Garantir os direitos das populações locais. Emissões. Os princípios expressam ideias. Requisitos relacionados aos aspectos ambientais: • • • • • • • • Preparação e atendimento a emergências ambientais. onde se localiza o Bairro da Serra. De uma forma geral. GIATTI. um dos critérios/requisitos estabelecidos ao empreendimento como. socioculturais e econômicos estabelecidos pela ABNT NBR 15. 2002. 2006). além da produção de resíduos sólidos pelos turistas que são dispostos em lixões a céu aberto (BONDUKI. Arquitetura e impactos da construção no local. Aspectos culturais. incluindo o turismo de aventura e o espeleológico (CASTRO. processos e atitudes. flora e fauna. 2004). No que concerne o atrativo turístico. GIATTI. Populações tradicionais Requisitos relacionados aos aspectos econômicos: • Viabilidade econômica do empreendimento. o requisito “qualidade e satisfação do cliente” possui 13 subitens exigidos pela Norma. Assim. 2008). Condições de trabalho. Em 1998. mais de 83% do fluxo de visitantes do PETAR concentraram-se no Núcleo Santana. Conservação e gestão do uso de água. 2004). Por exemplo. • Considerar o patrimônio cultural e os valores locais. Em relação aos aspectos paisagísticos. • Garantir a qualidade dos produtos. 2004. a qualidade das águas na região vem sendo comprometida devido ao despejo de esgoto sem tratamento nos rios e córregos no referido bairro. • Estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos. • Saúde e segurança dos clientes e no trabalho Fonte: ABNT NBR 15. relacioná-los com os princípios e requisitos inerentes à Norma. existem diversos subitens a ser considerados. Segundo Giatti (2004). em relação à população local. Fogaça 5 Salienta-se que para cada requisito listado no quadro 1. na Chapada Diamantina. com base em pesquisa bibliográfica e documental. definem a estrutura básica dos padrões. 2009). Áreas naturais. principalmente para a população residente no Bairro da Serra.401:2006. • Conservar o ambiente natural e sua biodiversidade. devido ao aumento do ecoturismo.MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL Quadro 1 . • Estabelecer o planejamento e a gestão responsáveis. Trabalho e renda. Paisagismo.

O setor hoteleiro local também não valoriza os gêneros alimentícios produzidos pelas comunidades locais. feitas de pau-a-pique. 2002). 2002). alterações comportamentais na fauna. muitas vezes.401:2006. A Fundação Florestal. devendo haver formas de garantir que as comunidades tradicionais e locais sejam também contempladas com os benefícios advindos do ecoturismo. Em relação aos aspectos socioeconômicos negativos. 40% e 10%. PAIVA.76% entre 9 e 15 salários. cada gruta recebe um número máximo de visitantes por dia. sobretudo no setor hoteleiro. gerando grande impacto ambiental em relação ao aspecto paisagístico. poeira. 15. 9. Sobre o perfil da demanda turística do PETAR. 2006). 2006). Isso também pode influenciar negativamente a cultura local. 2º. Outra questão pertinente refere-se à falta de investimento na qualificação profissional da mão-de-obra local.MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL GT 4 (2006) afirma que as casas que eram usadas como pousadas. surgimento de plantas e fungos. às vezes famílias que chegam sozinhos.78% entre 16 e 30 salários e 2. ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL . produtos como artesanato (BONDUKI. permitem agregar maior valor à economia local. comprometeu-se a entregar. Os turistas que visitam o Vale do Ribeira possuem tendência a realizarem relações sexuais sem preservativo e cometerem assédio e abuso sexual com as nativas. 2002). uma vez que podem limitar as oportunidades de emprego e renda à população local.65% de 5 a 8 salários. além de drogas injetáveis. 2007). segundo Rossi (1996 apud BONDUKI. em especial. além da depredação física dos espeleotemas. A procedência dos turistas é de suma importância: como Iporanga dista 360 km da capital paulista (GIATTI. Além disso. Outra questão pertinente acerca do perfil da demanda é de que há uma tendência de um novo perfil de turista que visita o PETAR: visitantes avulsos. e alteração no microclima (LOBO. 2004). os aspectos mais relevantes que foram evidenciados seriam: 6 O art. consumo exagerado de álcool e drogas (BONDUKI. mais de 47% possuem renda pessoal de até 4 salários mínimos. 2006). o tempo de permanência dos turistas no PETAR é em torno de três dias (FOGAÇA.985/2000 define o plano de manejo como um documento técnico mediante o qual. se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais. maconha. na caverna de Santana. 2004). não são nativos do bairro (FOGAÇA. gastam mais em suas viagens.72% mais de 30 salários mínimos. com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. uso de iluminação artificial à base de carbureto. 1996 apud BONDUKI. Certificação em Turismo Sustentável como instrumento de promoção do ecoturismo no PETAR Os aspectos associados a impactos socioambientais adversos em decorrência do turismo no PETAR relacionam-se com os requisitos da ABNT NBR 15. O interior do PETAR também vem sofrendo com aspectos e impactos da atividade turística. por exemplo. respectivamente (ROSSI. uso de madeira para o acesso ao interior da Caverna (a madeira pode causar desequilíbrio no ecossistema pela proliferação de fungos). órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e responsável pela administração do parque. danificadas por vandalismo (GIATTI. 2009). 2006. Quanto a procedência. além de exigirem maior qualidade e conforto pelos serviços. FOGAÇA. somado ao tempo de permanência. criou-se um plano de emergência como medida temporária para manter a atividade turística no PETAR: atualmente apenas as 12 cavernas mais visitadas estão abertas à visitação porém. o que impede maior arrecadação tributária em nível municipal (FOGAÇA. 2002). a mais visitada do PETAR: visitação acima da capacidade de carga. com algumas regras como. Esta mudança de perfil já é percebida por todos os empreendedores pois as pousadas que operam com as maiores taxas de hospedagem são as que possuem melhores padrões de conforto aos hóspedes cujos proprietários. o qual produz acetileno. potencializados pelo uso abusivo de álcool. de carro de passeio e sem guias próprios (BONDUKI. o que limita as possibilidades de ascensão profissional no setor turístico local. inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade.CITURDES 286 . entre abril e maio de 2010. fuligem e matéria orgânica transportada pelo corpo dos turistas. 20. inciso 17 da Lei nº 9. a maior parte das pousadas e camping não possuem firma aberta.36% do total estariam cursando o nível superior ou possuíam nível superior completo. 90% dos visitantes são das cidades do Estado de São Paulo sendo. grifo nosso). Em relação a renda. Em virtude dos crescentes impactos ambientais e pela ausência de um plano de manejo6. tampouco. cocaína e outras drogas sintéticas como LSD e ecstasy. em sua maioria. Esta questão sobre a maior parte dos empreendedores não serem nativos do bairro é relevante. Uma outra questão relevante é a influência da cultura dos turistas em relação a cultura local. apenas da Capital e para a cidade de Campinas. Tais dados evidenciam uma demanda com alto poder aquisitivo o que. foram transformadas em casas de alvenaria. um plano de manejo para a área (MOREIRA. Os turistas. um combustível que causa diversos impactos ao ecossistema interno das cavernas. No item anterior. 86% dos visitantes do Núcleo Santana possuem até 35 anos e cerca de 48. aumentando a vulnerabilidade à transmissão do HIV entre os turistas e população local e entre os próprios turistas (SANTOS. 2008). 2002. praticam comportamentos atípicos da comunidade como nadar sem roupas no rio.

2 (p.2. entre outros no interior das cavernas mais visitadas A seguir. Tais medidas. ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .5. de acordo com as condições locais”. A alínea b do item 5. o empreendimento também deve participar de programas de saúde das comunidades locais como iniciativas de educação para a saúde. neste caso. 10) da Norma trata sobre áreas naturais. reutilização e reciclagem. 16) afirma que: “pelo menos 50% da força de trabalho envolvida com as operações do empreendimento devem ser provenientes das comunidades locais”. o item 5.CITURDES 287 .1 da Norma. efluentes e resíduos sólidos. especialmente no interior das cavernas.2. Ainda no referido item. O item 5.1 (p. O item 5. não deve haver propagação de espécies exóticas pelo entorno e que seja utilizado o máximo de espécies nativas.MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL • • • • • • • GT 4 Geração de resíduos sólidos e disposição inadequada em lixões a céu aberto Geração de esgoto doméstico Despejo de esgotos sem tratamento em rios Construção de pousadas sem adequação quanto a paisagem Visitação em cavernas acima da capacidade de carga Infraestrutura inadequada à visitação em cavernas Poeira. esses aspectos são tratados procurando relacioná-los aos requerimentos para o cumprimento dos requisitos da norma de certificação. O aspecto paisagístico também é contemplado na Norma. depredação física.5 (p. o empreendimento deve ter um comprometimento com a conservação das áreas naturais próprias e inclusive de terceiros. O item 6.5. O incentivo à venda de artesanatos e de produtos típicos também são requisitos ao empreendimento conforme o item 6.4. o mesmo item afirma “Convém que o empreendimento participe nas ações da gestão das áreas naturais protegidas”. 12) “O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar os impactos provocados pelos efluentes líquidos ao meio ambiente e à saúde pública”.2: “O empreendimento deve incentivar a venda de artesanatos e produtos típicos (inclusive culinários) da região. reutilizar ou reciclar os resíduos sólidos. fornecidos por pessoas das comunidades locais.4 da Norma trata dos aspectos culturais. 11) afirma que “O planejamento e a operação do paisagismo do empreendimento devem ser efetuados minimizando os impactos ambientais”..1(p. 12) afirma que “O empreendimento deve planejar e implementar medidas para reduzir.1 (p. Os aspectos socioeconômicos negativos em decorrência do turismo no PETAR seriam: • • • • • • • Baixa capacitação da população local para atividades ligadas ao ecoturismo Limitação na ascensão profissional de empregos ligados ao turismo Falta de valorização para produção de alimentos e artesanato produzidos pela população local Vulnerabilidade da população local em contrair doenças como HIV devido ao assédio e abuso sexual dos turistas Consumo de álcool e outras drogas pelos turistas. 17) é de suma importância. inclui o esgoto doméstico. No supracitado item.2 (p. Sobre as áreas naturais protegidas. é tratado no item 5. fuligem. o mesmo item frisa que “O empreendimento deve promover ações de capacitação profissional..2. alteração no microclima e na fauna e proliferação de fungos. Sobre a inclusão da população local.4. o item 6. além de outros costumes que podem influenciar a cultura local Tendência ao aumento de empreendedores não nativos Oferta de serviços de acomodação que podem não atender plenamente as expectativas dos turistas O item 6 da Norma trata dos requisitos socioculturais para o turismo sustentável. devem incluir o tratamento das águas residuais a partir da conexão com o sistema público ou a partir de instalações próprias. Em relação aos efluentes líquidos.2 afirma que o empreendimento “quando não possuir uma área natural própria. o que. de modo que pessoas das comunidades locais ou regionais possam obter trabalho diretamente no empreendimento ou pela ativação de cadeias produtivas regionais. Os três últimos aspectos listados acima ocorrem dentro do Parque. Devido a vulnerabilidade da população local em adquirir doenças sexualmente transmissíveis como o HIV.]”.5 da Norma trata sobre emissões. no empreendimento ou nas próprias comunidades locais [. alguns cuidados devem ser tomados: o paisagismo deve refletir o ambiente natural do entorno. Sobre a capacitação.5. O item 6. conforme o item 6. O planejamento deve incluir o estabelecimento de metas de redução. segundo a Norma. pois trata-se do respeito à cultura local: “O empreendimento deve fornecer aos clientes orientações e informações para incentivar o conhecimento e para promover atitudes e comportamento de respeito à cultura local”. O item 5. flora e fauna. Para os resíduos. apoiar a proteção e manejo de áreas naturais de terceiros na região”.

Além disso. institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e da outras providências. FOGAÇA. sócioculturais e econômicos significativos relacionados aos meios de hospedagem. Nota-se. Disponível em: <http://www. Tais requisitos relacionam-se com a valorização da produção local. O trabalho apresentado demonstrou a importância do turismo no PETAR. 2004. Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. 225.985. Rio de Janeiro. uma alternativa viável e necessária para o uso restrito desta UC. 225 f. 2004. Dentre estas informações.br>.planalto. o que demonstra a necessidade do uso de instrumentos de gestão ambiental que possam tornar o turismo local em “turismo sustentável”.]. podemos destacar: o incentivo ao consumo de produtos regionais. 2006. C. Lei Federal N° 9. INSTITUTO ECOBRASIL. 2006. São Paulo. a Certificação em Turismo Sustentável. A implantação de áreas protegidas e o turismo no Bairro da Serra – Iporanga – SP. o item 7. ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL . Acesso em 20 de março de 2008 BONDUKI. BRASIL. as atividades socioculturais na região. 19) afirma que “O empreendimento deve manter um sistema de informação sobre a satisfação dos clientes [. Ecoturismo e impactos ambientais na região de Iporanga – vale do Ribeira – São Paulo. Hotel recebe certificado em Turismo Sustentável.pantanalecoturismo. I. É importante também que o empreendimento disponibilize aos clientes diversas informações acerca do local e do entorno. Balneário Camboriú. é propícia para implantação em empreendimentos no PETAR. Nesse sentido. Pantanal Ecoturismo.Sistema de gestão da sustentabilidade – Requisitos). Londrina. é adequada para aplicação em empreendimentos localizados no entorno do Parque. a população local. portanto. htm>. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Programa de Ciência Ambiental (PROCAM). a satisfação dos clientes também é relevante para os turistas do PETAR devido a maiores exigências quanto a qualidade nos serviços de acomodação. São Paulo.2 “Qualidade e satisfação dos clientes”. Dissertação (Mestrado em Geografia Meio Ambiente e Desenvolvimento) . Estudo das Transformações da estrutura física do Bairro da Serra no Município de Iporanga/SP em decorrência da atividade turística. As informações sobre a satisfação dos clientes devem ser utilizadas na revisão crítica do sistema de gestão da sustentabilidade”. F.gov. Sobre isso.2. portanto. especialmente pela geração de empregos e renda à população local sendo.CITURDES 288 . 2004. GIATTI.br/NOTICIA-PANTANAL-919-HOTEL+RECEBE+CERTIFICADO+EM+TURISMO+SUSTENTAVEL.. Dentre eles. 193 f. e informações sobre como se comportar no meio rural. conforme o item 7. § 1º. bem como a ampliar os benefícios à população local. poderiam auxiliar na gestão turística do PETAR. o respeito quanto a cultura local e a não degradação do ambiente físico como a destruição de espeleotemas por vandalismo no interior das cavernas. 153 f. L. 2002. a partir da referida norma. L. tal Norma levaria os empreendimentos a reduzir os impactos socioambientais negativos que ocorrem. O estudo de trilhas do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira. Acesso em 16 de fevereiro de 2010.MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL GT 4 O item 7 da Norma refere-se aos requisitos econômicos para o turismo sustentável. O caminho entre a percepção.tur. convém destacarmos o item 7. incisos I. M.2. E. Como já abordado. Porém. 2006. 148 f. os principais tipos de turismo praticado no PETAR seriam o de aventura e o espeleológico e tais tipos devem ser identificados e oferecidos aos clientes conforme o item 7. Verifica-se que a Certificação em Turismo Sustentável é focada nos meios de hospedagem. Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) NBR 15. I. Universidade de São Paulo.401 (Meios de hospedagem . a partir da inclusão da mão-de-obra local. 18) “O empreendimento deve estabelecer e manter procedimento para identificar as expectativas dos clientes em relação aos produtos e serviços oferecidos”.401 levam em conta os requisitos legais e os impactos ambientais. os gestores do PETAR e os meios de hospedagem. como se conduzir nas comunidades locais e sobre suas responsabilidades nos locais que visitar. estabelecendo critérios mínimos específicos de desempenho em relação à sustentabilidade que permitem considerar adequadamente aspectos relacionados aos principais impactos sociambientais negativos da atividades turística no PETAR. evidenciou-se que existem diversos aspectos associados a impactos socioambientais adversos no interior e no entorno do PETAR decorrentes do turismo no local.Universidade Vale do Itajaí.Universidade Estadual de Londrina. Considerações finais Os objetivos da ABNT NBR 15. inclusive no auxílio à aplicação e monitoramento do plano de manejo que atualmente espera-se para a região.1 (p. Disponível em: <http://www. 24 de agosto de 2009.7 da Norma.4 (p. III e Vll da Constituição Federal. de 18 de julho de 2000.. se implementados. 2002 CASTRO. Além disso. Seus princípios e requisitos. II. Tese (Doutorado em Saúde Pública). Regulamenta o art. Tais aspectos envolvem os turistas.401. bem como pela divulgação da cultura e produtos como artesanato produzidos localmente. o impacto no solo e as metodologias de manejo.2. Dissertação (Mestrado em Turismo e Hotelaria) . 2004. que a Certificação em Turismo Sustentável. pela ABNT NBR 15.

SANTOS. Acesso em 16 de setembro de 2009. .. e indicações para seu manejo turístico. PETAR: sim. A. 2002. MOURA. M.. 80-86. Piracicaba-SP: Imaflora. São Paulo. 2004. Capacidade de Carga Real (CCR) da Caverna de Santana. v. PRADA. S. Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) – SP. Fundamentos da Certificação. 369-385.. Caderno Viagem e Aventura. p. Revista de Saúde Pública. nós temos cavernas. ago. Salvador. H. L. 20 out 2009. 2008. Vulnerabilidade ao HIV: turismo e uso de álcool e outras drogas. 69. Programa de Certificação em Turismo Sustentável. G. 3.pdf>. Disponível em: <http://homologa.ambiente. LOBO.. O. 27. Luiz Antônio Abdalla de.CITURDES 289 . Qualidade e gestão ambiental. O Estado de São Paulo. Informe Ambiental. In: ALVES. S. SZMRECSÁNYI. 20-37. F. F. PINTO.gov. F. A. V.. 2007. L. 08-11. SÃO PAULO. Projeto de desenvolvimento do ecoturismo na Região da Mata Atlântica. p. São Paulo. São Carlos: EdUFSCar. Secretaria do Meio Ambiente. T. MOREIRA. J. L. ANAIS DO VII CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL . São Paulo: Juarez de Oliveira.sp. 2008. UNESP Geociências. G. PAIVA. FERRAZ. p. n. 3ª edição. São Paulo.MEIO AMBIENTE E TURISMO RURAL GT 4 INSTITUTO DE HOSPITALIDADE. v. 2008. n. Manual de boas práticas: implementação do sistema de gestão. PINTO. G.br/ecoturismo/mataatlantica/downloads/Informe%20 Ambiental_revisao_2008. p. A. Certificação Socioambiental para a Agricultura: desafios para o setor Sucroalcooleiro. 2. 41. p.

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